RODRIGUESIA
Revista do Jardim Botânico do Rio de Janeiro
Volume 57
Número 1
2006
5V shf t 33 -S
RODRIGUÉSIA
Revista do Jardim Botânico do Rio de Janeiro
Volume 57 Número 1 2006
I 0301377-4
cm ..
INSTITUTO DE PESQUISAS
JARDIM BOTÂNICO DO RIO DE JANEIRO
Rua Jardim Botânico 1008 - Jardim Botânico - Rio de Janeiro - RJ - Tel.: 3204-2519 - CEP 22460-180
©JBRJ
ISSN 0370-6583
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e-Joumals
Index of Botanical Publications (Harvard University Herbaria)
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Review of Plant Pathology
Ulrich’s International Periodicals Directory
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Rodriguésia
A Revista Rodriguésia publica artigos e notas
científicas em todas as áreas da Biologia Vegetal, bem
como em História da Botânica e atividades ligadas a
Jardins Botânicos.
Ficha catalográfica:
Rodriguésia: revista do Jardim Botânico do Rio de Janeiro.
— Vol.l, n.l (1935) - Rio de Janeiro: Instituto de
Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro, 1935-
v. : il. ; 28 cm.
Quadrimestral
Inclui resumos em português e inglês
ISSN 0370-6583
1 . Botânica I. Instituto de Pesquisas Jardim Botânico
do Rio de Janeiro
CDD - 580
CDU -58(01)
Editoração
Carla M. M. Molinari
Edição on-line
Renato M. A. Pizarro Drummond
Secretária
Georgina M. Macedo
SciELO/ JBRJ
_2 13 14 15 16 17
Editorial
Q/Ve ste volume da Rodriguésia é publicado um conjunto de onze artigos que se
caracterizam pela diversidade de temas, enfoques e abrangência geográfica. Dentre estes,
cinco possuem mais de 15 páginas. Tal fato reflete a política editorial da revista, bem como
uma das vocações das publicações do Jardim Botânico do Rio de Janeiro, que é possibilitar
a divulgação de resultados de estudos de longa duração e oriundos de teses e dissertações.
Ampliar a representatividade de instituições nacionais e estrangeiras entre os
colaboradores da Rodriguésia é um dos objetivos principais do Corpo Editorial em 2006.
Para tal, consolidamos a publicação eletrônica com acesso livre e ampliamos a permuta e
distribuição da revista impressa. Mais além, manteremos a iniciativa de organizar volumes
temáticos com convite amplo, tal qual realizado no ano anterior. Em 200ó será publicado o
segundo volume sobre a Flora da Reserva Ducke e em 2007 está planejado um volume
especial sobre estudos em leguminosas, para o qual podem ser encaminhados manuscritos
até agosto próximo.
Finalmente, informamos que, a partir deste número, os volumes serão numerados de
1 a 3 e as páginas serão seqüenciais, de modo a facilitar a indexação e busca de artigos.
Leandro Freitas
Gestor do Corpo Editorial
Rafaela Campostrini Forzza
Editora-chefe
SciELO/JBRJ
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SUMÁRIO/CONTENTS
Moomorfología y estructura de la cubierta seminal de cuatro especies de Loasaceae Juss.
PRESENTES EN VENEZUELA / SEED COAT MICROMORPHOLOGY AND STRUCTURE OF FOUR SPECIES OF LOASACEAE
JUSS. PRESENT IN VENEZUELA
Eliana Noguera & Damelis Jáuregui 1
Tricomas foliares em espécies de Croton L. (Crotonoideae-Euphorbiaceae) / Foliar trichome in
Croton L. (Crotonoideae-Euphorbiaceae)
Maria de Fátima de Araújo Lucena & Margareth Ferreira de Sales 11
Leguminosae arbustivas e arbóreas da floresta atlântica do Parque Nacional do Itatiaia,
SUDESTE DO BRASIL: PADRÕES DE DISTRIBUIÇÃO / WOODY LEGUMINOSAE IN THE ATLANTIC FOREST
OF The Itatiaia National Park, southeastern Brazil: distribution patterns
Marli Pires Morim 27
Flora da ParaIba, Brasil: Tillandsia L. (Bromeliaceae) / Flora of Paraíba, Brazil: Tiliandsia L.
(Bromeliaceae)
Ricardo Ambrósio Soares de Pontes & Maria de Fátima M. F. Agra 47
Fragmentação florestal: breves considerações teóricas sobre efeitos de borda/
Forest fragmentation: brief theoretical considerations about edge effects
Pablo José Francisco Pena Rodrigues & Marcelo Trindade Nascimento ó3
SOLANACEAE NA RESERVA RiO DAS PEDRAS, MaNGARATIBA, RiO DE JANEIRO - BRASIL / SOLANACEAE OF THE
Rio das Pedras Reserve, Mangaratiba, Rio de Janeiro - Brasil
Lúcia d'A. Freire de Carvalho & Massimo G. Bovini 75
Duas espécies novas de Polycaia L. (Polygalaceae ) para o Brasil / Two new species of Polygala L.
(Polygalaceae) in Brazil
Maria do Carmo Mendes Marques & José Floriano Barêa Pastore 99
Composição florIstica do compartimento arbóreo de cinco remanescentes florestais do
maciço do Itatiaia, Minas Gerais e Rio de Janeiro / Species composition of the tree flora
OF FIVE FOREST FRAGMENTS OF THE ITATIAIA MOUNTAIN RANGE, SOUTH-EAST BRAZIL
Israel Marinho Pereira, Ary T. Oliveira-Filho, Soraya Alvarenga Botelho,
Warley Augusto Caldas Carvalho, Marco Aurélio Leite Fontes, Ivan Schiavini &
Alexandre Francisco da Silva 103
Novidades taxonômicas em espécies brasileiras de Crotaiaria sect. Calycinae Wight & Arn.
(Leguminosae-Papilionoideae) / Taxonomic novelties in Brazilian species of Crotaiaria sect.
Calycinae Wight & Arn. (Leguminosae-Papilionoideae)
Andréia Silva Flores, Andréa Martinelli Filliettaz & Ana Maria Goulart de Azevedo Tozzi 127
Acacia clobosa e Acacia limae, duas novas espécies de Leguminosae-Mimosoideae para o Brasil /
Acacia clobosa and Acacia limae, two new species of Leguminosae-Mimosoideae in Brazil
Ana Luiza Du Bocage & Silvia Teresinha Sfoggia Miotto 131
Annonaceae da Reserva Biológica da Represa do Grama, Descoberto, Minas Gerais, Brasil,
COM UMA NOVA ESPÉCIE, UnONOPSIS BAUXITAE / ANNONACEAE OF THE RESERVA BlOLÓGICA DA
Represa do Grama, Descoberto, Minas Gerais, Brazil, with a new species, Unonopsis bauxitae
Adriana Quintella Lobão, Rafaela Campostrini Forzza & Renato de Mello-Silva 137
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Micromorfología y estructura de la cubierta seminal de cuatro
ESPECIES DE LOASACEAE Juss. PRESENTES EN VENEZUELA
Resumo
Eliana Noguera' & Dome lis Jcíuregui 2
(Micromorfología y estructura de la cubierta seminal de cuatro especies de Loasaceae Juss. presentes cn
Venezuela) Se realizó el estúdio morfológico y anatómico de la cubierta seminal de Gronovia scandens L,
Klaprothia fasciculaía (Presl.) Poston & Nowicke, Mentzelia aspera L., y Nasa triphylla (Juss.) Weigend,
especies pertenecientes a las Loasaceae. El estúdio se llevó a cabo con material fresco y material herborizado.
La caracterización morfológica se realizó bajo microscopio estereoscópico. Para la caracterización histológica
se obtuvieron secciones transversales y longitudinales las cuales se estudiaron bajo un microscopio óptico,
adicionalmente se realizaron prucbas histoquímicas. La micromorfología de la cubierta seminal fue observada
en un microscopio electrónico de barrido. Se encontraron diferencias en el tamano, color y forma de las
semillas, con las cuales se puede diferenciar fácilmente cada una de las especies. En el estúdio de la
microescultura y la anatomia de Ia cubierta seminal también se observaron rasgos específicos que permiten
diferenciar Ias cuatro especies estudiadas.
Palavras-chave: Loasaceae, cubierta seminal.
Abstract
(Seed coat micromorphology and structure of four species of Loasaceae Juss. present in Venezuela) Was
carried out lhe morphological and anatomical study of the seed coat of Gronovia scandens L., Klaprothia
fasciculaía (Presl.) Poston & Nowicke, Mentzelia aspera L., and Nasa triphylla (Juss.) Weigend, species
belonging to the Loasaceae. The study was carried out with fresh material fresh and herbarium material. The
characterization morphological was carried out low microscope estereoscópico. For the characterization
histological transverse and longitudinal scctions those were obtained which were studied under an light
microscope, additionally they were carried out hislochemical assays. The micromorphology of the seed coat
was observcd in a scanninig elcctronic microscope. They were differences in the size, color and it forms of the
seeds, with which it can diffcr each one of the species easily. In the study of the microsculpturing and the
anatomy of the seed coat specific features were also observed that allow to differentiate the four studied
species.
Key-words: Loasaceae, seed coat.
IlNTRODUCCION
Loasaceae, se distingue de otras famílias
relacionadas, por sus tricomas de forma
multicelular y usualmente urticantes, por los
variados tipos de estaminodios, por los pélalos
frecucntemente côncavos y las cápsulas
valvadas, espiraladas (Lawrence 1989). Esta
familia incluye aproximadamente 20 géneros
y 325 especies distribuídas principalmente a lo
largo de América, y solo dos géneros fucra
dei continente, el género Kissenia con dos
especies en el sur oeste de África, sur de
Arabia y Somalia, y el género Plakothira con
tres especies en las Islas Marquesas de
Polinesia (Dandy 1926; Weigend 2002). En
Venezuela, la familia está representada por
cuatro géneros ( Gronovia , Klaprothia,
Mentzelia y Nasa ) y 1 1 especies, con
distribución principalmente al norte y en la zona
andina. En la actualidad luegode rcevaluaciones
realizadas por Weigend (1997) para cl género
Nasa, las especies dei género Loasa presentes
en Venezuela se incluyeron dentro dei género
Nasa.
De acuerdo a la clasificación propuesta
por Weigend ( 1 997), Loasaceae está conformada
Artigo recebido em 03/2004. Aceito para publicação cm 06/2005.
'Postgrado cn Botânica Agrícola, Facultad dc Agronomia, Universidad Central dc Venezuela, Prolongación Av. 19 de
Abril, Zona Universitária, apartado postal 4579, Estado Aragua, Maracay, 2101.
•'Laboratorio dc Anatomia Vegetal "Prof. Antonio Fcrnándcz" Instituto de Botânica Agrícola, Facultad dc Agronomia,
Universidad Central de Venezuela, Prolongación Av. 19 de Abril, Zona Universitária, Via El Limón, apartado postal
4579, Estado Aragua, Maracay, 2101. eliananogucra@yahoo.com
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por cuatro subfamilias: Gronovioideae,
Loasoideae, Mentzelioideae y Petalonychoideae.
En el presente trabajo se estudiarán las
especies Gronovia scatidens (Gronovioideae),
Klaprothia fasciculala (Loasoideae),
Mentzelia aspera (Mentzelioideae) y Nasci
triphylla (Loasoideae). En Venezuela no se
han realizado investigaciones con relación a la
morfologia y/o la anatomia de las semillas de
las especies de la familia Loasaceae; sin
embargo, a nivel mundial existen trabajos sobre
la semilla, pero basados exclusivamente en la
cubierta seminal; en tales estúdios se ha
demostrado que la morfologia de la semilla, en
este grupo, tiene importância taxonómica (Hill
1976; Poston & Shetler 1984; Hufford 1988).
Además de su importância reproductiva y
taxonómica, las semillas de las especies de
Loasaceae, tienen importância medicinal, ya
que estúdios químicos has demostrado que
especies pertenecientes a las subfamilias
Loasoideae y Mentzelioideae presentan
iridoides, (Kooiman 1974; Spren, et al. 1981;
Müller et al 1999); estos compuestos están
siendo empleados farmacológicamente para
sintetizar ingredientes activos promisorios en
el tratamiento dei câncer y dei HIV (Mplgard
et al. 2001). Además de esto, exploradores y
botânicos reportaron que semillas dei género
Mentzelia fueron importantes en la dieta de
los aborígenes americanos nativos en el
noroeste, centro y suroeste de los Estados
Unidos (Hill 1976).
Dada la importância citada y sumado al
hecho de que han sido poco estudiadas las
semillas de las especies Gronovia scandens,
Klaprothia fasciculata, Mentzelia aspera y
Nasa triphylla, se justifica emprender este
estúdio, con el fin de conocer en detalle la
anatomia de las mismas y detectar caracteres
con posible valor taxonómico para la familia
Loasaceae.
Materiales y Métodos
Se trabajó principalmente con material de
los herbários (MY) y MERF); las colecciones
utilizadas fueron las siguientes: Gronovia
Noguera, E. <£ Jduregui.D.
scandens P. Montaldo 3648 (MY); Klaprothia
fasciculata L.R.T. & J.A.D. 11798 (MERF);
Mentzelia aspera L. Cárdenas 1941 (MY) y
Nasa triphylla C.E. Bénitez 1737 (MY).
También se usó material de colecciones
propias.
Para estudiar las características
morfológicas de las semillas de cada especie
se utilizo material fijado en FAA y material de
herbário. Para determinar el tamafio de las
semillas se midió el largo y el ancho de las
mismas con papel milimetrado, bajo el
microscopio estereoscópico. La descripción de
la forma de las semillas y la textura de sus
superfícies se realizo siguiendo la terminologia
propuesta por Lindley (1951). El color de las
semillas se determino con la carta de colores
Methuen Handbook of Colour de Komerup &
Wanscher (1978).
Para la realización dei estúdio histológico
de cada una de las especies, se extrajeron
manualmente, las semillas de los frutos
maduros y se seleccionaron tres semillas por
especie, provenientes de diferentes colecciones.
En el caso de G. scandens las semillas no
fueron extraídas de los frutos, debido a lo
delicada de la cubierta seminal de las mismas
y a su difícil separación dei fruto. Una vez
seleccionadas las semillas se hidrataron durante
24 horas en agua destilada, luego se colocaron
en agua-glicerina (1: 3) durante 72 horas.
Posteriormente se hirvieron por 10 minutos en
agua destilada y fueron colocadas en etanol
50% durante tres horas. Seguido se realizo la
deshidratación de las muestras con una serie
ascendente de alcohol butílico terciário (TB A),
luego se infiltro e incluyó en paraplast (Johansen
1940). Después de incluído el material; se
procedió a seccionado entre 7-10 ^tm en el
micrótomo de rotación. Las secciones se tineron
con azul de toluidina acuosa al 0,05%, sin
desparafinar previamente (Sakai, 1973) y se
montaron en bálsamo de Canadá, obteniendo
así lâminas permanentes. Todas las lâminas
preparadas fueron observadas en un
microscopio óptico marca Leitz, modelo HM-
LUX3, realizando descripciones cualitativas.
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Cubiena seminal de Loasaceae
3
Para efectuar las pruebas histoquímicas se
utilizaron lâminas con secciones sin tenir. Las
secciones se cubrieron con los reactivos
correspondientes para cada prueba. Para
identificar lignina se utilizo floroglucinolal 1 %
en etanol al 96 %, para ello se adiciono una
gota de floroglucinol sobre la sección y luego
se le adicionó ácido clorhídrico, se detecto la
presencia de este compuesto por la aparición
de una coloración roja (Roth 1964). En el caso
de almidón se usó yodo yoduro de potasio, la
molécula de este componente al penetrar en
el almidón lo colorea de violeta a negro (Roth
1964). Se detectó la presencia de lípidos con
Sudan IV, preparando este último con etanol
al 80%, la presencia de sustancias grasas se
detecta por la aparición de un color naranja
(Johansen 1940).
Para el estúdio de la micromorfología de
la cubierta seminal, se tomaron de muestras
de frutos maduros y de herbário, dos semillas
por cada especie. Una vez seleccionadas las
semillas fueron metalizadas con una capa de
1 5-35 nm de oro-paladio en un metalizador Bal-
Tec SCB 050. Posteriormente fueron
observadas y folografiadas en un microscopio
electrónico de barrido Hitachi S-2300.
Resultados
Las semillas de las cuatro especies
estudiadas, presentan rasgos diferentes en
cuanto a su morfologia y anatomia, que
permiten su fácil reconocimicnto.
En cuanto a las características
morfológicas de las semillas estudiadas se
pueden senalar que el tamano de las semillas
es variable, sin embargo, tienden a ser
pequefías; las semillas de mayor tamano son
las de G. scan deus de 3 mm de largo x 1,7
mm de ancho y las de menor tamafio son las
de K. fasciculata de 0,8 mm de largo x 0,5
mm de ancho, con valores intermédios N.
triphylla 1-1,5 mm de largo x 0,5-0, 8 mm de
ancho y M. aspera de 2, 5-2, 8 mm de largo x
1 ,2-1,4 mm de ancho, es importante destacar
que en el caso de G. scandens solo se presenta
una semilla por fruto, a diferencia de las otras
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especies donde se presentan varias semillas
por fruto; en este último caso, se observó en
ocasiones, ligeras variaciones de la forma entre
las semillas de un mismo fruto. Con relación a
la forma en G. scandens y N. triphylla las
semillas son ovoides, en K. fasciculata son
de forma elipsoidal y en M. aspera son
piriformes. En cuanto al color G. scandens se
diferencia dei resto por su tono verde grisáceo
y se observa la dominância dei color marrón,
en K. fasciculata las semillas son marrón
claro, en M. aspera son marrón y en N.
triphylla son marrón oscuro. La forma de las
semillas, aunada a cualquiera de las otras dos
características permite diferenciar las cuatro
especies; a pesar de que las semillas de G.
scandens y N. triphylla son ovoides.
En cuanto a la micromorfología de las
semillas, destacan las siguientes características
para cada una de las especies: En las semillas
de G. scandens se observan suaves
depresiones irregulares (Fig. 1 y 2). En el caso
de las semillas de K. fasciculata la superfície
de la cubierta seminal se distingue por
presentar células alargadas longitudinalmente,
con estriaciones perpendiculares al eje mayor
de las mismas y células papilosas distribuídas
al azar (Fig. 3) asimismo, se debe destacar que
en uno de los extremos de la semilla este patrón
cambia, observándose las células con la
superfície ligeramente verrucosa (Fig. 4). Con
relación a la cubierta seminal de M. aspera,
está presenta células alargadas dispuestas en
hileras, las cuales a su vez presentan
estriaciones perpendiculares, que terminan en
forma tuberculada (Fig. 6) principalmente hacia
los extremos de las semillas (Fig. 5). Y en Ias
semillas de N. triphylla la superfície de la
cubierta seminal es reticulada, con células
poligonales, de diferentes tamanos y contornos
ligeramente ondulados (Figs. 7 y 8).
En cuanto a los caracteres estructurales
en las semillas de G. scandens la testa está
conformada por dos capas (Fig. 9). La
primera capa de células parenquimatosas,
isodiamétricas, rclativamente grandes con las
paredes periclinales externas ligeramente
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Noguera. E. & Jáuregui.D.
Minugi anas ai MtB de semillas de cuatro esneciM i „
cubierta seminal de G. scandem nótese suaves^eoresion^T f' V'Sta 8Cneral de ° scandens- 2‘ Detalle d
fasciculata, obsérvense células alargadas longituLalmeiV^^ ^ ('ndlCadas con nechas>- 3- Vista general d<
distribuídas al azar (indicadas con flecha) 4 estmc,“nes P^endiculares (ce) células papilt
superfície ligeramente ZT * <«»•.«*« ««■» 1
asterisco*). 6- Detalle de la cubierta seminal de M asnera ohsén. 1 ndlese células papilosas (indicadas
(=el. 7. Vi», gcaera, Oe « «*** nAeee „ ^ «UT ÍESKSSS ZSZSSSSH
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cm
SciELO/JBRJ
Cubierla seminal de Loasaceae
5
convexas y las paredes anticlinales rectas. La
segunda capa de células parenquimatosas
relativamente pequenas, de diferentes tamanos,
de menor espesor que las células de la primera
capa. En estas capas no se observo reacción
a las pruebas histoquímicas realizadas (Tabla
1). En las semillas de K. fasciculata : la testa
está constituída por una capa de células con
paredes y cutícula engrosadas, donde unas
paredes periclinales externas son rectas y otras
convexas, presentando estas últimas aspecto
papiloso (Fig. 10), y contenido citoplasmático
denso. Luego se presentan de varias capas de
células largas, con su eje mayor paralelo a la
superfície y con engrosamientos reticulados de
la pared, presentando un patrón de
organización distinto al de la pared de las
células de la capa externa (Fig. 11). Las
paredes de estas últimas capas reaccionaron
positivamente a la prueba de lípidos (Tabla 1).
En cuanto a las semillas de M. aspera la testa
está conformada por una capa muy delgada
de células con contornos irregulares (Fig. 12).
Seguido se observa una capa de células con
las paredes periclinales externas convexas y
gruesas, las paredes anticlinales con forma de
omega invertida, y contenido citoplasmático
denso; estas células reaccionaron positivamente
a la prueba de almidón (Tabla 1) y en las paredes
periclinales internas de las mismas se detectó
la presencia de lípidos. Inmediatamente, se
observan 2-3 capas de tejido parenquimático,
donde las células tienen paredes delgadas,
contenido citoplasmático denso y núcleos
grandes (Fig. 12). Y para las semillas de N.
triphylla se observó que la cubierta seminal
está constituída por una capa de células de formas
y tamanos diferentes con paredes ligeramente
engrosadas y contenido citoplasmático
relativamente denso. Las paredes periclinales
externas son irregulares y las paredes
anticlinales se observan rectas o curvas. Lo
irregular de la forma de las células de esta capa,
hace que el margen no sea homogéneo (Fig.
13). Las paredes anticlinales de esta capa
reaccionaron levemente a la prueba de lípidos
(Tabla 1) y en algunas células se observó
reacción a la prueba de almidón. Luego de esta
capa siguen 2-4 capas de células
parenquimatosas de menor tamafío que las de
la capa anterior, con paredes relativamente
gruesas y contenido citoplasmático denso (Fig.
13), en ellas se detectó la presencia de almidón
(Tabla 1).
Como se observa en la Tabla 1, en
ninguna de las semillas estudiadas se detectó
la presencia de lignina y se podría decir que la
presencia de lípidos fue común a las especies
con excepción de G. scandens.
Discusión
Las semillas de las cuatro especies
estudiadas mostraron características
particulares. A nivel macroscópico se pueden
diferenciar fácilmente las semillas por su
tamano, forma y color. El tamafío registrado
para G. scandens, K. fasciculata, M. aspera
y N. triphylla coincide con lo senalado por
Avendano (1999) para estas especies.
Con relación al tamano de las semillas
Lindorf et al. (1991) senalaron que las semillas
pequefias están, por lo general, presentes en
la mayoría de las plantas herbáceas; lo cual
coincide con las especies aqui estudiadas, ya
que estas son plantas herbáceas y presentan
semillas pequefias.
Tabla 1- Reacción ante las pruebas histoquímicas realizadas en la cubierta seminal de cuatro especies de
Loasaceae, presentes en Venezuela.
Espccic
Almidón
Lípidos
Lignina
Gronovia scandens
-
-
-
Klaprothia fasciculata
-
+
-
Mentzelia aspera
+
+
•
Nasa triphylla
+
+
-
Presencia (+) / Ausência (-).
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;SciELO/ JBRJ
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6
Noguera, E. <£ Jáuregui.D.
40u»n
Secciones transversales de la cubierta seminal de cuatro especies de Loasaceae gr, ,, ' ' / ;
segunda capa (sc). 10- K. fasciculata, capa de paredes gruesas (indictdas con flechS' U k7 ^77 T, ^
engrosamientos reticulados en la mrpíWppí n , 1 auas con llecha). 1 1 - AT. fasciculata células c<
Lindorf er al. (1991) y Werker (1997)
indicaron que la disminución en el número de
semillas por fruto conduce probablemente a
un incremento en el tamano de las mismas,
relación esta, que se evidencia en las semillas
de G. scandens. Sin embargo, al comparar
las semillas de K. fasciculata y N. triphylla ,
no se evidencia esta relación, entre el número
de semillas y su tamano, ya que N. triphylla
presenta mayor número de semillas por fruto
y semillas de mayor tamano que las de K.
fasciculata.
Los resultados referentes a la forma de
las semillas difieren de lo senalado por
Avendano (1999) quien considera que las
semillas de K. fasciculata son oval-obovoides
y las de M. aspera son de forma irregular.
Según Werker (1997) la forma de la semilla
está determinada genéticamente, pero es
finalmente moldeada por el espacio disponible
dentro dei fruto, y además indico que la forma
puede jugar un papel crucial en su dispersión.
Con relación al color Werker (1997)
menciono que la mayoría de las semillas
maduras son de vários matices de marrón a
negro, tal como se observo en las semillas de
K. fasciculata, M. aspera y N. triphxlla, y
que menos comúnmente son de color gris, tal
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cm
Cubierta seminal de Loasaceae 7
como se observo en G. scandens. De igual
forma senaló Werker (1997) que el color de
las semillas, similar al dei suelo donde crecen
puede ayudar en el camuflaje de las semillas
para protegerias de los depredadores. Es
importante destacar que para la determinación
dei color de la semilla, esta debe estar madura,
ya que el color puede ser variable dependiendo
de su estado de desarrollo.
También la micromorfología y el arreglo
histológico de la cubierta seminal aportan
diferencias para la identificación de los taxa
estudiados.
En cuanto a la micromorfología se puede
senalar que la omamentación de la cubierta
seminal de células alargadas con estriaciones,
observada en M. aspera coincide con la
presentada por Thompson & Powell (1981),
para esta misma especie; y con la hallada por
Hill (1976) para las especies M. incisa, M.
floridana y M. texana. Siendo estas especies
y M. aspera miembros de la Sección
Eumentzelia, lo cual posiblemente indica que
la omamentación de la superfície de la cubierta
seminal en este género, tiene importância
taxonómica.
La escultura reticulada, con contornos
ondulados observada en N. triphylla, coincide
con lo senalado por Hufford (1988) para las
semillas de las especies Loasa bergii, L.
incana y L rudis (estas especies actualmente
son consideradas dentro dei género Nasa).
Ambos resultados hacen presumir que el patrón
reticulado tiende a ser común entre las especies
de este género. Sin embargo, para la
determinación específica, parece tener
importância la omamentación de la superfície
de la pared periclinal externa, o lo que según
Barthlott (1981) es la escultura secundaria.
Poston & Nowicke (1990) consideraron
para la reevaluación de los géneros Klaprothia
y Sclerothrix, la omamentación de la cubierta
seminal como carácter de importância
taxonómica para su identificación. Estos
autores senalaron que la cubierta seminal de
K. fasciadata es reticulada, con estriaciones
perpendiculares al eje longitudinal de la semilla;
coincidiendo sus resultados con lo senalado en
este estúdio para dicha especie.
Comer (1976) senaló para las semillas de
la familia Loasaceae, que éstas provienen de
óvulos unitegumentados y la testa no
multiplicativa, lo cual podría explicar Io delgada
de la testa en cada una de las semillas
estudiadas.
De todas las semillas estudiadas las de
G. scandens presentaron la testa con la
estructura mas sencilla, lo cual podría deberse
en parte, a que el fruto le proporciona
protección al embrión; en relación a esto
Lindorf et al. (1991) mencionaron que en los
frutos monospermos la protección dei embrión
es realizada básicamente por las paredes dei
fruto, ya que la cubierta seminal se presenta
muy poco desarrollada. Adicionalmente,
senalaron que en estos casos lo difícil de la
separación de la cubierta seminal dei pericarpio,
hace que sea conveniente tratar el conjunto
como un todo indiviso, situación ésta que se
presentó en las semillas de G. scandens.
Debido a está condición, es posible que en las
semillas de G. scandens, el fruto sea también
su medio de dispersión.
Lindorf et al. (1991) senalaron que en
algunas semillas la barrera más importante a
la impermeabilidad no parece ser la cutícula
sino, el arreglo compacto que ofrecen algunas
capas celulares, ocurriendo quizás está
situación en K. fasciculata donde claramente
se observa la disposición entramada de las
células de la segunda y tercera capa.
Con relación a las pruebas histoquímicas
en la literatura no se cncontraron trabajos que
senalcn datos sobre la composición química de
la testa de las especies de la familia Loasaceae.
La presencia de lípidos observada en las
semillas (Tabla 1) podría actuar como
mecanismo de protección y regulador de la
permeabilidad. La presencia de almidón puede
servir como fuente de reserva para el
crecimiento dei embrión.
Es evidente que en estas cuatro especies
confluyen diferentes estratégias para la
protección dei embrión.
Rndriguésia 57(1): I -9. 2006
SciELO/JBRJ
_2 13 14 15 16 17
cm ..
8
CONCLUSIÓN
En conclusión se puede senalar que los
resultados obtenidos coinciden y demuestran
lo senalado por Poston & Shetler (1984), y
Hufford (1988) quienes refieren la importância
taxonómica de la semilla en la familia
Loasaceae, y que tal como lo senaló Werker
( 1 997) la anatomia de la cubierta seminal puede
servir como una ayuda en la identificación y
taxonomía a nivel específico. Por consiguiente
las cuatro especies estudiadas pueden ser
fácilmente identificadas o separadas por medio
de las características morfológicas,
micromorfológicas y estructurales de la
cubierta seminal.
Agradecimientos
Las autoras desean expresar su
agradecimiento a la Técnico Norbelis de
Benítez dei Laboratorio de Anatomia Vegetal
“Prof. Antonio Femández” de la Facultad de
Agronomia de la Universidad Central de
Venezuela. Al Prof. Ulises Castejón coordinador
dei centro de microscopía electrónica en el
Centro de investigación y análisis docente
asistencial dei Núcleo Aragua de la Universidad
de Carabobo (CIADANA). Al personal dei
Centro de Microscopía Electrónica de la
Facultad de Agronomia de la UCV (CenMEFA).
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Cubierta seminal de Loasaceae
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12 13 14 15 16
cm
Tricomas foliares em espécies de Crown L.
(Crotonoideae-Eupiiorbiaceae)1
Maria de Fátima de Araújo Lucena 2 & Margareth Ferreira de Sales 3
Resumo
(Tricomas foliares em espécies de Croton L. (Crotonoideae-Euphorbiaceae)) Foi realizado estudo da ultra-
estrutura dos tricomas foliares em microscopia eletrônica de varredura (MEV) de 14 espécies do gênero
Croton, ocorrentes nas zonas do litoral e da mata do estado de Pernambuco, com o objetivo de caracterizar
morfologicamente cada tipo de tricoma, como recurso auxiliar na delimitação das espécies e ainda relacioná-
los à classificação de Webster. Foram registrados 10 tipos de tricomas: estrelado-porrecto, fasciculado,
multiradiado, dendrítico, lepidoto, estrelado-rotado, estrelado-lepidoto, dentado-lepidoto, simples e glandular.
Na maioria dos taxa predomina o tipo estrelado-porrecto; apenas uma espécie apresenta tricoma do tipo
lepidoto. Foi possível observar que cada espécie mantém constante seu (s) tipo(s) de tricoma revelando,
portanto, ser o tipo de tricoma um caráter relevante na taxonomia do gênero.
Palavras-chave: Tricomas, Croton , taxonomia, ultra-estrutura, Euphorbiaceae.
Abstract
(Foliar trichome in Croton L. (Crotonoideae-Euphorbiaceae)) Study ultra-structure was accomplished in
scanning electronic microscope (SEM) of the foliar trichome of 14 Croton species, that occur in the coast and
forest zones on the Pernambuco State, with the objective of characterizing the morphology of each trichome
type as auxiliary resource in the identification of the species and also relating them to the classification of
Webster. Ten trichome types wcre registered: stellate-porrect, fasciculate, multiradiate, dendritic, lepidote,
stellate-rotate, stellate-lepidote, dentate-lepidote, simple and glandular. In the majority of the taxa, the
predominant type was the stellate-porrect. It was possible to observe that for each species the type was
constant trichome, revealing therefore, that the tricoma type is an important feature for the taxonomy of the
genus.
Kcy-words: Trichome morphology, Croton, taxonomy, ultra-structure, Euphorbiaceae.
Introdução
Euphorbiaceae é uma das maiores famí-
lias dentre as angiospermas, apresentando uma
grande diversidade morfológica, a qual está
refletida também no indumento, onde diferentes
tipos de tricomas podem ser observados:
simples, glandulares, malpiguiáceos, estrelados,
Iepidotos, fasciculados, dcndríticos e urticantes
(Metcalfe & Chalk 1950; Inandar &
Gangandhara 1977; Webster 1994). A família
compreende cinco subfamílias: Phyllanthoideae,
Oldfieldioideae, Acalyphoidcae, Crotonoideae
e Euphorbioideae. Em Phyllanthoideae,
Oldfieldioideae e Euphorbioideae predominam
os tricomas simples; em Acalyphoideae, os
simples ou estrelados; já em Crotonoideae,
existe uma grande diversidade de tricomas,
com maior ocorrência de simples, estrelados,
dentríticos e Iepidotos (Webster 1994). Estudos
dos tricomas na família Euphorbiaceae,
incluindo Croton, são encontrados em
Metcalfe & Chalk (1950), Inandar &
Gangandhara (1977), Rao & Raju (1985) e
Webster et al. (1996).
Croton está incluído em Crotonoideae e
compreende aproximadamente 800 espécies
distribuídas principalmente no continente
americano, com cerca de 600 spp. no Novo
Mundo (Webster 1994). Nesse gênero, os tipos
de tricomas consistem num relevante caráter
taxonômico, tanto no nível infragenérico como
no interespecífico, reconhecido por diversos
Artigo recebido em 07/2004. Aceito para publicação em 06/2005.
'Parte da Dissertação de Mestrado da primeira autora, desenvolvida no Programa de Pós-Graduação cm Botânica da
Universidade Federal Rural de Pernambuco (PPGB/UFRPE).
-'Bolsista do CNPq - UFRPE. mfalucena@hotmail.com.
'Universidade Federal Rural de Pernambuco, Departamento de Biologia, Área de Botânica. Av. Dom Manuel de Medeiros
s/n, Dois Irmãos, Recife - PE. mfsales.2002@ig.com.br
SciELO/JBRJ,
13 14 15 16 17 lí
cm
12
autores (Müller 1866; Bentham 1880;
Froembling 1896; Webster 1993; Webster et
al. 1996).
O primeiro botânico a explorar
efetivamente o caráter tricoma na taxonomia
de Croton foi Müller (1866, 1873), que
reconheceu os tipos estrelados e lepidotos,
utilizando-os na sua classificação infragenérica.
Além desse autor, outros também reconheceram
estes dois tipos como os principais tricomas
em Croton (Metcalfe & Chalk 1950; Macbride
1951; Inandar & Gangandhara 1977). No
entanto, variações destes dois tipos morfoló-
gicos são freqüentes, e podem constituir
elementos importantes na caracterização das
espécies. Diversos autores também reconhe-
ceram a importância deste caráter para a
identificação das espécies (Croizat 1940, 1941.
Standley & Steyermark 1949; Macbride 1951 ;
Webster & Burch 1967; Burger & Huft 1995).
A primeira classificação dos tricomas
em Croton foi elaborada por Froembling
(1896), que analisando 132 espécies propôs
cinco tipos: estrelado, lepidoto, fasciculado ou
rosulado, fasciculado-estipitado e dendrítico.
Mais recentemente, Webster et al. (1996)
analisando 120 espécies revisaram os tipos
propostos por Froemblimg (1896) e acres-
centaram ainda subdivisões ao tipo lepidoto.
Das espécies tratadas pelos autores, cerca de
33 são brasileiras e aproximadamente a metade
é referida para o Nordeste.
No Brasil, o gênero está representado por
cerca de 300 espécies (Craveiro et al. 1978)
e estimam-se para a região nordeste
aproximadamente 65 espécies. Apesar desta
expressiva representatividade no Brasil, a
principal referência para identificá-las é ainda
a obra de Müller (1873). Estudos menos
abrangentes são as floras regionais elaboradas
por: Smith et al. (1988); Cordeiro ( 1 992, 1995)
e Alves (1998). Merecem destaque ainda a
revisão elaborada por Cordeiro (1993) e o
estudo taxonômico desenvolvido por Lucena
(200 1 ). Com relação aos tricomas, o panorama
não é diferente, onde apenas cerca de 40
espécies ocorrentes no Brasil tiveram seus
Lucena, M. F. A. <6 Sales, M. F.
tricomas estudados (Nepumoceno & Oliveira
1979; SáHaiad 1987; Cordeiro 1993 e Webster
et al. 1996).
Em Croton, os tricomas podem ser
simples (glandulares ou não) ou ramificados
(estrelados, lepidotos, fasciculados, multira-
diados e dendríticos) de acordo com a nomen-
clatura de Metcalfe & Chalk (1950), Inandar
& Gangandhara (1977) e Webster et al.
(1996).
De um modo geral, entende-se por
estrelado qualquer tricoma não glandular,
pluricelular e ramificado (Metcalfe & Chalk
1950; Inandar & Gangandhara 1977). Muitas
vezes, os tipos fasciculados, multiradiados e
dendríticos são denominados indistintamente
como estrelados. No entanto, em Croton, o
tricoma estrelado é um tanto diferenciado por
apresentar um raio central bem definido, ereto
e muitas vezes de comprimento maior que os
laterais. Por esta razão, foi denominado de
estrelado-porrecto por autores como Theobald
et al. (1979) e Webster et al. (1996).
O tipo fasciculado foi definido por
Froembling (1896) como ramificado de raios
ascendentes. O autor chama a atenção para o
tipo fasciculado-estipitado, que é semelhante
ao anterior, porém com estípite (haste ou pé
que eleva o corpo do tricoma). Webster et al.
(1996) ampliaram a definição deste tipo
acrescentando o número de raios (igual a oito).
Ainda, segundo estes autores, os tricomas
multiradiados assemelham-se aos fasciculados
diferenciando-se destes por apresentarem mais
de oito raios. O tipo dendrítico foi definido por
Froembling (1896) como o tricoma que
apresenta os raios laterais dispostos em
verticilos, mais ou menos distintos, ao longo de
um eixo central.
Os tricomas lepidotos são também não
glandulares, pluricelulares, ramificados e com
raios laterais unidos de tal forma que conferem
aspecto de escama ou escudo ao mesmo
(Metcalfe & Chalk 1950; Inandar &
Gangandhara 1977). Para Webster et al.
(1996), neste tipo os raios laterais são unidos
na proporção de 80 a 100% de seu compri-
Rodriguésia 57 (1): 11-25. 2006
SciELO/JBRJ
L2 13 14 15 16 17
Tricomas foliares em Croton, Euphorbiaceae
mento. Entretanto, alguns tricomas ramificados
apresentam raios laterais unidos em diferentes
proporções do seu comprimento, demons-
trando serem transicionais entre os tipos
estrelado e lepidoto. Levando em consideração
esta variação, Webster et al. (1996) propuseram
três tipos de tricomas diferenciados pela
porcentagem de união entre os raios laterais:
estrelado-rotado, estrelado-lepidoto e dentado-
lepidoto. Esta classificação foi também
adotada neste trabalho.
De acordo com Theobald et al. (1979),
tricomas simples são unicelulares ou
pluricelulares, curtos ou longos, unisseriados
ou pluriseriados, bastante variáveis. Já para
Metcalfe & Chalk (1950) e Inandar &
Gangandhara (1977) estes são apenas
unicelulares. Tricomas glandulares são
caracterizados por apresentarem função
secretora (Payne 1978).
O presente estudo foi desenvolvido com
o objetivo de caracterizar a morfologia dos
tricomas em 14 espécies do gênero Croton,
como recurso auxiliar no reconhecimento destes
taxa e ainda relacioná-los à classificação de
Webster et al. (1996), contribuindo para am-
pliar o conhecimento morfológico deste gênero.
Material e Métodos
A ultra-estrutura dos tricomas foliares
presentes nas faces ventral e dorsal das
espécies Croton polyandrus, C. floribundus ,
C. fuscescens, C. glandulosus, C. hirtas,
C. jacobinensis, C. klotzscliii, C. lobatus,
C. landi anus, C. heliotropiifolius, C. sellowii,
C. sonderianus, C. triqueter e C. urticifolius
foi analisada através de microscopia eletrônica
de varredura (MEV).
De cada espécie foram utilizados
fragmentos de folhas medindo cerca de 0,5
mm2 extraídos de exsicatas de herbário. Em
seguida, os fragmentos receberam o
tratamento de metalização com banho de ouro
em equipamento modelo fon sputter JFC-100
(JEOL). Posteriormente, estes foram
examinados e fotografados ao microscópio
eletrônico de varredura - MEV (JEOL JSM-
Rodriguésia 57 (I): 11-25. 2006
13
T200). Adicionalmente, foram realizadas
medições do diâmetro dos tricomas em
microscopia óptica (MO).
Foram adotados os tipos de tricomas
propostos por Webster et al. (1996),
complementados por Payne (1978), Inandar &
Gangandhara (1977), Theobald et al. (1979) e
com as análises das espécies aqui estudadas.
Na descrição dos tricomas de cada espécie,
estas foram posicionadas em seções, de acordo
com o tratamento infragenérico de Webster
(1993). A taxonomia das espécies foi
previamente estudada por Lucena (2001).
Resultados
Foram reconhecidos dez tipos de
tricomas: estrelado-porrecto, fasciculado,
multiradiado, dendrítico, lepidoto, estrelado-
rotado, estrelado-lepidoto, dentado-lepidoto,
simples e glandular. No entanto, cada tipo de
tricoma apresentou-se morfologicamente
variável entre as espécies. Estas variações
foram mais conspícuas no tamanho, número
de raios laterais e presença e ausência de raios
central e estípite.
A lâmina foliar das espécies estudadas é
notavelmente rica em diferentes tipos de
tricomas sendo, em geral, diferenciada na face
dorsal e ventral e mantêm constante estes tipos
entre as populações estudadas (Tabela 1).
Algumas folhas chegam a apresentar até cinco
tipos, como Croton glandulosus ou quatro,
como C. lundianus. Poucas espécies
apresentaram um só tipo em ambas as faces
como Croton sellowii (lepidoto) e C.
urticifolius (estrelado-porrecto).
Croton sect. Eutropia (Klotzsch) Baill.
Croton polyandrus - Esta espécie apresentou
dois tipos de tricomas: dentado-lepidoto e
estrelado-lepidoto ambos, distribuídos
esparsamente nas faces ventral e dorsal.
• Dentado-lepidoto: raio central obsoleto, raios
laterais unidos de 50 a 60%; ca. 300-350 pm
diâm. (Fig. 3 j-m).
• Estrelado-lepidoto: raio central obsoleto, raios
laterais unidos ca. 30%; ca. 300 pm diâm.
SciELO/JBRJ
2 13 14 15 16 17 lí
cm ..
14
Lucena, M. F. A. & Sales, M. F.
Tabela 1 -Tipos de tricomas presentes em espécies de Croton. FV = face ventral da lâmina foliar; FD = face
dorsal da lamina foliar. * Tipo de tricoma predominante.
ESPÉCIES TRICOMA (FV)
C. polyandrus Spreng. Dentado-lepidoto* estrelado-lepidoto
C.heliotropiifolius Kunth Estrelado-porrecto* e dendrítico
C. lundianus Müll.Arg. Estrelado-porrecto*e simples
C. glandulosus L.
C. hirtus L’Her.
C. urticifolius Lam.
C.fuscescens Baill.
C. triqueter Baill.
C. sonderianus Müll.Arg.
C. jacobinensis Baill.
C. floríbundus Spreng.
C. lobatus L.
Estrelado-porrecto, fasciculado, dendrítico,
simples e glandular
Estrelado-porrecto, simples e glandular
Estrelado-porrecto
Estrelado-porrecto
Estrelado-porrecto* e fasciculado
Estrelado-porrecto
Fasciculado* e multiradiado
Estrelado-porrecto* e estrelado-rotado
Estrelado-porrecto*, simples* e glandular
C. klotzschii Müll.Arg. Ausente, raro simples
C sellowii Baill. Lepidoto
TRICOMA (FD)
Dentado-lepidoto* e
estrelado-lepidoto
Dendrítico
Estrelado-porrecto*,
fasciculado e
multiradiado
Estrelado-porrecto,
fasciculado, dendrítico,
glandular e simples
Estrelado-porrecto* e
dendrítico
Estrelado-porrecto
Estrelado-rotado
Estrelado-rotado e
fasciculado
Estrelado-rotado e
estrelado-lepidoto
Estrelado-rotado
Estrelado-rotado* e
estrelado-lepidoto
Estrelado-porrecto*,
simples, fasciculado e
glandular
Ausente, raro simples
Lepidoto
Material examinado: BRASIL. BAHIA-
Belmonte, 25.III.1974, R. Harley 17418a (RB)
(MEV-MO).
Croton sect. Velamea Baill.
Croton heliotropiif olius - Nesta espécie dois
tipos de tricomas foram observados: estrelado-
porrecto e dendrítico. O primeiro ocorre apenas
na face ventral sendo predominante e
distribuído de forma esparsa; o segundo ocorre
eventualmente na face ventral, porém está
densamente distribuído na face dorsal.
• Estrelado-porrecto: raios laterais 7-8;
subsésseis; ca. 300-350 pm diâm. (Fig. 1 o-p). ’
Dendrítico: raio central com a metade do
comprimento dos laterais, raios laterais
dispostos em 2 ou 3 verticilos, estípites de
tamanhos variados; ca. 700-1 .000 pm de diâm.
(Fig. 2 j-1).
Material examinado: BRASIL. PERNAMBUCO:
Vitória de Santo Antão, 27.IÜ. 1 999, A. Laurênio
1551 (PEUFR) (MEV); 11. IX. 1954, A/. Falcão
60 (PEUFR) (MO); Limoeiro, 1 2.V. 1 998, M. F
A. Lucena 480 (PEUFR) (MO); São Lourenço
da Mata, 22.X.1992, A. M. Miranda 629
(PEUFR) (MO); Maraial, 12.III.1994, A. M.
Miranda 1365 (PEUFR) (MO); Jaboatão dos
Guararapes, 10.XII.1996, /. Pontual 620
(PEUFR) (MO).
Croton sect. Podostachys (Klotzsch) Baill.
Croton lundianus - Nesta espécie foram
encontrados quatro tipos de tricomas:
estrelado-porrecto, fasciculado, multiradiado e
simples. A face ventral apresentou apenas os
tricomas estrelado-porrecto e simples e a face
dorsal tricomas estrelado-porrecto, fasciculado
e multiradiado. Em ambas as faces,
Rodriguésia 57 (1): 11-25. 2006
SciELO/JBRJ,
13 14
cm 1
SciELO/JBRJ
.2 13 14 15 16 17
Tricomas foliares em Croton, Euphorbiaceae
Figura 1 - Tricomas foliares, face ventral. Estrclado-porrectos: a-c. Crotonfuscescens ; d-f. C. Irlqueler, g. C.Jloribundus ;
h. C. glandulosus ; i-j. C. sonde rianus; 1. C. lobatus ; m-n. C. urllcaefolius, face dorsal; o-p. C. heliotropiifolius.
Rodriguésia 57 (I): 11-25. 2006
cm ..
16
predominou o tipo estrelado-porrecto, que está
distribuído de forma esparsa a densa. Já os
tipos fasciculado e multiradiado são
esporádicos e dispostos de forma esparsa.
• Estrelado-porrecto: raio central em geral do
mesmo tamanho que os laterais, raios laterais
6-7; séssil; ca. 600-725 pm diâm.
• Fasciculado: raios 5-8; ca. 500 pm diâm.
• Multiradiado: raios 9-13; ca. 550 pm diâm.
(Fig. 2 e-f).
• Simples: filiforme; ca. 300-350 pm diâm.
Material examinado: BRASIL. PERNAMBUCO:
Bonito, 23. VII. 1998, Af. F.A. Lucena etal. 601
(PEUFR); Escada, 11.V.1998, M. F. A. Lucena
468 (PEUFR) (MEV, MO); Goiana, 10.ffl.1994,
A. M. Miranda 1926 (HST) (MEV).
Croton sect. Geiseleria (Klotzsch) Baill.
Croton glandulosus - Nesta espécie ocorrem
os tipos estrelado-porrecto, fasciculado,
dendrítico, simples e glandular. Em geral, não
ha predomínio de um só tipo de tricoma,
podendo ocorrer diferentes combinações,
dependendo das populações; inclusive, alguns
tipos podem estar ausentes. No entanto, o
tricoma estrelado-porrecto está sempre
presente, pelo menos na face ventral. Tricomas
simples são muito raros na face dorsal.
• Estrelado-porrecto: raio central maior que os
laterais, raios laterais 7-8, ligeiramente
ascendentes e com tamanhos um pouco
diferenciados entre si; subséssil a séssil; ca.
850-1.200 pm diâm. (Fig. lh).
Fasciculado: raios 6-7, com tamanhos
desiguais entre si; estipitado; ca. 600-1.000 um
diâm.
• Dendrítico: raio central geralmente menor que
os laterais, raios laterais dispostos em dois ou
três verticilos, os distais mais longos; ca. 1 .400-
1.600 pm diâm. (Fig. 2 g-h).
• Simples: filiforme; ca. 600 pm diâm.
Material examinado: BRASIL. PERNAMBUCO:
Condado, 29.X.1998, M. F A.Lucena etal. 703
(PEUFR) (MEV, MO); Pombos, 23. VII. 1998,
M. F A. Lucena et ai 594 (PEUFR) (MO);
Tamandaré, 12.1.2000, M. F A. Lucena et al
900 (PEUFR) (MEV).
Lucena, M. F. A. & Sales, Af. F.
Croton liirtus - Nesta espécie são encontrados
tricomas estrelado-porrecto, dendrítico, simples
e glandular. Embora ocorram em ambas as
faces, os estrelado-porrectos são predominantes
na face dorsal; na face ventral, não há predo-
mínio de nenhum tipo, sendo mais freqüentes
os simples e ou estrelado-porrectos. Os simples
e os glandulares só foram observados na face
ventral. Já os dendríticos ocorrem, espora-
dicamente, entremeados com os estrelados-
porrectos e apenas na face dorsal.
• Estrelado-porrecto: raio central maior ou do
mesmo tamanho que os laterais, raios laterais
5-7, depressos ou ligeiramente ascendentes a
partir da sua porção mediana; séssil; 400-450
pm diâm.
• Simples: aciculiforme, rígido; 400-550 pm
diâm. (Fig. 4 b-c)
• Dendrítico: raios dispostos em 2 verticilos;
ca. 400-500 pm diâm. (Fig. 2 i).
Material examinado: BRASIL. PERNAMBUCO:
Timbaúba, 05. III. 1998, M. F. A.Lucena et al.
408 (PEUFR) (MEV, MO).
Croton sect. Julocroton (Mart.) G. L.
Webster
Croton fuscescens - Nesta espécie estão
presentes apenas dois tipos de tricomas:
estrelado-porrecto, esparsamente disposto na
face ventral e estrelado-rotado, densamente
distribuído na face dorsal. Neste último tipo,
os tricoma apresentam estípites de diferentes
tamanho, que elevam os raios laterais em
diversas alturas dando a impressão de serem
estratificados. Presença de esclereídeos,
atravessando o mesófilo interligando os
tricomas da face ventral e dorsal.
Estrelado-porrecto: raio central duas a três
vezes maior que os laterais, raios laterais 5-8,
leyemente ascendentes; ca. 800-1.000 pm
diâm. (Fig. 1 a-c).
Estrelado-rotado: raio central espessado na
base, geralmente menor que a metade do
comprimento dos raios laterais, raios laterais
10-12, longos; estipitado; ca. 600 pm diâm. (Fig.
3 d-f).
Rodriguésia 57 (1): 11-25. 2006
SciELO/JBRJ
12 13 14 15 16 17
cm
Tricomas foliares em Croton, Euphorbiaceae
Figura 2 - Tricomas foliares, a-b. Fasciculados, Croton jacobinensis , face ventral; c-f. Multiradiados: c-d. C.jacobinensis,
face ventral; c-f. C. lundianus, face dorsal; g-l. Dcndrílicos: g-h. C. glandulostis, face dorsal; i. C. hirtus, face dorsal; j-l.
C. heliotropiifolius, face dorsal; m-p. Estrclado-rotados; m-o. C. floribmdus, face dorsal; p. C. sonderíanus, face dorsal.
Material examinado: BRASIL. PERNAMBUCO:
Barra de Guabiraba, 20.X.1998, M. F.A. Lucena
692 (PEUFR) (MO); Bonito, 17. IX. 1997, A.
Laurênio et al. 550 (PEUFR) (MO).
Croton triqueter - Nesta espécie foram
observados os tricomas estrelado-porrccto,
estrelado-rotado e fasciculado. O primeiro tipo
está presente apenas na face ventral de forma
esparsa, sendo predominante cm relação ao
fasciculado que ocorre esporadicamente. O
segundo tipo é predominante na face dorsal,
Rodrixuésia 57 (1): 11-25. 2006
SciELO/JBRJ
12 13 14 15 16 17
cm l
SciELO/JBRJ
12 13 14 15 16 17
Lucena, M. F. A. & Sales, M. F.
Rodriguésia 57 (1): 11-25. 2006
Figura 3 - Tricomas foliares, a-i. Estrelado-rotados- a-c Cm,n„ , ■ ,
dorsal; g-i. C. jacobinensis, face dorsal; j-m Dentado leoidotcvc r nqi^ter'Jace dorsal; d-f. C. fuscescens ,
face dorsal. ’ J Uentado-lep.dotos: C. polyandrus, face dorsal; n-p. Lepidotos: C. sellt
distribuindo-se densamente. Presença de
esclereídeos interligando os tricomas estrelado-
porrecto aos estrelado-rotado (Fig. 4 f).
• Estrelado-porrecto: raio central maior ou do
mesmo tamanho que os laterais, raios laterais
5-8; estipitado; ca. 150-250 pm diâm.(Fig. ld-f).
Estrelado-rotado: raio central menor que a
metade do comprimento dos laterais, raios
laterais 6-9; estípite em geral longo; ca. 650-
1 .200 pm diâm.(Fig. 3 a-c).
• Fasciculado: subsésseis; 600 pm diâm.
Material examinado: BRASIL. PERNAMBUCO:
Paudalho, 10.VIII.1998, M. F. A. Lucena 612
(PEUFR) (MEV, MO); Vitória de Santo Antão,
3.111.1998, A. Laurênio 1307 (PEUFR) (MEV).
cm
Tricomas foliares em Croton, Euphorbiaceae
19
Figura 4 • Tricomas foliares, a-f. Simples: a. Croton klotzschii, margem da lâmina: b. Croton hirtus, base do tricoma, face
ventral; c. Croton lobatus-, d. Croton hirtus, face ventral; e. Croton lobatus, face dorsal.; f. Crotonjuscescens, faces dorsal
e ventral.
Croton sect. Barhamia (Klotzsch) Baill.
Croton urticifolius - Esta espécie apresentou
apenas o tipo estrelado-porrecto, em ambas
as faces da lâmina foliar, distribuídos de forma
esparsa ou mais raramente densa.
• Estrelado-porrecto: raio central maior que os
laterais na face ventral, e muito menor que os
laterais na face dorsal, raios laterais 5-8; séssil;
ca. 1.000-1.200 pmdiâm. (Fig. 1 m).
Material examinado: BRASIL. PERNAMBUCO:
Vitória de Santo Antão, 27.III. 1999, A. Laurênio
1562 (PEUFR) (MO).
Croton sect. Lasiogyne (Klotzsch) Baill.
Croton jacobinensis - Foram observados 3
tipos de tricoma: fasciculado, multiradiado e
estrelado-rotado. Na face ventral, são
encontrados apenas os fasciculados e
multiradiados, sendo o primeiro predominante
e recobrindo densamente a lâmina, às vezes
sendo o único tipo presente. Os tricomas multi-
radiados são raros a esparsos, entremeados
aos fasciculados. Na face dorsal são obser-
vados apenas os estrelado-rotados recobrindo
densamente a lâmina e com estípites de
tamanhos variados. Presença de esclereídeos
interligando os tricomas fasciculados aos
estrelado-rotados.
• Fasciculado: raios 5-8(-9); ca. 150-200 pm
diâm. (Fig. 2 a-b).
Rodriguésia 57 (1): 11-25. 2006
• Multiradiado: raios 17; séssil a subséssil; ca.
200-250 pm diâm. (Fig. 2 c-d).
• Estrelado-rotado: raio central curto ou
ausente, raios laterais 12-17; ca. 300-375 pm
diâm. (Fig. 3 g-i).
Material examinado: BRASIL. PERNAMBUCO:
Goiana, 16.VI.1998, M. F A. Lucena etal. 553
(PEUFR) (MEV); Carpina, 10.V1I1.1998, M. E
A. Lucena 606 (PEUFR) (MEV, MO).
Croton sonderianus - Foram observados três
tipos de tricomas nesta espécie: estrelado-
porrecto, estrelado-rotado e estrelado-lepidoto.
O tipo estrelado-porrecto é predominante na
face ventral e encontra-se densamente distri-
buído. Já o tipo estrelado-rotado ocorre apenas
na face dorsal de forma densa e predominante
em relação aos estrelado-lepidotos que são
observados apenas sobre as nervuras.
• Estrelado-porrecto: raio central em geral
menor, às vezes atingindo o mesmo tamanho
dos raios laterais e com base espessada, raios
laterais 6-9, com tamanhos ligeiramente
desiguais entre si; séssil a subséssil; ca. 100
pm diâm. (Fig. 1 i-j).
• Estrelado-rotado: raio central muito menor
que os laterais ou raramente ausente, raios
laterais 10-13; estípites de tamanhos variados;
ca. 900-1.000 pm diâm. (Fig. 3 g-i).
SciELO/JBRJ
12
15 16 17
cm ..
20
• Estrelado-lepidoto: 15-17 raios; ca. 800-850
pm diâm.
Material examinado: BRASIL. PERNAMBUCO:
Caruaru, 12.V.1998, Aí. F. A. Lucena 490
(PEUFR) (MO); Limoeiro, 12.V.1998, Aí. F. A.
Lucena et al. 476 (PEUFR) (MEV, MO).
Croton sect. Argyroglossum Baill.
Croton floribundus — Esta espécie apresentou
três tipos de tricomas: estrelado-porrecto,
estrelado-rotado e estrelado-lepidoto. Na face
ventral predominam os estrelado-porrectos
entremeados aos estrelado-rotados, sendo
ambos esparsos. A face dorsal é, por sua vez,
densamente revestida por tricomas estrelado-
rotados e misturados a poucos tricomas
estrelado-lepidotos, observáveis apenas sobre
as nervuras.
■ Estrelado-porrecto: raio central espessado na
base, aproximadamente do mesmo tamanho
que os raios laterais, raios laterais 7-8; ca. 250-
300 pm diâm. (Fig. 1 g)
• Estrelado-rotado: ca. 350-400 pm diâm.
• Estrelado-lepidoto: raio central mais curto que
os laterais e espessado na base, raios laterais
15-16; ca. 300 pm diâm.
Material examinado: BRASIL. PERNAMBUCO
Condado, 29.X. 1998, Aí. F. A. Lucena et al
701 (PEUFR) (MEV, MO); São Benedito do Sul,
28.1. 1999, Aí. F A. Lucena 706 (PEUFR) (MO)!
Croton sect Astraea (Klotzsch) Baill.
Croton klotzschii - Apenas tricomas simples
são observados nesta espécie. Estes estão
geralmente localizados na margem foliar e são
raramente esparsos na face ventral.
• Simples: filiforme, ligeiramente curvados e
com base um tanto espessada; ca. 200 pm
diâm. (Fig. 4 a).
Material examinado: BRASIL. PERNAMBUCO:
Cabo de Santo Agostinho, 8.V.1997, Aí. F. A
Lucena et al. 291 (PEUFR) (MEV, MO).
Croton lobatus - Nesta espécie foram
observados os tipos simples, estrelado-porrecto,
fasciculado e glandular. Na face ventral
predominaram os tricomas estrelado-porrectos
Lucena, M. F. A. <£ Sales, M. F.
e simples; os glandulares são esparsos. Na face
dorsal foram encontrados estrelado-porrectos,
simples, fasciculados e glandulares, sendo
predominantes os estrelado-porrectos. Os
fasciculados ocorreram apenas em algumas
populações.
• Estrelado-porrecto: raio central, em geral, do
mesmo tamanho que os laterais, raios laterais
3-7; subséssil; ca. 500 pm diâm. (Fig. 1 1).
• Fasciculado: ca. 500-550 pm diâm
• Simples: filiforme, geralmente espessado na
base; ca. 800-900 pm diâm.
Material examinado: BRASIL. PERNAMBUCO:
Bonito, 23.VII.1998, Aí. F A. Lucena et al. 599
(PEUFR) (MEV, MO); Itamaracá, 4.V.1998, Aí.
F. A. Lucena 457 (PEUFR) (MO).
Croton — sem seção definida
Croton sellowii - Esta espécie foi caracteri-
zada por apresentar apenas o tipo lepidoto,
revestindo densamente ambas as faces.
• Lepidoto: raio central ausente, raios laterais
ca. 39, com região central anular e plana; ca.
250-300 pm diâm. (Fig. 3 n-p).
Material examinado: BRASIL. PERNAMBUCO:
Cabo de Santo Agostinho, 20. V. 1998, Aí. F. A.
Lucena et al. 427 (PEUFR) (MEV, MO).
Discussão
Nas espécies estudadas quatro grupos de
tricomas ficaram evidentes: o dos “estrelados”,
formado por estrelado-porrecto, fasciculado,
multiradiado e dendrítico, cujos raios laterais
são totalmente livres; dos transicionais, cujos
raios laterais são unidos de 5 a 49% do seu
comprimento, composto por estrelado-rotado
e estrelado-lepidoto; dos “lepidotos”, cujos raios
laterais são unidos por mais de 50% do seu
comprimento, representado por dentado-
lepidoto e lepidoto e; dos não ramificados,
incluindo simples e glandulares. O tipo de
tncoma mais freqüente foi o estrelado-
porrecto, encontrado na maioria das espécies
( Croton floribundus, C. glandulosus, C.
urticifolius, C. lobatus, C. lundianus, C.
lurtus, C. sonderianus, C. triqueter, C.
fuscescens e C. heliotropiifolius). Este tipo
Rodriguésia 57 (1): 11-25. 2006
SciELO/JBRJ
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Trícomas foliares em Croton, Euphorbiaceae
parece ter ampla ocorrência no gênero,
ocorrendo em espécies de diferentes seções
(Tabelas 1 e 2).
Trícomas fasciculados são compartilhados
por espécies de seções distintas ocorrendo em
Croton lundianus (sect. Podostachys), C.
glandulosus (sect. Geiseleria), C. lobatus
(sect. Astraea), C. jacobinensis (sect.
Lasiogyne) e C. triqueter (sect. Julocroton)
(Tabela 2). Considerando que os trícomas fas-
ciculado e multiradiado diferenciam-se apenas
pelo número de raios (2 a 8, em fasciculados e
9 a 20, em multiradiados) e que este último só
ocorreu de forma rara e entremeados aos
fasciculados (em C. Jacobinensis e C.
lundianus), poder-se-ia sugerir tratar-se estes
dois tipos como um único tipo.
Três espécies apresentaram trícomas
dendríticos: Croton glandulosus, C. hirtus e
C. heliolropiifolius (Tabela 1). As duas
primeiras pertencem a Croton sect.
Geiseleria, onde tais trícomas são observados
entremeados aos simples, estrelado-porrectos
e fasciculados. Já em Croton heliotropiifolius
(sect. Velamea) ocorrem sem associações com
outros tipos. Além de ser relatado para estas
duas seções no presente artigo, Webster et
al. (1996) registraram também este tipo de
tricoma para outras seções ( Croton sect.
Cascarilla, C. sect Eremocarpus e C. sect.
Cyclostigma).
Trícomas apresentando os raios laterais
unidos por mais de 50% de seu comprimento
foram encontrados em Croton polyandrus
(dentado-lepidoto) e C. sellowii (lepidoto)
(Tabela 1 ), posicionadas também em diferentes
seções.
Trícomas do grupo dos transicionais
(transicional entre estrelados e lepidotos)
reúnem as espécies Croton floribundus (sect.
Argyroglossum), C. sonderianus e C.
jacobinensis (sect. Lasiogyne), C.
fuscescens, C. triqueter (sect. Julocroton)
e C. polyandrus (sect. Eutropia) (Tabelas 1
e 2). Além de compartilharem estes tipos de
trícomas, C. fuscescens, C. triqueter, C.
sonderianus e C. jacobinensis se aproximam
RoJriguésia 57 (I): 11-25. 2006
21
por apresentarem esclereídeos ultrapassando
o mesófilo e interligando um tricoma da face
ventral a outro da face dorsal. A presença de
esclereídeos em Croton também foi observada
por Nepumoceno & Oliveira (1979) em Croton
sonderianus, por Metcalfe & Chalk (1950)
em C. fuscescens (=Julocroton fuscescens),
por Sá Haiad (1987) em C. compressus (sect.
Lasiogyne) e foi ilustrada por Cordeiro (1993)
em C. triqueter. Esta estrutura parece
evidenciar uma relação de afinidade entre as
seções Lasiogyne e Julocroton.
Croton sonderianus e C. jacobinensis
são espécies muito próximas sendo
freqüentemente confundidas. Porém, os tipos
de trícomas da face ventral da lâmina foliar
representam um importante caráter para
diferenciá-las. A primeira espécie possui
unicamente estrelado-porrectos, enquanto a
segunda apenas trícomas fasciculados.
O presente estudo demonstrou uma
tendência no aparecimento dos trícomas
simples em espécies herbáceo-subarbustivas
(C. klotzschii, C. lobatus, C. lundianus, C.
Iiirtus e C. glandulosus), corroborando com
Webster et al. (1996), que também obser-
varam a presença deste tipo de tricoma em
espécies herbáceas de diferentes seções.
De acordo com Webster et al. (1996),
os trícomas estrelados são considerados os
mais primitivos em Croton, tendo
provavelmente dado origem aos demais tipos,
através de três seqüências evolutivas. Na
primeira seqüência, trícomas estrelados pela
ascendência dos seus raios, originaram os
fasciculados e estes, por sua vez, pela
supressão de raios deram origem aos simples.
No presente estudo, a ocorrência de trícomas
estrelado-porrectos associados com os
fasciculados e simples nas espécies C.
lobatus, C. hirtus, C. lundianus e C.
glandulosus parecem sugerir que realmente
existe esta seqüência evolutiva entre estes
tipos. Além disso, é comum em C. lobatus e
C. lundianus serem encontrados trícomas
com apenas dois ou três raios e também
trícomas simples com base espessada
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cm ..
22
Lucena, Aí. F. A. & Sales, Aí. F.
Tabela 2-Tipos de tricomas ocorrentes em nove seções de Croton descritos por Webster et al. (1996) e por
este trabalho. v
Velamea
Podostachys
Geiseleria
Barhamia
Julocroton
Lasiogyne
Seções
Webster et al. (1996)
Este trabalho
Espécies estudadas
Tipos de
tricomas
Espécies
estudadas
Tipos de
tricomas
C. polycmdrus
C. andinus Müll.Arg.
C. conduplicatus Kunth
C. cortesianus Kunth
C. corumbensis S. Moore
C. moritibensis Baill.
C. pottsii (Klotzsch) Müll. Arg.
C. suberosus Kunth
C. tumerifolius S. Moore
C. sonorae Torr.
C. rzedowskii M.C. Johnst.
C. lundianus
C. spiraeifolius Jabl.
C. glandulosus
C. trinitatis Mill sp.
C. ameliae Lund.
C. brevipes Pax
C. chaetocalyx Müll.Arg.
C. decalobus Müll. Arg.
C. escathos Croizat
C. hircinus Vent.
C. allemii G. L. Webster
C. argenteus L.
C. didrichsenii G. L. Webster
C. subpannosus Müll. Arg.
C. compressus Lam.
C. sidifolius Lam.
Dentado-
lepidoto
Lepidoto
Simples
Estrelado-
rotado
Simples
Estrelado-
porrecto
Estrelado-
rotado
Simples
Fasciculado
Estrelado-
lepidoto
Estrelado-
porrecto
Estrelado-
porrecto
Estrelado-
rotado
Fasciculado
Estrelado-
porrecto
Estrelado-
rotado
Estrelado-
rotado
Estrelado-
lepidoto
C. polyandrus
Dentado-
lepidoto
C. heliotropiifolius Estrelado-
porrecto
Dendrítico
C. lundianus
C. glandulosus
C. hirtus
C. urticifolius Lam.
C. fuscescens ;
C. triqueter
C. jacobinensis ;
C. sonderianus
Simples
Estrelado-
porrecto
Fasciculado
Multiradiado
Simples
Fasciculado
Estrelado-
lepidoto
Dendrítico
Estrelado-
porrecto
Estrelado-
porrecto
Fasciculado
Estrelado-
porrecto
Estrelado-
rotado
Estrelado-
rotado
Estrelado-
porrecto
Fasciculado
Multiradiado
5
6
Rodriguésia 57 (1): 11-25. 2006
SciELO/JBRJ
L2 13 14 15 16 17
cm
Tricomas foliares
em Croton, Euphorbiaceae
23
Seções
Webster et al. (1996)
Este trabalho
Espécies estudadas
Tipos de
tricomas
Espécies
estudadas
Tipos de
tricomas
Argyroglossum
C. argyrophylloides Müll. Arg.
C. bixoides Vahl.
C. watsonii Standl.
Estrelado-
lepidoto
C. floribundus
Estrelado-
lepidoto
Estrelado-
porrecto
Estrelado-
rotado
Astraea.
Simples
Estrelado
Fasciculado
C. lobatus
C. klotzschii
Simples
Estrelado-
porrecto
Fasciculado
aparentando terem perdido os seus raios.
Uma outra seqüência evolutiva admitida
por estes autores inicia-se também pelo
estrelado que, pelo concrescimento gradual dos
raios entre si, resultaria no tipo lepidoto. A
ocorrência de tipos transicionais entre os
estrelados e os lepidotos observados neste
trabalho nas espécies C. floribundus
(estrelado-porrecto, estrelado-rotado e
estrelado-lepidoto), C. sonderianus
(estrelado-porrecto, estrelado-rotado e
estrelado-lepidoto), C. fuscescens (estrelado-
porrecto e estrelado-rotado) e C. polyandrus
(estrelado-lepidoto e dentado-lepidoto) dao
suporte a este pensamento. Outra observação
que sustenta esta hipótese dá-se pelo fato de
que tricomas simples não foram observados
ocorrendo concomitantemente aos lepidotos,
no presente estudo. No entanto, Webster et
al. (1996) relatam que tricomas simples e
lepidotos são encontrados juntos em espécies
da secção Lamprocroton.
Ainda segundo Webster et al. (1996),
tricomas estrelados ou fasciculados deram
origem aos dendríticos. De fato, em Croton
glandulosus os tricomas dendríticos ocorrem
associados aos fasciculados, enquanto que em
C. heliotropiifolius aos estrelado-porrectos.
Os tricomas ramificados (estrelados e
lepidotos), de um modo geral, parecem ser
eficientes na cobertura da epiderme,
especialmente os estipitados. Os estípites por
Rodriguésia 57 (1): 11-25. 2006
apresentarem tamanhos variados, fazem com
que os tricomas se elevem em diferentes
alturas, formando vários estratos, como podem
ser observados em C. sonderianus, C.
jacobinenis e C. floribundus. Em C.
triqueter e C. fuscescens (sect. Julocroton)
os estípites são muito longos em relação aos
encontrados nas demais espécies estudadas
(Figs. 3a e 40.
Com este estudo foi possível acrescentar
outros tipos de tricomas aos já relatados por
Webster et al. (1996) para as seções
estudadas (Tabela 2). O tipo estrelado-porrecto,
por exemplo, mostrou uma distribuição mais
ampla no gênero do que se conhecia antes. A
ausência ou presença de um determinado tipo
de tricoma em uma seção, constitui uma
informação relevante, uma vez que o caráter
tipo de tricoma é utilizado na delimitação das
seções propostas pelo autor acima.
As variações encontradas nos tricomas
das espécies estudadas referem-se a tamanho,
quantidade de raios laterais, presença ou ausência
de raio central e de estípite, relação do tamanho
do raio central com os raios laterais, proporção
de união entre os raios laterais, presença de
esclereídeos e a existência de alguns estádios
transicionais entre um determinado tipo e outro.
Tais variações mostraram-se relevantes tanto
na caracterização de tipos, quanto no
reconhecimento de espécies, constituindo
realmente uma ferramenta útil na taxonomia
do gênero Croton.
SciELO/JBRJ
.2 13 14 15 16 17
cm
24
Agradecimentos
Ao CNPq pela concessão da bolsa de
pesquisa da primeira autora, a Dra. Galba
Takaki e ao técnico Rafael Padilha do
Laboratório de Imunopatologia Keiso Asami
(LIKA-UFPE).
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Euphorbiaceae Juss. ocorrentes no semi-
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SciELO/JBRJ
12 13 14 15 16 17
cm
Leguminosae arbustivas e arbóreas da floresta atlântica
do Parque Nacional do Itatiaia, sudeste do Brasil:
PADRÕES DE DISTRIBUIÇÃO1
Marli Pires Morim 2
Resumo
(Leguminosae arbustivas e arbóreas da floresta atlântica do Parque Nacional do Itatiaia, sudeste do Brasil:
padrões de distribuição) O PARNA Itatiaia, com 28. 155,97ha, localiza-se na Serra da Mantiqueira (22°15’e
22°30'S- 44“30’e 44l’45’W) no sudeste do Brasil. Leguminosae é uma das famílias com maior riqueza de
espécies na composição e estrutura florestal. O principal objetivo deste trabalho foi identificar os padrões de
distribuição geográfica de 48 táxons de Leguminosae presentes na formação florestal do PARNA. A
metodologia abrangeu pesquisas bibliográficas, excursões e consultas a herbários. Foram reconhecidos os
seguintes padrões de distribuição: Neotropical (9 spp.), América do Sul ocidental-centro-oriental (5 spp.),
Brasil centro-oriental (10 spp.). Brasil atlântico nordeste-sudeste-sul (9 spp.), Brasil atlântico sudeste-sul (5
spp.) e Brasil atlântico sudeste (10 spp.). Os táxons, quanto à preferência de hábitat, foram tratados também
como elementos florísticos generalistas (56%) e como especialistas do Domínio Atlântico (44%). No domínio
atlântico as espécies predominam nas floresta ombrófila densa e floresta estacionai semidccidual, ocorrendo
também nas restingas e na floresta de araucária.
Palavras-chave: Leguminosae, Parque Nacional do Itatiaia, Floresta Atlântica , padrões dc distribuição.
Abstract
(Woody Leguminosae in the Atlantic Forest of the Itatiaia National Park, southeastem Brazil: distribution
pattems) The Itatiaia National Park, with an area of 28, 1 55.97 ha, is located in the Serra da Mantiqueira Range
(22“15’e 22"30’S; 44"30'e 44045’W) of southeastem Brazil. Leguminosae is one of the most spccies-rich
families here, contributing to the composition and strueture of the forest. The aim of this work was to identify
the geographical distribution patterns of 48 táxons of Leguminosae present in the forests of this National
Park. Methodology included a literature survey, field trips and herbaria consultation. The following distribution
patterns were recognized: Neotropical (9 spp.), westem-central-eastem South America (5 spp.), central-
eastem Brazil (10 spp.), northeastem-southcastem-southcm atlantic Brazil (9 spp.), southeastern-southem
atlantic Brazil (5 spp.) and southeastem atlantic Brazil (10 spp.). As for habitat preferencc, the táxons were
classified as generalists (56%) or as specialists of the atlantic domain (44%). In the Atlantic Domain. the
species are found mainly in the ombrophylous dense forest and in the semideciduous forest and occur also
in restingas and araucaria forest.
Key-words: Leguminosae. Itatiaia National Park, Atlantic forest, distribution patterns.
Introdução
Leguminosae é a terceira maior família
de angiospermas e, atualmente, são estimados
727 gêneros e 19.325 espécies que se difundem
nos diversos ecossistemas do mundo (Lewis
et ai 2005). A região neotropical representa
um significativo centro de endemismo da
família, na qual 100 gêneros e 2.500 espécies
têm seus limites de distribuição circunscritos a
esta faixa (Lavin 1994). Para o Brasil foi
avaliado o total de 178 gêneros e 1.550 espécies
(Barroso et al. 1984).
As Leguminosae no contexto da floresta
atlântica representam uma das famílias de
valores expressivos de riqueza e também de
diversidade taxonômica. No sudeste brasileiro
os estudos realizados em um trecho de floresta
ombrófila densa da Serra do Mar, Serra de
Macaé, mostraram a relevância deste
complexo montanhoso como um expressivo
núcleo de distribuição de Leguminosae (Lima
etal. 1994; Lima et ai 1997). Consultando-se
os dados sobre a distribuição geográfica das
Leguminosae da Serra dc Macaé (Lima et al.
Artigo recebido em 11/2004. Aceito para publicação cm 12/2ÍX15.
'Parte de tese de doutorado orientada por Dra.Graziela Maciel Barroso no Programa dc Pós-Graduação em Ciências
Biológicas (Botânica) do Museu Nacional/UFRJ, Rio de Janeiro, RJ, Brasil.
"Instituto dc Pesquisas Jardim Botânico do Rio dc Janeiro, Rua Pacheco Leão 915, CEP 22460-030, Rio dc Janeiro, RJ,
Brasil, mpires@jbrj.gov.br
!scíelo/jbrj
12 13 14 15 16 17
cm
28
1994), observa-se ainda que a Serra da
Mantiqueira é também uma área relevante de
ocorrência para Leguminosae.
O Maciço do Itatiaia, remanescente de
floresta atlântica importante da Serra da
Mantiqueira, desde as primeiras visitas dos
naturalistas M. H. Wawra von Femsee e Saint-
Hilaire (Dusén 1903, Brade 1956) sempre foi
destacado como uma região de extremo
potencial à investigação científica, motivo
principal de sua criação como o primeiro
Parque Nacional do Brasil, em 1937. Inúmeros
foram os pesquisadores que visitaram e
desenvolveram pesquisas na região. As
descrições de espécies da flora local (Dusen
1903, 1955) e o estudo sobre a flora do Itatiaia
(Brade 1956) são trabalhos que, entre outros,
ressaltam a exuberância da região nos mais
distintos aspectos. Brade (1956) apresentou
uma abordagem sobre a estrutura regional da
flora, sua provável origem e seus elementos
florísticos. Os estudos sobre a origem da flora
do Itatiaia e suas conecções biogeográficas
prosseguem em investigações (Safford 1999
a, b). Dentre a coletânea de trabalhos sobre a
flora do Parque destaca-se, principalmente, a
região do Planalto que, recentemente, foi
estudada em seus aspectos de estrutura,
dinâmica e biogeografia (Ribeiro & Medina
2002). A composição florística da formação
florestal, principalmente em relação as espécies
arbóreas, é, entretanto, muito pouco conhecida.
O Programa Mata Atlântica do Instituto
de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de
Janeiro, na década de 90, iniciou um
levantamento florístico e fitossociológico em
um trecho de mata na formação florestal do
Parque Nacional do Itatiaia. Os dados e
resultados obtidos, entre outros aspectos,
evidenciaram a importância da família
Leguminosae na composição e estrutura da
formação florestal atlântica do Parque como
o terceiro grupo com maior riqueza de espécies
(Guedes-Bruni 1998). No inventário realizado
para as Leguminosae da mata atlântica do
estado do Rio de Janeiro foi demonstrado que
45% do total dos gêneros e 28% do montante
Morim, M. P.
de espécies estão presentes na flora do Itatiaia
(Lima 2000).
O tratamento florísitico e taxonômico dos
táxons arbustivos e arbóreos de Leguminosae
do Parque Nacional do Itatiaia resultou em um
total de 50 espécies (Morim 2002) e propiciou,
a partir da consulta as revisões de gêneros e
em herbários, a reunião de um conjunto de
informações sobre as amplitudes geográficas
e a ocorrência das espécies, por vezes, também
em outras formações vegetacionais.
Neste contexto, o presente trabalho tem
como objetivo estabelecer os padrões de distri-
buição geográfica de 48 táxons, específicos e
infra-específicos de Leguminosae, que
ocorrem na formação florestal atlântica do
Parque Nacional do Itatiaia. Nos padrões
estabelecidos foram evidenciadas também
outras formações vegetacionais de ocorrência
dos táxons. A partir desta análise, as espécies
são identificadas como elementos florísticos
generalistas ou especialistas em relação ao
Domínio Atlântico. O conjunto dos resultados
obtidos busca subsidiar futuros trabalhos sobre
padrões de distribuição de Leguminosae e,
também, associado a estudos similares em
outras famílias botânicas de relevância na
composição da flora da região, contribuir no
avanço do conhecimento sobre os padrões de
distribuição da flora do Parque Nacional do
Itatiaia.
Material e Métodos
1. Coleta de dados
Os procedimentos metodológicos
abrangeram pesquisas bibliográficas sobre os
táxons estudados e sobre o Parque Nacional
do Itatiaia (PARNA Itatiaia). O registro de
ocorrência das espécies foi obtido nas excur-
sões de campo realizadas, principalmente, no
período de 1998 a 2001, e através de consulta
aos acervos de herbários.
Os espécimes foram coletados em área
de amostragem localizada às margens do rio
Campo Belo em uma cota de 900 metros de
altitude, onde foi realizado, pela equipe do
Programa Mata Atlântica/J B RJ, o inventário
Rodriguéria 57 (1): 27-45. 2006
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12 13 14 15 16 17
29
fitossociológico. A unidade amostrai foi
implantada adotando-se o método de
amostragem de parcela e totalizou 1 hectare
de mata em bom estado de conservação
(Guedes-Bruni 1998). O diâmetro à altura do
peito (DAP), igual ou maior que 5 cm, foi o
critério utilizado para a inclusão dos indivíduos
no tratamento fitossociológico e para as
coletas das amostras, seguidas de anotações
sobre os caracteres vegetativos e/ou
reprodutivos. Além dessa amostragem foram
realizadas caminhadas livres, sem a
demarcação prévia de trilhas, objetivando-se
o reconhecimento e a coleta de espécimes de
Leguminosae que não foram incluídas no
levantamento fitossociológico. As caminhadas
livres foram feitas em diferentes trechos da
formação florestal, situados em altitudes
compreendidas em uma faixa, aproximada-
mente, entre 600 a 2.000 metros, e prioriza-
ram coletas de indivíduos em fases de floração
e/ou frutificação. As amostras foram herbori-
zadas de acordo com os procedimentos des-
critos em Guedes-Bruni et al. (2002) e deposi-
tadas no herbário do Instituto de Pesquisas
Jardim Botânico do Rio de Janeiro (RB).
Os táxons Caesalpinioideae, Mimosoideae
e Papilionoideae foram tratados como
subfamílias subordinadas a Leguminosae. As
análises filogenéticas têm demonstrado que
Leguminosae é uma família monofiletica
(Wojciechowski 2003, Wojciechowski et al.
2004, Lewis et al. 2005) e, com base nestas
evidências, esta é a classificação sistemática
que tem sido ratificada (Lewis & Schire 2003).
A identificação taxonômica procedeu-se
a partir de consulta às revisões de gêneros,
concernentes aos táxons abordados, aliada ao
exame de material de herbário.
Os dados sobre as distribuições
geográficas dos táxons e as respectivas
formações vegetacionais brasileiras onde estes
ocorrem foram extraídos, prioritariamente, de
revisões taxonômicas e/ou de trabalhos que
tratam da distribuição das espécies estudadas.
As obras de referências estão mencionadas
na tabela 2, numeradas após o nome das
Rodrigutsia 57 (1): 27-45. 2006
espécies, ao final da referida tabela. As
denominações dos ambientes de ocorrência
das espécies mencionadas pelos autores dos
artigos consultados foram mantidas no
presente trabalho. As informações foram
também obtidas e complementadas, quando
necessário, com os dados de etiquetas dos
espécimes de herbário. Foram consultados os
herbários do estado do Rio de Janeiro, alguns
de São Paulo e do Paraná, entretano os do
Parque Nacional do Itatiaia (ITA) e do Jardim
Botânico do Rio de Janeiro (RB) foram os que
forneceram os principais subsídios à
identificação taxonômica, sobre as áreas de
ocorrência dos táxons e seus respectivos
ambientes vegetacionais.
Com base nas informações sobre
distribuição geográfica foram evidenciadas as
amplitudes geográficas, as faixas de
ocorrência, reconhecidos os núcleos
predominantes de distribuição e estabelecidos
os respectivos padrões adotando-se, com
algumas adequações, os padrões definidos
para as Leguminosae da Mata Atlântica no
estado do Rio de Janeiro (Lima 2000).
A formação florestal do PARNA Itatiaia,
no presente trabalho, é tratada como floresta
atlântica, segundo o conceito de Oliveira-Filho
& Fontes (2000), e as denominações de
florestas montanas e alto-montanas, seguem
as delimitações altimétricas da classificação
do Veloso et al. (1991).
As denominações de espécies
generalistas e especialistas foram atribuídas
em relação a preferência de habitat das
espécies, considerando-se os diferentes
domínos vegetacionais brasilieiros definidos
em Joly et al. (1999). Os táxons especialistas
foram reconhecidos como de ocorrência
exclusiva em formações do Domínio Atlântico
e os generalistas os que, além de ocorrerem
no Domínio Atlântico, habitam formações
outras próprias dos Domínios da Amazônia,
do Cerrado e da Caatinga.
O mapa de localização do PARNA
Itatiaia foi elaborado a partir de bases
cartográficas da ESRI, IBAMA e IBGE e os
SciELO/JBRJ
30
Morim, M. P.
que ilustram a distribuição geográfica das
espécies a partir de base cartográfica da ESRI,
e das seguintes fontes: Altschul (1964),
Anadenanthera colubrina var. colubrina;
Barneby & Grimes (1996), Abarema
langsdorfii; Lee & Lagenheim (1975),
Hymenaea courbaríl var. altíssima; Lee &
Lagenheim (1975), Hymenaea courbaril var.
altíssima;. Lima 2000, Copaifera langsdorfii.
Mimosa scabrella; Pennington (1997), Inga
marginata, I. vera subsp. affinis, I.striata,
1. tenuis, I.sessilis, I.mendoncaei); Vaz &
Tozzi 2003, Bauhinia longifolia.
2. Caracterização e considerações sobre
a área de estudo
O Parque Nacional do Itatiaia (22°15’e
22°30’S; 44°30’e 44"45’W) está localizado na
Região Sudeste do Brasil, no sudoeste do
estado do Rio de Janeiro, nos municípios de
Resende e Itatiaia, e ao sul de Minas Gerais,
em Bocaina de Minas e Itamonte, abrangendo
uma área de 28.155,97 hectares (http://
www.ibama.gov.br/). Em relação ao relevo, o
maciço do Itatiaia faz parte das elevações da
cadeia montanhosa e interiorana da Serra da
Mantiqueira (Fig. 1).
A geomorfologia da região caracteriza-
se por ser um dos grandes afloramentos
rochosos do mundo, constituído por rochas do
tipo nefelino e por massas de sienito (Segadas-
Vianna 1965), tipo este raro no Brasil encon-
trado, além do Itatiaia, em Poços de Caldas
(MG) e na Ilha de São Sebastião no litoral de
São Paulo (Ribeiro & Medina 2002). O Plano
de Manejo do Parque (MA-IBDF & FBCN
1982) destaca como pontos relevantes: as
Agulhas Negras, com 2.787 metros de altitude,
onde se encontra o Pico do Itatiaiassu, que
dominam a região do Planalto do Itatiaia, as
Prateleiras (2.540 metros), a Serra Negra
(2.560 metros), a Pedra do Couto (2.682
metros), o Pico da Maromba (2.607 metros) e
a Cabeça do Leão (2.408 metros); a Pedra
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L2 13 14 15 16 17
cm
Furada, a oeste acima de 2.500 metros; os Dois
Irmãos, a leste em altitude de 2.400 metros; e
os Três Picos, com pouco mais de 1.700
metros de altitude. Segundo Safford (1999 a),
há dúvidas se os picos do Itatiaia foram
realmente submetidos aos processos de
glaciação ocorridos durante o Pleistoceno.
Clapperton apud Safford 1 999a caracteriza o
Itatiaia como o único na América do Sul, além
dos Andes, que deve muito de sua origem aos
processos geocriogênicos do Quaternário.
A hidrografia, segundo Brade (1956) e o
MA-IBDF & FBCN (1982), destaca-se pelas
bacias do rio Paraíba do Sul e do rio Paraná e
os rios que nascem no Parque seguem seus
cursos d’agua em direção a estas bacias, onde
desaguam. O rio Campo Belo, que forma as
cachoeiras Itaporani, Piturendaba, Poranga e
Tupie, e o rio Salto são considerados os
componentes mais importantes na rede de
drenagem da região. O Ribeirão das Flores,
principal afluente do Campo Belo, forma, a
1 . 100 m de altitude, a cascatinha do Maromba
e o famoso Véu da Noiva. Os rios Baependi,
Aiuruoca, Grande pertencem a bacia do rio
Paraná e o rio Preto, é importante afluente do
Paraíba do Sul.
O clima, segundo a classificaçao de
Koeppen (Bernardes 1952), é do tipo tem-
perado com estação seca (Cwa). Os efeitos
climáticos produzidos sobre a vegetação da
região foram estudados em diferentes níveis
altitudinais do maciço do Itatiaia por Segadas-
Vianna (1965) e Segadas-Vianna & Dau
(1965) que identificaram duas estações para
a região: a estação seca e fria, no período de
junho a agosto, e a chuvosa e quente, nos
meses de dezembro a fevereiro. O clima da
região mais baixa, de 400 a 700 metros de
altitude, é do tipo Cwa; em altitudes de 700 a
2.000 metros o clima é do tipo Cfb e na região
do planalto, 2.000 a 2.400 metros de altitude,
o clima é do tipo Cwb (Segadas-Vianna 1965
e Segadas-Vianna & Dau 1965). Os autores
destacam que a estação muito fria e seca do
planalto, assim como a alta incidência de
geadas, é desfavorável ao estabelecimento da
31
vegetação florestal. Nos cumes, região acima
de 2.400 metros de altitude, além da estação
fria e seca ser ainda mais intensa ocorre a
constante presença de ventos secos e frios de
alta intensidade (Segadas-Vianna & Dau
1965). Safford (1999b), utilizando técnicas de
análise multivariada associadas às infor-
mações de Segadas-Vianna & Dau ( l.c .),
concluiu que as congruências macroclimáticas
evidenciadas refletem bases ambientais de
fortes conecções biogeográficas entre os
Andes e o sudeste do Brasil (campos de
altitude do Planalto do Itatiaia) e, neste
contexto, paralelismos evolutivos e ecológicos
devem ter ocorrido em ambas as biotas destes
sistemas montanhosos neotropicais.
A vegetação do Itatiaia foi descrita pela
primeira vez, segundo Segadas-Vianna (1965),
por Ule, em 1895, em três principais níveis: a
região baixa, até 600 metros de altitude; a
região de floresta de 600 a 1.700 metros de
altitude; e a região de campos, em altitudes
superiores a 2.000 metros, sendo esta
subdividida em cinco sub-regiões. Brade
(1956) reconheceu: a mata higrófila tropical e
subtropical, para a região baixa do Itatiaia; a
mata de transição da região mais elevada, na
faixa entre 1.200 e 1.800 metros de altitude; a
região de Araucária, entre 1.600 e 2.300
metros de altitude, caracterizada pela
distribuição descontínua de indivíduos de
Araucaria angustifolia (Bertol.) Kuntze; e
a vegetação do planalto acima de 2.000 metros
de altitude. Segadas-Vianna (1965) definiu a
vegetação com base em faixas altimétricas
caracterizadas, na maioria das vezes, pelas
espécies vegetais e animais, consideradas
exclusivas dos andares de vegetação. Os
“andares de vegetação" estabelecidos por
Segadas-Vianna (1965) abrangeram cinco
faixas altimétricas: planície de 400 a 700
metros de altitude; montanha inferior de 700 a
1.100 metros de altitude; montanha média
1.100 a 1.700 metros de altitude; montanha
superior de 1.700 a 2.000 metros de altitude;
planalto de 2.000 a 2.400 metros de altitude e
cumes de 2.400 a 2.770 metros de altitude.
Rodriguésia 57 (1): 27-45. 2006
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cm ..
32
Ururahy et al. (1983) classificaram a vege-
tação do Itatiaia como floresta ombrófila densa
montana e, acima de 1 .500 metros de altitude,
como refúgio ecológico. No sistema de
classificação do IBGE, Veloso et al. (1991)
citaram “...Minas Gerais (Itatiaia)” como um
dos exemplos de ocorrência da formação
floresta estacionai semidecidual montana.
Guedes-Bruni (1998) reconheceu a vegetação
como floresta ombrófila densa montana.
No presente trabalho a formação florestal
do PARNA Itatiaia é tratada no conceito da
floresta atlântica (Oliveira-Filho & Fontes
2000), sendo a floresta ombrófila densa,
segundo sistema de classificação do IBGE
(Veloso et al. 1991) e o mapeamento de áreas
do sudeste (Oliveira-Filho & Fontes 2000),
predominante na área de estudo.
O grau de conservação da vegetação do
Parque Nacional do Itatiaia é bastante variado.
Algumas porções da formação florestal ainda
se apresentam como matas em bom estado de
conservação. Entretanto, constata-se grandes
trechos de vegetação pertubada, principalmente,
na faixa de altitude entre 600 e 1.000 metros. A
influência do homem na vegetação do Itatiaia,
mencionada por Brade (1956), reflete as ações
antrópicas, principalmente, direcionadas à
lavoura e pastagens, praticadas em toda a região
da Mantiqueira (Mendes Jr. et al. 1991);
atualmente, o turismo e a urbanização
desordenados somam-se a estas ações. Os
incêndios sempre fizeram parte dos processos
devastadores freqüentes na região, entretanto,
atualmente, podem ser considerados como à
ameaça mais constante à vegetação e à flora do
PARNA Itatiaia, inclusive nas regiões mais
elevadas.
Morim, M. P.
Resultados e Discussão
A riqueza e a diversidade taxonômica da
família Leguminosae no PARNA Itatiaia, no
tocante aos táxons arbustivos e arbóreos, estão
expressas no total de 50 táxons específicos,
e/ou infra-específicos, subordinados a 30
gêneros, assim distribuídos: oito gêneros e 15
spp. em Caesalpinoideae, sete gêneros e 14 spp.
em Mimosoideae e 15 gêneros e 23 spp. em
Papilionoideae (Morim 2002). Os padrões de
distribuição foram reconhecidos para 48
espécies, considerando-se que as demais
permanecem identificadas apenas na categoria
taxonômica de gênero.
Na flora local a distribuição do grupo é
predominante na formação montana do
PARNA Itatiaia em uma faixa altitudinal de
700 até cerca de 1 .200 metros e a partir desta
cota altitudinal a riqueza de espécies de
Leguminosae decresce. Esta redução na
riqueza de espécies foi constatada por Brade
( 1 956) e Segadas- Vianna ( 1 965) para espécies
de outras famílias da flora arbórea do Itatiaia.
Segundo Gentry (1995) o declínio na riqueza
de espécies, em conseqüência do aumento de
altitude, é um certo padrão em florestas
tropicais.
A distribuição geográfica das espécies
de Leguminosae do PARNA Itatiaia abrange
três macrorregiões (Tab. 1): América do Sul,
América Central e México (12% dos táxons);
América do Sul (23% dos táxons) e restritos
ao Brasil (65% dos táxons).
A partir desta avaliação foram definidos
seis padrões de distribuição que têm como
referência a faixa predominante de ocorrência,
na qual os táxons exibem distribuições
de espécies dE do PARNA haüaia por dUrribeiçao em
Macrorregiões
I. América do Sul, A. Central e México
II. América do Sul
III. Distribuição restrita ao Brasil
Total
n° espécies
12%
23%
65%
Rodriguésia 57 (1): 27-45. 2006
SciELO/JBRJ
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33
Tabela 2 - Padrões de distribuição, relação das espécies e elementos florísticos,
habitat, das Leguminosae do PARNA Itatiaia.
Pad rões de distribuição Espécies
quanto as preferências de
Elementos
florísticos
1 . Neotropical 1 • Inga marginata Willd. 1
2. Inga vera subsp. affinis (DC.) T.D. Penn.1
3. Lonchocarpus cultratus (Vell.) Az.-Tozzi & H.C.Lima
4. Machaerium hirturn (Vell.) Stellfeld 2,3
5. Peltophorum dubium (Spreng.) Taub.4'5
6. Platypodiurn elegans Vogei 45
7. Pterocarpus rohrii Vahl6
8. Schyzolobium parahyba (Vell.) Blake 4-’
9. Senna pendula (Willd.) Irwin & Barneby7
2. América do Sul 10. Bauhinia longifolia (Bong.) Steud.8
ocidental-centro-oriental 1 1. Collaea speciosa DC.
12. Dalbergia frutescens (Vell.) Britton var .frutescens"
13. Erytrhinafalcata Benth.12
14. Inga striata Benth.1
3. Brasil centro-oriental 15. Andira fraxinifolia Benth.
16. Copaifera langsdorfii Desf.14
17. Dalbergia foliolosa Benth. 61 '.
18. Machaerium nyctitans (Vell.) Benth.6
19. Piptadenia gonoacantha (Mart.) Macbride6
20. Pseudopiptadenia contorta (DC.) G.P.Lewis & M.P.Lima15
21. Sclerolobium rugosum Mart. ex Benth6
22. Senna multijuga subsp. lindleyana (Gardncr)
Irwin &. Barneby7
23. Stryphnodendran polyphyllum Mart16.
24. Zollernia ilicifolia (Brongn.) Vogei17
4 Brasil atlântico 25. Abarema langsdorfii (Benth.) Barneby et Grimes18
nordeste-sudeste-sul 26 Anadenanthera colubrina (Vell.) Brenan var. colubrina 19
27. Bauhinia forficata Link subsp. forficata20
28. Chamaecrista ensiformis (Vell.) Irwin & Barneby
29. Dalbergia nigra (Vell.) Allemão ex Benth".
30. Inga tenuis (Vell.) Mart. 1
3 1 . Myrocarpus frondosus Allemão21
32. Senna affmis (Benth.) Irwin & Barneby7
33. Zollernia glabra (Spreng.) Yakovlev17
5. Brasil atlântico 34. Dahlstedtia pinnata (Benth.) Malme5
sudeste-sul 35. Inga barbata Benth.
36. Inga sessilis (Vell.) Mart. 1
37. Mimosa scabrella Benth22'23.
38. Senna organensis (Harms) Irwin & Barnchy7
6. Brasil atlântico sudeste 39. Hymenaea courbaril var. altíssima (Duckc)Lec & Lang24
40. Inga mendoncaei Harms1
41. Ormosia friburgensis Taub. ex Harms6
42. Pseudopiptadenia leptostachya (Benth.) Rauschert15
43. Sclerolobium friburgense Harms6
44. Senna itatiaiae Irwin & Barneby7
Generalista
Generalista
Generalista
Generalista
Generalista
Generalista
Generalista
Generalista
Generalista
Generalista
Generalista
Generalista
Generalista
Generalista
Generalista
Generalista
Generalista
Generalista
Especialista
Generalista
Generalista
Generalista
Generalista
Generalista
Especialista
Especialista
Especialista
Especialista
Especialista
Especialista
Generalista
Especialista
Especialista
Especialista
Generalista
Especialista
Especialista
Especialista
Especialista
Especialista
Especialista
Especialista
Especialista
Especialista
Rodriguésia 57 (1): 27-45. 2006
SciELO/ JBRJ
12 13 14 15 16 17
cm ..
34
Padrões de distribuição Espécies
45. Senna macranthera (Collad.)Irwin & Bameby
var. macranthera7
46. Swartzia oblata R.S. Cowan25-26
47. Swartzia pilulifera Benth.25-26
48. Swartzia submarginata (Benth.) Mansano2526
Morim, M. P.
Elementos
florísticos
Especialista
Especialista
Generalista
Especialista
(2003); IJ01iveira-Filho & Ratter (1995) '^Lewis & Uma 1989 90 Sr H M Tn y 0974)1 ‘’Penningt0n
Lewis (2004); '“Bameby & Grimes (1996); "Altschtl (1964)- *v’az & ST' ÍSS* 2! * Mansano' TozzÍ *
Burkart (1979)- “Barnehv riQQlv i, J i , “ U M)’ Vaz & Sllva O"*): 2lSartori & Tozzi (2004); 22
Burkart (1979), Bameby (1991), Lee & Langenheim (1975); “Mansano & Tozzi (1999); “Mansano & Tozzi
contínuas ou não. Os alcances geográficos dos
táxons são de maior ou menor amplitudes e
refletem núcleos de distribuição mais restritos,
assim como exigências ecológicas associadas
às formações vegetacionais onde se difundem.
Os padrões estabelecidos, os táxons
estudados e a indicação das espécies como
elementos florísticos estão reunidos na tabela
2 e são discutidos a seguir.
1. Distribuição neotropical (Tab. 2, Figs.
2-3): abrange espécies com distribuições muito
amplas, contínuas ou disjuntas, com áreas de
ocorrências predominantemente localizadas na
faixa neotropical. O México e a América
Central são os limites norte de distribuição e o
limite sul, o norte da Argentina. As espécies
que exibem este padrão são: Inga marginata
(Fig. 2), Inga vera subsp. affinis (Fig. 3),
Lonchocarpus cultratus, Machaerium
hirtum, Peltophorum dubium, Platypodium
elegans, Pterocarpus rohrii, Schyzolobium
parahyba e Senna pendula. No PARNA
Itatiaia a ocorrência destes táxons foi
verificada em uma faixa entre 650 e 1.100
metros de altitude, em localidades conhecidas
como Benfica, Mont Serrat, nas proximidades
das margens do rio Campo Belo e no
Maromba. Deste conjunto de espécies
destaca-se Inga vera subsp. affinis que
alcança as maiores altitudes, até 1 .800 metros,
na orla da mata, no caminho para o planalto, e
no interior da mata montana, em transição para
alto-montana, e Pterocarpus rohrii como
freqüentes em altitude de 900 metros. Alguns
indivíduos de Schyzolobium parahyba são
encontrados apenas nos arredores do Museu
Botânico, em locais de vegetação alterada,
sugerindo ser esta uma espécie cultivada no
PARNA Itatiaia.
Peltophorum dubium e Platypodium
elegans incluem-se no grupo de espécies
citadas por Prado & Gibbs ( 1 993) que ilustram
os padrões de distribuições de táxons em
florestas estacionais da América do Sul.
Platypodium elegans é um dos exemplos de
táxons, mencionados pelos autores, que
apresenta uma distribuição bastante complexa
(Prado & Gibbs 1993).
Rodriguésia 57 (1): 27-45. 2006
2 3 4
5 6
SciELO/JBRJ
12 13 14 15 16 17
cm
Rodriguésia 57 (1): 27-45. 2006
35
As espécies incluídas neste padrão
habitam formações de diferentes domínios
vegetacionais e são elementos florísticos
generalistas na flora do PARNA Itatiaia.
2. Distribuição América do Sul ocidental-
centro-oriental (Tab. 2, Figs. 4-5): a faixa de
ocorrência predominante neste padrão abrange
as áreas oeste, centro e leste da América do
Sul. Os extremos mais ao norte, Venezuela,
Suriname ou ainda a Guiana, são alcançados
por alguns dos táxons; o limite meridional é,
em geral, o sul do Brasil. O referido padrão é
reconhecido nos seguintes táxons: Bauhinia
longifolia (Fig. 4), Collaea speciosa,
Dalbergia frutescens var. frutescens,
Erythrina falcata e Inga striata (Fig. 5). No
PARNA Itatiaia as espécies ocorrem,
principalmente, em altitudes entre 650 e 900
metros, em áreas abertas ou no interior da
formação montana, em geral, a 900 metros de
altitude. Alguns indivíduos de D. frutescens
var. frutescens são encontrados em trechos
de mata a 1.500-1.700 metros de altitude; C.
speciosa e E. falcata alcançam altitudes
superiores a 1.700 metros, sendo que
C.speciosa ocorre em áreas de transição entre
a formação montana e alto-montana, em
altitude de 2.000 metros.
Bauhinia longifolia, com distribuição
relativamente contínua, ocorre no Peru, Bolívia
e Paraguai e, na faixa centro-oriental do Brasil,
em áreas do centro-oeste, nordeste, sudeste
e, no sul, até o Paraná (Vaz & Tozzi 2003). É
frequente nas formações florestais dos
domínios do cerrado, campo rupestre e da
floreta atlântica (Vaz & Tozzi 2003).
As ocorrências mais ao norte do
continente são registradas para Dalbergia
frutescens var. frutescens, na Venezuela c
Guiana (Carvalho 1997), e em Inga striata,
na Guiana e Suriname (Pennington 1997).
Dalbergia frutescens var. frutescens, no
Brasil, ocorre em floresta de galeria, restinga,
na formação florestal atlântica, e em floresta
de araucária, tendo como limite sul o norte da
Argentina (Carvalho 1997); Inga striata, além
SciELO/JBRJ
12 13 14 15 16 17
36
Morim, M. P.
de muito comum em ampla faixa da formação
florestal atlântica, desde o nordeste,
Pernambuco, até o Rio Grande do Sul, é
registrada ainda para as florestas montanas dos
Andes, no Peru e Equador (Pennington 1997).
As especies Collaea speciosa e
Erythrina falcata, comparadas as demais
incluídas neste padrão, são as que possuem
uma faixa de ocorrência mais restrita. Collaea
speciosa tem distribuição registrada para o
Peru, Bolivia, Paraguai e Argentina (Garcia
1989, Fortunato 1995) e no Brasil, segundo
dados do herbário, na Bahia, Minas Gerais, Rio
de Janeiro e São Paulo. No Rio de Janeiro
ocorre em floresta ombrófila densa montana e
para os demais estados só foram encontradas
como citações de ambientes, locais abertos e
capoeiras. O táxon é considerado um complexo
variável e os espécimes que ocorrem no Brasil
são distintos das formas típicas do Peru e da
Bolivia (Fortunato 1995). Erythrina falcata
segundo Krukoff & Bameby (1974), ocorre
em regiões sub-andinas do Peru e da Bolívia,
no Paraguai e no norte da Argentina. No Brasil
difunde-se nas Regiões Sudeste e Sul, no domí-
nio florestal atlântico, tendo apenas o espécime
tipo, no Maranhão (Krukoff & Bameby 1974).
Erythrina falcata e, provavelmente, Collaea
speciosa poderiam ser correlacionadas ao
elemento florístico andino reconhecido por
Brade (1956) para a Serra do Itatiaia.
As espécies reconhecidas neste padrão
são consideradas generalistas.
3. Brasil centro-oriental (Tab. 2; Figs. 6-7):
a principal faixa de distibuição dos táxons,
neste padrão, compreende áreas do centro-
oeste, do nordeste, sudeste e sul do Brasil
tendo, em geral, como limites, ao norte, os
estado do Ceará ou da Bahia e, ao sul, o Paraná
ou Santa Catarina. Incluem-se neste padrão:
Andira fraxinifolia, Copaifera langsdorfii
(Fig. 6), Dalbergia foliolosa, Machaerium
nyctitans, Piptadenia gonoacantha,
Pseudopiptadenia contorta (Fig. 7)
Sclerolobium rugosum, Senna multijuga
subsp. lindleyana, Stryphnodendron
polyphyllum e Zollernia ilicifolia. No
PARNA Itatiaia estas espécies são
encontradas, principalmente, na formação
montana na faixa entre 600 e 900 metros de
altitude, no interior da mata, nas proximidades
do rio Campo Belo, e também são comuns em
locais de vegetação alterada. Dalbergia
foliolosa e Sclerolobium rugosum foram
registradas em trechos de mata, na formação
montana em transição para alto-montana, em
faixa altitudinal entre 1.400 e 1.900 metros, na
localidade de Macieiras.
Andira fraxinifolia ocorre no Distrito
Federal e Goiás e, também, do Ceará a Santa
SciELO/JBRJ
12 13 14 15 16 17
cm
37
Catarina em formações da floresta pluvial
atlântica, restinga, campo rupestre e ainda em
vegetação secundária (Pennington 2003).
Copaifera langsdorfii, segundo dados
de herbário e Oliveira-Filho & Ratter (1995),
é muito comum no centro-oeste, nordeste e
sudeste do Brasil, principalmente, em áreas de
cerrado, floresta de galeria, caatinga e floresta
estacionai. Oliveira-Filho & Ratter (1995)
registram C. langsdorfii como uma das treze
espécies de mais alta freqüência nas florestas
de galeria e com uma distribuição expressiva
nas florestas semidecíduas paranaenses,
difundindo-se também no cerrado e, ainda, em
poucas áreas das províncias amazônica e
atlântica.
Zollernia ilicifolia ocorre no centro-
oeste, apenas no Distrito Federal, e desde a
Paraíba até o Paraná em formações da floresta
pluvial atlântica, da floresta estacionai, cerrado
e caatinga (Mansano et al. 2004).
Pseudopiptadenia contortci ocorre no
nordeste, Paraíba e Bahia, e no sudeste, em
todos os estados, em ambientes do Domínio
da Caatinga arbórea, em matas de restinga e
nas formações do Domínio Florestal Atlântico
(Lewis & Lima 1989-90).
Stryphnodendron polyphyllum é
frequente nos cerrados e campos rupestres do
nordeste, principalmente na Bahia (Lewis 1 987),
e no sudeste (Occhioni Martins 1974, 1981),
com exceção do Espírito Santo, em floresta
estacionai semidecidual e em floresta ombrófila
densa. Segundo Occhioni Martins (1981) esta
é a única espécie do gênero que ocorre no Rio
de Janeiro, principalmente, em trechos da Serra
da Mantiqueira e da Serra do Mar.
Machaerium nyctitans e Sclerolohium
rugosuni são registradas para o nordeste,
Bahia, na Região Sudeste, em todos os estados,
e no sul, apenas M .nyctitans chega ao Paraná
e Santa Catarina, ocorrendo na floresta
ombrófila densa e na floresta estacionai do
planalto meridional (Lima & al. 1994).
Dalbergia foliolosa é frequente em
matas ciliares em áreas do cerrado do Brasil
mas, também, é muito comum e característica
da floresta pluvial atlântica montana da Serra
da Mantiqueira e da Serra do Mar, nos estados
de Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo
(Lima et al. 1994, Carvalho 1997).
Em relação à flora do PARNA Itatiaia
observa-se, neste padrão, o predomínio de
espécies generalistas.
4. Brasil atlântico nordcstc-sudestc-sul
(Tab. 2, Figs. 8-10): a principal faixa de
distribuição neste padrão é a área que abrange
desde o nordeste, principalmente, a Bahia, até
o sul do Brasil, em geral, o Paraná. Entre as
espécies estudadas cita-se: Abarema
langsdorfii (Fig. 8), Anadenanthera
colubrina var. c olubrina (Fig. 9), Bauhinia
forficata subsp. forficata, Chamaecrista
ensiformis, Dalbergia nigra, Inga tenuis
(Fig. 10), Myrocarpus frondosus, Senna
affinis e Zollernia glabra. A ocorrência
destas espécies no PARNA Itatiaia foi
verificada em uma faixa altitudinal entre 600 e
1 .000 metros, em localidades conhecidas como
Benfica, Lago Azul, e nas proximidades do rio
Campo Belo, em trechos da formação montana
mais preservada.
As distribuições de Bauhinia forficata
subsp. forficata, Abarema langsdorfii e
Myrocarpus frondosus são similares e
refletem as maiores amplitudes geográficas dos
táxons incluídos neste padrão. A faixa de
distribuição da Bahia até o Rio Grande do Sul,
interiorizando em Minas Gerais, é predominate
e comum às três espécies: B. forficata subsp.
forficata, segundo Vaz & Silva (1995) e dados
de herbário, tem como limites norte Alagoas e
como sul, o estado de Santa Catarina,
ocorrendo nas formações de floresta atlântica
(senso Oliveira-Filho & Fontes 2000); A.
langsdorfii difunde-se da Bahia até Santa
Catarina, em restinga (Barncby & Grimcs
1996), e, pelas informações dos autores e
dados de herbário, em formações montanhosas
da floresta ombrófila densa, tornando-se mais
rara nas florestas estacionais da Serra da
Mantiqueira e leste de Minas Gerais (Barncby
& Grimes 1996). Myrocarpus frondosus.
Rodriguésia 57 (I): 27-45. 2006
!scíelo/jbrj
12 13 14 15 16 17
cm ..
38
Figura 9 - Anadenanthera colubrina : Anadenanthera
colubrina var. colubrina (A); A. colubrina var. cebil (•)
Figura 10 - Inga tenuis
Morim, M. P.
embora com um núcleo expressivo de
distribuição na faixa da Bahia ao Rio Grande
do Sul, em formações florestais de florestas
estacionais, decidual e semidicual, da floresta
ombrófila densa e da floresta ombrófila mista,
ocorre também no sudoeste do Paraguai e no
norte da Argentina (Sartori & Tozzi 2004).
Anadenanthera colubrina var.
colubrina, segundo Altschul (1964), distribui-
se no nordeste, na Bahia, no sudeste, no Rio
de Janeiro e São Paulo, no sul do Brasil, no
Paraná, e na Argentina, em Misiones. Prado
& Gibbs (1993) assinalaram que a variedade
típica distribui-se simpatricamente com A.
colubrina var. cebil (Griseb.) Altschul nas
áreas de caatinga da Bahia e também em
Misiones e de forma alopátrica no estado do
Rio de Janeiro e nas florestas do planalto de
São Paulo e Paraná. Os autores consideraram
A. colubrina var. cebil um táxon paradigma
para o padrão, por eles denominado,” Arco
das formações estacionais residuais do Pleis-
toceno”. As terras altas da Região Sudeste
do Brasil foram apontadas como prováveis
locais de origem de A. colubrina e ainda como
o centro de origem do gênero (Altschul 1964).
Dalbergia nigra e Inga tenuis possuem
núcleos de distribuição muito similares: I. tenuis
tem como limite norte o estado de Sergipe e
sul o Rio de Janeiro. Nesta faixa, ocorre na
floresta pluvial e em áreas de transição com a
restinga (Pennington 1997); D. nigra ocorre
do sul da Bahia até São Paulo, na floresta
ombrófila densa, e também em em Minas
Gerais, na floresta estacionai semidecidual
(Carvalho 1997).
Chamaecrista ensiformis, segundo
dados de herbário, ocorre na Bahia, Espírito
Santo e Rio de Janeiro, na floresta ombrófila
densa e também em restinga; Senna affinis
(Irwin & Bameby 1982) apresenta distribuição
semelhante não sendo citada para o Espírito
Santo mas, com ocorrência registrada em
Minas Gerais.
Zollernia glara apresenta uma área de
distribuição muito similar a de Chamaecrista
ensiformis, ocorrendo também em São Paulo.
Rodriguésia 57 (1): 27-45. 2006
SciELO/JBRJ
L2 13 14 15 16 17
39
Em relação a seu habitat a espécie é restrita a
floresta pluvial atlântica (Mansano et al. 2004).
Independente das diferentes amplitudes
geográficas predominam neste padrão as
espécies de Leguminosae especialistas do
Domínio Florestal Atlântico.
5. Brasil atlântico sudeste-sul (Tab. 2, Figs.
11-12): este padrão é caracterizado pela faixa
de distribuição nas Regiões Sudeste e Sul do
Brasil, predominando como limite sul o estado
do Paraná. Os seguintes táxons, são
reconhecidos: Dahlstedtia pinnata, Inga
barbata, /. sessilis (Fig. 11), Mimosa
scabrella (Fig. 12) e Senna organensis. Na
flora do PARNA Itatiaia a maior parte destas
espécies ocorre na faixa de 650 a 1 .000 metros
de altitude em localidades citadas como Mont
Serrat, Lago Azul e Maromba. Inga sessilis,
muito freqüente no Maromba, ocorre também
em Macieiras e no caminho para o planalto
em uma altitude de até 1.900 metros;
Dahlstedtia pitmata foi coletada também em
altitude de 1 .300 metros (Três Picos); Mimosa
scabrella ocorre em uma faixa entre 1.000 e
1 .900 metros, em geral, em trechos de matas
pertubadas, em trechos próximos ao planalto,
Vargem Grande e Serra Negra.
Os táxons com maiores amplitudes
geográficas são: Inga sessis, que se distribui
de Minas Gerais ao Rio Grande do Sul
(Pennington 1997), em floresta de galeria no
cerrado de Minas Gerais, floresta de
Araucaria, no Paraná, e em vegetação
secundária derivada da floresta pluvial
montana (Pennington 1997); Mimosa
scabrella possui a mesma distribuição
geográfica da espécie anterior, sendo muito
comum em locais de vegetação alterada das
formações montanas da floresta ombrofila
densa e, também, na floresta de araucária
(Burkart 1979, Barneby 1991). Ambas
apresentam uma distribuição bastante similar
a de Araucaria angustifolia (Burkart 1979),
táxon de distribuição provavelmente relictual
(Ab’Saberl977, Bigarella et al. 1975).
Este grupo de táxons é característico em
formações dos complexos montanhosos, da
Serra da Mantiqueira e da Serra do Mar. São
espécies, predominantemente, especialistas do
Domínio Atlântico, no qual o habitat preferido
é a floresta atlântica (senso Oliveira-Filho &
Fontes 2000). As espécies deste padrão se
relacionadas aos elementos florísticos de Brade
(1956) poderiam ser reconhecidas no sub-
Figurn 1 1 - Inga sessilis
Rndriguésia SI (1): 27-45. 2006
SciELO/ JBRJ
12 13 14 15 16 17
cm ..
Morim, M. P.
grupo dos elementos florísticos subtropicais das
matas higrófilas (senso Brade 1956).
6. Brasil atlântico sudeste (Tab. 2, Figs. 13,
14): a faixa de abrangência deste padrão é
restrita à Região Sudeste, principalmente, em
locais de maiores altitudes das cadeias da
Serra do Mar e da Serra da Mantiqueira. Para
a flora do PARNA Itatiaia são reconhecidas,
neste padrão, as seguintes espécies: Hymenaea
courbaril var. altíssima (Fig. 13), lnga
mendoncaei (Fig. 14), Ormosia friburgensis,
Pseudopiptadenia leptostachya, Sclerolobium
friburgensis , Senna itatiaiae, S. macranthera
var. macranthera, Swartzia oblata, S.
pilulifera e S. submarginata. Na flora em
estudo este grupo de táxons ocorre em uma
faixa de altitude entre 700 e 2.200 metros e,
em geral, são as espécies que alcançam as
altitudes mais elevadas, como, por exemplo,
Senna itatiaiae de ocorrência registrada
apenas na formação alto-montana.
Na Região Sudeste, núcleo de distribuição
para os táxons incluídos neste padrão, são
reconhecidas áreas distintas de ocorrência:
Senna macranthera var. macranthera ocorre
em cadeias serranas de Minas Gerais, na
floresta atlântica do Espírito Santo e Rio de
Janeiro, principalmente na Serra dos Órgãos
e na Serra da Mantiqueira, e áreas de capoeira
(Irwin & Bameby 1982); Pseudopiptadenia
leptostachya ocorre em Minas Gerais, Rio de
Janeiro e São Paulo, na floresta ombrófila
densa montana das Serra do Mar e da
Mantiqueira (Lewis & Lima 1989-90);
Swartzia oblata e S. submarginata são
registradas para Minas Gerais, Rio de Janeiro
e São Paulo, na floresta pluvial tropical atlân-
tica e na floresta estacionai, acrescentando-
se ainda a ocorrência de S. oblata no Espírito
Santo (Mansano & Tozzi 1999; Mansano &
Tozzi 2001); Hymenaea courbaril var.
altíssima (Lee & Langenheim 1975); Ormosia
friburgensis, e Sclerolobium friburgensis,
(Lima etal. 1994), ocorrem no Rio de Janeiro
e São Paulo, nas Serra do Mar e na Serra da
Mantiqueira, na floresta ombrófila densa
montana; Swartzia pilulifera é registrada para
Minas Gerais e Rio de Janeiro na floresta
pluvial tropical atlântica, floresta estacionai e
cerrado (Mansano &Tozzi 1999); lnga
mendoncaei e Senna itatiaiae, segundo
Pennington (1997) e Irwin & Bameby (1982),
respectivamente, são conhecidas apenas da
floresta pluvial montana do estado do Rio de
Janeiro, destacando-se que S. itatiaiae é
conhecida, até o momento, apenas para a flora
do PARNA Itatiaia.
As espécies reconhecidas neste padrão
são elementos florísticos especialistas do
Figura 13 - Hymenaea courbaril var. altíssima
Rodriguésia 57 (1): 27-45. 2006
SciELO/JBRJ
L2 13 14 15 16 17
cm
Domínio Atlântico, a exceção de Swartzia
pilulifera, e têm distribuições restritas às
floresta ombrófila densa e floresta estacionai
semidecidual do sudeste.
Uma síntese do conjunto dos padrões de
distribuição (Fig. 15) e a correlação à
preferên-cia de habitat das especies de
Leguminosae estudadas para a flora do
PARNA Itatiaia mostrou que do total de
espécies analisadas, 56% são generalistas e
44% especialistas em formações do Domínio
Atlântico (Tab. 2). Os padrões predominantes
de distribuição das espécies generalistas são
o neotropical, seguido do Brasil centro-oriental
e o América do Sul ocidental-centro-oriental.
Os táxons especialistas do Domínio Atlântico
foram reconhecidos, principalmente, nos
padrões: Brasil Atlântico nordeste-sudeste-sul,
41
Brasil Atlântico sudeste e Brasil Atlântico
sudeste-sul.
O grupo de espécies especialistas revelou
a predominância de táxons do domínio florestal
atlântico (senso Oliveira-Filho & Fontes 2000),
destacando-se espécies características da flora
da floresta ombrófila densa, seguidas da
presença expressiva de elementos florísticos
que também ocorrem nas florestas estacionais
semidecíduas do sudeste. Tal fato corrobora
a constatação das similaridades florísticas entre
estas duas formações florestais no sudeste e
a condição da flora arbórea da floresta
semidecidual ser um sub-conjunto da flora das
florestas ombrófilas (Oliveira-Filho & Fontes
2000).
O conjunto de resultados obtidos mostra
que a formação florestal montana e alto-
SciELO/JBRJ
12 13 14 15 16 17
42
Morim, M. P.
montana do PARNA Itatiaia é um relevante
núcleo de distribuição de Leguminosae no
contexto das grandes cadeias montanhosas das
Serra da Mantiqueira e da Serra do Mar,
reforçando a condição do estado do Rio de
Janeiro seja como centro de diversidade de
espécies, centro de endemismo ou área
provável de refúgio (Mori 1981 e 1989, Prance
1987, Prance 1994, Lima et al. 1997).
Entretanto, resultados sobre a riqueza e
diversidade das Leguminosas no Domínio
Atlântico do sudete do Brasil, associados aos
prováveis processos biogeográficos históricos
e ecológicos aos quais os táxons foram e estão
submetidos (Lima 2000), serão fundamentais
para interpretações mais detalhadas sobre o
conjunto florístico das Leguminosae na
formação florestal do PARNA Itatiaia.
Estimula-se ainda que outras famílias
botânicas que predominam na formação
florestal do PARNA Itatiaia sejam estudadas
e que este conjunto de resultados, associados
aos diferentes aspectos que envolvem o maciço
do Itatiaia (Safford 1999 a,b), promovam o
avanço no conhecimento sobre a flora local.
Agradecimentos
À Dra. Gaziela Maciel Barroso, in
memoriam, pelos valiosos ensinamentos no
estudo de Sistemática de Leguminosae; à Dra.
Dorothy Sue Dunn Araújo, Departamento de
Ecologia da Universidade Federal do Rio de
Janeiro, pela revisão do abstract. Ao bolsista
da Fundação Botânica Margaret Mee/
Programa Mata Atlântica/Instituto de
Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro
pesquisador Sebastião da Silva Neto, pelo
auxílio durante os trabalhos de campo- a
Leonardo Gnattali de Mello Campos, bolsista
do Centro de Informações e Serviços do
Programa Mata Atlântica/JBRJ, pela
elaboração dos mapas. Ao Parque Nacional
do Itatiaia pelo apoio durante a realização do
trabalho de campo e ao Instituto de Pesquisas
Jardim Botânico do Rio de Janeiro, em especial
ao Programa Mata Atlântica, pelas condições
de trabalho oferecidas e auxílio financeiro
(convênio n° 610.4.025.02.3) através do
patrocínio da Petrobrás.
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Rodriguésia 57 (1): 27-45. 2006
SciELO/JBRJ
12 13 14 15 16 17
cm
Flora da Paraíba, Brasil: Tillandsia L. (Bromeliaceae)1
Ricardo Ambrósio Soares de Pontes 2 & Maria de Fátima Agra'
Resumo
(Flora da Paraíba, Brasil: Tillandsia L. (Bromeliaceae)) Este trabalho teve como objetivo elaborar o tratamento
taxonômico das espécies do gênero Tillandsia L. ocorrentes no estado da Paraíba, como parte do projeto
“Flora Paraibana”. Foram identificadas 12 espécies para o estado: T. bulbosa Hook.f., T. gardneri Lindl., T.
juncea (Ruíz & Pav.) Poir., T. kegeliana Mez, T. loliacea Schult. & Schult. f., T. polystachia L., T. recurvata
(L.) L., T. streptocarpa Baker, T. stricta Sol. ex Sims., T. tenuifolia var. surinamensis (Mez) L.B.Sm.. T.
usneoides (L.) L. e T. globosa Wawra var. globosa. Dentre estas, T. bulbosa e T. stricta são referidas pela
primeira vez para o estado.
Palavras-chave: Tillandsioideae, taxonomia, flora, Nordeste do Brasil.
Abstract
(Flora of Paraiba, Brazil: Tillandsia L. (Bromeliaceae)) The present work constitutes a taxonomic treatment of
the genus Tillandsia L. in the State of Paraíba as part of the project “Flora Paraibana”. Twelve taxa were
identified occurring in this area: T. bulbosa Hook.f., T. gardneri Lindl., T. juncea (Ruíz & I av.) Poir., T.
kegeliana Mez, T. loliacea Mart. ex Schult. f., T. polystachia L., 7. recurvata (L.) L., T. streptocarpa Baker, T.
stricta Sol. ex Sims., Tillandsia tenuifolia var. surinamensis (Mez) L.B.Sm., T. usneoides (L.) L. and Tillandsia
globosa Wawra var. globosa. Oí these, two species ( T . bulbosa and T. stricta ) constitutc the first rcfcrcnce
for Paraíba.
Key-words: Tillandsioideae, taxonomy. flora, Northeastem Brazil.
Introdução
Bromeliaceae está representada por 56
gêneros (Grant & Zijlstra 1998) e aproxima-
damente 3.270 espécies (Luther 2000), sendo
Tillandsia um dos gêneros mais diversificados,
compreendendo cerca de 620 espécies (Luther
2000), com distribuição na América tropical e
subtropical, desde o sul dos Estados Unidos
até o norte da Argentina. O gênero
caracteriza-se por apresentar plantas
herbáceas, saxícolas, rupícolas ou epífitas, com
folhas polísticas ou dísticas, inermes,
inflorescências em espigas de onde emergem
flores com corolas coloridas e vistosas,
protegidas por brácteas, ou raro com flores
isoladas.
Tillandsia é um dos gêneros de
Bromeliaceae mais representados na caatinga.
Entretanto, poucos são os estudos que revelam
a diversidade do gênero neste ecossistema.
Para a Região Nordeste, Barbosa etal. (1996)
referiram a ocorrência de 15 espécies.
Wanderley & Sousa (2002) registraram a
presença de 14 espécies para o ecossistema
caatinga. A pouca diversidade das
Bromeliaceae representada nos levantamentos
fiorísticos, no âmbito da caatinga, foi referida
por Leme (1993) como “uma lista repetitiva
das espécies mais conhecidas".
As informações sobre as espécies de
Tillandsia na Paraíba são escassas, somente
encontradas em citações pontuais de Smith
(1955) e Smith & Downs ( 1 977), que referiram
a presença de sete espécies.
Do ponto de vista económico, o gênero
Tillandsia destaca-se por seu valor
ornamental, sendo muitas espécies
comercializadas em floriculturas de todo o
mundo, como Tillandsia cyanea (A. Dictr.)
E. Morrcn, T xerographica Rohwedcr, T
Artigo recebido em 01/2005. Aceito para publicação em 08/2005.
'Parte da monografia de graduação do primeiro autor. Trabalho premiado como melhor monografia de estudos em
Bromeliaceae 2002-2003. pela Sociedade Brasileira de Bromélias (SBBr).
:Pós-Graduando da Escola Nacional dc Botânica Tropical, Instituto de Pesquisa do Jardim Botânico do Rio dc Janeiro.
ricardoapontcs@jbrj.gov.br
'Autor para correspondência: Maria de Fátima Agra. Laboratório dc Tecnologia Farmacêutica, Universidade Federal du
Paraíba, Caixa Postal 5009, CEP. 58051-059, João Pessoa, PB, Brasil, mfagra@yahoo.com.br
SciELO/JBRJ
L2 13 14 15 16 17
cm
48
aeranthos (Loisel.) L. B, Sm., entre outras.
Na Paraíba, várias espécies nativas são
comercializadas em floriculturas, como T.
gardneri, T. tenuifolia e T. polystachia.
Outras espécies são utilizadas na confecção
de arranjos florais, como T. usneoides, cujas
plantas são encontradas em grandes estoques
nas floriculturas do estado (obs. pessoal).
Este trabalho teve como objetivo elaborar
o tratamento taxonômico do gênero Tdlandsia
na Paraíba, contribuindo para um maior
conhecimento da diversidade da flora
paraibana (Agra & Barbosa 1996; Cabral &
Agra 1999; Rocha & Agra 2001 , 2002; Pontes
& Agra 2001).
Material e Métodos
Área de Estudo - O estado da Paraíba
localiza-se na porção oriental do Nordeste do
Brasil, entre os meridianos de 34°45’54" e
38°45 45" longitude Oeste, e entre os paralelos
de 6°02’12" e 8°19’18" latitude Sul. Segundo
Carvalho & Carvalho (1985), vários tipos de
vegetações ocorrem no estado, dependendo
dos compartimentos morfológicos e suas condi-
ções ambientais: vegetação pioneira, campos
e matas de restingas, manguezais, mata úmida
(mata perenifólia costeira ou mata atlântica,
mata perenifólia de altitude ou mata de brejos)]
tabuleiros, agreste, mata sub-caducifólia de
transição, matas serranas e caatinga.
Coletas e Identificações - Realizaram-se
coletas e observações de campo, relativas à
morfologia, fenologia e ecologia, em diversas
áreas do estado. As identificações foram
realizadas com base na análise dos caracteres
reprodutivos e vegetativos, com auxílio da
bibliografia especializada (Mez 1891-1894;
Smith 1955; Smith & Downs 1977).
Adicionalmente também foram realizadas
análises comparativas com espécimes dos
seguintes herbários: JPB, EAN, IPA e UFP
(siglas segundo Holmgren et al. 1990).
Os estudos morfológicos e as ilustrações
foram realizados com auxílio de estereomi-
croscópio e câmara-clara, Zeiss. A morfologia
do estigma seguiu a classificação de Brown
Pontes, R. A. S. & Agra, M. F.
& Gilmartin (1989) e as descrições foram
elaboradas utilizando-se as terminologias
encontradas em Radford et al. (1974).
Os dados de distribuição geográfica,
fenologia e ecologia de cada espécie foram
retirados das etiquetas das exsicatas,
complementados com observações de campo.
Tdlandsia globosa var. globosa citada
para a Paraíba por Smith & Downs (1977),
com base na coleção Foste r 2415, depositada
no Herbário do Smithsonian Institution (US),
não foi descrita no presente tratamento, por não
ter sido mais coletada na área.
Resultados
Tillandsia L„ Sp. pl. 286. 1753.
Ervas caulescentes até caules incons-
pícuos, saxícolas, rupícolas ou epífitas. Folhas
rosuladas ou distribuídas ao longo do caule,
polísticas ou dísticas, imbricadas, margens
inteiras, crassas ou não; lâminas estreitamente
liguladas, lanceoladas ou linear-filiformes;
indumento pouco a fortemente cinérea,
escamas simétricas ou assimétricas, de
contorno arredondado, triangular ou irregular.
Escapo desde bem distinto até ausente.
Inflorescência em espiga, simples ou
ramificada, com flores dísticas ou polísticas,
raramente reduzidas a uma única flor. Bráctea
floral conspícua, elíptica, elíptico-lanceolada ou
oval-lanceolada. Flores sésseis, eretas. Sépalas
simétricas, livres ou as posteriores soldadas,
carenadas ou ecarenadas. Pétalas livres,
lilases, amarelas, róseas, brancas, azuis ou
verde-amareladas, unha estreita, linear a
suborbicular. Estames 6, inclusos ou exsertos;
filetes cilíndricos ou complanados; anteras com
deiscência rimosas, amarelas ou negras. Ovário
súpero, glabro; óvulos numerosos, caudados;
estilete cilíndrico; estigma simples-ereto ou
espiral-conduplicado. Fruto capsula septicida;
sementes cilíndricas ou fusiformes, com
apêndices basais, plumosos e brancos.
O gênero Tillandsia está representado
na Paraíba por 12 espécies, pertencentes a
quatro subgêneros de acordo com o tratamento
ínfragenérico de Smith & Downs (1977). O
Rodrixue.ua 57 (1): 47-61. 2006
SciELO/JBRJ
12 13 14 15 16 17
Flora da Paraíba: Tillandsia
49
subgênero Anoplophytum está representado
por quatro espécies, T. gardneri, T. stricta, T
tenuifolia var. surinamensis e T globosa var.
globosa. Tillandsia subgênero Tillandsia
possui quatro espécies, T bulbosa, T. juncea,
T kegeliana e T. polystachia. Para o
subgênero Diaphoranthema foram
registradas três espécies, T. loliacea, T
recurvata e T usneoides. O subgênero
Phytarrhiza está representado apenas por T
streptocarpa. Representantes de Tillandsia
têm sido encontrados nos remanescentes de
mata atlântica, incluindo “brejos de altitudes”,
e no semi-árido (agreste, matas serranas e
caatinga), em elevações que variam de 10 a
1.200 m de altitude, ocorrendo como epífitas
ou rupícolas, sendo algumas vezes, a forma de
vida, facultativas para um mesmo táxon.
Chave para identificação das espécies de Tillandsia
1. Estames exsertos.
2. Ovário elíptico a oval-elíptico, cerca de 5 mm compr.
3. Folhas com bainhas indistintas; estames e estiletes 4,5 cm compr. 6. T polystachia
y. Folhas com bainhas distintas; estames e estiletes menores que 3,5 cm.
4. Infiorescência não complanada; sépalas carenadas; cápsula até 3,6 cm compr.
1. T bulbosa
4\ Infiorescência complanada; sépalas ecarenadas; cápsula maior que 4 cm compr.
4. T kegeliana
2'. Ovário cônico, cerca de 8 mm compr. 3. T juncea
1 '. Estames inclusos.
5. Folhas polísticas; escapo densamente bracteado.
6. Brácteas do escapo longo-caudadas com o ápice espiralado; lâmina com pétala orbicular;
estigma espiral-conduplicado 8. T streptocarpa
6'. Brácteas do escapo curto-caudadas com o ápice ereto; pétala com lâmina espatulada,
linear a suborbicular; estigma simples-ereto.
7'. Estames menores que 5 mm compr.; ovário menor que 1,5 mm compr.; estilete diminuto,
ca. 1 mm compr 5. T loliacea
7'. Estames maiores que 8 mm compr.; ovário de 3 a 4 mm compr.; estilete evidente,
acima de 7 mm compr.
8. Folhas fortemente cinéreas com escamas densas; infiorescência pêndula; sépalas
ovais; estilete até 8 mm compr. 2. T gardneri
8'. Folhas verdes com escamas laxas; infiorescência ereta; sépalas lanceoladas,
elípticas a elíptico-lanceoladas; estilete acima de 1 cm compr.
9. Pétalas 1 ,2 cm, alvas; estames soldados à unha da pétala
10. T tenuifolia var. surinamensis
9\ Pétalas 1,7 cm, púpuras; estames soldados na base do ovário
9. T stricta
5’. Folhas dísticas; escapo ausente, ou quando presente com apenas uma bráctca.
10. Raízes e escapo presentes; flores em espiga; pétalas lilases; ovário ca. 3 mm compr.
7. T recurvata
10’. Raízes e escapo ausentes; flores isoladas; pétalas esverdeadas, ovário ca. 1,5 mm
compr U- T “slides
Rodriguésia 57 (1): 47-61. 2006
SciELO/ JBRJ
12 13 14 15 16 17
cm ..
50
1. Tillandsia bulbosa Hook., Exot. Fl. 3: 173.
1826. Fig. 4 p_s
Planta 12-18 cm alt., epífita; caule
inconspícuo; raízes presentes, rígidas. Folhas
polísticas, verdes, imbricadas, margens
onduladas; lâmina 3-16 cm compr., linear-
filiforme, verde, ápice filiforme; bainha 1,8-2
x 1,7-1, 8 cm, elíptica, muito distinta, cinérea.
Escapo ereto ou recurvo, 8-10 cm; brácteas
oval-lineares, levemente filiformes no ápice, 7-
8 x 0,2-3 cm compr., imbricadas, verdes.
Inflorescência em espiga simples, excedendo
as folhas, 4-7 cm compr.; brácteas florais ca.
2 x 1,7 cm, elípticas, verdes, ápice apiculado,
ultrapassando as sépalas. Sépalas subconatas,
1,7- 1,8 x 0,3— 0,4 cm, elípticas, carenadas,
glabras, ápice agudo. Pétalas ca. 3 x 0,5 cm!
elíptico-lanceolada, ápice sub-agudo; estames
exsertos, ca. 3,4 cm compr.; filetes compressos;
ovário ca. 5 mm compr., elíptico, trígono;
estilete 2, 5-2, 6 cm compr., cilíndrico; estigma
espiral-conduplicado. Cápsula 3,5-3,6 cm
compr., valvas retorcidas na deiscência;
sementes 2-2,5 mm compr., apêndices
plumosos 2—2,3 cm compr.
Tillandsia bulbosa possui ampla
distribuição na América Central, Caribe e
América do Sul. No Brasil ocorre nas Regiões
Norte, Nordeste e Sudeste. Foi citada para o
Nordeste por Smith & Downs (1977) para os
estados de Pernambuco, Alagoas e Bahia,
sendo aqui a sua primeira referência para o
estado da Paraíba, onde foi encontrada
somente em uma área de mata costeira. Foi
coletada com flores em agosto e frutos em
setembro.
Material examinado: BRASIL. PARAÍB
Mamanguape, Estação Ecológica Capim Az
18.VIII.1988, fl., L P. Félix & A. Miran
s.n. (JPB 15659); 5.IV.1989, L. P. Félix &
Miranda 9344 (JPB); Reserva Biológi
Guaribas, Área II, 28.IX.2001, fr., M.
Pereira s.n. (JPB 28365).
Pontes, R. A. S. & Agra, M. F.
2. Tillandsia gardneri Lindl., Bot. Reg. 28: t.
63. 1842. pig. 1 f-1
Planta 12-20 cm alt., epífita; caule
inconspícuo; raízes presentes, rígidas. Folhas
polísticas, fortemente cinéreas, imbricadas, as
inferiores reflexas, as superiores eretas; lâmina
12-16,5 x 1 ,4-1,6 cm, triangular, ápice
longamente-atenuado; bainha 4 mm compr.,
indistinta. Escapo pêndulo, 7—9 cm compr.;
brácteas elíptico-lanceoladas, 12—16 cm
compr., curto caudada, imbricada, cinérea.
Inflorescência em espiga, 3-6-ramos,
subglobosos a globosos, não excedendo as
folhas; brácteas florais cinéreas, 2,4-2, 6 x 1,1—
1,2 cm, oval-elípticas, carenadas, ápice
cuspidado, ultrapassando as sépalas. Sépalas
conatas na base, ca. 1,2 x 0,7 cm compr., ovais,
carenatas, glabras, subcuspidatas. Pétalas ca
1,6 x 0,3 cm compr., espatulada, ápice
arredondado; estames inclusos, ca. 8,5 mm
compr., soldados na base do ovário; filetes
fortemente plicados; ovário ca. 4 mm compr.,
oval; estilete 7,5-8 mm compr., cilíndrico;
estigma simples, ereto. Cápsula 3-3,6 cm
compr.; valvas retas na deiscência; sementes
2,5-3 mm compr., apêndices 2,4-2, 8 cm
compr., plumosos.
Espécie da América do Sul, ocorrendo
na Colômbia e no Brasil, onde é encontrada
desde o Piauí até o Rio Grande do Sul (Smith
& Downs 1977). Na Paraíba, T. gardneri tem
sido encontrada em remanescentes de mata
atlântica, matas serranas e na caatinga.
Floresce em agosto e frutifica em setembro.
Material examinado: BRASIL. PARAÍBA:
Gurinhém, Serra do Cajá, 27.VIII.1998, fl., G.
S. Baracho et al. s.n. (UFP 21985);
Mamanguape, Estação Ecológica, 1 7. VIII. 1988,
L P Félix & A. Miranda s.n. (JPB 15660);
Maturéia, Pico do Jabre 18.1.1997, M. F. Agra
et al. 3907 (JPB); 27-29.IX.1997, fr., M. F.
Agra et al. 4225 (JPB); 27-29.IX.1997, fr., M.
F ASra ^ al. 4229 (JPB); 27-29.X.1997, M. F.
Agra etal. s.n. (JPB 21995); 18.1.1997, Agra et
al. 3.907 (JPB).
SciELO/JBRJ
Rodriguésia 57 (1): 47-61. 2006
12 13 14 15 16 17
cm
Flora da Paraíba: Tillandsia
Figura 1 - Tillandsia tenuifolia var. surinamensis - a. flor; b. pétala; c. ovário; d. folha; c escama ««).
T. gardneri - f. folha; g. escama; h. gineceu; i. estame plicado; j. pétala; 1. flor (Agra 4225). T.s/rícfa- mucama. n. lha
(FilLxs.n., JPB 15660). (Escalas; d, f, n = lcm; a, b, h, i, j, = 5 mm; c ■ mm; 1 = 2 cm, e, g, = p )•
Rodriguésia 57 (1): 47-61. 2006
«SciELO/JBRJ
12 13 14 15 16 17
cm
52
3. Tillandsia juncea (Ruíz & Pav.) Poir.,
Encycl. Suppl. 5: 309. 1817. Fig. 4 a-d
Planta 35-40 cm alt., epífita; caule
inconspícuo; raízes presentes, rígidas. Folhas
laminares, polísticas, cinéreas, imbricadas;
lâmina 15-32 cm compr., lanceoladas, lepidota,
ápice longo-atenuado; bainha 0,5-1 cm compr.,
pouco distinta da lâmina. Escapo ereto, 14-17
cm compr., robusto; brácteas elíptico-
lanceoladas, 8-10 x 1-1,2 cm, imbricadas,
cinéreas. Inflorescência em espiga simples, não
excedendo as folhas, 8-9 cm compr.; brácteas
florais 2—2,5 x 1,2— 1,4 cm, ovais, ápice agudo
a acuminado, cinéreas, ultrpassando as
sépalas. Sépalas conatas, 1,6-1, 8 x 0,35-0,45
cm, elíptico-lanceoladas, carenadas, glabras,
acuminadas. Pétalas ca. 3,0 x 0,5 cm compr.]
lanceolada, ápice agudo; estames exsertos, ca.
1,3 cm compr., soldados na base do ovário;
filetes cilíndricos; ovário ca. 8 mm compr.]
cônico, estilete 2,8 cm compr., cilíndrico;
estigma espiral-conduplicado. Cápsula 2, 5-2, 7
cm compr., valvas retas na deiscência;
sementes 2—2,2 mm compr., apêndices 2,2—
2,5 cm compr., plumosos.
Espécie com ampla distribuição, sendo
encontrada desde o México até a Bolívia (Smith
& Downs 1977). T juncea é rara na área de
estudo, só conhecida de duas coletas, sendo
uma no agreste e a outra em “brejo de altitude”.
Floresce e frutifica em junho.
Material examinado: BRASIL. PARAÍBA-
Areia, 15.VI.1999, fr., G. S. Baracho &J A
Siqueira-Filho 839 (UFP). Gurinhém, s.d.,
fl., G. S. Baracho et ai 748 (UFP).
4. Tillandsia kegeliana Mez, in DC„ Monogr
Phan.9:725. 1896. Fig. 4 l-0
Planta 11-14 cm alt., epífita; caule
inconspícuo; raízes presentes, rígidas. Folhas
polísticas, cinéreas, as internas arroxeadas,
imbricadas, reflexas; lâmina 6-8 x 0,5-0, 8 cm,
revoluta, cinérea, ápice aciculado a longo
atenuado; bainha 2, 3-4,0 x 2, 2-3, 2 cm,
ovalalada, distinta, cinérea. Escapo ereto, 4—7
Pontes, R. A. S. & Agra, M. F.
cm compr., bracteado; brácteas do escapo,
elípticas a oval-elípticas, 2,5-2,7 x 0,5-0, 8 cm,
imbricadas, ápice sub-caudado. Inflorescência
em espiga simples, complanada, excedendo as
folhas, 4,5-6, 5 cm compr.; brácteas florais 2,6-
3,3 x 1, 3-2,1 cm, ovais a oval-elípticas, ápice
apiculado, vermelho-alaranjadas, as inferiores
fortemente carenatas, envolveldo as sépalas.
Sépalas sub-conatas, 2, 3-2,5 x 0,9-1 cm,
elípticas, ecarenadas, glabras, ápice apiculado.
Pétalas ca. 3 x 0,4 cm, violetas (Andrade-
Lima!, 67-4998), elíptica, ápice agudo; estames
exsertos, ca. 3,2 cm compr., amarelos, soldados
na base do ovário; filetes compressos,
delgados; ovário ca. 5 mm compr., oval-elíptico;
estilete 2,4— 2,6 cm compr., cilíndrico; estigma
espiral-conduplicado. Cápsula 5 cm compr.,
valvas retorcidas na deiscência, interiormente
enegrecida, com as bordas mais claras;
sementes não vistas.
Tillandsia kegeliana é uma espécie rara
na Paraíba, conhecida de apenas três coleções,
sendo a mais antiga, Andrade-Lima de 67-
4.998, coletada em área de mata atlântica. As
outras coleções são mais recentes, após 35
anos, durante a realização deste trabalho, uma
em um remanescente de mata semicaducifólia
(R. A. Pontes 5) e outra em brejo de altitude
(R. A. Pontes 109). Wanderley & Sousa
(2002) registraram a ocorrência de T.
kegeliana para a caatinga paraibana,
entretanto, com base no material examinado
para o estado, verificou-se que esta espécie
ocorre somente em remanescentes de mata
atlântica e mata semicaducifólia. Foi observada
com flores em maio e com frutos em maio e
dezembro.
Material Examinado: BRASIL. PARAÍBA:
BR-101, km 78 de Goiana (PE) em direção a
João Pessoa (PB), 1.V.1967, fl. fr., D.
Andrade-Lima 67-4998 (IPA); Lagoa Seca,
fazenda Ipuarana, rodovia PB-097, 6.X1I.2000,
fr., R. A. Pontes 5 (JPB); Areia, Reserva
Ecológica Mata do Pau-Ferro, 4.X.2004, est.,
R. A. Pontes et al. 109 (JPB).
Rodriguésia 57 (1): 47-61. 2006
SciELO/JBRJ
12 13 14 15 16 17
Flora da Paraíba: Tillandsia
53
Figura 2 - Tillandsia usneoides - a. Hábito; b. ramo florido; c. escama; d. bráctca floral; c. gineceu (Agra 4228).
T. loliacea - f. hábito; g. inflorescência; h. escama; i. gineceu (Aura 4660). T. recurvala-j. hábito; 1. inflorcscênciu;
m. escama; n. corte transversal do fruto; o. bráctca floral; p. ovário ( Baracho s.n.. JPB 21979). (Escalas: a, b, f. g, j, 1,
n = 1 cm; d, e = 3 mm; i, d, e = 1 mm; c, h, m = 83 pm).
Rodriguésia 57 (1): 47-61. 2006
cm 1
SciELO/JBRJ
12 13 14 15 16 17
cm
54
5. Tillandsia loliacea Mart. ex Schult. & Schult.
f., Syst. veg. 7: 1204. 1830. Fig. 2 f-i
Planta 5-8 cm alt., epífita ou rupícola; raízes
presentes, rígidas. Folhas polísticas, fortemente
cinéreas, imbricadas, eretas; lâmina 1-2,9 cm de
compr., triangular, crassas, cinérea, ápice
atenuado; bainha 2—4 mm compr., indistinta da
lamina, mcmbranácea, translúcida. Escapo ereto,
2,5-5 cm compr.; brácteas escapais elípticas, 7-
15 x 3-4 mm, curto caudadas, ápice ereto,
imbricadas, cinéreas. Inflorescência em espiga
simples, excedendo as folhas, 1—2 cm de compr.;
brácteas florais 5-6 x 4-5 mm, oval-elípticas!
agudo no ápice, cinéreas, menores que as sépalas.
Sépalas subconatas, ca. 7 x 2 mm, elíptico-
lanceoladas, ecarenatas, glabras, ápice
acuminado. Pétalas ca. 8 x 1,5 mm compr.,
amarela, linear, ápice rotundo; estames inclusos,
ca. 4 mm de compr., soldados na base do ovário-
filetes cilíndricos; ovário ca. 1,2 mm compr’
suboboval; estilete ca. 1 mm, subtriangular
estigma simples-ereto. Cápsula 2, 1-3,7 cm
compr.; valvas retas na deiscência; sementes 2
mm, apêndices 1,5-3 cm compr., plumosos.
Tillandsia loliacea é uma espécie da
América do Sul ocorrendo no Peru, Brasil
Bolívia, Paraguai e Argentina (Smith & Downs
1977). Na Paraíba, T loliacea foi encontrada
no agreste, matas serranas e na caatinga
ocorrendo entre 400 a 1.100 m de altitude. É
uma espécie pouco coletada, provavelmente
devido ao pequeno porte da planta, que não
ultrapassa 8 cm de altura. Foi coletada com
flores em janeiro, agosto e setembro. E em
frutificação em agosto e setembro.
Material examinado: BRASIL. PARAÍBA-
Maturéia, Pico do Jabre, 18-21.1.1998, fl., M. F
Agra et al. 4660 (JPB); Nazarezinho, Cantil
2. VIII. 1982, fl. e fr„ Sousa et al. 5374 (JPBV
Ingá, Pedra do Ingá, 27.IX.1992, fl., O. T. Moura
5412 (JPB); Juazerinho, 25.VI.1983, L. P.
Xavier 5521 (JPB); São Gonçalo, Sítio Terra
Nova, 22. VI. 1999, O. I Moura s.n. (JPB
24896); Serra Branca, Serra Branca, na base do
mselberg, 4.IV.1996, M. F. Agra et al 3554
(JPB); Sousa, 23.V.1936, R V Luetzelhurg s n.
(IPA 47555). è '
Pontes, R. A. S. & Agra, M. F.
6. Tillandsia polystachia (L.) L., Sp. pl. (2)1:
410.1762. Fig. 4e-j
Planta 12-82 cm alt., epífita; caule
inconspícuo a conspícuo; raízes presentes, rígidas.
Folhas polísticas, cinéreo-esverdeadas,
imbricadas; lamina 6—30 cm compr., triangular-
lanceolada, ápice longamente atenuado; bainha
2-llxl ,3—7 ,5 cm, indistinta. Escapo ereto, 3,5-
33 cm, brácteas do escapo oblongo-acuminadas,
7-27 x 1-3,8 cm, imbricadas, cinéreo-
esverdeadas. Inflorescência em espiga simples,
5-35 cm compr., excedendo as folhas; brácteas
florais ca. 2,4 x 1,2 cm, vináceas, ovais, ápice
apiculado, ultrapassando as sépalas. Sépalas
conatas, 1,8 x 0,6 cm, elíptico-lanceoladas,
carenadas, glabras, ápice agudo. Pétalas ca. 4 x
0,6 cm, linear, ápice subagudo a rotundo, lilases;
estames exsertos, ca. 4,5 cm compr., soldados à
base do ovário, üvres entres si; filetes cilíndricos,
roxos, ovário ca. 5 mm compr., oval-elíptico;
estilete 4-4,5 cm, cilíndrico; estigma espiral-
conduplicado. Cápsula 2,3-3,7 cm de compr.,
valvas retorcidas na deiscência; sementes 2-3
mm compr., apêndices 1,5-2, 9 cm compr.,
plumosos.
Tillandsia polystachia apresenta ampla
distribuição, ocorrendo no sul da América do
Norte (sul dos Estados Unidos e México),
América Central, Caribe e América do Sul
(Colombia, Equador, Venezuela e Brasil). Esta
espécie tem sido registrada principalmente nas
matas serranas da Paraíba. É uma planta de
grande efeito ornamental, apresentam
inflorescências com brácteas foliáceas verdes.
Foi coletada com flores em dezembro e com
frutos de julho a agosto.
Material examinado: BRASIL. PARAÍBA:
Gunnhém, Serra do Cajá, 27.VIII.1998, fr., G.
S. Baracho s.n. (JPB 21984); Maturéia, Pico
do Jabre, 27-29.IX.1997, fl. e fr.. M. F. Agra et
3 n no^ 18.1.1997, M. F. Agra et al.
J 18.1.1997, M. F. Agra et al. s.n.
(JPB 21748); 18.VU.1997, fr.. M. F.Agraetal.
o vi Queimadas, Serra do Bodopitá,
8X11.1998, fl., G. S. Baracho s.n. (UFP 22814).
Rodriguésia 57 (1): 47-61. 2006
SciELO/JBRJ
12 13 14 15 16 17
Flora da Paraíba: Tillandsia
55
cm
ereto, 3, 5-8, 5 cm compr., bracteado.
Inflorescência em espiga simples, excedendo
as folhas, 1-1,5 cm compr.; brácteas florais
ca. 7,5-8 x 3-3,5 mm, vináceas a cinéreas,
elíptico-lanceoladas, ápice agudo, menor que
as sépalas. Sépalas subconatas na base, 2 x
7,5 cm, elípticas, carenadas, glabras, ápice
acuminado. Pétalas ca. 9 x 1 ,2 mm, linear, ápice
Rodriftuésia 57 (1): 47-61. 2006
uuiu, n. CMiumu
7. Tillandsia recurvata (L.)L., Sp. pl. ed. 2
1:410.1762. Fig. 2j-p
Planta 8-12 cm alt., epífita ou rupícola;
caule inconspícuo; raízes presentes, rígidas.
Folhas dísticas, fortemente cinéreas,
recurvadas; lâmina 4,3-5 cm compr., aciculada,
cinérea, ápice agudo; bainha 4-5,5 x 3-4 mm,
levemente distinta, membranácea. Escapo
SciELO/JBRJ
12 13 14 15 16 17
cm ..
56
rotundo, lilases; estames inclusos, ca. 4,5 mm
compr., soldados na base do ovário; filetes
cilíndricos; ovário ca. 3 mm compr., subcilíndrico;
estilete 0,8-1 mm compr., cônico; estigma
simples-ereto. Cápsula 2, 3-2, 6 cm compr.,
valvas retas na deiscência; sementes 2 mm
compr., apêndices 1,8-2 cm compr., plumosos.
Tillandsia recurvata apresenta ampla
distribuição na América tropical, ocorrendo no
Sul da América do Norte, América Central,
Caribe e América do Sul (Smith & Downs 1977).
Na Paraíba, T. recurwta tem sido encontrada
em todos os tipos de ecossistemas, sendo
abundante nos Cariris Velhos, a área de menor
índice pluviométrico do estado. Foi coletada com
flores em janeiro, maio e setembro, e com frutos
em julho, setembro e dezembro.
Material examinado: BRASIL. PARAÍBA:
Boa Vista 27-29.IV. 1994, M. F Agra et a!.
2932 (JPB); Cabaceiras, 29-30. V. 1 994, f]., M.
F. Agra et al. 3563 (JPB); Sumé, 29-
30.1.1994, fl„ M. F. Agra et al. 2807 (JPB);
Aroeiras, 24-27.IX.1994, M. F Agra et al.
3281 (JPB); Campina Grande, distrito de São
José da Mata, 23.VI.1996, M. F. Agra 3402
(JPB); M. F. Agra s.n. (JPB 21581);
23.VI.1990, M. F. Agra s.n. (JPB 19332); São
João do Cariri, 22-3.X.1993, M. F. Agra et al.
s.n. (JPB 20033); São João do Cariri,
22.V.1997, G. Luna s.n. (JPB 22945);
Cabaceiras, 29.VI-1.VII.1993, M. F. Agra et
al. s.n. (JPB 20035); Areia, 11. IV. 1986, O. T.
Moura s.n. (JPB 15890); Ingá, 27.IX.1982,
fl. e fr., O. T. Moura 5411 (JPB); Umbuzeiro,
13.XI.1984, Silva 6507 (JPB); Gurinhém,
27.VII.1998, fr, G. S. Baracho et al. s.n.
(UFP 21979); Queimadas, 08.XII.1998, fr.,
G. S. Baracho et al. s.n. (UFP 22813);
Cacimba de Dentro, 27.VII.1998, fr., G. S.
Baracho et al. s.n. (UFP 21432).
8. Tillandsia streptocarpa Baker, Jour. Bot.
London 25. 241. 1887. Fig. 3 a-h
Planta 8,5—35 cm alt., epífita ou rupícola;
caule conspícuo; raízes presentes, rígidas.
Folhas polísticas, cinéreas, não imbricadas,
fortemente recurvadas; lâmina 6,5-27 cm
Pontes, R. A. S. & Agra, M. F.
compr., triangular-linear, fortemente cinérea,
ápice aciculado subespiralado, levemente
caudadas; bainha ca. 1-1,8 cm compr., bem
distinta da lâmina, membranácea. Escapo
ereto, 6-17 cm compr.; brácteas oval-elípticas
a elíptico-lanceoladas, 2-14 x 0,4-0,9 cm,
imbricadas, caudadas, cinéreas. Inflorescência
em espiga composta, raro simples, excedendo
as folhas, 2,5-12 cm compr.; brácteas florais
1 ,8-0,6 cm compr., elíptico-lanceoladas, ápice
acuminado, cinéreas. Sépalas subconatas, 1,3
x 0,6 cm, elíptico-lanceoladas, ecarenadas,
glabras, ápice agudo. Pétalas ca. 2 x 0,6 cm,
orbicular, ápice obtuso, cerúleas; estames
inclusos, 7 mm compr., soldados na base do
ovário; filetes delgados, compressos; ovário ca.
3 mm compr., oval-elíptico; estilete 0,2-0,22
mm compr., cilíndrico; estigma espiral-
conduplicado. Cápsula 3, 2-4, 7 cm compr.,
valvas retas na deiscência; sementes 2-3,5 mm
compr., apêndices 2, 8-3, 7 cm compr.,
plumosos.
Espécie exclusiva da América do Sul,
ocorrendo na Bolívia, Brasil e Paraguai. No
Brasil, ocorre desde o Nordeste até o Paraná
(Smith & Downs 1977), habitando áreas de
campo rupestre, cerrado, restinga e caatinga.
Na Paraíba T. streptocarpa foi coletada,
principalmente, na caatinga, crescendo em
afloramentos rochosos, graníticos e gnáissicos.
Floresce em março, setembro e outubro.
Frutifica em janeiro e setembro.
Material Eeaminado: BRASIL. PARAÍBA:
Serra Branca, Serra Branca, 04.IV. 1996, fl., M.
F. Agra et al. 3546 (JPB); Cabaceiras, 29.VII-
1. VIII. 1993, M. F. Agra et al s.n. (JPB 20036);
Boa Vista, 22.VI.1996, M. F. Agra et al. 3837
(JPB); São João do Cariri, 29- 31.X.1993, M. F.
Agra et al. 2364 (JPB); Maturéia, Pico do
Jabre, 18.1.1996, fl., M. F. Agra et al. 3912
(JPB); 27-29.IX.1997, fl„ M. F. Agra et al.
4.216 (JPB); 19-20.X.1997, fl., M. F. Agra et
al. 4573 (JPB); 27-29.DC.1997, fr., M. F. Agra
et al. 4233 (JPB); São João do Cariri,
18.IX.1997, G. Luna s.n. (JPB 24903);
Soledade, 27.1.1971, Canalho 3484 (JPB);
Queimadas, 08.XII.1998, G. S. Baracho s.n
Rodriguésia 57 (1): 47-61. 2006
SciELO/JBRJ
L2 13 14 15 16 17
Flora da Paraíba: Tillandsia
57
Figura 4 - Tillandsia juncea - a. folha; b. bráctea do escapo; c. bráctea floral; d. escama {Baracho s.n., JPB 21980).
T. polystachia - e. folha; f. flor; g. bráctea do escapo; h. bráctea floral; i. escama; j. estigma (Baracho s.n., JPB 22814).
T. kegeliana - 1. escama; m. folha; n. bráctea floral; o. bráctea do escapo (Andrade -Lima 67-4998). T. bulbosa - p. folha;
q. bráctea do escapo; r. bráctea floral; s. escama (Félix s.n., JPB 15659). (Escalas; a, b, c, e, f, g, h, m, p, q, r = I cm; n,
o = 5 mm; j = 3 mm; d, i, I, s = 83 pm).
Rodriguésia 57 (I): 47-61. 2006
cm 1
SciELO/JBRJ
12 13 14 15 16
cm ..
58
(JPB 22812); Cabaceiras, 1. VII. 1993, M. F
Agra et al. s.n. (JPB 20036); Serra Branca,
4.IV.1996, fl., M. F.Agraetal. s.n. (JPB 21600).
9. Tillandsia strícta Sol. ex Sims, Bot. Mag.
37: pl. 1529. 1813. Fig. 1 m-n
Planta 13-15 cm alt., epífita; caule
inconspícuo; raízes presentes, rígidas. Folhas
polísticas, cinéreas, imbricadas, eretas; lâmina
2-11 cm compr., triangular-lanceoladas,
cinérea, ápice filiforme; bainha 1-1 ,5 cm compr,
pouco distinta da lâmina, membranácea.
Escapo ereto, 4-5 cm compr.; brácteas
subelípticas a elípticas, 5-6 x 0, 4-0,6 cm, curto
caudadas, ápice ereto, imbricadas, cinéreas.
Inflorescência em espiga, simples, excedendo
as folhas, 8 cm compr.; brácteas florais 2,2-2, 4
x 0,6-0, 9 cm, oval-elípticas, ápice cuspidado,
cinéreas, ultrapassando as sépalas. Sépalas
conatas na base, 1 , 1-1 ,2 x 0,3-0, 4 cm, elípticas,
carenadas, glabras, ápice acuminado. Pétalas
púrpuras, ca. 1,7 x 0,4 cm, espatuladas, ápice
arredondado; estames inclusos, ca. 1,3 cm
compr., livres; filetes plicados; ovário ca. 3 mm
compr., subovóide; estilete 1 ,2-1,3 cm compr.;
estigma simples-ereto. Frutos não vistos.
De acordo com Smith & Downs (1977),
T. stricta possui distribuição restrita ao
nordeste da América do Sul, ocorrendo desde
o Brasil até o Paraguai. Na Paraíba a espécie
é conhecida por uma coleta, realizada em um
remanescente de mata atlântica, sendo aqui
referida pela primeira vez para o estado.
Floresce em agosto.
Material examinado: BRASIL. PARAÍBA:
Mamanguape, Estação Ecológica, 17.Vm.1988,
fl., L. P Felix & A. Miranda s.n. (JPB 15660).
10. Tillandsia tenuifolia var. surinamensis
(Mez) L.B.Sm., Phyt 8: 220. 1962. Fig. 1 . a-e
Planta 14-25 cm alt., epífita ou rupícola;
caule conspícuo; raízes presentes, rígidas.
Folhas polísticas, verdes, imbricadas, eretas;
lâmina 2,5-8 cm compr., triangular, ápice
acuminado; bainha 1,5—2 cm compr.,
membranácea, pouco distinta da lâmina.
Escapo ereto ou sub-ereto, 3—6 cm compr.;
Pontes, R. A. S. & Agra, M. F.
brácteas elípticas a sub-ovais, 5-1 x 3-6 mm,
curto caudadas, ápice ereto, imbricadas,
verdes. Inflorescência em espiga, simples,
excedendo as folhas, 10 cm; brácteas florais
róseas, 0,7-2 x 0, 3-0,7 cm, oval-elípticas, ápice
levemente cuspidado, ultrapassando as
sépalas. Sépalas conatas, 0,8-1 x 0,15-0,2 cm,
elíptico-lanceoladas, carenadas, glabras, ápice
acuminado. Pétalas alvas, ca. 1,2 x 0,3 cm,
espatuladas, ápice obtuso; estames inclusos,
ca. 1 ,3 cm compr., três livres e três epipétalos,
soldados na altura da unha pétala; filetes
plicados; ovário ca. 3 mm compr., ovóide;
estilete 1-1,3 cm compr; estigma simples-
ereto. Frutos não vistos.
Tillandsia tenuifolia var. surinamensis
é uma variedade da América do Sul, ocorrendo
desde a Venezuela até a Argentina. Neste
estudo registrou-se a presença desta espécie
num remanescente de mata atlântica e numa
mata serrana. Entretanto, a espécie também
foi registrada por Smith & Down (1977) para
as microrregiões dos Cariris Velhos e Agreste
da Borborema. Possuem grande efeito
ornamental com brácteas florais róseas que
contrastam com suas pétalas alvas. Amostras
floridas foram coletadas em maio, setembro e
outubro.
Material examinado: BRASIL. PARAÍBA:
Maturéia, Pico do Jabre, 27-29.IX.1997, fl.,
M. F. Agra et al. 4292 (JPB); 19-20.X.1997,
fl., M. F. Agra et al. 4564 (JPB); Sapé,
Fazenda Pacatuba (RPPN), 6.IV.2001, fl., E.
César s.n. (JPB 28267).
11. Tillandsia usneoides (L.)L„ Sp. pl. 2. 41 1.
1762. Fig. 2 a-e
Planta pendente, com ramos até 15 m
compr., epífita; raízes ausentes. Folhas dísticas,
cinéreas, imbricadas; lâmina 4,7-7 cm compr.,
sub-cilíndrica, aciculada, suculenta, cinérea,
densamente lepidota, levemente recurvada,
ápice aciculado; bainha 8-10 x 3^1 mm, pouco
distinta da lâmina, membranácea. Escapo
ausente; brácteas florais ca. 5 x 3 mm, subor-
biculares, apiculadas, marrons a vináceas no
ápice. Flores solitárias, ca. de 1,5 cm. Sépalas
RoJriguésia 57 (1): 47-61. 2006
SciELO/JBRJ
12 13 14 15 16 17
cm
Flora da Paraíba: Tillandsia
subconatas, 7x2 mm, elíptico-lanceoladas,
carenadas, glabras, ápice agudo a apiculado.
Pétalas ca. 9 x 1,2 mm, linear, verde-
amareladas, ápice agudo; estames inclusos, 5
mm compr., soldados na base do ovário; filetes
cilíndricos; ovário ca. 1,5 mm compr.,
suboboval; estilete 1,4-1, 5 mm compr.,
robusto; estigma ereto-simples. Cápsula 1 ,6-
2 cm compr., valvas retorcidas na deiscência,
sementes 2 mm compr., apêndices ca. 1,5-
1,8 cm compr., plumosos.
Espécie com ampla distribuição,
ocorrendo desde o Sul da América do Norte,
Caribe, América Central até o Sul da América
do Sul. Na Paraíba T. usneoides só foi
encontrada em uma área de mata serrana, há
mais de 1.000 m de altitude, habitando o topo
de árvores onde formam grandes cortinas,
provavelmente pela grande umidade
atmosférica na área. Foi coletada com frutos
em março, abril e setembro.
Material examinado: BRASIL. PARAÍBA.
Maturéia, Pico do Jabre 27-29. IX. 1 997, fr., M.
F Agrei et al. 4228 (JPB); 18.1.1997. M. F
Agra et al. 3913 (JPB); 27-19.IX.1997, M.
F Agra et al. 4219 (JPB); 16.IV.1993, ir.,
M. F. Agra et al. 2002 (JPB); 25-27.11.1997,
M. F. Agra etal. 2 659 (JPB); 25-27.111.1994,
fr., M. F. Agra et al. 2589 (JPB).
Discussão e Conclusões
Na Paraíba as espécies de Tillandsia são
encontradas nos diferentes tipos vegetacionais
do estado, ocorrendo desde a mata atlantica
até a caatinga. A maioria das espécies estudadas
ocorre no domínio da caatinga, onde foram
registradas nove espécies, que corresponde a
81,8% do total, ocorrendo tanto na caatinga
propriamente dita, como nos enclaves de matas
serranas.
O Pico do Jabre destacou-se como a
mata serrana com maior diversidade, onde
foram encontradas sete táxons (J. recurvata,
T. streptocarpa , T. usneoides, T. gardneri,
T. polystachia, T. loliacea e 7! temifolia var.
surinamensis), que correspondem a 63,6%.
Outra área de grande diversidade foi registrada
Rodrigudsia 57 (1): 47-61. 2006
59
para os “brejos de altitudes”, no município de
Areia, com seis espécies, representando cerca
de 54,5% do total para o estado.
Com relação às áreas de Mata Atlântica,
foram coletadas T. bulbosa, T kegeliana, T
gardneri, T. polystachia, T. recurvata, T.
stricta, T. juncea, T. tenuifolia var.
surinemensis, T. loliacea e T. usneoides ,
representando um percentual de 91% dos táxons
ocorrentes no estado, sendo este o ecossistema
com a maior diversidade para o gênero
Tillandsia na Paraíba.
Tillandsia gardneri e T. recurvata
apresentaram a distribuição mais ampla, sendo
encontradas em elevações de 10 a 1.200 m de
altitude, nos diferentes tipos de vegetação do
estado, classificados por Carvalho & Carvalho
(1985) como mata úmida, agreste, matas
serranas, “brejos de altitudes e caatinga.
Tillandsia stricta e T. bulbosa tiveram a
menor distribuição, sendo encontradas apenas
em áreas de mata úmida do litoral paraibano,
estas constituem novas referências para o
estado. Nenhum dos táxons estudados
apresentou distribuição restrita ao estado.
Quanto a forma de vida, prevaleceu o
epifítico, registrado para 63% das espécies
encontradas: T. bulbosa, T. gardneri, T. juncea,
T. kegeliana, T. polystachia, T. stricta e T
usneoides. Espécies facultativas, ocorrendo
como epífitas e rupícolas, corresponderam a 36%,
T. loliacea, T recumita, T. streptocarpa e T.
tenuifolia var. surinemensis. Nenhuma espécie
apresentou-se exclusivamente rupfcola.
Destacaram-se como os caracteres mais
importantes para o reconhecimento das
espécies a filotaxia e as morfologias do
androceu c do pistilo.
O gênero Tillandsia está representado
na área por cerca de 1,7% das cspecies
conhecidas. Apesar de sua baixa diversidade,
em relação ao gênero como um todo, observou-
se que a maioria das espécies ocorre cm
populações, com grande número de indivíduos,
seja como epífita em uma mesma aivoic, ou
rupfcola em afloramentos rochosos. Esse
número elevado de indivíduos formando
SciELO/JBRJ
12 13 14 15 16 17
cm ..
60
populações extensas, provavelmente, tem
contribuído para uma estimativa de maior
diversidade para o gênero no Nordeste do
Brasil, principalmente para a caatinga.
Em comparação com levantamentos
realizados em outros estados do Nordeste,
verificou-se que o gênero Tillandsia encontra-
se bem representado na Paraíba. Mayo et al.
(1995) registraram a presença de quatro
espécies para o Pico das Almas, destas apenas
T. sprengeliana Klotzsch não foi encontrada
na Paraíba. Siqueira-Filho (2002) registrou a
ocorrência de 16 espécies para Pernambuco,
das quais 11 também foram registradas para
a Paraíba (68,7%). Já Wanderley & Sousa
(2002), citam para a caatinga paraibana oito
espécies.
Agradecimentos
Os autores agradecem ao Dr. Marcelo
Sobral, diretor do Laboratório de Tecnologia
Farmacêutica, pelo apoio pessoal e institucional;
aos curadores dos herbários EAN, JPB, IPA
e UFP, pelo livre acesso as suas instalações e
empréstimo de exsicatas; Dr. Jnanabrata
Bhattacharyya, pela revisão do abstract; Dr.
Gregory Browm, pelo apoio com a bibliografia;
Dr. George S. Baracho e Dra. Rafaela C.
Forzza, pela revisão do manuscrito, críticas e
sugestões. Ao Conselho Nacional de Pesquisa
e Desenvolvimento Científico (CNPq) pela
bolsa PQ de M. F. Agra.
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SciELO/JBRJ
12 13 14 15 16
cm
Fragmentação florestal: breves considerações teóricas sobre
EFEITOS DE BORDA1
Pablo José Francisco Pena Rodrigues & Marcelo Trindade Nascimento'
(Fragmentação florestal: breves
florestal atualmente representam um dos principais riscos à niou y nnHr,Vs e nmcessos
., c - -ms ecossistemas para compreender ate mesmo pauroes e processos
considerar estas transformações artiíiciais aos ecossistema, p y nimms conceitos
ecológicos naturais. Neste trabalho é sobre fragmentação florestal,
e uma análise cntica destes, mesmo na falta de um arcao Ç . transformações
São discutidas algumas teonas sobre limites (í.e. bordas) artiticnus enauira. ecolóiiica
ao longo do tempo e fenômenos de reí^° ^“^dfaem^ Gleason e mencionamos a importância de
e brevemente discutida com base nas v.soes cot^nt » dos efeitos de borda. Sobre estes efeitos
rever alguns modelos sucess.onais ‘ d & conceitos. Embora exista um conhecimento
ecológicos em bordas assim como as transformações nos padrões naturais. ^
Palavras-chave: desmatamento, extinção, sucessão, teoria eco ogica, t
(Forest fragmenlation: brief theoretical ^
main threats to global biodivemty. Cm«d«ing J ^ -s rfo^ed. including lhe improvement
even natural ecological patterns and processes A y unif ing conceptual framework about forest
of concepts and criticai analysis, despite th® , an/arG ficial limits (i.e. boundanes) bascd on
fragmenlation. We also discuss some theones . ‘ jo„ anJ expansj0n. Ecological succession is
transformations over time and c^un.tms/^y ^ viewpoints and pointing out
bnefly discussed using some aspects of Clcmen. understand some edge effects. About these
the need for reviewing some -ccession mocM of some concepts. Despi, e the
effects we draft a concise histoncai perspecüv g g ecological processes
relatively wide knowledge on edge effects we argue lhat it is very aiii.cu f
pathways on edges as well as changes on natural patterns.
Key-words: deforestation, extinction, succession, eco ogicg
V FRAGMENTAÇÃO
Historicamente, a cobertura florestal do
ílaneta tem sido reduzida através do
iesmatamento, principalmente para a expansão
le fronteiras agrícolas (Tilman 1999). Com isto,
florestas anteriormente contínuas encontram-
>e agora dispostas em fragmentos remanes-
:entes freqüentemente definidos pelos seus
limites físicos ( e.g . bordas, sensu Forman
1995 ). Dentre estas florestas, a Mata Atlantica,
i dos principais centros de biodiversidade do
mundo (WCMC 1992) detém apenas cerca de
7% de sua cobertura original (Mycrs et al
2000; Morcllato & Haddad 2000) constituindo
certamente um dos biomas mais atingidos por
este crescente desmatamento. O impacto
causado tem como consequências, além da
disposição dos remanescentes florestais em
fragmentos, a extinção de hábitats e espécies
(Saunders et al. 1991; Tilman et al. 1994;
Laurance & Bierrcgaard 1997). Os processos
envolvidos e suas consequências têm sido
rtigo recebido em 03/2005. Aceito para em Biociências e Biotecnologia da Universidade
'arte da tese do primeiro autor desenvolvida no C
stadual do Norte Fluminense (fevereiro de 2004) nsnrlns Ambientais.
Jniversidade Estadual do Norte Fluminense. La oratono c . 915 Botânica Sistemática sala 210, CEP
nstituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Rua Pacheco ueao
2460-030, Rio de Janeiro - RJ. „ inMC
poio Financeiro: Fundação Estadual do Norte Fluminense -
irdim Botânico do Rio de Janeiro/PETROBRAS/Convcmo 610.4.0_5.02.3
.SciELO/ JBRJ
12 13 14 15 16 17
64
Rodrigues. P. J. F. P. <4 Nascimento, M. T.
comumente chamados de “fragmentação
florestal”.
Utilizando o conhecimento atual, são
observados determinados padrões e processos
relativamente consistentes (Laurance &
Yensen 1991; Murcia 1995; Laurance &
Bierregaard 1997), porém muitos permanecem
relativamente frágeis (Pimm 1998; Harrison
& Bruna 1999; Debinski & Holt 2000;
Laurance et al. 2002). Parte deste problema
reside na difícil interpretação dos fenômenos
biológicos relativos à fragmentação com base
em um corpo teórico aparentemente limitado
acerca das florestas tropicais onde
determinados conceitos e teorias são ainda
hipóteses. Dentre os vários exemplos pode ser
destacado o importante conceito de comunidade,
o qual muitas vezes é vago e de difícil aplicação
(Shrader-Frechette & McCoy 1993). Assim
como este, as discussões acerca da distinção
entre fragmentação e perda de habitat são
igualmente confusas. Enquanto alguns autores
consideram a fragmentação apenas uma
progressiva subdivisão do habitat (e.g. Fahrig
1997), sem vinculá-la diretamente a perda de
habitat, outros utilizam o termo de forma gené-
rica tanto indicando perda ou fragmentação de
habitats (e.g. Holt et al. 1995). Contudo,
aparentemente, há consenso de que a perda
de habitat e a fragmentação em geral ocorrem
simultaneamente modificando a biota (Kareiva
& Wennergren 1995; Fahrig 2003). Tais
concepções esbarram mais uma vez em falhas
conceituais onde os fragmentos remanescentes
são interpretados como elementos geométricos
(com limites definidos) em uma paisagem. Esta
complexa paisagem em transformação já
sinaliza que os limites, ainda que aparentemente
sejam abruptos, dependem em grande parte
dos fenômenos que ocorrem na matriz (Pimm
1998; Mesquita etal. 1999). Estes por sua vez,
juntamente com as características do
remanescente, irão determinar a intensidade
dos efeitos de borda locais. Neste sentido,
vários estudos têm sido desenvolvidos para
tentar elucidar os mecanismos e efeitos
ecológicos da fragmentação (e.g. Laurance &
Bierregaard 1997; Debinski & Holt 2000).
Acredita-se que as escalas de espaço e
tempo das transformações impostas pela
fragmentação artificial em termos relativos são
temporalmente muito curtas e espacialmente
largas quando comparadas a processos naturais
de fragmentação. Na evolução das florestas
tropicais há fortes indícios de que existiram
períodos de descontinuidade (vide Cox &
Moore 1994), os quais podem ser interpretados
como eventos de fragmentação natural. Tais
períodos estariam associados às flutuações
climáticas que determinariam processos de
expansão e retração dos hábitats, ecossistemas
e biomas. Em períodos mais secos as florestas
tropicais das Américas e da África estariam
mais restritas em extensão, apresentando-se
como ilhas em um mar de florestas sazonais
(mais secas). Atualmente as florestas estariam
experimentando o máximo de expansão, o qual
teria sido alcançado durante o período
Quaternário (Whitmorel991).
Em contrapartida, os níveis de fragmen-
tação observados atualmente, conforme já
mencionado, têm reduzido em grande escala
as florestas tropicais, possivelmente ocasio-
nando mais um grande evento de extinção em
massa. Contudo, se as atuais taxas de
desmatamento não produzirem uma eliminação
completa de tais ecossistemas, talvez seja
possível reverter este processo de degradação.
Nesta perspectiva, o fato de que as florestas
tropicais em sua evolução de certa forma
sobreviveram a períodos de descontinuidade,
talvez indique de que é possível haver
mecanismos de proteção contra fenômenos
relacionados à fragmentação que operam em
distintos níveis hierárquicos. Ainda que seja
difícil definir claramente “continuidade”,
principalmente em ecossistemas intrinseca-
mente heterogêneos (vide Macintosh 1991)
tidos como mosaicos heterogeneamente estru-
turados (sensu Watt 1947), perceber deter-
minados limites tem sido bastante útil. Neste
sentido, uma das interpretações advindas da
teoria ecológica assume que tais limites podem
ser graduais ou abruptos (vide Begon et al.
1995), dependendo do ecossistema ou
comunidade. Esta concepção aparentemente
Rodriguésia 57 (1): 63-74. 2006
SciELO/ JBRJ
12 13 14 15 16 17
Fragmentação florestal e efeitos de borda
65
constitui um dos pontos de convergência entre
a perspectiva de super-organismo altamente
integrado, desenvolvida inicialmente por
Clements (1916 apud Begon et al. 1995), e a
visão reducionista de Gleason (1927) onde as
comunidades constituiriam assembléias não
coesivas nas quais os fenômenos sobre os
indivíduos assumiriam grande importância.
Vários trabalhos têm sido desenvolvidos
utilizando tais idéias e mesmo assim ainda não
há consenso acerca dos processos e padrões
relativos a tais áreas limítrofes (Laurance et
al. 2001). Este fato remete novamente à idéia
de limites artificiais (bordas) os quais podem
ser semelhantes, em alguns aspectos, aos
limites naturais.
Os danos causados pela fragmentação
artificial, e conseqüente proliferação de bordas,
aparentemente são extensos influenciando
praticamente todo o ecossistema e as
respectivas comunidades (Laurance 2000). Ou
seja, há indícios de que tais impactos não se
restringem à borda e atingem também porções
teoricamente mais protegidas, distantes do
limite artificial. Contudo, neste novo limite o
ecossistema e as comunidades em geral estão
expostos a uma série de condições distintas
daquelas experimentadas anteriormente
(Matlack 1993; Kapos et al. 1997). Estas
condições apresentam inúmeras variações, que
em grande parte se relacionam aos variados
tipos de atividades humanas realizadas onde
houve o desmatamento. Como consequência
direta ou indireta são frequentemente
observados vários efeitos nocivos à floresta e
dentre estes, destacam-se os efeitos de borda
(Lovejoy et al. 1986; Saunders et al. 1991;
Laurance & Bierregaard 1997). Alguns
estudos sugerem que tais efeitos são
semelhantes ao que ocorre em clareiras
naturais ( sensu Denslow 1987). Em termos
gerais é possível sugerir que uma grande
clareira pode apresentar um limite florestal
abrupto em parte similar ao observado em uma
borda criada artificialmente. Contudo,
considerando válida tal analogia, há consenso
de que a intensidade de determinados
fenômenos será maior nas bordas artificiais.
Rodriguésia 57 (1): 63-74. 2006
Isto devido ã escala espacial de criação dos
amplos limites artificiais (bordas) e do fato de
que estes foram originados a partir de processos
exógenos, induzidos pelo homem. Ainda que
as causas dos processos de formações de
clareiras naturais em geral possam ser
interpretadas como exógenas (Brokaw 1982)
uma vez que frequentemente advém de
tempestades e fortes ventos, em sua essência
ainda são distintas do resultante de atividades
humanas. Além disto, como já citado, os locais
adjacentes aos remanescentes florestais podem
apresentar atividades que atingem a borda
propriamente dita (e.g. queimadas, exposição
a produtos químicos) ou trechos mais interiores
(e.g. caça, extração de madeira, chuva ácida).
Há inclusive determinados efeitos de borda que
podem penetrar remanescentes florestais por
mais de 400 metros ou até quilômetros
(Laurance 2000). Neste caso, o fogo, em
algumas regiões, tem sido relatado como um
impacto recorrente e altamente invasivo
(Cochrane & Schulze 1999; Cochranc 2001).
Os LIMITES
"Boundaries exist as discontinuities
between contrasting habitais, and may
be expressed as ecótoncs, gradients, or
edges.” (Pickett et al. 2000)
Os limites entre os ecossistemas são
estudados praticamente desde o início da
ecologia. Dentre os diversos autores que
trataram deste tema são freqüentemente
destacados Clements e Gleason que, mesmo
com suas distintas visões acerca dos
ecossistemas, mencionadas anteriormente,
apontaram para o papel fundamental destas
áreas limítrofes. Neste sentido eram
reconhecidos ambientes de transição
(“ecótones”) que poderiam ser graduais ou
abruptos conforme já citado. A importância
destes ambientes é atribuída em grande parte
à manutenção da integridade dos ecossistemas
e comunidades, considerando inclusive a
manutenção da área ocupada por estes assim
como os processos e padrões envolvidos
(Begon et al. 1995).
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SciELO/JBRJ
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cm ..
Rodrigues, P. J. F. P. &. Nascimento, M. T.
A referida manutenção opera em geral
em uma escala de tempo relativamente curta.
Ou seja, os ecossistemas e as comunidades
estão em constante transformação. Logo, até
mesmo seus limites se modificam ao longo do
tempo. Assim sendo, o ponto de equilíbrio onde
haveria uma estabilização dos fluxos de
energia, por exemplo, é também dependente
de escala (vide Pimm 1991). No longo prazo,
o acúmulo de entropia sempre tenderia a
desequilibrar os ecossistemas (Holling 1973),
o que poderia ocasionar mudanças em suas
escalas espaciais. Tais idéias já foram
anteriormente exploradas e até certo ponto é
consenso de que devam existir inúmeros pontos
de equilíbrio ao longo da evolução dos ecossis-
temas. Isto remete novamente a natureza
dinâmica dos ecossistemas e a já referida
alteração da escala espacial com fenômenos
de expansão e retração.
Portanto os limites sejam estes abruptos
ou graduais, podem representar a primeira
frente de transformação. As mudanças
verificadas nestes poderiam indicar uma
tendência de retração ou expansão do referido
ecossistema. Neste sentido, as modificações
nos trechos imediatamente adjacentes a estes
limites poderiam até mesmo catalisar
mudanças em todo o ecossistema e nas
respectivas comunidades (Laurance & Yensen
1991). Estas mudanças comprometeriam
inclusive, seus processos evolutivos que, em
última análise, determinam sua permanência
no tempo.
Atualmente são observadas transfor-
mações que resultam principalmente na
extinção de espécies e comunidades (Saunders
et al. 1991; Tilman et al. 1994; Laurance &
Bierregaard 1997). Embora tal degradação
seja extensa, não é possível determinar se este
processo irá promover uma extinção em massa
que comprometa toda a vida no planeta. Neste
aspecto, a despeito de todas as ondas de
extinções experimentadas e de sua possível
periodicidade (Patterson & Smith 1989;
Moses 1989), a biota parece algo extre-
mamente persistente. Desta forma, os ecossis-
temas e as comunidades provavelmente
continuarão a existir, e de forma análoga, as
espécies também irão evoluir neste novo
cenário de fragmentação e degradação intensa.
Entretanto, há consenso de que a redução
crescente na escala espacial decorrente da
expansão das atividades humanas, irá pro-
mover um empobrecimento dos ecossistemas
naturais, sobretudo das florestas tropicais
(Whitmore 1991;Myers 1994).
O complexo cenário atual toma difícil
prever as consequências destas transforma-
ções, incluindo-se neste caso os fenômenos
relacionados à fragmentação. Contudo, há
indícios de que os limites artificiais diferem dos
limites supostamente naturais. Mesmo consi-
derando algumas semelhanças, os limites antro-
pogênicos em sua essência configuram uma
nova situação, conforme já salientado. O caminho
evolutivo que tais transformações irão impor
ainda é desconhecido. Porém, as transforma-
ções mencionadas também sugerem que talvez
seja útil reinterpretar as idéias acerca dos
limites.
A SUCESSÃO ECOLÓGICA E OS LIMITES
ARTIFICIAIS
As transformações das comunidades
vegetais que compõem os ecossistemas em
determinadas escalas de espaço e tempo são
freqüentemente interpretadas utilizando
conceitos relativos à sucessão ecológica ( vide
McCook 1994). O conjunto de idéias acerca
da sucessão foi inaugurado, em moldes
contemporâneos, por Thoreau ( 1 860), e revela
um padrão ao qual grande parte dos processos
de sucessão vegetal aparentemente está
subordinada. Os processos de sucessão
vegetal devem, teoricamente, ser iniciados por
espécies pioneiras (sensu Budowski 1965;
Whitmore 1989), as quais apresentariam, em
geral, determinados atributos tais como
tolerância à alta insolação e a escassez de
nutrientes. Na medida em que avançam tais
processos ocorreriam modificações do
ambiente que permitiriam a entrada das
espécies mais tardias ( shade tolerants). As
espécies pioneiras neste caso poderiam também
atuar como facilitadoras para a entrada de
Rodriguésia 57 ( 1 ): 63-74. 2006
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Fragmentação florestal e efeitos de borda
espécies características de estágios sucessio-
nais mais avançados. No momento seguinte
seria esperado que as espécies mais tardias
excluíssem por competição as espécies típicas
de estágios sucessionais menos avançados.
Neste sentido, os processos de sucessão
ecológica em florestas tenderiam a um estado
mais equilibrado, mais complexo, mais estável,
denominado clímax ( vide Whitmore 1991).
Tais idéias foram inicialmente
sumarizadas por Clements (1916 apud Begon
et al. 1995) em sua concepção organísmica
das comunidades e ecossistemas. A hipótese
de monoclimax", onde somente distúrbios
fariam retroceder os processos sucessionais e
o “revezamento florístico” no qual haveria um
sistema ordenado e hierárquico de trocas na
comunidade, constituem o cerne do
pensamento holístico e organísmico ( vide
Odum 1964). Em tal analogia é freqüente a
afirmativa de que a sucessão inclui a
“ontogenia” e a “filogenia” das formações
clímax. Por outro lado, as concepções
adotadas por Cowles (1926) e Gleason (1927),
em grande parte se contrapõem a esta visão.
Neste sentido, os conceitos de Gleason, nos
quais as comunidades sucessionais constituem
“assembléias não-coesivas” e “o fenômeno da
vegetação depende completamente do fenô-
meno sobre o indivíduo", sumarizam a escola
de pensamento denominada “individualística .
Algumas interpretações mais recentes e o
próprio debate científico demonstram que a
escala de observação pode ter grande
influência na adoção de uma ou outra escola
de pensamento (Shrader-Frechettc & McCoy,
1993). Nesta última, representada por Gleason,
em parte transparecem idéias reducionistas,
uma vez que a escala de observação tem como
foco as partes do ecossistema ou da
comunidade, sem enfatizar possíveis intcr-
relações.
A despeito das distintas maneiras de
observar as comunidades e ecossistemas, assim
como das possibilidades de variar os focos
de observação, atualmente há indícios de que
os processos sucessionais são modificados
com a fragmentação e criação de bordas
Rodriguésia 57 (1): 63-74. 2006
artificiais. Assim sendo, a correta interpretação
dos fenômenos relacionados à fragmentação
e aos efeitos de borda exige que sejam
utilizados conceitos acerca da sucessão
ecológica. Muito embora tais conhecimentos
não sejam totalmente conclusivos, já fornecem
bons indícios para fundamentar algumas
interpretações.
Com isto, adotar uma perspectiva
simplista para a classificação das espécies em
grupos funcionais em resposta a distúrbios, por
exemplo, aparentemente tem sido útil.
Historicamente, um dos primeiros autores a
utilizar e sumarizar tais idéias foi Budowski
(1965). Mais recentemente, dentre os inúmeros
seguidores de tal perspectiva, podem ser
destacados Swaine & Whitmore (1988), que ao
incorporar novas informações aparentemente
fortalecem os argumentos. Contudo, a ênfase
nos grupos funcionais extremos (tolerante ou
intolerante à sombra) continua, o que em certo
aspecto perpetua o desconhecimento ao
direcionar a interpretação. Em alguns
trabalhos a confirmação de padrões é, em certo
aspecto, involuntariamente tendenciosa.
Entretanto, já existem indícios de que há um
vasto gradiente entre estes extremos muitas
vezes não observados devido à enlasc em
aspectos como germinação, estabelecimento
e sobrevivência de propágulos (Whitmore
1996). Além disto, a resposta exibida por uma
espécie individualmente pode depender de uma
complexa rede de inter-relações bióticas
(Harper 1977). Portanto, a classificação
precisa das espécies em grupos funcionais em
resposta a distúrbios depende, em muitos casos,
de um avanço expressivo no conhecimento
acerca destas e dos processos e padrões
relacionados a sua manutenção no respectivo
habitat. Nesta perspectiva ainda que
promissora a interpretação da sucessão
ecológica a partir dos modelos de facilitação,
tolerância e competição (vide McCook 1994),
sua interpretação com relaçao uos limites
artificiais é pouco elucidativa. Além disto, a
visão estritamente mecanicista dos piocessos
e padrões biológicos tem incorporado o fato
de que eventos estocásticos podem ser mais
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Rodrigues, P. J. F. P. & Nascimento, M. T.
freqüentes do que o esperado. Desta forma, o
sucesso no estabelecimento de determinadas
espécies vegetais não dependeria apenas de
suas características selecionadas evolutiva-
mente, mas também do acaso (Brokaw &
Busing 2000).
OS EFEITOS DE BORDA
Conforme já mencionado, atualmente,
devido ao crescente desmatamento, há um
grande aumento de limites artificiais (bordas),
nos quais os ecossistemas e comunidades estão
aparentemente sujeitos a efeitos de borda. Esta
completa transformação da paisagem gera um
cenário onde fragmentos relativamente
pequenos e grandes compõem um arquipélago
de ilhas de vegetação arbórea inseridos em
uma matriz em geral graminóide ou arbustiva
(Hams 1984; Laurance & Bierregaard 1997).
Tal perspectiva motivou inicialmente a utilização
de idéias acerca da Biogeografia de Ilhas (e.g
MacArthur & Wilson 2001) que pareciam
adequadas para prever parte das
conseqüências da fragmentação sobre os
fragmentos remanescentes (e.g. Harris, 1984).
Entretanto, recentemente notou-se que os
fragmentos não representam necessariamente
ilhas, e que as matrizes não são exatamente
“mares inóspitos” (e.g. Laurance et ai, 2002),
sobretudo para determinados animais (Gascon
et al. 1999). Com isto, determinadas previsões
acerca da evolução das comunidades em
fragmentos falharam ao utilizar a Biogeografia
de Ilhas como modelo. Isto em parte levou a
uma mudança de foco que atualmente enfatiza,
por exemplo, a importância dos fenômenos que
ocorrem nas bordas e nas florestas em
regeneração próximas aos fragmentos (Pimm
1998; Mesquita et al. 1999). Portanto, nas
tentativas de interpretar a fragmentação
florestal, compreender como as bordas, que
são cada vez mais freqüentes, se transformam
no tempo tem sido um objetivo recorrente.
Uma borda recém criada, em termos
teóricos, pode ser estruturalmente homogênea
ou muito semelhante ao interior florestal. Ao
longo do tempo, irão ocorrer outras
transformações, relacionadas em grande parte
aos efeitos de borda, que podem resultar em
uma comunidade mais heterogênea neste
limite. Porém, mesmo interiores florestais
podem ser relativamente heterogêneos, ainda
que mais homogêneos quando comparados a
limites artificiais.
Em relação às transformações experi-
mentadas pela borda, Matlack (1994) sumariza
parte das idéias vigentes e identifica 3 fases:
( 1 ) formação, onde pode haver uma forte res-
posta da vegetação à criação do limite abrupto
exibindo, inclusive, alta mortalidade; (2)
reorganização dos gradientes físicos, onde pode
ser desenvolvida uma camada de biomassa
lateral que reduz a ação direta do vento e da
insolação; e (3) expansão da área da borda,
onde há efetivamente o estabelecimento de
uma zona tampão biótica ou expansão da
comunidade que passa a ter novos limites. A
perspectiva utilizada por este autor, e
compartilhada por outros, aparentemente é
uma clara analogia à dinâmica de clareiras (e.g.
Brokaw 1985) com respaldo no corpo teórico
acerca da sucessão ecológica. Tais idéias são
confirmadas por outros estudos que verifica-
ram, por exemplo, maior mortalidade de árvores
ao ser criado o limite (Lovejoy et al. 1986;
Laurance et al. 1997; Kapos et al. 1997).
Porém, considerando que vegetais são
organismos modulares (Küppers 1994), a maior
mortalidade poderia estar relacionada à falta
de aclimatação de suas estruturas somáticas
às novas condições. Por outro lado, algumas
respostas do componente biótico, tais como a
proliferação de lianas (e.g. Putz 1984) e
bambus (e.g. Tabanez & Viana 2000),
previstas na fase (3), podem implementar um
efeito sinérgico com o vento (Laurance et al.
2001 ), resultando na queda de grandes árvores.
Em termos teóricos, a exclusão de indivíduos que
dominam a paisagem, os quais possivelmente
monopolizam grande parte dos recursos
disponíveis, gera a oportunidade para o
crescimento de outros indivíduos (e.g. juvenis
ou propágulos). Neste sentido, nota-se que
algumas bordas exibem maior densidade
quando comparadas a interiores preservados
(Laurance & Bierregaard 1997; Oliveira-Filho
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Fragmentação florestal e efeitos de borda
et al. 1997; Laurance et al. 2002). Tal fato
pode ser atribuído ao surgimento das oportu-
nidades supracitadas, bem como à entrada de
espécies associadas a estágios sucessionais
menos avançados. Neste cenário, agora com
espécies de crescimento rápido que teorica-
mente utilizam materiais metabolicamente
menos custosos (Bazzaz 1991) podendo gerar
estruturas somáticas mais frágeis, a comu-
nidade seria mais dinâmica exibindo inclusive
maior mortalidade ( e.g . Oliveira-Filho et al.
1997). Ou seja, no caminho da estabilização
dos fluxos de energia, a estrutura do ecossis-
tema seria mais heterogênea e efêmera. Em
estágios sucessionais mais avançados, teo-
ricamente mais favoráveis à manutenção de
grande biomassa e complexidade, haveria
maior homogeneidade e durabilidade (vide
Begon et al. 1995).
Deste modo, as transformações
observadas com a criação de limites artificiais
são, em geral, evidentes (Williams-Linera 1 990;
Laurance & Yensen 1991; Camargo & Kapos
1995; Laurance & Bierregaard 1997; Tabanez
et al. 1997; Cadenasso et al. 1997). Grande
parte do problema reside então na forma de
interpretar este cenário. Resgatando noções
básicas em ecologia ( vide Begon et al. 1995),
alguns autores dividem os efeitos de borda em
três tipos: (1) abióticos; (2) bióticos diretos e
(3) bióticos indiretos (e.g. Murcia 1995). Assim
sendo, as modificações no meio físico, que
incluem aumento na insolação, velocidade do
vento e queda na umidade relativa próximas
às bordas, seriam propriamente exemplos de
efeitos abióticos. Relacionados a estes,
teoricamente, pode haver modificações diretas
no componente biótico tais como aumento na
densidade e entrada de espécies pioneiras. Os
efeitos bióticos indiretos em geral são
associados a processos tais como predação,
herbivoria e polinização, que resultam de
interações entre espécies. Estas perspectivas
aparentemente são influenciadas pela idéia de
compartimentalização em parte subjacente à
teoria dos sistemas, na qual sistemas complexos
apresentariam sub-unidades com menor
complexidade (vide Margalef 1974).
Rodriguésia 57 (1): 63-74. 2006
69
Novamente em referência a evolução
conceituai já citada, nota-se que as interações
e os sinergismos entre os compartimentos
podem ser extremamente complexos. Portanto,
as subdivisões propostas podem ser artifícios
didaticamente adequados à interpretação dos
fenômenos relacionados à fragmentação
florestal e efeitos de borda. Além disto,
aparentemente há grande dificuldade em
identificar precisamente fatores causais. Isto
é particularmente percebido quando, mesmo
ao identificar efeitos bióticos, a causa destes é
associada a modificações abióticas (e.g.
Murcia 1995).
Com isto, ainda é muito difícil determinar
o conjunto de eventos no tempo que irá
direcionar a trajetória dos processos ecológicos
em bordas. Além disto, mesmo observando
alguns padrões gerais pode haver distintos
fatores causais. Grande parte dos estudos
apenas identifica os processos e, consequen-
temente, os fatores direcionadores permanecem
relativamente obscuros dificultando a detecção
de padrões consistentes. Tal fato sugere que
nas interpretações há uma mistura de fatores
que são pouco elucidativos em relação aos
processos e padrões intrínsecos à vegetação
próxima a limites artificiais. Ainda que as
informações sejam suficientes para indicar
a existência de efeitos de borda, as
conseqüências destes em longo prazo também
permanecem desconhecidas.
Evidentemente sob uma perspectiva
intervencionista, onde a borda é um limite
permeável sujeito a impactos advindos da
matriz antrópica, a única conclusão é de que a
degradação será crescente. Ainda mais se
consideradas as escalas e intensidades de tais
impactos. Por outro lado, em um cenário
otimista, a interrupção dos impactos externos
poderia permitir uma recuperação estrutural c
funcional dos ecossistemas (e.g. Matlack
1994). Neste caso, a porosidade (permeabili-
dade) da borda poderia implementar um au-
mento na conectividade entre fragmentos ao
invés de facilitar a entrada de impactos exter-
nos. Os trabalhos em áreas de regeneração
(capoeiras) demonstram que a vegetação,
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cm
70
dependendo das condições locais, pode de fato
recuperar-se ( e.g . Mesquita et al. 1999, 2001)
re-estabelecendo assim inúmeras interações
ecológicas do ecossistema (Gascon et al.
1999). Mesmo assim, é preciso considerar que
uma redução expressiva na área (e.g. extinção
de habitat) irá criar uma nova situação na qual
certamente a coexistência de um grande
número de espécies será improvável.
Considerando novamente a crescente
degradação e os impactos ocasionados às
bordas florestais, é esperado que o aspecto
relativamente homogêneo exibido pelo
ecossistema ou comunidade no momento da
criação da borda, seja progressivamente
tornado mais heterogêneo, podendo chegar a
uma homogeneidade tardia. Esta última seria
observada em locais onde os impactos
advindos da matriz fossem recorrentes e
intensos. Neste caso, a homogeneidade tardia
seria caracterizada por processos e padrões
típicos de ambiente de borda, nos quais também
poderia haver um predomínio de espécies
associadas a estágios sucessionais iniciais. Por
outro lado, uma matriz menos agressiva poderia
determinar impactos em menor escala e
heterogeneamente distribuídos ao longo da
borda. Desta forma, não haveria a referida
homogeneidade tardia, mas sim um cenário
altamente heterogêneo.
Neste ponto a idéia de ecótone, já
mencionada anteriormente, permite uma
interpretação bastante conveniente, onde
fenômenos de retração e expansão podem ser
explorados. Desta forma, praticamente todos
os estudos sugerem que uma vez interrompidos
os processos de degradação advindos da matriz
há grande chance de que o remanescente se
recupere ou se expanda.
Ainda em relação aos efeitos de borda,
intuitivamente, é esperado que ocorram
variações (em geral diminuição) na intensidade
destes na medida em que aumentam as
distâncias da borda (e.g. Kapos et al. 1997).
Com isto, tomou-se freqüente descrever tais
efeitos utilizando funções matemáticas relativas
aos padrões observados e dentre estes,
variando linearmente em função à distância da
Rodrigues, P. J. F. P. & Nascimento, M. T.
borda, identificam-se padrões “monotônicos”
(e.g. Williams-Linera 1990). Por outro lado,
padrões que oscilam em direção ao interior (bi-
modais ou em onda) são descritos utilizando
modelos “não-monotônicos” (e.g. Franco &
Harper 1988). Nas perspectivas mencionadas
transparecem idéias de que quanto maiores os
fragmentos, maiores são as chances de que
porções interiores destes estejam protegidas
dos efeitos de borda (vide Laurance & Yensen
1991; “ The core area model."). Este é um
cenário relativamente simplista, mas que oculta
uma grande complexidade, principalmente
quando se considera a utilização de vários
parâmetros simultaneamente. Além disto,
mesmo fatores considerados simples e diretos
quanto à medição (e.g. luz, vento), quando
associados às respostas exibidas pelo
componente biótico podem assumir complexas
nuances. Estas, em parte, devido à inerente
complexidade e heterogeneidade (vide
Macintosh 1991) dos sistemas biológicos.
Conclusões
Com a fragmentação florestal é inevitável
a criação de bordas artificiais que podem
implementar transformações aos sistemas
biológicos ocasionadas em grande parte por
efeitos de borda. O conhecimento sobre tais
efeitos embora seja relativamente extenso
ainda é pouco conclusivo devido principalmente
ao desconhecimento dos processos e padrões
naturais dos ecossistemas, falta de delimitação
precisa dos fatores causais e deficiências nos
conceitos e teorias utilizados. Por outro lado,
considerando a natureza dinâmica dos
ecossistemas, os fenômenos de expansão e
retração e a tendência natural dos sistemas
biológicos à evolução, supõe-se que as florestas
também devem exibir respostas evolutivas em
diversos níveis para lidar com este novo
cenário. Neste aspecto, bordas florestais
submetidas a matrizes extremamente
impactantes (e.g. campos agrícolas) tenderiam
a exibir um aspecto estruturalmente
homogêneo determinado fortemente pelas
transformações impostas pela matriz.
Entretanto, matrizes menos impactantes
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Fragmentação florestal e efeitos de borda
poderiam favorecer a recuperação dos
processos e padrões naturais dos ecossistemas
exibindo nos locais onde há manutenção do
limite abrupto um aspecto estruturalmente mais
heterogêneo quando comparado a locais bem
preservados. Os aspectos teóricos aqui
abordados suportam tais argumentos, mas ainda
assim permanecem incompletos e apontam
para a necessidade de avançar no
conhecimento sobre florestas tropicais, em
especial considerando este cenário de intensa
degradação e fragmentação. Por outro lado
se a proliferação de bordas florestais não
contribuir decisivamente para a perda de
habitat e se os impactos aos remanescentes
florestais forem minimizados é provável que
os efeitos de borda não conduzam a uma
crescente destruição.
Agradecimentos
Agradecemos especialmente ao Dr. Fábio
Rúbio Scarano pelas suas valiosas sugestões
nas versões iniciais deste trabalho. A João
Marcelo de Alvarenga Braga, Mariana de
Andrade Iguatemy, Rodolfo C. Real de Abreu,
Pablo Viany Prieto e Bruno R. Silva (revisor
do abstract) pelas sugestões e a dois asses-
sores anônimos pela análise do manuscrito.
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SciELO/JBRJ
12 13 14 15 16 17
cm
SOLANACEAE NA RESERVA RiO DAS PEDRAS, MaNGARATIBA,
Rio de Janeiro - Brasil
Lúcia d 'Ávila Freire de Carvalho' & Massimo G. Bovini'
Resumo ... „ . „ .
(Solanaceae na Reserva Rio das Pedras, Mangaratiba, Rio de Janeiro - Brasil) Foi realizado um estudo
morfológico e taxonômico da família Solanaceae na Reserva Rio das Pedras, município de Mangaratiba
situado no estado do Rio de Janeiro, um fragmento de floresta pluvial atlântica. Reg.strou-se 33 espécies
pertencentes a 10 gêneros, sendo Solamim o mais expressivo. Solanum hirtellum e Solanum pensile são
documentados pela primeira vez nesse estado. São apresentadas chave de identif icação, descrições e ilustrações.
Palavras-chave: Solanaceae, Rio de Janeiro, taxonomia, floresta pluvial atlântica.
Abstract
(Solanaceae of the Rio das Pedras Reserve, Mangaratiba, Rio de Janeiro - Brasil) It was developed a
morphological and taxonomic study of the Solanaceae family at R.o das Pedras Reserve, which represents a
fragment of the Atlantic Rain Forest, in the municipality of Mangaratiba, at R.o de Jane, 0 ^ *
registered 33 species of 10 genera, being Solanum the most representative. Solanum hirtellum and Solanum
Si ÍSS for the first timefor Rio de Janeiro State. A key for identification ,s presented, as we.l
as, descriptions and illustrations. .
Key-words: Solanaceae, Rio de Janeiro, taxonomy, Atlantic ram forest.
Introdução
Solanaceae é uma das maiores famílias
entre as angiospermas, com cerca de 2.300
espécies subordinadas a 92 gêneros. Segundo
Hunziker (2001 ), apresenta ampla distribuição
geográfica e está concentrada principalmente
na América do Sul, onde estima-se a presença
de aproximadamente 50 gêneros endêmicos.
Para o Brasil não existe nenhuma
avaliação recente para a diversidade de
espécies de Solanaceae, à exceção da
monografia de Sendtner (1846), publicada na
Flora hrasiliensis.
No início deste século foram
reconhecidos 27 gêneros para o Brasil, com
base nas pesquisas bibliográficas e nos
herbários visitados. Carvalho et al. (2001)
indicaram para a região sudeste, em
levantamento preliminar, 17 gêneros e 313
espécies. No estado do Rio de Janeiro são
registrados, até a presente data, 15 gêneros e
cerca de 118 espécies coletadas nos mais
diversos ambientes (Carvalho 1997a, b).
Tendo em vista a escassez de estudos em
Solanaceae para o estado do Rio de Janeiro,
este trabalho teve como objetivo reconhecer e
analisar as espécies de Solanaceae na Reserva
Rio das Pedras, contribuindo para ampliar o
conhecimento morfológico e taxonômico da
família.
Material e Métodos
Área de estudo
A Reserva Rio das Pedras (RRP), situada
no lado atlântico da Serra do Mar, inserida no
Maciço da Serra da Bocaina, e localiza-se no
município de Mangaratiba, estado do Rio de
Janeiro, entre as coordenadas 22°59'S e
44°05'W, possuindo cerca de 1.360 ha,
apresentando-se em diversos níveis de
sucessão, cujas altitudes variam de 20 a 1.050
metros, representando um dos poucos
remanescentes de floresta pluvial atlantica
neste estado.
No que diz respeito à hidrografia, é típica
de região com alguns declives, e apresentando
Artigo recebido em 03/2005. Aceito para publicação em 1 1/2005.
1 Pesquisadores do Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de aneiro
030. lfreire@jbrj.gov.br; mbovini@jbrj.gov.br
. Rua Pacheco Leão 9 1 5 - Gávea. CEP. 22460-
SciELO/JBRJ
12 13 14 15 16 17
cm ..
Carvalho, L d'Á. F. & Bovini, M. G.
o contorno externo da Reserva, a linha do
divisor de águas da bacia do Rio Grande, que
é bem definido e abrupto. A Reserva é
formada pela bacia do Rio Grande (Fig. 1).
O clima é subquente (Nimer, apud Vidal
1995) com temperaturas médias anuais de
22°C e temperatura máxima absoluta de 38°C.
A grande variação de altitude, próxima ao
litoral, é responsável pela precipitação máxima
que corresponde aos meses de dezembro,
janeiro e fevereiro.
Campo e laboratório
Foram realizadas expedições de campo
durante cinco anos na RRP, em diversas trilhas
existentes e algumas recuperadas, e coletadas,
sempre que possível, amostras de indivíduos
com flores e/ou frutos. A preparação do
material botânico, proveniente das expedições,
seguiu o método tradicional de herborização,
para posterior inclusão nos herbários RB e
RUSU (siglas de acordo com Holmgren et ai,
1990). O material foi identificado por meio de
chaves analíticas, descrições e ilustrações
constantes em bibliografia especializada,
comparações com coleções botânicas e quando
possível com o material-tipo. As ilustrações
foram realizadas com o auxílio do microscópio
estereoscópico, às vezes acoplados a câmara
clara.
Os táxons apresentados nas descrições
seguem a ordem alfabética para gêneros e
espécies. Os nomes vulgares, quando indicados,
foram fornecidos pelos acompanhantes do
local. É importante ressaltar que, em cada
táxon estudado, usou-se a nomenclatura e a
distribuição geográfica da última revisão deste,
quando existente. Quanto ao padrão de
nervação adotou-se Leaf Architecture Working
Group (1999) e para a classificação da
vegetação, Veloso et ai (1991).
CONVENÇÕES
■■■ Edificação —^Drenagem
BR‘101 í» -Curva de nl»
Afloramento rochoso ■— p0nto cotadr
. Represa L. I Mata degrad
I — I Floresta
TRILHAS
(1) TRILHA DO MIRANTE
(2| TRILHA DA TOCA DA ARANHA
(3) TRILHA DAS BROMÉLIAS
W TRILHA DAS BORBOLETAS
(5) TRILHA DO CAMBUCA
5820 5930
0 500
t
(6) TRILHA DA LAGOA SECA
(7) TRILHA DO CORISQUINHO
(8) TRILHA DO TIÀO
(9) TRILHA DA CACHOEIRA
(10) TRILHA DO CORISCO
74590
74570
74560
Rio de
Janeiro
74590
74580
74570
74560
5860
5870
5860
5870
5880
5900
5910
5920
Figura 1 - Mapa da Reserva Rio das Pedras, Mangaratiba
S/A (1999).
Rio de Janeiro. Modificado
de Agrofoto Aerofotogrametria
RodriguSsia 57 (1): 75-98. 2006
SciELO/JBRJ
L2 13 14 15 16 17
Solanaceae na Reserva Rio das Pedras
77
Resultados e Discussão
Solanaceae A. Juss.
Herbáceas, arbustivas, arbóreas,
escandentes ou hemi-epífitas, glabras ou com
indumento, diversos tipos de tricomas, espinhos
e/ou acúleos. Ramos ascendentes ou patentes,
dicotômicos iguais ou desiguais, cilíndricos ou
aplanados, concaulescência presente. Folhas
pecioladas ou subsésseis, alternadas, isoladas
e/ou aos pares; lâminas inteiras, lobadas à
pinatissectas ou as vezes dimorfas, nervação
camptódroma, raro broquidódroma e craspe-
dódroma. Flores isoladas e/ou em inflores-
cências axilares e/ou terminais, ou opostas as
folhas, fasciculadas, racemosas, corimbosas ou
paniculadas, raro bracteoladas. Flores
hermafroditas, diclamídeas, heteroclamídeas,
actinomorfas raro com simetria bilateral,
prefloração valvar, valvar-plicada, imbricada,
rotáceas, campanuladas, infundibuliformes,
hipocrateriformes ou tubulosas; androceu
pentâmero ou tetrâmero-didínamo, filetes
retos, reflexos ou geniculados, anteras
monotecas ou bitecas, com deiscência rimosa
longitudinal de alvacentas a acastanhadas
(, Acnistus , Athenaea, Aureliana, Capsicum,
Cestrum, Dyssochroma e Pliysalis),
transversal ( Brmfelsia ), ou poricida amarelas
ou lilases, apicais ou introrsas ( Solanum );
gineceu de ovário supero, bilocular,
placentação axilar, multiovulado, nectarífero ou
nâo, estilete simples, estigma apical. Cápsula
ou baga, por vezes envolvidos pelo cálice
acrescente; sementes poucas a numerosas.
Chave para o reconhecimento das espécies de Solanaceae na RRP
j Plantas urmudíis
2. Plantas escandentes; lâmina foliar pinatissecta, pseudo-imparipenada, 5-7 segmentos
16. Solanum alternatopmnatum
2’. Plantas eretas; lâmina foliar lobada a partida. . .. , ...
3. Plantas até 1 m alt; densamente aculeado-acicular; lamina foliar irregular partida, tricomas
19. Solanum capsicoides
3’. PlantaT mais de 1,5 m alt.; esparso aculeado-uncinado; lâmina foliar lobado-denteada;
tricomas estrelados subsésseis ou pedicelados. .
4. Lâmina foliar com base truncada a subcordada; nervação craspedodroma cálice cc
lacínias aciculares; corola alva 3 \ Solanum tabaajolium
4’. Lâmina foliar com base atenuada; nervação camptódroma; cálice com lacínias ovndo-
. . , . „ 22. Solanum hexandrum
apiciuladas; corola violácea
''' “=ceas eretas; coreia amare, a; cllice frettfere amplto, “
y.Zf taSX «c^nle^^icorei; nunca amarela; cdlice frutífero quando
ampliado nunca inflado. _
6. Plantas hemi-ep, fitas ffigchma «rídíflora
7 Hemi-eDÍfita: corola verde, lacínias enroiauas ; . „ . , „
T . Nunca hemi-epífita; corola alva, amarelo-esverdeada ou lilás, lacuna ;
8 Ramos dicotômicos; lâmina foliar membranacea; inflorescencia extra axilar
na dicotomia do ramos; corola campanulada; anteras com concetivo v.noso,
9**LSmina
9’. Lâmina foliar inteira; conectivo giboso espessado na região basal.
Rodrigutsia 37 (I): 75-98. 2006
SciELO/JBRJ
L2 13 14 15 16 17
cm
78
Carvalho, L. d'Á. F. & Bovini, M. G.
10. Lamina foliar ovado-oblonga a cordada; tricomas simples ao longo da nervura
mediana; estigma expandido com corpúsculos globosos, inclusos
21. Solanum diploconos
10 . Lamina foliar ovado-lanceolada; tricomas glandulares diminutos; estigma expandido
..o, corpúsculos.... 25. Solanum melissarum
8 . Ramos nao dicotomicos; lamina foliar membranácea a cartácea; inflorescênda terminal;
corola rotacea; anteras sem conectivo.
1 1 . Folhas isoladas nos ângulos ramulares; nervação secundária com espaçamento irregular;
f botoes oblongo-apiculados; corola sempre alva 26. Solanum odoriferum
u°t~ ^ “ 3 aS em ramos relos’ nervaÇã° secundária com espaçamento uniforme;
PHnta b°t0eS °tbl0nf S; dC alVa 3 1ÍláS 28. Solanum pensile
6 . Plantas sempre terrestres sem ramos flexuosos.
12. Lâmina foliar prateada, acastanhada ou dourado-claro na face abaxial.
Lâmina foliar 20-60 cm compr., inflorescênda pêndula; tricomas paleáceos evidentes,
acastanhados I ,
' «míadô'lar me"0r q“ C°mpr'; inflorescência- tricomas peitados e peltado-
14. Lâmina foliar alvacenta a prateada, broquidódroma, de nervação secundária com
espaçamento uniforme; cálice frutífero persistente, bagas oblongo-apiculadas
14' ^4mpt^roma ácamptobro^ui^kbmnZ
mrc,»VaÇa? Sec“ndan“ esPaÇamento irregular; cálice frutífero envolvendo
parcialmente a baga globosa 32. Solanum swartíanum subsp. swartzianum
var. swartzianum
12’. Lâmina foliar nunca prateada, acastanhada ou dourado claro
15. Ramos com uma folha na dicotomia; corola geralmente com máculas verdes.
af"and0 em direça° ao ápice: ,toinas fo,iares
17'. P^MlsSglabrast0SaS' “'VaCentaS 9' Capsicum villomm var. viUosum
18.
Cálice truncado; corola rotáceo-estrelada
io’ n/iv. 7. Capsicum campylopodium
18 . Cálice lactmado-ltnear; corola campanulado-laciniada
16L Ramos
19'. Lacínhts do cáYicc d^nteada^™02^! ü ", •" 3' AureUana Jarc>‘
15’ Ramos sem Hientnmio- i - Aurdiana fasciculata var. fasciculata
• “s sem dicotomia; corola sem máculas ou quando presente vinosa
pr;a„nrmente de T8em de rio; n°res a,vas' c°r°|a úbrunc.
' Í . óoTmeme? ' faSCÍCuladas eretasi f"“° 8'oboso; cálice persistente:
' " Tmentês pe"d“las; frut0 fusifc™e, cálice marcescente; ca.
20'. Plantas de borda oü de interiõr de iteesm oü'^ f. suavtolens
Rores alvas, azuladas ou esverdeadas- rntá° d a,mblenIes penurbados;
ou tubulosa. esverdeadas, rotacea, campanulada, hipocralerifotme
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Solanaceae na Resena Rio das Pedras
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22. Corola azulada; hipocrateriforme; fruto capsular envolvido pelo cálice ampliado
6. Brunfelsia brasiliensis subsp. macrocalyx
22’. Corola alva, creme-esverdeada ou amarelada; rotácea, campanulada ou tubulosa; fruto bacáceo.
23. Folhas estipuláceas aos pares; corola creme-esverdeada ou amarelada; tubulosa a estreito
infundibuliforme; baga oblonga ou ovóide.
24. Lâmina foliar cartácea, até 22,5 x 10 cm; folhas estipuláceas ovadas, base oblonga a
cordada 10- Cestrum corcovadense
24’. Lâmina foliar membranácea. até 15 x 5 cm; folhas estipuláceas lanceoladas a ovado-
recurvadas. .
25. Folhas estipuláceas ovado-recurvadas; inflorescências racemos de pseudo-
• i _..:t 11. Cestrum intermedium
conmbos, axilares . .
25’. Folhas estipuláceas lanceoladas; inflorescências paucifloras, fasciculadas ou
racemosa. , ^ ,
26 Lâmina foliar com nervação secundária de espaçamento irregular;
' inflorescência fasciculada 13. Cestrum sendmerianum
26’ Lâmina foliar com nervação secundária de espaçamento uniforme; inflo-
’ rescinda racemosa ,12;
23'. Folhas estipuláceas ausentes; corola alva; rotácea ou campanulada; baga globosa a piri-
forme
2°7rmpianta viscosa; corola alva com máculas vinosas; cálice
proeminente envolvendo o fruto ............... * .
27’. Planta nunca viscosa; corola alva sem máculas; cálice frutífero nunca ampliado.
28. Folhas sempre aos pares, glabras ou apenas com domáceas p.hferas.
29. Arvoreta ou árvore; folhas aos pares, desiguais em tamanho, domáceas
pilíferas; flores 15-20 em racemo; baga globosa • ••••■
29’ Subarbusto a arbusto; folhas aos pares, desiguais em tamanho e forma,
glabras; flores 4-5 em cimeira; baga piriforme 3 1 . Solanum stipulatum
28’. Folhas isoladas, raramente aos pares, pilosas. „ limhflIa
30 Lâmina foliar com tricomas simples; inflorescencia extra-axilar, pseudo-umbela
17. Solanum amencanum var. nodiflorum
30’. Lâmina foliar com tricomas estrelados; inflorescência em dmeira.
31. UW» foliar
31'. Umina"fota com” largura menor que a metade do comprimento;
^'pintas com idumèrohiatino; lâmina foliar com ápice fortemente
cuspidado; cálice frutífero não ampliado; fruto ca. 6 sementes
32’ Plantas com indumento ferrugíneo; lâmina foliar com ápice
levemente acuminado; cálice frutífero ampliado; fruto ca. 25
levemei 3Q ^Q\amm mfescens
sementes
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cm ..
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Acnistus Schott.
1 .Acnistus arborescens (L.) Schltdt., Linnaea
7: 67. 1832. Figs. 2 a-c
Atropa arborescens L., Amoen. Acad.
4: 307. 1759.
Árvore 4-6 m alt. Ramos esfoliantes,
nodosos. Folhas inteiras, isoladas; lâminas até
23 x 15 cm, membranáceas, ovadas a
lanceoladas, ápice agudo, base atenuada,
camptódromas, nervuras secundárias com
espaçamento irregular, pubescentes, tricomas
simples, crespos na face abaxial; pecíolo ca.
2,5 cm compr., pubescente. Flores 10-20,
fasciculadas, caulinares, pedicelo ca. 2 cm
compr.; cálice urceolado, lacínias lanceoladas,
desiguais; corola até 1 cm compr., alvo-
esverdeada, perfumada, prefloração valvar,
campanulado-infundibuliforme, lacínias
lanceoladas, revolutas; anteras oblongas, alvas
exsertos, Fdetes parcialmente concrescidos ao
tubo corolíneo; ovário com disco nectarífero,
heterostilia, estigma discóide. Baga ca. 5 mm
diâm., globosa, cálice ampliado, ca. 60
sementes, 6-9 esclerócitos.
Material examinado: trilha do Cambucá,
15.IX.1996, fl.fr., J. A. Lira Neto et ai 369
(RUSU).
Distribuição geográfica: neotropical, desde
o México, América Central, Antilhas até
América do Sul. No Brasil é encontrada nas
Regiões Nordeste, Sudeste e Sul (Hunziker
1982).
Athenaea Sendtn.
2. Athenaea picta (Mart.) Sendtn., in Martius
Fl. bras. 10: 134. 1 846. Fig. 2 d-f
Witheringia picta Mart., Nov. Gen sp
pl. 3: 74, t. 227. 1829.
Aryoreta ca. 2,5 m alt., viscosa. Ramos
secundários ascendentes, alternados e
terciários axilares, entre-nós esparsos até 4 cm
distância, pubescentes, tricomas simples longos
e glandulares-pedicelados. Folhas inteiras, aos
pares, desiguais em tamanho ou isoladas; lâminas
as maiores até 1 1 x 6,5 cm, membranáceas,
oblongas a ovadas, ápice acuminado, base
assimétrica, um tanto atenuada, camptódroma,
Carvalho, L d’Á. F. <£ Bovini, M. G.
nervuras secundárias com espaçamento
irregular, oblongas a ovadas; pecíolo até 5 cm
compr.; e as menores até 6 x 3,5 cm,
pubescentes em ambas as faces, tricomas
simples, longos; pecíolo até 3 cm compr. Flores
2—3, fascículos axilares, raro isoladas, pedicelo
até 7 mm compr.; cálice com prefloração
valvar, lacínias desiguais em tamanho,
pubescentes, tricomas simples e glandulares-
pedicelados; corola ca. 2 cm diâm., prefloração
valvar, alva com máculas vinosas, rotáceo-
estrelada, lacínias lanceoladas até 9 cm compr.,
face interna com tricomas glandulares curto-
pedicelados; anteras oblongas, pardacentas,
filetes concrescidos parcialmente com
apêndices basais e laterais. Baga até 1 cm
diâm., globosa, glabra, envolvida pelo cálice
com nervação proeminente, ca. 21 sementes.
Material examinado: trilha do Corisquinho,
200-400 m s.m., 26.IV. 1997, fl., M. G. Bovini
et al. 1162 (RUSU); trilha para a Toca da
Aranha, 150-400 m s.m., 11.1.1999, fl.fr., M.
G. Bovini et al. 1615 (RB, RUSU).
Distribuição geográfica: exclusiva do Brasil,
ocorre nos estados da Bahia, Goiás, Região
Sudeste, Paraná e Santa Catarina (Barbosa
& Hunziker 1989).
Espécie caracterizada pela presença do
indumento constituído por tricomas glandulares,
tornando-a viscosa ao contato. Na RRP os
indivíduos cresceram sempre isolados em
ambiente ciófilo.
Aureliana Sendtn.
3. Aureliana darcyi Carvalho & Bovini,
Novon 5(3): 257. 1995. Fig. 2 g
Arvoreta 3-6 m alt., concaulescência
evidente. Ramos dicotômicos desiguais, glabros
a pubescentes, tricomas simples. Folhas aos
pares, raro isoladas; lâminas até 9,5 x 2,5 cm,
membranáceas a semi-cartáceas, lanceoladas,
ápice agudo, base atenuada, às vezes
assimétrica, decurrente, camptódromas,
nervuras secundárias com espaçamento
irregular, face abaxial pubescente, tricomas
simples minúsculos; pecíolo até 1 cm compr.
Flores 3-10, fasciculadas, axilares; pedicelo
Bodríguésia 57 (1): 75-98. 2006
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Solanaceae na Resenha Rio cias Pedras
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„ m n„res e frutos- b flor; c. fruto com cálice ( Lira Neto 369). Athenaea picta.
Figura 2 - Acnistus arborescens. a. ramo com flores e tru , Aureliana darcyi. g. lacínias longo-acumtnadas do
d. ramo com flores; e. flor; f. fruto envolvido pelo cálice { o ^ flores; . lacínias denteadas do cálice {Lopes 131).
cálice (Bovini 1 152). Aureliana fasaculata \ar. fascicuU . • | tubo da corola evidenciando os estames
Brunfelsia brasiliensis subsp. macrocalyx. j. ramo com flores k. brac éolas. t.
didínamos; m. estame (Bovini 1906); n. cálice frutífero ( ira co
Rodriguésia 57 (1): 75-98. 2006
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82
até 1 cm compr.; botões globosos; cálice
campanulado, lacínias longo-acuminadas;
prefloração valvar; corola ca. 1 cm diâm., alva
com máculas verdes, rotáceo-estrelada,
lacínias de margem ciliada, ápice cuculado;
anteras oblongas, pardacentas, basifixas com
apêndices laterais, estigma acima dos estames.
Baga ca. 7 mm diâm., globosa, ca. 45
sementes.
Material examinado: trilha do Cambucá, 200-
300 m s.m., 23.IU.1997, fl„ M. G. Bovini et
al. 1152 (RB, RUSU); trilha para o pico do
Corisco, ca. 800 m s.m., 25.V.2000, fl„ M. G
Bovini et al. 1804 (RUSU); idem, 23.V.2000,
fl., M. G. Bovini et al. 1813 (RUSU).
Distribuição geográfica: endêmica do estado
do Rio de Janeiro (Carvalho & Bovini 1995).
É uma nova localidade de ocorrência para
o estado. Própria de floresta pluvial atlântica,
esta espécie é preferencialmente semi-
heliófila no sub-bosque.
4. Aureliana fasciculata (Vell.) Sendtn. var.
fasciculata, in Mart, Fl. bras. 10: 140. 1846
Fig. 2 h, i
Solanum fasciculatum Vell., Fl Flum
Icon. 2. tab. 106. (1827)1831; text. in Aich.
Mus. Nac. Rio de Janeiro 5:81. 1881.
Arvoreta 3-6 m alt., concaulescência
evidente. Ramos dicotômicos desiguais,
glabros a pubescentes, tricomas simples’
Folhas aos pares, raro isoladas; lâminas até
10x3 cm, membranáceas a semi-cartáceas,
lanceoladas, ápice agudo, base atenuada, por
vezes assimétrica, decurrente, camptódromas,
nervuras secundárias com espaçamento
irregular, face abaxial pubescente, tricomas
simples, minúsculos; pecíolo até 1 cm compr.
Flores 3-10, fasciculadas, axilares; pedicelo
até 1 cm compr.; botões globosos; cálice
campanulado, lacínias denteadas; prefloração
valvar, corola ca. 1 cm diâm., alva com
máculas verdes, rotáceo-estrelada, lacínias de
margem ciliada, ápice cuculado; anteras
oblongas, pardacentas, basifixas com
Can’alho, L. d'Á. F. & Bovini, M. G.
apêndices laterais, estigma abaixo dos
estames. Baga ca. 6 mm diâm., globosa, ca.
45 sementes, 1 esclerócito.
Material examinado: trilha do Cambucá, 200-
300 m s.m., 12/VI/1998, fl. fr„ R. C. Lopes et
al. 131 (RUSU); trilha para o Corisquinho,
24. III. 1999, fl.fr., D. Bartholo et al. 09
(RUSU).
Distribuição geográfica: no Brasil ocorre nas
Regiões Sudeste e Sul (Hunziker et al. 1991).
Brugmansia Persoon
5. Brugmansia suaveolens (Humb. & Bonpl.
ex Willd.) Bercht. & Presl., Rostl. 1. Solaneae.
45. 1823.
Datura suaveolens Humb. & Bonpl. ex
Willd., Enum. Plant. Hort. Berol. 227. 1809.
Arbusto, 2-5 m alt. Ramos glabres-
centes. Folhas inteiras, isoladas; lâminas até
25 x 1 1 cm, membranáceas, ovadas, ovado-
elípticas, ápice agudo a acuminado, base
obtusa, assimétrica, camptódroma, nervuras
secun-dárias com espaçamento diminuindo
para a base, tricomas simples na face
abaxial; pecíolo ca. 4 mm compr. Flores
isoladas, axilares, pêndulas; pedicelo ca. 3,5
cm compr., cálice verde, zigomorfo,
espatáceo, 2— 5-laciniado, desiguais em
compr.; corola ca. 15 cm diâm., alva,
infundibuliforme, 5 lacínias, estreito-lineares;
anteras lineares, desiguais. Baga ca. 4 cm
compr. (imatura), ovóide a oblonga,
fusiforme, cálice frutífero marcescente, ca.
100 sementes.
Material examinado: trilha do Cambucá,
margem de rio, 14.IX.1996, fl. fr., M. G.
Bovini et al. 1044 (RB, RUSU).
Distribuição geográfica: provavelmente
originária da região andina (Hunziker 2001).
Amplamente cultivada pela beleza de suas
flores e subespontânea nas mais diversas
regiões brasileiras.
Rodriguésia 57 (1): 75-98. 2006
:SciELO/ JBRJ
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cm
Solanaceae na Reserm Rio das Pedras
Brunfelsia L.
6. Brunfelsia brasiliensis subsp. macrocalyx
(Dusén) Plowman, Fieldiana, Bot., n.ser.
39:66.1998. Fig.2j-n
Brunfelsia hopeana var. macrocalyx
Dusén, Arch. Mus. Nac. Rio de Janeiro 13:
94. 1905.
Arbustos à arvoretas 2—5 m alt. Ramos
esfoliantes. Folhas esparsas próximas ao ápice
dos ramos; lâminas até 15 x 4,5 cm, mem-
branáceas a cartáceas, lanceoladas, ápice
levemente atenuado, base aguda, campto-
broquidódromas a broquidódromas, nervuras
secundárias com espaçamento aumentando
em direção a base, glabras ou raros tricomas
glandulares diminutos em ambas as faces;
pecíolo ca. 1,2 cm compr. Flores 6-8,
fascículos a racemos reduzidos na porção
terminal dos ramos, subsésseis; pedicelo ca. 2
cm compr., articulado, cicatrizes anelares,
tricomas glandulares; bractéolas 1-3 por flor,
linear- lanceoladas, 3-7 mm compr.; cálice
tubuloso, lacínias ca. 5 mm compr.; prefloração
imbricada, corola ca. 4 cm compr., azulada,
hipocrateriforme, breve inflado próximo à
fauce; lacínias obovadas, ca. 3,2 cm compr.,
estames didínamos; Filetes reflexos, planos,
concrescidos parcialmente ao tubo corolíneo,
anteras monotecas, oblongo-reniformes,
estigma bífido. Cápsula ca. 2 cm compr.,
envolvida pelo cálice ampliado, campanulado-
urceolado, lenticelado, nervuras proeminentes-
espessadas, ca. 12 sementes.
Material examinado: trilha para a Lagoa
Seca, 70-800 m s.m., 4.V1U.1999, fl., M. G.
Bovini et al. 1665 (RB, RUSU); idem,
7. X. 2000, fl., M. G. Bovini et al. 1906
(RUSU); trilha para o Corisquinho,
22.XII.1996, fr„ J. A. Lira Neto et al 518
(RB, RUSU).
Distribuição geográfica: ocorre nos estados
de Goiás, Minas Gerais, Espírito Santo, Rio de
Janeiro, São Paulo, Paraná e Santa Catarina
(Plowmann 1998).
Encontrada em ambiente semi-heliótilo
da floresta pluvial atlântica. Na RRP
83
apresentou-se isolada na maioria das vezes e
não foi registrada em altitudes acima de 400
m s.m.
Capsicum L.
7. Capsicum campylopodium Sendtn., in
Mart.,Eichler&Urban,Fl.bras. 10: 144. 1846.
Fig. 3 a
Subarbusto 1,5 m alt., glabro. Ramos
filiformes, patentes, dicotômicos iguais, afilando
em direção ao ápice, entre-nós esparsos, uma
folha na dicotomia. Folhas inteiras, isoladas;
lâminas 2-laterais menores e 1 central maior,
ca. 10 x 3,5 cm, membranáceas, translúcidas,
lanceoladas, 3 folhas desiguais em tamanho
em cada nó, ápice acuminado, base aguda,
camptódromas a campto-broquidódromas,
nervação secundária com espaçamento
uniforme; pecíolo ca. 5 cm compr. Flores 2-3
fasciculadas, axilares ou isoladas na dicotomia
dos ramos, pedicelo ate 2 cm compr., um tanto
ampliado e reflexo no ápice, articulado; cálice
campanulado, truncado; corola ca. 8 mm
compr., alva com máculas esverdeadas,
prefloração valvar-plicada, rotáceo-estrelada,
lacínias lanceoladas; anteras, oblongas,
deiscência longitudinal lateral; filetes
parcialmente concrescidos, com apêndices
basais e laterais; estigma quase na mesma
altura dos estames, clavado. Baga ca. 5 mm
diâm., globosa, cálice persistente, 1 semente.
Material examinado: trilha para a Lagoa
Seca, 100-550 m s.m., 12.VII.1997, lr., M. G.
Bovini et al. 1210 (RUSU); idem
12.VII.1997, fr., M. G. Bovini et al. 1211
(RB, RUSU); trilha para a Toca da Aranha.
23 XI 1998, fl., M. G. Bovini et al. 1566
(RUSU); idem, 23.XI.2001, fl., M. G. Bovini
et al. 2100 (RB, RUSU); idem, 21.X.I997.
fl J M A Braga et al. 4361 (RUSU), trilha
para o Cambucá, 20.X.1996, fl., 7. A. Lira
Neto et al. 444 (RUSU).
Distribuição geográfica: ocorre em nos
estados da Região Sudeste e Santa Catarina
(Carvalho 1997a).
Rodriguésia 57 (1): 75-98. 2006
SciELO/JBRJ
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cm ..
84
8. Capsicum recurvatum Witasek, Denkchr.
Akad. Wiss. Wien Math. -Natunviss. Kl. 79(2):
321.1910. Fig. 3b,c
Subarbusto até 2 m alt., glabro. Ramos
dicotômicos desiguais, afilando em direção ao
ápice, entrenós esparsos com uma folha na
dicotomia. Folhas inteiras, isoladas; lâminas 2
laterais menores e 1 central maior, ca. 20 x
5,5 cm membranáceas, translúcidas,
lanceoladas a ovado-lanceoladas, 3 folhas
desiguais em forma e tamanho em cada nó,
ápice atenuado, base aguda, camptódroma,
nervação secundária com espaçamento
diminuindo para a base; pecíolo até 1,3 cm
compr. Flores 3, fasciculadas, axilares ou
isoladas na dicotomia dos ramos; pedicelo ca
2 cm compr., um tanto ampliado e reflexo no
ápice, articulado; cálice campanulado, lacínias
lineares; corola ca. 9 mm compr., alva com
máculas acastanhado-verdes, campanulado-
laciniada, lacínias lanceoladas; anteras
oblongas, deiscência longitudinal lateral, filetes
parcialmente concrescidos, com apêndices
basais e laterais; estigma mesma altura dos
estames, truncado. Baga ca. 7 mm diâm.,
globosa, cálice persistente, lacínias reflexas, 9-
17 sementes nigrescentes.
Material examinado: trilha para o
Corisquinho, 200-300 m s.m., 1. XII. 1996, íl.
fr., M. G. Bovini et al. 1119 (RB, RUSU);
trilha para a Lagoa Seca, 200-300 m s.m.!
27 .V. 1997, fr., M. G. Bovini et al. 1178
(RUSU); trilha para a casa do Tião, 250 m
s.m., 7.1.2000, fr., M. G. Bovini et al. 1753
(RB, RUSU); trilha para o Corisquinho, 150
m s.m., 26.IV. 1997, 11., J. M. A.Braga et al
3973 (RB, RUSU).
Distribuição geográfica: ocorre nos estados
do Rio de Janeiro e São Paulo (Carvalho
1997a).
Espécie típica de floresta pluvial
atlântica. Na RRP é muito freqüente em locais
úmidos e protegidos no estrato herbáceo da
floresta.
Canalha, L d' Á. F. & Bovini. M. G.
9. Capsicum villosum Sendtn. var. villosum
in Mart., Fl. bras. 10: 144. 1846.
Subarbusto ca. 1,8 m alt., alvacento,
tomentoso. Ramos dicotômicos desiguais,
entre-nós esparsos, tomentoso, tricomas
simples, longos. Folhas inteiras, isoladas ou em
grupos de três desiguais; lâminas a maior até
14 x 3,6 cm, membranáceas, lanceoladas,
ápice agudo-falcado, base atenuada, margem
ciliada, camptódromas, nervação secundária
com espaçamento irregular; pecíolo até 6 mm
compr. Flores 2-5, fasciculadas axilares;
pedicelo ca. 2 cm compr., reflexo no ápice;
cálice campanulado, lacínias lineares,
pubescentes; corola ca. 7 mm compr., alva com
máculas verdes, lacínias denteadas, face
interna papilosa; anteras oblongas, deiscência
longitudinal lateral, filetes parcialmente
concrescidos, com apêndices laterais e basais;
estigma mesma altura dos estames, apical.
Fruto não observado.
Material examinado: trilha do Cambucá, 70-
310 m s.m., 23.XI.1999, fl., M. G. Bovini et
al. 1721 (RB, RUSU).
Distribuição geográfica: ocorre nos estados
de Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo,
Paraná e Santa Catarina (Carvalho 1997a).
Cestrum L.
10. Cestrum corcovadense Miers., London
J. bot. 5. 160. 1846. Fig. 3 d
Arvoreta 3^4 m alt. Ramos cilíndricos,
glabros. Folhas inteiras, isoladas; lâminas até
ca. 22,5 x 10 cm, cartáceas, ovada-elípticas,
ápice agudo a acuminado, base decurrente,
camptódromas, nervação secundária com
espaçamento irregular; pecíolo até 3,5 cm
compr., folhas estipuláceas aos pares, ovadas,
base oblonga a cordada, sésseis, ca. 1,2 cm
compr. Flores 5-10, em 2-3 racemos axilares,
ca. 3 cm compr., pedúnculo 5 mm compr.,
pedicelo ca. 2 mm compr., bractéolas linear-
lanceoladas, até 3 mm compr.; cálice
campanulado, laciniado, ciliado; corola ca. 1,5
cm compr., estreito-infundibuliforme, creme-
Rodriguésia 57 (1): 75-98. 2006
SciELO/JBRJ
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Solanaceae na Reserva Rio das Pedras
85
cm
3 ■ -.r 1 ssisssi
flores e frutos; c. cálice frutífero com lacínias lineares n g folhas estipuláceas ( Lira Nela 505). Cestrum
estípuláceas ( Bovini 1214). Cestrum intermedium. e. ramo com • y Cestrum sendtnerianum. h. ramo com
laevigatum. f. ramo vegetativo com folhas estipuláceas; g. >■
flores; i. corola evidenciando estames adnatos e est.lete/est.gma {Braga /).
Rodriguésia 57 (1): 75-98. 2006
SciELO/JBRJ
12 13 14 15 16 17
cm ..
86
esverdeada, lacínias lanceoladas,; anteras
orbiculares, filete glabro, ca. 1 cm compr.,
adnato ao tubo e ca. 5 mm compr. livre, viloso
na base; estigma incluso, mesma altura dos
estames, capitado. Baga ca. 6 mm diâm.,
oblonga, cálice persistente, ampliado, 5-7
sementes.
Material examinado: trilha do cambucá,
20.X. 1996, fl., J. A. Lira Neto et al. 436
(RUSU); trilha para a Lagoa Seca, 100-550
m s.m., 12.VII.1997, fr., M. G. Bovini et al.
1214 (RB, RUSU); trilha para a Lagoa Seca,
7.X. 2000, fr., M. G. Bovini et al 1907
(RUSU).
Distribuição geográfica: ocorre no estado
da Bahia e Região Sudeste (Carvalho 1997a).
11. Cestrum intermedium Sendtn., in Mart.,
Fl. bras. 10: 221. 1846. Fig. 3 e
Árvore ca. 10 m alt. Ramos cilíndricos,
glabros. Folhas inteiras, isoladas; lâminas até
14 x 4 cm, membranáceas, lanceoladas, ápice
atenuado, base aguda, camptódromas,
nervação secundária com espaçamento
uniforme; pecíolo até 1 cm compr.; folhas
estipuláceas aos pares, ovado-recurvadas, ca.
1 cm compr., curto-pecioladas. Flores ca. 10,
em racemos de pseudo-corimbos axilares, até
2 cm compr., subsésseis, botões turbinados,
bractéolas foliares lanceoladas, até 2 mm
compr.; cálice tubuloso, laciniado, denso-
fimbriado; corola ca. 1,5 cm compr., estreito-
infundibuliforme, creme-esverdeada, lacínias
lanceolada, papilosas,; anteras orbiculares,
filete ca. 1 cm adnato ao tubo e ca. 5 mm
livre, glabro; estigma acima dos estames,
capitado. Fruto não observado.
Material examinado: trilha para o
Corisquinho, 31.XI.1996, fl., J. A. Lira Neto
et al. 505 (RB, RUSU)
Distribuição geográfica: ocorre nas Regiões
Sudeste e Sul do Brasil (Carvalho 1997a).
Canalho, L d'Á. F. & Bovini, M. G.
12. Cestrum laevigatum Schltdl., Linnaea 7:
58.1832. Fig. 3 f, g
Árvore ca. 3 m alt.. Ramos cilíndricos,
glabros. Folhas inteiras, isoladas; lâminas até
15x5 cm, membranáceas, lanceoladas a
obovadas, ápice obtuso a acuminado, base
aguda, decurrente, camptódromas, nervação
secundária com espaçamento uniforme;
pecíolo até 1,5 cm compr.; folhas ca. 2 cm
compr., estipuláceas aos pares, lanceoladas,
reflexas. Flores em racemos terminais até 34
cm compr. ou axilares, subsésseis, bractéolas
ca. 2 mm compr.. Baga 1-2 cm compr., oblonga
ou ovóide, cálice persistente, 5-8 sementes.
Material examinado: trilha para o Cambucá
e margem do rio Grande, 18.VIfl.1996, fr., J.
A- Lira Neto et al. 318 (RUSU); trilha do
Cambucá, 200-300 msm, 15.IX.1996, fr., M.
G. Bovini et al. 1052 (RB, RUSU).
Distribuição geográfica: ocorre em todo o
Brasil, exceto na Região Sul (Nee 2001).
13. Cestrum sendtnerianum Mart. ex
Sendtn., in Mart., Fl. bras. 10: 215. 1846.
Fig. 3 h, i
Arbusto ca. 3 m alt. Ramos cilíndricos,
glabros. Folhas inteiras, isoladas, decíduas;
laminas até 5 x 2 cm, membranáceas, elíptica-
lanceoladas, ápice agudo a levemente
acuminado, base aguda, camptódromas,
nervação secundária com espaçamento
irregular; pecíolo ca. 5 mm compr.; folhas
estipuláceas aos pares, lanceoladas,
recurvadas, ca. 1 cm compr., subsésseis. Flores
isoladas ou ca. 2—4 fasciculadas, axilares ou
no ápice dos ramos, subsésseis, bractéolas até
2 mm compr.; cálice tubuloso, levemente
laciniado; corola ca. 2,2 cm compr., estreito-
infundibuliforme, amarelada, lacínias
lanceoladas, papilosas, ca. 5 mm diâm; anteras
orbiculares, filete 1 ,3 cm adnato ao tubo e 3
mm livre, geniculado, tricomas simples um tanto
abaixo da inserção; estigma um pouco acima
dos estames, capitado. Fruto não observado.
Rodriguésia 57 (II: 75-98. 2006
SciELO/JBRJ
12 13 14 15 16 17
cm
Solanaceae na Reserva Rio das Pedras
Material examinado: trilha do Corisquinho,
150-200 m s.m., 26.IV. 1997, fl., J. M. A.
Braga et al. 3987 (RB, RUSU).
Distribuição geográfica: no Brasil, há
registros para os estados do Acre, Rondônia,
Região Sudeste e Paraná (Carvalho 1997a).
Dyssochroma Miers
14. Dyssochroma viridiflora (Sims) Miers,
Ann. Mag. Nat. Hist., ser. 2 (4): 251. 1849.
Fig. 4 a-c
Solandra viridiflora Sims, Bot. Mag. 45,
tab. 1948. 1818.
Arbusto hemi-epífito escandente ou
terrestre, glabro. Ramos flexuosos, esfoliantes,
nodosos, cicatrizes foliares evidentes. Folhas
isoladas, inteiras; lâminas até 14 x 4,6 cm,
cartáceas, lanceoladas a levemente obovadas,
ápice atenuado, base aguda, camptódromas,
nervuras secundárias com espaçamento
irregular, domáceas pilíferas na região das
nervuras. Flores isoladas ou 2-3 em racemo
com raque reduzida, pêndulas; pedicelo ca. 1
cm compr.; cálice campanulado, profunda-
mente partido; corola ca. 4 cm compr., verde-
claro, infundibuliforme a hipocraterimoría,
lacínias lanceoladas, enroladas após a antese;
anteras exsertas, lineares, ca. 1,8 cm x 2 mm,
filetes concrescidos na região basal do tubo
corolíneo, ca. 7 cm compr.; ovário alvacento,
ca. 1 cm x 4 mm, com disco nectarífero anelar;
estilete quase do mesmo tamanho dos estames;
região estigmática apical. Baga ca. 4 cm
compr., oblongo-apiculadas, lacínias do cálice
patente - estreladas na frutificação, ca. 400
sementes.
Material examinado: trilha para a Lagoa
Seca, 70-800 m s.m., 14.VIII.1999. fl. fr., M.
G. Bovini et al. 1668 (RUSU); sobre árvore
em beira de rio, 04.VIII.1994, fl., A. Costa et
al. 458 (RUSU); trilha para o Poço do Rio
Grande, 15.IX.1996, fl. fr., J. A. Ura Neto et
al. 362 (RUSU)
Distribuição: ocorre nos estados de Minas
Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo (Carvalho
1997a).
Hemi-epífita encontrada na RRP quase
sempre nas ramificações dos ramos de grandes
árvores e, em estádio vegetativo, a visualização
toma-se difícil. Encontrada na margem de rio
e no interior da floresta.
Physalis L.
15. Physalis pubescens L. var. pubescens,
Sp. pl.l: 183. 1753.
Erva a subarbusto ca. 30 cm alt. Ramos
hialinos, tomentosos, tricomas simples e
glandulares. Folhas inteiras, isoladas; lâminas
até 4,2 x 3,2 cm, membranáceas, ovadas a
cordadas, um tanto lobado-denteadas, ápice
atenuado, base truncada a cordada, margem
ciliada, campto-broquidódromas, nervuras
secundárias com espaçamento diminuindo para
a base, pubescente ao longo das nervuras,
tricomas simples e glândulares; pecíolo ca. 2,5
cm compr. Flores isoladas, axilares, pedicelo
ca. 2 mm compr.; cálice campanulado, lacínias
lanceoladas; corola ca. 7 mm compr., amarela,
rotáceo-denteada, tricomas simples na face
externa; anteras oblongas, deiscência
longitudinal lateral, filetes quase do mesmo
tamanho das anteras amarelas; estigma mesma
altura dos estames. Baga ca. 7 mm diâm.,
globosa, cálice ampliado, inflado, lacínias
reunidas no ápice, envolvendo totalmcnte o fruto.
Material examinado: trilha do cambuca, 200
m s.m., 17. VIII. 1997, fl. fr., J. M. A. Braga et
al. 3414 (RUSU); trilha para a Lagoa Seca,
100-550 m s.m., 12.VII.1997, fl. fr., M. G.
Bovini et al. 1206 (RUSU).
Distribuição geográfica: Américas do Norte,
Central e do Sul e regiões tropicais do Velho
Mundo (Rojas & Nessi 1998).
Sol a num L.
16. Solanum altcrnatopinnatum Steud.,
Nomencl. Bot. 2, ed.2: 600. 1841. Fig. 4 d-f
Escandente, herbáceo-lenhosa, acúleos
uncinados, retrorsos, isolados ou aos pares,
esparsos nos ramos, aplanado lateralmciite,
glabro. Folhas isoladas, pinatisscctas, pseudo-
imparipenadas, 5-7 segmentos; lâminas até 1 5
x 3,5 cm, membranáceas, base truncada a
Rodrigutsia 57 (t): 75-98. 2006
SciELO/JBRJ
12 13 14 15 16 17
cm ..
88
assimétrica, acúleos uncinados esparsos no
pecíolo e ao longo das nervuras, broqui-
dódroma e campto-broquidódroma, nervuras
secundárias com espaçamento irregular;
pecíolo ca. 4 cm compr.. Flores ca. 40, ern
corimbo dicotômico na porção terminal dos
ramos, com aculeos uncinados e aciculares-
botões turbinados; pedicelo ca. 1 cm compr.]
articulado, cálice campanulado, oblongo-
denteado, face interna papilosa; corola até 1,1
cm compr., alva, campanulado-estrelada,
lacínias partidas, desiguais em compr., linear-
lanceoladas, ápice um tanto cuculado; anteras
com poros apicais pequenos, atenuadas,
introrsas; estilete duas vezes o tamanho dos
estames, estigma apical. Baga ca. 2,2 cm diâm.,
globosa, verde variegada, quando madura
amarela, cálice persistente, ca. 20 sementes.
Material examinado: trilha para o Cambucá,
17.VIII.1996, fr., M. G. Bovini et al. 1011
(RB, RUSU); trilha para o Pico do Corisco
600 m s.m., 25.III.2000, fl., M. G. Bovini et
al. 1810 (RB, RUSU).
Distribuição geográfica: ocorre nos estados
de Goiás, Bahia, Minas Gerais, Espírito Santo,
Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná e Santa
Catarina extendendo-se até o Paraguai (Nee
1999).
Espécie heliófila de hábito escandente
geralmente no dossel da floresta, por este
motivo a visualização é muito difícil, pode ser
facilitada pela presença de frutos maduros
amarelados caídos no solo da floresta. O hábito
e as folhas pinatissectas aculeadas, permitem
identificar facilmente a espécie.
17. Solanum americanum Mill. var.
nodiflorum (Jacq.) Edmonds, Joum. Amold
Arb. 52: 634. 1971.
Subarbustos até 50 cm alt., ereta. Ramos
pubescentes, tricomas simples e papilas. Fo-
lhas inteiras, isoladas ou aos pares; lâminas
até 3,5 x 1,8 cm, membranáceas, ovado-lan-
ceoladas, ápice acuminado, base um tanto de-
currente, camptódromas, nervuras secundárias
com espaçamento uniforme, pubescentes, em
ambas as faces, tricomas simples; pecíolo até
Car\'alho. L. d’Á. F. <£ Bovini, M. G.
1,6 cm compr., pubérulo. Flores 5-6, em
pseudo-umbelas, extra-axilares, pedicelo até
5 mm compr., reflexos; cálice campanulado,
denteado; corola ca. 2 mm compr., alva,
rotáceo-estrelada, lacínias lanceoladas; anteras
com poros apicais grandes, oblongas, introrsas,
filete mais curto que as anteras; estigma
mesma altura dos estames, região estigmática
apical. Baga até 6 mm diâm., globosa, verde-
claro, nigrescente brilhante quando maduras,
ca. 12 sementes.
Material examinado: trilha do Cambucá, 200-
300 m s.m., 15.IX.1996, fl.fr., M. G. Bovini
et al. 1056 (RUSU).
Distribuição geográfica: ocorre em todo o
território nacional, nos trópicos e subtrópicos
do mundo (Nee 1999).
Encontrada em ambientes perturbados,
onde forma grandes populações. Talvez seja
a espécie de Solanum mais frequente em
número de indivíduos (Nee 1999). Em outras
áreas já foi encontrada em altitudes acima de
1.000 m s.m.
18. Solanum argenteum Dunal, Encycl.
Méth., Bot. SuppI. 3(2): 755. 1814.
Arvoreta 2-3 m alt. Ramos aplanados
na região terminal, esfoliante, indumento
prateado, adpresso, tricomas peitados, peltado-
estrelados. Folhas inteiras, isoladas ou aos
pares, lâminas até 18x6 cm, cartáceas,
lanceolada, ápice agudo, base aguda,
broquidódromas, nervação secundária com
espaçamento uniforme, face adaxial glabra,
face abaxial lepidoto-adpressa, alvacenta a
Prateada, tricomas peitados e peltado-
estrelados; pecíolo ca. 2 cm compr. Flores 2-
7, cimeiras simples, escorpioides, axilares;
pedicelo 5 mm compr.; cálice campanulado.
lacínias agudas; corola ca. 7 mm diâm., alva,
rotáceo-estrelada, lacínias lanceoladas;
anteras com poros apicais grandes, oblongas,
introrsas, filetes menores que as anteras,
estigma acima das anteras. Baga ca. 2.5 cm
diâm., oblonga apiculadas, nigrescente,
tricomas estrelados, esparsos, ca. 32
sementes.
Bndriguésia 57 ( 1 ): 75-98. 2006
SciELO/JBRJ
12 13 14 15 16 17
Solanaceae na Reserva Rio das Pedras
89
cm
íura 4 - Dvssochroma viridiflora a. ramo com flores; b. anteras lineares; c. fruto (Bouni IMS). Solanum
í,ura 4 - Dyssochroma ^idtjlora. a. Solamtm diploconos. g. ramo com a raque da
ematopmnalum. d. ramo com flores, e. botão f flo (« J hf,xcmlrlim. k. ramocom flores; I. relaçflo
lorcscencia; h. detalhe da raque; i. flor; j. gineceu ( Bouni ///. )•
■ola/estames; m. fruto ( Bovini 1072).
Rodriguésia 57 (I): 75-98. 2006
SciELO/JBRJ
12 13 14 15 16
90
Carvalho, L d'Á. F. & Bovini, M. G.
Material examinado: trilha do Cambucá, 200-
300 m s.m., 14.IX.1996, fr., M. G. Bovini et
al. 1051 (RUSU).
Distribuição geográfica: Ocorre nos estados
do Pará, Bahia, Goiás, Região Sudeste e
Paraná (Carvalho 1997b).
Arvoreta muito freqüente, principalmente
na floresta pluvial atlântica, de fácil reconhe-
cimento por apresentar na face adaxial das
lâminas foliares indumento prateado. Na RRP
foi muito comum nas margens de trilhas semi-
heliófilas formando grandes populações.
19. Solanum capsicoides All., Auct. Syn.
Meth. Strip. Hort. Reg. Taurensis 64. 1773.
Nome vulgar: arrebenta-cavalo
Erva até 5 mm alt. Ramos concau-
lescentes com pontuações alvacentas,
aculeados, aciculares, até 8 mm compr.,
reflexos, tricomas simples longos, às vezes do
tamanho dos acúleos. Folhas inteiras isoladas;
lâminas ate 20 x 16 cm, membranáceas,
deltoides, irregular-partidas, segmentos
lobados, base truncada, acúleos aciculares ao
longo das nervuras, camptódromas, nervação
secundária com espaçamento irregular,
tricomas simples longos, esparsos em ambas
as faces; pecíolo ca. 10 cm compr., acúleado,
tricomas simples esparsos. Flores 4—5, cimeiras;
pedicelo ca. 9 mm compr., tricomas simples
maiores que os acúleos aciculares; cálice
campanulado; corola ca. 9 mm compr., alva,
rotáceo-estrelada, lacínias lanceoladas; anteras
com poros apicais pequenos, atenuadas, filetes
menores que as anteras. Fruto não observado.
Material examinado: trilha do Cambucá, 200-
300 m s.m., 14.IX.1996, fl„ M. G. Bovini et
al. 1033 (RUSU).
Distribuição geográfica: ocorre da América
Central até o Brasil; introduzidas no velho
mundo (Nee 1999).
20. Solanum castaneum Carv., Pesquisas
Bot.46: 19. 1996.
Arbusto até 5 m alt. Ramos com
indumento acastanhado, lepidoto-tomentoso,
tricomas estrelados, longo-pedicelados e
paleáceo-fimbriados. Folhas isoladas, inteiras;
lâminas 60 x 32 cm, cartáceas, ovados a
ovado-lanceoladas, ápice atenuado, base
aguda, camptódromas, nervação secundária
com espaçamento uniforme; face adaxial
verde, glabrescente, bulada e face abaxial
alvacenta a acastanhada, lepidoto-tomentosa,
tricomas peltado-apiculados, pedicelados e
tricomas paleáceos ao longo das nervuras
secundárias basais; pecíolo até 10 cm compr.,
alvacento a acastanhado, denso-paleáceo.
Flores ca. 20, em racemos dicotômicas, até 8
ramos; pedicelo ca. 5 mm compr.; cálice
urceolado, denso-tomentoso, lacínias agudas;
corola ca. 1,5 cm compr., alva, rotáceo-
estrelada, lacínias agudas, anteras oblongas,
introrsas, poros apicais grandes, abrindo-se por
fendas longitudinais, filetes menores que as
anteras, estigma acima dos estames. Baga ca.
1,2 cm diâm., globosa, envolvidas pelo cálice
ampliado, ca. 34 sementes.
Material examinado: trilha do Cambucá,
20. X. 1996, fr., J. A. Lira Neto et al. 448
(RUSU).
Distribuição geográfica: ocorre nos estados
de Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo e
Paraná (Carvalho 1997b).
É comum em floresta pluvial atlântica e
floresta de araucária. As folhas grandes com
indumento acastanhado, lepidoto-tomentoso e
muitas vezes com tricomas paleáceos, toma
fácil a visualização desta espécie na floresta.
Comum em beira de trilhas, mas em locais
semi-heliófilos.
21. Solanum diploconos (Mart.) Bohs., Taxon
44:584.1995. Fig. 4 g-j
Witheringia diploconos Mart., Nov.
Gen. Sp. Pl. 3: 76. tab. 229. 1829.
Arbusto escandente. Ramos dicotômicos,
flexuosos, glabros. Folhas inteiras, isoladas;
lâminas até 16x7 cm, membranáceas a
cartáceas, ovado-oblongas a cordadas, ápice
acuminado-falcado, base assimétrica,
camptódromas, nervação secundária com
espaçamento irregular, evidente a presença de
hidatódio, tricomas simples ao longo da nervura
Rodriguésia 57 (]): 75-98. 2006
cm 1
.SciELO/ JBRJ
12 13 14 15 16 17
cm
Solanaceae na Reserva Rio das Pedras
mediana, pecíolo até 6 cm compr. Flores 1 5-
27, em cimeiras simples, extra-axilar ou na
dicotomia dos ramos, pedicelo ca. 2,5 cm
compr., articulado próximo à base e por isso
residual na raque; botões turbinados; cálice
campanulado, laciniado; corola ca. 3 cm diâm.,
amarelada, campanulado-estrelada, lacínias
lanceoladas reflexas e espessadas no ápice,
anteras atenuadas, ca. 5 mm compr., filete
menor que as anteras, conectivo vinoso, giboso,
mais espessado na região basal; estilete
espesso, ca. 5 mm compr., estigma expandido
acima dos estames, corpúsculos globosos no
interior. Fruto não observado.
Material examinado: trilha do Cambucá, 200-
300 m s.m., 30.XI.1996, fl., M.G.Bovini et al.
1113 (RB, RUSU).
Distribuição geográfica: ocorre nos estados
das Regiões Sudeste e Sul do Brasil (Bohs
1994).
22. Solanum hexandrum Vell., Fl. Flum.
Icon. 2, 1. 1 22 ( 1 827) 1831, text. in Arch. Mus.
Nac. Rio de Janeiro 5: 88. 1881. Fig. 4 k-m
Arbusto ca. 3 m alt.. Ramos aplanados
na região terminal, híspidos, tricomas estrelados
pedicelados, espessos acúleos de aciculares a
uncinados de base aplanada, esparsos. Folhas
inteiras, isoladas; lâminas até 42 x 22 cm, mem-
branáceas, assimétricas, largo-lanceoladas, base
decurrente, ápice obtuso, margem lobado-
denteada, camptódromas, nervuras secundá-
rias com espaçamento diminuindo para a base,
híspida, tricomas espessos, estrelado-pedicelados
em ambas as faces; pecíolo até 3,5 cm compr.,
híspido. Flores ca. 12, em cima-escorpióide,
pedicelo ca. 2 cm compr., articulado; cálice
campanulado, lacínias ovado-agudas, híspidas,
acúleos aciculares; corola ca. 8 cm diâm.,
violácea, rotáceo-lobada, lacínias oblongas,
glabras na face interna e na face externa,
tricomas estrelados esparsos na região das
nervuras; anteras com poros apicais pequenos,
atenuadas, desiguais em tamanho, ca. 1 cm
compr., filetes menores que as anteras, estigma
acima dos estames. Baga ca. 1,2 cm diâm.,
globosa, ca., glabras, envolvida pelo cálice
ampliado; ca. 70 sementes.
Rodriguésia 57 (1): 75-98. 2006
91
Material examinado: trilha do Cambucá, 200-
300 m s.m., 19.X. 1996, fl., M. G. Bovini et al.
1072 (RB, RUSU); trilha para a Toca da
Aranha, 250 m s.m., 29.IX.1998, fl.fr., R. C.
Lopes et al. 109 (RUSU).
Distribuição geográfica: ocorre nos estados
da Bahia, Minas Gerais, Rio de Janeiro e São
Paulo (Carvalho 1997b).
Espécie facilmente reconhecida pelo
indumento híspido, enorme quantidade de
acúleos e pelas flores vistosas e violáceas.
Exclusiva de floresta pluvial atlantica é restrita
ao estado da Bahia e Região Sudeste, muito
comum em áreas semi-heliófilas e levemente
descampadas.
23. Solanum hirtellum (Spreng.) Hassl.,
Feddes Repert. Spec. Nov. Regni Veg. Beih.
15:218.1918. Fig. 5 a, b
Atropa hirtella Spreng., Syst. Veg. 1:
699. 1825.
Arbusto ca. 4 m alt. Ramos fiexuosos,
cilíndricos, pubérulos, hialinos. Folhas isoladas
ou aos pares, desiguais, inteiras; lâminas até
1 1 ,5 x 4,5 cm, membranâceas, lanceoladas,
ápice atenuado a cuspidado, base assimétrica,
camptódromas, nervação secundária com
espaçamento aumentando em direção ao ápice,
áspera em ambas as faces, tricomas estrelados
sésseis ao longo das nervuras; pecíolo ca. 5
mm compr.. Flores ca. 20, em cimeira
dicotômica laxa, extra-axilar, articuladas na
base; pedicelo ca. 2 mm compr.; cálice
campanulado, tricomas estrelados apiculudos,
lacínias agudas; corola até 3 mm compr., alva,
rotáceo-estrelada, lacínias lanceoladas; anteras
com poros apicais grandes, oblongas, sésseis,
introrsas; estigma mesma altura ou pouco
acima dos estames. Baga ca. 6 mm diam.,
globosa, ca. 6 sementes.
Material examinado: trilha o Cambucá, 200-
300 m s.m., 30.XI.1996, fl. fr.. M. G. Bovini
et al 1109 (RB, RUSU).
Distribuição geográfica: ocorre nos estados
das Regiões Sudeste e Sul do Brasil e Paraguai
e Argentina (Mentz & Oliveira 2004).
SciELO/JBRJ
12 13 14 15 16 17
cm ..
92
24. Solanum martii Sendtn., irt Martius, Fl.
bras. 10:41. tab. 10. 1846.
Nome vulgar: açucena
Arbusto ca. 3 m alt. Ramos cilíndricos,
glabros. Folhas isoladas, inteiras; lâminas até
30 x 16 cm, membranáceas, ovado-lanceo-
ladas, , ápice acuminado, base truncada-aguda,
camptódromas, nervação secundária com
espaçamento irregular, glabrescentes na face
ventral, tricomas estrelados sésseis esparsos
ao longo da nervura principal, tomentoso-
acastanhado com tricomas estrelado-
pedicelados na face abaxial; pecíolo ca. 3,5
cm compr., tomentoso-acastanhado. Flores ca.
7, em cimeiras congestas, reflexa, tomentosa-
acastanhada; pedicelo ca. 2 mm compr.,
tomentoso; cálice campanulado, tomentoso-
acastanhado, lacínias agudas; corola ca. 7 mm
compr., alva, rotáceo-estrelada, lacínias
lanceoladas, tomentosas na face externa;
anteras com poros apicais grandes, abrindo-
se por fendas longitudinais, oblongas, sésseis,
introrsas; estigma acima dos estames. Fruto
não observado.
Material examinado: trilha da Toca da
Aranha, 04.XI.1997, fl., R. H. P. Andreata et
al. 1015 (RB, RUSU).
Distribuição geográfica: ocorre nos estados
de Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo
(Carvalho 1997b).
25. Solanum melissarum Bohs, Taxon 44-
584. 1995.
Witheringia divaricata Mart., Nov. Gen.
sp. pl. 3:75. tab. 228. 1829.
Arbusto ereto à escandente. Ramos
dicotômicos, flexuosos, glabros. Folhas inteiras,
isoladas; lâminas até 17 x 8 cm, membranáceas
a cartáceas, ovadas a lanceoladas, , ápice
acuminado a falcado, base assimétrica,
decurrente, truncada, camptódromas, nervação
secundária com espaçamento irregular;
tricomas glandulares diminutos; pecíolo até 3
cm compr. Flores ca. 15, em cimeiras simples,
extra-axilar, pedúnculo ca. 10 cm compr.,
pedicelo articulado próximo a base e por isso
residual na raque; botões turbinados; cálice
campanulado, laciniado; corola ca. 2,5 cm
Carvalho, L d’Á. F. & Bovini, M. G.
diâm., alva a vinosa, campanulado-estrelada,
lacínias lanceoladas, reflexas,; anteras
atenuadas, ca. 9 mm compr., filete menor que
as anteras, conectivo vinoso, giboso, mais
espessado na região basal; estilete pouco
espesso, ca. 9 mm compr., estigma expandido
pouco acima dos estames. Fruto não observado.
Material examinado: trilha do Cambucá, 70-
310 m s.m., 23.XI.1999, fl., M. G. Bovini et
al. 1719 (RB, RUSU).
Distribuição geográfica: ocorre nos estados
do Pará, Paraíba, Bahia, Região Sudeste e
Santa Catarina (Bohs 1994).
26. Solanum odoriferum Vell., Fl. Flum. Icon
2, t. 108(1827) 1 83 1 ; text. in Arch. Mus. Nac.
Rio de Janeiro 5: 60. 1881. Fig. 5 c-g
Arbusto escandente. Ramos angulosos,
levemente estriados. Folhas inteiras, isoladas
nos ângulos ramulares; lâminas até 12,5 x 5 cm,
cartaceas, ovado-lanceoladas, ápice atenuado,
base truncada, margem revoluta, campto-
broquidódromas, nervuras secundárias com
espaçamento irregular, pecíolo ca. 2.5 cm compr.
Flores ca. 45 flores, em cimeiras dicotômicas
na porção terminal dos ramos; pedicelo ca. 1 ,8
cm compr., dilatado na porção basal, articulado;
botões oblongo- apiculados; cálice campanulado,
ápice truncado; corola alva, até 8 mm compr.,
rotáceo-estrelada, lacínias lanceoladas; anteras
com poros apicais grandes, oblongas, introrsas;
filetes um pouco mais curtos que as anteras;
estigma acima dos estames. Baga ca. 8 mm
diâm., globosa, ca. 9 sementes.
Material examinado: subindo o Rio Grande
a partir da trilha para o Corisquinho, margem
direita, 7.IV.1999, fl.fr., C. H. R. Paula et al.
123 (RUSU); margem do Rio Grande,
19.VIII.1996, fl. fr„ J. A. Lira Neto et al. 319
(RUSU).
Distribuição geográfica: ocorre nos estados
do Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná e Santa
Catarina (Carvalho 1997b).
Espécie caracterizada pelos ramos em
zig-zag e quando com frutos, os ramos
tomam-se ainda mais pendentes, talvez pelo
peso das bagas. Na RRP apresenta-se sempre
em indivíduos isolados.
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SciELO/JBRJ
12 13 14 15 16 17
Solanaceae na Reserva Rio das Pedras
93
cm
, . .i«o) Solanum odorifenm. c. ramo com frutos; d. flor;
Figura 5 - Solanum hirtellum. a. ramo com flores; b. flor (Bo\mi ^ Solanum rufescens. h. ramo com flores;
e. pedicelo dilatado na porção basal; f. „ s'tipulatum. k. ramo com flores; 1. fruto (Lira Neto572).
i. flor; j. fruto com cálice acrescente (Brade 18762).
Rodriguésla 57 (1); 75-98. 2006
!scíelo/jbrj
12 13 14 15 16 17
cm ..
94
27. Solanum paralum Bohs, Taxon 44: 585.
1995.
Arbusto ereto a escandente. Ramos
dicotômicos, glabros. Folhas inteiras ou
pinatissectas, isoladas; lâminas até 1 8 x 8 cm,
quando inteiras membranáceas, ovadas, oblongas
ou lanceoladas, ápice acuminado, às vezes
levemente falcado, base assimétrica, decurrente,
truncada ou cuneada, camptódromas, nervação
secundária com espaçamento irregular, tricomas
glandulares diminutos, esparsos na face abaxial;
pecíolo até 7,0 cm compr.; lâminas quando
pinatissectas 3-segmentos, lanceolados; pecíolo
ca. 5,0 cm compr. Flores 15-25, em cimeiras
simples ou dicotômicas, extra-axilares, pedúnculo
ca. 3,0 cm compr., pedicelo articulado próximo à
base e por isso residual na raque; botões oblongos
a turbinados; cálice campanulado, laciniado;
corola ca. 2,0 cm diâm., alvo-esverdeada a
vinosa, campanulado-estrelada, lacínias
lanceoladas; anteras atenuadas, ca. 0,4 cm
compr., Filete menor que as anteras, conectivo
vinoso, giboso; estilete ca. 0,5 cm compr., estigma
expandido pouco acima os estames. Fruto não
observado.
Material examinado: trilha para a Toca da
Aranha, 24.XI.1998, fl„ M. G. Bovini 1586
et J. M. A.Braga (RUSU); idem, 400 m s.m.,
24.XI.1998, fl., M. G. Bovini 1589 et J. M.
A. Braga (RB, RUSU); trilha da Toca da
Aranha, 21. X. 1997, fl., J. M. A. Braga et al
4346 (RB, RUSU).
Distribuição geográfica: nos estados da
Bahia, Rio de Janeiro e São Paulo (Bohs 1994).
28- Solanum pensile Sendtn., in Mart., Fl.
bras. 10:50. tab. 4. 1846. Fig. 6
Escandente. Ramos estriados, glabros.
Folhas inteiras, isoladas, esparsas; lâminas até
12 x 5,5 cm, membranáceas a cartáceas, ovado-
lanceoladas, ápice agudo, base obtusa,
camptódromas, nervação secundária com
espaçamento uniforme; pecíolo ca. 4 cm compr.
Flores 20-30, em cimeiras dicotômicas,
terminal; botões oblongos; pedicelo ca. 1 ,2 cm
compr.; cálice campanulado, denteado; corola
ca. 1 cm compr., alva a lilás, rotáceo-estrelada,
lacínias lanceoladas; anteras com poros
Car\’alho, L d'Á. F. & Bovini, M. G.
grandes, oblongas, abrindo-se por fendas
longitudinais, subsésseis, filetes pouco mais
curtos que as anteras; estigma pouco mais
acima dos estames. Fruto não observado.
Material examinado: trilha para o
Corisquinho, 31. XI. 1996, fl., J. A. Ura Neto
et al. 504 (RB, RUSU).
Material adicional: BRASIL. ACRE: Plácido
de Castro, km 20, 5.II.2000, fl., /. S. Rivero et
al. 355 (INPA); AMAZONAS: Esperança,
terra firme baixa, 7.II.1942, fl. fr., A. Ducke
3375 (RB); idem. Rio Negro, Santo Antonio,
Igapó, 8.VIII.1991, fl. fr., S. Mori et al. 21971
(INPA); PARÁ: Belém, Terra Firme,
13.1.1953, fl.fr., J. M. Pires et al. 4435 (IAN);
RIO DE JANEIRO: Nova Friburgo, distr.
Macaé de Cima, ca. 1 .000 m s.m., 08.XII. 1989,
bt. fl., B. Kurtz et al. 86 (RB).
Distribuição geográfica: ocorre nos estados
do Amazonas, Pará e Rio de Janeiro; fora do
Brasil foi registrada também nas Guianas
Inglesas (Sendtner 1846).
Finura 6 - Solanum pensile: ramo com flores ( Lira
Neto 504)
Rodriguésia 57 (1): 75-98. 2006
rSciELO/ JBRJ
12 13 14 15 16 17
cm
Solanaceae na Reserva Rio das Pedras
Após várias consultas em bibliografias
especializadas, concluiu-se que para a espécie
em questão, esta é primeira divulgação de ocor-
rência para o estado, anteriormente conhecida
apenas para a região amazônica. É caracteri-
zada pelos ramos retos e botões oblongos,
diferenciando-se com isso de S. odoriferwn.
29. Solanum pseudoquina A.St. -Hil., Pl.
Usuel. Bres., part 5: 1. tab. 21. 1825.
Nome vulgar: caixeta
Árvore até 10 m alt.. Ramos esfoliantes,
Ienticelados, geralmente amarelados. Folhas
aos pares, inteiras; lâminas até 13 x 5 cm,
cartáceas, desiguais em tamanho, lanceoladas,
ápice apiculado, base decurrente, camptódroma,
nervação secundária com espaçamento
uniforme, amareladas depois de seca, domáceas
pilíferas na axila das nervuras secundárias;
pecíolo canaliculado, ca. 1 ,5 cm compr. Flores
10-20 flores, em cimeiras simples ou dicotômica;
pedicelo ca. 1 cm compr., articulado; cálice
campanulado, lacínias truncadas; corola ca. 0,8
cm diâm., alva, rotáceo-estrelada, lacínias
lanceoladas; anteras dimorfas, 3 maiores com
poros apicais grandes, abrindo-se por lendas
longitudinais e 2 menores com poros apicais
pequenos, oblongas; estigma clavado pouco
acima dos estames. Baga globosa, ca. 1 ,5 diâm.,
verde escuro quando maduras; ca. 60 sementes.
Material examinado: trilha das Borboletas,
margem de rio, 1. III. 1997, fr., M. G. Bovini
& J .M. A. Braga 1140 (RUSU); idetn,
9.1.1998, fr., M. G. Bovini & J. M. A. Braga
1266 (RUSU); trilha para a Toca da Aranha.
23.XI.1998, fl., M. G. Bovini & J. M. A.
Braga 1568 (RUSU); trilha para o Pico do
Corisco, 710 m s.m., 25. III. 2000, fr., M. G.
Bovini et al. 1815 (RB, RUSU).
Distribuição geográfica: nos estados das
Regiões Sudeste e Sul do Brasil (Knapp 2002).
Talvez seja a única espécie de Solanaceae
que alcança o dossel na RRP. Ocorre às vezes
em grandes populações. Suas características
morfológicas marcantes são as nervuras
amareladas quando herborizadas. Conhecida
como S. inaequale, a qual foi sinonimizada
por Knapp (2002).
Rodriguésia 57 (1): 75-98. 2006
95
30. Solanum rufescens Sendtn., in Mart., Fl.
bras. 10: 39. 1846. Fig. 5 h-j
Arbusto ca. 1 m alt. Ramos castanho-
tomentosos; gemas foliares frequentes. Folhas
isoladas e aos pares, inteiras; lâminas até 25 x
6 cm, cartáceas, lanceoladas, ápice levemente
acuminado, base obtusa a aguda, camptodromas,
nervação secundária com espaçamento
uniforme, face adaxial com tricomns estrelados
sésseis e pedicelados ao longo da nervura
principal, face abaxial acastanhado, tomentosa,
tricomas hialinos; pecíolo ca. 2,4 cm compr.
Flores 25-35 em cimeiras dicotômicas,
opositifolia; pedicelo ca. 6 mm compr.; cálice
campanulado, lacínias agudas; corola ca. 1,5
cm compr., alva, campanulado-estrelada, lacínias
lanceoladas, face externa denso-tomentosa;
anteras com poros apicais grandes, abi indo-
se por fendas longitudinais, oblongas, introrsas,
filetes menores que as anteras; estigma acima
dos estames. Baga ca. 1 cm diâm., globosa, ,
cálice ampliado, ca. 25 sementes.
Material examinado: trilha para a toca da
aranha, 26.X.2001, fl., M. G. Bovini et al.
2088 (RUSU).
Material adicional: BRASIL. RIO DL
JANEIRO: Nova Friburgo, 12.X.1947, fl. fr.,
A. Brade 18762 (RB).
Distribuição geográfica: ocorre nos estados
da Região Sudeste, Paraná e Santa Catarina
(Mentz & Oliveira 2004).
31. Solanum stipulatum Vell., Fl. Flum. Icon.
2. t. 117. (1827) 1831. text. in Arch. Mus.
Nac. Rio de Janeiro 5: 87. Fig. 5 k, 1
Arbusto até 2 m alt.. Ramos levemente
sinuosos. Folhas inteiras aos pares, desiguais
em tamanho e forma, glabras; lâminas as maiores
até 14 x 4 cm, membranâceas, subsésseis,
lanceoladas, assimétricas, as menores ca. 2 cm
x 1 ,5 cm, oblongo a orbicularcs, ápice acuminado,
base decurrente, margem ondulada, campto-
broquidódromas, nervação secundária com
espaçamento irregular. Flores 4-5, em
cimeiras, opositifolias; pedicelo ate 4 mm
compr. articulado; botões turbinados; cálice
campanulado, lacínias obtusas; corola ca. 3 mm
compr., alva, campanulada, lacínias partidas,
SciELO/JBRJ
12 13 14 15 16 17
cm ..
96
anteras com poros apicais grandes, abrindo-
se por fendas longitudinais, oblongas, introrsas;
estigma clavado, acima dos estames. Baga 6
mm diâm., piriforme, quando maduras alvas;
cálice reflexo, persistente, ca. 4 sementes.
Material examinado: trilha para a Toca da
Aranha, 200 m s.m., 11.1.1999, fl„ M. G.
Bovini et al. 1611 (RB, RUSU); trilha para a
Lagoa Seca, 300-400 m s.m., 27.V.1997, fr.,
J. A. Ura Neto et al. 572 (RB, RUSU).
Distribuição geográfica: ocorre nos estados
do Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná e Santa
Catarina (Mentz & Oliveira 2004).
Subarbusto ciófilo ocorrendo sempre no
estrato herbáceo-arbustivo em floresta pluvial
atlântica. Na RRP, foi comum como indivíduos
isolados.
32. Solanum swartíanum subsp. swartíanum
var. swartzianum , Roem. & Schult., Syst. Ve<>
Curant 4:602. 1819.
Arvore ate 5 m alt. Ramos angulosos ou
aplanados nas extremidades, indumento pra-
teado, às vezes dourado-claro, lepidoto-adpresso,
tricomas peitados e peltados-estrelados. Folhas
isoladas ou aos pares, inteiras; lâminas até 14
x 5 cm, cartáceas, lanceoladas à oblongas,
ápice agudo a falcado, base atenuada, campto-
broquidódromas, nervação secundária com
espaçamento irregular, face adaxial esparso-
lepidoto, face abaxial lepidoto-adpresso,
tricomas peitados; pecíolo ca. 1,6 cm compr.
Flores 10-20, em cimeiras dicotômicas, eretos,
opositifolia; pedicelo ca. 5 mm compr.; cálice
campanulado, lacínias agudas; corola ca. 2 cm
compr., alva, rotáceo-estrelada, lacínias lanceo-
ladas; anteras com poros apicais grandes,
oblongas, introrsas, filetes menores que as
anteras; estigma acima dos estames. Baga ca.
I , 3 cm diâm., globosa, cálice ampliado, envol-
vendo parcialmente o fruto, ca. 30 sementes.
Material examinado: proximidades do Poço
do Rio Grande, 80 m s.m., 23.III. 1997, fl. fr„
J. M. A. Braga et al. 3941 (RUSU); trilha do
Cambucá, 20.X.1996, fl.fr., J. A. Ura Neto et
al. 446 (RUSU).
Carvalho, L. d'Á. F. & Bovini, M. G.
Distribuição geográfica: ocorre nos estados
de Roraima, Bahia, Região Sudeste, Paraná e
Santa Catarina (Carvalho 1997b).
Espécie caracterizada pelo cálice frutífero
persistente e quando o fruto está maduro, este
o envolve quase que totalmente. Esta diferença
e a forma do fruto a diferencia de S. argenteum.
Ocorre sempre no subdossel de floresta pluvial
atlântica, às vezes em grandes populações.
33. Solanum tabacifolium Dunal, in DC.,
Prodr. 13(1): 261. 1852 ( non Vell.).
Arbusto ca. 2,5 m alt. Ramos esparso-
aculeados, uncinados retrorsos, tricomas
estrelados, sésseis, esparsos. Folhas isoladas;
lâminas até 20 x 18 cm, membranáceas,
lobadas, denteadas, desiguais na forma,
deltóides a ovado-lanceoladas, ápice agudo,
base assimétrica, truncada ou subcordada,
craspedódromas, nervação secundária com
espaçamento irregular, face adaxial híspida,
tricomas estrelados sésseis e face abaxial
tomentosa, tricomas estrelados sésseis e
pedicelados, acúleos aciculares esparsos ao
longo das nervuras; pecíolo ca. 5 cm compr.,
acúleos aciculares, tomentoso. Flores 20, em
cimeiras dicotômicas, ca. 9 mm compr., nos
entre nós foliares ou terminais; pedicelo até 1
cm compr., articulado; cálice campanulado,
lacínias aciculares; corola ca. 1 ,2 cm compr.,
alva, campanulada-estrelada, tomentosa na
face externa; anteras desiguais, com poros
apicais pequenos, atenuadas, filete mais curto
que as anteras; estigma um pouco acima dos
estames. Fruto não observado.
Material examinado: trilha logo na entrada
da Reserva, perto do portão, 15.IX.1996, fl.,
J. A. Ura Neto et al. 397 (RUSU).
Distribuição geográfica: ocorre nos estados
da Bahia, Goiás, Mato Grosso, Minas Gerais,
Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná e Santa
Catarina (Nee 1999).
Espécie ocorrente de áreas alteradas.
Conhecida como S. torvum var. brasiliensis,
foi sinonimizada por Nee (2001), e ainda
sugerido pelo mesmo um nome novo, inédito,
S. scuticum.
Rodriguésia 57 (1): 75-98. 2006
SciELO/JBRJ
2 13 14 15 16 17
cm
Sotanaceae na Reserva Rio das Pedras
Agradecimentos
À Fundação de Amparo a Pesquisa do
Estado do Rio de Janeiro pelas bolsas
concedidas aos ilustradores Paulo Ormindo e
Aline S. de Oliveira; a coordenadora do Projeto
Flora vascular da Reserva Rio das Pedras,
Profa. Dra. Regina H. P. Andreata pelo convite;
à bióloga Marta Moraes pela versão do resumo
em inglês e à pesquisadora Karen L.G. De
Toni pelo auxílio na confecção das estampas.
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Rodriguésia 57 (1): 75-98. 2006
SciELO/JBRJ
12 13 14 15 16 17
cm
Duas espécies novas de Polygala L. (Polygalaceae )
para o Brasil
Maria do Carmo Mendes Marques* 1 & José Floriano Barêa Pastore2
(Duas espécies novas de Polygala L. (Polygalaceae ) para o Brasil) O subgênero Polygala é caracterizado
dentro do gênero Polygala, sobretudo, por apresentar flores com carena cristada Ele engloba, emtcrntóno
brasileiro 88 espécies e 22 variedades. Polygala abreui Marques & J.Pastore e Polygala ceciUana Muques &
J.Pastore pertencem a este subgênero e aqui são descritas, ilustradas e dadas suas d.smbu.çoes P»
a primeira o Distrito Federal e os estados de Goiás e Minas Gerais e, para segunda, o Distrito Federal Goms.
Palavras-chave: Taxonomia, Polygalaceae, Polygala , novos táxons.
Abstract
(Two new species of Polygala L. (Polygalaceae) in Brazil) The subgenus
Polygala L., specially for presenting flowers with crested keel. It mcludes m Brazthan ternory
22 varieties. Polygala abreui Marques & J.Pastore and Polygala ceabana Mirque* & *
this subgenus and here they are described, Ulustrated and g.ven the.r geographu:^ ^
the Distrito Federal and the States of Goias and Minas Gerais and, for the second. lhe D.stnto Federal and the
state of Goias.
Key-words: Taxonomy, Polygalaceae, Polygala , new taxa.
freqüentemente, sob os racemos, tricótomo-
delonrin. cilíndrico, estriado, áfilo,
Introdução
O gênero Polygala é distinto dos demais
da família Polygalaceae pela inflorescência em
racemos simples, flores zigomorfas e fruto
cápsula rimosa. Na flora brasileira conta-se
atualmente com 140 táxons (110 espécies e
30 variedades). Polygala abreui e Polygala
ceciliana pertencem ao subgênero Polygala
por possuírem flores com carena cristada.
Descrição dos tãxons
1. Polygala abreui Marques & J. Pastore sp.
nov. Tipo: BRASIL. DISTRITO FEDERAL:
divisa com Goiás, após a 7 curvas. Região das
Lages, 21.IX.2003, fl, fr, J.F.B. Pastore et al.
710 (holótipo CEN; isótipo RB). Fig. 1
Polygala abreui P. filiformis A. St.-Hil.
affinis sed capsula minore 1,7-2, 2 x 0,7-
0,8 mm, seminibus notabiliter trichomatibus
tenuibus et minoribus, solum ultra basin
idius circa 0,3 mm differt.
Erva 40-80 cm alt. Caule simples ou com
2-3 ramos partindo do tronco espessado,
na parte inferior pubérulo, com tricomas curto-
clavados, para cima glabrescente. Racemos
terminais, 2-3 cm ou com raque desnuda até
9 cm compr.; raque densamente pilosa a
glabrescente, com tricomas simples e
aguçados; bráctea e bractéolas caducas na flor,
escassamente pubérulas no dorso e ciliadas
nas margens, a bráctea 1—1,2 mm compr.,
lanceolada, ápice agudo a atenuado, duas a três
vezes maior que as bractéolas lineares. Botão
floral arredondado no apice. Flores roxas,
membranáceas; pedicelo 0,3-0, 4 mm compr.,
glabro; sépalas externas superiores 1,2- 1.4 x
0,6-0, 7 mm, ovadas estreitas, a inferior 1,4 x
1 1 mm, largo-ovada ou elíptica; sépalas
internas 2-2,4 x 1-1,4 mm, obovadas ou
elípticas, não ungüiculadas na base, ápice
obtuso a arredondado, não ciliadas, com três
nervuras partindo da base, bifurcadas para o
ápice, menores que a corola; carena cristada,
incluindo a crista 2, 4-2, 7 mm compr.; crista
com dois lobos laterais externos e dois centrais
go recebido em 05/2005. Aceito para publicação em 12/200* Pachcco Lcru, 915. CEP: 22460-
■quisadora titular do Instituto de Pesquisas Jardim Botamco do Rio de Jane.m. k
. Rio de Janeiro, mmarques@jbrj.gov.br Denartamento de Botânica, UnB, Campus Darcy Ribeiro,
strando em botânica da Universidade de Brasília (U P‘
■ 4457. CEP 70919-970. Brasília, DF.jfpastore@unb.br.
SciELO/ JBRJ
12 13 14 15 16
cm
100
internos, todos fendidos no ápice, com os lobos
laterais externos abaixo do ápice da abertura
do cúculo; pétalas laterais desenvolvidas 2,3-
2,4 x 1-1,3 mm, assimetricamente estreito-
ovadas, alcançando ou pouco ultrapassando a
carena cristada; estames 8; bainha estaminal
ca. 1 ,2 mm; filetes livres curtíssimos, os laterais
maiores e ca. 0,1 mm compr.; anteras
subsésseis, deiscentes por poros apicais; ovário
ca. 0,6 x 0,4 mm, largo-obovado; estilete
uncinado, terminado em uma cavidade
cimbiforme, cuja a extremidade superior leva
um apêndice bem evidente com mecha de
tricomas abundantes e a inferior, um estigma
globoso apoiado por um curto suporte. Cápsula
1, 7-2,2 x 0,7-0, 8 mm, suboblonga, não alada,
maior que as sépalas internas ou, raro, do
mesmo comprimento (leg. Hatschbach 29828);
sementes 1,2— 1,6 x 0,3— 0,4 mm, estreito-
ovadas, não apendiculadas, revestidas de
tricomas seríceos, finos e brilhantes, eretos,
ultrapassando ca. 0,3 mm o comprimento da
mesma, endosperma presente; embrião ca. 0,5
mm, contínuo.
Parátipos; BRASIL. DISTRITO FEDERAL:
Brasília, Poço Azul, 22.1.2003, fl. fr„ J. F B.
Pastore et al. 266 (RB); Chapada da
Contagem, VI.2004, fl. fr„ J. F. B. Pastore et
al. 924 (CEN); área de proteção ambiental
do Gama-Cabeça de Veado, Fazenda Água
Limpa, 25.IX.2002, fl. fr., R. C. Mendonça et
al.5078 (IBGE, RB); Chapada da Contagem,
3. VI.2004, fl. fr., J. F B. Pastore et al. 924
(CEN); Rodovia BR 060, km 20, 17.11.1975,
fl. fr., G. Hatschbach et al. 36221 (MBM,
RB); GOIÁS, Crominia, próximo à mina de
cromita que dista 5 km da cidade de Cromita,
14.IV. 1988, fl. fr., J. A. Rizzo et al. 10594
(UFG); Cavalcante, caminho para cachoeira
Santa Bárbara, 7. III. 2003, fl. fr., J. F. B.
Pastore 376 (CEN, RB); MINAS GERAIS:
Belo Horizonte, Serra do Curral, 19.III.1925,
fl. fr., A. Chase 8932 (US).
Polygala filiformis A. St.-Hil. táxon
mais afim de Polygala abreui devido ao caule
delgado, cilíndrico, estriado e áfilo, como
também por apresentar sementes não
Marques, M. C. M. & Pastore, J. F. B.
apendiculadas, apresenta porém, cápsula cerca
de 3,6 mm compr. e sementes dotadas de
longos tricomas, espessos e mais ou menos do
mesmo comprimento desde o ápice e ultra-
passam a base da semente acima de 1 mm.
Espécie nova restrita, até o momento, ao
Distrito Federal e aos estados de Goiás e Minas
Gerais, foi encontrada em altitudes de 800-
I. 155 m s.m., em campos rupestres e campos
cerrados, úmidos ou secos. Flores e frutos
foram verificados nos meses de janeiro, março,
abril, setembro e novembro.
Polygala abreui é dedicada ao
engenheiro Dr. Carlos Henrique Abreu
Mendes, na época Secretário do Meio
Ambiente do Estado do Rio de Janeiro, pelo
incentivo à realização do projeto “Mapeamento
da Cobertura Vegetal, Listagem das Espécies
e Flórula da Área de Proteção Ambiental de
Cairuçu, Município de Parati, RJ”.
2. Polygala ceciliana Marques & J. Pastore sp.
nov. Tipo: BRASIL. DISTRITO FEDERAL:
Brasília, Barragem do Descoberto, 11.2004,
J. F.B. Pastore et al. 872 (holótipo RB; isótipo
CEN). Fig. j
Species nova P. tenuis DC. affinis
habitu herbáceo autem foliis basalibus,
forma carina et semine appendiculato toto
coelo differt; P. ceciliana P. atropurpurea A.
St.-Hil. var. atropurpurea etiam affinis
floribus croceo-glandulosis, semine
elliptico-globoso breviter appendiculato
sed habitu herbáceo, floribus albicantibus
et corolla caduca in fructu differt.
Erva 10-20 cm alt. Raiz tênue,
geralmente, bifurcada. Caule ereto, simples ou
raramente ramificado, filiforme-anguloso,
estriado, com tricomas curto-clavados na
porção basal, para o ápice glabro, subáfilo.
Folhas basais, verticiladas, pecioladas,
desiguais, 6-2,5 x 1,2-2 mm, obovadas e
elípticas, as restantes alternas, distantes, 5-7
x 0.5-0.7 mm, subsésseis a sésseis, lineares a
aciculares, pontuadas de glândulas cróceas,
membranáceas. Racemos terminais, 5-25 mm
compr., raque salpicada de glândulas cróceas;
RodriguSsia 57 (1): 99-102. 2006
SciELO/JBRJ
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Duas espécies novas de Polygala
101
Figura 1 - Polygala abreui. a- hábito; a’- inílorcscência; b- flor; c- bráctea c bractéolas; d- corola; e- crista da carcna;
f- uma das pétalas laterais desenvolvidas; g- uma das sépalas internas; h- sépala infenor; t- s^las^
k- gineceu; 1- fruto com as sépalas persistentes; m- semente; n- embrião. ( Pastore ). o ygt t t ■ •
°’- «florescência; p- flor; q- bráctea e bractéolas; r- corola; s- crista da carcna: t- uma das pétalas lotadl i des cr i ^ .
“• uma das sépalas internas; v- sépala inferior; x- sépalas superiores; w- androceu com as pétalas laterais desenvolvida)
presas ao dorso; y- gineceu; z- fruto com as sépalas persistentes; z - semente, z - cm irr o. as ori
Rodriguésia 57 (1); 99-102. 2006
cm 1
SciELO/JBRJ
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102
Marques, M. C. M. & Pastore, J. F. B.
bráctea e bractéolas caducas na flor, a bráctea,
0,5-0, 6 x 0,2 mm, lanceolada, aguda no ápice,
membranácea, três vezes maior que as laterais
diáfanas. Botão floral arredondado no ápice.
Flores esbranquiçadas, pontuadas de glândulas
cróceas, membranáceas; pedicelo 0,4-0, 5 mm
compr., glabro; sépalas externas superiores ca.
0,6 x 0,3 mm, estreito-ovadas; a inferior ca.
0,8 x 0,6 mm, largo-ovada; sépalas internas
1-1,2 x 0,8 mm, largo-obovadas ou elípticas,
curto-ungüiculadas, ápice obtuso a arredon-
dado, não ciliadas, com três nervuras partindo
da base, bifurcadas para o ápice, alcançando
ou pouco superando a carena cristada. Carena
ca. 1 mm compr., o cúculo alargando-se
paulatinamente e obliquamente para o ápice
da abertura e a crista 4-6 lobos, menos de 0,05
mm compr.; pétalas laterais desenvolvidas 1-
1,2 mm x 0,7— 0,8 mm, assimetricamente
obovadas, alcançando ou pouco superando a
carena cristada; estames 8, bainha estaminal
ca. 0,6 mm compr., filetes livres laterais e
centrais mais longos, 0,2-0, 3 mm compr.;
anteras deiscentes por poros apicais; ovário
ca. 0,3 x 0,25 mm, suborbicular, pontuado de
glândulas cróceas; estilete uncinado, terminado
por uma cavidade cimbiforme, cuja a
extremidade superior leva um apêndice bem
evidente com uma mecha de tricomas
abundantes e a inferior um estigma globoso
apoiado por um curto suporte. Cápsula 0,6-
0,7 x 0,7-0, 9 mm, orbicular a oblata, não alada,
pontuada de glândulas cróceas, alcançando a
metade das sépalas internas; sementes ca. 0,6
x 0,5 mm, largo-ovadas, laxamente pubérulas
a glabriusculas, apendiculadas; apêndices
pequenos, ca. 0,2 mm compr.; endosperma
presente, embrião ca. 0,5 mm, contínuo.
Parátipos: BRASIL. DISTRITO FEDERAL:
Brazilândia, 11.2003, fl. fr., J. F B. Pastore et
al. 369 (CEN); Fazenda Água Limpa,
Mirante, próximo à rodovia, 1.2003, fl. fr„ J.
F B. Pastore et al. 316 (CEN, RB); Brasília,
bacia do rio S. Bartolomeu, 3.III.1980, fl. fr.’
E. P Heringer et al. 3626 (IBGE); área dò
Cristo Redentor, 14.11.1990, fl. fr., M. Pereira
et al. 587 (IBGE); GOIÁS: Cavalcante,
Comunidade Kalunga, caminho para a
cachoeira Santa Bárbara, 26.11.2005, fl. fr., J.
F B. Pastore & M. Aquino 1272 (CEN).
Polygala tenuis DC. afim de Polygala
ceciliana pelo hábito herbáceo e, exceto as
basais, pelas folhas lineares e distantes, porém
difere desta devido ao cúculo da carena largo
na base e paulatinamente estreitando-se para
o ápice, como também por apresentar poucas
glândulas apenas na base das sépalas externas.
Polygala atropurpurea A. St. Hil. var.
atropurpurea também é afim de Polygala
ceciliana devido às flores densamente cróceo-
glandulosas, semente elíptico-globosa
brevemente apendiculada, porém apresenta
flores atropurpúreas e corola persistente no
fruto.
Espécie até o momento endêmica do
Distrito Federal e Goiás, encontrada em
campos úmidos, com solos ricos em matéria
orgânica e em época de chuvas freqüentes.
Flores e frutos registrados para os meses de
janeiro e fevereiro.
P ceciliana é uma justa homenagem à
amiga Dra. Cecília Gonçalves Costa, pesqui-
sadora do Instituto de Pesquisas do Jardim
Botânico do Rio de Janeiro e orientadora de
grande destaque no ramo da Anatomia Vegetal.
Referências Bibliográficas:
Chodat, R. 1 893. Monografia Polygalacearum.
Mémoire de la Societé de Physique et
D’HistoireNaturelle Genève. 31(2): 1-500,
est. 13-35.
Marques, M. C. M. 1 979. Revisão das espécies
do gênero Polygala L. (Polygalaceae) do
Estado do Rio de Janeiro. Rodriguésia 3 1
(48): 69-339, est. 1-84.
1988. Polígalas do Brasil V Seção
Polygala (Polygalaceae). Arquivos do
Jardim Botânico do Rio de Janeiro 29: 1-
114, 11 tabs.
Rodrinuésia 57 (1): 99-102. 2006
cm 1
.SciELO/ JBRJ
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cm
Composição florística do compartimento arbóreo de cinco
REMANESCENTES FLORESTAIS DO MACIÇO DO ITATIAIA, MlNAS GERAIS
e Rio de Janeiro1
Israel Marinho Pereira1, Ary Teixeira de Oliveira-Filho ,
Sor ay a Alvarenga Botelho \ Warley Augusto Caldas Carvalho J,
Marco Aurélio Leite Fontes \ Ivan SchiavinP & Alexandre Francisco da Silva 5
(Composição florística do compartimento arbóreo de cinco remanescentes florestais
Gerais e Rio de Janeiro) Para composição de uma lista florística de espécies arbóreas fe floresta^ ; do mac ço do
Itatiaia, foram inventariadas cinco áreas de floresta ombrófila montana s.tuadas nos mun^
Minas e Aiuruoca sul de Minas Gerais, e Resende, sudoeste do Rio de Janeiro. A listagem cie especies resulte
de levantamen^s florísticos conduzidos nas cinco áreas, acompanhados ide "—ntos
três delas. Para avaliar as variações da composição da flom arbóiea da reg.ao, fo,
adicional de espécies arbóreas de uma área de floresta na vertente su o maciç ’ . ,
Janeiro. A amoSra da flora arbórea das cinco áreas estudadas no Maciço do
cies, 191 gêneros e 69 famílias, muitas das quais são reconhecidas momo
1.000 m). A flora arbórea das florestas do maciço do Itatiaia pode ser considerada to identificou
florística entre áreas de floresta ombrófila montana no sudeste do Brasil. Uma an® K * ' à
padrões de similaridade florística entm as seis áreas de floresta do maciço dc * “ ^
oconência de inundações periódicas em uma ^a de fiorescr e ao cÇstágio sucessional inicial de
(continental ou oceânica) entre “ ^meo ^de no^ ró Je floresta ombjfi,a montana da vertente
uma destas. A maior s.m.landade distância geográfica entre as duas ser consideravelmente
continental, em Aiuruoca e Bocaina dc Minas, apesar oauisia fc b . . , , sucessao
maior que as distâncias entre a última delas e as áreas de floresta aluvial e em s J de sucessão.
Palavras-chave: Flora arbórea. Floresta Montana, Mata Atlantica, Maciço do I •
^pec^s composition of the tree flora of Rb deJtmeÍõ^ SE Brazil!
were™ n^eyed b^er to praduce a checklist of tree species of the regional forests^TO
floristic surveys carried out in the five forest fragments, and SJrÍJIKwm
additional checklist produced for a forest ama situated on the 1^.-°“^^-^ fl^i samp ed in the
may be considered as one of the nchest m species among ; m-eas o mo* Ita(jaia Range which were rclated
analysis identified pattems of floristic similanty among the differences in slope aspect (oceanic or
to the occurrence of periodic floods in an arca o « of these. Tbe
continental) among the five areas of monUinc roin lore. , . in forcsl Gf the continental slope, in
hietet similarity was obtoined between lhe «« o — J". „Tm was much gn*, 'I™ U»
Aiumoca and Bocaina de Minas, although the geographical d.stance Detwcen u
distances between the latter and the areas of alluvial lorest an car y s
Key-words: Tree flora. Montane Forest, Atlantic Forest. Itatiaia Mounta.n Range.
Artigo recebido cm07/2005. Aceito para pubficãçãõem 1 l/2(X)5.
'Parte da tese de doutorado do primeiro autor . rvnartamcnto de Ciências Florestais, Universidade
•'Doutorando do Programa de Pós-Graduação em Engenhana Florestal. Departamento
Federal dc Lavras. 37200-000, Lavras, MG. e-mail: Lavras, MG.
'Departamento de Ciências Florestais, Universidade Federal e ’ “ , yotanicU. ICB, Universidade Federal
4 Doutorando do Programa de Pós-Graduação em Biologia Vegetal, Departamento de Botdn.c
dc Minas Gerais, 30161-970. Belo Horizonte, MG Uberlândia. 38400-902. Uberlândia, MG
"Departamento de Biologia. Campus de Umuarama UmversidadeFcdml d UlKr^
'Departamento de Botânica. Universidade Federal de Viçosa, 36571-000. Viçosa, m
SciELO/JBRJ
12 13 14 15 16 17
cm
104
Introdução
O Domínio Atlântico da América do Sul,
que envolve tipologias vegetacionais de floresta
ombróflla e floresta estacionai, além de outros
ecossistemas associados, cobria originalmente
uma extensão de cerca de 100 milhões de
hectares, distribuídos por 17 estados brasileiros,
correspondentes a cerca de 16% do território
nacional, e por grandes extensões do leste do
Paraguai e nordeste da Argentina (Galindo-
Leal & Câmara 2003). A Floresta Atlântica
tem sido alvo de exploração desde o período
colonial, acompanhando os ciclos agrícolas e
a demanda pela expansão das áreas cultivadas
e, consequentemente, resta hoje menos de 8%
desse total e as principais áreas preservadas
estão localizadas nos estados de São Paulo,
Rio de Janeiro, Minas Gerais e Espírito Santo
(Câmara 2003). Segundo Viana & Tabanez
(1996), a Floresta Atlântica é o ecossistema
tropical em estado mais crítico de degradação
em todo mundo. Atualmente, a maioria dos
seus remanescentes está representada apenas
por fragmentos de formações florestais secun-
dárias. Os poucos núcleos que ainda podem
ser caracterizados como florestas primárias estão
concentrados em áreas de altitude elevada e
acesso difícil (Câmara 2003). Além disso, esta
reduzida porção da floresta original encontra-
se ainda na forma de pequenos fragmentos, a
grande maioria com menos de 10 ha (Almeida
1996; Collinge 1996). Somam-se ainda os
impactos ambientais proporcionados pela
degradação sob a forma de erosão do solo,
perda de diversidade biológica, invasão de
espécies exóticas e degradação de bacias
hidrográficas, com a resultante diminuição da
qualidade e disponibilidade de água potável
(Galindo-Leal et al. 2003).
Além das pronunciadas variações
fisionômicas causadas pela heterogeneidade
da distribuição de chuvas, as florestas do
Domínio Atlântico também apresentam
marcantes variações fisionômicas e florísticas
vinculadas à altitude (Oliveira-Filho & Fontes
2000). As florestas de altitude ou montanas
do Domínio Atlântico ocorrem no alto dos
Pereira, I. M. et al.
planaltos ou serras e podem atingir até 2.200
m s.n.m., com variações que respeitam as
diferentes faixas de altitude (França &
Stehmann 2004). A despeito da proteção
conferida historicamente pela dificuldade de
acesso, as ameaças às florestas montanas são
particularmente sérias quando se considera
que ocupavam uma área proporcionalmente
menor que a as florestas de altitude mais baixa
e que elas abrigam uma flora muito peculiar.
O papel da altitude na composição florística e
na estrutura das florestas tropicais tem sido
demonstrado por vários autores (Proctor et al.
1988; Gentry 1995; Pendry & Proctor 1996;
Lieberman et al. 1995, 1996; Moreno et al.
2003; Oliveira Filho et al. 2004; França &
Stehmann 2004; Carvalho et al. 2005). Ao
longo de um gradiente altitudinal variam
concomitantemente muitos fatores do
complexo ambiental, tais como temperatura,
precipitação pluviométrica, umidade,
velocidade dos ventos e outros. Em articulação
com estas variações, fisionomias e estruturas
florestais diversas se sucedem montanha
acima, diferenciando-se comumente a curtas
distâncias (Whitmore 1990), muito embora as
causas desta zonação altitudinal ainda não
sejam totalmente conhecidas (Webster 1995).
As florestas montanas da Região
Neotropical estão entre as mais desconhecidas
e também encontram-se entre as mais
ameaçadas de todas as vegetações florestais
dos trópicos (Gentry 1995). Além disso, as
florestas montanas que abrigam nascentes de
cursos d água são de fundamental importância
para a manutenção da qualidade e quantidade
da água e por proporcionarem abrigo e
alimento para a fauna regional (Oliveira Filho
et al. 2004). Na Região Sudeste do Brasil,
grande parte das florestas montanas encontra-
se situada em altitudes elevadas do complexo
montanhoso que inclui as Serras da
Mantiqueira e do Mar. Os estudos de
descrições florísticas, estruturais e ecológicas
de florestas situadas acima de 1.000 m de
altitude no sudeste do Brasil estão em sua fase
inicial (Baitello & Aguiar 1982; Meira Neto et
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cm
Flora arbórea de florestas do maciço do Itatiaia
al. 1989; Robim et al. 7990; Baitello et al.
1992; Oliveira-Filho & Machado 1993; Lima
& Guedes-Bruni 1994; Fontes 1997; Castro
2001; Fernandes 2003; Oliveira Filho et al.
2004; Dalanesi et al. 2004; França &
Stehmann 2004; Carvalho et al. 2005).
Situado no eixo Rio-São Paulo, o maciço
do Itatiaia, que é parte da Serra da Manti-
queira, vem sofrendo grandes pressões
antrópicas desde os tempos coloniais. Por
exemplo, a paisagem da vertente interior que
aloja as nascentes do rio Grande, em Minas
Gerais, mostra na atual pobreza da cobertura
florestal o resultado do desflorestamento
indiscriminado ocorrido durante o século
passado para atender as necessidades
madeireiras do eixo Rio-São Paulo, sobretudo
a demanda criada durante a instalação da
Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) em
Volta Redonda (Carvalho et al. 2005). Uma
considerável amostra das florestas da região
foi, no entanto, conservada no Parque
Nacional de Itatiaia, o primeiro a ser criado
no Brasil, em 1937. No entanto, ainda hoje este
Parque sofre pressões antrópicas sérias, como
a extração ilegal de palmito.
As florestas da vertente interior do
maciço do Itatiaia são ainda muito pouco
conhecidas, o que toma importante a realização
de trabalhos que inventariem a flora dos
remanescentes florestais da região, incluindo
as variações associadas ao histórico de
intervenção humana, que resultou nos dife-
rentes estágios sucessionais. Neste contexto,
análises comparativas entre remanescentes
permitem uma avaliação da heterogeneidade
da flora, do nível de similaridade entre áreas
congêneres e os possíveis fatores associados
aos padrões de variação (Meira-Neto et al.
1989; Oliveira-Filho & Machado 1993,
Oliveira-Filho etal. 1994). Tais informações e
análises são de fundamental importância para
subsidiar iniciativas de conservação ou recu-
peração ambiental na região. Desta forma, o
presente trabalho tem como objetivo descrever
e analisar a composição florística de cinco
remanescentes de floresta ombrófila da região
Rodriguésia 57 (1): 103-126. 2006
105
do maciço do Itatiaia com o propósito final de
proporcionar subsídio para ações visando à
proteção e recuperação de areas nessa região.
Material e Métodos
1. Caracterização e localização das áreas
As vertentes continentais do maciço do
Itatiaia alojam as nascentes do rio Grande que,
após se juntar ao rio Paranaíba, no Triângulo
Mineiro, forma o rio Paraná, constituindo assim
o eixo da segunda maior bacia hidrográfica da
América do Sul. O maciço abriga ainda as
nascentes de importantes afluentes do rio
Grande, como o Aiuruoca e o Verde, além das
nascentes do rio Preto que serve de limite
entre os estados de Minas Gerais e Rio de
Janeiro naquela região. O clima da região é do
tipo Cfa de Kõppen (úmido subtropical). Dados
de temperatura e precipitação são fornecidos
na Tabela 1 para Bocaina de Minas, baseados
em Carvalho et al. (2005), Aiuruoca e
Visconde de Mauá, baseados em (http://
www.inmet.gov.br /climatologia, 2004) e
Itatiaia, baseados em Guedes-Bruni (1998).
Foram estudadas na região do maciço do
Itatiaia cinco áreas remanescentes de floresta
ombrófila situadas nos municípios de Aiuruoca
e Bocaina de Minas, no estado de Minas
Gerais, e de Resende (distrito de Visconde de
Mauá), no estado do Rio de Janeiro (Tabela
1). As áreas são identificadas como Bmi-1,
Bmi-2 e Bmi-3 = Bocaina de Minas I, 2 e 3;
Aiu = Aiuruoca; e Vma = Visconde de Mauá.
Uma sexta área, Itt = Itatiaia, inventariada por
Guedes-Bruni (1998) na vertente fluminense
do Parque Nacional do Itatiaia, foi incluída com
o propósito de incrementar as análises
comparativas, mas sua listagem não é
reproduzida aqui. A situação geográfica das
seis áreas é indicada na Figura 1. De acordo
com o sistema do IBGE (Veloso et al. 1991),
a vegetação se classifica como floresta
ombrófila mista montana, no caso de Vma,
floresta ombrófila densa aluvial, no caso de
Bmi-1, e como floresta ombrófila densa
montana, nos demais casos, inclusive ! ItL Na
classificação de Oli veira-Filho & Fontes (2000),
SciELO/JBRJ
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106
Pereira, I. M. et al.
t ifíiira 1 - Localização geográfica dos seis fragmentos de
floresla ombrófila montana da região do maciço do Itatiaia
utilizados nas análises florísticas (1). A área do Parque
Nacional de Itatiaia é indicda em cinza. Curvas
hipsométricas em metros de altitude. Bmi-1/2/3 =
Bocaina de Minas 1/2/3, Aiu = Aiuruoca: Vma =
Visconde de Mauá; Itt = Itatiaia.
utilizada no presente estudo (Tabela 1), Bmi-1
se classifica como floresta ombrófila aluvial, Vma
como floresta ombrófila mista alto-montana, Bmi-
2 e Bmi-3 como floresta ombrófila alto-montana,
e Itt e Aiu como floresta ombrófila baixo-
montana. Descrições de cada remanescente
florestal são fornecidas abaixo.
Bmi-1 (Bocaina de Minas 1) é um
remanescente florestal de aproximadamente 3
ha situado nas margens do rio Grande, a cerca
de 15 km de sua nascente principal, nas
coordenadas 22° 10’ sul e 44°28’ oeste e a uma
altitude que varia pouco, em tomo de 1 . 1 35 m. O
remanescente reveste ambas as margens do rio
Grande e está totalmente inserido em um leito
aluvial sujeito a períodos de alagamento. As
bordas são abruptas nos limites com pastagens
e estradas circunvizinhas e, segundo relatos de
habitantes locais, encontra-se em regeneração
desde corte raso sofrido há cerca de 50 anos.
Bmi-2 (Bocaina de Minas 2) é um rema-
nescente florestal de cerca de 1 0 ha, conhecido
localmente como Mata da Cachoeira do Rio
Grande, que está localizado a cerca de 10 km
a jusante da nascente principal do rio Grande,
nas coordenadas 22° 13’ sul e 44°32’ oeste. A
floresta reveste uma encosta íngreme adjacente
à margem esquerda rio Grande e as altitudes
em seu interior variam de 1.210 a 1.360 m. A
bordas do remanescente são abruptas nos limites
com pastagens circunvizinhas. De acordo com
informações dos locais, a Mata da Cachoeira
é o único remanescente florestal às margens
do rio Grande que não sofreu corte raso, pelo
menos nos últimos 80 anos. No entanto, a floresta
tem sofrido impactos de obras de canalização
de água, construção de cercas limítrofes e uso
pelo gado. Uma descrição detalhada desta área
é fornecida por Carvalho et al. (2005).
Bmi-3 (Bocaina de Minas 3) é um
remanescente florestal de aproximadamente
1 5 ha localizado às margens do rio Grande, a
cerca de 5 km a jusante de sua nascente
principal, nas coordenadas 22° 14’ sul e 44°34’
oeste. A floresta reveste uma encosta que
flanqueia a margem esquerda do rio Grande,
com altitudes variando entre 1 .400 e 1 .480 m.
A vegetação encontra-se em estágio inicial de
sucessão ecológica, tendo sofrido corte raso
há cerca de 40 anos e repetidos cortes nas
duas décadas seguintes. As bordas são
abruptas nos limites com pastagens
circunvizinhas e uma estrada.
Vma (Visconde de Mauá). Esta área foi,
na verdade, composta por três remanescentes
florestais situados muito próximos uns dos
outros (entre 100 e 170 m de distância), nas
coordenadas 22°20’ sul e 44°36’ oeste, sendo
que dois deles (com áreas de 5 e 7 ha) estão
localizados no distrito de Visconde de Mauá,
município de Resende (RJ), e o outro (8 ha)
no distrito de Mirantão, município de Bocaina
de Minas (MG). Os remanescentes estão
situados no interior do Parque Nacional de
Itatiaia, mas próximos aos seus limites com
áreas privadas com intensa atividade turística.
As altitudes variam entre 1.150 e 1.350 m.
Aiu (Aiuruoca) é um remanescente
florestal com cerca de 10 ha localizado às
margens do rio Aiuruoca, em áreas particulares
a serem afetadas parcialmente pela construção
da ‘Pequena Central Hidrelétrica de
Rodriguésia 57 (1): 103-126. 2006
cm l
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Rodriguésia 57 (1): 103-126. 2006
Tabela 1 - Informações gerais sobre as seis áreas de floresta ombrófíla montana do maciço do Itatiaia (MG e RJ) analisadas no presente estudo.
As cinco primeiras áreas são objeto do presente estudo; Itt provém do estudo de Guedes-Bruni (1998). A tipologia florestal segue Oliveira-Filho
& Fontes (2000). Latitudes (Lat.), longitudes (Long.) e altitudes (Alt.) são valores medianos. As áreas em hectare se referem aos fragmentos
florestais estudados; Itt é área florestal contínua, i.e., não fragmentada. Tma = temperatura média anual, Tm7 = temperatura média em julho,
Tml = temperatura média em janeiro, Pma = precipitação média anual, PJJA = médias mensais em junho/julho/agosto, PDJF = médias mensais
em dezembro/janeiro/fevereiro.
Sigla
Localidade
Tipologia
Florestal
Lat.
Long.
Alt.
(m)
Área
(ha)
Tma
(°C)
Tm7
(°C)
Tml
(°C)
Pma
(mm)
PJJA
(mm)
PDJF
(mm)
Aiu
Aiuruoca
(MG)
Floresta
Ombrófíla
Baixo-Montana
22°01’
44°36’
1084
10
18,6
13,2
21,6
1677
31
278
Bmi-1
Bocaina de Minas 1
(MG)
Floresta
Ombrófila
Aluvial
22°10’
44°28’
1135
3
16,7
13,0
19,7
2108
35
341
Bmi-2
Bocaina de Minas 2
(MG)
Floresta
Ombrófila
Alto-Montana
22°13’
44°32’
1285
10
16,7
13,0
19,7
2108
35
341
Bmi-3
Bocaina de Minas 3
(MG)
Floresta
Ombrófila
Alto-Montana
22°14’
44°34’
1440
15
16,7
13,0
19,7
2108
35
341
Vma
Visconde de Mauá
(MG/RJ)
Floresta
Ombrófila
Mista
Alto-Montana
22°20’
44°36’
1250
5, 7 e 8
16,6
12,8
19,7
2459
43
380
Itt
Itatiaia
(RJ)
Floresta
Ombrófila
22°26’
44°37’
1067
contínua
18,7
15,0
22,0
1703
34
266
Baixo-Montana
SciELO/JBRJ
6 17 18 19 20 21 22 23 24 25
Flora arbórea de florestas do maciço do Itatiaia
108
Pereira, I. M. et al.
Aiuruoca’, nas coordenadas 22°01’ sul e
44°36’ oeste. O terreno é muito acidentado,
com altitudes variando entre 1.040 e 1.150 m.
A floresta se caracteriza por um mosaico de
diferentes estágios de sucessão provavelmente
como resultado de um variado histórico de
intervenções humanas.
2. Levantamentos florísticos
As listagens de espécies arbóreas
resultaram de levantamentos fitossociológicos e
florísticos conduzidos em Bmi- 1/2/3 e somente
florísticos em Aiu e Vma. Levantamentos
fitossociológicos foram conduzidos em 10
parcelas de 10 x 40 m, nos casos de Bmi-1 e
Bmi-3, e em 26 parcelas de 20 x 20 m em Bmi-
2. Nestas três áreas os levantamentos florísticos
das espécies arbóreas foram feitos a partir do
material testemunho coletado nas unidades
amostrais (parcelas), acrescido de coletas
realizadas em caminhamentos pelas áreas. Nos
casos de Vma e Aiu, os levantamentos florísticos
foram realizados por meio de caminhamentos
aleatórios no interior dos remanescentes. Em
todos levantamentos, foram registrados apenas
indivíduos de hábito arbóreo (fuste lenhoso e altura
igual ou superior a 3 m). O material botânico
testemunho foi herborizado e depositado no
herbário da Universidade Federal de Lavras
(Herbário ESAL). As identificações foram feitas
com auxílio de literatura especializada e consultas
a especialistas e as coleções dos Herbários
ESAL, BHCB (Universidade Federal de Minas
Gerais), SP (Instituto de Botânica de São Paulo),
RB (Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do
Rio de Janeiro) e UEC (Universidade Estadual
de Campinas). As espécies foram classificadas
nas famílias reconhecidas pelo sistema do
Angiosperm Phylogeny Group II (APG 2003).
3. Análises florísticas
Para a realização das análises florísticas,
foi preparado um banco de dados contendo a
relação de espécies das cinco áreas do presente
estudo mais a área Itt, inventariada por Guedes-
Bruni ( 1 998). Ao final, o banco de dados continha
dados binários de presença ou ausência de 503
espécies arbóreas em seis áreas. Foi realizada
uma análise de agrupamento das seis áreas
baseada na composição de sua flora arbórea com
uso do o programa PC-Ord versão 4,0 (McCune
& Mefford 1999). A medida de similaridade
florística empregada na análise de agrupamento
foi o índice de Jaccard por ser uma medida de
simples compreensão, definida pela proporção
de espécies em comum (Brower & Zar 1984).
O método de agrupamento foi o das médias não
ponderadas (UPGMA), por ser o mais difundido
em análises de vegetação (Kent & Coker 1992).
Resultados e Discussão
1. Composição e riqueza de espécies
A relação das 444 espécies arbóreas, 192
gêneros e 68 famílias botânicas registradas nos
cinco remanescentes florestais da região do
maciço do Itatiaia encontra-se na Tabela 2. Todos
os táxons estão identificados até o nível de
espécie; sete espécimes de identificação duvidosa
foram excluídos. Caso fosse incluída a área Itt,
inventariada por Guedes-Bruni ( 1 998), a amostra
total da flora arbórea seria composta por 504
espécies, 210 gêneros e 71 famílias. Os
estimadores jackknife (Heltsche & Forrester
1 983; Palmer 1991) do número total de espécies
para a flora arbórea calculados a partir da amostra
de seis áreas foram de 715,8 (primeira ordem) e
813,6 espécies (segunda ordem). Estes
estimadores não paramétricos fazem uma
projeção do número total de espécies a partir da
heterogeneidade entre amostras, sendo o
segundo deles promove uma inflação maior por
se basear nas diferenças máximas. Os valores
encontrados são mais elevados que o total de
registros no conjunto das seis áreas, mas ainda
mais elevados que os totais de espécies
registrados em cada uma delas, que variaram
entre 82 (Bmi-1) e 231 (Aiu) espécies. Estes
números sugerem uma elevada riqueza de
espécies regional que resulta, em grande parte,
de uma grande variação em composição de
espécies entre os remanescentes. De fato, 47%
das 444 espécies só foram registradas em apenas
uma das cinco áreas. Para confirmar a alta
riqueza regional de espécies, vale mencionar que,
Rodriguésia 57 (I): 103-126. 2006
SciELO/JBRJ
12 13 14 15 16 17
cm
Flora arbórea de florestas do maciço do Itatiaia
na região do Alto Rio Grande, que é dez vezes
maior que a do maciço do Itatiaia, Pereira (2003)
registrou um total de 730 espécies arbóreas em
20 remanescentes florestais, e estimadores
jackknife de primeira e segunda ordem de 901,8
e 991,5, respectivamente.
A riqueza de espécies registrada nos
remanescentes variou muito e a amplitude (82 a
231 espécies) registrada nos fragmentos pode
ser considerada como indicativa de riqueza
intermediária a elevada, no contexto de outros
trabalhos realizados em florestas montanas do
estado de Minas Gerais, como os realizados em
Carrancas (Oliveira Filho et al. 2004), com 218
espécies; Poço Bonito (Dalanesi et al. 2004),
com 213; Camanducaia (França & Stehmann
2004), com 70; Poços de Caldas (Fernandes
2003), com 1 05; serra do Ibitipoca (Fontes 1 997),
com 199; serra do Cipó (Meguro et al. 1996),
com 229; e serra do Ambrósio (Puam et al. 1 994),
com 71. Diversos fatores de difícil controle
podem ser relacionados à grande variação da
riqueza entre os remanescentes florestais do
presente estudo. Entre eles, podem ser citados o
tamanho do fragmento ou da área florestal
contínua (Itt), a fisionomia vegetacional e o
ambiente a ela relacionado, o histórico de pertur-
bações e as variáveis humanas relacionadas ao
método e esforço amostrai. As áreas que
apresentaram as maiores riquezas de espécies,
Aiu (228) e Bmi-2 (218), são precisamente as
áreas mais maduras de Floresta Ombrófila Alto-
Montana. Em seguida, Vma, com 190 espécies
também é um remanescente de floresta madura,
embora de outra fisionomia, Floresta Ombrófila
Mista Alto-Montana. No outro extremo, os rema-
nescentes de menor riqueza, Bmi- 1 e Bmi-3, com
81 e 119 espécies respectivamente, encontram-
se ambos em estágios iniciais a intermediários
de sucessão ecológica. Além disso, Bmi- 1 acres-
centa a particularidade de ser uma floresta aluvial
sujeita a inundações e seu pequeno número de
espécies está provavelmente relacionado com
as restrições impostas pela saturação hídrica, que
normalmente restringe o estabelecimento de
muitas espécies da flora regional; notabilizam-se
aí, pela abundância, espécies comuns em
Rodriguésia 57 (1): 103-126. 2006
109
ambientes ripários alagáveis, como Sebastiania
commersoniana, S. brasiliensis, Vitex
megapotamica e Inga vulpina (Botrel et al.
2002; Guilherme et al. 2004).
Nas cinco áreas de floresta do presente
estudo, as famílias que se destacaram em
riqueza de espécies foram Myrtaceae (44),
Melastomataceae (45), Fabaceae (34),
Lauraceae (32), Euphorbiaceae (19),
Asteraceae (18), Rubiaceae (15), Annonaceae
(14), Salicaceae (13) e Solanaceae (12). Juntas,
estas famílias representaram 57% das espécies
amostradas (Tabela 2). Tais famílias, com
exceção de Salicaceae (em Flacourtiaceae na
maioria dos trabalhos), também surgem no
elenco de maior riqueza de espécies nos
levantamentos realizados em outras áreas de
floresta montana (ombrólilas, mistas e
estacionais) da Região Sudeste, nos estados
de São Paulo (Baitello et al. 1992; Grombone
et al. 1990; Mantovani 1990; Robim et al.
1990; Rodrigues et al. 1989), Minas Gerais
(Oliveira Filho etal. 2004; França & Stehmann
2004' Fontes 1997) e Rio de Janeiro (Lima &
Guedes-Bruni 1994). De acordo com Fontes
(1997). a maioria destas famílias é caracterís-
tica das florestas situadas acima de 1.000 m
de altitude no sudeste do Brasil. „
A influência da altitude na diferenciação
fiorística das florestas do estado de São Paulo
foi demonstrada, para florestas semidecíduas. por
Salis et al. (1995) e ombrólilas, por ScudeUeret
al (2001) e Ivanauskas & Rodrigues (2000),
padrões estes estendido para o sudeste bras.le.ro
por Oliveira-Filho & Fontes (2000). As áreas do
maciço do Itatiaia, com exceção de Bmi ,
apresentaram características floríst.cas
reconhecidas como indicadoras de florestas dc
maiores altitudes do sudeste do Brasil, ou a c
mesmo do Neotrópico. Um dos indícios deste
comportamento é a riqueza relatava de espécies
de Lauraceae, Asteraceae, Cyatheaceac.
Solanaceae, Melastomataceae e Aquilohaceae,
que correspondem ao perfil florístico descrito por
Oliveira-Filho & Fontes (2000) para as floresta*
Atlânticas Alto-Montanas, tanto Ombrólilas
£mo Semidecíduas. Genüy (1995). analisando
SciELO/JBRJ
12 13 14 15 16 17
cm
Pereira, I. M. et al.
florestas Andinas e da América Central,
constatou uma perda de importância de
Fabaceae a partir dos 1 .500 m de altitude, e um
aumento no predomínio de Lauraceae,
Melastomataceae e Rubiaceae. As duas famílias
de maior importância em relação ao número de
espécies nas cinco áreas do maciço do Itatiaia,
Myrtaceae e Melastomataceae, também são
consideradas por Webster (1995) como
características de florestas nebulares do
Neotrópico, além de outras famílias que também
foram encontradas em abundância na região do
Itatiaia como Aquifoliaceae, Clethraceae,
Clusiaceae, Cunoniaceae, Elaeocarpaceae,
Podocarpaceae, Rosaceae, Sabiaceae,
Styracaceae, Symplocaceae e Winteraceae.
Os gêneros que contribuíram com maior
número de espécies na região do maciço do
Itatiaia foram Miconia com 46 espécies, seguida
de Ocotea com 27; Eugenia com 21; Casearia
com 20; Solanum com 19; Tibouchina com 18;
Cyathea, Myrcia e Myrsine com 17 espécies
cada; Nectandra com 16; Ilex com 14 e Croton
e Machaerium com 13 espécies cada. Juntos,
esses gêneros contribuíram com 57% das
espécies registradas. Entre eles, Miconia,
Cyathea, Myrsine e Ilex são considerados por
Webster (1995) como característicos de florestas
nebulares neotropicais, o que foi confirmado para
o sudeste do Brasil por Oliveira Filho & Fontes
(2000). Além disso, foram registrados outros
gêneros que não se destacaram pelo número de
espécies, mas são considerados como fortemente
relacionados a altitudes elevadas no Brasil, ou
mesmo no Neotrópico, como Clethra,
Weinmannia, Drimys, Gordonia, Podocarpus,
Myrceugenia, Meliosma, Prunus e Roupala
(Webster 1995; Fontes 1997; Oliveira Filho &
Fontes 2000; França & Stehmann 2004)
O perfil florístico das espécies também
mostra relação com florestas montanas. Das 65
espécies apontadas Oliveira-Filho & Fontes
(2000) como indicadoras de floresta atlântica alto-
montana, 50 (77%) foram registradas nas áreas
do maciço do Itatiaia: Byrsonima laxiflora,
Calyptranthes clusiifolia. Casearia obliqua,
Cecropia glaziovii, Cinnamomum glaziovii.
Clethra scabra, Clusia criuva, Daphnopsis
fasciculata, Drimys brasiliensis, Eremanthus
incanus, Euplassa incana, Ficus luschnathiana,
F. mexiae, Geonoma schottiana, Gomidesia
spectabilis, Gordonia fruticosa, Guatteria
australis, Hedyosmum brasiliensis,
Leucochloron incuriale, Maytenus
glazioviana, M. salicifolia, Meliosma sellowii,
Miconia brunnea, M. chartacea, M.
cinnamomifolia, Miconia theaezans,
Mollinedia argyrogyna, Myrcia laruotteana,
Myrsine gardneriana, Nectandra grandiflora,
N. lanceolata, N. nitidula, N. puberula,
Ocotea brachybotra, Ocotea silvestris,
Picramnia glazioviana. Pimenta
pseudocaryophyllus, Protium widgrenii,
Psychotria suterella, Quiina glaziovii,
Schefflera angustissima, S. calva,
Siphoneugena widgreniana, Solamim bullatum,
Symplocos celastrinea, Tabebuia chrysotricha,
Tibouchina stenocarpa, Trembleya par\’iflora,
Trichilia emarginata, Vismia brasiliensis e
Weinmannia paulliniifolia. Por outro lado,
apenas duas das 65 espécies relacionadas por
Oliveira-Filho & Fontes (2000) foram registradas
para a área Bmi-1, o que confirma a coerência
da classificação do IBGE (Veloso et al. 1991;
IBGE 1997), que destaca as formações florestais
aluviais, independentemente da altitude em que
se encontram, como distintas das formações
florestais vinculadas aos pisos altitudinais. Das
82 espécies encontradas em Bmi-1, 15 foram
exclusivas dessa área, o que demonstra que o
fato de a área sofrer inundações periodicamente
pode restringir a colonização dessas áreas por
poucas espécies adaptadas às condições de
saturação hídrica temporária. Por outro lado, das
76 espécies citadas como de ampla ocorrência
nas matas ciliares do Brasil extra-amazônico por
Rodrigues & Nave (2001), 44 (58%) também
foram registradas nas florestas do maciço do
Itatiaia, particularmente em Bmi-1. Como todas
elas tem pelo menos um setor ripário, pode-se
inferir que, mesmo em áreas de altitudes mais
elevadas, há um grande número de espécies em
comum entre as áreas de matas ciliares extra-
amazônica.
Rodriguésia 57 (1): 103-126. 2006
SciELO/JBRJ
12 13 14 15 16 17
cm
Flora arbórea de florestas do maciço do Itatiaia 1 ‘
Tabela 2 - Relação das 444 espécies arbóreas registradas nas cinco áreas de floresta ombróhla montana do
maciço do Itatiaia (MG e RJ). As espécies estão organizadas em ordem alfabética das famílias reconhecidas
pelo APG II (2003) e seguidas do registro de ocorrência (x) e ausência (-) nas áreas e do numero de registro
das amostras no Herbário ESAL.
Farnílias/Espécies Bmi-rBmU2BmT-3Aiu Vma Registro
ANACARDIACEAE
Astronium graveolens Jacq.
Lithraea molleoides (Vell.) Engler
Schinus terebinthifolius Raddi
Tapirira guianensis Aubl.
Tapirira obtusa (Benth.) Mitchell
ANNONACEAE
Annona cacans Warm.
Cymbopetalum brasiliense (Vell.) Benth.
Duguetia salicifolia R.E.Fries
Guatteria australis A.St.-Hil.
Guatteria latifolia (Mart.) R.E.Fries
Guatteria pohliana Schltdl.
Guatteria sellowiana Schltdl.
Rollinia dolabripetala (Raddi) R.E.Fries
Rollinia emarginata Schltdl.
Rollinia laurifolia Schltdl.
Rollinia sylvatica (A.St.-Hil.) Mart.
Xylopia brasiliensis Sprengel
apocynaceae
Aspidospemta australe Müll.Arg.
Aspidosperma olivaceum Müll.Arg.
Aspidosperma parvifolium A.DC.
Aspidosperma spruceanum Benth.
AQUIFOIJACEAE
Ilex amara (Vell.) Loes.
Ilex cerasifolia Reissek
Ilex conocarpa Reissek
Ilex paraguariensis A.St.-Hil.
Ilex theezans Mart.
araliaceae
Dendropanax cuneatus (DC.) Decne & Planch.
Oreopanax capitatus (Jacq.) Decne & Planch.
Oreopanax fulvus Marchai
Schefflera angustissima (Marchai) Frodin
Schefflera calva (Cham.) Frodin & Fiaschi
araucariaceae
Araucaria angustifolia (Bert.) Kuntze
arecaceae
Euterpe edulis Mart.
Geonoma schottiana Mart.
Syagrus romanzoffltana (Cham.) Glassman
x 17992
16364
x 16722
15135
15141
x x
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X - 19943
x - 17230
19944
x x 15137
x - 17232
17233
785
x x 16221
x - 19945
x - 17062
17234
17234
15821
17044
x 17063
17235
x
x
X
x X
X
X
x 19946
17137
19947
x 16226
x 17239
x
x
12311
17240
x
X 16712
17241
x x 17243
x x
X
X
X
15153
15156
1744
Rodriguésia 57 (1): 103-126. 2006
SciELO/ JBRJ
12 13 14 15 16 17
112
Pereira, I. M. et al.
F amflias/Espccies
ASTERACEAE
Austrocritonia velutina (Gardner)
R.M.King & H.Robinson
Austroeupatorium inulaefolium (Kunth)
R.M.King & H.Robinson
Baccharis brachylaenoides DC.
Baccharis serrulata Pers.
Dasyphyllum brasiliense (Sprengel) Cabrera
Eremcmthus erythropappus (DC.) MacLeish
Eremanthus incamis (Less.) Less.
Goclmatia paniculata (Less.) Cabrera
Gochnatia polymorpha (Less.) Cabrera
Heterocondylus vauthierianus (DC.)
R.M.King & H.Robinson
Piptocarpha macropoda Baker
Piptocarpha organensis Cabrera
Piptocarpha regnellii (Sch.Bip.) Cabrera
Stifftia chrysantha Mikan
Verbesina claussenii Sch.Bip.
Vemonanthura diffusa (Less.) H.Robinson
Vernonanthura discolor (Sprengel) H.Robinson
Vemonanthura phosphorica (Vell.) H.Robinson
BIGNONIACEAE
Cybistax antisyphillitica Mart.
Jacaranda macrantha Cham.
Tabebuia alba (Cham.) Sandw.
Tabebuia chrysotricha (Mart.) Standley
Tabebuia heptaphylla (Vell.) Toledo
Tabebuia serratifolia (Vahl) Nichols
Tabebuia vellosoi Toledo
BORAGINACEAE
Cordia ecalyculata Vell.
Cordia sellowiana Cham.
Cordia superba Cham.
BURSERACEAE
Protium spruceanum (Benth.) Engler
Protium widgrenii Engler
CANELLACEAE
Cinnamodendron dinisii Schwacke
CANNABACEAE
Ceitis ehrenbergiana (Klotzsch) Liebm.
Trema micrantha (L.) Blume
CELASTRACEAE
Maytenus evonymoides Reissek
Maytenus glazioviana Loes.
Maytenus gonoclada Mart.
Maytenus robusta Reissek
Maytenus salicifolia Reissek
Bmi-1 Bmi-2 Bmi-3 Aiu Yma Registro
x 19948
x
X - X
X X
X
X X
X X
X
2883
17244
x - 19949
x x 18213
x 15154
x - 15151
x x 16420
19950
x x
X X
X
XXX
X X
x - 16744
x -
X 19951
17247
x -
x X 17647
x x 17250
x - 16746
x 16747
x - x 17074
x - - 19952
x - x 17251
19953
x - 17075
x - x 17252
x - x 17253
x - 12348
x 15143
x - 16759
x x 16400
x 19954
x - 16940
x - 16619
x - - 18785
x - 17254
x 13233
x - - 19955
x - 17255
Rodriguésia 57 (1): 103-126. 2006
SciELO/JBRJ
12 13 14 15 16 17
Flora arbórea de florestas do maciço do Itatiaia
113
cm
Famílias/Espécies
Bmi-1
Bini-2
Bmi-3
Aiu
Vma
Registro
CHLORANTHACEAE
Hedyosmum brasiliense Mart.
X
X
X
X
-
15170
CLETHRACEAE
x
X
17086
Clethra scabra Pers.
CLLSIACEAE
16236
Clusia criuva Cambess.
‘
X
17256
Clusia fragrans Gardner
X
x
Clusia parviflora Humb. & Bonpl.
“
16454
Garcinia gardneriana (Planch. & Triana) Zappi
“
17257
Tovomitopsis saldanhae Engler
X
COMBRETACEAE
Terminalia glabrescens Mart.
-
-
-
X
-
16410
CTJNONIACEAE
x
15157
Lamanonia grandistipularis (Taub.) Taub.
'
x
X
18372
Lamanonia temata Vell.
‘
X
x
Weinmannia hirta Swartz
“
x
_
Weinmannia humilis Engler
“
X
19959
Weinmannia paulliniifolia Pohl
CYATHEACEAE
x
19956
Alsophila setosa Kaulf
'
X
X
19957
Alsophila stembergii (Stemb.) Conant
19958
Cyathea atrovirens (Langsd.& Fisch.) Domin
x
X
17260
Cyathea corcovadensis (Raddi) Domin
X
17261
Cyathea delgadii Stemb.
x
X
m
19959
Cyathea dichromatolepis (Fée) Domin
X
—
Cyathea glaziovii (Fée) Domin
x
X
X
17263
Cyathea phalerata Mart.
A
X
_
13322
Cyathea villosa Willd.
X
_
17264
Sphaeropteris gardnerí (Hook.) Tryon
dichapetalaceae
Stephanopodium organense (Rizz.) Prance
-
-
-
-
X
-
dicksoniaceae
X
X
17265
Dicksonia sellowiana Hook.
elaeocarpaceae
17266
Sloanea guianensis (Aubl.) Benth.
m
X
17091
Sloanea monosperma Vell.
ericaceae
X
Agarista eucalyptoides (Cham. & Schltdl.) G.Don
‘
m
X
-
Agarista glaberrima (Sleumer) Judd
erythroxylaceae
X
14476
Erythroxylum cuneifolium (Mart.) O.E.Schulz
'
X
-
14477
Erythroxylum deciduum A.St.-Hil.
•
-
19966
Erythroxylum pelleterianum A.St.-Hil.
X
A
escalloniaceae
Escallonia bifida Link. & Otto
-
X
-
-
19960
Rodriguésia 57 (1): 103-126. 2006
SciELO/JBRJ
12 13 14 15 16 17
cm ..
114
Famílias/Espécies
EUPHORBIACEAE
Alchomea glandulosa Poepp. & Endl.
Alchomea sidifolia Müll.Arg.
Alchomea triplinervia (Sprengel) Müll.Arg.
Aparisthmium cordatum (Juss.) Bail.
Croton celtidifolius Bail.
Croton floribundus Sprengel
Croton hecatomandrum Müll.Arg.
Croton organensis Bail.
Croton salutaris Casar.
Croton verrucosus Radcl.-Sm. & Govaerts
Gymnanthes concolor (Sprengel) Müll.Arg.
Manihot pilosa Pohl
Pachystroma longifolium (Nees) Johnston
Pera glabrata (Schott) Poepp.
Sapium glandulosum (L.) Morong
Sapium haematospermum Müll.Arg.
Sebastiania brasiliensis Sprengel
Sebastiania commersoniana (Bail.) Smith & Downs
Tetrorchidium parvulum Müll.Arg.
FABACEAE • CAESALPINIOIDEAE
Bauhinia forficata Link
Cassia ferruginea (Schrad.) Schrad.
Copaifera langsdorffii Desf.
Poeppigia procera Presl.
Sclerolobium rugosum Mart.
Senna macranthera (Collad.) Irwin & Bameby
Senna multijuga (L.C.Rich.) Irwin & Bameby
FAB ACEAE - FABOIDEAE
Dalbergiafrutescens (Vell.) Britton
Dalbergia villosa (Benth.) Benth.
Erythrina falcata Benth.
Machaerium brasiliense Vogei
Machaerium condensatum Kuhlm. & Hoehne
Machaerium hirtum (Vell.) Stellfeld
Machaerium lanceolatum (Vell.) Macbr.
Machaerium minutiflorum Tul.
Machaerium nictitans (Vell.) Benth.
Machaerium reticulatum (Peyr.) Pers.
Machaerium villosum Vogei
Ormosia fastigiata Tul.
Ormosia friburgensis Taub.
Platycyamus regnellii Benth.
FABACEAE - MIMOSOIDEAE
Acacia polyphylla DC.
Albizia edwallii (Hoehne) Bameby & Grimes
Albizia polycephala (Benth.) Killip
Anadenanthera colubrina (Vell.) Brenan
Calhandra tweediei Benth.
Pereira, 1. M. et al.
Bmi-1 Bmi-2 Bmi-3 Aiu Vma Registro
x x
x x
x x
x
x
x
x
x x
x
x
x
X
X
X
X
X
X
X 17096
x x 17268
x x 17097
x - 14881
x 19961
x x 17099
x -
x - 17269
17270
x - 12361
x - 19962
x - 17271
x 13031
x - 17104
x x 15382
19963
x - 19964
x - 19004
19965
x - 17125
x - 19967
x - 16491
x 17273
XXX- 17274
X - x X 19197
x - x 17275
x
X X
X
X
X
X
X
X
X
X - 17016
x - 18026
x - 17277
x - 18029
19969
x - 18030
x - 17020
x - 16519
x x 18031
17278
x - 16520
x - 17279
x
X X 16524
x
X
X
17627
18037
19184
1510
Rodriguésia 57 (1): 103-126. 2006
SciELO/JBRJ
L2 13 14 15 16 17
Flora arbórea de florestas do maciço do Itatiaia
115
cm
Famílias/Espécies
Bmi-1
Bmi-2
Bmi-3
Aiu
Vma
Registro
X
17136
Inga marginata Willd.
X
17281
Inga sessilis (Vell.) Mart.
x
X
17282
Inga striata Benth.
x
17283
Inga vulpina Mart.
X
x
X
18042
Leucochloron incuriale (Vell.) Bameby & Grimes
'
19266
Mimosa artemisiana Heringer & Paula
X
X
X
19968
Mimosa scabrela Benth.
x
X
16507
Piptadenia gonoacantha (Mart.) Macbr.
GRLSnJMACKAE
Griselinia ruscifolia (Cios) Taub.
-
-
-
-
X
-
hypericaceae
X
.
15164
Vismia brasiliensis Choisy
X
_
15792
Vismia guianensis (Aubl.) Pers.
IAMIACEAE
x
X
_
17374
Aegiphila Jluminensis Vell.
x
X
20017
Aegiphila obducta Vell.
X
X
X
12677
Aegiphila sellowiana Cham.
x
_
—
Clerodendron fragrans Willd.
_
-
17290
Hyptidendron asperrimum (Epling) Harley
X
X
16623
Vitex cymosa Bert.
-
19970
Vitex megapotamica (Sprengel) Moldenke
X
X
-
13009
Vitex polygama Cham.
lauraceae
X
Aiouea saligna Meisn.
_
X
-
Beilschmiedia rígida (Mez) Kosterm.
X
19971
Cinnamomum glaziovii (Mez) Vattimo-Gil
.
X
-
16526
Cryptocarya aschersoniana Mez
.
.
X
-
Cryptocarya saligna Mez
X
X
17291
Endlichería paniculata (Sprengel) Macbr.
-
X
17706
Licaría anneniaca (Nees) Kosterm.
X
X
X
17115
Nectandra grandiflora Nees
X
-
17292
Nectandra lanceolata Nees
X
.
X
17293
Nectandra membranacea (Swartz) Griseb.
X
-
16530
Nectandra nitidula Nees
X
X
1 5394
Nectandra oppositifolia Nees
A
x
-
X
17294
Nectandra puberula (Schott) Nees
m
-
X
—
Nectandra reticulata (Ruiz & Pav.) Mez
X
.
X
19972
Ocotea aciphylla (Nees) Mez
x
-
X
15397
Ocotea brachybotra (Meisn.) Mez
x
X
X
X
18015
Ocotea corymbosa (Meisn.) Mez
_
X
-
17118
Ocotea diospyrifolia (Meisn.) Mez
X
-
15050
Ocotea dispersa (Nees) Mez
x
X
X
-
19973
Ocotea elegans Mez
m
-
X
19974
Ocotea indecora (Schott) Mez
X
m
-
X
15398
Ocotea laxa (Nees) Mez
.
-
-
17295
Ocotea longifolia Kunth
m
-
X
19616
Ocotea notata (Nees & Mart.) Mez
Ocotea odorífera (Vell.) Rohwer
-
X
-
X
15402
Fodriguésia 57 (1): 103-126. 2006
SciELO/JBRJ
12 13 14 15 16 17
116
Pereira, I. M. et al.
F amílias/Espécies
Ocotea puberula (Rich.) Nees
Ocotea pulchella Mart.
Ocotea silvestris Vattimo-Gil
Persea fulva Kopp
Persea pyrifolia Nees
Persea venosa Nees
Rhodostemonodaphne macrocalyx (Meisn.) Rohwer
lecythidaceae
Couratari pyramidata (Vell.) R.Knuth.
LYT1IRACFAE
Lafoensia densiflora Pohl
Lafoensia pacari A.St.-Hil.
Lafoensia vandelliana Cham. & Schltdl.
MALPIGHIACEAE
Byrsonima laxiflora Griseb.
Byrsonima myricifolia Griseb.
Byrsonima stipulacea A.Juss.
MALVACEAE
Ceiba speciosa (A.St.-Hil.) Ravenna
Luehea divaricata Mart. & Zucc.
Pseudobombax grandiflorum (Cav.) A.Robyns
melastomaiaceae
Huberia nettoana Brade
Leandra aurea (Cham.) Cogn.
Leandra barbinervis (Cham.) Cogn.
Leandra lancifolia Cogn.
Leandra melastomoides Raddi
Leandra scabra DC.
Leandra sublanata Cogn.
Meriania claussenii Triana
Meriania glabra Triana
Miconia brunnea Mart.
Miconia calvescens DC.
Miconia castaneifolia Naud.
Miconia chamissois Naud.
Miconia chartacea Triana
Miconia cinerascens Miq.
Miconia cinnamomifolia (DC.) Naud.
Miconia conferia DC.
Miconia corallina Spring
Miconia cubatanensis Hoehne
Miconia divaricata Gardner
Miconia eichlerii Cogn.
Miconia fasciculata Gardner
Miconia inconspicua Miq.
Miconia latecrenata (DC.) Naud.
Miconia ligustroides (DC.) Naud.
Miconia minutiflora (Bonpl.) DC.
Bmi-1 Bmi-2 Bmi-3 Aiu
Vma
x
x
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
Registro
16632
15403
19975
17296
18425
19976
18274
17299
19977
16464
16541
17300
17301
16393
16616
17302
17303
17303
17140
19978
12887
17141
9905
17304
17305
15101
11637
15439
17306
17307
15436
19979
19980
17309
19981
PED-12
17310
16547
15434
Rodriguésia 57 (1): 103-126. 2006
SciELO/JBRJ
12 13 14 15 16 17
Flora arbórea de florestas do maciço do Itatiaia
117
Famílias/Espécies
Miconia paulensis Naud.
Miconia prasina (Swartz) DC.
Miconia pusilliflora (DC.) Triana
Miconia sellowiana Naud.
Miconia theaezans (Bonpl.) Cogn
Miconia trianae Cogn.
Miconia tristis Spring
Miconia urophylla DC.
Tibouchina adenostemon (DC.) Cogn.
Tibouchina arbórea (Gardner) Cogn.
Ttbouchina estrellensis (Raddi) Cogn.
Tibouchina granulosa Cogn.
Ttbouchina moricandiana (DC.) Bail.
Tibouchina mutabilis Cogn.
Ttbouchina pulchra Cogn.
Ttbouchina sellowiana (Cham.) Cogn.
Ttbouchina semidecandra (DC.) Cogn.
Ttbouchina stenocarpa (DC.) Cogn.
Trembleya parviflora (D.Don) Cogn.
MEUACEAE
Cabralea canjerana (Vell.) Mart.
Cedrela ftssilis Vell.
Guarea kunthiana A.Juss.
Trichilia elegans A.Juss.
Trichilia emarginata (Turcz.) C.DC.
Trichilia hirta L.
Trichilia pallida Swartz
Bmi-1 Bmi-2 Bmi-3 Aiu
x x x
x x x -
xxx
X
x
X
X X
x
XX-'
X X
x X
X X
X
Vma Registro
x 4062
19982
19983
x 17312
x 19984
x 16549
18288
17313
x 13293
x 19985
x -
15099
x 19986
x 19987
17316
x 16258
x -
x 14496
x 15431
x
x
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
x 15465
x 16553
17149
15770
15429
14964
16863
MONTVIIACEAE
Hennecartia omphalandra J.Poiss.
Mollinedia argyrogyna Perkins
Mollinedia clavigera Tul.
Mollinedia engleriana Perkins
Mollinedia longifolia Tul.
Mollinedia schottiana (Sprengel) Perkins
Mollinedia triflora (Sprengel) Tul.
Mollinedia widgrenii A.DC.
x -
16558
15428
17317
17318
17613
x 17319
x 13102
MORACEAE
Ficus gomelleira Kunth & Bouché
Ficus luschnathiana (Miq.) Miq.
Ficus mexiae Standley
Ficus pertusa L.f.
Madura tinctoria (L.) Steud.
Naucleopsis oblongifolia (Kuhlman) Carauta
Sorocea bonplandii (Bail.) W.Burger
MYRUmCACEAE
Vtrola bicuhyba (Schott) Warb.
x x
x 13335
17320
x - 15426
x . 18948
x . 16562
x 17554
x x 17321
x 12457
16261
15422
Rodriguésia 57 (1): 103-126. 2006
.SciELO/ JBRJ
12 13 14 15 16 17
118
Pereira, 1. M. et al.
Famflias/Espécies
Bmi-1 Bmi-2 Bmi-3 Aiu
Myrsine gardneriana A.DC.
Myrsine lineata (Mez) Imkhan.
Myrsine umbellata Mart.
Myrsine villosissima Mart.
MYKIACEAE
Blepharocalyx salicifolius (Kunth) O.Berg
Calycorectes acutatus (Miq.) Toledo
Calyptranthes clusiifolia O.Berg
Calyptranthes concinna DC.
Calyptranthes grandifolia O.Berg
Calyptranthes widgreniana O.Berg
Campomanesia guaviroba (DC.) Kiaersk.
Campomanesia guazumifolia (Cambess.) O.Berg
Campomanesia laurifolia Gardner
Campomanesia xanthocarpa O.Berg
Eugenia brasiliensis Lam.
Eugenia cerasiflora Miq.
Eugenia dodonaeifolia Cambess.
Eugenia florida DC.
Eugenia hyemalis Cambess.
Eugenia involucrata DC.
Eugenia mansoi O.Berg
Eugenia pluriflora DC.
Eugenia prasina O.Berg
Eugenia sonderiana O.Berg
Gomidesia anacardiifolia (Gardner) O.Berg
Gomidesia sellowiana O.Berg
Marlierea excoriata Mart.
Marlierea racemosa (Vell.) Kiaersk.
Myrceugenia acutiflora (Kiaersk.) D.Legrand & Kausel
Myrceugenia bracteosa (DC.) D.Legrand & Kausel
Myrceugenia miersiana (Gardner) D.Legrand & Kausel
Myrceugenia ovata (Hooker & Amot) O.Berg
Myrcia diaphana (O.Berg) N.Silveira
Myrcia eriopus DC.
Myrcia laruotteana Cambess.
Myrcia multiflora (Lam.) DC.
Myrcia obovata (O.Berg) Nied.
Myrcia pulchra Kiaersk.
Myrcia splendens (Swartz) DC.
Myrcia tomentosa (Aubl.) DC.
Myrciaria floribunda (West) O.Berg
Myrciaria tenella (DC.) O.Berg
Pimenta pseudocaryophyllus (Gomes) Landrum
Plinia cauliflora (Mart.) Kausel
Psidium rufum DC.
Siphoneugena densiflora O.Berg
Siphoneugena kuhlmannii Mattos
Siphoneugena widgreniana O.Berg
x
x
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
Vma Registro
X 17322
19989
x 17167
19988
x 17325
16465
x 14467
x 15417
19991
19992
19993
x 17169
16024
16472
17331
19994
14500
19995
16883
x 17172
19995
x 11040
x -
X -
x 15319
x 16046
17175
19998
19996
x 20001
x 17341
x 12930
17635
x 15350
x 17337
16478
17338
17334
x 17336
16892
16279
20000
16895
17339
x 16484
18964
18965
x 17341
Podriguésia 57 (1): 103-126. 2006
SciELO/ JBRJ
12 13 14 15 16 17
cm
Flora arbórea de florestas do maciço do Itatiaia
1 19
Famílias/Espécies
Bnii-1 Bnii-2 Bmi-3 Aiu Vma Registro
NTCTAGINACEAE
Guapira graciliflora (Schmidt) Lundell
Guapira hirsuta (Choisy) Lundell
Guapira opposita (Vell.) Reitz
OCHNACEAE
Ouratea parviflora (DC.) Bail.
PICRAMNIACEAE
Picramnia glazioviana Engler
Picramnia parvifolia Engler
PIPERACEAE
Piper aduncum L.
Piper amalago L.
Piper cemuum Vell.
Piper crassinervium Kunth
Piper dilatatum L.C.Rich
PODOCARPACEAE
Podocarpus lambertii Klotzsch
Podocarpus sellowii Klotzsch
PROTEACEAE
Euplassa incana (Klotzsch) Johnston
Euplassa itatiae Sleumer
Euplassa legalis (Vell.) Johnston
Euplassa organensis (Gardner) Johnston
Roupala brasiliensis Klotzsch
Roupala montaria Aubl.
Roupala rhombifolia Mart.
QUIINACEAE
Quiina glaziovii Engler
ROSACEAE
Prunus myrtifolia (L.) Urban
RUB1ACEAE
Alibertia myrciifolia K.Schum.
Amaioua guianensis Aubl.
Bathysa australis (A.St.-Hil.) Benth. & Hook.f.
Chomelia brasiliana A.Rich.
Chomelia sericea Müll.Arg.
Coutarea hexandra (Jacq.) K.Schum.
Faramea cyanea Müll.Arg.
Guettarda uruguensis Cham. & Schltdl.
Hillia parasitica Jacq.
hora warmingii Müll.Arg.
Psychotria hastisepala Müll.Arg.
Psychotria suterella Müll.Arg.
Psychotria vellosiana Benth.
Rudgea jasminoides (Cham.) Müll.Arg.
Rudgea recurva Müll.Arg.
x
x
X
3105
15133
15375
20002
20003
15110
15371
20004
17344
17345
17346
17347
15369
12584
16288
15127
17348
16571
10899
15368
16574
20005
15364
17352
12559
17045
16580
13219
16293
16583
16587
20006
10235
15354
15462
Rodriguésia 57 (1): 103-126. 2006
SciELO/JBRJ
12 13 14 15 16 17
120
Pereira, I. M. et al.
cm
Famílias/Espécies Bmi-1 Bmi-2 Bmi-3 Aiu Vma Registro
RUTACEAE
Dictyoloma vandellianum A.Juss.
Esenbeckia grandiflora Mart.
Pilocarpus pauciflorus A.St.-Hil.
Zanthoxylum caríbaeum Lam.
Zanthoxylum rhoifolium Lam.
SABIACEAE
Meliosma brasiliensis Urban
Meliosma itatiaiae Urban
Meliosma sellowii Urban
Meliosma sinuata Urban
SALICACEAE
Casearia arbórea (L.C.Rich.) Urban
Casearia decandra Jacq.
Casearia grandiflora Cambess.
Casearia lasiophylla Eichler
Casearia mariquitensis Kunth
Casearia obliqua Sprengel
Casearia pauciflora Cambess.
Casearia rufescens Cambess.
Casearia rupestris Eichler
Casearia sylvestris Swartz
Casearia ulmifolia Vahl
Xylosma prockia (Turcz.) Turcz.
Xylosma venosa N.E.Brown
SAPINDACEAE
Allophylus edulis (A.St.-Hil.) Radlk.
Allophylus guaraniticus (A.St.-Hil.) Radlk.
Allophylus semidentatus (Miq.) Radlk.
Cupania ludowigii Somner & Ferruci
Cupania racemosa (Vell.) Radlk.
Cupania vemalis Cambess.
Cupania zanthoxyloides Cambess.
Diatenopteryx sorbifolia Radlk.
Matayba guianensis Aubl.
Toulicia laevigata Radlk.
SAPOTACEAE
x x
X
X
x X 16297
20007
17358
x - 15119
x - 15472
x x 20008
x -
X - - X 15476
x 13542
x - 17286
x x 17287
x 17698
x x 16447
x - 17107
x x 19517
17288
x -
X - - 20009
x x 17658
x - 16040
x - - 17658
x - 17289
x x 20010
x
- - x - 19148
x x - x - 20011
x 15446
x x - 17210
x x x 15447
x - 17211
x x * x x 17212
x 17361
Chrysophyllum gonocarpum (Mart. & Eichler) Engler
Chrysophyllum marginatum (Hooker & Amot) Radlk.
Micropholis crassipedicelata (Mart. & Eichler) Pierre
Micropholis gardneriana (A.DC.) Pierre
Poutería caimito (Ruiz & Pav.) Radlk.
Pouteria guianensis Aubl.
SIPARUNACEAE
17213
x x 16927
x -
x 15111
x 17362
17363
Siparuna cujabana (Mart.) A.DC.
Siparuna guianensis Aubl.
Podriguésia 57 (1): 103-126. 2006
SciELO/JBRJ
12 13 14 15 16 17
Flora arbórea de florestas do maciço do Itatiaia
121
cm
Famflias/Espécies
Bmi-1
Bmi-2
Bmi-3
Aiu
Vnia
Registro
SOLANACEAE
Brugmansia suaveolens (Willd.) Bercht. & J.Presl.
_
X
-
-
-
17364
17365
17366
17367
17393
20012
15478
Cestrum corymbosum Schltdl.
Cestrum schlechtendalii G.Don
-
X
X
X
X
X
Dyssochroma viridiflora Miers
X
“
“
Solcmum bullatum Vell.
X
“
X
Solanum cinnamomeum Sendt.
-
X
X
“
Solanum granulosoleprosum Dunal
X
X
X
X
X
Solanum itatiaiae Glaziou
-
"
20013
17218
Solanum lepidotum Dunal
X
X
X
Solanum leucodendron Sendt.
"
X
17369
17370
Solanum pseudoquina A.St.-Hil.
-
X
X
X
Solanum swartzianum Roem. & Schult.
“
X
X
STYRACACEAE
Pamphilia aurea Mart.
-
X
-
-
-
17371
SYMPLOCACEAE
15486
Symplocos celastrinea Mart.
X
X
X
17372
Symplocos insignis Brand
“
X
X
A
THEACEAE
x
20014
Gordonia fruticosa (Schrader) H.Keng.
X
theophrastaceae
Clavija macrophylla (Link) Miq.
-
-
-
-
X
-
thymelaeaceae
15436
Daphnopsis coriacea Taub.
X
x
20015
Daphnopsis fasciculata (Meisn.) Nevling
X
X
20016
Daphnopsis martii Meisn.
X
20114
Daphnopsis sellowiana Taub.
X
WíTICACEAE
x
X
16403
Cecropia glaziovii Snethl.
“
X
x
X
10290
Cecropia hololeuca Miq.
“
X
x
16404
Cecropia pachystachya Trécul
'
x
.
17082
Coussapoa microcarpa (Schott) Rizz.
■
x
.
17769
Crera caracasana (Jacq.) Griseb.
VERBENACEAE
Duranta vestita Cham.
X
-
-
-
-
20018
VOCHYSIACEAE
x
16303
Qualea cordata (Mart.) Sprengel
m
x
m
19552
Qualea dichotoma (Mart.) Warm.
—
X
17224
Vochysia bifalcata Warm.
“
X
_
Vochysia glazioviana Warm.
“
X
—
Vochysia laurifolia Warm.
“
x
m
17376
Vochysia magnifica Warm.
“
X
X
—
Vochysia rectiflora Warm.
■
X
—
Vochysia schwackeana Warm.
■
x
m
17227
Vochysia tucanorum Mart.
“
A
WINTERACEAE
Drimys brasiliensis Miers _
-
X
X
X
17377
Rodriguésia 57 (1): 103-126. 2006
SciELO/JBRJ
12 13 14 15 16 17
cm i
Pereira, I. M. et al.
2. Análise florística
Segundo Gentry (1995), a composição e
riqueza de espécies lenhosas nas florestas
tropicais está relacionada a cinco gradientes
principais: o intercontinental, o latitudinal, o de
precipitação, o edáfíco e o altitudinal. Os dois
últimos provavelmente explicam boa parte da
diferenciação florística entre os seis
remanescentes florestais do maciço do Itatiaia
que emerge do dendrograma gerado pela
análise de agrupamentos (Fig. 2, Tabela 3). A
área Bmi-1 mostrou-se como a mais distinta,
separando-se no nível mais baixo de
similaridade com as demais áreas (Ij = 0,08 a
0,16), o que sugere que o fator edáfíco foi
preponderante, pois este é o único
remanescente de floresta ombrófila aluvial
entre as fisionomias representadas. Conforme
discutido acima, este padrão reforça o critério
do IBGE (1997) de classificação das florestas
aluviais como uma fisionomia bem particular,
independente do piso altitudinal. A segunda
área a se destacar pela composição foi Itt, que
também apresentou valores muito baixos de
similaridade florística com as demais áreas
(coincidentemente, Ij = 0,08 a 0,16). Segue-se
a área de Vma, que é também a única área de
floresta ombrófila mista. Nestes dois casos, é
importante salientar que, ao contrário dos
demais remanescentes, Itt e Vma encontram-
se na vertente oceânica do maciço do Itatiaia
e bacia do rio Paraíba, enquanto os demais
remanescentes (Bmi-1/2/3 e Aiu) encontram-
se na vertente continental e bacia do rio
Grande. A exposição de vertentes em cadeias
de montanha pode ter um papel fundamental
na definição de padrões de precipitação e
temperatura e, por conseguinte, na distribuição
de espécies de plantas (Hugget 1995). No
complexo da Mantiqueira, em geral, as chuvas
tem uma distribuição mais estacionai nas
vertentes continentais que nas oceânicas
(Oliveira-Filho & Fontes 2000). Contudo, esta
explicação não pôde ser aplicada ao presente
caso, pois os dados climáticos não corroboram
esta tendência: as estações secas com menos
chuva se verificaram em Itt e Aiu, com
exposição oceânica e continental,
respectivamente, e o mesmo ocorreu com as
estações secas com mais chuva, em Vma e
índice de similaridade ('/•)
ig 75^ . 50 25 o
Bmi-1
Bmi-2 i
Mu '
Bmi-1 —
Vma
Itt
Figura 2 - Dendrograma de similaridade produzido por
análise de agrupamento da composição de espécioes de
seis áreas de floresta ombrófila montana no maciço do
Itatiaia nos estados de Minas Gerais e Rio de Janeiro.
Bmi-1/2/3 = Bocaina de Minas 1/2/3, Aiu = Aiuruoca;
Vma = Visconde de Mauá; Itt = Itatiaia.
Tabela 3 - Matnz florística das seis áreas de floresta ombrófila montana da região do maciço do Itatiaia
mostrando o número de espécies em comum entre as áreas na metade superior direita e os índices de
similaridade de Jaccard na metade inferior esquerda. Bmi-1/2/3 = Bocaina de Minas 1/2/3 Aiu = Aiuruoca-
Vma =
Visconde de Mauá; Itt = Itatiaia.
Bmil
Bmi2
Bmi3
Aiu
Itt
Vma
Totais
Bmil
-
41
21
38
15
26
81
Bmi2
0,16
-
85
119
45
85
218
Bmi3
0,12
0,34
-
59
24
51
119
Aiu
0,14
0,36
020
-
44
79
228
Itt
0,08
0,15
0,11
0,14
-
44
127
Vma
0,11
026
021
0,23
0,16
190
Rodriguésia 57 (1): 103-126. 2006
SciELO/ JBRJ
12 13 14 15 16 17
cm
Flora arbórea de florestas do maciço do Itatiaia
Bmi. É possível que fatores históricos e
geográficos, como as flutuações climáticas e
isolamento entre bacias pelas cadeias
montanhosas, exerçam uma influência mais
forte que o próprio clima atual das áreas.
As três áreas de maior similaridade
florística entre si (Ij = 0,20 a 0,36) são,
precisamente, as fisionomias de floresta
ombrófila montana da vertente continental. A
maior semelhança foi verificada entre Bmi-2
e Aiu (Ij = 0,36 e 119 espécies em comum),
apesar da distância entre elas, cerca de 45 km,
ser bem superior à que separa Bmi-2 e Bmi-3,
apenas 5 km. A maior dissimilaridade entre
estas duas áreas e Bmi-3 deve-se
provavelmente ao fato de se tratar de uma
floresta em estágio inicial de sucessão, ao
contrário das outras duas, que são bem mais
maduras. No entanto, isto só é claro na distinção
entre Aiu e Bmi-3, pois a similaridade florística
entre Bmi-2 e Bmi-3 também pode ser
considerada alta (I. > 0,30). Isto se deve
provavelmente ao fato de que estas áreas
encontram-se geograficamente bem próximas
e sob condições topográficas e edáficas bem
parecidas, sendo o estágio sucessional o único
fator diferenciador evidente entre elas.
Conclusões
A flora arbórea das florestas do maciço do
Itatiaia pode ser considerada como uma das mais
ricas entre as florestas atlânticas de montanha
do sudeste do Brasil. Muito desta diversidade
deve-se à pronunciada heterogeneidade florística
entre as florestas da região. Entre os fatores que
provavelmente influenciam mais fortemente esta
diferenciação florística estão a exposição de
vertentes, o regime de drenagem dos solos e o
estágio sucessional.
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12 13 14 15 16 17
cm
Novidades taxonômicas em espécies brasileiras de Crotalaria
sect. Calycinae Wigiit &Arn. (Leguminosae-Papilionoideae)
Andreia Silva Flores'2, Andréa Martinelli Filliettaz1
& Ana Maria Goulart de Azevedo Tozzi 13
(Novidades taxonômicas em espécies brasileiras de díí vtr i^ad^Sa/flrL
Papilionoideae)) São propostas as smonnmzações de quatro e p . wínHW A
bluiensis Windler Al Skinnef em CromlarU, Aflora Benth C
S.G.Skinner em Mano , mniana Benth. sübsp. numiana. Cromhna
Crmlaria MMH var. serica Windler & S.G.Skinner. Cwmlam MU, W nd to & S G.SIgniier e
Criaria fiamcoma var. major Midrdi etn Cro, alaria ma mana subsp. mohlenM^m^&
S.G.Skinner) Planchuelo. Também são propostos a transferencia de C. . c subdeCurrens
marüarn subsp. manta, , a para C. marriana subsp. mohlenbrocku e o restabelec, mento üí C. suMrtttm™
Mart. ex Benth. à categoria específica.
Palavras-chave: Crotalaria, Calycinae, Leguminosae, Brasil, taxonomia.
Sl" novelties in Brazilian speeies of Crotatarta sect. <*+?*£*£ 'ffiSa
Papilionoideae)) The synonymy of four species and two varieties. roc Crotalaria martiana
Skinncr lo Crolalaría gramlijlora Benth-,
Benth. subsp. martiana, Crotalaria liatsclibaclui Windler , • f],lvjcoma var mn/or Micheli to
Windler á ÍG.Skinnc,CraM/írria/W/»\^dler&SG^SkmncraidCrow/flrar^rva^aar^^''Jjy^^^^
Crotalaria martiana subsp. mohlenbrocku (Windler á S. . martiana subsp. mohlenbrockii and
of C. paraguariensis from synonymy of C. mamam subsp. ,nart,anc «to C P
the reinstatement of C. subdecurrens Mart. ex Benth. to the spcc.f.c rank are propo. .
Key-words: Crotalaria. Calycinae. Leguminosae. Brazihmonorny
Introdução
As espécies de Crotalaria são caracteri-
zadas por apresentarem folhas digitado-
trifolioladas, unifolioladas ou simples, androceu
monadelfo aberto na base, anteras dimorfas e
legumes inflados. O gênero é considerado o
terceiro maior de Papilionoideae, com cerca
de 600 espécies distribuídas pelos trópicos e
subtrópicos, com a maioria ocorrendo na África
tropical, considerada como o centro de
diversidade das espécies (Polhill 1981).
A classificação infragenérica atual de
Crotalaria foi estabelecida por Polhill (1968)
e reformulada por Bisby & Polhill (1973), a
partir de caracteres morfológicos florais, como
a forma do receptáculo, grau de torção do bico
da quilha, posição dos apêndices no estandarte,
cálice bilabiado ou não e a forma do estilete.
As espécies do gênero estão agrupadas em oito
seções, sendo que quatro estão representadas
no Brasil: duas destas apresentam elementos
nativos: Crotalaria sect. Calycinae e
Crotalaria sect. Chrysocalycinae (Benth.)
Bak.f. enquanto que Crotalaria sect.
Hedriocarpae Wight & Am. e Crotalaria sect.
Crotalaria apresentam espécies exóticas.
As espécies pertencentes à seção
Calycinae caracterizam-se principalmente por
apresentar o ápice das peças da quilha torcido,
apêndices restritos à lâmina do estandarte e
cálice profundamente bilabiado, geralmcnte tão
longo quanto a corola. A seção possui cerca
de 70 espécies, principalmente na Asia,
estendendo também na Austrália, África e na
região Neotropical.
Na América do Norte, parte das espécies
desta seção foi tratada por Rafinesque (1836),
denominando-a como subgênero locaulon, e
rtigõTecebido cm 07/2005. Aceito para publicação em 10/2005.
rograma de Pós-Graduação em Biologia Vegetal -Umcamp de Botflnjea. CP 6109, CEP 13083-970.
Iniversidade Estadual de Campinas, Instituto de Biologia, p
ampinas, São Paulo, Brasil.
iutor para correspondência: anatozzi@unicamp.br
!scíelo/jbrj
12 13 14 15 16 17
cm ..
128
por Windler (1971). Para o Brasil, as espécies
de Calycinae foram estudadas por Bentham
(1859) na série Simplicifoliae, então constituída
por 21 espécies, por Filliettaz (2002), que
reconheceu 14 espécies nativas e Flores (2004),
que tratou as espécies de Crotalaria perten-
centes às quatro seções ocorrentes no Brasil.
Como resultado destes dois últimos
trabalhos (Filliettaz 2002, Flores 2004), algumas
alterações na circunscrição de determinados
táxons foram propostas e o objetivo do presente
artigo é formalizar as delimitações taxonômicas
aceitas para as espécies de Crotalaria sect.
Calycinae ocorrentes no Brasil.
Material e Métodos
Os resultados deste trabalho basearam-
se nos dados do tratamento taxonômico do
gênero Crotalaria no Brasil (Filliettaz 2002,
Flores 2004). Os dados foram obtidos através
da análise de exsicatas, fotografias e coleções
tipo dos seguintes herbários: BHMH, C, F, HB,
IAN, K, M, MBM, MO, NY, R, RB, SP, UEC
(siglas conforme Holmgren et al. 1990).
Resultados e Discussão
1. Crotalaria grandiflora Benth., Ann. Nat
Hist. 3: 429. 1839.
Crotalaria acutiflora var. grandiflora
(Benth.) Benth., Fl. bras. 15(1): 23. 1859.
Typus: BRASIL, near Cercado , Pohl
(holótipo K; foto holótipo F!).
Crotalaria brasiliensis Windler & S. G.
Skinner, Phytologia 50: 194. 1982 Typus-
BRASIL. DISTRITO FEDERAL: Cachoeira
Piripiripau, ca. 15 km S of Planaltina, H. S.
Irwin et al. 26425 (Holótipo MO; isótipo
IAN!; foto holótipo MO!) syn. nov.
Crotalaria brasiliensis foi descrita durante
a preparação da monografia de Crotalaria para
a Flora Neotropica (Windler & Skinner 1 982a),
sendo conhecida somente pela coleção tipo e
por um outro material coletado no Brasil e
depositado no herbário em Paris (P).
Comparando-se a descrição de C.
brasiliensis (Windler & Skinner 1982a) com a
de C. grandiflora (Bentham 1839) e com os
Flores. A. S.. Filliettaz. A. M. & Tozzi. A. M. G. A.
materiais identificados como C. grandiflora,
foi observado que as características são muito
semelhantes, inclusive nas dimensões das folhas
e flores. A sinonimização de C. brasiliensis
também foi baseada pela distribuição simpátrica
com C. grandiflora, no Distrito Federal (Brasil)
e devido ao caráter diagnóstico utilizado pelos
autores (Windler & Skinner 1982a) para
diferenciarem estas espécies que foi a posição
da inflorescência. Segundo os autores, C.
brasiliensis possui inflorescência opositifólia
enquanto que em C. grandiflora a inflores-
cência é terminal em ramos axilares curtos. No
entanto, em C. brasiliensis foi constatada a
presença de inílorescências axilares em maior
freqüência do que opositifólia
2. Crotalaria martiana Benth. subsp.
martiana, London J. Bot. 2: 482. 1843.
Crotalaria foliosa var. martiana (Benth.)
Benth., Fl. bras. 15(1): 24. 1859. Crotalaria
martiana Benth. subsp. martiana sensu
Planchuelo, Candollea 53(2): 462. 1998, excl.
syn. Crotalaria paraguayensis Windler & S.
G. Skinner. Typus: BRASIL C. F P. Martius
1142 (holótipo M; foto holótipo M!; isótipo NY;
foto isótipo NY!)
Crotalaria barretoensis Windler & S.
G.Skinner, Phytologia 50(3): 189. 1982. Typus:
BRASIL. MINAS GERAIS. Serra do Cipó,
estrada de Conceição, município Conceição,
XI. 1 938, M. Barreto 8602 (holótipo F! ; isótipos
BHMH!, R!) syn. nov.
A sinonimização de Crotalaria
barretoensis em C. martiana subsp. martiana
foi baseada nas afinidades morfológicas
marcantes, como forma de folha e pétalas da
quilha, e de distribuição geográfica. Windler
& Skinner (1982a), ao estabelecerem C.
barretoensis, caracterizaram-na por apresentar
hábito arbustivo, inílorescências terminais e
brácteas truladas a ovais, sendo endêmica na
Serra do Espinhaço, Minas Gerais. Entretanto,
analisando os materiais correspondentes a estes
táxons foi verificado que estes não apresentam
caracteres constantes para sua distinção. Ambos
os táxons possuem o mesmo tipo de hábito
arbustivo, as inílorescências podem ser terminais
Rodriguésia 57 (1): 127-130. 2006
SciELO/JBRJ
12 13 14 15 16 17
Novidades taxonômicas em Crotalaria
129
ou algumas vezes opositifólias e as brácteas são
foliáceas, variando de ovais a truladas.
3. Crotalaria martiana subsp. mohlenbrockii
(Windler & S.G.Skinner) Planchuelo, Candollea
53(2): 465. 1998. Crotalaria foliosa Benth.,
Ann. Nat. Hist. 3: 429. 1 839, non Rottler, 1 803,
Crotalaria mohlenbrockii Windler & S. G.
Skinner, Brittonia 34(3): 344. 1982. Crotalaria
foliosa var. a obovata Benth., Fl. bras. 15(1):
24. 1859, nom. superfl. Typus: BRASIL.
MINAS GERAIS: Montes Claros, Pohl 1122
(lectótipo W, designado por Windler & Skinner
(1982b); isolectótipo K).
Crotalaria paraguayensis Windler
& S.G. Skinner, Brittonia 34(3): 343. 1982.
Typus: PARAGUAI. CORDILLERA:
Cordillera de Altos, Cerro Çhoché, IV- 1902,
Fiebrig 226 (holótipo US; isótipos BAF, BM,
F, G, K, W; foto isótipo K!) syn. nov.
Crotalaria liatschbacliii Windler &
S.G. Skinner, Phytologia 50(3): 200. 1982.
Typus: BRASIL. MATO GROSSO: Rondonó-
polis: Serra da Petrolina, XII- 1 974, G.
Hatschbach 34139 (holótipo NY; isótipo B ALT,
C!, HB!, MBM!; foto holótipo NY!) syn. nov.
Crotalaria hatschbachii var. sericea
Windler & S. G. Skinner, Phytologia 50(3): 202.
1982. Typus: BRASIL. GOIÁS: Estrada Alto
Paraíso-Campo Belo km 41, XII- 1976. G. J.
Shepherd et al. 3735 (holótipo NY; isótipo
UEC!; Foto holótipo NY!) syn. nov.
Crotalaria bellii Windler & S. G. Skinner,
Phytologia 50(3): 62. 1982. Typus: BRASIL.
GOIÁS: Chapada dos Veadeiros, ca. 30 km
NW of Veadeiros, 11-1996, H. S. Irwin et al.
12951 (holótipo US; isótipos K, MO, NY, RB!,
SP!; foto isótipo NY!) syn. nov.
Crotalaria Jlavicoma var. major Micheli,
Vidensk. Meddel. Dansk Naturhist. Foren.
Kjpbenhavn 1875: 62. 1875. Typus: BRASIL.
SÃO PAULO: São Carlos, in campis. 1-1834.
Lund (holótipo C!; isótipo C!) syn. nov.
Crotalaria mohlenbrockii é um nome
novo proposto por Windler & Skinner ( 1 982b)
para C. foliosa Benth., que é um homônimo
posterior de C. foliosa Rottler.
RndriguJ.iia 57 (1): 127-130. 2006
Crotalaria hatschbachii, Crotalaria
hatschbachii var. sericea, Crotalaria bellii e
Crotalaria flavicoma var. major são táxons
muito relacionados a C. martiana subsp.
mohlenbrockii, sendo que C. hatschbackii loi
diferenciada desta apenas por apresentar
inflorescência opositifólia. Entretanto, da mesma
forma que foi observado para C. martiana, a
inflorescência é predominantemente terminal,
mas em vários espécimes foi constatada a
presença de inflorescências opositifólias.
Segundo Windler & Skinner (1982a) Crotalaria
bellii é uma espécie restrita na região da Chapada
dos Veadeiros (Goiás), porém analisando os
materiais citados como parátipos pelos autores,
observou-se que um destes (Irwin et al. 12673)
se tratava de C. grandiflora Benth., enquanto
nos isótipos analisados foi constatada a
semelhança com C. martiana subsp.
mohlenbrockii, principalmente, em relação à
forma das folhas e tamanho de flor.
Através da análise do material tipo, também
foi constatado que C. Jlavicoma \ ar. major não
apresenta descontinuidades que justifiquem seu
reconhecimento como táxon distinto e este é um
exemplar tipicamente pertencente a C. martiana
subsp. mohlenbrockii. Considerando C.
flavicoma, a pilosidade hirsuta dos ramos e folhas
é um caráter diagnósüco que possibilita seu pronto
reconhecimento em relação a C. martiana
subsp. mohlenbrockii que possui pilosidade
sericea nestas estruturas.
Windler & Skinner (1982b) reconheceram
três espécies neste complexo: descreveram C.
paraguayensis, propuseram o nome novo C.
mohlenbrockii para C. foliosa e restabeleceram
a categoria de espécie para C. martiana Benth.
Os autores distinguiram as três espécies
principalmente pelo comprimento das
inflorescências, tamanho e forma de folhas,
pilosidade do cálice e na distribuição geográfica
do grupo. Posteriormente, Planchuelo (1998)
propôs C. martiana como única espécie com
duas subespécies baseadas no comprimento das
inflorescências. C. paraguayensis foi sinoni-
mizada a C. martiana típica e C. mohlenbrockii
passou a subespécie de C. martiana. As
semelhanças morfológicas e de distribuição
SciELO/JBRJ
12 13 14 15 16 17
cm
130
geográfica entre C. paraguayensis e C.
martiana subsp. mohlenbrockii são mais
fundamentadas, de forma que é proposta a
transferência deste táxon da sinonímia da
subespécie típica para a subespécie
mohlenbrockii.
4. Crotalaria subdecurrens Mart. ex Benth.,
Fl. bras. 15(1): 20. 1859. Typus: BRASIL.
“Habitat in provinciae Minarum campis ad
Contendas”, C.F.P. Martius 1606 (lectótipo
M, foto lectótipo M!, designado por Windler &
Skinner, Phytologia 49: 429. 1981).
Crotalaria subdecurrens foi descrita por
Bentham (1859) e comparada com C.
breviflora DC., especialmente quanto à inflo-
rescência e bráctea, e com C. grandiflora
quanto ao estandarte. Diferenciada de C.
breviflora pelas flores maiores e de C.
grandiflora pelas estipulas (Bentham 1859),
foi sinonimizada a C. breviflora var. pohliana
(Windler & Skinner 1 98 1 ), por apresentar cálice
maior que 15,1 mm compr. e estipula bem
desenvolvida. Neste trabalho, C. subdecurrens
é reconhecida como uma espécie distinta de
C. breviflora, da qual difere pela flor com
cerca de 17-22 mm de comprimento, cálice
com 17-21 mm de comprimento, ápice do
botão floral rostrado e indumento denso-seríceo
ou velutino. Em C. breviflora, a flor e o cálice
possuem de 1 0-1 5 (-17) mm de comprimento,
ápice floral não rostrado e indumento seríceo
ou finamente pubescente.
Agradecimentos
As autoras agradecem aos curadores dos
herbários consultados, à Capes pela bolsa de
mestrado concedida para A. M. Filliettaz; à
FAPESP pela bolsa de doutorado concedida
para A. S. Flores (proc. 00/11674-2).
Referências Bibliográficas
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In Martius, C. F. P. von; Eichler, A. W.
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Bisby, F. A. & Polhill, R. M. 1973. The role of
taximetrics in angiosperm taxonomy II.
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Crotalaria L. New Phytologist 72: 727-742.
Filliettaz, A. M. 2002. Estudos taxonômicos de
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Crotalarieae) no Brasil. Dissertação de
mestrado, Universidade Estadual de
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in the American Crotalarias (Fabaceae).
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. 1982b. The taxonomy and
nomenclature of Crotalaria foliosa
(Leguminosae) and related species.
Brittonia 34: 340-345.
Rodriguésia 57 (I): 127-130. 2006
SciELO/JBRJ
12 13 14 15 16 17
cm
Acácia GLOBOSA E Acácia UMAE , DUAS NOVAS ESPÉCIES DE
Leguminosae-Meviosoideae para o Brasil* 1
Ana Luiza Du Bocage2 & Silvia Teresinha Sfoggia Miotto 3
{Acacia globosa e Acacia limae, duas novas espécies de Leguminosae-M.moso.deae para o Bn* \ Acacia
globosa e A. limae são descritas e ilustradas. Acacia globosa é semelhante & A. npana , ^ ^ "re pdo
número de pares de folíolos 5-7, pelo pecíolo, rdquis foliar e fohólulos
próxima de A. riparia, diferindo pelas glândulas do pecíoloestipita ase cava as. cc r.eriis
no estado da Bahia e Acacia limae é encontrada nos estados da Bahia, Pernambuco e Minas Gerais.
Palavras-chave: Acacia , Leguminosae, Mimosoideae, caatinga, Brasil.
{Acacia globosa and Acacia limae, two new species of l^gumwosae-Mimosoideae m
and A. iLe are dcscribed and illus„ated Acacia globosa is State o A. npana, mm “
nnmber of pairs „f pinnae 5-7. b, A. peide. senceous racte
riparia, differing in the stipitate and clavate petiole glands. ■ P .
and the second is found in the States of Bahia, Pernambuco and Minas Gerais.
Key-words: Acacia, Leguminosae, Mimosoideae. caatinga. Brazij
Acacia é o segundo maior gênero de
Leguminosae, com cerca de 1.350 especies
e com distribuição cosmopolita (Maslin et
al. 2003). No Brasil, há aproximadamente
44 espécies, as quais ocorrem desde a
Região Norte, até a Região Sul do país (Rico-
Arce 2003). As espécies deste gênero vivem
em ambientes muito diversos, desde florestas
tropicais perenifólias, às regiões mais áridas
do mundo (Rico-Arce 2003). No semi-árido
brasileiro as 16 espécies ocorrem, preferen-
cialmente, em caatinga arbórea, caatinga
arbustiva e mata de cipó (Du Bocage 2005).
O gênero Acacia está dividido, segundo Vassal
(1972) em três subgêneros: Acacia subg.
Acacia, A. subg. Aculeiferam e A. subg.
Phyllodinea. As espécies aqui descritas
pertencem ao subg. Aculeiferum, por
possuírem acúleos.
Acacia globosa A. Bocage & Miotto, sp, nov.
Tipo: BRASIL. BAHIA: Palmeiras,
3. III. 2003, fl., A. Bocage, C. N. Gonçalves
& C. F. Azevedo-Gonçalves 872 (holótipo
ICN, isótipo IPA). FiS- 1
Acacia globosa petiolo instructo
glandula única; glandula sessili et globosa,
1.0 mm longa etfoliolulis sericeis supra et
infra distingueda. Haec species A. riparia
Kunth affinis sed 5-7 foliolulis, petiolo,
rhachidi fdiacea etfoliolulis sericies differt.
Etiam affinis A. limae amplitudine et forma
leguminum et numero foliolulorum.
Arbustos 2 a 3 m alt. Ramos levemente
angulosos, com acúleos recurvos c esparsos,
1 mm compr. Estipulas não vistas. Folhas 5-7
pares de folíolos; pecíolo canaliculado, seríceo,
1-1,7 cm compr., glândula séssil, globosa, 1
nun compr., no meio do pecíolo; ráquis foliar
canaliculada, serícea, 6-6,5 cm compr..
geralmente aculeada, com glândulas iguais as
tigo recebido em 09/2005. Aceito para publicação em 01/2006. r.raduacão em Botânica, da Universidade
arte da tese de Doutorado da primeira autora apresentada ao Curso de Fos cr
deral do Rio Grande do Sul. Apoio financeiro: CNPq. San Martin, 1371, Bongi, 50761-000, Recife,
mpresa Pernambucana de Pesquisa Agropecuária - 1 . v-
mambuco. Brasil, dubocage@terra.com.br , c , Av itcnto Gonçalves, 9500, bloco IV, prédio
'apartamento de Botânica - Universidade Federal do Rt o Grande do Sul. Av. Bent
433, 91501-970, Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brasil.
SciELO/JBRJ
12 13 14 15 16 17
cm ..
132
do pecíolo, porém menores, entre os dois
últimos pares de folíolos; folíolos com 17-25
pares de foliólulos, sésseis a curtamente
peciolulados, 5—6 x 1 ,5—2 mm, oblongos, base
levemente oblíqua, ápice obtuso, membranáceos,
seríceos em ambas as faces, margem ciliada,
nervura principal central. Panículas axilares e
terminais, apresentando fascículos de 2 a 4
glomérulos globosos ao longo dos eixos e/ou
glomérulos axilares, glomérulos 1, 7-2,2 mm
diâm.; brácteas caducas, 1,5 mm compr.,
espatuladas, velutinas, no meio do pedúnculo;
bractéolas semelhantes, menores que as
brácteas; pedúnculo 1 ,2-2 cm compr., seríceo;
flores curtamente pediceladas; cálice tubuloso,
2,5-3 mm compr., glabro na base e puberulento
no ápice, lacínias 0,5 mm compr.; corola
tubulosa, 5-6 mm compr., glabra na base e
puberulenta no ápice, lacínias 0,5 mm compr.;
estames creme; ovário glabro, 1,5 mm compr.,
estípite 1 mm compr. Legumes 1 1 ,5-16 x 2,5-
3 cm, elípticos, base atenuada, ápice apiculado
a agudo, glabros, castanho-escuros, margem
saliente; sementes 1-1,2 x 0,6-0, 7 cm, elípticas,
marrom-escuras.
Parátipos: BRASIL. BAHIA: Abaíra, na
estrada para Catolés, 25.XU.1988, fl„ R. M.
Harley et al. 27741 (CEPEC); id„ arredores
de Catolés, na estrada para Guarda Mor,
27.XII.1988, fl., R. M. Harley et al. 27823
(CEPEC); Catolés, 13°17’00”S 4r51’00”W,
20.XII.1991, fl., R. M. Harley et al. 50178
(HUEFS); id., 31.X.1996, fl., L. P. Queiroz &
M. M. Silva 3846 (HRB); id., Catolés-Água
Limpa, 18.IX.1999, fl., A. S. Conceição et al.
366 (HUEFS, ICN); estr. Bom Jesus da Lapa-
Igapora, km 33, 2.VII.1983, fl. fr., L. Coradin
et al. 6336 (CEPEC); Livramento do
Brumado, na rodovia para vila de Rio de
Contas, 13°39’00”S 41°50’00”W, 23.IU.1977,
fl. fr., R. M. Harley 19846 (CEPEC, IPA);
Cachoeira do Brumado, 2,5 km na estrada de
Livramento do Brumado para Rio de Contas,
28.III.1991, fl. fr., G. P. Lewis & S. M. M. de
Andrade 1926 (CEPEC); Dom Basílio,
Fazendinha, 28. XII. 1989, fl. fr., A. M.
Du Bocage. A. L & Miono, S. T. S.
Carvalho et al. 2694 (CEPEC); Itaberaba,
22. III. 2000, fl., P Unaldo 67 (HUEFS);
Malhada de Pedras, estrada que liga a BR 030
a Malhada de Pedras, 28.IU.1984, fr., J. E. M.
Brazão 288 (RB); Mucugê, na estrada Abaíra-
Mucugê, 14.11.1992, fl. fr., L P. Queiroz 2623
(CEPEC, HUEFS); Palmeiras, 36 km da BR
242, 17. XI. 1983, fl., G. C. P. Pinto et al. 448
(CEPEC, HRB); id., 3.X.2003, fl., A. Bocage
et al. 870 (ICN); Piatã, estrada Catolés-Ouro
Verde, 28.VIII.1992, fl., W. Ganev 983
(CEPEC); id., estrada Catolés/Piatã, 1 3°14’46”
5 41°45’26”W, 9.XI.1996, fl., W, H. P. Bautista
6 D. J. N. Hind 4179 (ALCB, CEPEC,
HRB); id., margem da estrada, antes de
Pindobal, 19.11.2000, fl., F. S. Cavalcanti s/n
(EAC 29151); Rio de Contas, Pico das Almas,
13°32’00”S41°54’00”W, 1 1. XI. 1988, fl., R. M.
Harley & B. Stannard 27119 (CEPEC); id.,
25.1.1998, fl., L. P. Queiroz et al. 4936
(HUEFS); id., estrada para o povoado de Mato
Grosso, 27.11.2001, fl., R. M. Harley & A. M.
Giulietti 54113 (HUEFS); id., estrada Real,
s/d, fl., A. M. Giulietti & R. M. Harley 1602
(HUEFS).
Acacia globosa apresenta muitas
semelhanças morfológicas com A. riparia,
como porte arbustivo, cor e tamanho dos
glomérulos, porém difere no número de pares
de folíolos e na pilosidade da ráquis foliar e
dos foliólulos.
Bentham (1876) cita A. riparia para os
estados do Rio de Janeiro e São Paulo.
Segundo Silva (1990) esta espécie ocorre na
América do Sul, no Perú e Brasil (Amazonas).
Na região do semi-árido ocorre nos estados
do Piauí, Ceará, Bahia e Minas Gerais (Du
Bocage 2005). Já, A. globosa é endêmica da
Bahia, preferencialmente no Complexo da
Chapada Diamantina, em caatinga arbustiva
e cerrado. Floresce de janeiro a março e de
agosto a dezembro e frutifica de fevereiro a
março.
O epíteto específico refere-se à forma
globosa da glândula peciolar.
SciELO/JBRJ
L2
Rodriguésia 57 (I): 131-136. 2006
13 14 15 16 17
Acacia globosa e Acacia limae, duas novas espécies de Legtiininosae
133
Figura 1 - Acacia globosa A. Bocage & Miotto. a. Ramo com infiorescências; b.
foliar; e. glândula do pccíolo; f. flor; g. legume; h. semente. (Bocage ti/i).
foliólulo; c. acúleo; d. glândula da ráquis
Rodriguésia 57 (I): 131-136. 2006
.SciELO/ JBRJ
12 13 14 15 16 17
134
Du Bocage, A. L & Miotto, S. T. S.
Acacia liinae A. Bocage & Miotto, sp. nov.
Tipo: BRASIL. BAHIA: Abaíra, após Brejo
de Cima, 5. X. 2003, fl., A. Bocage, C. N.
Gonçalves & C. F. Azevedo-Gonçalves 895
(holótipo ICN, isótipo IPA). Fig. 2
Ab Acacia limae petiolo duabus
glandulis stipitatis clavatisque instructo, 1-
1.5 mm longis, foliolulis pubescentibus ad
velutinos supra et infra distinguenda. Ajfinis
A. riparia Kunth glandula unica vel duabus,
sessilibus, elliptico-globosis et foliolulis
glabris differt.
Arbustos 2 a 3 m alt. Ramos com acúleos
recurvos e retos, 4 mm compr. Estipulas não
vistas. Folhas 6-9 pares de folíolos; pecíolo
canaliculado, velutino, 1-2 cm compr., com uma
a duas glândulas estipitadas, clavadas, 1-1,5
mm compr.; ráquis foliar canaliculada, velutina,
5-8 cm compr., aculeada, com glândulas iguais
as do pecíolo, 1 mm compr., entre os dois
últimos pares de folíolos; folíolos com 17-26
pares de foliólulos, curtamente peciolulados,
0,7-1 x 0,2 cm compr., lineares a ligeiramente
falcados, base oblíqua, ápice arredondado,
membranáceos, pubescentes a velutinos em
ambas as faces, margem ciliada, nervura
principal pouco excêntrica. Panículas axilares
e terminais, apresentando fascículos de 2 a 4
glomérulos globosos, 1,4—3 cm diâm., ao longo
dos eixos; brácteas caducas, 2 mm compr.,
espatuladas, velutinas, no terço superior do
pedúnculo; bractéolas semelhantes, menores
que as brácteas; pedúnculo 1-2 cm compr.,
velutino; flores sésseis; cálice tubuloso, 3-3,5
mm compr., glabro na base e pubescente no
ápice das lacínias, lacínias desiguais, 0,5 mm
compr.; corola tubulosa, 4 mm compr., glabra
com tufos de tricomas no ápice, lacínias 1 mm
compr.; estames creme; ovário glabro, 1,5-2
mm compr., estípite 1 mm compr. Legumes
11-13 x 3-3,5 cm, elípticos, base atenuada,
ápice apiculado, apículo 0, 5-0,7 cm compr.,
glabros, marrom-arroxeados, margem saliente;
sementes 0, 9-1,1 x 0,7-0, 8 cm, elípticas,
marrom-escuras.
Parátipos: BRASIL. BAHIA: Abaíra, João
Correia ao redor da cidade, 5.X.2003, fl., A.
Bocage et al. 896 (ICN); id., 5.X.2003, fl., A.
Bocage et al. 899 (ICN); Bom Jesus da Lapa,
2.VII. 1983, 1 3°26’00”S 04°3 1 ’00” W, fl. fr., L
Coradin et al. 6336 (CEPEC); Caetité,
Barragem de Captação, 28.XI.1992, fl. fr., M.
L. Guedes et al. 2699 (ALCB); Carinhanha,
para Serra do Ramalho, 15.IV.2001, fr., J. G.
Jardim et al. 3515 (CEPEC); Dom Basílio,
9.II.1990, fl., A. Miranda & F. Esteves 146
(RB); id., Fazendinha, 28.XII.1989, A. M.
Carvalho et al. 2694, fl. fr., (CEPEC);
Encruzilhada, 22.VII.1980, fr., J. E. M. B razão
79 (HRB); Guanambi/Caetité, 28.IV. 1995, fl.,
M. Andrade & B. Cavada s/n (EAC 22813);
Livramento do Brumado, 28.UI. 1 99 1 , fl. fr., G.
P. Lewis & M. M. de Andrade 1926
(HUEFS); Malhada de Pedras, 28.III. 1 984, fr.,
J. E. M. Brazão 288 (HRB, RB); Morro do
Chapéu, Lages, 7. III. 2003, fl., L. P. Queiroz
et al. 7633 (HUEFS); Mucugê, 5.X.2003, fl.,
A. Bocage et al. 897 (ICN); id., 5.X.2003, fl.,
A. Bocage et al. 898 (ICN); Palmeiras, 1 km
de Tejuca, 5. X. 2003, fl., A. Bocage et al. 892
(ICN); Paramirim, estrada de Paramirim-
Caetité, 13°34,38”S42016’53”W, 19.IV.2001,
fl. fr., T. R. S. Silva et al. 88 (HUEFS); Poções,
km 2 a 4 da estrada que liga Poções ao povoado
de Bom Jesus da Serra, 5.III.1978, fl., S. A.
Mori et al. 9486 (CEPEC); entre Segredo e
Mulungu, 25.IX.1965, fl., A. P. Duarte & E.
Pereira 10094 (RB). MINAS GERAIS:
Jaíba, estrada da Profaz, 27.XI.1984, fl.,
Teixeira & Carvalho s/n (BHCB 7342);
Matias Cardoso, 27.11.1984, fl., Teixeira s/n
(RB 363788). PERNAMBUCO: Brejo da
Madre de Deus, Mata do Malhada, 28.IV.2000,
fl., A. G. da Silva & E M. Nascimento 290
(RB), Pesqueira, Serra do Ororobá, fazenda
São Francisco, 16.V.1996, fl., M. Correia 231
(UFP).
Acacia limae é próxima de A. riparia,
pelo porte arbustivo e pelo tipo de
inflorescência, diferindo pelas glândulas
estipitadas e clavadas e pelos foliólulos
pubescentes a velutinos em ambas as faces.
E também afim de A. tucumanensis Griseb.,
porém, esta apresenta foliólulos glabros.
Rodriguésia 57 (I): 131-136. 2006
SciELO/JBRJ.
13 14
cm
Acacia globosa e Acacia Iimae, duas novas espécies de Leguminosae
135
Figura 2 - Acacia iimae A. Bocage & Miotto. a Ramo com infloresccncias; b. foliólulo; c. glândula da ráquis foliar; d.
glândula do pecíolo; e. flor; f. legume; g. semente. ( Bocage 895).
Rodriguésia 57 (1): 131-136. 2006
SciELO/JBRJ
2 13 14 15 16 17 18
cm i
136
ocorrendo somente no Brasil austral, Argentina
(províncias de Tucumán, Salta, Jujuy e
Misiones) e Paraguai.
As duas espécies aqui descritas são
próximas, porém diferem entre si pela forma
das glândulas do pecíolo e da ráquis foliar.
Acacia limae ocorre nos estados de
Pernambuco, Bahia e norte de Minas Gerais,
em caatinga arbustiva, cerrado e floresta
estacionai. Floresce e frutifica ao longo de todo
o ano. O epíteto específico é uma homenagem
ao Dr. Dárdano de Andrade-Lima, grande
conhecedor da flora do semi-árido brasileiro,
em especial, da família Leguminosae.
Agradecimentos
Agradecemos ao Dr. Tarciso Filgueiras
pelas diagnoses latinas. À desenhista Anelise
Scherer pelas ilustrações. Ao CNPq pela
concessão de bolsa de doutorado à primeira
autora e de Produtividade Científica à segunda
autora.
Referências Bibliográficas
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In: C.F.P. Martius(ed.) Flora brasiliensis.
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108: 105-247.
Rodriguésia 57 (1): 131-136. 2006
SciELO/ JBRJ
12 13 14 15 16 17
cm
Annonaceae da Reserva Biológica da Represa do Grama,
Descoberto, Minas Gerais, Brasil, com uma nova espécie,
ÜNONOPSIS BAUXITAE
Adriana Quintella Lobão1 J, Rafaela Campostrini Forzza1 & Renato de Mello-Silva2
Resumo
(Annonaceae da Reserva Biológica da Represa do Grama, Descoberto, Minas Gerais, Brasil, com uma nova
espécie, Unonopsis bauxitae ) São apresentadas as espécies de Annonaceae da Reserva Biológica da
Represa do Grama. A Reserva está localizada em Descoberto, Minas Gerais, e abrange uma área de 263,8
hectares de floresta estacionai semidecidual. São encontrados cinco gêneros e sete espécies: Annona cacans,
Guatteria nigrescens, G. sellowiana, Rollinia dolabripetala, Unonopsis bauxitae, Xylopia brasiliensis, X.
sericea e a nova espécie Unonopsis bauxitae , aqui descrita. Sao apresentadas chave de identi ícaç o as
espécies, descrições, ilustrações, e informações sobre floração, frutificação, distribuição geogr íca e a itats.
Palavras-chave: Annona, Guatteria, Rollinia, Unonopsis bauxitae, Xylopia, floresta atlântica. Reserva do Grama.
^ bstract
(Annonaceae of the Reserva Biológica da Represa do Grama, Descoberto, Minas Gerais, Brazil, with a new
species, Unonopsis bauxitae) The Reserva Biológica da Represa do Grama is situated m Descoberto, Minas
Gerais, and consists of 263.8 hectares of semideciduous forest. The following five gencra and seven species
of Annonaceae have been recorded from the Reserva: Annona cacans, Guatteria nigrescens, G. sellowiana,
Rollinia dolabripetala, Unonopsis bauxitae, Xylopia brasiliensis, X. sericea, and the new species Unonopsis
bauxitae, here described. Key for the species. descriptions. illustrations. and comments on the phenology.
habitats, and distribution are included. , . _ ,
Key-words: Annona, Guatteria, Rollinia, Unonopsis bauxitae, Xylopia, Atlantic forest. Reserva do Grama.
Introdução
Há nos trópicos cerca de 1 30 gêneros e
2.300 espécies de Annonaceae (Kessler 1993,
Koek-Noorman et al. 1997), dos quais 26
gêneros (20%) e cerca de 260 espécies (ca.
11%) ocorrem no Brasil (Maas et al. 2002).
Aqui, a maior diversidade encontra-se na
Amazônia, com um segundo centro na mata
atlântica. Este trabalho apresenta as espécies
de Annonaceae da Reserva Biológica da
Represa do Grama, um dos poucos
remanescentes de mata atlântica de Minas
Gerais. Além de ser mais um trabalho
florístico completo de uma família da Reserva,
seguindo os Menini Neto et al. (2004), Pivari
& Forzza (2004), Almeida et al. (2005) e Assis
et al. (2005), é complementar e comparativo
a outros tratamentos florísticos de Annonaceae
do centro-sul do Brasil (e.g. Lobão et al. 2005,
Mello-Silva 1993, 1997, Mello-Silva & Pirani
no prelo, Pontes & Mello-Silva 2004, 2005,
Stannard 1995). Apresenta, ainda, a nova
espécie Unonopsis bauxitae.
Material e Métodos
A Reserva Biológica da Represa do
Grama localiza-se na Serra do Relógio, Zona
da Mata de Minas Gerais, no município de
Descoberto (21°25,S-42°56,W) e abrange
uma área de 263,8 hectares de floresta
estacionai semidecidual montana (Menini Neto
et al. 2004), a cerca de 350 m s.n.m. As
descrições e ilustrações das espécies foram
elaboradas com base nos materiais coletados
na Reserva ou em material udicional de outras
localidades (frutos de A. cacans e flores de
X. brasiliensis). O tratamento de Unonopsis
bauxitae traz o necessário à descrição de uma
Artigo recebido em 10/2Õ05. Aceito para publicação em 12/2005. ..
'Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Rua Pacheco Leão. 915. 22460-030 Wo de Jane.ro RI, Brasil
>Dcpto. Botânica, Universidade de São Paulo. Cx.Postal 1 1461. 05422-970 São Paulo. SP. Brasil. Bolsista do CNPq.
'Autor para correspondência: alobao@jbrj.gov.br
.SciELO/ JBRJ
12 13 14 15 16 17
cm
138
espécie nova. A terminologia morfológica
segue Radford et al. (1974). São apresentadas
chave de identificação das espécies,
descrições, ilustrações, e informações sobre
floração, frutificação, distribuição geográfica
e hábitats.
Lobão, A. Q., Forzza, R. C. & Mello- Silva, R.
Tratamento Taxonômico
Na Reserva Biológica da Represa do Gra-
ma, a família Annonaceae está representada
por cinco gêneros e sete espécies: Annona
cacans, Guatteria nigrescens, G. sellowiana,
Rollinia dolabrípetala, Unonopsis bauxitae,
Xylopia brasiliensis e X. sericea.
1.
Chave para identificação das espécies
Flores supra-axilares ou opositifólias; frutos sincárpicos
2. Pétalas externas aladas, como pás do hélice; carpídios protundentes
4 Rollinia dolabrípetala
2. Pétalas externas nao aladas; earpídios planos cacans
Flores axilares ou caulinares; frutos apocarpicos.
3. Botoes estreitamente piramidais; carpídios deiscentes; sementes ariladas
4. Casca descamante, avermelhada; lâminas foliares 3-6,5 x 0,5-l,5 cm, face abaxial
esparsamente sencea a glabra . * v
4. Casca nao descamante, castanha a cinérea; lâminas foliares 6,5-15 x 2,5-4,5 cm, face
Rnttfr densatmente.^erícea a glabrescente 7. Xylopia sericea
Sdas 83 6 °VOldeS a argamente deltóides; carpídios indeiscentes;' sementes não
5. Nervura primária proeminente na face adaxial das folhas; brácteas persistentes; inflores-
5 NeZ fami 7 Cauhfl0ras’ 2-1 O-floras; carpídios 1-5 5. Unonopsis bauxitae
iSsíXssf na ad“ial das folhas; Wc,eas caducas; n°res
6. Laminas foliares 8,5-20 x 2-6 cm; pétalas externas 15-20 x 5-12 mm, internas 20-
30 x 9-10 mm
6. Lâminas foliares 5,5-11 x 1,5-3 cm; pé'ias"^tem^Í3 x 4-5 mmJnJmiTn
x 5-7 mm , ,, . „ .
Guatteria sellowiana
3.
Annona L.
Árvores, arvoretas ou arbustos. Tricomas
simples ou estrelados. Folhas com nervura
primária impressa na face adaxial, domácias
presentes ou ausentes. Flores solitárias ou em
inflorescência, monoclinas, raramente diclinas;
sépalas 3, livres ou conatas; pétalas 6,
raramente 3, livres ou conatas na base, as
externas valvares, as internas valvares* ou
imbricadas; estames numerosos, conectivo
dilatado em forma disco, raramente apiculado
ou semi-orbicular, anteras não septadas
transversalmente; carpelos numerosos, óvulo
1, basal. Fruto sincárpico, carnoso, indeiscente;
sementes muitas, sem arilo.
Annona possui aproximadamente 110
espécies neotropicais e quatro africanas
(Heusden 1992; Kessler 1993). Algumas são
cultivadas pelos frutos comestíveis.
1. Annona cacans Warm., Vidensk. Meddel.
Dansk Naturhist. Foren. Kjõbenhavn 3(5): 1 55.
f. 1-2. 1873. Fig. 1 a-c
Árvore 7-20 m alt. Ramos jovens
glabrescentes, in sicco alaranjados, ramos
adultos glabros, lenticelados. Pecíolo 13-15
mm compr., canaliculado. Lâmina foliar 6-17
x 2-4 cm, cartácea, estreitamente-elíptica a
elíptica, glabra; base atenuada; margem plana;
ápice agudo; nervação broquidódroma,
amarelada, 12—15 pares de nervuras
secundárias levemente arqueadas, juntamente
com o retículo proeminente em ambas as faces;
domácias ausentes. Flores 1-2, opositifolias;
botões ovóide-acuminados; pedicelos 5-8 mm
compr., brácteas persistentes; sépalas ca. 2 x
3 mm, conatas na base, largamente triangu-
lares, esparsamente tomentosas na face
Rodriguésia 57 (1): 137-147. 2006
SciELO/JBRJ
12 13 14 15 16 17
Annonaceae da Reserva do Grama
139
abaxial, glabras na adaxial; pétalas conatas na
base, as externas ca. 7 x 6 mm, largamente
ovais, não aladas, creme a amareladas,
avermelhadas na base, tomentosas na face
adaxial, esparsamente tomentosas na abaxial,
as internas ca. 6 x 3 mm, oval-triangulares,
creme a alvas, avermelhadas na face adaxial,
tomentosas em ambas as faces; estames ca.
1,5 mm compr.; carpelos ca. 1 mm compr.,
glabros. Frutos ca. 3,5 x 3,5 cm, largamente
ovóides, carpídios planos, verde-glaucos.
Material examinado: 8.III.2003, fr., L. C. S.
Assis et al. 730 (CESJ); 10.IX.2001, fl., G.
Augustin et al. s.n. (CESJ 35079, RB);
30.XI.2001, fl., D. Pifano & R. M. Castro
186 (CESJ).
Material adicional selecionado; BRASIL.
ESPÍRITO SANTO: Santa Teresa. 13.11.1999,
fr., R. Mello-Silva et al. 1573 (K, MBM,
MBML, RB, SPF).
Nome popular; Araticum
Annona cacans ocorre da Bahia ao Rio
Grande do Sul, seguindo a distribuição da
floresta atlântica sensu lato (Rainer 2001). Foi
coletada em flor em novembro e em fruto em
março. É utilizada como ornamental e a poupa
dos frutos é comestível (Corrêa 1984).
Guatteria Ruiz & Pav.
Árvores, arvoretas ou arbustos. Tricomas
simples. Folhas com nervura primária impressa
na face adaxial. Flor em geral solitária ou em
inflorescência, monoclinas; pedicelo articulado,
brácteas presentes abaixo da articulação;
sépalas 3, livres ou conatas no botão; pétalas
6, livres, imbricadas; estames numerosos,
conectivo dilatado no ápice, em forma de disco
truncado, às vezes umbonado, anteras não
septadas transversalmente; carpelos
numerosos, óvulo 1, basal. Fruto apocárpico,
carpídios em geral estipitados, indeiscentes;
semente 1, sem arilo.
Guatteria é o maior gênero da família
com cerca de 260 espécies e o que apresenta
os maiores problemas taxonômicos. E
neotropical, ocorrendo da América Central ao
sul do Brasil (Maas et al. 1994).
Rodriguésia 57 (I): 137-147. 2006
2. Guatteria nigrescens Mart. in Mart., Fl.
bras. 13(1): 31. 1841. Fig. 1 d-e
Árvore ou arvoreta, 3-7 m alt. Ramos
jovens vilosos, lenticelados ou não, ramos
adultos glabros. Pecíolo 5-10 mm compr.,
levemente canaliculado, com fissuras
transversais. Lâmina foliar 8,5—20 x 2—6 cm,
cartácea, estreitamente elíptica ou
estreitamente obovada, verde, discolor, glabra
na face adaxial, esparsamente serícea a glabra
na abaxial; base atenuada a decurrente;
margem plana; ápice cuspidado, cúspide 7-10
mm compr.; nervação broquidódroma, 13-24
pares de nervuras secundárias, juntamente com
o retículo, proeminentes em ambas as taces.
Flor 1, axilar; botões triangular-ovóides;
pedicelo 3-6,5 cm compr.; brácteas caducas;
sépalas 5-7 x 5-7 mm, largamente
triangulares, valvares, glabras na base e vilosas
no ápice da face abaxial, vilosa na adaxial;
pétalas ovais, ápice agudo, verde-claras a
amareladas, quando maduras levemente
avermelhadas, vilosas na face adaxial, glabras
na base da adaxial, as externas 15-20 x 5-12
mm, as internas 20-30 x 9-10 mm; estames
ca. 2 mm compr.; carpelos ca. 3 mm compr.,
seríceos. Carpídios 20-50, 10-12 x 5 mm,
elipsóides, estipes 8-17 mm compr., vermelho-
purpúreos, glabros.
Material examinado: 2.XI.2002, 11., L C. S.
Assis et al. 606 (CESJ, RB); 11.IX.2003. fr., L
C. S. Assis et al. 883, 884, 887 (CESJ, RB),
30.1.2004, fl., L C. S. Assis etal. 939, 944 (CESJ,
RB, SPF); 9.VI.2001, fr., R. M. Castro et al. 465
(CESJ, RB); 7.VH.2001, fr., R. M. Castro et al.
515 (CESJ, RB); 10.IX.2001. fr., P. C. L Faria
et al. s.n. (CESJ 34484, RB); 26.XI.2(XX). II., R.
C. Forzza á L Meireles 1717 (CESJ, RB, SPF);
12.1.2002, fl., R. C. Forzza et al. 2030 (CESJ,
RB); 30.XI.2001, fl., D. Pifano & R. M. Castro
1% (CESJ, RB); 1.XII.2001, fl., D. Pifano et al.
207 (CESJ, RB, SPF); 16.1.2000. fl.. F. R.
Salimena et al. s.n. (CESJ 31013, SI F),
8 VIII.2000, fr., F. R. Salimena et al. s.n. (CESJ
31397, SPF); 25.V.2000. fr., P. C. Zatnpa et al.
s.n. (CESJ 31173, SPF).
Nome popular: Pindaíba-negra
cm l
SciELO/JBRJ
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140
Lobão, A. Q., Forzza, R. C. & Mello-Silva, R-
.«ST»,1 ; R,mo í°n ^ ' n°ra- b *™i «««indo mm. ^ « ,**.
Rodrigutsia 57 (1): 137-147. 2006
SciELO/ JBRJ
12 13 14 15 16 17
Annonaceae da Reserva do Grama
141
Guatteria nigrescens distribui-se na
floresta atlântica de Minas Gerais, Rio de
Janeiro e São Paulo (Lobão 2003). Na Reserva
é a espécie mais freqüente de Annonaceae,
ocorrendo próximo a cursos d’ água e locais
alagados. Foi coletada em flor de setembro a
janeiro e em fruto de maio a setembro e em
novembro.
3. Guatteria sellowiana Schltdl., Linnaea 9:
323.1835. Fig. 1 f-g
Árvore ou arvoreta, 5-8 m alt. Ramos
tomentosos. Pecíolo 3-5 mm compr.,
levemente canaliculado, com fissuras
transversais, tomentosos. Lâmina foliar 5,5-
11 x 1,5-3 cm, cartácea, estreitamente elíptica,
verde, esparsamente tomentosa na face
adaxial, densamente tomentosa na abaxial,
base atenuada, margem plana, ápice agudo,
nervação broquidódroma, ca. 20 pares de
nervuras secundárias, juntamente com o
retículo, proeminentes em ambas as faces. Flor
1, axilar; botões triangular-ovóides; pedicelo
0,5-1 cm compr; brácteas caducas; sépalas
4-7 x 3-7 mm, valvares, largamente
triangulares, tomentosas em ambas as faces;
pétalas ovais, esverdeadas, ápice acuminado,
as externas 6-13 x 4—5 mm, densamente
tomentoso-vilosas em ambas as faces, as
internas 7-13 x 5-7 mm, glabras na base e
tomentosas no ápice da face adaxial,
tomentosas na abaxial; estames ca. 1 mm
compr.; carpelos ca. 2 mm compr., seríceos.
Carpídios 20-50, 10-12 x 5 mm, elipsóides,
estipes 8-17 mm compr., vermelho-purpúreos,
glabros.
Material examinado: 7.VII.2001, fl., R ■ M-
Castro et al 501 (CESJ, RB, SPF); 21.VII.2001,
fl., R. M. Castro 562 (CESJ, SPF).
Guatteria sellowiana ocorre na Bahia,
Goiás, Minas Gerais, Distrito Federal, Espírito
Santo e Rio de Janeiro (Maas et al. 2002). E
comum nas matas de galeria do Brasil central.
Na Reserva é pouco freqüente e foi coletada
em flor em julho.
Rollinia A. St.-Hil.
Árvores, arvoretas ou arbustos. Tricomas
simples, raramente furcados ou estrelados.
Folhas com nervura primária impressa na face
adaxial. Flor solitária ou em inflorescência,
supra-axilar, opositifolia ou raramente sub-
axilar; sépalas 3, livres; pétalas 6, conatas na
base, as externas aladas, as internas muito
menores; estames numerosos, anteras não
septadas transversalmente; carpelos
numerosos, óvulo 1, basal. Fruto sincárpico,
raramente apocárpico, carpídios indeiscentes,
sementes muitas quando sincárpico e 1 por
carpídio quando apocárpico, sem arilo.
Rollinia ocorre do México ao norte da
Argentina e possui aproximadamente 44
espécies distribuídas em dois centros de
diversidade. O principal, na Amazônia, conta
com cerca de 25 espécies e o secundário, na
costa leste do Brasil, conta com cerca de 14
espécies (Maas & Westra 1992).
4. Rollinia dolabripetala (Raddi) R. E. 1 r.,
Kongl. Svenska Vetenskapsakad. Handl., n.s.,
34(5): 45. 1900. Fig. 2 a-c
Rollinia laurifolia Schltdl., Linnaea 9.
319. 1835.
Árvore ou arvoreta ou 2-7 m alt. Ramos
jovens seríceos, ramos adultos glabros,
lenticelados. Pecíolo 8-12 mm compr. Lâmina
foliar 8— 1 6(— 24) x 2-5(-8) cm, cartácea a
subcoriácea, estreitamente elíptica, glabra na
face adaxial, esparsamente setosas na abaxial;
base aguda, às vezes obtusa e assimétrica,
margem plana, ápice agudo, nervação
broquido-camptódroma, ca. 20 pares de
nervuras secundárias, juntamente com o
retículo, pouco proeminentes em ambas as
faces. Flores 1-3, supra-axilares ou
opositifolias; pedicelo 13-30 mm compr.,
tomentoso; brácteas caducas; sépalas ca. 2 x
4 mm, depresso-triangulares, tomentosa na lace
abaxial, glabras na adaxial; pétalas creme a
esverdeadas, as externas 8-20 x 5-6 mm,
oblongo-clavadas, aladas, tubo da corola ca. 3
mm compr., alas 13x6 mm, as internas
Rodrigutsia 57 (1): 137-147. 2006
[SciELO/ JBRJ
12 13 14 15 16 17
cm
142
Lobão, A. Q., Forzza, R. C. & Mello-Silva, R.
maduro, d-g. Xylopia brasiliensí. d. * FrU‘°
g. Fruto com catpídio aberto, h-j. Xylopia sericea h. Ramo comZ^^j *£Z± !° «" fechad°*
folha; j. flor evidenciando pétalas externas e internas, (a.c Am* 74, ; b Casno 673, d g
Rodriguésia 57 (1): 137-147. 2006
SciELO/JBRJ
12 13 14 15 16 17
cm
Armonaceae da Reser\'a do Grama
estreitamente triangulares ca. 15 x 3 mm,
menores que as externas; estames ca. 1 mm
compr.; carpelos ca. 2 mm compr., seríceos
na base. Frutos sincárpicos, largamente
ovóides, 2-2,5 x 2-2,5 cm, carpídios 40-60,
mais ou menos oblongos, apiculados, verdes
passando a amarelos quando maduros.
Material examinado; 9.III.2003, fr., L. C. S
Assis et al. 741 (CESJ, RB); 11.11.2001, fr.,
R. M. Castro et al. 106 (CESJ, RB, SPF);
7. VII. 2001, fr., R. M. Castro et al. 507
(CESJ); 30.XI.2001, fl., R. M. Castro & D.
Pifano 673 (CESJ, RB, SPF); 10.X.2002, fl.,
P. C. L Faria & B. Antunes 89 (CESJ, RB);
12.1.2002, fr., R. C. Forzza et al. 2032
(CESJ).
Rollinia dolabripetala ocorre de Santa
Catarina à Bahia (Mello-Silva 1997), e no
Distrito Federal (Pontes & Mello-Silva 2004).
Na Reserva é muito comum, em geral, em
áreas bem drenadas da floresta de encosta.
Foi coletada em flor em novembro e em fruto
de janeiro a março, maio e julho.
Coleções de R. dolabripetala, principal-
mente da mata atlântica de Minas Gerais, têm
sido identificadas como R. laurifolia, mas a
sinonimização das duas .espécies é proposta
por Mello-Silva & Pirani (no prelo).
Unonopsis R. E. Fr.
Árvores ou arbustos. Tricomas simples.
Folhas con nervura primária proeminente na
face adaxial. Flor solitária ou em
inflorescências, axilares ou caulinares,
monoclina; sépalas 3, livres ou conatas,
v alvares; pétalas 6, livres, valvares; estames
numerosos, anteras não septadas
transversalmente; carpelos numerosos, óvulos
1-8, marginais. Fruto apocárpico, carpídios
indeiscentes; semente 1(— 2— 5), sem arilo.
Unonopsis possui cerca de 40 espécies,
muitas ainda não descritas (Maas et al. 2002).
Ocorre da América Central e Antilhas ao
sudeste do Brasil (Steyermark et al. 1995).
143
5. Unonopsis bauxitae Maas, Westra &
Mello-Silva, sp. nov. Tipo: BRASIL. MINAS
GERAIS: Descoberto, Reserva Biológica da
Represa do Grama, 9.XII.2001, fl. e fr., R.M.
Castro et al. 745 (holótipo SPF 3 exsicatas;
isótipos BHCB, CESJ 2 exsicatas, K, NY, RB,
U). ^ fl-f
Unonopsi riedelianae próxima sed
foliis majoribus et latioribus et alabastris
acutis vel acuminatis nec obtusis differt.
Árvore, 7-17 m alt. Ramos glabrescentes
Pecíolo 3-7 mm compr., semi-cilíndrico, plano
na face adaxial. Lâmina foliar 14—19 x 4-6
cm, cartácea a subcoriácea, estreitamente
elíptica, simétrica a levemente assimétrica, in
sicco castanha, glabra exceto nervura central
da face abaxial pubescente e glabrescentc,
base aguda, margem plana, ápice acuminado,
acúmem 5-25 mm compr., às vezes agudo,
nervação eucamptódroma na metade proximal
e broquidódroma na distai, 10-15 pares de
nervuras secundárias proeminentes em ambas
as faces, mais na abaxial, retículo impresso na
face adaxial, proeminente na abaxial.
Inflorescências ramifloras, ramos 1-7 x 5-10
mm, 2-1 0-floras; botões 3-10 x 3-9 mm,
depresso-ovóides, acuminados ou agudos;
pedicelo 10-25 mm compr., áureo-adpresso-
pubescente; brácteas depresso a largamente
ovadas, 1-2 mm compr., adpresso-
pubescentes, persistentes; sépalas depresso-
ovado-triangulares, 1-1.5 x 3 mm, conatas,
glabras na face adaxial, áureo-adprcsso-
pubescentes na abaxial; pétalas carnosas, as
externas 8-14 x 5-10 mm, oval-triangulares,
acuminadas, planas, glabras na face adaxial,
áureo-adpresso-seríceas na abaxial, as internas
6-9 x 4-8 mm, ovais, cuculadas, áureo-
adpresso-seríceas sobre a nervura central da
face abaxial, restante glabra; receptáculo
truncado, estames ca. 1 mm compr.; carpelos
25-50, 1-2 mm compr., densamente áurco-
seríceòs, óvulo basal. Carpídios 1-5, 15-25 x
10-20 mm, elipsóides a obovóides, imaturos
verdes, áureo-pubérulos, estipes 10-15 mm
Rodriguésia 57 (1): 137-147. 2006
SciELO/JBRJ
12 13 14 15 16 17
cm
144
compr., receptáculo na frutificação depresso
a largamente ovóide, 2-4 x 3-5 mm,
densamente adpresso-áureo-seríceo.
Sementes não vistas.
Parátipo: BRASIL. MINAS GERAIS:
Descoberto, Reserva Biológica da Represa do
Grama, 22. IX. 2002, fl., R. C. Forzza et al.
2222 (CESJ, MBM, MO, RB, SPF, U).
Unonopsis bauxitae é provavelmente
próxima de U. riedeliana, da qual difere pelas
folhas maiores e mais espessas e pelos botões
acuminados. Os frutos de U. riedeliana são
desconhecidos e U. bauxitae possui os
maiores frutos conhecidos dentre as
Unonopsis do sudeste do Brasil. É a única
espécie de Unonopsis da mata atlântica de
Minas Gerais. A outra espécie que também
ocorre em Minas Gerais, U. lindmanii, habita
matas cilares do sudeste de Goiás e oeste de
Minas Gerais, São Paulo e Paraná, no domínio
dos cerrados. Na mata atlântica, há ainda, U.
riedeliana, endêmica de Petrópolis, Rio de
Janeiro, e quatro ou cinco espécies ainda não
descritas, de Rio das Ostras, no Rio de Janeiro,
de Linhares e Santa Teresa, no Espírito Santo,
e do sul da Bahia (Maas et al. 2002).
Unonopsis bauxitae é endêmica da Reserva
do Grama. Ocorre exclusivamente numa mata
semi-caducifólia que medra sobre
afloramentos de bauxita.
Xylopia L.
Árvores ou arbustos. Tricomas simples.
Folhas com nervura primária impressa na face
adaxial. Flores axilares, monoclinas; botão
estreitamente piramidal; sépalas 3, conatas na
base, valvares, raramente imbricadas; pétalas
6, livres, valvares, as internas menores;
estames e estaminódios numerosos, anteras
septadas transversalmente, ápice do conectivo
dilatado, truncado; carpelos poucos a muitos,
óvulos 2-8, marginais. Fruto apocárpico,
carpídios em geral estipitados, deiscentes;
sementes com arilo.
Xylopia é pantropical e possui entre 100-
160 espécies (Kessler 1993).
Lobão, A. Q.. Forzza, R. C. <5 Mello-Silva, R.
6. Xylopia brasiliensis Spreng., Neue Entd.
3:50.1822. Fig. 2d-g
Árvore, 3-6 m alt. Ramos jovens glabres-
centes, ramos adultos glabros, ferrugíneos;
ritidoma descamante, avermelhado. Pecíolo 1-
3 mm compr. Lâmina foliar 3-6,5 x 0,5-1, 5
cm, cartácea, estreitamente elíptica, glabra na
face adaxial, esparsamente serícea a glabra
na abaxial; base atenuada; margem inteira;
ápice acuminado; nervação broquidódroma, ca.
10 pares de nervuras secundárias ligeiramente
arqueadas, juntamente com o retículo, pouco
proeminentes em ambas as faces. Flores 1-3,
axilares; botões estreitamente piramidais;
pedicelo ca. 4 mm compr.; brácteas
persistentes, ápice bilobado; sépalas ca. 2,5 x
2,5 mm, conatas na base, largamente
triangulares, seríceas na face abaxial, glabras
na adaxial; pétalas avermelhadas, as externas
22 x 4 mm, estreitamente oblongas, dilatadas
na base, vilosas na face abaxial, vilosas no ápice
da abaxial, as internas ca. 19 x 1,5 mm,
menores que as externas, lineares,
esparsamente vilosas na face adaxial, seríceas
na abaxial; estames ca. 1,5 mm compr.;
estaminódios presentes entre os estames e os
carpelos; carpelos ca. 6 mm compr., seríceos
na base. Carpídios 4-9, 10-20 x 5-7 mm,
clavado-falcados, apiculados, verdes,
glabrescentes, estipes ca. 3 mm compr.
Sementes 2-5.
Material examinado: 23.IX.2002, fr., R.C.
Forzza et al. 2241 (CESJ, RB, SPF).
Material adicional selecionado: BRASIL.
RIO DE JANEIRO: Itatiaia, lotes 28-30,
XII. 191 8, P. Campos Porto 852 (RB). Nova
Friburgo, Reserva Ecológica Municipal de
Macaé de Cima, 22°00’S 42°03’W, elev. 1200
m, 27.XII.1989, fl., M. Nadruz et al. 526
(RB). Rio de Janeiro, Corcovado, 26.XII. 1 920,
fl., A. Ducke & J. G. Kuhlmann s.n. (RB
15388); Jacarepaguá, Açude do Camorim,
3.1.1933, fl., J. G. Kuhlmann s.n. (RB 306).
SÃO PAULO. Serviço Florestal de São Paulo,
V. 1945, fl., J. I. Lima s.n. (RB 54295).
Nome popular: Casca-de-barata
Rodriguésia 57 (1): 137-147. 2006
,SciELO/JBRJ
12 13 14 15 16 17
Annonaceae da Reserva do Grama
145
/V/ a
« tlorc; c. nor comia da. pétttat o» removida; d. pélnlti í™*5™ «m 22221 '
Pétala interna, face adaxiali g. ramo com botlo floral e tatos; b. ta». («• «4> Corta 743.tr
Xylopia brasiliensis caracteriza-se pelo
ritidoma descamante, que lhe confere o nome
popular “casca-de-barata”, pelas folhas de
pequenas dimensões, e flores avermelhadas.
Ocorre no Brasil, de Minas Gerais a Santa
Catarina, e no Paraguai (Dias 1988; Fries 1930;
Maas et al. 2002). Na Reserva há diversos
indivíduos jovens, em locais úmidos, mas
indivíduos adultos são raros. Foi coletada em
fruto em setembro.
7 .Xylopia seriem A. St.-Hil„ Fl. Bras. merid.
1(21:41.1825. Ftg.2h-j
Árvore 10-13 m alt. Ramos jovens
áureo-seríceos, ramos adultos glabrescentcs a
glabros, lenticelados; ritidoma íntegro,
acastanhado. Pecíolo 5-7 mm compr. Lâmina
foliar 6,5-15 x 2, 5-4, 5 cm, estreitamente
elíptica, subcoriácea a cartácea, glabra na face
adaxial, densamente serícea a glabrescentc na
abaxial; base aguda a obtusa; margem plana a
pouco revoluta; ápice acuminado; nervaçao
broquidódroma, ca. 8 pares de nervuras
Rodriguésia 57 (1): 137-147. 2006
;SciELO/ JBRJ
12 13 14 15 16 17
cm
146
secundárias ligeiramente arqueadas,
juntamente com o retículo, pouco proeminentes
em ambas as faces. Flores 1-7, axilares,
subsésseis. Brácteas persistentes, ápice
bilobado; botões estreitamente piramidais,
seríceos; sépalas ca. 3 x 3 mm, largamente
triangulares, seríceas na face abaxial, glabras
na adaxial; pétalas alvas, as externas 14-15 x
3-4 mm, estreitamente oblongas, dilatadas na
base, glabras na base e tomentosas no ápice
da face adaxial, áureo-seríceas na abaxial, as
internas ca. 13x2 mm, lineares, tomentosas
em ambas as faces; estames ca. 1,5 mm
compr.; estaminódios presentes entre os
estames e os carpelos; carpelos ca. 4 mm
compr., seríceos na base. Carpídios 2-9, 13-
23 x 10-12 mm, clavado-falcados, não
apiculados, castanho-avermelhados,
glabrescentes, subsésseis. Sementes (1— )2— 3.
Material examinado: 7.V.2001, fr., R. M.
Castro et al. 307 (CESJ); 30.X1.2001, fl„ D.
Pifano & R. M. Castro 200 (CESJ, RB);
13.V.2000, fr., F R. Salimena et al. s.n. (CESJ
31172, SPF).
Nome popular: Pimenteira-de-macaco
Xylopia sericea ocorre da Colômbia ao
Estado do Paraná, no Brasil (Dias 1988; Fries
1930; Steyermark et al. 1995) numa grande
variedade de hábitats. Fornece madeira própria
para mastros de pequenas embarcações, as
fibras da casca são usadas na indústria caseira
de cordoaria e a árvore pode ser ornamental
(Corrêa 1984). Na Reserva é muito freqüente
em locais mais secos, formando grandes
adensamentos. As sementes são utilizadas
como substituto de pimentas. Foi coletada em
flor em novembro e em fruto em maio e junho.
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ISciELO/ JBRJ
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cm
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ferências no texto devem seguir os seguintes
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al. (1996) para três ou mais autores ou lMilicr
>93) (Miller&Maier 1994). (Baker etal. 1996).
Referência a dados ainda não publicados ou
ibalhos submetidos deve ser citada conforme o
emDlo: (R.C. Vieira, dados não publicados). Cite
sumos de trabalhos apresentados em Congressos,
icontros e Simpósios se eslritamente necessário
ISciELO/ JBRJ
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O material examinado nos trabalhos taxonômicos
deve ser citado obedecendo a seguinte ordem: local
e data de coleta, fl., fr., bot. (para as fases fenológicas),
nome e número do coletor (utilizando et al. quando
houver mais de dois) e sigla(s) do(s) herbário(s)
entre parêntesis, segundo o Index Herbarionim.
Quando não houver número de coletor, o número de
registro do espécime, juntamente com a sigla do
herbário,deverá ser citado. Os nomes dos países e
dos estados/províncias deverão ser citados por
extenso, em letras maiúsculas e em ordem alfabética,
seguidos dos respectivos materiais estudados.
Exemplo:
BRASIL. BAHIA: Ilhéus, Reserva da CEPEC,
1 5.XI1. 1 996, fl. e fr., /?. C. Vieira et al. 70987 (MBM,
RB, SP).
Para números decimais, use vírgula nos artigos
em Português e Espanhol (exemplo: 10,5 m) e ponto
em artigos em Inglês (exemplo: 10.5 m). Separe as
unidades dos valores por um espaço (exceto em
porcentagens, graus, minutos e segundos).
Use abreviações para unidades métricas do
Systeme Internacional dTJnités (SI) e símbolos
químicos amplamente aceitos. Demais abreviações
podem ser utilizadas, devendo ser precedidas de
seu significado por extenso na primeira menção.
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citadas no texto devem estar listadas neste item. As
referencias bibliográficas devem ser relacionadas em
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com apenas a primeira letra em caixa alta, seguido
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mesmo deverá ser substituído por um travessão;
quando o mesmo autor publicar vários trabalhos
num mesmo ano, deverão ser acrescentadas letras
alfabéticas após a data. Os títulos de periódicos
não devem ser abreviados.
Exemplos:
Tolbert, R. J. & Johnson, M. A. 1966. A survey of
the vegetative shoot ápices in the family
Malvaceae. American Journal of Botany 53(10)-
961-970.
Engler, H. G. A. 1878. Araceae. In: Martius, C. F. P.
von; Eichler, A. W. & Urban, I. Flora brasiliensis.
Munchen, Wien, Leipzig, 3(2): 26-223.
. 1930. Liliaceae. In: Engler, H. G. A. & Plantl,
K. A. E. Die Naturlichen Pflanzenfamilien. 2.
Aufl. Leipzig (Wilhelm Engelmann). 1 5: 227-386.
Sass, J. E. 1 95 1 . Botanical microtechnique. 2ed. Iowa
State College Press, Iowa, 228p.
Cite teses e dissertações se estritamente
necessário, isto é, quando as informações requeridas
para o bom entendimento do texto ainda não foram
publicadas em artigos científicos.
Tabelas - devem ser apresentadas em preto e branco,
no formato Word for Windows. No texto as tabelas
devem ser sempre citadas de acordo com os exemplos
abaixo:
“Apenas algumas espécies apresentam
indumento (Tabela 1)...”
“Os resultados das análises fitoquímicas são
apresentados na Tabela 2...”
Figuras - não devem ser inseridas no arquivo de
texto. Submeter originais em preto e branco e três
cópias de alta resolução para fotos e ilustrações,
que também podem ser enviadas em formato
eletrônico, com alta resolução, desde que estejam
em formato TIF ou compatível com CorelDraw,
versão 10 ou superior. Ilustrações de baixa
qualidade resultarão na devolução do manuscrito.
No caso do envio das cópias impressas a numeração
das figuras, bem como textos nelas inseridos,
devem ser assinalados com Letraset ou similar em
papel transparente (tipo manteiga), colado na parte
superior da prancha, de maneira a sobrepor o papel
transparente à prancha, permitindo que os detalhes
apareçam nos locais desejados pelo autor. Os
gráficos devem ser em preto e branco, possuir bom
contraste e estar gravados em arquivos separados
em disquete (formato TIF ou outro compatível com
CorelDraw 10). As pranchas devem possuir no
máximo 1 5 cm larg. x 22 cm comp. (também serão
aceitas figuras que caibam em uma coluna, ou seja,
7,2 cm larg.x 22 cm comp.). As figuras que excederem
mais de duas vezes estas medidas serão recusadas.
As imagens digitalizadas devem ter pelo menos 600
dpi de resolução.
No texto as figuras devem ser sempre citadas
de acordo com os exemplos abaixo:
“Evidencia-se pela análise das Figuras 25 e
26....”
“Lindman (Figura 3) destacou as seguintes
características para as espécies..."
Após feitas as correções sugeridas pelos
assessores e aceito para a publicação, o autor deve
enviar a versão final do manuscrito em duas vias
impressas e em uma eletrônica.
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IN STRU CCIONES A LOS AUTORES
Generalidades
Rodríguésia es una publicación quadrimestral
dei Instituto de Investigaciones dei Jardín Botânico
de Rio de Janeiro, la cual publica artículos y notas
científicas, en Português, Espanol y Inglês en todas
las áreas de Biologia Vegetal, asi como en Historia de
la Botânica y actividades ligadas a Jardines Botânicos.
Preparación dei manuscrito
Los manuscritos deben ser enviados en tres
copias impresas a la:
Revista Rodríguésia
Rua Pacheco Leão 9 1 5
Rio de Janeiro - RJ
CEP: 22460-030 - Brasil
Fone: (0xx2 1 ) 3204-25 1 9 / 3204-2 1 30
Los artículos pueden tener unaextensión máxima
de 30 páginas (sin contar cuadros y figuras), los que
se extiendan más de 30 páginas podrán ser publicados
después de ser evaluados por el Consejo Editorial.
La aceptación de los trabajos depende de la decisión
dei Comité CienüTico.
Todos los artículos serán examinados por dos
consultores ad hoc. A los autores será solicitado,
cuando sea necesario, modificaciones para adecuar
el manuscrito para adecuarlo a las sugerencias de
los revisores y editores. Artículos que no sigan las
normas descritas serán devueltos.
Serán enviados a los autores las pruebas de
página, las cuales deberán ser devueltas al Consejo
Editorial en un plazo máximo de cinco dias a partir de
la fecha de recibimiento. Después de publicados los
artículos estarán disponibles en formato digital ( PD ,
AdobeAcrobat) en el site dei Instituto de
Investigaciones dei Jardín Botânico de Rio de Janeiro
(http://www.jbrj.gov.br).
Preparación de los manuscritos
Los autores deben utilizar el editor de texto
Microsoft Word 6.0 o superior, letra Times New
Roman 1 2 puntos y doble espacio.
El manuscrito debe estar formateado en hojas
tamafio A4, impresas por un solo lado, con
márgenes 2,5 cm en todos los lados de la página y
el texto alineado a la izquierda y a la derecha,
excepto en los casos indicados abajo. Todas as
páginas, excepto el título, deben ser numeradas,
consecutivamente, en la esquina superior derec a.
Las letras mayúsculas deben ser utilizadas apenas
en palabras que exijan iniciales mayúsculas, e
acuerdo con el respectivo idioma usado en e
manuscrito. No serán considerados manuscritos
escritos completamente con letras mayúsculas.
Palabras en latín, nombres científicos genéricos
e infra-genéricos deben estar escritas en letra itálica.
Utilizar nombres científicos completos (género,
especie y autor) solo la primera vez que sean
mencionados, abreviando el nombre genérico en las
próximas veces, excepto cuando los otros nombres
genéricos sean iguales. Los nombres de autores de
los taxones deben ser citados siguiendo Brummitt &
Powell (1992) en la obra “Authors of Plant Names .
Primera página - debe incluir el título, autores,
afiliación profesional, financiamicnto, autor y
dirección para correspondência, así como título
abreviado. El título deberá ser conciso y objetivo,
expresando la idea general dei contemdo dei
artículo: además. debe ser escrito en negrita con
letras mayúsculas utilizadas apenas donde las letras
y las palabras deban ser publicadas en mayúsculas.
Segunda página - debe tener un Resumen (incluyendo
título en português o espanol). Abstract (incluyendo
título en inglês) y palabras clave (hasta cinco, en
português o espanol e inglês). Resumenes y
“abstracts” llevan hasta 200 palabras cada uno. El
Consejo Editorial puede traducir el “abstract , para
hacer el Resumen en trabajos de autores que no
tienen fluência en português.
Texto - iniciar en una nueva página de acuerdo
con secuencia presentada a seguir: íntroducción.
Materiales y Métodos, Resultados. Discusión.
Agradecimicntos y Referencias Bibliográficas
Estas secciones pueden ser omitidas en trabajos
relacionados con la descripción de nuevos taxonc *
câmbios nomenclaturales o similares. La secetón
Resultados puede ser agrupada con Discusién
cuando se considere pertinente Las seccione
(íntroducción, Material y Métodos, etc.) y
subtítulos deberán ser escritas en negritas. Las
figuras y las tablas se deben numerar en arábigo
de acuerdo con la sccuencia en que las mismas
aparezean en cl texto. Las citac.ones ^ j^rencia
en el texto deben seguir los ejempbs. M.l'cr ( 1 J 3 ).
Miller & Maier (1994), Baker ct (d. (1996) para tres
o^mns autores^ (Millcr. 1993,. (Millcr & Muier,
IW^BSc"S.od=vtan0 publicado,
„ trabajos some, ido» a publicación tleben scr
citados conforme al cjemplo: (R.C. Vtctra. -g
O R C Vieira obs. pers.). Cite resumenes de trabajos
presentados en Congresos, Encuentros y Simpos.os
rnnndo sea estrictamente necesario.
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cm
El material examinado en los trabajos
taxonómicos debe ser citado obedeciendo el
siguiente orden: lugar y fecha de colección, fl„ fr.,
bot. (para las fases fenológicas), nombre y número
dei colector (utilizando et al. cuando existan más
de dos) y sigla(s) de lo(s) herbario(s) entre
parêntesis, siguiendo el Index Herbariorum.
Cuando no exista número de colector, el número
de registro dei espécimen, juntamente con la sigla
dei herbário, deberá ser citado. Los nombres de
los países y de los estados o provincias deberán
ser citados por extenso, en letras mayúsculas y en
orden alfabética, seguidos de los respectivos
materiales estudiados.
Ejemplo:
BRASIL. BAHIA: Ilhéus, Reserva da CEPEC,
15.XIL1996, fl. y fr., /?. C. Vieira et al. 10987 ( MBM,
RB, SP).
Para números decimales, use coma en los
artículos en Português y Espanol (ejemplo: 10,5 m)
y punto en artículos en Inglês (ejemplo: 10.5 m).
Separe las unidades de los valores por un espacio
(excepto en porcentajes, grados, minutos y
segundos).
Use abreviaciones para unidades métricas dei
Systeme Internacional d’Unités (SI) y símbolos
químicos ampliamente aceptados. Las otras
abreviaciones pueden ser utilizadas, debiendo ser
precedidas de su significado por extenso en la
primera mención.
Referencias Bibliográficas - Todas las referencias
citadas en el texto deben ser listadas en esta
sección. Las referencias bibliográficas deben ser
ordenadas en orden alfabético por apellido dei
primer autor, solo la primera letra debe estar en caja
alta, seguido de todos los demás autores. Cuando
exista repetición del(los) mismo(s) autor(es), el
nombre dei mismo deberá ser substituído por una
raya; cuando el mismo autor tenga vários trabajos
en un mismo ano, deberán ser colocadas letras
alfabéticas después de la fecha. Los títulos de
revistas no deben ser abreviados.
Ejemplos:
Tolbert, R. J. & Johnson, M. A. 1 966. A survey of the
vegetative shoot ápices in the family Malvaceae.
American Journal of Botany 53(10): 961-970.
Engler, H. G. A. 1878. Araceae. In: Martius, C. F. P.
von; Eichler, A. W. & Urban, I. Flora brasiliensis.
Munchen, Wien, Leipzig, 3(2): 26-223.
. 1930. Liliaceae. In: Engler, H. G. A. & Plantl,
K. A. E. Die Naturlichen Pflanzenfamilien. 2.
Aufl. Leipzig (Wilhelm Engelmann). 15: 227-386.
Sass, J. E 1 95 1 . Botanical microteehnique. 2ed. Iowa
State College Press, Iowa, 228p.
Cite tesis y disertaciones si es estrictamente
necesario, o cuando las informaciones requeridas
para un mejor entendimiento dei texto todavia no
fueron publicadas en artículos científicos.
Tablas - deben ser presentadas en blanco y negro,
en el formato Word para Windows. En el texto las
tablas deben estar siempre citadas de acuerdo con
los ejemplos abajo:
“Apenas algunas especies presentan
indumento (Tabla 1)...”
“Los resultados de los análisis fitoquímicos
son presentados en la Tabla 2...”
Figuras - no deben ser inseridas en ei archivo de
texto. Someter originales en blanco y negro tres
copias de alta resolución para fotos y ilustraciones,
que también puedan ser enviadas en formato
electrónico, con alta resolución, desde que sean
en formato JPG o compatible con CorelDraw
versión 9 o superior. Ilustraciones de baja calidad
causaran la devolución dei manuscrito. En el caso
de envio de las copias impresas la numeración de
las figuras, así como, textos en ellas inseridos,
deben ser marcados con Letraset o similar en papel
transparente (tipo mantequilla), pegado en la parte
superior de la figura, de manera que al colocar el
papel transparente sobre la figura permitiran que
los detalles aparezcan en los lugares deseados por
el autor. Los gráficos deben ser en blanco y negro,
con excelente contraste y gravados en archivos
separados en disquete (formato JPG o otro
compatible con CorelDraw 10.). Las figuras se
publican con un de máximo 1 5 cm de ancho x 22 cm
de largo, también serán aceptas figuras dei ancho
de una columna - 7,2 cm. Las figuras que excedan
más de dos veces estas medidas serán devueltas.
Es necesario que las figuras digitalizadas tengan
al menos 600 dpi de resolución.
En el texto las figuras deben ser siempre
citadas de acuerdo con los ejemplos de abajo:
Evidencia para el análisis de las Figuras 25 y
26 ...”
Lindman (Figura 3) destacó las siguientes
características para las especies...”
Después de hacer las correcciones sugeridas
por los asesores y siendo aceptado el artículo para
publicación, el autor debe enviar la versión final
dei manuscrito en dos copias impresas y en una
copia electrónica. Identifique el disquete con
nombre y número dei manuscrito.
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INSTRUCnONS TO AUTHORS
Scope
Rodriguésia, issued three times a year by the
Botanical Garden of Rio de Janeiro Research
Institute (Instituto de Pesquisa Jardim Botânico do
Rio de Janeiro), publishes scientific articles and
short notes in all areas of Plant Biology, as well as
History of Botany and activities linked to Botanic
Gardens. Articles are published in Portuguese,
Spanish or English.
Submission of manuscrípts
Manuscripts are to be submitted with 3 printed
copies (we will request the text on diskette or as an
e-mail attachment after the review stage) to:
Revista Rodriguésia
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CEP: 22460-030
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The maximum recommended length of the
articles is 30 pages, but larger submissions may be
published after evaluation by the Editorial Board.
The articles are considered by the Editorial Board
of the periodical, and sent to 2 referees ad hoc. The
authors may be asked, when deemed neccssary, to
modify or adapt the submission according to the
suggestions of the referees and the editors.
Once the article is accepted, it will be type-set
and the authors will receive proofs to review «uid
send back in 5 working days from receipt. Following
their publication, the articles will be available
digitally (PDF, AdobeAcrobat) at the site of the
Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de
Janeiro (http://www.jbri . eov.br).
Guidelines
Manuscripts must be presented in Microsoft
Word software (vs 6.0 ou more recent), with Times
New Roman font size 12, double spaced. Page
format must be size A4, margins 2,5 cm, justified
(except in the cases explained below), printed on
one side only. All pages, except the title page, must
be numbered in the top right comer. Capital letters
to be used only for initials, according to the
language.
Latin words must be in italics (incl. genera and
all other categories below generic levei), and the
scientific names have to be complete (genus,
species and author) when they first appear in the
text, and afterwards the genus can be abbreviated
and the authority of the name suppressed, unless
for some reason it may be cause for confusion.
Names of authors to be cited according to Brummitt
& Powell (1992), “Authors of Plant Names".
First page - must include title, authors, addresses,
financial support, main author and contact address
and abbreviated title. The title must be short and
objective, expressing the general idea of the
contents of the article. It must appear in bold with
capital letters where relevant.
Second page - must contain a Portuguese summary
(including title in Portuguese or Spanish), Abstract
(including title in English) and key-words (up lo 5,
in Portuguese or Spanish and in English).
Summaries and abstracts must contain up to 200
words each. The Editorail Board may translate the
Abstract into a Portuguese summary if the authors
are not Portuguese speakers.
Text - starting on a new page, according to the
following sequence: Introduction, Material and
Methods, Results, Discussion, Acknowledgements and
Referenccs. Some of these items may be omitted in
articles describing new taxa or presenting
nomenclatural changes, etc. In some cases, the
Results and Discussion can be merged. Titles
(Introduction, Material and Methods, etc.) and
subtitles must be in bold type. Number figures and
tables in 1-10 etc., according with the sequence
these occupy wilhin the text. Rcferences with.n
the text should be in the following forms: Mil er
(1993), Miller & Maier ( 1 994), Baker etal. ( 996) for
three or more authors or (Miller 1993). (M.l ler &
Maier 1994), (Baker et al. 1996). Unpubhsheddata
should appear as: (R. C. Vieira, unpubUshedk
Conference, Symposia and Meetmgs abstrac
should only be cited if strictly nccessary.
For Taxonomic Botany articles, the examine
material ought to be cited following this ordcr:
locality and date of collection. phenology (IT, tn,
bud), name and number of collcctor (using et al.
when more than two collectors werc prcscnt) and
acronym of the hcrbaria betwecn brackets,
according to Index Herbarioram. When the
collector's number is not available. lhe herbanum
rccord number should be cited prcccdcd by the
HerbariunTs acronym. Names of countries and
statcs/orovinces should be cited in full, in capital
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letters and in alphabetic order, followed by the
material studied, for instance:
BRASIL. BAHIA: Ilhéus, Reserva da CEPEC,
1 5.XII. 1 996, fl. e fr., /?. C. Vieira et al. 10987 (MBM
RB, SP).
Decimal numbers should be separated by
comma in articles in Portuguese and Spanish (e.g.:
10,5 m), full stop in English (e.g.: 10.5 m). Numbers
should be separated by space from the unit
abbreviation, except in percentages, degrees,
minutes and seconds.
Metric units should be abbreviated according
to the Système Internacional d'Unités (SI), and
Chemical symbols are allowed. Other abbreviations
can be used as long as they are explained in full
when they appear for the first time
References - All references cited in the text must
be listed within this section in alphabetic order by
the sumame of the first author, only the first letter
of sumames in upper case, and all other authors
must be cited. When there are several works by the
same author, the sumame is substituted by a long
dash; when the same author publishes more than
one work in the same year, these should be
differentiated by lower case letters suffixing the year
of publication. Titles of papers and joumals should
be in full and not abbreviated.
Examples:
Tolbert, R. J. & Johnson, M. A. 1966. A survey of
the vegetative shoot ápices in the family
Malvaceae. American Journal of Botany 53(10)-
% 1-970.
Engler, H. G. A. 1 878. Araceae. In: Martius, C. F. P
von; Eichler, A. W. & Urban, I. Flora brasiliensis!
Munchen, Wien, Leipzig, 3(2): 26-223.
. 1930. Liliaceae. In: Engler, H. G. A. & Plantl,
K. A. E. Die Naturlichen Pflanzenfamilien. 2.
Aufl. Leipzig (Wilhelm Engelmann). 15: 227-386.
Sass, J. E. 1951. Botanical microtechnique. 2ed. Iowa
State College Press, Iowa, 228p.
MSc and PhD thesis should be cited only when
strictly necessary, if the information is as yet
unpublished in the form of scientific articles.
Tables — should be presented in black and white,
in the same software cited above. In the text, tables
should be cited following in the examples below:
“Only a few species pnesent hairs (Table 1 )...”
Results to the phytochemical analysis are
presented in Table 2...”
Figures (must not be included in the file with text)
- submit originais in black and white high good
quality copies for photos and illustrations, or in
electronic form with high resolution in format TIF
600 dpi, or compatible with CorelDraw (vs. 10 or
more recent). Scripts submitted with low resolution
or poor quality illustrations will be retumed to the
authors. In case of printed copies, the numbering
and text of the figures should be made on an
overlapping sheet of transparent paper stuck to
the top edge of the plates, and not on the original
drawing itself. Graphs should also be black and
white, with good contrast, and in separate files on
disk (format TIF 600 dpi, or compatible with
CorelDraw 10). Plates should be a maximum of 15
cm wide x 22 cm long for a full page, or column size,
with 7,2 cm wide and 22 cm long. The resolution for
grayscale images should be 600 dpi.
In the text, figures should be cited according
to the following examples:
It is made obvious by the analysis of Figures
25 and 26...”
Lindman (Figure 3) outlined the following
characters for the species...”
After adding modifications and corrections
suggested by the two reviewers, the author should
submit the final version of the manuscript
electronically plus two printed copies.
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12 13 14 15 16 17
ISSN 0370-6583
RODRIGUÉSIA
Revista do Jardim Botânico do Rio de Janeiro
Volume 57 Número 2 2006
I
5 6 SciELO/JBRJ 13 14 15 16 17 18
RODRIGUÉSIA
Revista do Jardim Botânico do Rio de Janeiro
Volume 57 Número 2 2006
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INSTITUTO DE PESQUISAS
JARDIM BOTÂNICO DO RIO DE JANEIRO
Rua Jardim Botânico 1008 - Jardim Botânico - Rio de Janeiro - RJ - Tel.: 3204-2519 - CEP 22460- 180
© JBRJ
ISSN 0370-6583
Indexação:
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Index of Botanical Publications (Harvard University Herbaria)
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Review of Plant Pathology
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Edição eletrônica:
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Presidência da República
LUIS INÁCIO LULA DA SILVA
Presidente
Ministério do Meio Ambiente
MARINA SILVA
Ministra
CLÁUDIO LANGONE
Secretário Executivo
Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro
LISZT VIEIRA
Presidente
LEANDRO FREITAS
Gestor do Corpo Editorial
Corpo Editorial
Editora-chefe
Rafaela Campostrini Forzza, JBRJ
Editor-assistente
Vidal de Freitas Mansano, JBRJ
Editores de Área
Ary Teixeira de Oliveira Filho, UFLA
Gilberto Menezes Amado Filho, JBRJ
Lana da Silva Sylvestre, UFRRJ
Mareia de Fatima Inácio Freire, JBRJ
Montserrat Rios Almeida, FOMRENA, Equador
Ricardo Cardoso Vieira, UFRJ
Tania Sampaio Pereira, JBRJ
Rodriguésia
A Revista Rodriguésia publica artigos e notas
científicas em todas as áreas da Biologia Vegetal, bem
como em História da Botânica e atividades ligadas a
Jardins Botânicos.
Ficha catalográfíca:
Rodriguésia: revista do Jardim Botânico do Rio de Janeiro.
-- Vol.l, n.l (1935) - .- Rio de Janeiro: Instituto de
Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro, 1935-
v. : il. ; 28 cm.
Quadrimestral
Inclui resumos em português e inglês
ISSN 0370-6583
1. Botânica I. Instituto de Pesquisas Jardim Botânico
do Rio de Janeiro
CDD - 580
CDU -58(01)
Editoração
Carla Molinari
Simone Bittencourt
Edição on-Iihe
Renato M. A. Pizarro Drummond
Secretária
Georgina M. Macedo
SciELO/ JBRJ,
13 14 15
Editorial
0s\e fascículo da Rodriguésia dá continuidade à publicação dos tratamentos
taxonômicos da flora da Reserva Ducke, aborda 1 1 famílias de angiospermas, totalizando
48 gêneros e 194 espécies, com a descrição de nove espécies novas de Sapotaceae.
A publicação do primeiro fascículo sobre a flora da Reserva Ducke, em junho de
2005, foi seguida de comentários de muitos colegas botânicos, ressaltando a relevância de
tal iniciativa. Esse retorno é gratificante e estimulante, reforçando a determinação do Corpo
Editorial em dar prosseguimento a esta série, sendo que a publicação de seu terceiro fascículo
está planejada para 2007.
A editoração dos manuscritos contou com a colaboração de Cíntia Sotheres (RBG-
Kew) e Mike Hopkins (UFRAM). Gostaríamos também de agradecer aos pesquisadores
Alessandra Rapini (UEFS), Andréa Costa (UFRJ), Elsie F. Guimarães (JBRJ), Inês Cordeiro
(Ibt-SP), Lúcia G. Lohmann (USP) Marcos Sobral (UFMG), Milton Groppo (USP-Ribeirão
Preto), Regina Andreata (USU), Renato de Mello-Silva (USP) e Vinícius Castro Sousa (ESALQ-
USP) pela valiosa contribuição na revisão dos artigos.
Leandro Freitas
Gestor do Corpo Editorial
Rafaela Campostrini Forzza
Editora-chefe
SciELO/ JBRJ,
13 14 15
cm
SUMÁRIO/CONTENTS
Flora da Reserva Ducke, Amazonas, Brasil
Acanthaceae
Cíntia Kameyama 149
Caryocaraceae
Ghillean T. Prance & Marlene F. da Silva 155
Cyclanthaceae
Fabiana Pinto Gomes & Renato de Mello-Silva 159
Cyperaceae
David A. Simpson 171
Erythroxylaceae
Ghillean T. Prance 189
Loganiaceae
DanielaZappi 193
Malvaceae
Gerleni Lopes Esteves 205
Meliaceae
T. D. Pennington 207
Rhamnaceae
Rita Lima 247
Sapotaceae
T. D. Pennington 251
Tiliaceae
Gerleni Lopes Esteves 367
SciELO/JBRJ
2 13 14 15 16 17 18
cm
Flora da Reserva Ducke, Amazonas, Brasil: Acanthaceae
Cíntia Kameyama'
Baum, V. M. 1 983. Pulchranthus ( Acanthaccac), a ncw genus from Northern South America. Syst. Bot. 8:211 -220.
Durkee, L. H. 1986. Flora Costaricensis, Acanthaceae. Fieldiana, Bot., n.s. 18: 1-87.
Gibson, D. N. 1974. Flora of Guatemala. Acanthaceae. Fieldiana, Bot., n.s. 21: 328-461.
Graham, V. A. W. 1988. Delimitation and infra-generic classification of Justicia (Acanthaceae). Kew Buli. 43:
551-624.
Nees von Esenbeck, C. G 1847. Acanthaceae. /n: C. F. P. Martius (ed.). Fl. bras. 9: 1-164; tab. 1-31.
Profice, S. R. 1 988. Mendonda Vell. ex Vand. (Acanthaceae). Espécies ocorrentes no Brasil. Arq. J. Bot. Rio de
Janeiro 29: 201-279.
Wasshausen, D. C. 1995. Acanthaceae. /«: P. E. Berry; B. K. Holst & K. Yatskievych (eds). Flora of the
Venezuelan Guyana. 2. Pteridophytcs, Spermatophytes: Acanthaceae-Araceae. Timbcr Press, Portland,
Oregon. Pp. 335-374.
Wasshausen, D. C. & Wood, J. R. 1. 2000. Acanthaceae of Bolivia. Contr. U. S. Natl. Herb. 49: 1 - 1 52.
Ervas, subarbustos, arbustos, lianas ou
mais raramente árvores, hermafroditas,
apresentam comumente cistólitos silicificados
nos parênquimas ou nas células epidérmicas,
do caule e das folhas. Folhas opostas, simples,
sem estipulas. Flores hermafroditas, isoladas
ou em inflorescências; bráctcas e bractéolas
muitas vezes coloridas e vistosas; cálice
persistente no fruto, sépalas (4— )5(— 16), livres
ou unidas somente na base ou mais
extensamente, raramente cálice reduzido a um
anel; corola gamopétala, zigomorfa,
pentalobada, bilabiada ou mais raramente
unilabiada; estames adnatos ao tubo da corola,
alternos aos lobos, comumente quatro
didínamos ou dois, apresentando, às vezes,
estaminódios; anteras bitecas,
tetrasporangiadas, deiscência geralmente
longitudinal, sacos polínicos paralelos ou
justapostos, algumas vezes separados por um
conectivo modificado, ou uma das tecas
reduzida ou ausente; disco ncctarífero anular
ou cupular em geral presente na base do ovário;
ovário supero, bicarpelar e bilocular, placentação
axial, óvulos 2-10 por lóculo, superpostos ou
algumas vezes colaterais, raramente mais
numerosos e dispostos em duas fileiras em cada
lóculo, freqüentemente com um funículo
fortemente modificado, que se desenvolve em
uma estrutura em forma de gancho ou papila;
estilete simples, em geral longo com estigma
freqüentemente bilobado. Frutos capsulares
com deiscência explosiva, ou raramente drupa.
Sementes em geral planas, glabras ou pilosas,
testa lisa, rugosa ou reticulada, algumas
mucilaginosas quando úmidas.
Acanthaceae sensu lato possui cerca de
250 gêneros e 2.500 espécies com distribuição
pantropical, alcançando algumas regiões
temperadas. No Brasil a família apresenta
maior número de espécies na Mata Atlântica
e nas formações florestais mesófilas das
Regiões Sudeste e Centro-Oeste, ocorrendo
também em outras formações vegetais.
Na Reserva Ducke está representada por
cinco gêneros e sete espécies.
Chave para os gêneros de Acanthaceae na Reserva Ducke
I Planta volúvel ou arbusto com ramos cscandentcs; corolas não bilabiadas.
■7 pianta volúvel, flores pedunculadas com um par de brácteas recobrindo o cálice, que tem
forma de anel, e parte da corola tubulosa vermelha ou branca com manchas vermelhas ...
3. Mendoncia
2. Arbusto com ramos escandentes, flores sésseis cm uma espiga terminal muito curta, sem
brácteas, corola infundibuliforme totalmente branca 5. Rtiellia
'InsíituWilc BotánjcãTdcSao Paulo, C.P. 4005. CEP 01061-970, Sflo Paulo, SP, Brusil.
SciELO/JBRJ
2 13 14 15 16 17 18
cm
Kameyama, C.
1. Ervas a subarbustos eretos ou com ramos decumbentes na base, corolas bilabiadas
3. Estames férteis 4 2. Lepidagathis
3. Estames férteis 2.
4. Flores sésseis, estaminódios ausentes, tecas das anteras inseridas em alturas diferentes
no conectivo, divergentes justjcja
4. Flores pediceladas, estaminódios 2, tecas das anteras inseridas na mesma altura no
conectivo, paralelas 4. Pulchranthus
1. Justicia
Justicia Linnaeus, Sp. Pl. 1: 15. 1753.
Ervas, subarbustos a arbustos eretos ou
escandentes. Cistólitos presentes.
Inflorescências terminais ou axilares,
determinadas ou indeterminadas, simples ou
compostas. Flores em geral com uma bráctea
e duas bractéolas; cálice com 4-5 sépalas
unidas somente na base, em geral estreitas e
subiguais; corola bilabiada, com tubo quase
sempre estreito e alongado, fauce mais ou
menos diferenciada, labio superior em geral
estreito, bífido ou levemente bilobado, lábio
inferior mais largo, mais ou menos alargado
ou recurvado, leve ou profundamente trilobado;
estames 2, filetes em geral inseridos próximos
ou acima do meio do tubo; anteras 2-tecas,
tecas em geral oblongas ou lineares, algumas
vezes curvadas ou reniformes, superpostas ou
quase paralelas ao conectivo, uma ou ambas
as tecas calcaradas na base ou não,
estaminódio ausente; disco nectarífero anular,
cupular ou ciatiforme inteiro ou sinuadamente
lobado; óvulos 2 por lóculo; estilete filiforme,
estigma em geral ligeiramente bilobado.
Cápsula com 4 sementes ou raramente, 2-3
por aborto, parte inferior diferenciada numa
porção estéril ou haste, valvas inteiras durante
a deiscência ou raramente o septo desloca-se
para cima; sementes esféricas ou discóides,
testa lisa ou ornamentada, alveolada, rugulosa,
tuberculada, pubescente, híspida ou equinada.
Justicia em um senso mais amplo
(Graham 1988) apresenta cerca de 600
espécies e distribuição pantropical. Na Reserva
Ducke foram encontradas duas espécies.
1.
1.
Chave para as espécies de Justicia na Reserva Ducke
Flores dispostas em panículas formadas por espigas secundifloras
Flores decussadas em espiga terminal
1. J. pectoralis
.. 2. Justicia sp.
I. 1 Justicia pectoralis Jacq. Enum. syst. pl.;
II. 1760.; Durkee, Fieldiana, Bot., n.s. 18:
57.1986; Wasshausen in: RE. Berry, B. K. Holst
& K. Yatskievych (eds). Flora of the Venezuelan
Guayana2: 354. 1995.
Erva ramificada, ereta ou decumbente até
ca. 1,5 m alt. Ramos hexagonais a cilíndricos,
com duas faixas longitudinais de tricomas,
glabrescentes. Folhas sésseis ou com pecíolo
até 1 mm, lanceoladas, 3,5-6 x 0,4-0, 6 cm,
ápice agudo a atenuado, base atenuada, margem
crenada a inteira, ciliadas, pubescentes nas
nervuras. Panícula secundiflora, eixos da
inflorescência hirsutos com tricomas tectores
simples e glandulares. Flores sésseis.
brácteas e bractéolas subuladas, 0,5-1 mm
compr.; sépalas 5, linear-lanceoladas ca. 3
mm compr., glandular-pubescentes; corola
branca com manchas róseas a lilases, 7-
9 mm compr., tubo 3—5 mm compr., lábio
superior ca. 3 mm compr., unilobado, ápice
arredondado, lábio inferior 4-5 mm compr.,
trilobado, palato com venação peninérvia
evidente, lobos ca. 1 mm compr., lobos
laterais ca. 1,5 mm larg., lobo central ca.
2 mm larg., ápice arredondado a obtuso;
estames levemente exsertos, tecas das
anteras inseridas em alturas diferentes no
conectivo, divergentes, sem apêndices, a
inferior menor.
Rodriguésia 57 (2): 149-154. 2006
SciELO/JBRJ
2 13 14 15 16 17 18
Flora cia Reserva Ducke: Acanthaceae
151
Justicia pectoralis é uma espécie
amplamente distribuída em regiões úmidas e
quentes da América tropical, especialmen-te
em áreas perturbadas. Para este trabalho foi
examinado um único espécime coletado em
uma área alterada.
5.X. 1995 (fl) Costa, M. A. S. & Assunção, P. A. C.
L 378 (1NPA K MG N Y RB SPF).
O material examinado encontra-se
bastante depauperado, especialmente as
inflorescências, por isso a descrição da corola
foi baseada em fotografias da planta,
materiais provenientes de outras regiões e na
literatura (Gibson 1974, Durkee 1985).
1.2 Justicia sp.
Erva semi-prostrada, não ramificada,
ca. 8 cm alt. Caule subquadrangular a
cilíndrico. Folhas com pecíolo 0,5-0, 7 cm
compr., oblongas a elípticas, 4-7 x 1-2,4 cm,
ápice agudo, base aguda a obtusa, margem
inteira a suberenada, esparsamente
pubescente, mais densamente nas nervuras
da face abaxial. Espiga terminal com flores
decussadas; brácteas ovais, ca. 5 x 5 mm,
verdes esparsamente hirsutas, ciliadas, ápice
acuminado, base atenuada; bractéolas
elípticas a lanceoladas, ca. 9 x 1 mm,
atenuadas na base, ápice longamente
acuminado, indumento como das brácteas;
sépalas 4, lineares, iguais entre si, ca. 2 mm
compr., longamente ciliadas; corola lilás, ca.
1.3 cm compr., tubo ca. 6 mm compr., fauce
ca. 4 mm compr., lábios ca. 0,3 mm compr.,
o superior unilobado, ápice arredondado, o
inferior trilobado, lobos arredondados no ápice,
hirsutos externamente, especialmente nas
nervuras; anteras inseridas em alturas
diferentes no conectivo, a inferior
obliquamente, sem apêndices.
Foram encontrados outros dois materiais
desta mesma espécie no herbário US,
coletados entre o final de julho e início de
agosto, provenientes da região de Manaus.
Na Reserva Ducke foi encontrado um único
espécime na floresta de baixio.
19. VII. 1997 (fl) Forzza, R. C. 298 (INPA).
Não foi possível identificar esta espécie,
talvez se trate de um táxon não descrito.
2. Lepidagathis
Lepidagathis Willd. Sp. PI. 3: 400. 1800.
Ervas, subarbustos ou arbustos,
decumbentes, eretos ou semi-escandentes.
Espigas decussadas ou secundifloras ou
tirsos, terminais ou axilares. Flores
subtendidas por uma bráctea e um par de
bractéolas, espigas secundifloras com 4 séries
de brácteas: duas fileiras adjacentes de
brácteas estéreis e duas de brácteas férteis.
Sépalas 5, desiguais, unidas na base, coloridas
ou não, comumente mucronadas a
cuspidadas, sendo uma sépala ventral maior
e alargada, 2 dorsais mais ou menos unidas,
muitas vezes dimidiatas, 2 sépalas laterais
estreitas e menores e, às vezes, mais internas;
corola com tubo cilíndrico, reto ou levemente
recurvado, fauce mais ou menos distinta,
limbo bilabiado, o lábio superior levemente
bilobado a inteiro, o inferior trilobado; estames
4, didínamos, inseridos na região mediana do
tubo da corola em pares (um ventral + um
dorsal), os ventrais com anteras bitecas, tecas
paralelas inseridas na mesma altura ou
levemente divergentes inseridas em alturas
diferentes, sem apêndices, os dorsais com
anteras iguais às dos ventrais ou monotccas
ou reduzidas (estaminódios); disco ncctarífero
cupular ou anular; estilete com estigma
bilobado subclavado a capitado; óvulos 2 por
lóculo. Cápsula elipsoidal, oblonga ou
ovalada, aguda ou curtamente rostrada,
cilíndrica ou comprimida paralelamente ao
septo, paredes relativamente finas a
membranáccas e septo rígido espessado;
sementes 4 ou menos por aborto, lenticularcs,
achatadas, com tricomas higroscópicos.
Lepidagathis é um gênero pantropical
com cerca de 100 espécies. No Brasil
ocorrem cerca de 16 espécies a maioria nas
regiões Centro Oeste c Sudeste. Na Reserva
Ducke foi encontrada somente uma espécie.
Rndriguésiti 57 (2): 149-154. 2006
SciELO/JBRJ,
13 14
152
Kamexama, C.
11 Lepidagathis alopecuroides (Vahl) R. Br. ex
Griseb., Fl. Brit. W. L: 453. 1 862. Wasshausen in:
R E. Berry, B. K. Holst & K. Yatskievych (eds.).
Flora of the Venezuelan Guyana 2: 358. 1995.
Ruellia allopecuroidea Vahl, Eclog.
Amer. 2: 49. 1798.
Telyostachya alopecuroidea (Vahl)
Nees, in Mart., Fl. bras. 9: 72. 1 847.
Erva a subarbusto semidecumbente.
Ramos subquadrangulares a cilíndricos,
pubescentes, glabrescentes. Folhas com pecíolo
2-6 mm compr., ovais a elípticas 3,5-6 x 1,4-
2,3 cm, ápice agudo, base atenuada, margem
subcrenada. Tirsos terminais e axilares; brac-
téolas 2 por flor, oblongas, linear-oblanceoladas
a lineares, as das primeiras flores sempre maiores
6-8 x 0,5-1 mm, ápice acuminado, ciliada;
sépalas acuminadas, pubescentes, ciliadas, a
ventral oblanceolada, 8-9 x 4 mm, trinervadas;
as ventrais unidas na base, estreita-mente
oblanceoladas, assimétricas, 6-7 x 1-1 ,5 mm, as
laterais linear-lanceoladas, ca. 1 x0,2 mm; corola
branca com manchas púrpuras, 5-6 mm compr.,
tubo ca. 4 mm, lábio superior ca. 2 mm compr.,
bilobado, lábio inferior ca 3 mm compr., trilo-bado,
lobos ca. 2 mm compr., ápice arredondado, lobo
central mais largo, glabra externamente,
intemamente com um anel de tricomas na fauce;
todas anteras bitecas, tecas inseridas em alturas
diferentes no conectivo. Cápsula oblonga,
curtamente rostrada, pubescente; sementes 4.
Espécie comum em áreas perturbadas e
úmidas, ocorrendo desde o Sul do México até
o norte da América do Sul e Antilhas. Na área
da Reserva Ducke foi coletada na borda de
uma capoeira.
4. V. 1 995 (fl) Costa, M. 4. S. & Silva. C. F. 254 (INPA
K MG MO NY RB SPF U UB); 6.1 V. 1 998 (fl) Costa,
M. A. S. et al. 831 (INPA K SPF).
Lepidagathis alopecuroides caracteriza-
se pelas inflorescências bastante congestas e
com muitas flores brancas com manchas
púrpuras, pequenas e bilabiadas, quase
totalmente envolvidas pelo cálice bastante
conspícuo, com sépalas acuminadas.
3. Mendoncia
Mendoncia Vell. Fl. Lusit. Bras. Spec. 43 f.
22. 1788.
Plantas volúveis. Folhas opostas,
pecioladas, margem inteira, cistólitos ausentes.
Flores solitárias ou fasciculadas, axilares,
pediceladas; bractéolas 2, evidentes,
recobrindo o cálice e parte da corola,
persistente no fruto. Cálice persistente,
reduzido a um anel a cupuliforme; corola
infundibuliforme ou tubulosa, lobos elíptico a
orbiculares, iguais entre si ou quase,
extemamente glabras, intemamente com uma
faixa de tricomas glandulares na região
mediana, prefloração contorta; estames 4,
didínamos, inclusos, anteras bitecas, deiscência
poricida, tricomas glandulares no dorso,
tricomas simples na base, estaminódio 1 ; ovário
unilocular por aborto de um carpelo, óvulos 2,
estilete com 2 ramos. Fruto tipo drupa.
Mendoncia possui cerca de 60 espécies
ocorrendo na América Tropical e África, incluindo
Madagascar (Wasshausen & Wood 2000). No
Brasil ocorrem cerca de 1 4 espécies, a maioria na
região amazônica (Profice 1988). Na reserva
Ducke foram encontradas duas espécies.
Chave para as espécies de Mendoncia na Reserva Ducke
1. Folhas vdoso-tomentosas na face abaxial e pubescentes na face adaxial, cartáceas; brácteas
tomentosas; corola vermelha M. hofftnannseggiana
1. Folhas puberulo-glabrescentes em ambas as faces, coriáceas; brácteas glabras; corola branca
com manchas avermelhadas ,,
M. pedunculata
3.1 Mendoncia hofftnannseggiana Nees in:
Mart., Fl. bras. 9: 9. 1847. Profice, Arq. J. Bot.
Rio de Janeiro 29: 228. 1988.
Trepadeira, ramos quadrangulares a
cilíndricos, tomentosos-glabrescentes. Folhas
com pecíolo 1 ,6—2,2 cm compr., elípticas a
oblongas, raramente obovais, 7,5-13,5 x 3,8-
8,0 cm, ápice agudo a acuminado e apiculado
ou cmarginado-mútico, base aguda a atenuada,
margem inteira a subcrenada, cartácea,.; face
Rodriguésia 57 (2): 149-154. 2006
SciELO/JBRJ1
2 13 14 15 16 17 lí
Flora da Reserva Ducke: Acanthaceae
153
abaxial viloso-tomentosa, células da base do
tricoma 4, dispostas radialmente, quase
totalmente unidas, face adaxial pubescente,
células da base do tricoma 4-5 dispostas
radialmente, bem evidentes. Flores solitárias
ou aos pares nas axilas das folhas, pedúnculos
2,6-4 cm compr., tomentosos, brácteas
oblongo-lanceoladas, 3, 4-3, 7 x 0,9- 1,1 cm,
ápice acuminado, tomentosas, verdes; cálice
levemente lobado, ca. 1 mm alt.; corola verme-
lha, fauce esbranquiçada intemamente, tubo
4-4,5 cm, fauce pouco diferenciada, lobos ca.
3x5 mm, oblongos com ápice retusos a
arredondados. Drupa negra 0,7 x 1,8-2 cm.
Segundo Profice (1988) Mendoncia
h o fm annsegg ia n a ocorre na Guiana,
Suriname, Venezuela e no Brasil no Amazonas,
Pará, Maranhão, Roraima c Amapá, em
florestas de terra firme e capoeiras. Na Reserva
Ducke ocorre em florestas de terra firme, de
baixio, em capoeiras c em áreas alteradas.
28.11. 1996 (fr) Campos, M. T.V.A. et al. 528 (INPA
K MBM MG MO NY RB SPF U); 12.1.1996 (fl)
Costa, M. A. S. & Silva, C. F. 682 (INPA K MG
MO N Y RB SPF); 1 2.1. 1 996 (fl) Costa, M. A. S. &
Silva, C. F. 683 (INPA K MG MO NY SP SPF);
25.1.1996 (11) Costa, M. A. S. et al. 746 (G INPA K
MG SPF); 8.II.1995 (11) Hopkins, M. J. G. et al.
15301 INPA K MG MO NY RB SP SPF); 9. VIII. 1995
(11) Sothers, C. A. et al. 554 (INPA K SPF);
26.XI. 1996 (fl) Sothers, C.A. 940 (INPA); 10.11.1995
(fl) Vicentini, A. et al. 875 (INPA K MG R SPF U);
19.IX. 1995 (fr) Vicentini, A. & Silva, C. F. 1034 (G
INPA K MG SP SPF US).
Esta espécie pode ser reconhecida pela
presença de indumento viloso a tomentoso em
quase toda a planta e pelas flores tubulosas
vermelhas.
3.2 Mendoncia pedunculata Leonard, J.
Wash.Acad. Sei. 21: 150. 1931. Profice, Arq.
J. Bot. Rio de Janeiro 29: 230. 1988.
TVepadeira lenhosa. Ramos cilíndricos a
subcilíndricos, glabreseentes. Folhas com pecíolo
2-3,5 cm compr., elípticas a oblongo-elípticas, 9-
1 1 x 4,5-6 cm, ápice acuminado, ácumcn 0,5-
1,5 cm compr., base atenuada, margem inteira a
ondulada, pubérulo-glabrescente em ambas as
faces, coriácca. Flores 1-4 por axila; pedúnculo
RodrisuSsia 57 (2): 149-154. 2006
ca. 3 cm compr.; bráctea oblonga, 2,5 x 1,5 mm,
ápice curtamente mucronado, base obtusa,
glabra; cálice ca. 2,5 mm compr.; corola branca
com manchas avermelhadas, 4,5-6 cm compr.,
lobos orbiculares. Drupa 1 ,5- 1 ,8 cm compr., ca.
1 cm larg.
Mendoncia pedunculata ocorre na
amazônia equatoriana, peruana, colombiana e
no Brasil nos estados do Acre, Amazonas e
Roraima. Na Reserva Ducke foi coletado um
único material no Igarapé do Tinga.
27.IV. 1994 (fr) Ribeiro, J. E. L. S. et al. 1275 (INPA
K MG MO NY RB SPF).
O único material examinado proveniente
da Reserva Ducke apresenta apenas um fruto
parcialmente destruído. A descrição das flores
foi baseada na literatura (Profice 1988) e em
materiais provenientes de outras regiões.
4. Pulchranthus
Pulchranthus V. M. Baum, Reveal &
Nowicke, Syst. Bot. 8: 212. 1983.
Ervas a subarbustos, cistólitos presentes.
Flores em espigas ou racemos terminais ou
panículas terminais bastante ramificadas com
tricomas glandulares; cálice com 5 sépalas
iguais; corola fortemente bilabiada, tubo curto
largo e recurvado, 2 lobos superiores, 3 lobos
inferiores; estames 2, exsertos, estaminódios
2. Cápsulas clavadas, sementes 4.
Pulchranthus possui atualmente quatro
espécies distribuindo-se pelo norte da América
do Sul. É um gênero próximo a Odontonema do
qual foi desmembrado por Baum et al. (1983) e
distingue-se deste e de Pseuderanthemum , outro
gênero próximo, por apresentar a corola
fortemente bilabiada, os estames longamcnle
exsertos e filetes curvos além da raque com
tricomas glandulares. Na Reserva Ducke foi
encontrada apenas uma espécie, P. congestus.
4.1 Pulchranthus congestus (Lindau) V. M.
Baum, Reveal & Nowickc, Syst. Bot. 8: 219. 1983.
Odontonema congestum Lindau, Notzbl.
Kõnigl. Bot. Gart. Berlin 6: 197.1914.
Erva ereta não ramificada, 15-35 cm alt.
Caule subquadrangular a cilíndrico,
pubescente-glabresccnte, esfoliante. Folhas
SciELO/JBRJ
2 13 14
cm ..
154
com pecíolo 0,3-2 cm compr., oblongas,
elípticas a obovais, 5,5-9 x 2, 3-3, 7 cm, ápice
acuminado, base aguda a atenuada, margem
subcrenada a crenada, pubescente em ambas
as faces. Racemo terminal; pedúnculo, raque,
brácteas, bractéolas, pedicelos e sépalas
hirsutos, tricomas tectores simples e
glandulares; pedúnculo 0,4-4 cm compr.,
raque 5-8 cm compr., primeiro par de brácteas
estéril; bráctea estreitamente triangular a linear,
2-4 mm compr.; bractéolas 2, ca. 1 mm
compr., linear, geralmente com uma gema
presente na sua axila; pedicelo 3-5 mm;
sépalas lineares, 5 mm compr.; corola branca
a rosa claro com manchas rosa-escuro nos
lobos e fauce, ca. 8 mm compr., tubo ca. 4 mm,
fauce 4 mm compr., lobos superiores 6x3 mm,
ápice arredondado; lobos inferiores 5x2 mm,
ápice arredondado, pubescente extemamente,
glabro intemamente; filetes ca. 1 cm, anteras
brancas. Cápsula ca. 1,5 cm.
Segundo Baum et al. (1983)
Pulchranthus congestus é uma espécie rara
com coletas conhecidas da região da Manaus
e do Rio Trombetas no Pará. Na Reserva
Ducke esta especie foi encontrada em bordas
de floresta de baixio e margem de igarapé.
16.III. 1995 (0) Costa, M.A. S. etal. 758 (EMPA SPF);
21. VII. 1995 (fl) Costa, M. A. S. 328 (INPA K SPF
US); 3.VII. 1997 (0) Costa, M. A. S. et al. 573 (LAN
INPA K MBM MO NY SP SPF U UB); 4.VR 1997 (fl)
Martins, L H. P. et al. 22 (IAN INPA K SPF);
2. VI. 1 993 (fl) Ribeiro, J. E. L S. et al. 784 (G INPA
K MG SPF); 8. Vül. 1 995 (fl) Souza, M. A. D. et al. 66
(SPF); 1 3. V. 1994 (11) Vicentini, A. et al. 552 (INPA).
5. Ruellia
Ruellia L. Sp. Pl. 2: 634. 1753.
Ervas perenes a arbustos eretos ou
decumbentes; cistólitos presentes. Flores
solitanas ou em vários tipos de inflorescências;
cálice com 5 sépalas unidas somente na base,
iguais ou subiguais geralmente estreitas; corola
tubular, infundibuliforme a hipocrateriforme,
tubo reto ou recurvado, fauce mais ou menos
evidente, lobos 5, reflexos a eretos, contortos,
iguais ou os dois lobos posteriores mais ou
Kameyama, C.
menos unidos na base formando um lábio
inferior; estames 4 didínamos, inseridos abaixo
da fauce, anteras bitecas, oblongo-sagitadas,
tecas paralelas, iguais, sem apêndices; disco
geralmente inconspícuo; óvulos 2-10 por
lóculo; estigma bífido. Cápsula obovada,
clavada, oblongo-linear ou elipsoidal, subséssil
a estipitada, cilíndrica a mais ou menos
compressa. Sementes obliquamente ovais a
orbiculadas, mucilaginosas quando molhadas;
ejaculador em forma de gancho.
Ruellia é um gênero pantropical com
cerca de 400 espécies. Na Reserva Ducke só
foi encontrada uma espécie, R. sprucei.
5.1 Ruellia sprucei Lindau, Buli. Herb.
Boissier 5: 653. 1897. Wasshausen in P. E.
Berry, B. K. Holst & K. Yatskievych (eds.).
Flora of the Venezuelan Guayana 2: 368. 1995.
Subarbusto com ramos escandentes que
atingem até 5 m alt. Ramos quadrangulares a
cilíndricos, pubescente-glabrescentes. Folhas
com pecíolo 1-1,4 cm compr. elípticas, oblongas
a oblanceoladas, 7,5-10 x 3-4 cm, ápice
acuminado, base aguda, margem subcrenada,
pubérula-glabrescente, principalmente na face
abaxial. Flores em espigas curtas terminais;
bractéolas aparentemente ausentes; sépalas
quase iguais entre si, linear-lanceoladas, ca.
1,9 mm compr., ápice agudo, pubescente
extemamente; corola branca, tubo 3,5-4 cm
compr., fauce 3,4-4 cm compr., 2 lobos
superiores unidos, ápice arredondado a
obcordado ca. 2 x 2 cm; estames insertos.
Esta espécie é conhecida da Venezuela
(Amazonas) e no estado do Amazonas no
Brasil. Para este trabalho foram examinados
também materiais provenientes da região do
Rio Uaupés e Manaus. Na Reserva Ducke
foi coletada próximo ao Igarapé do Acará, em
floresta de baixio.
24. VE. 1 996 (fl) Assunção, P.A.C.L et al. 360 (SPF);
9.VIII.1995 (fl) Sothers, C. A. et al. 552 (INPA K
MG NY SPF); 24.V1.1998 (fr) Sou-jj, M. A. D. etal.
705 (INPA SPF).
Ruellia sprucei é facilmente reconhecida
pelas flores grandes e brancas.
Rodriguésia 57 (2): 149-154. 2006
SciELO/JBRJ
L2 13 14 15 16 17
Flora da Reserva Ducke, Amazonas, Brasil: Caryocaraceae
Ghillean T P rance 1 & í Marlcne F da Silva 2
Wittmark, L. 1 886. Rhi/.olobcae. In: Martius, Fl. bras. 12(1): 338-362.
Prance, G. T. & M. F. da Silva. 1973. Caryocaraceae. Fl. Neotrop. 12: 1-75.
Árvores, raramente arbustos ou sub-
arbustos. Estipulas 2-4, geralmente caducas,
ou ausentes. Folhas pccioladas, trifolioladas,
opostas ou alternas; folíolos com venação
peninérvia, as margens geralmente serreadas,
denteadas, ou crenadas, raramente inteiras,
freqüentementre com estipclas na base dos
folíolos. Flores em racemos terminais, grandes,
bissexuais, actinomorfas. Receptáculo
campanulada ou cupuliforme; sépalas 5(— 6),
imbricadas, livres, inseridas no ápice do
hipanto, prontamente decíduo. Estames 55-
750, os filetes soldados na base formando um
anel, decíduo com as pétalas após a antese;
os estames externos compridos e delgados,
com anteras basifixas, 2-loculares, de
deiscência longitudinal; os internos sem anteras
(estaminódios), geralmente mais breve e
recurvado; filetes verrucosos. Ovário supero,
multilocular com um óvulo por lóculo, os óvulos
basais, eretos, anátropos ou átropos; estiletes
distintos, compridos e delgados; estigmas
terminais, pequenos. Fruto drupa indciscente,
mesocarpo carnoso, endocarpo duro, lenhoso,
muricado, verrucoso, ou espinhoso extemamente;
sementes renifonnes, com ou sem endosperma,
a célula fecundada com uma radícula reta,
arqueada, ou espirala, um hipocotilo carnoso, c
dois cotilédones pequenos.
Restrita à América tropical, a família
estende-se da Costa Rica até a Região Sudeste
do Brasil, e tem dois gêneros e 25 espécies. O
gênero Anthodiscus (9 spp.) possui uma
espécie apresentada na Amazônia ocidental
(A. amazoniciis).
1. Caryocar
Gênero de 16 espécies que ocorrem da
Costa Rica ao Paraguai e estado do Paraná,
Brasil, com maio diversidade na Amazônia.
Três espécies ocorrem na Reserva Ducke.
Além destas, Caryocar microcarpum Ducke
ocorre próximo de Manaus, e pode ser
diferenciada por apresentar ca. de 60 estames
c uma drupa globosa de 2, 0-3, 5 x 2, 5-3,0 cm.
Chave para as espécies de Caryocar da Reserva Ducke
1 Superfície abaxial do folíolo com venação reticulada e proeminente, vilosa; pedicelos com 2
bractéolas 3. C. villosum
1 Superfície abaxial do folíolo com venação plana ou promínula, glabra; pedicelos sem bractéolas
2 Margem dos folíolos serreada; pétalas e filetes branco-amarcladas 2. C. pallidum
2 Margem dos folíolos inteira ou levemente crenulado-scrrcada; pétalas amareladas com
tonalidade rósea; filetes roxos a avermelhados I . C. glabrum
1.1 Caryocar glabrum (Aubl.) Pcrs., Syn.
Pl. 2: 84. 1806.
Árvore até 40 m de altura. Tronco com
sapopemas arredondadas até 50 cm de altura,
algumas prolongando-sc formando raízes
superficiais, lenhosas. Casca 1,2— 1,5 cm de
espessura, castanho-avcrmelhada, extemamente
escamosa sem estrias; parte interna da casca
castanha ligeiramente avermelhada, uniforme.
Madeira branca. Ramos jovens glabros ou
escassamente pubcrulentos. Estipulas cerca
de 8 mm de comprimento, oval-lanccoladas;
estipclas pequenas, caducas ou persistentes.
Folhas opostas; pccíolos 3-10 cm compr.
Folíolo terminal 7,5-15 x 3,5-7 cm, folíolos
laterais iguais ou um pouco menores; lâminas
if^UBoíunic Gardens. Kcw, Richmond. Surrcy TW9 3AB, U.K.
SciELO/ JBRJ
12 13 14 15 16 17
cm ..
•56 Prance, G T. & Silva, M. F.
elíticas, oblongo-elíticas, ou ovadas,
ligeiramente assimétricas, ápice acuminado,
acume 5-10 mm compr., base subcuneada a
arredondada e desigual, margem inteira a
ligeiramente crenada ou serreada, glabras na
face adaxial, glabras ou com poucos pêlos na
nervura principal na face abaxial; nervuras
secundárias 8-10 pares, planas na face
adaxial, promínulas na face abaxial.
Inflorescência com pedúnculo de 2-8,5 cm
de compr., glabro ou escassamente pubérulo,
lenticelado; pedicelos 1-2,6 cm compr., sem
bractéolas. Receptáculo 7— 12 mm compr.,
campanulado, glabrescente na face externa;
sépalas arredondadas, margens ciliadas;
pétalas 1,7-2, 5 cm compr., ligeiramente
desiguais, amareladas, freqüentemente com
tonalidade rósea; estames ca. 280, os externos
de 3-6 cm compr., ligeiramente desiguais,
amarelados, freqüentemente com tonalidade
rósea, estaminódios 1-1,5 cm compr.; filetes
roxos a avermelhados. Ovário globoso, glabro,
4-locular; estiletes 4, 4-5 cm compr. Drupa
globosa a elipsóide, 5-6 x 5-8 cm, 1-2 locular;
epicarpo glabro, crustáceo, mesocarpo
carnoso, endocarpo com espinhos de 3 cm
compr. Germinação criptocotilar.
“Piquiarana”.
Das três subespécies conhecidas, duas
ocorrem na Reserva Ducke.
Chave para as subespécies de Caryocar glabrum
1. Estipelas caducas; receptáculo 8-12 mm compr.; estames 5-6 cm compr.
glabrum subsp. glabrum
1. Estipelas persistentes; receptáculo 7 mm compr., estames 3-^f,5 cm compr
glabrum subsp. parvifolium
1.1a Caryocar glabrum subsp. glabrum
Freqüente na mata de terra firme, solo
argiloso; floresce em outubro e novembro.
Ocorre em toda a Amazônia e nas
Guianas.
3.X. 1967 (fl) Coêlho, D. s/n 1NPA20766 (INPA);
24.X. 1995 (fl) Sothers, C. A. & Pereira, E. C. 640
(INPA K MG MO NY R RB SP U); 24.1.1995 (fr)
Vicentini, A. et al. 805 (INPA K MG MO NY R RB
SPU).
1.1b Caryocar glabrum subsp. parvifolium
(A.C. Sm.) Prance & Silva, Fl. Neotrop. 12:
43. 1973.
Freqüente na mata de terra firme, solo
argiloso; floresce em outubro-novembro e
frutifica em abril.
Amazônia brasileira, central.
10.XI.1994(fl)4íSMnção, P.A. C.L 78 (IAN INPA
K R U); 28.X. 1994 (fl) Hopkins, M. J. G. &
Nascimento, J. R. 1504 (BM G INPA K MBM MG
UB US); 7.IX.1969 (fl) Monteiro, O.P. 11 (INPA);
7. VII. 1993 (fl) Ribeiro, J. E. L S. etal. 1053 (INPA
K MG MO NY RB SP); 4.IV. 1 968 (fr) Silva. M. F. et
al. s/n 1NPA21130 (INPA); 7.XII.1995 (fl) Sothers,
C.A . et al. 701 (COL IAN INPA K UEC VEN).
1.2 Caryocar pallidum A.C. Sm., J. Amold
Arbor. 20: 297. 1939.
Árvore até 40 m de altura. Tronco sem
sapopemas, com raízes superficiais lenhosas
saindo da base. Casca com cerca de 1,5 cm
de espessura, extemamente castanho-escura
com fendas longitudinais de ca. 1 cm de
profundidade; intemamente castanho escuro
com riscos brancos. Madeira castanho-clara,
avermelhada. Ramos jovens glabrescentes.
Estipulas 17—22 mm compr., lanceoladas,
estipelas 5-10 mm compr., persistentes,
recurvadas, glabras, membranosas. Folhas
opostas; pecíolos 2-12 cm compr., cilíndricos;
pecíolos breves, o terminal 7—10 mm de
compr.; folíolo terminal 8-17 x3-8 cm, os
folíolos laterais iguais ou um pouco menores;
folíolos elíticas, ligeiramente assimétricas, ápice
acuminado, acume 5—12 mm compr., base
cuneada ou subcuneada, desigual, margens
serreadas, glabras em ambas as faces;
nervuras secundárias 11—13 pares, planas na
face adaxial, promínulas na face abaxial.
Inflorescência com pedúnculo de 7,5-13 cm
compr., glabro, lenticelado, cilíndrico; racemos
Rodrigutsia 57 (2): 155-157. 2006
SciELO/JBRJ,
13 14
Flora da Reserva Ducke: Caryocaraceae
157
de 17-25 flores, raque 2,5-4 cm compr.,
glabra, pedicelos 1,6-3, 5 cm compr., sem
bractéolas; receptáculo 7-11 mm compr.,
campanulado, extemamente glabro; sépalas
arredondadas, margens ciliadas; pétalas 1,5 cm
compr., branco-amareladas; estames cerca de
360, os externos 2-3 cm compr.; estaminódios
1-1,5 cm compr.; filetes branco-amarelados;
ovário globoso, glabro, 4-locular. Drupa
globosa a ovóide, epicarpo glabro, crustáceo,
mesocarpo carnoso, endocarpo com espinhos
até 7 mm compr.
“Piquiarana”.
Freqüente na mata de terra firme, solo
argiloso; floresce em outubro-dezembro e
frutifica em janeiro a março.
Amazônia central e região oeste e sul da
Venezuela.
1 5.XII. 1995 (bt) Assunção, P. A. C. L & Pereira,
£. C. 268 (INPA K MG MO N Y R RB SP U); 5.II. 1 976
(fr) Mello, F. etal. s/n INPA54755 (INPA); 7.XI.1969
(fl) Monteiro, O. P. 10 (INPA); 11. XII. 1969 (fl)
Monteiro, O. P 18 (INPA); 4.X. 1968 (fl) Rodrigues,
W. «6 Coelho, L 8580 (INPA); 11. IV. 1972 (fr)
Schultes, P. E. & Rodrigues, W. 26152 (INPA);
5. XII. 1969 (fr) Silva, M. F. et al. II (INPA);
5. XII. 1969 (fl) Silva, M. F. et al. 14 (INPA);
13.XI.1996 (Jl) Sothers, C. A. et al. 929 (INPA K
MG MO NY RB SP).
1.3 Caryocar villosum (Aubl.) Pers., Syn.
Pl. 2: 84. 1806.
Árvore até 40 m de altura c 2,5 m de
diam. Tronco sem sapopcmas e sem raízes
superficiais. Casca com cerca de 1 cm de
espessura, castanho-acinzcntada extemamente,
com fendas longitudinais com ca. 0,5 cm de
profundidade; parte interna da casca castanho-
escura, com listras brancas nas árvores
jovens. Madeira castanho-amarelada, clara.
Ramos jovens viloso-tomentosos a pubérulos.
Estipulas ausentes. Folhas opostas; pécíolos
4-15 cm compr., viloso-tomentosos ou
pubérulos, cilíndricos, levemente estriados, sem
lenticelas; peciólulos breves, o terminal 3-
6 mm compr.; folíolo terminal 8-22 cm compr.,
6- 12 cm larg., folíolos laterais menores;
folíolos elípticos, ápice acuminado, acume 3-
10 mm compr., base arredondada a cordada,
margens scrreadas ou crenadas, face adaxial
vilosa a glabra, face abaxial densamente vilosa
ou escassamente pubérula nas nervuras;
nervuras secundárias 12-19 pares, planas ou
imersas na face adaxial, proeminentes na face
abaxial; nervuras menores também
proeminentes na face abaxial. Inflorescência
com pedúnculo 5-13 cm compr., tomentelos
ou pubérulos, Ienticelados; raccmos com cerca
de 25 flores; raque 3-4 cm compr., tomentosa
quando joven; pedicelos 1,8-3, 5 cm compr.,
com 2 bractéolas sub-persistentes de 1 cm
compr.; receptáculo cerca de 15 mm compr.,
campanulado-cupuliforme, pubérulo ou glabro
extemamente; sépalas arredondadas; pétalas
2,5 cm compr., lanceoladas ou elíticas,
amarelo-claras; estames ca. 300, os externos
6,5-7 cm compr., estaminódios 1-1,5 cm
compr., concrescido na base; filetes
amarelados; ovário globoso, glabro, 4-locular;
estiletes 4. Drupa ovóide ou globosa, 6-7 x
7- 8, 1-2 locular, epicarpo glabro, lenticelado,
carnoso, livre do mesocarpo, mesocarpo e
endocarpo unidos formando um caroço,
endocarpo com muitos espinhos de 3 mm de
compr. penetrando no mesocarpo; semente
reniforme, 5 mm compr. Germinação
criptocotilar.
Freqüente na mata de terra firme, solo
argiloso e também nas capoeiras em regeneração;
floresce em julho-agosto, frutifica de dezembro
a março. O fruto cozido é comestível.
Ocorre na região leste e central da
Amazônia c nas Guianas.
19.VII.1967 (fl) Monteiro, O. P. s/n INPA20594
(INPA); 5. VII. 1 994 (fl) Nascimento, J. R. et al. 523
(INPA K MG N Y SP); 30.III. 1 966 (fr) Rodrigues, W.
7631 (INPA); 4. VII. 1974 (fl) Rodrigues, W. & Coelho,
D. 9438 (INPA); 23.11. 1996 (fr) Sotliers, C. A. et al.
802 (INPA K MG N Y); 5.01. 1 996 (fr) Sothers, C. A
& Assunção, P.A.C.L 809 (INPA K MG MO RB SP
U); 27. VIII. 1968 (fl) Souza, J. A. 116 (INPA).
Rodriguésia 57 (2): 155-157. 2006
SciELO/JBRJ
L2 13 14 15 16 17
cm
Flora da Reserva Ducke, Amazonas, Brasil: Cyclanthaceae1
Fabiana Pinto Gomes & Renato de Mello-Silva 2
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Ervas rizomatosas, hemiepífitas
secundárias com raízes aéreas e grampiformes
abundantes, ou terrestres, raro epífitas
(Ludovia). Folhas espiraladas ou dísticas,
pecioladas, bainha conspícua, limbo plicado,
bífido, raro palmado ( Carludovica ),
segmentos glabros, lanceolados, raro linear-
lanceolados ou ovado-lanceolados, podendo
dividir-se no ápice; venação paralela.
Inflorescências axilares ou terminais, cspádices
cilíndricos, raro esféricos, envoltos por 2-1 1
espatas lanceoladas a cimbiformes,
esverdeadas, esbranquiçadas, alaranjadas ou
vermelhas. Flores muito reduzidas, diclinas,
cada flor pistilada envolvida por quatro
estaminadas ou flores estaminadas e pistiladas
coalescentes, dispostas em anéis alternados
(Cyclanthus bipartitus). Flores estaminadas
com numerosas tépalas esbranquiçadas a
hialinas, concrescidas ou não, dispostas de
modo simétrico ou assimétrico em l(-2 em
Evodianthus funifer) séries, reduzidas, raro
ausentes; estames 10— 50(— 150), filetes de base
bulbiforme, concrescidos cm anel estaminal
(Cyclanthus bipartitus); anteras basifixas,
bitecas, tetrasporangiadas, deiscência
longitudinal; pólen monossulcado ou anaporado.
Flores pistiladas tricíclicas, tetrâmeras, tépalas
distintas, raro reduzidas (Ludovia), livres ou
concrescidas na base; estaminódios filiformes
muito longos, epitépalos; ovário infero, raro
supero (Sphaeradenia e Strelestylis) ou flores
pistiladas unidas formando anéis ligados a
cavidades ovarianas únicas (Cyclanthus
bipartitus); placentação parietal ou apical,
estilete curto ou estigmas sésseis; óvulos
numerosos, anátropos, endosperma helobial.
Infrutescência verde-escura, amarelada ou
alaranjada, bagas livres ou fundidas ao
espádice, raro coalescentes. Sementes
pequenas, numerosas, complanadas ou
cilíndricas, elípticas, ovaladas ou falciformcs;
'Dissertação de mestrado de F. P. Gomes, Universidade de São Paulo. Bolsa FAPESP.
2Instituto de Biociéncias, Universidade de São Paulo. Cx. Postal 1 1461. 05422-970, São Paulo, SP. Bolsista do CNPq.
SciELO/JBRJ
2 13 14 15 16 17
160
Gomes, F P. & Mello-Silva, R.
embrião pequeno a médio, cilíndrico, linear, raro
recurvado.
Cyclanthaceae tem 12 gêneros e de 180
(Beck 2004) a 230 (Harling et al. 1998)
espécies. Esta variação reflete as incertezas
na delimitação de muitas delas. Ocorrem no
sul do México, América Central, Antilhas,
região Amazônica e, disjuntamente, no Ceará,
Bahia e do Rio de Janeiro a Santa Catarina
(Harling et al. 1998). O centro de diversidade
é a Amazônia colombiana. Compõe-se de
duas subfamílias. A subfamília
Cyclanthoideae é monotípica e abriga a
primeira espécie descrita da família.
Cyclanthus bipartitus. A subfamília
Carludovicoideae inclui todas as espécies e
gêneros restantes. Asplundia, o maior,
engloba ca. 85 espécies; Carludovica, três
espécies; Chorigyne, oito; Dianthoveus,
uma ( Dianthoveus cremnophilus Hammel &
Wilder); Dicranopygium, 45; Evodiantluts,
uma ( Evodianthus funifer); Ludovia, três;
Schultesiophytum, uma ( Schultesiophytum
chorianthum Harling); Sphaeradenia, 38;
Stelestylis, quatro; e Thoracocarpus, uma
espécie ( Thoracocarpus bissectus). Na
Reserva Ducke a família conta com cinco
gêneros e sete espécies.
Chave para gêneros de Cyclanthaceae na Reserva Ducke
1. Terrestres, limbo foliar plano; nervuras principais 1—2 por segmento, muito conspícuas; flores
coalescentes, distribuídas em verticilos estaminados e pistilados alternos 2. Cyclanthus
1 . Hemiepífitas, epífitas ou terrestres e, então, folhas flabeliformes; limbo foliar plicado; nervuras
principais 1—3, inconspícuas; flores livres, cada flor pistilada circundada por quatro estaminadas.
2. Epífitas, folhas inteiras; nervura principal 1, muito conspícua; sementes globosas, castanhas
4. Ludovia
2. Hemiepífitas; tolhas bífidas; nervuras 1—3, visíveis apenas na base; sementes elípticas,
alaranjadas a castanhas.
3. Caule 10—30 m compr., densamente anelado; espatas 8, de tamanho crescente da proximal
externa para a distai interna; sementes com testa levemente reticulada, vemicosa ....
5. Thoracocarpus
3. Caule 1-2 m compr., liso; espatas 2-5, do mesmo tamanho, sementes com testa reticulada,
não verrucosa.
4. Espatas 4, congestas no ápice do pedúnculo; receptáculo das flores estaminadas
afundado; flores pistiladas livres; sementes com testa impresso-reticulada, foveolada
* 3. Evodianthus
4. Espatas 3-5, dispostas ao longo da metade distai do pedúnculo; receptáculo das
flores estaminadas aplanado; flores pistiladas conatas; sementes com testa reticulada
1 . Asplundia
1. Asplundia
Asplundia Harling, Acta Horti Berg. 17(3):
41. 1954.
Hemiepífitas secundárias, raro terrestres;
caules bem desenvolvidos ou muito curtos nas
espécies terrestres. Folhas espiraladas; pecíolo
canaliculado ou aplanado; limbo sempre bífido,
plicado, nervuras 1-3, conspícuas na base da
folha; segmentos foliares lanceolados a ovados,
agudos, raro acuminados. Inflorescência
axilar; pedúnculo ca. 1/3 do comprimento do
pecíolo, secção transversal circular na parte
proximal e levemente elíptica na parte distai;
espatas 3—5, lanceoladas a ovadas, raro
cimbiformes, nunca congestas, dispostas ao
longo da metade distai do pedúnculo; espádice
elíptico, raro esférico. Flores estaminadas com
perianto simétrico ou assimétrico; lobos
esbranquiçados, translúcidos, oblongos a
obovados, obtusos a truncados, portando
glândulas; receptáculo aplanado, pedicelo
excêntrico nas flores de perianto assimétrico;
estames poucos a numerosos, adnatos na base
do bulbo basal; anteras iguais entre si, sem
Rodriguésia 57 (2): 159-170. 2006
SciELO/JBRJ
2 13 14 15 16 17 18
Flora da Resena Ducke: Cyclanthaceae
161
glândulas; tecas hemielípticas; conectivo
filiforme, inconspícuo; pólen monossulcado.
Flores pistiladas conatas; tépalas bem
desenvolvidas adnatas na base; estiletes 4,
muito curtos, livres; estigmas com formas
variáveis. Sementes aplanadas, ovadas a
elípticas, pequenas, castanhas a alaranjadas.
Asplundia é o maior gênero da família,
com ca. 85 espécies, de ampla distribuição
no neotrópico. No gênero há dois tipos de
flores masculinas e, baseado nisto, Harling
(1958) distribui as espécies em dois
subgêneros. O subgênero Asplundia
apresenta folhas sub ou distintamente
tricostadas, raramente unicostadas, flores
masculinas com receptáculo aplanado,
pedicelo excêntrico, perianto unilateral e pólen
monossulcado. O subgênero Choanopsis
apresenta folhas exclusivamente unicostadas,
flores masculinas com receptáculo levemente
afunilado, pedicelo central, perianto
simetricamente disposto e pólen
monossulcoidado ou ulcerado. Das três
espécies de Asplundia encontradas na
Reserva, duas pertencem ao subgênero
Asplundia. A terceira, ainda indeterminada,
não pôde ser classificada em nenhum dos dois
subgêneros por falta de flores masculinas.
Chave para as espécies de Asplundia
1. Folhas 130-160 cm compr.; segmentos foliares 10-20 cm larg.; nervuras secundárias ca. 20;
bainha alaranjada com epiderme soltando-se por fricção 1.3. Asplundia sp.
1 . Folhas 30-1 10 cm compr.; segmentos foliares com até 10 cm larg.; nervuras secundárias 4-8;
bainha amarelada com epiderme fixa.
2. Folhas 30-50 cm compr.; segmentos foliares oblanceolados, 5-10 cm larg.; bainha amarelada
de coloração uniforme; estigmas ovado-triangulares 1.1. A. vaupesiana
2. Folhas 70-1 10 cm compr.; segmentos foliares linear-lanceolados, ca. 3-4 cm larg.; bainha
amarelada, variegada com pontos marrons, estigmas lanceolados 1 .2. A. xiphophylla
1.1 Asplundia vaupesiana Harling, Acta
Horti Berg. 18(1): 202. 1958. Fig. 1 f-j
Herbácea, hemiepífita secundária; 50-
150 cm compr.; raízes aéreas avermelhadas;
raízes grampiformes castanhas; caule ca. 1
m compr., 0,5-1 cm diâm. Folhas 5-10,
verde-claras, pendentes; bainha amarelada
0,5-1 cm larg., margem desintegrando-sc em
fibras; pecíolo 10-20(-26) cm compr.,
aplanado a canaliculado; lâmina 20-30(-35)
cm compr., bífidas até 2/3 do compr.,
unicostadas, segmentos 4,5-7(-9) cm larg.,
obovados, ápice acuminado, base atenuada,
nervuras secundárias 4-6 por segmento,
proeminentes na face adaxial, as marginais
proeminentes na face abaxial; profilos 1-4,
membranáceos, palhete, in sicco brilhantes.
Inflorescência axilar, 1 por folha; pedúnculo
3-5 cm compr.; espatas, 3-5 cm compr., ca.
1 cm larg., cimbiformes, distribuídas em
intervalos regulares na porção distai do
pedúnculo, decíduas, margem convoluta,
ápice acuminado; espádice cilíndrico a
elipsóide, 2,5-3 cm compr., ca. 1 cm diâm.
Flores estaminadas, ca. 1,5 mm compr.,
receptáculo achatado, perianto assimétrico;
lobos 15-20, ovado-obtusos, esbranquiçados;
estames 25-40, adnatos pela base do bulbo;
bulbo basal inconspícuo; anteras iguais entre
si, basifixas, tecas hemielípticas, conectivo
filiforme, inconspícuo. Flores pistiladas 2-3
mm diâm., tépalas inteiras, conatas na base,
ca. 1 mm compr., ca. 2 mm larg., truncadas;
estaminódios esbranquiçados, ca. 4 cm
compr.; estigmas castanhos, sésseis, ovado-
elípticos, aplanados, ca. 1 mm compr.
Infrutescência verde-escuro passando a
verde mais claro quando madura; pedúnculo,
4-8 cm compr.; espádice 3-4 cm compr., ca.
1 ,5(— 2) cm diâm. Sementes castanho-
alaranjadas, ovadas, ca. 1 mm compr.; testa
reticulada.
Igarapé Barro Branco, 26.IV. 1994 (fi) Hopkins, M. J.
G et ai I410( INPA); id., 15.1.1998 (fr) Gomes. F. P.
et al. 4 (INPA); entrada do Igarapé do Tinga, 4.1. 1 998
(fr) Martins, L H. P et ai 81 (INPA).
RodrÍKUÁsia 57 (2): 159-170. 2006
SciELO/JBRJ,
13 14 15
cm ..
162
Material complementar: AMAZONAS: São Gabriel
da Cachoeira, aldeia dos índios Cana, 15.X. 1987(fl)
Maas, P J. M. et al. 6761 (INPA).
Asplundia vaupesiana é a única
Cyclanthaceae de pequeno porte na Reserva.
Além disso, as folhas verde-claras, de
segmentos obovados com ápice lanceolado, a
tornam inconfundível, mesmo estéril. São
característicos também os estigmas largos e
achatados, e a infrutescência congesta,
cilíndrico-ovada. Ocorre sempre a cerca de 6
m de altura. Harling (1958) afirma que A.
vaupesiana seria comum nas matas de baixio
da Amazônia ocidental. Isto pôde ser
parcialmente confirmado, já que a espécie
ocorre na Amazônia Central e na região de
São Gabriel da Cachoeira, apesar de repre-
sentada por poucas coletas. Embora pareça
ser rara, é bem distribuída na Amazônia
ocidental.
1.2 Asplundia xiphophylla Harling, Acta Horti
Berg. 18(1): 199. 1958. Fig. 1 a-d
Herbácea, hemiepífita secundária, 70-150
cm compr.; raízes aéreas avermelhadas, raízes
grampiformes muito delgadas, castanhas; caule
ca. 1 m compr., ca. 1,5 cm diâm. Folhas 5-10
por ramo, verde-escuras, eretas; bainha ca. 2
cm larg., verde-amarelada, variegada com
pontos marrons, in sicco ocre, lustrosa; pecíolo
23-30(-50) cm compr., sulcado no ápice,
passando a côncavo em direção à base; lâmina
49-56(-85) cm compr., sub-tricostada, bífidas
quase até a base; segmentos 3,5-5cm larg.,
lineares, ápice acuminado, base atenuada;
nervuras secundárias (4— )5— 8 por segmento,
proeminentes na face adaxial, as marginais
pouco conspícuas; profilo 1, membranáceo,
ocre, desintegrando-se em fibras, às vezes
formando uma massa de fragmentos e fibras
na bainha das folhas. Inflorescência axilar, 1
por folha; pedúnculo 5-8 cm compr.; espatas
3-4, (3— )5— 10 cm compr., ca. 1,5 cm larg.,
cimbiformes, bicarenadas, margem convoluta,
ápice acuminado, a inferior situada na metade
do pedúnculo e as superiores congestas no
ápice, ou todas concentradas na metade do
pedúnculo, decíduas; espádice largamente
Comes, F. P. & Mello-Silva, R.
cilíndrico, 1-2,5 cm compr., 0,5-1 cm diâm.
Flores estaminadas ca. 2 mm compr.;
receptáculo achatado; perianto assimétrico,
lobos lineares, esbranquiçados, ápice agudo;
estames 20-35. Flores pistiladas ca. 5 mm
diâm., tépalas inteiras, conatas na base, ca. 5
mm compr., ca. 3 mm larg., truncadas;
estaminódios não vistos; estigmas castanhos,
sésseis, ca. 2 mm compr., aplanados,
ultrapassando as tépalas. Infrutescência verde-
escura, pedúnculo, 5-15 cm compr.; espádice
3-5 cm compr., 0,7-2 cm diâm. Sementes
alaranjadas, estreito-elípticas, ca. 1-2 mm
compr., testa reticulada.
Baixio, 14.11.1995 (fr) Sothers, C.A. & Pereira, E.
C. 331 (INPA); Igarapé Água Branca, 14.IX.1995
(fr) Costa, M. A. S. & Assunção, P A. C. L 358
(INPA); Igarapé Barro Branco, 15.1.1 998 (fr) Gomes,
F P et al. 1 (INPA SPF); id., próximo ao buritizal,
5.IV.1998 (fr) Gomes, F. P 32 (INPA); id., id.,
5.IV. 1998 (st) Gomes, E P 33 (INPA); Igarapé do
Tinga, 5.II. 1998 (fr) Gomes, F.P.& Silva, C. F 26
(INPA); Igarapé da Bolívia, 6. VII. 1 993 (fr) Ribeiro,
J. E. L S. etal. 902 (INPA SPF).
A “folha em forma de espada”, como diz
o epíteto, é o caráter mais marcante de A.
xiphophylla. Além dos segmentos foliares
longos e afilados, a base do pecíolo variegada
e os estigmas estreitos e aplanados, pouco
maiores que os carpelos, facilitam sua
identificação. É próxima de A. longicrura
(Drude) Harling por apresentarem folhas
semelhantes (Harling 1958). Desta última há
apenas o material-tipo do Alto Xingu ( Spruce
s.n.) e há dúvida de que sejam espécies
distintas. Asplundia xiphophylla apresenta-
se bem distribuída nas regiões Central e
Ocidental da Amazônia brasileira. Ocorre entre
2 a 7 m do solo.
1.3 Asplundia sp. Fig. 1 e
Herbácea, hemiepífita secundária, 2-3 m
compr.; raízes aéreas castanho-avermelhadas;
raízes grampiformes castanhas; caule ca. 1 m
compr., 3,5—5 cm diâm. Folhas ca. 1 0— 1 5, verde-
claras, pendentes; bainha convoluta, alaranjada;
epiderme castanho-esverdeada, descamando
por frição, ca. 5 cm larg.; pecíolo ca. 55 cm
compr., canaliculado na base das folhas a
Koctrinue.ua 57 (2): 159-170. 2006
SciELO/ JBRJ
12 13 14 15 16 17
Flora da Resen a Ducke: Cydanthaceae
163
Figura I - a-d. Asplundia xiphophylla - a. hábito; b. flor estaininada, vista lateral; c. tlor pistilada, vista frontal; d.
infrutcscência; e. Asplundia sp. - e. hábito; f-j. Asplundia vaupesiana - f. hábito; g. inflorcsccncia; h. Ilor estaininada, vista
lateral; i. flor pistilada, vista frontal; j. infrutescência. (a-d. Gomes J2; c. Gomes 25; f-j. Maus 6761).
Rodrinuésia 57 (2): 159-170. 2006
SciELO/JBRJ
12 13 14 15 16 17
cm ..
Gomes. F. P. & Mello-Silva, R.
fortemente côncavo próximo à bainha; lâmina
75-105 cm compr., bífidas até 3/4 do compr.
ou quase até a base, distintamente tricostadas;
segmentos 10-20 cm larg., lanceolados, ápice
acuminado, base atenuada, nervuras
secundárias ca. 20 por segmento, proeminentes
na face adaxial e abaxial alternadamente, as
submarginais proeminentes na face abaxial;
profilos 3-5, coriáceos, palhetes. Inflorescência
axilar, 1 por folha, pedúnculo ca. 10 cm compr.;
espatas 4, marrons, 5-8 cm compr., ca. 2 cm
larg., cimbiformes, distribuídas em intervalos
iguais no terço distai do pedúnculo, decíduas,
margem involuta, ápice acuminado; espádice
cilíndrico ca. 5 cm compr., ca. 1,5 cm diâm.
Flores não vistas.
Igarapé do Tinga, 5.11. 1 998 (st) Gomes, F.P.& Silva,
C. F. 25 (INPA); id., 5.II.1998 (fl) Gomes. F P. &
Silva, C. F 28 (INPA).
Asplundia sp. difere das outras da Reserva
pelo grande porte e folhas muito largas e longas,
além do pecíolo com periderme em formação
e consequente descamação da epiderme. Pela
forma e dimensões das folhas e pela presença
de quatro espatas, aproxima-se de A. nonoensis
Harling ou de A. gigantea Tuberq. Asplundia
nonoensis é de apenas uma localidade do
Equador. Apresenta folhas grandes, porém
bicostadas (Harling 1958), enquanto Asplundia
sp. apresenta folhas distintamente tricostadas.
Asplundia sp. parece ser mais próxima de A.
gigantea, de Cabo Corrientes, litoral da
Colômbia. A. gigantea tem folhas de grande
porte, tricostadas e pulverulentas na face
abaxial, a base é atenuada e decurrente
(Tuberquia 1994). Em contrapartida, Asplundia
sp. apresenta pecíolo distinto e folhas glabras.
Embora tenha folhas muito similares às das
duas espécies supracitadas, Asplundia sp. não
pôde ser incluída em nenhuma delas pois o
espádice foi encontrado em avançado estado
de decomposição. Além disso, aquelas espécies
ocorrem em áreas muito distantes da
Amazônia Central. Nenhum material similar
que ocorresse em áreas intermediárias foi
encontrado nas coleções. Análise da
inflorescência completa é necessária para o
estabelecimento da identidade deste material.
2. Cyclanthus
Cyclanthus Poit. ex A. Rich., in Bory, Dict.
class. hist. nat. 5: 221. 1824.
2.1 Cyclanthus bipartitus Poit. ex A. Rich.,
in Bory, Dict. class. hist. nat. 5: 222. 1824.
Fig. 2 e-g
Terrestre, cespitosa, rizoma não visto;
folhas 4-8, verde-claras, brilhantes na face
adaxial, verde-pálidas a glaucas na face
abaxial, eretas, dísticas; bainha 1—3 cm compr.,
3-5 cm larg.; pecíolo 80-1 lOcm compr., cilíndrico,
canaliculado; lâmina 60—120 cm compr., ou
inteira ou bífida a partir da base, nervura
principal muito conspícua, bífida a partir da
base, cada segmento prosseguindo até o ápice
da lâmina. Nas folhas inteiras os dois segmentos
da nervura podem unir-se no ápice. Lâmina
das folhas inteiras, 10—20 cm larg., elíptica a
estreito-ovada, ápice acuminado a agudo, base
atenuada; segmentos das lâminas bífidas 10-
15 cm larg., estreito-ovados a levemente
falcados, ápice acuminado a agudo, base
atenuada, nervuras secundárias inconspícuas.
Inflorescência terminal, 1 por ramo, pedúnculo
60-70 cm compr.; espatas 4f — 5), 5- 1 5 cm compr.,
2-5 cm larg., verde-claras a amarelo-forte ou
alaranjadas na face abaxial, amarelo-pálido,
esbranquiçado ou rosado na face adaxial,
cimbiformes a lanceoladas, distribuídas em
intervalos regulares abaixo do espádice, ápice
acuminado, podendo portar uma folha reduzida
na espata externa; espádice cilíndrico, 5—10
cm compr., ca. 2—3 cm diâm., 8 — 10( — 15) anéis
estaminados e pistilados dispostos alternada-
mente. Flores estaminadas coalescentes em
cada anel; estames usualmente dispostos em
quatro verticilos, conatos pela base do filete
em cada verticilo; anteras com tecas
alongadas, conectivo filiforme. Flores pistiladas
coalescentes; cada anel apresentando uma
cavidade ovariana comum; sépalas muito
reduzidas, formando duas estrias paralelas
fundidas às lamelas estaminodiais; estaminódios
reduzidos a duas lamelas paralelas podendo
portar anteras estéreis; lamelas estaminodiais
involutas na fase estaminada e revolutas na fase
pistilada. Anel estigmático delimitado por duas
RoJriftuSsia 57 (2): 159-170. 2006
SciELO/JBRJ
_2 13 14 15 16 17
cm
Flora da Reserva Ducke: Cyclantliaceae
Figura 2 - u-d. Ludovia lancifolia - a. hábito; b. flor estaminada, vista lateral; c. flor pistilada, vista frontal; d. infrutcscôncia.
e-g. Cyclanthus biparlitus - c. hábito; f. inflorescência; g. infrutescência. (a-d. Plowman 12140. c-g. Plowman 12217).
Rodriguésia 57 (2): 159-170. 2006
SciELO/JBRJ
L2 13 14 15 16 17
cm ..
Gomes. F P. & MeUo-Silva, R.
lamelas paralelas, rudimentares. Infrutescência
verde-claro passando a amarelo-pálido quando
madura, pedúnculo ca. 60 cm compr., espádice
5-10 cm compr., 2-4 cm diâm. Após a
maturação, os anéis pistilados soltam-se por
desintegração do eixo do espádice, abrem-se
em duas valvas e liberam as sementes. Sementes
castanhas, esféricas, ca. 2-4 mm compr., ala
coriácea, ovado-lanceolada a triangular, palhete,
testa longitudinalmente estriada.
Barro Branco, 6.X.1995 (fr) Ribeiro. J. E. L S. et ai
1720 (INPA); Estrada do Acará, 10.V.1988 (fr)
Coelho, D. & Lima, R. P. D2 7 (1NPASPF); Igarapé
Barro Branco, 1 .XI. 1 994 (fr) Ribeiro, J. E. L S. et ai
1467 (INPASPF); id„ 17.1.1995 (fl) Costa, M. A. S.
& Nascimento, J. R. 97 (INPA).
Material complementar: AMAZONAS: Maraã, rio
Japurá, 1°5 l’S 65°36’ W, 4.XII. 1 982 (fl) Plowman, T
et ai 12217 (INPA MG).
Cyclanthus bipartitus é único na
subfamília Cyclanthoideae e foi a primeira
espécie descrita da família. Apresenta estruturas
vegetativas e reprodutivas muito diferentes das
apresentadas pelas Carludovicoideae.
Cyclanthus foi assim denominado pelas flores
estaminadas e pistiladas dispostas em anéis. O
epíteto refere-se às folhas bífidas características.
Cyclanthus bipartitus apresenta folhas
bastante plásticas (Harling 1958). A idade da
planta e das folhas é responsável pelas variações
observadas e, apenas em plantas adultas, as
folhas adquirem sua conformação bífida com
lobos falciformes (Harling 1 958). A maioria dos
espécimes observados na Reserva Ducke, bem
como muitos exemplares de herbários,
apresenta folhas adultas inteiras, com uma
nervura principal percorrendo cada metade do
limbo, e uma linha frágil entre estas, denunciando
a presença dos dois lobos que podem ser
separados com facilidade. Os caracteres florais
apresentaram-se constantes apesar da variação
nas dimensões. Distribui-se por toda a Amazônia
e América Central. É a única espécie terrestre
de Cyclanthaceae da Reserva Ducke, onde está
sempre às margens dos igarapés, em solo
encharcado onde, por vezes, a base da planta
permanece submersa. Pode ocorrer também em
bordas de mata e áreas alteradas.
3. Evodianthus
Evodianthus Oerst., Vidensk. Meddel. Dansk
Naturhist. Foren. Kjobenhavn: 194. 1857.
Evodianthus tem apenas uma espécie.
3.1 Evodianthus funifer (Poit.) Lindm., Bih.
Kongl. Svenska Vetensk.-Akad. Handl. 26(3/
8): 8. 1900. Fig. 3 a-d
Herbácea, hemiepífita secundária, raro
terrestre, até 2 m compr., raízes aéreas
avermelhadas; raízes grampiformes castanhas;
caule ca. 1 m compr., 1-4 cm diâm. Folhas 5—
7, verde-escuras, brilhantes na face adaxial,
verde-claras a levemente cinéreas na face
abaxial, iridescentes, espiraladas, pendentes, in
sicco ásperas; bainha amplexicaule, 0,5-1 cm
larg., pecíolo (6— >9— 35(— 45) cm. compr.,
canaliculado; lâmina ( 1 5— )25— 55(— 70) cm
compr., bífidas até 3/4 do compr. ou quase até
a base, unicostadas, segmentos 2-7 cm larg.,
lineares a estreito-lanceolados, ápice acuminado
a agudo, base atenuada; nervuras secundárias
4— 8(— 1 0) por segmento, proeminentes na face
adaxial, impressas na abaxial; profilos 1-3,
presentes nos ramos férteis e estéreis, palhetes,
desintegrando-se em fibras. Inflorescência
terminal, 1 por ramo, pedúnculo 3-8 cm compr.;
espatas 3, 4-6 cm compr., ca. 2 cm larg.,
congestas na base do espádice, Iargamente
cimbiformes, ápice acuminado a curto-caudado;
espádice cilíndrico, raro esférico, 1,5-3 cm
compr., ca. 1—2 cm diâm. Flores estaminadas,
ca. 4 mm compr.; receptáculo afunilado;
perianto simétrico, dividido em dois verticilos,
lobos 10—20, esbranquiçados, lineares, ápice
arredondado, recurvados sobre os estames na
antese; lobos externos do perianto providos de
glândulas; estames 10-30, livres; bulbo basal
inconspícuo, anteras maiores nos estames do
centro do receptáculo, diminuindo progressiva-
mente naqueles mais periféricos, basifixas;
tecas hemielípticas; conectivo filiforme,
inconspícuo. Flores pistiladas livres, ca. 4 mm
diâm.; tépalas inteiras, livres, ca. 5 mm compr.,
ca. 3 mm larg., largo-lanceoladas a triangulares,
recurvadas na antese; estaminódios palhetes
a alaranjados, raro avermelhados, ca. 10 cm
compr.; estigmas castanhos a rosados, sésseis.
Rotlrigufsia 57 (2): 159-170. 2006
SciELO/JBRJ1
2 13 14 15 16 17 lí
Flora da Reserva Ducke: Cyclanthaceae
167
Figura 3 - a-d. Evodianthusfunifer - a. hábito; b. flor cstaminada, corte cm vista lateral; c. Mor pistilada, vista frontal; d.
infrutesccncia. e-h. Thoracocarpus bissectus - c. hábito; f. flor cstaminada. vista lateral; g. flor pistilada. vista frontal; h.
infrutcscência. (a-d. Ribeiro 1149. c-f. Silva s.n. (1AN 3 1 ). g-h. Silva IJ99).
Rodriguésia 57 (2): 159-170. 2006
cm 1
ISciELO/JBRJ
12 13 14 15 16 17
cm ..
Gomes, F P. & Mello-Silva, R.
lateralmente comprimidos, uncinados, ca. 2 mm
compr. Infrutescência verde-clara passando a
amarelada, raro alaranjada quando madura;
pedúnculo, (6— )8— 1 5(— 20) cm compr.; espádice
2,5-4,5(-5,5) cm compr., 1-2,5 cm diâm.;
tépalas conatas, rotundadas, ápice levemente
recurvado. Sementes alaranjadas, estreito-
elípticas, translúcidas, ca. 1 mm compr.; testa
impresso-reticulada e foveolada.
Baixio, 22.VIII.1994 (11) Sothers, C. A. 123 (INPA);
Barro Branco, 2.XI. 1 994 (fr) Ribeiro, J. E. L S. et ai
14S1 (INPA); Baixio, 1 8.XU. 1 997 (fr) Souza, M. A. D.
& Assunção, P.A.C.L 505 (INPA SPF); Igarapé
Barro Branco, 5.1 V. 1 998 (st) Gomes, F.P.34 (INPA);
id„ Baixio, 15.1.1998 (st) Gomes, F. P 35 (INPA);
Igarapé do Tinga, 1 4. VIII. 1 993 (fl) Ribeiro, J. £ L S.
et al. 1149 (INPA); trilha para área 3, saindo do campo
de futebol, 1 6.1. 1 998 (fr) Gomes, F.P.et al. 6 (INPA);
s.l., 1 9. 1 . 1 996 (fr) Costa, M. A. S. et al. 724 (INPA).
Evodianthus funifer foi descrita por
Poiteau (1822) em Ludovia. Logo após, foi
transferida para Salmia por Sprengel (1826) e
para Carludovica por Kunth (1841).
Posteriormente, Evodianthus foi criado para
abrigá-la (Lindman 1900). Evodianthus
angustifolius Oerst., E. freyreisii Lindm.,
Carludovica oerstedii Hemsley, C. chelidonura
Drude, C. coronata Gleason, C. trailiana
Drude e C. heterophylla Mart. ex Drude, de
várias localidades das Américas do Sul e
Central, foram todas sinonimizadas em E. funifer
por Harling (1958). Já Ludovia subacaulis
Poit. foi considera um sinônimo duvidoso
(Harling 1958). Esta espécie, cujo tipo
desapareceu, foi descrita como terrestre, de
caule muito curto e com flores similares às de
E. funifer. Dada a variabilidade de E. funifer,
é possível que as duas sejam mesmo sinônimos.
Evodianthus funifer pode ser reconhecida
pelo perianto das flores masculinas simétrico
e disposto em dois verticilos, com os lobos
recurvados sobre os estames. O porte da planta
e a forma e dimensões das folhas, embora
característicos, são bastante variáveis. Harling
(1958) descreveu três subespécies, além da
típica, baseado nestes caracteres: E. funifer
ssp. fendleranus, E. funifer ssp. peruvianus
e E. funifer ssp. trailianus. Difereriam entre
si na proporção entre a parte inteira e a parte
bífida da lâmina foliar e nas medidas dos
segmentos. As populações da Reserva Ducke
abrangem toda a variação utilizada na
delimitação das subespécies e, assim, elas não
foram aqui reconhecidas. Evodianthus funifer
ocorre na América Central, Amazônia e sul
da Bahia.
4. Ludovia
Ludovia Brongn., Ann. Sei. Nat., Bot., sér. 4,
15:361. 1861.
Epífitas ou lianas, raro terrestres; caule
longo nas lianas, ou muito curto nas epífitas.
Folhas dísticas; pecíolo mais curto que a lâmina,
alado, lâmina foliar inteira, plicada apenas na
prefoliação, sub-coriácea, lanceolada, ápice
crenado; nervura principal única, muito
conspícua, atingindo o ápice. Inflorescência
axilar; pedúnculo muito curto; espatas 3, raro
4, lanceoladas a ovadas, dísticas, nunca
congestas, dispostas na metade distai do
pedúnculo; espádice cilíndrico a fusiforme.
Flores estaminadas simétricas, curto-
pediceladas a sésseis; receptáculo afunilado;
lobos do perianto 20-30, esbranquiçados,
portando glândulas; estames muito numerosos;
pólen monossulcado. Flores pistiladas conatas;
tépalas reduzidas a quatro linhas delimitando
cada flor; estigmas sésseis, uncinados;
placentação subapical. Sementes esféricas a
levemente oblongas, pequenas, castanhas.
Ludovia tem duas espécies, reconhecíveis
pelo hábito. Ludovia integrifolia (Woodson)
Harling é liana de folhas curtas que ocorre no
Panamá, Colômbia e Equador (Croat 1978) e
L. lancifolia, única epífita verdadeira da
família, tem folhas longas e caule muito curto.
4.1 Ludovia lancifolia Brongn., Ann. Sei. Nat.,
Bot., ser. 4, 15: 363. 1861. Fig. 2 a-d
Herbácea, epífita, raro terrestre, até 150
cm compr.; raízes aéreas ausentes; raízes
grampitormes muito abundantes formando um
aglomerado na base da planta; caule ca. 40
cm compr., 3-7 cm diâm. Folhas 5-12, verde-
escuras, brilhantes, eretas, bainha conduplicada,
Rodriguésia 57 (2): 159-170. 2006
SciELO/JBRJ
L2 13 14 15 16 17
Flora da Resena Ducke: Cyclanthaceae
169
margens expandidas, 2-3 cm larg.; pccíolo
(20-)25-35 cm. compr., alado; lâmina 25-
75(— 85) cm compr., 5,5— 8(— 1 1 ) cm larg., inteira,
unicostada, lanceolada, ápice crenado, base
atenuada; nervuras secundárias 6-10,
proeminentes na face adaxial, impressas na
face abaxial; profilo 1, membranáceo, muito
rudimentar. Prospatas 1-3, membranáceas, ca.
3 cm compr., pedúnculo ca. 5 cm compr.;
espatas (3-)4,3-8 cm compr. 1-2 cm larg., a
inferior situada na metade do pedúnculo, verde,
carnosa, as três superiores próximas ao
espádice, face adaxial amarelada, face abaxial
avermelhada a castanha, cimbiformes, ápice
acuminado; espádice cilíndrico, ca. 1,5 cm
compr., ca. 1 cm diâm. Flores estaminadas
ca. 1 mm compr.; receptáculo côncavo, ca. 3
mm diâm.; perianto simétrico, lobos 20-30,
esbranquiçados, ápice acuminado; estames
50-90, livres, bulbo basal bem desenvolvido,
anteras maiores nos estames situados no
centro do receptáculo, diminuindo
progressivamente naqueles mais periféricos;
tecas lineares. Flores pistiladas conatas, ca.
2 mm diâm.; tépalas inteiras, muito reduzidas,
conatas; estaminódios ca. 4 cm compr.,
esbranquiçados a amarelados; estigmas
castanhos, sésseis, lateralmente comprimidos,
uncinadòs, ca. 2 mm compr. Infrutcscência
verde-claro, passando a verde-escuro quando
madura; pedúnculo (2-)3,5-8 cm compr.;
espádice (3,5— )4— 7,5 cm compr., 1-2,5 cm
diâm.; tépalas conatas, muito reduzidas,
conferindo aspecto hexagonal a cada fruto.
Sementes castanhas, globosas, ca. 1 — 1,5 mm
diâm., testa longitudinalmente estriada.
Igarapé do Acará. 2.I1I.1998 (fr) Gomes, F P. 31
(INPA SPF); Igarapé da Bolívia, picada a oeste da
reserva, 3. VI. 1993 (fr) Ribeiro, J. E. L S. et al. 820
(INPA SPF); fim da estrada da torre cm frente à
casinha, 20.1.1998 (st) Gomes, E P. etal. 8 (INPA).
Material complementar: AMAZONAS: Maraã, rio
Japurá, 2°28'S 65”03'W, 3.XI1. 1982 (fi) Plowman, T.
etal. 12140 (INPA).
Harling (1958) considera L lancifolia um
provável sinônimo de Carludovica disticha
Neumann. A primeira foi descrita de material
coletado no Horto de Paris e que fora enviado
RodriRuésia 57 (2): 159-170. 2006
da Guiana Francesa por Melinon. A segunda
fora descrita em 1847 com base em material
vivo enviado, também por Melinon, da Guiana
Francesa. É provável que ambos os nomes
refiram-se à mesma planta. Neste caso, C.
disticha teria prioridade sobre L lancifolia.
Neumann ( 1 847) afirma que C. disticha seria
a única Cyclanthaceae com folhas dísticas a
ocorrer naquela área, o que sustenta a
hipótese de Harling (1958) de que ambas
pertenceriam à mesma espécie. No entanto,
Stelestylis tem folhas dísticas c também
ocorre na Guiana Francesa (Cremers & Hoff
1994). O tipo de C. disticha foi perdido. Deste
modo, a sinonimização de C. disticha e L.
lancifolia é duvidosa. Ludovia lancifolia é
a única Cyclanthaceae epífita da Reserva
Ducke. É caracterizada pelas folhas inteiras,
de margem crenulada no ápice, e dísticas. E
bastante homogênea quanto à morfologia
floral mas apresenta alguma variação no
formato e tamanho das folhas, como em
Chagas 1335 (INPA) e Ducke s.n. (MG
12319). Esta plasticidade foi o motivo da
sinonimização de L. crenifolia Drude, do rio
Japurá, em L. lancifolia (Harling 1958).
Ludovia lancifolia distribui-sc por toda a
Amazônia brasileira e é pouco frequente.
Segundo Harling (1958), ocorre ainda no Peru,
Guiana Francesa, Suriname e na área do
Canal do Panamá.
5. Thoracocarpus
Thoracocarpus Harling, Acta Horti Bcrg.
18(1): 254. 1958.
Thoracocarpus é um gênero monotípico
e abriga a única liana da família, T. bissectus.
5.1 Thoracocarpus bissectus (Vcll.) Harling,
Acta Horti Bcrg. 18(1): 255. 1958. Fig. 3 e-h
Herbácea, hemiepífita secundária, ca. 30
m compr.; raízes aéreas avermelhadas; raízes
grampiformes muito mais numerosas nos
indivíduos jovens que nos adultos, castanhas;
caule densamente anelado pelas cicatrizes
foliares, ramificado, 1 -2 cm diâm. Folhas 5- 1 0
por ápice de ramo, verde-escuro, brilhanles,
SciELO/JBRJ1
2 13 14 15 16 17 18
170
Gomes, F. P & Mello-Silva, R.
cartáceas, espiraladas, eretas; bainha ca. 2 cm
larg., verde-amarelado, variegada com pontos
castanhos, irt sicco ocre, lustrosa; pecíolo 23-
30(-50) cm compr., sulcado no ápice, passando
a côncavo em direção à base; lâmina 49-56(-85)
cm compr., sub-tricostada, bífida quase até a
base; segmentos 3,5-5 cm larg., lineares, ápice
acuminado; base atenuada; nervuras secundárias
(4— )5— 8 por segmento, proeminentes na face
adaxial, as marginais pouco conspícuas; profilo
1, membranáceo, ocre, desintegrando-se em
fibras, podendo formar uma massa de
fragmentos e fibras na bainha das folhas.
Inflorescência axilar, 1 por folha; pedúnculo
5-8 cm compr., espatas 3-4, (3— )5— 10 cm
compr., ca. 1,5 cm larg., cimbiformes,
bicarenadas, margem involuta, ápice
acuminado, a inferior situada na metade do
pedúnculo e as superiores congestas no ápice,
ou todas concentradas na metade do
pedúnculo, decíduas; espádice cilíndrico 1-2,5
cm compr., ca. 0,5-1 cm diâm. Flores
estaminadas ca. 2 mm compr.; receptáculo
aplanado, perianto assimétrico, lobos lineares,
ápice agudo; estames 20-35, adnatos pela base
do bulbo basal conspícuo; anteras iguais entre
si, tecas hemielípticas, conectivo filiforme,
inconspícuo. Flores pistiladas ca. 5 mm diâm.;
tépalas inteiras, conatas na base, ca. 5 mm
compr., ca. 3 mm larg., truncadas; estaminódios
alvos, 5-7 cm compr; estigmas castanhos,
sésseis, ca. 2 mm compr., aplanados,
ultrapassando as tépalas. Infrutescência verde-
escuro; pedúnculo 5-15 cm compr.; espádice
3—5 cm compr., 0,7—2 cm diâm. Sementes
alaranjadas, elípticas, ca. 1 mm compr.; testa
levemente reticulada, verrucosa.
Estrada alojamento-torre, km 0,35, 1 7.XI. 1 995 (fr)
Vicentini, A. & Pereira, E. C. 1159 (INPA SPF);
estrada para a torre, km 0,35, 1 9.1. 1 998 (st) Gomes,
E P. et al. 7 (INPA).
Material complementar: AMAPÁ: Monte Dourado,
rioJari, 1°51’S 65°36’W, 12.1.1968 ( ír)Silva,N . T
1399 (LAN). PARÁ: Castanhal, ferrovia Belém-
Bragança, rio Jari, 1°51’S 65°36’W, 3.IX.1968 (fr)
Silva, M. B. s.n. (IAN31).
Thoracocarpus bissectus apresenta
caracteres vegetativos constantes. É
reconhecido pelo caule muito longo e anelado e
pelas folhas curtas, cartáceas e muito brilhantes
dispostas no ápice dos ramos. São
característicos ainda as oito espatas que
envolvem a inflorescência e o limbo foliar
isolateral. O caule apresenta-se mais longo nas
plantas de baixas latitudes. Em São Paulo
atingem no máximo 10 m compr.; na Amazônia,
chegam a 30 m. Drude (1881) descreveu
Carludovica sarmentosa Sagot ex Drude de
material coletado no Brasil. Sagot já havia
identificado uma coleta da Guiana Francesa
como C. sarmentosa , porém não publicara o
nome. Drude o fez sem citar o material da
Guiana, mas ambas as coletas pertencem à
mesma espécie (Harling 1958). Entre 1881 e
1950 foram descritas ainda Carludovica
kegeliana Lem., C. mattogrossensis Lindman
e C. bracteosa Gleason. À exceção de C.
bracteosa, os outros nomes foram atribuídos a
exemplares indubitavelmente classificáveis
como T. bissectus, tendo sido sinonimizados
(Harling 1958). Este autor considerou também
C. bracteosa sinônimo de T. bissectus,
ressalvando que poderia ser uma subespécie do
último, caso fossem encontradas espatas mais
longas e largas em C. bracteosa. No entanto,
em T. bissectus, as dimensões das espatas são
muito variáveis, sustentando a sinonimização de
C. bracteosa. Thoracocarpus bissectus é
comum desde o Panamá e Trinidad até o litoral
sul de São Paulo, em florestas úmidas, sendo
mais freqüente nas porções Central e Oriental
da Amazônia.
Rodriguésia 57 (2): 159-170. 2006
SciELO/ JBRJ
12 13 14 15 16 17
cm
Flora da Reserva Ducke, Amazonas, Brasil: Cyperaceae
David A. Simpson1
Bruhl, J. J. 1995. Sedge gcnera of the world: relationships and a new classifícation of thc Cyperaceae. Aust.
Syst. Bot.8: 125-305.
Dahlgrcn, R. M.T.; Clifford, H. T. & Yco, P. F. 1985. The families of Monocotylcdons. Springcr-Verlag, Berlin
and New York. 520p.
Goctghebeur, P. 1998. Cyperaceae. In: K. Kubitzki (ed.). The families and genera of vascular plants. Springcr-
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Linder, H. P. & Kellogg, E. A. 1995. Phylogcnetic pattems in thc commclinid clade. In: P. J. Rudall; P. J. Cribb;
D. F. Cutlcr & C. J. Humphries (eds.). Monocotylcdons: systematies and evolution. Royal Botanic
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Simpson, D. A. 1995. Relationships within Cyperales. In: P. J. Rudall; P. J. Cribb; D. F. Cutler & C. J. Humphries
(eds.): Monocotyledons: systematies and evolution. Royal Botanic Gardens, Kew. Pp. 497-509
Annual or perennial, rhizomatous to
stoloniferous herbs. Stems (culms) simple,
often 3-sided. Lcaves basal and/or cauline,
often 3-ranked, comprising blade and sheath,
sometimes sheath only present; blade usually
linear, grass-like, sometimes broader and
constricted into a pseudopetiole below; sheath
open or closed; ligule often present, sometimes
on opposite side to blade. Involucral bracts 1-
sevcral, leaf-like or glumc-like. Infloresccnce
unbranched to simply, compoundly or
decompoundly branched and umbcl-like, or
paniculate, comprising 1-many ultimate
infloresccnce units (spikelets or spicoids).
Spikelets comprising 1-many glumes, the
glumes membranous to coriaceous, spirally
arranged or 2-rankcd, each subtending a single
bisexual or unisexual flowcr or sterile, the
spikelet sometimes reduced to a single flowcr
and aggregaled into spikes; spicoids (tribe
Hypolytreae only) comprising a terminal femalc
flowcr, 2-12 membranous scale-like floral
bracts on a much reduced axis, thc lowest 2
bracts opposite and keeled, some of the bracts
subtending a male flower, the spicoid
subtended and usually hidden by a glume-like
spicoid bract, these spirally arranged and
aggregated into spikclet-like spikes. Perianth
absent or reduced to bristles or scale-like
segments. Stamens 1-3; anthers basifixed.
Stigmas 2-3, rarely style undivided, the base
sometimes persistent and variously shaped in
nutlet. Ovary 2-3-carpellate, unilocular, with
a single ovule. Nutlets usually a hard, a 2 or
3-sided nutlet, rarely with a succulent or
corky exocarp, surface smooth or variously
minutely patterned, sometimes partially or
completely encloscd by an cnlarged basal
prophyll (utricle), sometimes with a cup-like
hypogynous disk at base.
Cyperaceae comprises ca. 104 genera
and ca. 5000 species (Goctghebeur 1998). The
family is nearly cosmopolitan but does not occur
in Antarctica.
Cyperaceae can be recognised by the
minute bisexual or unisexual flowcrs with the
perianth reduced to small bristles or blades or
absent, the flowers subtended by small bracts
(glumes or floral bracts) these being
aggregated into inflorescence units (spikelets
and spicoids) which in turn are aggregated
larger partial and full inflorescences. Thc fruit
is a small, hard, 1-secded nutlet.
The closcst rclativcs to Cyperaceae are
Juncaceae and Thurniaceae in the order
Cyperales (Dahlgren et al. 1985, Simpson
1995). Gramineae, which shares some
characteristics of Cyperaceae such as wind
pollination and reduced floral strueture, has
often been placed ncar to Cyperaceae, but is
now thought to be more distantly rclated
(Linder & Kellogg 1995, Simpson 1995).
'Royal Botanic Gardens, Kcw, Richmond, Surrcy, TW9 3AB, U.K.
SciELO/JBRJ
2 13 14 15 16 17 18
172
Simpson, D. A.
Inflorescence structure in Cyperaceae is
difficult to interpret due to its highly reduced
nature. Consequently, the terminology used in
describing parts of the inflorescence is
confusing with several terms often being
applied to the same structure. In addition,
several terms are also used in the Poaceae
but they do not always relate to the same
structure in both families. In this account an
attempt has been to keep terminology as simple
as possible. Definitions of the terms used are
given in the Glossary below.
For accurate identification of Cyperaceae
good fruiting material should be used wherever
possible. Indeed this is essential in certain genera,
such as Fimbristylis and Scleria. It is also
important to have underground parts as these may
be diagnostic for some species. Care is needed
when counting the number of stigmas as these
are easily broken off. Several should be observed
from the same specimen. Care is also needed when
counting the stamens. Anthers break off easily
leaving the filaments partially hidden within the
glumes. Always check that filaments are present.
Glossary
Terms which are italicised within each definition are themselves defined elsewhere in the Glossary.
Acuminate. Gradually narrowed to a long fine point.
Acute. Abruptly narrowed to a short point.
Biconvex. Two-sided, the sides convex.
Cancellate. Having the appearance of a lattice.
Capitate. Head-like inflorescence, without any apparent branching.
Compound. Applied to an inflorescence or partial inflorescence where there are two orders of
branching, í.e. pnmary and secondary.
Comprcssed-trigonous. Three-sided, but distinctly flattened and thus appearing to be two-sided.
Contcal. Cone-shaped, being wider at the base than the apex; hete it is used as the 3-dimensional
equivalem of lanceolate.
ConnecUve. Tissue conneeting the pollen sacs of an anther. Sometimes it extends beyond the
apex of the pollen sacs to form a prominent tip to the anther.
Contraligule. Membranous ligule-like structure at the apex of the leaf-sheath on the side of the
culm facing away from the leaf-blade.
Coriaceous. Having a leathery texture.
Culm. Stem supporting the inflorescence.
Cylindric. Cylinder-shaped.
"rrTrd- hAPPUed l° an Ínflorescence or inflorescence where there are three or more
orders of branching, í.e., pnmary, secondary and tertiary.
Deltoid. Triangular in outline.
Disk. Three-lobed structure occurring at the base of the nutlet in Scleria, Calyptrocarya and
Becquerelia. In some species it may be indistinct. yP ^
Filiform. Thread-like.
Fimbriate. With a margin divided into a fringe.
Floral bract. Membranous scale-like stnteture in the spieoid-type inflorescence uniteach of which
“e,maa„d rr; “,rsmE a sinsle s,amen on,y- Tte — - ^
Globose. Rounded, resembling a bali.
K odriguésia 57 (2): 171-188. 2006
SciELO/JBRJ
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Flora da Reserva Ducke: Cyperaceae
173
Glume. Membranous to coriaceous scale-like structure subtending individual flowers.
Hyaline. Transparent and usually colourless.
Imbricate. Tightly overlapping.
Involucral bract. Bract or bracts occurring at the point where the inflorescence arises from the
culm. Vary from being leaf-like to glume-like or setaceous.
Keel. Used here for the midrib of a glume or floral bract.
Lanceolate. Lance-shaped, i.e. broadest below the middle and gradually tapering above.
Ligule. Membranous tissue or fringe of hairs occurring at the apex of the leaf sheath on the inner
side at the point where it joins the leaf-blade.
Mucronate. Terminating in a short stiff point.
Nutlet. Hardened, usually minute, one-seeded fruit, the surface of which may be smooth to variously
pattemed and a diagnostic character for many species. Often called an achene in literature on Cyperaceae.
Ob. (prefix) Used to indicate inversion of a shape, e.g. obdeltoid, obovoid, oblanceolate.
Obtuse. Blunt.
Orbicular. Circular.
Ovate. Egg-shaped in two-dimensional outline.
Ovoid. Egg-shaped in three dimensions.
Paniculatc. Inflorescence partial inflorescences arising at intervals along the main inflorescence axis.
Partial inflorescence. Primary branches of an inflorescence.
Perianth segments. Small bristle-like or scale-like structures at the base of the nutlet. Presumed
to be the remnants of a fully developed perianth.
Plicate. Folded longitudinally.
Prophyll. Two-keeled structure at the base of a branch within an inflorescence. It may be glume-
like or tubular.
Puncticulate. Dottcd.
Reticulate. Forming a nctwork.
Retrorse. Turned backwards.
Rhizome. Underground stem which may be short, often giving the plant a tufted habit, or long-crecping.
Rugose. Wrinkled.
Setaceous. Bristle-like.
Simple. Applied to an inflorescence or partial inflorescence where there is only order of branching,
i.e. primary branching.
Spicoid. The ultimate inflorescence unit in Cyperaceae Tribe Hypolytrcae. Has a much reduced
axis and appears flower-like. It comprises 2-6 floral bracts cach subtending a male flowcr. The
whole structure is terminated by a female flowcr.
Spicoid bract. A glume-like bract which subtends the spicoid.
Spike. An aggregation of spikelets or spicoids; sometimes the whole structure is similar in
appearance to a spikelet (in Mapania and Hypolytrum).
Spikelet. The ultimate inflorescence unit in most genera of Cyperaceae. Has an elongatcd or
reduced axis with 1-many glumes, each glume subtending a bisexual or unisexual flowcr.
Stolon. In Cyperaceae this term is applied to a thin underground branch arising from the rhizome
or base of the culm. Each stolon terminates in an aerial shoot.
Rodriítuésia 57 (2): 171-188. 2006
SciELO/JBRJ,
13 14
174
Simpson, D. A.
Style-base. A variously-shaped portion at the base of the style which is persistem on the mature
nutlet in some genera.
Terete. Circular in cross-section.
Tomentose. Thickly covered with short hairs.
Trigonous. Three-sided, with the margins blunt and rounded. Applied here to the culm and nutlet.
Triquetrous. Three-sided with the margins acute. Applied here to the culm and nutlet.
Umbel-like. Inflorescence in which the primary branches more-or-less arise from the same point,
the inflorescence being subtended by 1-several involucral bracts.
Verruculose. Covered with small wart-like outgrowths.
Key to the genera of Cyperaceae in Reserva Ducke
1 . Inflorescence comprising small units (spicoids) with 2 opposite, keeled, often ciliate scales (floral
bracts) at the base often enclosing a further 2-6 scales, each unit subtended and usually hidden
or partially hidden by a glume-like bract.
2. Inflorescence umbel-like; stamens 7-8 per spicoid 4. Diplasia
2. Inflorescence paniculate or capitate; stamens 1—3 per spicoid
3. Inflorescence capitate; spicoids with 4-6 floral bracts 10. Mapania
3. Inflorescence paniculate; spicoids with 2(— 3) floral bracts 8. Hypolytrum
1 . Inflorescence various but not as above.
4. All flowers unisexual.
5. Female spikelets subtended at base by 3 sterile spikelets; nutlet very tightly enclosed by a
delicate, membranous sac 2. Cahptrocarya
5. Female spikelets without sterile spikelets at base; nutlet not enclosed by a membranous
sac.
6. Contraligule present in leaf sheath apex; disk at base of nutlet not spongy
13. Sele ria
6. Contraligule absent; disk at base of nutlet spongy 1. Becquerelia
4. At least some flowers bisexual.
7. Glumes increasing in length towards the apex of the spikelet.
8. Inflorescence paniculate (in Ducke species); perianth segments scabrid below, ciliate
or fimbriate above H. Pleurostachys
8. Inflorescence capitate (in Ducke species); perianth segments scabrid or rarely smooth
12. Rhynchospora
7. Glumes ± equal in length (but often with 1-3 smaller glumes at base of spikelet).
9. Perianth segments present.
10. Leaves reduced to bladeless sheaths; inflorescence a single spikelet
Eleocharis
10. Leaf blades present; inflorescence with more than one spikelet 7. Fuirena
9. Perianth segments absent.
11. Glumes spirally arranged; style jointed with ovary and clearly demarcated from it
6. Fimbristylis
11. Glumes 2-ranked; style continuous with ovary and not demarcated from it.
12. Stigmas 2; nutlet 2-sided Kyinnga
12. Stigmas 3; nutlet 3-sided Cyperus
Rodriguésia 57 (2): 171-188. 2006
SciELO/JBRJ
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cm
Flora da Resewa Ducke: Cyperaceae 1 75
1. Becquerelia
Perennial herbs; rhizomatous or rarely
stoloniferous. Culms triquetrous. Leaves
basal and cauline, 3-ranked; ligule 0;
contraligule absent. Involucral bracts leaf-like.
Inflorescence paniculate; partial
inflorescences corymbose or rarely capitate.
Spikelets unisexual; male spikelets
comprising ca. 5 glumes, the lower subtending
a flower; female spikelets comprising ca. 10
sterile glumes and a single terminal flower.
Perianth segments 0. Stamens 1 per flower.
Stigmas 3. Nutlets depressed-globose,
smooth, rugulose or tuberculate with a spongy
cup-like disk at base.
Genus of five species, central and South
America.
1.1 Becquerelia cymosa subsp. merkeliana
(Nees) T. Koyama, Mem. N.Y. Bot. Gard.
17(1): 29. 1967.
Becquerelia merkeliana Nees, in
Mart., Fl. bras. 2(1): 191. 1842.
Perennial. Culm 39 cm long, 6.5 mm
wide, smooth. Leaves: blade linear, 68 cm
long, 1. 1-1.4 cm wide, gradually narrowed,
acuminate, flat to v-shaped in cross-section;
sheath 13-16 cm long, grccn to pale brown.
Involucral bracts 7-43 cm long, the lowest
bract longest. Inflorescence 40 x 5.5 cm;
nodes 6, each subtending 1-2 corymbose
partial inflorescences; partial inflorescences
3-4 x 4 cm, compound; primary branches
0.5-2 cm long; secondary branches 0.2-1 cm
long, terminating in clusters of several
spikelets. Male spikelets 1-2 below female
spikelets, narrowly lanceolate, 3-3.5 x
0.2 mm. Female spikelets ovate, 3-5-4. 1 x
1 .3-1 .5 mm. Anthers 1 mm long. Nutlets 2 x
1.8-2 mm, whitish, rugulose-reticulate.
Tropical South America.
1 7.IX. 1958 (0) Coêlho, D. 7 (INPA).
Additional specimcn examined: BRAZIL.
AMAZONAS: Igarapé de Tarumã Assunção, P. A.
C. L 383 (INPA); Boa Vista road, 48 km N of
Manaus, 2 1 .IX. 1980 Ume 3996 (INPA K).
2. Calyptrocarya
Perennial herbs; rhizomatous or
stoloniferous. Culms trigonous to triquetrous.
Leaves basal and cauline, 3-ranked; ligule 0,
contraligule sometimes present. Involucral
bracts leaf-like. Inflorescence capitate or
cymose-paniculate with distant nodes each
subtending a single partial inflorescence;
partial inflorescence umbel-like, each with
several rayed globose spikelet clusters.
Spikelets unisexual or sterile. Male spikelets
comprising several glumes. Female spikelets
comprising a single, apparently terminal
female flower, very tightly cnclosed by a
delicate, membranous sac. Sterile spikelets
lateral, in 3 at the base of the female spikelet,
each comprising a few empty glumes, the
spikelets subtended by 3 glume-like
bracteoles. Perianth segments 0. Stamen 1
per male flower. Stigmas 2-3. Nutlets 2-sided
to terete-trigonous, surface bony, white.
Genus of eight species, central and South
America.
Key to the species of Calyptrocarya in Reserva Ducke
1 . Spikelet clusters up to 3 mm wide; nutlets up to 1 .5 mm wide 2. C. glomerulata
1 . Spikelet clusters 5 mm or more wide; nutlets 1 .8 mm or more wide.
2. Lcaf blade abruptly narrowed at apex, narrowed into a pseudopetiole towards base
1. C. bicolor
2. Leaf blade gradually narrowed at apex, not narrowed into a pseudopetiole towards base 2.
3. C. poepiggiana
Rodrixuésia 57 (2): 171-1 88. 2006
SciELO/JBRJ
12 13 14 15 16 17
cm ..
176
2.1 Calyptrocarya bicolor (H. Pfeiff.) T.
Koyama, Mem. N.Y. Bot. Gard. 17(1): 43. 1967.
Becquerelia bicolor H. Pfeiff., Fedde,
Repert. 18:381. 1922.
Perennial. Rhizome short-creeping.
Culms 3-12 cm long, 1-1.4 mm wide,
triquetrous, scabrid towards apex. Leaves:
blade linear, linear-elliptic, 7-20 cm long, 5-
12 mm wide, abruptly narrowed at apex,
acute, flat, green above, usually mid- to dark
reddish below, narrowed below into a
pseudopetiole towards base; sheath 1-4 cm
long, dark reddish. Lowest involucral bract
up to 17 cm long, upper bracts shorter.
Inflorescence cymose-paniculate, 4-14 cm
long, nodes 3—4; partial inflorescence with
rays 0.5-2 cm long. Spikelet clusters 4-6 x
5-7 mm. Nutlets 2-sided, broadly obovate,
I. 8-2 x 1.8-2 mm.
Tropical South America.
Forest.
I I. II. 1995 (fr) Costa, M. A. S. et al. 149 (INPA);
13.V.1996 (fl) Costa, M. A. S. et al. 512 (INPA);
6. VI. 1 988 (fl) Santos, J. L 952 (INPA K MG MO NY
RB SP); 4. VI. 1995 (fl) Sothers, C. A. 495 (INPA);
28.IV. 1994 (fl) Vicentini, A. et al. 520 (INPA);
13.V.1996 (fl) Costa, M. A. S. et al. 512 (INPA);
6. VI. 1 988 (fl) Santos, J. L 952 (INPA K MG MO NY
RB SP); 4. VI. 1995 (fl) Sothers, C. A. 495 (INPA);
28.IV. 1994 (fl) Vicentini, A. etal. 520 (INPA).
Calyptrocarya bicolor is distinguished by
having the leaf blade narrowed into a
pseudopetiole towards its base and a distinct
reddish coloration to the undersides of the leaves.
2.2 Calyptrocarya glomerulaía (Brongn.) Urb.,
Symb.Ant. 2(1): 169. 1900.
Becquerelia glomerulaía Brongn., in
Duperry, Voy. Coq. 2: 1 63. 1 829.
Calyptrocarya angustifolia Lindl. &
Nees ex Kunth, Enum. Pl. 2: 364. 1837.
Calyptrocarya fragifera sensu Kunth,
Enum. Pl. 2: 364. 1837 non (Rudge) Nees.
Calyptrocarya intermedia C.B. Clarke,
Kew Buli. Add. Ser. 8: 66, 135. 1908.
Perennial. Rhizome short. Culms tufted,
7.5-9 cm long, 0.8—1 mm wide, triquetrous.
Leaves: blade narrowly linear, up to 21 cm
long, 2-3 mm wide, gradually acuminate at
Simpson, D. A.
apex, flat, green above, green or brownish
below; sheath 4—6.5 cm long, reddish-brown.
Lowest involucral bract 20 cm long, upper
bracts shorter. Inflorescence cymose-
paniculate, 7-8 cm long, nodes 3-4; partial
inflorescence with rays 0.5-0.7 cm long.
Spikelet clusters 2 x 2—3 mm. Nutlets 2-sided,
broadly obovate, 1-1.5 x 1.5 mm.
Southern México to Brazil.
Forest.
6.VII.1993 (fl) Ribeiro, J. E. L S. etal. S99(INPA
KNY).
Calyptrocarya glomerulaía can be
recognised by its linear, gradually narrowed
leaves, small spikelet clusters and small nutlets.
2.3 Calyptrocarya poepiggiana Kunth,
Enum. Pl. 2: 364. 1837.
Calyptrocarya martii Nees, in Mart., Fl.
bras. 2(1): 195. 1842.
Perennial. Rhizome short-creeping.
Culms 3—12 cm long, 0.8— 0.9 mm wide,
triquetrous, scabrid towards apex. Leaves:
blade narrowly linear, 1 1-40 cm long, 5-7 mm
wide, gradually narrowed at apex, acute, flat,
green above, usually mid- to dark reddish
below, not narrowed into a pseudopetiole
towards base; sheath 1—4 cm long, dark
reddish. Lowest involucral bract up to 43 cm
long, upper bracts shorter. Inflorescence
cymose-paniculate, 7—15 cm long; nodes 3—
4; partial inflorescence with rays 0.8-3.3 cm
long. Spikelet clusters 4-6 x 5-6 mm.
Nutlets 2-sided, broadly obovate, 2 mm x
1.8 mm.
Tropical South America, particularly the
tropical Andean region.
Forest.
14.11. 1 996 (fr) Campos, M.T.V.A. et al. 489 (INPA
KMGNYSP).
Calyptrocarya poepiggiana also has
linear, gradually narrowed leaves, but the spikelet
clusters and nutlets are similar to C. bicolor.
3. Cyperus
Annual or perennial herbs; rhizomatous
or stoloniferous. Culms terete to trigonous.
Leaves basal, 3-ranked, rarely without blade;
Rodriguésia 57 (2): 171-188. 2006
SciELO/JBRJ
L2 13 14 15 16 17
cm
Flora da Resen a Ducke: Cyperaceae
ligule 0. Involucral bracts leaf-like. Inflorescence
terminal, umbel-like and 1-3-times branched,
with the ultimate branches terminating in 1 or
more spikes or finger-like cluster of spikelets,
more rarely spikes or spikelet clusters sessile
or inflorescence capitate. Spikelets linear to
oblong or elliptic, laterally flattened to subterete;
axis straight or zigzag, deciduous or persistent.
Glumes ± equal in length, 2-ranked, deciduous
177
or persistent, sidcs membranous to chartaceous
or coriaceous, nerves 0-several, kecl acute to
roundcd. Flowers bisexual. Perianth segments
0. Stamens 1-3. Stigmas (l-)3; style
continuous with ovary. Nutlets usually 3-sided,
trigonous, sometimes triquetrous or
dorsiventrally compressed.
About 500 species, ± cosmopolitan, but
particularly abundant in the tropics.
Key to the species of Cyperus in Reserva Ducke
1. Spikelets in finger-like clusters; glumes ovate-orbicular 1. C. laxus
1 . Spikelets aggregated into spikes; glumes ovate to lanceolate.
2. Culms papillose; spikelets dark coppery brown; nutlets 1 .5 mm long 2. C. ligularis
2. Culms smooth or scabrid; spikelets greenish, yellowish or whitish; nutlets up to 1 . 1 mm long
3. Culms smooth; spikelets whitish, in dense clusters within the spike 3. C. luzulae
3. Culms smooth to retrorsely scabrid; spikelets greenish or yellowish in loose clusters within
the spike
3.1 Cyperus laxus Lam.,l\\.Gcn. 1: 146. 1791;
J. Raynal, Adansonia2, 17(3): 277. 1978.
C. diffusus Vahl, Enum. Pl. 2: 321. 1805.
Percnnial. Rhizome short. Culms ±
tufted, 36 cm long, 1.7-1. 9 mm wide, trigonous
to subtriquetrous, smooth. Leavcs: blade
linear, 15-30 cm long. 5-5.4 mm wide, abruptly
acute, flattish to plicatc; sheath 4 cm long, pale
grecn to rusty or purplish brown. Involucral
bracts 4-12, unequal, the longest up to 50 cm.
Inflorescence umbel-like, 1-2 times
branched; primary branches 10-12, 2-12 cm
long; secondary branches 0.5- 1.5 cm long.
Spikelets in open finger-like clusters of ( 1 -)2-
9, oblong, 3-1 1 x 1. 5-2.5 mm. Glumes 6-20
per spikelet, ovate-orbicular, 1.5-2 x 1.5—2 mm,
obtusc, mucronatc, awn 0.2-0.5 mm long,
sides membranous. indistinctly nerved, greenish
tinged with pale or reddish-brown, keel
greenish. Stamens 3; anthers 0.8-1 mm long.
Stigmas 3. Nutlets ellipsoid, trigonous, 1.2—
1.5 x 0. 7-0.8 mm, pale brown bccoming
blackish brown, indistinctly puncticulate.
Pantropical.
Forest or forest margins.
26.1V. 198 1 (fl) Lowe, J. 4105 (1NPA).
Additional speclmens examincd: BRAZIL.
RORAIMA: Boa Vista, Reserva Ecologica de Maracá
Rodrigufsia 57 (2): 171-188. 2006
4. C. surinamensis
7.111. 1987 Harley 24735 (K); AMAZONAS: Manaus,
near Praia Dourada 23. VII. 1 980 Lowe 3949 (INPA, K).
Cyperus laxus is distinguished by
spikelets in finger-like clusters and ovate-
orbicular glumes.
3.2 Cyperus ligularis L., Syst. Nat 10, 2;
867. 1759; Nees in Mart., Fl. bras. 2(1): 42.
1842; Kük. in Engl., Pflanzenr. 4(20), 101
Heft: 474. 1936.
Mariscus ligularis (L.) Urb., Symb.
Antill. 2(1): 165.1900.
Percnnial. Rhizome short. Culms ±
tufted 50-100 cm long, 4-5 mm wide,
trigonous, papillose. Leaves: blade linear, up
to 80 cm long, 5-10 mm wide, long-
acuminate, flattish to folded; sheath 12-19 cm
long, mid-brown to dark reddish-brown.
Involucral bracts 8, unequal, the longest up lo
65 cm long. Inflorescence umbel-like, 1(-
2)-times branched; primary branches up to
10, 1-6 cm long; secondary branches (when
devcloped) up to 3 cm long. Spikes 4-7 per
inflorescence branch, cylindric to subglobosc,
1 . 1-3.5 cm long, the uppermost spike longest.
Spikelets numerous, densely crowdcd, oblong-
elliptic, 3-7 x 1-2.5 mm, dark coppery
brown. Glumes 4-7 per spikelet, ovate, 2-
;SciELO/ JBRJ
12 13 14 15 16 17
cm ..
178
2.5 mm long, 1-2 mm wide, acute, very
shortly mucronate, sides membranous, 4-5-
nerved, dark brown with reddish tinge, keel
greenish or brown. Stamens 3; anthers 0.5 mm
long. Stigmas 3. Nutlets ellipsoid, trigonous,
1.5 x 0.6 mm, dark purplish brown,
puncticulate.
Florida, W. Indies, tropical America,
África, Indian Ocean islands.
Disturbed areas in forest.
26.X. 1 977 Keel & Balick 203 (K NY); 1 4.XIL 1 966 (fl)
Prance, GT.et al 3637 (INPA K NY).
Additional specimens examined: BRAZIL.
AMAZONAS: Manaus, Praia Dourada 23. V. 1981
Lowe 4193 (K); Manaus-ltacoatiara road, km 63
17.X1I.1968 Prance et al. 9058 ( K).
Cyperus ligularis has papillose culms
and spikes comprising numerous dark coppery
brown spikelets.
3.3 Cyperus luzulae (L.) Retz., Obs. Bot. 4:
11. 1786; Kük. in Engl., Pflanzenr. 4(20), 101
Heft: 170. 1936.
Scirpus luzulae L., Syst. Nat. 10, 2;
868. 1759.
Perennial. Rhizome short. Culms
tufted, 28—51 cm long, 1.6-2. 8 mm wide,
trigonous, smooth. Leaves: blade linear, 20-
30 cm long, 3. 5-4. 5 mm wide, gradually
acuminate, flattish to folded; sheath 3-
7.5 cm long, pale to mid-brown. Involucral
bracts 5-10, unequal, the longest up to
36 cm. Inflorescence umbel-like, once-
branched; primary branches 6-1 1, 1.1-5 cm
long. Spike 1 per inflorescence branch, ovoid
to ovoid-cylindric, 0.8- 1 .5 cm long. Spikelets
in numerous, densely crowded clusters
within spike, ovate, 2- 4.5 x 1-2 mm,
whitish. Glumes 6-20 per spikelet,
deciduous, lanceolate to ovate-lanceolate,
1.5-2 x 0.4-0.8 mm, obtuse, mucronulate,
sides membranous, 1-2-nerved, whitish, keel
similar. Stamen 1; anther 0.7 mm long.
Stigmas 3. Nutlets narrowly oblong-
ellipsoid, trigonous to subterete, 1-1.1 x
0.3 mm, brown to blackish, ± smooth.
Subtropical and tropical America.
Open, damp places.
Simpson, D. A.
1 7.1. 1 995 (0) Costa. M. A. S. et al. 99 (INPA K MG
MO NY R RB SP U); 8. VI. 1 995 (0) Costa. M. A. S.
& Silva. C. F. 302 (BM G INPA K MBM MG UB
UEC US); 29. XI. 1 976 (fl) Mendonça, S. & Shinia,
D. 24 (INPA).
Additional specimens examined: BRAZIL.
AMAZONAS: Boa Vista road, 48 km N of Manaus
2 1 .IX. 1 980 Lowe 3995 (K); road ZF2, 14 km off Boa
Vista road, 62 km NNW of Manaus 21 .VI. 1 98 1 Lowe
4316 (K); Itacoatiara, 275 km E of Manaus 9. VI. 1 98 1
Lowe 4257 (K).
Cyperus luzulae is recognisable by its
numerous whitish spikelets occurring in densely
crowded clusters in each spike.
3.4 Cyperus surinamensis Rottb., Descr. Pl.
Rar.: 20. 1772; Nees in Mart., Fl. bras. 2(1):
21. 1842; Kük. in Engl., Pflanzenr. 4(20), 101
Heft: 174. 1936.
Annual or perennial. Rhizome short.
Culms tufted, 26-43 cm long, 1.2- 1.5 mm
wide, trigonous to subterete, smooth to
retrorsely scabrid. Leaves: blade linear, 13—
30 cm long, 1.3— 2.5 mm wide, gradually
acuminate, folded; sheath 3-7 cm long,
greenish to pale brown. Involucral bracts 5,
unequal, the longest 14— 18 cm long.
Inflorescence umbel-like, 1-2-times
branched; primary branches 6-12, 0.7-4 cm
long; secondary branches when present 0.3—
0.6 cm long. Spikes half-globose to ± globose,
0. 6-0.8 x 0.8—1 cm. Spikelets 8— 40 per spike,
in loose clusters, lanceolate to linear-oblong,
5—7 x 1.7— 1.8 mm, greenish to yellowish.
Glumes 15-60 per spikelet, deciduous,
lanceolate to ovate-lanceolate, 1 .3-1.5 x0.2-
0.3 mm, obtuse to acute, mucronulate, sides
membranous, 1-2-nerved, greenish to
yellowish, keel similar. Stamen 1; anther
0.5 mm long. Stigmas 3. Nutlets narrowly
ellipsoid, 0.8 x 0.2-0. 3 mm, mid-brown,
minutely papillose.
Subtropical and tropical America.
Moist, open areas.
8.VI.1995 (fr) Costa. M. A. S. & Silva, C. F. 301
(INPA K MG MO NY R RB SP U).
Additional specimen examined: BRAZIL.
AMAZONAS: Manaus, 8 Tr. A, Jardim Haydea
3.IV. 1 98 1 Lowe 4064 (K).
Rotlriguésia 57 (2): 171-188. 2006
SciELO/JBRJ
Flora da Reserva Ducke: Cyperaceae
179
Cyperus surinamensis is closely
related to C. luzulae but differs in often
having scabrid culms and greenish to
yellowish spikelets that are in looser clusters
within the spikes.
4. Diplasia
Robust, rhizomatous perennial herbs.
Rhizome thick, woody. Culms loosely tufted,
central, erect. Leaves basal and cauline,
leathery; ligule 0. Involucral bracts leaf-like,
unequal. Inflorescence umbel-like, 2-3-times
branched. Spikes in clusters of 2-7 at tips of
branches, sessile or shortly pedunculate,
narrowly cylindric comprising many spirally
imbricate, leathery, glume-like bracts (spicoid
bracts) each subtending a partial
inflorescence (spicoid) with a much reduced
axis. Spicoids comprising a naked, terminal
female flower and 5-6 scalc-like floral bracts,
the lowest 2 floral bracts opposite, keeled,
ciliate on keel, the upper bracts ± connate,
each subtending a male flower. Perianth
segments 0. Stamcns 1-3 per male flower.
Stigmas 2. Nutlets ellipsoid, obtusc. slightly
compressed, smooth.
Monotypic genus.
4.1 Diplasia karataefolia Rich. in Pers., Syn.
Pl. 1: 70. 1805: Nees in Mart., Fl. bras. 2(1):
70. 1842.
Perennial. Culms to 3 m long, 6 mm
wide, trigonous, smooth. Leaves: blade linear,
up to 3 m long, 4 cm wide, gradually
narrowed, acuminate leathery; shcath 10-
12 cm long, mid-brown. Involucral bracts 5,
the longest up to 50 cm long. Inflorescence:
primary branches 7 or more, up to 1 6 cm long;
sccondary branches 1.5-5 cm long. Spikes
1. 5-3.5 cm x 2-4.5 mm, pale to mid-brown.
Spicoid bracts ovate, 5. 4-5. 5 x 3.2 mm,
obtuse, pale to mid-brown, margins paler, keel
greenish to brown. Spicoids ± equalling the
spicoid bracts. Floral bracts 3.5-4 mm long,
1 mm wide. Stamens 7-8 per spicoid. Nutlets
6-6.2 x 4.2-5 mm, mid-brown.
Tropical South America.
Forest.
Rodriguésia 57 (2): 171-188. 2006
24. V. 1 967 (si) Albuquerque, B.W.P.& Elias, J. 63
(INPA); 9.XII. 1994 (fr) Cosia, M. A. S. & Nascimento,
J. R. 42 (INPA); 12.X.1966 (fl) P rance, G T et ai.
2632 (INPA); 1 .VII. 1 994 (fl) Ribeiro, J. E. L S. 1335
(K); 28.IV. 1964 (fl) Rodrigues, W. & Loureiro, A.
5801 (INPA); 3.II.1965 (fl) Rodrigues, W. &
Monteiro, O. P 6853 (INPA); 29.1.1998 (fl) Souza,
M. A D. et ai. 541 (INPA).
Additional specimen examined: BRAZIL.
AMAZONAS: ca. 20 km from Manaus 27.X. 1989
Bogner2019( K).
Diplasia karataefolia is unmistakable,
being a very robust plant with large leathery
leaves and an umbel-like inflorescence.
5. Eleocharis
Annual or perennial herbs. Rhizome
short or creeping. Culms terete or angular,
sometimes transversely septate. Leaves
reduced to bladeless sheaths; ligule 0. Involucral
bracts 1*2, glume-like. Inflorescence a single,
terminal spikelct. Spikelet ovoid, ellipsoid or
cylindric. Glumes several to many per spikelet,
± equal in length, usually spirally imbricate,
rarely 2-ranked. Flowers bisexual. Perianth
segments up to 8, bristlc-like, sometimes 0.
Stamens 1-3. Stigmas 2-3. Nutlets trigonous
or biconvex, mostly obovatc; surface smooth,
reticulate (cancellatc), pitted, longitudinally
grooved or transversely ridged; style-base
persistent on nutlets.
About 180 species occurring in tropical
and temperate regions worldwide.
5.1 Eleocharis Jiliculntis Kunth, Enum. Pl.
2: 144. 1837;Svenson, Rhodora39: 266. 1937.
Annual or perhaps short-lived perennial.
Culms tufted, 20-26 cm long, 0.6-0.8 mm
wide, 4-angled with 1-2 ± central channels
down each side of culm. Sheaths 1.3-3 cm
long, apex acute to subobtuse, dark reddish.
Spikelets ellipsoid, to ellipsoid-cylindric, terete,
5-7 x 2-3 mm. Glumes many per spikelet,
oblong, 1.8- 1.9 mm long, 1 mm wide, obtuse
to rounded, sides membranous with broad
membranous margin, pale brown minutcly
reddish-striate, midrib mid-brown. Perianth
segments 6-7, shorter than nutlct. Stamens 2;
SciELO/JBRJ
_2 13 14 15 16 17
cm ..
180
anthers 0.9 mm long. Stigmas 3. Nutlets
obovoid, trigonous, 0.9 x 0.5 mm, apex rounded,
light brown; surface smooth, somewhat shiny;
style-base pyramidal.
Tropical America.
Wet places.
17.1.1995 (fl) Costa, M. A. S. & Nascimento, J. R.
101 (INPA K MG MO NY R RB SP U); 26.1 V. 198 1
(fr) Lowe, J. 4107 (INPA K U1H).
Eleocharis filiculmis can be
distinguished by leaves that are reduced to
bladeless sheaths, a single spikelet on each
culm and nutlets with a prominent pyramidal
style-base.
6. Fimbristylis
Annual or perennial herbs. Rhizome
short creeping. Culms usually tufted, angled,
trigonous or flattened. Leaves basal, bladed
or reduced to bladeless sheaths; blades linear
to filiform, often canaliculate, often cellular-
reticulate on upper surface; ligule sometimes
present, pubescent or membranous. Involucral
bracts leaf-like, setaceous or glume-like.
Inflorescence umbel-like and 1-3 times
branched or capitate or a single spikelet.
Spikelets mostly ovoid or ellipsoid, terete,
angular or ± laterally flattened. Glumes few
to many per spikelet, spirally arranged.
Flowers bisexual. Perianth segments 0.
Stamens 1—3. Stigmas 2—3; style jointed with
ovary and clearly demarcated from it; style
base not persistem on nutlets. Nutlets
trigonous or biconvex, surface variously
pattemed.
Genus of 200 species mostly in the tropics
and subtropics, with the highest number in S.
Asia, Indo-China and Malesia.
6.1 Fimbristylis dichotoma (L.) Vahl, En PI
2; 287.1806.
Scirpus dichotomus L., Sp. Pl. 1: 50. 1753.
Annual or short-lived perennial.
Rhizome short. Culms tufted, 18-50 cm long,
0.5-0.8 mm wide, trigonous, glabrous, smooth.
Leaves basal; blade narrowly linear, 4-16 cm
long, 1.3 mm wide, obtuse, flattish; sheath 2-
12 cm long, sparsely pubescent; ligule a fringe
Simpson, D. A.
of dense hairs. Involucral bracts 2-7, the longest
1-2 leaf-like, 2-8 cm long. Inflorescence
umbel-like, 1-2 times branched, open, 2-8 x
1.5-5 cm; primary branches 2-5, 0.7-6 cm
long. Spikelets 2-14 per inflorescence, solitary,
ovoid to ovoid-ellipsoid, 3—7 mm long, 1.5—
2.5 mm. Glumes many per spikelet, ± equal in
length, spirally arranged, broadly ovate to
suborbicular, 1 .5-3 x 1 .5-2.2 mm, subacute,
mucronate, sides thinly chartaceous, nerves 0,
mid-brown to dark reddish-brown, margins pale-
hyaline, keel obtuse, greenish to pale brown.
Stamen 1. Stigmas 2. Nutlets obovate to
broadly obovate, biconvex, 0.7 x 0.6 mm,
maturing cream or pale brown, deeply cancellate
with 5-6 rows of transversely oblong epidermal
cells on each side.
Tropical (Índia, type), subtropical and
warm-temperate regions worldwide.
Open, damp places.
17.1.1995 (fl) Costa, M. A. S. & Nascimento, J. R.
102 (INPAKMGMONYRRB SP U); 26.1 V. 1981
(fl) Lowe, J. 4104 (INPA).
Fimbristylis dichotoma is a common
weedy species throughout the tropics. The best
character for distinguishing it is the nutlet which
has 5—6 rows of transversely oblong epidermal
cells on each side. It also has an umbel-like
inflorescence with spirally arranged glumes in
each spikelet.
7. Fuirena
Annual or perennial herbs. Rhizome
short or creeping. Culms (3-)4-5-angular,
nodose. Leaves mostly cauline; blade
pubescent or glabrous, 3— 5-nerved; sheaths
closed; ligule 0. Involucral bracts leaf-like,
sheathing at base, equalling or longer than
inflorescence. Inflorescence paniculate, with
few to many clusters of sessile spikelets at few
to several nodes. Spikelets with many glumes.
Glumes ± equal in length, spirally imbricate,
pubescent outside, usually shortly awned, 1—
3-nerved, the lowest 1—3 empty. Flowers
bisexual. Perianth segments 3-6 in 1-2 whorls
each of 3 segments, outer whorl of simple
bristles, sometimes absent, inner whorl of
Rodriguésia 57 (2): 171-188. 2006
SciELO/JBRJ
2 13 14 15 16 17 18
Flora Ja Reserva Ducke: Cyperaceae
181
bristles, blades orclaws. Stamens 2-3. Stigmas
3; style continuous with ovary. Nutlets
trigonous to triquetrous, apex beaked, base
cuneate to stipitate, smooth to trabeculate.
Genus of ca. 30 species in the tropics,
the largest number being in África.
7.1 Fuirena umbellata Rottb., Descr. & Ic.
Rar.: 70. 1. 19 fig. 3. 1773; Nees in Mart., Fl.
bras. 2(1): 107. 1842.
Perennial. Culms up to 60 cm long, 6-
9 mm wide, pubescent below inflorescence.
Leaves 5-7, cauline; blade lanceolate to
linear-lanceolate, 8-12 cm long, 5-15 mm
wide, acute, ciliate at base; sheath 2-5 cm long,
usually glabrous. Inflorescence with 3-12
clusters of spikelets, peduncles whitish-
pubescent. Spikelets ovoid or ovoid-ellipsoid,
± squarrose, 4-8 x 2 mm, acute, brownish-
grcen ordark brownish-green. Glumcs obovate
to ovate-elliptic, 2-2.5 x 1.2— 1.5 mm.rounded,
shortly pubescent, awn 0.8-1 .2 mm long, often
pilose. Perianth segments 3, in 1 whorl only,
obovate or oblong, membranous, truncatc,
subsessile with a vcry short claw at base.
Anthers 0.5-0.7 mm long. Nutlets obovoid to
ellipsoid, 0.8-1 .2 x 0.6-0.7 mm, shiny, smooth
to obscurely wrinkled.
Pantropical.
Opcn, damp or wet places.
7. IX. 1996 Assunção 384 (INPA K); 14. VI. 1988
Santos 926 (INPA K).
Fuirena umbellata is easily distinguished
by its cauline leaves. In addition, the perianth
segments are obovate or oblong, a
characteristic seen in any other Cyperaceae
described hcre.
8. Hypolytrum
Stoloniferous or rhizomatous perennial
herbs. Rhizome usually woody. Culms
central or lateral, the lattcr with cataphylls at
base. Leaves 3-rankcd, basal or cauline;
blade coriaceous, glabrous; pseudopetiole
present or 0; ligule 0. Involucral bracts leaf-
like, basal bract usually longest.
Inflorescence usually paniculate, 1— 2-timcs
branched, more rarely capitate (not in Ducke
RodrigmfsUi 57 (2): 171-188. 2006
taxa) with 1-many spikes. Spikes comprising
many spirally imbricate glume-like bracts
(spicoid bracts) each subtending a partial
inflorescence (spicoid) with a much reduced
axis. Spicoids comprising a naked, terminal
female flower and 2(-3) scale-like floral
bracts, all subtending a male flower, the
lowest 2 floral bracts opposite, keeled.
Perianth segments 0. Stamens 2 per spicoid,
1 per male flower. Stigmas 2-3. Nutlets
sculptured, often with spongy conical apex.
About 50 species, pantropical.
8.1 Hypolytrum schraderianum Nees in
Mart., Fl. bras. 2(1): 65. 1842; T. Koyama,
Darwiniana 16(1-2): 56. 1970.
Perennial. Rhizome short-creeping.
Culms central, 70-96 cm long, 2.2-3 mm
wide, trigonous, smooth. Leaves basal and 2
cauline; blade linear, 90 cm long, 19-28 mm
wide, gradually narrowed, 3-nerved;
pseudopetiole absent; cauline sheaths 5-6 cm
long, mid-brown to reddish-brown. Involucral
bracts 2-3, leaf-like, the longest 25-50 cm
long. Inflorescence an open panicle,
compound, broadly ovoid, 12-16 x 14-16 cm,
comprising up to 12 primary branches each
subtending up to 6 secondary branches
terminating in tertiary branches subtending 1-
3 sessile or shortly talked spikes. Spikes ovoid,
ellipsoid to narrowly cylindric, 4-9 x 1-3 mm,
mid-brown. Spicoid bracts obovate, elliptic-
obovatc 1.5-1. 7 x 0.9-1 mm, rounded, mid-
brown. Spicoids ± equalling or slightly
exceeding the spicoid bracts. Floral bracts 2,
± frce, 1 .4-1 .8 mm long, keel ciliate. Stamens
2 per spicoid. Stigmas 3. Nutlets broadly
ovoid to suborbicular, 1.5-2. 1 by 1-1 mm,
apex conical, irrcgularly longitudinally ridgcd.
Brazil, Colombia, Venezuela.
Forest.
16.111.1995 (fl) Costa. M. 4. S. etal. 163 (INPAK);
16.111.1995 (11) Costa. M. A. S. et al. 164 (NOK);
28.1 V. 1988 (bd) Ramos, J. F. & Lima, R. P. 1887
(INPA K MG NY SP); 2. VI. 1 993 (11) Ribeiro. J. E. L
S. etal. 786 (INPA); 3.VI.1993 (0) Ribeiro. J. E. L.
S. et al. 821 (INPA K); 26.1 V. 1 994 (fr) Vicentini,
A et al. 490 (INPA K MG MO N Y RB SP).
SciELO/JBRJ,
L2 13 14 15 16 17
cm ..
182
Hypolytrum schraderianum is
distinguished by its paniculate inflorescence,
two floral bracts and two stamens per spicoid.
9. Kyllinga
Annual or perennial herbs. Rhizome
short or horizontally creeping. Leaves basal,
3-ranked, the blades elongated or reduced;
ligule 0. Involucral bracts leaf-like.
Inflorescence capitate. Spikes 1-few, sessile,
cylindric, ellipsoid or globose; axis short.
Spikelets numerous, falling entire, crowded,
bilaterally flattened. Glumes several, ± equal
Simpson, D. A.
in length, 2-ranked, strongly laterally flattened,
sides membranous to hyaline, nerves 0-
several, keel strongly acute, sometimes
winged, smooth, spinulose or serrulate.
Flowers 1-5 per spikelet, bisexual or
staminate in upper glume(s). Perianth
segments 0. Stamens 2-3. Stigmas 2; style
continuous with ovary. Nutlets 1-2 per
spikelet, laterally biconvex with one margin
facing the axis.
Genus of ca. 60 species in tropical,
subtropical and warm-temperate regions with
the highest species diversity in África.
Key to the species of Kyllinga in Reserva Ducke
1. Perennial; rhizome long-creeping; spikes 1 per inflorescence j. K. brevifolia
1. Annual; rhizome absent; spikes usually 2—3 per inflorescence 2. K. pumila
9.1 Kyllinga brevifolia Rottb., Descr. Icon.
Rar. Nov. Pl. 13, t. 4, fig. 3. 1773; Nees in
Mart., Fl. bras. 2(1): 15. 1842.
Cyperus brevifolius (Rottb.) Hassk.,
Cat. Hort. Bogor. 24. 1884; Kük. in Engl.,
Pflanzenr. 4(20), 101 Heft: 600. 1936.
Perennial. Rhizome long-creeping.
Culms rather distant in series along rhizome,
7-30 cm long, 1-1.5 mm wide, triquetrous,
smooth. Leaves: blade narrowly linear, 2-
17 cm long, 1-3 mm wide, acute, flattish-
plicate; sheath 1—20 cm long, brownish or
purplish brown. Involucral bracts 2-4, the
longest 3-20 cm long, 1. 7-2.4 mm wide,
sometimes erect. Inflorescence capitate,
globose. Spikes 1(— 3), globose, 0.5-1 x 0.5-
1 cm. Spikelets oblong-lanceolate to elliptic-
lanceolate, 3-3.5 x 1 mm, l(-2)-flowered.
Glumes ovate-elliptic, 1-3.5 mm long, shortly
cuspidate, sides membranous, 5-7-nerved,
pale green to pale brown, keel sparsely
spinulose, green. Stamens 1— 2(— 3); anthers
1 mm long. Nutlets 1-2 per spikelet,
obovate or elliptic, 1-1.5 x 0.5-0.7 mm,
brownish, minutely punctate.
Tropics, subtropics and warm temperate
regions.
Open damp or wet places.
8.VI.1995 (fl) Costa. M. A. S. & Silva. C. F. 303
(INPA K MG MO NY R RB SP UL); 26.IV. 1 98 1 (fl)
Lowe, J. 4099 (INPA K UIH); 1 4.XII. 1 966 (fl) Prance.
GT. et al. 3638 (INPA).
Kyllinga brevifolia is a common
pantropical weed and is recognised by its
creeping rhizome with culms that are rather
distant along the rhizome.
9.2 Kyllinga pumila Michx, Fl. bor.-amer.
1: 28. 1803; Nees in Mart., Fl. bras. 2(1):
20. 1842.
Cyperus densicaespitosus Mattf. &
Kük. in Engl., Pflanzenr. 4(20), 101 Heft:
597. 1936.
Annual. Rhizome absent. Culms 14-
30 cm long, 0.4— 0.6 mm wide, trigonous to ±
terete, smooth. Leaves: blade narrowly
linear, 3-9 cm long, 0.7-1 .7 mm wide, flattish
to boated-shaped in cross section; sheath 2.5—
5 mm long, dark reddish-brown. Involucral
bracts 4, the longest 5-7 cm long, 0.6-1 mm
wide. Inflorescence capitate, globose. Spikes
usually 3, broadly ovoid to subglobose, 5 x
4 mm; spikelets lanceolate, 2 x 0.5 mm. 1-
flowered. Glumes ovate-lanceolate, 1.5-2 x
1 mm, shortly cuspidate, sides membranous,
sides 3-4-nerved, pale green, keel somewhat
winged spinulose. Stamen 1; anthers 0.3 mm
Rodriguésia 57 (2): 171-188. 2006
SciELO/JBRJ
.2 13 14 15 16 17
cm
Flora da Reserva Ducke: Cyperaceae
long. Nutlets 1 per spikelet, elliptic-obovate,
1 x 0.5 mm, greenish-brown, minutely
puncticulate.
Tropical America and África.
8. VI. 1995 (fr) Costa, M. A. S. & Silva, C. F. 305 (G
INPA K MG MO N Y R RB SP U).
Open, damp places.
Kyllinga purnila is an annual species
without a rhizome and often has three spikes
per inflorescence.
10. Mapania
Stoloniferous or rhizomatous perennial
herbs. Rhizome woody. Culms central or
lateral (arising from lower leaf axils orbelow
the leaves), the latter with cataphylls at base.
Leaves 3-ranked, basal or cauline; blade
linear to oblong, coriacous; pseudopetiole
present or 0; ligule 0. Involucral bracts leaf-
like in capitate and centrally culmed species,
183
otherwise glume-likc. Inflorescence
paniculate, capitate with few to many spikes
(in Ducke taxa) or a single spike only. Spikes
comprising few-many spirally imbricate
glume-like bracts (spicoid bracts), each
subtending a partial inflorescence with a much
reduced axis (spicoid). Spicoid comprising a
naked, terminal female flower and 4-6 scale-
like floral bracts, the lowest 2 opposite, keeled,
the lowest 3 subtending a male flower the
remainder empty. Perianth segments 0.
Stamens 1-3 per spicoid, 1 per male flower.
Stigmas 2-3. Nutlets with a hard or succulent
exocarp, smooth or sculptured, lateral costae
or furrows 0 or 2-3.
Genus of 80 species, Sri Lanka and N.
índia, S. China, Indo-China, Malesia, north-
eastern Australia and Polynesia; also in
tropical África, S. Central America and N.
South America.
Key to the species of Mapania in Reserva Ducke
1 . Leaves reduced to bladeless sheaths; involucral bracts elliptic to elliptic-obovate
3. M. sylvatica
1 . Leaves with a linear blade; involucral bracts linear.
2. Leaves more than 2 cm wide; inflorescence reddish-brown; nutlet without spongy apex and
dark brown spot towards base 1. M. pycnocephala
2. Leaves up to 2 cm wide; inflorescence whitish; nutlet with spongy apex and dark brown spot
towards base 2. M. pycnostachya
10.1 Mapania pycnocephala subsp.
fluviatilis (Sandwith) T. Koyama, Mem. N.Y.
Bot. Gard. 17: 66. 1967; D. A. Simpson, Rev.
gen. Mapania: 152. 1992.
Mapania fluviatilis Sandwith, Kew Buli.
1933:495.1933.
Perennial. Rhizome short. Culm central,
35-70 cm long, 1.9-4. 5 mm wide,
subtriquetrous, glabrous. Leaves basal; blade
linear, rarely linear-oblong, 27—1 12 cm long,
2. 1-7.6 cm wide, narrowed, acuminate, base
narrowed into pseudopetiole, 1 (— 3)-ntrvcd,
pseudopetiole 5-22 cm long; sheath 12-18 cm
long, dark reddish-brown. Involucral bracts
3-4, leaf-like, linear, 8-89 x 0.2-7.7 cm, basal
bract longest. Inflorescence capitate, half-
globose to globose, 2-6.5 cm wide, mid-
Rodriguésia 57 (2): 171-188. 2006
reddish-brown, with numerous spikes. Spikes
linear to elliptic, up to 1.5 cm long, often
indistinct. Spicoid bracts linear-lanceolate or
lanceolate, 6. 5-7.7 x 1. 4-2.8 mm, acute,
mid-reddish-brown. Spicoids shorter or ±
equalling spicoid bracts. Floral bracts 4, free
to ± connate, lower 2 bracts linear, 6.2-7. 3 x
0.6-1. 2 mm, kccl usually narrowly winged,
glabrous to sparsely hispid. Stamens 2 per
spicoid, anthers linear, linear-oblong, 2.3-
3 mm long; stigma branches 2. Nutlets
obovoid to globose, 1-1.5 x 0.9-I.4 mm,
rounded, apex apiculatc, not spongy; surfacc
smooth, light greenish or brown at first,
becoming uniformly dark brown and without
a dark brown spot towards base, often shiny,
lateral costae 2, indistinct.
SciELO/JBRJ
12 13 14 15 16 17
cm
184
South America: Venezuela, Guyana,
French Guiana and Brazil.
Forest.
30. VII. 1996 (fl) Lucefío, M. & A. P. Mendes 01
(INPA).
Additional specimens examined: BRAZIL.
AMAPÁ: Rio Amapari, Serra do Navio, along trail
to Rio Araguary, 19.XI.1954 Cowan 38439 (NY);
Rio Vila Nova, 8.XII. 1 976 Ribeiro 1659 (NY UPS);
Tumucumaque, 2.5 km NNW of Mitaraka, 1. IX. 1972
de Granville 1449 (CAY NY); AMAZONAS: Rio
Negro, São Gabriel de Cachoeira, 21.X.1978
Madison et al. 6534 (AAU K NY); 40 km from São
Gabriel 2 1 .X. 1 978 Nascimento 712 (NY UPS).
Mapania pycnocephala subsp.
fluviatilis is distinguished by its reddish-brown
inflorescence with numerous spikes and two
stamens per spicoid. Material from Costa Rica
to western Venezuela is assigned to subsp.
pycnocephala which has shorter spicoid bracts
and a nutlet surface that is shallowly rugulose.
10.2 Mapania pycnostachya (Benth.) T.
Koyama, Mem. N.Y. Bot. Gard. 17: 61. 1967;
D. A. Simpson, Rev. gen. Mapania : 165
1992.
Diplasia pycnostachya Benth., J. Linn
Soc. 15:512. 1877.
Hypolytrum condensatum C.B. Clarke,
Kew Buli. Add. Ser. 8: 50. 1908, nom. superfl.
Perennial. Rhizome short. Culm central,
35—50 cm long, 2.2— 2.9 mm wide, trigonous,
scabrid. Leaves basal; blade linear, 49—82 x
1.4-2 cm, gradually narrowed, acuminate,
base gradually narrowed into pseudopetiole,
1-nerved; pseudopetiole 2.5-8 x 0.4-6 cm;
sheath 5-7 cm long, greenish to reddish-
brown. Involucral bracts 3(-4), leaf-like,
linear, 5—67 x 0.2—2 cm , basal bract longest.
Inflorescence capitate, globose, 1 .5-2.5 cm
in diam., whitish, with up to 20 spikes. Spikes
ovate, 1 x 0.5 cm, usually indistinct. Spicoid
bracts lanceolate, 6.8-8 cm x 1. 9-2.7 mm,
acute, light brown. Spicoids ± equalling spicoid
bracts. Floral bracts 4, free, lower 2 bracts
lanceolate, 6.8-8 x 0. 9-1.1 mm, keel
glabrous. Stamen 1 per spicoid, anther linear-
oblong, 2-2.3 mm long, cream; stigma
branches 2. Nutlets 2-sided, ovoid or ellipsoid,
Simpson, D. A.
3. 5-4.5 x 1.5- 1.9 mm, apex spongy, acute;
surface smooth or slightly wrinkled, shiny, light
brown, with a dark brown spot towards base,
lateral costae absent.
South America: Southern Venezuela and
northem Brazil.
Margins of streams in forest.
14.IX.1971 (fr) Prance, GT.et al. 14744 (F INPA K
NYUUS).
Mapania pycnostachya has a whitish
inflorescence, one stamen per spicoid and a
nutlet with a spongy section at the apex and
distinct brown spot towards the base.
10.3 Mapania sylvatica Aubl. subsp.
sylvatica , Hist. Pl. Guiane Fr. 1: 47; 3: t.17.
1775; D. A. Simpson, Rev. gen. Mapania:
43. 1992.
Perennial. Rhizome short. Culm
central, 21—60 cm long, 1.4— 2.9 mm wide,
terete to subtrigonous, glabrous. Leaves
reduced to bladeless sheaths; sheaths 2.5—
18 cm long, dark reddish. Involucral bracts
3(— 4), leaf-like, narrowly elliptic or elliptic-
obovate, 1 1—30 x 3.2—6 cm, ± equal in size.
Inflorescence terminal, with 1-2, rarely
more spikes. Spikes elliptic to oblong, rarely
oblong-lanceolate, 1.2-2.7x 0.8-1.4cm,
distinct. Spicoid bracts narrowly oblong, 5.5-
6.5 x 1.4-2. 2 mm, acute, often somewhat
cucullate, often splitting longitudinally,
reddish-brown. Spicoids ± equalling or
exceeding spicoid bracts. Floral bracts 6,
free, lowest 2 bracts linear or linear-
lanceolate, 6. 3-7. 9 x 1.2-1. 5 mm, acute,
sometimes cucullate, reddish-brown, keel
sparsely to densely ciliate. Stamens 3 per
spicoid, anthers linear, linear-oblong, 1.3-
2.4 mm long; stigma branches 3. Nutlets
obovoid to subglobose, 1.5-2. 5 x 1.1-
1.5 mm, rounded, shortly apiculate; surface
strongly longitudinally ridged, with connecting
horizontal ridges, green at first, becoming dull
olive brown or dark brown, lateral costae 3.
Northem South America.
Wet forest, often near to water.
19.1.1995 (fl) Costa, M. A. S. & Nascimento, J. R.
111 (INPA K MG MO NY SP); 4.VIII.1994 (fr)
Rodriguésia 57 (2): 171-188. 2006
SciELO/JBRJ
12 13 14 15 16 17
Flora da Reserva Duche: Cyperaceae
185
Ribeiro. J. E. L S. & Silva. C. F. 1389 (INPA K MG,
MO NY RB SP); 1. XII. 1956 (fl) Rodrigues, W. &
Chagas, J. 1470 (INPA); 8.X.1963 (fl) Rodrigues,
W 5493 (INPA).
Mapania sylvatica subsp. sylvatica is
an unusual species with leaves reduced to
bladeless sheaths and elliptic to elliptic-obovate
involucral bracts. The inflorescence usually has
1-2 spikes, there are six floral bracts per spicoid
and the nutlet is obovoid to subglobose.
11. Pleurostachys
Perennial herbs. Rhizome short-
crecping. Culms noded. Leaves mostly
cauline, a few basal and often reduced to a
bladeless sheath. Involucral bracts usually
leaf-like. Inflorescence paniculate; partial
inflorescences corymbose to umbel-like,
rarely contracted. Spikelets small, usually
terete. Glumes several to many, spirally
imbricate or rarely distichous, the basal
glumes small, empty, the remaindergradually
inceasing in lcngth towards the spikelet apex,
with the middle 3-7 glumes subtending a
flower and the upper few empty. Flowers
bisxual. Perianth segmcnts 3-6, upper part
ciliate to fimbriatc, lower part scabrid.
Stamens 3. Stigmas 2. Nutlets biconvex,
often rugose; style base persistent often
thickened.
Genus of ca. 30 species, subtropical and
tropical S. America.
11.1 Pleurostachys sparsiflora Kunth, Enum.
Pl. 2: 286. 1837.
Nemochloa sparsiflora (Kunth) Nees
in Mart., Fl. bras. 2(1): 151. 1842.
Perennial. Rhizome woody. Culms
somewhat distant, usually hidden by cauline
leaf sheaths, 17-37 cm long, 1. 5-2.5 mm
wide, trigonous, smooth. Leaves: blade linear,
27-35 cm long, 4-6 mm wide, gradually
narrowed, acuminate, flat, green; sheath 3—
3.5 cm long, green to pale brown. Involucral
bracts leaf-like up 30 cm long. InHorcscence
paniculate; nodes 6-8, distant, each
subtending 1-2 partial inflorescences, partial
inflorescences corymbose, simple to
Rodriguésia 57 (2): 171-188. 2006
compound, 10-19 cm long; primary branches
filamentous, 4-8 cm long; secondary branches
1-2.5 cm long. Spikelets 1-2 per
inflorescence branch, obovoid, 2-3.5 x 1.3-
2 mm, obtuse, mid-brown. Glumes ovate,
2 mm long, 1 mm wide, obtuse, membranous,
mid-reddish-brown. Nutlets broadly ovate,
2.8-3 x 1.6-1. 8 mm, rounded, mid-brown,
surface irregular, style base conical, blackish.
Tropical South America.
Forest.
17.1. 1995 (fl) Costa, M. A. S. & Nascimento, J. R. 103
(INPA K MG MO NY R RB SP U); 17.V.1988 (fr)
Coelho, D. & Lima, R. P. 52-D (INPA K MG MO NY
RB SP); 7.VIII. 1995 (st) Nee, M. 46211 (K).
Additional spccimen examined: BRAZIL. PARA:
Itatuba 17.XI.1978 Silva et al. 3799 ( K).
Pleurostachys sparsiflora is recognised
by its corymbose partial inflorescences that
have Filamentous branches and small spikelets
bome singly at the tips of the branches.
12. Rhynchospora
Annual or perennial herbs. Culms
central. Leaves basal and/or cauline;
bladcs linear to lanceolate; sheaths closed;
ligule 0. Involucral bracts usually leaf-like.
Inflorescence capitate or paniculate;
partial inflorescences umbel-like or
corymbose. Spikelets lanceolate, ovate to
elliptic, flattened to terete. Glumes 5-9
(rarely more), 2-ranked or spirally
imbricate, membranous to chartaceous, 1-
nerved, the basal 2-3 glumes, empty and
small, the remainder gradually inceasing in
length towards the spikelet apex, with a
single flower, the uppermost glume often
empty. Flowers either all bisexual, the
upper ones not maturing a nutlet, or lower
1-few bisexual and upper ones male, or
unisexual with the lowest femalc and upper
one(s) male. Perianth segments 0-6, rarely
more, bristle-like, upwardly or rctrorsely
scabrid, rarely smooth. Stamens ( 1 — )2— 3.
Stigmas 2 or style undivided. Nutlets
biconvex, smooth, canccllate, rugose or
sometimes spinose; style base persistent,
variously-shaped.
SciELO/ JBRJ
2 13 14 15 16 17 18
cm
186
Over 250 species in temperate and
tropical regions, with the greatest concentration
of species in tropical and subtropical South
America.
12.1 Rhynchospora pubera (Vahl) Boeck
subsp. pubera, Linnaea 37: 528. 1872,.
Dichromena pubera Vahl subsp.
pubera , Enum. Pl. 2: 241. 1806.
Perennial. Culms tufted, 7-28 cm long,
0.4-0. 7 mm wide, terete to ± trigonous,
smooth. Leaves basal; blade linear, up to
19 cm long, 1—2.5 mm wide, gradually
narrowed, subacute, flattish to folded; sheaths
up to 1-3 cm long, pale brown. Involucral
bracts 4, leaf-like, greenish to whitish at base,
the Iongest up to 8 cm long. Inflorescence
capitate, ovoid to subglobose, 0.7-0.9 x 0.7-
1 cm. Spikelets 2-6, lanceolate, ± terete, 0.7-
0.8 cm x 2-3 mm, white. Glumes 8-10, ovate
to lanceolate, 5.5-6 x 2.2-2.4 mm, white, keel
often ciliolate. Perianth segments 0. Stamens
3; anthers 3 mm long. Stigmas 2. Nutlets
lenticular, widely obovate, 2.5 mm long, 1 .2 mm
wide, mid- to very dark brown, transversely
rugose; style-base very shallowly triangular.
Northern South America, mostly E. of
Colombia and Peru.
Open, damp places.
8.VI.1995 (fl) Costa, M. A. S. & Silva, C. F 304
(1NPA K MG MO NY RB SPU); 26.IV. 198 1 (fl) Lowe
7.4101 (INPA).
Rhynchospora pubera subsp. pubera
Simpson, D. A.
is distinguished by its white spikelets and the
lenticular nutlets with a shallowly triangular
style-base and transversely rugose surface. It
is one of a number of species in the genus
Rhynchospora that are insect-pollinated.
13. Sc leria
Annual or perennial herbs. Rhizome
usually woody, often knotted. Culms solitary
or tufted, usually erect, sometimes climbing
or scrambling. Leaves basal and/or cauline,
the latter sometimes apparently in whorls;
blade mostly linear; sheath closed, often 3-
winged; Iigule 0; contraligule usually present.
Inflorescence usually paniculate, bearing a
terminal and 0-several lateral partial
inflorescences, occasionally reduced and
spike-like or capitate. Spikelets unisexual or
bisexual; bisexual spikelets with terminal
female flower and 1-several lateral male
ones; female spikelets with a single female
flower and 1-several lateral glumes (reduced
male flowers); male spikelets with several to
many glumes. Glumes spirally arranged or 2-
ranked. Flowers unisexual. Perianth segments
0. Stamens 1-3 per male flower. Stigmas 3;
style continuous with the ovary, deciduous.
Nutlets not spongy, not enclosed by a
membranous sac, terete or subtrigonous, mostly
globose, ovoid or subpyramidal, with bony
pericarp and a stipe-like, 3-lobed or cup-like,
rarely indistinct disk attached at the base.
Key to the species of Scleria in Reserva Ducke
!• PjantecHmWngortrailing; disk atnutlet base an irregular ring 3 5 secms
1 . Plants erect, not climbing; disk at nutlet base 3-lobed, the lobes rounded^fímbriaie
2 "1()rescence spike-like; leaf blade 15 mm or more wide; disk-lobes fimbriate ... 1 . S. csperina
. Inflorescence elongated; leaf blade up to 5 mm wide; disk-lobes rounded ..2. S. melaleuca
13.1 Scleria cyperina Kunth, Enum Pl 2-
345. 1837.
Erect perennial. Rhizome creeping.
Culms to 37 cm long, 1.5— 2.5 mm wide,
triquetrous, glabrous. Leaves cauline; blade
linear, to 52 cm long, 15-17 mm wide, gradually
narrowed, narrowly obtuse, flattish; sheath 7-
9 cm long, pale brown to reddish-tinged;
contraligule broadly obtuse, glabrous often
with a broad, membranous apex. Lowest
involucral bract leaf-like, up to 26 cm long;
upper bracts indistinct, setaceous.
Rodriguésia 57 (2): 171-188. 2006
SciELO/JBRJ
L2 13 14 15 16 17
Flora da Reserva Ducke: Cyperaceae
187
Inflorescence paniculate, but appearing spike-
like, 8-10 x 4-8 cm; nodes 12-22, crowded
or the lowermost one distant, each subtending
a single partial inflorescence or the upper ones
a single male spikelet. Spikelets female and
male, solitary; female spikelets sessile, obovoid,
5-6 mm long; male spikelets pedunculate,
oblong-lanceolate, 4-5 mm long, peduncle up
1 mm long. Female glumes elliptic-ovate, 5-
7x2 mm, acute, sides coriaceous, very dark
reddish, keel slightly palerorgreenish. Stamen
1. Nutlcts obovoid-globose, terete-trigonous,
3.2 x 2 mm, rounded, dark purplish above white
below, indistinctly reticulate, rather shiny,
sparsely pubescent below; disk 3-lobed, the
lobes fimbriate.
Tropical South America.
Open areas.
20.1.1995 (fr) Costa. M. A. S. & Nascimento, J. R.
113 (INPA K MG MO NY RB SP).
Additional specimen examined: BRAZIL.
AMAZONAS: Manaus-Pôrto Velho highway, km
245 13. III. 1974 P rance et ai 20463 (INPA NY K).
Scleria cyperina has rather broad leaves
and a crowded spike-likc inflorescence. The
disk-lobes at the nutlet base are fimbriate.
13.2 Scleria melaleuca Rchb. ex Schltdl. &
Chain., Linnaea 6: 29. 1831; Nees in Mart.,
Fl. bras. 2(1); 178. 1842.
Scleria pratensis Lindl. ex Nees, in
Mart., Fl. bras. 2,1: 179. 1842.
Erect perennial. Rhizomc short-
creeping. Culms to 19 cm long, 1 mm wide,
subtriquetrous, glabrous to pubcrulent. Leaves
mostly cauline; blade linear, 15-28 cm long,
5 mm wide, gradually narrowed, obtuse, Hat
to plicate; sheath 6—9 cm long, pale brown to
reddish; contraligule shallowly rounded,
pubescent. Lowest involucral bract lcaf-like,
up to 26 cm long, upper bracts rather indistinct,
sctaceous. Inflorescence elongated, narrowly
paniculate, open, 14— 26 x 2 cm; nodes 3—4,
each subtending a single partial inflorescence,
partial inflorescence sessile or shortly
pedunculate, ovate-lanceolate, 2—8 cm long,
decreasing in size towards apex. Spikelets
female and male, solitary or in groups of 2-3;
Rodriguésia 57 (2): 171-188. 2006
female spikelets sessile, obovoid, 3-3.5 mm
long; male spikelets shortly pedunculate,
oblong-lanceolate, 3.5 mm long. Female glumes
elliptic-ovate, 3x2 mm, acute, sides
coriaceous, dark reddish-brown, keel green.
Stamen 1. Nutlets globose, terete, 2.5 x 2 mm,
rounded, dark purplish above white below,
smooth, shiny, sparsely pubescent below; disk
3-lobed, the lobes rounded.
Subtropical and tropical America, tropical
África, Madagascar.
Open, damp areas.
8. VI.1995 (fr) Costa, M. A. S. & Silva, C. F. 306
(INPA K MG MO N Y R RB SP U).
Scleria melaleuca has narrow leaves
and an elongated inflorescence. The disk-lobes
are rounded.
13.3 Scleria secans (L.) Urb., Symb. Ant.
2(1): 169. 1900.
Schoenus secans L., Syst. Nat. 10,2: 1759.
Climbing or trailing perennial. Rhizome
creeping, knotted. Culms upto 10 m long, 1.5-
2.5 mm wide, triquetrous, glabrous to scabrid.
Leaves cauline; blade linear, 28 cm long, 4-
5 mm wide, gradually narrowed, acuminate, flat
to plicate, margins sharply minutely toothed;
sheath 3-5.5 cm long, pale to mid-brown,
pubescent above; contraligule obtuse,
pubescent. Lowest involucral bract leaf-like,
up to 21 cm long, upper bracts leaf-like to
setaceous. Inflorescence elongated, narrowly
paniculate, open, 13-14 x 1-2 cm; nodes 7-
9, each subtending a single partial
inflorescence; partial inflorescence sessile to
pedunculate, 0.5-5 cm long. Spikelets female
and male, solitary or sometimes male spikelets
in groups of 2; female spikelets sessile,
obovoid, 5-6 mm long; male spikelets shortly
pedunculate, narrowly-lanceolate, 4 mm long.
Female glumes broadly clliptic, 5x3 mm, acute,
sides coriaceous, green or brown with dark
reddish-brown margins, keel green. Stamen 1.
Nutlcts ovoid, terete-trigonous, 2.8 x 2.5 mm,
rounded, white, smooth, shiny; disk forming an
irregular ring.
Tropical America.
Open areas.
SciELO/JBRJ
2 13 14
188
Simpson, D. A.
cm
10.V.1988 (fr) Coêllio, D. & Uma, R. P. 54-D (INPAK).
Additional specimens examined: BRAZIL.
AMAZONAS: 50 km NE of Manaus, 1.V.1981 Lowe
4113 (INPA K); MINAS GERAIS: Serra do Espinhaço,
Lapinha, 24.11. 1968 Irwin etal. 20768 (K NY).
Scleria secans is one of the few climbing
species of Cyperaceae and may ascend up to
10 m. The minutely toothed leaf-margins easily
lacerate the skin. The disk forms an irregular
ring around the nutlet base.
Rodriguésia 57 (2): 171-188. 2006
.SciELO/ JBRJ
12 13 14 15 16 17
Flora da Reserva Ducke, Amazonas, Brasil: Erythroxylaceae
Ghillean T Prance 1
Schulz, O. E. 1907. Erythroxylaceae. In: A. Engler(ed.). Das Pflanzenreich4(134): 1-176.
Plowman, T. 1 989. Erythroxylaceae. In: G Harling & L. Andersson (eds.). Flora of Ecuador 36:1-32.
Shrubs and smaü trees. Leaves
altemate, glabrous, entire, petiolate. Stipules
present, often large and persistent on twigs or
caducous. Flowers hermaphrodite, bomc solitary
or in axillary fascicles, arising from the axils of
small scarious bracteoles, pedicellate,
actinomorphic, often heterostylous. Calyx lobes
5, valvate. Petals 5, free, altemate with sepals,
imbricate in bud, usually with appendages on
adaxial surface. Stamens 10, United at base to
forni a short tube; anthers longitudinally dehiscent.
Ovary superior, 3(-2) locular, usually with only
one locule developing, one ovule per loculus,
pendulous, epitropous; styles 3— (2) free or
connate at base; stigmas capitate. Fruit of small
one-seeded drupes, with or without endosperm.
The family consists of 4 genera and about
260 species. Three genera are confined to
tropical África and Erythroxylum , with 250
species, occurs in the Neotropics, África, Asia
and Australia. Three species of Erythroxylum
are known to occur in the Reserva Ducke.
The family is best known for the species
Erythroxylum coca Lam., the source of
cocaine. This is mainly a highland species of
the Andean montane forest, but the lowland
variety ipacltt is cultivated by tribes in western
Amazônia.
The family is closely related to the
Linaceae and the Humiriaceae.
1. Erythroxylum
Erythroxylum P. Browne, Civ. Nat. Hist.
Jamaica 1: 278. 1756.
Glabrous shrubs or small trees. Twigs
compressed at apex and often bearing
persistent, distichous, imbricated cataphylls
and foliar stipules. Stipules intrapetiolar,
bicarinate, often setulose at apex, persistent
or caducous. Leaves entire, petiolate.
Flowers small, solitary or in fascicles, arising
from axils of persistent, small, scarious,
cymbiform bracteoles, pedicellate,
actinomorphic, heterostylous (and rarely
unisexual). Petals with appendages on adaxial
surface and with a 2-lobed ligule. Stamens
10, borne in two whorls of 5, the outermost
alternating with the petals, the filaments uniled
at base to form a short tube which surrounds
the ovary. Ovary 3-Iocular, but with the single
ovule in only one loculus, pendulous,
anatropous, epitropous; styles 3, free or partly
connate at base; stigmas capitate. Fruit a
small, fleshy, single-seeded drupe.
Type species; Erythroxylum areolatum L.
Key to the species of Erythroxylum in Reserva Ducke
1 . Stipules 8-30 mm long, tapering to a long point, usually persistent.
2. Leaf laminas 15-26 cm long, stipules caducous and not fraying; calyx 4-6 mm long, the
marginsof lobes ovcrlapping or touching at anthesis 2. E. macrophyllum
2. Leaf laminas 5.5-13 cm long, stipules persistent, becoming fraycd and paleaceous; calyx
2 mm long, the margins of lobes not touching oroverlapping 3. E. mucronatum
1. Stipules obtuse, 3-5 mm long, caducous 1 . E. citrifolium
'Royal Botanic Gardcns, Kew, Richmond, Surrey,TW3AB, UK.
SciELO/JBRJ
12 13 14 15 16 17
190
Prance, G T.
1.1 Erythroxylum citrifolium A. St.-Hil., Fl.
bras. Mer.: 94. 1829.
Erythroxylum acutifolium Steud. ex
Peyr., in Mart. Fl. bras. 12(1): 164. 1878.
Erythroxylum micranthum Bong. ex
Peyr., in Mart. Fl. bras. 12(1):
Erythroxylum paraensis Peyr., in Mart.
Fl. bras. 12(1): 164. 1878.
Erythroxylum duckei Huber, Boi. Mus.
Goeldi 5: 416. 1909.
Erythroxylum micranthum Bong. ex
Peyr., in Mart. Fl. bras. 12(1): 164. 1878.
Shrub or tree to 15 m tall; twigs smooth,
with dark reddish to grey-brown bark. Cataphylls
5-7, scattered at base of shoots, caducous. Leaf
laminas oblong-elliptic 7-14 x 2.5-4.5 cm,
acuminate at apex, the acumen 2-10 mm long,
subcuneate at base, subcoriaceous, glabrous on
both surfaces; midrib prominent on both surfaces,
the secondary nerves obscure above, prominulous
beneath; petioles 4-6 mm long. Stipules 3-5 mm
long, oblong-lanceolate, membranaceous, densely
longitudinally striate-nerved, caducous. Bracteoles
0.5-2 mm long, lightly striate-nerved, acute or
obtuse at apex. Flowers hermaphrodfte,
numerous in axils of leaves or cataphylls on mature
twigs; pedicels 3-5 mm long, 5-ribbed. Calyx ca.
1 .5 mm long, the lobes triangular to ovate-
lanceolate. Staminal tube Vi as long to equalling
calyx lobes, ± 1 mm long, füaments ± 2.5 mm long.
Drupe7-13 mmlong,oblong,4-5 mmdiam.,red.
Type: St. Hilaire 755, Brazil, Goiás, Villa Boa,
fl (holotype, P; isotypes, MPU P).
A widespread species from Nicaragua
and Panama to Southeastem Brazil also in the
Guianas, Peru and Ecuador.
28. IX. 1995 (fl) Sothers, C. A. & Pereira, E. C. 584
(INPA K MG MO NY RB SPU UB); 6.X11. 1995 (fr)
Sothers, C. A. & Pereira, E. C. 693 (BM G IAN
INPA K MBM SPF UEC US); 22.11. 1 996 (fr) Sothers,
C. A. et al. 796 (IAN INPA K MO N Y RB SP U UB).
I. 2 Erythroxylum macrophyllum Cav.,
Diss.: 401, t. 227. 1789.
Erythroxylum floribundum Mart., Beitr.
Erythroxylon: 118. 1840.
Erythroxylum amplurn Benth., London
J. Bot. 2: 372. 1843.
Erythroxylum fdipes Huber, Boi. Mus.
Goeldi 5: 415. 109.
Shrub or small tree to 12 m tall; twigs
with greyish bark. Cataphylls 4-10, scattered
at base of new shoots similar to stipules. Leaf
laminas oblong to oblong-elliptic, 15—20 x 5—
12 cm, acuminate at apex, the acumen 5-
10 mm long, cuneate at base, coriaceous,
glabrous on both surfaces, drying ferrugineous
beneath; midrib prominulous above, prominent
beneath, secondary nerves prominulous on both
surfaces; petioles 8—12 mm long. Stipules 8-
20 mm long, lanceolate, tapered at apex to an
acute point, often 2—3 setulose, longitudinally
striate, scarious-membranaceous. Bracteoles
persistent, 2-3 mm long, striate-nerved,
acuminate, 1 -setulose. Flowers hermaphrodite,
numerous in axils of leaves or cataphylls;
pedicels 4—12 mm long, 5-ribbed. Calyx 4—
6 mm long, the lobes ovate to oblong-ovate,
abruptly acuminate at apex. Staminal tube less
•than half length of calyx-lobes. Drupe 10—1 1
x 4.5-5.5 mm, red.
Type: Stoupy s.n., French Guiana (holotype, MA).
A widespread species from México to
Bolivia and throughout the Guianas and
Amazônia.
1 5 X1. 1 995 (fr) Assunção, PA.C.L& Souza, M. A.
D. 250 (INPA K MG MO NY RB SP U UB);
15.XII.1995 (bd) Assunção, P A. C. L 297 (INPA K
MG NY); 1 5.XU. 1 995 (bd) Assunção, P.A.C.L 298
(INPA K MO); 18.XII.1975 (fr) Coêlho, D. 733
(INPA); 1 9.1. 1 990 (fr) Gentry, A. H. &Nelson, B. W.
69306 (INPA); 8.XI1. 1994 (fl) Hopkins, M. J. G et
al. 1512 (INPA K MG NY); 29.XI.1976 (fl) Usboa.
Rodriguésia 57 (2): 189-191. 2006
SciELO/JBRJ
2 13 14
Flora da Reserva Ducke: Erythroxylaceae
191
P. 855 (INPA); 28.XI. 1994 (fl) Nascimento, J. R. &
Silva, C. F. 668 (G IAN INPA K NY RB SP U UFMT
US); 13.XII.1963 (fl) Rodrigues, W. & Coelho, D.
5601 (INPA); 3.1. 1964 (fl) Rodrigues, W. & Monteiro,
O.P. 5656 (INPA); 27.III.1995 (fr) Sothers, C. A. &
Vicentini, A. 372 (INPA); 12.X.1995 (fr) Sothers, C.
A. & Pereira. E. C. 626 (BM G INPA K MBM MG
SPFUECUS); 15.1. 1996 (ff) Sothers, C.A. 724 (INPA
K); 2 1 .XI. 1 997 (fl) Sothers, C. A. & Assunção, P. A.
C. L. 1048 ( B GH IAN INPAKUEC); 8.II.1995 (fl)
Vicentini, A. et al. 856 (COL F INPA K MBM MG
NY SPFUB VEN); 18.IX.1995 (fl) Vicentini, A. &
Silva. C. F. 1030 (BM INPA K).
1.3 Erythroxylum mucronatum Benth.,
London J. Bot. 2: 372. 1843.
Erythroxylum kirkianum O. E. Schulz,
Fedde’s Repert. Spec. Nov. Regni Veg. 30:
179. 1932.
Erythroxylum albertianum Kuhlmann &
Rodrigues, Publ. Inst. Nac. Pesq. Amaz. Bot.
5:3. 1957.
Shrub or small tree to 15 m tall; twigs
with reddish brown or dark brown bark.
Cataphylls 4-5, scattered at base of shoots,
similar to stipules. Lcaf laminas clliptic to oblong-
elliptic, 5.5-13 x 2-5 cm, finely acuminate at
apex, the acumen 8-12 mm long, cuneate at
base, subcoriaceous, glabrous on both
surfaces; midrib prominulous above, prominent
beneath; secondary nerves prominulous on both
surfaces; petioles 2-5 mm long. Stipules 10-
30 mm long, persistent, lanceolate, tapered to
apex to an acute point, usually 3-setulose, the
setae finely filamentous, longitudinally striate,
scarious-membranaceous. Bracteoles 1-
2.5 mm long, acuminate at apex, 1-setulose,
striate-nerved. Flowers hermaphrodite,
numerous in axils of leaves or cataphylls;
pedicels 2-5 mm long, 5-ribbed. Calyx ca.
2 mm long, the lobes narrowly triangular to
ovate, acuminate at apex. Staminal tube V2-3á
as long as calyx lobes. Drupe 12-14 x 4-
5 mm, red when mature, when immature
drying subclavate.
Type: Schomburgk 766, Guyana, Potaro River, fl
(holotype, K; isotypes, BM CGE K NY P W).
A widespread species from Colombia to
the Guianas, Amazónia, Peru, Ecuador,
Bolivia.
29.IX.1995 (fDStfí/iery, C.A. etal. 5 glabrous, fleshy. Seed ellipsoid to
obovoid, strongly laterally compressed, with a
hard shining woody testa; scar narrowly
Rodriguesia 57 (2): 251-366. 2006
SciELO/JBRJ
Flora da Reserm Ducke: Sapotaceae
253
elongate, basiventral or adaxial; embiyo vertical About 30 species in the Neotrop.es, ca. 20
with foliaceous cotyledons and an exserted in África, and ca. 1 2 in Asia and the Pacific,
radie le; endosperm copious. Three species in Reserva Ducke.
Key to the species of Manilkara of the Manaus area
1 Leaf undersurface without obvious appressed indumentum 2. M. bidentata
1. Leaf undersurface with finely closely appressed or scurfy, whitish, yellowish or golden
indumentum, often forming a pellicle
2. Leaves 5-8.5(-12) cm broad, usually broadly oblong or oblong-elhptic, secondary veins
ca. 30-35 pairs; petiole 3.5-6.5 cm long; ovary puberulous 3. M. huberi
2. Leaves 3-4.5 cm broad, oblanceolate, secondary veins ca. 1 6 pairs; petiole 5-8 mm long;
. , 1. M. cavalcantei
ovary glabrous
1.1 Manilkara cavalcantei Pires &
Rodrigues ex T. D. Penn., Fl. Neotrop. 52:
52, figs. 3, 5. 1990. Fig. 1 a-b
Stipules present, 1.5-2 mm long. Leaves
6-12 x 3-4.5 cm, oblanceolate, apex obtuse
to emarginate, base narrowly attenuate, upper
surface glabrous, lower surface with dense,
closely appressed scurfy, yellowish-brown
indumentum, midrib sunken on the upper
surface, secondary veins ca. 16 pairs. Petiole
5-8 mm long, channelled, subglabrous.
Fascicles axillary, 10-20-flowered. Pedicel
1-1.2 cm long, puberulous. Sepals 3-3.5 mm
long, puberulous outside. Corolla glabrous,
2.5-3 mm long, tube ca. 0.5 mm long, median
segment of corolla lobes narrowly boat-
shaped, lateral segments equalling the median
segment, narrowly lanceolate. Staminal
filaments ca. 1.25 mm long, free; anthers
ca. 0.8 mm long. Staminodes 0.5-1 mm long,
apex irregularly toothed or lobed. Ovary
glabrous. Fruit ca. 2.5 x 1 cm, narrowly
ellipsoid; smooth, glabrous. Secd solitary,
ca. 2.2 x 0.6 x 0.4 cm, laterally compressed,
testa smooth, pale, not shining; scar
basiventral, ca. 1.3 x 0.2 cm.
Field characters: Tree 15-20 m high, with
fissured bark, small buttresses and sticky white
latex from the slash. Flowers white to cream-
coloured, mature fruit orange. Flowering in
April, fruiting in May.
Brazil (Amazonas, Pará) in non-flooded
lowland rainforest.
Local names: Maparajuba, Massaranduba.
22.XII. 1 994 (fi) Nascimento, J. R. et al. 696 (BM G
IAN 1NPA K MBM UB UEC US); 23.1 V. 1968 (fr)
Souza, J. A. 1NPA21202 (INPA); 7.III. 1980 (st) Souza,
J. A. 17 (INPA); 10. V. 1994 (fr) Vicentini, A. et al.
527 (INPA K MG MO N Y RB SP).
Manilkara cavalcantei has the same
closely appressed indumentum on the lower
leaf surface as M. huberi, but it differs from
that species in its oblanceolate leaves, with
fewer secondary veins, and shorter petiole.
It is closest to M. paraensis, which is
not yet recorded from Amazonas (known only
from Pará, Mato Grosso and Maranhão). It
differs in its sunken midrib, more curved
secondary veins, longer pedicels, free filaments
and poorly developed staminodes.
1.2 Manilkara bidentata (A.DC.) Chev.,
Rcv. Int. Bot. Appl. Agric. Trop. 12: 270.
1932; Pennington, T. D., Fl. Neotrop. 52: 58,
fig. 7. 1990. Fig. 1 c-g
Mimusops bidentata A. DC. in A. P.
Candollc, Prodr. 8: 204 (1844).
Stipules absent. Leaves 7-20 x 2.5-
6 cm, elliptic, oblong or oblanceolate, glabrous,
or occasionally with a waxy cuticular covcring;
midrib slightly raised on the upper surface;
secondary veins 12-25 pairs. Petiole 1.5—
3.5 cm long, not or only slightly channelled,
glabrous. Fascicles axillary, 5-20-flowered.
Pedicel 1-2.5 cm long, glabrous. Sepals 4-
6 mm long, glabrous. Corolla glabrous, 3.5-
6 mm long, tube 0.5-1 mm long, median
segment of corolla lobes elliptic or subulate,
Rodriguésia 57 (2): 251-366. 2006
SciELO/JBRJ
12 13 14 15 16 17
cm ..
254
lateral segments equalling the median segment,
lanceolate and entire to deeply divided into 2
linear parts. Staminal filaments 1 .5-2.5 mm
long, usually free; anthers 1-2 mm long.
Staminodes 1-3.5 mm long, very variable in
form. Ovary glabrous. Fruit 1-3 cm long,
ellipsoid or globose, smooth, glabrous. Seeds
1-2, 0.9-2. 5 cm long, strongly laterally
compressed, often with an abaxial crest, testa
smooth, shining; scar basiventral or adaxial,
0.4— 1.2 x 0. 1-0.2 cm.
Field characters: A tree whose size varies
according to situation. In rainforest it can reach
40 m high and 1-2 m diam., whereas in drier
situations, as in campina, it may flower at only
a few metres high. Bark greyish-brown and
deeply fissured, with a reddish slash and
copious sticky white latex. Flowers greenish-
white, slightly fragrant, fruit ripening reddish-
purple or black. Deciduous for a short period
before flowering, with flowers and new leaves
opening together. Flowering in the dry season
mostly July to October, fruiting in January.
West Indies, Guianas to Southern
Amazonian Brazil, occurring in periodically
flooded and non-flooded forest, and in campina
forest on white sand.
Local names: Massaranduba.
17.XI1.1993 (fr) Assunção, R A. C. L 06 (COL I AN
INPA K SPF); 19.V. 1978 (st) Coêlho, L 791 (INPA);
9.VII.1976 (fl) Haroldo 1NPA57813 (INPA);
5. II. 1976 (fr) Mello, F. etal. 1NPA54752 (INPA);
29. VI. 1 993 (fr) Ribeiro, J. E. L S. et al. 928 (G LAN
INPA K R U UB US); 2 1 .1. 1 965 (fr) Rodrigues, VE
& Monteiro, O. P 6840 (INPA); 23. III. 1966 (fr)
Rodrigues, VV. & Coêlho, D. 7608 (INPA);
15. VII. 1966 (fl) Rodrigues, IE & Monteiro O P.
8174 (INPA); 19.VII.1966 (fl) Rodrigues. VE &
Monteiro, O. P 8197 (INPA); 19.V1I.1966 (fl)
Rodrigues, VE & Monteiro, O. P. 8198 (INPA);
3.VIII.1963 (fr) Rodrigues, VE 9576 (INPA);
15. VI. 1988 (fl) Santos, J.L8í Lima, R.P.933 (INPA
K MG MO NY R RB SP U); 15. VI. 1988 (fr) Santos,
J. L & Lima. R. P 945 (INPA K MG MO NY RB
SP); 6. VIU. 1968 (fl) Souza. J. A. INPA21318 (INPA);
25.VI.1976 (fl) Souza, J. A. 1NPA57827 (INPA);
25.VII.1968 (fl) Souza, J. A. 65 (INPA); 29.X.1968
(fr) Souza, J. A. 239 (INPA); 4.XII.1993 (fr)
Vicentini, A. & Assunção, P A. C. L 387 (BM
Pennington, T D.
INPA K MBM MG UEC VEN); 13.IX.1994 (fr)
Vicentini, A. et al. 689 ( B F INPA K MG P PEUFR
UFMTVIC).
Manilkara bidentata is represented in
central Amazônia only by subsp.
surinamensis. This subspecies has a wide
geographical and ecological range and a
correspondingly variable morphology,
especially in leaf size. leaf shape, flower size,
staminode length and lobing, and fruit size. The
lack of leaf indumentum distinguishes it from
the other Manilkara species in Reserva
Ducke.
I. 3 Manilkara huberi (Ducke) Chev., Rev.
Int. Bot. Appl. Agric. Trop. 12: 276, fig.
II. 1932; Pennington, T. D., Fl. Neotrop.
52: 80, fig. 11. 1990. Fig. 1 h-j
Mimusops huberi Ducke, Arch. Jard.
Bot. Rio de Janeiro 2: 14. 1918.
Stipules absent. Leaves 15-23 x 5-
8 cm, usually oblong-elliptic, elliptic or
oblanceolate, apex usually obtuse or rounded,
upper surface glabrous, lower surface
minutely and densely appressed scurfy-
puberulous with pale yellowish or whitish hairs
forming a pellicle; midrib usually slightly
prominent, but recessed on the upper surface,
secondary veins 30-35 pairs, conspicuous
below. Petiole 3. 5-6.5 cm long, not or only
slightly channelled at the apex, glabrous.
Fascicles axillary, 10-15-flowered. Pedicel
2-4 cm long, appressed puberulous. Sepals
5-5.5 mm long, appressed puberulous outside.
Corolla glabrous, 4.5-5.5 mm long, tube 1-
1 .5 mm long, median segment of corolla Iobes
narrowly boat-shaped, lateral segments
equalling or slightly exceeding the median
segment, narrowly lanceolate, entire. Staminal
filaments ca. 2 mm long, shortly fused with
the staminodes; anthers 1-1.5 mm long.
Staminodes 1.5— 2.5 mm long, narrowly
oblong, apex toothed or lobed. Ovary
appressed puberulous. Fruit 2.5 x 2.5-3.5 x
2.8 cm, ovoid or globose, smooth, glabrous.
Secd not seen.
Rodriguésia 57 (2): 251-366. 2006
SciELO/JBRJ,
L2 13 14 15 16 17
cm
Flora da Reserva Ducke: Sapotaceae
255
i ( Maguire
staminodes (M.G. Silva & Bahia 3164)
Rodriguésia 57 (2): 251-366. 2006
SciELO/JBRJ
12 13 14 15 16 17
256
Pennington, T. D.
Field characters: Large tree reaching 50 m
high and 2-3 m diam., with simple, thick, steep
buttresses to 2 m or more high, bole
cylindrical. Bark greyish- to blackish-brown,
deeply fissured and grid-cracked, slash pink
with whitish streaks and copious sticky white
latex, crown broad and spreading. The pale
yellowish lower leaf surface is characteristic
in the field. The leaf undersurface of seedlings
and saplings is white. Flowers greenish-white
and ripe fruit yellowish-green. Flowering April
to November, fruiting noted throughout the
year.
Southern Venezuela and the Guianas
south to Mato Grosso, usually in non-flooded
rainforest, occasionally present in várzea
forest.
Local names: Massarandubarana.
29.XI.1957 (st) Coêlho, D. s.n. (INPA 6006);
26. V1I1.1976 (st) Reis, L. Q. s.n. (INPA 58585);
27. VIII.1976 (st) Reis, L Q. s.n. (INPA 58598).
Note: The only collections known from
Reserva Ducke are from planted trees, but
it is common elsewhere in the Manaus
region.
Manilkara luiberi is distinctive because
of the rather large and relatively broad leaves,
yellowish on the lower surface, and the
conspicuous parallel secondary venation. The
puberulous ovary is also unusual. The species
produces a hard heavy durable construction
timber, and the latex was formerly used in
Pará as a source of balata.
2. Micropholis
MicrophoUs (Gris.) Pierre, Not. Bot. 37.
1891. Notn. cons. prop.
Unarmed trees. Stipules absent. Leaves
spaced, altemate and distichous or spirally
anranged. Venation brochidodromous with a sub-
marginal vein or craspedodromous, secondary
veins usually closely parallel and often not
differentiated from the higher order venation,
and then the leaf appearing finely striate.
Inflorescence axillary, or rarely ramiflorous or
cauliflorous, fasciculate, sometimes developing
into short scaly persistent shoots. Flowers often
unisexual. Calyx a single whorl of (4 — )5 free,
imbricate sepals. Corolla campanulate to shortly
cylindrical, the tube longer than the lobes; lobes
(4— )5, simple, erect to reflexed. Stamens (4 — )5,
fixed near the top of the corolla tube, included
or exserted; filaments short and straight or long
and geniculate (at least in bud); anthers extrorse.
Staminodes (4-)5, fixed in the corolla lobe
sinuses, altemating with the stamens, usually
lanceolate or subulate. Small annular disk
surrounding the base of the ovary sometimes
present. Ovary (4-)5-locular; style included or
exserted. Fruit 1-several-seeded. Seed laterally
compressed, testa smooth or transversely
wrinkled, shining or dull; scar adaxial, narrow,
extending the length of the seed; embryo vertical,
with thin foliaceous cotyledons and exserted
radicle, surrounded by thick endosperm.
Thirty eight species in Central and South
America and the West Indies. Thirteen species
in and around Reserva Ducke.
Key to the species of Micropholis of the Manaus area
1 . Secondary veins close frnely striate, higher order venation indistingnishable from the secondary
venation, or visible only with a lens.
2. Inflorescences trunciflorous to near gronnd levei, and ramiflorous; fruit longitudinally 5-
sulcate.. 7 . flora
2. Inflorescences axillary or confined to strralleütvigrihliuKnhmgimdinally sulcaTe""
3. otamens exserted, corolla lobes spreading or reflexed
4. Mature leaves peisistently mfous-brown appressed puberulous on lhe lower surface,
corolla more than 1 0 mm long 11. M. splendens
4. Mature leaves glabrous or with some residual indumentum along lhe lower midrib,
corolla ca. 4 mm long Af. abscum
Rodhguésia 57 (2): 251-366. 2006
SciELO/JBRJ
L2 13 14 15 16 17
Flora da Reserva Ducke: Sapotaceae
257
3. Stamens included, corolla lobes erect.
5. Lower leaf surface with persistent appressed indumentum 9. M. humboldtiana
5. Lower leaf surface glabrous (occasionally with residual indumentum on the midrib).
6. Leaves usually less than 10 cm long, leaf apex caudate.
7. Midrib impressed on the upper surface, secondary veins slightly sunken on the
upper surface, spreading almost at right angles to the midrib
8. M. cylindrocarpa
7. Midrib flat or raised on the upper surface, secondary veins not sunken on the
upper surface, ascending M. venulosa
6. Leaves more than 10 cm long, leaf apex not caudate.
8. Fruit longitudinally 4-ribbed or 4-winged, flowers tetramerous
5. M. acutangula
8. Fniitnot longitudinally ribbed or winged, flowers pentamerous (except sometimes
M. venulosa). .
9. Secondary venation very close, finely striate, steeply ascending, mdistinguishable
from the higher order venation; fruit 4-7 cm long 4. M. melinoniana
9. Secondary venation striate, but higher order venation can bc distinguished
with a lens.
10. Corolla 5-6 mm long, fruit ca. 5 cm long 2. M. mensahs
10. Corolla 2-3 mm long, fruit 2-3 cm long.
1 1 . Leaves usually drying blackish, flowers 5-merous, corolla scarcely
exceeding the calyx; ovary flattened or winged, finely puberulous ..
3 . . M. casiquiarensis
1 1 Leaves not drying black, flowers 4-5-merous, corolla clearly longer
than calyx, ovary ovoid, not winged, stiffly pubescent
6. M. venulosa
1 . Secondary veins spaced, not finely striate, higher order venation usually reticulate, visible to the
jf Young shoots velutinous-hirsute, lower leaf surface uniformly pubescent with erect hairs,
' „ . b. . 10. M. williamii
fruit velutmous * , . . - ~ . .
12 Young shoots finely appressed puberulous or glabrous, lower leaf surface finely appressed
puberulous or glabrous, fruit finely appressed puberulous or glabrous.
13 Young shoots lower leaf surface and inflorescences with fine appressed indumentum,
' older inflorescences produced on short, stout, recurved scaly shoots, secondary venat.on
not obviouslyprominentor sunken; stamens included I. M guyanenm
13 Whole plant essentially glabrous, inflorescences fasciculatc, not on recurved scaly shoots,
' secondary venation impressed on upper surface, prominent on lower surface; stamens
/ 13. M. submarginahs
exserted
2.1 Micropholis guyanensis (A. DC.) Pierre,
Not. Bot. 40. 1891; Pennington, T. D., Fl.
Neotrop. 52: 175, fig. 32. 1990.
Sideroxylon guyanense A. DC., in A.P.
de Candolle, Prodr. 8: 182. 1 844.
Young shoots finely appressed
puberulous. Leaves altemate and distichous
or spirally arranged, 6-15 x 2. 5-8. 5 cm,
elliptic, oblong-elliptic or oblanceolate, apex
obtusely cuspidate to narrowly attenuate, base
variable, glabrous above, finely appressed
puberulous below with golden or reddish-brown
hairs, which turn paler with age; venation
brochidodromous with a submarginal vein,
midrib usually sunken on the upper surface,
secondary veins 15-25 pairs, often obscure,
parallel; higher order venation finely reticulate
and usually impressed on the upper surface.
Rodriguésia 57 (2): 251-366. 2006
ISciELO/JBRJ
12 13 14 15 16 17
Pennington, T. D.
.58
Petiole 1-2 cm long, channelled. Fascicles
axillary, 2-1 5-flowered, usually developing into
stout, recurved, densely scaly shoots up to 1 cm
long, which persist on old wood. Pedicel 2-
5 mm long. Flowers unisexual (plant
dioecious). Sepals 5, 2-3 mm long, appressed
puberulous on both surfaces. Corolla 2.5-3 mm
long, shortly and broadly tubular to
campanulate, tube exceeding the lobes,
glabrous. Stamens 5, included; anthers absent
in female flowers. Staminodes 5, 0.5-1 mm
long, lanceolate to oblong. Annular pubescent
disk usually present around the base of the
ovary in male flowers, obscure or absent in
female. Ovary pubescent, 5-locular. Fruit 1 .5-
2-5 cm long, ellipsoid, smooth, fmely puberulous
to glabrous. Seed solitary, 1-2.3 cm long,
laterally compressed, testa smooth, shining;
scar adaxial, 1-2 mm wide.
Southern Central America, West Indies,
South America to Peru, Bolivia and Coastal
Brazil.
Key to the subspecies of Xlicropholis guyanensis
1. Leaves usually 5-12 x 2.5-5 cm, usually narrowly elliptic or oblanceolate 2-4 times as long as
broad, base narrowly attenuate, cuneate or acute; lower leaf surface with appressed indumentum,
venation obscure, midrib sunken, petiole ca. 1-1.5 cm long
. ^ ^a- Micropholis guyanensis subsp. guyanensis
eaves x - .5 cm, broadly elliptic or broadly oblong-elliptic, often abouttwice as long
as broad, base obtuse or rounded, lower leaf surface with appressed indumentum, venation
obscure, rnidnb sunken, petiole usually ca. 2 cm long
. ' ib. Micropholis guyanensis subsp. duckeana
eaves x . - . cm, elliptic to oblanceolate, 2-4 times as long as broad, base attenuate,
°^er rí* SU aCe more or ^ess glabrous’ sec°ndary and higher order venation easily visible,
midrib flat; petiole 1-1.5 cm long lc. Micropholis guyanensis subsp. 3
2.1a Micropholis guyanensis (A. DC.) Pierre
subsp. guyanensis ; Pennington, T. D., Fl.
Neotrop. 52: 175, fig. 32. 1990. Fig. 2 a-c
Field characters: Tree to 25 m high and 50 cm
diam., with steep simple buttresses, base of
trunk often fluted, bark brown or reddish-
brown, fmely fissured, with pink or orange slash,
with sticky white latex. The pale buff or reddish
leaf undersurface is conspicuous. Flowers
cream-coloured to pale greenish, scented. Fruit
ripening purplish-black. Flowering June-
August, fruit maturing December. This species
flowers as a small tree 2-3 m high in
campinarana forest.
Southern Central America, West Indies,
N and W South America to Amazônia and
Bolivia, in seasonal evergreen rainforest,
usually on non-flooded land, and in gallery
forest in the drier areas of Central Brazil. It
also occurs in campinarana forest.
Local name: Rosadinha.
4. VI. 1993 (fl) Ribeiro, J. E. L. S. et al. 847 (G IAN
INPA K R U); 4. VII. 1 993 (bd) Ribeiro, J. E. L S. et
al. 1001 (INPA K MG MO NY RB SP U);
15. VIII. 1996 (fl) Solhers, C.A. & Assunção. RA. C.
L 895 (COL F IAN INPA K SPF UEC UFMT VEN).
2.1b Micropholis guyanensis subsp. duckeana
(Baehni) T. D. Penn.; Pennington, T. D., Fl.
Neotrop. 52: 1 80, fig. 32. 1 990. Fig. 2 d
Pouteria duckeana Baehni, Candollea
18: 161. 1962.
Field characters: Tree to 22 m high and 30 cm
diam., with small buttresses. Bark scaly, brown;
slash reddish, with white sticky latex. Flowers
yellowish-green, fruit maturing green or black,
often with an easily removed ferrugineous
indumentum. The fruit is sweet and edible.
Flowering May to July, fruit maturing
December.
Amazonian Brazil, Peru and Colombia to
Venezuela and the Guianas, in non-flooded
rainforest over clay and white sand.
Rudrigufsia 57 (2): 251-366. 2006
SciELO/JBRJ
2 13 14 15 16 17 18
cm
Flora da Reserva Ducke: Sapotaceae
259
Figura 2 . «. McropHdU .ubap. „an,n„s ■ ». habi. ,«»ri 4 tom W5** M tom *«.«*
umy. c. sced (Steyenmrk et d. 125697). d. Mkwphdti «uyoaranr sut»p. étckettna - d. habil (/ -r . )•
Local name: Rosadinha.
5. VIII. 1 994 (fl )Hopkins, M. J. G etaL 1475 (BM INPA
K MBM MG UB US); 4. VI. 1 993 (fl) Ribeiro. J. £ L S.
etal. 847 ( G IAN INPA K R U); 5. VI. 1993 (fl) Ribeiro.
1. £ L S. etal. <%7(INPA K MG MO RB); 29. VI. 1 993
fbd) Ribeiro, J. £ L S. etal. 923 (BM IAN INPA K
MBM); 4. VII. 1993 (bd) Ribeiro. J. £ £ S. et al. 1001
(INPA K MG MO NY RB SP U); 12.VIII.1993 (11)
Ribeiro, J. £ L S. etal. 1112 (GH IAN ICN INPA K P
VIC); 1 5. VIII. 1 9% (fl) Sotlters, CA &Assunção, P.A.
C. L 895 (COLF IAN INPA K SPF UEC UFMT VEN);
23. V. 1 995 (fl) Vwentmi, A. & Silva, C.F.964 (GH ICN
INPA K MG S UPCB VIC W).
2.1c Micropholis guyanensis (A. DC.) Pierre
subsp. 3.
Field characters: Trce to 30 m high and 35 cm
diam., with simple or branched concavc
buttresses to 75 cm high. Bark finely fissured,
Rodrinuésia 57 (2): 251-366. 2006
SciELO/JBRJ
12 13 14 15 16 17
cm
260
greyish brown, slash reddish, with white latex.
Flowers yellowish-white. Fruit not known.
Flowering in June (Reserva Ducke only).
So far known only from central
Amazonian Brazil and Amapá, where it is a
tree of non-flooded rainforest.
4. VI. 1 993 (bd) Ribeiro, J. E. L S. et al 835 (INPA K
MG NY SP); 5.VI.1993 (fl) Ribeiro, J. E. L S. etal.
870 (G INPA K MG UB US).
This subspecies of Aí. guyanensis is
recognizable by the more or less glabrous
leaves, conspicuous secondary and higher order
venation, and the flat midrib (not impressed on
the upper surface). Its fruit is unknown and its
status doubtful. It may just be part of a single
widespread species (Aí. guyanensis) but,
whereas there are many intermediates between
subsp. guyanensis and subsp. duckeana , at
present all the collections of subsp. 3 can be
clearly distinguished from the rest of the species.
Although only collected twice in Reserva Ducke
it is common in the PBDFF reserves.
2.2 Micropholis mensalis (Baehni) Aubrév.,
Adansonia 3: 21. 1963; Pennington, T. D., Fl.
Neotrop. 52: 1 9 1 , fíg. 36. 1 990. Fig. 3 b-e
Pouteria mensalis Baehni, Candollea 14-
64. 1952.
Young shoots sparsely appressed
puberulous. Leaves altemate and distichous,
8—1 1 x 3.2— 4.5 cm, elliptic oroblong-elliptic,
apex narrowly acuminate to caudate, base
acute or narrowly attenuate, usually drying pale
green, glabrous; venation brochidodromous
with a submarginal vein very close to the leaf
margin, midrib flat on the upper surface,
secondary veins numerous, wide-spreading,
slightly stronger than the parallel
intersecondaries and tertiaries, the leaf
appearing striate. Petiole 5-8 mm long,
channelled. Fascicles axillary and below the
leaves, 1-3-flowered. Pedicel 5-7 mm long.
Flowers probably bisexual. Sepals 5, 3-5 mm
long, appressed puberulous outside, with a
glabrous margin. Corolla 5-6.5 mm long,
tubular, lobes 5, ca. 1.5 mm long, glabrous.
Stamens 5, included. Staminodes 5, ca. 1 .5 mm
long, lanceolate. Disk absent. Ovary 5-locular,
Pennington, T. D.
with dense, long, stiff hairs. Fruit ca. 5 cm
long, ellipsoid, with a long attenuate apex,
smooth, glabrous. Seeds 1-2, ca. 2.5 cm long,
laterally compressed, testa rough, minutely
transversely wrinkled, not shiny; scar adaxial,
ca. 3 mm wide.
Field characters: Understorey tree to 12 m
high and 20 cm diam., with greyish-brown bark
and scarce white latex. Flowers whitish.
Flowering in September, fruiting in March.
The Guianas to central Amazonian Brazil
in non-flooded rainforest where it occurs as a
component of the understorey. In the Guianas
it also occurs on granitic outcrops.
1 9.XI. 1 997 (fr) Ribeiro, J.ELS. et al. 1953 (INPA K).
PBDFF: Reserva km 4 1 , Oliveira A49 (INPA K).
The leaf venation of this species is close
to that of Aí. casiquiarensis, but Aí. mensalis
can be distinguished by the pale green leaves,
larger flowers and rostrate fruit. It is always
a small understorey tree whereas Aí.
casiquiarensis is a large buttressed canopy tree.
2.3 Micropholis casiquiarensis Aubrév.,
Mem. New York Bot. Gard. 23: 211. 1972;
Pennington, T. D., Fl. Neotrop. 52: 193, fig.
36.1990. Fig. 3 a
Young shoots minutely appressed
puberulous. Leaves altemate and distichous, 7—
15 x 4-7 cm, elliptic, apex obtusely acuminate,
base rounded or obtuse, usually drying blackish,
glabrous; venation brochidodromous with a
submarginal vein very close to the margin, midrib
flat on the upper surface, secondary veins
numerous, slightly ascending, the more or less
parallel intersecondaries and tertiaries equally
prominent, the leaf appearing striate. Petiole 0.6-
1 . 1 cm long, channelled. Fascicles axillary and
below the leaves, 5-10-flowered. Pedicel 0.5-
1 cm long. Flowers ? bisexual. Sepals 5, 2-
2.5 mm long, slightly swollen at the base and
abruptly contracted into the pedicel, appressed
puberulous on both surfaces. Corolla 2.5-3 mm
long, campanulate or broadly tubular, lobes 5,
shorter than the tube, glabrous. Stamens 5,
included. Staminodes 5, 0.75-1 mm long,
narrowly lanceolate. Disk absent. Ovary 5-
locular, flattened or slightly winged at the base,
Rodriguésia 57 (2): 251-366. 2006
SciELO/JBRJ
12 13 14 15 16 17
Flora da Reserva Ducke: Sapotaceae
261
„ . „hi, (Maauire et al 36522). b-c. Mlcropholls mensalis - b. habit; c. 1/2
- r. .UH. , ,w.,,
g. 1/2 flower (Lissot 75/50)\ h. fruit ( Granville 4267)\ i. sced (Petrox U ).
Rodriguésia 57 (2): 251-366. 2006
SciELO/JBRJ
L2 13 14 15 16 17
cm ..
262
puberulous. Fruit ca. 2.5 x 1.5 cm, ellipsoid,
apex rounded, smooth, glabrous. Seed solitary,
ca. 1.5 cm long, laterally compressed, testa
rough, wrinkled, not shiny; scar adaxial,
ca. 5 mm wide.
Field characters: Canopy tree to 35 m high
and 2 m diam. with symmetrical plank
buttresses to 2 m high and bole often fluted to
4-5 m high, bark greyish-brown to dark brown,
scaling in irregular plates or longitudinal strips
exfoliating from the base, slash brown,
ca. 1 cm thick, with small amount of watery
white latex. Flowering October to November,
the fruit maturing February to March. The
flowers are greenish-white and the fruit
matures reddish-black.
Southern Venezuela to central Brazilian
Amazônia, in non-flooded rainforest, up to 1 100
m altitude in Venezuela.
1 1 .IX. 1 997 (fl) Assunção, P.A.C.L& Silva, C.F.644
(BMGINPAKMBM MGUECUS); 17.IX.1997 (fl)
Costa, M. A. S. et al. 776 (LAN INPA K MO NY RB SP
U UB); 6.X. 1965 (fl) Loureiro, A. INPA16142 (INPA);
2.III. 1995 (ti) Nascimento, J. R. etal. 770 (G IAN INPA
KMBM MORRBU); 14.V1.1980(fr)Vc/.vo«,fi. W.&
Nelson, S. P. 427 (INPA); 12.IX. 1 962 (fr) Rodrigues, W.
& Coêlho, D. 4452 (INPA); 3.1. 1 964 (fr) Rodrigues, VK
& Monteiro, O. P. 5660 (INPA); 17.III.1966 (fr)
Rodrigues, W. & Coêlho, D. 7588 (INPA); 25.IU.I966
(ti) Rodrigues, W.&Coêlho,D. 7626 (INPA); 29.UL 1966
(ti) Rodrigues, W. & Coêlho, D. 7640(INPA); 12XIL 1993
(ff) Vicentini, A 401 (INPA K MG NY SP); 28.U. 1 994
(fr) Vicentini, A. & Pereira, E. C. 410 (IAN INPA K).
This species is close to M. mensalis and
their distinguishing features are listed under
the latter.
2.4 Micropholis melinoniana Pierre, Not. Bot.
40. 1891; Pennington, T. D., Fl. Neotrop 52-
193, fig. 37. 1990. Fig. 3 f-i
Young shoots minutely appressed
puberulous. Leaves altemate and distichous,
7—15 x 2.8—5 cm, oblong, elliptic or
oblanceolate, apex obtuse, acute or shortly
attenuate, base acute to narrowly cuneate,
glabrous; venation craspedodromous or
sometimes brochidodromous with a
submarginal vein very close to the margin,
midrib flat or only slightly sunken on the upper
Pennington, T D.
surface, secondary and higher order venation
indistinguishable, ascending, finely striate.
Petiole 0.8-1 cm long, channelled. Fascicles
5-10-flowered, axillary. Pedicel 2-6 mm long.
Flowers unisexual (?monoecious). Sepals 5,
2-3 mm long, appressed puberulous outside,
sparsely so or glabrous inside. Corolla 2.5-
3.5 mm long, shortly tubular, lobes 5, with a
truncate apex, shorter than the tube, scattered
appressed hairs outside or glabrous. Stamens
5, included. Staminodes 5, 0.75-1 .25 mm long,
narrowly oblong, glabrous. Disk absent. Ovary
5-locular, ovoid, pubescent, style long, exserted.
Fruit 4-7 cm long, broadly ellipsoid, apex and
base acute or obtuse, smooth, glabrous. Seeds
1-several, 2. 5-2. 6 cm long, laterally
compressed, testa smooth, shining; scar
adaxial, 4-6 mm wide.
Field characters: Massive tree to 40 m high
and 1.5 m diam., with thick buttresses to 2 m
high. Bark smooth to finely fissured, greyish-
brown, with a thick cream-brown to reddish
slash, with sticky white latex. Flowers scented.
greenish-white. Fruit maturing through yellow,
red to purple, sometimes slightly sulcate.
Flowering in central Amazônia in July, fruit
maturing in November. The fruit is eaten by
Ce bus apella.
México through Central America to
Amazonian Brazil, Ecuador and Peru, in non-
flooded lowland and montane rainforest, up to
1 500 m altitude.
Not yet collected in Reserva Ducke.
PBDFF: Reserva km 41, Spironello 105 (INPA K).
Micropholis melinoniana is characterized
by its very closely striate, rather steeply ascending
venation, truncate corolla lobes, exserted style
and the large fruit. The leaf lamina on dried
specimens often splits along the secondary veins.
2.5 Micropholis acutangula (Ducke) Eyma,
Recueil Trav. Bot. Néerl. 33: 198. 1936;
Pennington, T. D., Fl. Neotrop. 52: 195, fig.
37.1990. Fig.4a-c
Sideroxylon acutangulum Ducke, Arch.
Jard. Bot. Rio de Janeiro 4: 159. 1925.
Young shoots closely appressed
puberulous, soon glabrous. Leaves altemate
Rodrigutsia 57 (2): 251-366. 2006
SciELO/JBRJ
12 13 14 15 16 17
cm
Flora da Reserva Ducke: Sapotaceae
263
, „ iviKj j ■ h seed í Silva 57840)\ c. fruit ( Jangoux & Bahia 114). d-g,
Figura 4 - a-c. Micropholis acutangula - a h , I b. )/2 n),wer {Wurdack & Adderley 43434)', f. sccd (Daly et al.
Micropholis venulosa - d. habit (Hennger et al. )• ■ (Ducke 2216)\ i. fruits (Solomon 3582)-,}. seed
1923)- g. seed (Huashikat2082). h-j. Micropholis trunc, flora - h. hab.t {Ducke
(Diaz & Jaramillo 1275).
Rodriguésia 57 (2): 251-366. 2006
SciELO/JBRJ
12
13
14
cm ..
264
and distichous, 8-12 x 3-6.2 cm, elliptic to
broadly oblong, apex shortly and narrowly
attenuate or acute, base acute or obtuse,
glabrous; venation brochidodromous with a
submarginal vein very close to the margin,
midrib flat or slightly raised on the upper
surface, secondary and tertiary venation finely
striate, about equally prominent. Petiole 1-
1.4 cm long, channelled. Fascicles 5-10-
flowered, axillary. Pedicel 5-7 mm long.
Flowers unisexual (? dioecious). Sepals 4, 1 .5-
3 mm long, sparsely appressed puberulous
outside, glabrous inside. Corolla 2-4 mm long,
campanulate, lobes 4, shorter than the tube,
glabrous. Stamens 4, included. Staminodes 4,
ca. 1.25 mm long (male flowers), ca. 0.5 mm
long (female flower), lanceolate, glabrous. Disk
absent. Ovary 3-4-locular, ovoid, densely
pubescent; style included. Fruit 3-4.7 cm long,
ellipsoid, strongly 4-winged or 4-ribbed (ribs
3-4 mm deep), apex narrowly attenuate or
beaked, base acute or obtuse, smooth,
glabrous. Seed solitary, 1.2- 1.5 cm long,
laterally compressed, tapering to the base, testa
transversely wrinkled, shining; scar adaxial, 3-
4 mm wide.
Field characters: Small to medium-sized tree
reaching 25 m high and 35 cm diam. Bark dark
grey or reddish, striate, slash yellowish, with
white latex which is slow to appear. Flowers
greenish-white and fruit maturing orange. In
central Amazónia flowering from October to
December, with the fruit maturing in March.
French Guiana to central and eastern
Amazonian Brazil in non-flooded lowland
rainforest.
23.III. 1966 (fr) Rodrigues. W. & Coelho, D 7607
(INPA).
PDBFF: Reserva Km 41, Oliveira et al. 287 (INPA
K); Oliveira et al. 256 (INPA K).
Similar to M. melinoniana in its
venation, but with slightly more differentiation
between secondary and higher order venation,
and also differing in its 4-merous flowers and
winged fruit.
Pennington, T. D.
2.6 Micropholis venulosa (Mart. & Eichl.)
Pierre, Not. Bot. 40. 1891; Pennington, T. D., Fl.
Neotrop. 52: 1 96, fig. 37. 1 990. Fig. 4 d-g
Sideroxylon vemdosum Mart. & Eichl.,
in Mart., Fl. bras. 7: 52. 1863.
Young shoots puberulous to pubescent with
golden brown or ferrugineous hairs, soon
glabrous. Leaves usually alternate or less
frequently spirally arranged, 4-llxl .3-4.5 cm,
elliptic or lanceolate, apex caudate or narrowly
attenuate, base narrowly attenuate to rounded,
glabrous; venation craspedodromous or
brochidodromous with a submarginal vein very
close to the margin, midrib flat or slightly raised
on the upper surface, higher order venation
appearing finely striate to the naked eye, but
with a lens the parallel intersecondaries and
tertiaries can be distinguished. Petiole 3—7 mm
long, channelled. Fascicles axillary, 5-10-
flowered. Pedicel 2-4 mm long. Flowers
unisexual (plant monoecious). Sepals 4—5, 1 .5-
2 mm long, shortly pubescent outside, sparsely
pubescent or glabrous inside. Corolla 1 .25-3 mm
long, shortly tubular or campanulate, lobes 4—5,
shorter than the tube, glabrous. Stamens 4—5,
included. Staminodes 4-5, 0.5-0.75 mm long,
ovate or lanceolate, glabrous. Disk absent. Ovary
4— 5-locular, ovoid, densely stiff-pubescent; style
included. F ruit 1 .2-3 cm long, subglobose to
elüpsoid apex and base rounded to acute, smooth,
glabrous. Seed solitary, 1—1 .5 cm long, laterally
compressed, testa finely transversely w rinkled,
shining; scar adaxial and sometimes extending
around the base of the seed, 1. 5-2.5 mm wide.
Field characters: Small or large tree to 35 m high
and 40 cm diam. The species is variable in the
degree of buttressing, with some quite large
specimens recorded as unbuttressed or with trunk
only fluted at the base, whereas others have well-
developed buttresses several metres high. The
upper bole is cy lindrical. Bark greyish-brown, finely
fissured to scaling in small pieces. Slash reddish-
brown, with plentiful white latex. Flowers pale
green and fruit maturing yellowish. Flowering
recorded in central Amazónia in May, July, August,
September, November, December and March, and
mature fruit in November and December.
Rodriguésia 57 (2): 251-366. 2006
SciELO/JBRJ
2 13 14 15 16 17
cm
Flora da Reserva Ducke: Sapotaceae
Costa Rica and Panama and tropical
South America east of the Andes, including
Coastal Brazil. Ecologically variable, occurring
in non-flooded forest, but also commonly found
in periodically flooded várzea forest,
permanently flooded igapó forest and in dwarf
campina forest over white sand.
9.1. 1 995 (fl) Assunção, P. A.C.L1 22 (G IAN 1NPA
KMBM R U UB US); 13.X1I.1995 (fr) Nascimento,
J. R. et ai 686 (INPA K MG MO NY R RB SP U);
20.X1. 1 996 (fl) Ribeiro, J. E. L S. & Pereira, E. C.
1862 (BM COL INPA K MG SPF UEC UFMT VEN);
3 1 .V. 1 994 (fl) Vicentini, A. etal. 565 (INPA K MG
MO NY RB SP).
The small leaves with a caudate apex
are generally sufficient to distinguish this
species. Larger-leaved species might be
confused with M. acutangula , but they can
be distinguished by the fine differences in
detail of the higher order venation and by the
fruit.
2.7 Micropholis trunciflora Ducke, Boi.
Técn. Inst. Agron. N. 19: 19, fig. 6. 1950;
Pennington, T. D., Fl. Neotrop. 52: 200, fig.
39. 1990. F'g- 4 M
Young shoots with brown tomentose
evanescent indumentum. Leaves alternate
and distichous, 10-17 x 3-6.5 cm, elliptic,
oblong-elliptic or oblong, apex narrowly
attenuate to obtusely cuspidate, base acute
or narrowly attenuate, glabrous or with some
residual tomentum along the midrib below,
venation craspedodromous or
brochidodromous sometimes with a
submarginal vein close to the margin, midrib
sunken on the upper surface, leaves finely and
minutely striate, the secondary veins
indistinguishable from the higher order
venation, venation widely spreading almost at
right angles to the midrib. Petiole 7-10 mm
long, channelled, tomentose at lirst.
Fascicles 2-10-flowered, axillary and on the
small and large branches and densely
clustered on large woody protuberances on
the trunk to almost ground levei. Pedicel 3-
4 mm long, shortly tomentose. Flowers
265
unisexual (plant monoecious). Sepals 4-5, 1 .5-
2.5 mm, long, pubescent outside, glabrous
inside. Corolla 2.5-3 mm long (female), 4-
4.5 mm long (male), tubular, lobes 4-5, shorter
than the tube, glabrous. Stamens 4-5, included;
stamens absent in female flowers. Staminodes
4-5, 0.5-0.75 mm long, narrowly lanceolate,
glabrous. Disk absent. Ovary 5-locular, ovoid,
densely pubescent. Fruit 1.3-2 cm long,
ellipsoid to globose, longitudinally 5-sulcate,
apex acute to rounded, apiculate, base acute
to rounded, glabrous. Seed solitary, 1 .3-1 .5 cm
long, laterally compressed, testa finely
transversely wrinkled, shining; scar adaxial,
1.5-2 mm wide.
Field characters: A small or médium
understorey tree to 20 m high and 25 cm diam.,
with an irregular often fluted bole, densely
covered with large woody protuberances
bearing the inflorescences. Bark brown,
slightly scaly, slash pink with small amount of
white latex. Flowers pale green with a
disagrceable smell in the early moming and fruit
ripening dark purplish.
Central and western Amazonian Brazil
and adjacent Peru, where it is found in Iowland
forest on non-flooded land.
Local name: Abiurana.
14. III. 1995 (fr) Assunção, P.A. C. L & Pereira, E.
C. 193 (INPA K MG MO NY R RB SPU); 9.1 V. 1997
(fr) Assunção, P A. C. L et ai 495 (BM G INPA K
MBM MG UB UEC US); 2.IV.1971 (11) Prance, G
T. etal. 11278( INPA); 1 0.11.1994(0) Ribeiro, J. E.
L. S. et ai 1202 (INPA K MG MO NY RB SP);
19.VII.1993 (fl) Rodrigues, W. 5381 (INPA);
24.XII.1963 (11) Rodrigues, W. & Coelho, D. 5613
(INPA); 20.XII.1963 (fl) Rodrigues, W. & Coêlho,
D. 5640 (INPA); 4.III.1966 (fl) Rodrigues, W. &
Coêlho, D. 7541 (INPA); 23.1. 1996 (fl) Sothers, C.
A. & Pereira. E. C. 783 (BM INPA K MG UEC);
23.1.1 996 ( fl ) Sothers, C. A. & Pereira, E. C. 789 (G
INPA K MBM MG R U UB US).
An easily recognized species on account
of the cauliflory from many protuberances on
the trunk, the leaves with midrib decply sunken
on the upper surface and with widc-spreading
finely striate venation and sulcate fruit.
Rodriguésia 57 (2): 251-366. 2006
SciELO/JBRJ
12 13 14 15 16 17
cm ..
266
2.8 Micropholis cylindrocarpa (Poepp. &
Endl.) Pierre, Not. Bot. 40. 1891; Pennington,
T. D., Fl. Neotrop. 52: 21 1, fíg. 39. 1990.
Fig. 5 a-b
Sideroxylon cylindrocarpon Poepp. &
Endl., Nov. Gen. Spec. Pl. 3: 72. 1845.
Young shoots appressed puberulous, soon
glabrous. Leaves altemate and distichous, 5-
10 x 1. 8-2.7 cm,ellipticoroblong-elliptic,apex
caudate, base acute or narrowly cuneate,
glabrous; venation craspedodromous or
brochidodromous and then sometimes with a
submarginal vein close to the leaf margin, midrib
sunken on the upper surface, secondary veins
shallowly ascending, finely striate and
indistinguishable from the higher order venation.
Petiole 3-8 mm long, channelled, appressed
puberulous. Fascicles 1-2-flowered, axillary
and below the leaves. Pedicel 1-2 mm long,
puberulous. Sepals 5, ca. 2.5 mm long, shortly
appressed pubescent outside, scattered
appressed hairs inside. Corolla ca. 3.5 mm long,
shortly cylindrical, lobes 5, shorter than the tube,
glabrous. Stamens 5, included. Staminodes 5,
ca. 1 mm long, subulate, glabrous. Disk absent.
Ovary 4-locular, ovoid, stiffly hairy. Fruit 2-
2.5 cm long, ellipsoid, apex acute and apiculate,
base rounded, smooth, glabrous. Seed solitary,
I . 1-2 cm long, laterally compressed, testa finely
transversely wrinkled, shining; scar adaxial,
ca. 2 mm wide.
Field characters: Small understorey tree to
15 m high and 30 cm diam., sometimes with a
fluted bole. Bark finely striate, greyish, slash
brown, with scarce sticky white íatex. The fruit
matures reddish-purple. Apparently flowering
and fruiting throughout the year.
Amazonian Peru to central Amazonian
Brazil. A component of the forest understorey
on non-flooded land.
9.IV.1997 (fr) Assunção. P.A. C. L et ai 493 (INPA
K MG MO NY RB SP); 6.XII. 1 996 (fl) Hopkins. M.
J. G et al. 1613 (IAN INPA K MO NY RB SP U
UB); 2 1 .XI. 1 964 (fl) Rodrigues, W. & Monteiro, O
P. 6760 (INPA).
PDBFF: Fazenda Esteio, Pereira etal. s.n. PDBFF
1301.2411 (INPA K); PBDFF Reserva km 41,
Spironello A275 (INPA K).
Pennington, T D.
2.9 Micropholis humboldtiana (Roem. &
Schult.)T. D. Penn., Fl. Neotrop. 52: 212. 1990.
Fig. 5 c-d
Chrysophyllum humboldtianum Roem.
& Schult., Syst. Veg. 4: 813. 1819.
Young shoots appressed pubescent with
ferrugineous hairs, becoming glabrous. Leaves
altemate and distichous, 4.5-8.5 x 2.5-4 cm,
broadly lanceolate or oblong-lanceolate, apex
caudate, base rounded, glabrous above, densely
and finely appressed sericeous below,
indumentum ferrugineous tuming silvery-white
with age; venation craspedodromous, leaf
margin slightly revolute, midrib sunken on the
upper surface, secondary venation widely
spreading, finely striate, indistinguishable from
the higher order venation. Petiole 4-7 mm long,
ferrugineous-pubescent at first. Fascicles 1-
2-flowered, axillary. Pedicel 2-3 mm long,
ferrugineous pubescent. Sepals 5, 2.5—4 mm
long, appressed pubescent outside, glabrous
inside. Corolla 3.5-5 mm long, shortly
cylindrical, lobes 5, shorter than the tube,
glabrous. Stamens 5, included. Staminodes 5,
ca. 1 mm long, narrowly lanceolate, glabrous.
Disk absent. Ovary 5-locular, ovoid. shortly
pubescent. Fruit ca. 1 cm long, ellipsoid, apex
shortly beaked, subglabrous. Seed not seen.
Field characters: Small tree to 12 m high and
10 cm diam., with reddish slash. Flowers
greenish-white, fruit maturing dark wine-red.
Flowering June to November, young fruit from
August.
Southern Venezuela, along the drainage
of the R. Negro to central Amazonian Brazil.
A tree of flooded igapó forest and periodically
flooded savanna.
Not recorded from Reserva Ducke.
AMAZONAS: R. Cueiras, Repartimento, Rodrigues
6097 (INPA); Manaus, Schwacke 3 (R); Rio Negro,
Jerusalém, Froés 21087 (K).
The leaf shape and venation are
somewhat similar to M. cylindrocarpa but M.
humboldtiana differs in its revolute leaf margin
and the rounded leaf base, and sericeous
indumentum on the lower surface. The species
also differ in their ecological preferences.
Rodriguésia 57 (2): 251-366. 2006
SciELO/JBRJ
_2 13 14 15 16 17
Flora da Reserva Ducke: Sapotaceae
267
, „ u.,u;t iKiilin & s mi th 29021); b. sccd ( Diaz & Jaramillo 1221). c-d.
Figura 5 - a-b. Micropholis - aJiab Mt {K l \p & MihoUs wiUiamU . e. habit (P rance et at.
Micropholis humboldtiana - c. habit; d. 1/2 flower (troes *
22683); f. fruit ( Amaral et al. 221); g. 1/2 flower (Rodrigues & Coêlho 1284).
Rodriguésia 57 (2): 251-366. 2006
SciELO/JBRJ
L2 13 14 15 16 17
5 cm
268
Pennington. T D.
2.10 Micropholis williamii Aubrév. & Pellegr.,
Adansonia 1: 179. 1962; Pennington, T. D., Fl.
Neotrop. 52: 215, fig. 43. 1990. Fig. 5 e-g
Young shoots densely velutinous-hirsute
with erect brown hairs, indumentum persistent.
Leaves altemate and distichous, 1 1-22 x 5-
7 cm, broadly oblong or oblong-elliptic, apex
obtusely cuspidate, base acute to obtuse,
glabrous above, pubescent below with a mixture
of short appressed hairs and longer erect hairs;
venation brochidodromous with a submarginal
vein, midrib sunken on the upper surface,
secondary veins 30-40 pairs, widely spreading,
parallel, straight, prominent on the lower
surface; intersecondaries extending to the
margin; tertiaries reticulate. Petiole 1-1.5 cm
long, not channelled, densely velutinous-hirsute.
Fascicles 2-5-flowered at first, developing into
dense, many-flowered clusters on short scaly
shoots, these 0.5— 1 cm long. Pedicel ca. 1 mm
long, densely hairy. Sepals 5, 3-3.5 mm long,
densely velutinous-pubescent outside,
appressed pubescent inside. Corolla 4-4.5 mm
long, shortly tubular, lobes 4-5, shorter than
the tube, glabrous. Stamens 4-5, included.
Staminodes 4—5, ca. 1 mm long, lanceolate to
subulate, glabrous. Disk absent. Ovary 4-5-
locular, ovoid, pubescent. Fruit 2-2.5 cm long,
ellipsoid, narrowed above into a long acute
apex, base rounded, densely velutinous-hispid
with brown hairs. Seed solitary, 1-1 .5 cm long,
laterally compressed, smooth, shining; scar
adaxial.
Field characters: A small or medium-sized
tree to 15 m high and 20 cm diam., with small
buttresses. Bark dark brown, slightly striate,
inner bark reddish, with sticky white latex!
Flowers sweet-scented, pale greenish. Fruit
covered with dense brown hairs. Flowering
recorded in central Amazônia in February,
September and October and fruit in July and
December.
Central Brazilian Amazônia (Amazonas
and Pará) in forest on non-flooded sites.
23. VII. 1996 (fr) Assunção, P.A.C.L 453 (INPA K
MG MO NY RB SP U); 2 1 .IX. 1 997 (fl) Assunção, P.
A. C. L etal. 676 (IAN INPA K MO NY RB SP);
9.11. 1 994 (fr) Ribeiro, J. E. L S. et al. 1199 (INPA K
MG UEC VEN); 9.IX.1959 (fl) Rodrigues, VVÍ &
Coelho, D. 1284 (INPA); 8. V. 1 969 (fl) Souza, J. A.
281 (INPA); 1 .XII. 1 969 (fr) Souza, J. A. 301 (INPA);
19.XII.1996 (fr) Souza, M. A. D. etal. 301 (BM G
INPA K MBM MG R UB US).
A very characteristic species within
Micropholis on account of the large leaves with
widely spaced prominent secondary veins and
the dense indumentum on all parts of the plants.
2.11 Micropholis splendens Gilly e.x Aubrév.,
Mem. New York Bot. Gard. 23: 210. 1972;
Pennington, T. D., Fl. Neotrop. 52: 219, fig.
35. 1990. Fig. 6 a-b
Young shoots minutely appressed
puberulous with reddish-brown hairs. Leaves
spirally arranged, 10-16 x 4.5-6.2 cm, broadly
elliptic or elliptic-oblong, apex obtusely
cuspidate or obtuse, base obtuse to acute,
glabrous above, minutely golden-brown
appressed puberulous below; venation
craspedodromous or brochidodromous and then
with a submarginal vein very close to the
margin, midrib prominent on the upper surface,
secondary and higher order venation finely
striate, shallowly ascending. Petiole 1-2 cm
long, channelled, subglabrous. Fascicles 5-10-
flowered, mostly ramiflorous. Pedicel 1-
1.5 cm long, appressed puberulous. Sepals 5-
6, 6-8 mm long, appressed puberulous on both
surfaces. Corolla 1 .5-1 .7 cm long, cylindrical,
tube 1.2-1. 3 cm long, lobes 5, 3^f mm long,
reflexed, glabrous. Stamens 5, exserted.
Staminodes 5, ca. 2.5 mm long, narrowly
lanceolate, glabrous. Disk absent. Ovary 5-
locular, broadly ovoid, pubescent. Fruit 2.5-
3.5 cm long, ellipsoid, apex narrowly beaked,
smooth, glabrous. Seed solitary, 1 .8-2 cm long,
laterally compressed, testa smooth, shining;
scar adaxial, 7-8 mm wide.
Field characters: Tree to 30 m high and 50 cm
diam., larger specimens with plank buttresses.
Bark whitish-brown, finely fissured, slash pale
brown, mealy, with white latex. The leaf
undersurface is persistently reddish-brown.
Flowers greenish-white, fruit glaucous-green.
In central Amazônia flowering December to
January, and fruit maturing in April.
RoJrigutsia 57 (2): 251-366. 2006
SciELO/JBRJ
2 13 14 15 16 17 18
cm
Flora da Reserva Ducke: Sapotaceae
269
< Mnrmno-llerti & Salcedo 70-979); b. fruit (Clark 7095). c-c. Micwpholis
Figura 6 - a-b. Micropholis splendens - a. ab » t Warc -Bi Ai & 0smarino 29806). f-i. Micwpholis obscura - f. habit
submarginalis - c. leave; d. mflorcscence, c. young 11 ( 7,..
(Maguire et al. 56042)-, g. 1/2 flower (FDBG 7176)', h. fruit; 1. seed (8 7).
Rodriguésia 57 (2): 251-366. 2006
SciELO/JBRJ
12 13 14 15 16 17
cm ..
270
Southern Venezuela to central
Amazonian Brazil, where it occurs in forest
on non-flooded sites.
1 9.IV. 1 994 (fr) Assunção, PA.C.L& Pereira, E. C.
13 (INPA K MG MO NY SP); 21. IX. 1997 (fl)
Assunção, P. A. C. L. et al. 671 (INPA K MG MO
NY R RB SP U); 19.IX.1997 (fl) Sou-m, M. A. D. etaL
419 { BM G INPA K MBM MG UB UEC US).
Micropholis splendens is easily
recognized by its finely striate leaves with
persistent reddish-brown indumentum on the
lower leaf surface, the large flowers with
exserted stamens and beaked fruit.
2.12 Micropholis obscura T. D. Penn., Fl.
Neotrop. 52: 227, fig. 41.1 990. Fig. 6 f-i
Young shoots appressed pubescent with
ferrugineous hairs, soon glabrous. Leaves
altemate and distichous, 8.5-13 x 2.5^L5 cm,
elliptic oroblong, apex narrowly acuminate, base
acute or narrowly cuneate, glabrous above and
with some residual ferrugineous pubescence
along the midrib below, venation
brochidodromous with a weak submarginal vein,
midrib flat or slightly prominent on the upper
surface, secondary and higher order venation
obscure, finely striate, shallowly ascending.
Petiole 0.7-1 .2 cm long, channelled, appressed
pubescent at first. Fascicles 5-15-flowered,
mostly in the axils of fallen leaves. Pedicel 5-
7 mm long, puberulous. Sepals 5, 2.5-3 mm long,
appressed puberulous on both surfaces. Corolla
3-4 mm long, shortly tubular, lobes 5, equalling
the tube, reflexed, glabrous. Stamens 5,
exserted. Staminodes 5, 1-1.5 mm long,
subulate, glabrous. Diskabsent. Ovaiy 5-locular,
globose, pubescent. Fruit 2-3 cm long, broadly
ellipsoid, apex rounded, apiculate, base obtuse,
smooth, glabrous. Seed solitary, ca. 1 .8 cm long,
laterally compressed with an abaxial keel, testa
smooth, shining; scar adaxial, ca. 4.5 mm wide.
Field characters: Tree to 35 m high and 85 cm
diam., with large thin convex buttresses to 1 .5
m high. Bark reddish-brown, shaggy, coarsely
scaling in large irregular plates, slash yellowish-
brown with a small amount of white latex.
Flowers pale green, scented. Fruit maturing
yellowish. Flowering in central Amazônia
Pennington, 7. D.
September to October, fruit maturing March
to April.
The Guianas and Southern Venezuela to
central Amazonian Brazil and Amazonian Peru,
in non-flooded lowland forest.
Not yet collected from Reserva Ducke,
but frequent in the PDBFF plots.
PDBFF: Reserva km 4 1 , Oliveira et al. 109 (INPA
K), Lepsch Cunha et al. 3 (INPA K); Spironello
s.n. (INPA 190939 K).
Micropholis obscura can be
distinguished in the field by its convex buttresses
and bark scaling in large irregular plates. The
floral structure is similar to that of M.
splendens but the flowers are much smaller,
and it lacks the golden-brown indumentum of
that species.
2.13 Micropholis submarginalis Pires & T. D.
Penn., Fl. Neotrop. 52: 228. 1990. Fig. 6 c-e
Young shoots appressed pubescent at
first, soon glabrous and scaly. Leaves spirally
arranged, 19-30 x 7.5— 9.5 cm, elliptic or
oblong-elliptic, apex shortly narrowly attenuate
or acute, base acute, margin slightly revolute,
glabrous or with small amount of appressed
indumentum on the midrib below; venation
brochidodromous with a conspicuous
submarginal vein, midrib raised on the upper
surface, secondary veins 25-30 pai rs, parallel,
slightly arcuate, impressed on the upper
surface, prominent on the lower surface, higher
order venation lax, mostly obliqúe. Petiole 1 .5—
2.2 cm long, strongly channelled with slightly
winged margins, subglabrous. Fascicles mostly
on the branches below the leaves, 15-30-
flowered. Pedicel 6-9 mm long, glabrous.
Sepals 5, 2.5-3 mm long, glabrous. Corolla 4—
5 mm long, shortly tubular, tube about equalling
the lobes, lobes 5, reflexed, with sparse
appressed indumentum outside. Stamens 5,
exserted. Staminodes 5, lanceolate, glabrous.
Disk absent. Ovary 5-locular, ovoid, shortly
pubescent. Fruit ca. 2 cm long, ellipsoid, apex
rounded, apiculate, base rounded, smooth,
glabrous. Seed ca. 1.2 cm long, laterally
compressed, scar adaxial, 4-5 mm wide.
Rndriftutsia 57 (2): 251-366. 2006
SciELO/JBRJ1
2 13 14 15 16 17 18
Flora da Reserva Ducke: Sapotaceae
271
Field characters: Small or medium-sized tree
to 20 m high and 20 cm diam., unbuttressed,
with dark brown hard, slightly flaky bark. The
slash contains scarce white latex. Flowers
creamish-white, mature fruit yellow.
Flowering from May to June, fruit maturing
in November.
From the Guianas to central and southem
Amazonian Brazil, where it is a tree of non-
flooded lowland forest.
Not yet collected in Reserva Ducke.
PDBFF: Fazenda Esteio, Nee 42885 (INPA K);
Fazenda Dimona, Pacheco et al. 80 (INPA K).
A very distinct species among
Micropholis with large glossy glabrous leaves,
widely spaced, numerous secondary veins
which are impressed above and prominent
below, and flowers with exserted stamens.
3. Chromolucuma
Chromolucuma Ducke, Arch. Jard. Bot. Rio
de Janeiro 4: 160, t. 18. 1925.
Unarmed trees. Stipules present, large.
Leaves clustered, spirally arranged. Venation
eucamptodromous. Flowers unisexual. Calyx
a single whorl of 5 free sepals. Corolla
cyathiform or broadly tubular, tube equalling
or slightly larger than the lobes "(slightly shorter
in male flowers) lobes 5, simple. Stamens 5,
fixed in the upper half of the corolla tube,
included. Staminodes 5, fixed in the corolla lobe
sinuses, altemating with the stamens. Disk
absent. Ovary 2-5-locular. Fruit 1-seedcd.
Seed with dull rough testa and broad adaxial
scar; embryo with plano-convex cotyledons,
radicle slightly exserted; endosperm absent.
Two species from Southern Venezuela to
central Amazonian Brazil. A single species in
Reserva Ducke.
3.1 Chromolucuma rubriflora Ducke, Arch.
Jard. Bot. Rio de Janeiro 4: 160, t. 18. 1925;
Pennington, T. D., Fl. Neotrop. 52: 229, fig.
44. 1990. Fig. 7 a-e
Young shoots massive, with sparse
appressed pubescence, very rough with
prominent scars of fallen leaves and
inflorescences. Stipules 1.5-2. 5 cm long,
narrowly lanceolate with a long tapering apex,
longitudinally striate, sparsely appressed
puberulous. Leaves 20-30 x 8-10 cm, broadly
oblanceolate, apex acute, obtuse or rounded,
base long, narrowly cuneate or acute, glabrous
or with some appressed indumentum on the
midrib below; venation eucamptodromous,
midrib flat or slightly sunken on the upper
surface, secondary veins 20-25 pairs, parallel
and slightly arcuate; intersecondarics absent;
tertiaries obliqúe, numerous; higher order
venation reticulate. Petiole 3-4 cm long,
strongly channelled, glabrous. Fascicles many-
flowered, on twigs below the leaves. Pedicel
2-2.5 cm long, slender, puberulous. Flowers
unisexual (plant monoecious). Sepals 4-5 mm
long, appressed puberulous on both surfaces.
Corolla (male) ca. 5 mm long, tube slightly
shorter than the lobes; (female) ca. 4 mm long,
glabrous. Staminodes ca. 1.25 mm long (male),
ca. 0.5 mm long (female), lanceolate, glabrous.
Ovary broadly truncate to ovoid, 2-3-locular,
densely pubescent. Fruit 4-8 cm long, broadly
ellipsoid, rounded at base and apex, smooth or
rugose (drying to become strongly and
irregularly ribbed or furrowed, shortly
velutinous. Seed solitary, 2.5— 5.5 cm, long,
ellipsoid, rounded at base and apex; testa rough,
not shining; scar adaxial, covering 2/3 of the
seed surface.
Field characters: Tree to 30 m high and 60 cm
diam., with concave buttresses to 2 m high;
trunkcylindrical; bark reddish-brown, scaly and
striate, and with vertical rows of lenticcls, slash
with yellow latex. The pedicels and calyx are
red and the corolla cream to greenish; it is very
conspicuous when in flower because of the
dense clusters of reddish inflorescences held
below the leaves. Fruit golden browp.
Flowering in central Amazónia in August and
September, fruit maturing January to Fcbruary.
Southem Venezuela to central Amazonian
Brazil in pcriodically floodcd or poorly drained
forest often on riversides.
25. IX. 1957 (fl) Ferreira, E. 105 (INPA);
31. VIII. 1995 (fl) Ribeiro, J. E. L. S. et al. 1677
(INPA K MG MO RB SP U); 13. IX. 1995 (11)
Ribeiro, J. E. L. S. & Pereira, E. C. 1700 (INPA
Rodriguésia 57 (2): 251-366. 2006
SciELO/JBRJ
12 13 14 15 16 17
cm ..
272
K NY); 7. XII. 1994 (fr) Vicentini, A. & Pereira, E.
C. 778 (1NPA K MG MO NY R RB SP U);
26.VIII.1997 (fl) Vicentini, A. et al. 1229 (IAN
INPAKMONYRBSPU).
Easily recognized in the field by the
yellowish latex, massive scaly twigs with
large stipules and the red flowers.
4. Sarcaulus
Sarcaulus Radlkofer, Sitzungsber. Math.-
Phys. Cl. Kõnigl. Bayer. Akad. Wiss.
München 12: 310. 1882.
Unarmed trees. Stipules absent.
Leaves spaced, alternate and distichous or
occasionally weakly spirally arranged.
Venation brochidodromous. Inflorescence
axillary, flowers unisexual. Calyx a single
whorl of 5 sepals. Corolla globose or broadly
cyathiform, lobes 5, simple. Stamens 5, fixed
at the top of the corolla tube, exserted, with
short swollen filaments. Staminodes 5, thick,
carnose. Disk absent. Ovary 2-5-locular.
Fruit 1-several-seeded. Seed laterally
compressed, scar adaxial, embryo with plano-
convex cotyledons, endosperm absent.
Five species in tropical South America.
4.1 Sarcaulus brasiliensis (A.DC.) Eyma,
Recueil Trav. Bot. Néerl. 33: 192. 1936;
Pennington, T.D., Fl. Neotrop. 52: 233, fig!
46. 1990. Fig. 7 f-h
Chrysophyllum brasiliense A. DC., in
A. P. de Candolle, Prodr. 8: 156. 1844.
Young shoots minutely appressed
puberulous. Leaves alternate and distichous
or weakly spirally arranged, 7-13 x 2.5-
4.4 cm, elliptic or oblong-elliptic, apex
narrowly acuminate, base acute to rounded,
glabrous; venation brochidodromous, midrib
slightly raised on the upper surface, secondary
veins 9-12, more or less parallel, arcuate;
intersecondaries moderately long; tertiaries
forming a lax reticulum. Petiole 0.7-1 cm
long, flat, often expanded into a narrow wing
at the apex, glabrous. Fascicles 1-8-
flowered, axillary and below the leaves.
Pedicel 6-10 mm long, often recurved or
coiled in bud, appressed puberulous. Flowers
Pennington, T D.
unisexual (plant dioecious). Sepal 2-3 mm
long, appressed puberulous on both surfaces.
Corolla 3—4 mm long, tube about equalling the
lobes, weakly to strongly carnose, appressed
puberulous on both surfaces. Stamens absent
in female flowers. Staminodes 0.5-1.25 mm
long, triangular or ovate, appressed
puberulous. Ovary ovoid, puberulous. Fruit
1.8-3 cm long, ellipsoid to subglobose, apex
acute to rounded, base rounded or tapered,
smooth, glabrous. Seeds 1-2, 1.2-1. 7 cm
long, laterally compressed, testa smooth,
shining; scar adaxial, 2—4 mm wide.
Field characters: Unbuttressed tree to 20
m high and 35 cm diam. with a cylindrical
bole, bark pale greyish, slightly scaling or
dippled, and lenticellate; slash reddish with
plentiful white latex. Flowers whitish, without
scent, fruit maturing yellow, with a sticky
whitish pulp surrounding the seed. Flowering
in central Amazônia in October, fruit maturing
January to February.
Southern Central America to the
Guianas, Amazonian Brazil, Peru and Bolivia,
in lowland and montane forest on periodically
flooded and non-flooded land.
27.11.1998 (fr) Assunção, P.A. C. L etal. 804 (IAN
INPAKMONYRBSPU UB); 19.IX. 1997(11) Marfim
L H. P et al. 48 (G INPA K MBM MG U UB UEC
US); 3.W. 1966 (fr) Rodrigues, W. & Coelho, D. 7543
(INPA); 3 1 .X. 1 995 (fl) Vicentini, A. & Assunção, P. A.
C L 1106 (INPA K MG MO NY RB SP).
Sarcaulus brasiliensis contains two
subspecies, but only the typical subspecies is
known from central Amazônia. The genus
Sarcaulus is close to Pouteria, but may be
distinguished by its leaf arrangement and the
carnose corolla.
5. Elaeoluma
Elaeoluma Baill., Hist. PI. 11: 293. 1891.
Unarmed trees or shrubs. Stipules
absent. Leaves spirally arranged, minutely
punctate on the lower surface. Venation
eucamptodromous or brochidodromous, higher
order venation often obscure, forming a lax
reticulum. Inflorescence axillary. Flowers
unisexual. Calyx a single whorl of 5 sepals.
Rodrigutsia 57 (2): 251-366. 2006
SciELO/JBRJ
2 13 14 15 16 17
Flora da Reserva Ducke: Sapotaceae
273
e. 1/2 flowcr tDucl, 289). f-h. Sünmhs bmsilknih «fe» bwvUensh ■ t. tat». (Crmull, Mm. g.
2333); h. fruits ( Lescure 358).
d. inflorcsccnce;
1/2 flower (Klug
Rodriguésia 57 (2): 251-366. 2006
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12 13 14 15 16 17
274
Pennington, T. D.
Corolla broadly cyathiform to rotate, tube
shorter than the lobes (rarely equalling the
lobes in the female flowers); lobes 5, simple,
spreading widely. Stamens 5, fixed at the top
of the corolla tube, exserted; filaments well-
developed. Staminodes usually absent, rarely
1-2. Disk absent. Ovary 2-3-locular. Fruit 1-
seeded. Seed broadly ellipsoid, laterally
compressed or not, testa smooth to slightly
wrinkled, shining; scar adaxial, narrow or
broad; cotyledons plano-convex, radicle slightly
exserted, thin sheath of endosperm present.
Four species in Venezuela and northem
and central Brazilian Amazônia, extending to
Panama and Goiás (Brazil). Three species
present in central Amazônia.
Key to the species of Elaeoluma of the Manaus area
1. Leaves 4-8 x 1. 5-3.5 cm, oblanceolate, fruit 1.2-1. 4 cm long 1. E. schomburgkiana
1 . Leaves mostly 9- 1 7 x 3.5-Ó.5 cm, elliptic, elliptic-oblong or obovate, fruit 2-3 cm long.
2. Leaves usually oblong-elliptic with acute apex: tertiary venation more or less parallel to
secondary venation, intersecondary veins usually well-developed, seed scar broad, seed
not laterally compressed.... 2. £ glabrescens
2. Leaves usually obovate with rounded apex; tertiary venation obliqúe to perpendicular;
intersecondary veins absent; seed scar narrow, seed laterally compressed 3. E. nuda
5.1 Elaeoluma schomburgkiana (Miq.) Baill.,
Hist. Pl. 11: 294. 1891; Pennington, T. D., Fl.
Neotrop. 52: 240, fig. 48. 1990. Fig. 8 a-c
Myrsine schomburgkiana Miq., in
Mart., Fl. bras. 10: 315. 1856.
Young shoots subglabrous. Leaves 4-8 x
1. 5-3.5 cm, oblanceolate, apex rounded, base
acute or narrowly cuneate, margin often slightly
revolute, coriaceous, glabrous, lower surface
usually minutely punctate; venation
eucamptodromous to brochidodromous, often
obscure, midrib slightly raised to slightly sunken
on the upper surface, secondary veins 5-7 pairs,
steeply ascending, parallel or slightly convergent,
straight or slightly arcuate; intersecondaries often
long; tertiaries reticulate. Petiole 3-5 mm long,
not channelled, glabrous. Fascicles axillary, 1-5-
flowered. Pedicel 2—3 mm long. Flowers
unisexual (plant dioecious). Sepals 2-3 mm long,
glabrous. Corolla 2.5-3. 5 mm long, broadly
cyathiform to more or less rotate, tube shorter
than the lobes; lobes elliptic to suborbicular,
glabrous. Stamens exserted, absent in female
flowers. Staminodes absent. Ovary 3-locular,
conical or ovoid, sparsely pubescent. Fruit 1 .2-
1.4 cm long, broadly ellipsoid, apex and base
rounded, soft-skinned, smooth, glabrous. Seed
solitaiy, 0.8-1 cm long, broadly ellipsoid, not
laterally compressed, sometimes with a small beak
at the apex of the scar, testa smooth, shining;
scar adaxial, 5-6 mm wide, rugose or verrucose.
Field characters: Shrub or small tree to 5 m
high, with white latex. Flowers pale greenish-
white, fruit ripening purple orblack. Flowering in
central Amazônia in October and November,
fruitinginMarch.
Southern Venezuela and Guyana to
central Amazonian Brazil, in flooded ( igapó )
forest, on sandy beaches and in wet savanna,
ascending to 1300 m altitude in Venezuela.
Not recorded from Reserva Ducke.
AMAZONAS: Manaus, Tarumã, Praia da Lua,
Vicentini 352 (INPA K); between Tarumãzinho &
Tarumã Grande, Keeletal. 215 (INPA K).
Easily recognized within Elaeoluma by
its small leaves and the small fruit, and the seed
with a broad scar.
5.2 Elaeoluma glabrescens (Mart. & EichI.)
Aubrév., Adansonia 1: 26. 1961; Pennington,
T. D., Fl. Neotrop. 52: 242, fig. 48. 1990.
Fig. 8 d-f
Lucuma glabrescens Mart. & Eichl., in
Mart., Fl. bras. 7: 72. 1863.
Young shoots sparsely appressed
puberulous to glabrous. Leaves 12-20 x 3.5-
7 cm, oblong-elliptic or elliptic, apex usually
acute, base narrowly attenuate or cuneate.
Rodriguésia 57 (2): 251-366. 2006
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.2 13 14 15 16 17 18
Flora da Reserva Ducke: Sapotaceae
275
, • hnhif h «eed (Prance et al. 4661)\ c. 1/2 flower (Magulre & Fanshawe
Figura 8 - a-c. Eloeoluma schomburgkiana - a. hamt, • ,/2 nower {Amaral et al. 397). g-h. Elaeoluma nuda
32176). d-f. Elaeoluma glabrescens - d. habit; e. seed (Rtvtl 7), .
■ g. habit (Silva & Brazão 60650)', h. seed ( Amaral 1545).
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cm ..
276
margin often slightly revolute, glabrous, lower
surface minutely punctate; venation
eucamptodromous to brochidodromous, midrib
flat or slightly raised on the upper surface,
secondary veins 9-12 pairs, sometimes
impressed on the upper surface, ascending,
slightly convergent and arcuate, obscure below;
intersecondaries well-developed; tertiaries
obscure, more or less parallel to secondary
venation. Petiole 0.7-2 cm long, not or only
slightly channelled, glabrous. Fascicles 3-10-
flowered, axillary and below the leaves. Pedicel
5-10 mm long, glabrous. Flowers unisexual
(plant dioecious). Sepals (male) 3-4 mm long,
(female) ca. 2.5 mm long, glabrous. Corolla
(male) rotate, 4.5-5 mm long, tube much
shorter than the lobes (female), cyathiform,
ca. 2.5 mm long, tube about equalling the lobes.
Stamens absent in female flowers. Staminodes
absent or vestigial.Ovary 3-locular, ovoid,
sparsely pubescent. Fruit 2-2.5 cm long,
broadly ellipsoid, apex acute to rounded, base
rounded, soft skinned (wrinkling when dry),
smooth, glabrous. Seed solitary, 1.3-1. 6 cm
long, plano-convex, rounded at both ends, not
laterally compressed, testa smooth, shining,
forming an irregular projecting fringe around
the edge of the scar; scar adaxial 1-1.1 cm
wide, verrucose.
Field characters: Tree to 30 m high and 30 cm
diam., with copious sticky white latex. The bark
is light brown, smooth, with a reddish slash.
Flowers greenish-white, the fruit ripening reddish-
black or purple. The fruits are sweet and edible.
Flowering in central Amazônia in August and
September, fruit maturing April to June.
Central Panama to Venezuela,
Amazonian Brazil, Mato Grosso and Goiás,
occurring along riversides and in periodically
or permanently flooded forest, and occasionally
in white sand savanna.
Not recorded from Reserva Ducke, but
occurring in flooded areas near Manaus.
AMAZONAS: Manaus, Tarumã-mirim, Ferreira
234 (INPA K); Rio Negro, Ilha Baependi, Mori et
al. 21308 (K); Rio Negro, Rio Cuieiras, Mori &
Gracie 22456 (K).
Pennington, T. D.
Elaeoluma glabrescens is superficially
similar to E. nuda but can be separated from
it by a series of small differences. These are
listed after the latter species. The two species
are ecologically distinct, E. glabrescens is one
of the common species of flooded forest
throughout Amazônia, while E. nuda is
confined to terra Firme forest.
5.3 Elaeoluma nuda (Baehni) Aubrév.,
Mem. New York Bot. Gard. 23: 224. 1972;
Pennington, T. D., Fl. Neotrop. 52: 245, Fig.
48. 1990. Fig. 8 g-h
Pouteria nuda Baehni, Candollea 14: 72.
1952.
Young shoots finely appressed
pubescent, soon glabrous. Leaves 9-16 x
3. 5-6. 5 cm, usually obovate, apex rounded,
base narrowly attenuate or cuneate, margin
often slightly revolute, glabrous, lower
surface minutely punctate; venation
eucamptodromous, midrib raised on the upper
surface, secondary veins 8-12 pairs, parallel
or slightly convergent; intersecondaries
absent; tertiaries obliqúe to perpendicular.
Petiole 0.5-2 cm long, not channelled,
glabrous. Fascicles 2-5-flowered, axillary
and below the leaves. Pedicel 3-10 mm long,
glabrous. Flowers unisexual (plant
dioecious). Sepals 2-4 mm long, sparsely
appressed pubescent outside. Corolla broadly
cyathiform or rotate, 4—5.5 mm long, tube
much shorter than the lobes, glabrous.
Staminodes usually absent. Ovary 2-3-
locular, ovoid, sparsely pubescent. Fruit 2.5-
3 cm long, broadly ellipsoid, apex and base
rounded, smooth, thin-walled, glabrous. Seed
solitary, 1.5-2 cm long, broadly ellipsoid,
slightly laterally compressed, obtuse or
rounded at base and apex, testa smooth,
shining; scar adaxial, 1—3 mm wide.
Field characters: Tree to 30 m high and
75 cm diam., with small concave buttresses,
or base of trunk fluted, upper trunk cylindrical.
Bark dark reddish-brown, scaling in
rectangular pieces, slash pinkish, with white
latex. Flowers pink to greenish-white, fruit
Rodriguésia 57 (2): 251-366. 2006
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Flora da Reser\’a Ducke: Sapotaceae
277
ripening purplish to black. Flowering in central
Amazónia August to October, fruit maturing
February to March.
Costa Rica to the Guianas and Amazonian
Brazil. A species of terra firme forest in lowland
Amazónia, ascending to 2000 m in montane
forest in Venezuela.
20. Vm. 1997 (fl) Costa, M. A. S. etal. 748 (BM COL G
INPA K MBM MG SPF UB UEC U); 15.IX. 1994 (fl)
Nascimento, J. R. & Assunção, P.A. C. L 597 (INPA
KMG MO NY R RB SP U); 15.XII. 1994 (fl) Ribeiro, J.
E.LS.8í Silva, C. F. 1532 (INPA K MG MO NY R RB
SPU); 1 3. IV. 1998 (fr) Ribeiro, J.ELS. & Assunção, P.
A. C. L 1973 (K); 26. VIII. 1997 (fl) Souza, M ■ A. D. et
al. 391 (AAU CEN CUZ GB HB I AN IC INPA K QCA
RFA W); 2.IX. 1997 (fl) Souza, M. A. D. et al. 409 (E
HAMAB HRB INPA K MAC MG MICH ULM);
25.XI. 1 997 (fl) Souza. M. A. D. etal. 466 (ACRE INPA
K MEXU MG PUEL S UPCB W).
PDBFF: Pereira s.n. PDBFF3402.3400.2 (INPA K).
Elaeoluma mula can be distinguishcd from
E. glabrescens by its obovate leaves with rounded
apex, absence of intersecondary veins, obliqúe
to perpendicular tertiary venation, and the slightly
laterally compressed seed with narrow scar.
6. Pouteria
Pouteria Aubl., Hist. Guiane 1 : 85, pl. 33 (excl.
fruct.). 1775; Baehni, C., Boissiera 5: 144.
1941; Candollea 9: 149. 1942; Cronquist, A.
J., Lloydia 9: 257. 1946; Pennington, T. D., Fl.
Neotrop. 52: 247. 1990.
Unarmed trees or shrubs. Stipules absent
(present in P flavilatex). Leaves nearly always
spirally arranged, rarely opposite. Venation
eucamptodromous or brochidodromous, not
finely striate. Inflorescence axillary or
ramiflorous, fasciculate. Flowers often
unisexual. Calyx a single whorl of 4-6 free,
imbricate sepals, or rarely 6-11 in a closely
imbricate spiral. Corolla cyathiform to shortly
tubular, rarely rotate, tube shorterthan, equalling
or exceeding the lobes, lobes 4— 6(— 9), usually
erect, rarely spreading, simplc. Stamens 4-6 (-9)
fixed in the lower or upper half of the corolla
tube, rarely free, usually includcd, rarely
exserted, the filaments generally short.
Staminodes usually the same number as the
corolla lobes, rarely partially lacking, inserted
in the corolla sinus or inside the tube. Disk
rarely present. Ovary 1-6-locular, style
included or exserted. Fruit a 1-several-seeded
berry. Seed broadly ellipsoid,- plano-convex,
shaped like the segmcnt of an orange or
laterally compressed, testa smooth, wrinkled
or pitted; scar adaxial, narrow or broad or
sometimes covering most of the seed surface.
Embryo vertical, usually with plano-convex
cotyledons and included radicle, less frcquently
with thin foliaceous cotyledons and exserted
radicle; endosperm usually absent, less
frequently present.
About 200 species throughout the
Neotropics, and about 150 species in tropical
Asia and the Pacific.
1.
Key to the species of Pouteria of the Manaus arca
rA a A ctnminodes4 G4), corolla lobes and staminodes often fringed-
Flowers tetramerous (K4.C4.A4, staminooes h, vj-w,
ciliate (section Pouteria).
2 I ower leaf surface with indumentum of spreading or erect hairs.
1. Lower leai suriacc 3_4 cm lona severa -secded, velutmous
3. Leaf base acute to rounded, truit 3-4 cm long, severa , ^ p /,/,/r/rfa
1 I enf base narrowly attenuate, fruit 2-2.5 cm long, 1 seeucü, vim
^m ^ani^nious. or if brochidodromous thcn without a submargmal ven,
secondary veins usually tewer.
5. Venation brochidodromous.
4.
4.
Rodríguésia 57 (2): 251-366. 2006
SciELO/JBRJ
12 13 14 15 16 17
278
5.
Pennington, T D.
6. Higher order venation laxly reticulate, petiole margins strongly infolded, corolla ca. 3 mm
long, fruit soft-skinned and squashy 46 p p[jcata
6. Higher order venation finely reticulchln etate, petiole margin infolded or not, corolla often
longer, fruit hard-skinned, not shrinking on drying.
7. Leaf apex rounded, corolla 3-5 mm long, seed scar 2-3.5 mm wide .... 53. P. hispida
7. Leaf apex usually acute or narrowly attenuate, corolla 4-7 mm long, seed scar usually
broader.
8. Leaf 7-14 x 2.8-5 cm, base often narrowly attenuate, petiole 0.8-1 .4 cm long, slightly
channelled or flat, pedicel 0.5-1 mm long \ p caimito
8 . Leaf 11 20 x 5-7 cm, base acute, petiole 1 .3-2.5 cm long, margins strongly infolded,
Venation eucamptodromous. P *u'anens,s
9. Lower leaf surface with closely appressed, sometimes sericeous indumentum
0. Petiole margins strongly infolded for the whole of their length 50. P guianensis
10. Petiole margins not infolded, flat or only slightly channelled near the apex.
11. Leaf mídnb slightly raised on the upper surface, leaves without finely areolate
reticulum on upper surface, corolla 3-3.5 mm long, lobes ciliate 43. P. filipes
Leat mídnb sunken on the upper surface, leaves with fine areolate reticulum (visible
with lens) on upper surface, corolla ca. 6 mm long, lobes not ciliate
Lower leaf surface glabrous, or with close minute appressed hairs forming a pellide.
1 2. Higher order venation finely reticulate.
13. Bark scaling profusely in large thin papery sheets, leaf apex narrowly acuminate to
caudate, lower leaf surface with sparse whitish closely appressed hairs, flowers
, o rfSSi*e V 1- ! 54. P. decorticans
. Bark not scaling m papery sheets, leaf apex narrowly attenuate to rounded, lower
leaf surface more or less glabrous, flowers usually pedicellate.
14. Leaf apex obtuse or rounded.
15. Petiole not channelled, seed often slightly laterally compressed
11.
9.
k 51. P. caimito
15. Petiole channelled, seed not laterally compressed 53 p hispida
14. Leaf apex acute to narrowly attenuate.
16. Leaves 25-35 x 9-13 cm, secondary veins 19-25 pairs, higher order vein
reticulum fine, sharp and conspicuous (lower surface) 52. P torta
16. Leaves not exceeding 20 x 7 cm, secondary veins 9-16 pairs, higher order
venation coarser and less conspicuous.
17. Secondary veins 9-1 2 pairs, leaves 7-14 cm long, petiole not channelled,
ped.ce 0.5-1 mmlong 51. ,,
econ ary veins 12 16 pairs, leaves 11-20 cm long, petiole margins
strongly infolded, pedicel 5-6 mm lom» sn d
' itSST °r Pen,endiCU'ar’ “ if —r lax and often
’8' cm* 8W-9hn^ tongCl0Sely ^ bd°W- P-* ^-4.5 cm long,
^2 7,::^gc
19’ frrfoldelT VdnS 14-20 pairs’ tertiary Veins reticulate> lax= P^iole margins strongly
46. P. plicata
18
Rodriguésia 57 (2): 251-366. 2006
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12 13 14 15 16 17
Flora da Reserva Ducke: Sapotaceae
279
cm
19. Secondary veins 7-15 pairs, tertiary venation obliqúe and/or perpendicular, petiole margins
not strongly infolded.
20. Leaf base acute to rounded, lower leaf surface often with minute appressed hairs
forming a pellicle, secondary veins 10-15 pairs 42. P. glomerata
20. Leaf base narrowly attenuate, leaves more or less glabrous, secondary veins 7-9 pairs.
21. Leaves 11-17.5 x 4.3-8 cm, apex acuminate, petiole 2-3.5 cm long
45. P fímbria ta
21. Leaves 5.5-11 x 2.5-5 cm, apex obtuse or rounded, petiole 5-10 mm long
47. P. resinosa
1. Flowers not tetramerous (if with 4 sepals then ovary 1-2-locular, or corolla lobes 6 or more).
22. Sepals 4, corolla 1.1-1. 3 cm long, corolla lobes, stamens and staminodes 6, ovary 7-8-
locular 41 • p venosa
22. Sepals 4-5, or more, corolla not exceeding 1 cm long, usually much less, corolla lobes,
stamens & staminodes 4-5 (up to 6 in P opposita with opposite leaves), ovary 1-5-locular
23. Corolla rotate, stamens exserted 57. P. eugeniifolia
23. Corolla cyathiform or tubular, stamens included.
24. Flowers strictly pentamerous with K5, C5, A5, staminodes 5, G5 (except P engleri
and P stylifera which lack several or all staminodes).
25. Flowers lacking staminodes, or if present then reduced in number and vestigial
style long-exserted, somewhat accrescent.
26. Leaves 10-12 x 3.5-7 cm, apex shortly attenuate, acute or rounded,
secondary veins 6-8 pairs, corolla 3.5-4 mm long 27. P engleri
26. Leaves 3.7-7 x 1.6-3 cm, apex shortly mostly narrowly attenuate, secondary
veins 9-10 pairs, corolla ca. 3 mm long 28. P. stylifera
25. Flowers with full complement of staminodes, style usually included.
27. Seed with copious endosperm, embryo with thin foliaceous cotyledons.
28. Stamens free.fruit 6-9 cm long, globoseorobovoid 36. P laevigata
28. Stamens fixed about halfway up the corolla tube or in the upper half,
fruit 2.5-3.5 cm long.
29. Leaf apex acute or obtuse, tertiary venation obscure, sepals glabrous
34. P tarumanensis
29. Leaf apex usually rounded, tertiary venation obliqúe, sepals sericcous
35. P. oblanceolata
27. Seed without endosperm (thin layer present in P. rnaxima ), embryo with
plano-convex cotyledons.
30. Lower leaf surface pubescent to tomcntose with branched ferrugineous
or reddish-brown hairs.
31. Leaves altemate and distichous, 13-21 x 8-1 1.5 cm, broadly elliptic
or ovate, base truncate, lower surface (at least midrib and veins)
crisped pubescent with ferrugineous hairs, fruit ca. 4 cm long,
ellipsoid, glabrous 37. P. maxima
31. Leaves spirally arranged, 10-15 x 4. 5-6. 5 cm, elliptic or
oblanceolate, base narrowly attenuate, lower surface tomcntose to
pubescent with reddish-brown hairs, fruit 7.5-10 cm long, globosc,
velutinous 40- p manaosensis
30. Lower leaf surface glabrous or with some minute appressed hairs.
32. Lower leaf surface glaucous, with minute appressed hairs
39. P. macrophylla
Rodriguésia 57 (2): 251-366. 2006
.SciELO/ JBRJ
12 13 14 15 16 17
cm i
280 „ .
Penmngton, T D.
32. Lower leaf surface not glaucous, glabrous.
33. Stamens fixed near the base of the corolla tube, secondary veins 16-20 pairs, fruit 9-
lOcmlong p af_.
33. Stamens fixed at the top of the corolla tube, secondary veins 9-15 pairs, fruit 3 5-^* cm
long.
34. Leaves 5-8.5 cm wide, tertiary veins obliqúe, petiole 2-4.6 cm long, corolla
cyathiform, tube shorterthan the lobes 21. P. pentamera
34. Leaves 2-4.5 cm wide, tertiary veins forming a loose reticulum, petiole 0.5-1 .2 cm
long, corolla tubular, tube longerthan the lobes 56 Rprocera
24. Flowers not strictly pentamerous (K4— 6, C4-5(-9), A4-5, staminodes (M, G l-2(-3))
35. Staminodes usually absent (flowers may have l-3(-5) vestiges present). Leaves usually
glaucous with higher levei venation obscure.
36. Leaves opposite, corolla lobes and stamens 7-9 32. R opposita
36. Leaves spirally arranged, corolla lobes and stamens 5.
37. Leaves 5-7 cm wide, secondary veins 11-13 pairs, petiole 2-3 cm long, corolla
,7 ^.Srrmlong.... p ambelaniifolia
3 /. Leaves 2.5-6 cm wide, secondary veins 15-22 pairs, petiole 0.5-2 cm long, corolla
2.5-3.5 mm long.
38. Mídnb sunken on the upper surface, stamens fixed in the lower half of the
corolla tube with well-developed filaments, fruit slender with acute to narrowly
lo \/r a u ,■ í , R elegans
38. Mídnb shghtly raised on the upper surface, stamens fixed near the top of the
corolla tube, with very short filaments, fruit broader with rounded apex
35. Staminodes well-developed, equal in number to the corolla lobes; leaves not u!ua^ly glTucous
(exceptions R egregia, R aff. gardneri), venation obvious.
39. Higher order venation (tertiary or quatemary) finely reticulate, ovary 1-Iocular
40. Leaves bullate, persistently pubescent on the lower surface, indumentum not
appressed j5. p platyphylla
40. Leaves not bullate, lower leaf surface with appressed indumentum or glabrous.
41. Lower leaf surface densely appressed puberulous with reddish or golden-brown
indumentum.
42. Leaves 6.5-13.5 x 3-5, elliptic, apex narrowly attenuate or acuminate,
coro a ca. 4.5 mm long, lobes ciliate, stamens fixed about halfway up the
42. Leaves 14-20x 14-10 cm, obovate, apex usually rounded ortmncate, corolla
tube3 mm °ng’ l0bCS n0t CÍ1Í3te’ Stamens f,xed in lhe uPPer half of the corolla
-tl. Indumentum of lower leaf ''
43. Corolla ca. 1 cm long, corolla lobes, stamens and staminodes 4, corolla tube
4-5 times as long as the lobes ] 3 p ericoides
43. Corolla not exceeding 5 mm long, corolla lobes, stamens and staminodes 5.
corolla tube shorter than, equallmg or only slightly longer than the lobes.
hairyenS *XC *n tbC U^Cr °r at toP cor°ha tube, ovary
45. Leaves strongly coriaeeous, 1. 8-4.5 cm wide. often oblong. with
acute, obtuse or rounded apex, pedicel ca. 1 mm long
9. P. pachyphylla
Rodrigu/sia 57 (2): 251-366. 2006
SciELO/JBRJ
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Flora da Reser\’a Ducke: Sapotaceae 28 1
45. Leaves thinner, usually broader, elliptic or oblanceolatc with altenuatc apex, pedicel
longerthan 1 mm.
46. Leaves with fine appressed indumentum on lower surface.
47. Leaves 4.5-9 cm wide, corolla 4.5-5 mm Iong, anthers 1.5-2 mm long, fruit
1.5-2 cm long, seed scar 1.5-2 mm wide \\. P campanulata
47. Leaves 5-6 cm wide, corolla 2-3 mm long, anthers ca. 0.5 mm long, fruit 3-3.5 cm
long, seed scar ca. 4 mm wide 7. P. gongrijpii
46. Leaves glabrous.
48. Corolla4.5-5 mm long, anthers 1.5-2 mm long U. P campanulata
48. Corolla 1 .5-3.5 mm long, anthers 0.5-0.6 mm long.
49. Petiole 0.5-1 cm long, corolla 1 .5-3 mm long, tube about cqualling the lobes,
lobes ciliate, anthers often hairy 8. P reticulata
49. Petiole 2-3 cm long, corolla ca. 3.5 mm long, tube much shorter than the
lobes, lobes not ciliate, anthers glabrous 12. P. retinervis
44. Stamens fixed in the lower half or about halfway up the corolla tube, ovary glabrous.
50. Leaves 5-13 cm long, often lanceolate, base rounded to acute, upper surface usually
smooth and glossy, whole plant more or less glabrous 16. P vernicosa
50. Leaves 10-23 cm long, elliptic, base narrowly attenuate, upper surface not smooth and
elossv young shoots and inflorescence with some fine appressed indumentum
b 14. P rostrata
39. Higher order venation not finely reticulate, or if so then ovary 2(-3)-locular.
51. Stamens free or fixed near the base of the corolla tube.
52 Venation brochidodromous, secondary veins 14-20 pairs, parallcl and usually straight,
’ tertiary veins parallel to the secondaries and descending from the margin, leaves glaucous
below •; ; ^.Pegregia
52 Venation eucamptodromous, secondary veins 8-10 pairs, strongly arcuate, convergent,
tertiary veins reticulate, not parallel to the secondaries and not descending from the
margin, leaves not glaucous 5. P. coriacea
51. Stamens in the upper half of the corolla tube (in the lower half m P mlliamn and P
anómala which have 5 corolla lobes). . .
53. Ovary unilocular, glabrous 18' R Pf™enm
53. Ovary 2-locular (rarely 3-5-locular in P. anómala), pubescent.
54. Stamens fixed in the lower half of the corolla tube.
55 Venation brochidodromous with a strong submarginal vem, secondary veins 1 5-2U
’ pairs, staminodes abscnt, ovary 3-5-Iocular, style exserted ...29. P anómala
55. Venation eucamptodromous to brochidodromous, submarginal vem abscnt,
secondary veins 8-10 pairs, staminodes present, ovary 2-locular, style included
J 25. P williamii
54. Stamens fixed in the upper half of the corolla tube.
56 Lower leaf surface with persistent indumentum (lens may be necessary).
' 57. Stipules present, lower leaf surface finely golden-brown senceous, leaves
9-15 x 4-6.8 cm, apex obtuse or round 26. P Jlavilatex
57 Stipules absent, lower leaf surface with minute stiff whitish appressed
’ indumentum (lens). leaves 15-27 x 7-10.5 cm. apex usually narrowly
23. P pallens
56 Leaves glabrous (residual indumentum sometimes present on lower mídnb).
' 58. Stipules present, leaves 3.5-6.S x 1 .5-2.7 cm, secondary vetus Mjjj»
Rodriguésia 57 (2): 251-366. 2006
.SciELO/ JBRJ
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282
Pennington, T D.
58. Stipules absent, leaves larger, secondary veins more than 6 pairs.
59. Corolla 1-2 mm long, corolla lobes 4 (P cladantha has a mixture of 4 and 5 lobes)
60. Venation brochidodromous, fascicles often clustered on leafless axillary shoots to
several cm long, seed with smooth testa \g p cladantha
60. Venation eucamptodromous, fascicles axillary, not clustered on leafless shoots, seed
with wrinkled testa.
61. Leaves elliptic, apex narrowly attenuate, secondary venation strongly arcuate and
convergent, mtersecondary veins moderate to long, ovary glabrous
63.
... w ” ", 3. P. bilocularis
61 . Leaves broadly oblanceolate to obovate, apex obtuse to rounded, secondary venation
cn ^ „ 7 ‘fhtlyarcuate>parallel*intersecondaries absent, ovary puberulous... 4. P minima
5y. Corolla 3-5 mm long, corolla lobes 5.
62. U>wer leaf surface glaucous 1 . R aff. gardneri
62. Lower leaf surface not glaucous.
63. Leaves with fine areolate higher order vein reticulum conspicuous on both surfaces
(lens) . - „
„. , , 12. P retinervis
Higher order venation not finely reticulate.
64. Leaf apex rounded or truncate, secondary veins 6-8 pairs, fruit 4-5 cm long .
24. P. vir€sc€Tis
64. Leaf apex acute to narrowly attenuate, secondary veins 9-12 pairs fruit 2-
3 cm long.
65 . Venation brochidodromous, higher order venation impressed on both surfaces
(lens), corolla 2.5-4 mm long, ciliate, fruit velutinous 22. P jariensis
65. Venation eucamptodromous (sometimes brochido-dromous in upper half),
higher order venation not impressed, corolla 4-5 mm long, not ciliate, fruit
glabrous 20. R duriandii
Section 1. Franchetella (Pierre) Eyma
6.1 Pouteria aff. gardneri (Mart. & Miq.)
Baehni, Candollea 9: 233. 1942; Pennington,
T. D., Fl. Neotrop. 52: 271, fig. 56. 1990.
Chrysophyllum gardneri Mart. & Miq.,
in Mart., Fl. bras. 7: 102. 1863.
Young shoots with spreading pale
pubescence, soon glabrous. Leaves spirally
arranged, 7.5—16 x 3—6.5 cm, elliptic to
oblanceolate, apex narrowly attenuate, base
acute, upper surface glabrous, lower surface
with residual loose indumentum on the midrib,
slightly glaucous below; venation
eucamptodromous, midrib flat or slightly
prominent on the upper surface, secondary
veins 8-14 pairs parallel or slightly
convergent, slightly arcuate, intersecondaries
absent, tertiaries obliqúe, widely spaced,
higher order reticulum conspicuous on the
upper surface. Petiole 1.3-2 cm long, slightly
channelled, with loose spreading pubescence
at first, becoming glabrous. Fascicles on twigs
below the leaves, 2— 5-flowered. Flowers
probably unisexual. Pedicel 4—5 mm long,
sparsely appressed puberulous. Sepals 5, 2-
2.5 mm long, appressed puberulous outside,
glabrous inside. Corolla ca. 4 mm long,
cyathiform, lobes 5, much longer than the
tube, glabrous. Stamens 5, fíxed at the top of
the corolla tube, included, glabrous.
Stammodes 5, in the corolla lobe sinuses, ovate,
glabrous. Ovary ? 2-locular, pubescent. Fruit
1.5-2 cm long, ellipsoid, apex and base
rounded, smooth, glabrous apart from some
residual indumentum at base and apex,
pericarp soft and fleshy. Seed solitary, 1—
1.5 cm long, ellipsoid, laterally compressed,
testa smooth, shining; scar adaxial, full length,
4—5 mm wide. Seed without endosperm.
Field characters: Tree to 25 m high and
25 cm diam., with branched buttresses to
1 .5m high. Bark yellowish, scaling in irregular
Rodriguisia 57 (2): 251-366. 2006
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Flora da Reserva Ducke: Sapotaceae
283
plates. Flowers greenish, fruit maturing
reddish-black. Flowering in January, fruiting
from February to April.
East and southeast Brazil, Paraguay and
Bolivia. If the central Amazonian plant is the
same species, this is a range extension from
Goiás and Maranhão. Pouteria gardneri is
a plant of cerrado, gallery forest and grassy
campo. The central Amazonian plant is
confined to non-flooded high forest.
One tree known in Reserva Ducke,
tagged tree number 4596. '
PDBFF: Reserva km 4 1 , Oliveira et al. 300 (INPA
K); Oliveira etal. 398 (INPA K).
This plant differs from the southeast
Brazilian P. gardneri only in the longer
petioles, and the slightly thicker textured
leaves. Only one flowering specimen has
been seen, and this is apparently a male
flower, with the ovary reduced and only 1
minute locule without ovules.
6.2 Pouteria stipulifera T. D. Penn. sp. nov.
(section Franchetella). Type: Brazil,
Amazonas, Manaus, Reserva Ducke, 2°53 S,
59°58’W, 20.VII.1994, fl, P.A.C.L Assunção
33 (holotype INPA, isotypes G K MG MO
NY R RB SP). F|g- 9 a;S
P. gardneri affinis sed stipulis parvis,
foliis parvis nervis secundariis paucis
differt.
Arbor; stipulae 3-5 mm longae,
anguste lanceolatae; folia 3. 5-6.5 x 1.5-
2.7 cm, elliptica vel oblanceolata; nervi
secundarii 5-6-jugi, convergentes et valde
arcuati; fasciculi axillares; pedicellus 3-
5 mm longus; sepala 5, ca. 2 mm longa,
corolla cyathiformis, ca. 3.5 mm longa,
lobis 5; staminodia 5; ovarium 2-loculare,
fructus 3. 5-4. 5 cm longus, obovoideus vel
ellipsoideus.
Tree. Young shoots sparsely appressed
puberulous, soon glabrous and scaling. Stipules
3-5 mm long, narrowly lanceolate, glabrous,
caducous. Leaves spirally arranged, 3. 5-6.5 x
1 .5-2.7 cm, elliptic or oblanceolate, apex acute
to obtuse, base narrowly cuneate or attenuate,
glabrous; venation eucamptodromous in the
lower half, brochidodromous in the upper half,
midrib flat or slightly raised on the upper
surface, secondary veins 5—6 pairs, convergent
and strongly arcuate, intersecondaries short or
absent, tertiaries forming an open reticulum.
Petiole 5-7 mm long, channelled, subglabrous.
Fascicles axillary, 1-2-flowered. Pedicel 3-
5 mm íong, sparsely appressed puberulous.
Sepals 5, ca. 2 mm long, ovate, apex acute,
appressed puberulous outside, glabrous within,
margin ciliate. Corolla cyathiform, ca. 3.5 mm
long, tube ca. 1.5m long, lobes 5, ca. 2 mm
long, broadly ovate or elliptic, apex obtuse;
glabrous. Stamens 5, fixed in the upper half of
the corolla tube, filaments ca. 0.5 mm long,
glabrous, anthers 1-1.25 mm long, broad,
glabrous. Staminodes 5, ca. 1 mm long,
lanceolate-subulate, camose, glabrous. Disk
absent. Ovary pulvinate, 2-locular, densely short
pubescent, style ca. 1 mm long, glabrous,
included, style-head simple. Fruit 3.5-4.5 cm
long, obovoid or ellipsoid, apex obtuse or
rounded, base obtuse or tapered, soft-skinned
and fleshy, smooth (wrinkling in diying) shortly
velutinous. Seed solitary, ca. 2 cm long,
ellipsoid, apex and base obtuse or rounded, not
laterally compressed, testa smooth, shining;
scar adaxial, ca. 1.7 x 0.8 cm, verrucose. Seed
without endosperm.
Field characters: Tree to 15 m high and 30 cm
diam., with small buttresses. Bark reddish,
dippled; slash ycllowish, with white or ycllowish
latex. Flowers with green sepals and pink
corolla. Fruit maturing orange. Flowering in July
and fruit maturing in January.
Known only from three collections in the
vicinity of Manaus, Amazonas, Brazil.
Paratype: 19.XI.1997 (fr) Ribeiro, J. E. L. S. &
Pereira, E. C. 1956 (INPA K).
Other collections from outside Reserva Ducke:
Brazil, Amazonas, Manaus, Igarapé do Bindó, D.
Coêlho s.n. 1NPA3321 (INPA).
A very distinct plant whose floral
structure and size are close to P. simulans, P.
gardneri and P benai. lt differs from all these
by the presence of stipules, and by the very
small leaves with few secondary veins. The
relatively large velutinous fleshy fruit is also
Rodriguésia 57 (2): 251-366. 2006
!scíelo/jbrj
12 13 14 15 16 17
cm ..
284
distinctive. Pouteria benai has leaves of
similar size, but the venation is quite different,
as are the long-pcdicellate flowers.
6.3 Pouteria bilocularis (Winkler) Baehni,
Candollea9: 229. 1942; Pennington, T. D., Fl.
Neotrop. 52: 283, fig. 52. 1990. Fig. 9 h-j
Labatia bilocularis Winkler, Repert.
Spec. Nov. Regni Veg. 7: 112. 1909.
Young shoots glabrous. Leaves spirally
arranged, 7-12.5 x 3-5.5 cm, elliptic, apex and
base narrowly attenuate, glabrous, lower
surface minutely punctate, venation
eucamptodromous, midrib slightly raised on the
upper surface, secondary veins 7-11 pairs,
arcuate, convergent, intersecondaries moderate
to long, tertiaries reticulate and some parallel
to the secondaries. Petiole 1.2-1. 4 cm long,
slightly channelled, glabrous. Fascicles 5-20-
flowered, axillary and below the leaves. Pedicel
4-5 mm long, glabrous. Flowers unisexual.
Sepals 4, 1-1.5 mm long, subglabrous. Corolla
1.75-2 mm long, cyathiform, tube equalling or
slightly longer than the lobes, glabrous. Stamens
4, fixed at the top of the corolla tube, glabrous,
absent in female flowers. Staminodes 4, ovate
to subulate, glabrous, vestigial in female flower.
Ovary flattened (male flowers) or ovoid
(female flowers), 2-locular, glabrous, style
included. Fruit 2-3 cm long, ellipsoid, apex
rounded or obtuse, base acute, hard-skinned,
smooth, glabrous. Seed solitary, 1 .8-2.5 cm
long, ellipsoid, laterally compressed, rounded
at both ends, testa wrinkled or verrucose,
shining; scar adaxial, full-length, 2-3 mm wide.
Seed without endosperm.
Field characters: Tree to 30 m high and 45 cm
diam., larger specimens buttressed, bole
cylindrical, bark reddish to dark brown,
longitudinally fissured and peeling in rectangular
plates, slash reddish-brown, with sweet smell,
with scarce white latex. Flowers scented,
greenish, the fruit ripening orange-yellow.
Flowering in central Amazônia in April.
The Guianas and Venezuela across
Amazônia to the Andean countries, where it is
a species of lowland rainforest, mostly on non-
Pennington, T. D.
flooded land. It ascends to 1 200 m altitude in
Bolivia.
1 5.IV. 1 994 (fl) Nascimento. J. R. et al. 508 (G INPA
K MBM MG MO NY R RB SP U UEC US).
PDBFF: Reserva km 41, Pennington et al. 12986
(INPA K); Freitas et al. F-376 (INPA K).
This species is characterized by the rather
coriaceous leaves with conspicuous arcuate
venation, the tertiary veins usually more or less
parallel to the secondaries, and the seed with
a wrinkled testa.
6.4 Pouteria mínima T. D. Penn., Fl. Neotrop.
52: 285, fig. 59. 1990. Fig. 10 g-i
Young shoots glabrous, soon scaling and
cracked. Leaves spirally arranged, 6-14 x 3.5-
8.3 cm, broadly oblanceolate to obovate, apex
obtuse to rounded, base acute to shortly
attenuate, coriaceous, glabrous; venation
eucamptodromous, midrib slightly prominent on
the upper surface, secondary veins 8-9 pairs,
slightly arcuate, parallel, intersecondaries absent,
tertiaries obliqúe and reticulate. Petiole 0.9-
1 .2 cm long, not channelled, glabrous. Fascicles
10-20-flowered, axillary and below the leaves.
Pedicel 2-3 mm long, sparsely and minutely
appressed puberulous. Flowers unisexual (plant
monoecious). Sepals 4, 1-1.5 mm long, sparsely
appressed puberulous. Corolla cyathiform, 1.5—
2 mm long, tube about equalling the lobes, lobes
4, glabrous. Stamens 4, fixed in the upper half
of the corolla tube, glabrous; absent in female
flowers. Staminodes 4, fixed in the corolla lobe
sinuses, 0.3— 0.4 mm long, glabrous. Ovary
ovoid, 2-locular, puberulous. Fruit 2.3-2.65 cm
long, ellipsoid to obovoid, apex rounded, base
acute, hard-skinned, smooth, glabrous. Seeds
1-2, ca. 1.7 cm long, ellipsoid, laterally
compressed, testa wrinkled, shining; scar
adaxial, full-length, ca. 1.5 mm wide. Seed
without endosperm.
Field characters: Tree to 35 m high with
cylindrical bole, often fluted at the base and with
superficial roots. Bark dark brown, fissured, inner
bark reddish, with translucent whitish sap.
Flowers slightly perfumed, cream-coloured, fruit
maturing yellowish-orange. Flowering in central
Amazônia in March, fruiting July to December.
Rodriguésia 57 (2): 251-366. 2006
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Flora cia Reserva Ducke: Sapotaceae
285
cm
5 cm
- , , . Kit h flnwerc 1/2 flower; d. ovary; c. fruit; f. secd [Assunção 33); g. stipules
Figura 9 - a-g. Paute ria stipuUfera- a. habit, 62/6); i. 1/2 flower (Krukoff 10S60)\\ c 1. sccd.s {Davitlse
{Ribeiro 1197); h-1. Pouteria biloculans - h. habit (WoytkowsKt
& Huber 15370).
Rodriguésia 57 (2): 251-366. 2006
SciELO/ JBRJ
12 13 14 15 16 17
cm ..
286
Central and northwestern Brazilian
Amazônia, in lowland forest on non-flooded land.
1 7. X. 1 997 (fr) Assunção, P.A.C.L& Pereira, E. da
C. 703 (BM COL IAN 1NPA K SPF UEC VEN);
1 8. vn. 1 997 (fr) Forzza, R. C. 294 (G INPA K MBM
MG RB U UB US); 5. VI. 1 993 (fr) Ribeiro, J. E. L S.
etal. 854 (INPA K MG MO NY SP); 10.11.1994 (fl)
Ribeiro, J. E. L S. et al. 1201 (INPA K MG MO NY
RB SP); 25.m. 1 997 (fl) Ribeiro, J. E.LS.& Pereira,
E. C. 1872 (G INPA K MBM MG R U UB US);
26.III. 1997 (fl) Ribeiro, J. E. L. S. & Pereira, E. C.
1876 (B F IAN INPA K P PEUFR UFMT).
This species has a similar floral and fruit
structure to P. bilocularis. It differs from this
species in the different leaf shape (apex usually
rounded), the much less prominent higher order
venation, and smaller flowers.
6.5 Pouteria coriacea (Pierre) Pierre, Symb.
Antill.5: 109. 1904;Pennington,T.D.,Fl.Neotrop
52: 285, fig. 49. 1990. Fig. 10 d-f
Guapeba coriacea Pierre, Not. Bot
42.1891.
Young shoots finely appressed
puberulous, soon glabrous. Leaves spirally
arranged, 8-15 x 3.2-5.5 cm, elliptic, apex
narrowly attenuate or acuminate, base acute
to narrowly attenuate, glabrous; venation
eucamptodromous, midrib slightly raised on the
upper surface, secondary veins 8-10 pairs,
strongly arcuate, convergem, intersecondaries
short to moderately long, tertiaries forming an
open reticulum. Petiole 0.6-1. 1 cm long,
slightly channelled, glabrous. Fascicles axillary
and in the axils of fallen leaves, 5-10-flowered.
Pedicel 3-7 mm long, glabrous. Flowers
bisexual. Sepals 4, 1—1.5 mm long, glabrous.
Corolla cyathiform, 2-3 mm long, tube
equalling or longer than the lobes, lobes 4,
glabrous except for sparse hairs on the tube.
Stamens 4, free or fixed at the base of the
corolla tube, filaments long, glabrous.
Staminodes 4, 0.4— 0.8 mm long, glabrous.
Ovary ovoid, 2-locular, densely strigose. Fruit
2-4 cm long, ovoid or ellipsoid, apex acute to
attenuate, base acute to rounded, hard-skinned,
smooth, glabrous. Seed solitary, 1. 4-2.4 cm
long, ellipsoid, slightly laterally compressed.
Pennington, T D.
testa shining, strongly transversely wrinkled;
scar adaxial, full-length, 2-3 mm wide. Seed
without endosperm.
Field characters: Tree to 30 m high and 40 cm
diam., unbuttressed or larger specimens with
low buttresses, bole cylindrical, bark shallowly
fissured, reddish brown, slash reddish with small
amount of white latex. Flowers pale green, fruit
ripening yellow. Flowering (Guianas) April to
October, fruit January to September.
Venezuela and the Guianas to central
Amazonian Brazil, in lowland forest on non-
flooded land, up to 700 m altitude in the Guianas.
Not yet recorded in Reserva Ducke.
PDBFF: Reserva km 4 1 , Freitas et al. F-108 (INPA
K); Freitas et al. F-162 (INPA K); Lepsch Cunha
et al. 633 (INPA K).
Pouteria coriacea shares a similar floral
structure with P. egregia. Both species have 4
sepals, 4 corolla lobes, 4 stamens, 4 staminodes
and a 2-locular ovary. Both also have the stamens
free or inserted at the base of the corolla tube.
They can be distinguished by their leaf
morphology, with P. egregia having a glaucous
leaf undersurface and brochidodromous venation
with more numerous secondary veins
(eucamptodromous in P. coriacea).
6.6 Pouteria egregia Sandwith, Buli. Misc.
Inform. 1931: 479. 1931; Pennington, T. D., Fl.
Neotrop. 52: 289, fig. 59. 1 990. Fig. 10 a-c
Young shoots sparsely and minutely
appressed puberulous, soon glabrous. Leaves
spirally arranged, 5-10 x 2. 5-3. 5 cm,
oblanceolate to oblong-elliptic, apex obtusely
cuspidate, base narrowly attenuate or cuneate,
upper surface glabrous, lower surface
glaucous, sometimes with scattered minute
appressed hairs; venation brochidodromous,
midrib flat or slightly raised on the upper
surface, secondary veins 14—20 pairs, parallel
and usually straight, intersecondaries long,
tertiaries mostly parallel to the secondaries and
descending from the margin. Petiole 3-9 mm
long, slightly channelled, glabrous. Fascicles
5-15-flowered, axillary and below the leaves.
Pedicel l-v8 mm long, with sparse minute
Rodriguésia 57 (2): 251-366. 2006
SciELO/JBRJ
12 13 14 15 16 17
Flora da Reserva Ducke: Sapotaceae
287
. .■ /d/ , i u,m,irhinn 39693)'. b. 1/2 flowcr [Blanco 268)\ c. fruits (Manco
Figura 10 - a-c. Pouteria egregia - a. habit ( Wunlack & /2627J; g. fruit (Davidse et al.
** 4 — '«)• f:f',írf Í W. 4*. 4 H». KW).
13753). h-j. frufena minima - h. habit (Schultes & Pires 9070). X. IU nowcr. j y
Rodriguésia 57 (2): 251-366. 2006
iSciELO/ JBRJ
12 13 14 15 16 17
cm ..
Pennington, T. D.
appressed indumentum. Flowers unisexual
(plant dioecious). Sepals 4, 0.5-1 mm long,
sparsely appressed puberulous. Corolla
ca. 2 mm long, cyathiform, tube slighüy shorter
than or equalling the lobes, Iobes 4, minutely
appressed puberulous outside. Stamens4, free
or fixed in the lower half of the corolla tube,
glabrous, absent in female flowers. Staminodes
4, 0.5-1 mm long, subulate, glabrous, reduced
to vestiges in female flower. Ovary ovoid, 2-
locular, appressed puberulous. Fruit 2-2.5 cm
long, broadly ellipsoid to globose, apex rounded
to obtuse, base rounded or tapered, smooth,
glabrous. Seed solitary, 1.4-1. 8 cm long,
broadly ellipsoid, slightly laterally compressed,
testa smooth, shining; scar adaxial, full-length,
4-8 mm wide. Seed without endosperm.
Field characters: Tree to 40 m high and 1 m
diam., with simple or branched running
buttresses to 2.5 m high, and spreading up to
3 m, bole slightly íluted at the base, cylindrical
above. Bark pale buff-brown or grey-brown,
vertically cracked and scaling in thin narrow
strips, slash streaked orange with copious
sticky white latex. Leaves greyish-green to
glaucous when fresh. Flowers greenish white,
and fruit maturing yellow to orange. Flowering
September to November, fruiting in May.
Amazonian Colombia and Venezuela to
the Guianas, Pará and central Amazônia, in
lowland rainforest on non-flooded land.
Not yet recorded from Reserva Ducke.
PDBFF: Lars. L s.n , 1 5.' VL 1 984, Reserva 3004 (INPA K).
The glaucous lower leaf surface and
brochidodromous venation of this species is
superficially like that of P. cuspidata, but it
differs from this species in its 4-merous
flowers (5-merous in P. cuspidata) with free
stamens or stamens fixed at the base of the
corolla tube, and in the consistem occurrence
of the full complement of staminodes. The
floral structure of P egregia is similar to that
of P. coriacea, but the latter has
eucamptodromous venation with few
secondary veins and the lower leaf surface is
not glaucous.
6.7 Pouteria gongrijpü Eyma, Recueil Trav. Bot.
Néerl. 33: 185. 1936; Pennington, T. D., Fl.
Neotrop. 52: 293, fig. 6 1 . 1 990. Fig. 11 a-d
Young shoots minutely appressed
puberulous, soon glabrous. Leaves spirally
arranged, 15-19 x 5-6 cm, oblanceolate, apex
shortly acuminate, base narrowly attenuate,
glabrous above, usually sparsely appressed
puberulous below with minute closely
appressed hairs; venation eucamptodromous,
midrib slightly raised on the upper surface,
secondary veins 12-15 pairs, convergem,
arcuate, intersecondaries few, short to
moderately long, tertiaries forming an open
reticulum, fine quatemary reticulum visible on
the upper surface. Petiole 1-1.5 cm long, not
channelled, subglabrous. Fascicles axillary and
below the leaves, 5— 10-flowered. Pedicel 5-
6 mm long, finely appressed puberulous.
Flowers unisexual (plant dioecious). Sepals 5,
1 .5- 2 mm long, finely appressed puberulous
outside, glabrous within. Corolla cyathiform,
2.5- 3 mm long (male), 2-2.25 mm long
(female), tube about equalling the lobes, lobes
5, glabrous. Stamens 5, fixed at the top of the
corolla tube, glabrous, converted to lanceolate
staminodes (female). Staminodes 5, 0.75-
1 mm long, usually glabrous. Ovary ovoid
(female) to truncate (male), 1-locular,
appressed puberulous. Fruit 3-3.5 cm long,
ellipsoid, apex rounded, base tapering, smooth,
subglabrous. Seed solitary, 2-2.2 cm long,
oblong, rounded or obtuse at both ends. not
laterally compressed, testa smooth, adherent
to the pericarp; scar adaxial, full-length,
ca. 4 mm wide. Seed without endosperm.
Field characters: Tree to 30 m high and 40 cm
diam., with small buttresses. Bole cylindrical.
with reddish-brown bark exfoliating in thin
scales, slash orange or red, with copious sticky,
white latex. Flowers pale green, scented, fruit
maturing orange. Flowering in central
Amazônia in September.
Venezuela and the Guianas to eastem and
central Amazonian Brazil, in mixed lowland
forest on non-flooded land.
17.IX.1987 (bd) Pruski. J. F. et al. 3267 (INPA K
MG RB SP).
Rodriguésia 57 (2): 251-366. 2006
SciELO/JBRJ
L2 13 14 15 16 17
Flora da Reserva Ducke: Sapotaceae
289
.. .. . ... . flower (Moriet al 8743); c. fruit; d. sccd (Oldeman 3298). c-l. Pouteria
Figura 11 -a-d. Pouteria gongrtjpu - a. habi^ b. < im). g malc flower (Croat 49844); h. 1/3 fenialc
reticulata subsp. reticulata - e. habú (Krukoff ). f. h ( ^ // ?W). m.0. Pouteria pachyphylla - m. hab.t
flower; i. fruit; j. seed (Penrungton et al. 11489). !• sec“ ' s
(7WjtWra ef a/. 1228); n. fruit; o. seed (P rance et al. 4763).
Rodriguésia 57 (2): 251-366. 2006
SciELO/JBRJ,
L2 13 14 15 16 17
290
Pennington, T. D.
This species is closely related to P.
reticulata, but may be distinguished from it by
the oblanceolate leaves with more arcuate
secondary veins, by the indumentum on the lower
leaf surface, and by its non-ciliate corolla lobes.
6.8 Pouteria reticulata (Engl.) Eyma, Recueil
Trav. Bot. Néerl. 33: 183. 1936; Pennington,
T. D., Fl. Neotrop. 52: 295, fig. 61. 1990.
Fig. 11 e-1
Young shoots appressed puberulous at
first, soon glabrous. Leaves spirally arranged,
9—14 x 3.5—6 cm, elliptic, apex narrowly
attenuate or acuminate, base narrowly
attenuate, glabrous; venation eucamptodromous
or sometimes brochidodromous near the apex,
midrib slightly raised on the upper surface,
secondary veins 9-13 pairs, parallel or slightly
convergem, arcuate, intersecondaries usually
short, tertiaries reticulate, fine areolate higher
order network visible on both surfaces. Petiole
0.5-1 cm long, not channelled, glabrous.
Fascicles 5-15-flowered, axillary and in the
axils of fallen leaves. Pedicel 4-7 mm long,
sparsely appressed puberulous. Flowers
unisexual (plant dioecious). Sepals 4—5, 1—
2 mm long, appressed puberulous outside,
glabrous within. Corolla cyathiform, 1.5-3 mm
long, tube about equalling the lobes, lobes 5,
ciliate. Stamens 5, fixed near the top of the
corolla tube, anthers often hairy; reduced to
sterile staminodes in female flower.
Staminodes 5, 0.5—1 mm long, glabrous.
Ovary ovoid or conical, 1-locular, puberulous.
Fruit 1 .5-3 cm long, ellipsoid or ovoid, apex
acute to rounded, base tapered to rounded,
soft-skinned and fleshy, smooth, glabrous!
Seed solitary, 1-2.5 cm long, ellipsoid, obtuse
at apex and base, slightly laterally compressed,
testa smooth, shining, usually free from the
pericarp; scar adaxial, full-length, 2-8 mm
wide. Seed without endosperm.
Field characters: Tree to 30 m high and 50 cm
diam., with simple or branched buttresses to 2
m high, lower bole frequently fluted, bark
brown to pale greyish, scaling in long irregular
plates, slash variable, from pale straw-coloured
to reddish, with copious white latex. Flowers
greenish-white, usually scented, the fruit
maturing orange to black. Flowering in central
Amazônia in October and November, fruit
maturing January to March.
México and Central America and
throughout tropical South America to coastal
Brazil, Peru and Bolivia. A common species
of both seasonal and everwet rainforest, mostly
on non-flooded sites.
This is a widespread and variable species
within which are recognized two subspecies.
Only subspecies reticulata is known from
central Amazônia, and this has a complex
variation pattem, where several locally distinct
forms exist side by side. These forms are
recognized on the basis of bark, leaf and flower
morphology, but because the character sets are
not completely correlated, they cannot at
present be used as a basis for formal taxonomic
categories. The variation in these forms is
described below.
Form 1. Typical subspecies reticulata as in
the description above. This is a slightly
buttressed tree with grey brown bark varying
from shallowly fissured to slightly scaling and
exfoliating in narrow thin pieces. The bark is
frequently fissured and scaling on the same
trunk. The slash is pale brown with a few drops
of white latex or sometimes none at all. The
leaves have a fine higher order reticulum on
the lower surface. The flowers have a glabrous
coroIIa.Examples of this form are:
PDBFF: Nascimento et al. PDBFF2206.247I (INPA
K); Pennington et al. 13212 (INPA K).
Form 2. A buttressed tree with rich brown
bark which which exfoliates in large irregular
scales. The slash is brown with plentiful sticky
white exudate. The leaves of this form are small
and coriaceous with a rounded base and fine
reticulation on both surfaces. They resemble
the leaves of a small-leaved Pouteria
vernicosa. The very small flowers have a
distinctly pubescent corolla.
22.XII. 1 994 (fl) Nascimento. J. R. et al. 695 (INPA
K MG MO NY R RB SP U); 7.ni. 1 995 (fr) Nascimento.
J. R. et al. 775 (INPA K MG MO NY R RB SP U).
PDBFF: Boom et al. 8639 (INPA K); Mori et al.
20531 (INPA); Palheta s.n. PDBFF 2303.3454.2',
A. P. Silva s.n. PDBFF 1301.3497.2.
Rodriguésia 57 (2): 251-366. 2006
SciELO/JBRJ
12 13 14 15 16 17
Flora da Reserva Ducke: Sapotaceae
291
Form 3. A buttressed tree with brown to
orange-brown bark, scaling in large irregular
plates. The slash is brown, with plentiful
running white latex. The trunk and bark
characters are similar to form 2. This form
contains two distinct leaf types a) typical
subspecies reticulata as in the description
above; b) leaves with widely spreading (almost
at right angles to the midrib) more or less
straight secondary veins and lacking the
prominent higher order areolate vein network.
The floral structure of this form is typical of
subspecies reticulata (i.e., with a glabrous
corolla).
22.VIII.1997 (bd) Assunção, P. A. C. L. et al. 624
(IAN ÍNPA K MO NY RB SP U UB); 27.XI. 1 997 (fr)
Assunção, P.A.C.L et al. 728 (LAN INPA K MO N Y
RB SP U UB).
PDBFF: C. F. Silva s.n. PDBFF 3402.683.2 (INPA);
M. J. R. Pereira et al. s.s. PDBFF 3402. 780 (K INPA).
6.9 Pouteria pachyphylla T. D. Penn., Fl.
Neotrop. 52: 303, fig. 61. 1990. Fig. 11 m-o
Young shoots glabrous. Leaves spirally
arranged, 5.5-12 x 1. 8-4.5 cm, oblanceolate,
oblong or elliptic, apex acute to obtuse or rounded,
base narrowly attenuate, strongly coriaceous,
glabrous; venation eucamptodromous to
brochidodromous, midrib slightly raised on the
upper surface, secondary veins 12-15 pairs,
slightly convergent or parallel, slightly arcuate or
straight, intersecondaries moderate to long,
tertiaries forming an areolate reticulum on the
lower surface. Petiole 0.5-1. 5 cm long, not
channelled, glabrous. Fascicles 5-10-flowered,
axillary. Pedicel ca. 1 mm long, glabrous. Sepals
5, ca 1 mm long, glabrous, marginciliate. Corolla
cyathiform, ca. 2 mm long, tube shorter than the
lobes, lobes 5, glabrous, slightly ciliate. Stamens
5, fixed at the top of the corolla tube, glabrous.
Staminodes 5, ca. 0.5 mm long, glabrous. Ovary
ovoid, 1-locular, pubescent. Fruit 1.7-2. 1 cm
long, narrowly obovoid to ellipsoid, apex and base
acute to obtuse, smooth, glabrous. Seed solitary,
1 .4-1 .8 cm long, narrowly ellipsoid, not laterally
compressed, testa smooth, shining; scar adaxial,
full-length, 2.5-4 mm wide. Seed without
endosperm.
Field characters: Tree to 20 m high and 20 cm
diam., slash with white latex. Flowers whitish
or pale green, the fruit ripening blackish.
Flowering in central Amazónia, September to
November, fruit maturing in April.
Central and western Brazilian Amazónia,
where it occurs in periodically flooded and
permanently flooded forest.
Not recorded from Reserva Ducke.
AMAZONAS, Rio Cuieiras, Rio Branquinho,
P rance etal. 17864 (K); Rio Cuieiras, Campbell et
al. 21850 (K); Manaus-Itacoatiara, Rio Urubu,
Prance et al. 4763 (K).
Pouteria pachyphylla is easily recognized
by the thickly coriaceous leaves on short
petioles, the flowers on short pedicels, and the
short corolla tube exceeded by the lobes. These
characters distinguish it from the most closely
related species P. reticulata and P. gongrijpii.
6.10 Pouteria erythrochrysa T. D. Penn., sp.
nov. (section Franchetella). T^pe: Brazil,
Amazonas, Manaus, ca. 90 km N of Manaus,
Distrito Agropecuário, BR 174, km 72, Fazenda
Dimona, 2°19’S, 60°05’W. Reserva 2303 A. P.
Silva s.n. (holotypc INPA/WWF 2303.3025.2
M.V., isotype K). Fig. ^ a-h
P. campanulatae et P. rostratae affinis
sed ramulis novellis et foliorum pagina
inferiore pilis erythrochrysis dense et
persistenter adpresse puberula, nervis
secundariis 12-14-jugis parallelis differt.
Arbor; stipulae nullae; folia 6.5-13.5
x 3-5 cm, elliptica; nervi secundarii 12-14
jugi, paralleli, arcuati; fasciculi in axillis
foliorum delapsorum enati; pedicellus 5-
7 mm longus; sepala 5; corolla cyathifomis,
ca. 4.5 mm longa, lobis 5; stamina 5;
staminodia 5,' ovarium 1 -loculare, ft tutus
2.2-3 cm longus, ellipsoideus, apice
rotundatus.
Tree. Young shoots finely appresscd
puberulous with reddish-golden hairs, soon
becoming glabrous, greyish, finely cracked and
fissured. Stipules absent. Leaves spirally
arranged, 6.5—13.5 x 3—5 cm, elliptic, apex
narrowly attenuate to acuminate, base narrowly
cuneate or attenuate, glabrous above, finely but
Rodriguésia 57 (2): 251-366. 2006
SciELO/JBRJ,
L2 13 14 15 16 17
cm ..
292
densely appressed puberulous below with
reddish-golden hairs; venation
eucamptodromous, midrib flat on the upper
surface, secondary veins 12-14 pairs, parallel,
arcuate, intersecondaries mostly short or absent,
tertiaries obliqúe to perpendicular, fine areolate
network sometimes visible on upper surface.
Petiole 1. 5-2.2 cm long, not or only slightly
channelled, sparsely appressed puberulous.
Fascicles 5-10-flowered, mostly clustered in
the axils of fallen leaves. Pedicel 5—7 mm long,
finely appressed puberulous. Sepals 5, 1.75-
2 mm long, broadly ovate to orbicular, finely
appressed puberulous outside, subglabrous
inside. Corolla ca. 4.5 mm long, cyathiform, tube
ca. 2 mm long, lobes 5, ca. 2.5 mm long,
orbicular, margin ciliate, glabrous. Stamens 5,
fixed about halfway up the corolla tube,
filaments ca. 0.3 mm long, glabrous, anthers
ca. 1 mm long, ovoid, glabrous. Staminodes 5,
1-1.5 mm long, lanceolate-subulate, glabrous.
Disk absent. Ovary ovoid, 1.75-2 mm long, 1-
locular, glabrous except for long hairs at the base;
ovary gradually tapering into a short style,
ca. 0.5 mm long, included; style-head minutely
lobed. Fruit 2.2—3 cm long, ellipsoid, apex and
base obtuse to rounded, fleshy, soft-skinned,
smooth, glabrous. Seed solitary, 2-2.2 cm long,
ellipsoid, laterally compressed, apex acute, base
rounded, testa smooth, shining; scar adaxial, full
length, ca. 2.5 mm wide; embryo with plano-
convex, free cotyledons, extending to the
surface. Seed without endosperm.
Field characters: Buttressed tree to 30 m
high and 60 cm diam., with cylindrical bole; bark
reddish-brown, scaling irregularly in small thin
pieces, slash reddish, with whitish latex. Fruit
ripening black, with sweet pulp. Flowering in
October, fruiting in January.
A common component of non-flooded
rainforest in central Amazônia. Thirty individuais
(10 cm diam. or greater) were collected from
the 25 hectare Sapotaceae plot in the PDBFF
reserve at km 41.
Paratypes: 1 1 .IX. 1 997 (fl) Assunção. P.A.C.L&
Silva, C. F. 642 (INPA K MG MO NY RB SP U UB);
30.1. 1 996 (fr) Ribeiro, J. E. L S. et al. 1 785 (INPA K
MG MO NY RB SP U); 15.XU.1997(fl)Soí/i«s, C.
A. & Pereira, E. C. 1073 (INPA K).
Pennington, T D.
This species clearly belongs within section
Franchetella to the group of species containing
P campanulata , P. sagotiana, P. rostrata and
P. platyphylla. All have a very similar floral
structure with 5 sepals, 5-lobed corolla with the
lobes longer than the tube, 5 included stamens,
5 staminodes, and a unilocular ovary. They also
share the relatively small fruit, with a single seed
bearing a narrow adaxial scar. It differs from
all these species in the presence of the fine
persistent reddish-golden indumentum on the
young parts and lower leaf surface, and in the
details of leaf size, shape and venation.
6.11 Pouteria campanulata Baehni, Candollea
9: 275. 1942; Pennington, T. D., Fl. Neotrop.
52: 306, fig. 64. 1 990. Fig. 12 i-1
Young shoots finely appressed
puberulous, soon glabrous. Leaves spirally
arranged, 18-27 x 4.5-9 cm, oblanceolate,
apex narrowly attenuate to obtuse, base
narrowly attenuate or cuneate, coriaceous,
upper surface glabrous, lower surface finely
appressed puberulous with whitish hairs;
venation eucamptodromous, midrib not raised
on the upper surface, secondary veins 16-22
pairs, parallel or slightly convergent, slightly
arcuate, intersecondaries absent, tertiaries
obliqúe, fine areolate reticulum visible on lower,
or sometimes both surfaces. Petiole 2-3 cm
long, not channelled, subglabrous. Fascicles
mostly on twigs below the leaves, 2-10-
flowered. Pedicel 7—9 mm long, sparsely
appressed puberulous. Sepals 5, 2.5-3 mm
long, appressed puberulous outside. Corolla
4.5-5 mm long, tube shorter than the lobes,
lobes 5, glabrous. Stamens 5, fixed in the upper
half of the corolla tube, glabrous. Staminodes
5, ca. 2 mm long, glabrous. Ovary broadly
conical, 1-Iocular, puberulous. Fruit 1 .5-2 cm
long, ellipsoid, apex and base obtuse to rounded,
thin-walled, smooth, glabrous. Seed solitary,
1 .4—1 .8 cm long, ellipsoid, laterally compressed,
base and apex obtuse to rounded, testa smooth,
shining; scar adaxial, full length, 1 .5—2 mm
wide. Seed without endosperm.
F ield characters: Small or médium sized tree
to 30 cm diam., sometimes with small
Kodriguésia 57 (2): 251-366. 2006
SciELO/JBRJ
.2 13 14 15 16 17
cm
Flora da Reserva Ducke: Sapotaceae
, hnhif h leaf undersurface {Sothers 1075); c. inflorcsccnec; d. Ilowcr;
;ura 12 - a-h. Ponte ria erythrochrysa - a. \ , „ /7(V5) p0uteria campanulata - i. habit; j. dctad oflcuf;
/2 Hower; f. ovary (Assunção 742); g. frui U h- seed W*'"' dctail of lcaf (WoW <5 to 15239).
ower (ftr« 552). m-o. Pouteria retinems - m. habit. n. 1/2 Hower,
Rodriguésia 57 (2): 251-366. 2006
!scíelo/jbrj
12 13 14 15 16 17
cm ..
294
buttresses. Bark reddish-brown, scaling in
small pieces, slash laminated exuding copious
white latex. Flowers cream-coloured, fruit
black, leathery, sweet. Flowering in central
Amazônia in October, fruit maturing in March.
Amazonian Brazil from Acre to Pará, in
lowland forest on non-flooded land. A common
lower and mid storey tree.
12.IX.1997 (fl) Assunção, P.A.C.L etaL 660 (ACRE
IAN INPA K MEXU PU EL S UPCB W); 19.IX.1997
(fl) Assunção, P.A.C.L et al. 664 (E HAMAB HRB
INPA K MAC MG MICH ULM); 21. IX. 1997 (fl)
Assunção, P.A.C.L et al. 673 (GH ICN INPA K
MG); 10.IX.1997 (fl) Brito, J. M. etal. 34 (BM IAN
INPA K MB M SPFUECUS VEN); 7.XI.1997 (fl) Costa,
M. A. S. & Pereira, E. C. 788 (B COL F INPA K MG
PEUFR UFMT V1C); 7.DI. 1995 (ff) Nascimento, J. R.
etal. 776 (INPA K MG MO NY R RB SPU); 7.IIL 1 995
(fr) Nascimento, J. R. et al. 781 (BM COL INPA K
MG SPF UEC UFMT VEN); l6.Xa.\994(.tt) Ribeiro,
J. E.LS.8í Silva, C. F. 1547 (INPA K MG MO NY R
RB SPU); 4.X. 1995 (fl) Sotlters, C.A. etal. 597 { G
IAN INPA K UB); 28.11.1994 (fr) Vicentini, A. &
Pereira, E. C. 414 (G IAN INPAKMBM UB US).
A similar plant which may just represent
a form of P. campanulata is common in the
PDBFF reserves, though it has not been
collected in Reserva Ducke. It differs from
typical P. campanulata only in its leaf shape,
which is broadly elliptic and only about twice
as long as broad. The leaf indumentum, floral
and fruit structure are the same as typical P.
campanulata. Examples of this plant are Costa
et al. s.n. INPAAVWF 1202.2919-, Lepsch
Cunha et al. 459\ Pennington et al. 12975.
It flowers and fruits at the same time of year
as typical P campanulata.
6.12 Pouteria retinervis T. D. Penn., Fl.
Neotrop. 52: 308, fig. 64. 1990. Fig. 12 m-o
Young shoots finely appressed
puberulous with brown hairs, soon glabrous.
Leaves spirally arranged, 14-24 x 7-1 1 .5 cm,
mostly broadly elliptic, apex shortly and
narrowly attenuate, base narrowly attenuate
or acute, glabrous; venation eucamptodromous,
midrib slightly raised on the upper surface,
secondary veins 11-18 pairs, parallel, straight
or slightly arcuate, intersecondaries absent,
tertiaries widely spaced, obliqúe, fine
Pennington, T. D.
quatemary areolate reticulum conspicuous on
both surfaces. Petiole 2-3 cm long, not
channelled, glabrous. Fascicles axillary and in
the axils of fallen leaves, 2-10-flowered. Pedicel
2-4 mm long, appressed puberulous. Sepals 5,
ca. 2 mm long, appressed puberulous outside.
Corolla cyathiform, ca. 3.5 mm long, tube much
shorter than the lobes, lobes 5, glabrous.
Stamens 5, fixed in the upper half of the corolla
tube, glabrous. Staminodes 5, ca. 1 .4 mm long,
glabrous. Ovary conical, 1— 2-locular, with a ring
of hairs around the base. Fruit unknown.
Field characters: Tree to 30 m high and
45 cm diam., Iarger specimens buttressed to
2 m high. Bark brown, scaling in rectangular
plates, slash laminated with altemating bands
of orange and white; milky white latex
present. Flowers greenish-white. Flowering
October to November.
The Guianas to central Amazonian
Brazil, occurring in lowland forest on non-
flooded sites.
29.X. 1997 (fl) Ribeiro, J. E. L. S. etal. 1936 (IAN
INPA K MO NY RB SP U UB).
PDBFF: Freitas et al. F-62 (INPA K); Freitas et al.
633 (INPA K); Pereira s.n. {PDBFF 130 1.3407. 2).
Pouteria retinervis can be recognized
when sterile by the rather thin textured leaves
with finely areolate venation, which is sharp
and conspicuous (with a lens) on both surfaces.
6.13 Pouteria ericoides T. D. Penn., sp. nov.
(section Franchetella). Type: Brazil, Amazonas,
Manaus, Distrito Agropecuário, Reserva 1501
(km 41), 2°24’S, 59°43’W, Freitas et al. 478
(holotype INPA, isotype K). Fig. 13 a-e
P. campanulatae affinis sed sepalis 4, lobis
corollae 4, staminibus 4, staminodiis 4, et tubo
corollae lobis 4-5-plo longiore dijfert.
Arbor; stipulae nullae; folia 8.5-13 x
3.5-6 cm, elliptica; nervi secundarii 13-15-
jugi recti paralleli; fasciculi axillares;
pedicellus 7—9 mm longus; sepala 4;
corolla longe campanulata, ca. 1 cm longa,
lobis 4; stamina 4; staminodia 4; ovarium
1-loculare, glabrum.
Tree. Stipules absent. Young shoots
subglabrous, becoming dark blackish-brown,
Rodrigutsia 57 (2): 251-366. 2006
SciELO/ JBRJ
12 13 14 15 16 17
Flora da Reserva Ducke: Sapotaceae
295
cracked and lenticellate. Leaves lax, spirally
arranged, 8.5-13 x 3.5-6 cm, elliptic, apex and
base narrowly attenuate, chartaceous,
glabrous; venation mostly eucamptodromous,
sometimes brochidodromous near the apex,
secondary veins 13-15 pairs, straight and more
or less parallel, intersecondaries numerous and
long, tertiaries forming a conspicuous reticulum
on both surfaces. Petiole 7-9 mm long, slightly
channelled, glabrous. Fascicles axillary and
in the axils of fallen leaves, few-flowered.
Pedicel 7-9 mm long, minutely appressed
puberulous. Sepals 4, 2—2.5 mm long, broadly
ovate to orbicular, with scattered minute
appressed hairs on both surfaces, inner sepals
ciliate. Corolla ca. 1 cm long, long-
campanulate, tube ca. 8 mm long, lobes 4, 1 .5-
2 mm long, orbicular, often with small auricles
at the base; glabrous. Stamens 4, fixed near
the apex of the corolla tube (but with strong
filament traces to near the base of the tube),
filaments ca. 0.5 mm long, geniculate, glabrous;
anthers ca. 0.7 mm long, ovoid, glabrous.
Staminodes 4, ca. 1 .5 mm long, narrowly
lanceolate, glabrous. Disk absent. Ovary ovoid,
1 -locular, glabrous, tapering into a glabrous style
ca. 3 mm long, included. Fruit unknown.
Ficld characters: Tree to 30 m high and 35 cm
diam. with steep concave buttresses to 75 cm
high, lower bole often fluted, cylindrical above.
Bark brown, scaling in large irregular thin
sheets, slash pale brown to pinkish-red, with
white latex. Flowers yellowish-white in
September and October.
Known only from central Amazonian
Brazil, where it occurs in lowland mixed forest
on non-flooded land. It is relatively common in
the PDBFF reserves (0.5 individuais per
hectare in the 25 hectare Sapotaceae plot).
Not yet recorded in Reserva Ducke.
Paratypcs: PDBFF Spironello s.n. (INPA K); Lepsch
Cunha et al. 386 (INPA K); Pereira et al. s.n.
PDBFF1301.4294 (INPA K). Da Silva s.n.
PDBFF2303. 485. 2 (INPA K).
Pouteria ericoides has the leaf venation
common to a large group of species within section
Pranchetella, and including P reticulata, P.
campanulata, and P. gongrijpii, but is unusual
in having 4 sepals, 4 corolla lobes, 4 stamens and
4 staminodes associated with a unilocular ovary.
All other known species of section Franchetella
with this number of floral parts have a 2-locular
ovary. It is also unique in the section in having a
corolla tube 4-5 times as long as the small
orbicular lobes. All other species in the section
have the corolla tube shorter than, equalling or
only slightly largerthan the lobes.
The leaf venation of P ericoides is very
similar to that of P durlandii and they can
easily be confused when sterile. Their floral
structure is however quite distinct.
6.14 Pouteria rostrata (Huber) Baehni,
Candollea 9: 270. 1942; Pennington, T. D., Fl.
Neotrop. 52: 310, fig. 66. 1990. Fig. 13 f
Lucuma rostrata Huber, Buli. Soc. Bot.
Genéve, Sér. 2, 6: 195. 1914.
Young shoots sparsely appressed
puberulous, soon glabrous. Leaves spirally
arranged, 10-23 x 4-9 cm, mostly elliptic, apex
narrowly attenuate or acuminate, base narrowly
attenuate, glabrous, often minutely punctate on
the lower surface; venation eucamptodromous,
midrib flat or slightly raised on the upper surface,
secondary veins 10-14 pairs, convergent, arcuate,
intersecondaries short to moderate, tertiaries few,
obliqúe and open retieulate, fine areolate reticulum
visible on the lower surface. Petiole 0.8-1 .7 cm
long, not channelled, glabrous. Fascicles axillary
and in the axils of fallen leaves, 5-10-flowered.
Pedicel 8-10 mm long, sparsely and minutely
puberulous. Flowers unisexual (plantdioccious).
Sepals 5, 1.25-1.5 mm long, appressed
puberulous outside, inner ones ciliate. Corolla
cyathifonn, 3-4 mm long, tube shorter than the
lobes, lobes 5, glabrous. Stamens 5, fixed about
halfway up the corolla tube, glabrous. Staminodes
5, ca. 1 .5 mm long, narrowly lanceolate, glabrous.
Ovary ovoid, 1 -locular, glabrous. Fruit 1.7-2 cm
long, ellipsoid, rounded or obtuse at apex and
base, smooth, soft-skinned, glabrous. Sccd
solitary, 1 .5-1 .7 cm long, ellipsoid, slightly laterally
compressed, testa, smooth, shining; scar adaxial,
full-length, 1.5-2 mm wide. Seed without
endosperm.
Rodriguésia 57 (2): 251-366. 2006
■SciELO/ JBRJ
12 13 14 15 16 17
296
Pennington, T. D.
Field characters: Tree to 25 m high and 60 cm
diam., with small buttresses. Bole often fluted.
Bark dark brown or reddish-brown with scaling
bark, slash pinkish with sticky white latex.
Flowers whitish and fruit maturing pale orange.
Flowering in central Amazônia in January.
Central and western Amazonian Brazil,
Colombia, Ecuador and Peru, in both non-
flooded and periodically flooded forest.
1 1 .IX. 1997 (fl) Assunção, P.A.C.L& Silva, C.F. da
648 (INPA); 12.IX.1997 (Ü) Assunção, PA. C. L et
al. 658 (B GH 1CN INPA K MG S UPCB VIC);
1 2.IX. 1 997 (11) Assunção, P.A.C.L et al. 659 (COL
F IAN INPA K PEUFR SPF UFMT VEN); 17. EX. 1997
(fl) Costa , M. A. S. et al. 777 (BM G IAN INPA K
MBM UB UEC US); 24.XI. 1994 (fl) Nascimento, J.
R. et al. 664 (INPA K MG MO NY R RB SP U).
Pouteria rostrata is close to P.
campanulata , but may be distinguished by the
glabrous leaves with fewer, more arcuate
secondary veins, shorter petiole, smaller flowers
and glabrous ovary. It is also closely related to
the Peruvian P. aubrevillei.
6.15 Pouteria platyphylla (A.C. Smith) Baehni,
Candollea 9: 274. 1942, Pennington, T. D., Fl
Neotrop. 52: 31 1, fig. 66. 1990. Fig. 13 g-h
Lucuma platyphylla A.C. Smith, Buli.
Torrey Bot. Club 60: 388. 1933.
Young shoots densely golden-brown
tomentose, indumentum persistent. Leaves
spirally arranged, 15-30 x 6.5-16 cm, mostly
broadly oblanceolate or obovate, apex shortly
and narrowly acuminate or cuspidate, base
acute or narrowly attenuate, strongly bullate,
glabrous above, uniformly pubescent below with
stalked 2-branched hairs, denser on midrib and
veins, venation brochidodromous or
eucamptodromous, midrib raised but recessed
on upper surface, secondary veins 10-15 pairs,
parallel or slightly convergent, arcuate, sunken
on the upper surface, strongly raised on the
lower surface, intersecondaries short or absent,
tertiaries obliqúe, widely spaced, fine areolatè
network visible on both surfaces. Petiole 2-3 cm
long, n°f channelled, tomentose. Fascicles on
twigs below the leaves, 5-10-flowered. Pedicel
1-3 cm long, pubescent. Flowers unisexual
(plant dioecious). Sepals 5, 2-3 mm long,
pubescent outside, subglabrous inside. Corolla
cyathiform, ca. 4 mm long (female), 5-8 mm
long (male), tube about equalling the lobes, lobes
5, glabrous. Stamens 5, fixed in the upper half
of the corolla tube, glabrous, reduced to sterile
staminodes in female flowers. Staminodes 5,
1.5-3 mm long, lanceolate, glabrous. Ovary
truncate in male, ovoid in female, 1-locular,
densely pubescent. Fruit 2.7-3 cm long, ovoid
to globose, apex and base rounded or truncate,
smooth, glabrous. Seed solitary, 2-2.5 cm long,
ellipsoid, not laterally compressed, testa smooth;
scar adaxial, full-length, ca. 2 mm wide. Seed
without endosperm.
Field characters: Tree to 20 m high and 25 cm
diam., bole fluted at the base. Bark dark brown
or reddish, scaling in regular plates. Slash
Fibrous, yellowish, with a sweet smell, and
scarce white latex. Flowers greenish-white
and fruit maturing black. Flowering in central
Amazônia in October, fruiting in March.
Central Amazonian Brazil to Amazonian
Peru, in mixed lowland rainforest on non-
flooded land.
15.V.1995 (fr) Cordeiro, I. etal. 1555 (IAN INPA K U
UB); 2 1 .VI. 1 980 (fr) Nelson, B. W. & Nelson, S. P 429
(INPA); 24.III.1994 (ff) Ribeiro, J. E. L S. etal. 1247
(INPA K MG MO NY RB SP); 24.III. 1994 (fr) Ribeiro. J.
£. L S. et al. 1248 (G IAN INPA K MBM UEC US);
8.IV. 1964 (fr) Rodrigues, W. & Loureiro. A 5736 (INPA).
PDBFF: Spironello s.n. (INPA 190940 K).
Pennington et al. 13173 (INPA K).
The strongly bullate leaves and brown
tomentum on young parts and the lower leaf
surface of this species are very characteristic.
The floral structure confirms that it belongs to
the group of closely related species containing
P campanulata, P. rostrata , P. vemicosa and
P. e ryth rock rysa .
6.16 Pouteria vernicosa T. D. Penn., Fl.
Neotrop. 52: 3 1 1 , fig. 63. 1 990. Fig. 14 a-b
Young shoots subglabrous. Leaves
spaced, spirally arranged, 5-13 x 3-7 cm.
broadly lanceolate, elliptic or oblong-elliptic,
apex narrowly attenuate to acuminate, base
rounded to acute, coriaceous, upper surface
usually smooth and glossy, glabrous; venation
Rodriguésia 57 (2): 251-366. 2006
SciELO/JBRJ
12 13 14 15 16 17
cm
Flora da Reserva Ducke: Sapotaceae
297
Figura 13 - a-e. Pouteria ericoides - a. habit; b. venation on leaf undersurface (da Silva s.n. PDBFF2303.485.2 ); c. flower;
d. 1/2 flower; e. ovary (Lepsch Cunlia 386). f. Pouteria rostrata - f. habit ( Krukoff5701 ). g-h. Pouteria platyphylla - g. habit
( Nelson &Nelson 429)', h. 1/2 flower ( Ducke RB37452).
Rodriguésia 57 (2): 251-366. 2006
SciELO/JBRJ
.2 13 14 15 16 17
298
Pennington, T. D.
eucamptodromous to brochidodromous, midrib
slightly raised (rounded) on the upper surface,
secondary veins 9-14 pairs, parallel or slightly
convergem, arcuate, intersecondaries short to
moderately long, tertiaries few, obliqúe or
forming a lax reticulum, fine higher order
areolate network visible with lens. Petiole 1-
1.5 cm long, not or only slightly channelled,
glabrous. Fascicles mostly bome below the
leaves, 2-10-flowered. Pedicel 0.5-2 cm long,
glabrous. Sepals 5, ca. 1.5 mm long, sparsely
appressed puberulous or glabrous, sometimes
ciliate. Corolla cyathiform, 3-4 mm long, tube
shorter than the lobes, lobes 5, glabrous.
Stamens 5, fixed in the lower half of the corolla
tube, glabrous. Staminodes 5, ca. 1 .5 mm long,
lanceolate, glabrous. Ovary ovoid-conical, 1-
locular, glabrous; tapering into a short included
style. Fruit 2.5-3 cm long, ellipsoid, apex and
base rounded, hard-skinned, smooth, glabrous.
Seed solitary, 2-2.3 cm long, ellipsoid, laterally
compressed, testa transversely wrinkled,
shining; scar adaxial and extending around the
base, 3-3.5 mm wide. Seed without
endosperm.
Field characters: Tree to 35 m high and 65 cm
diam., larger specimens with small buttresses,
bole often fluted at the base, cylindrical above,
bark scaling in thin longitudinal rectangular
pieces, slash reddish with some white latex.
Flowers greenish-white to cream coloured,
fruit reddish-black. Flowering in central
Amazônia September to December, fruit
maturing in June.
Central Amazonian Brazil to Amazonian
Peru and Ecuador in lowland forest on non-
flooded sites.
21. IX. 1997 (fr) Assunção. P A. C. L. 669 (K);
14.IX.1987 (fl) Pruski, J. F. etal. 3238 ((K) INPA
MG RB SP); 8. V. 1 996 (fr) Rodrigues, W. 8596 (INPA);
29.III. 1995 (fr) Sothers, C. A. & Pereira, E. C. 380
(INPA K MG MO N Y R RB SP U).
AMAZONAS: Manaus-Itacoatiara km 29,
CEPLAC, Pennington P 22773 (INPA K).
Pouteria vernicosa is distinctive on
account of the coriaceous, glossy leaves, which
are usually lanceolate with a rounded base. The
whole plant is subglabrous. The floral structure
conforms closely to other species in this group
(P. campanulata, P. rostrata, P. platyphylla,
P. erythrochrysa), except that the stamens are
Fixed in the lower part of the corolla tube.
6.17 Pouteria fulva T. D. Penn., Fl. Neotrop.
52: 313, fíg. 67. 1990. Fig. 14 c-d
Young shoots minutely appressed
puberulous with golden-brown indumentum.
Leaves spirally arranged, 14-20 x 6-10 cm,
obovate, apex usually rounded or truncate,
sometimes obtusely cuspidate, base narrowly
attenuate, coriaceous, upper surface
subglabrous, lower surface finely appressed
puberulous with golden-brown hairs, becoming
sparser with age; venation eucamptodromous,
midrib slightly raised (rounded) on the upper
surface, secondary veins 1 1—15 pairs, parallel
or slightly convergem, straight or slightly
arcuate, intersecondaries short or moderate,
tertiaries few, obliqúe and reticulate, fine higher
order areolate network visible with lens. Petiole
1-1.5 cm long, not channelled, finely appressed
puberulous at First. Fascicles on twigs below
the leaves, 5-10-flowered. Pedicel 0.5-1. 5 cm
long, Finely appressed puberulous with golden-
brown indumentum. Sepals 5, ca. 2 mm long,
Finely appressed puberulous on both surfaces.
Corolla cyathiform, ca. 3 mm long, tube shorter
than the lobes, lobes 5, glabrous. Stamens 5,
Fixed in the upper half of the corolla tube, hairy
or glabrous. Staminodes 5, ca. 1 .5 mm long,
subulate, glabrous. Ovary truncate (?male
flowers), 1-locular, densely pubescent, style
short, included. Fruit unknown.
Field characters: Tree to 25 m high and 35 cm
diam., buttressed to 1 m high. Bark reddish
brown, scaling in small plates, slash reddish
with white latex. Flowers whitish. Flowering
in central Amazônia in January.
Central and western Amazonian Brazil,
in non-flooded rainforest
Not yet recorded from Reserva Ducke.
PDBFF: Reserva km 41 , Oliveira et al. 304 (INPA
K), Lepsch Cunha et al. 757 (INPA K); Pennington
etal. 13206 (INPA K).
This species is distinctive on account of
the obovate leaves with rounded apex and
Rodriguésia 57 (2): 251-366. 2006
SciELO/ JBRJ
.2 13 14 15 16 17
Flora da Reserva Ducke: Sapotaceae
299
L , -n. Mv b. 1/2 flower (Rodrigues 3364). c-d. Pouteria. fulva ■ c. habit;
Figura 14 - a-b. Pouteria vemicosa - a. habit (Kru ff • nowcr ( y/urdack 2363).
d. flower bud ( Krukoff8882 ). e-f. Pouteria peruviensis - e. hab , .
Rodriguésia 57 (2): 251-366. 2006
SciELO/ JBRJ
12 13 14 15 16 17
300
Pennington, T. D.
close appressed indumentum on the lower
surface. The floral structure is closest to that
of P. campanulata. The leaves and
indumentum are similar to Chrysophyllum
prieurii , but lack the numerous obliqúe or
perpendicular tertiary veins of the latter.
6.18 Pouteria pemviensis (Aubrév.) Bemardi,
Candollea 22: 231. 1967; Pennington, T. D., Fl.
Neotrop. 52: 317, fig. 67. 1990. Fig. 14 e-f
Eremoluma pemviensis Aubrév.,
Adansonia5: 199. 1965.
Young shoots subglabrous. Leaves spirally
arranged, 10-12 x 4.5-5 cm, elliptic, apex
acuminate, base obtusely or narrowly attenuate,
glabrous; venation eucamptodromous, midrib
slightly raised on the upper surface, secondaries
9-12 pairs, more or less parai lei, slightly arcuate,
intersecondaries moderate to long, tertiaries
obliqúe and forming a coarse areolate reticulum.
Petiole 0.8- 1.2 cm long, not or only slightly
channelled, glabrous. Fascicles axillary and on
twigs below the leaves, 3-10-flowered. Pedicel
0.5—2 cm long, subglabrous. Flowers unisexual,
(plant dioecious). Sepals 5, 1.5-2 mm long,
partially United, subglabrous. Corolla cyathiform,
5-6 mm long (male), ca. 3 mm long (female),
tube much shorter than the Iobes in male, about
equalling the lobes in female, lobes 5, glabrous.
Stamens 5, fixed at the top of the corolla tube,
glabrous, reduced to sterile staminodes (female).
Staminodes 5, 1.5—3 mm long, lanceolate-
subulate, glabrous. Ovary ovoid, 1-locular,
glabrous, style short, included. Fmit unknown.
Field characters: Tree to 25 m high and 30 cm
diam., with a fluted bole. Bark reddish-brown,
scaling in large irregular plates. Slash pinkish-
yellow with scarce white latex. Flowers
strongly scented, calyx and corolla greenish,
stamens off-white. Flowering in central
Amazônia September to October.
So far known only from Amazonian Peru
and central Amazonian Brazil, where it occurs
in non-flooded rainforest up to 550 m altitude.
1 .IX. 1995 (fl) Ribeiro. J.E.LS. et al. 1691 (1NPA K
MG MO NY R RB SP U); 1 1.X.1995 (0) Sothers.
C A. & Pereira. E. da C. 621 (BM G INPA K MBM
MGUBUECUS).
Pouteria pemviensis is the only member
of this group of species which lacks the finely
areolate higher order venation. Its venation is
much coarser and resembles that of P.
bilocularis and P. durlandii (see after the
latter for further comments).
6.19 Pouteria cladantha Sandwith, Buli. Misc.
Inform. 1931: 480. 1931; Pennington, T. D., Fl.
Neotrop. 52: 317, fig. 69. 1990. Fig. 15 a-c
Young shoots subglabrous. Leaves
spirally arranged, 7-13 x 2.5-6.5 cm,
oblanceolate, obovate or elliptic, apex obtusely
cuspidate, obtuse or rounded, base narrowly
attenuate, margin often revolute, glabrous, often
minutely punctate on the lower surface; venation
brochidodromous, midrib raised on the upper
surface, secondary veins 8—13 pairs, straight,
parallel, often slightly impressed on the upper
surface, intersecondaries long, tertiaries obscure,
more or less parallel to the secondaries and
descending from the margin. Petiole 0.5-1 .5 cm
long, not channelled, glabrous. Fascicles 5-15-
flowered, axillary and clustered on leafless
axillary shoots to 8 cm long. Pedicel 3-5 mm
long, finely appressed puberulous. Flowers
bisexual or unisexual (plant dioecious). Sepals
4-5, 1 .5-2 mm long, appressed puberulous on
both surfaces. Corolla cyathiform, 1-2 mm long,
tube exceeding the lobes, lobes 4—5, sparsely
appressed hairy on the tube, or glabrous.
Stamens 4—5, fixed in the upper half of the
corolla tube, glabrous, absent in female flowers.
Staminodes 4—5, 0.2-0.4 mm long, subulate,
glabrous. Ovary patelliform (in male flowers)
or ovoid (in female flowers), 2-locular,
puberulous, style included. Fruit 2-3 cm long,
ellipsoid to globose, rounded at apex and base,
fleshy, smooth, glabrous. Seed solitary, 1.5-
2 cm long, ellipsoid, slightly laterally compressed,
testa smooth, shining; scar adaxial, full-Iength,
3-4 mm wide. Seed without endosperm.
Field characters: Tree to 30 m high and 80 cm
diam., buttressed to 2 m high, bole often fluted
at the base. Bark dark brown, scaling in thin
longitudinal strips, innerbark pinkish orreddish
with small amount of watery white latex.
Rodríguésia 57 (2): 251-366. 2006
SciELO/JBRJ
2 13 14 15 16 17 18
Flora da Reserva Ducke: Sapotaceae
301
Finura 15 - a-c Pouteria cladanlha - a. habit (A lori et al. 8219)-. b. 1/2 flowcr (Tessmann 5451): c. secd (Oliveira 4503).
d-h Pouteria durlandii - d. habit; e. detail of venation (, Steyermark 39228): f. part femalc flowcr (Lundell A C M/mw
afcflów* (Lundell A Cuatrecasas 19,38): h. secd (Lundell ,2262). ,-m. Pouteria pen, ame ra - , habit
(, Spironello s.n.): j. flowcr; 1. 1/2 flower; m. scction of ovary; n. fruit (Oliveira 186).
Rodriguésia 57 (2): 251-366. 2006
!scíelo/jbrj
12 13 14 15 16 17
cm ..
302
Flowers greenish-white, the fruit maturing
yellow, with clear pulp. Flowering in central
Amazônia in July and August.
The Guianas, across the whole of
Amazônia to Colombia and Peru, in lowland
mixed rainforest on non-flooded land, reaching
800 m altitude.
25.V1I.1997 (bd) Assunção, P. A. C. L et al. 568
(INPAKMG MONYRRB SPU); 14.VIII.1997 (fl)
Assunção, P. A. C. L & Pereira, E. C. 616 (BM G
IAN IN PA K MBM UB UEC US); 24.1.1966 (fr)
Rodrigues, W. & Coelho, D. 7401 (INPA); 15.III.1966
(fr) Rodrigues, W. & Coelho, D. 7575 (INPA).
Pouteria cladantha is easily recognized
by the small oblanceolate or obovate leaves
with brochidodromous venation, obscure
tertiary venation descending from the margin,
and the often compound inflorescence. The
leaves dry a characteristic dark brown colour,
which is unusual in the family and characteristic
in herbarium specimens.
6.20 Pouteria durlandii (Standl.) Baehni,
Candollea 9: 422. 1942; Pennington, T. D., Fl.
Neotrop. 52: 323, fig. 70. 1 990. Fig. 15 d-h
Lucuma durlandii Standl. Trop. Woods
4:5.1925.
Young shoots sparsely appressed
pubescent. Leaves spirally arranged, 9-17 x
4-7 cm, elliptic or oblanceolate, apex narrowly
attenuate, base narrowly attenuate, glabrous;
venation eucamptodromous or
brochidodromous in the upper half, midrib
slightly raised on the upper surface, secondary
veins 10-12 pairs, slightly arcuate and slightly
convergent, intersecondaries moderate to long,
tertiaries forming a coarse reticulum. Petiole
1-2 cm long, not channelled, subglabrous.
Fascicles 3-10-flowered, axillary and below
the leaves. Pedicel 3-5 mm long, appressed
puberulous. Flowers unisexual (plant
dioecious). Sepals 5, 2.5-3 mm long, appressed
puberulous outside, glabrous inside, ciliate.
Corolla cyathiform, male ca. 4 mm long,
female 2.5-3. 5 mm long, tube shorter than the
lobes, lobes 5, glabrous. Stamens 5, fixed at
the top of the corolla tube, glabrous, absent in
Pennington, T D.
female flower. Staminodes 5, 1.25-1.75 mm
long, lanceolate-subulate, glabrous. Ovary
cushion-shaped in male, ovoid in female, 2-
locular, sparsely pubescent, style included.
Fruit 2-2.5 cm long, ellipsoid to subglobose,
apex rounded to acute, base rounded to
truncate, smooth, glabrous. Seed 1-2, 1.5-
2.2 cm long, ellipsoid, sometimes slightly
laterally compressed (plano-convex when 2 in
a fruit), testa smooth, shining; scar adaxial, full-
length, broad, covering about one third of the
seed surface. Seed without endosperm.
Field characters: Tree to 25 m high and 60 cm
diam., without buttresses, bole sometimes fluted
at the base, bark reddish-brown, longitudinally
fissured, the ridges exfoliating in rectangular
plates, inner bark pinkish, rapidly darkening on
exposure to air, with some watery white latex.
Flowers pale green or greenish-white, fruit
ripening yellow or orange. Flowering in central
Amazônia in July and August.
A widely distributed species occurring
from southem México through Central America
to northem South America and Amazonian
slopes of the Andes. In Brazil it is known from
central Amazônia and also from along the
Atlantic coast. It is a component of seasonal
and everwet rainforest and extends up to
800 m altitude in montane forest.
22. VIII.1997 (fl) Assunção, P. A. C. L. et al. 623
(INPA K MG MO NY R RB SP U); 22. VIII. 1 997 ( íl)
Assunção, P A. C. L. et al. 626 (COL F INPA K
MG PEUFR SPF UFMT VEN); 22. VIII. 1997 (fl)
Assunção, P. A. C. L et al. 630 (GH ICN INPA K
MG P VIC); 16.11.1998 (fr) Assunção, P. A. C. L et
al. 790 (INPA K MG MO NY RB SP U UB);
23. X. 1 997 (fl) Martins, LH.P.et al. 52 (ACRE GH
IAN ICN INPA K S UPCB W); 21.VII.1997 (fl)
Ribeiro, J. E. L. S. et al. 1904 (BM G IAN INPA K
MBM UB UEC US); 2 1 .VIII. 1 997 (fl) Ribeiro, J. E.
L S. et al. 1907 (B GH IAN ICN INPA K P UPCB
VIC); 1 1 .1. 1 998 (fr) Sothers, C. A. & Assunção. P
A. C. L 1085 (INPA).
The venation of this species is similar to
that of P. peruviensis, but they differ in the
details of their floral structure, such as the
pubescence of the sepals, proportions of corolla
tube and lobes, length of staminal filaments.
Rodrigutsia 57 (2): 251-366. 2006
SciELO/JBRJ
L2 13 14 15 16 17
Flora da Reserva Ducke: Sapotaceae
303
6.21 Pouteria pentamera T. D. Penn., sp.
nov. (section Franchetellá). Type: Brazil,
Amazonas, Distrito Agropecuário, ca. 90 km
NE of Manaus, Reserva 1501 (km 41), 2°24 S,
59°43’W, W. Spironello s.n. (holotype INPA
n.v., isotype K). Fig. 15 i-m
P. durlandii affinis sed nervis teríiaríis
subtiliter reticulatis, ovário 5-loculari,
antheris parvis differt.
Arbor; stipulae nullae; folia 10—17.5
x 5-8.5 cm, late elliptica vel oblanceolata;
nervi secundarii 10-13-jugi recti paralleli;
fasciculi in axillis foliorum delapsorum
enati; pedicelltis 3-5 mm longus; sepala 5,
corolla cyathiformis, 4—4.5 mm longa, lobis
5; stamina 5; staminodia 5; ovarium 5-
loculare, pubescens; fructus ca. 4 x 3.5 cm,
ovoideus.
TYee. Stipules absent. Young shoots finely
appressed puberulous at fírst, soon glabrous,
becoming pale greyish, cracked and scaling.
Stipules absent. Leaves spirally arranged,
10.5- 17.5 x 5-8.5 cm, broadly elliptic to
broadly oblanceolate, apex shortly attenuate to
rounded, base acute to rounded, glabrous or
sometimes with sparse minute appressed hairs
on the lowersurface; venation eucamptodromous,
midrib slightly raised on the upper surface,
secondary veins 10-13 pairs, straight or slightly
arcuate, parallel, intersecondaries absent,
tertiaries obliqúe, quaternary reticulum
prominent on the lower surface. Petiole 2-
4.6 cm long, channelled above, sparsely
appressed puberulous. Fascicles mostly on
twigs below the leaves, 2-5-flowered. Pediccl
3-5 mm long, appressed puberulous. Sepals 5,
3-3.5 mm long, broadly elliptic to oblong, apex
obtuse to rounded, appressed puberulous on both
surfaces. Corolla cyathiform, 4—4.5 mm long,
tube slightly shorterthan the lobes, lobes 5, ovate,
apex rounded; glabrous. Stamens 5, fixed at the
top ofthe corolla tube, filamentscfl. 1 mm long,
glabrous, anthers ca. 0.75 mm long, globose.
Staminodes 5, ca. 1 .5 mm long, narrowly elliptic,
acute, fleshy, glabrous. Disk absent. Ovary 5-
locular, pulvinate, flat-topped, pubescent; style
1 .5- 2 mm long, glabrous, included, style head
minutely 5-lobed. Fruit ca. 4 x 3.5 cm ovoid,
apex obtuse, base truncate, smooth (wrinklcd
when dry), puberulous. Seeds 1-several,
ca. 2 cm long, ellipsoid, not or only slightly
lateral ly compressed, testa smooth, ?shining;
scar ? 2-3 mm wide, adaxial, full-lcngth.
Embryo not seen.
Field characters: Tree to 30 m high and 50 cm
diam., unbuttressed. Bole cylindrical, bark dark
greyish-brown, scaling in small thick irregular
pieces, slash laminated orange-cream, with
white latex. Flower with pale grcen corolla,
fruit maturing yellow. Flowering August to
October, fruit maturing November to
December.
Known only from central Amazonian
Brazil, where it occurs in iowland rainforest
on non-flooded land. It is a common tree in the
PDBFF reserve.
Not yet recorded from Reserva Ducke.
Paratypes: PDBFF: Reserva km 4 1 , Oliveira et al.
186 (INPA K); Oliveira et al. 185 (INPA);
Pennington et al. 13019 (INPA K); Pennington et
al. 13170 (INPA K); Pennington et al. 12973 (INPA
K); Reserva 1 301 (Fazenda Esteio), 2°23’S, 59°5 1 W,
da Silva PDBFF 1301.4942.2 (INPA).
Pouteria pentamera has a similar floral
size and structure to P. durlandii and P.
anteridata (Venezuela). It dilfers from P.
durlandii in having a 5-locular ovary (2-locular
in P. durlandii) and much smaller anthers. The
leaf venation of the two species is also quite
different. Pouteria pentamera has a fine
reticulate higher order venation which is absent
in P. durlandii. The leaf venation is also quite
different from that of P. anteridata.
6.22 Pouteria jariensis Pires & T. . Penn., Fl.
Ncotrop. 52: 331, fig. 72. 1990. Fig. 16 d-f
Young shoots sparsely appressed
puberulous. Leaves spirally arranged, 6.5-18
x 3.5-7.5 cm, elliptic, apex acute to narrowly
attenuate, base narrowly attenuate or acute,
coriaceous, glabrous; venation
brochidodromous, midrib raised on the upper
surface, secondary veins 9-10 pairs, parallel,
arcuate, intersecondaries short or absent,
tertiaries few, reticulate and obliqúe, slightly
impressed on both surfaces. Petiole 0.5-2 cm
RodriguJsia 57 (2): 251-366. 2006
SciELO/JBRJ
L2 13 14 15 16 17
304
Pennington, T D.
long, not channelled, glabrous. Fascicles
axillary and below the leaves, few-flowered.
Pedicel 2-3 mm long, appressed puberulous.
Sepals 5, 2.5-3 mm long, appressed puberulous
outside, glabrous inside, ciliate. Corolla
cyathiform, 4-5 mm long, tube about equalling
the lobes, lobes 5, ciliate, glabrous. Stamens 5,
fixed at the top of the corolla tube, glabrous.
Staminodes 5, 1-2 mm long, lanceolate,
glabrous. Ovary ovoid, 2-locular, pubescent,
style included. Fruit 2.5-3 cm long, ellipsoid,
apex and base obtuse to rounded, smooth,
velutinous. Seeds 1-2, 1 .5-2 cm long, ellipsoid
(plano-convex when 2 seeds in a fruit), not
laterally compressed, testa smooth, adherent
to the pericarp; scar adaxial, full-length, elliptic,
4.5-7 mm wide. Seed without endosperm.
Field characters: Tree to 25 m high and 40 cm
diam., with simple buttresses to 1.5 m high,
bole often fluted near the base, bark brown,
scaling in thin irregular pieces, slash yellowish,
with a little watery white latex. Flowers pale
greenish-white, fruit ripening yellow or orange.
Flowering in central Amazônia in November,
fruit maturing March to April.
Not yet recorded from Reserva Ducke.
PDBFF: Reserva km 41 , Oliveira et al. 215 (1NPA
K); Alexandro 336 (INPA K); Freitas et al. F-439
(INPAK).
Pouteria jariensis has a closely similar
floral structure to P. durlandii , but can be
easily distinguished from it by the details of its
leaf venation, which is uniformly
brochidodromous, with the higher order
venation impressed on both surfaces.
6.23 Pouteria pallens T. D. Penn., Fl. Neotrop.
52: 335,fig. 72. 1990. Fig. 16 a-c
Young shoots finely appressed
puberulous, soon becoming glabrous. Leaves
spirally arranged, 15-27 x 7-10.5 cm, broadly
elliptic, apex narrowly attenuate to obtuse, base
acute to obtuse, glabrous above, sparsely and
minutely hairy below, indumentum of stiff
closely appressed whitish hairs (visible only
with a lens); venation eucampto-dromous or
brochidodromous, midrib raised on the upper
surface, secondary veins 10—15 pairs, parallel
or slightly convergem, slightly arcuate, slightly
raised on the upper surface, intersecondaries
absent, tertiaries mostly obliqúe. Petiole 2-
4 cm long, not channelled, sparsely appressed
puberulous. Fascicles 3— 10-flowered, axillary
and clustered on twigs below the leaves.
Pedicel 3-5 mm long, appressed puberulous.
Sepals 5, ca. 4 mm long, ovate, appressed
puberulous outside, glabrous inside. Corolla
cyathiform, 5.5-6 mm long, tube ca. 2 mm
long, lobes 5, ca. 2.5 mm long, ovate, margin
truncate; glabrous. Stamens 5, fixed at the top
of the corolla tube, anthers 1.75-2 mm long,
glabrous. Staminodes 5, ca. 2.25 mm long,
lanceolate-subulate, glabrous. Ovary ovoid, 2—
locular, appressed puberulous, style
ca. 2.25 mm long, glabrous, exserted in bud.
equalling the corolla in open flowers. Fruit 2.3-
3 cm long, ellipsoid, apex and base rounded,
smooth, finely puberulous. Seeds 1-2,
ca. 2 cm long, apex and base obtuse, not
laterally compressed, testa smooth, shining;
scar adaxial, full-length, ca. 4 mm wide. Seed
without endosperm.
Field characters: Tree to 20 m high and 30 cm
diam., with the trunk fluted at the base. Bark
reddish-brown, scaling in small pieces, slash
pink to orange with white latex. Flowers with
pale green corolla, fruit maturing greenish.
Flowering in central Amazônia from July to
October, fruit maturing December to February.
Known only from central and western
Brazilian Amazônia where it is a mid-storey
component of lowland rainforest on non-
flooded sites.
1 7 X11. 1 993 (fr) Assunção, P.A.C.L5 (INPA K MG
NY); 22.V11I.1997 (fl) Assunç ão, P.A.C.L et ai 633
(INPA K MG MO NY R RB SP U); 21 .VII. 1997 (fl)
Ribeiro, J. E. L S. et al. 1905 (INPA K MBM MG
MONYRRB SPUU).
Pouteria pallens is related to P.
durlandii and P. jariensis , but differs from
both in the fine whitish appressed indumentum
on the lower leaf surface. It also differs in the
detail of the higher order venation.
Rodriguésia 57 (2): 251-366. 2006
SciELO/ JBRJ,
L2 13 14 15 16 17
cm
Flora da Reserva Ducke: Sapotaceae
305
virescens - g. hubit; h. seed (FDBG 5547); i. 1/2 flower (FDBG 424H).
Rodriguésia 57 (2): 251-366. 2006
SciELO/JBRJ
12 13 14 15 16 17
306
Pennington, T. D.
6.24 Pouteria virescens Baehni, Candollea
14: 66. 1952; Pennington, T. D., Fl. Neotrop.
52: 337, fig. 72. 1990. Fig. 16 g-i
Young shoots appressed puberulous.
Leaves spirally arranged, 5.5-1 1 x 4-5.8 cm,
obovate to elliptic, apex rounded or truncate,
base obtuse to truncate, coriaceous, sparse
appressed indumentum on the lower midrib or
glabrous, venation mostly brochidodromous,
midrib flat or only slightly raised on the upper
surface, secondaries 6-8 pairs, straight or
arcuate, parallel or slightly convergem, slightly
impressed on the upper surface, intersecondaries
moderate to long, tertiaries forming a lax
reticulum which is sharply prominent on the
lower surface. Petiole 1.5-1. 7 cm long, not
channelled, appressed puberulous. Fascicles
axillary and below the leaves, 3-6-flowered.
Pedicel 3-4 mm long, appressed puberulous.
Flowers unisexual (plant dioecious). Sepals 5,
ca. 4 mm long (male), ca. 2.5 mm long
(female), appressed puberulous outside.
Corolla cyathiform, (male) ca. 5 mm long, tube
shorter than the lobes, (female) ca. 3 mm long,
tube equalling the lobes, lobes 5, glabrous!
Stamens 5, fixed at the top of the corolla tube,
glabrous, absent in female flower. Staminodes
5, (male) 2.5-3 mm long, (female) ca. 1 mm
long, lanceolate-subulate, glabrous. Ovary
conical, 2-locular, stiff-pubescent, style
included. Fruit 4—5 cm long, ellipsoid to obovoid,
apex obtuse to rounded, base truncate, smooth,
velutinous. Seeds 2, 2.5-3 cm long, ellipsoid!
slightly plano-convex, testa smooth, shining!
adherent to the pericarp; scar adaxial, full-length,
elliptic, ca. 8 mm wide.
Field characters: Tree to 30 m high and 50 cm
diam., with buttresses to 2m high. Bole often
fluted. Bark reddish-brown, fissured, the ridges
exfoliating in rectangular pieces, slash yellowish,
with slow to appear white latex. Flowers
yellowish-white and fruit ripening reddish-
orange. Flowering in central Amazônia in
September and October, the fruit maturing in
March. Seed without endosperm.
From the Guianas to central Amazonian
Brazil, in mixed rainforest on non-flooded land.
1.X.1957 (st) Ferreira, £. 726 (INPA); 19.IX.1997(fl)
Martins. LH.P. etal. 43 (LAN INPA K MO NY RB SP
U UB): 1 9.IX. 1 997 (fl) Martins. LH.P. etal. 49 (G LAN
INPAK); 7 .III. 1 9% (fr) Sothers, C.A. & Assunção, P
A. C. L 818 (INPA K MG MO NY R RB SP U).
PDBFF: Reserva km 41 .Oliveira etal. 146 (INPA
K); Pennington et al. 13093 (INPA K).
Pouteria virescens is distinguished from
P. durlandii and other species with the same
floral structure by the rather short, broad leaves
with a rounded apex, the very open, lax tertiary
venation and the large velutinous fruit.
6.25 Pouteria williamii (Aubrév. & Pellegr.)
T. D. Penn., Fl. Neotrop. 52: 338, fig. 74. 1990.
Fig. 17 a-d
Eremoluma williamii Aubrév. & Pellegr.,
Adansonia 1: 169, pl. 8. 1962.
Young shoots subglabrous. Leaves spirally
arranged, 7-1 2 x 3.5-6.5 cm, elliptic to obovate,
apex rounded to emarginate, base obtuse to
narrowly attenuate, coriaceous, glabrous; venation
cucamptodromous to brochidodromous, midrib
slightly raised on the upper surface, secondary
veins 8—10 pairs, parallel, slightly arcuate or
straight, rather uneven, intersecondaries moderate
to long, tertiaries forming a lax open reticulum.
Petiole 5-12 mm long, not channelled, glabrous.
Fascicles axillary and below the leaves, 3—10-
flowered. Pedicel 6-12 mm long, finely appressed
puberulous. Sepals 5, 2-3 mm long, Finely
appressed puberulous outside, shortly ciliate.
Corolla cyathiform, 3-4 mm long, tube slightly
shorter than the lobes, lobes 5, glabrous. Stamens
5, fixed in the lower half of the corolla tube,
glabrous. Staminodes 5, 0.3— 0.5 mm long,
subulate, glabrous. Ovary broadly ovoid, 2-locular,
densely pubescent with crisped hairs, style
included. F ruit ca. 4x3 cm, ellipsoid, apex acute.
base obtuse, smooth, velutinous. Seed solitary,
ta. 2.3 x 2 cm, broadly ellipsoid, not laterally
compressed, testa smooth, matt, adherent to the
pericarp; scar adaxial and extending around the
base of the seed, very broad, covering more than
half the seed surface. Seed without endosperm.
Field characters: Tree to 20 m high and 40 cm
diam., with small concave buttresses, bole
fluted, bark dark brown, thinly scaling and with
RodriguSsia 57 (2): 251-366. 2006
SciELO/JBRJ
12 13 14 15 16 17
cm
Flora da Reserva Ducke: Sapotaceae
'igura 17 - a-d. Pouteria williamii - a. habit; b. flowcr; c. nnther V/2 ílowcr (Ribeiro
? )• e*j. Pouteria flavilatex - , coro.la (Schultz 7326* o. sccd
906); j. fruit; 1. section of ovary ( Ribeiro 1197).
FDBG 2362).
Rodriguésia 57 (2): 251-366. 2006
SciELO/JBRJ
12 13 14 15 16 17
cm ..
308
prominent lenticels in horizontal rows, slash
yellowish with sparse translucent yellowish
latex. Flowers with pinkish-yellow corolla and
fruit covered with golden-brown velvety
tomentum. Flowering in central Amazônia in
September and October.
The Guianas to central Brazilian
Amazônia, in wetter low lying areas of
rainforest often near streams.
26.IX.1957 (fl ) Ferreira, E. WH (INPA); 28.X. 1 994
(bd) Sothers, C. A. & Silva, C. F. da 253 (INPA K
MG MO NY R RB SP U); 2.XI1. 1 997 (fr) Souza, M. A.
D. de et al. 477 (IAN INPA K MO NY RB SP U UB).
The leaf morphology of this species is
similar to that of P virescens, except that the
secondary veins are uneven (not straight).
They differ in the fine details of floral
morphology, for example the staminodes of P.
williamii are much smaller than those of P.
virescens and the anther structure is quite
different.The seed and seed scar of P.
williamii are broader than those of P.
virescens.
6.26 Pouteria flavilatex T. D. Penn., sp. nov.
(section Franchetella). Type: Brazil, Amazonas,
Manaus- Itacoatiara, km 26, Reserva Ducke,
August 1997, fl., J.E.LS. Ribeiro et al. 1906
(holotype INPA, isotype K). Fig. 17 i-j
P. durlandii et P. williamii affinis sed
latice cortici flavo, stipulis parvis et
foliorum pagina inferiore adpresse sericea,
pilis chrysobrunneis differt.
Arbor, stipulae ca. 3 mm longae,
ovatae; folia 9-15 x 4-6.8 cm, late
oblanceolata; nervi secundarii 13-15-jugi
recti parai leli; fasciculi in axillis foliorum
delapsorum enati; pedicellus 3-5 mm longus;
sepala 5; corolla cyathiformis, 4-4.5 mm
longa, lobis 5; stamina 5; staminodia 5;
ovarium 2-loculare; fructus 4-4.5 cm
longus, ovoideus.
IVee. Young shoots appressed puberulous
with golden-brown indumentum, soon glabrous,
Pale grey. Stipules ca. 3 mm long, ovate,
appressed puberulous, caducous. Leaves
spirally arranged, 9-15 x 4-6.8 cm, broadly
Pennington, T. D.
oblanceolate, apex obtuse or rounded, base
acute, upper surface glabrous, lower surface
finely golden-brown-sericeous; venation
eucamptodromous, midrib slightly sunken on the
upper surface, secondary veins 13-15 pairs,
straight, ascending, parallel, intersecondaries
absent, tertiaries obliqúe, parallel. Petiole 1 .5-
2.2 cm long, not or only slightly channelled at
the apex, appressed puberulous. Fascicles 5—
10-flowered densely clustered on twigs below
the leaves. Pedicel 3-5 mm long, appressed
puberulous. Sepals 5, 2.5-3 mm long, ovate to
suborbicular, appressed puberulous on both
surfaces. Corolla cyathiform, 4-4.5 mm long.
tube about equalling the lobes, lobes 5, ovate to
broadly oblong, apex rounded, not ciliate,
glabrous. Stamens 5, fixed in the upper half of
the corolla tube, filaments stout, 0.75-1 mm long,
glabrous, anthers 0.7— 1.2 mm long, broadly
ovate and flattened dorso-ventrally, glabrous.
Staminodes 5, 1.2— 2 mm long, lanceolate-
subulate, glabrous. Disk absent. Ovary 2-locular,
pulvinate, densely pubescent, style ca. 1 mm
l°ng< glabrous, included, style-head simple.
Fruit 4—4.5 cm long, obovoid, base obtuse or
rounded, base truncate, smooth, shortly
velutinous. Seeds 1-several, ca. 2.3 cm long,
ellipsoid, not laterally compressed, testa rough,
not shining, adherent to the pericarp; scar
adaxial, full-length, ca. 1 cm wide. Embryo with
plano-convex cotyledons, radicle extending to
the surface; endosperm absent.
I* ield characters: Tree to 30 m high and 65 cm
diam., with plank buttresses to lm high, lower
part of bole often fluted, cylindrical above. Bark
brown, scaling in small thin, irregular pieces,
slash pinkish-brown, with yellow latex. Flowers
scented, with green calyx, corolla reddish-pink,
the lobes with white margins. Fruit brown (dry).
Flowering has been recorded in August and
November, and mature fruit collected in
February.
So far known only from Pará and central
Amazônia, Brazil, where it is a canopy tree of
non-flooded lowland rainforest.
Paratypes: 22.VIII.1997 (bd) Assunção, P.A.C.L
et al. 627 (K); 9.II. 1 994 (fr) Ribeiro, J. E. L S. et al.
U97( INPA K MG MO NY RB SP); 2 1 .VIII. 1 997 (fl)
Rodrigutúa 57 (2): 251-366. 2006
SciELO/JBRJ
L2 13 14 15 16 17
cm
Flora da Reserva Ducke: Sapotaceae
Ribeiro , J. E. L S. etal. / 9(96 (K); 21. VIII. 1997 (bd)
Ribeiro, J. E. L S. et al. 1909 (K).
Pouteria flavilatex is placed in the group
of species containing P. durlandii , P.
jariensis , P. virescens and P williamii, all of
which share a similar floral structure and broad
seed scar. Pouteria flavilatex is closest to P.
williamii in floral size. It is easily distinguished
from all these species, however, both in the
field and herbarium, by the presence ot yellow
latex in the slash, the presence of small
caducous stipules and by the golden brown
appressed indumentum on the lower leaf
surface. Pouteria flavilatex is one of the few
species of Pouteria with a red corolla.
6.27 Pouteria engleri Eyma, Recueil Trav.
Bot. Néerl. 33: 178. 1936; Pennington, T. D.,
Fl. Neotrop. 52: 343. 1990. Fig. 17 1-n
Young shoots finely appressed puberulous
at first, soon glabrous. Leaves spirally
arranged, 10-12 x 3.5-7 cm, elliptic to
obovate, apex shortly attenuate, acute or
rounded, base narrowly attenuate, glabrous;
venation eucamptodromous, midrib slightly
raised on the upper surface, secondary veins
6-8 pairs, strongly arcuate, convergent,
intersecondaries mostly absent; tertiaries
obliqúe to perpendicular. Petiole 0.6- 1.5 cm
long, not channelled, appressed puberulous to
glabrous. Fascicles axillary and below the
leaves, 10-20- flowered. Pedicel 3-8 mm long,
finely appressed puberulous. Sepals 5, 2-
2.5 mm long, sparsely appressed puberulous
outside, sericeous inside, ciliate. Corolla shortly
tubular, 3.5-4 mm long, tube equalling or
exceeding the lobes, lobes 5, glabrous. Stamens
5, Fixed in the lower half of the corolla tube,
glabrous. Staminodes 0-5, minute, glabrous.
Ovary conical, gradually tapering into the style,
5-locular, densely pubescent, style exserted (and
elongating further after the corolla falis). Fruit
2-2.5 cm long, ellipsoid, apex and base rounded,
fleshy (shrinking on drying), smooth, glabrous.
Seed solitary, 1.8—2 cm long, ellipsoid, slightly
laterally compressed, testa shining, slightly
wrinkled; scar adaxial, full-length, ca. 2 mm
wide. Seed without endosperm.
309
Field characters: Tree to 40 m high and 1 m
diam., with simple or branched buttresscs to 2 m
high, bole cylindrical, bark reddish-brown to
greyish-brown, shallowly fissured or scaling,
sometimes with lenticels in vertical rows, slash
orange-brown, with scarce white latex. Flowers
greenish-white, fruit maturing orange-yellow, the
seeds surrounded by soft sweet pulp. Flowering
in central Amazônia in September and October.
From the Guianas to central and eastem
Brazilian Amazônia, in lowland forest on non-
tlooded land. In Reserva Ducke it also occurs
in wetter areas in the ‘floresta de baixio’.
6.III.1964 (fr) Rodrigues, W. & Monteiro, O. P. 5727
(INPA); 18.X. 1995 (fl) Vicentini, A. & Silva, C. F.
1086 (INPA K MG MO N Y RB SP).
Pouteria engleri is charactcrized by the
relatively broad leaves which usually dry
blackish, with few secondary veins, and by the
sepals which are sericeous on the inner face
and the exserted style. The flowers often lack
staminodes, a feature it shares with P. anômala.
6.28 Pouteria stylifera T. D. Penn., sp. nov.
(section Franchetella). Type: Brazil,
Amazonas, road Manaus to Caracaraí, km 57,
September 1977, fl., C. Damião & A. Mota
675 (holotypc INPA). Fig. 18 a-e
P. engleri affinis sed foliis parvis,
anguste ellipticis vel oblanceolatis, apice
attenuato, et floribus diminutis differt.
Arbor; stipulae nullae; folia 3.7-7 x
1.6-3 cm, elliptica vel oblanceolata; nervi
secundarii 9-10-jugi, arcuati, convergentes;
fasciculi axillares et in axillis foliorum
delapsorum enati; pedicellus 2-3 mm longus;
sepala 5; corolla tubularis, ca. 3 mm longa,
lobis 5; stamina 5; staminodia nulla; ovarium
5-loculare; fruetus (leviter immaturus)
ca. 1.5 cm longus.
Trec. Stipules absent. Young shoots finely
appressed puberulous with golden hairs,
becoming glabrous, grcyish, smooth and
lenticellatc. Stipules absent. Leaves spirally
arranged, 3.7—7 x 1.6-3 cm, elliptic or
oblanceolate, apex narrowly attenuate, less
frequcntiy acute, base narrowly attenuate,
Rodriguésia 57 (2): 251-366. 2006
;SciELO/ JBRJ
12 13 14 15 16 17
310
Pennington, T. D.
glabrous; venation eucamptodromous, midrib
raised on the upper surface (rounded in
section), secondary veins 9-10 pairs, arcuate,
convergent, intersecondaries few, moderately
long, or absent, tertiaries reticulate, obscure.
Petiole 3^4 mm long, not channelled, glabrous.
Fascicles 5-20-flowered, axillary and densely
clustered below the leaves. Pedicel 2-3 mm
long, sparsely appressed puberulous. Sepals 5,
1-1.5 mm long, ovate to suborbicular, apex
obtuse to rounded, sparsely puberulous outside,
sericeous inside. Corolla ca. 3 mm long,
tubular, tube slightly exceeding the lobes, lobes
5, margin rounded or truncate, glabrous.
Stamens 5, fixed about halfway up the corolla
tube, filaments 1-1.5 mm long, glabrous,
anthers ca. 0.5 mm long, ovate, glabrous.
Staminodes absent. Disk absent. Ovary 5-
locular, globose, ca. 1 mm diam., densely
pubescent, style tapering from base to apex,
ca. 3 mm long, exserted in bud and long
exserted in open flower, glabrous, style-head
minutely lobed. Fruit ca. 3 cm long, ellipsoid,
apex obtuse with persistem style base, base
obtuse, smooth, leathery-fleshy, glabrous,
shining. Seed solitary, ca. 2.2 cm long, laterally
compressed, apex and base acute, testa rough
and slightly verrucose; scar adaxial, full length,
ca. 4 mm wide. Embryo not seen.
Field characters: Tree to 30 m high and 70 cm
diam. with small concave buttresses, bole fluted
at the base, cylindrical above. Bark slightly
dippled near the base, otherwise smooth, dark
brown, slash with some white latex. Flowers
yellowish-green, young fruit green, with copious
sticky white latex. Flowering June to
September, immature fruit in November.
So far known only from collections in
central Amazonian Brazil in the region of
Manaus. It is frequent in the forests of the
PDBFF Reserves north of Manaus. The species
is recorded only from non-flooded forest.
Not recorded from Reserva Ducke.
Paratypes: PDBFF: Fazenda Dimona, Kukle 67 (K)\
Pereira et al. s.n. PDBFF2303.2966 (1NPA); da
Silva s.n. PDBFF2303. 1381.2 (INPA); Reserva km
41, Freitas F-459 (INPA K).
Pouteria stylifera is close to P. engleri
and shares with it the lack of floral staminodes.
The new species is well characterized by the
very small narrowly elliptic or oblanceolate
leaves with an attenuate apex. The leaves have
more secondary veins that P. engleri , and the
flowers are much smaller, with the distinctive
tapered style about 3 times the length of the
ovary. It also differs from P. engleri in its
rough, verrucose seed.
6.29 Pouteria anômala (Pires) T. D. Penn.,
Fl. Neotrop. 52: 344. 1990. Fig. 18 f-h
Chrysophyllum anomalum Pires, Boi.
Técn. Inst. Agron. N. 38: 34. 1960.
Young shoots finely and sparsely
appressed puberulous, soon glabrous. Leaves
spirally arranged, 7-10 x 2-4 cm, narrowly
elliptic, less frequently oblong, apex narrowly
attenuate to acuminate, base narrowly attenuate,
glabrous; venation brochidodromous with a
strong submarginal vein, midrib slightly raised
on the upper surface, secondary veins 15-20
pairs, parallel, slightly arcuate, intersecondaries
numerous, long, often extending to near the
margin, tertiaries reticulate and tending to
perpendicular. Petiole 5-7 mm, not or only
slightly channelled, subglabrous. Fascicles
axillary and below the leaves, 3— 10-flowered.
Pedicel 4—6 mm long, sparsely appressed
puberulous. Sepals 5, ca. 2 mm long, subglabrous
outside, sericeous inside, inner ones ciliate.
Corolla shortly tubular, 3-3.5 mm long, tube
about equalling the lobes, lobes 5, glabrous.
Stamens 5, fixed in the lower half of the corolla
tube, glabrous. Staminodes absent. Ovary
gradually tapering into the style, 3-5-Iocular,
appressed puberulous, style exserted. Fruit 2—
3- cm long, globose or ellipsoid, rounded at base
and apex, smooth, glabrous. Seed solitary, 1 .8—
2 cm long, broadly ellipsoid, testa smooth, shining;
scar adaxial, full-length, 5—9 mm wide. Seed
without endosperm.
Field characters: Tree to 35 m high and
70 cm diam., with branched, slightly convex
buttresses to 2 m high, bole cylindrical, bark
greyish-brown, finely vertically cracked, slash
orange to reddish-brown, granular, with sticky
Rodriguésia 57 (2): 251-366. 2006
SciELO/JBRJ
L2 13 14 15 16 17
Flora da Reserva Ducke: Sapotaceae
311
L. u n „r. „ m nnwer. d ovary; e. lcaf undcrsurface (da Silva s.n. iree
Figura 18 - a-e. Paute ria stylifera - a. hab.t; b_ flo ' & C()êlho 7586)- g. 1/2 flower (Lissott 75/77)', h. sccd
number 2305. 1381.2). f-h. Poutena anómala - f. habit (Kodriftue
(Moore 58). i-1. Pouteria elegans - i. habit; j. seed (Magtare & Wurdack 34994), 1. 1/2 flowc
Rodriguésia 57 (2): 251-366. 2006
SciELO/JBRJ
12 13 14 15 16 17
cm
312
white latex. Flowers greenish-white, fruit
ripening reddish. Flowering in central
Amazônia in October.
From Southern Venezuela to central
Amazônia and Pará, in lowland forest on non-
flooded land.
3 1 .X. 1997 (fl) Ribeiro, J. E. LS.& Pereira, E. da C.
1943 (BM G LAN INPA K MBM UB UEC US);
29.XII.1965 (fr) Rodrigues, W. & Monteiro, O. P.
7376 (INPA); 17.III.1966 (fr) Rodrigues, W &
Coelho, D. 7586 (INPA); 4.X. 1995 (fl) Sothers, C.
A. et al. 598 (INPA K MG MO NY RB SP U);
16.XII.1997 (fr) Sothers, C. A. & Pereira, E. C. 1068
(INPA K MG MO NY RB SP U UB).
PDBFF: Kukle 99 (K); da Silva s.n. PDBFF
2303.3306.2.
This species is easily recognized by the
rather slender leaves with brochidodromous
venation, numerous parallel secondary veins
and a conspicuous submarginal vein. The floral
structure is close to that of P. engleri, and it
shares with this species the lack of staminodes
and the long exserted style.
Section Oxythece (Miq.) Eyma
6.30 Pouteria elegans (A.DC.) Baehni,
Candollea9: 197. 1942; Pennington, T. D..F1.
Neotrop. 52: 346, fíg. 75. 1990. Fig. 18 i-1
Sideroxylon elegans A.DC. in DC.,
Prodr. 8: 183. 1844.
Young shoots minutely appressed
puberulous at first, soon glabrous. Leaves
spirally arranged, 8.5-17.5 x 2.5-6 cm, elliptic
or broadly oblong, apex obtuse to rounded, base
narrowly attenuate to obtuse, coriaceous,
greyish-glaucous below, glabrous or with sparse
minute pale appressed hairs in the lower surface;
venation obscure, brochidodromous, sometimes
with a submarginal vein, midrib sunken on the
upper surface, secondary veins 15-22 pairs,
straight, parallel, sometimes slightly impressed
on the upper surface, intersecondaries long,
often extending to the margin, tertiaries few,
parallel to the secondaries. Petiole 1-2 cm long,
slightly channelled, glabrous. Fascicles axillary
and below the leaves, 5-10-flowered. Pedicel
7—9 mm long with scattered minute appressed
hairs. Flowers unisexual (plant dioecious).
Pennington, T. D.
Sepals 5, 2-3 mm long, with scattered minute
appressed hairs outside, glabrous inside. Corolla
cyathiform to shortly tubular, 2.5-3 .5 mm long,
tube about equalling the lobes, lobes 5, glabrous.
Stamens 5, fixed in the lower half of the corolla
tube, glabrous; anthers absent in female
flowers. Staminodes 0-2, usually rudimentary,
glabrous. Ovary ovoid or flattened, 2-locular
pubescent, style included. Fruit 3-3.5 cm long,
narrowly oblong or ellipsoid, apex acute to
narrowly attenuate, base rounded to tapered,
smooth, appressed puberulous with golden-
brown hairs. Seed solitary, 2-3 cm long,
narrowly oblong or ellipsoid, not laterally
compressed, testa smooth, pale, shining; scar
adaxial, full-length, 1-4 mm wide. Seed without
endosperm.
Field characters: Tree to 20 m high and 35 cm
diam., with brown fissured bark and copious
sticky white latex. Flowers scented, greenish-
white, fruit maturing greenish-brown. Flowering
in central Amazônia August to October, fruit
maturing April to May.
Throughout the drainage of the Amazon
from Pará to Southern Venezuela and
Colombia. A common riverside tree, usually
found in periodically or permanently flooded
forest (in both black and white water) also
occasionally from savanna.
Not recorded from Reserva Ducke.
AMAZONAS: Manaus, Rio Tarumã-Mirim,
erreira 226 (K); Manaus, Rio Tarumã- Açú, Nelson
1258 (K); Rio Cuieiras, Mori & Gracie 19264 (K).
This species is close to P. cuspidata but
may be distinguished from it by the rounded
leaf apex (acute to attenuate in P. cuspidata),
sunken midrib (midrib raised in P. cuspidata)
and slender fruit with acute or attenuate apex
(fruit broader, apex rounded in P. cuspidata).
6.31 Pouteria cuspidata (A. DC.) Baehni,
Candollea 9: 23 1 . 1942; Pennington, T. D.. Fl.
Neotrop. 52: 349, fig. 75. 1990.
Sideroxylon cuspidatum A. DC. in DC.,
Prodr. 8: 183. 1844.
Young shoots minutely appressed
puberulous at First, soon glabrous. Leaves
Rodriguttsia 57 (2): 251-366. 2006
SciELO/JBRJ
12 13 14 15 16 17
Flora da Resenha Ducke: Sapotaceae
313
spirally arranged, 5-13.5 x 2.5-6 cm, elliptic
to oblanceolate, apex usually acute to attenuate,
base narrowly attenuate, usually coriaceous,
upper surface glabrous, lower suríace
sometimes glaucous, with closely appressed
pale or golden indumentum or glabrous;
venation obscure, brochidodromous, sometimes
with a submarginal vein, midrib slightly raised
on the upper surface, secondary veins 1 5-20
pairs, straight, parallel, usually slighüy impressed
on both surfaces, intersecondaries long, often
extending to near the margin, tertiaries obscure,
parallel to the secondaries. Petiole 0.5-1 .5 cm
long, not channelled, subglabrous. Fascicles
axillary and below the leaves, 5-10-flowered.
Pedicel 5-7 mm long, appressed puberulous.
Flowers unisexual (plant dioecious). Sepals 5,
2-2.5 mm long, sparsely and minutely
appressed puberulous outside, glabrous inside.
Corolla cyathiform or shortly tubular, 3-3.5 mm
long, tube about equalling the lobcs, lobes 5,
glabrous. Stamens 5, fixed near the top of the
corolla tube, glabrous, absent in fcmale flowers.
Staminodes 0-3, usually vestigial, glabrous.
Ovary truncate or conical, 2-locular, shortly
pubescent, style included. Fruit 2-3 cm long,
ellipsoid or obovoid, apex rounded, base acute,
smooth, with residual appressed indumentum.
Seed solitary, 1.2-2. 5 cm long, ellipsoid,
laterally compressed, testa smooth, shining;
scar adaxial, full-length and sometimes
extending around the base of the seed, 1-3 mm
wide. Seed without endosperm.
Panama, across northem South America
to Goiás and Mato Grosso, Brazil.
Key to the subspecies of Pouteria cuspidata
lower surface glaucous and glabrous, secondary veins not impressed
31a. P. cuspidata subsp. cuspidata
long lower surface not glaucous, often with appressed golden-brown indumentum,
usually slightly impressed on both surfaces 31b. P cuspidata subsp. dura
1. Leaves 7-13.5 cm long
on the lower surface
1 . Leaves 5-8 cm
secondary veins
6.31a Pouteria cuspidata (A. DC.) Baehni
subsp. cuspidata ; Pennington, T. D., Fl.
Neotrop. 52: 350, fig. 75. 1990. Fig. 19 a-d
Field characters: Tree to 30 m high and 60 cm
diam., with slender buttresses to 1.5 m high,
bole fluted, bark smooth or granular, pale
greyish brown, slash pinkish with white latex.
Flowers scented, pale greenish-white, fruit
ripening yellowish-green to orange. Flowering
in central Amazónia September to November,
fruit maturing March to April.
Colombia, Venezuela and the Guianas to
Amazonian Brazil, Peru and Bolivia. Usually
along riversides, near waterfalls or in
periodically or permanently flooded forest.
Tree nutnber 667 (INPA).
AMAZONAS: Manaus, Ponta Negra, Ducke 1743
(K); Rio Negro, above Camanaus, P rance et al.
16023 (K).
6.31b Pouteria cuspidata (A. DC.) Baehni
subsp. dura (Eyma) T. D. Penn., Fl. Neotrop.
52: 352, fig. 75. 1990. Fig. 19 e
Pouteria dura Eyma, Recueil Trav.
Bot. Neérl. 33: 187. 1936.
Field characters: Tree to 30 m high and
50 cm diam., with small buttresses to 1 m
high. Bole cylindrical, bark smooth or finely
cracked, slash orange-brown, with cream or
white latex, sometimes smelling of almonds.
Flowers greenish-white, scentcd, fruit
maturing yellowish, with some brown
indumentum. Flowering in central Amazónia
from June to September, fruit maturing in
February and March.
Panama across northem South America
to the Guianas, and south across Amazónia
to Peru. A plant of rainforest on non-flooded
sites, ascending to 1250 m altitude.
1 X.1997 (fl) Assunção, P.A.C.L et al. 686 (BM G
INPA K MBM MG UB UEC US); 29.IX. 1994 (fl)
Rodriguésia 57 (2): 251-366. 2006
SciELO/JBRJ
12 13 14 15 16 17
cm ±
314
Hopkins, M. J. G etal. 1490(G IAN INPA K MBM
MO R RB U); 24 .XI. 1 994 (fr) Nascimento, J. R. et aL
662 (INPA K MG NY SP); 29. VI. 1993 habi,; h. dctail of indumcntum
(Marcano-Berti 26/); e. fruit; f. seed (D/ú; et al. 105^ ^ - . f , seed (Mori & pipoly 15409). m-q. Pouteria
(Boom & Mori 1970); i. inflorescence (Black et al. 57-1 -J_ ’ . nowerbud; p. i/2 flowcr (Freitas 510);
freitasii - m. habit; n. indumcntum on lcaf lowcr surface (Rtbetro 1919). o. Ilowcr P
q. young fruit; r. section of ovary (Souza 508).
Rodriguésia 57 (2): 251-366. 2006
!scíelo/jbrj
12 13 14 15 16 17
338
Pennington, T D.
herbarium, that enable it to be distinguished at
a glance. The thin papery reddish-brown bark
is unlike that of any other Sapotaceae, and in
the herbarium the long petioles and pale
undersurface, acuminate or caudate leaf tip
form a distinctive combination.
6.55 Pouteria freitasii T. D. Penn., sp. nov.
(section Pouteria). Type: Brazil, Amazonas,
Manaus, Distrito Agropecuário, Reserva
1501 (km 41), August 1990, fl., M. A. de
Freitas 510 (tree 324) (holotype INPA n.v.,
isotype K). Fig. 26 m-q
P. filipes affinis sed foliorum costa
supra impressa, nervis quaternariis
subtiliter areolatis, et floribus magnis differt.
Arbor; stipulae nullae; folia 11-19 x
5-7.5 cm, late oblanceolata, infra adpresse
pubescentia pilis chrysobrunneis; nervi
secundarii 11-14-jugi, recti, paralleli;
fasciculi plerumque axillares ; pedicellus 1-
1.5 mm longus; sepala 4; corolla tubularis,
ca. 6 mm longa, lobis 4; stamina 4;
staminodia 4; ovarium 4-loculare, pubesçens.
Tree. Young shoots appressed pubescent
with golden brown hairs, eventually becoming
glabrous, pale greyish. Stipules absent. Leaves
spirally arranged, 11-19 x 5-7.5 cm, broadly
oblanceolate, apex narrowly attenuate or
cuspidate, base acute, glabrous above, closely
and densely appressed pubescent below with
golden-brown hairs; venation eucamptodromous,
midrib sunken on the upper surface, secondary
veins 1 1-14 pairs, straight or slightly arcuate,
parallel, intersecondaries absent, tertiaries few,
obliqúe, fine quaternary areolate reticulum
visible on the upper surface (with lens). Petiole
1.3-3 cm long, slightly channelled above,
appressed pubescent. Fascicles 3-5-
flowered, mostly axillary. Pedicel stout, 1-
1.5 mm long, sericeous. Sepals 4, 4-4.5 mm
long, outer pair broadly ovate, apex obtuse,
innerpair orbicular; sericeous outside, glabrous
inside. Corolla tubular, ca. 6 mm long, tube
exceeding the lobes, lobes 4, ca. 1 .5 mm long,
apex truncate, not ciliate, glabrous. Stamens
4, fíxed in the lower half of the corolla tube.
filaments ca. 2.5 mm long, glabrous, anthers
ca. 0.75 mm long, flattened dorso-ventrally,
glabrous. Staminodes 4, 0.5-0.75 mm long
lanceolate to ovate, glabrous. Disk absent.
Ovary 4-locular, globose, densely pubescent,
style ca. 3 mm long, glabrous, exserted, style-
head simple or minutely 4-lobed. Fruit
unknown.
Field characters: Tree to 30 m high and 70 cm
diam., bole fluted at the base, cylindrical above.
Bark greyish-brown, or brown, regularly and
narrowly flssured, outer slash dark brown, inner
pinkish, with plentiful white latex. The leaves
are golden-brown on the lower surface. Flowers
with green corolla. Flowering in August.
Known only from central Brazilian Amazônia,
where it occurs in mixed rainforest on non-flooded
sites. It is particularly common at the type locality
were 48 individuais (10 cm DBH or greater) were
recorded from a 25 hectare sample.
Paratypes: 14.1.1998 (fr) Assunção, P. A. C. L. &
Silva, C. F. 770 (K); 23.IX.1997 (ü) Ribeiro, J. E. L.
S. & Assunção, P. A. C.L 1919 (K); 19.IX.1997 (0)
Souza, M. A. D. 420 (K); 18.XII.1997 (fr) Souza. M.
A. D. etal. 508 (K).
PDBFF. Freitas F-503 (K); Pennington et al. 12649
(INPA K); Pennington et al. 12940 (INPA K);
Pennington et al. 13004 (INPA K).
Pouteria freitasii is one of the most easily
recognized trees among central Amazonian
Sapotaceae, on account of its distinctive bole
and the golden-brown indumentum on the lower
leaf surface. Its trunk is fluted at the base and
the bark is characteristically narrowly and
regularly fissured. In the herbarium sterile
specimens may easily be confused with P.
filipes, which has a similar indumentum, but the
latter lacks the sunken midrib of P. freitasii and
the fine areolate reticulum (visible on the upper
surlace with a lens). The flowers of P. reitasii
are about twice the size of those of P. filipes.
The leaf venation and floral size and
structure place this species firmly within the group
of P. guianensis, P. hispida, P. decorticans, but
it differs from all of these in the characteristic
reddish-brown indumentum of the young shoots,
leaves and inflorescence, in the sunken midrib of
the leaves and in the finely areolate venation.
Rodriguésia 57 (2): 251-366. 2006
SciELO/JBRJ
.2 13 14 15 16 17
Flora da Reserva Ducke: Sapotaceae
339
Section Aneulucuma (Radlk.) T. D. Penn.
6.56 Pouleria procera (Mart.) T. D. Penn., Fl.
Neotrop. 52: 504, fig. 1 16. 1990. Fig. 27 a-d
Lucuma procera Mart., Flora 22, Beibl.
1:57.1839.
Young shoots minutely puberulous at first,
soon glabrous and scaling. Leaves spirally
arranged, 6-12 x 2-4.5 cm, elliptic or lanceolate,
apex narrowly attenuate or acuminate, base
shortly and narrowly attenuate, glabrous;
venation eucamptodromous, midrib flat or
slightly raised on the upper surface, secondary
veins 9-15 pairs, slightly convergent, arcuate,
intersecondaries short to moderately long,
tertiaries forming a loose reticulum. Petiole 5-
12 mm long, slightly channelled, glabrous.
Fascicles axillary and on twigs below the
leaves, 3-12-flowered. Pedicel 0.5-2 mm long,
sometimes with 1-2 small bracts, sparsely
appressed puberulous. Sepals 5-6, outer 1 .5—
2 mm long, inner 3-3.5 mm long, broadly ovate,
sparsely appressed puberulous or glabrous
outside, sericeous inside; ciliate. Corolla shortly
tubular, 3-5.5 mm long, tube exceeding the
lobes, lobes 5, broadly oblong, glabrous. Stamens
5, fixed at the top of the corolla tube, glabrous.
Staminodes 5, 0.5-1. 5 mm long, lanceolate or
subulate, glabrous. Ovary ovoid, 5-locular,
densely pubescent, style slightly exserted in
flower bud, equalling or exceeding the opcn
corolla. Fruit 3.5—4 cm long, broadly obovoid,
apex rounded, base attenuate, smooth, thin-
walled (often shrinks on drying), with residual
appressed puberulous indumentum. Seeds 1—
2, 2-3 cm long, broadly ellipsoid, rounded at base
and apex, testa smooth to slightly verruculose,
scar adaxial and extending around the base, 0.6-
1.2 cm wide. Seed without endosperm.
Field characters: Tree to 45 m high and 1 m
diam., larger specimens buttressed. Slash with
white latex. The flowers have a yellowish green
corolla, and the fruit ripens yellow or orange.
Flowering in central Amazónia in February.
Venezuela, Brazilian Amazónia to Peru
and Bolivia, Coastal Brazil. lt occurs in lowland
rainforest, frequently on periodically flooded
land (restinga alta).
Not recorded from Reserva Ducke
AMAZONAS: Manaus, Careiro, Fróes 24061 (N Y);
Amazonas, mouth of R. Embira, Krukoff5177 (A
BM F K M MO NY RB US).
Pouleria procera is the only species of
section Aneulucuma in central Amazónia. The
section is characterized by having a calyx of
more than 5 sepals arranged in a spiral, 5-
locular ovary and seed with a broad scar and
frequently verrucose or pitted testa.
Section Gayella (Pierre) T. D. Penn.
6.57 Pouteria eugeniifolia (Pierre) Baehni,
Candollea 9: 218. 1942; Pennington, T. D.,
Fl. Neotrop. 52: 527, fig. 124. 1990.
Fig. 27 e-g
Micropholis eugeniifolia Pierre, Not.
Bot. 40. 1891.
Young shoots appressed puberulous to
sericeous with reddish-ferrugineous hairs,
soon glabrous. Leaves spaced, usually
opposite, but often variable on the same shoot
and then some spirally arranged, 4-10 x 2-
8 cm (leaves on sterile specimens may be
1.5-2 times this size), lanceolate, elliptic or
oblong-elliptic, apex acute to attenuate, base
narrowly attenuate, acute or rounded,
glabrous or some reddish-ferrugineous
appressed indumentum restricted to the
midrib and veins below, often slightly
glaucous below; venation brochido-dromous,
midrib flat or slightly sunken on the upper
surface, secondaries 15-18 pairs, widely
spreading, straight, parallel, slightly
impressed on the upper surface,
intersecondaries long, extending from the
submarginal loops to the midrib, tertiaries
reticulate, tending to descend from the
margin towards the midrib. Petiole 5—10 mm
long, not channelled, appressed puberulous
with reddish-ferrugineous hairs. Fascicles
5-10-flowered, axillary and elustered on
twigs below the leaves. Pedicel 4-5 mm long,
appressed puberulous. Sepals 5, 1-1.5 mm
long ovate or triangular, puberulous outside.
Corolla rotate, 2-2.5 mm long, tube shorter
than the lobes, lobes 5. lanceolate, apex
acute, appressed pubescent outside, glabrous
Rodriguésia 57 (2): 251-366. 2006
SciELO/JBRJ
L2 13 14 15 16 17
340
Pennington, T D.
Figura 27 - a-d. Pouteria procera - a. habit ( Pinheiro 328); b. 1/2 flower (Santos 378); c. habit with fruit (Steyermark et
al. 101941); d. seed ( Curran 25). e-g. Pouteria eugeniifolia - e. habit (Silva & Bahia 3093); f. flower; g. 1/2 flower
(Maguire & Politi 28742).
Rodriguésia 57 (2): 251-366. 2006
cm l
.SciELO/ JBRJ
12 13 14 15 16 17
Flora da Reserva Ducke: Sapotaceae
341
inside. Stamens 5, fixed at the top of the
corollatube, exserted, glabrous. Staminodes
5, 1.5-2 mm long, narrowly lanceolate, or
subulate, glabrous. Ovary ovoid, 4-5-locular,
appressed puberulous, style glabrous. Fruit
1.5-2 cm long, subglobose, apex rounded,
base rounded or tapered, smooth, appressed
puberulous with ferrugineous hairs. Seed
solitary, 1-1.3 cm long, broadly ellipsoid,
testa smooth; scar adaxial, 3-5 mm broad.
Seed without endosperm.
Field characters: Tree to 40 m high and 60 cm
diam., larger specimens with simple or branched
steep buttresses merging into a fluted bole,
upper bole usually cylindrical. The buttresses
sometimes run several metres from the trunk.
Bark reddish-brown, scaling in large irregular
pieces. Slash reddish-brown, with cream or
cream-brown sticky latex. Flowers pale green,
fruit brown. Flowering in central Amazónia
recorded in May and September.
Colombia, Venezuela and the Guianas
and Amazonian Brazil. lt occurs in non-
flooded rainforest up to an altitude of 1 000 m.
9.IX. 1 994 (fl) Assunção, P.A.C.L 49 (INPA K MG
MO N Y R RB SP U); 2 1 . V. 1 997 (fl) Sothers, C. 4.
990 (BM G IAN INPA K MBM UB UEC US).
Pouteria eugeniifolia is the only species
of section Gayella in central Amazónia and is
characterized by its rotate pentamerous flowers
with exserted stamens. In the field it is distinctive
because of the opposite (decussate) leaves
which are usually glaucous below.
7. Chrysophyllum
Chrysophyllum L., Sp. PI. 192. 1753;
Cronquist, A. J. Buli. Torrey Bot. Club 72:
191. 1945; 73; 286. 1946.
Unarmed trees. Stipules absent.
Leaves altemate and distichous or spirally
arranged. Venation brochidodromous or
eucamptodromous, tertiary veins parallel to
the secondaries and descending from the
margin, or obliqúe and closely parallel or
reticulate. Inflorescence axillary or
ramiflorous. Flowers unisexual or bisexual.
Calyx a single whorl of 5 sepals, sometimes
accrescent in fruit. Corolla globose,
campanulate or cylindrical, tube shorter than,
equalling or longer than the Iobes, lobes 5,
simple. Stamens 5, fixed in the lower or upper
part of the corolla tube, included; anthers hairy
or glabrous. Staminodes absent (minute
staminodes present in C. pomiferum and
C. durifructum ). Ovary (2-)5-locular, style
included. Fruit 1-5-seeded. Seed laterally
compressed and with a narrow adaxial scar, or
not laterally compressed and then the scar broader,
basi-ventral or adaxial; testa smooth and shining,
or rough and then adherent to the pericarp; embryo
with thin, foliaceous or thick flat cotyledons
and exserted radicle; endosperm abundant.
Forty three species in the Neotropics,
ca. 15 in África, ca. 10 in Madagascar and
2-3 in Asia and the Pacific. Eleven species in
Reserva Ducke and environs.
Key to the species of Chrysophyllum of the Manaus area
I. Leaves altemate and distichous, venation mostly brwhidodromous, seed K^broad.toiventnU.
2. Corolla sericeous; stamens fixed at the apex of the corolla tube. anthers glabrous — -
2. CorollFmoreor less glabrous; stamens fixed in lowe
1. Leaves spirally '^ngedrventóon êücamptodromous, seed scar narrow. adaxial, sometimes
extending around the base of seed.
3 Seed coat roueh not shining, adherent to the pericarp.
4 Leavls broadly oblanceolate or obovate. pcrsis.en.ly rufous-brown
4. ÍT~r! no' veln^ota more than ,4
pai rs.
RodrtRuésia 57 (2): 251-366. 2006
SciELO/JBRJ
2 13 14 15 16 17 18
cm ..
Pennington, T. D.
5. Indumentum of young parts and lower leaf surface crisped or spreading not appressed
secondary veins straight 7. c manaosens'e
5. Indumentum of young shoots and lower leaf surface appressed, secondary veins slightly
arcuate.
6. Leaves 1 6-26 cm long, secondary veins 1 3-2 1 pairs, petiole 2-4.5 cm long fruit 4 5-
5 cm long, rough-skinned, without lenticels 6. C. colombianum
6. Leaves 9.3-17.5 cm long, secondary veins 10-13 pairs, petiole 1-2.2 cm long fruit 3-
4.5 cm long smooth, lenticellate .. 5. C. amazonicum
3. oeed coat smooth, shining, free from pericarp.
7. Sepals usually accrescent in fruit; seed scar adaxial and extending around the base
8. Leaf indumentum closely appressed or leaves glabrous 3. C. sanguinolentum
8. Leaf indumentum tomentose with ferugineous spreading hairs
_ c " ; 4. C. ucuquirana-branca
7. Sepals not accrescent in fruit; seed scar adaxial, not extending around the base.
9. Young shoots, leaves and inflorescence densely golden or ferrugineous-tomentose with
spreading hairs ^
„ ui C. eximium
9. Young shoots, leaves and inflorescence with closely appressed pubescence or glabrous
10. Corolla tube shoner than the lobes 11. C. lucmtifotmm
1 0. Corolla tube equalling or exceeding the lobes.
1 1 . Leaves mostly less than 1 0 cm long, venation mostly brochidodromous, secondary
veins 7- 1 0 pairs, petiole 3-7 mm long 9. C. pomiferum
11. Leaves 1 1-28 cm long, venation eucamptodromous, secondary veins 1 1—16 pairs,
petiole 2-4 cm long.
1 2. Leaves 13-28 x 6-12 cm, secondary veins slightly convergem, tertiary veins
reticulate, sepals glabrous, staminodes present 10. C. durifructum
12. Leaves 11-15 x 4.5-6 cm, secondary veins parallel, tertiary veins obliqúe,
sepals sericeous inside, staminodes absent 1 2. C. wilsonii
Section Chrysophyllum
7.1 Chrysophyllum argenteum Jacq., Enum.
Syst. Pl. 15. 1760; Pennington, T. D., Fl. Neotrop.
52: 543, fig. 1 26. 1 990. Fig. 28 a-d
Young shoots sericeous, with golden-
brown hairs, soon glabrous. Leaves altemate
and distichous, 8-15x4-6 cm, broadly oblong
or elliptic, apex obtusely cuspidate or narrowly
attenuate, base acute to rounded, glabrous
above, golden sericeous to subglabrous below;
venation mostly brochidodromous, midrib
sunken on the upper surface, secondary veins
10-16 pairs, parallel, straight or slightly arcuate,
not impressed or raised on the upper surface,
intersecondaries often long, tertiaries more or
less parallel to the secondaries and descending
from the margin, eventually forming a lax
reticulum. Petiole 1-1.5 cm long, channelled,
sericeous. Fascicles axillary, 5-10-flowered.
Pedicel 3-5 mm long, sericeous. Flowers
bisexual. Sepals 1.5— 2 mm long, sericeous
outside. Corolla 4—5 mm long, tubular, tube
much longer than the lobes, sericeous outside.
Stamens fixed at the top of the corolla tube,
glabrous. Ovary 5-locular, appressed
puberulous, style-head conspicuously 5-lobed.
Fruit 1-2.5 cm long, ellipsoid, apex and base
acute to rounded, smooth, glabrous, fleshy.
Seed solitary, 0.8-2 cm long, ellipsoid, slightly
laterally compressed, testa smooth. shining;
scar broad, basi-ventral.
Field characters: Tree to 30 m high and 50 cm
diam., but often flowering when only a few
metres high. Large specimens have small
rounded buttresses. Bark fissured, greyish, with
pink or reddish slash and copious sticky w hite
latex. Flowers pale greenish-cream and fruit
ripening purplish-black. Flowering in central
Amazônia mostly July to September, fruit
ripening Novcmbcr to April.
Rodriguésia 57 (2): 251-366. 2006
SciELO/JBRJ
L2 13 14 15 16 17
cm
Flora da Resen>a Ducke: Sapoiaceae
343
Figura 28 - a-d. Chrysophyllum argentam subsp. a ar atum- 4^^wJ(DeU^c7o & Lie.wer 7075)',
c. fruit; d. seed (Bruijn 1389). e-i. C^'soffl!‘"' j""“eed {Bahia 50). j-m. Chrysophyllum colombianum - j. hubit;
g. female flower (Aristeguieta&Lahbiente73l3),n. , ......
1. 1/2 flower ( Castenada 4855)', m. seed (Pennington o\ t < a
Rodriguésia 57 (2): 251-366. 2006
SciELO/JBRJ
12 13 14 15 16 17
344
Pennington, T. D.
Southern Central America, northem and
central South America to Ecuador and Peru,
Caribbean islands. Five subspecies are
recognized in C. argenteum, and that present
in central Amazônia is subsp. auratum (Miq.)
T. D. Penn., which has a distribution from
Venezuela and the Guianas to central and
western Amazônia. Subspecies auratum
occurs in a wide range of forest types, both
ever wet and seasonal, in both lowland and
montane regions up to 1 600 m altitude.
Not yet recorded from Reserva Ducke.
PDBFF: Reserva km 4 1 , Lepsch Cunha et al. 740
(INPAK).
Sterile specimens of C. argenteum are
easily confused with C. sparsiflorum but in
the latter the upper leaf surface is glossy and
the secondary veins are slightly raised or slightly
sunken above (matt upper surface in
C. argenteum and secondary veins flat). The
tertiary venation of C. argenteum is parallel
to the secondary venation and descending from
the margin of the leaf, whereas that of
C. sparsiflorum forms a lax reticulum. See
also under C. sparsiflorum for differences in
flower and fruit.
Section Villocuspis A. DC.
7.2 Chrysophyllum sparsiflorum Klotzsch ex
Miq. in Mart., Fl. bras. 7 : 90. 1 863; Pennington,
T. D., Fl. Neotrop. 52: 580, fig. 134. 1990.
Fig. 28 e-i
Young shoots Finely sericeous with golden
hairs, becoming glabrous. Leaves alternate
and distichous, 6.5-14 x 2.8-7 cm, elliptic, apex
obtuse to narrowly attenuate, base obtuse to
narrowly attenuate, upper surface glabrous,
lower surface finely golden sericeous; venation
mostly brochidodromous, midrib sunken on the
upper surface, secondary veins 10-14 pairs,
straight, parallel, slightly raised or slightly
impressed on the upper surface, intersecondaries
often long, tertiaries forming a lax reticulum.
Petiole 1.3-1. 8 cm long, channelled, sericeous.
Fascicles axillary, 5-25-flowered. Pedicel 6-
10 mm long, sericeous. Flowers unisexual (plant
dioecious). Sepals 1-1.5 mm long, sericeous
outside. Corollacyathifonn, 3.5-4 mm long, tube
about equalling the lobes, glabrous. Stamens fixed
near the base of the corolla tube, hairy; absent in
female flowers. Ovary ovoid, pubescent, style-
head obscurely lobed. Fruit 2.5-3 cm long,
ellipsoid, apex and base rounded, smooth, glabrous,
fleshy. Seed solitary, 2—2.3 cm long, ellipsoid, not
laterally compressed, testa thick and woody,
shiny; scar broad, covering the adaxial face of
the seed.
Field characters: Canopy tree to 40 m high and
40 cm diam., without buttresses. Bark brown,
fissured or scaling in longitudinal strips, inner bark
pink to red, with copious white latex. Flowers
with green corolla and cream or reddish stamens,
sometimes reported to have an unpleasant scent.
The fruit mature yellowish. Flowering in central
Amazônia November to December, fniit ripening
ApriltoJune.
Venezuela and Guyana to Maranhão and
south to Rondônia and Mato Grosso, in mixed
lowland rainforest on non-flooded land.
24. V. 1 967 (fr) Albuquerque, B. W. P de & Elias, J.61
(INPA); 6.XII. 1 996 (fl) Hopkins, M. J. G et al. 1614
(B GH INPA K MG P VIC); 4. VI. 1 993 (fr) Ribeiro, J.
E. L S. etal. 829 (INPA K MG MO NY SP); 1 9.XI. 1 996
(fl) Ribeiro, J. E. L S. etal. 1 859 (BM G IAN INPA K
MBM UB UEC US); 25.IV. 1 995 (fr) Sothers. C. 4. &
Silva, C. F. 410 (G INPA K MBM MG R RB U US);
12.XI.I996 (fl) Sothers, C. A. & Silva, C. F. da 927
(COL F INPA K MG PEUFR SPF UFMT VEN);
18.XI.1996 (fl) Sothers, C. A. & Pereira. E. C. 932
(INPA K MG MO NY R RB SP U).
Although very similar to C. argenteum in
leaf morphology, this species is easily separated
with flowers or fruit. The corolla of
C. sparsiflorum is glabrous (sericeous in
C. argenteum), the corolla is cyathiform with
the tube and lobes about equal (corolla tubular,
tube much longer than the lobes in
C. argenteum), the seed has an adaxial scar
(scar basi-ventral in C. argenteum).
Section Ragala (Pierre) T. D. Penn.
7.3 Chrysophyllum sanguinolentum (Pierre)
Baehni, Boissiera 11: 74. 1965; Pennington, T.
D. , Fl. Neotrop. 52: 583. 1990.
Young shoots finely appressed puberulous,
becoming glabrous. Leaves spirally arranged,
1 2.5-30-6 x 1 5 cm, broadly elliptic, oblong-elliptic
Rodrigu/sia 57 (2): 251-366. 2006
SciELO/JBRJ
L2 13 14 15 16 17
Flora da Reserva Ducke: Sapotaceae
345
or obovate, apex obtuse to rounded or
emarginate, base narrowly attenuate to rounded
or truncate, upper surface glabrous, lower
surface finely appressed puberulous with pale
brown to silvery hairs, or glabrous; venation
eucamptodromous, midrib and secondary veins
sunken on the upper surface, prominent below,
secondary veins 1 1-20 pairs, parallel, straight
or slightly arcuate, intersecondaries absent,
tertiaries numerous, obliqúe. Petiole 0.8-4 cm
long, flat and often narrowly winged, appressed
puberulous. Fascicles ramiflorous, 5-15-
flowered. Pedicel 2-6 mm long, appressed
puberulous. Flowers bisexual. Sepals 2-3 mm
long, accrescent in fruit, appressed puberulous
outside. Corolla 3-4 mm long, cyathifonn, tube
shorter than the lobes, glabrous. Stamens fixed
about halfway up or in the upper half of the
corolla tube, glabrous. Ovary densely villose,
style-head minutely lobed. Fruit subtended by
the accrescent sepals, 2.5-6 cm long, globose,
apex truncate or depressed, base rounded or
truncate, smooth, glabrous or with some residual
pubescence. Seeds several, 1 .5-2.5 cm long,
laterally compressed, testa smooth, shining; scar
narrow, adaxial and extending around the base.
Northern and western South America to
Amazonian Brazil.
1.
1.
Key to the subspecies of Chrysophyllum sanguinolentum
Lower leaf surface closely appressed puberulous with pale brown or silvery hairs; íruitmg
calyx usually strongly accrescent (sepals strongly thickened, ca. 1 x 1.5 cm) •• .........
J } 3c. C. sanguinolentum subsp. balata
Lower leaf surface gl abroü s; fruiting calyx weakly accrescent (sepals not or only weakly
thickened, less than 1 cm long. ,
2. Petiole usually less than 2 cm long, leaves elliptic to obovate, base usually tapered ..........
y 3a. C. sanguinolentum subsp. sanguinolentum
2. Petiole 2^4 cm
lon», leaves broadly elliptic with rounded or truncate base
3b. C. sanguinolentum
subsp. spurium
7.3a Chrysophyllum sanguinolentum
(Pierre) Baehni subsp. sanguinolentum;
Pennington, T. D., Fl. Neotrop. 52: 583, fig.
136. 1990. Fig- 29 a_b
Ragala sanguinolenta Pierre, Not. Bot.
60.1891.
Field characters: Tree up to 40 m high and
60 cm diam., with simple, stout buttresses to 1 m
high. Bark reddish-brown, scaling and leaving
conspicuous dipples, the scales exfoliating to leave
a reddish-orange surface. Slash pink or reddish,
exuding copious sticky white latex. Flowers
greenish, fruit pale brown, rough skinned; the inner
layerof the pericarp is soft and fleshy. Flowering
in central Amazónia in August. The fruit takes
about six months to reach maturity.
Southern Venezuela and the Guianas to
central Amazonian Brazil and Amazonian Peru.
A frequent tree in non-flooded forest.
1 .VII. 1 993 (fl) Ribeiro, J. E. L. S. et al. 968 (INPA K
MG MO NY RB SP).
PDBFF: da Silva PDBFF1301. 626.2.
7.3b Chrysophyllum sanguinolentum subsp.
spurium (Ducke) T. D. Penn., Fl. Neotrop.
52: 585, fig. 136. 1990. Fig. 29c-e
Ecclinusa spuria Ducke, Buli. Mus. Hist.
Nat. (Paris), sér. 2, 4: 743. 1932.
Field characters: Tree to 35 m high and 50 cm
diam., with small buttresses. Bark brown,
scaling in large plates and leaving conspicuous
dipples. Slash pinkish with abundant sticky
white latex. Flowers whitish, fruit maturing
brown. Flowering in July in central Amazónia.
Central and western Amazónia, in
rainforest on non-flooded sites.
26.VII.1994 (fl) Nascimento, J. R. et al. 549 (INPA
K MG MO NY R RB SP U); 26. VII. 1994 (11)
Nascimento, J. R. etal. 550 ( G IAN INPAKMBM
UB US)- 5.VI. 1993 (fr) Ribeiro, ./. E. L S. et al. 858
(INPA K MG MO NY SP); 4.X11. 1993 (fr) Vicentini,
A. & Assunção, P. A. C. L. 385 (K).
Rodrigudsia 57 (2): 251-366. 2006
2 3 4 5 6
SciELO/JBRJ
L2 13 14 15 16 17
cm ..
346
7.3c Chrysopliyllum sanguinolentum subsp.
balata (Ducke) T. D. Penn., Fl. Neotrop. 52:
587, fig. 136. 1990. Fig. 29 f-h
Ecclimisa balata Ducke, Rev. Int. Bot.
Appl. Agric. Trop. 10: 850. 1 930; Trop. Woods
31: 19. 1932.
Field characters: Tree to 40 m high and 60 cm
diam., with small buttresses. Bark greyish-
brown, scaling and leaving conspicuous dipple
marks. Slash rcddish with copious sticky white
latex. Flowers cream-coloured, fruit maturing
pale brown. Flowering April to July, fruit
maturing in December.
Central Amazonian Brazil to Amazonian
Colombia and Peru and north to Venezuela and
Guyana. In Reserva Ducke in non-flooded
forest but elsewhere frequently collected on
periodically flooded sites.
14. VIII. 1993 (fr) Ribeiro, J. E. L S. etal. 1151 (INPA
K MG MO NY SP); 4.XII.1993 (fr) Vicentini, A. &
Assunção, P. A. C. L 379 (INPA K MG RB U).
7.4 Chrysophyllum ucuquirana-branca
(Aubrév. & Pellegr.) T. D. Penn., Fl. Neotrop.
52: 589, fig. 137. 1990. Fig. 29 i-j
Ecclinusa ucuquirana-branca Aubrév.
& Pellegr., Adansonia 1: 23. 1961.
Young shoots ferrugineous-brown
tomentose, becoming glabrous, and with
prominent leaf and inflorescence scars.
Lcaves spirally arranged, 13.5-24 x 7.5-
1 1 cm, broadly elliptic, apex shortly attenuate
to rounded, base rounded or obtuse, slightly
dccurrent, upper surface glabrous, lower surface
uniformly crisped tomentose with ferrugineous
hairs; venation eucamptodromous, midrib and
secondary veins sunken on the upper surface,
very prominent below, secondaries 13-21 pairs,
parallel, slightly arcuate, intersecondaries
absent, tertiaries numerous, obliqúe. Petiole
1. 5-2.5 cm long, fiat and narrowly winged,
puberulous. Fasciclcs ramiflorous, 10-20-
flowered. Pedicel 1-2 mm long, tomentose.
Flowers unisexual (plant dioecious). Sepals 5-
6 mm long, accrescent and thickened in fruit
to 1 .5 x 1 .5 cm, ferrugineous tomentose outside.
Corolla (male) 5-6 mm long, lobes much longer
than the tube, glabrous, (female) ca. 4 mm long.
Pennington, T. D.
Stamens fixed near the top of the corolla tube,
glabrous, absent in female flowers. Ovary
densely villose, style-head minutely lobed.
Fruit subtended by the persistem accrescent
calyx, 4.5-5 cm long, globose, apex depressed,
densely rufous-villose. Seeds several, ca. 2 cm
long, laterally compressed, testa smooth, shiny;
scar adaxial and extending around the base of
the seed, ca. 2 mm broad.
Field characters: Tree to 30 m high and 45 cm
diam., larger specimens with small buttresses.
Bark dark brown, scaling and leaving dipple
marks which are lenticellate. Slash reddish-
brown, with abundant sticky milky latex.
Flower pale green, fruit matures reddish.
Flowering in central Amazônia July to
November, fruit maturing in March.
Central and northem Amazonian Brazil
to southem Venezuela, in rainforest on non-
flooded sites.
13. VII. 1994 (bd) Nascimento. J. R. & Pereira, E. C.
534 (INPA K MG MO NY RB SP); 7.III.1995 (fr)
Nascimento, J. R. et al. 777 (INPA K MG MO N Y
RB SP); 1 6.III. 1 966 (fr) Rodrigues. W. & Coêlho, D.
7570 (INPA); 31. III. 1966 (fr) Rodrigues, Vk &
Coêlho, D. 7651 (INPA); 24. V. 1966 (fr) Rodrigues,
W. & Coelho, D. 7864 (INPA).
This species is similar in form to
C. sanguinolentum but is easily recognized by
the ferrugineous tomentose indumentum on the
young parts and lower leaf surface, and by the
dense reddish indumentum of the fruit.
Section Prieurella (Pierre) T. D. Penn.
7.5 Chrysophyllum amazonicum T. D. Penn.,
Fl. Neotrop. 52: 595, fig. 140. 1990.
Fig. 30 a-e
Young shoots minutely appressed
puberulous, soon glabrous. Leaves spirally
arranged, 8-15 x 4-6.5 cm. oblanceolate or
narrowly ovate, apex obtuse or rounded, base
acute to narrowly attenuate, glabrous on both
surfaces; venation eucamptodromous, midrib
slightly raised on the upper surface, secondaries
10-12 pairs; parallel, straight or slightly arcuate,
slightly prominent on both surfaces,
intersecondaries absent, tertiaries numerous,
obliqúe. Petiole 0.7—2 cm long, not channelled.
Rodriguêsia 57 (2): 251-366. 2006
SciELO/JBRJ
L2 13 14 15 16 17
Flora da Reserva Ducke: Sapotaceae
347
Figura 29 - a-b. Chrysophyllum sanguinolentum j ^oung^ 8J2J)/c. secd
sanguinolennim subsp. spttnum - c. habu (St tu . f. habit; g. detail of Icaf indumcnlum íFrúct 5SJ);
f;h- * stamens (Sita dl S~ «»•
iS?52SSÍ5SS "«Li™
Rodriguésia 57 (2): 251-366. 2006
SciELO/JBRJ
2 13 14 15 16 17 18
cm ..
348
glabrous. Fascicles ramiflorous, 10-25-
flowered. Pedicel 0.8-1. 3 cm long, finely
appressed puberulous. Flowers unisexual (plant
dioecious). Sepals 2.5-3 mm long, appressed
puberulous on both surfaces, inner ones with
fringed-ciliate margin. Corolla ca. 3 mm long,
lobes much longer than the tube, glabrous.
Stamens fixed near the top of the corolla tube,
glabrous, reduced to vestigial filaments in female
flower. Ovary ovoid, densely strigose, style-head
minutely lobed. Fruit 2.5-3.5 cm long, ovoid,
cllipsoid or globose, apex rounded to truncate,
base rounded or tapered, smooth, finely
puberulous or shortly velutinous or glabrous.
Seeds 1-several, 2-2.5 cm long, laterally
compressed, testa not shining, adherent to the
pericarp; scar adaxial, ca. 2 mm wide.
Field characters: Tree to 30 m high and 50 cm
diam. with small buttresses. Bark brown,
narrowly but deeply fissured, slash reddish,
smelling of almonds, with milky white latex.
Flowers scented, yellowish-green, the fruit
maturing yellowish. Flowering in central
Amazônia in November, fruit maturing
February to June.
Across the whole of Amazonian Brazil
to Peru, Colombia and Southern Venezuela, in
non-flooded rainforest, up to 800 m altitude.
8.XI.1994 (fl) Assunção, P.A.C.L 66 (1NPA K MG
MONYR RB SPU); 10.VI.1995 (ff) Assunção, P.A.
C.L& Pereira, E. C. 207 (G INPA K MG R U UB
US); 1 4.XI. 1 994 (fl) Nascimento, J. R. et al. 637 (G
INPA K MG MO N Y R RB SP U).
Chrysophyllum amazonicum is close to
C. manaosense , but lacks the short
ferrugineous pubescence present on the young
parts and lower leaf surface of the latter. It is
also closely related to C. prieurii. See there
for further comment.
7.6 Chrysophyllum colombianum (Aubrév.)
T. D. Penn., Fl. Neotrop. 52: 596, fig. 138.
199°- . Fig. 28 j-m
Prieurella colombiana Aubrév.
Adansonia7: 143, pl. 1. 1967.
Young shoots pubescent with mostly
appressed golden-brown hairs. Leaves spirally
arranged, 13-25 x 5-8 cm, oblanceolate, apex
Pennington, T. D.
narrowly attenuate, base acute or narrowly
attenuate, glabrous above or with residual
pubescence along the midrib, midrib and
secondary veins on the lower surface with
golden-brown indumentum of appressed and
some spreading hairs; venation
eucamptodromous, midrib slightly raised on the
upper surface, secondaries 14—17 pairs, parallel,
straight, intersecondaries absent, tertiaries
numerous, obliqúe. Petiole 1.5— 2. 5 cm long,
slightly channelled, appressed pubescent.
Fascicles ramiflorous, 5— 15-flowered. Pedicel
4-5 mm long, accrescent to 1 .2 cm in fruit,
appressed pubescent. Flowrers unisexual (plant
monoecious). Sepals 3—3.5 mm long, appressed
puberulous on both surfaces, inner ones with
fringed ciliate margin. Corolla 2.5— 3.5 mm long,
glabrous except for a tuft of hairs inside near
the base of the lobes. Stamens fixed near the
top of the corolla tube, glabrous; anthers absent
in female flowers. Ovary ovoid, appressed
puberulous, style-head minutely lobed. Fruit 3-
4.5 cm long, broadly ellipsoid orobovoid, apex
depressed, wrinkled when dry, pubescent with
golden-brown hairs, ? becoming glabrous with
age. Seeds several, 2.5-4 cm long, laterally
compressed, testa rough, not shining, adherent
to the pericarp; scar adaxial, ca. 2 mm wide.
Field characters: Small tree to 1 5 m high and
15 cm diam., fluted at base, bole cylindrical.
Bark reddish-brown, scaling in fine sheets.
Slash reddish, smelling of almonds, with
moderate white latex. Flowers scented,
greenish, fruit maturing golden-brown.
Flowering in central Amazônia in August and
September; fruiting March to June.
Costa Rica to Colombia and Ecuador,
western and central Brazilian Amazônia, in
lowland and montane rainforest up to 1 200 m
altitude.
2 1 .VI. 1 994 (fr) Hopkins, M. J.G& Assunção, P. A.
C. L. 14I9A (BM INPA K MG SPF UEC VEN);
25. VIII. 1 994 (fl) Sothers, C.A. et al. /40(INPAK
MG MO NY R RB SP U); 7.XII. 1994 (fr) Sothers, C.
A. & Silva, C. F. 282 (INPA K MG MO N Y R RB SP
U); 16.III.1995 (fr) Vicentini. A. & Pereira. E. C.
913 (G IAN INPA K MBM UB US).
Chrysophyllum colombianum is close to
C. amazonicum but may be distinguished by
Rodriguésia 57 (2): 251-366. 2006
SciELO/ JBRJ
.2 13 14 15 16 17
Flora da Reserva Ducke: Sapotaceae
349
, • o h-ihir íP rance et al. 18330); b. 1/2 female flowcr ( Silva & II razão
Figura 30 - a-e. Chrysophyllum amazomcum - a. ha M rance e ■ f n chrysophyllum manaosense - f. habit;
60710); c. 1/2 female flower (Wunlack 2293); d. fru.t; e seed (Schunke 2592) t (Foster4403);
g. detail of leaf indumentum x 10; h. 1/2 flower (Silva & Santos 4736); i. habit (Rimaclu 2783), j.
1. fruit; m. seed (Castro 335).
Rodriguésia 57 (2): 251-366. 2006
SciELO/JBRJ
L2 13 14 15 16 17
350
its generally longer leaves with more numerous
secondary veins, and by the golden-brown
indumentum present on the young parts and
on the rnidrib and secondary veins on the lower
leaf surface.
7.7 Chrysophyllum manaosense (Aubrév.) T.
D. Penn., Fl. Neotrop. 52: 598, fig. 140. 1990.
Fig. 30 f-m
Prieurella manaosensis Aubrév.,
Adansonia4: 370. 1964.
Young shoots shortly pubescent with
ferrugineous hairs. Leaves spirally arranged,
1 1-15.5 x 4-7.5 cm, oblanceolate to obovate,
apex obtuse or shortly and narrowly attenuate,
base acute, upper surface glabrous, lower surface
uniformly pubescent with erect ferrugineous
2-branched hairs; venation eucamptodromous,
rnidrib slightly raised on the upper surface,
secondaries 14-16 pairs, parallel, straight,
intersecondaries absent, tertiaries numerous,
obliqúe. Petiole 2-2.3 cm long, not channelled,
shortly pubescent. Fascicles ramiflorous, 5-
1 5-flowered. Pedicel 4-10 mm long,
puberulous. Sepals 3—4 mm long, appressed
puberulous on both surfaces, inner ones with
fringed ciliate margin. Corolla 3-3.5 mm long,
glabrous. Stamens fixed at the top of the corolla
tube, glabrous. Ovary ovoid, densely strigose.
Fruit 3.5-4 cm long, obovoid, apex rounded,
base tapered, glabrous, smooth. Seeds several,
1.8-2 cm long, laterally compressed, testa
verrucose, not shining, adherent to the pericarp;
scar adaxial and extending partly around the
base, ca. 2 mm wide.
Field characters: Tree to 40 m high and 65 cm
diam., with small plank buttresses. Bark
reddish-brown, longitudinally fissured,
exfoliating in rectangular pieces. Slash brown,
smelling of almonds, with whitish latex. Flowers
greenish, lruit maturing reddish-orange.
Flowering in central Amazônia May to July,
fruit maturing in March.
Extending from western Amazônia to
Surinam, in non-flooded rainforest below 300 m
altitude.
Pennington, T. D.
27. V. 1 997 (fl) Assunção, P.A.C.L et ai 505 (1NPA
K NY); 5. V. 1988 (fr) Coelho, D. & Lima, R. P. 16-D
(INPA K MG NY); 6. VII. 1 993 (fr) Ribeiro, J. £. L S. et
al ■ 903 (INPA K MG MO SP); 24.III. 1 994 (fr) Ribeiro,
J. E. L S. et al. 1246 (G IAN INPA K R RB U).
Th is species is close to both C.
amazonicutn and C. colombianum , but differs
from them in its short ferrugineous pubescence
of erect 2-branched hairs on the lower leaf
surface.
7.8 Chrysophyllum prieurii A. DC., Prodr.
8; 161. 1844; Pennington, T. D., Fl. Neotrop.
52: 600, fig. 138. 1990. Fig. 31 e-h
Young shoots closely appressed puberulous
with reddish-golden hairs. Leaves spirally
arranged, 12-20 x 5.5-8.5 cm, broadly
oblanceolate or obovate, apex obtuse to rounded,
base narrowly cuneate or attenuate, glabrous
above, closely reddish-golden sericeous below;
venation eucamptodromous, rnidrib slighdy raised
on the upper surface, secondaries 8-10 pairs,
parallel, slightly arcuate, intersecondaries absent;
tertiaries perpendicular to obliqúe, numerous.
Petiole 3-5 cm long, not channelled, sericeous.
Fascicles ramiflorous, 5-10-flowered. Pedicel
0.5-1 cm long, sericeous. Flowers unisexual
(plant dioecious). Sepals 2-3 mm long, appressed
puberulous on both surfaces. Corolla 2.5t-3 mm
long, lobes much longer than the tube, glabrous
apart from a few hairs at the base of the corolla
lobes inside. Stamens fixed near the top of the
corolla tube, glabrous, reduced to vestiges in
female flower. Ovary ovoid, densely strigose.
Fruit 3.5-4 cm long, globose, apex and base
rounded, smooth, glabrous (central Amazônia
only). Seeds 1—5, 2—3 cm long, laterally
compressed, testa rough, adherent to the pericarp;
scar adaxial, 2-3 mm wide.
Field characters: Tree to 35 m high and 1 m
diam., with a cylindrical bole and steep
branched buttresses to 2 m high. Bark dark
brown or reddish-brown, shallowly fissured. the
ridges scaling prolusely in small friable pieces.
Slash ptnkish, smelling of almonds, with a small
amount of white latex. Flowers pale green,
scented, fruit maturing greenish-brown.
Flowering in central Amazônia in September,
fruit ripening from March to June.
Rodriguésia 57 (2): 251-366. 2006
SciELO/JBRJ
Flora da Reserva Ducke: Sapotaceae
351
Figura 31 - a-d. Chrysophyllumpomiferum - a. habit (P rance e, al. 3082 ); b. 1/2 flowcr (FDBG 2641)\c. fruit (Santos m
d. seed (Mori & Bolten 8520). e-h. Chrysophyllum prieurii - e. habit ( Mori & Boom 15284)\ f. fruit (Pires & Silva 44. ( ),
g. fruit (Steward et al. P. 20306)-, h. seed (Gómez4161).
Rodriguésia 57 (2): 251-366. 2006
SciELO/JBRJ
2 13 14 15 16 17
cm
352
Widely distributed across the whole of
northem South America to Panama. It occurs
in non-flooded rainforest and in sandy campina
forest. It extends up to 1200m altitude in
everwet forest in Peru.
8.IX. 1 994 (fl) Assunção , PA.C.L41 (INPA K MG
MO NY R RB SP U); 7.III. 1995 (fr) Nascimento, J. R.
et al. 778 (BM COL INPA K MG SPF UEC UFMT
VEN); 26.IV. 1988 (fr) Ramos, J.F.& Uma, R. P. 1860
(INPA K MG MO NY R RB SP U); 3.VI.1993 (fr)
Ribeiro, J. E. L S. et al. 797 (G INPA K MG UB);
1 1 .VIII. 1 993 (fr) Ribeiro. J. E. L S. et al. 1102 (INPA
K MBM MG US); 7.V.1968 (fr) Souza, J. A.
1NPA21211 (INPA).
This species is readily recognized by the
long petiolate broadly oblanceolate leaves with
numerous perpendicular tertiary veins and with
persistent reddish-golden sericeous
indumentum on the lower surface. It is closely
related to C. amazonicum but differs in its
broader leaves with generally fewer secondary
veins, perpendicular tertiary veins and the
sericeous indumentum on the lower surface.
Section Aneuchrysophyllum Engl.
7.9 Chrysophyllum pomiferum (Eyma) T. D.
Penn., Fl. Neotrop. 52: 602, fíg. 141. 1990.
Fig. 31 a-d
Achrouteria pomifera Eyma, Recueil
Trav. Bot. Neérl. 33: 193, fig. 3. 1936.
Young shoots glabrous. Leaves spirally
arranged, 4.5-1 1 x 2-6 cm, broadly oblanceolate
or obovate, apex rounded or truncate, base
narrowly attenuate, glabrous; venation
eucamptodromous in the lower half, usually
brochidodromous in the upper half, midrib flat
or slightly raised on the upper surface,
secondaries 6-8 pairs, straight or slightly arcuate,
parallel or slightly convergem, slightly raised on
the upper surface, prominent on the lower
surface, intersecondaries few, moderate to long,
tertiaries forming a lax reticulum. Petiole 2-
1 0 mm long, not channelled, glabrous. Fascicles
axillary and below the leaves, 2-10-flowered.
Pedicel 2-3 mm long, with scattered appressed
hairs. Flowers unisexual (plant dioecious).
Sepals 2.5-3 mm long, with scattered appressed
hairs outside. Corolla shortly tubular or
campanulate, 3-4 mm long, tube much longer
Pennington, T. D.
than the lobes, glabrous. Stamens fixed in the
lower half of the corolla tube, glabrous.
Staminodes 0.2-0.7 mm long, glabrous. Ovary
globose, densely strigose, style-head simple.
Fruit 3-5 cm long, globose, apex and base
rounded, smooth, glabrous. Seeds up to 5, 1 .5-
2.2 cm long, laterally compressed, testa smooth,
shining; scar adaxial, 5-6 mm wide.
Field characters: Tree to 40 m high and 75 cm
diam., bole fluted at the base, cylindrical above,
bark brown, scaling in suberous plates, slash
pale brown, with scarce white latex. Flowers
greenish-white, fruit ripening yellow to orange.
In central Amazônia flowering in October, with
the fruit maturing in March.
The Guianas and Venezuela, across
Amazônia to Peru. A plant of mixed rainforest
on non-flooded land, up to 700 m altitude.
1 1. IX. 1997 {fl) Assunção, P.A. C. L & Silva. C. F.
651 (INPA K MG MO NY RB SP U UB); 1 1 .XI. 1 997
(fr) Assunção, P A. C. L etal. 714 (BM COL INPA
K MBM MG UB UEC VEN); 5. VI. 1 993 (fr) Ribeiro,
J. E. L S. et al. 860 (INPA K MG MO NY SP);
30.III. 1966 (fr) Rodrigues, W. & Coêlho, D. 7633
(INPA); 28. III. 1995 (fr) Vicentini, A. et al. 925 (G
INPA K MG R RB U US).
Chrysophyllum pomiferum is distinguished
from the other members of this group ( C .
lucentifolium and C. durifructum ) by its much
smaller obovate leaves with rounded apex.
7.10 Chrysophyllum durifructum (Rodrigues)
T. D. Penn., Fl. Neotrop. 52: 604. 1990.
Achrouteria durifructa W.A. Rodrigues,
Acta Amazônica 4(3): 1 5, fíg. 2. 1 974.
Young shoots subglabrous. Leaves
spirally arranged, 13-28 x 6-12 cm, broadly
oblanceolate, apex obtuse to emarginate, base
acute, glabrous; venation eucamptodromous,
midrib not raised on the upper surface,
secondary veins 12—16 pairs, slightly convergem
and arcuate, intersecondaries small, tertiaries
reticulate. Petiole 2-4 cm long, channelled,
glabrous. Fascicles axillary and below the
leaves, few-flowered. Pedicel 5— 10 mm long,
glabrous. Sepals 4-6 mm long, glabrous. Corolla
3^1 mm long, tube about equalling the lobes,
glabrous. Stamens fixed in the lower half of the
corolla tube, glabrous. Staminodes 0.5-0.7 mm
Rodriguésia 57 (2): 251-366. 2006
SciELO/JBRJ
12 13 14 15 16 17
Flora da Reserva Ducke: Sapotaceae
353
long, glabrous. Ovary ovoid, densely strigose,
style-head simple. Fruit 5-6.5 cm long,
depressed globose, smooth, glabrous. Seeds 5,
2.5-4.3 cm long, laterally compressed, testa
smooth, shining; scar adaxial, 3-6 mm wide.
Field characters: Tree to 30 m high and 50 cm
diam., without buttresses, trunk cylindrical and
bark thin, scaling, slash with scarce white latex.
Flowers pale green, fruit green. Flowering and
fruiting in March.
Known only from the type collection from
central Amazonian Brazil, where it was
collected in non-flooded forest.
Not recorded from Reserva Ducke.
AMAZONAS: Manaus-Caracaraí rd., km 27,
Rodrigues, W. A. 8783 (INPAMG).
This species is close to C. lucentifolium,
but differs from it in the much larger leaves
with longerchannelled petiole, and in its corolla
structure (tube more or less equalling lobes, in
C. lucentifolium the corolla tube is much
shorter than the lobes) and presence of
staminodes. The leaves of C. durifructum lack
the fine vein reticulum of C. lucentifolium.
7.11 Chrysophyllum lucentifolium subsp.
pachycarpum Pires & T. D. Penn., Fl. Neotrop.
52: 606, fig. 141. 1990. Fig. 32 l-o
Young shoots finely appressed puberulous,
soon glabrous. Leaves spirally arranged, 10-
19 x 4-7 cm, usually elliptic, apex acute,
narrowly attenuate or rarely rounded, base
narrowly attenuate, glabrous; venation
eucamptodromous, midrib flat or slightly raised
(rounded) on the upper surface, secondaries 12-
15 pairs, straight or slightly arcuate, parallel,
raised on both surfaces, intersecondaries absent,
tertiaries numerous, obliqúe, joined by a fine
reticulum. Petiole 0.7- 1 .5 cm long, not channelled,
glabrous. Fascicles axillary, 5-15-flowered.
Pedicel 3-5 mm long, sparsely appressed
puberulous. Flowers ? bisexual. Sepals 2-3 mm
long, appressed puberulous outside. Corolla 3-
4 mm long, tube shorter than the lobes, glabrous.
Stamens fixed near the top of the corolla tube,
glabrous. Staminodes usually absent, rarely
present as a few small vestiges. Ovary ovoid,
densely pubescent. Fruit 3.5-5 cm long, ovoid
to globose, apex rounded or truncate, thick-
walled, smooth, glabrous. Seeds up to 5, 2-
2.5 cm long, laterally compressed, testa smooth,
shining; scar adaxial, 1.5-3 mm wide.
Field characters: Tree to 40 m high and 80 cm
diam., with small buttresses and cylindrical bole,
slash cream-coloured with small amount of white
latex. Flowers pale green, fruit maturing
yellowish-green. Flowering in Amazónia June
to September, mature fruit collected December.
Ecologically variable: present in lowland and
montane rainforest, up to 1400 m altitude, but
also in tropical dry forest in Pacific Coastal
Ecuador and Peru.
Not recorded from Reserva Ducke.
AMAZONAS: Manaus-Caracaraí, km 57,
Nascimento 42 (INPA); Pará, Santarém, km 70 rd to
Palhão, Silva & Souza 2646 (K); Serra dos Carajás,
near camp at Serra Norte, Daly et al. 1 895 (K).
The above description refers only to C.
lucentifolium subsp. pachycarpum, which
occupies most of the range of the species except
Coastal Brazil. The type subsp. is confined to
Coastal Brazil. The species is close to
C. pachycarpum and to C. pomiferum, and their
differences are discussed under those species.
7.12 Chrysophyllum wilsoniiT. D. Penn., sp.
nov. (section Aneuchrysophyllum). Type:
Brazil, Amazonas, Manaus, Distrito
Agropecuário, PDBFF Reserva 1501 (km41),
August 1996, W. Spironello s.n. (holotype
INPA 190944, n.v., isotype K). Fig. 32 b
C. lucentifolio affinis sed apicefoliorum
anguste attenuato, nervis secundariis
paucis, floribus magnis, sepalis intus
sericeis, staminibus prope basern tubo
corollae affixis differt.
Arbor; stipulae nullae; folia 11-15 x
4.5—6 cm, oblanceolata vel elliptica, glabra,
nervi secundarii 11-13-jugi, paralleli, recti,
fasciculi axillares et in axillis foliorum
delapsorum enati; pedicellus 4-10 mm
longus; sepala 5; corolla late tubularis, 4-
5 mm longa, lobis 5; stamina 5, prope basern
tubo corollae affixa; staminodia nulla,
ovarium 5-loculare; fructus 4-5 cm
diâmetro, globosus, glaber.
Rodriguésia 57 (2): 251-366. 2006
SciELO/JBRJ
12 13 14 15 16 17
cm ..
354
Tree. Stipules absent. Young shoots
puberulous with golden indumentum, finally
becoming glabrous, greyish-white, grid-
cracked. Leaves spirally arranged, 11-15 x
4.5-6 cm, oblanceolate or elliptic, apex
narrowly attenuate, base narrowly attenuate
and decurrent on the petiole, glabrous; venation
eucamptodromous, midrib raised on the upper
surface (rounded in section), secondary veins
1 1-13 pairs, raised on the upper surface, rather
steeply ascending, parallel, straight or slightly
arcuate, intersecondaries short or absent,
tertiaries obliqúe. Petiole 1-2 cm long, not
channelled, subglabrous. Fascicles 4-10-
flowered, axillary and clustered below the
leaves. Pedicel 4-10 mm long, sparsely
puberulous. Sepals 5, 2.5-4 mm long, broadly
ovate to suborbicular, apex rounded,
subglabrous outside, sericeous inside, with a
broad hyaline margin. Corolla 4-5 mm long,
broadly tubular, the tube slightly longer than
the lobes, lobes 5(-6), broadly oblong, apex
rounded to truncate, glabrous. Stamens 5(-6),
fixed near the base of the corolla tube,
filaments 2-3 mm long, glabrous, anthers 1-
1.25 mm long, broadly lanceolate, apiculate,
glabrous. Staminodes absent. Disk absent.
Ovary 5(-6)-locular, lobed, densely pubescent,
style ca. 2.5 mm long, slightly exserted in bud,
included in open flower, pubescent in the lower
part, style-head simple, unexpanded. Fruit 4-
5 cm diam., globose, apex and base rounded,
thick-walled (9-10 mm thick when dry) and
becoming woody on drying, smooth, glabrous.
Seeds several, 2.2-2. 3 cm long, laterally
compressed with an abaxial keel, testa mostly
smooth, but slightly verrucose on the sides,
shining; scar adaxial, ca. 1 .6 cm long, ca. 7 mm
wide; embryo with foliaceous cotyledons and
exserted radicle, surrounded by copious
endosperm.
Field characters: Tree to 40 m high and 85 cm
diam., buttressed to 2 m high, bole cylindrical
above. Bark dark, scaling in large rectangular
plates, slash with white latex. Flowers greenish-
yellow and fruit ripening yellowish. Flowering
from August to October, fruit maturing in April.
Pennington, T D.
At present known only from the PDBFF
Reserve 1501 (km 41) north of Manaus,
Amazonas, Brazil, where it occurs in lowland
rainforest (50- 1 25 m altitude) on non-flooded land.
Not yet recorded from Reserva Ducke.
PDBFF: Reserva km 41, Oliveira. A. A. et al. 151
(INPA K); Oliveira. A. A. et al. 168 (INPA K);
Oliveira, A. A. et al. 379 (INPA); Oliveira. A. A. et
al.430( INPA).
Chrysophyllum wilsonii is a superb
canopy tree, with close affinities with
C. durifructum and C. lucentifolium. The
differences that separate it from
C. lucentifolium are the narrowly attenuate
leaf apex (usually obtuse or rounded in
C. lucentifolium), fewer secondary veins,
much larger calyx and corolla, inner face of
calyx sericeous, corolla tube longer than lobes
(shorter than lobes in C. lucentifolium ),
stamens fixed at the base of the corolla tube
(at top of corolla tube in C. lucentifolium),
broader, shorter seed scar.
The floral structure is similar to that of
C. durifructum, but this species has much
larger leaves with differing venation, a glabrous
calyx and 5 staminodes (these absent in
C. wilsonii).
7.13 Chrysophyllum eximium Ducke. Buli.
Mus. Hist. Nat., (Paris), sér. 2, 4:744. 1932;
Pennington, T. D., Fl. Neotrop. 52: 618, fíg.
145- 1990. Fig. 32 a-c
Young shoots densely ferrugineous or
golden tomentose. Leaves spirally arranged,
1 1-20 x 3.5-10 cm, oblanceolate to obovate,
apex obtuse to rounded, base narrowly
attenuate, margin revolute, upper surface
glabrous or with residual tomentum along the
.midrib, lower surface densely golden- or
ferrugineous-tomentose; venation eucampto-
dromous, midrib slightly raised on the upper
surface, secondary veins 7-1 1 pairs, steeply
ascending, slightly convergem or parallel,
arcuate, impressed on the upper surface,
prominent below, intersecondaries absent,
tertiaries obliqúe to perpendicular, obscure.
Petiole 1.2-1. 5 cm long, not channelled.
Rodriguésia 57 (2): 251-366. 2006
SciELO/JBRJ
.2 13 14 15 16 17 18
Flora da Reserva Ducke: Sapotaceae
355
cm
E
o
m
Fisura 32 - a-c. Chry^phyUum 'timum . a. Mi (K.UlOi « al. 79-2My.li. 1/2 , “!' M Ôvm
femalc Ilower (Ducke 2098). d-j. Chrysophyllum wilsonii-d. habit; e. leaf imdersurface, í. .&■
(SpfWto J.); i. nd «UMn «0). l-o. Chrpophyttm, laçenllfaliamvtep- /~'7< 7~» - L W* (Blaaii,
95/); m. 1/2 flower ÍBruijn 1723 ); n. fniil (tic/nar tS Gon-jBez 1U2S). o. secd {Williams
Rodriguésia 57 (2): 251-366. 2006
SciELO/JBRJ
12 13 14 15 16 17
cm ..
356 Pennington, T D.
tomentose. Fascicles axillary and below the
leaves, 5-10-flowered. Pedicel 3-7 mm long,
tomentose. Flowers unisexual (plant
dioecious). Sepals ca. 3 mm long (female), 3.5-
4 mm long (male), densely tomentose outside.
Corolla 3.5-4 mm (female), 5-7 mm (male),
tube equalling lobes in female, shorter than
lobes in male, glabrous or with some scattered
appressed indumentum. Stamens fixed in the
lower half of the corolla tube, glabrous, absent
in female flowers. Ovary ovoid, 2-3-locular,
densely pubescent. Fruit 4.5-5 cm long,
obovoid or globose, apex slightly depressed or
obtusely apiculate, base broadly tapering,
smooth, glabrous. Seed laterally compressed,
with a narrow adaxial scar.
Field characters: Tree to 20 m high and 35 cm
diam., with white latex, lower leaf surface
conspicuously golden- or ferugineous-brown on
the lower surface. Flowers greenish-white.
Flowering September to November, young fruit
in March.
The Guianas to central and northwestem
Brazilian Amazônia in swampy forest and
periodically flooded campina.
Not yet recorded from Reserva Ducke.
AMAZONAS: Manaus, Rio Tarumã, Ducke
RB34980 (IAN K MG); Rio Negro, Rio Teá, above
Bacurí, Kubitzki et al. 79-234 (INPA K MG); São
Gabriel da Cachoeira, Rio Cubate, Rodrigues
10834 (K).
Chrysophyllum eximium is a very
distinctive species on account of the densely
tomentose golden or ferrugineous indumentum
on the young parts, inflorescence and lower
leaf surface, the rather few steeply ascending
secondary veins and revolute leaf margin.
8. Ecclinusa
Ecclinusa Mart., Flora 22, Beibl. 1: 2. 1839.
Unarmed trees. Stipules large, caducous,
leaving a conspicuous scar. Leaves spirally
arranged. Venation eucamptodromous to
brochidodromous, intersecondaries absent,
tertiaries obliqúe, numerous. Inflorescence
axillary or in the axils of fallen leaves. Flowers
sessile, subtended by small persistent bracts,
unisexual (monoecious or dioecious). Calyx a
single whorl of 5 free imbricate sepals. Corolla
campanulate or shortly tubular, the lobes usually
exceeding the tube; lobes 5-7, simple. Stamens
5-7, usually fixed halfway or in the upper half
of the corolla tube, glabrous. Staminodes
absent. Disk absent. Ovary 5-9-locular, style
included. Fruit 1-several-seeded, often thin-
walled and constricted between the seeds.
Seed globose or ellipsoid, sometimes laterally
compressed, testa smooth, shining; scar adaxial
and extending around the base of the seed,
narrow; embryo with thick plano-convex
cotyledons, radicle not exserted, endosperm
absent.
Eleven species in the Neotropics, distributed
from Panama throughout tropical South America,
3 in central Amazônia.
Key to the species of Ecclinusa of the Manaus area
1 . Indumentum of young shoots and leaves tomentose with crisped and spreading hairs
2. E. ramiflora
1 . Indumentum of young shoots and leaves fine, closely appressed
2. Stipules 5-10 mm long, leaves 10-20 cm long, usually elliptic or oblong-elliptic, corolla lobes
5,fruitthin-walled, 1.5-3 cm long L E guiatiensis
2. Stipules 1-2 cm long, leaves 20-40 cm long, usually oblanceolate, corolla lobes 5-7 fruit
thick-walled, 5-6 cm long 3. E. lanceolata
Rodriguéxia 57 (2): 251-366. 2006
SciELO/JBRJ
2 13 14 15 16 17
Flora da Reserva Ducke: Sapotaceae
357
8.1 Ecclinusa guianensis Eyma, Recueil
Trav. Bot. Néerl. 33: 203. 1936; Pennington,
T. D., Fl. Neotrop. 52: 623, fig. 146. 1990.
Fig. 33 a-c
Ecclinusa bacuri Aubrév. & Pellegr.,
Adansonia 1: 21. 1961.
Young shoots finely appressed
puberulous. Stipules 5-10 mm long, lanceolate,
appressed puberulous on the adaxial surface,
with a broad glabrous margin, caducous.
Leaves spirally arranged, 10-20 x 3-6 cm,
narrowly elliptic or oblong-elliptic, apex
narrowly attenuate to acuminate, base
narrowly attenuate, glabrous; venation
eucamptodromous, midrib prominent on the
upper surface (but often recessed), secondary
veins 17-25 pairs, parallel, straight or slightly
arcuate, sometimes impressed on the upper
surface, intersecondaries absent, tertiaries
obliqúe, close, numerous; higher order venation
areolate. PetioleO.5-1.5 cm long, channelled,
appressed puberulous. Fascicles mostly in the
axils of fallen leaves, 5-10-flowered. Flowers
unisexual (plant monoecious). Sepals 2.5-
3 mm long, appressed puberulous outside,
glabrous inside. Corolla 2.5-3 mm long, tube
much shorter than the lobes, glabrous, lobes 5.
Stamens 5, fixed at or near the top of the
corolla tube, glabrous, absent in female flowers.
Ovary 5-locular, globose, densely long-strigose.
Fruit 1-3 cm long, globose, apex and base
truncate or rounded, smooth, thin-walled, finely
puberulous, becoming glabrous. Seed 1-
several, 1.2-2 cm long, broadly ellipsoid,
sometimes slightly laterally compressed, testa
smooth, shining scar adaxial and extending
around the base of the seed, 2-3 mm wide in
several-seeded fruit, up to 9 mm wide in 1-
seeded fruit.
Field characters: Tree to 35 m high and 75 cm
diam., unbuttressed, with cylindrical bole, bark
reddish-brown to dull grey-brown, scaling and
leaving small circular dipples, slash cream-
brown, with copious sticky white latex. Flowers
fragrant, greenish-white, fruit ripening yellow.
Flowering in central Amazónia July to August,
the fruit maturing in January.
The Guianas and northern Venezuela to
central Amazónia, where it occurs in non-
flooded forest up to 600 m altitude. The species
is present in savanna forest in Surinam.
1 8.1. 1 995 (ir) Assunção, P.A.C.L 162 (G IAN INPA K
MBM R U UB US); 6. V. 1997 (fr) Assunção, P.A.C.L
etaL 503 (G IAN INPA K MBM UB US); 15. VII. 1 997
(fl) Assunção. P.A.C.L et al. 540 (INPA K MG R U);
25.XI.1997 (fr) Brito, J. M. etal. 47 (BM IAN INPA
K); 1 5 .IV 1 994 (bd) Nascimento, J. R. et al. 509 (INPA
K MG MO NY RB SP); 1 2. VIII. 1 993 (fr) Ribeiro, J. £
L S. etal. //AS’(INPAKMG MO NY RB SP); 3.VII.1963
(fr) Rodrigues, W. 5333 (INPA); 15.1V.1964 (fr)
Rodrigues, W. & Loureiro, A. 5798 (INPA); 27 .V. 1 964
(fr) Rodrigues, W. & Loureiro, A. 5823 (INPA);
10.11. 1965 (fr) Rodrigues, W.& Monteiro, O. P. 6860
(INPA); 27. VI. 1965 (fl) Rodrigues, W. & Coelho, D.
6960 (INPA); 20.IX. 1968 (fr) Souza, J.A.164 (INPA).
Ecclinusa guianensis is distinctive within
the genus on account of its small, rather narrow,
glabrous leaves and numerous secondary veins
and its small fruit.
8.2 Ecclinusa ramiflora Mart., Flora 22, Beibl.
1: 2. 1839; Pennington, T. D., Fl. Neotrop. 52:
625, fig. 146. 1990. Fig. 33 d-f
Young shoots tomentose with golden-
brown hairs. Stipules 0.6-2 cm long, broadly
lanceolate or ovate, pubescent on the abaxial
surface, with a broad glabrous margin. Leaves
21-30 x 8-10.5 cm, mostly oblanceolatc, apex
narrowly attenuate or acute, base acute or
narrowly attenuate, glabrous above, tomentose
to pubescent below; venation eucampto-
dromous, midrib prominent on the upper surface,
but recessed, secondary veins 16-28 pairs,
parallel, straight or slightly arcuate, often slightly
impressed above, intersecondaries absent,
tertiaries obliqúe, parallel. numerous. Petiole
1.2-2 cm long, channelled, tomentose to
pubescent. Fascicles below the leaves and
ramiflorous, 5-10-flowered. Flowers unisexual
(plant dioecious). Sepals 5, 2-3 mm long,
pubescent outside, appressed puberulous inside.
Corolla 3-3.5 mm long, tube much shorter than
the lobes, lobes 5. glabrous outside, sparscly hairy
inside. Stamens 5, fixed near the top of the
corolla tube, glabrous, absent in female flower.
Rodríguésia 57 (2): 251-366. 2006
SciELO/JBRJ
2 13 14 15 16 17 18
358
Pennington, T. D.
Ovary ovoid, 5-locular, densely long-strigose.
Fruit 2.5-5 cm long, globose, apex rounded.
base rounded or depressed, densely pubescent
to velutinous. Seeds several, 1. 8-2.2 cm long,
ellipsoid, laterally compressed or shaped like the
segment of an orange, testa smooth, shining;
scar adaxial and extending around the base of
the seed, 3-6 mm wide.
Field characters: Tree to 30 m high and 1 m
diam., unbuttressed, with a cylindrical bole.
Bark black-grey to reddish-brown, scaling and
leaving conspicuous dipples, slash cream with
copious sticky white latex.
Flowers greenish-white, fruit maturing
yellow or orange. Flowering in central
Amazônia September to December.
Colombia, Venezuela and the Guianas to
Amazonian Brazil and Bolivia, in everwet and
seasonal lowland rainforest on non-flooded land.
Not recorded from Reserva Ducke.
AMAZONAS: Manaus, Estrada do Aleixo, Ducke
1073 (K); Manaus, Cachoeira do Mindú, Ducke
RB22249 (K).
This species is similar in leaf size and
shape to E. lanceolata, but differs in its
tomentose spreading indumentum, and in the
strictly 5-merous flowers.
8.3 Ecclinusa lanceolata (Mart. & Eichl.)
Pierre, Not. Bot. 57. 1891; Pennington, T. D.,
Fl. Neotrop. 52: 635, fig. 150. 1990.
Fig. 33 g-h
Passaveria lanceolata Mart. & Eichl.
in Mart., Fl. bras. 7: 86, tab. 38. 1863.
Young shoots closely appressed puberulous.
Stipules 1-2 cm long, lanceolate, often longitudinally
striate, appressed puberulous on the abaxial face
with a broad glabrous margin. Leaves spirally
arranged, 20-40 x 8-1 5 cm, usually oblanceolate,
apex obtuse to shortly and narrowly attenuate, base
narrowly attenuate, cuneate or acute, closely
whitish-sericeous below, glabrous; venation
eucamptodromous, midrib slightly prominent on tlie
upper surface, secondary veins 28-40 pairs,
parallel, straight or slightly arcuate, intersecondaries
absent, tertiaries obliqúe, numerous. Petiole 2-
4 cm, long, channelled, appressed puberulous.
Fascicles axillary and in the axils of fallen leaves.
5-10-flowered. Flowers unisexual (plant ?
monoecious). Sepals 5, 2.5-4 mm long. appressed
puberulous outside, glabrous within. Corolla 3-
5.5 mm long, tube shorter than or equalling the
lobes, lobes 5-7, glabrous. Stamens 5, fixed in the
upper half of the corolla tube, glabrous, absent in
female flowers. Ovary ovoid, 7-9-locular, densely
long-strigose. Fruit 5-6 cm long, globose, apex
and base rounded or truncate, thick-walled, smooth,
minutely puberulous. Seeds several, 2—3 cm
long, broadly ellipsoid or shaped like the segment
of an orange, testa smooth, shiny; scar adaxial
and extending around the base of the seed, 5-
9 mm wide.
Field characters: Tree to 30 m high and 50 cm
diam., trunk unbuttressed, cylindrical. Bark dark
brown or black, strongly dippled, slash cream to
reddish with copious sticky white latex. Flowers
greenish-white, fruit maturing orange, with the inner
pericarp white and spongy. Flowering August to
November, fruit maturing January to July.
The Guianas to western Brazilian
Amazônia, Peru, Colombia and Panama, where
it occurs in lowland and montane rainforest up
to 1300 m altitude, on non-flooded and
periodically flooded land.
Not yet recorded at Reserva Ducke but
frequent in the PDBFF reserves.
PDBFF: Reserva km 41, Lepsch Cunha et al. 737
(INPA K); Pennington et al. 12626 (INPA K);
Freitas et al. F-224 (INPA K).
This species has a similar indumentum to
E. guianensis but differs in its much larger
leaves, longer petioles and it often has more
than 5 corolla lobes and a 7-9-locular ovary.
9. Pradosia
Pradosia Liais, Climat. Geol., Faune Brésil
614. 1872.
Unarmed trees. Stipules absent. Leaves
opposite, verticillate or spirally arranged.
Venation usually eucamptodromous, less
frequently brochidodromous, midrib usually
sunken on the upper surface, secondary veins
often impressed on the upper surface,
tertiary veins usually obliqúe to perpendicular.
Minute paired stipels sometimes present on
petiole. Usually cauliflorous or ramiflorous.
Rodriguésia 57 (2): 251-366. 2006
SciELO/JBRJ1
2 13 14 15 16 17 lí
cm
Flora da Reserva Ducke: Sapotaceae
359
Figura 33 - a-c. Ecclinusa guitmensis - a. habil (Marcano-Bern 368); b' i^Hower (tflr/wir 28590); f. fruit
=• «O. « M- h!S»“ * Mor/ >«* i. *cd
( Steyennark & Liesner 120700)', g. seed (Grenand 855). )■
(side view); j. seed (frontal view) (Mori & Pipoly 15408).
Radriguésia 57 (2): 251-366. 2006
SciELO/JBRJ
12 13 14 15 16 17
360
Penninglon, T. D.
Flowers bisexual. Calyx a single whorl of 5
sepals. Corolla rotate, tube nearly always
shorter than the lobes, lobes 5. Stamens 5,
fixed at the top of the corolla tube or at the
base of the lobes, exserted, filaments long
and geniculate below the apex. Staminodes
absent. Disk absent. Ovary 5-locular. Fruit
a drupe with a thinly cartilaginous endocarp.
often slightly asymmetrical. Seed solitary.
with smooth, shining testa and full-length
adaxial scar; embryo with thinly plano-
convex cotyledons and a thin sheath of
endosperm.
Twenty three species in South America
with one species extending into Southern
Central America. Seven species in central
Amazônia.
1.
1.
Key to the species of Pradosia of the Manaus area
Petiole with a pair of minute stipels near the apex (ca. 1 mm long)
Petiole without paired stipels.
2. Venation brochidodromous
2. Venation eucamptodromous.
3. Corolla 5 mm long or more.
.7. P. ajf. grisebachii
5. P. schomburgkiana
3.
4. Mídrib slightly raisedon the upper surface, corolla glabrous 2 P decipiens
4. M.dnb sunken on the upper surface, corolla with some appressed indumentum
5. Leaves subverticillate, secondary veins 15-20 pairs 1. p subverticillata
5 Leaves spirally arranged, secondary veins 9-10 pairs 3. P ptxchandra
Corolla not exceeding 4 mm long.
6. Secondary veins 23-26 pairs, lower leaf surface shortly dark brown pubescent
6. Secondary veins less than 18 pairs, leaves glabrous 4. P cochlearia
9.1 Pradosia subverticillata Ducke, Trop. Woods
71:13. 1942; Pennington, T. D., Fl. Neotrop.
52: 646, fíg. 151. 1990. Fig. 34 a-b
Young shoots long and stiffly pubescent.
Leaves subverticillate, 9-15 x 4-6 cm, broadly
oblanceolate, apex rounded or shortly narrowly
attenuate, base acute or narrowly attenuate,
glabrous; venation eucamptodromous, midrib
sunken on the upper surface, secondary veins
15-20 pairs, parallel, slightly arcuate, slightly
impressed on the upper surface, intersecondaries
absent, tertiaries very fine, obliqúe. Petiole 1 .5-
3 cm long, not channelled or only slightly
channelled at the apex, glabrous; stipels absent.
Fascicles many-flowered, axillary and below
the leaves. Pedicel 4—6 mm long, shortly
pubescent. Sepals 2.5—3 mm long, appressed
pubescent outside, margin ciliate. Corolla
ca. 6 mm long, tube much shorter than the
lobes, sparsely sericeous outside. Stamens
fixed at the base of the corolla lobes, exserted,
glabrous. Ovary narrowly ovoid, densely
strigose. Fruit 2.5—4 cm long, subfalcate-
oblong, apex acuminate, smooth, subglabrous.
Seed with an oblong scar.
Field characters: Tree to 20 m high with
cylindrical bole and yellowish-grey, sweet-
tasting bark. Flowers greenish. Flowering
recorded in June and September, fruit in March
and May.
Central Amazônia to Pará, in non-flooded
forest over sand.
Not yet recorded from Reserva Ducke.
AMAZONAS: Manaus, Upper Tarumã. Ducke
RB 22 145 (RB); Manaus, Ducke RB35544 (RB);
Manaus, Rio Tarumã, Ducke 812 (IAN K RB ).
Local names: Casca doce, pau doce
(Amazonas).
Th is species is characterized by the
subverticillate glabrous leaves and the
numerous parallel secondary veins with fine
obliqúe tertiaries.
Rodriguésia 57 (2): 251-366. 2006
SciELO/JBRJ,
13 14
Flora da Reser\'a Ducke: Sapotaceae
361
Figura 34 . a-b M mbmMUrn ■ a- tabte k U2 Um, (DuçkeSm
ofleufindumentum;e. ll2üowa(Ducke24360).f-i.Peaelosiaptyclicmdra-f.ba(At,g' l/2ilower(A/urt<5 vryrrí OMÍZ),
h. fruit; i. seed ( Pennington & Morí 12103).
Rodriguésia 57 (2): 251-366. 2006
SciELO/JBRJ
2 13 14 15 16 17 lí
362
Pennington, T D.
9.2 Pradosia decipiens Ducke, Trop. Woods
71: 17. 1942; Pennington, T. D., Fl. Neotrop.
52: 646, fig. 151.1990. Fig. 34 c-e
Young shoots finely appressed puberulous,
soon glabrous. Leaves spirally arranged, 8-15 x
3.2-8 cm, elliptic or obovate, apex obtuse to
rounded, base acute or obtuse, upper surface
glabrous, lower surface with some sparse
appressed brown indumentum, venation
eucamptodromous, midrib raised on the upper
surface, secondary veins 11-13 pairs, parallel,
straight or slightly arcuate, slightly impressed on
the upper surface, intersecondaries absent,
tertiaries obliqúe, fine, obscure. Petiole 1.5-
2.5 cm long, channelled in the upper half,
glabrous; stipels absent. Fascicles below the
leaves, 5-15-flowered. Pedicel 0.5-1 .2 cm long,
glabrous. Sepals 2.5-3 mm long, glabrous. Corolla
ca. 5 mm long, the tube shorter than the lobes,
glabrous. Stamens fixed at the base of the corolla
lobes, glabrous. Ovary narrowly ovoid, appressed
puberulous. Fruit 3—3.5 cm long, ellipsoid and
slightly asymmetrical, apex acute or obtuse, base
tapered, smooth, glabrous. Seed ca. 2 cm long,
ellipsoid, laterally compressed, testa smooth and
shining; scar adaxial 2-2.5 mm wide.
Field characters: Tree to 30 m high and 50 cm
diam., with convex, asymmetrical buttresses
to 2 m high, bole cylindrical, bark whitish-
brown, scaling and leaving orange-coloured
dipples, slash orange, astringent, with sweet
smell, containing whitish translucent latex.
Flowers yellowish-green with a pink ovary.
Fruit maturing yellow, with whitish pulp.
Flowering in central Amazônia October to
December, fruit maturing in March.
Central Amazonian Brazil to Peru, in
lowland forest often on poorly drained sites.
9.IV. 1998 (fr) Assunção. P.A.C.L et al. 833 (INPA
KMG MO NY RB SP U UB); 9.IX. 1997 (bd) Brito J.
M. et al. 31 (BM G IAN INPA K MBM UB UEC
US); 28.X. 1994 (fl) Hopkins, M. J. G 1499 (INPA K
MG MO NY R RB SP U); 23 JD. 1 995 (fr) Ribeiro, J.
E. L. S. & Assunção, P. A. C. L. 1579 (BM G IAN
INPA K MBM SPFUEC US); 19.XI.1997 m Ribeiro,
J. E. L. S. et al. 1950 (B GH IAN ICN INPA K S
UPCB VIC); 2.XII.1997 (fl) Souza, M. A. D. et al.
474 (COL F IAN INPA K PEUFR SPF UFMT VEN).
Pradosia decipiens is distinctive among
the larger-flowered species of the genus
because of the raised leaf midrib, the minute
appressed indumentum on the lower leaf surface
(visible only with a lens), the obscure tertiary
venation and glabrous flowers.
9.3 Pradosia ptychandra (Eyma) T. D.
Penn., Fl. Neotrop. 52: 648, fig. 153. 1990.
Fig. 34 f-i
Pouteria ptychandra Eyma, Recueil
Trav. Bot. Néerl. 33: 189. 1936.
Young shoots appressed puberulous.
Leaves spirally arranged, 9-15 x 3.5-5 cm,
oblanceolate, apex narrowly attenuate, base
narrowly cuneate or attenuate, glabrous;
venation eucamptodromous, midrib sunken on
the upper surface, secondary veins 9-10 pairs,
arcuate, slightly convergent, intersecondaries
absent, tertiaries numerous, obliqúe. Petiole
1.5-2 cm long, strongly channelled, finely
appressed puberulous to glabrous; stipels
absent. Fascicles mostly ramiflorous, many-
flowered. Pedicel 9-10 mm long, finely
appressed puberulous. Sepals 2—2.5 mm long,
finely appressed puberulous outside, inner ones
with broad glabrous margin. Corolla 5-6 mm
long, tube shorter than the lobes, appressed
puberulous outside on lower part of lobes and
tube. Stamens fixed at the tip of the corolla
tube, glabrous. Ovary conical, pubescent. Fruit
cm l°ng> broadly ellipsoid, apex and base
rounded, smooth, glabrous. Seed solitary, 2.5—
2.6 cm long, oblong-ellipsoid, slightly laterally
compressed, testa smooth or horizontally
striate, shining; scar adaxial, 8-9 mm wide.
Field characters: Tree to 20 m high and 40 cm
diam., usually unbuttressed, trunk cylindrical.
bark greyish-brown, smooth to dippled, often
with vertical rows of lenticels, slash cream,
streaked with orange, slowly exuding sticky white
latex. Flowers wine-red and fruit maturing
orange-yellow, with the inner pericarp a soft
transparent sweet-tasting jelly. The endocarp is
cartilaginous and remains attached to the seed.
Flowering in central Amazônia January to April.
The Guianas to central Amazônia, in non-
fiooded lowland rainforest.
Rodriguésia 57 (2): 251-366. 2006
SciELO/ JBRJ
2 13 14
cm
Flora da Reserva Ducke: Sapotaceae
Not yet recorded from Reserva Ducke.
PDBFF: Reserva 3209, Ferreira et al. PDBFF
3209.1291.
Pradosia ptycliandra is distinguished from
the other large-flowered central Amazonian
species by its spirally arranged leaves with few
secondary veins, sunken midrib and red flowers.
9.4 Pradosia cochlearia (Lecomte) T. D. Penn.,
Fl. Neotrop. 52: 655, fig. 154. 1990. Fig. 35 a-b
Chrysophyllum cochlearium Lecomte,
Notul. Syst. (Paris) 4(2): 63. 1923.
Glycoxylon praealtum Ducke, Arch.
Jard. Bot. Rio de Janeiro 4: 165, pl. 20. 1925.
Young shoots appressed puberulous with
reddish-brown hairs, soon glabrous. Leaves
spirally arranged or verticillate, 7.5-13 x 2.7-
5.4 cm, broadly oblanceolate to obovate, apex
rounded or retuse, base narrowly attenuate,
glabrous; venation eucamptodromous, midrib
raised on the upper surface, secondary veins 1 3-
1 7 pairs, parallel, slightly arcuate, intersecondanes
absent, tertiaries perpendicular to obliqúe. Petiole
1-1.5 cm long, channelled in the upper half,
subglabrous; stipels absent. Fascicles 5-10-
flowered, below the leaves. Pedicel 0.5-3 mm
long, appressed puberulous. Sepals ca. 2 mm
long, appressed puberulous. Corolla 1.75-
3 mm long, the tube shorter than the lobes,
sparsely sericeous outside. Stamens fixed at
the base of the corolla lobes, glabrous. Ovary
ovoid, appressed puberulous. Fruit 4—5 cm
long, ellipsoid or obovoid, apex tapered or
rounded, base acute, smooth, glabrous. Seed
solitary 2.2-2. 8 cm long, oblong, not laterally
compressed, testa smooth, shining; scar
adaxial, 6-7 mm wide.
Field characters: Tree to 50 m high, with
straight, simple buttresses to several metres
high, bole cylindrical, bark greyish-white scaling
in irregular plates, and with vertical lines of
lenticels; slash pinkish, sweet, with scarce
translucent white latex. Flowers greenish, fruit
maturing yellow. Flowering August to January,
fruit maturing in April.
Pará and the Guianas through central and
western Amazônia, in lowland rainforest on
non-flooded land.
363
20.11. 1998 (fr) Assunção, P.A.C.L et al. 797 (INPA
K MG MO NY RB SP U); 9.IX. 1997 (fl) Brito. J. M.
etal. 29 (INPA K MG MO NY R RB SP U); 1 .X. 1997
(fl) Mesquita, M. R. 20 (INPA K MG MO N Y R RB
SPU);7.IV.1994(fr) Ribeiro, J. E. L. S. etal. 1259
(INPA K MG MO NY R RB SP U).
The above description refers to P.
cochlearia subsp. praealta (Ducke) T. D.
Penn., the only subspecies present in central
Amazônia. It is distinguished from the other
small flowered species of Pradosia by the
small obovate leaves with raised midrib and
few secondary veins.
9.5 Pradosia schomburgkiana (A. DC.)
Cronq., Buli. Torrey Bot. Club 73: 311. 1946;
Pennington, T. D., Fl. Neotrop. 52: 657, fig.
155. 1990. F'g- 35 c‘d
Chrysophyllum schomburgkianum A.
DC. in A. P. de Candolle, Prodr. 8: 157. 1 844.
Pradosia inophylla (Mart.) Ducke, Trop.
Woods 71: 16. 1942.
Young shoots subglabrous. Leaves
opposite, 6—1 1 x 3.5— 6.5 cm, obovate, apex
obtuse, rounded or emarginate, base acute to
rounded or truncate, glabrous; venation
brochidodromous with a submarginal vein,
midrib flat (not raised) on the upper surface,
margin slightly revolute, secondaries 14-20
pairs, parallel, straight or arcuate,
intersecondaries numerous, long, often extending
to the margin, tertiaries reticulate. Petiole 0.5-
1.2 cm long, not or only slightly channelled,
glabrous; stipels absent. Fascicles on twigs
below the leaves, 5-20-flowcred. Pedicel 4-
7 mm long, glabrous. Sepals 1-1.5 mm long,
glabrous. Corolla 2-3 mm long, tube shorter than
the lobes, glabrous. Stamens fixed at the base
of the corolla lobes, glabrous. Ovary ovoid,
appressed pubescent. Fruit 1.2-1. 6 cm long,
broadly ellipsoid or obovoid, apex rounded. base
rounded or tapered, smooth, glabrous. Seed
solitary, 1-1.5 cm long, subgloboseor ellipsoid,
slightly laterally compressed, testa smooth,
shining; scar adaxial, about 2/3 the length of the
seed, 2-5 mm wide.
Field characters: In campina and
campinarana vegetation this is only a shrub or
Radriguésia 57 (2): 251-366. 2006
SciELO/JBRJ
L2 13 14 15 16 17
cm ..
364
small tree flowering when a few metres high,
but in high rainforest it can be a buttressed
tree to 30 m high and 40 cm diam. Bark light
brown to reddish-brown, scaling to leave round
dipple marks, slash reddish, sweet, with sticky
white latex. Flowers greenish-white, fruit
maturing yellow. Flowering in central
Amazônia November to February, fruit
February to March.
Venezuela and the Guianas to central and
eastem Amazônia, occurring in a variety of
habitats from savanna, campina and
campinarana to high rainforest, often on white
sand, up to 1400 m altitude.
27.IH.1996 (fr) Brito, J. M. etal. 21 (1NPA K MG
MO RB); 13.11.1996 (fr) Campos, M.T.V.A. etal.
484 (INPA K MG NY SP); 23. XI. 1 993 (fr) Ribeiro, J.
E. L S. et al. 1166 (INPA K MG NY SP); 4.II. 1995
(fl) Vicentini, A. et al. 844 (INPA K MG MO N Y R
RB SP U); 9.II.1995 (fr) Vicentini, A. et al. 862 (G
INPA K MBM MG MO R RB U).
Local name: Pau doce.
Easily recognized among other Pradosia
here by the relatively short but broad leaves with
brochidodromous venation and submarginal vein,
and by the numerous secondary veins with
numerous long intersecondaries.
9.6 Pradosia verticillata Ducke, Trop! Woods
71; 12. 1942; Pennington, T. D., Fl. Neotrop.
52: 664, fig. 155. 1990. Fig. 35 e-f
Young shoots densely brown-tomentose.
Leaves verticillate in whorls of 5-7, 1 1-25 x
4.5-10 cm, broadly oblanceolate, apex shortly
and obtusely attenuate to rounded, base acute
to narrowly cuneate, upper surface glabrous
or with some residual indumentum, lower
surface dark brown-pubescent, denser on the
midrib and veins; venation eucamptodromous,
midrib, secondary and tertiary veins sunken on
the upper surface, secondary veins 23-26 pairs,
parallel, slightly arcuate, intersecondaries
absent, tertiaries numerous, obliqúe. Petiole
1-5-4 cm long, channelled in the upper part,
brown-tomentose; stipels absent. Fascicleson
twigs below the leaves and on branches, 5-
10-flowered. Pedicel, ca. 1 mm long,
appressed puberulous. Sepals ca. 2 mm long,
Pennington, T. D.
appressed puberulous outside, glabrous inside.
Corolla ca. 4 mm long, tube shorter than the
lobes, densely sericeous outside, except for the
glabrous margin. Stamens fixed at the base of
the corolla lobes, glabrous. Ovary conical,
densely strigose. Fruit 3.5-5 cm long,
narrowly obovoid, asymmetric, apex rounded,
base attenuate, smooth, glabrous. Seed solitary,
2.5-3 cm long, laterally compressed, testa
smooth, shining; scar adaxial, full-length,
ca. 4 mm wide.
Field characters: Tree to 35 m high and 35 cm
diam., with short, simple, stout buttresses to
0.5 m high, bark pale buff-brown, exfoliating
in large irregular thin sheets and leaving dipples,
slash orange-brown, with sticky white latex.
Crown with massive twigs and dense terminal
clusters of leaves. Flowers dark violet-black.
Flowering in central Amazônia in October.
The Guianas to central Amazonian
Brazil, in mixed lowland rainforest on non-
flooded land.
Tagged tree number 724, 926, 2348.
PDBFF: Pennington etal. s.n. (INPA K); Amazonas,
Manaus, Villa Municipal, Ducke 811 (LAN K MG RB).
A very distinct species in Pradosia with
the characteristic dark brown tomentum on its
young parts and lower leaf surface, and
verticillate leaves with numerous parallel veins.
9.7 Pradosia aff. grisebachii (Pierre) T. D.
Penn., Fl. Neotrop. 52: 655, fig. 154. 1990.
Young shoots finely appressed puberulous
with reddish-brown hairs. Leaves
subverticillate, 10-5 x 3.5-4.5 cm, oblanceolate,
apex shortly and narrowly attenuate, base
narrowly attenuate, glabrous above, sparsely
and minutely appressed puberulous below
(lens); venation eucamptodromous, midrib
sunken on the upper surface, secondary veins
13—16 pairs, parallel, slightly arcuate,
intersecondaries absent, tertiaries numerous,
fine, obliqúe. Petiole 1—2 cm long, strongly
channelled in the upper half, subglabrous;
stipels present near the apex of the petiole or
on the lower midrib at the base of the lamina,
ca. 1 mm long, paired. Fasciclescauliflorous,
many-flowered. Pedicel 7-10 mm long, finely
Rodriguésia 57 (2): 251-366. 2006
SciELO/JBRJ1
2 13 14 15 16 17 18
Flora da Reserva Ducke: Sapotaceae
365
5 cm
, . , . Wf. u frnit (Ducke 1663). c-d. Prudosia schomburgkiana •
Figura 35 - a-b. Pradosia cochleana subsp_ praealta - a. ha . ^ vertici„'ata . e. habit; f. sced (Ducke 881).
c. habit (Clark A Maqutnno 7619)-, d. seed (Ltesner3J6 ). • {\0wcr (Wunlack A Monachino 39595)\
g-j. Diploon cuspidatum - g. habit; h.detail of venation (Halschbach 19595). i. liowcrtw
j. seed ( Hatschbach 20951).
Rodriguésia 57 (2): 251-366. 2006
SciELO/JBRJ,
L2 13 14 15 16 17
cm ..
366
appressed puberulous. Sepals 3-5 mm long,
frnely appressed puberulous outside, the inner
ones with a broad glabrous margin. Corolla
7.5-8 mm long, tube much shorter than the
lobes, subglabrous. Stamens fíxed at the top
of the corolla tube, glabrous. Ovary conical,
appressed puberulous, tapered gradually into
the style. Fruit unknown.
Field characters: Unbuttressed tree to 12 m
high and 14 cm diam., bark hard, scaling in small
pieces, slash light orange, fibrous, exuding
drops of white latex. Flowering in November.
Known only from a single collection from
the PDBFF Dimona Reserve in central
Amazônia.
PDBFF: Fazenda Dimona, Kukle 75 (K).
This plant differs from P grisebachii,
which is known only from Venezuela, in its
much larger flowers, which are twice the size,
in its sub-verticillate leaves and in the position
of the stipels at the apex of the petiole, or
attached to the lower midrib at the base of the
leaf (in P grisebachii they are attached in the
lower half or midway up the petiole). The other
Amazonian species with petiole stipels, P.
atroviolacea, also has much smaller flowers
and lacks the indumentum on the lower leaf
surface.
10. Diploõn
Diploõn Cronquist, A. J. Buli. Torrey Bot.
Club 73: 466. 1946.
Unarmed trees. Stipules absent. Leaves
alternate and distichous. Venation
brochidodromous, with a submarginal vein,
intersecondaries long, extending to the margin,
giving the leaves a somewhat striate
appearance. Calyx a single whorl of 5 sepals.
Corolla rotate, with a very short tube and much
longer lobes, lobes 5, simple. Stamens fíxed at
the top of the corolla tube, exserted. Staminodes
absent. Disk absent. Ovary 1-locular with 2
basal ovules. Seed with small basal or basi-
ventral scar; embryo with plano-convex
cotyledons, endosperm absent.
A single species in South America.
Pennington, T D.
10.1 Diploõn cuspidatum (Hoehne)
Cronquist, Buli. Torrey Bot. Club. 73: 466. 1 946;
Pennington, T. D., Fl. Neotrop. 52: 669, fig.
44. 1990. Fig. 35 g-j
Chrysophyllum cuspidatum Hoehne,
Ostenia 302, tab. 8. 1933.
Young shoots minutely appressed
puberulous. Leaves 6.5— 1 1.5 x 2—4 cm, elliptic
to oblanceolate, apex narrowly acuminate or
caudate, base narrowly attenuate, glabrous;
venation brochidodromous, midrib slightly raised
on the upper surface, secondary veins 17-20
pairs joining to form a submarginal vein, parallel,
straight or slightly arcuate, intersecondaries long,
often extending to the margin, tertiaries parallel
to the secondaries and descending from the
margin. Petiole 4-8 mm long, slightly channelled,
subglabrous. Fascicles 3— 10-flowered, axillary
and below the leaves. Pedicel 4—5 mm long,
sparsely appressed puberulous. Flowers
bisexual. Sepals 1—1.5 mm long, sparsely
appressed puberulous outside. Corolla 2.5-
3 mm long, tube ca. 0.5 mm long, lobes 2-
2.5 mm long, broadly elliptic, apex rounded or
slightly hooded, glabrous. Stamens with filaments
1-1.5 mm long, anthers 1-1.25 mm long,
glabrous. Ovary ovoid, glabrous, style 0.5-1 mm
l°ngi glabrous, style-head simple. Fruit 1.8-
2 cm long, broadly ellipsoid to globose, apex and
base rounded, smooth, glabrous. Seed solitary,
ca. 1 .5 cm long, broadly ellipsoid, not laterally
compressed, rounded at base and apex, testa
smooth, shining; scar basal or basi-ventral,
ca. 7x5 mm.
Field characters; Tree to 30 m high and
50 cm diam., buttressed and with slightly
fluted bole. Bark reddish-brown, scaling, with
white latex. Flowers creamish-white, fruit
maturing reddish to black. Flowering
September to December, fruit maturing
November to February.
Widely distributed from Venezuela and
Guyanato Southern Amazonian Peru and Bolivia,
also in Coastal Brazil from Alagoas to Paraná.
A tree of lowland rainforest on non-flooded land.
Not recorded from Reserva Ducke.
AMAZONAS: Manaus-Caracaraíkm 39, A. P. Silva
s.n. INPA108274 (1NPA).
Kodriguésia 57 (2): 251-366. 2006
SciELO/ JBRJ
2 13 14 15 16 17 18
cm
Flora da Reserva Ducke, Amazonas, Brasil: Tiliaceae
Gerleni Lopes Esteves'
Schumann, K. 1 886. Tiliaceae. In: C. F. P. Martius & A. G Eicher (eds.). Fl. bras. 1 2(3): 1 1 7-200, tabs.25-39.
Burret, M. 1926. Beitrage zur Kenntnis derTiliaceen. Notizbl. Bot. Gart. Berlin-Dahlem, 9:592-880.
Seter, H. L. 1977. A revision of neotropical Tiliaceae: Apeiba, Luehea and Lueopsis. Tese de Doutorado.
University of Kentucky. 207p.
Árvores altas; indumento dos ramos e
folhas constituído de tricomas estrelados e/ou
simples. Folhas simples, alternas; lâminas
inteiras. Inflorescências cimosas. Flores
monoclinas; epicálice presente em Lueheopsis ;
sépalas 5, valvares, livres entre si; pétalas
imbricadas; estames numerosos; filetes conatos
na base formando o tubo estaminal; anteras 2-
tecas, 4-esporangiadas, rimosas; estaminódios
presentes ou ausentes; ginóforo presente ou
ausente; ovário 2-muitos lóculos; óvulos ( l-)2-
muitos por lóculo; estiletes colunares ou divididos
em tantos ramos quantos forem os carpelos;
estigmas lobados ou denteados. Frutos
capsulares, lisos ou recobertos de acúleos,
deiscência loculicida ou poricida. Sementes
aladas ou não; embrião reto ou curvo;
cotilédones em geral foliáceos.
Família com cerca de 50 gêneros e 450
espécies predominantemente tropicais. Na flora
da Reserva Ducke ocorrem duas espécies:
Apeiba echinata e Lueheopsis rosea.
Chave para os táxons de Tiliaceae da Reserva Ducke
1. Face abaxial das lâminas foliares densamente recoberta de tricomas estrelados mmusculos,
alvos e ferrugíneos misturados; flores sem epicálice; estaminódios petalóides; ginóforo presente;
cápsulas, recobertas de acúleos, globoso-achatadas, com deiscência poricida ..........
v 1. Apeiba echinata
V. Face abaxial das lâminas foliares lanuginosa, inteiramente ferrugínea; flores com epicálice,
estaminódios fimbriados; ginóforo aussente; cápsulas desprovidas de acúleos, reco rtas e tricomas
estrelados, oval-oblongas, com deiscência loculicida na metade apical *-• ue eopsis n
1. Apeiba
Apeiba Aubl. Hist. pl. Guiane. 1:536, 1775.
Árvores altas, tronco sem sapopemas;
indumento dos ramos e folhas pubescente.
Folhas pecioladas, lâminas inteiras.
Inflorescências opositifólias. Flores
pediceladas; epicálice ausente; sépalas livres
entre si, oval-lanceoladas; pétalas obovadas,
ápice arredondado; estames numerosos;
filetes concrescidos na base; anteras lineares,
com extensão apical estéril bifurcada, tecas
paralelas entre si; estaminódios presentes;
ginóforo presente; ovário sub-globoso,
multilocular, multiovulado por lóculo; estiletes
colunares; estigmas curtamente denteados.
Cápsulas globoso-achatadas, recobertas de
acúleos, deiscência poricida. Sementes
1 Instituto de Botânica de São Paulo, C.P. 4005,
globosas, não aladas; embrião reto;
cotilédones foliáceos.
Gênero neotropical com cerca de sete
espécies predominantemente arbóreas.
1.1 Apeiba echinata Gaert. Fruct. 2 (121):
189. 1802.
Árvores 1 5—25 m alt.; tronco 20—30 cm
diâm. Folhas com pecíolos de 1,3-2, 5 cm
compr.; lâminas 7,2-16 x 3, 7-5, 7 cm, elípticas
a oblongas, ápice longamente atenuado-
acuminado, margem levemente crenada a
serreada na porção apical, quase inteira na
porção basal, 5-nervadas na base, nervuras
laterais 5-7, escuras, face adaxtal
nigrescente. quase glabra, com tricomas
estrelados esparsos sobre as nervuras, lace
-970, SãoPaulo, SP, Brasil, gcrlcniibot@yuhoo.com.br
SciELO/JBRJ
.2 13 14 15 16 17
cm
Esteves, G. L
abaxial esverdeada, com tricomas estrelados
minúsculos alvos e ferrugíneos, entre as
nervuras basais e laterais tufos de tricomas
estrelados ferrugíneos. Flores com pedicelos
até 1 cm compr.; sépalas ca. 2 cm compr.,
carnosas, cuculadas na parte apical, amarelas;
pétalas 1,3-1, 5 cm compr., largamente
obovadas, amarelas; filetes curtos;
estaminódios menores que os estames,
petalóides; ginóforo curto. Cápsulas 6-7 cm
diâm., acúleos uncinados, escuros, glabros,
delgados.
Venezuela, Guiana, Suriname, Guiana
Francesa e Norte do Brasil.
Floresta de baixio.
Nome local: pente de macaco.
3.XI.1994, Ribeiro etal. 1483 (INPA, SP).
Material adicional examinado: 1 1 .VIII. 1 966 (fr.)
Rodrigues & Osmarino 822 (INPA); 15.IV.1966 (fr.)
Rodrigues & Coelho 7686 (INPA).
Espécie facilmente reconhecida pela
presença de um tufo de tricomas estrelados
na axila das nervuras basais e laterais das
lâminas foliares.
2. Lueheopsis
Lueheopsis Burret, Beitrâge zur Kenntnis der
Tiliaceen. Notizbl. Bot. Gart. Berlin-Dahlem,
9: 838. 1926.
Árvores; indumento constituído de
tricomas estrelados. Folhas curtamente
pecíoladas; lâminas inteiras. Inflorescências
axilares e terminais; flores curtamente
pediceladas; epicálice gamofilo, lobado; cálice
com comprimento maior que o epicálice; sépalas
livres entre si, carnosas; pétalas com tricomas
estrelados na base; estames numerosos,
agrupados em falanges conatas na base
formando o tubo estaminal; anteras 2-tecas,
lineares, rimosas, tecas divergentes na metade
apical; estaminódios 5, fimbriados; ginóforo
ausente; ovário 5-locular, multiovulado por lóculo;
estiletes colunares, levemente dilatado na porção
apical; estigmas 5-lobados. Cápsulas
sublenhosas, sem acúleos, pubescentes a
glabrescentes, tricomas estrelados, deiscência
loculicida na metade apical. Sementes ovóides;
embrião reto, cotilédones foliáceos.
Gênero com cerca de cinco espécies
distribuídas na região neotropical.
2.1 Lueheopsis rosea (Ducke) Burret. Notizbl.
bot. gart. Berlin-Dahlem, 9: 840. 1926.
Árvores 18—20 m alt.; tronco tortuoso;
ramos jovens densamente recobertos de
tricomas estrelados, glabrescentes. Folhas
com pecíolos de 0,5-10 mm compr.; lâminas
9,5-29 x 4,3- 1 0 cm, obovadas a largo-elípticas,
ápice atenuado-acuminado, base obtusa,
margem inteira na porção basal, esparsamente
serreada na porção apical, dentes proeminentes,
3-nervadas na base, nervuras laterais ca. 4
(incluindo as basais), discolores, face adaxial
glabra, face abaxial lanuginosa, ferrugínea.
Flores com pedicelos de 3-4 mm compr.,
pubescentes, ticomas estrelados ferrugíneos;
epicálice ca. 3 mm compr., 6-lobado, ferrugíneo,
lobos oval-agudos; sépalas 9—12 mm compr.,
róseas, face dorsal pilosa, face ventral glabras;
pétalas 12—14 mm compr., lilás; tubo estaminal
glabro, estaminódios maiores que os estames.
Cápsulas ca. 3 cm compr., oval-oblongas,
rostradas; sementes aladas.
Guiana, Suriname, Guiana Francesa e
Norte do Brasil (Amazonas, Pará).
Floresta de vertente e de platô.
Nome local: açoita-cavalo.
17. VII. 1995, Sothers et al. 521 (INPA, SP);
15.VII.1995, Hopkins et al. 1572 (INPA, SP);
11. VIII. 1995, Ribeiro et al. 1100 (INPA);
23.VIII.1995, Assunção & Pereira 229 (INPA);
11.X.1994, Vicentini et al. 729 (INPA); 1 1.VUI.1995,
Costa etal. 341 (INPA, SP); 8. VIU. 1997, Assunção
et al. 603 (INPA, SP).
Lueheopsis rosea assemelha-se a L.
dukeana por ambas apresentarem a face
abaxial das folhas lanuginosas e as sépalas
glabras na face ventral, entretanto, pode ser
distinta pelos ramos floridos, pedicelos e
epicálice recobertos de tricomas estrelados
minúsculos e pelas flores comparativamente
menores com o epicálice lobado até a metade
do seu comprimento total; ao passo que L.
dukeana apresenta os ramos floridos,
pedicelos e epicálice vilosos, as flores
comparativamente maiores, com epicálice
curtamente lobado.
Rndrigudsia 57 (2): 367-368. 2006
SciELO/JBRJ
12 13 14 15 16 17
cm
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Material c Métodos, Resultados, Discussão,
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descrição de novos táxons, mudanças nomcnclaturuis
ou similares. O item Resultados pode ser agrupado
com Discussão quando mais adequado. Os títulos
(Introdução, Material e Métodos etc.) e subtítulos
deverão serem negrito. Enumere as figuras c tabelas
em arábico de acordo com a scqUência em que as
mesmas aparecem no texto. As citações de
referências no texto devem seguir os seguintes
exemplos: Miller(1993),Miller&Maier(1994), Baker
et al (1996) para três ou mais autores ou (Millcr
1993), (Miller&Maier 1994), (Baker et ai 1996).
Referência a dados ainda não publicados ou
trabalhos submetidos deve ser citada conforme o
exemplo: (R.C. Vieira, dados não publicados). Cite
resumos de trabalhos apresentados em Congressos,
Encontros e Simpósios se estritamente necessário.
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12 13 14 15 16 17
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O material examinado nos trabalhos taxonômicos
deve ser citado obedecendo a seguinte ordem: local
e data de coleta, fl.» fr., bot. (para as fases fenológicas),
nome e número do coletor (utilizando et al. quando
houver mais de dois) e sigla(s) do(s) herbário(s)
entre parêntesis, segundo o Index Herbariorum.
Quando não houver número de coletor, o número de
registro do espécime, juntamente com a sigla do
hcrbário.deverá ser citado. Os nomes dos países e
dos estados/províncias deverão ser citados por
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seguidos dos respectivos materiais estudados.
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1 5.XII. 1 996, fl. e fr., R. C. Vieira et al. 10987 (MBM,
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Exemplos:
Tolbert, R. J. & Johnson, M. A. 1966. A survey of
the vegetative shoot ápices in the family
Malvaceae. American Journal of Botany 53(10)-
961-970.
Engler, H. G A. 1 878. Araceae. In: Martius, C. F. P.
von, Eichler, A. W. & Urban, I. Flora brasiliensis.
Munchen, Wien, Leipzig, 3(2): 26-223.
. 1930. Liliaceae. In: Engler, H. G A. & Plantl,
K. A. E. Die Naturlichen Pflanzenfamilien. 2.
Aufl. Leipzig (Wilhelm Engelmann). 15: 227-386.
Sass, J. E. 195 1. Botanical microtechnique. 2ed. Iowa
State College Press, Iowa, 228p.
Cite teses e dissertações se estritamente
necessário, isto é, quando as informações requeridas
para o bom entendimento do texto ainda não foram
publicadas em artigos científicos.
Tabelas - devem ser apresentadas em preto e branco,
no formato Word for Windows. No texto as tabelas
devem ser sempre citadas de acordo com os exemplos
abaixo:
“Apenas algumas espécies apresentam
indumento (Tabela 1)...”
“Os resultados das análises fitoquímicas são
apresentados na Tabela 2...”
Figuras - não devem ser inseridas no arquivo de
texto. Submeter originais em preto e branco e três
cópias de alta resolução para fotos e ilustrações,
que também podem ser enviadas em formato
eletrônico, com alta resolução, desde que estejam
em formato TIF ou compatível com CorelDraw,
versão 10 ou superior. Ilustrações de baixa
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das figuras, bem como textos nelas inseridos,
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papel transparente (tipo manteiga), colado na parte
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transparente à prancha, permitindo que os detalhes
apareçam nos locais desejados pelo autor. Os
gráficos devem ser em preto e branco, possuir bom
contraste e estar gravados em arquivos separados
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máximo 15 cm larg. x 22 cm comp. (também serão
aceitas figuras que caibam em uma coluna, ou seja,
7,2 cm larg.x 22 cm comp.). As figuras que excederem
mais de duas vezes estas medidas serão recusadas.
As imagens digitalizadas devem ter pelo menos 600
dpi de resolução.
No texto as figuras devem ser sempre citadas
de acordo com os exemplos abaixo:
“Evidencia-se pela análise das Figuras 25 e
26....”
Lindman (Figura 3) destacou as seguintes
características para as espécies..."
Apos feitas as correções sugeridas pelos
assessores e aceito para a publicação, o autor deve
enviar a versão final do manuscrito em duas vias
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Todos los artículos serán examinados por dos
consultores ad hoc. A los autores será solicitado,
cuando sea ncccsario, modificaciones para adecuar
cl manuscrito para adecuarlo a las sugercncias de
los revisores y editores. Artículos que no sigan las
normas descritas serán dcvueltos.
Serán enviados a los autores las pruebas de
página, las cualcs deberán ser devueltas al Consejo
Editorial en un plazo máximo de cinco dias a partir de
la fecha de recibimiento. Después de publicados los
artículos estarán disponibles en formato digital (PDF,
AdobeAcrobat) en el site dei Instituto de
Investigaciones dei Jardín Botânico de Rio de Janeiro
(http://www.jbrj.gov.br).
Preparación de los manuscritos
Los autores deben utilizar el editor de texto
Microsoft Word 6.0 o superior, letra Times New
Roman 12 puntos y doble espacio.
El manuscrito debe estar formateado en hojas
tamano A4, impresas por un solo lado, con
márgenes 2,5 cm en todos los lados de la página y
el texto alineado a la izquierda y a la dcrecha,
excepto en los casos indicados abajo. Todas las
páginas, excepto el título, deben ser numeradas,
consecutivamente, en la esquina superior dcrecha.
Las letras mayúsculas deben ser utilizadas apenas
en palabras que exijan iniciales mayúsculas, de
acuerdo con el respectivo idioma usado en el
manuscrito. No serán considerados manuscritos
escritos completamente con letras mayúsculas.
Palabras en latín, nombres científicos genéricos
e infra-genéricos deben estar escritas en letra itálica.
Utilizar nombres científicos completos (género,
especie y autor) solo la primera vez que sean
mencionados, abreviando el nombre genérico en las
próximas veces, excepto cuando los otros nombres
genéricos sean iguales. Los nombres de autores dc
los taxones deben ser citados siguiendo Brummitt &
Powell (1992) en la obra “Authors of Plant Namcs".
Primera página - debe incluir el titulo, autores,
afiliación profesional, financiamiento, autor y
dirección para correspondência, así como título
abreviado. El título deberá ser conciso y objetivo,
expresando la idea general dei contenido dei
artículo; además, debe ser escrito en negrita con
letras mayúsculas utilizadas apenas donde las letras
y las palabras deban ser publicadas en mayúsculas.
Segunda página - debe tener un Resumcn (incluyendo
título en português o espanol), Abstract (incluyendo
título en inglês) y palabras clave (hasta cinco, en
português o espanol e inglês). Resúmenes y
“abstracts" llevan hasta 200 palabras cada uno. El
Consejo Editorial puede traducir el “abstract”, para
hacer el Resumen en trabajos de autores que no
tienen fluência en português.
Texto - iniciar en una nucva página dc acucrdo
con secuencia presentada a seguir: Introduccion.
Materiales y Métodos, Resultados, Discusión,
Agradecimientos y Referencias Bibliográficas.
Estas secciones pueden ser omitidas en trabajos
relacionados con la descripción dc nuevos taxones,
câmbios nomenclaturalcs o similares. La sección
Resultados puede ser agrupada con Discusión
cuando sc considere pertinente. Las secciones
(Introducción, Material y Métodos, etc.) y
subtítulos deberán ser escritas en negritas. Las
figuras y las tablas se deben numerar en arábigo
de acucrdo con la secuencia en que las mismas
aparezean en el texto. Las citaciones de referencias
enel texto deben seguir los ejcmplos: Millcr ( 1 993).
Miller & Maier ( 1 994), Baker et al. ( 1 996) para tres
o mas autores o (Millcr. 1993), (Miller & Maier,
1 994), (Baker et al. , 1 996).
Las referencias a datos todavia no publicados
o trabajos sometidos a publicación deben ser
citados conforme al ejemplo: (R.C. Vieira, com. pers.
o R.C. Vieira obs. pers.). Cite resúmenes de trabajos
presentados en Congrcsos, Encucntros y Simpósios
cuando sea estrictamente necesario.
SciELO/JBRJ
12 13 14 15 16 17
cm ..
El material examinado en los trabajos
taxonómicos debe ser citado obedeciendo el
siguiente orden: lugar y fecha de colección, fl., fr.,
bot. (para las fases fenológicas), nombre y número
dei colector (utilizando et ai cuando existan más
de dos) y sigla(s) de lo(s) herbario(s) entre
parêntesis, siguiendo el Index Herbariorum.
Cuando no exista número de colector, el número
de registro dei espécimen, juntamente con la sigla
dei herbário, deberá ser citado. Los nombrcs de
los países y de los estados o províncias deberán
ser citados por extenso, en letras mayúsculas y en
orden alfabética, seguidos de los respectivos
materialcs estudiados.
Ejcmplo:
BRASIL. BAHIA: Ilhéus, Reserva da CEPEC,
15.XII. 1996, fl. y fr., /?. C. Vieiraetal. 709S7(MBM
RB, SP).
Para números decimales, use coma en los
artículos en Português y Espanol (ejemplo: 10,5 m)
y punto en artículos en Inglês (ejemplo: 10.5 m).
Separe las unidades de los valores por un espacio
(excepto en porcentajes, grados, minutos y
segundos).
Use abreviaciones para unidades métricas dei
Systeme Internacional d’Unités (SI) y símbolos
químicos ampliamente aceptados. Las otras
abreviaciones pueden ser utilizadas, debiendo ser
precedidas de su significado por extenso en la
primera mención.
Referencias Bibliográficas - Todas las referencias
citadas en el texto deben ser listadas en esta
sección. Las referencias bibliográficas deben ser
ordenadas en orden alfabético por apellido dei
primer autor, solo la primera letra debe estar en caja
alta, seguido de todos los demás autores. Cuando
exista repetición del(los) mismo(s) autor(es), el
nombre dei mismo deberá ser substituído por una
raya; cuando el mismo autor tenga vários trabajos
en un mismo ano, deberán ser colocadas letras
alfabéticas después de la fecha. Los títulos de
revistas no deben ser abreviados.
Ejemplos:
Tolbcrt, R. J. & Johnson, M. A. 1 966. A survey of the
vegetative shoot ápices in the family Malvaceae.
American Journal of Botany 53(10): 961 -970.
Engler, H. G A. 1878. Araceae. In: Martius, C. F. P.
von; Eichler, A. W. & Urban, I. Flora brasiliensis.
Munchen, Wien, Leipzig, 3(2): 26-223.
. 1 930. Liliaceae. In: Engler, H. G A. & Plantl,
K. A. E. Die Naturlichen Pflanzenfamilien. 2.
Aufl. Leipzig (Wilhelm Engelmann). 15: 227-386.
Sass, J. E. 195 1 . Botanical microtechnique. 2ed. Iowa
State College Press, Iowa, 228p.
Cite tesis y disertacioncs si es estrictamente
necesario, o cuando las informaciones requeridas
para un mejor entendimiento dei texto todavia no
fueron publicadas en artículos científicos.
Tablas - deben ser presentadas en blanco y negro,
en el formato Word para Windows. En el texto las
tablas deben estar siempre citadas de acuerdo con
los ejemplos abajo:
“Apenas algunas especies presentan
indumento(Tabla 1)...”
“Los resultados de los análisis fitoquímicos
son presentados en la Tabla 2...”
Figuras - no deben ser inseridas en el archivo de
texto. Someter originales en blanco y negro tres
copias de alta resolución para fotos y ilustraciones,
que también puedan ser enviadas en formato
electrónico, con alta resolución, desde que sean
en formato JPG o compatible con CorelDraw
versión 9 o superior. Ilustraciones de baja calidad
causaran la devolución dei manuscrito. En el caso
de envio de las copias impresas la numeración de
las figuras, así como, textos en ellas inseridos,
deben ser marcados con Letraset o similar en papel
transparente (tipo mantequilla), pegado en la parte
superior de la figura, de manera que al colocar el
papel transparente sobre la figura permitiran que
los detalles aparezean en los lugares deseados por
el autor. Los gráficos deben ser en blanco y negro,
con excelente contraste y gravados en archivos
separados en disquete (formato JPG o otro
compatible con CorelDraw 10.). Las figuras se
publican con un de máximo 1 5 cm de ancho x 22 cm
de largo, también serán aceptas figuras dei ancho
de una columna - 7,2 cm. Las figuras que excedan
más de dos veces estas medidas serán devueltas.
Es necesario que las figuras digitalizadas tengan
al menos 600 dpi de resolución.
En el texto las figuras deben ser siempre
citadas de acuerdo con los ejemplos de abajo:
Evidencia para el análisis de las Figuras 25 y
26...”
Lindman (Figura 3) destacó las siguientes
características para las especies...”
Después de haccr las correcciones sugeridas
por los asesores y siendo aceptado el artículo para
publicación, el autor debe enviar la versión final
dei manuscrito en dos copias impresas y en una
copia electrónica. Identifique el disquete con
nombre y número dei manuscrito.
SciELO/JBRJ
.2 13 14 15 16 17 18
INSTRUCTIONS TO AUTHORS
Scope
Rodriguésia, issued three times a year by the
Botanical Garden of Rio de Janeiro Research
Institute (Instituto de Pesquisa Jardim Botânico do
Rio de Janeiro), publishes scientific articles and
short notes in all areas of Plant Biology, as well as
History of Botany and activities linked to Botanic
Gardens. Articles are published in Portuguese,
Spanish or English.
Submission of manuscripts
Manuscripts are to be submitted with 3 printed
copies (we will request the text on diskette or as an
e-mail attachment after the review stage) to:
Revista Rodriguésia
Rua Pacheco Leão 915
Rio de Janeiro - RJ
CEP: 22460-030
Brazil
Fone: (0xx2 1 ) 3204-25 1 9 / 3204-2 1 30
The maximum recommended length of the
articles is 30 pages, but larger submissions may be
published after evaluation by the Editorial Board.
The articles are considered by the Editorial Board
of the pcriodical, and sent to 2 refcrees ad hoc. The
authors may be asked, when deemed neccssary, to
modify or adapt the submission according to the
suggestions of the referees and the editors.
Once the article is accepted, it will be type-set
and the authors will receive proofs to review and
send back in 5 working days from receipt. Following
their publication, the articles will be available
digitally (PDF, Adobe Acrobat) at the site of the
Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de
Janeiro (http://www.ibri. gov.br).
Guidelines
Manuscripts must be prescnted in Microsoft
Word software (vs 6.0 ou more recent), with Times
New Roman font size 12, double spaced. Page
format must be size A4, margins 2,5 cm, justified
(except in the cases explained below), printed on
one side only. All pages, except the title page, must
be numbered in the top right comer. Capital letters
to be used only for initials, according to the
language.
Latin words must be in italics (incl. genera and
all other categories below generic levei), and the
scientific names have to be complete (genus.
species and author) when they First appear in the
text, and afterwards the genus can be abbreviated
and the authority of the namc suppresscd, unless
for some reason it may be cause for confusion.
Names of authors to be cited according to Brummitt
& Powell (1992), “Authors of Plant Names”.
First page - must include title, authors, addresses,
financial support, main author and contact address
and abbreviated title. The title must be short and
objective, expressing the general idea of the
contents of the article. It must appear in bold with
capital letters where relevant.
Second page — must contain a Portuguese summary
(including title in Portuguese or Spanish), Abstract
(including title in English) and key-words (up to 5,
in Portuguese or Spanish and in English).
Summaries and abstracts must contain up to 200
words each. The Editorail Board may translate the
Abstract into a Portuguese summary if the authors
are not Portuguese speakers.
Text - starting on a new page, according to the
following scquence: Introduction, Material and
Methods, Results, Discussion, Acknowledgements and
Rcferences. Some of these items may be omitted in
articles describing new taxa or presenting
nomenclatural changes, etc. In some cases, the
Results and Discussion can be mergcd. Titles
(Introduction, Material and Methods, etc.) and
subtitles must be in bold typc. Number figures and
tables in 1-10 etc., according with the sequcnce
these occupy within the text. Rcferences within
the text should be in the following forms: Miller
( 1 993), Miller & Maier ( 1 994), Baker et al. ( 1 996) for
three or more authors or (Miller 1993), (Miller &
Maier 1994). (Baker etal. 1996). Unpublishcddata
should appear as: (R. C. Vieira, unpublished).
Conference, Symposia and Mcctings abstracts
should only be cited if strictly neccssary.
For Taxonomic Botany articles, the cxamincd
material ought to be cited following this ordcr:
locality and date of collcction, phcnology (11., fr.,
, bud), name and number of collector (using et al.
when more than two collcctors wcre prcsent) and
acronym of the herbaria bctwccn brackcts,
according to Index Herbariorum. When the
collector’s number is not available, lhe herbarium
record number should be cited prcceded by the
Hcrbarium’s acronym. Names of countries and
states/provinces should be cited in full, in capital
SciELO/JBRJ
12 13 14 15 16 17
cm ..
letters and in alphabetic order, followed by the
material studied, for instance:
BRASIL. BAHIA: Ilhéus, Reserva da CEPEC,
1 5.XII. 1 996, fl. e fr., R. C. Vieira et al. 10987 (MBM,
RB, SP).
Decimal numbers should be separated by
comma in articles in Portuguese and Spanish (e.g.:
10,5 m), full stop in English (e.g.: 10.5 m). Numbers
should be separated by space from the unit
abbreviation, except in percentages, degrees,
minutes and seconds.
Metric units should be abbreviated according
to the Système Internacional d'Unités (SI), and
Chemical symbols are allowed. Other abbreviations
can be used as long as they are explained in full
when they appear for the first time
References - All references cited in the text must
be listed within this section in alphabetic order by
the sumame of the first author, only the first letter
of sumames in upper case, and all other authors
must be cited. When there are several works by the
same author, the sumame is substituted by a long
dash; when the same author publishes more than
one work in the same year, these should be
differentiated by lower case letters suffixing the year
of publication. Titles of papers and joumals should
be in full and not abbreviated.
Examples:
Tolbert, R. J. & Johnson, M. A. 1966. A survey of
the vegetative shoot ápices in the family
Malvaceae. American Journal of Botany 53(10):
% 1-970.
Engler, H. G. A. 1 878. Araceae. In: Martius, C. F. P.
von; Eichler, A. W. & Urban, I. Flora brasiliensis.
Munchen, Wien, Leipzig, 3(2): 26-223.
. 1930. Liliaceae. In: Engler, H. G A. & Plantl,
K. A. E. Die Naturlichen Pflanzenfamilien. 2.
Aufl. Leipzig (Wilhelm Engelmann). 15: 227-386.
Sass, J. E. 1 95 1 . Botanical microtechnique. 2ed. Iowa
State College Press, Iowa, 228p.
MSc and PhD thesis should be cited only when
strictly necessary, if the information is as yet
unpublished in the form of scientific articles.
Tables - should be presented in black and white,
in the same software cited above. In the text, tables
should be cited following in the examples below:
“Only a few species present hairs (Table 1)...”
“Results to the phytochemical analysis are
presented in Table 2...”
Figures (must not be included in the file with text)
- submit originais in black and white high good
quality copies for photos and illustrations, or in
electronic form with high resolution in format TIF
600 dpi, or compatible with CorelDraw (vs. 10 or
more recent). Scripts submitted with low resolution
or poor quality illustrations will be retumed to the
authors. In case of printed copies, the numbering
and text of the figures should be made on an
overlapping sheet of transparent paper stuck to
the top edge of the plates, and not on the original
drawing itself. Graphs should also be black and
white, with good contrast, and in separate files on
disk (format TIF 600 dpi, or compatible with
CorelDraw 10). Plates should be a maximum of 15
cm wide x 22 cm long for a full page, orcolumn size,
with 7,2 cm wide and 22 cm long. The resolution for
grayscale images should be 600 dpi.
In the text, figures should be cited according
to the following examples:
“It is made obvious by the analysis of Figures
25 and 26....”
“Lindman (Figure 3) outlined the following
characters for the species...”
After adding modifications and corrections
suggested by the two reviewers, the author should
submit the final version of the manuscript
electronically plus two printed copies.
SciELO/JBRJ
_2 13 14 15 16 17
I
cm 1234
SciELO/JBRJ
RODRIGUÉSIA
Revista do Jardim Botânico do Rio de Janeiro
Volume 57 Número 3 2006
IV Jt
mm-
JARDIM BOTÂNICO
DORIO DEJANEIRO
SciELO/JBRJ
cm ..
INSTITUTO DE PESQUISAS
JARDIM BOTÂNICO DO RIO DE JANEIRO
Rua Jardim Botânico 1008 - Jardim Botânico - Rio de Janeiro - RJ - Tel.: 3204-2519 - CEP 22460-180
© JBRJ
ISSN 0370-6583
Indexação:
e-Joumals
Index of Botanical Publications (Harvard University Herbaria)
Latindex
Referativnyi Zhumal
Review of Plant Pathology
Ulrich’s International Periodicals Directory
Edição eletrônica:
www.jbrj .gov.br
Presidência da República
LUIS INÁCIO LULA DA SILVA
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MARINA SILVA
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Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro
LISZT VIEIRA
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Mareia de Fatima Inácio Freire, JBRJ
Montserrat Rios Almeida, Herbário de Etnobotánica y
Botânica Económica dei Ecuador, Universidad San Francisco
de Quito (QUSF), Equador
Ricardo Cardoso Vieira, UFRJ
Tania Sampaio Pereira, JBRJ
Rodriguésia
A Revista Rodriguésia publica artigos e notas
científicas em todas as áreas da Biologia Vegetal, bem
como em História da Botânica e atividades ligadas a
Jardins Botânicos.
Ficha catalográflca:
Rodriguésia: revista do Jardim Botânico do Rio de Janeiro.
“ Vol;* 1> n-' (1935) - .- Rio de Janeiro: Instituto de
Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro, 1 935-
v. : il. ; 28 cm.
Quadrimestral
Inclui resumos em português e inglês
ISSN 0370-6583
1 . Botamca I. Instituto de Pesquisas Jardim Botânico
do Rio de Janeiro
CDD - 580
CDU - 58(01)
Editoração
Carla Molinari
Simone Bittencourt
Edição on-line
Renato M. A. Pizarro Drummond
Secretária
Georgina M. Macedo
SciELO/ JBRJ
2 13 14 15 16 17 18
Apresentação
©honrou-me sobremaneira, o convite do Corpo Editorial da Revista Rodriguésia,
para que colaborasse, como apresentador, em número especial deste conceituado periódico.
Para tanto, preparei breves apontamentos silvo-primatológicos, com o intuito de chamar a
atenção para o importante trabalho de biologia da conservação apresentado nos 1 7 artigos
científicos deste fascículo. A publicação destes manuscritos representa a etapa inicial de tarefas
conservacionistas a serem extrapoladas na natureza. Assim, realizaram-se levantamentos
taxonômicos e diversas outras pesquisas de campo de base ecologica, sobre a flora e a vegetação
da Reserva Biológica de Poço das Antas, atividades em prosseguimento para a obtenção do
máximo de informações necessárias a realização das complexas, difíceis e demoradas tarefas
conservacionistas para melhorar as condições ecológicas dos ecossistemas degradados dessa
reserva, situada no município de Silva Jardim, estado do Rio de Janeiro.
Congratulo os idealizadores da nobre iniciativa, notadamente as instituições e os
cientistas que participam desse importante trabalho de ecologia aplicada, que pretende, pelo
menos em parte, salvar algo da outrora riquíssima diversidade biológica regional, numa
demonstração altruística de melhorar a situação da natureza no lugar. Considere-se, contudo,
que as tarefas de restauração de ecossistemas naturais antropicamente alterados são muito
difíceis, exigindo bom conhecimento de ecologia, notadamente quando da aplicabilidade de
dados obtidos na natureza, momento que requer dos participantes experiência, criatividade
e paciência. Seja como for, ao grupo de pesquisadores do J B RJ ja e creditado o início auspicioso
de bons trabalhos de campo e de levantamento bibliográfico, tudo indicando desenvolvimento
pragmático do projeto, que já acumula razoável quantidade de dados originais, prontos
para serem analisados e aplicados nas condições naturais, segundo as diretrizes no projeto
de recuperação ecológica dessa Reserva. Nesta fase preliminar de abordagens, basicamente
de índole botânica, como levantamentos taxonômicos, mapeamentos, análise da situação
de espécies arbóreas in s/fu, notadamente fruteiras nativas para alimentação principalmente
dos micos-leões, indicação de plantas raras ou em perigo de extinção, levantamento de
formações epifíticas correlacionadas à fauna fitotelmata, indispensável ao processo alimentar
dos símios, além de diversos outros aspectos cujo resultado objetiva manter um razoável
equilíbrio ecológico, considerando a salvaguarda do mico-leão dourado ( Leontopithecus
rosa/ía) e de todas as outras espécies da biota selvagem na área da Reserva.
A salvaguarda da riquíssima herança natural brasileira, indispensável ao
desenvolvimento da Ciência, e a uma vivência satisfatória do nosso povo, vai depender
do que realizarmos em prol desse patrimônio ímpar. Por conseguinte, tudo deve ser feito
para que herança de tamanha magnitude não seja perdida, protegendo-a em amplas
Unidades de Conservação (UCs), criteriosamente planejadas, especialmente em Reservas
Biológicas realistas. Qual o futuro de uma dada biota selvagem a ser preservada em
ínfimas áreas mal planejados? Sabe-se que a maioria das UCs situadas na area da Mata
Atlântica está em situação insustentável e sequer dispõe das condições indispensáveis a
manutenção da sua própria biota selvagem em equilíbrio. Em nenhuma delas se tem
procurado melhorar as condições ecológicas da área ou colaborar com a natureza através
de reintroduções e repovoamentos das espécies desaparecidas de plantas e animais,
pelo menos das formas mais importantes.
SciELO/JBRJ
13 14
Nos idos de 1950-60, existiam pessoas, com razoável nível cultural, que ainda
ignoravam a importância dos primatas não-humanos na pesquisa científica, especialmente
na biomedicina, farmacologia e etologia. Os primatas, em geral, pela afinidade genética
com a espécie humana, são modelos indispensáveis às investigações e estudos científicos,
que visam a saúde e o bem estar do primata humano. Por essa razão, diversas espécies de
macacos e saguis são procuradas por institutos de pesquisa e cientistas, que as utilizam em
estudos e indagações, notadamente no campo da medicina humana. Este fato obriga a
captura, em larga escala, de determinadas especies, que são exportadas de países tropicais
para instituições científicas e jardins zoológicos de todo mundo. Tempos atrás, o Brasil já
exportara macacos para serem utilizados na pesquisa científica, agora, porém, é proibido o
comércio de animais selvagens, embora o mal causado tenha feito seu estrago, hoje com
muitas espécies brasileiras em perigo de extinção. Todavia, situações realmente graves ocorrem
em países tropicais na África, no sudeste asiático e na Indonésia. Além da lesiva caça dita de
subsistência, que aos poucos elimina diversos animais, macacos raros inclusive, os símios
estão perdendo seus hábitats devido à insensata destruição das florestas tropicais.
Como exemplo, a deterioração dos ecossistemas naturais no hábitat do mico-leão
dourado foi o que motivou a idéia da proposta de se efetivar cuidadoso programa científico-
conservacionista, tendo em vista a restauração ecológico-florestal dessa UC, que futuramente
deverá ser avaliada de modo altamente positivo, porque são raríssimos os trabalhos desse
tipo. Imediatamente após estabelecida, as sucessivas administrações dessa Reserva sempre
demonstraram intensa atividade primatológico-conservacionista, havendo, inclusive, a
participação de renomados cientistas estrangeiros, além de grupos dedicados à educação
ambiental na região. Essa dedicação ao trabalho na Reserva desde seus primórdios acabou
sendo reconhecida, passando a REBIO, em 1990, a receber reforço financeiro do Programa
Internacional de Cooperação para Conservação do Mico-Leão Dourado, organizado pelo
National Zoological Park (Smithsonian Institution), o IBAMA e outras instituições nacionais e
estrangeiras. Sempre que necessário, a Reserva recebe colaboração médico-veterinária do
CPRJ. Todas iniciativas cientificas e administrativas na reserva são supervisionadas pelo Comitê
de Cooperação Internacional de Pesquisa e Manejo, inclusive com a participação do IBAMA,
através de seus Comitês de Recuperação e Manejo, especificamente instituídos para cada
espécie de mico-leão.
Nos idos de 1 950-60, o controle das ações destrutivas contra as florestas do estado
era realmente desalentador, sendo visível, sob todos aspectos, a deficiência das autoridades
responsáveis pela proibição das ações ilegais nos desmatamentos e na fiscalização contra
a caça e o comércio ilegal de espécimes da fauna selvagem. Até poucos decênios atrás,
indivíduos de mico-leão dourado eram capturados e negociados a preços irrisórios nas
vizinhanças da cidade do Rio de Janeiro. A distribuição geográfica original do mico-leão
dourado abrangia formações silvestres na Baixada Fluminense, onde ainda eram observados
com relativa facilidade nas melhores matas. Hoje, a população in s/tu do sauí-piranga
acha-se muito reduzida e em real perigo. Há decênios já vinha causando preocupação
internacional o possível desaparecimento desse símio carismático, considerado símbolo da
preservação da fauna brasileira.
Até por volta de 1 945, o sauí-piranga ainda devia ser encontrado na parte ocidental
da Baixada Fluminense, embora nessa parte de estado sua população já estivesse assaz
reduzida, mas, existiria em fragmentos secundários de Mata Atlântica de baixada no
SciELO/ JBRJ,
13 14
município de Itaguaí, onde, em 1942, observei três indivíduos adultos em trecho de mata
ripária alterada no rio Itaguaí, hoje retificado em canal de mesmo nome. Naquela época,
a existência do sauí-piranga na região não era novidade, porque Johann Natterer, ilustre
zoólogo austríaco, em viagem para Sepetiba, em meados do século XIX, registrara a espécie
na Pedra Piai, proximidades da Barra de Guaratiba. Constata-se, assim, a existência deste
hoje raro símio naquela parte do estado, possivelmente até meados da década de 1 940,
portanto passado relativamente recente.
Originalmente, este mico-leão habitava matas primitivas de restinga e de baixadas,
ricas em Tabebuia cassinoides, e com muito epifitismo, matas pluvisilvae de encostas e morros
de até ca. 300 m. Decênios passados, os sauís eram comuns na Reserva, inclusive em vários
trechos encharcados, com grandes guanandís, hoje derrubados e na sua quase totalidade
transformados em moirões e dormentes. As essências florestais de melhor qualidade são
agora muito escassas, embora possa ser visto um ou outro indivíduo jovem, cujo porte depende
da idade, do lugar e da qualidade do solo. Em meados da década de 1950, chamou-nos
atenção na Reserva o porte dos vinháticos ( Plafymenia foliol osa), indivíduos altos e bem
formados, perfeitos sob o ponto de vista silvicultural. Apesar de suas alturas não terem sido
medidas, certamente ultrapassariam os 20-25 m, porém, os diâmetros de espécimes maiores
mediram 0,60-0,80 m. Foram vistas outras árvores grandes, hoje desaparecidas, derrubadas
ainda naqueles tempos, ocasião em que ocorriam derrubadas seletivas, podendo-se afirmar
que as matas de Poço das Antas e terras vizinhas há séculos sofreram sucessivos cortes
seletivos, quase sempre seguidos de queimadas. Naqueles tempos, observaram-se belas
concentrações naturais de Symphonia globulifera, exemplares isolados de Cbloropbora
tictorea, muitos exemplares de Tapirira guianensis e Calophyllum brasiliense, alguns indivíduos
de bom tamanho de Genipa americana, algumas espécies de Fícus e Inga e outras árvores
maiores. Tratava-se, portanto, de uma área importante para os micos, e naquela ocasião
ainda se mostrando significativa naquela parte do hábitat natural do saui-piranga, hoje,
porém, praticamente eliminada.
Tendo realizado, no tempo e no espaço, muitas excursões ao lugar, não é difícil
para mim, constatar tristemente como piorou demasiado a vegetação, hoje totalmente
descaracterizada sob o aspecto estrutural e florístico. Também ocorreu a eliminação drástica
de matas naturais mais velhas do lugar, que, na realidade não eram tão idosas, pois
naquelas terras úmidas existiam belos grupos de Symphonia globulifera. Onde ocorria
uma dessas formações mais vigorosas, hoje encontra-se ampla comunidade graminóide,
inclusive com capins africanos, os quais, secos, são um sério perigo à mata que margeia
esse capinzal, devido às frequentes queimadas, certamente criminosas. Avalie-se, por
exemplo, a quantidade de biomassa e sais minerais, inclusive oligoelementos, que há séculos
retirados dos solos da reserva, que saíram com os enormes madeiros, postes, dormentes e
lenha, e até hoje nada fora reincorporado àqueles solos. E por esse motivo, que muitas
fruteiras silvestres apresentam para a fauna nesses lugares frutificações de tão baixa
produção, notadamente frutos que não se desenvolvem.
Trabalho de tamanha envergadura que pretende ser concretizado pela equipe do
JBRJ é realmente difícil, principalmente porque não há mais na região um modelo original a
ser levantado sob aspecto taxonômico, estudado ecologicamente, copiado e extrapolado em
trabalho a ser realizado, sem se preocupar com o tempo que demandará para a natureza
se encarregar de corrigir, arrumando as coisas, como por exemplo aconteceu com os
SciELO/JBRJ,
13 14
cm ..
reflorestamentos do Major Archer na Tijuca e em diversos outros lugares observados. Pelos
artigos apresentados neste volume, constata-se que a equipe do JBRJ se empenhou nos
levantamentos de campo, dedicando-se também a outros estudos. Infere-se, porém, que
deverá ser imperiosa a necessidade de se adotar certos procedimentos agronômicos em
casos comprovados de espécies selvagens legalmente cultivadas. É o caso dos palmitais de
Euterpe edulis, poucos decênios atrás ainda vistos fragmentados e ralos e ogora com
poucos exemplares na área da Reserva. Por que não plantá-los em pequenas concentrações
imitando palmitais nativos em lugares úmidos adequados, iniciativa que certamente irá
favorecer numerosas espécies da fauna? O mesmo deve ser realizado com Syagrus
romanzoffiana, palmeira considerada uma das mais importantes fruteiras da região. Através
da criatividade é possível idealizar iniciativas conservacionistas importantes, como, por
exemplo, a translocação de ecossistemas epifíticos integrais, de árvores idosas fora da
reserva para outras árvores similares no seu interior. Conhecendo-se a importância da
fauna fitotelmata no processo alimentar dos sauís a idéia é significativa, porque nesses
micro-ecossistemas os micos encontram muitas de suas presas prediletas, sendo lugares
de grande valor e significado ecológico.
Há muitos anos vêm sendo realizadas atividades várias em prol da sobrevivência
do mico-leão dourado na Reserva, embora ainda sejam necessárias outras iniciativas visando
a restauração ecológica das áreas degradadas. Justamente este aspecto é que pode
representar uma das maiores ameaças à sobrevivência do sauí-piranga, porque, além da
Reserva ter área restrita, apenas sua metade é coberta por floresta. Aí se concentra a
maior parte dos sauís, que procuram, nos melhores trechos dessas matinhas, suas presas
prediletas, sobre as quais exercem intensa pressão de predação. Como não se conhece o
potencial reprodutivo dessas suas presas mais apreciadas, principalmente pequenas
lagartixas ebatraquios, sendo provável que em pouco tempo os sauís os eliminem da
Reserva, da, a importância de ser ampliada a mata e as comunidades epifíticas, bromélias
em especial. Também sena previdente a aquisição de área na região ocidental do estado
do Rio de Jane.ro, onde a espécie somente desapareceu há poucos decênios, para ali
estabelecer reserva biologica destinada à formação de uma subpopulação da espécie A
mic, ativa é pragmatica, porque irá ampliar a variabilidade genética da metapopulação
tornando-a mais segura a longo prazo, uma vez que as duas reservas existentes para ó
mico-leao dourado são precárias em termos de preservação deste primata
A Pr°P°s>t° da restauração ecológica dessa REBIO, existem diversas iniciativas
florestais, técnicas e métodos apropriados à recuperação de áreas parcialmente arenosas
turfosas e um, das do tipo das que se observam na Reserva. Unindo competência, experiência
e criatividade, esse tipo de trabalho pode ser perfeitamente exequível, porque as alternativas
sao amplas e gradativamente vão sendo encontradas as metodologias mais apropriadas ao
lugar. Acrescenta-se que sempre e preferível espécies nativas da região para concretização
mais facil dos traba hos de restauração ecológico-florestal, não esquecendo que essa etapa
e apenas uma das fases iniciais do processo de restauração.
Adelmar F. Coimbra-Filho
Da Academia Brasileira de Ciência s
SciELO/ JBRJ
13 14 15 16 17 18
SUMÁRIO/CONTENTS
Caracterização fisionômico- florística e mapeamento da vegetação da Reserva Biológica de Poço
das Antas, Silva Jardim, Rio de Janeiro, Brasil / Physiognomic-floristic characteristics and
vegetation map of THE Poço das Antas Biological Reserve, Silva Jardim, Rio de Janeiro, Brazil
Haroldo C. de Lima, Solange de V. A. Pessoa, Rejan R. Guedes-Bruni,
Luis Fernando D. Moraes, Sérgio V. Granzotto, Shoji Iwamoto & Jorge Di Ciero
Análise estrutural da vegetação arbórea em três fragmentos florestais na Reserva Biológica de
Poço das Antas, Rio de Janeiro, Brasil / Structural analysis of woody vegetation in three
FOREST FRAGMENTS IN POÇO DAS ANTAS BlOLOGICAL RESERVE, RiO DE JANEIRO, BrAZIL
Solange de V A. Pessoa & Rogério R. de Oliveira
Composição florIstica e estrutura de trecho de Floresta Ombrófila Densa Atlântica aluvial na
Reserva Biológica de Poço das Antas, Silva Jardim, Rio de Janeiro, Brasil / Floristics and
STRUCTURE OF THE CANOPY OF AN ALLUVIAL FOREST IN RlO DE JANEIRO
Rejan R. Guedes-Bruni, Sebastião José da Silva Neto, Marli P Morim & WaldirMantovani....
Composição florística e estrutura de dossel em trecho de floresta ombrófila densa atlântica
SOBRE MORROTE MAMELONAR NA RESERVA BlOLÓGICA DE POÇO DAS ANTAS, SlLVA JARDIM, RlO DE
Janeiro, Brasil / Floristics and structure of the forest canopy on hillocks in the
LOWLANDS, RlO DE JANEIRO
Rejan R. Guedes-Bruni, Sebastião José da Silva Neto, Marli R Morim & Waldir Mantovani ....
Tendências ecológicas na anatomia da madeira de espécies da comunidade arbórea da Reserva
Biológica de Poço das Antas, Rio de Janeiro, Brasil / Ecological trends in wood
ANATOMY OF TREE SPECIES AT RESERVA BlOLÓGICA DE POÇO DAS ANTAS, RlO DE JANEIRO, BRAZIL
Claudia Franca Barros, Micheline Leite Marcon-Ferreira, Cátia Henriques Callado,
Helena Regina Pinto Lima, Maura da Cunha, OsnirMarquete& Cecília Gonçalves Costa ....
Aporte de serrapilheira ao solo em estágios sucessionais florestais na Reserva Biológica de
Poço das Antas, Rio de Janeiro, Brasil / Litter-fall input on sucessionals forests gaps of
TEMPORAL FITOFISIONOMS ON BlOLOGICAL RESERVE OF POÇO DAS ANTAS, RlO DE JANEIRO, BRAZIL
Jose Henrique Cerqueira Barbosa & Sérgio Miana de Faria
Plantio de espécies arbóreas nativas para a restauração ecológica na Reserva Biológica de Poço
das Antas, Rio de Janeiro, Brasil / Native tree species planting for restoration at Poço das
Antas Biological Reserve, Rio de Janeiro, Brazil
Luiz Fernando Duarte de Moraes, José Maria Assumpção, Cíntia Luchiari &
Tânia Sampaio Pereira
Plant community structure and function in a swamp forest within the Atlantic rain forest
COMPLEX: A SYNTHESIS / ESTRUTURA E FUNCIONAMENTO DA COMUNIDADE VEGETAL DE UM PÂNTANO
NO DOMÍNIO DO COMPLEXO DA FLORESTA PLUVIAL ATLÂNTICA: UMA SÍNTESE
Fabio Rubio Scarano
Estrutura da comunidade arbórea da floresta atlântica de baixada periodicamente inundada na
Reserva Biológica de Poço das Antas, Rio de Janeiro, Brasil / Tree community structure
OF A LOWLAND SEASONALLY FLOODED ATLANTIC FOREST AT POÇO DAS ANTAS BlOLOGICAL RESERVE,
Rio de Janeiro, Brazil
Fabrício Alvim Carvalho, Marcelo Trindade Nascimento, João Marcelo Alvarenga Braga &
Pablo José Francisco Pena Rodrigues
369
391
413
429
443
461
477
491
503
SciELO/ JBRJ
2 13 14 15 16 17 lí
cm ±
USO DE RECURSOS VEGETAIS EM COMUNIDADES RURAIS LIMÍTROFES À RESERVA BlOLÓGICA DE POÇO DAS
Antas, Silva Jardim, Rio de Janeiro: estudo de caso na Gleba Aldeia Velha / The use of
PLANT RESOURCES IN TRADITIONAL COMMUNITIES CLOSE TO THE RESERVA BlOLÓGICA DE POÇO DAS
Antas, Silva Jardim, Rio de Janeiro: A case study in the Gleba Aldeia Velha
Alexandre Gabriel Christo, Rejan R. Guedes-Bruni& Viviane S. da Fonseca-Kruel 519
Lauraceae na Reserva Biológica de Poço das Antas, Silva Jardim, Rio de Janeiro, Brasil /
LAURACEAE OF THE BlOLOGICAL RESERVE OF POÇO DAS ANTAS, SlLVA JARDIM, RiO DE JANEIRO, BraZIL
Alexandre Quinet 543
PlPERACEAE NA RESERVA BlOLÓGICA DE POÇO DAS ANTAS, SlLVA JARDIM, RiO DE JANEIRO, BRASIL /
PlPERACEAE OF THE BlOLOGICAL RESERVE OF POÇO DAS ANTAS, SlLVA JARDIM, RiO DE JANEIRO, BRAZIL
Elsie Franklin Guimarães & Daniele Monteiro 569
Melastomataceae na Reserva Biológica de Poço das Antas, Silva Jardim, Rio de Janeiro, Brasil:
ASPECTOS FLORÍSTICOS E TAXONÔMICOS / MELASTOMATACEAE IN RESERVA BlOLÓGICA DE POÇO DAS
Antas, Silva Jardim, Rio de Janeiro, Brazil: floristic and taxonomic aspects
José Fernando A. Baumgratz, Maria Leonor D'EI Rei Souza, Danielle Carvas Carraça &
Bianca de Andrade Abbas 591
Smilacaceae na Reserva Biológica de Poço das Antas, Silva Jardim, Rio de Janeiro, Brasil /
SmILACACEAE IN THE BlOLOGICAL RESERVE OF POÇO DAS ANTAS, RiO DE JANEIRO, BRAZIL
Regina Helena Potsch Andreata 647
VOCHYSIACEAE NA RESERVA BlOLÓGICA DE POÇO DAS AnTAS, SlLVA JARDIM, RiO DE JANEIRO, BRASIL /
VOCHYSIACEAE IN BlOLOGICAL RESERVE OF POÇO DAS ANTAS, SlLVA JARDIM, RiO DE JANEIRO, BRAZIL
Maria Célia Vianna 659
SciELO/ JBRJ
12 13 14 15 16 17
cm
Caracterização fisionômico-florística e mapeamento da
VEGETAÇÃO DA RESERVA BlOLÓGICA DE POÇO DAS ANTAS,
Silva Jardim, Rio de Janeiro, Brasil
Haroldo C. de Lima', Solange de V. A. Pessoa',
Rejan R. Guedes-Bruni' , Lins Fernando D. Moraes* 2,
Sérgio V. Granzotto', Shoji Iwamoto' & Jorge Di Ciero'
Resumo
(Caracterização fisionômico- floristica e mapeamento da vegetação da Reserva Biológica de Poço das Antas,
Silva Jardim, Rio de Janeiro, Brasil) Os tipos de vegetação ocorrentes na área da Reserva Biológica de Poço
das Antas, estado do Rio de Janeiro, Brasil (22°30’ e 22°33’S; 42°1 5’ e 42°19’ W) foram identificados, descritos
e mapeados. Foram identificadas seis unidades fisionômicas, sendo duas florestais (floresta aluvial e floresta
submontana) e quatro não florestais (formação pioneira com influência fluvial, capoeira aluvial, capoeira
submontana e campo antrópico). As características fisionômicas e florísticas mais relevantes de cada unidade
foram descritas e discutidas com base na análise comparativa entre as seis unidades fisionômicas e com
outros trechos de mata atlântica. O mapeamento foi realizado com emprego de fotointcrprctaçâo analógica,
em escala de 1:20.000. Na avaliação da cobertura vegetal atual foram estimados 2.608 hectares de
remanescentes florestais em variados estados de preservação (floresta aluvial - 1 7,9% e floresta submontana
- 34,3%), indicando a expressiva representatividade de formações não florestais com influência fluvial
(20,0%) ou antrópica (27,9%).
Palavras-chave: mapa de vegetação, mata atlântica, composição floristica, fito-fisionomia
Abstract
(Physiognomic-floristic characteristics and vegetation map ofthe Poço das Antas Biological Reserve, Silva
Jardim, Rio de Janeiro, Brazil) Six vegetation types are described for Poço das Antas Biological Reserve, Rio
de Janeiro State, Brazil (22°30’ e 22°33’S; 42°15’ e 42°19’W). Two forest formations (alluvial forest and
submontane forest) and four non-forest formations (fluvial pioneer, alluvial scrub, submontane scrub and
manmadc grasslands) wcre identified. Relevant floristic and physiognomic characteristics of each unit are
described and compared to analogous Atlantic Rain Forest formations. The vegetation was mapped using
analog photo interpretation on a scale of 1 :20,000. An estimated 2,608 ha of forest remnants in various States
of preservation wcre detected (alluvial forest - 17.9%; submontane forest- 34.3%), plus a significant
representation of non-forest formations with fluvial influcnce (20.0%) and manmade interference (27.9%).
Key words: vegetation map, Atlantic Forest, floristic composition, physiognomy.
Introdução
No estado do Rio de Janeiro a planície
costeira é caracterizada por uma grande
heterogeneidade da paisagem, possivelmente
em muito influenciada por fatores físicos como
variações na topografia - morros, colinas e
planícies bem como no regime de inundação do
solo. Estes ambientes distintos, capacitados a
abrigarem populações de diferentes espécies,
através do seu componente vegetal,
responderiam por esta heterogeneidade,
resultando, por sua vez, num mosaico
vegetacional com alta diversidade e
heterogeneidade floristica (Guedes-Bruni 1998).
Embora muito pouco se conheça sobre a
cobertura vegetal original da bacia do Rio São
João, pode-se admitir que a região ostentava
exuberante floresta (IBDF/FBCN 1981). Um
antigo relato do início do século XIX menciona
que as ribanceiras estavam “bastante cobertas
de arvoredo” (Luccock 1 95 1 ). E provável que
esta vegetação original tenha permanecido
Artigo recebido em 1 1/2005. Aceito para publicação em 05/2006.
'Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Rua Pacheco Leão 915, 22460-030, Rio de Janeiro, RJ, Brasil.
hlima@jbij.gov.br
2Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis.
SciELO/JBRJ
2 13 14 15 16 17 18
370
Lima. H. C. et al.
pouco alterada até cerca da metade do século
XX (Lamego 1946), quando tem início a
destruição de amplos trechos de floresta nos
morros e nas planícies. Atualmente são raros
os trechos com vegetação natural, que em
contraste com grandes áreas alteradas, são
testemunhos da drástica destruição pelas
atividades antrópicas.
A Reserva Biológica de Poço das Antas
apresenta hoje um aspecto fitofísionômico
bastante empobrecido quanto a sua cobertura
vegetal primitiva. A ação antrópica,
principalmente pela exploração seletiva de
essências florestais e pelo fogo, além da
drenagem artificial e retificação dos rios,
contribuiu para o desaparecimento de amplos
trechos de formações florestais, sobretudo, nas
planícies de inundação. No mapeamento da
vegetação e análise dos aspectos florísticos
realizados no final da década de 70 (Carauta
et al. 1978), a cobertura vegetal da área foi
reconhecida como, em geral, secundária e os
remanescentes classificados como floresta
pluvial. Posteriormente, na diagnose elaborada
para subsidiar o plano de manejo (IBDF/
FBCN 1981) foram reconhecidos e descritos
quatro tipos de vegetação (florestal,
campestre, brejal e aquático) existentes nesta
unidade de conservação. Entretanto, face às
mudanças ocorridas na área, particularmente
em decorrência dos freqüentes incêndios
ocorridos nos últimos anos, há necessidade de
uma urgente reavaliação.
Em decorrência desta situação, toma-se
imperativa a atualização de dados sobre a
vegetação desta unidade de conservação,
prioritariamente no que concerne a sua
natureza e extensão. Estas informações são
imprescindíveis ao adequado manejo e
implementação de ações de restauração
ecológica das áreas degradadas. São ainda
urgentes para apoiar estratégias para
estabelecimento de medidas efetivas de
proteção das áreas naturais remanescentes.
Vale ressaltar que estudos desta natureza têm
se mostrado ferramentas fundamentais para
integrar diferentes disciplinas relacionadas à
análise ambiental, principalmente para subsidiar
o manejo em unidades de conservação (Noffs
& Baptista-Noffs 1982;01iveira& Porto 1999;
Cardoso-Leite et al. 2005).
Tendo em vista tratar-se de um dos
últimos remanescentes de formação florestal
de planície costeira no estado do Rio de
Janeiro, embora já bastante fragmentada,
foram implementados estudos no sentido de
levantar dados para a caracterização
fisionômico-florística das áreas ocupadas
pelos diversos tipos de cobertura vegetal,
incluindo as áreas degradadas. Neste contexto,
considerando ainda a necessidade urgente de
um documento norteador das ações de
proteção e manejo, priorizou-se a geração de
um mapa temático que pudesse auxiliar: (1)
na definição de áreas prioritárias para estudo;
(2) na implantação de modelos para expansão
de áreas florestadas ou mesmo de seu
enriquecimento; (3) no monitoramento de
processos que decorram em futuras, e nem
sempre improváveis, modificações de sua
paisagem, sobretudo em decorrência do fogo.
Material e Métodos
r
Area de estudo - Reserva Biológica de
Poço das Antas (Rebio)
A Rebio encontra-se localizada
politicamente na região das baixadas litorâneas
do estado do Rio de Janeiro, no município de
Silva Jardim, e geograficamente em extensa
planície na região central do estado, outrora
designada baixada de Araruama (22°30’ e
22°33 S; 42° 1 5’ e 42° 1 9’ W), sob influência direta
da bacia hidrográfica do rio São João e com área
aproximada de 5.000 hectares (Fig. 1). Criada
pelo Decreto n° 73.791 de 11.03.1974 (IBDF/
FBCN 1981) a área da Rebio foi, no passado,
como as demais áreas da bacia do rio São João,
explorada pela retirada de madeira, implantação
de atividades agrícolas, bem como pecuária
(Cunha 1995, Primo & Volcker 2003).
As manchas de floresta remanescentes
são resultantes dos processos sucessionais que
ali se deram, em diferentes épocas e distintos
usos do solo, por ocasião da expansão agrícola
que ocorreu ao norte do Rio de Janeiro. Não só
Rodriguêsia 57 (3): 369-389. 2006
SciELO/ JBRJ
2 13 14
Rebio de Poço das Antas: Fisionomia, florística e mapeamento da vegetação
371
a construção da ferrovia Estrada de Ferro
Leopoldina, ligando o norte do estado à cidade
do Rio de Janeiro, interferiu na paisagem local
como o aumento da exploração de madeira, para
abastecimento das fornalhas das locomotivas,
acentuaram a supressão da floresta.
A construção da represa de Jutumaíba,
por sua vez, ainda que situada em área
limítrofe, na sua porção sudeste, promoveu
forte impacto sobre a cobertura vegetal da
Rebio. A obra foi iniciada no final da década
de 70 e concluída em 1984. As mudanças na
altura do lençol freático, bem como as
sucessivas retificações do canal do rio São
João foram as que mais interferiram sobre o
ambiente biofísico (Cunha 1995).
A cobertura vegetal atual da Rebio, embora
nitidamente fragmentada, representa um
significativo remanescente florestal de baixada
do estado do Rio de Janeiro, não só pelos
elementos típicos à esta fisionomia vegetal, como
também por abrigar populações do mico-leâo-
dourado (Leonthopithecus rosalia rosalia L.),
espécie ameaçada de extinção (Guedes-Bruni
1998). As populações desta espécie presentes
na Rebio dependem intimamente da ampliação
de áreas de floresta, seja por processos naturais,
seja por ações orientadas de restauração
ecológica, como as implementadas pelo
Programa Mata Atlântica do Jardim Botânico
do Rio de Janeiro desde 1993.
A topografia é predominantemente de
planície, com a presença de morros e morrotes
de perfis arredondados, também chamados de
meias-laranjas ou mamelonares, com alturas
que variam de 19 a 200 metros, e que são
separados por várzeas de fundo achatado e
alagadiças (Figs. 2 e 3) (IBDF/FBCN 1981).
Takizawa (1995) reconheceu sete
compartimentos geomorfológicos na Rebio:
Brasil
vr
2l
t
0 6 10
I I 1
Quilómetro*
Mapa «labora do a partir d« !>«»•* cartogrtflca* da ANEEL, IBAMA « EMBRAPA por'
Leonardo GnaBall d« M#lln Campot - Cenlro d« liitonnaçAea ■ Swvtço* da Mala Atlântlea - CISMA
InaMulo de Peaquiaae Jardim Botânico do Rio d» Janeiro
Figura I - LocalizaçSo geográfica da Reserva Biológica de Poço das Antas, Silva Jardim, Rio de Janeiro.
Rodriguésia 57 (3): 369-389. 2006
SciELO/JBRJ
2 13 14 15 16 17 18
cm
372
faixa meândrica, várzea interna, várzea
externa, alvéolos, morrotes baixos, morrotes
altos e morros. O rio São João é o principal
curso d’água da Rebio e seus afluentes
(Aldeia Velha, Preto e Iguapé) percorrem
grande parte da Reserva, inundando as áreas
de várzea.
Os limites da Rebio encontram-se em
pleno domínio das planícies terciárias e
quaternárias, ocorrendo rochas datadas do
Lima, H. C. et al.
Pré-Cambriano, bem como rochas típicas do
Complexo do Litoral Fluminense (IBDF/
FBCN 1981).
As classes de solos (EMBRAPA 1999)
estão distribuídas basicamente entre os solos
de elevações, que são os Argissolos e os
Cambissolos; e os solos de várzea, que são os
Gleissolos, os Neossolos Flúvicos e os
Organossolos. Ocorre um predomínio de solos
álicos e, à exceção dos Neossolos Flúvicos e
Figur* 2 - Vista geral de trecho com morros e morrotes de perfis arredondados na Reserva Biológica de Poço das Antas
Silva Jardim, Rio de Janeiro. T ’
Rodriguésia 57 (3): 369-389. 2006
SciELO/JBRJ
2 13 14 15 16 17 18
Rebio de Poço das Antas: Fisionomia, florística e mapeamento da vegetação
373
dos Organossolos, os demais possuem textura
argilosa (Takizawa 1995).
O clima regional é do tipo megatérmico
úmido (B2A’) na classificação de Thomthwaite
& Mather, correspondendo à designação de
tropical chuvoso com estação seca no inverno
(As) de Kõeppen (Bernardes 1952). O
diagrama ombrotérmico referente ao período
de janeiro de 1 993 a dezembro de 2002 (Fig. 4)
assinala os meses de junho a agosto como
representantes do período menos chuvoso e de
temperaturas menos elevadas, correspondendo
os meses de novembro a março ao período mais
chuvoso e de maiores temperaturas. Os demais
meses representam situações intermediárias
entre os dois períodos (Pessoa 2003).
Neste intervalo de dez anos, a
temperatura média anual foi de 25,5°C, sendo
registrada no mês de julho a temperatura média
mais baixa de 21,8°C e a maior temperatura
média durante os meses de janeiro e fevereiro
(29°C). Em relação à precipitação, foi
observado no período um valor médio anual
de 1994,9 mm, correspondendo ao mês de
dezembro o maior índice (320 mm) e o menor
valor (38,9 mm) ao mês de julho.
Caracterização fisionômico-florística
Unidades fisionômicas
Para os estudos sobre a vegetação foi
adotado o sistema de classificação
fisionómico-ecológico proposto por Veloso &
Goes-Filho ( 1 982), que também foi usado como
referência para o Mapa de Vegetação do
Brasil (IBGE 1992). De acordo com o sistema
e o mapa acima citados, a cobertura vegetal
da Rebio representa um trecho de Floresta
Ombrófila Densa. Este tipo de vegetação foi
subdividido em seis formações obedecendo a
uma hierarquia topográfica e fisionômica:
floresta aluvial, floresta submontana, formação
pioneira com influência fluvial, capoeira aluvial,
capoeira submontana e campo antrópico. Com
base nesta conceituação das formações, foram
realizados os estudos para reconhecimento,
delimitação, mapeamento e descrição das
unidades fisionômicas da cobertura vegetal da
I I Precipitação
—♦—Temperatura
mm °C
Figu ra 4 - Distribuição dos totais mensais de precipitação
e das temperaturas médias mensais, na série temporal de
1 993 a 2002 para a Reserva Biológica de Poço das Antas,
Silva Jardim, Rio de Janeiro.
Rebio. Em acréscimo ao sistema adotado, foi
considerado ainda uma terminologia própria
para o reconhecimento das áreas de vegetação
secundária em fases iniciais de regeneração.
Levantamento florístico
Para análise da composição florística das
diferentes fisionomias foram realizados
estudos de campo no período de 1993-1999,
efetuando-se o levantamento e a coleta de
material botânico das espécies mais
representativas de cada unidade fisionômica.
Foram também colhidas informações com
antigos moradores locais sobre os impactos
antrópicos na área e documentadas, por meio
de fotografia, as diferentes fisionomias naturais
e alteradas e as espécies mais representativas.
Dados complementares sobre a
composição florística foram obtidos nos
resultados dos estudos de campo dos vários
projetos desenvolvidos pelo Programa Mata
Atlântica (PMA) na Rebio. Os estudos sobre
estrutura e composição de trechos de floresta
aluvial e submontana utilizaram unidades
amostrais de 1 hectare, subdivididas em parcelas
de 25 x 50 m, onde foram inventariados os
indivíduos com diâmetro a altura do peito (DAP)
igual ou maior que 5 cm. Em trechos de
Rodriguésia 57 (3): 369-389. 2006
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2 13 14 15
374
Lima, H. C. et al.
vegetação arbustivo-herbácea, os estudos
utilizaram o método de pontos (Mantovani
1987). Estes dados estão armazenados no
Banco de Dados do PMA e atualmente
gerenciados pela equipe da Assessoria de
Informática e Geoprocessamento do Instituto
de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro.
Mapeamento
A metodologia do mapeamento da
cobertura vegetal teve por base a
fotointerpretação. Após o levantamento dos
recobrimentos aerofotogramétricos disponíveis
e a seleção dos mais adequados, optou-se pela
cobertura realizada em 1988 pela PROSPEC
S.A, com fotografias aéreas em escala
aproximada de 1 :20.000. A delimitação da área
da unidade de conservação foi realizada sobre
o foto-índice para identificação das fotografias
aéreas relevantes ao estudo.
O trabalho teve início com a delimitação
das áreas úteis de cada foto e a identificação
dos diferentes padrões de cobertura e uso do
solo em papel poliéster transparente, o que
resultou em um mapa preliminar na escala de
1:20.000. Posteriormente, o mosaico
aerofotogramétrico e o mapa base de
cobertura e uso do solo foram ampliados para
escala 1:10.000 para realizar a análise da
cobertura vegetal e uso do solo. As
características da paisagem analisadas para o
reconhecimento dos padrões de cobertura e
uso do solo foram: fisionomia, altimetria, regime
hídrico e grau de interferência antrópica.
Dados complementares referentes à
geomorfologia, geologia, declividade e solos
foram obtidos no Plano de Manejo (IBDF/
Tabela 1 - Área e percentual de cobertura
FBCN 1981) e no Levantamento Pedológico
e Zoneamento Ambiental (Takizawa 1 995) da
Rebio. As bases cartográficas complementares
utilizadas foram as folhas topográficas do
IBGE na escala de 1 :50.000 (SF-23-Z-B-VI-
1 - Silva Jardim; SF-23-Z-B-VI-2 - Morro
de São João; SF-23-Z-B-III-3 - Quartéis).
Após a definição das diferentes unidades
fisionômicas, foram realizados estudos para
correlação de campo, revisão dos limites das
unidades de cobertura vegetal, confecção do
mapa final (Anexo 1) e quantificação das
áreas mapeadas segundo as unidades de
legenda (Tab. 1).
Resultados e Discussão
A paisagem atual na Rebio está
representada por áreas de cobertura vegetal
natural ou antrópica, cujas fisionomias de
modo geral refletem, algumas mais outras
menos, os processos antrópicos decorrentes
de épocas pretéritas. De modo geral, esta
situação é muito semelhante àquela já descrita
por Carauta et al. (1978) e IBDF/FBCN
(1981), principalmente em relação as
mudanças promovidas pelos impactos da
construção da Represa de Jutumaiba,
Embora situada na região fitoecológica
da Floresta Ombrófíla Densa (Veloso & Goes-
Filho 1982; IBGE 1992), a cobertura vegetal
desta unidade de conservação, juntamente com
grande parte da bacia do Rio São João e
arredores, foi reconhecida como um trecho de
vegetação secundária e de atividades agrárias
no mapeamento da vegetação na escala
1:250.000 do Projeto RADAMBRASIL
(Ururahy et al. 1983). A escala utilizada por
Reserva Biológica de Poço das Antas, Silva JarcUm^Riode Janeiro m'CaS da
Unidades fisionômicas
Floresta aluvial
Floresta submontana
Capoeira aluvial
Capoeira submontana
Formação pioneira com influência fluvial
Campo antrópico
Area (ha)
894.5
1714
565
213
997.5
616
Percentual de cobertura (%)
17,9
343
113
43
20,0
123
Rodriguésia 57 (3): 369-389. 2006
SciELO/JBRJ
_2 13 14 15 16 17
Rebio de Poço das Antas: Fisionomia, florística e mapeamento da vegetação
estes autores não permitiu a identificação das
áreas remanescentes da cobertura vegetal
nesta região.
O estudo mais detalhado, com base no
levantamento aerofotogramétrico em escala
de 1:20.000, evidenciou a presença de
fragmentos de vegetação natural sobre as
planícies de inundação e nos morros e
morrotes dentro dos limites da Rebio. Com a
aplicação do sistema de classificação de
vegetação de Veloso & Goes-Filho (1982),
atualizado posteriormente em Veloso et al.
(1991), foi possível reconhecer e descrever
as características fisionômicas e florísticas
destes fragmentos naturais, bem como dos
trechos recobertos por vegetação antrópica.
Na caracterização e mapeamento da
cobertura vegetal da Rebio foram
identificadas, delimitadas e descritas seis
unidades fisionômicas: floresta submontana,
floresta aluvial, formação pioneira com
influência fluvial, capoeira submontana,
capoeira aluvial e campo antrópico (Anexo 1 ).
Os percentuais observados para as diferentes
unidades fisionômicas encontram-se
apresentados na Tabela 1. Tais percentuais
permitem aferir, como cobertura florestal
remanescente circunscrita à Rebio, uma área
de 2.608,5 hectares, ou seja, 52 % de sua área
total. Outra porção muito representativa da
área é composta por extensos trechos com
cobertura não florestal natural ou resultantes
da ação antrópica, expressas por formações
pioneiras, capoeiras e campos antrópicos. Na
caracterização florística de cada unidade
fisionômica foram indicados os táxons mais
representativos ou aqueles que se destacam
pelo porte, sempre que possível na categoria
de espécies (Tab. 2).
É importante destacar que os percentuais
atuais das diferentes fisionomias foram, e ainda
continuam sendo, influenciados pelos impactos
da construção da Represa de Juturnaiba. As
mudanças impactaram, ou até mesmo
extinguiram, grandes faixas de florestas
aluviais nativas. Alguns trechos foram então
inundados, em decorrência do represamento,
375
e, ainda hoje, se mantêm permanentemente
alagados. Nestes locais, as árvores mortas, que
mantidas ainda eretas e áfilas, sem qualquer
presença de vegetação de sub-bosque ao seu
redor, podem ser observados como
testemunhos das alterações ocorridas. Em
vários trechos a jusante da barragem, áreas de
florestas e brejos ressequidas sofreram
gradativo desaparecimento de sua cobertura
original, e vêm ao longo das últimas décadas
sendo substituídas por capoeiras e campos
antrópicos. Outros trechos com fisionomias
campestres são ainda o resultado dos impactos
dos ffeqüentes incêndios - facilitados em grande
parte pela natureza do solo turfoso - que
interferem periodicamente na paisagem e nos
processos naturais de recuperação da área.
Floresta Aluvial
Unidade fisionômica típica das planícies
aluviais sujeitas à influência fluvial, em geral
ocupando as áreas de várzeas (Fig. 5) e faixas
meândricas do rio São João (Fig. 6). Esta
formação abrange uma área de 894,5 hectares,
representando 1 7,9% da Rebio (Tab. 1 ).
Os ambientes de floresta aluvial
apresentam tipos de solo e condições de
inundação bastantes variáveis. Em geral são
ambientes muito heterogêneos, formando
mosaicos de locais com diferentes níveis de
inundação, onde conforme a quantidade e o
tempo de permanência da água, a fisionomia
pode variar quanto ao porte, ao adensamento
dos indivíduos e às espécies características.
Figura 5 - Floresta aluvial em área de várzea na Reserva
Biológica de Poço das Antas, Silva Jardim, Rio de Janeiro.
Rodriguésia 57 (3): 369-389. 2006
SciELO/JBRJ
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cm ..
Lima, H. C. et al.
Tabela 2 - Lista das espécies mais representativas ou que se destacam na composição florística
de cada unidade fisionômica da vegetação da Reserva Biológica de Poço das Antas, Rio de
Janeiro. Floresta Aluvial (FA); Floresta Submontana (FS), Capoeira Aluvial (CA), Capoeira
Submontana (CS), Formação Pioneira com Influência Fluvial (FP) e Campo Antrópico (CP).
Espécie
Acacia laceram Benth.
Actinostemon verticillatus (Klotzsch.) Baill.
Aeschynomene sensitiva Sw.
Alchornea triplinervia (Spreng.) M. Arg.
Anaxagorea dolichocarpa Sprague & Sandwith
And ir a anthelmia (Vell.) Macbr.
Andropogon bicornis L.
Annona cacans Warm.
Apuleia leiocarpa (Vog.) J.F. Macbr.
Astrocaryum aculeatissimum (Schott) Burret
Attalea humilis Mart.
Baccharis dracunculifolia DC.
Bactris setosa Mart.
Blechnum serrulatum Rich.
Cabomba aqnatica Aubl.
Calophyllum brasiliense Cambess.
Cariniana estrellensis (Raddi) Kuntze
Cariniana legalis (Mart.) Kuntze
Casearia sylvestris Sw.
Cecropia glazioui Snethlage
Cecropia lyratiloba Miq.
Chondodendron platiphylla (A. St.-Hil.) Miers
Cladium jamaicense Crantz
Clethra scabra Pers.
Clidemia biserrata DC.
Costns spiralis (Jacq.) Roscoe
Cyperus ligularis L.
Dalbergiafrutescens (Vell.) Britton
Diplotropis incexis Rizz. & Mattos F.
Eichhornia crassipes (Mart.) Solms.
Eriotheca pentaphylla (Vell.) A. Robyns
Euterpe edulis Mart.
Genipa americana L.
Gochnatia polimorpha (Less.) Cabrera
Guarea guidonia (L.) Sleumer
Guarea macrophylla Vahl
Hedychium coronarium Koem.
Henriettea saldanhaei Cogn.
Hyparrhenia rufa (Nees) Stapf
Imperata brasiliensis Trin.
Inga edulis Mart.
Nome vulgar Unidade fisionômica
Arranha-gato FS,CS
FS
Corticeira CA,FP,CP
Tapiá FA,FS
FS
Angelim FA,CA,CP
Capim-rabo-de-burro CP
Araticum FS
Garapa FS
Irf FS
FS,CS
CA,CP
FA,FP,CA
CA,CP
FP
FA
FS
FS
FS
CA,CS,FP,FS
CACP
FS
FP
FS
CP
CA
FP
FS,CS,CP
FS
FP
FA,FS
FS
FA
CS
FS.CS.CP
FS
CA.FP
FA.FS
CP
CA,CS,CP
FA.FS
Pindoba
Alecrim
Tucum
Samambaia
Cabomba
Guanandí
Jequitibá
Jequitibá-rosa
Café-do-mato
Embaúba
Embaúba; embaubinha
Abuta; cipó-bala
Capim-navalha
Came-de-vaca
Pixirica
Cana-do-brejo
Tiririca-do-brejo
Cipó-de-estribo
Sucupira
Aguapé
Imbiruçu
Palmito
Genipapo
Cambará
Carrapeta
Carrapeta
Lirio-do-brejo
Pixiricão
Capim-jaraguá
Sapé
Ingá-cipó
Rodriguésia 57 (3): 369-389. 2006
SciELO/JBRJ
2 13 14 15 16 17
cm
Rebio de Poço das Antas: Fisionomia, floris tica e mapeamento da vegetação 377
Espécie
Nome vulgar
Unidade fisionômica
Inga laurina (Sw.) Willd.
Ingá-mirim
FA,CA
Inga thibaudiana DC.
Ingá
FA,FS
Inga vera Willd.
Ingá-do-brejo
FA
Lantana cantara L.
Camará
CP
Lonchocarpus cultratus (Vell.) Az.-Tozzi & H.C. Lima
Embira-de-sapo
FA,FS,CA,CP
Ludwigia quadrangularis (Mich.) H. Hara
Cruz-de-malta
CA
Lygodium volubile Sw.
Abre-caminho
CP
Mabea fistulifera Mart.
Canudeiro
FS
Margaritaria nobilis L.f
Figueirinha
FA
Martiodendron mediterraneum (Mart. ex Benth.) Kõppen
FS
Melinis minutijlora P. Beauv.
Capim-gordura
CS, CP
Miconia albicans (Sw.) Triana
Pixirica
CS, CP
Miconia cinnamomifolia (DC.) Naudin
Jacatiráo
FS
Miconia staminca (Desr.) DC.
Pixirica
CP
Moldenhawera polysperma (Vell.) Stellfeld
Caingá
FS
Monstera adansonii Schott
Imbé
FS
Myrcia anceps (Spreng.)O. Berg
Cambuí
FA.FS
Nectandra oppositifolia Nees
Canela-louro
CS
Nidularium procerum Lindm.
Gravatá
FA
Panicum maximum Jacq.
Capim-coloniüo
CA,CP,FP
Pera glabrata (Schott) Baill.
Tabocuva
FA,FS
Piptadenia adiantoides (Spreng.) J.F. Macbr.
Arranha-gato
FS
Platymenia foliolosa Benth.
Vinhático
FS
Platymiscium Jloribundum Vog.
Sacambu
FA
Polygonum acurninatum Kunth.
Erva-de-bicho
CA, CP
Pourouma guianensis Aubl.
Uvaia
FA,FS
Pseudopiptadenia contorta( DC.) G.P. Lcwis & M.P. Lima
Angico
FS
Psidium guineense Sw.
Araçá
CS,CP,FS
Pteridium aquilinum (L.) Kuhn
Samambaia
CS,CP,FP
Rauvolfia grandiflora Mart. ex A.DC.
Pau-leite
CA
Sabicea aspera var. glabrescens (Benth.) Schum.
CP
Salvinia auriculata Aubl.
Lentilha d’água
FP
Schinus terebinthifolius Raddi
Aroeirinha
CA,CP,FS
Senefeldera verticillata (Vell.) Croizat
Sucanga
FS
Siparuna guianensis Aubl.
Ncga-mina
CS
Siparuna reginae (Tul.) A. DC.
Ncga-mina
FA,FS
Sparattosperma leucanthum (Vell.) K. Schum.
Cinco-chagas
CS,FS
Syntphonia globulifera L.f.
Guanandi
FA,CA
Tabebuia cassinoides DC.
I pê-tamanco
FA,CA
Tibouchina granulosa (Desv.) Cogn.
Quaresmeira
CS
Tovomitopsis paniculata (Spreng.) Planch. & Triana
Guanadirana
FA,CA,FS
Trema micrantha (L.) Blume
Crindiuva
CA,CS,FP,FS
Typha dominguensis Pers.
Taboa
FP
Vataireopsis araroba (Aguiar) Duckc
Angelim-araroba
FS
Xylopia sericea A. St-Hil.
Imbiu-pimenta
FS
Rodriguésia 57 (3): 369-389. 2006
SciELO/JBRJ
12 13 14 15 16 17
378
Lima, H. C. et ai.
Figura 6 - Floresta aluvial em faixa meandrica do rio São
João na Reserva Biológica de Poço das Antas, Silva Jardim,
Rio de Janeiro.
Associados a esta fisionomia foram
observados Gleissolos, Neossolos Flúvicos,
Planossolos e, em menor escala, Organossolos
(classes modificadas a partir de Takizawa
1995). Esses quatro tipos de solo são
associados a situações na paisagem onde a
drenagem ao longo do perfil é imperfeita. Na
maior parte desses solos há um maior acúmulo
de matéria orgânica nas camadas superficiais,
que se decompõe mais lentamente em
condições de hidromorfismo.
É um tipo de vegetação que apresenta
fisionomia arbórea dominante, formando um
dossel fechado e relativamente uniforme, com
raros exemplares emergentes. As árvores do
dossel atingem de um modo geral alturas entre
15-18 metros, enquanto as emergentes
alcançam nos trechos mais preservados em
média 20-27 metros. Nas áreas de várzeas há
um predomínio de ipê-tamanco ( Tabebuia
cassinoides), guanandí ( Symphonia
globulifera) e guanandirana ( Tovomitopsis
paniculata), embora outras espécies arbóreas
também sejam comuns no dossel. Entre elas
destacam-se Alchornea triplinervia,
Platymiscium floribundum, Genipa
americana, Eriotheca pentaphylla, Myrcia
anceps, Calophyllum brasiliense e Pera
glabrata. Nas faixas meândricas as espécies
arbóreas dominantes são Margaritaria nobilis,
Andira anthelmia e várias espécies de Inga
(/. edu lis, / laurina, I. thibandiana e I. vera).
No sub-bosque é freqüente o domínio de
indivíduos jovens de ipê-tamanco, guanandí e
guanandirana. São ainda comuns nas áreas
pouco perturbadas espécies de Myrtaceae
Melastomataceae, Palmae, Rubiaceae,
Leguminosae, Meliaceae, Moraceae,
Euphorbiaceae, entre outras. Arbustos e
arvoretas típicas deste estrato ocorrem
juntamente com indivíduos jovens de espécies
arbóreas do dossel, em processo de
recrutamento. No estudo das espécies de
Melastomataceae da Rebio (Baumgratz et al.
2006), foi apontado que a família é mais
diversificada no sub-bosque, onde está
representada por elementos dos gêneros
Clidemia, Leandra, Ossaea, Miconia e
Tibouchina e pela espécie Henriettea
saldanhaei. Este autores destacam ainda que
muitas espécies são comuns tanto em morrotes
quanto em áreas alagadas.
Em trechos permanentemente inundados
ocorrem populações adensadas de tucum
(Bactris setosa), enquanto o solo encharcado
é coberto por extensas formações de gravatás,
sobretudo da espécie Nidularium procerum.
Ervas de folhas largas, principalmente espécies
de Marantaceae, Heliconiaceae e Costaceae
são também muito comuns no estrato
herbáceo. A riqueza de epífitas é outra
característica notável desta unidade
fisionômica, representada principalmente por
espécies de Bromeliaceae ( Aechmea spp.,
Bilbergia spp., Vriesea spp. e Tillandsia spp.),
Orchidaceae, Araceae (Monstera adansonii)
e Cactaceae ( Rhipsalis spp.).
No estudo fitossociológico realizado em
um trecho de 1 ha desta unidade fisionômica
(Guedes-Bruni etal. 2006a) foram amostradas
97 especies, subordinadas a 31 famílias, cujo
índice de diversidade de Shannon (H') foi de
3,98 nats/ind, enquanto a eqílabilidade (J) foi
de 0,87. Estes valores de riqueza e
diversidade são bastante expressivos, embora
mais baixos quando comparados com aqueles
observados no estudo realizado em um trecho
de floresta submontana da Rebio (Guedes-
Bruni et al. 2006b).
Rodriguèsia 57 (3): 369-389. 2006
SciELO/JBRJ
2 13 14 15 16 17 18
Rebio de Poço das Antas: Fisionomia, florística e mapeamento da vegetação
379
Em decorrência da construção da Represa
de Jutumaíba, a situação atual da floresta aluvial
na Rebio reflete as diferentes mudanças
ocorridas na altura do lençol freático. Em vários
trechos observa-se alterações na composição
florística, particularmente no predomínio ou na
elevada mortalidade de certas espécies. Como
demonstrado por Scarano et al. (1997), essas
variações locais na composição e na estrutura
deste tipo de floresta podem estar associadas
com as diferentes estratégias no estabelecimento
das espécies, principalmente em relação a
tolerância à duração da inundação.
Floresta Submontana
Esta unidade fisionômica reveste as áreas
elevadas não sujeitas a influência fluvial das
encostas dos morros e morrotes mamelonares.
Na compartimentação da paisagem da Rebio
sobressai uma elevação central formada por
uma série de morros e morrotes, cuja altitude
varia entre 100 e 200 metros. Morrotes isolados
estão distribuídos no entorno dessa elevação,
principalmente na porção sudeste onde se
expande a planície aluvial. Esta formação
abrange uma área de 1714 hectares,
representando 34,3% da Rebio (Tab. 1).
Associados a esta fisionomia foram
observados principalmente Argissolos
(associação que cobre aproximadamente 30%
da área total da Reserva de Poço das Antas),
álicos a moderados, com textura variando de
argilosa a muito argilosa. Cambissolo ocorre
apenas no Morro da Portuense, o ponto mais
alto da Rebio (Takizawa 1 995), e há ainda uma
associação dessa fisionomia (somente 2% da
área total da Reserva) com gleissolos, na unidade
geomorfológica denominada de alvéolo
(Takizawa 1995), localizada entre as encostas
dos morrotes e as várzeas internas. A
ocorrência desses gleissolos explica-se pela
drenagem imperfeita da água nesse
compartimento, que por sua vez recebe toda
argila carreada dos pontos mais altos da
paisagem: gleissolos são solos acinzentados pelas
condições de hidromorfismo e com alto teor de
argila nas camadas superficiais (Embrapa 1 999).
Rodriguésia 57 (3): 369-389. 2006
Figura 7 - Floresta submontana bem preservada na Rebio
de Poço das Antas, Silva Jardim, Rio de Janeiro.
Figura 8 - Floresta submontana degradada na Rebio de
Poço das Antas, Silva Jardim, Rio de Janeiro.
Nos locais em bom estado de
preservação apresenta fisionomia arbórea
dominante, formando um dossel fechado e
pouco uniforme e ocorrência de árvores
emergentes (Fig. 7). As árvores do dossel
atingem alturas entre 17 e 23 metros,
enquanto as emergentes alcançam até cerca
de 30 metros. Entre as espécies que mais se
destacam pelo porte muito elevado estão:
jequitibá ( Cariniana legalis e Cariniana
estrellensis), garápa ( Apuleia leiocarpa),
figueira (espécies de Ficus), caingá
{Moldenhawera polysperma) e vinhático
( Platymenia foliolosa). Destacam-se ainda
pelo grande número de indivíduos
Senefeldera verticillata, Siparuna reginae,
Mabea piriri, Casearia sylvestris, Clethra
scabra e Pseudopiptadenia contorta. Em
alguns trechos, principalmente em grotas
úmidas, são ocasionais os adensamentos de
SciELO/JBRJ
12 13 14 15 16 17
cm ..
380
palmito ( Euterpe ednlis). Em áreas com
histórico de perturbação (Fig. 8),
principalmente em florestas secundárias em
estados médio a avançado de regeneração,
o dossel em geral atinge 10-12 m e, entre as
espécies que predominam, sobressaem
carrapeta ( Guarea macrophylla), jacatirão
( Miconia cinnamomifolia), uvaia
( Pourouma guianensis) e imbiú-pimenta
( Xylopia sericea).
O sub-bosque geralmente é ralo, onde
dominam espécies de Myrtaceae, Rubiaceae,
Rutaceae, Euphorbiaceae e Melastomataceae,
exceto nos locais com histórico de degradação
onde aparecem populações adensadas de
pindoba ( Attalea humilis ) e iri ( Astrocarynm
aculeatissimum). Entre os arbustos e arvoretas
mais freqüentes destacam-se as espécies dos
gêneros Psychotria, Geonoma, Leandra,
Miconia, Actinostemon e Piper. As lianas são
abundantes, podendo formar emaranhados nos
bordos de mata e clareiras, sendo representadas
principalmente por Chondodendron
platiphyllum (Menispermaceae) e espécies de
Sapindaceae (principalmente de Serjania) e
Leguminosae ( Acacia lacerans, Piptadenia
adiantoides e espécies de Machaerium).
O estrato herbáceo é pouco denso,
ocorrendo esparsamente espécies de
Marantaceae, Heliconiaceae, Graminea e
Cyperaceae, além de Pteridófitas. As epífitas são
ocasionais e bem menos representadas nesta
unidade vegetacional do que na floresta aluvial.
Guedes-Bruni et al (2006b) em estudo
fitossociológico realizado em um trecho de 1
hectare desta unidade fisionômica encontraram
174 espécies, subordinadas a 45 famílias,
obtendo valores de 4,549 nats/ind para o índice
de diversidade de Shannon (H'), enquanto a
eqüabil idade (J) foi de 0,88. Estes valores são
bastante elevados quando comparados com os
dados de riqueza e diversidade obtidos no estudo
de um trecho de floresta aluvial na Rebio.
Segundo os autores estes valores também são
muito expressivos quando comparados aos
obtidos por estudos em outros trechos de Mata
Atlântica (Guedes-Bruni et al 2006a).
Lima, H. C. et al.
A floresta submontana sobre os morrotes
de baixa altitude e isolados na extensa planície
aluvial mostra um aspecto mais seco,
apresentando maior grau de deciduidade no
período de junho a agosto. Na composição
florística destacam-se as espécies arbóreas
Senefeldera verticillata, Actinostemon
verticillatus, Anaxagorea dolichocarpa e
Annona cacans (Pessoa 2003). Algumas
espécies, tais como Martiodendron
mediterraneum, Vataireopsis araroba e
Diplotropis incexis, até o momento só foram
encontradas nestas áreas de morrotes isolados.
Estas espécies têm preferência por florestas
estacionais (Lima 2000), mostrando que
futuros estudos poderão indicar diferenças na
composição florística de florestas sobre
morrotes isolados.
Embora algumas espécies tenham sido
encontradas apenas em florestas de morros
mais baixos e isolados, variações na
composição florística e na estrutura no
gradiente altitudinal da Rebio não são
expressivas. Estudos realizados em
toposequência na região da Bacia do Rio São
João (Borém & Ramos 2001; Borém &
Oliveira-Filho 2002), mostraram pouca
diferenciação ao longo da toposequência e
confirmam essa observação.
Em decorrência da forte ação antrópica em
passado recente, os ambientes com esta
fisionomia mostram-se atualmente como um
mosaico de áreas em diversos estádios
sucessionais. As áreas mais preservadas estão
em geral localizadas nas encostas de alguns morros
e morrotes com maior dificuldade de acesso.
Porém, devido ao histórico de exploração de
madeira da área, particularmente a extração
de lenha e carvão (IBDF/FBCN 1981), é
provável que mesmo estes trechos em melhor
estado de preservação tenham sofrido
perturbações antrópicas.
Neves (1999) analisou dois trechos de
diferentes idades (20 e 40 anos) em floresta
submontana da Rebio. Apesar das diferenças
na composição e estrutura da comunidade
arbóreo-arbustiva, foi evidenciada a alta
Roitrifzuésia 57 (3): 369-389. 2006
SciELO/JBRJ
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Rebio de Poço das Antas: Fisionomia, florística e mapeamento da vegetação
381
capacidade de regeneração nas duas áreas.
A autora sugeriu ainda que trechos de
florestas secundárias precisam no mínimo
40 anos para obter as características
florísticas mais próximas de florestas
preservadas. Considerando estes resultados,
embora reconhecendo que as áreas nos
limites da Rebio ainda sofram impactos
antrópicos, pode-se admitir que boa parte
das florestas secundárias sobre morros e
morrotes estão avançando no processo de
sucessão natural. É provável que para isto
estejam contribuindo os fragmentos
florestais em bom estado de preservação.
Capoeira Aluvial
Unidade fisionômica resultante de
processos naturais de sucessão, após a
supressão total ou parcial, por ações
antrópicas, da cobertura arbórea em áreas
de floresta aluvial, podendo ocorrer árvores
remanescentes da vegetação primária. A
fisionomia varia conforme o estádio
sucessional, sendo ainda fortemente
influenciada pela intensidade nas mudanças
ocorridas nas condições locais, principalmente
pelas alterações no regime hídrico.
Aos ambientes de capoeira aluvial, de
modo semelhante à floresta aluvial, estão
associados os Gleissolos, Planossolos,
Neossolos Flúvicos e Organossolos (Takizawa
1995). Portanto, as diferenças florísticas e
estruturais dessa fisionomia com a floresta
aluvial resultam de ações antrópicas
pretéritas e, de modo geral, não devem ser
associadas aos tipos de solos. Esta formação
abrange uma área de 565 ha, representando
1 1 ,3% da Rebio (Tab. 1 ).
Os elementos arbóreos variam entre 3
e 5 metros de altura, observando-se variados
padrões fisionômicos de acordo com as
espécies dominantes (Figs. 9 e 10).
Adensamentos de indivíduos jovens de ipc-
tamanco ( Tabebuia cassinoides), ou
guanandí ( Symphonia globulifera), ou
tucum ( Bactris setosa), ou embaubinha
( Cecropia lyratiloba) são os padrões mais
Rodriguésia 57 (3): 369-389. 2006
Figura 9 - Capoeira aluvial com adensamento de ipê-
tamanco (Tabebuia cassinoides) na Rebio de Poço das
Antas, Silva Jardim, Rio de Janeiro.
Figura 10 -Capoeira aluvial com embaubinha (Cecropia
lyratiloba) na Rebio de Poço das Antas, Silva Jardim,
Rio de Janeiro.
comuns. Além dessas espécies arbóreas,
com certa freqüência são observados
exemplares de Inga laurina, Andira
anthelmia e Rauvolfia grandijlora. Em
planícies aluviais com grande extensão de
áreas degradadas, que foram submetidas a
drásticas mudanças no regime hídrico, estes
adensamentos homogêneos de espécies
acima citadas distribuem-se cm mosaicos.
Nos locais mais impactados podem ser
percebidas manchas diferenciadas, onde
predominam Schinus terebinthifolius,
Trema micrantha e Cecropia glazioui.
Entre as plantas arbustivas mais comuns
destacam-se espécies de Rubiaceae
(Psychotria spp.), Melastomataceae
(Leandra spp., Clidemia biserrata, Miconia
SciELO/JBRJ
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cm ..
382
spp. e Tibouchina spp.), Piperaceae (Piper
spp.), Compositae ( Baccharis dracunculifolia)
e Leguminosae ( Aeschynomene sensitiva). O
estrato herbáceo em geral é dominado por
espécies ruderais, entre as quais predominam
Polygonum acuminatum, Blechnum
serrulatum, Imperata brasiliensis e Panicum
maximum. Em locais geralmente sujeitos a
inundação permanente observa-se a ocorrência
de Hedychium coronarium, Costus spiralis e
Ludwigia quadrangularis.
As condições de inundação, como já
referido para floresta aluvial, estão entre os
principais fatores limitantes ao estabelecimento
das espécies nesta unidade fisionômica. É
interessante ressaltar que algumas espécies
utilizam a reprodução vegetativa para
recolonizar trechos degradados sujeitos a
inundação. Esta estratégia foi observada por
Scarano et al. (1997) em Tabebuia
cassinoides e Tovomitopsis paniculata.
Capoeira Submontana
Unidade fisionômica resultante de
processos naturais de sucessão, após a
supressão total ou parcial, por ações
antrópicas, da cobertura arbórea em áreas
de floresta submontana, podendo ocorrer
árvores remanes-centes da vegetação
primária. Apresenta grande variação
fisionômica, que é influenciada principalmente
pelo estado sucessional e pela forma de vida
das espécies dominantes. Associados a esta
fisionomia foram observados principalmente
Argissolos, álicos a moderados, com textura
variando de argilosa a muito argilosa
(Takizawa 1995). É importante ressaltar que,
no caso de áreas que sofreram impactos
antrópicos, como as capoeiras submontanas,
o alto teor de alumínio pode prejudicar o
processo de regeneração, interferindo no
processo de decomposição da matéria
orgânica do solo e dificultando o
estabelecimento de um número maior de
espécies arbóreas. Esta formação abrange
uma área de 213 ha, representando 4,3% da
Rebio (Tab. 1).
Lima. H. C. et al.
Os elementos arbóreos variam entre 3 e
7 metros de altura, observando-se variados
padrões fisionômicos de acordo com as
espécies dominantes. Adensamentos das
espécies pixirica ( Miconia albicans ) e
pindoba ( Attalea humilis ) são os padrões mais
comuns em trechos degradados em encostas
de morros e morrotes.
Locais com histórico de pertubação mais
recente em geral são ocupados por fisionomia
arbustiva monodominante de pixirica {Miconia
albicans) (Fig. 11). Ainda não se tem
conhecimento se a alta incidência dessa
espécie pode estar associada a um fator
alelopático que dificulta o estabelecimento de
outras espécies. Entre as espécies que
ocorrem ocasionalmente nesta formação
foram observadas Psidium guineense,
Clidemia biserrata e Baccharis
dracunculifolia. Raros exemplares de
cambará {Gochnatia polimorpha) foram
observados nos bordos de capoeiras com
adensamento de pixirica, porém não existem
estudos sobre o processo sucessional.
Areas com adensamento de cambará
{Gochnatia polimorpha) apresentam
fisionomias que variam desde arbustiva até
arbórea (Fig. 12). Em geral ocorrem
formações monodominantes, porém em
muitos trechos são observados exemplares
arbustivos ou arborescentes dispersos
associados com capim gordura {Melinis
minutiflora). Esta situação parece ser a fase
inicial do processo sucessional destas
capoeiras. Neves ( 1 999) mencionou que esta
espécie é muito eficiente na colonização de
ambientes alterados, viabilizando o
estabelecimento de outras espécies. Em fases
sucessionais mais avançadas, outras
espécies, tais como Nectandra oppositifolia
Tibouchina granulosa , Sparattosperma
leucanthum e Siparuna guianensis, são tão
comuns quanto o cambará.
A presença de capoeiras com
adensamento de pindoba {Attalea humilis)
geralmente é observada em áreas abertas no
topo de elevações, em geral próximo a bordos
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Rebio de Poço das A ntas: Fisionomia, floristica e mapeamento da vegetação
383
de fragmentos florestais. Esta ocorrência
possivelmente é influenciada pela alta
incidência de incêndios que proporcionam as
condições ideais para o desenvolvimento desta
espécie, ou seja, ambientes abertos com
abundância de luz. Na Rebio a palmeira Attalea
humilis pode ser encontrada tanto em ambiente
de clareira de floresta como em locais perturbados
(Souza & Martins 2004). Esta também é a
preferência da embaúba ( Cecropia glazioui),
outra espécie muito comum nas capoeiras
submontanas da Rebio.
Formação pioneira com influência fluvial
Vegetação herbácea ou arbustiva de
planícies fluviais e depressões aluviais como
pântanos e lagoas, sujeitas a inundações
periódicas e/ou permanentes. Esta formação
abrange uma área de 997,5 ha, representando
20,0% da Rebio (Tab. 1).
Associados a esta fisionomia foram
observados principalmente Organossolos e
Gleissolos, que ocorrem em áreas alagadiças em
várzeas extensas e ao longo de córregos e dos
rios São João e Aldeia (Takizawa 1 995). Ambos
os solos dificultam a colonização por um número
maior de espécies lenhosas, seja pela acidez
acentuada do solo (Takizawa 1995), seja pela
condição de alagamento mais duradouro. Os
baixos valores de pH dos Organossolos da
Rebio têm origem tiomórfica, devido à drenagem
artificial em muitos trechos da região.
É um complexo vegetacional com grande
variação na fisionomia conforme a altura da
lâmina da água e tempo de permanência desta.
As comunidades de plantas aquáticas natantes
ou submersas são constituídas principalmente
por aguapé ( Eichhornia crassipes), cabomba
( Cabontba aquatica) e lentilha-d’água
( Salvinia auriculata). Estas plantas ocorrem
nas várzeas permanentemente alagadas e em
alguns trechos, em geral meandros muito
pronunciados, do rio São João (Fig. 13).
Algumas áreas alagadas, em geral no entorno
da barragem, foram invadidas por gramíneas
aquáticas, principalmente algumas espécies do
gênero Brachiaria.
Rodriguésia 57 (3): 369-389. 2006
Figura 1 1 - Capoeira submontana com adensamento de
pixirica (Miconia albicans) na Rebio de Poço das Antas,
Silva Jardim, Rio de Janeiro.
Figura 12- Capoeira submontana com adensamento de
cambará (Gochnatia polimorpba) na Rebio de Poço das
Antas, Silva Jardim, Rio de Janeiro.
Em comunidades de plantas aquáticas
graminóides, geralmente fixadas no substrato,
predominam a tabôa (7 \pha dominguensis) e
várias espécies de Cyperaceae, entre as quais
predominam Cladium jamaicense e Cyperus
ligularis (Fig. 14). Associadas a este complexo
de vegetação de áreas alagadiças, ocorrem
trechos de turfciras formadas principalmentc
por Sphagnum sp. Comunidades de plantas
arbustivas lenhosas ocorrem, geralmcnte, na
periferia de locais inundados, onde domina o
tucum ( Bactris se tos a).
Na região sudeste da Rebio, abaixo da
Represa de Juturnaíba, encontra-se uma
grande planície de inundação, onde este tipo
de formação apresenta sua maior extensão,
circundando pequenos morrotes c alguns
trechos de capoeiras aluviais. Alguns trechos
SciELO/ JBRJ
12 13 14 15 16 17
cm ..
384
Figura 13 - Formação pioneira com influência fluvial
com plantas aquáticas natantes na Rebio de Poço das
Antas, Silva Jardim, Rio de Janeiro.
Figura 14 - Formação pioneira com influência fluvial
com plantas aquáticas graminoides na Rebio de Poço das
Antas, Silva Jardim, Rio de Janeiro.
desta região foram alterados por impactos
antrópicos, particularmente onde dominam
várias espécies de gramíneas, principalmente
Panicum maximum e Imperata brasiliensis,
bem como densos agrupamentos da
samambaia Pteridium aquilinum. As espécies
arbóreas Cecropia glazioui e Trema
micrantha podem ocorrer dispersas ou
formando pequenos aglomerados,
normalmente caracterizados unicamente pela
presença de apenas uma destas ou de ambas
as espécies (Silva-Matos et al. no prelo).
Em geral distribuída nas áreas limítrofes
da Rebio, esta fisionomia encontra-se bastante
sujeita a incêndios, particularmente nos
períodos mais secos, e sua cobertura vegetal
Lima. H. C. et al.
fortemente influenciada por sua ação. Silva-
Matos et al. (no prelo) apontam a fragilidade
dos elementos arbóreos deste ambiente.
Embora apresentando diferentes estratégias
em resposta à ação do fogo, seja através da
emissão de grande quantidade de plântulas
( Trema micrantha) ou da emissão de rebrotos
( Cecropia glazioui), ambas se mostram
incapazes de competir com a rápida e eficiente
regeneração das gramíneas e samambaias.
Vale ressaltar a baixa resistência de T
micrantha a condições extremas de
alagamento que, via de regra, ocasionam a
morte dos indivíduos.
Campo antrópico
Unidade fisionômica resultante da ação
antrópica, prioritariamente, pelo uso da terra para
atividades agropecuárias, abrangendo grandes
extensões de solos empobrecidos, ao mesmo
tempo que bastante vulneráveis à ação do fogo
( F igs. 1 5 e 1 6). Estes ambientes campestres estão
associados majoritanamente com Argissolos, nas
áreas de morrote, e com associações entre
Neossolos Flúvicos, Planossolos e Gleissolos
(Takizawa 1995), nas unidades geomorfológicas
de deposição aluvional, como as várzeas. Esta
formação abrange uma área de 616 hectares,
representando 12,3% da Rebio (Tab. 1).
Nestas áreas predominam, principalmente,
plantas invasoras como sapé (Imperata
brasiliensis), capim-gordura (Melinis
minutiflora), capim-colonião ( Panicum
maximum) e samambaia (Pteridium
aquilinum). Algumas espécies arbustivas, mais
tolerantes à luz e à seca, ocorrem consorciadas
às gramíneas: alecrim (Baccharis spp), araçá
(Psidium guineense), pixirica (Miconia
albicans e Clidemia biserrata), camará
(Lantana camara), embaúba (Cecropia
lyratiloba) e aroeirinha (Schinus
terebinthifolius).
Vieira & Pessoa (2001) estudando esta
fisionomia em área de várzea, apontam a
distribuição espacial de algumas espécies sobre
forte influência das condições edáficas. A
espécie Hedychium coronarium, por exemplo,
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Rebio de Poço das Antas: Fisionomia, floristica e mapeamento da vegetação
forma agrupamentos densos onde o solo
apresenta maiores teores de umidade podendo
permanecer, muitas vezes, alagado em
determinados períodos do ano. Andropogon
bicornis, Imperata brasiliensis,
Hyparrhenia rufa e Panicum maximum
predominam em áreas mais secas enquanto
outras espécies, a exemplo de Polygomtm
acuminatum e Aeschynomene sensitiva, são
típicas de áreas mais úmidas, porém não
encharcadas. As autoras destacam também,
o predomínio de espécies de gramíneas,
Imperata brasiliensis, Hyparrhenia rufa,
Panicum maximum e de ervas perenes, a
exemplo de Sabicea aspera var. glabrescente,
Clidemia biserrata e Scleria sp. e de algumas
samambaias como Lygodium volubile e
Blechnum serndatum. Estes grupos (gramíneas,
ervas perenes e samambaias) apresentam
características que atuam fortemente no
processo sucessional da comunidade, e
Figura 15 - Campo antrópico com domínio dc sapé
(Imperata brasiliensis ), capim-coloniao ( Panicum
maximum) e alecrim (Bacharís dracuncidifolia) na Rebio
de Poço das Antas, Silva Jardim, Rio de Janeiro.
Figura 16 - Campo antrópico com domínio de capim-
gordura (Melinis minutiflora) na Rebio de Poço das Antas,
Silva Jardim, Rio de Janeiro.
representam obstáculos à ocorrência de
mudanças que propiciem a formação de uma
cobertura florestada na paisagem.
Um outro aspecto observado por Vieira
& Pessoa (2001) refere-se à estratégia de
restauração da cobertura vegetal destes
ambientes. Indivíduos lenhosos uma vez
conseguindo ultrapassar a camada de
gramíneas, e se estabelecendo no terreno, como
exemplares de Miconia staminea, Andira
anthelmia, Dalbergia frutescens,
Lonchocarpus cultratus e Guarea guidonia
acabam por constituírem, pequenos
aglomerados de uma ou mais espécies dando
início a formação de moitas. Estas, à medida
em que ocorre seu crescimento em tamanho,
acabam por favorecer o estabelecimento destas
e de outras espécies arbustivas e arbóreas.
Conclusões
O mapeamento da vegetação da
Rebio, realizado por meio de
fotointerpretação e usando fotografias
aéreas na escala 1 :20.000, mostrou-se muito
eficiente para uma análise detalhada das
diferentes fito-fisionomias. Foram
delimitados, respectivamente, 2.608
hectares de áreas com florestas em variados
estádios sucessionais, 997,5 hectares de
formação pioneira com influência fluvial e
1.232 hectares com cobertura não florestal
resultantes da ação antrópica, expressas por
capoeiras e campos antrópicos. Este
resultado é uma primeira aproximação da
situação atual da vegetação desta unidade
de conservação, que poderá ser utilizado
como marco para futuras avaliações e
monitoramento.
A despeito do histórico de uso e dos
impactos ocorridos em anos recentes,
particularmente a alta freqüência de
incêndios, ainda é significativo o montante de
52% de cobertura florestal remanescente. O
que por um lado torna relevante este
percentual, por outro ressalta a fragilidade em
que os mesmos se encontram, face a
presença de áreas antropizadas no entorno
Rodriguésia 57 (3): 369-389. 2006
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cm ..
386
desta unidade de conservação. Os resultados
do mapeamento, em especial a delimitação
das áreas com vegetação natural, subsidiam
a execução de ações emergenciais que
minimizem situações de risco.
O reconhecimento das áreas em melhor
estado de preservação se constituirá em
ferramenta fundamental para os projetos de
pesquisa em realização, ou a serem
implementados. Por outro lado, a delimitação
das áreas degradadas será de grande utilidade
para dimensionar o esforço necessário em
estratégias de recuperação dessas áreas.
Considerando ainda que a Rebio possui um
representativo remanescente de formações
florestais da Bacia do Rio São João, revela-se
o alto potencial da área para o estabelecimento
de matrizes arbóreas para acompanhamento
fenológico, coleta de sementes e produção de
mudas de espécies nativas.
Por último destaca-se a necessidade de
continuidade de monitoramento da cobertura
vegetal, fazendo os ajustes necessários e
adequando os resultados para o uso de técnicas
de sensoriamento remoto. Isto permitirá o
acompanhamento de mudanças com
metodologia de maior precisão e ampliará a
capacidade de previsibilidade de futuros
cenários no processo de regeneração das áreas
degradas da Rebio.
Agradecimentos
Ao Jardim Botânico do Rio de Janeiro
pelo apoio ao Programa Mata Atlântica; a The
John D. and Catherine T. MacArthur
Foundation e à Petrobras, cuja alocação de
recursos financeiros de longo prazo propiciam
a execução dos objetivos do Programa Mata
Atlântica do JBRJ; aos colegas do Programa
Mata Atlântica que, valendo-se de um objetivo
comum, através de suas diferentes linhas de
pesquisas, auxiliaram no processo de obtenção
de dados no campo e interpretação de alguns
resultados obtidos; aos especialistas que
revisaram as identificações do material
botânico procedente dos vários projetos
desenvolvidos na Rebio; à Dorothy S. D.
Lima, H. C. et al.
Araújo pela revisão do abstracf, aos
funcionários do IBAMA, em especial a
Dionisio M. Pessamiglio, Whitson José da
Costa Jr. e Rafael Puglia Neto pelo apoio às
atividades de campo e disponibilização de
vários documentos sobre a Rebio.
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Rodriguésia 57 (3): 369-389. 2006
SciELO/JBRJ
_2 13 14 15 16 17
UNIDADES FISIONÔMICAS
■■ FLORESTA SUBMONTANA
FLORESTAALUVIAl
FORMAÇAO PIONEIRA COM INFLUÊNCIA FLUVIAL
■■ CAPOEIRA SUBMONTANA
CAPOEIRA ALUVIAL
■■ CAMPO ANTRÔPICO
Estradas
A/ Hidrografia
1 2 km
Rodriguésia 57 (3): 369-389. 2006
cm 123456
■SciELO/ JBRJ
389
Rebio de Poço das Antas: Fisionomia, florística e mapeamento da vegetação
Anexo 1 - Mapa da Vegetação da Reserva Biológica de Poço das Antas, Silva Jardim, Rio de Janeiro
cm
Análise estrutural da vegetação arbórea em três fragmentos
FLORESTAIS NA RESERVA BlOLÓGICA DE POÇO DAS ANTAS, RlO DE
Janeiro, Brasil1
Solange de V. A. Pessoa 2 & Rogério R. de Oliveira 3
Resumo
(Análise estrutural da vegetação arbórea em três fragmentos florestais na Reserva Biológica de Poço das
Antas, Rio de Janeiro, Brasil) Investigou-se aspectos do efeito da fragmentação e isolamento de habitats
sobre a estrutura dos elementos arbóreos encontrados em três fragmentos florestais de diferentes tamanhos
e formas, situados na Reserva Biológica de Poço das Antas, Silva Jardim, RJ. Foram demarcados transectos
de 10 m de largura e comprimento variado de acordo com a extensão do fragmento, com orientações norte-sul
e leste-oeste, subdivididos em parcelas contíguas de 10 x 25 m, sendo todos os indivíduos arbóreos com DAP
$ 5 cm marcados e coletados dados de altura e diâmetro. Registraram-se 1 .771 indivíduos, distribuídos em 43
famílias, 107 gêneros e 207 espécies. As áreas apresentam alta diversidade, onde as famílias Euphorbiaceae,
Sapotaceae, Annonaceae, Moraceae e Nyctaginaceae configuram-se como as de maior valor de importância.
A proporção elevada de espécies (70%) em baixa densidade representa risco potencial de extinção para
muitas populações locais, por outro lado a presença de espécies comuns em diferentes estágios de
desenvolvimento, aliado ao arranjo espacial e a distância entre as áreas, permitindo a ação de polinizadores e
dispersores atuam no sentido de minimizar este efeito.
Palavras-chave: estrutura da comunidade. Mata Atlântica, remanescente florestal, fragmentação.
Abstract
(Structural analysis of woody vegetation in three forest fragments in Poço das Antas Biological Reserve, Rio
de Janeiro, Brazil) Aspects of the effect of ffagmentation and isolation of habitats were investigated considering
the structure of tree components, foundcd in three forest fragments of different size and shape located at
Poço das Antas Biological Reserve, Silva Jardim, RJ. Transects of 10 m wide and as long as the distance
bctween the edges, toward north-south and east-west and subdivided in contiguous plots of 10 x 25 m, were
set and all tree individuais with 5 cm DBH or more were tagged and data of height and diameter collected.
Were recorded 1 .77 1 individuais, bcing distributed within 43 families, 1 07 gcnera and 297 species. The areas
have high diversity and the families Euphorbiaceae, Sapotaceae, Annonaceae, Moraceae and Nyctaginaceae
presenting the higher important index valucs. The high proportion of species (70%) in low density rcpresents
potential risk of extinction to many local populations and the fact that common species occurs at various
stages ofdevclopment just with the distance and spatial arrangcmcnt bctween the areas that permit the action
of pollinators and dispersers, act toward to minimize this effect.
Key words: Atlantic Forest, community structure, forest rcmnants, fragmentation.
Introdução
A floresta tropical úmida localizada na
costa atlântica brasileira, denominada Mata
Atlântica vem sofrendo desde a época do
descobrimento do Brasil intenso processo de
desmatamento e fragmentação. Atualmente, no
estado do Rio de Janeiro, os maiores fragmentos
florestais podem ser observados apenas nas
vertentes das cadeias montanhosas da Serra
do Mar localizadas, em sua maioria, acima de
500 m de altitude (Tanizaki-Fonseca & Moulton
2000). Restrita, no estado, apenas a 19% de
sua área original é constituída em sua maioria
por remanescentes de florestas secundárias cm
diferentes estágios de regeneração (Fundação
S.O.S. Mata Atlântica 2002).
Artigo recebido cm 02/2005. Aceito para publicação em 1 1/2005.
'Parte da Dissertação de Mestrado do primeiro autor no curso de Ciências Ambientais e Florestais, UFRRJ.
-'Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro, Rua Pacheco Leão 915, 22460-030, Rio de Janeiro, RJ, Brasil.
spcssoa@jbrj.gov.br
'Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, Dcpt“ de Geografia, Rua Marques de S. Vicente 225, 22453-900, Rio
de Janeiro, RJ, Brasil, rro@geo.puc-rio.br
SciELO/JBRJ
2 13 14 15 16 17 18
cm ..
Pessoa , S. V. A. & Oliveira, K. R.
Na região da planície litorânea do estado
do Rio de Janeiro, o processo de fragmentação
data desde os primórdios da colonização
quando se intensificaram as intervenções
antrópicas nesta paisagem, em especial
aquelas relacionadas à implantação de
atividades agrícolas, extrativistas e pastoris.
Atualmente, a paisagem desta região está
representada por remanescentes florestais de
tamanhos variados, isolados e, em sua maioria,
altamente perturbados e inseridos em amplas
extensões de áreas campestres. À semelhança
das florestas estacionais semideciduais do
interior do estado de São Paulo constituem
exemplo do processo de fragmentação
(Nascimento et al. 1999), imersos que estão
como ilhas de vegetação em meio a uma
paisagem desestruturada.
Nas últimas duas décadas diversos estudos
destes remanescentes foram efetuados,
(Guedes 1988; Silva & Nascimento 2001;
Borém & Oliveira-Filho 2002; Rodrigues 2004),
com um significativo volume de trabalhos
conduzidos na Reserva Biológica de Poço das
Antas (Scarano et al. 1997; Guedes-Bruni
1998; Silva Matos et al. 1998a, 1998b; Neves
1999; Vieira & Pessoa 2001; Pereira &
Mantovani 2001; Souza & Martins 2002;
Moraes et al. 2002), formada por um conjunto
de remanescentes das florestas de morros e
pequenos morrotes e terras baixas que
originalmente recobriam a planície costeira.
Nesta Reserva, o local de realização deste
estudo, a fragmentação e subseqüentes
transformações na paisagem ocorreram em
decorrência da derrubada de áreas florestais
para uso como pastagem ou pequena agricultura
à época das fazendas e ao alagamento e
drenagem de áreas como resultado da
construção da Represa de Jutumaíba.
Com a fragmentação de habitats duas
mudanças fundamentais são introduzidas: em
contraste com a vegetação original, os
fragmentos são descontínuos e geralmente de
área muito reduzida e os organismos que
persistem no fragmento são expostos às
condições de um ecossistema vizinho
diferente. O que tem sido chamado efeito
de borda (Murcia 1995). Uma série de
alterações bióticas e abióticas surge nestes
remanescentes, normalmente resultando em
mudanças na estrutura e composição da
vegetação, que podem levar a um aumento
das taxas de recrutamento e de mortalidade
dos indivíduos arbóreos (Williams-Linera
1990, Laurence et al. 1998) e a variações
na densidade e na área basal de indivíduos
localizados, principalmente, nas áreas de
borda em relação às áreas do interior do
fragmento (Williams-Linera 1990; Murcia
1995) . Alterações na distribuição de
espécies de plantas e animais e nas
interações entre elas, a exemplo de
predação, competição, herbivoria,
polinização biótica e dispersão de sementes
também são verificadas (Lovejoy et al.
1986; Saunders et al. 1991; Aizen &
Feinsinger 1994; Murcia 1995).
Além disso, a fragmentação florestal
pode ocasionar altas taxas de extinção (Bawa
1990; Aizen & Feinsinger 1994) e quando a
fragmentação resulta no isolamento genético
total do habitat isolado, cada fragmento
isolado torna-se demograficamente
independente, podendo ocorrer extinção local
(Templeton et al. 1990; Turner & Collet
1996) provocando, portanto, significativa
redução da diversidade biológica.
Diversos estudos apontam a influência
da área total do fragmento, da idade, do
histórico de perturbação, do grau de isolamento
e da qualidade da matriz influenciando a
intensidade e amplitude das variações
provocadas pela fragmentação (Saunders et
al. 1991; Turner 1996, Laurence et al. 1998,
Mesquita et al. 1999). Fragmentos menores
apresentando diferenças de composição e
estrutura em relação a fragmentos maiores,
via de regra, menos expostos a fatores de
perturbação (Laurence 1997).
Neste trabalho pretende-se contribuir
para um melhor conhecimento e entendimento
dos efeitos da fragmentação e isolamento de
habitats sobre a estrutura e diversidade dos
Roitriguésia 57 (3): 391-411. 2006
SciELO/JBRJ
2 13 14 15
Estrutura da vegetação arbórea em três fragmentos florestais
393
elementos arbóreos de fragmentos de mata.
Para tanto são investigadas as variações na
estrutura e diversidade de três fragmentos de
tamanho e forma diferentes.
Material e Métodos
Os três fragmentos florestais estudados
encontram-se na Reserva Biológica de Poço
das Antas próximos à área de influência da
Represa de Juturnaíba, situado no limite
sudeste da Reserva. A Reserva, localizada
na porção central da planície costeira do
estado do Rio de Janeiro, na região conhecida
como baixada de Araruama, encontra-se
entre as latitudes 22°30’ e 22°35’S e as
longitudes 42°14’e 42°19’W (Fig. 1). Os
fragmentos estudados fazem parte de um
conjunto de oito remanescentes de florestas
sobre pequenas elevações, situados em
extensa planície e relativamente isolados,
sem corredores de vegetação interligando-
os, distando entre si cerca de 60 m (área I e
III), 280 m (área I e II) e 400 m (área II e
III) (Fig. 2). A construção da represa de
Juturnaíba, iniciada em 1984, implicou em
modificações drásticas na paisagem,
alterando o sistema de águas da região,
facilitando a propagação de incêndios,
provocando o desaparecimento das florestas
sobre a planície de inundação, que cederam
lugar a campos aluviais tornando
completamente aberto o ambiente vizinho às
florestas sobre os morrotes (Pessoa 2003).
Segundo a administração da Reserva, o
Figura 1 - Localização da Reserva Biológica dc Poço das Antas, Rio de Janeiro (Fonte: Programa Mata Atlântica/JBRJ).
Rodriguésia 57 (3): 391-411. 2006
SciELO/JBRJ
cm l
SciELO/ JBRJ.
2 13 14 15 16 17 18
394
primeiro incêndio que afetou a região das
áreas estudadas ocorreu em dezembro de
1984, seguindo-se outros em 1986, 1991,
1993, 1997, 2000 e 2002, todos coincidindo
com a estação seca. Os três últimos afetaram
as áreas em estudo em suas bordas e com
graus diferenciados de penetração e danos
para o interior.
Segundo a classificação de Veloso et al.
(1991), esta planície é ocupada pela Floresta
Ombrófila Densa, com a formação
Submontana ocorrendo nos dissecamentos do
Pessoa , S. V. A. & Oliveira. R. R.
relevo montanhoso. Sua topografia é
predominantemente de planície, apresentando
pequenos morros e morrotes arredondados que
podem atingir até 200 m de altitude, separados,
muitas vezes, por áreas baixas aluviais
periodicamente alagadas na estação das
chuvas (Takisawa 1995).
Em cada um dos fragmentos foram
implantados dois transectos de 1 0 m de largura
e comprimento variado, de acordo com a
extensão do fragmento, com orientações norte-
sul e leste-oeste, subdivididos em parcelas
Figura 2 - localização dos três fragmentos estudados na Reserva Biológica de Poço das Antas, RJ. (Miranda & Coutinho, 2004)
Rodriguésia 57 (3): 391-411. 2006
Estrutura da vegetação arbórea em três fragmentos florestais
395
contíguas de 10 x 25 m. O método de
transecto foi escolhido de forma a incluir na
amostragem a maior quantidade possível da
heterogeneidade florístico-estrutural existente
em cada um dos fragmentos. No fragmento I
(1,35 ha), os transectos mediram 125 m na
direção leste-oeste e 100 m na direção norte-
sul, totalizando 9 parcelas (2.250 m2) no
fragmento II (6,65 ha), 400 m na direção leste-
oeste e 175 m na direção norte-sul, perfazendo
23 parcelas (5.750 m2) e no fragmento III (9,34
ha), 325 m em ambas as direções, em um total
de 26 parcelas (6.500 m2). Todos os indivíduos
com diâmetro a altura do peito (1,30 m) ci 5
cm foram marcados, coletados e mensurados
dados referentes à altura e diâmetro. A
presença de árvores mortas ainda em pé foi
incluída na amostragem.
Para identificação do material botânico,
segundo o sistema de classificação de
Cronquist (1988), utilizou-se consulta à
especialistas, a literatura e à coleção do
herbário do Instituto de Pesquisas Jardim
Botânico do Rio de Janeiro (RB), onde
encontra-se depositado o material testemunho.
Os materiais cuja identificação ao nível de
espécie ainda não foi possível foram
categorizados como morfocspécics.
Na análise fitossociológica foram
empregadas as fórmulas apresentadas por
Mueller-Dombois & Ellenberg (1974) para
densidade, freqüência e dominância e valor de
importância (VI). A estimativa da diversidade
foi obtida utilizando-se o índice de diversidade
de Shannon (Magurran 1988) e no cálculo da
equabilidade (J) utilizou-se a fórmula de Piclou
(1975, apud Magurran 1988).
Os parâmetros fitossociológicos foram
calculados com o programa FITOPAC
(Shepherd 1994). Na elaboração dos
histogramas de freqüência de distribuição
dos indivíduos por classe de diâmetro e por
classe de altura, o intervalo de classe (IC),
em cada uma das situações e para cada
uma das espécies consideradas, foi
calculado segundo Spiegel (1970, apud
Felfili & Silva-Junior 1988).
Rodriguésia 57 (3): 391-411. 2006
Resultados e DiscussAo
Nas três áreas foram amostrados 1.771
indivíduos, relacionados a 207 espécies, 43
famílias c 107 gêneros. Os fragmentos I, II c
III apresentaram respectivamente 64 espécies,
239 indivíduos vivos e 69 indivíduos mortos
ainda cm pé; 1 07 espécies, 468 indivíduos vivos
e 81 mortos e 151 espécies, 1.064 indivíduos
vivos e 71 mortos. Os valores de densidade
foram de 1 .062, 8 1 3 e 1 .636 ind./ha, enquanto
os valores de área basal foram de 5,38, 13,24
e 20,07 m2/ha para as áreas I, II e III,
respectivamente.
No que tange à densidade, seria esperado
encontrar valores próximos para as áreas II c
III, tendo em vista a semelhança cm termos
de área levantada. Meffe et al. (1997)
afirmam que áreas maiores suportam
populações maiores em relação a áreas
menores, por estas proporcionarem condições
bióticas e abióticas diferenciadas. Os valores
encontrados para a área III corroboram esta
afirmativa. O menor valor encontrado na
comunidade II pode ser a expressão de
perturbações mais intensas provocadas pelos
incêndios passados c recentes, portanto em
resposta à intensidade da perturbação e ao
tempo decorrido entre os incêndios e desde o
último. Dificuldades ou mesmo impedimento
à regeneração de algumas espécies podem
estar ocorrendo, como resultado de alterações
drásticas em fatores bióticos e abióticos destas
comunidades. Silva Matos et al. (1998)
utilizando critério de inclusão diferente (DAP
t 10 cm) relacionaram as variações
encontradas entre as densidades às diferenças
microclimáticas (velocidade do vento, umidade
do ar, temperatura) observadas nestes
fragmentos, sendo a ação do vento mais
determinante para o fragmento II. Da mesma
forma, a intensidade e o tempo decorrido,
podem ter influenciado no valor obtido para o
menor fragmento (área I). Os valores
encontrados parecem indicar que as relações
entre densidade c perturbação podem ser algo
mais complexas do que o sugerido por
Laurence et al. (1998) e Williams-Lincra
SciELO/JBRJ1
2 13 14 15 16 17 18
cm ..
396
(1990), que encontraram um aumento na
densidade em fragmentos pequenos.
Possivelmente perturbações menos intensas
possam significar aumento da densidade.
Silva & Nascimento (200 1 ) sugerem que
baixos valores de área basal possam ser
reflexo do grau de perturbação da área. À
exceção da área I, o menor fragmento, os
valores de área basal foram semelhantes aos
obtidos em estudos de outras matas de
planície com histórico de perturbação (13,8
e 24,4 mVha - Neves, 1999; 15 m2/ha - Silva
& Nascimento, 2001; 18 m2/ha - M. T.
Nascimento (dados não publicados, apud
Silva & Nascimento, 2001); 26,1 mVha -
Borém & Ramos, 2001; 23,1 m2/ha - Borém
& Oliveira-Filho, 2002. E são muito inferiores
ao encontrado por Sztutmam & Rodrigues
(2002) (39,3 mVha) para floresta de morrote
em Pariquera-Açu, São Paulo, uma das
maiores áreas de floresta contínua em bom
estado de conservação para esta formação.
Desta forma, os valores encontrados sugerem
que estes podem estar relacionados tanto às
perturbações decorrentes da fragmentação
(Mesquita et al. 1999; Laurence et al. 2002),
normalmente ocasionando a morte dos
indivíduos de maiores diâmetros, quanto aos
incêndios pretéritos. O valor alcançado para
a área II possivelmente reflete a influência
do diâmetro atingido por um de seus
elementos (109 cm).
A ocorrência de indivíduos mortos em pé
foi proporcionalmente maior nas áreas I e II,
com 29% e 17,3% respectivamente, sendo
ainda visíveis, em muitos indivíduos de ambas
as áreas, os sinais dos danos causados pelo
incêndio ocorrido pouco antes do início dos
trabalhos. Na área III foram encontrados 71
indivíduos mortos ou 6,7% do total de
indivíduos amostrados. Os dados levantados,
exceto os observados na área III, mostram-
se superiores aos alcançados para outros
trechos da Reserva (10,3% e 11% - Neves
1999) e para outras áreas de mata de planície
(4,08% - Guedes, 1988; 9,7% - Silva &
Nascimento 2001), todas sujeitas a alguma
Pessoa , S. V. A. & Oliveira, R. R.
forma de perturbação. Embora estudos
apontem que a fragmentação e o efeito de
borda aumentam a mortalidade dos elementos
arbóreos (Williams-Linera 1990; Tabanez et
al. 1997; Laurence et al. 2002), os altos
valores observados nas áreas I e II devem
ser creditados, em grande parte, à ação do
fogo, evidenciado pelo fato da maioria dos
indivíduos mortos apresentarem troncos
completamente ou parcialmente queimados.
No que se refere à ocorrência de caules
múltiplos ou ramificações abaixo de 1,30 m a
altura do peito, foram encontrados na área I 7
indivíduos (2,9%), distribuídos em 6 espécies,
na área II, 53 indivíduos ( 1 1 ,3%), distribuídos
em 25 espécies e na área III 22 indivíduos
(2%), distribuídos em 15 espécies. No total,
38 espécies apresentaram mecanismo de
rebrota como uma estratégia para se manter
na comunidade, auxiliando desta forma a
cicatrização de trechos abertos na floresta, seja
pela via antrópica (fogo) ou pela via natural
(vento, senescência, etc). A relevância da
regeneração por rebrota em espécies arbóreas
da floresta tropical é apontada por Ewel
(1977), salientando Grime (1979, apud
Castellani 1 986), que o crescimento por rebrota
mostra-se mais vantajoso sobre o
desenvolvimento a partir de sementes, tendo
em vista que o primeiro não necessita alocar
recursos para a formação de raízes. Embora,
para as unidades em estudo, a ocorrência de
caules múltiplos pareça estar relacionada tanto
a eventos antrópicos como naturais, este fato
também pode ser uma característica ligada à
espécie ou à própria floresta (Dunphy et al.
apud Sá 2002).
Os dados obtidos para abundância de
famílias, considerando aquelas que perfazem
75% dos indivíduos amostrados, indicam que
são os elementos das famílias Euphorbiaceae,
Annonaceae e Sapotaceae, e em menor escala
os das famílias Moraceae e Nyctaginaceae
os que exercem um papel mais preponderante
na caracterização da fisionomia das três
unidades estudadas (Fig. 3). Na área I observa-
se o predomínio da família Euphorbiaceae.
RoJriguésia 57 (3): 391-411. 2006
SciELO/JBRJ
2 13 14 15 16 17
Estrutura da vegetação arbórea em três fragmentos florestais
cujos 1 10 indivíduos perfazem 46% do total de
indivíduos amostrados, fato ocasionado pela
grande incidência da espécie Senefeldera
verticillata. Para a área II, as famílias
Euphorbiaceae (75 indivíduos), Ulmaceae (49),
Nyctaginaceae (44), Annonaceae (36),
Moraceae (30), Bignoniaceae (22) e Arecaceae
(22) se sobressaem perante as demais. Nesta
área, as espécies S. verticillata , Trema
micrantha, Guapira areolata e G. opposita,
Annona cacans, Helicostyles tomentosa,
Sparattosperma leucanthum e Astrocaryum
aculeatissimum contribuem para a dominância
de suas respectivas famílias. A área III
apresenta um quadro semelhante à área I, com
apenas duas famílias, Euphorbiaceae e
Annonaceae, contribuindo com 49% do total
de indivíduos amostrados, destacando-se que
os 405 indivíduos de Euphorbiaceae
representam 38% deste total. Ressalta-se a
contribuição das espécies S. verticillata e
Anaxagorea üolichocarpa, respectivamente
para a abundância destas famílias. Rubiaceae
(97 indivíduos), Moraceae (63), Sapotaceae
(55), Leguminosae (46) e Myrtaceae (38)
formam as demais famílias que contribuem com
quantitativos menores de elementos e perfazem
28% dos indivíduos amostrados. A presença
destacada da família Ulmaceae na área II,
sinaliza uma maior ocorrência de fatores de
perturbação nesta área, pois a espécie que a
representa é considerada característica de
estádios iniciais do processo sucessional
(Gandolfi etal. 1995).
Considerando o valor de importância das
diferentes famílias presentes nas três áreas
amostradas e referenciando somente aquelas
famílias que totalizam cerca de 75% do valor
total de importância, verifica-se que as famílias
Euphorbiaceae, Sapotaceae, Leguminosae,
Annonaceae, Lauraceae, Moraceae,
Nyctaginaceae, Myrtaceae, Apocynaccae,
Ulmaceae, Bignoniaceae, Arecaceae,
Sapindaceae, Asteraceae, Flacourtiaceae,
Boraginaceae, Meliaceae e Rubiaceae figuram
entre as mais importantes. Uma comparação
com outros estudos realizados nas florestas desta
região indica que a maioria das famílias
Rodrlguésia 57 (3): 391-411. 2006
397
importantes para as áreas estudadas estão entre
as mais importantes nestes estudos, embora
exista uma variação de posição destas famílias
no ranking de valor de importância (Guedes
1988; Guedes-Bruni 1998; Borém & Oliveira-
Filho 2002; Rodrigues 2004).
Os dados apresentados na Figura 4
demonstram que Euphorbiaceae, Sapotaceae,
Annonaceae, Moraceae e Nyctaginaceae
Figura 3 - Distribuição do percentual de indivíduos com
DAP maior ou igual a 5 cm por família botânica cm três
fragmentos florestais amostrados na Reserva Biológica
de Poço das Antas, RJ. Fragmento 1-1,35 ha; Fragmento
II - 6,65 ha e Fragmento III - 9,34 ha.
SciELO/ JBRJ
2 13 14 15 16 17 18
cm ..
Pessoa , S. V. A. & Oliveira, R. R.
apresentam-se em destaque nas três áreas,
resultado já obtido para o parâmetro abundância
por família. Estes resultados demonstram que
embora determinadas famílias possam
caracterizar estas florestas, variações locais nas
condições edáficas, topográficas, climáticas e
fatores de perturbação podem contribuir para
a presença destacada de determinadas famílias,
fato que corrobora a proposição de Rodrigues
(2004) de que a estrutura da vegetação seja
uma responda a fatores abióticos locais.
Figura 4 - Distribuição percentual dos valores de importância
(VI) por família botânica em três fragmentos florestais
amostrados na Reserva Biológica de Poço das Antas, RJ.
Fragmento 1 — 1,35 ha; Fragmento 11-6,65 ha e Fragmento
III -9,34 ha.
Da análise das espécies no que tange ao
seu valor de importância (Tabs. 1, 2 e 3),
observa-se uma variação entre os dez
elementos florísticos de maior expressão para
cada uma das unidades levantadas, como
resultado ora da densidade destes componentes,
fato mais freqüente, ora da dominância. Na
área I destacam-se S. verticillata,
Pogonophora schomburgkiana, Pera
glabrata, Copaifera trapezifolia, A.
dolichocarpa, Ecclinusa ramiflora, G.
opposita, Balizia pedicellaris, Tetraplandra
leandri. e T. micrantha. Diferentemente das
demais, P . glabrata e C. trapezifolia estão
bem posicionadas devido a seus valores de
dominância relativa (8,76% e 6,76%,
respectivamente). Para a área II sobressaem-
se S. verticillata, T. micrantha, Andradaea
floribunda, A. cacans, A. aculeatissimum,
G. opposita, S. leucanthum, H. tomentosa,
G. areolata e Cordia sellowiana e à exceção
de S. verticillata, T. micrantha e A.
floribunda, as demais não apresentam
grandes variações entre os valores de
densidade e dominância. Na área III, as
espécies que individualmente mais contribuem
são S. verticillata, A. dolichocarpa,
Actinostemon verticillatus, Mabea piriri,
Faramea truncata, H. tomentosa, E.
ramiflora, Pterocarpus rohrii, G. opposita
e A. aculeatissimum. Para as espécies M.
piriri, H. tomentosa, E. ramiflora e G.
opposita, seus valores de densidade e
dominância influenciam igualmente no valor
de importância total obtido.
Ao compararmos estes resultados com
outros trabalhos para florestas desta região
(Guedes 1988; Guedes-Bruni 1998; Neves
1 999; Borém & Oliveira-Filho 2002; Rodrigues,
2004) observamos que somente S. verticillata.
A. aculeatissimum, S. leucanthum, E.
ramiflora, //. tomentosa e G. opposita são
citadas. Isto sugere que à exceção das espécies
acima mencionadas, as áreas estudadas devem
ser consideradas importantes para a manutenção
das demais espécies, como também apresentam
condições mais propícias à sua ocorrência.
Rodriguésia 57 (3): 391-411. 3006
SciELO/JBRJ
2 13 14 15 16 17 18
cm
Estrutura da vegetação arbórea em três fragmentos florestais 399
Tabela 1 - Parâmetros fitossociológicos das espécies amostradas no Fragmento I na Reserva Biológica
de Poço das Antas, RJ, ordenadas segundo o valor de importância (VI), sendo N= número de indivíduos;
DA= densidade absoluta (N/ha); FA= freqüência absoluta (%); DoA= dominância absoluta (mVha);
DR= densidade relativa (%); FR= freqüência relativa (%); DoR= dominância relativa (%).
Espécies
N
DA
FA
DOA
DR
FR
DoR
VI
Senefeldera verticillala (Vell.) Croizat
93
413,3
88,89
4,7220
38,91
6,67
19,73
65,31
Pogonophora schomburgkiana Miers ex Benth.
10
44,4
55,56
0,8591
4,18
4,17
3,59
1 1,94
Pera glabrata (Schott) Baill.
1
4,4
11,11
2,0966
0,42
0,83
8,76
10,01
Copaifera trapezifolia Hayne
2
8,9
22,22
1,6170
0,84
1,67
6,76
9,26
Anaxagnrea doiichocarpa Sprague & Sandwith
10
44,4
44,44
0,2625
4,18
3,33
1,1
8,61
Ecclinusa ramiflora Mart.
5
22,2
44,44
0,7137
2,09
3,33
2,98
8,41
Cuapira opposita (Vcll.) Reitz
6
26,7
55,56
0,3427
2,51
4,17
1.43
8,1 1
Balizia pedicellaris (DC.) Bamcby & J. W. Grimes
3
13,3
33,33
1,0245
1,26
2,5
4,28
8,04
Tctraplandra leandri Baill.
5
22,2
44,44
0,5756
2,09
3,33
2,4
7,83
Trema micranlha (L.) Blume
10
44,4
33,33
0,1745
4,18
2,5
0,73
7,41
Manilkara aff. bella Monach.
2
8,9
22,22
0,9910
0,84
1,67
4,14
6,64
Tapirira guianensis Aubl.
1
4.4
11,11
1,1581
0,42
0,83
4,84
6,09
Duguetia puhliana Mart.
4
17,8
44,44
0,2364
1,67
3,33
0,99
5,99
Pouteria reticulata (Eng.) Eyma
2
8,9
22,22
0,8006
0,84
1,67
3,35
5,85
Aspidosperma spruceanum Benth. ex Mtlll. Arg.
3
13,3
33,33
0,3906
1,26
2,5
1,63
5,39
Lecythis lurida (Miers) S. A. Mori
3
13,3
33,33
0,3433
1,26
2.5
1,43
5,19
Mieropholis guyanensis (A.DC.) Picrre
2
8,9
22,22
0,5662
0,84
1,67
2,37
4,87
Cordia trichoclada DC.
4
17,8
33,33
0,0885
1,67
2,5
0,37
4,54
Aniba firmula (Nccs & Mart. ex Ness) Mcz
3
13,3
33,33
0,0938
1,26
2,5
0,39
4,15
Garcinia gardneriana Miers ex Planch. & Triana
4
17,8
22,22
0,1843
1,67
1,67
0,77
4,11
Esenbeckia grandiflora Mart.
5
22,2
11,11
0,2741
2,09
0,83
1.15
4,07
Eriotheca pentaphylla (Vell.) K. Schum.
2
8,9
22,22
0,3542
0,84
1,67
1,48
3,98
Annomi cacaus Warm.
3
13,3
22,22
0,2527
1,26
1,67
1,06
3,98
Urola gardneri (A.DC.) Warb
2
8.9
11,11
0,5185
0,84
0,83
2,17
3,84
Tovomila glaztoviana Engl.
2
8,9
22,22
0,2995
0,84
1,67
1,25
3,75
Brosimum sp.
1
4,4
11,11
0,5529
0,42
0,83
2,31
3,56
Cuapira areolata (Heirmcrt) Lumlcll
2
8,9
22,22
0,2511
0,84
1,67
1,05
3,55
llelicostylis lamentosa (Pocpp. & Endl.) Rusby
2
8,9
22,22
0,1268
0,84
1,67
0,53
3,03
Lauraccac sp.l
2
8,9
22,22
0,0886
0,84
1,67
0,37
2,87
Sorncea guilleminiana Gaudich.
2
8,9
22,22
0,0850
0,84
1,67
0,36
2,86
Aspidosperma discolor A.DC.
2
8.9
22,22
0,0749
0,84
1,67
0,31
2,82
Inga capitata Dcsv.
2
8,9
22,22
0,0643
0,84
1,67
0,27
2.77
Aslrocaryum aculeatissimum (Schott) Burrct
2
8,9
22,22
0,0547
0,84
1,67
0,23
2,73
Albizia polycephala (Benth.) Killip ex Rccord
1
4,4
11,11
0,3442
0,42
0,83
1,44
2,69
Swartzia apelala var. apetala R.S. Cowan
2
8,9
22,22
0,0383
0,84
1,67
0,16
2,66
Ocotea divaricata (Necs) Mcz
2
8,9
22,22
0,0331
0,84
1,67
0,14
2,64
Ocotea alT. nntata (Nees & Mart. Ness) Mcz
1
4,4
11,11
0,3311
0,42
0,83
1,38
2,64
Sapotaccac sp.3
1
4,4
11,11
0,3247
0,42
0,83
1,36
2,61
Brosimum guianense (Aubl.) Ilubcr
2
8.9
11,11
0,2231
0,84
0,83
0,93
2.6
Eugenia dichroma Bcrg
1
4,4
1 1,11
0,3058
0,42
0,83
1,28
2,53
Hirtella hebeclada Moric. ex DC.
1
4,4
11,11
0,2737
0,42
0,83
1.14
2,4
Erylhroxylum cincinnatum Mart.
2
8,9
11,11
0,1484
0,84
0,83
0,62
2,29
Casearia arbórea (Rich.) Urb.
2
8,9
11,11
0,1318
0,84
0,83
0,55
2,22
llyeronima oblonga (Tul.) MUll. Arg.
1
4.4
II. II
0,2217
0,42
0,83
0,93
2,18
Cathedra rubricaulis Miers
1
4,4
1 1,1 1
0,1767
0,42
0,83
0,74
1,99
Myrtaceac sp.l
1
4,4
11,11
0,1399
0,42
0,83
0,58
1,84
Licania alT. kuntluana Hook. f.
1
4.4
11,11
0,1300
0,42
0,83
0,54
1.79
Ouralea oUvaeformis Engl.
2
8.9
11,11
0,0287
0,84
0,83
0,12
1.79
Myrtaccae sp.7
1
4,4
11,1 1
0,1 195
0,42
0,83
0,5
1,75
Simaba floribunda A. St.-Hil.
1
4.4
1 1,11
0.1 1 18
0,42
0,83
0,47
1.72
Parinari excelsa Sabinc
1
4.4
11,11
0,0974
0,42
0,83
0,41
1,66
Rodriguésia 57 (3): 391-411. 2006
SciELO/JBRJ
L2 13 14 15 16 17
cm ..
400
Pessoa . S. V. A. & Oliveira, R. R.
Espécies
N
Copai/era langsdorfii Dcsf.
Vrbanodendron verrucosum (Nccs) Mez
Erythroxylum cuspidifolium Mart.
Licania oclandra (Hoflmanns ex Roem. & SchulL) Kuntzc
Sapotaccae sp.2
Prolium heplaphyllum (Aubl.) Marchand
Myrtaceac sp.3
Ocotea elegans Mez
Vrbanodendron aff. bahiense (Meisn.) Rohwer
Sapotaccae sp.l
Faramea multijlora A. Rich. ex DC.
Marlierea dimorpha Berg
Swcirlzia apetala var. glabra (Vogei) R.S. Cowan
DA
FA DOA
DR
1
4,4
11,11
1
4.4
11,11
1
4.4
11,11
1
4,4
11,11
1
4.4
11,11
1
4.4
11,11
1
4,4
11,11
1
4,4
11.11
1
4.4
11,11
1
4.4
11,11
1
4,4
11,11
1
4,4
11.11
1
4,4
11,11
FR DoR
VI
0,0962
0,0808
0,0785
0,0430
0,0422
0,0378
0,0308
0.0291
0,0218
0,0181
0,0161
0,0122
0,0094
0,42
0,42
0,42
0,42
0,42
0.42
0,42
0,42
0,42
0,42
0,42
0,42
0,42
0,83
0,83
0,83
0,83
0,83
0,83
0,83
0,83
0.83
0,83
0,83
0,83
0,83
0.4
0,34
0,33
0,18
0,18
0,16
0,13
0,12
0,09
0,08
0,07
0,05
0,04
1,65
1,59
1,58
1.43
1.43
1.41
1,38
1.37
1.34
1.33
1.32
1.3
1.29
' 2 ' Pr.mCr t?SS°CI0,0glC0S ^ csPécies amostradas no Fragmento II na Reserva Biológica
DA^ftbd h i °! ^ SegUnd° ° Va'0r d£ Ímportância (VI)’ sendo N= número de indivíduos;
A densidade absoluta (N/ha); FA= freqüência absoluta (%); DoA= dominância absoluta (mVhaV
DR= densidade relativa í%v fr= ,0/x. ... . . . . ... l *
Espécies
Senefeldera verticillata (Vell.) Croizat
Trema micrantha (L.) Blume
Andradea jloribunda Allcmâo
Annona cacans Warm.
Astrocaryum aculeatissimum (Schott) Burret
Guapira opposita (Vell.) Reitz
Sparaltosperma leucanlhum (Vell.) K. Schum.
Helicostylts lomenlosa (Poepp. & Endl.) Rusby
Guapira areolala (Hcimerl) Lundcll
Cordia sellowiana Cham.
Cabralea canjerana (Vell.) Mart.
Ficus gamelleira Kunth. & Bouché
Aclinostemon verlicillalus (Klotzsch) Baill.
Cupania racemosa (Vell.) Radlk.
Firola gardneri (A.DC.) Warb.
Eriotheca pentaphylla (Vell.) K. Schum.
Siparuna reginae (Tul.) A.DC.
Telrasiylidium grandifolium (Baill.) Slcumcr
Micropholis crassipedicellala (Mart. & Eichlcr ex Miq.) Picrrc
Casearia alT. sylveslris Sw.
Pouteria guianensis Aubl.
Sorocea guilleminiana Gaudich.
Didymopanax morototoni (Aubl.) Decnc. & Planch.
Pouteria reticulata (Engl.) Eyma
Aspidosperma discolor A.DC.
Guatteria latifolia (Mart.) R.E. Fries
Lecythis lurida (Miers) S.A. Mori
Casearia sylveslris Sw.
Garcinia gardneriana Miers ex Planch. & Triana
Cupania sp.l
Chrysophyllum gonocarpum (Mart. & Eichlcr) Engl.
Martiodendron mediterraneum (Mart. ex Bcnth.) Koeppen
Phylloslemonodaphne geminiflor (Nccs) Kostcrm.
Matayba a IT. juglandifolia Radlk.
Myrtaceae sp. 14
Casearia arbórea (Rich.) Urb.
N
53
DA
92,20
FA
52.17
DoA
1,6466
DR
11,32
Fr
4,00
DoR
7.15
49
85,20
39,13
0.2897
10,47
3,00
1,26
9
15.70
30,43
2.2705
1.92
2.33
9.85
24
41.70
47.83
0.7911
5.13
3,67
3.43
22
38,30
60,87
0.4648
4,70
4.67
2,02
17
29,60
52,17
0,7485
3.63
4,00
3.25
16
27,80
34,78
0,8759
3.42
2.67
3.80
16
27,80
43,48
0,6794
3.42
3,33
2,95
18
31,30
43,48
0,5750
3,85
3,33
2,50
9
15,70
34,78
0,9749
1.92
2,67
4.23
6
10,40
21,74
1,1032
1,28
1,67
4,79
i
16
1,70
4,35
1,6288
0,21
0.33
7,07
27,80
34,78
0,2556
3,42
2,67
1.11
7
12,20
26.09
0,7389
1,50
2,00
3,21
8
13,90
17,39
0,5076
1.71
1.33
2,20
3
5,20
13,04
0,8148
0,64
1,00
3,54
8
13,90
30.43
0,2330
1.71
2.33
1.01
3
5,20
13,04
0,6275
0,64
1,00
2.72
2
3,50
8,70
0,7107
0,43
0,67
3,08
7
12,20
21,74
0,2190
1,50
1,67
0,95
5
8,70
21,74
0,2203
1,07
1,67
0,96
7
12,20
21,74
0,1096
1,50
1,67
0,48
4
7,00
17,39
0,2660
0.85
1.33
1.15
4
7,00
17,39
0.2439
0,85
1.33
1,06
5
8,70
21,74
0,1123
1,07
1,67
0.49
5
8,70
17,39
0.1166
1,07
1,33
0.51
4
7,00
17,39
0.1418
0,85
1.33
0,62
4
7,00
17,39
0,1363
0,85
1.33
0,59
5
8,70
17,39
0,0772
1,07
1.33
0,34
5
8,70
17,39
0,0575
1.07
1.33
0.25
3
5,20
13,04
0,2197
0.64
1,00
0.95
1
1,70
4,35
0,4283
0.21
0.33
1.86
3
5,20
13,04
0.1610
0,64
1,00
0.70
4
7,00
17,39
0,0247
0.85
1,33
0,1 1
4
7,00
13,04
0,0862
0,85
1,00
0,37
3
5,20
13.04
0.1353
0,64
1,00
0,59
VI
22,47
14,73
14.11
12.23
11,38
10,88
9,89
9.70
9.67
8,82
7.74
7,62
7.19
6.70
5.25
5.18
5,05
4,36
4.18
4.11
3,69
3.64
3.34
3.25
3.22
2.91
2,80
2,78
2.74
2.65
2.59
2.41
2.34
2.30
2.23
2.23
Rodriguésia 57 (3): 391-411. 2006
SciELO/JBRJ
2 13 14 15 16 17
cm
Estrutura da vegetação arbórea em três fragmentos florestais 40 1
Espécies
N
DA
FA
DoA
DR
Fr
DoR
VI
Ecctinusa ramiflora Mart.
3
5,20
13,04
0,1327
0,64
1,00
0,58
2,22
Lauraceae sp.l
3
5,20
13,04
0,1262
0,64
1,00
0,55
2,19
Casearia sp.
2
3,50
4,35
0,3252
0,43
0,33
1,41
2,17
Ocotea schottii (Mcisn.) Mez
2
3,50
8,70
0,2413
0,43
0,67
1,05
2,14
Vernonia aff .peduncuiata DC.
3
5,20
8,70
0,1870
0,64
0,67
0,81
2,12
Protium heptaphyllum (Aubl.) Marchand
2
3,50
8,70
0,2266
0,43
0,67
0,98
2,08
Inga thibaudiana DC.
3
5,20
13,04
0,0418
0,64
1,00
0,18
1,82
Simaba floribunda A.St.-Hil.
2
3,50
8,70
0,1666
0,43
0,67
0,72
1,82
Jacaranda aff. obovata Cham.
3
5,20
13,04
0,0399
0,64
1,00
0,17
1,81
Vernonia discolor Less.
6
10,40
4,35
0,0446
1,28
0,33
0,19
1,81
Copaifera trapezifolia Dcsf.
1
1,70
4,35
0,2865
0,21
0,33
1.24
1.79
Guarea guidonia (L.) Sleumer
3
5,20
8,70
0,1044
0,64
0,67
0,45
1,76
Brosimum guianense (Aubl.) Huber
3
5,20
8,70
0,0881
0,64
0,67
0,38
1,69
Bocagea aff viridis A.St.-Hil.
2
3,50
8,70
0,1363
0,43
0,67
0,59
1,69
Manilkara aff. bella Monach.
1
1,70
4,35
0,2537
0,21
0,33
1,10
1,65
Pogonophora schomburgkiana Micrs ex Benth.
2
3,50
4,35
0,2044
0,43
0,33
0,89
1,65
Jacaranda puberula Cham.
2
3,50
8,70
0,1114
0,43
0,67
0,48
1,58
Inga edulis Mart.
2
3,50
8,70
0,0546
0,43
0,67
0,24
1,33
Apocynaceac sp.
2
3,50
8,70
0,0518
0,43
0,67
0,22
1.32
Guarea macrophylla Vahl
2
3,50
8,70
0,0360
0,43
0,67
0,16
1,25
Duguetia pohiiana Mart.
2
3,50
8,70
0,0303
0,43
0,67
0,13
1,23
Aniba firmuta (Nccs & Mart. ex Nes) Mez
2
3,50
8,70
0,0250
0,43
0,67
0,11
1,20
Cordia trichoclada DC.
2
3,50
8,70
0,0129
0,43
0,67
0,06
1,15
Inga capitata Dcsv.
2
3,50
8,70
0,0107
0,43
0,67
0,05
1.14
Chamaecrista ensiformis (Vell.) ll.S. Irwin & Bamaby
2
3,50
8,70
0,0107
0,43
0,67
0,05
1.14
Parinari excelsa Sabinc
1
1,70
4,35
0,1313
0,21
0,33
0,57
1.12
Molllnedia argvrogyna Pcrkins
1
1,70
4,35
0,1313
0,21
0,33
0,57
1.12
Tovomita glazioviana Engl.
3
5,20
4,35
0,0196
0,64
0,33
0,08
1,06
Myrtaccae sp. 1 2
1
1,70
4,35
0,1 109
0,21
0,33
0,48
1,03
Indeterminada sp.3
1
1,70
4,35
0,1033
0,21
0,33
0,45
1,00
Licaria sp.
1
1,70
4,35
0,1011
0,21
0,33
0,44
0,99
Pera heteranthera (Schrank) I.M. Jonhst.
1
1,70
4,35
0,1003
0,21
0,33
0,44
0,98
Tovomitopsis panicuiata Planch. & Triana
1
1,70
4,35
0,0691
0,21
0,33
0,30
0,85
Mollinedia aff. glabra (Sprcng.) Pcrkins
1
1,70
4,35
0,0679
0,21
0,33
0,29
0,84
Cecropia glazioui Snethl.
2
3,50
4.35
0,0179
0,43
0,33
0,08
0,84
Myrtaccae sp.4
1
1,70
4,35
0,0631
0,21
0,33
0,27
0,82
Agonandra aff. fluminensis Rizzini & Ochioni
1
1,70
4,35
0,0493
0,21
0,33
0,21
0,76
Guatleria aff. mexiae R. E. Frics
1
1,70
4,35
0,0467
0,21
0,33
0,20
0,75
Hirtella aff. hispiduia Miq.
1
1,70
4.35
0,0350
0,21
0,33
0,15
0,70
Eugenia jurujubensis Kiacrsk.
1
1,70
4,35
0,0242
0,21
0,33
0,10
0,65
Hyeronima alchorneoldes Allemâo
1
1,70
4,35
0,0231
0,21
0,33
0,10
0,65
Brosimum aff. glaziovii Taub.
1
1,70
4.35
0,0197
0,21
0,33
0,09
0,63
Myrcia tingens 0. Berg
1
1,70
4,35
0,0181
0,21
0,33
0,08
0,63
Pera glabrata (Schott) Baill.
1
1,70
4,35
0,0168
0,21
0,33
0,07
0,62
Myrtaccae sp.l 3
1
1,70
4,35
0,0165
0,21
0,33
0,07
0,62
Anaxagorea dolichocarpa Spraguc & Sandwith
1
1,70
4,35
0,0162
0,21
0,33
0,07
0,62
Indeterminada sp.6
1
1,70
4,35
0,0148
0,21
0,33
0,06
0,61
Myrtaccae sp.10
1
1,70
4,35
0,0142
0,21
0,33
0,06
0,61
Chionanthus mandioccanus (Eichlcr) Lozano & Fuentcs
1
1,70
4,35
0,0139
0,21
0,33
0,06
0,61
Macrotorus utricuiatus Pcrkins
1
1,70
4,35
0,0137
0,21
0,33
0,06
0,61
Balhvsa mendoncaei K. Schum.
1
1,70
4,35
0,0134
0,21
0,33
0,06
0,61
Indeterminada sp.l
1
1,70
4,35
0,0121
0,21
0,33
0,05
0,60
Alchornea triplinervia (Spreng.) MU1I. Arg.
1
1,70
4,35
0,01 18
0,21
0,33
0,05
0,60
Eugenia oblongata O. Berg
1
1,70
4,35
0,0111
0,21
0,33
0,05
0,60
Ocotea dispersa (Nees) Mez
1
1,70
4,35
0,0103
0,21
0,33
0,04
0,59
Cupania aff. revoluta Radlk.
1
1,70
4,35
0,0099
0,21
0,33
0,04
0,59
Ocotea odorífera (Vell.) Rohwcr
1
1,70
4.35
0,0094
0,21
0,33
0,04
0,59
Rodriguésia 57 (3): 391-411. 2006
SciELO/JBRJ
12 13 14 15 16 17
cm ..
402
Pessoa . S. V. A. & Oliveira. R. R.
Espécies
Myrtaccac sp. 15
Swartzia apetala var. glabra (Vogei) R.S. Cowan
Rubiaccac
Xylopia sericeaa A.St.-Hil.
Endlicheria glomerata Mez
Guarea a(T. kunthiana A. Juss.
Ocolea laxa (Necs) Mez
Adenocalyma subsessilifoUum DC.
Myrtaceae sp.9
Miconia cahescens Schrank & Mart. ex DC.
Triehilia sp.2
Lauraccae sp.2
Indeterminada sp.5
Myrtaceae sp.16
DA
FA
DoA
DR
Fr DoR
VI
1.70
1.70
1,70
1,70
1,70
1,70
1,70
1,70
1,70
1,70
1,70
1,70
1,70
1,70
4,35
4,35
4,35
4,35
4.35
4.35
4.35
4.35
4.35
4.35
4.35
4.35
4.35
4.35
0.0094
0,0087
0,0083
0,0077
0,0075
0.0058
0.0058
0,0054
0.0054
0,0051
0,0048
0.0037
0,0036
0,0034
0,21
0,21
0,21
0,21
0,21
0,21
0,21
0,21
0,21
0,21
0,21
0,21
0,21
0.21
0,33
0.33
0,33
0.33
0,33
0,33
0.33
0,33
0,33
0.33
0.33
0,33
0.33
0,33
0,04
0,04
0,04
0,03
0,03
0,03
0,03
0,02
0.02
0,02
0.02
0,02
0,02
0,01
0,59
0,58
0,58
0,58
0,58
0,57
0,57
0,57
0,57
0,57
0,57
0,56
0.56
0,56
Tabe|a 3 - Parâmetros fitossociológicos das espécies amostradas no Fragmento III na Reserva Biolócica
DR densidade relaliva (%); FR= lreqüència relativa (%); DoR= domintad!i™aüva pO* ^ ~ '
EidícIm "
Senefeidera verticillala (Vcll.) Croizat
Anaxagorea doliehocarpa Sprague & Sandwicth
Actinostemon verticillatus (Klotzch) Baill.
Mabea pirirí Aubl.
Faramea truncata DC.
Ilelicostylis lamentosa (Pocpp. & Endl.) Rusby
Ecclinusa ramiflora Mart.
Pterocarpus rohrii Vahl
Guapira opposila (Vcll.) Reitz
Astrocaryum aculeatissimum (Schott) Burret
Cabralea canjerana (Vell.) Mart.
Pseudopiptadenia contaria (DC.) GP.Lewis & M.P.Lima
Virola gardneri (A.DC.) Warb.
Martiodendron mediterraneum (Mart. ex Benth.) Koeppcn
Bathysa mendoncaei K. Schum.
Eriotheca pentaphylla (Vell.) K. Schum.
Rinorea guianensis Aubl.
Vernonia discolor Less.
Brosimum guianense (Aubl.) Huber
Lecythis lurida (Micrs) S. A. Mori
Simaroiiha amara A.St.-Hil.
Aparlsthmium cordatum (A. Juss.) Baill.
Annona cacans Harm.
Chrysophyllum gonocarpum (Mart. & Eichler) Engl.
Andradea Jloribunda Allemao
Micropholis crassipedicellata (Mart. & Eichler ex Miq. Picrre
Swartzia apetala var. glabra (Vogei) R. S. Cowan
Guapira areolata (Heimerl) Lundcll
Tapirira guianensis Aubl.
Pouteria guianensis Aubl.
Tetraplandra leandri Baill.
Pouteria bangii (Rusby) T. D. Penn.
Tetrastylidium grandifolium (Baill.) Sleumer
Faramea multi/lora A. Rich. ex DC.
242
372.30
96,15
5,3081
22,74
4.77
17,19
97
149,20
92,31
0,9426
9,12
4,58
3,05
78
120,00
76,92
0,9019
7,33
3,82
2,92
48
73,80
53.85
1,5429
4,51
2,67
5,00
57
87,70
73,08
0,5824
5.36
3,63
1,89
33
50,80
73,08
0,8765
3,10
3,63
2,84
25
38,50
53,85
0,5646
2,35
2,67
1,83
6
9,20
19,23
1,5606
0,56
0,95
5,05
1 9
29,20
57,69
0,5447
1,79
2,86
1,76
22
33,80
50,00
0,2396
2,07
2,48
0,78
8
12,30
26,92
0,9577
0,75
1,34
3,10
8
12,30
19,23
0,9367
0.75
0,95
3,03
12
18,50
30,77
0,4668
1.13
1,53
1.51
7
10,80
23,08
0.6245
0,66
1.15
2,02
1 8
27,70
30,77
0,1814
1,69
1,53
0,59
8
12,30
23,08
0,5863
0,75
1.15
1.90
1 2
18,50
38,46
0,2323
1,13
1,91
0,75
8
12,30
15,38
0.7013
0,75
0,76
2,27
1 2
18,50
46,15
0,1005
1.13
2,29
0,33
6
5
9,20
7,70
23,08
19,23
0,6231
0,6659
0,56
0.47
1.15
0,95
2.02
2,16
21
32,30
15,38
0,1588
1,97
0.76
0.51
4
6,20
15,38
0.6496
0.38
0,76
2,10
9
13,80
26,92
0.2952
0,85
1.34
0.96
2
3,10
7,69
0,7842
0,19
0.38
2,54
3
4,60
11,54
0,6509
0,28
0,57
2,1 1
1 0
15,40
34,62
0,0832
0,94
1,72
0,27
9
13,80
30,77
0,1675
0,85
1.53
0,54
3
4,60
11,54
0,5617
0,28
0.57
1.82
3
4,60
11,54
0,5408
0.28
0,57
1.75
9
13,80
19,23
0.1942
0,85
0.95
0.63
7
10,80
15,38
0,3048
0,66
0,76
0,99
5
7,70
15,38
0,3517
0,47
0.76
1.14
9
13,80
26,92
0.051 1
0.85
1,34
0,17
VI
44,70
16,75
14,07
12,18
10,87
9.57
6,85
6.57
6.41
5,32
5,19
4.74
4.17
3,82
3,81
3,80
3.79
3.79
3.74
3,73
3.58
3.25
3.24
3,14
3.11
2,96
2.93
2.91
2,67
2.61
2.43
2.41
2.37
2.35
Rodriguésia 57 (3): 391-411. 2006
SciELO/JBRJ
12 13 14 15 16 17
cm
Estrutura da vegetação arbórea em três fragmentos florestais
Espécies
N
DA
FA
DoA
DR
Fr
DoK
VI
Pogonophora schomburgkiana Miers ex Benth.
7
10,80
15,38
0,2521
0,66
0,76
0,82
2,24
Siparuna reginae (Tul) A.DC.
6
9,20
23,08
0,1401
0,56
1,15
0,45
2,1 6
Ocotea schottii (Meisn.) Mez
5
7,70
19,23
0,2046
0,47
0,95
0,66
2,09
Brosimum sp.
8
12,30
19,23
0,1115
0,75
0,95
0,36
2,07
Tovomita glazioviana Engl.
7
10,80
23,08
0,0806
0,66
1,15
0,26
2,06
Rubiaceae sp.
7
10,80
23,08
0,0578
0,66
1,15
0,19
1,99
Garcinia gardneriana Miers ex Planch. & Triana
6
9,20
23,08
0,0772
0,56
1,15
0,25
1 ,96
Cordia seilowiana Cham.
3
4,60
1 1,54
0,2955
0,28
0,57
0,96
1,81
Simaba florihunda A.St.-Hil.
4
6,20
11,54
0,2193
0,38
0,57
0,71
1,66
Sorocea guilleminiana Gaudich.
6
9,20
15,38
0,0827
0,56
0,76
0,27
1 ,60
Myrtaccae sp.9
4
6,20
15,38
0,1 191
0,38
0,76
0,39
1,53
Balizia pedicellaris (DC.) Barnaby & J. W. Gritnes
1
1,50
3,85
0,3722
0,09
0,19
1,21
1,49
Erythroxylum cuspidifolium Mart.
5
7,70
15,38
0,0629
0,47
0,76
0,20
1,44
Eugenia ohlongata 0. Berg
4
6,20
15,38
0,0817
0,38
0,76
0,26
1,40
Coussarea sp.
4
6,20
15,38
0,0481
0,38
0,76
0, 1 6
1,30
Cuatteria latifolia (Mart.) R. E. Frics
4
6,20
15,38
0,0446
0,38
0,76
0,14
1,28
Lauraceac sp.l
5
7,70
11,54
0,0589
0,47
0,57
0,19
1,23
Roupala aff. sculpta Sleumer
4
6,20
11,54
0,0803
0,38
0,57
0,26
1,21
Cupania furfuracea Radlk.
3
4,60
11,54
0,0995
0,28
0,57
0,32
1,18
Myrtaccae sp.l 2
3
4,60
11,54
0,0958
0,28
0,57
0,3 1
1,16
Copaifera trapezifolia Ilayiic
2
3,10
7,69
0,1662
0,19
0,38
0,54
mi
Calyptranthes grandifolia O. Berg
4
6,20
1 1,54
0,0478
0,38
0,57
0,15
1,10
Bocagea alT. viridis A.St.-Hil.
2
3,10
7,69
0,1630
0,19
0,38
0,53
1,10
Jacaranda puberula Cham.
2
3,10
7,69
0,1620
0,19
0,38
0,52
1,09
Ficus gomelleira Kunth. & Bouché
2
3,10
7,69
0,1607
0,19
0,38
0,52
1,09
Myrtaccae sp.l 1
4
6,20
11,54
0,0360
0,38
0,57
0,12
1,07
Licaria sp.
2
3,10
7,69
0,1497
0,19
0,38
0,48
1,05
Ocotea dispersa (Nees) Mez
2
3,10
7,69
0,1486
0,19
0,38
0,48
1 ,05
Micropholis gardneriana (A.DC.) Pierrc
3
4,60
1 1,54
0,0471
0,28
0,57
0,15
1,01
Aspidosperma discoior A.DC.
3
4,60
1 1,54
0,0458
0,28
0,57
0,15
1,00
Ocotea aff. sllvestris Vattimo
3
4,60
7,69
0,1004
0,28
0,38
0,33
0,99
Protium spruceanum (Benth.) Engl.
1
1,50
3,85
0,2121
0,09
0,19
0,69
0,97
Matavba afT. jugiandifoiia Radkl.
3
4,60
11,54
0,0282
0,28
0,57
0,09
0,95
Guarea macrophylla Vahl
3
4,60
11,54
0,0253
0,28
0,57
0,08
0,94
Micropholis guvanensis (A.DC.) Picrre
2
3,10
7,69
0,1063
0,19
0,38
0,34
0,91
Copai/era langsdorfll Desf.
2
3,10
7,69
0,1062
0,19
0,38
0,34
0,91
Marlierea dimorpha Berg
3
4,60
1 1,54
0,0119
0,28
0,57
0,04
0,89
Guatteria aff. ferrugínea A.St.-llil.
3
4,60
7,69
0,0705
0,28
0,38
0,23
0,89
Astronium graveolens Jacq.
2
3,10
7,69
0,0874
0,19
0,38
0,28
0,85
Ilirlella angustifoiia Schott ex Spreng.
2
3,10
7,69
0,0863
0,19
0,38
0,28
0,85
Mollinedia aff. heteranthera Perkins
1
1,50
3,85
0,1690
0,09
0,19
0,55
0,83
Ocotea odorífera (Vell.) Rohwer
2
3,10
7,69
0,0790
0,19
0,38
0,26
0,83
Cuuepía venosa Prance
2
3,10
3,85
0,1360
0,19
0,19
0,44
0,82
Guatteria xylopioides R.E. Fr.
2
3,10
7,69
0,0528
0,19
0,38
0,17
0,74
Chamaecrista ensiformis (Vell.) H.S. Irvvin & Barnaby
2
3,10
7,69
0,0449
0,19
0,38
0, 1 5
0,72
Licania arianeae Prance
2
3,10
7,69
0,0428
0,19
0,38
0,14
0,71
Heisteria perianlhomega (Vell.) Sleumer
2
3,10
7,69
0,031 1
0,19
0,38
0,10
0,67
Eugenia sp.
Peritassa afT. campestris (Cambcss.) A.C.Sm.
2
2
3,10
3,10
7,69
7,69
0,0251
0,0246
0,19
0,19
0,38
0,38
0,08
0,08
0,65
0,65
Casearia alT. sylvestris Sw.
2
3,10
7,69
0,0225
0,19
0,38
0,07
0,64
Exostvles venusta Schott ex Spreng.
2
3,10
7,69
0,0197
0,19
0,38
0,06
0,63
Eugenia microcarpa O. Berg
2
3,10
7,69
0,0151
0,19
0,38
0,05
0 04
0,62
0 61
Myrtaccae sp.8
Casearia arbórea (Rich.) Urb.
2
2
3,10
3,10
7,69
0,0090
0,19
0,38
0,03
0,60
Chionanthus mandioccanus (Eichler) Lozano & Fuentcs
i
1,50
3,85
0.0887
0,09
0,19
0,29
0,57
Himalanthus alt lanclfolius (MUll. Arg.) Woodson
2
3,10
3,85
0,0494
0,19
0.19
0,16
0,54
Rodriguêsia 57 (3): 391-411. 2006
SciELO/JBRJ
2 13 14 15 16 17 lí
cm ..
404
Espécies
Slrychnos sp.
Vernonia aff. pedunculata DC.
Mollinedia sp.
Psychotria carlhaginensis Jacq.
Manilkara aff. bella Monach.
Cupania sp.2
Sclerolobium beaurepairei Harms
Trichilia silvatica DC.
Mollinedia argyrogyna Perkins
Mollinedia oligantha Perkins
Xylopia sericea A.St.-Hil.
Guarea guidonia (L.) Sleumer
Moldenhawera polysperma (Vell.) Stellfeld
Buchenavia kleinii Exell
Cupania racemosa (Vell.) Radlk.
Toulicia laevigata Radlk.
Sapotaceae sp.l
Naucleopsis mello-barretoi (Standl) C.C. Berg
Psychotria sp.
Indeterminada sp.2
Casearia sylvestris Sw.
Myrtaceae sp.l 7
Cybianthus aff. brasiliensis (Mez) G. Agostini
Aniba firmula (Nees & C. Mart.) Mez
Parinari excelsa Sabine
Casearia commersoniana Cambess.
Peschiera aff. fuchsiaefolia (A.DC.) Miers
Albizia polycephala (Benth.) Killip ex Record
Inga leptantha Benth.
Duguetia pohliana Mart.
Cecropia glazioui Snethl.
Myrtaceae sp.2
Esenbeckia grandiflora Mart.
Myrtaceae sp.10
Pouteria reticulata (Engl.) Eyma
Myrtaceae sp.l 3
Indeterminada sp.7
Inga thibaudiana DC.
Solanum swartzianum Roem. & Schult.
Tapirira aff. obtusa (Benth.) D. J. Mitch.
Miconia cinnamomifolia (DC.) Naudin
Maytenus communis Reissek
Calyptranthes brasiliensis Spreng.
Macrotorus utriculatus Perkins
Ocotea divaricata (Nees) Mez
Indeterminada sp.4
Ocotea laxa (Nees) Mez
Eugenia excelsa O. Berg
Indeterminada sp.8
Swartzia apetala var. apetala R. S. Cowan
Astronium sp.
Myrtaceae sp.5
Trichilia aff. luciae Barreiros
Erythroxylum citrifolium A.St.-Hil.
Trichilia sp.l
Myrcia aff. fallax (Rich.) DC.
Pessoa , S. V. A. & Oliveira, R. R.
PA FA DoA DR Fr DoR VI
1,50
3,85
0,0767
3,10
3,85
0,0470
1,50
3,85
0,0755
1,50
3,85
0,0725
1,50
3,85
0,0725
1,50
3,85
0,0708
1,50
3,85
0.0634
1,50
3,85
0,0606
1,50
3,85
0,0564
1,50
3,85
0,0518
1,50
3,85
0,0503
3,10
3,85
0,0178
1,50
3,85
0,0445
1,50
3,85
0,0418
1,50
3,85
0,0374
1,50
3,85
0,0345
1,50
3,85
0,0321
1,50
3,85
0,0309
1,50
3,85
0,0305
1,50
3,85
0,0305
1,50
3,85
0,0302
1,50
3,85
0,0298
1,50
3,85
0,0294
1,50
3,85
0,0279
1,50
3,85
0,0272
1,50
3,85
0,0268
1,50
3,85
0,0258
1,50
3,85
0,0237
1,50
3,85
0,0233
1,50
3,85
0,0227
1,50
3,85
0,0214
1,50
3,85
0,0207
1,50
3,85
0,0189
1,50
3,85
0,0180
1,50
3,85
0,0177
1,50
3,85
0,0168
1,50
3,85
0,0152
1,50
3,85
0,0144
1,50
3,85
0,0136
1,50
3,85
0,0133
1,50
3,85
0,0121
1,50
3,85
0,0114
1,50
3,85
0,01 14
1,50
3,85
0,0114
1,50
3,85
0,0107
1,50
3,85
0,0102
1,50
3,85
0,0087
1,50
3,85
0,0079
1,50
3,85
0,0075
1,50
3,85
0,0074
1,50
3,85
0,0068
1,50
3,85
0,0059
1,50
3,85
0,0058
1,50
3,85
0,0051
1,50
3,85
0.0048
1,50
3,85
0,0046
0,09
0,19
0,25
0,53
0,19
0,19
0,15
0,53
0,09
0,19
0,24
0,53
0,09
0,19
0,23
0,52
0,09
0,19
0,23
0,52
0,09
0,19
0,23
0,51
0,09
0,19
0,21
0,49
0,09
0,19
0,20
0,48
0,09
0,19
0,18
0,47
0,09
0,19
0,17
0,45
0,09
0,19
0,16
0,45
0,19
0,19
0,06
0,44
0,09
0,19
0,14
0,43
0,09
0,19
0,14
0,42
0,09
0,19
0,12
0,41
0,09
0,19
0,11
0,40
0,09
0,19
0,10
0,39
0,09
0,19
0,10
0,38
0,09
0,19
0,10
0,38
0,09
0,19
0,10
0,38
0,09
0,19
0,10
0,38
0,09
0,19
0,10
0,38
0,09
0,19
0,10
0,38
0,09
0,19
0,09
0,38
0,09
0,19
0,09
0,37
0,09
0,19
0,09
0,37
0,09
0,19
0,08
0,37
0,09
0,19
0,08
0,36
0,09
0,19
0,08
0,36
0,09
0,19
0,07
0,36
0,09
0,19
0,07
0,35
0,09
0,19
0,07
0,35
0,09
0,19
0,06
0,35
0,09
0,19
0,06
0,34
0,09
0,19
0,06
0,34
0,09
0,19
0,05
0,34
0,09
0,19
0,05
0,33
0,09
0,19
0,05
0,33
0,09
0,19
0,04
0,33
0,09
0,19
0,04
0,33
0,09
0,19
0,04
0,32
0,09
0,19
0,04
0,32
0,09
0,19
0,04
0,32
0,09
0,19
0,04
0,32
0,09
0,19
0,03
0,32
0,09
0,19
0,03
0,32
0,09
0,19
0,03
0,31
0,09
0,19
0.03
0,31
0,09
0,19
0,02
0,31
0,09
0,19
0,02
0,31
0,09
0,19
0,02
0,31
0,09
0,19
0,02
0,30
0,09
0,19
0,02
0,30
0,09
0,19
0.02
0,30
0,09
0,19
0,02
0,30
0.09
0,19
0,02
0,30
Rodriguêsia 57 (3): 391-411. 2006
SciELO/JBRJ
.2 13 14 15 16 17
cm
Estrutura da vegetação arbórea em três fragmentos florestais
Espécies
N
DA
FA
DoA
DR
Fr
DoR
VI
Chrysobalanaceae sp.
1
1,50
3,85
0,0045
0,09
0,19
0,01
0,30
Duguetia sessilis (Vell.) Maas
1
1,50
3,85
0,0041
0,09
0,19
0,01
0,30
Myrtaceae sp.14
1
1,50
3,85
0,0037
0,09
0,19
0,01
0,30
Myrtaceae sp.6
1
1,50
3,85
0,0031
0,09
0,19
0,01
0,30
Maytenus aff. lancifolius (Thonn.) Loes.
1
1,50
3,85
0,003
0,09
0,19
0,01
0,29
A ocorrência de S. verticillata de forma
bem destacada nos trechos estudados e de
forma bem menos expressiva ou rara em outras
áreas da Reserva (Guedes-Bruni 1998; Neves
1999), na mata da Rebio União (Rodrigues
2004), na mata de Paraíso (Kurtz 2000), na
mata do Carvão (Silva & Nascimento 2001) e
na mata de Linhares (Peixoto & Gentry, 1990)
ou mesmo ausente na floresta de morrote de
Pariquera-Açu (Sztutman & Rodrigues 2002),
de Magé (Guedes 1988) e na mata da Fazenda
Biovert (Borém & Oliveira-Filho 2002) sugere
que as comunidades avaliadas neste estudo
apresentam as condições mais adequadas para
o bom desenvolvimento e regeneração desta
espécie. Trata-se de espécie lactescente, o que
poderia lhe conferir uma proteção relativa
contra herbívoros (Cabral 200 1 ), podendo estar
mais habilitada a ocupar tanto os ambientes de
borda, mais sujeitos à herbivoria, como as
regiões mais internas dos fragmentos
(Cadenasso & Pickct 2000). No entanto,
sugere-se que a abundância desta espécie tenha
fortes relações com as condições do ambiente,
como sugerido por Brown (1984). Estes locais
por apresentarem os ambientes preferenciais
desta espécie, poderiam ocasionar sua
ocorrência em grande abundância.
A análise do tamanho das populações
indica altos percentuais de espécies com baixa
densidade para as três áreas (82,8%, 72,8% e
68,2% para as áreas I, II e III
respectivamente), sendo aqui consideradas
como espécies com baixa densidade aquelas
que se apresentam com três ou menos
indivíduos. Embora a presença de espécies em
baixa densidade seja uma característica das
comunidades florestais tropicais (Hubbcll &
Foster 1986) ocorre, porém, que as espécies
que naturalmente assim se apresentam, são
mais propensas à extinção local, devido às
Rodriguésla 57 (3): 391-411. 2006
variações ambientais e demográficas,
problemas genéticos e eventos naturais (Shafer
1981 apitd Nascimento et al. 1999; Gilpin &
Soulé 1986). Kageyama(1987 apitd Tabanez
et al. 1997) considera o número de 50
indivíduos e Kageyama & Gandara (1998)
estabelecem o número de 500 indivíduos como
a população mínima viável para a manutenção
a curto e a longo prazo de uma população em
um dado local. Para as comunidades
levantadas estima-se, respectivamente, uma
densidade total de 6, 13 e 15 indivíduos por
hectare para aquelas espécies que apareceram
no limite da raridade (um indivíduo) nas
unidades amostrais estudadas (Martins 1991).
Somente as espécies que alcançaram no
trecho levantado quantitativos maiores que 8
(área I) e 4 (área II e III) indivíduos e que 75
(área I), 38 (área II) e 33 (área III) indivíduos
teriam uma população local total estimada
maior ou igual a 50 e a 500 indivíduos tendo
então, probabilidades mais altas de se
manterem a curto e a longo prazo na
comunidade. Isto significa que 6,2% e 1,5%
das espécies da comunidade I, 27,1% e 1,8%
das espécies da área II e 31,7% e 3,9% das
espécies da comunidade III satisfazem os
critérios acima mencionados, sugerindo um alto
grau de risco de extinção local para essas
espécies (Tab. 4). Os autores desconhecem,
até o momento, a existência de trabalhos sobre
tamanho mínimo de população para qualquer
uma das espécies presentes nas três
comunidades estudadas. Vale ressaltar que
apenas parte dos indivíduos de uma população
constitui a população apta a reprodução, sendo
este valor bastante pequeno em relação ao
tamanho total da população local (Forman
1999). Operando no sentido de minimizar o
efeito dos baixos valores encontrados,
poderiam estar à disposição espacial do grupo
SciELO/JBRJ
2 13 14 15 16 17 18
cm ..
Pessoa , S. V. A. & Oliveira, R. R.
Tabela 4 - Número e percentual de espécies por tamanho estimado da população a partir de 5 cm
de DAP, para três fragmentos florestais amostrados na Reserva Biológica de Poço das Antas, RJ.
Fragmento
número de espécies
percentual de espécies
<50 ind. ^ 50 ind. ^500 ind.
<50 ind. k 50 ind. ^500 ind.
I 60 4 1
II 78 29 2
III 103 48 6
93.7 6,2 1,5
72.8 27,1 1,8
68,2 31,7 3.9
de oito fragmentos, a distância entre estes,
bem como o tamanho e composição de cada
uma destas unidades. A disposição espacial
garante a existência de pequenas distâncias
entre o grupo de fragmentos e estas, por suas
extensões possibilitam, para várias de suas
espécies, o intercâmbio de pólen e sementes,
atenuando, assim, a probabilidade de risco de
extinção local das espécies. O fato destas
unidades serem compostas de fragmentos de
diferentes tamanhos, sugere que estes possam
apresentar diferentes condições ambientais,
proporcionando assim ambientes preferenciais
para uma gama diversificada de espécies
(Brown, 1984). Isto permite que as espécies
apresentem diferentes padrões de abundância
e possam ocorrer em diferentes estágios de
desenvolvimento, em cada uma das unidades.
A distribuição das classes de diâmetro
de todos os indivíduos amostrados aponta uma
provável ausência de dificuldades para a
regeneração dos elementos das três
comunidades, pela forte entrada de elementos
jovens nestas áreas. Uma análise da estrutura
populacional de espécies abundantes e
importantes para cada uma das comunidades
(Fig. 5) indica que estas possuem padrões de
distribuição bem distintos, apresentando a
maioria, sérios problemas para sua
continuidade na comunidade, desde que não
haja regeneração. Isto é bem evidenciado para
as espécies do fragmento I e II e em menor
grau para o fragmento III. Possivelmente,
estes resultados possam estar associados à
ocorrência e intensidade dos fatores de
perturbação que incidiram sobre cada uma das
áreas estudadas. Não desconsiderando que na
análise de distribuição de indivíduos por classe
de diâmetro, o comportamento reprodutivo da
espécie e a tolerância ecológica de seus
indivíduos jovens influenciam amplamente os
resultados (Richards 1981).
É importante assinalar que muitas das
espécies que são comuns a mais de uma área
podem apresentar indivíduos em diferentes
fases de desenvolvimento, a exemplo de M.
crassipedicellata que ocorre somente com
indivíduos nas maiores classes de diâmetro na
área II e indivíduos nas classes intermediária
e de maior diâmetro na área III. Desta forma
isto possibilitaria a continuidade da espécie na
região e possivelmente em ambas as áreas,
considerando que a distância de
aproximadamente 400 m que as separa não
representaria um obstáculo aos possíveis
agentes de polinização e dispersão. Não
descarta-se, no entanto, a necessidade de
conhecimentos sobre a biologia destas espécies
e as influências dos efeitos da fragmentação
sobre as espécies e as comunidades, na análise
mais detalhada dos resultados.
Para o índice de diversidade (H’) foram
obtidos os valores de 3,02 nats/ind. (área I), 3,90
nats/ind. (área II) e 3,65 nats/ind. (área III) e
para equabilidade (J) 0,73, 0,83 e 0 73
respectivamente. Estes valores são próximos
ou hgeiramente menores aos encontrados em
outros trechos da Reserva por Neves (1999)
em trecho com 20 anos (H’= 3,24 nats/ind. è
J- 0,79 ) e com 40 anos de regeneração (H’ =
3,78 nats/ind. e J= 0,81) e por Guedes-Bruni
(1998) em floresta de baixada (H’= 3,98 nats/
ind. e J= 0,87) e em floresta de morrote (H -
4,55 nats/ind. e J= 0,89), onde apenas o índice
de diversidade encontrado para as florestas de
morrote se distancia dos demais. Os resultados
Rodrigucsia 57 (3): 391-411. 2006
SciELO/JBRJ
L2 13 14 15 16 17
cm
Estrutura da vegetação arbórea em três fragmentos florestais
407
apontam tratar-se de três áreas de elevada
diversidade, considerando o critério de inclusão
adotado (DAP > 5 cm), bem como a área das
unidades amostrais inferior a 1 ha. Nestes
ambientes, perturbações naturais como queda
de árvores e conseqüente surgimento de
clareiras e, perturbações antrópicas, aqui
configuradas por incêndios, têm promovido
heterogeneidade ambiental, o que poderia
permitir a coexistência de espécies com
diferentes demandas por luz, nutrientes,
temperatura e umidade (Denslow 1 980). Porém,
embora detenham níveis altos de diversidade
de espécies, esta por si só, não garante a
« Senefeldera verticillata
O
3 Cranmontn I
Classes de diâmetro (cm)
Classes de diâmetro (cm)
Classes de diâmetro (cm)
Classes de diâmetro (cm)
Classes de diâmetro (cm)
Figura 5 - Distribuição de freqüência das classes de diâmetro dos indivíduos de espécies abundantes e importantes ern
três fragmentos florestais amostrados na Reserva Biológica de Poço das Antas, RJ.
Rodriguésia 57 (3): 391-411. 2006
SciELO/JBRJ
2 13 14 15 16 17 18
cm ..
Pessoa . S. V. A. & Oliveira, R. R.
resiliência, a longo prazo, destes remanescentes
e para isto é importante que todas as populações
tenham um tamanho adequado que lhes permita
resistir a eventos estocásticos (doenças,
tempestades etc).
Esses dados sugerem que, apesar dos
danos causados nas duas últimas décadas por
incêndios e da pequena extensão destes
fragmentos, estas áreas parecem estar
conseguindo resistir a estas perturbações.
Possivelmente, para isto muito tem contribuído
a proximidade entre estas comunidades e
demais unidades que compõem o conjunto de
oito fragmentos, propiciando o intercâmbio de
propágulos entre as áreas e, desta forma, a
diversidade de espécies que em graus
diferenciados contribuem na composição
estrutural. Tal fato sugere também que o banco
de sementes do solo tem, até o momento,
reagido bem à intensidade e duração destes
incêndios. No entanto, como bem apontado por
Wilcove et al. (1986), nenhuma área protegida
está imune aos efeitos ecológicos provenientes
de áreas fora de seus limites. Atividades
agrícolas, pequenos núcleos urbanos etc em
regiões limítrofes a areas protegidas podem
representar um aumento na população de
algumas espécies. E estas podem se mostrar
muito mais agressivas e competitivas do que as
espécies presentes na unidade resguardada.
Portanto, conclui-se que o conjunto de
variações estruturais analisados, parece estar
associado mais à ocorrência, amplitude e
intensidade diferentes das perturbações a que
estes fragmentos estão expostos, do que às
diferenças em tamanho dos fragmentos. As
variações observadas nos padrões de
abundância e importância das espécies nas
diferentes áreas reforçam a relevância deste
conjunto de fragmentos para a permanência de
determinadas espécies na região.
Agradecimentos
Os autores agradecem à equipe da
Reserva Biológica de Poço das Antas pela
utilização da infra-estrutura da Reserva. Aos
colegas Haroldo C. de Lima, Sebastião S.
Neto, José Fernando A. Baumgratz, Alexandre
Quinet, Ronaldo Marquete, Cyl Famey C. de
Sá, Nilda M. F. da Silva, Ângela S. da F. Vaz,
Genise V. Freire, Ariane L. Peixoto, Marli P.
Morim e à Dra. Graziela M. Barroso (in
memorian ) pelo auxílio na identificação do
material botânico. A Petrobras pelo suporte
financeiro ao Programa Mata Atlântica/JBRJ.
Referências Bibliográficas
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fragmentation, pollination, and plant
reproduction in a chaco dry forest.
Argentina. Ecology 75(2): 330-35 1 .
Bawa, K. S. 1990. Plant-pollinator interactions
in tropical forest. Annals Review in
Ecology and Systematics 21 : 399-422.
Borém, R. A. T. & Ramos, D. P. 2001.
Estrutura fitossociológica da comunidade
arbórea de uma toposseqüência alterada
de uma área de floresta atlântica, no
município de Silva Jardim-RJ. Revista
Árvore 25(1): 131-140.
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cm
Composição florística e estrutura de trecho de Floresta
Ombrófila Densa Atlântica aluvial na Reserva Biológica de
Poço das Antas, Silva Jardim, Rio de Janeiro, Brasil1
Rejan R. Guedes-Bnmí1, Sebastião José da Silva Neto3,
Marli P. Morim 2 & Waldir Mantovani 4
Resumo
(Composição florística e estrutura de trecho de Floresta Ombrófila Densa Atlântica aluvial na Reserva Biológica de
Poço das Antas, Silva Jardim, Rio de Janeiro, Brasil) Os remanescentes de Floresta Ombrófila Densa submontana
aluvial Atlântica, fortemente submetidos à fragmentação no RJ, carecem de estudos florísticos e estruturais.
Inventariou-se 1 ha de floresta aluvial empregando parcelas, adotando como critério de inclusão DAP £5 eme,
através de relações alométricas, estabeleceu-se como dossel os limites de DAPs e alturas superiores a 10 cm e
1 0 m, respectivamente. Foram amostrados 486 indivíduos, de 97 espécies e 3 1 famílias. O índice de diversidade de
Shannon (H') foi de 3,98 nats/ind e o de eqüabilidade (J) de 0,87, valores inferiores aqueles encontrados para
trechos conservados de Floresta Ombrófila Densa submontana ou montana no estado. Dentre as famílias com
maiores riquezas, reunindo 73% das espécies, destacam-se: Fabaceae, Euphorbiaceae, Lauraceac, Moraceae,
Myrtaceae, Annonaceae, Bignoniaceae, Mclastomataceae, Clusiaceae, Meliaceae e Sapotaceae. Destacam-se
como espécies com maiores Vis: Eriotheca pentaphylla, Symphonia globulifera, Tabebuia umbellata , Xylopia
brasiliensis, Calophyllum brasil iense, Euterpe edulis, Tabebuia cassinoides, Platymiscium Jloribundum e
Guarea kunthiana. Caracterizam-se como espécies indicadoras para o trecho analisado de Floresta Ombrófila
Densa submontana aluvial: Eriotheca pentaphylla, Calophyllum brasiliense e Eugenia expansa. Apesar do
grau de interferência antrópica, os resultados indicam elevadas riqueza e diversidade para a Floresta Ombrófila
Densa submontana aluvial, de várzea ou paludosa, decorrentes da distribuição espacial heterogênea, resultante
dos diferentes tipos de habitais estabelecidos, numa área de transição ecológica temporal.
Palavras-chave: Mata Atlântica, florística, estrutura de comunidade, dossel, floresta de baixada, mata aluvial.
Abstract
(Floristics and strueture of the canopy of an alluvial forest in Rio de Janeiro) Remnants ofthe highly fragmented
Atlantic Coastal Forest on the alluvial plains of Rio de Janeiro State, Brazil, have been little studied. Sample
plots, totaling one hectare, wcre inventoried using a DBH £ 5 cm exclusion criterion. Allometric rclationships
were used to define the canopy as having a DBH £ 10 cm and height £ 10 m. A total of486 individuais were
sampled, comprising 97 species belonging to 3 1 families. The Shannon diversity index (H') was 3.98 nats/ind,
and the equitability (J) was 0.87. These were considered significam values foran area of Atlantic Coastal Forest
in that State. Among the families with the highcst species richncss (73% of the total number of species) wcre:
Fabaceae, Euphorbiaceae, Lauraceae, Moraceae, Myrtaceae, Annonaceae, Bignoniaceae, Melastomataceae,
Clusiaceae, Meliaceae, and Sapotaceae. Among the species with the highcst Vis were: Eriotheca pentaphylla,
Symphonia globulifera, Tabebuia umbellata, Xylopia brasiliensis, Calophyllum brasiliense, Euterpe edulis,
Tabebuia cassinoides, Platymiscium Jloribundum, and Guarea kunthiana. The indicator species for alluvial
lowland ombrophilous forests were: Eriotheca pentaphylla, Calophyllum brasiliense, and Eugenia expansa.
The results of this survey pointed out high richncss and diversity to the Atlantic Ombrophilous Dense Forest
submontane alluvial, in spite the high human intcrfcrence in the landscape, during a long scale the time, where,
on the other hand, it’s expected a greater number of species, in difTerent kinds of habitats resulted, will provide
a heterogeneity spatial distribution in arca ofecological temporal transition.
Key words: Atlantic Coastal Forest, floristics, community strueture, canopy, lowland forest, alluvial forest.
Artigo recebido em 09/2005. Aceito para publicaçSo cm 06/2006.
'Parte da tese de doutorado da primeira autora, apresentada ao Dcpto. Ecologia - USP.
■'Programa Mata Atlântica, Jardim Botânico do Rio de Janeiro.
'Fundação Botânica Margarct Mee/ Programa Mata Atlântica. Jardim Botânico do Rio de Janeiro.
'Depto. Ecologia, Instituto de Biociências, Universidade de Sâo Paulo - USP/ bolsista CNPq. Apoio financeiro: Pctrobras/
Jardim Botânico do Rio de Janeiro/MMA.
Autor para correspondência: Rejan R.Guedes-Bruni. Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Programa Mata Atlântica. Rua
Pacheco Leüo 915, 22460-020, Rio de Janeiro, RJ. rbruni@jbrj.gov.br
SciELO/JBRJ
12 13 14 15 16 17
cm ..
414
Introdução
A análise do estado de conservação das
florestas no domínio Atlântico, senso lato
(Consórcio Mata Atlântica 1992),
especialmente no Rio de Janeiro, é
indissociável da análise dos processos de
desmatamento que foram estabelecidos pelos
ciclos econômicos que propiciaram, em larga
escala, as alterações das suas paisagens e
que resultaram em elevado grau de
fragmentação florestal.
Reduzida hoje a aproximadamente 6% de
sua cobertura original ao longo da costa atlântica
brasileira, as florestas no Rio de Janeiro em 2000
cobriam 734.629 ha, o que representa 1 6,73%
do território do estado, dos quais 29,8%, ou seja,
219.062 ha., encontram-se circunscritos a
Unidades de Conservação (Fundação SOS
Mata Atlântica/INPE 2002) e constituem as
únicas fontes de testemunho para que as lacunas
de conhecimento sejam minimizadas.
As florestas sobre planícies aluviais,
situadas ao longo da costa atlântica brasileira,
têm sido extremamente alteradas desde a
ocupação indígena, com a prática da agricultura
de corte e queima e, posteriormente, pela
cultura da cana-de-açúcar, amplamente
praticada em suas terras, seguida da extração
de lenha para abastecimento das olarias em
seus arredores e fornos de padarias dos
grandes centros urbanos e madeiras nobres e,
mais recentemente, pela ocupação urbana
acelerada que se dá nas regiões de sua
ocorrência, havendo poucos estudos acerca de
sua flora e vegetação.
A descrição da região das baixadas
litorâneas neste estado, conhecida no passado
como baixada de Araruama - onde se
localiza a Reserva Biológica de Poço das
Antas — foi realizada, em parte, por
naturalistas que se dirigiam para outros
estados mais ao norte do Rio de Janeiro.
Dentre os naturalistas citados por Urban
( 1 906), destacam-se: Martius ( 1 8 1 7), Auguste
Saint-Hilaire (1818), Pohl (1818), Beyrich
(1822 a 1823) e Riedel (1822 a 1824). A
reputação de contumazes guerreiros com
Guedes-Bruni, R. R. et al.
hábitos canibalescos, atribuída às
comunidades indígenas locais, podejustificar,
parcialmente, a pouca expressividade das
coleções botânicas da região, quando
comparadas àquelas coligidas nas serranias
nos arredores da cidade do Rio de Janeiro.
Estudos das décadas de 40 e 50 sobre a
flora e a vegetação de florestas do Rio de
Janeiro são, ainda hoje, referenciais (Davis
1945; Veloso 1945; Rizzini 1953/54; Brade
1956) para os ainda poucos trabalhos
desenvolvidos a partir da década de 80
(Guedes 1988; Oliveira et al. 1995; Peixoto
et al. 1995; Rodrigues 1996; Guedes-Bruni
et al. 1 997; Pessoa et al. 1 997; Guedes-Bruni
1998; Oliveira 1999; Neves 1999; Kurt &
Araújo 2000; Santana 2001; Spolidoro 2001;
Souza 2002; Borém & Oliveira-Filho 2002;
Pessoa 2003; Peixoto 2004).
Pela característica topográfica destas
áreas de baixada, pequenas alterações no
relevo condicionam a existência, em manchas
muito próximas, de Florestas Ombrófilas
Densas, de várzeas ou paludosas, que formam
um gradiente, crescente de diversidade
resultante de estresses relacionados ao grau
e intensidade de encharcamento do solo.
Assim sendo, compõem um mosaico
extremamente fino, de manchas de diferentes
biomas, amplificando a diversidade beta
destas paisagens (Mantovani 2003).
Os processos de fragmentação das
paisagens naturais, sobretudo nas regiões de
baixada, têm propiciado o aparecimento de
desafios diferenciados para: sobrevivência de
espécies, manutenção da variabilidade
genética de espécies arbóreas, identificação
de fatores condicionantes ao estabelecimento
e manutenção de populações em suas áreas
de ocorrência e modelos para restauração da
paisagem.
Objetiva-se neste estudo caracterizar
um dos últimos remanescentes de floresta
aluvial no Rio de Janeiro, designada
popularmente como mata de baixada ou, mais
popularmente como brejos, e permitir
subsidiar trabalhos que exijam conhecimento
da sua composição em espécies e estrutura.
Rodriguêsia 57 (3): 413-428. 2006
SciELO/JBRJ
.2 13 14 15 16 17
415
Floristica e estrutura de dossel em floresta aluvial no Rio de Janeiro
Material e Métodos
Caracterização da área de estudo
A área que constitui a Reserva Biológica
de Poço das Antas (Rebio) foi, como em grande
parte a baixada litorânea do Rio de Janeiro,
explorada como área de lavoura e pastagem no
passado, e as manchas de floresta que resistiram
à expansão agrícola, no norte do Rio de Janeiro,
são resultantes de manejos distintos de solos,
estão em processos sucessionais variados,
iniciados em diferentes épocas. A região de
ocorrência das matas de baixada no Rio de
Janeiro foi intensivamente explorada e é uma
tarefa de difícil execução identificar trechos bem
conservados. A ferrovia construída em 1881,
ligando o norte do estado à cidade do Rio de
Janeiro, interferiu na paisagem local, e a
condução de produtos da indústria petroquímica
por esta via representa uma fonte de acidentes
ambientais (ecológicos). A Represa de
Jutumaíba, em área limítrofe à Reserva, teve
igualmente impacto sobre as florestas aluviais,
já que alguns trechos foram inundados e
mantêm-se, hoje, alagados permanentemente,
resultando na morte de árvores, que mantidas
ainda de pé, á filas e sem a vegetação de sub-
mata ao seu redor, testemunham uma das
alterações ocorridas na paisagem da Rebio. A
Reserva, no que tange a sua área, caracterização
de solo, clima e vegetação, encontra-se descrita
cm Lima et al. (2006).
Na área de baixada ocorrem Florestas
Ombrófilas Densas submontanas aluviais,
incluindo as de várzeas e as paludosas, em
diversos graus de conservação. Ao longo do
texto serão chamadas, resumidamente, por
florestas aluviais ou florestas de baixada.
Coleta de dados
Foram alocadas, sistematicamente, 40
unidades amostrais de 1 0 x 25m, totalizando
1 ha de área sobre depressão de fundo chato
e pantanoso, como definido por IBGE
(1977), sujeita a inundações periódicas
decorrentes das cheias dos córregos que
banham a Reserva, ocasionadas pelas
chuvas. Estabeleceu-se 20 metros como
Rodriguésia 57 (3): 413-428. 2006
distanciamento mínimo das trilhas ou
córregos para a implantação do ponto inicial
da parcela, minimizando com isto o efeito
de borda.
O critério de inclusão adotado na
amostragem foi o de indivíduos arbóreos e
arborescentes (palmeiras e fetos arborescentes)
com diâmetro do caule a 1,3 m do solo (DAP)
> 5 cm. Quando os indivíduos apresentavam
ramificações, além do caule principal, eram
tomadas as medidas de todas elas, para
posterior cálculo da área basal. O material
testemunho encontra-se depositado no herbário
do Jardim Botânico do Rio de Janeiro (RB).
Na definição de dossel foram
estabelecidas relações alométricas entre
diâmetro e altura (fig. 1), transformados pelo
respectivo logaritmo decimal (Sncath & Sokal
1973), para todos os indivíduos coletados nas
diferentes áreas, identificando o dossel a partir
da linha indentada surgida no diagrama de
correlação. Com isto, foram fixados como
elementos de dossel todos os indivíduos que
apresentassem diâmetros iguais ou superiores
a 10 cm e alturas iguais ou superiores a 10 m,
a partir da verificação da primeira
dcscontinuidade entre os pontos.
O sistema fitogeográfico adotado na
classificação da vegetação foi o de Velloso
Elliura 1 - Relaçüo alométrica entre diíimctro c alturu,
dos indivíduos com DAP £ 5, amostrados na floresta
aluvial, para definição dos limites do dossel.
SciELO/JBRJ
_2 13 14 15 16 17
cm
416
et al. (1991). O sistema de classificação
taxonômica adotado segue Cronquist (1988),
excetuando-se Fabaceae, que foi considerada
como família única, de acordo com Polhill et
al. (1981).
Processamento e análise dos dados
O processamento dos dados da
amostragem foi executado pelo programa
FITOPAC (Shepherd 1 994), para o qual foram
calculados: densidade relativa (Dr), freqüência
relativa (Fr), dominância relativa (Dor), a partir
da área basal, o volume, calculado pela altura
máxima da árvore, e valor de importância (VI).
Para análise da diversidade florística adotou-
se o índice de Diversidade de Shannon (PT) e
eqüabilidade (J’) de acordo com Magurran
(1988) e Pielou (1975), respectivamente, com
a base logarítmica natural.
Resultados e Discussão
Na amostragem geral (DAP > 5 cm)
foram analisadas 1.668 árvores, sendo que
para o dossel foram estudadas 486 árvores,
totalizando 23,77 m2 de área basal e 422,3 m3
de volume/ha.
Foram amostradas 97 espécies de 31
famílias (tab. 1), o índice de diversidade de
Shannon (H ) foi de 3,98 nats/ind., enquanto a
eqüabilidade (J) foi de 0,87, valores inferiores
aos encontrados, para trechos conservados de
Floresta Ombrófila Densa submontana e
montana, por Guedes-Bruni ( 1 998). A fisionomia
perturbada da paisagem da Rebio sugere, à
primeira vista, uma flora pobre e,
conseqüentemente, pouco diversa, contudo a
influência exercida pela chegada e saída, assim
como o estabelecimento das espécies, em
fragmentos: de diferentes tamanhos, causas de
interferência, idades e, conseqüentemente,
processos sucessionais em curso, apesar dos
limites causados pela freqüência, duração e
intensidade do encharcamento do substrato,
justificam os valores de riqueza e de
diversidade encontrados.
Objetivando investigar o efeito da
fragmentação e do isolamento de habitats
Guedes-Bruni, R. R. et al.
sobre a estrutura e a diversidade de plantas
arbóreas. Pessoa (2003) inventariou três
fragmentos de diferentes formas e dimensões
na Rebio, tendo como critério de inclusão DAP
— 5 cm. F oram referenciados 1.771 indivíduos,
representando 207 espécies, sendo
Senefeldera multiflora a mais abundante nos
três fragmentos analisados. Os índices de
diversidade (H’) obtidos foram 3,02 nats/ind.
(fragmento I com 1,35 ha), 3,90 nats/ind.
(fragmento II com 6,65 ha) e 3,65 nats/ind.
(fragmento III com 9,34 ha) enquanto os
valores de eqüabilidade (J) correspondem a
0,73, 0,83 e 0,73, respectivamente.
As famílias que reúnem 76% dos
indivíduos presentes no dossel (fig. 2) do trecho
analisado são: Bignoniaceae (13,9%),
Fabaceae (11,5%), Clusiaceae (9,2%),
Myrtaceae (9%), Euphorbiaceae (8,8%),
Bombacaceae (6,3%), Annonaceae (6,3%),
Arecaceae (5,7%) e Lauraceae (5,3%).
Estes valores resultam das densidades
populacionais de: Symphonia globulifera,
Tabebuia umbellata, Euterpe edulis,
Tabebuia cassinoides, Eriotheca pentaphylla,
Platymiscium floribundum, Myrcia anceps,
Calophyllum brasiliense, Pera glabrata,
Pseudobombax grandiflorum , Eugenia
macahensis, Nectandra rígida , Jacaranda
puberula, Pseudopiptadenia contorta e
Alchornea glandulosa var. iricurana.
Quando comparados os valores de
densidade de dossel aos de sub-mata, Euterpe
edulis apresenta a mais elevada densidade
(125 inds./ha), representado por plantas de
Figura 2 - Distribuição percentual de abundância por
famílias, na área de floresta aluvial.
Rodhguésia 57 (3): 413-428. 2006
SciELO/JBRJ
12 13 14 15 16 17
Floristica e estrutura de dossel em floresta aluvial no Rio de Janeiro 4 1 7
Tabela 1 - Relação das espécies registradas na amostragem da Floresta Ombrófila Densa
submontana aluvial na Reserva Biológica de Poço das Antas, em ordem alfabética de famílias.
Família / Espécie
ANACARD1ACEAE
Tapirira guianensis Aubl.
ANNONACEAE
Duguetia sp.l
Guatteria sp.l
Guatteria sp.2
Rollinia dolabripetala (Raddi) R.E. Fr.
Xylopia brasiliensis Spreng.
Xylopia sericea A.St.-Hil.
APOCYNACEAE
Apocynaceae sp.l
ARECACEAE
Euterpe edulis Mart.
ASTERACEAE
Vernonia discolor (Spreng.) Less.
BIGNONIACEAE
Bignoniaceae sp.9
Jacaranda pitberula Cham.
Tabebuia cassinoides (Lam.) DC.
Tabebuia chrysotricha (Mart. ex A. DC.) Standl.
Tabebuia umbellata (Sond.) Sandwith
BOMBACACEAE
Eriotheca pentaphylla (Vell.) A. Robyns
Pseudobombax grandiJJonim (Cav.) A. Robyns
CECROPIACEAE
Cecropia glaziovi Snethlage
Cecropia lyratiloba var. nana Andrade & Carauta
Cottssapoa microcarpa (Schott) Rizzini
Pourouma guianensis Aubl.
CHRYSOBALANACEAE
Hirtella hebeclada Moric. ex DC.
Parinarí excelsa Sabine
Família / Espécie
ERYTHROXYLACEAE
Erythroxylum citrifolium A.St.-Hil.
Erythroxylum cuspidifolium Mart.
EUPHORBIACEAE
Alchornea glandulosa subsp. iricurana (Casar.)
Secco
Alchornea triplinervia (Spreng.) Müll. Arg.
Aparisthimium cordatum (Juss.) Baill.
Hyeronima alchorneoides Allemão
Hyeronima oblonga (Tul.) Müll. Arg.
Mabea piriri Aubl.
Margaritaria nobilis L. f.
Pera glabrata (Schott) Poepp. ex Baill.
Sapium glandulatum (Vell.) Pax
Tetraplandra ríedelii Müll. Arg.
FABACEAE
CAESALPINIOIDEAE
Apuleia leiocarpa (Vogei) J. F. Macbr.
Chamaecrista ensiformis (Vell.) H. S. Irwin &
Bameby
Copaifera langsdorffii Desf.
Copaifera trapezifolia Hayne
MIMOSOIDEAE
Inga edulis Mart.
Inga thibaudiana DC.
Balizia pedicellaris (DC.) Barneby & J. W.
Grimcs
Pseudopiptadenia contorta (DC.) G. P. Lewis &
M. P. Lima
PAPILIONOIDEAE
Andira ormosioides Benth.
Lonchocarpus cullratus (Vell.) A. Tozzi & H. C.
Lima
Machaerium uncinatum (Vell.) Benth.
Ormosla arbórea (Vell.) Harms
Platymiscium floribundum Vogei
Pterocarpus rohrii Vahl
FLACOURTIACEAE
Lacistema pubescens Mart.
CLUSIACEAE
Calophyllum brasiliense Cambess.
Clusiaceae sp.l
Symphonia globulifera L. f.
INDETERMINADA
Indet. sp.l
Rodriguèsia 57 (3): 413-428. 2006
SciELO/ JBRJ
_2 13 14 15 16 17
418
Guedes-Bruni. R. R. et al.
Família / Espécie
LAURACEAE
Lauracae sp.2
Lauraceae sp.4
Anibafirmula (Nees & Mart.) Mez
Nectandra leucantha Nees & Mart.
Nectandra opposiíifolia Nees & Mart.
Nectandra rigida (Kunth) Nees
Ocotea spectabilis (Meisn.) Mez
Ocotea teleiandra (Meisn.) Mez
LECYTHIDACEAE
Lecythis cf. pisonis Cambess.
MAGNOLIACEAE
Talauma ovata A.St.-Hil.
MELASTOMATACEAE
Henriettea succosa (Aubl.) DC.
Miconia cinnamomifolia (DC.) Naudin
Tibouchina estrellensis (Raddi) Cogn.
Tibouchina granulosa (Desr.) Cogn.
MELIACEAE
Guarea guidonia (L.) Sleumer
Guarea kunthiana A. Juss.
Trichilia casaretti C. DC.
MORACEAE
Ficus clusiaefolia (Miq.) Schott ex Spreng.
Ficus gomelleira Kunth & C. D. Bouché
Ficus insípida Willd.
Ficus pulchella Schott ex Spreng.
MYRSINACEAE
Rapanea sp.
Myrsinaceae sp.l
várias classes de tamanho, juntamente com
indivíduos jovens de Tabebuia umbellata,
Myrcia anceps, Andira fraxinifolia,
Tovomitopsis paniculata, Eriotheca
pentaphylla, Symphonia globulifera e
Tabebuia cassinoides, aos quais incorporam-
se elementos típicos de sub-mata da baixada:
Lacistema pubescens (63 inds./ha), Geonoma
pohliana (35 inds./ha) e Astrocaryum
aculeatissimum (33 inds./ha).
Guapira opposita, Alchornea
triplinervia e Euterpe edulis, amostrados
Família / Espécie
MYRTACEAE
Eugenia expansa Spring ex Mart.
Eugenia macahensis O. Berg
Eugenia moraviana O. Berg
Eugenia supraaxilaris Spring.
Gomidesia sp.
Myrcia anceps (Spring) O. Berg
Myrcia racemosa (O. Berg) Kiaersk.
Myrtaceae sp.l
NYCTAGINACEAE
Guapira nitida (Schmidt) Lundell.
Guapira opposita (Vell.) Reitz
OLACACEAE
Heis teria perianthomega (Vell.) Sleumer
RUBIACEAE
Psychotria sp.l
SAPINDACEAE
Cupania racemosa (Vell.) Radlk.
Matayba guianensis Aubl.
SAPOTACEAE
Chrysophyllum flexuosum Mart.
Ecclinusa ramiflora Mart.
Pouteria torta (Mart.) Radlk.
SIMAROUBACEAE
Simarouba amara Aubl.
VERBENACEAE
Citharexylum myrianthum Cham.
Vitex polygama Cham.
neste inventário com baixas densidades, são
constantemente referenciadas em inventários
no Rio de Janeiro e, de acordo com Siqueira
(1994), encontram-se entre as 10 espécies
presentes em cerca de 50% dos levantamentos
realizados em áreas de Mata Atlântica em todo
o território brasileiro.
A análise de riqueza (fig. 3) demonstra
que dez famílias concentram 73% das espécies
ocorrentes no dossel, entre elas: Fabaceae
(14,4%), Euphorbiaceae (10,3%), Lauraceae
(8,2%), Moraceae (8,2%), Myrtaceae (8,2%),
Rodriguésia 57 (3): 413-428. 2006
SciELO/JBRJ
_2 13 14 15 16 17
cm
Floristica e estrutura de dossel em floresta aluvial no Rio de Janeiro
(%)
Figura 3 - Distribuição percentual da riqueza de espécies
por famílias, na área de floresta aluvial.
Annonaceae (6,1%), Bignoniaceae (5,1%),
Melastomataceac (4,1%), Clusiaceae (3%),
Meliaceae (3%) e Sapotaceae (3%).
Quando observamos este parâmetro na
sub-mata, somando ca. 60% das espécies,
destacam-se Fabaceae, Myrtaceae, Moraceac,
Sapindaceae, Lauraceae, Euphorbiaceac,
Rubiaceae, Sapotaceae, Annonaceae,
Bignoniaceae e Clusiaceae, com muitos dos
táxons recrutantes do dossel.
Na sub-mata, o índice de diversidade de
Shannon (II’) foi de 4,27 nat/inds, enquanto a
eqüabilidade (J) é de 0,83, valores igualmcntc
superiores a outras áreas de baixada com
critério de inclusão de DAP > 5 cm, justificado
pela maior riqueza floristica amostrada.
Ao inventariar uma área, igualmcntc de
baixada, porém, com trechos de alagamento
permanente mais restritos, cm relação ao total
da área de amostragem, e do critério de
inclusão adotado privilegiar a coleta de
elementos de sub-mata, Guedes (1988)
referencia: Myrtaceae, Euphorbiaceae,
Fabaceae, Rubiaceae, Melastomataceae,
Meliaceae, Moraceae c Chrysobalanaceae
como as famílias mais ricas, reunindo 63,5%
das espécies, destacando que o fragmento
estudado era bem mais reduzido e, sobretudo,
mais alterado que a área de estudo ora
analisada na Rebio.
Numa floresta aluvial perturbada, na
baixada de Magé, Guedes (1988) destacou
Myrtaceae, Euphorbiaceae, Fabaceae,
Rubiaceae, Melastomataceae, Meliaceae,
Moraceae e Chrysobalanaceae, ainda que
trabalhando com amostragem que valorizou
plantas na sub-mata (DAP > 2,5).
Em trecho da planície costeira junto à
Serra da Juréia, São Paulo, Melo et al. (1998)
citam: Myrtaceae, Fabaceae, Lauraceae,
Rubiaceae, Euphorbiaceae, Melastomataceae
e Moraceae como as famílias mais
representativas.
As famílias Fabaceae, Myrtaceae c
Euphorbiaceae foram destacadas por Silva &
Nascimento (2001) dentre aquelas com
maiores números de espécies nas matas de
tabuleiros, ao Norte do Rio de Janeiro, da
planície costeira.
Ainda que ressaltando as diferenças
quantitativas de riqueza entre os três
fragmentos de floresta estudados. Pessoa
(2003) relacionou Myrtaceae, Lauraceae,
Fabaceae, Sapotaceae, Euphorbiaceac,
Moraceae e Annonaceae.
Ao considerarmos o valor de importância
dos táxons ocorrentes na mata aluvial (tab. 2),
destacam-se: Eriotheca pentaphylla,
Symphonia globulifera, Tabebuia umbellata,
Xylopia brasiliensis, Calophyllum
brasiliense, Euterpe edulis, Tabebuia
cassinoides, Platymiscium floribundum e
Guarea kunthiana. Enquanto Symphonia
globulifera e Tabebuia umbellata
apresentaram maiores valores de densidade
(28 inds/ha), Eriotheca pentaphylla destaca-
se mais pela área basal total de seus
representantes (2,53 mVha) do que por sua
densidade (19 inds/ha). Xylopia brasiliensis
destaca-se, igualmentc, por sua área basal
(2,74 m2/ha) c não por sua densidade (4 inds./
ha). Embora Euterpe edulis tenha
apresentado densidade semelhante à das
espécies de maiores densidades, isto é,
Symphonia globulifera e Tabebuia
umbellata, sua área basal foi de 0,26 mVha,
denotando a estrutura de sua população.
Euterpe edulis é considerada por
Mantovani (1993) como típica do sub-mata das
Florestas Ombrófilas Densas paulistas, e sua
extração apontada como responsável pela
Rodriguésia 57 (3): 413-428. 2006
SciELO/JBRJ
12 13 14 15 16 17
420
Guedes-Bruni. R. R. et al.
Tabela 2. Relação das espécies registradas na amostragem da Floresta Ombrófila Densa
submontana aluvial na Reserva Biológica de Poço das Antas e seus respectivos parâmetros
fitossociológicos. N = número de indivíduos, Dr = densidade relativa (%), Fr = freqüência relativa
(%), Dor = dominância relativa e VI = índice de valor de importância
Espécies
N
Dr
Dor
Fr
VI
1. Eriotheca pentaphylla
19
3.91
10.64
4.09
18.65
2. Symphonia globulifera
28
5.76
5.73
4.68
16.17
3. Tabebuia umbellata
28
5.76
3.98
4.09
13.83
4. Xylopia brasiliensis
4
0.82
11.53
0.88
1323
5. Calophyllum brasiliense
15
3.09
5.17
331
11.77
6. Eulerpe edulis
28
5.76
1.13
4.09
10.98
7. Tabebuia cassinoides
26
535
3.55
2.05
10.94
8. Platymiscium floribundum
19
3.91
2.49
2.92
932
9. Guarea kunthiana
8
1.65
4.99
2.05
8.69
1 0. Pseudobombax grandiflorum
12
2.47
325
234
805
11. Lacistema pubescens
18
3.70
136
2.92
7.99
12. Myrcia anceps
18
3.70
132
2.92
7.95
13. Pera gl abra ta
13
2.67
129
322
718
14. Nectandra rigida
11
226
1.93
2.63
683
15. Eugenia macahensis
12
2.47
1.87
1.75
609
16. Jacaranda puberula
11
226
1.72
1.75
574
17. Alchornea glandulosa subsp.
iricurana 9
1.85
1.80
2.05
57
1 8. Tapirira guianensis
8
1.65
229
1 75
*5 69
19. Pseudopiptadenia contorta
10
2.06
1.13
234
552
20. Xylopia sericea
11
226
1.16
2.05
547
21. Miconia cinnamomifolia
9
1.85
1.79
1 46
< 1
22. Guatteria sp.l
9
1.85
0.87
2.34
1
506
23. Trichilia casaretti
4
0.82
2.89
1 17
4 88
24. Alchornea triplinervia
7
1.44
124
1.75
444
25. Hirtella hebeclada
26. Balizia pedicellaris
27. Eugenia expansa
9
5
6
1.85
1.03
123
0.73
1.71
0.97
1.75
1.17
146
434
3.91
3 67
28. Aniba firmula
29. Pterocarpus rohrii
30. Guapira hoehnei
31. Lonchocarpus cultratus
5
5
4
4
1.03
1.03
0.82
0.82
0.43
0.72
0.74
056
1.46
1.17
1.17
1 17
2.92
2.92
2.74
32. Rollinia dolabripetala
33. Cupania racemosa
34. Tibouchina granulosa
35. Pourouma guianensis
36. Ficus pulchella
5
4
3
3
2
1.03
0.82
0.62
0.62
0.41
0.62
0.47
124
0.87
131
0.88
1.17
0.58
0.88
058
235
2.52
2.46
2.44
237
7 3
37. Hyeronima oblonga
3
0.62
0.81
088
X.J
38. Lauracae sp.2
39. Parinari excelsa
40. Guapira opposita
3
3
3
0.62
0.62
0.62
0.54
0.35
033
0.88
0.88
088
*-.J
2.04
1.85
1 Cl
41. Nectandra oppositifolia
2
0.41
0.72
0.58
l.OJ
1.72
Rodriguésia 57 (3): 413-428. 2006
SciELO/JBRJ
12 13 14 15 16 17
cm
Floristica e estrutura de dossel em floresta aluvial no Rio de Janeiro 4 2 1
Espécies
N
Dr
Dor
Fr
VI
42. Talauma ovala
2
0.41
0.67
0.58
1.66
43. Simarouba amara
2
0.41
0.65
0.58
1.64
44. Sapium glandulatum
2
0.41
0.63
0.58
1.63
45. Chamaecrista ensiformis
3
0.62
0.39
0.58
1.59
46. Ficus gomelleira
1
021
0.96
0.29
1.46
47. Hyeronima alchorneoides
2
0.41
0.38
0.58
1.38
48. Apocynaceae sp.l
2
0.41
0.38
0.58
1.38
49. Mabea piriri
3
0.62
0.17
0.58
1.37
50. Erythroxylum cuspidifolium
2
0.41
0.30
0.58
1.3
51. Ficus clusiaefolia
1
021
0.79
029
129
52. Inga edulis
2
0.41
026
0.58
126
53. Margaritaria nobilis
2
0.41
0.25
0.58
124
54. Inga thibaudiana
2
0.41
0.23
0.58
122
55. Copaifera langsdorffii
2
0.41
022
0.58
121
56. Andira ormosioides
2
0.41
0.2
0.58
12
57. Eugenia supraaxilaris
2
0.41
02
0.58
1.19
58. Citharexylum myrianthum
2
0.41
0.47
0.29
1.18
59. Bignoniaceae sp.9
2
0.41
0.42
029
1.13
60. Eugenia moraviana
2
0.41
0.11
0.58
1.1
61. Gomidesia sp.
2
0.41
0.09
0.58
1.09
62. Chrysophyllum flexuosum
2
0.41
0.09
0.58
1.09
63. Cecropia lyratiloba
2
0.41
0.09
0.58
1.08
64. Myrtaceae sp. 1
1
021
0.47
029
0.97
65. Clusiaceae sp.l
2
0.41
0.18
0.29
0.88
66. Ocotea spectabilis
2
0.41
0.15
029
0.86
67. Ficus insípida
1
021
0.36
0.29
0.86
68. Tabebuia chrysotricha
1
021
0.21
0.29
0.71
69. Aparistlmium cordatum
1
0.21
0.20
0.29
0.70
70. Coussapoa microcarpa
1
0.21
0.19
0.29
0.69
71. Tibouchina estrellensis
1
021
0.18
0.29
0.68
72. Ocotea teleiandra
1
0.21
0.16
0.29
0.66
73. Vitex polygama
1
0.21
0.13
0.29
0.63
74. Guarea guidonia
1
0.21
0.12
0.29
0.61
75. Lecythis cf. pisoni
1
021
0.11
0.29
0.61
76. Duguetia sp.l
1
0.21
0.11
0.29
0.61
77. Guatteria sp.2
1
0.21
0.11
029
0.61
78. Lauraceae sp.4
1
021
0.11
0.29
0.6
79. Matayba guianensis
1
0.21
0.09
0.29
0.58
80. Ecclinusa ramiflora
1
0.21
0.08
0.29
0.58
81. He is teria perianthomega
1
0.21
0.08
029
0.58
82. Henriettea succosa
1
0.21
0.07
0.29
0.57
83. Machaerium uncinatum
1
0.21
0.07
0.29
0.56
84. Rapanea sp.
1
0.21
0.06
0.29
0.56
85. Nectandra leucantha
1
0.21
0.06
0.29
0.56
86. Psychotria sp.l
1
0.21
0.06
0.29
0.55
Rodriguésia 57 (3): 413-428. 2006
.SciELO/ JBRJ
12 13 14 15 16 17
422
Guedes-Bruni. R. R. et al.
Espécies n
87. Ormosia arbórea 1
88. Cecropia glaziovi 1
89. Vernonia discolor 1
90. Myrcia raeemosa \
91. Tetraplandra riedelii 1
92. Erythroxylum citrifolium 1
93. Myrsinaceae sp.l 1
94. Indet.sp 1
95. Pouteria torta 1
96. Copaifera trapezifolia 1
97. Apuleia leiocarpa 1
ausência de indivíduos em todas as classes
de idade. No trecho de floresta aluvial, ora
analisado, sua altura máxima não ultrapassa
16 m; sua densidade no dossel é de 28 inds./
ha enquanto na sub-mata é de 125 inds./ha.
Guedes-Bruni (1998), ao considerar como
limites de dossel, alturas entre 1 0- 1 8 m, para
os trechos serranos do Rio de Janeiro,
registrou para a espécie alturas máximas de
30 e 28 m em Itatiaia e Macaé de Cima -
Conservada, respectivamente. Borém &
Oliveira-Filho (2002) registram que o táxon
apresenta maiores Vis nos terços superior e
médio das toposseqüências analisadas e
encontra-se ausente no inferior (mais
degradado). Estes dados reunidos levam à
conclusão de que, pelo menos para as
florestas do Rio de Janeiro, o táxon é típico
do dossel, com alturas médias em tomo de 13
m, sendo que o nível de perturbação florestal
- juntamente com o concurso da extração
seletiva - pode sugerir uma interpretação
influenciada pela temporalidade, sem refletir
a real biologia do táxon.
Neste contexto, quando analisamos as
espécies com maiores Vis para a sub-mata (5
cm < DAPs < 9,99 cm), entre 170 espécies,
destacam-se: Euterpe edulis (com 125 inds.),
Lacistema pubescens, Myrcia anceps ,
Tabebuia utnbellata , Astrocaryum
aculeatissimum, Geonoma pohliana, Andira
fraxinifolia, Eriotheca pentaphylla,
Tovomitopsis paniculata e Symphonia
globulifera. No que concerne às palmeiras
Dr
Dor
Fr
VI
021
0.05
029
0.55
021
0.05
029
0.55
021
0.05
029
0.55
021
0.05
029
054
021
0.05
029
054
021
0.04
029
054
021
0.04
029
054
021
0.04
029
0.54
021
0.04
029
0.54
021
0.04
029
0.54
021
0.04
029
053
na sub-mata, Souza & Martins (2002)
estudaram os padrões de distribuição espacial
de Attalea humilis na Rebio e concluíram que
variações de larga escala na estrutura da
vegetação, relacionadas à abertura de clareiras
e, conseqüentemente, ao maior ou menor
estado de conservação da floresta, são mais
determinantes que variações de micro-escala.
Estes resultados, ainda que restritos a uma
espécie, vêm corroborar a observação visual,
porquanto limitada aos aspectos fisionômicos,
quando se tomam freqüentes os adensamentos
de espécies como Astrocaryntm aculeatissimum
e Geonoma pohliana em fragmentos com
dossel mais adensado, enquanto em áreas mais
abertas, no interior da floresta, elas ocorrem
em baixa densidade.
Considerando o conjunto de espécies com
maiores valores de importância referenciados
por Pessoa (2003), nos três fragmentos que
inventariou, destacam-se: Senefeldera
multiflora, Pogonophora schomburgkiana,
Actinostemon concolor, Copaifera
trapezifolia, Anaxagorea dolichocarpa,
Eclinusa ramiflora, Guapira opposita,
Balizia pedicellaris, Algernonia sp.. Trema
micrantha , Andradaea floribunda, Annona
cacans, Astrocaryum aculeatissimum,
Sparattosperma leucanthum, Helicostyles
tomentosa, Guapira areolata, Cordia
sellowiana, Actinostemon verticillatus,
Mabea piriri, Faramea truncata e
Pterocarpus rohrii. Dentre estas espécies, são
comuns ao dossel da floresta aluvial em análise:
Rodriguésia 57 (3): 413-428. 2006
SciELO/JBRJ
12 13 14 15 16 17
cm
Floristica e estrutura de dossel em floresta aluvial no Rio de Janeiro
423
Copaifera trapezifolia , Guapira opposita,
Mabea piriri e Pterocarpus rohrii, presentes
na amostragem com poucos indivíduos.
Astrocaryum aculeatissimum, por sua vez,
ocorre com grande importância nesta sub-
mata, com 33 inds./ha, valor de importância
de 10,06, um terço do valor encontrado para
Euterpe edulis.
Quando considerada a estrutura de
abundância da vegetação, verificamos que
tanto a densidade como a área basal têm
valores pouco superiores a trechos
inventariados sobre pequenas elevações
(Guedes-Bruni 1998), típicas das baixadas do
Rio de Janeiro: onde a densidade foi de 486
ind./ha e a área basal de 23.773 m2/ ha.
Borém & Oliveira-Filho (2002) destacam nos
terços inferior, médio e superior densidades
e áreas basais de 147 ind./ha e 15,13 m2/ha,
1 77 ind./ha e 20,8 1 m2/ha e 255 ind./ha e 33,34
m2/ha, respectivamente. Estes mesmos
autores indicam ainda um aumento nos
números de espécies e nos subseqüentes
valores de H’ das toposeqüências da inferior
para a superior, retratando um gradiente de
perturbação nas mesmas.
A estrutura de tamanho apresentou 76%
dos indivíduos concentrados entre diâmetros à
altura do peito entre 10 e 21 cm (fig. 4), com
diâmetro médio de 21 cm, onde exemplares
com maiores taxas de crescimento secundário
ocorriam acima do dossel, como emergentes,
como árvores de Xylopia brasiliensis, cujo
diâmetro de 1 ,85 m foi o maior encontrado na
amostragem, Eriotheca pentaphylla com 1,12
m, Guarea kunthiana com 0,77 m e Trichilia
casaretti com 0,72 m.
A altura média da floresta foi de 14,5 m,
concentrando quase que a metade dos
indivíduos na faixa entre 10 e 16 m de altura
(fig. 5). Ao considerarmos as alturas atingidas
pelas árvores emergentes, Trichilia casaretti
e Alchornea triplinervia, p. ex., apresentaram
as maiores alturas registradas para o trecho
inventariado: 27 m, destacando-se, ainda:
Eriotheca pentaphylla (26 m), Miconia
cinnamomifolia (26 m), Platymiscium
floribunditm (25 m), Eugenia macahensis (25
m) e Xylopia sericea (25 m).
Das espécies amostradas, são
comumente encontradas em áreas alagáveis:
Symphonia globulifera, Tabebuia umbellata,
Tabebuia cassinoides, Calophyllum
brasiliensis, Guarea kunthiana, Tapirira
guianensis, Inga edulis, Inga thibaudiana
e Talauma ovata.
Figura 4 - Distribuição de indivíduos, segundo as classes de diâmetro, na área de floresta aluvial (cm).
Rodriguésia 57 (3): 413-428. 2006
SciELO/JBRJ
L2 13 14 15 16 17
cm ..
424
Figura 5 - Distribuição de indivíduos, segundo classes
de altura, na área de Floresta aluvial (m).
Conclusões
O componente dominante na Rebio Poço
das Antas, quando comparado aos demais
trabalhos desenvolvidos em áreas de vegetação
arbórea na UC ou nos seus arredores, expressa
a ampla diversidade de respostas da flora e da
vegetação nos fragmentos florestais dispersos
na região, não só aos processos de alteração
da paisagem natural (fogo, extração seletiva,
rocio, tipo de lavoura implantada etc.), como
também ao tempo decorrido, ao longo do
processo sucessional, desde a intervenção.
São componentes, desta variação,
igualmente importantes: a natureza do solo -
aluvial álico nas áreas de planície e latossolo,
podzólico e hidromórfico nos mamelões; e a
influência das cheias dos córregos e rios que
cortam a planície, tornando-a, em alguns
trechos, periodicamente ou permanentemente
inundada.
Scarano (2006) sumariza, com dados
coletados na Rebio, a importância que a
periodicidade das cheias dos cursos d’água
desempenham no estabelecimento das
espécies. Tais inundações, ainda que
ocorrendo com periodicidades semelhantes,
se dão de forma distinta numa mesma área,
seja em razão de um aclive pouco expressivo
no terreno, para o nível da observação
fisionômica, mas não da ecológica, ou ainda
pela natureza do solo. Neste ponto devemos
considerar a ocorrência mais freqüente de
manchas de argila em áreas próximas aos
cursos d’água ou a presença de bromélias
terrestres recobrindo extensamente o terreno,
para exemplificar fatores interativos na
permanência, por maior ou menor tempo, do
encharcamento do solo decorrente das cheias.
Cuedes-Bnmi, R. R. et al.
Ainda que mais intensamente estudada
na última década, os fatores interferentes no
recrutamento e no estabelecimento de
espécies; na densidade das populações e nos
padrões de distribuição espacial merecem um
desenho experimental mais adequado aos
inúmeros questionamentos que se avolumam,
à medida que estudamos uma mesma área de
estudo, com o concurso de diferentes
especialistas, como se dá de forma excepcional
numa Unidade de Conservação federal
brasileira como é o caso da Reserva Biológica
de Poço das Antas.
Ao considerar-se, ainda, a heterogenei-
dade florística, intrínseca às florestas tropicais,
no caso da Rebio, a presença de mosaicos de
vegetação em estádios sucessionais
diferenciados bem como os ffeqüentes eventos
de intervenção na paisagem pelo fogo,
resultante das grandes extensões de solo
turfoso, geram expressivos valores de
diversidade registrados pelos diferentes autores
que nela desenvolveram estudos diversificados.
Este elemento, por si só, constitui uma fonte
de pesquisas de longa duração para a Floresta
Ombrófila Densa Atlântica, uma vez que, ainda
de forte impacto nos seus remanescentes, a
prioridade de estudos nesta linha de pesquisa
tem se voltado, além do cerrado, historicamente
mais bem estudado, para a Floresta Ombrófila
Densa Amazônica. Cabe destacar, sobretudo
no âmbito das florestas de baixada do Rio de
Janeiro, o trabalho de Silva Matos et al. (Dados
não publicados), desenvolvido em três
fragmentos florestais da Rebio, avaliando as
alterações no microclima e na produção de
serrapilheira, o qual demonstra o sinergismo
gerado entre a fragmentação e a incidência
do fogo sobre variáveis microclimáticas e
vegetação, atuando, por conseguinte, como
agentes transformadores da paisagem,
diversidade e estrutura das comunidades.
As espécies amostradas são comumente
descritas para as Florestas Ombrófilas Densas
submontanas e aluviais, bem como as famílias
mais ricas são aquelas amplamente citadas em
trabalhos efetuados na Floresta Ombrófila
Densa Atlântica.
Rodriguèsia 57 (3): 413-428. 2006
SciELO/JBRJ
12 13 14 15 16 17
425
Floristica e estrutura de dossel em floresta aluvial no Rio de Janeiro
Ricklefs & Schluter (1993) destacam
que a riqueza de espécies expressa enormes
variações geográficas em diferentes escalas
e muitos são os processos que,
potencialmente, podem interferir no grau de
riqueza de espécies, tais como: fatores físicos
(clima e suprimento de energia, p.ex.), fatores
históricos (taxas de especiação e dispersão)
e interações bióticas (predação e
competição). Comell & Karlson (1997), por
sua vez, lembram que existem limites para a
riqueza de espécies, não só em função da
restrição de recursos disponíveis, como
também pelos fatores físicos. Ao avaliarem
os efeitos da competição na estruturação de
comunidades locais, identificam como um
campo estimulante, a observação da relação
entre riquezas locais e regionais.
Valendo-se de métodos de ordenação,
Guedes-Bruni (1998) observa que, a floresta
aluvial representada por esta amostragem, tem
como espécies indicadoras: Eriotheca
pentaphylla, Calophyllum brasiliense e
Eugenia expansa .
Apesar das alterações pretéritas na
vegetação analisada e considerando-se os
limites físicos estabelecidos pelo
encharcamento do solo, os valores de riqueza
e de diversidade são próximos aos obtidos em
áreas conservadas ou cm estádio avançado de
sucessão da Floresta Ombrófila Densa aluvial
de várzea ou paludosa.
Agradecimentos
Ao Jardim Botânico do Rio de Janeiro
pelo irrestrito apoio à execução deste plano
de tese de doutorado; ao CNPq pela bolsa
de doutorado, concedida durante parte do
período do curso, à primeira autora; à The
John D. and Cathcrine T. MacArthur
Foundation e à Cia. Petrobrás, cuja alocação
de recursos financeiros de longo prazo
propiciam a execução dos objetivos do
Programa Mata Atlântica do JBRJ; à
Universidade de São Paulo — USP, assim
como também à Universidade Estadual de
Campinas - UN1CAMP, cuja convivência
Rodriguésia 57 (3): 413-428. 2006
com os colegas de pós-graduação e com
seus docentes, em virtude da experiência
profissional destes últimos, enriqueceram o
desenvolvimento da proposta de estudo; aos
colegas do Programa Mata Atlântica que,
valendo-se de um objetivo comum, através
de suas diferentes linhas de pesquisas,
auxiliaram no processo de obtenção de dados
no campo e interpretação de alguns
resultados obtidos, especialmente: Gustavo
Martinelli, Solange de V. A. Pessoa, Tânia
S. Pereira, Lana da S. Sylvestre, Claudia F.
Barros, Catia Callado e ao auxiliar de campo
Jorge Caruso Gomes, por seu inesgotável
devotamento nas atividades de campo; c
finalmente, aos taxonomistas que
participaram com seu fundamental
conhecimento à compreensão da diversidade
floristica brasileira: Alexandre Quinet,
Angela S.da Fonseca Vaz, Arline de Souza,
Ary Gomes da Silva, Claudia M. Vieira,
Genise V. Somner, Jorge Pedro Carauta, José
Fernando A. Baumgratz e, especialmcnte,
Haroldo C. de Lima e Dra. Graziela M.
Barroso, esta última in memoriam.
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cm
Composição florística e estrutura de dossel em trecho
DE FLORESTA OMBRÓFILA DENSA ATLÂNTICA SOBRE MORROTE
MAMELONAR NA RESERVA BlOLÓGICA DE POÇO DAS ANTAS,
Silva Jardim, Rio de Janeiro, Brasil1
Rejan R. Guedes-Bruní1 , Sebastião José da Silva Neto'',
Marli P. Morim 2 & Waldir MantovanR
Resumo
(Florística e estrutura de dossel em floresta sobre morrote mamelonar no Rio de Janeiro, Brasil) Os remanescentes
de Floresta Ombrófila Densa submontana Atlântica, ocorrentes nos mamelões da baixada do Rio de Janeiro,
carecem de estudos florísticos e estruturais. Inventariou-se 1 ha, empregando parcelas, adotando como critério de
inclusão DAP à 5 cm e, através de relações alométricas, estabeleceu-se como árvores de dossel aquelas com limites
de DAPs e alturas superiores a 1 0 cm e 1 0 m, respectivamente. Foram amostrados 580 indivíduos, de 1 74 espécies
e 45 famílias. O índice de diversidade de Shannon (FT) foi de 4,57 nats/ind e a eqüabilidade (J) de 0,88, valores
próximos aos encontrados para a Floresta Ombrófila Densa submontana Atlântica no estado. Dentre as famílias
com maiores riquezas, reunindo ca. 74% das espécies destacam-se: Euphorbiaceae, Fabaceae, Moraceae, Lauraceae,
Melastomataceae, Myrtaceae, Monimiaceae, Clethraceae, Flacourtiaccae, Annonaceae, Rubiaceae, Meliaceae,
Sapindaceae e Myristicaceae. Destacam-se como espécies com maiores Vis: Senefeldera verticillata , Siparuna
reginae, Mabea piriri. Casearia sylvestris, Clethra scabra, Tibouchina scrobiculata, Pseudopiptadenia
inaequalis, Guapira opposita, Apuleia leiocarpa e Brosimum guianense. Caracterizam-se como espécies
indicadoras de morrote: Apuleia leiocarpa. Eugenia macahensis, Simarouba amara e Pseudopiptadenia contorta.
Palavras-chave: Mata Atlântica, florística, estrutura de comunidade, dossel, floresta de baixada, mamelões.
Abstract
(Floristics and strueture of the forest canopy on hillocks in the lowlands, Rio de Janeiro, Brazil) The remnant
areas of Atlantic coastal Forest on hillocks in the Coastal lowlands of Rio de Janeiro State, Brazil, have been
poorly studied in terms of both their strueture and floristics. Sample plots, totaling one hectare, were inventoried
using a DBH 2 5 cm inclusion criterion. Allomctric rclationships were used to define a canopy tree as having a DBH
2: 1 Ocm and height £ 1 0 m. A total of 580 individuais were samplcd, comprising 1 74 species belonging to 45 families.
The Shannon diversity índex (H') was 4.57 nats/ind, and the equitability (J) was 0.88. These were considcred
representative values for an area of Atlantic Coastal Forest in that State. Among the families with the highest
species richness (74% of the total number of species) were: Euphorbiaceae, Fabaceae, Moraceae, Lauraceae,
Melastomataceae, Myrtaceae, Monimiaceae, Clethraceae, Flacourtiaceae, Annonaceae, Rubiaceae, Meliaceae,
Sapindaceae, and Myristicaceae. Among the species with the highest VI were: Senefeldera verticillata , Siparuna
reginae. Mabea piriri. Casearia sylvestris, Clethra scabra. Tibouchina scrobiculata. Pseudopiptadenia
inaequalis, Guapira opposita, Apuleia leiocarpa, and Brosimum guianense. The indicator species for hillock
forests were: Apuleia leiocarpa, Eugenia macahensis, Simarouba amara, and Pseudopiptadenia contorta.
Key words: Atlantic Coastal Forest, floristics, community strueture. canopy, lowland forest, hillocks.
Introdução
A análise do estado de conservação da
Floresta Ombrófila Densa Atlântica,
especialmente no Rio de Janeiro, reduzida hoje
a aproximadamente 16,73% do território do
estado, limita-se a pequenas áreas particulares
ou a unidades de conservação. Apenas 29,8%,
do total dc remanescentes no Rio de Janeiro,
encontram-se circunscritos a Unidades de
Conservação (Fundação SOS Mata Atlântica/
Artigo recebido em 09/2005. Aceito para publicação cm 10/2006.
'Parte da tese de doutorado da primeira autora, apresentada ao Deplo. Ecologia - USP.
3Programa Mata Atlântica, Jardim Botânico do Rio de Janeiro.
Tundaçâo Botânica Margarct Mee/ Programa Mata Atlântica, Jardim Botânico do Rio de Janeiro.
'Depto. Ecologia, Instituto dc Biociências, Universidade de Sâo Paulo - USP/ bolsista CNPq. Apoio financeiro: Pctrobras/
Jardim Botânico do Rio de Janeiro/MMA.
Autor para correspondência: Rejan R.Guedcs-Bruni. Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Programa Mata Atlântica. Rua
Pacheco Leâo 915, 22460-020, Rio de Janeiro, RJ. rbruni@jbrj.gov.br
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INPE 2002). A relevância de estudos nestes
remanescentes, sob mesmo domínio
fitogeográfico, porém muito distintos entre si -
resultantes do processo, de décadas, de
fragmentação florestal, a partir de usos
diferenciados do solo — já foi destacada por
Guedes-Bruni et al. (2006), ao tratar de trecho
de mata aluvial na Reserva Biológica de Poço
das Antas.
Um dos componentes mais típicos da
paisagem da Baixada Fluminense, observado
de forma patente a partir do alto das serranias,
são os chamados morros mamelonares ou
mamelões, que não ultrapassam 300 m de
altitude, sustentados por rochas do cristalino,
afogados nos depósitos flúvio marinhos
litorâneos e designados por “mar de morros”.
As florestas aluviais que os circundam -
devido à ocorrência sobre terrenos planos,
ainda que brejosos, facilitaram o
estabelecimento de residências e atividades
agrícolas — foram impactadas em períodos
anteriores, desde a implantação da agro-
manufatura do açúcar, a partir do séc. XVI,
até mais recentemente no séc. XX, a partir da
década de 30 com a expansão das áreas rurais
(Lamego 1940, 1946 e 1948 ; Golfari &
Moosmayer 1980; Azevedo 1996) e cujas
matas que revestem estes morrotes, são, em
sua maioria, remanescentes alterados da
vegetação nativa da região, anterior aos
processos de antropizaçâo das áreas de
baixada do estado do Rio de Janeiro. Nestes
mamelões, ora totalmente desnudos, ora
cobertos por florestas - designadas
popularmente como matas de baixada - com
diferentes dimensões e em diversos estádios
sucessionais, é a pecuária a ação antrópica
mais evidente e, em decorrência dela, o fogo
o precursor da sua alteração e um dos
determinantes principais no estabelecimento
das espécies.
Inúmeros estudos mais recentes sobre
florestas submontanas, alguns desenvolvidos
em regiões próximas à Reserva Biológica de
Poço das Antas, posteriores aos anos 80 do
século passado, podem ser encontrados em
Guedes-Bruni et al. (2006).
Guedes-Bruni, R. R. et al.
Objetiva-se neste estudo caracterizar
florística e estruturalmente o dossel de um dos
últimos remanescentesde floresta ombrófila
densa submontana sobre morrotes no Rio de
Janeiro, em avançado estado de conservação,
salvaguardado em Unidade de Conservação
(UC) - o que possibilitará, a partir de
monitoramento, reavaliar o estado da floresta
fúturamente, à luz do reconhecimento ora feito
e avaliar, com maior propriedade, os processos
sucessionais que venham a ocorrer.
Material e Métodos
Caracterização da área de estudo
A despeito dos processos de erosão
antrópica, as condições úmidas dominantes
aparecem como responsáveis pelo
modelamento de formas colinosas. A presença
da formação Barreiras no litoral centro-norte
do estado do Rio de Janeiro, cujos tabuleiros
restringem-se à área de contato entre a
baixada flúvio-marinha e a encosta, acaba por
originar a baixada dos Goitacazes ou Baixada
Fluminense, constituída por matéria argilosa e
areno-argilosa, profundamente edafisadas e
com concreções ferruginosas na superfície.
As camadas de argila negra e turfas são
indicativas dos avanços e recuos do mar
(IBGE 1977).
Os trabalhos de Lamego (1940 e 1946)
— que ao longo de sua obra conseguiu unir
espaço, tempo e homem para compreensão
sinérgica do ambiente — mostram as formações
físicas das baixadas costeiras em direção ao
interior do território, bem como os processos
de formação sócioeconômica e as barreiras
naturais (grandes extensões de areia, pântanos
e brejos) — com o concurso da resistência
indígena à ocupação do solo pelos europeus —
como fatores determinantes no arranjo
paisagístico da região e na organização
físiográfíca, não só desta área de interesse,
como do estado do Rio de Janeiro. A análise
minuciosa da obra deste engenheiro de
formação, porém estudioso dedicado à
geografia, revela não só sua extrema
sensibilidade, como, sua surpreendente
contemporaneidade.
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Floristica e estrutura de dossel em floresta sobre morrote mamelonar no Rio de Janeiro
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A área que constitui a Reserva Biológica
de Poço das Antas (Rebio) foi, no passado,
como em grande parte a baixada litorânea do
Rio de Janeiro, explorada como área de lavoura
e pastagem, e as manchas de floresta que
sobreviveram à expansão agrícola ao norte do
Rio de Janeiro são resultantes de processos
sucessionais de diferentes épocas e distintos
manejos de solos. A caracterização da
Reserva, no que tange às características de
área, solo, clima e vegetação encontra-se em
Lima et al. (2006)
Sobre os morros mamelonares, sem a
influência das cheias, estabelece-se a Floresta
Ombrófda Densa submontana Atlântica, com
estrutura heterogênea devido ao desenvol-
vimento dos solos e ao grau de conservação
das áreas florestadas. Ao longo do texto serão
tratadas, resumidamente, por mata de morrote
ou floresta sobre morrote.
Coleta de dados
Foi selecionado um pequeno fragmento
florestal na Rebio, com aproximadamente 4
ha de área, aí incluída uma lage exposta com
ca. 25 m\ Foram alocadas, sistematicamente,
alternadamente ao longo do eixo de aclive, 40
unidades amostrais de 10 x 25 m, dispostas
em faixas com quatro unidades cada uma,
totalizando 1 ha de área, num mesmo
fragmento, sobre morrote mamelonar, a
sudeste dos limites da área da Rebio, com
altitude de 250 m.sm. e distanciadas em pelo
menos 20 metros das trilhas ou lages, para a
implantação do ponto inicial da parcela,
buscando-se evitar, com isto, o efeito de borda.
A amostragem incluiu todos os indivíduos
arbóreos e arborescentes (palmeiras e fetos
arborescentes) com diâmetro do caule a 1,3 m
do solo (DAP) igual ou superiora 5 cm. Quando
os indivíduos apresentavam caule ramificado,
eram tomadas as medidas de todas as ramifi-
cações para posterior cálculo da área basal c
DAP equivalente para aplicar o critério de
inclusão. O material testemunho encontra-se
depositado no herbário do Jardim Botânico do
Rio de Janeiro (RB). Nas listas de espécies as
morfo-espécies são relacionadas e, em várias
ocasiões, em seqüência que gera estranhamento
ao leitor, visto que não é seqüencial. Explica-
se: o material faz parte da coleção do Programa
Mata Atlântica (PMA), onde muitas pesquisas
são conduzidas simultâncamente. Objetivando
a acurácia da informação taxonômica, todos os
pesquisadores, adotam a identificação
padronizada pelo PMA, de modo que até
mesmo as morfo-espécies, sigam a mesma
nomenclatura, razão pela qual são encontradas
morfoespécies com números não seqüenciais
(p.ex.: Guatteria sp.4), visto que em outras
pesquisas do PMA foram identificadas as
antecedentes (as quais não foram amostradas
no presente estudo), que por sua vez se
distinguem do exemplar coligido neste trabalho.
Na definição de dossel foram
estabelecidas relações alométricas entre
diâmetro e altura (fig.l) , transformados pelo
respectivo logaritmo decimal (Sneath & Sokal
1973), para todos os indivíduos coletados nas
diferentes áreas, identificando o dossel a partir
da linha indentada evidenciada no diagrama
de correlação. Com isto, foram fixados como
elementos de dossel todos os indivíduos que
apresentassem diâmetros iguais ou superiores
a 10 cm e alturas iguais ou superiores a 10 m,
a partir da verificação da primeira
dcscontinuidade entre os pontos.
1.8
1.6
1.4
~ 12
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â
», 0.8
0.4
0.2
0.0
0.6 0.8 1.0 1.2 1.4 1.6 1.8 2.0
log [dap(cm)]
Figura t - Rclaçflo alométrica enlre diâmetro e altura,
dos indivíduos com DAP i 5, amostrados na floresta
sobre morrote, para definição dos limites do dossel.
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O sistema fitogeográfico adotado na
classificação da vegetação foi o de Veloso et al.
(1991). O sistema de classificação taxonômica
adotado segue Cronquist (1988), excetuando-
se Fabaceae, que foi considerada como família
única, de acordo com Polhill et al. (1981).
Processamento e análise dos dados
O processamento dos dados da
amostragem foi executado pelo programa
FITOPAC (Shepherd 1995) para o qual foram
calculados parâmetros tais como: densidade
relativa (Dr), freqüência relativa (Fr),
dominância relativa (Dor) a partir da área
basal, o volume cilíndrico obtido pela
multiplicação da área basal pela altura total, e
o valor de importância (VI). Para análise da
diversidade florística adotou-se o índice de
Diversidade de Shannon (FF) e de eqüabilidade
(J’) de acordo com Magurran (1988) e Pielou
(1984) respectivamente, com a base
logarítmica natural.
Guedes-Bruni, R. R. et al.
Resultados e Discussão
Na amostragem do dossel (DAP > 1 0 cm)
foram coligidos 580 indivíduos, totalizando
26,85 m2/ha de área basal e 571,36 m3 de
volume/ ha.
Identificaram-se 174 espécies (tab. 1), de
45 famílias; o índice de diversidade de Shannon
(FT) foi de 4,57 nats/ind., enquanto a eqüabili-
dade (J) foi de 0,88, valores comumente
encontrados em estudos na Floresta Ombrófila
Densa submontana e montana no Rio de Janeiro,
conforme estudo de Guedes-Bruni (1998). As
alterações ocorridas nas paisagens da Rebio, à
primeira vista, induzem uma percepção de baixa
riqueza e diversidade em suas florestas, no
entanto, os processos sucessionais diferenciados
que ocorrem simultaneamente, em escalas
temporais, como respostas à interferência nos
remanescentes, além da heterogeneidade de
ambientes, principalmente no substrato,
relacionado à formação mamelonar, acabam por
gerar elevadas riqueza e diversidade de espécies.
Tabela 1 - Relação das espécies registradas na amostragem da Floresta Ombrófila Densa submontana
sobre morrote na Reserva Biológica de Poço das Antas.
Família /Espécie
ANACARDIACEAE
Astronium graveolens Jacq.
ANNONACEAE
Annonaceae sp.l
Annonaceae sp.2
Annonaceae sp.3
Annonaceae sp.4
Guat teria ferruginea A.St.-Hil.
Guatteria xylopioides R.E.Fr.
Guatteria sp.4
Rollinia laurífolia Schltdl.
Xylopia sericea A.St.-Hil.
APOCYNACEAE
Tabernaemontana australis (Müll. Arg.) Miers.
ARECACEAE
Astrocaryum aculeatissimum (Schott) Burret
Euterpe edulis Mart.
ASTERACEAE
Vernonia discolor (Spreng.) Less.
Família / Espécie
BIGNON1ACEAE
Bignoniaceae sp.l
Bignoniaceae sp.2
Bignoniaceae sp.6
Bignoniaceae sp.7
Bignoniaceae sp.8
Sparattosperma leucanthum (Vell.) K. Schum.
Tabebuia cassinoides (Lam.) DC.
Tabebuia heptaphylla (Vell.) Toledo
BOMBACACEAE
Eriotheca macrophylla (K. Schum.) A.
Robyns
Eriotheca pentaphylla (Vell.) A. Robyns
Pseudobombax grandijlorum (Cav.) A. Robyns
BORAGINACEAE
Cordia trichoclada DC.
BURSERACEAE
Protium spmceanum (Benth.) Engl.
Protium blanchetii Engl.
Protium heptaphyllum (Aubl.) Marchand
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Família / Espécie
CECROPIACEAE
Cecropia glaziovi Snethlage
Cecropia pachyslachya Trécul
CHRYSOBALANACEAE
Licania octandra (Hoffmanns. ex Roem. &
Schult.) Kuntze
CLETHRACEAE
Clethra scabra Pers.
CLUSIACEAE
Clusiaceae sp.l
Calophyllum brasiliense Cambess.
ELAEOCARPACEAE
Sloanea guianensis (Aubl.) Benth.
Sloanea monosperma Vell.
Sloanea sp.
ERYTHROXYLACEAE
Erythroxylum sp.
EUPHORBIACEAE
Actinostemon concolor (Spreng.) MUll. Arg.
Actinostemon verlicillalus (Klotzsch) Baill.
Alchornea glandulosa subsp. iricurana
(Casar) Secco
Alchornea triplinervia (Spreng.) Müll.Arg.
Aparisthmium cordatum (Juss.) Baill.
Euphorbiaceae sp.3
Hyeronima alchorneoides Allemao
Mabea fistulifera Mart.
Pera sp. 1
Senefeldera verticillata (Vell.)Croizat
Tetraplandra riedelii Mtlll. Arg.
Tetrorchidium rubrivenium Poepp.
FABACEAE
Fabaceae sp.l
Fabaceae sp.2
CAESALPINIOIDEAE
Apuleia leiocarpa (Vogei) J. F. Macbr.
Apuleia molaris Spruce ex Benth.
Batihinia forficata Link
Chamaecrista ensiformis (Vell.) H. S. Irwin &
Bameby
Martiodendron meditenaneum (Mart. ex
Benth.) R. Koeppen
Melanoxylon brauna Schott
Família / Espécie
MIMOSOIDEAE
Albizia polycephala (Benth.) Killip ex Record
Balizia pedicellaris (DC.) Bameby & J. W.
Grimes
Inga afftnis DC.
Inga capitata Desv.
Inga thibaudiana DC.
Pithecellobium pedicellare (DC.) Benth.
Plathymenia foliolosa Benth.
Pseudopiptadenia contorta (DC.) G. P.Lewis &
M. P. Lima
Pseudopiptadenia inaequalis (Benth.)
Rauschert
PAPILIONOIDEAE
Dalbergia frutescens (Vell.) Britton
Machaerium incorruptibile Allemão
Ormosia arbórea (Vell.) Harms
Ormosia fastigiata Tul.
Peltogyne sp.l
Phyllocarpus riedelii Tul.
Platycyanus regnellii Benth.
Pterocarpus rohrii Vahl
Swartzia aff. apetala Raddi
Swartzia flaemingii Raddi var. fl aemingii
Swartzia simplex (Sw.) Spreng.
FLACOURTIACEAE
Banara serrata (Vell.) Warb.
Casearia arbórea (Rich.) Urb.
Casearia sylvestris Sw.
Flacourtiaceae sp.
Lacistema pubescens Mart.
HIPPOCRATEACEAE
Cheiloclinium cognatum (Miers) A. C. Sm.
LAURACEAE
Aniba firmula (Nees & C. Mart.) Mez
Aniba intermedia (Meisn.) Mez
Beilschmiedia taubertiana (Schwacke & Mez)
Kosterm.
Cryptocaria micrantha Meisn.
Cryptocaria moschata Mart.
Cryptocarya sp.l
Lauraceae sp.
Lauraceac sp.7
Licaria armenica (Nees) Kosterm.
Nectandra membranacea (Sw.) Griseb.
Nectandra oppositifolia Nees
Ocotea aff. lindbergii Mez
Ocotea divaricata (Nees) Mez
Ocotea laxa (Nees) Mez
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Família /Espécie
Ocolea martiana Mez
Ocotea spectabilis (Meisn.) Mez
Urbanodendron bahiense (Meisn.) J. G Rohwer
LECYTHIDACEAE
Cariniana estrellensis (Raddi) Kuntze
Cariniam legalis (Mart.) Kuntze
Lecythidaceae sp. 1
Lecythis lanceolata Poir.
MELASTOMATACEAE
Miconia cinnamomifolia (DC.) Naudin
Miconia lepidola Schrank & Mart. ex DC.
Tibouchina estrellensis (Raddi) Cogn.
Tibouchina scrobiculata Cogn.
MELIACEAE
Cabralea canjerana (Vell.) Mart. subsp.
canjerana
Guarea guidonia (L.) Sleumer
Meliaceae sp.
Trichilia casaretti C. DC.
Trichilia lepidota subsp. schumanniana
(Harms)T. D. Penn.
Trichilia pallida Sw.
MONIMIACEAE
Mollinedia cf. salicifolia Perkins
Monimiaceae sp.2
Siparuna guianensis Aubl.
Siparuna reginae (Tul.) A.DC.
MORACEAE
Brosimum guianense (Aubl.) Huber
Ficus gomelleira Kunth & C. D. Bouché
Helicostylis tomentosa (Poepp. & Endl.) Rusby
Moraceae sp.l
Naucleopsis oblongifolia (Kuhlm.) Carauta
Pseudolmedia cf. laevis (Ruiz & Pav.) J.F.
Macbr.
Pseudolmedia hirtula Kuhlm.
Sorocea guilleminiana Gaudich.
MYRIST1CACEAE
Virola gardneri (A. DC.) Warb.
Virola oleifera (Schott) A. C. Sm.
MYRSINACEAE
Ardis ia afT. martiana Miq.
Guedes-Bruni, R. R. et al.
Família / Espécie
Eugenia supraaxillaris Spring
Myrcia cf. hirtiflora DC.
Myrciafallax (Rich.) DC.
Myrcia racemosa (O. Berg) Kiaersk.
Myrcia rostrata DC.
Myrtaceae sp.
NY CTAGINACEAE
Guapira nitida (Mart. ex J.A.Schmidt) Lundell
Guapira opposita (Vell.) Reitz
Guapira sp. 1
QUIINACEAE
Quiina glazovii Engl.
ROSACEAE
Prunus brasiliensis (Cham. & Schltdl.) Dietrich
RUBIACEAE
Amaioua intermedia Mart.
Bathysa mendoncaei K.Schum.
Bathysa stipulata (Vell.) C. Presl.
Faramea multijlora A. Rich. ex DC.
Psychotridi sp.l
Randia armata (Sw.) DC.
Simira viridijlora (Allemâo & Saldanha)
Steyerm.
RUTACEAE
Hortia arbórea Engl.
SAPINDACEAE
Cupania furfuracea Radlk.
Cupania oblongifolia Mart.
Cupania racemosa (Vell.) Radlk.
Cupania sp.l
Matayba guianensis Aubl.
Matayba sp.l
SAPOTACEAE
Chrysophyllum flexuosum Mart.
Ecclinusa ramiflora Mart.
Micropholis crassipedicellata (Mart. & Eichler
ex Miq.) Pierre
Pouteria cf. reticulata (Engl.) Eyma
Pouteria guianensis Aubl.
Pradosia kuhlmannii Toledo
SIMAROUBACEAE
Simarouba amara Aubl.
MYRTACEAE
Eugenia sp.
STERCULIACEAE
Sterculia chicha A.St.-Hil. er Turpin
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Flori.stica e estrutura de dossel em floresta sobre morrote mamelonar no Rio de Janeiro
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Família/ Espécie
VIOLACEAE
Rinorea guianensis Aubl.
Família/ Espécie
SYMPLOCACEAE
Symplocos variabilis Mart.
VERBENACEAE
Cytharexylum myrianthum Cham.
A literatura sobre florestas de baixada,
sejam elas aluviais ou sobre morrotes, é
insuficiente para o conhecimento de sua flora
e estrutura, e as UCs representam
importantes fontes de estudo para a
compreensão destas florestas, tanto no âmbito
das comunidades como no de populações,
sobretudo para espécies de distribuição
restrita, tanto em amplitude geográfica como
em especificidade ambiental.
Pessoa (2003), objetivando investigar o
efeito da fragmentação e do isolamento de
habitats sobre a estrutura e diversidade dos
elementos arbóreos, inventariou três
fragmentos de diferentes formas e dimensões
na Rebio, dos oito ocorrentes sobre pequenos
morrotes, tendo como critério de inclusão DAP
^5 cm. Foram referenciados 1.771 indivíduos
de 207 espécies, onde Senefeldera
verticillata corresponde à espécie com maior
VI nos três fragmentos analisados, decorrente
dos elevados valores de densidade da espécie
nas diferentes áreas amostrais. Os índices de
diversidade (H’) obtidos correspondem a 3,02
nats/ind. (fragmento com 1,35 ha), 3,90 nats/
ind. (fragmento com 6,65 ha) e 3,65 nats/ind.
(fragmento com 9,34 ha) enquanto os valores
de equabilidade (J) correspondem a 0,73, 0,83
e 0,73, respectivamente. Interessante destacar
que os valores encontrados pela autora podem
ser explicados, inicialmente, pelo critério
distinto de inclusão, que, por sua vez, aumenta
a coleta de indivíduos recrutantes, o que acaba
por elevar os valores de densidade de
determinadas espécies, sem contudo,
aumentar a riqueza de táxons nas amostras (o
que pode ser corroborado pelos valores
encontrados para equabilidade). Outro fator
de influência, a ser ponderado, refere-se à
localização dos sítios tratados: mais a noroeste
da Rebio, mais próximos à área da Represa
Rodrlguésia 57 (3): 429-442. 2006
VOCHYSIACEAE
Vochysia sp.l
dc Juturnaíba e, possivelmente, mais sujeitos
à interferência na composição e
caracterização dos solos, visto que, a porção
norte de toda a Rebio é margeada por solos
turfosos. O tamanho do fragmento, para
efeito de comparação, poderia ser igualmente
considerado, porém, os dados disponíveis,
impossibilitam uma adequada inferência sobre
a influência da forma e tamanho entre os
fragmentos estudados por Pessoa (2003) e
este estudo.
Analisando o estrato arbóreo de uma
toposseqüência alterada, de Floresta
Ombrófila Densa submontana, próxima à
Rebio, com critério de inclusão de DAP £3,18,
Borém & Oliveira-Filho (2002) encontraram
1 29 espécies e o valor do índice de diversidade
(H’) igual a 4,137 nats/ind. Os resultados
obtidos pelos autores, ao inventariarem cotas
altitudinais que denominaram terços: inferior,
médio e superior, expressam que o critério de
inclusão influi fortemente na caracterização
da vegetação, quando comparados aos
resultados neste estudo obtidos, pois como
afirmam: “Em todos os ambientes estudados
observa-se que dentre as espécies mais
importantes (maior VI) muitas apresentam
como estratégia de ocupação do ambiente
muitos indivíduos de porte relativamente
reduzido, enquanto a minoria apresenta
poucos indivíduos que podem alcançar
grandes dimensões. " Ou seja, as espécies
amostradas são, em sua maioria, espécies
pioneiras ou secundárias iniciais, cujos
diâmetros, nas diferentes toposseqüências
analisadas, distribuem-se semelhantemente c
concentram a maior densidade de seus
indivíduos entre as classes 7,5 e 12,5 cm,
especialmentc no terço superior, onde as
árvores de pequeno diâmetro são mais
freqüentcs. Conseqüentementc, diferem dos
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cm ..
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resultados obtidos quando avaliadas as
espécies de dossel, uma vez que os autores
coletaram com maior freqüência elementos
mais típicos à sub-mata do que propriamente
recrutantes de espécies de dossel.
As famílias que reúnem 73,9% dos
indivíduos presentes no dossel (fig. 2) do trecho
analisado são: Euphorbiaceae (12,4%),
Fabaceae (6,7%), Moraceae (6,2%), Lauraceae
(5,7%), Melastomataceae (5,7%), Myrtaceae
(5,7%), Monimiaceae (5,3%), Clethraceae
(4,6%), Flacourtiaceae (4,5%), Annonaceae
(4,5%), Rubiaceae (3,4%), Meliaceae (3,1%),
Sapindaceae (3,1%) e Myristicaceae (3,0%).
Estes resultados refletem mais uma conjunção
entre a riqueza de táxons para cada família e
seus respectivos indivíduos, do que, propria-
mente, elevadas densidades populacionais para
determinados táxons, como podem exemplificar
Euphorbiaceae (32 inds:12 spp.), Fabaceae
(62:25) e Lauraceae (33: 1 9). As espécies com
maiores densidades na área são: Siparuna
reginae, Clethra scabra, Senefeldera
verticillata, Mabea piriri, Tibouchina
estrellensis e Casearia arbórea, algumas
caracteristicamente espécies pioneiras em
Florestas Ombrófilas Densas Atlânticas.
Ao serem comparados os valores de
densidade de dossel aos de sub-mata, verifica-
se que grande número de indivíduos,
constituem elementos de dossel em
recrutamento como: Clethra scabra.
(%)
Figura 2 - Distribuição percentual de abundância por
famílias, na área de floresta sobre morrote.
Guedes-Bruni, R. R. et al.
Senefeldera verticillata, Lacistema
pubescens, Siparuna reginae.
Guapira opposita, Alchornea
triplinervia e Euterpe edulis, presentes no
dossel com densidades entre 2 e 1 indivíduos por
hectare, são freqüentemente registradas em
inventários no Rio de Janeiro, sobretudo em áreas
de baixada e sopé de serra, conforme Siqueira
(1994), quando as destaca entre as 10 espécies
presentes em cerca de 50% dos levantamentos
realizados em áreas de Floresta Ombrófila
Densa Atlântica em todo o território brasileiro.
Ao trabalhar em área de Floresta
Ombrófila Densa Atlântica em Ubatuba, São
Paulo, em cotas altitudinais que variaram
entre 20 e 190 ms.m, e adotando como critério
de inclusão árvores com DAPs > 1 0 cm. Silva
( 1 980) relaciona, igualmente, Euphorbiaceae,
Arecaceae, Lauraceae e Fabaceae entre as
famílias mais ricas, com Rubiaceae formando
o grupo mais numeroso e Myrtaceae a menos
numerosa, dentre as seis famílias mais ricas.
Os resultados de Ubatuba são, ainda hoje,
dos estudos realizados no estado de São
Paulo, os que mais se aproximam dos
resultados encontrados para áreas de baixada
no Rio de Janeiro.
Em seu estudo realizado em área de
Floresta Ombrófila submontana Atlântica na
Juréia, São Paulo, Mantovani (1 993) destacou
entre as famílias com maiores números de
indivíduos no dossel, ou componente dominante
(DAPs > 9,55cm): Myrtaceae, Arecaceae,
Sapotaceae, Bombacaceae, Lauraceae e
Euphorbiaceae. Contudo, ao serem somadas
as três subfamílias de Fabaceae, tratadas pelo
autor como três famílias independentes, este
táxon passa a apresentar grande relevância
neste parâmetro. Embora as famílias
relacionadas sejam assemelhadas às
encontradas na Rebio, contudo diferem em
aguns aspectos. Inicialmente cabe ressaltar que
a área de estudo da Juréia é melhor conservada
do que a da Rebio, o que por si só já agrega
elementos tais como as densidades elevadas
de espécies das famílias Myrtaceae,
Arecaceae (esta, em grande parte, pela
presença de Euterpe edulis, espécie mais rara
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nas amostragens da Rebio) e Sapotaceac
mais próximas à condição de secundárias
tardias. Na Rebio, as três famílias, a título
de exemplificação, com maior número de
indivíduos: Euphorbiaceae ( Senefeldera
verticillata e Mabea piriri ), Fabaceae
{Pseudopiptadenia inaequalis, Apuleia
leiocarpa entre outras) e Moraceae
( Brosimum guianense, Sorocea
guilleminiana entre outras) são mais
expressivas pelas densidades das espécies
a elas subordinadas, como também, mais
características a condições de vegetação
alterada, as quais se expressam no ambiente
como pioneiras ou secundárias iniciais.
Quanto à riqueza (fig. 3), 14 famílias
concentram 75% das espécies ocorrentes
no dossel, entre elas: Fabaceae (14,4%),
Lauraceae (11,0%), Euphorbiaceae (7,0%),
Moraceae (6,0%), Myrtaceae (5,2%),
Annonaceae (5,2%), Bignoniaceae (4,6%),
Sapotaceae (3,4%), Meliaceae (3,4%),
Rubiaceae (3,4%), Flacourtiaceae (2,8%),
Melastomataceae (2,3%), Monimiaceae
(2,3%), Lecythidaceae (2,3%) c
Nyctaginaceae (1,7%). Este parâmetro
pouco difere dos demais relacionados por
diferentes autores para áreas de baixada
como Guedes (1998), Borém & Oliveira-
Filho (2002), Pessoa (2003) c Gucdcs-Bruni
(2006). O que ocorre são pequenas
diferenças relativas à ocorrência de
espécies, mais competitivas para
estabelecimento, sob uma ou outra condição,
característica a cada uma das áreas de
estudo e que acabam por interferir, na maior
ou menor riqueza dos grupos taxonômicos.
Assim, ao considerarmos os valores de
importância dos táxons ocorrentes na floresta
de morrote (tab.2), são destacáveis:
Senefeldera verticillata , Siparuna reginae ,
Mabea piriri , Casearia sylvestris , Cletbra
scabra, Tibouchina scrobiculata,
Pseudopiptadenia inaequalis, Guapira
opposita, Apuleia leiocarpa e Brosimum
guianense, várias delas características de
etapas iniciais da sucessão florestal.
Rodriguèsia 57 (3): 429-442. 2006
(V.)
Figura 3 - Distribuição percentual da riqueza de espécies
por famílias, na área de floresta sobre morrote.
Quando considerada a estrutura de
abundância da vegetação, tanto para a
densidade como para a área basal, foram
obtidos valores pouco superiores aos de
trechos inventariados sobre pequenas
elevações, típicas das baixadas do Rio de
Janeiro, como em Guedes-Bruni ( 1 998), onde
foi adotada a mesma metodologia,
destacadamente, o mesmo critério de
inclusão. Nesta área de estudo, a densidade
foi de 580 ind./ha com área basal de 26,85
nr /ha. enquanto para área de floresta aluvial,
nesta mesma Rebio, Gucdcs-Bruni et al.
(2006), referenciam 486 ind./ha e área basal
de 23,77 mVha. As diferenças aqui
observadas podem refletir, primeiramente, a
variação de solos, que se dá desde as porções
mais baixas até às mais elevadas do morrote.
Além disto, também há penetração de luz no
interior das florestas nas áreas declivosas,
que permitiria o maior desenvolvimento na
sub-mata c o conscqüente acréscimo de
biomassa, além do alagamento, permanente
ou temporário, de porções dos terrenos
aluviais, decorrentes das cheias dos rios.
Em estudo realizado em uma
toposscqüência, Borém & Oliveira-Filho (2002)
destacam nos terço inferior, médio e superior
densidades e áreas basais de 147 ind./ha e
15,13 mVha, 177 ind./ha c 20,81 m2/ha c 255
ind./ha e 33,34 mVha, respectivamente. Estes
mesmos autores indicam ainda um aumento
nos números de espécies c nos subscqücntcs
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Guedes-Bruni. R. R. et al.
valores de H’ das toposseqüências, da inferior
para a superior, que acabam por retratar um
gradiente de perturbação nas mesmas. No
trecho analisado na Rebio, observa-se a
ocorrência de um número superior de indivíduos
de maior porte nas porções basais e medianas
do morrote, enquanto que na cumeeira, talvez
em decorrência dos morrotes serem tênuemente
aplainados, observa-se um maior número de
indivíduos, mais característicamente arvoretas
do que árvores. Muitas destas arvoretas são
espécies secundárias tardias que sombreiam a
sub-mata densamente ocupada por elementos
de Astrocaryum aculeatissimum.
A semelhança do observado por Borém &
Oliveira Filho (2002), no que concerne à
distribuição diamétrica, ao longo do gradiente das
toposseqüências, possivelmente, o histórico
recente da região da bacia do rio São João, possa
explicar, parcialmente este cenário de dados. Se
a vegetação dos arredores, que circundam estes
morrotes, são áreas de solo seco, muito
provavelmente, foi utilizada: primeiramente para
extração de madeira nobre, há 30 anos, conforme
relato dos moradores locais (Christo et al 2006),
num segundo momento para extração de lenha’
destinada ao abastecimento de fomos de olarias
e panificadoras (Guedes 1988) e numa última
etapa de uso, para implantação de pequenas
lavouras ou pastagem. Se, contudo, as áreas
circundantes aos morrotes são inundáveis, muitas
das espécies que ocorrem nas áreas aluviais se
dispersam até as cotas medianas dos morrotes
e por esta razão não só a natureza do solo impõe
dificuldade de seu uso, como também, propicia
às populações vegetais manterem seu curso
natural de crescimento e estabelecimento na
área. A ocorrência, por sua vez, de espécies
(mais encontradiças nos limites entre as florestas
submontanas e montanas) reconhecidas
culturalmente como apropriadas à construção,
ao uso medicinal e demais benefícios, nas partes
superiores dos morrotes, propicia a exploração
seletiva, por parte das comunidades rurais, o que
justifica a abertura de clareiras. Dentre elas
podem ser citadas: Apuleia leiocarpa (garapa),
Virola gardnerii (bicuíba - verdadeira), V
oleifera (bicuíba), Brosimum guianense
(muirapinima ou muirapinima-preta), Sorocea
guilleminiana (espinheira-santa) e
Sparattosperma leacanthum (cinco-folhas ou
cinco-chagas). Neste processo de exploração,
com abertura de pequenas a médias clareiras,
nas cotas superiores dos morrotes, decorre a
ocupação dos espaços abertos por espécies
heliófilas, característicamente pioneiras ou
secundárias iniciais, em forma de arvoretas e
cujo elevado número de indivíduos, muitas das
vezes estiolados, com pequenos diâmetros,
podem justificar os resultados encontrados em
ambos os estudos.
Na estrutura de tamanho, 74% dos
indivíduos encontram-se distribuídos com
diâmetros entre 10 e 31 cm (fig. 4), com
diâmetro médio equivalente a 21,4 cm, onde
exemplares com maiores taxas de crescimento
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439
secundário ocorriam acima do dossel, como
emergentes, exemplificados por: Pouteria cf.
reticulata, cujo diâmetro de 0,89 m foi o maior
obtido na amostragem, além de Vernonia
discolor (0,74 m), Cariniana legalis (0,73 m),
Cariniana estrellensis (0,65 m) e Guarea
guidonia (0,64 m).
A altura média da floresta foi de 16 m,
concentrando 77 % dos indivíduos na faixa
entre 10 e 25 m de altura (fig. 5). Ao
considerarmos as alturas atingidas pelos
indivíduos emergentes, cuja altura máxima
registrada foi de 32 m, por um indíviduo de
Guarea guidonia, assinalamos: Pouteria cf.
reticulata (30 m), Apuleia leiocarpa (30 m)
e Cariniana legalis (30 m), cujas alturas são
superiores às verificadas na mata aluvial por
Guedes-Bruni et al. (2006).
Neste levantamento, ressaltam-se as
espécies: Tabernamontana australis,
Cecropia glazioui, Cecropia pachystachya,
Clethra scabra, Mabea piriri. Pera sp.,
Dalbergia frutescens. Casearia sylvestris,
Miconia cinnamomifolia, Miconia lepidota,
Tibouchina estrellensis, Ardisia aff.
martiana, Myrcia fallax, Myrcia rostrata,
Prunus brasiliensis, Simarouba amara e
Cytharexylum myrianthum, como indicadoras
de estádios iniciais da sucessão florestal na
Floresta Ombrófila Densa Atlântica.
Ainda que mais intensamente estudada
na última década, como destacado por
Guedes-Bruni et al. (2006), abordagens que
contemplem os diferentes fatores atuantes no
recrutamento e no estabelecimento de
espécies; identificação de espécie ou de
espécies-chave para recuperação de áreas,
estratégias reprodutivas e de propagação
constituem acentuados vazios científicos. Tais
abordagens, por sua vez, não podem prescindir
do concurso de especialidades distintas que
possam, de forma integradora, confluir para a
efetivação de proposições à conservação de
espécies, sobretudo, as endêmicas e com
populações reduzidas.
A riqueza de espécies expressa enormes
variações geográficas em diferentes escalas
Rodriguèsia 57 (3): 429-442. 2006
Classat da altura (m)
Figura 5 - Distribuição de indivíduos, segundo classes
de altura, na área de floresta sobre morrote (m).
e muitos são os processos que, potencialmente,
podem interferir no grau de riqueza de espécies
(Ricklefs & Schluter 1993), tais como: fatores
físicos (clima e suprimento de energia, p.ex.),
fatores históricos (taxas de especiação e
dispersão) e interações bióticas (predação e
competição). Comell & Karlson (1997), por
sua vez, lembram que existem limites para a
riqueza de espécies, não só em função da
restrição de recursos disponíveis, como
também por fatores físicos. Ao avaliarem os
efeitos da competição na estruturação de
comunidades locais, identificam como um
campo estimulante a observação da relação
entre riquezas locais e regionais.
Guedes-Bruni (1998), valendo-se de
métodos de ordenação, observa que a Floresta
Ombrófila sobre morrotes, representada por
esta amostragem, tem como espécies
indicadoras: Lacistema pubescens, Xylopia
sericea, Miconnia cinnamomifolia e
Guapira opposita, menos por suas
peculiaridades biológicas (que poderiam gerar
a falsa idéia de tipicidade ou caracterização
destas florestas sobre mamelões cm estádio
de maturidade) e muito mais por seus amplos
padrões de distribuição geográfica ao longo
da faixa Oriental brasileira, com o concurso
de suas características de ocupação e
propagação em áreas alteradas. Assim sendo,
tais espécies indicadoras reforçam a
característica de elevado grau de alteração dos
fragmentos da região, ainda que o fragmento
selecionado represente um dos mais
compatíveis com as características de um
fragmento bem conservado.
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cm ..
440
Conclusões
O componente dominante da floresta
sobre morrote na Rebio Poço das Antas,
quando comparado ao dos demais trabalhos
desenvolvidos em áreas de vegetação arbórea
na UC, ou nos seus arredores, expressa um
diversificado elenco de respostas, que
relacionam os resultados aqui obtidos não só
à natureza do processo de interferência no
ambiente (fogo, extração seletiva, rocio, tipo
de lavoura implantada etc.), como também o
tempo decorrido da perturbação até às
diferentes fases de alteração e reconstituição
da estrutura e da composição florística.
A vegetação ocorrente sobre morrote
encontra-se, do ponto de vista da observação
fisionômica, sob influência de poucos fatores
de estresses, pelo menos no que tange à
influência hídrica e subseqüentes processos de
decomposição de matéria orgânica, excluídos
os efeitos decorrentes de fortes ventos
ocorrentes com a chegada de massas frias
oceânicas, que podem acabar por gerar
quedas de árvores e, subseqüentes, formações
de clareiras de diferentes tamanhos e formas.
No caso da floresta sobre morrotes, o
fator de transformação mais relevante é o
corte da lenha para posterior estabelecimento
da pecuária. O fogo é um fator acessório,
porém mais afeto à manutenção da condição
de pastoreio do que, propriamente, à derrubada
da floresta.
A riqueza de espécies, na área de estudo,
reflete a ação antrópica como deflagradora
de interferência em fatores a ela relacionados:
como elevadas temperaturas decorrentes dos
incêndios freqüentes e ampliação de territórios
abertos (pastos), que por sua vez intereferem
nos processos: de sucessão de espécies, maior
ou menor facilidade de resiliência, maior ou
menor facilidade de dispersão de propágulos
e intereferência nas interações planta-animal,
essenciais aos ciclos biológicos, de cada grupo,
imprimindo-lhes, maior ou menor capacidade
de competição, estabelecimento e reprodução.
A riqueza de espécies das famílias:
Fabaceae (com grande variedade de gêneros),
Euphorbiaceae (várias espécies típicas das
Guedes-Bruni, R. R. et al.
baixadas fluminenses e de áreas impactadas),
Lauraceae, Moraceae (destacadamente
Ficus) e Myrtaceae (sobretudo. Eugenia e
Myrcia) têm sido referenciadas por vários
autores para o componente dominante da
Floresta Ombrófila Densa Atlântica.
Na flora inventariada, várias espécies são
indicadoras de estádios iniciais da sucessão
florestal, somando muitos indivíduos, e co-
existindo ao lado de espécies de etapas tardias
da sucessão, acaba por ressaltar o caráter
alterado da área estudada.
Os resultados aqui expressos reiteram a
importância que os fragmentos florestais têm
para a conservação da diversidade florística
da região centro-norte do Rio de Janeiro e
para a qual a Reserva Biológica de Poço das
Antas constitui uma importante UC para a
realização de estudos sobre processos de
regeneração natural, experimentos para a
restauração ecológica dos reduzidos
remanescentes dispersos pela região, de modo
a contribuir efetivamente, para a reconstituição
da paisagem, desta grande porção territorial
do Rio de Janeiro. Região esta caracterizada:
por sua circunscrição a uma importante bacia
hidro-gráflca; por atividade agro-pecuária
decadente e por, mais ao norte, em Campos
dos Goytacases, a indústria canavieira,
desaquecida, vir promovendo a migração de
agricultores sem terra para os arredores da
Rebio, aumentando, por conseguinte, a pressão
sobre os poucos remanescentes florestais.
Agradecimentos
Ao Jardim Botânico do Rio de Janeiro
pelo apoio ao projeto de doutorado; ao CNPq
pela bolsa concedida, durante parte do período
do curso, à primeira autora; ao Depto. de
Ecologia da Universidade de São Paulo -
USP, à The John D. and Catherine T.
MacArthur Foundation e à Cia. Petrobrás
financiadoras do Programa Mata Atlântica
(PMA) e aos colegas que nos auxiliaram na
obtenção de dados de campo, especialmente:
Gustavo Martinelli, Solange de V. A. Pessoa,
Tânia S. Pereira, Lana da S. Sylvestre, Claudia
F. Barros, Catia Callado e ao auxiliar de campo
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Florística e estrutura de dossel em floresta sobre morrote mamelonar no Rio de Janeiro
441
Jorge Caruso Gomes; e, finalmente, aos
taxonomistas que conferiram acurácia às
identificações: Alexandre Quinet, Angela S.da
Fonseca Vaz, Ariane L. Peixoto, Arline de
Souza, Ary Gomes da Silva, Claudia M. Vieira,
Elsie F. Guimarães, Genise V. Somner, Jorge
Pedro Carauta, José Fernando A. Baumgratz,
Nilda Marquete F. da Silva e, especialmente,
Haroldo C. de Lima e Dra. Graziela M. Barroso,
esta última in memoriam.
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IBGE, Rio de Janeiro, 124p.
Rodriguésia 57 (3): 429-442. 2006
SciELO/JBRJ
12 13 14 15 16 17
cm
Tendências ecológicas na anatomia da madeira de espécies da
COMUNIDADE ARBÓREA DA RESERVA BlOLÓGICA DE POÇO DAS ANTAS,
Rio de Janeiro, Brasil
Claudia Franca Barros', Micheline Leite Marcon-F erreira 1 5,
Cátia Henriques Callado26, Helena Regina Pinto Lima \
Maura da Cunha 4 7, Osnir Marquete' & Cecília Gonçalves Costa 1,7
Resumo
(Tendências ecológicas na anatomia da madeira de espécies da comunidade arbórea da Reserva Biológica
de Poço das Antas, Rio de Janeiro, Brasil) O trabalho propõe a utilização dos caracteres anatômicos da
madeira na interpretação da estrutura da comunidade arbórea da Reserva Biológica de Poço das Antas,
RJ, Brasil (22°30'e22o33’Se42u15'e42°19’W). Foram analisadas 26 espécies de 14famílias, totalizando 72
espécimens. A alta incidência de características anatômicas comuns - camadas de crescimento distintas,
porosidade difusa, placas de perfuração simples, fibras de paredes delgadas a espessas, raios com freqüência
de 4 a 12/mm’, com 1-3 células de largura, - foi corroborada pelas análises estatísticas, o que sugere a
ocorrência de um padrão anatômico. Os resultados descritos se enquadram nas tendências ecológicas para
espécies de planícies tropicais, que se caracterizam por uma menor freqüência de elementos de vaso mais
largos c com placas de perfuração simples. Tais caracteres propiciam o transporte de grandes volumes de
água por unidade de tempo e área transversal da madeira.
Palavras-chave: Floresta Atlântica, anatomia ecológica, anatomia da madeira.
Abstract
(Ecological trends in wood anatomy of tree species at Reserva Biológica de Poço das Antas, Rio de
Janeiro, Brazil) Wood anatomy features were used to interpretate the strueture of the tree community at the
Reserva Biológica de Poço das Antas, RJ, Brazil (22°30' e 22“33’S e42°15' e 42°19’W). 26 species from 14
families and 72 specimens were analysed. The high incidencc of anatomical features observed in most of
species, as growth rings, difuse porosity, simplc perfuration plates, thick-to-thin fibres, 1-3 rays wide and
4 to 12/mm’, statistically suggestcd there was an anatomical pattern. Results were in accordance with
ecological trends for tropical lowland species, characterized by simplc perforarion plates, low frequcncy
and widening of vesscls. Thcse features allow the conduction of large volumes of water per unit time and
transectional area of wood.
Kcy words: Atlantic rain forest, ecological anatomy. wood anatomy.
Introdução
Os padrões dc diversidade c suas
variações nos diferentes habitats constituem
os principais temas focalizados em estudos
de comunidades biológicas (Magurran 1988;
Nuncs-Freitas 2004). Em comunidades
vegetais tal diversidade é geralmente
expressa pela contagem geral do número de
espécies, pela abundância relativa e
composição das espécies ou pela variação
Artigo recebido em 02/2005. Aceito para publicação cm 05/2006.
'Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio dc Janeiro, Programa Mala Allantiea, Laboratório de Botânica Estrutural.
Rua Pacheco Leão, 915, 22460-030, Rio de Janeiro, RJ, Brasil, cbarros@jbij.gov.br
'Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Departamento dc Biologia Vegetal, Laboratório dc Anatomia Vegetal.
'Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, Instituto dc Biologia, Departamento dc Botânica.
‘Universidade Estadual do Norte Fluminense, Centro de Biociências c Biotecnologia, Laboratório de Biologia Celular c
Tecidual, Setor de Citologia Vegetal.
'Bolsista Fundação Botânica Margarct Mee.
"Bolsista PROCIÊNCIA - UERJ/FAPERJ.
'Bolsista Produtividade CNPq.
Apoio Financeiro: Petrobras, CNPq, FENORfE/TECNORI E.
SciELO/JBRJ
L2 13 14 15 16 17
cm ..
Barros. C. F. et al.
dessa composição ao longo de um gradiente
ambiental (Guedes-Bruni 1998; Lima 2000;
Nunes-Freitas 2004). Esses parâmetros são
obtidos por meio de inventários florísticos e
fitossociológicos, que fornecem informações
básicas subsidiando os estudos botânicos
subseqüentes (Guedes-Bruni et al. 2002;
Vuono 2002).
A estrutura anatômica das madeiras
também pode refletir tal diversidade e a
variação entre diferentes habitats. Carlquist
(2001) sugere duas abordagens diferentes no
que diz respeito aos métodos utilizados para
expressar a correlação ecologia-anatomia.
Uma é fundamentada em grupos taxonômicos,
e visa a análise comparativa de espécies de
um mesmo gênero em um gradiente ecológico.
A outra envolve a comparação de pequenas
áreas ou flórulas, visando o reconhecimento
de caracteres anatômicos comuns a uma
dada formação vegetal, independente dos
grupos taxonômicos analisados (p.ex.
Carlquist 1977; Barajas-Morales 1985;
Noshiro et al. 1 995). Tais características são
consideradas importantes para o
desempenho das funções do xilema em
condições ambientais diversas e expressam
as tendências ecológicas em gradientes
latitudinais e altitudinais em diferentes macro
e mesoclimas (p. ex. Baas et al. 1983;
Dickison 1989; Woodcock et al. 2000).
Wheeler & Baas (1991) utilizando o modelo
proposto por Dickison (1989) e a literatura
disponível, relacionaram as tendências
ecológicas gerais para hábitats xéricos,
montanos e tropicais. Os resultados dessas
investigações têm grande relevância para a
inferência de climas de eras passadas, sendo
utilizados também em estudos filogéneticos
(Wheeler & Baas 1991; Wiemann et al.
1998). Trabalhos focalizando as
características anatômicas em uma
abordagem de flórula em biomas brasileiros
são ainda escassos, destacando-se Callado et
al. (1997) que estudaram 14 espécies de um
remanescente de Floresta Atlântica de Macaé
de Cima, Nova Fribrurgo, Rio Janeiro.
O presente trabalho visa colaborar para
o melhor conhecimento de um remanescente
de Floresta Ombrófila Densa das terras baixas
no estado do Rio de Janeiro, a partir de uma
abordagem de flórula aplicada à anatomia.
Propõe-se utilizar as características anatômicas
do lenho na interpretação da estrutura da
comunidade arbórea, visando responder às
seguintes questões:
- Existe um padrão anatômico característico
para as espécies analisadas?
- As características anatômicas analisadas
expressam tendências ecológicas típicas de
regiões tropicais de planície, de acordo com o
proposto por Dickison ( 1 989) e modificado por
Wheeler & Baas (1991)?
Material e Métodos
As coletas foram efetuadas na Reserva
Biológica de Poço das Antas (22°30' e
22°33 S e 42° 15' e 42°19’W), município de
Silva Jardim, um remanescente de Floresta
Atlântica no estado do Rio de Janeiro,
caracterizado por vegetação do tipo Floresta
Ombrófila Densa de terras baixas (Velloso
et al 1992; Guedes-Bruni 1998). A topografia
do local é predominantemente de planície,
com morros e morrotes de perfis
arredondados, cuja altura varia entre 30 a
200 msm, separados por várzeas alagadiças,
de fundo achatado. O clima é do tipo úmido
e megatérmico, com pluviosidade média
anual de 2.260 mm e temperatura média de
24,5 C. O solo é pouco espesso, arenoso-
argiloso e fortemente ácido, tanto nas várzeas
alagadiças como nas áreas livres de
inundação (Guedes-Bruni 1998).
Foram estudadas 26 espécies
pertencentes a 14 famílias botânicas,
totalizando 72 espécimes inventariados
(Tab. 1). As espécies foram selecionadas
com base em estudos prévios de cunho
florístico e fitossociológico (Guedes-Bruni
1998) e englobam os táxons de maior
representatividade numérica, espécies raras
e aquelas indicadas para revegetação de
áreas degradadas na região (Guedes-Bruni
Rodrigues ia 57 (3): 443-460. 2006
SciELO/JBRJ
L2 13 14 15 16 17
Tendências ecológicas na anatomia da madeira
1998). As coletas foram efetuadas em sítios
da Reserva, incluindo fragmentos periódica ou
permanentemente alagáveis ao nível do mar.
Para a coleta do lenho foram selecionados
espécimes de tronco cilíndrico, reto e sem
bifurcação ou defeito aparente, com diâmetro
à altura do peito (DAP) igual ou superior a 1 2
cm. As amostras foram retiradas a 1,30 m do
solo por método não destrutivo (Barros et al.
1997,2001).
O material foi processado no
Laboratório de Botânica Estrutural do
Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do
Rio de Janeiro, conforme as Normas de
Procedimento em Estudos de Anatomia da
Madeira (Coradin & Mufiiz 1991). As seções
foram coradas por safranina hidroalcoólica
a 50 % (Sass 1958) ou pela mistura azul de
astra e safranina (Bukatsch 1972) e
montadas em Permount. As contagens e
mensurações dos elementos celulares
obedeceram às normas do IAWA Committee
( 1 989) e Coradin & Mufiiz ( 1 99 1 ). A aferição
445
do agrupamento de vasos foi obtida segundo
Carlquist (1984). Esses procedimentos
(mensurações, contagens e aferições) foram
realizados com auxílio da ocular
micrométrica, acoplada ao microscópio
Olympus ou por meio de uma câmara de
vídeo Sony acoplada ao mesmo microscópio
e ao computador, utilizando o software Image
Pro Plus versão 4.0 para Windows.
As análises estatísticas foram efetuadas
com a ajuda do software Statistic 6.0. O teste
de Shapiro-Wilk W foi utilizado para testar a
normalidade das amostras (Zar 1996). Para
verificar a formação de grupos distintos foi
realizada uma análise de agrupamento, baseada
numa matriz de distância de Manhattan
(Sneath & Sokal 1973) para dados binários,
usando os caracteres qualitativos relacionados
na Tabela 1. A análise dos componentes
principais foi utilizada para ordenar as espécies
e os caracteres anatômicos quantitativos e
qualitativos, evidenciando os fatores de maior
variância (Ludwig & Reynolds 1988).
Rodriguêsia 57 (3): 443-460. 2006
cm 1
,SciELO/JBRJ
12 13 14 15 16 17
446
cm ±
Barros. C. F. et al.
Tabela 1 - Listagem das famílias e espécies coletadas, números de registro na Xiloteca do Jardim
Família
sa
c
o
s
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B
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O
55
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RBw
7524, 7336, 7328, 7329,
7526, 7338, 7335, 7333,
7527 7355 7363, 7477,
7449 7478
Camadas de crescimento +
Porosidade difusa +
Vasos exclusivamente solitários
< 5 vasos/mm2
5-20 vasos/mm2 +
40-100 vasos/mm2
Comprimento do vaso < 350 pm
Comprimento do vaso +
entre 350 a 800 pm
Comprimento do vaso > 800 pm
Diâmetro tangencial do
vaso < 50 pm
Diâmetro tangencial do vaso
50 a 100 pm
Diâmetro tangencial do vaso +
100 a 200 pm
Diâmetro tangencial do vaso
> 200 pm
Placa de perfuração simples +
Placa de perfuração +
escalarifome < 10 barras
Placa de perfuração
escalarifome > 10 barras
Placa de perfuração radiada
Placa de perfuração
foraminado-reticulada
Pontoaçôes intervasculares opostas
Pontoações intervasculares alternas +
Pontoaçôes intervasculares
diminutas (<4 pm)
Pontoações intervasculares
pequenas (4 a 7 pm)
+ +
+ +
+ +
+ +
+
+
+
+
+ +
u
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7475,
7476
7455,
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7331,
7340,
7473,
7474
7326, 7366,
7356 7368
7341,
7342,
7360
+
+
+
+
+
+
+
Rodriguèsia 57 (3): 443-460. 2006
SciELO/JBRJ
12 13 14 15 16 17
cm
Tendências ecológicas na anatomia da madeira
Botânico do Rio de Janeiro (RBw) e sumário das características anatômicas.
447
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7343 7507 7533, 7441, 7440 7330, 7459, 7357 7525, 7327, 7548, 7509, 7454, 7536,
7354’ 7551* 7570 7450 7361, 7463, 7358, 7532 7334, 7549 7510 7457 7544
7364’ 7552’ 7365 7464 7362 7359
+
+
+
+
+ +
+ +
+ +
+ +
+
+
+
+
+
+
+
+
+
+
+
+
+
+
+
7432, 7508,
7433, 7514,
7434, 7518,
7435, 7519
7439
+ +
+
+
+
+ +
+
+ + +
+ + + + + +
+ +
+
+ + +
+ +
+
+ +
+
+
+
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+ + +
+
+
+
Rodriguésia 57 (3): 443-460. 2006
SciELO/JBRJ
12 13 14 15 16 17
448
Barros. C. F. et al.
Família
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3
0
1
Pontoações intervasculares
médias (7 a 10 pm)
Pontoações intervasculares
+
4
4
+
+
4
grandes (>10 pm)
Pontoações intervasculares
4
ornamentadas
Pontoações raio-vasculares
com aréolas distintas
Pontoações raio-vasculares com
4
+
+
4
4
+
4
4
4
aréola reduzida a simples
Vasos com espessamento espiralado
Traqueídes
+
+
Fibrotraqueídes
Fibras septadas
Fibras muito curtas (< 900 pm)
+
+
+
4
Fibras curtas (900 a 1600 pm)
+
+
+
+
Fibras longas (>1600 pm)
Fibras com paredes finas
4
+
+
4
4-
4
4
Fibras com paredes de
+
4
delgadas a espessas
Fibras com paredes espessas
Parênquima raro
Parênquima apotraqueal difuso
Parênquima apotraqueal
+
4
4
+
4
difuso em agregados
4
+
Parênquima paratraqueal escasso
Parênquima paratraqueal
+
4
4
vasicêntrico
Parênquima paratraqueal aliforme
4
4
4
Parênquima paratraqueal confluente
4
4
Parênquima paratraqueal unilateral
Parênquima em faixa > 3 células
+
4
4
4
de largura
Parênquima em faixa com
+
+
4
4
4
1 a 3 células de largura
Parênquima reticulado
Parênquima marginal
+
4 a 12 raios/mm
+
+
+
> 12 raios/mm
4
4
4
4
4
Raios exclusivamente unisseriados
4
Rodriguésia 57 (3): 443-460. 2006
SciELO/JBRJ
12 13 14 15 16 17
Alchomea glandulosa Müll. Arg. I Euphorbiaceae
Tendências ecológicas na anatomia da madeira
449
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Rodriguésia 57 (3): 443-460. 2006
SciELO/ JBRJ
12 13 14 15 16 17
450
Barros, C. F. et al.
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Raios de 1 a 3 células de largura
+
+
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4-
4-
+
Raios > 4 células de largura
+
+
Raios > 1 mm de altura
Raios agregados
+
+
Raios apenas com células
+
+
4-
4-
procumbentes
Raios apenas com células
quadradas e/ou eretas
Raios com procumbentes no
+
+
+
+
+
corpo e 1 fileira de ereta e/ou
quadradas nas margens
4-
4-
Raios com procumbentes no
+
4-
corpo e 2 a 4 fileiras de ereta
e/ou quadradas nas margens
Raios com procumbentes,
quadradas e eretas misturadas
Parenquima axial e/ou vasos
estrafificados
+
Raios e/ou elementos axiais
irregularmente estratificado
Cristais
+
4-
4-
índice de grupamento dos vasos
1,65
1,70
1,50
1,70
1,20
2,30
2,30
1,50
1,00
1,68
Espessura da parede dos vasos
3,35
3,82
3,72
4,00
4,49
4,82
5.24
4,35
3,85
4,01
Vasos/mm2
10
8
15
5
19
3
3
6
7
5
Comprimento dos elementos
de vaso
733,15
595,15
433,98
435,43
202,29
551,07
450.19
290,16
663.07
622,07
Diâmetro tangencial dos
104,69
105,46
22,69
84,63
79,02
36,22
213.74
elementos de vaso
135,17
179.93
181.39
Comprimento de fibra
1139,04
1174,19
1028.36
1054,00
1188,46
2005.00
2322,37
1030.83
1119,11
1701,00
Espessura da parede das fibras
5.41
4,09
2.11
4.00
4.00
7.55
3,99
3.66
4,3
8,79
Rodriguèsia 57 (3): 443-460. 2006
SciELO/ JBRJ
12 13 14 15 16 17
Alchomea glandiilosa Miill. Arg. I Euphorbiaceaej
Tendências ecológicas na anatomia da madeira
451
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4-
4-
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4-
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4-
+
+
2,36
1,80
2,10
2,10
1,38
1,40
1,50
1,90
1,30
1,30
1,00
1.00
1,00
1,60
1,56
1,20
5,58
3,19
5,88
3,20
3,40
3,70
4,09
4,96
9,55
4,00
4,00
1 1,86
3,64
2,71
5,00
3,23
6
3
7
42
19
12
13
5,47
3
4
5
5
7
53
7
8
773,08
743,09
1129,33 1476,69 714,30
726,31
338,10
312,17
376
369
677
920
727
929
423
300
169,15
149,16
133,23
87,86
100,50
136,62
80,38
164,81
108
132
99
142
134
60
133
113
1306,63
1252,98
1593,93
2158,73
1094,00
1233.08
987,70
1235,18
944,61
883,00
1284,00
1671,19
1420,23
2144,11
1005,78
1068,62
5,74
4.12
7,12
7,37
3,40
4,57
3,64
6,87
3,16
4,00
7,00
7,24
8,07
8,13
3,59
4,01
Rodriguésia 57 (3): 443-460. 2006
452
Barros, C. F. et al.
Resultados
A análise anatômica do material
selecionado revelou elevada ocorrência de
camadas de crescimento distintas, porosidade
difusa, placas de perfuração simples, fibras
com paredes delgadas a espessas, maior
frequência de parênquima do tipo paratraqueal
em diferentes arranjos e raios com freqüência
de 4 a 12/mm’, com 1-3 células de largura
(Tabs. 1 e 2; Figs. 1-10).
A análise de agrupamento (Fig. 11)
demonstra que embora as espécies possam ser
segregadas por seus caracteres anatômicos, a
maioria não se agrupa por família, com exceção
da família Lauraceae cujas espécies
mantiveram-se próximas. As demais famílias
apresentaram um comportamento diverso,
exemplificado pelas espécies de
Euphorbiaceae: enquanto Alchornea
glandulosa e A. sidifolia mantiveram-se
agrupadas. Pera glabrala ficou bastante
separada das demais. O dendrograma (Fig. 1 1 )
permite verificar ainda, que o representante
da família Flacourtiaceae, Lacistema
pubescens, destacou-se das demais por ser a
única espécie que apresenta elementos de vaso
com placas de perfuração escalariforme com
mais de 10 barras, e pontoações
intervasculares opostas.
A análise do componente principal (PCA)
evidenciou que as características anatômicas
variam dentro de fatores que, juntos, explicam
66% da variância total (Fig. 12). O eixo 1
responde por 45% da variância total e é
influenciado fortemente pela ocorrência de
placas de perfuração simples e placas de
perfuração escalariforme com mais de 10
barras e pela freqüência dos elementos de vaso.
O eixo 2 responde por 2 1 % da variação total e
é influenciado pela presença de placas de
perfuração escalariforme com menos de 10
barras. Existe uma forte correlação positiva
entre a ocorrência de placas de perfuração
escalariforme com mais de 10 barras e
pontoações intervasculares opostas que, por
sua vez, estão negativamente correlacionadas
com a presença de placas de perfuração
simples. O eixo 1 separa Lacistema pubescens
(Flacourtiaceae) pela alta freqüência de vasos
associada à ocorrência de placas de
perfuração escalariforme com mais de 10
barras, confirmando os resultados da análise
de agrupamento. Simira viridiflora
(Rubiaceae) se destaca pela combinação de
placas de perfuração simples e elevada
freqüência de vasos. O eixo 2 separa as
espécies Nectandra leucantha, Nectandra
rigida (Lauraceae) e Tapirira guianenesis
(Anacardiaceae) por apresentarem placas de
perfuração escalariforme com menos de 10
barras. As demais espécies mantiveram-se
agrupadas, evidenciando um conjunto de
características comuns como apresentado nas
Tabelas 1 e 2.
A combinação dos resultados anatômicos
sumarizados nas Tabelas 1 e 2 com a análise
estatística sugere que as características
ecológicas se sobrepõem às taxonômicas, e se
justifica pela priorização, no presente trabalho,
dos caracteres quantitativos.
Rodriguésia 57 (3): 443-460. 2006
rSciELO/ JBRJ
12 13 14 15 16 17
cm 1
,SciELO/JBRJ
Tendências ecológicas na anatomia da madeira
453
Figuras 1-10 - I . Nectandra leucantha, seçüo transversal, evidenciando camada de crescimento distinta (seta).
2. Pseudopiptadenia contorta , seçüo transversal, evidenciando porosidade di fusa c parênquima axial paratraqueal vasieêntrico
(asterisco) e confluente (seta). 3. Andira fraxinifolia, seçüo transversal, nota-se parênquima axial paratraqueal aliforme
(seta) e confluente (asterisco) . 4. Aegiphillasellowtana, seçüo transversal evidenciando parênquima paratraqueal unilateral
(seta). 5. Eriotheca pentaphylla, seçüo transversal, evidenciando parênquima axial em faixas (setas). 6. Calyptranthes
langsdorfit, seçüo transversal, evidenciando parênquima apotraqucal difuso em agregados tendendo a formar linhas
(setas). 7. Simira viridijlora, seçilo longitudinal radial evidenciando placa de perfuração simples. 8. Citharexylum
mvrianthum, scçüo transversal, observa-se placa de perfuraçüo radiada. 9. Aegiphilla sellowiana seçüo longitudinal
tangencial, observam-se os raios com 3 células de largura. 1 0. Eriotheca pentaphylla, seçüo longitudinal tangencial.
Rodriguêsia 57 (3): 443-460. 2006
cm
454
Barros, C. F. et al.
A. sellowiana
P floribundum
S. globulifera
C. sellowiana
T. umbellata
X. serícea
P. glabrata
B. pedicellaris
P. contorta
A. fraxinifolia
C. myrianthum
P. grandiflorum
J. puberula
T. cassinoides
S viridiflora
N. leucantha
N. rígida
T guianensis
C. brasiliense
E. macahensis
C. langsdorffíi
M. anceps
A. glandulosa
A. sidifolia
E. pentaphylla
L. pubescens
Figura 11 - Análise de agrupamento. O retângulo destaca as esnéHpc h» i . , .
enquanto as setas indicam as espécies de Euphorbiaceae. Lauraceae que se mant.veram próximas.
Figura 12 - Análise dos componentes principais. 1. Aegiphilla sellowinnn -> ai u , , ,
sidifolia, 4. Andira fraxinifolia, 5. Calyptranthes lanesdorfüi 6 r / u’n' Al[hornea Slandulosa, 3. Alchomea
8. Cytharexylum myrianthum, 9. Eriolheca pentaphylla fo Eugenia mar T y un' braslhense, 7- Cordia sellowiana,
pubescens, 13. A fyrciaanceps 14. Nectandra leucantha, 1 5 - Nectandra rígida' \b XpJac°r(fndaP^berula> 12. Lacistema
\S. Platymiscium floribundum, 1 9. Pseudobombax grandiflorum 20 PsLdoDinfd™8^™0’ ' Balizia Pedicellaris'
22. Symphonia globulifera, 23. Tabebuia cassinofdes, 2f Si 2 1 ■ ^
serícea. a. placas de perfuração simples, b. placas de perfuração escalariformes ifnh ^'^ Su,anensis' 26 ■ X>loPia
perfuração escalariformes > 1 0 barras, e. pontoações intervasculares oposto C' Vas0sW’ d' Placas de
Rodriguêsia 57 (3): 443-460. 2006
SciELO/JBRJ
12 13 14 15 16 17
Tendências ecológicas na anatomia da madeira
455
Tabela 2 - Freqüência relativa das características anatômicas das espécies estudadas. Os diferentes
tipos de placas de perfuração e parênquima axial podem ocorrer
associados em uma mesma especie,
portanto a soma dos porcentuais ultrapassa 100%.
Características
Porcentagem
Presença de anéis de crescimento
96%
Porosidade difusa
96%
Vasos exclusivamente solitários
15%
■ < 5 vasos/mm2
19%
5-20 vasos/mm2
73%
40-100 vasos/mm2
8%
Diâmetro tangencial do elemento de vaso <50 pm
8%
Diâmetro tangencial do elemento de vaso entre 50 e 100 pm
23%
Diâmetro tangencial do elemento de vaso entre 100 e 200 pm
65%
Diâmetro tangencial do elemento de vaso > 200 pm
4%
Comprimento do elemento de vaso < 350 pm
19%
Comprimento do elemento de vaso entre 350 e 800 pm
65%
Comprimento do elemento de vaso > 800 pm
15%
índice de agrupamento de vasos < 2
81%
Placas de perfuração simples
96%
Placas de perfuração cscalariforme < 10 barras
12%
Placas de perfuração escalariforme > 10 barras
4%
Placas de perfuração radiadas
4%
Placas de perfuração foraminado-reticuladas
4%
Pontoações intervasculares opostas
4%
Pontoações intervasculares alternas
81%
Pontoações intervasculares diminutas (< 4 pm)
12%
Pontoações intervasculares pequenas (4 a 7 pm)
27%
Pontoações intervasculares médias (7 a 10 pm)
31%
Pontoações intervasculares grandes (>10 pm)
15%
Pontoações intervasculares ornamentadas
15%
Pontoações raio-vasculares com aréolas distintas
73%
Pontoações raio-vasculares com aréolas reduzidas a simples
27%
Vasos com espessamento espiralado
4%
Traqueídes presentes
19%
Fibrotraqueídes
31%
Presença de fibras septadas
27%
Fibras com paredes delgadas
12%
Fibras com paredes delgadas a espessas
81%
Fibras com paredes espessas
8%
Fibras muito curtas (< 900 pm)
4%
Fibras curtas (900 a 1600 pm)
73%
Fibras longas (> 1 600 pm)
23%
Parênquima axial raro
4%
Parênquima axial apotraqucal difuso
15%
Parênquima axial apotraqucal difuso em agregados
23%
Parênquima axial paratraqueal escasso
19%
Parênquima axial paratraqueal vasicêntrico
46%
Rodriguésia 57 (3): 443-460. 2006
cm l
SciELO/ JBRJ,
456
Barros, C. F. et al.
Características
Parênquima axial paratraqueal aliforme
Parênquima axial paratraqueal confluente
Parênquima axial paratraqueal unilateral
Parênquima axial em faixas > 3 células de largura
Parênquima axial em faixas de 1 a 3 células de largura
Parênquima axial reticulado
Parênquima axial marginal
Raios exclusivamente unisseriados
Raios de 1 -3 células de largura
Raios > 4 células de largura
Raio > lmm de altura
Presença de raios agregados
Raios apenas com células procumbentes
Raios apenas com células quadradas e/ou eretas
Raios com células procumbentes no corpo e 1 fileira de ereta e/ou
quadradas nas margens
Raios com células procumbentes no corpo e 2 a 4 fileiras de ereta e/ou
quadradas nas margens
Raios com células procumbentes, quadradas e eretas misturadas
4 a 12 raios/mm’
> 12 raios/mm ’
Parênquima axial e/ou vasos estratificados
Raios e/ou elementos axiais irregularmente estratificados
Presença de cristais
Porcentagem
19%
38%
12%
27%
12%
4%
4%
12%
85%
35%
8%
31%
31%
12%
62%
31%
15%
85%
15%
8%
4%
50%
Discussão
A estrutura anatômica do lenho das
espécies analisadas neste trabalho foi descrita
detalhadamente em Barros et al. (1997,
2001). Na presente abordagem, os seguintes
caracteres apresentam incidência acima de
80%: camadas de crescimento distintas,
porosidade difusa, placas de perfuração
simples, pontoações intervasculares alternas,
índice de grupamento de vasos < 2, fibras dè
paredes delgadas a espessas, freqüência de
raios entre 4 e 12/mm’e raios com 1-3 células
de largura. A alta incidência de características
comuns foi corroborada pelas análises
estatísticas, que mantiveram a maioria das
espécies em um grupo único, o que sugere a
existência de um padrão anatômico para a
comunidade arbórea estudada. Este padrão
se enquadra nas tendências ecológicas para
espécies de terras baixas dos trópicos
(Dickison 1989; Wheeler & Bass 1991), que
tendem a apresentar menor freqüência de
elementos de vaso mais largos e maior
ocorrência de placas de perfuração simples.
Entre as espécies estudadas, 69%
apresentam o diâmetro dos elementos de vaso
maior que 100 pm; em 92% observam-se até
20 vasos/mm2; 96% possuem placas de
perfuração simples.
Carlquist (2001) comparou os dados da
flora da Califórnia (Carlquist & Hoekman
1985) com os de Metcalfe & Chalk (1950)
sobre a flora mundial e sugeriu que em regiões
maiLSecas’ características como maior
freqüência de vasos e elementos de vaso finos
e curtos são mais freqüentes. Estas
adaptações proporcionam maior segurança ao
transporte de água em plantas sujeitas a
estresse. As mesmas características foram
observadas por Carlquist (1977) em plantas
Rodriguésia 57 (3): 443-460. 2006
SciELO/JBRJ.
12 13 14 15 16 17
Tendências ecológicas na anatomia da madeira
do Ártico e de diferentes regiões da Austrália.
Carlquist (2001) refere ainda que as espécies
das florestas tropicais apresentam moderada
seleção de características voltadas para a
segurança na condução, priorizando
adaptações que permitam o transporte de
grandes volumes de água por unidade de
tempo e por área transversal da madeira.
Desta forma, as espécies de florestas
tropicais devem apresentar características
como menor freqüência de vasos e elementos
de vaso mais largos e mais longos (Metcalfe
& Chalk 1950; Carlquist 1977, 2001). Os
resultados do presente trabalho estão em
conformidade com os dados da literatura que
apontam a ocorrência freqüente dessas
características nas flórulas tropicais, como
verificado por Callado et al (1997) em um
remanescente de Floresta Atlântica do estado
do Rio de Janeiro e Baraja-Morales (1985)
em dois remanescentes de floresta tropical
do México.
A alta incidência de camadas de
crescimento em espécies da Reserva
Biológica de Poço das Antas, referida por
Callado et al. (2001) é confirmada cm 91%
das espécies aqui analisadas. Alves &
Angyalossy-Alfonso (2000) também
observaram essa tendência cm 48% das
espécies brasileiras por elas estudadas. A
despeito da alta freqüência de camadas de
crescimento no lenho de espécies brasileiras,
estudos sobre a periodicidade de formação
dessas camadas são ainda escassos e
mostram-se essenciais para o conhecimento
das estratégias de sobrevivência dessas
espécies, seu papel na fixação de C02 e para
estudos de dendrocronologia.
Dentre as espécies estudadas, 94%
apresentaram placas de perfuração simples,
porcentual bastante semelhante ao
observado por Alves & Angyalossy-Alfonso
(2000). Estes resultados estão em
consonância com Baas (1976, 1986), Baas
& Schweingruber (1987) e Carlquist &
Hoekman (1985), que mencionam alta
incidência de placas de perfuração simples
Rodriguèsía 57 (3): 443-460. 2006
457
em espécies de florestas tropicais de terras
baixas. Carlquist (2001) considera que a
mais importante alteração encontrada na
anatomia da madeira de espécies de florestas
tropicais úmidas é a elevada ocorrência de
placas de perfuração simples, fator que reduz
a fricção no transporte de água.
As análises estatísticas realizadas não
indicaram correlação significativa entre as
espécies analisadas e o tipo de parênquima
axial. Porém, a Tabela 2 demonstra que
apenas 3% dessas espécies possuem
parênquima escasso e aponta ainda uma
grande diversidade de tipos de parênquima
axial, com predominância do tipo
paratraqueal. Alves & Angyalossy-Alfonso
(2002) observaram que em espécies
brasileiras o parênquima axial é mais
abundante em latitudes menores (até 23°),
sendo o parênquima paratraqueal associado
a climas mais quentes e o apotraqueal, a
latitudes maiores e, consequentemente, a
climas mais frios. Baas & Zhang (1986),
Baas et al. ( 1 988) e Wheeler & Baas (1991)
referem que o parênquima axial é mais
abundante nas regiões tropicais. Carlquist
(2001), por sua vez, pondera que se o
sistema condutor de água de espécies
tropicais desenvolve características para
transportar grandes volumes de água, os
raios e o parênquima axial devem exibir
mudanças similares.
As análises estatísticas realizadas e a
Tabela 2 permitem concluir que as espécies
analisadas apresentam características
anatômicas próprias de regiões tropicais de
terras baixas, que independem do grupo
taxonômico a que as mesmas pertencem.
Outro ponto de destaque é a seleção
de caracteres em famílias de ampla
distribuição, aqui exemplificado com a família
Lauraccac. Segundo Metcalfe & Chalk
(1950) c Richter (1987) alguns gêneros da
famíla como Actinodaplme, Aiouea ,
Cinnamomum , Endlicheria , Laurus,
Lindera , Persea, Phoebe, Plerothyrlum c
Sassafrás apresentam placas de perfuração
SciELO/JBRJ
12 13 14 15 16 17
cm ..
458
simples e escalariforme associadas. O
gênero Nectandra, segundo esses autores,
apresenta apenas placas de perfuração
escalariforme. Trabalhos recentes em
regiões tropicais brasileiras (Barros et al.
1997, 2001; Oliveira et al. 2001; Oliveira
2005) têm demonstrado que é comum a
ocorrência da associação de placas de
perfuração simples e escalariforme, de
poucas barras, em Nectandra, como
observado no presente trabalho. Esta
seleção de caracteres, que são próprios das
famílias, mas que se enquadram nas
tendências ecológicas postuladas por
Dickson (1989) e Wheeler & Baas (1991),
provavelmente contribuem para os
resultados encontrados e certamente
auxiliam a compreensão da distribuição
geográfica das espécies sob o ponto de vista
da seleção de características importantes
para a colonização de um dado bioma.
Agradecimentos
Os autores agradecem ao pesquisador
Sebastião José da Silva Neto pelo auxilio na
coleta dos indivíduos, além da valiosa
colaboração no manuscrito, à técnica de
laboratório Inês Cosme Neves Grillo, pela
confecção das lâminas; ao CNPq, pela
concessão de auxilio e bolsas de
produtividade; à Petrobras, pelo patrocínio; à
Fundação Botânica Margaret Mee, pela
concessão de bolsa de apoio técnico e de nível
superior, à UERJ/FAPERJ, pela concessão
de bolsa PROCIÊNCIA e à FENORTE/
TECNORTE, pela concessão de auxílio.
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460
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12 13 14 15 16 17
cm
Aporte de Serrapilheira ao Solo em Estágios Sucessionais
Florestais na Reserva Biológica de Poço das Antas,
Rio de Janeiro, Brasil
Jose Henrique Cerqueira Barbosa' & Sérgio Miana de Faria 2
Resumo
(Aporte de serrapilheira ao solo em estágios sucessionais florestais na Reserva Biológica de Poço das Antas, Rio
de Janeiro,Brasil) Foram definidos mosaicos de fitofisionomias temporais em sistemas tropicais de baixada
localizados na REBIO de Poço das Antas, RJ - Brasil. A serrapilheira foi quantificada com coletas quinzenais e
determinada sua concentração de nutrientes via fração foliar em intervalos bimestrais. A floresta avançada
apresentou o maior aporte de 6,9 ± 1 , 1 ton ha"1 ano"1 total, o estágio intermediário com 5,5 ± 0,5 ton ha"1 ano"1 total
e para o plantio 3 ± 0,7 ton ha"1 ano"1 total. As concentrações via serrapilheira (fração foliar) dos nutrientes N, P,
K e Ca foram maiores com o uso de Mimosa bimucronala (DC.) O. Kuntze nos reflorestamentos, demostrando ser
esta uma espécie de potencial elevado quanto ao conteúdo nutricional à recomposição de ecossistemas. Sua
estratégia de renovação foliar ocorre sob o ritmo perenifólio, com maior contribuição na estação chuvosa e
sincronizado a fase reprodutiva. A magnitude de transferência dos nutrientes na fração foliar para os estágios
estudados segue a ordem de concentração: P < K < Mg < Ca < N < C. Não foram encontradas diferenças
significativas quanto as concentrações de entrada dos nutrientes entre as estações nos estágios estudados.
Palavras-chave: Serrapilheira, floresta tropical, Mata Atlântica, nutrientes e Mimosa bimucronala.
Abstract
(Litter-fall input on succssional forest gaps of temporal fitofisionoms on Biological Reserve of Poço das
Antas, Rio de Janeiro, Brazil) Gaps of temporal fitofisionoms were defined on lowland tropical systems
localized in the Biologic Reserve of Poço das Antas RJ - Brazil. The litter-fall was quantificated by each
fifleen days and was detcrminatcd the nutrient concentration of foliar fraction each two months. The oldest
forest had the major litter-fall, 6.9 1 1.1 ton ha"1 year1 total as the othcr fractions, when compared with the
inlermcdiate age forest with 5.5 1 0.5 ton ha"1 year1 total. The plantation had the lowest values, 3.0 1 0.7 ton
ha"1 year1 total. The foliar litter-fall concentration of N, P, K, Ca nutrients were bigger for Mimosa bimucronata
(DC.) O. Kuntze crop, showing thcn the great ecosystems nutritional recomposition potential of this specie
with foliar renovation strategy occurs under perenifolial rhythm, mostly in the rain season synchronized to
the reproduction phase. The transfcrence rate of the nutrients in the studied foliar fraction follows this
concentration order: P < K< Mg < Ca < N < C.
Key words: Litter-fall, tropical forest, Atlantic Forest, nutrients. and Mimosa bimucronala.
Introdução
Compreender os processos dinâmicos
que envolvem a matéria orgânica do solo
entre diferentes estágios sucessionais
florestais, representa de forma valiosa,
investigar o complexo e necessário rumo a
obtenção de medidas mitigadoras que
atendam a relação custo x beneficio para os
sistemas explorados e impactados sob
diferentes graus de perturbação pelo
“Homem Moderno” (Franco & Campello
1997). A utilização de técnicas de plantio é
uma medida mitigatória e que devidamente
estudada, pode atender a opção de baixo
custo e ser ecologicamente funcional, visando
a recuperação de áreas impactadas.
A serrapilheira constitui-se de matéria
orgânica de origem vegetal e animal que é
depositada sobre o solo, sob diferentes estágios
de decomposição, representando assim, uma
forma de entrada e posterior incremento da
matéria orgânica do solo.
Artigo recebido em 02/2005. Aceito para publicaç3o em 01/2006.
HjFRRJ - Instituto de Agronomia - Depto. Solos, km 47 da antiga rodovia Rio-Sflo Paulo, Itagual, RJ, 23851-970; josc-
henrique.barbosa@mma.gov.br
2EMBRAPA/Agrobiologia, Cx. postal 74.505, km 47 da antiga rodovia Rio-S3o Paulo, Itagual, RJ, 23851-970,
sdefaria@cnpab.
SciELO/ JBRJ
12 13 14 15 16 17
cm ..
462
A matéria orgânica controla muitas das
propriedades físicas, químicas e biológicas do
solo, caracterizando-se como um fator-chave
à manutenção de sistemas florestais e controle
de processos erosivos, como o fornecimento
de substâncias agregantes ao solo,
determinando uma estrutura mais estável à
ação das chuvas (Facelli & Pickett 1991).
A acumulação de serrapilheira
intercepta luz, sombreando sementes e
plântulas e reduzindo a amplitude térmica
do solo. Ao reduzir a tempertatura do solo
e ao criar uma barreira à difusão do vapor
d’água, a serrapilheira reduz a evaporação
do solo. Ao contrário, pode também reduzir
a disponiblidade de água, retendo uma
considerável proporção de água da chuva
que chegaria ao solo. Pode ainda impedir a
chegada de algumas sementes e dificultar
o crescimento de plântulas (Facelli &
Pickett 1991).
Florestas tropicais conseguem crescer
em substratos pobres em nutrientes somente
a partir da manutenção dos mesmos sob altos
níveis de biomassa, através de mecanismos
de conservação, produzindo um ciclo de
nutrientes relativamente otimizador ou
fechado com pequenas quantidades (Herrera
et al. 1978). Florestas as quais crescem em
substratos mais férteis, exibem ciclos de
nutrientes mais dinâmicos (Baillie 1989).
Plantios florestais ou recentes florestas
secundárias, geralmente representam
ecossistemas em crescimento na formação
da taxa de entrada de nutrientes via
decomposição da serrapilheira, suplementada
pela deposição seca e úmida; necessárias
para a manutenção do bioma (Bruijnzeel 1989
apKí/Bruijnzeel 1991).
Os nutrientes entram no sistema através
da chuva (deposição úmida), deposição de
poeira, aerossóis e serrapilheira (deposição
seca), pela fixação do nitrogênio por meio de
microrganismos e exceto ao mesmo, pelo
intemperismo de rochas. E a exportação,
através da lixiviação (escorrimento
superficial), volátil ização via combustão da
Barbosa, J. H. C. & Faria. S. M.
biomassa e tantas outras formas de erosão
(Vitousek & Sanford 1986). O maior
reservatório de nutrientes sobre o solo é a
biomassa epígea (Andrade 1 997; Myers et al.
1994; Proctor 1987; Rosén 1990 e Schlittler
1990). Porém para biomas como o cerrado a
maior biomassa se encontra como hipógea.
Quando a entrada de nutrientes via
serrapilheira localizados na fração foliar sob
florestas que se apresentem a partir do estágio
médio de recomposição vegetal, demonstra
ser de menor conteúdo nutricional ao mesmo
tempo que o solo apresenta menores estoques.
E esperado que a vegetação realize uma
economia de nutrientes como medida
compensatória. Ou, exporte uma serrapilheira
com características de maior velocidade de
decomposição sobre o solo, a fim de tomá-los
prontamente disponíveis, quanto mais
avançado e complexo for o sistema. Numa
outra visão, pode ser esperado que o material
de menor velocidade de decomposição
represente uma estratégia contra os processos
lixiviadores dos nutrientes. Será que podemos
até o momento analisar a superioridade ou a
independência de um fator sobre o outro? A
necessidade de associarmos e entendermos
os efeitos sinergéticos demonstrados pela
complexidade dos diferentes eventos
dinâmicos que atuam na ciclagem
biogeoquímica da matéria orgânica do solo, em
especial à serrapilheira; pode ser
compreendida como base na recuperação e
manutenção de ecossistemas florestais,
utilizada como diferentes estratégias
mitigadoras implantadas em projetos
conservacionistas e/ou de recuperação; a fim
de permitir uma resposta mais rápida frente
aos problemas potenciais de degradação, que
rapidamente estão destruindo os ecossistemas
do bioma Mata Atlântica sem um
conhecimento prévio de parâmetros
indispensáveis a seu adequado manejo.
As formações vegetacionais de baixada
na REBIO de Poço das Antas, representam
um valioso centro de estudos para a Floresta
Atlântica. Nesta área conservada e protegida,
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SciELO/JBRJ
_2 13 14 15 16 17
cm
Dinâmica da serrapilheira em fragmentos sucessionais de mala atlântica
463
a escolha dos fragmentos florestais se deu
através dos pré-requisitos: a) atender de forma
prática e segura a tomada dos resultados, b)
representar estágios sucessionais florestais
bastante característicos dos ecossistemas
ameaçados do bioma mata atlântica e, c) ser
protegida por legislação ambiental específica;
representando assim sítios de estudos
prioritários.
Para averiguar a entrada de serrapilheira
e seu conteúdo nutricional, foram determinados
os objetivos:
( 1 ) Investigar a produção de serrapilheira
total e de suas frações isoladas, como folhas,
galhos, material reprodutivo e refugo e
(2) Análise dos macronutrientes: C, N, P,
K, Ca e Mg c relação C/ N na fração foliar da
serrapilheira aportada.
Material e Métodos
Área cie estudo
A área de estudo encontra-se na Reserva
Biológica de Poço das Antas (REBIO),
localizada no município de Silva Jardim (22°30' e
22°33'S, 42° 15' e 42°19’W), estado do Rio de
Janeiro, com área de 5.267 ha (IBDF 1981),
situada cm extensa planície. Os diferentes
estágios florestais estudados perfazem juntos
aproximadamente um terço da Reserva.
Os fragmentos representam formações
florestais secundárias de 40 anos c outra de
20 sob solo Hidromórfico cinzento álico
textura argilosa - Glei I lúmico. E ainda como
estágio inicial um campo antrópico com
plantio misto de três anos sob solo aluvial álico
textura argilosa, onde foi acompanhado o
aporte específico de Maricá, Mimosa
bimucronata (DC.) O. Kuntze
Leguminosae Mimosoideac.
Clima
De acordo com a classificação de
Thomthwaite ( 1 948), o clima é do tipo A’ B2,
mcgatérmico, úmido, sem déficit hídrico; com
índice de evapotranspiração potencial superior
a 1 . 140 mm A’, umidade efetiva de 5 1 ,5 (B2)
e o índice de aridez de 0,072 (r). A comunidade
vegetal passa de janeiro até junho por
excedente hídrico de 460 mm e 250 mm a partir
de meados de agosto até dezembro. Nos
meses de menor precipitação de junho a
agosto, apesar da evapotranspiração real ser
praticamente idêntica a evapotranspiração
potencial, há retirada d’água de 23 mm no solo,
havendo uma deficiência no mês de agosto,
em que a prccipitação-evapotranspiração
resultou cm um valor de (-17), alterando em
1 mm de evapotranspiração real. Estes
Meses
Figura I - Diagrama climático entre janeiro de 1987 a dezembro de 1997 (1 1 anos) da REBIO de Poço das Antas.
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12 13 14 15 16 17
464
Barbosa, J. H. C. & Faria, S. M
cm
resultados sugerem um pequeno déficit
hídrico nesse mês, sem estação seca
definida, havendo uma reposição de 23 mm
neste mesmo mês. O valor final da
evapotranspiração potencial é de 1.378 mm
e evapotranspiração real de 1.377 mm.
Denotando-se um decréscimo na curva de
precipitação no período de junho a agosto,
o que não chega a ser considerado um
período seco.
mm
Figura 2 - Balanço hídrico entre janeiro de 1987 a dezembro de 1997 (11 anos) da REBIO de Poço das Antas.
Coletas de Serrapilheira
Cinco coletores de serrapilheira com
dimensões de 50 cm * 50 cm foram alocados
aleatoriamente em três parcelas (25 m x 50
m), totalizando 15 para cada área. Após a
coleta quinzenal o material foi seco em estufa
a 70 °C durante 24 horas. Depois triado em
galhos, folhas, material reprodutivo composto
por: frutos, sementes e flores e por último o
refugo (material < 2 mm de diâmetro de difícil
identificação). Em seguida o material triado
foi pesado e triturado em moinho tipo Wiley
com malha < 2 mm de diâmetro.
Análises Químicas
A análise química através de digestão
nitro-perclórica dos nutrientes presentes na
fração foliar da serrapilheira, seguiu os
métodos: P por espectrofotômetro de cor
visível (Bataglia et al. 1983); K por
fotometria de chama (Tedesco et al. 1985
apud Hungria et al. 1 994); Ca e Mg através
de espectrofotômetro de absorção atômica
(Bataglia et al. 1983); C, método de
Combustão Seca, utilizado pelo Ministério
da Agricultura (EMBRAPA - SNLCS
1979) e N, método semimicro de Kjeldahl
(Jones 1991; Bataglia et al. 1983 &
Bremmer 1965). As análises estatísticas
foram realizadas com o auxilio do
Programa SAEG 50 da Fundação Arthur
Bernardes - UFV.
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12 13 14 15 16 17
Dinâmica da senapilheira em fragmentos sucessionais de mata atlântica
Resusltados e Discussão
Dados climáticos
Abril de 1996 a março de 1997 - O mês
de julho demonstrou a menor temperatura
média, com 20,2°C e a menor pluviosidade de
33,9 mm foi registrada no mês de junho.
Enquanto a maior média foi encontrada para
o mês de fevereiro, 30,8°C e o maior índice
pluviométrico de 476,6 mm em janeiro.
A temperatura média de 25,4°C e o índice
pluviométrico anual de 2.23 1 mm identificados
no ano de estudo, não apresentaram diferença
significativa quando comparado aos demais anos
da série temporal de 10 anos entre abril de 1987
a março de 1 997, ao serem analisados pelo teste
Tukey a 5% de significância, com a média
pluviométrica de 2. 1 3 1 mm e temperatura média
de 24,6°C. Demonstrando ser o ano estudado,
um ano típico (Tabelas la e lb).
Tabela la - Valores médios entre abril de 1996 a março de 1997 para temperatura mínima, média
e máxima, bem como precipitação total.
Abr
Mai
Jun
Jul
Ago
Set
Out
Nov
Dez
Jan
Fev
Mar
Anual média
cv %
°C minima
19.3
17.0
14.7
15.1
16.4
18.9
19.3
20.5
21.2
21.6
20.0
18,2+- 1,6
14,1
°C média
27.1
23.6
22.2
20.2
21.4
22.8
25.6
26.2
28.8
28.8
30.8
27.5
25,4 +-2,1
13,2
“C máxima
34.8
26.3
25.9
25.1
26.5
27.0
28.7
29.9
30.1
36.3
39.9
35.0
30,5 +-3,1
16
Total anual
ppt
143.9
132.5
33.9
51.2
59.6
215.2
114.9
372.7
321
476.6
71.2
238.5
2.231,2
76,3
Valores médios anuais a partir de 12
repetições, erro-padrão (t- Studcnt) com p ^
0,05 e cv % entre as temperaturas e
precipitações mensais. Os valores assinalados
indicam a mínima e a máxima encontradas.
Valores médios anuais a partir de 1 0 repetições,
erro-padrão (t- Student) com p <, 0,05 e cv %
entre as temperaturas e precipitações anuais.
Os valores assinalados indicam a mínima e a
máxima encontradas.
Tabela lb - Valores médios entre a série temporal de abril de 1987 a março de 1997 (10 anos) para
temperatura mínima, média c máxima, bem como precipitação total média.
Abr
Mai
Jun
Jul
Ago
Set
Out
Nov
Dez
Jan
Fev
Mar
Anual média
cv %
°C minima
20.1
17.0
14.7
14.5
15.1
16.4
18.9
19.3
20.5
21.8
22.2
21.3
18,5 +- 0,6
16,5
°C média
26.1
22.6
20.4
21.0
21.2
22.7
24.6
25.8
26.6
28.3
28.6
27.3
24,6 +- 0,7
13
°C máxima
30.9
26.3
25.9
25.1
26.5
27.0
28.7
29.9
30.1
34.5
35.5
32.6
29,4+- 1,4
13,9
Total anual média
ppt
211.4
137.1
73.2
61.9
46.1
155.7
151.6
210.3
269.4
265.5
240.7
308.1
2.131,1+- 206
66,5
Aporte
A quantificação da serrapilheira
aportada ao solo foi verificada quanto aos
valores separados por frações e estágios
florestais, e os mesmos são apresentados
na Tabela 2.
Rodriguésia 57 (3): 461-476. 2006
Estimativa da média a partir de 15
amostras, seu erro-padrão (t - Studcnt) com p
< 0,05 e teste Tukey a 5% de significância
entre os estágios. Letras diferentes indicam
diferença significativa e cv % entre os estágios
para cada fração através da Anova.
SciELO/JBRJ
12 13 14 15 16 17
cm ..
Barbosa, J. H. C. & Faria. S. M.
Tabela 2 - Aporte de serrapilheira em kg ha'1 ano'1 para os diferentes estágios sucessionais durante
abril de 1996 a março de 1997, na REBIO de Poço das Antas.
BIOMASSA - SERRAPILHEIRA
Área
Idade
Folhas
Galhos Material Reprodutivo
(flores, frutos e sementes)
Refugo
Aporte Total
Anos
Kg ha ' ano'1
FLORESTA
40
4.980,0 ± 649,5 a
1.255,8 ± 399,1a 328,2± 119,2 b
310,2 ± 94,5 a
6.874,3 ± 1.070,8 a
FLORESTA
20
3.645,0 ± 368,8 b
987,2 ± 320,2 a 634 J ± 200,2 a
212,7 ± 36,4 b
5.479,2 ± 520,5 b
PLANTIO
3
2.192,4 ± 507,4 c
504,4 ± 114,6b 81,7 ± 25,7c
247,0 ± 167,4 a
3.025,5 ± 738,4 c
CV%
25,5
18,9 44,1
22,5
29,1
Pela Tabela 2 verifica-se que as
contribuições para as diferentes frações
retomadas ao solo via serrapilheira em % e
biomassa para a floresta avançada foram:
72.4 /o (4.980,0 kg ha'1 ano'1) para a fração
foliar, 18,3% (1.255,8 kg ha1 ano ') galhos.
4,8% (328,2 kg ha-1 ano1) material
reprodutivo e 4,5% (310,2 kg ha'1 ano1)
refugo. O aporte total foi de 6.874,3 kg ha'1
ano1, com maior aporte foliar sincronizado à
fração reprodutiva e estação chuvosa,
conforme é demonstrado na figura 3.
o
c
(0
CU
-c
D)
g Total
| Folhas
li! Galhos
0 Material Reprodutivo
□ Refugo
dePoço am^ço de ba'Xada (4° anos) na REBI°
Rodriguésia 57 (3): 461-476. 2006
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12 13 14 15 16 17
cm
Dinâmica da serrapilheira em fragmentos sucessionais de mata atlântica
467
As contribuições em % e biomassa para
as diferentes frações do folhedo na floresta
intermediária foram: 66,5% (3.645,0 kg ha'1
ano1) para a fração foliar, 18% (987,2 kg
ha'1 ano1) galhos, 1 1,6% (634,3 kg ha^ano'1)
material reprodutivo, 3,9% ( 2 1 2,7 kg ha'1 ano1)
refugo e com o aportado total de 5.479,2 kg ha‘
1 ano1. A maior contribuição foliar antecedeu a
maior contribuição da fração reprodutiva e após
o período de seca (Fig. 4).
o
c
m
O)
JC
800
750
700
650
600
550
500
450
400
350
300
250
200
150
100
50
0
§ Total
■ Folhas
M Galhos
A M
J J
A S O N D
Meses
J / F / M/
97 97 97
Figura 4 - Aporte de serrapilheira em kg ha-1 mês-1 entre as diferentes frações cm Floresta de Baixada (20 anos) na REBIO
de Poço das Antas durante abril de 19% a março de 1997.
As contribuições em % e biomassa
em reflorestamento de Mimosa
bimucronata às frações obtiveram: 72,5%
(2. 1 92,4 kg ha'1 ano1) para a fração foliar,
16,7% (504,4 kg ha'1 ano1) galhos, 2,7%
(81,7 kg ha'1 ano1) material reprodutivo e
8,2% (247,0 kg ha'1 ano1) para folhas de
outras espécies associadas ao plantio de
Mimosa bimucronata ; o total aportado foi
de 3.025,5 kg ha'1 ano1, com fenologia do
aporte similar à floresta avançada, onde o
maior aporte está sincronizado à estação
reprodutiva e chuvosa (Fig. 5).
A produtividade em diferentes regiões
do globo foi até o presente, vastamente
estudada e enfocada por diversos autores,
Rodriguésia 57 (3): 461-476. 2006
mas muito pouco levando-se em conta os
diferentes estágios sucessionais em uma
mesma fitofisionomia.
Em todos os estágios estudados a
contribuição da fração foliar encontrada
na serrapilheira anual, demonstrou
proporções próximas a 70% do total
aportado. O mesmo foi encontrado em
outras florestas tropicais por (Andrade
1997; Brina et ai. 1998; Dias 1997;
Klinge & Rodrigues 1968; Linera &
Tolome 1996; Mello & Porto 1994;
Morellato 1987; 0’Neill & De Angelis
1980; Prazeres et ai. 1998; Sanchcz &
Sada 1993; Vcneklaas 1991, entre muitos
outros).
!scíelo/jbrj
12 13 14 15 16 17
cm
468
Quando analisadas correlações de
precipitação e temperatura com o valor
aportado sobre o solo às diferentes
frações, bem como o total de serrapilheira;
os resultados demonstram que os sistemas
Barbosa, J. H. C. & Faria. S. M.
em expansão respondem mais a
precipitação quando comparados ao
sistema avançado, enquanto este último,
é mais influenciado pela temperatura
(Tabela 3).
Tabe,a 3 - Correlações de precipitação e temperatura média às diferentes frações e total de
serrapilheira aportada ao solo.
Correlações para a Floresta Avançada (40anos)
Precipitação mensal
Aporte mensal
Correlação
Total
0,17
Folhas
0,09
Galhos
0,33
Material Reprodutivo Refugo
°.07 o,33
Temperatura média
Correlação
0,22
0,21
0,2
0,27
0,08
Correlações para a Floresta Intermediária (20anos)
Precipitação mensal
Aporte mensal
Correlação
Coef. Det. %
Regressão y =
Total
Folhas
0,48
61
234,35+ 1,07 x
Galhos
0.59 o,78
35 62
189.08 + 0.51 x 29 -
^vaaviHyvss liam U V.HIIIIHI AfirrAninn Dl Al _
Folhas
Material Reprodutivo Refugo
0.55 0,56
A partir da interpretação concomitante
dos dados climáticos e da produtividade de
serrapilheira em áreas de baixada na REBIO
de Poço das Antas, é proposto o conceito de
que a maior queda das folhas ocorre regulada
pela menor oferta de água para a vegetação.
Ou seja, como é na estação inverno (entre os
meses de maio a agosto) que o índice
pluviométrico é o menor quando comparado
as demais estações do ano, a vegetação uma
vez exposta a períodos secos prolongados, por
necessitar de um recurso que se toma escasso,
acaba por permitir a abcisão foliar,
representando assim uma estratégia para
minimizar a menor disponibilidade de água, já
que com menos folhas a necessidade de água
para a vegetação acaba por ser menor.
Sanchez & Sada (1993) estudando a
Floresta Tropical localizada em áreas de baixada
no México encontraram a maior queda das
folhas sincronizada ao período de menor
pluviosidade para a estação outono. Já na
Rodriguésia 57 (3): 461-476. 2006
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cm
Dinâmica da serrapilheira em fragmentos sucessionais de mata atlântica
469
Floresta da Tijuca, RJ - Brasil, (Oliveira
et. al. 1993) ao estudarem a queda de
folhas, identificaram dois picos de
produção de serrapilheira como sendo os
meses de junho e julho na estação inverno
e dezembro e fevereiro na estação verão,
ambos como o período sincronizado a
menor taxa pluviométrica. Dias (1997),
encontrou na Floresta Estacionai
Semidecídua Montana localizada em
Lavras, MG - Brasil, a maior
produtividade de serrapilheira à estação
primavera, enquanto Leitão-Filho (1993),
ao estudar a Mata Atlântica de Cubatão,
SP - Brasil, determinou como período, o
verão; períodos estes também
sincronizados aos meses de menor
pluviosidade nas regiões estudadas.
§ Total
■ Folhas
111 Galhos
H Material Reprodutivo
□ Outras spp
o
c
m
N
£
O)
JC
Figura 5 - Aporte de serrapilheira em kg ha'1 mês1 entre as diferentes frações em Campo Antrópico (3 anos), na REBIO
de Poço das Antas durante abril de 1996 a março de 1997.
Teor dc nutrientes da serrapilheira
Foram detectadas para o plantio maiores
concentrações médias anuais em g kg'1 de N
(14,95 ± 0,95), P (0,9 ± 0,1), K (5,5 ± 0,5) e
Ca (21,0 ± 6,7), e maiores na estação
chuvosa. Já o Mg apresentou maiores
concentrações em valores absolutos à floresta
avançada na estação seca (2,5 ± 0,2). A
magnitude da transferência dos nutrientes
encontrados na fração foliar aos estágios
florestais, seguiu a relação de concentração:
P < K < Mg < Ca < N < C, (Tabela 4).
As concentrações de C, N, P, K c Mg
não demonstraram diferenças significativas
a todos os estágios entre as estações. Sendo
o Ca diferente apenas no plantio (maior na
chuvosa), devido a elevada variação dos
valores encontrados nas repetições. O P
apresentou a menor concentração entre todos
os nutrientes averiguados.
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cm
470
Barbosa, J. H. C. & Faria, S. Aí
Tabela 4 - Comparações dos nutrientes estudados
e dentro às diferentes estações.
na serrapilheira (fração foliar) entre os estágios
CONCENTRAÇÃO FOLIAR em g. kg '*
SISTEMA
IDADE
ANOS Média Anual ± Erro Padrão CV %
ESTAÇÕES
SECA
CHUVOSA
Carbono
Floresta Avançada 40 497,62 ±5,53 a 22
Floresta Intermediária 20 497,92 ± 4,75 a | 9
Rcflorestamcnto 3 501,13 ±7,99 a 3>2
490.5 ± 9,0
499,8 ± 3,4
512.6 ±6,2
NS
NS
NS
504.7 ± 3,6
496,1 ±29,5
489.7 ±20,9
Nitro
gênio
Floresta Avançada 40 1030 ±0,39 b 7 8
Floresta Intermediária 20 10,67 ±0,72 b 135
Rcflorestamcnto 3 14,95 ±0,95 a 12,7
10,1 ± 0,6
10,7 ±2,1
14,1 ± 2,8
NS
NS
NS
10,0 ±1.7
10.7 ±0,4
15.8 ±3.9
a
N
Floresta Avançada 40 50,00 ±2,00 a 80
Floresu Intermediária 20 47,00 ± 3,00 a 135
Reflorestamento 3 34, 00 ± 2,00 b 13’4
49.0 ± 3,0
47.0 ± 9,0
37.0 ± 7,0
NS
NS
NS
51.0 ±8.0
46.0 ±4,0
31.0 ±7,0
>
Floresta Avançada 40 030 ± 0 b i00
Floresta Intermediária 20 0, 40 ± 0,10 b 40’0
Reflorestamento 3 0.90 ±0,10 a 2SJ
0,5 ± 0
03 ±0.1
0,8 ± 0,4
NS
NS
NS
03 ±0,2
03 ±0,4
1,0 ±0,6
1
(
Floresta Avançada 40 2,42 ± 0,32 b 26 3
Floresu Intermediária 20 1,89 ± 0,36 b 38 6
Reflorestamento 3 5,46 ± 0.51 a 18 8
2,7 ± 1,1
23 ± 1,8
23 ±1,7
NS
NS
NS
23 ±0.4
1.6 ±0.4
5.7 ±1,7
C
a
Floresu Avançada 40 8,30 ± 1,20 b 29 1
Floresu Intermediária 20 6>6i ± 0,84 b 25 4
Reflorestamento 3 21,03 ±6,66 a 28 2
83 ± 1,2
6,6 ± 2,0
20,4 ± 4,6
NS
NS
S
83 ±U
6,7 ±13
21,6± 243
M
8
Floresu Avançada 40 230 ±0,20 a n>8
Floresu Intermediária 20 2 30 ± 0,10 a 84
Reflorestamento 3 2,20 ± 0,10 a 6J
2.7 ± 0,3
23 ± 0.5
23 ± 0,4
NS
NS
NS
2,4 ±0,6
2,4 ±0.5
23 ±0,1
Estimativa da média ± seu erro padrão (t - Student com n < n nsi „ o / „ .
tCSte ■ 5 % * -^5. = J 0S esilSSe" rir S„Va8 ‘
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SciELO/JBRJ
12 13 14 15 16 17
cm
Dinâmica da serrapilheira em fragmentos sucessionais de mata atlântica
Concentrações anuais dos nutrientes
retornados ao solo
As concentrações anuais encontradas
para o N em ambos os estágios florestais,
foram maiores que a encontrada no plantio
com (32,9 ± 7,6 kg ha'1 ano1), sendo o N,
com exceção do C, o nutriente de maior
aporte ao solo via fração foliar quando
comparado aos demais nutrientes, seguido
logo após pelo Ca. O plantio apresentou
maiores aportes anuais em P, K e Ca
quando comparado a floresta intermediária.
Os totais aportados de C, N e Mg são
maiores nos estágios florestais quando
comparados ao plantio. Menor deposição de
K na floresta intermediária entre todos os
estágios, e maiores na floresta avançada
para N, P, Ca e Mg, (Tabela 5).
Anualmente, são depositados via
serrapilheira na floresta de baixada
avançada, cerca de 49,8 kg ha'1 de N, 41,3
kg ha'1 de Ca, 12,0 kg ha'1 de K, 12,5 kg
ha'1 de Mg e 2,4 kg ha'1 de P. Para a floresta
em estágio intermediário foram encontrados
39,0 kg ha'1 de N, 24,1 kg ha'1 de Ca, 6,9
kg ha'1 de K, 8,4 kg ha'1 de Mg e 1,4 kg ha'
1 de P. Já para o plantio de Mimosa
bimucronata, 32,9 kg ha'1 de N, 38,1 kg
ha'1 de Ca, 12,1 kg ha'1 de K, 4,8 kg ha'1
de Mg e 1,9 kg ha'1 de P.
Tabela 5: Aporte ao solo via serrapilheira (fração foliar) em kg ha'1 ano-1 em diferentes estágios
sucessionais encontrados na REBIO de Poço das Antas.
APORTE AO SOLO VIA FRAÇÃO FOLIAR EM kg ha^ano'1
ÁREA
C
N
P
K
Ca
Mg (N + P+K
+ Ca + Mg)
FLORESTA
(40 anos)
2.478,0+- 308,3
49,8+- 6,2
2,4 +- 0,3
12,0+- 1,5
41,3 +-5,1
12,5+- 1,5
118
FLORESTA
(20 anos)
1.814,8+- 183,6
39,0 +-3,9
1,4 +- 0,1
6,9 +- 0,7
24,1 +- 2,4
8,4 +- 0,8
80
PLANTIO
(3 anos)
1.098,6+- 254,3
32,9+- 7,6
1,9 +- 0,4
12,1 +-2,8
38,1 +- 8,8
4,8 +- 1,1
90
Médias a partir de 18 repetições e erro-padrão (t - Student) com p < 0,05.
Quando comparadas as porcentagens
entre os diferentes nutrientes averiguados na
deposição foliar da serrapilheira para cada um
dos estágios estudados, conforme apresentado
nas Figura 6, verificou-se que: o N apresenta
maior retorno na floresta intermediária com
48%. O P com 2% em todos os estágios,
demonstrando ser o nutriente mais limitante.
K e Ca, 13 e 43 % respectivamente, ambos
maiores no plantio, enquanto o Mg com 1 1%
Rodriguésia 57 (3): 461-476. 2006
cm ambos os estágios florestais. Acredita-se
a partir destes resultados que o plantio
apresenta a menor eficiência quanto a
absorção foliar dos nutrientes, caracterizando-
se como o sistema mais “aberto” quanto a
ciclagcm de nutrientes quando comparado aos
demais estágios. E que entre os estágios
florestais, a floresta intermediária é a mais
eficiente, demonstrando ser este o sistema
mais “fechado”.
SciELO/JBRJ
12 13 14 15 16 17
cm ..
472
Floresta Avançada
10% 2% 42%
Floresta Intermediária
48%
Campo Antrópico - Plantio
K P
13% 2%
Figuras 6 - Porcentagens de retomo ao solo para os
nutrientes averiguados na fração foliar para as florestas
avançada, intermediária e campo antrópico.
Barbosa, J. H. C. & Faria, S. M.
Eficiência na utilização dos nutrientes
Neste estudo somente a concentração de
Mg não foi verificada maior em Mimosa
bimucronata quando comparada a encontrada
nos estágios florestais. A concentração deste
nutriente está relacionada aos pigmentos
clorofilados, conotando uma maior produtividade
primária em sistemas iniciais. Entretanto isto
não foi verificado, o que pode estar relacionado
a uma maior concentração deste elemento nas
folhas dos estágios florestais, uma vez que a
análise química se reportou a mistura de folhas
de diferentes espécies, aumentando seu
conteúdo nutricional quando comparado
especificamente ao encontrado em Mimosa
bimucronata, em valores absolutos; já quando
comparada a concentração média entre os
diferentes estágios, não foi verificada diferença
significativa.
É de se esperar que estágios florestais
secundários apresentam menores fluxos
quanto às concentrações de entrada de
nutrientes; a partir de uma maior eficiência
econômica. Uma vez que através de uma
maior biomassa epígea conseguem
retranslocar e armazenar maiores
concentrações entre os diferentes nutrientes
antes da abscissão foliar (Vitousek 1984).
Os índices de eficiênica no retomo de
nutrientes ao solo são apresentados como a
relação entre a quantidade de serrapilheira
produzida e a quantidade de nutrientes nela
contida, (Moraes 1993). Quando o índice
apresenta-se menor, indica uma menor
eficiência econômica na utilização desses
nutrientes pela comunidade vegetal.
O maior índice de eficiência para o N
(100), foi encontrado na floresta avançada,
seguido pela floresta intermediária com 93 e
por último o plantio com 67, enquanto ao
analisarmos N + P + K + Ca + Mg, o melhor
índice é apresentado pela floresta intermediária
com 46, seguido pela floresta avançada com
42 e o plantio com 24.
Na estação chuvosa, o estágio
intermediário encontra-se encharcado, o que
acaba por contribuir para o aumento da
Rodriguésia 57 (3): 461-476. 2006
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Dinâmica da serrapilheira em fragmentos sucessionais de mata atlântica
473
dissolução e da concentração de nutrientes em
seu solo de caráter oligotrófico. E a partir de
um maior esforço reprodutivo, determina assim
uma estratégia em alocar nutrientes na própria
biomassa vegetal quando se prepara para um
aumento de sua biomassa favorecido também
pelo baixo potencial de exportação de
nutrientes. Desta forma é explicado seu maior
índice de eficiência nutricional, conforme é
demonstrado na tabela 6.
Tabela 6 - índice de eficiência na serrapilheira (fração foliar) entre os estágios florestais para os
nutrientes averiguados.
índice de Eficiência na Serrapilheira - Fração Foliar
(ton. ha'1 ano'1 de Serrapilheira / kg ha1 ano'1 de Nutrientes)
Área
C
N
P
K
Ca
Mg
Exceto C
Floresta Avançada
2
100
2075
415
121
398
42
Floresta Intermediária
2
93
2604
528
151
434
46
Plantio
2
67
1154
181
58
457
24
Conclusões
De acordo com os resultados observados
conclui-se que:
A estratégia da renovação foliar ocorre
sob o ritmo pcrcnifólio, seu aporte ao solo se
dá de forma ininterrupta aos estágios de
baixada estudados, sendo maiores na estação
chuvosa e sincronizado a fase reprodutiva para
a espécie Mimosa bimucronata.
Quando o fenômeno da falta d’ água
expõe a vegetação a um possível estresse
hídrico, caracteriza-se o evento mais
responsável e influenciador da queda de folhas
nas florestas tropicais.
A floresta avançada apresentou o maior
aporte total, 6,9 ± 1,1 ton ha •' ano ', quando
comparada ao estágio intermediário com 5,5
± 0,5 ton ha •' ano '' e 3,0 ± 0,7 ton ha •' ano '
1 para o plantio.
A fração folhas obteve um maior aporte,
seguida das frações galhos, material
reprodutivo e refugo respcctivamcntc em kg
ha •' ano ■' em todos os estágios.
Não foi encontrada diferença
significativa à composição nutricional na
fração foliar da serrapilheira entre as
estações a todos os estágios.
As concentrações totais anuais médias
de entrada dos nutrientes C, N e Mg em
florestas avançada c intermediária são ambas
maiores que as encontradas no plantio,
enquanto para P, K. e Ca (em kg ha'1 ano1)
foram encontradas menores na floresta
intermediária.
A magnitude de transferência aos
estágios intermediário e avançado segue a
ordem de concentração: P < K. < Mg < Ca <
N < C, enquanto para o plantio, K > Mg.
As concentrações de entrada dos
nutrientes: C, N, P, K c Ca em g kg '' de
serrapilheira (fração foliar) no estágio inicial
com o uso de Mimosa bimucronata
demonstraram-se elevadas, e esta planta
como uma espécie favorável a recomposição
de áreas degradadas, caracterizando-se
como de potencial elevado às taxas
utilizadas na expansão de sistemas. Em
virtude de sua relação C/ N, seu conteúdo
nutricional, através da decomposição é
liberado de forma mais lenta.
Rodriguèsia 57 (3): 461-476. 2006
.SciELO/ JBRJ
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cm ..
474
Comparações do aporte total e foliar
demonstraram a floresta avançada com o
maior índice de eficiência de nutrientes para
o nitrogênio. Enquanto que a floresta
intermediária provavelmente através de sua
estratégia reprodutiva, aloca os nutrientes
na biomassa e minimiza “as perdas” através
de seu alto índice de eficiência na
exportação dos demais nutrientes via
serrapilheira.
Agradecimentos
Agradecemos a CAPES pela concessão
da bolsa de mestrado; a EMBRAPA por
disponibilizar suas dependências para moagem
e análises químicas do material, ao Instituto
de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de
Janeiro em especial à pesquisadora Tânia
Sampaio por disponibilizar o Laboratório de
Sementes para triagem, secagem e pesagem
do material, ao IBAMA por autorizar as
coletas na REBIO de Poço das Antas - RJ e
aos senhores Fortunato F. Barbosa, Joaquina
de S. C. Barbosa e Fabiano C. Barbosa pelo
incentivo na condução deste trabalho.
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cm l
SciELO/JBRJ
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cm
Plantio de espécies arbóreas nativas para a restauração
ECOLÓGICA NA RESERVA BlOLÓGICA DE POÇO DAS ANTAS,
Rio de Janeiro, Brasil
Luiz Fernando Duarte de Moraes', José Maria Assumpção1,
Cíntia Luchiari & Tânia Sampaio Pereira 3
Resumo
(Plantio de espécies arbóreas nativas para a restauração ecológica na Reserva Biológica de Poço das
Antas, Rio de Janeiro, Brasil) O plantio de espécies arbóreas nativas tem por objetivo acelerar a regeneração
natural durante o processo de restauração de áreas degradadas. Este estudo apresenta a avaliação de 26
espécies plantadas nas áreas de baixada da Reserva Biológica de Poço das Antas, no município de Silva
Jardim, RJ. Foram avaliados três plantios, com áreas variando de 0,64 a 1,17 ha. O modelo sucessional
utilizado se baseou na separação das espécies em três grupos funcionais: pioneiras e secundárias iniciais,
como sombreadoras, e secundárias tardias, como sombreadas. Para avaliar o desempenho das espécies,
foi feito o monitoramento da adaptabilidade (taxa de sobrevivência) e do desenvolvimento (altura e diâmetro
à altura do solo - DAS) das mudas plantadas. Todas as espécies de estágios iniciais utilizadas mostraram
bom desempenho quanto à taxa de sobrevivência e desenvolvimento, com destaque para os valores de
altura média apresentados por Citharexylum myrianthus, Schinus terebinthifolius e Trema micrantha.
Após o estabelecimento das espécies sombreadoras, as tardias foram claramente favorecidas, como
observado em Calophyllum brasiliense, Copaifera langsdorffii e Guarea guidonia. As espécies tardias
Jacaratia spinosa e Plathymenia foliolosa apresentaram, desde o início, crescimento similar ao
proporcionado pelas espécies de estágios iniciais, e podem ser classificadas como espécies pioneiras
antrópicas. O modelo de plantio utilizando espécies autóctones arbóreas testado neste trabalho teve um
excelente desempenho, e têm grande potencial para restabelecer processos ecológicos nas áreas degradadas
da Reserva Biológica de Poço das Antas e em áreas vizinhas com características semelhantes.
Palavras chave: Restauração ecológica, floresta atlântica, regeneração natural, sucessão secundária.
Abstract
(Native tree spccies planting for restoration at Poço das Antas Biological Reserve, Rio de Janeiro, Brazil) Mixed
plantations of indigenous tree species aims to catalyze forest regeneration in the ecological restoration of
degraded arcas. This work analyzes the performance of 26 tree species planted in the lowland areas at the
Reserva Biológica de Poço das Antas, in Silva Jardim municipality, Rio de Janeiro State, Brazil. Three experimental
plantings, with áreas ranging from 0.64 to 1.17 ha were evaluated. A successional planting model divided
spccies into four functional groups: pioneers and early secondaries (shading spccies), and late secondaries and
climax (shaded species). In order to evaluate the performance of the species, we evaluated survival rate and
development (growth rate and diameter at the plant base - DAS) of the secdlings planted. All the early species
used had a good performance, both for the survival and growth rates, espccially Citharexylum myrianthus,
Schinus terebinthifolius and Trema micrantha. After early species shaded the degraded site, late spccies grew
faster, as could be observed for Calophyllum brasiliense, Copaifera langsdorffii and Guarea guidonia,
suggesting the successional model is cfTcctivc in accelerating Forest regeneration. Jacaratia spinosa and
Plathymenia foliolosa are late species which showed fast growth, as early spccies do, and may be classified as
anthropogenic pioneer species. The model using indigenous tree spccies showed an exccllent performance,
both for survival and growth rates, and have a great potcntial to restablish ecological processes in degraded
arcas at the Reserva Biológica de Poço das Antas and in similar arcas surrounding.
Key words: Restoration ecology, atlantic rain forest, natural regeneration, secondary succcssion.
Artigo recebido em 03/2005. Aceito para publicação cm 1 1/2005.
'IBAMA - Instituto Brasileiro de Meio Ambiente c Recursos Naturais Renováveis, Rod. BR 465, km 3,5, Scropédica,
RJ, 23890-000. luiz.moraes@ibama.gov.br
:lnstituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Horto Florestal. Rua Pacheco Leão, 2.040, Rio de Janeiro, RJ,
22460-030.jmaria@jbij.gov.br
'Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Rua Pacheco Leão, 915, Rio de Janeiro, RJ. 22230-030.
tpcreira@jbrj.gov.br
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478
Introdução
O bioma Mata Atlântica, com sua alta
biodiversidade, encontra-se entre os mais
ameaçados do mundo (Mittermeicr et a 1 1 999),
tem a sua degradação diretamente relacionada
com o processo de ocupação adotado pelos
colonizadores europeus (Dean 1996).
A ação antrópica mais devastadora para
a floresta atlântica se caracterizou pelo
processo de fragmentação, onde extensas
áreas florestais foram convertidas em áreas
urbanas, industriais e agrícolas. Seguindo um
padrão observado para os trópicos, atualmente,
extensas áreas são cobertas por pastagens, em
sua maioria manejadas inadequadamente, ou
mesmo abandonadas, significando uma drástica
redução na fertilidade do solo (Aide et al.
1996). Em muitos casos, só a intervenção
humana consegue converter essas pastagens
novamente cm florestas (Florentine &
Westbrooke 2004). O restabelecimento de
florestas nativas nessas áreas requer, portanto,
a aplicação simultânea de princípios ecológicos
e práticas silviculturais sustentáveis (Knowles
& Parrotta 1995).
Para o estado do Rio de Janeiro há o
registro de cerca de 17% de remanescentes
do bioma mata atlântica, localizados nas regiões
sul (a partir de Paraty, passando por Angra
dos Reis, Mangaratiba até Rio Claro) e serrana,
em áreas protegidas, tais como a Reserva
Biológica de Tinguá, o Parque Estadual do
Desengano e o Parque Nacional da Serra dos
Órgãos (Fundação SOS Mata Atlântica &
INPE 2001).
As Florestas Ombrófilas Densas
Submontanas, ou Matas de Baixada, dispostas
ao longo da costa fluminense, foram igualmente
submetidas a um severo processo de
fragmentação, sendo que os poucos
remanescentes desse ecossistema são
verdadeiras ilhas de floresta circundadas por
extensas pastagens, o que dificulta c mesmo
impede sua expansão. Trabalhos de
fotointerpretação indicam que quase metade
da área do estado é coberta por pastagens
(Fundação CIDE 2001).
Moraes. L. F. D. et al.
A Reserva Biológica de Poço das Antas
(RBPA) é um dos exemplos mais ilustrativos
dessa situação. Criada em 1974 para proteger
populações selvagens de mico-leão-dourado
( Leontopithecus rosalia L.); a RBPA tem
cerca de 40% de sua área cobertos por
vegetação graminóide (Lima et al. 2006), em
sua maioria originada de pastagens
abandonadas, formadas em grande parte por
gramíneas exóticas, competidoras eficientes e
agressivas em relação às espécies nativas. Estas
características facilitam a ocorrência de
incêndios e dificultam a regeneração da floresta
(D’Antonio & Vitousek 1992).
Os remanescentes de Floresta
Ombróflla, em diversos estágios sucessionais,
não têm sido suficientes, por sua vez, para
garantir a regeneração nas áreas cobertas por
gramíneas e o aumento da área florestada da
RBPA. As principais barreiras para a
regeneração natural são um banco de
sementes no solo pobre, fontes de propágulos
distantes ou de baixa diversidade vegetal,
ausência de dispersores, infestação por
plantas invasoras e um sitio com reduzida
fertilidade de solo, ou mesmo a interação entre
alguns desses fatores (Cordeiro & Howe 2001,
Guariguata & Ostertag 2001, Florentine &
Westbrooke 2004). A existência do ciclo
‘gramínea-fogo”, entretanto, parece ser a
principal barreira para a regeneração natural
das áreas degradadas da RBPA.
Esse cenário estimulou pesquisadores a
investigarem vários aspectos relacionados à
dinâmica do processo de sucessão secundária
na RBPA, a fim de subsidiar propostas para
a conservação desses remanescentes
(Guedes-Bruni 1998, Vieira & Pessoa 2001,
Lima et al. 2006). A principal ação
conservacionista subsidiada por esses estudos
foi a instalação de plantios experimentais de
espécies arbóreas nativas, em modelos
consorciados, cujos resultados já foram
parcialmente apresentados (Moraes et al.
2002; Moraes & Pereira 2003).
Os plantios de espécies arbóreas nativas
na restauração de áreas degradadas foram
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479
adotados para aumentar a probabilidade de
ocorrer a sucessão secundária, ou mesmo para
acelerar o processo (Parrotta et al. 1997). Os
plantios constituem ferramenta eficiente de
regeneração artificial para a recuperação da
forma e da estrutura do ecossistema
(Kageyama et al. 1992a), mas antes deve-se
entender quais são as barreiras para que a
regeneração natural ocorra e como ela se
instalaria sem intervenções antrópicas (Sayer
et al. 2004). O estabelecimento de espécies
nativas lenhosas pode facilitar a restauração,
seja pela dispersão de propágulos (Holl et al.
2000, Silva 2003b) ou pelo sombreamento das
gramíncas invasoras (Parrotta et al. 1997, Holl
et al. 2000).
A restauração ecológica busca
reencontrar a estabilidade e integridade
biológica para um ecossistema degradado
(Engel & Parrotta 2003), não definindo
previamente um ecossistema "produto , até
porque os rumos da sucessão secundária são
imprevisíveis. Os plantios de espécies arbóreas
nativas são hoje uma importante ferramenta
para a restauração de áreas degradadas, e
devem servir como catalisadores da sucessão
ecológica (Parrotta et al. 1997), exercendo,
por exemplo, a função de atrair a fauna
dispersora através do uso de espécies com
dispersão zoocórica (Holl et al. 2000, Reis &
Kageyama 2003, Silva 2003b).
A elaboração de modelos para a
distribuição de mudas no campo se deu através
da evolução no conhecimento sobre a dinâmica
das florestas tropicais, em especial o processo
de sucessão secundária (Budowski 1965,
Gómez-Pompa 1971). As respostas
ccollsiológicas das espécies arbóreas durante
a cicatrização das clareiras abertas
naturalmcnte permitiu a sua separação em
grupos ecológicos (Budowski 1965, Dcnslow
1980, Martinez-Ramos 1985). Os modelos de
plantio que separam as espécies cm grupos
funcionais, chamados de modelos sucessionais,
tém otimizado o potencial das espécies
plantadas na restauração das áreas degradadas
(Kageyama et al. 1992b).
Rodriguésia 57 (3): 477-489. 2006
O processo de regeneração pode ser
acelerado pelo plantio de árvores isoladas ou
em consórcio, encurtando o tempo para o
aumento da diversidade vegetal local, ao atrair
fauna dispersora tanto pela oferta de frutos
quanto para empoleiramento (Toh et al. 1 999,
Petcrson & Haines 2000, Silva 2003b). A
relação planta-animal deve ser utilizada como
ferramenta para aumentar naturalmente a
diversidade vegetal com a chegada de
sementes de outras espécies trazidas por
dispersores (Wunderlce 1997, Silva 2003b).
Além do uso do conhecimento acumulado
sobre a dinâmica das florestas tropicais, é
preciso, antes de definir pela ação restauradora,
identificar o grau de degradação do
ecossistema, o histórico de uso do solo e o que
efetivamente está impedindo que o sítio
degradado regenere naturalmente (Engel &
Parrotta 2003). Para a restauração em larga
escala é fundamental, portanto, envolver os
produtores c proprietários de terras. Plantios
mistos de espécies nativas podem, além de
estimular e reter a restauração da
biodiversidade, funcionar como fonte de renda
para pequenos proprietários rurais, (Bawa &
Seidler 1998; Lcopold etal. 2001).
O presente trabalho tem por objetivo
avaliar a eficiência do plantio de espécies
arbóreas autóctones na restauração de áreas
degradadas na Reserva Biológica de Poço das
Antas, através do monitoramento da
adaptabilidade (taxa de sobrevivência) e do
desenvolvimento (altura e diâmetro à altura
do solo - DAS) de mudas plantadas em
modelos sucessionais.
Material e métodos
Área de estudo
A Reserva Biológica de Poço das Antas
(5.160 ha) está localizada na região costeira
central do estado do Rio de Janeiro, em área
de ocorrência de uma formação florestal
denominada Mata Atlântica de Baixada.
As duas principais unidades
geomorfológicas da Reserva são as várzeas
(temporária ou permanentemente inundadas),
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cm ..
Moraes, L. F. D. et al.
onde predominam Neossolos flúvicos, e os
morrotes, com altitudes de até 200 m e
predominância de Argissolos. O clima local é
quente e úmido (Aw, de acordo com a
classificação de Kõppen), com uma precipitação
anual média de aproximadamente 1.900 mm1,
bem distribuídas ao longo do ano, com uma leve
estação seca entre os meses de maio e agosto.
Plantios experimentais
Todos os plantios foram feitos com
espaçamento 2 x 2 m, em áreas de baixada,
implicando em uma densidade de 2.500 mudas/
ha, divididas em grupos ecológicas (Tab. 1) e
distribuídas no campo conforme esquema
apresentado na Figura 1. O preparo da área
incluiu a eliminação mecanizada (uma aração
e uma gradagem) da vegetação invasora -
associação entre Panicum maximum Jacq.
(capim-colonião) e Brachiaria mutica
(Forssk.) Stapf (capim-angola), com
predominância da primeira, sendo que a
segunda esteve restrita a manchas de
alagamento potencial. As covas eram abertas
pouco antes do plantio e nenhum tipo de
fertilização foi utilizado.
A seleção das espécies para restauração
teve como ponto de partida os levantamentos
florísticos realizados na Reserva para as áreas
de várzea e morrote. As espécies foram
selecionadas com base em três características
principais: rápido crescimento; atratividade da
fauna dispersora e disponibilidade de frutos e
sementes para produção de mudas. A
separação das espécies em grupos ecológicos
foi baseada na observação do comportamento
das espécies no campo (tipo de ambiente de
ocorrência, posição no estrato arbóreo) e em
dados de literatura.
As mudas das espécies selecionadas foram
separadas por grupos ecológicos e distribuídas
no campo de acordo com um modelo sucessional
(Fig. 1). Uma vez que uma das principais metas
foi a de inibir o desenvolvimento das gramíneas
pelo seu sombreamento, o modelo prevê que pelo
menos 50% das mudas sejam espécies de rápido
crescimento (pioneiras e secundárias iniciais), que
promoveriam condições para o desenvolvimento
das espécies de estágios sucessionais tardios.
Assim, em termos funcionais, dois grandes grupos
foram adotados, o das sombreadoras e o das
sombreadas.
4 m
I
C
I
T
I
p
p
p
p
p
I
C
I
T
I
P
P
P
P
P
Figura 1 - Esquema do modelo sucessional de distribuição de mudas de espécies arbórea, h
grupos ecológicos. Os polígonos tracejados sugerem o sombreamento de es^í^oo^ ^ ”
P - pioneiras; 1 - secundária, iniciais; T - secundária, , a, dias; C - iZ ^ ^ ^«Piloere^unenio;
1 Dados coletados pelo Programa Mata Atlântica/IPJBRJ
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Plantio na Rebio de Poço das Antas
481
Tabela 1 - Espécies utilizadas em plantios experimentais na Reserva Biológica de Poço das Antas,
município de Silva Jardim, Rio de Janeiro, Brasil, com respectivos tipos de dispersão de frutos c
grupos ecológicos a que pertencem. Legenda: GE = Grupo Ecológico; P = pioneiras; 1 = secundárias
iniciais; T = secundárias tardias; C = clímaxes; s.i. = sem informação.
Espécie
Família
Dispersão
GE
Área l(0,84ha)
Época de plantio: Maio/ 1 996
Citharexylum myrianthum Cham.
Verbenaceae
Zoocórica/barocórica
P
Margaritaria nobilis L.f.
Euphorbiaceae
Zoocórica/barocórica
P
Mimosa bimucronata (DC.) 0. Kuntze
Mimosaceae
Anemocórica/barocórica
P
Inga ajfinis DC.
Mimosaceae
Zoocórica/hidrocórica
I
Inga laurina (Sw.) Willd.
Mimosaceae
Zoocórica/hidrocórica
I
Pseudobombax grandiflontm (Cav.)
Bombacaceae
Anemocórica
I
A.Robyns
Guarea guidonea (L.) Sleumer
Meliaceae
Zoocórica
T
Jaracatia spinosa (Aubl.) A.DC.
Caricaceae
Zoocórica
T
Calophyllum brasiliense Camb.
Clusiaceae
Zoocórica/hidrocórica
C
Copaifera langsdorfii Desf.
Caesalpineaceae
Zoocórica
C
Área2(l,17ha)
Época de plantio: Outubro/ 1997
Alchomea triplinervia (Spreng.) Müll.Arg.
Euphorbiaceae
Zoocórica
P
Citharexylum myrianthum Cham.
Verbenaceae
Zoocórica/barocórica
P
Schinus terebenthifolius Raddi
Anacardiaceae
Zoocórica
P
Trema micrantha (L.) Blume ?
Ulmaceae
Zoocórica
P
Inga affinis DC.
Mimosaceae
Zoocórica/hidrocórica
I
Pseudobombax grandijlorum (Cav.)
Bombacaceae
Anemocórica
I
A.Robyns
Sparattosperma leucanthum (Vell.)
Bignoniaceae
Anemocórica
I
K.Schum. ?
Tapirira guianensis Aubl.
Meliaceae
Zoocórica
I
Nectandra oppositifolia Nees
Lauraceae
Barocórica
T
Euterpe edulis Mart.
Arecaccae
Zoocórica/h idrocórica
C
Posoqueria acutifolia Mart.
Rubiaccae
Zoocórica
C
Área 3 (0,64ha)
Época de plantio: Agosto/ 1999
Citharexylum myrianthum Cham.
Verbenaceae
Zoocórica/barocórica
P
Schinus terebenthifolius Raddi
Anacardiaceae
Zoocórica
P
Trema micrantha (L.) Blume 7
Ulmaceae Zoocórica
P
Inga affinis DC
Mimosaceae
Zoocórica
I
Sparattosperma leucanthum (Vell.)
Bignoniaceae
Anemocórica
1
K.Schum. ?
Centrolobium tomentosum Guiilemin
Mimosaceae
Anemocórica/barocórica
T
ex Benth.
Guapira opposita Vell.
Nyctagenaceae
s.i.
T
Jaracatia spinosa (Aubl.) A. DC.
Caricaceae Zoocórica
T
Pithecellobium pedicellare DC. Benth.
Mimosaceae
Anemocórica/barocórica
T
Simira viridiflora (Allemao & Saldanha)
Rubiaceac s.i.
T
Steyerm.
Dalbergia nigra (Vell.) Alemão ex Benth.
Papillionaceae
Barocórica
C
Plathymenia foliolosa Benth.
Mimosaceae
Anemocórica/barocórica
C
Tabebuia crysotricha (Mart. ex DC.) Standl.
Bignoniaceae
Anemocórica
C
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cm
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Moraes, L. F. D. el al.
Tabela 2 - Taxa de sobrevivência (%), altura média (m) e DAS médio (cm) para espécies arbóreas
nativas plantadas na Reserva Biológica de Poço das Antas. TS = Taxa de sobrevivência para as mudas
plantadas; DAS = diâmetro médio à altura do solo. N° = número indivíduos plantados/monitorados.
Espécies
Área 1
N°
indivíduos
TS(%) Anol Ano 2 Ano 3 Ano 4
Altura DAS Altura DAS Altura DAS Altura DAS
(m) "“d*s ™ »«síreio na Rese™ Biológica de Poç. 1 0 cm vs. 3.5 cm respectively)
differed, the permanently flooded site is
markedly less diverse than the periodically
flooded site. As discussed before, this was due
to the marked dominance of Tabebuia
cassino ides that accounted for ca. 63% (1110
out of 1744) of the trees. Indeed, Domeles &
Waechter (2004) reviewed a number of papers
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cm l
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497
Community dynamics in a swampfore.it
about Brazilian swamps of different parts of
the country and claimed that they often have
low diversity due to the dominance of only a
few species. The longer periods of flooding
that plants are exposed to in this site may
account for this reduced diversity in the
permanently flooded site. The species richncss
on this site is however high as compared to
other Brazilian swamps (see Dorneles &
Waechter 2004 and references therein) which,
on the other hand, may be due to ecological
plasticity of habitat generalists (most of the
locally rare species; Table 1) and to the
creation of flood-free germination sites by
bromeliad rosettes.
The other important structural component
is the understorey, which, as we have seen, is
densely covcred by bromeliads. This dense
cover is particularly evidcnt in the permanently
flooded zone that, in addition to having a
monodominant ovcrstorey (T. cassinoides), has
also a monodominant understorey (N.
procerum). In the periodically flooded zone the
understorey is Icss dense and in addition to N.
innocentii other bromeliads are íound in
separate colonics, such as Quesnelia
quesneliana (Brong.) L.B.Smith. Bromeliads,
particularly in the permanently flooded site, play
a key ecological role creating safe germination
sites, as seen above. Then, wc wcre interested
in determining which were limiting factors for
the life of the bromeliads. Scarano et c//. (1999)
showed that both Nidularium species are
intolerant to full sunlight. We even classified N.
procerum as a shadc-adaptcd CAM plant. Thus,
if the creation of safe germination sites is a key
ecological role, the generation ofshade, needed
by these “li ve germination sites”, is also relcvant.
The Low Resilience Hypotiiesis
Scarano et ai. (1998) compared the
number of tree species spontaneously re-
cstablished at three diíTerent Brazilian vegetation
types 1 0 years afler anthropogenic perturbation:
an igttpó forest in the Amazon, a low montanc
Atlantic rain forest in the Brazilian south-east,
and the swamp forests of this Reserve. We
found out that while the former two reachcd
Rmtriguésia 57 (3): 491-502. 2006
species richness values similar to those
presented prior to perturbation, the latter showed
no recovery at all. Wc then forwarded a
hypothcsis to cxplain the low resilience of these
swamps, bascd solely on some of the rcsults
described above for the permanently flooded
site. We proposed that two functional groups of
plants played vital ccosystem functions regarding
the maintenance of diversity: a) germination site-
providers (a role played by bromeliad species,
and particularly N. procerum ); and b) shade-
providers (a role played by evergreen trees,
which were mostly found among the groups with
intermediate or rare abundance shown in Table
1 . It is important to note that they create a semi-
shade regime, and not a deep shade one, as
described previously). A third functional group
would be formed by the monodominant T.
cassinoides, which can establish and grow
irrespective of safe germination site or shade,
given its pronounced resistance to flooding, full
sun-Iight and asexual reproduetion. Moreover,
this is a deciduous tree that remains leafless for
3-4 months per year (Callado et ai 200 1 b). Thus,
it does not fit in b), the group of shade-providers.
Wc hypothesized that removal of the shade-
providing, locally rare trees would result in the
disappcarance of bromeliads and vice-versa,
whereas T. cassinoides population would
remain unaffected.
The low resilience of this swamp
vegetation, and its consequent inability to recover
afler impact, is possibly due to the permanent
changc in the soil water regime caused by past
damming of rivers, which for several arcas
implicated on either drainage or deeper and
longer flooding than usual. This may have
resulted in removal of the tree covcr, which in
turn might have exposed bromeliads to direct
sunlight and death in the medium-term. Thus,
tree removal could mcan bromeliad death and,
as a consequence, no seed regeneration. If this
tree-herb mutualism is truc, this complex
intcraction could provide the basis upon which
this ccosystem dcvclops. It is worth mentioning
that tree regeneration could still be possible
through asexual reproduetion commonly seen
in these sites, but then diversity would be even
.SciELO/ JBRJ
12 13 14 15 16 17
498
Scarano. F. R.
lower lhan in undisturbed forests. Furthermore,
swamp degradation gave way locally to treeless
turf, which is highly flammable; fire events are
all too common on these locations, and consist
of additional impedimcnt to natural recovery.
If this hypothesis is at all confirmed in
the future, it would appear that low resilience,
and thus low stability, could be associated to
rcduced species diversity as that found in the
pennanently flooded swamp forest. There has
been much controversy around the relationship
between diversity and stability (see reviews in
Scarano et al. 1998; Scarano & Dias 2004),
which is mostly due to the difficulties in
measuring important components such as those
related to interactions between species and
complexity. The functional group approach, as
seen above, reduces complexity and helps
formulate testable hypotheses about the role
of given species in the ecosystem and, in this
respect, detect ecological redundancies and
singularities of these species (Díaz et al. 2003;
Smith et al. 1997; Wilson 1999). Current
advances in mathematical tools to investigate
such ecological groupings, particularly in Brazil
(filiar 1999; Pillar & Sosinski 2003), can
promote a fast progress of this research line.
Lessons in Tiieory and Application
The distinction between theoretical and
applied ecology is often misleading, and it may
not actually exist at the frontiers between Ecology
- Conservation - Restoration. The stability
concept and the need to measure it as an
ecological parameter (see Tilman et al. 2001 ) is
as relevant to “pure research” - as some authors
would like to classify it - as it is to achieve more
applied goals regarding conservation and
ecological restoration. Similarly, answers to
questions such as “what is the ecosystem effect
of the loss of one species?”, or “how does species
diversity relate to stability?” are as relevant to a
theoretical ecologist as they are to a decision-
maker (see Barbosa et al. 2004). Thus, a formal
test of the pertinence of the functional groups
proposed in the “low resilience hypothesis”, as
discussed above, could generate important by-
products to conservation and restoration.
This first decade of studies in the swamp
forests of Poço das Antas is clearly only the
beginning of a long-term research programme.
However, even at an early stage, this case study
has potential to provide fuel for a number of
theoretical debates. For instance, the data
produced in these studies address at least two
hot theoretical topics in Ecology: a) the need to
integrate facilitation (e.g., Bruno et al. 2003;
Callaway et al. 2002) and competition (e.g.
Fargione & Tilman 2002; Grime 2001 ) models
to improve niche theories (i.e., those that
examine the role of interactions between species
in ecosystem properties such as stability and
productivity - see also Chase & Leibold 2003);
and b) the need to integrate these niche theories
with the so-called neutral theories (i.e., those
that examine the relationships of species
richness and/or diversity with ecosystem
properties - they are called neutral for assuming
the premise that interactions do not explain large
scale ecosystem processes, such as in Hubbell
2001; MacArthur & Wilson 1967). Scarano &
Dias (2004) have recently argued that such
dualisms exist due to the fact that these distinct
types of theories were produced in very different
ecosystems: while niche models and theories
have often been produced in habitats with low
species diversity and low resource availability,
neutral theories have frequently emerged from
habitats with higher species richness and
resource availability. The swamp forests of Poço
das Antas have an unusual combination of high
species richness and low resource (i.e., soil
oxygen) availability. Future studies and
expcriments on resilience and stability and their
relationship with species interactions (niche
perspective) and dispersai processes within a
biogeographical framework (neutral
perspective) may prove fruitful and challenging
to ongoing theoretical thought in Ecology.
Locally, our studies seem to indicate that
restoration of lands previously occupied by
swamp forests will require much human effort
and intervention. A forest cover in the lowland
areas, now occupied by treeless turf, would be
essential to create corridors linking forest
fragments and increasing the habitat range of a
Rodriguésia 57 (3): 491-502. 2006
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cm
Community dynamics in a swanip fores I
numberof animal species, such as the thrcatencd
golden-lion-tamarin. Frcquent fires on the turí
seem to impair natural recolonisation by trce
species and, moreover, changes in the soil
hydrology of such sites may not allow the
reconstitution of swamps. Thus, fire control allied
to the development ofrestoration techniques on
a turf substrate are recommendations that
emerge from our studies. The successful
experience with forest restoration ot non-
flooded soils, described by Moraes & Pereira
(2003), is strong evidencc that reforestation of
the turf cover and the enhancement of
connectivity between forest fragments (see also
Metzger 2003) may soon be triggered.
On the other hand, can we apply the
modcl proposed here to describe strueture and
function of other Brazilian swamps or the
pattems and processes described are strietly
local? This question cannot be answered at
present, since this vegetation type has not been
thoroughly surveycd in the country.
Furthermore, the wealth of regional
tcrminologies attributed to forests subjccted to
phreatic flooding suggests both that a large
variety of forest types should be cxpected, and
also that more comparativo and integrative
work is required to compare such íorests as
regards to floristics, ecology and biogeography.
Acknowledgements
Tânia S. Pereira, G Martinelli, H. C. Lima
and C. F. Barros kindly hosted me as a post-
doctoral rescarchcr in the Botanical Gardens of
Rio de Janeiro from 1992 to 1993, whcn lhey
introduced me to the bcautiful swamp forests
of Poço das Antas, and taught me a great deal
about them. I also thank my other co-workers
and students involved in the studies revised here.
E. F. Amado, S. M. B. Barreto, D. D. Biesboer,
C. H. Callado, C. G Costa, U. M. Duarte, A.
C. Franco, C. A. Freitas, 11. R. P* Lima, U.
Lüttge, A. Mantovani, E. A. de Mattos, L. F. D.
de Moraes, K. T. Ribeiro, G. Rôças, S. J. Silva
Neto and T. Wendt. Finally, I thank the stall at
the Biological Reserve ol Poço das Antas for
support and the Brazilian Research Council
(CNPq) for a produetivity grant.
Rodriguésla 57 (3): 491-502. 2006
499
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12 13 14 15 16 17
cm
Estrutura da comunidade arbórea da floresta atlântica de
BAIXADA PERIODICAMENTE INUNDADA NA RESERVA BIOLÓGICA DE
Poço das Antas, Rio de Janeiro, Brasil
Fabricio Alvim Carvalho'1, Marcelo Trindade Nascimento',
João Marcelo Alvarenga Braga'-1 & Pablo José Francisco Pena Rodrigues IJ
Resumo
(Estrutura da comunidade arbórea da floresta atlântica de baixada periodicamente inundada na Reserva
Biológica de Poço das Antas, Rio de Janeiro, Brasil) Este estudo teve por objetivo descrever a estrutura e
composição florística arbórea de dois fragmentos naturais de florestas periodicamente inundadas na Reserva
Biológica de Poço das Antas e compará-los a outros tipos florestais da região. Seis parcelas de 30 m x 20 m
foram alocadas em cada fragmento. Todas as árvores (DAPS 10 cm) foram amostradas. Os dois fragmentos,
denominados ARI e CM, apresentaram estrutura muito similar. Ao todo foram amostradas 628 árvores
pertencentes a 3 1 espécies e 1 6 famílias, com forte dominância de espécies heliófilas tolerantes à inundação,
como Calophyllum brasUiense. Symphonia globulifera (Clusiaceae) e Tabebuia cassinoidcs (Bignoniaceae).
Estas três espécies foram responsáveis por 73% do valor de cobertura em ARI e 67% em CM. Os índices de
diversidade de espécies (H’ = 1,75 e 1,99, para ARI e CM respectivamente) foram próximos aos de outras
florestas inundáveis do sudeste brasileiro. Os fragmentos apresentaram elevada similaridade florística devido
à dominância destas espécies heliófilas. Entretanto, a similaridade de espécies foi baixa em relação às
florestas bem drenadas adjacentes. Aparentemente, o alagamento do solo é o maior fator regulador da
composição florística desta vegetação.
Palavras-chave: Floresta alagada, fragmentação, floresta atlântica de baixada, fitossociologia.
Abstract
(Tree community strueture of a lowland seasonally Ilooded Atlantic Forest at Poço das Antas Biological
Reserve, Rio de Janeiro, Brazil) This sludy aimed to describe the tree strueture and floristic composition of two
seasonally flooded forests at Poço das Antas Biological Reserve and to compare these forests to other Atlantic
Forest types in the region. Six plots of 30 m x 20 m were set up in each fragment. All trees (DBH > 10 cm) were
sampled. The fragments (ARI and CM) were stmcturally very similar. A total ol'628 trees were sampled being
distributed within 16 families and 3 1 species. with strong dominancc of flooding tolcrant heliophilous trees,
such as Calophyllum brasUiense . Symphonia globulifera (Clusiaceae) and Tabebuia cassinoides
(Bignoniaceae). This three species together accountcd for 73% of cover value in ARI and 67% in CM. The
species diversity (FT = 1 ,75 and 1 ,99, respectively lo ARI and CM) can be considered to be within the values
found for swamp forests in Southcastem Brazil. Both fragments showed high floristic similarity due to dominancc
of heliophilous trees. However. species similarity was low in comparison to adjacent well-drained Atlantic
Forest. Soil flooding apparcntly was the major rcgulator faclor of the floristic composition in this vegetation.
Kcy words; Swamp forest, fragmentation, lowland Atlantic Forest, phytosociology.
maiores áreas dc terras alagadas do mundo
(Asclmann & Crutzen 1989), e no território
brasileiro, essas terras cobrem cerca dc 2%
da área (World Conscrvation Monitoring
Centre 1 992). No Brasil, as áreas alagadas são
bastante extensas, sendo que as continentais
recebem diversas designações, como banhado.
Artigo recebido em 10/2005. Aceito para publicação em 08/2006.
■Laboratório dc Ciências Ambientais (LCA). Universidade Estadual do Norte Fluminense (UENF), Av. Alberto Lurnego,
2000, Pq. Califórnia. 28015-620, Campos dos Goytacazcs, RJ. mtn@uenf.br
•'Programa de Pós-graduação em Ecologia, Instituto de Ciências Biológicas, Universidade dc Brasília (UnH). Caixa Postal
04457, 709 1 0-900, Brasília, DF. fabricioalvlm@yahoo.com.br
'Instituto dc Pesquisas Jardim Botânico do Rio dc Janeiro (JBRJ ). Rua Pacheco Leão 9 1 5. 22460-030, Rio de Janeiro. RJ.
Apoio financeiro: MMA/PRONABIO/PROBIO/CNPq. jmabraga@jbrj.gov.br, pablo@jblj.gov.br
Introdução
As terras úmidas, onde estão incluídos os
brejos, pântanos, planícies de inundação c
áreas similares, cobrem uma área estimada de
6% da superfície terrestre e estão entre os
ecossistemas mais ameaçados do mundo
(Maltby 1991). A America do Sul possui as
SciELO/JBRJ
12 13 14 15 16 17
504
Carvalho. F. A. et al.
brejo, pântano, pantanal, igapó, várzea, campo
úmido, lameiros e pampas (Esteves 1998). As
maiores extensões de áreas alagadas
encontram-se nas planícies de inundação de
grandes rios, como a planície do rio Amazonas
e seus afluentes, a do rio Paraguai (Pantanal)
e a do rio Paraná, onde em geral o alagamento
ocorre em ciclos anuais (Esteves 1998, Medri
et al. 2002). As áreas alagadas associadas a
rios de menores tamanhos são extensas e muito
importantes ecologicamente, pois os períodos
de inundação são mais curtos e os alagamentos
podem não ocorrer anualmente (Medri et al.
2002). Estes ecossistemas são fundamentais
para a manutenção dos recursos hídricos, da
flora e da fauna local, sendo áreas de
suprimento hídrico e alimentar para várias
espécies da fauna (Maltby 1991, Naiman &
Décamps 1997) que em geral ocorrem como
fragmentos naturais na Região Sudeste do
Brasil (Constantino et al. 2005).
O alagamento interfere numa série de
processos físico-químicos e biológicos,
influenciando profundamente na qualidade do
solo. Dentre as modificações destacam-se:
diminuição de trocas gasosas entre o solo e o
ar, lenta difusão do oxigênio; redução na
biodisponibilidade de nutrientes; acúmulo de
gases como N2, C02 e H2 e aumento da
produção de toxinas no solo (Medri et al.
2002). Uma vez que a limitação do oxigênio
afeta o desenvolvimento e a sobrevivência das
plantas superiores de forma diferenciada entre
as espécies, a variação na sua disponibilidade
consiste num forte determinante ecológico
(Medri et al. 2002). Desta forma, o alagamento
toma-se o maior condicionante da vegetação
das comunidades arbóreas naturalmente
inundáveis e sua influência é determinada pela
freqüência, intensidade e duração das
inundações, e relacionada localmente ao regime
pluviométrico, relevo e tipo de solo (Joly 1991).
Os trechos de floresta atlântica inundável
no sudeste brasileiro encontram-se, em geral,
sobre solos hidromórficos e sujeitos à presença
de água superficial em caráter temporário ou
permanente, onde a saturação hídrica do solo é
conseqüência do afloramento da água do lençol
freático (Leitão-Filho 1 982, Ivanauskas et al.
1 997, Toniato et al. 1 998). No estado do Rio de
Janeiro, esse tipo vegetacional encontra-se
restrito a poucas áreas, restando cerca de 2%
de sua área original (Câmara 1991). Estes
fragmentos de florestas naturalmente ocorrem
em manchas e apresentam grande relevância
ecológica e conservacionista (Constantino et al.
2005), sendo consideradas áreas de preservação
permanente pelo Código Florestal Brasileiro de
1965(Milaré 1991).
Dentre os remanescentes de floresta
atlântica de baixada do estado do Rio de Janeiro,
destacam-se os da Reserva Biológica de Poço
das Antas (IBDF 1 98 1 ). No cenário de profunda
fragmentação e degradação da floresta atlântica
no Rio de Janeiro (Fundação SOS Mata
Atlântica 2002) os remanescentes florestais
desta Unidade de Conservação assumem
importância fundamental como local de estudos
e banco de germoplasma para futuros projetos
de restauração ecológica (e.g. Programa Mata
Atlântica 2004).
Mesmo considerando as recentes
descrições florísticas (Scarano et al. 1997,
998, Araújo et al. 1 998), as florestas inundáveis
o estado do Rio de Janeiro vêm recebendo
pouca atenção da comunidade científica, ao
contrário de outras vegetações inundáveis
brasileiras, como as florestas de galeria do
Brasil Central (Joly & Crawford 1982,
?QQVB‘fa'FÍlh° 1989’ FelfiIi 1993’ Rattere/flA
li’ ° Pantana' mato-grossense (Prance &
Schaller 1982, Nascimento & Cunha 1989,
Loureiro et al. 1994, Ratter et al. 1998), as
varzeas e igapós amazônicos (Prance 1979,
Worbes 1985, Junk 1989, Kubitzky 1989,
Schluter et al. 1993, Scarano et al. 1994), as
i o^St,aS,hlgrÓfllas de Sã0 Paul° (Leitão-Filho
«2, Joly 1 99 1 . Torres et al. 1 994, Ivanauskas
et a . 997, Toniato et al. 1998) e as florestas
ciliares do Paraná (Medri et al. 2002), cujos
pa rôes florísticos e estruturais são bem
con ecidos. Esta escassez de informações
aliada a acelerada destruição deste habitat
ressalta a importância de estudos sobre a
es rutura e composição de suas comunidades,
comorme proposto neste estudo.
Roilriguêsia 57 (3): 503-518. 2006
cm 1
SciELO/JBRJ
12 13 14 15 16 17
Estrutura de fragmentos naturais de floresta atlântica periodicamente inundada
Material e Métodos
Área de estudo
A Reserva Biológica de Poço das Antas
(Rebio) localiza-se na bacia hidrográfica do rio
São João, município de Silva Jardim, RJ, Brasil
(22°33’S e 42°15’W) (Fig. 1). Segundo a
classificação de Veloso et al. (1991), esta região
está inserida no domínio da Floresta Ombrófila
Densa de Terras Baixas. A região pertence à
Unidade Geomorfológica Colinas e Maciços
Costeiros, uma área de relevo deprimido, com
reduzidos valores altimétricos, situada em uma
extensa planície de domínio quaternário
(RADAMBRASIL 1983). Seu relevo é
predominantemente de planície costeira,
apresentando pequenos morros e morrotes
(mamclonares) arredondados que chegam a
atingir 200 m de altitude, imersos em áreas de
baixadas aluviais sujeitas ao alagamento
permanente ou periódico do solo, em função do
regime pluvial (1BDF 1981,Takizawa 1995).
A Rebio possui uma área de
aproximadamente 5.500 ha, dentre os quais cerca
de 1.500 encontram-se em estado de inundação
periódica, constituindo uma amostra do que restou
desse tipo de habitat que foi drenado por vários
canais projetados pelo Departamento Nacional de
Obras e Saneamento (DNOS) para retificação
dos rios e para o escoamento mais rápido das águas
505
da região (Castro & Fcrnandez 2002). Sua
hidrologia compreende a bacia hidrográfica do rio
São João, que abrange cerca de 2.080 km2. O rio
São João é o principal curso de água diretamente
relacionado com a Rebio, constituindo seu limite a
sudoeste e sendo receptor de todas as águas que
passam ou se originam na região. Na estação
chuvosa o volume de águas do rio aumenta
consideravelmente, inundando as terras baixas de
seu vale (Moraes 2000).
O clima regional é do tipo megatérmico
úmido (B2A’) na classificação dcThomthwaite
& Mather, correspondendo à designação de
tropical chuvoso com estação seca no inverno
(As) de Kõeppen (Bernardes 1952). O
diagrama ombrotérmico referente ao período
de janeiro de 1 993 a dezembro de 2002 (Fig. 4)
assinala os meses de junho a agosto como
representantes do período menos chuvoso e de
temperaturas menos elevadas, correspondendo
os meses de novembro a março ao período mais
chuvoso e de maiores temperaturas. Os demais
meses representam situações intermediárias
entre os dois períodos. Neste intervalo de dez
anos, a temperatura média anual foi de 25,5°C,
sendo registrada no mês de julho a temperatura
média mais baixa de 21,8°C e a maior
temperatura média durante os meses de janeiro
e fevereiro (29°C). Em relação à precipitação,
Fim,™ 1 - Localização dos dois fragmentos de floresta de baixada periodicamente inundada, "brejo do Aristides" (ARI)
e "brejo Casa dos Morcegos" (CM) na Reserva Biológica de Poço das Antas, Rio de Janeiro.
Rodriguésia 57 (3): 503-518. 2006
!scíelo/jbrj
12 13 14 15 16 17
506
Carvalho, F. A. et al.
foi observado no período um valor médio anual
de 1994,9 mm, correspondendo ao mês de
dezembro o maior índice (320 mm) e o menor
valor (38,9 mm) ao mês de julho (Lima et al.
2006). Os solos encontrados nessas áreas são
classificados como Gleissolos, aluviais e
orgânicos (Takizawa 1995).
Em estudo fisionômico-florístico e de
mapeamento da vegetação da Rebio, Lima et
al. (2006) identificaram seis unidades
fisionômicas, sendo duas florestais (floresta aluvial
e floresta submontana) e quatro não florestais
(formação pioneira com influência fluvial,
capoeira aluvial, capoeira submontana e campo
antrópico) e estimaram que dos 2.608 ha de
remanescentes florestais ca. 18% (895 ha) eram
de floresta aluvial.
Dentro da Rebio foram selecionados dois
fragmentos naturais de floresta de baixada
periodicamente alagada, circundados por florestas
secundárias de morrote com até 50 m de altitude
e distanciados um do outro cerca de 2 km (Fig. 1 ).
Nestes enclaves encontram-se trechos com
florestas de baixadas denominados “Brejo do
Aristides” (ARI), com cerca de 9 ha, e “Brejo
Casa dos Morcegos” (CM), com 17 ha. Ambas
as áreas são baixadas aluviais de drenagem, cujos
os solos ficam alagados no período chuvas,
entre os meses de outubro e abril (1BDF 1 98 1 ). O
solo apresenta micro-relevo irregular onde as
plantas se distribuem sobre pequenos montes de
até 50 cm de elevação, que constituem as partes
emersas e mais altas do estrato inferior da floresta,
formando pequenas “ilhas” de vegetação. O nível
dc agua superficial normalmcnte não ultrapassa
os 30 cm (Scarano et al. 1998), sendo comum a
presença de canais de drenagem entre os
“murundus”. A análise da variação anual da coluna
d’água nos fragmentos, realizada por D.M. Villela
& GM. Gonçalves (dados não publicados), indicou
para o ano de 2002 uma pequena variação na altura
da coluna de água de 0,3 cm a 23,0 cm no
fragmento ARI, visivelmente mais seco, e de 12
cm a 44,0 cm no fragmento CM entre os meses
de janeiro a abril, e que entre abril e outubro os
solos se encontraram totalmente secos. Há cerca
de 35 anos esses fragmentos foram submetidos à
extração seletiva de madeira, principalmcntc de
“pau-tamanco" ( Tabebuia cassinoides ), e
mudanças no regime hídrico, devido a obras de
drenagem e construção de canais e represas na
bacia do rio São João (Scarano et al. 1 998, Castro
& Femandez 2002). Não existem registros de
perturbações antrópicas nesses fragmentos desde
1981, quando a área foi transformada em Reserva
Biológica (IBDF 1981).
Coleta e análise de dados
Em cada fragmento foram estabelecidas
duas áreas de 200 m x 100 m (2,0 ha), uma em
sua parte mais marginal distando, pelo menos, 20
m da borda, e outra em seu interior. Dentro de
cada área foram alocadas aleatoriamente três
parcelas de 30 m * 20 m (600 m:) para obter
uma maior heterogeneidade florística uma vez
que análises qualitativas prévias indicaram a
ocorrência de densas populações de Tabebuia
cassinoides, Calophyllum brasiliense e
Symphonia globuli/era. Ao todo foram alocadas
seis parcelas por fragmento, totalizando uma área
amostrai de 0,36 ha. Em cada parcela, todas as
árvores vivas e mortas em pé com DAP
(diâmetro à altura do peito, a 1 ,30 m do solo) £
10 cm foram marcadas, coletadas e medidas
quanto à altura e ao DAR Indivíduos perfilhados
só foram marcados e medidos quando pelo
menos um dos ramos possuía DAP>10 cm, e
nesse caso, todos os ramos foram medidos e a
área basal total do indivíduo foi calculada pelo
somatório das áreas basais de cada ramo. Infor-
mações tais como presença de resinas, látex, tipo
de casca, cor e aroma do tronco e nome popular
foram anotadas para o auxílio no trabalho de iden-
tificação das espécies. As amostras coletadas
foram identificadas por comparação com as
coleções do herbário do Jardim Botânico do Rio
de Janeiro (RB) e do Herbário do Centro de
Biociências e Biotecnologia da Universidade
Estadual do Norte Fluminense (UENF) onde foi
depositado todo o material botânico coletado. O
sistema de classificação de famílias utilizado foi
o de Cronquist (1981 ), exceto para Leguminosae
que seguiu Polhill & Raven (1981).
Os parâmetros fitossociológicos foram
calculados através do programa FITOPAC 1
(Shepherd 1994), a saber: área basal total e
Rodriguèsia 57 (3): 503-518. 2006
cm 1
SciELO/JBRJ
12 13 14 15 16 17
Estrutura de fragmentos naturais de floresta atlântica periodicamente inundada
individual (Abt e Abi), densidade relativa (DR),
dominância relativa (DoR) e valor de cobertura
(VC=DR+DoR) (Mueller-Dumbois & Ellcnberg
1 974). O índice de uniformidade (J), o índice de
diversidade de Shannon (H’), calculado utilizando-
se logaritmo natural, e o índice de similaridade de
Morisita-Hom, para comparação florística entre
os fragmentos estudados loram calculados
segundo Brower & Zar (1984). O índice de
similaridade de Sorensen (Brower & Zar 1984)
foi utilizado para a comparação com outras áreas
florestais brasileiras.
A suficiência amostrai foi avaliada através
do cálculo de curvas de rarefação, com 1000
iterações, utilizando os valores de riqueza e de
diversidade de espécies (H ’ ) através do programa
Ecosim (Gotelli & Entsminger 2001 ).
As espécies levantadas foram classificadas
segundo sua preferência por áreas alagadas,
como proposto por Ivanauskas et al. (1997),
em quatro grupos distintos: (1) Espécies
peculiares exclusivas de formações brejosas —
de ocorrência exclusiva a florestas sujeitas ao
alagamento permanente ou quase permanente
do solo, possuem área de ocorrência geográfica
restrita, e seu destaque na estrutura da
comunidade está diretamente ligado a um maior
período de saturação hídrica do solo, (2)
Espécies peculiares não exclusivas de
formações brejosas - destacam-se cm florestas
sujeitas ao alagamento periódico do solo, mas
nunca em áreas com alagamento permanente
ou quase permanente do solo ou em outras
florestas com solos mais drenados, sendo
comum sua ocorrência em florestas de galeria,
ciliares e ripárias; (3) Espécies complementares
de áreas secas — destacam-se cm florestas com
alagamento periódico do solo (florestas de
galeria e ripárias) ou cm florestas mais secas,
mas nunca em florestas com alagamento
permanente ou quase permanente do solo; e (4)
Espécies complementares indiferentes - ocorrem
em áreas alagadas, contudo sua abundância e
densidade não têm relação direta com o
alagamento. Para tal classificação, foram obtidas
informações ecológicas sobre as espécies por
meio de literatura especializada e consultas a
levantamentos fiorísticos e fitossociológicos
507
realizados em diferentes trechos de floresta
atlântica do sudeste brasileiro. Algumas espécies
não puderam ser classificadas devido à falta de
informações ecológicas sobre as mesmas.
Resultados
Os dois fragmentos analisados (ARI e CM)
apresentaram composições llorísticas muito
semelhantes, confirmada pelo alto valor
encontrado para o índice de similaridade de
Morisita-Hom (0,83). Dentre as espécies que
caracterizam o dossel desta formação,
destacaram-se como as mais abundantes
Calophyllum brasiliense, Symphonia
globulifera, Tabebuia cassinoides, Henriettea
saldanhaei, Myrcia multiJJora, Platymiscium
Jloribundum, Inga laurina e Tabebuia
umbellata (Tab. 1 ). A altura média do dossel
variou entre 12 m e 1 5 m, com alguns indivíduos
emergentes de Calophyllum brasiliense ,
Platymiscium Jloribundum , Symphonia
globulifera e Tapirira guianensis atingindo de
20 m a 25 m. Em relação à área basal por hectare,
os valores encontrados foram também muito
semelhantes entre os fragmentos (36,5 m2 em
ARI e 37,0 nr em CM).
No total foram amostrados 628 indivíduos
(361 cm ARI e 267 em CM) distribuídos cm 16
famílias, 23 gêneros c 3 1 espécies, dentre as quais
uma foi identificada apenas cm nível de família
(Polygonaceac sp.) (Tab. 1). A suficiência
amostrai foi confirmada pela assintota das curvas
de rarefação calculadas, tanto para a riqueza
quanto para a diversidade de espécies (1T), para
cada um dos fragmentos estudados (Fig. 2). A
maioria das famílias apresentou baixa riqueza dc
espécies, com uma ou duas espécies apenas. As
únicas famílias de destaque na riqueza foram
Myrtaceae, com sete espécies, c Lcguminosae
M imosoideae, com cinco. Clusiaceae foi a família
com maior VC nos dois fragmentos estudados,
devido a elevada densidade de Symphonia
globulifera c principalmente Calophyllum
brasiliense, espécie de maior VC em ambas as
áreas. Bignoniaccae apareceu como a segunda
família mais importante nos fragmentos, devido
à elevada densidade de Tabebuia cassinoides.
Estas três espécies foram as mais representativas
Rodriguèsia 57 (3): 503-5 1 8. 2006
.SciELO/ JBRJ
12 13 14 15 16 17
508
Larva lho, h. A. ei ai.
Tabela I - Listagem de famílias e espécies arbóreas, eom nome vulgar, número de indivíduos e
peculiares exclusivas de iZ T ^ ’ ****
complementares de Umas secas; cf- =
Família
Espécie
Nome vulgar
PA
ANACARD1ACEAE
N° indivíduos
ARI CVI
Tapirira guianensis Aubl.
íruto-do-pombo
ARECACEAE
Euterpe edulis Mart.
palmito, juçara
BIGNONIACEAE
Tabebuia cassinoides (Lam.) DC.
Tabebuia umbellala (Sond.) Sandwith
ipê-tamanco, caixeta
ipê-do-brejo
BOMBACACEAE
Eriotheca pentaphylla (Vell. emend.
K. Schum.) A. Robyns
Pseudobombax grandijlorum (Cav.) A. Robyns
imbiruçu-branco
imbiruçu
BORAGINACEAE
Cordia sellowiana Cham.
CLUSIACEAE
Calophyllum brasiliense Cambess.
Symphonia globulifera L. f.
EUPHORBIACEAE
Alchornea tríplinervia (Spreng) Müll. Arg.
LEGUMINOSAE MIMOSOIDEAE.
Inga edulis Mart.
Inga laurina (Sw.) Willd.
Inga striata Benth.
Mimosa bimucronata (DC.) Kuntze
Pseudopiptadenia contorta (DC.)
G P.Lewis & M. P. Lima
chá-de-bugre
guanandi
guanandi
pau-tamanco, tapiá
ingá-cipó
ingá-mirim
Ingá
espinhenta, maricá
angico
a
a
Pe
Pe
a
a
a
Pn
Pe
Pn
a
Pn
Cs
Cs
Cs
9 -
2
40 52
3 16
3 1
3 1
4 5
181 83
54 40
1
1
16
1
2
1
LEGUMINOSAE PAPILIONOIDEAE.
Platymiscium Jloribundum Vog.
Andira anihelmia (Vell.) J. F. Macbr.
MAGNOLIACEAE
Talauma ovata A. St.-Hil.
MELASTOMATACEAE
Henriettea saldanhaei Cogn.
Tibouchina granulosa (Desr.) Cogn.
jacarandá, sacambu
angelim, morcegueira
pinheiro-do-brejo
pixiricão-do-brejo
quaresmeira
Pn 10 1
Nc . i
Pe 2
Pn 34 -
Cs i
Rodrigues ia 57 (3): 503-518. 2006
,SciELO/ JBRJ
12 13 14 15 16 17
Estrutura de fragmentos naturais de floresta atlântica periodicamente inundada
509
Família Nome vulgar
Espécie
MYRSINACEAE
Myrsine coriacea (Sw.) R. Br. ex Roem. & Schult.
PA N° indivíduos
ARI CM
Cs 1
MYRTACEAE
Calyptranthes brasiliensis Spreng.
Gomidesia fenzliana O. Berg
Marlierea silvatica Kiaersk.
Myrcia multiflora (Lam.) DC.
Myrcia hexasticha Kiaersk.
Myrcia racemosa (O. Berg) Kiaersk.
Syzygium jambos (L.) Alston
NYCTAGINACEAE
Guapira hoehnei (Standl.) Lundcll
POLYGONACEAE
Polygonaceae sp. 1
SAPOTACEAE
Sarcaulus brasiliensis (A. DC.) Eyma
-
Cs
-
1
_
Cs
-
2
_
Nc
1
-
.
Cs
-
37
-
Nc
-
1
-
Pn
-
2
jambo branco
a
2
1
maria-mole
Cs
3
_
-
Nc
2
4
_
Pn
1
-
em ambos os fragmentos (Tabs. 2 e 3), e em
conjunto corresponderam a 7 1 ,6% do número de
indivíduos amostrados e 70,5% do VC total.
Dentre as espécies restantes, algumas se
destacaram mais em um dos fragmentos, como
Henriettea saldanhaei, Platymiscium
floribundum e Tapirira guianensis, em ARI
(Tab. 2) e Myrcia multijlora, Tabebuia
umbellata e Inga laurina, em CM (Tab. 3).
As comunidades de árvores analisadas,
conforme esperado, foram compostas
principalmente por espécies peculiares de
áreas alagadas. Das 31 espccies amostradas,
quatro (33,1% do total de indivíduos
amostrados) foram peculiares exclusivas de
áreas alagadas, sete (57,9%) peculiares não
exclusivas de áreas alagadas, nove (2,3%)
complementares de áreas secas e sete (5,1%)
complementares indiferentes. Quatro espécies
(1,6%) não foram classificadas: Andira
anthelmia, Marlieria sylvatica, Myrcia
hexasticha e Polygonaceae spl (Tab. 1).
As curvas de rarefação (Fig. 2) calculadas
para riqueza c diversidade de espécies indicaram
que os fragmentos estudados não diferem entre
Rodriguésia 57 (3): 503-518. 2006
si (21 espécies, H’ = 1,75 nats.ind/1 em ARI e
20 espécies, H’ = 1,99 nats.ind/1 em CM). Estes
valores, entretanto, são baixos quando
comparados com trechos de matas de solos mais
drenados da região e que utilizaram mesmo
critério mínimo de inclusão (DAP > 1 0 cm) (Tab.
4), conforme esperado. Os valores de diversidade
de espécies nos dois fragmentos estão no limite
inferior dos valores encontrados para outras
matas sujeitas ao alagamento periódico no
sudeste brasileiro que utilizaram critério mínimo
de inclusão de 3,2 ou 5 cm de DAP (Tab. 4). Os
dados de uniformidade (ARI= 0,57, CM= 0,66)
indicam a ocorrência de dominância de espécies
nestes fragmentos. Esta dominância está
representada principalmcntc pela alta
abundância de Symphonia globttlifera e
Callophyllum brasiliense.
A floresta periodicamente inundada da
Rcbio apresentou maior similaridade ílorística,
calculada pelo índice de Sorensen, com outras
matas sujeitas ao alagamento periódico do solo,
mesmo com aquelas geograficamente mais
distantes, como as matas higrófilas do interior
de São Paulo (Fig. 3).
SciELO/JBRJ
12 13 14 15 16 17
cm
Carvalho, F. A. et al.
Figura 2 -Curvas de rarefação com valores medianos de riqueza (a) e diversidade (wm-ta ■ • . .
confiança (95%) inferiores (LCI) e superiores (LCS) mra os HniJ fi„m , d “ (b) (H ) de esPec,es e seus 1'mites de
atlântica periodicamente alagada na Reserva Biológiade Poço das AntasJU r,<,U“a ' d,ver,M,dl! |b>- * ll“res“
,SciELO/ JBRJ
Rodriguésia 57 (3): 503-518. 2006
12 13 14 15 16 17
cm
Estrutura de fragmentos naturais de floresta atlântica periodicamente inundada
Tabela 2 - Parâmetros fitossociologicos das cspecies arbóreas amostradas cm 0,36 ha no fragmento
de floresta de baixada periodicamente inundada ARI, na Reserva Biológica de Poço das Antas -
RJ, ordenadas pelo VC. Ni = numero de indivíduos, Ab— area basal (m ), DR — densidade relativa
Espécie
1 Calophyllum brasiliense
2 Tabebuia cassinoides
3 Symphonia globulifera
4 Platymiscium floribundum
5 Henriettea saldanhaei
6 Tapirira guianensis
7 Polygonaceae sp.
8 Guapira hoenei
9 Cordia sellowiana
10 Pseudobombax grandiflorum
11 Talauma ovata
12 Tabebuia umbellata
13 Eriotheca pentaphyla
14 Euterpe edulis
15 Syzigium jambos
16 Tibouchina granulosa
17 Pseudopiptadenia contorta
18 Marlieria sylvatica
19 Sarcaulus brasiliensis
20 Alchornea triplinervia
21 Mvrsine coriacea
Ni
Ab
DR
DoR
VC
181
4,87
50,3
37,1
87,4
40
252
11,0
195
305
54
1,90
14,9
14,5
29,4
10
1,48
2,76
115
14,0
35
0,95
9,7
75
16,9
9
0,29
2,5
25
4,7
2
0,19
05
1,4
2,0
3
0,15
0,8
1,1
2,0
4
0,09
1,1
0,7
1,8
3
0,10
0,8
0,8
1,6
2
0,13
05
1,0
15
3
0,08
0,8
0,7
15
3
0,07
0,8
0,6
1,4
2
0,06
0,6
0,4
1,0
2
0,04
0,6
05
0,9
1
0,07
05
05
0,8
2
0,02
05
05
0,7
2
0,02
05
05
0,7
1
0,04
05
05
0,6
1
0,01
05
0.1
0,4
1
0,01
05
0,1
0,4
Tabela 3 - Parâmetros fitossociologicos das espécies arbóreas amostradas em 0,36 ha no fragmento
de floresta de baixada periodicamente inundada CM. na Reserva Biológica de Poço das Antas -
RJ, ordenadas pelo VC. Ni = número de indivíduos; Ab= área basal (m2); DR = densidade relativa
(%); DoR = dominância relativa (%); VC = valor de cobertura.
Espécie
1 Calophyllum brasiliense
2 Tabebuia cassinoides
3 Myrcia multiflora
4 Symphonia globulifera
5 Inga laurina
6 Tabebuia umbellata
7 Polygonaceae sp.
8 Cordia sellowiana
9 Syzigium jambos
10 Gomidesia fenzliana
1 1 Inga striata
12 Myrcia racemosa
13 Eriotheca pentaphyla
14 Pseudobombax grandiflorum
15 Platymiscium floribundum
16 Mimosa bimucronata
17 Calyptrantes brasiliensis
18 Andira onthelmia
19 Myrcia hexasticha
20 Inga edulis
Ni
Ab
DR
DoR
VC
83
5,48
315
41,1
72,4
52
1,75
19,4
13,1
32,5
37
2,14
13,8
16,1
29,9
40
1,78
14,9
135
285
16
0,85
6,0
6,4
12,4
17
0,69
65
55
115
4
0,18
15
15
2.8
5
0,06
1,9
05
2,4
1
0,10
0,4
0.8
15
2
0,03
0,8
05
1,0
1
0,06
0,4
05
0.9
1
0,06
0,4
0,5
0,9
1
0,03
0,4
05
0,6
1
0,02
0,4
05
0,6
1
0,02
0,4
05
0.6
1
0,02
0,4
0,1
0.5
1
0,01
0,4
0,1
0,5
1
0,01
05
0,1
0.4
1
0,01
05
0,1
0,4
1
0,01
05
0,1
0.4
Rodrigues ia 57 (3): 503-518. 2006
SciELO/JBRJ
12 13 14 15 16 17
512
cm
Carvalho, F. A. et al.
Tabela 4 Estrutura arbórea das duas florestas periodicamente inundadas da Reserva Biológica
de Poço das Antas, RJ (ARI e CM) e comparação com outras florestas brasileiras. DAP = diâmetro
a altura do peito da amostragem; Ni = número de indivíduos por hectare; S = número de espécies;
H = índice de diversidade de Shannon (nats.ind.1); AB = área basal (m2 ha ').
Local
ARI (Poço
das Antas - RJ)
Tipo de noresta Autor DAP Área Ni S H* AB
Baixada periodicamente Este trabalho > 10,0 0,36 1003 21 1 75 36 5
alagada ’ ’
CM (Poço Baixada periodicamente Este trabalho
das Antas - RJ) alagada
> 10,0 0,36
742 20 1,99 37,0
Poço das Antas - RJ
Poço das Antas - RJ
Campinas - SP
Campinas - SP
Itatinga - SP
Poconc - MT
Sâo Franc. do
Itabapoana - RJ
Poço das Antas - RJ
União - RJ
Imbé - RJ
Paraíso - RJ
Baixada aluvial
Baixada permanentemente
alagada
Higrófila
Higrófila
Higrófila
Cambarazal
Tabuleiro
Submontana
Submontana
Submontana
Submontana
Guedes-Bruni (1998)
Scarano et a/. ( 1 998 )
Toniato et al. ( 1 998)
Torres et al. (1994)
I vanauskas et al. ( 1 997)
Nascimento & Cunha
(1989)
Silva & Nascimento
(2001)
Guedes-Bruni (1998)
Rodrigues (2004)
Moreno et al. (2003)
Kurtz & Araújo (2000)
> 10,0
1,00
486
>3,5
0,50
-
£3,2
0,20
4775
>5,0
0,87
1068
>5,0
1,00
1242
£3,2
0,15
420
£ 10,0
1,00
564
£ 10,0
1,00
564
£ 10,0
1,20
734
£ 10,0
>5,0
0,60
767
1370
97
3,90
24,0
59
1,30
-
55
2,80
32,5
33
2,45
-
39
2,75
-
23
1,56
-
83
3,21
15,0
169
4,50
25,0
250
4,90
32,0
125
138
4121
4,20
41,9
57,2
Figura 3 - Similaridade florística (índice de sorensen)
entre a floresta periodicamente inundada da Reserva
Biológica de Poço das Antas, RJ e alguns trechos de
floresta atlântica com ou sem alagamento periódico,
e florestas higrófilas de São Paulo, a partir do
coeficiente de Sorensen. (a) floresta periodicamente
alagada, Jurubatiba (Araújo et al. 1998); (b) floresta
higrófila, Itatinga (I vanauskas et al. 1997); (c) floresta
higrófila. Campinas (Toniato et al. 1998); (d) floresta
submontana. Reserva Biológica de Poço das Antas,
Silva Jardim (Guedes-Bruni 1998); (e) floresta
submontana. Silva Jardim (Borém & Oliveira-Filho
2002); (0 floresta submontana. Reserva Biológica
União, Rio das Ostras (Rodrigues 2004); (g) floresta
submontana, Imbé, Campos dos Goytacazes (Moreno
et al. 2003).
Discussão
Nos dois fragmentos estudados, Myrtaceae
e Leguminosae apareceram como as famílias
de maior riqueza, seguindo a tendência para
floresta atlântica de Terras Baixas no Sudeste
(Oliveira-Filho & Fontes 2000). Normalmente,
estas famílias encontram-se listadas entre as
mais ricas nos levantamentos realizados na
floresta atlântica do estado do Rio de Janeiro
(Guedes-Bruni 1998, Neves 1999, Lima 2000,
Silva & Nascimento 200 1 , Kurtz & Araújo 2000,
Borém & Ramos 200 1 , Borém & Oliveira-Filho
2002, Rodrigues 2004, Carvalho et al. 2006).
A alta densidade de Calophyllum
brastliense, Symplwnia globulifera e
Tabebuia cassinoides nas florestas
periodicamente alagadas estudadas e a ausência
ou ocorrência em baixa densidade em florestas
nao inundáveis da região (Guedes-Bruni 1998,
Neves 1999, Silva & Nascimento 2001, Kurtz
& Araújo 2000, Borém & Ramos 2001 , Borém
& Oliveira-Filho 2002, Moreno et al. 2003,
Rodrigues 2004, Carvalho et al. 2006), sugere
a preferência destas espécies por habitat
Rodriguésia 57 (3): 503-518. 2006
SciELO/JBRJ
12 13 14 15 16 17
Estrutura de fragmentos naturais de floresta atlântica periodicamente inundada
alagado. Áreas com alagamento e conseqilcnte
saturação hídrica do solo geram condições de
estresse para a maior parte das espécies
vegetais terrestres (ver Crawford 1989). Por
outro lado, algumas plantas que provavelmente
têm sua história evolutiva relacionada a tais
habitats se tornam características nestas
comunidades (Gentry 1992). Portanto, assim
como neste estudo, no sudeste brasileiro
Tabebuia umbellata, Tapirira guianensis e
Calophyllum brasiliense, sempre ocorreram
com destaque nos levantamentos realizados em
florestas higrófilas (Torres et al. 1994,
Ivanauskas et al. 1997, Toniato et al. 1998).
Desse modo, conforme sugerido por Joly
(1991), a saturação hídrica do solo
aparentemente funciona como o principal fator
de seleção natural das espécies na formação
de tais florestas em escala local e regional.
A ocorrência da grande maioria (ca. 90 /o)
das espécies amostradas como peculiar,
exclusiva ou não, de áreas alagadas, também
foi observado para as florestas higrófilas do
interior de São Paulo (Torres et al. 1994,
Ivanauskas etal. 1997, Toniato etal. 1998). As
espécies consideradas peculiares exclusivas
desse tipo de formação florestal ioram
Tabebuia cassinoides, Symphonia
globulifera, Tabebuia umbellata e Talaunta
ovala, sendo as duas últimas citadas na literatura
como típicas de floresta de brejo (Ivanauskas
et ai. 1997), e encontradas ocupando posições
de destaque em outras florestas higrófilas no
interior de São Paulo (Torres et al. 1994,
Ivanauskas et al. 1997, Toniato et al. 1998).
No estado do Rio de Janeiro, essas espécies
aparentam ser exclusivas de florestas sujeitas
ao alagamento do solo, aparecendo apenas cm
levantamentos florísticos de florestas de baixada
periodicamente ou permanentemente alagada
(Scarano et al. 1997, Scarano et al. 1998,
Araújo et al. 1998, Lima et al. 2006), sendo
ausentes ou raras em florestas com solos mais
drenados (Guedes-Bruni 1998, Neves 1999,
Silva & Nascimento 200 1 , Kurtz & Araújo 2000,
Borém & Ramos 2001 , Borém & Oliveira-Filho
2002, Moreno et al. 2003, Rodrigues 2004,
Carvalho et al. 2006).
Rodriguésia 57 (3): 503-518. 2006
As espécies peculiares não exclusivas e,
portanto, que mais contribuíram na composição
florística dos fragmentos, são Calophyllum
brasiliense, Henriettea saldanhaei,
Platymiscium Jloribundum, Inga taurina,
Myrcia mui ti flor a, Alchornea triplinervia e
Sarcaulus brasiliensis. Todas essas espécies
já foram descritas em outras florestas
inundáveis no estado do Rio de Janeiro
(Scarano et al. 1997, Scarano et al. 1998,
Araújo et al. 1998). Algumas dessas espécies,
em especial Calophyllum brasiliense, foram
registradas compondo o estrato arbóreo de
florestas higrófilas no interior de São Paulo
(Torres et al. 1994, Ivanauskas et al. 1997,
Toniato et al. 1998), em florestas ciliares nos
estados de Minas Gerais (Oliveira-Filho et al.
1994), São Paulo (Salis etal. 1994) e Paraná
(Dias et al. 1998), c em florestas mais
drenadas do Centro-Norte Fluminense (Neves
1999, Rodrigues 2004), neste último caso,
entretanto, sem destaque nos parâmetros
fitossociológicos.
A presença de espécies normalmente
relacionadas a florestas com solos bem
drenados no Centro-Norte Fluminense (Neves
1999, Silva & Nascimento 2001, Borém &
Ramos 2001, Borém & Oliveira-Filho 2002,
Rodrigues 2004, Carvalho et al. 2006) tais
como Inga striata. Mimosa bimucronata,
Pseudopiptadenia contorta, Tibouchina
granulosa, Myrsine coriacea, Myrcia
racemosa c Guapira hoenei nos fragmentos
estudados sugerem uma alta valência ecológica
destas espécies complementares de áreas
secas. Tibouchina granulosa, por exemplo,
é uma espécie muito comum na Floresta
Ombrófila Densa do estado do Rio de Janeiro,
sendo observada principalmente em formações
secundárias como capoeiras e capoeirões, c
nas bordas de diversos fragmentos florestais,
principalmcntc em solos bem drenados
(Lorenzi 1992). Em outro exemplo,
Pseudopiptadenia contorta aparece como
uma das espécies de maior VI (valor de
importância) numa floresta de baixada de solos
bem drenados a menos de 20 km dos
fragmentos estudados (Borém & Oliveira-Filho
SciELO/JBRJ
12 13 14 15 16 17
514
Carvalho, F. A. e t al.
2002) e para uma Floresta Estacionai
Scmidecidual no Norte Fluminense (Silva &
Nascimento 2001).
As espécies complementares indiferentes
Tapirira guianensis , Pseudobombax
grandiflorum, Eriotheca pentaphylla,
Euterpe edulis, Cordia sellowiana, Inga
edtdis e a exótica Syzygiutn jambos, que,
apesar de estarem comumente descritas para
florestas sob influência do alagamento periódico
do solo (Torres et al. 1994, Oliveira-Filho et
al. 1994, Ivanauskas et al. 1997, Toniato et
al. 1 998, Van Dcn Berg & Oliveira-Filho 2000,
Carvalho et al. 2000), também podem ser
encontradas em diversos remanescentes de
solos bem drenados no estado do Rio de Janeiro
(Guedes-Bruni 1998, Neves 1999, Kurtz &
Araújo 2000, Silva & Nascimento 2001,
Moreno etal. 2003, Rodrigues 2004, Carvalho
et al. 2006). De fato, Oliveira-Filho & Fontes
(2000) citaram Eriotheca pentaphylla,
Euterpe edulis e Inga edulis como espécies
de ampla ocorrência nas florestas de terras
baixas do sudeste brasileiro. Entretanto,
Tapirira guianensis e Cordia sellowiana são
citadas como supertramps, ou seja, espécies
com ampla distribuição e ocorrência em grande
parte do território nacional.
Os valores de densidade e de área basal
por hectare dos fragmentos estudados estão
entre os mais altos quando comparados com
outros trechos preservados de floresta atlântica
no estado do Rio de Janeiro (Tab. 4) e em
muitos casos esta diferença seria mais evidente
se os critérios de inclusão amostrai fossem
semelhantes (DAP > 10 cm). Aliado a estas
características, observações de campo tais
como o grande número de árvores de grande
porte, a alta concentração e riqueza de epífitas
nos diferentes estratos das florestas, além da
ausência de vestígios de árvores cortadas
indicam, segundo Clark (1996), que os
fragmentos estudados são maduros.
De maneira geral, florestas sujeitas ao
alagamento tendem a apresentar menor
diversidade de espécies em relação aquelas
com solos mais drenados, pois são poucas as
espécies que desenvolveram adaptações que
possibilitem sua sobrevivência nesses
ambientes ( Joly 1991). Os índices de Shannon
(H’) para os fragmentos estudados foram
considerados baixos em relação a outros
levantamentos em trechos de solos mais
drenados de floresta atlântica (H’ entre 3,21
e 4,93 nats.ind.1), e no limite inferior aos
obtidos para outras florestas higró filas (brejo)
ou com alagamento quase que permanente
do solo (e.g. cambarazal e floresta de baixada
permanentemente alagada) (Tab. 4). Scarano
et al. (1998), ao levantarem um trecho de
floresta de baixada permanentemente
inundada dentro da Rebio, muito próximo aos
fragmentos estudados e com dominância de
Tabebuia cassinoides, encontraram um valor
de diversidade de Shannon ainda menor, de
1,30 nats.ind."1. Isto indica que ambientes com
estresse hídrico tendem a possuir baixa
diversidade de espécies (Nascimento &
Cunha 1989, Joly 1991, Ivanauskas et al.
1 997, Toniato et al. 1 998), sendo o alagamento
do solo o fator restritivo, onde quanto maior o
período de encharcamento do solo, menor a
diversidade encontrada.
A maior similaridade de espécies
observada entre a floresta periodicamente
alagada de Rebio com aquelas sujeitas ao
alagamento do solo (Fig. 3), mesmo as mais
distantes, indicam a preferência das espécies
por áreas sujeitas ao alagamento do solo. Estes
resultados confirmam que as florestas
periodicamente inundadas amostradas têm a
sua florística constituída em parte pelas
formações florestais adjacentes, através da
presença de espécies complementares de áreas
secas, todavia com uma presença marcante
de espécies adaptadas ao alagamento e
peculiares a esses ambientes.
Após as obras de drenagem, promovidas
pelo Departamento Nacional de Obras e
Saneamento, nas décadas de 50 a 70, as
florestas de baixada inundáveis da região
Centro-Norte Fluminense foram praticamente
extintas, restando poucos remanescentes
(Castro & Fernandez 2002). Apesar do
histórico de perturbação relativamente recente
(ca. 35 anos), os dois fragmentos estudados
Rodriguésia 57 (3): 503-518. 2006
cm l
SciELO/JBRJ
12 13 14 15 16 17
cm
Estrutura de fragmentos naturais de floresta atlântica periodicamente inundada 5 1 5
encontram-se sem registros de perturbações
antrópicas desde então, apresentando aspectos
florísticos e estruturais de florestas bem
conservadas. Por constituírem unidades
fitogeográficas de características próprias e de
extrema importância para a manutenção da
fauna associada e dos recursos hídricos
naturais, sugerimos que as florestas de baixada
inundável sejam prioritárias em programas de
conservação a serem desenvolvidos na região
da bacia hidrográfica do rio São João.
Agradecimentos
Aos pesquisadores Carlos R. Ruiz-
Miranda, Dora M. Villcla, Jorge Assumpção e
Josival S. Souza pelas críticas ao manuscrito;
a AM LD pelo apoio logístico. Ao 1B AM A, por
permitir o acesso à área de estudo; ao técnico
de campo Maurício Pacheco, e aos biólogos
Guilherme R. Rabelo, Guilherme V. Faria,
Glauce M. Gonçalves e Diogo O. Santos, pelo
auxílio nas atividades de campo; ao PROBIO/
PRONABIO/BIRD/MMA pelo apoio
financeiro e ao CNPq pela bolsa de l.C.
(PIBIC) concedida ao primeiro autor no
período de 1999 a 2001 .
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,SciELO/JBRJ
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12 13 14 15 16 17
cm
USO DE RECURSOS VEGETAIS EM COMUNIDADES RURAIS LIMÍTROFES
À Reserva Biológica de Poço das Antas, Silva Jardim,
Rio de Janeiro: estudo de caso na Gleba Aldeia Velha
Alexandre Gabriel Christo', Rejan R. Gitedes-BntnP & Viviane S. da Fonseca-Kruel 2
(Uso de recursos vegetais em comunidades rurais limítrofes à Reserva Biológica de Poço das Antas. Silva
Jardim Rio de Janeiro: estudo de caso na Gleba Aldeia Velha) São reunidas informações sobre uso de plantas
numa comunidade rural, Gleba Aldeia Velha, nos arredores da Reserva Biológica de Poço das Antas (Silva
Jardim, Rio de Janeiro), a partir de entrevistas com 19 moradores selecionados. Foram obtidas 549 citações de
uso de 2 10 espécies subordinadas a 74 famílias. Asteraceae, Leguminosae, Lamiaceae, Euphorbiaceae, Myrtaceae
e Poaceae apresentam maiores riquezas. A categoria medicinal reúne o maior número de espécies utilizadas, as
quais em sua maioria, são cultivadas (71,9%). O índice de Shannon (FF) obtido corresponde a 2,20, indicando
que a comunidade detém um bom conhecimento sobre o uso de recursos vegetais. A extração seletiva, um dos
fatores da redução das populações de espécies típicas às matas de baixada, como o ipê-tamanco (Tabebuia
cassinoides) e o pau-pereira (Picramnia ciliatá), restringe-se ao passado. O reconhecimento que a comunidade
tem da importância da conservação dos remanescentes florestais da região, aliado ao conhecimento tradicional
lixado constituem importantes instrumentos na estratégia de ações para uso sustentado destes recursos
genéticos salvaguardados nas Unidades de Conservação e valorização das comunidades circunvizinhas.
Palavras chave- Floresta Atlântica, etnobotânica, plantas medicinais, comunidades rurais, unidades de conservação.
Ak BS I RACT
(The use ofplant rcsources in traditional communities close to the Reserva Biológica de Poço das Antas,
Silva Jardim Rio de Janeiro: A case study in the Gleba Aldeia Velha) This paper describes the different uses
of the plants found in the rural community. Gleba Aldeia Velha, located in the outskirts of the Poço das Antas
Biological Reserve (Silva Jardim County. Rio de Janeiro). Selective mterv.ewmg was done with 1 9 different
residents in order to obtain the data here prescnted. Ofthese intereviews, 549 different uses were citcd of lhe
-?]() species which are subordinate to 74 families. Asteraceae, Leguminosae, Lamiaceae, Euphorbiaceae,
Myrtaceae and Poaceae were prescnted with the most frequency and richness Medicinal plants ma, nly
cultivated, uni.e the majority of the species utilized (7 1 .9%). The Shannon índex (H ) corresponds to 2.20 and
indicates that the community is knowledgeable about the use ofplant hfe. Selective removal, which ts a factor
in the reduction of native species in the lowland forests, such as ipé-tamanco (Tabebuia cassinoides) and
pau-pereira (Picramnia ciliata ), no longer exist today. The knowledge that the community has ol the remammg
forestcd arcas of the region, along with traditional knowledge, constitutc important Instruments in the makmg
of strategies for the conservation and sustained use of the genetic rcsources protected by the conservat.on
arcas and gives value to the communities nearby in the process
Key words: Atlantic Forest, ethnobotanv. medicinal plants, rural commun.lies, conservat.on arcas.
Introdução
A Floresta Atlântica se caracteriza pela
alta biodiversidade, elevadas taxas de
endemistno e ao mesmo tempo por uma
acentuada pressão antrópica, sendo
considerada o quinto dentre os 25 “hotspots
mais importantes do mundo (Myers et ai
2000). Estima-se que no passado esta
formação vegetal cobria cerca de 97% do
estado do Rio de Janeiro, restrita atualmente a
16,73% do território, dos quais 29,8%
circunscritos às Unidades de Conservação
(Fundação SOS Mata Atlântica 2002).
A paisagem mais drasticamente afetada
desde o século XVI pela expansão agrícola,
instalação de núcleos urbanos e construção da
malha rodoviária foi certamentc a floresta
sobre baixada (Guedcs-Bruni 1998),
\rlii2o recebido cm 02/2005. Accítõ para publicação em 06/2006.
Bolsista do Proeramã MtaM * M» * ST,«o“SÔ
Botânico do Rio de Janeiro. Programa Mata Atlântica. Rua Pacheco Leão 915. Rio de Janeiro, RJ. CLI 22460-030.
ÍSSpSI ta*. Botflnico d„ Rio do tata» K- CEP «««»•
SciELO/ JBRJ
12 13 14
cm ..
Christo, A. G.; Guedes-Bruni. R. R. & Fonseca-Kruel . V. S.
classificada pelo IBGE (1992) como Floresta
Ombrófila Densa Submontana com áreas
aluviais, periodicamente ou permanentemente
alagadas, e morros mamelonares cujas manchas
remanescentes no Rio de Janeiro recobrem a
Reserva Biológica de Poço das Antas.
Os remanescentes florestais contêm
recursos genéticos de importância econômica, os
quais, espccialmente na Floresta Atlântica, tendem
a se perder em decorrência da erosão cultural
pelas quais as comunidades rurais passam,
levando à perda do conhecimento tradicional que
estas comunidades possuem. Alguns dos
principais fatores para esta perda podem estar
relacionados com as migrações para os grandes
centros urbanos, sinalizadas pelo censo 2000 do
IBGE (2004); com a perda do conhecimento
tradicional associado, devido ao envelhecimento
e morte dos indivíduos detentores deste saber
que geralmente é mantido de forma oral ou, ainda,
pela falta de documentação pretérita sobre esse
tipo de informação.
Adotando Martin ( 1 995), que define como
conhecimento tradicional o saber que o povo
local detém sobre o ambiente natural, são
identificadas comunidades que acumulam esse
conhecimento sobre os recursos vegetais no
entorno da Reserva, o qual constitui uma
poderosa ferramenta para o planejamento e
manutenção dessas áreas naturais como já
destacado por Albuquerque & Andrade (2002).
As informações históricas e culturais são
igualmente reconhecidas por diferentes autores
como instrumentos básicos para o entendimento
nas relações estabelecidas entre o homem e a
floresta (Amorozo & Gély 1 988; Rossato et al.
1999; Born 2000; Diegues & Viana 2000;
Hanazaki et al. 2000; Pavan-Fruehauf 2000;
Almeida & Albuquerque 2002; Diegues 2002-
Fonseca-Kruel & Peixoto 2004 entre outros).’
Resgatar o conhecimento tradicional
acerca dos recursos vegetais, transmitido de
forma oral, de geração à geração, por parte das
comunidades rurais que residem no interior ou
às margens das Unidades de Conservação, deve
constituir uma das ações prioritárias de estudo
para a inserção dessas comunidades como
importantes atores no processo de conservação
da diversidade biológica e para a qual este
trabalho objetiva contribuir. Assim sendo, o
presente estudo etnobotânico tem como foco
de análise a comunidade Gleba Aldeia Velha
(GAV), estabelecida em área limítrofe à
Reserva Biológica de Poço das Antas (Rebio),
e busca identificar as plantas mais utilizadas,
suas diferentes formas de uso, suas fontes de
origem, além de avaliar o nível de conhecimento
e eventual existência de pressão para extração
de espécies nativas na região.
Material e Métodos
1. Área de estudo
A Rebio localiza-se na parte central costeira
do estado do Rio de Janeiro (22°30' e 22°33’S e
42 15 e 42° 1 9’ W), no município de Silva Jardim
(Fig. 1 ), a 1 30 km da capital do estado, com área
de 5.000 ha, limítrofe ao município de Casimiro
de Abreu (IBAMA 2003).
Uma das últimas manchas de floresta na
baixada fluminense, a Rebio abriga uma grande
faixa de vegetação arbórea típica à Floresta
Ombrófila Densa Submontana e aluvial em
diferentes estados de maturidade. Capoeirões
ao longo das encostas dos morros
mamelonares e também nas planícies são
freqüentes (Guedes-Bruni et al. 2006a e
2006b; Lima et al. 2006).
Areas de capoeiras e capoei rinhas abundam
por toda a Reserva, não sendo raro encontrar
indivíduos de frutíferas, remanescentes de antigas
roças. Limitada por extensas áreas de pastagem,
a cobertura vegetal encontrada vive sujeita à ação
o fogo, especialmente na estação seca, sendo
esse o principal agente degenerador da floresta
(JBRJ 2003).
O rio São João, principal curso d’água na
ocalidade, inunda parcialmente a Reserva, o
que promove o aparecimento de espécies
típicas como o pau-tamanco ( Tabebuia
cassinoides) e o guanandí ( Calophyllum
rasiliense e Symplwnia globulifera),
especies arbóreas caracterizadas por uma
historia de aproveitamento seletivo,
essencialmente extrativista, que tem promovido
acentuada diminuição de suas populações
naturais (JBRJ 2003).
Rociriguésia 57 (3): 519-542. 2006
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Etnobotânica em uma área de Floresta Atlântica, Rio de Janeiro
521
22° 48'S
42° 24* W
Finura 1 - Mapa dc localizado da Reserva Biológica de Poço das Antas e comunidades limítrofes. Fonte: Programa Mata
Atlântica/JBRJ.
2. Aspectos sócio-econômicos
A presença de moradores nos arredores
das Unidades de Conservação (UC), sobretudo
quando suas propriedades ou posses fazem
limites ou sobrepõem-se às áreas oficiais de
UCs, geram freqüentemente expectativas de
conflito de interesses e, cm situações extremas,
de litígio entre as partes. O senso comum, desde
a década de 70, de que as UCs teriam suas
áreas reduzidas pelas bordas e de que com o
passar do tempo representariam, para di ferentes
setores, áreas improdutivas e, por conseguinte,
potenciais à produção agropecuária, agravada
nos anos 90 pelas invasões do Movimento dos
Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), acabou
por gerar uma relação de desconfiança ainda
maior entre as populações circunvizinhas às
UCs e o setor ambientalista.
Para Diegues (2000) esse fato é
conseqüência do modelo de criação de áreas
protegidas implantado nos Estados Unidos
da América, a partir de meados do século
XIX, amplamente difundido pelas políticas
conscrvacionistas nos países cm desenvolvi-
mento, e baseado na visão do homem como
necessariamente destruidor da natureza.
As transposições desses espaços
naturais, onde não se permitia a presença de
moradores, geraram conflitos nos países
tropicais, cujas florestas eram habitadas por
populações indígenas c outros grupos
tradicionais que desenvolveram formas de
apropriação dos espaços e recursos naturais
(Diegues 2000).
As práticas tradicionais dos produtores
agrícolas na utilização da queimada para
preparação do solo; o hábito da caça; a
extração de lenha, tanto para consumo próprio
como para comercialização, especialmentc
nessa região onde houve grande demanda para
abastecimento dos fornos dc numerosas
olarias e padarias, bem como a expansão dos
limites de propriedade decorrentes, muitas
vezes, da fragilidade do sistema de fiscalização,
Rociriguésia 57 (3): 519-542. 2006
SciELO/ JBRJ
12 13 14 15 16 17
cm ..
522
resultaram numa expectativa negativa em
relação às comunidades vizinhas às UCs.
A realização da Convenção da
Diversidade Biológica em 1 992 trouxe luz a
essa temática, propiciando uma visão crítica e
ao mesmo tempo integradora entre os
diferentes setores, possibilitando ações
concretas, voltadas tanto para a conservação
biológica como para a geração de benefícios
às comunidades tradicionais e rurais.
Heywood (1995) destaca que os homens são
vistos como a influência dominante na
biodiversidade, cujas escalas de
transformação, manejo e uso dos ecossistemas
foram acentuadas, nos últimos dois ou três
séculos. A publicação da obra Global
Biodiversity Assessment (Heywood 1995)
defende a idéia de que os homens não
deveriam ser reduzidos à condição de fonte
de problema, mas, sobretudo, como parte da
solução, onde estratégias sócio-económicas
para uso sustentável, conservação e repartição
de benefícios deveriam ser oferecidas.
Larrère et al. (2003) tratam da
biodiversidade sob o ponto de vista interativo
entre as ciências da vida e as ciências sociais
e incentivam os leitores, à luz de diferentes
pensadores, a desenvolverem reflexões que
considerem questões como: a biodiversidade
é resultante da interação entre processos
naturais e atividades humanas ocorridas numa
longa escala temporal; as atividades humanas
não são, necessariamente, desfavoráveis à
diversidade biológica; a conservação, por sua vez,
não se restringe, unicamente, à natureza, mas
também à cultura e, ainda, que a biodiversidade,
assim como a diversidade cultural, são duas faces
da mesma moeda. Assim, reconhecem que as
ações implementadas, de forma aparteada entre
os especialistas envolvidos na temática,
acabaram por favorecer interpretações
equivocadas. Um exemplo ilustrativo seria: o
de que a proteção da natureza, ainda que
sobrepujando a proteção da diversidade
cultural, poderia ser feita contra as populações
locais (e não com elas) mesmo que para seu
cumprimento, fosse necessário, até mesmo,
expulsá-las de seus territórios.
Christo , A. G.; Guedes-Bruni, R. R. & Fonseca-Kruel , V- S.
A relação entre o conhecimento tradicional
sobre uso dos recursos biológicos e o impacto
que este saber poderia gerar na extração de
espécies ocorrentes em áreas de UCs passa a
ganhar importância e destacar-se como ponto
focal a ser então priorizado e tratado, sobretudo,
por diferentes especialidades das ciências
biológicas, da terra e sociais.
No entorno da Reserva encontram-se
dois assentamentos: um com cerca de 20 anos,
denominado Gleba Aldeia Velha (G AV) e outro
com aproximadamente 1 0 anos, denominado
Cambucaes (CAM). Há cinco anos
estabeleceu-se uma ocupação do Movimento
dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST)
que recebeu o nome de um de seus líderes.
Sebastião Lan (SEB) (Fig. 1).
As comunidades rurais têm origens
distintas: em GAV e CAM residem antigos
trabalhadores das fazendas locais, ou seus
descendentes; em SEB, por sua vez, residem
trabalhadores que migraram das áreas
canavieiras, principalmente da região norte
fluminense, para as proximidades da Reserva.
Os seus habitantes subsistem da
agricultura, cultivando banana ( Musa x
paradisíaca), inhame ( Dioscorea sp.), milho
(Zea mays), mandioca ( Manihot esculenta),
entre outros, assim como da criação de animais
como gado para corte e leite, e cujos produtos
são vendidos em feiras livres da região. Os
mais jovens procuram trabalhar no comércio
e na prestação de serviços nos municípios
vizinhos. As escolas públicas oferecem ensino
somente até a 4a série do primeiro grau
enquanto que postos de saúde inexistem. Essa
situação resulta no fato de que os moradores
se deslocam, com dificuldade, para as sedes
dos municípios de Silva Jardim, Casimiro de
Abreu ou Araruama à procura de
estabelecimentos de ensino e saúde.
A comunidade de GAV, que hoje é
composta por 60 famílias, apresenta forte
relação com a Reserva, visto que alguns
moradores nela trabalham, em diferentes
atividades e, também, por muitos deles
residirem na região há mais tempo que os
demais habitantes das outras comunidades.
Rodriguèsia 57 (3): 519-542. 2006
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12 13 14 15 16 17
523
Etnobotánica em uma área de Horesta Atlântica, Rio de Janeiro
detendo parcela significativa do conhecimento
histórico da região tendo alguns, inclusive,
acompanhado o processo de criação da Rebio.
A localização da GAV, que tem a estrada
BR 101 como limite de território, minimiza
eventuais conflitos de interesse entre a
população local e os propósitos da Rebio, o que,
associado ao tempo de fixação na localidade, e
conseqüente história de vida, tornam-na a
comunidade rural mais adequada à implantação
de uma proposta de pesquisa de médio prazo
sobre o uso de recursos vegetais por
comunidades rurais limítrofes a Unidades de
Conservação, da qual este estudo faz parte.
3. Aspectos históricos
A Rebio é oriunda da desapropriação de
três propriedades rurais: Fazenda Poço
D’Antas, Fazenda Bandeirantes e Fazenda Boi
Branco. Na época de sua criação, cm 1974,
existia ainda na área da Reserva 35 posseiros
que praticavam agricultura de subsistência c
criavam pequenos animais, os quais foram
indenizados e se retiraram da Unidade. O nome
da Rebio deve-se à estação ferroviária existente
em seu interior e ao lugarejo de mesmo nome
- Poço D’Antas (1BAMA 2003).
O interior da Rebio é cortado pela estrada
de ferro Leopoldina, construída em 1881, cujos
remanescentes de floresta que foram poupados,
até então, para a implantação de pastagens,
passaram a servir de combustível para as
locomotivas. Nesta época, muitas espécies
medicinais sofreram excessiva extração. As
plantas eram retiradas indiscriminadamente e
levadas, por trem, para o município de Niterói
e, dali, distribuídas para comercialização nas
feiras livres da região metropolitana do Rio de
Janeiro (Machado 1985).
4. Procedimentos metodológicos
Foi utilizada a técnica da bola de neve
(“snow bali”) que consiste em localizar um ou
mais informantes-chave que indicam outros
candidatos que poderão participar da pesquisa
(Bernard 1986). Desta forma obteve-se a
participação de 1 9 informantes detentores de
conhecimento sobre o uso da Hora local, onze
deles do gênero feminino c oito do masculino,
com idades entre 27 e 76 anos.
Diegues & Arruda (2001) relacionam
como populações tradicionais não-indígenas as
seguintes denominações: açorianos, babaçueiros,
cablocos/ribeirinhos amazônicos, caiçaras,
caipiras/sitiantes, campeiros (pastoreio),
jangadeiros, pantaneiros, pescadores artesanais,
praieiros, quilombolas, sertanejos/vaqueiros e
vaijeiros (ribeirinhos não-amazônicos). Valendo-
se desta categorização proposta pelos autores,
identificou-se, como mais apropriada à
comunidade a categoria: caipiras/sitiantes.
Porém, em razão do termo caipira para citadinos
urbanos, ter adquirido ao longo do tempo, um
cunho pejorativo, optou-se por designar a
comunidade estudada como: comunidade rural.
O levantamento etnobotânico foi efetuado
a partir de excursões mensais, realizadas no
período de outubro/2002 a agosto/2003, contando
com entrevistas abertas c semi-estruturadas
(Alexiades & Sheldon 1996). Os informantes
foram entrevistados individualmente utilizando-
se técnicas de observação direta (Cotton 1998)
c listagem livre (Weller & Romney 1988).
Buscou-se identificar, através de caminhadas
livres, os locais de vegetação utilizados pelos
informantes (Alexiades & Sheldon 1996).
Foi realizado em fevereiro de 2003 um
encontro com a comunidade de GAV, na sede
da Rebio, objetivando apresentar, não só os
trabalhos que vêm sendo desenvolvidos no
local pelo Instituto de Pesquisas Jardim
Botânico do Rio de Janeiro (JBRJ), ao longo
dos dez anos de sua atuação na área, como
também, apresentar o projeto de etnobotánica
a ser iniciado na comunidade, com o intuito
de estabelecer uma relação institucional com
seus habitantes.
Procedeu-se à coleta de material botânico,
nos locais onde as mesmas ocorrem, na
presença e sob indicação do informante. O
material foi, então, herborizado, identificado e
depositado no Herbário do Jardim Botânico do
Rio de Janeiro (RB).
O sistema de classificação adotado segue
Cronquist ( 1 988) e Lcguminosac foi considerada
como família única, de acordo com Polhill cl aí.
Rodriguésla 57 (3): 519-542. 2006
SciELO/JBRJ
12 13 14 15 16 17
524
Christo, A. G.; Guedes-Bruni, R. R. & Fonseca-Kruel , V. S.
cm 1
(1981). A nomenclatura foi conferida através
das bases de dados W3 Tropicos (Missouri
Botanical Garden VAST -VAScular Tropicos)
e INPI (The International Plants Names Index).
Os dados obtidos foram tabulados numa
matriz contendo os seguintes campos: família,
nome científico, nome local, hábito, habitat,
indicações de uso, coletor, forma de preparo e
grupo de afecções tratadas.
Foram padronizadas e adaptadas as
categorias de uso, de acordo com o proposto
por Rios (2002), totalizando nove tipos de uso:
alimentar, combustível, construção, medicinal,
ornamental, ritualística, tecnologia, tóxica e
veterinária (Tab. 1).
As doenças encontradas junto aos
informantes foram padronizadas e adaptadas a
partir da classificação da Organização Mundial
de Saúde (OMS), de acordo com Almeida &
Albuquerque (2002), as quais encontram-se
agrupadas em 1 9 categorias, a saber: a) doenças
infecciosas e parasitárias; b) neoplasias; c)
doenças das glândulas endócrinas, da nutrição
e do metabolismo; d) doenças do sangue e dos
órgãos hematopoéticos; e) transtornos do
sistema sensorial (ouvido); f) transtornos do
sistema sensorial (olho); g) transtornos do
sistema nervoso; h) transtornos do sistema
circulatório; i) transtornos do sistema respiratório;
j) transtornos do sistema digestivo; k)
transtornos do sistema genito-urinário; 1)
doenças da pele e do tecido celular sub-cutâneo;
m) doenças do sistema osteomuscular e do
tecido conjuntivo; n) afecções e dores não
definidas; o) inapetência sexual; p) debilidade
física e mental; q) mordida de bicho doente; r)
viroses; s) acidente vascular cerebral.
A forma de preparo das plantas
medicinais, aqui empregadas, foi agrupada em
dtz categorias, inseridas em dois grupos
distintos: para uso interno (decocção, inftisão,
pó, xarope, gargarejo e inalação) e para uso
externo (banho, sumo, in natura e vapor).
Objetivando avaliar a importância relativa
de cada espécie medicinal citada pela
comunidade, foi calculado o índice de
importância relativa (IR) de Bennett & Prance
(2000), onde o valor máximo alcançado por
uma espécie corresponde a 2,00 e é obtido
através da fórmula:
IR = NSC + NP,
onde: IR = índice de importância relativa; NSC
~ corresponde ao número de sistemas corporais
tratados por uma determinada espécie ( NSCE)
dividido pelo número total de sistemas corporais
tratados pela espécie mais versátil ( NSCEV );
NP - corresponde ao número de propriedades
atribuídas a uma determinada espécie ( NPE)
dividido pelo número total de propriedades
atribuídas à espécie mais versátil ( NPEV ).
Tabela 1 - Conceituação das categorias de uso
das espécies indicadas como úteis pela
comunidade Gleba Aldeia Velha, Silva Jaidim, RJ.
Categorias de uso / comentários
Alimentação
Plantas cultivadas ou adquiridas
no comércio utilizadas na
alimentação.
Medicinal
Destinadas ao preparo de
medicamentos para tratamento
de enfermidades.
Construção
Utilizadas como caibros e
ripados na construção de
telhados de residências, abrigos
para animais
Combustível
Fornecem lenha para alimentação
de fogões, fomos e tachos para
beneficiamento de produtos
agrícolas.
Ornamental
Utilizadas para ornamentar casas
e quintas de residências.
Ritualística
Plantas com efeitos “mágicos”,
utilizadas para afastar “mau-
olhado” e “abrir-caminho”.
Tecnologia
Plantas utilizadas para o fabrico
de utensílios domésticos e
ferramentas.
Tóxica
Plantas que apresentam algum
tipo de toxidez quando
consumida por pessoa ou animal.
Veterinária
Utilizadas como alimento ou
medicamento para tratamento de
enfermidades em animais
domésticos.
Rodriguésia 57 (3): 519-542. 2006
!SciELO/JBRJ
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Etnobotânica em uma área de Floresta Atlântica, Rio de Janeiro
525
cm
Para identificar os sistemas corporais que
apresentam maior nível de consenso da
população, na indicação de uma mesma planta
para o tratamento de uma categoria distinta
de doença, foi utilizado o fator de consenso
dos informantes (FCI) de Trotter & Logan
( 1 986), cujo valor máximo de consenso é 1 ,00.
Este método serve para identificar as espécies
que merecem um estudo mais aprofundado,
como fitoquímico, por exemplo, e para tanto
se utiliza a fórmula:
FCI = NAELjJíIA ,
NAR- 1
onde: FCI= fator de consenso dos informantes;
NAR = somatório de usos registrados por cada
informante para uma categoria; NA = número
de espécies indicadas na categoria.
Aplicou-se a análise de agrupamento
tomando como variáveis o número de plantas
citadas por cada informante, categorizadas
conforme o uso, objetivando averiguar a
formação dc grupos dc informantes que
partilhem conhecimentos similares sobre o uso
dos recursos vegetais. O dendrograma obtido
seguiu as técnicas propostas por llõft et al.
(1999), utilizando a distância euclidiana
simples e o método de ligação simples,
empregando o programa SYSTAT 8.0. O
coeficiente de correlação cofenética — rci
(Sncath & Sokal 1973) foi calculado pelo
módulo Cluster do pacote dc programas
FITOPAC (Shepherd 1995).
Buscou-se comparar os resultados
obtidos neste estudo com outros similares
desenvolvidos em áreas de mata atlântica. Para
tanto utilizou-se o índice de diversidade de
Shannon (Magurran 1988), adaptado por
Begossi (1996), para quem seu emprego
permite comparar o uso de plantas por
populações diferentes cm ambientes distintos,
o qual é assim obtido:
s
tf'— 5>0(iog/>0, nas bases 10 c e,
/=!
s = número de espécies; ni = número de
citações por espécie; N - número total de
citações.
Desenvolveu-se ainda, em dezembro de
2004, um Diagnóstico Rural Participativo
(DRP), reunindo cerca de 60 moradores,
objetivando identificar as relações da
comunidade entre si e com as instituições
públicas, privadas e organizações diversas,
seguindo as técnicas propostas por EMBRAPA
(2004). Chambers (1982) define DRP como
um termo empregado para designar um
conjunto de métodos e abordagens que
possibilitam às comunidades compartilhar e
analisar sua percepção acerca dc suas
condições de vida, planejar e agir. Assim,
inicialmente, buscou-se levantar a história da
comunidade com informantes-chave. Junto
com a comunidade estabeleceu-se uma escala
dc priorizaçâo dos problemas e identificação
das soluções. Efetuou-se um calendário sazonal
da distribuição do trabalho na agricultura e
pecuária durante o ano. O uso do diagrama de
“Verm" possibilitou identificar as instituições
atuantes na área onde se verificou a
importância de sua participação na
comunidade. Os moradores realizaram croquis
da área, onde a comunidade encontra-se
estabelecida, identificando e classificando as
formas dc uso da terra.
O DRP objetivou ainda, através da rotina
doméstica, avaliar as relações da comunidade
com as plantas utilizadas. Em abril dc 2005 foi
implementada a restituição do DRP para que
a comunidade GAV avaliasse c consolidasse
os resultados obtidos pela equipe do JBRJ.
Resultados e DiscussAo
Das entrevistas com os informantes
obtcvc-sc 549 citações dc uso de plantas
representadas por 210 espécies, das quais 36
cm morfo-espécie, subordinadas a 74 famílias
(Tab. 2) das quais as de maior riqueza
específica são: Asteraccac e Leguminosae (20
spp.), Lamiaceae (15 spp.), Euphorbiaceae (9
spp.), Myrtaceac c Poaceac (8 spp.). A família
Asteraccac é também destacada como uma
das maiores cm número dc espécies com algum
Rodriguésia 57 (3): 519-542. 2006
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526
uso em autores como Amorozo (2002), Bennett
& Prance (2000) e Williams et al. (2000).
As plantas ao serem agrupadas em nove
categorias, segundo a sua utilização, revelaram
um elevado número de táxons indicados como
de uso medicinal (96 spp.) seguido do uso
alimentar (59 spp.) (Fig. 2). Isso sugere a
grande importância que as plantas medicinais,
assim como as alimentares, exercem no
cotidiano da comunidade. As plantas
medicinais são cada vez mais empregadas na
medicina popular e podem ter como
condicionantes dessa realidade as dificuldades
impostas, sobretudo às comunidades rurais, no
que tange: à disponibilidade de um médico ou
até mesmo de um agente de saúde para seu
atendimento; à existência de um espaço físico,
minimamente equipado, para os procedimentos
diagnósticos; à facilidade de acesso, seja pela
qualidade das estradas vicinais, seja pela
disponibilidade de transporte coletivo; ao preço
praticado dos medicamentos industrializados e
à fragilidade do sistema governamental de
farmácias públicas, entre muitos outros fatores.
O dendrograma produzido pela análise de
agrupamento (Fig. 3) mostra um considerável
ajuste à matriz de distâncias calculadas (r =
0,8624). Observou-se a formação de dois
grupos distintos: (1) O primeiro formado
exclusivamente por mulheres e nele inserido
devido ao elevado conhecimento acumulado
sobre plantas de uso medicinal. Na comunidade
as mulheres geralmente se ocupam, sobretudo,
dos serviços domésticos e do manejo dè
pequenos animais. É delas, ainda, a
preocupação com a saúde da família, para
quem cultivam, colhem, preparam e ministram
a planta medicinal aos seus membros; (2) O
segundo grupo mostrou maior similaridade e
é, caracteristicamente, misto, ou seja, é
formado tanto por informantes homens quanto
por mulheres, os quais citam um maior número
de categorias de uso, porém um menor número
de espécies. Neste grupo, em especial,
encontram-se dois informantes do gênero
masculino (H2 e H8) que se destacam dos
demais no que tange ao conhecimento sobre
plantas nativas da mata atlântica, sobretudo as
Christo, A. G.; Guedes-Bnmi. R. R.& Fonseca-Kruel . V. S.
de porte arbóreo inseridas nas categorias de
uso relativas à construção, combustível e
tecnologia. Para Laraia (2002) o homem é
resultado do meio cultural em que foi
socializado, o que explica em parte esse
conhecimento, visto que estes dois informantes
não só são os mais antigos residentes na
comunidade como também os que tiveram
maior proximidade com as atividades
madeireiras ali estabelecidas nas décadas de
1970 e 1980.
Figura 2 - Distribuição do número de espécies indicadas
em cada categoria de uso.
ama eiaoorado a partir do número de
especies indicadas em cada categoria de uso por cada
informante utilizando a distância euclidiana e o método
de ligação simples. (M: mulher; H: homem).
Rodriguésia 57 (3): 519-542. 2006
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cm
Etnobotânica em uma área de Floresta Atlântica, Rio de Janeiro
527
As partes das plantas mais utilizadas
foram: folha (48,5%), seguida por caule
(24,5%), fruto (15,7%), flor (5,3%), semente
(2,2%), planta inteira (1,9%), raiz (1,8%) e
exsudado (0, 1 %). As formas de vida dominante
são: herbácea e arbórea com 33% das
espécies, cada uma, seguida por subarbustivo-
arbustivo (30%) e trepadeira (4%) (Fig. 4).
Dentre as plantas, com alguma
propriedade de uso na comunidade, cerca de
52% são cultivadas no quintal ou organizadas
em pequenas hortas familiares, 29% são
provenientes de áreas remanescentes de
floresta, 11% crescem espontaneamente e 8%
são adquiridas no comércio.
As plantas mais citadas pelos informantes
foram: erva-cidreira ( Lippia alba) e boldo
(Plectranthus barbatus).
Obteve-se 1 1 5 indicações sobre o preparo
das plantas de uso medicinal cujas formas mais
citadas foram: por dccocção (47%), infusão
(13%) e xarope (19%) (Fig. 5).
Figura 4 - Distribuição das formas de vida das espécies
indicadas como úteis pelos informantes.
Figura 5 - Distribuiçüo das formas de preparo das espécies
indicadas como medicinais.
Tabela 2 - Relação de espécies referenciadas como úteis pela comunidade Gleba Aldeia Velha,
Silva Jardim, RJ.
Familia / espécie
Nome local Hall Hat Uso Parte usada Núm col.
ACANTHACEAE
Barleria sp.
Pachystachys lutea Nees
ALISMATACEAE
Echinodorus grandiflorus
(Cham. & Schltdl.) Micheli
AMARANTHACEAE
Pfaffia sp.
ANACARDIACEAE
Anacardium occidentale L.
Astronium graveolens Jacq.
Mangifera indica L.
Schinus terebinthifolius Raddi
Spondias lutea L.
Tapirira guianensis Aubl.
ANNONACEAE
Anonna muricata L.
Xylopia sericea A. St.-Hil.
APIACEAE
Daucus carola L.
violeta
camarão
arb
arb
cult
cult
chapéu-dc-couro
herb
cult
novalgina
herb
cult
cajú
arb
cult
arocirão
arv
nat
manga
arv
cult
aroeira
arb
nat
cajá
arv
cult
canela-cedro
arv
nat
graviola
arv
cult
imbiú
arv
nat
cenoura
herb
comp
om
fo.fl
257
om
fl
263
med
fo
238
med
ca, fo
113
ali
fr
m
mad
ca
360
ali
fr
128
med
fo
179
ali
fr
-
comb
ca
365
ali, med
cons
fo.fr
ca
136
319
ali
ra
Rodriguésia 57 (3): 519-542. 2006
SciELO/ JBRJ
12 13 14 15 16 17
528
Chrisio, A. G.; Guedes-Bruni, R. R. & Fonseca-Kruel , V S.
cm
Família / espécie Nome local
Eryngium foetidum L. coentro
Foeniculum vulgare Mill. erva-doce
Petroselinum crispim (Mill.) salsa
Nyman ex A.W. Hill
APOCYNACEAE
Calharanlhus roseus (L.) G Don boa-noite
ARACEAE
Xanthosoma sagittifolium (L.) taioba
Schott & Endl.
ARECACEAE
At ta lua humilis Mart. pindoba
Cocos mtcifera L. coco
Hab
Hat
Uso
Parte usada '
Núm coL
herb
cult
ali
fo
258
herb
cult
med
ca,fo
309
herb
comp
ali
ca, fo
*
herb
cult
om
fl
-
herb
cult
ali, med
fo
arb
nat
cons
ra
339
arv
cult
ali
fo
-
ASTERACEAE
Achiltea miUefolium L.
Achyrocline satureioides (Lam.) DC.
Ageratum conyzoides L.
Arctium minus (Hill) Bemh.
Artemísia absinthium L.
Baccharis dracuncuhfolia DC.
B. trimera (Less.) DC.
Bidens pilosa L.
B. sulphurea (Cav.) Sch. Bip.
Cichorium intybus L.
Coreopsis grandiflora Hogg ex Sweet
Elephantopus mollis Kunth
Lactuca saliva L.
Mikania glomerata Spreng.
Solidago chilensis Meyen
Tagetes erecta L.
Vernonia condensata Baker
V. discolor (Spreng.) Less.
V. polyanthes Less.
V. scorpioides (Lam.) Pers.
mil-folhas
marcela-do-campo
erva-de-São-João
bardana
losna
alecrim-do-campo
carqueja
picão
picão- grande
almeirão
camomila
erva-grossa
alface
guaco
arnica
cravo-de-defunto
boldo-do-chile
camará
assa-peixe
erva-preá
herb
herb
arb
arb
arb
arb
herb
herb
herb
herb
herb
herb
herb
trep
herb
herb
arb
arv
arb
herb
BEGON1ACEAE
Begónia semperflorens Link & Otto begônia
BIGNONIACEAE
Jacaranda pubenda Cham.
Sparattosperma leucanthum
(Vell.) K. Schum.
Tabebuia cassinoides (Lam.) DC.
T. umbellata (Sond.) Sandwith
carobinha
cinco-folhas
pau-tamanco
ipê-amarelo
herb
arv
arv
arv
arv
B1XACEAE
Bixa orei lana L.
orucum arb
BOMBACACEAE
Bombacopsis glabra
(Pasquale) Robyns
castanheira
arv
cult med
esp med
cult med
cult med
cult med
esp rit
cult med
esp med
cult om
cult ali
cult med
esp vet
comp ali
cult med
cult med
cult med
cult med
nat comb
cult med
esP med
cult om
nat rned
nat comb
nat tec
nat om
eult ali, med
nat om
ca, fo
229
ca, fo
163
fo
231
fo
73
fo
40
fo
341
fo
176
int
164
fl
255
fo
156
ca, fo
55
fo
149
fo
-
ca, fo
119
fo
246
fo,fl
84
fo
177
ca
316
fo
159
ca, fo
336
fo,fl
261
fo
180
ca
-
ca
_
fl
331
fo, se
234
fl
355
BORAG1NACEAE
Cordia sp.
Symphytum officinale L.
baleeira
confrei
arb esp
herb cult
med
med
fo 286
fo 118
Rodriguésia 57 (3): 519-542. 2006
SciELO/JBRJ
12 13 14 15 16 17
Elnobotánica em uma área de Floresta Atlântica, Rio de Janeiro
529
cm
Família / espécie
BRASSICACEAE
Brassica nigra (L.) W.D.J. Koch
B. oleracea L.
Lepidium virginicum L.
Nasturtium officinale R. Br.
BR0MEL1ACEAE
Ananas comosus (L.) Merr.
CAPRIFOLIACEAE
Sambucus nigra L.
CARICACEAE
Carica papaya L.
Jacaratia spinosa (Aubl.) A. DC.
CECROP1ACEAE
Cecropia glaziovi Snethlage
CELASTRACEAE
Maytenus ilicifolia (Schrad.) Planch.
CHENOPODIACEAE
Chenopodium ambrosioides L.
CHRYSOBALANACEAE
Chrysobalanus icaco L.
CLUSIACEAE
Calophyllum brasiliense Cambess.
COMBRETACEAE
Terminalia catappa L.
COMMELINACEAE
Callisia sp.
CONVOLVULACEAE
Cuscuta sp.
CRASSULACEAE
Kalanchoe brasiliensis Cambess.
CUCURBITACEAE
Cucumis anguria L.
Momordica charantia L.
DAVALLIACEAE
Davallia sp.
DIOSCORIACEAE
Dioscorea sp.
EQU1SETACEAE
Equisetum hyemale L.
Nome local
Hab
Hat
Uso
Parte usada Núm col.
mostarda
herb
comp
ali
fo
m
couve
herb
cult
ali, med
fo
-
mastruço
herb
esp
med
ca, fo
335
agrião
herb
comp
ali
fo
abacaxi
herb
comp
ali
fr
-
sabugueiro
arb
cult
med
ca, fo
72
mamão
arb
cult
ali, med
fl.fr
.
mamão-jacatiá
arv
nat
ali
ca
354
embaúba-roxa
arv
nat
med
fo, fr
145
espinheira-santa-
-da-horta
arb
comp
med
fo
-
erva-de-
-Santa-Maria
herb
cult
med
ca, fo
62
bajurú
arb
cult
ali, med
fo, fr
68
guanandi
arv
nat
cons
ca
314
amendoeira
arv
cult
med
fo
139
trança-de-cigano
herb
cult
om
ca.fo
265
cipó-chumbo
trep
esp
med
ca, fo
347
saião
herb
cult
med
fo
247
maxixe
trep
comp
ali
fr
.
mclão-dc-
-Süo-Caetano
trep
esp
tox
fr
182
samambaia
herb
cult
om
fo
-
inhame
herb
comp
ali
ra
-
cavalinha
herb
cult
med
fo
107
Rodriguésia 57 (3): 519-542. 2006
SciELO/ JBRJ
12 13 14 15 16
530
Christo , A. G.; Guedes-Bruni, R. R. & Fonseca-Kruel , V. S.
cm
Família / espécie
EUPHORBIACEAE
Acalypha comnwnis Müll. Arg.
Alchornea triplinervia
(Spreng.) Müll. Arg.
Codiaeum variegatum (L.) A. Juss.
Euplwrbia sp.
Jalropha gossypiifolia L.
Manihol esculenla Crantz
Phyllanthus niruri L.
Ricinus communis L.
Senefeldera multiflora Mart.
LAM1ACEAE
Leonotis nepetifolia (L.) R. Br.
Leonurus sibirícus L.
Mentha pulegium L.
Mentha sp.
Ocimum basilicum L.
O. gratissimum L.
Ocimum sp. 1
Ocimum sp. 2.
Origanum vulgare L.
Plectranthus amboinicus
(Lour.) Spreng.
P barbatus Andrews
P. grandis (Cramer) R. Willemse
Rosmarinus officinalis L.
Salvia splendem Ker Gawl.
Lamiaceae sp.
LAURACEAE
Aniba firmula (Nees & C. Mart.) Mez
Nectandra oppositifolia Nees & Mart.
N. puberula (Schott) Nees
Ocolea sp.
Persea americana Mill.
LECYTH1DACEAE
Caríniana legalis (Mart.) Kuntze
LEGUMINOSAE
CAESALP1NOIDEAE
Bauhinia radiata Vell.
Chamaecrista ensiformis
(Vell.) H.S. Irwin & Bameby
Copaifera langsdorffii Desf.
Hymenaea courbaril L.
Senna alata (L.) Roxb.
MIMOSOIDEAE
Balizia pedicellaris
(DC.) Bameby & J.W. Grimes
Inga sp. 1
Inga sp. 2
Inga sp. 3
Mimosa pudica L.
Pipladenia gonoacantha
Nome local
Hab
Hat
Uso
Parte usada Núm col.
parietália
arb
cult
med
fo
174
tapiá
arv
nat
tec
ca
361
brasileirinho
arb
cult
om
fo
260
quebra-pedra
herb
esp
med
int
251
pinhão-roxo
arb
cult
med
fo
58
mandioca
arb
cult
ali, med
ra, fo
quebra-pedra
herb
esp
med
int
344
mamona
arb
esp
med
se
343
sucanga
arv
nat
cons
ca
268
cordão-de-frade
arb
cult
me
int
87
erva-macaé
herb
cult
me
fo
253
poejo
herb
cult
me
ca, fo
121
hortelã-preta
herb
cult
me
fo
150
manjericão
arb
cult
ali, med
fo
124
alfavaca
arb
cult
med
122
alfavacão
elichir
arb
arb
cult
cult
med
med
ca, fo
fo
153
123
orégano
herb
cult
ali
hortelã-pimenta
arb
cult
ali, med
fo
63
boi do
alcachofra
arb
arb
cult
cult
med
med
ca, fo
44
240
alecrim
herb
cult
med
ca, fo
79
Maria-sapeca
arb
cult
om
n
254
viclc
herb
cult
med
fo
245
canela-cheirosa
canela
canela
canela
abacate
arv
arv
arv
arv
arv
nat
nat
nat
nat
cult
cons
cons
cons
cons
ali
ca
ca
ca
ca
fr
277
363
318
269
134
jequitibá
arv
nat
cons
ca
pata-de-vaca
oiti
trep
arv
cult
nat
med
cons
fo
ca
42
271
copaíba
jatobá
tiririqui
arv
arv
arb
nat
nat
esp
med
cons
ali
ec
ca
se
366
345
cambuí-branco
arv
nat
cons
ca
328
ingá
ingá
ingá
dormideira
pau-jacaré
arv
arv
arv
herb
arv
nat
nat
nat
esp
nat
ali
ali
ali
med
comb
fr
fi-
A-
ca, fo
ca
351
353
356
337
364
Rodriguèsia 57 (3): 519-542. 2006
SciELO/ JBRJ
12 13 14 15 16
Etnobotánica em uma área de Floresta Atlântica, Rio de Janeiro
531
cm
Família / espécie
(Mart.) J.F. Macbr.
P. paniculata Benth.
Plathymenia foliolosa Benth.
Pseudopiptadenia contorta
(DC.) G.P. Lewis & M.P. Lima
PAPILIONOIDEAE
Cajanus cajan (L.) Millsp.
Dalbergia nigra
(Vell.) Allemao ex Benth.
Desmodium sp.
Machaerium nyctitans (Vell.) Benth.
Phaseolus vulgaris L.
Leguminosae sp.
LILIACEAE
Aloe vera (L.) Burm. f.
Allium fistulosum L.
A. sativum L.
LYTHRACEAE
Cuphea carthagenensis
(Jacq.) J.F. Macbr.
MALPIGHIACEAE
Malpighia glabra L.
MALVACEAE
Gossypium hirsutum L.
Hiblscus esculentus L.
MELASTOMATACEAE
Miconia cinnamomifolia (DC.) Naudin
M. lepidota Schrank & Mart. ex DC.
Ttbouchina cf. heteromalla Cogn.
T. granulosa (Desr.) Cogn.
MELIACEAE
Cabralea canjerana (Vell.) Mart.
Guarea guidonia (L.) Sleumer
MONIMIACEAE
Siparuna guianensis Aubl.
MORACEAE
Artocarpus heterophyllus Lam.
Ficus carica L.
Morus nigra L.
Sorocea guilleminiana Gaudich.
MUSACEAE
Musa x paradsiaca L.
MYRISTICACEAE
Virola gardneri (A. DC.) Warb.
V. oleifera (Schott) A.C. Sm.
Rodriguésia 57 (3): 519-542. 2006
Nome local Hab Hat
angicão
arv
nat
vinhático
arv
nat
angico-preto
arv
nat
feijão-guandu
arb
cult
jacarandá
arv
nat
pico-de-amor
herb
esp
guaxumbé
arv
nat
feijão
herb
cult
mal-casado
arv
nat
babosa
herb
cult
cebola-gigante
herb
cult
alho
herb
comp
sete-sangrias
herb
cult
liso Parte usada Núm col.
cons
ca
329
cons
ca
317
cons
ca
266
ali
se
170
cons
ca
332
med
ca, fo
338
comb
ca
333
ati
se
-
comb
ca
312
med
fo
300
ali
fo
162
ali
ca
"
med
fo
91
acerola
arb
cult
algodoeiro
arb
cult
quiabo
arb
comp
jacatirão
arv
nat
mirindiba
arv
nat
quaresma
arb
nat
quaresmeira
arv
nat
cedro-rosa
arv
nat
carrapeta
arv
nat
fedegoso
arv
nat
jaca-manteiga
arv
cult
figo
arb
cult
amora
arb
cult
espinheira-santa
arv
nat
banana
herb
cult
imbiú-preto
arv
nat
bicuibuçú
arv
nat
ali, med
fr
132
med
fo
46
ali
fi-
"
cons
ca
274
comb
ca
278
om
fl
183
om
n
330
tcc
ca
283
tox
fr
349
comb
ca
359
ali
fr
137
ali, med
fo, fr
148
ali, med
fo, fr
249
med
fo
280
ali
fr
-
comb
ca
273
comb
ca
267
SciELO/JBRJ
12 13 14 15 16
cm ..
532
Chrislo, A. G.; Guedes-Bruni, R. R. & Fonseca-Kruel , V- ■ S.
Família / espécie
Nome local
Hab
MYRSINACEAE
Rapanea ferruginea
capororoca
arv
(Ruiz & Pav.) Mez
MYRTACEAE
Eucaliptus sp.
eucalipto
arv
Eugenia uniflora L.
pitanga
arb
Myrciaria cauliflora (Mart.) 0. Berg
jabuticaba
arb
M floribunda
goiabeira-do-mato
arv
(H. West ex Willd.) 0. Berg
M glomerata O. Berg
goaquica
arb
Psidium guajava L.
goiabeira
arv
Syzygium aromaticum
cravo-da-índia
arv
(L.) Merr. & L.M. Perry
S. cumini (L.) Skeels
jamelão
arv
OLEACEAE
Jasminum sp.
jamim
arb
OXALIDACEAE
Averrhoa carambola L.
carambola
arv
PAPAVERACEAE
Argemone mexicana L.
cardo-santo
herb
PASSIFLORACEAE
Passiflora edulis Sims
maracujá
trep
PHYTOLACCACEAE
Petivería alliacea L.
guiné-piu-piu
herb
PIPERACEAE
Piper mollicomum Kunth
jaborandí
Pothomorphe umbellata (L.) Miq.
capeba
arb
PLANTAGINACEAE
Plantago major L.
tanchagem
herb
POACEAE
Coix lacryma-jobi L.
lágrima-de-Nossa-
herb
-Senhora
Cymbopogon citratus (DC.) Stapf
capim-cidreira
Eleusine indica (L.) Gaertn.
capim-pé-de-ealinha hrrh
Melinis minuliflora P. Beauv.
capim-gordura
Oryza saliva L.
arroz
Phalaris canariensis L.
alpiste
Saccharum officinarum L.
cana-de-açúcar
herb
Zea mays L.
milho
herb
POLYGONACEAE
Polygomm hydropiperoides Michx.
erva-de-bicho
herb
PUNICACEAE
Púnica granalum L.
romã
arb
ROSACEAE
Rosa sp.
rosa-branca
arb
Hab Hat Uso
Parte usada Núm coL
nat
comb
ca
357
cult
med
fo
67
cult
ali, med
fo, fr
151
cult
ali, med
fo, fr
135
nat
comb
ca
275
cult
ali
fr
340
cult
ali
fr
169
comp
ali
fl
-
cult
ali, med
fo, fr
288
cult
om
fl
262
cult
ali, med
fo, fl
178
cult
med
fo
228
comp
ali
fr
-
cult
tit
fo
-
esp
med
fo
152
cult
med
fo
306
cult
med
fo
175
cult
med
fo
307
cult
med
fo
36
esp
med
int
181
cult
med
ca, fo
.
comp
ali
se
.
comp
vet
se
_
cult
ali
ca
_
cult
med
a
-
cult
med
fo
237
cult
med
fr
129
cult
om
fl
256
Rodriguésia 57 (3): 519-542. 21
J 12
13
14 15
16
:SciELO/ JBRJ
cm
Etnobotânica em uma área de Floresta A tlântica, Rio de Janeiro
Família / espécie
Nome local
Hab
Hat
Uso
Parte usada Núm col.
RUBIACEAE
Coffea arabica L.
Genipa americana L.
café
genipapo
arb
arv
cult
nat
ali
ali
se
fr
172
362
RUTACEAE
Citrus aurantium L.
C. limon (L.) Burm. f.
C. medica var. limon L.
C. reliculata Blanco
Ruta graveolens L.
laranja-pêra
limão
limão-galego
mexirica
arruda
arv
arb
arv
arb
herb
cult
cult
cult
cult
cult
ali
ali
ali
ali
rit
fr
fr
fr
fr
ca, fo
127
133
173
SAPINDACEAE
Cupania oblongifolia Mart.
camboatá
arv
nat
comb
ca
327
SAPOTACEAE
Ecclinusa ramiflora Mart.
Pouteria caimito (Ruiz & Pav.) Radlk.
acá
abiu
arv
arv
nat
cult
comb
ali
ca
fr
276
168
SAXIFRAGACEAE
Hydrangea macrophylla (Thunb.) Ser.
hortência
arb
cult
om
n
115
SCH1ZAEACEAE
Lygodium volubile Sw.
samambaia-do-mato trep
nat
med
fo
184
SIMAROUBACEAE
Picramnia ciliata Mart.
pau-pereira
arv
nat
med
ca
272
SOLANACEAE
Brunfelsia uniflora (Pohl) D. Don
Capsicum baccatum L.
Solanum cernuum Vell.
S. paniculatum L.
S. tuberosum L.
manacá
pimenta
panacéia
jurubeba
batata
arb
arb
arb
arb
arb
nat
cult
cult
esp
comp
om
ali
med
med
ali
n
fr
fo
fo
ca
171
34
TURNERACEAE
Turnera ulmifolia L.
vassourinha
arb
esp
orn
fl
342
ULMACEAE
Trema micranlha (L.) Blume
crandiúba
arv
nat
comb
ca
313
URTICACEAE
Urtica sp.
urtiga-branca
herb
esp
med
fo
232
VERBENACEAE
Alovsia gralissima
(Gillies & Hook.) Trone.
Clerodendron sp.
Lantana camara L.
Lippia alba (Mill.) N.E. Br.
Stachytarpheta cayennensis
(Rich.) Vahl
alfazema
coração-de-Jesus
bem-me-quer
erva-cidreira
gervão-roxo
arb
trep
herb
arb
herb
cult
cult
esp
cult
cult
me
om
med
med
med
fo
fl
fo.fl
ca, fo
int
59
264
287
157
167
VOCHYSIACEAE
Vochysia sp.
tarumã
arv
nat
comb
ca
321
ZINGIBERACEAE
Costus spiralis (Jacq.) Roscoe
Zingiber officinale Roscoe
cana-do-brejo
gengibre
herb
herb
cult
cult
med
med
fo
ra
236
103
Rodriguésia 57 (3): 519-542. 2006
SciELO/JBRJ
12 13 14 15 16
534
Christo , A. G.; Guedes-Bruni, R. R. & Fonseca-Kruel . V. S.
Família / espécie
INDETERMINADAS
sp. indet. 1
sp. indet. 2
sp. indet. 3
sp. indet. 4
sp. indet. 5
sp. indet. 6
sp. indet. 7
sp. indet. 8
sp. indet. 9
sp. indet. 10
sp. indet. 1 1
Nome local
Hab
Hat
Uso
Parte usada Núm col.
arb
esp
med
fo
334
arv
nat
cons
ca
284
herb
esp
med
fo
165
arv
nat
comb
ca
279
arv
nat
cons
ca
324
arv
nat
comb
ca
350
arv
nat
cons
ca
325
arb
cult
ali
fr
166
arv
nat
comb
ca
270
arv
nat
cons
ca
282
herb
esp
med
fo
241
anador
araribá-rosa
amica-do-campo
bacubichá
bico-de-papagaio
canetna
gameleira
maria-nera
milho-cozido
mirindiba-ipê
pronto-alivio
Hab - hábito: arb - arbustivo; arv - arbóreo- herh - hprhrWr.- . , .
comprada; nat - nativa; esp - espontânea. Uso: ali - alimentar comb comhu^' l ‘ ^ C°mP,‘
om - ornamental; rit - ritualística; tec - tecnológica- tox - tóxica^et' C“^ ;DCOns ' COnS,mç3ü; med ' mcd,cl"aI:
folha- fl - flor fr - fruto- se sementP.»v , ’ . a, vet - veterinária. Parte usada: ra - raiz; ca -caule; fo-
a, tlor, fruto, se - semente, ex - exsudado; mt - planta inteira. Núm. col. - número de coleta de A.G Christo.
Tabela 3 - índice de importância relativa (IR) das esnériec í^a; a ,. . .
comunidade Gleba Aldeia Velha, Silva Jardim, RJ COm° medlclna,s na
IR Espécies
2,00
137
1,03
0,97
0,83
0,69
0,49
034
Aloe vera —
Leomrus sibiricus
Baccharis trimera. Eugenia unijlora. Stachytarpheta cavennensis
Menlha pulegium
Solanum paniculatum
Averrhoa carambola, Bidens pilosa, Coreopsis grandiflora Cuscuia sn r a
citratus, Echinodorus grandifíorus Jatmnhn „ ^ , \mÇuta SP- Cymbopogon
nepetifolia, Menlha sp., A íorL nigra, Myrciarfa cZifíòra *a,mch°e b™die™is’ Leono,ÍS
gratissimum, Ocimum sp 1 Pfafíio sn Pio , ^ cimum basilicum, Ocimum
Symphymm officSe P- Kosmarinus officinalis.
Achillea millefolium, Ageratum convzaide*
Eucaliptos sp., Lamiaceae sp.. Laniana camara Leoidiu^ Ar'emÍSÍa absin,hium-
Mikania glomerata, Piper mollicomum. Plectranthuf Z "r?tn,cu”’ May,enus Mcifolia,
Zingiber officinale i cimbomicus, Vernonia polyanlhes,
dcalypha communis, Achvrocline ai
mexicana. Bauhinia radiata Bixa orellana Br fra"ss'l,m Arclium minui. Argemone
glazioú. Cenopodium amlríZZfcZZ^t^r
langsdorffii, Cordia sp., Costus soiralis r, i , C0, Coix lacryma-jobi, Copaifera
indica, Equisetum hyemale. Euphorbia sp nZZrícaT^' 9eSm°?ÍUm Sp” Eleusim
hirsutum. sp. indet. 1, sp. indet. 3, sp indet 1 1 / F°e™culum vulgare, Gossypium
volubile, Malpighia glabra, Manihot esculentà °™randa pube™la- Lippia alba, Lygodium
sp. 2. Phyllanthus niruri, Picramniá c lia a Plal "‘""t Mmasa pudÍCa’ Ocimum
Polygonum Bydroplpcraidex. PoZmo^ ZZZ Z7
Sambucus nigra, Schinus terebinthifolius Solanum r f°natum, Ricinus commums.
guilieminiana, Syzygium cumini. TageZ eZZZZ T' &'“®’ ***>*• Sorocea
_çonden^ Vjanonia «ogfoj dcy s”~ li-~
Rodrigtiésia 57 (3): 519-542. 2006
ciELO/ JBRJ
cm
Etnobotãnica em uma área de Floresta Atlântica, Rio de Janeiro
535
A comercialização de plantas medicinais
não é praticada entre os entrevistados, as
quais são trocadas ou, simplesmente,
coletadas na casa do vizinho. A compra de
plantas no comércio da cidade mais próxima
(Casimiro de Abreu) restringe-se, apenas, às
de uso alimentar, que podem ser também, às
vezes, cultivadas pela comunidade.
O extrativismo seletivo de uma determinada
espécie para a comercialização pode trazer
prejuízos à sua população, como ocorreu com o
jaborandí ( Pilocarpus microphyllus Stapf ex
Wardleworth) no estado do Maranhão. Sua
exploração comercial pela indústria farmacêutica
não retomou como benefício à comunidade
detentora do conhecimento tradicional sobre seu
uso e, ainda, contribuiu para incluir este recurso
vegetal na lista da flora brasileira em perigo de
extinção (Pinheiro 2002). Atualmente, o
extrativismo seletivo de plantas medicinais não
é observado na comunidade estudada e
restringe-se, tão-somente, a coletas eventuais,
decorrentes de uma demanda especítica.
Observou-se, com o uso do índice de
importância relativa, que cinco espécies
apresentam IR maior que 1 ,00 c foram indicadas
para o tratamento de até cinco categorias de
doença (Tab. 3). As plantas medicinais utilizadas
na comunidade GAV apresentam IR semelhante
ao obtido no estudo realizado na feira de
Caruaru, estado de Pernambuco, por Almeida
& Albuquerque (2002), que apresentou nove
espécies com IR > 1,00 para o tratamento de
até oito categorias de doença.
As categorias de doença com maiores
consensos entre os informantes da comunidade
foram: doenças infecciosas e parasitárias (FCI
= 0,66), seguido por transtornos do sistema
nervoso e transtornos do sistema respiratório
com FCI = 0,65 cada (Tab. 4).
Os dados revelam que 7 1 ,9% das espécies,
com alguma propriedade medicinal, são
cultivadas e destinadas para consumo do núcleo
familiar ou da vizinhança. O cultivo nos quintais
e entorno das moradias é, notadamente,
resultante da comodidade que ele representa,
em razão das dificuldades de deslocamento dos
moradores, tanto para áreas mais distanciadas
de vegetação nativa - onde poderiam extrair,
em diminuta escala, espécies nativas para
Tabela 4 - Fator de consenso dos informantes (FCI) da comunidade Gleba Aldeia Velha, Silva
Jardim, RJ.
Categorias de doenças1
doenças infecciosas e parasitárias
transtornos do sistema nervoso
transtornos do sistema respiratório
viroses
doenças da pele e do tecido celular sub-cutaneo
afecções e dores não definidas
transtornos do sistema digestivo
transtornos do sistema genito-urinário
doenças das glândulas endócrinas, da nutrição e do meta o ismo
transtornos do sistema circulatório
doenças do sistema osteomuscular e do tecido conjuntivo
doenças do sangue c dos órgãos hematopoéticos
neoplasias
transtornos do sistema sensorial (ouvido)
transtornos do sistema sensorial (olho)
mordida de bicho doente
NAR
NA
1(1
30
11
0,66
35
13
0,65
61
22
0,65
29
11
0,64
29
12
0,61
21
9
0,60
44
21
0,53
26
13
0,52
17
11
0,38
10
7
0,33
8
6
0,29
7
6
0,17
2
2
0,00
2
2
0,00
2
2
0,00
2
2
0,(X)
sonut^o^ieusos registrados po, cada inlbmianle na categoria; NA: número dc csp&ics indicudus na cutcgona.
Rodrigue.ua 57 (3): 519-542. 2006
.SciELO/ JBRJ
12 13 14 15 16 17
536
supressão de demandas eventuais — como para
a própria cidade de Casimiro de Abreu, onde
poderiam adquiri-las na horta medicinal
comunitária mantida pela Prefeitura.
Considerando que a comunidade situa-se em
área de domínio de Floresta Atlântica, cuja
diversidade de espécies e potencialidades de
uso são elevadas, este resultado torna-se
preocupante, à medida que a valorização dos
recursos da flora nativa perde importância, em
detrimento do uso de espécies cultivadas,
muitas vezes já beneficiadas. Harris (1969
apud Laraia 2002) considera que uma
mudança no ambiente resulta numa mudança
no comportamento, sendo assim a degradação
do ambiente, assim como a migração de
populações rurais para os grandes centros
urbanos, como se deu nessa região, pode ter
contribuído para a perda do conhecimento
tradicional sobre as espécies locais. O mesmo
foi observado por Amorozo (2002) que justifica
que esse fato se deve à diminuição das
populações de espécies, seja pela destruição
dos habitats (para a formação de pastagens
ou uso urbano), seja pela inacessibilidade (em
razão de apropriação e cercamento das terras
onde ocorrem as espécies, por indivíduos
estranhos à comunidade). Laraia (2002)
destaca que existem dois tipos de mudanças
culturais: uma que é interna - resultante da
dinâmica do próprio sistema cultural - e a
segunda que é o resultado do contato entre
sistemas culturais distintos. No caso da
comunidade de GAV, esta alteração pode ter
sido motivada pela facilidade de acesso aos
meios de comunicação - principalmente a
televisão que, através de programas de cunho
informativo, acabam por influenciar nos
padrões culturais, ao divulgarem, p. ex. as
propriedades farmacológicas de uma
determinada planta, mesmo que de outro país
- e pela chegada de moradores oriundos de
outras áreas para a comunidade, como também
verificado por Amorozo (2002), no estado do
Mato Grosso. Este mesmo autor destaca que
a alteração antrópica, ocasionada por
mudanças nos padrões de uso local, dos
ambientes naturais onde crescem muitas das
Christo, A. G.; Guedes-Bruni, R. R. & Fonseca-Kruel , V. S.
espécies medicinais, irá, em médio prazo,
acarretar uma diminuição na disponibilidade e
no uso de plantas nativas e espontâneas para
estes fins. Isso reforça a necessidade de
programas de educação ambiental e
valorização do conhecimento acerca da flora
nativa nas comunidades rurais, principalmente
as que estão localizadas nas margens de
Unidades de Conservação ajudando, assim, na
conservação desses remanescentes florestais.
As plantas cultivadas, de propriedade
alimentar, representam uma fonte de renda e
são comercializadas em feiras livres, como p.
ex. no município de Casimiro de Abreu, RJ,
com destaque para a produção de mandioca,
vendida in natura ou na forma de farinha,
polvilho ou beiju, beneficiados no próprio sítio,
em pequenas casas de farinha.
O cultivo da banana foi, no passado,
também muito importante na economia local,
e teve seu papel diminuído depois que a
empresa que beneficiava a fruta suspendeu
a compra do produto dos agricultores. Hoje,
não tendo a quem vender a produção, os
bananais foram praticamente abandonados
pelos agricultores.
Outras culturas anuais são também
mantidas, porém em menor escala, como:
inhame, quiabo ( Hibiscus esculentus), feijão
(Phaseolus vulgaris) e milho.
Duas espécies são indicadas pelos
informantes como tóxicas: o melão-de-são-
caetano {Momordica charantiá) e a carrapeta
( uarea guidonia), embora, ambas, sejam
consideradas como medicinais (v. Lorenzi &
Matos 2002).
Os moradores de GAV dedicam parte do
seu tempo à criação de pequenos animais,
como frangos para produção de ovos e carne
e, ainda, bovinos para leite e corte. Algumas
patologias ocorrentes nessas criações são
am era tratadas com plantas, como
exemplificarn com o uso do sumo obtido das
0 as e frutos da carrapeta contra os piolhos
que in estam o ninho de frangos, assim como
am em, erva-macaé ( Leonurus sibiriciis) e
erva-grossa ( Elephantopus mollis) para o
tratamento de diarréias em bovinos e eqüinos.
Rodriguêsia 57 (3): 519-542. 2006
cm l
SciELO/JBRJ
12 13 14 15 16 17
Etnobotânica em uma área de Floresta Atlântica. Rio de Janeiro
No cotidiano da comunidade, a
ornamentação das casas e jardins é ocupação
destinada às mulheres, sendo comum o cultivo
de plantas ornamentais no quintal. A maioria
das plantas é exótica, como p. ex: camarão
{Pachystachys lutea), rosa-branca ( Rosa
sp.), begônia ( Begônia semperflorens),
excetuando-se dentre elas o manacá
( Bntnfelsia uniflora).
A flora local é, também, aproveitada para
a ornamentação dos quintais e sítios e dentre
as mais comuns encontram-se a quaresmeira
( Tibouchina granulosa ) e o ipè-amarelo
(Tabebuia umbellala), espécies típicas e
abundantes na região.
As plantas coletadas na Floresta Atlântica,
cm geral, são aquelas apropriadas à utilização
como madeira para construção de telhado de
residências ou de abrigo para animais. Outras,
no entanto, são utilizadas como lenha para os
fogões: o típico jacatirâo ( Miconia
cinnamomifolia), o cambotá ( Cupania
oblongifolia) e a camará ( Vernonia discolor),
muito abundantes na região, sobretudo na Rebio,
em suas áreas antropizadas.
As casas dos moradores das antigas
fazendas, onde hoje se encontra a Rebio, eram
chamadas de “pau-a-pique” ou “estuque . Para
a confecção de suas paredes, era utilizado o
bambu ( Bambusa sp.), em estruturas
cntrecruzadas, revestidas com barro, enquanto
para a construção do telhado usava-sc. o
jacatirâo como esteio e a folha da pindoba
(Attalea humilis ) como revestimento.
As árvores, quando empregadas na
construção, são cortadas somente na lua nova,
o que, de acordo com os informantes, previne
a entrada de insetos e, por conseguinte,
aumenta a durabilidade do manufaturado.
Outras espécies são utilizadas na
confecção de cabos de ferramentas e utensílios
domésticos como, por exemplo: o imbiú
( Xylopia sericea), a canela-cheirosa (Aniba
firmula) c a canela-jacú (Nectandra
oppositifolia). O pau-tamanco, no entanto, era
utilizado para confeccionar pequenos
artesanatos e brinquedos, mas o intenso
extrativismo seletivo sobre esta espécie, no
RodríguéSia 57 (3): 519-542. 2006
passado, reduziu bastante sua população.
Nenhum indivíduo foi encontrado, durante os
trabalhos de campo, na área estudada, porém
algumas populações continuam conservadas in
siltt nos limites da Rebio.
Vale destacar que, além do pau-tamanco, o
pau-pereira ( Picramnia ciliala) sofreu,
igualmente, forte extrativismo, do qual utiliza-se
a casca, tanto para a fabricação de bebida,
misturando-a à cachaça, como para uso medicinal,
na forma de infusão, no combate à febre.
Há também uma espécie de árvore, que os
moradores reconhecem como espinheira-santa
(Somcea guilleminiana), diferente, porém, de
Maytenus ilicifolia, também conhecida como
espinheira-santa (de forma mais ampla), cujas
propriedades farmacológicas já foram
reconhecidas. O uso atribuído à primeira espécie
é o mesmo: tratamento de afecções do sistema
digestivo, embora tal propriedade de uso não tenha
sido encontrada na literatura especializada, até o
presente, consultada.
A diversidade de espécies expressa
através do índice de Shannon (H’), adaptado
por Begossi (1996), tem sido utilizado em
comparações de estudos etnobotânicos
realizados no Brasil, alguns dos quais analisados
neste trabalho, os quais encontram-se
sumarizados na Tabela 5.
No estado do Rio de Janeiro, cm um estudo
realizado em Arraial do Cabo, Rio de Janeiro,
Fonseca-Kruel & Peixoto (2004), obtiveram 68
espécies das 444 citações de uso de plantas.
Figueiredo cl al. (1997), por sua vez, ao
estudarem a diversidade de espécies indicadas
como úteis por uma comunidade situada na Baía
de Sepetiba, encontraram 75 espécies
entrevistando 42 informantes enquanto que, em
Gamboa, Ilha de Itacuruçá, Figueiredo cl al.
( 1 993) obtiveram 558 citações de uso de plantas
correspondendo 90 espécies vegetais.
Em estudo realizado em Ponta do Almada
e Praia de Camburí (SP) por Hanazaki cl al.
(2000), os autores obtiveram 1 52 e 1 62 espécies
úteis utilizadas, respectivamente, pelas
comunidades. Outro estudo, realizado com cinco
comunidades caiçaras, todas cm São Paulo, por
Rossato el al. (1999) que estudaram o uso de
SciELO/JBRJ
12 13 14 15 16 17
538
cm
plantas e utilizaram a teoria de biogeografia de
ilhas para analisar os dados, o número de
espécies apreendidas variou de 57 a 216.
No Paraná, Lima et al. (2000)
catalogaram uma diversidade de 445 plantas em
entrevistas realizadas com 90 informantes na
Área de Proteção Ambiental de Guaraqueçaba.
O índice de Shannon (H’) obtido neste
estudo foi de 2,20 (base 10) e 5,07 (base é)
(Tab. 5), indicando que a comunidade GAV
dctem um bom conhecimento sobre o uso de
recursos vegetais. Quando estes índices são
comparados aos demais das 1 1 comunidades
anteriormente citadas, a comunidade GAV
situa-se em segundo lugar, no que tange a este
parâmetro.
Baseando-se nos dados coligidos através
do DRP e a partir das entrevistas realizadas,
observa-se que na comunidade de GAV
quando os filhos se casam constroem suas
moradias no mesmo lote dos pais, passando a
compartilhar da renda gerada pela agricultura
e/ou pecuária proveniente do uso da terra. Os
adultos jovens buscam trabalho fora da
comunidade, geralmente no município de
Casimiro de Abreu, no setor do comércio ou
em serviços domésticos, este último
especificamente para as mulheres.
Os entrevistados, cuja principal ocupação
é a atividade rural, possuem renda mensal não
Chrislo, A. G.; Guedes~Bruni, R. R. &. Fonseca-Kruel . V. S.
superior a dois salários mínimos, sendo a
maioria contemplada com apenas um salário.
O trabalho de conservação do mico-leão-
dourado (Leonthopitecus rosalia Lesson)
através de ONG, assim como o programa
Prev-Fogo” do IBAMA, abrem possibilidades
de financiamentos na área ambiental da região
além de postos de trabalho para os residentes
das comunidades do entorno.
Segundo Silva (2002) a gestão das
pequenas e médias propriedades agropecuárias
está se individualizando, no sentido de que as
atividades ficam sob responsabilidade apenas
do pai e/ou de um dos filhos, enquanto os
demais membros da família procuram outras
formas de inserção produtiva, em geral fora
da propriedade, ou seja, em muitos casos hoje
quem dirige efetivamente a propriedade não
é mais a família como um todo e sim alguns
dos seus membros. Este mesmo autor
acrescenta que esse fato não invalida o
caráter familiar do empreendimento,
ressaltando ainda que a família rural já não
se identifica mais com as atividades agrícolas.
A casa dos pais tomou-se uma espécie de
base territorial, que acolhe os parentes
próximos em ocasiões festivas e, mais do que
isso, transformou-se em um ponto de refúgio
para as épocas de crise, principalmente as
associadas com o desemprego.
no dominio^da^^Atlâni^e^Qj^^^^^!^^05 "Gizados =m comunidades siluadas
Gamboa, RJ
Chalhaus, RJ
Arraial do Cabo, RJ
Praia do Puruba, SP
Sertão do Puruba, SP
Picinguaba, SP
Casa de Farinha, SP
Ilha de Vitória, SP
Ponta do Almada, SP
Praia de Camburí.SP
Guaraqueçaba, PR
45
1,99
4,59
Figueiredo et al. 1993
Figueiredo et al. 1997
Fonseca-Krue! & Peixoto 2004
Rossato et ai 1999
Rossato etal. 1999
Rossato etal. 1999
Rossato et al. 1 999
Rossato et al. 1999
Hanazaki etal. 2000
Hanazaki etal. 2000
Lima et al. 2000
Rodriguésia 57 (3): 519-542. 2006
.SciELO/ JBRJ
12 13 14 15 16 17
539
cm
Etnobotánica em uma área de Floresta Atlântica, Rio de Janeii o
Conclusões
O conhecimento sobre os recursos
vegetais na comunidade GAV é grande e
representa um dos valores mais altos indicado
pelo índice de diversidade de Shannon para
estudos dessa natureza. A categoria medicinal
é a que agrega o maior elenco de espécies (96
spp.) das 2 1 0 úteis identificadas, o que pode ser
justificado, em parte, pelos locais priorizados
pela metodologia adotada, os arredores das
residências e, em parte, também, pela maior
disponibilidade das mulheres em participar das
etapas metodológicas. Os homens detêm o
conhecimento sobre as plantas nativas, sobretudo
as de uso na construção, como combustível e
confecção de utensílios domésticos e ferramentas,
enquanto as mulheres detêm, fundamentalmente,
o conhecimento sobre as plantas medicinais. A
disponibilidade de tempo dos informantes
masculinos que propicie incursões a áreas
remanescentes de floresta na região poderá
ampl iar o número de citações de espécies nativas
e, ainda, alterar o quadro geral de categorias de
usos. Cinco espécies obtiveram índices de
importância relativa maiores que 1,00 c foram
indicadas no tratamento até o máximo de seis
categorias distintas de doenças. As categorias
de doenças com maior consenso entre os
informantes da comunidade foram aquelas
relacionadas: a doenças infecciosas e parasitárias,
transtornos do sistema nervoso e transtornos do
sistema respiratório, o que, por sua vez, coincide
com as doenças mais ocorrentes na comunidade.
A extração seletiva é apontada como prática
pretérita c responsável pela redução de algumas
espécies típicas das matas de baixada como. o
ipê-tamanco ( Tabebuia cassinoides) e o pau-
pereira (Picramnia ciliuta ). A comunidade
GAV não possui esta prática e a retirada de
espécies nativas de matas particulares, se dá
de forma eventual.
A comunidade, a despeito de ter tido parte
de seus habitantes desalojada, no passado, das
fazendas que compunham a área que hoje
constitui a Reserva, reconhece a importância
da conservação dos remanescentes florestais
da região, bem como do conhecimento que
possuem sobre o uso de plantas. Revelam assim
potencialidades de estudos e cooperação entre
diferentes setores da biologia da conservação
que busquem priorizar a identificação de
alternativas de recursos e a elaboração de
programas de educação ambiental. A inclusão
dos indivíduos detentores desse conhecimento,
fixado por gerações, e que desempenham
liderança natural por isso, deveria ser encarada
como estratégica para as iniciativas oriundas de
órgãos de governo e organizações não-
governamentais que objetivem a conservação
e uso sustentado desses recursos genéticos,
salvaguardados nas Unidades de Conservação.
Agradecimentos
Ao Instituto de Pesquisas do Jardim
Botânico do Rio de Janeiro, através do PIBIC/
CNPq e ao CNPq pelas facilidades concedidas
à realização do presente estudo e pela bolsa
concedida ao primeiro autor; aos moradores de
GAV pela colaboração c amizade; à
PETROBRAS pelo financiamento ao Programa
Mata Atlântica do qual este estudo faz parte; à
Reserva Biológica de Poço das Antas/IBAMA
pelo apoio logístico; à Antônio Tavares de
Oliveira e Adilson Pintor, do Programa Mata
Atlântica, pelo auxílio nos trabalhos de campo;
aos taxonomistas Alexandre Quinet, Ângela S.
F. Vaz, Claudine M. Mysscn, Elsie Franklin
Guimarães, Genise Vieira Somner, Haroldo C.
de Lima, Inês Macline da Silva, José Fernando
A. Baumgratz, José Marcelo A. Braga, Lana
S. Sylvestre, Marcelo da Costa Souza, Maria
Verónica P. Leite-Moura, Mássimo G. Bovini e
Sebastião José da Silva Neto, pelo auxílio na
identilicação/confirmação de parte do material
botânico; ao médico Willian Salomão Rahy
(UFRRJ) pelo auxílio na ordenação das doenças
nas categorias propostas pela OMS; ao Prol.
Dr. Jarbas M. Queiroz (UFRRJ) pelo auxílio
nos métodos estatísticos; ao Prof. Dr. Cláudio
Urbano Pinheiro (UFMA), Profa. Dra. Sonia
Lagos (Jardín Botânico Nacional, Santo
Domingo, República Dominicana) e ao Prof.
Dr. Antônio Carlos Diegues (NUPAUB-USP)
pelas valiosas críticas c sugestões c à Profa.
Meggin Lindgren pelo auxílio na elaboração
do abstract.
Rodriguèsia 57 (3): 519-542. 2006
SciELO/JBRJ
12 13 14 15 16 17
540
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SciELO/ JBRJ
12
Rodriguèsia 57 (3): 519-542. 2006
13 14 15 16 17
cm
Lauraceae na Reserva Biológica de Poço das Antas,
Silva Jardim, Rio de Janeiro, Brasil
Alexandre Quinei'
Resumo
(Lauraceae na Reserva Biológica de Poço das Antas, Silva Jardim, Rio de Janeiro, Brasil) Este trabalho
consta do estudo taxonômico das espécies de Lauraceae na Reserva Biológica de Poço das Antas, localizada
no município de Silva Jardim, no estado do Rio de Janeiro, Brasil. A vegetação da Reserva é do tipo Floresta
Pluvial Baixo - Montana com altitudes até 200 metros. Baseado nas coleções botânicas depositadas em vários
herbários, especialmente nas do Instituto de Pesquisas do Jardim Botânico do Rio de Janeiro e em trabalho de
campo, foram reconhecidas na Reserva 25 espécies subordinadas a nove gêneros. O tratamento da família
compreende descrições morfológicas das espécies, comentários e ilustrações. Sâo fornecidos, também, dados
sobre a distribuição geográfica, habitat, nome popular, além de uma chave para a identificação das espécies
ocorrentes na área.
Palavras-chave: Lauraceae, taxonomia, morfologia, mata atlântica. Rio de Janeiro.
Abstract .
(Lauraceae of the Biological Reserve of Poço das Antas, Silva Jardim, Rio de Janeiro, Brazil) This paper
presents the taxonomic study of the Lauraceae species of the Reserva Biológica de Poço das Antas, m the
municipality of Silva Jardim, Rio de Janeiro State, Brazil. The vegetation is charactenzed as Low - Montane
Atlantic Rain Forest, with altitudes until 200 m a.s.l. Botanical material deposited in several herbana, particularly
those of the Instituto de Pesquisas do Jardim Botânico do Rio de Janeiro, and field observat.ons were made.
This investigation detected the occurrence of 25 species in Reserve, distributed into nine gene». The
treatment of the family includcs morphologic description, comments and illustrations. It is also presented
data on geographical distribution, habitat, common names. as well as an analytical key for species Identification
in the area. . .
Key words: Lauraceae, taxonomy, morphology, mata atlântica. Rio de Janeiro.
Introdução
Lauraceae é representada por árvores ou
arbustos, geralmcnte providas de óleos
essenciais e aroma característico. A família
vem sendo apontada como uma das mais
representativas nos inventários florísticos e
fitossociológicos realizados em áreas de
florestas bem preservadas da porçüo sudeste-
sul do país, tanto em número de indivíduos
quanto em riqueza de táxons (Guedes-Bruni
1997; Kurtz 2000). Este fato corrobora a
hipótese de que esta região seja um dos
principais centros de diversidade deste grupo
(Vattimo - Gil 1959).
A Reserva Biológica de Poço das Antas
(REBIO) está localizada cm um dos últimos
remanescentes de floresta de baixada no estado
do Rio de Janeiro. A sua cobertura vegetal está
hoje representada por manchas de florestas,
brejos e extensas áreas de campos em diferentes
estágios sucessionais. Um inventário florístico
e fitossociológico intensivo, realizado na área
desde 1990 pela equipe do Programa Mata
Atlântica do Instituto de Pesquisas Jardim
Botânico do Rio de Janeiro, disponibilizou um
acervo valioso sobre a família, o que permitiu o
desenvolvimento deste trabalho.
O presente trabalho teve por objetivo
estudar as espécies de Lauraceae ocorrentes
na Reserva, disponibilizar uma chave de
identificação e fornecer descrições e
comentários sobre cada uma delas, de modo a
contribuir para o conhecimento da diversidade
de sua flora.
Artigo recebido em 03/2005. Aceito para irQ Rua Pacheco Leflo 9,5. Jardim Botânico. Rio
'Pesquisador do Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Kio ac junuru.
de Janeiro, RJ, 22460-030. aquinet@jbij.gov.br
SciELO/JBRJ
12 13 14 15 16 17
cm i
544
Material e Métodos
A Reserva Biológica de Poço das Antas
(22°30’-22°33,S e 42°5,-42°19’W) está situada
no município de Silva Jardim, estado do Rio de
Janeiro. Sua área abrange 5.000 ha, sendo a
paisagem dominante caracterizada por morros
baixos mamelonares, cujas altitudes atingem até
200 m, e por baixadas permanentemente
inundáveis ou apenas na época das chuvas. A
vegetação predominante é a Floresta Ombrófila
Densa Baixo-Montana (Velloso et al. 1991), em
diferentes estágios sucessionais, comparti-
mentada nas formações sub-montana e de terras
baixas. A cobertura florestal da Reserva é
atualmente constituída por áreas de formação
pioneira com influência fluvial, capoeira aluvial,
campos antrópicos, capoeiras submontanas,
floresta aluvial, floresta submontana e floresta
de baixada (Programa Mata Atlântica 1997).
O material botânico utilizado neste estudo
foi obtido de coletas assistemáticas em diversas
áreas da Reserva e, em sua maior parte, de
áreas representativas das diferentes
fitofisionomias definidas para estudos
fitossociológicos, cada uma com um hectare.
As coleções botânicas encontram-se
depositadas no herbário do Instituto de
Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro.
Não foi citada a sinonímia para cada táxon,
exceto quando se tratava de uma novidade
nomenclatural ou de sinônimos recentes. Quando
o material da área de estudo era insuficiente para
as descrições, foram acrescentados espécimes
provenientes de outras localidades, estando estes
citados em material adicional.
A terminologia utilizada para a descrição
da maior parte dos órgãos foi baseada em
revisões e trabalhos atuais sobre a família. A
morfologia da folha seguiu Rizzini (1977), o
padrão de nervação Hickey (1973) e a
caracterização das domácias Santos & Oliveira
(1989) e Santos & Almeida (1995).
As formações vegetais citadas neste
trabalho seguem o sistema de classificação de
Velloso et al. ( 1 99 1 ). Os dados de distribuição
geográfica foram obtidos de literatura e de
etiquetas de espécimes herborizados, os nomes
Quinei. A.
populares através de informações locais ou de
literatura especializada.
Resultados e Discussão
Lauraceae Juss., Gen. Pl. 89. 1789.
Arvores ou arbustos, com exceção de
Cassytha, trepadeira parasita. Em geral plantas
aromáticas, monóicas, dióicas ou ginodióicas.
Folhas alternas, raramente opostas a subopostas
( Beilschmiedia ), com pecíolo em geral
canaliculado, lâmina de margem saliente, às vezes
revoluta, nervação camptódroma, broquidódroma
ou acródroma ( Cinnamomum ), presença de
células oleaginosas e mucilaginosas no mesofilo,
glabras ou indumento com tricomas simples e
unicelulares. Inflorescência axilar ou terminal, em
panícula, tirso, tirsóide, botrióide, espiga ou
racemo. Flores monóclinas ou díclinas, tépalas
em geral 6 ou 9, neste último caso as mais internas
de origem estaminodial (Phyllostemonodaphne),
iguais, ou as externas bem menores que as
internas (Persea. Cassytha). Androceu com 3,
6 ou em geral 9 estames férteis, anteras
bilocelares ou quadrilocelares, dispostas em 4
séries: P e 2J séries de estames com anteras
- VM Ui WAUW»^V~1
3 série de estames com um par de glândulas na
base dos filetes, anteras em geral extrorsas;
raramente todos os estames das Ia, 2a e 3a séries
com um par de glândulas na base dos filetes
( Urbanodendron ); 4a série mais interna
estaminodial, filiforme, triangular, cordada,
sagitada ou ausente. Flores diclinas em plantas
dióicas, as estaminadas com pistilóide reduzido
ou ausente e as pistiladas com estaminódios
reduzidos e de morfologia semelhante aos
estames das flores estaminadas. Gineceu com
ovário semi-ínfero ou supero, unicarpelar,
unilocular, estilete simples, terminal, óvulo único,
anátropo. Fruto bacáceo, exocarpo fino,
mesocarpo carnoso, pouco ou muito espesso,
endocarpo representado apenas pela epiderme
interna da parede do fruto; sobre ou parcialmente
envolvido pelo hipanto modificado em cúpula, ou
ausente ( Beilschmiedia ), com margem simples
ou dupla, tépalas persistentes ou decíduas, ou
fruto completamente envolvido pelo
RoJriguésia 57 (3): 543-568. 2006
SciELO/JBRJ
12 13 14 15 16 17
Lauraceae na Rebio de Poço das Antas
545
perigônio acrescente formando uma núcula
( Cryptocarya ), pedicelo frutífero às vezes
muito espessado. Semente sem endosperma,
embrião desenvolvido, rostelo curto,
cotilédones amplos, carnosos.
As Lauraceae têm distribuição
pantropical, possuindo cerca de 2.500 espécies
subordinadas a 50 gêneros (Rohwer 1 993). No
Brasil ocorrem 22 gêneros e cerca de 360
espécies que ocupam preferencialmente as
florestas pluviais, como também, as restingas
e os cerrados (Quinet 2002a). Na Reserva
Biológica de Poço das Antas foram registradas
25 espécies subordinadas a nove gêneros.
A família é conhecida por muitas das
suas espécies apresentarem potencial
econômico, seja madeireiro, seja alimentício,
como o abacateiro ( Persea americana Mill.),
muito comercializado em quase toda a
América, cujo fruto é muito apreciado e donde
também se extrai do mcsocarpo c da semente
o óleo para a fabricação de cosméticos. No
Brasil, se destacam especialmente as
espécies de Ocotea, Nectandra e de
Mezilaurus, conhecidas popularmente como
canelas, loureiros ou embuias, que apresentam
muitas das suas espécies com importante
potencial madeireiro.
Chave para identificação das espécies
1 . Flores monóclinas.
2. Todos os estames com um par de glândulas. ,
3 Ramos ângulares; folhas estreitamente lanceoladas a elípticas, 12 19 3 6 cm,
‘ infiorescência bótrio, envolvida na base por escamas foi iáccas; estames com anteras
24. Urbanodendrom verrucosum
3’ Ramos cMncHcò*s"folto * 1 ,8-3,4 cm; infiorescência tirsóide,
' nío envolvida cm sua base por escamas foliáceas; estames com anteras quadnlocclares
25. Urbanodendrom bahiense
2’. Somente os estames da 3a série com um par de glandulas
4. Anteras bilocelares. . 4 ,
5. Estames da Ia e 2a séries com filetes mais largos que anteras 2. Antbafirmula
V Fstimes da Ia e 2“ séries com filetes mais delgados que as anteras.
' 6. Flores com tépalas em geral patentes; estames da 3- série férteis, estaminódios da
4a série cordato-sagitados ou sagitados; fruto núcula.
7 Folha coriácea, 14-21 * 6-10 cm, face abaxial papilosa, padrão de nervação
' , , 6. Cryptocarya moschata
T FoUiTcartáce^ 5— Ío* * 2,4-3 ,5 cm, face abaxial sem papilosidade, padrão de
, , :j . irrvr-nn 5. Cryptocarya micrantha
6’ Flores^omlépalas eretas; csianies da í série estaminodiais; estaminódios da 4-
série ovado-tnangulares, iruto oacacco
4’ ^StótosTa1 4-Térie bem desenvolvidos, triangulares, cortados ou romboidais.
9 Folhas com base inequiláleras, dores
9- tóPi-'?» 5 "“*>“»■ , , .
' 1 0 Folhas com padrilo de nervaçao camptódromo-broqmdodromo; sen, domacas nas
axilas e nervuras secundárias; estames da 3- série com par de glandulas globosas na
base 4a série estaminodial romboidal 3. Ommomm nedchamm
10- Fo has com padrao de nervaçao aeródromo imperfetto; domacas em tufos de
' pêlos nas axilas das nervuras secundárias; estames da 3- ser.es com par de
glânduias triangulares na base; 4-
Rodriguésia 57 (3): 543-568. 2006
!scíelo/jbrj
12 13 14 15 16 17
cm
^46 Quinei. A.
8’. Estaminódios da 4 a série ausentes ou quando presentes reduzidos, em geral filiformes.
1 1 . Locelos dispostos em arco.
12; Folhas subopostas a opostas no ápice dos ramos ... 12. Nectandra oppositifolia
12 . Folhas alternas em todo o ramo.
13. Folha com nervação terciária perpendicular em relação à nervura principal.
14. Estames da Ia e 2a séries com anteras pentagonais ou arredondadas
13. Nectandra puberula
14’. Estames da Ia e 2a séries com anteras suborbiculares a transversal -elípticas
11. Nectandra membranacea
13 . Folha com nervação terciária oblíqua em relação à nervura principal.
15. Folhas lanceoladas ou ovadas; estames da 1 a série com anteras orbiculares,
estames da 2 série com anteras pentagonais; fruto envolvido parcialmente
t P°r cúPula em forma de taça 10. Nectandra leucantha
15’. Folhas obovadas a oblongo-lanceoladas; estames da Ia e 2 a séries com
anteras transversal-elípticas; fruto parcialmente envolvido por cúpula cônica
. , , r , Nectandra cissi flora
1 1 . Locelos superpostos.
16. Inflorescência axilar a subterminal, botrióide; folhas alternas em todo o ramo
; Ocotea daphnifolia
6 . Inflorescencia terminal, corimbiforme de botrióide ou tirsóide; folhas aparentemente
verticiladas no ápice dos ramos floríferos e alternas em ramos vegetativos
17. Smflorescência corimbiforme de tirsóide; gemas apicais enegrecidas (em
material seco), com até 1 cm de compr.; fruto envolvido por cúpula hemisférica,
venuculosa ^
7 . Smflorescência corimbiforme de botrióide; gemas apicais aureo-seríceas (em material
seco) com ate 0,5 cm de compr.; fruto envolvido por cúpula obcônica, lisa.
o as com ace abaxial pubescente, com domácias na axila de nervuras
secundarias; estames da Ia e 2a séries com filetes visivelmente diferenciados
das anteras anteras ovais... 18. Ocotea elegans
j° ,aaS ?aa ,ras’ Sem domac*as na axila de nervuras secundárias; estames
ale*, series com filetes subsésseis, anteras suborbiculares ou ovais
1’. Flores díclinas. 19‘ Ocotea indecora
19' es,aHminafas “"'anteras quadrilocelares; estaminódios das flores
pistiladas com vestígios de anteras quadrilocelares.
20. Lamina com pontuado glandular enegrecido na face adaxial.
’ hXÍIT de "erVUraS secundárias;
fn,t„ , e2 ser|es orbiculares a subquadrangulares;
tato envolvido por cupula com tépalas decíduas 15. Occel diosmrifoUa
' ÍTZ™ HS,al áuren°-Pubesce"tei d""tácias em tufos de pêlos nas axilas
Í* e 2 Séries nTH n?V rT a b0lriÓide ou "tetabotrióide; anteras das
........... “ P°r CÚpUla Com ,éPalas Persistentes
20'. Lâmina sem pontuado glandülãr en^ecid^ na Se adaiia] ' ‘
22. Um, na sem domácias na axila de nervuras secundárias, tatos de margem dupla
22 •.
Rodriguésia 57 (3): 543-568. 2006
SciELO/JBRJ
12 13 14 15 16 17
cm
Lauraceae na Rehio de Poço das Antas
547
23. Lâmina com padrão de nervação eucamptódromo, filetes das 1“ e 2* scr.es subsésseis
r 17. Ocolea divancata
23’. Lâmina com padrão de nervação broquidódromo, filetes das 1" e 2“ series evidentes^
19’. Estames das flores estaminadas com anteras bilocelares; estaminódios das flores pistiladas
face abaxial de„same„,e ^
24’. Folhas ovada^ cm- ^ase cuneada, fece^l^xi^^ureo^v^utma,
padrão de nervaçao eucamptodromo
1. Aiouea saligna Meisn., in A. de Candolle,
Prodr. 15(1): 82. 1864. Fig. 1 al-a8
Árvores monóicas, 11 m alt., ramos
subcilíndricos a angulosos, glabros. Folhas
alternas em todo o ramo, cartáceas, elípticas,
4,5-15 x l,8-3,7cm, base atenuada, ápice
cuspidado, glabérrimas, nervação
broquidódroma, reticulado denso; sem
domácias nas axilas de nervuras secundárias.
Inllorescência tirsóide axilar. Flores monóclinas,
tépalas iguais, eretas, glabras. Estames com
anteras bilocelares, Ia e 2a séries com filetes
evidentes, mais delgados que anteras, anteras
ovado-triangulares; 3a série estaminodial
liguliforme com par de glândulas globosas na
base; 4a série estaminodial ovado-triangular,
foliácea, glabra. Ovário subgloboso. Fruto
bacáceo, elipsóide sobre cúpula obcônica de
margem simples, tépalas decíduas.
Habitat: ocorre na floresta ombrófila densa
(Baitello 2003).
Distribuição geográfica: No Brasil, nos
estados da Bahia, Ceará, Maranhão, Mato
Grosso, Minas Gerais, Pará, Paraná, Rio de
Janeiro, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e
São Paulo (Kubitzki & Renner 1 982).
Material examinado: estrada Juturnaiba,
esquerda, km 9, 26. V. 1 994, fr., C. Luchiari 376
(RB); fazenda da Kombi, próximo ao Pau do
Guacho, 26.XI.2004, fl., //. C. Lima 4495 (RB).
Caracteriza-se por suas tolhas verde-
brilhantes na face adaxial, mesmo quando
herborizadas, inflorescências multifloras,
flores com tépalas eretas, estames lérteis
apenas na Ia e 2a séries e 4a série estaminodial
ovado-triangular.
Na REBIO, ocupa áreas principalmente
de floresta de encosta ou de floresta de baixada
em áreas não periodicamente inundáveis.
2. Aniba firmula (Nees & Mart.) Mez, Jahrb.
Konigl. Bot. Gart. Berlin 5:57. 1889.
Fig. 1 bl-b4
Árvores monóicas, 6-9 m alt., ramos
angulosos, tomentosos. Folhas alternas em todo
o ramo, cartáceas, lanceoladas, 8,5—21 * 2—6
cm, base aguda, ápice acuminado; face abaxial
glabra, papilosa; padrão de nervação
broquidódromo, reticulado denso, sem
domácias nas axilas de nervuras secundárias.
Inflorescência panícula, axilar. Flores
monóclinas, tépalas iguais, eretas, tomentosas.
Estames com anteras bilocelares, Ia e 2a séries
com filetes evidentes, mais largos que as
anteras, anteras triangulares; estames da 3a
série com par de glândulas globosas na base,
anteras ovais; 4a série estaminodial ausente.
Ovário globoso. Fruto bacáceo, elipsóide,
parcialmente envolvido por cupula hemisféiica,
lenhosa, de margem simples; tépalas decíduas.
Nomes populares: canela-rosa, cancla-
sassafrás.
Habitat: ocorre na floresta ombrófila densa
das terras baixas, submontana e montana,
floresta estacionai semidecidual submontana
c montana, restinga e formações secundárias.
(Quinct 2002b).
Distribuição geográfica: no Brasil, da Bahia
ao Rio Grande do Sui (Quinct 2002b).
Material examinado: estrada para Jutamaiba
próximo ao portão da Reserva, 18.111. 1994,
veg., D. S. Farias 194 (RB); trilha à direita
Rodriguésia 57 (3): 543-568. 2006
SciELO/JBRJ
12 13 14 15 16 17
cm
548
após a casa do morcego, 16.VI.1994, fr., D.
S. Farias et al. 262 (RB); trilha à direita após
a casa do morcego, 19.XII.1994, fr., D. S.
Farias et al. 345 (RB).
Material adicional: BRASIL. MINAS
GERAIS: Alfenas, fazenda Ilha, 29.X. 1 990, fl.,
T Cristina s.n. (RB 202710). RIO DE
JANEIRO: Petrópolis, Quitandinha, 1948, fl.,
O. C. Góis & Octavio 133 (RB).
Caracteriza-se pela presença de papilas
na face abaxial das folhas, anteras bilocelares
e filetes denso-vilosos tão largos quanto as
anteras, pelos seus frutos bacáceos
parcialmente inseridos em cúpula hemisférica
de consistência lenhosa e com lenticelas
bastante proeminentes. Apresenta ainda odor
adocicado característico.
Na REBIO, ocupa áreas de floresta de
encosta em trechos florestais mais densos,
predominantemente secundários, com árv ores
que chegam a 30 metros de altura.
3. Cinnamomum riedelianum Kosterm.,
Reinwardtia 6: 23. 1961. Fig. 1 cl-c8
Árvores monóicas, ca. 13 m alt., ramos
subangulosos, áureo-tomentosos. Folhas
alternas em todo o ramo, cartáceas,
lanceoladas, 4,7-10,5 * 1, 8-3,8 cm, base
aguda, ápice agudo ou acuminado, face
abaxial glabra; padrão de nervação
camptódromo-broquidódromo, reticulado
denso, sem domácias nas axilas e nervuras
secundárias. Inflorescência tirsóide axilar.
Flores monóclinas, tépalas iguais, áureo-
tomentosas. Estames com anteras
quadrilocelares, papilosas, Ia e 2a séries com
filetes pouco evidentes, mais delgados que
as anteras, estas quadrangulares; estames
da 3 série com par de glândulas globosas
na base, anteras retangulares; 4a série
estaminodial bem desenvolvida, estaminódios
romboidais. Ovário elipsóide. Fruto bacáceo,
elipsóide, sobre cúpula cônica de margem
simples, tépalas decíduas.
Nome popular: canela-garuva.
Habitat: ocorre na floresta ombrófila densa
das terras baixas e montana (Quinet 2002b).
Quinei. A.
Distribuição geográfica: no Brasil, nos
estados do Paraná, Rio de Janeiro e Santa
Catarina (Quinet 2002b).
Material examinado: 21. IX. 1994, veg., S. V
A. Pessoa s.n. (RB 408027).
Material adicional: BRASIL. RIO DE
JANEIRO: Rio de Janeiro, Nova Friburgo,
Reserva Ecológica de Macaé de Cima,
nascente do rio das Flores, 16.XII. 1991, fl., fr.,
M. Nadruz et al. 723 (RB). SANTA
CATARINA: Sabiá, Vidal Ramos, 8.III.1958,
fr., R. Reitz & R. M. Klein 6600 (FLOR, RB).
Caracteriza-se por apresentar filetes
curtos, menores que as anteras, e estaminódios
da 4a série romboidais.
Na REBIO, ocorre exclusivamente em
floresta de encosta onde foi registrada a
ocorrência de apenas um indivíduo com cerca
de 1 3 metros de altura.
4. Cinnamomum triplinerve (Ruiz & Pav.)
Kosterm., Reinwardtia 6: 24. 1961.
Fig. 1 dl-d7
Árvores monóicas, 7-10 m alt., ramos
angulosos, pilosos. Folhas alternas em todo
o ramo, cartáceas, lanceolado-ovadas a
elípticas, 7,5—12 * 3—5,5 cm, base cuneada,
ápice agudo ou acuminado; padrão de
nervação aeródromo imperfeito, reticulado
denso, domácias em tufos de pêlos nas axilas
de nervuras secundárias. Inflorescência
panícula axilar. Flores monóclinas, tépalas
subiguais, pubescentes. Estames com anteras
quadrilocelares, Ia e 2a séries com filetes
evidentes, mais delgados que anteras, anteras
triangulares; estames da 3a séries com par
de glândulas triangulares na base, anteras
triangulares; 4a série estaminodial bem
desenvolvida triangular ou cordada. Ovário
globoso. Fruto bacáceo, elipsóide, sobre
cúpula pateliforme de margem simples,
tépalas persistentes.
Habitat: ocorre na floresta ombrófila densa,
floresta estacionai semidecidual (Baitello 2003).
Distribuição geográfica: no Brasil, nos
estados do Ceará, Espírito Santo, Minas Gerais,
Pará, Paraíba, Rio de Janeiro, Roraima, Santa
RoJriguésia 57 (3): 543-568. 2006
SciELO/JBRJ
12 13 14 15 16 17
cm
Lauraceae na Rebio de Poço das Antas
549
. ir. oi fínr nl oineceu: a4. cstanic da série 1* série de fronte n estaminódio
Hrum 1 - Aiouca saligna Mcisn.-al. ramo florífero, l. ; ‘ - • jnódios 4“ série ; a8. fruto. Anibaflrmula (Nees
da 3“ série; a5. estame da 2“ série; a6. estaminodios da st , • ‘ série. Cinnammum rledcllamim
& Mart.) Mez - bl . folha; b2. estame da 1" séne; b3 esta™ da 2 sènc,^ ^ ^ ^ y ^ c? cs(aminódio
Kosterm. -cl. folha; c2. flor; c3. tépala; c4 estame ^da . dl ram0 florífero; d2. flor; d3. tépala; d4. estame
da 4" séne; c8. gineceu. Cinnamomum triplinerve(Ru . ‘ . (1.a7 Uma 4495 ■ a8 Luchiart 37(5; bl -b4 Cristina s.n..
da 1“ série; d5. estame da 2“ série; dó. estame da 3* série; d 7. gmeteu (ai
RB 202710 ; cl-c8 Nadniz 723\ dl Correia 392, d2-d7 Klein
Rodriguêsia 57 (3): 543-568. 2006
SciELO/JBRJ
12 13 14 15 16 17
cm ..
550
Catarina e São Paulo. Belize, Bolívia, Colômbia,
Costa Rica, Cuba, Equador, Guatemala,
Honduras, Jamaica, México, Panamá,
Paraguai, Porto Rico, Peru, República
Dominicana e Venezuela (Baitello 2003).
Material examinado: trilha Rodolfo Norte,
caminho para Pelônia, 19.X.1993, fr., C. M. B
Correia 392 (RB); estrada para Jutamaíba, km
8, 19.XII.1994, fr., D. S. Farias etal. 143 (RB).
Material adicional: BRASIL. RIO DE
JANEIRO: Rio de Janeiro, Guadalupe, estrada do
Camboatá, 26.IX.1985, fr., C. Famey et al. 933
(RB). SANTA CATARINA: Indaial, localidade
de Ilse, 18.IX.1962, fl., R. Klein 3152 (RB).
Caracteriza-se por apresentar ritidoma
pardo-claro e casca de cor creme com
lenticelas transversais, folhas com superfície
abaxial papilosa, folhas trinérveas com
domácias na axila de nervuras secundárias,
flores com anteras quadrilocelares,
estaminódios da 4a série triangulares ou
cordados, e frutos bacáceos elipsóides sobre
cúpula com tépalas persistentes.
Na REBIO, ocupa áreas principalmente
de floresta de encosta ou de floresta de baixada
em áreas não periodicamente inundáveis.
5. Cryptocarya micrantha Meisn., in DC.,
15(1): 75.1864. Fig. 2al-a8
Árvores monóicas, ca. 13 m alt., ramos
angulosos, glabros. Folhas alternas em todo o
ramo, cartáceas, lanceoladas a elípticas, 5-10 x
2,4— 3,5 cm, base aguda, ápice agudo a cuspidado;
face abaxial glabrescente; padrão de nervação
broquidódromo, reticulado denso; sem domácias
nas axilas de nervuras secundárias. Inflorescência
panícula, axilar a subtenninal. Flores monóclinas,
tépalas subiguais, áureo-tomentosas. Estames
com anteras bilocelares, Ia e 2a séries com filetes
evidentes, mais delgados que as anteras, anteras
ovado-triangulares; estames da 3a série com par
de glândulas globosas na base, anteras
triangulares; 4a série estaminodial cordado-
sagitada. Ovário elipsóide. Fruto núcula,
costulada, subglobosa a piriforme, totalmente
inclusa no hipanto acrescente, tépalas persistentes
no ápice ou decíduas.
Nome popular: canela-batalha.
Quinet, A.
Habitat: ocorre na floresta ombrófila densa
das terras baixas e montana, floresta
estacionai semidecidual submontana e
montana (Quinet 2002b).
Distribuição geográfica: no Brasil, nos
estados do Espírito Santo, Minas Gerais e Rio
de Janeiro (Quinet 2002b).
Material examinado: encosta-área da
parcela 9A, 29. VI. 1 994, veg., S. J. Silva Neto
s.n. (RB 406008); 29. VI. 1 994, veg., S. J. Silva
Neto s.n. (RB 406009).
Material adicional: BRASIL. MINAS
GERAIS: Rio Novo, s.d., fl., G Schwacke
6680 (RB). RIO DE JANEIRO: Magé,
Paraíso, Centro de Primatologia do Rio de
Janeiro, próximo à represa, 23.XI.1985, fr., 11.
C. Lima 2632 (RB).
Caracteriza-se por folhas com padrão de
nervação broquidódromo, estames da Ia e 2a
séries pilosos e 4a serie estaminodial subséssil.
Frutos subglobosos a piriformes marcadamente
costulados com até 4 cm de diâmetro.
Na REBIO, pode ser encontrada no
interior da mata em áreas de encosta como
em áreas de baixada.
6. Cryptocarya moschata Nees & Mart. ex
Nees, Linnaea 8: 37. 1833. Fig. 2 bl-b6
Arvores monóicas, ca. 15 m alt., ramos
angulosos, glabrescentes. Folhas alternas em
todo o ramo, coriáceas, elípticas a lanceoladas,
21 x 6—10 cm, base aguda, ápice agudo a
acuminado, face abaxial esparsamente áureo-
tomentosa, padrão de nervação eucamptó-
romo, reticulado denso; sem domácias nas
axilas de nervuras secundárias. Inflorescência
panícula axilar ou subterminal. Flores monóclinas,
tepa as subiguais, áureo-tomentosas. Estames
com anteras bilocelares, Ia, 2a e 3a séries com
i etes evidentes, mais delgados que anteras,
anteras ovado-triangulares; par de glândulas
globosas, estipitadas, dispostas entre Ia, 2a e 3a
sene de estames; 4a série estaminodial sagitada.
Ovário elipsóide. Fruto núcula, obovóide a
pin orme, costulado, totalmente incluso no
ipanto acrescente, tépalas persistentes em
R odriguêsia 57 (3): 543-568. 2006
SciELO/JBRJ
12 13 14 15 16 17
Lauraceae na Rebio de Poço das Antas
551
cm
i r ni fínr n3 ténala* a4. csturtic da Ia série: o5. estame da 2 série, a6.
FiRiira 2 - Cryptocarya micnmtha Meisn. - ai . fo ha, , . • • P Achata Nces et Mart. ex Necs - b 1 . ramo ílorlfcro;
:stame da 3“ série; a7. estaminódio da 4 séne; a8. Rbn • C W _ ^ EMierla ghmerata Mc/, - c 1 . ramo flori fero;
)2. flor; b3. tépala; b4. estame da 1 séne; b5_ estarm. I - b da 3. síric; c7. fruto. Endlicherla paniculata
:2. flor; c3. tépala; c4. estame da 1“ séne; c5. y série; d5. estame da 3“ série; d6. pistilóide;
Spreng.) J. F. Macbr. - dl . folha; d2. flor; d3. estame da I M •
17. fruto. . (al-a8 Schwacke 6680 ; bl-b5 Araújo 107 ; b6 Moraes 2452, cl co
Rodriguésia 57 (3): 543-568. 2006
.SciELO/ JBRJ
12 13 14 15 16 17
cm
552
Nome popular: noz-moscada.
Habitat: ocorre na floresta ombrófila densa
das terras baixas e montana, floresta estacionai
semidecidual submontana e montana (Quinet
2002b).
Distribuição geográfica: no Brasil, nos
estados de Minas Gerais, Paraná, Pernambuco
Rio de Janeiro, Santa Catarina e São Paulo
(Quinet 2002b).
Material examinado: encosta, área da parcela
7B, 20.1.1994, veg., D. S. Farias et al. 80
(RB); Ibidem, 2 1 .VII. 1 994, fl„ S. J. Silva Neto
s.n. (RB 405982).
Material adicional: BRASIL. RIO DE
JANEIRO: Magé, Piabetá, estrada do Matão,
10.11.2001, fr„ A. Quinet s.n. (RB 367328);
Ibidem, Petrópolis, Serra da Estrela,
11. VI. 2001, fr., P. L. R. de Moraes 2452
(ESA, RB); Nova Friburgo, Macaé de Cima,
Sítio Sophronites, 26.X. 1 989, fl., /. A . Araújo
107 (RB).
Caracteriza-se por apresentar ritidoma
levemente avermelhado que se destaca em
placas, folhas de coloração castanho-
esverdeada, face adaxial fosca com indumento
áureo-tomentoso, flores com tépalas lanceoladas
de tamanho semelhante ao hipanto comprimido
e fruto obovóide a piriforme, costulado,
totalmente incluso no hipanto acrescente, tépalas
persistentes no ápice ou decíduas.
Na REBIO, foram coletados indivíduos
em áreas de encosta, onde ocupa o dossel,
alcançando cerca de 15 metros de altura.
7. Endlicheria glomerata Mez, Jahrb.
Kõnigl. Bot.Gart. Berlin5: 127. 1889.
Fig. 2 cl-c7
Arvores dióicas, 4-7 m alt., ramos
angulosos, densamente pubescentes. Folhas
alternas em todo o ramo, cartáceas a coriáceas,
estreitamente lanceoladas ou elíptico-
lanceoladas, 15-32 x 4,5-9 cm, base aguda,
ápice acuminado, face abaxial densamente
pubescente, padrão de nervação broquidó-
dromo, reticulado denso; sem domácias nas
axilas de nervuras secundárias. Inflorescência
panícula axilar. Flores díclinas, tépalas iguais,
áureo-velutinas. Flores cstaminadas, estames
Quinet, A.
com anteras bilocelares, 1 a e 2a séries com filetes
evidentes, mais delgados que as anteras, anteras
ovadas; estames da 3a série com par de
glândulas globosas na base, anteras ovadas; 4a
serie estaminodial ausente. Pistilóide presente,
clavado. Flores pistiladas com estaminódios com
vestígios de anteras bilocelares, menores e da
mesma forma que os estames das flores
estaminadas. Ovário ovóide. Fruto bacáceo,
elipsóide sobre cúpula hemisférica de margem
simples, tépalas decíduas.
Habitat: ocorre na floresta ombrófila densa das
terras baixas, floresta estacionai semidecidual
submontana e cerrado (Chanderbali 2004).
Distribuição geográfica: no Brasil, nos
estados de Goiás, Minas Gerais e Rio de
Janeiro(Chanderbali 2004).
Material examinado: Ilhas dos Barbados,
3 1 .VIII. 1 994, fr., D. S. Farias et al. 302 (RB);
Ibidem, fragmento E, 27.V.1999, fr., S. V. A.
Pessoa 978 (RB); Ibidem, 21. VIII. 2001, fr.,
5. V A. Pessoa et al. 1045 (RB).
Material adicional: BRASIL. RIO DE
JANEIRO: Governador Portela, Monte Sinai,
1935, fl., G. Machado Nunes 318 (RB);
Ibidem, segundo distrito de Rio das Flores,
fazenda Santa Genoveva, 7.X.1971, fl., D.
Sucre 7779 (RB).
Caracteriza-se por apresentar ritidoma
pardo-acinzentado, folhas lanceoladas ou
elíptico-lanceoladas, buladas, com pilosidade
densa, amarelo-avermelhado e padrão de
nervação broquidódromo. Flores diclinas com
anteras bilocelares.
Na REBIO Endlicheria glomerata
ocorre apenas em áreas de baixada não
periodicamente inundada.
8. Endlicheria paniculata (Spreng.) J. F.
Macbr., Field. Mus. Nat. Hist. 13(2): 850. 1938.
Fig. 2 d 1 -d7
Arvores dióicas, 4-6 m alt., ramos
angulosos, áureo-tomentosos. Folhas alternas
em todo o ramo, cartáceas, ovadas a elípticas,
1 0 x 2,4 4.5 cm, base cuneada, ápice agudo
a curto-acuminado, face abaxial áureo-velutina,
padrão de nervação eucamptódromo, reticulado
enso, sem domácias nas axilas de nervuras
Rodriguésia 57 (3): 543-568. 2006
SciELO/JBRJ
12 13 14 15 16 17
Lauraceae na Rebio de Poço das Antas
553
secundárias. Inflorescência tirsóide axilar,
áureo-velutina, feminina multillora reduzida e
masculina pauciflora. Flores díclinas, tépalas
iguais, áureo-velutinas. Flores estaminadas,
estames com anteras bilocelares, 1“ e 2a séries
com filetes muito curtos, mais delgados que as
anteras, anteras ovais; estames da 3a série com
par de glândulas globosas na base, anteras ovais;
4a serie estaminodial ausente; pistilóide presente.
Flores pistiladas, estaminódios com vestígios de
anteras bilocelares menores e da mesma forma
que os estames das flores estaminadas. Ovário
elíptico. Fruto bacáceo, elipsóide, verde sobre
cúpula hemisférica, rubra, de margem simples,
tépalas decíduas na maturidade dos frutos.
Nomes populares: canela-do-brejo, canela-
preta.
Habitat: no Brasil ocorre na floresta ombrófila
aberta, floresta ombrófila densa das terras
baixas e montana, restinga, floresta estacionai
semidecidual submontana e montana, floresta
estacionai decidual e savana (Quinet 2002b).
Distribuição geográfica: no Brasil, nos
estados do Amapá, Bahia, Distrito Federal,
Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso do Sul,
Minas Gerais, Paraná, Rio de Janeiro, Rio
Grande do Sul, Santa Catarina e Sâo Paulo
(Quinet 2002b). Colômbia, Equador, Panamá,
Paraguai e Peru (Chanderbali 2004).
Material examinado: Margens do rio São João
entre a BR- 101 e a ponte da linha férrea,
24.1.1994, fl., D. S. Farias el al. 122 (RB);
Margem do rio Pau-Preto, 24.V.1994, fr., S. V.
A. Pessoa et al. 704 (RB); Mata do rio Pau-
Preto, 6.V1I.1995, fr., S. V. A. Pessoa et al.
786 (RB).
Material adicional: BRASIL. RIO DE
JANEIRO: Rio de Janeiro, Horto Florestal, trilha
do arranha gato, acima da represa da CEDAE,
2.11.1996, il„ A. Quinet et al. 59 (RB); Nova
Friburgo, Macaé de Cima, nascente do Rio das
Flores, 8.XII.1989, fr., B. C. Kurtz 87 (RB).
Caracteriza-se por apresentar lorte
aroma cítrico, com lâmina foliar em geral pilosa,
padrão de nervação eucamptódromo. Frutos
elipsóides, imaturos verdes e maduros negros,
parcialmente envolvidos por cúpula rubra com
tépalas persistentes ou decíduas.
Rodrígucsia 57 (3): 543-568. 2006
Na REBIO, pode ser encontrada no
interior da mata, cm áreas de encosta como em
áreas de baixada, próximo a córregos e riachos.
9. Nectandra cissijlora Nces, Syst. Laur: 296.
1836. Fig. 3 cl-c8
Árvore monóica, ca. 10 m alt., ramos
cilíndricos, pubémlos. Folhas alternas em todo
o ramo, coriáceas, obovadas a oblongo-
lanceoladas, 12-26 * 6-10 cm, base cuneada,
ápice curto-acuminado, face abaxial tomentosa
a glabrescente; padrão de nervação camptó-
dromo, nervação terciária oblíqua em relação
à nervura principal, reticulado denso; sem
domácias nas axilas de nervuras secundárias.
Inflorescência tirsóide axilar. Flores monóclinas,
tépalas iguais, pubérulas, papilosas. Estames
com anteras papilosas, quadrilocelarcs, locelos
dispostos em arco, Ia e 2a séries com filetes
subsésseis, anteras transversal-elípticas;
estames da 3“ série com par de glândulas
globosas na base, anteras obtrapeziformes; 4a
série estaminodial presente, clavada. Ovário
obovado. Fruto bacáceo, elipsóide a globoso,
parcialmcnte envolvido por cúpula cônica,
lenhosa, de margem simples, tépalas decíduas.
Nome popular: canela-fedida, canela,
massaranduba.
Habitat: no Brasil ocorre na floresta estacionai
semidecidual submontana e montana e Cerrado
(Baitello 2003) e na floresta ombrófila densa .
Distribuição geográfica: no Brasil, nos
estados do Acre, Amazonas, Bahia, Goiás,
Mato Grosso, Minas Gerais, Para, I arana,
Pernambuco, Rio de Janeiro, Rio Grande do
Sul e São Paulo. Bolívia, Costa Rica, Equador,
Guatemala, Guiana, Guiana Francesa, México,
Panamá, Perú e Suriname (Rohwer 1993).
Material examinado: trilha do Morro do
Calcário, 6.II.1993. vcg., L. Sylvestre s.n.
(RB 408022); Área entre a BR- 101 e o rio
Pau-Preto, 5.VII. 1995, veg., S. V. A. Pessoa
s.n. (RB 405985).
Material adicional: BRASIL. MATO
GROSSO DO SUL: Bataiporã, Porto São
João, 29.X. 1986, II, U. Pastore & R. M. Klein
165b (RB).
SciELO/JBRJ
12 13 14 15 16 17
cm ..
554
Caracteriza-se por apresentar folhas
obovadas a oblongo-lanceoladas com padrão
de nervação camptódromo, nervação terciária
oblíqua em relação à nervura principal e
estames com anteras quadrilocelares, os da Ia
e 2a séries transversal-elípticos e por frutos de
elipsóides a globosos, parcialmente envolvidos
por cúpula cônica.
Na REBIO, ocorre exclusivamente em
áreas de mata de baixada.
10. Nectandra leucantha Nees, Linnaea 8:
48.1833. Fig. 3al-a8
Arvores monóicas, 6-10 m alt., ramos
subcilíndricos, glabrescentes. Folhas alternas em
todo o ramo, cartáceas, lanceoladas ou ovadas,
11-24,5 x 4, 5-8, 5 cm, base cuneada, ápice
agudo ou acuminado; face abaxial glabrescente
a pubérula; padrão de nervação camptódromo-
broquidódromo, nervação terciária oblíqua em
relação à nervura principal, reticulado laxo; sem
domácias nas axilas de nervuras secundárias.
Inflorescência tirsóide axilar ou terminal. Flores
monóclinas, tépalas iguais, ferrugíneo-
tomentosas na face abaxial, papilosas na face
adaxial. Estames com anteras papilosas,
quadrilocelares, locelos dispostos em arco, Ia
série com filetes subsésseis, anteras orbiculares;
estames da 2a série com filetes subsésseis,
anteras pentagonais; estames da 3a série com
par de glândulas globosas na base, anteras
parabólicas; 4a série estaminodial presente,
estaminódios clavados. Ovário globoso ou
esférico. Fruto bacáceo, elipsóide envolvido por
cupula espessa em forma de taça, de margem
simples, tépalas decíduas.
Nomes populares: canela-branca, canela-
seca.
Habitat; ocorre na floresta ombrófila densa
das terras baixas e montana (Quinet 2002b).
Distribuição geográfica: no Brasil, nos
estados de Minas Gerais, Paraná, Rio de
Janeiro, Santa Catarina e São Paulo (Quinet
2002b).
Material examinado: 4.IX.1981, fr„ E. F.
Guimarães 1151 (RB); Ibidem, trilha Rodolfo
Norte, caminho para Pelonha, 18.V1II.1995,
fr., J. M. A. Braga et al. 2745 (RB).
Quinet, A.
Material adicional: BRASIL. RIO DE
JANEIRO: Rio de Janeiro, Mesa do
Imperador, Floresta daTijuca, 16.IV.1958, fl.,
E. Pereira et al. 3658 (RB).
Caracterizada pelas folhas lanceoladas ou
ovadas, nervação terciária oblíqua em relação à
nerv ura principal, flores com tépalas ferrugínea-
tomentosas na face abaxial e papilosas na face
adaxial e pelos frutos elipsóides, envolvidos por
cúpula em forma de taça.
Na REBIO, foi registrada sua ocorrência
apenas em área de baixada.
11. A ectandra ntembranacea (Sw.) Griseb.,
Fl. Brit. W. I. 282. 1860. Fig. 3 bl-b7
Arvores monóicas, ca. 10 m alt., ramos
angulosos, alvo-puberulos a glabrescentes.
Folhas alternas em todo o ramo, cartáceas,
lanceoladas ou elípticas, 6-22 x 2-7 cm, base
aguda, margem revoluta, ápice acuminado, face
abaxial glabrescente; padrão de nervação
camptódromo, nervação terciária perpendicular
em relação à nervura principal, reticulado denso;
domácias nas axilas de nervuras secundárias
ou ausentes. Inflorescência tirsóide axilar,
pubérulo. Flores monóclinas, tépalas iguais, alvo-
tomentosas, sem papilosidade. Estames com
anteras papilosas, quadrilocelares, locelos
dispostos em arco, Ia e 2a séries com filetes
evidentes, mais delgados que as anteras, anteras
suborbiculares a transversal-elípticas; estames
da 3 série com par de glândulas globosas na
base, anteras retangulares a obtrapeziformes;
4 série estaminodial presente, estaminódios
clavados. Ovário elipsóide, glabro. Fruto
bacáceo, subgloboso, parcialmente env olvido por
cúpula rasa, de margem simples, ou sobre ela,
tépalas decíduas.
Habitat: ocorre na floresta ombrófila densa,
floresta estacionai semidecidual e formações
secundárias (Baitello 2003).
Distribuição geográfica: no Brasil, ocorre da
Bahia, ao Rio Grande do Sul e Roraima. Ocorre
também em vários países da América do Sul e
Central (Rohwer 1993).
Material examinado: próximo à BR-101,
24.11.1994, veg., 5. V A. Pessoa et al. s.n.
(RB 408038); margem do rio Pau-Preto,
Rodrigues ia 57 (3): 543-568. 2006
SciELO/ JBRJ
12 13 14 15 16 17
Lauraceae na Rebio de Poço das Antas
555
, _ ,, a4 estame da 1“ série; ai. estame da 2‘ série; a6. estame da
JiRura 3 - Neetandra leueantha Nees - al . folha; a2. í . • _ b| rjmo frut(fero; b2. flor; b3. tépala; M. estame da 1“
3 serie; a7. gineceu; a8. fruto. Neetandra membrameea (S ■> ' cissj/Jom Nccs . c | . ralm, florlfero; e2. Ilor; c3. tépala;
série; b5. estame da 2“ série; b6. estame da 3“ serie; b7. gint • ^ cstaminódio da 4” série; c8. gineceu. Neetandra pubendet
c4. estame da 1* série; c5. estame da 2 serie; c6. estame • ’ ' da 3* série; d5. cstaminódio da 4" série;
(Schott) Nees -dl. folha; d2. estame da I sóne;d3- i Itfforvira 3658‘, a8 Guintariies //3/; b I Carauta 393;
dó. fruto. Neetandra opposi/ifolia Nees - e. folha. c-. .fn . • ( l Jtf7JJ7; d6 //m<) 477y e|.e2 Pessoa 784)
b7 Guimarães 38; el-cX Pastore â Riem Ib5, dl-d5 £_
Rociriguésia 57 (3): 543-568. 2006
SciELO/ JBRJ
12 13 14 15 16 17
cm
556
25.V.1994, veg., S. V. A. Pessoa et al. s.n.
(RB 408041).
Material adicional: BRASIL. RIO DE
JANEIRO: Rio de Janeiro, estrada da Vista
Chineza, 16.VIII.1967, fr., P. Carauta 393
(RB); Ibidem, Santo Antônio, 2. II. 1 976, fl., E.
F. Guimarães 382 (RB).
Caracteriza-se por apresentar flores com
tépalas alvo-tomentosas na face ventral,
glabras na face dorsal, estames da Ia e 2a séries
com filetes curtos, anteras suborbiculares a
transversal-elípticas e frutos subglobosos sobre
ou parcialmente envolvidos por cúpulas rasas.
Na REBIO, foi coletada em áreas de
vegetação secundária de baixada e de encosta.
12. Nectandra oppositifolia Nees, Linnaea
8:47.1833. Fig. 3el-e2
Árvores monóicas, 8-15 m alt., ramos
angulosos, ferrugíneo-tomentosos. Folhas
subopostas a opostas no ápice dos ramos,
cartáceas, lanceoladas ou elípticas, 4,5-1 6*2-
7 cm, base aguda, decurrente, margem revoluta,
ápice agudo a acuminado, face abaxial denso
ferrugínea-tomentosa; padrão de nervação
camptódromo-broquidódromo, nervação
terciária perpendicular em relação à nervura
principal, reticulado denso; sem domácias nas
axilas de nervuras secundárias. Inflorescência
tirsóide, axilar, ferrugíneo-tomentosa. Flores
monóclinas, tépalas iguais, ferrugíneo-
tomentosas, papilosas. Estames com anteras
papilosas, quadrilocelares, locelos dispostos em
arco, 1 e 2a séries com filetes subsésseis, anteras
pentagonais; estames da 3a série com par de
glândulas globosas na base, anteras ovais; 4a
série estaminodial ausente. Ovário elipsóide,
glabro. Fruto bacáceo, elipsóide, envolvido por
cúpula hemisférica, espessa, verruculosa, de
margem simples, tépalas decíduas.
Nomes populares: canela-garuva, canela-
branca.
Habitat: ocorre no Brasil na floresta ombrófila
aberta, floresta ombrofila densa das terras
baixas e montana, restinga, floresta ombrófila
mista, lloresta estacionai semidccidual
submontana e montana e formações
secundárias (Quinet 2002b).
Quinei, A.
Distribuição geográfica: no Brasil, da Bahia
ao Rio Grande do Sul (Quinet 2002b). Colombia,
Bolívia, Equador e Panamá (Rohwer 1993).
Material examinado: trilha do Morro do
Calcáreo, 05.III. 1 993, fl., S. Aí. Barreto et al.
1 9 (RB); trilha para a Pelonha, entrada em frente
à trilha do Morro Calcáreo, 5.I1I.1993, fl., S. V.
A. Pessoa 663 (RB); aceiro da casa do Projeto
Mico Leão Dourado, atrás da mata dos barbados,
7.V11.1993, fr., H. C. Lima et al. 4761 (RB);
trilha do Pau-Preto, 27.VU.1993, fr., C. Aí. B.
Correia 331 (RB); trilha do Pau-Preto,
18.VIII.1993, fr., C. Aí. Vieira et al. 364 (RB);
estr. do Aristides, 25.IV. 1995, fr, I. N. C. Astor
et al. 2 (RB); mata do rio Pau-Preto, 1 1 .V. 1 995,
fr., S. V. A. Pessoa et al. 784 (RB); mata do rio
Pau-Preto, 06.VII.1995, fr, C. M Vieira s.n. (RB
321338); área entre a BR-101 e rio Pau-Preto,
26.VI.1996, fr, Eraldo et al. 3 (RB 322754);
trilha entre a sede do Projeto Mico Leão e a pe-
dreira na Barragem de Jutumaiba, 22. VIII.2001 ,
fr, S. V. A. Pessoa et al. 1050 (RB).
Caracteriza-se pelas folhas subopostas a
opostas no ápice dos ramos, lanceoladas a
elípticas, em geral densamente ferrugíneo-
tomentosas na face abaxial e base decurrente.
Na REBIO, ocupa áreas de floresta de
encosta e áreas de baixada predominantemente
secundárias, com árvores que chegam a 1 5 m
de altura.
13. Nectandra puberula (Schott) Nees, Syst.
Laur: 332. 1836.
Fig. 3 d 1 -d6
Arvores monóicas, 9—23 m alt., ramos an-
gulosos, tomentosos. Folhas alternas em todo
o ramo, cartáceas, lanceoladas ou elípticas, 6-1 1
x 1 >4~3,5 cm, base aguda, decurrente, ápice agudo
ou acuminado; face abaxial áureo-pubérula;
padrão de nervação eucamptódromo, nervação
terciária perpendicular em relação à nervura
principal, reticulado laxo; domácias em tufos de
pêlos na axila de nervuras secundárias.
Inflorescência tirsóide, axilar, ferrugíneo-
tomentosa. Flores monóclinas, tépalas iguais,
tomentosas, papilosas. Estames com anteras
papilosas, quadrilocelares, locelos dispostos em
arco, 1 e 2a séries com filetes subsésseis, anteras
Rodriguêsia 57 (3): 543-568. 2006
;SciELO/ JBRJ
12 13 14 15 16 17
Lauraceae na Rebio de Poço das Antas
557
pentagonais ou arredondadas; estames da 3a série
com par de glândulas globosas na base, anteras
obtrapeziformes; 4a série estaminodial presente,
estaminódios clavados. Ovário elipsóide, glabro.
Fruto bacáceo, globoso, sobre cúpula discóide,
delgada, de margem simples, tépalas decíduas.
Nomes populares: canela-amarela, canela-
preta, canela-babosa.
Habitat: ocorre na floresta ombrófila densa
das terras baixas e montana, floresta estacionai
semidecidual submontana e montana, cerrado
e restinga (Quinet 2002b).
Distribuição geográfica: no Brasil, nos estados
do Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso, Minas
Gerais, Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande Sul,
Santa Catarina e São Paulo (Quinet 2002b).
Material examinado: trilha Rodolfo Norte,
8.V1I.1993, fr., H. C. Lima et al. 4775 (RB);
Ibidem, 19.1.1994, veg., H. C. Lima etal. 4874
(RB); trilha Rodolfo Norte, 20.1.1994, veg., D.
S. Farias et al. 73 (RB).
Material adicional: BRASIL. RIO DE
JANEIRO: Rio de Janeiro, Jacarepaguá, Santa
Maria, caminho do rio Pequeno, 04.IV.2001, fl.,
A. Quinet s.n. (RB 367357); Magé, Piabetá,
28.XII.2001, tt.,A. Quinet s.n. (RB 366B383).
Caracteriza-se por folhas com face
abaxial áureo-pubérula, domácias em tufos de
pêlos na axila de nervuras secundárias e frutos
globosos sobre cúpula discóide.
Na REBIO, ocorre em áreas de encosta
e de baixada não periodicamente inundáveis.
14. Ocotea daphnifolia (Meisn.) Mcz, Jahrb.
Kõnigl. Bot. Gart. Berlin 5: 404. 1889.
Fig. 4 al-a7
Árvores monóicas, ca. 3,5 m alt., ramos
cilíndricos, pubérulos. Folhas alternas cm todo
o ramo, cartáceas, elípticas a Ianceoladas, 7,5-
1 6 cm x 3-5,5 cm, base aguda, ápice acuminado
a cuspidado, face abaxial glabresccnte; padrão
de nervação broquidódromo, reticulado denso,
domácias marsupiformes nas axilas de nervuras
secundárias. Inflorcscência botrióide axilar a
subterminal. Flores monóclinas, tépalas iguais,
pubérulas. Estames com anteras quadrilocelares,
locelos superpostos, 1“ e 2 a séries com filetes
evidentes, curtos, mais delgados que anteras,
Rodriguésia 57 (3): 543-568. 2006
anteras sub-retangulares; estames da 3“ série
com par de glândulas globosas na base, anteras
sub-retangulares; 4a série estaminodial ausente.
Ovário elipsóide, glabro. Fruto bacáceo, elipsóide
sobre cúpula pateliforme de base obcônica
avermelhada, margem simples, tépalas decíduas.
Habitat: ocorre na floresta ombrófila densa
das terras baixas e montana.
Distribuição geográfica: no Brasil, nos
estados do Espírito Santo, Rio de Janeiro, São
Paulo (Baitello 2003).
Material examinado: estrada do Pelonha,
19. VII. 1994, veg., M. L. Vilela s.n. (RB
406040); Ibidem, 16.VIII.1995, fr., P. R. Farag
et al. 89 (RB).
Material adicional: BRASIL. RIO DE
JANEIRO: Rio de Janeiro, Sumaré, próximo
à torre da rede Tupi, 16.VI.1959, fl., fr., A. P.
Duarte 4834 (RB); Ibidem , matas da Vista
Chinesa, 10.1.1942, fl., E. Pereira 43 (RB)
Caracteriza-se por folhas coriáceas, com
face abaxial enrugada c pelos frutos elipsóides
sobre cúpula pateliforme de base obcônica
avermelhada com lobos decíduos.
Na REBIO, ocupa áreas principalmente
cm floresta de baixada e áreas não
periodicamente inundáveis.
15. Ocotea diospyrifolia (Meisn.) Mez, Jahrb.
Kõnigl. Bot. Gart. Berlin 5: 374. 1889.
Fig. 4bl-b4
Árvores dióicas, 8—10 m alt., ramos
angulosos, estriados, glabrescentes. Folhas
alternas cm todo o ramo, cartaccas, elípticas, 4—
1 1 x 1,8-2, 5 cm, base cuneada, ápice agudo a
acuminado; face adaxial glabra, com pontoado
glandular enegrecido, face abaxial glabra; padrão
de nervação broquidódromo, reticulado denso;
sem domácias nas axilas de nervuras secundárias.
Inflorcscência tirsóide axilar. Flores díclinas,
tépalas iguais, glabras. Flores estaminadas,
estames com anteras quadrilocelares, locelos
superpostos, Ia e 2‘ séries com filetes evidentes,
mais delgados que as anteras, anteras orbicularcs
a subquadrangulares; estames da 3a série com
par de glândulas globosas na base, anteras
retangulares; 4a série estaminodial ausente;
pistilóide estipitiforme. Flores pistiladas.
,SciELO/JBRJ
12 13 14 15 16 17
cm ..
558
estaminódios com vestígios de anteras
quadrilocelares, menores e da mesma forma
que os estames das flores estaminadas. Ovário
ovóide. Fruto bacáceo, globoso a elipsóide,
envolvido por cúpula hemisférica, lenhosa, de
margem simples, tépalas decíduas.
Nome popular: canela-preta, canela-amarela.
Habitat: ocorre na floresta ombrófila densa
das terras baixas e montana, floresta estacionai
semidecidual submontana e montana, floresta
ombrófila mista montana e alto-montana e
restinga (Quinet 2002b).
Distribuição geográfica: no Brasil, nos
estados do Mato Grosso do Sul, Minas Gerais,
Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul,
Santa Catarina, São Paulo. Argentina e
Paraguai (Quinet 2002b).
Material examinado: trilha do morro do
Calcário, 26. X. 1 999, veg., S. V. A. Pessoa s.n.
(RB 408013); margem do rio Pau-Preto,
27.V.1994, fl., C. M. Vieira 590 (RB).
Material adicional: BRASIL. PARANÁ:
Guarapuava, 16.III.1967, fr„ J. C. Lindeman
et J. H. Haas 4921 (RB); Cerro Azul, cabeceira
do ribeirão do Tigre, 7.X11. 1 983, fl„ R. Callejas
1882 et ai (RB). RIO DE JANEIRO: Rio de
Janeiro, São Conrado, 1. III. 1961, fl., A. P.
Duarte 5518 (RB); Petrópolis, Corrêas,
X.1953, fl., O. C. Góes & D. Constantino 654
(RB); Nova Friburgo, Macaé de Cima, nascente
do rio das Flores, próximo a fazenda Sophronites,
20.IV. 1 989, veg., H. C. Lima 3557 (RB, SPSF).
SÂO PAULO: São Paulo, Jardim Botânico de
São Paulo, 8.III.1946, fr.,J. G. Kuhlmann 3222
(RB, SP).
Caracteriza-se por apresentar folhas
elípticas, glabras em ambas as faces e frutos
elipsóides parcialmente envolvidos por cúpula
hemisférica avermelhada em material vivo.
Na REBIO, ocupa áreas principalmente
de floresta de encosta ou floresta de baixada
em áreas não periodicamente inundáveis.
16. Ocotea dispersa (Nees) Mez, Jahrb.
Kõnigl. Bot. Gart. Berlin 5: 357. 1889.
Fig. 4cl-c7
Arvores dióicas, ca. 20 m alt., ramos
subcilíndricos, pardo-tomentosos. Folhas
Quinet, A.
alternas em todo o ramo, cartáceas,
lanceoladas a elípticas, 3-12 * 1, 6-4,5 cm,
base aguda, ápice acuminado; face adaxial
com pontoado glandular enegrecido, face
abaxial áureo-pubescente; padrão de
nervação broquidódromo, reticulado denso;
domácias em tufos de pêlos nas axilas das
nervuras secundárias. In florescência botrióide
ou metabotrióide axilar, pardo-tomentosa.
Flores díclinas, tépalas iguais, tomentosas.
Flores estaminadas, estames com anteras
quadrilocelares, locelos superpostos, Ia e 2a
séries com filetes evidentes, mais delgados
que as anteras, anteras ovóides, papilosas;
estames da 3a série com par de glândulas
globosas na base, anteras retangulares; 4a
série estaminodial ausente; pistilóide ausente
ou quando presente reduzido, estipitiforme.
Flores pistiladas, estaminódios com vestígios
de anteras quadrilocelares, menores e da
mesma forma que os estames das flores
estaminadas. Ovário elipsóide, glabro. Fruto
bacáceo, ovóide, envolvido por cúpula
obcônica, lenhosa, verruculosa, de margem
simples, tépalas persistentes.
Nome popular: canelinha.
Habitat: ocorre na floresta ombrófila densa
das terras baixas e montana, floresta estacionai
semidecidual submontana e montana, floresta
ombrófila mista Montana (Quinet 2002b).
Distribuição geográfica: no Brasil, nos
estados de Minas Gerais, Paraná, Rio Janeiro,
Santa Catarina e São Paulo (Quinet 2002b).
Material examinado: trilha para o morro
Calcário, 8.11.1993, fl., S. Barreto et ai 12
(RB); Ibidem, 12.V.1994, veg., D. S. Farias
et ai 238 (RB).
Material adicional: BRASIL. PARANÁ:
Paranaguá, rio Cambará, 24.X.1968, fr., G
Hatschbach s.n. (RB 318798).
Caracteriza-se pelas folhas de
lanceoladas a elípticas, face abaxial áureo-
pubescente, principalmente ao longo das
nervuras principal e secundárias e frutos com
cúpula obcônica, lenhosa e tépalas persistentes.
Na REBIO, sua ocorrência foi registrada
em áreas de baixada não periodicamente
inundáveis e floresta de encosta.
Rodriguésia 57 (3): 543-568. 2006
SciELO/JBRJ
L2 13 14 15 16 17
Lauraceae na Rebio de Poço das An las
559
„ iv,..fr,.r,v flor a3. ténala: a4. estame da 1" série; a5. estame
Fisura 4 - Ocolea daphnifolia (Meisn.) Mez - al. ramo ’ ’ (Me’isn ) Mcz - bl . folha; b2. estame da 1' serie;
“• “ d" 2' ír““' C o? fruto. 0, 0,00 *«.*»,« (NCOS) Mc/ - cl I . Tolha; <12. c.l.mc da
serie; c5. estame da 2" serie; c6. estame da 3 serie, c7' . , , , ,a r S(5rjc; c2. estame da 2“ série; c3.
1- série; d3. estame da 2» série; d4 fruto. Ocolea ^ \ima }557, b2.b3 Q* & Constanüno ,34;
estame da 3* série; e4. gineceu, (al Duarte 4834, , a2 JOéí; el-c4 flre-.vo//n *74)
b4 Kuhltnann 322 ; cl-c6 flarre/o /2; c7 Halschbach s.n., dl ai va. o, ,
Rodriguisia 57 (3): 543-568. 2006
SciELO/JBRJ
12 13 14 15 16 17
cm
562
geralmente com domácias em tufos de pêlos
nas axilas de nervuras secundárias, anteras da
1“ e 2a séries ovais com filetes evidentes e fruto
elipsóide, parcialmente envolvido por cúpula
hemisférica e lisa.
Na REBIO, sua ocorrência foi registrada
apenas em áreas de baixada não periodica-
mente inundáveis.
19. Ocotea indecora (Schott) Mez, Jahrb.
Kõnigl. Bot. Gart. Berlin 5: 249. 1 889.
Fig. 5bl-b5
Árvores monóicas, ca. 4,5 m alt.; ramos
angulosos, estriados, glabros; gemas apicais
áureo -seríceas (em material seco), com até 5
mm de compr.. Folhas verticiladas no ápice dos
ramos floríferos e alternas em ramos
vegetativos, cartáceas, lanceoladas ou obovado
-lanceoladas, 4,6-1 2,9 x 2-5,2 cm, base aguda,
ápice agudo ou acuminado; face abaxial glabra;
padrão de nervação broquidódromo, reticulado
denso; sem domácias nas axilas de nervuras
secundárias. Sinflorcscência corimbiforme de
botrióides terminal. Flores monóclinas, tépalas
iguais, glabras. Estames com anteras
quadrilocelares, locelos superpostos, Ia e 2a
séries com filetes subsésseis, anteras
suborbiculares ou ovais, papilosas; estames da
3a série com par de glândulas subglobosas na
base, anteras ovais; 4a série estaminodial
presente, estaminódios filiformes. Ovário
elipsóide, glabro. Fruto bacáceo, elíptico,
envolvido parcialmente por cúpula obcônica, lisa]
de margem simples, tépalas decíduas.
Nome popular: canela-preta.
Habitat: ocorre na floresta ombrótíla densa
das terras baixas e montana e floresta
estacionai semidecidual submontana e montana
(Quinet 2002b).
Distribuição geográfica: no Brasil nos
estados de Minas Gerais, Paraná e Rio de
Janeiro (Quinet 2002b).
Material examinado: 20.1.1994, veg., D. S.
Farias et al. 74 (RB); estrada do Aristides, após
a segunda porteira, 1. IX. 1994, fl., D. S. Farias
et al. 308 (RB).
Material adicional: BRASIL. MINAS
GERAIS: São Pedro dos Ferrões, 10.XII.2000,
Quinet. A.
fl., A. Quinet s.n. (RB 366387). RIO DE
JANEIRO: Nova Friburgo, Sítio Sophronites,
19. V1II.1987, fr„ S. V. A. Pessoa 267 (RB);
Ibidem, nascente do rio das Flores, 26.X.1989,
fl., I. A. Araújo 79 (CEPEC, RB, RBR); Ibidem,
Lumiar, localidade de Santa Luzia, 1 9.VIII.2000,
fl., A. Quinet 490 (RB).
Caracterizada pelas folhas verticiladas no
ápice dos ramos floríferos e alternas em ramos
vegetativos, com lâminas foliares sem domácias
nas axilas de nervuras secundárias, anteras da
1 a e 2a séries suborbiculares ou ovais subsésseis
e fruto elíptico, envolvido parcialmente por
cúpula obcônica, lisa.
Na REBIO, foi coletada apenas em área
de baixada não periodicamente inundada.
20. Ocotea laxa (Nees) Mez, Jahrb. Kõnigl.
Bot. Gart. Berlin 5: 381. 1889. Fig.4el-e4
Árvores dióicas, 2,5-8 m alt., ramos
subcilíndricos, alvo-tomentosos. Folhas alternas
em todo o ramo, cartáceas, elípticas, 6-9 x 2,5-
3,8 cm, base cuneada, ápice acuminado; face
adaxial sem pontoado glandular enegrecido,
face abaxial esparso pubescente; padrão de
nervação broquidódromo, reticulado laxo;
domácias em tufos de pêlos na axila de nerv uras
secundárias. Inflorescência tirsóide axilar.
Flores díclinas, tépalas iguais, pilosas. Estames
com anteras quadrilocelares, locelos superpostos,
1 e 2a séries com filetes evidentes, mais
delgados que a antera, antera retangular-
ovalada; estames da 3a série com par de
glândulas globosas na base, anteras
retangulares; 4a série estaminodial ausente ou
estaminódios filiformes; pistilóide ausente. Flores
pistiladas com estaminódios com vestígios de
anteras quadrilocelares, menores e da mesma
forma que os estames das flores estaminadas.
Ovário globoso. Fruto bacáceo, globoso sobre
cúpula cônica, subemisférica, de margem
simples, tépalas persistentes.
Nome popular: canela-preta, canela-fedida,
canela-de-folha-miúda.
Habitat: ocorre na floresta ombrófila densa
das terras baixas e montana, floresta ombrófila
mista, floresta estacionai semidecidual
submontana e montana (Baitcllo 2003).
Rodriguêsia 57 (3): 543-568. 2006
SciELO/JBRJ
12 13 14 15 16 17
cm
Lauraceae na Rebio de Poço das An las
Distribuição geográfica: no Brasil, nos estados
de Minas Gerais, Paraná, Rio de Janeiro, Santa
Catarina e São Paulo (Baitello 2003).
Material examinado: encosta área da parcela
9B, 29. VI. 1994, veg., S. J. Silva Neto s.n. (RB
406013); encosta área da parcela 9B,
29.V1.1994, veg., S. J. Silva Neto s.n. (RB
4060 1 2); encosta área da parcela 8B, 1 6.11. 1 994,
veg., J. M. A. Braga s.n. (RB 406017); encosta
área da parcela 8B, 16.11.1994, veg., J. M. A.
Braga s.n. (RB 406014).
Material adicional: BRASIL. RIO DE
JANEIRO: Parque Nacional da Serra dos Órgãos,
25.XI.1942, fl„ A. P. Duarte 1170 (RB).
SANTA CATARINA: Bom Retiro, Paulo Lopes,
17.X. 1973, fi., A. Bresolin 874 (FLOR, RB).
Caraeteriza-se por (olhas elípticas com
face abaxial esparso-pubescentc, padrão de
nervação broquidódromo, reticulado laxo, com
domácias em tufos de pêlos na axila de
nervuras secundárias e frutos globosos sob
cúpula subemisférica, com tépalas persistentes.
Na Reserva, sua ocorrência foi registrada
apenas em floresta de encosta.
21. Ocotea odorífera ( Ve 11.) Rohwer, Mitt.
Inst. Allg. Bot. Hamburg 20. 278: 111. 1986.
Ocotea pretiosa Mez, Jahrb. Kõnigl.
Bot. Gart. Berlin 5: 250. 1889.
Fig. 5 dl-d5
Árvores monóicas, ca. 7 m alt., ramos
angulosos, amarronzados, estriados, glabrescentes,
gemas apicais enegrecidas (em material seco),
com até 1 cm compr. Folhas verticiladas no
ápice de ramos florí feros e alternas em ramos
vegetativos; cartáceas, lanceoladas, 9-16 * ~,4
3,5 cm, base aguda, ápice agudo ou aeuminado;
face abaxial glabra, sem pontoado enegrecido,
padrão de nervação broquidódromo, reticulado
denso; sem domácias nas axilas de nervuras
secundárias. Sinfiorescência corimbiforme de
tirsóides terminal. Flores monóclinas, tépalas
iguais, glabras. Estames com anteras quadrilo-
celarcs, locelos superpostos, 1 1 e 2 u séries com
filetes evidentes, mais delgados que as anteras,
antera suborbicularou ovóide, papilosa; estames
da 3“ série com par de glândulas globosas na
Rodriguésia 57 (3): 543-56H. 2006
563
base, antera retangular ou orbicular, papilosa;
4“ série estaminodial ausente, quando presente,
estaminódios liguliformes. Ovário elipsoide.
Fruto bacáceo, elíptico, envolvido parcialmentc
por cúpula hemisférica, verruculosa, de margem
simples, tépalas decíduas.
Nomes populares: canela-sassaíras,
sassafrás.
Habitat: ocorre na floresta ombrófila densa
das terras baixas e montana, floresta
estacionai semidecidual submontana c
montana (Quinet 2002b).
Distribuição geográfica: no Brasil, da Bahia
ao Rio Grande do Sul (Quinet 2002b).
Material examinado: encosta, área da parcela
10C, 30.VI1I.1994, veg., S. J. Silva Neto s.n.
(RB 406015).
Material adicional: BRASIL. RIO DE
JANEIRO: Serra dos Órgãos, campo das
Bromélias, 25.X1.1942, fi., fr., E. Pereira 189
( RB); Ibidem, Nova Friburgo, Sítio do Guacho,
estrada do Rio, X.1964, fi., A. P Duarte 8449
(RB); Ibidem , Reserva Ecológica dc Macaé
de Cima, 8.1V.2000, fr., A. Quinet 278 (RB).
Caracteriza-se por gemas apicais
enegrecidas (em material seco), com até lem de
comprimento. Folhas verticiladas no apicc de
ramos florí feros e alternas em ramos vegetativos
e frutos elípticos, envolvidos parcialmente por
cúpulas hemisféricas, verruculosas.
Na REBIO, foi coletada apenas em área
de encosta.
22. Ocotea schottii (Mcisn.) Mez, Jahrb. Künigl.
Bot. Gart. Berlin 5: 324. 1889. Fig. 5 cl-c9
Arvores dióicas, 7—15 m alt., ramos
cilíndricos, glabrescentes. Folhas alternas em
todo o ramo, cartáceas, lanceoladas a elípticas,
4 5_] i x 2,2-4 cm, base aguda, ápice
aeuminado; face adaxial sem pontoado
glandular enegrecido, face abaxial
glabrcscente; padrão de nervação
broquidódromo, reticulado denso; sem
domácias na axila das nervuras secundárias.
In florescência panícula terminal, glabrcscente
a tomentosa. Flores díclinas, tépalas iguais,
tomentosas. Flores estaminadas, estames com
SciELO/JBRJ
L2 13 14 15 16 17
cm
564
anteras quadrilocelares, locelos superpostos, Ia
e 2a séries com filetes evidentes, mais delgados
que as anteras, anteras sub-retangulares;
estames da 3a série com par de glândulas
globosas na base, anteras subrctangulares; 4a
série estaminodial filiforme, glabra. Pistilóide
elíptico. Flores pistiladas com estaminódios
com vestígios de anteras quadrilocelares,
menores e da mesma forma que os estames
das flores estaminadas. Ovário elipsóide,
delgado. Fruto bacáceo, globoso sobre cúpula
pateliforme, de margem dupla, quando
imaturos com tépalas persistentes.
Habitat: ocorre na floresta ombrófila densa
das terras baixas e montana.
Distribuição geográfica: no estado do Rio
de Janeiro (Rohwer 1986).
Material examinado: trilha do morro Calcário,
1 1 .V. 1 994, veg., D. S. Farias et al. 228 (RB);
trilha do Cambuí Preto, 9.VI1I.1995, fr., C.
Luchiari 686 (RB FP0686).
Material adicional: BRASIL. RIO DE
JANEIRO: Rio de Janeiro, mata do Horto
Florestal, 7.III.1927, fl., Pessoal do Horto
Florestal s.n. (RB 235284); Ibidem, fundos
do Palácio das Laranjeiras, 7. III. 1 96 1 , fl., A.
P. Duarte 5500 (RB); Ibidem, Horto
Florestal, mata do Rumo, 8.IX.1969, fr., D.
Sucre 6226 (RB).
Caracteriza-se por folhas de lanceoladas
a elípticas e frutos globosos sobre cúpulas
pateliformes de margem dupla, quando
imaturos com tépalas persistentes.
Na REBIO, é muito bem distribuída na
floresta de baixada e de encosta, onde ocupa
o dossel.
23. Persea major (Nees) L. E. Koop., Mem.
New York Bot. Gard. 14: 37. 1966.
Fig. 6al-a9
Arvore monóica, ca. 5 m alt., ramos
angulosos, glabrescentes. Folhas alternas em
todo o ramo, cartáceas, obovadas a elípticas,
7,5-15 x 2,5-5,5 cm, base inequilátera, ápice
agudo a obtuso; face abaxial glabrescente;
padrão de nervação camptódromo, reticulado
denso; sem domácias nas axilas de nervuras
secundárias. Inflorescência panícula axilar.
Quinei, A.
glabrescente. Flores monóclinas, tépalas
desiguais, seríceas, as externas menores que
as internas. Estames com anteras
quadrilocelares, locelos superpostos, Ia e 2a
séries com filetes evidentes, mais delgados que
as anteras, anteras ovais a oblongo-ovadas;
estames da 3a série com par de glândulas
globosas na base, anteras ovais; 4a série
estaminodial bem desenvolvida, sagitada. Ovário
elipsóide, glabro. Fruto bacáceo, globoso sobre
ou parcialmente envolvido por cúpula de
margem simples, tépalas persistentes.
Nomes populares: abacate-do-mato,
canela-rosa.
Habitat: acorre na floresta ombrófila densa
das terras baixas e montana, floresta estacionai
semidecidual submontana e montana.
Distribuição geográfica: no Brasil, nos estados
de Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo.
Material examinado: pasto na porteira da
entrada da Reserva, 3.XII.1993, fl., C. Luchiari
et al. 157 (RB).
Material adicional: BRASIL. MINAS
GERAIS: margens do rio Carandaí, 7.1.1965,
fr., A. P. Duarte 8706 (RB). PARANÁ:
Arapotí, fazenda do Tigre, 28.XI.1959, fl., G
Hatschbach s.n. (RB 105558). RIO DE
JANEIRO: Itatiaia, Parque Nacional do Itatiaia,
margem do rio Campo Belo, 24.1.1942, fl., W.
Duarte de Barros 563 (RB).
Caracteriza-se por apresentar folhas com
pecíolos longos, base inequilátera. flores com
tépalas desiguais, as externas menores que as
internas e frutos globosos com tépalas
persistentes.
Na REBIO, ocorre apenas na floresta de
baixada, onde ocupa o dossel.
24. Urbanodendron verrucosum (Nees)
Mez, in Jahrb. Kõnigl. Bot. Gart. Berlin 5: 80.
1889- Fig. 6bl-b7
Arvores monóicas, 3,5—6 m alt., ramos
angulares, glabrescentes. Folhas alternas em
todo o ramo, cartáceas a coriáceas,
estreitamente lanceoladas a elípticas, com
ápice agudo, base cuneada, 12-19 * 3-6 cm,
base cuneada, ápice agudo, face abaxial
RoJriguésia 57 (3): 543-568. 2006
SciELO/JBRJ
12 13 14 15 16 17
Lauraceae na Rebio de Poço das Antas
565
b3 (-T 1
1 mm , n , , iDa|a cxtcma; a4. tépala interna; a5. estame da 1“ série;
Figura 6 - Persea major Koop - al. ramo - ° ’9 fmt0. Urbanodendron verrucosum (Nccs) Mez - bl. ramo
a6. estame da 2‘ série; a7. estame da 3 serie, a . g ’ , ... . * cstaminódio da 4“ série: b6. gineceu; b7. fruto,
frutífero; b2. flor; b3. estame da 1“ e 2“ série; b4. estame da ^ da SLlrjc; c4. estame da 2“ série; c5-c5’.
Urbanodendron bahiense ( Meisn.) Rohwer - c . or’ c • fal Duarte 8706; a2-a8 Luchlarl 157', n9 Duarte
estame da 3» série, vista frontal e lateral, respeetivamente;
8706 ; bl Farias 27J; b2-b6 Pessoa 902 ; b7 Farias 273; cl-c6 Duarte 4826)
Rodriguésia 57 (3): 543-568. 2006
SciELO/JBRJ
12 13 14 15 16 17
cm
566
glabrescente; padrão de nervação
broquidódromo, reticulado denso; sem
domácias nas axilas de nervuras
secundárias. Inflorescência bótrio terminal
ou subterminal, envolvida na base por
escamas foliáceas, glabras em disposição
verticilada. Flores monóclinas, tépalas
iguais, glabras. Todos os estames com par
de glândulas na base, anteras bilocelares,
1“ e 2a séries com filetes evidentes, mais
delgados que anteras, anteras triangulares;
estames da 3a série com anteras ovais; 4a
série estaminodial ausente ou formada em
geral por apenas 1 estaminódio
estipitiforme, piloso. Ovário ovóide, glabro.
Fruto bacáceo, elipsóide, envolvido
parcialmente por cúpula hemisférica, lisa,
de margem dupla, tépalas decíduas.
Habitat: ocorre na floresta estacionai
scmidecidual submontana e montana (Assis
2005) e na floresta ombrófila densa das
terras baixas c montana.
Distribuição geográfica: no Brasil, nos
estados do Espírito Santo, Minas Gerais e
Rio de Janeiro (Rohwer 1998).
Material examinado: trilha à direita após a
casa do morcego, 1 7. VI. 1 994, fr„ D. S. Farias
et ai 273 (RB); Pelonha, 16.VIII.1995, veg.,
P. R. Farag et ai 88 (RB); 28.V.1998, 11., S.
V. A. Pessoa 902 (RB).
Caracteriza-se por folhas de
estreitamente lanceoladas a elípticas, ramos
angulares, inflorescências envolvidas por
escamas foliáceas de disposição verticilada
na base, estames férteis com anteras
bilocelares, todos com par de glândulas e por
seus frutos elipsóides envolvidos por cúpula
de margem dupla.
Na REBIO, sua ocorrência foi registrada
em floresta de baixada e de encosta, onde
ocupa o dossel.
25. Urbanodendron bahiense (Meisn.)
Rohwer, in Bot. Jahrb. Syst. 110. 1988.
Fig. 6 cl-c5
Arvores monóicas, 10-22 m alt., ramos
cilíndricos, estriados, seríceos a glabrescentes.
Folhas alternas em todo o ramo, cartáceas.
Quinei. A.
lanceoladas a elípticas, 6-13 * 1,8-3 ,4 cm,
base cuneada, ápice agudo, face abaxial
glabrescente; padrão de nervação
broquidódromo, reticulado denso; sem
domácias nas axilas de nervuras
secundárias. Inflorescência tirsóide axilar,
serícea, não envolvida na base por escamas
loliáceas. Flores monóclinas, tépalas iguais,
seríceas. Todos os estames com par de
glândulas na base, anteras quadrilocelares,
estames da Ia e 2a séries com filetes
evidentes, mais delgados que as anteras,
anteras triangulares, quadrilocelares,
papilosas; estames da 3a série com filetes
tão largos quanto as anteras, anteras sub-
retangulares, papilosas; 4a série estaminodial
ausente ou somente um estaminódio presente
lanciforme. Ovário elipsóide, glabro. Fruto
bacáceo, elipsóide, envolvido parcialmente
por cúpula taciforme, rasa, verruculosa de
margem dupla, tépalas decíduas.
Habitat: ocorre na floresta ombrófila densa
montana (Baitello 2003) e das terras baixas.
Distribuição geográfica: no Brasil nos
estados da Bahia, Rio de Janeiro e São Paulo
(Baitello 2003).
Material examinado: trilha do morro
Calcário, 1 2.V. 1 994, veg., D. S. Farias et ai
237 (RB); encosta da área da parcela 9C,
29.VI.1994, veg., S. J. Silva Neto s.n. (RB
406017); encosta da área da parcela D,
20.VII.1994, veg., S. J. Silva Neto s.n. (RB
40016), 14.XI. 1997, veg., S. V. A. Pessoa s.n.
(RB 406019).
Material adicional: BRASIL. RIO DE
JANEIRO: Rio de Janeiro, Sumaré, descida
para Lagoinha, 16.VI.1959, f|„ A. P Duarte
4826 (RB); Ibidem , estrada do Redentor,
X.1961, fr„ A. P. Duarte 5790 (RB); Ibidem,
Sacopan, Lagoa Rodrigo de Freitas, 1 6.V.2004.
tt., A. P Duarte 5822 (RB).
Caracteriza-se por apresentar todos os
estames lérteis com par de glândulas na base
e anteras quadrilocelares com papilosidade.
Na REBIO, pode ser encontrada no
interior da mata, em áreas de encosta como
em áreas de baixada.
Rodriguèsia 57 (3): 543-568. 2006
SciELO/JBRJ
12 13 14 15 16 17
Lauraceae na Rebio de Poço das Antas
567
Considerações Finais
As 25 espécies subordinadas a nove
gêneros aqui levantadas representam cerca
de 19 e 50%, respectivamente, do total
estimado para o Rio de Janeiro.
A família Lauraceae está bem
representada na REBIO tanto ao nível
genérico como específico, como registrado por
Guedes-Bruni (1997) que através de estudos
fitossociológicos aponta - a como uma das
cinco famílias com maior riqueza específica
entre as fanerógamas arbóreas.
Alguns exemplares permaneceram
indeterminados na coleção atual, pela
ausência de material florífero ou irutífero,
possivelmente representando novas
ocorrências para a REBIO.
A análise da distribuição geográfica das
vinte e cinco espécies coligidas na Reserva
Biológica de Poço das Antas permitiu
reconhecer um grupo cuja distribuição é
limitada ao neotrópico, sendo o maior número
de espécies circunscritas ao território
brasileiro. As espécies de distribuição mais
ampla estão circunscritas desde o Panamá,
na América Central, até o Paraguai, na
América do Sul, ocorrendo em vários habitais
do continente americano. Com distribuição na
América Central e América do Sul incluem-
se cinco espécies (20%) c com distribuição
limitada à América do Sul apenas uma espécie
(4%). Com distribuição limitada ao Brasil
incluem-se 19 espécies (76%) distribuídas cm
duas, três, quatro ou nas cinco regiões, sendo
o Amapá o limite mais ao norte e o Rio Grande
do Sul o limite mais ao sul.
O endemismo para o estado do Rio de
Janeiro é representado apenas por Ocotea
schottii, que habita a floresta ombrólila densa
das terras baixas e submontana e restinga.
Este trabalho fornece um panorama
atualizado sobre a família Lauraceae na
Reserva, contribuindo assim para o
conhecimento da diversidade da flora local,
e também, para o conhecimento taxonômico
e morfológico das Lauraceae do estado do
Rio de Janeiro.
Rodriguésia 57 (3): 543-568. 2006
Agradecimentos
Ao Programa Mata Atlântica do
Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do
Rio de Janeiro pelo apoio e utilização da
infra-estrutura e à PETROBRÁS pelo
suporte financeiro.
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Santos, M. & Almeida, S. L. 1995.
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anatômico das domácias em espécies de
Ocotea Aubl. (Lauraceae) da região sul
do Brasil. ínsula 24: 73-97.
& Oliveira, P. L. 1989. Domácias no
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Rodriguésia 57 (3): 543-568. 2006
SciELO/JBRJ
12 13 14 15 16 17
cm
PlPERACEAE NA RESERVA BIOLÓGICA DE POÇO DAS ANTAS, SlLVA JARDIM,
Rio de Janeiro, Brasil
Elsie Franklin Guimarães1 & Daniele Monteiro2
(Piperaceae na Reserva Biológica de Poço das Antas, Silva Jardim, Rio de Janeiro, Brasil) O estudo taxonômico
das Piperaceae da Reserva Biológica de Poço das Antas foi realizado com base em material herborizado,
observações de campo e compreende chave para identificação, descrições e distribuição geográfica dos
táxons. Comentários sobre a importância medicinal, dados fitoquimicos e uso s3o atribuídos a algumas
espécies. Foram assinalados para esta Reserva 27 táxons, alguns pouco coletados para o estado do Rio de
Janeiro, como Piper translucens, somente conhecido até então pelo material tipo De um modo geral os
táxons nesta área preferem locais úmidos e sombrios, podendo também ser encontrados em arcas degradadas
em pleno sol.
Palavras chave: Piperaceae, taxonomia, flora, Poço das Antas.
Abstract
(Piperaceae ofthe Biological Reserve of Poço das Antas, Silva Jardim, Rio de Janeiro, BrazilJT^etaxonomicol
study of lhe Piperaceae occurring in lhe Biological Reserve of Poço das Antas was camcd oul bascd on
herbanum material, fleld observations and idcntification keys. descrtpttons and gcetgrapbtcal d.stnbutton of
thc taxa are presented. Commcnts abont the medicinal relcvance. phytochemica data and us« t are i Jtven lo
some species For this reserve 27 taxa wete analyzcd. some ofthem are poorly col le-cled r UI e to eofRio de
Janeiro, such as Piper translucens, wich was known so far by the type material. 'nSe's™. n lh“
area pmfcr hamid and shady places. being also found in devastatcd areas and eontpleted exposcd lo the
sun.
Kcy words: Piperaceae, taxonomy, flora, Poço das Antas.
Introdução
As Piperaceae englobam cerca de 2500
espécies, e são distribuídas em cinco gêneros
de distribuição tropical e subtropical; no Brasil
está constituída por quatro gêneros e cerca de
500 espécies (Yuncker, 1972, 1973 e 1974).
De importância econômica e medicinal,
algumas espécies fazem parte do mercado
mundial, como a pimenta-do-reino (Piper
nigrum L.) e outras são usadas de modo
empírico pelas populações em diferentes
doenças; outros como Piper betle L., P.
methysticum G. Forst. são conhecidos
mastigatórios. Muitas espécies de Peperomia
são cultivadas como ornamentais, cuja beleza
reside principalmente em sua folhagem.
enquanto outras são utilizadas na alimentação.
Com base nos estudos encetados por
Yunckcr deu-se continuidade no Brasil às
pesquisas na família Piperaceae. Neste
trabalho ao seguir-se Yunckcr (1972, 1973,
1974) considerou-se o gênero Ottonia.
Material e Métodos
O material botânico utilizado neste estudo
foi obtido de coletas realizadas pela primeira
autora, entre os anos de 1981, 1983 e 1984 e,
de coletas feitas pelo Programa Mata
Atlântica em diversas áreas da Reserva.
Quando as informações dos materiais se
mostraram insuficientes, foram examinados
materiais adicionais; os materiais quando
Artigo recebido em 02/2005. Aceito para pubhcoçao cm 12/2005. - j d Rio janeiro. Programa Mata
Bolsista do CNPq. / Pesquisadora do
Atlantiea. Rua Pacheco Leão 915, Jardim Botânico, K Tmnic il ENBT/JBRJ - Programa Mata Atlântica.
!Bolsista CAPES / Mestranda da Escola Nacional de Botânica Tropical. fcNU
daniele@jbij.gov.br
!scíelo/jbrj
12 13 14 15 16 17
cm ..
570
estéreis, adotou-se a abreviação “st”, na lista
de material examinado.
No estudo taxonômico, seguiu-se a
conceituação de Yuncker(1972, 1973, 1974),
sendo utilizados materiais dos herbários: R, RB,
GUA e M (siglas de acordo com Holmgren et
al. 1990). As formações vegetais citadas
seguem o sistema de classificação de Veloso
et al. (1991).
Os desenhos em nanquim ilustram os
detalhes considerados relevantes para melhor
identificação dos táxons e foram realizados
com o auxílio de microscópio estereoscópico
Willd, equipado com câmara clara. As espécies
são apresentadas em ordem alfabética e os
comentários inseridos no texto foram extraídos
de literatura, informações pessoais e das
etiquetas das exsicatas consultadas.
Resultados e Discussão
Piperaceae C. Agardh, Aphor. bot. 14:
201. 1824.
Ervas eretas epí fitas, terrestres, arbustos
ou arvoretas. Folhas estipuladas, alternas, opostas
ou verticiladas, inteiras, sésseis ou pecioladas.
Guimarães. E. F. & Monteiro. D.
de consistência e formatos os mais diversos,
indumento muito variado, geralmente dotadas
de glândulas translúcidas. Flores aclamídeas,
mínimas, andróginas ou unissexuadas,
protegidas por bractéolas pediceladas ou
sésseis, sacado-galeadas, peitadas, esparsa ou
densamente dispostas em racemos, umbelas ou
espigas, axilares, terminais ou opostas às folhas;
estames 2-6, livres ou adnatos às paredes do
ovário; anteras rimosas bitecas ou unitecas;
ovário súpero, séssil, geralmente imerso na
raque, unilocular, uniovulado, estiloso ou não,
com 1-4 estigmas, variáveis na forma; óvulo
basal, ortótropo. Fruto drupa, séssil ou
pedicelada. Endosperma escasso, apresentando
perisperma; embrião mínimo.
Na Reserva foram encontrados três
gêneros, 25 espécies e 2 variedades. Nesta
área foram observados táxons que ocorrem
em locais úmidos, em áreas sombrias, como
também, aqueles que se adaptam às
clareiras ensolaradas. Ressalta-se ainda,
que algumas espécies são consideradas de
importância ecológica, servindo de alimento
para os morcegos.
Chave para identificação das espécies
1 . Arbustos ou arvoretas.
2. Inflorescências com flores pediceladas Ottonia
3. Folhas com tricomas superpostos na nervura mediana da face abaxial .. Ottonia anisam
3. Folhas glabras na nervura mediana da face abaxial.
4. Lâmina foliar 4 ou mais vezes longas do que largas Ottonia angustifolia
4 . Lâmina foliar 3 ou menos vezes longas do que largas.
5. Pedicelos mais curtos que os frutos Ottonia leptostachya
5'. Pedicelos mais longos que os frutos.
6. Lâmina foliar hirta na margem da face abaxial Ottonia albo-punctata
6\ Lâmina foliar glabra na margem da face abaxial Ottonia propinqua
2\ Inflorescências com flores sésseis Piper
7. Inflorescências com espigas dispostas em umbelas Piper umbellatum
7’. Inflorescências com espigas não dispostas em umbelas.
8. Fruto estiloso.
9. Lâmina foliar com tricomas pubescentes nas nervuras da face abaxial
9’. Lâmina foliar glabra nas nervuras da face abaxial.
Piper pennucronatum
10. Lâmina foliar castanho-glandulosa; nervuras secundárias dispostas até o ápice
da lâmina Piper caldense
RoJriguésiii 57 (3): 567-587. 7006
SciELO/ JBRJ
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Piperaceae da Rebio Poço das Antas, RJ ^ '
10’. Lâmina foliar não castanho-glandulosa; nervuras dispostas até ou abaixo da
porção mediana da lâmina Piper crassinervium
8’. Fruto não estiloso.
11. Fruto com 4 estigmas persistentes.
12. Raque glabra.
13. Folha peitada na base p'Per scutifollum
13’ Folha não peitada na base PiPer translucens
12’. Raque fimbriada ou pubérula Piper hoffmannsegglanum
1 1 ’. Fruto com 3 estigmas persistentes.
1 4. Nervuras secundárias atingindo o ápice da lâmina.
15. Bainha foliar percorrendo toda a extensão do pecíolo, formando uma ala;
base da lâmina foliar profundo lobada, cordado-auriculada ou inequilátero-
aguda.
16. Fruto denso-pubescentes no ápice Piper richardiifolium
16’. Fruto glabro no ápice PiPer arboreum
15’ Bainha foliar curto-basal ou alongada, constituindo um canal, não alada,
às vezes sutilmente alado-caduca, até a porção mediana do pecíolo; base
da lâmina foliar não profundo lobada.
1 7 Fruto obpiramidal, tri ou tetragonal.
18. Bractéola denso-franjada Piper divaricatum
18’ Bractéola não denso-franjada.
19. Lâmina glabra nas nervuras da face abaxial .. Piper rivinoides
19’ Lâmina com tricomas hirtos nas nervuras da face abaxial
P. solmsianum var. hilarlanum
17’ Frutooblongoouobovóide Piper amplum
1 4’. Nervuras secundárias dispostas até, abaixo ou pouco acima da porção mcd.ana,
não atingindo o ápice da lâmina. ...... .
20 Lâmina foliar com nervuras secundárias impressas na face adaxial, bractéola
cuculado crescente, glabra ou glabresccnte Piper diospyrifolium
20’. Lâmina foliar com nervuras secundárias salientes na face adaxial, bractéola
triangular ou subtriangular, peltado-franjada.
21. Lâmina foliar com tricomas híspidos ou hirsutos nas nervuras da face
abaxial. ,, ,
22. Pedúnculo cerca de 0,8-1, 2 cm Piper hlspidum
22’. Pedúnculo acima de 1,5 cm Piper malacophylium
21 ’ Lâmina foliar com tricomas vilosos, sedosos ao tato
Piper ntolllcomum
Peperomla
1’. Ervas terrestres ou epifitas ' .
23. Todas as partes da planta nitidamente “ " /rtowvb
24. Pianta Lroscopicamente hirtela
24\ piatita crespo-pú^ ovado-airedondada, ^
Rodrigues ia 57 (3): 569-589. 2006
SciELO/ JBRJ
12 13 14 15 16 17
cm ..
572
1. Ottonia albo-punctata Trel., Proc. Amer.
Philos. Soc. 75:696. 1935.
Arbusto 1-1,2 m alt. Caule 3-5 mm
diâm., estriado. Folhas com pecíolo ca. 5 mm
compr., estriado-canaliculado; bainha basal;
lâmina 10-17 x 3, 2-4, 7 cm, lanceolada’
papirácea, ápice acuminado, revoluta, hirta
na margem da face abaxial, base aguda,
peninérvea. Racemo 4,5-8 cm; raque
estriado-hirta; pedúnculo 4-5 mm compr.,
estriado; pedicelos mais longos que os frutos;
bractéola pedicelada, hirta na margem. Fruto
ca. 3 mm compr., oblongo, sulcado, tetragonal-
apiculado no ápice.
Habitat: floresta ombrófila densa baixo-
montana, crescendo em local úmido.
Distribuição geográfica: Brasil, nos estados
de Rio de Janeiro e São Paulo.
Material examinado: trilha do Pau Preto,
margem do rio Pau Preto, 10-30 m alt.*
24.1.1995, fl. e fr., J. Rí. A. Braga et al
1796 (RB).
Espécie pouco coletada, contendo apenas
dois exemplares para o Brasil, um assinalado
no século XIX e outro no XX; pela primeira
vez é citada para o estado do Rio de Janeiro.
Coletada florescendo e frutificando em janeiro.
2. Ottonia angustifolia Rizz., Dusenia 3(4)*
265. 1952.
Arbusto 50-70 cm alt., glabro. Caule 2-
3 mm diâm., estriado. Folhas com pecíolo 2—5
(-8) mm compr. estriado; bainha basal; lâmina
9-20 x 1, 5-2,5 cm, discolor, membranácea,
papirácea, translúcida, lanceolada, oblongo-
lanceolada, ápice acuminado, base sub-igual,
inequilátera com os lados diferindo de 1-2 mmi
aguda ou obtusa, margem revoluta, glabra,
peninérvia, presença de glândulas. Racemo 6-
8 x 0,3— 0,5 cm, alvo-amarelado; raque
angulosa, glabra ou hirtela; pedúnculo 5-8 mm
compr., glabro, subhirto, estriado; pedicelos
glabros, subhirtos, duas vezes mais longos que
os frutos, bractéola sacado-galeada, séssil ou
curto pedicelada. Fruto jovem ca. 1,5 mm
compr., ovado, sulcado, tetragonal, ápice
agudo; estigmas curvos.
Guimarães, E. F. & Monteiro, D.
Habitat: floresta ombrófila densa baixo-montana;
desenvolve-se no sub-bosque, fazendo parte do
estrato arbustivo, em local úmido.
Distribuição geográfica: Brasil, Rio de
Janeiro.
Material examinado: sub-bosque, VIII. 1 984,
fl., E. F. Guimarães et al. 1459 (RB).
Material adicional examinado: BRASIL.
RIO DE JANEIRO: Nova Friburgo, Rio
Bonito de Lumiar, pousada dos Cristais, 721
m alt., 22° 24 25’ S 42° 25 12' W, 1 .111.2004,
fr., R. C. Forzza et al. 2760 (RB).
Espécie considerada rara no estado do
Rio de Janeiro, assinalada na Reserva
Biológica de Poço das Antas como uma nova
coleta além da localidade típica.
3. Ottonia anisurn Spreng., Neue Entd. 1:
255. 1820.
Arbusto 1 ,5 m alt. Caule 2-3 mm diâm.,
estriado-pubescente. Folhas com pecíolo 2—
5 mm compr., estriado-hirto; lâmina 1 0-14 x
cm, papirácea ou membranácea,
assimétrico-lanceolada, ápice acuminado-
falcado, base assimétrica, aguda ou obtusa,
glabra na face adaxial, com t ri comas
superpostos na nervura mediana abaxial.
Racemo 2,5—8 cm; raque hirta; pedúnculo 3—
5 mm compr., estriado, hirto; pedicelos iguais
ou pouco mais longos que os frutos; bractéola
glabra ou hirta. Fruto 1,5-2 mm compr.,
ovado-tetragonal, ápice apiculado, estigmas
eretos ou curvos.
Nomes populares: jaborandi, jaborandi-do-
mato ou jaborandi-da-mata-virgem.
Habitat: este táxon é freqüentemente
encontrado na floresta ombrófila densa
baixo-montana; faz parte do estrato
arbustivo, apresentando-se de forma esparsa
ou constituindo às vezes, pequenas
populações.
Distribuição geográfica: Brasil, nos estados
de Rio de Janeiro e São Paulo.
Material examinado: 24.VIII.1989, tt.,L C.
Giorclano et al. 789 (RB); fazenda Portuense,
9.IX.1981, fl., E. F. Guimarães et al. 1390
(RB), sub-mata, X. 1984, fl., E. F. Guimarães
et al. 1440 (RB).
Rodriguèsia 57 (3): 567-587. 2006
SciELO/ JBRJ
.2 13 14 15 16 17
cm
Piperaceae da Rebio Poço das Antas, RJ
É considerada medicinal, tendo em vista
que suas folhas são estimulantes, entretanto,
a parte da planta mais utilizada é a raiz, cuja
tintura é empregada internamente para o
beribéri, sendo também útil para fricções nos
membros inferiores, no tratamento de nefrites
periféricas; quando em contato com a mucosa
bucal, tem gosto picante seguido de anestesia,
constituindo um poderoso odontálgico (Silva
1911). Esta planta é ainda muito utilizada em
rituais religiosos, nos conhecidos “banhos de
descarrego” e “defumadores de caboclo ,
tendo por finalidade afastar os maus espíritos
e quebrantos (Guimarães 1 984). As raízes são
sinalagogas, diuréticas e, se mastigadas
aliviam as dores de cabeça (Mors et al.
2000). Coletada em flor em agosto, setembro
e outubro.
4. Ottonia leptostachya Kunth, Linnaea 13:
586. 1839.
Arbusto 0,6- 1,5 m alt., glabro. Caule 4-
6 mm diâm., estriado. Folhas com pecíolo 0,3—
1,6 cm compr., estriado; bainha basal; lâmina
13-15,5 x 4,9-6, 5 cm, discolor, papirácea,
elíptica, lanceolado-elíptica, largo-lanceolada,
ápice agudo-acuminado, margem abaxial hirta
ou glabra, base obtusa, aguda-subigual,
peninérvea, presença ou não de glândulas não
translúcidas. Racemo 2-11 cm alvo-
amarelado; raque subestriada; pedúnculo 5-7
mm compr., estriado; pedicelos subsésseis,
mais curtos que as flores ou frutos; bractéola
séssil ou curto-pedicelada. Fruto 2,5-2,6 mm
compr., globoso-sulcado, tctragonal, apiculado,
estigmas curvos.
Habitat: arbusto ombrófilo da mata secundária,
frcqüente no estrato arbustivo, ocorrendo na cm
área de baixada na Reserva. Em outras
localidades, como no Distrito Federal, pode ser
observado em matas de galeria, em altitudes
de 1000-1150 m.s.m; nesse trabalho a espécie
é tratada como Piper ovatum Vahl. (Carvalho-
Silva & Cavalcanti 2002).
Distribuição geográfica: Brasil, nos estados
da Paraíba, Bahia, Goiás, Distrito Federal,
Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro.
Rodriguésia 57 (3): 569-589. 2006
573
Material examinado: mata secundária,
9.IX.1981, fi., E. F Guimarães et a! 1332
(RB); mata secundária, XI-XI1.1983, fi., E.
F. Guimarães et al. 1359 (RB); mata
secundária, XI-XII.1983, fi .,E.F Guimarães
et al. 1370 (RB); mata secundária, XI-
XII.1983, fi., E. F. Guimarães et al. 1379
(RB); sub-bosque, VIII. 1984, fi., E. F.
Guimarães et al. 1439 (RB); submata,
VIII. 1984, fi., E. F. Guimarães et al. 1442
(RB); trilha da Pelonha, próximo da parcela,
17.V.1994, fi. e fr., J. M A. Braga et al.
1230 (RB).
Coletada com flores em maio, agosto,
setembro, novembro e dezembro, e frutificando
em maio.
5. Ottonia propinqua Kunth, Linnaea 13:
583.1839. F'g-la
Arbusto 0,5- 1,5 m alt. , glabro. Caule 3-
7 mm diâm., estriado. Folhas com pecíolo
estriado, 4-8 mm compr., bainha basal; lâmina
1 1,5-16,5 x 5,5-8, 2 cm, discolor, papirácea,
lanceolada, elíptico-lanceolada, oblongo-
lanceolada, ápice agudo-acuminado, margem
revoluta, glabra na face abaxial, base equilátera
ou subcquilátero-obtuso-cordada. Racemo 4-
10 cm; raque glabra ou subhirto-cstriada;
pedúnculo 5-7 mm compr., estriado, esparso-
hirto; pedicelos mais longos que os frutos;
bractéola pcdicelada. Fruto 1, 9-3,0 mm
compr., oblongo-ovóide, tetragonal-sulcado,
ápice agudo.
Nomes populares: chá-bravo, lalso-
jaborandi, jaborandi, jaborandi-do-mato,
jaborandi-manso, nhaborandi ou zebrandi.
Habitat: espécie ocorrente em formações
primárias c secundarias, da fioresta ombrófila
densa submontana, geralmente no interior das
matas primárias densas c úmidas, das
planícies e das encostas suaves, onde às
vezes é muito abundante. Pode ainda ocorrer
em capoeiras, à margem das estradas
(Guimarães et al. 1978).
Distribuição geográfica: Brasil, nos estados
do Pará, Ceará, Paraíba, Pernambuco, Bahia,
Minas Gerais, Espírito Santo, Rio de Janeiro,
São Paulo, Paraná e Santa Catarina.
SciELO/JBRJ
12 13 14 15
cm ..
574
Material examinado: 25.X.1979, fl. e fr., J.
P. P. Carauta & N. Crud-Maciel 3288 (RB);
morro do Pau Preto, trilha do Pau Preto,
29.X. 1997, fl. e fr, J. A. Lira Neto et ai. 721
(RB); mata secundária, 6.IX.1981, fl., E. F.
Guimarães et al. 1159 (RB); fazenda
Portuense, XI-XI1.1983, fl., E. F. Guimarães
et al. 1345 (RB); sub-bosque, VIII. 1984, fl.,
E. F Guimarães et al. 1441 (RB); sub-
bosque, VIII. 1 984, fl., E. F Guimarães et al.
1443 (RB); sub-mata, VIII. 1984, fr., E. F
Guimarães et al. 1444 (RB); sub-bosque,
VIII. 1984, fl. e fr., E.F. Guimarães et al.
1445 (RB); sub-bosque, VIII. 1984, fl., E. F.
Guimarães et al. 1446 (RB); sub-bosque,
VIII. 1984, fl. e fr., E. F. Guimarães et al
1447 (RB).
Os ramos folhas e raízes quando
mastigados abrandam dores de cabeça. As
espigas são carminativas e estomáquicas.
Nesta espécie foram isoladas várias amidas,
dentre elas a piperovatina que é responsável
pela ação anestésica na língua e mucosa
bucal (Mors et al. 2000). A raiz dispõe de
casca amarelada, aroma ativo e sabor acre-
picante, provocando anestesia e salivação.
É utilizada pelos indígenas como antídoto
na intoxicação por cogumelos venenosos
e pela água da mandioca (Peckolt &
Peckolt 1888). Encontrada florescendo de
agosto a dezembro, com frutificação em
agosto e outubro.
6. Peperontia corcovadensis Gard., J Bot
1:187.1842.
Erva 5-10 cm alt., estolonífera, epífita
ou rupícola, microscopicamente hirtela a
glabrescente; ramos ascendentes da base
cespitosa. Caule 1 mm diâm., estriado. Folhas
alternas; pecíolo 2—5 mm compr.; lâmina 8—
13 x 5-7 mm, membranácea, glandulosa,
ovada, ovado-lanceolada, ovado-elíptica,
elíptico-subovada, lanceolada, ápice obtuso,'
estreito-obtuso, obtuso-retuso, esparso-
ciliada, base obtusa ou aguda, glabra em
ambas as faces, 3-nervada. Espiga 15-35 *
5-1 mm, terminal; pedúnculo 1, 5-2,1 cm
Guimarães, E. F. & Monteiro, D.
compr., hirto; bractéola arredondado-peltada,
glanduloso-pontuada, margens papiloso-
verrucosa; raque verrucosa, foveolada. Fruto
0,3-0,4 mm compr., não estipitado, ovado-
elíptico, submerso, subfoveolado, ápice agudo,
estigma apical, pseudocúpula pouco abaixo
ou até a porção mediana.
Nomes populares: erva-de-vidro, jaboti-
membeca (Guimarães et al. 1984). Na área
estudada, não foi registrado ainda nome vulgar.
Habitat: floresta ombróFila densa baixo-
montana, em mata de baixada. Em Santa
Catarina, é freqüente na floresta pluvial de
araucária e floresta pluvial ripária, habitando
tronco úmido, em local sombrio.
Distribuição geográfica: no Brasil, nas
Regiões Sudeste e Sul.
Material examinado: Jutumaiba, trilha da
Pelonha, 16.VIII.1995, fl., J. M. A. Braga et
al. 2658 (RB).
Material adicional examinado: BRASIL.
RIO DE JANEIRO: Rio das Ostras, restinga
da praia Virgem, 31.X.1999, fl. e fr., R. N.
Dam as certo 1181 (RB).
7. Peperontia trinervis Ruiz & Pav„ Fl. Peruv.
1 : 32, tab. 50, fig. b. 1 798. Fig. 1 b-c
Erva reptante, estolonífera, negro-
glanduloso-pontuada. Caule 3 mm diâm.,
moderado a esparsamente viloso. Folhas
alternas; pecíolo 0,5-1 cm compr., viloso;
com fileira decurrente de tricomas; lâmina
1,2-3 x 0,5-1, 4 cm, membranácea,
membranáceo-rígida, ovado-elíptica,
elíptica, ovado-lanceolada, lanceolada,
ápice agudo, agudo-falcado, acuminado,
ciliado, base aguda, decurrente,
glabrescente na face adaxial, esparsa a
moderadamente vilosa na face abaxial, 3-
5 nervada. Espiga 1,5-8, 5 x o,l cm,
terminal; pedúnculo 0,3-l,3 cm compr.,
g abro, bractéola arredondado-peltada;
raque liso-sulcada, negro-pontuada. Fruto
0,5 0,9 mm compr., não estipitado, ovado,
globoso, verrucoso-glanduloso, com ápice
obliquo, estigma subapical, sem
pseudocúpula.
RoJriguêsia 57 (3): 567-587. 2006
SciELO/ JBRJ
12 13 14 15 16 17
Piperaceae da Rebio Poço das Antas, RJ
575
. ^ «Mv ramo com inflorescência. b-c: Peperomia trlnervis Ruiz & Pav.:
•iRura I - a. Ottonia propinqua Kunth (Carauta 3- , Kunth (Draga 1830): d. ramo com inflorescência; c.
’• ~ - inflorescência; c. detalhe do peco o. «. ' ^ g> ramo com inflorescência; li. Iruto e
ruto; f. bractéola. g-h: Piper arboreutn Aub . var. ar
Nomes populares: na Reserva não foi encontrada
qualquer referência à denominação vulgar.
Habitat: espécie ocorrente no interior da floresta
ombrófila densa submontana.
Distribuição geográfica: Bolívia, Colômbia,
Equador, México, Peru e Brasil, nos estados a
Bahia, Minas Gerais, Espírito Santo, Rio e
Janeiro e São Paulo.
Material examinado: Juturnaiba, trilha a
Pelonha, 16.VIII.1995, M. A. Braga et al.
2687 (RB).
Planta difícil de ser encontrada, coletada
florescendo em agosto.
8. Peperomia rotundifolia (L.) Kunth, Nov.
Gen. Sp. 1: 65. 1815.
Erva epífita, glabra ou crcspo-pubesccntc;
ramos lisos. Caule 0,25-0,5 mm diâm., delicado.
Folhas alternas; pecíolo 1 ,5-4 mm compr; lâmina
2-12 * 2-10 mm, carnosa, quando seca
membranácca ou papirácca, ovado-arredondada
ou oblonga, glandulosa, arredondada; ápice
arredondado, as vezes rctuso ou cmarginado,
base arredondada, com tricomas esparsos em
ambas as faces, palmati-3-ncrvada. Espiga 0,5-
2,5 cm x 1-1 ,5 mm, terminal; pedúnculo ca. 0,5
mm compr., crcspo-pubcsccnte; bractéola
Rodriguésia 57 (3): 569-589. 2006
SciELO/JBRJ
L2 13 14 15 16 17
cm ..
576
arredondado-peltada. Fruto 0,4-0,6 mm
compr., não estipitado, globoso, ovóide, ápice
não mami forme, oblíquo, desprovido de escudo
rostrado, estigma subapical, sem
pseudocúpula.
Nomes Populares: bejuco de alcanfor (Costa
Rica), erva-de-jaboti, erva-de-vidro em Santa
Catarina, jaboti-membeca, lentejuela (Cuba)
ou salva-vidas; no Rio de Janeiro, não tem
registro de nome vulgar.
Habitat: habita geralmente tronco e ramos
das árvores, com larga dispersão e
freqüência na floresta ombrófila densa
(Guimarães et al. 1985).
Distribuição geográfica: Antilhas, Américas.
No Brasil, nos estados do Amazonas, Pará,
Pernambuco, Minas Gerais, Espírito Santo, Rio
de Janeiro, São Paulo, Paraná, Santa Catarina
e Rio Grande do Sul.
Material examinado: trilha do Pau Preto,
margem do rio Pau Preto, 1 0-30 m, 24.1. 1 995,
st., J. M. A. Braga et al. 1787 (RB).
Material adicional examinado: BRASIL.
RIO DE JANEIRO: Nova Friburgo, Parque
Estadual Fumas do Catite, 26.X.1986 fl A
Vaz 427 (RB).
E epífita de folhas muito reduzidas,
geralmente cultivada em vasos ou placas como
ornamental. É considerada planta medicinal,
sendo usada como estomáquica (Corrêa 1909-
Mors et al 2000). Os ramos desta planta
quando esmagados exalam odor semelhante
à cânfora e, quando mastigados, dão a
sensação de frescor próprio desta substância.
E considerada planta própria para a
expectoração (Roig y Mesa 1945).
9, Piper amplum Kunth, Linnaea 13: 618.
^39- Fig. 1 d-f
Arbusto 1-2,5 m alt.; ramos 5-10 mm
diâm., cilíndrico-sulcados. Folhas com pecíolo
I, 5— 2,5 cm compr., estriado, canaliculado,
bainha canaliculada basal; lâmina 19-24 x 6,5-
I I , 5 cm, membranácea, papirácea, glanduloso-
translúcida, elíptica, oblongo-lanceolada,
ovado-elíptica, ápice agudo, base profundo
lobada, simétrica, obtusa, aguda, subcordada,
Guimarães. E. F. & Monteiro, D.
quando assimétrica um lado 2—3 mm mais curto
em relação ao pecíolo, glabra na face adaxial,
esparso-pi losa ou glabra nas nervuras da face
abaxial; nervuras secundárias 10-12 (14),
dispostas até o ápice, salientes na face adaxial.
Espiga 5-9,5 x 0,2-0,4 cm, ereta; pedúnculo
0,7— 1,6 cm compr.; bractéola cuculado-
crescente, glabra; estames 4; ovário com
estilete curto ou séssil, estigmas 3, filiformes.
Fruto 1-2 mm compr., obovóide, oblongo,
subanguloso, glabro, depresso no ápice,
estigmas persistentes.
Nomes populares: caapeba, jaborandi, murta
ou pariparoba.
Habitat: espécie muito frequente e ocorrente
em formações primárias e secundárias, da
floresta ombrófila densa submontana; sua
ocorrência em floresta secundária denota sua
exigência de luz, e quando nas florestas
primárias necessita de clareiras para seu
desenvolvimento.
Distribuição geográfica: Brasil, nos estados
da Bahia, Minas Gerais, Espírito Santo, Rio
de Janeiro e Santa Catarina.
Material examinado: fazenda Portuense,
XI. 1983, fl., E. F. Guimarães & L. Mautone
1375 (RB); 6.IX.1981, fl., E. F. Guimarães et
al. 1170 (RB); fazenda Portuense, XII. 1983,
fl-, E. F. Guimarães et al. 1382 (RB);
Jutumaiba, estrada após a casa do Sr. Aristides
em direção ao rio Aldeia, 10-30 m, 25.1.1995,
fl-, J. M. A. Braga et al. 1830 (RB).
Foram identificados monoterpenos, como
os constituintes majoritários desta espécie
(Santos et al. 2001), que é útil para aliviar a
indisposição do fígado (Mors et al. 2000).
Floresce de setembro a janeiro.
- .y*-. ui i/u i cu m AUDI., Hist. Pl.
1;23|775. fig.lg-h
Arbusto 1-4 m alt.; ramos 4-8 mm
diâm., cilíndrico-sulcados. Folhas com pecíolo
*■ 4 cm compr., estriado; bainha percorrendo
toda extensão do pecíolo, canaliculado-alada;
lâmina 16-27 x 6-10 cm, membranácea,
papirácea, oblongo-elíptica, ovada, oblongo-
lanceolada, ápice agudo-acuminado, base
Rodriguésia 57 (3): 567-587. 2006
SciELO/JBRJ
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cm
Piperaceae da Rebio Poço das Antas, RJ
inequilátero-aguda, profundo-cordado-
auriculada ou com um dos lados agudo, 1 —
2,5 cm mais curto em relação ao pecíolo,
glabra em ambas as faces; nervuras
secundárias dispostas até o ápice. Espiga
7-12 x 0,3-0, 5 cm, ereta; pedúnculo 0,5-2
577
cm compr.; bractéola triangular-pcltado-
franjada; estames 4; ovário com estilete
curto ou séssil, estigmas 3, persistentes,
filiformes. Fruto 0,8-1 mm compr., oblongo,
glabro, lateralmcnte achatado, estigmas
persistentes.
Chave para as variedades de P. arboreum da Reserva Biológica de Poço das Antas
1. Folhas glabras em ambas as faces
1’. Folhas com tricomas na face abaxial, principalmente
R arboreum var. arboreum
ao longo das nervuras
P arboreum var. hiríelum
10.1. Piper arboreum Aubl. var. arboreum
Nomes populares: alecrim-de-angola,
fruto-de-morcego, jaborandi, jaborandi-do-
rio, jaborandi-falso, jaborandi-pimenta,
nhamborandi, palim, pau-de-angola, pimenta-
do-mato, pimenta-dos-índios, raiz-de-pahiu.
Habitat: espécie muito frequente na floresta
ombróFila densa, crescendo em formações
secundárias em matas de encosta, não raro
presente na margem de clareiras; comum
em restinga, em mata alagadiça.
Distribuição geográfica: ampla
distribuição, ocorrendo desde a América
Central até o Sul do Brasil, neste assinalada
para o Amazonas, Amapá, Pernambuco
Bahia, Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná e
Santa Catarina.
Material selecionado: trilha Rodolfo Sul,
6. XII. 1993, fl.e fr., C. Luchiari et ai 163
(RB); 14.IX.1977, fl., J. P. P Carauta et
ai 2589 (RB, GUA); Pau do Gancho, prox.
a fazenda da Kombi, 26.XI.1992, fl. e fr.,
H. C. Lima et ai 4480 (RB); mata do rio
Pau Preto, 7.11.1995, fr., C. M. Vieira et
ai 693 (RB, F); trilha atrás do prédio da
Educação Ambiental, 20. X. 1 994 fl. e fr., li
C. Lima et ai 4955 (RB); 24.X.1979, fl.,
D. Araújo 33 73 (GUA); 27. IX. 1981, fl.,
D. Araújo & M. F V dos Santos 4640
(GUA); VIII. 1984, fl. e fr., E. F.
Guimarães et ai 1438 (RB); mata de
baixada, capoeirão, VIII. 1984, fl. e fr., E.
F. Guimarães et ai 1462 (RB); trilha do
Pau Preto, margem do rio Pau Preto, 10-
30 m, 24.1.1995, fr., J. M. A. Braga et ai
1791 (RB).
É empregada como sudorífera,
afrodisíaca, para o trato de reumatismos,
sendo também carminativas; as folhas em
infusão são usadas em banhos (Mors et ai
2000); na Amazônia é utilizada sob a forma
de chá contra resfriados, bronquites e gripes
fortes (Van den Berg 1993). As folhas e
ramos jovens são úteis para dores de dente;
a raiz é empregada na preparação do curare.
(Peckolt & Pcckolt 1888). É também
considerada alimento de morcegos. Floresce
e frutifica de agosto a abril.
10.2. Piper arboreum var. hiríelum Yunck.,
Ann. Missouri Bot. Gard. 37 (1): 64. 1950.
Nomes populares: os mesmos da
variedade típica.
Habitat: variedade encontrada cm locais de
relativa altitude.
Distribuição geográfica: Brasil, nos estados
do Amazonas, Bahia, Goiás, Distrito federal,
Rio de Janeiro, São Paulo c Paraná.
Material examinado: morro do Pau Preto,
trilha do Pau Preto, 29.X.1997, fl.,.7. A. Lira
Neto et ai 709 (RB).
Material adicional examinado: BRASIL.
RIO DE JANEIRO: Parati, Boa Vista,
loteamento Frade, Pousada Paraty, 1 0.XI. 1 99 1 ,
fl. c fr., Y. L. G Klein et ai 1201 (RB).
Coletada com flor cm outubro.
Rodriguésla 57 (3): 569-589. 2006
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L2 13 14 15 16 17
cm ..
578
11. Piper caldense C. I)C., Linnaea 37. 343
1872.
Arbusto 0,5-3 m alt., glabro; ramos 4-
1 2 mm diâm., estriados. Folhas com pecíolo
0,5-1, 5 cm compr., canaliculado; bainha
curta, basal; lâmina 12-17 x 3,5-5 cm,
discolor, membranácea, castanho-glandulosa
na face adaxial, translúcida, lanceolada,
elíptica, às vezes obovada, ápice agudo-
acuminado, mucronado, margem não
indulada, base não peitada, simétrica ou
assimétrica, agudo-cuneada, um lado 2-5
mm mais curto em relação ao pecíolo,
glabra; nervuras secundárias 6-8, saindo
acima da base, dispostas até o ápice. Espiga
3-5 x 0, 3-0,6 cm, esverdeado-alvacenta,
ereta, sutilmente curva, reflexa na
maturidade; pedúnculo 0,7-1, 5 cm compr.;
bractéola triangular-peltada, franjada;
estames 4; ovário com estilete longo,
estigmas 3, filiformes. Fruto 2,5-3 mm
compr., estiloso, globoso, às vezes anguloso,
glabro, agudo no ápice, estigmas
persistentes.
Nomes populares: em Santa Catarina é
conhecida como paguarandy; no estado do
Rio de Janeiro, não foi assinalado nome
vulgar para esta espécie.
Habitat: floresta ombrófila densa
submontana, às vezes nas margens de
córregos onde possa penetrar luz difusa
(Guimarães & Valente 2001). Ocorre
também muito raramente em área de pasto.
Distribuição geográfica: arbusto com
distribuição das Regiões Nordeste a Sul do
Brasil, nos estados de Pernambuco, Alagoas,
Bahia, Minas Gerais, Rio de Janeiro, São
Paulo, Paraná e Santa Catarina.
Material examinado: prox. à BR-101,
24.11.1994, fr., C. M. Vieira et ai. 545 (RB,
F, NY); trilha para a Pelonha, entrada em
frente a trilha Morro do Calcário, 6. III. 1993,
fl., C. M. B. Correia et al. 326 (RB);
VIII. 1984, fl., E. F. Guimarães á L.
Mautone 1404 (RB).
Coletada com flor em março e agosto;
com frutos em fevereiro.
Guimarães. E. F. & Monteiro. D.
12. Piper crassinervium Kunth, Nov. gen.
sp. 1:48. 1815. Fig. 2a-b
Arbusto 1-6 m alt., esciófilo; ramos 4-
9 mm diâm., glabros, cilíndrico-estriados.
Folhas com pecíolo 1,3-2, 2 cm compr.,
glabro-estriado, bainha canaliculada, largo-
basal, estreitando-se em direção à lâmina
até a porção mediana do pecíolo; lâmina 12-
20 x 5-7,5 cm, papirácea, não castanho-
glandulosa na face abaxial, translúcida,
oblongo-ovada, elíptica, oblongo-lanceolada,
ápice agudo-acuminado, base simétrica,
aguda ou obtusa, quando assimétrica um lado
2—4 mm mais curto em relação ao pecíolo,
glabra em ambas as faces ou esparso-pilosa
nas nervuras da face abaxial; nervuras
secundárias 4-6, saindo acima da base
dispostas até ou abaixo da porção mediana.
Espiga 3,5-7 x o, 3-0, 5 cm, ereta na
frutificação; pedúnculo 0,5—1 cm compr.,
pubescente; bractéola triangular-subpeltado-
franjada na margem; estames 4; ovário com
estilete longo, estigmas 3, filiformes. Fruto
1,5-2, 2 mm compr., estiloso, arredondado-
obovóide, glabro, estigmas persistentes.
Nomes populares: pariparoba-jaguarandy,
em Santa Catarina; na Reserva não foi
assinalado nome vulgar.
Habitat: arbusto muito freqüente, que habita
florestas secundárias em altitudes de 80-900 m.
Distribuição geográfica: América do Sul; no
Brasil nos estados do Amazonas, Ceará, Goiás,
Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo,
Paraná e Santa Catarina.
Material examinado: 14.IX.1977, fl., J. p
P. Carauta et al. 2601 (RB, GUA); fazenda
Portuense VIII. 1984, fl. e fr, E. F Guimarães
& L. Mautone 1421 (RB).
Este arbusto constitui um importante
alimento de morcegos (Guimarães & Valente
2001); além disso alcança até 6 metros de
altura, dispõe de folhas verde-escuras,
brilhantes, nervação proeminente, espigas
eretas com estigmas persistentes e aparentes,
podendo ser cultivado como ornamental.
Coletada florescendo em agosto e setembro,
com frutificação em agosto.
RoJrigitêsia 57 (3): 567-587. 2006
SciELO/JBRJ
L2 13 14 15 16 17
Piperaceae da Rebio Poço das Antas, RJ
579
|, . (Guimarães 1421 ): a. ramo com inflorescência; b. fruto,
Figura 2 - a-b: Piper crassinervium Humb., Bonp . 1 cência- d. detalhe das nervuras impressas na lâmina
c-e: Piper diospyrifolium Kunth (Correia 325). c. divaricatum G. Mey. (Guimarães 1456): f. aspecto
foliar; e. detalhe da espiga mostrando frutos e brac eo i • • t-
geral da folha; g. fruto.
13. Piper diospyrifolium (Kunth)
Kunth ex C. DC., Prodr. 16(1): 300. 1869.
Fig. 2 c-e
Arbusto 0,7-3 m alt.; ramos 5-7 mm
diâm., glabros, estriado-sulcado. Folhas com
pecíolo 1-3,5 cm compr., estriado-glabro,
bainha alongada, alado-caduca, constituindo
um canal, estreitando-se em direção à lâmina,
lâmina 16-24 * 5, 5-9, 5 cm, discolor,
subcoriácea, cartácea, papirácea, glanduloso-
translúcida, ovado-oblonga, oblongo-
lanceolada, elíptica, ápice agudo-acuminado,
base nâo profundo lobada, simétrica, aguda ou
obtusa, quando assimétrica um lado 2-3 mm
mais curto em relação ao pecíolo, glabra na
face adaxial, com tricomas hirtos nas nervuras
da face abaxial; nervuras 5-9, saindo acima
da base, impressas na lace adaxial, salientes
na abaxial, dispostas até ou pouco acima da
porção mediana, não atingindo o ápice. Espiga
fy 5_9 x 0,3-0, 7 cm, branca ou verde, ereta na
frutificação; pedúnculo 8-15 mm compr.,
Rodrtguésia 57 (3): 569-589. 2006
SciELO/ JBRJ
12 13 14 15 16 17
cm
580
cilíndrico, glabro; bractéolas cuculado-
crescentes, subpeltadas, glabra ou
glabrescentes; estames 4; ovário com
estilete curto ou séssil, estigmas 3,
filiformes. Fruto 2—2,1 mm compr., não
estiloso, oblongo, lateralmente achatado,
glabro, depresso no ápice, estigmas
persistentes.
Nomes populares: conhecida na Reserva
como joão-borandi.
Habitat: esta espécie semi-heliófila que
habita a floresta ombrófila densa baixo-
montana, em local bastante úmido, é ainda
pouco coletada nas regiões sudeste e sul,
áreas de sua ocorrência. Na Reserva é
assinalada na floresta alagadiça, fazendo
parte do estrato arbustivo. É também
encontrada em mata de baixada e capoeirão.
Distribuição geográfica: no Brasil ocorre
nos estados do Rio de Janeiro, São Paulo e
Santa Catarina.
Material examinado: trilha para a Pelonha,
entrada em frente à trilha Morro do
Calvário, 6. III. 1993, fl. e fr, C. M. B.
Correia et at. 325 (RB); trilha Rodolfo
Norte, primeira trilha a esquerda após a
porteira, 1. XII. 1996, fl., S. J. Silva Neto et
al. 761 (RB); fazenda Portuense, VIII. 1984,
fl. e fr., E. F. Guimarães et al. 1422 (RB);
mata alagadiça, 18.IV. 1977, fl. e fr, D.
Araújo & R. F. Oliveira 1618 (GUA);
VIII. 1984, fl., E.F. Guimarães et al. 1448
(RB); VIII. 1984, fl., E. F. Guimarães & L.
Mautone 1453 (RB); fazenda Portuense,
VIII. 1984, fl., E. F. Guimarães & L.
Mautone 1455 (RB); mata de baixada,
VIII. 1984, fl., E. F. Guimarães & L.
Mautone 1461 (RB).
Esta espécie é considerada rara, uma
vez que existem poucas coletas (datando de
1878, 1888, 1929, 1945, 1981, 1993, 1995 e
1996). Estes intervalos de coleta mostram a
pouca representatividade deste táxon nos
acervos dos herbários. Sua utilidade é
desconhecida até o momento. Floresce em
março, abril, agosto, novembro e dezembro
e frutifica em março, abril e agosto.
Guimarães, E. F. & Monteiro, D.
14. Piper divaricatum G. Mey. Prim. Fl.
Esseq. 1 5, fig. 86. 1 8 1 8. Fig. 2.f-g.
Arbusto 2-7 m alt., glabro, mais ou
menos dotado de glândulas; ramos estriado-
sulcados quando secos, nodosos. Folhas com
pecíolo 0,5-2 cm compr., sulcado em direção
a lâmina, provido de bainha curta na base;
lâmina 9-17 x 3,5-7 cm, discolor, papiráceo-
membranécea a subcoriácea, brilhante em
ambas as faces, oblongo-elíptica, lanceolada
ou raramente ovada, ápice agudo, base não
profundo lobada, assimétrica, decurrente,
revoluta na margem; nervuras 7-9 em cada
lado, dispostas até o ápice, ascendentes em
relação a principal, padrão de nervação misto,
camptódromo-broquidódromo. Espigas 3,5—
6 x 0,3-1 cm, eretas, pêndulas ou curvadas;
pedúnculo 0,7-1 cm compr., glabro;
bractéolas arredondado-triangular, peitadas,
densamente franjada na margem, pedicelo
piloso; estames 4; ovário com 3 estigmas
sésseis. Fruto 1 ,5-2,5 mm compr., não estiloso,
obpiramidal ou tetragonal, achatado na base,
sub-arredondado, convexo ou sub-apiculado
no ápice, comprimido lateralmente,
glanduloso, estigmas persistentes.
Nomes populares: betle ou betro.
Habitat: arbusto semi-ombrófilo, freqüente nas
restingas, na floresta alagadiça, fazendo parte
do estrato arbustivo, crescendo entre espécies
de Bombacaceae, Clusiaceae, Moraceae e
Zingiberaceae (Guimarães et al. 1988), às
vezes assinalado em capoeiras.
Distribuição geográfica: Brasil, nos estados
do Amazonas, Pernambuco, Bahia, Minas
Gerais, Espírito Santo e Rio de Janeiro.
Material examinado: área do plantio, BR
101, 250 m, 15.XI.1994, fl. e fr., C. Luchiari
et al. 436 (RB); mata do Pau Preto, 7.II. 1 995,
fr., C. M. Vieira et al. 695 (RB); margens do
rio São João, entre a BR 101 e a ponte da
linha férrea, 15.111.1994, fl. e fr., D. S. Farias
et al. 170 (RB); 4. IX. 1981, fl., E. F.
Guimarães et al. 1145 (RB); fazenda
Portuense, VIII. 1984, fl. e fr, E. F. Guimarães
& L. Mautone 1423 (RB); VIII. 1984, fl., E.
F. Guimarães et al. 1425 (RB); mata da
Rodriguésia 57 (3): 567-587. 2006
SciELO/JBRJ
12 13 14 15 16 17
cm
Piperaceae da Rebio Poço das Antas, RJ
pedreira, VIII. 1984, fl., E. F. Guimarães et
al. 1451 (RB); idem, V1I1.1984, fl. e fr., E.
F Guimarães & L. Mautone 1456 (RB),
idem, VIII. 1984, fl. E. F Guimarães & L.
Mautone 1458 (RB); capoeira, 8.XI.1979,
fl.;fr., D. Araújo & M. dos Santos 3419
(GUA); próximo ao Rio São João, a beira da
BR 101 em brejo, 16.III.1984, fr., A Araújo
& M.C. Maciel 6140 (GUA); idem, trilha
da Pelonha, próximo da parcela de
fitossociologia (PMA) 3. II. 1995, fr., J. M. A.
Braga et al. 1901 (RB).
A raiz desta espécie é aromatica e tem
sabor semelhante ao do gengibre. A população
utiliza a planta sob forma de infusão, para
combater cólicas e dores reumáticas. As raízes
e folhas cozidas são usadas em banhos com
finalidade antireumática (Peckolt & Peckolt
1888). Floresce em março, agosto, setembro,
novembro e frutifica em fevereiro, março,
agosto e novembro.
15. Piper hispidum Sw., Prodr.: 15. 1788.
Arbusto 1-4 m alt., com tricomas híspido-
escabros, não retrorsos; ramos 2-6 mm
cilíndrico-sulcados. Folhas com pecíolo 0,3-1
cm compr., cilíndrico; bainha curto-basal,
lâmina 8,5-16 * 3, 2-6,5 cm, membranácea,
glanduloso-translúcida, oblongo-lanceolada,
elíptica, ápice agudo-acuminado, base não
profundo lobada, obliquamente arredondada ou
aguda, um lado 2-6 mm mais curto cm relação
ao pecíolo, lepidoto-escabra na face adaxial,
tricomas híspidos, hirsutos nas nervuras da face
abaxial, rugosa quando envelhecida, nervuras
secundárias maiores 5-6, saindo acima da
base, ascendentes, salientes na face adaxial,
dispostas até ou abaixo da porção mediana.
Espiga 5-7 x 0, 2-0,3 mm, ereta, às vezes
apiculada; pedúnculo 0,8-1, 2 cm compr.,
bractéola triangular-subpeltada, franjada,
estames 4; ovário com estilete curto ou
séssil, estigmas 3, filiformes. Fruto 1,9-2
mm compr., não estiloso, oblongo,
lateralmente achatado, papiloso-pubescente
no ápice, estigmas persistentes.
Nomes populares: aperta-joão, aperta-ruão,
beque, higuillo oloroso na Costa Rica, matico
Rodriguésia 57 (3): 569-589. 2006
581
matico-falso e plantanilo-de-cuba ou
cordocillo-blanco na América Central.
Habitat: floresta ombrófila densa, ocorrendo
em local muito úmido, matas de galeria, em
altitudes de 750-1000 m.s.m (Carvalho-Silva
2002), matas sombrias úmidas, sendo também
freqüente em áreas ensolaradas, cm restingas.
Distribuição geográfica: América Central,
Antilhas, América de Sul. No Brasil, nos
estados do Amazonas, Pará, Ceará,
Pernambuco, Bahia, Rio de Janeiro, Parana,
Santa Catarina, Goiás, Distrito Federal e
Mato Grosso.
Material examinado: fazenda Portuense,
VIII. 1984, st., E. F. Guimarães & L.
Mautone 1426 (RB); VIII. 1984, fl., E. F
Guimarães & L. Mautone 1453 (RB),
VIII. 1984. st., E. F. Guimarães et al. 1460
(RB); VIII. 1984, st., E. F. Guimarães et al.
1437 ( RB); 4.IX.1981, st., E. F Guimarães
et al. 1083 (RB).
Representa um táxon polimorfo,
especialmente no que diz respeito às suas folhas,
com dimensões e formas distintas, não raro
havendo dificuldades para sua identificação que
é, geralmcnte favorecida pelas espigas eretas c
pedúnculos curtos. É utilizada como planta
medicinal, suas raízes folhas c frutos são
adstringentes, estimulantes, empregadas para
combater a cistite, inflamação da bexiga e deter
hemorragias traumáticas; (Roig y Mesa 1945,
Silva 191 1). As folhas são ainda usadas frescas
como emplastos, para hérnia de umbigo de
crianças (Peckolt & Peckolt 1888). A planta é
empregada também para o descongestionamento
do fígado; as folhas usadas intemamente sob a
ronna de infusão, são indicadas para desinterias,
e externamente pela sua adstringência, em
banhos, evitando nas mulheres a queda do útero
(Peckolt 1941). O chá da decocção da folha é
útil para o tratamento da malária (Milliken 1997).
Coletada florescendo em agosto.
16. Piper lt tíffman nseggi anu m Roem. &
Schult., Mant. 1: 242. 1822.
Arbusto 1,4-2 m alt., glabro, clófilo.
Folhas com pecíolo 5-7 mm compr.,
canaliculado, com bainha na base; lâmina 10-
SciELO/JBRJ
12 13 14 15 16 17
582
Guimarães, E. F. & Monteiro, D.
17 x 3,5-5 cm, discolor, semi-cartácea,
membranáceo-rígida, Ianceolada, oblongo-
lanceolada, ápice acuininado, base aguda, não
peitada, assimétrica, nervuras 8-1 2, dispostas
até o ápice da lâmina, pálido-virentes quando
secas. Espiga 5—1 1 x 0,2-0,5 cm, esverdeada,
ereta, raramente curva; pedúnculo 1-1,2 cm
compr.; raque fimbriada ou pubérula, flores
laxas, bractéolas sacado-galeadas,
glandulosas; estames 4, com anteras
reniformes; ovário com 4 estigmas sésseis.
Fruto ca. 1,5 mm compr., não estiloso, sub-
orbicular, oblongo, tetragonal. lateralmente
sulcado, estigmas persistentes.
Nomes populares: jaborandi.joão-barandino,
joão-barradin.
Habitat: floresta ombrófila densa baixo-
montana em estágio secundário, em ca. 250
m de altitude. Habita áreas de encosta úmidas
e sombrias, podendo, entretanto, habitar
clareiras ensolaradas.
Distribuição geográfica: Brasil, nos estados do
Pará, Minas Gerais, Bahia e Rio de Janeiro.
Material examinado: área da parcela de
morrete, entre as linhas 6 e 1 0, 9.VI1. 1 996, f].,
S. J. Silva Neto et al. 892 (RB).
Material adicional examinado: BRASIL.
RIO DE JANEIRO: Paraty, estrada próxima
ao Rio dos Meros, beira da mata, 10.V.1994,
fr., R. Marquete 1747 (RB).
Planta muito utilizada como paliativo
para dor de dente, sendo também sudorífera.
Coletada florescendo em julho.
17. Piper malacophyllum (C. Presl) C. DC„
in DC. Prodr. 16(1): 337. 1 869. Fig. 3 a-c
Arbusto 2—2,5 m alt., com tricomas
escabro-pubescente, não retrorsos; ramos 2-
6 mm diâm., sulcados. Folhas com pecíolo 4—
7 mm compr., canaliculado, pubescente; bainha
curto- basal; lâmina 12-20 x 5-8 cm,
membranácea, glanduloso-translúcida, elíptica,
oblonga, oblongo-lanceolada, ápice agudo,
acuminado, margem ciliada, base não profundo
lobada, cordada, às vezes aguda, um lado 2-6
mm mais curto em relação ao pecíolo, escabra
na face adaxial, hirsuta nas nervuras da face
abaxial, nervuras 5-6 (-7), saindo acima da
base, dispostas até a porção mediana, salientes
na face adaxial. Espiga 6-14 x 0,2-O,3 cm.
curva; pedúnculo 1,5-3, 5 cm compr.,
pubescente; bractéola triangular-peltada,
franjada; estames 4; ovário com estilete curto
ou séssil, estigmas 3, filiformes. Fruto 0,5-0, 9
mm compr., não estiloso, oblongo, lateralmente
achatado, subdepresso, glabro ou pubescente
no ápice, estigmas persistentes.
Nomes populares: pariparoba ou pariparoba-
murta. Na área da Reserva não foi assinalado
ainda nome vulgar para esta espécie.
Habitat: floresta ombrófila densa baixo-
montana, característica de clareiras em
ambientes florestais, no interior da mata ocupa
locais sombrios em solo úmido, ou as margens
de rios (Guimarães 1999), podendo ocupar
também formações secundárias, em locais
ensolarados.
Distribuição geográfica: Brasil, nas Regiões
Sudeste e Sul.
Material examinado: VIII. 1984, fl„ E. F.
Guimarães et al. 1457 (RB); Juturnaiba,
estrada da posse do Sr. Aristides em direção
ao rio Aldeia, 10-30 m, 26.1.1995, fl., J. M. A.
Braga et al. 1867 (RB).
18. Piper nwllicomiim Kunth, Linnaea 13:
648. 1839.
Arbusto 1 —4 m alt., com tricomas vilosos,
não retrorsos; ramos 2—8 mm diâm., cilíndricos.
Folhas com pecíolo 0,5-1, 2 cm compr.,
cilíndrico; bainha curto-basal; lâmina 1 0-1 9 x
5—8,5 cm, discolor, membranácea, glanduloso-
translúcida, ovado-oblonga, oblongo-
lanceolada, ápice agudo, acuminado-falcado,
base não profundo lobada, assimétrica, obtuso-
cordada, um lado 2-4 mm mais curto em
relação ao pecíolo, tricomas vilosos em ambas
as faces, sedosos ao tato, quando envelhecidas
glabrescentes na face adaxial; nervuras
secundárias 5—6, saindo acima da base,
dispostas até ou abaixo da porção mediana.
Espiga 6-10 x 0,2-0,5 cm, de amarela a verde,
curva; pedúnculo 0,5-1 ,5 (-2) cm compr.;
bractéolas subtriangular-peltado-franjada;
Rodriguèsia 57 (3): 567-587. 2006
SciELO/JBRJ
_2 13 14 15 16 17
Piperaceae da Rebio Poço das Antas, RJ
583
... r. nr nr mnn 18fi7Va oarte do ramo com in florescência; b-c: laceabaxial
Figura 3 - a-c: Piper malacophyllum (C. Prcsl) C. D C (B fc • ^ ^ 7|g). ramo mostrando 0 detalhe da base
da lâmina foliar, mostrando tn comas, d: [ (Guimarães 1485): e parte do ramo com inflorescência; f.
ohar. e-g: Piper solmsianun, var. hdanamm ^ # bractéo|a.
detalhe dos tricomas na base das nervuras da lace abaxial,
estames 4; ovário com estilete curto ou séssil,
estigmas 3, filiformes. Fruto 1-1,1 mmeompr.,
não estiloso, oblongo, obovóide, lateralmente
achatado, reticulado, truncado, glanduloso com
tricomas pubescentes no ápice, estigmas
persistentes.
Nomes populares: jaborandi, jaborandi-
manso, rabo-de-galo.
Habitat: muito freqüente na floresta ombró fila
densa baixo-montana, em altitudes entre 200-
600 m.s.m., tanto em locais ensolarados quanto
sombreados; ocorre também cm restingas;
muito comum em áreas antrópicas. E
freqüente em trilhas próximas a córregos
(Ruschel 2004).
Distribuição geográfica: espécie ocorrendo
desde o Nordeste até o Sul do Brasil; também
assinalada para a Região Centro-Oeste, cm
altitudes de 0-900 m.s.m.
Material examinado: morro do Pau Preto,
trilha do Pau Preto, 29.X.1997, 11., J. A. Lira
Neto et al. 729 (RB); 14. IX. 1977, 11., J. P P
Rodriguésia 57 (3): 569-589. 2006
SciELO/JBRJ
12 13 14 15 16 17
cm ..
584
Carauta et al. 2612 (RB); idem, 29.10.1997,
fl., J. A. Lira Neto et al. 729 (RB);
16.III.1977, fr., D. Araújo et al.1547 (GUA);
fazenda Poço d’Antas, 4.XI.1981, fl., E. F.
Guimarães & L. Mautone 1140 (RB);
Osmarina, 6. IX. 1 98 1 , fl. e fr., E. F. Guimarães
& L. Mautone 1192 (RB); beira da estrada,
VIII. 1984, fl., E. F Guimarães et al. 1424
(RB); fazenda Portuense, VIII. 1984, fl. e fr.,
E. F Guimarães et al. 1429 (RB); VIII. 1984,
fl. e fr, E. F. Guimarães & L. Mautone 1430
(RB); VIII. 1984, fl., E. F. Guimarães & L.
Mautone 1432 (RB).
Os frutos de sabor acre e picante são
excitantes estomacais, sialagogos e muito
utilizados para doenças venéreas; suas raízes
são empregadas como paliativo nas dores de
dente (Peckolt & Peckolt 1888). As folhas
são ricas em óleos essenciais a-pinene, b-
pinene, limonene, a-humulene, b-selinene e
benzil octanoate; estes compostos
demonstraram uma ação bactericida
(Guimarães & Valente 2001). Santos et al.
(2001) encontraram nesta espécie ketona, 2-
tri-decanona em significantes concentrações
(4,29 %) no óleo essencial. Coletada
florescendo em agosto a novembro, e
frutificando em março, agosto e setembro.
19. Piper permucronatum Yunck., Boi. Inst.
Bot. (São Paulo) 3:11, fig. 9. 1966.
Arbusto 1—2 m alt; ramos 2-10 mm diâm.,
subsulcado com tricomas glanduloso-hirtos.
Folhas com pecíolo 1-1,5 cm compr.,
glanduloso; bainha curto-basal; lâmina 10-17
x 4-7 cm, membranácea, castanho-glanduloso-
translúcida, lanceolada, ápice agudo,
acuminado-mucronado, margem
membranácea, base não profundo lobada,
inequilátero-aguda, um lado 3-5 mm mais
curto em relação ao pecíolo, glabra na face
adaxial, com tricomas pubescentes nas
nervuras da face abaxial, nervuras secundárias
6-11, saindo acima da base dispostas até o
ápice. Espiga 1,5-4 x 0,3-0,7 cm, ereta,
quando em fruto; pedúnculo 1,5-3 cm compr.,
glabro ou subesparso-hirto; bractéola
Guimarães. E. F. & Monteiro, D.
triangular, peltado-franjada, glandulosa;
estames 4; ovário com estilete longo, espesso,
estigmas 3, filiformes. Fruto 2,5—3 mm compr.,
estiloso, obovóide, glanduloso-glabro, apiculado,
estigmas persistentes.
Habitat: floresta ombrófila densa baixo-
montana.
Distribuição geográfica: Brasil, nos estados
do Rio de Janeiro e São Paulo.
Material examinado: margem esquerda do
rio São João, 24.XI.1976, fr., R. F. Oliveira
263 (GUA).
A espécie é caracterizada pela folhagem
verde escuro brilhante e nervuras da face
abaxial providas de tricomas. Estudos
químicos assinalam para esta espécie a
presença de óleo essencial, consistindo
principalmente de sesquiterpenos e pequena
percentagem de monoterpenos. Os maiores
componentes encontrados no óleo foram, “d-
cardinene (12%), g muurolene (7,4 %), a-
cadinol (6,9 %), b-caryophyllene (6,8%), T-
muurolol (3,2 %), a-muurolene (2,9 %), e g-
elemene (2,7 %)” (Torquilho et al. 1999).
Encontrada frutificando em novembro.
20. Piper richardiifolium Kunth, Linnaea
13:668. 1839.
Arbusto 1-3 m alt.; ramos 3-12 mm
diâm., sulcados. Folhas com pecíolo 5-7,3 cm
compr., glabro ou minuciosamente
puberulento; bainha alada até próximo à base
da folha, percorrendo toda a extensão do
pecíolo; lâmina 21-37 x 7-13 crrij
membranácea, rígido-membranácea,
glanduloso-translúcida, oblongo-lanceolada,
elíptico-ovada, ápice agudo-acuminado, base
profundo lobada, assimétrica, cordado-
auriculada, um lado 0,7—1 cm mais curto em
relação ao outro, glabra em ambas as faces,
ou com tricomas hirtos nas nervuras da face
abaxial, nervuras secundárias maiores 6-8,
saindo acima da base, ascendentes, dispostas
até o ápice, descendentes nos lobos. Espiga
x 0,4-0, 5 cm, ereta ou pêndula;
pedúnculo 1,6—2 cm compr.; bractéola
triangular-subpeltada; estames 4; ovário com
Rodriguésia 57 (3): 567-587. 2006
SciELO/JBRJ
12 13 14 15 16 17
cm
Piperaceae da Rebio Poço das Antas. RJ
estilete curto ou séssil, estigmas 3, persistentes,
filiformes. Fruto 1, 1-1,2 mm compr., não
estiloso, obovóide, truncado, Iateralmente
achatado, denso-pubescente no ápice,
estigmas persistentes.
Nomes populares: pau-de-junta-do-grado,
pau-de-junta em Santa Catarina. No Rio de
Janeiro não foi encontrada referência vulgar
para o táxon.
Habitat: espécie de ampla distribuição
geográfica, encontrada na floresta ombrófila
densa baixo-montana; tem seu registro
associado a florestas primárias em locais
úmidos e sombrios, ocorrendo ainda em locais
de clareira de mata secundária.
Distribuição geografia: Brasil, nos estados
de Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo,
Paraná e Santa Catarina.
Material examinado: mata secundária,
6.IX. 1981, st., £ F Guimarães et ai 1200 (RB).
Material adicional examinado: BRASIL. RIO
DE JANEIRO: Teresópolis, Parque Nacional da
Serra dos Órgãos, 31.1.1978, fl-, A. H. Gentry
& A. L Peixoto 941 (RB); 28.III.1994, fr., £
£ Guimarães et ai 1608 (RB).
Este táxon de porte elegante, folhas
vistosas, inflorescências pêndulas e longas,
presta-se ao cultivo para fins paisagísticos.
21. Piper rivinoides (Kunth) Kunth ex C.
DC.,Prodr. 16(1): 312. 1869.
Arbusto ou arvoreta, 1,6-2 m alt.,
glabro; ramos 4-10 mm diâm., cilíndrico-
estriado. Folhas com pecíolo 1 ,5—2 cm compr.,
estriado; bainha curto-basal ou canaliculada,
não alada; lâmina 12-18x6-9 cm, papirácea,
esparso-glânduloso, translúcida, ovada,
ovado-elíptica, ápice agudo-falcado-
acuminado, base não profundo lobada, agudo-
cuneada, nervuras secundárias 3-4, saindo
acima da base, glabras na face abaxial,
dispostas até o ápice. Espiga 7-12 x 0,3-0,5
cm, ereta; pedúnculo 1,2—3 cm compr.,
bractéola triangular-peltada, às vezes
cuculada, esparso franjada ou glabra,
estames 3; ovário com estilete curto ou séssil,
estigmas 3, filiformes, recurvos. Fruto 1,1~
Rodrigues ia 57 (3): 569-589. 2006
585
1,5 mm compr., não estiloso, obpiramidal-
trigonal, glabro, estigmas persistentes.
Nomes populares: conhecida na Reserva
como ruão.
Habitat: planta heliófila, que ocorre na
floresta ombrófila densa submontana, sendo
também freqüente em sub-bosque, não raro
formando grandes populações.
Distribuição geográfica: Brasil, nos
estados de Pernambuco, Minas Gerais, Rio
de Janeiro, São Paulo e Santa Catarina.
Material examinado: estrada do Aristides,
após a 2a porteira, 12. VII. 1994, fl. e fr., H.
C. Lima et ai 4929 (RB); trilha para fazenda
Portuense, prox. entrada do cajueiro,
4.V.1994, fr., D. S. Farias et ai 210 (RB);
estrada, VIII. 1984, fl., £. F. Guimarães &
L. Mautone 1439 (RB); fazenda Portuense,
quadrat 10, VIII. 1984, fl., £. £ Guimarães
& L. Mautone 1449 (RB).
Os frutos desta espécie servem de
alimento a fauna (em etiqueta de herbário:
Faria et al. 210, RB). Coletada florescendo
em julho e agosto e frutificando em maio e julho.
22 Piper scutifolium Yunck., Boi. Inst. Bot.
(São Paulo) 3: 123, fig. 107.1966. Fig. 3 d
Arbusto 1-2 m alt., ramos 4-6 mm
diâm., ascendentes, estriados, glabros. Folhas
com pecíolos 0,7-1, 2 cm compr., estriado;
bainha curta basal; lâmina 1 6-23 x 4—12 cm,
membranécea, papirácea, glanduloso-
subtranslúcida, oblíqua, ovado-elíptica,
elíptica, ovado-lanceolada, ápice agudo,
acuminado, falcado, base arredondada,
peitada glabra na face adaxial, híspida nas
nervuras da face abaxial; nervuras
secundárias ca. 12 saindo acima da base,
dispostas até o ápice, impressas na lace
adaxial, híspido-salientes na face abaxial.
Espiga 6-9 x 0,2-0, 3 cm, sub-eretas, creta;
pedúnculo 0,5-1 cm compr., glabro; flores
congestas; bractéolas sacado-galcadas,
nilosas; estames 4; ovário com estilete curto
ou séssil, estigmas 4. Fruto 1-1,5 mm compr.,
não estiloso, ovado-tetragonal, glabro,
papiloso, estigmas persistentes.
.SciELO/ JBRJ
12 13 14 15 16 17
cm ..
586
Habitat: floresta ombrófila densa baixo-
montana, preferindo locais úmidos e sombrios,
raramente em áreas degradadas.
Distribuição geográfica: Brasil, nos estados
do Rio de Janeiro e São Paulo.
Material examinado: morro do Pau Preto,
trilha do Pau Preto, 29.X.1997, fl., J. A. Lira
Neto et ai 718 (RB); Juturnaiba, trilha da
Pelonha, 16.V1II.1995, fr., J. M. A. Braga et
al. 2657 (RB).
Espécie rara no Rio de Janeiro, pouco
coletada, porém de fácil identificação, dada a
peculiaridade da base peitada da folha. Esta
planta que prefere locais pouco degradados,
estava assinalada no Estado para os
municípios de Teresópolis e Parati. Como
expresso por Guimarães & Giordano (1997),
a espécie também ocorrente na APA-Cairuçú
foi atualmente acrescida da nova localidade
na Reserva Biológica de Poço das Antas.
Encontrada florescendo em outubro e
frutificando em agosto.
23. Piper solmsianum var. hilarianum
(Miq.) Yunck., Boi. Inst. Bot. São Paulo
3:124.1966. Fig. 3 e-g
Arbusto 1 ,5-2,5 m alt.; ramos 3,5-1 0 mm
diâm., sulcados. Folhas com pecíolo 2,5-6,5 cm
compr., estriado, canaliculado; bainha não curto-
basal, alongada, sutilmente alado-caduca, às
vezes até a porção mediana do pecíolo; lâmina
1 3-2 1 ,5 x 1 l-l 8 cm, membranácea, papirácea,
glandulosa na abaxial, ovada, ápice agudo, base
assimétrica, truncado-arrcdondada, as vezes
cordada, abruptamente decurrente em direção
ao pecíolo, nervuras secundárias 6-8,
geralmente saindo acima da base, dispostas até
o ápice, as inferiores 3-4, muito salientes
próximo à base, com tricomas hirtos na face
abaxial. Espiga 5-14 x 0, 3-0,5 cm, ereta;
pedúnculo 0,6-1, 5 cm compr.; bractéola
arredondada, glabra na parte superior, depois
subcrescente peitada, vilosa na inferior; estames
3; ovário com estilete curto ou séssil, estigmas
3, filiformes. Fruto ca. 2 mm compr., não
estiloso, obpiramidal-trigonal, glabro no ápice,
estigmas persistentes.
Guimarães, E. F. & Monteiro, D.
Nomes populares: caapeba ou pariparoba.
Habitat: floresta pluvial baixo-montana,
frequente em capoeirão, na mata de baixada.
Distribuição geográfica: Brasil, nos estados de
Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo,
Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.
Material examinado: capoirâo, mata de
baixada, VIII. 1984 (fl.), E. F. Guimarães &
L. Mautone 1485 (RB).
Esta variedade difere da típica por
apresentar tricomas nas nervuras dorsais.
Trata-se de um arbusto com folhas magnas,
que aliado às espigas eretas e longas, formam
um belo conjunto, podendo ser utilizado como
planta ornamental. Encontrada florescendo
em agosto.
24. Piper translucens Yunck., Boi. Inst. Bot.
São Paulo 3: 130. 1966.
Arbusto ca. 1 ,5 m alt., glabro; ramos 2-
3 mm diâm. Folhas com pecíolo 0,2-0,9 cm
compr., estriado, bainha curta; lâmina 10-16
x 3, 5-5,0 cm, discolor, levemente assimétrica
diferindo um lado em relação ao outro de 4 —
5 mm, semi-cartácea ou membranácea,
translúcido-glandulosa, elíptico-lanceolada,
ápice acuminado, base aguda, obtusa,
nervuras secundárias 10-12, alternas,
dispostas até o ápice. Espiga 4-5 x o, 1 5-0.4
cm esverdeada; pedúnculo 2—3 mm compr.;
raque glabra, bractéola sacado-galeado.
glabra, glandulosa com pedicelo ciliado;
estames 4; ovário sulcado-glanduloso,
tetragonal, estilete curto ou séssil, estigmas
4. Fruto ca. 1,5 mm compr., não estiloso,
tetragonal, sulcado, glanduloso, estigmas
persistentes.
Habitat: floresta ombrófila densa submontana.
Distribuição geográfica: Rio de Janeiro.
Material examinado: área da parcela de
morrote, entre linhas 6 e 10, 9. VII. 1996, fl. e
fr., S. J. Silva Neto et al. 890 (RB).
Esta espécie representa uma nova
coleta para o Rio de Janeiro, sendo
considerada rara dado que seu holótipo
habitat in M. Corcovado, prope
Sebastianopolin, provinciae Rio de Janeiro",
Roilriguèsia 57 (3): 567-587. 2006
SciELO/JBRJ
12 13 14 15 16 17
cm
Piperaceae da Rebio Poço das An las, RJ
foi coletado no século XIX por Martius,
depositado no herbário de Munchen (M)
(Ichaso et al. 1977). Encontrada florescendo
e frutificando em julho.
25. Piper umbellatum L., Sp. Pl. 1: 30. 1753.
Arbusto 1-3 m alt.; caule 0,6-2,2 cm
diâm., piloso. Folhas com pecíolo 8-20 cm
compr.; bainha subalada; lâmina 1 8-20 * 20-
25 cm, membranácea, translúcido-glandulosa,
arredondado-ovada, reniforme, ápice
abruptamente acuminado, base cordada,
híspida em ambas as faces, 12-16 pares de
nervuras palmati formes, pilosas em ambas as
faces. Espiga 5, 5-9,5 * 0,2-0,4 cm, dispostas
em umbelas; pedúnculo comum 0,3-3 cm
compr., glanduloso-pubescente; pedúnculo
secundário 3-5 mm compr., glanduloso-
pubescente; bractéola triangular-subpeltada,
fimbriada na margem. Flores congestas,
ovário com estilete curto ou séssil, estigmas
3. Fruto 0,2-0, 7 mm compr., não estiloso,
obpiramidal, anguloso, glabro, glanduloso,
estigmas persistentes.
Nomes populares: espécie anteriormente
conhecida como Pothomorphe umbellatum.
(L.) Miq. (Guimarães et al. 1978), tem como
nomes populares aguaxima; baquina cataje,
mamjerioba em Cuba; capeba, caa-peuá,
cipó-de-cobra, folha-de-santa-maria-kidua
pelos índios Chami da Colômbia; lençol-de-
santa-barbara, malvarisco, malvavisco,
pariparoba, periparoba; santa-maria na Costa
Rica; santilla de culebra no México e, nas
Antilhas, pimienta de flores em ombela
(Grosourdy 1864). Na Reserva não foi
assinalado ainda nome vulgar.
Habitat: espécie heliófila que ocorre na
fioresta ombrófila densa submontana,
geralmente na orla da mata em capoeiras e
capoeirões, em locais sombrios ou
ensolarados.
Distribuição geográfica: com distribuição
nas Américas Central e do Sul e Antilhas. No
Brasil, ocorre em todas as Regiões.
Material examinado: 9.IX.1981, estéril, E.
F. Guimarães & L. Mautone 1342 (RB),
Rodriguèsia 57 (3): 569-589. 2006
587
VIII. 1984, fi., E. F. Guimarães & L. Mautone
1463 (RB).
Esta planta considerada medicinal é
empregada nas doenças do baço, rim contra
inchaços ou inflamações e como
antimalárica. No fígado possui a propriedade
de estimular a secreção biliar, além de
fluidificá-la; é ativa ainda para aumentar o
apetite e ativar a digestão, entretanto,
quando utilizada acima da posologia normal,
isto é, 10 gramas para 1 litro de água (Vieira
1992), provoca vômitos e cólicas (Peckolt
1941). Suas folhas, raízes aromáticas e
cascas são empregadas gcralmente sob a
forma de chá, emplastos ou sucos, nas
doenças respiratórias e afecções da bexiga
(Rocha 1919). É muito útil como cicatrizante
(Fonseca 1940). Assinala-se a presença de
óleo essencial tendo a assarona como
componente principal. Esta espécie é
considerada útil para a culinária (Zurlo &
Brandão 1989, Guimarães & Giordano,
2004), e as folhas dos ramos jovens são
antiescorbúticas (Grosourdy 1864).
Encontrada florescendo cm agosto.
Conclusões
As espécies analisadas na Reserva
Biológica de Poço das Antas propiciaram o
conhecimento da grande necessidade de
realização de coletas de Piperaceae no estado
do Rio de Janeiro. Com base nestes estudos,
verificou-se que alguns destes taxons foram
citados pela primeira vez para a região, como
observado cm Ottonia angustifolia, O. albo-
punctata, Piper translucens, P. scutifolium,
e nas três espécies de Peperomia.
Agradecimentos
Ao Conselho Nacional dc
Desenvolvimento Científico e Tecnológico -
CNPq e a Coordenação de Aperfeiçoamento
de Pessoal de Nível Superior - CAPES, pelas
bolsas concedidas; aos curadores dos
herbários pelo empréstimo dos materiais e à
Petrobrás pelo convênio com o Programa Mata
Atlântica: 610.4.025.02.3 JBRJ/Petrobrâs.
SciELO/JBRJ
12 13 14 15 16 17
cm ..
588
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SciELO/JBRJ
12 13 14 15 16 17
cm
Melastomataceae na Reserva Biológica de Poço das An i as, Silva
Jardim, Rio de Janeiro, Brasil: aspectos florísticos e taxonômicos
José Fernando A. Baumgratz', Maria Leonor D’ El Rei Souza \
Daniel le Carvas Carraça 3 & Bianca de Andrade Abbas}
Resumo
(Melastomataceae na Reserva Biológica de Poço das Antas, Silva Jardim Rio de Janeiro. ^aspectos
floristicos e taxonômicos) Apresenta-se um estudo florístico para as Melastomi tfueuna Reserva B'° Kica
de Poço das Amas. com enfoque na diversidade taxonônuca e esta nas diferentes
que compõem a paisagem. Foram encontradas 34 espécies « ... variedade pertencentes . oitogeneros.
Aciotis ( 1 sp ) Clidemia (5 spp.), Henrienea (I sp.), Leandm (2 spp.). Micomai 1 5 spp. e I var.), Ossaca (2
spp.), Rhynchanrhera ( I sp.) efibolichina (7 spp.). Esse trabalho representa 9
de 1 5 das espécies para a Reserva e para o município de Silva ar meo re^r Apresenta se uma chave
para o estado do Rio de Janeiro, além de identificar uma nova espéeiede aderna. Ap
analítica para a identificação das espécies, bem como descrições, ilustiações, dados de dislnbuiçilo fceog
e comentários sobre particularidades morfológicas e nomenc aturais.
Palavras-chave: Floresta atlântica, flora, taxonomia.
Abstract . Silva Jardim, Rio de Janeiro, Brazil: floristic and
(Melastomataceae in Reserva Btologica de Poço d • ^ ranli|y in p„çodasAnu,s Biological
taxonomic aspects) It carnes out a flonsUc study a in thc diffcrent vegctation
Reserve foorsing on the taxonomtc d, versar Jnd: Molls „ sp.), clidemia
un.ts that forming the landscape. E.ght genus 34 p ^ > (2 spp>)> Rhynchan,hera
(5 spp.), Henriettea ( 1 sp.), Leandro (2 spp_), A ( P ^P ^ munjcipaiity 0f Silva Jardim and
(1 sp.) and Tibouchina (7 spp.). This is the first rc jdentjfy a new species of Clidemia. It also
Cbdemia dentala to the Southeastem regio , as weU as descHptions, illustrations, geographical
presents an analytical key tor the tdent.ficaüon of th P^ gnd some morphological and nomenclatural
distribution and comments about the specimens m thc
particularities.
Key words: Atlantic rain forest, flora, taxonomy.
Introdução
Inventários ttorísticos e o conhecimento
da diversidade biológica são notoriamente
considerados prioritários nas regiões
tropicais, principalmente em Unidades de
Conservação (UCs) brasileiras, onde
Horestas bem preservadas ainda podem ser
encontradas. No estado do Rio de Janeiro,
UCs têm sido objeto de atenção sob vários
aspectos, tanto turístico-ecológicos quanto
técnico-científico, no que tange ao
conhecimento e à conservação da
biodiversidade (Rizzini 1954; Brade 1956,
Baumgratz 1997a, b; Carvalho-Brito 1997,
Lima & Guedcs-Bruni 1997a, b; Lima et al.
2006). Apesar dos esforços empreendidos,
pouco se conhece sobre a riqueza de táxons
representativos nas formações vegctacionais
encontradas nessas áreas legalmentc
protegidas, algumas das quais loram
divulgadas sob a forma de listagens de
espécies (Rizzini 1954; Brade 1956),
atualmente incompletas e desatualizadas,
necessitando de novos estudos que
possibilitem ampliar o conhecimento sobre
a flora local.
A Reserva Biológica de Poço das Antas
representa uma importante UC na região central
Artigo recebido em 06/2005. Aceito para publicação em 06/200 ’. . Tjtu]ar; Bo|sjsla de Produtividade em Pesquisa/
'Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro, es
CNPq.jbaumgra@jbrj.gov.br rrn Denartamento de Botânica, delrei@ccb.ufsc.br
‘Universidade Federal de Santa Catarina, CCB, Dtp* . . pin|r/CNPa
'Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Jane.ro; Bolsista PIBIC/CN. q
SciELO/JBRJ
12 13 14 15 16 17
592
Baumgratz, J. F. A. et al.
do estado do Rio de Janeiro e sua flora vem
sendo objeto de estudos pelo Programa Mata
Atlântica (PM A) e por especialistas do Instituto
de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de
Janeiro (JBRJ). As coleções resultantes desses
estudos e as observações feitas na natureza
têm não só assinalado a importância das
Melastomataceae na paisagem local, onde
diferentes espécies compõem várias
formações vegetacionais (unidades de
paisagens), como destacado seu papel na
alimentação da avifauna e do mico-leão-
dourado ( Leonthopithecus rosalia). Desse
modo, propôs-se realizar um estudo com
enfoque na diversidade taxonômica e analisar
esta diversidade no contexto das diferentes
unidades naturais e antropizadas que compõem
3 paisagem, apresentando também uma chave
analítica para a identificação dos táxons, bem
como descrições diagnósticas, ilustrações,
dados de distribuição geográfica e fenológicos
e particularidades dos táxons no ambiente.
A família Melastomataceae é
pantropical, distribuída em regiões tropicais
e subtropicais, com a maior parte das
espécies ocorrendo no neotrópico, o que
corresponde a 70% dos táxons descritos
(Wurdack 1973). No Brasil, é a sexta maior
família de Angiospermas, com 66 gêneros e
ca. 1.500 espécies, sendo encontrada desde
a região amazônica e do centro-oeste até o
Rio Grande do Sul, ocupando praticamente
todas as formações vegetacionais, não
havendo registro documentando sua
ocorrência na caatinga sensu stricto, embora
tenha sido encontrada em enclaves florestais
no domínio da caatinga (Lyra 1984; Brandão
& Gavilanes 1994a, b; Sales et al. 1998;
Baumgratz 2004; Oliveira-Filho, com. pes.)!
Na flora do estado do Rio de Janeiro, essa
família mostra-se também muito
diversificada, onde as espécies medram tanto
em áreas de restingas, quanto em formações
de mata atlântica, incluindo florestas pluviais
montanas, alto-montanas e campos de
altitude, conforme observações feitas pelos
próprios autores.
Material e Métodos
As características fisiográficas da
Reserva Biológica de Poço das Antas citadas
no texto baseiam-se nos trabalhos de Guedes-
Bruni (1998) e Lima et al. (2006).
As unidades de paisagem ou fisionômicas,
na Reserva, foram tratadas com base nos
critérios de Metzger (2001) e Lima et ai
(2006). Utilizaram-se os parâmetros
estabelecidos por Guedes-Bruni (1998) para
distinguir os limites entre o sub-bosque e o
dossel em matas aluviais e submontanas, em
que a primeira formação contém arbustos,
arvoretas e árvores menores que 1 0 m de altura
e 1 0 cm de diâmetro à altura do peito e o dossel,
árvores iguais ou maiores que 10 m e 10 cm.
O levantamento das espécies foi feito
com base nas coleções dos herbários FLOR,
HB, R e RB. Realizaram-se expedições
científicas para coletas de amostras dos
táxons, além de obtenção de dados e
fotografias dos ambientes, habitats e
particularidades morfológicas e de fenologia.
O material coletado foi herborizado segundo
técnicas usuais.
Para a descrição morfológica, de modo
geral, utilizaram-se os conceitos de Radford
et al. (1974) e na tipificação dos frutos e
sementes, o de Baumgratz ( 1 985), exceto para
Aciotis, em que se adotou a caracterização
do fruto proposta por Freire-Fierro (2002). As
descrições foram restritas aos táxons na
Reserva e objetivas aos caracteres mais
diagnósticos de cada um, embora para todos
os táxons descreveu-se a morfologia dos
ramos e folhas, possibilitando uma análise
comparativa dos espécimes no contexto da
paisagem. A relação do material examinado
encontra-se na Lista de Coleções, constando
nome do coletor, número de coleta e, entre
parêntesis, o número da espécie
correspondente tratada no texto. Todo o
material examinado encontra-se no Herbário
RB, porém, havendo duplicatas, assinala-se a
sigla do herbário depositário. Para material sem
número de coleta cita-se o número de registro
do RB. Quando necessário, utilizou-se material
Roitriguésia 57 (3): 591-646. 2006
SciELO/JBRJ
cm
Melas tomataceae na Rebio de Poço das Antas
adicional. Material estéril, coletado nas
parcelas do projeto florístico-fitossociológico
do PMA na Reserva, cujos espécimes
possuem placas numeradas conforme a
metodologia utilizada no inventário e não foram
incorporados ao acervo do Herbário RB, foi
citado conforme o registro dos respectivos
indivíduos na Base de Dados desse Programa.
Táxons infra-específicos não foram
aceitos, devido às inconsistências dos
mesmos para as espécies estudadas, exceto
para Miconia vauthieri var. saldanhaei.
Quando da disponibilidade de estudos
recentemente divulgados, mencionou-se a
referência bibliográfica onde sinônimos
estão relacionados.
Dados a respeito da distribuição
geográfica, usos e nomes populares foram
obtidos em etiquetas de material de herbário,
na literatura e na comunidade local.
Resultados e discussão
As Melastomataceae na Paisagem da
Reserva
As Melastomataceae constituem um
importante grupo em floresta tropical atlântica
pela expressiva densidade de indivíduos,
conforme descrito nos inventários florísticos
desenvolvidos por inúmeros autores a partir
da década de 90 (Guedes-Bruni 1998,
Oliveira-Filho & Fontes 2000) - como também
pela riqueza de espécies, em particular no sub-
bosque, onde predominam espécimes
arbustivos e/ou arbóreos de vários gêneros,
principalmente de Clidemia, Leandra,
Meriania, Miconia , Ossaea e Tibouchina.
Podem ser destacados ainda Behuria e
Huberia, mais expressivos em formações
florestais do sudeste do Brasil, Bertolonia,
como um grupo herbáceo-subarbustivo e
também mais significativo no sudeste brasileiro,
e Bisglaziovia, por ser endêmico do estado
do Rio de Janeiro e nesse tipo de formação
vegetacional (Cogniaux 1883-88, 1891,
Gleason 1939; Wurdack 1962; Baumgratz
1982, 1984, 1990, 2004; Souza 1988, 1998;
Guimarães 1997; Lima & Guedes-Bruni
Rodriguésia 57 (3): 591-646. 2006
593
1997a, b; Andreata et al. 1997; Goldenberg
2004; Baumgratz et al. 2004; Tavares 2005).
A análise das Melastomataceae no
contexto da heterogeneidade espacial da
paisagem e em escala de percepção das
espécies tem evidenciado estreitas relações
entre estas e as diferentes unidades
reconhecidas na Reserva, tanto naturais
quanto de natureza antrópica. Assim, observa-
se a ocupação das espécies em diferentes
unidades, sejam florestas mais contínuas,
submontanas, sobre morros e morrotes, ou
aluviais, fragmentos remanescentes, capoeiras
e campos antrópicos, brejosos ou não.
Na Reserva, as Melastomataceae estão
representadas por 33 espécies e uma
variedade, sendo encontradas em todas as
fitofísionomias que compõem essa região,
sejam florestas mais maduras até áreas
alteradas ou muito impactadas, resultantes de
antigos pastos e estradas, originando locais
mais abertos e ensolarados. Nas áreas planas,
onde a fisionomia campestre predomina,
alguns representantes da família constituem
elementos formadores de capoeiras, de grande
importância para o processo de restauração
florestal, como exemplificam Vieira & Pessoa
(2001) para C. biserrata, C. hirta , M.
calvescens e M. prasina.
Nas florestas mais conservadas, situadas
sobre morros e morrotes e em áreas aluviais,
as espécies ocupam tanto o sub-bosque quanto
o dossel. O sub-bosque pode ser apontado
como o mais diversificado em cspecics para a
família, onde os indivíduos estão representados
por subarbustos, arbustos ou árvores de
pequeno a médio porte, com até 1 0 m de altura,
como os dos gêneros Clidemia , Leandra,
Miconia, Ossaea e Tibouchina c de
Henriettea saldanhaei. Observa-se aí, que
tanto vetores bióticos (aves e mamíleros),
incluindo às vezes a própria planta (barocoria),
conforme observado por Pereira & Mantovani
(2001) para M. cinnamomifolia, quanto
abióticos (vento e chuva) podem atuar na
dispersão das sementes das Melastomataceae,
respectivamente com frutos carnosos e secos.
SciELO/JBRJ
12 13 14 15 16 17
594
Baumgratz, J. F. A. et ai.
Nestes gêneros há uma nítida associação entre
flores com determinada cor e tamanho aos
tipos e coloração de frutos e aos tipos de
sementes, distinguindo-se dois grupos de
plantas nesse estrato.
Um primeiro grupo está constituído por
espécies de Clidemia, Leandra, Miconia e
Ossaea, possuindo flores geralmente
pequenas, com pétalas alvas ou alvo-rosadas,
raro amarelas, estames alvos ou amarelos,
frutos carnosos, roxo-nigrescentes ou
nigrescentes, às vezes também verde-jade em
Aí albicans, e sementes obtriangulares,
obovadas a orbiculares. Esses frutos,
geralmente com polpa sucosa, são muito
atrativos para a avifauna local, além de
algumas espécies de Miconia (Aí albicans,
M. calvescens, M. cinnamornifolia, M.
holosericea, M. ibaguensis, M. prasina, M.
pusilliflora e M. staminea) serem
assinaladas como fonte de alimento também
para o mico-leão-dourado e, às vezes, até para
espécies de tatu, como Aí albicans.
As espécies de Clidemia e Ossaea
ocorrem como subarbustos ou arbustos e podem
ser reconhecidas pela posição de suas curtas
inllorescências, geralmente nas axilas das folhas,
ou também terminais em Clidemia, porém, neste
caso, podendo se deslocar lateral mente e serem
caracterizadas como pseudo-axilares. Etretanto,
Clidemia sp. nov. destaca-se pelo hábito
escandente e pelas inflorescências glomeriformes
sempre terminais, além de, juntamente com C.
capillijlora, serem raras e as únicas a ocorrerem
apenas no interior da floresta, em áreas aluviais.
As demais, além de frequentes, medram também
em locais mais abertos, como clareiras, bordas
da mata, alagadas ou não, trilhas e estradas,
formando pequenas populações. As espécies
de Leandra {L. nianga e L. reversa), com
hábitos, semelhantes, têm inflorescências mais
longas, vistosas, terminais e revestidas por um
chamativo indumento de cor rosa a vinosa,
ocorrendo no sub-bosque, em locais mais
sombreados e úmidos, preferencialmente em
clareiras naturais, e ao longo de trilhas e bordas
da floresta, distribuindo-se de modo isolado ou
agrupando-se em moitas.
Por sua vez, as espécies de Miconia
estão representadas por indivíduos arbóreos
(exceto M. albicans), com fustes delgados e
retilíneos, inflorescências frequentemente
terminais e flores geralmente com leve odor
adocicado, como em M. hypoleuca, M.
ibaguensis, M. latecrenata. Aí lepidota, M.
prasina e Aí pusilliflora, às vezes intenso,
como em Aí cinnamornifolia. Miconia
serrulata ocorre também em áreas brejosas
dessas florestas. Em áreas perturbadas,
geralmente clareiras, bordas da mata e ao longo
de trilhas e margens de estradas, são
comumente encontradas Aí calvescens. Aí
cinnamornifolia. Aí hypoleuca, M.
ibaguensis e Aí prasina, de modo ocasional.
Aí. holosericea e Aí latecrenata, e mais
raramente, Miconia sp. Destas, destacam-
se. Aí holosericea e Aí. hypoleuca, por
serem as únicas com folhas nitidamente
discolores, tendo a primeira frutos maduros
roxo-nigrecentes, e a segunda, frutos
alaranjados, com poucas sementes não
envoltas por polpa sucosa; Aí lepidota, pelas
folhas com a face adaxial verde, brilhosa, e
abaxial canescente a cinéreo-prateada e
inflorescências com ramos escorpióides; e Aí
calvescens , pelas folhas geralmente
discolores quando jovens, com a face adaxial
verde e a face abaxial de vinosa a púrpura e
geralmente em indivíduos localizados em
áreas mais sombreadas e úmidas. Já Aí
vauthieri var. saldanhaei, outra espécie
ocasional, é encontrada apenas no sub-bosque
sombreado, em áreas submontanas.
A única espécie de Henriettea, H.
saldanhaei, ocorre preferencial mente em
áreas aluviais, podendo ser encontrada também
sobre morrotes. Os espécimes arbóreos
possuem cascas ásperas, folhas verdes
discolores, inflorescências axilares e
fasciculadas ao longo de ramos áfilos, flores
maiores que as de Miconia, com pétalas alvo-
rosadas a alvo-lilases e anteras alvo-lilases, e
frutos carnosos, vinosos a nigrescentes, que
são muito procurados por pássaros e pelo mico-
leão-dourado.
Rodriguésia 57 (3): 591-646. 2006
SciELO/ JBRJ
.2 13 14 15 16 17
595
Melastomataceae na Rebio de Poço das Amas
O segundo grupo no sub-bosque é
distinguido pelas flores grandes, com pétalas e
estames de cor lilás, púrpura ou roxa, frutos
capsulares e sementes cocleares, está
representado apenas por T. arbórea e T.
granulosa. Esta última espécie possui ramos
alados, decorticantes na maturidade, com um
aspecto de ornamentação ondulado e rugoso, o
que auxilia a reconhecê-la entre os demais táxons
arbóreos de Melastomataceae. Ambas ocorrem
em florestas aluviais e sobre morros e morrotes,
às vezes próximas às trilhas e na borda da mata.
Merece ser destacado que algumas
espécies restritas ao sub-bosque, avaliadas em
um contexto tanto de uma amostragem
sistemática quanto de uma abordagem mais
geral, podem estar respondendo na verdade a
um processo de estabelecimento em curso na
vegetação. Entendendo desta forma, ou seja,
a ocupação espacial como uma expressão
temporal, não será surpresa que algumas
destas mesmas espécies, identificadas como
restritas ao sub-bosque, possam manifestar-
se como elementos de dossel em outras áreas
da Reserva ou até mesmo da região, as quais
ou não foram visitadas ou os táxons não foram
amostrados por ocasião do estudo (R. Guedes
Bruni, com. pes.).
No dossel, as Melastomataceae podem
alcançar de 10 a 25 m de altura, possuindo
fustes maiores não só em diâmetro como em
comprimento, retilíneos, com casca áspera e
gcralmente revestida de liquens. Nesse estrato,
a família está representada por M.
cinnamomifolia, M. lepidota,
saldanhaei, T estrellensis e T granulosa ,
que são encontradas tanto sobre morros e
morrotes quanto em formações aluviais. Neves
(1999), estudando dois remanescentes
florestais secundários na área, observa que
cinnamomifolia contribui para a a ta
incidência das Melastomataceae na
comunidade e que é uma das principais
espécies na composição do dossel, sen o
pioneira na classificação sucessional.
Miconia cinnamomifolia e A/, lepi ota
podem ser identificadas pelas flores pequenas,
pétalas e estames alvos e pela coloração os
Rodriguésia 57 (3): 591-646. 2006
frutos maduros, oligospérmicos, sem polpa
sucosa. Miconia lepidota c II. saldanhae i
podem ser também reconhecidas pelas suas
características mencionadas anteriormente,
enquanto M. cinnamomifolia pelas folhas
verdes concolores ou levemente discolores e
inflorescências piramidais. Tanto H.
saldanhaei quanto M. cinnamomifolia
ocorrem em florestas aluviais, sendo esta
última citada como emergente do dossel, com
25 m de altura, e encontrada também sobre
morrotes (Guedes-Bruni 1998). Neste
trabalho, a autora compara seis unidades
fisionômicas de mata atlântica no Rio de
Janeiro, reconhecendo M. cinnamomifolia
como uma das espécies indicadoras não só
da floresta otnbrófila das terras baixas, como
dos morrotes mamelonares na Reserva, neste
caso, ao comparar um trecho aluvial com
outro de morrote. De acordo com Christo et
al (2006), esta espécie distribui-se
amplamente pelas áreas degradadas nos
arredores da Reserva, sendo empiegada
comumente como lenha, embora seus troncos
e ramos tenham sido, no passado, utilizados
na construção de telhados das casas de pau-
a-pique ou estuque nas antigas fazendas,
onde hoje se localiza a Reserva.
No dossel, T estrellensis e T
granulosa são as únicas Melastomataceae
de flores grandes e coloridas, contrastando
com a tonalidade verde das folhagens, o que
proporciona um destaque dos indivíduos na
paisagem da floresta, e frutos capsulares. A
primeira pode ser classificada também como
uma espécie emergente do estrato arbóreo,
pois alcança até 25 m de altura. Tibouchina
estrellensis também apresenta ramos alados
e decorticantes na maturidade.
Ainda no dossel, é interessante ressaltar
o resultado obtido por Guedes-Bruni (1998)
ao analisar as Melastomataceae em um
estudo florístico-estrutural desse estrato. Ao
abordar dois trechos de floresta, um aluvial e
outro sobre morros (ca. 200 m.s.m.), observa
que o grupo se destaca apenas neste último
trecho quando considerado o número de
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12 13 14 15 16 17
cm
596
indivíduos e, ao analisar também a riqueza de
espécies, a família é encontrada em ambos os
trechos, mas sem grande expressividade.
De um modo geral, em bordas de mata
submontana e aluvial, normalmente em locais
sombreados durante maior período do dia, são
freqüentes espécimes arbóreos de Miconia,
principalmente de Aí. cinnamomifolia, Aí.
hypoleuca, Aí. lepidota. AI. pusilliflora e
Aí. serrulata, e de T. estrellensis e T.
granulosa. De modo mais raro, pode-se
encontrar também Al. cinerascens , Aí.
holosericea, AI. saldanhaei e Aí. vauthieri
var. saldanhaei. As espécies Aí. saldanhaei
e Aí. serrulata têm também folhas
nitidamente discolores, com a face adaxial
verde e a abaxial pardacenta ou ferrugínea,
enquanto as de Aí. cinnamomifolia e Aí.
pusilliflora são verdes discolores, às vezes
concolores. Dessas espécies. Aí. saldanhaei
tem sido localizada apenas em formações
aluviais. Ao longo das bordas e compondo o
estrato arbustivo, ocorrem as espécies de
Clidemia (exceto C. capilliflora), Leandra
e Ossaea, além de Aíiconia ibaguensis, que
podem formar pequenas moitas ou
distribuírem-se de modo disperso.
Em capoeiras aluviais, abertas e
ensolaradas, algumas espécies mostram-se
muito freqüentes e características desses
ambientes, como C. biserrata. Aí.
holosericea, Rhynchanthera dichotoma e
T. trichopoda. Nesse tipo de ambiente,
porém em locais mais sombreados, pode
ocorrer também Aciotis paludosa. Aí.
pusilliflora e M. staminea. Em bordas da
floresta, principalmente em áreas mais
impactadas, é comum o estabelecimento de
Aí. holosericea, cujas folhas pendentes
apresentam geralmente dimensões maiores
do que aquelas de espécimes situados mais
para o interior de mata. Nessas áreas
perturbadas, vários indivíduos desta espécie
podem distribuir-se de modo esparso, porém,
próximos entre si o suficiente para se
reconhecer uma pequena população.
Pereira (1998) assinala que, na Reserva,
indivíduos jovens de M. cinnamomifolia
Baumgratz. J. F. A. et al.
ocorrem, geralmente, em áreas mais
degradadas, preferencialmente em capoeiras
e bordas de florestas secundárias.
Em formações florestais remanescentes,
alteradas ou não, ou em processo de
regeneração natural, ao longo de rios ou
próximas a alagados, podem ser observados
indivíduos de C. hirta, C. biserrata. Aí.
calvescens. Aí. cinnamomifolia. Aí.
holosericea. Aí. prasina. Aí. serrulata. Aí.
staminea, T. estrellensis e T. granulosa,
sendo que as espécies de Clidemia ocorrem
geralmente nas áreas mais degradadas e
ensolaradas. Já espécimes de A. paludosa,
que representam as ervas perenes de
Melastomataceae na área, são encontrados
em locais abertos, porém mais sombreados e
úmidos, às vezes alagados, e ao longo de
trilhas em encostas ou planícies, e podem ser
facilmente eliminados por atividades
rotineiras de rocio ou pelo pisoteio decorrente
de visitas a essas áreas.
Nos campos antrópicos, com nítida
forração graminosa, constituindo
geralmente áreas de pastos e também com
formações de capoeiras, encontram-se
indivíduos principalmente de C. biserrata,
C. hirta e Aí. albicans e, às vezes, de Aí.
calvecens. Aí. prasina. Aí. staminea, T.
estrellensis e T. granulosa. Dessas, as
três primeiras são as mais freqüentes,
mostrando-se bem adaptadas à conquista
desse tipo de ambiente. Aíiconia albicans
destaca-se, ainda, por ocorrer tanto em
áreas planas, principalmente em margens
de estradas, trilhas e pastos, quanto em
encostas desnudas, com o solo muito
lixiviado e praticamente todo exposto às
intempéries, formando geralmente
populações com numerosos indivíduos. De
acordo com Vieira & Pessoa (2001),
indivíduos dessas espécies compõem
pequenas moitas em áreas outrora de
pastagens, às quais indivíduos de diferentes
famílias podem se agregar, favorecendo um
processo natural de regeneração nesses
locais extremamente impactados.
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cm
Melastomataceae na Rebio de Poço das Antas
Dentre as espécies de Melastomataceae
muito pouco freqüentes na Reserva, podem-
se destacar C. capilliflora, Clidemia sp.
nov., L. nianga, M. cinerascens, M.
latecrenata, M. saldanhaei. M. vauthieri
var. saldanhaei, Miconia sp., I gracilis e
T. urceolaris. Enquanto C. capilliflora,
Clidemia sp. nov. e as espécies de Miconia
são encontradas em áreas sombreadas e
úmidas no interior da mata submontana e/ou
aluvial, as demais ocorrem ou em locais mais
abertos e, em geral, parcialmente
sombreados, nas bordas de mata, como L.
nianga e T. urceolaris, ou em campos
antrópicos com formação graminosa, como
T. gracilis. Considerando-se atividades de
rocio para manutenção de acesso vicinal, esta
espécie subarbustiva, com ramos simples e
prostrados, pode ser considerada ameaçada
na Reserva, pois além de ocorrer em uma
única localidade, está obscurecida pela densa
e alta vegetação de gramíneas,
principalmente quando apenas em estágio
vegetativo, podendo ser facilmente ceifada
ou pisoteada.
A ocorrência de T. heteromalla como
uma espécie nativa na área de estudo
mostra-se duvidosa, pois somente um
exemplar foi localizado na margem da
estrada sobre morrote, aparentemente sendo
cultivada em frente a uma construção para
597
abrigar a equipe da segurança da Reserva.
Embora seja uma espécie utilizada em
jardinagem residencial, ainda não se obteve
confirmação de se tratar de uma espécie
introduzida na área, razão pela qual foi
tratada no presente estudo.
Tratamento Taxonômico
A família Melastomataceae encontra-se
representada na Reserva por oito gêneros,
34 espécies e uma variedade: Aciotis (1 sp.),
Clidemia (5 spp.), Henriettea (1 sp.),
Leandra (2 spp.), Miconia (15 spp. e 1 var.),
Ossaea (2 spp.), Rhynchanthera (1 sp.) e
Tibouchina (7 spp.).
Esse trabalho representa o primeiro
registro de ocorrência, tanto na Reserva
quanto no município de Silva Jardim, para
C. capilliflora, C. dentata, Clidemia sp.
nov., L. nianga, L. reversa, M. albicans,
M. ibaguensis, M. latecrenata, M.
lepidota , M. pusilliflora, M. saldanhaei,
M. vauthieri var. saldanhaei, O.
amygdaloides, O. conferí iflora e T.
urceolaris . Alem disso, constitui um
registro inédito de C. dentata para o estado
do Rio de Janeiro. As demais espécies já
foram assinaladas por Baumgratz (1996),
Pereira (1998), Vieira & Pessoa (2001) e
Abbas (2003).
Chave para identificação das Melastomataceae na Reserva Biológica de Poço das Antas
1. Lacínias do câlice unilobadas; estames com eoneetivos providos de apêndices ventrais; fm.os
secos- , . c. nndroceu com estames férteis alternados com
2. Folhas com 5-7 nervuras acrodrom , 2g Rhynchanthera dichotoma
estaminódios; frutos do tipo capsuj® todos QS estames férteis,
2’. Folhas com 3-5(-7) nervuras acródromas, anaroct
estaminódios ausentes; frutos dotipove ^!° ^ ,adnias do cálice persistentes; filetes
3. Subarbustos com caule simples, nao 31 Tibouchina gracilis
3\ Árvores ou arbustos com caule nítida^ filetes
pilosos (às vezes glabros em T. urceolam). iriclmpoda); folhas com
4. Arbustos 1-2 m alt, às 1 ompr.; laelnias do câlice 2.5-
nervuras acródromas sempre basais, hipanto 4 v mm c f
4,2 mm compr.
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Baumgratz, J. F. A. et al.
5. Folhas com pecíolo 1,7-2, 8 cm compr., lâmina 8-13 cm compr.; anteras 4,5-6.5
™ni comPr- 33. Tibouchina heteromalla
5 . Folhas com pecíolo 0,2-1, 3 cm compr., lâmina 2,9-5,6 cm compr.; anteras 9-15
mm compr.
6. Folhas com a face adaxial estrigulosa, face abaxial desprovida de tricomas
dendnticos; inflorescências 3,5-6 cm compr.
, 34. Tibouchina trichopoda
6. Folhas com a face adaxial seríceo-setulosa, face abaxial com tricomas dendríticos;
tnftorescências 16-28 cm compr. 35. Tibouchina urceolaris
4 . Arvores 4 .5 m alt.; folhas com nervuras acródromas mais internas sunrabasais, se
basais, hipanto igual ou maior do que 8 mm compr.; lacínias do cálice 6-1 0 mm compr.
7. Ramos nunca alados; folhas com nervuras acródromas basais; profilos cuculados;
filetes pubescente-glandulosos, nunca vilosos
n 7"j 29. Tibouchina arbórea
7 . Ramos alados ou subalados; folhas com nervuras acródromas suprabasais- profilos
concavos; filetes viloso-glandulosos.
8. Folhas com a face adaxial bulada e tricomas estrigosos com espessamento pluri-
rami ficados na base, face abaxial foveolada
c ,V " 30. Tibouchina estrellensis
8 . Folhas com ambas as faces planas, nem bulada nem foveolada face adaxial
com tricomas estrigosos e estrigulosos com espessame_nto 1-4-ramificado na
Laeínias do cálice^erelmente bilobadas. às veixs unilobadas
ou com conectivos provtdos de apêndices dorsais, às vezes projetando-se em lobos venlrais-
frutos carnosos.
9. Ervas; folhas translúcidas quando secas; flores 4-meras; sementes cocleares
9 . Árvores, arbustos ou subarbustos; folhas não translúcidas quando secas- flores ^4-)5-X
meras, se somente 4-meras, então indumento dos ramos, folhas e inflorèscências apenas
furfiiraceo-glanduloso; sementes de outras formas, não cocleares-
10. Inflorèscências axilares, dispostas em nós folhosos e/ou áfilos, neste caso, ueralmente
ao longo das porções inferiores dos ramos.
11. Árvores; inflorèscências fasciculadas, dispostas nas porções áfilas dos ramos ....
. Arbustos ou subarbustos; inflorèscências nunca fasciculadas, dispostas nas axilas de
ramos folhosos, as vezes também em nós afilos.
1 2. Indumento dos ramos, folhas e inflorèscências constituído de inconspícuos tricomas
acródromas; bo,ões3flxde a
.2-, indumento do, remos, lolh^m^^
Vtloso e fttrfttrecco-estrelado; folhas com 3-5(-7) nervuras acródromas; botões
florais com apice agudo a acuminado; flores 5-meras.
13. Folhas com pecíolo 0,3-0, 5 cm compr., lâmina foliar 2-2,5 cm larg.; lacínias
internas do cahce(l-) 1,5-2 mm compr. 26. Ossaea amygdaloides
: ™haS PeC,0j° 2’5'4’5 cm comPr- >âmina foliar 3,4-6, 5 cm larg.; lacínias
Ossaea confertiflora
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SciELO/ JBRJ
cm
Melastomataceae na Rebio de Poço das Antas
10’ Inflorescências terminais e/ou pseudo-axilares, às vezes axilares apenas em nós folhosos
nas extremidades dos ramos, neste caso, subentendendo inflorescências acessórias, nunca
dispostas em nós afilos.
14. Botões florais e pétalas com ápice agudo a acuminado.
15. Indumento dos ramos, pecíolos e inflorescências hirsuto e furfuráceo-estrelado;
folhas com a face abaxial setuloso-setosa, tricomas não adpressos, e furfuráceo-
estrelada; inflorescências com ramos não escorpióidcs
8. Leandra nianga
15’ indumento dos ramos, pecíolos e inflorescências hirtelo-glanduloso; folhas com a
face abaxial apenas setoso-adpressa; inflorescências com ramos cscorpióides...
9. Leandra reversa
14’. Botões florais de ápice obtuso a arredondado; pétalas de ápice obtuso, arredondado
ou assimetricamente emarginado ou retuso.
1 6. Inflorescências terminais e/ou pseudo-axilares; lacínias externas do cal.ce ma.ores
que as internas. , . , .
17 Arbustos escandentes; inflorescências glomenformes; ovar.o 3-locular
6. Clidemia sp. nov.
17’. Subarbustos e/ou arbustos, nunca escandentes; inflorescências não
glomenformes; ovário 4-5-Iocular. _
18 Indumento dos ramos, pecíolos, face abaxial da lam.na foliar e inflorescências
constituído de tricomas estrelados, pedicelados ou não, e setoso-glanduloso;
zona do disco não fimbriada; lacínias internas do cálice bem dcsenvolv.das,
cilioladas 2. Clidemia biserrata
1 8’ Indumento dos ramos, pecíolos, face abaxial da lâmina foliar e inflorescências
setoso setuloso e furfuráceo-estrelado, às vezes com esparsos tricomas
setuloso-glandulosos; zona do disco fimbriada; lacínias internas do cálice
reduzidas a um anel membranáceo, não cilioladas
1 9 Lâmina foliar com face adaxial plano-ret.culada, face abaxial ondulado-
‘reticulada e o par mais interno das nervuras acródromas (3-)4-l 1 mm
suprabasais, usualmente alternas; florc^
19’ Lâmina fo Üar coiri face adaxial bulada, ft.ee abaxial foveolada e o par
mais interno das nervuras acródromas ca. 2 mm supmb^sms^opostas;
16- Inflorescências freqOcn, emente terminais, às vezes ax, lares apenas em nos folhosos
e nas «idades dos ramost lacinias externas do cáltcc tneonspteuas, sempre
“hasl"amen.ediseolorcs, faeeadaxial verde, face abaxial alvacenta.
canescente cinéreo-prateada, pardacenta ou ferrugínea, não verde discolorcs,
face abaxhàl com indumento persistente, revestindo a snperflcte eptdemttca
densa e totalmente, às vezes moderada e parcialmente.
71 Inflorescências com ramos escorpióidcs.
22 Arbustos' indumento da face abaxial da lâmina foi, ar cons.tluído de
tricomas rio tipo chicote; tirsos piramidais . 10 Mwoma a Ib cm*
22’ á“ ores- indumento da face abaxial da lâmina foliar eonsttluldo de
' tricomas es.relado-lepido.os; tirsos
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Baumgratz, J. F. A. et al.
21’. Inflorescências com ramos não escorpióides.
23. Folhas com margem inteira a levemente ondulada, raro inconspícuo-
crenulada, nervuras acródromas mais internas suprabasais
14. Miconia holosericea
23’. Folhas com margem crenulado, serrulada, dentada ou denticulada,
nervuras acródromas mais internas basais ou suprabasais.
24. Indumento da face abaxial da lâmina foliar, hipanto e cálice com
tricomas do tipo chicote; folhas com nervuras acródromas laterais
confluentes às margens, na base; cálice persistente; frutos maduros
alaranjados 15. Miconia hypoleuca
24 . Indumento da face abaxial da lâmina foliar, hipanto e cálice com
tricomas estrelados e/ou dendríticos, às vezes também glanduloso-
granulosos; folhas com nervuras acródromas laterais não confluentes
às margens, na base; frutos maduros roxo-nigrescentes.
25. Folhas adultas com indumento revestindo parcialmente a face
abaxial; conectivo nitidamente prolongado abaixo das tecas,
inapendiculado 2 1 . Miconia saldanhaei
25 . Folhas adultas com indumento revestindo totalmente a face
abaxial; conectivo não prolongado ou prolongamento obsoleto abaixo
das tecas, com apêndice apenas dorsal ou também latero-ventral.
26. Inflorescências não em glomérulos; cálice persistente; pétalas
com a face abaxial totalmente revestida de tricomas estrelados;
anteras roxas; bacídios polispérmicos
22. Miconia sernilata
26 . Inflorescências em glomérulos; cálice caduco; pétalas glabras;
anteras alvas; bacáceos oligospérmicos
12. Miconia cinerascens
20 . Folhas adultas verdes, concolores, subconcolores ou discolores, face abaxial
glabra ou com indumento geralmente esparso, às vezes denso, revestindo
parcialmente a superfície, tricomas persistentes ou caducos.
27. Pseudo-estipulas interpeciolares presentes, tardiamente caducas
5 13. Miconia cinnamomifoUa
27’. Pseudo-estipulas interpeciolares ausentes.
28. Inflorescências com ramos escorpióides
f 24. Miconia vauthieri var. saldanhaei
28’. Inflorescências com ramos não escorpióides.
29. Indumento dos ramos, folhas, inflorescências e hipanto constituído
de tricomas setoso-setulosos, persistentes, além de furfuráceo-
estrelados e -dendríticos, parcialmente caducos
Miconia ibagnensis
29 . Indumento dos ramos, folhas, inflorescências e hipanto constituído
de tricomas estrelados e/ou dendríticos, geralmente caducos.
30. Folhas com base aguda, agudo-decorrente, cuneada, obtusa ou
arredondado-cuneada.
31. Folhas com domácias marsupiformes na face abaxial,
membranas evidentes
20. Miconia pusiUiflora
Rodriguésia 57 (3): 591-646. 2006
cm l
SciELO/JBRJ
2 13 14 15 16 17
cm
Melastomalaceae na Rebio de Poço das Antas
31\ Folhas destituídas de domácias na face abaxial.
32. Folhas com base geralmente agudo-decorrente, às vezes
arredondado-cuneada, nervuras acródromas suprabasais;
brácteas, profilos e cálice persistentes
19. Miconia prasina
32’. Folhas com base aguda, obtusa ou arredondado-cuneada,
nunca decorrente, nervuras acródromas basais; brácteas,
profilos e cálice caducos.
33. Indumento dos ramos, pecíolos, inflorescências, brácteas
e hipanto constituído de tricomas estrelados e dendríticos;
anteras com poro terminal diminuto, não se assemelhando
a rima; ovário 5-locular 25. Miconia sp.
33’. Indumento dos ramos, pecíolos, inflorescências,
brácteas e hipanto constituído apenas de tricomas
estrelados; anteras com poro ventral amplo, às vezes
assemelhando-se a uma rima; ovário 3-locuiar
17. Miconia latecrenata
30’. Folhas com base arredondada ou subcordada, às vezes obtusa,
nunca decorrente nem cuneada.
34 Folhas 17-32 * 9-16,5 cm; pétalas 2-3 mm compr.; anteras
' 11. Miconia calvescens
34^ Folhas 6-18,5 * 3, 2-8, 7 cm; pétalas 7-9 mm compr.; anteras
, .. 23. Miconia staminea
amarelas
Descrição dos tãxons
Aciotis D. Don, Mem. Wem. Nat. Hist. Soc.
4:283,300.1823.
Ervas perenes. Folhas com lâmina
membranácea, translúcida quando seca.
Tirsóides terminais, ramos em cimeiras bíparas
e/ou uníparas; brácteas e profilos persistentes.
Flores 4-meras; hipanto membranáceo e
translúcido quando seco; cálice persistente,
lacínias unilobadas; pétalas lilases; estames
isomórficos, desiguais em tamanho, anteras
amarelas, oblongas, conectivo não prolongado
abaixo das tecas, inapendiculado; ovário
parcialmente infero. Bacáceos, polispérmicos,
sementes cocleares, granulado-tuberculadas,
nunca aladas.
1. Aciotis paludosa (DC.) Triana, Trans. Linn.
Soc. Bot. 28: 51. 1871. FiS- 1
Ervas 10-15 cm alt.; indumento dos
ramos e folhas esparsa a densamente setoso
e/ou setuloso, das inflorescências, hipanto e
cálice esparsamente setuloso-glanduloso.
Folhas com pecíolo 0,6-2, 1 cm; lâmina 4,5
10,3 x 1,8-5 cm, ovada a elíptica, base obtuso-
a arredondado-cuneada, ápice agudo a
obtuso, margem bisserrado-ciliolada; 5
nervuras acródromas basais, as marginais
tendendo ao padrão broquidródromo. Flores
com lacínias do cálice ovadas; pétalas ovadas,
apiculado-glandulosas; anteras com poro
terminal; ovário 4-locular, glabro.
Material selecionado: trilha do morro do
Calcário, 14.11.1993, fl. e fr., H. C. Lima et
al. 4631 (RB).
Material adicional: Espírito Santo,
Macuco, Reserva de Soorctama, VI 1.1 969,
fr., D. Sucre 5644 (RB).
Endêmica do Brasil, ocorrendo no
Distrito Federal, Mato Grosso, Bahia, nos
estados da Região Sudeste e no Paraná,
entre 40-700 m de altitude, geralmente em
habitats alagados, em formações primárias
de mata atlântica e áreas no domínio do
Cerrado, podendo alcançar a porção sul da
bacia Amazônica (Freire-Fierro 2002). Na
Rodriguésia 57 (3): 591-646. 2006
SciELO/JBRJ.
12 13 14 15 16 17
602
Baumgratz. J. F. A. et al.
Figura 1 -Aciotis paludosa (Mart.) Triana: a. hábito; b. detalhe da margem foliar c flor d nétal*- P „ , . • ,
f. estame ante-pétalo; g. estilete; h. bacáceo; i. semente ( Lima 4631). P ’ 6513016 an,essePal°-
Rodriguèsia 57 (3): 591-646. 2006
SciELO/JBRJ
Melastomataceae na Rebio de Poço das Antas
Reserva é encontrada entre 50—100 m.s.m.,
sendo a única espécie de Melastomataceae
herbácea e facilmente reconhecida pelos
tricomas longos e avermelhados no caule e
pecíolos e folhas muito membranáceas e,
como o hipanto, translúcidas quando secas.
Coletada com flores em fevereiro e agosto,
frutos em fevereiro.
Clidemia D. Don, Mem. Wem. Nat. Hist. Soc.
4(2): 306.1823.
Arbustos ou subarbustos, às vezes
escandentes, nitidamente pilosos, incluindo
diminutos e inconspícuos tricomas glandulares.
Folhas no mesmo nó anisófilas ou subisófilas,
não translúcidas quando secas. Tirsóides ou
metabotrióides, axilares ou terminais e/ou
pseudo-axilares, às vezes glomeriformes,
nunca fasciculados; brácteas e profilos
persistentes. Botões florais com ápice obtuso
a arredondado. Flores 4-6-meras; zona do
disco formando ou não um anel
membranáceo, pilosa, glandulosa ou não, às
vezes glabra; cálice persistente, lacínias
eretas, patentes ou reflexas, bilobadas, as
externas maiores que as internas; pétalas
alvas, às vezes amarelas, obovadas, oblongas
ou elípticas, glabras, ápice arredondado ou
assimetricamente emarginado; estames alvos,
às vezes amarelos, isomórficos, subiguais em
tamanho, às vezes desiguais, concetivo
prolongado ou não abaixo das tecas,
dorsalmente apendiculado ou não; ovário
parcialmente infero. Bacídios, roxo-nigrecentes
a atro-purpúreos quando maduros, urceolado-
subglobosos a globosos, polispérmicos; sementes
obtriangulares a obovadas, testa papilosa ou
granulada, nunca aladas.
2 - Clidemia biserrata DC., Prodr. 3: 158.
1828. F'S-2
Subarbustos a arbustos 1-2 m alt.,
indumento dos ramos, pecíolos, face abaxial
da lâmina foliar, inflorescências e hipanto
moderada a densamente constituído de
tricomas estrelados, pedicelados ou não, com
hastes longas e delicadas, e moderadamente
Rodriguésia 57 (3): 591-646. 2006
603
setoso-glanduloso, cabeça glandular
alaranjada a nigrescentc, caducas ou não.
Folhas com pecíolo 0,3-4, 3 cm; lâmina 3,8
1 2,7 x 2-6,7 cm, papirácea a cartácea, ovada
a elíptica, base subcordada a arredondada;
ápice acuminado a agudo, margem
bisserulado-ciliada; face adaxial diminuto-
bulada, esparsamente setosa, setoso-
glandulosa e com tricomas estrelados
pedicelados ou não, face abaxial foveolada;
5(-7) nervuras acródromas basais.
Inflorescências terminais e pseudo-axilares,
nunca em nós áfilos; brácteas e profilos
assemelhando-se na forma ao tricoma setoso.
Flores 5-meras; zona do disco pubescente-
glandulosa, às vezes com raros tricomas
estrelados, não íimbriada; lacínias internas do
cálice bem desenvolvidas, ovadas, cilioladas;
ovário 4-5-locular, piloso.
Material selecionado: estrada Juturnaíba,
23.V1II.2004, fl. e fr., D. C. Carraça et al.
3 (RB).
Amostras estéreis, coletadas pelo
PMA na Reserva, estão registradas na base
de dados sob os números; Indivíduos P-62,
PB-118.
Distribui-se nas Guianas, Trinidad,
Colômbia, Venezuela, Bolívia e Brasil, nos
estados de Pernambuco, Bahia, Rio de
Janeiro e São Paulo. Facilmente encontrada
na Reserva, sendo denominada como
“pixirica” ou “pixiriquinha” e seus frutos muito
apreciados pela fauna local, particularmente
pássaros e o mico-leão-dourado. Coletada
com flores e frutos cm janeiro, fevereiro,
junho a agosto, outubro e novembro; flores
também em abril.
3 - Clidemia capilliflora (Naudin) Cogn. in
Mart. & Eichler, Fl. bras. 14(4): 508. t. 107,
fig. 1.1888. FiS-3
Arbustos ca. 1 m alt., aparentemente
glabros; indumento dos ramos, folhas c
inflorescências esparsa a moderadamente
furfuráceo, tricomas glandulares inconspícuos,
alvo-translúcidos, alongados e adpressos.
Folhas com pecíolo 0,2-0, 7 cm; lâmina 5,5-
SciELO/JBRJ
12 13 14 15 16 17
604
Baumgratz, J. F. A. et al.
cm 1
Figura 2 - Clidemia biserrala DC.: a. ramo florífero; b-d, f . detalhe do indumento: ramo, faces adaxial e abaxial da lâmina
foliar e frutescência, respectivamente; e. detalhe da margem foliar; g. flor; h. pétala; i. estame; j. secção longitudinal do
ovário evidenciando adnação ao hipanto e prolongamento apical; k. secção transversal do ovário, evidenciando os lóculos;
1. estilete; m. bacídio jovem; n-o. sementes ( Pessoa 690).
Rodriguésia 57 (3): 591-646. 2006
SciELO/ JBRJ
12 13 14 15 16 17
Melaslomalaceae na Rebio de Poço das Antas
605
cm
■r rv h-c detalhe da lâmina foliar: base, com domácias, e
Figura 3 - Clidemia capilliflora (Naudin) Cogn.: a. ram” ?n ey°jenciand0 brácteas e profilos; e. flor; f. hipanto e cálice,
margem, respectivamente; d. detalhe do ramo da in ores j mbranáce0> e da zona do disco; h. pétala; i. estame, j.
g. detalhe de lacínias do cálice, as internas formando um do disc0 e ápice do ovário piloso; k. estilete; 1.
secção longitudinal do ovário, evidenciando achtaçâo jotap-^j»8
bacídio jovem; m. semente (a-k, m Schawacke / ,
Rodrigues ia 57 (3): 591-646. 2006
SciELO/ JBRJ
12 13 14 15 16 17
cm
606
1 1 ,5 x 2, 6-4,5 cm, tenuamente membranáceas,
elípticas a obovadas, base aguda, ápice atenuado
ou acuminado, margem crenulado-ciliolada; 3
nervuras acródromas 2-6 mm suprabasais;
domácias marsupiformes nas axilas das
nervuras acródromas. In florescências nunca
fasciculadas, axilares, em nós folhosos e/ou
áfilos, ramos filiformes; brácteas e profilos
diferenciados do indumento. Flores 4-meras;
hipanto e cálice com esparsos tricomas setuloso-
glandulosos; zona do disco glabra; lacínias do
cálice bilobadas, as externas crassas e
subuladas, as internas reduzidas a um anel
membranáceo, sinuoso.
Material examinado: trilha da Pelonia,
1 7.V. 1 994, fr., J. M. A. Braga et al. 1228 (RB).
Material adicional: Espírito Santo: Cachoeiro
do Itapimirim, 4.V.1949, fl. e fr., A. C. Brade
19743 (RB); Rio de Janeiro: Rio de Janeiro,
1 .11.1891, fl. e fr., Schwacke 17147 (RB).
Endêmica do Brasil, ocorrendo na Bahia,
Espírito Santo e Rio de Janeiro, em florestas
pluviais e de baixada. Na Reserva tem
distribuição muito restrita, sendo encontrada
somente no interior da floresta submontana.
Destaca-se das demais espécies do gênero,
principalmente, pelas inflorescências com
ramos muito delicados e delgados, com
aspecto capilari forme.
4 - Clidemia dentata D. Don, Mem. Wem.
Soc. 4(2): 308. 1823. Fig.4
Arbustos 2-3 m alt.; indumento dos
ramos, folhas e inflorescências densa a
moderadamente setoso e furfuráceo-estrelado,
às vezes com esparsos tricomas setuloso-
glandulosos. Folhas com pecíolo 0,5-3, 3 cm;
lâmina 7-15,8 x 2, 5-7, 5 cm, membranácea,
papirácea a subcartácea, elíptica a estreito-
ovada, base obtusa, oblíqua ou não, ápice
atenuado, margem crenulado-ciliada, face
adaxial plano-reticulada e face abaxial
ondulado-reticulada, com 5 nervuras
acródromas, as mais internas (3— )4— 1 1 mm
suprabasais e usualmente alternas.
Inflorescências terminais, posteriormente
pseudo-axilares; brácteas e profilos
Baumgratz. J. F. A. et al.
diferenciados do indumento. Flores 5— 6-meras,
pediceladas; zona do disco com um anel
membranáceo, irregularmente dentado-
fimbriado; lacínias do cálice patentes, as
externas triangulares, apiculadas e as internas
reduzidas a um anel membranáceo, sinuoso,
não ciliolado; ovário 5-locular, piloso.
Material selecionado: trilha Rodolfo Sul,
9.X.2004, fl. e fr., D. C. Carraça et al. 29 (RB).
Distribui-se desde o sul do México,
América Central e Trinidad até as Guianas,
Colômbia, Bolívia, Equador e Brasil, nos
estados das regiões Norte e Nordeste e no
Rio de Janeiro. Este é o primeiro registro para
a Região Sudeste, pois só era conhecida
ocorrer até o estado da Bahia. Na Reserva
apresenta indumento alvo-rosado a vinoso e
seus frutos carnosos provavelmente são
utilizados como alimento de animais da fauna
local, devido a grande semelhança com os
frutos das demais espécies do uênero.
Coletada com flores e frutos em agosto e
outubro; frutos também em abril.
5 - Clidemia hirta (L.) D. Don, Mem. Wem.
Soc. 4(2): 309. 1823. Fjg 5
Arbustos 0,5-2 m alt.; indumento dos
ramos, folhas e inflorescências esparsamente
setoso, setuloso e furfuráceo-estrelado e com
esparsos tricomas setuloso-glandulosos,
cabeça glandular geralmente caduca. Folhas
com pecíolo 0,5-4,5 cm; lâmina 4,6-7,9 x 2,2-
5,9 cm, membranácea a cartácea, ovada a
oblongo-ovada, base arredondada a
subcordada, ápice agudo a acuminado,
margem crenulado- a bisserrado-ciliada face
adaxial largo-bulada, abaxial foveolado-
reticulada; 5-7 nervuras acródromas, as mais
internas ca. 2 mm suprabasais, opostas.
Inflorescências terminais, às vezes
posteriormente pseudo-axilares, não dispostas
em nos afilos dos ramos; brácteas e profilos
diferenciados do indumento. Flores 5-meras
pediceladas; zona do disco com um anel
membranáceo, irregularmente dentado-
fimbriado; lacínias internas do cálice reduzidas
a um anel membranáceo, sinuoso, ou
Rodriguésia 57 (3): 591-646. 2006
SciELO/JBRJ
12 13 14 15 16 17
Melastomataceae na Rebio de Poço das Antas
607
,r , , . ,h„ do indumento: ramo, faces adaxial e abaxial da lâmina foliar
;ura 4 -Clidemia dentata D.Don: a. ramo llon cro, e. ntemas e externas do cálice; h. pétala; i. estame; j. detalhe do
■utescência, respectivamente; f. flor, g. detal e aci ^ evidenciando suas adnaçõcs, zona do disco irregularmente
ce do estilete e estigma; k. secção longitudma o ip sementes ( Braga 2691).
ítado-fimbriada e prolongamento ap.cal do ovano, 1. bac.d.o jove
Rodriguésia 57 (3): 591-646. 2006
SciELO/JBRJ
12 13 14 15 16 17
cm ..
608
levemente denticuladas, não cilioladas; ovário
5-locular, glabro.
Material selecionado: mata do rio Pau
Preto, 19.X. 1994, fl. e fr., S. V. A. Pessoa et
al. s.n. (RB 411268).
Amostras estéreis, coletadas pelo PMA
na Reserva, estão registradas na base de
dados sob os números: Indivíduos P-36, P-44,
P-86, P-94, P-95.
É de ampla distribuição, desde a América
Central até a Argentina. No Brasil é
encontrada praticamente em todos os estados,
sendo freqüente em áreas abertas, ensolaradas
e muito antropizadas. Na Reserva tem sido
coletada com flores em agosto e de outubro a
fevereiro; frutos em janeiro, fevereiro, abril,
julho, agosto e de outubro a dezembro. Na
Malásia está naturalizada como uma erva
daninha (Gleason 1939, Wurdack 1962) e
segundo Wurdack (1980), tem sido
considerada como uma erva daninha nociva
em muitas regiões tropicais do Velho Mundo.
Sinônimos em Cogniaux (1891).
Baumgratz. J. F. A. et al.
6 - Clidemia sp. nov.
Arbustos escandentes, ca. 2 m alt.; raízes
adventícias presentes. Indumento dos ramos,
folhas, inflorescências, brácteas, profilos,
hipanto e cálice moderada a densamente
setoso, tricomas adpressos nas folhas, e
esparsamente pubérulo-glanduloso; hipanto e
cálice também moderadamente setoso-
glanduloso, cabeça glandular caduca ou não.
Ramos adultos áfilos, nodosos, glabrescentes.
Folhas com pecíolo 0, 8-4,5 cm; lâmina 5,2-
10,5 x 3—6 cm, membranácea, estreita a
largamente elíptica, às vezes oblonga ou ovada,
base obtusa a arredondada, ápice curto-
acuminado, às vezes arredondado-curto-
acuminado, margem crenulada a denticulada,
ciliolada; 5 nervuras acródromas 4-5 mm
suprabasais. Cimas glomeriformes, terminais,
nunca em nós áfilos; brácteas e profilos
foliáceos. Flores 5-meras; zona do disco
crassa, glabra; lacínias internas do cálice 1 ,9-
2,1 x 0,7-0, 8 mm, oblongas a ovadas,
denticulado-cilioladas; pétalas de ápice obtuso,
Figura 5 - Clidemia hirta (L.) D.Don: a. ramo florífero; b-e. detalhe do indumento- ramos e aa,vi i u • , j
lâmina foliar, respectivamente; f. detalhe do tricoma setuloso da face adaxial da lâmina foliar g botão floral- h demlh Í
zona do disco; i. pétala; j. estame (Pessoa 1052). 8' llora1' h' delaIhe da
Rodriguésia 57 (3): 591-646. 2006
SciELO/JBRJ
L2 13 14 15 16 17
Melastomataceae na Rebio de Poço das Antas
glandulosos-apiculado; ovário 3-locular,
glandular-setuloso, cabeça glandular caduca.
Material examinado: estrada para
Jutumaiba, 25.X.2005, fl., H. C. Lima et al.
6375 (RB, FLOR); 12.XII.1994, fr., C.
Luchiarí et al. 601 (RB).
Espécie rara na Reserva, restrita à
floresta aluvial, em local sombreado próximo
a um córrego. Facilmente distinta das demais
Clidemia ocorrentes na área de estudo
principalmente pelo hábito escandente,
inflorescências glomeriformes, com
numerosas brácteas e profilos involucrais,
pétalas amarelas, eretas, com ápice obtuse
e glanduloso-apiculado, estames amarelos e
ovário 3-Iocular. São raras as espécies desse
gênero que apresentam esse tipo de hábito
e de inflorescência, além de brácteas e
profilos involucrais. Clidemia conglomerata
DC. e C. involucrata DC. são as espécies
mais próximas, mas diferem pelo hábito não
escandente e combinação de várias
características, como maior número e
posição basal das nervuras acródromas,
pilosidade da zona do disco, cor e forma do
ápice das pétalas, menores comprimentos do
hipanto, lacínias do cálice e anteras, e maior
número de lóculos do ovário.
Henriettea DC., Prodr. 3: 178. 1828.
Árvores, pilosas. Folhas não
translúcidas quando secas, nervuras
acródromas suprabasais. Cimóides
fasciculados, axilares, nas porções áfilas, e
geralmente inferiores, ao longo dos ramos;
brácteas e profilos persistentes. Botões
florais de ápice obtuso a arredondado. Flores
5-meras, longo pediceladas; hipanto
ventricoso na base; zona do disco glabra,
cálice persistente, lacínias infletidas pós-
antese, bilobadas; pétalas alvo-rosadas a -
lilases, indumento creme na face abaxial,
assimétricas, ápice arredondado-
emarginado, apiculado dorsalmente; anteras
alvo-lilases, curvas ou não, atenuadas,
conectivo não prolongado, apêndice dorsal,
às vezes projetando-se ventralmente em 2
lobos; ovário infero, 5-locular, glabro.
Rodriguésia 57 (3): 591-646. 2006
609
Bacídios urceolados, vinosos a nigrescentes,
polispérmicos; sementes ovadas a oblongas,
granuladas, nunca aladas.
7 - Henriettea saldanhaei Cogn. in Mart. &
Eichler, Fl. bras. 14(4): 531, t. 113. 1888.
Fig.6
Árvores 3-12 m alt. Indumento dos
ramos, pecíolos e inflorescências
densamente estriguloso-adpresso. Folhas
com pecíolo 1-2,3 cm; lâmina 10-25,2 * 5-
1 1,3 cm, verde discolor, cartácea, elíptica a
obovada, base aguda a arredondada, ápice
arredondado- a obtuso-acuminado, margem
setoso-adpressa, revoluta, face adaxial com
esparsos tricomas estrigulosos, adpressos,
híspido-adpressa nas nervuras acródromas,
face abaxial densamente lepidoto-estrelada,
tricomas com eixo central dendrítico e
glanduloso, cabeça caduca ou não, e
estriguloso-adpressa nas nervuras
acródromas; 5 nervuras acródromas, as
mais internas 3-10 mm suprabasais;
domácias marsupiformes, membrana
ausente. Flores com hipanto e cálice
estriguloso-adpressos, tricomas ramificados
na base, e diminuto-glandulosos; zona do
disco glabra; lacínias externas do cálice
denticulado-apiculadas, as internas oblatas;
pétalas com base bilobado-unguiculada,
margem unilateralmente irregular-denteada,
densamente pubescente e diminuto-
glandulosas em ambas as faces, mas
esparsamente na face adaxial, tricomas
retrorsos, ciliadas; estames lilases; estilete
glabro, levemente espessado para o ápice.
Material selecionado: trilha Rodolfo
Norte, 24.VIII.2004, fl. e fr., D. C. Carraça
et al. 8 (RB).
Amostras estéreis, coletadas pelo PMA
na Reserva, estão registradas na base de
dados sob o número Indivíduo PR-66.
Endêmica do Brasil, restrita ao Espírito
Santo e Rio de Janeiro, ocorrendo em florestas
pluviais. A coleta, na Reserva, representa uma
nova ocorrência no estado fluminense, sendo
denominada de “pixiricão” (D. S. Farias et
al. 282), provavelmente pelas grandes
cm 1
.SciELO/ JBRJ
12 13 14 15 16 17
610
Baumgratz, J. F. A. et al.
2E£
secção transversal do ovário, evidenciando os lóculos- i estilete- f bacVT ° °' ^1° ? ldenclando adnaÇ3o ao hipanto; h.
hipanto, no fruto jovem (, Carraça 35). ’ J' bac,dlo->ovem: k- detalhe do indumento estn guloso do
Rodhguésia 57 (3): 591-646. 2006
SciELO/JBRJ
cm
Melastomataceae na Rebio de Poço das Antas
dimensões das folhas. Coletada com flores de
abril a junho e de agosto a outubro; com frutos
em abril, maio, julho e de agosto a novembro.
Leandra Raddi, Mem. Mat. Fis. Soc. Itai. Sei.
Modena, Pt. Mem. Fis. 18: 385. 1820.
Arbustos a subarbustos, pilosos,
inclusive diminutos e inconspícuos tricomas
glandulares. Folhas espessas, não translúcidas
quando secas. Inflorescências terminais, nunca
dispostas em nós áfilos dos ramos; brácteas e
profilos persistentes. Botões florais agudos a
acuminados. Flores 5-meras; zona do disco
glabra ou pilosa; cálice persistente, lacínias
reflexas, bilobadas, as externas conspícuas, as
internas geralmente reduzidas; pétalas alvas
ou alvo-rosadas, reflexas ou eretas, ápice
agudo a acuminado; estames isomórficos,
subiguais em tamanhos, anteras amarelas,
retilíneas ou extrorsamente curvas, oblongas
a lanceoladas, poro diminuto, conectivo
curtamente prolongado ou não abaixo das
tecas, apêndice dorsal inconspícuo ou ausente,
ovário parcialmente infero. Bacídios roxo-
nigrescentes, polispérmicos; sementes
obtriangulares, oblongo-obovadas ou ovadas,
nunca aladas.
8 - Leandra nianga (DC.) Cogn. in Mart. &
Eichler, Fl. bras. 14(4): 96-97. 1886.
Fig. 7 a-f
Arbustos a subarbustos 1,2-3 m alt.
Indumento dos ramos, pecíolos e
inflorescências esparsa a densamente hirsuto
e furfuráceo-estrelado. Folhas com pecíolo
2,2-6,5 cmcompr.; lâmina (10,5-) 15,5- 19,5 *
(4,5-)5,5-8 cm, membranácea, ovada, às vezes
elíptica ou estreito-ovada, base arrredondada
a cordada, ápice atenuado-acuminado, às
vezes cuspidado, margem crenulado-ciliolada,
face adaxial esparsa a moderadamente
setoso-adpressa, raros tricomas estrelados,
face abaxial esparsamente setuloso-setosa e
furfuráceo-estrelada; 5( — 7) nervuras
acródromas, as mais internas 2-5 mm
suprabasais. Tirsóides não de cimeiras
escorpióides. Flores com zona do disco
Rodrigtiésia 57 (3): 591-646. 2006
611
setulosa; pétalas rellexas; anteras amarelas,
poro terminal-dorsal, conectivo não
prolongado, inapendiculado; ovário 3-locular.
Material selecionado: estrada Juturnaíba,
1 7.XI. 1 994, fi. e fr„ C. Luchiari et ai 548 (RB).
Endêmica do Brasil, distribui-se pelos
estados de Minas Gerais, Rio de Janeiro e São
Paulo, geralmente em formações
vegetacionais de altitude. É ocasional na
Reserva, sendo denominada de “pixirica”, e
facilmente reconhecida pelo seu indumento
geralmente vermelho a vinoso, às vezes
rosado. Coletada com flores em janeiro,
agosto, outubro e novembro; com frutos cm
janeiro e novembro.
9 - Leandra reversa (DC.) Cogn. in Mart.
& Eichler, Fl. bras. 14(4): 198-199. 1886.
Fig. 7 g-1
Arbustos a subarbustos 0,5-3 in alt.
Indumento dos ramos, pecíolos e
inflorescências apenas moderada a
densamente hirtelo-glanduloso, cabeça
glandular muito cedo caduca. Folhas com
pecíolo (1,7— )5— 6, 5 cmcompr.; lâmina (8-) 15-
20 x (4— )8,5— 1 1,5 cm, membranácea, elíptica
ou ovada, base arredondada, às vezes
subcordada, margem denticulado-ciliolada,
ápice agudo-acuminado, apenas
moderadamente setoso-adpressa, raros
tricomas setoso-glandulares; (5— )7 nervuras
acródromas, as mais internas 2—5 mm
suprabasais. Inflorescências em tirsóides de
cimeiras escorpióides. Flores com zona do
disco glabra; pétalas eretas; estames com
anteras amarelas, poro terminal-ventral,
conectivo prolongado, apêndice dorsal; ovário
4-5-locular, piloso.
Material selecionado: estrada Juturnaíba,
22 VIII. 2001, fl., S. V. A. Pessoa & B. A.
Abbas 1054 (RB); 5.IV.2001, fr., 5. 1 Silva
Neto et al. 1433 (RB).
Distribui-se no Brasil pelos estados de
Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná
e Santa Catarina, entre 100-300 m de altitude,
e, segundo Wurdack (1962), duvidosamente na
Bolívia, Peru c no estado do Piauí.
SciELO/ JBRJ
12 13 14 15 16 17
612
Baumgratz. J. F. A. et al.
Figura 7 - Leandra nianga (DC.) Cogn.: a. ramo florifero; b. flor; c. detalhe das lacíniac intcmsc , ... .
estame; e. bacídio; f. semente (Luchiari 548). Leandra reversa (DC.) Cogn.- g ramo florifero- h flor i deta^
mlemas , Ce™, do «Uice; j. «™« k. bocldio; I. «meme (g-j, 1 JW / 7;”T' “““
Rodriguèsia 57 (3): 591-646. 2006
SciELO/JBRJ
cm
Melastomataceae na Rebio de Poço das Antas
É facilmente reconhecida pelo indumento
hirtelo-glanduloso, vermelho a vinoso, e pelas
inflorescências em tirsóides de cimeiras
escorpióides. Coletada com flores em agosto,
novembro e dezembro; com frutos em
fevereiro e abril.
Miconia Ruiz & Pav., Fl. Peruv. Prodr., p.
60. 1794, nom. cons.
Árvores ou arbustos. Folhas não
translúcidas quando secas. Inflorescências
terminais, às vezes axilares apenas em nós
folhosos, nas extremidades dos ramos e, neste
caso subentendendo inflorescências
acessórias; brácteas e profilos persistentes
ou caducas. Botões florais de ápice obtuso a
arredondado. Flores (4-)5-meras; zona do
disco glabra ou pilosa; cálice persistente ou
circuncisamente caduco, lacínias bilobadas,
as externas inconspícuas e as internas
evidentes; pétalas alvas, ápice arredondado,
retuso ou assimetricamente emarginado;
estames isomórficos ou subisomórficos,
anteras alvas ou cremes, com poro diminuto
ou prolongado à semelhança de uma rima,
conectivo prolongado ou não abaixo das tecas,
inapendiculado ou com apêndice dorsal, às
vezes com lobos projetando-se ventralmente,
ovário infero ou parcialmente infero.
Bacídios, polispérmicos, ou bacáceos,
oligospérmicos ou polispérmicos; sementes
obtriangulares, obovadas a ovadas, às vezes
suborbiculares a orbiculares, nunca aladas.
10 - Miconia albicans (Sw.) Triana, Trans.
Linn. Soc. Bot. 28: 116. 1871. Fig 8 a-b
Arbustos 1-4 m alt.; indumento dos
ramos, pecíolos, inflorescências e face
abaxial da lâmina foliar densamente lanoso,
tricomas do tipo chicote. Folhas com pecíolo
0,5-1 cm compr.; lâmina 6-13,5 * 3-6 cm,
adulta nitidamente discolor, não verde discolor,
face adaxial verde, brilhosa quando adulta,
face abaxial alvacenta a ferrugínea, coriácea
a subcoriácea, elíptico-oblonga, às vezes
obovada, arredondada a cordada, crenulada,
ápice acuminado, às vezes agudo a obtuso,
raro arredondado, face adaxial tomentosa,
Rodriguésia 57 (3): 591-646. 2006
613
cedo glabrescente, face abaxial com
indumento persistente, revestindo totalmente
a superfície epidérmica; (3— )5 nervuras
acródromas basais, as mais internas até ca.
I mm suprabasais. Tirsos de cimeiras
escorpióides, 7,5-1 1 ,5 cm compr., terminais,
piramidais; brácteas e profilos persistentes.
Flores 5-meras; hipanto tomentoso; cálice
persistente; estames subisomórficos,
conectivo inconspicuamente prolongado,
apêndice trilobado, sendo um lobo dorsal e
dois laterais, que se projetam ventralmente;
ovário 3-locular, estilete dilatado no ápice.
Bacídios verdes-jade a roxo-nigrescentes,
polispérmicos; sementes obtriangulares.
Material selecionado: estrada da Torre
2, 12.VII.1994, fl. e fr., H. C. Lima et al.
4905 (RB).
Espécie de ampla distribuição,
ocorrendo desde o sul do México e Antilhas
até o Paraguai. No Brasil é encontrada em
Roraima, Amazonas, Pará, Mato Grosso,
Mato Grosso do Sul, Goiás, Distrito Federal,
Maranhão, Piauí, Ceará, Pernambuco,
Alagoas, Bahia e nos estados da Região
Sudeste e no Paraná. Na Reserva é
conhecida como “pixirica”, tendo sido
coletada com flores em julho, agosto e
outubro; com frutos em abril, julho e outubro.
As folhas adultas discolores, com a face
adaxial verde e brilhosa e a abaxal alvacenta
a ferrugínea e as inflorescências escorpióides
são bons caracteres diagnósticos. No
processo de maturação, os frutos passam de
pardacentos a verde-claros, rosados, roxos e
roxo-nigrescentes ou verdes-jade. Esta cor
também tem sido assinlada para frutos
maduros dessa espécie (Goldenberg 2004),
sendo ingeridos por animais.
II - Miconia calvescens DC., Prodr. 3:
185.1828. Fig. 8 c-d
Árvores 1,5-5 m alt.; indumento dos
ramos, folhas, inflorescências, brácteas e
hipanto quando adultos esparsamente
furfuráceo-estrelado, tricomas gcralmcnte
caducos; pseudo-estípulas interpeciolares
,SciELO/JBRJ
12 13 14 15 16 17
cm ..
614
ausentes. Folhas com pecíolo 2-7 cm compr.;
lâmina 17-32 x 9-16,5 cm, adulta verde
discolor, papirácea a cartácea, elíptica a ovada,
base arredondada ou subcordada, às vezes
obtusa, nunca decorrente nem cuneada, ápice
agudo ou acuminado, margem crenulada a
denticulada, não ciliolada, indumento em
ambas as faces concentrado principalmente
sobre as nervuras acródromas; 5 nervuras
acródromas basais até 15 mm suprabasais.
Tirsóides de glomérulos 11-36 cm compr.,
terminais, piramidais, ramos não escorpióides;
brácteas e profilos caducos. Flores 5-meras;
cálice persistente; pétalas 2-3 mm compr.,
com tricomas esparsos para o ápice; estames
4,6-7 mm compr., subiguais, anteras alvas,
oblongas, retas, poro terminal ou terminal-
ventral, conectivo curto-prolongado, apêndice
com dois lobos latero-ventrais ou trilobado, com
os lobos unidos à semelhança de uma bainha,
ou se distinguindo um calcar dorsal e dois lobos
latero-ventrais, às vezes com inconspícuos
tricomas glandulares; ovário 3-locular, esparso-
glanduloso, estilete glabro. Bacídios vinosos a
roxo-nigrescentes, polispérmicos; sementes
obtriangulares.
Material selecionado: entre a BR-101 e o
rio Pau Preto, 16.VI.1994, fl. e fr„ S. V. A.
Pessoa et. al 719 (RB).
Amostras estéreis, coletadas pelo PMA
na Reserva, estão registradas na base de
dados sob os números: Indivíduos FE- 193, PB-
5, PB-101, PB-19, PC-75, PM-16, PM-36,
PM-94, PR-19, MO-43, MO-369, MO-231.
Endêmica do Brasil, ocorrendo no
Amazonas, Bahia e nos estados da Região
Sudeste. Na Reserva é conhecida como
“jacatirão”. As flores emitem um suave odor
adocicado e os frutos passam gradativamente
de verdes para rosados, a vinosos até roxo-
nigrescentes. Coletada com flores em
fevereiro, abril e junho; com frutos em
fevereiro, junho e julho.
12 - Miconia cinerascens Miquel, Linnaea
22:543.1849. Fjg. 8 e-f
Arbustos ca. 3-3,6 m alt.; indumento dos
ramos, pecíolos, face abaxial da lâmina foliar
Baumgrai J. F. A. et al.
e inflorescências densamente furfuráceo-
estrelado e — dendrítico e glanduloso-
granuloso. Folhas com pecíolo 3-5 cm
compr.; lâmina 14—20 x 6—9 cm, adulta
nitidamente discolor, não verde discolor, face
adaxial verde, face abaxial alvacenta,
ferrugínea nas nervuras acródromas,
totalmente revestida pelo indumento
persistente, não se visualizando a superfície
epidérmica, cartácea, elíptica a ovada, base
arredondada, ápice agudo a acuminado,
margem dentada; 5 nervuras acródromas
basais, as laterais não confluentes às
margens, na base. Tirsóides de glomérulos,
17-21 cm compr., terminais, ramos não
escorpióides; brácteas e profilos caducos.
Flores 5-meras; hipanto e cálice densamente
furfuráceo-estrelado e glanduloso-granuloso;
hipanto 1,8— 2,5 mm compr.; cálice caduco;
pétalas glabras, raro ápice na face abaxial
glanduloso; estames isomórficos, subiguais
em tamanho, filetes geralmente esparso-
glandulosos, raro glabros, anteras alvas. 2.3-
3,5 mm compr., poro terminal-ventral amplo,
conectivo não prolongado ou prolongamento
obsoleto, apêndices dorsal calcarado, latero-
% entrais lobulados; ovário 3-locular. esparso-
glanduloso; estilete esparso-glanduloso, às
vezes glabro. Bacáceos roxo-nigrescentes,
oligospérmicos; sementes obovadas a ovadas.
Material selecionado: casa dos Morcegos
(casa da Cíntia), 28.XI.1994, fl., C. Luchiari
et al. 572 (RB).
Material adicional: Santa Catarina: Lajes.
14.1.1963, fr„ R. Reitz & R. Klein 14887
(FLOR, HBR); Rancho Queimando.
27.111.1981, fr., J. M. Campos & P.F. Leite
14 (FLOR); Três Barras, 12.IV. 1992, fr., D.
Falkenberg et al. 5764 (FLOR).
Distribui-se no Brasil pelos estados de
Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo e os
da Região Sul até o Paraguai e norte da
Argentina. Na Reserva é ocasional, tendo sido
coletada com flores em novembro. As folhas
discolores, com margem dentada, e os frutos
bacáceos, oligospérmicos, representam bons
caracteres diagnósticos. As flores exalam um
forte odor enjoativo e os frutos, quando jovens.
Rodriguésia 57 (3): 591-646. 2006
SciELO/JBRJ
L2 13 14 15 16 17
cm
Figura 8 - Miconia albicans (Sw.) Triana: a. ramo florífero; b. pétala ( Silva Neto 1429) Miconia calvescensDC.: c folha:
face abaxial; d. flor ( Vieira 922). Miconia cinerascens Miquel: e. ramo florifero, f.estlete {Luchiari 572). Miconia
cinnamomifolia (DC.) Naudin: g. detalhe do ramo; h. detalhe do nó do ramo, evidenciando a pseudo-estfpula mtcrpec.olar;
i. flor;j, bacáceo (Luchiari 119).
Rodrigues ia 57 (3): 591-646. 2006
SciELO/ JBRJ
12 13 14 15 16 17
cm
616
são inicialmente amarelos, passando a
alaranjados, vermelhos, roxos e, no final da
maturação, a roxo-nigrescentes.
Wurdack (1962) descreve M.
cinerascens var. robusta baseando-se em
caracteres inconsistentes (indumento
ferrugíneo na face abaxial da folha adulta,
comprimento do hipanto e anteras e filetes e
estilete glandulosos), pois assinala que vários
graus de características intermediárias podem
existir e que um mesmo espécime pode
apresentar particularidades de ambas as
variedades ( Maguire et al. 44 5 87 A, do Rio
de Janeiro; Reitz & Klein 4149, 9384, de
Santa Catarina). Nos espécimes da Reserva
há variação e sobreposição dessas
características, impossibilitando distinguir
táxons infra-específicos. Essa distinção em
variedades também não é possível utilizando-
se a circunscrição de Goldenberg (2004), que
aceita M. cinerascens var. robusta, porém,
diferindo-a da típica pelos estames amarelos,
com filetes esparso-glandulosos. Embora a
cor amarela das anteras tenha sido descrita
por Cogniaux (1883-88) para M.
cinerascens, ao examinar exemplares
coletados principalmente em Minas Gerais,
Rio de Janeiro e São Paulo, nunca foi
mencionada por Wurdack (1962) como
caráter distintivo para a variedade robusta.
Miquel (1849), ao propor M. cinerascens,
nada descreve sobre os estames. Nos
exemplares da Reserva, as anteras são alvas,
porém os estames e estilete possuem ou não
tricomas glandulares. A presença ou não de
pilosidade nestas estruturas florais,
independente da cor das anteras, também foi
observada em espécimes ocorrentes em
outras áreas, como A.C. Brade 15013 (RB),
D. Sucre 1498 (RB) e R.P. Andreata et al.
414, 493, 933 (RB), do Rio de Janeiro, J.C.
Lindeman & J.H. Haas 2766 (RB), do
Paraná, e R. Klein 3430, 9575 (FLOR), de
Santa Catarina. Com relação à cor do
indumento na face abaxial das folhas,
semelhante variação, alva a pardacenta, é
observada também em indivíduos de M.
Baumgratz, J. F. A. et al.
albicans e varia de acordo com o grau de
luminosidade na área. Desse modo,
depreende-se que a variedade robusta
deverá ser sinonimizada.
13 - Miconia cinnamomifolia (DC.) Naudin,
Ann. Sei. Nat., sér. 3, Bot. 16(2): 168. 1850.
Fig. 8 g-j
Arvores 4-25 m alt. ; indumento
esparsamente furfuráceo-estrelado, tricomas
cedo caducos; nós com pseudo-estípulas
interpeciolares, semelhantes a protuberâncias
lamelares, planas ou revolutas, tardiamente
caducas. Folhas com pecíolo 0,6-1, 5 cm
compr.; lâmina 5,5-15,5 * 2-5 cm, adulta
concolor a verde discolor, face adaxial verde-
escura, brilhante, cartácea, elíptica a ovada,
raro obovada, base aguda ou agudo-cuneada,
ápice caudado, às vezes acuminado, margem
inteira a ondulada; 3 nervuras acródromas 2-
7 mm suprabasais, raro basais. Tirsóides 7-
12 cm compr., terminais, piramidais; brácteas
e profilos caducos. Flores 5-meras; hipanto
esparsamente furfuráceo-estrelado,
glabrescente; cálice caduco; pétalas alvas;
estames alvos, ante-sépalos com apêndice do
conectivo dorsalmente uni ou bilobado,
antepétalos com apêndice dorsalmente
calcarado e latero-ventralmente biauriculado;
ovário 3-locular, glabro, estilete dilatado no
ápice. Bacáceos roxo-nigrescentes,
oligospérmicos; sementes obovadas a ovadas.
Material selecionado: estrada Jutumaíba,
10.XI. 1 993, fl. e ff., C. Luchiari et al. 119 (RB).
Amostras estéreis, coletadas pelo PMA
na Reserva, estão registradas na base de
dados sob os números: Indivíduos P2A-158,
P2C-258, P2C-269, P4B-546, P5B-6, P5B-
706, PR-2, PR-6, PR-20, PR-22, PR-32, PR-
54, PR-75.
Endêmica do Brasil, distribuindo-se desde
a Bahia até Santa Catarina. Na Reserva é
conhecida como “jacatirão”, sendo muito
frequente e coletada com flores em fevereiro,
maio e novembro e com frutos de maio a julho
e novembro a fevereiro. Nesta espécie, o fuste
pode alcançar até 1 3 m de comprimento, e as
Rodriguèsia 57 (3): 591-646. 2006
SciELO/JBRJ
.2 13 14 15 16 17
Melastomataceae na Rebio de Poço das Antas
flores exalam um intenso odor adocicado. De
acordo com Pereira & Mantovani (2001),
apesar dos frutos serem consumidos por 14
espécies de aves na Reserva, assim como por
formigas cortadeiras ( Atta sp.), a síndrome de
dispersão mais freqüente é a barocoria
(autocoria) ou em associação com a zoocoria.
14 -Miconia holosericea (L.) DC., Prodr. 3:
181.1828. Fig. 9 a-f
Árvores (l,5-)3-7m alt.; indumento
dos ramos, pecíolos e inflorescências
densamente furfuráceo-estrelado e -
dendrítico. Folhas com pecíolo 2,5-3, 7 cm
compr.; lâmina 12-33 * 8,5-1 8,5 cm, adulta
nitidamente discolor, não verde discolor, face
adaxial verde, abaxial pardacenta a
ferrugínea, indumento persistente, cartácea
a subcoriácea, largamente elíptica a ovada,
às vezes obovada, base obtuso-cuneada a
arredondada, ápice acuminado a agudo,
margem inteira a levemente ondulada, raro
inconspícuo-crenulada, face adaxial
furfuráceo-estrelada, cedo glabrescente,
face abaxial total e densamente lanosa,
tricomas do tipo chicote; 5 nervuras
acródromas, as mais internas 0,7—3 cm
suprabasais. Tirsóides ou cimóides 5,5—9 cm
compr., terminais, às vezes axilares, neste
caso apenas em nós folhosos nas
extremidades dos ramos, ate o 3 nó
proximal, e subtendendo inflorescências
acessórias, ramos não escorpióides, às vezes
sinflorescências frondo-bracteosas, com
nítidas brácteas foliáceas; brácteas e
profilos caducos. Flores (5-)6-meras,
hipanto densamente furfuráceo-estrelado e
-dendrítico; zona do disco pubescente-
glandulosa; cálice caduco, lacínias,
aparentemente livres entre si, as externas
espessas, oblongo-triangulares, as internas
membranáceas, triangular-apiculadas,
estames com anteras roxas, tecas lobadas
na base, poro ventral nos antepétalos,
terminal ou terminal-dorsal nos ante-sépalos,
conectivo não prolongado, apêndice
trilobado, um calcar dorsal, dois lóbulos
latero-ventrais; ovário 4-5-locular, piloso-
Rodriguêsia 57 (3): 591-646. 2006
617
glanduloso; estilete esparso pubcscente-
glanduloso na base. Bacídios amarelos a
alaranjados quando jovens, roxo-
nigrescentes nos adultos; sementes oblongas
ou obovadas, lenticiformes.
Material selecionado: estrada Juturnaíba,
9.X.2004, fl. e fr., D.C. Carraça etal. 36 (RB).
Amostras estéreis, coletadas pelo PMA
na Reserva, estão registradas na base de
dados sob o número Indivíduo P9-1318.
Ocorre no México, América Central,
Venezuela, Trinidad, Guianas, Peru, Bolívia e
no Brasil, desde a Região Norte até a Sudeste.
Na Reserva foi coletada com flores de outubro
a dezembro; com frutos de abril a novembro.
Destacam-se como caracteres
diagnósticos, o indumento lanoso na face
abaxial da lâmina foliar constituído de tricomas
do tipo chicote, com raios muito longos e
entremeados entre si. Além disso, distingue-
se pelas inflorescências também axilares,
apenas em nós folhosos nas extremidades dos
ramos, até o terceiro nó proximal,
subentendendo inflorescências acessórias,
pelas dimensões menores e mais delgadas do
sistema de ramificação.
Conhecida como “pixiriquinha”,
“pixiricão” ou “tapicirica”, têm flores com
suave odor adocicado e seus frutos são muito
procurados por pássaros, como o guache
(Cacicus haemorrhous), o jacu ( Penelope
obscura), o sabiá ( Turdus rufiventris) e a
saíra ( Tangara sp.), e pelo mico-leâo-dourado.
15 - Miconia hypoleuca (Benth.) Triana,
Trans. Linn. Soc. Bot. London28: 119. 1871.
Fig. 9 g-j
Árvores ( 1 ,5-)5-8 m alt.; indumento dos
ramos, pecíolos, face abaxial da lâmina foliar
e inflorescências densamente lanoso,
persistente, tricoma do tipo chicote, com raios
muito longos, entremeados entre si. Folhas com
pecíolo 1,5-2, 3 cm compr., bordos involutos
na face adaxial; lâmina 15,5-29 x 6,7-13,5 cm,
adulta nitidamente discolor, não verde discolor,
face adaxial verde, abaxial pardacenta a
ferrugínea, com indumento revestindo
totalmente a superfície epidérmica entre as
SciELO/JBRJ
.2 13 14 15 16 17
cm
618
nervuras acródromas, papirácea a cartácea,
largo-elíptica, raro obovada, base obtusa ou
aguda, ápice acuminado, margem dentada a
denticulada, às vezes revoluta; 5(-7)
nervuras acródromas basais, as laterais
confluentes às margens na base, as
secundárias transversais próximas entre si,
nervuras terciárias e ordem superior de
nervação formando nítido e diminuto retículo.
Tirsóides 8,5-13 cm compr., terminais, às
vezes axilares, neste caso subentendendo
inflorescências acessórias, piramidais, ramos
decussados, não escorpióides; brácteas e
profilos persistentes. Flores 5-meras; hipanto
e cálice lanosos, tricomas do tipo chicote;
cálice persistente; pétalas alvas, glabras;
estames alvos, dimórficos, de dois tamanhos,
anteras com deiscência prolongando-se para
a base à semelhança de uma rima, conectivo
prolongado, nos antepétalos apêndice dorsal
calcarado, nos ante-sépalos apêndice
trilobado, um calcar dorsal e dois lóbulos
latero-ventrais; ovário 3-locular, glabro,
inconspícuo-papiloso; estilete glabro.
Bacáceos alaranjados, polispérmicos;
sementes obtriangulares.
Material selecionado: estrada Jutumaíba,
5.IV.2001, fl., S. J. Silva Neto et al. 1431
(RB); trilha Rodolfo Norte, 14.11.2003, fr., B.
A. Abbas et al. 84 (RB).
Ocorre na Venezuela, Trinidad, Guianas
e Brasil, nos estados de Roraima, Amazonas,
Pará, Ceará, Pernambuco, Alagoas, Bahia,
Espírito Santo e Rio de Janeiro. Não é muito
ffeqüente na Reserva, sendo reconhecida pelo
indumento lanoso na face abaxial da lâmina
foliar, hipanto e cálice, constituído de tricomas
do tipo chicote, com raios muito longos e
entremeados entre si e os frutos maduros
alaranjados. Coletada com flores em abril;
frutos em fevereiro, agosto e novembro.
Ilustrações também em Wurdack (1973).
16 - Miconia ibaguensis (Bonpl.) Triana,
Trans. Linn. Soc. Bot. 28: 110. 1871.
Fig. 9 k-n
Arbustos a arvoretas 1, 5-2,5 m alt.;
indumento dos ramos, folhas, inflorescências
Baumgratz. J. F. A. el al.
e hipanto esparso a densamente setoso-
setuloso, tricomas persistentes, e furfuráceo-
estrelado e -dendrítico, tricomas estrelados
sésseis e pedicelados, parcialmente caducos;
pseudo-estípulas interpeciolares ausentes.
Folhas com pecíolo 0,3-1 ,2 cm compr.; lâmina
7.5—1 7 x 2,8-7 cm, verde discolor, papirácea,
ovada a elíptica ou lanceolada, base
arredondado-cuneada a —decorrente, ápice
agudo-atenuado a acuminado, margem
denticulada a serrulada, ciliolada, face abaxial
parcialmente revestida entre as nervuras pelo
indumento, margem serrulado-ciliolada, face
adaxial levemente bulada; 5 nervuras
acródromas 7—12 mm suprabasais. Tirsóides
de glomérulos, 9-16,5 cm compr., terminais,
ramos não escorpióides; brácteas e profilos
persistentes. Flores 5-meras; cálice
persistente, com lacínias externas evidentes,
não reduzidas a dentículos; estames
subisomórficos, anteras alvas, retas ou
levemente curvas, poro terminal-ventral,
conectivo com dorso giboso evidente,
levemente prolongado, apêndices bilobados,
lobos latero-ventrais, ou também trilobados,
pela presença de um calcar dorsal; ovário 3-
locular, esparsamente piloso-glanduloso, às
vezes glabro; estilete dilatado no ápice, glabro.
Bacídios roxo-nigrescentes, polispérmicos;
sementes obtriangulares.
Material selecionado: estrada Jutumaíba,
8.X.2004, fl. e fr., D. C. Carraça et al. 27 (RB).
Distribui-se desde o sul do México até o
Paraguai e Brasil, no Distrito Federal e nos
estados de Minas Gerais, Rio de Janeiro, São
Paulo e Paraná. Na Reserva é pouco
freqüente, sendo conhecida como “pixirica”.
Coletada com flores em agosto, outubro e
novembro; com frutos em julho, agosto e de
outubro a janeiro.
As folhas jovens apresentam, geralmente,
a face abaxial de coloração arroxeada. Para
a obtenção das medidas do quanto suprabasal
são as nervuras acródromas nas folhas,
considerou-se o prolongamento decorrente da
lâmina ao longo do pecíolo. Destacam-se como
características diagnósticas, a densidade e o
Rodriguésia 57 (3): 591-646. 2006
SciELO/JBRJ
L2 13 14 15 16 17
Melastomataceae na Rebio de Poço das Antas
619
P. „ ... . ,nnc.a folha- face abaxial; b. hipanto; c-d. cálice: faces abaxial e adax.al, rcspect.vamcnte;
F,gura 9 - Mtconta holosencea (L.) DC.. a. fotta.taa - hypoleuca (Bcnth.) Triana: g. folha: face abaxial;
e. estame antessépalo; f. bac'dl0^eL'maJ^Ta com deiscência prolongada à semelhança de uma rima; j. bacáceo (g-i
h. hipanto e cálice; i. estame, evidenc.ando a antera P J , dctalhe do indumento da lâmina
Luchiari 552; j Abbas 84). Miconia ibaguensis (Bonpl.) Triana. k. ramo
foliar: faces adaxial e abaxial, respectivamente, n. flor (/ tssoa
Rodriguésia 57 (3): 591-646. 2006
SciELO/JBRJ
12 13 14 15 16 17
cm ..
620
tipo de indumento, o cálice persistente, com
lobos externos evidentes, os estames com
apêndices bi ou trilobados, o estilete dilatado
no ápice e os frutos do tipo bacídio,
polispérmicos, com tricomas alvos. Wurdack
(1980) também assinala como características
nessa espécie, o cálice persistente no fruto
maduro e o estilete glabro. Entretanto,
Goldenberg (2004) descreveu, para os
espécimes do Paraná, o cálice como caduco
e o estilete com esparsos tricomas na base.
17 - Miconia latecrenata (DC.) Naudin, Ann.
Sei. Nat, sér. 3, Bot. 16(2): 239. 1850.
Fig. 10
Arvoreta ca. 2 m alt.; indumento dos
ramos, folhas, inflorescências, brácteas e
hipanto esparsamente estrelado-furfuráceo,
tricomas geralmente caducos; pseudo-estípulas
Baumgratz, J. F. A. et ai.
interpeciolares ausentes. Folhas com pecíolo
0, 7-1,5 cm compr.; lâmina 12-17,5 x 3,9-6
cm, verde discolor, membranácea, elíptica,
base obtusa a aguda, nunca decorrente, ápice
atenuado a acuminado, margem ondulada a
denticulada; 5 nervuras acródromas basais, as
marginais tênues e às vezes confluentes às
margens; domácias ausentes. Tirsóides 9-12
cm compr., terminais, às vezes também
axilares, acessórios, ramos não escorpióides;
brácteas e profilos caducos. Flores 5-meras;
cálice caduco; estames isomorfos, alvos,
anteras obovado-cuneadas, poro ventral muito
amplo, inclinado, às vezes assemelhando-se a
uma rima, conectivo acentuadamente
prolongado, apêndice trilobado, um calcar
dorsal e dois lobos latero-ventrais, ou apenas
com dois lobos latero-ventrais; ovário 3-locular,
esparso-pubérulo; estilete glabro. Bacáceos
Figura 10 - Miconia latecrenata (DC.) Naudin: a. ramo florifero; b-c. lâmina foliar- detalhes da h-„,
respectivamente; d. botão floral; e. flor; f. hipanto e cálice; g. bacáceo ( Pereira 380).
e margem.
Rodriguésia 57 (3): 591-646. 2006
SciELO/ JBRJ
2 13 14 15 16 17 lí
cm
Melas tomataceae na Rebio de Poço das Antas
roxo-nigrescentes, oligospérmicos; sementes
obovadas a ovadas.
Material examinado: estrada para
Jutumaíba, 22.11.1994, fr., L. S. Sylvestre et
al. 996 (RB).
Material adicional: Rio de Janeiro: Parati,
16.V.1995, fr., C. B. Moreira et al. 2 (RB);
Teresópolis, 2 1 .IV. 1 944, fl., E. Pereira 380 (RB).
Endêmica do Brasil, ocorrendo desde o
Piauí até o Rio Grande do Sul. É ocasional na
Reserva, tendo como características
diagnósticas as folhas com nervuras
acródromas basais e as anteras obovado-
cuneadas, com poro ventral muito amplo,
oblíqüo, às vezes assemelhando-se a uma rima,
e conectivo acentuadamente prolongado, com
apêndice trilobado.
18 - Miconia lepidota DC., Prodr. 3: 180.
1828. Fig. lla-b
Árvores 4-16 m alt.; indumento dos
ramos, pecíolos, inflorescências e face abaxial
da lâmina foliar lepidoto-estrelado. Folhas com
pecíolo 1 ,5-2,4 cm compr.; lâmina foliar 1 0,5-
21 x 4,5-10,5 cm, adulta discolor, não verde
discolor, face adaxial verde, brilhosa, face
abaxial canescente- a cinéreo-prateada,
tricomas revestindo densamente a superfície
epidérmica entre as nervuras acródromas,
total, às vezes parcialmente, cartácea, elíptica
a obovada, base aguda a obtuso-cuneada, às
vezes decorrente, ápice acuminado ou agudo,
margem inteira a levemente ondulada; 3
nervuras acródromas basais. Tirsos de
cimeiras escorpióides, 18,5-19,5 cm compr.,
terminais, oblongos; brácteas e profilos
caducos. Flores 5-meras; hipanto lepidoto-
estrelado; cálice persistente, lacínias bilobadas,
as externas reduzidas a dentículos, pétalas
alvas; estames alvos, subisomórficos, com
conectivo nitidamente espessado no dorso,
prolongado 0,3-0, 4 mm, apêndice ventral
biauriculado, dorsal calcarado (ante-pétalo) ou
ausente (antessépalo); ovário 4-locular, estilete
nitidamente dilatado no ápice. Bacáceos roxo-
nigrescentes, oligospérmicos; sementes
obovadas a ovadas.
Rodriguésia 57 (3): 591-646. 2006
621
Material selecionado: estrada Jutumaíba,
7.V.1996, fl., C. Luchiari et al. 722 (RB);
trilha Rodolfo Norte, 3. V. 1994, fr., D. S.
Farias et al. 197 (RB).
Amostras estéreis, coletadas pelo PMA
na Reserva, estão registradas na base de dados
sob os números: Indivíduos P2D-290, PE-1 15.
É de ampla distribuição, ocorrendo na
Colômbia, Venezuela, Guianas, Bolívia e Brasil,
na bacia Amazônica e nos estados da Região
Sudeste. Na Reserva é pouco freqüente, sendo
conhecida como “pixirica” e apesar do
indumento revestir totalmente a superfície
epidérmica na face abaxial da folha, tricomas
podem cair com a maturação da estrutura,
deixando a superfície parcialmente à mostra.
Os estames são subisomórficos pela presença
ou não de apêndice dorsal. Coletada com flores
e frutos em maio. Sinônimos podem ser
encontrados em Berry (2001).
19 - Miconia prasina (Sw.) DC., Prodr. 3:
188. 1828. Fig. 11 c-f
Árvores 2-4 m alt.; indumento dos ramos,
folhas, inflorescências e hipanto furfuráceo-
estrelado, glabrescente; pseudo-estípulas
interpeciolares ausentes. Folhas com pccíolo
0,7-3 cm compr.; lâmina 12,5-25 x 4,7-12 cm,
adulta verde discolor, membranácea, elíptica,
oblonga ou obovada, base geralmente agudo-
decorrente, às vezes arredondado-cuneada,
ápice atenuado ou agudo, às vezes acuminado
ou obtuso, margem crenulada, ciliolada ou não;
5 nervuras acródromas, as mais internas 15-
25 mm suprabasais; domácias ausentes.
Tirsóides 7,5-25 cm compr., terminais, ramos
não escorpióides; brácteas e profilos
persistentes. Flores 5-meras; cálice
persistente; estames subisomórficos, anteras
alvas, poro diminuto, conectivo levcmentc
prolongado, apêndice bilobado, lobos latero-
ventrais, ou também trilobado, pela presença
de um calcar dorsal; ovário 3-locular,
pubérulo; estilete glabro. Bacídios
esverdeados a alvo-lilases quandos jovens,
roxo-nigescentes nos adultos, polispcrmicos,
sementes estreitamente obtriangulares.
Material selecionado: trilha próxima a
SciELO/ JBRJ
12 13 14 15 16 17
cm ..
622
represa Jutumaíba, 9.X.2004, fl. e fr., D. C.
Carraça et al. 32 (RB).
Amostras estéreis, coletadas pelo PMA
na Reserva, estão registradas na base de
dados sob os números: Indivíduos MO-2, MO-
30, MO-53, MO-97, MO-144, MO-240, P1A-
9, P 1 C-64, P 1 C-84, P 1 C- 1 08, P2 A- 1 42, P2A-
144, P2A-152, P10A-26, P10C-90, PB- 106,
PB- 108, PB- 109, PM-37.
É de ampla distribuição, ocorrendo na
América Central, Caribe, Venezuela, Guianas,
Brasil e Paraguai. No território brasileiro é
encontrada em Roraima, Amazonas, Pará,
Pernambuco, Bahia, nos estados da Região
Sudeste e no Paraná. Na Reserva é
freqüente, sendo conhecida como “pixirica”
ou “jacatirão”. Coletada com flores em
janeiro, fevereiro, agosto, outubro e
novembro; com frutos de outubro a fevereiro
e junho a agosto.
É muito polimórfica, principalmente
quanto às dimensões e forma da lâmina foliar
e densidade do indumento no hipanto, tomando
muito frágil à distinção de táxons
infraespecíficos que foram circunscritos com
base nessas características (Cogniaux 1891).
A forma da base foliar tem ampla variação e
pode ser caracterizada como agudo-
decorrente, com a lâmina formando alas ao
longo do pecíolo, ou arredondado-cuneada,
neste caso, com uma curta extensão.
Entretanto, num mesmo indivíduo, podem
ocorrer variações intermediárias e um desses
extremos morfológicos. Em folhas de rebrotos
observa-se indumento moderadamente
setuloso na face adaxial, o que não é comum
na folhagem dessa espécie. Os frutos são
muito apreciados pelas aves, como o guache,
o sabiá e o tiê-sangue ( Ramphocelus
bresilius), além do mico-leão-dourado.
20 - Miconia pusilliflora (DC.) Naudin, Ann.
Sei. Nat., sér. 3, Bot. 16(2): 171-172. 1850.
Fig. 1 1 g-j
Arvores 4-5 m alt.; indumento dos
ramos, folhas, inflorescências e hipanto
furfuráceo-estrelado, tricomas cedo caducos;
pseudo-estípulas interpeciolares ausentes.
Baumgratz. J. F. A. et al.
Folhas com pecíolo 0,7-2, 2 cm compr.;
lâmina 7,5-18 * 2-6,2 cm, adulta verde-
discolor, membranácea a subcartácea,
elíptica a estreito-ovada, base aguda a curto-
cuneada, às vezes obtusa, ápice acuminado
a caudado, às vezes falcado, margem inteira
a crenulada, não ciliolada; 5 nervuras
acródromas 3—10 mm suprabasais, sendo as
marginais muito tênues; face abaxial com
domácias marsupiformes, axilar-primárias,
com membranas evidentes. Tirsóides 8-13,5
cm compr., terminais, ramos não
escorpióides, ramos acessórios presentes;
brácteas e profilos caducos. Flores 4-5-
meras; cálice caduco; estames isomórfícos,
anteras com poro ventral muito amplo,
prolongando-se para base à semelhança de
uma rima, conectivo levemente prolongado,
inapendiculado; ovário 3-locular,
glabrescente; estilete dilatado no ápice,
glabro. Bacáceos roxo-nigrescentes,
oligospérmicos; sementes ovadas a
suborbiculares, às vezes largamente
obtriangulares, angulosas ou lentici formes.
Material selecionado: trilha Rodolfo Norte,
I7.VI.1994, fl., S. V. A. Pessoa et al. 728
(RB); trilha da Pelonia, 9.X.2004, fr., D. C.
Carraça et al. 28 (RB).
Endêmica do Brasil, ocorrendo nos
estados das Regiões Sudeste e Sul. Na
Reserva é pouco freqüente e destacam-se
como características diagnósticas as folhas
com ápice acuminado a caudado, às vezes
falcado, e face abaxial provida de domácias
marsupiformes, axilar-primárias, com
membranas evidentes, além das anteras com
poro ventral muito amplo, prolongando-se para
base à semelhança de uma rima, e o conectivo
inapendiculado. Coletada com flores em março
e junho; com frutos em julho, agosto e outubro.
21 - Miconia saldanhaei Cogn. in Mart. &
Eichler, Fl. bras. 14(4): 372-373, t. 74. 1 887.
Fig. llk-m
Arbustos 1, 5-2,5 m alt.; indumento dos
ramos, pecíolos, face abaxial da lâmina foliar
e inflorescências constituído moderadamente
de tricomas estrelados e dendríticos, alguns
Rodrigues ia 57 (3): 591-646. 2006
SciELO/JBRJ
L2 13 14 15 16 17
cm
Melastomataceae na Rebio de Poço das Antas
623
taldanhaei Cogn, k. ramo florífero; I. detalhe do indumento na face abax.al da lâmma fol.ar, m. estame (Lucfuan 570).
Rodriguésia 57 (3): 591-646. 2006
SciELO/JBRJ
12 13 14 15 16 17
cm ..
624
possuindo a ramificação central longa,
destacando-se das demais. Folhas com
pecíolo 0,7-2 cm compr.; lâmina 1 6,5-25,5 *
7,5-1 1 cm, adulta nitidamente discolor, não
verde discolor, face adaxial verde, face
abaxial pardacenta, ferrugínea sobre as
nervuras, papirácea a cartácea, elíptica a
estreitamente ovada, base aguda a obtusa,
ápice acuminado a obtuso-acuminado,
margem crenulado-denticulada a -serrulada,
face abaxial parcialmente recoberta pelo
indumento, podendo-se visualizar a superfície
epidérmica, tricomas persistentes; 5 nervuras
acródromas, as mais internas 4-7 mm
suprabasais, as laterais bem próximas às
margens, mas não confluentes. Tirsóides de
glomérulos, 16-24,5 cm compr., terminais,
ramos não escorpióides; brácteas e profilos
persistentes. Flores (4-)5-meras; hipanto e
cálice revestidos por tricomas estrelados e
dendríticos; cálice persistente, lacínias do
cálice menores que o hipanto, lobos externos
menores que os internos; pétalas glabras;
estames isomórficos, anteras com poro
diminuto, nunca semelhante à rima, conectivo
nitidamente prolongado, inapendiculado;
ovário 3-locular, piloso; estilete glabro.
Bacáceos roxo-nigrescentes, oligospérmicos;
sementes ovadas a suborbiculares, angulosas
ou lenticiformes.
Material selecionado: estrada Jutumaíba,
17.XI.1994, fl., C. Luchiari et al. 570 (RB);
25.1.2006, fr., J. F. A. Baumgratz et al. 872 (RB).
Material adicional: Rio de Janeiro:
Guapimirim (Magé), 6.V.1982, fr., R. Guedes
& L. P. Gonzaga s.n. (RB 252337); idem,
28.VIII.1982, fr., R. Guedes &L.P. Gonzaga
s.n. (RB 252338).
Restrita ao Sudeste do Brasil, ocorrendo
no Rio de Janeiro e São Paulo. Na Reserva é
muito ocasional, tendo sido coletada com flores
em novembro, quando exalam forte odor
adocicado, e frutos em janeiro. É muito
próxima de M. fasciculata Gardner e com
base em Cogniaux ( 1 883-88) esta se distingue,
principalmente, pelas nervuras acródromas
basais e flores tetrâmeras. Também tem
Baumgratz. J. F. A. et al.
afinidade com M. divaricata Gardner, que se
diferencia pelas folhas com 3 nervuras
acródromas suprabasais. Analisando-se a
coleção Schwacke 4336 (RB), também
estudada por Cogniaux (1883-88) para esta
espécie, observam-se 5 nervuras acródromas
suprabasais, estando as duas laterais bem
próximas às margens e 0,7—1 mm acima da
base. Possivelmente, foi a proximidade dessas
nervuras laterais às margens e à base que
levou este autor a considerar apenas as três
nervuras acródromas centrais na
caracterização do padrão de nervação foliar,
descrevendo as folhas como triplinérvias, pois
estas nervuras são bem mais evidentes do que
as laterais. Ainda nesse exemplar, notou-se que
as lacínias externas do cálice são mais curtas
do que as internas. Provavelmente, essas três
espécies correspondem a um único táxon.
22 - Miconia serrulata (DC.) Naudin, Ann.
Sei. Nat., sér. 3, Bot. 1 6(2): 118-119.1850.
Fig. 12 a-e
Arvores, arvoretas ou arbustos 2-6 m alt.;
indumento dos ramos, pecíolos, face abaxial
da lâmina foliar e inflorescências constituído
densamente de tricomas estrelados. Folhas
com pecíolo 1-4 cm compr.; lâmina 10-30 *
4— 1 5 cm, adulta nitidamente discolor, não verde
discolor, face adaxial verde-clara a -escura,
fosca, face abaxial alvo-pardacenta a
pardacenta, papirácea a cartácea, elíptica ou
oblonga, base arredondada a cordada, ápice
acuminado, agudo ou atenuado, margem
denticulado-serrulada, face adaxial
glabrescente, face abaxial totalmente revestida
pelo indumento persistente, não se visualizando
a superfície epidérmica; 5—7 nervuras
acródromas basais ou as mais internas até 0,5
mm suprabasais, as laterais não confluentes
às margens, na base. Tirsóides 9,5-18 cm
compr., terminais, não de glomérulos, nem
ramos escorpióides; brácteas e profilos
caducos. Flores 5-6-meras; hipanto e cálice
densamente revestidos de tricomas estrelados;
cálice persistente; pétalas alvas, face abaxial
totalmente revestida de tricomas estrelados;
Rodriguésia 57 (3): 591-646. 2006
SciELO/JBRJ
2 13 14 15 16 17 18
cm
Melastomataceae na Rebio de Poço das Antas
estames com filetes pilosos na base, anteras
roxas, tecas lobadas na base, poro diminuto,
conectivo não prolongado, apêndice dorsal
calcarado; ovário 3— 5-locular, piloso; estilete
densamente piloso-estrelado para a base.
Bacídios alvo-esverdeados a amarelo-
alaranjados quando jovens e roxos a roxo-
nigrescentes quando adultos, subgloboso-
urceolados, polispérmicos; sementes
obtriangulares a obovadas.
Material selecionado: trilha da Pelonia,
9.X.2004, fl. e fr., D. C. Carraça et al. 31 (RB).
Amostra estéril, coletada pelo PMA na
Reserva, está registrada na base de dados sob
os números: Indivíduos MO- 13, MO-296,
PB5-107.
Distribui-se desde o sul do México,
América Central, Venezuela, Colômbia,
Guianas, Equador, Peru, Bolívia e Brasil, nos
estados de Roraima, Acre, Amazonas, Amapá,
Bahia, Rio de Janeiro e São Paulo. É freqüente
na Reserva e conhecida como “pixirica e
“pixiricão”, sendo os frutos maduros muito
procurados pela fauna local. Coletada com
flores em janeiro, fevereiro, abril e outubro, com
frutos de janeiro a abril, julho, agosto e outubro.
Sinônimos e ilustrações em Baumgratz (1982)
e, segundo este autor, também é conhecida
popularmente como “mundururu , dourada c
“pixirica-da-grande”.
23 - Miconia staminea (Desr.) DC., Prodr.
3:. 1828. Fig. 1 2 f-g
Arbustos 1,3-3 m alt.; indumento dos
ramos, folhas, inflorescências e hipanto
furfuráceo-estrelado, tricomas cedo caducos,
pseudo-estípulas interpeciolares ausentes.
Folhas com pecíolo 1 ,3-3,4 cm compr.; lâmina
6-18,5 x 3, 2-8,7 cm, verde discolor, cartácea
a subcoriácea, elíptica a ovada, base
arredondada a subcordada, às vezes obtusa,
ápice acuminado a obtuso, margem ondulada
a crenulada para o ápice; 5 nervuras
acródromas, as mais internas 1-10 mm
suprabasais; domácias marsupi formes, sem
membranas. Tirsóides 7,5-20 cm compr.,
terminais, ramos não escorpióides; brácteas e
Rodriguésia 57 (3): 591-646. 2006
625
profilos côncavos a naviculares, caducos.
Flores 5-meras; cálice caduco; pétalas 7-9 mm
compr., nitidamente com papilas longas;
estames 8-10 mm compr., subisomórficos,
subiguais a desiguais em tamanho, anteras
amarelas, linear-subuladas, curvas, poro
terminal e terminal-ventral, conectivo não
prolongado, apêndice constituído por um calcar
dorsal e dois lobos latero-ventrais, unidos entre
si formando uma bainha, lobos com tricomas
glandulares; ovário 3-locular, glabro. Bacáceos
vinosos a nigrescentes, polispérmicos;
sementes obovadas a obtriangulares.
Material selecionado: mata do rio Pau Preto,
27.XI.1995, fl. e fr., C. M. Vieira et al. 751 (RB).
Amostras estéreis, coletadas pelo PMA
na Reserva, estão registradas na base de
dados sob os números: Indivíduos MO- 127,
MO- 128, MO-226, MO-248, MO-303, MO-
362, MO-393, MO-484, MO-494, MO-535, P-
75, P-57, P-88.
Ocorre no Paraguai e Brasil, nos
estados de Mato Grosso, Bahia, da Região
Sudeste e Santa Catarina. Na Reserva é
conhecida como “pixirica”, tendo flores que
exalam um suave odor adocicado. Coletada
com flores em janeiro, fevereiro e agosto a
novembro; com frutos em janeiro, fevereiro,
julho e novembro.
Espécie muito semelhante a M. jucunda
(DC.) Triana, que foi distinta por Cogniaux
(1883-88), principalmente, pelas folhas
lanceolado-oblongas, com 3-5 nervuras
acródromas, pétalas oblongo-lanceoladas,
ápice um tanto agudo e anteras menores
desprovidas de calcar dorsal. Wurdack ( 1 962)
ressalta que esta espécie, com estames
levemente dimórficos, é quase indistinta de M.
staminea e que não examinou o único
espécime estudado por Cogniaux (1883-88),
coletado em Santa Catarina por Moricand.
Miconia jucunda, incluindo suas variedades,
pode ter lâmina foliar com margem inteira a
ondulado-denticulada ou repanda (Cogniaux
1883-88, Wurdack 1962, Goldcnberg 2004),
enquanto em M. staminea pode variar de
inteira (Cogniaux 1883-88) ou ondulada a
SciELO/JBRJ
12 13 14 15 16 17
cm ..
626
crenulada, como observado nos exemplares
da Reserva. Quanto ao apêndice do
conectivo, Wurdack (1962) descreve as
anteras menores de M. jucunda var.
olfersiana (Cham.) Cogn. com um lobo
dorsal e dois ventrais, contrapondo-se ao
descrito por Cogniaux (1883-88) para este
táxon, pois não registrou a presença de calcar
na antera. Comparando-se o comprimento
das pétalas das duas espécies, com base
também nas informações desses três autores,
há nítida sobreposição de valores, que variam
de 7 a 15 mm. Em relação ao indumento,
analisando-se coleções do Herbário RB de
M. jucunda, provenientes dos estados de
Minas Gerais ( E . P Heringer 616, 1655),
São Paulo (A. Frazão 10790, 10791; C.
Porto 352; Luederwaldt 77) e Paraná (G
Hatschbah 18150), e de M. staminea, para
o Paraguai ( E . Zardini et V. Velázquez
18049; E. Zardini et I Tilleria 33404),
não se observam diferenças quali-
quantitativas que distinguem essas espécies
entre si, além de ser muito semelhante ao
indumento observado nos espécimes da
Reserva. Desse modo, não se concorda
com a afirmação de Goldenberg (2004) de
que o indumento de espécimes coletados
no Rio de Janeiro diferem em relação ao
dos exemplares por ele analisados.
Provavelmente, essas duas espécies e suas
variedades devam ser sinonimizadas.
24 - Miconia vauthieri Naudin var.
saldanhaei Cogn., Fl. bras. 14(4): 362. 1887,
citado como “ valtherir . Fig. 12 h-j
Arvores ca. 6 m alt. ; indumento
moderado a esparsamente pubescente,
tricomas inconspícuos, adpressos, subclavados,
encobertos pelos tricomas estrelados, e
estrelado-furfiiráceo, esparso na face adaxial
da lâmina foliar, denso nos ramos, pecíolos,
inflorescências e nas nervuras acródromas da
face abaxial da lâmina foliar, tricomas sésseis
e pedicelados, caducos ou persistentes;
pseudo-estípulas interpeciolares ausentes.
Folhas com pecíolo 1 ,3-1,8 cm compr.; lâmina
Baumgratz. J. F. A. et al.
1 0,5— 1 2,5 x 4,8—7 cm, verde discolor, às vezes
até concolores, indumento revestindo
parcialmente a superfície epidérmica entre as
nervuras, elíptica a estreito-ovada, base aguda
a obtusa, ápice agudo ou acuminado, margem
inteira a ondulada; 3 nervuras acródromas
basais. Tirsos 10—15 cm compr., terminais,
oblongos, ramos curto-escorpióides; brácteas
e profílos caducos, às vezes tardiamente.
Flores 5-meras; cálice persistente, lacínia
externa ausente; estames subisomórflcos, com
anteras levemente curvas, poro terminal-
ventral, conectivo nitidamente prolongado,
apêndices bilobados, lobos latero-ventrais, ou
também trilobados pela presença de um calcar
dorsal; ovário 3-locular, glabro, estilete glabro,
dilatado no ápice. Bacídios nigrescentes,
polispérmicos; sementes obtriangulares.
Material examinado: estrada Juturnaíba,
12.1.1993, fl., A. Piratininga et al. 6 (RB).
Material adicional: Rio de Janeiro:
Petrópolis, s.d., fl., J. Saldanha 5113 (RB,
isótipo de M. vauthieri var. saldanhaei);
Idem, 1946, fl. e fr„ O. C. Goes 100 (RB).
Endêmica do Brasil, ocorrendo em Minas
Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo, Paraná e
Santa Catarina. Na Reserva é uma espécie
muito ocasional. O epíteto valtherii foi criado
de modo equivocado por Naudin (1850),
baseando-se em material coletado por
Vauthier. Kuntze (1891), ao propor várias
alterações nomenclaturais, trata o gênero
Miconia como sinônimo de Acinodendron
Kuntze (= Acinodendrum L.), fazendo a
correção do nome desta espécie para A.
vauthieri. Desse modo, aceita-se essa
correção, porém sob o gênero Miconia, como
M. vauthieri.
Distingue-se, principalmente, pelas
folhas pubescentes e estrelado-furfuráceas,
cujos tricomas caem muito cedo, tomando-
as praticamente glabras, exceto pelas
nervuras acródromas na face abaxial. Em
folhas de espécimes jovens, os tricomas
simples são bem evidentes na lâmina e
destacam-se mais do que os estrelados. Essas
características são observadas também no
Rodriguésia 57 (3): 591-646. 2006
SciELO/JBRJ
.2 13 14 15 16 17
Melaslomataceae na Rebio de Poço das Antas
627
CT,mS;t HÜL ri ISÜcogn, h. ramo ílonfao; i. detalho do indamen.o n, to .talai d. lâmina foliar,
j. estame ( Piratininga 6).
Rodriguésia 57 (3): 591-646. 2006
cm ..
628
isótipo dessa variedade ( J . Saldanha 5113)
e em O. C. Goes 100 (RB) e mostram-se
bem discrepantes da variedade típica. Esta
possui as nervuras acródromas glabras ou
quase glabras nas folhas adultas e tricomas
estrelados nitidamente pedicelados ou,
segundo Martins et al. ( 1 996) e Goldenberg
(2004), do tipo estrelado-dendrítico. As
dimensões das folhas e a densidade do
indumento nas bractéolas, conforme
assinalado por Cogniaux (1883-88),
mostram-se inconsistentes para distinguir a
variedade saldanhaei da típica. A análise
de outros exemplares-tipo será necessária
para se avaliar uma melhor circunscrição
desses táxons, inclusive a possibilidade da
variedade saldanhaei corresponder a uma
espécie distinta.
25 - Miconia sp.
Arvoreta ca. 4 m alt.; indumento dos
ramos, pecíolos, inflorescências, brácteas e
hipanto densa a esparsamente tomentoso-
dendrítico e furfuráceo-estrelado, tricomas
caducos ou persistentes; ramos apicais
nodosos; pseudo-estípulas interpeciolares
ausentes. Folhas com pecíolo 1-3 cm compr.;
lâmina 9,5-15 x 3,5-5 cm, verde subconcolor,
subcartácea, ovada, às vezes elíptica, base
obtusa a arredondado-cuneada, nunca
decorrente, ápice agudo-atenuado ou obtuso,
margem inteira a ondulada, ambas as faces
esparsamente furfuráceo-estreladas,
glabrescentes; 5 nervuras acródromas basais,
as marginais confluentes à margem na base;
domácias ausentes. Tirsóides 6,5-11 cm
compr., terminais, ramos não escorpióides;
brácteas e profilos caducos. Flores 5-meras;
cálice circuncisamente caduco; estames
dimórfícos, subiguais em tamanho, anteras
linear-oblongas, poro terminal, diminuto, não
se assemelhando a rima; conectivo prolongado,
antepétalos com apêndice trilobado, um
dentículo dorsal e dois lobos latero-ventrais,
ante-sépalos com apêndice bilobado, lobos
latero-ventrais; ovário 5-locular, pubérulo-
glanduloso, estilete glabro. Bacáceo,
polispérmico; sementes obtriangulares.
Baumgratz, J. F. A. et al.
Material examinado: trilha atrás do prédio
da Educação Ambiental, 17.10.1994, fl. e fr.,
D. S. Farias et al. 317 (RB).
E rara na Reserva, ocorrendo em mata
alterada, com flores com corola alva e cálice
verde. Frutos pequenos, semi-cilíndricos,
rajados longitudinalmente de verde-claro e
verde-escuro. O aspecto das folhas faz lembrar
M. prasina e M. staminea.
Ossaea DC., Prodr. 3: 168. 1828.
Arbustos ou subarbustos, pilosos,
inclusive diminutos tricomas glandulares.
Folhas do mesmo nó isófílas e.ou anisófilas,
não translúcidas quando secas.
Inflorescências geralmente reduzidas a
metabotrióides, botrióides, dicásios ou díades,
nunca fasciculadas, axilares, em nós folhosos
e áfilos; brácteas e profilos persistentes.
Botões florais agudos a acuminados. Flores
5-meras; zona do disco setulosa; cálice
persistente, lacínias bilobadas; pétalas alvas,
ápice agudo a acuminado; estames
isomórficos ou subisomórficos, filetes alvos,
anteras amarelas, oblongas a lanceoladas,
poro diminuto, terminal-dorsal, conectivo não
prologado abaixo das tecas, inapendiculado
ou apêndices dorsais inconspícuos; ovário
parcialmente infero, 3-locular, setuloso.
Bacídios polispérmicos; sementes geralmente,
obtriangualres, nunca aladas.
26 - Ossaea amygdaloides (DC.) Triana,
Trans. Linn. Soc. Bot. 28(1): 147. 1871.
Fig. 13 a-g
Subarbustos a arbustos 0,7—1 m de altura,
pouco ramificados. Indumento dos ramos,
pecíolos e inflorescências moderada a
densamente setuloso e furfuráceo-estrelado.
Folhas às vezes pêndulas; pecíolo 0, 3-0,5 cm;
lâmina 7—12,5 * 2—2,5 cm, membranácea,
estreito-elíptica a estrito-lanceolada, base
arredondada a obtusa, ápice atenuado-
acuminado, margem inconspícuo-crenulada,
ciliolada, face adaxial esparsamente
pubescente-setulosa, face abaxial
moderadamente setoso-setulosa e furfuráceo-
Rodriguésia 57 (3): 591-646. 2006
SciELO/JBRJ
2 13 14 15 16 17 18
Melastomataceae na Rebio de Poço das Antas
estrelada; 3-5 nervuras acródromas, as mais
internas 1-2 mm suprabasais. Flores com
lacínias internas do cálice ( 1 -) 1 ,5-2 mm compr.
Material selecionado: estrada Jutumaíba,
8.X.2004, fl., D. C. Carraça et al. 26 (RB).
Material adicional: Rio de Janeiro:
Teresópolis, 2.II.1948, fr.,N. L. Cmzs.n. (RB
62440).
Endêmica do Brasil, ocorrendo nos
estados das Regiões Sudeste e Sul (Souza
2002). Na Reserva é facilmente reconhecida
pelas folhas estreitamente elípticas a
lanceoladas, seu padrão morfológico mais
comum (Souza 1998) e pelo indumento
geralmente avermelhado a vinoso nos pecíolos
e inflorescências. Em alguns espécimes, pode-
se observar a presença de raízes adventícias,
um indício de estratégia de propagação
vegetativa. Coletada com flores em outubro.
Sinônimos em Souza (2002) e ilustrações em
Souza (1998).
27 - Ossaea confertiflora (DC.) Triana,
Trans. Linn. Soc. Bot. 28(1): 147. 1871.
Fig. 13 h-n
Subarbustos a arbustos 0,8-1, 5 m alt.
Indumento dos ramos, pecíolos e
inflorescências moderada a densamente
setuloso e furfuráceo-estrelado. Folhas
com pecíolo 2,5— 4,5 cm; lâmina 9—16,5 x
3, 4-6, 5 cm, papirácea, ovada, base
arredondada a obtusa, ápice acuminado,
margem nitidamente crenulado-ciliolada,
face adaxial moderadamente adpresso-
setulosa, face abaxial setoso-vilosa e
furfuráceo-estrelado; 5 ( 7) nervuras
acródromas, as mais internas 5-10 mm
suprabasais. Flores com lacínias internas
do cálice 0,5-1 mm compr.
Material selecionado: estrada Jutumaíba,
17.XI.1994, fl. e fr„ C Luchiari et al. 553 (RB).
Ocorre nos estados do Rio de Janeiro,
São Paulo, Paraná e Santa Catarina, desde o
nível do mar até ca. 1.150 m de altitude
(Souza 1998). Na Reserva mostra-se mais
freqüente que O. amygdaloides, com os
indivíduos mais expostos ao sol apresentando
Rodriguésia 57 (3): 591-646. 2006
629
coloração vinosa do indumento mais
acentuada do que os de locais sombreados.
Em alguns espécimes também se observam
raízes adventícias em porções basais de
ramos subprostrados, indicando uma
adaptação à propagação vegetativa.
Diferencia-se da espécie anterior,
principalmente, pelas lâminas foliares mais
largas (3, 4-6,5 cm), ovadas a largamente
ovadas, com margem nitidamente crenulada,
e lacínias internas do cálice menores em
comprimento (0,5-1 mm). Coletada com
flores em outubro e novembro; frutos em
novembro. Sinônimos em Souza (2002) e
ilustrações em Souza (1998).
Rhynchanthera DC., Prodr. 3: 106. 1828,
nom. cons.
Arbustos a subarbustos. Ramos
tetragonais. Tirsóides ou cimas bíparas,
terminais, frondobracteosos. Flores 5-meras;
cálice persistente, lacínias unilobadas;
pétalas lilases a purpúreas, obovadas,
ciliolado-glandulosas; estames férteis, filetes
lilases a purpúreos, ante-sépalos, alternados
com estaminódios antepétalos, alvos; anteras
amarelas, rostradas, tecas lisas, poro ventral,
conectivo lilás, prolongado abaixo das tecas,
apêndice ventral; ovário parcialmente livre
no interior do hipanto. Cápsulas loculicidas,
polispérmicas; sementes ovado-oblongas,
aladas, foveolado-reticuladas.
28 - Rhynchanthera dichotoma (Dcsr.) DC.,
Prodr. 3: 107. 1828. Fig. 14
Arbustos a subarbustos 0,5-1, 2 m alt.;
indumento dos ramos, folhas e inflorescências
moderada a densamente setuloso e
esparsamente diminuto-glanduloso e
setuloso-glanduloso. Folhas com pccíolo 1-3
cm; lâmina 4,5-8 * 3-4,5 cm, papirácea,
ovada, base cordada, apice acuminado,
margem serrado-ciliolada; 5—7 nervuras
acródromas basais. Brácteas foliáceas e
profilos persistentes. Flores com 5 estames
férteis, isomórfícos, de dois tamanhos; 5
estaminódios; ovário 5-locular, glabro.
SciELO/JBRJ1
2 13 14 15 16 17 lí
cm ..
Baumgratz. J. F. A. et al.
n
Figura 13 - Ossaea amygdaloides (DC.) Triana: a. ramo florífero; b. detalhes do ramo: indumento e gema floral axilar- c
margem foliar: detalhe do indumento na face adaxial; d. botão floral em antese; e. detalhe das lacínias interna e externa do
cálice; f. pétala; g. bacídio (Carraça 26). Ossaea confertiflora (DC.) Triana: h. ramo florífero- i detalhes do ramo'
indumento e gemas florais axilares; j. margem foliar: detalhe do indumento na face adaxial; k. botão floral- 1 detalhe das
lacínias interna e externa do cálice; m. pétala; n. bacídio (Luchiari 55 3). ’ '
Rodriguêsia 57 (3): 591-646. 2006
SciELO/ JBRJ
.2 13 14 15 16 17
cm
Melastomataceae na Rebio de Poço das Antas
F,s„„ ,4-^c^W^DC,, am
adaxial e abaxial. respectivamente; d. flor; e. pétala; f- Qyân*0 evidenciando os lóeulos; j.
adnação parcial ao hipanto, prolongamento apical e estilete, i. secção transversal u
cápsula loculicida; k. semente ( Braga 2717).
Rodriguésia 57 (3): 591-646. 2006
SciELO/ JBRJ
.2 13 14 15 16 17
632
Baumgratz. J. F. A. et ai.
cm 1
Material selecionado: estrada Juturnaíba,
24.VIII.2004, fl. e fr., D. C. Carraça et al.
17A-B (RB).
Material adicional: Rio de Janeiro: Itaipu,
13.VIII.1971, fl. e fr., D. Sucre 7796 (RB).
Espécie de ampla distribuição,
ocorrendo na Venezuela, Guiana Francesa,
Guyana, Peru e Brasil, nos estados do Acre,
Amazonas, Goiás, Bahia, da Região Sudeste
e Santa Catarina. Na Reserva é pouco
freqüente e encontrada somente em áreas
periódica ou permanentemente alagadas, em
locais abertos e ensolarados e, às vezes, junto
a comunidade de Tabebuia cassinoides DC.
(Bignoniaceae). Coletada com flores e frutos
em agosto. A ocorrência dessa espécie em
ambientes degradados e alagados também foi
observada por Martins (1991) no estado de
São Paulo. Suas flores exalam um suave
perfume adocicado.
Tibouchina Aubl.,Pl. Guia. 1:445. 1775.
Arvores, arbustos ou subarbustos;
ramos subcilíndricos a tetragonais, às vezes
alados ou subalados. Inflorescências
terminais; brácteas e profilos caducos ou
persistentes. Flores 5-meras; lacínias do
cálice unilobadas, caducas ou persistentes;
pétalas obovadas, cilioladas; pétalas lilases
a purpúreas ou roxas; estames dimórficos
ou subisomórficos, purpúreos ou roxos, todos
férteis, 5 maiores ante-sépalos, 5 menores
antepétalos, falciformes, conectivo
prolongado abaixo das tecas, apêndice
ventral, glabro ou piloso; estaminódios
ausentes; ovário parcialmente adnato ao
hipanto por meio de septos, livre para o
ápice, 5-locular. Velatídios ou ruptídios,
polispérmicos; sementes cocleares, não
aladas, granuladas.
Todas as espécies na Reserva são
conhecidas popularmente como “quaresmeiras”.
29 - Tibouchina arbórea (Gardner) Cogn.
in Mart. & Eichler, Fl. bras. 14(3): 299, t.
67. 1885. Fig. 15
Árvores ca. 7 m alt.; indumento dos
ramos, folhas e inflorescências esparsa a
moderadamente estriguloso-dendrítico,
tricomas adpressos; ramos subcilíndricos,
nunca alados. Folhas com pecíolo 1—2 cm
compr.; lâmina 6,5-11,5 x 2, 5-4,9 cm,
membranácea a papirácea, elíptica, às vezes
ovada, base obtusa, às vezes arredondada,
ápice acuminado, margem inconspícuo-
ondulada, ciliolado-estrigulosa, tricomas
adpressos, 5 nervuras acródromas basais.
Tríades, cimóides ou tirsóides de tríades, 2,5-
8 cm compr.; brácteas e profilos 14-15x8-9
mm, cuculados. Flores com hipanto 8-10 mm
compr., densamente estriguloso-dentrítico;
lacínias do cálice 9—10 mm compr., caducas;
estames dimórficos, de 2 tamanhos, filetes
pubescente-glandulosos, apêndices
bituberculados, pubescente-glandulosos, nos
ante-sépalos anteras 12—13 mm compr.,
conectivo ca. 0,8 mm prolongado, nos
antepétalos anteras ca. 1 1 mm compr.,
conectivo ca. 0,5 mm prolongado; ovário
moderadamente setoso; estilete 22-27 mm
compr., densamente setoso-farpado quase até
o ápice. Velatídios.
Material selecionado: estrada Juturnaíba,
1 7 X1. 1 994, fl. e fr., C. Luchiari et al. 554 (RB).
Material adicional: Rio de Janeiro: Petrópolis,
XI.1928, fr., A. C. Brade s.n. (RB 21545).
Endêmica do Brasil, ocorrendo em
Minas Gerais, Espírito Santo e Rio de Janeiro.
Espécie freqüente na Reserva, tendo sido
coletada com flores em outubro e novembro;
frutos em novembro e dezembro. A face
adaxial da lâmina foliar possui tricomas
estriguloso-dendríticos geralmente curtos,
com a porção basal espessada e adpressa à
superfície epidérmica e a porção apical mais
ascendente e apiculada. Nesses tricomas, as
ramificações são muito delicadas e
facilmente danificadas, conforme observado
também em material diafanizado (Abbas
2003). As brácteas são muito cedo caducas
e morfologicamente muito semelhantes aos
profilos e como estes persistem por mais
tempo no botão floral, sugerem que as
inflorescências são destituídas de brácteas.
As flores exalam um suave perfume.
Rodriguèsia 57 (3): 591-646. 2006
SciELO/JBRJ
12 13 14 15 16 17
Melastomataceae na Rebio de Poço das Antas
633
cm
"™ 15 - Tibouchina arbbna (Gariner) CoSn ^ Ln’," ípS !o"'h doorfró,' evidenciando
i. estilete; j. velatídio jovem (Luchiari 554).
Rodriguésia 57 (3): 591-646. 2006
SciELO/JBRJ
12 13 14 15 16 17
cm ..
634
30 - Tibouchina estrellensis (Raddi) Cogn.
in Mart. & Eichler, Fl. bras. 14(3): 342, t. 81.
1885. Fig. 16a-g
Árvores 15-25 m alt.; indumento dos
ramos, pecíolos e inflorcscências esparsa a
densamente furfuráceo, estrigoso a
estriguloso e hispídulo, tricomas dendríticos;
ramos tetragonais, subalados a alados,
decorticantes na maturidade. Folhas com
pecíolo 0,9-2, 4 cm compr.; lâmina (6,5-)8-
16,5 x 1, 6-6,5 cm, papirácea a cartácea,
ovada ou elíptica, base obtusa a arredondado-
cuneada, ápice agudo, às vezes obtuso,
margem obscuro-ondulada, ciliado-adpressa,
às vezes revoluta, face adaxial bulada,
moderadamente estrigosa, tricomas com
espessamento na base, pluriramificado,
adnato à epiderme, face abaxial foveolada,
densamente setuloso-dendrítica e sobre as
nervuras acródromas hispídulo-dendrítica,
tricomas adpressos; 5 nervuras acródromas,
as mais internas 2-4 mm suprabasais, as
marginais divergindo suprabasalmente das
mais internas. Tirsóides 1 6-20,7 cm compr.,
frondobracteosos; brácteas não-foliáceas 8-
15 mm compr., côncavas, cedo caducas;
profilos 5-10 mm compr., côncavos, caducos.
Flores com hipanto 7-9 mm compr.,
densamente estriguloso-dendrítico; lacínias do
cálice 5-14 mm compr., caducas; estames
dimórficos, de 2 tamanhos, filetes 1/2— 2/3-
superior viloso-glandulosos, cabeça glandular
caduca, anteras antessépalas 12-13 mm
compr., ante-pétalas 11,5-12 mm compr.,
conectivo 1-1, 5mm prolongado nos ante-
sépalos, ca. 1 mm nos antepétalos, apêndice
bilobado, glabro; ovário seríceo; estilete ca.
20 mm compr., setoso. Velatídios.
Material selecionado: estrada Juturnaíba,
5.IV.2001, fl. e fr., S. J. Silva Neto et al
1428 (RB).
Amostras estéreis, coletadas pelo PMA
na Reserva, estão registradas na base de
dados sob os números: Indivíduos FA-130, FA-
140, FA-141, FA-154, FA-158, FA-161, FA-
165, FA-170, FA-177, P1A-4, P1B-52, P1C-
85, P1C-106, P1C-109, P1D-123, P1D-125,
Baumgratz, J. F. A. et al.
P 1 D-l 36, P2A- 1 57, P2A-1 63, P2A-1 65, P2 A-
175, P2A-186, P2A-188.
Endêmica do Brasil, ocorrendo nos
estados da Região Sudeste. Na Reserva foi
coletada com flores e frutos em fevereiro,
abril e maio.
Na face abaxial da lâmina foliar podem
ocorrer, raramente, domácias marsupi formes,
com ou sem membrana. Em relação aos
tricomas das folhas, conforme observado
também em material diafanizado (Abbas
2003), nota-se que na face adaxial os
estrigosos possuem um nítido espessamento
pluriramificado na base conado à superfície
epidérmica, constituído de longas ramificações.
Na face abaxial, os tricomas setuloso-
dendríticos têm delicadas ramificações ao
longo de seu comprimento, porém mais
adensadas para a base, com a extremidade
do eixo principal destacando-se como um
longo apículo. Ainda nesta face, sobre as
nervuras acródromas, ocorrem tricomas
hispídulo-dendríticos, geralmente bifurcados na
base, com hastes horizontais opostas e
desiguais em tamanho (tricomas bi-armados,
segundo a classificação de Metacalfe & Chalk
1965), e diminutas ramificações. Guimarães
(1997) propõe a sinonimização de T
scrobiculata Cogn. a T. estrellensis , uma vez
que a presença ou não de ramos alados
assinalada por Cogniaux (1883-88) para
distingui-las entre si mostra-se inconsistente,
pois os ramos variam de subalados a alados.
31 - Tibouchina gracilis (Bonpl.) Cogn. in
Mart. & Eichler, Fl. bras. 14(3): 386. 1885.
Fig. 17
Subarbustos 0,4-0,7 m alt. ; caule simples,
não ramificado; indumento dos ramos, e
pecíolos hirto, tricomas patentes a adpressos,
e das inflorescências hirtelo-adpresso. Folhas
com pecíolo 0,2-0,7 cm compr.; lâmina (3-
x 2,1 cm, cartácea, lanceolada a
oblonga, base arredondada, às vezes aguda,
ápice obtuso a agudo, margem crenulado-
ciliada, face adaxial moderadamente setuloso-
serícea, tricomas com espessamento na base,
Rodriguésia 57 (3): 591-646. 2006
SciELO/JBRJ
L2 13 14 15 16 17
Melastomataceae na Rebio de Poço das Antas
635
Tâ^Tnl faces adaxial e abaxial vamentc;
m. estame ante-pétalo; n. estame antessépalo; o. estilete; p. rupt.d.o; q. semente (Sdva Neto 1438).
Rodriguésia 57 (3): 591-646. 2006
SciELO/JBRJ
12 13 14 15 16 17
cm ..
636
longo, único ou bifurcado, adnato à epiderme,
face abaxial moderadamente setoso-serícea
e, nas nervuras acródromas, hirta, tricomas
patentes; 5 nervuras acródromas basais ou até
4 mm suprabasais. Tirsóides de dicásios ou
díades, 16-36 cm compr., frondobracteosos,
apenas com ramificações primárias. Flores
com hipanto 4-6 mm compr., densamente
seríceo-adpresso; lacínias do cálice 4-6 mm
compr., persistentes; estames isomórficos, de
2 tamanhos, filetes glabros, apêndices dos
conectivos bilobados, glabros, nos ante-sépalos
anteras 4,5-5 mm compr., conectivo 0,3-0, 4
mm prolongado, nos antepétalos anteras 3,5-
4 mm compr., conectivo 0,1-0, 2 mm
prolongado; ovário seríceo, estilete 12-17 mm
compr., glabro. Velatídios.
Material selecionado: estrada do Pau Preto,
24.VIII.2004, fl. e fr., D. C. Carraça et al.
18A-H (RB).
Espécie de ampla distribuição,
ocorrendo na Venezuela, Guiana, Colombia,
Peru, Bolívia, Brasil, Paraguai, Uruguai e
Argentina. No território brasileiro é
encontrada em Goiás, Maranhão, Mato
Grosso, Minas Gerais, Rio de Janeiro, São
Paulo e nos estados da Região Sul. Na
Reserva é uma espécie de rara ocorrência e,
até o momento, localizada apenas em área
campestre degradada, próxima ao rio Pau
Preto, tendo sido coletada com flores em
janeiro e agosto e com frutos em agosto. Com
base nos comentários de Wurdack (1962) e
Souza (1988), essa espécie é
morfologicamente muito plástica, tomando as
numerosas variedades descritas por Cogniaux
(1883-88) inconsistentes. Sinônimos e
ilustrações em Souza (1988).
32 - Tibouchina granulosa (Desr.) Cogn. in
Mart. & Eichler, Fl. bras. 14(3): 340. 1885.
Fig. 18
Arvores 4-9 m alt.; indumento dos ramos,
pecíolos e inflorescências esparsa a
densamente fürfuráceo, estrigoso a estriguloso
e hispídulo, tricomas dendríticos; ramos
tetragonais, alados, decorticantes na
maturidade. Folhas com pecíolo 0,4-2,3 cm
Baumgratz. J. F. A. et al.
compr.; lâmina (6,5-)8-19 * 2, 5-4,6 cm,
cartácea, elíptica a ovada, base aguda a
arredondado-cuneada, ápice agudo, às vezes
obtuso, margem obscuro-ondulada, ciliado-
adpressa, às vezes revoluta, face adaxial
plana, estrigulosa a estrigosa, tricomas
adpressos, freqüentemente com
espessamento na base, 1—4 ramificado,
adnato à epiderme, face abaxial plana,
densamente setuloso-dendrítica, sobre as
nervuras acródromas hispídulo-dendrítica,
tricomas adpressos; 5 nervuras acródromas,
as mais internas 4—10 mm suprabasais, as
marginais divergindo suprabasalmente das
mais internas. Tirsóides 13—25,2 cm compr.,
frondo-bracteosos; brácteas não-foliáceas 9-
15 x 4-8 mm, côncavas, profilos ca. 6 mm
compr., côncavos. Flores com hipanto 8-1 1
mm compr., indumento do hipanto
densamente estriguloso-dendrítico; lacínias do
cálice 6-10 mm compr., caducas; pétalas 28-
30 mm compr.; estames dimórficos, de 2
tamanhos, filetes 1/2— 2/3-superior viloso-
glandulosos, cabeça glandular caduca,
anteras antessépalas 13—14 mm compr., ante-
pétalas 9-11 mm compr., conectivo ca. 1 mm
prolongado nos ante-sépalos, ca. 0,7 mm nos
antepétalos, apêndice bilobado, glabro; ovário
densamente seríceo; estilete 23-25 mm, 1/
2-inferior setoso. Velatídios.
Material selecionado: estrada para
Jutumaíba, 5.IV.2001, fl. e fr., 5. J. Silva Neto
et al. 1437 (RB).
Endêmica do Brasil. Segundo Guimarães
(1997), ocorre quase que exclusivamente no
estado do Rio de Janeiro, com apenas uma
única coleta em São Paulo, próxima a divisa
entre esses dois estados, e que a única coleta
de Claussen, numa localidade em Minas
Gerais, é duvidosa. Espécie freqüente na
Reserva, tendo sido coletada com flores em
fevereiro e abril e com frutos em fevereiro,
abril, outubro e novembro. É muito afim de T
estrellensis, que se disntingue, principalmente,
pela superfície bulada na face adaxial e
foveolada na abaxial. Em relação aos tricomas
da lâmina foliar, conforme observado também
em material diafanizado (Abbas 2003), estes
Rodriguésia 57 (3): 591-646. 2006
SciELO/JBRJ
L2 13 14 15 16 17
cm
Melastomataceae na Rebio de Poço das Antas
637
Figura 17- Tibouchina gracilis (Bonpl.)Cogn.: a. ramo flori fero;
e abaxial, respectivamente; d. flor; e. par de profilos, hipanto e
estilete; i. velatídio; j. semente ( Carraça 18A-H).
b-c. detalhe do indumento da lâmina foliar: faces adaxial
cálice; f. estame antessépalo; g. estame ante-pétalo; h.
Rodriguésia 57 (3): 591-646. 2006
SciELO/JBRJ
12 13 14 15 16 17
638
Baumgratz, J. F. A. et a!.
Figura 18 - Tibouchina granulosa (Desr.) Cogn.: a. ramo florífero; b-c. brácteas; d pétala- e estame ante ' 1 f
estame ante-pétalo, g. secção longitudinal do ovário evidenciando adnação parcial ao hipanto e o prolongamento aS h
secção transversal do ovário, evidenciando adnação ao hipanto por meio de septos, formando cavidades (cl m.e o
ápice das anteras na prefloração, e os lóculos (1); i. estilete; j. velatídio; k. semente (Sylvestre 999) 4 J
Rodriguésia 57 (3): 591-646. 2i
006
SciELO/JBRJ
12 13 14 15 16 17
Melas tomalaceae na Rebio de Poço das Antas
são morfologicamente semelhantes aos
encontrados em T estrellensis, porém, na face
adaxial, os tricomas estrigulosos ou estrigosos
diferem nitidamente por apresentarem
espessamento 1— ■ 4-ramificado na base e
conado à superfície epidérmica. Já na face
abaxial, os tricomas setuloso-dendríticos e
hispídulo-dendríticos são semelhantes ao desta
espécie, sem qualquer característica
morfológica distintiva.
33 - Tibouchina heteromalla (D.Don) Cogn.
in Mart. & Eichler, Fl. bras. 14(3): 336. 1885.
Fig. 16h-q
Arbustos ca. 1 ,5 m alt.; caule nitidamente
ramificado; indumento dos ramos, pecíolos e
inflorescências hispídulo-seríceo; ramos
tetragonais. Folhas com pecíolo 1, 7-2,8 cm
compr.; lâmina 8-13 * 3-5,4 cm, cartácea,
ovada a elíptica, base arredondada a cordada,
às vezes obtusa, ápice agudo a arredondado,
margem crenulado-ciliolada, face adaxial
bulada, densamente seríceo-setulosa, tricomas
adpressos, face abaxial foveolado-reticulada,
densamente viloso-serícea, nervuras
acródromas hispídulo-seríceas e esparso
vilosas; 5 nervuras acródromas basais.
Tirsóides 25-27 cm compr.; brácteas 3-4 mm
compr., levemente côncavas, cedo caducas;
profilos 3,8-4, 2 mm compr., cuculados, cedo
caducos. Fores com hipanto 4—5,5 mm compr.,
seríceo-adpresso; lacínias do cálice 4—4,2 mm
compr., caducas; pétalas 16—19,5 mm compr,
estames dimórficos, de 2 tamanhos, filetes
pubescentes-glandulosos, concetivo com
prolongamento glanduloso, apêndice
inconspícuo-bilobulado, nos ante-sépalos
anteras 6—6,5 mm, conectivo prolongado 1
1 ,2 mm, apêndice glanduloso, nos antepétalos
anteras 4,5-5 mm, conectivo 0,7-1 mm
prolongado, apêndice glabro; ovário serícco,
estilete 7-8 mm, setuloso. Ruptídios.
Material examinado: estrada Juturnaíba,
5.1 V.200 1 , fl., S. J. Silva Neto et al. 1 438 (RB).
Material adicional: Rio de Janeiro: Rio de
Janeiro, IX. 1946, fr., L. G Laboriau et al.
281 (RB).
Rodriguésia 57 (3): 591-646. 2006
639
Endêmica do Brasil, ocorrendo em Goiás,
Ceará, Paraíba, Pernambuco, Alagoas,
Sergipe, Bahia e nos estados da Região
Sudeste. Sua documentação como espécie
nativa na área mostra-se duvidosa. Distingue-
se, principalmente, pelo aspecto sedoso e
brilhante da lâmina foliar e pelos frutos do tipo
ruptídio, em que o hipanto rompe-se com a
maturação, para a liberação das sementes
(Baumgratz 1985, 2004; Abbas 2003).
De acordo com Guimarães (1997), em
virtude da acentuada plasticidade fenotípica
nessa espécie, principalmente em relação à
forma e dimensões da lâmina foliar, vários
táxons similares foram descritos como
Tibouchina granel if alia Cogn. e T multijlora
Cogn., mas que deverão ser sinonimizados.
34 - Tibouchina trichopoda (DC.) Baill.,
Adansonia 12: 75. 1879. Fig. 19
Arbustos 1-1,5 m alt. ou arvoretas até
ca. 3 m alt.; caule nitidamente ramificado;
indumento dos ramos, pecíolos e
inflorescências esparsa ou moderadamente
hirto-adpresso; ramos tetragonais, costados,
não alados. Folhas com pecíolo 0,2-0, 6 cm
compr.; lâmina 2, 9-5, 6 x 1,2-4 cm, papirácea
a cartácea, elíptica, às vezes oblonga, base
obtusa a arredondada, ápice agudo, margem
levemente crenulada, ciliada, face adaxial
moderadamente estrigulosa, tricomas
adpressos, com espessamento na base, curto,
único ou bifurcado, adnato à epiderme, abaxial
moderadamente serícca, nervuras acródromas
moderadamente hirto-adpressas, tricomas
nunca dcndríticos; 3-5 nervuras acródromas
basais. Tríades ou metabotrióides
corimbi formes, 3,5-6 cm compr.; brácteas 12-
1 4 mm compr., profilos 5-9 mm compr., ambos
involucrais, côncavos, caducos. Flores com
hipanto 4-5 mm compr., densamente
estriguloso; lacínias do cálice 2,5— 3,5 mm
compr., caducas; pétalas 20-25 mm compr.,
estames dimórficos, 2 tamanhos, filetes
esparsamente pubescente-glandulosos para a
base, conectivos com prolongamento glabro,
apêndices bilobulados, glabros, nos ante-
SciELO/JBRJ
12 13 14 15 16 17
640
Baumgratz. J. F. A. et al.
sépalos anteras ca. 13 mm compr., conectivo
ca. 3,5 mm prolongado, nos antepétalos
anteras ca. 9 mm compr., conectivo ca. 0,8
mm prolongado; ovário densamente seríceo;
estilete ca. 10 mm compr., glabro. Velatídios.
Material selecionado: estrada Juturnaíba,
14.11.2003, fl. e fr., B. A. Abbas et al. 85 (RB).
Endêmica do Brasil, ocorrendo na
Bahia, Minas Gerais, Rio de Janeiro, São
Paulo e nos estados da Região Sul. Na
Reserva foi coletada com flores em
fevereiro e abril e com frutos em fevereiro,
abril, outubro e novembro.
Na face adaxial da lâmina foliar, observa-
se que os tricomas estrigulosos possuem um
espessamento na porção basal, conado à
epiderme, do qual partem ramificações em
direção ao tecido subepidérmico, as quais só
podem ser observadas em material diafanizado
(Abbas 2003). Na face abaxial, nota-se que
os tricomas seríceos também se ramificam na
camada subepidérmica, com as ramificações
constituídas de células muito espessadas,
sugerindo corresponderem à esclereídes.
Essas características anatômicas sugerem que
essas estruturas sejam emergências, porém
estudos ontogenéticos devem ser
desenvolvidos a fim de confirmar suas origens.
A afinidade entre I trichopoda e T
multiceps (Naud.) Cogn. foi comentada por
Wurdack (1962) e Souza (1988),
principalmente pela similaridade morfológica
de estruturas florais e vegetativas, sendo que
T. multiceps diferiria pela presença de
tricomas glandulares nas inflorescências,
brácteas, hipanto e cálice e ápice do ovário.
Os espécimes ocorrentes na Reserva não
possuem tricomas glandulares nestas
estruturas e tanto Cogniaux (1883-88), para
T. trichopoda e T. trichopoda var.
tibouchinoides (DC.) Cogn., quanto
Wurdack (1962), para esta variedade,
descrevem esses táxons como desprovido
destes tricomas. Entretanto, este último
assinala que, pelo menos, esta variedade tem
filetes esparsamente setuloso-glandulosos
na base, conforme descrito por Candolle
(1828) para o basiônimo (Lasiandra
tibouchinoides DC.). Souza (1988)
reconhece uma variação na quantidade de
tricomas glandulares nesse complexo
taxonômico e sinonimiza T multiceps a T.
trichopoda.
35 - Tibouchina urceolaris (DC.) Cogn. in
Mart. & Eichler, Fl. bras. 14(3): 355. 1885.
Fig. 20
Arbusto 1—2 m alt.; caule nitidamente
ramificado; indumento dos ramos e
inflorescências moderada a densamente
setul oso-dendrí tico, dos pecíolos e face abaxial
da lâmina foliar seríceo-dentrítico; ramos
costado-subalados. Folhas com pecíolo 0,4- 1,3
cm; lâmina 4—5 x 1 ,3—2,5 cm, cartácea, ovada
a oblonga, base cordada a subcordada, ápice
agudo, margem crcnulado-ciliolada, face adaxial
densamente seríceo-setulosa; 5( — 7) nervuras
acródromas basais, as marginais divergindo
suprabasalmente das mais internas. Tirsóides
16—28 cm compr., ramos helicoidais; brácteas
4-5 mm compr. Flores com hipanto 7-9 mm
compr., seríceo-adpresso; lacínias do cálice 2,5—
3 mm compr., caducas; estames subisomórficos,
de 2 tamanhos, filetes glabros e/ou pubescente-
glandulosos para a base, conectivo com
prolongamento glabro, apêndice bilobado, glabro,
nos ante-sépalos anteras 12-14 mm compr.,
conectivo ca. 1,5 mm prolongado, nos
antepétalos anteras 11 — 12 mm compr.,
conectivo ca. 1 mm prolongado; ovário seríceo,
ás vezes também com tricomas glandulares;
estilete 24—25 mm compr., pubescente-
glanduloso na extremidade basal. Ruptídio.
Material examinado: estrada Juturnaíba,
1 1-1*1 996< fl- e fr., C. Luchiari et al. 709 (RB).
Material adicional: Rio de Janeiro: Rio de
Janeiro, 16.V1.1969, fl. e fr., D. Sucre et al
5339 (RB).
Endêmica do Brasil, ocorrendo desde a
Bahia até o Rio de Janeiro, particularmente
pela faixa litorânea (Guimarães 1997). Na
Reserva é um arbusto de rara ocorrência,
tendo sido encontrado apenas em um só local,
na margem da principal estrada na área.
Rodriguésia 57 (3): 591-646. 2006
cm l
!SciELO/JBRJ
12 13 14 15 16 17
Melastomataceae na Rebio de Poço das Antas
641
Figura 19 - Tibouchina trichopoda (DC.) Baill.: a. ramo florífero; b-c. detalhes da lamina foliar. face i adma^ e abax.a
respectivamente; d. bráctea; e. pétala; f. estame antessépalo; g. estame ante-petalo; h. vista parcial do hipanto e ca ce,
secção longitudinal do ovário evidenciando adnaçâo parcial ao hipanto e estilete; .. secção
evidenciando adnaçâo ao hipanto por meio de septos, formando cavidades (c) que alojam o ápice das anteras na prefl ç .
e os lóculos (1); j. velatídio (Abbas 85).
Rodriguésia 57 (3): 591-646. 2006
SciELO/ JBRJ
12 13 14 15 16 17
642
Baumgratz. J. F. A. et al.
Figura 20 - Tibouchina urceolaris (DC.) Cogn.: a. ramo florífero; b-c. detalhes da lâmina foliar: faces adaxial e abaxial
respectivamente; d. bráctea; e. profilo, hipanto e cálice; f. estame antessépalo; g. estame ante-pétalo; h. cápsula rompente
evidenciando o rompimento lateral do hipanto (Luchiari 709).
Lista de Coleções
O número entre parêntesis corresponde
ao número sequencial de cada táxon tratado
no texto.
Abbas, B.A.: 78 ( 1 1 ), 79 (2), 80 ( 1 9), 8 1
(22), 82 (32), 83 (30), 84 (15), 85 (34);
Albuquerque, S.Z.: 1 (22); Barreto, S.: 1, 10
(13), 25 (20); Baumgratz, J.F.A.: 870 (23),
872(21), 873 (9), 874 (21), 876 (1); Brade,
A.C.: 19743 (3), RB 21545 (29); Braga,
J.M.A.: 1228 (3), 1870 (8), 2691 (4), 2717
(28); Campos, J.M.: 14(12, FLOR); Carauta,
J.P.P.: 2312 (23), 2650 (14); Carraça, D.C.; 1
(7), 2 (15), 3 (2), 4 (4), 5 (2), 6 (5); 7 (22), 8
(7), 9 (7), 1 0 (7), 1 1 (7), 1 2 (7), 1 3 (8), 1 4 (22),
15 (2), 16 (14), 17A-B (28), 18A-H (31), 19
(1); 20 (23), 21 (2), 22 (2), 23 (2), 24 (34), 25
(26), 26 (27), 27 (16), 28 (20), 29 (4), 30 (27),
31 (22), 32 (19), 33 (16), 34 (27), 35 (7), 36
( 1 4); Correia, C.M.B.; 333 (19), 336 ( 1 3), 343
(11), 351 (19), 353 (7), 360 (16), 361 (19), 364
( 1 4), 375 ( 1 3), 38 1 (2), 394 (8), 395 ( 1 0), 400
( 1 9); Cruz, N.L.; RB 62440 (26); Farias, D.S.:
103(13), 138(19), 197 (18), 219 (7), 275 (14),
282 (7), 298 ( 1 3), 3 1 7 (25), 3 1 8 (22), 3 1 9 (23),
357 (14); Góes, O.C.: 100 (24); Falkenberg!
D.: 5764 (12, FLOR); Farag, P.R.; 97 (20);
Goldenberg, R.: 1 10(21, UEC), 1 1 2 (2 1 , UEC);
Guedes. R.: RB 252337 (2 1 ), RB 252338 (21)!
Laboriau, L.G: 281 (33); Lima, M.P.M.: 252
(13); Lima, H.C.: 4415 (13), 4416 (19), 4452
( 1 9), 4453 (2), 4454 ( 1 4), 4460 ( 1 9), 4490 (13),
4493 (8), 4509 (32), 45 1 4 (7), 46 1 9 ( 1 3). 4620
( 1 3), 4627 (32); 463 1 ( 1 ), 4653 (11), 4654 ( 1 9),
4658 (7), 4665 (7); 467 1(13), 4767 (22), 4773
( 1 8), 4776 ( 1 0), 487 1 (2), 4876 ( 1 8), 4905 (10),
4906 (14), 4908 (19), 4910 (16), 4912 (19),
49 1 3 (2), 49 1 4 ( 1 1 ), 49 1 5 (22), 4936 (2), 4984
Rodriguésia 57 (3): 591-646. 2006
SciELO/JBRJ
L2 13 14 15 16 17
cm
Melastomataceae na Rebio de Poço das Antas
(23), 5035 (14), 6375 (6); Lira Neto, J.A.:
711 (2), 716 (23); Luchiari, C.: 38 (29), 52
(32), 55 (14), 59 (10), 106 (13), 114 (13),
119 (13), 159 (9), 165 (19), 171 (29), 206
(13), 276 (32), 303 (30), 318 (11), 382 (7),
386 (7), 412 (30), 438 (2), 461 (22), 463 ( 1 1 ),
546 (9), 548 (8), 549 ( 1 9), 55 1 ( 1 8), 552 ( 1 5),
553 (27), 554 (29), 556 (13), 557 (2), 558
(16), 559 (5), 560 (2), 561 (16), 562 (2), 563
(2); 564 (14), 565 (14), 566 (14), 567 (7),
570 (21), 571 (14), 572 (12), 573 (23), 601
(6), 610 (16), 611 (23), 665 (20), 689 (22),
707 (16), 709 (35), 715 (9), 722 (18);
Martinelli, G.: 2893 (7), 8437 (7), 8441 (14),
8841 (23), 8842 (12); Moreira, C.B.: 2(17);
Peres, C.: 50 (7); Pereira, E.: 380 (17);
Peron, M.: 973 (23); Pessoa, S.V.A.: 684
(22) , 688 (23), 689 (5), 690 (2), 719 (11),
720 (23), 728 (20), 754 (22), 759 (32), 817
(23) , 1 052 (5), 1 053 ( 1 9), 1 054 (9), 1 055 ( 1 6),
1057 (7), 1058 (22), 1059 (19), RB 410774
(2), RB 410775 (2), RB 410776 (2), RB
4 1 0777 (2), RB 4 1 0778 (2), RB 410779 (32),
RB 410780 (32), RB 410781 (30), RB
410789 (30), RB 411092 (19), RB 411110
(22), RB 41 1 1 1 1 (22), RB 41 1 1 12 (22), RB
411113 (22), RB 4 1 1 1 33 (23), RB 4 1 1 1 62 (2),
RB 411163 (2), RB 411168 (2), RB 41 1268
(5), RB 411269 (5), RB 411270 (5), RB
411271 (5), RB 41 1272 (5), RB 41 1273 (5),
RB 411274 (2), RB 411275 (5), RB 411276
(19), RB 411441 (11), 411760 (11); Pmder,
L.: RB 272841 (14); Piratininga, A.: 6 (24),
17 (1), 27 (13), 28 (13), 35 (23), 67 (30), 68
(13), RB 333910 (13), RB 411105 (13), RB
411106 (13), RB 411107 (13), RB 411108
(13), RB 41 1 109(13), RB 41 1442 (30); Reitz,
R.: 14887 (12, FLOR, HBR); Saldanha, J.:
5113 (24); Schwacke, C.H.W.: 17147 (3);
Silva Neto, J.S.: 1428(30), 1429(10), 1430
(5), 1431 (15), 1432(4), 1433(9), 1434(2),
1435 (14), 1436 (22), 1437 (32), 1438 (33),
1 439 (32); Sucre, D.: 5339 (35), 5644 ( 1 ), 7796
(28); Sylvestre, L.S.: 994 (19), 996 (17), 999
(32), RB 333911 (30); Vieira, C.M.: 497 (31),
500 (5), 5 1 0 (23), 537 (23), 540 ( 1 9), 54 1 (30),
544 ( 1 9), 75 1 (23 ), 92 1 (22), 922 ( 1 1 ).
643
Agradecimentos
Aos curadores dos herbários citados,
pelos empréstimos concedidos e envio de
fotografias. Aos Drs. Daniel de Barcellos
Falkenberg (UFSC/CCB) e Rejan R.
Guedes-Bruni (JBRJ) e à Profa. Ms. Solange
de Vasconcelos A. Pessoa (JBRJ), pelas
sugestões e fornecimento de dados sobre
algumas espécies. Ao Dr. Jefferson Prado
(IBT/SP), pelos esclarecimentos na
interpretação de dados nomenclaturais. As
Dras. Aldaléa Sprada Tavares (UFSC/CCB)
e Maria das Graças Gonçalves Vieira (INPA),
pelo auxílio na obtenção de bibliografia. Ao
IBAMA e ao Responsável pela Reserva
Biológica de Poço das Antas, pela licença de
coleta concedida e apoio às atividades de
campo. Ao Programa Mata Atlântica (PMA/
JBRJ), pelo apoio e auxílios técnico c
financeiro durante o desenvolvimento desse
estudo. Às ilustradoras Cristina S. Ferreira,
Maria Alice Rezende e Parecis Morato, pela
elaboração dos desenhos e pranchas. Ao
CNPq, pelas bolsas concedidas ao primeiro,
terceiro e quarto autores.
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SciELO/JBRJ
12 13 14 15 16 17
Smilacaceae na Reserva Biológica de Poço das Antas,
Silva Jardim, Rio de Janeiro, Brasil
Regina Helena Potsch Andréa ta'
(Smilacaceae na Reserva Biológica de Poço das Antas, Silva Jardim, R.o de Janeiro, Brasil) O estudo taxonomico
das Smilacaceae na Reserva Biológica de Poço das Antas foi realizado com base em material herbonzado,
depositado no herbário do Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro e compreende chave
para identificação, descrições e distribuição geográfica dos táxons, além de comentários. São assinaladas
para esta Reserva nove espécies, incluindo algumas representadas ainda por poucas coleções no estado do
Rio de Janeiro como Smilax japicanga Griseb. e 5. stenophylla A.DC. De um modo geral os taxons, nesta
área, ocorrem em floresta de baixada ou de morrotes.
Palavras-chave: Swilcix, taxonomia, flora.
(Smilacaceae in the Biological Reserve of Poço das Antas, Rio de Janeiro, Brazil) The taxonomic study of the
Smilacaceae occurring in the Biological Reserve of Poço das Antas was developed based on herbar.um
material of Research Institute Rio de Janeiro Botanical Garden and comprises identification key, descriptions,
eeographic distribution of the taxa and comments. For this Reserve nine taxa were analysed, some with fe w
collections from the State of Rio de Janeiro such as Smilax japicanga Griseb. and 5. stenophylla A.DC. In
general the taxa occur in this area are found in low-hill forest or lowland forest.
Key words: Smilax, taxonomy, flora.
Introdução
Smilacaceae está constituída, segundo
alguns autores, por dois ou três gêneros com
distribuição predominante em regiões tropicais,
mais raramente nas temperadas. Ripogonum
e Heterosmilax contém cerca de seis e onze
espécies respectivamente, o primeiro centrado
na Austrália, Nova Zelândia e Nova Guiné e o
segundo no sudeste da Ásia. Smilax é o maior
gênero com aproximadamente 300 espécies e
o único gênero representado no Brasil, sendo
de amplo uso na medicina popular desde a mais
remota antiguidade. Para o Brasil estão
assinaladas trinta e uma espécies que habitam
todas as formações vegetais, principalmente,
as florestais (Andreata 1997).
O presente estudo tem por objetivo
apresentar um tratamento taxonomico para
Smilacaceae na Reserva, fornecer uma chave
para identificação das espécies e comentários
sobre cada uma delas.
Material e Métodos
O material utilizado neste estudo foi
obtido de coletas em diversas áreas da
Reserva, realizadas pela equipe do Projeto
Mata Atlântica. As coleções botânicas
encontram-se depositadas no herbário do
Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio
de Janeiro (RB).
A chave para identificação das espécies
foi construída, principalmente, com base em
caracteres vegetativos visto ser a maioria da
coleção analisada representada por
exemplares neste estado. Além do material
examinado foi incluído material adicional de
outras localidades quando flores e trutos
estavam ausentes na amostragem da Reserva
Biológica de Poço das Antas (REBIO). Os
dados de habitat e distribuição geográfica foram
obtidos de literatura especializada c de
informações contidas nas etiquetas de
espécimes examinados.
Artigo recebido em 04/2005. Aceito para publicação em 01A.006. Amhientais Laboratório dc Angiospermas/
nDçc„,e * Universidade San,, ür* Lf“ í
Bolsista do CNPq. Rua Fernando Faram, 75, Botafogo, ,
SciELO/ JBRJ,
L2 13 14 15 16 17
cm
648
Resultados e Discussão
Smilacaceae Ventenat, Tab. Reg. Veg.
2:146.1799.
Liana, raramente subarbusto ou arbusto,
em plantas dióicas, com sistema subterrâneo
do tipo rizóforo; caule e ramos aculeados às
vezes inermes. Folhas simples, alternas,
coriáceas a membranáceas; bainha bilabiada;
pecíolo articulado, com um par de gavinhas ou
estas ausentes; lâmina com nervuras principais
3-7, venação menor reticulada. Inflorescência
axilar em cimas umbeliformes. Flores diclinas,
actinomorfas; tépalas 6, em dois verticilos,
semelhantes ou diferentes entre si, livres. Flor
masculina com 6 estames livres, anteras
bitecas, rimosas, basifixas, apiculadas ou não.
Flor feminina com ovário supero, 3-carpelar,
3-locular, óvulos 1-2 por lóculo, estiletes 3,
Andreata, R. H. P.
estigmas 3, estaminódios 3—6. Fruto baga;
sementes 1—6, embrião reto, lineares,
pequenos, endosperma presente.
Smilax é o maior gênero sendo
considerado o mais importante da família,
distribui-se, principalmente, nas regiões
tropicais de ambos os hemisférios, englobando
quase toda a faixa de ocorrência da família. É
o único gênero representado no Brasil com 3 1
espécies sendo, algumas ainda pouco
representadas nas coleções como S.
japecanga Griseb., S. stenophylla A.DC. e
S. remotinervis Hand.-Mazz.
A Reserva Biológica de Poço das Antas
conta com nove espécies a saber: S. elastica,
S. fluminensis, S. japicanga, S. quinquenervia,
S. remotinervis, S. rufescens, S. spicata,
S. stamina e S. stenophylla.
Chave para identificação das espécies
1. Caule e ramos alados 7. 5. spicata
1’. Caule e ramos não alados.
2. Ramos com catafilos incluídos no profilo.
3. Lâminas adultas ovado-lanceoladas, lanceoladas raro elípticas; Io par de nervura lateral
quase da mesma espessura que a mediana; tépalas eretas; fruto piriforme
4. S. quinquenervia
3’. Lâminas adultas cordadas; Io par de nervura lateral mais delgado que a mediana; tépalas
reflexas; fruto globoso 2. 5. fluminensis
2\ Ramos sem catafílos incluídos no profilo.
4. Caule profusamente muricado 3 £ japjcanga
4’. Caule áspero ou liso.
5. Lâminas elástico-coriáceas j $ elastica
5’. Lâminas membranáceas, papiráceas, cartáceas, rígidas ou coriáceas
6. Lâminas concolores, verde-acinzentadas quando secas, margem involuta
5. S. remotinervis
6’. Lâminas discolores, esverdeadas ou ferrugíneas quando secas, margem
plana.
7. Caule e ramos ásperos ao tato; lâminas com ápice agudo ou acuminado.
8. Caule delicado, anguloso; lâminas membranáceas, esverdeadas quando
secas, com a nervura mediana alva 9. g stenophylla
8’. Caule robusto, cilíndrico; lâminas coriáceas, ferrugíneas quando secas,
com a nervura mediana castanha 5 g rufescens
7. Caule e ramos lisos; lâminas com ápice acuminado 8. S. staminea
SciELO/JBRJ
12
Rodriguésia SI (3): 647-657. 2006
13 14 15 16 17
Smilacaceae da Rebio Poço das Antas. RJ
649
1. Stttilax elastica Griseb. in Mart. & Eichler,
Fl. bras. 3(1): 22. 1842. Fig. la
Liana; caule cilíndrico, liso, estriado, não
alado, acúleos raros nos entrenós; ramos
cilíndricos, lisos, não alados, sem catafilos
incluídos no profilo. Folhas com bainha e
pecíolo sem ou com raros aculeos; lâmina em
geral elástico-coriácea, de coloração parda
quando seca, opaca, 4-13 x 1-7 cm elíptica,
oblonga raro ovada, ápice agudo ou obtuso,
com curto apículo, base aguda, arredondada
ou subcordada, margem plana, raro com
acúleos; nervuras 5, 3 principais conspícuas, a
mediana mais espessa que as laterais e 2
inconspícuas, venação inconspícua na face
adaxial e proeminente na abaxial. Flores
esverdeadas; botões florais elípticos ou
ovóides; tépalas dos 2 verticilos diferentes entre
si, reflexas; as externas na flor masculina
obovais ou elípticas, na flor feminina ovadas,
cuculadas no ápice; as internas lineares ou
elípticas, levemente papilosas no ápice. Flor
masculina com anteras oblongas, apiculadas,
menores que os filetes. Flor feminina com 6
estaminódios, filiformes, de tamanhos
semelhantes, não atingindo a metade do
comprimento do ovário. Baga globosa, verde,
passando de arroxeada a preta; sementes
avermelhadas.
Habitat e distribuição geográfica: distribui-
se desde o nordeste e centro-oeste até as
Regiões Sudeste e Sul, exceto o Rio Grande
do Sul. Ocorre em formações florestais como
a floresta atlântica, floresta mesófila, matas de
restinga e de galeria ou em formações abertas
no cerrado, campo rupestre, campo de altitude
e áreas perturbadas (Andreata 1997).
Material examinado: crescendo a margem
da estrada Areal (brejo), 7.VIII.1981, fl., E.
Guimarães et al. 1251 (RB); mata de alagado
próxima à Represa Jutumaíba, 5.X1.1982, fl.,
G Martinelli & H. C. Lima 8828 (RB); mata
do Rio Preto, 6.VII.1995, veg., S. V. A. Pessoa
et al. 789 (RB); área entre a BR-101 e rio
Pau Preto, área próxima a parcela 2 da área
em frente a mata remanescente, 15.VI.1994,
veg., S. V. A. Pessoa et al. 716 (RB); área
Rodriguésia 57 (3): 647-657. 2006
entre a BR-101 e rio Pau Preto, 14.VI.1994,
fl. , S. V. A. Pessoa et al. 710 (RB); área
entre a BR-101 e rio Pau Preto, 12.1.1994, fl.,
C. M. Vieira et al. 507 (RB).
Material adicional: RIO DE JANEIRO:
Nova Friburgo, Morro da Cruz, atrás do Colégio
Anchieta, 31. VII. 1986, fl. fem. e fr., V. L. G.
Klein et al. 284 (RB).
A espécie ocorre na REBIO na floresta
de baixada sendo bem representada na área,
com variação morfológica especialmente no
comprimento da folha. Foi coletada apenas
com flores masculinas, sendo as femininas e
frutos descritos do material adicional
depositado na coleção do RB. O exemplar
S.V.A. Pessoa et al. 716 é o único que
apresenta as folhas com acúleos na bainha,
pecíolo e na margem da lâmina.
2. Smilax fluntinensis Steud., Nomencl. bot.
2:598.1841. Fig. 3c-d
Liana; caule robusto, cilíndrico, liso,
estriado, não alado, aculeos 2 a 5 localizados
nos nós, robustos, eretos ou curvos; ramos
cilíndricos, não alados, 1-3 catafilos incluídos
no profilo. Folhas com bainha e pecíolo sem
acúleos; lâmina coriácea, de coloração
esverdeada quando seca, 11,5-16 x 7-9 cm,
quando jovem ovada ou elíptica, quando adulta
cordada, ápice acuminado, base cordada ou
arredondada, margem plana; nervuras 5-7, 5
principais conspícuas e 2 inconspícuas, Io par
de nervura lateral mais delgado que a mediana,
venação proeminente nas duas faces, quando
seca. Flores alvo-esverdeadas ou
esverdeadas; botões florais elípticos ou
ovóides; tépalas dos dois verticilos diferentes
entre si, reflexas; as externas oblongas ou
ovais, papilosas no ápice ou logo abaixo, as
internas, na flor masculina lanceoladas, na flor
feminina oblongas ou lineares, papilosas no
ápice. Flor masculina com anteras lineares, de
mesmo comprimento ou maiores que os filetes.
Flor feminina com 6 estaminódios, filiformes,
de tamanhos semelhantes, ultrapassando a
metade do comprimento do ovário, papilosos
nos ápices e nas margens. Baga globosa, verde
cm l
ISciELO/ JBRJ
12 13 14 15 16 17
cm
650
passando de alaranjada a preta; sementes
alaranjadas.
Habitat e distribuição geográfica: distribui-
se nas Regiões Norte, Nordeste, Centro-oeste
e Sudeste, na floresta amazônica, floresta
atlântica, floresta mesófila, mata ciliar, cerrado,
campo rupestre, pantanal e áreas perturbadas.
Além do Brasil há registro da espécie para a
Bolívia, Paraguai e Argentina (Andreata 1997).
Material examinado: estrada para Jutumaíba,
próximo a entrada para parcela 1, 11.1.1994,
veg., M. P. M. Lima et al. 257 (RB); sem
localização específica, 9.VII.1994, veg., T. S.
Pereira s.n. (RB).
Material adicional: RIO DE JANEIRO: Rio
de Janeiro, Jardim Botânico do Rio de Janeiro,
23.IX.1925, fl. masc., J. G. Kuhlmann s.n.
(RB 19216); ibidem, 1.X1I.2004, fr„ M.G.
Bovini 2461 (RB); SÃO PAULO: Limeira,
orla da mata da Sociedade das Quintas da
Flora Brasílica, 10.X.1946, fl. fem., M.
Kuhlmann 3493 (SP).
A espécie ocorre na REBIO na floresta
de baixada, coletada somente em estado
vegetativo, sendo suas flores e frutos descritos
de material adicional.
3. Smilax japicanga Griseb. in Mart. &
Eichler, Fl. bras. 3 (1): 6. 1842. Fig. 3a-b.
Liana; caules cilíndrico, profusamente
muricado na base, não alado, acúleos na base
maiores, ca. 10 mm, intercalados com outros
menores, 1-3 mm, os quais diminuem em
direção ao ápice; ramos cilíndricos, não alados,
lisos, catafilos não incluídos no profilo. Folhas
com bainha e pecíolo sem acúleos; lâmina
papirácea, de coloração esverdeada quando
seca, 8,5-17,5 x 1,5-6 cm, ovada, ápice
acuminado, com longo apículo, base
arredondada, aguda ou obtusa, margem plana;
nervuras 5, 3 principais conspícuas até o terço
médio, depois atenuando-se em direção ao
ápice, sendo a mediana alva e 2 inconspícuas,
venação proeminente na face abaxial. Flores
castanho-claras; botões florais masculinos
oblongos; tépalas dos 2 verticilos diferentes
entre si, as externas, elípticas, cuculadas no
Andreata, R. H. P.
ápice, as internas lineares. Flor masculina com
anteras elípticas, maiores que os filetes. Botões
florais e flores femininas não observados.
Baga imatura verde.
Habitat e distribuição geográfica: distribui-
se em Minas Gerais, Rio de Janeiro e São
Paulo. Habita a floresta atlântica na mata de
baixada e de encosta, entre 50 até 1 .280 m de
altitude e na floresta mesófila (Andreata 1 997).
Material examinado: estrada para Jutumaíba,
trilha a 1 km do portão da REBIO à direita,
25.11.1994, veg., A. Piratininga et al. 51
(RB); Jutumaíba, trilha “Rodolpho Norte”,
caminho para a Pelonha, 18.VII1.1995, fr„ J.
M. A. Braga et al. 2744 (RB, RUSU); trilha
para a Pelonha, entrada em frente a trilha
Morro Calcário, 30. VIII. 1 994, veg., S. J. Silva
Neto et al. s.n. (RB 307591); picada para
Pelonha, trilha à esquerda da Io área da
fitossociologia, 7.VIII.1994, veg., S. J. Silva
Neto s.n. (RB).
Material adicional: SÃO PAULO: Bom
Sucesso de Itararé, VIII. 1995, fl. masc., V C.
Souza et al. 8888 (ESA, SP); RIO DE
JANEIRO: Santa Maria Madalena, Pedra Dubois,
25.VI.1987, est., R. Andreata et al 812 (RB).
A espécie ocorre na REBIO na floresta
de baixada e mais, ocasionalmente, na floresta
de morrote sendo representada nas coleções
da área por poucos exemplares. Suas flores
masculinas são conhecidas pelo material
coletado por V.C. Souza et al. 8888 o qual foi
o primeiro registro para São Paulo (Andreata,
2002) e, as flores femininas e os frutos maduros
são ainda desconhecidos. Deve-se destacar
que o caule é sempre muricado, porém, os
ramos são inteiramente lisos. O exemplar da
Reserva coletado por J.M.A. Braga et al.
2744, com frutos imaturos, foi designado de
epítipo em Andreata ( 1 997).
4. Smilax quinquenervia Vell., Fl. Flumin. 10:
pl. 108. 1831; in Archos. Mus. Nac. Rio de
Janeiro 5: 423. 1881. Fig. lb-c
Liana; caule cilíndrico, liso, estriado, não
alado, acúleos robustos, localizados nos nós;
ramos cilíndricos, lisos, não alados, catafilos
Rodriguêsia 57 (3): 647-657. 2006
SciELO/JBRJ,
L2 13 14 15 16 17
Smilacaceae da Rebio Poço das Antas.RJ
651
incluídos no prof.lo; Smilax remotinervis Hand-Mzz. - d. ramo tlonfero. (a Klein
d Araújo 6646)
Rodriguésia 57 (3): 647-657. 2006
12 13 14 15 16 17
652
Andreata, R. H. P.
incluídos no profilo. Folhas com bainha sem
acúleos, pecíolo canaliculado, sem acúleos;
lâmina de coloração escurecida quando seca,
coriácea, 7-20 * 1,5-8 cm, ovado-lanceolada,
lanceolada, raro elíptica, ápice agudo ou
atenuado, com apículo, base arredondada ou
aguda, margem plana; nervuras 5, 3 principais
conspícuas e 2 inconspícuas, Io par de nervura
lateral quase da mesma espessura que a
mediana até o ápice, venação proeminente em
ambas as faces, quando seca. Flores
esverdeadas passando a pretas depois de
secas; botões florais masculinos elípticos,
femininos ovóides. Flor masculina com tépalas
diferentes entre si, eretas, as externas oblongas
ou ovais, cuculadas, as internas lanceoladas,
levemente cuculadas; com anteras lineares, de
mesmo comprimento dos filetes. Flor feminina
com tépalas semelhantes entre si, eretas,
oblongas, as externas densamente papilosas no
ápice, as internas moderadamente papilosas;
6 estaminódios, oblongos ou ovais, raro
filiformes, de tamanhos semelhantes, não
atingindo a metade do comprimento do ovário.
Baga piri forme, verde passando a amarelada;
sementes avermelhadas.
Habitat e distribuição geográfica: distribui-
se na Bahia, Mato Grosso e nos estados das
Região Sudeste e Sul. Além do Brasil há
registro para o Perú. Habita preferencialmente
as florestas atlântica, de tabuleiro, de restinga,
de galeria, sendo ocasional no pantanal.
Ocorre em altitudes que variam de 50 a 1700
m s.m. (Andreata 1997).
Material examinado: ilha dos Barbados,
11. IV. 1995, fr., H. C. Lima et al. 5025 (RB);
trilha para a fazenda Portuense, próximo a
entrada do cajueiro, 29.XI.1992, veg., H. C.
Lima 4572 (RB); área entre a BR-101 e rio
Pau-Preto, 14.VI.1994, fl., S. V. A. Pessoa et
al. 713 (RB); ibidem, 14.VI.1994, veg., 5. V
A. Pessoa et al. 712 (RB); trilha do Morro do
Calcário, 04.III.1993, veg., S. VA. Pessoa etal.
656 (RB); margens do rio São João, entre BR-
101 e a ponte da linha férrea, 30.XI.1992, fr.,
M. Perón et al. 9999 (RB); ibidem, estrada
para Jutumaíba, entre o portão e a trilha Morro
do Calcário, 12.1.1993, fl. masc., H. C. Lima et
al. 4592 (RB); estrada para Jutumaíba, antes
do entroncamento para o Aristides, 27.XI. 1 992,
ve8-í H. C. Lima et al. 4524 (RB); estrada do
areal, à margem do brejo, 7.VIII.1981, fr, E.
Guimarães et al. 1288 (RB); parcela 7B,
6-VIII. 1 985, ff, L. Pinder s.n. (RB 250933);
parcela 7A, 23.IX.1985, veg., L. Pinder s.n.
(RB 250935), parcela 7B, 25.VII.1985, veg.,
L. Pinder s.n. (RB 250934).
Material adicional: RIO DE JANEIRO: Rio
de Janeiro, Jardim Botânico do Rio de Janeiro
(cult.), 16.1.1952, fl. fem., J. G Kuhlmann s.n.
(RB 78323).
A espécie na REBIO ocorre na floresta
de baixada e de morrotes sendo a mais bem
representada na área, embora as flores
femininas não tenham sido coletadas e por isso
descritas de material adicional. É caracteri-
zada, principalmente, pelos catafilos incluídos
no profilo e pela nervação.
5. Smilax remotinervis Hand.-Mazz., Akad.
Wiss. Wien, Math.- Naturwiss. Kl., Denkschr
79(1 ):22. 1908. Fig . ld
Liana, caule cilíndrico, liso, não alado,
estriado, às vezes com acúleos esparsos,
localizados nos entrenós sobre as estrias; ramos
cilíndricos, lisos às vezes verrucosos, não
alados, sem catafilos incluídos no profilo. Folhas
com bainha sem acúleos; pecíolo escurecido
quando seco, sem acúleos; lâmina rígida, de
coloração verde-acinzentada e concolor
quando seca, foscas na face adaxial e na
abaxial, 9,5-1 8 * 1 ,5-3,5 cm, lanceolada, ápice
agudo, apiculado, base cuneada ou truncada,
margem, mvoluta; nervuras 5, 3 principais
conspícuas e 2 inconspícuas, Io par de nerv ura
lateral mais delgado que a mediana até o ápice,
venação proeminente em ambas as faces.
Flores vinosas ou esverdeado-vinosas; botões
florais masculinos oblongos, femininos ovóides
Flor masculina com tépalas diferentes entre
si, reflexas, as externas ovadas ou oblongas,
cuculadas no ápice, as internas lanceoladas ou
meares, papilosas no ápice, com anteras
meares, de mesmo comprimento ou menores
Rodriguésia 57 (3): 647-657. 2006
SciELO/JBRJ,
13 14
Smilacaceae da Rebio Poço das Antas. RJ
653
Figura 2 - Smilax rufescens Griseb. - a. ramo flonfero; Smilax staminea Griseb. - b. ramo floriTero; Snulax stenophylla
A.DC. - c. ramo flonfero. (a Araújo 547; b Duarte 4111; c Konno s.n.. RUSU 5554)
Rodriguésia 57 (3): 647-657. 2006
SciELO/JBRJ
12 13 14 15 16 17
cm ..
654
do que os filetes. Flor feminina com tépalas
semelhantes entre si, reflexas, oblongas ou
lanceoladas, papilosas no ápice, 3
estaminódios, filiformes, de tamanhos
semelhantes, não atingindo a metade do
comprimento do ovário. Baga coletada
somente imatura.
Habitat e distribuição geográfica: distribui-
se na Bahia, Minas Gerais, Espírito Santo, Rio
de Janeiro e São Paulo nas florestas atlântica,
mesófila, ripária e de restinga. A repre-
sentatividade da espécie para o Brasil ainda
carece de uma coleção mais significativa
(Andreata 1997).
Material examinado: trilha do Cambuí Preto,
7.VII.1994, fl. masc., C. Luchiari et al. 456
(RB); mata a beira da estrada da barragem,
s.d., veg., E. Guimarães et al. 1057 (RB).
Material adicional: RIO DE JANEIRO:
Cabo Frio, 9 km ao N do rio Una, 14.11.1 985,
fl. fem., D. Araújo et al. 6646 (RB); ibidem,
loteamento Nova Califórnia e Frecheiras, 10
m s.m., 23. VIII. 1972, fr., D. Sucre et al.
5534 (RB).
A espécie na REBIO ocorre na floresta
de morrotes. As flores femininas e frutos
foram descritos do material adicional e ainda
não se conhece os fruto maduros.
6. Smilax rufescens Griseb. in Mart. &
Eicher., Fl. bras. 3(1): 9. 1842. Fig. 2a
Liana; caule robusto, cilíndrico, áspero ao
tato, não alado, estriado, acúleos esparsos nos
entrenós; ramos angulosos, não alados, ásperos
ao tato, sem catafilos incluídos no profilo.
Folhas com bainha e pecíolo sem acúleos;
lâmina coriácea, de coloração ferrugínea
quando seca, 6-13 x 2,5-8 cm, elíptica, ápice
agudo, com apículo, base levemente cordada,
emarginada ou truncada, margem plana;
nervuras 3-5, 3 principais conspícuas e 2
inconspícuas, nervura mediana de coloração
castanha, venação proeminente em ambas as
face. Flores esverdeadas; botões masculinos
elípticos, femininos ovóides. Flor masculina
com tépalas semelhantes entre si, reflexas,
oblongas, levemente cuculadas no ápice.
Andreata, R. H. P.
estames com anteras oblongas às vezes
apiculadas, de mesmo comprimento dos filetes.
Flor feminina com tépalas diferentes entre si,
reflexas, as externas ovais, cuculadas no ápice,
as internas oblongas, levemente papilosas no
ápice, 6 estaminódios, filiformes, de tamanhos
semelhantes, não atingindo a metade do
comprimento do ovário. Baga globosa, verde
passando a arroxeada e preta; sementes
avermelhadas.
Habitat e distribuição geográfica: distribui-
se nas Regiões Norte, Nordeste e Sudeste,
nesta última no Espírito Santo, Rio de Janeiro
e São Paulo e na Região Sul até Santa
Catarina. Habita, principalmente, as formações
de restinga sendo pouco freqüente na floresta
atlântica e de tabuleiro, no cerradão e em áreas
perturbadas (Andreata 1997).
Material examinado: aceiro da casa do
Projeto Mico-Leão-Dourado, atrás da mata
dos Barbados, 7.V1I.1993, fr., H. C. Lima et
al. 4764 (RB).
Material adicional: RIO DE JANEIRO: Rio
de Janeiro, Restinga de Grumari, 20.XI.1973,
fl. masc., D. Araújo et al. 547 (RB); SÃO
PAULO: Cananéia, Ilha do Cardoso,
16.VII1.1982, fl. fem., M. M. Fiuzza de Melo
423 (SP).
A espécie na REBIO ocorre na floresta
de baixada e está representada por apenas um
exemplar coletado na área. As flores e frutos
foram descritos de material adicional.
7. Smilax spicata Vell., Fl. Flumin. 1 0: pl. 1 1 1 .
1831; A.DC. in A.DC. & C.DC., Monoar.
phan. 1:155. 1878. Fia 3e-f
Liana; caule quadrangular, alado, cujos
ângulos se projetam em dentes triangulares
agudos, pungentes; ramos quadrangulares,
levemente alados, sem acúleos e catafilos
incluídos no profilo. Folhas com bainha e
pecíolo sem acúleos; lâmina papirácea. de
coloração esverdeada quando seca, fosca, 14-
40 x 4-23 cm, ovada ou lanceolada, ápice
acuminado, base obtusa, arredondada ou
levemente emarginada, margem plana; nervuras
5, 3 principais conspícuas e 2 inconspícuas,
Rodriguésia 57 (3): 647-657. 2006
SciELO/ JBRJ
.2 13 14 15 16 17
Smilacaceae da Rebio Poço das Antas. RJ
655
Figura 3 - SM*. lapicanga Griseb. - a. ramo .egenuico; b. detalhe do colo muricadoe
Steud. ■ c. ramo floríero: d, detalhe dos catalilos incluídos no proflta ;f~'“ V'"' ’ ' ““ C “
do caule alado, (a-b Andnata 812 ; c-d Kuhhnann s.n.. RB 19216. e-f Maninelh ■ 1
Rodriguésia 57 (3): 647-657. 2006
SciELO/JBRJ
12 13 14 15 16 17
cm ..
656
venação proeminente em ambas as faces. Flores
vinosas; botões florais masculinos elípticos,
femininos ovóides; tépalas dos dois verticilos
diferentes entre si, reflexas; as externas
oblongas, cuculadas no ápice, as internas
lanceoladas, papilosas no ápice. Flor masculina
com anteras oblongas, de mesmo comprimento
dos filetes. Flor feminina com 6 estaminódios,
filiformes, de tamanhos semelhantes, não
atingindo a metade do comprimento do ovário.
Baga globosa, verde passando a vinosa e preta;
sementes avermelhadas.
Habitat e distribuição geográfica: odorre
nos estados do Espírito Santo, Rio de Janeiro
e São Paulo na floresta atlântica, em altitudes
entre 200-900 m s.m. (Andreata 1997).
Material examinado: sem localização
específica, s.d., veg., E. Guimarães et al.
1169 (RB).
Material adicional: RIO DE JANEIRO:
Teresópolis, Parque Nacional da Serra dos
Órgãos, subsede, margem do rio Sorbebo,
3.II.1983, fl. fem., G. Martinelli et al. 9087
(RB); Rio de Janeiro, Pedra da Gávea, 6-
7.II.1971, fl. masc., D. Sucre 7455 (RB);
Parati, APA Cairuçu, trilha para o Cruzeiro,
10.VIII.1994, fr., C. Duarte 22 (RB).
Na REBIO o único exemplar coletado
não fornece informação sobre sua localização,
sendo vegetativo e por isso as flores e frutos
foram descritos com base em material
adicional. Trata-se de uma espécie caracte-
rística pelos caules alados e até o momento
sua distribuição está restrita a floresta atlântica
do sudeste brasileiro. Foi enquadrada como
vulnerável para o município do Rio de Janeiro
(Andreata 2000)
8. Smilax staminea Griseb. in Mart. &
Eichler., Fl. bras. 3(1): 11. 1842. Fig.2b
Liana; caule cilíndrico, liso, estriado, não
alado, inerme; ramos cilíndricos, lisos, com
acúleos nos entrenós, sem catafilos incluídos
no profilo. Folhas com bainha e pecíolo sem
acúleos; lâmina rígida ou cartácea, de coloração
esverdeada ediscolor quando seca, 6-11 x 1,5-
6 cm, elíptica ou ovada, ápice acuminado, base
Andreata, R. H. P.
obtusa ou atenuada, margem plana, sem
acúleos; nervuras 5, 3 principais conspícuas e
2 inconspícuas, venação proeminente em
ambas as faces. Flores alvo-esverdeadas;
botões florais masculinos oblongos; femininos
ovóides ou elípticos. Flor masculina com
tépalas diferentes entre si, reflexas, as externas
ovais ou lineares, cuculadas no ápice, as internas
lineares, papilosas no ápice, estames com
anteras oblongas, menores do que os filetes.
Flor feminina com tépalas semelhantes entre
si, reflexas, oblongas, as internas um pouco mais
estreitas, 6 estaminódios, filiformes, de
tamanhos semelhantes, atingindo a metade do
comprimento do ovário. Baga globosa, verde
passando de avermelhada a preta; sementes
avermelhadas.
Habitat e distribuição geográfica: distribui-
se na Bahia, passando pela Região Centro-
Oeste até o Sudeste, em Minas Gerais, Rio de
Janeiro e São Paulo, e atingindo até a Região
Sul, Paraná e Santa Catarina, nas florestas
atlântica, ripária e de restinga. Citada também
para a Bolívia (Andreata 1997).
Material examinado: estrada para Jutumaíba,
próximo a entrada para a parcela 1 (baixada),
1 1 .1.1994, veg., M. P. M. Lima et al. 256 (RB).
Material adicional: RIO DE JANEIRO:
Nova Friburgo, Lumiar, caminho para a Pedra
Riscada, 5.V.1988, fl. fem. e fr., J.F.A
Baumgratz et al. 421b (RB); Ri0 de Janeiro.
Morro Queimado, 10.III.1952, fl. masc., A. R
Duarte 4111 (RB).
A espécie na REBIO ocorre na floresta
de baixada e apenas um exemplar em
estado vegetativo, foi coletado, portanto, as
flores e frutos foram descritos com base em
material adicional.
9. Smilax stenophylla A.DC. in A.DC. & C.
DC., Monogr. phan. 1: 130. 1878. Fig. 2c
Liana; caule delicado, cilíndrico, liso,
estriado, não alado, acúleos esparsos nos
entrenós; ramos angulosos, ásperos ao tato, não
alados, sem catafilo incluído no profilo. Folhas
com bainha e pecíolo sem acúleos; lâmina
membranácea, de coloração esverdeada e
Rodriguésia 57 (3): 647-657. 2006
SciELO/JBRJ
12 13 14 15 16 17
Smilacaceae da Rebio Poço das Antas. RJ
657
discolor quando seca 7-14,5 x 1 ,5-4,5 cm, elíptica
ou ovado-lanceolada, ápice agudo, com acúmem,
base aguda ou arredondada, margem plana, sem
acúleo; nervuras 5, 3 principais conspícuas e 2
inconspícuas, nervura mediana mais espessa e
alva que as laterais na face abaxial, venação
proeminente em ambas as faces. Flores
masculinas alvo-esverdeadas; femininas vinosas;
botões masculinos elípticos, femininos oblongos
ou ovóides; tépalas diferentes entre si, reflexas,
as externas na flor masculina ovais, na flor
feminina oblongas, cuculadas no ápice, as internas
oblongas ou lineares, levemente cuculadas no
ápice. Flor masculina com anteras oblongas, do
mesmo comprimento ou maiores que os filetes.
Flor feminina com 6 estaminódios, 3 maiores e 3
menores, filiformes, não atingindo a metade do
comprimento do ovário. Baga globosa, verde
passando a vinosa; sementes vinosas.
Habitat e distribuição geográfica: distribui-
se nos estados de Minas Gerais, Rio de Janeiro,
São Paulo e Paraná nas florestas atlântica e
mesófila. Trata-se de uma espécie até o
momento com parca representatividade nas
coleções brasileiras (Andreata 1997).
Material examinado: trilha do Morro do
Calcário, 14.III.1995, fl., H. C. Lima et ai
5007 (RB); estrada para Jutumaíba, próximo
a entrada para parcela 1, 11.1.1994, veg., M.
P. M. Lima et al. 255 (RB).
Material adicional: RIO DE JANEIRO: Rio
de Janeiro, Serra da Carioca, Botafogo, Morro
Mundo Novo, s.d., fl. fem. e fr., T Konno s.n.
(RUSU 5554); ibicJem, maciço daTijuca, Serra
da Carioca, 22. V. 1992, fl. masc., J. M. A.
Braga 68 (RUSU).
A espécie na REBIO ocorre na floresta
de baixada e de morrote.
Agradecimentos
A autora agradece a bolsa de
produtividade de pesquisa concedida pelo
Conselho Nacional de Desenvolvimento
Científico e Tecnológico (CNPq). Aos
curadores dos herbários consultados. À Maria
Helena Pinheiro pelas ilustrações.
Referências Bibliográficas
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espécies brasileiras do gênero Smilax
Linnaeus (Smilacaceae). Pesquisas,
Botânica 47: 7-244.
. 2000. Smilacaceae. In: Di Maio, F.
R. & Silva, M. B. R. (coord.). Espécies
ameaçadas de extinção no município do
Rio de Janeiro: Flora e Fauna. Secretaria
Municipal de Meio Ambiente, Rio de
Janeiro, 68p. il.
. 2002. Smilacaceae. In: Wanderley, M.
G. L.; Shepherd, G. J. & Giulietti, A. M.
(coord.). Flora Fanerogâmica do Estado
de São Paulo. Vol. 2. FAPESP:
HUCITEC, São Paulo, 39 lp.
Candolle, A. L. P. P. De. 1878. Smilaceae. In:
A. L. P. P. De Candolle & C. P. De Candolle
(eds.). Monographiae phanerogamarum.
Paris, G. Masson 1: 1-217.
Grisebach, A. H. R. 1842. Smilacaceae. In.
C. F. P. Martius & A. G. Eichler (eds.).
Flora brasiliensis. Monachii Lipsiae, Frid.
Fleicher 3(1): 1-24, tab. 1-5.
Rodriguésia 57 (3): 647-657. 2006
SciELO/ JBRJ
12 13 14 15 16 17
cm
VoCHY'SIACEAE NA RESERVA BlOLÓGICA DE POÇO DAS ANTAS,
Silva Jardim, Rio de Janeiro, Brasil
Maria Célia Vianna'
Resumo *
(Vochysiaceae na Reserva Biológica de Poço das Antas. Silva Jardim. Rio de Janeiro. Brasil) E apresentado
o estudo da família Vochysiaceae na Reserva Biológica de Poço dos Antas. Sil™ Jardim. Rio de Janeiro. Mo
encontradas na área trés espécies: Qualeajundiahy Warm Vochysw b,faka,a Warm. «
Sáo apresentados chave de identificação, descrições, tlustrações das espcctes, dados de distribuição
geográfica, floração e frutificação. _ .
Palavras-chave: Qualea, Vochysia, taxonomia, flora, floresta atlantica.
(Vochysiaceae in Biological Reserve of Poço das Antas, Silva Jardim, Rio de Janc.ro, Brazil) A study of the
family Vochysiaceae in Biological Reserve of Poço das Antas, Silva Jardim, Rio de Jane.ro, is presen^d.
Thre/species are found in the area: Qualea jundiahy Warm., Vochysia bifalcala Warm. and V. gummifera
Warm. A key to the taxa and descriptions are provided, as well as informations about their phenology and
geographical distribution. The taxa are illustrated as to habit.
Key words: Qualea, Vochysia, taxonomy, flora, Atlantic forest.
Introdução
A família Vochysiaceae abrange seis
gêneros e cerca de 200 espécies,
neotropicais, com poucos representantes em
regiões subtropicais. O único gênero não
americano c Erismadelphus , que ocorre na
África tropical ocidental. Os cinco gêneros
americanos estão bem representados na
flora brasileira, tendo seus centros de
diversidade situados nas regiões Guiano-
Amazônica, Planalto Central brasileiro e na
floresta atlântica. A representação da família
Vochysiaceae é significativa nos diferentes
ecossistemas brasileiros e os seus
exemplares tendem a se distribuir em grupos
gregários.
Material e Métodos
As descrições e ilustrações das
espécies foram elaboradas com base no
material coletado na Reserva e em material
adicional de outras localidades depositado
nos herbários B, BHMH, BR, CVRD, GUA,
HB, HBR, NY, R, RB, RBR, RUSU, UENF,
VIC e VIES (acrônimos segundo Holmgren
et al. (1990)).
Resultados
As Vochysiaceae da Reserva Biológica de
Poço das Antas estão representadas por árvores,
de córtex frequentemente suberoso, rimoso ou
verruculoso, ramos opostos, tricomas simples,
unicelulares, folhas simples, opostas {Q. jundiahy
Warm.) ou verticiladas ( V. bifalcata Warm. e V
gummifera Warm.), peninérveas, margens
inteiras, com estipulas muito pequenas; as flores
estão reunidas em inflorescências tirsóides
(compostas por cíncinos), terminais ou axilares,
são monóclinas e tctracíclicas; possuem cálice
gamossépalo, pcntalaciniado, lacínios desiguais
entre si, geralmentc um maior e calcarado, que
envolve os ciclos florais internos; a corola de
Vochysia possui três pétalas, desiguais entre si,
amarelas. Qualea apresenta flores com uma
única pétala, inicialmentc alva ou róseo-pálida,
passando a amarelada, ornamentada com pontos
e linhas escuros ou purpúreos; o androceu das
Vochysiaceae é sempre constituído por um único
estame fértil, antera bitcca, deiscência rimosa; a
presença de estaminódios pequenos c petalóides
é comum; o gineceu dos gêneros Qualea e
Vochysia é formado por um ovário súpero,
trilocular, óvulos anátropos; o fruto é uma cápsula.
o recebido em 02/2005. Aceito para publicação em 0 9/-006. PEEMA. Estr. Vista Chinesa. 1999
lário Alberto Castellanos (GUA). Serviço de Ecologia Aplicada - DIV^^EPFEEMA
41 ). Alto da Boa Vista. 20531-110. Rio do Jahoiro, RJ, Btasll. mcjriannidSíteimcom.br
SciELO/JBRJ
L2 13 14 15 16 17
cm i
660
rimosa em Vochysia e não rimosa em Qualea
(Barroso et al. 1 999); as sementes são aladas,
no mínimo três por fruto, sem endosperma, testa
pilosa; o embrião é reto, homótropo; 2
cotilédones foliáceos.
Vianna. M. C.
A madeira das espécies de
Vochysiaceae de mata atlântica é utilizada de
uma maneira geral na confecção de caixas,
caixotes, papel, construção civil e naval,
carvão e obras internas (Corrêa 1984).
Chave para identificação das espécies
1. Folhas opostas. Flor com uma pétala, alva ou rósea-pálida, prefloração convoluta. Ovário
t multiovulado por lóculo. Cíncino sub-séssil Qualea jundiahy
1 ’. Folhas verticiladas. Flor com três pétalas desiguais, amarelas, prefloração imbricada. Ovário 2-
ovulado por lóculo. Cíncino pedunculado.
2. Ramos adultos e folhas glabrescentes; folhas 3-verticiladas; calcar falcado-curvo
2\
7“"V Vochysia bifalcata
Ramos adultos e face abaxial das folhas jovens pilosos; folhas 4-5-verticiladas; calcar
subcurvo Vochysia gummifera
1. Qualea jundiahy Warm., Symb. flor. Bras.
Centr. cogn. I. Vidensk Meddel. Dansk
Naturhist. Foren. Kjobenh. 1: 31-33, 45 fíg. 5.
mi. Fig A
Arvore ca. 30 m, tronco cilíndrico, DAP
ca. 50 cm, córtex escuro, nos exemplares
jovens amarelado, glabro, ritidoma pardo-
acinzentado com protuberâncias distribuídas
aleatoriamente; lenho palidamente ocráceo-
escuro ou esbranquiçado. Râmulos tetragonais.
Folhas opostas, geralmente inseridas
desordenadamente; pecíolo 4-9 mm compr.,
escuro, achatado; estipulas ca. 1 mm compr.,
acuminadas, intrapeciolares, glândulas ca.
1 mm diâm., inseridas extemamente na base
do pecíolo; lâmina 7-12 x 2,5^1 cm, oblonga,
ápice agudo, base arredondada, margem
sub-revoluta, face adaxial nítida a opaca,
glabra, face abaxial geralmente com
nervuras amarelado-pubescentes; nervação
broquidódroma, nervuras secundárias
geralmente 13-15 pares, formando ângulos
de ca. 70° com a nervura mediana, nervura
marginal a 1-1,5 mm da margem.
Inflorescência densiflora, piramidal ou
cilíndrica, 10-15 cm, ca. 3 cm diâmetro; cíncino
sub-séssil, 2-4 flores, zigomorfas, aromáticas;
brácteas e bractéolas 0,8— 1,2 cm compr.,
caducas, oblongas, pubescentes, verdes;
pedicelo 0,8- 1,2 (1,5) cm compr., geralmente
densamente pubescente; botão floral ca. 1 cm
compr.; lacínios do cálice extemamente verdes,
intemamente com mancha escura, dois laterais
amplo-ovais, subtruncados, 5—8 mm compr.,
pubescentes; anteriores obovais, ápice
arredondado ou truncado e repando; posterior
até 1 cm compr.; cálcar ca. 7 mm compr.; pétala
única, amplo-obcordada, margem ondulado-
crispa, glabra, membranácea, 3-4 x 3^ ctI1)
alva ou róseo-pálida, com pontos e linhas
purpúreos, passando a amarelada, com pontos
escuros, estame 7—8 mm, raro ca. 1 cm compr.,
glabro, ovário ovóide-globoso, coberto por
indumento hirsuto, subseríceo, tricomas
cinzento-escuros; estilete 7-9 mm compr.
Cápsula ca. 4 x 2 cm, exocarpo bruno-
esverdeado, superfície minuciosamente
verruculosa, pedúnculo frutífero 0,5-1 cm
compr.; semente 3,5 x 1 Cm.
Nomes vulgares: jundiaí (RJ), louro-tinga,
pau-terra-do-mato (MG), pequi-liso (ES).
Distribuição geográfica: Brasil: Espírito
Santo, Minas Gerais e Rio de Janeiro.
Fenologia: floresce no período de novembro
a abril; frutifica de agosto a outubro.
Material examinado: margens do rio São
João, entre a BR- 1 0 1 e a ponte da linha férrea,
24.1.1994, bt., D. S. Farias et al. 127 (RB).
Material adicional examinado: BRASIL.
ESPIRITO SANTO: Linhares, Reserva
Rodriguésia 57 (3): 659-666. 2006
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2 13 14 15 16 17 18
Vochysiaceae na Rebio de Poço das Antas
661
(el) e dorsal (e2); f. ovário - corte transversal.
Rodriguésia 57 (3): 659-666. 2006
SciELO/JBRJ.
12 13 14 15 16 17
cm ..
662
Florestal, 7.VIII. 1982, fr., I. A. Silva 333
(CVRD, GUA); idem 10.XI.1972, fl,,/. Spada
42 (CVRD, GUA, RB, RBR); Conceição da
Barra, Área 135, 15.X.1992, fr., O. J. Pereira
et ai 3945 (GUA, VIES); MINAS GERAIS:
Poços de Caldas, margem rio das Antas,
fazenda Cachoeira, 21. XI. 1940, bt„ fl., H. L.
Mello Barreto 10905 (BHMH, GUA). RIO
DE JANEIRO: Rio das Ostras, Reserva
Biológica União, 3.VIII.2000, fr., J. M. A.
Braga et al. 6080 (GUA); Nova Friburgo,
Cachoeira, 13.III.1870, bt., A. F M. Glaziou
3956 (GUA, R).
Qualea jundiahy ocorre geralmente nas
florestas semidecíduas em altitudes superiores
a 400 m. Sua ocorrência também é comum
nas matas de tabuleiro nos estados do Espírito
Santo e do Rio de Janeiro. Na Reserva
Biológica de Poço das Antas habita as áreas
de baixada, na transição com a mata alagada.
Q. jundiahy é facilmente reconhecida por
seu porte elegante (ca. 30 m alt.) e pelas
vistosas flores zigomorfas, com corola alva ou
róseo-pálida, ornamentada por pontos e linhas
purpúreos, aromáticas.
2. Vochysia bifalcata Warm. in Mart., Fl. bras.
13 (2): 84. 1875. Fig.2
Árvore 1 5-30 m (-40 m) de altura; tronco
reto, DAP ca. 50 cm; córtex espesso, fendido e
avermelhado ou liso e pardacento, às vezes
escamoso, acinzentado; copa globosa, bem
conformada, densa; tronco ereto e cilíndrico.
Ramos terminais ca. 3 mm diâm., delgados,
roliços. Estipulas rudimentares ou ausentes.
Folhas geralmente 3-verticiladas; pecíolo 1-1 ,7
cm compr.; lâmina 8-13 (-15) x 2, 5-3,5 (-4)
cm, elíptico-lanceolada a oblongo-lanceolada,
cartácea, glabrescente, nítida na face adaxial,
base atenuada, ápice agudo ou acuminado, às
vezes plicado, margem revoluta; venação foliar
broquidódroma, nervuras secundárias ca. 35
pares, formando ângulos de ca. 70° com a
nervura mediana, nervura marginal presente,
localizada ca. 2 mm da margem foliar.
Inflorescência ca. 15 x 6-7 cm, terminal,
piramidal ou cilíndrica, raque 12-24 cm compr..
Viarma. M C.
quase inteiramente amarela; cíncino 2-3 flores,
levemente aromáticas; pedúnculos e pedicelos
ca. 1,5 cm compr.; botão floral 1,5-2 x 0,2-0, 3
cm, 2— falcado a falcado— curvo, ápice
acuminado; cálcar ca. 1 x 0,1 cm, também
falcado-curvo, geralmente reflexo; lacínios do
cálice, os 4 menores ca. 5 mm compr., ovais,
desiguais entre si; o maior ca. 2 x 0,6-0,8 cm,
oblongo; pétalas 3, ca. 1 x 0,5 cm compr., quase
iguais entre si, obovadas a oblongas, glabras;
estame fértil ca. 1 ,5 cm compr., clavado, ápice
obtuso, glabro ou com alguns cílios marginais
na antera; filete ca. 3 mm compr.; parte fértil
da antera ca. 7 mm compr., parte estéril tão
longa quanto o filete (ca. 3 mm compr.);
estaminódios ca. 0,5 mm, triangulares, delicados;
ovário glabro, ca. 2 mm diâm.; estilete ca. 1,2
cm compr.; estigma 0,5 mm diâm., subcapitado.
Cápsula 3,5-4 x 1?5 cm, superfície quase lisa;
pedúnculo frutífero ca. 2 cm compr.
Nome vulgar: canela-santa, guaricica (PR),
murici-vermelho (RJ), pau-amarelo, pau-de-
vinho, pau-tucano, vinheiro (SP).
Distribuição geográfica: Brasil: Paraná, Rio
de Janeiro e São Paulo.
Fenologia: floresce de dezembro a março;
frutifica a partir de março, com amadurecimento
total dos frutos a partir de agosto.
Material examinado: trilha Rodolfo Norte,
próx. ao portão da REBIO, 21. VI. 1993, fl.,
fr., H. C. Lima et al. 4678 (GUA, RB);
estrada para Jutumaíba, próx. ao portão da
Reserva, 18.1.1994, bt., fl., H. C. Lima et al.
4863 (RB); 13.VII.1994, fr., H. C. Lima et
al. 4934 (RB); estrada Jutumaíba, esquerda,
km 0, 10.11.1994, bt., fl., C. Luchiari et al.
293 (GUA, RB); 10.11.1994, fl., fr., C.
Luchiari et al. 295 (GUA, RB); 10.11.1994,
fl., fr., C. Luchiari et al. 296 (GUA, RB);
trilha do Pau Preto, margem do rio Pau Preto,
24.1.1995, fl., J. M. A. Braga et al. 1778
(RB, RUSU).
Material adicional examinado: BRASIL.
PARANÁ: Paranaguá, Alexandra, 3.1.1960, fl.,
G. Hatschbach 6627 (HB). RIO DE
JANEIRO: Parati, Parati-Mirim, 8.VIII.1994,
fr., R. Marquete 1955 (GUA, RB).
Rodrigues ia 57 (3): 659-666. 2006
SciELO/JBRJ
Vochysiaceae na Rebio de Poço das Antas
663
Figura 2 - VocHysia bifa, ca, a Warm. - a. parte do ramo
do cálice; el-e3. pétalas; f. androceu; gl, g2. estammod.os; h. g.neceu estilete estigm
j. cápsula, (a-i Hatschbach 6627; j Marquete 1955)
Rodriguésia 57 (3): 659-666. 2006
SciELO/ JBRJ
12
664
Vianna, M. C.
Vochysia bifalcata é um
megafanerófito, geralmente em grupos
gregários nas comunidades florestais da
encosta atlântica, ocorrendo desde o nível
do mar até ca. 400 m de altitude. Na
Reserva Biológica de Poço das Antas
ocorre preferencialmente em áreas de
baixada, sob influência do lençol freático.
V. bifalcata é facilmente reconhecida
por suas folhas geralmente 3-verticiladas,
inflorescências quase inteiramente áureas,
dispostas na parte superior da copa, botões
florais falcados e cálcar na maioria das
vezes reflexo.
3. Vochysia gummifera Mart. ex Warm. in
Mart., Fl. bras. 13 (2): 82. 1875. Fig. 3
Árvore ca. 30 m alt.; tronco reto, DAP
ca. 50 cm; córtex gríseo. Ramos jovens
sulcados, angulosos, ângulos correspondendo
às bases das folhas. Estipulas ca. 1 mm
compr., deltoides. Folhas 4-5-verticiladas;
pecíolo 1,5-2 x 0,1 cm, base espessada;
lâmina 12-16 x 3-5 cm, oblongo-lanceolada,
coriácea, discolor, face adaxial da folha
adulta glabra, brilhante e face abaxial, nas
folhas jovens, densamente ferrugíneo-
pubescente, pubescente nas folhas adultas,
base agudo-atenuada, ápice acuminado ou
agudo, venação foliar broquidódroma,
nervuras secundárias ca. 35, formando
ângulos de ca. 80° com a nervura mediana,
nervura marginal localizada ca. 2 mm da
margem foliar. Inflorescência ca. 15 cm
compr., terminal, cilíndrica; cíncino 1-3
flores; pedúnculos 4-5 x 0,5-0, 8 mm;
pedicelos 1-1,5 cm x 0,5-0, 8 mm; botão
floral ca. 1,5 x 0,2 cm, curvo, cilíndrico, ápice
obtuso ou subagudo; cálcar ca. 8 x 1,5 mm,
reflexo, cilíndrico, subcurvo, ápice muito
levemente espessado; lacínios menores do
cálice ca. 2 mm compr., desiguais entre si,
ciliados, dorsalmente pilosos; lacínio maior
do cálice ca. 1,5 x 0,7 cm, obovado, ciliado,
com tricomas curtos, castanhos, mais
numerosos na base do lacínio; pétalas
subiguais entre si, 5-8 mm compr., obovadas;
estame fértil ca. 1 cm compr., subclavado;
Filete ca. 2,5 mm; antera 7,5 mm compr.,
ápice obtuso, margem ciliada e parte basal
estéril igual ao filete, ca. 2,5 mm;
estaminódios desiguais, ligulados; ovário
glabro, ca. 3 mm compr.; estilete ca. 8 mm
compr., subclavado; estigma ca. 1 mm diâm.,
capitado. Fruto não observado.
Nomes vulgares: árvore-da-goma-arábica,
árvore-do-vinho, cabeluda-roxa (RJ), gomeira,
gomeira-de-minas, pau-d’água, pau-de-vinho,
pelado, vinheiro-do-campo. (Corrêa 1984).
Distribuição geográfica: Brasil: Minas Gerais
e Rio de Janeiro.
Fenologia: floresce a partir de dezembro,
provavelmente até março.
Material examinado: trilha para Pelonha,
estrada em frente à trilha do morro do calcário,
21. XII. 1994, bt., D. S. Farias et al. 362 (RB);
trilha do morro do calcário, 1 1 .V. 1 994, vg„ D.
S. Farias et al. 230 (RB).
Material adicional examinado: BRASIL.
MINAS GERAIS: Carangola, District
Carangola, about 5 km North of fazenda da
Grama North of Matto Virgem, on West-facing,
4.II.1930, fl., Y. Mexia 4317 { NY, VIC). RIO
DE JANEIRO: Cantagallo, s.d., bt., T Peckolt
345 (BR); Rio das Ostras, Reserva Biológica
União, 23. XI. 2000, bt., J. M. A. Braga 6502
(GUA, UENF).
Como Vochysia bifalcata, Vochysia
gummifera é um megafanerófito, que cresce
geralmente em grupos gregários nas
comunidades florestais da encosta atlântica,
desde o nível do mar até ca. 400 m de altitude;
na Reserva Biológica de Poço das Antas
ocorre às vezes também na transição com a
mata alagada de baixada. V. gummifera
pertence à V. subsect. Discolores Stafleu, que
se caracteriza por espécies dotadas de folhas
com face abaxial pubescente.
Agradecimentos
Aos Curadores dos herbários citados no
texto, pela disponibilização do material para
estudo. A todos aqueles que colaboraram com
suas valiosas sugestões.
Rodriguésia 57 (3): 659-666. 2006
SciELO/ JBRJ
2 13 14 15 16 17 18
cm
Figura 3 - Vochvsia gummifera Warm. - a, b. parte do ramo ílorido: a. folhas, b. inflorescência; cl. botão lloral com
calcar; c2. lacínio maior do cálice; dl -d5. lacínios do cálice; el-e3. pétalas; f. androceu; g. gineceu- estilete e estigma; hl.
ovário inteiro; h2. rudimentos seminíferos. (a Peckoll 345\ b-h Mexia 4317)
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L2 13 14 15 16 17
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Vianna, M. C.
Referências Bibliográficas
Barroso, G. M.; Morim, M. P.; Peixoto, A. L. &
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Flora brasiliensis. München, Wien, Leipzig
13(2): 17-116.
Rodriguésia 57 (3): 659-666. 2006
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cm
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como os nomes científicos genéricos e infragenéricos.
Utilizar nomes científicos com-pletos (gênero,
espécie e autor) na primeira men-çâo, abreviando o
nome genérico subseqüente-mente, exceto onde
referência a outros gêneros cause confusão. Os
nomes dos autores de táxons devem ser citados
segundo Brummitt & Powell (1992), na obra
“Authors of Plant Names”.
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instituições, apoio financeiro, autor e endereço para
correspondência e título abreviado. O título deverá
ser conciso e objetivo, expressando a idéia geral do
conteúdo do trabalho. Deve ser escrito em negrito
com letras maiusculas utilizadas apenas onde as
letras e as palavras devam ser publicadas em
maiusculas.
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título em português ou espanhol), Abstract
(incluindo título em inglês) e palavras-chave (até 5,
em português ou espanhol e inglês). Resumos e
abstracts devem conter até 200 palavras cada. O
Corpo Editorial pode redigir o Resumo a partir da
tradução do Abstract em trabalhos de autores não
fluentes em português.
Texto - Iniciar em nova página de acordo com
sequência apresentada a seguir: Introdução,
Material e Métodos, Resultados, Discussão,
Agradecimentos e Referências Bibliográficas. Estes
itens podem ser omitidos em trabalhos sobre a
descrição de novos táxons, mudanças nomcncluturais
ou similares. O item Resultados pode ser agrupado
com Discussão quando mais adequado. Os títulos
(Introdução, Material e Métodos etc.) e subtítulos
deverão serem negrito. Enumere as figuras e tabelas
em arábico de acordo com a seqüência em que as
mesmas aparecem no texto. As citações de
referências no texto devem seguir os seguintes
exemplos: Miller( 1 993), Miller& Maier ( 1 994), Baker
et al. (1996) para três ou mais autores ou (Miller
1993), (Miller & Maier 1994), ( Baker et al. 1996).
Referência a dados ainda não publicados ou
trabalhos submetidos deve ser citada conforme o
exemplo: (R.C. Vieira, dados não publicados). Cite
resumos de trabalhos apresentados em Congressos,
Encontros e Simpósios se estritamente necessário.
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12 13 14 15 16 17
cm ..
O material examinado nos trabalhos taxonômicos
deve ser citado obedecendo a seguinte ordem: local
e data de coleta, fl., ff., bot. (para as fases fenológicas),
nome e número do coletor (utilizando et al. quando
houver mais de dois) e sigla(s) do(s) herbário(s)
entre parêntesis, segundo o Index Herbariorum.
Quando não houver número de coletor, o número de
registro do espécime, juntamente com a sigla do
herbário,deverá ser citado. Os nomes dos países e
dos estados/províncias deverão ser citados por
extenso, em letras maiúsculas e em ordem alfabética,
seguidos dos respectivos materiais estudados.
Exemplo:
BRASIL. BAHIA: Ilhéus, Reserva da CEPEC,
1 5.XII. 1 996, fl. e fr., R, C. Vieiraetal. 10987) MBM,
RB, SP).
Para números decimais, use vírgula nos artigos
em Português e Espanhol (exemplo: 1 0,5 m) e ponto
em artigos em Inglês (exemplo: 10.5 m). Separe as
unidades dos valores por um espaço (exceto em
porcentagens, graus, minutos e segundos).
Use abreviações para unidades métricas do
Systeme Internacional d Unités (SI) e símbolos
químicos amplamente aceitos. Demais abreviações
podem ser utilizadas, devendo ser precedidas de
seu significado por extenso na primeira menção.
Referências Bibliográficas — Todas as referências
citadas no texto devem estar listadas neste item. As
referências bibliográficas devem ser relacionadas em
ordem alfabética, pelo sobrenome do primeiro autor,
com apenas a primeira letra em caixa alta, seguido
de todos os demais autores. Quando houver
repetição do(s) mesmo(s) autor(es), o nome do
mesmo deverá ser substituído por um travessão;
quando o mesmo autor publicar vários trabalhos
num mesmo ano, deverão ser acrescentadas letras
alfabéticas após a data. Os títulos de periódicos
não devem ser abreviados.
Exemplos:
Tolbert, R. J. & Johnson, M. A. 1966. A survey of
the vegetative shoot ápices in the family
Mal vaceae. American Journal of Botany 53( 1 0)-
961-970.
Engler, H. G A. 1 878. Araceae. In: Martius, C. F. P.
von; Eichler, A. W. & Urban, I. Flora brasiliensis.
Munchen, Wien, Leipzig, 3(2): 26-223.
• 1 930. Liliaceae. In: Engler, H. G A. & Plantl,
K. A. E. Die Naturlichen Pflanzenfamilien. 2.
Aufl. Leipzig (Wilhelm Engelmann). 1 5: 227-386.
Sass, J. E. 1951 . Botanical microtechnique. 2ed. Iowa
State College Press, Iowa, 228p.
Cite teses e dissertações se estritamente
necessário, isto é, quando as informações requeridas
para o bom entendimento do texto ainda não foram
publicadas em artigos científicos.
Tabelas - devem ser apresentadas em preto e branco,
no formato Word for Windows. No texto as tabelas
devem ser sempre citadas de acordo com os exemplos
abaixo:
Apenas algumas espécies apresentam
indumento (Tab. 1)...”
Os resultados das análises fitoquímicas são
apresentados na Tabela 2...”
Figuras - não devem ser inseridas no arquivo de
texto. Submeter originais em preto e branco e três
cópias de alta resolução para fotos e ilustrações,
que também podem ser enviadas em formato
eletrônico, com alta resolução, desde que estejam
em formato TIF ou compatível com CorelDra\\\
versão 10 ou superior. Ilustrações de baixa
qualidade resultarão na devolução do manuscrito.
No caso do envio das cópias impressas a numeração
das figuras, bem como textos nelas inseridos,
devem ser assinalados com Letraset ou similar em
papel transparente (tipo manteiga), colado na parte
superior da prancha, de maneira a sobrepor o papel
transparente à prancha, permitindo que os detalhes
apareçam nos locais desejados pelo autor. Os
gráficos devem ser em preto e branco, possuir bom
contraste e estar gravados em arquivos separados
em disquete (formato TIF ou outro compatível com
CorelDraw 10). As pranchas devem possuir no
máximo 15 cm larg. x 22 cm comp. (também serão
aceitas figuras que caibam em uma coluna, ou seja.
12 cm Iarg.x 22 cm comp.). As figuras que excederem
mais de duas vezes estas medidas serão recusadas.
As imagens digitalizadas devem ter pelo menos 600
dpi de resolução.
No texto as figuras devem ser sempre citadas
de acordo com os exemplos abaixo:
“Evidencia-se pela análise das Figuras 25 e
26....”
“Lindman (Fig. 3) destacou as seguintes
características para as espécies...”
Após feitas as correções sugeridas pelos
assessores e aceito para a publicação, o autor deve
enviar a versão final do manuscrito em duas vias
impressas e em uma eletrônica.
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o mas autores o (Miller, 1993), (Miller & Maier,
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Las referencias a datos todavia no publicados
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o R.C. Vieira obs. pers.). Cite resúmenes de trabajos
presentados en Congresos, Encuentros y Simposios
cuando sea estrictamente necesario.
SciELO/JBRJ
2 13 14 15 16 17 18
cm
El material examinado en los trabajos
taxonómicos debe ser citado obedeciendo el
siguiente orden: lugar y fecha de colección, fl., fr.,
bot. (para las fases fenológicas), nombre y número
dei colector (utilizando et al. cuando existan más
de dos) y sigla(s) de lo(s) herbario(s) entre
parêntesis, siguiendo el Index Herbariorum.
Cuando no exista número de colector, el número
de registro dei espécimen, juntamente con la sigla
dei herbário, deberá ser citado. Los nombres de
los países y de los estados o províncias deberán
ser citados por extenso, en letras mayúsculas y en
orden alfabética, seguidos de los respectivos
materiales estudiados.
Ejemplo:
BRASIL. BAHIA: Ilhéus, Reserva da CEPEC,
1 5.XII. 1 996, fl. y ff., 7?. C. Vieiraetal. 10987( MBM,
RB, SP).
Para números decimales, use coma en los
artículos en Português y Espanol (ejemplo: 1 0,5 m)
y punto en artículos en Inglês (ejemplo: 10.5 m).
Separe las unidades de los valores por un espacio
(excepto en porcentajes, grados, minutos y
segundos).
Use abreviaciones para unidades métricas dei
Systeme Internacional d’Unités (SI) y símbolos
químicos ampliamente aceptados. Las otras
abreviaciones pueden ser utilizadas, debiendo ser
precedidas de su significado por extenso en la
primera mención.
Referencias Bibliográficas - Todas las referencias
citadas en el texto deben ser listadas en esta
sección. Las referencias bibliográficas deben ser
ordenadas en orden alfabético por apellido dei
primer autor, solo la primera letra debe estar en caja
alta, seguido de todos los demás autores. Cuando
exista repetición del(los) mismo(s) autor(es), el
nombre dei mismo deberá ser substituído por una
raya; cuando el mismo autor tenga vários trabajos
en un mismo ano, deberán ser colocadas letras
alfabéticas después de la fecha. Los títulos de
revistas no deben ser abreviados.
Ejemplos:
Tolbert, R. J. & Johnson, M. A. 1 966. A survey of the
vegetative shoot ápices in the family Malvaceae.
American Journal of Botany 53(10): 961 -970.
Engler, H. G A. 1 878. Araceae. In: Martius, C. F. P.
von; Eichler, A. W. & Urban, I. Flora brasiliensis.
Munchen, Wien, Leipzig, 3(2): 26-223.
• 1 930. Liliaceae. In: Engler, H. G A. & Plantl,
K. A. E. Die Naturlichen Pflanzenfamilien. 2.
Aufl. Leipzig (WilhelmEngelmann). 15:227-386.
Sass, J. E. 1 95 1 . Botanical microtechnique. 2ed. Iowa
State College Press, Iowa, 228p.
Cite tesis y disertaciones si es estrictamente
necesario, o cuando las informaciones requeridas
para un mejor entendimiento dei texto todavia no
fueron publicadas en artículos científicos.
Tablas - deben ser presentadas en blanco y negro,
en el formato Word para Windows. En el texto las
tablas deben estar siempre citadas de acuerdo con
los ejemplos abajo:
“Apenas algunas especies presentan
indumento (Tab. 1)...”
“Los resultados de los análisis fitoquímicos
son presentados en la Tabla 2...”
Figuras - no deben ser inseridas en el archivo de
texto. Someter originales en blanco y negro tres
copias de alta resolución para fotos y ilustraciones,
que también puedan ser enviadas en formato
electrónico, con alta resolución, desde que sean
en formato JPG o compatible con CorelDraw
versión 9 o superior. Ilustraciones de baja calidad
causaran la devolución dei manuscrito. En el caso
de envio de las copias impresas la numeración de
las figuras, así como, textos en ellas inseridos,
deben ser marcados con Letraset o similar en papel
transparente (tipo mantequilla), pegado en la parte
superior de la figura, de manera que al colocar el
papel transparente sobre la figura permitiran que
los detalles aparezcan en los lugares deseados por
el autor. Los gráficos deben ser en blanco y negro,
con excelente contraste y gravados en archivos
separados en disquete (formato JPG o otro
compatible con CorelDraw 10.). Las figuras se
publican con un de máximo 1 5 cm de ancho x 22 cm
de largo, también serán aceptas figuras dei ancho
de una columna - 7,2 cm. Las figuras que excedan
más de dos veces estas medidas serán devueltas.
Es necesario que las figuras digitalizadas tengan
al menos 600 dpi de resolución.
En el texto las figuras deben ser siempre
citadas de acuerdo con los ejemplos de abajo:
Evidencia para el análisis de las Figuras “*5 v
26....”
Lindman (Fig. 3) destaco las siguientes
características para las especies...”
Después de hacer las correcciones sugeridas
por los asesores y siendo aceptado el articulo para
publicación, el autor debe enviar la versión final
dei manuscrito en dos copias impresas y en una
copia electrónica. Identifique el disquete con
nombre y número dei manuscrito.
SciELO/JBRJ
2 13 14
INSTRUCTIONS TO AUTHORS
Scope
Rodriguésia, issued three times a year by the
Botanical Garden of Rio de Janeiro Research
Institute (Instituto de Pesquisa Jardim Botânico do
Rio de Janeiro), publishes scientific articles and
short notes in all areas of Plant Biology, as well as
History of Botany and activities linked to Botanic
Gardens. Articles are published in Portuguese,
Spanish or English.
Submission of manuscripts
Manuscripts are to be submitted with 3 printed
copies (we will request the text on diskette or as an
e-mail attachment after the review stage) to:
Revista Rodriguésia
Rua Pacheco Leào 9 1 5
Rio de Janeiro - RJ
CEP: 22460-030
Brazil
Fone: (0xx2 1 ) 3201-25 1 9 / 3204-2 1 30
The maximum recommended length of the
articles is 30 pages, but larger submissions may be
published after evaluation by the Editorial Board.
The articles are considered by the Editorial Board
of the periodical, and sent to 2 referees ad hoc. The
authors may be asked, when deemed necessary, to
modify or adapt the submission according to the
suggestions of the referees and the editors.
Once the article is accepted, it will be type-set
and the authors will rcceive proofs to review and
send back in 5 working days from receipt. Following
their publication, the articles will be available
digitally (PDF, AdobeAcrobat) at the site of the
Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de
Janeiro ( httpi/Avww jbrj.goY.br).
Guidelines
Manuscripts must be presented in Microsoft
Word software (vs 6.0 ou more recent), with Times
New Roman font size 12, double spaced. Page
format must be size A4, margins 2,5 cm, justified
(except in the cases explained below), printed on
one side only. All pages, except the title page, must
be numbered in the top right comer. Capital letters
to be used only for initials, according to the
language.
Latin words must be in italics (incl. genera and
all other categories below generic levei), and the
scientific names have to be complete (genus,
species and author) when they first appear in the
text, and afterwards the genus can be abbreviated
and the authority of the name suppressed, unless
for some reason it may be cause for confusion.
Names of authors to be cited according to Bmmmitt
& Powell ( 1 992), “Authors of Plant Names”.
First page - must include title, authors, addresses,
financial support, main author and contact address
and abbreviated title. The title must be short and
objective, expressing the general idea of the
contents of the article. It must appear in bold with
capital letters where relevant.
Second page - must contain a Portuguese summary
(including title in Portuguese or Spanish), Abstract
(including title in English) and key-words (up to 5,
in Portuguese or Spanish and in English).
Summaries and abstracts must contain up to 200
words each. The Editorail Board may translate the
Abstract into a Portuguese summary if the authors
are not Portuguese speakers.
Text - starting on a new page, according to the
following sequence: Introduction, Material and
Methods, Results, Discussion, Acknowledgements and
References. Some ofthese items may be omitted in
articles describing new taxa or presenting
nomenclatural changes, etc. In some cases, the
Results and Discussion can be merged. Titles
(Introduction, Material and Methods, etc.) and
subtitles must be in bold type. Number figures and
tables in 1-10 etc., according with the sequence
these occupy within the text. References within
the text should be in the following forms: Millcr
(1993), Miller& Maier( 1994), Baker et al. (1996) for
three or more authors or (Miller 1993), (Miller &
Maier 1 994), (Baker et al. 1996). Unpublisheddata
should appear as: (R. C. Vieira, unpublishcd).
Conference, Symposia and Mectings abstracts
should only be cited if strictly necessary.
ForTaxonomic Botany articles, the examined
material ought to be cited following this order:
locality and date of collection, phcnology (II., fr.,
bud), name and number of collector (using et al.
when more than two coilectors were present) and
acronym of the herbaria between brackets,
according to Index Herbariorum. When the
collector 's number is not available, the herbarium
record number should be cited prcceded by the
Herbariutrfs acronym. Names of countries and
states/provinces should be cited in full, in capital
SciELO/JBRJ
12 13 14 15 16 17
cm ..
letters and in alphabetic order, followed by the
material studied, for instance:
BRASIL. BAHIA: Ilhéus, Reserva da CEPEC,
15.XII.1996, fl. eff.,R. C. Vieira et al. 109871 MBM,
RB, SP).
Decimal numbers should be separated by
comma in articles in Portuguese and Spanish (e.g.:
10,5 m), full stop in English (e.g.: 10.5 m). Numbers
should be separated by space from the unit
abbreviation, except in percentages, degrees,
minutes and seconds.
Metric units should be abbreviated according
to the Système Internacional d'Unités (SI), and
Chemical symbols are allowed. Otherabbreviations
can be used as long as they are explained in full
when they appear for the first time
References - All references cited in the text must
be listed within this section in alphabetic order by
the sumame of the first author, only the first letter
of sumames in upper case, and all other authors
must be cited. When there are several works by the
same author, the sumame is substituted by a long
dash; when the same author publishes more than
one work in the same year, these should be
differentiated by lower case letters suffixing the year
of publication. Titles of papers and joumals should
be in full and not abbreviated.
Examples:
Tolbert, R. J. & Johnson, M. A. 1966. A survey of
the vegetative shoot ápices in the family
Malvaceae. American Journal of Botany 53( 1 0):
961-970.
Engler, H. G A. 1 878. Araceae. In: Martius, C. F. P.
von; Eichler, A. W. & Urban, I. Flora brasiliensis.
Munchen, Wien, Leipzig, 3(2): 26-223.
. 1930. Liliaceae. In: Engler, H. G A. & Plantl,
K. A. E. Die Naturlichen Pflanzenfamilien. 2.
Aufl. Leipzig (Wilhelm Engelmann). 15: 227-386.
Sass,J. E. 1951.Botanicalmicrotechnique. 2ed. Iowa
State College Press, Iowa, 228p.
MSc and PhD thesis should be cited only when
strictly necessary, if the information is as yet
unpublished in the form of scientific articles.
Tables — should be presented in black and white,
in the same software cited above. In the text, tables
should be cited following in the examples below:
“Only a few species present hairs (Tab. 1 )...”
Results to the phytochemical analysis are
presented in Table 2...”
Figures (must not be included in the file with text)
- submit originais in black and white high good
quality copies for photos and illustrations, or in
electronic form with high resolution in format TIF
600 dpi, or compatible with CorelDraw (vs. 1 0 or
more recent). Scripts submitted with low resolution
or poor quality illustrations will be retumed to the
authors. In case of printed copies, the numbering
and text of the figures should be made on an
overlapping sheet of transparent paper stuck to
the top edge of the plates, and not on the original
drawing itself. Graphs should also be black and
white, with good contrast, and in separate files on
disk (format TIF 600 dpi, or compatible with
CorelDraw 1 0). Plates should be a maximum of 1 5
cm wide x 22 cm long for a full page, or column size,
with 7,2 cm wide and 22 cm long. The resolution for
grayscale images should be 600 dpi.
In the text, figures should be cited according
to the following examples:
“It is made obvious by the analysis of Figures
25 and 26....”
“Lindman (Fig. 3) outlined the following
characters for the species...”
After adding modifications and corrections
suggested by the two reviewers, the author should
submit the final version of the manuscript
electronically plus two printed copies.
SciELO/JBRJ
2 13 14 15 16 17 18
Consultores ad hoc da Rodriguésia em 200 6, volume 57 (1 , 2, 3)
Alessandro Rapini
Ana Luiza Du Bocage
André Amorim
Andréa Ferreira da Costa
Andréia Silva Flores
Angela Lúcia Sartori
Cássia Mônica Sakuragui
Celso Luis Salgueiro Lage
Danielle Freire Domingues
Denise Pinheiro Costa
Denise Trombert de Oliveira
Dora Maria Villela José
Doroth Sue Dunn de Araújo
Douglas Antônio de Carvalho
Edenise Segala Alves
Eduardo van den Berg
Eliana Forni Martins
Elsie Franklin Guimarães
Fátima Regina Salimena
Fernanda Reinert Thomé Macrae
Flávia Cristina Pinto Garcia
Francisco Araújo
Franklin Galvão
Frederico Augusto Guimarães Guilherme
Gardene Maria de Sousa
Herly Carlos Teixeira Dias
Inês Cordeiro
Ivan Schiavini
Jefferson Prado
João André Jarenkow
João Renato Stehmann
José Aldo Alves Pereira
José Márcio Rocha Faria
José Roberto Rodrigues Pinto
Júlio Lombardi
Karen Lucia De Toni
Katia Torres Ribeiro
Leonor Patrícia Cerdeira Morellato
Luci de Senna-Valle
Lúcia Garcez Lohmann
Lúcia Helena Soares Silva
Marcelo Tabarelli
Marcelo Trindade Nascimento
Marco Aurélio Leite Fontes
Marcos Sobral
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Maria das Graças Lapa Wanderley
Maria de Fátima Agra
Maria Teresa Zugliani Toniato
Marli Pires Morim
Maryland Sanchez
Maura da Cunha
Milton Groppo Júnior
Paul Berry
Paul Maas
Paulo Henrique Labiak Evangelista
Regina Helena Potsch Andreatta
Renato de Mello-Silva
Renato Goldenberg
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Ricardo Tadeu de Faria
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Rosângela Alves Tristão Borém
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Silvia Teresinha Sfoggia Miotto
Vinícius Castro Souza
Yule Roberta Ferreira Nunes
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