RODRIGUESIA Revista do Jardim Botânico do Rio de Janeiro Volume 57 Número 1 2006 5V shf t 33 -S RODRIGUÉSIA Revista do Jardim Botânico do Rio de Janeiro Volume 57 Número 1 2006 I 0301377-4 cm .. INSTITUTO DE PESQUISAS JARDIM BOTÂNICO DO RIO DE JANEIRO Rua Jardim Botânico 1008 - Jardim Botânico - Rio de Janeiro - RJ - Tel.: 3204-2519 - CEP 22460-180 ©JBRJ ISSN 0370-6583 Indexação: e-Joumals Index of Botanical Publications (Harvard University Herbaria) Latindex Referativnyi Zhumal Review of Plant Pathology Ulrich’s International Periodicals Directory Edição eletrônica: www.jbij.gov.br Presidência da República LU IS INÁCIO LULA DA SILVA Presidente Ministério do Meio Ambiente MARINA SILVA Ministra CLÁUDIO LANGONE Secretário Executivo Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro LISZT VIEIRA Presidente LEANDRO FREITAS Gestor do Corpo Editorial Corpo Editorial Editora-chefe Rafaela Campostrini Forzza, JBRJ Editor-assistente Vidal de Freitas Mansano, JBRJ Editores de Área Ary Teixeira de Oliveira Filho, UFLA Gilberto Menezes Amado Filho, JBRJ Lana da Silva Sylvestre, UFRRJ Mareia de Fatima Inácio Freire, JBRJ Montserrat Rios Almeida, FOMRENA, Equador Ricardo Cardoso Vieira, UFRJ Tania Sampaio Pereira, JBRJ Rodriguésia A Revista Rodriguésia publica artigos e notas científicas em todas as áreas da Biologia Vegetal, bem como em História da Botânica e atividades ligadas a Jardins Botânicos. Ficha catalográfica: Rodriguésia: revista do Jardim Botânico do Rio de Janeiro. — Vol.l, n.l (1935) - Rio de Janeiro: Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro, 1935- v. : il. ; 28 cm. Quadrimestral Inclui resumos em português e inglês ISSN 0370-6583 1 . Botânica I. Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro CDD - 580 CDU -58(01) Editoração Carla M. M. Molinari Edição on-line Renato M. A. Pizarro Drummond Secretária Georgina M. Macedo SciELO/ JBRJ _2 13 14 15 16 17 Editorial Q/Ve ste volume da Rodriguésia é publicado um conjunto de onze artigos que se caracterizam pela diversidade de temas, enfoques e abrangência geográfica. Dentre estes, cinco possuem mais de 15 páginas. Tal fato reflete a política editorial da revista, bem como uma das vocações das publicações do Jardim Botânico do Rio de Janeiro, que é possibilitar a divulgação de resultados de estudos de longa duração e oriundos de teses e dissertações. Ampliar a representatividade de instituições nacionais e estrangeiras entre os colaboradores da Rodriguésia é um dos objetivos principais do Corpo Editorial em 2006. Para tal, consolidamos a publicação eletrônica com acesso livre e ampliamos a permuta e distribuição da revista impressa. Mais além, manteremos a iniciativa de organizar volumes temáticos com convite amplo, tal qual realizado no ano anterior. Em 200ó será publicado o segundo volume sobre a Flora da Reserva Ducke e em 2007 está planejado um volume especial sobre estudos em leguminosas, para o qual podem ser encaminhados manuscritos até agosto próximo. Finalmente, informamos que, a partir deste número, os volumes serão numerados de 1 a 3 e as páginas serão seqüenciais, de modo a facilitar a indexação e busca de artigos. Leandro Freitas Gestor do Corpo Editorial Rafaela Campostrini Forzza Editora-chefe SciELO/JBRJ .2 13 14 15 16 17 SUMÁRIO/CONTENTS Moomorfología y estructura de la cubierta seminal de cuatro especies de Loasaceae Juss. PRESENTES EN VENEZUELA / SEED COAT MICROMORPHOLOGY AND STRUCTURE OF FOUR SPECIES OF LOASACEAE JUSS. PRESENT IN VENEZUELA Eliana Noguera & Damelis Jáuregui 1 Tricomas foliares em espécies de Croton L. (Crotonoideae-Euphorbiaceae) / Foliar trichome in Croton L. (Crotonoideae-Euphorbiaceae) Maria de Fátima de Araújo Lucena & Margareth Ferreira de Sales 11 Leguminosae arbustivas e arbóreas da floresta atlântica do Parque Nacional do Itatiaia, SUDESTE DO BRASIL: PADRÕES DE DISTRIBUIÇÃO / WOODY LEGUMINOSAE IN THE ATLANTIC FOREST OF The Itatiaia National Park, southeastern Brazil: distribution patterns Marli Pires Morim 27 Flora da ParaIba, Brasil: Tillandsia L. (Bromeliaceae) / Flora of Paraíba, Brazil: Tiliandsia L. (Bromeliaceae) Ricardo Ambrósio Soares de Pontes & Maria de Fátima M. F. Agra 47 Fragmentação florestal: breves considerações teóricas sobre efeitos de borda/ Forest fragmentation: brief theoretical considerations about edge effects Pablo José Francisco Pena Rodrigues & Marcelo Trindade Nascimento ó3 SOLANACEAE NA RESERVA RiO DAS PEDRAS, MaNGARATIBA, RiO DE JANEIRO - BRASIL / SOLANACEAE OF THE Rio das Pedras Reserve, Mangaratiba, Rio de Janeiro - Brasil Lúcia d'A. Freire de Carvalho & Massimo G. Bovini 75 Duas espécies novas de Polycaia L. (Polygalaceae ) para o Brasil / Two new species of Polygala L. (Polygalaceae) in Brazil Maria do Carmo Mendes Marques & José Floriano Barêa Pastore 99 Composição florIstica do compartimento arbóreo de cinco remanescentes florestais do maciço do Itatiaia, Minas Gerais e Rio de Janeiro / Species composition of the tree flora OF FIVE FOREST FRAGMENTS OF THE ITATIAIA MOUNTAIN RANGE, SOUTH-EAST BRAZIL Israel Marinho Pereira, Ary T. Oliveira-Filho, Soraya Alvarenga Botelho, Warley Augusto Caldas Carvalho, Marco Aurélio Leite Fontes, Ivan Schiavini & Alexandre Francisco da Silva 103 Novidades taxonômicas em espécies brasileiras de Crotaiaria sect. Calycinae Wight & Arn. (Leguminosae-Papilionoideae) / Taxonomic novelties in Brazilian species of Crotaiaria sect. Calycinae Wight & Arn. (Leguminosae-Papilionoideae) Andréia Silva Flores, Andréa Martinelli Filliettaz & Ana Maria Goulart de Azevedo Tozzi 127 Acacia clobosa e Acacia limae, duas novas espécies de Leguminosae-Mimosoideae para o Brasil / Acacia clobosa and Acacia limae, two new species of Leguminosae-Mimosoideae in Brazil Ana Luiza Du Bocage & Silvia Teresinha Sfoggia Miotto 131 Annonaceae da Reserva Biológica da Represa do Grama, Descoberto, Minas Gerais, Brasil, COM UMA NOVA ESPÉCIE, UnONOPSIS BAUXITAE / ANNONACEAE OF THE RESERVA BlOLÓGICA DA Represa do Grama, Descoberto, Minas Gerais, Brazil, with a new species, Unonopsis bauxitae Adriana Quintella Lobão, Rafaela Campostrini Forzza & Renato de Mello-Silva 137 SciELO/JBRJ 12 13 14 15 16 17 cm Micromorfología y estructura de la cubierta seminal de cuatro ESPECIES DE LOASACEAE Juss. PRESENTES EN VENEZUELA Resumo Eliana Noguera' & Dome lis Jcíuregui 2 (Micromorfología y estructura de la cubierta seminal de cuatro especies de Loasaceae Juss. presentes cn Venezuela) Se realizó el estúdio morfológico y anatómico de la cubierta seminal de Gronovia scandens L, Klaprothia fasciculaía (Presl.) Poston & Nowicke, Mentzelia aspera L., y Nasa triphylla (Juss.) Weigend, especies pertenecientes a las Loasaceae. El estúdio se llevó a cabo con material fresco y material herborizado. La caracterización morfológica se realizó bajo microscopio estereoscópico. Para la caracterización histológica se obtuvieron secciones transversales y longitudinales las cuales se estudiaron bajo un microscopio óptico, adicionalmente se realizaron prucbas histoquímicas. La micromorfología de la cubierta seminal fue observada en un microscopio electrónico de barrido. Se encontraron diferencias en el tamano, color y forma de las semillas, con las cuales se puede diferenciar fácilmente cada una de las especies. En el estúdio de la microescultura y la anatomia de Ia cubierta seminal también se observaron rasgos específicos que permiten diferenciar Ias cuatro especies estudiadas. Palavras-chave: Loasaceae, cubierta seminal. Abstract (Seed coat micromorphology and structure of four species of Loasaceae Juss. present in Venezuela) Was carried out lhe morphological and anatomical study of the seed coat of Gronovia scandens L., Klaprothia fasciculaía (Presl.) Poston & Nowicke, Mentzelia aspera L., and Nasa triphylla (Juss.) Weigend, species belonging to the Loasaceae. The study was carried out with fresh material fresh and herbarium material. The characterization morphological was carried out low microscope estereoscópico. For the characterization histological transverse and longitudinal scctions those were obtained which were studied under an light microscope, additionally they were carried out hislochemical assays. The micromorphology of the seed coat was observcd in a scanninig elcctronic microscope. They were differences in the size, color and it forms of the seeds, with which it can diffcr each one of the species easily. In the study of the microsculpturing and the anatomy of the seed coat specific features were also observed that allow to differentiate the four studied species. Key-words: Loasaceae, seed coat. IlNTRODUCCION Loasaceae, se distingue de otras famílias relacionadas, por sus tricomas de forma multicelular y usualmente urticantes, por los variados tipos de estaminodios, por los pélalos frecucntemente côncavos y las cápsulas valvadas, espiraladas (Lawrence 1989). Esta familia incluye aproximadamente 20 géneros y 325 especies distribuídas principalmente a lo largo de América, y solo dos géneros fucra dei continente, el género Kissenia con dos especies en el sur oeste de África, sur de Arabia y Somalia, y el género Plakothira con tres especies en las Islas Marquesas de Polinesia (Dandy 1926; Weigend 2002). En Venezuela, la familia está representada por cuatro géneros ( Gronovia , Klaprothia, Mentzelia y Nasa ) y 1 1 especies, con distribución principalmente al norte y en la zona andina. En la actualidad luegode rcevaluaciones realizadas por Weigend (1997) para cl género Nasa, las especies dei género Loasa presentes en Venezuela se incluyeron dentro dei género Nasa. De acuerdo a la clasificación propuesta por Weigend ( 1 997), Loasaceae está conformada Artigo recebido em 03/2004. Aceito para publicação cm 06/2005. 'Postgrado cn Botânica Agrícola, Facultad dc Agronomia, Universidad Central dc Venezuela, Prolongación Av. 19 de Abril, Zona Universitária, apartado postal 4579, Estado Aragua, Maracay, 2101. •'Laboratorio dc Anatomia Vegetal "Prof. Antonio Fcrnándcz" Instituto de Botânica Agrícola, Facultad dc Agronomia, Universidad Central de Venezuela, Prolongación Av. 19 de Abril, Zona Universitária, Via El Limón, apartado postal 4579, Estado Aragua, Maracay, 2101. eliananogucra@yahoo.com SciELO/JBRJ 12 13 14 15 16 17 cm .. 2 por cuatro subfamilias: Gronovioideae, Loasoideae, Mentzelioideae y Petalonychoideae. En el presente trabajo se estudiarán las especies Gronovia scatidens (Gronovioideae), Klaprothia fasciculala (Loasoideae), Mentzelia aspera (Mentzelioideae) y Nasci triphylla (Loasoideae). En Venezuela no se han realizado investigaciones con relación a la morfologia y/o la anatomia de las semillas de las especies de la familia Loasaceae; sin embargo, a nivel mundial existen trabajos sobre la semilla, pero basados exclusivamente en la cubierta seminal; en tales estúdios se ha demostrado que la morfologia de la semilla, en este grupo, tiene importância taxonómica (Hill 1976; Poston & Shetler 1984; Hufford 1988). Además de su importância reproductiva y taxonómica, las semillas de las especies de Loasaceae, tienen importância medicinal, ya que estúdios químicos has demostrado que especies pertenecientes a las subfamilias Loasoideae y Mentzelioideae presentan iridoides, (Kooiman 1974; Spren, et al. 1981; Müller et al 1999); estos compuestos están siendo empleados farmacológicamente para sintetizar ingredientes activos promisorios en el tratamiento dei câncer y dei HIV (Mplgard et al. 2001). Además de esto, exploradores y botânicos reportaron que semillas dei género Mentzelia fueron importantes en la dieta de los aborígenes americanos nativos en el noroeste, centro y suroeste de los Estados Unidos (Hill 1976). Dada la importância citada y sumado al hecho de que han sido poco estudiadas las semillas de las especies Gronovia scandens, Klaprothia fasciculata, Mentzelia aspera y Nasa triphylla, se justifica emprender este estúdio, con el fin de conocer en detalle la anatomia de las mismas y detectar caracteres con posible valor taxonómico para la familia Loasaceae. Materiales y Métodos Se trabajó principalmente con material de los herbários (MY) y MERF); las colecciones utilizadas fueron las siguientes: Gronovia Noguera, E. <£ Jduregui.D. scandens P. Montaldo 3648 (MY); Klaprothia fasciculata L.R.T. & J.A.D. 11798 (MERF); Mentzelia aspera L. Cárdenas 1941 (MY) y Nasa triphylla C.E. Bénitez 1737 (MY). También se usó material de colecciones propias. Para estudiar las características morfológicas de las semillas de cada especie se utilizo material fijado en FAA y material de herbário. Para determinar el tamafio de las semillas se midió el largo y el ancho de las mismas con papel milimetrado, bajo el microscopio estereoscópico. La descripción de la forma de las semillas y la textura de sus superfícies se realizo siguiendo la terminologia propuesta por Lindley (1951). El color de las semillas se determino con la carta de colores Methuen Handbook of Colour de Komerup & Wanscher (1978). Para la realización dei estúdio histológico de cada una de las especies, se extrajeron manualmente, las semillas de los frutos maduros y se seleccionaron tres semillas por especie, provenientes de diferentes colecciones. En el caso de G. scandens las semillas no fueron extraídas de los frutos, debido a lo delicada de la cubierta seminal de las mismas y a su difícil separación dei fruto. Una vez seleccionadas las semillas se hidrataron durante 24 horas en agua destilada, luego se colocaron en agua-glicerina (1: 3) durante 72 horas. Posteriormente se hirvieron por 10 minutos en agua destilada y fueron colocadas en etanol 50% durante tres horas. Seguido se realizo la deshidratación de las muestras con una serie ascendente de alcohol butílico terciário (TB A), luego se infiltro e incluyó en paraplast (Johansen 1940). Después de incluído el material; se procedió a seccionado entre 7-10 ^tm en el micrótomo de rotación. Las secciones se tineron con azul de toluidina acuosa al 0,05%, sin desparafinar previamente (Sakai, 1973) y se montaron en bálsamo de Canadá, obteniendo así lâminas permanentes. Todas las lâminas preparadas fueron observadas en un microscopio óptico marca Leitz, modelo HM- LUX3, realizando descripciones cualitativas. Rodriguésia 57 (1): 1-9. 2006 SciELO/JBRJ 2 13 14 15 16 17 18 Cubiena seminal de Loasaceae 3 Para efectuar las pruebas histoquímicas se utilizaron lâminas con secciones sin tenir. Las secciones se cubrieron con los reactivos correspondientes para cada prueba. Para identificar lignina se utilizo floroglucinolal 1 % en etanol al 96 %, para ello se adiciono una gota de floroglucinol sobre la sección y luego se le adicionó ácido clorhídrico, se detecto la presencia de este compuesto por la aparición de una coloración roja (Roth 1964). En el caso de almidón se usó yodo yoduro de potasio, la molécula de este componente al penetrar en el almidón lo colorea de violeta a negro (Roth 1964). Se detectó la presencia de lípidos con Sudan IV, preparando este último con etanol al 80%, la presencia de sustancias grasas se detecta por la aparición de un color naranja (Johansen 1940). Para el estúdio de la micromorfología de la cubierta seminal, se tomaron de muestras de frutos maduros y de herbário, dos semillas por cada especie. Una vez seleccionadas las semillas fueron metalizadas con una capa de 1 5-35 nm de oro-paladio en un metalizador Bal- Tec SCB 050. Posteriormente fueron observadas y folografiadas en un microscopio electrónico de barrido Hitachi S-2300. Resultados Las semillas de las cuatro especies estudiadas, presentan rasgos diferentes en cuanto a su morfologia y anatomia, que permiten su fácil reconocimicnto. En cuanto a las características morfológicas de las semillas estudiadas se pueden senalar que el tamano de las semillas es variable, sin embargo, tienden a ser pequefías; las semillas de mayor tamano son las de G. scan deus de 3 mm de largo x 1,7 mm de ancho y las de menor tamafio son las de K. fasciculata de 0,8 mm de largo x 0,5 mm de ancho, con valores intermédios N. triphylla 1-1,5 mm de largo x 0,5-0, 8 mm de ancho y M. aspera de 2, 5-2, 8 mm de largo x 1 ,2-1,4 mm de ancho, es importante destacar que en el caso de G. scandens solo se presenta una semilla por fruto, a diferencia de las otras Rodriguésia 57 (I): 1-9. 2006 especies donde se presentan varias semillas por fruto; en este último caso, se observó en ocasiones, ligeras variaciones de la forma entre las semillas de un mismo fruto. Con relación a la forma en G. scandens y N. triphylla las semillas son ovoides, en K. fasciculata son de forma elipsoidal y en M. aspera son piriformes. En cuanto al color G. scandens se diferencia dei resto por su tono verde grisáceo y se observa la dominância dei color marrón, en K. fasciculata las semillas son marrón claro, en M. aspera son marrón y en N. triphylla son marrón oscuro. La forma de las semillas, aunada a cualquiera de las otras dos características permite diferenciar las cuatro especies; a pesar de que las semillas de G. scandens y N. triphylla son ovoides. En cuanto a la micromorfología de las semillas, destacan las siguientes características para cada una de las especies: En las semillas de G. scandens se observan suaves depresiones irregulares (Fig. 1 y 2). En el caso de las semillas de K. fasciculata la superfície de la cubierta seminal se distingue por presentar células alargadas longitudinalmente, con estriaciones perpendiculares al eje mayor de las mismas y células papilosas distribuídas al azar (Fig. 3) asimismo, se debe destacar que en uno de los extremos de la semilla este patrón cambia, observándose las células con la superfície ligeramente verrucosa (Fig. 4). Con relación a la cubierta seminal de M. aspera, está presenta células alargadas dispuestas en hileras, las cuales a su vez presentan estriaciones perpendiculares, que terminan en forma tuberculada (Fig. 6) principalmente hacia los extremos de las semillas (Fig. 5). Y en Ias semillas de N. triphylla la superfície de la cubierta seminal es reticulada, con células poligonales, de diferentes tamanos y contornos ligeramente ondulados (Figs. 7 y 8). En cuanto a los caracteres estructurales en las semillas de G. scandens la testa está conformada por dos capas (Fig. 9). La primera capa de células parenquimatosas, isodiamétricas, rclativamente grandes con las paredes periclinales externas ligeramente SciELO/JBRJ L2 13 14 15 16 17 4 Noguera. E. & Jáuregui.D. Minugi anas ai MtB de semillas de cuatro esneciM i „ cubierta seminal de G. scandem nótese suaves^eoresion^T f' V'Sta 8Cneral de ° scandens- 2‘ Detalle d fasciculata, obsérvense células alargadas longituLalmeiV^^ ^ ('ndlCadas con nechas>- 3- Vista general d< distribuídas al azar (indicadas con flecha) 4 estmc,“nes P^endiculares (ce) células papilt superfície ligeramente ZT * <«»•.«*« ««■» 1 asterisco*). 6- Detalle de la cubierta seminal de M asnera ohsén. 1 ndlese células papilosas (indicadas (=el. 7. Vi», gcaera, Oe « «*** nAeee „ ^ «UT ÍESKSSS ZSZSSSSH Rodriguésia 57 (1): 1-9. 2006 cm SciELO/JBRJ Cubierla seminal de Loasaceae 5 convexas y las paredes anticlinales rectas. La segunda capa de células parenquimatosas relativamente pequenas, de diferentes tamanos, de menor espesor que las células de la primera capa. En estas capas no se observo reacción a las pruebas histoquímicas realizadas (Tabla 1). En las semillas de K. fasciculata : la testa está constituída por una capa de células con paredes y cutícula engrosadas, donde unas paredes periclinales externas son rectas y otras convexas, presentando estas últimas aspecto papiloso (Fig. 10), y contenido citoplasmático denso. Luego se presentan de varias capas de células largas, con su eje mayor paralelo a la superfície y con engrosamientos reticulados de la pared, presentando un patrón de organización distinto al de la pared de las células de la capa externa (Fig. 11). Las paredes de estas últimas capas reaccionaron positivamente a la prueba de lípidos (Tabla 1). En cuanto a las semillas de M. aspera la testa está conformada por una capa muy delgada de células con contornos irregulares (Fig. 12). Seguido se observa una capa de células con las paredes periclinales externas convexas y gruesas, las paredes anticlinales con forma de omega invertida, y contenido citoplasmático denso; estas células reaccionaron positivamente a la prueba de almidón (Tabla 1) y en las paredes periclinales internas de las mismas se detectó la presencia de lípidos. Inmediatamente, se observan 2-3 capas de tejido parenquimático, donde las células tienen paredes delgadas, contenido citoplasmático denso y núcleos grandes (Fig. 12). Y para las semillas de N. triphylla se observó que la cubierta seminal está constituída por una capa de células de formas y tamanos diferentes con paredes ligeramente engrosadas y contenido citoplasmático relativamente denso. Las paredes periclinales externas son irregulares y las paredes anticlinales se observan rectas o curvas. Lo irregular de la forma de las células de esta capa, hace que el margen no sea homogéneo (Fig. 13). Las paredes anticlinales de esta capa reaccionaron levemente a la prueba de lípidos (Tabla 1) y en algunas células se observó reacción a la prueba de almidón. Luego de esta capa siguen 2-4 capas de células parenquimatosas de menor tamafío que las de la capa anterior, con paredes relativamente gruesas y contenido citoplasmático denso (Fig. 13), en ellas se detectó la presencia de almidón (Tabla 1). Como se observa en la Tabla 1, en ninguna de las semillas estudiadas se detectó la presencia de lignina y se podría decir que la presencia de lípidos fue común a las especies con excepción de G. scandens. Discusión Las semillas de las cuatro especies estudiadas mostraron características particulares. A nivel macroscópico se pueden diferenciar fácilmente las semillas por su tamano, forma y color. El tamafío registrado para G. scandens, K. fasciculata, M. aspera y N. triphylla coincide con lo senalado por Avendano (1999) para estas especies. Con relación al tamano de las semillas Lindorf et al. (1991) senalaron que las semillas pequefias están, por lo general, presentes en la mayoría de las plantas herbáceas; lo cual coincide con las especies aqui estudiadas, ya que estas son plantas herbáceas y presentan semillas pequefias. Tabla 1- Reacción ante las pruebas histoquímicas realizadas en la cubierta seminal de cuatro especies de Loasaceae, presentes en Venezuela. Espccic Almidón Lípidos Lignina Gronovia scandens - - - Klaprothia fasciculata - + - Mentzelia aspera + + • Nasa triphylla + + - Presencia (+) / Ausência (-). Rodriguésiu 57 (1): 1-9. 2006 ;SciELO/ JBRJ 12 13 14 15 16 17 6 Noguera, E. <£ Jáuregui.D. 40u»n Secciones transversales de la cubierta seminal de cuatro especies de Loasaceae gr, ,, ' ' / ; segunda capa (sc). 10- K. fasciculata, capa de paredes gruesas (indictdas con flechS' U k7 ^77 T, ^ engrosamientos reticulados en la mrpíWppí n , 1 auas con llecha). 1 1 - AT. fasciculata células c< Lindorf er al. (1991) y Werker (1997) indicaron que la disminución en el número de semillas por fruto conduce probablemente a un incremento en el tamano de las mismas, relación esta, que se evidencia en las semillas de G. scandens. Sin embargo, al comparar las semillas de K. fasciculata y N. triphylla , no se evidencia esta relación, entre el número de semillas y su tamano, ya que N. triphylla presenta mayor número de semillas por fruto y semillas de mayor tamano que las de K. fasciculata. Los resultados referentes a la forma de las semillas difieren de lo senalado por Avendano (1999) quien considera que las semillas de K. fasciculata son oval-obovoides y las de M. aspera son de forma irregular. Según Werker (1997) la forma de la semilla está determinada genéticamente, pero es finalmente moldeada por el espacio disponible dentro dei fruto, y además indico que la forma puede jugar un papel crucial en su dispersión. Con relación al color Werker (1997) menciono que la mayoría de las semillas maduras son de vários matices de marrón a negro, tal como se observo en las semillas de K. fasciculata, M. aspera y N. triphxlla, y que menos comúnmente son de color gris, tal Rodriguésia 57 (1): 1 -9. 2006 SciELO/JBRJ .2 13 14 15 16 17 cm Cubierta seminal de Loasaceae 7 como se observo en G. scandens. De igual forma senaló Werker (1997) que el color de las semillas, similar al dei suelo donde crecen puede ayudar en el camuflaje de las semillas para protegerias de los depredadores. Es importante destacar que para la determinación dei color de la semilla, esta debe estar madura, ya que el color puede ser variable dependiendo de su estado de desarrollo. También la micromorfología y el arreglo histológico de la cubierta seminal aportan diferencias para la identificación de los taxa estudiados. En cuanto a la micromorfología se puede senalar que la omamentación de la cubierta seminal de células alargadas con estriaciones, observada en M. aspera coincide con la presentada por Thompson & Powell (1981), para esta misma especie; y con la hallada por Hill (1976) para las especies M. incisa, M. floridana y M. texana. Siendo estas especies y M. aspera miembros de la Sección Eumentzelia, lo cual posiblemente indica que la omamentación de la superfície de la cubierta seminal en este género, tiene importância taxonómica. La escultura reticulada, con contornos ondulados observada en N. triphylla, coincide con lo senalado por Hufford (1988) para las semillas de las especies Loasa bergii, L. incana y L rudis (estas especies actualmente son consideradas dentro dei género Nasa). Ambos resultados hacen presumir que el patrón reticulado tiende a ser común entre las especies de este género. Sin embargo, para la determinación específica, parece tener importância la omamentación de la superfície de la pared periclinal externa, o lo que según Barthlott (1981) es la escultura secundaria. Poston & Nowicke (1990) consideraron para la reevaluación de los géneros Klaprothia y Sclerothrix, la omamentación de la cubierta seminal como carácter de importância taxonómica para su identificación. Estos autores senalaron que la cubierta seminal de K. fasciadata es reticulada, con estriaciones perpendiculares al eje longitudinal de la semilla; coincidiendo sus resultados con lo senalado en este estúdio para dicha especie. Comer (1976) senaló para las semillas de la familia Loasaceae, que éstas provienen de óvulos unitegumentados y la testa no multiplicativa, lo cual podría explicar Io delgada de la testa en cada una de las semillas estudiadas. De todas las semillas estudiadas las de G. scandens presentaron la testa con la estructura mas sencilla, lo cual podría deberse en parte, a que el fruto le proporciona protección al embrión; en relación a esto Lindorf et al. (1991) mencionaron que en los frutos monospermos la protección dei embrión es realizada básicamente por las paredes dei fruto, ya que la cubierta seminal se presenta muy poco desarrollada. Adicionalmente, senalaron que en estos casos lo difícil de la separación de la cubierta seminal dei pericarpio, hace que sea conveniente tratar el conjunto como un todo indiviso, situación ésta que se presentó en las semillas de G. scandens. Debido a está condición, es posible que en las semillas de G. scandens, el fruto sea también su medio de dispersión. Lindorf et al. (1991) senalaron que en algunas semillas la barrera más importante a la impermeabilidad no parece ser la cutícula sino, el arreglo compacto que ofrecen algunas capas celulares, ocurriendo quizás está situación en K. fasciculata donde claramente se observa la disposición entramada de las células de la segunda y tercera capa. Con relación a las pruebas histoquímicas en la literatura no se cncontraron trabajos que senalcn datos sobre la composición química de la testa de las especies de la familia Loasaceae. La presencia de lípidos observada en las semillas (Tabla 1) podría actuar como mecanismo de protección y regulador de la permeabilidad. La presencia de almidón puede servir como fuente de reserva para el crecimiento dei embrión. Es evidente que en estas cuatro especies confluyen diferentes estratégias para la protección dei embrión. Rndriguésia 57(1): I -9. 2006 SciELO/JBRJ _2 13 14 15 16 17 cm .. 8 CONCLUSIÓN En conclusión se puede senalar que los resultados obtenidos coinciden y demuestran lo senalado por Poston & Shetler (1984), y Hufford (1988) quienes refieren la importância taxonómica de la semilla en la familia Loasaceae, y que tal como lo senaló Werker ( 1 997) la anatomia de la cubierta seminal puede servir como una ayuda en la identificación y taxonomía a nivel específico. Por consiguiente las cuatro especies estudiadas pueden ser fácilmente identificadas o separadas por medio de las características morfológicas, micromorfológicas y estructurales de la cubierta seminal. Agradecimientos Las autoras desean expresar su agradecimiento a la Técnico Norbelis de Benítez dei Laboratorio de Anatomia Vegetal “Prof. Antonio Femández” de la Facultad de Agronomia de la Universidad Central de Venezuela. Al Prof. Ulises Castejón coordinador dei centro de microscopía electrónica en el Centro de investigación y análisis docente asistencial dei Núcleo Aragua de la Universidad de Carabobo (CIADANA). Al personal dei Centro de Microscopía Electrónica de la Facultad de Agronomia de la UCV (CenMEFA). Referencias Bibliografiacas Avendano, S. 1999. Loasaceae. In: Flora de Veracruz. Instituto de Ecologia. México. Fascículo 110. 27p. Barthlott, W. 1981 . Epidermal and seed surface characters of plants. Systematic aplicability and some evolutionary aspects. Nordic Journal of Botany 1: 345-355. Comer, E. 1976. The seeds of dicotyledons. Vol. 1. Cambridge University Press. 31 lp. Dandy, J. 1926. Notes on Kissenia and the geographical distribution of the Loasaceae. Bulletin of Miscellaneous Information 4: 174-180. Hill, R. 1976. Taxonomic and phylogenetic significance of seed coat microsculpturing Noguera, E. & Jáuregui.D. in Mentzelia (Loasaceae) in Wyoming and adjacent western States. 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(Crotonoideae-Euphorbiaceae)) Foi realizado estudo da ultra- estrutura dos tricomas foliares em microscopia eletrônica de varredura (MEV) de 14 espécies do gênero Croton, ocorrentes nas zonas do litoral e da mata do estado de Pernambuco, com o objetivo de caracterizar morfologicamente cada tipo de tricoma, como recurso auxiliar na delimitação das espécies e ainda relacioná- los à classificação de Webster. Foram registrados 10 tipos de tricomas: estrelado-porrecto, fasciculado, multiradiado, dendrítico, lepidoto, estrelado-rotado, estrelado-lepidoto, dentado-lepidoto, simples e glandular. Na maioria dos taxa predomina o tipo estrelado-porrecto; apenas uma espécie apresenta tricoma do tipo lepidoto. Foi possível observar que cada espécie mantém constante seu (s) tipo(s) de tricoma revelando, portanto, ser o tipo de tricoma um caráter relevante na taxonomia do gênero. Palavras-chave: Tricomas, Croton , taxonomia, ultra-estrutura, Euphorbiaceae. Abstract (Foliar trichome in Croton L. (Crotonoideae-Euphorbiaceae)) Study ultra-structure was accomplished in scanning electronic microscope (SEM) of the foliar trichome of 14 Croton species, that occur in the coast and forest zones on the Pernambuco State, with the objective of characterizing the morphology of each trichome type as auxiliary resource in the identification of the species and also relating them to the classification of Webster. Ten trichome types wcre registered: stellate-porrect, fasciculate, multiradiate, dendritic, lepidote, stellate-rotate, stellate-lepidote, dentate-lepidote, simple and glandular. In the majority of the taxa, the predominant type was the stellate-porrect. It was possible to observe that for each species the type was constant trichome, revealing therefore, that the tricoma type is an important feature for the taxonomy of the genus. Kcy-words: Trichome morphology, Croton, taxonomy, ultra-structure, Euphorbiaceae. Introdução Euphorbiaceae é uma das maiores famí- lias dentre as angiospermas, apresentando uma grande diversidade morfológica, a qual está refletida também no indumento, onde diferentes tipos de tricomas podem ser observados: simples, glandulares, malpiguiáceos, estrelados, Iepidotos, fasciculados, dcndríticos e urticantes (Metcalfe & Chalk 1950; Inandar & Gangandhara 1977; Webster 1994). A família compreende cinco subfamílias: Phyllanthoideae, Oldfieldioideae, Acalyphoidcae, Crotonoideae e Euphorbioideae. Em Phyllanthoideae, Oldfieldioideae e Euphorbioideae predominam os tricomas simples; em Acalyphoideae, os simples ou estrelados; já em Crotonoideae, existe uma grande diversidade de tricomas, com maior ocorrência de simples, estrelados, dentríticos e Iepidotos (Webster 1994). Estudos dos tricomas na família Euphorbiaceae, incluindo Croton, são encontrados em Metcalfe & Chalk (1950), Inandar & Gangandhara (1977), Rao & Raju (1985) e Webster et al. (1996). Croton está incluído em Crotonoideae e compreende aproximadamente 800 espécies distribuídas principalmente no continente americano, com cerca de 600 spp. no Novo Mundo (Webster 1994). Nesse gênero, os tipos de tricomas consistem num relevante caráter taxonômico, tanto no nível infragenérico como no interespecífico, reconhecido por diversos Artigo recebido em 07/2004. Aceito para publicação em 06/2005. 'Parte da Dissertação de Mestrado da primeira autora, desenvolvida no Programa de Pós-Graduação cm Botânica da Universidade Federal Rural de Pernambuco (PPGB/UFRPE). -'Bolsista do CNPq - UFRPE. mfalucena@hotmail.com. 'Universidade Federal Rural de Pernambuco, Departamento de Biologia, Área de Botânica. Av. Dom Manuel de Medeiros s/n, Dois Irmãos, Recife - PE. mfsales.2002@ig.com.br SciELO/JBRJ, 13 14 15 16 17 lí cm 12 autores (Müller 1866; Bentham 1880; Froembling 1896; Webster 1993; Webster et al. 1996). O primeiro botânico a explorar efetivamente o caráter tricoma na taxonomia de Croton foi Müller (1866, 1873), que reconheceu os tipos estrelados e lepidotos, utilizando-os na sua classificação infragenérica. Além desse autor, outros também reconheceram estes dois tipos como os principais tricomas em Croton (Metcalfe & Chalk 1950; Macbride 1951; Inandar & Gangandhara 1977). No entanto, variações destes dois tipos morfoló- gicos são freqüentes, e podem constituir elementos importantes na caracterização das espécies. Diversos autores também reconhe- ceram a importância deste caráter para a identificação das espécies (Croizat 1940, 1941. Standley & Steyermark 1949; Macbride 1951 ; Webster & Burch 1967; Burger & Huft 1995). A primeira classificação dos tricomas em Croton foi elaborada por Froembling (1896), que analisando 132 espécies propôs cinco tipos: estrelado, lepidoto, fasciculado ou rosulado, fasciculado-estipitado e dendrítico. Mais recentemente, Webster et al. (1996) analisando 120 espécies revisaram os tipos propostos por Froemblimg (1896) e acres- centaram ainda subdivisões ao tipo lepidoto. Das espécies tratadas pelos autores, cerca de 33 são brasileiras e aproximadamente a metade é referida para o Nordeste. No Brasil, o gênero está representado por cerca de 300 espécies (Craveiro et al. 1978) e estimam-se para a região nordeste aproximadamente 65 espécies. Apesar desta expressiva representatividade no Brasil, a principal referência para identificá-las é ainda a obra de Müller (1873). Estudos menos abrangentes são as floras regionais elaboradas por: Smith et al. (1988); Cordeiro ( 1 992, 1995) e Alves (1998). Merecem destaque ainda a revisão elaborada por Cordeiro (1993) e o estudo taxonômico desenvolvido por Lucena (200 1 ). Com relação aos tricomas, o panorama não é diferente, onde apenas cerca de 40 espécies ocorrentes no Brasil tiveram seus Lucena, M. F. A. <6 Sales, M. F. tricomas estudados (Nepumoceno & Oliveira 1979; SáHaiad 1987; Cordeiro 1993 e Webster et al. 1996). Em Croton, os tricomas podem ser simples (glandulares ou não) ou ramificados (estrelados, lepidotos, fasciculados, multira- diados e dendríticos) de acordo com a nomen- clatura de Metcalfe & Chalk (1950), Inandar & Gangandhara (1977) e Webster et al. (1996). De um modo geral, entende-se por estrelado qualquer tricoma não glandular, pluricelular e ramificado (Metcalfe & Chalk 1950; Inandar & Gangandhara 1977). Muitas vezes, os tipos fasciculados, multiradiados e dendríticos são denominados indistintamente como estrelados. No entanto, em Croton, o tricoma estrelado é um tanto diferenciado por apresentar um raio central bem definido, ereto e muitas vezes de comprimento maior que os laterais. Por esta razão, foi denominado de estrelado-porrecto por autores como Theobald et al. (1979) e Webster et al. (1996). O tipo fasciculado foi definido por Froembling (1896) como ramificado de raios ascendentes. O autor chama a atenção para o tipo fasciculado-estipitado, que é semelhante ao anterior, porém com estípite (haste ou pé que eleva o corpo do tricoma). Webster et al. (1996) ampliaram a definição deste tipo acrescentando o número de raios (igual a oito). Ainda, segundo estes autores, os tricomas multiradiados assemelham-se aos fasciculados diferenciando-se destes por apresentarem mais de oito raios. O tipo dendrítico foi definido por Froembling (1896) como o tricoma que apresenta os raios laterais dispostos em verticilos, mais ou menos distintos, ao longo de um eixo central. Os tricomas lepidotos são também não glandulares, pluricelulares, ramificados e com raios laterais unidos de tal forma que conferem aspecto de escama ou escudo ao mesmo (Metcalfe & Chalk 1950; Inandar & Gangandhara 1977). Para Webster et al. (1996), neste tipo os raios laterais são unidos na proporção de 80 a 100% de seu compri- Rodriguésia 57 (1): 11-25. 2006 SciELO/JBRJ L2 13 14 15 16 17 Tricomas foliares em Croton, Euphorbiaceae mento. Entretanto, alguns tricomas ramificados apresentam raios laterais unidos em diferentes proporções do seu comprimento, demons- trando serem transicionais entre os tipos estrelado e lepidoto. Levando em consideração esta variação, Webster et al. (1996) propuseram três tipos de tricomas diferenciados pela porcentagem de união entre os raios laterais: estrelado-rotado, estrelado-lepidoto e dentado- lepidoto. Esta classificação foi também adotada neste trabalho. De acordo com Theobald et al. (1979), tricomas simples são unicelulares ou pluricelulares, curtos ou longos, unisseriados ou pluriseriados, bastante variáveis. Já para Metcalfe & Chalk (1950) e Inandar & Gangandhara (1977) estes são apenas unicelulares. Tricomas glandulares são caracterizados por apresentarem função secretora (Payne 1978). O presente estudo foi desenvolvido com o objetivo de caracterizar a morfologia dos tricomas em 14 espécies do gênero Croton, como recurso auxiliar no reconhecimento destes taxa e ainda relacioná-los à classificação de Webster et al. (1996), contribuindo para am- pliar o conhecimento morfológico deste gênero. Material e Métodos A ultra-estrutura dos tricomas foliares presentes nas faces ventral e dorsal das espécies Croton polyandrus, C. floribundus , C. fuscescens, C. glandulosus, C. hirtas, C. jacobinensis, C. klotzscliii, C. lobatus, C. landi anus, C. heliotropiifolius, C. sellowii, C. sonderianus, C. triqueter e C. urticifolius foi analisada através de microscopia eletrônica de varredura (MEV). De cada espécie foram utilizados fragmentos de folhas medindo cerca de 0,5 mm2 extraídos de exsicatas de herbário. Em seguida, os fragmentos receberam o tratamento de metalização com banho de ouro em equipamento modelo fon sputter JFC-100 (JEOL). Posteriormente, estes foram examinados e fotografados ao microscópio eletrônico de varredura - MEV (JEOL JSM- Rodriguésia 57 (I): 11-25. 2006 13 T200). Adicionalmente, foram realizadas medições do diâmetro dos tricomas em microscopia óptica (MO). Foram adotados os tipos de tricomas propostos por Webster et al. (1996), complementados por Payne (1978), Inandar & Gangandhara (1977), Theobald et al. (1979) e com as análises das espécies aqui estudadas. Na descrição dos tricomas de cada espécie, estas foram posicionadas em seções, de acordo com o tratamento infragenérico de Webster (1993). A taxonomia das espécies foi previamente estudada por Lucena (2001). Resultados Foram reconhecidos dez tipos de tricomas: estrelado-porrecto, fasciculado, multiradiado, dendrítico, lepidoto, estrelado- rotado, estrelado-lepidoto, dentado-lepidoto, simples e glandular. No entanto, cada tipo de tricoma apresentou-se morfologicamente variável entre as espécies. Estas variações foram mais conspícuas no tamanho, número de raios laterais e presença e ausência de raios central e estípite. A lâmina foliar das espécies estudadas é notavelmente rica em diferentes tipos de tricomas sendo, em geral, diferenciada na face dorsal e ventral e mantêm constante estes tipos entre as populações estudadas (Tabela 1). Algumas folhas chegam a apresentar até cinco tipos, como Croton glandulosus ou quatro, como C. lundianus. Poucas espécies apresentaram um só tipo em ambas as faces como Croton sellowii (lepidoto) e C. urticifolius (estrelado-porrecto). Croton sect. Eutropia (Klotzsch) Baill. Croton polyandrus - Esta espécie apresentou dois tipos de tricomas: dentado-lepidoto e estrelado-lepidoto ambos, distribuídos esparsamente nas faces ventral e dorsal. • Dentado-lepidoto: raio central obsoleto, raios laterais unidos de 50 a 60%; ca. 300-350 pm diâm. (Fig. 3 j-m). • Estrelado-lepidoto: raio central obsoleto, raios laterais unidos ca. 30%; ca. 300 pm diâm. SciELO/JBRJ 2 13 14 15 16 17 lí cm .. 14 Lucena, M. F. A. & Sales, M. F. Tabela 1 -Tipos de tricomas presentes em espécies de Croton. FV = face ventral da lâmina foliar; FD = face dorsal da lamina foliar. * Tipo de tricoma predominante. ESPÉCIES TRICOMA (FV) C. polyandrus Spreng. Dentado-lepidoto* estrelado-lepidoto C.heliotropiifolius Kunth Estrelado-porrecto* e dendrítico C. lundianus Müll.Arg. Estrelado-porrecto*e simples C. glandulosus L. C. hirtus L’Her. C. urticifolius Lam. C.fuscescens Baill. C. triqueter Baill. C. sonderianus Müll.Arg. C. jacobinensis Baill. C. floríbundus Spreng. C. lobatus L. Estrelado-porrecto, fasciculado, dendrítico, simples e glandular Estrelado-porrecto, simples e glandular Estrelado-porrecto Estrelado-porrecto Estrelado-porrecto* e fasciculado Estrelado-porrecto Fasciculado* e multiradiado Estrelado-porrecto* e estrelado-rotado Estrelado-porrecto*, simples* e glandular C. klotzschii Müll.Arg. Ausente, raro simples C sellowii Baill. Lepidoto TRICOMA (FD) Dentado-lepidoto* e estrelado-lepidoto Dendrítico Estrelado-porrecto*, fasciculado e multiradiado Estrelado-porrecto, fasciculado, dendrítico, glandular e simples Estrelado-porrecto* e dendrítico Estrelado-porrecto Estrelado-rotado Estrelado-rotado e fasciculado Estrelado-rotado e estrelado-lepidoto Estrelado-rotado Estrelado-rotado* e estrelado-lepidoto Estrelado-porrecto*, simples, fasciculado e glandular Ausente, raro simples Lepidoto Material examinado: BRASIL. BAHIA- Belmonte, 25.III.1974, R. Harley 17418a (RB) (MEV-MO). Croton sect. Velamea Baill. Croton heliotropiif olius - Nesta espécie dois tipos de tricomas foram observados: estrelado- porrecto e dendrítico. O primeiro ocorre apenas na face ventral sendo predominante e distribuído de forma esparsa; o segundo ocorre eventualmente na face ventral, porém está densamente distribuído na face dorsal. • Estrelado-porrecto: raios laterais 7-8; subsésseis; ca. 300-350 pm diâm. (Fig. 1 o-p). ’ Dendrítico: raio central com a metade do comprimento dos laterais, raios laterais dispostos em 2 ou 3 verticilos, estípites de tamanhos variados; ca. 700-1 .000 pm de diâm. (Fig. 2 j-1). Material examinado: BRASIL. PERNAMBUCO: Vitória de Santo Antão, 27.IÜ. 1 999, A. Laurênio 1551 (PEUFR) (MEV); 11. IX. 1954, A/. Falcão 60 (PEUFR) (MO); Limoeiro, 1 2.V. 1 998, M. F A. Lucena 480 (PEUFR) (MO); São Lourenço da Mata, 22.X.1992, A. M. Miranda 629 (PEUFR) (MO); Maraial, 12.III.1994, A. M. Miranda 1365 (PEUFR) (MO); Jaboatão dos Guararapes, 10.XII.1996, /. Pontual 620 (PEUFR) (MO). Croton sect. Podostachys (Klotzsch) Baill. Croton lundianus - Nesta espécie foram encontrados quatro tipos de tricomas: estrelado-porrecto, fasciculado, multiradiado e simples. A face ventral apresentou apenas os tricomas estrelado-porrecto e simples e a face dorsal tricomas estrelado-porrecto, fasciculado e multiradiado. Em ambas as faces, Rodriguésia 57 (1): 11-25. 2006 SciELO/JBRJ, 13 14 cm 1 SciELO/JBRJ .2 13 14 15 16 17 Tricomas foliares em Croton, Euphorbiaceae Figura 1 - Tricomas foliares, face ventral. Estrclado-porrectos: a-c. Crotonfuscescens ; d-f. C. Irlqueler, g. C.Jloribundus ; h. C. glandulosus ; i-j. C. sonde rianus; 1. C. lobatus ; m-n. C. urllcaefolius, face dorsal; o-p. C. heliotropiifolius. Rodriguésia 57 (I): 11-25. 2006 cm .. 16 predominou o tipo estrelado-porrecto, que está distribuído de forma esparsa a densa. Já os tipos fasciculado e multiradiado são esporádicos e dispostos de forma esparsa. • Estrelado-porrecto: raio central em geral do mesmo tamanho que os laterais, raios laterais 6-7; séssil; ca. 600-725 pm diâm. • Fasciculado: raios 5-8; ca. 500 pm diâm. • Multiradiado: raios 9-13; ca. 550 pm diâm. (Fig. 2 e-f). • Simples: filiforme; ca. 300-350 pm diâm. Material examinado: BRASIL. PERNAMBUCO: Bonito, 23. VII. 1998, Af. F.A. Lucena etal. 601 (PEUFR); Escada, 11.V.1998, M. F. A. Lucena 468 (PEUFR) (MEV, MO); Goiana, 10.ffl.1994, A. M. Miranda 1926 (HST) (MEV). Croton sect. Geiseleria (Klotzsch) Baill. Croton glandulosus - Nesta espécie ocorrem os tipos estrelado-porrecto, fasciculado, dendrítico, simples e glandular. Em geral, não ha predomínio de um só tipo de tricoma, podendo ocorrer diferentes combinações, dependendo das populações; inclusive, alguns tipos podem estar ausentes. No entanto, o tricoma estrelado-porrecto está sempre presente, pelo menos na face ventral. Tricomas simples são muito raros na face dorsal. • Estrelado-porrecto: raio central maior que os laterais, raios laterais 7-8, ligeiramente ascendentes e com tamanhos um pouco diferenciados entre si; subséssil a séssil; ca. 850-1.200 pm diâm. (Fig. lh). Fasciculado: raios 6-7, com tamanhos desiguais entre si; estipitado; ca. 600-1.000 um diâm. • Dendrítico: raio central geralmente menor que os laterais, raios laterais dispostos em dois ou três verticilos, os distais mais longos; ca. 1 .400- 1.600 pm diâm. (Fig. 2 g-h). • Simples: filiforme; ca. 600 pm diâm. Material examinado: BRASIL. PERNAMBUCO: Condado, 29.X.1998, M. F A.Lucena etal. 703 (PEUFR) (MEV, MO); Pombos, 23. VII. 1998, M. F A. Lucena et ai 594 (PEUFR) (MO); Tamandaré, 12.1.2000, M. F A. Lucena et al 900 (PEUFR) (MEV). Lucena, M. F. A. & Sales, Af. F. Croton liirtus - Nesta espécie são encontrados tricomas estrelado-porrecto, dendrítico, simples e glandular. Embora ocorram em ambas as faces, os estrelado-porrectos são predominantes na face dorsal; na face ventral, não há predo- mínio de nenhum tipo, sendo mais freqüentes os simples e ou estrelado-porrectos. Os simples e os glandulares só foram observados na face ventral. Já os dendríticos ocorrem, espora- dicamente, entremeados com os estrelados- porrectos e apenas na face dorsal. • Estrelado-porrecto: raio central maior ou do mesmo tamanho que os laterais, raios laterais 5-7, depressos ou ligeiramente ascendentes a partir da sua porção mediana; séssil; 400-450 pm diâm. • Simples: aciculiforme, rígido; 400-550 pm diâm. (Fig. 4 b-c) • Dendrítico: raios dispostos em 2 verticilos; ca. 400-500 pm diâm. (Fig. 2 i). Material examinado: BRASIL. PERNAMBUCO: Timbaúba, 05. III. 1998, M. F. A.Lucena et al. 408 (PEUFR) (MEV, MO). Croton sect. Julocroton (Mart.) G. L. Webster Croton fuscescens - Nesta espécie estão presentes apenas dois tipos de tricomas: estrelado-porrecto, esparsamente disposto na face ventral e estrelado-rotado, densamente distribuído na face dorsal. Neste último tipo, os tricoma apresentam estípites de diferentes tamanho, que elevam os raios laterais em diversas alturas dando a impressão de serem estratificados. Presença de esclereídeos, atravessando o mesófilo interligando os tricomas da face ventral e dorsal. Estrelado-porrecto: raio central duas a três vezes maior que os laterais, raios laterais 5-8, leyemente ascendentes; ca. 800-1.000 pm diâm. (Fig. 1 a-c). Estrelado-rotado: raio central espessado na base, geralmente menor que a metade do comprimento dos raios laterais, raios laterais 10-12, longos; estipitado; ca. 600 pm diâm. (Fig. 3 d-f). Rodriguésia 57 (1): 11-25. 2006 SciELO/JBRJ 12 13 14 15 16 17 cm Tricomas foliares em Croton, Euphorbiaceae Figura 2 - Tricomas foliares, a-b. Fasciculados, Croton jacobinensis , face ventral; c-f. Multiradiados: c-d. C.jacobinensis, face ventral; c-f. C. lundianus, face dorsal; g-l. Dcndrílicos: g-h. C. glandulostis, face dorsal; i. C. hirtus, face dorsal; j-l. C. heliotropiifolius, face dorsal; m-p. Estrclado-rotados; m-o. C. floribmdus, face dorsal; p. C. sonderíanus, face dorsal. Material examinado: BRASIL. PERNAMBUCO: Barra de Guabiraba, 20.X.1998, M. F.A. Lucena 692 (PEUFR) (MO); Bonito, 17. IX. 1997, A. Laurênio et al. 550 (PEUFR) (MO). Croton triqueter - Nesta espécie foram observados os tricomas estrelado-porrccto, estrelado-rotado e fasciculado. O primeiro tipo está presente apenas na face ventral de forma esparsa, sendo predominante cm relação ao fasciculado que ocorre esporadicamente. O segundo tipo é predominante na face dorsal, Rodrixuésia 57 (1): 11-25. 2006 SciELO/JBRJ 12 13 14 15 16 17 cm l SciELO/JBRJ 12 13 14 15 16 17 Lucena, M. F. A. & Sales, M. F. Rodriguésia 57 (1): 11-25. 2006 Figura 3 - Tricomas foliares, a-i. Estrelado-rotados- a-c Cm,n„ , ■ , dorsal; g-i. C. jacobinensis, face dorsal; j-m Dentado leoidotcvc r nqi^ter'Jace dorsal; d-f. C. fuscescens , face dorsal. ’ J Uentado-lep.dotos: C. polyandrus, face dorsal; n-p. Lepidotos: C. sellt distribuindo-se densamente. Presença de esclereídeos interligando os tricomas estrelado- porrecto aos estrelado-rotado (Fig. 4 f). • Estrelado-porrecto: raio central maior ou do mesmo tamanho que os laterais, raios laterais 5-8; estipitado; ca. 150-250 pm diâm.(Fig. ld-f). Estrelado-rotado: raio central menor que a metade do comprimento dos laterais, raios laterais 6-9; estípite em geral longo; ca. 650- 1 .200 pm diâm.(Fig. 3 a-c). • Fasciculado: subsésseis; 600 pm diâm. Material examinado: BRASIL. PERNAMBUCO: Paudalho, 10.VIII.1998, M. F. A. Lucena 612 (PEUFR) (MEV, MO); Vitória de Santo Antão, 3.111.1998, A. Laurênio 1307 (PEUFR) (MEV). cm Tricomas foliares em Croton, Euphorbiaceae 19 Figura 4 • Tricomas foliares, a-f. Simples: a. Croton klotzschii, margem da lâmina: b. Croton hirtus, base do tricoma, face ventral; c. Croton lobatus-, d. Croton hirtus, face ventral; e. Croton lobatus, face dorsal.; f. Crotonjuscescens, faces dorsal e ventral. Croton sect. Barhamia (Klotzsch) Baill. Croton urticifolius - Esta espécie apresentou apenas o tipo estrelado-porrecto, em ambas as faces da lâmina foliar, distribuídos de forma esparsa ou mais raramente densa. • Estrelado-porrecto: raio central maior que os laterais na face ventral, e muito menor que os laterais na face dorsal, raios laterais 5-8; séssil; ca. 1.000-1.200 pmdiâm. (Fig. 1 m). Material examinado: BRASIL. PERNAMBUCO: Vitória de Santo Antão, 27.III. 1999, A. Laurênio 1562 (PEUFR) (MO). Croton sect. Lasiogyne (Klotzsch) Baill. Croton jacobinensis - Foram observados 3 tipos de tricoma: fasciculado, multiradiado e estrelado-rotado. Na face ventral, são encontrados apenas os fasciculados e multiradiados, sendo o primeiro predominante e recobrindo densamente a lâmina, às vezes sendo o único tipo presente. Os tricomas multi- radiados são raros a esparsos, entremeados aos fasciculados. Na face dorsal são obser- vados apenas os estrelado-rotados recobrindo densamente a lâmina e com estípites de tamanhos variados. Presença de esclereídeos interligando os tricomas fasciculados aos estrelado-rotados. • Fasciculado: raios 5-8(-9); ca. 150-200 pm diâm. (Fig. 2 a-b). Rodriguésia 57 (1): 11-25. 2006 • Multiradiado: raios 17; séssil a subséssil; ca. 200-250 pm diâm. (Fig. 2 c-d). • Estrelado-rotado: raio central curto ou ausente, raios laterais 12-17; ca. 300-375 pm diâm. (Fig. 3 g-i). Material examinado: BRASIL. PERNAMBUCO: Goiana, 16.VI.1998, M. F A. Lucena etal. 553 (PEUFR) (MEV); Carpina, 10.V1I1.1998, M. E A. Lucena 606 (PEUFR) (MEV, MO). Croton sonderianus - Foram observados três tipos de tricomas nesta espécie: estrelado- porrecto, estrelado-rotado e estrelado-lepidoto. O tipo estrelado-porrecto é predominante na face ventral e encontra-se densamente distri- buído. Já o tipo estrelado-rotado ocorre apenas na face dorsal de forma densa e predominante em relação aos estrelado-lepidotos que são observados apenas sobre as nervuras. • Estrelado-porrecto: raio central em geral menor, às vezes atingindo o mesmo tamanho dos raios laterais e com base espessada, raios laterais 6-9, com tamanhos ligeiramente desiguais entre si; séssil a subséssil; ca. 100 pm diâm. (Fig. 1 i-j). • Estrelado-rotado: raio central muito menor que os laterais ou raramente ausente, raios laterais 10-13; estípites de tamanhos variados; ca. 900-1.000 pm diâm. (Fig. 3 g-i). SciELO/JBRJ 12 15 16 17 cm .. 20 • Estrelado-lepidoto: 15-17 raios; ca. 800-850 pm diâm. Material examinado: BRASIL. PERNAMBUCO: Caruaru, 12.V.1998, Aí. F. A. Lucena 490 (PEUFR) (MO); Limoeiro, 12.V.1998, Aí. F. A. Lucena et al. 476 (PEUFR) (MEV, MO). Croton sect. Argyroglossum Baill. Croton floribundus — Esta espécie apresentou três tipos de tricomas: estrelado-porrecto, estrelado-rotado e estrelado-lepidoto. Na face ventral predominam os estrelado-porrectos entremeados aos estrelado-rotados, sendo ambos esparsos. A face dorsal é, por sua vez, densamente revestida por tricomas estrelado- rotados e misturados a poucos tricomas estrelado-lepidotos, observáveis apenas sobre as nervuras. ■ Estrelado-porrecto: raio central espessado na base, aproximadamente do mesmo tamanho que os raios laterais, raios laterais 7-8; ca. 250- 300 pm diâm. (Fig. 1 g) • Estrelado-rotado: ca. 350-400 pm diâm. • Estrelado-lepidoto: raio central mais curto que os laterais e espessado na base, raios laterais 15-16; ca. 300 pm diâm. Material examinado: BRASIL. PERNAMBUCO Condado, 29.X. 1998, Aí. F. A. Lucena et al 701 (PEUFR) (MEV, MO); São Benedito do Sul, 28.1. 1999, Aí. F A. Lucena 706 (PEUFR) (MO)! Croton sect Astraea (Klotzsch) Baill. Croton klotzschii - Apenas tricomas simples são observados nesta espécie. Estes estão geralmente localizados na margem foliar e são raramente esparsos na face ventral. • Simples: filiforme, ligeiramente curvados e com base um tanto espessada; ca. 200 pm diâm. (Fig. 4 a). Material examinado: BRASIL. PERNAMBUCO: Cabo de Santo Agostinho, 8.V.1997, Aí. F. A Lucena et al. 291 (PEUFR) (MEV, MO). Croton lobatus - Nesta espécie foram observados os tipos simples, estrelado-porrecto, fasciculado e glandular. Na face ventral predominaram os tricomas estrelado-porrectos Lucena, M. F. A. <£ Sales, M. F. e simples; os glandulares são esparsos. Na face dorsal foram encontrados estrelado-porrectos, simples, fasciculados e glandulares, sendo predominantes os estrelado-porrectos. Os fasciculados ocorreram apenas em algumas populações. • Estrelado-porrecto: raio central, em geral, do mesmo tamanho que os laterais, raios laterais 3-7; subséssil; ca. 500 pm diâm. (Fig. 1 1). • Fasciculado: ca. 500-550 pm diâm • Simples: filiforme, geralmente espessado na base; ca. 800-900 pm diâm. Material examinado: BRASIL. PERNAMBUCO: Bonito, 23.VII.1998, Aí. F A. Lucena et al. 599 (PEUFR) (MEV, MO); Itamaracá, 4.V.1998, Aí. F. A. Lucena 457 (PEUFR) (MO). Croton — sem seção definida Croton sellowii - Esta espécie foi caracteri- zada por apresentar apenas o tipo lepidoto, revestindo densamente ambas as faces. • Lepidoto: raio central ausente, raios laterais ca. 39, com região central anular e plana; ca. 250-300 pm diâm. (Fig. 3 n-p). Material examinado: BRASIL. PERNAMBUCO: Cabo de Santo Agostinho, 20. V. 1998, Aí. F. A. Lucena et al. 427 (PEUFR) (MEV, MO). Discussão Nas espécies estudadas quatro grupos de tricomas ficaram evidentes: o dos “estrelados”, formado por estrelado-porrecto, fasciculado, multiradiado e dendrítico, cujos raios laterais são totalmente livres; dos transicionais, cujos raios laterais são unidos de 5 a 49% do seu comprimento, composto por estrelado-rotado e estrelado-lepidoto; dos “lepidotos”, cujos raios laterais são unidos por mais de 50% do seu comprimento, representado por dentado- lepidoto e lepidoto e; dos não ramificados, incluindo simples e glandulares. O tipo de tncoma mais freqüente foi o estrelado- porrecto, encontrado na maioria das espécies ( Croton floribundus, C. glandulosus, C. urticifolius, C. lobatus, C. lundianus, C. lurtus, C. sonderianus, C. triqueter, C. fuscescens e C. heliotropiifolius). Este tipo Rodriguésia 57 (1): 11-25. 2006 SciELO/JBRJ L2 13 14 15 16 17 Trícomas foliares em Croton, Euphorbiaceae parece ter ampla ocorrência no gênero, ocorrendo em espécies de diferentes seções (Tabelas 1 e 2). Trícomas fasciculados são compartilhados por espécies de seções distintas ocorrendo em Croton lundianus (sect. Podostachys), C. glandulosus (sect. Geiseleria), C. lobatus (sect. Astraea), C. jacobinensis (sect. Lasiogyne) e C. triqueter (sect. Julocroton) (Tabela 2). Considerando que os trícomas fas- ciculado e multiradiado diferenciam-se apenas pelo número de raios (2 a 8, em fasciculados e 9 a 20, em multiradiados) e que este último só ocorreu de forma rara e entremeados aos fasciculados (em C. Jacobinensis e C. lundianus), poder-se-ia sugerir tratar-se estes dois tipos como um único tipo. Três espécies apresentaram trícomas dendríticos: Croton glandulosus, C. hirtus e C. heliolropiifolius (Tabela 1). As duas primeiras pertencem a Croton sect. Geiseleria, onde tais trícomas são observados entremeados aos simples, estrelado-porrectos e fasciculados. Já em Croton heliotropiifolius (sect. Velamea) ocorrem sem associações com outros tipos. Além de ser relatado para estas duas seções no presente artigo, Webster et al. (1996) registraram também este tipo de tricoma para outras seções ( Croton sect. Cascarilla, C. sect Eremocarpus e C. sect. Cyclostigma). Trícomas apresentando os raios laterais unidos por mais de 50% de seu comprimento foram encontrados em Croton polyandrus (dentado-lepidoto) e C. sellowii (lepidoto) (Tabela 1 ), posicionadas também em diferentes seções. Trícomas do grupo dos transicionais (transicional entre estrelados e lepidotos) reúnem as espécies Croton floribundus (sect. Argyroglossum), C. sonderianus e C. jacobinensis (sect. Lasiogyne), C. fuscescens, C. triqueter (sect. Julocroton) e C. polyandrus (sect. Eutropia) (Tabelas 1 e 2). Além de compartilharem estes tipos de trícomas, C. fuscescens, C. triqueter, C. sonderianus e C. jacobinensis se aproximam RoJriguésia 57 (I): 11-25. 2006 21 por apresentarem esclereídeos ultrapassando o mesófilo e interligando um tricoma da face ventral a outro da face dorsal. A presença de esclereídeos em Croton também foi observada por Nepumoceno & Oliveira (1979) em Croton sonderianus, por Metcalfe & Chalk (1950) em C. fuscescens (=Julocroton fuscescens), por Sá Haiad (1987) em C. compressus (sect. Lasiogyne) e foi ilustrada por Cordeiro (1993) em C. triqueter. Esta estrutura parece evidenciar uma relação de afinidade entre as seções Lasiogyne e Julocroton. Croton sonderianus e C. jacobinensis são espécies muito próximas sendo freqüentemente confundidas. Porém, os tipos de trícomas da face ventral da lâmina foliar representam um importante caráter para diferenciá-las. A primeira espécie possui unicamente estrelado-porrectos, enquanto a segunda apenas trícomas fasciculados. O presente estudo demonstrou uma tendência no aparecimento dos trícomas simples em espécies herbáceo-subarbustivas (C. klotzschii, C. lobatus, C. lundianus, C. Iiirtus e C. glandulosus), corroborando com Webster et al. (1996), que também obser- varam a presença deste tipo de tricoma em espécies herbáceas de diferentes seções. De acordo com Webster et al. (1996), os trícomas estrelados são considerados os mais primitivos em Croton, tendo provavelmente dado origem aos demais tipos, através de três seqüências evolutivas. Na primeira seqüência, trícomas estrelados pela ascendência dos seus raios, originaram os fasciculados e estes, por sua vez, pela supressão de raios deram origem aos simples. No presente estudo, a ocorrência de trícomas estrelado-porrectos associados com os fasciculados e simples nas espécies C. lobatus, C. hirtus, C. lundianus e C. glandulosus parecem sugerir que realmente existe esta seqüência evolutiva entre estes tipos. Além disso, é comum em C. lobatus e C. lundianus serem encontrados trícomas com apenas dois ou três raios e também trícomas simples com base espessada SciELO/JBRJ 12 13 14 15 16 17 cm .. 22 Lucena, Aí. F. A. & Sales, Aí. F. Tabela 2-Tipos de tricomas ocorrentes em nove seções de Croton descritos por Webster et al. (1996) e por este trabalho. v Velamea Podostachys Geiseleria Barhamia Julocroton Lasiogyne Seções Webster et al. (1996) Este trabalho Espécies estudadas Tipos de tricomas Espécies estudadas Tipos de tricomas C. polycmdrus C. andinus Müll.Arg. C. conduplicatus Kunth C. cortesianus Kunth C. corumbensis S. Moore C. moritibensis Baill. C. pottsii (Klotzsch) Müll. Arg. C. suberosus Kunth C. tumerifolius S. Moore C. sonorae Torr. C. rzedowskii M.C. Johnst. C. lundianus C. spiraeifolius Jabl. C. glandulosus C. trinitatis Mill sp. C. ameliae Lund. C. brevipes Pax C. chaetocalyx Müll.Arg. C. decalobus Müll. Arg. C. escathos Croizat C. hircinus Vent. C. allemii G. L. Webster C. argenteus L. C. didrichsenii G. L. Webster C. subpannosus Müll. Arg. C. compressus Lam. C. sidifolius Lam. Dentado- lepidoto Lepidoto Simples Estrelado- rotado Simples Estrelado- porrecto Estrelado- rotado Simples Fasciculado Estrelado- lepidoto Estrelado- porrecto Estrelado- porrecto Estrelado- rotado Fasciculado Estrelado- porrecto Estrelado- rotado Estrelado- rotado Estrelado- lepidoto C. polyandrus Dentado- lepidoto C. heliotropiifolius Estrelado- porrecto Dendrítico C. lundianus C. glandulosus C. hirtus C. urticifolius Lam. C. fuscescens ; C. triqueter C. jacobinensis ; C. sonderianus Simples Estrelado- porrecto Fasciculado Multiradiado Simples Fasciculado Estrelado- lepidoto Dendrítico Estrelado- porrecto Estrelado- porrecto Fasciculado Estrelado- porrecto Estrelado- rotado Estrelado- rotado Estrelado- porrecto Fasciculado Multiradiado 5 6 Rodriguésia 57 (1): 11-25. 2006 SciELO/JBRJ L2 13 14 15 16 17 cm Tricomas foliares em Croton, Euphorbiaceae 23 Seções Webster et al. (1996) Este trabalho Espécies estudadas Tipos de tricomas Espécies estudadas Tipos de tricomas Argyroglossum C. argyrophylloides Müll. Arg. C. bixoides Vahl. C. watsonii Standl. Estrelado- lepidoto C. floribundus Estrelado- lepidoto Estrelado- porrecto Estrelado- rotado Astraea. Simples Estrelado Fasciculado C. lobatus C. klotzschii Simples Estrelado- porrecto Fasciculado aparentando terem perdido os seus raios. Uma outra seqüência evolutiva admitida por estes autores inicia-se também pelo estrelado que, pelo concrescimento gradual dos raios entre si, resultaria no tipo lepidoto. A ocorrência de tipos transicionais entre os estrelados e os lepidotos observados neste trabalho nas espécies C. floribundus (estrelado-porrecto, estrelado-rotado e estrelado-lepidoto), C. sonderianus (estrelado-porrecto, estrelado-rotado e estrelado-lepidoto), C. fuscescens (estrelado- porrecto e estrelado-rotado) e C. polyandrus (estrelado-lepidoto e dentado-lepidoto) dao suporte a este pensamento. Outra observação que sustenta esta hipótese dá-se pelo fato de que tricomas simples não foram observados ocorrendo concomitantemente aos lepidotos, no presente estudo. No entanto, Webster et al. (1996) relatam que tricomas simples e lepidotos são encontrados juntos em espécies da secção Lamprocroton. Ainda segundo Webster et al. (1996), tricomas estrelados ou fasciculados deram origem aos dendríticos. De fato, em Croton glandulosus os tricomas dendríticos ocorrem associados aos fasciculados, enquanto que em C. heliotropiifolius aos estrelado-porrectos. Os tricomas ramificados (estrelados e lepidotos), de um modo geral, parecem ser eficientes na cobertura da epiderme, especialmente os estipitados. Os estípites por Rodriguésia 57 (1): 11-25. 2006 apresentarem tamanhos variados, fazem com que os tricomas se elevem em diferentes alturas, formando vários estratos, como podem ser observados em C. sonderianus, C. jacobinenis e C. floribundus. Em C. triqueter e C. fuscescens (sect. Julocroton) os estípites são muito longos em relação aos encontrados nas demais espécies estudadas (Figs. 3a e 40. Com este estudo foi possível acrescentar outros tipos de tricomas aos já relatados por Webster et al. (1996) para as seções estudadas (Tabela 2). O tipo estrelado-porrecto, por exemplo, mostrou uma distribuição mais ampla no gênero do que se conhecia antes. A ausência ou presença de um determinado tipo de tricoma em uma seção, constitui uma informação relevante, uma vez que o caráter tipo de tricoma é utilizado na delimitação das seções propostas pelo autor acima. As variações encontradas nos tricomas das espécies estudadas referem-se a tamanho, quantidade de raios laterais, presença ou ausência de raio central e de estípite, relação do tamanho do raio central com os raios laterais, proporção de união entre os raios laterais, presença de esclereídeos e a existência de alguns estádios transicionais entre um determinado tipo e outro. Tais variações mostraram-se relevantes tanto na caracterização de tipos, quanto no reconhecimento de espécies, constituindo realmente uma ferramenta útil na taxonomia do gênero Croton. SciELO/JBRJ .2 13 14 15 16 17 cm 24 Agradecimentos Ao CNPq pela concessão da bolsa de pesquisa da primeira autora, a Dra. Galba Takaki e ao técnico Rafael Padilha do Laboratório de Imunopatologia Keiso Asami (LIKA-UFPE). 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Rodriguésia 57 (1): 11-25. 2006 SciELO/JBRJ 12 13 14 15 16 17 cm Leguminosae arbustivas e arbóreas da floresta atlântica do Parque Nacional do Itatiaia, sudeste do Brasil: PADRÕES DE DISTRIBUIÇÃO1 Marli Pires Morim 2 Resumo (Leguminosae arbustivas e arbóreas da floresta atlântica do Parque Nacional do Itatiaia, sudeste do Brasil: padrões de distribuição) O PARNA Itatiaia, com 28. 155,97ha, localiza-se na Serra da Mantiqueira (22°15’e 22°30'S- 44“30’e 44l’45’W) no sudeste do Brasil. Leguminosae é uma das famílias com maior riqueza de espécies na composição e estrutura florestal. O principal objetivo deste trabalho foi identificar os padrões de distribuição geográfica de 48 táxons de Leguminosae presentes na formação florestal do PARNA. A metodologia abrangeu pesquisas bibliográficas, excursões e consultas a herbários. Foram reconhecidos os seguintes padrões de distribuição: Neotropical (9 spp.), América do Sul ocidental-centro-oriental (5 spp.), Brasil centro-oriental (10 spp.). Brasil atlântico nordeste-sudeste-sul (9 spp.), Brasil atlântico sudeste-sul (5 spp.) e Brasil atlântico sudeste (10 spp.). Os táxons, quanto à preferência de hábitat, foram tratados também como elementos florísticos generalistas (56%) e como especialistas do Domínio Atlântico (44%). No domínio atlântico as espécies predominam nas floresta ombrófila densa e floresta estacionai semidccidual, ocorrendo também nas restingas e na floresta de araucária. Palavras-chave: Leguminosae, Parque Nacional do Itatiaia, Floresta Atlântica , padrões dc distribuição. Abstract (Woody Leguminosae in the Atlantic Forest of the Itatiaia National Park, southeastem Brazil: distribution pattems) The Itatiaia National Park, with an area of 28, 1 55.97 ha, is located in the Serra da Mantiqueira Range (22“15’e 22"30’S; 44"30'e 44045’W) of southeastem Brazil. Leguminosae is one of the most spccies-rich families here, contributing to the composition and strueture of the forest. The aim of this work was to identify the geographical distribution patterns of 48 táxons of Leguminosae present in the forests of this National Park. Methodology included a literature survey, field trips and herbaria consultation. The following distribution patterns were recognized: Neotropical (9 spp.), westem-central-eastem South America (5 spp.), central- eastem Brazil (10 spp.), northeastem-southcastem-southcm atlantic Brazil (9 spp.), southeastern-southem atlantic Brazil (5 spp.) and southeastem atlantic Brazil (10 spp.). As for habitat preferencc, the táxons were classified as generalists (56%) or as specialists of the atlantic domain (44%). In the Atlantic Domain. the species are found mainly in the ombrophylous dense forest and in the semideciduous forest and occur also in restingas and araucaria forest. Key-words: Leguminosae. Itatiaia National Park, Atlantic forest, distribution patterns. Introdução Leguminosae é a terceira maior família de angiospermas e, atualmente, são estimados 727 gêneros e 19.325 espécies que se difundem nos diversos ecossistemas do mundo (Lewis et ai 2005). A região neotropical representa um significativo centro de endemismo da família, na qual 100 gêneros e 2.500 espécies têm seus limites de distribuição circunscritos a esta faixa (Lavin 1994). Para o Brasil foi avaliado o total de 178 gêneros e 1.550 espécies (Barroso et al. 1984). As Leguminosae no contexto da floresta atlântica representam uma das famílias de valores expressivos de riqueza e também de diversidade taxonômica. No sudeste brasileiro os estudos realizados em um trecho de floresta ombrófila densa da Serra do Mar, Serra de Macaé, mostraram a relevância deste complexo montanhoso como um expressivo núcleo de distribuição de Leguminosae (Lima etal. 1994; Lima et ai 1997). Consultando-se os dados sobre a distribuição geográfica das Leguminosae da Serra dc Macaé (Lima et al. Artigo recebido em 11/2004. Aceito para publicação cm 12/2ÍX15. 'Parte de tese de doutorado orientada por Dra.Graziela Maciel Barroso no Programa dc Pós-Graduação em Ciências Biológicas (Botânica) do Museu Nacional/UFRJ, Rio de Janeiro, RJ, Brasil. "Instituto dc Pesquisas Jardim Botânico do Rio dc Janeiro, Rua Pacheco Leão 915, CEP 22460-030, Rio dc Janeiro, RJ, Brasil, mpires@jbrj.gov.br !scíelo/jbrj 12 13 14 15 16 17 cm 28 1994), observa-se ainda que a Serra da Mantiqueira é também uma área relevante de ocorrência para Leguminosae. O Maciço do Itatiaia, remanescente de floresta atlântica importante da Serra da Mantiqueira, desde as primeiras visitas dos naturalistas M. H. Wawra von Femsee e Saint- Hilaire (Dusén 1903, Brade 1956) sempre foi destacado como uma região de extremo potencial à investigação científica, motivo principal de sua criação como o primeiro Parque Nacional do Brasil, em 1937. Inúmeros foram os pesquisadores que visitaram e desenvolveram pesquisas na região. As descrições de espécies da flora local (Dusen 1903, 1955) e o estudo sobre a flora do Itatiaia (Brade 1956) são trabalhos que, entre outros, ressaltam a exuberância da região nos mais distintos aspectos. Brade (1956) apresentou uma abordagem sobre a estrutura regional da flora, sua provável origem e seus elementos florísticos. Os estudos sobre a origem da flora do Itatiaia e suas conecções biogeográficas prosseguem em investigações (Safford 1999 a, b). Dentre a coletânea de trabalhos sobre a flora do Parque destaca-se, principalmente, a região do Planalto que, recentemente, foi estudada em seus aspectos de estrutura, dinâmica e biogeografia (Ribeiro & Medina 2002). A composição florística da formação florestal, principalmente em relação as espécies arbóreas, é, entretanto, muito pouco conhecida. O Programa Mata Atlântica do Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro, na década de 90, iniciou um levantamento florístico e fitossociológico em um trecho de mata na formação florestal do Parque Nacional do Itatiaia. Os dados e resultados obtidos, entre outros aspectos, evidenciaram a importância da família Leguminosae na composição e estrutura da formação florestal atlântica do Parque como o terceiro grupo com maior riqueza de espécies (Guedes-Bruni 1998). No inventário realizado para as Leguminosae da mata atlântica do estado do Rio de Janeiro foi demonstrado que 45% do total dos gêneros e 28% do montante Morim, M. P. de espécies estão presentes na flora do Itatiaia (Lima 2000). O tratamento florísitico e taxonômico dos táxons arbustivos e arbóreos de Leguminosae do Parque Nacional do Itatiaia resultou em um total de 50 espécies (Morim 2002) e propiciou, a partir da consulta as revisões de gêneros e em herbários, a reunião de um conjunto de informações sobre as amplitudes geográficas e a ocorrência das espécies, por vezes, também em outras formações vegetacionais. Neste contexto, o presente trabalho tem como objetivo estabelecer os padrões de distri- buição geográfica de 48 táxons, específicos e infra-específicos de Leguminosae, que ocorrem na formação florestal atlântica do Parque Nacional do Itatiaia. Nos padrões estabelecidos foram evidenciadas também outras formações vegetacionais de ocorrência dos táxons. A partir desta análise, as espécies são identificadas como elementos florísticos generalistas ou especialistas em relação ao Domínio Atlântico. O conjunto dos resultados obtidos busca subsidiar futuros trabalhos sobre padrões de distribuição de Leguminosae e, também, associado a estudos similares em outras famílias botânicas de relevância na composição da flora da região, contribuir no avanço do conhecimento sobre os padrões de distribuição da flora do Parque Nacional do Itatiaia. Material e Métodos 1. Coleta de dados Os procedimentos metodológicos abrangeram pesquisas bibliográficas sobre os táxons estudados e sobre o Parque Nacional do Itatiaia (PARNA Itatiaia). O registro de ocorrência das espécies foi obtido nas excur- sões de campo realizadas, principalmente, no período de 1998 a 2001, e através de consulta aos acervos de herbários. Os espécimes foram coletados em área de amostragem localizada às margens do rio Campo Belo em uma cota de 900 metros de altitude, onde foi realizado, pela equipe do Programa Mata Atlântica/J B RJ, o inventário Rodriguéria 57 (1): 27-45. 2006 SciELO/JBRJ 12 13 14 15 16 17 29 fitossociológico. A unidade amostrai foi implantada adotando-se o método de amostragem de parcela e totalizou 1 hectare de mata em bom estado de conservação (Guedes-Bruni 1998). O diâmetro à altura do peito (DAP), igual ou maior que 5 cm, foi o critério utilizado para a inclusão dos indivíduos no tratamento fitossociológico e para as coletas das amostras, seguidas de anotações sobre os caracteres vegetativos e/ou reprodutivos. Além dessa amostragem foram realizadas caminhadas livres, sem a demarcação prévia de trilhas, objetivando-se o reconhecimento e a coleta de espécimes de Leguminosae que não foram incluídas no levantamento fitossociológico. As caminhadas livres foram feitas em diferentes trechos da formação florestal, situados em altitudes compreendidas em uma faixa, aproximada- mente, entre 600 a 2.000 metros, e prioriza- ram coletas de indivíduos em fases de floração e/ou frutificação. As amostras foram herbori- zadas de acordo com os procedimentos des- critos em Guedes-Bruni et al. (2002) e deposi- tadas no herbário do Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro (RB). Os táxons Caesalpinioideae, Mimosoideae e Papilionoideae foram tratados como subfamílias subordinadas a Leguminosae. As análises filogenéticas têm demonstrado que Leguminosae é uma família monofiletica (Wojciechowski 2003, Wojciechowski et al. 2004, Lewis et al. 2005) e, com base nestas evidências, esta é a classificação sistemática que tem sido ratificada (Lewis & Schire 2003). A identificação taxonômica procedeu-se a partir de consulta às revisões de gêneros, concernentes aos táxons abordados, aliada ao exame de material de herbário. Os dados sobre as distribuições geográficas dos táxons e as respectivas formações vegetacionais brasileiras onde estes ocorrem foram extraídos, prioritariamente, de revisões taxonômicas e/ou de trabalhos que tratam da distribuição das espécies estudadas. As obras de referências estão mencionadas na tabela 2, numeradas após o nome das Rodrigutsia 57 (1): 27-45. 2006 espécies, ao final da referida tabela. As denominações dos ambientes de ocorrência das espécies mencionadas pelos autores dos artigos consultados foram mantidas no presente trabalho. As informações foram também obtidas e complementadas, quando necessário, com os dados de etiquetas dos espécimes de herbário. Foram consultados os herbários do estado do Rio de Janeiro, alguns de São Paulo e do Paraná, entretano os do Parque Nacional do Itatiaia (ITA) e do Jardim Botânico do Rio de Janeiro (RB) foram os que forneceram os principais subsídios à identificação taxonômica, sobre as áreas de ocorrência dos táxons e seus respectivos ambientes vegetacionais. Com base nas informações sobre distribuição geográfica foram evidenciadas as amplitudes geográficas, as faixas de ocorrência, reconhecidos os núcleos predominantes de distribuição e estabelecidos os respectivos padrões adotando-se, com algumas adequações, os padrões definidos para as Leguminosae da Mata Atlântica no estado do Rio de Janeiro (Lima 2000). A formação florestal do PARNA Itatiaia, no presente trabalho, é tratada como floresta atlântica, segundo o conceito de Oliveira-Filho & Fontes (2000), e as denominações de florestas montanas e alto-montanas, seguem as delimitações altimétricas da classificação do Veloso et al. (1991). As denominações de espécies generalistas e especialistas foram atribuídas em relação a preferência de habitat das espécies, considerando-se os diferentes domínos vegetacionais brasilieiros definidos em Joly et al. (1999). Os táxons especialistas foram reconhecidos como de ocorrência exclusiva em formações do Domínio Atlântico e os generalistas os que, além de ocorrerem no Domínio Atlântico, habitam formações outras próprias dos Domínios da Amazônia, do Cerrado e da Caatinga. O mapa de localização do PARNA Itatiaia foi elaborado a partir de bases cartográficas da ESRI, IBAMA e IBGE e os SciELO/JBRJ 30 Morim, M. P. que ilustram a distribuição geográfica das espécies a partir de base cartográfica da ESRI, e das seguintes fontes: Altschul (1964), Anadenanthera colubrina var. colubrina; Barneby & Grimes (1996), Abarema langsdorfii; Lee & Lagenheim (1975), Hymenaea courbaríl var. altíssima; Lee & Lagenheim (1975), Hymenaea courbaril var. altíssima;. Lima 2000, Copaifera langsdorfii. Mimosa scabrella; Pennington (1997), Inga marginata, I. vera subsp. affinis, I.striata, 1. tenuis, I.sessilis, I.mendoncaei); Vaz & Tozzi 2003, Bauhinia longifolia. 2. Caracterização e considerações sobre a área de estudo O Parque Nacional do Itatiaia (22°15’e 22°30’S; 44°30’e 44"45’W) está localizado na Região Sudeste do Brasil, no sudoeste do estado do Rio de Janeiro, nos municípios de Resende e Itatiaia, e ao sul de Minas Gerais, em Bocaina de Minas e Itamonte, abrangendo uma área de 28.155,97 hectares (http:// www.ibama.gov.br/). Em relação ao relevo, o maciço do Itatiaia faz parte das elevações da cadeia montanhosa e interiorana da Serra da Mantiqueira (Fig. 1). A geomorfologia da região caracteriza- se por ser um dos grandes afloramentos rochosos do mundo, constituído por rochas do tipo nefelino e por massas de sienito (Segadas- Vianna 1965), tipo este raro no Brasil encon- trado, além do Itatiaia, em Poços de Caldas (MG) e na Ilha de São Sebastião no litoral de São Paulo (Ribeiro & Medina 2002). O Plano de Manejo do Parque (MA-IBDF & FBCN 1982) destaca como pontos relevantes: as Agulhas Negras, com 2.787 metros de altitude, onde se encontra o Pico do Itatiaiassu, que dominam a região do Planalto do Itatiaia, as Prateleiras (2.540 metros), a Serra Negra (2.560 metros), a Pedra do Couto (2.682 metros), o Pico da Maromba (2.607 metros) e a Cabeça do Leão (2.408 metros); a Pedra SciELO/JBRJ L2 13 14 15 16 17 cm Furada, a oeste acima de 2.500 metros; os Dois Irmãos, a leste em altitude de 2.400 metros; e os Três Picos, com pouco mais de 1.700 metros de altitude. Segundo Safford (1999 a), há dúvidas se os picos do Itatiaia foram realmente submetidos aos processos de glaciação ocorridos durante o Pleistoceno. Clapperton apud Safford 1 999a caracteriza o Itatiaia como o único na América do Sul, além dos Andes, que deve muito de sua origem aos processos geocriogênicos do Quaternário. A hidrografia, segundo Brade (1956) e o MA-IBDF & FBCN (1982), destaca-se pelas bacias do rio Paraíba do Sul e do rio Paraná e os rios que nascem no Parque seguem seus cursos d’agua em direção a estas bacias, onde desaguam. O rio Campo Belo, que forma as cachoeiras Itaporani, Piturendaba, Poranga e Tupie, e o rio Salto são considerados os componentes mais importantes na rede de drenagem da região. O Ribeirão das Flores, principal afluente do Campo Belo, forma, a 1 . 100 m de altitude, a cascatinha do Maromba e o famoso Véu da Noiva. Os rios Baependi, Aiuruoca, Grande pertencem a bacia do rio Paraná e o rio Preto, é importante afluente do Paraíba do Sul. O clima, segundo a classificaçao de Koeppen (Bernardes 1952), é do tipo tem- perado com estação seca (Cwa). Os efeitos climáticos produzidos sobre a vegetação da região foram estudados em diferentes níveis altitudinais do maciço do Itatiaia por Segadas- Vianna (1965) e Segadas-Vianna & Dau (1965) que identificaram duas estações para a região: a estação seca e fria, no período de junho a agosto, e a chuvosa e quente, nos meses de dezembro a fevereiro. O clima da região mais baixa, de 400 a 700 metros de altitude, é do tipo Cwa; em altitudes de 700 a 2.000 metros o clima é do tipo Cfb e na região do planalto, 2.000 a 2.400 metros de altitude, o clima é do tipo Cwb (Segadas-Vianna 1965 e Segadas-Vianna & Dau 1965). Os autores destacam que a estação muito fria e seca do planalto, assim como a alta incidência de geadas, é desfavorável ao estabelecimento da 31 vegetação florestal. Nos cumes, região acima de 2.400 metros de altitude, além da estação fria e seca ser ainda mais intensa ocorre a constante presença de ventos secos e frios de alta intensidade (Segadas-Vianna & Dau 1965). Safford (1999b), utilizando técnicas de análise multivariada associadas às infor- mações de Segadas-Vianna & Dau ( l.c .), concluiu que as congruências macroclimáticas evidenciadas refletem bases ambientais de fortes conecções biogeográficas entre os Andes e o sudeste do Brasil (campos de altitude do Planalto do Itatiaia) e, neste contexto, paralelismos evolutivos e ecológicos devem ter ocorrido em ambas as biotas destes sistemas montanhosos neotropicais. A vegetação do Itatiaia foi descrita pela primeira vez, segundo Segadas-Vianna (1965), por Ule, em 1895, em três principais níveis: a região baixa, até 600 metros de altitude; a região de floresta de 600 a 1.700 metros de altitude; e a região de campos, em altitudes superiores a 2.000 metros, sendo esta subdividida em cinco sub-regiões. Brade (1956) reconheceu: a mata higrófila tropical e subtropical, para a região baixa do Itatiaia; a mata de transição da região mais elevada, na faixa entre 1.200 e 1.800 metros de altitude; a região de Araucária, entre 1.600 e 2.300 metros de altitude, caracterizada pela distribuição descontínua de indivíduos de Araucaria angustifolia (Bertol.) Kuntze; e a vegetação do planalto acima de 2.000 metros de altitude. Segadas-Vianna (1965) definiu a vegetação com base em faixas altimétricas caracterizadas, na maioria das vezes, pelas espécies vegetais e animais, consideradas exclusivas dos andares de vegetação. Os “andares de vegetação" estabelecidos por Segadas-Vianna (1965) abrangeram cinco faixas altimétricas: planície de 400 a 700 metros de altitude; montanha inferior de 700 a 1.100 metros de altitude; montanha média 1.100 a 1.700 metros de altitude; montanha superior de 1.700 a 2.000 metros de altitude; planalto de 2.000 a 2.400 metros de altitude e cumes de 2.400 a 2.770 metros de altitude. Rodriguésia 57 (1): 27-45. 2006 .SciELO/ JBRJ 12 13 14 15 16 17 cm .. 32 Ururahy et al. (1983) classificaram a vege- tação do Itatiaia como floresta ombrófila densa montana e, acima de 1 .500 metros de altitude, como refúgio ecológico. No sistema de classificação do IBGE, Veloso et al. (1991) citaram “...Minas Gerais (Itatiaia)” como um dos exemplos de ocorrência da formação floresta estacionai semidecidual montana. Guedes-Bruni (1998) reconheceu a vegetação como floresta ombrófila densa montana. No presente trabalho a formação florestal do PARNA Itatiaia é tratada no conceito da floresta atlântica (Oliveira-Filho & Fontes 2000), sendo a floresta ombrófila densa, segundo sistema de classificação do IBGE (Veloso et al. 1991) e o mapeamento de áreas do sudeste (Oliveira-Filho & Fontes 2000), predominante na área de estudo. O grau de conservação da vegetação do Parque Nacional do Itatiaia é bastante variado. Algumas porções da formação florestal ainda se apresentam como matas em bom estado de conservação. Entretanto, constata-se grandes trechos de vegetação pertubada, principalmente, na faixa de altitude entre 600 e 1.000 metros. A influência do homem na vegetação do Itatiaia, mencionada por Brade (1956), reflete as ações antrópicas, principalmente, direcionadas à lavoura e pastagens, praticadas em toda a região da Mantiqueira (Mendes Jr. et al. 1991); atualmente, o turismo e a urbanização desordenados somam-se a estas ações. Os incêndios sempre fizeram parte dos processos devastadores freqüentes na região, entretanto, atualmente, podem ser considerados como à ameaça mais constante à vegetação e à flora do PARNA Itatiaia, inclusive nas regiões mais elevadas. Morim, M. P. Resultados e Discussão A riqueza e a diversidade taxonômica da família Leguminosae no PARNA Itatiaia, no tocante aos táxons arbustivos e arbóreos, estão expressas no total de 50 táxons específicos, e/ou infra-específicos, subordinados a 30 gêneros, assim distribuídos: oito gêneros e 15 spp. em Caesalpinoideae, sete gêneros e 14 spp. em Mimosoideae e 15 gêneros e 23 spp. em Papilionoideae (Morim 2002). Os padrões de distribuição foram reconhecidos para 48 espécies, considerando-se que as demais permanecem identificadas apenas na categoria taxonômica de gênero. Na flora local a distribuição do grupo é predominante na formação montana do PARNA Itatiaia em uma faixa altitudinal de 700 até cerca de 1 .200 metros e a partir desta cota altitudinal a riqueza de espécies de Leguminosae decresce. Esta redução na riqueza de espécies foi constatada por Brade ( 1 956) e Segadas- Vianna ( 1 965) para espécies de outras famílias da flora arbórea do Itatiaia. Segundo Gentry (1995) o declínio na riqueza de espécies, em conseqüência do aumento de altitude, é um certo padrão em florestas tropicais. A distribuição geográfica das espécies de Leguminosae do PARNA Itatiaia abrange três macrorregiões (Tab. 1): América do Sul, América Central e México (12% dos táxons); América do Sul (23% dos táxons) e restritos ao Brasil (65% dos táxons). A partir desta avaliação foram definidos seis padrões de distribuição que têm como referência a faixa predominante de ocorrência, na qual os táxons exibem distribuições de espécies dE do PARNA haüaia por dUrribeiçao em Macrorregiões I. América do Sul, A. Central e México II. América do Sul III. Distribuição restrita ao Brasil Total n° espécies 12% 23% 65% Rodriguésia 57 (1): 27-45. 2006 SciELO/JBRJ _2 13 14 15 16 17 33 Tabela 2 - Padrões de distribuição, relação das espécies e elementos florísticos, habitat, das Leguminosae do PARNA Itatiaia. Pad rões de distribuição Espécies quanto as preferências de Elementos florísticos 1 . Neotropical 1 • Inga marginata Willd. 1 2. Inga vera subsp. affinis (DC.) T.D. Penn.1 3. Lonchocarpus cultratus (Vell.) Az.-Tozzi & H.C.Lima 4. Machaerium hirturn (Vell.) Stellfeld 2,3 5. Peltophorum dubium (Spreng.) Taub.4'5 6. Platypodiurn elegans Vogei 45 7. Pterocarpus rohrii Vahl6 8. Schyzolobium parahyba (Vell.) Blake 4-’ 9. Senna pendula (Willd.) Irwin & Barneby7 2. América do Sul 10. Bauhinia longifolia (Bong.) Steud.8 ocidental-centro-oriental 1 1. Collaea speciosa DC. 12. Dalbergia frutescens (Vell.) Britton var .frutescens" 13. Erytrhinafalcata Benth.12 14. Inga striata Benth.1 3. Brasil centro-oriental 15. Andira fraxinifolia Benth. 16. Copaifera langsdorfii Desf.14 17. Dalbergia foliolosa Benth. 61 '. 18. Machaerium nyctitans (Vell.) Benth.6 19. Piptadenia gonoacantha (Mart.) Macbride6 20. Pseudopiptadenia contorta (DC.) G.P.Lewis & M.P.Lima15 21. Sclerolobium rugosum Mart. ex Benth6 22. Senna multijuga subsp. lindleyana (Gardncr) Irwin &. Barneby7 23. Stryphnodendran polyphyllum Mart16. 24. Zollernia ilicifolia (Brongn.) Vogei17 4 Brasil atlântico 25. Abarema langsdorfii (Benth.) Barneby et Grimes18 nordeste-sudeste-sul 26 Anadenanthera colubrina (Vell.) Brenan var. colubrina 19 27. Bauhinia forficata Link subsp. forficata20 28. Chamaecrista ensiformis (Vell.) Irwin & Barneby 29. Dalbergia nigra (Vell.) Allemão ex Benth". 30. Inga tenuis (Vell.) Mart. 1 3 1 . Myrocarpus frondosus Allemão21 32. Senna affmis (Benth.) Irwin & Barneby7 33. Zollernia glabra (Spreng.) Yakovlev17 5. Brasil atlântico 34. Dahlstedtia pinnata (Benth.) Malme5 sudeste-sul 35. Inga barbata Benth. 36. Inga sessilis (Vell.) Mart. 1 37. Mimosa scabrella Benth22'23. 38. Senna organensis (Harms) Irwin & Barnchy7 6. Brasil atlântico sudeste 39. Hymenaea courbaril var. altíssima (Duckc)Lec & Lang24 40. Inga mendoncaei Harms1 41. Ormosia friburgensis Taub. ex Harms6 42. Pseudopiptadenia leptostachya (Benth.) Rauschert15 43. Sclerolobium friburgense Harms6 44. Senna itatiaiae Irwin & Barneby7 Generalista Generalista Generalista Generalista Generalista Generalista Generalista Generalista Generalista Generalista Generalista Generalista Generalista Generalista Generalista Generalista Generalista Generalista Especialista Generalista Generalista Generalista Generalista Generalista Especialista Especialista Especialista Especialista Especialista Especialista Generalista Especialista Especialista Especialista Generalista Especialista Especialista Especialista Especialista Especialista Especialista Especialista Especialista Especialista Rodriguésia 57 (1): 27-45. 2006 SciELO/ JBRJ 12 13 14 15 16 17 cm .. 34 Padrões de distribuição Espécies 45. Senna macranthera (Collad.)Irwin & Bameby var. macranthera7 46. Swartzia oblata R.S. Cowan25-26 47. Swartzia pilulifera Benth.25-26 48. Swartzia submarginata (Benth.) Mansano2526 Morim, M. P. Elementos florísticos Especialista Especialista Generalista Especialista (2003); IJ01iveira-Filho & Ratter (1995) '^Lewis & Uma 1989 90 Sr H M Tn y 0974)1 ‘’Penningt0n Lewis (2004); '“Bameby & Grimes (1996); "Altschtl (1964)- *v’az & ST' ÍSS* 2! * Mansano' TozzÍ * Burkart (1979)- “Barnehv riQQlv i, J i , “ U M)’ Vaz & Sllva O"*): 2lSartori & Tozzi (2004); 22 Burkart (1979), Bameby (1991), Lee & Langenheim (1975); “Mansano & Tozzi (1999); “Mansano & Tozzi contínuas ou não. Os alcances geográficos dos táxons são de maior ou menor amplitudes e refletem núcleos de distribuição mais restritos, assim como exigências ecológicas associadas às formações vegetacionais onde se difundem. Os padrões estabelecidos, os táxons estudados e a indicação das espécies como elementos florísticos estão reunidos na tabela 2 e são discutidos a seguir. 1. Distribuição neotropical (Tab. 2, Figs. 2-3): abrange espécies com distribuições muito amplas, contínuas ou disjuntas, com áreas de ocorrências predominantemente localizadas na faixa neotropical. O México e a América Central são os limites norte de distribuição e o limite sul, o norte da Argentina. As espécies que exibem este padrão são: Inga marginata (Fig. 2), Inga vera subsp. affinis (Fig. 3), Lonchocarpus cultratus, Machaerium hirtum, Peltophorum dubium, Platypodium elegans, Pterocarpus rohrii, Schyzolobium parahyba e Senna pendula. No PARNA Itatiaia a ocorrência destes táxons foi verificada em uma faixa entre 650 e 1.100 metros de altitude, em localidades conhecidas como Benfica, Mont Serrat, nas proximidades das margens do rio Campo Belo e no Maromba. Deste conjunto de espécies destaca-se Inga vera subsp. affinis que alcança as maiores altitudes, até 1 .800 metros, na orla da mata, no caminho para o planalto, e no interior da mata montana, em transição para alto-montana, e Pterocarpus rohrii como freqüentes em altitude de 900 metros. Alguns indivíduos de Schyzolobium parahyba são encontrados apenas nos arredores do Museu Botânico, em locais de vegetação alterada, sugerindo ser esta uma espécie cultivada no PARNA Itatiaia. Peltophorum dubium e Platypodium elegans incluem-se no grupo de espécies citadas por Prado & Gibbs ( 1 993) que ilustram os padrões de distribuições de táxons em florestas estacionais da América do Sul. Platypodium elegans é um dos exemplos de táxons, mencionados pelos autores, que apresenta uma distribuição bastante complexa (Prado & Gibbs 1993). Rodriguésia 57 (1): 27-45. 2006 2 3 4 5 6 SciELO/JBRJ 12 13 14 15 16 17 cm Rodriguésia 57 (1): 27-45. 2006 35 As espécies incluídas neste padrão habitam formações de diferentes domínios vegetacionais e são elementos florísticos generalistas na flora do PARNA Itatiaia. 2. Distribuição América do Sul ocidental- centro-oriental (Tab. 2, Figs. 4-5): a faixa de ocorrência predominante neste padrão abrange as áreas oeste, centro e leste da América do Sul. Os extremos mais ao norte, Venezuela, Suriname ou ainda a Guiana, são alcançados por alguns dos táxons; o limite meridional é, em geral, o sul do Brasil. O referido padrão é reconhecido nos seguintes táxons: Bauhinia longifolia (Fig. 4), Collaea speciosa, Dalbergia frutescens var. frutescens, Erythrina falcata e Inga striata (Fig. 5). No PARNA Itatiaia as espécies ocorrem, principalmente, em altitudes entre 650 e 900 metros, em áreas abertas ou no interior da formação montana, em geral, a 900 metros de altitude. Alguns indivíduos de D. frutescens var. frutescens são encontrados em trechos de mata a 1.500-1.700 metros de altitude; C. speciosa e E. falcata alcançam altitudes superiores a 1.700 metros, sendo que C.speciosa ocorre em áreas de transição entre a formação montana e alto-montana, em altitude de 2.000 metros. Bauhinia longifolia, com distribuição relativamente contínua, ocorre no Peru, Bolívia e Paraguai e, na faixa centro-oriental do Brasil, em áreas do centro-oeste, nordeste, sudeste e, no sul, até o Paraná (Vaz & Tozzi 2003). É frequente nas formações florestais dos domínios do cerrado, campo rupestre e da floreta atlântica (Vaz & Tozzi 2003). As ocorrências mais ao norte do continente são registradas para Dalbergia frutescens var. frutescens, na Venezuela c Guiana (Carvalho 1997), e em Inga striata, na Guiana e Suriname (Pennington 1997). Dalbergia frutescens var. frutescens, no Brasil, ocorre em floresta de galeria, restinga, na formação florestal atlântica, e em floresta de araucária, tendo como limite sul o norte da Argentina (Carvalho 1997); Inga striata, além SciELO/JBRJ 12 13 14 15 16 17 36 Morim, M. P. de muito comum em ampla faixa da formação florestal atlântica, desde o nordeste, Pernambuco, até o Rio Grande do Sul, é registrada ainda para as florestas montanas dos Andes, no Peru e Equador (Pennington 1997). As especies Collaea speciosa e Erythrina falcata, comparadas as demais incluídas neste padrão, são as que possuem uma faixa de ocorrência mais restrita. Collaea speciosa tem distribuição registrada para o Peru, Bolivia, Paraguai e Argentina (Garcia 1989, Fortunato 1995) e no Brasil, segundo dados do herbário, na Bahia, Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo. No Rio de Janeiro ocorre em floresta ombrófila densa montana e para os demais estados só foram encontradas como citações de ambientes, locais abertos e capoeiras. O táxon é considerado um complexo variável e os espécimes que ocorrem no Brasil são distintos das formas típicas do Peru e da Bolivia (Fortunato 1995). Erythrina falcata segundo Krukoff & Bameby (1974), ocorre em regiões sub-andinas do Peru e da Bolívia, no Paraguai e no norte da Argentina. No Brasil difunde-se nas Regiões Sudeste e Sul, no domí- nio florestal atlântico, tendo apenas o espécime tipo, no Maranhão (Krukoff & Bameby 1974). Erythrina falcata e, provavelmente, Collaea speciosa poderiam ser correlacionadas ao elemento florístico andino reconhecido por Brade (1956) para a Serra do Itatiaia. As espécies reconhecidas neste padrão são consideradas generalistas. 3. Brasil centro-oriental (Tab. 2; Figs. 6-7): a principal faixa de distibuição dos táxons, neste padrão, compreende áreas do centro- oeste, do nordeste, sudeste e sul do Brasil tendo, em geral, como limites, ao norte, os estado do Ceará ou da Bahia e, ao sul, o Paraná ou Santa Catarina. Incluem-se neste padrão: Andira fraxinifolia, Copaifera langsdorfii (Fig. 6), Dalbergia foliolosa, Machaerium nyctitans, Piptadenia gonoacantha, Pseudopiptadenia contorta (Fig. 7) Sclerolobium rugosum, Senna multijuga subsp. lindleyana, Stryphnodendron polyphyllum e Zollernia ilicifolia. No PARNA Itatiaia estas espécies são encontradas, principalmente, na formação montana na faixa entre 600 e 900 metros de altitude, no interior da mata, nas proximidades do rio Campo Belo, e também são comuns em locais de vegetação alterada. Dalbergia foliolosa e Sclerolobium rugosum foram registradas em trechos de mata, na formação montana em transição para alto-montana, em faixa altitudinal entre 1.400 e 1.900 metros, na localidade de Macieiras. Andira fraxinifolia ocorre no Distrito Federal e Goiás e, também, do Ceará a Santa SciELO/JBRJ 12 13 14 15 16 17 cm 37 Catarina em formações da floresta pluvial atlântica, restinga, campo rupestre e ainda em vegetação secundária (Pennington 2003). Copaifera langsdorfii, segundo dados de herbário e Oliveira-Filho & Ratter (1995), é muito comum no centro-oeste, nordeste e sudeste do Brasil, principalmente, em áreas de cerrado, floresta de galeria, caatinga e floresta estacionai. Oliveira-Filho & Ratter (1995) registram C. langsdorfii como uma das treze espécies de mais alta freqüência nas florestas de galeria e com uma distribuição expressiva nas florestas semidecíduas paranaenses, difundindo-se também no cerrado e, ainda, em poucas áreas das províncias amazônica e atlântica. Zollernia ilicifolia ocorre no centro- oeste, apenas no Distrito Federal, e desde a Paraíba até o Paraná em formações da floresta pluvial atlântica, da floresta estacionai, cerrado e caatinga (Mansano et al. 2004). Pseudopiptadenia contortci ocorre no nordeste, Paraíba e Bahia, e no sudeste, em todos os estados, em ambientes do Domínio da Caatinga arbórea, em matas de restinga e nas formações do Domínio Florestal Atlântico (Lewis & Lima 1989-90). Stryphnodendron polyphyllum é frequente nos cerrados e campos rupestres do nordeste, principalmente na Bahia (Lewis 1 987), e no sudeste (Occhioni Martins 1974, 1981), com exceção do Espírito Santo, em floresta estacionai semidecidual e em floresta ombrófila densa. Segundo Occhioni Martins (1981) esta é a única espécie do gênero que ocorre no Rio de Janeiro, principalmente, em trechos da Serra da Mantiqueira e da Serra do Mar. Machaerium nyctitans e Sclerolohium rugosuni são registradas para o nordeste, Bahia, na Região Sudeste, em todos os estados, e no sul, apenas M .nyctitans chega ao Paraná e Santa Catarina, ocorrendo na floresta ombrófila densa e na floresta estacionai do planalto meridional (Lima & al. 1994). Dalbergia foliolosa é frequente em matas ciliares em áreas do cerrado do Brasil mas, também, é muito comum e característica da floresta pluvial atlântica montana da Serra da Mantiqueira e da Serra do Mar, nos estados de Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo (Lima et al. 1994, Carvalho 1997). Em relação à flora do PARNA Itatiaia observa-se, neste padrão, o predomínio de espécies generalistas. 4. Brasil atlântico nordcstc-sudestc-sul (Tab. 2, Figs. 8-10): a principal faixa de distribuição neste padrão é a área que abrange desde o nordeste, principalmente, a Bahia, até o sul do Brasil, em geral, o Paraná. Entre as espécies estudadas cita-se: Abarema langsdorfii (Fig. 8), Anadenanthera colubrina var. c olubrina (Fig. 9), Bauhinia forficata subsp. forficata, Chamaecrista ensiformis, Dalbergia nigra, Inga tenuis (Fig. 10), Myrocarpus frondosus, Senna affinis e Zollernia glabra. A ocorrência destas espécies no PARNA Itatiaia foi verificada em uma faixa altitudinal entre 600 e 1 .000 metros, em localidades conhecidas como Benfica, Lago Azul, e nas proximidades do rio Campo Belo, em trechos da formação montana mais preservada. As distribuições de Bauhinia forficata subsp. forficata, Abarema langsdorfii e Myrocarpus frondosus são similares e refletem as maiores amplitudes geográficas dos táxons incluídos neste padrão. A faixa de distribuição da Bahia até o Rio Grande do Sul, interiorizando em Minas Gerais, é predominate e comum às três espécies: B. forficata subsp. forficata, segundo Vaz & Silva (1995) e dados de herbário, tem como limites norte Alagoas e como sul, o estado de Santa Catarina, ocorrendo nas formações de floresta atlântica (senso Oliveira-Filho & Fontes 2000); A. langsdorfii difunde-se da Bahia até Santa Catarina, em restinga (Barncby & Grimcs 1996), e, pelas informações dos autores e dados de herbário, em formações montanhosas da floresta ombrófila densa, tornando-se mais rara nas florestas estacionais da Serra da Mantiqueira e leste de Minas Gerais (Barncby & Grimes 1996). Myrocarpus frondosus. Rodriguésia 57 (I): 27-45. 2006 !scíelo/jbrj 12 13 14 15 16 17 cm .. 38 Figura 9 - Anadenanthera colubrina : Anadenanthera colubrina var. colubrina (A); A. colubrina var. cebil (•) Figura 10 - Inga tenuis Morim, M. P. embora com um núcleo expressivo de distribuição na faixa da Bahia ao Rio Grande do Sul, em formações florestais de florestas estacionais, decidual e semidicual, da floresta ombrófila densa e da floresta ombrófila mista, ocorre também no sudoeste do Paraguai e no norte da Argentina (Sartori & Tozzi 2004). Anadenanthera colubrina var. colubrina, segundo Altschul (1964), distribui- se no nordeste, na Bahia, no sudeste, no Rio de Janeiro e São Paulo, no sul do Brasil, no Paraná, e na Argentina, em Misiones. Prado & Gibbs (1993) assinalaram que a variedade típica distribui-se simpatricamente com A. colubrina var. cebil (Griseb.) Altschul nas áreas de caatinga da Bahia e também em Misiones e de forma alopátrica no estado do Rio de Janeiro e nas florestas do planalto de São Paulo e Paraná. Os autores consideraram A. colubrina var. cebil um táxon paradigma para o padrão, por eles denominado,” Arco das formações estacionais residuais do Pleis- toceno”. As terras altas da Região Sudeste do Brasil foram apontadas como prováveis locais de origem de A. colubrina e ainda como o centro de origem do gênero (Altschul 1964). Dalbergia nigra e Inga tenuis possuem núcleos de distribuição muito similares: I. tenuis tem como limite norte o estado de Sergipe e sul o Rio de Janeiro. Nesta faixa, ocorre na floresta pluvial e em áreas de transição com a restinga (Pennington 1997); D. nigra ocorre do sul da Bahia até São Paulo, na floresta ombrófila densa, e também em em Minas Gerais, na floresta estacionai semidecidual (Carvalho 1997). Chamaecrista ensiformis, segundo dados de herbário, ocorre na Bahia, Espírito Santo e Rio de Janeiro, na floresta ombrófila densa e também em restinga; Senna affinis (Irwin & Bameby 1982) apresenta distribuição semelhante não sendo citada para o Espírito Santo mas, com ocorrência registrada em Minas Gerais. Zollernia glara apresenta uma área de distribuição muito similar a de Chamaecrista ensiformis, ocorrendo também em São Paulo. Rodriguésia 57 (1): 27-45. 2006 SciELO/JBRJ L2 13 14 15 16 17 39 Em relação a seu habitat a espécie é restrita a floresta pluvial atlântica (Mansano et al. 2004). Independente das diferentes amplitudes geográficas predominam neste padrão as espécies de Leguminosae especialistas do Domínio Florestal Atlântico. 5. Brasil atlântico sudeste-sul (Tab. 2, Figs. 11-12): este padrão é caracterizado pela faixa de distribuição nas Regiões Sudeste e Sul do Brasil, predominando como limite sul o estado do Paraná. Os seguintes táxons, são reconhecidos: Dahlstedtia pinnata, Inga barbata, /. sessilis (Fig. 11), Mimosa scabrella (Fig. 12) e Senna organensis. Na flora do PARNA Itatiaia a maior parte destas espécies ocorre na faixa de 650 a 1 .000 metros de altitude em localidades citadas como Mont Serrat, Lago Azul e Maromba. Inga sessilis, muito freqüente no Maromba, ocorre também em Macieiras e no caminho para o planalto em uma altitude de até 1.900 metros; Dahlstedtia pitmata foi coletada também em altitude de 1 .300 metros (Três Picos); Mimosa scabrella ocorre em uma faixa entre 1.000 e 1 .900 metros, em geral, em trechos de matas pertubadas, em trechos próximos ao planalto, Vargem Grande e Serra Negra. Os táxons com maiores amplitudes geográficas são: Inga sessis, que se distribui de Minas Gerais ao Rio Grande do Sul (Pennington 1997), em floresta de galeria no cerrado de Minas Gerais, floresta de Araucaria, no Paraná, e em vegetação secundária derivada da floresta pluvial montana (Pennington 1997); Mimosa scabrella possui a mesma distribuição geográfica da espécie anterior, sendo muito comum em locais de vegetação alterada das formações montanas da floresta ombrofila densa e, também, na floresta de araucária (Burkart 1979, Barneby 1991). Ambas apresentam uma distribuição bastante similar a de Araucaria angustifolia (Burkart 1979), táxon de distribuição provavelmente relictual (Ab’Saberl977, Bigarella et al. 1975). Este grupo de táxons é característico em formações dos complexos montanhosos, da Serra da Mantiqueira e da Serra do Mar. São espécies, predominantemente, especialistas do Domínio Atlântico, no qual o habitat preferido é a floresta atlântica (senso Oliveira-Filho & Fontes 2000). As espécies deste padrão se relacionadas aos elementos florísticos de Brade (1956) poderiam ser reconhecidas no sub- Figurn 1 1 - Inga sessilis Rndriguésia SI (1): 27-45. 2006 SciELO/ JBRJ 12 13 14 15 16 17 cm .. Morim, M. P. grupo dos elementos florísticos subtropicais das matas higrófilas (senso Brade 1956). 6. Brasil atlântico sudeste (Tab. 2, Figs. 13, 14): a faixa de abrangência deste padrão é restrita à Região Sudeste, principalmente, em locais de maiores altitudes das cadeias da Serra do Mar e da Serra da Mantiqueira. Para a flora do PARNA Itatiaia são reconhecidas, neste padrão, as seguintes espécies: Hymenaea courbaril var. altíssima (Fig. 13), lnga mendoncaei (Fig. 14), Ormosia friburgensis, Pseudopiptadenia leptostachya, Sclerolobium friburgensis , Senna itatiaiae, S. macranthera var. macranthera, Swartzia oblata, S. pilulifera e S. submarginata. Na flora em estudo este grupo de táxons ocorre em uma faixa de altitude entre 700 e 2.200 metros e, em geral, são as espécies que alcançam as altitudes mais elevadas, como, por exemplo, Senna itatiaiae de ocorrência registrada apenas na formação alto-montana. Na Região Sudeste, núcleo de distribuição para os táxons incluídos neste padrão, são reconhecidas áreas distintas de ocorrência: Senna macranthera var. macranthera ocorre em cadeias serranas de Minas Gerais, na floresta atlântica do Espírito Santo e Rio de Janeiro, principalmente na Serra dos Órgãos e na Serra da Mantiqueira, e áreas de capoeira (Irwin & Bameby 1982); Pseudopiptadenia leptostachya ocorre em Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo, na floresta ombrófila densa montana das Serra do Mar e da Mantiqueira (Lewis & Lima 1989-90); Swartzia oblata e S. submarginata são registradas para Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo, na floresta pluvial tropical atlân- tica e na floresta estacionai, acrescentando- se ainda a ocorrência de S. oblata no Espírito Santo (Mansano & Tozzi 1999; Mansano & Tozzi 2001); Hymenaea courbaril var. altíssima (Lee & Langenheim 1975); Ormosia friburgensis, e Sclerolobium friburgensis, (Lima etal. 1994), ocorrem no Rio de Janeiro e São Paulo, nas Serra do Mar e na Serra da Mantiqueira, na floresta ombrófila densa montana; Swartzia pilulifera é registrada para Minas Gerais e Rio de Janeiro na floresta pluvial tropical atlântica, floresta estacionai e cerrado (Mansano &Tozzi 1999); lnga mendoncaei e Senna itatiaiae, segundo Pennington (1997) e Irwin & Bameby (1982), respectivamente, são conhecidas apenas da floresta pluvial montana do estado do Rio de Janeiro, destacando-se que S. itatiaiae é conhecida, até o momento, apenas para a flora do PARNA Itatiaia. As espécies reconhecidas neste padrão são elementos florísticos especialistas do Figura 13 - Hymenaea courbaril var. altíssima Rodriguésia 57 (1): 27-45. 2006 SciELO/JBRJ L2 13 14 15 16 17 cm Domínio Atlântico, a exceção de Swartzia pilulifera, e têm distribuições restritas às floresta ombrófila densa e floresta estacionai semidecidual do sudeste. Uma síntese do conjunto dos padrões de distribuição (Fig. 15) e a correlação à preferên-cia de habitat das especies de Leguminosae estudadas para a flora do PARNA Itatiaia mostrou que do total de espécies analisadas, 56% são generalistas e 44% especialistas em formações do Domínio Atlântico (Tab. 2). Os padrões predominantes de distribuição das espécies generalistas são o neotropical, seguido do Brasil centro-oriental e o América do Sul ocidental-centro-oriental. Os táxons especialistas do Domínio Atlântico foram reconhecidos, principalmente, nos padrões: Brasil Atlântico nordeste-sudeste-sul, 41 Brasil Atlântico sudeste e Brasil Atlântico sudeste-sul. O grupo de espécies especialistas revelou a predominância de táxons do domínio florestal atlântico (senso Oliveira-Filho & Fontes 2000), destacando-se espécies características da flora da floresta ombrófila densa, seguidas da presença expressiva de elementos florísticos que também ocorrem nas florestas estacionais semidecíduas do sudeste. Tal fato corrobora a constatação das similaridades florísticas entre estas duas formações florestais no sudeste e a condição da flora arbórea da floresta semidecidual ser um sub-conjunto da flora das florestas ombrófilas (Oliveira-Filho & Fontes 2000). O conjunto de resultados obtidos mostra que a formação florestal montana e alto- SciELO/JBRJ 12 13 14 15 16 17 42 Morim, M. P. montana do PARNA Itatiaia é um relevante núcleo de distribuição de Leguminosae no contexto das grandes cadeias montanhosas das Serra da Mantiqueira e da Serra do Mar, reforçando a condição do estado do Rio de Janeiro seja como centro de diversidade de espécies, centro de endemismo ou área provável de refúgio (Mori 1981 e 1989, Prance 1987, Prance 1994, Lima et al. 1997). Entretanto, resultados sobre a riqueza e diversidade das Leguminosas no Domínio Atlântico do sudete do Brasil, associados aos prováveis processos biogeográficos históricos e ecológicos aos quais os táxons foram e estão submetidos (Lima 2000), serão fundamentais para interpretações mais detalhadas sobre o conjunto florístico das Leguminosae na formação florestal do PARNA Itatiaia. Estimula-se ainda que outras famílias botânicas que predominam na formação florestal do PARNA Itatiaia sejam estudadas e que este conjunto de resultados, associados aos diferentes aspectos que envolvem o maciço do Itatiaia (Safford 1999 a,b), promovam o avanço no conhecimento sobre a flora local. Agradecimentos À Dra. Gaziela Maciel Barroso, in memoriam, pelos valiosos ensinamentos no estudo de Sistemática de Leguminosae; à Dra. Dorothy Sue Dunn Araújo, Departamento de Ecologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro, pela revisão do abstract. Ao bolsista da Fundação Botânica Margaret Mee/ Programa Mata Atlântica/Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro pesquisador Sebastião da Silva Neto, pelo auxílio durante os trabalhos de campo- a Leonardo Gnattali de Mello Campos, bolsista do Centro de Informações e Serviços do Programa Mata Atlântica/JBRJ, pela elaboração dos mapas. Ao Parque Nacional do Itatiaia pelo apoio durante a realização do trabalho de campo e ao Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro, em especial ao Programa Mata Atlântica, pelas condições de trabalho oferecidas e auxílio financeiro (convênio n° 610.4.025.02.3) através do patrocínio da Petrobrás. Referências Bibliográficas Ab’Sáber, A. N. 1977. Os domínios morfológicos da América do Sul. Geomorfologia52: 1-23. Altschul, S. von Reis. 1964. A taxonomic study of the genus Anadenanthera. Contributions from the Gray Herbarium of Harvard University 193: 1-65. Bameby, R. C. 1991. Sensitivae censitae: a description of the genus Mimosa Linnaeus (Mimosaceae) in the New World. Memoirs of the New York Botanical Garden 65: 1-835. Bameby, R. C. & Grimes, J. 1996. Silk tree, Guanacaste, Monkey’s earring: a generic System for the Synandrous Mimosaceae of the Américas. Part I. Abarema, Albizia, and Allies. Memoirs of the New York Botanical Garden 74(1): 1-292. Barroso, G. M.; Peixoto, A. 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(Bromeliaceae)) Este trabalho teve como objetivo elaborar o tratamento taxonômico das espécies do gênero Tillandsia L. ocorrentes no estado da Paraíba, como parte do projeto “Flora Paraibana”. Foram identificadas 12 espécies para o estado: T. bulbosa Hook.f., T. gardneri Lindl., T. juncea (Ruíz & Pav.) Poir., T. kegeliana Mez, T. loliacea Schult. & Schult. f., T. polystachia L., T. recurvata (L.) L., T. streptocarpa Baker, T. stricta Sol. ex Sims., T. tenuifolia var. surinamensis (Mez) L.B.Sm.. T. usneoides (L.) L. e T. globosa Wawra var. globosa. Dentre estas, T. bulbosa e T. stricta são referidas pela primeira vez para o estado. Palavras-chave: Tillandsioideae, taxonomia, flora, Nordeste do Brasil. Abstract (Flora of Paraiba, Brazil: Tillandsia L. (Bromeliaceae)) The present work constitutes a taxonomic treatment of the genus Tillandsia L. in the State of Paraíba as part of the project “Flora Paraibana”. Twelve taxa were identified occurring in this area: T. bulbosa Hook.f., T. gardneri Lindl., T. juncea (Ruíz & I av.) Poir., T. kegeliana Mez, T. loliacea Mart. ex Schult. f., T. polystachia L., 7. recurvata (L.) L., T. streptocarpa Baker, T. stricta Sol. ex Sims., Tillandsia tenuifolia var. surinamensis (Mez) L.B.Sm., T. usneoides (L.) L. and Tillandsia globosa Wawra var. globosa. Oí these, two species ( T . bulbosa and T. stricta ) constitutc the first rcfcrcnce for Paraíba. Key-words: Tillandsioideae, taxonomy. flora, Northeastem Brazil. Introdução Bromeliaceae está representada por 56 gêneros (Grant & Zijlstra 1998) e aproxima- damente 3.270 espécies (Luther 2000), sendo Tillandsia um dos gêneros mais diversificados, compreendendo cerca de 620 espécies (Luther 2000), com distribuição na América tropical e subtropical, desde o sul dos Estados Unidos até o norte da Argentina. O gênero caracteriza-se por apresentar plantas herbáceas, saxícolas, rupícolas ou epífitas, com folhas polísticas ou dísticas, inermes, inflorescências em espigas de onde emergem flores com corolas coloridas e vistosas, protegidas por brácteas, ou raro com flores isoladas. Tillandsia é um dos gêneros de Bromeliaceae mais representados na caatinga. Entretanto, poucos são os estudos que revelam a diversidade do gênero neste ecossistema. Para a Região Nordeste, Barbosa etal. (1996) referiram a ocorrência de 15 espécies. Wanderley & Sousa (2002) registraram a presença de 14 espécies para o ecossistema caatinga. A pouca diversidade das Bromeliaceae representada nos levantamentos fiorísticos, no âmbito da caatinga, foi referida por Leme (1993) como “uma lista repetitiva das espécies mais conhecidas". As informações sobre as espécies de Tillandsia na Paraíba são escassas, somente encontradas em citações pontuais de Smith (1955) e Smith & Downs ( 1 977), que referiram a presença de sete espécies. Do ponto de vista económico, o gênero Tillandsia destaca-se por seu valor ornamental, sendo muitas espécies comercializadas em floriculturas de todo o mundo, como Tillandsia cyanea (A. Dictr.) E. Morrcn, T xerographica Rohwedcr, T Artigo recebido em 01/2005. Aceito para publicação em 08/2005. 'Parte da monografia de graduação do primeiro autor. Trabalho premiado como melhor monografia de estudos em Bromeliaceae 2002-2003. pela Sociedade Brasileira de Bromélias (SBBr). :Pós-Graduando da Escola Nacional dc Botânica Tropical, Instituto de Pesquisa do Jardim Botânico do Rio dc Janeiro. ricardoapontcs@jbrj.gov.br 'Autor para correspondência: Maria de Fátima Agra. Laboratório dc Tecnologia Farmacêutica, Universidade Federal du Paraíba, Caixa Postal 5009, CEP. 58051-059, João Pessoa, PB, Brasil, mfagra@yahoo.com.br SciELO/JBRJ L2 13 14 15 16 17 cm 48 aeranthos (Loisel.) L. B, Sm., entre outras. Na Paraíba, várias espécies nativas são comercializadas em floriculturas, como T. gardneri, T. tenuifolia e T. polystachia. Outras espécies são utilizadas na confecção de arranjos florais, como T. usneoides, cujas plantas são encontradas em grandes estoques nas floriculturas do estado (obs. pessoal). Este trabalho teve como objetivo elaborar o tratamento taxonômico do gênero Tdlandsia na Paraíba, contribuindo para um maior conhecimento da diversidade da flora paraibana (Agra & Barbosa 1996; Cabral & Agra 1999; Rocha & Agra 2001 , 2002; Pontes & Agra 2001). Material e Métodos Área de Estudo - O estado da Paraíba localiza-se na porção oriental do Nordeste do Brasil, entre os meridianos de 34°45’54" e 38°45 45" longitude Oeste, e entre os paralelos de 6°02’12" e 8°19’18" latitude Sul. Segundo Carvalho & Carvalho (1985), vários tipos de vegetações ocorrem no estado, dependendo dos compartimentos morfológicos e suas condi- ções ambientais: vegetação pioneira, campos e matas de restingas, manguezais, mata úmida (mata perenifólia costeira ou mata atlântica, mata perenifólia de altitude ou mata de brejos)] tabuleiros, agreste, mata sub-caducifólia de transição, matas serranas e caatinga. Coletas e Identificações - Realizaram-se coletas e observações de campo, relativas à morfologia, fenologia e ecologia, em diversas áreas do estado. As identificações foram realizadas com base na análise dos caracteres reprodutivos e vegetativos, com auxílio da bibliografia especializada (Mez 1891-1894; Smith 1955; Smith & Downs 1977). Adicionalmente também foram realizadas análises comparativas com espécimes dos seguintes herbários: JPB, EAN, IPA e UFP (siglas segundo Holmgren et al. 1990). Os estudos morfológicos e as ilustrações foram realizados com auxílio de estereomi- croscópio e câmara-clara, Zeiss. A morfologia do estigma seguiu a classificação de Brown Pontes, R. A. S. & Agra, M. F. & Gilmartin (1989) e as descrições foram elaboradas utilizando-se as terminologias encontradas em Radford et al. (1974). Os dados de distribuição geográfica, fenologia e ecologia de cada espécie foram retirados das etiquetas das exsicatas, complementados com observações de campo. Tdlandsia globosa var. globosa citada para a Paraíba por Smith & Downs (1977), com base na coleção Foste r 2415, depositada no Herbário do Smithsonian Institution (US), não foi descrita no presente tratamento, por não ter sido mais coletada na área. Resultados Tillandsia L„ Sp. pl. 286. 1753. Ervas caulescentes até caules incons- pícuos, saxícolas, rupícolas ou epífitas. Folhas rosuladas ou distribuídas ao longo do caule, polísticas ou dísticas, imbricadas, margens inteiras, crassas ou não; lâminas estreitamente liguladas, lanceoladas ou linear-filiformes; indumento pouco a fortemente cinérea, escamas simétricas ou assimétricas, de contorno arredondado, triangular ou irregular. Escapo desde bem distinto até ausente. Inflorescência em espiga, simples ou ramificada, com flores dísticas ou polísticas, raramente reduzidas a uma única flor. Bráctea floral conspícua, elíptica, elíptico-lanceolada ou oval-lanceolada. Flores sésseis, eretas. Sépalas simétricas, livres ou as posteriores soldadas, carenadas ou ecarenadas. Pétalas livres, lilases, amarelas, róseas, brancas, azuis ou verde-amareladas, unha estreita, linear a suborbicular. Estames 6, inclusos ou exsertos; filetes cilíndricos ou complanados; anteras com deiscência rimosas, amarelas ou negras. Ovário súpero, glabro; óvulos numerosos, caudados; estilete cilíndrico; estigma simples-ereto ou espiral-conduplicado. Fruto capsula septicida; sementes cilíndricas ou fusiformes, com apêndices basais, plumosos e brancos. O gênero Tillandsia está representado na Paraíba por 12 espécies, pertencentes a quatro subgêneros de acordo com o tratamento ínfragenérico de Smith & Downs (1977). O Rodrixue.ua 57 (1): 47-61. 2006 SciELO/JBRJ 12 13 14 15 16 17 Flora da Paraíba: Tillandsia 49 subgênero Anoplophytum está representado por quatro espécies, T. gardneri, T. stricta, T tenuifolia var. surinamensis e T globosa var. globosa. Tillandsia subgênero Tillandsia possui quatro espécies, T bulbosa, T. juncea, T kegeliana e T. polystachia. Para o subgênero Diaphoranthema foram registradas três espécies, T. loliacea, T recurvata e T usneoides. O subgênero Phytarrhiza está representado apenas por T streptocarpa. Representantes de Tillandsia têm sido encontrados nos remanescentes de mata atlântica, incluindo “brejos de altitudes”, e no semi-árido (agreste, matas serranas e caatinga), em elevações que variam de 10 a 1.200 m de altitude, ocorrendo como epífitas ou rupícolas, sendo algumas vezes, a forma de vida, facultativas para um mesmo táxon. Chave para identificação das espécies de Tillandsia 1. Estames exsertos. 2. Ovário elíptico a oval-elíptico, cerca de 5 mm compr. 3. Folhas com bainhas indistintas; estames e estiletes 4,5 cm compr. 6. T polystachia y. Folhas com bainhas distintas; estames e estiletes menores que 3,5 cm. 4. Infiorescência não complanada; sépalas carenadas; cápsula até 3,6 cm compr. 1. T bulbosa 4\ Infiorescência complanada; sépalas ecarenadas; cápsula maior que 4 cm compr. 4. T kegeliana 2'. Ovário cônico, cerca de 8 mm compr. 3. T juncea 1 '. Estames inclusos. 5. Folhas polísticas; escapo densamente bracteado. 6. Brácteas do escapo longo-caudadas com o ápice espiralado; lâmina com pétala orbicular; estigma espiral-conduplicado 8. T streptocarpa 6'. Brácteas do escapo curto-caudadas com o ápice ereto; pétala com lâmina espatulada, linear a suborbicular; estigma simples-ereto. 7'. Estames menores que 5 mm compr.; ovário menor que 1,5 mm compr.; estilete diminuto, ca. 1 mm compr 5. T loliacea 7'. Estames maiores que 8 mm compr.; ovário de 3 a 4 mm compr.; estilete evidente, acima de 7 mm compr. 8. Folhas fortemente cinéreas com escamas densas; infiorescência pêndula; sépalas ovais; estilete até 8 mm compr. 2. T gardneri 8'. Folhas verdes com escamas laxas; infiorescência ereta; sépalas lanceoladas, elípticas a elíptico-lanceoladas; estilete acima de 1 cm compr. 9. Pétalas 1 ,2 cm, alvas; estames soldados à unha da pétala 10. T tenuifolia var. surinamensis 9\ Pétalas 1,7 cm, púpuras; estames soldados na base do ovário 9. T stricta 5’. Folhas dísticas; escapo ausente, ou quando presente com apenas uma bráctca. 10. Raízes e escapo presentes; flores em espiga; pétalas lilases; ovário ca. 3 mm compr. 7. T recurvata 10’. Raízes e escapo ausentes; flores isoladas; pétalas esverdeadas, ovário ca. 1,5 mm compr U- T “slides Rodriguésia 57 (1): 47-61. 2006 SciELO/ JBRJ 12 13 14 15 16 17 cm .. 50 1. Tillandsia bulbosa Hook., Exot. Fl. 3: 173. 1826. Fig. 4 p_s Planta 12-18 cm alt., epífita; caule inconspícuo; raízes presentes, rígidas. Folhas polísticas, verdes, imbricadas, margens onduladas; lâmina 3-16 cm compr., linear- filiforme, verde, ápice filiforme; bainha 1,8-2 x 1,7-1, 8 cm, elíptica, muito distinta, cinérea. Escapo ereto ou recurvo, 8-10 cm; brácteas oval-lineares, levemente filiformes no ápice, 7- 8 x 0,2-3 cm compr., imbricadas, verdes. Inflorescência em espiga simples, excedendo as folhas, 4-7 cm compr.; brácteas florais ca. 2 x 1,7 cm, elípticas, verdes, ápice apiculado, ultrapassando as sépalas. Sépalas subconatas, 1,7- 1,8 x 0,3— 0,4 cm, elípticas, carenadas, glabras, ápice agudo. Pétalas ca. 3 x 0,5 cm! elíptico-lanceolada, ápice sub-agudo; estames exsertos, ca. 3,4 cm compr.; filetes compressos; ovário ca. 5 mm compr., elíptico, trígono; estilete 2, 5-2, 6 cm compr., cilíndrico; estigma espiral-conduplicado. Cápsula 3,5-3,6 cm compr., valvas retorcidas na deiscência; sementes 2-2,5 mm compr., apêndices plumosos 2—2,3 cm compr. Tillandsia bulbosa possui ampla distribuição na América Central, Caribe e América do Sul. No Brasil ocorre nas Regiões Norte, Nordeste e Sudeste. Foi citada para o Nordeste por Smith & Downs (1977) para os estados de Pernambuco, Alagoas e Bahia, sendo aqui a sua primeira referência para o estado da Paraíba, onde foi encontrada somente em uma área de mata costeira. Foi coletada com flores em agosto e frutos em setembro. Material examinado: BRASIL. PARAÍB Mamanguape, Estação Ecológica Capim Az 18.VIII.1988, fl., L P. Félix & A. Miran s.n. (JPB 15659); 5.IV.1989, L. P. Félix & Miranda 9344 (JPB); Reserva Biológi Guaribas, Área II, 28.IX.2001, fr., M. Pereira s.n. (JPB 28365). Pontes, R. A. S. & Agra, M. F. 2. Tillandsia gardneri Lindl., Bot. Reg. 28: t. 63. 1842. pig. 1 f-1 Planta 12-20 cm alt., epífita; caule inconspícuo; raízes presentes, rígidas. Folhas polísticas, fortemente cinéreas, imbricadas, as inferiores reflexas, as superiores eretas; lâmina 12-16,5 x 1 ,4-1,6 cm, triangular, ápice longamente-atenuado; bainha 4 mm compr., indistinta. Escapo pêndulo, 7—9 cm compr.; brácteas elíptico-lanceoladas, 12—16 cm compr., curto caudada, imbricada, cinérea. Inflorescência em espiga, 3-6-ramos, subglobosos a globosos, não excedendo as folhas; brácteas florais cinéreas, 2,4-2, 6 x 1,1— 1,2 cm, oval-elípticas, carenadas, ápice cuspidado, ultrapassando as sépalas. Sépalas conatas na base, ca. 1,2 x 0,7 cm compr., ovais, carenatas, glabras, subcuspidatas. Pétalas ca 1,6 x 0,3 cm compr., espatulada, ápice arredondado; estames inclusos, ca. 8,5 mm compr., soldados na base do ovário; filetes fortemente plicados; ovário ca. 4 mm compr., oval; estilete 7,5-8 mm compr., cilíndrico; estigma simples, ereto. Cápsula 3-3,6 cm compr.; valvas retas na deiscência; sementes 2,5-3 mm compr., apêndices 2,4-2, 8 cm compr., plumosos. Espécie da América do Sul, ocorrendo na Colômbia e no Brasil, onde é encontrada desde o Piauí até o Rio Grande do Sul (Smith & Downs 1977). Na Paraíba, T. gardneri tem sido encontrada em remanescentes de mata atlântica, matas serranas e na caatinga. Floresce em agosto e frutifica em setembro. Material examinado: BRASIL. PARAÍBA: Gurinhém, Serra do Cajá, 27.VIII.1998, fl., G. S. Baracho et al. s.n. (UFP 21985); Mamanguape, Estação Ecológica, 1 7. VIII. 1988, L P Félix & A. Miranda s.n. (JPB 15660); Maturéia, Pico do Jabre 18.1.1997, M. F. Agra et al. 3907 (JPB); 27-29.IX.1997, fr., M. F. Agra et al. 4225 (JPB); 27-29.IX.1997, fr., M. F ASra ^ al. 4229 (JPB); 27-29.X.1997, M. F. Agra etal. s.n. (JPB 21995); 18.1.1997, Agra et al. 3.907 (JPB). SciELO/JBRJ Rodriguésia 57 (1): 47-61. 2006 12 13 14 15 16 17 cm Flora da Paraíba: Tillandsia Figura 1 - Tillandsia tenuifolia var. surinamensis - a. flor; b. pétala; c. ovário; d. folha; c escama ««). T. gardneri - f. folha; g. escama; h. gineceu; i. estame plicado; j. pétala; 1. flor (Agra 4225). T.s/rícfa- mucama. n. lha (FilLxs.n., JPB 15660). (Escalas; d, f, n = lcm; a, b, h, i, j, = 5 mm; c ■ mm; 1 = 2 cm, e, g, = p )• Rodriguésia 57 (1): 47-61. 2006 «SciELO/JBRJ 12 13 14 15 16 17 cm 52 3. Tillandsia juncea (Ruíz & Pav.) Poir., Encycl. Suppl. 5: 309. 1817. Fig. 4 a-d Planta 35-40 cm alt., epífita; caule inconspícuo; raízes presentes, rígidas. Folhas laminares, polísticas, cinéreas, imbricadas; lâmina 15-32 cm compr., lanceoladas, lepidota, ápice longo-atenuado; bainha 0,5-1 cm compr., pouco distinta da lâmina. Escapo ereto, 14-17 cm compr., robusto; brácteas elíptico- lanceoladas, 8-10 x 1-1,2 cm, imbricadas, cinéreas. Inflorescência em espiga simples, não excedendo as folhas, 8-9 cm compr.; brácteas florais 2—2,5 x 1,2— 1,4 cm, ovais, ápice agudo a acuminado, cinéreas, ultrpassando as sépalas. Sépalas conatas, 1,6-1, 8 x 0,35-0,45 cm, elíptico-lanceoladas, carenadas, glabras, acuminadas. Pétalas ca. 3,0 x 0,5 cm compr.] lanceolada, ápice agudo; estames exsertos, ca. 1,3 cm compr., soldados na base do ovário; filetes cilíndricos; ovário ca. 8 mm compr.] cônico, estilete 2,8 cm compr., cilíndrico; estigma espiral-conduplicado. Cápsula 2, 5-2, 7 cm compr., valvas retas na deiscência; sementes 2—2,2 mm compr., apêndices 2,2— 2,5 cm compr., plumosos. Espécie com ampla distribuição, sendo encontrada desde o México até a Bolívia (Smith & Downs 1977). T juncea é rara na área de estudo, só conhecida de duas coletas, sendo uma no agreste e a outra em “brejo de altitude”. Floresce e frutifica em junho. Material examinado: BRASIL. PARAÍBA- Areia, 15.VI.1999, fr., G. S. Baracho &J A Siqueira-Filho 839 (UFP). Gurinhém, s.d., fl., G. S. Baracho et ai 748 (UFP). 4. Tillandsia kegeliana Mez, in DC„ Monogr Phan.9:725. 1896. Fig. 4 l-0 Planta 11-14 cm alt., epífita; caule inconspícuo; raízes presentes, rígidas. Folhas polísticas, cinéreas, as internas arroxeadas, imbricadas, reflexas; lâmina 6-8 x 0,5-0, 8 cm, revoluta, cinérea, ápice aciculado a longo atenuado; bainha 2, 3-4,0 x 2, 2-3, 2 cm, ovalalada, distinta, cinérea. Escapo ereto, 4—7 Pontes, R. A. S. & Agra, M. F. cm compr., bracteado; brácteas do escapo, elípticas a oval-elípticas, 2,5-2,7 x 0,5-0, 8 cm, imbricadas, ápice sub-caudado. Inflorescência em espiga simples, complanada, excedendo as folhas, 4,5-6, 5 cm compr.; brácteas florais 2,6- 3,3 x 1, 3-2,1 cm, ovais a oval-elípticas, ápice apiculado, vermelho-alaranjadas, as inferiores fortemente carenatas, envolveldo as sépalas. Sépalas sub-conatas, 2, 3-2,5 x 0,9-1 cm, elípticas, ecarenadas, glabras, ápice apiculado. Pétalas ca. 3 x 0,4 cm, violetas (Andrade- Lima!, 67-4998), elíptica, ápice agudo; estames exsertos, ca. 3,2 cm compr., amarelos, soldados na base do ovário; filetes compressos, delgados; ovário ca. 5 mm compr., oval-elíptico; estilete 2,4— 2,6 cm compr., cilíndrico; estigma espiral-conduplicado. Cápsula 5 cm compr., valvas retorcidas na deiscência, interiormente enegrecida, com as bordas mais claras; sementes não vistas. Tillandsia kegeliana é uma espécie rara na Paraíba, conhecida de apenas três coleções, sendo a mais antiga, Andrade-Lima de 67- 4.998, coletada em área de mata atlântica. As outras coleções são mais recentes, após 35 anos, durante a realização deste trabalho, uma em um remanescente de mata semicaducifólia (R. A. Pontes 5) e outra em brejo de altitude (R. A. Pontes 109). Wanderley & Sousa (2002) registraram a ocorrência de T. kegeliana para a caatinga paraibana, entretanto, com base no material examinado para o estado, verificou-se que esta espécie ocorre somente em remanescentes de mata atlântica e mata semicaducifólia. Foi observada com flores em maio e com frutos em maio e dezembro. Material Examinado: BRASIL. PARAÍBA: BR-101, km 78 de Goiana (PE) em direção a João Pessoa (PB), 1.V.1967, fl. fr., D. Andrade-Lima 67-4998 (IPA); Lagoa Seca, fazenda Ipuarana, rodovia PB-097, 6.X1I.2000, fr., R. A. Pontes 5 (JPB); Areia, Reserva Ecológica Mata do Pau-Ferro, 4.X.2004, est., R. A. Pontes et al. 109 (JPB). Rodriguésia 57 (1): 47-61. 2006 SciELO/JBRJ 12 13 14 15 16 17 Flora da Paraíba: Tillandsia 53 Figura 2 - Tillandsia usneoides - a. Hábito; b. ramo florido; c. escama; d. bráctca floral; c. gineceu (Agra 4228). T. loliacea - f. hábito; g. inflorescência; h. escama; i. gineceu (Aura 4660). T. recurvala-j. hábito; 1. inflorcscênciu; m. escama; n. corte transversal do fruto; o. bráctca floral; p. ovário ( Baracho s.n.. JPB 21979). (Escalas: a, b, f. g, j, 1, n = 1 cm; d, e = 3 mm; i, d, e = 1 mm; c, h, m = 83 pm). Rodriguésia 57 (1): 47-61. 2006 cm 1 SciELO/JBRJ 12 13 14 15 16 17 cm 54 5. Tillandsia loliacea Mart. ex Schult. & Schult. f., Syst. veg. 7: 1204. 1830. Fig. 2 f-i Planta 5-8 cm alt., epífita ou rupícola; raízes presentes, rígidas. Folhas polísticas, fortemente cinéreas, imbricadas, eretas; lâmina 1-2,9 cm de compr., triangular, crassas, cinérea, ápice atenuado; bainha 2—4 mm compr., indistinta da lamina, mcmbranácea, translúcida. Escapo ereto, 2,5-5 cm compr.; brácteas escapais elípticas, 7- 15 x 3-4 mm, curto caudadas, ápice ereto, imbricadas, cinéreas. Inflorescência em espiga simples, excedendo as folhas, 1—2 cm de compr.; brácteas florais 5-6 x 4-5 mm, oval-elípticas! agudo no ápice, cinéreas, menores que as sépalas. Sépalas subconatas, ca. 7 x 2 mm, elíptico- lanceoladas, ecarenatas, glabras, ápice acuminado. Pétalas ca. 8 x 1,5 mm compr., amarela, linear, ápice rotundo; estames inclusos, ca. 4 mm de compr., soldados na base do ovário- filetes cilíndricos; ovário ca. 1,2 mm compr’ suboboval; estilete ca. 1 mm, subtriangular estigma simples-ereto. Cápsula 2, 1-3,7 cm compr.; valvas retas na deiscência; sementes 2 mm, apêndices 1,5-3 cm compr., plumosos. Tillandsia loliacea é uma espécie da América do Sul ocorrendo no Peru, Brasil Bolívia, Paraguai e Argentina (Smith & Downs 1977). Na Paraíba, T loliacea foi encontrada no agreste, matas serranas e na caatinga ocorrendo entre 400 a 1.100 m de altitude. É uma espécie pouco coletada, provavelmente devido ao pequeno porte da planta, que não ultrapassa 8 cm de altura. Foi coletada com flores em janeiro, agosto e setembro. E em frutificação em agosto e setembro. Material examinado: BRASIL. PARAÍBA- Maturéia, Pico do Jabre, 18-21.1.1998, fl., M. F Agra et al. 4660 (JPB); Nazarezinho, Cantil 2. VIII. 1982, fl. e fr„ Sousa et al. 5374 (JPBV Ingá, Pedra do Ingá, 27.IX.1992, fl., O. T. Moura 5412 (JPB); Juazerinho, 25.VI.1983, L. P. Xavier 5521 (JPB); São Gonçalo, Sítio Terra Nova, 22. VI. 1999, O. I Moura s.n. (JPB 24896); Serra Branca, Serra Branca, na base do mselberg, 4.IV.1996, M. F. Agra et al 3554 (JPB); Sousa, 23.V.1936, R V Luetzelhurg s n. (IPA 47555). è ' Pontes, R. A. S. & Agra, M. F. 6. Tillandsia polystachia (L.) L., Sp. pl. (2)1: 410.1762. Fig. 4e-j Planta 12-82 cm alt., epífita; caule inconspícuo a conspícuo; raízes presentes, rígidas. Folhas polísticas, cinéreo-esverdeadas, imbricadas; lamina 6—30 cm compr., triangular- lanceolada, ápice longamente atenuado; bainha 2-llxl ,3—7 ,5 cm, indistinta. Escapo ereto, 3,5- 33 cm, brácteas do escapo oblongo-acuminadas, 7-27 x 1-3,8 cm, imbricadas, cinéreo- esverdeadas. Inflorescência em espiga simples, 5-35 cm compr., excedendo as folhas; brácteas florais ca. 2,4 x 1,2 cm, vináceas, ovais, ápice apiculado, ultrapassando as sépalas. Sépalas conatas, 1,8 x 0,6 cm, elíptico-lanceoladas, carenadas, glabras, ápice agudo. Pétalas ca. 4 x 0,6 cm, linear, ápice subagudo a rotundo, lilases; estames exsertos, ca. 4,5 cm compr., soldados à base do ovário, üvres entres si; filetes cilíndricos, roxos, ovário ca. 5 mm compr., oval-elíptico; estilete 4-4,5 cm, cilíndrico; estigma espiral- conduplicado. Cápsula 2,3-3,7 cm de compr., valvas retorcidas na deiscência; sementes 2-3 mm compr., apêndices 1,5-2, 9 cm compr., plumosos. Tillandsia polystachia apresenta ampla distribuição, ocorrendo no sul da América do Norte (sul dos Estados Unidos e México), América Central, Caribe e América do Sul (Colombia, Equador, Venezuela e Brasil). Esta espécie tem sido registrada principalmente nas matas serranas da Paraíba. É uma planta de grande efeito ornamental, apresentam inflorescências com brácteas foliáceas verdes. Foi coletada com flores em dezembro e com frutos de julho a agosto. Material examinado: BRASIL. PARAÍBA: Gunnhém, Serra do Cajá, 27.VIII.1998, fr., G. S. Baracho s.n. (JPB 21984); Maturéia, Pico do Jabre, 27-29.IX.1997, fl. e fr.. M. F. Agra et 3 n no^ 18.1.1997, M. F. Agra et al. J 18.1.1997, M. F. Agra et al. s.n. (JPB 21748); 18.VU.1997, fr.. M. F.Agraetal. o vi Queimadas, Serra do Bodopitá, 8X11.1998, fl., G. S. Baracho s.n. (UFP 22814). Rodriguésia 57 (1): 47-61. 2006 SciELO/JBRJ 12 13 14 15 16 17 Flora da Paraíba: Tillandsia 55 cm ereto, 3, 5-8, 5 cm compr., bracteado. Inflorescência em espiga simples, excedendo as folhas, 1-1,5 cm compr.; brácteas florais ca. 7,5-8 x 3-3,5 mm, vináceas a cinéreas, elíptico-lanceoladas, ápice agudo, menor que as sépalas. Sépalas subconatas na base, 2 x 7,5 cm, elípticas, carenadas, glabras, ápice acuminado. Pétalas ca. 9 x 1 ,2 mm, linear, ápice Rodriftuésia 57 (1): 47-61. 2006 uuiu, n. CMiumu 7. Tillandsia recurvata (L.)L., Sp. pl. ed. 2 1:410.1762. Fig. 2j-p Planta 8-12 cm alt., epífita ou rupícola; caule inconspícuo; raízes presentes, rígidas. Folhas dísticas, fortemente cinéreas, recurvadas; lâmina 4,3-5 cm compr., aciculada, cinérea, ápice agudo; bainha 4-5,5 x 3-4 mm, levemente distinta, membranácea. Escapo SciELO/JBRJ 12 13 14 15 16 17 cm .. 56 rotundo, lilases; estames inclusos, ca. 4,5 mm compr., soldados na base do ovário; filetes cilíndricos; ovário ca. 3 mm compr., subcilíndrico; estilete 0,8-1 mm compr., cônico; estigma simples-ereto. Cápsula 2, 3-2, 6 cm compr., valvas retas na deiscência; sementes 2 mm compr., apêndices 1,8-2 cm compr., plumosos. Tillandsia recurvata apresenta ampla distribuição na América tropical, ocorrendo no Sul da América do Norte, América Central, Caribe e América do Sul (Smith & Downs 1977). Na Paraíba, T. recurwta tem sido encontrada em todos os tipos de ecossistemas, sendo abundante nos Cariris Velhos, a área de menor índice pluviométrico do estado. Foi coletada com flores em janeiro, maio e setembro, e com frutos em julho, setembro e dezembro. Material examinado: BRASIL. PARAÍBA: Boa Vista 27-29.IV. 1994, M. F Agra et a!. 2932 (JPB); Cabaceiras, 29-30. V. 1 994, f]., M. F. Agra et al. 3563 (JPB); Sumé, 29- 30.1.1994, fl„ M. F. Agra et al. 2807 (JPB); Aroeiras, 24-27.IX.1994, M. F Agra et al. 3281 (JPB); Campina Grande, distrito de São José da Mata, 23.VI.1996, M. F. Agra 3402 (JPB); M. F. Agra s.n. (JPB 21581); 23.VI.1990, M. F. Agra s.n. (JPB 19332); São João do Cariri, 22-3.X.1993, M. F. Agra et al. s.n. (JPB 20033); São João do Cariri, 22.V.1997, G. Luna s.n. (JPB 22945); Cabaceiras, 29.VI-1.VII.1993, M. F. Agra et al. s.n. (JPB 20035); Areia, 11. IV. 1986, O. T. Moura s.n. (JPB 15890); Ingá, 27.IX.1982, fl. e fr., O. T. Moura 5411 (JPB); Umbuzeiro, 13.XI.1984, Silva 6507 (JPB); Gurinhém, 27.VII.1998, fr, G. S. Baracho et al. s.n. (UFP 21979); Queimadas, 08.XII.1998, fr., G. S. Baracho et al. s.n. (UFP 22813); Cacimba de Dentro, 27.VII.1998, fr., G. S. Baracho et al. s.n. (UFP 21432). 8. Tillandsia streptocarpa Baker, Jour. Bot. London 25. 241. 1887. Fig. 3 a-h Planta 8,5—35 cm alt., epífita ou rupícola; caule conspícuo; raízes presentes, rígidas. Folhas polísticas, cinéreas, não imbricadas, fortemente recurvadas; lâmina 6,5-27 cm Pontes, R. A. S. & Agra, M. F. compr., triangular-linear, fortemente cinérea, ápice aciculado subespiralado, levemente caudadas; bainha ca. 1-1,8 cm compr., bem distinta da lâmina, membranácea. Escapo ereto, 6-17 cm compr.; brácteas oval-elípticas a elíptico-lanceoladas, 2-14 x 0,4-0,9 cm, imbricadas, caudadas, cinéreas. Inflorescência em espiga composta, raro simples, excedendo as folhas, 2,5-12 cm compr.; brácteas florais 1 ,8-0,6 cm compr., elíptico-lanceoladas, ápice acuminado, cinéreas. Sépalas subconatas, 1,3 x 0,6 cm, elíptico-lanceoladas, ecarenadas, glabras, ápice agudo. Pétalas ca. 2 x 0,6 cm, orbicular, ápice obtuso, cerúleas; estames inclusos, 7 mm compr., soldados na base do ovário; filetes delgados, compressos; ovário ca. 3 mm compr., oval-elíptico; estilete 0,2-0,22 mm compr., cilíndrico; estigma espiral- conduplicado. Cápsula 3, 2-4, 7 cm compr., valvas retas na deiscência; sementes 2-3,5 mm compr., apêndices 2, 8-3, 7 cm compr., plumosos. Espécie exclusiva da América do Sul, ocorrendo na Bolívia, Brasil e Paraguai. No Brasil, ocorre desde o Nordeste até o Paraná (Smith & Downs 1977), habitando áreas de campo rupestre, cerrado, restinga e caatinga. Na Paraíba T. streptocarpa foi coletada, principalmente, na caatinga, crescendo em afloramentos rochosos, graníticos e gnáissicos. Floresce em março, setembro e outubro. Frutifica em janeiro e setembro. Material Eeaminado: BRASIL. PARAÍBA: Serra Branca, Serra Branca, 04.IV. 1996, fl., M. F. Agra et al. 3546 (JPB); Cabaceiras, 29.VII- 1. VIII. 1993, M. F. Agra et al s.n. (JPB 20036); Boa Vista, 22.VI.1996, M. F. Agra et al. 3837 (JPB); São João do Cariri, 29- 31.X.1993, M. F. Agra et al. 2364 (JPB); Maturéia, Pico do Jabre, 18.1.1996, fl., M. F. Agra et al. 3912 (JPB); 27-29.IX.1997, fl„ M. F. Agra et al. 4.216 (JPB); 19-20.X.1997, fl., M. F. Agra et al. 4573 (JPB); 27-29.DC.1997, fr., M. F. Agra et al. 4233 (JPB); São João do Cariri, 18.IX.1997, G. Luna s.n. (JPB 24903); Soledade, 27.1.1971, Canalho 3484 (JPB); Queimadas, 08.XII.1998, G. S. Baracho s.n Rodriguésia 57 (1): 47-61. 2006 SciELO/JBRJ L2 13 14 15 16 17 Flora da Paraíba: Tillandsia 57 Figura 4 - Tillandsia juncea - a. folha; b. bráctea do escapo; c. bráctea floral; d. escama {Baracho s.n., JPB 21980). T. polystachia - e. folha; f. flor; g. bráctea do escapo; h. bráctea floral; i. escama; j. estigma (Baracho s.n., JPB 22814). T. kegeliana - 1. escama; m. folha; n. bráctea floral; o. bráctea do escapo (Andrade -Lima 67-4998). T. bulbosa - p. folha; q. bráctea do escapo; r. bráctea floral; s. escama (Félix s.n., JPB 15659). (Escalas; a, b, c, e, f, g, h, m, p, q, r = I cm; n, o = 5 mm; j = 3 mm; d, i, I, s = 83 pm). Rodriguésia 57 (I): 47-61. 2006 cm 1 SciELO/JBRJ 12 13 14 15 16 cm .. 58 (JPB 22812); Cabaceiras, 1. VII. 1993, M. F Agra et al. s.n. (JPB 20036); Serra Branca, 4.IV.1996, fl., M. F.Agraetal. s.n. (JPB 21600). 9. Tillandsia strícta Sol. ex Sims, Bot. Mag. 37: pl. 1529. 1813. Fig. 1 m-n Planta 13-15 cm alt., epífita; caule inconspícuo; raízes presentes, rígidas. Folhas polísticas, cinéreas, imbricadas, eretas; lâmina 2-11 cm compr., triangular-lanceoladas, cinérea, ápice filiforme; bainha 1-1 ,5 cm compr, pouco distinta da lâmina, membranácea. Escapo ereto, 4-5 cm compr.; brácteas subelípticas a elípticas, 5-6 x 0, 4-0,6 cm, curto caudadas, ápice ereto, imbricadas, cinéreas. Inflorescência em espiga, simples, excedendo as folhas, 8 cm compr.; brácteas florais 2,2-2, 4 x 0,6-0, 9 cm, oval-elípticas, ápice cuspidado, cinéreas, ultrapassando as sépalas. Sépalas conatas na base, 1 , 1-1 ,2 x 0,3-0, 4 cm, elípticas, carenadas, glabras, ápice acuminado. Pétalas púrpuras, ca. 1,7 x 0,4 cm, espatuladas, ápice arredondado; estames inclusos, ca. 1,3 cm compr., livres; filetes plicados; ovário ca. 3 mm compr., subovóide; estilete 1 ,2-1,3 cm compr.; estigma simples-ereto. Frutos não vistos. De acordo com Smith & Downs (1977), T. stricta possui distribuição restrita ao nordeste da América do Sul, ocorrendo desde o Brasil até o Paraguai. Na Paraíba a espécie é conhecida por uma coleta, realizada em um remanescente de mata atlântica, sendo aqui referida pela primeira vez para o estado. Floresce em agosto. Material examinado: BRASIL. PARAÍBA: Mamanguape, Estação Ecológica, 17.Vm.1988, fl., L. P Felix & A. Miranda s.n. (JPB 15660). 10. Tillandsia tenuifolia var. surinamensis (Mez) L.B.Sm., Phyt 8: 220. 1962. Fig. 1 . a-e Planta 14-25 cm alt., epífita ou rupícola; caule conspícuo; raízes presentes, rígidas. Folhas polísticas, verdes, imbricadas, eretas; lâmina 2,5-8 cm compr., triangular, ápice acuminado; bainha 1,5—2 cm compr., membranácea, pouco distinta da lâmina. Escapo ereto ou sub-ereto, 3—6 cm compr.; Pontes, R. A. S. & Agra, M. F. brácteas elípticas a sub-ovais, 5-1 x 3-6 mm, curto caudadas, ápice ereto, imbricadas, verdes. Inflorescência em espiga, simples, excedendo as folhas, 10 cm; brácteas florais róseas, 0,7-2 x 0, 3-0,7 cm, oval-elípticas, ápice levemente cuspidado, ultrapassando as sépalas. Sépalas conatas, 0,8-1 x 0,15-0,2 cm, elíptico-lanceoladas, carenadas, glabras, ápice acuminado. Pétalas alvas, ca. 1,2 x 0,3 cm, espatuladas, ápice obtuso; estames inclusos, ca. 1 ,3 cm compr., três livres e três epipétalos, soldados na altura da unha pétala; filetes plicados; ovário ca. 3 mm compr., ovóide; estilete 1-1,3 cm compr; estigma simples- ereto. Frutos não vistos. Tillandsia tenuifolia var. surinamensis é uma variedade da América do Sul, ocorrendo desde a Venezuela até a Argentina. Neste estudo registrou-se a presença desta espécie num remanescente de mata atlântica e numa mata serrana. Entretanto, a espécie também foi registrada por Smith & Down (1977) para as microrregiões dos Cariris Velhos e Agreste da Borborema. Possuem grande efeito ornamental com brácteas florais róseas que contrastam com suas pétalas alvas. Amostras floridas foram coletadas em maio, setembro e outubro. Material examinado: BRASIL. PARAÍBA: Maturéia, Pico do Jabre, 27-29.IX.1997, fl., M. F. Agra et al. 4292 (JPB); 19-20.X.1997, fl., M. F. Agra et al. 4564 (JPB); Sapé, Fazenda Pacatuba (RPPN), 6.IV.2001, fl., E. César s.n. (JPB 28267). 11. Tillandsia usneoides (L.)L„ Sp. pl. 2. 41 1. 1762. Fig. 2 a-e Planta pendente, com ramos até 15 m compr., epífita; raízes ausentes. Folhas dísticas, cinéreas, imbricadas; lâmina 4,7-7 cm compr., sub-cilíndrica, aciculada, suculenta, cinérea, densamente lepidota, levemente recurvada, ápice aciculado; bainha 8-10 x 3^1 mm, pouco distinta da lâmina, membranácea. Escapo ausente; brácteas florais ca. 5 x 3 mm, subor- biculares, apiculadas, marrons a vináceas no ápice. Flores solitárias, ca. de 1,5 cm. Sépalas RoJriguésia 57 (1): 47-61. 2006 SciELO/JBRJ 12 13 14 15 16 17 cm Flora da Paraíba: Tillandsia subconatas, 7x2 mm, elíptico-lanceoladas, carenadas, glabras, ápice agudo a apiculado. Pétalas ca. 9 x 1,2 mm, linear, verde- amareladas, ápice agudo; estames inclusos, 5 mm compr., soldados na base do ovário; filetes cilíndricos; ovário ca. 1,5 mm compr., suboboval; estilete 1,4-1, 5 mm compr., robusto; estigma ereto-simples. Cápsula 1 ,6- 2 cm compr., valvas retorcidas na deiscência, sementes 2 mm compr., apêndices ca. 1,5- 1,8 cm compr., plumosos. Espécie com ampla distribuição, ocorrendo desde o Sul da América do Norte, Caribe, América Central até o Sul da América do Sul. Na Paraíba T. usneoides só foi encontrada em uma área de mata serrana, há mais de 1.000 m de altitude, habitando o topo de árvores onde formam grandes cortinas, provavelmente pela grande umidade atmosférica na área. Foi coletada com frutos em março, abril e setembro. Material examinado: BRASIL. PARAÍBA. Maturéia, Pico do Jabre 27-29. IX. 1 997, fr., M. F Agrei et al. 4228 (JPB); 18.1.1997. M. F Agra et al. 3913 (JPB); 27-19.IX.1997, M. F Agra et al. 4219 (JPB); 16.IV.1993, ir., M. F. Agra et al. 2002 (JPB); 25-27.11.1997, M. F. Agra etal. 2 659 (JPB); 25-27.111.1994, fr., M. F. Agra et al. 2589 (JPB). Discussão e Conclusões Na Paraíba as espécies de Tillandsia são encontradas nos diferentes tipos vegetacionais do estado, ocorrendo desde a mata atlantica até a caatinga. A maioria das espécies estudadas ocorre no domínio da caatinga, onde foram registradas nove espécies, que corresponde a 81,8% do total, ocorrendo tanto na caatinga propriamente dita, como nos enclaves de matas serranas. O Pico do Jabre destacou-se como a mata serrana com maior diversidade, onde foram encontradas sete táxons (J. recurvata, T. streptocarpa , T. usneoides, T. gardneri, T. polystachia, T. loliacea e 7! temifolia var. surinamensis), que correspondem a 63,6%. Outra área de grande diversidade foi registrada Rodrigudsia 57 (1): 47-61. 2006 59 para os “brejos de altitudes”, no município de Areia, com seis espécies, representando cerca de 54,5% do total para o estado. Com relação às áreas de Mata Atlântica, foram coletadas T. bulbosa, T kegeliana, T gardneri, T. polystachia, T. recurvata, T. stricta, T. juncea, T. tenuifolia var. surinemensis, T. loliacea e T. usneoides , representando um percentual de 91% dos táxons ocorrentes no estado, sendo este o ecossistema com a maior diversidade para o gênero Tillandsia na Paraíba. Tillandsia gardneri e T. recurvata apresentaram a distribuição mais ampla, sendo encontradas em elevações de 10 a 1.200 m de altitude, nos diferentes tipos de vegetação do estado, classificados por Carvalho & Carvalho (1985) como mata úmida, agreste, matas serranas, “brejos de altitudes e caatinga. Tillandsia stricta e T. bulbosa tiveram a menor distribuição, sendo encontradas apenas em áreas de mata úmida do litoral paraibano, estas constituem novas referências para o estado. Nenhum dos táxons estudados apresentou distribuição restrita ao estado. Quanto a forma de vida, prevaleceu o epifítico, registrado para 63% das espécies encontradas: T. bulbosa, T. gardneri, T. juncea, T. kegeliana, T. polystachia, T. stricta e T usneoides. Espécies facultativas, ocorrendo como epífitas e rupícolas, corresponderam a 36%, T. loliacea, T recumita, T. streptocarpa e T. tenuifolia var. surinemensis. Nenhuma espécie apresentou-se exclusivamente rupfcola. Destacaram-se como os caracteres mais importantes para o reconhecimento das espécies a filotaxia e as morfologias do androceu c do pistilo. O gênero Tillandsia está representado na área por cerca de 1,7% das cspecies conhecidas. Apesar de sua baixa diversidade, em relação ao gênero como um todo, observou- se que a maioria das espécies ocorre cm populações, com grande número de indivíduos, seja como epífita em uma mesma aivoic, ou rupfcola em afloramentos rochosos. Esse número elevado de indivíduos formando SciELO/JBRJ 12 13 14 15 16 17 cm .. 60 populações extensas, provavelmente, tem contribuído para uma estimativa de maior diversidade para o gênero no Nordeste do Brasil, principalmente para a caatinga. Em comparação com levantamentos realizados em outros estados do Nordeste, verificou-se que o gênero Tillandsia encontra- se bem representado na Paraíba. Mayo et al. (1995) registraram a presença de quatro espécies para o Pico das Almas, destas apenas T. sprengeliana Klotzsch não foi encontrada na Paraíba. Siqueira-Filho (2002) registrou a ocorrência de 16 espécies para Pernambuco, das quais 11 também foram registradas para a Paraíba (68,7%). Já Wanderley & Sousa (2002), citam para a caatinga paraibana oito espécies. Agradecimentos Os autores agradecem ao Dr. Marcelo Sobral, diretor do Laboratório de Tecnologia Farmacêutica, pelo apoio pessoal e institucional; aos curadores dos herbários EAN, JPB, IPA e UFP, pelo livre acesso as suas instalações e empréstimo de exsicatas; Dr. Jnanabrata Bhattacharyya, pela revisão do abstract; Dr. Gregory Browm, pelo apoio com a bibliografia; Dr. George S. Baracho e Dra. Rafaela C. Forzza, pela revisão do manuscrito, críticas e sugestões. Ao Conselho Nacional de Pesquisa e Desenvolvimento Científico (CNPq) pela bolsa PQ de M. F. Agra. Referências Bibliográficas Agra, M. F. & Barbosa, M. R. V. 1996. Lista anotada das Asteraceae no estado da Paraíba. Revista Nordestina de Bioloeia 11(2): 73-86. Barbosa, M. R. V.; Mayo, S.J; Castro, A. A. J. F.; Frietas, G. L.; Pereira, M. S.; Neto, P. C. G. & Moreira, H. M. 1996. Checklist preliminar das angiospermas. In: Sampaio, E. V. S. B; Mayo, S. J. & Barbosa, M. r! V. (eds). 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Neste trabalho é sobre fragmentação florestal, e uma análise cntica destes, mesmo na falta de um arcao Ç . transformações São discutidas algumas teonas sobre limites (í.e. bordas) artiticnus enauira. ecolóiiica ao longo do tempo e fenômenos de reí^° ^“^dfaem^ Gleason e mencionamos a importância de e brevemente discutida com base nas v.soes cot^nt » dos efeitos de borda. Sobre estes efeitos rever alguns modelos sucess.onais ‘ d & conceitos. Embora exista um conhecimento ecológicos em bordas assim como as transformações nos padrões naturais. ^ Palavras-chave: desmatamento, extinção, sucessão, teoria eco ogica, t (Forest fragmenlation: brief theoretical ^ main threats to global biodivemty. Cm«d«ing J ^ -s rfo^ed. including lhe improvement even natural ecological patterns and processes A y unif ing conceptual framework about forest of concepts and criticai analysis, despite th® , an/arG ficial limits (i.e. boundanes) bascd on fragmenlation. We also discuss some theones . ‘ jo„ anJ expansj0n. Ecological succession is transformations over time and c^un.tms/^y ^ viewpoints and pointing out bnefly discussed using some aspects of Clcmen. understand some edge effects. About these the need for reviewing some -ccession mocM of some concepts. Despi, e the effects we draft a concise histoncai perspecüv g g ecological processes relatively wide knowledge on edge effects we argue lhat it is very aiii.cu f pathways on edges as well as changes on natural patterns. Key-words: deforestation, extinction, succession, eco ogicg V FRAGMENTAÇÃO Historicamente, a cobertura florestal do ílaneta tem sido reduzida através do iesmatamento, principalmente para a expansão le fronteiras agrícolas (Tilman 1999). Com isto, florestas anteriormente contínuas encontram- >e agora dispostas em fragmentos remanes- :entes freqüentemente definidos pelos seus limites físicos ( e.g . bordas, sensu Forman 1995 ). Dentre estas florestas, a Mata Atlantica, i dos principais centros de biodiversidade do mundo (WCMC 1992) detém apenas cerca de 7% de sua cobertura original (Mycrs et al 2000; Morcllato & Haddad 2000) constituindo certamente um dos biomas mais atingidos por este crescente desmatamento. O impacto causado tem como consequências, além da disposição dos remanescentes florestais em fragmentos, a extinção de hábitats e espécies (Saunders et al. 1991; Tilman et al. 1994; Laurance & Bierrcgaard 1997). Os processos envolvidos e suas consequências têm sido rtigo recebido em 03/2005. Aceito para em Biociências e Biotecnologia da Universidade 'arte da tese do primeiro autor desenvolvida no C stadual do Norte Fluminense (fevereiro de 2004) nsnrlns Ambientais. Jniversidade Estadual do Norte Fluminense. La oratono c . 915 Botânica Sistemática sala 210, CEP nstituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Rua Pacheco ueao 2460-030, Rio de Janeiro - RJ. „ inMC poio Financeiro: Fundação Estadual do Norte Fluminense - irdim Botânico do Rio de Janeiro/PETROBRAS/Convcmo 610.4.0_5.02.3 .SciELO/ JBRJ 12 13 14 15 16 17 64 Rodrigues. P. J. F. P. <4 Nascimento, M. T. comumente chamados de “fragmentação florestal”. Utilizando o conhecimento atual, são observados determinados padrões e processos relativamente consistentes (Laurance & Yensen 1991; Murcia 1995; Laurance & Bierregaard 1997), porém muitos permanecem relativamente frágeis (Pimm 1998; Harrison & Bruna 1999; Debinski & Holt 2000; Laurance et al. 2002). Parte deste problema reside na difícil interpretação dos fenômenos biológicos relativos à fragmentação com base em um corpo teórico aparentemente limitado acerca das florestas tropicais onde determinados conceitos e teorias são ainda hipóteses. Dentre os vários exemplos pode ser destacado o importante conceito de comunidade, o qual muitas vezes é vago e de difícil aplicação (Shrader-Frechette & McCoy 1993). Assim como este, as discussões acerca da distinção entre fragmentação e perda de habitat são igualmente confusas. Enquanto alguns autores consideram a fragmentação apenas uma progressiva subdivisão do habitat (e.g. Fahrig 1997), sem vinculá-la diretamente a perda de habitat, outros utilizam o termo de forma gené- rica tanto indicando perda ou fragmentação de habitats (e.g. Holt et al. 1995). Contudo, aparentemente, há consenso de que a perda de habitat e a fragmentação em geral ocorrem simultaneamente modificando a biota (Kareiva & Wennergren 1995; Fahrig 2003). Tais concepções esbarram mais uma vez em falhas conceituais onde os fragmentos remanescentes são interpretados como elementos geométricos (com limites definidos) em uma paisagem. Esta complexa paisagem em transformação já sinaliza que os limites, ainda que aparentemente sejam abruptos, dependem em grande parte dos fenômenos que ocorrem na matriz (Pimm 1998; Mesquita etal. 1999). Estes por sua vez, juntamente com as características do remanescente, irão determinar a intensidade dos efeitos de borda locais. Neste sentido, vários estudos têm sido desenvolvidos para tentar elucidar os mecanismos e efeitos ecológicos da fragmentação (e.g. Laurance & Bierregaard 1997; Debinski & Holt 2000). Acredita-se que as escalas de espaço e tempo das transformações impostas pela fragmentação artificial em termos relativos são temporalmente muito curtas e espacialmente largas quando comparadas a processos naturais de fragmentação. Na evolução das florestas tropicais há fortes indícios de que existiram períodos de descontinuidade (vide Cox & Moore 1994), os quais podem ser interpretados como eventos de fragmentação natural. Tais períodos estariam associados às flutuações climáticas que determinariam processos de expansão e retração dos hábitats, ecossistemas e biomas. Em períodos mais secos as florestas tropicais das Américas e da África estariam mais restritas em extensão, apresentando-se como ilhas em um mar de florestas sazonais (mais secas). Atualmente as florestas estariam experimentando o máximo de expansão, o qual teria sido alcançado durante o período Quaternário (Whitmorel991). Em contrapartida, os níveis de fragmen- tação observados atualmente, conforme já mencionado, têm reduzido em grande escala as florestas tropicais, possivelmente ocasio- nando mais um grande evento de extinção em massa. Contudo, se as atuais taxas de desmatamento não produzirem uma eliminação completa de tais ecossistemas, talvez seja possível reverter este processo de degradação. Nesta perspectiva, o fato de que as florestas tropicais em sua evolução de certa forma sobreviveram a períodos de descontinuidade, talvez indique de que é possível haver mecanismos de proteção contra fenômenos relacionados à fragmentação que operam em distintos níveis hierárquicos. Ainda que seja difícil definir claramente “continuidade”, principalmente em ecossistemas intrinseca- mente heterogêneos (vide Macintosh 1991) tidos como mosaicos heterogeneamente estru- turados (sensu Watt 1947), perceber deter- minados limites tem sido bastante útil. Neste sentido, uma das interpretações advindas da teoria ecológica assume que tais limites podem ser graduais ou abruptos (vide Begon et al. 1995), dependendo do ecossistema ou comunidade. Esta concepção aparentemente Rodriguésia 57 (1): 63-74. 2006 SciELO/ JBRJ 12 13 14 15 16 17 Fragmentação florestal e efeitos de borda 65 constitui um dos pontos de convergência entre a perspectiva de super-organismo altamente integrado, desenvolvida inicialmente por Clements (1916 apud Begon et al. 1995), e a visão reducionista de Gleason (1927) onde as comunidades constituiriam assembléias não coesivas nas quais os fenômenos sobre os indivíduos assumiriam grande importância. Vários trabalhos têm sido desenvolvidos utilizando tais idéias e mesmo assim ainda não há consenso acerca dos processos e padrões relativos a tais áreas limítrofes (Laurance et al. 2001). Este fato remete novamente à idéia de limites artificiais (bordas) os quais podem ser semelhantes, em alguns aspectos, aos limites naturais. Os danos causados pela fragmentação artificial, e conseqüente proliferação de bordas, aparentemente são extensos influenciando praticamente todo o ecossistema e as respectivas comunidades (Laurance 2000). Ou seja, há indícios de que tais impactos não se restringem à borda e atingem também porções teoricamente mais protegidas, distantes do limite artificial. Contudo, neste novo limite o ecossistema e as comunidades em geral estão expostos a uma série de condições distintas daquelas experimentadas anteriormente (Matlack 1993; Kapos et al. 1997). Estas condições apresentam inúmeras variações, que em grande parte se relacionam aos variados tipos de atividades humanas realizadas onde houve o desmatamento. Como consequência direta ou indireta são frequentemente observados vários efeitos nocivos à floresta e dentre estes, destacam-se os efeitos de borda (Lovejoy et al. 1986; Saunders et al. 1991; Laurance & Bierregaard 1997). Alguns estudos sugerem que tais efeitos são semelhantes ao que ocorre em clareiras naturais ( sensu Denslow 1987). Em termos gerais é possível sugerir que uma grande clareira pode apresentar um limite florestal abrupto em parte similar ao observado em uma borda criada artificialmente. Contudo, considerando válida tal analogia, há consenso de que a intensidade de determinados fenômenos será maior nas bordas artificiais. Rodriguésia 57 (1): 63-74. 2006 Isto devido ã escala espacial de criação dos amplos limites artificiais (bordas) e do fato de que estes foram originados a partir de processos exógenos, induzidos pelo homem. Ainda que as causas dos processos de formações de clareiras naturais em geral possam ser interpretadas como exógenas (Brokaw 1982) uma vez que frequentemente advém de tempestades e fortes ventos, em sua essência ainda são distintas do resultante de atividades humanas. Além disto, como já citado, os locais adjacentes aos remanescentes florestais podem apresentar atividades que atingem a borda propriamente dita (e.g. queimadas, exposição a produtos químicos) ou trechos mais interiores (e.g. caça, extração de madeira, chuva ácida). Há inclusive determinados efeitos de borda que podem penetrar remanescentes florestais por mais de 400 metros ou até quilômetros (Laurance 2000). Neste caso, o fogo, em algumas regiões, tem sido relatado como um impacto recorrente e altamente invasivo (Cochrane & Schulze 1999; Cochranc 2001). Os LIMITES "Boundaries exist as discontinuities between contrasting habitais, and may be expressed as ecótoncs, gradients, or edges.” (Pickett et al. 2000) Os limites entre os ecossistemas são estudados praticamente desde o início da ecologia. Dentre os diversos autores que trataram deste tema são freqüentemente destacados Clements e Gleason que, mesmo com suas distintas visões acerca dos ecossistemas, mencionadas anteriormente, apontaram para o papel fundamental destas áreas limítrofes. Neste sentido eram reconhecidos ambientes de transição (“ecótones”) que poderiam ser graduais ou abruptos conforme já citado. A importância destes ambientes é atribuída em grande parte à manutenção da integridade dos ecossistemas e comunidades, considerando inclusive a manutenção da área ocupada por estes assim como os processos e padrões envolvidos (Begon et al. 1995). cm 1 SciELO/JBRJ 12 13 14 15 16 17 cm .. Rodrigues, P. J. F. P. &. Nascimento, M. T. A referida manutenção opera em geral em uma escala de tempo relativamente curta. Ou seja, os ecossistemas e as comunidades estão em constante transformação. Logo, até mesmo seus limites se modificam ao longo do tempo. Assim sendo, o ponto de equilíbrio onde haveria uma estabilização dos fluxos de energia, por exemplo, é também dependente de escala (vide Pimm 1991). No longo prazo, o acúmulo de entropia sempre tenderia a desequilibrar os ecossistemas (Holling 1973), o que poderia ocasionar mudanças em suas escalas espaciais. Tais idéias já foram anteriormente exploradas e até certo ponto é consenso de que devam existir inúmeros pontos de equilíbrio ao longo da evolução dos ecossis- temas. Isto remete novamente a natureza dinâmica dos ecossistemas e a já referida alteração da escala espacial com fenômenos de expansão e retração. Portanto os limites sejam estes abruptos ou graduais, podem representar a primeira frente de transformação. As mudanças verificadas nestes poderiam indicar uma tendência de retração ou expansão do referido ecossistema. Neste sentido, as modificações nos trechos imediatamente adjacentes a estes limites poderiam até mesmo catalisar mudanças em todo o ecossistema e nas respectivas comunidades (Laurance & Yensen 1991). Estas mudanças comprometeriam inclusive, seus processos evolutivos que, em última análise, determinam sua permanência no tempo. Atualmente são observadas transfor- mações que resultam principalmente na extinção de espécies e comunidades (Saunders et al. 1991; Tilman et al. 1994; Laurance & Bierregaard 1997). Embora tal degradação seja extensa, não é possível determinar se este processo irá promover uma extinção em massa que comprometa toda a vida no planeta. Neste aspecto, a despeito de todas as ondas de extinções experimentadas e de sua possível periodicidade (Patterson & Smith 1989; Moses 1989), a biota parece algo extre- mamente persistente. Desta forma, os ecossis- temas e as comunidades provavelmente continuarão a existir, e de forma análoga, as espécies também irão evoluir neste novo cenário de fragmentação e degradação intensa. Entretanto, há consenso de que a redução crescente na escala espacial decorrente da expansão das atividades humanas, irá pro- mover um empobrecimento dos ecossistemas naturais, sobretudo das florestas tropicais (Whitmore 1991;Myers 1994). O complexo cenário atual toma difícil prever as consequências destas transforma- ções, incluindo-se neste caso os fenômenos relacionados à fragmentação. Contudo, há indícios de que os limites artificiais diferem dos limites supostamente naturais. Mesmo consi- derando algumas semelhanças, os limites antro- pogênicos em sua essência configuram uma nova situação, conforme já salientado. O caminho evolutivo que tais transformações irão impor ainda é desconhecido. Porém, as transforma- ções mencionadas também sugerem que talvez seja útil reinterpretar as idéias acerca dos limites. A SUCESSÃO ECOLÓGICA E OS LIMITES ARTIFICIAIS As transformações das comunidades vegetais que compõem os ecossistemas em determinadas escalas de espaço e tempo são freqüentemente interpretadas utilizando conceitos relativos à sucessão ecológica ( vide McCook 1994). O conjunto de idéias acerca da sucessão foi inaugurado, em moldes contemporâneos, por Thoreau ( 1 860), e revela um padrão ao qual grande parte dos processos de sucessão vegetal aparentemente está subordinada. Os processos de sucessão vegetal devem, teoricamente, ser iniciados por espécies pioneiras (sensu Budowski 1965; Whitmore 1989), as quais apresentariam, em geral, determinados atributos tais como tolerância à alta insolação e a escassez de nutrientes. Na medida em que avançam tais processos ocorreriam modificações do ambiente que permitiriam a entrada das espécies mais tardias ( shade tolerants). As espécies pioneiras neste caso poderiam também atuar como facilitadoras para a entrada de Rodriguésia 57 ( 1 ): 63-74. 2006 SciELO/JBRJ L2 13 14 15 16 17 67 Fragmentação florestal e efeitos de borda espécies características de estágios sucessio- nais mais avançados. No momento seguinte seria esperado que as espécies mais tardias excluíssem por competição as espécies típicas de estágios sucessionais menos avançados. Neste sentido, os processos de sucessão ecológica em florestas tenderiam a um estado mais equilibrado, mais complexo, mais estável, denominado clímax ( vide Whitmore 1991). Tais idéias foram inicialmente sumarizadas por Clements (1916 apud Begon et al. 1995) em sua concepção organísmica das comunidades e ecossistemas. A hipótese de monoclimax", onde somente distúrbios fariam retroceder os processos sucessionais e o “revezamento florístico” no qual haveria um sistema ordenado e hierárquico de trocas na comunidade, constituem o cerne do pensamento holístico e organísmico ( vide Odum 1964). Em tal analogia é freqüente a afirmativa de que a sucessão inclui a “ontogenia” e a “filogenia” das formações clímax. Por outro lado, as concepções adotadas por Cowles (1926) e Gleason (1927), em grande parte se contrapõem a esta visão. Neste sentido, os conceitos de Gleason, nos quais as comunidades sucessionais constituem “assembléias não-coesivas” e “o fenômeno da vegetação depende completamente do fenô- meno sobre o indivíduo", sumarizam a escola de pensamento denominada “individualística . Algumas interpretações mais recentes e o próprio debate científico demonstram que a escala de observação pode ter grande influência na adoção de uma ou outra escola de pensamento (Shrader-Frechettc & McCoy, 1993). Nesta última, representada por Gleason, em parte transparecem idéias reducionistas, uma vez que a escala de observação tem como foco as partes do ecossistema ou da comunidade, sem enfatizar possíveis intcr- relações. A despeito das distintas maneiras de observar as comunidades e ecossistemas, assim como das possibilidades de variar os focos de observação, atualmente há indícios de que os processos sucessionais são modificados com a fragmentação e criação de bordas Rodriguésia 57 (1): 63-74. 2006 artificiais. Assim sendo, a correta interpretação dos fenômenos relacionados à fragmentação e aos efeitos de borda exige que sejam utilizados conceitos acerca da sucessão ecológica. Muito embora tais conhecimentos não sejam totalmente conclusivos, já fornecem bons indícios para fundamentar algumas interpretações. Com isto, adotar uma perspectiva simplista para a classificação das espécies em grupos funcionais em resposta a distúrbios, por exemplo, aparentemente tem sido útil. Historicamente, um dos primeiros autores a utilizar e sumarizar tais idéias foi Budowski (1965). Mais recentemente, dentre os inúmeros seguidores de tal perspectiva, podem ser destacados Swaine & Whitmore (1988), que ao incorporar novas informações aparentemente fortalecem os argumentos. Contudo, a ênfase nos grupos funcionais extremos (tolerante ou intolerante à sombra) continua, o que em certo aspecto perpetua o desconhecimento ao direcionar a interpretação. Em alguns trabalhos a confirmação de padrões é, em certo aspecto, involuntariamente tendenciosa. Entretanto, já existem indícios de que há um vasto gradiente entre estes extremos muitas vezes não observados devido à enlasc em aspectos como germinação, estabelecimento e sobrevivência de propágulos (Whitmore 1996). Além disto, a resposta exibida por uma espécie individualmente pode depender de uma complexa rede de inter-relações bióticas (Harper 1977). Portanto, a classificação precisa das espécies em grupos funcionais em resposta a distúrbios depende, em muitos casos, de um avanço expressivo no conhecimento acerca destas e dos processos e padrões relacionados a sua manutenção no respectivo habitat. Nesta perspectiva ainda que promissora a interpretação da sucessão ecológica a partir dos modelos de facilitação, tolerância e competição (vide McCook 1994), sua interpretação com relaçao uos limites artificiais é pouco elucidativa. Além disto, a visão estritamente mecanicista dos piocessos e padrões biológicos tem incorporado o fato de que eventos estocásticos podem ser mais ISciELO/JBRJ 12 13 14 15 16 17 cm .. Rodrigues, P. J. F. P. & Nascimento, M. T. freqüentes do que o esperado. Desta forma, o sucesso no estabelecimento de determinadas espécies vegetais não dependeria apenas de suas características selecionadas evolutiva- mente, mas também do acaso (Brokaw & Busing 2000). OS EFEITOS DE BORDA Conforme já mencionado, atualmente, devido ao crescente desmatamento, há um grande aumento de limites artificiais (bordas), nos quais os ecossistemas e comunidades estão aparentemente sujeitos a efeitos de borda. Esta completa transformação da paisagem gera um cenário onde fragmentos relativamente pequenos e grandes compõem um arquipélago de ilhas de vegetação arbórea inseridos em uma matriz em geral graminóide ou arbustiva (Hams 1984; Laurance & Bierregaard 1997). Tal perspectiva motivou inicialmente a utilização de idéias acerca da Biogeografia de Ilhas (e.g MacArthur & Wilson 2001) que pareciam adequadas para prever parte das conseqüências da fragmentação sobre os fragmentos remanescentes (e.g. Harris, 1984). Entretanto, recentemente notou-se que os fragmentos não representam necessariamente ilhas, e que as matrizes não são exatamente “mares inóspitos” (e.g. Laurance et ai, 2002), sobretudo para determinados animais (Gascon et al. 1999). Com isto, determinadas previsões acerca da evolução das comunidades em fragmentos falharam ao utilizar a Biogeografia de Ilhas como modelo. Isto em parte levou a uma mudança de foco que atualmente enfatiza, por exemplo, a importância dos fenômenos que ocorrem nas bordas e nas florestas em regeneração próximas aos fragmentos (Pimm 1998; Mesquita et al. 1999). Portanto, nas tentativas de interpretar a fragmentação florestal, compreender como as bordas, que são cada vez mais freqüentes, se transformam no tempo tem sido um objetivo recorrente. Uma borda recém criada, em termos teóricos, pode ser estruturalmente homogênea ou muito semelhante ao interior florestal. Ao longo do tempo, irão ocorrer outras transformações, relacionadas em grande parte aos efeitos de borda, que podem resultar em uma comunidade mais heterogênea neste limite. Porém, mesmo interiores florestais podem ser relativamente heterogêneos, ainda que mais homogêneos quando comparados a limites artificiais. Em relação às transformações experi- mentadas pela borda, Matlack (1994) sumariza parte das idéias vigentes e identifica 3 fases: ( 1 ) formação, onde pode haver uma forte res- posta da vegetação à criação do limite abrupto exibindo, inclusive, alta mortalidade; (2) reorganização dos gradientes físicos, onde pode ser desenvolvida uma camada de biomassa lateral que reduz a ação direta do vento e da insolação; e (3) expansão da área da borda, onde há efetivamente o estabelecimento de uma zona tampão biótica ou expansão da comunidade que passa a ter novos limites. A perspectiva utilizada por este autor, e compartilhada por outros, aparentemente é uma clara analogia à dinâmica de clareiras (e.g. Brokaw 1985) com respaldo no corpo teórico acerca da sucessão ecológica. Tais idéias são confirmadas por outros estudos que verifica- ram, por exemplo, maior mortalidade de árvores ao ser criado o limite (Lovejoy et al. 1986; Laurance et al. 1997; Kapos et al. 1997). Porém, considerando que vegetais são organismos modulares (Küppers 1994), a maior mortalidade poderia estar relacionada à falta de aclimatação de suas estruturas somáticas às novas condições. Por outro lado, algumas respostas do componente biótico, tais como a proliferação de lianas (e.g. Putz 1984) e bambus (e.g. Tabanez & Viana 2000), previstas na fase (3), podem implementar um efeito sinérgico com o vento (Laurance et al. 2001 ), resultando na queda de grandes árvores. Em termos teóricos, a exclusão de indivíduos que dominam a paisagem, os quais possivelmente monopolizam grande parte dos recursos disponíveis, gera a oportunidade para o crescimento de outros indivíduos (e.g. juvenis ou propágulos). Neste sentido, nota-se que algumas bordas exibem maior densidade quando comparadas a interiores preservados (Laurance & Bierregaard 1997; Oliveira-Filho Rodriguésia 57 (I): 63-74. 2006 SciELO/JBRJ 12 13 14 15 16 17 cm Fragmentação florestal e efeitos de borda et al. 1997; Laurance et al. 2002). Tal fato pode ser atribuído ao surgimento das oportu- nidades supracitadas, bem como à entrada de espécies associadas a estágios sucessionais menos avançados. Neste cenário, agora com espécies de crescimento rápido que teorica- mente utilizam materiais metabolicamente menos custosos (Bazzaz 1991) podendo gerar estruturas somáticas mais frágeis, a comu- nidade seria mais dinâmica exibindo inclusive maior mortalidade ( e.g . Oliveira-Filho et al. 1997). Ou seja, no caminho da estabilização dos fluxos de energia, a estrutura do ecossis- tema seria mais heterogênea e efêmera. Em estágios sucessionais mais avançados, teo- ricamente mais favoráveis à manutenção de grande biomassa e complexidade, haveria maior homogeneidade e durabilidade (vide Begon et al. 1995). Deste modo, as transformações observadas com a criação de limites artificiais são, em geral, evidentes (Williams-Linera 1 990; Laurance & Yensen 1991; Camargo & Kapos 1995; Laurance & Bierregaard 1997; Tabanez et al. 1997; Cadenasso et al. 1997). Grande parte do problema reside então na forma de interpretar este cenário. Resgatando noções básicas em ecologia ( vide Begon et al. 1995), alguns autores dividem os efeitos de borda em três tipos: (1) abióticos; (2) bióticos diretos e (3) bióticos indiretos (e.g. Murcia 1995). Assim sendo, as modificações no meio físico, que incluem aumento na insolação, velocidade do vento e queda na umidade relativa próximas às bordas, seriam propriamente exemplos de efeitos abióticos. Relacionados a estes, teoricamente, pode haver modificações diretas no componente biótico tais como aumento na densidade e entrada de espécies pioneiras. Os efeitos bióticos indiretos em geral são associados a processos tais como predação, herbivoria e polinização, que resultam de interações entre espécies. Estas perspectivas aparentemente são influenciadas pela idéia de compartimentalização em parte subjacente à teoria dos sistemas, na qual sistemas complexos apresentariam sub-unidades com menor complexidade (vide Margalef 1974). Rodriguésia 57 (1): 63-74. 2006 69 Novamente em referência a evolução conceituai já citada, nota-se que as interações e os sinergismos entre os compartimentos podem ser extremamente complexos. Portanto, as subdivisões propostas podem ser artifícios didaticamente adequados à interpretação dos fenômenos relacionados à fragmentação florestal e efeitos de borda. Além disto, aparentemente há grande dificuldade em identificar precisamente fatores causais. Isto é particularmente percebido quando, mesmo ao identificar efeitos bióticos, a causa destes é associada a modificações abióticas (e.g. Murcia 1995). Com isto, ainda é muito difícil determinar o conjunto de eventos no tempo que irá direcionar a trajetória dos processos ecológicos em bordas. Além disto, mesmo observando alguns padrões gerais pode haver distintos fatores causais. Grande parte dos estudos apenas identifica os processos e, consequen- temente, os fatores direcionadores permanecem relativamente obscuros dificultando a detecção de padrões consistentes. Tal fato sugere que nas interpretações há uma mistura de fatores que são pouco elucidativos em relação aos processos e padrões intrínsecos à vegetação próxima a limites artificiais. Ainda que as informações sejam suficientes para indicar a existência de efeitos de borda, as conseqüências destes em longo prazo também permanecem desconhecidas. Evidentemente sob uma perspectiva intervencionista, onde a borda é um limite permeável sujeito a impactos advindos da matriz antrópica, a única conclusão é de que a degradação será crescente. Ainda mais se consideradas as escalas e intensidades de tais impactos. Por outro lado, em um cenário otimista, a interrupção dos impactos externos poderia permitir uma recuperação estrutural c funcional dos ecossistemas (e.g. Matlack 1994). Neste caso, a porosidade (permeabili- dade) da borda poderia implementar um au- mento na conectividade entre fragmentos ao invés de facilitar a entrada de impactos exter- nos. Os trabalhos em áreas de regeneração (capoeiras) demonstram que a vegetação, SciELO/JBRJ 12 13 cm 70 dependendo das condições locais, pode de fato recuperar-se ( e.g . Mesquita et al. 1999, 2001) re-estabelecendo assim inúmeras interações ecológicas do ecossistema (Gascon et al. 1999). Mesmo assim, é preciso considerar que uma redução expressiva na área (e.g. extinção de habitat) irá criar uma nova situação na qual certamente a coexistência de um grande número de espécies será improvável. Considerando novamente a crescente degradação e os impactos ocasionados às bordas florestais, é esperado que o aspecto relativamente homogêneo exibido pelo ecossistema ou comunidade no momento da criação da borda, seja progressivamente tornado mais heterogêneo, podendo chegar a uma homogeneidade tardia. Esta última seria observada em locais onde os impactos advindos da matriz fossem recorrentes e intensos. Neste caso, a homogeneidade tardia seria caracterizada por processos e padrões típicos de ambiente de borda, nos quais também poderia haver um predomínio de espécies associadas a estágios sucessionais iniciais. Por outro lado, uma matriz menos agressiva poderia determinar impactos em menor escala e heterogeneamente distribuídos ao longo da borda. Desta forma, não haveria a referida homogeneidade tardia, mas sim um cenário altamente heterogêneo. Neste ponto a idéia de ecótone, já mencionada anteriormente, permite uma interpretação bastante conveniente, onde fenômenos de retração e expansão podem ser explorados. Desta forma, praticamente todos os estudos sugerem que uma vez interrompidos os processos de degradação advindos da matriz há grande chance de que o remanescente se recupere ou se expanda. Ainda em relação aos efeitos de borda, intuitivamente, é esperado que ocorram variações (em geral diminuição) na intensidade destes na medida em que aumentam as distâncias da borda (e.g. Kapos et al. 1997). Com isto, tomou-se freqüente descrever tais efeitos utilizando funções matemáticas relativas aos padrões observados e dentre estes, variando linearmente em função à distância da Rodrigues, P. J. F. P. & Nascimento, M. T. borda, identificam-se padrões “monotônicos” (e.g. Williams-Linera 1990). Por outro lado, padrões que oscilam em direção ao interior (bi- modais ou em onda) são descritos utilizando modelos “não-monotônicos” (e.g. Franco & Harper 1988). Nas perspectivas mencionadas transparecem idéias de que quanto maiores os fragmentos, maiores são as chances de que porções interiores destes estejam protegidas dos efeitos de borda (vide Laurance & Yensen 1991; “ The core area model."). Este é um cenário relativamente simplista, mas que oculta uma grande complexidade, principalmente quando se considera a utilização de vários parâmetros simultaneamente. Além disto, mesmo fatores considerados simples e diretos quanto à medição (e.g. luz, vento), quando associados às respostas exibidas pelo componente biótico podem assumir complexas nuances. Estas, em parte, devido à inerente complexidade e heterogeneidade (vide Macintosh 1991) dos sistemas biológicos. Conclusões Com a fragmentação florestal é inevitável a criação de bordas artificiais que podem implementar transformações aos sistemas biológicos ocasionadas em grande parte por efeitos de borda. O conhecimento sobre tais efeitos embora seja relativamente extenso ainda é pouco conclusivo devido principalmente ao desconhecimento dos processos e padrões naturais dos ecossistemas, falta de delimitação precisa dos fatores causais e deficiências nos conceitos e teorias utilizados. Por outro lado, considerando a natureza dinâmica dos ecossistemas, os fenômenos de expansão e retração e a tendência natural dos sistemas biológicos à evolução, supõe-se que as florestas também devem exibir respostas evolutivas em diversos níveis para lidar com este novo cenário. Neste aspecto, bordas florestais submetidas a matrizes extremamente impactantes (e.g. campos agrícolas) tenderiam a exibir um aspecto estruturalmente homogêneo determinado fortemente pelas transformações impostas pela matriz. Entretanto, matrizes menos impactantes Rodriguésia 57 (1): 63-74. 2006 SciELO/JBRJ 12 13 14 15 16 17 cm Fragmentação florestal e efeitos de borda poderiam favorecer a recuperação dos processos e padrões naturais dos ecossistemas exibindo nos locais onde há manutenção do limite abrupto um aspecto estruturalmente mais heterogêneo quando comparado a locais bem preservados. Os aspectos teóricos aqui abordados suportam tais argumentos, mas ainda assim permanecem incompletos e apontam para a necessidade de avançar no conhecimento sobre florestas tropicais, em especial considerando este cenário de intensa degradação e fragmentação. Por outro lado se a proliferação de bordas florestais não contribuir decisivamente para a perda de habitat e se os impactos aos remanescentes florestais forem minimizados é provável que os efeitos de borda não conduzam a uma crescente destruição. Agradecimentos Agradecemos especialmente ao Dr. Fábio Rúbio Scarano pelas suas valiosas sugestões nas versões iniciais deste trabalho. A João Marcelo de Alvarenga Braga, Mariana de Andrade Iguatemy, Rodolfo C. Real de Abreu, Pablo Viany Prieto e Bruno R. Silva (revisor do abstract) pelas sugestões e a dois asses- sores anônimos pela análise do manuscrito. Referências Bibliográficas Ballaré, C. L. 1994. Light gaps, sensing the light opportunities in highly dynamic canopy environments. In: Caldwell, M. M. & Pearcy, R. W. (eds.). Exploitation of environmental heterogeneity by plants. Academic Press, London, p. 73-110. Bazzaz, F. A. 1991. Regeneration of tropical forests: physiological responses of pioneer and secondary species. In: Gómez-Pompa, A.; Whitmore, T. C. & Hadley, M. (eds.). Rain Forest Regeneration and Management. UNESCO/Parthenon, Paris/Carnforth. Pp. 91-118. Begon, M.; Harper, J. L. & Townsend, C. R. 1995. Ecology: individuais, populations and communities. 2"d ed. 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(Solanaceae na Reserva Rio das Pedras, Mangaratiba, Rio de Janeiro - Brasil) Foi realizado um estudo morfológico e taxonômico da família Solanaceae na Reserva Rio das Pedras, município de Mangaratiba situado no estado do Rio de Janeiro, um fragmento de floresta pluvial atlântica. Reg.strou-se 33 espécies pertencentes a 10 gêneros, sendo Solamim o mais expressivo. Solanum hirtellum e Solanum pensile são documentados pela primeira vez nesse estado. São apresentadas chave de identif icação, descrições e ilustrações. Palavras-chave: Solanaceae, Rio de Janeiro, taxonomia, floresta pluvial atlântica. Abstract (Solanaceae of the Rio das Pedras Reserve, Mangaratiba, Rio de Janeiro - Brasil) It was developed a morphological and taxonomic study of the Solanaceae family at R.o das Pedras Reserve, which represents a fragment of the Atlantic Rain Forest, in the municipality of Mangaratiba, at R.o de Jane, 0 ^ * registered 33 species of 10 genera, being Solanum the most representative. Solanum hirtellum and Solanum Si ÍSS for the first timefor Rio de Janeiro State. A key for identification ,s presented, as we.l as, descriptions and illustrations. . Key-words: Solanaceae, Rio de Janeiro, taxonomy, Atlantic ram forest. Introdução Solanaceae é uma das maiores famílias entre as angiospermas, com cerca de 2.300 espécies subordinadas a 92 gêneros. Segundo Hunziker (2001 ), apresenta ampla distribuição geográfica e está concentrada principalmente na América do Sul, onde estima-se a presença de aproximadamente 50 gêneros endêmicos. Para o Brasil não existe nenhuma avaliação recente para a diversidade de espécies de Solanaceae, à exceção da monografia de Sendtner (1846), publicada na Flora hrasiliensis. No início deste século foram reconhecidos 27 gêneros para o Brasil, com base nas pesquisas bibliográficas e nos herbários visitados. Carvalho et al. (2001) indicaram para a região sudeste, em levantamento preliminar, 17 gêneros e 313 espécies. No estado do Rio de Janeiro são registrados, até a presente data, 15 gêneros e cerca de 118 espécies coletadas nos mais diversos ambientes (Carvalho 1997a, b). Tendo em vista a escassez de estudos em Solanaceae para o estado do Rio de Janeiro, este trabalho teve como objetivo reconhecer e analisar as espécies de Solanaceae na Reserva Rio das Pedras, contribuindo para ampliar o conhecimento morfológico e taxonômico da família. Material e Métodos Área de estudo A Reserva Rio das Pedras (RRP), situada no lado atlântico da Serra do Mar, inserida no Maciço da Serra da Bocaina, e localiza-se no município de Mangaratiba, estado do Rio de Janeiro, entre as coordenadas 22°59'S e 44°05'W, possuindo cerca de 1.360 ha, apresentando-se em diversos níveis de sucessão, cujas altitudes variam de 20 a 1.050 metros, representando um dos poucos remanescentes de floresta pluvial atlantica neste estado. No que diz respeito à hidrografia, é típica de região com alguns declives, e apresentando Artigo recebido em 03/2005. Aceito para publicação em 1 1/2005. 1 Pesquisadores do Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de aneiro 030. lfreire@jbrj.gov.br; mbovini@jbrj.gov.br . Rua Pacheco Leão 9 1 5 - Gávea. CEP. 22460- SciELO/JBRJ 12 13 14 15 16 17 cm .. Carvalho, L d'Á. F. & Bovini, M. G. o contorno externo da Reserva, a linha do divisor de águas da bacia do Rio Grande, que é bem definido e abrupto. A Reserva é formada pela bacia do Rio Grande (Fig. 1). O clima é subquente (Nimer, apud Vidal 1995) com temperaturas médias anuais de 22°C e temperatura máxima absoluta de 38°C. A grande variação de altitude, próxima ao litoral, é responsável pela precipitação máxima que corresponde aos meses de dezembro, janeiro e fevereiro. Campo e laboratório Foram realizadas expedições de campo durante cinco anos na RRP, em diversas trilhas existentes e algumas recuperadas, e coletadas, sempre que possível, amostras de indivíduos com flores e/ou frutos. A preparação do material botânico, proveniente das expedições, seguiu o método tradicional de herborização, para posterior inclusão nos herbários RB e RUSU (siglas de acordo com Holmgren et ai, 1990). O material foi identificado por meio de chaves analíticas, descrições e ilustrações constantes em bibliografia especializada, comparações com coleções botânicas e quando possível com o material-tipo. As ilustrações foram realizadas com o auxílio do microscópio estereoscópico, às vezes acoplados a câmara clara. Os táxons apresentados nas descrições seguem a ordem alfabética para gêneros e espécies. Os nomes vulgares, quando indicados, foram fornecidos pelos acompanhantes do local. É importante ressaltar que, em cada táxon estudado, usou-se a nomenclatura e a distribuição geográfica da última revisão deste, quando existente. Quanto ao padrão de nervação adotou-se Leaf Architecture Working Group (1999) e para a classificação da vegetação, Veloso et ai (1991). CONVENÇÕES ■■■ Edificação —^Drenagem BR‘101 í» -Curva de nl» Afloramento rochoso ■— p0nto cotadr . Represa L. I Mata degrad I — I Floresta TRILHAS (1) TRILHA DO MIRANTE (2| TRILHA DA TOCA DA ARANHA (3) TRILHA DAS BROMÉLIAS W TRILHA DAS BORBOLETAS (5) TRILHA DO CAMBUCA 5820 5930 0 500 t (6) TRILHA DA LAGOA SECA (7) TRILHA DO CORISQUINHO (8) TRILHA DO TIÀO (9) TRILHA DA CACHOEIRA (10) TRILHA DO CORISCO 74590 74570 74560 Rio de Janeiro 74590 74580 74570 74560 5860 5870 5860 5870 5880 5900 5910 5920 Figura 1 - Mapa da Reserva Rio das Pedras, Mangaratiba S/A (1999). Rio de Janeiro. Modificado de Agrofoto Aerofotogrametria RodriguSsia 57 (1): 75-98. 2006 SciELO/JBRJ L2 13 14 15 16 17 Solanaceae na Reserva Rio das Pedras 77 Resultados e Discussão Solanaceae A. Juss. Herbáceas, arbustivas, arbóreas, escandentes ou hemi-epífitas, glabras ou com indumento, diversos tipos de tricomas, espinhos e/ou acúleos. Ramos ascendentes ou patentes, dicotômicos iguais ou desiguais, cilíndricos ou aplanados, concaulescência presente. Folhas pecioladas ou subsésseis, alternadas, isoladas e/ou aos pares; lâminas inteiras, lobadas à pinatissectas ou as vezes dimorfas, nervação camptódroma, raro broquidódroma e craspe- dódroma. Flores isoladas e/ou em inflores- cências axilares e/ou terminais, ou opostas as folhas, fasciculadas, racemosas, corimbosas ou paniculadas, raro bracteoladas. Flores hermafroditas, diclamídeas, heteroclamídeas, actinomorfas raro com simetria bilateral, prefloração valvar, valvar-plicada, imbricada, rotáceas, campanuladas, infundibuliformes, hipocrateriformes ou tubulosas; androceu pentâmero ou tetrâmero-didínamo, filetes retos, reflexos ou geniculados, anteras monotecas ou bitecas, com deiscência rimosa longitudinal de alvacentas a acastanhadas (, Acnistus , Athenaea, Aureliana, Capsicum, Cestrum, Dyssochroma e Pliysalis), transversal ( Brmfelsia ), ou poricida amarelas ou lilases, apicais ou introrsas ( Solanum ); gineceu de ovário supero, bilocular, placentação axilar, multiovulado, nectarífero ou nâo, estilete simples, estigma apical. Cápsula ou baga, por vezes envolvidos pelo cálice acrescente; sementes poucas a numerosas. Chave para o reconhecimento das espécies de Solanaceae na RRP j Plantas urmudíis 2. Plantas escandentes; lâmina foliar pinatissecta, pseudo-imparipenada, 5-7 segmentos 16. Solanum alternatopmnatum 2’. Plantas eretas; lâmina foliar lobada a partida. . .. , ... 3. Plantas até 1 m alt; densamente aculeado-acicular; lamina foliar irregular partida, tricomas 19. Solanum capsicoides 3’. PlantaT mais de 1,5 m alt.; esparso aculeado-uncinado; lâmina foliar lobado-denteada; tricomas estrelados subsésseis ou pedicelados. . 4. Lâmina foliar com base truncada a subcordada; nervação craspedodroma cálice cc lacínias aciculares; corola alva 3 \ Solanum tabaajolium 4’. Lâmina foliar com base atenuada; nervação camptódroma; cálice com lacínias ovndo- . . , . „ 22. Solanum hexandrum apiciuladas; corola violácea ''' “=ceas eretas; coreia amare, a; cllice frettfere amplto, “ y.Zf taSX «c^nle^^icorei; nunca amarela; cdlice frutífero quando ampliado nunca inflado. _ 6. Plantas hemi-ep, fitas ffigchma «rídíflora 7 Hemi-eDÍfita: corola verde, lacínias enroiauas ; . „ . , „ T . Nunca hemi-epífita; corola alva, amarelo-esverdeada ou lilás, lacuna ; 8 Ramos dicotômicos; lâmina foliar membranacea; inflorescencia extra axilar na dicotomia do ramos; corola campanulada; anteras com concetivo v.noso, 9**LSmina 9’. Lâmina foliar inteira; conectivo giboso espessado na região basal. Rodrigutsia 37 (I): 75-98. 2006 SciELO/JBRJ L2 13 14 15 16 17 cm 78 Carvalho, L. d'Á. F. & Bovini, M. G. 10. Lamina foliar ovado-oblonga a cordada; tricomas simples ao longo da nervura mediana; estigma expandido com corpúsculos globosos, inclusos 21. Solanum diploconos 10 . Lamina foliar ovado-lanceolada; tricomas glandulares diminutos; estigma expandido ..o, corpúsculos.... 25. Solanum melissarum 8 . Ramos nao dicotomicos; lamina foliar membranácea a cartácea; inflorescênda terminal; corola rotacea; anteras sem conectivo. 1 1 . Folhas isoladas nos ângulos ramulares; nervação secundária com espaçamento irregular; f botoes oblongo-apiculados; corola sempre alva 26. Solanum odoriferum u°t~ ^ “ 3 aS em ramos relos’ nervaÇã° secundária com espaçamento uniforme; PHnta b°t0eS °tbl0nf S; dC alVa 3 1ÍláS 28. Solanum pensile 6 . Plantas sempre terrestres sem ramos flexuosos. 12. Lâmina foliar prateada, acastanhada ou dourado-claro na face abaxial. Lâmina foliar 20-60 cm compr., inflorescênda pêndula; tricomas paleáceos evidentes, acastanhados I , ' «míadô'lar me"0r q“ C°mpr'; inflorescência- tricomas peitados e peltado- 14. Lâmina foliar alvacenta a prateada, broquidódroma, de nervação secundária com espaçamento uniforme; cálice frutífero persistente, bagas oblongo-apiculadas 14' ^4mpt^roma ácamptobro^ui^kbmnZ mrc,»VaÇa? Sec“ndan“ esPaÇamento irregular; cálice frutífero envolvendo parcialmente a baga globosa 32. Solanum swartíanum subsp. swartzianum var. swartzianum 12’. Lâmina foliar nunca prateada, acastanhada ou dourado claro 15. Ramos com uma folha na dicotomia; corola geralmente com máculas verdes. af"and0 em direça° ao ápice: ,toinas fo,iares 17'. P^MlsSglabrast0SaS' “'VaCentaS 9' Capsicum villomm var. viUosum 18. Cálice truncado; corola rotáceo-estrelada io’ n/iv. 7. Capsicum campylopodium 18 . Cálice lactmado-ltnear; corola campanulado-laciniada 16L Ramos 19'. Lacínhts do cáYicc d^nteada^™02^! ü ", •" 3' AureUana Jarc>‘ 15’ Ramos sem Hientnmio- i - Aurdiana fasciculata var. fasciculata • “s sem dicotomia; corola sem máculas ou quando presente vinosa pr;a„nrmente de T8em de rio; n°res a,vas' c°r°|a úbrunc. ' Í . óoTmeme? ' faSCÍCuladas eretasi f"“° 8'oboso; cálice persistente: ' " Tmentês pe"d“las; frut0 fusifc™e, cálice marcescente; ca. 20'. Plantas de borda oü de interiõr de iteesm oü'^ f. suavtolens Rores alvas, azuladas ou esverdeadas- rntá° d a,mblenIes penurbados; ou tubulosa. esverdeadas, rotacea, campanulada, hipocralerifotme Rodriguésia 57 (1): 75-98. 2006 SciELO/JBRJ 12 13 14 15 16 17 Solanaceae na Resena Rio das Pedras 79 22. Corola azulada; hipocrateriforme; fruto capsular envolvido pelo cálice ampliado 6. Brunfelsia brasiliensis subsp. macrocalyx 22’. Corola alva, creme-esverdeada ou amarelada; rotácea, campanulada ou tubulosa; fruto bacáceo. 23. Folhas estipuláceas aos pares; corola creme-esverdeada ou amarelada; tubulosa a estreito infundibuliforme; baga oblonga ou ovóide. 24. Lâmina foliar cartácea, até 22,5 x 10 cm; folhas estipuláceas ovadas, base oblonga a cordada 10- Cestrum corcovadense 24’. Lâmina foliar membranácea. até 15 x 5 cm; folhas estipuláceas lanceoladas a ovado- recurvadas. . 25. Folhas estipuláceas ovado-recurvadas; inflorescências racemos de pseudo- • i _..:t 11. Cestrum intermedium conmbos, axilares . . 25’. Folhas estipuláceas lanceoladas; inflorescências paucifloras, fasciculadas ou racemosa. , ^ , 26 Lâmina foliar com nervação secundária de espaçamento irregular; ' inflorescência fasciculada 13. Cestrum sendmerianum 26’ Lâmina foliar com nervação secundária de espaçamento uniforme; inflo- ’ rescinda racemosa ,12; 23'. Folhas estipuláceas ausentes; corola alva; rotácea ou campanulada; baga globosa a piri- forme 2°7rmpianta viscosa; corola alva com máculas vinosas; cálice proeminente envolvendo o fruto ............... * . 27’. Planta nunca viscosa; corola alva sem máculas; cálice frutífero nunca ampliado. 28. Folhas sempre aos pares, glabras ou apenas com domáceas p.hferas. 29. Arvoreta ou árvore; folhas aos pares, desiguais em tamanho, domáceas pilíferas; flores 15-20 em racemo; baga globosa • ••••■ 29’ Subarbusto a arbusto; folhas aos pares, desiguais em tamanho e forma, glabras; flores 4-5 em cimeira; baga piriforme 3 1 . Solanum stipulatum 28’. Folhas isoladas, raramente aos pares, pilosas. „ limhflIa 30 Lâmina foliar com tricomas simples; inflorescencia extra-axilar, pseudo-umbela 17. Solanum amencanum var. nodiflorum 30’. Lâmina foliar com tricomas estrelados; inflorescência em dmeira. 31. UW» foliar 31'. Umina"fota com” largura menor que a metade do comprimento; ^'pintas com idumèrohiatino; lâmina foliar com ápice fortemente cuspidado; cálice frutífero não ampliado; fruto ca. 6 sementes 32’ Plantas com indumento ferrugíneo; lâmina foliar com ápice levemente acuminado; cálice frutífero ampliado; fruto ca. 25 levemei 3Q ^Q\amm mfescens sementes Rodriguésia 57 (1): 75-98. 2006 SciELO/JBRJ 12 13 14 15 16 17 cm .. 80 Acnistus Schott. 1 .Acnistus arborescens (L.) Schltdt., Linnaea 7: 67. 1832. Figs. 2 a-c Atropa arborescens L., Amoen. Acad. 4: 307. 1759. Árvore 4-6 m alt. Ramos esfoliantes, nodosos. Folhas inteiras, isoladas; lâminas até 23 x 15 cm, membranáceas, ovadas a lanceoladas, ápice agudo, base atenuada, camptódromas, nervuras secundárias com espaçamento irregular, pubescentes, tricomas simples, crespos na face abaxial; pecíolo ca. 2,5 cm compr., pubescente. Flores 10-20, fasciculadas, caulinares, pedicelo ca. 2 cm compr.; cálice urceolado, lacínias lanceoladas, desiguais; corola até 1 cm compr., alvo- esverdeada, perfumada, prefloração valvar, campanulado-infundibuliforme, lacínias lanceoladas, revolutas; anteras oblongas, alvas exsertos, Fdetes parcialmente concrescidos ao tubo corolíneo; ovário com disco nectarífero, heterostilia, estigma discóide. Baga ca. 5 mm diâm., globosa, cálice ampliado, ca. 60 sementes, 6-9 esclerócitos. Material examinado: trilha do Cambucá, 15.IX.1996, fl.fr., J. A. Lira Neto et ai 369 (RUSU). Distribuição geográfica: neotropical, desde o México, América Central, Antilhas até América do Sul. No Brasil é encontrada nas Regiões Nordeste, Sudeste e Sul (Hunziker 1982). Athenaea Sendtn. 2. Athenaea picta (Mart.) Sendtn., in Martius Fl. bras. 10: 134. 1 846. Fig. 2 d-f Witheringia picta Mart., Nov. Gen sp pl. 3: 74, t. 227. 1829. Aryoreta ca. 2,5 m alt., viscosa. Ramos secundários ascendentes, alternados e terciários axilares, entre-nós esparsos até 4 cm distância, pubescentes, tricomas simples longos e glandulares-pedicelados. Folhas inteiras, aos pares, desiguais em tamanho ou isoladas; lâminas as maiores até 1 1 x 6,5 cm, membranáceas, oblongas a ovadas, ápice acuminado, base assimétrica, um tanto atenuada, camptódroma, Carvalho, L d’Á. F. <£ Bovini, M. G. nervuras secundárias com espaçamento irregular, oblongas a ovadas; pecíolo até 5 cm compr.; e as menores até 6 x 3,5 cm, pubescentes em ambas as faces, tricomas simples, longos; pecíolo até 3 cm compr. Flores 2—3, fascículos axilares, raro isoladas, pedicelo até 7 mm compr.; cálice com prefloração valvar, lacínias desiguais em tamanho, pubescentes, tricomas simples e glandulares- pedicelados; corola ca. 2 cm diâm., prefloração valvar, alva com máculas vinosas, rotáceo- estrelada, lacínias lanceoladas até 9 cm compr., face interna com tricomas glandulares curto- pedicelados; anteras oblongas, pardacentas, filetes concrescidos parcialmente com apêndices basais e laterais. Baga até 1 cm diâm., globosa, glabra, envolvida pelo cálice com nervação proeminente, ca. 21 sementes. Material examinado: trilha do Corisquinho, 200-400 m s.m., 26.IV. 1997, fl., M. G. Bovini et al. 1162 (RUSU); trilha para a Toca da Aranha, 150-400 m s.m., 11.1.1999, fl.fr., M. G. Bovini et al. 1615 (RB, RUSU). Distribuição geográfica: exclusiva do Brasil, ocorre nos estados da Bahia, Goiás, Região Sudeste, Paraná e Santa Catarina (Barbosa & Hunziker 1989). Espécie caracterizada pela presença do indumento constituído por tricomas glandulares, tornando-a viscosa ao contato. Na RRP os indivíduos cresceram sempre isolados em ambiente ciófilo. Aureliana Sendtn. 3. Aureliana darcyi Carvalho & Bovini, Novon 5(3): 257. 1995. Fig. 2 g Arvoreta 3-6 m alt., concaulescência evidente. Ramos dicotômicos desiguais, glabros a pubescentes, tricomas simples. Folhas aos pares, raro isoladas; lâminas até 9,5 x 2,5 cm, membranáceas a semi-cartáceas, lanceoladas, ápice agudo, base atenuada, às vezes assimétrica, decurrente, camptódromas, nervuras secundárias com espaçamento irregular, face abaxial pubescente, tricomas simples minúsculos; pecíolo até 1 cm compr. Flores 3-10, fasciculadas, axilares; pedicelo Bodríguésia 57 (1): 75-98. 2006 SciELO/JBRJ _2 13 14 15 16 17 Solanaceae na Resenha Rio cias Pedras 81 „ m n„res e frutos- b flor; c. fruto com cálice ( Lira Neto 369). Athenaea picta. Figura 2 - Acnistus arborescens. a. ramo com flores e tru , Aureliana darcyi. g. lacínias longo-acumtnadas do d. ramo com flores; e. flor; f. fruto envolvido pelo cálice { o ^ flores; . lacínias denteadas do cálice {Lopes 131). cálice (Bovini 1 152). Aureliana fasaculata \ar. fascicuU . • | tubo da corola evidenciando os estames Brunfelsia brasiliensis subsp. macrocalyx. j. ramo com flores k. brac éolas. t. didínamos; m. estame (Bovini 1906); n. cálice frutífero ( ira co Rodriguésia 57 (1): 75-98. 2006 SciELO/ JBRJ 12 13 14 15 16 17 82 até 1 cm compr.; botões globosos; cálice campanulado, lacínias longo-acuminadas; prefloração valvar; corola ca. 1 cm diâm., alva com máculas verdes, rotáceo-estrelada, lacínias de margem ciliada, ápice cuculado; anteras oblongas, pardacentas, basifixas com apêndices laterais, estigma acima dos estames. Baga ca. 7 mm diâm., globosa, ca. 45 sementes. Material examinado: trilha do Cambucá, 200- 300 m s.m., 23.IU.1997, fl„ M. G. Bovini et al. 1152 (RB, RUSU); trilha para o pico do Corisco, ca. 800 m s.m., 25.V.2000, fl„ M. G Bovini et al. 1804 (RUSU); idem, 23.V.2000, fl., M. G. Bovini et al. 1813 (RUSU). Distribuição geográfica: endêmica do estado do Rio de Janeiro (Carvalho & Bovini 1995). É uma nova localidade de ocorrência para o estado. Própria de floresta pluvial atlântica, esta espécie é preferencialmente semi- heliófila no sub-bosque. 4. Aureliana fasciculata (Vell.) Sendtn. var. fasciculata, in Mart, Fl. bras. 10: 140. 1846 Fig. 2 h, i Solanum fasciculatum Vell., Fl Flum Icon. 2. tab. 106. (1827)1831; text. in Aich. Mus. Nac. Rio de Janeiro 5:81. 1881. Arvoreta 3-6 m alt., concaulescência evidente. Ramos dicotômicos desiguais, glabros a pubescentes, tricomas simples’ Folhas aos pares, raro isoladas; lâminas até 10x3 cm, membranáceas a semi-cartáceas, lanceoladas, ápice agudo, base atenuada, por vezes assimétrica, decurrente, camptódromas, nervuras secundárias com espaçamento irregular, face abaxial pubescente, tricomas simples, minúsculos; pecíolo até 1 cm compr. Flores 3-10, fasciculadas, axilares; pedicelo até 1 cm compr.; botões globosos; cálice campanulado, lacínias denteadas; prefloração valvar, corola ca. 1 cm diâm., alva com máculas verdes, rotáceo-estrelada, lacínias de margem ciliada, ápice cuculado; anteras oblongas, pardacentas, basifixas com Can’alho, L. d'Á. F. & Bovini, M. G. apêndices laterais, estigma abaixo dos estames. Baga ca. 6 mm diâm., globosa, ca. 45 sementes, 1 esclerócito. Material examinado: trilha do Cambucá, 200- 300 m s.m., 12/VI/1998, fl. fr„ R. C. Lopes et al. 131 (RUSU); trilha para o Corisquinho, 24. III. 1999, fl.fr., D. Bartholo et al. 09 (RUSU). Distribuição geográfica: no Brasil ocorre nas Regiões Sudeste e Sul (Hunziker et al. 1991). Brugmansia Persoon 5. Brugmansia suaveolens (Humb. & Bonpl. ex Willd.) Bercht. & Presl., Rostl. 1. Solaneae. 45. 1823. Datura suaveolens Humb. & Bonpl. ex Willd., Enum. Plant. Hort. Berol. 227. 1809. Arbusto, 2-5 m alt. Ramos glabres- centes. Folhas inteiras, isoladas; lâminas até 25 x 1 1 cm, membranáceas, ovadas, ovado- elípticas, ápice agudo a acuminado, base obtusa, assimétrica, camptódroma, nervuras secun-dárias com espaçamento diminuindo para a base, tricomas simples na face abaxial; pecíolo ca. 4 mm compr. Flores isoladas, axilares, pêndulas; pedicelo ca. 3,5 cm compr., cálice verde, zigomorfo, espatáceo, 2— 5-laciniado, desiguais em compr.; corola ca. 15 cm diâm., alva, infundibuliforme, 5 lacínias, estreito-lineares; anteras lineares, desiguais. Baga ca. 4 cm compr. (imatura), ovóide a oblonga, fusiforme, cálice frutífero marcescente, ca. 100 sementes. Material examinado: trilha do Cambucá, margem de rio, 14.IX.1996, fl. fr., M. G. Bovini et al. 1044 (RB, RUSU). Distribuição geográfica: provavelmente originária da região andina (Hunziker 2001). Amplamente cultivada pela beleza de suas flores e subespontânea nas mais diversas regiões brasileiras. Rodriguésia 57 (1): 75-98. 2006 :SciELO/ JBRJ 12 13 14 15 16 17 cm Solanaceae na Reserm Rio das Pedras Brunfelsia L. 6. Brunfelsia brasiliensis subsp. macrocalyx (Dusén) Plowman, Fieldiana, Bot., n.ser. 39:66.1998. Fig.2j-n Brunfelsia hopeana var. macrocalyx Dusén, Arch. Mus. Nac. Rio de Janeiro 13: 94. 1905. Arbustos à arvoretas 2—5 m alt. Ramos esfoliantes. Folhas esparsas próximas ao ápice dos ramos; lâminas até 15 x 4,5 cm, mem- branáceas a cartáceas, lanceoladas, ápice levemente atenuado, base aguda, campto- broquidódromas a broquidódromas, nervuras secundárias com espaçamento aumentando em direção a base, glabras ou raros tricomas glandulares diminutos em ambas as faces; pecíolo ca. 1,2 cm compr. Flores 6-8, fascículos a racemos reduzidos na porção terminal dos ramos, subsésseis; pedicelo ca. 2 cm compr., articulado, cicatrizes anelares, tricomas glandulares; bractéolas 1-3 por flor, linear- lanceoladas, 3-7 mm compr.; cálice tubuloso, lacínias ca. 5 mm compr.; prefloração imbricada, corola ca. 4 cm compr., azulada, hipocrateriforme, breve inflado próximo à fauce; lacínias obovadas, ca. 3,2 cm compr., estames didínamos; Filetes reflexos, planos, concrescidos parcialmente ao tubo corolíneo, anteras monotecas, oblongo-reniformes, estigma bífido. Cápsula ca. 2 cm compr., envolvida pelo cálice ampliado, campanulado- urceolado, lenticelado, nervuras proeminentes- espessadas, ca. 12 sementes. Material examinado: trilha para a Lagoa Seca, 70-800 m s.m., 4.V1U.1999, fl., M. G. Bovini et al. 1665 (RB, RUSU); idem, 7. X. 2000, fl., M. G. Bovini et al. 1906 (RUSU); trilha para o Corisquinho, 22.XII.1996, fr„ J. A. Lira Neto et al 518 (RB, RUSU). Distribuição geográfica: ocorre nos estados de Goiás, Minas Gerais, Espírito Santo, Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná e Santa Catarina (Plowmann 1998). Encontrada em ambiente semi-heliótilo da floresta pluvial atlântica. Na RRP 83 apresentou-se isolada na maioria das vezes e não foi registrada em altitudes acima de 400 m s.m. Capsicum L. 7. Capsicum campylopodium Sendtn., in Mart.,Eichler&Urban,Fl.bras. 10: 144. 1846. Fig. 3 a Subarbusto 1,5 m alt., glabro. Ramos filiformes, patentes, dicotômicos iguais, afilando em direção ao ápice, entre-nós esparsos, uma folha na dicotomia. Folhas inteiras, isoladas; lâminas 2-laterais menores e 1 central maior, ca. 10 x 3,5 cm, membranáceas, translúcidas, lanceoladas, 3 folhas desiguais em tamanho em cada nó, ápice acuminado, base aguda, camptódromas a campto-broquidódromas, nervação secundária com espaçamento uniforme; pecíolo ca. 5 cm compr. Flores 2-3 fasciculadas, axilares ou isoladas na dicotomia dos ramos, pedicelo ate 2 cm compr., um tanto ampliado e reflexo no ápice, articulado; cálice campanulado, truncado; corola ca. 8 mm compr., alva com máculas esverdeadas, prefloração valvar-plicada, rotáceo-estrelada, lacínias lanceoladas; anteras, oblongas, deiscência longitudinal lateral; filetes parcialmente concrescidos, com apêndices basais e laterais; estigma quase na mesma altura dos estames, clavado. Baga ca. 5 mm diâm., globosa, cálice persistente, 1 semente. Material examinado: trilha para a Lagoa Seca, 100-550 m s.m., 12.VII.1997, lr., M. G. Bovini et al. 1210 (RUSU); idem 12.VII.1997, fr., M. G. Bovini et al. 1211 (RB, RUSU); trilha para a Toca da Aranha. 23 XI 1998, fl., M. G. Bovini et al. 1566 (RUSU); idem, 23.XI.2001, fl., M. G. Bovini et al. 2100 (RB, RUSU); idem, 21.X.I997. fl J M A Braga et al. 4361 (RUSU), trilha para o Cambucá, 20.X.1996, fl., 7. A. Lira Neto et al. 444 (RUSU). Distribuição geográfica: ocorre em nos estados da Região Sudeste e Santa Catarina (Carvalho 1997a). Rodriguésia 57 (1): 75-98. 2006 SciELO/JBRJ 12 13 14 15 16 17 cm .. 84 8. Capsicum recurvatum Witasek, Denkchr. Akad. Wiss. Wien Math. -Natunviss. Kl. 79(2): 321.1910. Fig. 3b,c Subarbusto até 2 m alt., glabro. Ramos dicotômicos desiguais, afilando em direção ao ápice, entrenós esparsos com uma folha na dicotomia. Folhas inteiras, isoladas; lâminas 2 laterais menores e 1 central maior, ca. 20 x 5,5 cm membranáceas, translúcidas, lanceoladas a ovado-lanceoladas, 3 folhas desiguais em forma e tamanho em cada nó, ápice atenuado, base aguda, camptódroma, nervação secundária com espaçamento diminuindo para a base; pecíolo até 1,3 cm compr. Flores 3, fasciculadas, axilares ou isoladas na dicotomia dos ramos; pedicelo ca 2 cm compr., um tanto ampliado e reflexo no ápice, articulado; cálice campanulado, lacínias lineares; corola ca. 9 mm compr., alva com máculas acastanhado-verdes, campanulado- laciniada, lacínias lanceoladas; anteras oblongas, deiscência longitudinal lateral, filetes parcialmente concrescidos, com apêndices basais e laterais; estigma mesma altura dos estames, truncado. Baga ca. 7 mm diâm., globosa, cálice persistente, lacínias reflexas, 9- 17 sementes nigrescentes. Material examinado: trilha para o Corisquinho, 200-300 m s.m., 1. XII. 1996, íl. fr., M. G. Bovini et al. 1119 (RB, RUSU); trilha para a Lagoa Seca, 200-300 m s.m.! 27 .V. 1997, fr., M. G. Bovini et al. 1178 (RUSU); trilha para a casa do Tião, 250 m s.m., 7.1.2000, fr., M. G. Bovini et al. 1753 (RB, RUSU); trilha para o Corisquinho, 150 m s.m., 26.IV. 1997, 11., J. M. A.Braga et al 3973 (RB, RUSU). Distribuição geográfica: ocorre nos estados do Rio de Janeiro e São Paulo (Carvalho 1997a). Espécie típica de floresta pluvial atlântica. Na RRP é muito freqüente em locais úmidos e protegidos no estrato herbáceo da floresta. Canalha, L d' Á. F. & Bovini. M. G. 9. Capsicum villosum Sendtn. var. villosum in Mart., Fl. bras. 10: 144. 1846. Subarbusto ca. 1,8 m alt., alvacento, tomentoso. Ramos dicotômicos desiguais, entre-nós esparsos, tomentoso, tricomas simples, longos. Folhas inteiras, isoladas ou em grupos de três desiguais; lâminas a maior até 14 x 3,6 cm, membranáceas, lanceoladas, ápice agudo-falcado, base atenuada, margem ciliada, camptódromas, nervação secundária com espaçamento irregular; pecíolo até 6 mm compr. Flores 2-5, fasciculadas axilares; pedicelo ca. 2 cm compr., reflexo no ápice; cálice campanulado, lacínias lineares, pubescentes; corola ca. 7 mm compr., alva com máculas verdes, lacínias denteadas, face interna papilosa; anteras oblongas, deiscência longitudinal lateral, filetes parcialmente concrescidos, com apêndices laterais e basais; estigma mesma altura dos estames, apical. Fruto não observado. Material examinado: trilha do Cambucá, 70- 310 m s.m., 23.XI.1999, fl., M. G. Bovini et al. 1721 (RB, RUSU). Distribuição geográfica: ocorre nos estados de Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná e Santa Catarina (Carvalho 1997a). Cestrum L. 10. Cestrum corcovadense Miers., London J. bot. 5. 160. 1846. Fig. 3 d Arvoreta 3^4 m alt. Ramos cilíndricos, glabros. Folhas inteiras, isoladas; lâminas até ca. 22,5 x 10 cm, cartáceas, ovada-elípticas, ápice agudo a acuminado, base decurrente, camptódromas, nervação secundária com espaçamento irregular; pecíolo até 3,5 cm compr., folhas estipuláceas aos pares, ovadas, base oblonga a cordada, sésseis, ca. 1,2 cm compr. Flores 5-10, em 2-3 racemos axilares, ca. 3 cm compr., pedúnculo 5 mm compr., pedicelo ca. 2 mm compr., bractéolas linear- lanceoladas, até 3 mm compr.; cálice campanulado, laciniado, ciliado; corola ca. 1,5 cm compr., estreito-infundibuliforme, creme- Rodriguésia 57 (1): 75-98. 2006 SciELO/JBRJ 12 13 14 15 16 17 Solanaceae na Reserva Rio das Pedras 85 cm 3 ■ -.r 1 ssisssi flores e frutos; c. cálice frutífero com lacínias lineares n g folhas estipuláceas ( Lira Nela 505). Cestrum estípuláceas ( Bovini 1214). Cestrum intermedium. e. ramo com • y Cestrum sendtnerianum. h. ramo com laevigatum. f. ramo vegetativo com folhas estipuláceas; g. >■ flores; i. corola evidenciando estames adnatos e est.lete/est.gma {Braga /). Rodriguésia 57 (1): 75-98. 2006 SciELO/JBRJ 12 13 14 15 16 17 cm .. 86 esverdeada, lacínias lanceoladas,; anteras orbiculares, filete glabro, ca. 1 cm compr., adnato ao tubo e ca. 5 mm compr. livre, viloso na base; estigma incluso, mesma altura dos estames, capitado. Baga ca. 6 mm diâm., oblonga, cálice persistente, ampliado, 5-7 sementes. Material examinado: trilha do cambucá, 20.X. 1996, fl., J. A. Lira Neto et al. 436 (RUSU); trilha para a Lagoa Seca, 100-550 m s.m., 12.VII.1997, fr., M. G. Bovini et al. 1214 (RB, RUSU); trilha para a Lagoa Seca, 7.X. 2000, fr., M. G. Bovini et al 1907 (RUSU). Distribuição geográfica: ocorre no estado da Bahia e Região Sudeste (Carvalho 1997a). 11. Cestrum intermedium Sendtn., in Mart., Fl. bras. 10: 221. 1846. Fig. 3 e Árvore ca. 10 m alt. Ramos cilíndricos, glabros. Folhas inteiras, isoladas; lâminas até 14 x 4 cm, membranáceas, lanceoladas, ápice atenuado, base aguda, camptódromas, nervação secundária com espaçamento uniforme; pecíolo até 1 cm compr.; folhas estipuláceas aos pares, ovado-recurvadas, ca. 1 cm compr., curto-pecioladas. Flores ca. 10, em racemos de pseudo-corimbos axilares, até 2 cm compr., subsésseis, botões turbinados, bractéolas foliares lanceoladas, até 2 mm compr.; cálice tubuloso, laciniado, denso- fimbriado; corola ca. 1,5 cm compr., estreito- infundibuliforme, creme-esverdeada, lacínias lanceolada, papilosas,; anteras orbiculares, filete ca. 1 cm adnato ao tubo e ca. 5 mm livre, glabro; estigma acima dos estames, capitado. Fruto não observado. Material examinado: trilha para o Corisquinho, 31.XI.1996, fl., J. A. Lira Neto et al. 505 (RB, RUSU) Distribuição geográfica: ocorre nas Regiões Sudeste e Sul do Brasil (Carvalho 1997a). Canalho, L d'Á. F. & Bovini, M. G. 12. Cestrum laevigatum Schltdl., Linnaea 7: 58.1832. Fig. 3 f, g Árvore ca. 3 m alt.. Ramos cilíndricos, glabros. Folhas inteiras, isoladas; lâminas até 15x5 cm, membranáceas, lanceoladas a obovadas, ápice obtuso a acuminado, base aguda, decurrente, camptódromas, nervação secundária com espaçamento uniforme; pecíolo até 1,5 cm compr.; folhas ca. 2 cm compr., estipuláceas aos pares, lanceoladas, reflexas. Flores em racemos terminais até 34 cm compr. ou axilares, subsésseis, bractéolas ca. 2 mm compr.. Baga 1-2 cm compr., oblonga ou ovóide, cálice persistente, 5-8 sementes. Material examinado: trilha para o Cambucá e margem do rio Grande, 18.VIfl.1996, fr., J. A- Lira Neto et al. 318 (RUSU); trilha do Cambucá, 200-300 msm, 15.IX.1996, fr., M. G. Bovini et al. 1052 (RB, RUSU). Distribuição geográfica: ocorre em todo o Brasil, exceto na Região Sul (Nee 2001). 13. Cestrum sendtnerianum Mart. ex Sendtn., in Mart., Fl. bras. 10: 215. 1846. Fig. 3 h, i Arbusto ca. 3 m alt. Ramos cilíndricos, glabros. Folhas inteiras, isoladas, decíduas; laminas até 5 x 2 cm, membranáceas, elíptica- lanceoladas, ápice agudo a levemente acuminado, base aguda, camptódromas, nervação secundária com espaçamento irregular; pecíolo ca. 5 mm compr.; folhas estipuláceas aos pares, lanceoladas, recurvadas, ca. 1 cm compr., subsésseis. Flores isoladas ou ca. 2—4 fasciculadas, axilares ou no ápice dos ramos, subsésseis, bractéolas até 2 mm compr.; cálice tubuloso, levemente laciniado; corola ca. 2,2 cm compr., estreito- infundibuliforme, amarelada, lacínias lanceoladas, papilosas, ca. 5 mm diâm; anteras orbiculares, filete 1 ,3 cm adnato ao tubo e 3 mm livre, geniculado, tricomas simples um tanto abaixo da inserção; estigma um pouco acima dos estames, capitado. Fruto não observado. Rodriguésia 57 (II: 75-98. 2006 SciELO/JBRJ 12 13 14 15 16 17 cm Solanaceae na Reserva Rio das Pedras Material examinado: trilha do Corisquinho, 150-200 m s.m., 26.IV. 1997, fl., J. M. A. Braga et al. 3987 (RB, RUSU). Distribuição geográfica: no Brasil, há registros para os estados do Acre, Rondônia, Região Sudeste e Paraná (Carvalho 1997a). Dyssochroma Miers 14. Dyssochroma viridiflora (Sims) Miers, Ann. Mag. Nat. Hist., ser. 2 (4): 251. 1849. Fig. 4 a-c Solandra viridiflora Sims, Bot. Mag. 45, tab. 1948. 1818. Arbusto hemi-epífito escandente ou terrestre, glabro. Ramos flexuosos, esfoliantes, nodosos, cicatrizes foliares evidentes. Folhas isoladas, inteiras; lâminas até 14 x 4,6 cm, cartáceas, lanceoladas a levemente obovadas, ápice atenuado, base aguda, camptódromas, nervuras secundárias com espaçamento irregular, domáceas pilíferas na região das nervuras. Flores isoladas ou 2-3 em racemo com raque reduzida, pêndulas; pedicelo ca. 1 cm compr.; cálice campanulado, profunda- mente partido; corola ca. 4 cm compr., verde- claro, infundibuliforme a hipocraterimoría, lacínias lanceoladas, enroladas após a antese; anteras exsertas, lineares, ca. 1,8 cm x 2 mm, filetes concrescidos na região basal do tubo corolíneo, ca. 7 cm compr.; ovário alvacento, ca. 1 cm x 4 mm, com disco nectarífero anelar; estilete quase do mesmo tamanho dos estames; região estigmática apical. Baga ca. 4 cm compr., oblongo-apiculadas, lacínias do cálice patente - estreladas na frutificação, ca. 400 sementes. Material examinado: trilha para a Lagoa Seca, 70-800 m s.m., 14.VIII.1999. fl. fr., M. G. Bovini et al. 1668 (RUSU); sobre árvore em beira de rio, 04.VIII.1994, fl., A. Costa et al. 458 (RUSU); trilha para o Poço do Rio Grande, 15.IX.1996, fl. fr., J. A. Ura Neto et al. 362 (RUSU) Distribuição: ocorre nos estados de Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo (Carvalho 1997a). Hemi-epífita encontrada na RRP quase sempre nas ramificações dos ramos de grandes árvores e, em estádio vegetativo, a visualização toma-se difícil. Encontrada na margem de rio e no interior da floresta. Physalis L. 15. Physalis pubescens L. var. pubescens, Sp. pl.l: 183. 1753. Erva a subarbusto ca. 30 cm alt. Ramos hialinos, tomentosos, tricomas simples e glandulares. Folhas inteiras, isoladas; lâminas até 4,2 x 3,2 cm, membranáceas, ovadas a cordadas, um tanto lobado-denteadas, ápice atenuado, base truncada a cordada, margem ciliada, campto-broquidódromas, nervuras secundárias com espaçamento diminuindo para a base, pubescente ao longo das nervuras, tricomas simples e glândulares; pecíolo ca. 2,5 cm compr. Flores isoladas, axilares, pedicelo ca. 2 mm compr.; cálice campanulado, lacínias lanceoladas; corola ca. 7 mm compr., amarela, rotáceo-denteada, tricomas simples na face externa; anteras oblongas, deiscência longitudinal lateral, filetes quase do mesmo tamanho das anteras amarelas; estigma mesma altura dos estames. Baga ca. 7 mm diâm., globosa, cálice ampliado, inflado, lacínias reunidas no ápice, envolvendo totalmcnte o fruto. Material examinado: trilha do cambuca, 200 m s.m., 17. VIII. 1997, fl. fr., J. M. A. Braga et al. 3414 (RUSU); trilha para a Lagoa Seca, 100-550 m s.m., 12.VII.1997, fl. fr., M. G. Bovini et al. 1206 (RUSU). Distribuição geográfica: Américas do Norte, Central e do Sul e regiões tropicais do Velho Mundo (Rojas & Nessi 1998). Sol a num L. 16. Solanum altcrnatopinnatum Steud., Nomencl. Bot. 2, ed.2: 600. 1841. Fig. 4 d-f Escandente, herbáceo-lenhosa, acúleos uncinados, retrorsos, isolados ou aos pares, esparsos nos ramos, aplanado lateralmciite, glabro. Folhas isoladas, pinatisscctas, pseudo- imparipenadas, 5-7 segmentos; lâminas até 1 5 x 3,5 cm, membranáceas, base truncada a Rodrigutsia 57 (t): 75-98. 2006 SciELO/JBRJ 12 13 14 15 16 17 cm .. 88 assimétrica, acúleos uncinados esparsos no pecíolo e ao longo das nervuras, broqui- dódroma e campto-broquidódroma, nervuras secundárias com espaçamento irregular; pecíolo ca. 4 cm compr.. Flores ca. 40, ern corimbo dicotômico na porção terminal dos ramos, com aculeos uncinados e aciculares- botões turbinados; pedicelo ca. 1 cm compr.] articulado, cálice campanulado, oblongo- denteado, face interna papilosa; corola até 1,1 cm compr., alva, campanulado-estrelada, lacínias partidas, desiguais em compr., linear- lanceoladas, ápice um tanto cuculado; anteras com poros apicais pequenos, atenuadas, introrsas; estilete duas vezes o tamanho dos estames, estigma apical. Baga ca. 2,2 cm diâm., globosa, verde variegada, quando madura amarela, cálice persistente, ca. 20 sementes. Material examinado: trilha para o Cambucá, 17.VIII.1996, fr., M. G. Bovini et al. 1011 (RB, RUSU); trilha para o Pico do Corisco 600 m s.m., 25.III.2000, fl., M. G. Bovini et al. 1810 (RB, RUSU). Distribuição geográfica: ocorre nos estados de Goiás, Bahia, Minas Gerais, Espírito Santo, Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná e Santa Catarina extendendo-se até o Paraguai (Nee 1999). Espécie heliófila de hábito escandente geralmente no dossel da floresta, por este motivo a visualização é muito difícil, pode ser facilitada pela presença de frutos maduros amarelados caídos no solo da floresta. O hábito e as folhas pinatissectas aculeadas, permitem identificar facilmente a espécie. 17. Solanum americanum Mill. var. nodiflorum (Jacq.) Edmonds, Joum. Amold Arb. 52: 634. 1971. Subarbustos até 50 cm alt., ereta. Ramos pubescentes, tricomas simples e papilas. Fo- lhas inteiras, isoladas ou aos pares; lâminas até 3,5 x 1,8 cm, membranáceas, ovado-lan- ceoladas, ápice acuminado, base um tanto de- currente, camptódromas, nervuras secundárias com espaçamento uniforme, pubescentes, em ambas as faces, tricomas simples; pecíolo até Car\'alho. L. d’Á. F. <£ Bovini, M. G. 1,6 cm compr., pubérulo. Flores 5-6, em pseudo-umbelas, extra-axilares, pedicelo até 5 mm compr., reflexos; cálice campanulado, denteado; corola ca. 2 mm compr., alva, rotáceo-estrelada, lacínias lanceoladas; anteras com poros apicais grandes, oblongas, introrsas, filete mais curto que as anteras; estigma mesma altura dos estames, região estigmática apical. Baga até 6 mm diâm., globosa, verde- claro, nigrescente brilhante quando maduras, ca. 12 sementes. Material examinado: trilha do Cambucá, 200- 300 m s.m., 15.IX.1996, fl.fr., M. G. Bovini et al. 1056 (RUSU). Distribuição geográfica: ocorre em todo o território nacional, nos trópicos e subtrópicos do mundo (Nee 1999). Encontrada em ambientes perturbados, onde forma grandes populações. Talvez seja a espécie de Solanum mais frequente em número de indivíduos (Nee 1999). Em outras áreas já foi encontrada em altitudes acima de 1.000 m s.m. 18. Solanum argenteum Dunal, Encycl. Méth., Bot. SuppI. 3(2): 755. 1814. Arvoreta 2-3 m alt. Ramos aplanados na região terminal, esfoliante, indumento prateado, adpresso, tricomas peitados, peltado- estrelados. Folhas inteiras, isoladas ou aos pares, lâminas até 18x6 cm, cartáceas, lanceolada, ápice agudo, base aguda, broquidódromas, nervação secundária com espaçamento uniforme, face adaxial glabra, face abaxial lepidoto-adpressa, alvacenta a Prateada, tricomas peitados e peltado- estrelados; pecíolo ca. 2 cm compr. Flores 2- 7, cimeiras simples, escorpioides, axilares; pedicelo 5 mm compr.; cálice campanulado. lacínias agudas; corola ca. 7 mm diâm., alva, rotáceo-estrelada, lacínias lanceoladas; anteras com poros apicais grandes, oblongas, introrsas, filetes menores que as anteras, estigma acima das anteras. Baga ca. 2.5 cm diâm., oblonga apiculadas, nigrescente, tricomas estrelados, esparsos, ca. 32 sementes. Bndriguésia 57 ( 1 ): 75-98. 2006 SciELO/JBRJ 12 13 14 15 16 17 Solanaceae na Reserva Rio das Pedras 89 cm íura 4 - Dvssochroma viridiflora a. ramo com flores; b. anteras lineares; c. fruto (Bouni IMS). Solanum í,ura 4 - Dyssochroma ^idtjlora. a. Solamtm diploconos. g. ramo com a raque da ematopmnalum. d. ramo com flores, e. botão f flo (« J hf,xcmlrlim. k. ramocom flores; I. relaçflo lorcscencia; h. detalhe da raque; i. flor; j. gineceu ( Bouni ///. )• ■ola/estames; m. fruto ( Bovini 1072). Rodriguésia 57 (I): 75-98. 2006 SciELO/JBRJ 12 13 14 15 16 90 Carvalho, L d'Á. F. & Bovini, M. G. Material examinado: trilha do Cambucá, 200- 300 m s.m., 14.IX.1996, fr., M. G. Bovini et al. 1051 (RUSU). Distribuição geográfica: Ocorre nos estados do Pará, Bahia, Goiás, Região Sudeste e Paraná (Carvalho 1997b). Arvoreta muito freqüente, principalmente na floresta pluvial atlântica, de fácil reconhe- cimento por apresentar na face adaxial das lâminas foliares indumento prateado. Na RRP foi muito comum nas margens de trilhas semi- heliófilas formando grandes populações. 19. Solanum capsicoides All., Auct. Syn. Meth. Strip. Hort. Reg. Taurensis 64. 1773. Nome vulgar: arrebenta-cavalo Erva até 5 mm alt. Ramos concau- lescentes com pontuações alvacentas, aculeados, aciculares, até 8 mm compr., reflexos, tricomas simples longos, às vezes do tamanho dos acúleos. Folhas inteiras isoladas; lâminas ate 20 x 16 cm, membranáceas, deltoides, irregular-partidas, segmentos lobados, base truncada, acúleos aciculares ao longo das nervuras, camptódromas, nervação secundária com espaçamento irregular, tricomas simples longos, esparsos em ambas as faces; pecíolo ca. 10 cm compr., acúleado, tricomas simples esparsos. Flores 4—5, cimeiras; pedicelo ca. 9 mm compr., tricomas simples maiores que os acúleos aciculares; cálice campanulado; corola ca. 9 mm compr., alva, rotáceo-estrelada, lacínias lanceoladas; anteras com poros apicais pequenos, atenuadas, filetes menores que as anteras. Fruto não observado. Material examinado: trilha do Cambucá, 200- 300 m s.m., 14.IX.1996, fl„ M. G. Bovini et al. 1033 (RUSU). Distribuição geográfica: ocorre da América Central até o Brasil; introduzidas no velho mundo (Nee 1999). 20. Solanum castaneum Carv., Pesquisas Bot.46: 19. 1996. Arbusto até 5 m alt. Ramos com indumento acastanhado, lepidoto-tomentoso, tricomas estrelados, longo-pedicelados e paleáceo-fimbriados. Folhas isoladas, inteiras; lâminas 60 x 32 cm, cartáceas, ovados a ovado-lanceoladas, ápice atenuado, base aguda, camptódromas, nervação secundária com espaçamento uniforme; face adaxial verde, glabrescente, bulada e face abaxial alvacenta a acastanhada, lepidoto-tomentosa, tricomas peltado-apiculados, pedicelados e tricomas paleáceos ao longo das nervuras secundárias basais; pecíolo até 10 cm compr., alvacento a acastanhado, denso-paleáceo. Flores ca. 20, em racemos dicotômicas, até 8 ramos; pedicelo ca. 5 mm compr.; cálice urceolado, denso-tomentoso, lacínias agudas; corola ca. 1,5 cm compr., alva, rotáceo- estrelada, lacínias agudas, anteras oblongas, introrsas, poros apicais grandes, abrindo-se por fendas longitudinais, filetes menores que as anteras, estigma acima dos estames. Baga ca. 1,2 cm diâm., globosa, envolvidas pelo cálice ampliado, ca. 34 sementes. Material examinado: trilha do Cambucá, 20. X. 1996, fr., J. A. Lira Neto et al. 448 (RUSU). Distribuição geográfica: ocorre nos estados de Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo e Paraná (Carvalho 1997b). É comum em floresta pluvial atlântica e floresta de araucária. As folhas grandes com indumento acastanhado, lepidoto-tomentoso e muitas vezes com tricomas paleáceos, toma fácil a visualização desta espécie na floresta. Comum em beira de trilhas, mas em locais semi-heliófilos. 21. Solanum diploconos (Mart.) Bohs., Taxon 44:584.1995. Fig. 4 g-j Witheringia diploconos Mart., Nov. Gen. Sp. Pl. 3: 76. tab. 229. 1829. Arbusto escandente. Ramos dicotômicos, flexuosos, glabros. Folhas inteiras, isoladas; lâminas até 16x7 cm, membranáceas a cartáceas, ovado-oblongas a cordadas, ápice acuminado-falcado, base assimétrica, camptódromas, nervação secundária com espaçamento irregular, evidente a presença de hidatódio, tricomas simples ao longo da nervura Rodriguésia 57 (]): 75-98. 2006 cm 1 .SciELO/ JBRJ 12 13 14 15 16 17 cm Solanaceae na Reserva Rio das Pedras mediana, pecíolo até 6 cm compr. Flores 1 5- 27, em cimeiras simples, extra-axilar ou na dicotomia dos ramos, pedicelo ca. 2,5 cm compr., articulado próximo à base e por isso residual na raque; botões turbinados; cálice campanulado, laciniado; corola ca. 3 cm diâm., amarelada, campanulado-estrelada, lacínias lanceoladas reflexas e espessadas no ápice, anteras atenuadas, ca. 5 mm compr., filete menor que as anteras, conectivo vinoso, giboso, mais espessado na região basal; estilete espesso, ca. 5 mm compr., estigma expandido acima dos estames, corpúsculos globosos no interior. Fruto não observado. Material examinado: trilha do Cambucá, 200- 300 m s.m., 30.XI.1996, fl., M.G.Bovini et al. 1113 (RB, RUSU). Distribuição geográfica: ocorre nos estados das Regiões Sudeste e Sul do Brasil (Bohs 1994). 22. Solanum hexandrum Vell., Fl. Flum. Icon. 2, 1. 1 22 ( 1 827) 1831, text. in Arch. Mus. Nac. Rio de Janeiro 5: 88. 1881. Fig. 4 k-m Arbusto ca. 3 m alt.. Ramos aplanados na região terminal, híspidos, tricomas estrelados pedicelados, espessos acúleos de aciculares a uncinados de base aplanada, esparsos. Folhas inteiras, isoladas; lâminas até 42 x 22 cm, mem- branáceas, assimétricas, largo-lanceoladas, base decurrente, ápice obtuso, margem lobado- denteada, camptódromas, nervuras secundá- rias com espaçamento diminuindo para a base, híspida, tricomas espessos, estrelado-pedicelados em ambas as faces; pecíolo até 3,5 cm compr., híspido. Flores ca. 12, em cima-escorpióide, pedicelo ca. 2 cm compr., articulado; cálice campanulado, lacínias ovado-agudas, híspidas, acúleos aciculares; corola ca. 8 cm diâm., violácea, rotáceo-lobada, lacínias oblongas, glabras na face interna e na face externa, tricomas estrelados esparsos na região das nervuras; anteras com poros apicais pequenos, atenuadas, desiguais em tamanho, ca. 1 cm compr., filetes menores que as anteras, estigma acima dos estames. Baga ca. 1,2 cm diâm., globosa, ca., glabras, envolvida pelo cálice ampliado; ca. 70 sementes. Rodriguésia 57 (1): 75-98. 2006 91 Material examinado: trilha do Cambucá, 200- 300 m s.m., 19.X. 1996, fl., M. G. Bovini et al. 1072 (RB, RUSU); trilha para a Toca da Aranha, 250 m s.m., 29.IX.1998, fl.fr., R. C. Lopes et al. 109 (RUSU). Distribuição geográfica: ocorre nos estados da Bahia, Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo (Carvalho 1997b). Espécie facilmente reconhecida pelo indumento híspido, enorme quantidade de acúleos e pelas flores vistosas e violáceas. Exclusiva de floresta pluvial atlantica é restrita ao estado da Bahia e Região Sudeste, muito comum em áreas semi-heliófilas e levemente descampadas. 23. Solanum hirtellum (Spreng.) Hassl., Feddes Repert. Spec. Nov. Regni Veg. Beih. 15:218.1918. Fig. 5 a, b Atropa hirtella Spreng., Syst. Veg. 1: 699. 1825. Arbusto ca. 4 m alt. Ramos fiexuosos, cilíndricos, pubérulos, hialinos. Folhas isoladas ou aos pares, desiguais, inteiras; lâminas até 1 1 ,5 x 4,5 cm, membranâceas, lanceoladas, ápice atenuado a cuspidado, base assimétrica, camptódromas, nervação secundária com espaçamento aumentando em direção ao ápice, áspera em ambas as faces, tricomas estrelados sésseis ao longo das nervuras; pecíolo ca. 5 mm compr.. Flores ca. 20, em cimeira dicotômica laxa, extra-axilar, articuladas na base; pedicelo ca. 2 mm compr.; cálice campanulado, tricomas estrelados apiculudos, lacínias agudas; corola até 3 mm compr., alva, rotáceo-estrelada, lacínias lanceoladas; anteras com poros apicais grandes, oblongas, sésseis, introrsas; estigma mesma altura ou pouco acima dos estames. Baga ca. 6 mm diam., globosa, ca. 6 sementes. Material examinado: trilha o Cambucá, 200- 300 m s.m., 30.XI.1996, fl. fr.. M. G. Bovini et al 1109 (RB, RUSU). Distribuição geográfica: ocorre nos estados das Regiões Sudeste e Sul do Brasil e Paraguai e Argentina (Mentz & Oliveira 2004). SciELO/JBRJ 12 13 14 15 16 17 cm .. 92 24. Solanum martii Sendtn., irt Martius, Fl. bras. 10:41. tab. 10. 1846. Nome vulgar: açucena Arbusto ca. 3 m alt. Ramos cilíndricos, glabros. Folhas isoladas, inteiras; lâminas até 30 x 16 cm, membranáceas, ovado-lanceo- ladas, , ápice acuminado, base truncada-aguda, camptódromas, nervação secundária com espaçamento irregular, glabrescentes na face ventral, tricomas estrelados sésseis esparsos ao longo da nervura principal, tomentoso- acastanhado com tricomas estrelado- pedicelados na face abaxial; pecíolo ca. 3,5 cm compr., tomentoso-acastanhado. Flores ca. 7, em cimeiras congestas, reflexa, tomentosa- acastanhada; pedicelo ca. 2 mm compr., tomentoso; cálice campanulado, tomentoso- acastanhado, lacínias agudas; corola ca. 7 mm compr., alva, rotáceo-estrelada, lacínias lanceoladas, tomentosas na face externa; anteras com poros apicais grandes, abrindo- se por fendas longitudinais, oblongas, sésseis, introrsas; estigma acima dos estames. Fruto não observado. Material examinado: trilha da Toca da Aranha, 04.XI.1997, fl., R. H. P. Andreata et al. 1015 (RB, RUSU). Distribuição geográfica: ocorre nos estados de Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo (Carvalho 1997b). 25. Solanum melissarum Bohs, Taxon 44- 584. 1995. Witheringia divaricata Mart., Nov. Gen. sp. pl. 3:75. tab. 228. 1829. Arbusto ereto à escandente. Ramos dicotômicos, flexuosos, glabros. Folhas inteiras, isoladas; lâminas até 17 x 8 cm, membranáceas a cartáceas, ovadas a lanceoladas, , ápice acuminado a falcado, base assimétrica, decurrente, truncada, camptódromas, nervação secundária com espaçamento irregular; tricomas glandulares diminutos; pecíolo até 3 cm compr. Flores ca. 15, em cimeiras simples, extra-axilar, pedúnculo ca. 10 cm compr., pedicelo articulado próximo a base e por isso residual na raque; botões turbinados; cálice campanulado, laciniado; corola ca. 2,5 cm Carvalho, L d’Á. F. & Bovini, M. G. diâm., alva a vinosa, campanulado-estrelada, lacínias lanceoladas, reflexas,; anteras atenuadas, ca. 9 mm compr., filete menor que as anteras, conectivo vinoso, giboso, mais espessado na região basal; estilete pouco espesso, ca. 9 mm compr., estigma expandido pouco acima dos estames. Fruto não observado. Material examinado: trilha do Cambucá, 70- 310 m s.m., 23.XI.1999, fl., M. G. Bovini et al. 1719 (RB, RUSU). Distribuição geográfica: ocorre nos estados do Pará, Paraíba, Bahia, Região Sudeste e Santa Catarina (Bohs 1994). 26. Solanum odoriferum Vell., Fl. Flum. Icon 2, t. 108(1827) 1 83 1 ; text. in Arch. Mus. Nac. Rio de Janeiro 5: 60. 1881. Fig. 5 c-g Arbusto escandente. Ramos angulosos, levemente estriados. Folhas inteiras, isoladas nos ângulos ramulares; lâminas até 12,5 x 5 cm, cartaceas, ovado-lanceoladas, ápice atenuado, base truncada, margem revoluta, campto- broquidódromas, nervuras secundárias com espaçamento irregular, pecíolo ca. 2.5 cm compr. Flores ca. 45 flores, em cimeiras dicotômicas na porção terminal dos ramos; pedicelo ca. 1 ,8 cm compr., dilatado na porção basal, articulado; botões oblongo- apiculados; cálice campanulado, ápice truncado; corola alva, até 8 mm compr., rotáceo-estrelada, lacínias lanceoladas; anteras com poros apicais grandes, oblongas, introrsas; filetes um pouco mais curtos que as anteras; estigma acima dos estames. Baga ca. 8 mm diâm., globosa, ca. 9 sementes. Material examinado: subindo o Rio Grande a partir da trilha para o Corisquinho, margem direita, 7.IV.1999, fl.fr., C. H. R. Paula et al. 123 (RUSU); margem do Rio Grande, 19.VIII.1996, fl. fr„ J. A. Lira Neto et al. 319 (RUSU). Distribuição geográfica: ocorre nos estados do Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná e Santa Catarina (Carvalho 1997b). Espécie caracterizada pelos ramos em zig-zag e quando com frutos, os ramos tomam-se ainda mais pendentes, talvez pelo peso das bagas. Na RRP apresenta-se sempre em indivíduos isolados. Rodriguésia 57 (1): 75-98. 2006 SciELO/JBRJ 12 13 14 15 16 17 Solanaceae na Reserva Rio das Pedras 93 cm , . .i«o) Solanum odorifenm. c. ramo com frutos; d. flor; Figura 5 - Solanum hirtellum. a. ramo com flores; b. flor (Bo\mi ^ Solanum rufescens. h. ramo com flores; e. pedicelo dilatado na porção basal; f. „ s'tipulatum. k. ramo com flores; 1. fruto (Lira Neto572). i. flor; j. fruto com cálice acrescente (Brade 18762). Rodriguésla 57 (1); 75-98. 2006 !scíelo/jbrj 12 13 14 15 16 17 cm .. 94 27. Solanum paralum Bohs, Taxon 44: 585. 1995. Arbusto ereto a escandente. Ramos dicotômicos, glabros. Folhas inteiras ou pinatissectas, isoladas; lâminas até 1 8 x 8 cm, quando inteiras membranáceas, ovadas, oblongas ou lanceoladas, ápice acuminado, às vezes levemente falcado, base assimétrica, decurrente, truncada ou cuneada, camptódromas, nervação secundária com espaçamento irregular, tricomas glandulares diminutos, esparsos na face abaxial; pecíolo até 7,0 cm compr.; lâminas quando pinatissectas 3-segmentos, lanceolados; pecíolo ca. 5,0 cm compr. Flores 15-25, em cimeiras simples ou dicotômicas, extra-axilares, pedúnculo ca. 3,0 cm compr., pedicelo articulado próximo à base e por isso residual na raque; botões oblongos a turbinados; cálice campanulado, laciniado; corola ca. 2,0 cm diâm., alvo-esverdeada a vinosa, campanulado-estrelada, lacínias lanceoladas; anteras atenuadas, ca. 0,4 cm compr., Filete menor que as anteras, conectivo vinoso, giboso; estilete ca. 0,5 cm compr., estigma expandido pouco acima os estames. Fruto não observado. Material examinado: trilha para a Toca da Aranha, 24.XI.1998, fl„ M. G. Bovini 1586 et J. M. A.Braga (RUSU); idem, 400 m s.m., 24.XI.1998, fl., M. G. Bovini 1589 et J. M. A. Braga (RB, RUSU); trilha da Toca da Aranha, 21. X. 1997, fl., J. M. A. Braga et al 4346 (RB, RUSU). Distribuição geográfica: nos estados da Bahia, Rio de Janeiro e São Paulo (Bohs 1994). 28- Solanum pensile Sendtn., in Mart., Fl. bras. 10:50. tab. 4. 1846. Fig. 6 Escandente. Ramos estriados, glabros. Folhas inteiras, isoladas, esparsas; lâminas até 12 x 5,5 cm, membranáceas a cartáceas, ovado- lanceoladas, ápice agudo, base obtusa, camptódromas, nervação secundária com espaçamento uniforme; pecíolo ca. 4 cm compr. Flores 20-30, em cimeiras dicotômicas, terminal; botões oblongos; pedicelo ca. 1 ,2 cm compr.; cálice campanulado, denteado; corola ca. 1 cm compr., alva a lilás, rotáceo-estrelada, lacínias lanceoladas; anteras com poros Car\’alho, L d'Á. F. & Bovini, M. G. grandes, oblongas, abrindo-se por fendas longitudinais, subsésseis, filetes pouco mais curtos que as anteras; estigma pouco mais acima dos estames. Fruto não observado. Material examinado: trilha para o Corisquinho, 31. XI. 1996, fl., J. A. Ura Neto et al. 504 (RB, RUSU). Material adicional: BRASIL. ACRE: Plácido de Castro, km 20, 5.II.2000, fl., /. S. Rivero et al. 355 (INPA); AMAZONAS: Esperança, terra firme baixa, 7.II.1942, fl. fr., A. Ducke 3375 (RB); idem. Rio Negro, Santo Antonio, Igapó, 8.VIII.1991, fl. fr., S. Mori et al. 21971 (INPA); PARÁ: Belém, Terra Firme, 13.1.1953, fl.fr., J. M. Pires et al. 4435 (IAN); RIO DE JANEIRO: Nova Friburgo, distr. Macaé de Cima, ca. 1 .000 m s.m., 08.XII. 1989, bt. fl., B. Kurtz et al. 86 (RB). Distribuição geográfica: ocorre nos estados do Amazonas, Pará e Rio de Janeiro; fora do Brasil foi registrada também nas Guianas Inglesas (Sendtner 1846). Finura 6 - Solanum pensile: ramo com flores ( Lira Neto 504) Rodriguésia 57 (1): 75-98. 2006 rSciELO/ JBRJ 12 13 14 15 16 17 cm Solanaceae na Reserva Rio das Pedras Após várias consultas em bibliografias especializadas, concluiu-se que para a espécie em questão, esta é primeira divulgação de ocor- rência para o estado, anteriormente conhecida apenas para a região amazônica. É caracteri- zada pelos ramos retos e botões oblongos, diferenciando-se com isso de S. odoriferwn. 29. Solanum pseudoquina A.St. -Hil., Pl. Usuel. Bres., part 5: 1. tab. 21. 1825. Nome vulgar: caixeta Árvore até 10 m alt.. Ramos esfoliantes, Ienticelados, geralmente amarelados. Folhas aos pares, inteiras; lâminas até 13 x 5 cm, cartáceas, desiguais em tamanho, lanceoladas, ápice apiculado, base decurrente, camptódroma, nervação secundária com espaçamento uniforme, amareladas depois de seca, domáceas pilíferas na axila das nervuras secundárias; pecíolo canaliculado, ca. 1 ,5 cm compr. Flores 10-20 flores, em cimeiras simples ou dicotômica; pedicelo ca. 1 cm compr., articulado; cálice campanulado, lacínias truncadas; corola ca. 0,8 cm diâm., alva, rotáceo-estrelada, lacínias lanceoladas; anteras dimorfas, 3 maiores com poros apicais grandes, abrindo-se por lendas longitudinais e 2 menores com poros apicais pequenos, oblongas; estigma clavado pouco acima dos estames. Baga globosa, ca. 1 ,5 diâm., verde escuro quando maduras; ca. 60 sementes. Material examinado: trilha das Borboletas, margem de rio, 1. III. 1997, fr., M. G. Bovini & J .M. A. Braga 1140 (RUSU); idetn, 9.1.1998, fr., M. G. Bovini & J. M. A. Braga 1266 (RUSU); trilha para a Toca da Aranha. 23.XI.1998, fl., M. G. Bovini & J. M. A. Braga 1568 (RUSU); trilha para o Pico do Corisco, 710 m s.m., 25. III. 2000, fr., M. G. Bovini et al. 1815 (RB, RUSU). Distribuição geográfica: nos estados das Regiões Sudeste e Sul do Brasil (Knapp 2002). Talvez seja a única espécie de Solanaceae que alcança o dossel na RRP. Ocorre às vezes em grandes populações. Suas características morfológicas marcantes são as nervuras amareladas quando herborizadas. Conhecida como S. inaequale, a qual foi sinonimizada por Knapp (2002). Rodriguésia 57 (1): 75-98. 2006 95 30. Solanum rufescens Sendtn., in Mart., Fl. bras. 10: 39. 1846. Fig. 5 h-j Arbusto ca. 1 m alt. Ramos castanho- tomentosos; gemas foliares frequentes. Folhas isoladas e aos pares, inteiras; lâminas até 25 x 6 cm, cartáceas, lanceoladas, ápice levemente acuminado, base obtusa a aguda, camptodromas, nervação secundária com espaçamento uniforme, face adaxial com tricomns estrelados sésseis e pedicelados ao longo da nervura principal, face abaxial acastanhado, tomentosa, tricomas hialinos; pecíolo ca. 2,4 cm compr. Flores 25-35 em cimeiras dicotômicas, opositifolia; pedicelo ca. 6 mm compr.; cálice campanulado, lacínias agudas; corola ca. 1,5 cm compr., alva, campanulado-estrelada, lacínias lanceoladas, face externa denso-tomentosa; anteras com poros apicais grandes, abi indo- se por fendas longitudinais, oblongas, introrsas, filetes menores que as anteras; estigma acima dos estames. Baga ca. 1 cm diâm., globosa, , cálice ampliado, ca. 25 sementes. Material examinado: trilha para a toca da aranha, 26.X.2001, fl., M. G. Bovini et al. 2088 (RUSU). Material adicional: BRASIL. RIO DL JANEIRO: Nova Friburgo, 12.X.1947, fl. fr., A. Brade 18762 (RB). Distribuição geográfica: ocorre nos estados da Região Sudeste, Paraná e Santa Catarina (Mentz & Oliveira 2004). 31. Solanum stipulatum Vell., Fl. Flum. Icon. 2. t. 117. (1827) 1831. text. in Arch. Mus. Nac. Rio de Janeiro 5: 87. Fig. 5 k, 1 Arbusto até 2 m alt.. Ramos levemente sinuosos. Folhas inteiras aos pares, desiguais em tamanho e forma, glabras; lâminas as maiores até 14 x 4 cm, membranâceas, subsésseis, lanceoladas, assimétricas, as menores ca. 2 cm x 1 ,5 cm, oblongo a orbicularcs, ápice acuminado, base decurrente, margem ondulada, campto- broquidódromas, nervação secundária com espaçamento irregular. Flores 4-5, em cimeiras, opositifolias; pedicelo ate 4 mm compr. articulado; botões turbinados; cálice campanulado, lacínias obtusas; corola ca. 3 mm compr., alva, campanulada, lacínias partidas, SciELO/JBRJ 12 13 14 15 16 17 cm .. 96 anteras com poros apicais grandes, abrindo- se por fendas longitudinais, oblongas, introrsas; estigma clavado, acima dos estames. Baga 6 mm diâm., piriforme, quando maduras alvas; cálice reflexo, persistente, ca. 4 sementes. Material examinado: trilha para a Toca da Aranha, 200 m s.m., 11.1.1999, fl„ M. G. Bovini et al. 1611 (RB, RUSU); trilha para a Lagoa Seca, 300-400 m s.m., 27.V.1997, fr., J. A. Ura Neto et al. 572 (RB, RUSU). Distribuição geográfica: ocorre nos estados do Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná e Santa Catarina (Mentz & Oliveira 2004). Subarbusto ciófilo ocorrendo sempre no estrato herbáceo-arbustivo em floresta pluvial atlântica. Na RRP, foi comum como indivíduos isolados. 32. Solanum swartíanum subsp. swartíanum var. swartzianum , Roem. & Schult., Syst. Ve<> Curant 4:602. 1819. Arvore ate 5 m alt. Ramos angulosos ou aplanados nas extremidades, indumento pra- teado, às vezes dourado-claro, lepidoto-adpresso, tricomas peitados e peltados-estrelados. Folhas isoladas ou aos pares, inteiras; lâminas até 14 x 5 cm, cartáceas, lanceoladas à oblongas, ápice agudo a falcado, base atenuada, campto- broquidódromas, nervação secundária com espaçamento irregular, face adaxial esparso- lepidoto, face abaxial lepidoto-adpresso, tricomas peitados; pecíolo ca. 1,6 cm compr. Flores 10-20, em cimeiras dicotômicas, eretos, opositifolia; pedicelo ca. 5 mm compr.; cálice campanulado, lacínias agudas; corola ca. 2 cm compr., alva, rotáceo-estrelada, lacínias lanceo- ladas; anteras com poros apicais grandes, oblongas, introrsas, filetes menores que as anteras; estigma acima dos estames. Baga ca. I , 3 cm diâm., globosa, cálice ampliado, envol- vendo parcialmente o fruto, ca. 30 sementes. Material examinado: proximidades do Poço do Rio Grande, 80 m s.m., 23.III. 1997, fl. fr„ J. M. A. Braga et al. 3941 (RUSU); trilha do Cambucá, 20.X.1996, fl.fr., J. A. Ura Neto et al. 446 (RUSU). Carvalho, L. d'Á. F. & Bovini, M. G. Distribuição geográfica: ocorre nos estados de Roraima, Bahia, Região Sudeste, Paraná e Santa Catarina (Carvalho 1997b). Espécie caracterizada pelo cálice frutífero persistente e quando o fruto está maduro, este o envolve quase que totalmente. Esta diferença e a forma do fruto a diferencia de S. argenteum. Ocorre sempre no subdossel de floresta pluvial atlântica, às vezes em grandes populações. 33. Solanum tabacifolium Dunal, in DC., Prodr. 13(1): 261. 1852 ( non Vell.). Arbusto ca. 2,5 m alt. Ramos esparso- aculeados, uncinados retrorsos, tricomas estrelados, sésseis, esparsos. Folhas isoladas; lâminas até 20 x 18 cm, membranáceas, lobadas, denteadas, desiguais na forma, deltóides a ovado-lanceoladas, ápice agudo, base assimétrica, truncada ou subcordada, craspedódromas, nervação secundária com espaçamento irregular, face adaxial híspida, tricomas estrelados sésseis e face abaxial tomentosa, tricomas estrelados sésseis e pedicelados, acúleos aciculares esparsos ao longo das nervuras; pecíolo ca. 5 cm compr., acúleos aciculares, tomentoso. Flores 20, em cimeiras dicotômicas, ca. 9 mm compr., nos entre nós foliares ou terminais; pedicelo até 1 cm compr., articulado; cálice campanulado, lacínias aciculares; corola ca. 1 ,2 cm compr., alva, campanulada-estrelada, tomentosa na face externa; anteras desiguais, com poros apicais pequenos, atenuadas, filete mais curto que as anteras; estigma um pouco acima dos estames. Fruto não observado. Material examinado: trilha logo na entrada da Reserva, perto do portão, 15.IX.1996, fl., J. A. Ura Neto et al. 397 (RUSU). Distribuição geográfica: ocorre nos estados da Bahia, Goiás, Mato Grosso, Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná e Santa Catarina (Nee 1999). Espécie ocorrente de áreas alteradas. Conhecida como S. torvum var. brasiliensis, foi sinonimizada por Nee (2001), e ainda sugerido pelo mesmo um nome novo, inédito, S. scuticum. Rodriguésia 57 (1): 75-98. 2006 SciELO/JBRJ 2 13 14 15 16 17 cm Sotanaceae na Reserva Rio das Pedras Agradecimentos À Fundação de Amparo a Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro pelas bolsas concedidas aos ilustradores Paulo Ormindo e Aline S. de Oliveira; a coordenadora do Projeto Flora vascular da Reserva Rio das Pedras, Profa. Dra. Regina H. P. Andreata pelo convite; à bióloga Marta Moraes pela versão do resumo em inglês e à pesquisadora Karen L.G. De Toni pelo auxílio na confecção das estampas. Referências Bibliográficas Barbosa, G. E. & Hunziker, A. T. 1989. Estúdios sobre Solanaceae XXIX. Sinopsis taxonomia de Athenaea. Boletin Sociedad Argentina Botanica 26(1-2): 91-105. Bohs, L. 1994. Cyphomandra (Solanaceae). Flora Neotropica Monograph 63: 1-176. Carvalho, L. d’Á F. 1997a. Diversidade taxonômica das Solanáceas no estado do Rio de Janeiro (Brasil) - 1. Albertoa 4(19): 245-260. 1997b. Diversidade taxonômica das Solanáceas no estado do Rio de Janeiro (Brasil) - II. Albertoa 4(21): 281-300. & Bovini, M. G. 1995. Aureliana darcyi, a new species of Solanaceae from Brazil. Novon 5: 257-258. ; Costa, L. H. P. & Duarte, A. C, 2001. Diversidade taxonômica e distribui- ção geográfica das Solanáceas que ocorrem no sudeste brasileiro ( Acnistus , Athenaea, Aureliana, Brunfelsia, e Cyphomandra) Rodriguésia 52(80): 31-45. Holmgren, P. K.; Keuken, W. & Schofield, E. K. 1990. Index herbariorum, Part 1: The Herbaria of the World. 8o ed., New York, New York Botanical Garden, 693p. Hunziker, A. T. 1982. Estúdios sobre Solanaceae XXII. Revision sinóptica de Acnistus. Kurtziana 5: 8-102. 2001. Genera Solanacearum. Eds. A. R. G. Gautner Verlag, Germany. 136 il. 500p. & Barboza, O. E. 1991. Estúdios sobre Solanaceae XXX. Revision de Aureliana. Darwiniana 30(1-4): 95-113. Knapp, S. 2002. Solanum section geminata (Solanaceae). Flora Neotropica Monograph 84: 1-405. Leaf Architecture Working Group. 1999. Manual of Leaf Architecture: morphological description and categorization of dicotyledonous and net-veined mono- cotyledonous angiosperms. Washington, DC: Smithsonian Institution. Disponível também: http://www.peabody.yale.edu/ collections/pb/MLA/M. Mentz, L. A. & Oliveira, P. L. de. 2004. Solanum L. (Solanaceae) na Região Sul do Brasil. Pesquisas Botanica 54: 5-327. Nee, M. 1999. Synopsis of Solanum in the New World. In: M. Nee, D. E. Symon, R. N. Lester & J. P. Jessop (eds.), Solanaceae IV: Advances in Biology and utilization. Royal Botanic Gardens, Kew. Pp. 285-333. , 2001. Index to Solanum epithets and associated genera, 340p. Plowmam, T. C. 1998. (orgs. Knapp & Press, J. R.) A revision of the South American species of Brunfelsia (Solanaceae). Fieldiana, Bot. n.s. 39: 1-135. Rojas, C. B. & Nessi, A. M. 1998. El gênero Phvsalis (Solanaceae) de Venezuela. Acta Botanica Venezuelica 21(2): 1 1-42. Sendtner, O. 1846. Solanaceae et Cestrineac. In: Martius, C. F. P. von (ed.). 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Polygala abreui Marques & J.Pastore e Polygala ceciUana Muques & J.Pastore pertencem a este subgênero e aqui são descritas, ilustradas e dadas suas d.smbu.çoes P» a primeira o Distrito Federal e os estados de Goiás e Minas Gerais e, para segunda, o Distrito Federal Goms. Palavras-chave: Taxonomia, Polygalaceae, Polygala , novos táxons. Abstract (Two new species of Polygala L. (Polygalaceae) in Brazil) The subgenus Polygala L., specially for presenting flowers with crested keel. It mcludes m Brazthan ternory 22 varieties. Polygala abreui Marques & J.Pastore and Polygala ceabana Mirque* & * this subgenus and here they are described, Ulustrated and g.ven the.r geographu:^ ^ the Distrito Federal and the States of Goias and Minas Gerais and, for the second. lhe D.stnto Federal and the state of Goias. Key-words: Taxonomy, Polygalaceae, Polygala , new taxa. freqüentemente, sob os racemos, tricótomo- delonrin. cilíndrico, estriado, áfilo, Introdução O gênero Polygala é distinto dos demais da família Polygalaceae pela inflorescência em racemos simples, flores zigomorfas e fruto cápsula rimosa. Na flora brasileira conta-se atualmente com 140 táxons (110 espécies e 30 variedades). Polygala abreui e Polygala ceciliana pertencem ao subgênero Polygala por possuírem flores com carena cristada. Descrição dos tãxons 1. Polygala abreui Marques & J. Pastore sp. nov. Tipo: BRASIL. DISTRITO FEDERAL: divisa com Goiás, após a 7 curvas. Região das Lages, 21.IX.2003, fl, fr, J.F.B. Pastore et al. 710 (holótipo CEN; isótipo RB). Fig. 1 Polygala abreui P. filiformis A. St.-Hil. affinis sed capsula minore 1,7-2, 2 x 0,7- 0,8 mm, seminibus notabiliter trichomatibus tenuibus et minoribus, solum ultra basin idius circa 0,3 mm differt. Erva 40-80 cm alt. Caule simples ou com 2-3 ramos partindo do tronco espessado, na parte inferior pubérulo, com tricomas curto- clavados, para cima glabrescente. Racemos terminais, 2-3 cm ou com raque desnuda até 9 cm compr.; raque densamente pilosa a glabrescente, com tricomas simples e aguçados; bráctea e bractéolas caducas na flor, escassamente pubérulas no dorso e ciliadas nas margens, a bráctea 1—1,2 mm compr., lanceolada, ápice agudo a atenuado, duas a três vezes maior que as bractéolas lineares. Botão floral arredondado no apice. Flores roxas, membranáceas; pedicelo 0,3-0, 4 mm compr., glabro; sépalas externas superiores 1,2- 1.4 x 0,6-0, 7 mm, ovadas estreitas, a inferior 1,4 x 1 1 mm, largo-ovada ou elíptica; sépalas internas 2-2,4 x 1-1,4 mm, obovadas ou elípticas, não ungüiculadas na base, ápice obtuso a arredondado, não ciliadas, com três nervuras partindo da base, bifurcadas para o ápice, menores que a corola; carena cristada, incluindo a crista 2, 4-2, 7 mm compr.; crista com dois lobos laterais externos e dois centrais go recebido em 05/2005. Aceito para publicação em 12/200* Pachcco Lcru, 915. CEP: 22460- ■quisadora titular do Instituto de Pesquisas Jardim Botamco do Rio de Jane.m. k . Rio de Janeiro, mmarques@jbrj.gov.br Denartamento de Botânica, UnB, Campus Darcy Ribeiro, strando em botânica da Universidade de Brasília (U P‘ ■ 4457. CEP 70919-970. Brasília, DF.jfpastore@unb.br. SciELO/ JBRJ 12 13 14 15 16 cm 100 internos, todos fendidos no ápice, com os lobos laterais externos abaixo do ápice da abertura do cúculo; pétalas laterais desenvolvidas 2,3- 2,4 x 1-1,3 mm, assimetricamente estreito- ovadas, alcançando ou pouco ultrapassando a carena cristada; estames 8; bainha estaminal ca. 1 ,2 mm; filetes livres curtíssimos, os laterais maiores e ca. 0,1 mm compr.; anteras subsésseis, deiscentes por poros apicais; ovário ca. 0,6 x 0,4 mm, largo-obovado; estilete uncinado, terminado em uma cavidade cimbiforme, cuja a extremidade superior leva um apêndice bem evidente com mecha de tricomas abundantes e a inferior, um estigma globoso apoiado por um curto suporte. Cápsula 1, 7-2,2 x 0,7-0, 8 mm, suboblonga, não alada, maior que as sépalas internas ou, raro, do mesmo comprimento (leg. Hatschbach 29828); sementes 1,2— 1,6 x 0,3— 0,4 mm, estreito- ovadas, não apendiculadas, revestidas de tricomas seríceos, finos e brilhantes, eretos, ultrapassando ca. 0,3 mm o comprimento da mesma, endosperma presente; embrião ca. 0,5 mm, contínuo. Parátipos; BRASIL. DISTRITO FEDERAL: Brasília, Poço Azul, 22.1.2003, fl. fr„ J. F B. Pastore et al. 266 (RB); Chapada da Contagem, VI.2004, fl. fr„ J. F. B. Pastore et al. 924 (CEN); área de proteção ambiental do Gama-Cabeça de Veado, Fazenda Água Limpa, 25.IX.2002, fl. fr., R. C. Mendonça et al.5078 (IBGE, RB); Chapada da Contagem, 3. VI.2004, fl. fr., J. F B. Pastore et al. 924 (CEN); Rodovia BR 060, km 20, 17.11.1975, fl. fr., G. Hatschbach et al. 36221 (MBM, RB); GOIÁS, Crominia, próximo à mina de cromita que dista 5 km da cidade de Cromita, 14.IV. 1988, fl. fr., J. A. Rizzo et al. 10594 (UFG); Cavalcante, caminho para cachoeira Santa Bárbara, 7. III. 2003, fl. fr., J. F. B. Pastore 376 (CEN, RB); MINAS GERAIS: Belo Horizonte, Serra do Curral, 19.III.1925, fl. fr., A. Chase 8932 (US). Polygala filiformis A. St.-Hil. táxon mais afim de Polygala abreui devido ao caule delgado, cilíndrico, estriado e áfilo, como também por apresentar sementes não Marques, M. C. M. & Pastore, J. F. B. apendiculadas, apresenta porém, cápsula cerca de 3,6 mm compr. e sementes dotadas de longos tricomas, espessos e mais ou menos do mesmo comprimento desde o ápice e ultra- passam a base da semente acima de 1 mm. Espécie nova restrita, até o momento, ao Distrito Federal e aos estados de Goiás e Minas Gerais, foi encontrada em altitudes de 800- I. 155 m s.m., em campos rupestres e campos cerrados, úmidos ou secos. Flores e frutos foram verificados nos meses de janeiro, março, abril, setembro e novembro. Polygala abreui é dedicada ao engenheiro Dr. Carlos Henrique Abreu Mendes, na época Secretário do Meio Ambiente do Estado do Rio de Janeiro, pelo incentivo à realização do projeto “Mapeamento da Cobertura Vegetal, Listagem das Espécies e Flórula da Área de Proteção Ambiental de Cairuçu, Município de Parati, RJ”. 2. Polygala ceciliana Marques & J. Pastore sp. nov. Tipo: BRASIL. DISTRITO FEDERAL: Brasília, Barragem do Descoberto, 11.2004, J. F.B. Pastore et al. 872 (holótipo RB; isótipo CEN). Fig. j Species nova P. tenuis DC. affinis habitu herbáceo autem foliis basalibus, forma carina et semine appendiculato toto coelo differt; P. ceciliana P. atropurpurea A. St.-Hil. var. atropurpurea etiam affinis floribus croceo-glandulosis, semine elliptico-globoso breviter appendiculato sed habitu herbáceo, floribus albicantibus et corolla caduca in fructu differt. Erva 10-20 cm alt. Raiz tênue, geralmente, bifurcada. Caule ereto, simples ou raramente ramificado, filiforme-anguloso, estriado, com tricomas curto-clavados na porção basal, para o ápice glabro, subáfilo. Folhas basais, verticiladas, pecioladas, desiguais, 6-2,5 x 1,2-2 mm, obovadas e elípticas, as restantes alternas, distantes, 5-7 x 0.5-0.7 mm, subsésseis a sésseis, lineares a aciculares, pontuadas de glândulas cróceas, membranáceas. Racemos terminais, 5-25 mm compr., raque salpicada de glândulas cróceas; RodriguSsia 57 (1): 99-102. 2006 SciELO/JBRJ 12 13 14 15 16 17 Duas espécies novas de Polygala 101 Figura 1 - Polygala abreui. a- hábito; a’- inílorcscência; b- flor; c- bráctea c bractéolas; d- corola; e- crista da carcna; f- uma das pétalas laterais desenvolvidas; g- uma das sépalas internas; h- sépala infenor; t- s^las^ k- gineceu; 1- fruto com as sépalas persistentes; m- semente; n- embrião. ( Pastore ). o ygt t t ■ • °’- «florescência; p- flor; q- bráctea e bractéolas; r- corola; s- crista da carcna: t- uma das pétalas lotadl i des cr i ^ . “• uma das sépalas internas; v- sépala inferior; x- sépalas superiores; w- androceu com as pétalas laterais desenvolvida) presas ao dorso; y- gineceu; z- fruto com as sépalas persistentes; z - semente, z - cm irr o. as ori Rodriguésia 57 (1); 99-102. 2006 cm 1 SciELO/JBRJ 12 13 14 15 16 17 102 Marques, M. C. M. & Pastore, J. F. B. bráctea e bractéolas caducas na flor, a bráctea, 0,5-0, 6 x 0,2 mm, lanceolada, aguda no ápice, membranácea, três vezes maior que as laterais diáfanas. Botão floral arredondado no ápice. Flores esbranquiçadas, pontuadas de glândulas cróceas, membranáceas; pedicelo 0,4-0, 5 mm compr., glabro; sépalas externas superiores ca. 0,6 x 0,3 mm, estreito-ovadas; a inferior ca. 0,8 x 0,6 mm, largo-ovada; sépalas internas 1-1,2 x 0,8 mm, largo-obovadas ou elípticas, curto-ungüiculadas, ápice obtuso a arredon- dado, não ciliadas, com três nervuras partindo da base, bifurcadas para o ápice, alcançando ou pouco superando a carena cristada. Carena ca. 1 mm compr., o cúculo alargando-se paulatinamente e obliquamente para o ápice da abertura e a crista 4-6 lobos, menos de 0,05 mm compr.; pétalas laterais desenvolvidas 1- 1,2 mm x 0,7— 0,8 mm, assimetricamente obovadas, alcançando ou pouco superando a carena cristada; estames 8, bainha estaminal ca. 0,6 mm compr., filetes livres laterais e centrais mais longos, 0,2-0, 3 mm compr.; anteras deiscentes por poros apicais; ovário ca. 0,3 x 0,25 mm, suborbicular, pontuado de glândulas cróceas; estilete uncinado, terminado por uma cavidade cimbiforme, cuja a extremidade superior leva um apêndice bem evidente com uma mecha de tricomas abundantes e a inferior um estigma globoso apoiado por um curto suporte. Cápsula 0,6- 0,7 x 0,7-0, 9 mm, orbicular a oblata, não alada, pontuada de glândulas cróceas, alcançando a metade das sépalas internas; sementes ca. 0,6 x 0,5 mm, largo-ovadas, laxamente pubérulas a glabriusculas, apendiculadas; apêndices pequenos, ca. 0,2 mm compr.; endosperma presente, embrião ca. 0,5 mm, contínuo. Parátipos: BRASIL. DISTRITO FEDERAL: Brazilândia, 11.2003, fl. fr., J. F B. Pastore et al. 369 (CEN); Fazenda Água Limpa, Mirante, próximo à rodovia, 1.2003, fl. fr„ J. F B. Pastore et al. 316 (CEN, RB); Brasília, bacia do rio S. Bartolomeu, 3.III.1980, fl. fr.’ E. P Heringer et al. 3626 (IBGE); área dò Cristo Redentor, 14.11.1990, fl. fr., M. Pereira et al. 587 (IBGE); GOIÁS: Cavalcante, Comunidade Kalunga, caminho para a cachoeira Santa Bárbara, 26.11.2005, fl. fr., J. F B. Pastore & M. Aquino 1272 (CEN). Polygala tenuis DC. afim de Polygala ceciliana pelo hábito herbáceo e, exceto as basais, pelas folhas lineares e distantes, porém difere desta devido ao cúculo da carena largo na base e paulatinamente estreitando-se para o ápice, como também por apresentar poucas glândulas apenas na base das sépalas externas. Polygala atropurpurea A. St. Hil. var. atropurpurea também é afim de Polygala ceciliana devido às flores densamente cróceo- glandulosas, semente elíptico-globosa brevemente apendiculada, porém apresenta flores atropurpúreas e corola persistente no fruto. Espécie até o momento endêmica do Distrito Federal e Goiás, encontrada em campos úmidos, com solos ricos em matéria orgânica e em época de chuvas freqüentes. Flores e frutos registrados para os meses de janeiro e fevereiro. P ceciliana é uma justa homenagem à amiga Dra. Cecília Gonçalves Costa, pesqui- sadora do Instituto de Pesquisas do Jardim Botânico do Rio de Janeiro e orientadora de grande destaque no ramo da Anatomia Vegetal. Referências Bibliográficas: Chodat, R. 1 893. Monografia Polygalacearum. Mémoire de la Societé de Physique et D’HistoireNaturelle Genève. 31(2): 1-500, est. 13-35. Marques, M. C. M. 1 979. Revisão das espécies do gênero Polygala L. (Polygalaceae) do Estado do Rio de Janeiro. Rodriguésia 3 1 (48): 69-339, est. 1-84. 1988. Polígalas do Brasil V Seção Polygala (Polygalaceae). Arquivos do Jardim Botânico do Rio de Janeiro 29: 1- 114, 11 tabs. Rodrinuésia 57 (1): 99-102. 2006 cm 1 .SciELO/ JBRJ 12 13 14 15 16 17 cm Composição florística do compartimento arbóreo de cinco REMANESCENTES FLORESTAIS DO MACIÇO DO ITATIAIA, MlNAS GERAIS e Rio de Janeiro1 Israel Marinho Pereira1, Ary Teixeira de Oliveira-Filho , Sor ay a Alvarenga Botelho \ Warley Augusto Caldas Carvalho J, Marco Aurélio Leite Fontes \ Ivan SchiavinP & Alexandre Francisco da Silva 5 (Composição florística do compartimento arbóreo de cinco remanescentes florestais Gerais e Rio de Janeiro) Para composição de uma lista florística de espécies arbóreas fe floresta^ ; do mac ço do Itatiaia, foram inventariadas cinco áreas de floresta ombrófila montana s.tuadas nos mun^ Minas e Aiuruoca sul de Minas Gerais, e Resende, sudoeste do Rio de Janeiro. A listagem cie especies resulte de levantamen^s florísticos conduzidos nas cinco áreas, acompanhados ide "—ntos três delas. Para avaliar as variações da composição da flom arbóiea da reg.ao, fo, adicional de espécies arbóreas de uma área de floresta na vertente su o maciç ’ . , Janeiro. A amoSra da flora arbórea das cinco áreas estudadas no Maciço do cies, 191 gêneros e 69 famílias, muitas das quais são reconhecidas momo 1.000 m). A flora arbórea das florestas do maciço do Itatiaia pode ser considerada to identificou florística entre áreas de floresta ombrófila montana no sudeste do Brasil. Uma an® K * ' à padrões de similaridade florística entm as seis áreas de floresta do maciço dc * “ ^ oconência de inundações periódicas em uma ^a de fiorescr e ao cÇstágio sucessional inicial de (continental ou oceânica) entre “ ^meo ^de no^ ró Je floresta ombjfi,a montana da vertente uma destas. A maior s.m.landade distância geográfica entre as duas ser consideravelmente continental, em Aiuruoca e Bocaina dc Minas, apesar oauisia fc b . . , , sucessao maior que as distâncias entre a última delas e as áreas de floresta aluvial e em s J de sucessão. Palavras-chave: Flora arbórea. Floresta Montana, Mata Atlantica, Maciço do I • ^pec^s composition of the tree flora of Rb deJtmeÍõ^ SE Brazil! were™ n^eyed b^er to praduce a checklist of tree species of the regional forests^TO floristic surveys carried out in the five forest fragments, and SJrÍJIKwm additional checklist produced for a forest ama situated on the 1^.-°“^^-^ fl^i samp ed in the may be considered as one of the nchest m species among ; m-eas o mo* Ita(jaia Range which were rclated analysis identified pattems of floristic similanty among the differences in slope aspect (oceanic or to the occurrence of periodic floods in an arca o « of these. Tbe continental) among the five areas of monUinc roin lore. , . in forcsl Gf the continental slope, in hietet similarity was obtoined between lhe «« o — J". „Tm was much gn*, 'I™ U» Aiumoca and Bocaina de Minas, although the geographical d.stance Detwcen u distances between the latter and the areas of alluvial lorest an car y s Key-words: Tree flora. Montane Forest, Atlantic Forest. Itatiaia Mounta.n Range. Artigo recebido cm07/2005. Aceito para pubficãçãõem 1 l/2(X)5. 'Parte da tese de doutorado do primeiro autor . rvnartamcnto de Ciências Florestais, Universidade •'Doutorando do Programa de Pós-Graduação em Engenhana Florestal. Departamento Federal dc Lavras. 37200-000, Lavras, MG. e-mail: Lavras, MG. 'Departamento de Ciências Florestais, Universidade Federal e ’ “ , yotanicU. ICB, Universidade Federal 4 Doutorando do Programa de Pós-Graduação em Biologia Vegetal, Departamento de Botdn.c dc Minas Gerais, 30161-970. Belo Horizonte, MG Uberlândia. 38400-902. Uberlândia, MG "Departamento de Biologia. Campus de Umuarama UmversidadeFcdml d UlKr^ 'Departamento de Botânica. Universidade Federal de Viçosa, 36571-000. Viçosa, m SciELO/JBRJ 12 13 14 15 16 17 cm 104 Introdução O Domínio Atlântico da América do Sul, que envolve tipologias vegetacionais de floresta ombróflla e floresta estacionai, além de outros ecossistemas associados, cobria originalmente uma extensão de cerca de 100 milhões de hectares, distribuídos por 17 estados brasileiros, correspondentes a cerca de 16% do território nacional, e por grandes extensões do leste do Paraguai e nordeste da Argentina (Galindo- Leal & Câmara 2003). A Floresta Atlântica tem sido alvo de exploração desde o período colonial, acompanhando os ciclos agrícolas e a demanda pela expansão das áreas cultivadas e, consequentemente, resta hoje menos de 8% desse total e as principais áreas preservadas estão localizadas nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Espírito Santo (Câmara 2003). Segundo Viana & Tabanez (1996), a Floresta Atlântica é o ecossistema tropical em estado mais crítico de degradação em todo mundo. Atualmente, a maioria dos seus remanescentes está representada apenas por fragmentos de formações florestais secun- dárias. Os poucos núcleos que ainda podem ser caracterizados como florestas primárias estão concentrados em áreas de altitude elevada e acesso difícil (Câmara 2003). Além disso, esta reduzida porção da floresta original encontra- se ainda na forma de pequenos fragmentos, a grande maioria com menos de 10 ha (Almeida 1996; Collinge 1996). Somam-se ainda os impactos ambientais proporcionados pela degradação sob a forma de erosão do solo, perda de diversidade biológica, invasão de espécies exóticas e degradação de bacias hidrográficas, com a resultante diminuição da qualidade e disponibilidade de água potável (Galindo-Leal et al. 2003). Além das pronunciadas variações fisionômicas causadas pela heterogeneidade da distribuição de chuvas, as florestas do Domínio Atlântico também apresentam marcantes variações fisionômicas e florísticas vinculadas à altitude (Oliveira-Filho & Fontes 2000). As florestas de altitude ou montanas do Domínio Atlântico ocorrem no alto dos Pereira, I. M. et al. planaltos ou serras e podem atingir até 2.200 m s.n.m., com variações que respeitam as diferentes faixas de altitude (França & Stehmann 2004). A despeito da proteção conferida historicamente pela dificuldade de acesso, as ameaças às florestas montanas são particularmente sérias quando se considera que ocupavam uma área proporcionalmente menor que a as florestas de altitude mais baixa e que elas abrigam uma flora muito peculiar. O papel da altitude na composição florística e na estrutura das florestas tropicais tem sido demonstrado por vários autores (Proctor et al. 1988; Gentry 1995; Pendry & Proctor 1996; Lieberman et al. 1995, 1996; Moreno et al. 2003; Oliveira Filho et al. 2004; França & Stehmann 2004; Carvalho et al. 2005). Ao longo de um gradiente altitudinal variam concomitantemente muitos fatores do complexo ambiental, tais como temperatura, precipitação pluviométrica, umidade, velocidade dos ventos e outros. Em articulação com estas variações, fisionomias e estruturas florestais diversas se sucedem montanha acima, diferenciando-se comumente a curtas distâncias (Whitmore 1990), muito embora as causas desta zonação altitudinal ainda não sejam totalmente conhecidas (Webster 1995). As florestas montanas da Região Neotropical estão entre as mais desconhecidas e também encontram-se entre as mais ameaçadas de todas as vegetações florestais dos trópicos (Gentry 1995). Além disso, as florestas montanas que abrigam nascentes de cursos d água são de fundamental importância para a manutenção da qualidade e quantidade da água e por proporcionarem abrigo e alimento para a fauna regional (Oliveira Filho et al. 2004). Na Região Sudeste do Brasil, grande parte das florestas montanas encontra- se situada em altitudes elevadas do complexo montanhoso que inclui as Serras da Mantiqueira e do Mar. Os estudos de descrições florísticas, estruturais e ecológicas de florestas situadas acima de 1.000 m de altitude no sudeste do Brasil estão em sua fase inicial (Baitello & Aguiar 1982; Meira Neto et Kodriguésia 57 (1): 103-126. 2006 SciELO/JBRJ 12 13 14 15 16 17 cm Flora arbórea de florestas do maciço do Itatiaia al. 1989; Robim et al. 7990; Baitello et al. 1992; Oliveira-Filho & Machado 1993; Lima & Guedes-Bruni 1994; Fontes 1997; Castro 2001; Fernandes 2003; Oliveira Filho et al. 2004; Dalanesi et al. 2004; França & Stehmann 2004; Carvalho et al. 2005). Situado no eixo Rio-São Paulo, o maciço do Itatiaia, que é parte da Serra da Manti- queira, vem sofrendo grandes pressões antrópicas desde os tempos coloniais. Por exemplo, a paisagem da vertente interior que aloja as nascentes do rio Grande, em Minas Gerais, mostra na atual pobreza da cobertura florestal o resultado do desflorestamento indiscriminado ocorrido durante o século passado para atender as necessidades madeireiras do eixo Rio-São Paulo, sobretudo a demanda criada durante a instalação da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) em Volta Redonda (Carvalho et al. 2005). Uma considerável amostra das florestas da região foi, no entanto, conservada no Parque Nacional de Itatiaia, o primeiro a ser criado no Brasil, em 1937. No entanto, ainda hoje este Parque sofre pressões antrópicas sérias, como a extração ilegal de palmito. As florestas da vertente interior do maciço do Itatiaia são ainda muito pouco conhecidas, o que toma importante a realização de trabalhos que inventariem a flora dos remanescentes florestais da região, incluindo as variações associadas ao histórico de intervenção humana, que resultou nos dife- rentes estágios sucessionais. Neste contexto, análises comparativas entre remanescentes permitem uma avaliação da heterogeneidade da flora, do nível de similaridade entre áreas congêneres e os possíveis fatores associados aos padrões de variação (Meira-Neto et al. 1989; Oliveira-Filho & Machado 1993, Oliveira-Filho etal. 1994). Tais informações e análises são de fundamental importância para subsidiar iniciativas de conservação ou recu- peração ambiental na região. Desta forma, o presente trabalho tem como objetivo descrever e analisar a composição florística de cinco remanescentes de floresta ombrófila da região Rodriguésia 57 (1): 103-126. 2006 105 do maciço do Itatiaia com o propósito final de proporcionar subsídio para ações visando à proteção e recuperação de areas nessa região. Material e Métodos 1. Caracterização e localização das áreas As vertentes continentais do maciço do Itatiaia alojam as nascentes do rio Grande que, após se juntar ao rio Paranaíba, no Triângulo Mineiro, forma o rio Paraná, constituindo assim o eixo da segunda maior bacia hidrográfica da América do Sul. O maciço abriga ainda as nascentes de importantes afluentes do rio Grande, como o Aiuruoca e o Verde, além das nascentes do rio Preto que serve de limite entre os estados de Minas Gerais e Rio de Janeiro naquela região. O clima da região é do tipo Cfa de Kõppen (úmido subtropical). Dados de temperatura e precipitação são fornecidos na Tabela 1 para Bocaina de Minas, baseados em Carvalho et al. (2005), Aiuruoca e Visconde de Mauá, baseados em (http:// www.inmet.gov.br /climatologia, 2004) e Itatiaia, baseados em Guedes-Bruni (1998). Foram estudadas na região do maciço do Itatiaia cinco áreas remanescentes de floresta ombrófila situadas nos municípios de Aiuruoca e Bocaina de Minas, no estado de Minas Gerais, e de Resende (distrito de Visconde de Mauá), no estado do Rio de Janeiro (Tabela 1). As áreas são identificadas como Bmi-1, Bmi-2 e Bmi-3 = Bocaina de Minas I, 2 e 3; Aiu = Aiuruoca; e Vma = Visconde de Mauá. Uma sexta área, Itt = Itatiaia, inventariada por Guedes-Bruni (1998) na vertente fluminense do Parque Nacional do Itatiaia, foi incluída com o propósito de incrementar as análises comparativas, mas sua listagem não é reproduzida aqui. A situação geográfica das seis áreas é indicada na Figura 1. De acordo com o sistema do IBGE (Veloso et al. 1991), a vegetação se classifica como floresta ombrófila mista montana, no caso de Vma, floresta ombrófila densa aluvial, no caso de Bmi-1, e como floresta ombrófila densa montana, nos demais casos, inclusive ! ItL Na classificação de Oli veira-Filho & Fontes (2000), SciELO/JBRJ 12 13 14 15 16 17 106 Pereira, I. M. et al. t ifíiira 1 - Localização geográfica dos seis fragmentos de floresla ombrófila montana da região do maciço do Itatiaia utilizados nas análises florísticas (1). A área do Parque Nacional de Itatiaia é indicda em cinza. Curvas hipsométricas em metros de altitude. Bmi-1/2/3 = Bocaina de Minas 1/2/3, Aiu = Aiuruoca: Vma = Visconde de Mauá; Itt = Itatiaia. utilizada no presente estudo (Tabela 1), Bmi-1 se classifica como floresta ombrófila aluvial, Vma como floresta ombrófila mista alto-montana, Bmi- 2 e Bmi-3 como floresta ombrófila alto-montana, e Itt e Aiu como floresta ombrófila baixo- montana. Descrições de cada remanescente florestal são fornecidas abaixo. Bmi-1 (Bocaina de Minas 1) é um remanescente florestal de aproximadamente 3 ha situado nas margens do rio Grande, a cerca de 15 km de sua nascente principal, nas coordenadas 22° 10’ sul e 44°28’ oeste e a uma altitude que varia pouco, em tomo de 1 . 1 35 m. O remanescente reveste ambas as margens do rio Grande e está totalmente inserido em um leito aluvial sujeito a períodos de alagamento. As bordas são abruptas nos limites com pastagens e estradas circunvizinhas e, segundo relatos de habitantes locais, encontra-se em regeneração desde corte raso sofrido há cerca de 50 anos. Bmi-2 (Bocaina de Minas 2) é um rema- nescente florestal de cerca de 1 0 ha, conhecido localmente como Mata da Cachoeira do Rio Grande, que está localizado a cerca de 10 km a jusante da nascente principal do rio Grande, nas coordenadas 22° 13’ sul e 44°32’ oeste. A floresta reveste uma encosta íngreme adjacente à margem esquerda rio Grande e as altitudes em seu interior variam de 1.210 a 1.360 m. A bordas do remanescente são abruptas nos limites com pastagens circunvizinhas. De acordo com informações dos locais, a Mata da Cachoeira é o único remanescente florestal às margens do rio Grande que não sofreu corte raso, pelo menos nos últimos 80 anos. No entanto, a floresta tem sofrido impactos de obras de canalização de água, construção de cercas limítrofes e uso pelo gado. Uma descrição detalhada desta área é fornecida por Carvalho et al. (2005). Bmi-3 (Bocaina de Minas 3) é um remanescente florestal de aproximadamente 1 5 ha localizado às margens do rio Grande, a cerca de 5 km a jusante de sua nascente principal, nas coordenadas 22° 14’ sul e 44°34’ oeste. A floresta reveste uma encosta que flanqueia a margem esquerda do rio Grande, com altitudes variando entre 1 .400 e 1 .480 m. A vegetação encontra-se em estágio inicial de sucessão ecológica, tendo sofrido corte raso há cerca de 40 anos e repetidos cortes nas duas décadas seguintes. As bordas são abruptas nos limites com pastagens circunvizinhas e uma estrada. Vma (Visconde de Mauá). Esta área foi, na verdade, composta por três remanescentes florestais situados muito próximos uns dos outros (entre 100 e 170 m de distância), nas coordenadas 22°20’ sul e 44°36’ oeste, sendo que dois deles (com áreas de 5 e 7 ha) estão localizados no distrito de Visconde de Mauá, município de Resende (RJ), e o outro (8 ha) no distrito de Mirantão, município de Bocaina de Minas (MG). Os remanescentes estão situados no interior do Parque Nacional de Itatiaia, mas próximos aos seus limites com áreas privadas com intensa atividade turística. As altitudes variam entre 1.150 e 1.350 m. Aiu (Aiuruoca) é um remanescente florestal com cerca de 10 ha localizado às margens do rio Aiuruoca, em áreas particulares a serem afetadas parcialmente pela construção da ‘Pequena Central Hidrelétrica de Rodriguésia 57 (1): 103-126. 2006 cm l .SciELO/ JBRJ 12 13 14 15 16 17 Rodriguésia 57 (1): 103-126. 2006 Tabela 1 - Informações gerais sobre as seis áreas de floresta ombrófíla montana do maciço do Itatiaia (MG e RJ) analisadas no presente estudo. As cinco primeiras áreas são objeto do presente estudo; Itt provém do estudo de Guedes-Bruni (1998). A tipologia florestal segue Oliveira-Filho & Fontes (2000). Latitudes (Lat.), longitudes (Long.) e altitudes (Alt.) são valores medianos. As áreas em hectare se referem aos fragmentos florestais estudados; Itt é área florestal contínua, i.e., não fragmentada. Tma = temperatura média anual, Tm7 = temperatura média em julho, Tml = temperatura média em janeiro, Pma = precipitação média anual, PJJA = médias mensais em junho/julho/agosto, PDJF = médias mensais em dezembro/janeiro/fevereiro. Sigla Localidade Tipologia Florestal Lat. Long. Alt. (m) Área (ha) Tma (°C) Tm7 (°C) Tml (°C) Pma (mm) PJJA (mm) PDJF (mm) Aiu Aiuruoca (MG) Floresta Ombrófíla Baixo-Montana 22°01’ 44°36’ 1084 10 18,6 13,2 21,6 1677 31 278 Bmi-1 Bocaina de Minas 1 (MG) Floresta Ombrófila Aluvial 22°10’ 44°28’ 1135 3 16,7 13,0 19,7 2108 35 341 Bmi-2 Bocaina de Minas 2 (MG) Floresta Ombrófila Alto-Montana 22°13’ 44°32’ 1285 10 16,7 13,0 19,7 2108 35 341 Bmi-3 Bocaina de Minas 3 (MG) Floresta Ombrófila Alto-Montana 22°14’ 44°34’ 1440 15 16,7 13,0 19,7 2108 35 341 Vma Visconde de Mauá (MG/RJ) Floresta Ombrófila Mista Alto-Montana 22°20’ 44°36’ 1250 5, 7 e 8 16,6 12,8 19,7 2459 43 380 Itt Itatiaia (RJ) Floresta Ombrófila 22°26’ 44°37’ 1067 contínua 18,7 15,0 22,0 1703 34 266 Baixo-Montana SciELO/JBRJ 6 17 18 19 20 21 22 23 24 25 Flora arbórea de florestas do maciço do Itatiaia 108 Pereira, I. M. et al. Aiuruoca’, nas coordenadas 22°01’ sul e 44°36’ oeste. O terreno é muito acidentado, com altitudes variando entre 1.040 e 1.150 m. A floresta se caracteriza por um mosaico de diferentes estágios de sucessão provavelmente como resultado de um variado histórico de intervenções humanas. 2. Levantamentos florísticos As listagens de espécies arbóreas resultaram de levantamentos fitossociológicos e florísticos conduzidos em Bmi- 1/2/3 e somente florísticos em Aiu e Vma. Levantamentos fitossociológicos foram conduzidos em 10 parcelas de 10 x 40 m, nos casos de Bmi-1 e Bmi-3, e em 26 parcelas de 20 x 20 m em Bmi- 2. Nestas três áreas os levantamentos florísticos das espécies arbóreas foram feitos a partir do material testemunho coletado nas unidades amostrais (parcelas), acrescido de coletas realizadas em caminhamentos pelas áreas. Nos casos de Vma e Aiu, os levantamentos florísticos foram realizados por meio de caminhamentos aleatórios no interior dos remanescentes. Em todos levantamentos, foram registrados apenas indivíduos de hábito arbóreo (fuste lenhoso e altura igual ou superior a 3 m). O material botânico testemunho foi herborizado e depositado no herbário da Universidade Federal de Lavras (Herbário ESAL). As identificações foram feitas com auxílio de literatura especializada e consultas a especialistas e as coleções dos Herbários ESAL, BHCB (Universidade Federal de Minas Gerais), SP (Instituto de Botânica de São Paulo), RB (Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro) e UEC (Universidade Estadual de Campinas). As espécies foram classificadas nas famílias reconhecidas pelo sistema do Angiosperm Phylogeny Group II (APG 2003). 3. Análises florísticas Para a realização das análises florísticas, foi preparado um banco de dados contendo a relação de espécies das cinco áreas do presente estudo mais a área Itt, inventariada por Guedes- Bruni ( 1 998). Ao final, o banco de dados continha dados binários de presença ou ausência de 503 espécies arbóreas em seis áreas. Foi realizada uma análise de agrupamento das seis áreas baseada na composição de sua flora arbórea com uso do o programa PC-Ord versão 4,0 (McCune & Mefford 1999). A medida de similaridade florística empregada na análise de agrupamento foi o índice de Jaccard por ser uma medida de simples compreensão, definida pela proporção de espécies em comum (Brower & Zar 1984). O método de agrupamento foi o das médias não ponderadas (UPGMA), por ser o mais difundido em análises de vegetação (Kent & Coker 1992). Resultados e Discussão 1. Composição e riqueza de espécies A relação das 444 espécies arbóreas, 192 gêneros e 68 famílias botânicas registradas nos cinco remanescentes florestais da região do maciço do Itatiaia encontra-se na Tabela 2. Todos os táxons estão identificados até o nível de espécie; sete espécimes de identificação duvidosa foram excluídos. Caso fosse incluída a área Itt, inventariada por Guedes-Bruni ( 1 998), a amostra total da flora arbórea seria composta por 504 espécies, 210 gêneros e 71 famílias. Os estimadores jackknife (Heltsche & Forrester 1 983; Palmer 1991) do número total de espécies para a flora arbórea calculados a partir da amostra de seis áreas foram de 715,8 (primeira ordem) e 813,6 espécies (segunda ordem). Estes estimadores não paramétricos fazem uma projeção do número total de espécies a partir da heterogeneidade entre amostras, sendo o segundo deles promove uma inflação maior por se basear nas diferenças máximas. Os valores encontrados são mais elevados que o total de registros no conjunto das seis áreas, mas ainda mais elevados que os totais de espécies registrados em cada uma delas, que variaram entre 82 (Bmi-1) e 231 (Aiu) espécies. Estes números sugerem uma elevada riqueza de espécies regional que resulta, em grande parte, de uma grande variação em composição de espécies entre os remanescentes. De fato, 47% das 444 espécies só foram registradas em apenas uma das cinco áreas. Para confirmar a alta riqueza regional de espécies, vale mencionar que, Rodriguésia 57 (I): 103-126. 2006 SciELO/JBRJ 12 13 14 15 16 17 cm Flora arbórea de florestas do maciço do Itatiaia na região do Alto Rio Grande, que é dez vezes maior que a do maciço do Itatiaia, Pereira (2003) registrou um total de 730 espécies arbóreas em 20 remanescentes florestais, e estimadores jackknife de primeira e segunda ordem de 901,8 e 991,5, respectivamente. A riqueza de espécies registrada nos remanescentes variou muito e a amplitude (82 a 231 espécies) registrada nos fragmentos pode ser considerada como indicativa de riqueza intermediária a elevada, no contexto de outros trabalhos realizados em florestas montanas do estado de Minas Gerais, como os realizados em Carrancas (Oliveira Filho et al. 2004), com 218 espécies; Poço Bonito (Dalanesi et al. 2004), com 213; Camanducaia (França & Stehmann 2004), com 70; Poços de Caldas (Fernandes 2003), com 1 05; serra do Ibitipoca (Fontes 1 997), com 199; serra do Cipó (Meguro et al. 1996), com 229; e serra do Ambrósio (Puam et al. 1 994), com 71. Diversos fatores de difícil controle podem ser relacionados à grande variação da riqueza entre os remanescentes florestais do presente estudo. Entre eles, podem ser citados o tamanho do fragmento ou da área florestal contínua (Itt), a fisionomia vegetacional e o ambiente a ela relacionado, o histórico de pertur- bações e as variáveis humanas relacionadas ao método e esforço amostrai. As áreas que apresentaram as maiores riquezas de espécies, Aiu (228) e Bmi-2 (218), são precisamente as áreas mais maduras de Floresta Ombrófila Alto- Montana. Em seguida, Vma, com 190 espécies também é um remanescente de floresta madura, embora de outra fisionomia, Floresta Ombrófila Mista Alto-Montana. No outro extremo, os rema- nescentes de menor riqueza, Bmi- 1 e Bmi-3, com 81 e 119 espécies respectivamente, encontram- se ambos em estágios iniciais a intermediários de sucessão ecológica. Além disso, Bmi- 1 acres- centa a particularidade de ser uma floresta aluvial sujeita a inundações e seu pequeno número de espécies está provavelmente relacionado com as restrições impostas pela saturação hídrica, que normalmente restringe o estabelecimento de muitas espécies da flora regional; notabilizam-se aí, pela abundância, espécies comuns em Rodriguésia 57 (1): 103-126. 2006 109 ambientes ripários alagáveis, como Sebastiania commersoniana, S. brasiliensis, Vitex megapotamica e Inga vulpina (Botrel et al. 2002; Guilherme et al. 2004). Nas cinco áreas de floresta do presente estudo, as famílias que se destacaram em riqueza de espécies foram Myrtaceae (44), Melastomataceae (45), Fabaceae (34), Lauraceae (32), Euphorbiaceae (19), Asteraceae (18), Rubiaceae (15), Annonaceae (14), Salicaceae (13) e Solanaceae (12). Juntas, estas famílias representaram 57% das espécies amostradas (Tabela 2). Tais famílias, com exceção de Salicaceae (em Flacourtiaceae na maioria dos trabalhos), também surgem no elenco de maior riqueza de espécies nos levantamentos realizados em outras áreas de floresta montana (ombrólilas, mistas e estacionais) da Região Sudeste, nos estados de São Paulo (Baitello et al. 1992; Grombone et al. 1990; Mantovani 1990; Robim et al. 1990; Rodrigues et al. 1989), Minas Gerais (Oliveira Filho etal. 2004; França & Stehmann 2004' Fontes 1997) e Rio de Janeiro (Lima & Guedes-Bruni 1994). De acordo com Fontes (1997). a maioria destas famílias é caracterís- tica das florestas situadas acima de 1.000 m de altitude no sudeste do Brasil. „ A influência da altitude na diferenciação fiorística das florestas do estado de São Paulo foi demonstrada, para florestas semidecíduas. por Salis et al. (1995) e ombrólilas, por ScudeUeret al (2001) e Ivanauskas & Rodrigues (2000), padrões estes estendido para o sudeste bras.le.ro por Oliveira-Filho & Fontes (2000). As áreas do maciço do Itatiaia, com exceção de Bmi , apresentaram características floríst.cas reconhecidas como indicadoras de florestas dc maiores altitudes do sudeste do Brasil, ou a c mesmo do Neotrópico. Um dos indícios deste comportamento é a riqueza relatava de espécies de Lauraceae, Asteraceae, Cyatheaceac. Solanaceae, Melastomataceae e Aquilohaceae, que correspondem ao perfil florístico descrito por Oliveira-Filho & Fontes (2000) para as floresta* Atlânticas Alto-Montanas, tanto Ombrólilas £mo Semidecíduas. Genüy (1995). analisando SciELO/JBRJ 12 13 14 15 16 17 cm Pereira, I. M. et al. florestas Andinas e da América Central, constatou uma perda de importância de Fabaceae a partir dos 1 .500 m de altitude, e um aumento no predomínio de Lauraceae, Melastomataceae e Rubiaceae. As duas famílias de maior importância em relação ao número de espécies nas cinco áreas do maciço do Itatiaia, Myrtaceae e Melastomataceae, também são consideradas por Webster (1995) como características de florestas nebulares do Neotrópico, além de outras famílias que também foram encontradas em abundância na região do Itatiaia como Aquifoliaceae, Clethraceae, Clusiaceae, Cunoniaceae, Elaeocarpaceae, Podocarpaceae, Rosaceae, Sabiaceae, Styracaceae, Symplocaceae e Winteraceae. Os gêneros que contribuíram com maior número de espécies na região do maciço do Itatiaia foram Miconia com 46 espécies, seguida de Ocotea com 27; Eugenia com 21; Casearia com 20; Solanum com 19; Tibouchina com 18; Cyathea, Myrcia e Myrsine com 17 espécies cada; Nectandra com 16; Ilex com 14 e Croton e Machaerium com 13 espécies cada. Juntos, esses gêneros contribuíram com 57% das espécies registradas. Entre eles, Miconia, Cyathea, Myrsine e Ilex são considerados por Webster (1995) como característicos de florestas nebulares neotropicais, o que foi confirmado para o sudeste do Brasil por Oliveira Filho & Fontes (2000). Além disso, foram registrados outros gêneros que não se destacaram pelo número de espécies, mas são considerados como fortemente relacionados a altitudes elevadas no Brasil, ou mesmo no Neotrópico, como Clethra, Weinmannia, Drimys, Gordonia, Podocarpus, Myrceugenia, Meliosma, Prunus e Roupala (Webster 1995; Fontes 1997; Oliveira Filho & Fontes 2000; França & Stehmann 2004) O perfil florístico das espécies também mostra relação com florestas montanas. Das 65 espécies apontadas Oliveira-Filho & Fontes (2000) como indicadoras de floresta atlântica alto- montana, 50 (77%) foram registradas nas áreas do maciço do Itatiaia: Byrsonima laxiflora, Calyptranthes clusiifolia. Casearia obliqua, Cecropia glaziovii, Cinnamomum glaziovii. Clethra scabra, Clusia criuva, Daphnopsis fasciculata, Drimys brasiliensis, Eremanthus incanus, Euplassa incana, Ficus luschnathiana, F. mexiae, Geonoma schottiana, Gomidesia spectabilis, Gordonia fruticosa, Guatteria australis, Hedyosmum brasiliensis, Leucochloron incuriale, Maytenus glazioviana, M. salicifolia, Meliosma sellowii, Miconia brunnea, M. chartacea, M. cinnamomifolia, Miconia theaezans, Mollinedia argyrogyna, Myrcia laruotteana, Myrsine gardneriana, Nectandra grandiflora, N. lanceolata, N. nitidula, N. puberula, Ocotea brachybotra, Ocotea silvestris, Picramnia glazioviana. Pimenta pseudocaryophyllus, Protium widgrenii, Psychotria suterella, Quiina glaziovii, Schefflera angustissima, S. calva, Siphoneugena widgreniana, Solamim bullatum, Symplocos celastrinea, Tabebuia chrysotricha, Tibouchina stenocarpa, Trembleya par\’iflora, Trichilia emarginata, Vismia brasiliensis e Weinmannia paulliniifolia. Por outro lado, apenas duas das 65 espécies relacionadas por Oliveira-Filho & Fontes (2000) foram registradas para a área Bmi-1, o que confirma a coerência da classificação do IBGE (Veloso et al. 1991; IBGE 1997), que destaca as formações florestais aluviais, independentemente da altitude em que se encontram, como distintas das formações florestais vinculadas aos pisos altitudinais. Das 82 espécies encontradas em Bmi-1, 15 foram exclusivas dessa área, o que demonstra que o fato de a área sofrer inundações periodicamente pode restringir a colonização dessas áreas por poucas espécies adaptadas às condições de saturação hídrica temporária. Por outro lado, das 76 espécies citadas como de ampla ocorrência nas matas ciliares do Brasil extra-amazônico por Rodrigues & Nave (2001), 44 (58%) também foram registradas nas florestas do maciço do Itatiaia, particularmente em Bmi-1. Como todas elas tem pelo menos um setor ripário, pode-se inferir que, mesmo em áreas de altitudes mais elevadas, há um grande número de espécies em comum entre as áreas de matas ciliares extra- amazônica. Rodriguésia 57 (1): 103-126. 2006 SciELO/JBRJ 12 13 14 15 16 17 cm Flora arbórea de florestas do maciço do Itatiaia 1 ‘ Tabela 2 - Relação das 444 espécies arbóreas registradas nas cinco áreas de floresta ombróhla montana do maciço do Itatiaia (MG e RJ). As espécies estão organizadas em ordem alfabética das famílias reconhecidas pelo APG II (2003) e seguidas do registro de ocorrência (x) e ausência (-) nas áreas e do numero de registro das amostras no Herbário ESAL. Farnílias/Espécies Bmi-rBmU2BmT-3Aiu Vma Registro ANACARDIACEAE Astronium graveolens Jacq. Lithraea molleoides (Vell.) Engler Schinus terebinthifolius Raddi Tapirira guianensis Aubl. Tapirira obtusa (Benth.) Mitchell ANNONACEAE Annona cacans Warm. Cymbopetalum brasiliense (Vell.) Benth. Duguetia salicifolia R.E.Fries Guatteria australis A.St.-Hil. Guatteria latifolia (Mart.) R.E.Fries Guatteria pohliana Schltdl. Guatteria sellowiana Schltdl. Rollinia dolabripetala (Raddi) R.E.Fries Rollinia emarginata Schltdl. Rollinia laurifolia Schltdl. Rollinia sylvatica (A.St.-Hil.) Mart. Xylopia brasiliensis Sprengel apocynaceae Aspidospemta australe Müll.Arg. Aspidosperma olivaceum Müll.Arg. Aspidosperma parvifolium A.DC. Aspidosperma spruceanum Benth. AQUIFOIJACEAE Ilex amara (Vell.) Loes. Ilex cerasifolia Reissek Ilex conocarpa Reissek Ilex paraguariensis A.St.-Hil. Ilex theezans Mart. araliaceae Dendropanax cuneatus (DC.) Decne & Planch. Oreopanax capitatus (Jacq.) Decne & Planch. Oreopanax fulvus Marchai Schefflera angustissima (Marchai) Frodin Schefflera calva (Cham.) Frodin & Fiaschi araucariaceae Araucaria angustifolia (Bert.) Kuntze arecaceae Euterpe edulis Mart. Geonoma schottiana Mart. Syagrus romanzoffltana (Cham.) Glassman x 17992 16364 x 16722 15135 15141 x x X X X X X X X X X X X X X X X - 19943 x - 17230 19944 x x 15137 x - 17232 17233 785 x x 16221 x - 19945 x - 17062 17234 17234 15821 17044 x 17063 17235 x x X x X X X x 19946 17137 19947 x 16226 x 17239 x x 12311 17240 x X 16712 17241 x x 17243 x x X X X 15153 15156 1744 Rodriguésia 57 (1): 103-126. 2006 SciELO/ JBRJ 12 13 14 15 16 17 112 Pereira, I. M. et al. F amflias/Espccies ASTERACEAE Austrocritonia velutina (Gardner) R.M.King & H.Robinson Austroeupatorium inulaefolium (Kunth) R.M.King & H.Robinson Baccharis brachylaenoides DC. Baccharis serrulata Pers. Dasyphyllum brasiliense (Sprengel) Cabrera Eremcmthus erythropappus (DC.) MacLeish Eremanthus incamis (Less.) Less. Goclmatia paniculata (Less.) Cabrera Gochnatia polymorpha (Less.) Cabrera Heterocondylus vauthierianus (DC.) R.M.King & H.Robinson Piptocarpha macropoda Baker Piptocarpha organensis Cabrera Piptocarpha regnellii (Sch.Bip.) Cabrera Stifftia chrysantha Mikan Verbesina claussenii Sch.Bip. Vemonanthura diffusa (Less.) H.Robinson Vernonanthura discolor (Sprengel) H.Robinson Vemonanthura phosphorica (Vell.) H.Robinson BIGNONIACEAE Cybistax antisyphillitica Mart. Jacaranda macrantha Cham. Tabebuia alba (Cham.) Sandw. Tabebuia chrysotricha (Mart.) Standley Tabebuia heptaphylla (Vell.) Toledo Tabebuia serratifolia (Vahl) Nichols Tabebuia vellosoi Toledo BORAGINACEAE Cordia ecalyculata Vell. Cordia sellowiana Cham. Cordia superba Cham. BURSERACEAE Protium spruceanum (Benth.) Engler Protium widgrenii Engler CANELLACEAE Cinnamodendron dinisii Schwacke CANNABACEAE Ceitis ehrenbergiana (Klotzsch) Liebm. Trema micrantha (L.) Blume CELASTRACEAE Maytenus evonymoides Reissek Maytenus glazioviana Loes. Maytenus gonoclada Mart. Maytenus robusta Reissek Maytenus salicifolia Reissek Bmi-1 Bmi-2 Bmi-3 Aiu Yma Registro x 19948 x X - X X X X X X X X X 2883 17244 x - 19949 x x 18213 x 15154 x - 15151 x x 16420 19950 x x X X X XXX X X x - 16744 x - X 19951 17247 x - x X 17647 x x 17250 x - 16746 x 16747 x - x 17074 x - - 19952 x - x 17251 19953 x - 17075 x - x 17252 x - x 17253 x - 12348 x 15143 x - 16759 x x 16400 x 19954 x - 16940 x - 16619 x - - 18785 x - 17254 x 13233 x - - 19955 x - 17255 Rodriguésia 57 (1): 103-126. 2006 SciELO/JBRJ 12 13 14 15 16 17 Flora arbórea de florestas do maciço do Itatiaia 113 cm Famílias/Espécies Bmi-1 Bini-2 Bmi-3 Aiu Vma Registro CHLORANTHACEAE Hedyosmum brasiliense Mart. X X X X - 15170 CLETHRACEAE x X 17086 Clethra scabra Pers. CLLSIACEAE 16236 Clusia criuva Cambess. ‘ X 17256 Clusia fragrans Gardner X x Clusia parviflora Humb. & Bonpl. “ 16454 Garcinia gardneriana (Planch. & Triana) Zappi “ 17257 Tovomitopsis saldanhae Engler X COMBRETACEAE Terminalia glabrescens Mart. - - - X - 16410 CTJNONIACEAE x 15157 Lamanonia grandistipularis (Taub.) Taub. ' x X 18372 Lamanonia temata Vell. ‘ X x Weinmannia hirta Swartz “ x _ Weinmannia humilis Engler “ X 19959 Weinmannia paulliniifolia Pohl CYATHEACEAE x 19956 Alsophila setosa Kaulf ' X X 19957 Alsophila stembergii (Stemb.) Conant 19958 Cyathea atrovirens (Langsd.& Fisch.) Domin x X 17260 Cyathea corcovadensis (Raddi) Domin X 17261 Cyathea delgadii Stemb. x X m 19959 Cyathea dichromatolepis (Fée) Domin X — Cyathea glaziovii (Fée) Domin x X X 17263 Cyathea phalerata Mart. A X _ 13322 Cyathea villosa Willd. X _ 17264 Sphaeropteris gardnerí (Hook.) Tryon dichapetalaceae Stephanopodium organense (Rizz.) Prance - - - - X - dicksoniaceae X X 17265 Dicksonia sellowiana Hook. elaeocarpaceae 17266 Sloanea guianensis (Aubl.) Benth. m X 17091 Sloanea monosperma Vell. ericaceae X Agarista eucalyptoides (Cham. & Schltdl.) G.Don ‘ m X - Agarista glaberrima (Sleumer) Judd erythroxylaceae X 14476 Erythroxylum cuneifolium (Mart.) O.E.Schulz ' X - 14477 Erythroxylum deciduum A.St.-Hil. • - 19966 Erythroxylum pelleterianum A.St.-Hil. X A escalloniaceae Escallonia bifida Link. & Otto - X - - 19960 Rodriguésia 57 (1): 103-126. 2006 SciELO/JBRJ 12 13 14 15 16 17 cm .. 114 Famílias/Espécies EUPHORBIACEAE Alchomea glandulosa Poepp. & Endl. Alchomea sidifolia Müll.Arg. Alchomea triplinervia (Sprengel) Müll.Arg. Aparisthmium cordatum (Juss.) Bail. Croton celtidifolius Bail. Croton floribundus Sprengel Croton hecatomandrum Müll.Arg. Croton organensis Bail. Croton salutaris Casar. Croton verrucosus Radcl.-Sm. & Govaerts Gymnanthes concolor (Sprengel) Müll.Arg. Manihot pilosa Pohl Pachystroma longifolium (Nees) Johnston Pera glabrata (Schott) Poepp. Sapium glandulosum (L.) Morong Sapium haematospermum Müll.Arg. Sebastiania brasiliensis Sprengel Sebastiania commersoniana (Bail.) Smith & Downs Tetrorchidium parvulum Müll.Arg. FABACEAE • CAESALPINIOIDEAE Bauhinia forficata Link Cassia ferruginea (Schrad.) Schrad. Copaifera langsdorffii Desf. Poeppigia procera Presl. Sclerolobium rugosum Mart. Senna macranthera (Collad.) Irwin & Bameby Senna multijuga (L.C.Rich.) Irwin & Bameby FAB ACEAE - FABOIDEAE Dalbergiafrutescens (Vell.) Britton Dalbergia villosa (Benth.) Benth. Erythrina falcata Benth. Machaerium brasiliense Vogei Machaerium condensatum Kuhlm. & Hoehne Machaerium hirtum (Vell.) Stellfeld Machaerium lanceolatum (Vell.) Macbr. Machaerium minutiflorum Tul. Machaerium nictitans (Vell.) Benth. Machaerium reticulatum (Peyr.) Pers. Machaerium villosum Vogei Ormosia fastigiata Tul. Ormosia friburgensis Taub. Platycyamus regnellii Benth. FABACEAE - MIMOSOIDEAE Acacia polyphylla DC. Albizia edwallii (Hoehne) Bameby & Grimes Albizia polycephala (Benth.) Killip Anadenanthera colubrina (Vell.) Brenan Calhandra tweediei Benth. Pereira, 1. M. et al. Bmi-1 Bmi-2 Bmi-3 Aiu Vma Registro x x x x x x x x x x x x x x x X X X X X X X 17096 x x 17268 x x 17097 x - 14881 x 19961 x x 17099 x - x - 17269 17270 x - 12361 x - 19962 x - 17271 x 13031 x - 17104 x x 15382 19963 x - 19964 x - 19004 19965 x - 17125 x - 19967 x - 16491 x 17273 XXX- 17274 X - x X 19197 x - x 17275 x X X X X X X X X X X - 17016 x - 18026 x - 17277 x - 18029 19969 x - 18030 x - 17020 x - 16519 x x 18031 17278 x - 16520 x - 17279 x X X 16524 x X X 17627 18037 19184 1510 Rodriguésia 57 (1): 103-126. 2006 SciELO/JBRJ L2 13 14 15 16 17 Flora arbórea de florestas do maciço do Itatiaia 115 cm Famílias/Espécies Bmi-1 Bmi-2 Bmi-3 Aiu Vma Registro X 17136 Inga marginata Willd. X 17281 Inga sessilis (Vell.) Mart. x X 17282 Inga striata Benth. x 17283 Inga vulpina Mart. X x X 18042 Leucochloron incuriale (Vell.) Bameby & Grimes ' 19266 Mimosa artemisiana Heringer & Paula X X X 19968 Mimosa scabrela Benth. x X 16507 Piptadenia gonoacantha (Mart.) Macbr. GRLSnJMACKAE Griselinia ruscifolia (Cios) Taub. - - - - X - hypericaceae X . 15164 Vismia brasiliensis Choisy X _ 15792 Vismia guianensis (Aubl.) Pers. IAMIACEAE x X _ 17374 Aegiphila Jluminensis Vell. x X 20017 Aegiphila obducta Vell. X X X 12677 Aegiphila sellowiana Cham. x _ — Clerodendron fragrans Willd. _ - 17290 Hyptidendron asperrimum (Epling) Harley X X 16623 Vitex cymosa Bert. - 19970 Vitex megapotamica (Sprengel) Moldenke X X - 13009 Vitex polygama Cham. lauraceae X Aiouea saligna Meisn. _ X - Beilschmiedia rígida (Mez) Kosterm. X 19971 Cinnamomum glaziovii (Mez) Vattimo-Gil . X - 16526 Cryptocarya aschersoniana Mez . . X - Cryptocarya saligna Mez X X 17291 Endlichería paniculata (Sprengel) Macbr. - X 17706 Licaría anneniaca (Nees) Kosterm. X X X 17115 Nectandra grandiflora Nees X - 17292 Nectandra lanceolata Nees X . X 17293 Nectandra membranacea (Swartz) Griseb. X - 16530 Nectandra nitidula Nees X X 1 5394 Nectandra oppositifolia Nees A x - X 17294 Nectandra puberula (Schott) Nees m - X — Nectandra reticulata (Ruiz & Pav.) Mez X . X 19972 Ocotea aciphylla (Nees) Mez x - X 15397 Ocotea brachybotra (Meisn.) Mez x X X X 18015 Ocotea corymbosa (Meisn.) Mez _ X - 17118 Ocotea diospyrifolia (Meisn.) Mez X - 15050 Ocotea dispersa (Nees) Mez x X X - 19973 Ocotea elegans Mez m - X 19974 Ocotea indecora (Schott) Mez X m - X 15398 Ocotea laxa (Nees) Mez . - - 17295 Ocotea longifolia Kunth m - X 19616 Ocotea notata (Nees & Mart.) Mez Ocotea odorífera (Vell.) Rohwer - X - X 15402 Fodriguésia 57 (1): 103-126. 2006 SciELO/JBRJ 12 13 14 15 16 17 116 Pereira, I. M. et al. F amílias/Espécies Ocotea puberula (Rich.) Nees Ocotea pulchella Mart. Ocotea silvestris Vattimo-Gil Persea fulva Kopp Persea pyrifolia Nees Persea venosa Nees Rhodostemonodaphne macrocalyx (Meisn.) Rohwer lecythidaceae Couratari pyramidata (Vell.) R.Knuth. LYT1IRACFAE Lafoensia densiflora Pohl Lafoensia pacari A.St.-Hil. Lafoensia vandelliana Cham. & Schltdl. MALPIGHIACEAE Byrsonima laxiflora Griseb. Byrsonima myricifolia Griseb. Byrsonima stipulacea A.Juss. MALVACEAE Ceiba speciosa (A.St.-Hil.) Ravenna Luehea divaricata Mart. & Zucc. Pseudobombax grandiflorum (Cav.) A.Robyns melastomaiaceae Huberia nettoana Brade Leandra aurea (Cham.) Cogn. Leandra barbinervis (Cham.) Cogn. Leandra lancifolia Cogn. Leandra melastomoides Raddi Leandra scabra DC. Leandra sublanata Cogn. Meriania claussenii Triana Meriania glabra Triana Miconia brunnea Mart. Miconia calvescens DC. Miconia castaneifolia Naud. Miconia chamissois Naud. Miconia chartacea Triana Miconia cinerascens Miq. Miconia cinnamomifolia (DC.) Naud. Miconia conferia DC. Miconia corallina Spring Miconia cubatanensis Hoehne Miconia divaricata Gardner Miconia eichlerii Cogn. Miconia fasciculata Gardner Miconia inconspicua Miq. Miconia latecrenata (DC.) Naud. Miconia ligustroides (DC.) Naud. Miconia minutiflora (Bonpl.) DC. Bmi-1 Bmi-2 Bmi-3 Aiu Vma x x X X X X X X X X X X X X X Registro 16632 15403 19975 17296 18425 19976 18274 17299 19977 16464 16541 17300 17301 16393 16616 17302 17303 17303 17140 19978 12887 17141 9905 17304 17305 15101 11637 15439 17306 17307 15436 19979 19980 17309 19981 PED-12 17310 16547 15434 Rodriguésia 57 (1): 103-126. 2006 SciELO/JBRJ 12 13 14 15 16 17 Flora arbórea de florestas do maciço do Itatiaia 117 Famílias/Espécies Miconia paulensis Naud. Miconia prasina (Swartz) DC. Miconia pusilliflora (DC.) Triana Miconia sellowiana Naud. Miconia theaezans (Bonpl.) Cogn Miconia trianae Cogn. Miconia tristis Spring Miconia urophylla DC. Tibouchina adenostemon (DC.) Cogn. Tibouchina arbórea (Gardner) Cogn. Ttbouchina estrellensis (Raddi) Cogn. Tibouchina granulosa Cogn. Ttbouchina moricandiana (DC.) Bail. Tibouchina mutabilis Cogn. Ttbouchina pulchra Cogn. Ttbouchina sellowiana (Cham.) Cogn. Ttbouchina semidecandra (DC.) Cogn. Ttbouchina stenocarpa (DC.) Cogn. Trembleya parviflora (D.Don) Cogn. MEUACEAE Cabralea canjerana (Vell.) Mart. Cedrela ftssilis Vell. Guarea kunthiana A.Juss. Trichilia elegans A.Juss. Trichilia emarginata (Turcz.) C.DC. Trichilia hirta L. Trichilia pallida Swartz Bmi-1 Bmi-2 Bmi-3 Aiu x x x x x x - xxx X x X X X x XX-' X X x X X X X Vma Registro x 4062 19982 19983 x 17312 x 19984 x 16549 18288 17313 x 13293 x 19985 x - 15099 x 19986 x 19987 17316 x 16258 x - x 14496 x 15431 x x X X X X X X X X X X x 15465 x 16553 17149 15770 15429 14964 16863 MONTVIIACEAE Hennecartia omphalandra J.Poiss. Mollinedia argyrogyna Perkins Mollinedia clavigera Tul. Mollinedia engleriana Perkins Mollinedia longifolia Tul. Mollinedia schottiana (Sprengel) Perkins Mollinedia triflora (Sprengel) Tul. Mollinedia widgrenii A.DC. x - 16558 15428 17317 17318 17613 x 17319 x 13102 MORACEAE Ficus gomelleira Kunth & Bouché Ficus luschnathiana (Miq.) Miq. Ficus mexiae Standley Ficus pertusa L.f. Madura tinctoria (L.) Steud. Naucleopsis oblongifolia (Kuhlman) Carauta Sorocea bonplandii (Bail.) W.Burger MYRUmCACEAE Vtrola bicuhyba (Schott) Warb. x x x 13335 17320 x - 15426 x . 18948 x . 16562 x 17554 x x 17321 x 12457 16261 15422 Rodriguésia 57 (1): 103-126. 2006 .SciELO/ JBRJ 12 13 14 15 16 17 118 Pereira, 1. M. et al. Famflias/Espécies Bmi-1 Bmi-2 Bmi-3 Aiu Myrsine gardneriana A.DC. Myrsine lineata (Mez) Imkhan. Myrsine umbellata Mart. Myrsine villosissima Mart. MYKIACEAE Blepharocalyx salicifolius (Kunth) O.Berg Calycorectes acutatus (Miq.) Toledo Calyptranthes clusiifolia O.Berg Calyptranthes concinna DC. Calyptranthes grandifolia O.Berg Calyptranthes widgreniana O.Berg Campomanesia guaviroba (DC.) Kiaersk. Campomanesia guazumifolia (Cambess.) O.Berg Campomanesia laurifolia Gardner Campomanesia xanthocarpa O.Berg Eugenia brasiliensis Lam. Eugenia cerasiflora Miq. Eugenia dodonaeifolia Cambess. Eugenia florida DC. Eugenia hyemalis Cambess. Eugenia involucrata DC. Eugenia mansoi O.Berg Eugenia pluriflora DC. Eugenia prasina O.Berg Eugenia sonderiana O.Berg Gomidesia anacardiifolia (Gardner) O.Berg Gomidesia sellowiana O.Berg Marlierea excoriata Mart. Marlierea racemosa (Vell.) Kiaersk. Myrceugenia acutiflora (Kiaersk.) D.Legrand & Kausel Myrceugenia bracteosa (DC.) D.Legrand & Kausel Myrceugenia miersiana (Gardner) D.Legrand & Kausel Myrceugenia ovata (Hooker & Amot) O.Berg Myrcia diaphana (O.Berg) N.Silveira Myrcia eriopus DC. Myrcia laruotteana Cambess. Myrcia multiflora (Lam.) DC. Myrcia obovata (O.Berg) Nied. Myrcia pulchra Kiaersk. Myrcia splendens (Swartz) DC. Myrcia tomentosa (Aubl.) DC. Myrciaria floribunda (West) O.Berg Myrciaria tenella (DC.) O.Berg Pimenta pseudocaryophyllus (Gomes) Landrum Plinia cauliflora (Mart.) Kausel Psidium rufum DC. Siphoneugena densiflora O.Berg Siphoneugena kuhlmannii Mattos Siphoneugena widgreniana O.Berg x x X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X Vma Registro X 17322 19989 x 17167 19988 x 17325 16465 x 14467 x 15417 19991 19992 19993 x 17169 16024 16472 17331 19994 14500 19995 16883 x 17172 19995 x 11040 x - X - x 15319 x 16046 17175 19998 19996 x 20001 x 17341 x 12930 17635 x 15350 x 17337 16478 17338 17334 x 17336 16892 16279 20000 16895 17339 x 16484 18964 18965 x 17341 Podriguésia 57 (1): 103-126. 2006 SciELO/ JBRJ 12 13 14 15 16 17 cm Flora arbórea de florestas do maciço do Itatiaia 1 19 Famílias/Espécies Bnii-1 Bnii-2 Bmi-3 Aiu Vma Registro NTCTAGINACEAE Guapira graciliflora (Schmidt) Lundell Guapira hirsuta (Choisy) Lundell Guapira opposita (Vell.) Reitz OCHNACEAE Ouratea parviflora (DC.) Bail. PICRAMNIACEAE Picramnia glazioviana Engler Picramnia parvifolia Engler PIPERACEAE Piper aduncum L. Piper amalago L. Piper cemuum Vell. Piper crassinervium Kunth Piper dilatatum L.C.Rich PODOCARPACEAE Podocarpus lambertii Klotzsch Podocarpus sellowii Klotzsch PROTEACEAE Euplassa incana (Klotzsch) Johnston Euplassa itatiae Sleumer Euplassa legalis (Vell.) Johnston Euplassa organensis (Gardner) Johnston Roupala brasiliensis Klotzsch Roupala montaria Aubl. Roupala rhombifolia Mart. QUIINACEAE Quiina glaziovii Engler ROSACEAE Prunus myrtifolia (L.) Urban RUB1ACEAE Alibertia myrciifolia K.Schum. Amaioua guianensis Aubl. Bathysa australis (A.St.-Hil.) Benth. & Hook.f. Chomelia brasiliana A.Rich. Chomelia sericea Müll.Arg. Coutarea hexandra (Jacq.) K.Schum. Faramea cyanea Müll.Arg. Guettarda uruguensis Cham. & Schltdl. Hillia parasitica Jacq. hora warmingii Müll.Arg. Psychotria hastisepala Müll.Arg. Psychotria suterella Müll.Arg. Psychotria vellosiana Benth. Rudgea jasminoides (Cham.) Müll.Arg. Rudgea recurva Müll.Arg. x x X 3105 15133 15375 20002 20003 15110 15371 20004 17344 17345 17346 17347 15369 12584 16288 15127 17348 16571 10899 15368 16574 20005 15364 17352 12559 17045 16580 13219 16293 16583 16587 20006 10235 15354 15462 Rodriguésia 57 (1): 103-126. 2006 SciELO/JBRJ 12 13 14 15 16 17 120 Pereira, I. M. et al. cm Famílias/Espécies Bmi-1 Bmi-2 Bmi-3 Aiu Vma Registro RUTACEAE Dictyoloma vandellianum A.Juss. Esenbeckia grandiflora Mart. Pilocarpus pauciflorus A.St.-Hil. Zanthoxylum caríbaeum Lam. Zanthoxylum rhoifolium Lam. SABIACEAE Meliosma brasiliensis Urban Meliosma itatiaiae Urban Meliosma sellowii Urban Meliosma sinuata Urban SALICACEAE Casearia arbórea (L.C.Rich.) Urban Casearia decandra Jacq. Casearia grandiflora Cambess. Casearia lasiophylla Eichler Casearia mariquitensis Kunth Casearia obliqua Sprengel Casearia pauciflora Cambess. Casearia rufescens Cambess. Casearia rupestris Eichler Casearia sylvestris Swartz Casearia ulmifolia Vahl Xylosma prockia (Turcz.) Turcz. Xylosma venosa N.E.Brown SAPINDACEAE Allophylus edulis (A.St.-Hil.) Radlk. Allophylus guaraniticus (A.St.-Hil.) Radlk. Allophylus semidentatus (Miq.) Radlk. Cupania ludowigii Somner & Ferruci Cupania racemosa (Vell.) Radlk. Cupania vemalis Cambess. Cupania zanthoxyloides Cambess. Diatenopteryx sorbifolia Radlk. Matayba guianensis Aubl. Toulicia laevigata Radlk. SAPOTACEAE x x X X x X 16297 20007 17358 x - 15119 x - 15472 x x 20008 x - X - - X 15476 x 13542 x - 17286 x x 17287 x 17698 x x 16447 x - 17107 x x 19517 17288 x - X - - 20009 x x 17658 x - 16040 x - - 17658 x - 17289 x x 20010 x - - x - 19148 x x - x - 20011 x 15446 x x - 17210 x x x 15447 x - 17211 x x * x x 17212 x 17361 Chrysophyllum gonocarpum (Mart. & Eichler) Engler Chrysophyllum marginatum (Hooker & Amot) Radlk. Micropholis crassipedicelata (Mart. & Eichler) Pierre Micropholis gardneriana (A.DC.) Pierre Poutería caimito (Ruiz & Pav.) Radlk. Pouteria guianensis Aubl. SIPARUNACEAE 17213 x x 16927 x - x 15111 x 17362 17363 Siparuna cujabana (Mart.) A.DC. Siparuna guianensis Aubl. Podriguésia 57 (1): 103-126. 2006 SciELO/JBRJ 12 13 14 15 16 17 Flora arbórea de florestas do maciço do Itatiaia 121 cm Famflias/Espécies Bmi-1 Bmi-2 Bmi-3 Aiu Vnia Registro SOLANACEAE Brugmansia suaveolens (Willd.) Bercht. & J.Presl. _ X - - - 17364 17365 17366 17367 17393 20012 15478 Cestrum corymbosum Schltdl. Cestrum schlechtendalii G.Don - X X X X X Dyssochroma viridiflora Miers X “ “ Solcmum bullatum Vell. X “ X Solanum cinnamomeum Sendt. - X X “ Solanum granulosoleprosum Dunal X X X X X Solanum itatiaiae Glaziou - " 20013 17218 Solanum lepidotum Dunal X X X Solanum leucodendron Sendt. " X 17369 17370 Solanum pseudoquina A.St.-Hil. - X X X Solanum swartzianum Roem. & Schult. “ X X STYRACACEAE Pamphilia aurea Mart. - X - - - 17371 SYMPLOCACEAE 15486 Symplocos celastrinea Mart. X X X 17372 Symplocos insignis Brand “ X X A THEACEAE x 20014 Gordonia fruticosa (Schrader) H.Keng. X theophrastaceae Clavija macrophylla (Link) Miq. - - - - X - thymelaeaceae 15436 Daphnopsis coriacea Taub. X x 20015 Daphnopsis fasciculata (Meisn.) Nevling X X 20016 Daphnopsis martii Meisn. X 20114 Daphnopsis sellowiana Taub. X WíTICACEAE x X 16403 Cecropia glaziovii Snethl. “ X x X 10290 Cecropia hololeuca Miq. “ X x 16404 Cecropia pachystachya Trécul ' x . 17082 Coussapoa microcarpa (Schott) Rizz. ■ x . 17769 Crera caracasana (Jacq.) Griseb. VERBENACEAE Duranta vestita Cham. X - - - - 20018 VOCHYSIACEAE x 16303 Qualea cordata (Mart.) Sprengel m x m 19552 Qualea dichotoma (Mart.) Warm. — X 17224 Vochysia bifalcata Warm. “ X _ Vochysia glazioviana Warm. “ X — Vochysia laurifolia Warm. “ x m 17376 Vochysia magnifica Warm. “ X X — Vochysia rectiflora Warm. ■ X — Vochysia schwackeana Warm. ■ x m 17227 Vochysia tucanorum Mart. “ A WINTERACEAE Drimys brasiliensis Miers _ - X X X 17377 Rodriguésia 57 (1): 103-126. 2006 SciELO/JBRJ 12 13 14 15 16 17 cm i Pereira, I. M. et al. 2. Análise florística Segundo Gentry (1995), a composição e riqueza de espécies lenhosas nas florestas tropicais está relacionada a cinco gradientes principais: o intercontinental, o latitudinal, o de precipitação, o edáfíco e o altitudinal. Os dois últimos provavelmente explicam boa parte da diferenciação florística entre os seis remanescentes florestais do maciço do Itatiaia que emerge do dendrograma gerado pela análise de agrupamentos (Fig. 2, Tabela 3). A área Bmi-1 mostrou-se como a mais distinta, separando-se no nível mais baixo de similaridade com as demais áreas (Ij = 0,08 a 0,16), o que sugere que o fator edáfíco foi preponderante, pois este é o único remanescente de floresta ombrófila aluvial entre as fisionomias representadas. Conforme discutido acima, este padrão reforça o critério do IBGE (1997) de classificação das florestas aluviais como uma fisionomia bem particular, independente do piso altitudinal. A segunda área a se destacar pela composição foi Itt, que também apresentou valores muito baixos de similaridade florística com as demais áreas (coincidentemente, Ij = 0,08 a 0,16). Segue-se a área de Vma, que é também a única área de floresta ombrófila mista. Nestes dois casos, é importante salientar que, ao contrário dos demais remanescentes, Itt e Vma encontram- se na vertente oceânica do maciço do Itatiaia e bacia do rio Paraíba, enquanto os demais remanescentes (Bmi-1/2/3 e Aiu) encontram- se na vertente continental e bacia do rio Grande. A exposição de vertentes em cadeias de montanha pode ter um papel fundamental na definição de padrões de precipitação e temperatura e, por conseguinte, na distribuição de espécies de plantas (Hugget 1995). No complexo da Mantiqueira, em geral, as chuvas tem uma distribuição mais estacionai nas vertentes continentais que nas oceânicas (Oliveira-Filho & Fontes 2000). Contudo, esta explicação não pôde ser aplicada ao presente caso, pois os dados climáticos não corroboram esta tendência: as estações secas com menos chuva se verificaram em Itt e Aiu, com exposição oceânica e continental, respectivamente, e o mesmo ocorreu com as estações secas com mais chuva, em Vma e índice de similaridade ('/•) ig 75^ . 50 25 o Bmi-1 Bmi-2 i Mu ' Bmi-1 — Vma Itt Figura 2 - Dendrograma de similaridade produzido por análise de agrupamento da composição de espécioes de seis áreas de floresta ombrófila montana no maciço do Itatiaia nos estados de Minas Gerais e Rio de Janeiro. Bmi-1/2/3 = Bocaina de Minas 1/2/3, Aiu = Aiuruoca; Vma = Visconde de Mauá; Itt = Itatiaia. Tabela 3 - Matnz florística das seis áreas de floresta ombrófila montana da região do maciço do Itatiaia mostrando o número de espécies em comum entre as áreas na metade superior direita e os índices de similaridade de Jaccard na metade inferior esquerda. Bmi-1/2/3 = Bocaina de Minas 1/2/3 Aiu = Aiuruoca- Vma = Visconde de Mauá; Itt = Itatiaia. Bmil Bmi2 Bmi3 Aiu Itt Vma Totais Bmil - 41 21 38 15 26 81 Bmi2 0,16 - 85 119 45 85 218 Bmi3 0,12 0,34 - 59 24 51 119 Aiu 0,14 0,36 020 - 44 79 228 Itt 0,08 0,15 0,11 0,14 - 44 127 Vma 0,11 026 021 0,23 0,16 190 Rodriguésia 57 (1): 103-126. 2006 SciELO/ JBRJ 12 13 14 15 16 17 cm Flora arbórea de florestas do maciço do Itatiaia Bmi. É possível que fatores históricos e geográficos, como as flutuações climáticas e isolamento entre bacias pelas cadeias montanhosas, exerçam uma influência mais forte que o próprio clima atual das áreas. As três áreas de maior similaridade florística entre si (Ij = 0,20 a 0,36) são, precisamente, as fisionomias de floresta ombrófila montana da vertente continental. A maior semelhança foi verificada entre Bmi-2 e Aiu (Ij = 0,36 e 119 espécies em comum), apesar da distância entre elas, cerca de 45 km, ser bem superior à que separa Bmi-2 e Bmi-3, apenas 5 km. A maior dissimilaridade entre estas duas áreas e Bmi-3 deve-se provavelmente ao fato de se tratar de uma floresta em estágio inicial de sucessão, ao contrário das outras duas, que são bem mais maduras. No entanto, isto só é claro na distinção entre Aiu e Bmi-3, pois a similaridade florística entre Bmi-2 e Bmi-3 também pode ser considerada alta (I. > 0,30). Isto se deve provavelmente ao fato de que estas áreas encontram-se geograficamente bem próximas e sob condições topográficas e edáficas bem parecidas, sendo o estágio sucessional o único fator diferenciador evidente entre elas. Conclusões A flora arbórea das florestas do maciço do Itatiaia pode ser considerada como uma das mais ricas entre as florestas atlânticas de montanha do sudeste do Brasil. Muito desta diversidade deve-se à pronunciada heterogeneidade florística entre as florestas da região. Entre os fatores que provavelmente influenciam mais fortemente esta diferenciação florística estão a exposição de vertentes, o regime de drenagem dos solos e o estágio sucessional. Referências Bibliográficas Almeida, D. S. 1996. Florística e estrutura de um fragmento de Floresta Atlântica, no município de Juiz de Fora, Minas Gerais. Dissertação de Mestrado, Viçosa, Universidade Federal de Viçosa, 9 1 p- Kodriguésia 57 (1): 103-126. 2006 123 APG. 2003. An update of the Angiosperm Phylogeny Group classification for the orders and families of flowering plants: APG II. Botanical Journal of the Linnean Society 141: 399-436. Baitello, J. B. & Aguiar, O. T. 1982. Flora arbórea da Serra da Cantareira. Anais do I Congresso Nacional sobre Essências Nativas. Silvicultura em São Paulo 16A: 582-646. Baitello, J. B.; Aguiar, O. T.; Rocha, F. T., Pastore, J. A. & Esteves, R. 1992. Florística e fitossociologia do estrato arbóreo de um trecho da Serra da Cantareira (Núcleo Pinheirinho), SP. 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(Leguminosae-Papilionoideae) Andreia Silva Flores'2, Andréa Martinelli Filliettaz1 & Ana Maria Goulart de Azevedo Tozzi 13 (Novidades taxonômicas em espécies brasileiras de díí vtr i^ad^Sa/flrL Papilionoideae)) São propostas as smonnmzações de quatro e p . wínHW A bluiensis Windler Al Skinnef em CromlarU, Aflora Benth C S.G.Skinner em Mano , mniana Benth. sübsp. numiana. Cromhna Crmlaria MMH var. serica Windler & S.G.Skinner. Cwmlam MU, W nd to & S G.SIgniier e Criaria fiamcoma var. major Midrdi etn Cro, alaria ma mana subsp. mohlenM^m^& S.G.Skinner) Planchuelo. Também são propostos a transferencia de C. . c subdeCurrens marüarn subsp. manta, , a para C. marriana subsp. mohlenbrocku e o restabelec, mento üí C. suMrtttm™ Mart. ex Benth. à categoria específica. Palavras-chave: Crotalaria, Calycinae, Leguminosae, Brasil, taxonomia. Sl" novelties in Brazilian speeies of Crotatarta sect. <*+?*£*£ 'ffiSa Papilionoideae)) The synonymy of four species and two varieties. roc Crotalaria martiana Skinncr lo Crolalaría gramlijlora Benth-, Benth. subsp. martiana, Crotalaria liatsclibaclui Windler , • f],lvjcoma var mn/or Micheli to Windler á ÍG.Skinnc,CraM/írria/W/»\^dler&SG^SkmncraidCrow/flrar^rva^aar^^''Jjy^^^^ Crotalaria martiana subsp. mohlenbrocku (Windler á S. . martiana subsp. mohlenbrockii and of C. paraguariensis from synonymy of C. mamam subsp. ,nart,anc «to C P the reinstatement of C. subdecurrens Mart. ex Benth. to the spcc.f.c rank are propo. . Key-words: Crotalaria. Calycinae. Leguminosae. Brazihmonorny Introdução As espécies de Crotalaria são caracteri- zadas por apresentarem folhas digitado- trifolioladas, unifolioladas ou simples, androceu monadelfo aberto na base, anteras dimorfas e legumes inflados. O gênero é considerado o terceiro maior de Papilionoideae, com cerca de 600 espécies distribuídas pelos trópicos e subtrópicos, com a maioria ocorrendo na África tropical, considerada como o centro de diversidade das espécies (Polhill 1981). A classificação infragenérica atual de Crotalaria foi estabelecida por Polhill (1968) e reformulada por Bisby & Polhill (1973), a partir de caracteres morfológicos florais, como a forma do receptáculo, grau de torção do bico da quilha, posição dos apêndices no estandarte, cálice bilabiado ou não e a forma do estilete. As espécies do gênero estão agrupadas em oito seções, sendo que quatro estão representadas no Brasil: duas destas apresentam elementos nativos: Crotalaria sect. Calycinae e Crotalaria sect. Chrysocalycinae (Benth.) Bak.f. enquanto que Crotalaria sect. Hedriocarpae Wight & Am. e Crotalaria sect. Crotalaria apresentam espécies exóticas. As espécies pertencentes à seção Calycinae caracterizam-se principalmente por apresentar o ápice das peças da quilha torcido, apêndices restritos à lâmina do estandarte e cálice profundamente bilabiado, geralmcnte tão longo quanto a corola. A seção possui cerca de 70 espécies, principalmente na Asia, estendendo também na Austrália, África e na região Neotropical. Na América do Norte, parte das espécies desta seção foi tratada por Rafinesque (1836), denominando-a como subgênero locaulon, e rtigõTecebido cm 07/2005. Aceito para publicação em 10/2005. rograma de Pós-Graduação em Biologia Vegetal -Umcamp de Botflnjea. CP 6109, CEP 13083-970. Iniversidade Estadual de Campinas, Instituto de Biologia, p ampinas, São Paulo, Brasil. iutor para correspondência: anatozzi@unicamp.br !scíelo/jbrj 12 13 14 15 16 17 cm .. 128 por Windler (1971). Para o Brasil, as espécies de Calycinae foram estudadas por Bentham (1859) na série Simplicifoliae, então constituída por 21 espécies, por Filliettaz (2002), que reconheceu 14 espécies nativas e Flores (2004), que tratou as espécies de Crotalaria perten- centes às quatro seções ocorrentes no Brasil. Como resultado destes dois últimos trabalhos (Filliettaz 2002, Flores 2004), algumas alterações na circunscrição de determinados táxons foram propostas e o objetivo do presente artigo é formalizar as delimitações taxonômicas aceitas para as espécies de Crotalaria sect. Calycinae ocorrentes no Brasil. Material e Métodos Os resultados deste trabalho basearam- se nos dados do tratamento taxonômico do gênero Crotalaria no Brasil (Filliettaz 2002, Flores 2004). Os dados foram obtidos através da análise de exsicatas, fotografias e coleções tipo dos seguintes herbários: BHMH, C, F, HB, IAN, K, M, MBM, MO, NY, R, RB, SP, UEC (siglas conforme Holmgren et al. 1990). Resultados e Discussão 1. Crotalaria grandiflora Benth., Ann. Nat Hist. 3: 429. 1839. Crotalaria acutiflora var. grandiflora (Benth.) Benth., Fl. bras. 15(1): 23. 1859. Typus: BRASIL, near Cercado , Pohl (holótipo K; foto holótipo F!). Crotalaria brasiliensis Windler & S. G. Skinner, Phytologia 50: 194. 1982 Typus- BRASIL. DISTRITO FEDERAL: Cachoeira Piripiripau, ca. 15 km S of Planaltina, H. S. Irwin et al. 26425 (Holótipo MO; isótipo IAN!; foto holótipo MO!) syn. nov. Crotalaria brasiliensis foi descrita durante a preparação da monografia de Crotalaria para a Flora Neotropica (Windler & Skinner 1 982a), sendo conhecida somente pela coleção tipo e por um outro material coletado no Brasil e depositado no herbário em Paris (P). Comparando-se a descrição de C. brasiliensis (Windler & Skinner 1982a) com a de C. grandiflora (Bentham 1839) e com os Flores. A. S.. Filliettaz. A. M. & Tozzi. A. M. G. A. materiais identificados como C. grandiflora, foi observado que as características são muito semelhantes, inclusive nas dimensões das folhas e flores. A sinonimização de C. brasiliensis também foi baseada pela distribuição simpátrica com C. grandiflora, no Distrito Federal (Brasil) e devido ao caráter diagnóstico utilizado pelos autores (Windler & Skinner 1982a) para diferenciarem estas espécies que foi a posição da inflorescência. Segundo os autores, C. brasiliensis possui inflorescência opositifólia enquanto que em C. grandiflora a inflores- cência é terminal em ramos axilares curtos. No entanto, em C. brasiliensis foi constatada a presença de inílorescências axilares em maior freqüência do que opositifólia 2. Crotalaria martiana Benth. subsp. martiana, London J. Bot. 2: 482. 1843. Crotalaria foliosa var. martiana (Benth.) Benth., Fl. bras. 15(1): 24. 1859. Crotalaria martiana Benth. subsp. martiana sensu Planchuelo, Candollea 53(2): 462. 1998, excl. syn. Crotalaria paraguayensis Windler & S. G. Skinner. Typus: BRASIL C. F P. Martius 1142 (holótipo M; foto holótipo M!; isótipo NY; foto isótipo NY!) Crotalaria barretoensis Windler & S. G.Skinner, Phytologia 50(3): 189. 1982. Typus: BRASIL. MINAS GERAIS. Serra do Cipó, estrada de Conceição, município Conceição, XI. 1 938, M. Barreto 8602 (holótipo F! ; isótipos BHMH!, R!) syn. nov. A sinonimização de Crotalaria barretoensis em C. martiana subsp. martiana foi baseada nas afinidades morfológicas marcantes, como forma de folha e pétalas da quilha, e de distribuição geográfica. Windler & Skinner (1982a), ao estabelecerem C. barretoensis, caracterizaram-na por apresentar hábito arbustivo, inílorescências terminais e brácteas truladas a ovais, sendo endêmica na Serra do Espinhaço, Minas Gerais. Entretanto, analisando os materiais correspondentes a estes táxons foi verificado que estes não apresentam caracteres constantes para sua distinção. Ambos os táxons possuem o mesmo tipo de hábito arbustivo, as inílorescências podem ser terminais Rodriguésia 57 (1): 127-130. 2006 SciELO/JBRJ 12 13 14 15 16 17 Novidades taxonômicas em Crotalaria 129 ou algumas vezes opositifólias e as brácteas são foliáceas, variando de ovais a truladas. 3. Crotalaria martiana subsp. mohlenbrockii (Windler & S.G.Skinner) Planchuelo, Candollea 53(2): 465. 1998. Crotalaria foliosa Benth., Ann. Nat. Hist. 3: 429. 1 839, non Rottler, 1 803, Crotalaria mohlenbrockii Windler & S. G. Skinner, Brittonia 34(3): 344. 1982. Crotalaria foliosa var. a obovata Benth., Fl. bras. 15(1): 24. 1859, nom. superfl. Typus: BRASIL. MINAS GERAIS: Montes Claros, Pohl 1122 (lectótipo W, designado por Windler & Skinner (1982b); isolectótipo K). Crotalaria paraguayensis Windler & S.G. Skinner, Brittonia 34(3): 343. 1982. Typus: PARAGUAI. CORDILLERA: Cordillera de Altos, Cerro Çhoché, IV- 1902, Fiebrig 226 (holótipo US; isótipos BAF, BM, F, G, K, W; foto isótipo K!) syn. nov. Crotalaria liatschbacliii Windler & S.G. Skinner, Phytologia 50(3): 200. 1982. Typus: BRASIL. MATO GROSSO: Rondonó- polis: Serra da Petrolina, XII- 1 974, G. Hatschbach 34139 (holótipo NY; isótipo B ALT, C!, HB!, MBM!; foto holótipo NY!) syn. nov. Crotalaria hatschbachii var. sericea Windler & S. G. Skinner, Phytologia 50(3): 202. 1982. Typus: BRASIL. GOIÁS: Estrada Alto Paraíso-Campo Belo km 41, XII- 1976. G. J. Shepherd et al. 3735 (holótipo NY; isótipo UEC!; Foto holótipo NY!) syn. nov. Crotalaria bellii Windler & S. G. Skinner, Phytologia 50(3): 62. 1982. Typus: BRASIL. GOIÁS: Chapada dos Veadeiros, ca. 30 km NW of Veadeiros, 11-1996, H. S. Irwin et al. 12951 (holótipo US; isótipos K, MO, NY, RB!, SP!; foto isótipo NY!) syn. nov. Crotalaria Jlavicoma var. major Micheli, Vidensk. Meddel. Dansk Naturhist. Foren. Kjpbenhavn 1875: 62. 1875. Typus: BRASIL. SÃO PAULO: São Carlos, in campis. 1-1834. Lund (holótipo C!; isótipo C!) syn. nov. Crotalaria mohlenbrockii é um nome novo proposto por Windler & Skinner ( 1 982b) para C. foliosa Benth., que é um homônimo posterior de C. foliosa Rottler. RndriguJ.iia 57 (1): 127-130. 2006 Crotalaria hatschbachii, Crotalaria hatschbachii var. sericea, Crotalaria bellii e Crotalaria flavicoma var. major são táxons muito relacionados a C. martiana subsp. mohlenbrockii, sendo que C. hatschbackii loi diferenciada desta apenas por apresentar inflorescência opositifólia. Entretanto, da mesma forma que foi observado para C. martiana, a inflorescência é predominantemente terminal, mas em vários espécimes foi constatada a presença de inflorescências opositifólias. Segundo Windler & Skinner (1982a) Crotalaria bellii é uma espécie restrita na região da Chapada dos Veadeiros (Goiás), porém analisando os materiais citados como parátipos pelos autores, observou-se que um destes (Irwin et al. 12673) se tratava de C. grandiflora Benth., enquanto nos isótipos analisados foi constatada a semelhança com C. martiana subsp. mohlenbrockii, principalmente, em relação à forma das folhas e tamanho de flor. Através da análise do material tipo, também foi constatado que C. Jlavicoma \ ar. major não apresenta descontinuidades que justifiquem seu reconhecimento como táxon distinto e este é um exemplar tipicamente pertencente a C. martiana subsp. mohlenbrockii. Considerando C. flavicoma, a pilosidade hirsuta dos ramos e folhas é um caráter diagnósüco que possibilita seu pronto reconhecimento em relação a C. martiana subsp. mohlenbrockii que possui pilosidade sericea nestas estruturas. Windler & Skinner (1982b) reconheceram três espécies neste complexo: descreveram C. paraguayensis, propuseram o nome novo C. mohlenbrockii para C. foliosa e restabeleceram a categoria de espécie para C. martiana Benth. Os autores distinguiram as três espécies principalmente pelo comprimento das inflorescências, tamanho e forma de folhas, pilosidade do cálice e na distribuição geográfica do grupo. Posteriormente, Planchuelo (1998) propôs C. martiana como única espécie com duas subespécies baseadas no comprimento das inflorescências. C. paraguayensis foi sinoni- mizada a C. martiana típica e C. mohlenbrockii passou a subespécie de C. martiana. As semelhanças morfológicas e de distribuição SciELO/JBRJ 12 13 14 15 16 17 cm 130 geográfica entre C. paraguayensis e C. martiana subsp. mohlenbrockii são mais fundamentadas, de forma que é proposta a transferência deste táxon da sinonímia da subespécie típica para a subespécie mohlenbrockii. 4. Crotalaria subdecurrens Mart. ex Benth., Fl. bras. 15(1): 20. 1859. Typus: BRASIL. “Habitat in provinciae Minarum campis ad Contendas”, C.F.P. Martius 1606 (lectótipo M, foto lectótipo M!, designado por Windler & Skinner, Phytologia 49: 429. 1981). Crotalaria subdecurrens foi descrita por Bentham (1859) e comparada com C. breviflora DC., especialmente quanto à inflo- rescência e bráctea, e com C. grandiflora quanto ao estandarte. Diferenciada de C. breviflora pelas flores maiores e de C. grandiflora pelas estipulas (Bentham 1859), foi sinonimizada a C. breviflora var. pohliana (Windler & Skinner 1 98 1 ), por apresentar cálice maior que 15,1 mm compr. e estipula bem desenvolvida. Neste trabalho, C. subdecurrens é reconhecida como uma espécie distinta de C. breviflora, da qual difere pela flor com cerca de 17-22 mm de comprimento, cálice com 17-21 mm de comprimento, ápice do botão floral rostrado e indumento denso-seríceo ou velutino. Em C. breviflora, a flor e o cálice possuem de 1 0-1 5 (-17) mm de comprimento, ápice floral não rostrado e indumento seríceo ou finamente pubescente. Agradecimentos As autoras agradecem aos curadores dos herbários consultados, à Capes pela bolsa de mestrado concedida para A. M. Filliettaz; à FAPESP pela bolsa de doutorado concedida para A. S. Flores (proc. 00/11674-2). Referências Bibliográficas Bentham, G. 1859. Leguminosae. Crotalaria. In Martius, C. F. P. von; Eichler, A. W. & Urban, I. Flora brasiliensis. F. Fleischer, Lipsiae, 15(1): 18-32. Flores, A. S., Filliettaz, A. M. & Tozzi, A. M. G. A. Bisby, F. A. & Polhill, R. M. 1973. The role of taximetrics in angiosperm taxonomy II. Parallel taximetric and orthodox studies in Crotalaria L. New Phytologist 72: 727-742. Filliettaz, A. M. 2002. Estudos taxonômicos de espécies de Crotalaria sect. Calycinae Wight & Am. (Leguminosae-Papilionoideae- Crotalarieae) no Brasil. Dissertação de mestrado, Universidade Estadual de Campinas, Campinas. Flores, A. S. 2004. Taxonomia, números cromossômicos e química das espécies de Crotalaria L (Leguminosae, Papilionoideae) no Brasil. Tese de doutorado, Universidade Estadual de Campinas, Campinas. Holmgren, P. K.; Holmgren, N. H. & Bamett, L.C. (eds.). 1990. Index Herbariorum Part I: The Herbaria of the World. New York Botanical Garden, New York. Planchuelo, A. M. 1998. Nota sobre el grupo Crotalaria martiana Benth. (Leguminosae- Crotalarieae). Candollea 53: 462-465. Polhill, R. M. 1968. Miscellaneus notes on African species of Crotalaria. II. Kew Bulletin 22: 169-348. . 1981. Crotalarieae. In Advances in Legume Systematics Part 1 (R. M. Polhill & P. H. Raven, eds.). The Royal Botanic Gardens, Kew, part 1, p. 399-402. Rafinesque, C. S. 1 836. Crotalaria. New Flora and Botany of North America I. p.53-58. Windler D. R. 1971. New North American unifoliolate Crotalaria taxa (Leguminosae). Phytologia 21: 257-266. Windler, D. R. & Skinner, S. G. 1981.Variation in the Crotalaria breviflora complex in Brasil (Fabaceae). Phytologia 49: 425-429. . 1982a New taxa and New Combinations in the American Crotalarias (Fabaceae). Phytologia 50: 185-206. . 1982b. The taxonomy and nomenclature of Crotalaria foliosa (Leguminosae) and related species. Brittonia 34: 340-345. Rodriguésia 57 (I): 127-130. 2006 SciELO/JBRJ 12 13 14 15 16 17 cm Acácia GLOBOSA E Acácia UMAE , DUAS NOVAS ESPÉCIES DE Leguminosae-Meviosoideae para o Brasil* 1 Ana Luiza Du Bocage2 & Silvia Teresinha Sfoggia Miotto 3 {Acacia globosa e Acacia limae, duas novas espécies de Leguminosae-M.moso.deae para o Bn* \ Acacia globosa e A. limae são descritas e ilustradas. Acacia globosa é semelhante & A. npana , ^ ^ "re pdo número de pares de folíolos 5-7, pelo pecíolo, rdquis foliar e fohólulos próxima de A. riparia, diferindo pelas glândulas do pecíoloestipita ase cava as. cc r.eriis no estado da Bahia e Acacia limae é encontrada nos estados da Bahia, Pernambuco e Minas Gerais. Palavras-chave: Acacia , Leguminosae, Mimosoideae, caatinga, Brasil. {Acacia globosa and Acacia limae, two new species of l^gumwosae-Mimosoideae m and A. iLe are dcscribed and illus„ated Acacia globosa is State o A. npana, mm “ nnmber of pairs „f pinnae 5-7. b, A. peide. senceous racte riparia, differing in the stipitate and clavate petiole glands. ■ P . and the second is found in the States of Bahia, Pernambuco and Minas Gerais. Key-words: Acacia, Leguminosae, Mimosoideae. caatinga. Brazij Acacia é o segundo maior gênero de Leguminosae, com cerca de 1.350 especies e com distribuição cosmopolita (Maslin et al. 2003). No Brasil, há aproximadamente 44 espécies, as quais ocorrem desde a Região Norte, até a Região Sul do país (Rico- Arce 2003). As espécies deste gênero vivem em ambientes muito diversos, desde florestas tropicais perenifólias, às regiões mais áridas do mundo (Rico-Arce 2003). No semi-árido brasileiro as 16 espécies ocorrem, preferen- cialmente, em caatinga arbórea, caatinga arbustiva e mata de cipó (Du Bocage 2005). O gênero Acacia está dividido, segundo Vassal (1972) em três subgêneros: Acacia subg. Acacia, A. subg. Aculeiferam e A. subg. Phyllodinea. As espécies aqui descritas pertencem ao subg. Aculeiferum, por possuírem acúleos. Acacia globosa A. Bocage & Miotto, sp, nov. Tipo: BRASIL. BAHIA: Palmeiras, 3. III. 2003, fl., A. Bocage, C. N. Gonçalves & C. F. Azevedo-Gonçalves 872 (holótipo ICN, isótipo IPA). FiS- 1 Acacia globosa petiolo instructo glandula única; glandula sessili et globosa, 1.0 mm longa etfoliolulis sericeis supra et infra distingueda. Haec species A. riparia Kunth affinis sed 5-7 foliolulis, petiolo, rhachidi fdiacea etfoliolulis sericies differt. Etiam affinis A. limae amplitudine et forma leguminum et numero foliolulorum. Arbustos 2 a 3 m alt. Ramos levemente angulosos, com acúleos recurvos c esparsos, 1 mm compr. Estipulas não vistas. Folhas 5-7 pares de folíolos; pecíolo canaliculado, seríceo, 1-1,7 cm compr., glândula séssil, globosa, 1 nun compr., no meio do pecíolo; ráquis foliar canaliculada, serícea, 6-6,5 cm compr.. geralmente aculeada, com glândulas iguais as tigo recebido em 09/2005. Aceito para publicação em 01/2006. r.raduacão em Botânica, da Universidade arte da tese de Doutorado da primeira autora apresentada ao Curso de Fos cr deral do Rio Grande do Sul. Apoio financeiro: CNPq. San Martin, 1371, Bongi, 50761-000, Recife, mpresa Pernambucana de Pesquisa Agropecuária - 1 . v- mambuco. Brasil, dubocage@terra.com.br , c , Av itcnto Gonçalves, 9500, bloco IV, prédio 'apartamento de Botânica - Universidade Federal do Rt o Grande do Sul. Av. Bent 433, 91501-970, Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brasil. SciELO/JBRJ 12 13 14 15 16 17 cm .. 132 do pecíolo, porém menores, entre os dois últimos pares de folíolos; folíolos com 17-25 pares de foliólulos, sésseis a curtamente peciolulados, 5—6 x 1 ,5—2 mm, oblongos, base levemente oblíqua, ápice obtuso, membranáceos, seríceos em ambas as faces, margem ciliada, nervura principal central. Panículas axilares e terminais, apresentando fascículos de 2 a 4 glomérulos globosos ao longo dos eixos e/ou glomérulos axilares, glomérulos 1, 7-2,2 mm diâm.; brácteas caducas, 1,5 mm compr., espatuladas, velutinas, no meio do pedúnculo; bractéolas semelhantes, menores que as brácteas; pedúnculo 1 ,2-2 cm compr., seríceo; flores curtamente pediceladas; cálice tubuloso, 2,5-3 mm compr., glabro na base e puberulento no ápice, lacínias 0,5 mm compr.; corola tubulosa, 5-6 mm compr., glabra na base e puberulenta no ápice, lacínias 0,5 mm compr.; estames creme; ovário glabro, 1,5 mm compr., estípite 1 mm compr. Legumes 1 1 ,5-16 x 2,5- 3 cm, elípticos, base atenuada, ápice apiculado a agudo, glabros, castanho-escuros, margem saliente; sementes 1-1,2 x 0,6-0, 7 cm, elípticas, marrom-escuras. Parátipos: BRASIL. BAHIA: Abaíra, na estrada para Catolés, 25.XU.1988, fl„ R. M. Harley et al. 27741 (CEPEC); id„ arredores de Catolés, na estrada para Guarda Mor, 27.XII.1988, fl., R. M. Harley et al. 27823 (CEPEC); Catolés, 13°17’00”S 4r51’00”W, 20.XII.1991, fl., R. M. Harley et al. 50178 (HUEFS); id., 31.X.1996, fl., L. P. Queiroz & M. M. Silva 3846 (HRB); id., Catolés-Água Limpa, 18.IX.1999, fl., A. S. Conceição et al. 366 (HUEFS, ICN); estr. Bom Jesus da Lapa- Igapora, km 33, 2.VII.1983, fl. fr., L. Coradin et al. 6336 (CEPEC); Livramento do Brumado, na rodovia para vila de Rio de Contas, 13°39’00”S 41°50’00”W, 23.IU.1977, fl. fr., R. M. Harley 19846 (CEPEC, IPA); Cachoeira do Brumado, 2,5 km na estrada de Livramento do Brumado para Rio de Contas, 28.III.1991, fl. fr., G. P. Lewis & S. M. M. de Andrade 1926 (CEPEC); Dom Basílio, Fazendinha, 28. XII. 1989, fl. fr., A. M. Du Bocage. A. L & Miono, S. T. S. Carvalho et al. 2694 (CEPEC); Itaberaba, 22. III. 2000, fl., P Unaldo 67 (HUEFS); Malhada de Pedras, estrada que liga a BR 030 a Malhada de Pedras, 28.IU.1984, fr., J. E. M. Brazão 288 (RB); Mucugê, na estrada Abaíra- Mucugê, 14.11.1992, fl. fr., L P. Queiroz 2623 (CEPEC, HUEFS); Palmeiras, 36 km da BR 242, 17. XI. 1983, fl., G. C. P. Pinto et al. 448 (CEPEC, HRB); id., 3.X.2003, fl., A. Bocage et al. 870 (ICN); Piatã, estrada Catolés-Ouro Verde, 28.VIII.1992, fl., W. Ganev 983 (CEPEC); id., estrada Catolés/Piatã, 1 3°14’46” 5 41°45’26”W, 9.XI.1996, fl., W, H. P. Bautista 6 D. J. N. Hind 4179 (ALCB, CEPEC, HRB); id., margem da estrada, antes de Pindobal, 19.11.2000, fl., F. S. Cavalcanti s/n (EAC 29151); Rio de Contas, Pico das Almas, 13°32’00”S41°54’00”W, 1 1. XI. 1988, fl., R. M. Harley & B. Stannard 27119 (CEPEC); id., 25.1.1998, fl., L. P. Queiroz et al. 4936 (HUEFS); id., estrada para o povoado de Mato Grosso, 27.11.2001, fl., R. M. Harley & A. M. Giulietti 54113 (HUEFS); id., estrada Real, s/d, fl., A. M. Giulietti & R. M. Harley 1602 (HUEFS). Acacia globosa apresenta muitas semelhanças morfológicas com A. riparia, como porte arbustivo, cor e tamanho dos glomérulos, porém difere no número de pares de folíolos e na pilosidade da ráquis foliar e dos foliólulos. Bentham (1876) cita A. riparia para os estados do Rio de Janeiro e São Paulo. Segundo Silva (1990) esta espécie ocorre na América do Sul, no Perú e Brasil (Amazonas). Na região do semi-árido ocorre nos estados do Piauí, Ceará, Bahia e Minas Gerais (Du Bocage 2005). Já, A. globosa é endêmica da Bahia, preferencialmente no Complexo da Chapada Diamantina, em caatinga arbustiva e cerrado. Floresce de janeiro a março e de agosto a dezembro e frutifica de fevereiro a março. O epíteto específico refere-se à forma globosa da glândula peciolar. SciELO/JBRJ L2 Rodriguésia 57 (I): 131-136. 2006 13 14 15 16 17 Acacia globosa e Acacia limae, duas novas espécies de Legtiininosae 133 Figura 1 - Acacia globosa A. Bocage & Miotto. a. Ramo com infiorescências; b. foliar; e. glândula do pccíolo; f. flor; g. legume; h. semente. (Bocage ti/i). foliólulo; c. acúleo; d. glândula da ráquis Rodriguésia 57 (I): 131-136. 2006 .SciELO/ JBRJ 12 13 14 15 16 17 134 Du Bocage, A. L & Miotto, S. T. S. Acacia liinae A. Bocage & Miotto, sp. nov. Tipo: BRASIL. BAHIA: Abaíra, após Brejo de Cima, 5. X. 2003, fl., A. Bocage, C. N. Gonçalves & C. F. Azevedo-Gonçalves 895 (holótipo ICN, isótipo IPA). Fig. 2 Ab Acacia limae petiolo duabus glandulis stipitatis clavatisque instructo, 1- 1.5 mm longis, foliolulis pubescentibus ad velutinos supra et infra distinguenda. Ajfinis A. riparia Kunth glandula unica vel duabus, sessilibus, elliptico-globosis et foliolulis glabris differt. Arbustos 2 a 3 m alt. Ramos com acúleos recurvos e retos, 4 mm compr. Estipulas não vistas. Folhas 6-9 pares de folíolos; pecíolo canaliculado, velutino, 1-2 cm compr., com uma a duas glândulas estipitadas, clavadas, 1-1,5 mm compr.; ráquis foliar canaliculada, velutina, 5-8 cm compr., aculeada, com glândulas iguais as do pecíolo, 1 mm compr., entre os dois últimos pares de folíolos; folíolos com 17-26 pares de foliólulos, curtamente peciolulados, 0,7-1 x 0,2 cm compr., lineares a ligeiramente falcados, base oblíqua, ápice arredondado, membranáceos, pubescentes a velutinos em ambas as faces, margem ciliada, nervura principal pouco excêntrica. Panículas axilares e terminais, apresentando fascículos de 2 a 4 glomérulos globosos, 1,4—3 cm diâm., ao longo dos eixos; brácteas caducas, 2 mm compr., espatuladas, velutinas, no terço superior do pedúnculo; bractéolas semelhantes, menores que as brácteas; pedúnculo 1-2 cm compr., velutino; flores sésseis; cálice tubuloso, 3-3,5 mm compr., glabro na base e pubescente no ápice das lacínias, lacínias desiguais, 0,5 mm compr.; corola tubulosa, 4 mm compr., glabra com tufos de tricomas no ápice, lacínias 1 mm compr.; estames creme; ovário glabro, 1,5-2 mm compr., estípite 1 mm compr. Legumes 11-13 x 3-3,5 cm, elípticos, base atenuada, ápice apiculado, apículo 0, 5-0,7 cm compr., glabros, marrom-arroxeados, margem saliente; sementes 0, 9-1,1 x 0,7-0, 8 cm, elípticas, marrom-escuras. Parátipos: BRASIL. BAHIA: Abaíra, João Correia ao redor da cidade, 5.X.2003, fl., A. Bocage et al. 896 (ICN); id., 5.X.2003, fl., A. Bocage et al. 899 (ICN); Bom Jesus da Lapa, 2.VII. 1983, 1 3°26’00”S 04°3 1 ’00” W, fl. fr., L Coradin et al. 6336 (CEPEC); Caetité, Barragem de Captação, 28.XI.1992, fl. fr., M. L. Guedes et al. 2699 (ALCB); Carinhanha, para Serra do Ramalho, 15.IV.2001, fr., J. G. Jardim et al. 3515 (CEPEC); Dom Basílio, 9.II.1990, fl., A. Miranda & F. Esteves 146 (RB); id., Fazendinha, 28.XII.1989, A. M. Carvalho et al. 2694, fl. fr., (CEPEC); Encruzilhada, 22.VII.1980, fr., J. E. M. B razão 79 (HRB); Guanambi/Caetité, 28.IV. 1995, fl., M. Andrade & B. Cavada s/n (EAC 22813); Livramento do Brumado, 28.UI. 1 99 1 , fl. fr., G. P. Lewis & M. M. de Andrade 1926 (HUEFS); Malhada de Pedras, 28.III. 1 984, fr., J. E. M. Brazão 288 (HRB, RB); Morro do Chapéu, Lages, 7. III. 2003, fl., L. P. Queiroz et al. 7633 (HUEFS); Mucugê, 5.X.2003, fl., A. Bocage et al. 897 (ICN); id., 5.X.2003, fl., A. Bocage et al. 898 (ICN); Palmeiras, 1 km de Tejuca, 5. X. 2003, fl., A. Bocage et al. 892 (ICN); Paramirim, estrada de Paramirim- Caetité, 13°34,38”S42016’53”W, 19.IV.2001, fl. fr., T. R. S. Silva et al. 88 (HUEFS); Poções, km 2 a 4 da estrada que liga Poções ao povoado de Bom Jesus da Serra, 5.III.1978, fl., S. A. Mori et al. 9486 (CEPEC); entre Segredo e Mulungu, 25.IX.1965, fl., A. P. Duarte & E. Pereira 10094 (RB). MINAS GERAIS: Jaíba, estrada da Profaz, 27.XI.1984, fl., Teixeira & Carvalho s/n (BHCB 7342); Matias Cardoso, 27.11.1984, fl., Teixeira s/n (RB 363788). PERNAMBUCO: Brejo da Madre de Deus, Mata do Malhada, 28.IV.2000, fl., A. G. da Silva & E M. Nascimento 290 (RB), Pesqueira, Serra do Ororobá, fazenda São Francisco, 16.V.1996, fl., M. Correia 231 (UFP). Acacia limae é próxima de A. riparia, pelo porte arbustivo e pelo tipo de inflorescência, diferindo pelas glândulas estipitadas e clavadas e pelos foliólulos pubescentes a velutinos em ambas as faces. E também afim de A. tucumanensis Griseb., porém, esta apresenta foliólulos glabros. Rodriguésia 57 (I): 131-136. 2006 SciELO/JBRJ. 13 14 cm Acacia globosa e Acacia Iimae, duas novas espécies de Leguminosae 135 Figura 2 - Acacia iimae A. Bocage & Miotto. a Ramo com infloresccncias; b. foliólulo; c. glândula da ráquis foliar; d. glândula do pecíolo; e. flor; f. legume; g. semente. ( Bocage 895). Rodriguésia 57 (1): 131-136. 2006 SciELO/JBRJ 2 13 14 15 16 17 18 cm i 136 ocorrendo somente no Brasil austral, Argentina (províncias de Tucumán, Salta, Jujuy e Misiones) e Paraguai. As duas espécies aqui descritas são próximas, porém diferem entre si pela forma das glândulas do pecíolo e da ráquis foliar. Acacia limae ocorre nos estados de Pernambuco, Bahia e norte de Minas Gerais, em caatinga arbustiva, cerrado e floresta estacionai. Floresce e frutifica ao longo de todo o ano. O epíteto específico é uma homenagem ao Dr. Dárdano de Andrade-Lima, grande conhecedor da flora do semi-árido brasileiro, em especial, da família Leguminosae. Agradecimentos Agradecemos ao Dr. Tarciso Filgueiras pelas diagnoses latinas. À desenhista Anelise Scherer pelas ilustrações. Ao CNPq pela concessão de bolsa de doutorado à primeira autora e de Produtividade Científica à segunda autora. Referências Bibliográficas Bentham, G. 1876. Leguminosae Mimosoideae. In: C.F.P. Martius(ed.) Flora brasiliensis. Monachii, Lipsiae, Fridr. Fleischer. 15: 392- 406. Du Bocage, A. L & Miotto, S. T. S. Du Bocage, A. L. 2005. O gênero Acacia Mill. (Leguminosae-Mimosoideae) no semi-árido brasileiro. Tese de Doutorado, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, 13 lp. Maslin, B. R.; Miller, J. T. & Seigler, D. S. 2003. OverView of the generic status of Acacia (Leguminosae:Mimosoideae). Australian Systematic Botany 16: 1-18. Rico-Arce, L. 2003. Geographical pattems in neotropical Acacia (Leguminosae: Mimosoideae). Australian Systematics Botany 16: 41-48. Silva, A. S. L. 1990. Contribuição ao estudo sistemático das espécies do gênero Acacia Mill. (Leguminosae: Mimosoideae) ocorrentes na Amazônia brasileira. Boletim do Museu Paraense Emílio Goeldi, ser. Bot. 6:154-226. Vassal, J. 1978. Apport des recherches ontogeniques et seminologiques a Létude morphologique, taxonomique et phylogenique du genre Acacia. Bulletin de la societè dTiistoire naturelle de Toulouse 108: 105-247. Rodriguésia 57 (1): 131-136. 2006 SciELO/ JBRJ 12 13 14 15 16 17 cm Annonaceae da Reserva Biológica da Represa do Grama, Descoberto, Minas Gerais, Brasil, com uma nova espécie, ÜNONOPSIS BAUXITAE Adriana Quintella Lobão1 J, Rafaela Campostrini Forzza1 & Renato de Mello-Silva2 Resumo (Annonaceae da Reserva Biológica da Represa do Grama, Descoberto, Minas Gerais, Brasil, com uma nova espécie, Unonopsis bauxitae ) São apresentadas as espécies de Annonaceae da Reserva Biológica da Represa do Grama. A Reserva está localizada em Descoberto, Minas Gerais, e abrange uma área de 263,8 hectares de floresta estacionai semidecidual. São encontrados cinco gêneros e sete espécies: Annona cacans, Guatteria nigrescens, G. sellowiana, Rollinia dolabripetala, Unonopsis bauxitae, Xylopia brasiliensis, X. sericea e a nova espécie Unonopsis bauxitae , aqui descrita. Sao apresentadas chave de identi ícaç o as espécies, descrições, ilustrações, e informações sobre floração, frutificação, distribuição geogr íca e a itats. Palavras-chave: Annona, Guatteria, Rollinia, Unonopsis bauxitae, Xylopia, floresta atlântica. Reserva do Grama. ^ bstract (Annonaceae of the Reserva Biológica da Represa do Grama, Descoberto, Minas Gerais, Brazil, with a new species, Unonopsis bauxitae) The Reserva Biológica da Represa do Grama is situated m Descoberto, Minas Gerais, and consists of 263.8 hectares of semideciduous forest. The following five gencra and seven species of Annonaceae have been recorded from the Reserva: Annona cacans, Guatteria nigrescens, G. sellowiana, Rollinia dolabripetala, Unonopsis bauxitae, Xylopia brasiliensis, X. sericea, and the new species Unonopsis bauxitae, here described. Key for the species. descriptions. illustrations. and comments on the phenology. habitats, and distribution are included. , . _ , Key-words: Annona, Guatteria, Rollinia, Unonopsis bauxitae, Xylopia, Atlantic forest. Reserva do Grama. Introdução Há nos trópicos cerca de 1 30 gêneros e 2.300 espécies de Annonaceae (Kessler 1993, Koek-Noorman et al. 1997), dos quais 26 gêneros (20%) e cerca de 260 espécies (ca. 11%) ocorrem no Brasil (Maas et al. 2002). Aqui, a maior diversidade encontra-se na Amazônia, com um segundo centro na mata atlântica. Este trabalho apresenta as espécies de Annonaceae da Reserva Biológica da Represa do Grama, um dos poucos remanescentes de mata atlântica de Minas Gerais. Além de ser mais um trabalho florístico completo de uma família da Reserva, seguindo os Menini Neto et al. (2004), Pivari & Forzza (2004), Almeida et al. (2005) e Assis et al. (2005), é complementar e comparativo a outros tratamentos florísticos de Annonaceae do centro-sul do Brasil (e.g. Lobão et al. 2005, Mello-Silva 1993, 1997, Mello-Silva & Pirani no prelo, Pontes & Mello-Silva 2004, 2005, Stannard 1995). Apresenta, ainda, a nova espécie Unonopsis bauxitae. Material e Métodos A Reserva Biológica da Represa do Grama localiza-se na Serra do Relógio, Zona da Mata de Minas Gerais, no município de Descoberto (21°25,S-42°56,W) e abrange uma área de 263,8 hectares de floresta estacionai semidecidual montana (Menini Neto et al. 2004), a cerca de 350 m s.n.m. As descrições e ilustrações das espécies foram elaboradas com base nos materiais coletados na Reserva ou em material udicional de outras localidades (frutos de A. cacans e flores de X. brasiliensis). O tratamento de Unonopsis bauxitae traz o necessário à descrição de uma Artigo recebido em 10/2Õ05. Aceito para publicação em 12/2005. .. 'Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Rua Pacheco Leão. 915. 22460-030 Wo de Jane.ro RI, Brasil >Dcpto. Botânica, Universidade de São Paulo. Cx.Postal 1 1461. 05422-970 São Paulo. SP. Brasil. Bolsista do CNPq. 'Autor para correspondência: alobao@jbrj.gov.br .SciELO/ JBRJ 12 13 14 15 16 17 cm 138 espécie nova. A terminologia morfológica segue Radford et al. (1974). São apresentadas chave de identificação das espécies, descrições, ilustrações, e informações sobre floração, frutificação, distribuição geográfica e hábitats. Lobão, A. Q., Forzza, R. C. & Mello- Silva, R. Tratamento Taxonômico Na Reserva Biológica da Represa do Gra- ma, a família Annonaceae está representada por cinco gêneros e sete espécies: Annona cacans, Guatteria nigrescens, G. sellowiana, Rollinia dolabrípetala, Unonopsis bauxitae, Xylopia brasiliensis e X. sericea. 1. Chave para identificação das espécies Flores supra-axilares ou opositifólias; frutos sincárpicos 2. Pétalas externas aladas, como pás do hélice; carpídios protundentes 4 Rollinia dolabrípetala 2. Pétalas externas nao aladas; earpídios planos cacans Flores axilares ou caulinares; frutos apocarpicos. 3. Botoes estreitamente piramidais; carpídios deiscentes; sementes ariladas 4. Casca descamante, avermelhada; lâminas foliares 3-6,5 x 0,5-l,5 cm, face abaxial esparsamente sencea a glabra . * v 4. Casca nao descamante, castanha a cinérea; lâminas foliares 6,5-15 x 2,5-4,5 cm, face Rnttfr densatmente.^erícea a glabrescente 7. Xylopia sericea Sdas 83 6 °VOldeS a argamente deltóides; carpídios indeiscentes;' sementes não 5. Nervura primária proeminente na face adaxial das folhas; brácteas persistentes; inflores- 5 NeZ fami 7 Cauhfl0ras’ 2-1 O-floras; carpídios 1-5 5. Unonopsis bauxitae iSsíXssf na ad“ial das folhas; Wc,eas caducas; n°res 6. Laminas foliares 8,5-20 x 2-6 cm; pétalas externas 15-20 x 5-12 mm, internas 20- 30 x 9-10 mm 6. Lâminas foliares 5,5-11 x 1,5-3 cm; pé'ias"^tem^Í3 x 4-5 mmJnJmiTn x 5-7 mm , ,, . „ . Guatteria sellowiana 3. Annona L. Árvores, arvoretas ou arbustos. Tricomas simples ou estrelados. Folhas com nervura primária impressa na face adaxial, domácias presentes ou ausentes. Flores solitárias ou em inflorescência, monoclinas, raramente diclinas; sépalas 3, livres ou conatas; pétalas 6, raramente 3, livres ou conatas na base, as externas valvares, as internas valvares* ou imbricadas; estames numerosos, conectivo dilatado em forma disco, raramente apiculado ou semi-orbicular, anteras não septadas transversalmente; carpelos numerosos, óvulo 1, basal. Fruto sincárpico, carnoso, indeiscente; sementes muitas, sem arilo. Annona possui aproximadamente 110 espécies neotropicais e quatro africanas (Heusden 1992; Kessler 1993). Algumas são cultivadas pelos frutos comestíveis. 1. Annona cacans Warm., Vidensk. Meddel. Dansk Naturhist. Foren. Kjõbenhavn 3(5): 1 55. f. 1-2. 1873. Fig. 1 a-c Árvore 7-20 m alt. Ramos jovens glabrescentes, in sicco alaranjados, ramos adultos glabros, lenticelados. Pecíolo 13-15 mm compr., canaliculado. Lâmina foliar 6-17 x 2-4 cm, cartácea, estreitamente-elíptica a elíptica, glabra; base atenuada; margem plana; ápice agudo; nervação broquidódroma, amarelada, 12—15 pares de nervuras secundárias levemente arqueadas, juntamente com o retículo proeminente em ambas as faces; domácias ausentes. Flores 1-2, opositifolias; botões ovóide-acuminados; pedicelos 5-8 mm compr., brácteas persistentes; sépalas ca. 2 x 3 mm, conatas na base, largamente triangu- lares, esparsamente tomentosas na face Rodriguésia 57 (1): 137-147. 2006 SciELO/JBRJ 12 13 14 15 16 17 Annonaceae da Reserva do Grama 139 abaxial, glabras na adaxial; pétalas conatas na base, as externas ca. 7 x 6 mm, largamente ovais, não aladas, creme a amareladas, avermelhadas na base, tomentosas na face adaxial, esparsamente tomentosas na abaxial, as internas ca. 6 x 3 mm, oval-triangulares, creme a alvas, avermelhadas na face adaxial, tomentosas em ambas as faces; estames ca. 1,5 mm compr.; carpelos ca. 1 mm compr., glabros. Frutos ca. 3,5 x 3,5 cm, largamente ovóides, carpídios planos, verde-glaucos. Material examinado: 8.III.2003, fr., L. C. S. Assis et al. 730 (CESJ); 10.IX.2001, fl., G. Augustin et al. s.n. (CESJ 35079, RB); 30.XI.2001, fl., D. Pifano & R. M. Castro 186 (CESJ). Material adicional selecionado; BRASIL. ESPÍRITO SANTO: Santa Teresa. 13.11.1999, fr., R. Mello-Silva et al. 1573 (K, MBM, MBML, RB, SPF). Nome popular; Araticum Annona cacans ocorre da Bahia ao Rio Grande do Sul, seguindo a distribuição da floresta atlântica sensu lato (Rainer 2001). Foi coletada em flor em novembro e em fruto em março. É utilizada como ornamental e a poupa dos frutos é comestível (Corrêa 1984). Guatteria Ruiz & Pav. Árvores, arvoretas ou arbustos. Tricomas simples. Folhas com nervura primária impressa na face adaxial. Flor em geral solitária ou em inflorescência, monoclinas; pedicelo articulado, brácteas presentes abaixo da articulação; sépalas 3, livres ou conatas no botão; pétalas 6, livres, imbricadas; estames numerosos, conectivo dilatado no ápice, em forma de disco truncado, às vezes umbonado, anteras não septadas transversalmente; carpelos numerosos, óvulo 1, basal. Fruto apocárpico, carpídios em geral estipitados, indeiscentes; semente 1, sem arilo. Guatteria é o maior gênero da família com cerca de 260 espécies e o que apresenta os maiores problemas taxonômicos. E neotropical, ocorrendo da América Central ao sul do Brasil (Maas et al. 1994). Rodriguésia 57 (I): 137-147. 2006 2. Guatteria nigrescens Mart. in Mart., Fl. bras. 13(1): 31. 1841. Fig. 1 d-e Árvore ou arvoreta, 3-7 m alt. Ramos jovens vilosos, lenticelados ou não, ramos adultos glabros. Pecíolo 5-10 mm compr., levemente canaliculado, com fissuras transversais. Lâmina foliar 8,5—20 x 2—6 cm, cartácea, estreitamente elíptica ou estreitamente obovada, verde, discolor, glabra na face adaxial, esparsamente serícea a glabra na abaxial; base atenuada a decurrente; margem plana; ápice cuspidado, cúspide 7-10 mm compr.; nervação broquidódroma, 13-24 pares de nervuras secundárias, juntamente com o retículo, proeminentes em ambas as taces. Flor 1, axilar; botões triangular-ovóides; pedicelo 3-6,5 cm compr.; brácteas caducas; sépalas 5-7 x 5-7 mm, largamente triangulares, valvares, glabras na base e vilosas no ápice da face abaxial, vilosa na adaxial; pétalas ovais, ápice agudo, verde-claras a amareladas, quando maduras levemente avermelhadas, vilosas na face adaxial, glabras na base da adaxial, as externas 15-20 x 5-12 mm, as internas 20-30 x 9-10 mm; estames ca. 2 mm compr.; carpelos ca. 3 mm compr., seríceos. Carpídios 20-50, 10-12 x 5 mm, elipsóides, estipes 8-17 mm compr., vermelho- purpúreos, glabros. Material examinado: 2.XI.2002, 11., L C. S. Assis et al. 606 (CESJ, RB); 11.IX.2003. fr., L C. S. Assis et al. 883, 884, 887 (CESJ, RB), 30.1.2004, fl., L C. S. Assis etal. 939, 944 (CESJ, RB, SPF); 9.VI.2001, fr., R. M. Castro et al. 465 (CESJ, RB); 7.VH.2001, fr., R. M. Castro et al. 515 (CESJ, RB); 10.IX.2001. fr., P. C. L Faria et al. s.n. (CESJ 34484, RB); 26.XI.2(XX). II., R. C. Forzza á L Meireles 1717 (CESJ, RB, SPF); 12.1.2002, fl., R. C. Forzza et al. 2030 (CESJ, RB); 30.XI.2001, fl., D. Pifano & R. M. Castro 1% (CESJ, RB); 1.XII.2001, fl., D. Pifano et al. 207 (CESJ, RB, SPF); 16.1.2000. fl.. F. R. Salimena et al. s.n. (CESJ 31013, SI F), 8 VIII.2000, fr., F. R. Salimena et al. s.n. (CESJ 31397, SPF); 25.V.2000. fr., P. C. Zatnpa et al. s.n. (CESJ 31173, SPF). Nome popular: Pindaíba-negra cm l SciELO/JBRJ 12 13 14 15 16 17 140 Lobão, A. Q., Forzza, R. C. & Mello-Silva, R- .«ST»,1 ; R,mo í°n ^ ' n°ra- b *™i «««indo mm. ^ « ,**. Rodrigutsia 57 (1): 137-147. 2006 SciELO/ JBRJ 12 13 14 15 16 17 Annonaceae da Reserva do Grama 141 Guatteria nigrescens distribui-se na floresta atlântica de Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo (Lobão 2003). Na Reserva é a espécie mais freqüente de Annonaceae, ocorrendo próximo a cursos d’ água e locais alagados. Foi coletada em flor de setembro a janeiro e em fruto de maio a setembro e em novembro. 3. Guatteria sellowiana Schltdl., Linnaea 9: 323.1835. Fig. 1 f-g Árvore ou arvoreta, 5-8 m alt. Ramos tomentosos. Pecíolo 3-5 mm compr., levemente canaliculado, com fissuras transversais, tomentosos. Lâmina foliar 5,5- 11 x 1,5-3 cm, cartácea, estreitamente elíptica, verde, esparsamente tomentosa na face adaxial, densamente tomentosa na abaxial, base atenuada, margem plana, ápice agudo, nervação broquidódroma, ca. 20 pares de nervuras secundárias, juntamente com o retículo, proeminentes em ambas as faces. Flor 1, axilar; botões triangular-ovóides; pedicelo 0,5-1 cm compr; brácteas caducas; sépalas 4-7 x 3-7 mm, valvares, largamente triangulares, tomentosas em ambas as faces; pétalas ovais, esverdeadas, ápice acuminado, as externas 6-13 x 4—5 mm, densamente tomentoso-vilosas em ambas as faces, as internas 7-13 x 5-7 mm, glabras na base e tomentosas no ápice da face adaxial, tomentosas na abaxial; estames ca. 1 mm compr.; carpelos ca. 2 mm compr., seríceos. Carpídios 20-50, 10-12 x 5 mm, elipsóides, estipes 8-17 mm compr., vermelho-purpúreos, glabros. Material examinado: 7.VII.2001, fl., R ■ M- Castro et al 501 (CESJ, RB, SPF); 21.VII.2001, fl., R. M. Castro 562 (CESJ, SPF). Guatteria sellowiana ocorre na Bahia, Goiás, Minas Gerais, Distrito Federal, Espírito Santo e Rio de Janeiro (Maas et al. 2002). E comum nas matas de galeria do Brasil central. Na Reserva é pouco freqüente e foi coletada em flor em julho. Rollinia A. St.-Hil. Árvores, arvoretas ou arbustos. Tricomas simples, raramente furcados ou estrelados. Folhas com nervura primária impressa na face adaxial. Flor solitária ou em inflorescência, supra-axilar, opositifolia ou raramente sub- axilar; sépalas 3, livres; pétalas 6, conatas na base, as externas aladas, as internas muito menores; estames numerosos, anteras não septadas transversalmente; carpelos numerosos, óvulo 1, basal. Fruto sincárpico, raramente apocárpico, carpídios indeiscentes, sementes muitas quando sincárpico e 1 por carpídio quando apocárpico, sem arilo. Rollinia ocorre do México ao norte da Argentina e possui aproximadamente 44 espécies distribuídas em dois centros de diversidade. O principal, na Amazônia, conta com cerca de 25 espécies e o secundário, na costa leste do Brasil, conta com cerca de 14 espécies (Maas & Westra 1992). 4. Rollinia dolabripetala (Raddi) R. E. 1 r., Kongl. Svenska Vetenskapsakad. Handl., n.s., 34(5): 45. 1900. Fig. 2 a-c Rollinia laurifolia Schltdl., Linnaea 9. 319. 1835. Árvore ou arvoreta ou 2-7 m alt. Ramos jovens seríceos, ramos adultos glabros, lenticelados. Pecíolo 8-12 mm compr. Lâmina foliar 8— 1 6(— 24) x 2-5(-8) cm, cartácea a subcoriácea, estreitamente elíptica, glabra na face adaxial, esparsamente setosas na abaxial; base aguda, às vezes obtusa e assimétrica, margem plana, ápice agudo, nervação broquido-camptódroma, ca. 20 pares de nervuras secundárias, juntamente com o retículo, pouco proeminentes em ambas as faces. Flores 1-3, supra-axilares ou opositifolias; pedicelo 13-30 mm compr., tomentoso; brácteas caducas; sépalas ca. 2 x 4 mm, depresso-triangulares, tomentosa na lace abaxial, glabras na adaxial; pétalas creme a esverdeadas, as externas 8-20 x 5-6 mm, oblongo-clavadas, aladas, tubo da corola ca. 3 mm compr., alas 13x6 mm, as internas Rodrigutsia 57 (1): 137-147. 2006 [SciELO/ JBRJ 12 13 14 15 16 17 cm 142 Lobão, A. Q., Forzza, R. C. & Mello-Silva, R. maduro, d-g. Xylopia brasiliensí. d. * FrU‘° g. Fruto com catpídio aberto, h-j. Xylopia sericea h. Ramo comZ^^j *£Z± !° «" fechad°* folha; j. flor evidenciando pétalas externas e internas, (a.c Am* 74, ; b Casno 673, d g Rodriguésia 57 (1): 137-147. 2006 SciELO/JBRJ 12 13 14 15 16 17 cm Armonaceae da Reser\'a do Grama estreitamente triangulares ca. 15 x 3 mm, menores que as externas; estames ca. 1 mm compr.; carpelos ca. 2 mm compr., seríceos na base. Frutos sincárpicos, largamente ovóides, 2-2,5 x 2-2,5 cm, carpídios 40-60, mais ou menos oblongos, apiculados, verdes passando a amarelos quando maduros. Material examinado; 9.III.2003, fr., L. C. S Assis et al. 741 (CESJ, RB); 11.11.2001, fr., R. M. Castro et al. 106 (CESJ, RB, SPF); 7. VII. 2001, fr., R. M. Castro et al. 507 (CESJ); 30.XI.2001, fl., R. M. Castro & D. Pifano 673 (CESJ, RB, SPF); 10.X.2002, fl., P. C. L Faria & B. Antunes 89 (CESJ, RB); 12.1.2002, fr., R. C. Forzza et al. 2032 (CESJ). Rollinia dolabripetala ocorre de Santa Catarina à Bahia (Mello-Silva 1997), e no Distrito Federal (Pontes & Mello-Silva 2004). Na Reserva é muito comum, em geral, em áreas bem drenadas da floresta de encosta. Foi coletada em flor em novembro e em fruto de janeiro a março, maio e julho. Coleções de R. dolabripetala, principal- mente da mata atlântica de Minas Gerais, têm sido identificadas como R. laurifolia, mas a sinonimização das duas .espécies é proposta por Mello-Silva & Pirani (no prelo). Unonopsis R. E. Fr. Árvores ou arbustos. Tricomas simples. Folhas con nervura primária proeminente na face adaxial. Flor solitária ou em inflorescências, axilares ou caulinares, monoclina; sépalas 3, livres ou conatas, v alvares; pétalas 6, livres, valvares; estames numerosos, anteras não septadas transversalmente; carpelos numerosos, óvulos 1-8, marginais. Fruto apocárpico, carpídios indeiscentes; semente 1(— 2— 5), sem arilo. Unonopsis possui cerca de 40 espécies, muitas ainda não descritas (Maas et al. 2002). Ocorre da América Central e Antilhas ao sudeste do Brasil (Steyermark et al. 1995). 143 5. Unonopsis bauxitae Maas, Westra & Mello-Silva, sp. nov. Tipo: BRASIL. MINAS GERAIS: Descoberto, Reserva Biológica da Represa do Grama, 9.XII.2001, fl. e fr., R.M. Castro et al. 745 (holótipo SPF 3 exsicatas; isótipos BHCB, CESJ 2 exsicatas, K, NY, RB, U). ^ fl-f Unonopsi riedelianae próxima sed foliis majoribus et latioribus et alabastris acutis vel acuminatis nec obtusis differt. Árvore, 7-17 m alt. Ramos glabrescentes Pecíolo 3-7 mm compr., semi-cilíndrico, plano na face adaxial. Lâmina foliar 14—19 x 4-6 cm, cartácea a subcoriácea, estreitamente elíptica, simétrica a levemente assimétrica, in sicco castanha, glabra exceto nervura central da face abaxial pubescente e glabrescentc, base aguda, margem plana, ápice acuminado, acúmem 5-25 mm compr., às vezes agudo, nervação eucamptódroma na metade proximal e broquidódroma na distai, 10-15 pares de nervuras secundárias proeminentes em ambas as faces, mais na abaxial, retículo impresso na face adaxial, proeminente na abaxial. Inflorescências ramifloras, ramos 1-7 x 5-10 mm, 2-1 0-floras; botões 3-10 x 3-9 mm, depresso-ovóides, acuminados ou agudos; pedicelo 10-25 mm compr., áureo-adpresso- pubescente; brácteas depresso a largamente ovadas, 1-2 mm compr., adpresso- pubescentes, persistentes; sépalas depresso- ovado-triangulares, 1-1.5 x 3 mm, conatas, glabras na face adaxial, áureo-adprcsso- pubescentes na abaxial; pétalas carnosas, as externas 8-14 x 5-10 mm, oval-triangulares, acuminadas, planas, glabras na face adaxial, áureo-adpresso-seríceas na abaxial, as internas 6-9 x 4-8 mm, ovais, cuculadas, áureo- adpresso-seríceas sobre a nervura central da face abaxial, restante glabra; receptáculo truncado, estames ca. 1 mm compr.; carpelos 25-50, 1-2 mm compr., densamente áurco- seríceòs, óvulo basal. Carpídios 1-5, 15-25 x 10-20 mm, elipsóides a obovóides, imaturos verdes, áureo-pubérulos, estipes 10-15 mm Rodriguésia 57 (1): 137-147. 2006 SciELO/JBRJ 12 13 14 15 16 17 cm 144 compr., receptáculo na frutificação depresso a largamente ovóide, 2-4 x 3-5 mm, densamente adpresso-áureo-seríceo. Sementes não vistas. Parátipo: BRASIL. MINAS GERAIS: Descoberto, Reserva Biológica da Represa do Grama, 22. IX. 2002, fl., R. C. Forzza et al. 2222 (CESJ, MBM, MO, RB, SPF, U). Unonopsis bauxitae é provavelmente próxima de U. riedeliana, da qual difere pelas folhas maiores e mais espessas e pelos botões acuminados. Os frutos de U. riedeliana são desconhecidos e U. bauxitae possui os maiores frutos conhecidos dentre as Unonopsis do sudeste do Brasil. É a única espécie de Unonopsis da mata atlântica de Minas Gerais. A outra espécie que também ocorre em Minas Gerais, U. lindmanii, habita matas cilares do sudeste de Goiás e oeste de Minas Gerais, São Paulo e Paraná, no domínio dos cerrados. Na mata atlântica, há ainda, U. riedeliana, endêmica de Petrópolis, Rio de Janeiro, e quatro ou cinco espécies ainda não descritas, de Rio das Ostras, no Rio de Janeiro, de Linhares e Santa Teresa, no Espírito Santo, e do sul da Bahia (Maas et al. 2002). Unonopsis bauxitae é endêmica da Reserva do Grama. Ocorre exclusivamente numa mata semi-caducifólia que medra sobre afloramentos de bauxita. Xylopia L. Árvores ou arbustos. Tricomas simples. Folhas com nervura primária impressa na face adaxial. Flores axilares, monoclinas; botão estreitamente piramidal; sépalas 3, conatas na base, valvares, raramente imbricadas; pétalas 6, livres, valvares, as internas menores; estames e estaminódios numerosos, anteras septadas transversalmente, ápice do conectivo dilatado, truncado; carpelos poucos a muitos, óvulos 2-8, marginais. Fruto apocárpico, carpídios em geral estipitados, deiscentes; sementes com arilo. Xylopia é pantropical e possui entre 100- 160 espécies (Kessler 1993). Lobão, A. Q.. Forzza, R. C. <5 Mello-Silva, R. 6. Xylopia brasiliensis Spreng., Neue Entd. 3:50.1822. Fig. 2d-g Árvore, 3-6 m alt. Ramos jovens glabres- centes, ramos adultos glabros, ferrugíneos; ritidoma descamante, avermelhado. Pecíolo 1- 3 mm compr. Lâmina foliar 3-6,5 x 0,5-1, 5 cm, cartácea, estreitamente elíptica, glabra na face adaxial, esparsamente serícea a glabra na abaxial; base atenuada; margem inteira; ápice acuminado; nervação broquidódroma, ca. 10 pares de nervuras secundárias ligeiramente arqueadas, juntamente com o retículo, pouco proeminentes em ambas as faces. Flores 1-3, axilares; botões estreitamente piramidais; pedicelo ca. 4 mm compr.; brácteas persistentes, ápice bilobado; sépalas ca. 2,5 x 2,5 mm, conatas na base, largamente triangulares, seríceas na face abaxial, glabras na adaxial; pétalas avermelhadas, as externas 22 x 4 mm, estreitamente oblongas, dilatadas na base, vilosas na face abaxial, vilosas no ápice da abaxial, as internas ca. 19 x 1,5 mm, menores que as externas, lineares, esparsamente vilosas na face adaxial, seríceas na abaxial; estames ca. 1,5 mm compr.; estaminódios presentes entre os estames e os carpelos; carpelos ca. 6 mm compr., seríceos na base. Carpídios 4-9, 10-20 x 5-7 mm, clavado-falcados, apiculados, verdes, glabrescentes, estipes ca. 3 mm compr. Sementes 2-5. Material examinado: 23.IX.2002, fr., R.C. Forzza et al. 2241 (CESJ, RB, SPF). Material adicional selecionado: BRASIL. RIO DE JANEIRO: Itatiaia, lotes 28-30, XII. 191 8, P. Campos Porto 852 (RB). Nova Friburgo, Reserva Ecológica Municipal de Macaé de Cima, 22°00’S 42°03’W, elev. 1200 m, 27.XII.1989, fl., M. Nadruz et al. 526 (RB). Rio de Janeiro, Corcovado, 26.XII. 1 920, fl., A. Ducke & J. G. Kuhlmann s.n. (RB 15388); Jacarepaguá, Açude do Camorim, 3.1.1933, fl., J. G. Kuhlmann s.n. (RB 306). SÃO PAULO. Serviço Florestal de São Paulo, V. 1945, fl., J. I. Lima s.n. (RB 54295). Nome popular: Casca-de-barata Rodriguésia 57 (1): 137-147. 2006 ,SciELO/JBRJ 12 13 14 15 16 17 Annonaceae da Reserva do Grama 145 /V/ a « tlorc; c. nor comia da. pétttat o» removida; d. pélnlti í™*5™ «m 22221 ' Pétala interna, face adaxiali g. ramo com botlo floral e tatos; b. ta». («• «4> Corta 743.tr Xylopia brasiliensis caracteriza-se pelo ritidoma descamante, que lhe confere o nome popular “casca-de-barata”, pelas folhas de pequenas dimensões, e flores avermelhadas. Ocorre no Brasil, de Minas Gerais a Santa Catarina, e no Paraguai (Dias 1988; Fries 1930; Maas et al. 2002). Na Reserva há diversos indivíduos jovens, em locais úmidos, mas indivíduos adultos são raros. Foi coletada em fruto em setembro. 7 .Xylopia seriem A. St.-Hil„ Fl. Bras. merid. 1(21:41.1825. Ftg.2h-j Árvore 10-13 m alt. Ramos jovens áureo-seríceos, ramos adultos glabrescentcs a glabros, lenticelados; ritidoma íntegro, acastanhado. Pecíolo 5-7 mm compr. Lâmina foliar 6,5-15 x 2, 5-4, 5 cm, estreitamente elíptica, subcoriácea a cartácea, glabra na face adaxial, densamente serícea a glabrescentc na abaxial; base aguda a obtusa; margem plana a pouco revoluta; ápice acuminado; nervaçao broquidódroma, ca. 8 pares de nervuras Rodriguésia 57 (1): 137-147. 2006 ;SciELO/ JBRJ 12 13 14 15 16 17 cm 146 secundárias ligeiramente arqueadas, juntamente com o retículo, pouco proeminentes em ambas as faces. Flores 1-7, axilares, subsésseis. Brácteas persistentes, ápice bilobado; botões estreitamente piramidais, seríceos; sépalas ca. 3 x 3 mm, largamente triangulares, seríceas na face abaxial, glabras na adaxial; pétalas alvas, as externas 14-15 x 3-4 mm, estreitamente oblongas, dilatadas na base, glabras na base e tomentosas no ápice da face adaxial, áureo-seríceas na abaxial, as internas ca. 13x2 mm, lineares, tomentosas em ambas as faces; estames ca. 1,5 mm compr.; estaminódios presentes entre os estames e os carpelos; carpelos ca. 4 mm compr., seríceos na base. Carpídios 2-9, 13- 23 x 10-12 mm, clavado-falcados, não apiculados, castanho-avermelhados, glabrescentes, subsésseis. Sementes (1— )2— 3. Material examinado: 7.V.2001, fr., R. M. Castro et al. 307 (CESJ); 30.X1.2001, fl„ D. Pifano & R. M. Castro 200 (CESJ, RB); 13.V.2000, fr., F R. Salimena et al. s.n. (CESJ 31172, SPF). Nome popular: Pimenteira-de-macaco Xylopia sericea ocorre da Colômbia ao Estado do Paraná, no Brasil (Dias 1988; Fries 1930; Steyermark et al. 1995) numa grande variedade de hábitats. Fornece madeira própria para mastros de pequenas embarcações, as fibras da casca são usadas na indústria caseira de cordoaria e a árvore pode ser ornamental (Corrêa 1984). Na Reserva é muito freqüente em locais mais secos, formando grandes adensamentos. As sementes são utilizadas como substituto de pimentas. Foi coletada em flor em novembro e em fruto em maio e junho. Referências Bibliográficas Almeida, V. R.; Temponi, L.G. & Forzza, R. C. 2005. A família Araceae na Reserva Biológica da Represa do Grama, Descoberto, Minas Gerais, Brasil. Rodriguésia 56(88): 127-144. Assis, L. C. S.; Forzza, R. C. & Werff, H. van der. 2005. A família Lauraceae na Reserva Biológica da Represa do Grama, Lobão, A. Q., Forzza. R. C. & Mello-Silva, R. Descoberto, Minas Gerais, Brasil. Boletim de Botânica da Universidade de São Paulo 23(1): 113-139. Corrêa, M. P. 1984. Dicionário das plantas úteis do Brasil e das exóticas cultivadas. Imprensa Nacional, Rio de Janeiro, vol. 1-6. Dias, M. C. 1988. Estudos taxonômicos do gênero Xylopia L. (Annonaceae) no Brasil extra-amazônico. Dissertação de Mestrado. Universidade Estadual de Campinas. Campinas. Fries, R. E. 1930. Revision der Arten einiger Anonaceen-Gattungen. I. Acta Horti Bergiani 10(1): 1-128. Heusden, E. C. H. van. 1992. Flowers of Annonaceae: morphology, classification, and evolution. Blumea7: 1-218. Kessler, P. J. A. 1993. Annonaceae. In: K. Kubitzki., J. C. Rohwer & V. Bittrich (eds.) The families and genera of vascular plants II: Flowering plants. Dicotyledons. Magnoliid, Hamamelid and Caryophyllid families. Springer-Verlag, Berlin, p. 93- 129. Koek-Noorman, J.; Setten, A. K. van & Kuilen, C. M. van 1997. Studies in Annonaceae. XXVI. Flowers and fruit morphology in Annonaceae. 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Rodriguésia 57 (1): 137-147. 2006 ISciELO/ JBRJ 12 13 14 15 16 17 cm INSTRUÇÕES AOS AUTORES Escopo A Rodriguésia é uma publicação quadrimestral do Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro, que publica artigos e notas científicas, em Português, Espanhol ou Inglês em todas as áreas da Biologia Vegetal, bem como em História da Botânica e atividades ligadas a Jardins Botânicos. Encaminhamento dos manuscritos Os manuscritos devem ser enviados em 3 vias impressas à: Revista Rodriguésia Rua Pacheco Leão 915 Rio de Janeiro - RJ CEP: 22460-030 Brasil Fone: (0xx2 1 ) 3204-25 1 9 / 3204-2 1 30 Os artigos devem ter no máximo 30 páginas digitadas, aqueles que ultrapassem este limite poderão ser publicados após avaliação do Corpo Editorial. O aceite dos trabalhos depende da decisão do Corpo Editorial. Todos os artigos serão submetidos a 2 consultores ad hoc. Aos autores será solicitado, quando necessário, modificações de forma a adequar o trabalho às sugestões dos revisores e editores. Artigos que não estiverem nas normas descritas serão devolvidos. Serão enviadas aos autores as provas de página, que deverão ser devolvidas ao Corpo Editorial em no máximo 5 dias úteis a partir da data do recebimento. Os trabalhos, após a publicação, ficarão disponíveis em formato digital (PDF, AdobeAcrobat) no site do Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro (httpi/ / Www.ihrjgnvhrt Formato dos manuscritos Os autores devem utilizar o editor do texto Microsoft Word, versão 6.0 ou superior, fonte Times New Roman, corpo 12, em espaço duplo. O manuscrito deve ser formatado em tamanho A4, com margens de 2,5 cm e alinhamento justificado, exceto nos casos indicados abaixo, e impresso em apenas um lado do papel. Todas as páginas, exceto a do título, devem ser numeradas, consecutivamente, no canto superior direito. Letras maiusculas devem ser utilizadas apenas se as palavras exigem iniciais maiusculas, de acordo com a respectiva língua do manuscrito. Não serão considerados manuscritos escritos inteiramente em maiusculas. Palavras em latim devem estar em itálico, bem como os nomes científicos genéricos e infragcnéricos. Utilizar nomes científicos com-pletos (gênero, espécie e autor) na primeira men-ção, abreviando o nome genérico subseqüente-mente, exceto onde referência a outros gêneros cause confusão. Os nomes dos autores de táxons devem ser citados segundo Brummitt & Powell (1992), na obra “Authors of Plant Names". Primeira página — deve incluir o título, autores, instituições, apoio financeiro, autor e endereço para correspondência e título abreviado. O título deverá ser conciso e objetivo, expressando a idéia geral do conteúdo do trabalho. Deve ser escrito em negrito com letras maiúsculas utilizadas apenas onde as letras e as palavras devam ser publicadas em maiúsculas. Segunda página - deve conter Resumo (incluindo título em português ou espanhol), Abstract (incluindo título em inglês) e palavras-chave (até 5, em português ou espanhol e inglês). Resumos e abstracts devem conter até 200 palavras cada. O Corpo Editorial pode redigir o Resumo a partir da tradução do Abstract em trabalhos de autores não fluentes em português. exto - Iniciar em nova página de acordo com :qüência apresentada a seguir: Introdução, íaterial e Métodos, Resultados, Discussão, gradecimentos e Referências Bibliográficas. Estes »ns podem ser omitidos em trabalhos sobre a •scrição de novos táxons, mudanças nomenclaturais a similares. O item Resultados pode ser agrupado >m Discussão quando mais adequado. Os tílu bs ntrodução, Material e Métodos etc.) e subtítulos •verão serem negrito. Enumere as figuras e tabelas n arábico de acordo com a seqüência em que as esmas aparecem no texto. As citações de ferências no texto devem seguir os seguintes ;emplos: Miller(1993),Miller&Maier(1994), Biüta al. (1996) para três ou mais autores ou lMilicr >93) (Miller&Maier 1994). (Baker etal. 1996). Referência a dados ainda não publicados ou ibalhos submetidos deve ser citada conforme o emDlo: (R.C. Vieira, dados não publicados). Cite sumos de trabalhos apresentados em Congressos, icontros e Simpósios se eslritamente necessário ISciELO/ JBRJ 12 13 14 15 16 17 cm O material examinado nos trabalhos taxonômicos deve ser citado obedecendo a seguinte ordem: local e data de coleta, fl., fr., bot. (para as fases fenológicas), nome e número do coletor (utilizando et al. quando houver mais de dois) e sigla(s) do(s) herbário(s) entre parêntesis, segundo o Index Herbarionim. Quando não houver número de coletor, o número de registro do espécime, juntamente com a sigla do herbário,deverá ser citado. Os nomes dos países e dos estados/províncias deverão ser citados por extenso, em letras maiúsculas e em ordem alfabética, seguidos dos respectivos materiais estudados. Exemplo: BRASIL. BAHIA: Ilhéus, Reserva da CEPEC, 1 5.XI1. 1 996, fl. e fr., /?. C. Vieira et al. 70987 (MBM, RB, SP). Para números decimais, use vírgula nos artigos em Português e Espanhol (exemplo: 10,5 m) e ponto em artigos em Inglês (exemplo: 10.5 m). Separe as unidades dos valores por um espaço (exceto em porcentagens, graus, minutos e segundos). Use abreviações para unidades métricas do Systeme Internacional dTJnités (SI) e símbolos químicos amplamente aceitos. Demais abreviações podem ser utilizadas, devendo ser precedidas de seu significado por extenso na primeira menção. Referências Bibliográficas - Todas as referências citadas no texto devem estar listadas neste item. As referencias bibliográficas devem ser relacionadas em ordem alfabética, pelo sobrenome do primeiro autor, com apenas a primeira letra em caixa alta, seguido de todos os demais autores. Quando houver repetição do(s) mesmo(s) autor(es), o nome do mesmo deverá ser substituído por um travessão; quando o mesmo autor publicar vários trabalhos num mesmo ano, deverão ser acrescentadas letras alfabéticas após a data. Os títulos de periódicos não devem ser abreviados. Exemplos: Tolbert, R. J. & Johnson, M. A. 1966. A survey of the vegetative shoot ápices in the family Malvaceae. American Journal of Botany 53(10)- 961-970. Engler, H. G. A. 1878. Araceae. In: Martius, C. F. P. von; Eichler, A. W. & Urban, I. Flora brasiliensis. Munchen, Wien, Leipzig, 3(2): 26-223. . 1930. Liliaceae. In: Engler, H. G. A. & Plantl, K. A. E. Die Naturlichen Pflanzenfamilien. 2. Aufl. Leipzig (Wilhelm Engelmann). 1 5: 227-386. Sass, J. E. 1 95 1 . Botanical microtechnique. 2ed. Iowa State College Press, Iowa, 228p. Cite teses e dissertações se estritamente necessário, isto é, quando as informações requeridas para o bom entendimento do texto ainda não foram publicadas em artigos científicos. Tabelas - devem ser apresentadas em preto e branco, no formato Word for Windows. No texto as tabelas devem ser sempre citadas de acordo com os exemplos abaixo: “Apenas algumas espécies apresentam indumento (Tabela 1)...” “Os resultados das análises fitoquímicas são apresentados na Tabela 2...” Figuras - não devem ser inseridas no arquivo de texto. Submeter originais em preto e branco e três cópias de alta resolução para fotos e ilustrações, que também podem ser enviadas em formato eletrônico, com alta resolução, desde que estejam em formato TIF ou compatível com CorelDraw, versão 10 ou superior. Ilustrações de baixa qualidade resultarão na devolução do manuscrito. No caso do envio das cópias impressas a numeração das figuras, bem como textos nelas inseridos, devem ser assinalados com Letraset ou similar em papel transparente (tipo manteiga), colado na parte superior da prancha, de maneira a sobrepor o papel transparente à prancha, permitindo que os detalhes apareçam nos locais desejados pelo autor. Os gráficos devem ser em preto e branco, possuir bom contraste e estar gravados em arquivos separados em disquete (formato TIF ou outro compatível com CorelDraw 10). As pranchas devem possuir no máximo 1 5 cm larg. x 22 cm comp. (também serão aceitas figuras que caibam em uma coluna, ou seja, 7,2 cm larg.x 22 cm comp.). As figuras que excederem mais de duas vezes estas medidas serão recusadas. As imagens digitalizadas devem ter pelo menos 600 dpi de resolução. No texto as figuras devem ser sempre citadas de acordo com os exemplos abaixo: “Evidencia-se pela análise das Figuras 25 e 26....” “Lindman (Figura 3) destacou as seguintes características para as espécies..." Após feitas as correções sugeridas pelos assessores e aceito para a publicação, o autor deve enviar a versão final do manuscrito em duas vias impressas e em uma eletrônica. SciELO/JBRJ 12 13 14 15 16 17 cm IN STRU CCIONES A LOS AUTORES Generalidades Rodríguésia es una publicación quadrimestral dei Instituto de Investigaciones dei Jardín Botânico de Rio de Janeiro, la cual publica artículos y notas científicas, en Português, Espanol y Inglês en todas las áreas de Biologia Vegetal, asi como en Historia de la Botânica y actividades ligadas a Jardines Botânicos. Preparación dei manuscrito Los manuscritos deben ser enviados en tres copias impresas a la: Revista Rodríguésia Rua Pacheco Leão 9 1 5 Rio de Janeiro - RJ CEP: 22460-030 - Brasil Fone: (0xx2 1 ) 3204-25 1 9 / 3204-2 1 30 Los artículos pueden tener unaextensión máxima de 30 páginas (sin contar cuadros y figuras), los que se extiendan más de 30 páginas podrán ser publicados después de ser evaluados por el Consejo Editorial. La aceptación de los trabajos depende de la decisión dei Comité CienüTico. Todos los artículos serán examinados por dos consultores ad hoc. A los autores será solicitado, cuando sea necesario, modificaciones para adecuar el manuscrito para adecuarlo a las sugerencias de los revisores y editores. Artículos que no sigan las normas descritas serán devueltos. Serán enviados a los autores las pruebas de página, las cuales deberán ser devueltas al Consejo Editorial en un plazo máximo de cinco dias a partir de la fecha de recibimiento. Después de publicados los artículos estarán disponibles en formato digital ( PD , AdobeAcrobat) en el site dei Instituto de Investigaciones dei Jardín Botânico de Rio de Janeiro (http://www.jbrj.gov.br). Preparación de los manuscritos Los autores deben utilizar el editor de texto Microsoft Word 6.0 o superior, letra Times New Roman 1 2 puntos y doble espacio. El manuscrito debe estar formateado en hojas tamafio A4, impresas por un solo lado, con márgenes 2,5 cm en todos los lados de la página y el texto alineado a la izquierda y a la derecha, excepto en los casos indicados abajo. Todas as páginas, excepto el título, deben ser numeradas, consecutivamente, en la esquina superior derec a. Las letras mayúsculas deben ser utilizadas apenas en palabras que exijan iniciales mayúsculas, e acuerdo con el respectivo idioma usado en e manuscrito. No serán considerados manuscritos escritos completamente con letras mayúsculas. Palabras en latín, nombres científicos genéricos e infra-genéricos deben estar escritas en letra itálica. Utilizar nombres científicos completos (género, especie y autor) solo la primera vez que sean mencionados, abreviando el nombre genérico en las próximas veces, excepto cuando los otros nombres genéricos sean iguales. Los nombres de autores de los taxones deben ser citados siguiendo Brummitt & Powell (1992) en la obra “Authors of Plant Names . Primera página - debe incluir el título, autores, afiliación profesional, financiamicnto, autor y dirección para correspondência, así como título abreviado. El título deberá ser conciso y objetivo, expresando la idea general dei contemdo dei artículo: además. debe ser escrito en negrita con letras mayúsculas utilizadas apenas donde las letras y las palabras deban ser publicadas en mayúsculas. Segunda página - debe tener un Resumen (incluyendo título en português o espanol). Abstract (incluyendo título en inglês) y palabras clave (hasta cinco, en português o espanol e inglês). Resumenes y “abstracts” llevan hasta 200 palabras cada uno. El Consejo Editorial puede traducir el “abstract , para hacer el Resumen en trabajos de autores que no tienen fluência en português. Texto - iniciar en una nueva página de acuerdo con secuencia presentada a seguir: íntroducción. Materiales y Métodos, Resultados. Discusión. Agradecimicntos y Referencias Bibliográficas Estas secciones pueden ser omitidas en trabajos relacionados con la descripción de nuevos taxonc * câmbios nomenclaturales o similares. La secetón Resultados puede ser agrupada con Discusién cuando se considere pertinente Las seccione (íntroducción, Material y Métodos, etc.) y subtítulos deberán ser escritas en negritas. Las figuras y las tablas se deben numerar en arábigo de acuerdo con la sccuencia en que las mismas aparezean en cl texto. Las citac.ones ^ j^rencia en el texto deben seguir los ejempbs. M.l'cr ( 1 J 3 ). Miller & Maier (1994), Baker ct (d. (1996) para tres o^mns autores^ (Millcr. 1993,. (Millcr & Muier, IW^BSc"S.od=vtan0 publicado, „ trabajos some, ido» a publicación tleben scr citados conforme al cjemplo: (R.C. Vtctra. -g O R C Vieira obs. pers.). Cite resumenes de trabajos presentados en Congresos, Encuentros y Simpos.os rnnndo sea estrictamente necesario. SciELO/JBRJ 12 13 14 15 16 17 cm El material examinado en los trabajos taxonómicos debe ser citado obedeciendo el siguiente orden: lugar y fecha de colección, fl„ fr., bot. (para las fases fenológicas), nombre y número dei colector (utilizando et al. cuando existan más de dos) y sigla(s) de lo(s) herbario(s) entre parêntesis, siguiendo el Index Herbariorum. Cuando no exista número de colector, el número de registro dei espécimen, juntamente con la sigla dei herbário, deberá ser citado. Los nombres de los países y de los estados o provincias deberán ser citados por extenso, en letras mayúsculas y en orden alfabética, seguidos de los respectivos materiales estudiados. Ejemplo: BRASIL. BAHIA: Ilhéus, Reserva da CEPEC, 15.XIL1996, fl. y fr., /?. C. Vieira et al. 10987 ( MBM, RB, SP). Para números decimales, use coma en los artículos en Português y Espanol (ejemplo: 10,5 m) y punto en artículos en Inglês (ejemplo: 10.5 m). Separe las unidades de los valores por un espacio (excepto en porcentajes, grados, minutos y segundos). Use abreviaciones para unidades métricas dei Systeme Internacional d’Unités (SI) y símbolos químicos ampliamente aceptados. Las otras abreviaciones pueden ser utilizadas, debiendo ser precedidas de su significado por extenso en la primera mención. Referencias Bibliográficas - Todas las referencias citadas en el texto deben ser listadas en esta sección. Las referencias bibliográficas deben ser ordenadas en orden alfabético por apellido dei primer autor, solo la primera letra debe estar en caja alta, seguido de todos los demás autores. Cuando exista repetición del(los) mismo(s) autor(es), el nombre dei mismo deberá ser substituído por una raya; cuando el mismo autor tenga vários trabajos en un mismo ano, deberán ser colocadas letras alfabéticas después de la fecha. Los títulos de revistas no deben ser abreviados. Ejemplos: Tolbert, R. J. & Johnson, M. A. 1 966. A survey of the vegetative shoot ápices in the family Malvaceae. American Journal of Botany 53(10): 961-970. Engler, H. G. A. 1878. Araceae. In: Martius, C. F. P. von; Eichler, A. W. & Urban, I. Flora brasiliensis. Munchen, Wien, Leipzig, 3(2): 26-223. . 1930. Liliaceae. In: Engler, H. G. A. & Plantl, K. A. E. Die Naturlichen Pflanzenfamilien. 2. Aufl. Leipzig (Wilhelm Engelmann). 15: 227-386. Sass, J. E 1 95 1 . Botanical microteehnique. 2ed. Iowa State College Press, Iowa, 228p. Cite tesis y disertaciones si es estrictamente necesario, o cuando las informaciones requeridas para un mejor entendimiento dei texto todavia no fueron publicadas en artículos científicos. Tablas - deben ser presentadas en blanco y negro, en el formato Word para Windows. En el texto las tablas deben estar siempre citadas de acuerdo con los ejemplos abajo: “Apenas algunas especies presentan indumento (Tabla 1)...” “Los resultados de los análisis fitoquímicos son presentados en la Tabla 2...” Figuras - no deben ser inseridas en ei archivo de texto. Someter originales en blanco y negro tres copias de alta resolución para fotos y ilustraciones, que también puedan ser enviadas en formato electrónico, con alta resolución, desde que sean en formato JPG o compatible con CorelDraw versión 9 o superior. Ilustraciones de baja calidad causaran la devolución dei manuscrito. En el caso de envio de las copias impresas la numeración de las figuras, así como, textos en ellas inseridos, deben ser marcados con Letraset o similar en papel transparente (tipo mantequilla), pegado en la parte superior de la figura, de manera que al colocar el papel transparente sobre la figura permitiran que los detalles aparezcan en los lugares deseados por el autor. Los gráficos deben ser en blanco y negro, con excelente contraste y gravados en archivos separados en disquete (formato JPG o otro compatible con CorelDraw 10.). Las figuras se publican con un de máximo 1 5 cm de ancho x 22 cm de largo, también serán aceptas figuras dei ancho de una columna - 7,2 cm. Las figuras que excedan más de dos veces estas medidas serán devueltas. Es necesario que las figuras digitalizadas tengan al menos 600 dpi de resolución. En el texto las figuras deben ser siempre citadas de acuerdo con los ejemplos de abajo: Evidencia para el análisis de las Figuras 25 y 26 ...” Lindman (Figura 3) destacó las siguientes características para las especies...” Después de hacer las correcciones sugeridas por los asesores y siendo aceptado el artículo para publicación, el autor debe enviar la versión final dei manuscrito en dos copias impresas y en una copia electrónica. Identifique el disquete con nombre y número dei manuscrito. SciELO/JBRJ 12 13 14 15 16 17 cm INSTRUCnONS TO AUTHORS Scope Rodriguésia, issued three times a year by the Botanical Garden of Rio de Janeiro Research Institute (Instituto de Pesquisa Jardim Botânico do Rio de Janeiro), publishes scientific articles and short notes in all areas of Plant Biology, as well as History of Botany and activities linked to Botanic Gardens. Articles are published in Portuguese, Spanish or English. Submission of manuscrípts Manuscripts are to be submitted with 3 printed copies (we will request the text on diskette or as an e-mail attachment after the review stage) to: Revista Rodriguésia Rua Pacheco Leão 915 Rio de Janeiro - RJ CEP: 22460-030 Brazil Fone: (0xx2 1 ) 3204-25 1 9 / 3204-2 1 30 The maximum recommended length of the articles is 30 pages, but larger submissions may be published after evaluation by the Editorial Board. The articles are considered by the Editorial Board of the periodical, and sent to 2 referees ad hoc. The authors may be asked, when deemed neccssary, to modify or adapt the submission according to the suggestions of the referees and the editors. Once the article is accepted, it will be type-set and the authors will receive proofs to review «uid send back in 5 working days from receipt. Following their publication, the articles will be available digitally (PDF, AdobeAcrobat) at the site of the Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro (http://www.jbri . eov.br). Guidelines Manuscripts must be presented in Microsoft Word software (vs 6.0 ou more recent), with Times New Roman font size 12, double spaced. Page format must be size A4, margins 2,5 cm, justified (except in the cases explained below), printed on one side only. All pages, except the title page, must be numbered in the top right comer. Capital letters to be used only for initials, according to the language. Latin words must be in italics (incl. genera and all other categories below generic levei), and the scientific names have to be complete (genus, species and author) when they first appear in the text, and afterwards the genus can be abbreviated and the authority of the name suppressed, unless for some reason it may be cause for confusion. Names of authors to be cited according to Brummitt & Powell (1992), “Authors of Plant Names". First page - must include title, authors, addresses, financial support, main author and contact address and abbreviated title. The title must be short and objective, expressing the general idea of the contents of the article. It must appear in bold with capital letters where relevant. Second page - must contain a Portuguese summary (including title in Portuguese or Spanish), Abstract (including title in English) and key-words (up lo 5, in Portuguese or Spanish and in English). Summaries and abstracts must contain up to 200 words each. The Editorail Board may translate the Abstract into a Portuguese summary if the authors are not Portuguese speakers. Text - starting on a new page, according to the following sequence: Introduction, Material and Methods, Results, Discussion, Acknowledgements and Referenccs. Some of these items may be omitted in articles describing new taxa or presenting nomenclatural changes, etc. In some cases, the Results and Discussion can be merged. Titles (Introduction, Material and Methods, etc.) and subtitles must be in bold type. Number figures and tables in 1-10 etc., according with the sequence these occupy wilhin the text. Rcferences with.n the text should be in the following forms: Mil er (1993), Miller & Maier ( 1 994), Baker etal. ( 996) for three or more authors or (Miller 1993). (M.l ler & Maier 1994), (Baker et al. 1996). Unpubhsheddata should appear as: (R. C. Vieira, unpubUshedk Conference, Symposia and Meetmgs abstrac should only be cited if strictly nccessary. For Taxonomic Botany articles, the examine material ought to be cited following this ordcr: locality and date of collection. phenology (IT, tn, bud), name and number of collcctor (using et al. when more than two collectors werc prcscnt) and acronym of the hcrbaria betwecn brackets, according to Index Herbarioram. When the collector's number is not available. lhe herbanum rccord number should be cited prcccdcd by the HerbariunTs acronym. Names of countries and statcs/orovinces should be cited in full, in capital SciELO/JBRJ 12 13 14 15 16 17 cm letters and in alphabetic order, followed by the material studied, for instance: BRASIL. BAHIA: Ilhéus, Reserva da CEPEC, 1 5.XII. 1 996, fl. e fr., /?. C. Vieira et al. 10987 (MBM RB, SP). Decimal numbers should be separated by comma in articles in Portuguese and Spanish (e.g.: 10,5 m), full stop in English (e.g.: 10.5 m). Numbers should be separated by space from the unit abbreviation, except in percentages, degrees, minutes and seconds. Metric units should be abbreviated according to the Système Internacional d'Unités (SI), and Chemical symbols are allowed. Other abbreviations can be used as long as they are explained in full when they appear for the first time References - All references cited in the text must be listed within this section in alphabetic order by the sumame of the first author, only the first letter of sumames in upper case, and all other authors must be cited. When there are several works by the same author, the sumame is substituted by a long dash; when the same author publishes more than one work in the same year, these should be differentiated by lower case letters suffixing the year of publication. Titles of papers and joumals should be in full and not abbreviated. Examples: Tolbert, R. J. & Johnson, M. A. 1966. A survey of the vegetative shoot ápices in the family Malvaceae. American Journal of Botany 53(10)- % 1-970. Engler, H. G. A. 1 878. Araceae. In: Martius, C. F. P von; Eichler, A. W. & Urban, I. Flora brasiliensis! Munchen, Wien, Leipzig, 3(2): 26-223. . 1930. Liliaceae. In: Engler, H. G. A. & Plantl, K. A. E. Die Naturlichen Pflanzenfamilien. 2. Aufl. Leipzig (Wilhelm Engelmann). 15: 227-386. Sass, J. E. 1951. Botanical microtechnique. 2ed. Iowa State College Press, Iowa, 228p. MSc and PhD thesis should be cited only when strictly necessary, if the information is as yet unpublished in the form of scientific articles. Tables — should be presented in black and white, in the same software cited above. In the text, tables should be cited following in the examples below: “Only a few species pnesent hairs (Table 1 )...” Results to the phytochemical analysis are presented in Table 2...” Figures (must not be included in the file with text) - submit originais in black and white high good quality copies for photos and illustrations, or in electronic form with high resolution in format TIF 600 dpi, or compatible with CorelDraw (vs. 10 or more recent). Scripts submitted with low resolution or poor quality illustrations will be retumed to the authors. In case of printed copies, the numbering and text of the figures should be made on an overlapping sheet of transparent paper stuck to the top edge of the plates, and not on the original drawing itself. Graphs should also be black and white, with good contrast, and in separate files on disk (format TIF 600 dpi, or compatible with CorelDraw 10). Plates should be a maximum of 15 cm wide x 22 cm long for a full page, or column size, with 7,2 cm wide and 22 cm long. The resolution for grayscale images should be 600 dpi. In the text, figures should be cited according to the following examples: It is made obvious by the analysis of Figures 25 and 26...” Lindman (Figure 3) outlined the following characters for the species...” After adding modifications and corrections suggested by the two reviewers, the author should submit the final version of the manuscript electronically plus two printed copies. SciELO/ JBRJ 12 13 14 15 16 17 ISSN 0370-6583 RODRIGUÉSIA Revista do Jardim Botânico do Rio de Janeiro Volume 57 Número 2 2006 I 5 6 SciELO/JBRJ 13 14 15 16 17 18 RODRIGUÉSIA Revista do Jardim Botânico do Rio de Janeiro Volume 57 Número 2 2006 • iVr IMIBOIM no mim cm .. INSTITUTO DE PESQUISAS JARDIM BOTÂNICO DO RIO DE JANEIRO Rua Jardim Botânico 1008 - Jardim Botânico - Rio de Janeiro - RJ - Tel.: 3204-2519 - CEP 22460- 180 © JBRJ ISSN 0370-6583 Indexação: e-Joumals Index of Botanical Publications (Harvard University Herbaria) Latindex Referativnyi Zhumal Review of Plant Pathology Ulrich’s International Periodicals Directory Edição eletrônica: www.jbij.gov.br Presidência da República LUIS INÁCIO LULA DA SILVA Presidente Ministério do Meio Ambiente MARINA SILVA Ministra CLÁUDIO LANGONE Secretário Executivo Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro LISZT VIEIRA Presidente LEANDRO FREITAS Gestor do Corpo Editorial Corpo Editorial Editora-chefe Rafaela Campostrini Forzza, JBRJ Editor-assistente Vidal de Freitas Mansano, JBRJ Editores de Área Ary Teixeira de Oliveira Filho, UFLA Gilberto Menezes Amado Filho, JBRJ Lana da Silva Sylvestre, UFRRJ Mareia de Fatima Inácio Freire, JBRJ Montserrat Rios Almeida, FOMRENA, Equador Ricardo Cardoso Vieira, UFRJ Tania Sampaio Pereira, JBRJ Rodriguésia A Revista Rodriguésia publica artigos e notas científicas em todas as áreas da Biologia Vegetal, bem como em História da Botânica e atividades ligadas a Jardins Botânicos. Ficha catalográfíca: Rodriguésia: revista do Jardim Botânico do Rio de Janeiro. -- Vol.l, n.l (1935) - .- Rio de Janeiro: Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro, 1935- v. : il. ; 28 cm. Quadrimestral Inclui resumos em português e inglês ISSN 0370-6583 1. Botânica I. Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro CDD - 580 CDU -58(01) Editoração Carla Molinari Simone Bittencourt Edição on-Iihe Renato M. A. Pizarro Drummond Secretária Georgina M. Macedo SciELO/ JBRJ, 13 14 15 Editorial 0s\e fascículo da Rodriguésia dá continuidade à publicação dos tratamentos taxonômicos da flora da Reserva Ducke, aborda 1 1 famílias de angiospermas, totalizando 48 gêneros e 194 espécies, com a descrição de nove espécies novas de Sapotaceae. A publicação do primeiro fascículo sobre a flora da Reserva Ducke, em junho de 2005, foi seguida de comentários de muitos colegas botânicos, ressaltando a relevância de tal iniciativa. Esse retorno é gratificante e estimulante, reforçando a determinação do Corpo Editorial em dar prosseguimento a esta série, sendo que a publicação de seu terceiro fascículo está planejada para 2007. A editoração dos manuscritos contou com a colaboração de Cíntia Sotheres (RBG- Kew) e Mike Hopkins (UFRAM). Gostaríamos também de agradecer aos pesquisadores Alessandra Rapini (UEFS), Andréa Costa (UFRJ), Elsie F. Guimarães (JBRJ), Inês Cordeiro (Ibt-SP), Lúcia G. Lohmann (USP) Marcos Sobral (UFMG), Milton Groppo (USP-Ribeirão Preto), Regina Andreata (USU), Renato de Mello-Silva (USP) e Vinícius Castro Sousa (ESALQ- USP) pela valiosa contribuição na revisão dos artigos. Leandro Freitas Gestor do Corpo Editorial Rafaela Campostrini Forzza Editora-chefe SciELO/ JBRJ, 13 14 15 cm SUMÁRIO/CONTENTS Flora da Reserva Ducke, Amazonas, Brasil Acanthaceae Cíntia Kameyama 149 Caryocaraceae Ghillean T. Prance & Marlene F. da Silva 155 Cyclanthaceae Fabiana Pinto Gomes & Renato de Mello-Silva 159 Cyperaceae David A. Simpson 171 Erythroxylaceae Ghillean T. Prance 189 Loganiaceae DanielaZappi 193 Malvaceae Gerleni Lopes Esteves 205 Meliaceae T. D. Pennington 207 Rhamnaceae Rita Lima 247 Sapotaceae T. D. Pennington 251 Tiliaceae Gerleni Lopes Esteves 367 SciELO/JBRJ 2 13 14 15 16 17 18 cm Flora da Reserva Ducke, Amazonas, Brasil: Acanthaceae Cíntia Kameyama' Baum, V. M. 1 983. Pulchranthus ( Acanthaccac), a ncw genus from Northern South America. Syst. Bot. 8:211 -220. Durkee, L. H. 1986. Flora Costaricensis, Acanthaceae. Fieldiana, Bot., n.s. 18: 1-87. Gibson, D. N. 1974. Flora of Guatemala. Acanthaceae. Fieldiana, Bot., n.s. 21: 328-461. Graham, V. A. W. 1988. Delimitation and infra-generic classification of Justicia (Acanthaceae). Kew Buli. 43: 551-624. Nees von Esenbeck, C. G 1847. Acanthaceae. /n: C. F. P. Martius (ed.). Fl. bras. 9: 1-164; tab. 1-31. Profice, S. R. 1 988. Mendonda Vell. ex Vand. (Acanthaceae). Espécies ocorrentes no Brasil. Arq. J. Bot. Rio de Janeiro 29: 201-279. Wasshausen, D. C. 1995. Acanthaceae. /«: P. E. Berry; B. K. Holst & K. Yatskievych (eds). Flora of the Venezuelan Guyana. 2. Pteridophytcs, Spermatophytes: Acanthaceae-Araceae. Timbcr Press, Portland, Oregon. Pp. 335-374. Wasshausen, D. C. & Wood, J. R. 1. 2000. Acanthaceae of Bolivia. Contr. U. S. Natl. Herb. 49: 1 - 1 52. Ervas, subarbustos, arbustos, lianas ou mais raramente árvores, hermafroditas, apresentam comumente cistólitos silicificados nos parênquimas ou nas células epidérmicas, do caule e das folhas. Folhas opostas, simples, sem estipulas. Flores hermafroditas, isoladas ou em inflorescências; bráctcas e bractéolas muitas vezes coloridas e vistosas; cálice persistente no fruto, sépalas (4— )5(— 16), livres ou unidas somente na base ou mais extensamente, raramente cálice reduzido a um anel; corola gamopétala, zigomorfa, pentalobada, bilabiada ou mais raramente unilabiada; estames adnatos ao tubo da corola, alternos aos lobos, comumente quatro didínamos ou dois, apresentando, às vezes, estaminódios; anteras bitecas, tetrasporangiadas, deiscência geralmente longitudinal, sacos polínicos paralelos ou justapostos, algumas vezes separados por um conectivo modificado, ou uma das tecas reduzida ou ausente; disco ncctarífero anular ou cupular em geral presente na base do ovário; ovário supero, bicarpelar e bilocular, placentação axial, óvulos 2-10 por lóculo, superpostos ou algumas vezes colaterais, raramente mais numerosos e dispostos em duas fileiras em cada lóculo, freqüentemente com um funículo fortemente modificado, que se desenvolve em uma estrutura em forma de gancho ou papila; estilete simples, em geral longo com estigma freqüentemente bilobado. Frutos capsulares com deiscência explosiva, ou raramente drupa. Sementes em geral planas, glabras ou pilosas, testa lisa, rugosa ou reticulada, algumas mucilaginosas quando úmidas. Acanthaceae sensu lato possui cerca de 250 gêneros e 2.500 espécies com distribuição pantropical, alcançando algumas regiões temperadas. No Brasil a família apresenta maior número de espécies na Mata Atlântica e nas formações florestais mesófilas das Regiões Sudeste e Centro-Oeste, ocorrendo também em outras formações vegetais. Na Reserva Ducke está representada por cinco gêneros e sete espécies. Chave para os gêneros de Acanthaceae na Reserva Ducke I Planta volúvel ou arbusto com ramos cscandentcs; corolas não bilabiadas. ■7 pianta volúvel, flores pedunculadas com um par de brácteas recobrindo o cálice, que tem forma de anel, e parte da corola tubulosa vermelha ou branca com manchas vermelhas ... 3. Mendoncia 2. Arbusto com ramos escandentes, flores sésseis cm uma espiga terminal muito curta, sem brácteas, corola infundibuliforme totalmente branca 5. Rtiellia 'InsíituWilc BotánjcãTdcSao Paulo, C.P. 4005. CEP 01061-970, Sflo Paulo, SP, Brusil. SciELO/JBRJ 2 13 14 15 16 17 18 cm Kameyama, C. 1. Ervas a subarbustos eretos ou com ramos decumbentes na base, corolas bilabiadas 3. Estames férteis 4 2. Lepidagathis 3. Estames férteis 2. 4. Flores sésseis, estaminódios ausentes, tecas das anteras inseridas em alturas diferentes no conectivo, divergentes justjcja 4. Flores pediceladas, estaminódios 2, tecas das anteras inseridas na mesma altura no conectivo, paralelas 4. Pulchranthus 1. Justicia Justicia Linnaeus, Sp. Pl. 1: 15. 1753. Ervas, subarbustos a arbustos eretos ou escandentes. Cistólitos presentes. Inflorescências terminais ou axilares, determinadas ou indeterminadas, simples ou compostas. Flores em geral com uma bráctea e duas bractéolas; cálice com 4-5 sépalas unidas somente na base, em geral estreitas e subiguais; corola bilabiada, com tubo quase sempre estreito e alongado, fauce mais ou menos diferenciada, labio superior em geral estreito, bífido ou levemente bilobado, lábio inferior mais largo, mais ou menos alargado ou recurvado, leve ou profundamente trilobado; estames 2, filetes em geral inseridos próximos ou acima do meio do tubo; anteras 2-tecas, tecas em geral oblongas ou lineares, algumas vezes curvadas ou reniformes, superpostas ou quase paralelas ao conectivo, uma ou ambas as tecas calcaradas na base ou não, estaminódio ausente; disco nectarífero anular, cupular ou ciatiforme inteiro ou sinuadamente lobado; óvulos 2 por lóculo; estilete filiforme, estigma em geral ligeiramente bilobado. Cápsula com 4 sementes ou raramente, 2-3 por aborto, parte inferior diferenciada numa porção estéril ou haste, valvas inteiras durante a deiscência ou raramente o septo desloca-se para cima; sementes esféricas ou discóides, testa lisa ou ornamentada, alveolada, rugulosa, tuberculada, pubescente, híspida ou equinada. Justicia em um senso mais amplo (Graham 1988) apresenta cerca de 600 espécies e distribuição pantropical. Na Reserva Ducke foram encontradas duas espécies. 1. 1. Chave para as espécies de Justicia na Reserva Ducke Flores dispostas em panículas formadas por espigas secundifloras Flores decussadas em espiga terminal 1. J. pectoralis .. 2. Justicia sp. I. 1 Justicia pectoralis Jacq. Enum. syst. pl.; II. 1760.; Durkee, Fieldiana, Bot., n.s. 18: 57.1986; Wasshausen in: RE. Berry, B. K. Holst & K. Yatskievych (eds). Flora of the Venezuelan Guayana2: 354. 1995. Erva ramificada, ereta ou decumbente até ca. 1,5 m alt. Ramos hexagonais a cilíndricos, com duas faixas longitudinais de tricomas, glabrescentes. Folhas sésseis ou com pecíolo até 1 mm, lanceoladas, 3,5-6 x 0,4-0, 6 cm, ápice agudo a atenuado, base atenuada, margem crenada a inteira, ciliadas, pubescentes nas nervuras. Panícula secundiflora, eixos da inflorescência hirsutos com tricomas tectores simples e glandulares. Flores sésseis. brácteas e bractéolas subuladas, 0,5-1 mm compr.; sépalas 5, linear-lanceoladas ca. 3 mm compr., glandular-pubescentes; corola branca com manchas róseas a lilases, 7- 9 mm compr., tubo 3—5 mm compr., lábio superior ca. 3 mm compr., unilobado, ápice arredondado, lábio inferior 4-5 mm compr., trilobado, palato com venação peninérvia evidente, lobos ca. 1 mm compr., lobos laterais ca. 1,5 mm larg., lobo central ca. 2 mm larg., ápice arredondado a obtuso; estames levemente exsertos, tecas das anteras inseridas em alturas diferentes no conectivo, divergentes, sem apêndices, a inferior menor. Rodriguésia 57 (2): 149-154. 2006 SciELO/JBRJ 2 13 14 15 16 17 18 Flora cia Reserva Ducke: Acanthaceae 151 Justicia pectoralis é uma espécie amplamente distribuída em regiões úmidas e quentes da América tropical, especialmen-te em áreas perturbadas. Para este trabalho foi examinado um único espécime coletado em uma área alterada. 5.X. 1995 (fl) Costa, M. A. S. & Assunção, P. A. C. L 378 (1NPA K MG N Y RB SPF). O material examinado encontra-se bastante depauperado, especialmente as inflorescências, por isso a descrição da corola foi baseada em fotografias da planta, materiais provenientes de outras regiões e na literatura (Gibson 1974, Durkee 1985). 1.2 Justicia sp. Erva semi-prostrada, não ramificada, ca. 8 cm alt. Caule subquadrangular a cilíndrico. Folhas com pecíolo 0,5-0, 7 cm compr., oblongas a elípticas, 4-7 x 1-2,4 cm, ápice agudo, base aguda a obtusa, margem inteira a suberenada, esparsamente pubescente, mais densamente nas nervuras da face abaxial. Espiga terminal com flores decussadas; brácteas ovais, ca. 5 x 5 mm, verdes esparsamente hirsutas, ciliadas, ápice acuminado, base atenuada; bractéolas elípticas a lanceoladas, ca. 9 x 1 mm, atenuadas na base, ápice longamente acuminado, indumento como das brácteas; sépalas 4, lineares, iguais entre si, ca. 2 mm compr., longamente ciliadas; corola lilás, ca. 1.3 cm compr., tubo ca. 6 mm compr., fauce ca. 4 mm compr., lábios ca. 0,3 mm compr., o superior unilobado, ápice arredondado, o inferior trilobado, lobos arredondados no ápice, hirsutos externamente, especialmente nas nervuras; anteras inseridas em alturas diferentes no conectivo, a inferior obliquamente, sem apêndices. Foram encontrados outros dois materiais desta mesma espécie no herbário US, coletados entre o final de julho e início de agosto, provenientes da região de Manaus. Na Reserva Ducke foi encontrado um único espécime na floresta de baixio. 19. VII. 1997 (fl) Forzza, R. C. 298 (INPA). Não foi possível identificar esta espécie, talvez se trate de um táxon não descrito. 2. Lepidagathis Lepidagathis Willd. Sp. PI. 3: 400. 1800. Ervas, subarbustos ou arbustos, decumbentes, eretos ou semi-escandentes. Espigas decussadas ou secundifloras ou tirsos, terminais ou axilares. Flores subtendidas por uma bráctea e um par de bractéolas, espigas secundifloras com 4 séries de brácteas: duas fileiras adjacentes de brácteas estéreis e duas de brácteas férteis. Sépalas 5, desiguais, unidas na base, coloridas ou não, comumente mucronadas a cuspidadas, sendo uma sépala ventral maior e alargada, 2 dorsais mais ou menos unidas, muitas vezes dimidiatas, 2 sépalas laterais estreitas e menores e, às vezes, mais internas; corola com tubo cilíndrico, reto ou levemente recurvado, fauce mais ou menos distinta, limbo bilabiado, o lábio superior levemente bilobado a inteiro, o inferior trilobado; estames 4, didínamos, inseridos na região mediana do tubo da corola em pares (um ventral + um dorsal), os ventrais com anteras bitecas, tecas paralelas inseridas na mesma altura ou levemente divergentes inseridas em alturas diferentes, sem apêndices, os dorsais com anteras iguais às dos ventrais ou monotccas ou reduzidas (estaminódios); disco ncctarífero cupular ou anular; estilete com estigma bilobado subclavado a capitado; óvulos 2 por lóculo. Cápsula elipsoidal, oblonga ou ovalada, aguda ou curtamente rostrada, cilíndrica ou comprimida paralelamente ao septo, paredes relativamente finas a membranáccas e septo rígido espessado; sementes 4 ou menos por aborto, lenticularcs, achatadas, com tricomas higroscópicos. Lepidagathis é um gênero pantropical com cerca de 100 espécies. No Brasil ocorrem cerca de 16 espécies a maioria nas regiões Centro Oeste c Sudeste. Na Reserva Ducke foi encontrada somente uma espécie. Rndriguésiti 57 (2): 149-154. 2006 SciELO/JBRJ, 13 14 152 Kamexama, C. 11 Lepidagathis alopecuroides (Vahl) R. Br. ex Griseb., Fl. Brit. W. L: 453. 1 862. Wasshausen in: R E. Berry, B. K. Holst & K. Yatskievych (eds.). Flora of the Venezuelan Guyana 2: 358. 1995. Ruellia allopecuroidea Vahl, Eclog. Amer. 2: 49. 1798. Telyostachya alopecuroidea (Vahl) Nees, in Mart., Fl. bras. 9: 72. 1 847. Erva a subarbusto semidecumbente. Ramos subquadrangulares a cilíndricos, pubescentes, glabrescentes. Folhas com pecíolo 2-6 mm compr., ovais a elípticas 3,5-6 x 1,4- 2,3 cm, ápice agudo, base atenuada, margem subcrenada. Tirsos terminais e axilares; brac- téolas 2 por flor, oblongas, linear-oblanceoladas a lineares, as das primeiras flores sempre maiores 6-8 x 0,5-1 mm, ápice acuminado, ciliada; sépalas acuminadas, pubescentes, ciliadas, a ventral oblanceolada, 8-9 x 4 mm, trinervadas; as ventrais unidas na base, estreita-mente oblanceoladas, assimétricas, 6-7 x 1-1 ,5 mm, as laterais linear-lanceoladas, ca. 1 x0,2 mm; corola branca com manchas púrpuras, 5-6 mm compr., tubo ca. 4 mm, lábio superior ca. 2 mm compr., bilobado, lábio inferior ca 3 mm compr., trilo-bado, lobos ca. 2 mm compr., ápice arredondado, lobo central mais largo, glabra externamente, intemamente com um anel de tricomas na fauce; todas anteras bitecas, tecas inseridas em alturas diferentes no conectivo. Cápsula oblonga, curtamente rostrada, pubescente; sementes 4. Espécie comum em áreas perturbadas e úmidas, ocorrendo desde o Sul do México até o norte da América do Sul e Antilhas. Na área da Reserva Ducke foi coletada na borda de uma capoeira. 4. V. 1 995 (fl) Costa, M. 4. S. & Silva. C. F. 254 (INPA K MG MO NY RB SPF U UB); 6.1 V. 1 998 (fl) Costa, M. A. S. et al. 831 (INPA K SPF). Lepidagathis alopecuroides caracteriza- se pelas inflorescências bastante congestas e com muitas flores brancas com manchas púrpuras, pequenas e bilabiadas, quase totalmente envolvidas pelo cálice bastante conspícuo, com sépalas acuminadas. 3. Mendoncia Mendoncia Vell. Fl. Lusit. Bras. Spec. 43 f. 22. 1788. Plantas volúveis. Folhas opostas, pecioladas, margem inteira, cistólitos ausentes. Flores solitárias ou fasciculadas, axilares, pediceladas; bractéolas 2, evidentes, recobrindo o cálice e parte da corola, persistente no fruto. Cálice persistente, reduzido a um anel a cupuliforme; corola infundibuliforme ou tubulosa, lobos elíptico a orbiculares, iguais entre si ou quase, extemamente glabras, intemamente com uma faixa de tricomas glandulares na região mediana, prefloração contorta; estames 4, didínamos, inclusos, anteras bitecas, deiscência poricida, tricomas glandulares no dorso, tricomas simples na base, estaminódio 1 ; ovário unilocular por aborto de um carpelo, óvulos 2, estilete com 2 ramos. Fruto tipo drupa. Mendoncia possui cerca de 60 espécies ocorrendo na América Tropical e África, incluindo Madagascar (Wasshausen & Wood 2000). No Brasil ocorrem cerca de 1 4 espécies, a maioria na região amazônica (Profice 1988). Na reserva Ducke foram encontradas duas espécies. Chave para as espécies de Mendoncia na Reserva Ducke 1. Folhas vdoso-tomentosas na face abaxial e pubescentes na face adaxial, cartáceas; brácteas tomentosas; corola vermelha M. hofftnannseggiana 1. Folhas puberulo-glabrescentes em ambas as faces, coriáceas; brácteas glabras; corola branca com manchas avermelhadas ,, M. pedunculata 3.1 Mendoncia hofftnannseggiana Nees in: Mart., Fl. bras. 9: 9. 1847. Profice, Arq. J. Bot. Rio de Janeiro 29: 228. 1988. Trepadeira, ramos quadrangulares a cilíndricos, tomentosos-glabrescentes. Folhas com pecíolo 1 ,6—2,2 cm compr., elípticas a oblongas, raramente obovais, 7,5-13,5 x 3,8- 8,0 cm, ápice agudo a acuminado e apiculado ou cmarginado-mútico, base aguda a atenuada, margem inteira a subcrenada, cartácea,.; face Rodriguésia 57 (2): 149-154. 2006 SciELO/JBRJ1 2 13 14 15 16 17 lí Flora da Reserva Ducke: Acanthaceae 153 abaxial viloso-tomentosa, células da base do tricoma 4, dispostas radialmente, quase totalmente unidas, face adaxial pubescente, células da base do tricoma 4-5 dispostas radialmente, bem evidentes. Flores solitárias ou aos pares nas axilas das folhas, pedúnculos 2,6-4 cm compr., tomentosos, brácteas oblongo-lanceoladas, 3, 4-3, 7 x 0,9- 1,1 cm, ápice acuminado, tomentosas, verdes; cálice levemente lobado, ca. 1 mm alt.; corola verme- lha, fauce esbranquiçada intemamente, tubo 4-4,5 cm, fauce pouco diferenciada, lobos ca. 3x5 mm, oblongos com ápice retusos a arredondados. Drupa negra 0,7 x 1,8-2 cm. Segundo Profice (1988) Mendoncia h o fm annsegg ia n a ocorre na Guiana, Suriname, Venezuela e no Brasil no Amazonas, Pará, Maranhão, Roraima c Amapá, em florestas de terra firme e capoeiras. Na Reserva Ducke ocorre em florestas de terra firme, de baixio, em capoeiras c em áreas alteradas. 28.11. 1996 (fr) Campos, M. T.V.A. et al. 528 (INPA K MBM MG MO NY RB SPF U); 12.1.1996 (fl) Costa, M. A. S. & Silva, C. F. 682 (INPA K MG MO N Y RB SPF); 1 2.1. 1 996 (fl) Costa, M. A. S. & Silva, C. F. 683 (INPA K MG MO NY SP SPF); 25.1.1996 (11) Costa, M. A. S. et al. 746 (G INPA K MG SPF); 8.II.1995 (11) Hopkins, M. J. G. et al. 15301 INPA K MG MO NY RB SP SPF); 9. VIII. 1995 (11) Sothers, C. A. et al. 554 (INPA K SPF); 26.XI. 1996 (fl) Sothers, C.A. 940 (INPA); 10.11.1995 (fl) Vicentini, A. et al. 875 (INPA K MG R SPF U); 19.IX. 1995 (fr) Vicentini, A. & Silva, C. F. 1034 (G INPA K MG SP SPF US). Esta espécie pode ser reconhecida pela presença de indumento viloso a tomentoso em quase toda a planta e pelas flores tubulosas vermelhas. 3.2 Mendoncia pedunculata Leonard, J. Wash.Acad. Sei. 21: 150. 1931. Profice, Arq. J. Bot. Rio de Janeiro 29: 230. 1988. TVepadeira lenhosa. Ramos cilíndricos a subcilíndricos, glabreseentes. Folhas com pecíolo 2-3,5 cm compr., elípticas a oblongo-elípticas, 9- 1 1 x 4,5-6 cm, ápice acuminado, ácumcn 0,5- 1,5 cm compr., base atenuada, margem inteira a ondulada, pubérulo-glabrescente em ambas as faces, coriácca. Flores 1-4 por axila; pedúnculo RodrisuSsia 57 (2): 149-154. 2006 ca. 3 cm compr.; bráctea oblonga, 2,5 x 1,5 mm, ápice curtamente mucronado, base obtusa, glabra; cálice ca. 2,5 mm compr.; corola branca com manchas avermelhadas, 4,5-6 cm compr., lobos orbiculares. Drupa 1 ,5- 1 ,8 cm compr., ca. 1 cm larg. Mendoncia pedunculata ocorre na amazônia equatoriana, peruana, colombiana e no Brasil nos estados do Acre, Amazonas e Roraima. Na Reserva Ducke foi coletado um único material no Igarapé do Tinga. 27.IV. 1994 (fr) Ribeiro, J. E. L. S. et al. 1275 (INPA K MG MO NY RB SPF). O único material examinado proveniente da Reserva Ducke apresenta apenas um fruto parcialmente destruído. A descrição das flores foi baseada na literatura (Profice 1988) e em materiais provenientes de outras regiões. 4. Pulchranthus Pulchranthus V. M. Baum, Reveal & Nowicke, Syst. Bot. 8: 212. 1983. Ervas a subarbustos, cistólitos presentes. Flores em espigas ou racemos terminais ou panículas terminais bastante ramificadas com tricomas glandulares; cálice com 5 sépalas iguais; corola fortemente bilabiada, tubo curto largo e recurvado, 2 lobos superiores, 3 lobos inferiores; estames 2, exsertos, estaminódios 2. Cápsulas clavadas, sementes 4. Pulchranthus possui atualmente quatro espécies distribuindo-se pelo norte da América do Sul. É um gênero próximo a Odontonema do qual foi desmembrado por Baum et al. (1983) e distingue-se deste e de Pseuderanthemum , outro gênero próximo, por apresentar a corola fortemente bilabiada, os estames longamcnle exsertos e filetes curvos além da raque com tricomas glandulares. Na Reserva Ducke foi encontrada apenas uma espécie, P. congestus. 4.1 Pulchranthus congestus (Lindau) V. M. Baum, Reveal & Nowickc, Syst. Bot. 8: 219. 1983. Odontonema congestum Lindau, Notzbl. Kõnigl. Bot. Gart. Berlin 6: 197.1914. Erva ereta não ramificada, 15-35 cm alt. Caule subquadrangular a cilíndrico, pubescente-glabresccnte, esfoliante. Folhas SciELO/JBRJ 2 13 14 cm .. 154 com pecíolo 0,3-2 cm compr., oblongas, elípticas a obovais, 5,5-9 x 2, 3-3, 7 cm, ápice acuminado, base aguda a atenuada, margem subcrenada a crenada, pubescente em ambas as faces. Racemo terminal; pedúnculo, raque, brácteas, bractéolas, pedicelos e sépalas hirsutos, tricomas tectores simples e glandulares; pedúnculo 0,4-4 cm compr., raque 5-8 cm compr., primeiro par de brácteas estéril; bráctea estreitamente triangular a linear, 2-4 mm compr.; bractéolas 2, ca. 1 mm compr., linear, geralmente com uma gema presente na sua axila; pedicelo 3-5 mm; sépalas lineares, 5 mm compr.; corola branca a rosa claro com manchas rosa-escuro nos lobos e fauce, ca. 8 mm compr., tubo ca. 4 mm, fauce 4 mm compr., lobos superiores 6x3 mm, ápice arredondado; lobos inferiores 5x2 mm, ápice arredondado, pubescente extemamente, glabro intemamente; filetes ca. 1 cm, anteras brancas. Cápsula ca. 1,5 cm. Segundo Baum et al. (1983) Pulchranthus congestus é uma espécie rara com coletas conhecidas da região da Manaus e do Rio Trombetas no Pará. Na Reserva Ducke esta especie foi encontrada em bordas de floresta de baixio e margem de igarapé. 16.III. 1995 (0) Costa, M.A. S. etal. 758 (EMPA SPF); 21. VII. 1995 (fl) Costa, M. A. S. 328 (INPA K SPF US); 3.VII. 1997 (0) Costa, M. A. S. et al. 573 (LAN INPA K MBM MO NY SP SPF U UB); 4.VR 1997 (fl) Martins, L H. P. et al. 22 (IAN INPA K SPF); 2. VI. 1 993 (fl) Ribeiro, J. E. L S. et al. 784 (G INPA K MG SPF); 8. Vül. 1 995 (fl) Souza, M. A. D. et al. 66 (SPF); 1 3. V. 1994 (11) Vicentini, A. et al. 552 (INPA). 5. Ruellia Ruellia L. Sp. Pl. 2: 634. 1753. Ervas perenes a arbustos eretos ou decumbentes; cistólitos presentes. Flores solitanas ou em vários tipos de inflorescências; cálice com 5 sépalas unidas somente na base, iguais ou subiguais geralmente estreitas; corola tubular, infundibuliforme a hipocrateriforme, tubo reto ou recurvado, fauce mais ou menos evidente, lobos 5, reflexos a eretos, contortos, iguais ou os dois lobos posteriores mais ou Kameyama, C. menos unidos na base formando um lábio inferior; estames 4 didínamos, inseridos abaixo da fauce, anteras bitecas, oblongo-sagitadas, tecas paralelas, iguais, sem apêndices; disco geralmente inconspícuo; óvulos 2-10 por lóculo; estigma bífido. Cápsula obovada, clavada, oblongo-linear ou elipsoidal, subséssil a estipitada, cilíndrica a mais ou menos compressa. Sementes obliquamente ovais a orbiculadas, mucilaginosas quando molhadas; ejaculador em forma de gancho. Ruellia é um gênero pantropical com cerca de 400 espécies. Na Reserva Ducke só foi encontrada uma espécie, R. sprucei. 5.1 Ruellia sprucei Lindau, Buli. Herb. Boissier 5: 653. 1897. Wasshausen in P. E. Berry, B. K. Holst & K. Yatskievych (eds.). Flora of the Venezuelan Guayana 2: 368. 1995. Subarbusto com ramos escandentes que atingem até 5 m alt. Ramos quadrangulares a cilíndricos, pubescente-glabrescentes. Folhas com pecíolo 1-1,4 cm compr. elípticas, oblongas a oblanceoladas, 7,5-10 x 3-4 cm, ápice acuminado, base aguda, margem subcrenada, pubérula-glabrescente, principalmente na face abaxial. Flores em espigas curtas terminais; bractéolas aparentemente ausentes; sépalas quase iguais entre si, linear-lanceoladas, ca. 1,9 mm compr., ápice agudo, pubescente extemamente; corola branca, tubo 3,5-4 cm compr., fauce 3,4-4 cm compr., 2 lobos superiores unidos, ápice arredondado a obcordado ca. 2 x 2 cm; estames insertos. Esta espécie é conhecida da Venezuela (Amazonas) e no estado do Amazonas no Brasil. Para este trabalho foram examinados também materiais provenientes da região do Rio Uaupés e Manaus. Na Reserva Ducke foi coletada próximo ao Igarapé do Acará, em floresta de baixio. 24. VE. 1 996 (fl) Assunção, P.A.C.L et al. 360 (SPF); 9.VIII.1995 (fl) Sothers, C. A. et al. 552 (INPA K MG NY SPF); 24.V1.1998 (fr) Sou-jj, M. A. D. etal. 705 (INPA SPF). Ruellia sprucei é facilmente reconhecida pelas flores grandes e brancas. Rodriguésia 57 (2): 149-154. 2006 SciELO/JBRJ L2 13 14 15 16 17 Flora da Reserva Ducke, Amazonas, Brasil: Caryocaraceae Ghillean T P rance 1 & í Marlcne F da Silva 2 Wittmark, L. 1 886. Rhi/.olobcae. In: Martius, Fl. bras. 12(1): 338-362. Prance, G. T. & M. F. da Silva. 1973. Caryocaraceae. Fl. Neotrop. 12: 1-75. Árvores, raramente arbustos ou sub- arbustos. Estipulas 2-4, geralmente caducas, ou ausentes. Folhas pccioladas, trifolioladas, opostas ou alternas; folíolos com venação peninérvia, as margens geralmente serreadas, denteadas, ou crenadas, raramente inteiras, freqüentementre com estipclas na base dos folíolos. Flores em racemos terminais, grandes, bissexuais, actinomorfas. Receptáculo campanulada ou cupuliforme; sépalas 5(— 6), imbricadas, livres, inseridas no ápice do hipanto, prontamente decíduo. Estames 55- 750, os filetes soldados na base formando um anel, decíduo com as pétalas após a antese; os estames externos compridos e delgados, com anteras basifixas, 2-loculares, de deiscência longitudinal; os internos sem anteras (estaminódios), geralmente mais breve e recurvado; filetes verrucosos. Ovário supero, multilocular com um óvulo por lóculo, os óvulos basais, eretos, anátropos ou átropos; estiletes distintos, compridos e delgados; estigmas terminais, pequenos. Fruto drupa indciscente, mesocarpo carnoso, endocarpo duro, lenhoso, muricado, verrucoso, ou espinhoso extemamente; sementes renifonnes, com ou sem endosperma, a célula fecundada com uma radícula reta, arqueada, ou espirala, um hipocotilo carnoso, c dois cotilédones pequenos. Restrita à América tropical, a família estende-se da Costa Rica até a Região Sudeste do Brasil, e tem dois gêneros e 25 espécies. O gênero Anthodiscus (9 spp.) possui uma espécie apresentada na Amazônia ocidental (A. amazoniciis). 1. Caryocar Gênero de 16 espécies que ocorrem da Costa Rica ao Paraguai e estado do Paraná, Brasil, com maio diversidade na Amazônia. Três espécies ocorrem na Reserva Ducke. Além destas, Caryocar microcarpum Ducke ocorre próximo de Manaus, e pode ser diferenciada por apresentar ca. de 60 estames c uma drupa globosa de 2, 0-3, 5 x 2, 5-3,0 cm. Chave para as espécies de Caryocar da Reserva Ducke 1 Superfície abaxial do folíolo com venação reticulada e proeminente, vilosa; pedicelos com 2 bractéolas 3. C. villosum 1 Superfície abaxial do folíolo com venação plana ou promínula, glabra; pedicelos sem bractéolas 2 Margem dos folíolos serreada; pétalas e filetes branco-amarcladas 2. C. pallidum 2 Margem dos folíolos inteira ou levemente crenulado-scrrcada; pétalas amareladas com tonalidade rósea; filetes roxos a avermelhados I . C. glabrum 1.1 Caryocar glabrum (Aubl.) Pcrs., Syn. Pl. 2: 84. 1806. Árvore até 40 m de altura. Tronco com sapopemas arredondadas até 50 cm de altura, algumas prolongando-sc formando raízes superficiais, lenhosas. Casca 1,2— 1,5 cm de espessura, castanho-avcrmelhada, extemamente escamosa sem estrias; parte interna da casca castanha ligeiramente avermelhada, uniforme. Madeira branca. Ramos jovens glabros ou escassamente pubcrulentos. Estipulas cerca de 8 mm de comprimento, oval-lanccoladas; estipclas pequenas, caducas ou persistentes. Folhas opostas; pccíolos 3-10 cm compr. Folíolo terminal 7,5-15 x 3,5-7 cm, folíolos laterais iguais ou um pouco menores; lâminas if^UBoíunic Gardens. Kcw, Richmond. Surrcy TW9 3AB, U.K. SciELO/ JBRJ 12 13 14 15 16 17 cm .. •56 Prance, G T. & Silva, M. F. elíticas, oblongo-elíticas, ou ovadas, ligeiramente assimétricas, ápice acuminado, acume 5-10 mm compr., base subcuneada a arredondada e desigual, margem inteira a ligeiramente crenada ou serreada, glabras na face adaxial, glabras ou com poucos pêlos na nervura principal na face abaxial; nervuras secundárias 8-10 pares, planas na face adaxial, promínulas na face abaxial. Inflorescência com pedúnculo de 2-8,5 cm de compr., glabro ou escassamente pubérulo, lenticelado; pedicelos 1-2,6 cm compr., sem bractéolas. Receptáculo 7— 12 mm compr., campanulado, glabrescente na face externa; sépalas arredondadas, margens ciliadas; pétalas 1,7-2, 5 cm compr., ligeiramente desiguais, amareladas, freqüentemente com tonalidade rósea; estames ca. 280, os externos de 3-6 cm compr., ligeiramente desiguais, amarelados, freqüentemente com tonalidade rósea, estaminódios 1-1,5 cm compr.; filetes roxos a avermelhados. Ovário globoso, glabro, 4-locular; estiletes 4, 4-5 cm compr. Drupa globosa a elipsóide, 5-6 x 5-8 cm, 1-2 locular; epicarpo glabro, crustáceo, mesocarpo carnoso, endocarpo com espinhos de 3 cm compr. Germinação criptocotilar. “Piquiarana”. Das três subespécies conhecidas, duas ocorrem na Reserva Ducke. Chave para as subespécies de Caryocar glabrum 1. Estipelas caducas; receptáculo 8-12 mm compr.; estames 5-6 cm compr. glabrum subsp. glabrum 1. Estipelas persistentes; receptáculo 7 mm compr., estames 3-^f,5 cm compr glabrum subsp. parvifolium 1.1a Caryocar glabrum subsp. glabrum Freqüente na mata de terra firme, solo argiloso; floresce em outubro e novembro. Ocorre em toda a Amazônia e nas Guianas. 3.X. 1967 (fl) Coêlho, D. s/n 1NPA20766 (INPA); 24.X. 1995 (fl) Sothers, C. A. & Pereira, E. C. 640 (INPA K MG MO NY R RB SP U); 24.1.1995 (fr) Vicentini, A. et al. 805 (INPA K MG MO NY R RB SPU). 1.1b Caryocar glabrum subsp. parvifolium (A.C. Sm.) Prance & Silva, Fl. Neotrop. 12: 43. 1973. Freqüente na mata de terra firme, solo argiloso; floresce em outubro-novembro e frutifica em abril. Amazônia brasileira, central. 10.XI.1994(fl)4íSMnção, P.A. C.L 78 (IAN INPA K R U); 28.X. 1994 (fl) Hopkins, M. J. G. & Nascimento, J. R. 1504 (BM G INPA K MBM MG UB US); 7.IX.1969 (fl) Monteiro, O.P. 11 (INPA); 7. VII. 1993 (fl) Ribeiro, J. E. L S. etal. 1053 (INPA K MG MO NY RB SP); 4.IV. 1 968 (fr) Silva. M. F. et al. s/n 1NPA21130 (INPA); 7.XII.1995 (fl) Sothers, C.A . et al. 701 (COL IAN INPA K UEC VEN). 1.2 Caryocar pallidum A.C. Sm., J. Amold Arbor. 20: 297. 1939. Árvore até 40 m de altura. Tronco sem sapopemas, com raízes superficiais lenhosas saindo da base. Casca com cerca de 1,5 cm de espessura, extemamente castanho-escura com fendas longitudinais de ca. 1 cm de profundidade; intemamente castanho escuro com riscos brancos. Madeira castanho-clara, avermelhada. Ramos jovens glabrescentes. Estipulas 17—22 mm compr., lanceoladas, estipelas 5-10 mm compr., persistentes, recurvadas, glabras, membranosas. Folhas opostas; pecíolos 2-12 cm compr., cilíndricos; pecíolos breves, o terminal 7—10 mm de compr.; folíolo terminal 8-17 x3-8 cm, os folíolos laterais iguais ou um pouco menores; folíolos elíticas, ligeiramente assimétricas, ápice acuminado, acume 5—12 mm compr., base cuneada ou subcuneada, desigual, margens serreadas, glabras em ambas as faces; nervuras secundárias 11—13 pares, planas na face adaxial, promínulas na face abaxial. Inflorescência com pedúnculo de 7,5-13 cm compr., glabro, lenticelado, cilíndrico; racemos Rodrigutsia 57 (2): 155-157. 2006 SciELO/JBRJ, 13 14 Flora da Reserva Ducke: Caryocaraceae 157 de 17-25 flores, raque 2,5-4 cm compr., glabra, pedicelos 1,6-3, 5 cm compr., sem bractéolas; receptáculo 7-11 mm compr., campanulado, extemamente glabro; sépalas arredondadas, margens ciliadas; pétalas 1,5 cm compr., branco-amareladas; estames cerca de 360, os externos 2-3 cm compr.; estaminódios 1-1,5 cm compr.; filetes branco-amarelados; ovário globoso, glabro, 4-locular. Drupa globosa a ovóide, epicarpo glabro, crustáceo, mesocarpo carnoso, endocarpo com espinhos até 7 mm compr. “Piquiarana”. Freqüente na mata de terra firme, solo argiloso; floresce em outubro-dezembro e frutifica em janeiro a março. Amazônia central e região oeste e sul da Venezuela. 1 5.XII. 1995 (bt) Assunção, P. A. C. L & Pereira, £. C. 268 (INPA K MG MO N Y R RB SP U); 5.II. 1 976 (fr) Mello, F. etal. s/n INPA54755 (INPA); 7.XI.1969 (fl) Monteiro, O. P. 10 (INPA); 11. XII. 1969 (fl) Monteiro, O. P 18 (INPA); 4.X. 1968 (fl) Rodrigues, W. «6 Coelho, L 8580 (INPA); 11. IV. 1972 (fr) Schultes, P. E. & Rodrigues, W. 26152 (INPA); 5. XII. 1969 (fr) Silva, M. F. et al. II (INPA); 5. XII. 1969 (fl) Silva, M. F. et al. 14 (INPA); 13.XI.1996 (Jl) Sothers, C. A. et al. 929 (INPA K MG MO NY RB SP). 1.3 Caryocar villosum (Aubl.) Pers., Syn. Pl. 2: 84. 1806. Árvore até 40 m de altura c 2,5 m de diam. Tronco sem sapopcmas e sem raízes superficiais. Casca com cerca de 1 cm de espessura, castanho-acinzcntada extemamente, com fendas longitudinais com ca. 0,5 cm de profundidade; parte interna da casca castanho- escura, com listras brancas nas árvores jovens. Madeira castanho-amarelada, clara. Ramos jovens viloso-tomentosos a pubérulos. Estipulas ausentes. Folhas opostas; pécíolos 4-15 cm compr., viloso-tomentosos ou pubérulos, cilíndricos, levemente estriados, sem lenticelas; peciólulos breves, o terminal 3- 6 mm compr.; folíolo terminal 8-22 cm compr., 6- 12 cm larg., folíolos laterais menores; folíolos elípticos, ápice acuminado, acume 3- 10 mm compr., base arredondada a cordada, margens scrreadas ou crenadas, face adaxial vilosa a glabra, face abaxial densamente vilosa ou escassamente pubérula nas nervuras; nervuras secundárias 12-19 pares, planas ou imersas na face adaxial, proeminentes na face abaxial; nervuras menores também proeminentes na face abaxial. Inflorescência com pedúnculo 5-13 cm compr., tomentelos ou pubérulos, Ienticelados; raccmos com cerca de 25 flores; raque 3-4 cm compr., tomentosa quando joven; pedicelos 1,8-3, 5 cm compr., com 2 bractéolas sub-persistentes de 1 cm compr.; receptáculo cerca de 15 mm compr., campanulado-cupuliforme, pubérulo ou glabro extemamente; sépalas arredondadas; pétalas 2,5 cm compr., lanceoladas ou elíticas, amarelo-claras; estames ca. 300, os externos 6,5-7 cm compr., estaminódios 1-1,5 cm compr., concrescido na base; filetes amarelados; ovário globoso, glabro, 4-locular; estiletes 4. Drupa ovóide ou globosa, 6-7 x 7- 8, 1-2 locular, epicarpo glabro, lenticelado, carnoso, livre do mesocarpo, mesocarpo e endocarpo unidos formando um caroço, endocarpo com muitos espinhos de 3 mm de compr. penetrando no mesocarpo; semente reniforme, 5 mm compr. Germinação criptocotilar. Freqüente na mata de terra firme, solo argiloso e também nas capoeiras em regeneração; floresce em julho-agosto, frutifica de dezembro a março. O fruto cozido é comestível. Ocorre na região leste e central da Amazônia c nas Guianas. 19.VII.1967 (fl) Monteiro, O. P. s/n INPA20594 (INPA); 5. VII. 1 994 (fl) Nascimento, J. R. et al. 523 (INPA K MG N Y SP); 30.III. 1 966 (fr) Rodrigues, W. 7631 (INPA); 4. VII. 1974 (fl) Rodrigues, W. & Coelho, D. 9438 (INPA); 23.11. 1996 (fr) Sotliers, C. A. et al. 802 (INPA K MG N Y); 5.01. 1 996 (fr) Sothers, C. A & Assunção, P.A.C.L 809 (INPA K MG MO RB SP U); 27. VIII. 1968 (fl) Souza, J. A. 116 (INPA). Rodriguésia 57 (2): 155-157. 2006 SciELO/JBRJ L2 13 14 15 16 17 cm Flora da Reserva Ducke, Amazonas, Brasil: Cyclanthaceae1 Fabiana Pinto Gomes & Renato de Mello-Silva 2 Cyclanthaceae Poit. ex A. Rieh. In: Bory de Saint- Vincent, Dict. class. hist. nat. 5: 222. 1 824. Beck, H. T. 2004. Cyclanthaceae. In: N. Smith, S. A. Mori, A. Hcnderson, D. W. Stevenson, & S. V. Heald (eds). Flowering plants of the neotropics. Princeton Univcrsity Press. Princeton. Pp. 431-432. Crcmers, G. & Hoff, M. 1994. Inventaire taxonomique des plantes de la Guyane Française. Les monocotyledones (Orchidacees, Cyperacees et Poacees exclues). Muséum National d'Histoirc Naturelle. Paris. v.4. Croat, T. B. 1978. Cyclanthaceae. In: T. B. Croat (ed.). Flora of Barro Colorado Island. Slanford Univcrsity Press. Stanford. Pp. 178-184. Drude, 0.1881. Cyclanthaceae. In: C. F. P. Martius & A. W. Eichler (eds.). Fl. bras. Frid. Flcischer. Lipzig. 3(2): 226-250. Harling, GW. 1958. Monographof the Cyclanthaceae. ActaHorti Bergiani 18(1): 1-428. Harling, G. W., Wilder, G J. & Eriksson, R. 1998. Cyclanthaceae. In: K. Kubitzki, The families and genera of vascular plants. Springer-Verlag. Berlin. v.3. Pp. 202-215. Kunth, C. S. 1 84 1 . Enumerado plantarum. J. G Collac. Stuttgart. v.3. Lindman, C.A. M. 1900. Einige neue brasilianishe Cyclanthacccn. Bihang til Kongliga Svenska Vetenskaps- Akademiens Handlingar 26(3,8): 9. Neumann, J. H. F. 1 847. Note sur quelques plantes nouvelles ou peu connes, actucllcment en fleurs dans les serves du muséum. Revuc horticolc 3(1): 86. Poiteau, M. A. 1822. Établissement d'une nouvellc famillc de plantes sous le nom de Cyclantheae, les Cyclanthées. Mémoires du Muséum d’Histoirc Naturelle 9: 34-36. Sprengel, K. P. J. 1 826. Systema vegetabilium. Librariae Dicterichianac. Goltingen. v.3. Tubcrquia. D. 1 994. Cuatro especies nuevas de Cyclanthaceae de Colombia. Caldasia 19(1 -2): 179- 1 89. Ervas rizomatosas, hemiepífitas secundárias com raízes aéreas e grampiformes abundantes, ou terrestres, raro epífitas (Ludovia). Folhas espiraladas ou dísticas, pecioladas, bainha conspícua, limbo plicado, bífido, raro palmado ( Carludovica ), segmentos glabros, lanceolados, raro linear- lanceolados ou ovado-lanceolados, podendo dividir-se no ápice; venação paralela. Inflorescências axilares ou terminais, cspádices cilíndricos, raro esféricos, envoltos por 2-1 1 espatas lanceoladas a cimbiformes, esverdeadas, esbranquiçadas, alaranjadas ou vermelhas. Flores muito reduzidas, diclinas, cada flor pistilada envolvida por quatro estaminadas ou flores estaminadas e pistiladas coalescentes, dispostas em anéis alternados (Cyclanthus bipartitus). Flores estaminadas com numerosas tépalas esbranquiçadas a hialinas, concrescidas ou não, dispostas de modo simétrico ou assimétrico em l(-2 em Evodianthus funifer) séries, reduzidas, raro ausentes; estames 10— 50(— 150), filetes de base bulbiforme, concrescidos cm anel estaminal (Cyclanthus bipartitus); anteras basifixas, bitecas, tetrasporangiadas, deiscência longitudinal; pólen monossulcado ou anaporado. Flores pistiladas tricíclicas, tetrâmeras, tépalas distintas, raro reduzidas (Ludovia), livres ou concrescidas na base; estaminódios filiformes muito longos, epitépalos; ovário infero, raro supero (Sphaeradenia e Strelestylis) ou flores pistiladas unidas formando anéis ligados a cavidades ovarianas únicas (Cyclanthus bipartitus); placentação parietal ou apical, estilete curto ou estigmas sésseis; óvulos numerosos, anátropos, endosperma helobial. Infrutescência verde-escura, amarelada ou alaranjada, bagas livres ou fundidas ao espádice, raro coalescentes. Sementes pequenas, numerosas, complanadas ou cilíndricas, elípticas, ovaladas ou falciformcs; 'Dissertação de mestrado de F. P. Gomes, Universidade de São Paulo. Bolsa FAPESP. 2Instituto de Biociéncias, Universidade de São Paulo. Cx. Postal 1 1461. 05422-970, São Paulo, SP. Bolsista do CNPq. SciELO/JBRJ 2 13 14 15 16 17 160 Gomes, F P. & Mello-Silva, R. embrião pequeno a médio, cilíndrico, linear, raro recurvado. Cyclanthaceae tem 12 gêneros e de 180 (Beck 2004) a 230 (Harling et al. 1998) espécies. Esta variação reflete as incertezas na delimitação de muitas delas. Ocorrem no sul do México, América Central, Antilhas, região Amazônica e, disjuntamente, no Ceará, Bahia e do Rio de Janeiro a Santa Catarina (Harling et al. 1998). O centro de diversidade é a Amazônia colombiana. Compõe-se de duas subfamílias. A subfamília Cyclanthoideae é monotípica e abriga a primeira espécie descrita da família. Cyclanthus bipartitus. A subfamília Carludovicoideae inclui todas as espécies e gêneros restantes. Asplundia, o maior, engloba ca. 85 espécies; Carludovica, três espécies; Chorigyne, oito; Dianthoveus, uma ( Dianthoveus cremnophilus Hammel & Wilder); Dicranopygium, 45; Evodiantluts, uma ( Evodianthus funifer); Ludovia, três; Schultesiophytum, uma ( Schultesiophytum chorianthum Harling); Sphaeradenia, 38; Stelestylis, quatro; e Thoracocarpus, uma espécie ( Thoracocarpus bissectus). Na Reserva Ducke a família conta com cinco gêneros e sete espécies. Chave para gêneros de Cyclanthaceae na Reserva Ducke 1. Terrestres, limbo foliar plano; nervuras principais 1—2 por segmento, muito conspícuas; flores coalescentes, distribuídas em verticilos estaminados e pistilados alternos 2. Cyclanthus 1 . Hemiepífitas, epífitas ou terrestres e, então, folhas flabeliformes; limbo foliar plicado; nervuras principais 1—3, inconspícuas; flores livres, cada flor pistilada circundada por quatro estaminadas. 2. Epífitas, folhas inteiras; nervura principal 1, muito conspícua; sementes globosas, castanhas 4. Ludovia 2. Hemiepífitas; tolhas bífidas; nervuras 1—3, visíveis apenas na base; sementes elípticas, alaranjadas a castanhas. 3. Caule 10—30 m compr., densamente anelado; espatas 8, de tamanho crescente da proximal externa para a distai interna; sementes com testa levemente reticulada, vemicosa .... 5. Thoracocarpus 3. Caule 1-2 m compr., liso; espatas 2-5, do mesmo tamanho, sementes com testa reticulada, não verrucosa. 4. Espatas 4, congestas no ápice do pedúnculo; receptáculo das flores estaminadas afundado; flores pistiladas livres; sementes com testa impresso-reticulada, foveolada * 3. Evodianthus 4. Espatas 3-5, dispostas ao longo da metade distai do pedúnculo; receptáculo das flores estaminadas aplanado; flores pistiladas conatas; sementes com testa reticulada 1 . Asplundia 1. Asplundia Asplundia Harling, Acta Horti Berg. 17(3): 41. 1954. Hemiepífitas secundárias, raro terrestres; caules bem desenvolvidos ou muito curtos nas espécies terrestres. Folhas espiraladas; pecíolo canaliculado ou aplanado; limbo sempre bífido, plicado, nervuras 1-3, conspícuas na base da folha; segmentos foliares lanceolados a ovados, agudos, raro acuminados. Inflorescência axilar; pedúnculo ca. 1/3 do comprimento do pecíolo, secção transversal circular na parte proximal e levemente elíptica na parte distai; espatas 3—5, lanceoladas a ovadas, raro cimbiformes, nunca congestas, dispostas ao longo da metade distai do pedúnculo; espádice elíptico, raro esférico. Flores estaminadas com perianto simétrico ou assimétrico; lobos esbranquiçados, translúcidos, oblongos a obovados, obtusos a truncados, portando glândulas; receptáculo aplanado, pedicelo excêntrico nas flores de perianto assimétrico; estames poucos a numerosos, adnatos na base do bulbo basal; anteras iguais entre si, sem Rodriguésia 57 (2): 159-170. 2006 SciELO/JBRJ 2 13 14 15 16 17 18 Flora da Resena Ducke: Cyclanthaceae 161 glândulas; tecas hemielípticas; conectivo filiforme, inconspícuo; pólen monossulcado. Flores pistiladas conatas; tépalas bem desenvolvidas adnatas na base; estiletes 4, muito curtos, livres; estigmas com formas variáveis. Sementes aplanadas, ovadas a elípticas, pequenas, castanhas a alaranjadas. Asplundia é o maior gênero da família, com ca. 85 espécies, de ampla distribuição no neotrópico. No gênero há dois tipos de flores masculinas e, baseado nisto, Harling (1958) distribui as espécies em dois subgêneros. O subgênero Asplundia apresenta folhas sub ou distintamente tricostadas, raramente unicostadas, flores masculinas com receptáculo aplanado, pedicelo excêntrico, perianto unilateral e pólen monossulcado. O subgênero Choanopsis apresenta folhas exclusivamente unicostadas, flores masculinas com receptáculo levemente afunilado, pedicelo central, perianto simetricamente disposto e pólen monossulcoidado ou ulcerado. Das três espécies de Asplundia encontradas na Reserva, duas pertencem ao subgênero Asplundia. A terceira, ainda indeterminada, não pôde ser classificada em nenhum dos dois subgêneros por falta de flores masculinas. Chave para as espécies de Asplundia 1. Folhas 130-160 cm compr.; segmentos foliares 10-20 cm larg.; nervuras secundárias ca. 20; bainha alaranjada com epiderme soltando-se por fricção 1.3. Asplundia sp. 1 . Folhas 30-1 10 cm compr.; segmentos foliares com até 10 cm larg.; nervuras secundárias 4-8; bainha amarelada com epiderme fixa. 2. Folhas 30-50 cm compr.; segmentos foliares oblanceolados, 5-10 cm larg.; bainha amarelada de coloração uniforme; estigmas ovado-triangulares 1.1. A. vaupesiana 2. Folhas 70-1 10 cm compr.; segmentos foliares linear-lanceolados, ca. 3-4 cm larg.; bainha amarelada, variegada com pontos marrons, estigmas lanceolados 1 .2. A. xiphophylla 1.1 Asplundia vaupesiana Harling, Acta Horti Berg. 18(1): 202. 1958. Fig. 1 f-j Herbácea, hemiepífita secundária; 50- 150 cm compr.; raízes aéreas avermelhadas; raízes grampiformes castanhas; caule ca. 1 m compr., 0,5-1 cm diâm. Folhas 5-10, verde-claras, pendentes; bainha amarelada 0,5-1 cm larg., margem desintegrando-sc em fibras; pecíolo 10-20(-26) cm compr., aplanado a canaliculado; lâmina 20-30(-35) cm compr., bífidas até 2/3 do compr., unicostadas, segmentos 4,5-7(-9) cm larg., obovados, ápice acuminado, base atenuada, nervuras secundárias 4-6 por segmento, proeminentes na face adaxial, as marginais proeminentes na face abaxial; profilos 1-4, membranáceos, palhete, in sicco brilhantes. Inflorescência axilar, 1 por folha; pedúnculo 3-5 cm compr.; espatas, 3-5 cm compr., ca. 1 cm larg., cimbiformes, distribuídas em intervalos regulares na porção distai do pedúnculo, decíduas, margem convoluta, ápice acuminado; espádice cilíndrico a elipsóide, 2,5-3 cm compr., ca. 1 cm diâm. Flores estaminadas, ca. 1,5 mm compr., receptáculo achatado, perianto assimétrico; lobos 15-20, ovado-obtusos, esbranquiçados; estames 25-40, adnatos pela base do bulbo; bulbo basal inconspícuo; anteras iguais entre si, basifixas, tecas hemielípticas, conectivo filiforme, inconspícuo. Flores pistiladas 2-3 mm diâm., tépalas inteiras, conatas na base, ca. 1 mm compr., ca. 2 mm larg., truncadas; estaminódios esbranquiçados, ca. 4 cm compr.; estigmas castanhos, sésseis, ovado- elípticos, aplanados, ca. 1 mm compr. Infrutescência verde-escuro passando a verde mais claro quando madura; pedúnculo, 4-8 cm compr.; espádice 3-4 cm compr., ca. 1 ,5(— 2) cm diâm. Sementes castanho- alaranjadas, ovadas, ca. 1 mm compr.; testa reticulada. Igarapé Barro Branco, 26.IV. 1994 (fi) Hopkins, M. J. G et ai I410( INPA); id., 15.1.1998 (fr) Gomes. F. P. et al. 4 (INPA); entrada do Igarapé do Tinga, 4.1. 1 998 (fr) Martins, L H. P et ai 81 (INPA). RodrÍKUÁsia 57 (2): 159-170. 2006 SciELO/JBRJ, 13 14 15 cm .. 162 Material complementar: AMAZONAS: São Gabriel da Cachoeira, aldeia dos índios Cana, 15.X. 1987(fl) Maas, P J. M. et al. 6761 (INPA). Asplundia vaupesiana é a única Cyclanthaceae de pequeno porte na Reserva. Além disso, as folhas verde-claras, de segmentos obovados com ápice lanceolado, a tornam inconfundível, mesmo estéril. São característicos também os estigmas largos e achatados, e a infrutescência congesta, cilíndrico-ovada. Ocorre sempre a cerca de 6 m de altura. Harling (1958) afirma que A. vaupesiana seria comum nas matas de baixio da Amazônia ocidental. Isto pôde ser parcialmente confirmado, já que a espécie ocorre na Amazônia Central e na região de São Gabriel da Cachoeira, apesar de repre- sentada por poucas coletas. Embora pareça ser rara, é bem distribuída na Amazônia ocidental. 1.2 Asplundia xiphophylla Harling, Acta Horti Berg. 18(1): 199. 1958. Fig. 1 a-d Herbácea, hemiepífita secundária, 70-150 cm compr.; raízes aéreas avermelhadas, raízes grampiformes muito delgadas, castanhas; caule ca. 1 m compr., ca. 1,5 cm diâm. Folhas 5-10 por ramo, verde-escuras, eretas; bainha ca. 2 cm larg., verde-amarelada, variegada com pontos marrons, in sicco ocre, lustrosa; pecíolo 23-30(-50) cm compr., sulcado no ápice, passando a côncavo em direção à base; lâmina 49-56(-85) cm compr., sub-tricostada, bífidas quase até a base; segmentos 3,5-5cm larg., lineares, ápice acuminado, base atenuada; nervuras secundárias (4— )5— 8 por segmento, proeminentes na face adaxial, as marginais pouco conspícuas; profilo 1, membranáceo, ocre, desintegrando-se em fibras, às vezes formando uma massa de fragmentos e fibras na bainha das folhas. Inflorescência axilar, 1 por folha; pedúnculo 5-8 cm compr.; espatas 3-4, (3— )5— 10 cm compr., ca. 1,5 cm larg., cimbiformes, bicarenadas, margem convoluta, ápice acuminado, a inferior situada na metade do pedúnculo e as superiores congestas no ápice, ou todas concentradas na metade do pedúnculo, decíduas; espádice largamente Comes, F. P. & Mello-Silva, R. cilíndrico, 1-2,5 cm compr., 0,5-1 cm diâm. Flores estaminadas ca. 2 mm compr.; receptáculo achatado; perianto assimétrico, lobos lineares, esbranquiçados, ápice agudo; estames 20-35. Flores pistiladas ca. 5 mm diâm., tépalas inteiras, conatas na base, ca. 5 mm compr., ca. 3 mm larg., truncadas; estaminódios não vistos; estigmas castanhos, sésseis, ca. 2 mm compr., aplanados, ultrapassando as tépalas. Infrutescência verde- escura, pedúnculo, 5-15 cm compr.; espádice 3-5 cm compr., 0,7-2 cm diâm. Sementes alaranjadas, estreito-elípticas, ca. 1-2 mm compr., testa reticulada. Baixio, 14.11.1995 (fr) Sothers, C.A. & Pereira, E. C. 331 (INPA); Igarapé Água Branca, 14.IX.1995 (fr) Costa, M. A. S. & Assunção, P A. C. L 358 (INPA); Igarapé Barro Branco, 15.1.1 998 (fr) Gomes, F P et al. 1 (INPA SPF); id., próximo ao buritizal, 5.IV.1998 (fr) Gomes, F. P 32 (INPA); id., id., 5.IV. 1998 (st) Gomes, E P 33 (INPA); Igarapé do Tinga, 5.II. 1998 (fr) Gomes, F.P.& Silva, C. F 26 (INPA); Igarapé da Bolívia, 6. VII. 1 993 (fr) Ribeiro, J. E. L S. etal. 902 (INPA SPF). A “folha em forma de espada”, como diz o epíteto, é o caráter mais marcante de A. xiphophylla. Além dos segmentos foliares longos e afilados, a base do pecíolo variegada e os estigmas estreitos e aplanados, pouco maiores que os carpelos, facilitam sua identificação. É próxima de A. longicrura (Drude) Harling por apresentarem folhas semelhantes (Harling 1958). Desta última há apenas o material-tipo do Alto Xingu ( Spruce s.n.) e há dúvida de que sejam espécies distintas. Asplundia xiphophylla apresenta- se bem distribuída nas regiões Central e Ocidental da Amazônia brasileira. Ocorre entre 2 a 7 m do solo. 1.3 Asplundia sp. Fig. 1 e Herbácea, hemiepífita secundária, 2-3 m compr.; raízes aéreas castanho-avermelhadas; raízes grampiformes castanhas; caule ca. 1 m compr., 3,5—5 cm diâm. Folhas ca. 1 0— 1 5, verde- claras, pendentes; bainha convoluta, alaranjada; epiderme castanho-esverdeada, descamando por frição, ca. 5 cm larg.; pecíolo ca. 55 cm compr., canaliculado na base das folhas a Koctrinue.ua 57 (2): 159-170. 2006 SciELO/ JBRJ 12 13 14 15 16 17 Flora da Resen a Ducke: Cydanthaceae 163 Figura I - a-d. Asplundia xiphophylla - a. hábito; b. flor estaininada, vista lateral; c. tlor pistilada, vista frontal; d. infrutcscência; e. Asplundia sp. - e. hábito; f-j. Asplundia vaupesiana - f. hábito; g. inflorcsccncia; h. Ilor estaininada, vista lateral; i. flor pistilada, vista frontal; j. infrutescência. (a-d. Gomes J2; c. Gomes 25; f-j. Maus 6761). Rodrinuésia 57 (2): 159-170. 2006 SciELO/JBRJ 12 13 14 15 16 17 cm .. Gomes. F. P. & Mello-Silva, R. fortemente côncavo próximo à bainha; lâmina 75-105 cm compr., bífidas até 3/4 do compr. ou quase até a base, distintamente tricostadas; segmentos 10-20 cm larg., lanceolados, ápice acuminado, base atenuada, nervuras secundárias ca. 20 por segmento, proeminentes na face adaxial e abaxial alternadamente, as submarginais proeminentes na face abaxial; profilos 3-5, coriáceos, palhetes. Inflorescência axilar, 1 por folha, pedúnculo ca. 10 cm compr.; espatas 4, marrons, 5-8 cm compr., ca. 2 cm larg., cimbiformes, distribuídas em intervalos iguais no terço distai do pedúnculo, decíduas, margem involuta, ápice acuminado; espádice cilíndrico ca. 5 cm compr., ca. 1,5 cm diâm. Flores não vistas. Igarapé do Tinga, 5.11. 1 998 (st) Gomes, F.P.& Silva, C. F. 25 (INPA); id., 5.II.1998 (fl) Gomes. F P. & Silva, C. F 28 (INPA). Asplundia sp. difere das outras da Reserva pelo grande porte e folhas muito largas e longas, além do pecíolo com periderme em formação e consequente descamação da epiderme. Pela forma e dimensões das folhas e pela presença de quatro espatas, aproxima-se de A. nonoensis Harling ou de A. gigantea Tuberq. Asplundia nonoensis é de apenas uma localidade do Equador. Apresenta folhas grandes, porém bicostadas (Harling 1958), enquanto Asplundia sp. apresenta folhas distintamente tricostadas. Asplundia sp. parece ser mais próxima de A. gigantea, de Cabo Corrientes, litoral da Colômbia. A. gigantea tem folhas de grande porte, tricostadas e pulverulentas na face abaxial, a base é atenuada e decurrente (Tuberquia 1994). Em contrapartida, Asplundia sp. apresenta pecíolo distinto e folhas glabras. Embora tenha folhas muito similares às das duas espécies supracitadas, Asplundia sp. não pôde ser incluída em nenhuma delas pois o espádice foi encontrado em avançado estado de decomposição. Além disso, aquelas espécies ocorrem em áreas muito distantes da Amazônia Central. Nenhum material similar que ocorresse em áreas intermediárias foi encontrado nas coleções. Análise da inflorescência completa é necessária para o estabelecimento da identidade deste material. 2. Cyclanthus Cyclanthus Poit. ex A. Rich., in Bory, Dict. class. hist. nat. 5: 221. 1824. 2.1 Cyclanthus bipartitus Poit. ex A. Rich., in Bory, Dict. class. hist. nat. 5: 222. 1824. Fig. 2 e-g Terrestre, cespitosa, rizoma não visto; folhas 4-8, verde-claras, brilhantes na face adaxial, verde-pálidas a glaucas na face abaxial, eretas, dísticas; bainha 1—3 cm compr., 3-5 cm larg.; pecíolo 80-1 lOcm compr., cilíndrico, canaliculado; lâmina 60—120 cm compr., ou inteira ou bífida a partir da base, nervura principal muito conspícua, bífida a partir da base, cada segmento prosseguindo até o ápice da lâmina. Nas folhas inteiras os dois segmentos da nervura podem unir-se no ápice. Lâmina das folhas inteiras, 10—20 cm larg., elíptica a estreito-ovada, ápice acuminado a agudo, base atenuada; segmentos das lâminas bífidas 10- 15 cm larg., estreito-ovados a levemente falcados, ápice acuminado a agudo, base atenuada, nervuras secundárias inconspícuas. Inflorescência terminal, 1 por ramo, pedúnculo 60-70 cm compr.; espatas 4f — 5), 5- 1 5 cm compr., 2-5 cm larg., verde-claras a amarelo-forte ou alaranjadas na face abaxial, amarelo-pálido, esbranquiçado ou rosado na face adaxial, cimbiformes a lanceoladas, distribuídas em intervalos regulares abaixo do espádice, ápice acuminado, podendo portar uma folha reduzida na espata externa; espádice cilíndrico, 5—10 cm compr., ca. 2—3 cm diâm., 8 — 10( — 15) anéis estaminados e pistilados dispostos alternada- mente. Flores estaminadas coalescentes em cada anel; estames usualmente dispostos em quatro verticilos, conatos pela base do filete em cada verticilo; anteras com tecas alongadas, conectivo filiforme. Flores pistiladas coalescentes; cada anel apresentando uma cavidade ovariana comum; sépalas muito reduzidas, formando duas estrias paralelas fundidas às lamelas estaminodiais; estaminódios reduzidos a duas lamelas paralelas podendo portar anteras estéreis; lamelas estaminodiais involutas na fase estaminada e revolutas na fase pistilada. Anel estigmático delimitado por duas RoJriftuSsia 57 (2): 159-170. 2006 SciELO/JBRJ _2 13 14 15 16 17 cm Flora da Reserva Ducke: Cyclantliaceae Figura 2 - u-d. Ludovia lancifolia - a. hábito; b. flor estaminada, vista lateral; c. flor pistilada, vista frontal; d. infrutcscôncia. e-g. Cyclanthus biparlitus - c. hábito; f. inflorescência; g. infrutescência. (a-d. Plowman 12140. c-g. Plowman 12217). Rodriguésia 57 (2): 159-170. 2006 SciELO/JBRJ L2 13 14 15 16 17 cm .. Gomes. F P. & MeUo-Silva, R. lamelas paralelas, rudimentares. Infrutescência verde-claro passando a amarelo-pálido quando madura, pedúnculo ca. 60 cm compr., espádice 5-10 cm compr., 2-4 cm diâm. Após a maturação, os anéis pistilados soltam-se por desintegração do eixo do espádice, abrem-se em duas valvas e liberam as sementes. Sementes castanhas, esféricas, ca. 2-4 mm compr., ala coriácea, ovado-lanceolada a triangular, palhete, testa longitudinalmente estriada. Barro Branco, 6.X.1995 (fr) Ribeiro. J. E. L S. et ai 1720 (INPA); Estrada do Acará, 10.V.1988 (fr) Coelho, D. & Lima, R. P. D2 7 (1NPASPF); Igarapé Barro Branco, 1 .XI. 1 994 (fr) Ribeiro, J. E. L S. et ai 1467 (INPASPF); id„ 17.1.1995 (fl) Costa, M. A. S. & Nascimento, J. R. 97 (INPA). Material complementar: AMAZONAS: Maraã, rio Japurá, 1°5 l’S 65°36’ W, 4.XII. 1 982 (fl) Plowman, T et ai 12217 (INPA MG). Cyclanthus bipartitus é único na subfamília Cyclanthoideae e foi a primeira espécie descrita da família. Apresenta estruturas vegetativas e reprodutivas muito diferentes das apresentadas pelas Carludovicoideae. Cyclanthus foi assim denominado pelas flores estaminadas e pistiladas dispostas em anéis. O epíteto refere-se às folhas bífidas características. Cyclanthus bipartitus apresenta folhas bastante plásticas (Harling 1958). A idade da planta e das folhas é responsável pelas variações observadas e, apenas em plantas adultas, as folhas adquirem sua conformação bífida com lobos falciformes (Harling 1 958). A maioria dos espécimes observados na Reserva Ducke, bem como muitos exemplares de herbários, apresenta folhas adultas inteiras, com uma nervura principal percorrendo cada metade do limbo, e uma linha frágil entre estas, denunciando a presença dos dois lobos que podem ser separados com facilidade. Os caracteres florais apresentaram-se constantes apesar da variação nas dimensões. Distribui-se por toda a Amazônia e América Central. É a única espécie terrestre de Cyclanthaceae da Reserva Ducke, onde está sempre às margens dos igarapés, em solo encharcado onde, por vezes, a base da planta permanece submersa. Pode ocorrer também em bordas de mata e áreas alteradas. 3. Evodianthus Evodianthus Oerst., Vidensk. Meddel. Dansk Naturhist. Foren. Kjobenhavn: 194. 1857. Evodianthus tem apenas uma espécie. 3.1 Evodianthus funifer (Poit.) Lindm., Bih. Kongl. Svenska Vetensk.-Akad. Handl. 26(3/ 8): 8. 1900. Fig. 3 a-d Herbácea, hemiepífita secundária, raro terrestre, até 2 m compr., raízes aéreas avermelhadas; raízes grampiformes castanhas; caule ca. 1 m compr., 1-4 cm diâm. Folhas 5— 7, verde-escuras, brilhantes na face adaxial, verde-claras a levemente cinéreas na face abaxial, iridescentes, espiraladas, pendentes, in sicco ásperas; bainha amplexicaule, 0,5-1 cm larg., pecíolo (6— >9— 35(— 45) cm. compr., canaliculado; lâmina ( 1 5— )25— 55(— 70) cm compr., bífidas até 3/4 do compr. ou quase até a base, unicostadas, segmentos 2-7 cm larg., lineares a estreito-lanceolados, ápice acuminado a agudo, base atenuada; nervuras secundárias 4— 8(— 1 0) por segmento, proeminentes na face adaxial, impressas na abaxial; profilos 1-3, presentes nos ramos férteis e estéreis, palhetes, desintegrando-se em fibras. Inflorescência terminal, 1 por ramo, pedúnculo 3-8 cm compr.; espatas 3, 4-6 cm compr., ca. 2 cm larg., congestas na base do espádice, Iargamente cimbiformes, ápice acuminado a curto-caudado; espádice cilíndrico, raro esférico, 1,5-3 cm compr., ca. 1—2 cm diâm. Flores estaminadas, ca. 4 mm compr.; receptáculo afunilado; perianto simétrico, dividido em dois verticilos, lobos 10—20, esbranquiçados, lineares, ápice arredondado, recurvados sobre os estames na antese; lobos externos do perianto providos de glândulas; estames 10-30, livres; bulbo basal inconspícuo, anteras maiores nos estames do centro do receptáculo, diminuindo progressiva- mente naqueles mais periféricos, basifixas; tecas hemielípticas; conectivo filiforme, inconspícuo. Flores pistiladas livres, ca. 4 mm diâm.; tépalas inteiras, livres, ca. 5 mm compr., ca. 3 mm larg., largo-lanceoladas a triangulares, recurvadas na antese; estaminódios palhetes a alaranjados, raro avermelhados, ca. 10 cm compr.; estigmas castanhos a rosados, sésseis. Rotlrigufsia 57 (2): 159-170. 2006 SciELO/JBRJ1 2 13 14 15 16 17 lí Flora da Reserva Ducke: Cyclanthaceae 167 Figura 3 - a-d. Evodianthusfunifer - a. hábito; b. flor cstaminada, corte cm vista lateral; c. Mor pistilada, vista frontal; d. infrutesccncia. e-h. Thoracocarpus bissectus - c. hábito; f. flor cstaminada. vista lateral; g. flor pistilada. vista frontal; h. infrutcscência. (a-d. Ribeiro 1149. c-f. Silva s.n. (1AN 3 1 ). g-h. Silva IJ99). Rodriguésia 57 (2): 159-170. 2006 cm 1 ISciELO/JBRJ 12 13 14 15 16 17 cm .. Gomes, F P. & Mello-Silva, R. lateralmente comprimidos, uncinados, ca. 2 mm compr. Infrutescência verde-clara passando a amarelada, raro alaranjada quando madura; pedúnculo, (6— )8— 1 5(— 20) cm compr.; espádice 2,5-4,5(-5,5) cm compr., 1-2,5 cm diâm.; tépalas conatas, rotundadas, ápice levemente recurvado. Sementes alaranjadas, estreito- elípticas, translúcidas, ca. 1 mm compr.; testa impresso-reticulada e foveolada. Baixio, 22.VIII.1994 (11) Sothers, C. A. 123 (INPA); Barro Branco, 2.XI. 1 994 (fr) Ribeiro, J. E. L S. et ai 14S1 (INPA); Baixio, 1 8.XU. 1 997 (fr) Souza, M. A. D. & Assunção, P.A.C.L 505 (INPA SPF); Igarapé Barro Branco, 5.1 V. 1 998 (st) Gomes, F.P.34 (INPA); id„ Baixio, 15.1.1998 (st) Gomes, F. P 35 (INPA); Igarapé do Tinga, 1 4. VIII. 1 993 (fl) Ribeiro, J. £ L S. et al. 1149 (INPA); trilha para área 3, saindo do campo de futebol, 1 6.1. 1 998 (fr) Gomes, F.P.et al. 6 (INPA); s.l., 1 9. 1 . 1 996 (fr) Costa, M. A. S. et al. 724 (INPA). Evodianthus funifer foi descrita por Poiteau (1822) em Ludovia. Logo após, foi transferida para Salmia por Sprengel (1826) e para Carludovica por Kunth (1841). Posteriormente, Evodianthus foi criado para abrigá-la (Lindman 1900). Evodianthus angustifolius Oerst., E. freyreisii Lindm., Carludovica oerstedii Hemsley, C. chelidonura Drude, C. coronata Gleason, C. trailiana Drude e C. heterophylla Mart. ex Drude, de várias localidades das Américas do Sul e Central, foram todas sinonimizadas em E. funifer por Harling (1958). Já Ludovia subacaulis Poit. foi considera um sinônimo duvidoso (Harling 1958). Esta espécie, cujo tipo desapareceu, foi descrita como terrestre, de caule muito curto e com flores similares às de E. funifer. Dada a variabilidade de E. funifer, é possível que as duas sejam mesmo sinônimos. Evodianthus funifer pode ser reconhecida pelo perianto das flores masculinas simétrico e disposto em dois verticilos, com os lobos recurvados sobre os estames. O porte da planta e a forma e dimensões das folhas, embora característicos, são bastante variáveis. Harling (1958) descreveu três subespécies, além da típica, baseado nestes caracteres: E. funifer ssp. fendleranus, E. funifer ssp. peruvianus e E. funifer ssp. trailianus. Difereriam entre si na proporção entre a parte inteira e a parte bífida da lâmina foliar e nas medidas dos segmentos. As populações da Reserva Ducke abrangem toda a variação utilizada na delimitação das subespécies e, assim, elas não foram aqui reconhecidas. Evodianthus funifer ocorre na América Central, Amazônia e sul da Bahia. 4. Ludovia Ludovia Brongn., Ann. Sei. Nat., Bot., sér. 4, 15:361. 1861. Epífitas ou lianas, raro terrestres; caule longo nas lianas, ou muito curto nas epífitas. Folhas dísticas; pecíolo mais curto que a lâmina, alado, lâmina foliar inteira, plicada apenas na prefoliação, sub-coriácea, lanceolada, ápice crenado; nervura principal única, muito conspícua, atingindo o ápice. Inflorescência axilar; pedúnculo muito curto; espatas 3, raro 4, lanceoladas a ovadas, dísticas, nunca congestas, dispostas na metade distai do pedúnculo; espádice cilíndrico a fusiforme. Flores estaminadas simétricas, curto- pediceladas a sésseis; receptáculo afunilado; lobos do perianto 20-30, esbranquiçados, portando glândulas; estames muito numerosos; pólen monossulcado. Flores pistiladas conatas; tépalas reduzidas a quatro linhas delimitando cada flor; estigmas sésseis, uncinados; placentação subapical. Sementes esféricas a levemente oblongas, pequenas, castanhas. Ludovia tem duas espécies, reconhecíveis pelo hábito. Ludovia integrifolia (Woodson) Harling é liana de folhas curtas que ocorre no Panamá, Colômbia e Equador (Croat 1978) e L. lancifolia, única epífita verdadeira da família, tem folhas longas e caule muito curto. 4.1 Ludovia lancifolia Brongn., Ann. Sei. Nat., Bot., ser. 4, 15: 363. 1861. Fig. 2 a-d Herbácea, epífita, raro terrestre, até 150 cm compr.; raízes aéreas ausentes; raízes grampitormes muito abundantes formando um aglomerado na base da planta; caule ca. 40 cm compr., 3-7 cm diâm. Folhas 5-12, verde- escuras, brilhantes, eretas, bainha conduplicada, Rodriguésia 57 (2): 159-170. 2006 SciELO/JBRJ L2 13 14 15 16 17 Flora da Resena Ducke: Cyclanthaceae 169 margens expandidas, 2-3 cm larg.; pccíolo (20-)25-35 cm. compr., alado; lâmina 25- 75(— 85) cm compr., 5,5— 8(— 1 1 ) cm larg., inteira, unicostada, lanceolada, ápice crenado, base atenuada; nervuras secundárias 6-10, proeminentes na face adaxial, impressas na face abaxial; profilo 1, membranáceo, muito rudimentar. Prospatas 1-3, membranáceas, ca. 3 cm compr., pedúnculo ca. 5 cm compr.; espatas (3-)4,3-8 cm compr. 1-2 cm larg., a inferior situada na metade do pedúnculo, verde, carnosa, as três superiores próximas ao espádice, face adaxial amarelada, face abaxial avermelhada a castanha, cimbiformes, ápice acuminado; espádice cilíndrico, ca. 1,5 cm compr., ca. 1 cm diâm. Flores estaminadas ca. 1 mm compr.; receptáculo côncavo, ca. 3 mm diâm.; perianto simétrico, lobos 20-30, esbranquiçados, ápice acuminado; estames 50-90, livres, bulbo basal bem desenvolvido, anteras maiores nos estames situados no centro do receptáculo, diminuindo progressivamente naqueles mais periféricos; tecas lineares. Flores pistiladas conatas, ca. 2 mm diâm.; tépalas inteiras, muito reduzidas, conatas; estaminódios ca. 4 cm compr., esbranquiçados a amarelados; estigmas castanhos, sésseis, lateralmente comprimidos, uncinadòs, ca. 2 mm compr. Infrutcscência verde-claro, passando a verde-escuro quando madura; pedúnculo (2-)3,5-8 cm compr.; espádice (3,5— )4— 7,5 cm compr., 1-2,5 cm diâm.; tépalas conatas, muito reduzidas, conferindo aspecto hexagonal a cada fruto. Sementes castanhas, globosas, ca. 1 — 1,5 mm diâm., testa longitudinalmente estriada. Igarapé do Acará. 2.I1I.1998 (fr) Gomes, F P. 31 (INPA SPF); Igarapé da Bolívia, picada a oeste da reserva, 3. VI. 1993 (fr) Ribeiro, J. E. L S. et al. 820 (INPA SPF); fim da estrada da torre cm frente à casinha, 20.1.1998 (st) Gomes, E P. etal. 8 (INPA). Material complementar: AMAZONAS: Maraã, rio Japurá, 2°28'S 65”03'W, 3.XI1. 1982 (fi) Plowman, T. etal. 12140 (INPA). Harling (1958) considera L lancifolia um provável sinônimo de Carludovica disticha Neumann. A primeira foi descrita de material coletado no Horto de Paris e que fora enviado RodriRuésia 57 (2): 159-170. 2006 da Guiana Francesa por Melinon. A segunda fora descrita em 1847 com base em material vivo enviado, também por Melinon, da Guiana Francesa. É provável que ambos os nomes refiram-se à mesma planta. Neste caso, C. disticha teria prioridade sobre L lancifolia. Neumann ( 1 847) afirma que C. disticha seria a única Cyclanthaceae com folhas dísticas a ocorrer naquela área, o que sustenta a hipótese de Harling (1958) de que ambas pertenceriam à mesma espécie. No entanto, Stelestylis tem folhas dísticas c também ocorre na Guiana Francesa (Cremers & Hoff 1994). O tipo de C. disticha foi perdido. Deste modo, a sinonimização de C. disticha e L. lancifolia é duvidosa. Ludovia lancifolia é a única Cyclanthaceae epífita da Reserva Ducke. É caracterizada pelas folhas inteiras, de margem crenulada no ápice, e dísticas. E bastante homogênea quanto à morfologia floral mas apresenta alguma variação no formato e tamanho das folhas, como em Chagas 1335 (INPA) e Ducke s.n. (MG 12319). Esta plasticidade foi o motivo da sinonimização de L. crenifolia Drude, do rio Japurá, em L. lancifolia (Harling 1958). Ludovia lancifolia distribui-sc por toda a Amazônia brasileira e é pouco frequente. Segundo Harling (1958), ocorre ainda no Peru, Guiana Francesa, Suriname e na área do Canal do Panamá. 5. Thoracocarpus Thoracocarpus Harling, Acta Horti Bcrg. 18(1): 254. 1958. Thoracocarpus é um gênero monotípico e abriga a única liana da família, T. bissectus. 5.1 Thoracocarpus bissectus (Vcll.) Harling, Acta Horti Bcrg. 18(1): 255. 1958. Fig. 3 e-h Herbácea, hemiepífita secundária, ca. 30 m compr.; raízes aéreas avermelhadas; raízes grampiformes muito mais numerosas nos indivíduos jovens que nos adultos, castanhas; caule densamente anelado pelas cicatrizes foliares, ramificado, 1 -2 cm diâm. Folhas 5- 1 0 por ápice de ramo, verde-escuro, brilhanles, SciELO/JBRJ1 2 13 14 15 16 17 18 170 Gomes, F. P & Mello-Silva, R. cartáceas, espiraladas, eretas; bainha ca. 2 cm larg., verde-amarelado, variegada com pontos castanhos, irt sicco ocre, lustrosa; pecíolo 23- 30(-50) cm compr., sulcado no ápice, passando a côncavo em direção à base; lâmina 49-56(-85) cm compr., sub-tricostada, bífida quase até a base; segmentos 3,5-5 cm larg., lineares, ápice acuminado; base atenuada; nervuras secundárias (4— )5— 8 por segmento, proeminentes na face adaxial, as marginais pouco conspícuas; profilo 1, membranáceo, ocre, desintegrando-se em fibras, podendo formar uma massa de fragmentos e fibras na bainha das folhas. Inflorescência axilar, 1 por folha; pedúnculo 5-8 cm compr., espatas 3-4, (3— )5— 10 cm compr., ca. 1,5 cm larg., cimbiformes, bicarenadas, margem involuta, ápice acuminado, a inferior situada na metade do pedúnculo e as superiores congestas no ápice, ou todas concentradas na metade do pedúnculo, decíduas; espádice cilíndrico 1-2,5 cm compr., ca. 0,5-1 cm diâm. Flores estaminadas ca. 2 mm compr.; receptáculo aplanado, perianto assimétrico, lobos lineares, ápice agudo; estames 20-35, adnatos pela base do bulbo basal conspícuo; anteras iguais entre si, tecas hemielípticas, conectivo filiforme, inconspícuo. Flores pistiladas ca. 5 mm diâm.; tépalas inteiras, conatas na base, ca. 5 mm compr., ca. 3 mm larg., truncadas; estaminódios alvos, 5-7 cm compr; estigmas castanhos, sésseis, ca. 2 mm compr., aplanados, ultrapassando as tépalas. Infrutescência verde- escuro; pedúnculo 5-15 cm compr.; espádice 3—5 cm compr., 0,7—2 cm diâm. Sementes alaranjadas, elípticas, ca. 1 mm compr.; testa levemente reticulada, verrucosa. Estrada alojamento-torre, km 0,35, 1 7.XI. 1 995 (fr) Vicentini, A. & Pereira, E. C. 1159 (INPA SPF); estrada para a torre, km 0,35, 1 9.1. 1 998 (st) Gomes, E P. et al. 7 (INPA). Material complementar: AMAPÁ: Monte Dourado, rioJari, 1°51’S 65°36’W, 12.1.1968 ( ír)Silva,N . T 1399 (LAN). PARÁ: Castanhal, ferrovia Belém- Bragança, rio Jari, 1°51’S 65°36’W, 3.IX.1968 (fr) Silva, M. B. s.n. (IAN31). Thoracocarpus bissectus apresenta caracteres vegetativos constantes. É reconhecido pelo caule muito longo e anelado e pelas folhas curtas, cartáceas e muito brilhantes dispostas no ápice dos ramos. São característicos ainda as oito espatas que envolvem a inflorescência e o limbo foliar isolateral. O caule apresenta-se mais longo nas plantas de baixas latitudes. Em São Paulo atingem no máximo 10 m compr.; na Amazônia, chegam a 30 m. Drude (1881) descreveu Carludovica sarmentosa Sagot ex Drude de material coletado no Brasil. Sagot já havia identificado uma coleta da Guiana Francesa como C. sarmentosa , porém não publicara o nome. Drude o fez sem citar o material da Guiana, mas ambas as coletas pertencem à mesma espécie (Harling 1958). Entre 1881 e 1950 foram descritas ainda Carludovica kegeliana Lem., C. mattogrossensis Lindman e C. bracteosa Gleason. À exceção de C. bracteosa, os outros nomes foram atribuídos a exemplares indubitavelmente classificáveis como T. bissectus, tendo sido sinonimizados (Harling 1958). Este autor considerou também C. bracteosa sinônimo de T. bissectus, ressalvando que poderia ser uma subespécie do último, caso fossem encontradas espatas mais longas e largas em C. bracteosa. No entanto, em T. bissectus, as dimensões das espatas são muito variáveis, sustentando a sinonimização de C. bracteosa. Thoracocarpus bissectus é comum desde o Panamá e Trinidad até o litoral sul de São Paulo, em florestas úmidas, sendo mais freqüente nas porções Central e Oriental da Amazônia. Rodriguésia 57 (2): 159-170. 2006 SciELO/ JBRJ 12 13 14 15 16 17 cm Flora da Reserva Ducke, Amazonas, Brasil: Cyperaceae David A. Simpson1 Bruhl, J. J. 1995. Sedge gcnera of the world: relationships and a new classifícation of thc Cyperaceae. Aust. Syst. Bot.8: 125-305. Dahlgrcn, R. M.T.; Clifford, H. T. & Yco, P. F. 1985. The families of Monocotylcdons. Springcr-Verlag, Berlin and New York. 520p. Goctghebeur, P. 1998. Cyperaceae. In: K. Kubitzki (ed.). The families and genera of vascular plants. Springcr- Verlag, Berlin, Gcrmany. Vol. 4, pp. 141-190. Linder, H. P. & Kellogg, E. A. 1995. Phylogcnetic pattems in thc commclinid clade. In: P. J. Rudall; P. J. Cribb; D. F. Cutlcr & C. J. Humphries (eds.). Monocotylcdons: systematies and evolution. Royal Botanic Gardens, Kcw. Pp. 473-496. Simpson, D. A. 1995. Relationships within Cyperales. In: P. J. Rudall; P. J. Cribb; D. F. Cutler & C. J. Humphries (eds.): Monocotyledons: systematies and evolution. Royal Botanic Gardens, Kew. Pp. 497-509 Annual or perennial, rhizomatous to stoloniferous herbs. Stems (culms) simple, often 3-sided. Lcaves basal and/or cauline, often 3-ranked, comprising blade and sheath, sometimes sheath only present; blade usually linear, grass-like, sometimes broader and constricted into a pseudopetiole below; sheath open or closed; ligule often present, sometimes on opposite side to blade. Involucral bracts 1- sevcral, leaf-like or glumc-like. Infloresccnce unbranched to simply, compoundly or decompoundly branched and umbcl-like, or paniculate, comprising 1-many ultimate infloresccnce units (spikelets or spicoids). Spikelets comprising 1-many glumes, the glumes membranous to coriaceous, spirally arranged or 2-rankcd, each subtending a single bisexual or unisexual flowcr or sterile, the spikelet sometimes reduced to a single flowcr and aggregaled into spikes; spicoids (tribe Hypolytreae only) comprising a terminal femalc flowcr, 2-12 membranous scale-like floral bracts on a much reduced axis, thc lowest 2 bracts opposite and keeled, some of the bracts subtending a male flower, the spicoid subtended and usually hidden by a glume-like spicoid bract, these spirally arranged and aggregated into spikclet-like spikes. Perianth absent or reduced to bristles or scale-like segments. Stamens 1-3; anthers basifixed. Stigmas 2-3, rarely style undivided, the base sometimes persistent and variously shaped in nutlet. Ovary 2-3-carpellate, unilocular, with a single ovule. Nutlets usually a hard, a 2 or 3-sided nutlet, rarely with a succulent or corky exocarp, surface smooth or variously minutely patterned, sometimes partially or completely encloscd by an cnlarged basal prophyll (utricle), sometimes with a cup-like hypogynous disk at base. Cyperaceae comprises ca. 104 genera and ca. 5000 species (Goctghebeur 1998). The family is nearly cosmopolitan but does not occur in Antarctica. Cyperaceae can be recognised by the minute bisexual or unisexual flowcrs with the perianth reduced to small bristles or blades or absent, the flowers subtended by small bracts (glumes or floral bracts) these being aggregated into inflorescence units (spikelets and spicoids) which in turn are aggregated larger partial and full inflorescences. Thc fruit is a small, hard, 1-secded nutlet. The closcst rclativcs to Cyperaceae are Juncaceae and Thurniaceae in the order Cyperales (Dahlgren et al. 1985, Simpson 1995). Gramineae, which shares some characteristics of Cyperaceae such as wind pollination and reduced floral strueture, has often been placed ncar to Cyperaceae, but is now thought to be more distantly rclated (Linder & Kellogg 1995, Simpson 1995). 'Royal Botanic Gardens, Kcw, Richmond, Surrcy, TW9 3AB, U.K. SciELO/JBRJ 2 13 14 15 16 17 18 172 Simpson, D. A. Inflorescence structure in Cyperaceae is difficult to interpret due to its highly reduced nature. Consequently, the terminology used in describing parts of the inflorescence is confusing with several terms often being applied to the same structure. In addition, several terms are also used in the Poaceae but they do not always relate to the same structure in both families. In this account an attempt has been to keep terminology as simple as possible. Definitions of the terms used are given in the Glossary below. For accurate identification of Cyperaceae good fruiting material should be used wherever possible. Indeed this is essential in certain genera, such as Fimbristylis and Scleria. It is also important to have underground parts as these may be diagnostic for some species. Care is needed when counting the number of stigmas as these are easily broken off. Several should be observed from the same specimen. Care is also needed when counting the stamens. Anthers break off easily leaving the filaments partially hidden within the glumes. Always check that filaments are present. Glossary Terms which are italicised within each definition are themselves defined elsewhere in the Glossary. Acuminate. Gradually narrowed to a long fine point. Acute. Abruptly narrowed to a short point. Biconvex. Two-sided, the sides convex. Cancellate. Having the appearance of a lattice. Capitate. Head-like inflorescence, without any apparent branching. Compound. Applied to an inflorescence or partial inflorescence where there are two orders of branching, í.e. pnmary and secondary. Comprcssed-trigonous. Three-sided, but distinctly flattened and thus appearing to be two-sided. Contcal. Cone-shaped, being wider at the base than the apex; hete it is used as the 3-dimensional equivalem of lanceolate. ConnecUve. Tissue conneeting the pollen sacs of an anther. Sometimes it extends beyond the apex of the pollen sacs to form a prominent tip to the anther. Contraligule. Membranous ligule-like structure at the apex of the leaf-sheath on the side of the culm facing away from the leaf-blade. Coriaceous. Having a leathery texture. Culm. Stem supporting the inflorescence. Cylindric. Cylinder-shaped. "rrTrd- hAPPUed l° an Ínflorescence or inflorescence where there are three or more orders of branching, í.e., pnmary, secondary and tertiary. Deltoid. Triangular in outline. Disk. Three-lobed structure occurring at the base of the nutlet in Scleria, Calyptrocarya and Becquerelia. In some species it may be indistinct. yP ^ Filiform. Thread-like. Fimbriate. With a margin divided into a fringe. Floral bract. Membranous scale-like stnteture in the spieoid-type inflorescence uniteach of which “e,maa„d rr; “,rsmE a sinsle s,amen on,y- Tte — - ^ Globose. Rounded, resembling a bali. K odriguésia 57 (2): 171-188. 2006 SciELO/JBRJ 2 13 14 15 16 17 18 Flora da Reserva Ducke: Cyperaceae 173 Glume. Membranous to coriaceous scale-like structure subtending individual flowers. Hyaline. Transparent and usually colourless. Imbricate. Tightly overlapping. Involucral bract. Bract or bracts occurring at the point where the inflorescence arises from the culm. Vary from being leaf-like to glume-like or setaceous. Keel. Used here for the midrib of a glume or floral bract. Lanceolate. Lance-shaped, i.e. broadest below the middle and gradually tapering above. Ligule. Membranous tissue or fringe of hairs occurring at the apex of the leaf sheath on the inner side at the point where it joins the leaf-blade. Mucronate. Terminating in a short stiff point. Nutlet. Hardened, usually minute, one-seeded fruit, the surface of which may be smooth to variously pattemed and a diagnostic character for many species. Often called an achene in literature on Cyperaceae. Ob. (prefix) Used to indicate inversion of a shape, e.g. obdeltoid, obovoid, oblanceolate. Obtuse. Blunt. Orbicular. Circular. Ovate. Egg-shaped in two-dimensional outline. Ovoid. Egg-shaped in three dimensions. Paniculatc. Inflorescence partial inflorescences arising at intervals along the main inflorescence axis. Partial inflorescence. Primary branches of an inflorescence. Perianth segments. Small bristle-like or scale-like structures at the base of the nutlet. Presumed to be the remnants of a fully developed perianth. Plicate. Folded longitudinally. Prophyll. Two-keeled structure at the base of a branch within an inflorescence. It may be glume- like or tubular. Puncticulate. Dottcd. Reticulate. Forming a nctwork. Retrorse. Turned backwards. Rhizome. Underground stem which may be short, often giving the plant a tufted habit, or long-crecping. Rugose. Wrinkled. Setaceous. Bristle-like. Simple. Applied to an inflorescence or partial inflorescence where there is only order of branching, i.e. primary branching. Spicoid. The ultimate inflorescence unit in Cyperaceae Tribe Hypolytrcae. Has a much reduced axis and appears flower-like. It comprises 2-6 floral bracts cach subtending a male flowcr. The whole structure is terminated by a female flowcr. Spicoid bract. A glume-like bract which subtends the spicoid. Spike. An aggregation of spikelets or spicoids; sometimes the whole structure is similar in appearance to a spikelet (in Mapania and Hypolytrum). Spikelet. The ultimate inflorescence unit in most genera of Cyperaceae. Has an elongatcd or reduced axis with 1-many glumes, each glume subtending a bisexual or unisexual flowcr. Stolon. In Cyperaceae this term is applied to a thin underground branch arising from the rhizome or base of the culm. Each stolon terminates in an aerial shoot. Rodriítuésia 57 (2): 171-188. 2006 SciELO/JBRJ, 13 14 174 Simpson, D. A. Style-base. A variously-shaped portion at the base of the style which is persistem on the mature nutlet in some genera. Terete. Circular in cross-section. Tomentose. Thickly covered with short hairs. Trigonous. Three-sided, with the margins blunt and rounded. Applied here to the culm and nutlet. Triquetrous. Three-sided with the margins acute. Applied here to the culm and nutlet. Umbel-like. Inflorescence in which the primary branches more-or-less arise from the same point, the inflorescence being subtended by 1-several involucral bracts. Verruculose. Covered with small wart-like outgrowths. Key to the genera of Cyperaceae in Reserva Ducke 1 . Inflorescence comprising small units (spicoids) with 2 opposite, keeled, often ciliate scales (floral bracts) at the base often enclosing a further 2-6 scales, each unit subtended and usually hidden or partially hidden by a glume-like bract. 2. Inflorescence umbel-like; stamens 7-8 per spicoid 4. Diplasia 2. Inflorescence paniculate or capitate; stamens 1—3 per spicoid 3. Inflorescence capitate; spicoids with 4-6 floral bracts 10. Mapania 3. Inflorescence paniculate; spicoids with 2(— 3) floral bracts 8. Hypolytrum 1 . Inflorescence various but not as above. 4. All flowers unisexual. 5. Female spikelets subtended at base by 3 sterile spikelets; nutlet very tightly enclosed by a delicate, membranous sac 2. Cahptrocarya 5. Female spikelets without sterile spikelets at base; nutlet not enclosed by a membranous sac. 6. Contraligule present in leaf sheath apex; disk at base of nutlet not spongy 13. Sele ria 6. Contraligule absent; disk at base of nutlet spongy 1. Becquerelia 4. At least some flowers bisexual. 7. Glumes increasing in length towards the apex of the spikelet. 8. Inflorescence paniculate (in Ducke species); perianth segments scabrid below, ciliate or fimbriate above H. Pleurostachys 8. Inflorescence capitate (in Ducke species); perianth segments scabrid or rarely smooth 12. Rhynchospora 7. Glumes ± equal in length (but often with 1-3 smaller glumes at base of spikelet). 9. Perianth segments present. 10. Leaves reduced to bladeless sheaths; inflorescence a single spikelet Eleocharis 10. Leaf blades present; inflorescence with more than one spikelet 7. Fuirena 9. Perianth segments absent. 11. Glumes spirally arranged; style jointed with ovary and clearly demarcated from it 6. Fimbristylis 11. Glumes 2-ranked; style continuous with ovary and not demarcated from it. 12. Stigmas 2; nutlet 2-sided Kyinnga 12. Stigmas 3; nutlet 3-sided Cyperus Rodriguésia 57 (2): 171-188. 2006 SciELO/JBRJ 12 13 14 15 16 17 cm Flora da Resewa Ducke: Cyperaceae 1 75 1. Becquerelia Perennial herbs; rhizomatous or rarely stoloniferous. Culms triquetrous. Leaves basal and cauline, 3-ranked; ligule 0; contraligule absent. Involucral bracts leaf-like. Inflorescence paniculate; partial inflorescences corymbose or rarely capitate. Spikelets unisexual; male spikelets comprising ca. 5 glumes, the lower subtending a flower; female spikelets comprising ca. 10 sterile glumes and a single terminal flower. Perianth segments 0. Stamens 1 per flower. Stigmas 3. Nutlets depressed-globose, smooth, rugulose or tuberculate with a spongy cup-like disk at base. Genus of five species, central and South America. 1.1 Becquerelia cymosa subsp. merkeliana (Nees) T. Koyama, Mem. N.Y. Bot. Gard. 17(1): 29. 1967. Becquerelia merkeliana Nees, in Mart., Fl. bras. 2(1): 191. 1842. Perennial. Culm 39 cm long, 6.5 mm wide, smooth. Leaves: blade linear, 68 cm long, 1. 1-1.4 cm wide, gradually narrowed, acuminate, flat to v-shaped in cross-section; sheath 13-16 cm long, grccn to pale brown. Involucral bracts 7-43 cm long, the lowest bract longest. Inflorescence 40 x 5.5 cm; nodes 6, each subtending 1-2 corymbose partial inflorescences; partial inflorescences 3-4 x 4 cm, compound; primary branches 0.5-2 cm long; secondary branches 0.2-1 cm long, terminating in clusters of several spikelets. Male spikelets 1-2 below female spikelets, narrowly lanceolate, 3-3.5 x 0.2 mm. Female spikelets ovate, 3-5-4. 1 x 1 .3-1 .5 mm. Anthers 1 mm long. Nutlets 2 x 1.8-2 mm, whitish, rugulose-reticulate. Tropical South America. 1 7.IX. 1958 (0) Coêlho, D. 7 (INPA). Additional specimcn examined: BRAZIL. AMAZONAS: Igarapé de Tarumã Assunção, P. A. C. L 383 (INPA); Boa Vista road, 48 km N of Manaus, 2 1 .IX. 1980 Ume 3996 (INPA K). 2. Calyptrocarya Perennial herbs; rhizomatous or stoloniferous. Culms trigonous to triquetrous. Leaves basal and cauline, 3-ranked; ligule 0, contraligule sometimes present. Involucral bracts leaf-like. Inflorescence capitate or cymose-paniculate with distant nodes each subtending a single partial inflorescence; partial inflorescence umbel-like, each with several rayed globose spikelet clusters. Spikelets unisexual or sterile. Male spikelets comprising several glumes. Female spikelets comprising a single, apparently terminal female flower, very tightly cnclosed by a delicate, membranous sac. Sterile spikelets lateral, in 3 at the base of the female spikelet, each comprising a few empty glumes, the spikelets subtended by 3 glume-like bracteoles. Perianth segments 0. Stamen 1 per male flower. Stigmas 2-3. Nutlets 2-sided to terete-trigonous, surface bony, white. Genus of eight species, central and South America. Key to the species of Calyptrocarya in Reserva Ducke 1 . Spikelet clusters up to 3 mm wide; nutlets up to 1 .5 mm wide 2. C. glomerulata 1 . Spikelet clusters 5 mm or more wide; nutlets 1 .8 mm or more wide. 2. Lcaf blade abruptly narrowed at apex, narrowed into a pseudopetiole towards base 1. C. bicolor 2. Leaf blade gradually narrowed at apex, not narrowed into a pseudopetiole towards base 2. 3. C. poepiggiana Rodrixuésia 57 (2): 171-1 88. 2006 SciELO/JBRJ 12 13 14 15 16 17 cm .. 176 2.1 Calyptrocarya bicolor (H. Pfeiff.) T. Koyama, Mem. N.Y. Bot. Gard. 17(1): 43. 1967. Becquerelia bicolor H. Pfeiff., Fedde, Repert. 18:381. 1922. Perennial. Rhizome short-creeping. Culms 3-12 cm long, 1-1.4 mm wide, triquetrous, scabrid towards apex. Leaves: blade linear, linear-elliptic, 7-20 cm long, 5- 12 mm wide, abruptly narrowed at apex, acute, flat, green above, usually mid- to dark reddish below, narrowed below into a pseudopetiole towards base; sheath 1-4 cm long, dark reddish. Lowest involucral bract up to 17 cm long, upper bracts shorter. Inflorescence cymose-paniculate, 4-14 cm long, nodes 3—4; partial inflorescence with rays 0.5-2 cm long. Spikelet clusters 4-6 x 5-7 mm. Nutlets 2-sided, broadly obovate, I. 8-2 x 1.8-2 mm. Tropical South America. Forest. I I. II. 1995 (fr) Costa, M. A. S. et al. 149 (INPA); 13.V.1996 (fl) Costa, M. A. S. et al. 512 (INPA); 6. VI. 1 988 (fl) Santos, J. L 952 (INPA K MG MO NY RB SP); 4. VI. 1995 (fl) Sothers, C. A. 495 (INPA); 28.IV. 1994 (fl) Vicentini, A. et al. 520 (INPA); 13.V.1996 (fl) Costa, M. A. S. et al. 512 (INPA); 6. VI. 1 988 (fl) Santos, J. L 952 (INPA K MG MO NY RB SP); 4. VI. 1995 (fl) Sothers, C. A. 495 (INPA); 28.IV. 1994 (fl) Vicentini, A. etal. 520 (INPA). Calyptrocarya bicolor is distinguished by having the leaf blade narrowed into a pseudopetiole towards its base and a distinct reddish coloration to the undersides of the leaves. 2.2 Calyptrocarya glomerulaía (Brongn.) Urb., Symb.Ant. 2(1): 169. 1900. Becquerelia glomerulaía Brongn., in Duperry, Voy. Coq. 2: 1 63. 1 829. Calyptrocarya angustifolia Lindl. & Nees ex Kunth, Enum. Pl. 2: 364. 1837. Calyptrocarya fragifera sensu Kunth, Enum. Pl. 2: 364. 1837 non (Rudge) Nees. Calyptrocarya intermedia C.B. Clarke, Kew Buli. Add. Ser. 8: 66, 135. 1908. Perennial. Rhizome short. Culms tufted, 7.5-9 cm long, 0.8—1 mm wide, triquetrous. Leaves: blade narrowly linear, up to 21 cm long, 2-3 mm wide, gradually acuminate at Simpson, D. A. apex, flat, green above, green or brownish below; sheath 4—6.5 cm long, reddish-brown. Lowest involucral bract 20 cm long, upper bracts shorter. Inflorescence cymose- paniculate, 7-8 cm long, nodes 3-4; partial inflorescence with rays 0.5-0.7 cm long. Spikelet clusters 2 x 2—3 mm. Nutlets 2-sided, broadly obovate, 1-1.5 x 1.5 mm. Southern México to Brazil. Forest. 6.VII.1993 (fl) Ribeiro, J. E. L S. etal. S99(INPA KNY). Calyptrocarya glomerulaía can be recognised by its linear, gradually narrowed leaves, small spikelet clusters and small nutlets. 2.3 Calyptrocarya poepiggiana Kunth, Enum. Pl. 2: 364. 1837. Calyptrocarya martii Nees, in Mart., Fl. bras. 2(1): 195. 1842. Perennial. Rhizome short-creeping. Culms 3—12 cm long, 0.8— 0.9 mm wide, triquetrous, scabrid towards apex. Leaves: blade narrowly linear, 1 1-40 cm long, 5-7 mm wide, gradually narrowed at apex, acute, flat, green above, usually mid- to dark reddish below, not narrowed into a pseudopetiole towards base; sheath 1—4 cm long, dark reddish. Lowest involucral bract up to 43 cm long, upper bracts shorter. Inflorescence cymose-paniculate, 7—15 cm long; nodes 3— 4; partial inflorescence with rays 0.8-3.3 cm long. Spikelet clusters 4-6 x 5-6 mm. Nutlets 2-sided, broadly obovate, 2 mm x 1.8 mm. Tropical South America, particularly the tropical Andean region. Forest. 14.11. 1 996 (fr) Campos, M.T.V.A. et al. 489 (INPA KMGNYSP). Calyptrocarya poepiggiana also has linear, gradually narrowed leaves, but the spikelet clusters and nutlets are similar to C. bicolor. 3. Cyperus Annual or perennial herbs; rhizomatous or stoloniferous. Culms terete to trigonous. Leaves basal, 3-ranked, rarely without blade; Rodriguésia 57 (2): 171-188. 2006 SciELO/JBRJ L2 13 14 15 16 17 cm Flora da Resen a Ducke: Cyperaceae ligule 0. Involucral bracts leaf-like. Inflorescence terminal, umbel-like and 1-3-times branched, with the ultimate branches terminating in 1 or more spikes or finger-like cluster of spikelets, more rarely spikes or spikelet clusters sessile or inflorescence capitate. Spikelets linear to oblong or elliptic, laterally flattened to subterete; axis straight or zigzag, deciduous or persistent. Glumes ± equal in length, 2-ranked, deciduous 177 or persistent, sidcs membranous to chartaceous or coriaceous, nerves 0-several, kecl acute to roundcd. Flowers bisexual. Perianth segments 0. Stamens 1-3. Stigmas (l-)3; style continuous with ovary. Nutlets usually 3-sided, trigonous, sometimes triquetrous or dorsiventrally compressed. About 500 species, ± cosmopolitan, but particularly abundant in the tropics. Key to the species of Cyperus in Reserva Ducke 1. Spikelets in finger-like clusters; glumes ovate-orbicular 1. C. laxus 1 . Spikelets aggregated into spikes; glumes ovate to lanceolate. 2. Culms papillose; spikelets dark coppery brown; nutlets 1 .5 mm long 2. C. ligularis 2. Culms smooth or scabrid; spikelets greenish, yellowish or whitish; nutlets up to 1 . 1 mm long 3. Culms smooth; spikelets whitish, in dense clusters within the spike 3. C. luzulae 3. Culms smooth to retrorsely scabrid; spikelets greenish or yellowish in loose clusters within the spike 3.1 Cyperus laxus Lam.,l\\.Gcn. 1: 146. 1791; J. Raynal, Adansonia2, 17(3): 277. 1978. C. diffusus Vahl, Enum. Pl. 2: 321. 1805. Percnnial. Rhizome short. Culms ± tufted, 36 cm long, 1.7-1. 9 mm wide, trigonous to subtriquetrous, smooth. Leavcs: blade linear, 15-30 cm long. 5-5.4 mm wide, abruptly acute, flattish to plicatc; sheath 4 cm long, pale grecn to rusty or purplish brown. Involucral bracts 4-12, unequal, the longest up to 50 cm. Inflorescence umbel-like, 1-2 times branched; primary branches 10-12, 2-12 cm long; secondary branches 0.5- 1.5 cm long. Spikelets in open finger-like clusters of ( 1 -)2- 9, oblong, 3-1 1 x 1. 5-2.5 mm. Glumes 6-20 per spikelet, ovate-orbicular, 1.5-2 x 1.5—2 mm, obtusc, mucronatc, awn 0.2-0.5 mm long, sides membranous. indistinctly nerved, greenish tinged with pale or reddish-brown, keel greenish. Stamens 3; anthers 0.8-1 mm long. Stigmas 3. Nutlets ellipsoid, trigonous, 1.2— 1.5 x 0. 7-0.8 mm, pale brown bccoming blackish brown, indistinctly puncticulate. Pantropical. Forest or forest margins. 26.1V. 198 1 (fl) Lowe, J. 4105 (1NPA). Additional speclmens examincd: BRAZIL. RORAIMA: Boa Vista, Reserva Ecologica de Maracá Rodrigufsia 57 (2): 171-188. 2006 4. C. surinamensis 7.111. 1987 Harley 24735 (K); AMAZONAS: Manaus, near Praia Dourada 23. VII. 1 980 Lowe 3949 (INPA, K). Cyperus laxus is distinguished by spikelets in finger-like clusters and ovate- orbicular glumes. 3.2 Cyperus ligularis L., Syst. Nat 10, 2; 867. 1759; Nees in Mart., Fl. bras. 2(1): 42. 1842; Kük. in Engl., Pflanzenr. 4(20), 101 Heft: 474. 1936. Mariscus ligularis (L.) Urb., Symb. Antill. 2(1): 165.1900. Percnnial. Rhizome short. Culms ± tufted 50-100 cm long, 4-5 mm wide, trigonous, papillose. Leaves: blade linear, up to 80 cm long, 5-10 mm wide, long- acuminate, flattish to folded; sheath 12-19 cm long, mid-brown to dark reddish-brown. Involucral bracts 8, unequal, the longest up lo 65 cm long. Inflorescence umbel-like, 1(- 2)-times branched; primary branches up to 10, 1-6 cm long; secondary branches (when devcloped) up to 3 cm long. Spikes 4-7 per inflorescence branch, cylindric to subglobosc, 1 . 1-3.5 cm long, the uppermost spike longest. Spikelets numerous, densely crowdcd, oblong- elliptic, 3-7 x 1-2.5 mm, dark coppery brown. Glumes 4-7 per spikelet, ovate, 2- ;SciELO/ JBRJ 12 13 14 15 16 17 cm .. 178 2.5 mm long, 1-2 mm wide, acute, very shortly mucronate, sides membranous, 4-5- nerved, dark brown with reddish tinge, keel greenish or brown. Stamens 3; anthers 0.5 mm long. Stigmas 3. Nutlets ellipsoid, trigonous, 1.5 x 0.6 mm, dark purplish brown, puncticulate. Florida, W. Indies, tropical America, África, Indian Ocean islands. Disturbed areas in forest. 26.X. 1 977 Keel & Balick 203 (K NY); 1 4.XIL 1 966 (fl) Prance, GT.et al 3637 (INPA K NY). Additional specimens examined: BRAZIL. AMAZONAS: Manaus, Praia Dourada 23. V. 1981 Lowe 4193 (K); Manaus-ltacoatiara road, km 63 17.X1I.1968 Prance et al. 9058 ( K). Cyperus ligularis has papillose culms and spikes comprising numerous dark coppery brown spikelets. 3.3 Cyperus luzulae (L.) Retz., Obs. Bot. 4: 11. 1786; Kük. in Engl., Pflanzenr. 4(20), 101 Heft: 170. 1936. Scirpus luzulae L., Syst. Nat. 10, 2; 868. 1759. Perennial. Rhizome short. Culms tufted, 28—51 cm long, 1.6-2. 8 mm wide, trigonous, smooth. Leaves: blade linear, 20- 30 cm long, 3. 5-4. 5 mm wide, gradually acuminate, flattish to folded; sheath 3- 7.5 cm long, pale to mid-brown. Involucral bracts 5-10, unequal, the longest up to 36 cm. Inflorescence umbel-like, once- branched; primary branches 6-1 1, 1.1-5 cm long. Spike 1 per inflorescence branch, ovoid to ovoid-cylindric, 0.8- 1 .5 cm long. Spikelets in numerous, densely crowded clusters within spike, ovate, 2- 4.5 x 1-2 mm, whitish. Glumes 6-20 per spikelet, deciduous, lanceolate to ovate-lanceolate, 1.5-2 x 0.4-0.8 mm, obtuse, mucronulate, sides membranous, 1-2-nerved, whitish, keel similar. Stamen 1; anther 0.7 mm long. Stigmas 3. Nutlets narrowly oblong- ellipsoid, trigonous to subterete, 1-1.1 x 0.3 mm, brown to blackish, ± smooth. Subtropical and tropical America. Open, damp places. Simpson, D. A. 1 7.1. 1 995 (0) Costa. M. A. S. et al. 99 (INPA K MG MO NY R RB SP U); 8. VI. 1 995 (0) Costa. M. A. S. & Silva. C. F. 302 (BM G INPA K MBM MG UB UEC US); 29. XI. 1 976 (fl) Mendonça, S. & Shinia, D. 24 (INPA). Additional specimens examined: BRAZIL. AMAZONAS: Boa Vista road, 48 km N of Manaus 2 1 .IX. 1 980 Lowe 3995 (K); road ZF2, 14 km off Boa Vista road, 62 km NNW of Manaus 21 .VI. 1 98 1 Lowe 4316 (K); Itacoatiara, 275 km E of Manaus 9. VI. 1 98 1 Lowe 4257 (K). Cyperus luzulae is recognisable by its numerous whitish spikelets occurring in densely crowded clusters in each spike. 3.4 Cyperus surinamensis Rottb., Descr. Pl. Rar.: 20. 1772; Nees in Mart., Fl. bras. 2(1): 21. 1842; Kük. in Engl., Pflanzenr. 4(20), 101 Heft: 174. 1936. Annual or perennial. Rhizome short. Culms tufted, 26-43 cm long, 1.2- 1.5 mm wide, trigonous to subterete, smooth to retrorsely scabrid. Leaves: blade linear, 13— 30 cm long, 1.3— 2.5 mm wide, gradually acuminate, folded; sheath 3-7 cm long, greenish to pale brown. Involucral bracts 5, unequal, the longest 14— 18 cm long. Inflorescence umbel-like, 1-2-times branched; primary branches 6-12, 0.7-4 cm long; secondary branches when present 0.3— 0.6 cm long. Spikes half-globose to ± globose, 0. 6-0.8 x 0.8—1 cm. Spikelets 8— 40 per spike, in loose clusters, lanceolate to linear-oblong, 5—7 x 1.7— 1.8 mm, greenish to yellowish. Glumes 15-60 per spikelet, deciduous, lanceolate to ovate-lanceolate, 1 .3-1.5 x0.2- 0.3 mm, obtuse to acute, mucronulate, sides membranous, 1-2-nerved, greenish to yellowish, keel similar. Stamen 1; anther 0.5 mm long. Stigmas 3. Nutlets narrowly ellipsoid, 0.8 x 0.2-0. 3 mm, mid-brown, minutely papillose. Subtropical and tropical America. Moist, open areas. 8.VI.1995 (fr) Costa. M. A. S. & Silva, C. F. 301 (INPA K MG MO NY R RB SP U). Additional specimen examined: BRAZIL. AMAZONAS: Manaus, 8 Tr. A, Jardim Haydea 3.IV. 1 98 1 Lowe 4064 (K). Rotlriguésia 57 (2): 171-188. 2006 SciELO/JBRJ Flora da Reserva Ducke: Cyperaceae 179 Cyperus surinamensis is closely related to C. luzulae but differs in often having scabrid culms and greenish to yellowish spikelets that are in looser clusters within the spikes. 4. Diplasia Robust, rhizomatous perennial herbs. Rhizome thick, woody. Culms loosely tufted, central, erect. Leaves basal and cauline, leathery; ligule 0. Involucral bracts leaf-like, unequal. Inflorescence umbel-like, 2-3-times branched. Spikes in clusters of 2-7 at tips of branches, sessile or shortly pedunculate, narrowly cylindric comprising many spirally imbricate, leathery, glume-like bracts (spicoid bracts) each subtending a partial inflorescence (spicoid) with a much reduced axis. Spicoids comprising a naked, terminal female flower and 5-6 scalc-like floral bracts, the lowest 2 floral bracts opposite, keeled, ciliate on keel, the upper bracts ± connate, each subtending a male flower. Perianth segments 0. Stamcns 1-3 per male flower. Stigmas 2. Nutlets ellipsoid, obtusc. slightly compressed, smooth. Monotypic genus. 4.1 Diplasia karataefolia Rich. in Pers., Syn. Pl. 1: 70. 1805: Nees in Mart., Fl. bras. 2(1): 70. 1842. Perennial. Culms to 3 m long, 6 mm wide, trigonous, smooth. Leaves: blade linear, up to 3 m long, 4 cm wide, gradually narrowed, acuminate leathery; shcath 10- 12 cm long, mid-brown. Involucral bracts 5, the longest up to 50 cm long. Inflorescence: primary branches 7 or more, up to 1 6 cm long; sccondary branches 1.5-5 cm long. Spikes 1. 5-3.5 cm x 2-4.5 mm, pale to mid-brown. Spicoid bracts ovate, 5. 4-5. 5 x 3.2 mm, obtuse, pale to mid-brown, margins paler, keel greenish to brown. Spicoids ± equalling the spicoid bracts. Floral bracts 3.5-4 mm long, 1 mm wide. Stamens 7-8 per spicoid. Nutlets 6-6.2 x 4.2-5 mm, mid-brown. Tropical South America. Forest. Rodriguésia 57 (2): 171-188. 2006 24. V. 1 967 (si) Albuquerque, B.W.P.& Elias, J. 63 (INPA); 9.XII. 1994 (fr) Cosia, M. A. S. & Nascimento, J. R. 42 (INPA); 12.X.1966 (fl) P rance, G T et ai. 2632 (INPA); 1 .VII. 1 994 (fl) Ribeiro, J. E. L S. 1335 (K); 28.IV. 1964 (fl) Rodrigues, W. & Loureiro, A. 5801 (INPA); 3.II.1965 (fl) Rodrigues, W. & Monteiro, O. P 6853 (INPA); 29.1.1998 (fl) Souza, M. A D. et ai. 541 (INPA). Additional specimen examined: BRAZIL. AMAZONAS: ca. 20 km from Manaus 27.X. 1989 Bogner2019( K). Diplasia karataefolia is unmistakable, being a very robust plant with large leathery leaves and an umbel-like inflorescence. 5. Eleocharis Annual or perennial herbs. Rhizome short or creeping. Culms terete or angular, sometimes transversely septate. Leaves reduced to bladeless sheaths; ligule 0. Involucral bracts 1*2, glume-like. Inflorescence a single, terminal spikelct. Spikelet ovoid, ellipsoid or cylindric. Glumes several to many per spikelet, ± equal in length, usually spirally imbricate, rarely 2-ranked. Flowers bisexual. Perianth segments up to 8, bristlc-like, sometimes 0. Stamens 1-3. Stigmas 2-3. Nutlets trigonous or biconvex, mostly obovatc; surface smooth, reticulate (cancellatc), pitted, longitudinally grooved or transversely ridged; style-base persistent on nutlets. About 180 species occurring in tropical and temperate regions worldwide. 5.1 Eleocharis Jiliculntis Kunth, Enum. Pl. 2: 144. 1837;Svenson, Rhodora39: 266. 1937. Annual or perhaps short-lived perennial. Culms tufted, 20-26 cm long, 0.6-0.8 mm wide, 4-angled with 1-2 ± central channels down each side of culm. Sheaths 1.3-3 cm long, apex acute to subobtuse, dark reddish. Spikelets ellipsoid, to ellipsoid-cylindric, terete, 5-7 x 2-3 mm. Glumes many per spikelet, oblong, 1.8- 1.9 mm long, 1 mm wide, obtuse to rounded, sides membranous with broad membranous margin, pale brown minutcly reddish-striate, midrib mid-brown. Perianth segments 6-7, shorter than nutlct. Stamens 2; SciELO/JBRJ _2 13 14 15 16 17 cm .. 180 anthers 0.9 mm long. Stigmas 3. Nutlets obovoid, trigonous, 0.9 x 0.5 mm, apex rounded, light brown; surface smooth, somewhat shiny; style-base pyramidal. Tropical America. Wet places. 17.1.1995 (fl) Costa, M. A. S. & Nascimento, J. R. 101 (INPA K MG MO NY R RB SP U); 26.1 V. 198 1 (fr) Lowe, J. 4107 (INPA K U1H). Eleocharis filiculmis can be distinguished by leaves that are reduced to bladeless sheaths, a single spikelet on each culm and nutlets with a prominent pyramidal style-base. 6. Fimbristylis Annual or perennial herbs. Rhizome short creeping. Culms usually tufted, angled, trigonous or flattened. Leaves basal, bladed or reduced to bladeless sheaths; blades linear to filiform, often canaliculate, often cellular- reticulate on upper surface; ligule sometimes present, pubescent or membranous. Involucral bracts leaf-like, setaceous or glume-like. Inflorescence umbel-like and 1-3 times branched or capitate or a single spikelet. Spikelets mostly ovoid or ellipsoid, terete, angular or ± laterally flattened. Glumes few to many per spikelet, spirally arranged. Flowers bisexual. Perianth segments 0. Stamens 1—3. Stigmas 2—3; style jointed with ovary and clearly demarcated from it; style base not persistem on nutlets. Nutlets trigonous or biconvex, surface variously pattemed. Genus of 200 species mostly in the tropics and subtropics, with the highest number in S. Asia, Indo-China and Malesia. 6.1 Fimbristylis dichotoma (L.) Vahl, En PI 2; 287.1806. Scirpus dichotomus L., Sp. Pl. 1: 50. 1753. Annual or short-lived perennial. Rhizome short. Culms tufted, 18-50 cm long, 0.5-0.8 mm wide, trigonous, glabrous, smooth. Leaves basal; blade narrowly linear, 4-16 cm long, 1.3 mm wide, obtuse, flattish; sheath 2- 12 cm long, sparsely pubescent; ligule a fringe Simpson, D. A. of dense hairs. Involucral bracts 2-7, the longest 1-2 leaf-like, 2-8 cm long. Inflorescence umbel-like, 1-2 times branched, open, 2-8 x 1.5-5 cm; primary branches 2-5, 0.7-6 cm long. Spikelets 2-14 per inflorescence, solitary, ovoid to ovoid-ellipsoid, 3—7 mm long, 1.5— 2.5 mm. Glumes many per spikelet, ± equal in length, spirally arranged, broadly ovate to suborbicular, 1 .5-3 x 1 .5-2.2 mm, subacute, mucronate, sides thinly chartaceous, nerves 0, mid-brown to dark reddish-brown, margins pale- hyaline, keel obtuse, greenish to pale brown. Stamen 1. Stigmas 2. Nutlets obovate to broadly obovate, biconvex, 0.7 x 0.6 mm, maturing cream or pale brown, deeply cancellate with 5-6 rows of transversely oblong epidermal cells on each side. Tropical (Índia, type), subtropical and warm-temperate regions worldwide. Open, damp places. 17.1.1995 (fl) Costa, M. A. S. & Nascimento, J. R. 102 (INPAKMGMONYRRB SP U); 26.1 V. 1981 (fl) Lowe, J. 4104 (INPA). Fimbristylis dichotoma is a common weedy species throughout the tropics. The best character for distinguishing it is the nutlet which has 5—6 rows of transversely oblong epidermal cells on each side. It also has an umbel-like inflorescence with spirally arranged glumes in each spikelet. 7. Fuirena Annual or perennial herbs. Rhizome short or creeping. Culms (3-)4-5-angular, nodose. Leaves mostly cauline; blade pubescent or glabrous, 3— 5-nerved; sheaths closed; ligule 0. Involucral bracts leaf-like, sheathing at base, equalling or longer than inflorescence. Inflorescence paniculate, with few to many clusters of sessile spikelets at few to several nodes. Spikelets with many glumes. Glumes ± equal in length, spirally imbricate, pubescent outside, usually shortly awned, 1— 3-nerved, the lowest 1—3 empty. Flowers bisexual. Perianth segments 3-6 in 1-2 whorls each of 3 segments, outer whorl of simple bristles, sometimes absent, inner whorl of Rodriguésia 57 (2): 171-188. 2006 SciELO/JBRJ 2 13 14 15 16 17 18 Flora Ja Reserva Ducke: Cyperaceae 181 bristles, blades orclaws. Stamens 2-3. Stigmas 3; style continuous with ovary. Nutlets trigonous to triquetrous, apex beaked, base cuneate to stipitate, smooth to trabeculate. Genus of ca. 30 species in the tropics, the largest number being in África. 7.1 Fuirena umbellata Rottb., Descr. & Ic. Rar.: 70. 1. 19 fig. 3. 1773; Nees in Mart., Fl. bras. 2(1): 107. 1842. Perennial. Culms up to 60 cm long, 6- 9 mm wide, pubescent below inflorescence. Leaves 5-7, cauline; blade lanceolate to linear-lanceolate, 8-12 cm long, 5-15 mm wide, acute, ciliate at base; sheath 2-5 cm long, usually glabrous. Inflorescence with 3-12 clusters of spikelets, peduncles whitish- pubescent. Spikelets ovoid or ovoid-ellipsoid, ± squarrose, 4-8 x 2 mm, acute, brownish- grcen ordark brownish-green. Glumcs obovate to ovate-elliptic, 2-2.5 x 1.2— 1.5 mm.rounded, shortly pubescent, awn 0.8-1 .2 mm long, often pilose. Perianth segments 3, in 1 whorl only, obovate or oblong, membranous, truncatc, subsessile with a vcry short claw at base. Anthers 0.5-0.7 mm long. Nutlets obovoid to ellipsoid, 0.8-1 .2 x 0.6-0.7 mm, shiny, smooth to obscurely wrinkled. Pantropical. Opcn, damp or wet places. 7. IX. 1996 Assunção 384 (INPA K); 14. VI. 1988 Santos 926 (INPA K). Fuirena umbellata is easily distinguished by its cauline leaves. In addition, the perianth segments are obovate or oblong, a characteristic seen in any other Cyperaceae described hcre. 8. Hypolytrum Stoloniferous or rhizomatous perennial herbs. Rhizome usually woody. Culms central or lateral, the lattcr with cataphylls at base. Leaves 3-rankcd, basal or cauline; blade coriaceous, glabrous; pseudopetiole present or 0; ligule 0. Involucral bracts leaf- like, basal bract usually longest. Inflorescence usually paniculate, 1— 2-timcs branched, more rarely capitate (not in Ducke RodrigmfsUi 57 (2): 171-188. 2006 taxa) with 1-many spikes. Spikes comprising many spirally imbricate glume-like bracts (spicoid bracts) each subtending a partial inflorescence (spicoid) with a much reduced axis. Spicoids comprising a naked, terminal female flower and 2(-3) scale-like floral bracts, all subtending a male flower, the lowest 2 floral bracts opposite, keeled. Perianth segments 0. Stamens 2 per spicoid, 1 per male flower. Stigmas 2-3. Nutlets sculptured, often with spongy conical apex. About 50 species, pantropical. 8.1 Hypolytrum schraderianum Nees in Mart., Fl. bras. 2(1): 65. 1842; T. Koyama, Darwiniana 16(1-2): 56. 1970. Perennial. Rhizome short-creeping. Culms central, 70-96 cm long, 2.2-3 mm wide, trigonous, smooth. Leaves basal and 2 cauline; blade linear, 90 cm long, 19-28 mm wide, gradually narrowed, 3-nerved; pseudopetiole absent; cauline sheaths 5-6 cm long, mid-brown to reddish-brown. Involucral bracts 2-3, leaf-like, the longest 25-50 cm long. Inflorescence an open panicle, compound, broadly ovoid, 12-16 x 14-16 cm, comprising up to 12 primary branches each subtending up to 6 secondary branches terminating in tertiary branches subtending 1- 3 sessile or shortly talked spikes. Spikes ovoid, ellipsoid to narrowly cylindric, 4-9 x 1-3 mm, mid-brown. Spicoid bracts obovate, elliptic- obovatc 1.5-1. 7 x 0.9-1 mm, rounded, mid- brown. Spicoids ± equalling or slightly exceeding the spicoid bracts. Floral bracts 2, ± frce, 1 .4-1 .8 mm long, keel ciliate. Stamens 2 per spicoid. Stigmas 3. Nutlets broadly ovoid to suborbicular, 1.5-2. 1 by 1-1 mm, apex conical, irrcgularly longitudinally ridgcd. Brazil, Colombia, Venezuela. Forest. 16.111.1995 (fl) Costa. M. 4. S. etal. 163 (INPAK); 16.111.1995 (11) Costa. M. A. S. et al. 164 (NOK); 28.1 V. 1988 (bd) Ramos, J. F. & Lima, R. P. 1887 (INPA K MG NY SP); 2. VI. 1 993 (11) Ribeiro. J. E. L S. etal. 786 (INPA); 3.VI.1993 (0) Ribeiro. J. E. L. S. et al. 821 (INPA K); 26.1 V. 1 994 (fr) Vicentini, A et al. 490 (INPA K MG MO N Y RB SP). SciELO/JBRJ, L2 13 14 15 16 17 cm .. 182 Hypolytrum schraderianum is distinguished by its paniculate inflorescence, two floral bracts and two stamens per spicoid. 9. Kyllinga Annual or perennial herbs. Rhizome short or horizontally creeping. Leaves basal, 3-ranked, the blades elongated or reduced; ligule 0. Involucral bracts leaf-like. Inflorescence capitate. Spikes 1-few, sessile, cylindric, ellipsoid or globose; axis short. Spikelets numerous, falling entire, crowded, bilaterally flattened. Glumes several, ± equal Simpson, D. A. in length, 2-ranked, strongly laterally flattened, sides membranous to hyaline, nerves 0- several, keel strongly acute, sometimes winged, smooth, spinulose or serrulate. Flowers 1-5 per spikelet, bisexual or staminate in upper glume(s). Perianth segments 0. Stamens 2-3. Stigmas 2; style continuous with ovary. Nutlets 1-2 per spikelet, laterally biconvex with one margin facing the axis. Genus of ca. 60 species in tropical, subtropical and warm-temperate regions with the highest species diversity in África. Key to the species of Kyllinga in Reserva Ducke 1. Perennial; rhizome long-creeping; spikes 1 per inflorescence j. K. brevifolia 1. Annual; rhizome absent; spikes usually 2—3 per inflorescence 2. K. pumila 9.1 Kyllinga brevifolia Rottb., Descr. Icon. Rar. Nov. Pl. 13, t. 4, fig. 3. 1773; Nees in Mart., Fl. bras. 2(1): 15. 1842. Cyperus brevifolius (Rottb.) Hassk., Cat. Hort. Bogor. 24. 1884; Kük. in Engl., Pflanzenr. 4(20), 101 Heft: 600. 1936. Perennial. Rhizome long-creeping. Culms rather distant in series along rhizome, 7-30 cm long, 1-1.5 mm wide, triquetrous, smooth. Leaves: blade narrowly linear, 2- 17 cm long, 1-3 mm wide, acute, flattish- plicate; sheath 1—20 cm long, brownish or purplish brown. Involucral bracts 2-4, the longest 3-20 cm long, 1. 7-2.4 mm wide, sometimes erect. Inflorescence capitate, globose. Spikes 1(— 3), globose, 0.5-1 x 0.5- 1 cm. Spikelets oblong-lanceolate to elliptic- lanceolate, 3-3.5 x 1 mm, l(-2)-flowered. Glumes ovate-elliptic, 1-3.5 mm long, shortly cuspidate, sides membranous, 5-7-nerved, pale green to pale brown, keel sparsely spinulose, green. Stamens 1— 2(— 3); anthers 1 mm long. Nutlets 1-2 per spikelet, obovate or elliptic, 1-1.5 x 0.5-0.7 mm, brownish, minutely punctate. Tropics, subtropics and warm temperate regions. Open damp or wet places. 8.VI.1995 (fl) Costa. M. A. S. & Silva. C. F. 303 (INPA K MG MO NY R RB SP UL); 26.IV. 1 98 1 (fl) Lowe, J. 4099 (INPA K UIH); 1 4.XII. 1 966 (fl) Prance. GT. et al. 3638 (INPA). Kyllinga brevifolia is a common pantropical weed and is recognised by its creeping rhizome with culms that are rather distant along the rhizome. 9.2 Kyllinga pumila Michx, Fl. bor.-amer. 1: 28. 1803; Nees in Mart., Fl. bras. 2(1): 20. 1842. Cyperus densicaespitosus Mattf. & Kük. in Engl., Pflanzenr. 4(20), 101 Heft: 597. 1936. Annual. Rhizome absent. Culms 14- 30 cm long, 0.4— 0.6 mm wide, trigonous to ± terete, smooth. Leaves: blade narrowly linear, 3-9 cm long, 0.7-1 .7 mm wide, flattish to boated-shaped in cross section; sheath 2.5— 5 mm long, dark reddish-brown. Involucral bracts 4, the longest 5-7 cm long, 0.6-1 mm wide. Inflorescence capitate, globose. Spikes usually 3, broadly ovoid to subglobose, 5 x 4 mm; spikelets lanceolate, 2 x 0.5 mm. 1- flowered. Glumes ovate-lanceolate, 1.5-2 x 1 mm, shortly cuspidate, sides membranous, sides 3-4-nerved, pale green, keel somewhat winged spinulose. Stamen 1; anthers 0.3 mm Rodriguésia 57 (2): 171-188. 2006 SciELO/JBRJ .2 13 14 15 16 17 cm Flora da Reserva Ducke: Cyperaceae long. Nutlets 1 per spikelet, elliptic-obovate, 1 x 0.5 mm, greenish-brown, minutely puncticulate. Tropical America and África. 8. VI. 1995 (fr) Costa, M. A. S. & Silva, C. F. 305 (G INPA K MG MO N Y R RB SP U). Open, damp places. Kyllinga purnila is an annual species without a rhizome and often has three spikes per inflorescence. 10. Mapania Stoloniferous or rhizomatous perennial herbs. Rhizome woody. Culms central or lateral (arising from lower leaf axils orbelow the leaves), the latter with cataphylls at base. Leaves 3-ranked, basal or cauline; blade linear to oblong, coriacous; pseudopetiole present or 0; ligule 0. Involucral bracts leaf- like in capitate and centrally culmed species, 183 otherwise glume-likc. Inflorescence paniculate, capitate with few to many spikes (in Ducke taxa) or a single spike only. Spikes comprising few-many spirally imbricate glume-like bracts (spicoid bracts), each subtending a partial inflorescence with a much reduced axis (spicoid). Spicoid comprising a naked, terminal female flower and 4-6 scale- like floral bracts, the lowest 2 opposite, keeled, the lowest 3 subtending a male flower the remainder empty. Perianth segments 0. Stamens 1-3 per spicoid, 1 per male flower. Stigmas 2-3. Nutlets with a hard or succulent exocarp, smooth or sculptured, lateral costae or furrows 0 or 2-3. Genus of 80 species, Sri Lanka and N. índia, S. China, Indo-China, Malesia, north- eastern Australia and Polynesia; also in tropical África, S. Central America and N. South America. Key to the species of Mapania in Reserva Ducke 1 . Leaves reduced to bladeless sheaths; involucral bracts elliptic to elliptic-obovate 3. M. sylvatica 1 . Leaves with a linear blade; involucral bracts linear. 2. Leaves more than 2 cm wide; inflorescence reddish-brown; nutlet without spongy apex and dark brown spot towards base 1. M. pycnocephala 2. Leaves up to 2 cm wide; inflorescence whitish; nutlet with spongy apex and dark brown spot towards base 2. M. pycnostachya 10.1 Mapania pycnocephala subsp. fluviatilis (Sandwith) T. Koyama, Mem. N.Y. Bot. Gard. 17: 66. 1967; D. A. Simpson, Rev. gen. Mapania: 152. 1992. Mapania fluviatilis Sandwith, Kew Buli. 1933:495.1933. Perennial. Rhizome short. Culm central, 35-70 cm long, 1.9-4. 5 mm wide, subtriquetrous, glabrous. Leaves basal; blade linear, rarely linear-oblong, 27—1 12 cm long, 2. 1-7.6 cm wide, narrowed, acuminate, base narrowed into pseudopetiole, 1 (— 3)-ntrvcd, pseudopetiole 5-22 cm long; sheath 12-18 cm long, dark reddish-brown. Involucral bracts 3-4, leaf-like, linear, 8-89 x 0.2-7.7 cm, basal bract longest. Inflorescence capitate, half- globose to globose, 2-6.5 cm wide, mid- Rodriguésia 57 (2): 171-188. 2006 reddish-brown, with numerous spikes. Spikes linear to elliptic, up to 1.5 cm long, often indistinct. Spicoid bracts linear-lanceolate or lanceolate, 6. 5-7.7 x 1. 4-2.8 mm, acute, mid-reddish-brown. Spicoids shorter or ± equalling spicoid bracts. Floral bracts 4, free to ± connate, lower 2 bracts linear, 6.2-7. 3 x 0.6-1. 2 mm, kccl usually narrowly winged, glabrous to sparsely hispid. Stamens 2 per spicoid, anthers linear, linear-oblong, 2.3- 3 mm long; stigma branches 2. Nutlets obovoid to globose, 1-1.5 x 0.9-I.4 mm, rounded, apex apiculatc, not spongy; surfacc smooth, light greenish or brown at first, becoming uniformly dark brown and without a dark brown spot towards base, often shiny, lateral costae 2, indistinct. SciELO/JBRJ 12 13 14 15 16 17 cm 184 South America: Venezuela, Guyana, French Guiana and Brazil. Forest. 30. VII. 1996 (fl) Lucefío, M. & A. P. Mendes 01 (INPA). Additional specimens examined: BRAZIL. AMAPÁ: Rio Amapari, Serra do Navio, along trail to Rio Araguary, 19.XI.1954 Cowan 38439 (NY); Rio Vila Nova, 8.XII. 1 976 Ribeiro 1659 (NY UPS); Tumucumaque, 2.5 km NNW of Mitaraka, 1. IX. 1972 de Granville 1449 (CAY NY); AMAZONAS: Rio Negro, São Gabriel de Cachoeira, 21.X.1978 Madison et al. 6534 (AAU K NY); 40 km from São Gabriel 2 1 .X. 1 978 Nascimento 712 (NY UPS). Mapania pycnocephala subsp. fluviatilis is distinguished by its reddish-brown inflorescence with numerous spikes and two stamens per spicoid. Material from Costa Rica to western Venezuela is assigned to subsp. pycnocephala which has shorter spicoid bracts and a nutlet surface that is shallowly rugulose. 10.2 Mapania pycnostachya (Benth.) T. Koyama, Mem. N.Y. Bot. Gard. 17: 61. 1967; D. A. Simpson, Rev. gen. Mapania : 165 1992. Diplasia pycnostachya Benth., J. Linn Soc. 15:512. 1877. Hypolytrum condensatum C.B. Clarke, Kew Buli. Add. Ser. 8: 50. 1908, nom. superfl. Perennial. Rhizome short. Culm central, 35—50 cm long, 2.2— 2.9 mm wide, trigonous, scabrid. Leaves basal; blade linear, 49—82 x 1.4-2 cm, gradually narrowed, acuminate, base gradually narrowed into pseudopetiole, 1-nerved; pseudopetiole 2.5-8 x 0.4-6 cm; sheath 5-7 cm long, greenish to reddish- brown. Involucral bracts 3(-4), leaf-like, linear, 5—67 x 0.2—2 cm , basal bract longest. Inflorescence capitate, globose, 1 .5-2.5 cm in diam., whitish, with up to 20 spikes. Spikes ovate, 1 x 0.5 cm, usually indistinct. Spicoid bracts lanceolate, 6.8-8 cm x 1. 9-2.7 mm, acute, light brown. Spicoids ± equalling spicoid bracts. Floral bracts 4, free, lower 2 bracts lanceolate, 6.8-8 x 0. 9-1.1 mm, keel glabrous. Stamen 1 per spicoid, anther linear- oblong, 2-2.3 mm long, cream; stigma branches 2. Nutlets 2-sided, ovoid or ellipsoid, Simpson, D. A. 3. 5-4.5 x 1.5- 1.9 mm, apex spongy, acute; surface smooth or slightly wrinkled, shiny, light brown, with a dark brown spot towards base, lateral costae absent. South America: Southern Venezuela and northem Brazil. Margins of streams in forest. 14.IX.1971 (fr) Prance, GT.et al. 14744 (F INPA K NYUUS). Mapania pycnostachya has a whitish inflorescence, one stamen per spicoid and a nutlet with a spongy section at the apex and distinct brown spot towards the base. 10.3 Mapania sylvatica Aubl. subsp. sylvatica , Hist. Pl. Guiane Fr. 1: 47; 3: t.17. 1775; D. A. Simpson, Rev. gen. Mapania: 43. 1992. Perennial. Rhizome short. Culm central, 21—60 cm long, 1.4— 2.9 mm wide, terete to subtrigonous, glabrous. Leaves reduced to bladeless sheaths; sheaths 2.5— 18 cm long, dark reddish. Involucral bracts 3(— 4), leaf-like, narrowly elliptic or elliptic- obovate, 1 1—30 x 3.2—6 cm, ± equal in size. Inflorescence terminal, with 1-2, rarely more spikes. Spikes elliptic to oblong, rarely oblong-lanceolate, 1.2-2.7x 0.8-1.4cm, distinct. Spicoid bracts narrowly oblong, 5.5- 6.5 x 1.4-2. 2 mm, acute, often somewhat cucullate, often splitting longitudinally, reddish-brown. Spicoids ± equalling or exceeding spicoid bracts. Floral bracts 6, free, lowest 2 bracts linear or linear- lanceolate, 6. 3-7. 9 x 1.2-1. 5 mm, acute, sometimes cucullate, reddish-brown, keel sparsely to densely ciliate. Stamens 3 per spicoid, anthers linear, linear-oblong, 1.3- 2.4 mm long; stigma branches 3. Nutlets obovoid to subglobose, 1.5-2. 5 x 1.1- 1.5 mm, rounded, shortly apiculate; surface strongly longitudinally ridged, with connecting horizontal ridges, green at first, becoming dull olive brown or dark brown, lateral costae 3. Northem South America. Wet forest, often near to water. 19.1.1995 (fl) Costa, M. A. S. & Nascimento, J. R. 111 (INPA K MG MO NY SP); 4.VIII.1994 (fr) Rodriguésia 57 (2): 171-188. 2006 SciELO/JBRJ 12 13 14 15 16 17 Flora da Reserva Duche: Cyperaceae 185 Ribeiro. J. E. L S. & Silva. C. F. 1389 (INPA K MG, MO NY RB SP); 1. XII. 1956 (fl) Rodrigues, W. & Chagas, J. 1470 (INPA); 8.X.1963 (fl) Rodrigues, W 5493 (INPA). Mapania sylvatica subsp. sylvatica is an unusual species with leaves reduced to bladeless sheaths and elliptic to elliptic-obovate involucral bracts. The inflorescence usually has 1-2 spikes, there are six floral bracts per spicoid and the nutlet is obovoid to subglobose. 11. Pleurostachys Perennial herbs. Rhizome short- crecping. Culms noded. Leaves mostly cauline, a few basal and often reduced to a bladeless sheath. Involucral bracts usually leaf-like. Inflorescence paniculate; partial inflorescences corymbose to umbel-like, rarely contracted. Spikelets small, usually terete. Glumes several to many, spirally imbricate or rarely distichous, the basal glumes small, empty, the remaindergradually inceasing in lcngth towards the spikelet apex, with the middle 3-7 glumes subtending a flower and the upper few empty. Flowers bisxual. Perianth segmcnts 3-6, upper part ciliate to fimbriatc, lower part scabrid. Stamens 3. Stigmas 2. Nutlets biconvex, often rugose; style base persistent often thickened. Genus of ca. 30 species, subtropical and tropical S. America. 11.1 Pleurostachys sparsiflora Kunth, Enum. Pl. 2: 286. 1837. Nemochloa sparsiflora (Kunth) Nees in Mart., Fl. bras. 2(1): 151. 1842. Perennial. Rhizome woody. Culms somewhat distant, usually hidden by cauline leaf sheaths, 17-37 cm long, 1. 5-2.5 mm wide, trigonous, smooth. Leaves: blade linear, 27-35 cm long, 4-6 mm wide, gradually narrowed, acuminate, flat, green; sheath 3— 3.5 cm long, green to pale brown. Involucral bracts leaf-like up 30 cm long. InHorcscence paniculate; nodes 6-8, distant, each subtending 1-2 partial inflorescences, partial inflorescences corymbose, simple to Rodriguésia 57 (2): 171-188. 2006 compound, 10-19 cm long; primary branches filamentous, 4-8 cm long; secondary branches 1-2.5 cm long. Spikelets 1-2 per inflorescence branch, obovoid, 2-3.5 x 1.3- 2 mm, obtuse, mid-brown. Glumes ovate, 2 mm long, 1 mm wide, obtuse, membranous, mid-reddish-brown. Nutlets broadly ovate, 2.8-3 x 1.6-1. 8 mm, rounded, mid-brown, surface irregular, style base conical, blackish. Tropical South America. Forest. 17.1. 1995 (fl) Costa, M. A. S. & Nascimento, J. R. 103 (INPA K MG MO NY R RB SP U); 17.V.1988 (fr) Coelho, D. & Lima, R. P. 52-D (INPA K MG MO NY RB SP); 7.VIII. 1995 (st) Nee, M. 46211 (K). Additional spccimen examined: BRAZIL. PARA: Itatuba 17.XI.1978 Silva et al. 3799 ( K). Pleurostachys sparsiflora is recognised by its corymbose partial inflorescences that have Filamentous branches and small spikelets bome singly at the tips of the branches. 12. Rhynchospora Annual or perennial herbs. Culms central. Leaves basal and/or cauline; bladcs linear to lanceolate; sheaths closed; ligule 0. Involucral bracts usually leaf-like. Inflorescence capitate or paniculate; partial inflorescences umbel-like or corymbose. Spikelets lanceolate, ovate to elliptic, flattened to terete. Glumes 5-9 (rarely more), 2-ranked or spirally imbricate, membranous to chartaceous, 1- nerved, the basal 2-3 glumes, empty and small, the remainder gradually inceasing in length towards the spikelet apex, with a single flower, the uppermost glume often empty. Flowers either all bisexual, the upper ones not maturing a nutlet, or lower 1-few bisexual and upper ones male, or unisexual with the lowest femalc and upper one(s) male. Perianth segments 0-6, rarely more, bristle-like, upwardly or rctrorsely scabrid, rarely smooth. Stamens ( 1 — )2— 3. Stigmas 2 or style undivided. Nutlets biconvex, smooth, canccllate, rugose or sometimes spinose; style base persistent, variously-shaped. SciELO/ JBRJ 2 13 14 15 16 17 18 cm 186 Over 250 species in temperate and tropical regions, with the greatest concentration of species in tropical and subtropical South America. 12.1 Rhynchospora pubera (Vahl) Boeck subsp. pubera, Linnaea 37: 528. 1872,. Dichromena pubera Vahl subsp. pubera , Enum. Pl. 2: 241. 1806. Perennial. Culms tufted, 7-28 cm long, 0.4-0. 7 mm wide, terete to ± trigonous, smooth. Leaves basal; blade linear, up to 19 cm long, 1—2.5 mm wide, gradually narrowed, subacute, flattish to folded; sheaths up to 1-3 cm long, pale brown. Involucral bracts 4, leaf-like, greenish to whitish at base, the Iongest up to 8 cm long. Inflorescence capitate, ovoid to subglobose, 0.7-0.9 x 0.7- 1 cm. Spikelets 2-6, lanceolate, ± terete, 0.7- 0.8 cm x 2-3 mm, white. Glumes 8-10, ovate to lanceolate, 5.5-6 x 2.2-2.4 mm, white, keel often ciliolate. Perianth segments 0. Stamens 3; anthers 3 mm long. Stigmas 2. Nutlets lenticular, widely obovate, 2.5 mm long, 1 .2 mm wide, mid- to very dark brown, transversely rugose; style-base very shallowly triangular. Northern South America, mostly E. of Colombia and Peru. Open, damp places. 8.VI.1995 (fl) Costa, M. A. S. & Silva, C. F 304 (1NPA K MG MO NY RB SPU); 26.IV. 198 1 (fl) Lowe 7.4101 (INPA). Rhynchospora pubera subsp. pubera Simpson, D. A. is distinguished by its white spikelets and the lenticular nutlets with a shallowly triangular style-base and transversely rugose surface. It is one of a number of species in the genus Rhynchospora that are insect-pollinated. 13. Sc leria Annual or perennial herbs. Rhizome usually woody, often knotted. Culms solitary or tufted, usually erect, sometimes climbing or scrambling. Leaves basal and/or cauline, the latter sometimes apparently in whorls; blade mostly linear; sheath closed, often 3- winged; Iigule 0; contraligule usually present. Inflorescence usually paniculate, bearing a terminal and 0-several lateral partial inflorescences, occasionally reduced and spike-like or capitate. Spikelets unisexual or bisexual; bisexual spikelets with terminal female flower and 1-several lateral male ones; female spikelets with a single female flower and 1-several lateral glumes (reduced male flowers); male spikelets with several to many glumes. Glumes spirally arranged or 2- ranked. Flowers unisexual. Perianth segments 0. Stamens 1-3 per male flower. Stigmas 3; style continuous with the ovary, deciduous. Nutlets not spongy, not enclosed by a membranous sac, terete or subtrigonous, mostly globose, ovoid or subpyramidal, with bony pericarp and a stipe-like, 3-lobed or cup-like, rarely indistinct disk attached at the base. Key to the species of Scleria in Reserva Ducke !• PjantecHmWngortrailing; disk atnutlet base an irregular ring 3 5 secms 1 . Plants erect, not climbing; disk at nutlet base 3-lobed, the lobes rounded^fímbriaie 2 "1()rescence spike-like; leaf blade 15 mm or more wide; disk-lobes fimbriate ... 1 . S. csperina . Inflorescence elongated; leaf blade up to 5 mm wide; disk-lobes rounded ..2. S. melaleuca 13.1 Scleria cyperina Kunth, Enum Pl 2- 345. 1837. Erect perennial. Rhizome creeping. Culms to 37 cm long, 1.5— 2.5 mm wide, triquetrous, glabrous. Leaves cauline; blade linear, to 52 cm long, 15-17 mm wide, gradually narrowed, narrowly obtuse, flattish; sheath 7- 9 cm long, pale brown to reddish-tinged; contraligule broadly obtuse, glabrous often with a broad, membranous apex. Lowest involucral bract leaf-like, up to 26 cm long; upper bracts indistinct, setaceous. Rodriguésia 57 (2): 171-188. 2006 SciELO/JBRJ L2 13 14 15 16 17 Flora da Reserva Ducke: Cyperaceae 187 Inflorescence paniculate, but appearing spike- like, 8-10 x 4-8 cm; nodes 12-22, crowded or the lowermost one distant, each subtending a single partial inflorescence or the upper ones a single male spikelet. Spikelets female and male, solitary; female spikelets sessile, obovoid, 5-6 mm long; male spikelets pedunculate, oblong-lanceolate, 4-5 mm long, peduncle up 1 mm long. Female glumes elliptic-ovate, 5- 7x2 mm, acute, sides coriaceous, very dark reddish, keel slightly palerorgreenish. Stamen 1. Nutlcts obovoid-globose, terete-trigonous, 3.2 x 2 mm, rounded, dark purplish above white below, indistinctly reticulate, rather shiny, sparsely pubescent below; disk 3-lobed, the lobes fimbriate. Tropical South America. Open areas. 20.1.1995 (fr) Costa. M. A. S. & Nascimento, J. R. 113 (INPA K MG MO NY RB SP). Additional specimen examined: BRAZIL. AMAZONAS: Manaus-Pôrto Velho highway, km 245 13. III. 1974 P rance et ai 20463 (INPA NY K). Scleria cyperina has rather broad leaves and a crowded spike-likc inflorescence. The disk-lobes at the nutlet base are fimbriate. 13.2 Scleria melaleuca Rchb. ex Schltdl. & Chain., Linnaea 6: 29. 1831; Nees in Mart., Fl. bras. 2(1); 178. 1842. Scleria pratensis Lindl. ex Nees, in Mart., Fl. bras. 2,1: 179. 1842. Erect perennial. Rhizomc short- creeping. Culms to 19 cm long, 1 mm wide, subtriquetrous, glabrous to pubcrulent. Leaves mostly cauline; blade linear, 15-28 cm long, 5 mm wide, gradually narrowed, obtuse, Hat to plicate; sheath 6—9 cm long, pale brown to reddish; contraligule shallowly rounded, pubescent. Lowest involucral bract lcaf-like, up to 26 cm long, upper bracts rather indistinct, sctaceous. Inflorescence elongated, narrowly paniculate, open, 14— 26 x 2 cm; nodes 3—4, each subtending a single partial inflorescence, partial inflorescence sessile or shortly pedunculate, ovate-lanceolate, 2—8 cm long, decreasing in size towards apex. Spikelets female and male, solitary or in groups of 2-3; Rodriguésia 57 (2): 171-188. 2006 female spikelets sessile, obovoid, 3-3.5 mm long; male spikelets shortly pedunculate, oblong-lanceolate, 3.5 mm long. Female glumes elliptic-ovate, 3x2 mm, acute, sides coriaceous, dark reddish-brown, keel green. Stamen 1. Nutlets globose, terete, 2.5 x 2 mm, rounded, dark purplish above white below, smooth, shiny, sparsely pubescent below; disk 3-lobed, the lobes rounded. Subtropical and tropical America, tropical África, Madagascar. Open, damp areas. 8. VI.1995 (fr) Costa, M. A. S. & Silva, C. F. 306 (INPA K MG MO N Y R RB SP U). Scleria melaleuca has narrow leaves and an elongated inflorescence. The disk-lobes are rounded. 13.3 Scleria secans (L.) Urb., Symb. Ant. 2(1): 169. 1900. Schoenus secans L., Syst. Nat. 10,2: 1759. Climbing or trailing perennial. Rhizome creeping, knotted. Culms upto 10 m long, 1.5- 2.5 mm wide, triquetrous, glabrous to scabrid. Leaves cauline; blade linear, 28 cm long, 4- 5 mm wide, gradually narrowed, acuminate, flat to plicate, margins sharply minutely toothed; sheath 3-5.5 cm long, pale to mid-brown, pubescent above; contraligule obtuse, pubescent. Lowest involucral bract leaf-like, up to 21 cm long, upper bracts leaf-like to setaceous. Inflorescence elongated, narrowly paniculate, open, 13-14 x 1-2 cm; nodes 7- 9, each subtending a single partial inflorescence; partial inflorescence sessile to pedunculate, 0.5-5 cm long. Spikelets female and male, solitary or sometimes male spikelets in groups of 2; female spikelets sessile, obovoid, 5-6 mm long; male spikelets shortly pedunculate, narrowly-lanceolate, 4 mm long. Female glumes broadly clliptic, 5x3 mm, acute, sides coriaceous, green or brown with dark reddish-brown margins, keel green. Stamen 1. Nutlcts ovoid, terete-trigonous, 2.8 x 2.5 mm, rounded, white, smooth, shiny; disk forming an irregular ring. Tropical America. Open areas. SciELO/JBRJ 2 13 14 188 Simpson, D. A. cm 10.V.1988 (fr) Coêllio, D. & Uma, R. P. 54-D (INPAK). Additional specimens examined: BRAZIL. AMAZONAS: 50 km NE of Manaus, 1.V.1981 Lowe 4113 (INPA K); MINAS GERAIS: Serra do Espinhaço, Lapinha, 24.11. 1968 Irwin etal. 20768 (K NY). Scleria secans is one of the few climbing species of Cyperaceae and may ascend up to 10 m. The minutely toothed leaf-margins easily lacerate the skin. The disk forms an irregular ring around the nutlet base. Rodriguésia 57 (2): 171-188. 2006 .SciELO/ JBRJ 12 13 14 15 16 17 Flora da Reserva Ducke, Amazonas, Brasil: Erythroxylaceae Ghillean T Prance 1 Schulz, O. E. 1907. Erythroxylaceae. In: A. Engler(ed.). Das Pflanzenreich4(134): 1-176. Plowman, T. 1 989. Erythroxylaceae. In: G Harling & L. Andersson (eds.). Flora of Ecuador 36:1-32. Shrubs and smaü trees. Leaves altemate, glabrous, entire, petiolate. Stipules present, often large and persistent on twigs or caducous. Flowers hermaphrodite, bomc solitary or in axillary fascicles, arising from the axils of small scarious bracteoles, pedicellate, actinomorphic, often heterostylous. Calyx lobes 5, valvate. Petals 5, free, altemate with sepals, imbricate in bud, usually with appendages on adaxial surface. Stamens 10, United at base to forni a short tube; anthers longitudinally dehiscent. Ovary superior, 3(-2) locular, usually with only one locule developing, one ovule per loculus, pendulous, epitropous; styles 3— (2) free or connate at base; stigmas capitate. Fruit of small one-seeded drupes, with or without endosperm. The family consists of 4 genera and about 260 species. Three genera are confined to tropical África and Erythroxylum , with 250 species, occurs in the Neotropics, África, Asia and Australia. Three species of Erythroxylum are known to occur in the Reserva Ducke. The family is best known for the species Erythroxylum coca Lam., the source of cocaine. This is mainly a highland species of the Andean montane forest, but the lowland variety ipacltt is cultivated by tribes in western Amazônia. The family is closely related to the Linaceae and the Humiriaceae. 1. Erythroxylum Erythroxylum P. Browne, Civ. Nat. Hist. Jamaica 1: 278. 1756. Glabrous shrubs or small trees. Twigs compressed at apex and often bearing persistent, distichous, imbricated cataphylls and foliar stipules. Stipules intrapetiolar, bicarinate, often setulose at apex, persistent or caducous. Leaves entire, petiolate. Flowers small, solitary or in fascicles, arising from axils of persistent, small, scarious, cymbiform bracteoles, pedicellate, actinomorphic, heterostylous (and rarely unisexual). Petals with appendages on adaxial surface and with a 2-lobed ligule. Stamens 10, borne in two whorls of 5, the outermost alternating with the petals, the filaments uniled at base to form a short tube which surrounds the ovary. Ovary 3-Iocular, but with the single ovule in only one loculus, pendulous, anatropous, epitropous; styles 3, free or partly connate at base; stigmas capitate. Fruit a small, fleshy, single-seeded drupe. Type species; Erythroxylum areolatum L. Key to the species of Erythroxylum in Reserva Ducke 1 . Stipules 8-30 mm long, tapering to a long point, usually persistent. 2. Leaf laminas 15-26 cm long, stipules caducous and not fraying; calyx 4-6 mm long, the marginsof lobes ovcrlapping or touching at anthesis 2. E. macrophyllum 2. Leaf laminas 5.5-13 cm long, stipules persistent, becoming fraycd and paleaceous; calyx 2 mm long, the margins of lobes not touching oroverlapping 3. E. mucronatum 1. Stipules obtuse, 3-5 mm long, caducous 1 . E. citrifolium 'Royal Botanic Gardcns, Kew, Richmond, Surrey,TW3AB, UK. SciELO/JBRJ 12 13 14 15 16 17 190 Prance, G T. 1.1 Erythroxylum citrifolium A. St.-Hil., Fl. bras. Mer.: 94. 1829. Erythroxylum acutifolium Steud. ex Peyr., in Mart. Fl. bras. 12(1): 164. 1878. Erythroxylum micranthum Bong. ex Peyr., in Mart. Fl. bras. 12(1): Erythroxylum paraensis Peyr., in Mart. Fl. bras. 12(1): 164. 1878. Erythroxylum duckei Huber, Boi. Mus. Goeldi 5: 416. 1909. Erythroxylum micranthum Bong. ex Peyr., in Mart. Fl. bras. 12(1): 164. 1878. Shrub or tree to 15 m tall; twigs smooth, with dark reddish to grey-brown bark. Cataphylls 5-7, scattered at base of shoots, caducous. Leaf laminas oblong-elliptic 7-14 x 2.5-4.5 cm, acuminate at apex, the acumen 2-10 mm long, subcuneate at base, subcoriaceous, glabrous on both surfaces; midrib prominent on both surfaces, the secondary nerves obscure above, prominulous beneath; petioles 4-6 mm long. Stipules 3-5 mm long, oblong-lanceolate, membranaceous, densely longitudinally striate-nerved, caducous. Bracteoles 0.5-2 mm long, lightly striate-nerved, acute or obtuse at apex. Flowers hermaphrodfte, numerous in axils of leaves or cataphylls on mature twigs; pedicels 3-5 mm long, 5-ribbed. Calyx ca. 1 .5 mm long, the lobes triangular to ovate- lanceolate. Staminal tube Vi as long to equalling calyx lobes, ± 1 mm long, füaments ± 2.5 mm long. Drupe7-13 mmlong,oblong,4-5 mmdiam.,red. Type: St. Hilaire 755, Brazil, Goiás, Villa Boa, fl (holotype, P; isotypes, MPU P). A widespread species from Nicaragua and Panama to Southeastem Brazil also in the Guianas, Peru and Ecuador. 28. IX. 1995 (fl) Sothers, C. A. & Pereira, E. C. 584 (INPA K MG MO NY RB SPU UB); 6.X11. 1995 (fr) Sothers, C. A. & Pereira, E. C. 693 (BM G IAN INPA K MBM SPF UEC US); 22.11. 1 996 (fr) Sothers, C. A. et al. 796 (IAN INPA K MO N Y RB SP U UB). I. 2 Erythroxylum macrophyllum Cav., Diss.: 401, t. 227. 1789. Erythroxylum floribundum Mart., Beitr. Erythroxylon: 118. 1840. Erythroxylum amplurn Benth., London J. Bot. 2: 372. 1843. Erythroxylum fdipes Huber, Boi. Mus. Goeldi 5: 415. 109. Shrub or small tree to 12 m tall; twigs with greyish bark. Cataphylls 4-10, scattered at base of new shoots similar to stipules. Leaf laminas oblong to oblong-elliptic, 15—20 x 5— 12 cm, acuminate at apex, the acumen 5- 10 mm long, cuneate at base, coriaceous, glabrous on both surfaces, drying ferrugineous beneath; midrib prominulous above, prominent beneath, secondary nerves prominulous on both surfaces; petioles 8—12 mm long. Stipules 8- 20 mm long, lanceolate, tapered at apex to an acute point, often 2—3 setulose, longitudinally striate, scarious-membranaceous. Bracteoles persistent, 2-3 mm long, striate-nerved, acuminate, 1 -setulose. Flowers hermaphrodite, numerous in axils of leaves or cataphylls; pedicels 4—12 mm long, 5-ribbed. Calyx 4— 6 mm long, the lobes ovate to oblong-ovate, abruptly acuminate at apex. Staminal tube less •than half length of calyx-lobes. Drupe 10—1 1 x 4.5-5.5 mm, red. Type: Stoupy s.n., French Guiana (holotype, MA). A widespread species from México to Bolivia and throughout the Guianas and Amazônia. 1 5 X1. 1 995 (fr) Assunção, PA.C.L& Souza, M. A. D. 250 (INPA K MG MO NY RB SP U UB); 15.XII.1995 (bd) Assunção, P A. C. L 297 (INPA K MG NY); 1 5.XU. 1 995 (bd) Assunção, P.A.C.L 298 (INPA K MO); 18.XII.1975 (fr) Coêlho, D. 733 (INPA); 1 9.1. 1 990 (fr) Gentry, A. H. &Nelson, B. W. 69306 (INPA); 8.XI1. 1994 (fl) Hopkins, M. J. G et al. 1512 (INPA K MG NY); 29.XI.1976 (fl) Usboa. Rodriguésia 57 (2): 189-191. 2006 SciELO/JBRJ 2 13 14 Flora da Reserva Ducke: Erythroxylaceae 191 P. 855 (INPA); 28.XI. 1994 (fl) Nascimento, J. R. & Silva, C. F. 668 (G IAN INPA K NY RB SP U UFMT US); 13.XII.1963 (fl) Rodrigues, W. & Coelho, D. 5601 (INPA); 3.1. 1964 (fl) Rodrigues, W. & Monteiro, O.P. 5656 (INPA); 27.III.1995 (fr) Sothers, C. A. & Vicentini, A. 372 (INPA); 12.X.1995 (fr) Sothers, C. A. & Pereira. E. C. 626 (BM G INPA K MBM MG SPFUECUS); 15.1. 1996 (ff) Sothers, C.A. 724 (INPA K); 2 1 .XI. 1 997 (fl) Sothers, C. A. & Assunção, P. A. C. L. 1048 ( B GH IAN INPAKUEC); 8.II.1995 (fl) Vicentini, A. et al. 856 (COL F INPA K MBM MG NY SPFUB VEN); 18.IX.1995 (fl) Vicentini, A. & Silva. C. F. 1030 (BM INPA K). 1.3 Erythroxylum mucronatum Benth., London J. Bot. 2: 372. 1843. Erythroxylum kirkianum O. E. Schulz, Fedde’s Repert. Spec. Nov. Regni Veg. 30: 179. 1932. Erythroxylum albertianum Kuhlmann & Rodrigues, Publ. Inst. Nac. Pesq. Amaz. Bot. 5:3. 1957. Shrub or small tree to 15 m tall; twigs with reddish brown or dark brown bark. Cataphylls 4-5, scattered at base of shoots, similar to stipules. Lcaf laminas clliptic to oblong- elliptic, 5.5-13 x 2-5 cm, finely acuminate at apex, the acumen 8-12 mm long, cuneate at base, subcoriaceous, glabrous on both surfaces; midrib prominulous above, prominent beneath; secondary nerves prominulous on both surfaces; petioles 2-5 mm long. Stipules 10- 30 mm long, persistent, lanceolate, tapered to apex to an acute point, usually 3-setulose, the setae finely filamentous, longitudinally striate, scarious-membranaceous. Bracteoles 1- 2.5 mm long, acuminate at apex, 1-setulose, striate-nerved. Flowers hermaphrodite, numerous in axils of leaves or cataphylls; pedicels 2-5 mm long, 5-ribbed. Calyx ca. 2 mm long, the lobes narrowly triangular to ovate, acuminate at apex. Staminal tube V2-3á as long as calyx lobes. Drupe 12-14 x 4- 5 mm, red when mature, when immature drying subclavate. Type: Schomburgk 766, Guyana, Potaro River, fl (holotype, K; isotypes, BM CGE K NY P W). A widespread species from Colombia to the Guianas, Amazónia, Peru, Ecuador, Bolivia. 29.IX.1995 (fDStfí/iery, C.A. etal. 5 glabrous, fleshy. Seed ellipsoid to obovoid, strongly laterally compressed, with a hard shining woody testa; scar narrowly Rodriguesia 57 (2): 251-366. 2006 SciELO/JBRJ Flora da Reserm Ducke: Sapotaceae 253 elongate, basiventral or adaxial; embiyo vertical About 30 species in the Neotrop.es, ca. 20 with foliaceous cotyledons and an exserted in África, and ca. 1 2 in Asia and the Pacific, radie le; endosperm copious. Three species in Reserva Ducke. Key to the species of Manilkara of the Manaus area 1 Leaf undersurface without obvious appressed indumentum 2. M. bidentata 1. Leaf undersurface with finely closely appressed or scurfy, whitish, yellowish or golden indumentum, often forming a pellicle 2. Leaves 5-8.5(-12) cm broad, usually broadly oblong or oblong-elhptic, secondary veins ca. 30-35 pairs; petiole 3.5-6.5 cm long; ovary puberulous 3. M. huberi 2. Leaves 3-4.5 cm broad, oblanceolate, secondary veins ca. 1 6 pairs; petiole 5-8 mm long; . , 1. M. cavalcantei ovary glabrous 1.1 Manilkara cavalcantei Pires & Rodrigues ex T. D. Penn., Fl. Neotrop. 52: 52, figs. 3, 5. 1990. Fig. 1 a-b Stipules present, 1.5-2 mm long. Leaves 6-12 x 3-4.5 cm, oblanceolate, apex obtuse to emarginate, base narrowly attenuate, upper surface glabrous, lower surface with dense, closely appressed scurfy, yellowish-brown indumentum, midrib sunken on the upper surface, secondary veins ca. 16 pairs. Petiole 5-8 mm long, channelled, subglabrous. Fascicles axillary, 10-20-flowered. Pedicel 1-1.2 cm long, puberulous. Sepals 3-3.5 mm long, puberulous outside. Corolla glabrous, 2.5-3 mm long, tube ca. 0.5 mm long, median segment of corolla lobes narrowly boat- shaped, lateral segments equalling the median segment, narrowly lanceolate. Staminal filaments ca. 1.25 mm long, free; anthers ca. 0.8 mm long. Staminodes 0.5-1 mm long, apex irregularly toothed or lobed. Ovary glabrous. Fruit ca. 2.5 x 1 cm, narrowly ellipsoid; smooth, glabrous. Secd solitary, ca. 2.2 x 0.6 x 0.4 cm, laterally compressed, testa smooth, pale, not shining; scar basiventral, ca. 1.3 x 0.2 cm. Field characters: Tree 15-20 m high, with fissured bark, small buttresses and sticky white latex from the slash. Flowers white to cream- coloured, mature fruit orange. Flowering in April, fruiting in May. Brazil (Amazonas, Pará) in non-flooded lowland rainforest. Local names: Maparajuba, Massaranduba. 22.XII. 1 994 (fi) Nascimento, J. R. et al. 696 (BM G IAN 1NPA K MBM UB UEC US); 23.1 V. 1968 (fr) Souza, J. A. 1NPA21202 (INPA); 7.III. 1980 (st) Souza, J. A. 17 (INPA); 10. V. 1994 (fr) Vicentini, A. et al. 527 (INPA K MG MO N Y RB SP). Manilkara cavalcantei has the same closely appressed indumentum on the lower leaf surface as M. huberi, but it differs from that species in its oblanceolate leaves, with fewer secondary veins, and shorter petiole. It is closest to M. paraensis, which is not yet recorded from Amazonas (known only from Pará, Mato Grosso and Maranhão). It differs in its sunken midrib, more curved secondary veins, longer pedicels, free filaments and poorly developed staminodes. 1.2 Manilkara bidentata (A.DC.) Chev., Rcv. Int. Bot. Appl. Agric. Trop. 12: 270. 1932; Pennington, T. D., Fl. Neotrop. 52: 58, fig. 7. 1990. Fig. 1 c-g Mimusops bidentata A. DC. in A. P. Candollc, Prodr. 8: 204 (1844). Stipules absent. Leaves 7-20 x 2.5- 6 cm, elliptic, oblong or oblanceolate, glabrous, or occasionally with a waxy cuticular covcring; midrib slightly raised on the upper surface; secondary veins 12-25 pairs. Petiole 1.5— 3.5 cm long, not or only slightly channelled, glabrous. Fascicles axillary, 5-20-flowered. Pedicel 1-2.5 cm long, glabrous. Sepals 4- 6 mm long, glabrous. Corolla glabrous, 3.5- 6 mm long, tube 0.5-1 mm long, median segment of corolla lobes elliptic or subulate, Rodriguésia 57 (2): 251-366. 2006 SciELO/JBRJ 12 13 14 15 16 17 cm .. 254 lateral segments equalling the median segment, lanceolate and entire to deeply divided into 2 linear parts. Staminal filaments 1 .5-2.5 mm long, usually free; anthers 1-2 mm long. Staminodes 1-3.5 mm long, very variable in form. Ovary glabrous. Fruit 1-3 cm long, ellipsoid or globose, smooth, glabrous. Seeds 1-2, 0.9-2. 5 cm long, strongly laterally compressed, often with an abaxial crest, testa smooth, shining; scar basiventral or adaxial, 0.4— 1.2 x 0. 1-0.2 cm. Field characters: A tree whose size varies according to situation. In rainforest it can reach 40 m high and 1-2 m diam., whereas in drier situations, as in campina, it may flower at only a few metres high. Bark greyish-brown and deeply fissured, with a reddish slash and copious sticky white latex. Flowers greenish- white, slightly fragrant, fruit ripening reddish- purple or black. Deciduous for a short period before flowering, with flowers and new leaves opening together. Flowering in the dry season mostly July to October, fruiting in January. West Indies, Guianas to Southern Amazonian Brazil, occurring in periodically flooded and non-flooded forest, and in campina forest on white sand. Local names: Massaranduba. 17.XI1.1993 (fr) Assunção, R A. C. L 06 (COL I AN INPA K SPF); 19.V. 1978 (st) Coêlho, L 791 (INPA); 9.VII.1976 (fl) Haroldo 1NPA57813 (INPA); 5. II. 1976 (fr) Mello, F. etal. 1NPA54752 (INPA); 29. VI. 1 993 (fr) Ribeiro, J. E. L S. et al. 928 (G LAN INPA K R U UB US); 2 1 .1. 1 965 (fr) Rodrigues, VE & Monteiro, O. P 6840 (INPA); 23. III. 1966 (fr) Rodrigues, VV. & Coêlho, D. 7608 (INPA); 15. VII. 1966 (fl) Rodrigues, IE & Monteiro O P. 8174 (INPA); 19.VII.1966 (fl) Rodrigues. VE & Monteiro, O. P 8197 (INPA); 19.V1I.1966 (fl) Rodrigues, VE & Monteiro, O. P. 8198 (INPA); 3.VIII.1963 (fr) Rodrigues, VE 9576 (INPA); 15. VI. 1988 (fl) Santos, J.L8í Lima, R.P.933 (INPA K MG MO NY R RB SP U); 15. VI. 1988 (fr) Santos, J. L & Lima. R. P 945 (INPA K MG MO NY RB SP); 6. VIU. 1968 (fl) Souza. J. A. INPA21318 (INPA); 25.VI.1976 (fl) Souza, J. A. 1NPA57827 (INPA); 25.VII.1968 (fl) Souza, J. A. 65 (INPA); 29.X.1968 (fr) Souza, J. A. 239 (INPA); 4.XII.1993 (fr) Vicentini, A. & Assunção, P A. C. L 387 (BM Pennington, T D. INPA K MBM MG UEC VEN); 13.IX.1994 (fr) Vicentini, A. et al. 689 ( B F INPA K MG P PEUFR UFMTVIC). Manilkara bidentata is represented in central Amazônia only by subsp. surinamensis. This subspecies has a wide geographical and ecological range and a correspondingly variable morphology, especially in leaf size. leaf shape, flower size, staminode length and lobing, and fruit size. The lack of leaf indumentum distinguishes it from the other Manilkara species in Reserva Ducke. I. 3 Manilkara huberi (Ducke) Chev., Rev. Int. Bot. Appl. Agric. Trop. 12: 276, fig. II. 1932; Pennington, T. D., Fl. Neotrop. 52: 80, fig. 11. 1990. Fig. 1 h-j Mimusops huberi Ducke, Arch. Jard. Bot. Rio de Janeiro 2: 14. 1918. Stipules absent. Leaves 15-23 x 5- 8 cm, usually oblong-elliptic, elliptic or oblanceolate, apex usually obtuse or rounded, upper surface glabrous, lower surface minutely and densely appressed scurfy- puberulous with pale yellowish or whitish hairs forming a pellicle; midrib usually slightly prominent, but recessed on the upper surface, secondary veins 30-35 pairs, conspicuous below. Petiole 3. 5-6.5 cm long, not or only slightly channelled at the apex, glabrous. Fascicles axillary, 10-15-flowered. Pedicel 2-4 cm long, appressed puberulous. Sepals 5-5.5 mm long, appressed puberulous outside. Corolla glabrous, 4.5-5.5 mm long, tube 1- 1 .5 mm long, median segment of corolla Iobes narrowly boat-shaped, lateral segments equalling or slightly exceeding the median segment, narrowly lanceolate, entire. Staminal filaments ca. 2 mm long, shortly fused with the staminodes; anthers 1-1.5 mm long. Staminodes 1.5— 2.5 mm long, narrowly oblong, apex toothed or lobed. Ovary appressed puberulous. Fruit 2.5 x 2.5-3.5 x 2.8 cm, ovoid or globose, smooth, glabrous. Secd not seen. Rodriguésia 57 (2): 251-366. 2006 SciELO/JBRJ, L2 13 14 15 16 17 cm Flora da Reserva Ducke: Sapotaceae 255 i ( Maguire staminodes (M.G. Silva & Bahia 3164) Rodriguésia 57 (2): 251-366. 2006 SciELO/JBRJ 12 13 14 15 16 17 256 Pennington, T. D. Field characters: Large tree reaching 50 m high and 2-3 m diam., with simple, thick, steep buttresses to 2 m or more high, bole cylindrical. Bark greyish- to blackish-brown, deeply fissured and grid-cracked, slash pink with whitish streaks and copious sticky white latex, crown broad and spreading. The pale yellowish lower leaf surface is characteristic in the field. The leaf undersurface of seedlings and saplings is white. Flowers greenish-white and ripe fruit yellowish-green. Flowering April to November, fruiting noted throughout the year. Southern Venezuela and the Guianas south to Mato Grosso, usually in non-flooded rainforest, occasionally present in várzea forest. Local names: Massarandubarana. 29.XI.1957 (st) Coêlho, D. s.n. (INPA 6006); 26. V1I1.1976 (st) Reis, L. Q. s.n. (INPA 58585); 27. VIII.1976 (st) Reis, L Q. s.n. (INPA 58598). Note: The only collections known from Reserva Ducke are from planted trees, but it is common elsewhere in the Manaus region. Manilkara luiberi is distinctive because of the rather large and relatively broad leaves, yellowish on the lower surface, and the conspicuous parallel secondary venation. The puberulous ovary is also unusual. The species produces a hard heavy durable construction timber, and the latex was formerly used in Pará as a source of balata. 2. Micropholis MicrophoUs (Gris.) Pierre, Not. Bot. 37. 1891. Notn. cons. prop. Unarmed trees. Stipules absent. Leaves spaced, altemate and distichous or spirally anranged. Venation brochidodromous with a sub- marginal vein or craspedodromous, secondary veins usually closely parallel and often not differentiated from the higher order venation, and then the leaf appearing finely striate. Inflorescence axillary, or rarely ramiflorous or cauliflorous, fasciculate, sometimes developing into short scaly persistent shoots. Flowers often unisexual. Calyx a single whorl of (4 — )5 free, imbricate sepals. Corolla campanulate to shortly cylindrical, the tube longer than the lobes; lobes (4— )5, simple, erect to reflexed. Stamens (4 — )5, fixed near the top of the corolla tube, included or exserted; filaments short and straight or long and geniculate (at least in bud); anthers extrorse. Staminodes (4-)5, fixed in the corolla lobe sinuses, altemating with the stamens, usually lanceolate or subulate. Small annular disk surrounding the base of the ovary sometimes present. Ovary (4-)5-locular; style included or exserted. Fruit 1-several-seeded. Seed laterally compressed, testa smooth or transversely wrinkled, shining or dull; scar adaxial, narrow, extending the length of the seed; embryo vertical, with thin foliaceous cotyledons and exserted radicle, surrounded by thick endosperm. Thirty eight species in Central and South America and the West Indies. Thirteen species in and around Reserva Ducke. Key to the species of Micropholis of the Manaus area 1 . Secondary veins close frnely striate, higher order venation indistingnishable from the secondary venation, or visible only with a lens. 2. Inflorescences trunciflorous to near gronnd levei, and ramiflorous; fruit longitudinally 5- sulcate.. 7 . flora 2. Inflorescences axillary or confined to strralleütvigrihliuKnhmgimdinally sulcaTe"" 3. otamens exserted, corolla lobes spreading or reflexed 4. Mature leaves peisistently mfous-brown appressed puberulous on lhe lower surface, corolla more than 1 0 mm long 11. M. splendens 4. Mature leaves glabrous or with some residual indumentum along lhe lower midrib, corolla ca. 4 mm long Af. abscum Rodhguésia 57 (2): 251-366. 2006 SciELO/JBRJ L2 13 14 15 16 17 Flora da Reserva Ducke: Sapotaceae 257 3. Stamens included, corolla lobes erect. 5. Lower leaf surface with persistent appressed indumentum 9. M. humboldtiana 5. Lower leaf surface glabrous (occasionally with residual indumentum on the midrib). 6. Leaves usually less than 10 cm long, leaf apex caudate. 7. Midrib impressed on the upper surface, secondary veins slightly sunken on the upper surface, spreading almost at right angles to the midrib 8. M. cylindrocarpa 7. Midrib flat or raised on the upper surface, secondary veins not sunken on the upper surface, ascending M. venulosa 6. Leaves more than 10 cm long, leaf apex not caudate. 8. Fruit longitudinally 4-ribbed or 4-winged, flowers tetramerous 5. M. acutangula 8. Fniitnot longitudinally ribbed or winged, flowers pentamerous (except sometimes M. venulosa). . 9. Secondary venation very close, finely striate, steeply ascending, mdistinguishable from the higher order venation; fruit 4-7 cm long 4. M. melinoniana 9. Secondary venation striate, but higher order venation can bc distinguished with a lens. 10. Corolla 5-6 mm long, fruit ca. 5 cm long 2. M. mensahs 10. Corolla 2-3 mm long, fruit 2-3 cm long. 1 1 . Leaves usually drying blackish, flowers 5-merous, corolla scarcely exceeding the calyx; ovary flattened or winged, finely puberulous .. 3 . . M. casiquiarensis 1 1 Leaves not drying black, flowers 4-5-merous, corolla clearly longer than calyx, ovary ovoid, not winged, stiffly pubescent 6. M. venulosa 1 . Secondary veins spaced, not finely striate, higher order venation usually reticulate, visible to the jf Young shoots velutinous-hirsute, lower leaf surface uniformly pubescent with erect hairs, ' „ . b. . 10. M. williamii fruit velutmous * , . . - ~ . . 12 Young shoots finely appressed puberulous or glabrous, lower leaf surface finely appressed puberulous or glabrous, fruit finely appressed puberulous or glabrous. 13 Young shoots lower leaf surface and inflorescences with fine appressed indumentum, ' older inflorescences produced on short, stout, recurved scaly shoots, secondary venat.on not obviouslyprominentor sunken; stamens included I. M guyanenm 13 Whole plant essentially glabrous, inflorescences fasciculatc, not on recurved scaly shoots, ' secondary venation impressed on upper surface, prominent on lower surface; stamens / 13. M. submarginahs exserted 2.1 Micropholis guyanensis (A. DC.) Pierre, Not. Bot. 40. 1891; Pennington, T. D., Fl. Neotrop. 52: 175, fig. 32. 1990. Sideroxylon guyanense A. DC., in A.P. de Candolle, Prodr. 8: 182. 1 844. Young shoots finely appressed puberulous. Leaves altemate and distichous or spirally arranged, 6-15 x 2. 5-8. 5 cm, elliptic, oblong-elliptic or oblanceolate, apex obtusely cuspidate to narrowly attenuate, base variable, glabrous above, finely appressed puberulous below with golden or reddish-brown hairs, which turn paler with age; venation brochidodromous with a submarginal vein, midrib usually sunken on the upper surface, secondary veins 15-25 pairs, often obscure, parallel; higher order venation finely reticulate and usually impressed on the upper surface. Rodriguésia 57 (2): 251-366. 2006 ISciELO/JBRJ 12 13 14 15 16 17 Pennington, T. D. .58 Petiole 1-2 cm long, channelled. Fascicles axillary, 2-1 5-flowered, usually developing into stout, recurved, densely scaly shoots up to 1 cm long, which persist on old wood. Pedicel 2- 5 mm long. Flowers unisexual (plant dioecious). Sepals 5, 2-3 mm long, appressed puberulous on both surfaces. Corolla 2.5-3 mm long, shortly and broadly tubular to campanulate, tube exceeding the lobes, glabrous. Stamens 5, included; anthers absent in female flowers. Staminodes 5, 0.5-1 mm long, lanceolate to oblong. Annular pubescent disk usually present around the base of the ovary in male flowers, obscure or absent in female. Ovary pubescent, 5-locular. Fruit 1 .5- 2-5 cm long, ellipsoid, smooth, fmely puberulous to glabrous. Seed solitary, 1-2.3 cm long, laterally compressed, testa smooth, shining; scar adaxial, 1-2 mm wide. Southern Central America, West Indies, South America to Peru, Bolivia and Coastal Brazil. Key to the subspecies of Xlicropholis guyanensis 1. Leaves usually 5-12 x 2.5-5 cm, usually narrowly elliptic or oblanceolate 2-4 times as long as broad, base narrowly attenuate, cuneate or acute; lower leaf surface with appressed indumentum, venation obscure, midrib sunken, petiole ca. 1-1.5 cm long . ^ ^a- Micropholis guyanensis subsp. guyanensis eaves x - .5 cm, broadly elliptic or broadly oblong-elliptic, often abouttwice as long as broad, base obtuse or rounded, lower leaf surface with appressed indumentum, venation obscure, rnidnb sunken, petiole usually ca. 2 cm long . ' ib. Micropholis guyanensis subsp. duckeana eaves x . - . cm, elliptic to oblanceolate, 2-4 times as long as broad, base attenuate, °^er rí* SU aCe more or ^ess glabrous’ sec°ndary and higher order venation easily visible, midrib flat; petiole 1-1.5 cm long lc. Micropholis guyanensis subsp. 3 2.1a Micropholis guyanensis (A. DC.) Pierre subsp. guyanensis ; Pennington, T. D., Fl. Neotrop. 52: 175, fig. 32. 1990. Fig. 2 a-c Field characters: Tree to 25 m high and 50 cm diam., with steep simple buttresses, base of trunk often fluted, bark brown or reddish- brown, fmely fissured, with pink or orange slash, with sticky white latex. The pale buff or reddish leaf undersurface is conspicuous. Flowers cream-coloured to pale greenish, scented. Fruit ripening purplish-black. Flowering June- August, fruit maturing December. This species flowers as a small tree 2-3 m high in campinarana forest. Southern Central America, West Indies, N and W South America to Amazônia and Bolivia, in seasonal evergreen rainforest, usually on non-flooded land, and in gallery forest in the drier areas of Central Brazil. It also occurs in campinarana forest. Local name: Rosadinha. 4. VI. 1993 (fl) Ribeiro, J. E. L. S. et al. 847 (G IAN INPA K R U); 4. VII. 1 993 (bd) Ribeiro, J. E. L S. et al. 1001 (INPA K MG MO NY RB SP U); 15. VIII. 1996 (fl) Solhers, C.A. & Assunção. RA. C. L 895 (COL F IAN INPA K SPF UEC UFMT VEN). 2.1b Micropholis guyanensis subsp. duckeana (Baehni) T. D. Penn.; Pennington, T. D., Fl. Neotrop. 52: 1 80, fig. 32. 1 990. Fig. 2 d Pouteria duckeana Baehni, Candollea 18: 161. 1962. Field characters: Tree to 22 m high and 30 cm diam., with small buttresses. Bark scaly, brown; slash reddish, with white sticky latex. Flowers yellowish-green, fruit maturing green or black, often with an easily removed ferrugineous indumentum. The fruit is sweet and edible. Flowering May to July, fruit maturing December. Amazonian Brazil, Peru and Colombia to Venezuela and the Guianas, in non-flooded rainforest over clay and white sand. Rudrigufsia 57 (2): 251-366. 2006 SciELO/JBRJ 2 13 14 15 16 17 18 cm Flora da Reserva Ducke: Sapotaceae 259 Figura 2 . «. McropHdU .ubap. „an,n„s ■ ». habi. ,«»ri 4 tom W5** M tom *«.«* umy. c. sced (Steyenmrk et d. 125697). d. Mkwphdti «uyoaranr sut»p. étckettna - d. habil (/ -r . )• Local name: Rosadinha. 5. VIII. 1 994 (fl )Hopkins, M. J. G etaL 1475 (BM INPA K MBM MG UB US); 4. VI. 1 993 (fl) Ribeiro. J. £ L S. etal. 847 ( G IAN INPA K R U); 5. VI. 1993 (fl) Ribeiro. 1. £ L S. etal. <%7(INPA K MG MO RB); 29. VI. 1 993 fbd) Ribeiro, J. £ L S. etal. 923 (BM IAN INPA K MBM); 4. VII. 1993 (bd) Ribeiro. J. £ £ S. et al. 1001 (INPA K MG MO NY RB SP U); 12.VIII.1993 (11) Ribeiro, J. £ L S. etal. 1112 (GH IAN ICN INPA K P VIC); 1 5. VIII. 1 9% (fl) Sotlters, CA &Assunção, P.A. C. L 895 (COLF IAN INPA K SPF UEC UFMT VEN); 23. V. 1 995 (fl) Vwentmi, A. & Silva, C.F.964 (GH ICN INPA K MG S UPCB VIC W). 2.1c Micropholis guyanensis (A. DC.) Pierre subsp. 3. Field characters: Trce to 30 m high and 35 cm diam., with simple or branched concavc buttresses to 75 cm high. Bark finely fissured, Rodrinuésia 57 (2): 251-366. 2006 SciELO/JBRJ 12 13 14 15 16 17 cm 260 greyish brown, slash reddish, with white latex. Flowers yellowish-white. Fruit not known. Flowering in June (Reserva Ducke only). So far known only from central Amazonian Brazil and Amapá, where it is a tree of non-flooded rainforest. 4. VI. 1 993 (bd) Ribeiro, J. E. L S. et al 835 (INPA K MG NY SP); 5.VI.1993 (fl) Ribeiro, J. E. L S. etal. 870 (G INPA K MG UB US). This subspecies of Aí. guyanensis is recognizable by the more or less glabrous leaves, conspicuous secondary and higher order venation, and the flat midrib (not impressed on the upper surface). Its fruit is unknown and its status doubtful. It may just be part of a single widespread species (Aí. guyanensis) but, whereas there are many intermediates between subsp. guyanensis and subsp. duckeana , at present all the collections of subsp. 3 can be clearly distinguished from the rest of the species. Although only collected twice in Reserva Ducke it is common in the PBDFF reserves. 2.2 Micropholis mensalis (Baehni) Aubrév., Adansonia 3: 21. 1963; Pennington, T. D., Fl. Neotrop. 52: 1 9 1 , fíg. 36. 1 990. Fig. 3 b-e Pouteria mensalis Baehni, Candollea 14- 64. 1952. Young shoots sparsely appressed puberulous. Leaves altemate and distichous, 8—1 1 x 3.2— 4.5 cm, elliptic oroblong-elliptic, apex narrowly acuminate to caudate, base acute or narrowly attenuate, usually drying pale green, glabrous; venation brochidodromous with a submarginal vein very close to the leaf margin, midrib flat on the upper surface, secondary veins numerous, wide-spreading, slightly stronger than the parallel intersecondaries and tertiaries, the leaf appearing striate. Petiole 5-8 mm long, channelled. Fascicles axillary and below the leaves, 1-3-flowered. Pedicel 5-7 mm long. Flowers probably bisexual. Sepals 5, 3-5 mm long, appressed puberulous outside, with a glabrous margin. Corolla 5-6.5 mm long, tubular, lobes 5, ca. 1.5 mm long, glabrous. Stamens 5, included. Staminodes 5, ca. 1 .5 mm long, lanceolate. Disk absent. Ovary 5-locular, Pennington, T. D. with dense, long, stiff hairs. Fruit ca. 5 cm long, ellipsoid, with a long attenuate apex, smooth, glabrous. Seeds 1-2, ca. 2.5 cm long, laterally compressed, testa rough, minutely transversely wrinkled, not shiny; scar adaxial, ca. 3 mm wide. Field characters: Understorey tree to 12 m high and 20 cm diam., with greyish-brown bark and scarce white latex. Flowers whitish. Flowering in September, fruiting in March. The Guianas to central Amazonian Brazil in non-flooded rainforest where it occurs as a component of the understorey. In the Guianas it also occurs on granitic outcrops. 1 9.XI. 1 997 (fr) Ribeiro, J.ELS. et al. 1953 (INPA K). PBDFF: Reserva km 4 1 , Oliveira A49 (INPA K). The leaf venation of this species is close to that of Aí. casiquiarensis, but Aí. mensalis can be distinguished by the pale green leaves, larger flowers and rostrate fruit. It is always a small understorey tree whereas Aí. casiquiarensis is a large buttressed canopy tree. 2.3 Micropholis casiquiarensis Aubrév., Mem. New York Bot. Gard. 23: 211. 1972; Pennington, T. D., Fl. Neotrop. 52: 193, fig. 36.1990. Fig. 3 a Young shoots minutely appressed puberulous. Leaves altemate and distichous, 7— 15 x 4-7 cm, elliptic, apex obtusely acuminate, base rounded or obtuse, usually drying blackish, glabrous; venation brochidodromous with a submarginal vein very close to the margin, midrib flat on the upper surface, secondary veins numerous, slightly ascending, the more or less parallel intersecondaries and tertiaries equally prominent, the leaf appearing striate. Petiole 0.6- 1 . 1 cm long, channelled. Fascicles axillary and below the leaves, 5-10-flowered. Pedicel 0.5- 1 cm long. Flowers ? bisexual. Sepals 5, 2- 2.5 mm long, slightly swollen at the base and abruptly contracted into the pedicel, appressed puberulous on both surfaces. Corolla 2.5-3 mm long, campanulate or broadly tubular, lobes 5, shorter than the tube, glabrous. Stamens 5, included. Staminodes 5, 0.75-1 mm long, narrowly lanceolate. Disk absent. Ovary 5- locular, flattened or slightly winged at the base, Rodriguésia 57 (2): 251-366. 2006 SciELO/JBRJ 12 13 14 15 16 17 Flora da Reserva Ducke: Sapotaceae 261 „ . „hi, (Maauire et al 36522). b-c. Mlcropholls mensalis - b. habit; c. 1/2 - r. .UH. , ,w.,, g. 1/2 flower (Lissot 75/50)\ h. fruit ( Granville 4267)\ i. sced (Petrox U ). Rodriguésia 57 (2): 251-366. 2006 SciELO/JBRJ L2 13 14 15 16 17 cm .. 262 puberulous. Fruit ca. 2.5 x 1.5 cm, ellipsoid, apex rounded, smooth, glabrous. Seed solitary, ca. 1.5 cm long, laterally compressed, testa rough, wrinkled, not shiny; scar adaxial, ca. 5 mm wide. Field characters: Canopy tree to 35 m high and 2 m diam. with symmetrical plank buttresses to 2 m high and bole often fluted to 4-5 m high, bark greyish-brown to dark brown, scaling in irregular plates or longitudinal strips exfoliating from the base, slash brown, ca. 1 cm thick, with small amount of watery white latex. Flowering October to November, the fruit maturing February to March. The flowers are greenish-white and the fruit matures reddish-black. Southern Venezuela to central Brazilian Amazônia, in non-flooded rainforest, up to 1 100 m altitude in Venezuela. 1 1 .IX. 1 997 (fl) Assunção, P.A.C.L& Silva, C.F.644 (BMGINPAKMBM MGUECUS); 17.IX.1997 (fl) Costa, M. A. S. et al. 776 (LAN INPA K MO NY RB SP U UB); 6.X. 1965 (fl) Loureiro, A. INPA16142 (INPA); 2.III. 1995 (ti) Nascimento, J. R. etal. 770 (G IAN INPA KMBM MORRBU); 14.V1.1980(fr)Vc/.vo«,fi. W.& Nelson, S. P. 427 (INPA); 12.IX. 1 962 (fr) Rodrigues, W. & Coêlho, D. 4452 (INPA); 3.1. 1 964 (fr) Rodrigues, VK & Monteiro, O. P. 5660 (INPA); 17.III.1966 (fr) Rodrigues, W. & Coêlho, D. 7588 (INPA); 25.IU.I966 (ti) Rodrigues, W.&Coêlho,D. 7626 (INPA); 29.UL 1966 (ti) Rodrigues, W. & Coêlho, D. 7640(INPA); 12XIL 1993 (ff) Vicentini, A 401 (INPA K MG NY SP); 28.U. 1 994 (fr) Vicentini, A. & Pereira, E. C. 410 (IAN INPA K). This species is close to M. mensalis and their distinguishing features are listed under the latter. 2.4 Micropholis melinoniana Pierre, Not. Bot. 40. 1891; Pennington, T. D., Fl. Neotrop 52- 193, fig. 37. 1990. Fig. 3 f-i Young shoots minutely appressed puberulous. Leaves altemate and distichous, 7—15 x 2.8—5 cm, oblong, elliptic or oblanceolate, apex obtuse, acute or shortly attenuate, base acute to narrowly cuneate, glabrous; venation craspedodromous or sometimes brochidodromous with a submarginal vein very close to the margin, midrib flat or only slightly sunken on the upper Pennington, T D. surface, secondary and higher order venation indistinguishable, ascending, finely striate. Petiole 0.8-1 cm long, channelled. Fascicles 5-10-flowered, axillary. Pedicel 2-6 mm long. Flowers unisexual (?monoecious). Sepals 5, 2-3 mm long, appressed puberulous outside, sparsely so or glabrous inside. Corolla 2.5- 3.5 mm long, shortly tubular, lobes 5, with a truncate apex, shorter than the tube, scattered appressed hairs outside or glabrous. Stamens 5, included. Staminodes 5, 0.75-1 .25 mm long, narrowly oblong, glabrous. Disk absent. Ovary 5-locular, ovoid, pubescent, style long, exserted. Fruit 4-7 cm long, broadly ellipsoid, apex and base acute or obtuse, smooth, glabrous. Seeds 1-several, 2. 5-2. 6 cm long, laterally compressed, testa smooth, shining; scar adaxial, 4-6 mm wide. Field characters: Massive tree to 40 m high and 1.5 m diam., with thick buttresses to 2 m high. Bark smooth to finely fissured, greyish- brown, with a thick cream-brown to reddish slash, with sticky white latex. Flowers scented. greenish-white. Fruit maturing through yellow, red to purple, sometimes slightly sulcate. Flowering in central Amazônia in July, fruit maturing in November. The fruit is eaten by Ce bus apella. México through Central America to Amazonian Brazil, Ecuador and Peru, in non- flooded lowland and montane rainforest, up to 1 500 m altitude. Not yet collected in Reserva Ducke. PBDFF: Reserva km 41, Spironello 105 (INPA K). Micropholis melinoniana is characterized by its very closely striate, rather steeply ascending venation, truncate corolla lobes, exserted style and the large fruit. The leaf lamina on dried specimens often splits along the secondary veins. 2.5 Micropholis acutangula (Ducke) Eyma, Recueil Trav. Bot. Néerl. 33: 198. 1936; Pennington, T. D., Fl. Neotrop. 52: 195, fig. 37.1990. Fig.4a-c Sideroxylon acutangulum Ducke, Arch. Jard. Bot. Rio de Janeiro 4: 159. 1925. Young shoots closely appressed puberulous, soon glabrous. Leaves altemate Rodrigutsia 57 (2): 251-366. 2006 SciELO/JBRJ 12 13 14 15 16 17 cm Flora da Reserva Ducke: Sapotaceae 263 , „ iviKj j ■ h seed í Silva 57840)\ c. fruit ( Jangoux & Bahia 114). d-g, Figura 4 - a-c. Micropholis acutangula - a h , I b. )/2 n),wer {Wurdack & Adderley 43434)', f. sccd (Daly et al. Micropholis venulosa - d. habit (Hennger et al. )• ■ (Ducke 2216)\ i. fruits (Solomon 3582)-,}. seed 1923)- g. seed (Huashikat2082). h-j. Micropholis trunc, flora - h. hab.t {Ducke (Diaz & Jaramillo 1275). Rodriguésia 57 (2): 251-366. 2006 SciELO/JBRJ 12 13 14 cm .. 264 and distichous, 8-12 x 3-6.2 cm, elliptic to broadly oblong, apex shortly and narrowly attenuate or acute, base acute or obtuse, glabrous; venation brochidodromous with a submarginal vein very close to the margin, midrib flat or slightly raised on the upper surface, secondary and tertiary venation finely striate, about equally prominent. Petiole 1- 1.4 cm long, channelled. Fascicles 5-10- flowered, axillary. Pedicel 5-7 mm long. Flowers unisexual (? dioecious). Sepals 4, 1 .5- 3 mm long, sparsely appressed puberulous outside, glabrous inside. Corolla 2-4 mm long, campanulate, lobes 4, shorter than the tube, glabrous. Stamens 4, included. Staminodes 4, ca. 1.25 mm long (male flowers), ca. 0.5 mm long (female flower), lanceolate, glabrous. Disk absent. Ovary 3-4-locular, ovoid, densely pubescent; style included. Fruit 3-4.7 cm long, ellipsoid, strongly 4-winged or 4-ribbed (ribs 3-4 mm deep), apex narrowly attenuate or beaked, base acute or obtuse, smooth, glabrous. Seed solitary, 1.2- 1.5 cm long, laterally compressed, tapering to the base, testa transversely wrinkled, shining; scar adaxial, 3- 4 mm wide. Field characters: Small to medium-sized tree reaching 25 m high and 35 cm diam. Bark dark grey or reddish, striate, slash yellowish, with white latex which is slow to appear. Flowers greenish-white and fruit maturing orange. In central Amazónia flowering from October to December, with the fruit maturing in March. French Guiana to central and eastern Amazonian Brazil in non-flooded lowland rainforest. 23.III. 1966 (fr) Rodrigues. W. & Coelho, D 7607 (INPA). PDBFF: Reserva Km 41, Oliveira et al. 287 (INPA K); Oliveira et al. 256 (INPA K). Similar to M. melinoniana in its venation, but with slightly more differentiation between secondary and higher order venation, and also differing in its 4-merous flowers and winged fruit. Pennington, T. D. 2.6 Micropholis venulosa (Mart. & Eichl.) Pierre, Not. Bot. 40. 1891; Pennington, T. D., Fl. Neotrop. 52: 1 96, fig. 37. 1 990. Fig. 4 d-g Sideroxylon vemdosum Mart. & Eichl., in Mart., Fl. bras. 7: 52. 1863. Young shoots puberulous to pubescent with golden brown or ferrugineous hairs, soon glabrous. Leaves usually alternate or less frequently spirally arranged, 4-llxl .3-4.5 cm, elliptic or lanceolate, apex caudate or narrowly attenuate, base narrowly attenuate to rounded, glabrous; venation craspedodromous or brochidodromous with a submarginal vein very close to the margin, midrib flat or slightly raised on the upper surface, higher order venation appearing finely striate to the naked eye, but with a lens the parallel intersecondaries and tertiaries can be distinguished. Petiole 3—7 mm long, channelled. Fascicles axillary, 5-10- flowered. Pedicel 2-4 mm long. Flowers unisexual (plant monoecious). Sepals 4—5, 1 .5- 2 mm long, shortly pubescent outside, sparsely pubescent or glabrous inside. Corolla 1 .25-3 mm long, shortly tubular or campanulate, lobes 4—5, shorter than the tube, glabrous. Stamens 4—5, included. Staminodes 4-5, 0.5-0.75 mm long, ovate or lanceolate, glabrous. Disk absent. Ovary 4— 5-locular, ovoid, densely stiff-pubescent; style included. F ruit 1 .2-3 cm long, subglobose to elüpsoid apex and base rounded to acute, smooth, glabrous. Seed solitary, 1—1 .5 cm long, laterally compressed, testa finely transversely w rinkled, shining; scar adaxial and sometimes extending around the base of the seed, 1. 5-2.5 mm wide. Field characters: Small or large tree to 35 m high and 40 cm diam. The species is variable in the degree of buttressing, with some quite large specimens recorded as unbuttressed or with trunk only fluted at the base, whereas others have well- developed buttresses several metres high. The upper bole is cy lindrical. Bark greyish-brown, finely fissured to scaling in small pieces. Slash reddish- brown, with plentiful white latex. Flowers pale green and fruit maturing yellowish. Flowering recorded in central Amazónia in May, July, August, September, November, December and March, and mature fruit in November and December. Rodriguésia 57 (2): 251-366. 2006 SciELO/JBRJ 2 13 14 15 16 17 cm Flora da Reserva Ducke: Sapotaceae Costa Rica and Panama and tropical South America east of the Andes, including Coastal Brazil. Ecologically variable, occurring in non-flooded forest, but also commonly found in periodically flooded várzea forest, permanently flooded igapó forest and in dwarf campina forest over white sand. 9.1. 1 995 (fl) Assunção, P. A.C.L1 22 (G IAN 1NPA KMBM R U UB US); 13.X1I.1995 (fr) Nascimento, J. R. et ai 686 (INPA K MG MO NY R RB SP U); 20.X1. 1 996 (fl) Ribeiro, J. E. L S. & Pereira, E. C. 1862 (BM COL INPA K MG SPF UEC UFMT VEN); 3 1 .V. 1 994 (fl) Vicentini, A. etal. 565 (INPA K MG MO NY RB SP). The small leaves with a caudate apex are generally sufficient to distinguish this species. Larger-leaved species might be confused with M. acutangula , but they can be distinguished by the fine differences in detail of the higher order venation and by the fruit. 2.7 Micropholis trunciflora Ducke, Boi. Técn. Inst. Agron. N. 19: 19, fig. 6. 1950; Pennington, T. D., Fl. Neotrop. 52: 200, fig. 39. 1990. F'g- 4 M Young shoots with brown tomentose evanescent indumentum. Leaves alternate and distichous, 10-17 x 3-6.5 cm, elliptic, oblong-elliptic or oblong, apex narrowly attenuate to obtusely cuspidate, base acute or narrowly attenuate, glabrous or with some residual tomentum along the midrib below, venation craspedodromous or brochidodromous sometimes with a submarginal vein close to the margin, midrib sunken on the upper surface, leaves finely and minutely striate, the secondary veins indistinguishable from the higher order venation, venation widely spreading almost at right angles to the midrib. Petiole 7-10 mm long, channelled, tomentose at lirst. Fascicles 2-10-flowered, axillary and on the small and large branches and densely clustered on large woody protuberances on the trunk to almost ground levei. Pedicel 3- 4 mm long, shortly tomentose. Flowers 265 unisexual (plant monoecious). Sepals 4-5, 1 .5- 2.5 mm, long, pubescent outside, glabrous inside. Corolla 2.5-3 mm long (female), 4- 4.5 mm long (male), tubular, lobes 4-5, shorter than the tube, glabrous. Stamens 4-5, included; stamens absent in female flowers. Staminodes 4-5, 0.5-0.75 mm long, narrowly lanceolate, glabrous. Disk absent. Ovary 5-locular, ovoid, densely pubescent. Fruit 1.3-2 cm long, ellipsoid to globose, longitudinally 5-sulcate, apex acute to rounded, apiculate, base acute to rounded, glabrous. Seed solitary, 1 .3-1 .5 cm long, laterally compressed, testa finely transversely wrinkled, shining; scar adaxial, 1.5-2 mm wide. Field characters: A small or médium understorey tree to 20 m high and 25 cm diam., with an irregular often fluted bole, densely covered with large woody protuberances bearing the inflorescences. Bark brown, slightly scaly, slash pink with small amount of white latex. Flowers pale green with a disagrceable smell in the early moming and fruit ripening dark purplish. Central and western Amazonian Brazil and adjacent Peru, where it is found in Iowland forest on non-flooded land. Local name: Abiurana. 14. III. 1995 (fr) Assunção, P.A. C. L & Pereira, E. C. 193 (INPA K MG MO NY R RB SPU); 9.1 V. 1997 (fr) Assunção, P A. C. L et ai 495 (BM G INPA K MBM MG UB UEC US); 2.IV.1971 (11) Prance, G T. etal. 11278( INPA); 1 0.11.1994(0) Ribeiro, J. E. L. S. et ai 1202 (INPA K MG MO NY RB SP); 19.VII.1993 (fl) Rodrigues, W. 5381 (INPA); 24.XII.1963 (11) Rodrigues, W. & Coelho, D. 5613 (INPA); 20.XII.1963 (fl) Rodrigues, W. & Coêlho, D. 5640 (INPA); 4.III.1966 (fl) Rodrigues, W. & Coêlho, D. 7541 (INPA); 23.1. 1996 (fl) Sothers, C. A. & Pereira. E. C. 783 (BM INPA K MG UEC); 23.1.1 996 ( fl ) Sothers, C. A. & Pereira, E. C. 789 (G INPA K MBM MG R U UB US). An easily recognized species on account of the cauliflory from many protuberances on the trunk, the leaves with midrib decply sunken on the upper surface and with widc-spreading finely striate venation and sulcate fruit. Rodriguésia 57 (2): 251-366. 2006 SciELO/JBRJ 12 13 14 15 16 17 cm .. 266 2.8 Micropholis cylindrocarpa (Poepp. & Endl.) Pierre, Not. Bot. 40. 1891; Pennington, T. D., Fl. Neotrop. 52: 21 1, fíg. 39. 1990. Fig. 5 a-b Sideroxylon cylindrocarpon Poepp. & Endl., Nov. Gen. Spec. Pl. 3: 72. 1845. Young shoots appressed puberulous, soon glabrous. Leaves altemate and distichous, 5- 10 x 1. 8-2.7 cm,ellipticoroblong-elliptic,apex caudate, base acute or narrowly cuneate, glabrous; venation craspedodromous or brochidodromous and then sometimes with a submarginal vein close to the leaf margin, midrib sunken on the upper surface, secondary veins shallowly ascending, finely striate and indistinguishable from the higher order venation. Petiole 3-8 mm long, channelled, appressed puberulous. Fascicles 1-2-flowered, axillary and below the leaves. Pedicel 1-2 mm long, puberulous. Sepals 5, ca. 2.5 mm long, shortly appressed pubescent outside, scattered appressed hairs inside. Corolla ca. 3.5 mm long, shortly cylindrical, lobes 5, shorter than the tube, glabrous. Stamens 5, included. Staminodes 5, ca. 1 mm long, subulate, glabrous. Disk absent. Ovary 4-locular, ovoid, stiffly hairy. Fruit 2- 2.5 cm long, ellipsoid, apex acute and apiculate, base rounded, smooth, glabrous. Seed solitary, I . 1-2 cm long, laterally compressed, testa finely transversely wrinkled, shining; scar adaxial, ca. 2 mm wide. Field characters: Small understorey tree to 15 m high and 30 cm diam., sometimes with a fluted bole. Bark finely striate, greyish, slash brown, with scarce sticky white íatex. The fruit matures reddish-purple. Apparently flowering and fruiting throughout the year. Amazonian Peru to central Amazonian Brazil. A component of the forest understorey on non-flooded land. 9.IV.1997 (fr) Assunção. P.A. C. L et ai 493 (INPA K MG MO NY RB SP); 6.XII. 1 996 (fl) Hopkins. M. J. G et al. 1613 (IAN INPA K MO NY RB SP U UB); 2 1 .XI. 1 964 (fl) Rodrigues, W. & Monteiro, O P. 6760 (INPA). PDBFF: Fazenda Esteio, Pereira etal. s.n. PDBFF 1301.2411 (INPA K); PBDFF Reserva km 41, Spironello A275 (INPA K). Pennington, T D. 2.9 Micropholis humboldtiana (Roem. & Schult.)T. D. Penn., Fl. Neotrop. 52: 212. 1990. Fig. 5 c-d Chrysophyllum humboldtianum Roem. & Schult., Syst. Veg. 4: 813. 1819. Young shoots appressed pubescent with ferrugineous hairs, becoming glabrous. Leaves altemate and distichous, 4.5-8.5 x 2.5-4 cm, broadly lanceolate or oblong-lanceolate, apex caudate, base rounded, glabrous above, densely and finely appressed sericeous below, indumentum ferrugineous tuming silvery-white with age; venation craspedodromous, leaf margin slightly revolute, midrib sunken on the upper surface, secondary venation widely spreading, finely striate, indistinguishable from the higher order venation. Petiole 4-7 mm long, ferrugineous-pubescent at first. Fascicles 1- 2-flowered, axillary. Pedicel 2-3 mm long, ferrugineous pubescent. Sepals 5, 2.5—4 mm long, appressed pubescent outside, glabrous inside. Corolla 3.5-5 mm long, shortly cylindrical, lobes 5, shorter than the tube, glabrous. Stamens 5, included. Staminodes 5, ca. 1 mm long, narrowly lanceolate, glabrous. Disk absent. Ovary 5-locular, ovoid. shortly pubescent. Fruit ca. 1 cm long, ellipsoid, apex shortly beaked, subglabrous. Seed not seen. Field characters: Small tree to 12 m high and 10 cm diam., with reddish slash. Flowers greenish-white, fruit maturing dark wine-red. Flowering June to November, young fruit from August. Southern Venezuela, along the drainage of the R. Negro to central Amazonian Brazil. A tree of flooded igapó forest and periodically flooded savanna. Not recorded from Reserva Ducke. AMAZONAS: R. Cueiras, Repartimento, Rodrigues 6097 (INPA); Manaus, Schwacke 3 (R); Rio Negro, Jerusalém, Froés 21087 (K). The leaf shape and venation are somewhat similar to M. cylindrocarpa but M. humboldtiana differs in its revolute leaf margin and the rounded leaf base, and sericeous indumentum on the lower surface. The species also differ in their ecological preferences. Rodriguésia 57 (2): 251-366. 2006 SciELO/JBRJ _2 13 14 15 16 17 Flora da Reserva Ducke: Sapotaceae 267 , „ u.,u;t iKiilin & s mi th 29021); b. sccd ( Diaz & Jaramillo 1221). c-d. Figura 5 - a-b. Micropholis - aJiab Mt {K l \p & MihoUs wiUiamU . e. habit (P rance et at. Micropholis humboldtiana - c. habit; d. 1/2 flower (troes * 22683); f. fruit ( Amaral et al. 221); g. 1/2 flower (Rodrigues & Coêlho 1284). Rodriguésia 57 (2): 251-366. 2006 SciELO/JBRJ L2 13 14 15 16 17 5 cm 268 Pennington. T D. 2.10 Micropholis williamii Aubrév. & Pellegr., Adansonia 1: 179. 1962; Pennington, T. D., Fl. Neotrop. 52: 215, fig. 43. 1990. Fig. 5 e-g Young shoots densely velutinous-hirsute with erect brown hairs, indumentum persistent. Leaves altemate and distichous, 1 1-22 x 5- 7 cm, broadly oblong or oblong-elliptic, apex obtusely cuspidate, base acute to obtuse, glabrous above, pubescent below with a mixture of short appressed hairs and longer erect hairs; venation brochidodromous with a submarginal vein, midrib sunken on the upper surface, secondary veins 30-40 pairs, widely spreading, parallel, straight, prominent on the lower surface; intersecondaries extending to the margin; tertiaries reticulate. Petiole 1-1.5 cm long, not channelled, densely velutinous-hirsute. Fascicles 2-5-flowered at first, developing into dense, many-flowered clusters on short scaly shoots, these 0.5— 1 cm long. Pedicel ca. 1 mm long, densely hairy. Sepals 5, 3-3.5 mm long, densely velutinous-pubescent outside, appressed pubescent inside. Corolla 4-4.5 mm long, shortly tubular, lobes 4-5, shorter than the tube, glabrous. Stamens 4-5, included. Staminodes 4—5, ca. 1 mm long, lanceolate to subulate, glabrous. Disk absent. Ovary 4-5- locular, ovoid, pubescent. Fruit 2-2.5 cm long, ellipsoid, narrowed above into a long acute apex, base rounded, densely velutinous-hispid with brown hairs. Seed solitary, 1-1 .5 cm long, laterally compressed, smooth, shining; scar adaxial. Field characters: A small or medium-sized tree to 15 m high and 20 cm diam., with small buttresses. Bark dark brown, slightly striate, inner bark reddish, with sticky white latex! Flowers sweet-scented, pale greenish. Fruit covered with dense brown hairs. Flowering recorded in central Amazônia in February, September and October and fruit in July and December. Central Brazilian Amazônia (Amazonas and Pará) in forest on non-flooded sites. 23. VII. 1996 (fr) Assunção, P.A.C.L 453 (INPA K MG MO NY RB SP U); 2 1 .IX. 1 997 (fl) Assunção, P. A. C. L etal. 676 (IAN INPA K MO NY RB SP); 9.11. 1 994 (fr) Ribeiro, J. E. L S. et al. 1199 (INPA K MG UEC VEN); 9.IX.1959 (fl) Rodrigues, VVÍ & Coelho, D. 1284 (INPA); 8. V. 1 969 (fl) Souza, J. A. 281 (INPA); 1 .XII. 1 969 (fr) Souza, J. A. 301 (INPA); 19.XII.1996 (fr) Souza, M. A. D. etal. 301 (BM G INPA K MBM MG R UB US). A very characteristic species within Micropholis on account of the large leaves with widely spaced prominent secondary veins and the dense indumentum on all parts of the plants. 2.11 Micropholis splendens Gilly e.x Aubrév., Mem. New York Bot. Gard. 23: 210. 1972; Pennington, T. D., Fl. Neotrop. 52: 219, fig. 35. 1990. Fig. 6 a-b Young shoots minutely appressed puberulous with reddish-brown hairs. Leaves spirally arranged, 10-16 x 4.5-6.2 cm, broadly elliptic or elliptic-oblong, apex obtusely cuspidate or obtuse, base obtuse to acute, glabrous above, minutely golden-brown appressed puberulous below; venation craspedodromous or brochidodromous and then with a submarginal vein very close to the margin, midrib prominent on the upper surface, secondary and higher order venation finely striate, shallowly ascending. Petiole 1-2 cm long, channelled, subglabrous. Fascicles 5-10- flowered, mostly ramiflorous. Pedicel 1- 1.5 cm long, appressed puberulous. Sepals 5- 6, 6-8 mm long, appressed puberulous on both surfaces. Corolla 1 .5-1 .7 cm long, cylindrical, tube 1.2-1. 3 cm long, lobes 5, 3^f mm long, reflexed, glabrous. Stamens 5, exserted. Staminodes 5, ca. 2.5 mm long, narrowly lanceolate, glabrous. Disk absent. Ovary 5- locular, broadly ovoid, pubescent. Fruit 2.5- 3.5 cm long, ellipsoid, apex narrowly beaked, smooth, glabrous. Seed solitary, 1 .8-2 cm long, laterally compressed, testa smooth, shining; scar adaxial, 7-8 mm wide. Field characters: Tree to 30 m high and 50 cm diam., larger specimens with plank buttresses. Bark whitish-brown, finely fissured, slash pale brown, mealy, with white latex. The leaf undersurface is persistently reddish-brown. Flowers greenish-white, fruit glaucous-green. In central Amazônia flowering December to January, and fruit maturing in April. RoJrigutsia 57 (2): 251-366. 2006 SciELO/JBRJ 2 13 14 15 16 17 18 cm Flora da Reserva Ducke: Sapotaceae 269 < Mnrmno-llerti & Salcedo 70-979); b. fruit (Clark 7095). c-c. Micwpholis Figura 6 - a-b. Micropholis splendens - a. ab » t Warc -Bi Ai & 0smarino 29806). f-i. Micwpholis obscura - f. habit submarginalis - c. leave; d. mflorcscence, c. young 11 ( 7,.. (Maguire et al. 56042)-, g. 1/2 flower (FDBG 7176)', h. fruit; 1. seed (8 7). Rodriguésia 57 (2): 251-366. 2006 SciELO/JBRJ 12 13 14 15 16 17 cm .. 270 Southern Venezuela to central Amazonian Brazil, where it occurs in forest on non-flooded sites. 1 9.IV. 1 994 (fr) Assunção, PA.C.L& Pereira, E. C. 13 (INPA K MG MO NY SP); 21. IX. 1997 (fl) Assunção, P. A. C. L. et al. 671 (INPA K MG MO NY R RB SP U); 19.IX.1997 (fl) Sou-m, M. A. D. etaL 419 { BM G INPA K MBM MG UB UEC US). Micropholis splendens is easily recognized by its finely striate leaves with persistent reddish-brown indumentum on the lower leaf surface, the large flowers with exserted stamens and beaked fruit. 2.12 Micropholis obscura T. D. Penn., Fl. Neotrop. 52: 227, fig. 41.1 990. Fig. 6 f-i Young shoots appressed pubescent with ferrugineous hairs, soon glabrous. Leaves altemate and distichous, 8.5-13 x 2.5^L5 cm, elliptic oroblong, apex narrowly acuminate, base acute or narrowly cuneate, glabrous above and with some residual ferrugineous pubescence along the midrib below, venation brochidodromous with a weak submarginal vein, midrib flat or slightly prominent on the upper surface, secondary and higher order venation obscure, finely striate, shallowly ascending. Petiole 0.7-1 .2 cm long, channelled, appressed pubescent at first. Fascicles 5-15-flowered, mostly in the axils of fallen leaves. Pedicel 5- 7 mm long, puberulous. Sepals 5, 2.5-3 mm long, appressed puberulous on both surfaces. Corolla 3-4 mm long, shortly tubular, lobes 5, equalling the tube, reflexed, glabrous. Stamens 5, exserted. Staminodes 5, 1-1.5 mm long, subulate, glabrous. Diskabsent. Ovaiy 5-locular, globose, pubescent. Fruit 2-3 cm long, broadly ellipsoid, apex rounded, apiculate, base obtuse, smooth, glabrous. Seed solitary, ca. 1 .8 cm long, laterally compressed with an abaxial keel, testa smooth, shining; scar adaxial, ca. 4.5 mm wide. Field characters: Tree to 35 m high and 85 cm diam., with large thin convex buttresses to 1 .5 m high. Bark reddish-brown, shaggy, coarsely scaling in large irregular plates, slash yellowish- brown with a small amount of white latex. Flowers pale green, scented. Fruit maturing yellowish. Flowering in central Amazônia Pennington, 7. D. September to October, fruit maturing March to April. The Guianas and Southern Venezuela to central Amazonian Brazil and Amazonian Peru, in non-flooded lowland forest. Not yet collected from Reserva Ducke, but frequent in the PDBFF plots. PDBFF: Reserva km 4 1 , Oliveira et al. 109 (INPA K), Lepsch Cunha et al. 3 (INPA K); Spironello s.n. (INPA 190939 K). Micropholis obscura can be distinguished in the field by its convex buttresses and bark scaling in large irregular plates. The floral structure is similar to that of M. splendens but the flowers are much smaller, and it lacks the golden-brown indumentum of that species. 2.13 Micropholis submarginalis Pires & T. D. Penn., Fl. Neotrop. 52: 228. 1990. Fig. 6 c-e Young shoots appressed pubescent at first, soon glabrous and scaly. Leaves spirally arranged, 19-30 x 7.5— 9.5 cm, elliptic or oblong-elliptic, apex shortly narrowly attenuate or acute, base acute, margin slightly revolute, glabrous or with small amount of appressed indumentum on the midrib below; venation brochidodromous with a conspicuous submarginal vein, midrib raised on the upper surface, secondary veins 25-30 pai rs, parallel, slightly arcuate, impressed on the upper surface, prominent on the lower surface, higher order venation lax, mostly obliqúe. Petiole 1 .5— 2.2 cm long, strongly channelled with slightly winged margins, subglabrous. Fascicles mostly on the branches below the leaves, 15-30- flowered. Pedicel 6-9 mm long, glabrous. Sepals 5, 2.5-3 mm long, glabrous. Corolla 4— 5 mm long, shortly tubular, tube about equalling the lobes, lobes 5, reflexed, with sparse appressed indumentum outside. Stamens 5, exserted. Staminodes 5, lanceolate, glabrous. Disk absent. Ovary 5-locular, ovoid, shortly pubescent. Fruit ca. 2 cm long, ellipsoid, apex rounded, apiculate, base rounded, smooth, glabrous. Seed ca. 1.2 cm long, laterally compressed, scar adaxial, 4-5 mm wide. Rndriftutsia 57 (2): 251-366. 2006 SciELO/JBRJ1 2 13 14 15 16 17 18 Flora da Reserva Ducke: Sapotaceae 271 Field characters: Small or medium-sized tree to 20 m high and 20 cm diam., unbuttressed, with dark brown hard, slightly flaky bark. The slash contains scarce white latex. Flowers creamish-white, mature fruit yellow. Flowering from May to June, fruit maturing in November. From the Guianas to central and southem Amazonian Brazil, where it is a tree of non- flooded lowland forest. Not yet collected in Reserva Ducke. PDBFF: Fazenda Esteio, Nee 42885 (INPA K); Fazenda Dimona, Pacheco et al. 80 (INPA K). A very distinct species among Micropholis with large glossy glabrous leaves, widely spaced, numerous secondary veins which are impressed above and prominent below, and flowers with exserted stamens. 3. Chromolucuma Chromolucuma Ducke, Arch. Jard. Bot. Rio de Janeiro 4: 160, t. 18. 1925. Unarmed trees. Stipules present, large. Leaves clustered, spirally arranged. Venation eucamptodromous. Flowers unisexual. Calyx a single whorl of 5 free sepals. Corolla cyathiform or broadly tubular, tube equalling or slightly larger than the lobes "(slightly shorter in male flowers) lobes 5, simple. Stamens 5, fixed in the upper half of the corolla tube, included. Staminodes 5, fixed in the corolla lobe sinuses, altemating with the stamens. Disk absent. Ovary 2-5-locular. Fruit 1-seedcd. Seed with dull rough testa and broad adaxial scar; embryo with plano-convex cotyledons, radicle slightly exserted; endosperm absent. Two species from Southern Venezuela to central Amazonian Brazil. A single species in Reserva Ducke. 3.1 Chromolucuma rubriflora Ducke, Arch. Jard. Bot. Rio de Janeiro 4: 160, t. 18. 1925; Pennington, T. D., Fl. Neotrop. 52: 229, fig. 44. 1990. Fig. 7 a-e Young shoots massive, with sparse appressed pubescence, very rough with prominent scars of fallen leaves and inflorescences. Stipules 1.5-2. 5 cm long, narrowly lanceolate with a long tapering apex, longitudinally striate, sparsely appressed puberulous. Leaves 20-30 x 8-10 cm, broadly oblanceolate, apex acute, obtuse or rounded, base long, narrowly cuneate or acute, glabrous or with some appressed indumentum on the midrib below; venation eucamptodromous, midrib flat or slightly sunken on the upper surface, secondary veins 20-25 pairs, parallel and slightly arcuate; intersecondarics absent; tertiaries obliqúe, numerous; higher order venation reticulate. Petiole 3-4 cm long, strongly channelled, glabrous. Fascicles many- flowered, on twigs below the leaves. Pedicel 2-2.5 cm long, slender, puberulous. Flowers unisexual (plant monoecious). Sepals 4-5 mm long, appressed puberulous on both surfaces. Corolla (male) ca. 5 mm long, tube slightly shorter than the lobes; (female) ca. 4 mm long, glabrous. Staminodes ca. 1.25 mm long (male), ca. 0.5 mm long (female), lanceolate, glabrous. Ovary broadly truncate to ovoid, 2-3-locular, densely pubescent. Fruit 4-8 cm long, broadly ellipsoid, rounded at base and apex, smooth or rugose (drying to become strongly and irregularly ribbed or furrowed, shortly velutinous. Seed solitary, 2.5— 5.5 cm, long, ellipsoid, rounded at base and apex; testa rough, not shining; scar adaxial, covering 2/3 of the seed surface. Field characters: Tree to 30 m high and 60 cm diam., with concave buttresses to 2 m high; trunkcylindrical; bark reddish-brown, scaly and striate, and with vertical rows of lenticcls, slash with yellow latex. The pedicels and calyx are red and the corolla cream to greenish; it is very conspicuous when in flower because of the dense clusters of reddish inflorescences held below the leaves. Fruit golden browp. Flowering in central Amazónia in August and September, fruit maturing January to Fcbruary. Southem Venezuela to central Amazonian Brazil in pcriodically floodcd or poorly drained forest often on riversides. 25. IX. 1957 (fl) Ferreira, E. 105 (INPA); 31. VIII. 1995 (fl) Ribeiro, J. E. L. S. et al. 1677 (INPA K MG MO RB SP U); 13. IX. 1995 (11) Ribeiro, J. E. L. S. & Pereira, E. C. 1700 (INPA Rodriguésia 57 (2): 251-366. 2006 SciELO/JBRJ 12 13 14 15 16 17 cm .. 272 K NY); 7. XII. 1994 (fr) Vicentini, A. & Pereira, E. C. 778 (1NPA K MG MO NY R RB SP U); 26.VIII.1997 (fl) Vicentini, A. et al. 1229 (IAN INPAKMONYRBSPU). Easily recognized in the field by the yellowish latex, massive scaly twigs with large stipules and the red flowers. 4. Sarcaulus Sarcaulus Radlkofer, Sitzungsber. Math.- Phys. Cl. Kõnigl. Bayer. Akad. Wiss. München 12: 310. 1882. Unarmed trees. Stipules absent. Leaves spaced, alternate and distichous or occasionally weakly spirally arranged. Venation brochidodromous. Inflorescence axillary, flowers unisexual. Calyx a single whorl of 5 sepals. Corolla globose or broadly cyathiform, lobes 5, simple. Stamens 5, fixed at the top of the corolla tube, exserted, with short swollen filaments. Staminodes 5, thick, carnose. Disk absent. Ovary 2-5-locular. Fruit 1-several-seeded. Seed laterally compressed, scar adaxial, embryo with plano- convex cotyledons, endosperm absent. Five species in tropical South America. 4.1 Sarcaulus brasiliensis (A.DC.) Eyma, Recueil Trav. Bot. Néerl. 33: 192. 1936; Pennington, T.D., Fl. Neotrop. 52: 233, fig! 46. 1990. Fig. 7 f-h Chrysophyllum brasiliense A. DC., in A. P. de Candolle, Prodr. 8: 156. 1844. Young shoots minutely appressed puberulous. Leaves alternate and distichous or weakly spirally arranged, 7-13 x 2.5- 4.4 cm, elliptic or oblong-elliptic, apex narrowly acuminate, base acute to rounded, glabrous; venation brochidodromous, midrib slightly raised on the upper surface, secondary veins 9-12, more or less parallel, arcuate; intersecondaries moderately long; tertiaries forming a lax reticulum. Petiole 0.7-1 cm long, flat, often expanded into a narrow wing at the apex, glabrous. Fascicles 1-8- flowered, axillary and below the leaves. Pedicel 6-10 mm long, often recurved or coiled in bud, appressed puberulous. Flowers Pennington, T D. unisexual (plant dioecious). Sepal 2-3 mm long, appressed puberulous on both surfaces. Corolla 3—4 mm long, tube about equalling the lobes, weakly to strongly carnose, appressed puberulous on both surfaces. Stamens absent in female flowers. Staminodes 0.5-1.25 mm long, triangular or ovate, appressed puberulous. Ovary ovoid, puberulous. Fruit 1.8-3 cm long, ellipsoid to subglobose, apex acute to rounded, base rounded or tapered, smooth, glabrous. Seeds 1-2, 1.2-1. 7 cm long, laterally compressed, testa smooth, shining; scar adaxial, 2—4 mm wide. Field characters: Unbuttressed tree to 20 m high and 35 cm diam. with a cylindrical bole, bark pale greyish, slightly scaling or dippled, and lenticellate; slash reddish with plentiful white latex. Flowers whitish, without scent, fruit maturing yellow, with a sticky whitish pulp surrounding the seed. Flowering in central Amazônia in October, fruit maturing January to February. Southern Central America to the Guianas, Amazonian Brazil, Peru and Bolivia, in lowland and montane forest on periodically flooded and non-flooded land. 27.11.1998 (fr) Assunção, P.A. C. L etal. 804 (IAN INPAKMONYRBSPU UB); 19.IX. 1997(11) Marfim L H. P et al. 48 (G INPA K MBM MG U UB UEC US); 3.W. 1966 (fr) Rodrigues, W. & Coelho, D. 7543 (INPA); 3 1 .X. 1 995 (fl) Vicentini, A. & Assunção, P. A. C L 1106 (INPA K MG MO NY RB SP). Sarcaulus brasiliensis contains two subspecies, but only the typical subspecies is known from central Amazônia. The genus Sarcaulus is close to Pouteria, but may be distinguished by its leaf arrangement and the carnose corolla. 5. Elaeoluma Elaeoluma Baill., Hist. PI. 11: 293. 1891. Unarmed trees or shrubs. Stipules absent. Leaves spirally arranged, minutely punctate on the lower surface. Venation eucamptodromous or brochidodromous, higher order venation often obscure, forming a lax reticulum. Inflorescence axillary. Flowers unisexual. Calyx a single whorl of 5 sepals. Rodrigutsia 57 (2): 251-366. 2006 SciELO/JBRJ 2 13 14 15 16 17 Flora da Reserva Ducke: Sapotaceae 273 e. 1/2 flowcr tDucl, 289). f-h. Sünmhs bmsilknih «fe» bwvUensh ■ t. tat». (Crmull, Mm. g. 2333); h. fruits ( Lescure 358). d. inflorcsccnce; 1/2 flower (Klug Rodriguésia 57 (2): 251-366. 2006 SciELO/JBRJ 12 13 14 15 16 17 274 Pennington, T. D. Corolla broadly cyathiform to rotate, tube shorter than the lobes (rarely equalling the lobes in the female flowers); lobes 5, simple, spreading widely. Stamens 5, fixed at the top of the corolla tube, exserted; filaments well- developed. Staminodes usually absent, rarely 1-2. Disk absent. Ovary 2-3-locular. Fruit 1- seeded. Seed broadly ellipsoid, laterally compressed or not, testa smooth to slightly wrinkled, shining; scar adaxial, narrow or broad; cotyledons plano-convex, radicle slightly exserted, thin sheath of endosperm present. Four species in Venezuela and northem and central Brazilian Amazônia, extending to Panama and Goiás (Brazil). Three species present in central Amazônia. Key to the species of Elaeoluma of the Manaus area 1. Leaves 4-8 x 1. 5-3.5 cm, oblanceolate, fruit 1.2-1. 4 cm long 1. E. schomburgkiana 1 . Leaves mostly 9- 1 7 x 3.5-Ó.5 cm, elliptic, elliptic-oblong or obovate, fruit 2-3 cm long. 2. Leaves usually oblong-elliptic with acute apex: tertiary venation more or less parallel to secondary venation, intersecondary veins usually well-developed, seed scar broad, seed not laterally compressed.... 2. £ glabrescens 2. Leaves usually obovate with rounded apex; tertiary venation obliqúe to perpendicular; intersecondary veins absent; seed scar narrow, seed laterally compressed 3. E. nuda 5.1 Elaeoluma schomburgkiana (Miq.) Baill., Hist. Pl. 11: 294. 1891; Pennington, T. D., Fl. Neotrop. 52: 240, fig. 48. 1990. Fig. 8 a-c Myrsine schomburgkiana Miq., in Mart., Fl. bras. 10: 315. 1856. Young shoots subglabrous. Leaves 4-8 x 1. 5-3.5 cm, oblanceolate, apex rounded, base acute or narrowly cuneate, margin often slightly revolute, coriaceous, glabrous, lower surface usually minutely punctate; venation eucamptodromous to brochidodromous, often obscure, midrib slightly raised to slightly sunken on the upper surface, secondary veins 5-7 pairs, steeply ascending, parallel or slightly convergent, straight or slightly arcuate; intersecondaries often long; tertiaries reticulate. Petiole 3-5 mm long, not channelled, glabrous. Fascicles axillary, 1-5- flowered. Pedicel 2—3 mm long. Flowers unisexual (plant dioecious). Sepals 2-3 mm long, glabrous. Corolla 2.5-3. 5 mm long, broadly cyathiform to more or less rotate, tube shorter than the lobes; lobes elliptic to suborbicular, glabrous. Stamens exserted, absent in female flowers. Staminodes absent. Ovary 3-locular, conical or ovoid, sparsely pubescent. Fruit 1 .2- 1.4 cm long, broadly ellipsoid, apex and base rounded, soft-skinned, smooth, glabrous. Seed solitaiy, 0.8-1 cm long, broadly ellipsoid, not laterally compressed, sometimes with a small beak at the apex of the scar, testa smooth, shining; scar adaxial, 5-6 mm wide, rugose or verrucose. Field characters: Shrub or small tree to 5 m high, with white latex. Flowers pale greenish- white, fruit ripening purple orblack. Flowering in central Amazônia in October and November, fruitinginMarch. Southern Venezuela and Guyana to central Amazonian Brazil, in flooded ( igapó ) forest, on sandy beaches and in wet savanna, ascending to 1300 m altitude in Venezuela. Not recorded from Reserva Ducke. AMAZONAS: Manaus, Tarumã, Praia da Lua, Vicentini 352 (INPA K); between Tarumãzinho & Tarumã Grande, Keeletal. 215 (INPA K). Easily recognized within Elaeoluma by its small leaves and the small fruit, and the seed with a broad scar. 5.2 Elaeoluma glabrescens (Mart. & EichI.) Aubrév., Adansonia 1: 26. 1961; Pennington, T. D., Fl. Neotrop. 52: 242, fig. 48. 1990. Fig. 8 d-f Lucuma glabrescens Mart. & Eichl., in Mart., Fl. bras. 7: 72. 1863. Young shoots sparsely appressed puberulous to glabrous. Leaves 12-20 x 3.5- 7 cm, oblong-elliptic or elliptic, apex usually acute, base narrowly attenuate or cuneate. Rodriguésia 57 (2): 251-366. 2006 SciELO/JBRJ .2 13 14 15 16 17 18 Flora da Reserva Ducke: Sapotaceae 275 , • hnhif h «eed (Prance et al. 4661)\ c. 1/2 flower (Magulre & Fanshawe Figura 8 - a-c. Eloeoluma schomburgkiana - a. hamt, • ,/2 nower {Amaral et al. 397). g-h. Elaeoluma nuda 32176). d-f. Elaeoluma glabrescens - d. habit; e. seed (Rtvtl 7), . ■ g. habit (Silva & Brazão 60650)', h. seed ( Amaral 1545). Rodriguésia 57 (2): 251-366. 2006 SciELO/ JBRJ 12 13 14 15 16 17 cm .. 276 margin often slightly revolute, glabrous, lower surface minutely punctate; venation eucamptodromous to brochidodromous, midrib flat or slightly raised on the upper surface, secondary veins 9-12 pairs, sometimes impressed on the upper surface, ascending, slightly convergent and arcuate, obscure below; intersecondaries well-developed; tertiaries obscure, more or less parallel to secondary venation. Petiole 0.7-2 cm long, not or only slightly channelled, glabrous. Fascicles 3-10- flowered, axillary and below the leaves. Pedicel 5-10 mm long, glabrous. Flowers unisexual (plant dioecious). Sepals (male) 3-4 mm long, (female) ca. 2.5 mm long, glabrous. Corolla (male) rotate, 4.5-5 mm long, tube much shorter than the lobes (female), cyathiform, ca. 2.5 mm long, tube about equalling the lobes. Stamens absent in female flowers. Staminodes absent or vestigial.Ovary 3-locular, ovoid, sparsely pubescent. Fruit 2-2.5 cm long, broadly ellipsoid, apex acute to rounded, base rounded, soft skinned (wrinkling when dry), smooth, glabrous. Seed solitary, 1.3-1. 6 cm long, plano-convex, rounded at both ends, not laterally compressed, testa smooth, shining, forming an irregular projecting fringe around the edge of the scar; scar adaxial 1-1.1 cm wide, verrucose. Field characters: Tree to 30 m high and 30 cm diam., with copious sticky white latex. The bark is light brown, smooth, with a reddish slash. Flowers greenish-white, the fruit ripening reddish- black or purple. The fruits are sweet and edible. Flowering in central Amazônia in August and September, fruit maturing April to June. Central Panama to Venezuela, Amazonian Brazil, Mato Grosso and Goiás, occurring along riversides and in periodically or permanently flooded forest, and occasionally in white sand savanna. Not recorded from Reserva Ducke, but occurring in flooded areas near Manaus. AMAZONAS: Manaus, Tarumã-mirim, Ferreira 234 (INPA K); Rio Negro, Ilha Baependi, Mori et al. 21308 (K); Rio Negro, Rio Cuieiras, Mori & Gracie 22456 (K). Pennington, T. D. Elaeoluma glabrescens is superficially similar to E. nuda but can be separated from it by a series of small differences. These are listed after the latter species. The two species are ecologically distinct, E. glabrescens is one of the common species of flooded forest throughout Amazônia, while E. nuda is confined to terra Firme forest. 5.3 Elaeoluma nuda (Baehni) Aubrév., Mem. New York Bot. Gard. 23: 224. 1972; Pennington, T. D., Fl. Neotrop. 52: 245, Fig. 48. 1990. Fig. 8 g-h Pouteria nuda Baehni, Candollea 14: 72. 1952. Young shoots finely appressed pubescent, soon glabrous. Leaves 9-16 x 3. 5-6. 5 cm, usually obovate, apex rounded, base narrowly attenuate or cuneate, margin often slightly revolute, glabrous, lower surface minutely punctate; venation eucamptodromous, midrib raised on the upper surface, secondary veins 8-12 pairs, parallel or slightly convergent; intersecondaries absent; tertiaries obliqúe to perpendicular. Petiole 0.5-2 cm long, not channelled, glabrous. Fascicles 2-5-flowered, axillary and below the leaves. Pedicel 3-10 mm long, glabrous. Flowers unisexual (plant dioecious). Sepals 2-4 mm long, sparsely appressed pubescent outside. Corolla broadly cyathiform or rotate, 4—5.5 mm long, tube much shorter than the lobes, glabrous. Staminodes usually absent. Ovary 2-3- locular, ovoid, sparsely pubescent. Fruit 2.5- 3 cm long, broadly ellipsoid, apex and base rounded, smooth, thin-walled, glabrous. Seed solitary, 1.5-2 cm long, broadly ellipsoid, slightly laterally compressed, obtuse or rounded at base and apex, testa smooth, shining; scar adaxial, 1—3 mm wide. Field characters: Tree to 30 m high and 75 cm diam., with small concave buttresses, or base of trunk fluted, upper trunk cylindrical. Bark dark reddish-brown, scaling in rectangular pieces, slash pinkish, with white latex. Flowers pink to greenish-white, fruit Rodriguésia 57 (2): 251-366. 2006 SciELO/JBRJ 2 13 14 15 16 17 18 Flora da Reser\’a Ducke: Sapotaceae 277 ripening purplish to black. Flowering in central Amazónia August to October, fruit maturing February to March. Costa Rica to the Guianas and Amazonian Brazil. A species of terra firme forest in lowland Amazónia, ascending to 2000 m in montane forest in Venezuela. 20. Vm. 1997 (fl) Costa, M. A. S. etal. 748 (BM COL G INPA K MBM MG SPF UB UEC U); 15.IX. 1994 (fl) Nascimento, J. R. & Assunção, P.A. C. L 597 (INPA KMG MO NY R RB SP U); 15.XII. 1994 (fl) Ribeiro, J. E.LS.8í Silva, C. F. 1532 (INPA K MG MO NY R RB SPU); 1 3. IV. 1998 (fr) Ribeiro, J.ELS. & Assunção, P. A. C. L 1973 (K); 26. VIII. 1997 (fl) Souza, M ■ A. D. et al. 391 (AAU CEN CUZ GB HB I AN IC INPA K QCA RFA W); 2.IX. 1997 (fl) Souza, M. A. D. et al. 409 (E HAMAB HRB INPA K MAC MG MICH ULM); 25.XI. 1 997 (fl) Souza. M. A. D. etal. 466 (ACRE INPA K MEXU MG PUEL S UPCB W). PDBFF: Pereira s.n. PDBFF3402.3400.2 (INPA K). Elaeoluma mula can be distinguishcd from E. glabrescens by its obovate leaves with rounded apex, absence of intersecondary veins, obliqúe to perpendicular tertiary venation, and the slightly laterally compressed seed with narrow scar. 6. Pouteria Pouteria Aubl., Hist. Guiane 1 : 85, pl. 33 (excl. fruct.). 1775; Baehni, C., Boissiera 5: 144. 1941; Candollea 9: 149. 1942; Cronquist, A. J., Lloydia 9: 257. 1946; Pennington, T. D., Fl. Neotrop. 52: 247. 1990. Unarmed trees or shrubs. Stipules absent (present in P flavilatex). Leaves nearly always spirally arranged, rarely opposite. Venation eucamptodromous or brochidodromous, not finely striate. Inflorescence axillary or ramiflorous, fasciculate. Flowers often unisexual. Calyx a single whorl of 4-6 free, imbricate sepals, or rarely 6-11 in a closely imbricate spiral. Corolla cyathiform to shortly tubular, rarely rotate, tube shorterthan, equalling or exceeding the lobes, lobes 4— 6(— 9), usually erect, rarely spreading, simplc. Stamens 4-6 (-9) fixed in the lower or upper half of the corolla tube, rarely free, usually includcd, rarely exserted, the filaments generally short. Staminodes usually the same number as the corolla lobes, rarely partially lacking, inserted in the corolla sinus or inside the tube. Disk rarely present. Ovary 1-6-locular, style included or exserted. Fruit a 1-several-seeded berry. Seed broadly ellipsoid,- plano-convex, shaped like the segmcnt of an orange or laterally compressed, testa smooth, wrinkled or pitted; scar adaxial, narrow or broad or sometimes covering most of the seed surface. Embryo vertical, usually with plano-convex cotyledons and included radicle, less frcquently with thin foliaceous cotyledons and exserted radicle; endosperm usually absent, less frequently present. About 200 species throughout the Neotropics, and about 150 species in tropical Asia and the Pacific. 1. Key to the species of Pouteria of the Manaus arca rA a A ctnminodes4 G4), corolla lobes and staminodes often fringed- Flowers tetramerous (K4.C4.A4, staminooes h, vj-w, ciliate (section Pouteria). 2 I ower leaf surface with indumentum of spreading or erect hairs. 1. Lower leai suriacc 3_4 cm lona severa -secded, velutmous 3. Leaf base acute to rounded, truit 3-4 cm long, severa , ^ p /,/,/r/rfa 1 I enf base narrowly attenuate, fruit 2-2.5 cm long, 1 seeucü, vim ^m ^ani^nious. or if brochidodromous thcn without a submargmal ven, secondary veins usually tewer. 5. Venation brochidodromous. 4. 4. Rodríguésia 57 (2): 251-366. 2006 SciELO/JBRJ 12 13 14 15 16 17 278 5. Pennington, T D. 6. Higher order venation laxly reticulate, petiole margins strongly infolded, corolla ca. 3 mm long, fruit soft-skinned and squashy 46 p p[jcata 6. Higher order venation finely reticulchln etate, petiole margin infolded or not, corolla often longer, fruit hard-skinned, not shrinking on drying. 7. Leaf apex rounded, corolla 3-5 mm long, seed scar 2-3.5 mm wide .... 53. P. hispida 7. Leaf apex usually acute or narrowly attenuate, corolla 4-7 mm long, seed scar usually broader. 8. Leaf 7-14 x 2.8-5 cm, base often narrowly attenuate, petiole 0.8-1 .4 cm long, slightly channelled or flat, pedicel 0.5-1 mm long \ p caimito 8 . Leaf 11 20 x 5-7 cm, base acute, petiole 1 .3-2.5 cm long, margins strongly infolded, Venation eucamptodromous. P *u'anens,s 9. Lower leaf surface with closely appressed, sometimes sericeous indumentum 0. Petiole margins strongly infolded for the whole of their length 50. P guianensis 10. Petiole margins not infolded, flat or only slightly channelled near the apex. 11. Leaf mídnb slightly raised on the upper surface, leaves without finely areolate reticulum on upper surface, corolla 3-3.5 mm long, lobes ciliate 43. P. filipes Leat mídnb sunken on the upper surface, leaves with fine areolate reticulum (visible with lens) on upper surface, corolla ca. 6 mm long, lobes not ciliate Lower leaf surface glabrous, or with close minute appressed hairs forming a pellide. 1 2. Higher order venation finely reticulate. 13. Bark scaling profusely in large thin papery sheets, leaf apex narrowly acuminate to caudate, lower leaf surface with sparse whitish closely appressed hairs, flowers , o rfSSi*e V 1- ! 54. P. decorticans . Bark not scaling m papery sheets, leaf apex narrowly attenuate to rounded, lower leaf surface more or less glabrous, flowers usually pedicellate. 14. Leaf apex obtuse or rounded. 15. Petiole not channelled, seed often slightly laterally compressed 11. 9. k 51. P. caimito 15. Petiole channelled, seed not laterally compressed 53 p hispida 14. Leaf apex acute to narrowly attenuate. 16. Leaves 25-35 x 9-13 cm, secondary veins 19-25 pairs, higher order vein reticulum fine, sharp and conspicuous (lower surface) 52. P torta 16. Leaves not exceeding 20 x 7 cm, secondary veins 9-16 pairs, higher order venation coarser and less conspicuous. 17. Secondary veins 9-1 2 pairs, leaves 7-14 cm long, petiole not channelled, ped.ce 0.5-1 mmlong 51. ,, econ ary veins 12 16 pairs, leaves 11-20 cm long, petiole margins strongly infolded, pedicel 5-6 mm lom» sn d ' itSST °r Pen,endiCU'ar’ “ if —r lax and often ’8' cm* 8W-9hn^ tongCl0Sely ^ bd°W- P-* ^-4.5 cm long, ^2 7,::^gc 19’ frrfoldelT VdnS 14-20 pairs’ tertiary Veins reticulate> lax= P^iole margins strongly 46. P. plicata 18 Rodriguésia 57 (2): 251-366. 2006 SciELO/JBRJ 12 13 14 15 16 17 Flora da Reserva Ducke: Sapotaceae 279 cm 19. Secondary veins 7-15 pairs, tertiary venation obliqúe and/or perpendicular, petiole margins not strongly infolded. 20. Leaf base acute to rounded, lower leaf surface often with minute appressed hairs forming a pellicle, secondary veins 10-15 pairs 42. P. glomerata 20. Leaf base narrowly attenuate, leaves more or less glabrous, secondary veins 7-9 pairs. 21. Leaves 11-17.5 x 4.3-8 cm, apex acuminate, petiole 2-3.5 cm long 45. P fímbria ta 21. Leaves 5.5-11 x 2.5-5 cm, apex obtuse or rounded, petiole 5-10 mm long 47. P. resinosa 1. Flowers not tetramerous (if with 4 sepals then ovary 1-2-locular, or corolla lobes 6 or more). 22. Sepals 4, corolla 1.1-1. 3 cm long, corolla lobes, stamens and staminodes 6, ovary 7-8- locular 41 • p venosa 22. Sepals 4-5, or more, corolla not exceeding 1 cm long, usually much less, corolla lobes, stamens & staminodes 4-5 (up to 6 in P opposita with opposite leaves), ovary 1-5-locular 23. Corolla rotate, stamens exserted 57. P. eugeniifolia 23. Corolla cyathiform or tubular, stamens included. 24. Flowers strictly pentamerous with K5, C5, A5, staminodes 5, G5 (except P engleri and P stylifera which lack several or all staminodes). 25. Flowers lacking staminodes, or if present then reduced in number and vestigial style long-exserted, somewhat accrescent. 26. Leaves 10-12 x 3.5-7 cm, apex shortly attenuate, acute or rounded, secondary veins 6-8 pairs, corolla 3.5-4 mm long 27. P engleri 26. Leaves 3.7-7 x 1.6-3 cm, apex shortly mostly narrowly attenuate, secondary veins 9-10 pairs, corolla ca. 3 mm long 28. P. stylifera 25. Flowers with full complement of staminodes, style usually included. 27. Seed with copious endosperm, embryo with thin foliaceous cotyledons. 28. Stamens free.fruit 6-9 cm long, globoseorobovoid 36. P laevigata 28. Stamens fixed about halfway up the corolla tube or in the upper half, fruit 2.5-3.5 cm long. 29. Leaf apex acute or obtuse, tertiary venation obscure, sepals glabrous 34. P tarumanensis 29. Leaf apex usually rounded, tertiary venation obliqúe, sepals sericcous 35. P. oblanceolata 27. Seed without endosperm (thin layer present in P. rnaxima ), embryo with plano-convex cotyledons. 30. Lower leaf surface pubescent to tomcntose with branched ferrugineous or reddish-brown hairs. 31. Leaves altemate and distichous, 13-21 x 8-1 1.5 cm, broadly elliptic or ovate, base truncate, lower surface (at least midrib and veins) crisped pubescent with ferrugineous hairs, fruit ca. 4 cm long, ellipsoid, glabrous 37. P. maxima 31. Leaves spirally arranged, 10-15 x 4. 5-6. 5 cm, elliptic or oblanceolate, base narrowly attenuate, lower surface tomcntose to pubescent with reddish-brown hairs, fruit 7.5-10 cm long, globosc, velutinous 40- p manaosensis 30. Lower leaf surface glabrous or with some minute appressed hairs. 32. Lower leaf surface glaucous, with minute appressed hairs 39. P. macrophylla Rodriguésia 57 (2): 251-366. 2006 .SciELO/ JBRJ 12 13 14 15 16 17 cm i 280 „ . Penmngton, T D. 32. Lower leaf surface not glaucous, glabrous. 33. Stamens fixed near the base of the corolla tube, secondary veins 16-20 pairs, fruit 9- lOcmlong p af_. 33. Stamens fixed at the top of the corolla tube, secondary veins 9-15 pairs, fruit 3 5-^* cm long. 34. Leaves 5-8.5 cm wide, tertiary veins obliqúe, petiole 2-4.6 cm long, corolla cyathiform, tube shorterthan the lobes 21. P. pentamera 34. Leaves 2-4.5 cm wide, tertiary veins forming a loose reticulum, petiole 0.5-1 .2 cm long, corolla tubular, tube longerthan the lobes 56 Rprocera 24. Flowers not strictly pentamerous (K4— 6, C4-5(-9), A4-5, staminodes (M, G l-2(-3)) 35. Staminodes usually absent (flowers may have l-3(-5) vestiges present). Leaves usually glaucous with higher levei venation obscure. 36. Leaves opposite, corolla lobes and stamens 7-9 32. R opposita 36. Leaves spirally arranged, corolla lobes and stamens 5. 37. Leaves 5-7 cm wide, secondary veins 11-13 pairs, petiole 2-3 cm long, corolla ,7 ^.Srrmlong.... p ambelaniifolia 3 /. Leaves 2.5-6 cm wide, secondary veins 15-22 pairs, petiole 0.5-2 cm long, corolla 2.5-3.5 mm long. 38. Mídnb sunken on the upper surface, stamens fixed in the lower half of the corolla tube with well-developed filaments, fruit slender with acute to narrowly lo \/r a u ,■ í , R elegans 38. Mídnb shghtly raised on the upper surface, stamens fixed near the top of the corolla tube, with very short filaments, fruit broader with rounded apex 35. Staminodes well-developed, equal in number to the corolla lobes; leaves not u!ua^ly glTucous (exceptions R egregia, R aff. gardneri), venation obvious. 39. Higher order venation (tertiary or quatemary) finely reticulate, ovary 1-Iocular 40. Leaves bullate, persistently pubescent on the lower surface, indumentum not appressed j5. p platyphylla 40. Leaves not bullate, lower leaf surface with appressed indumentum or glabrous. 41. Lower leaf surface densely appressed puberulous with reddish or golden-brown indumentum. 42. Leaves 6.5-13.5 x 3-5, elliptic, apex narrowly attenuate or acuminate, coro a ca. 4.5 mm long, lobes ciliate, stamens fixed about halfway up the 42. Leaves 14-20x 14-10 cm, obovate, apex usually rounded ortmncate, corolla tube3 mm °ng’ l0bCS n0t CÍ1Í3te’ Stamens f,xed in lhe uPPer half of the corolla -tl. Indumentum of lower leaf '' 43. Corolla ca. 1 cm long, corolla lobes, stamens and staminodes 4, corolla tube 4-5 times as long as the lobes ] 3 p ericoides 43. Corolla not exceeding 5 mm long, corolla lobes, stamens and staminodes 5. corolla tube shorter than, equallmg or only slightly longer than the lobes. hairyenS *XC *n tbC U^Cr °r at toP cor°ha tube, ovary 45. Leaves strongly coriaeeous, 1. 8-4.5 cm wide. often oblong. with acute, obtuse or rounded apex, pedicel ca. 1 mm long 9. P. pachyphylla Rodrigu/sia 57 (2): 251-366. 2006 SciELO/JBRJ 12 13 14 15 16 17 Flora da Reser\’a Ducke: Sapotaceae 28 1 45. Leaves thinner, usually broader, elliptic or oblanceolatc with altenuatc apex, pedicel longerthan 1 mm. 46. Leaves with fine appressed indumentum on lower surface. 47. Leaves 4.5-9 cm wide, corolla 4.5-5 mm Iong, anthers 1.5-2 mm long, fruit 1.5-2 cm long, seed scar 1.5-2 mm wide \\. P campanulata 47. Leaves 5-6 cm wide, corolla 2-3 mm long, anthers ca. 0.5 mm long, fruit 3-3.5 cm long, seed scar ca. 4 mm wide 7. P. gongrijpii 46. Leaves glabrous. 48. Corolla4.5-5 mm long, anthers 1.5-2 mm long U. P campanulata 48. Corolla 1 .5-3.5 mm long, anthers 0.5-0.6 mm long. 49. Petiole 0.5-1 cm long, corolla 1 .5-3 mm long, tube about cqualling the lobes, lobes ciliate, anthers often hairy 8. P reticulata 49. Petiole 2-3 cm long, corolla ca. 3.5 mm long, tube much shorter than the lobes, lobes not ciliate, anthers glabrous 12. P. retinervis 44. Stamens fixed in the lower half or about halfway up the corolla tube, ovary glabrous. 50. Leaves 5-13 cm long, often lanceolate, base rounded to acute, upper surface usually smooth and glossy, whole plant more or less glabrous 16. P vernicosa 50. Leaves 10-23 cm long, elliptic, base narrowly attenuate, upper surface not smooth and elossv young shoots and inflorescence with some fine appressed indumentum b 14. P rostrata 39. Higher order venation not finely reticulate, or if so then ovary 2(-3)-locular. 51. Stamens free or fixed near the base of the corolla tube. 52 Venation brochidodromous, secondary veins 14-20 pairs, parallcl and usually straight, ’ tertiary veins parallel to the secondaries and descending from the margin, leaves glaucous below •; ; ^.Pegregia 52 Venation eucamptodromous, secondary veins 8-10 pairs, strongly arcuate, convergent, tertiary veins reticulate, not parallel to the secondaries and not descending from the margin, leaves not glaucous 5. P. coriacea 51. Stamens in the upper half of the corolla tube (in the lower half m P mlliamn and P anómala which have 5 corolla lobes). . . 53. Ovary unilocular, glabrous 18' R Pf™enm 53. Ovary 2-locular (rarely 3-5-locular in P. anómala), pubescent. 54. Stamens fixed in the lower half of the corolla tube. 55 Venation brochidodromous with a strong submarginal vem, secondary veins 1 5-2U ’ pairs, staminodes abscnt, ovary 3-5-Iocular, style exserted ...29. P anómala 55. Venation eucamptodromous to brochidodromous, submarginal vem abscnt, secondary veins 8-10 pairs, staminodes present, ovary 2-locular, style included J 25. P williamii 54. Stamens fixed in the upper half of the corolla tube. 56 Lower leaf surface with persistent indumentum (lens may be necessary). ' 57. Stipules present, lower leaf surface finely golden-brown senceous, leaves 9-15 x 4-6.8 cm, apex obtuse or round 26. P Jlavilatex 57 Stipules absent, lower leaf surface with minute stiff whitish appressed ’ indumentum (lens). leaves 15-27 x 7-10.5 cm. apex usually narrowly 23. P pallens 56 Leaves glabrous (residual indumentum sometimes present on lower mídnb). ' 58. Stipules present, leaves 3.5-6.S x 1 .5-2.7 cm, secondary vetus Mjjj» Rodriguésia 57 (2): 251-366. 2006 .SciELO/ JBRJ 12 13 14 15 16 17 282 Pennington, T D. 58. Stipules absent, leaves larger, secondary veins more than 6 pairs. 59. Corolla 1-2 mm long, corolla lobes 4 (P cladantha has a mixture of 4 and 5 lobes) 60. Venation brochidodromous, fascicles often clustered on leafless axillary shoots to several cm long, seed with smooth testa \g p cladantha 60. Venation eucamptodromous, fascicles axillary, not clustered on leafless shoots, seed with wrinkled testa. 61. Leaves elliptic, apex narrowly attenuate, secondary venation strongly arcuate and convergent, mtersecondary veins moderate to long, ovary glabrous 63. ... w ” ", 3. P. bilocularis 61 . Leaves broadly oblanceolate to obovate, apex obtuse to rounded, secondary venation cn ^ „ 7 ‘fhtlyarcuate>parallel*intersecondaries absent, ovary puberulous... 4. P minima 5y. Corolla 3-5 mm long, corolla lobes 5. 62. U>wer leaf surface glaucous 1 . R aff. gardneri 62. Lower leaf surface not glaucous. 63. Leaves with fine areolate higher order vein reticulum conspicuous on both surfaces (lens) . - „ „. , , 12. P retinervis Higher order venation not finely reticulate. 64. Leaf apex rounded or truncate, secondary veins 6-8 pairs, fruit 4-5 cm long . 24. P. vir€sc€Tis 64. Leaf apex acute to narrowly attenuate, secondary veins 9-12 pairs fruit 2- 3 cm long. 65 . Venation brochidodromous, higher order venation impressed on both surfaces (lens), corolla 2.5-4 mm long, ciliate, fruit velutinous 22. P jariensis 65. Venation eucamptodromous (sometimes brochido-dromous in upper half), higher order venation not impressed, corolla 4-5 mm long, not ciliate, fruit glabrous 20. R duriandii Section 1. Franchetella (Pierre) Eyma 6.1 Pouteria aff. gardneri (Mart. & Miq.) Baehni, Candollea 9: 233. 1942; Pennington, T. D., Fl. Neotrop. 52: 271, fig. 56. 1990. Chrysophyllum gardneri Mart. & Miq., in Mart., Fl. bras. 7: 102. 1863. Young shoots with spreading pale pubescence, soon glabrous. Leaves spirally arranged, 7.5—16 x 3—6.5 cm, elliptic to oblanceolate, apex narrowly attenuate, base acute, upper surface glabrous, lower surface with residual loose indumentum on the midrib, slightly glaucous below; venation eucamptodromous, midrib flat or slightly prominent on the upper surface, secondary veins 8-14 pairs parallel or slightly convergent, slightly arcuate, intersecondaries absent, tertiaries obliqúe, widely spaced, higher order reticulum conspicuous on the upper surface. Petiole 1.3-2 cm long, slightly channelled, with loose spreading pubescence at first, becoming glabrous. Fascicles on twigs below the leaves, 2— 5-flowered. Flowers probably unisexual. Pedicel 4—5 mm long, sparsely appressed puberulous. Sepals 5, 2- 2.5 mm long, appressed puberulous outside, glabrous inside. Corolla ca. 4 mm long, cyathiform, lobes 5, much longer than the tube, glabrous. Stamens 5, fíxed at the top of the corolla tube, included, glabrous. Stammodes 5, in the corolla lobe sinuses, ovate, glabrous. Ovary ? 2-locular, pubescent. Fruit 1.5-2 cm long, ellipsoid, apex and base rounded, smooth, glabrous apart from some residual indumentum at base and apex, pericarp soft and fleshy. Seed solitary, 1— 1.5 cm long, ellipsoid, laterally compressed, testa smooth, shining; scar adaxial, full length, 4—5 mm wide. Seed without endosperm. Field characters: Tree to 25 m high and 25 cm diam., with branched buttresses to 1 .5m high. Bark yellowish, scaling in irregular Rodriguisia 57 (2): 251-366. 2006 SciELO/JBRJ 12 13 14 15 16 17 Flora da Reserva Ducke: Sapotaceae 283 plates. Flowers greenish, fruit maturing reddish-black. Flowering in January, fruiting from February to April. East and southeast Brazil, Paraguay and Bolivia. If the central Amazonian plant is the same species, this is a range extension from Goiás and Maranhão. Pouteria gardneri is a plant of cerrado, gallery forest and grassy campo. The central Amazonian plant is confined to non-flooded high forest. One tree known in Reserva Ducke, tagged tree number 4596. ' PDBFF: Reserva km 4 1 , Oliveira et al. 300 (INPA K); Oliveira etal. 398 (INPA K). This plant differs from the southeast Brazilian P. gardneri only in the longer petioles, and the slightly thicker textured leaves. Only one flowering specimen has been seen, and this is apparently a male flower, with the ovary reduced and only 1 minute locule without ovules. 6.2 Pouteria stipulifera T. D. Penn. sp. nov. (section Franchetella). Type: Brazil, Amazonas, Manaus, Reserva Ducke, 2°53 S, 59°58’W, 20.VII.1994, fl, P.A.C.L Assunção 33 (holotype INPA, isotypes G K MG MO NY R RB SP). F|g- 9 a;S P. gardneri affinis sed stipulis parvis, foliis parvis nervis secundariis paucis differt. Arbor; stipulae 3-5 mm longae, anguste lanceolatae; folia 3. 5-6.5 x 1.5- 2.7 cm, elliptica vel oblanceolata; nervi secundarii 5-6-jugi, convergentes et valde arcuati; fasciculi axillares; pedicellus 3- 5 mm longus; sepala 5, ca. 2 mm longa, corolla cyathiformis, ca. 3.5 mm longa, lobis 5; staminodia 5; ovarium 2-loculare, fructus 3. 5-4. 5 cm longus, obovoideus vel ellipsoideus. Tree. Young shoots sparsely appressed puberulous, soon glabrous and scaling. Stipules 3-5 mm long, narrowly lanceolate, glabrous, caducous. Leaves spirally arranged, 3. 5-6.5 x 1 .5-2.7 cm, elliptic or oblanceolate, apex acute to obtuse, base narrowly cuneate or attenuate, glabrous; venation eucamptodromous in the lower half, brochidodromous in the upper half, midrib flat or slightly raised on the upper surface, secondary veins 5—6 pairs, convergent and strongly arcuate, intersecondaries short or absent, tertiaries forming an open reticulum. Petiole 5-7 mm long, channelled, subglabrous. Fascicles axillary, 1-2-flowered. Pedicel 3- 5 mm íong, sparsely appressed puberulous. Sepals 5, ca. 2 mm long, ovate, apex acute, appressed puberulous outside, glabrous within, margin ciliate. Corolla cyathiform, ca. 3.5 mm long, tube ca. 1.5m long, lobes 5, ca. 2 mm long, broadly ovate or elliptic, apex obtuse; glabrous. Stamens 5, fixed in the upper half of the corolla tube, filaments ca. 0.5 mm long, glabrous, anthers 1-1.25 mm long, broad, glabrous. Staminodes 5, ca. 1 mm long, lanceolate-subulate, camose, glabrous. Disk absent. Ovary pulvinate, 2-locular, densely short pubescent, style ca. 1 mm long, glabrous, included, style-head simple. Fruit 3.5-4.5 cm long, obovoid or ellipsoid, apex obtuse or rounded, base obtuse or tapered, soft-skinned and fleshy, smooth (wrinkling in diying) shortly velutinous. Seed solitary, ca. 2 cm long, ellipsoid, apex and base obtuse or rounded, not laterally compressed, testa smooth, shining; scar adaxial, ca. 1.7 x 0.8 cm, verrucose. Seed without endosperm. Field characters: Tree to 15 m high and 30 cm diam., with small buttresses. Bark reddish, dippled; slash ycllowish, with white or ycllowish latex. Flowers with green sepals and pink corolla. Fruit maturing orange. Flowering in July and fruit maturing in January. Known only from three collections in the vicinity of Manaus, Amazonas, Brazil. Paratype: 19.XI.1997 (fr) Ribeiro, J. E. L. S. & Pereira, E. C. 1956 (INPA K). Other collections from outside Reserva Ducke: Brazil, Amazonas, Manaus, Igarapé do Bindó, D. Coêlho s.n. 1NPA3321 (INPA). A very distinct plant whose floral structure and size are close to P. simulans, P. gardneri and P benai. lt differs from all these by the presence of stipules, and by the very small leaves with few secondary veins. The relatively large velutinous fleshy fruit is also Rodriguésia 57 (2): 251-366. 2006 !scíelo/jbrj 12 13 14 15 16 17 cm .. 284 distinctive. Pouteria benai has leaves of similar size, but the venation is quite different, as are the long-pcdicellate flowers. 6.3 Pouteria bilocularis (Winkler) Baehni, Candollea9: 229. 1942; Pennington, T. D., Fl. Neotrop. 52: 283, fig. 52. 1990. Fig. 9 h-j Labatia bilocularis Winkler, Repert. Spec. Nov. Regni Veg. 7: 112. 1909. Young shoots glabrous. Leaves spirally arranged, 7-12.5 x 3-5.5 cm, elliptic, apex and base narrowly attenuate, glabrous, lower surface minutely punctate, venation eucamptodromous, midrib slightly raised on the upper surface, secondary veins 7-11 pairs, arcuate, convergent, intersecondaries moderate to long, tertiaries reticulate and some parallel to the secondaries. Petiole 1.2-1. 4 cm long, slightly channelled, glabrous. Fascicles 5-20- flowered, axillary and below the leaves. Pedicel 4-5 mm long, glabrous. Flowers unisexual. Sepals 4, 1-1.5 mm long, subglabrous. Corolla 1.75-2 mm long, cyathiform, tube equalling or slightly longer than the lobes, glabrous. Stamens 4, fixed at the top of the corolla tube, glabrous, absent in female flowers. Staminodes 4, ovate to subulate, glabrous, vestigial in female flower. Ovary flattened (male flowers) or ovoid (female flowers), 2-locular, glabrous, style included. Fruit 2-3 cm long, ellipsoid, apex rounded or obtuse, base acute, hard-skinned, smooth, glabrous. Seed solitary, 1 .8-2.5 cm long, ellipsoid, laterally compressed, rounded at both ends, testa wrinkled or verrucose, shining; scar adaxial, full-length, 2-3 mm wide. Seed without endosperm. Field characters: Tree to 30 m high and 45 cm diam., larger specimens buttressed, bole cylindrical, bark reddish to dark brown, longitudinally fissured and peeling in rectangular plates, slash reddish-brown, with sweet smell, with scarce white latex. Flowers scented, greenish, the fruit ripening orange-yellow. Flowering in central Amazônia in April. The Guianas and Venezuela across Amazônia to the Andean countries, where it is a species of lowland rainforest, mostly on non- Pennington, T. D. flooded land. It ascends to 1 200 m altitude in Bolivia. 1 5.IV. 1 994 (fl) Nascimento. J. R. et al. 508 (G INPA K MBM MG MO NY R RB SP U UEC US). PDBFF: Reserva km 41, Pennington et al. 12986 (INPA K); Freitas et al. F-376 (INPA K). This species is characterized by the rather coriaceous leaves with conspicuous arcuate venation, the tertiary veins usually more or less parallel to the secondaries, and the seed with a wrinkled testa. 6.4 Pouteria mínima T. D. Penn., Fl. Neotrop. 52: 285, fig. 59. 1990. Fig. 10 g-i Young shoots glabrous, soon scaling and cracked. Leaves spirally arranged, 6-14 x 3.5- 8.3 cm, broadly oblanceolate to obovate, apex obtuse to rounded, base acute to shortly attenuate, coriaceous, glabrous; venation eucamptodromous, midrib slightly prominent on the upper surface, secondary veins 8-9 pairs, slightly arcuate, parallel, intersecondaries absent, tertiaries obliqúe and reticulate. Petiole 0.9- 1 .2 cm long, not channelled, glabrous. Fascicles 10-20-flowered, axillary and below the leaves. Pedicel 2-3 mm long, sparsely and minutely appressed puberulous. Flowers unisexual (plant monoecious). Sepals 4, 1-1.5 mm long, sparsely appressed puberulous. Corolla cyathiform, 1.5— 2 mm long, tube about equalling the lobes, lobes 4, glabrous. Stamens 4, fixed in the upper half of the corolla tube, glabrous; absent in female flowers. Staminodes 4, fixed in the corolla lobe sinuses, 0.3— 0.4 mm long, glabrous. Ovary ovoid, 2-locular, puberulous. Fruit 2.3-2.65 cm long, ellipsoid to obovoid, apex rounded, base acute, hard-skinned, smooth, glabrous. Seeds 1-2, ca. 1.7 cm long, ellipsoid, laterally compressed, testa wrinkled, shining; scar adaxial, full-length, ca. 1.5 mm wide. Seed without endosperm. Field characters: Tree to 35 m high with cylindrical bole, often fluted at the base and with superficial roots. Bark dark brown, fissured, inner bark reddish, with translucent whitish sap. Flowers slightly perfumed, cream-coloured, fruit maturing yellowish-orange. Flowering in central Amazônia in March, fruiting July to December. Rodriguésia 57 (2): 251-366. 2006 SciELO/JBRJ 12 13 14 15 16 17 Flora cia Reserva Ducke: Sapotaceae 285 cm 5 cm - , , . Kit h flnwerc 1/2 flower; d. ovary; c. fruit; f. secd [Assunção 33); g. stipules Figura 9 - a-g. Paute ria stipuUfera- a. habit, 62/6); i. 1/2 flower (Krukoff 10S60)\\ c 1. sccd.s {Davitlse {Ribeiro 1197); h-1. Pouteria biloculans - h. habit (WoytkowsKt & Huber 15370). Rodriguésia 57 (2): 251-366. 2006 SciELO/ JBRJ 12 13 14 15 16 17 cm .. 286 Central and northwestern Brazilian Amazônia, in lowland forest on non-flooded land. 1 7. X. 1 997 (fr) Assunção, P.A.C.L& Pereira, E. da C. 703 (BM COL IAN 1NPA K SPF UEC VEN); 1 8. vn. 1 997 (fr) Forzza, R. C. 294 (G INPA K MBM MG RB U UB US); 5. VI. 1 993 (fr) Ribeiro, J. E. L S. etal. 854 (INPA K MG MO NY SP); 10.11.1994 (fl) Ribeiro, J. E. L S. et al. 1201 (INPA K MG MO NY RB SP); 25.m. 1 997 (fl) Ribeiro, J. E.LS.& Pereira, E. C. 1872 (G INPA K MBM MG R U UB US); 26.III. 1997 (fl) Ribeiro, J. E. L. S. & Pereira, E. C. 1876 (B F IAN INPA K P PEUFR UFMT). This species has a similar floral and fruit structure to P. bilocularis. It differs from this species in the different leaf shape (apex usually rounded), the much less prominent higher order venation, and smaller flowers. 6.5 Pouteria coriacea (Pierre) Pierre, Symb. Antill.5: 109. 1904;Pennington,T.D.,Fl.Neotrop 52: 285, fig. 49. 1990. Fig. 10 d-f Guapeba coriacea Pierre, Not. Bot 42.1891. Young shoots finely appressed puberulous, soon glabrous. Leaves spirally arranged, 8-15 x 3.2-5.5 cm, elliptic, apex narrowly attenuate or acuminate, base acute to narrowly attenuate, glabrous; venation eucamptodromous, midrib slightly raised on the upper surface, secondary veins 8-10 pairs, strongly arcuate, convergem, intersecondaries short to moderately long, tertiaries forming an open reticulum. Petiole 0.6-1. 1 cm long, slightly channelled, glabrous. Fascicles axillary and in the axils of fallen leaves, 5-10-flowered. Pedicel 3-7 mm long, glabrous. Flowers bisexual. Sepals 4, 1—1.5 mm long, glabrous. Corolla cyathiform, 2-3 mm long, tube equalling or longer than the lobes, lobes 4, glabrous except for sparse hairs on the tube. Stamens 4, free or fixed at the base of the corolla tube, filaments long, glabrous. Staminodes 4, 0.4— 0.8 mm long, glabrous. Ovary ovoid, 2-locular, densely strigose. Fruit 2-4 cm long, ovoid or ellipsoid, apex acute to attenuate, base acute to rounded, hard-skinned, smooth, glabrous. Seed solitary, 1. 4-2.4 cm long, ellipsoid, slightly laterally compressed. Pennington, T D. testa shining, strongly transversely wrinkled; scar adaxial, full-length, 2-3 mm wide. Seed without endosperm. Field characters: Tree to 30 m high and 40 cm diam., unbuttressed or larger specimens with low buttresses, bole cylindrical, bark shallowly fissured, reddish brown, slash reddish with small amount of white latex. Flowers pale green, fruit ripening yellow. Flowering (Guianas) April to October, fruit January to September. Venezuela and the Guianas to central Amazonian Brazil, in lowland forest on non- flooded land, up to 700 m altitude in the Guianas. Not yet recorded in Reserva Ducke. PDBFF: Reserva km 4 1 , Freitas et al. F-108 (INPA K); Freitas et al. F-162 (INPA K); Lepsch Cunha et al. 633 (INPA K). Pouteria coriacea shares a similar floral structure with P. egregia. Both species have 4 sepals, 4 corolla lobes, 4 stamens, 4 staminodes and a 2-locular ovary. Both also have the stamens free or inserted at the base of the corolla tube. They can be distinguished by their leaf morphology, with P. egregia having a glaucous leaf undersurface and brochidodromous venation with more numerous secondary veins (eucamptodromous in P. coriacea). 6.6 Pouteria egregia Sandwith, Buli. Misc. Inform. 1931: 479. 1931; Pennington, T. D., Fl. Neotrop. 52: 289, fig. 59. 1 990. Fig. 10 a-c Young shoots sparsely and minutely appressed puberulous, soon glabrous. Leaves spirally arranged, 5-10 x 2. 5-3. 5 cm, oblanceolate to oblong-elliptic, apex obtusely cuspidate, base narrowly attenuate or cuneate, upper surface glabrous, lower surface glaucous, sometimes with scattered minute appressed hairs; venation brochidodromous, midrib flat or slightly raised on the upper surface, secondary veins 14—20 pairs, parallel and usually straight, intersecondaries long, tertiaries mostly parallel to the secondaries and descending from the margin. Petiole 3-9 mm long, slightly channelled, glabrous. Fascicles 5-15-flowered, axillary and below the leaves. Pedicel l-v8 mm long, with sparse minute Rodriguésia 57 (2): 251-366. 2006 SciELO/JBRJ 12 13 14 15 16 17 Flora da Reserva Ducke: Sapotaceae 287 . .■ /d/ , i u,m,irhinn 39693)'. b. 1/2 flowcr [Blanco 268)\ c. fruits (Manco Figura 10 - a-c. Pouteria egregia - a. habit ( Wunlack & /2627J; g. fruit (Davidse et al. ** 4 — '«)• f:f',írf Í W. 4*. 4 H». KW). 13753). h-j. frufena minima - h. habit (Schultes & Pires 9070). X. IU nowcr. j y Rodriguésia 57 (2): 251-366. 2006 iSciELO/ JBRJ 12 13 14 15 16 17 cm .. Pennington, T. D. appressed indumentum. Flowers unisexual (plant dioecious). Sepals 4, 0.5-1 mm long, sparsely appressed puberulous. Corolla ca. 2 mm long, cyathiform, tube slighüy shorter than or equalling the lobes, Iobes 4, minutely appressed puberulous outside. Stamens4, free or fixed in the lower half of the corolla tube, glabrous, absent in female flowers. Staminodes 4, 0.5-1 mm long, subulate, glabrous, reduced to vestiges in female flower. Ovary ovoid, 2- locular, appressed puberulous. Fruit 2-2.5 cm long, broadly ellipsoid to globose, apex rounded to obtuse, base rounded or tapered, smooth, glabrous. Seed solitary, 1.4-1. 8 cm long, broadly ellipsoid, slightly laterally compressed, testa smooth, shining; scar adaxial, full-length, 4-8 mm wide. Seed without endosperm. Field characters: Tree to 40 m high and 1 m diam., with simple or branched running buttresses to 2.5 m high, and spreading up to 3 m, bole slightly íluted at the base, cylindrical above. Bark pale buff-brown or grey-brown, vertically cracked and scaling in thin narrow strips, slash streaked orange with copious sticky white latex. Leaves greyish-green to glaucous when fresh. Flowers greenish white, and fruit maturing yellow to orange. Flowering September to November, fruiting in May. Amazonian Colombia and Venezuela to the Guianas, Pará and central Amazônia, in lowland rainforest on non-flooded land. Not yet recorded from Reserva Ducke. PDBFF: Lars. L s.n , 1 5.' VL 1 984, Reserva 3004 (INPA K). The glaucous lower leaf surface and brochidodromous venation of this species is superficially like that of P. cuspidata, but it differs from this species in its 4-merous flowers (5-merous in P. cuspidata) with free stamens or stamens fixed at the base of the corolla tube, and in the consistem occurrence of the full complement of staminodes. The floral structure of P egregia is similar to that of P. coriacea, but the latter has eucamptodromous venation with few secondary veins and the lower leaf surface is not glaucous. 6.7 Pouteria gongrijpü Eyma, Recueil Trav. Bot. Néerl. 33: 185. 1936; Pennington, T. D., Fl. Neotrop. 52: 293, fig. 6 1 . 1 990. Fig. 11 a-d Young shoots minutely appressed puberulous, soon glabrous. Leaves spirally arranged, 15-19 x 5-6 cm, oblanceolate, apex shortly acuminate, base narrowly attenuate, glabrous above, usually sparsely appressed puberulous below with minute closely appressed hairs; venation eucamptodromous, midrib slightly raised on the upper surface, secondary veins 12-15 pairs, convergem, arcuate, intersecondaries few, short to moderately long, tertiaries forming an open reticulum, fine quatemary reticulum visible on the upper surface. Petiole 1-1.5 cm long, not channelled, subglabrous. Fascicles axillary and below the leaves, 5— 10-flowered. Pedicel 5- 6 mm long, finely appressed puberulous. Flowers unisexual (plant dioecious). Sepals 5, 1 .5- 2 mm long, finely appressed puberulous outside, glabrous within. Corolla cyathiform, 2.5- 3 mm long (male), 2-2.25 mm long (female), tube about equalling the lobes, lobes 5, glabrous. Stamens 5, fixed at the top of the corolla tube, glabrous, converted to lanceolate staminodes (female). Staminodes 5, 0.75- 1 mm long, usually glabrous. Ovary ovoid (female) to truncate (male), 1-locular, appressed puberulous. Fruit 3-3.5 cm long, ellipsoid, apex rounded, base tapering, smooth, subglabrous. Seed solitary, 2-2.2 cm long, oblong, rounded or obtuse at both ends. not laterally compressed, testa smooth, adherent to the pericarp; scar adaxial, full-length, ca. 4 mm wide. Seed without endosperm. Field characters: Tree to 30 m high and 40 cm diam., with small buttresses. Bole cylindrical. with reddish-brown bark exfoliating in thin scales, slash orange or red, with copious sticky, white latex. Flowers pale green, scented, fruit maturing orange. Flowering in central Amazônia in September. Venezuela and the Guianas to eastem and central Amazonian Brazil, in mixed lowland forest on non-flooded land. 17.IX.1987 (bd) Pruski. J. F. et al. 3267 (INPA K MG RB SP). Rodriguésia 57 (2): 251-366. 2006 SciELO/JBRJ L2 13 14 15 16 17 Flora da Reserva Ducke: Sapotaceae 289 .. .. . ... . flower (Moriet al 8743); c. fruit; d. sccd (Oldeman 3298). c-l. Pouteria Figura 11 -a-d. Pouteria gongrtjpu - a. habi^ b. < im). g malc flower (Croat 49844); h. 1/3 fenialc reticulata subsp. reticulata - e. habú (Krukoff ). f. h ( ^ // ?W). m.0. Pouteria pachyphylla - m. hab.t flower; i. fruit; j. seed (Penrungton et al. 11489). !• sec“ ' s (7WjtWra ef a/. 1228); n. fruit; o. seed (P rance et al. 4763). Rodriguésia 57 (2): 251-366. 2006 SciELO/JBRJ, L2 13 14 15 16 17 290 Pennington, T. D. This species is closely related to P. reticulata, but may be distinguished from it by the oblanceolate leaves with more arcuate secondary veins, by the indumentum on the lower leaf surface, and by its non-ciliate corolla lobes. 6.8 Pouteria reticulata (Engl.) Eyma, Recueil Trav. Bot. Néerl. 33: 183. 1936; Pennington, T. D., Fl. Neotrop. 52: 295, fig. 61. 1990. Fig. 11 e-1 Young shoots appressed puberulous at first, soon glabrous. Leaves spirally arranged, 9—14 x 3.5—6 cm, elliptic, apex narrowly attenuate or acuminate, base narrowly attenuate, glabrous; venation eucamptodromous or sometimes brochidodromous near the apex, midrib slightly raised on the upper surface, secondary veins 9-13 pairs, parallel or slightly convergem, arcuate, intersecondaries usually short, tertiaries reticulate, fine areolate higher order network visible on both surfaces. Petiole 0.5-1 cm long, not channelled, glabrous. Fascicles 5-15-flowered, axillary and in the axils of fallen leaves. Pedicel 4-7 mm long, sparsely appressed puberulous. Flowers unisexual (plant dioecious). Sepals 4—5, 1— 2 mm long, appressed puberulous outside, glabrous within. Corolla cyathiform, 1.5-3 mm long, tube about equalling the lobes, lobes 5, ciliate. Stamens 5, fixed near the top of the corolla tube, anthers often hairy; reduced to sterile staminodes in female flower. Staminodes 5, 0.5—1 mm long, glabrous. Ovary ovoid or conical, 1-locular, puberulous. Fruit 1 .5-3 cm long, ellipsoid or ovoid, apex acute to rounded, base tapered to rounded, soft-skinned and fleshy, smooth, glabrous! Seed solitary, 1-2.5 cm long, ellipsoid, obtuse at apex and base, slightly laterally compressed, testa smooth, shining, usually free from the pericarp; scar adaxial, full-length, 2-8 mm wide. Seed without endosperm. Field characters: Tree to 30 m high and 50 cm diam., with simple or branched buttresses to 2 m high, lower bole frequently fluted, bark brown to pale greyish, scaling in long irregular plates, slash variable, from pale straw-coloured to reddish, with copious white latex. Flowers greenish-white, usually scented, the fruit maturing orange to black. Flowering in central Amazônia in October and November, fruit maturing January to March. México and Central America and throughout tropical South America to coastal Brazil, Peru and Bolivia. A common species of both seasonal and everwet rainforest, mostly on non-flooded sites. This is a widespread and variable species within which are recognized two subspecies. Only subspecies reticulata is known from central Amazônia, and this has a complex variation pattem, where several locally distinct forms exist side by side. These forms are recognized on the basis of bark, leaf and flower morphology, but because the character sets are not completely correlated, they cannot at present be used as a basis for formal taxonomic categories. The variation in these forms is described below. Form 1. Typical subspecies reticulata as in the description above. This is a slightly buttressed tree with grey brown bark varying from shallowly fissured to slightly scaling and exfoliating in narrow thin pieces. The bark is frequently fissured and scaling on the same trunk. The slash is pale brown with a few drops of white latex or sometimes none at all. The leaves have a fine higher order reticulum on the lower surface. The flowers have a glabrous coroIIa.Examples of this form are: PDBFF: Nascimento et al. PDBFF2206.247I (INPA K); Pennington et al. 13212 (INPA K). Form 2. A buttressed tree with rich brown bark which which exfoliates in large irregular scales. The slash is brown with plentiful sticky white exudate. The leaves of this form are small and coriaceous with a rounded base and fine reticulation on both surfaces. They resemble the leaves of a small-leaved Pouteria vernicosa. The very small flowers have a distinctly pubescent corolla. 22.XII. 1 994 (fl) Nascimento. J. R. et al. 695 (INPA K MG MO NY R RB SP U); 7.ni. 1 995 (fr) Nascimento. J. R. et al. 775 (INPA K MG MO NY R RB SP U). PDBFF: Boom et al. 8639 (INPA K); Mori et al. 20531 (INPA); Palheta s.n. PDBFF 2303.3454.2', A. P. Silva s.n. PDBFF 1301.3497.2. Rodriguésia 57 (2): 251-366. 2006 SciELO/JBRJ 12 13 14 15 16 17 Flora da Reserva Ducke: Sapotaceae 291 Form 3. A buttressed tree with brown to orange-brown bark, scaling in large irregular plates. The slash is brown, with plentiful running white latex. The trunk and bark characters are similar to form 2. This form contains two distinct leaf types a) typical subspecies reticulata as in the description above; b) leaves with widely spreading (almost at right angles to the midrib) more or less straight secondary veins and lacking the prominent higher order areolate vein network. The floral structure of this form is typical of subspecies reticulata (i.e., with a glabrous corolla). 22.VIII.1997 (bd) Assunção, P. A. C. L. et al. 624 (IAN ÍNPA K MO NY RB SP U UB); 27.XI. 1 997 (fr) Assunção, P.A.C.L et al. 728 (LAN INPA K MO N Y RB SP U UB). PDBFF: C. F. Silva s.n. PDBFF 3402.683.2 (INPA); M. J. R. Pereira et al. s.s. PDBFF 3402. 780 (K INPA). 6.9 Pouteria pachyphylla T. D. Penn., Fl. Neotrop. 52: 303, fig. 61. 1990. Fig. 11 m-o Young shoots glabrous. Leaves spirally arranged, 5.5-12 x 1. 8-4.5 cm, oblanceolate, oblong or elliptic, apex acute to obtuse or rounded, base narrowly attenuate, strongly coriaceous, glabrous; venation eucamptodromous to brochidodromous, midrib slightly raised on the upper surface, secondary veins 12-15 pairs, slightly convergent or parallel, slightly arcuate or straight, intersecondaries moderate to long, tertiaries forming an areolate reticulum on the lower surface. Petiole 0.5-1. 5 cm long, not channelled, glabrous. Fascicles 5-10-flowered, axillary. Pedicel ca. 1 mm long, glabrous. Sepals 5, ca 1 mm long, glabrous, marginciliate. Corolla cyathiform, ca. 2 mm long, tube shorter than the lobes, lobes 5, glabrous, slightly ciliate. Stamens 5, fixed at the top of the corolla tube, glabrous. Staminodes 5, ca. 0.5 mm long, glabrous. Ovary ovoid, 1-locular, pubescent. Fruit 1.7-2. 1 cm long, narrowly obovoid to ellipsoid, apex and base acute to obtuse, smooth, glabrous. Seed solitary, 1 .4-1 .8 cm long, narrowly ellipsoid, not laterally compressed, testa smooth, shining; scar adaxial, full-length, 2.5-4 mm wide. Seed without endosperm. Field characters: Tree to 20 m high and 20 cm diam., slash with white latex. Flowers whitish or pale green, the fruit ripening blackish. Flowering in central Amazónia, September to November, fruit maturing in April. Central and western Brazilian Amazónia, where it occurs in periodically flooded and permanently flooded forest. Not recorded from Reserva Ducke. AMAZONAS, Rio Cuieiras, Rio Branquinho, P rance etal. 17864 (K); Rio Cuieiras, Campbell et al. 21850 (K); Manaus-Itacoatiara, Rio Urubu, Prance et al. 4763 (K). Pouteria pachyphylla is easily recognized by the thickly coriaceous leaves on short petioles, the flowers on short pedicels, and the short corolla tube exceeded by the lobes. These characters distinguish it from the most closely related species P. reticulata and P. gongrijpii. 6.10 Pouteria erythrochrysa T. D. Penn., sp. nov. (section Franchetella). T^pe: Brazil, Amazonas, Manaus, ca. 90 km N of Manaus, Distrito Agropecuário, BR 174, km 72, Fazenda Dimona, 2°19’S, 60°05’W. Reserva 2303 A. P. Silva s.n. (holotypc INPA/WWF 2303.3025.2 M.V., isotype K). Fig. ^ a-h P. campanulatae et P. rostratae affinis sed ramulis novellis et foliorum pagina inferiore pilis erythrochrysis dense et persistenter adpresse puberula, nervis secundariis 12-14-jugis parallelis differt. Arbor; stipulae nullae; folia 6.5-13.5 x 3-5 cm, elliptica; nervi secundarii 12-14 jugi, paralleli, arcuati; fasciculi in axillis foliorum delapsorum enati; pedicellus 5- 7 mm longus; sepala 5; corolla cyathifomis, ca. 4.5 mm longa, lobis 5; stamina 5; staminodia 5,' ovarium 1 -loculare, ft tutus 2.2-3 cm longus, ellipsoideus, apice rotundatus. Tree. Young shoots finely appresscd puberulous with reddish-golden hairs, soon becoming glabrous, greyish, finely cracked and fissured. Stipules absent. Leaves spirally arranged, 6.5—13.5 x 3—5 cm, elliptic, apex narrowly attenuate to acuminate, base narrowly cuneate or attenuate, glabrous above, finely but Rodriguésia 57 (2): 251-366. 2006 SciELO/JBRJ, L2 13 14 15 16 17 cm .. 292 densely appressed puberulous below with reddish-golden hairs; venation eucamptodromous, midrib flat on the upper surface, secondary veins 12-14 pairs, parallel, arcuate, intersecondaries mostly short or absent, tertiaries obliqúe to perpendicular, fine areolate network sometimes visible on upper surface. Petiole 1. 5-2.2 cm long, not or only slightly channelled, sparsely appressed puberulous. Fascicles 5-10-flowered, mostly clustered in the axils of fallen leaves. Pedicel 5—7 mm long, finely appressed puberulous. Sepals 5, 1.75- 2 mm long, broadly ovate to orbicular, finely appressed puberulous outside, subglabrous inside. Corolla ca. 4.5 mm long, cyathiform, tube ca. 2 mm long, lobes 5, ca. 2.5 mm long, orbicular, margin ciliate, glabrous. Stamens 5, fixed about halfway up the corolla tube, filaments ca. 0.3 mm long, glabrous, anthers ca. 1 mm long, ovoid, glabrous. Staminodes 5, 1-1.5 mm long, lanceolate-subulate, glabrous. Disk absent. Ovary ovoid, 1.75-2 mm long, 1- locular, glabrous except for long hairs at the base; ovary gradually tapering into a short style, ca. 0.5 mm long, included; style-head minutely lobed. Fruit 2.2—3 cm long, ellipsoid, apex and base obtuse to rounded, fleshy, soft-skinned, smooth, glabrous. Seed solitary, 2-2.2 cm long, ellipsoid, laterally compressed, apex acute, base rounded, testa smooth, shining; scar adaxial, full length, ca. 2.5 mm wide; embryo with plano- convex, free cotyledons, extending to the surface. Seed without endosperm. Field characters: Buttressed tree to 30 m high and 60 cm diam., with cylindrical bole; bark reddish-brown, scaling irregularly in small thin pieces, slash reddish, with whitish latex. Fruit ripening black, with sweet pulp. Flowering in October, fruiting in January. A common component of non-flooded rainforest in central Amazônia. Thirty individuais (10 cm diam. or greater) were collected from the 25 hectare Sapotaceae plot in the PDBFF reserve at km 41. Paratypes: 1 1 .IX. 1 997 (fl) Assunção. P.A.C.L& Silva, C. F. 642 (INPA K MG MO NY RB SP U UB); 30.1. 1 996 (fr) Ribeiro, J. E. L S. et al. 1 785 (INPA K MG MO NY RB SP U); 15.XU.1997(fl)Soí/i«s, C. A. & Pereira, E. C. 1073 (INPA K). Pennington, T D. This species clearly belongs within section Franchetella to the group of species containing P campanulata , P. sagotiana, P. rostrata and P. platyphylla. All have a very similar floral structure with 5 sepals, 5-lobed corolla with the lobes longer than the tube, 5 included stamens, 5 staminodes, and a unilocular ovary. They also share the relatively small fruit, with a single seed bearing a narrow adaxial scar. It differs from all these species in the presence of the fine persistent reddish-golden indumentum on the young parts and lower leaf surface, and in the details of leaf size, shape and venation. 6.11 Pouteria campanulata Baehni, Candollea 9: 275. 1942; Pennington, T. D., Fl. Neotrop. 52: 306, fig. 64. 1 990. Fig. 12 i-1 Young shoots finely appressed puberulous, soon glabrous. Leaves spirally arranged, 18-27 x 4.5-9 cm, oblanceolate, apex narrowly attenuate to obtuse, base narrowly attenuate or cuneate, coriaceous, upper surface glabrous, lower surface finely appressed puberulous with whitish hairs; venation eucamptodromous, midrib not raised on the upper surface, secondary veins 16-22 pairs, parallel or slightly convergent, slightly arcuate, intersecondaries absent, tertiaries obliqúe, fine areolate reticulum visible on lower, or sometimes both surfaces. Petiole 2-3 cm long, not channelled, subglabrous. Fascicles mostly on twigs below the leaves, 2-10- flowered. Pedicel 7—9 mm long, sparsely appressed puberulous. Sepals 5, 2.5-3 mm long, appressed puberulous outside. Corolla 4.5-5 mm long, tube shorter than the lobes, lobes 5, glabrous. Stamens 5, fixed in the upper half of the corolla tube, glabrous. Staminodes 5, ca. 2 mm long, glabrous. Ovary broadly conical, 1-Iocular, puberulous. Fruit 1 .5-2 cm long, ellipsoid, apex and base obtuse to rounded, thin-walled, smooth, glabrous. Seed solitary, 1 .4—1 .8 cm long, ellipsoid, laterally compressed, base and apex obtuse to rounded, testa smooth, shining; scar adaxial, full length, 1 .5—2 mm wide. Seed without endosperm. F ield characters: Small or médium sized tree to 30 cm diam., sometimes with small Kodriguésia 57 (2): 251-366. 2006 SciELO/JBRJ .2 13 14 15 16 17 cm Flora da Reserva Ducke: Sapotaceae , hnhif h leaf undersurface {Sothers 1075); c. inflorcsccnec; d. Ilowcr; ;ura 12 - a-h. Ponte ria erythrochrysa - a. \ , „ /7(V5) p0uteria campanulata - i. habit; j. dctad oflcuf; /2 Hower; f. ovary (Assunção 742); g. frui U h- seed W*'"' dctail of lcaf (WoW <5 to 15239). ower (ftr« 552). m-o. Pouteria retinems - m. habit. n. 1/2 Hower, Rodriguésia 57 (2): 251-366. 2006 !scíelo/jbrj 12 13 14 15 16 17 cm .. 294 buttresses. Bark reddish-brown, scaling in small pieces, slash laminated exuding copious white latex. Flowers cream-coloured, fruit black, leathery, sweet. Flowering in central Amazônia in October, fruit maturing in March. Amazonian Brazil from Acre to Pará, in lowland forest on non-flooded land. A common lower and mid storey tree. 12.IX.1997 (fl) Assunção, P.A.C.L etaL 660 (ACRE IAN INPA K MEXU PU EL S UPCB W); 19.IX.1997 (fl) Assunção, P.A.C.L et al. 664 (E HAMAB HRB INPA K MAC MG MICH ULM); 21. IX. 1997 (fl) Assunção, P.A.C.L et al. 673 (GH ICN INPA K MG); 10.IX.1997 (fl) Brito, J. M. etal. 34 (BM IAN INPA K MB M SPFUECUS VEN); 7.XI.1997 (fl) Costa, M. A. S. & Pereira, E. C. 788 (B COL F INPA K MG PEUFR UFMT V1C); 7.DI. 1995 (ff) Nascimento, J. R. etal. 776 (INPA K MG MO NY R RB SPU); 7.IIL 1 995 (fr) Nascimento, J. R. et al. 781 (BM COL INPA K MG SPF UEC UFMT VEN); l6.Xa.\994(.tt) Ribeiro, J. E.LS.8í Silva, C. F. 1547 (INPA K MG MO NY R RB SPU); 4.X. 1995 (fl) Sotlters, C.A. etal. 597 { G IAN INPA K UB); 28.11.1994 (fr) Vicentini, A. & Pereira, E. C. 414 (G IAN INPAKMBM UB US). A similar plant which may just represent a form of P. campanulata is common in the PDBFF reserves, though it has not been collected in Reserva Ducke. It differs from typical P. campanulata only in its leaf shape, which is broadly elliptic and only about twice as long as broad. The leaf indumentum, floral and fruit structure are the same as typical P. campanulata. Examples of this plant are Costa et al. s.n. INPAAVWF 1202.2919-, Lepsch Cunha et al. 459\ Pennington et al. 12975. It flowers and fruits at the same time of year as typical P campanulata. 6.12 Pouteria retinervis T. D. Penn., Fl. Neotrop. 52: 308, fig. 64. 1990. Fig. 12 m-o Young shoots finely appressed puberulous with brown hairs, soon glabrous. Leaves spirally arranged, 14-24 x 7-1 1 .5 cm, mostly broadly elliptic, apex shortly and narrowly attenuate, base narrowly attenuate or acute, glabrous; venation eucamptodromous, midrib slightly raised on the upper surface, secondary veins 11-18 pairs, parallel, straight or slightly arcuate, intersecondaries absent, tertiaries widely spaced, obliqúe, fine Pennington, T. D. quatemary areolate reticulum conspicuous on both surfaces. Petiole 2-3 cm long, not channelled, glabrous. Fascicles axillary and in the axils of fallen leaves, 2-10-flowered. Pedicel 2-4 mm long, appressed puberulous. Sepals 5, ca. 2 mm long, appressed puberulous outside. Corolla cyathiform, ca. 3.5 mm long, tube much shorter than the lobes, lobes 5, glabrous. Stamens 5, fixed in the upper half of the corolla tube, glabrous. Staminodes 5, ca. 1 .4 mm long, glabrous. Ovary conical, 1— 2-locular, with a ring of hairs around the base. Fruit unknown. Field characters: Tree to 30 m high and 45 cm diam., Iarger specimens buttressed to 2 m high. Bark brown, scaling in rectangular plates, slash laminated with altemating bands of orange and white; milky white latex present. Flowers greenish-white. Flowering October to November. The Guianas to central Amazonian Brazil, occurring in lowland forest on non- flooded sites. 29.X. 1997 (fl) Ribeiro, J. E. L. S. etal. 1936 (IAN INPA K MO NY RB SP U UB). PDBFF: Freitas et al. F-62 (INPA K); Freitas et al. 633 (INPA K); Pereira s.n. {PDBFF 130 1.3407. 2). Pouteria retinervis can be recognized when sterile by the rather thin textured leaves with finely areolate venation, which is sharp and conspicuous (with a lens) on both surfaces. 6.13 Pouteria ericoides T. D. Penn., sp. nov. (section Franchetella). Type: Brazil, Amazonas, Manaus, Distrito Agropecuário, Reserva 1501 (km 41), 2°24’S, 59°43’W, Freitas et al. 478 (holotype INPA, isotype K). Fig. 13 a-e P. campanulatae affinis sed sepalis 4, lobis corollae 4, staminibus 4, staminodiis 4, et tubo corollae lobis 4-5-plo longiore dijfert. Arbor; stipulae nullae; folia 8.5-13 x 3.5-6 cm, elliptica; nervi secundarii 13-15- jugi recti paralleli; fasciculi axillares; pedicellus 7—9 mm longus; sepala 4; corolla longe campanulata, ca. 1 cm longa, lobis 4; stamina 4; staminodia 4; ovarium 1-loculare, glabrum. Tree. Stipules absent. Young shoots subglabrous, becoming dark blackish-brown, Rodrigutsia 57 (2): 251-366. 2006 SciELO/ JBRJ 12 13 14 15 16 17 Flora da Reserva Ducke: Sapotaceae 295 cracked and lenticellate. Leaves lax, spirally arranged, 8.5-13 x 3.5-6 cm, elliptic, apex and base narrowly attenuate, chartaceous, glabrous; venation mostly eucamptodromous, sometimes brochidodromous near the apex, secondary veins 13-15 pairs, straight and more or less parallel, intersecondaries numerous and long, tertiaries forming a conspicuous reticulum on both surfaces. Petiole 7-9 mm long, slightly channelled, glabrous. Fascicles axillary and in the axils of fallen leaves, few-flowered. Pedicel 7-9 mm long, minutely appressed puberulous. Sepals 4, 2—2.5 mm long, broadly ovate to orbicular, with scattered minute appressed hairs on both surfaces, inner sepals ciliate. Corolla ca. 1 cm long, long- campanulate, tube ca. 8 mm long, lobes 4, 1 .5- 2 mm long, orbicular, often with small auricles at the base; glabrous. Stamens 4, fixed near the apex of the corolla tube (but with strong filament traces to near the base of the tube), filaments ca. 0.5 mm long, geniculate, glabrous; anthers ca. 0.7 mm long, ovoid, glabrous. Staminodes 4, ca. 1 .5 mm long, narrowly lanceolate, glabrous. Disk absent. Ovary ovoid, 1 -locular, glabrous, tapering into a glabrous style ca. 3 mm long, included. Fruit unknown. Ficld characters: Tree to 30 m high and 35 cm diam. with steep concave buttresses to 75 cm high, lower bole often fluted, cylindrical above. Bark brown, scaling in large irregular thin sheets, slash pale brown to pinkish-red, with white latex. Flowers yellowish-white in September and October. Known only from central Amazonian Brazil, where it occurs in lowland mixed forest on non-flooded land. It is relatively common in the PDBFF reserves (0.5 individuais per hectare in the 25 hectare Sapotaceae plot). Not yet recorded in Reserva Ducke. Paratypcs: PDBFF Spironello s.n. (INPA K); Lepsch Cunha et al. 386 (INPA K); Pereira et al. s.n. PDBFF1301.4294 (INPA K). Da Silva s.n. PDBFF2303. 485. 2 (INPA K). Pouteria ericoides has the leaf venation common to a large group of species within section Pranchetella, and including P reticulata, P. campanulata, and P. gongrijpii, but is unusual in having 4 sepals, 4 corolla lobes, 4 stamens and 4 staminodes associated with a unilocular ovary. All other known species of section Franchetella with this number of floral parts have a 2-locular ovary. It is also unique in the section in having a corolla tube 4-5 times as long as the small orbicular lobes. All other species in the section have the corolla tube shorter than, equalling or only slightly largerthan the lobes. The leaf venation of P ericoides is very similar to that of P durlandii and they can easily be confused when sterile. Their floral structure is however quite distinct. 6.14 Pouteria rostrata (Huber) Baehni, Candollea 9: 270. 1942; Pennington, T. D., Fl. Neotrop. 52: 310, fig. 66. 1990. Fig. 13 f Lucuma rostrata Huber, Buli. Soc. Bot. Genéve, Sér. 2, 6: 195. 1914. Young shoots sparsely appressed puberulous, soon glabrous. Leaves spirally arranged, 10-23 x 4-9 cm, mostly elliptic, apex narrowly attenuate or acuminate, base narrowly attenuate, glabrous, often minutely punctate on the lower surface; venation eucamptodromous, midrib flat or slightly raised on the upper surface, secondary veins 10-14 pairs, convergent, arcuate, intersecondaries short to moderate, tertiaries few, obliqúe and open retieulate, fine areolate reticulum visible on the lower surface. Petiole 0.8-1 .7 cm long, not channelled, glabrous. Fascicles axillary and in the axils of fallen leaves, 5-10-flowered. Pedicel 8-10 mm long, sparsely and minutely puberulous. Flowers unisexual (plantdioccious). Sepals 5, 1.25-1.5 mm long, appressed puberulous outside, inner ones ciliate. Corolla cyathifonn, 3-4 mm long, tube shorter than the lobes, lobes 5, glabrous. Stamens 5, fixed about halfway up the corolla tube, glabrous. Staminodes 5, ca. 1 .5 mm long, narrowly lanceolate, glabrous. Ovary ovoid, 1 -locular, glabrous. Fruit 1.7-2 cm long, ellipsoid, rounded or obtuse at apex and base, smooth, soft-skinned, glabrous. Sccd solitary, 1 .5-1 .7 cm long, ellipsoid, slightly laterally compressed, testa, smooth, shining; scar adaxial, full-length, 1.5-2 mm wide. Seed without endosperm. Rodriguésia 57 (2): 251-366. 2006 ■SciELO/ JBRJ 12 13 14 15 16 17 296 Pennington, T. D. Field characters: Tree to 25 m high and 60 cm diam., with small buttresses. Bole often fluted. Bark dark brown or reddish-brown with scaling bark, slash pinkish with sticky white latex. Flowers whitish and fruit maturing pale orange. Flowering in central Amazônia in January. Central and western Amazonian Brazil, Colombia, Ecuador and Peru, in both non- flooded and periodically flooded forest. 1 1 .IX. 1997 (fl) Assunção, P.A.C.L& Silva, C.F. da 648 (INPA); 12.IX.1997 (Ü) Assunção, PA. C. L et al. 658 (B GH 1CN INPA K MG S UPCB VIC); 1 2.IX. 1 997 (11) Assunção, P.A.C.L et al. 659 (COL F IAN INPA K PEUFR SPF UFMT VEN); 17. EX. 1997 (fl) Costa , M. A. S. et al. 777 (BM G IAN INPA K MBM UB UEC US); 24.XI. 1994 (fl) Nascimento, J. R. et al. 664 (INPA K MG MO NY R RB SP U). Pouteria rostrata is close to P. campanulata , but may be distinguished by the glabrous leaves with fewer, more arcuate secondary veins, shorter petiole, smaller flowers and glabrous ovary. It is also closely related to the Peruvian P. aubrevillei. 6.15 Pouteria platyphylla (A.C. Smith) Baehni, Candollea 9: 274. 1942, Pennington, T. D., Fl Neotrop. 52: 31 1, fig. 66. 1990. Fig. 13 g-h Lucuma platyphylla A.C. Smith, Buli. Torrey Bot. Club 60: 388. 1933. Young shoots densely golden-brown tomentose, indumentum persistent. Leaves spirally arranged, 15-30 x 6.5-16 cm, mostly broadly oblanceolate or obovate, apex shortly and narrowly acuminate or cuspidate, base acute or narrowly attenuate, strongly bullate, glabrous above, uniformly pubescent below with stalked 2-branched hairs, denser on midrib and veins, venation brochidodromous or eucamptodromous, midrib raised but recessed on upper surface, secondary veins 10-15 pairs, parallel or slightly convergent, arcuate, sunken on the upper surface, strongly raised on the lower surface, intersecondaries short or absent, tertiaries obliqúe, widely spaced, fine areolatè network visible on both surfaces. Petiole 2-3 cm long, n°f channelled, tomentose. Fascicles on twigs below the leaves, 5-10-flowered. Pedicel 1-3 cm long, pubescent. Flowers unisexual (plant dioecious). Sepals 5, 2-3 mm long, pubescent outside, subglabrous inside. Corolla cyathiform, ca. 4 mm long (female), 5-8 mm long (male), tube about equalling the lobes, lobes 5, glabrous. Stamens 5, fixed in the upper half of the corolla tube, glabrous, reduced to sterile staminodes in female flowers. Staminodes 5, 1.5-3 mm long, lanceolate, glabrous. Ovary truncate in male, ovoid in female, 1-locular, densely pubescent. Fruit 2.7-3 cm long, ovoid to globose, apex and base rounded or truncate, smooth, glabrous. Seed solitary, 2-2.5 cm long, ellipsoid, not laterally compressed, testa smooth; scar adaxial, full-length, ca. 2 mm wide. Seed without endosperm. Field characters: Tree to 20 m high and 25 cm diam., bole fluted at the base. Bark dark brown or reddish, scaling in regular plates. Slash Fibrous, yellowish, with a sweet smell, and scarce white latex. Flowers greenish-white and fruit maturing black. Flowering in central Amazônia in October, fruiting in March. Central Amazonian Brazil to Amazonian Peru, in mixed lowland rainforest on non- flooded land. 15.V.1995 (fr) Cordeiro, I. etal. 1555 (IAN INPA K U UB); 2 1 .VI. 1 980 (fr) Nelson, B. W. & Nelson, S. P 429 (INPA); 24.III.1994 (ff) Ribeiro, J. E. L S. etal. 1247 (INPA K MG MO NY RB SP); 24.III. 1994 (fr) Ribeiro. J. £. L S. et al. 1248 (G IAN INPA K MBM UEC US); 8.IV. 1964 (fr) Rodrigues, W. & Loureiro. A 5736 (INPA). PDBFF: Spironello s.n. (INPA 190940 K). Pennington et al. 13173 (INPA K). The strongly bullate leaves and brown tomentum on young parts and the lower leaf surface of this species are very characteristic. The floral structure confirms that it belongs to the group of closely related species containing P campanulata, P. rostrata , P. vemicosa and P. e ryth rock rysa . 6.16 Pouteria vernicosa T. D. Penn., Fl. Neotrop. 52: 3 1 1 , fig. 63. 1 990. Fig. 14 a-b Young shoots subglabrous. Leaves spaced, spirally arranged, 5-13 x 3-7 cm. broadly lanceolate, elliptic or oblong-elliptic, apex narrowly attenuate to acuminate, base rounded to acute, coriaceous, upper surface usually smooth and glossy, glabrous; venation Rodriguésia 57 (2): 251-366. 2006 SciELO/JBRJ 12 13 14 15 16 17 cm Flora da Reserva Ducke: Sapotaceae 297 Figura 13 - a-e. Pouteria ericoides - a. habit; b. venation on leaf undersurface (da Silva s.n. PDBFF2303.485.2 ); c. flower; d. 1/2 flower; e. ovary (Lepsch Cunlia 386). f. Pouteria rostrata - f. habit ( Krukoff5701 ). g-h. Pouteria platyphylla - g. habit ( Nelson &Nelson 429)', h. 1/2 flower ( Ducke RB37452). Rodriguésia 57 (2): 251-366. 2006 SciELO/JBRJ .2 13 14 15 16 17 298 Pennington, T. D. eucamptodromous to brochidodromous, midrib slightly raised (rounded) on the upper surface, secondary veins 9-14 pairs, parallel or slightly convergem, arcuate, intersecondaries short to moderately long, tertiaries few, obliqúe or forming a lax reticulum, fine higher order areolate network visible with lens. Petiole 1- 1.5 cm long, not or only slightly channelled, glabrous. Fascicles mostly bome below the leaves, 2-10-flowered. Pedicel 0.5-2 cm long, glabrous. Sepals 5, ca. 1.5 mm long, sparsely appressed puberulous or glabrous, sometimes ciliate. Corolla cyathiform, 3-4 mm long, tube shorter than the lobes, lobes 5, glabrous. Stamens 5, fixed in the lower half of the corolla tube, glabrous. Staminodes 5, ca. 1 .5 mm long, lanceolate, glabrous. Ovary ovoid-conical, 1- locular, glabrous; tapering into a short included style. Fruit 2.5-3 cm long, ellipsoid, apex and base rounded, hard-skinned, smooth, glabrous. Seed solitary, 2-2.3 cm long, ellipsoid, laterally compressed, testa transversely wrinkled, shining; scar adaxial and extending around the base, 3-3.5 mm wide. Seed without endosperm. Field characters: Tree to 35 m high and 65 cm diam., larger specimens with small buttresses, bole often fluted at the base, cylindrical above, bark scaling in thin longitudinal rectangular pieces, slash reddish with some white latex. Flowers greenish-white to cream coloured, fruit reddish-black. Flowering in central Amazônia September to December, fruit maturing in June. Central Amazonian Brazil to Amazonian Peru and Ecuador in lowland forest on non- flooded sites. 21. IX. 1997 (fr) Assunção. P A. C. L. 669 (K); 14.IX.1987 (fl) Pruski, J. F. etal. 3238 ((K) INPA MG RB SP); 8. V. 1 996 (fr) Rodrigues, W. 8596 (INPA); 29.III. 1995 (fr) Sothers, C. A. & Pereira, E. C. 380 (INPA K MG MO N Y R RB SP U). AMAZONAS: Manaus-Itacoatiara km 29, CEPLAC, Pennington P 22773 (INPA K). Pouteria vernicosa is distinctive on account of the coriaceous, glossy leaves, which are usually lanceolate with a rounded base. The whole plant is subglabrous. The floral structure conforms closely to other species in this group (P. campanulata, P. rostrata, P. platyphylla, P. erythrochrysa), except that the stamens are Fixed in the lower part of the corolla tube. 6.17 Pouteria fulva T. D. Penn., Fl. Neotrop. 52: 313, fíg. 67. 1990. Fig. 14 c-d Young shoots minutely appressed puberulous with golden-brown indumentum. Leaves spirally arranged, 14-20 x 6-10 cm, obovate, apex usually rounded or truncate, sometimes obtusely cuspidate, base narrowly attenuate, coriaceous, upper surface subglabrous, lower surface finely appressed puberulous with golden-brown hairs, becoming sparser with age; venation eucamptodromous, midrib slightly raised (rounded) on the upper surface, secondary veins 1 1—15 pairs, parallel or slightly convergem, straight or slightly arcuate, intersecondaries short or moderate, tertiaries few, obliqúe and reticulate, fine higher order areolate network visible with lens. Petiole 1-1.5 cm long, not channelled, finely appressed puberulous at First. Fascicles on twigs below the leaves, 5-10-flowered. Pedicel 0.5-1. 5 cm long, Finely appressed puberulous with golden- brown indumentum. Sepals 5, ca. 2 mm long, Finely appressed puberulous on both surfaces. Corolla cyathiform, ca. 3 mm long, tube shorter than the lobes, lobes 5, glabrous. Stamens 5, Fixed in the upper half of the corolla tube, hairy or glabrous. Staminodes 5, ca. 1 .5 mm long, subulate, glabrous. Ovary truncate (?male flowers), 1-locular, densely pubescent, style short, included. Fruit unknown. Field characters: Tree to 25 m high and 35 cm diam., buttressed to 1 m high. Bark reddish brown, scaling in small plates, slash reddish with white latex. Flowers whitish. Flowering in central Amazônia in January. Central and western Amazonian Brazil, in non-flooded rainforest Not yet recorded from Reserva Ducke. PDBFF: Reserva km 41 , Oliveira et al. 304 (INPA K), Lepsch Cunha et al. 757 (INPA K); Pennington etal. 13206 (INPA K). This species is distinctive on account of the obovate leaves with rounded apex and Rodriguésia 57 (2): 251-366. 2006 SciELO/ JBRJ .2 13 14 15 16 17 Flora da Reserva Ducke: Sapotaceae 299 L , -n. Mv b. 1/2 flower (Rodrigues 3364). c-d. Pouteria. fulva ■ c. habit; Figura 14 - a-b. Pouteria vemicosa - a. habit (Kru ff • nowcr ( y/urdack 2363). d. flower bud ( Krukoff8882 ). e-f. Pouteria peruviensis - e. hab , . Rodriguésia 57 (2): 251-366. 2006 SciELO/ JBRJ 12 13 14 15 16 17 300 Pennington, T. D. close appressed indumentum on the lower surface. The floral structure is closest to that of P. campanulata. The leaves and indumentum are similar to Chrysophyllum prieurii , but lack the numerous obliqúe or perpendicular tertiary veins of the latter. 6.18 Pouteria pemviensis (Aubrév.) Bemardi, Candollea 22: 231. 1967; Pennington, T. D., Fl. Neotrop. 52: 317, fig. 67. 1990. Fig. 14 e-f Eremoluma pemviensis Aubrév., Adansonia5: 199. 1965. Young shoots subglabrous. Leaves spirally arranged, 10-12 x 4.5-5 cm, elliptic, apex acuminate, base obtusely or narrowly attenuate, glabrous; venation eucamptodromous, midrib slightly raised on the upper surface, secondaries 9-12 pairs, more or less parai lei, slightly arcuate, intersecondaries moderate to long, tertiaries obliqúe and forming a coarse areolate reticulum. Petiole 0.8- 1.2 cm long, not or only slightly channelled, glabrous. Fascicles axillary and on twigs below the leaves, 3-10-flowered. Pedicel 0.5—2 cm long, subglabrous. Flowers unisexual, (plant dioecious). Sepals 5, 1.5-2 mm long, partially United, subglabrous. Corolla cyathiform, 5-6 mm long (male), ca. 3 mm long (female), tube much shorter than the Iobes in male, about equalling the lobes in female, lobes 5, glabrous. Stamens 5, fixed at the top of the corolla tube, glabrous, reduced to sterile staminodes (female). Staminodes 5, 1.5—3 mm long, lanceolate- subulate, glabrous. Ovary ovoid, 1-locular, glabrous, style short, included. Fmit unknown. Field characters: Tree to 25 m high and 30 cm diam., with a fluted bole. Bark reddish-brown, scaling in large irregular plates. Slash pinkish- yellow with scarce white latex. Flowers strongly scented, calyx and corolla greenish, stamens off-white. Flowering in central Amazônia September to October. So far known only from Amazonian Peru and central Amazonian Brazil, where it occurs in non-flooded rainforest up to 550 m altitude. 1 .IX. 1995 (fl) Ribeiro. J.E.LS. et al. 1691 (1NPA K MG MO NY R RB SP U); 1 1.X.1995 (0) Sothers. C A. & Pereira. E. da C. 621 (BM G INPA K MBM MGUBUECUS). Pouteria pemviensis is the only member of this group of species which lacks the finely areolate higher order venation. Its venation is much coarser and resembles that of P. bilocularis and P. durlandii (see after the latter for further comments). 6.19 Pouteria cladantha Sandwith, Buli. Misc. Inform. 1931: 480. 1931; Pennington, T. D., Fl. Neotrop. 52: 317, fig. 69. 1990. Fig. 15 a-c Young shoots subglabrous. Leaves spirally arranged, 7-13 x 2.5-6.5 cm, oblanceolate, obovate or elliptic, apex obtusely cuspidate, obtuse or rounded, base narrowly attenuate, margin often revolute, glabrous, often minutely punctate on the lower surface; venation brochidodromous, midrib raised on the upper surface, secondary veins 8—13 pairs, straight, parallel, often slightly impressed on the upper surface, intersecondaries long, tertiaries obscure, more or less parallel to the secondaries and descending from the margin. Petiole 0.5-1 .5 cm long, not channelled, glabrous. Fascicles 5-15- flowered, axillary and clustered on leafless axillary shoots to 8 cm long. Pedicel 3-5 mm long, finely appressed puberulous. Flowers bisexual or unisexual (plant dioecious). Sepals 4-5, 1 .5-2 mm long, appressed puberulous on both surfaces. Corolla cyathiform, 1-2 mm long, tube exceeding the lobes, lobes 4—5, sparsely appressed hairy on the tube, or glabrous. Stamens 4—5, fixed in the upper half of the corolla tube, glabrous, absent in female flowers. Staminodes 4—5, 0.2-0.4 mm long, subulate, glabrous. Ovary patelliform (in male flowers) or ovoid (in female flowers), 2-locular, puberulous, style included. Fruit 2-3 cm long, ellipsoid to globose, rounded at apex and base, fleshy, smooth, glabrous. Seed solitary, 1.5- 2 cm long, ellipsoid, slightly laterally compressed, testa smooth, shining; scar adaxial, full-Iength, 3-4 mm wide. Seed without endosperm. Field characters: Tree to 30 m high and 80 cm diam., buttressed to 2 m high, bole often fluted at the base. Bark dark brown, scaling in thin longitudinal strips, innerbark pinkish orreddish with small amount of watery white latex. Rodríguésia 57 (2): 251-366. 2006 SciELO/JBRJ 2 13 14 15 16 17 18 Flora da Reserva Ducke: Sapotaceae 301 Finura 15 - a-c Pouteria cladanlha - a. habit (A lori et al. 8219)-. b. 1/2 flowcr (Tessmann 5451): c. secd (Oliveira 4503). d-h Pouteria durlandii - d. habit; e. detail of venation (, Steyermark 39228): f. part femalc flowcr (Lundell A C M/mw afcflów* (Lundell A Cuatrecasas 19,38): h. secd (Lundell ,2262). ,-m. Pouteria pen, ame ra - , habit (, Spironello s.n.): j. flowcr; 1. 1/2 flower; m. scction of ovary; n. fruit (Oliveira 186). Rodriguésia 57 (2): 251-366. 2006 !scíelo/jbrj 12 13 14 15 16 17 cm .. 302 Flowers greenish-white, the fruit maturing yellow, with clear pulp. Flowering in central Amazônia in July and August. The Guianas, across the whole of Amazônia to Colombia and Peru, in lowland mixed rainforest on non-flooded land, reaching 800 m altitude. 25.V1I.1997 (bd) Assunção, P. A. C. L et al. 568 (INPAKMG MONYRRB SPU); 14.VIII.1997 (fl) Assunção, P. A. C. L & Pereira, E. C. 616 (BM G IAN IN PA K MBM UB UEC US); 24.1.1966 (fr) Rodrigues, W. & Coelho, D. 7401 (INPA); 15.III.1966 (fr) Rodrigues, W. & Coelho, D. 7575 (INPA). Pouteria cladantha is easily recognized by the small oblanceolate or obovate leaves with brochidodromous venation, obscure tertiary venation descending from the margin, and the often compound inflorescence. The leaves dry a characteristic dark brown colour, which is unusual in the family and characteristic in herbarium specimens. 6.20 Pouteria durlandii (Standl.) Baehni, Candollea 9: 422. 1942; Pennington, T. D., Fl. Neotrop. 52: 323, fig. 70. 1 990. Fig. 15 d-h Lucuma durlandii Standl. Trop. Woods 4:5.1925. Young shoots sparsely appressed pubescent. Leaves spirally arranged, 9-17 x 4-7 cm, elliptic or oblanceolate, apex narrowly attenuate, base narrowly attenuate, glabrous; venation eucamptodromous or brochidodromous in the upper half, midrib slightly raised on the upper surface, secondary veins 10-12 pairs, slightly arcuate and slightly convergent, intersecondaries moderate to long, tertiaries forming a coarse reticulum. Petiole 1-2 cm long, not channelled, subglabrous. Fascicles 3-10-flowered, axillary and below the leaves. Pedicel 3-5 mm long, appressed puberulous. Flowers unisexual (plant dioecious). Sepals 5, 2.5-3 mm long, appressed puberulous outside, glabrous inside, ciliate. Corolla cyathiform, male ca. 4 mm long, female 2.5-3. 5 mm long, tube shorter than the lobes, lobes 5, glabrous. Stamens 5, fixed at the top of the corolla tube, glabrous, absent in Pennington, T D. female flower. Staminodes 5, 1.25-1.75 mm long, lanceolate-subulate, glabrous. Ovary cushion-shaped in male, ovoid in female, 2- locular, sparsely pubescent, style included. Fruit 2-2.5 cm long, ellipsoid to subglobose, apex rounded to acute, base rounded to truncate, smooth, glabrous. Seed 1-2, 1.5- 2.2 cm long, ellipsoid, sometimes slightly laterally compressed (plano-convex when 2 in a fruit), testa smooth, shining; scar adaxial, full- length, broad, covering about one third of the seed surface. Seed without endosperm. Field characters: Tree to 25 m high and 60 cm diam., without buttresses, bole sometimes fluted at the base, bark reddish-brown, longitudinally fissured, the ridges exfoliating in rectangular plates, inner bark pinkish, rapidly darkening on exposure to air, with some watery white latex. Flowers pale green or greenish-white, fruit ripening yellow or orange. Flowering in central Amazônia in July and August. A widely distributed species occurring from southem México through Central America to northem South America and Amazonian slopes of the Andes. In Brazil it is known from central Amazônia and also from along the Atlantic coast. It is a component of seasonal and everwet rainforest and extends up to 800 m altitude in montane forest. 22. VIII.1997 (fl) Assunção, P. A. C. L. et al. 623 (INPA K MG MO NY R RB SP U); 22. VIII. 1 997 ( íl) Assunção, P A. C. L. et al. 626 (COL F INPA K MG PEUFR SPF UFMT VEN); 22. VIII. 1997 (fl) Assunção, P. A. C. L et al. 630 (GH ICN INPA K MG P VIC); 16.11.1998 (fr) Assunção, P. A. C. L et al. 790 (INPA K MG MO NY RB SP U UB); 23. X. 1 997 (fl) Martins, LH.P.et al. 52 (ACRE GH IAN ICN INPA K S UPCB W); 21.VII.1997 (fl) Ribeiro, J. E. L. S. et al. 1904 (BM G IAN INPA K MBM UB UEC US); 2 1 .VIII. 1 997 (fl) Ribeiro, J. E. L S. et al. 1907 (B GH IAN ICN INPA K P UPCB VIC); 1 1 .1. 1 998 (fr) Sothers, C. A. & Assunção. P A. C. L 1085 (INPA). The venation of this species is similar to that of P. peruviensis, but they differ in the details of their floral structure, such as the pubescence of the sepals, proportions of corolla tube and lobes, length of staminal filaments. Rodrigutsia 57 (2): 251-366. 2006 SciELO/JBRJ L2 13 14 15 16 17 Flora da Reserva Ducke: Sapotaceae 303 6.21 Pouteria pentamera T. D. Penn., sp. nov. (section Franchetellá). Type: Brazil, Amazonas, Distrito Agropecuário, ca. 90 km NE of Manaus, Reserva 1501 (km 41), 2°24 S, 59°43’W, W. Spironello s.n. (holotype INPA n.v., isotype K). Fig. 15 i-m P. durlandii affinis sed nervis teríiaríis subtiliter reticulatis, ovário 5-loculari, antheris parvis differt. Arbor; stipulae nullae; folia 10—17.5 x 5-8.5 cm, late elliptica vel oblanceolata; nervi secundarii 10-13-jugi recti paralleli; fasciculi in axillis foliorum delapsorum enati; pedicelltis 3-5 mm longus; sepala 5, corolla cyathiformis, 4—4.5 mm longa, lobis 5; stamina 5; staminodia 5; ovarium 5- loculare, pubescens; fructus ca. 4 x 3.5 cm, ovoideus. TYee. Stipules absent. Young shoots finely appressed puberulous at fírst, soon glabrous, becoming pale greyish, cracked and scaling. Stipules absent. Leaves spirally arranged, 10.5- 17.5 x 5-8.5 cm, broadly elliptic to broadly oblanceolate, apex shortly attenuate to rounded, base acute to rounded, glabrous or sometimes with sparse minute appressed hairs on the lowersurface; venation eucamptodromous, midrib slightly raised on the upper surface, secondary veins 10-13 pairs, straight or slightly arcuate, parallel, intersecondaries absent, tertiaries obliqúe, quaternary reticulum prominent on the lower surface. Petiole 2- 4.6 cm long, channelled above, sparsely appressed puberulous. Fascicles mostly on twigs below the leaves, 2-5-flowered. Pediccl 3-5 mm long, appressed puberulous. Sepals 5, 3-3.5 mm long, broadly elliptic to oblong, apex obtuse to rounded, appressed puberulous on both surfaces. Corolla cyathiform, 4—4.5 mm long, tube slightly shorterthan the lobes, lobes 5, ovate, apex rounded; glabrous. Stamens 5, fixed at the top ofthe corolla tube, filamentscfl. 1 mm long, glabrous, anthers ca. 0.75 mm long, globose. Staminodes 5, ca. 1 .5 mm long, narrowly elliptic, acute, fleshy, glabrous. Disk absent. Ovary 5- locular, pulvinate, flat-topped, pubescent; style 1 .5- 2 mm long, glabrous, included, style head minutely 5-lobed. Fruit ca. 4 x 3.5 cm ovoid, apex obtuse, base truncate, smooth (wrinklcd when dry), puberulous. Seeds 1-several, ca. 2 cm long, ellipsoid, not or only slightly lateral ly compressed, testa smooth, ?shining; scar ? 2-3 mm wide, adaxial, full-lcngth. Embryo not seen. Field characters: Tree to 30 m high and 50 cm diam., unbuttressed. Bole cylindrical, bark dark greyish-brown, scaling in small thick irregular pieces, slash laminated orange-cream, with white latex. Flower with pale grcen corolla, fruit maturing yellow. Flowering August to October, fruit maturing November to December. Known only from central Amazonian Brazil, where it occurs in iowland rainforest on non-flooded land. It is a common tree in the PDBFF reserve. Not yet recorded from Reserva Ducke. Paratypes: PDBFF: Reserva km 4 1 , Oliveira et al. 186 (INPA K); Oliveira et al. 185 (INPA); Pennington et al. 13019 (INPA K); Pennington et al. 13170 (INPA K); Pennington et al. 12973 (INPA K); Reserva 1 301 (Fazenda Esteio), 2°23’S, 59°5 1 W, da Silva PDBFF 1301.4942.2 (INPA). Pouteria pentamera has a similar floral size and structure to P. durlandii and P. anteridata (Venezuela). It dilfers from P. durlandii in having a 5-locular ovary (2-locular in P. durlandii) and much smaller anthers. The leaf venation of the two species is also quite different. Pouteria pentamera has a fine reticulate higher order venation which is absent in P. durlandii. The leaf venation is also quite different from that of P. anteridata. 6.22 Pouteria jariensis Pires & T. . Penn., Fl. Ncotrop. 52: 331, fig. 72. 1990. Fig. 16 d-f Young shoots sparsely appressed puberulous. Leaves spirally arranged, 6.5-18 x 3.5-7.5 cm, elliptic, apex acute to narrowly attenuate, base narrowly attenuate or acute, coriaceous, glabrous; venation brochidodromous, midrib raised on the upper surface, secondary veins 9-10 pairs, parallel, arcuate, intersecondaries short or absent, tertiaries few, reticulate and obliqúe, slightly impressed on both surfaces. Petiole 0.5-2 cm RodriguJsia 57 (2): 251-366. 2006 SciELO/JBRJ L2 13 14 15 16 17 304 Pennington, T D. long, not channelled, glabrous. Fascicles axillary and below the leaves, few-flowered. Pedicel 2-3 mm long, appressed puberulous. Sepals 5, 2.5-3 mm long, appressed puberulous outside, glabrous inside, ciliate. Corolla cyathiform, 4-5 mm long, tube about equalling the lobes, lobes 5, ciliate, glabrous. Stamens 5, fixed at the top of the corolla tube, glabrous. Staminodes 5, 1-2 mm long, lanceolate, glabrous. Ovary ovoid, 2-locular, pubescent, style included. Fruit 2.5-3 cm long, ellipsoid, apex and base obtuse to rounded, smooth, velutinous. Seeds 1-2, 1 .5-2 cm long, ellipsoid (plano-convex when 2 seeds in a fruit), not laterally compressed, testa smooth, adherent to the pericarp; scar adaxial, full-length, elliptic, 4.5-7 mm wide. Seed without endosperm. Field characters: Tree to 25 m high and 40 cm diam., with simple buttresses to 1.5 m high, bole often fluted near the base, bark brown, scaling in thin irregular pieces, slash yellowish, with a little watery white latex. Flowers pale greenish-white, fruit ripening yellow or orange. Flowering in central Amazônia in November, fruit maturing March to April. Not yet recorded from Reserva Ducke. PDBFF: Reserva km 41 , Oliveira et al. 215 (1NPA K); Alexandro 336 (INPA K); Freitas et al. F-439 (INPAK). Pouteria jariensis has a closely similar floral structure to P. durlandii , but can be easily distinguished from it by the details of its leaf venation, which is uniformly brochidodromous, with the higher order venation impressed on both surfaces. 6.23 Pouteria pallens T. D. Penn., Fl. Neotrop. 52: 335,fig. 72. 1990. Fig. 16 a-c Young shoots finely appressed puberulous, soon becoming glabrous. Leaves spirally arranged, 15-27 x 7-10.5 cm, broadly elliptic, apex narrowly attenuate to obtuse, base acute to obtuse, glabrous above, sparsely and minutely hairy below, indumentum of stiff closely appressed whitish hairs (visible only with a lens); venation eucampto-dromous or brochidodromous, midrib raised on the upper surface, secondary veins 10—15 pairs, parallel or slightly convergem, slightly arcuate, slightly raised on the upper surface, intersecondaries absent, tertiaries mostly obliqúe. Petiole 2- 4 cm long, not channelled, sparsely appressed puberulous. Fascicles 3— 10-flowered, axillary and clustered on twigs below the leaves. Pedicel 3-5 mm long, appressed puberulous. Sepals 5, ca. 4 mm long, ovate, appressed puberulous outside, glabrous inside. Corolla cyathiform, 5.5-6 mm long, tube ca. 2 mm long, lobes 5, ca. 2.5 mm long, ovate, margin truncate; glabrous. Stamens 5, fixed at the top of the corolla tube, anthers 1.75-2 mm long, glabrous. Staminodes 5, ca. 2.25 mm long, lanceolate-subulate, glabrous. Ovary ovoid, 2— locular, appressed puberulous, style ca. 2.25 mm long, glabrous, exserted in bud. equalling the corolla in open flowers. Fruit 2.3- 3 cm long, ellipsoid, apex and base rounded, smooth, finely puberulous. Seeds 1-2, ca. 2 cm long, apex and base obtuse, not laterally compressed, testa smooth, shining; scar adaxial, full-length, ca. 4 mm wide. Seed without endosperm. Field characters: Tree to 20 m high and 30 cm diam., with the trunk fluted at the base. Bark reddish-brown, scaling in small pieces, slash pink to orange with white latex. Flowers with pale green corolla, fruit maturing greenish. Flowering in central Amazônia from July to October, fruit maturing December to February. Known only from central and western Brazilian Amazônia where it is a mid-storey component of lowland rainforest on non- flooded sites. 1 7 X11. 1 993 (fr) Assunção, P.A.C.L5 (INPA K MG NY); 22.V11I.1997 (fl) Assunç ão, P.A.C.L et ai 633 (INPA K MG MO NY R RB SP U); 21 .VII. 1997 (fl) Ribeiro, J. E. L S. et al. 1905 (INPA K MBM MG MONYRRB SPUU). Pouteria pallens is related to P. durlandii and P. jariensis , but differs from both in the fine whitish appressed indumentum on the lower leaf surface. It also differs in the detail of the higher order venation. Rodriguésia 57 (2): 251-366. 2006 SciELO/ JBRJ, L2 13 14 15 16 17 cm Flora da Reserva Ducke: Sapotaceae 305 virescens - g. hubit; h. seed (FDBG 5547); i. 1/2 flower (FDBG 424H). Rodriguésia 57 (2): 251-366. 2006 SciELO/JBRJ 12 13 14 15 16 17 306 Pennington, T. D. 6.24 Pouteria virescens Baehni, Candollea 14: 66. 1952; Pennington, T. D., Fl. Neotrop. 52: 337, fig. 72. 1990. Fig. 16 g-i Young shoots appressed puberulous. Leaves spirally arranged, 5.5-1 1 x 4-5.8 cm, obovate to elliptic, apex rounded or truncate, base obtuse to truncate, coriaceous, sparse appressed indumentum on the lower midrib or glabrous, venation mostly brochidodromous, midrib flat or only slightly raised on the upper surface, secondaries 6-8 pairs, straight or arcuate, parallel or slightly convergem, slightly impressed on the upper surface, intersecondaries moderate to long, tertiaries forming a lax reticulum which is sharply prominent on the lower surface. Petiole 1.5-1. 7 cm long, not channelled, appressed puberulous. Fascicles axillary and below the leaves, 3-6-flowered. Pedicel 3-4 mm long, appressed puberulous. Flowers unisexual (plant dioecious). Sepals 5, ca. 4 mm long (male), ca. 2.5 mm long (female), appressed puberulous outside. Corolla cyathiform, (male) ca. 5 mm long, tube shorter than the lobes, (female) ca. 3 mm long, tube equalling the lobes, lobes 5, glabrous! Stamens 5, fixed at the top of the corolla tube, glabrous, absent in female flower. Staminodes 5, (male) 2.5-3 mm long, (female) ca. 1 mm long, lanceolate-subulate, glabrous. Ovary conical, 2-locular, stiff-pubescent, style included. Fruit 4—5 cm long, ellipsoid to obovoid, apex obtuse to rounded, base truncate, smooth, velutinous. Seeds 2, 2.5-3 cm long, ellipsoid! slightly plano-convex, testa smooth, shining! adherent to the pericarp; scar adaxial, full-length, elliptic, ca. 8 mm wide. Field characters: Tree to 30 m high and 50 cm diam., with buttresses to 2m high. Bole often fluted. Bark reddish-brown, fissured, the ridges exfoliating in rectangular pieces, slash yellowish, with slow to appear white latex. Flowers yellowish-white and fruit ripening reddish- orange. Flowering in central Amazônia in September and October, the fruit maturing in March. Seed without endosperm. From the Guianas to central Amazonian Brazil, in mixed rainforest on non-flooded land. 1.X.1957 (st) Ferreira, £. 726 (INPA); 19.IX.1997(fl) Martins. LH.P. etal. 43 (LAN INPA K MO NY RB SP U UB): 1 9.IX. 1 997 (fl) Martins. LH.P. etal. 49 (G LAN INPAK); 7 .III. 1 9% (fr) Sothers, C.A. & Assunção, P A. C. L 818 (INPA K MG MO NY R RB SP U). PDBFF: Reserva km 41 .Oliveira etal. 146 (INPA K); Pennington et al. 13093 (INPA K). Pouteria virescens is distinguished from P. durlandii and other species with the same floral structure by the rather short, broad leaves with a rounded apex, the very open, lax tertiary venation and the large velutinous fruit. 6.25 Pouteria williamii (Aubrév. & Pellegr.) T. D. Penn., Fl. Neotrop. 52: 338, fig. 74. 1990. Fig. 17 a-d Eremoluma williamii Aubrév. & Pellegr., Adansonia 1: 169, pl. 8. 1962. Young shoots subglabrous. Leaves spirally arranged, 7-1 2 x 3.5-6.5 cm, elliptic to obovate, apex rounded to emarginate, base obtuse to narrowly attenuate, coriaceous, glabrous; venation cucamptodromous to brochidodromous, midrib slightly raised on the upper surface, secondary veins 8—10 pairs, parallel, slightly arcuate or straight, rather uneven, intersecondaries moderate to long, tertiaries forming a lax open reticulum. Petiole 5-12 mm long, not channelled, glabrous. Fascicles axillary and below the leaves, 3—10- flowered. Pedicel 6-12 mm long, finely appressed puberulous. Sepals 5, 2-3 mm long, Finely appressed puberulous outside, shortly ciliate. Corolla cyathiform, 3-4 mm long, tube slightly shorter than the lobes, lobes 5, glabrous. Stamens 5, fixed in the lower half of the corolla tube, glabrous. Staminodes 5, 0.3— 0.5 mm long, subulate, glabrous. Ovary broadly ovoid, 2-locular, densely pubescent with crisped hairs, style included. F ruit ca. 4x3 cm, ellipsoid, apex acute. base obtuse, smooth, velutinous. Seed solitary, ta. 2.3 x 2 cm, broadly ellipsoid, not laterally compressed, testa smooth, matt, adherent to the pericarp; scar adaxial and extending around the base of the seed, very broad, covering more than half the seed surface. Seed without endosperm. Field characters: Tree to 20 m high and 40 cm diam., with small concave buttresses, bole fluted, bark dark brown, thinly scaling and with RodriguSsia 57 (2): 251-366. 2006 SciELO/JBRJ 12 13 14 15 16 17 cm Flora da Reserva Ducke: Sapotaceae 'igura 17 - a-d. Pouteria williamii - a. habit; b. flowcr; c. nnther V/2 ílowcr (Ribeiro ? )• e*j. Pouteria flavilatex - , coro.la (Schultz 7326* o. sccd 906); j. fruit; 1. section of ovary ( Ribeiro 1197). FDBG 2362). Rodriguésia 57 (2): 251-366. 2006 SciELO/JBRJ 12 13 14 15 16 17 cm .. 308 prominent lenticels in horizontal rows, slash yellowish with sparse translucent yellowish latex. Flowers with pinkish-yellow corolla and fruit covered with golden-brown velvety tomentum. Flowering in central Amazônia in September and October. The Guianas to central Brazilian Amazônia, in wetter low lying areas of rainforest often near streams. 26.IX.1957 (fl ) Ferreira, E. WH (INPA); 28.X. 1 994 (bd) Sothers, C. A. & Silva, C. F. da 253 (INPA K MG MO NY R RB SP U); 2.XI1. 1 997 (fr) Souza, M. A. D. de et al. 477 (IAN INPA K MO NY RB SP U UB). The leaf morphology of this species is similar to that of P virescens, except that the secondary veins are uneven (not straight). They differ in the fine details of floral morphology, for example the staminodes of P. williamii are much smaller than those of P. virescens and the anther structure is quite different.The seed and seed scar of P. williamii are broader than those of P. virescens. 6.26 Pouteria flavilatex T. D. Penn., sp. nov. (section Franchetella). Type: Brazil, Amazonas, Manaus- Itacoatiara, km 26, Reserva Ducke, August 1997, fl., J.E.LS. Ribeiro et al. 1906 (holotype INPA, isotype K). Fig. 17 i-j P. durlandii et P. williamii affinis sed latice cortici flavo, stipulis parvis et foliorum pagina inferiore adpresse sericea, pilis chrysobrunneis differt. Arbor, stipulae ca. 3 mm longae, ovatae; folia 9-15 x 4-6.8 cm, late oblanceolata; nervi secundarii 13-15-jugi recti parai leli; fasciculi in axillis foliorum delapsorum enati; pedicellus 3-5 mm longus; sepala 5; corolla cyathiformis, 4-4.5 mm longa, lobis 5; stamina 5; staminodia 5; ovarium 2-loculare; fructus 4-4.5 cm longus, ovoideus. IVee. Young shoots appressed puberulous with golden-brown indumentum, soon glabrous, Pale grey. Stipules ca. 3 mm long, ovate, appressed puberulous, caducous. Leaves spirally arranged, 9-15 x 4-6.8 cm, broadly Pennington, T. D. oblanceolate, apex obtuse or rounded, base acute, upper surface glabrous, lower surface finely golden-brown-sericeous; venation eucamptodromous, midrib slightly sunken on the upper surface, secondary veins 13-15 pairs, straight, ascending, parallel, intersecondaries absent, tertiaries obliqúe, parallel. Petiole 1 .5- 2.2 cm long, not or only slightly channelled at the apex, appressed puberulous. Fascicles 5— 10-flowered densely clustered on twigs below the leaves. Pedicel 3-5 mm long, appressed puberulous. Sepals 5, 2.5-3 mm long, ovate to suborbicular, appressed puberulous on both surfaces. Corolla cyathiform, 4-4.5 mm long. tube about equalling the lobes, lobes 5, ovate to broadly oblong, apex rounded, not ciliate, glabrous. Stamens 5, fixed in the upper half of the corolla tube, filaments stout, 0.75-1 mm long, glabrous, anthers 0.7— 1.2 mm long, broadly ovate and flattened dorso-ventrally, glabrous. Staminodes 5, 1.2— 2 mm long, lanceolate- subulate, glabrous. Disk absent. Ovary 2-locular, pulvinate, densely pubescent, style ca. 1 mm l°ng< glabrous, included, style-head simple. Fruit 4—4.5 cm long, obovoid, base obtuse or rounded, base truncate, smooth, shortly velutinous. Seeds 1-several, ca. 2.3 cm long, ellipsoid, not laterally compressed, testa rough, not shining, adherent to the pericarp; scar adaxial, full-length, ca. 1 cm wide. Embryo with plano-convex cotyledons, radicle extending to the surface; endosperm absent. I* ield characters: Tree to 30 m high and 65 cm diam., with plank buttresses to lm high, lower part of bole often fluted, cylindrical above. Bark brown, scaling in small thin, irregular pieces, slash pinkish-brown, with yellow latex. Flowers scented, with green calyx, corolla reddish-pink, the lobes with white margins. Fruit brown (dry). Flowering has been recorded in August and November, and mature fruit collected in February. So far known only from Pará and central Amazônia, Brazil, where it is a canopy tree of non-flooded lowland rainforest. Paratypes: 22.VIII.1997 (bd) Assunção, P.A.C.L et al. 627 (K); 9.II. 1 994 (fr) Ribeiro, J. E. L S. et al. U97( INPA K MG MO NY RB SP); 2 1 .VIII. 1 997 (fl) Rodrigutúa 57 (2): 251-366. 2006 SciELO/JBRJ L2 13 14 15 16 17 cm Flora da Reserva Ducke: Sapotaceae Ribeiro , J. E. L S. etal. / 9(96 (K); 21. VIII. 1997 (bd) Ribeiro, J. E. L S. et al. 1909 (K). Pouteria flavilatex is placed in the group of species containing P. durlandii , P. jariensis , P. virescens and P williamii, all of which share a similar floral structure and broad seed scar. Pouteria flavilatex is closest to P. williamii in floral size. It is easily distinguished from all these species, however, both in the field and herbarium, by the presence ot yellow latex in the slash, the presence of small caducous stipules and by the golden brown appressed indumentum on the lower leaf surface. Pouteria flavilatex is one of the few species of Pouteria with a red corolla. 6.27 Pouteria engleri Eyma, Recueil Trav. Bot. Néerl. 33: 178. 1936; Pennington, T. D., Fl. Neotrop. 52: 343. 1990. Fig. 17 1-n Young shoots finely appressed puberulous at first, soon glabrous. Leaves spirally arranged, 10-12 x 3.5-7 cm, elliptic to obovate, apex shortly attenuate, acute or rounded, base narrowly attenuate, glabrous; venation eucamptodromous, midrib slightly raised on the upper surface, secondary veins 6-8 pairs, strongly arcuate, convergent, intersecondaries mostly absent; tertiaries obliqúe to perpendicular. Petiole 0.6- 1.5 cm long, not channelled, appressed puberulous to glabrous. Fascicles axillary and below the leaves, 10-20- flowered. Pedicel 3-8 mm long, finely appressed puberulous. Sepals 5, 2- 2.5 mm long, sparsely appressed puberulous outside, sericeous inside, ciliate. Corolla shortly tubular, 3.5-4 mm long, tube equalling or exceeding the lobes, lobes 5, glabrous. Stamens 5, Fixed in the lower half of the corolla tube, glabrous. Staminodes 0-5, minute, glabrous. Ovary conical, gradually tapering into the style, 5-locular, densely pubescent, style exserted (and elongating further after the corolla falis). Fruit 2-2.5 cm long, ellipsoid, apex and base rounded, fleshy (shrinking on drying), smooth, glabrous. Seed solitary, 1.8—2 cm long, ellipsoid, slightly laterally compressed, testa shining, slightly wrinkled; scar adaxial, full-length, ca. 2 mm wide. Seed without endosperm. 309 Field characters: Tree to 40 m high and 1 m diam., with simple or branched buttresscs to 2 m high, bole cylindrical, bark reddish-brown to greyish-brown, shallowly fissured or scaling, sometimes with lenticels in vertical rows, slash orange-brown, with scarce white latex. Flowers greenish-white, fruit maturing orange-yellow, the seeds surrounded by soft sweet pulp. Flowering in central Amazônia in September and October. From the Guianas to central and eastem Brazilian Amazônia, in lowland forest on non- tlooded land. In Reserva Ducke it also occurs in wetter areas in the ‘floresta de baixio’. 6.III.1964 (fr) Rodrigues, W. & Monteiro, O. P. 5727 (INPA); 18.X. 1995 (fl) Vicentini, A. & Silva, C. F. 1086 (INPA K MG MO N Y RB SP). Pouteria engleri is charactcrized by the relatively broad leaves which usually dry blackish, with few secondary veins, and by the sepals which are sericeous on the inner face and the exserted style. The flowers often lack staminodes, a feature it shares with P. anômala. 6.28 Pouteria stylifera T. D. Penn., sp. nov. (section Franchetella). Type: Brazil, Amazonas, road Manaus to Caracaraí, km 57, September 1977, fl., C. Damião & A. Mota 675 (holotypc INPA). Fig. 18 a-e P. engleri affinis sed foliis parvis, anguste ellipticis vel oblanceolatis, apice attenuato, et floribus diminutis differt. Arbor; stipulae nullae; folia 3.7-7 x 1.6-3 cm, elliptica vel oblanceolata; nervi secundarii 9-10-jugi, arcuati, convergentes; fasciculi axillares et in axillis foliorum delapsorum enati; pedicellus 2-3 mm longus; sepala 5; corolla tubularis, ca. 3 mm longa, lobis 5; stamina 5; staminodia nulla; ovarium 5-loculare; fruetus (leviter immaturus) ca. 1.5 cm longus. Trec. Stipules absent. Young shoots finely appressed puberulous with golden hairs, becoming glabrous, grcyish, smooth and lenticellatc. Stipules absent. Leaves spirally arranged, 3.7—7 x 1.6-3 cm, elliptic or oblanceolate, apex narrowly attenuate, less frequcntiy acute, base narrowly attenuate, Rodriguésia 57 (2): 251-366. 2006 ;SciELO/ JBRJ 12 13 14 15 16 17 310 Pennington, T. D. glabrous; venation eucamptodromous, midrib raised on the upper surface (rounded in section), secondary veins 9-10 pairs, arcuate, convergent, intersecondaries few, moderately long, or absent, tertiaries reticulate, obscure. Petiole 3^4 mm long, not channelled, glabrous. Fascicles 5-20-flowered, axillary and densely clustered below the leaves. Pedicel 2-3 mm long, sparsely appressed puberulous. Sepals 5, 1-1.5 mm long, ovate to suborbicular, apex obtuse to rounded, sparsely puberulous outside, sericeous inside. Corolla ca. 3 mm long, tubular, tube slightly exceeding the lobes, lobes 5, margin rounded or truncate, glabrous. Stamens 5, fixed about halfway up the corolla tube, filaments 1-1.5 mm long, glabrous, anthers ca. 0.5 mm long, ovate, glabrous. Staminodes absent. Disk absent. Ovary 5- locular, globose, ca. 1 mm diam., densely pubescent, style tapering from base to apex, ca. 3 mm long, exserted in bud and long exserted in open flower, glabrous, style-head minutely lobed. Fruit ca. 3 cm long, ellipsoid, apex obtuse with persistem style base, base obtuse, smooth, leathery-fleshy, glabrous, shining. Seed solitary, ca. 2.2 cm long, laterally compressed, apex and base acute, testa rough and slightly verrucose; scar adaxial, full length, ca. 4 mm wide. Embryo not seen. Field characters: Tree to 30 m high and 70 cm diam. with small concave buttresses, bole fluted at the base, cylindrical above. Bark slightly dippled near the base, otherwise smooth, dark brown, slash with some white latex. Flowers yellowish-green, young fruit green, with copious sticky white latex. Flowering June to September, immature fruit in November. So far known only from collections in central Amazonian Brazil in the region of Manaus. It is frequent in the forests of the PDBFF Reserves north of Manaus. The species is recorded only from non-flooded forest. Not recorded from Reserva Ducke. Paratypes: PDBFF: Fazenda Dimona, Kukle 67 (K)\ Pereira et al. s.n. PDBFF2303.2966 (1NPA); da Silva s.n. PDBFF2303. 1381.2 (INPA); Reserva km 41, Freitas F-459 (INPA K). Pouteria stylifera is close to P. engleri and shares with it the lack of floral staminodes. The new species is well characterized by the very small narrowly elliptic or oblanceolate leaves with an attenuate apex. The leaves have more secondary veins that P. engleri , and the flowers are much smaller, with the distinctive tapered style about 3 times the length of the ovary. It also differs from P. engleri in its rough, verrucose seed. 6.29 Pouteria anômala (Pires) T. D. Penn., Fl. Neotrop. 52: 344. 1990. Fig. 18 f-h Chrysophyllum anomalum Pires, Boi. Técn. Inst. Agron. N. 38: 34. 1960. Young shoots finely and sparsely appressed puberulous, soon glabrous. Leaves spirally arranged, 7-10 x 2-4 cm, narrowly elliptic, less frequently oblong, apex narrowly attenuate to acuminate, base narrowly attenuate, glabrous; venation brochidodromous with a strong submarginal vein, midrib slightly raised on the upper surface, secondary veins 15-20 pairs, parallel, slightly arcuate, intersecondaries numerous, long, often extending to near the margin, tertiaries reticulate and tending to perpendicular. Petiole 5-7 mm, not or only slightly channelled, subglabrous. Fascicles axillary and below the leaves, 3— 10-flowered. Pedicel 4—6 mm long, sparsely appressed puberulous. Sepals 5, ca. 2 mm long, subglabrous outside, sericeous inside, inner ones ciliate. Corolla shortly tubular, 3-3.5 mm long, tube about equalling the lobes, lobes 5, glabrous. Stamens 5, fixed in the lower half of the corolla tube, glabrous. Staminodes absent. Ovary gradually tapering into the style, 3-5-Iocular, appressed puberulous, style exserted. Fruit 2— 3- cm long, globose or ellipsoid, rounded at base and apex, smooth, glabrous. Seed solitary, 1 .8— 2 cm long, broadly ellipsoid, testa smooth, shining; scar adaxial, full-length, 5—9 mm wide. Seed without endosperm. Field characters: Tree to 35 m high and 70 cm diam., with branched, slightly convex buttresses to 2 m high, bole cylindrical, bark greyish-brown, finely vertically cracked, slash orange to reddish-brown, granular, with sticky Rodriguésia 57 (2): 251-366. 2006 SciELO/JBRJ L2 13 14 15 16 17 Flora da Reserva Ducke: Sapotaceae 311 L. u n „r. „ m nnwer. d ovary; e. lcaf undcrsurface (da Silva s.n. iree Figura 18 - a-e. Paute ria stylifera - a. hab.t; b_ flo ' & C()êlho 7586)- g. 1/2 flower (Lissott 75/77)', h. sccd number 2305. 1381.2). f-h. Poutena anómala - f. habit (Kodriftue (Moore 58). i-1. Pouteria elegans - i. habit; j. seed (Magtare & Wurdack 34994), 1. 1/2 flowc Rodriguésia 57 (2): 251-366. 2006 SciELO/JBRJ 12 13 14 15 16 17 cm 312 white latex. Flowers greenish-white, fruit ripening reddish. Flowering in central Amazônia in October. From Southern Venezuela to central Amazônia and Pará, in lowland forest on non- flooded land. 3 1 .X. 1997 (fl) Ribeiro, J. E. LS.& Pereira, E. da C. 1943 (BM G LAN INPA K MBM UB UEC US); 29.XII.1965 (fr) Rodrigues, W. & Monteiro, O. P. 7376 (INPA); 17.III.1966 (fr) Rodrigues, W & Coelho, D. 7586 (INPA); 4.X. 1995 (fl) Sothers, C. A. et al. 598 (INPA K MG MO NY RB SP U); 16.XII.1997 (fr) Sothers, C. A. & Pereira, E. C. 1068 (INPA K MG MO NY RB SP U UB). PDBFF: Kukle 99 (K); da Silva s.n. PDBFF 2303.3306.2. This species is easily recognized by the rather slender leaves with brochidodromous venation, numerous parallel secondary veins and a conspicuous submarginal vein. The floral structure is close to that of P. engleri, and it shares with this species the lack of staminodes and the long exserted style. Section Oxythece (Miq.) Eyma 6.30 Pouteria elegans (A.DC.) Baehni, Candollea9: 197. 1942; Pennington, T. D..F1. Neotrop. 52: 346, fíg. 75. 1990. Fig. 18 i-1 Sideroxylon elegans A.DC. in DC., Prodr. 8: 183. 1844. Young shoots minutely appressed puberulous at first, soon glabrous. Leaves spirally arranged, 8.5-17.5 x 2.5-6 cm, elliptic or broadly oblong, apex obtuse to rounded, base narrowly attenuate to obtuse, coriaceous, greyish-glaucous below, glabrous or with sparse minute pale appressed hairs in the lower surface; venation obscure, brochidodromous, sometimes with a submarginal vein, midrib sunken on the upper surface, secondary veins 15-22 pairs, straight, parallel, sometimes slightly impressed on the upper surface, intersecondaries long, often extending to the margin, tertiaries few, parallel to the secondaries. Petiole 1-2 cm long, slightly channelled, glabrous. Fascicles axillary and below the leaves, 5-10-flowered. Pedicel 7—9 mm long with scattered minute appressed hairs. Flowers unisexual (plant dioecious). Pennington, T. D. Sepals 5, 2-3 mm long, with scattered minute appressed hairs outside, glabrous inside. Corolla cyathiform to shortly tubular, 2.5-3 .5 mm long, tube about equalling the lobes, lobes 5, glabrous. Stamens 5, fixed in the lower half of the corolla tube, glabrous; anthers absent in female flowers. Staminodes 0-2, usually rudimentary, glabrous. Ovary ovoid or flattened, 2-locular pubescent, style included. Fruit 3-3.5 cm long, narrowly oblong or ellipsoid, apex acute to narrowly attenuate, base rounded to tapered, smooth, appressed puberulous with golden- brown hairs. Seed solitary, 2-3 cm long, narrowly oblong or ellipsoid, not laterally compressed, testa smooth, pale, shining; scar adaxial, full-length, 1-4 mm wide. Seed without endosperm. Field characters: Tree to 20 m high and 35 cm diam., with brown fissured bark and copious sticky white latex. Flowers scented, greenish- white, fruit maturing greenish-brown. Flowering in central Amazônia August to October, fruit maturing April to May. Throughout the drainage of the Amazon from Pará to Southern Venezuela and Colombia. A common riverside tree, usually found in periodically or permanently flooded forest (in both black and white water) also occasionally from savanna. Not recorded from Reserva Ducke. AMAZONAS: Manaus, Rio Tarumã-Mirim, erreira 226 (K); Manaus, Rio Tarumã- Açú, Nelson 1258 (K); Rio Cuieiras, Mori & Gracie 19264 (K). This species is close to P. cuspidata but may be distinguished from it by the rounded leaf apex (acute to attenuate in P. cuspidata), sunken midrib (midrib raised in P. cuspidata) and slender fruit with acute or attenuate apex (fruit broader, apex rounded in P. cuspidata). 6.31 Pouteria cuspidata (A. DC.) Baehni, Candollea 9: 23 1 . 1942; Pennington, T. D.. Fl. Neotrop. 52: 349, fig. 75. 1990. Sideroxylon cuspidatum A. DC. in DC., Prodr. 8: 183. 1844. Young shoots minutely appressed puberulous at First, soon glabrous. Leaves Rodriguttsia 57 (2): 251-366. 2006 SciELO/JBRJ 12 13 14 15 16 17 Flora da Resenha Ducke: Sapotaceae 313 spirally arranged, 5-13.5 x 2.5-6 cm, elliptic to oblanceolate, apex usually acute to attenuate, base narrowly attenuate, usually coriaceous, upper surface glabrous, lower suríace sometimes glaucous, with closely appressed pale or golden indumentum or glabrous; venation obscure, brochidodromous, sometimes with a submarginal vein, midrib slightly raised on the upper surface, secondary veins 1 5-20 pairs, straight, parallel, usually slighüy impressed on both surfaces, intersecondaries long, often extending to near the margin, tertiaries obscure, parallel to the secondaries. Petiole 0.5-1 .5 cm long, not channelled, subglabrous. Fascicles axillary and below the leaves, 5-10-flowered. Pedicel 5-7 mm long, appressed puberulous. Flowers unisexual (plant dioecious). Sepals 5, 2-2.5 mm long, sparsely and minutely appressed puberulous outside, glabrous inside. Corolla cyathiform or shortly tubular, 3-3.5 mm long, tube about equalling the lobcs, lobes 5, glabrous. Stamens 5, fixed near the top of the corolla tube, glabrous, absent in fcmale flowers. Staminodes 0-3, usually vestigial, glabrous. Ovary truncate or conical, 2-locular, shortly pubescent, style included. Fruit 2-3 cm long, ellipsoid or obovoid, apex rounded, base acute, smooth, with residual appressed indumentum. Seed solitary, 1.2-2. 5 cm long, ellipsoid, laterally compressed, testa smooth, shining; scar adaxial, full-length and sometimes extending around the base of the seed, 1-3 mm wide. Seed without endosperm. Panama, across northem South America to Goiás and Mato Grosso, Brazil. Key to the subspecies of Pouteria cuspidata lower surface glaucous and glabrous, secondary veins not impressed 31a. P. cuspidata subsp. cuspidata long lower surface not glaucous, often with appressed golden-brown indumentum, usually slightly impressed on both surfaces 31b. P cuspidata subsp. dura 1. Leaves 7-13.5 cm long on the lower surface 1 . Leaves 5-8 cm secondary veins 6.31a Pouteria cuspidata (A. DC.) Baehni subsp. cuspidata ; Pennington, T. D., Fl. Neotrop. 52: 350, fig. 75. 1990. Fig. 19 a-d Field characters: Tree to 30 m high and 60 cm diam., with slender buttresses to 1.5 m high, bole fluted, bark smooth or granular, pale greyish brown, slash pinkish with white latex. Flowers scented, pale greenish-white, fruit ripening yellowish-green to orange. Flowering in central Amazónia September to November, fruit maturing March to April. Colombia, Venezuela and the Guianas to Amazonian Brazil, Peru and Bolivia. Usually along riversides, near waterfalls or in periodically or permanently flooded forest. Tree nutnber 667 (INPA). AMAZONAS: Manaus, Ponta Negra, Ducke 1743 (K); Rio Negro, above Camanaus, P rance et al. 16023 (K). 6.31b Pouteria cuspidata (A. DC.) Baehni subsp. dura (Eyma) T. D. Penn., Fl. Neotrop. 52: 352, fig. 75. 1990. Fig. 19 e Pouteria dura Eyma, Recueil Trav. Bot. Neérl. 33: 187. 1936. Field characters: Tree to 30 m high and 50 cm diam., with small buttresses to 1 m high. Bole cylindrical, bark smooth or finely cracked, slash orange-brown, with cream or white latex, sometimes smelling of almonds. Flowers greenish-white, scentcd, fruit maturing yellowish, with some brown indumentum. Flowering in central Amazónia from June to September, fruit maturing in February and March. Panama across northem South America to the Guianas, and south across Amazónia to Peru. A plant of rainforest on non-flooded sites, ascending to 1250 m altitude. 1 X.1997 (fl) Assunção, P.A.C.L et al. 686 (BM G INPA K MBM MG UB UEC US); 29.IX. 1994 (fl) Rodriguésia 57 (2): 251-366. 2006 SciELO/JBRJ 12 13 14 15 16 17 cm ± 314 Hopkins, M. J. G etal. 1490(G IAN INPA K MBM MO R RB U); 24 .XI. 1 994 (fr) Nascimento, J. R. et aL 662 (INPA K MG NY SP); 29. VI. 1993 habi,; h. dctail of indumcntum (Marcano-Berti 26/); e. fruit; f. seed (D/ú; et al. 105^ ^ - . f , seed (Mori & pipoly 15409). m-q. Pouteria (Boom & Mori 1970); i. inflorescence (Black et al. 57-1 -J_ ’ . nowerbud; p. i/2 flowcr (Freitas 510); freitasii - m. habit; n. indumcntum on lcaf lowcr surface (Rtbetro 1919). o. Ilowcr P q. young fruit; r. section of ovary (Souza 508). Rodriguésia 57 (2): 251-366. 2006 !scíelo/jbrj 12 13 14 15 16 17 338 Pennington, T D. herbarium, that enable it to be distinguished at a glance. The thin papery reddish-brown bark is unlike that of any other Sapotaceae, and in the herbarium the long petioles and pale undersurface, acuminate or caudate leaf tip form a distinctive combination. 6.55 Pouteria freitasii T. D. Penn., sp. nov. (section Pouteria). Type: Brazil, Amazonas, Manaus, Distrito Agropecuário, Reserva 1501 (km 41), August 1990, fl., M. A. de Freitas 510 (tree 324) (holotype INPA n.v., isotype K). Fig. 26 m-q P. filipes affinis sed foliorum costa supra impressa, nervis quaternariis subtiliter areolatis, et floribus magnis differt. Arbor; stipulae nullae; folia 11-19 x 5-7.5 cm, late oblanceolata, infra adpresse pubescentia pilis chrysobrunneis; nervi secundarii 11-14-jugi, recti, paralleli; fasciculi plerumque axillares ; pedicellus 1- 1.5 mm longus; sepala 4; corolla tubularis, ca. 6 mm longa, lobis 4; stamina 4; staminodia 4; ovarium 4-loculare, pubesçens. Tree. Young shoots appressed pubescent with golden brown hairs, eventually becoming glabrous, pale greyish. Stipules absent. Leaves spirally arranged, 11-19 x 5-7.5 cm, broadly oblanceolate, apex narrowly attenuate or cuspidate, base acute, glabrous above, closely and densely appressed pubescent below with golden-brown hairs; venation eucamptodromous, midrib sunken on the upper surface, secondary veins 1 1-14 pairs, straight or slightly arcuate, parallel, intersecondaries absent, tertiaries few, obliqúe, fine quaternary areolate reticulum visible on the upper surface (with lens). Petiole 1.3-3 cm long, slightly channelled above, appressed pubescent. Fascicles 3-5- flowered, mostly axillary. Pedicel stout, 1- 1.5 mm long, sericeous. Sepals 4, 4-4.5 mm long, outer pair broadly ovate, apex obtuse, innerpair orbicular; sericeous outside, glabrous inside. Corolla tubular, ca. 6 mm long, tube exceeding the lobes, lobes 4, ca. 1 .5 mm long, apex truncate, not ciliate, glabrous. Stamens 4, fíxed in the lower half of the corolla tube. filaments ca. 2.5 mm long, glabrous, anthers ca. 0.75 mm long, flattened dorso-ventrally, glabrous. Staminodes 4, 0.5-0.75 mm long lanceolate to ovate, glabrous. Disk absent. Ovary 4-locular, globose, densely pubescent, style ca. 3 mm long, glabrous, exserted, style- head simple or minutely 4-lobed. Fruit unknown. Field characters: Tree to 30 m high and 70 cm diam., bole fluted at the base, cylindrical above. Bark greyish-brown, or brown, regularly and narrowly flssured, outer slash dark brown, inner pinkish, with plentiful white latex. The leaves are golden-brown on the lower surface. Flowers with green corolla. Flowering in August. Known only from central Brazilian Amazônia, where it occurs in mixed rainforest on non-flooded sites. It is particularly common at the type locality were 48 individuais (10 cm DBH or greater) were recorded from a 25 hectare sample. Paratypes: 14.1.1998 (fr) Assunção, P. A. C. L. & Silva, C. F. 770 (K); 23.IX.1997 (ü) Ribeiro, J. E. L. S. & Assunção, P. A. C.L 1919 (K); 19.IX.1997 (0) Souza, M. A. D. 420 (K); 18.XII.1997 (fr) Souza. M. A. D. etal. 508 (K). PDBFF. Freitas F-503 (K); Pennington et al. 12649 (INPA K); Pennington et al. 12940 (INPA K); Pennington et al. 13004 (INPA K). Pouteria freitasii is one of the most easily recognized trees among central Amazonian Sapotaceae, on account of its distinctive bole and the golden-brown indumentum on the lower leaf surface. Its trunk is fluted at the base and the bark is characteristically narrowly and regularly fissured. In the herbarium sterile specimens may easily be confused with P. filipes, which has a similar indumentum, but the latter lacks the sunken midrib of P. freitasii and the fine areolate reticulum (visible on the upper surlace with a lens). The flowers of P. reitasii are about twice the size of those of P. filipes. The leaf venation and floral size and structure place this species firmly within the group of P. guianensis, P. hispida, P. decorticans, but it differs from all of these in the characteristic reddish-brown indumentum of the young shoots, leaves and inflorescence, in the sunken midrib of the leaves and in the finely areolate venation. Rodriguésia 57 (2): 251-366. 2006 SciELO/JBRJ .2 13 14 15 16 17 Flora da Reserva Ducke: Sapotaceae 339 Section Aneulucuma (Radlk.) T. D. Penn. 6.56 Pouleria procera (Mart.) T. D. Penn., Fl. Neotrop. 52: 504, fig. 1 16. 1990. Fig. 27 a-d Lucuma procera Mart., Flora 22, Beibl. 1:57.1839. Young shoots minutely puberulous at first, soon glabrous and scaling. Leaves spirally arranged, 6-12 x 2-4.5 cm, elliptic or lanceolate, apex narrowly attenuate or acuminate, base shortly and narrowly attenuate, glabrous; venation eucamptodromous, midrib flat or slightly raised on the upper surface, secondary veins 9-15 pairs, slightly convergent, arcuate, intersecondaries short to moderately long, tertiaries forming a loose reticulum. Petiole 5- 12 mm long, slightly channelled, glabrous. Fascicles axillary and on twigs below the leaves, 3-12-flowered. Pedicel 0.5-2 mm long, sometimes with 1-2 small bracts, sparsely appressed puberulous. Sepals 5-6, outer 1 .5— 2 mm long, inner 3-3.5 mm long, broadly ovate, sparsely appressed puberulous or glabrous outside, sericeous inside; ciliate. Corolla shortly tubular, 3-5.5 mm long, tube exceeding the lobes, lobes 5, broadly oblong, glabrous. Stamens 5, fixed at the top of the corolla tube, glabrous. Staminodes 5, 0.5-1. 5 mm long, lanceolate or subulate, glabrous. Ovary ovoid, 5-locular, densely pubescent, style slightly exserted in flower bud, equalling or exceeding the opcn corolla. Fruit 3.5—4 cm long, broadly obovoid, apex rounded, base attenuate, smooth, thin- walled (often shrinks on drying), with residual appressed puberulous indumentum. Seeds 1— 2, 2-3 cm long, broadly ellipsoid, rounded at base and apex, testa smooth to slightly verruculose, scar adaxial and extending around the base, 0.6- 1.2 cm wide. Seed without endosperm. Field characters: Tree to 45 m high and 1 m diam., larger specimens buttressed. Slash with white latex. The flowers have a yellowish green corolla, and the fruit ripens yellow or orange. Flowering in central Amazónia in February. Venezuela, Brazilian Amazónia to Peru and Bolivia, Coastal Brazil. lt occurs in lowland rainforest, frequently on periodically flooded land (restinga alta). Not recorded from Reserva Ducke AMAZONAS: Manaus, Careiro, Fróes 24061 (N Y); Amazonas, mouth of R. Embira, Krukoff5177 (A BM F K M MO NY RB US). Pouleria procera is the only species of section Aneulucuma in central Amazónia. The section is characterized by having a calyx of more than 5 sepals arranged in a spiral, 5- locular ovary and seed with a broad scar and frequently verrucose or pitted testa. Section Gayella (Pierre) T. D. Penn. 6.57 Pouteria eugeniifolia (Pierre) Baehni, Candollea 9: 218. 1942; Pennington, T. D., Fl. Neotrop. 52: 527, fig. 124. 1990. Fig. 27 e-g Micropholis eugeniifolia Pierre, Not. Bot. 40. 1891. Young shoots appressed puberulous to sericeous with reddish-ferrugineous hairs, soon glabrous. Leaves spaced, usually opposite, but often variable on the same shoot and then some spirally arranged, 4-10 x 2- 8 cm (leaves on sterile specimens may be 1.5-2 times this size), lanceolate, elliptic or oblong-elliptic, apex acute to attenuate, base narrowly attenuate, acute or rounded, glabrous or some reddish-ferrugineous appressed indumentum restricted to the midrib and veins below, often slightly glaucous below; venation brochido-dromous, midrib flat or slightly sunken on the upper surface, secondaries 15-18 pairs, widely spreading, straight, parallel, slightly impressed on the upper surface, intersecondaries long, extending from the submarginal loops to the midrib, tertiaries reticulate, tending to descend from the margin towards the midrib. Petiole 5—10 mm long, not channelled, appressed puberulous with reddish-ferrugineous hairs. Fascicles 5-10-flowered, axillary and elustered on twigs below the leaves. Pedicel 4-5 mm long, appressed puberulous. Sepals 5, 1-1.5 mm long ovate or triangular, puberulous outside. Corolla rotate, 2-2.5 mm long, tube shorter than the lobes, lobes 5. lanceolate, apex acute, appressed pubescent outside, glabrous Rodriguésia 57 (2): 251-366. 2006 SciELO/JBRJ L2 13 14 15 16 17 340 Pennington, T D. Figura 27 - a-d. Pouteria procera - a. habit ( Pinheiro 328); b. 1/2 flower (Santos 378); c. habit with fruit (Steyermark et al. 101941); d. seed ( Curran 25). e-g. Pouteria eugeniifolia - e. habit (Silva & Bahia 3093); f. flower; g. 1/2 flower (Maguire & Politi 28742). Rodriguésia 57 (2): 251-366. 2006 cm l .SciELO/ JBRJ 12 13 14 15 16 17 Flora da Reserva Ducke: Sapotaceae 341 inside. Stamens 5, fixed at the top of the corollatube, exserted, glabrous. Staminodes 5, 1.5-2 mm long, narrowly lanceolate, or subulate, glabrous. Ovary ovoid, 4-5-locular, appressed puberulous, style glabrous. Fruit 1.5-2 cm long, subglobose, apex rounded, base rounded or tapered, smooth, appressed puberulous with ferrugineous hairs. Seed solitary, 1-1.3 cm long, broadly ellipsoid, testa smooth; scar adaxial, 3-5 mm broad. Seed without endosperm. Field characters: Tree to 40 m high and 60 cm diam., larger specimens with simple or branched steep buttresses merging into a fluted bole, upper bole usually cylindrical. The buttresses sometimes run several metres from the trunk. Bark reddish-brown, scaling in large irregular pieces. Slash reddish-brown, with cream or cream-brown sticky latex. Flowers pale green, fruit brown. Flowering in central Amazónia recorded in May and September. Colombia, Venezuela and the Guianas and Amazonian Brazil. lt occurs in non- flooded rainforest up to an altitude of 1 000 m. 9.IX. 1 994 (fl) Assunção, P.A.C.L 49 (INPA K MG MO N Y R RB SP U); 2 1 . V. 1 997 (fl) Sothers, C. 4. 990 (BM G IAN INPA K MBM UB UEC US). Pouteria eugeniifolia is the only species of section Gayella in central Amazónia and is characterized by its rotate pentamerous flowers with exserted stamens. In the field it is distinctive because of the opposite (decussate) leaves which are usually glaucous below. 7. Chrysophyllum Chrysophyllum L., Sp. PI. 192. 1753; Cronquist, A. J. Buli. Torrey Bot. Club 72: 191. 1945; 73; 286. 1946. Unarmed trees. Stipules absent. Leaves altemate and distichous or spirally arranged. Venation brochidodromous or eucamptodromous, tertiary veins parallel to the secondaries and descending from the margin, or obliqúe and closely parallel or reticulate. Inflorescence axillary or ramiflorous. Flowers unisexual or bisexual. Calyx a single whorl of 5 sepals, sometimes accrescent in fruit. Corolla globose, campanulate or cylindrical, tube shorter than, equalling or longer than the Iobes, lobes 5, simple. Stamens 5, fixed in the lower or upper part of the corolla tube, included; anthers hairy or glabrous. Staminodes absent (minute staminodes present in C. pomiferum and C. durifructum ). Ovary (2-)5-locular, style included. Fruit 1-5-seeded. Seed laterally compressed and with a narrow adaxial scar, or not laterally compressed and then the scar broader, basi-ventral or adaxial; testa smooth and shining, or rough and then adherent to the pericarp; embryo with thin, foliaceous or thick flat cotyledons and exserted radicle; endosperm abundant. Forty three species in the Neotropics, ca. 15 in África, ca. 10 in Madagascar and 2-3 in Asia and the Pacific. Eleven species in Reserva Ducke and environs. Key to the species of Chrysophyllum of the Manaus area I. Leaves altemate and distichous, venation mostly brwhidodromous, seed K^broad.toiventnU. 2. Corolla sericeous; stamens fixed at the apex of the corolla tube. anthers glabrous — - 2. CorollFmoreor less glabrous; stamens fixed in lowe 1. Leaves spirally '^ngedrventóon êücamptodromous, seed scar narrow. adaxial, sometimes extending around the base of seed. 3 Seed coat roueh not shining, adherent to the pericarp. 4 Leavls broadly oblanceolate or obovate. pcrsis.en.ly rufous-brown 4. ÍT~r! no' veln^ota more than ,4 pai rs. RodrtRuésia 57 (2): 251-366. 2006 SciELO/JBRJ 2 13 14 15 16 17 18 cm .. Pennington, T. D. 5. Indumentum of young parts and lower leaf surface crisped or spreading not appressed secondary veins straight 7. c manaosens'e 5. Indumentum of young shoots and lower leaf surface appressed, secondary veins slightly arcuate. 6. Leaves 1 6-26 cm long, secondary veins 1 3-2 1 pairs, petiole 2-4.5 cm long fruit 4 5- 5 cm long, rough-skinned, without lenticels 6. C. colombianum 6. Leaves 9.3-17.5 cm long, secondary veins 10-13 pairs, petiole 1-2.2 cm long fruit 3- 4.5 cm long smooth, lenticellate .. 5. C. amazonicum 3. oeed coat smooth, shining, free from pericarp. 7. Sepals usually accrescent in fruit; seed scar adaxial and extending around the base 8. Leaf indumentum closely appressed or leaves glabrous 3. C. sanguinolentum 8. Leaf indumentum tomentose with ferugineous spreading hairs _ c " ; 4. C. ucuquirana-branca 7. Sepals not accrescent in fruit; seed scar adaxial, not extending around the base. 9. Young shoots, leaves and inflorescence densely golden or ferrugineous-tomentose with spreading hairs ^ „ ui C. eximium 9. Young shoots, leaves and inflorescence with closely appressed pubescence or glabrous 10. Corolla tube shoner than the lobes 11. C. lucmtifotmm 1 0. Corolla tube equalling or exceeding the lobes. 1 1 . Leaves mostly less than 1 0 cm long, venation mostly brochidodromous, secondary veins 7- 1 0 pairs, petiole 3-7 mm long 9. C. pomiferum 11. Leaves 1 1-28 cm long, venation eucamptodromous, secondary veins 1 1—16 pairs, petiole 2-4 cm long. 1 2. Leaves 13-28 x 6-12 cm, secondary veins slightly convergem, tertiary veins reticulate, sepals glabrous, staminodes present 10. C. durifructum 12. Leaves 11-15 x 4.5-6 cm, secondary veins parallel, tertiary veins obliqúe, sepals sericeous inside, staminodes absent 1 2. C. wilsonii Section Chrysophyllum 7.1 Chrysophyllum argenteum Jacq., Enum. Syst. Pl. 15. 1760; Pennington, T. D., Fl. Neotrop. 52: 543, fig. 1 26. 1 990. Fig. 28 a-d Young shoots sericeous, with golden- brown hairs, soon glabrous. Leaves altemate and distichous, 8-15x4-6 cm, broadly oblong or elliptic, apex obtusely cuspidate or narrowly attenuate, base acute to rounded, glabrous above, golden sericeous to subglabrous below; venation mostly brochidodromous, midrib sunken on the upper surface, secondary veins 10-16 pairs, parallel, straight or slightly arcuate, not impressed or raised on the upper surface, intersecondaries often long, tertiaries more or less parallel to the secondaries and descending from the margin, eventually forming a lax reticulum. Petiole 1-1.5 cm long, channelled, sericeous. Fascicles axillary, 5-10-flowered. Pedicel 3-5 mm long, sericeous. Flowers bisexual. Sepals 1.5— 2 mm long, sericeous outside. Corolla 4—5 mm long, tubular, tube much longer than the lobes, sericeous outside. Stamens fixed at the top of the corolla tube, glabrous. Ovary 5-locular, appressed puberulous, style-head conspicuously 5-lobed. Fruit 1-2.5 cm long, ellipsoid, apex and base acute to rounded, smooth, glabrous, fleshy. Seed solitary, 0.8-2 cm long, ellipsoid, slightly laterally compressed, testa smooth. shining; scar broad, basi-ventral. Field characters: Tree to 30 m high and 50 cm diam., but often flowering when only a few metres high. Large specimens have small rounded buttresses. Bark fissured, greyish, with pink or reddish slash and copious sticky w hite latex. Flowers pale greenish-cream and fruit ripening purplish-black. Flowering in central Amazônia mostly July to September, fruit ripening Novcmbcr to April. Rodriguésia 57 (2): 251-366. 2006 SciELO/JBRJ L2 13 14 15 16 17 cm Flora da Resen>a Ducke: Sapoiaceae 343 Figura 28 - a-d. Chrysophyllum argentam subsp. a ar atum- 4^^wJ(DeU^c7o & Lie.wer 7075)', c. fruit; d. seed (Bruijn 1389). e-i. C^'soffl!‘"' j""“eed {Bahia 50). j-m. Chrysophyllum colombianum - j. hubit; g. female flower (Aristeguieta&Lahbiente73l3),n. , ...... 1. 1/2 flower ( Castenada 4855)', m. seed (Pennington o\ t < a Rodriguésia 57 (2): 251-366. 2006 SciELO/JBRJ 12 13 14 15 16 17 344 Pennington, T. D. Southern Central America, northem and central South America to Ecuador and Peru, Caribbean islands. Five subspecies are recognized in C. argenteum, and that present in central Amazônia is subsp. auratum (Miq.) T. D. Penn., which has a distribution from Venezuela and the Guianas to central and western Amazônia. Subspecies auratum occurs in a wide range of forest types, both ever wet and seasonal, in both lowland and montane regions up to 1 600 m altitude. Not yet recorded from Reserva Ducke. PDBFF: Reserva km 4 1 , Lepsch Cunha et al. 740 (INPAK). Sterile specimens of C. argenteum are easily confused with C. sparsiflorum but in the latter the upper leaf surface is glossy and the secondary veins are slightly raised or slightly sunken above (matt upper surface in C. argenteum and secondary veins flat). The tertiary venation of C. argenteum is parallel to the secondary venation and descending from the margin of the leaf, whereas that of C. sparsiflorum forms a lax reticulum. See also under C. sparsiflorum for differences in flower and fruit. Section Villocuspis A. DC. 7.2 Chrysophyllum sparsiflorum Klotzsch ex Miq. in Mart., Fl. bras. 7 : 90. 1 863; Pennington, T. D., Fl. Neotrop. 52: 580, fig. 134. 1990. Fig. 28 e-i Young shoots Finely sericeous with golden hairs, becoming glabrous. Leaves alternate and distichous, 6.5-14 x 2.8-7 cm, elliptic, apex obtuse to narrowly attenuate, base obtuse to narrowly attenuate, upper surface glabrous, lower surface finely golden sericeous; venation mostly brochidodromous, midrib sunken on the upper surface, secondary veins 10-14 pairs, straight, parallel, slightly raised or slightly impressed on the upper surface, intersecondaries often long, tertiaries forming a lax reticulum. Petiole 1.3-1. 8 cm long, channelled, sericeous. Fascicles axillary, 5-25-flowered. Pedicel 6- 10 mm long, sericeous. Flowers unisexual (plant dioecious). Sepals 1-1.5 mm long, sericeous outside. Corollacyathifonn, 3.5-4 mm long, tube about equalling the lobes, glabrous. Stamens fixed near the base of the corolla tube, hairy; absent in female flowers. Ovary ovoid, pubescent, style- head obscurely lobed. Fruit 2.5-3 cm long, ellipsoid, apex and base rounded, smooth, glabrous, fleshy. Seed solitary, 2—2.3 cm long, ellipsoid, not laterally compressed, testa thick and woody, shiny; scar broad, covering the adaxial face of the seed. Field characters: Canopy tree to 40 m high and 40 cm diam., without buttresses. Bark brown, fissured or scaling in longitudinal strips, inner bark pink to red, with copious white latex. Flowers with green corolla and cream or reddish stamens, sometimes reported to have an unpleasant scent. The fruit mature yellowish. Flowering in central Amazônia November to December, fniit ripening ApriltoJune. Venezuela and Guyana to Maranhão and south to Rondônia and Mato Grosso, in mixed lowland rainforest on non-flooded land. 24. V. 1 967 (fr) Albuquerque, B. W. P de & Elias, J.61 (INPA); 6.XII. 1 996 (fl) Hopkins, M. J. G et al. 1614 (B GH INPA K MG P VIC); 4. VI. 1 993 (fr) Ribeiro, J. E. L S. etal. 829 (INPA K MG MO NY SP); 1 9.XI. 1 996 (fl) Ribeiro, J. E. L S. etal. 1 859 (BM G IAN INPA K MBM UB UEC US); 25.IV. 1 995 (fr) Sothers. C. 4. & Silva, C. F. 410 (G INPA K MBM MG R RB U US); 12.XI.I996 (fl) Sothers, C. A. & Silva, C. F. da 927 (COL F INPA K MG PEUFR SPF UFMT VEN); 18.XI.1996 (fl) Sothers, C. A. & Pereira. E. C. 932 (INPA K MG MO NY R RB SP U). Although very similar to C. argenteum in leaf morphology, this species is easily separated with flowers or fruit. The corolla of C. sparsiflorum is glabrous (sericeous in C. argenteum), the corolla is cyathiform with the tube and lobes about equal (corolla tubular, tube much longer than the lobes in C. argenteum), the seed has an adaxial scar (scar basi-ventral in C. argenteum). Section Ragala (Pierre) T. D. Penn. 7.3 Chrysophyllum sanguinolentum (Pierre) Baehni, Boissiera 11: 74. 1965; Pennington, T. D. , Fl. Neotrop. 52: 583. 1990. Young shoots finely appressed puberulous, becoming glabrous. Leaves spirally arranged, 1 2.5-30-6 x 1 5 cm, broadly elliptic, oblong-elliptic Rodrigu/sia 57 (2): 251-366. 2006 SciELO/JBRJ L2 13 14 15 16 17 Flora da Reserva Ducke: Sapotaceae 345 or obovate, apex obtuse to rounded or emarginate, base narrowly attenuate to rounded or truncate, upper surface glabrous, lower surface finely appressed puberulous with pale brown to silvery hairs, or glabrous; venation eucamptodromous, midrib and secondary veins sunken on the upper surface, prominent below, secondary veins 1 1-20 pairs, parallel, straight or slightly arcuate, intersecondaries absent, tertiaries numerous, obliqúe. Petiole 0.8-4 cm long, flat and often narrowly winged, appressed puberulous. Fascicles ramiflorous, 5-15- flowered. Pedicel 2-6 mm long, appressed puberulous. Flowers bisexual. Sepals 2-3 mm long, accrescent in fruit, appressed puberulous outside. Corolla 3-4 mm long, cyathifonn, tube shorter than the lobes, glabrous. Stamens fixed about halfway up or in the upper half of the corolla tube, glabrous. Ovary densely villose, style-head minutely lobed. Fruit subtended by the accrescent sepals, 2.5-6 cm long, globose, apex truncate or depressed, base rounded or truncate, smooth, glabrous or with some residual pubescence. Seeds several, 1 .5-2.5 cm long, laterally compressed, testa smooth, shining; scar narrow, adaxial and extending around the base. Northern and western South America to Amazonian Brazil. 1. 1. Key to the subspecies of Chrysophyllum sanguinolentum Lower leaf surface closely appressed puberulous with pale brown or silvery hairs; íruitmg calyx usually strongly accrescent (sepals strongly thickened, ca. 1 x 1.5 cm) •• ......... J } 3c. C. sanguinolentum subsp. balata Lower leaf surface gl abroü s; fruiting calyx weakly accrescent (sepals not or only weakly thickened, less than 1 cm long. , 2. Petiole usually less than 2 cm long, leaves elliptic to obovate, base usually tapered .......... y 3a. C. sanguinolentum subsp. sanguinolentum 2. Petiole 2^4 cm lon», leaves broadly elliptic with rounded or truncate base 3b. C. sanguinolentum subsp. spurium 7.3a Chrysophyllum sanguinolentum (Pierre) Baehni subsp. sanguinolentum; Pennington, T. D., Fl. Neotrop. 52: 583, fig. 136. 1990. Fig- 29 a_b Ragala sanguinolenta Pierre, Not. Bot. 60.1891. Field characters: Tree up to 40 m high and 60 cm diam., with simple, stout buttresses to 1 m high. Bark reddish-brown, scaling and leaving conspicuous dipples, the scales exfoliating to leave a reddish-orange surface. Slash pink or reddish, exuding copious sticky white latex. Flowers greenish, fruit pale brown, rough skinned; the inner layerof the pericarp is soft and fleshy. Flowering in central Amazónia in August. The fruit takes about six months to reach maturity. Southern Venezuela and the Guianas to central Amazonian Brazil and Amazonian Peru. A frequent tree in non-flooded forest. 1 .VII. 1 993 (fl) Ribeiro, J. E. L. S. et al. 968 (INPA K MG MO NY RB SP). PDBFF: da Silva PDBFF1301. 626.2. 7.3b Chrysophyllum sanguinolentum subsp. spurium (Ducke) T. D. Penn., Fl. Neotrop. 52: 585, fig. 136. 1990. Fig. 29c-e Ecclinusa spuria Ducke, Buli. Mus. Hist. Nat. (Paris), sér. 2, 4: 743. 1932. Field characters: Tree to 35 m high and 50 cm diam., with small buttresses. Bark brown, scaling in large plates and leaving conspicuous dipples. Slash pinkish with abundant sticky white latex. Flowers whitish, fruit maturing brown. Flowering in July in central Amazónia. Central and western Amazónia, in rainforest on non-flooded sites. 26.VII.1994 (fl) Nascimento, J. R. et al. 549 (INPA K MG MO NY R RB SP U); 26. VII. 1994 (11) Nascimento, J. R. etal. 550 ( G IAN INPAKMBM UB US)- 5.VI. 1993 (fr) Ribeiro, ./. E. L S. et al. 858 (INPA K MG MO NY SP); 4.X11. 1993 (fr) Vicentini, A. & Assunção, P. A. C. L. 385 (K). Rodrigudsia 57 (2): 251-366. 2006 2 3 4 5 6 SciELO/JBRJ L2 13 14 15 16 17 cm .. 346 7.3c Chrysopliyllum sanguinolentum subsp. balata (Ducke) T. D. Penn., Fl. Neotrop. 52: 587, fig. 136. 1990. Fig. 29 f-h Ecclimisa balata Ducke, Rev. Int. Bot. Appl. Agric. Trop. 10: 850. 1 930; Trop. Woods 31: 19. 1932. Field characters: Tree to 40 m high and 60 cm diam., with small buttresses. Bark greyish- brown, scaling and leaving conspicuous dipple marks. Slash rcddish with copious sticky white latex. Flowers cream-coloured, fruit maturing pale brown. Flowering April to July, fruit maturing in December. Central Amazonian Brazil to Amazonian Colombia and Peru and north to Venezuela and Guyana. In Reserva Ducke in non-flooded forest but elsewhere frequently collected on periodically flooded sites. 14. VIII. 1993 (fr) Ribeiro, J. E. L S. etal. 1151 (INPA K MG MO NY SP); 4.XII.1993 (fr) Vicentini, A. & Assunção, P. A. C. L 379 (INPA K MG RB U). 7.4 Chrysophyllum ucuquirana-branca (Aubrév. & Pellegr.) T. D. Penn., Fl. Neotrop. 52: 589, fig. 137. 1990. Fig. 29 i-j Ecclinusa ucuquirana-branca Aubrév. & Pellegr., Adansonia 1: 23. 1961. Young shoots ferrugineous-brown tomentose, becoming glabrous, and with prominent leaf and inflorescence scars. Lcaves spirally arranged, 13.5-24 x 7.5- 1 1 cm, broadly elliptic, apex shortly attenuate to rounded, base rounded or obtuse, slightly dccurrent, upper surface glabrous, lower surface uniformly crisped tomentose with ferrugineous hairs; venation eucamptodromous, midrib and secondary veins sunken on the upper surface, very prominent below, secondaries 13-21 pairs, parallel, slightly arcuate, intersecondaries absent, tertiaries numerous, obliqúe. Petiole 1. 5-2.5 cm long, fiat and narrowly winged, puberulous. Fasciclcs ramiflorous, 10-20- flowered. Pedicel 1-2 mm long, tomentose. Flowers unisexual (plant dioecious). Sepals 5- 6 mm long, accrescent and thickened in fruit to 1 .5 x 1 .5 cm, ferrugineous tomentose outside. Corolla (male) 5-6 mm long, lobes much longer than the tube, glabrous, (female) ca. 4 mm long. Pennington, T. D. Stamens fixed near the top of the corolla tube, glabrous, absent in female flowers. Ovary densely villose, style-head minutely lobed. Fruit subtended by the persistem accrescent calyx, 4.5-5 cm long, globose, apex depressed, densely rufous-villose. Seeds several, ca. 2 cm long, laterally compressed, testa smooth, shiny; scar adaxial and extending around the base of the seed, ca. 2 mm broad. Field characters: Tree to 30 m high and 45 cm diam., larger specimens with small buttresses. Bark dark brown, scaling and leaving dipple marks which are lenticellate. Slash reddish- brown, with abundant sticky milky latex. Flower pale green, fruit matures reddish. Flowering in central Amazônia July to November, fruit maturing in March. Central and northem Amazonian Brazil to southem Venezuela, in rainforest on non- flooded sites. 13. VII. 1994 (bd) Nascimento. J. R. & Pereira, E. C. 534 (INPA K MG MO NY RB SP); 7.III.1995 (fr) Nascimento, J. R. et al. 777 (INPA K MG MO N Y RB SP); 1 6.III. 1 966 (fr) Rodrigues. W. & Coêlho, D. 7570 (INPA); 31. III. 1966 (fr) Rodrigues, Vk & Coêlho, D. 7651 (INPA); 24. V. 1966 (fr) Rodrigues, W. & Coelho, D. 7864 (INPA). This species is similar in form to C. sanguinolentum but is easily recognized by the ferrugineous tomentose indumentum on the young parts and lower leaf surface, and by the dense reddish indumentum of the fruit. Section Prieurella (Pierre) T. D. Penn. 7.5 Chrysophyllum amazonicum T. D. Penn., Fl. Neotrop. 52: 595, fig. 140. 1990. Fig. 30 a-e Young shoots minutely appressed puberulous, soon glabrous. Leaves spirally arranged, 8-15 x 4-6.5 cm. oblanceolate or narrowly ovate, apex obtuse or rounded, base acute to narrowly attenuate, glabrous on both surfaces; venation eucamptodromous, midrib slightly raised on the upper surface, secondaries 10-12 pairs; parallel, straight or slightly arcuate, slightly prominent on both surfaces, intersecondaries absent, tertiaries numerous, obliqúe. Petiole 0.7—2 cm long, not channelled. Rodriguêsia 57 (2): 251-366. 2006 SciELO/JBRJ L2 13 14 15 16 17 Flora da Reserva Ducke: Sapotaceae 347 Figura 29 - a-b. Chrysophyllum sanguinolentum j ^oung^ 8J2J)/c. secd sanguinolennim subsp. spttnum - c. habu (St tu . f. habit; g. detail of Icaf indumcnlum íFrúct 5SJ); f;h- * stamens (Sita dl S~ «»• iS?52SSÍ5SS "«Li™ Rodriguésia 57 (2): 251-366. 2006 SciELO/JBRJ 2 13 14 15 16 17 18 cm .. 348 glabrous. Fascicles ramiflorous, 10-25- flowered. Pedicel 0.8-1. 3 cm long, finely appressed puberulous. Flowers unisexual (plant dioecious). Sepals 2.5-3 mm long, appressed puberulous on both surfaces, inner ones with fringed-ciliate margin. Corolla ca. 3 mm long, lobes much longer than the tube, glabrous. Stamens fixed near the top of the corolla tube, glabrous, reduced to vestigial filaments in female flower. Ovary ovoid, densely strigose, style-head minutely lobed. Fruit 2.5-3.5 cm long, ovoid, cllipsoid or globose, apex rounded to truncate, base rounded or tapered, smooth, finely puberulous or shortly velutinous or glabrous. Seeds 1-several, 2-2.5 cm long, laterally compressed, testa not shining, adherent to the pericarp; scar adaxial, ca. 2 mm wide. Field characters: Tree to 30 m high and 50 cm diam. with small buttresses. Bark brown, narrowly but deeply fissured, slash reddish, smelling of almonds, with milky white latex. Flowers scented, yellowish-green, the fruit maturing yellowish. Flowering in central Amazônia in November, fruit maturing February to June. Across the whole of Amazonian Brazil to Peru, Colombia and Southern Venezuela, in non-flooded rainforest, up to 800 m altitude. 8.XI.1994 (fl) Assunção, P.A.C.L 66 (1NPA K MG MONYR RB SPU); 10.VI.1995 (ff) Assunção, P.A. C.L& Pereira, E. C. 207 (G INPA K MG R U UB US); 1 4.XI. 1 994 (fl) Nascimento, J. R. et al. 637 (G INPA K MG MO N Y R RB SP U). Chrysophyllum amazonicum is close to C. manaosense , but lacks the short ferrugineous pubescence present on the young parts and lower leaf surface of the latter. It is also closely related to C. prieurii. See there for further comment. 7.6 Chrysophyllum colombianum (Aubrév.) T. D. Penn., Fl. Neotrop. 52: 596, fig. 138. 199°- . Fig. 28 j-m Prieurella colombiana Aubrév. Adansonia7: 143, pl. 1. 1967. Young shoots pubescent with mostly appressed golden-brown hairs. Leaves spirally arranged, 13-25 x 5-8 cm, oblanceolate, apex Pennington, T. D. narrowly attenuate, base acute or narrowly attenuate, glabrous above or with residual pubescence along the midrib, midrib and secondary veins on the lower surface with golden-brown indumentum of appressed and some spreading hairs; venation eucamptodromous, midrib slightly raised on the upper surface, secondaries 14—17 pairs, parallel, straight, intersecondaries absent, tertiaries numerous, obliqúe. Petiole 1.5— 2. 5 cm long, slightly channelled, appressed pubescent. Fascicles ramiflorous, 5— 15-flowered. Pedicel 4-5 mm long, accrescent to 1 .2 cm in fruit, appressed pubescent. Flowrers unisexual (plant monoecious). Sepals 3—3.5 mm long, appressed puberulous on both surfaces, inner ones with fringed ciliate margin. Corolla 2.5— 3.5 mm long, glabrous except for a tuft of hairs inside near the base of the lobes. Stamens fixed near the top of the corolla tube, glabrous; anthers absent in female flowers. Ovary ovoid, appressed puberulous, style-head minutely lobed. Fruit 3- 4.5 cm long, broadly ellipsoid orobovoid, apex depressed, wrinkled when dry, pubescent with golden-brown hairs, ? becoming glabrous with age. Seeds several, 2.5-4 cm long, laterally compressed, testa rough, not shining, adherent to the pericarp; scar adaxial, ca. 2 mm wide. Field characters: Small tree to 1 5 m high and 15 cm diam., fluted at base, bole cylindrical. Bark reddish-brown, scaling in fine sheets. Slash reddish, smelling of almonds, with moderate white latex. Flowers scented, greenish, fruit maturing golden-brown. Flowering in central Amazônia in August and September; fruiting March to June. Costa Rica to Colombia and Ecuador, western and central Brazilian Amazônia, in lowland and montane rainforest up to 1 200 m altitude. 2 1 .VI. 1 994 (fr) Hopkins, M. J.G& Assunção, P. A. C. L. 14I9A (BM INPA K MG SPF UEC VEN); 25. VIII. 1 994 (fl) Sothers, C.A. et al. /40(INPAK MG MO NY R RB SP U); 7.XII. 1994 (fr) Sothers, C. A. & Silva, C. F. 282 (INPA K MG MO N Y R RB SP U); 16.III.1995 (fr) Vicentini. A. & Pereira. E. C. 913 (G IAN INPA K MBM UB US). Chrysophyllum colombianum is close to C. amazonicum but may be distinguished by Rodriguésia 57 (2): 251-366. 2006 SciELO/ JBRJ .2 13 14 15 16 17 Flora da Reserva Ducke: Sapotaceae 349 , • o h-ihir íP rance et al. 18330); b. 1/2 female flowcr ( Silva & II razão Figura 30 - a-e. Chrysophyllum amazomcum - a. ha M rance e ■ f n chrysophyllum manaosense - f. habit; 60710); c. 1/2 female flower (Wunlack 2293); d. fru.t; e seed (Schunke 2592) t (Foster4403); g. detail of leaf indumentum x 10; h. 1/2 flower (Silva & Santos 4736); i. habit (Rimaclu 2783), j. 1. fruit; m. seed (Castro 335). Rodriguésia 57 (2): 251-366. 2006 SciELO/JBRJ L2 13 14 15 16 17 350 its generally longer leaves with more numerous secondary veins, and by the golden-brown indumentum present on the young parts and on the rnidrib and secondary veins on the lower leaf surface. 7.7 Chrysophyllum manaosense (Aubrév.) T. D. Penn., Fl. Neotrop. 52: 598, fig. 140. 1990. Fig. 30 f-m Prieurella manaosensis Aubrév., Adansonia4: 370. 1964. Young shoots shortly pubescent with ferrugineous hairs. Leaves spirally arranged, 1 1-15.5 x 4-7.5 cm, oblanceolate to obovate, apex obtuse or shortly and narrowly attenuate, base acute, upper surface glabrous, lower surface uniformly pubescent with erect ferrugineous 2-branched hairs; venation eucamptodromous, rnidrib slightly raised on the upper surface, secondaries 14-16 pairs, parallel, straight, intersecondaries absent, tertiaries numerous, obliqúe. Petiole 2-2.3 cm long, not channelled, shortly pubescent. Fascicles ramiflorous, 5- 1 5-flowered. Pedicel 4-10 mm long, puberulous. Sepals 3—4 mm long, appressed puberulous on both surfaces, inner ones with fringed ciliate margin. Corolla 3-3.5 mm long, glabrous. Stamens fixed at the top of the corolla tube, glabrous. Ovary ovoid, densely strigose. Fruit 3.5-4 cm long, obovoid, apex rounded, base tapered, glabrous, smooth. Seeds several, 1.8-2 cm long, laterally compressed, testa verrucose, not shining, adherent to the pericarp; scar adaxial and extending partly around the base, ca. 2 mm wide. Field characters: Tree to 40 m high and 65 cm diam., with small plank buttresses. Bark reddish-brown, longitudinally fissured, exfoliating in rectangular pieces. Slash brown, smelling of almonds, with whitish latex. Flowers greenish, lruit maturing reddish-orange. Flowering in central Amazônia May to July, fruit maturing in March. Extending from western Amazônia to Surinam, in non-flooded rainforest below 300 m altitude. Pennington, T. D. 27. V. 1 997 (fl) Assunção, P.A.C.L et ai 505 (1NPA K NY); 5. V. 1988 (fr) Coelho, D. & Lima, R. P. 16-D (INPA K MG NY); 6. VII. 1 993 (fr) Ribeiro, J. £. L S. et al ■ 903 (INPA K MG MO SP); 24.III. 1 994 (fr) Ribeiro, J. E. L S. et al. 1246 (G IAN INPA K R RB U). Th is species is close to both C. amazonicutn and C. colombianum , but differs from them in its short ferrugineous pubescence of erect 2-branched hairs on the lower leaf surface. 7.8 Chrysophyllum prieurii A. DC., Prodr. 8; 161. 1844; Pennington, T. D., Fl. Neotrop. 52: 600, fig. 138. 1990. Fig. 31 e-h Young shoots closely appressed puberulous with reddish-golden hairs. Leaves spirally arranged, 12-20 x 5.5-8.5 cm, broadly oblanceolate or obovate, apex obtuse to rounded, base narrowly cuneate or attenuate, glabrous above, closely reddish-golden sericeous below; venation eucamptodromous, rnidrib slighdy raised on the upper surface, secondaries 8-10 pairs, parallel, slightly arcuate, intersecondaries absent; tertiaries perpendicular to obliqúe, numerous. Petiole 3-5 cm long, not channelled, sericeous. Fascicles ramiflorous, 5-10-flowered. Pedicel 0.5-1 cm long, sericeous. Flowers unisexual (plant dioecious). Sepals 2-3 mm long, appressed puberulous on both surfaces. Corolla 2.5t-3 mm long, lobes much longer than the tube, glabrous apart from a few hairs at the base of the corolla lobes inside. Stamens fixed near the top of the corolla tube, glabrous, reduced to vestiges in female flower. Ovary ovoid, densely strigose. Fruit 3.5-4 cm long, globose, apex and base rounded, smooth, glabrous (central Amazônia only). Seeds 1—5, 2—3 cm long, laterally compressed, testa rough, adherent to the pericarp; scar adaxial, 2-3 mm wide. Field characters: Tree to 35 m high and 1 m diam., with a cylindrical bole and steep branched buttresses to 2 m high. Bark dark brown or reddish-brown, shallowly fissured. the ridges scaling prolusely in small friable pieces. Slash ptnkish, smelling of almonds, with a small amount of white latex. Flowers pale green, scented, fruit maturing greenish-brown. Flowering in central Amazônia in September, fruit ripening from March to June. Rodriguésia 57 (2): 251-366. 2006 SciELO/JBRJ Flora da Reserva Ducke: Sapotaceae 351 Figura 31 - a-d. Chrysophyllumpomiferum - a. habit (P rance e, al. 3082 ); b. 1/2 flowcr (FDBG 2641)\c. fruit (Santos m d. seed (Mori & Bolten 8520). e-h. Chrysophyllum prieurii - e. habit ( Mori & Boom 15284)\ f. fruit (Pires & Silva 44. ( ), g. fruit (Steward et al. P. 20306)-, h. seed (Gómez4161). Rodriguésia 57 (2): 251-366. 2006 SciELO/JBRJ 2 13 14 15 16 17 cm 352 Widely distributed across the whole of northem South America to Panama. It occurs in non-flooded rainforest and in sandy campina forest. It extends up to 1200m altitude in everwet forest in Peru. 8.IX. 1 994 (fl) Assunção , PA.C.L41 (INPA K MG MO NY R RB SP U); 7.III. 1995 (fr) Nascimento, J. R. et al. 778 (BM COL INPA K MG SPF UEC UFMT VEN); 26.IV. 1988 (fr) Ramos, J.F.& Uma, R. P. 1860 (INPA K MG MO NY R RB SP U); 3.VI.1993 (fr) Ribeiro, J. E. L S. et al. 797 (G INPA K MG UB); 1 1 .VIII. 1 993 (fr) Ribeiro. J. E. L S. et al. 1102 (INPA K MBM MG US); 7.V.1968 (fr) Souza, J. A. 1NPA21211 (INPA). This species is readily recognized by the long petiolate broadly oblanceolate leaves with numerous perpendicular tertiary veins and with persistent reddish-golden sericeous indumentum on the lower surface. It is closely related to C. amazonicum but differs in its broader leaves with generally fewer secondary veins, perpendicular tertiary veins and the sericeous indumentum on the lower surface. Section Aneuchrysophyllum Engl. 7.9 Chrysophyllum pomiferum (Eyma) T. D. Penn., Fl. Neotrop. 52: 602, fíg. 141. 1990. Fig. 31 a-d Achrouteria pomifera Eyma, Recueil Trav. Bot. Neérl. 33: 193, fig. 3. 1936. Young shoots glabrous. Leaves spirally arranged, 4.5-1 1 x 2-6 cm, broadly oblanceolate or obovate, apex rounded or truncate, base narrowly attenuate, glabrous; venation eucamptodromous in the lower half, usually brochidodromous in the upper half, midrib flat or slightly raised on the upper surface, secondaries 6-8 pairs, straight or slightly arcuate, parallel or slightly convergem, slightly raised on the upper surface, prominent on the lower surface, intersecondaries few, moderate to long, tertiaries forming a lax reticulum. Petiole 2- 1 0 mm long, not channelled, glabrous. Fascicles axillary and below the leaves, 2-10-flowered. Pedicel 2-3 mm long, with scattered appressed hairs. Flowers unisexual (plant dioecious). Sepals 2.5-3 mm long, with scattered appressed hairs outside. Corolla shortly tubular or campanulate, 3-4 mm long, tube much longer Pennington, T. D. than the lobes, glabrous. Stamens fixed in the lower half of the corolla tube, glabrous. Staminodes 0.2-0.7 mm long, glabrous. Ovary globose, densely strigose, style-head simple. Fruit 3-5 cm long, globose, apex and base rounded, smooth, glabrous. Seeds up to 5, 1 .5- 2.2 cm long, laterally compressed, testa smooth, shining; scar adaxial, 5-6 mm wide. Field characters: Tree to 40 m high and 75 cm diam., bole fluted at the base, cylindrical above, bark brown, scaling in suberous plates, slash pale brown, with scarce white latex. Flowers greenish-white, fruit ripening yellow to orange. In central Amazônia flowering in October, with the fruit maturing in March. The Guianas and Venezuela, across Amazônia to Peru. A plant of mixed rainforest on non-flooded land, up to 700 m altitude. 1 1. IX. 1997 {fl) Assunção, P.A. C. L & Silva. C. F. 651 (INPA K MG MO NY RB SP U UB); 1 1 .XI. 1 997 (fr) Assunção, P A. C. L etal. 714 (BM COL INPA K MBM MG UB UEC VEN); 5. VI. 1 993 (fr) Ribeiro, J. E. L S. et al. 860 (INPA K MG MO NY SP); 30.III. 1966 (fr) Rodrigues, W. & Coêlho, D. 7633 (INPA); 28. III. 1995 (fr) Vicentini, A. et al. 925 (G INPA K MG R RB U US). Chrysophyllum pomiferum is distinguished from the other members of this group ( C . lucentifolium and C. durifructum ) by its much smaller obovate leaves with rounded apex. 7.10 Chrysophyllum durifructum (Rodrigues) T. D. Penn., Fl. Neotrop. 52: 604. 1990. Achrouteria durifructa W.A. Rodrigues, Acta Amazônica 4(3): 1 5, fíg. 2. 1 974. Young shoots subglabrous. Leaves spirally arranged, 13-28 x 6-12 cm, broadly oblanceolate, apex obtuse to emarginate, base acute, glabrous; venation eucamptodromous, midrib not raised on the upper surface, secondary veins 12—16 pairs, slightly convergem and arcuate, intersecondaries small, tertiaries reticulate. Petiole 2-4 cm long, channelled, glabrous. Fascicles axillary and below the leaves, few-flowered. Pedicel 5— 10 mm long, glabrous. Sepals 4-6 mm long, glabrous. Corolla 3^1 mm long, tube about equalling the lobes, glabrous. Stamens fixed in the lower half of the corolla tube, glabrous. Staminodes 0.5-0.7 mm Rodriguésia 57 (2): 251-366. 2006 SciELO/JBRJ 12 13 14 15 16 17 Flora da Reserva Ducke: Sapotaceae 353 long, glabrous. Ovary ovoid, densely strigose, style-head simple. Fruit 5-6.5 cm long, depressed globose, smooth, glabrous. Seeds 5, 2.5-4.3 cm long, laterally compressed, testa smooth, shining; scar adaxial, 3-6 mm wide. Field characters: Tree to 30 m high and 50 cm diam., without buttresses, trunk cylindrical and bark thin, scaling, slash with scarce white latex. Flowers pale green, fruit green. Flowering and fruiting in March. Known only from the type collection from central Amazonian Brazil, where it was collected in non-flooded forest. Not recorded from Reserva Ducke. AMAZONAS: Manaus-Caracaraí rd., km 27, Rodrigues, W. A. 8783 (INPAMG). This species is close to C. lucentifolium, but differs from it in the much larger leaves with longerchannelled petiole, and in its corolla structure (tube more or less equalling lobes, in C. lucentifolium the corolla tube is much shorter than the lobes) and presence of staminodes. The leaves of C. durifructum lack the fine vein reticulum of C. lucentifolium. 7.11 Chrysophyllum lucentifolium subsp. pachycarpum Pires & T. D. Penn., Fl. Neotrop. 52: 606, fig. 141. 1990. Fig. 32 l-o Young shoots finely appressed puberulous, soon glabrous. Leaves spirally arranged, 10- 19 x 4-7 cm, usually elliptic, apex acute, narrowly attenuate or rarely rounded, base narrowly attenuate, glabrous; venation eucamptodromous, midrib flat or slightly raised (rounded) on the upper surface, secondaries 12- 15 pairs, straight or slightly arcuate, parallel, raised on both surfaces, intersecondaries absent, tertiaries numerous, obliqúe, joined by a fine reticulum. Petiole 0.7- 1 .5 cm long, not channelled, glabrous. Fascicles axillary, 5-15-flowered. Pedicel 3-5 mm long, sparsely appressed puberulous. Flowers ? bisexual. Sepals 2-3 mm long, appressed puberulous outside. Corolla 3- 4 mm long, tube shorter than the lobes, glabrous. Stamens fixed near the top of the corolla tube, glabrous. Staminodes usually absent, rarely present as a few small vestiges. Ovary ovoid, densely pubescent. Fruit 3.5-5 cm long, ovoid to globose, apex rounded or truncate, thick- walled, smooth, glabrous. Seeds up to 5, 2- 2.5 cm long, laterally compressed, testa smooth, shining; scar adaxial, 1.5-3 mm wide. Field characters: Tree to 40 m high and 80 cm diam., with small buttresses and cylindrical bole, slash cream-coloured with small amount of white latex. Flowers pale green, fruit maturing yellowish-green. Flowering in Amazónia June to September, mature fruit collected December. Ecologically variable: present in lowland and montane rainforest, up to 1400 m altitude, but also in tropical dry forest in Pacific Coastal Ecuador and Peru. Not recorded from Reserva Ducke. AMAZONAS: Manaus-Caracaraí, km 57, Nascimento 42 (INPA); Pará, Santarém, km 70 rd to Palhão, Silva & Souza 2646 (K); Serra dos Carajás, near camp at Serra Norte, Daly et al. 1 895 (K). The above description refers only to C. lucentifolium subsp. pachycarpum, which occupies most of the range of the species except Coastal Brazil. The type subsp. is confined to Coastal Brazil. The species is close to C. pachycarpum and to C. pomiferum, and their differences are discussed under those species. 7.12 Chrysophyllum wilsoniiT. D. Penn., sp. nov. (section Aneuchrysophyllum). Type: Brazil, Amazonas, Manaus, Distrito Agropecuário, PDBFF Reserva 1501 (km41), August 1996, W. Spironello s.n. (holotype INPA 190944, n.v., isotype K). Fig. 32 b C. lucentifolio affinis sed apicefoliorum anguste attenuato, nervis secundariis paucis, floribus magnis, sepalis intus sericeis, staminibus prope basern tubo corollae affixis differt. Arbor; stipulae nullae; folia 11-15 x 4.5—6 cm, oblanceolata vel elliptica, glabra, nervi secundarii 11-13-jugi, paralleli, recti, fasciculi axillares et in axillis foliorum delapsorum enati; pedicellus 4-10 mm longus; sepala 5; corolla late tubularis, 4- 5 mm longa, lobis 5; stamina 5, prope basern tubo corollae affixa; staminodia nulla, ovarium 5-loculare; fructus 4-5 cm diâmetro, globosus, glaber. Rodriguésia 57 (2): 251-366. 2006 SciELO/JBRJ 12 13 14 15 16 17 cm .. 354 Tree. Stipules absent. Young shoots puberulous with golden indumentum, finally becoming glabrous, greyish-white, grid- cracked. Leaves spirally arranged, 11-15 x 4.5-6 cm, oblanceolate or elliptic, apex narrowly attenuate, base narrowly attenuate and decurrent on the petiole, glabrous; venation eucamptodromous, midrib raised on the upper surface (rounded in section), secondary veins 1 1-13 pairs, raised on the upper surface, rather steeply ascending, parallel, straight or slightly arcuate, intersecondaries short or absent, tertiaries obliqúe. Petiole 1-2 cm long, not channelled, subglabrous. Fascicles 4-10- flowered, axillary and clustered below the leaves. Pedicel 4-10 mm long, sparsely puberulous. Sepals 5, 2.5-4 mm long, broadly ovate to suborbicular, apex rounded, subglabrous outside, sericeous inside, with a broad hyaline margin. Corolla 4-5 mm long, broadly tubular, the tube slightly longer than the lobes, lobes 5(-6), broadly oblong, apex rounded to truncate, glabrous. Stamens 5(-6), fixed near the base of the corolla tube, filaments 2-3 mm long, glabrous, anthers 1- 1.25 mm long, broadly lanceolate, apiculate, glabrous. Staminodes absent. Disk absent. Ovary 5(-6)-locular, lobed, densely pubescent, style ca. 2.5 mm long, slightly exserted in bud, included in open flower, pubescent in the lower part, style-head simple, unexpanded. Fruit 4- 5 cm diam., globose, apex and base rounded, thick-walled (9-10 mm thick when dry) and becoming woody on drying, smooth, glabrous. Seeds several, 2.2-2. 3 cm long, laterally compressed with an abaxial keel, testa mostly smooth, but slightly verrucose on the sides, shining; scar adaxial, ca. 1 .6 cm long, ca. 7 mm wide; embryo with foliaceous cotyledons and exserted radicle, surrounded by copious endosperm. Field characters: Tree to 40 m high and 85 cm diam., buttressed to 2 m high, bole cylindrical above. Bark dark, scaling in large rectangular plates, slash with white latex. Flowers greenish- yellow and fruit ripening yellowish. Flowering from August to October, fruit maturing in April. Pennington, T D. At present known only from the PDBFF Reserve 1501 (km 41) north of Manaus, Amazonas, Brazil, where it occurs in lowland rainforest (50- 1 25 m altitude) on non-flooded land. Not yet recorded from Reserva Ducke. PDBFF: Reserva km 41, Oliveira. A. A. et al. 151 (INPA K); Oliveira. A. A. et al. 168 (INPA K); Oliveira, A. A. et al. 379 (INPA); Oliveira. A. A. et al.430( INPA). Chrysophyllum wilsonii is a superb canopy tree, with close affinities with C. durifructum and C. lucentifolium. The differences that separate it from C. lucentifolium are the narrowly attenuate leaf apex (usually obtuse or rounded in C. lucentifolium), fewer secondary veins, much larger calyx and corolla, inner face of calyx sericeous, corolla tube longer than lobes (shorter than lobes in C. lucentifolium ), stamens fixed at the base of the corolla tube (at top of corolla tube in C. lucentifolium), broader, shorter seed scar. The floral structure is similar to that of C. durifructum, but this species has much larger leaves with differing venation, a glabrous calyx and 5 staminodes (these absent in C. wilsonii). 7.13 Chrysophyllum eximium Ducke. Buli. Mus. Hist. Nat., (Paris), sér. 2, 4:744. 1932; Pennington, T. D., Fl. Neotrop. 52: 618, fíg. 145- 1990. Fig. 32 a-c Young shoots densely ferrugineous or golden tomentose. Leaves spirally arranged, 1 1-20 x 3.5-10 cm, oblanceolate to obovate, apex obtuse to rounded, base narrowly attenuate, margin revolute, upper surface glabrous or with residual tomentum along the .midrib, lower surface densely golden- or ferrugineous-tomentose; venation eucampto- dromous, midrib slightly raised on the upper surface, secondary veins 7-1 1 pairs, steeply ascending, slightly convergem or parallel, arcuate, impressed on the upper surface, prominent below, intersecondaries absent, tertiaries obliqúe to perpendicular, obscure. Petiole 1.2-1. 5 cm long, not channelled. Rodriguésia 57 (2): 251-366. 2006 SciELO/JBRJ .2 13 14 15 16 17 18 Flora da Reserva Ducke: Sapotaceae 355 cm E o m Fisura 32 - a-c. Chry^phyUum 'timum . a. Mi (K.UlOi « al. 79-2My.li. 1/2 , “!' M Ôvm femalc Ilower (Ducke 2098). d-j. Chrysophyllum wilsonii-d. habit; e. leaf imdersurface, í. .&■ (SpfWto J.); i. nd «UMn «0). l-o. Chrpophyttm, laçenllfaliamvtep- /~'7< 7~» - L W* (Blaaii, 95/); m. 1/2 flower ÍBruijn 1723 ); n. fniil (tic/nar tS Gon-jBez 1U2S). o. secd {Williams Rodriguésia 57 (2): 251-366. 2006 SciELO/JBRJ 12 13 14 15 16 17 cm .. 356 Pennington, T D. tomentose. Fascicles axillary and below the leaves, 5-10-flowered. Pedicel 3-7 mm long, tomentose. Flowers unisexual (plant dioecious). Sepals ca. 3 mm long (female), 3.5- 4 mm long (male), densely tomentose outside. Corolla 3.5-4 mm (female), 5-7 mm (male), tube equalling lobes in female, shorter than lobes in male, glabrous or with some scattered appressed indumentum. Stamens fixed in the lower half of the corolla tube, glabrous, absent in female flowers. Ovary ovoid, 2-3-locular, densely pubescent. Fruit 4.5-5 cm long, obovoid or globose, apex slightly depressed or obtusely apiculate, base broadly tapering, smooth, glabrous. Seed laterally compressed, with a narrow adaxial scar. Field characters: Tree to 20 m high and 35 cm diam., with white latex, lower leaf surface conspicuously golden- or ferugineous-brown on the lower surface. Flowers greenish-white. Flowering September to November, young fruit in March. The Guianas to central and northwestem Brazilian Amazônia in swampy forest and periodically flooded campina. Not yet recorded from Reserva Ducke. AMAZONAS: Manaus, Rio Tarumã, Ducke RB34980 (IAN K MG); Rio Negro, Rio Teá, above Bacurí, Kubitzki et al. 79-234 (INPA K MG); São Gabriel da Cachoeira, Rio Cubate, Rodrigues 10834 (K). Chrysophyllum eximium is a very distinctive species on account of the densely tomentose golden or ferrugineous indumentum on the young parts, inflorescence and lower leaf surface, the rather few steeply ascending secondary veins and revolute leaf margin. 8. Ecclinusa Ecclinusa Mart., Flora 22, Beibl. 1: 2. 1839. Unarmed trees. Stipules large, caducous, leaving a conspicuous scar. Leaves spirally arranged. Venation eucamptodromous to brochidodromous, intersecondaries absent, tertiaries obliqúe, numerous. Inflorescence axillary or in the axils of fallen leaves. Flowers sessile, subtended by small persistent bracts, unisexual (monoecious or dioecious). Calyx a single whorl of 5 free imbricate sepals. Corolla campanulate or shortly tubular, the lobes usually exceeding the tube; lobes 5-7, simple. Stamens 5-7, usually fixed halfway or in the upper half of the corolla tube, glabrous. Staminodes absent. Disk absent. Ovary 5-9-locular, style included. Fruit 1-several-seeded, often thin- walled and constricted between the seeds. Seed globose or ellipsoid, sometimes laterally compressed, testa smooth, shining; scar adaxial and extending around the base of the seed, narrow; embryo with thick plano-convex cotyledons, radicle not exserted, endosperm absent. Eleven species in the Neotropics, distributed from Panama throughout tropical South America, 3 in central Amazônia. Key to the species of Ecclinusa of the Manaus area 1 . Indumentum of young shoots and leaves tomentose with crisped and spreading hairs 2. E. ramiflora 1 . Indumentum of young shoots and leaves fine, closely appressed 2. Stipules 5-10 mm long, leaves 10-20 cm long, usually elliptic or oblong-elliptic, corolla lobes 5,fruitthin-walled, 1.5-3 cm long L E guiatiensis 2. Stipules 1-2 cm long, leaves 20-40 cm long, usually oblanceolate, corolla lobes 5-7 fruit thick-walled, 5-6 cm long 3. E. lanceolata Rodriguéxia 57 (2): 251-366. 2006 SciELO/JBRJ 2 13 14 15 16 17 Flora da Reserva Ducke: Sapotaceae 357 8.1 Ecclinusa guianensis Eyma, Recueil Trav. Bot. Néerl. 33: 203. 1936; Pennington, T. D., Fl. Neotrop. 52: 623, fig. 146. 1990. Fig. 33 a-c Ecclinusa bacuri Aubrév. & Pellegr., Adansonia 1: 21. 1961. Young shoots finely appressed puberulous. Stipules 5-10 mm long, lanceolate, appressed puberulous on the adaxial surface, with a broad glabrous margin, caducous. Leaves spirally arranged, 10-20 x 3-6 cm, narrowly elliptic or oblong-elliptic, apex narrowly attenuate to acuminate, base narrowly attenuate, glabrous; venation eucamptodromous, midrib prominent on the upper surface (but often recessed), secondary veins 17-25 pairs, parallel, straight or slightly arcuate, sometimes impressed on the upper surface, intersecondaries absent, tertiaries obliqúe, close, numerous; higher order venation areolate. PetioleO.5-1.5 cm long, channelled, appressed puberulous. Fascicles mostly in the axils of fallen leaves, 5-10-flowered. Flowers unisexual (plant monoecious). Sepals 2.5- 3 mm long, appressed puberulous outside, glabrous inside. Corolla 2.5-3 mm long, tube much shorter than the lobes, glabrous, lobes 5. Stamens 5, fixed at or near the top of the corolla tube, glabrous, absent in female flowers. Ovary 5-locular, globose, densely long-strigose. Fruit 1-3 cm long, globose, apex and base truncate or rounded, smooth, thin-walled, finely puberulous, becoming glabrous. Seed 1- several, 1.2-2 cm long, broadly ellipsoid, sometimes slightly laterally compressed, testa smooth, shining scar adaxial and extending around the base of the seed, 2-3 mm wide in several-seeded fruit, up to 9 mm wide in 1- seeded fruit. Field characters: Tree to 35 m high and 75 cm diam., unbuttressed, with cylindrical bole, bark reddish-brown to dull grey-brown, scaling and leaving small circular dipples, slash cream- brown, with copious sticky white latex. Flowers fragrant, greenish-white, fruit ripening yellow. Flowering in central Amazónia July to August, the fruit maturing in January. The Guianas and northern Venezuela to central Amazónia, where it occurs in non- flooded forest up to 600 m altitude. The species is present in savanna forest in Surinam. 1 8.1. 1 995 (ir) Assunção, P.A.C.L 162 (G IAN INPA K MBM R U UB US); 6. V. 1997 (fr) Assunção, P.A.C.L etaL 503 (G IAN INPA K MBM UB US); 15. VII. 1 997 (fl) Assunção. P.A.C.L et al. 540 (INPA K MG R U); 25.XI.1997 (fr) Brito, J. M. etal. 47 (BM IAN INPA K); 1 5 .IV 1 994 (bd) Nascimento, J. R. et al. 509 (INPA K MG MO NY RB SP); 1 2. VIII. 1 993 (fr) Ribeiro, J. £ L S. etal. //AS’(INPAKMG MO NY RB SP); 3.VII.1963 (fr) Rodrigues, W. 5333 (INPA); 15.1V.1964 (fr) Rodrigues, W. & Loureiro, A. 5798 (INPA); 27 .V. 1 964 (fr) Rodrigues, W. & Loureiro, A. 5823 (INPA); 10.11. 1965 (fr) Rodrigues, W.& Monteiro, O. P. 6860 (INPA); 27. VI. 1965 (fl) Rodrigues, W. & Coelho, D. 6960 (INPA); 20.IX. 1968 (fr) Souza, J.A.164 (INPA). Ecclinusa guianensis is distinctive within the genus on account of its small, rather narrow, glabrous leaves and numerous secondary veins and its small fruit. 8.2 Ecclinusa ramiflora Mart., Flora 22, Beibl. 1: 2. 1839; Pennington, T. D., Fl. Neotrop. 52: 625, fig. 146. 1990. Fig. 33 d-f Young shoots tomentose with golden- brown hairs. Stipules 0.6-2 cm long, broadly lanceolate or ovate, pubescent on the abaxial surface, with a broad glabrous margin. Leaves 21-30 x 8-10.5 cm, mostly oblanceolatc, apex narrowly attenuate or acute, base acute or narrowly attenuate, glabrous above, tomentose to pubescent below; venation eucampto- dromous, midrib prominent on the upper surface, but recessed, secondary veins 16-28 pairs, parallel, straight or slightly arcuate, often slightly impressed above, intersecondaries absent, tertiaries obliqúe, parallel. numerous. Petiole 1.2-2 cm long, channelled, tomentose to pubescent. Fascicles below the leaves and ramiflorous, 5-10-flowered. Flowers unisexual (plant dioecious). Sepals 5, 2-3 mm long, pubescent outside, appressed puberulous inside. Corolla 3-3.5 mm long, tube much shorter than the lobes, lobes 5. glabrous outside, sparscly hairy inside. Stamens 5, fixed near the top of the corolla tube, glabrous, absent in female flower. Rodríguésia 57 (2): 251-366. 2006 SciELO/JBRJ 2 13 14 15 16 17 18 358 Pennington, T. D. Ovary ovoid, 5-locular, densely long-strigose. Fruit 2.5-5 cm long, globose, apex rounded. base rounded or depressed, densely pubescent to velutinous. Seeds several, 1. 8-2.2 cm long, ellipsoid, laterally compressed or shaped like the segment of an orange, testa smooth, shining; scar adaxial and extending around the base of the seed, 3-6 mm wide. Field characters: Tree to 30 m high and 1 m diam., unbuttressed, with a cylindrical bole. Bark black-grey to reddish-brown, scaling and leaving conspicuous dipples, slash cream with copious sticky white latex. Flowers greenish-white, fruit maturing yellow or orange. Flowering in central Amazônia September to December. Colombia, Venezuela and the Guianas to Amazonian Brazil and Bolivia, in everwet and seasonal lowland rainforest on non-flooded land. Not recorded from Reserva Ducke. AMAZONAS: Manaus, Estrada do Aleixo, Ducke 1073 (K); Manaus, Cachoeira do Mindú, Ducke RB22249 (K). This species is similar in leaf size and shape to E. lanceolata, but differs in its tomentose spreading indumentum, and in the strictly 5-merous flowers. 8.3 Ecclinusa lanceolata (Mart. & Eichl.) Pierre, Not. Bot. 57. 1891; Pennington, T. D., Fl. Neotrop. 52: 635, fig. 150. 1990. Fig. 33 g-h Passaveria lanceolata Mart. & Eichl. in Mart., Fl. bras. 7: 86, tab. 38. 1863. Young shoots closely appressed puberulous. Stipules 1-2 cm long, lanceolate, often longitudinally striate, appressed puberulous on the abaxial face with a broad glabrous margin. Leaves spirally arranged, 20-40 x 8-1 5 cm, usually oblanceolate, apex obtuse to shortly and narrowly attenuate, base narrowly attenuate, cuneate or acute, closely whitish-sericeous below, glabrous; venation eucamptodromous, midrib slightly prominent on tlie upper surface, secondary veins 28-40 pairs, parallel, straight or slightly arcuate, intersecondaries absent, tertiaries obliqúe, numerous. Petiole 2- 4 cm, long, channelled, appressed puberulous. Fascicles axillary and in the axils of fallen leaves. 5-10-flowered. Flowers unisexual (plant ? monoecious). Sepals 5, 2.5-4 mm long. appressed puberulous outside, glabrous within. Corolla 3- 5.5 mm long, tube shorter than or equalling the lobes, lobes 5-7, glabrous. Stamens 5, fixed in the upper half of the corolla tube, glabrous, absent in female flowers. Ovary ovoid, 7-9-locular, densely long-strigose. Fruit 5-6 cm long, globose, apex and base rounded or truncate, thick-walled, smooth, minutely puberulous. Seeds several, 2—3 cm long, broadly ellipsoid or shaped like the segment of an orange, testa smooth, shiny; scar adaxial and extending around the base of the seed, 5- 9 mm wide. Field characters: Tree to 30 m high and 50 cm diam., trunk unbuttressed, cylindrical. Bark dark brown or black, strongly dippled, slash cream to reddish with copious sticky white latex. Flowers greenish-white, fruit maturing orange, with the inner pericarp white and spongy. Flowering August to November, fruit maturing January to July. The Guianas to western Brazilian Amazônia, Peru, Colombia and Panama, where it occurs in lowland and montane rainforest up to 1300 m altitude, on non-flooded and periodically flooded land. Not yet recorded at Reserva Ducke but frequent in the PDBFF reserves. PDBFF: Reserva km 41, Lepsch Cunha et al. 737 (INPA K); Pennington et al. 12626 (INPA K); Freitas et al. F-224 (INPA K). This species has a similar indumentum to E. guianensis but differs in its much larger leaves, longer petioles and it often has more than 5 corolla lobes and a 7-9-locular ovary. 9. Pradosia Pradosia Liais, Climat. Geol., Faune Brésil 614. 1872. Unarmed trees. Stipules absent. Leaves opposite, verticillate or spirally arranged. Venation usually eucamptodromous, less frequently brochidodromous, midrib usually sunken on the upper surface, secondary veins often impressed on the upper surface, tertiary veins usually obliqúe to perpendicular. Minute paired stipels sometimes present on petiole. Usually cauliflorous or ramiflorous. Rodriguésia 57 (2): 251-366. 2006 SciELO/JBRJ1 2 13 14 15 16 17 lí cm Flora da Reserva Ducke: Sapotaceae 359 Figura 33 - a-c. Ecclinusa guitmensis - a. habil (Marcano-Bern 368); b' i^Hower (tflr/wir 28590); f. fruit =• «O. « M- h!S»“ * Mor/ >«* i. *cd ( Steyennark & Liesner 120700)', g. seed (Grenand 855). )■ (side view); j. seed (frontal view) (Mori & Pipoly 15408). Radriguésia 57 (2): 251-366. 2006 SciELO/JBRJ 12 13 14 15 16 17 360 Penninglon, T. D. Flowers bisexual. Calyx a single whorl of 5 sepals. Corolla rotate, tube nearly always shorter than the lobes, lobes 5. Stamens 5, fixed at the top of the corolla tube or at the base of the lobes, exserted, filaments long and geniculate below the apex. Staminodes absent. Disk absent. Ovary 5-locular. Fruit a drupe with a thinly cartilaginous endocarp. often slightly asymmetrical. Seed solitary. with smooth, shining testa and full-length adaxial scar; embryo with thinly plano- convex cotyledons and a thin sheath of endosperm. Twenty three species in South America with one species extending into Southern Central America. Seven species in central Amazônia. 1. 1. Key to the species of Pradosia of the Manaus area Petiole with a pair of minute stipels near the apex (ca. 1 mm long) Petiole without paired stipels. 2. Venation brochidodromous 2. Venation eucamptodromous. 3. Corolla 5 mm long or more. .7. P. ajf. grisebachii 5. P. schomburgkiana 3. 4. Mídrib slightly raisedon the upper surface, corolla glabrous 2 P decipiens 4. M.dnb sunken on the upper surface, corolla with some appressed indumentum 5. Leaves subverticillate, secondary veins 15-20 pairs 1. p subverticillata 5 Leaves spirally arranged, secondary veins 9-10 pairs 3. P ptxchandra Corolla not exceeding 4 mm long. 6. Secondary veins 23-26 pairs, lower leaf surface shortly dark brown pubescent 6. Secondary veins less than 18 pairs, leaves glabrous 4. P cochlearia 9.1 Pradosia subverticillata Ducke, Trop. Woods 71:13. 1942; Pennington, T. D., Fl. Neotrop. 52: 646, fíg. 151. 1990. Fig. 34 a-b Young shoots long and stiffly pubescent. Leaves subverticillate, 9-15 x 4-6 cm, broadly oblanceolate, apex rounded or shortly narrowly attenuate, base acute or narrowly attenuate, glabrous; venation eucamptodromous, midrib sunken on the upper surface, secondary veins 15-20 pairs, parallel, slightly arcuate, slightly impressed on the upper surface, intersecondaries absent, tertiaries very fine, obliqúe. Petiole 1 .5- 3 cm long, not channelled or only slightly channelled at the apex, glabrous; stipels absent. Fascicles many-flowered, axillary and below the leaves. Pedicel 4—6 mm long, shortly pubescent. Sepals 2.5—3 mm long, appressed pubescent outside, margin ciliate. Corolla ca. 6 mm long, tube much shorter than the lobes, sparsely sericeous outside. Stamens fixed at the base of the corolla lobes, exserted, glabrous. Ovary narrowly ovoid, densely strigose. Fruit 2.5—4 cm long, subfalcate- oblong, apex acuminate, smooth, subglabrous. Seed with an oblong scar. Field characters: Tree to 20 m high with cylindrical bole and yellowish-grey, sweet- tasting bark. Flowers greenish. Flowering recorded in June and September, fruit in March and May. Central Amazônia to Pará, in non-flooded forest over sand. Not yet recorded from Reserva Ducke. AMAZONAS: Manaus, Upper Tarumã. Ducke RB 22 145 (RB); Manaus, Ducke RB35544 (RB); Manaus, Rio Tarumã, Ducke 812 (IAN K RB ). Local names: Casca doce, pau doce (Amazonas). Th is species is characterized by the subverticillate glabrous leaves and the numerous parallel secondary veins with fine obliqúe tertiaries. Rodriguésia 57 (2): 251-366. 2006 SciELO/JBRJ, 13 14 Flora da Reser\'a Ducke: Sapotaceae 361 Figura 34 . a-b M mbmMUrn ■ a- tabte k U2 Um, (DuçkeSm ofleufindumentum;e. ll2üowa(Ducke24360).f-i.Peaelosiaptyclicmdra-f.ba(At,g' l/2ilower(A/urt<5 vryrrí OMÍZ), h. fruit; i. seed ( Pennington & Morí 12103). Rodriguésia 57 (2): 251-366. 2006 SciELO/JBRJ 2 13 14 15 16 17 lí 362 Pennington, T D. 9.2 Pradosia decipiens Ducke, Trop. Woods 71: 17. 1942; Pennington, T. D., Fl. Neotrop. 52: 646, fig. 151.1990. Fig. 34 c-e Young shoots finely appressed puberulous, soon glabrous. Leaves spirally arranged, 8-15 x 3.2-8 cm, elliptic or obovate, apex obtuse to rounded, base acute or obtuse, upper surface glabrous, lower surface with some sparse appressed brown indumentum, venation eucamptodromous, midrib raised on the upper surface, secondary veins 11-13 pairs, parallel, straight or slightly arcuate, slightly impressed on the upper surface, intersecondaries absent, tertiaries obliqúe, fine, obscure. Petiole 1.5- 2.5 cm long, channelled in the upper half, glabrous; stipels absent. Fascicles below the leaves, 5-15-flowered. Pedicel 0.5-1 .2 cm long, glabrous. Sepals 2.5-3 mm long, glabrous. Corolla ca. 5 mm long, the tube shorter than the lobes, glabrous. Stamens fixed at the base of the corolla lobes, glabrous. Ovary narrowly ovoid, appressed puberulous. Fruit 3—3.5 cm long, ellipsoid and slightly asymmetrical, apex acute or obtuse, base tapered, smooth, glabrous. Seed ca. 2 cm long, ellipsoid, laterally compressed, testa smooth and shining; scar adaxial 2-2.5 mm wide. Field characters: Tree to 30 m high and 50 cm diam., with convex, asymmetrical buttresses to 2 m high, bole cylindrical, bark whitish- brown, scaling and leaving orange-coloured dipples, slash orange, astringent, with sweet smell, containing whitish translucent latex. Flowers yellowish-green with a pink ovary. Fruit maturing yellow, with whitish pulp. Flowering in central Amazônia October to December, fruit maturing in March. Central Amazonian Brazil to Peru, in lowland forest often on poorly drained sites. 9.IV. 1998 (fr) Assunção. P.A.C.L et al. 833 (INPA KMG MO NY RB SP U UB); 9.IX. 1997 (bd) Brito J. M. et al. 31 (BM G IAN INPA K MBM UB UEC US); 28.X. 1994 (fl) Hopkins, M. J. G 1499 (INPA K MG MO NY R RB SP U); 23 JD. 1 995 (fr) Ribeiro, J. E. L. S. & Assunção, P. A. C. L. 1579 (BM G IAN INPA K MBM SPFUEC US); 19.XI.1997 m Ribeiro, J. E. L. S. et al. 1950 (B GH IAN ICN INPA K S UPCB VIC); 2.XII.1997 (fl) Souza, M. A. D. et al. 474 (COL F IAN INPA K PEUFR SPF UFMT VEN). Pradosia decipiens is distinctive among the larger-flowered species of the genus because of the raised leaf midrib, the minute appressed indumentum on the lower leaf surface (visible only with a lens), the obscure tertiary venation and glabrous flowers. 9.3 Pradosia ptychandra (Eyma) T. D. Penn., Fl. Neotrop. 52: 648, fig. 153. 1990. Fig. 34 f-i Pouteria ptychandra Eyma, Recueil Trav. Bot. Néerl. 33: 189. 1936. Young shoots appressed puberulous. Leaves spirally arranged, 9-15 x 3.5-5 cm, oblanceolate, apex narrowly attenuate, base narrowly cuneate or attenuate, glabrous; venation eucamptodromous, midrib sunken on the upper surface, secondary veins 9-10 pairs, arcuate, slightly convergent, intersecondaries absent, tertiaries numerous, obliqúe. Petiole 1.5-2 cm long, strongly channelled, finely appressed puberulous to glabrous; stipels absent. Fascicles mostly ramiflorous, many- flowered. Pedicel 9-10 mm long, finely appressed puberulous. Sepals 2—2.5 mm long, finely appressed puberulous outside, inner ones with broad glabrous margin. Corolla 5-6 mm long, tube shorter than the lobes, appressed puberulous outside on lower part of lobes and tube. Stamens fixed at the tip of the corolla tube, glabrous. Ovary conical, pubescent. Fruit cm l°ng> broadly ellipsoid, apex and base rounded, smooth, glabrous. Seed solitary, 2.5— 2.6 cm long, oblong-ellipsoid, slightly laterally compressed, testa smooth or horizontally striate, shining; scar adaxial, 8-9 mm wide. Field characters: Tree to 20 m high and 40 cm diam., usually unbuttressed, trunk cylindrical. bark greyish-brown, smooth to dippled, often with vertical rows of lenticels, slash cream, streaked with orange, slowly exuding sticky white latex. Flowers wine-red and fruit maturing orange-yellow, with the inner pericarp a soft transparent sweet-tasting jelly. The endocarp is cartilaginous and remains attached to the seed. Flowering in central Amazônia January to April. The Guianas to central Amazônia, in non- fiooded lowland rainforest. Rodriguésia 57 (2): 251-366. 2006 SciELO/ JBRJ 2 13 14 cm Flora da Reserva Ducke: Sapotaceae Not yet recorded from Reserva Ducke. PDBFF: Reserva 3209, Ferreira et al. PDBFF 3209.1291. Pradosia ptycliandra is distinguished from the other large-flowered central Amazonian species by its spirally arranged leaves with few secondary veins, sunken midrib and red flowers. 9.4 Pradosia cochlearia (Lecomte) T. D. Penn., Fl. Neotrop. 52: 655, fig. 154. 1990. Fig. 35 a-b Chrysophyllum cochlearium Lecomte, Notul. Syst. (Paris) 4(2): 63. 1923. Glycoxylon praealtum Ducke, Arch. Jard. Bot. Rio de Janeiro 4: 165, pl. 20. 1925. Young shoots appressed puberulous with reddish-brown hairs, soon glabrous. Leaves spirally arranged or verticillate, 7.5-13 x 2.7- 5.4 cm, broadly oblanceolate to obovate, apex rounded or retuse, base narrowly attenuate, glabrous; venation eucamptodromous, midrib raised on the upper surface, secondary veins 1 3- 1 7 pairs, parallel, slightly arcuate, intersecondanes absent, tertiaries perpendicular to obliqúe. Petiole 1-1.5 cm long, channelled in the upper half, subglabrous; stipels absent. Fascicles 5-10- flowered, below the leaves. Pedicel 0.5-3 mm long, appressed puberulous. Sepals ca. 2 mm long, appressed puberulous. Corolla 1.75- 3 mm long, the tube shorter than the lobes, sparsely sericeous outside. Stamens fixed at the base of the corolla lobes, glabrous. Ovary ovoid, appressed puberulous. Fruit 4—5 cm long, ellipsoid or obovoid, apex tapered or rounded, base acute, smooth, glabrous. Seed solitary 2.2-2. 8 cm long, oblong, not laterally compressed, testa smooth, shining; scar adaxial, 6-7 mm wide. Field characters: Tree to 50 m high, with straight, simple buttresses to several metres high, bole cylindrical, bark greyish-white scaling in irregular plates, and with vertical lines of lenticels; slash pinkish, sweet, with scarce translucent white latex. Flowers greenish, fruit maturing yellow. Flowering August to January, fruit maturing in April. Pará and the Guianas through central and western Amazônia, in lowland rainforest on non-flooded land. 363 20.11. 1998 (fr) Assunção, P.A.C.L et al. 797 (INPA K MG MO NY RB SP U); 9.IX. 1997 (fl) Brito. J. M. etal. 29 (INPA K MG MO NY R RB SP U); 1 .X. 1997 (fl) Mesquita, M. R. 20 (INPA K MG MO N Y R RB SPU);7.IV.1994(fr) Ribeiro, J. E. L. S. etal. 1259 (INPA K MG MO NY R RB SP U). The above description refers to P. cochlearia subsp. praealta (Ducke) T. D. Penn., the only subspecies present in central Amazônia. It is distinguished from the other small flowered species of Pradosia by the small obovate leaves with raised midrib and few secondary veins. 9.5 Pradosia schomburgkiana (A. DC.) Cronq., Buli. Torrey Bot. Club 73: 311. 1946; Pennington, T. D., Fl. Neotrop. 52: 657, fig. 155. 1990. F'g- 35 c‘d Chrysophyllum schomburgkianum A. DC. in A. P. de Candolle, Prodr. 8: 157. 1 844. Pradosia inophylla (Mart.) Ducke, Trop. Woods 71: 16. 1942. Young shoots subglabrous. Leaves opposite, 6—1 1 x 3.5— 6.5 cm, obovate, apex obtuse, rounded or emarginate, base acute to rounded or truncate, glabrous; venation brochidodromous with a submarginal vein, midrib flat (not raised) on the upper surface, margin slightly revolute, secondaries 14-20 pairs, parallel, straight or arcuate, intersecondaries numerous, long, often extending to the margin, tertiaries reticulate. Petiole 0.5- 1.2 cm long, not or only slightly channelled, glabrous; stipels absent. Fascicles on twigs below the leaves, 5-20-flowcred. Pedicel 4- 7 mm long, glabrous. Sepals 1-1.5 mm long, glabrous. Corolla 2-3 mm long, tube shorter than the lobes, glabrous. Stamens fixed at the base of the corolla lobes, glabrous. Ovary ovoid, appressed pubescent. Fruit 1.2-1. 6 cm long, broadly ellipsoid or obovoid, apex rounded. base rounded or tapered, smooth, glabrous. Seed solitary, 1-1.5 cm long, subgloboseor ellipsoid, slightly laterally compressed, testa smooth, shining; scar adaxial, about 2/3 the length of the seed, 2-5 mm wide. Field characters: In campina and campinarana vegetation this is only a shrub or Radriguésia 57 (2): 251-366. 2006 SciELO/JBRJ L2 13 14 15 16 17 cm .. 364 small tree flowering when a few metres high, but in high rainforest it can be a buttressed tree to 30 m high and 40 cm diam. Bark light brown to reddish-brown, scaling to leave round dipple marks, slash reddish, sweet, with sticky white latex. Flowers greenish-white, fruit maturing yellow. Flowering in central Amazônia November to February, fruit February to March. Venezuela and the Guianas to central and eastem Amazônia, occurring in a variety of habitats from savanna, campina and campinarana to high rainforest, often on white sand, up to 1400 m altitude. 27.IH.1996 (fr) Brito, J. M. etal. 21 (1NPA K MG MO RB); 13.11.1996 (fr) Campos, M.T.V.A. etal. 484 (INPA K MG NY SP); 23. XI. 1 993 (fr) Ribeiro, J. E. L S. et al. 1166 (INPA K MG NY SP); 4.II. 1995 (fl) Vicentini, A. et al. 844 (INPA K MG MO N Y R RB SP U); 9.II.1995 (fr) Vicentini, A. et al. 862 (G INPA K MBM MG MO R RB U). Local name: Pau doce. Easily recognized among other Pradosia here by the relatively short but broad leaves with brochidodromous venation and submarginal vein, and by the numerous secondary veins with numerous long intersecondaries. 9.6 Pradosia verticillata Ducke, Trop! Woods 71; 12. 1942; Pennington, T. D., Fl. Neotrop. 52: 664, fig. 155. 1990. Fig. 35 e-f Young shoots densely brown-tomentose. Leaves verticillate in whorls of 5-7, 1 1-25 x 4.5-10 cm, broadly oblanceolate, apex shortly and obtusely attenuate to rounded, base acute to narrowly cuneate, upper surface glabrous or with some residual indumentum, lower surface dark brown-pubescent, denser on the midrib and veins; venation eucamptodromous, midrib, secondary and tertiary veins sunken on the upper surface, secondary veins 23-26 pairs, parallel, slightly arcuate, intersecondaries absent, tertiaries numerous, obliqúe. Petiole 1-5-4 cm long, channelled in the upper part, brown-tomentose; stipels absent. Fascicleson twigs below the leaves and on branches, 5- 10-flowered. Pedicel, ca. 1 mm long, appressed puberulous. Sepals ca. 2 mm long, Pennington, T. D. appressed puberulous outside, glabrous inside. Corolla ca. 4 mm long, tube shorter than the lobes, densely sericeous outside, except for the glabrous margin. Stamens fixed at the base of the corolla lobes, glabrous. Ovary conical, densely strigose. Fruit 3.5-5 cm long, narrowly obovoid, asymmetric, apex rounded, base attenuate, smooth, glabrous. Seed solitary, 2.5-3 cm long, laterally compressed, testa smooth, shining; scar adaxial, full-length, ca. 4 mm wide. Field characters: Tree to 35 m high and 35 cm diam., with short, simple, stout buttresses to 0.5 m high, bark pale buff-brown, exfoliating in large irregular thin sheets and leaving dipples, slash orange-brown, with sticky white latex. Crown with massive twigs and dense terminal clusters of leaves. Flowers dark violet-black. Flowering in central Amazônia in October. The Guianas to central Amazonian Brazil, in mixed lowland rainforest on non- flooded land. Tagged tree number 724, 926, 2348. PDBFF: Pennington etal. s.n. (INPA K); Amazonas, Manaus, Villa Municipal, Ducke 811 (LAN K MG RB). A very distinct species in Pradosia with the characteristic dark brown tomentum on its young parts and lower leaf surface, and verticillate leaves with numerous parallel veins. 9.7 Pradosia aff. grisebachii (Pierre) T. D. Penn., Fl. Neotrop. 52: 655, fig. 154. 1990. Young shoots finely appressed puberulous with reddish-brown hairs. Leaves subverticillate, 10-5 x 3.5-4.5 cm, oblanceolate, apex shortly and narrowly attenuate, base narrowly attenuate, glabrous above, sparsely and minutely appressed puberulous below (lens); venation eucamptodromous, midrib sunken on the upper surface, secondary veins 13—16 pairs, parallel, slightly arcuate, intersecondaries absent, tertiaries numerous, fine, obliqúe. Petiole 1—2 cm long, strongly channelled in the upper half, subglabrous; stipels present near the apex of the petiole or on the lower midrib at the base of the lamina, ca. 1 mm long, paired. Fasciclescauliflorous, many-flowered. Pedicel 7-10 mm long, finely Rodriguésia 57 (2): 251-366. 2006 SciELO/JBRJ1 2 13 14 15 16 17 18 Flora da Reserva Ducke: Sapotaceae 365 5 cm , . , . Wf. u frnit (Ducke 1663). c-d. Prudosia schomburgkiana • Figura 35 - a-b. Pradosia cochleana subsp_ praealta - a. ha . ^ vertici„'ata . e. habit; f. sced (Ducke 881). c. habit (Clark A Maqutnno 7619)-, d. seed (Ltesner3J6 ). • {\0wcr (Wunlack A Monachino 39595)\ g-j. Diploon cuspidatum - g. habit; h.detail of venation (Halschbach 19595). i. liowcrtw j. seed ( Hatschbach 20951). Rodriguésia 57 (2): 251-366. 2006 SciELO/JBRJ, L2 13 14 15 16 17 cm .. 366 appressed puberulous. Sepals 3-5 mm long, frnely appressed puberulous outside, the inner ones with a broad glabrous margin. Corolla 7.5-8 mm long, tube much shorter than the lobes, subglabrous. Stamens fíxed at the top of the corolla tube, glabrous. Ovary conical, appressed puberulous, tapered gradually into the style. Fruit unknown. Field characters: Unbuttressed tree to 12 m high and 14 cm diam., bark hard, scaling in small pieces, slash light orange, fibrous, exuding drops of white latex. Flowering in November. Known only from a single collection from the PDBFF Dimona Reserve in central Amazônia. PDBFF: Fazenda Dimona, Kukle 75 (K). This plant differs from P grisebachii, which is known only from Venezuela, in its much larger flowers, which are twice the size, in its sub-verticillate leaves and in the position of the stipels at the apex of the petiole, or attached to the lower midrib at the base of the leaf (in P grisebachii they are attached in the lower half or midway up the petiole). The other Amazonian species with petiole stipels, P. atroviolacea, also has much smaller flowers and lacks the indumentum on the lower leaf surface. 10. Diploõn Diploõn Cronquist, A. J. Buli. Torrey Bot. Club 73: 466. 1946. Unarmed trees. Stipules absent. Leaves alternate and distichous. Venation brochidodromous, with a submarginal vein, intersecondaries long, extending to the margin, giving the leaves a somewhat striate appearance. Calyx a single whorl of 5 sepals. Corolla rotate, with a very short tube and much longer lobes, lobes 5, simple. Stamens fíxed at the top of the corolla tube, exserted. Staminodes absent. Disk absent. Ovary 1-locular with 2 basal ovules. Seed with small basal or basi- ventral scar; embryo with plano-convex cotyledons, endosperm absent. A single species in South America. Pennington, T D. 10.1 Diploõn cuspidatum (Hoehne) Cronquist, Buli. Torrey Bot. Club. 73: 466. 1 946; Pennington, T. D., Fl. Neotrop. 52: 669, fig. 44. 1990. Fig. 35 g-j Chrysophyllum cuspidatum Hoehne, Ostenia 302, tab. 8. 1933. Young shoots minutely appressed puberulous. Leaves 6.5— 1 1.5 x 2—4 cm, elliptic to oblanceolate, apex narrowly acuminate or caudate, base narrowly attenuate, glabrous; venation brochidodromous, midrib slightly raised on the upper surface, secondary veins 17-20 pairs joining to form a submarginal vein, parallel, straight or slightly arcuate, intersecondaries long, often extending to the margin, tertiaries parallel to the secondaries and descending from the margin. Petiole 4-8 mm long, slightly channelled, subglabrous. Fascicles 3— 10-flowered, axillary and below the leaves. Pedicel 4—5 mm long, sparsely appressed puberulous. Flowers bisexual. Sepals 1—1.5 mm long, sparsely appressed puberulous outside. Corolla 2.5- 3 mm long, tube ca. 0.5 mm long, lobes 2- 2.5 mm long, broadly elliptic, apex rounded or slightly hooded, glabrous. Stamens with filaments 1-1.5 mm long, anthers 1-1.25 mm long, glabrous. Ovary ovoid, glabrous, style 0.5-1 mm l°ngi glabrous, style-head simple. Fruit 1.8- 2 cm long, broadly ellipsoid to globose, apex and base rounded, smooth, glabrous. Seed solitary, ca. 1 .5 cm long, broadly ellipsoid, not laterally compressed, rounded at base and apex, testa smooth, shining; scar basal or basi-ventral, ca. 7x5 mm. Field characters; Tree to 30 m high and 50 cm diam., buttressed and with slightly fluted bole. Bark reddish-brown, scaling, with white latex. Flowers creamish-white, fruit maturing reddish to black. Flowering September to December, fruit maturing November to February. Widely distributed from Venezuela and Guyanato Southern Amazonian Peru and Bolivia, also in Coastal Brazil from Alagoas to Paraná. A tree of lowland rainforest on non-flooded land. Not recorded from Reserva Ducke. AMAZONAS: Manaus-Caracaraíkm 39, A. P. Silva s.n. INPA108274 (1NPA). Kodriguésia 57 (2): 251-366. 2006 SciELO/ JBRJ 2 13 14 15 16 17 18 cm Flora da Reserva Ducke, Amazonas, Brasil: Tiliaceae Gerleni Lopes Esteves' Schumann, K. 1 886. Tiliaceae. In: C. F. P. Martius & A. G Eicher (eds.). Fl. bras. 1 2(3): 1 1 7-200, tabs.25-39. Burret, M. 1926. Beitrage zur Kenntnis derTiliaceen. Notizbl. Bot. Gart. Berlin-Dahlem, 9:592-880. Seter, H. L. 1977. A revision of neotropical Tiliaceae: Apeiba, Luehea and Lueopsis. Tese de Doutorado. University of Kentucky. 207p. Árvores altas; indumento dos ramos e folhas constituído de tricomas estrelados e/ou simples. Folhas simples, alternas; lâminas inteiras. Inflorescências cimosas. Flores monoclinas; epicálice presente em Lueheopsis ; sépalas 5, valvares, livres entre si; pétalas imbricadas; estames numerosos; filetes conatos na base formando o tubo estaminal; anteras 2- tecas, 4-esporangiadas, rimosas; estaminódios presentes ou ausentes; ginóforo presente ou ausente; ovário 2-muitos lóculos; óvulos ( l-)2- muitos por lóculo; estiletes colunares ou divididos em tantos ramos quantos forem os carpelos; estigmas lobados ou denteados. Frutos capsulares, lisos ou recobertos de acúleos, deiscência loculicida ou poricida. Sementes aladas ou não; embrião reto ou curvo; cotilédones em geral foliáceos. Família com cerca de 50 gêneros e 450 espécies predominantemente tropicais. Na flora da Reserva Ducke ocorrem duas espécies: Apeiba echinata e Lueheopsis rosea. Chave para os táxons de Tiliaceae da Reserva Ducke 1. Face abaxial das lâminas foliares densamente recoberta de tricomas estrelados mmusculos, alvos e ferrugíneos misturados; flores sem epicálice; estaminódios petalóides; ginóforo presente; cápsulas, recobertas de acúleos, globoso-achatadas, com deiscência poricida .......... v 1. Apeiba echinata V. Face abaxial das lâminas foliares lanuginosa, inteiramente ferrugínea; flores com epicálice, estaminódios fimbriados; ginóforo aussente; cápsulas desprovidas de acúleos, reco rtas e tricomas estrelados, oval-oblongas, com deiscência loculicida na metade apical *-• ue eopsis n 1. Apeiba Apeiba Aubl. Hist. pl. Guiane. 1:536, 1775. Árvores altas, tronco sem sapopemas; indumento dos ramos e folhas pubescente. Folhas pecioladas, lâminas inteiras. Inflorescências opositifólias. Flores pediceladas; epicálice ausente; sépalas livres entre si, oval-lanceoladas; pétalas obovadas, ápice arredondado; estames numerosos; filetes concrescidos na base; anteras lineares, com extensão apical estéril bifurcada, tecas paralelas entre si; estaminódios presentes; ginóforo presente; ovário sub-globoso, multilocular, multiovulado por lóculo; estiletes colunares; estigmas curtamente denteados. Cápsulas globoso-achatadas, recobertas de acúleos, deiscência poricida. Sementes 1 Instituto de Botânica de São Paulo, C.P. 4005, globosas, não aladas; embrião reto; cotilédones foliáceos. Gênero neotropical com cerca de sete espécies predominantemente arbóreas. 1.1 Apeiba echinata Gaert. Fruct. 2 (121): 189. 1802. Árvores 1 5—25 m alt.; tronco 20—30 cm diâm. Folhas com pecíolos de 1,3-2, 5 cm compr.; lâminas 7,2-16 x 3, 7-5, 7 cm, elípticas a oblongas, ápice longamente atenuado- acuminado, margem levemente crenada a serreada na porção apical, quase inteira na porção basal, 5-nervadas na base, nervuras laterais 5-7, escuras, face adaxtal nigrescente. quase glabra, com tricomas estrelados esparsos sobre as nervuras, lace -970, SãoPaulo, SP, Brasil, gcrlcniibot@yuhoo.com.br SciELO/JBRJ .2 13 14 15 16 17 cm Esteves, G. L abaxial esverdeada, com tricomas estrelados minúsculos alvos e ferrugíneos, entre as nervuras basais e laterais tufos de tricomas estrelados ferrugíneos. Flores com pedicelos até 1 cm compr.; sépalas ca. 2 cm compr., carnosas, cuculadas na parte apical, amarelas; pétalas 1,3-1, 5 cm compr., largamente obovadas, amarelas; filetes curtos; estaminódios menores que os estames, petalóides; ginóforo curto. Cápsulas 6-7 cm diâm., acúleos uncinados, escuros, glabros, delgados. Venezuela, Guiana, Suriname, Guiana Francesa e Norte do Brasil. Floresta de baixio. Nome local: pente de macaco. 3.XI.1994, Ribeiro etal. 1483 (INPA, SP). Material adicional examinado: 1 1 .VIII. 1 966 (fr.) Rodrigues & Osmarino 822 (INPA); 15.IV.1966 (fr.) Rodrigues & Coelho 7686 (INPA). Espécie facilmente reconhecida pela presença de um tufo de tricomas estrelados na axila das nervuras basais e laterais das lâminas foliares. 2. Lueheopsis Lueheopsis Burret, Beitrâge zur Kenntnis der Tiliaceen. Notizbl. Bot. Gart. Berlin-Dahlem, 9: 838. 1926. Árvores; indumento constituído de tricomas estrelados. Folhas curtamente pecíoladas; lâminas inteiras. Inflorescências axilares e terminais; flores curtamente pediceladas; epicálice gamofilo, lobado; cálice com comprimento maior que o epicálice; sépalas livres entre si, carnosas; pétalas com tricomas estrelados na base; estames numerosos, agrupados em falanges conatas na base formando o tubo estaminal; anteras 2-tecas, lineares, rimosas, tecas divergentes na metade apical; estaminódios 5, fimbriados; ginóforo ausente; ovário 5-locular, multiovulado por lóculo; estiletes colunares, levemente dilatado na porção apical; estigmas 5-lobados. Cápsulas sublenhosas, sem acúleos, pubescentes a glabrescentes, tricomas estrelados, deiscência loculicida na metade apical. Sementes ovóides; embrião reto, cotilédones foliáceos. Gênero com cerca de cinco espécies distribuídas na região neotropical. 2.1 Lueheopsis rosea (Ducke) Burret. Notizbl. bot. gart. Berlin-Dahlem, 9: 840. 1926. Árvores 18—20 m alt.; tronco tortuoso; ramos jovens densamente recobertos de tricomas estrelados, glabrescentes. Folhas com pecíolos de 0,5-10 mm compr.; lâminas 9,5-29 x 4,3- 1 0 cm, obovadas a largo-elípticas, ápice atenuado-acuminado, base obtusa, margem inteira na porção basal, esparsamente serreada na porção apical, dentes proeminentes, 3-nervadas na base, nervuras laterais ca. 4 (incluindo as basais), discolores, face adaxial glabra, face abaxial lanuginosa, ferrugínea. Flores com pedicelos de 3-4 mm compr., pubescentes, ticomas estrelados ferrugíneos; epicálice ca. 3 mm compr., 6-lobado, ferrugíneo, lobos oval-agudos; sépalas 9—12 mm compr., róseas, face dorsal pilosa, face ventral glabras; pétalas 12—14 mm compr., lilás; tubo estaminal glabro, estaminódios maiores que os estames. Cápsulas ca. 3 cm compr., oval-oblongas, rostradas; sementes aladas. Guiana, Suriname, Guiana Francesa e Norte do Brasil (Amazonas, Pará). Floresta de vertente e de platô. Nome local: açoita-cavalo. 17. VII. 1995, Sothers et al. 521 (INPA, SP); 15.VII.1995, Hopkins et al. 1572 (INPA, SP); 11. VIII. 1995, Ribeiro et al. 1100 (INPA); 23.VIII.1995, Assunção & Pereira 229 (INPA); 11.X.1994, Vicentini et al. 729 (INPA); 1 1.VUI.1995, Costa etal. 341 (INPA, SP); 8. VIU. 1997, Assunção et al. 603 (INPA, SP). Lueheopsis rosea assemelha-se a L. dukeana por ambas apresentarem a face abaxial das folhas lanuginosas e as sépalas glabras na face ventral, entretanto, pode ser distinta pelos ramos floridos, pedicelos e epicálice recobertos de tricomas estrelados minúsculos e pelas flores comparativamente menores com o epicálice lobado até a metade do seu comprimento total; ao passo que L. dukeana apresenta os ramos floridos, pedicelos e epicálice vilosos, as flores comparativamente maiores, com epicálice curtamente lobado. Rndrigudsia 57 (2): 367-368. 2006 SciELO/JBRJ 12 13 14 15 16 17 cm INSTRUÇÕES AOS AUTORES Escopo A Rodriguésia é uma publicação quadrimestral do Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro, que publica artigos e notas científicas, em Português, Espanhol ou Inglês em todas as áreas da Biologia Vegetal, bem como em História da Botânica e atividades ligadas a Jardins Botânicos. Encaminhamento dos manuscritos Os manuscritos devem ser enviados em 3 vias impressas à: Revista Rodriguésia Rua Pacheco Leão 9 1 5 Rio de Janeiro - RJ CEP: 22460030 Brasil Fone: (0xx2 1 ) 3204-25 19 / 3204-2 1 30 Os artigos devem ter no máximo 30 páginas digitadas, aqueles que ultrapassem este limite poderão ser publicados após avaliação do Corpo Editorial. O aceite dos trabalhos depende da decisão do Corpo Editorial. Todos os artigos serão submetidos a 2 consultores ad hoc. Aos autores será solicitado, quando necessário, modificações de torma a adequar o trabalho às sugestões dos revisores e editores. Artigos que não estiverem nas normas descritas serão devolvidos. Serão enviadas aos autores as provas de página, que deverão ser devolvidas ao Corpo Editorial em no máximo 5 dias úteis a partir da data do recebimento. Os trabalhos, após a publicação, ficarão disponíveis em formato digital (PDF, AdobeAcrobat) no site do Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro (http;// Formato dos manuscritos Os autores devem utilizar o editor do texto Microsoft Word , versão 6.0 ou superior, fonte Times New Roman, corpo 12, em espaço duplo. O manuscrito deve ser formatado em tamanho A4, com margens de 2,5 cm e alinhamento justificado, exceto nos casos indicados abaixo, e impresso em apenas um lado do papel. Todas as páginas, exceto a do título, devem ser numeradas, consecutivamente, no canto superior direito. Letras maiusculas devem ser utilizadas apenas se as palavras exigem iniciais maiusculas, de acordo com a respectiva língua do manuscrito. Não serão considerados manuscritos escritos inteiramente em maiusculas. Palavras em latim devem estar em itálico, bem como os nomes científicos genéricos e infragcnéricos. Utilizar nomes científicos com-pletos (gênero, espécie e autor) na primeira men-çâo, abreviando o nome genérico subseqüente-mente, exceto onde referência a outros gêneros cause confusão. Os nomes dos autores de táxons devem ser citados segundo Brummitt & Powell (1992), na obra “Authors of Plant Names”. Primeira página - deve incluir o título, autores, instituições, apoio financeiro, autor e endereço para correspondência e título abreviado. O título deverá ser conciso e objetivo, expressando a idéia geral do conteúdo do trabalho. Deve ser escrito em negrito com letras maiúsculas utilizadas apenas onde as letras e as palavras devam ser publicadas em maiúsculas. Segunda página - deve conter Resumo (incluindo título em português ou espanhol), Abstract (incluindo título em inglês) e palavras-chave (até 5, em português ou espanhol e inglês). Resumos e abstracts devem conter até 200 palavras cada. O Corpo Editorial pode redigir o Resumo a partir da tradução do Abstract em trabalhos de autores não fluentes em português. Texto - Iniciar em nova página de acordo com sequência apresentada a seguir: Introdução, Material c Métodos, Resultados, Discussão, Agradecimentos e Referências Bibliográficas. Estes itens podem ser omitidos em trabalhos sobre a descrição de novos táxons, mudanças nomcnclaturuis ou similares. O item Resultados pode ser agrupado com Discussão quando mais adequado. Os títulos (Introdução, Material e Métodos etc.) e subtítulos deverão serem negrito. Enumere as figuras c tabelas em arábico de acordo com a scqUência em que as mesmas aparecem no texto. As citações de referências no texto devem seguir os seguintes exemplos: Miller(1993),Miller&Maier(1994), Baker et al (1996) para três ou mais autores ou (Millcr 1993), (Miller&Maier 1994), (Baker et ai 1996). Referência a dados ainda não publicados ou trabalhos submetidos deve ser citada conforme o exemplo: (R.C. Vieira, dados não publicados). Cite resumos de trabalhos apresentados em Congressos, Encontros e Simpósios se estritamente necessário. SciELO/JBRJ 12 13 14 15 16 17 cm .. O material examinado nos trabalhos taxonômicos deve ser citado obedecendo a seguinte ordem: local e data de coleta, fl.» fr., bot. (para as fases fenológicas), nome e número do coletor (utilizando et al. quando houver mais de dois) e sigla(s) do(s) herbário(s) entre parêntesis, segundo o Index Herbariorum. Quando não houver número de coletor, o número de registro do espécime, juntamente com a sigla do hcrbário.deverá ser citado. Os nomes dos países e dos estados/províncias deverão ser citados por extenso, em letras maiúsculas e em ordem alfabética, seguidos dos respectivos materiais estudados. Exemplo: BRASIL. BAHIA: Ilhéus, Reserva da CEPEC, 1 5.XII. 1 996, fl. e fr., R. C. Vieira et al. 10987 (MBM, RB. SP). Para números decimais, use vírgula nos artigos em Português e Espanhol (exemplo: 10,5 m) e ponto em artigos em Inglês (exemplo: 10.5 m). Separe as unidades dos valores por um espaço (exceto em porcentagens, graus, minutos e segundos). Use abreviações para unidades métricas do Systeme Internacional d'Unités (SI) e símbolos químicos amplamente aceitos. Demais abreviações podem ser utilizadas, devendo ser precedidas de seu significado por extenso na primeira menção. Referências Bibliográficas — Todas as referências citadas no texto devem estar listadas neste item. As referências bibliográficas devem ser relacionadas em ordem alfabética, pelo sobrenome do primeiro autor, com apenas a primeira letra em caixa alta, seguido de todos os demais autores. Quando houver repetição do(s) mesmo(s) autor(es), o nome do mesmo deverá ser substituído por um travessão; quando o mesmo autor publicar vários trabalhos num mesmo ano, deverão ser acrescentadas letras alfabéticas após a data. Os títulos de periódicos não devem ser abreviados. Exemplos: Tolbert, R. J. & Johnson, M. A. 1966. A survey of the vegetative shoot ápices in the family Malvaceae. American Journal of Botany 53(10)- 961-970. Engler, H. G A. 1 878. Araceae. In: Martius, C. F. P. von, Eichler, A. W. & Urban, I. Flora brasiliensis. Munchen, Wien, Leipzig, 3(2): 26-223. . 1930. Liliaceae. In: Engler, H. G A. & Plantl, K. A. E. Die Naturlichen Pflanzenfamilien. 2. Aufl. Leipzig (Wilhelm Engelmann). 15: 227-386. Sass, J. E. 195 1. Botanical microtechnique. 2ed. Iowa State College Press, Iowa, 228p. Cite teses e dissertações se estritamente necessário, isto é, quando as informações requeridas para o bom entendimento do texto ainda não foram publicadas em artigos científicos. Tabelas - devem ser apresentadas em preto e branco, no formato Word for Windows. No texto as tabelas devem ser sempre citadas de acordo com os exemplos abaixo: “Apenas algumas espécies apresentam indumento (Tabela 1)...” “Os resultados das análises fitoquímicas são apresentados na Tabela 2...” Figuras - não devem ser inseridas no arquivo de texto. Submeter originais em preto e branco e três cópias de alta resolução para fotos e ilustrações, que também podem ser enviadas em formato eletrônico, com alta resolução, desde que estejam em formato TIF ou compatível com CorelDraw, versão 10 ou superior. Ilustrações de baixa qualidade resultarão na devolução do manuscrito. No caso do envio das cópias impressas a numeração das figuras, bem como textos nelas inseridos, devem ser assinalados com Letraset ou similar em papel transparente (tipo manteiga), colado na parte superior da prancha, de maneira a sobrepor o papel transparente à prancha, permitindo que os detalhes apareçam nos locais desejados pelo autor. Os gráficos devem ser em preto e branco, possuir bom contraste e estar gravados em arquivos separados em disquete (formato TIF ou outro compatível com CorelDraw 10). As pranchas devem possuir no máximo 15 cm larg. x 22 cm comp. (também serão aceitas figuras que caibam em uma coluna, ou seja, 7,2 cm larg.x 22 cm comp.). As figuras que excederem mais de duas vezes estas medidas serão recusadas. As imagens digitalizadas devem ter pelo menos 600 dpi de resolução. No texto as figuras devem ser sempre citadas de acordo com os exemplos abaixo: “Evidencia-se pela análise das Figuras 25 e 26....” Lindman (Figura 3) destacou as seguintes características para as espécies..." Apos feitas as correções sugeridas pelos assessores e aceito para a publicação, o autor deve enviar a versão final do manuscrito em duas vias impressas e em uma eletrônica. SciELO/JBRJ L2 13 14 15 16 17 INSTRUCCIONES A LOS AUTORES Generalidades Rodriguésia es una publicación quadrimestral dei Instituto de Investigaciones dei Jardín Botânico de Rio de Janeiro, la cual publica artículos y notas científicas, en Português, Espanol y Inglês en todas las áreas de Biologia Vegetal, asi como en Historia de la Botânica y actividades ligadas a Jardines Botânicos. Preparación dei manuscrito Los manuscritos deben ser enviados en tres copias impresas a la: Revista Rodriguésia Rua Pacheco Leão 9 1 5 Rio de Janeiro -RJ CEP: 22460-030 - Brasil Fone: (0xx2 1 ) 3204-25 19 / 3204-2 1 30 Los artículos pueden tener una extensión máxima de 30 páginas (sin contar cuadros y figuras), los que se extiendan más de 30 páginas podrán ser publicados después de ser evaluados por el Consejo Editorial. La aceptación de los trabajos depende de la decisión dei Comité Científico. Todos los artículos serán examinados por dos consultores ad hoc. A los autores será solicitado, cuando sea ncccsario, modificaciones para adecuar cl manuscrito para adecuarlo a las sugercncias de los revisores y editores. Artículos que no sigan las normas descritas serán dcvueltos. Serán enviados a los autores las pruebas de página, las cualcs deberán ser devueltas al Consejo Editorial en un plazo máximo de cinco dias a partir de la fecha de recibimiento. Después de publicados los artículos estarán disponibles en formato digital (PDF, AdobeAcrobat) en el site dei Instituto de Investigaciones dei Jardín Botânico de Rio de Janeiro (http://www.jbrj.gov.br). Preparación de los manuscritos Los autores deben utilizar el editor de texto Microsoft Word 6.0 o superior, letra Times New Roman 12 puntos y doble espacio. El manuscrito debe estar formateado en hojas tamano A4, impresas por un solo lado, con márgenes 2,5 cm en todos los lados de la página y el texto alineado a la izquierda y a la dcrecha, excepto en los casos indicados abajo. Todas las páginas, excepto el título, deben ser numeradas, consecutivamente, en la esquina superior dcrecha. Las letras mayúsculas deben ser utilizadas apenas en palabras que exijan iniciales mayúsculas, de acuerdo con el respectivo idioma usado en el manuscrito. No serán considerados manuscritos escritos completamente con letras mayúsculas. Palabras en latín, nombres científicos genéricos e infra-genéricos deben estar escritas en letra itálica. Utilizar nombres científicos completos (género, especie y autor) solo la primera vez que sean mencionados, abreviando el nombre genérico en las próximas veces, excepto cuando los otros nombres genéricos sean iguales. Los nombres de autores dc los taxones deben ser citados siguiendo Brummitt & Powell (1992) en la obra “Authors of Plant Namcs". Primera página - debe incluir el titulo, autores, afiliación profesional, financiamiento, autor y dirección para correspondência, así como título abreviado. El título deberá ser conciso y objetivo, expresando la idea general dei contenido dei artículo; además, debe ser escrito en negrita con letras mayúsculas utilizadas apenas donde las letras y las palabras deban ser publicadas en mayúsculas. Segunda página - debe tener un Resumcn (incluyendo título en português o espanol), Abstract (incluyendo título en inglês) y palabras clave (hasta cinco, en português o espanol e inglês). Resúmenes y “abstracts" llevan hasta 200 palabras cada uno. El Consejo Editorial puede traducir el “abstract”, para hacer el Resumen en trabajos de autores que no tienen fluência en português. Texto - iniciar en una nucva página dc acucrdo con secuencia presentada a seguir: Introduccion. Materiales y Métodos, Resultados, Discusión, Agradecimientos y Referencias Bibliográficas. Estas secciones pueden ser omitidas en trabajos relacionados con la descripción dc nuevos taxones, câmbios nomenclaturalcs o similares. La sección Resultados puede ser agrupada con Discusión cuando sc considere pertinente. Las secciones (Introducción, Material y Métodos, etc.) y subtítulos deberán ser escritas en negritas. Las figuras y las tablas se deben numerar en arábigo de acucrdo con la secuencia en que las mismas aparezean en el texto. Las citaciones de referencias enel texto deben seguir los ejcmplos: Millcr ( 1 993). Miller & Maier ( 1 994), Baker et al. ( 1 996) para tres o mas autores o (Millcr. 1993), (Miller & Maier, 1 994), (Baker et al. , 1 996). Las referencias a datos todavia no publicados o trabajos sometidos a publicación deben ser citados conforme al ejemplo: (R.C. Vieira, com. pers. o R.C. Vieira obs. pers.). Cite resúmenes de trabajos presentados en Congrcsos, Encucntros y Simpósios cuando sea estrictamente necesario. SciELO/JBRJ 12 13 14 15 16 17 cm .. El material examinado en los trabajos taxonómicos debe ser citado obedeciendo el siguiente orden: lugar y fecha de colección, fl., fr., bot. (para las fases fenológicas), nombre y número dei colector (utilizando et ai cuando existan más de dos) y sigla(s) de lo(s) herbario(s) entre parêntesis, siguiendo el Index Herbariorum. Cuando no exista número de colector, el número de registro dei espécimen, juntamente con la sigla dei herbário, deberá ser citado. Los nombrcs de los países y de los estados o províncias deberán ser citados por extenso, en letras mayúsculas y en orden alfabética, seguidos de los respectivos materialcs estudiados. Ejcmplo: BRASIL. BAHIA: Ilhéus, Reserva da CEPEC, 15.XII. 1996, fl. y fr., /?. C. Vieiraetal. 709S7(MBM RB, SP). Para números decimales, use coma en los artículos en Português y Espanol (ejemplo: 10,5 m) y punto en artículos en Inglês (ejemplo: 10.5 m). Separe las unidades de los valores por un espacio (excepto en porcentajes, grados, minutos y segundos). Use abreviaciones para unidades métricas dei Systeme Internacional d’Unités (SI) y símbolos químicos ampliamente aceptados. Las otras abreviaciones pueden ser utilizadas, debiendo ser precedidas de su significado por extenso en la primera mención. Referencias Bibliográficas - Todas las referencias citadas en el texto deben ser listadas en esta sección. Las referencias bibliográficas deben ser ordenadas en orden alfabético por apellido dei primer autor, solo la primera letra debe estar en caja alta, seguido de todos los demás autores. Cuando exista repetición del(los) mismo(s) autor(es), el nombre dei mismo deberá ser substituído por una raya; cuando el mismo autor tenga vários trabajos en un mismo ano, deberán ser colocadas letras alfabéticas después de la fecha. Los títulos de revistas no deben ser abreviados. Ejemplos: Tolbcrt, R. J. & Johnson, M. A. 1 966. A survey of the vegetative shoot ápices in the family Malvaceae. American Journal of Botany 53(10): 961 -970. Engler, H. G A. 1878. Araceae. In: Martius, C. F. P. von; Eichler, A. W. & Urban, I. Flora brasiliensis. Munchen, Wien, Leipzig, 3(2): 26-223. . 1 930. Liliaceae. In: Engler, H. G A. & Plantl, K. A. E. Die Naturlichen Pflanzenfamilien. 2. Aufl. Leipzig (Wilhelm Engelmann). 15: 227-386. Sass, J. E. 195 1 . Botanical microtechnique. 2ed. Iowa State College Press, Iowa, 228p. Cite tesis y disertacioncs si es estrictamente necesario, o cuando las informaciones requeridas para un mejor entendimiento dei texto todavia no fueron publicadas en artículos científicos. Tablas - deben ser presentadas en blanco y negro, en el formato Word para Windows. En el texto las tablas deben estar siempre citadas de acuerdo con los ejemplos abajo: “Apenas algunas especies presentan indumento(Tabla 1)...” “Los resultados de los análisis fitoquímicos son presentados en la Tabla 2...” Figuras - no deben ser inseridas en el archivo de texto. Someter originales en blanco y negro tres copias de alta resolución para fotos y ilustraciones, que también puedan ser enviadas en formato electrónico, con alta resolución, desde que sean en formato JPG o compatible con CorelDraw versión 9 o superior. Ilustraciones de baja calidad causaran la devolución dei manuscrito. En el caso de envio de las copias impresas la numeración de las figuras, así como, textos en ellas inseridos, deben ser marcados con Letraset o similar en papel transparente (tipo mantequilla), pegado en la parte superior de la figura, de manera que al colocar el papel transparente sobre la figura permitiran que los detalles aparezean en los lugares deseados por el autor. Los gráficos deben ser en blanco y negro, con excelente contraste y gravados en archivos separados en disquete (formato JPG o otro compatible con CorelDraw 10.). Las figuras se publican con un de máximo 1 5 cm de ancho x 22 cm de largo, también serán aceptas figuras dei ancho de una columna - 7,2 cm. Las figuras que excedan más de dos veces estas medidas serán devueltas. Es necesario que las figuras digitalizadas tengan al menos 600 dpi de resolución. En el texto las figuras deben ser siempre citadas de acuerdo con los ejemplos de abajo: Evidencia para el análisis de las Figuras 25 y 26...” Lindman (Figura 3) destacó las siguientes características para las especies...” Después de haccr las correcciones sugeridas por los asesores y siendo aceptado el artículo para publicación, el autor debe enviar la versión final dei manuscrito en dos copias impresas y en una copia electrónica. Identifique el disquete con nombre y número dei manuscrito. SciELO/JBRJ .2 13 14 15 16 17 18 INSTRUCTIONS TO AUTHORS Scope Rodriguésia, issued three times a year by the Botanical Garden of Rio de Janeiro Research Institute (Instituto de Pesquisa Jardim Botânico do Rio de Janeiro), publishes scientific articles and short notes in all areas of Plant Biology, as well as History of Botany and activities linked to Botanic Gardens. Articles are published in Portuguese, Spanish or English. Submission of manuscripts Manuscripts are to be submitted with 3 printed copies (we will request the text on diskette or as an e-mail attachment after the review stage) to: Revista Rodriguésia Rua Pacheco Leão 915 Rio de Janeiro - RJ CEP: 22460-030 Brazil Fone: (0xx2 1 ) 3204-25 1 9 / 3204-2 1 30 The maximum recommended length of the articles is 30 pages, but larger submissions may be published after evaluation by the Editorial Board. The articles are considered by the Editorial Board of the pcriodical, and sent to 2 refcrees ad hoc. The authors may be asked, when deemed neccssary, to modify or adapt the submission according to the suggestions of the referees and the editors. Once the article is accepted, it will be type-set and the authors will receive proofs to review and send back in 5 working days from receipt. Following their publication, the articles will be available digitally (PDF, Adobe Acrobat) at the site of the Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro (http://www.ibri. gov.br). Guidelines Manuscripts must be prescnted in Microsoft Word software (vs 6.0 ou more recent), with Times New Roman font size 12, double spaced. Page format must be size A4, margins 2,5 cm, justified (except in the cases explained below), printed on one side only. All pages, except the title page, must be numbered in the top right comer. Capital letters to be used only for initials, according to the language. Latin words must be in italics (incl. genera and all other categories below generic levei), and the scientific names have to be complete (genus. species and author) when they First appear in the text, and afterwards the genus can be abbreviated and the authority of the namc suppresscd, unless for some reason it may be cause for confusion. Names of authors to be cited according to Brummitt & Powell (1992), “Authors of Plant Names”. First page - must include title, authors, addresses, financial support, main author and contact address and abbreviated title. The title must be short and objective, expressing the general idea of the contents of the article. It must appear in bold with capital letters where relevant. Second page — must contain a Portuguese summary (including title in Portuguese or Spanish), Abstract (including title in English) and key-words (up to 5, in Portuguese or Spanish and in English). Summaries and abstracts must contain up to 200 words each. The Editorail Board may translate the Abstract into a Portuguese summary if the authors are not Portuguese speakers. Text - starting on a new page, according to the following scquence: Introduction, Material and Methods, Results, Discussion, Acknowledgements and Rcferences. Some of these items may be omitted in articles describing new taxa or presenting nomenclatural changes, etc. In some cases, the Results and Discussion can be mergcd. Titles (Introduction, Material and Methods, etc.) and subtitles must be in bold typc. Number figures and tables in 1-10 etc., according with the sequcnce these occupy within the text. Rcferences within the text should be in the following forms: Miller ( 1 993), Miller & Maier ( 1 994), Baker et al. ( 1 996) for three or more authors or (Miller 1993), (Miller & Maier 1994). (Baker etal. 1996). Unpublishcddata should appear as: (R. C. Vieira, unpublished). Conference, Symposia and Mcctings abstracts should only be cited if strictly neccssary. For Taxonomic Botany articles, the cxamincd material ought to be cited following this ordcr: locality and date of collcction, phcnology (11., fr., , bud), name and number of collector (using et al. when more than two collcctors wcre prcsent) and acronym of the herbaria bctwccn brackcts, according to Index Herbariorum. When the collector’s number is not available, lhe herbarium record number should be cited prcceded by the Hcrbarium’s acronym. Names of countries and states/provinces should be cited in full, in capital SciELO/JBRJ 12 13 14 15 16 17 cm .. letters and in alphabetic order, followed by the material studied, for instance: BRASIL. BAHIA: Ilhéus, Reserva da CEPEC, 1 5.XII. 1 996, fl. e fr., R. C. Vieira et al. 10987 (MBM, RB, SP). Decimal numbers should be separated by comma in articles in Portuguese and Spanish (e.g.: 10,5 m), full stop in English (e.g.: 10.5 m). Numbers should be separated by space from the unit abbreviation, except in percentages, degrees, minutes and seconds. Metric units should be abbreviated according to the Système Internacional d'Unités (SI), and Chemical symbols are allowed. Other abbreviations can be used as long as they are explained in full when they appear for the first time References - All references cited in the text must be listed within this section in alphabetic order by the sumame of the first author, only the first letter of sumames in upper case, and all other authors must be cited. When there are several works by the same author, the sumame is substituted by a long dash; when the same author publishes more than one work in the same year, these should be differentiated by lower case letters suffixing the year of publication. Titles of papers and joumals should be in full and not abbreviated. Examples: Tolbert, R. J. & Johnson, M. A. 1966. A survey of the vegetative shoot ápices in the family Malvaceae. American Journal of Botany 53(10): % 1-970. Engler, H. G. A. 1 878. Araceae. In: Martius, C. F. P. von; Eichler, A. W. & Urban, I. Flora brasiliensis. Munchen, Wien, Leipzig, 3(2): 26-223. . 1930. Liliaceae. In: Engler, H. G A. & Plantl, K. A. E. Die Naturlichen Pflanzenfamilien. 2. Aufl. Leipzig (Wilhelm Engelmann). 15: 227-386. Sass, J. E. 1 95 1 . Botanical microtechnique. 2ed. Iowa State College Press, Iowa, 228p. MSc and PhD thesis should be cited only when strictly necessary, if the information is as yet unpublished in the form of scientific articles. Tables - should be presented in black and white, in the same software cited above. In the text, tables should be cited following in the examples below: “Only a few species present hairs (Table 1)...” “Results to the phytochemical analysis are presented in Table 2...” Figures (must not be included in the file with text) - submit originais in black and white high good quality copies for photos and illustrations, or in electronic form with high resolution in format TIF 600 dpi, or compatible with CorelDraw (vs. 10 or more recent). Scripts submitted with low resolution or poor quality illustrations will be retumed to the authors. In case of printed copies, the numbering and text of the figures should be made on an overlapping sheet of transparent paper stuck to the top edge of the plates, and not on the original drawing itself. Graphs should also be black and white, with good contrast, and in separate files on disk (format TIF 600 dpi, or compatible with CorelDraw 10). Plates should be a maximum of 15 cm wide x 22 cm long for a full page, orcolumn size, with 7,2 cm wide and 22 cm long. The resolution for grayscale images should be 600 dpi. In the text, figures should be cited according to the following examples: “It is made obvious by the analysis of Figures 25 and 26....” “Lindman (Figure 3) outlined the following characters for the species...” After adding modifications and corrections suggested by the two reviewers, the author should submit the final version of the manuscript electronically plus two printed copies. SciELO/JBRJ _2 13 14 15 16 17 I cm 1234 SciELO/JBRJ RODRIGUÉSIA Revista do Jardim Botânico do Rio de Janeiro Volume 57 Número 3 2006 IV Jt mm- JARDIM BOTÂNICO DORIO DEJANEIRO SciELO/JBRJ cm .. INSTITUTO DE PESQUISAS JARDIM BOTÂNICO DO RIO DE JANEIRO Rua Jardim Botânico 1008 - Jardim Botânico - Rio de Janeiro - RJ - Tel.: 3204-2519 - CEP 22460-180 © JBRJ ISSN 0370-6583 Indexação: e-Joumals Index of Botanical Publications (Harvard University Herbaria) Latindex Referativnyi Zhumal Review of Plant Pathology Ulrich’s International Periodicals Directory Edição eletrônica: www.jbrj .gov.br Presidência da República LUIS INÁCIO LULA DA SILVA Presidente Ministério do Meio Ambiente MARINA SILVA Ministra CLÁUDIO LANGONE Secretário Executivo Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro LISZT VIEIRA Presidente LEANDRO FREITAS Gestor do Corpo Editorial Corpo Editorial Editora-chefe Rafaela Campostrini Forzza, JBRJ Editor-assistente Vidal de Freitas Mansano, JBRJ Editores de Área Ary Teixeira de Oliveira Filho, UFLA Gilberto Menezes Amado Filho, JBRJ Lana da Silva Sylvestre, UFRRJ Mareia de Fatima Inácio Freire, JBRJ Montserrat Rios Almeida, Herbário de Etnobotánica y Botânica Económica dei Ecuador, Universidad San Francisco de Quito (QUSF), Equador Ricardo Cardoso Vieira, UFRJ Tania Sampaio Pereira, JBRJ Rodriguésia A Revista Rodriguésia publica artigos e notas científicas em todas as áreas da Biologia Vegetal, bem como em História da Botânica e atividades ligadas a Jardins Botânicos. Ficha catalográflca: Rodriguésia: revista do Jardim Botânico do Rio de Janeiro. “ Vol;* 1> n-' (1935) - .- Rio de Janeiro: Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro, 1 935- v. : il. ; 28 cm. Quadrimestral Inclui resumos em português e inglês ISSN 0370-6583 1 . Botamca I. Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro CDD - 580 CDU - 58(01) Editoração Carla Molinari Simone Bittencourt Edição on-line Renato M. A. Pizarro Drummond Secretária Georgina M. Macedo SciELO/ JBRJ 2 13 14 15 16 17 18 Apresentação ©honrou-me sobremaneira, o convite do Corpo Editorial da Revista Rodriguésia, para que colaborasse, como apresentador, em número especial deste conceituado periódico. Para tanto, preparei breves apontamentos silvo-primatológicos, com o intuito de chamar a atenção para o importante trabalho de biologia da conservação apresentado nos 1 7 artigos científicos deste fascículo. A publicação destes manuscritos representa a etapa inicial de tarefas conservacionistas a serem extrapoladas na natureza. Assim, realizaram-se levantamentos taxonômicos e diversas outras pesquisas de campo de base ecologica, sobre a flora e a vegetação da Reserva Biológica de Poço das Antas, atividades em prosseguimento para a obtenção do máximo de informações necessárias a realização das complexas, difíceis e demoradas tarefas conservacionistas para melhorar as condições ecológicas dos ecossistemas degradados dessa reserva, situada no município de Silva Jardim, estado do Rio de Janeiro. Congratulo os idealizadores da nobre iniciativa, notadamente as instituições e os cientistas que participam desse importante trabalho de ecologia aplicada, que pretende, pelo menos em parte, salvar algo da outrora riquíssima diversidade biológica regional, numa demonstração altruística de melhorar a situação da natureza no lugar. Considere-se, contudo, que as tarefas de restauração de ecossistemas naturais antropicamente alterados são muito difíceis, exigindo bom conhecimento de ecologia, notadamente quando da aplicabilidade de dados obtidos na natureza, momento que requer dos participantes experiência, criatividade e paciência. Seja como for, ao grupo de pesquisadores do J B RJ ja e creditado o início auspicioso de bons trabalhos de campo e de levantamento bibliográfico, tudo indicando desenvolvimento pragmático do projeto, que já acumula razoável quantidade de dados originais, prontos para serem analisados e aplicados nas condições naturais, segundo as diretrizes no projeto de recuperação ecológica dessa Reserva. Nesta fase preliminar de abordagens, basicamente de índole botânica, como levantamentos taxonômicos, mapeamentos, análise da situação de espécies arbóreas in s/fu, notadamente fruteiras nativas para alimentação principalmente dos micos-leões, indicação de plantas raras ou em perigo de extinção, levantamento de formações epifíticas correlacionadas à fauna fitotelmata, indispensável ao processo alimentar dos símios, além de diversos outros aspectos cujo resultado objetiva manter um razoável equilíbrio ecológico, considerando a salvaguarda do mico-leão dourado ( Leontopithecus rosa/ía) e de todas as outras espécies da biota selvagem na área da Reserva. A salvaguarda da riquíssima herança natural brasileira, indispensável ao desenvolvimento da Ciência, e a uma vivência satisfatória do nosso povo, vai depender do que realizarmos em prol desse patrimônio ímpar. Por conseguinte, tudo deve ser feito para que herança de tamanha magnitude não seja perdida, protegendo-a em amplas Unidades de Conservação (UCs), criteriosamente planejadas, especialmente em Reservas Biológicas realistas. Qual o futuro de uma dada biota selvagem a ser preservada em ínfimas áreas mal planejados? Sabe-se que a maioria das UCs situadas na area da Mata Atlântica está em situação insustentável e sequer dispõe das condições indispensáveis a manutenção da sua própria biota selvagem em equilíbrio. Em nenhuma delas se tem procurado melhorar as condições ecológicas da área ou colaborar com a natureza através de reintroduções e repovoamentos das espécies desaparecidas de plantas e animais, pelo menos das formas mais importantes. SciELO/JBRJ 13 14 Nos idos de 1950-60, existiam pessoas, com razoável nível cultural, que ainda ignoravam a importância dos primatas não-humanos na pesquisa científica, especialmente na biomedicina, farmacologia e etologia. Os primatas, em geral, pela afinidade genética com a espécie humana, são modelos indispensáveis às investigações e estudos científicos, que visam a saúde e o bem estar do primata humano. Por essa razão, diversas espécies de macacos e saguis são procuradas por institutos de pesquisa e cientistas, que as utilizam em estudos e indagações, notadamente no campo da medicina humana. Este fato obriga a captura, em larga escala, de determinadas especies, que são exportadas de países tropicais para instituições científicas e jardins zoológicos de todo mundo. Tempos atrás, o Brasil já exportara macacos para serem utilizados na pesquisa científica, agora, porém, é proibido o comércio de animais selvagens, embora o mal causado tenha feito seu estrago, hoje com muitas espécies brasileiras em perigo de extinção. Todavia, situações realmente graves ocorrem em países tropicais na África, no sudeste asiático e na Indonésia. Além da lesiva caça dita de subsistência, que aos poucos elimina diversos animais, macacos raros inclusive, os símios estão perdendo seus hábitats devido à insensata destruição das florestas tropicais. Como exemplo, a deterioração dos ecossistemas naturais no hábitat do mico-leão dourado foi o que motivou a idéia da proposta de se efetivar cuidadoso programa científico- conservacionista, tendo em vista a restauração ecológico-florestal dessa UC, que futuramente deverá ser avaliada de modo altamente positivo, porque são raríssimos os trabalhos desse tipo. Imediatamente após estabelecida, as sucessivas administrações dessa Reserva sempre demonstraram intensa atividade primatológico-conservacionista, havendo, inclusive, a participação de renomados cientistas estrangeiros, além de grupos dedicados à educação ambiental na região. Essa dedicação ao trabalho na Reserva desde seus primórdios acabou sendo reconhecida, passando a REBIO, em 1990, a receber reforço financeiro do Programa Internacional de Cooperação para Conservação do Mico-Leão Dourado, organizado pelo National Zoological Park (Smithsonian Institution), o IBAMA e outras instituições nacionais e estrangeiras. Sempre que necessário, a Reserva recebe colaboração médico-veterinária do CPRJ. Todas iniciativas cientificas e administrativas na reserva são supervisionadas pelo Comitê de Cooperação Internacional de Pesquisa e Manejo, inclusive com a participação do IBAMA, através de seus Comitês de Recuperação e Manejo, especificamente instituídos para cada espécie de mico-leão. Nos idos de 1 950-60, o controle das ações destrutivas contra as florestas do estado era realmente desalentador, sendo visível, sob todos aspectos, a deficiência das autoridades responsáveis pela proibição das ações ilegais nos desmatamentos e na fiscalização contra a caça e o comércio ilegal de espécimes da fauna selvagem. Até poucos decênios atrás, indivíduos de mico-leão dourado eram capturados e negociados a preços irrisórios nas vizinhanças da cidade do Rio de Janeiro. A distribuição geográfica original do mico-leão dourado abrangia formações silvestres na Baixada Fluminense, onde ainda eram observados com relativa facilidade nas melhores matas. Hoje, a população in s/tu do sauí-piranga acha-se muito reduzida e em real perigo. Há decênios já vinha causando preocupação internacional o possível desaparecimento desse símio carismático, considerado símbolo da preservação da fauna brasileira. Até por volta de 1 945, o sauí-piranga ainda devia ser encontrado na parte ocidental da Baixada Fluminense, embora nessa parte de estado sua população já estivesse assaz reduzida, mas, existiria em fragmentos secundários de Mata Atlântica de baixada no SciELO/ JBRJ, 13 14 município de Itaguaí, onde, em 1942, observei três indivíduos adultos em trecho de mata ripária alterada no rio Itaguaí, hoje retificado em canal de mesmo nome. Naquela época, a existência do sauí-piranga na região não era novidade, porque Johann Natterer, ilustre zoólogo austríaco, em viagem para Sepetiba, em meados do século XIX, registrara a espécie na Pedra Piai, proximidades da Barra de Guaratiba. Constata-se, assim, a existência deste hoje raro símio naquela parte do estado, possivelmente até meados da década de 1 940, portanto passado relativamente recente. Originalmente, este mico-leão habitava matas primitivas de restinga e de baixadas, ricas em Tabebuia cassinoides, e com muito epifitismo, matas pluvisilvae de encostas e morros de até ca. 300 m. Decênios passados, os sauís eram comuns na Reserva, inclusive em vários trechos encharcados, com grandes guanandís, hoje derrubados e na sua quase totalidade transformados em moirões e dormentes. As essências florestais de melhor qualidade são agora muito escassas, embora possa ser visto um ou outro indivíduo jovem, cujo porte depende da idade, do lugar e da qualidade do solo. Em meados da década de 1950, chamou-nos atenção na Reserva o porte dos vinháticos ( Plafymenia foliol osa), indivíduos altos e bem formados, perfeitos sob o ponto de vista silvicultural. Apesar de suas alturas não terem sido medidas, certamente ultrapassariam os 20-25 m, porém, os diâmetros de espécimes maiores mediram 0,60-0,80 m. Foram vistas outras árvores grandes, hoje desaparecidas, derrubadas ainda naqueles tempos, ocasião em que ocorriam derrubadas seletivas, podendo-se afirmar que as matas de Poço das Antas e terras vizinhas há séculos sofreram sucessivos cortes seletivos, quase sempre seguidos de queimadas. Naqueles tempos, observaram-se belas concentrações naturais de Symphonia globulifera, exemplares isolados de Cbloropbora tictorea, muitos exemplares de Tapirira guianensis e Calophyllum brasiliense, alguns indivíduos de bom tamanho de Genipa americana, algumas espécies de Fícus e Inga e outras árvores maiores. Tratava-se, portanto, de uma área importante para os micos, e naquela ocasião ainda se mostrando significativa naquela parte do hábitat natural do saui-piranga, hoje, porém, praticamente eliminada. Tendo realizado, no tempo e no espaço, muitas excursões ao lugar, não é difícil para mim, constatar tristemente como piorou demasiado a vegetação, hoje totalmente descaracterizada sob o aspecto estrutural e florístico. Também ocorreu a eliminação drástica de matas naturais mais velhas do lugar, que, na realidade não eram tão idosas, pois naquelas terras úmidas existiam belos grupos de Symphonia globulifera. Onde ocorria uma dessas formações mais vigorosas, hoje encontra-se ampla comunidade graminóide, inclusive com capins africanos, os quais, secos, são um sério perigo à mata que margeia esse capinzal, devido às frequentes queimadas, certamente criminosas. Avalie-se, por exemplo, a quantidade de biomassa e sais minerais, inclusive oligoelementos, que há séculos retirados dos solos da reserva, que saíram com os enormes madeiros, postes, dormentes e lenha, e até hoje nada fora reincorporado àqueles solos. E por esse motivo, que muitas fruteiras silvestres apresentam para a fauna nesses lugares frutificações de tão baixa produção, notadamente frutos que não se desenvolvem. Trabalho de tamanha envergadura que pretende ser concretizado pela equipe do JBRJ é realmente difícil, principalmente porque não há mais na região um modelo original a ser levantado sob aspecto taxonômico, estudado ecologicamente, copiado e extrapolado em trabalho a ser realizado, sem se preocupar com o tempo que demandará para a natureza se encarregar de corrigir, arrumando as coisas, como por exemplo aconteceu com os SciELO/JBRJ, 13 14 cm .. reflorestamentos do Major Archer na Tijuca e em diversos outros lugares observados. Pelos artigos apresentados neste volume, constata-se que a equipe do JBRJ se empenhou nos levantamentos de campo, dedicando-se também a outros estudos. Infere-se, porém, que deverá ser imperiosa a necessidade de se adotar certos procedimentos agronômicos em casos comprovados de espécies selvagens legalmente cultivadas. É o caso dos palmitais de Euterpe edulis, poucos decênios atrás ainda vistos fragmentados e ralos e ogora com poucos exemplares na área da Reserva. Por que não plantá-los em pequenas concentrações imitando palmitais nativos em lugares úmidos adequados, iniciativa que certamente irá favorecer numerosas espécies da fauna? O mesmo deve ser realizado com Syagrus romanzoffiana, palmeira considerada uma das mais importantes fruteiras da região. Através da criatividade é possível idealizar iniciativas conservacionistas importantes, como, por exemplo, a translocação de ecossistemas epifíticos integrais, de árvores idosas fora da reserva para outras árvores similares no seu interior. Conhecendo-se a importância da fauna fitotelmata no processo alimentar dos sauís a idéia é significativa, porque nesses micro-ecossistemas os micos encontram muitas de suas presas prediletas, sendo lugares de grande valor e significado ecológico. Há muitos anos vêm sendo realizadas atividades várias em prol da sobrevivência do mico-leão dourado na Reserva, embora ainda sejam necessárias outras iniciativas visando a restauração ecológica das áreas degradadas. Justamente este aspecto é que pode representar uma das maiores ameaças à sobrevivência do sauí-piranga, porque, além da Reserva ter área restrita, apenas sua metade é coberta por floresta. Aí se concentra a maior parte dos sauís, que procuram, nos melhores trechos dessas matinhas, suas presas prediletas, sobre as quais exercem intensa pressão de predação. Como não se conhece o potencial reprodutivo dessas suas presas mais apreciadas, principalmente pequenas lagartixas ebatraquios, sendo provável que em pouco tempo os sauís os eliminem da Reserva, da, a importância de ser ampliada a mata e as comunidades epifíticas, bromélias em especial. Também sena previdente a aquisição de área na região ocidental do estado do Rio de Jane.ro, onde a espécie somente desapareceu há poucos decênios, para ali estabelecer reserva biologica destinada à formação de uma subpopulação da espécie A mic, ativa é pragmatica, porque irá ampliar a variabilidade genética da metapopulação tornando-a mais segura a longo prazo, uma vez que as duas reservas existentes para ó mico-leao dourado são precárias em termos de preservação deste primata A Pr°P°s>t° da restauração ecológica dessa REBIO, existem diversas iniciativas florestais, técnicas e métodos apropriados à recuperação de áreas parcialmente arenosas turfosas e um, das do tipo das que se observam na Reserva. Unindo competência, experiência e criatividade, esse tipo de trabalho pode ser perfeitamente exequível, porque as alternativas sao amplas e gradativamente vão sendo encontradas as metodologias mais apropriadas ao lugar. Acrescenta-se que sempre e preferível espécies nativas da região para concretização mais facil dos traba hos de restauração ecológico-florestal, não esquecendo que essa etapa e apenas uma das fases iniciais do processo de restauração. Adelmar F. Coimbra-Filho Da Academia Brasileira de Ciência s SciELO/ JBRJ 13 14 15 16 17 18 SUMÁRIO/CONTENTS Caracterização fisionômico- florística e mapeamento da vegetação da Reserva Biológica de Poço das Antas, Silva Jardim, Rio de Janeiro, Brasil / Physiognomic-floristic characteristics and vegetation map of THE Poço das Antas Biological Reserve, Silva Jardim, Rio de Janeiro, Brazil Haroldo C. de Lima, Solange de V. A. Pessoa, Rejan R. Guedes-Bruni, Luis Fernando D. Moraes, Sérgio V. Granzotto, Shoji Iwamoto & Jorge Di Ciero Análise estrutural da vegetação arbórea em três fragmentos florestais na Reserva Biológica de Poço das Antas, Rio de Janeiro, Brasil / Structural analysis of woody vegetation in three FOREST FRAGMENTS IN POÇO DAS ANTAS BlOLOGICAL RESERVE, RiO DE JANEIRO, BrAZIL Solange de V A. Pessoa & Rogério R. de Oliveira Composição florIstica e estrutura de trecho de Floresta Ombrófila Densa Atlântica aluvial na Reserva Biológica de Poço das Antas, Silva Jardim, Rio de Janeiro, Brasil / Floristics and STRUCTURE OF THE CANOPY OF AN ALLUVIAL FOREST IN RlO DE JANEIRO Rejan R. Guedes-Bruni, Sebastião José da Silva Neto, Marli P Morim & WaldirMantovani.... Composição florística e estrutura de dossel em trecho de floresta ombrófila densa atlântica SOBRE MORROTE MAMELONAR NA RESERVA BlOLÓGICA DE POÇO DAS ANTAS, SlLVA JARDIM, RlO DE Janeiro, Brasil / Floristics and structure of the forest canopy on hillocks in the LOWLANDS, RlO DE JANEIRO Rejan R. Guedes-Bruni, Sebastião José da Silva Neto, Marli R Morim & Waldir Mantovani .... Tendências ecológicas na anatomia da madeira de espécies da comunidade arbórea da Reserva Biológica de Poço das Antas, Rio de Janeiro, Brasil / Ecological trends in wood ANATOMY OF TREE SPECIES AT RESERVA BlOLÓGICA DE POÇO DAS ANTAS, RlO DE JANEIRO, BRAZIL Claudia Franca Barros, Micheline Leite Marcon-Ferreira, Cátia Henriques Callado, Helena Regina Pinto Lima, Maura da Cunha, OsnirMarquete& Cecília Gonçalves Costa .... Aporte de serrapilheira ao solo em estágios sucessionais florestais na Reserva Biológica de Poço das Antas, Rio de Janeiro, Brasil / Litter-fall input on sucessionals forests gaps of TEMPORAL FITOFISIONOMS ON BlOLOGICAL RESERVE OF POÇO DAS ANTAS, RlO DE JANEIRO, BRAZIL Jose Henrique Cerqueira Barbosa & Sérgio Miana de Faria Plantio de espécies arbóreas nativas para a restauração ecológica na Reserva Biológica de Poço das Antas, Rio de Janeiro, Brasil / Native tree species planting for restoration at Poço das Antas Biological Reserve, Rio de Janeiro, Brazil Luiz Fernando Duarte de Moraes, José Maria Assumpção, Cíntia Luchiari & Tânia Sampaio Pereira Plant community structure and function in a swamp forest within the Atlantic rain forest COMPLEX: A SYNTHESIS / ESTRUTURA E FUNCIONAMENTO DA COMUNIDADE VEGETAL DE UM PÂNTANO NO DOMÍNIO DO COMPLEXO DA FLORESTA PLUVIAL ATLÂNTICA: UMA SÍNTESE Fabio Rubio Scarano Estrutura da comunidade arbórea da floresta atlântica de baixada periodicamente inundada na Reserva Biológica de Poço das Antas, Rio de Janeiro, Brasil / Tree community structure OF A LOWLAND SEASONALLY FLOODED ATLANTIC FOREST AT POÇO DAS ANTAS BlOLOGICAL RESERVE, Rio de Janeiro, Brazil Fabrício Alvim Carvalho, Marcelo Trindade Nascimento, João Marcelo Alvarenga Braga & Pablo José Francisco Pena Rodrigues 369 391 413 429 443 461 477 491 503 SciELO/ JBRJ 2 13 14 15 16 17 lí cm ± USO DE RECURSOS VEGETAIS EM COMUNIDADES RURAIS LIMÍTROFES À RESERVA BlOLÓGICA DE POÇO DAS Antas, Silva Jardim, Rio de Janeiro: estudo de caso na Gleba Aldeia Velha / The use of PLANT RESOURCES IN TRADITIONAL COMMUNITIES CLOSE TO THE RESERVA BlOLÓGICA DE POÇO DAS Antas, Silva Jardim, Rio de Janeiro: A case study in the Gleba Aldeia Velha Alexandre Gabriel Christo, Rejan R. Guedes-Bruni& Viviane S. da Fonseca-Kruel 519 Lauraceae na Reserva Biológica de Poço das Antas, Silva Jardim, Rio de Janeiro, Brasil / LAURACEAE OF THE BlOLOGICAL RESERVE OF POÇO DAS ANTAS, SlLVA JARDIM, RiO DE JANEIRO, BraZIL Alexandre Quinet 543 PlPERACEAE NA RESERVA BlOLÓGICA DE POÇO DAS ANTAS, SlLVA JARDIM, RiO DE JANEIRO, BRASIL / PlPERACEAE OF THE BlOLOGICAL RESERVE OF POÇO DAS ANTAS, SlLVA JARDIM, RiO DE JANEIRO, BRAZIL Elsie Franklin Guimarães & Daniele Monteiro 569 Melastomataceae na Reserva Biológica de Poço das Antas, Silva Jardim, Rio de Janeiro, Brasil: ASPECTOS FLORÍSTICOS E TAXONÔMICOS / MELASTOMATACEAE IN RESERVA BlOLÓGICA DE POÇO DAS Antas, Silva Jardim, Rio de Janeiro, Brazil: floristic and taxonomic aspects José Fernando A. Baumgratz, Maria Leonor D'EI Rei Souza, Danielle Carvas Carraça & Bianca de Andrade Abbas 591 Smilacaceae na Reserva Biológica de Poço das Antas, Silva Jardim, Rio de Janeiro, Brasil / SmILACACEAE IN THE BlOLOGICAL RESERVE OF POÇO DAS ANTAS, RiO DE JANEIRO, BRAZIL Regina Helena Potsch Andreata 647 VOCHYSIACEAE NA RESERVA BlOLÓGICA DE POÇO DAS AnTAS, SlLVA JARDIM, RiO DE JANEIRO, BRASIL / VOCHYSIACEAE IN BlOLOGICAL RESERVE OF POÇO DAS ANTAS, SlLVA JARDIM, RiO DE JANEIRO, BRAZIL Maria Célia Vianna 659 SciELO/ JBRJ 12 13 14 15 16 17 cm Caracterização fisionômico-florística e mapeamento da VEGETAÇÃO DA RESERVA BlOLÓGICA DE POÇO DAS ANTAS, Silva Jardim, Rio de Janeiro, Brasil Haroldo C. de Lima', Solange de V. A. Pessoa', Rejan R. Guedes-Bruni' , Lins Fernando D. Moraes* 2, Sérgio V. Granzotto', Shoji Iwamoto' & Jorge Di Ciero' Resumo (Caracterização fisionômico- floristica e mapeamento da vegetação da Reserva Biológica de Poço das Antas, Silva Jardim, Rio de Janeiro, Brasil) Os tipos de vegetação ocorrentes na área da Reserva Biológica de Poço das Antas, estado do Rio de Janeiro, Brasil (22°30’ e 22°33’S; 42°1 5’ e 42°19’ W) foram identificados, descritos e mapeados. Foram identificadas seis unidades fisionômicas, sendo duas florestais (floresta aluvial e floresta submontana) e quatro não florestais (formação pioneira com influência fluvial, capoeira aluvial, capoeira submontana e campo antrópico). As características fisionômicas e florísticas mais relevantes de cada unidade foram descritas e discutidas com base na análise comparativa entre as seis unidades fisionômicas e com outros trechos de mata atlântica. O mapeamento foi realizado com emprego de fotointcrprctaçâo analógica, em escala de 1:20.000. Na avaliação da cobertura vegetal atual foram estimados 2.608 hectares de remanescentes florestais em variados estados de preservação (floresta aluvial - 1 7,9% e floresta submontana - 34,3%), indicando a expressiva representatividade de formações não florestais com influência fluvial (20,0%) ou antrópica (27,9%). Palavras-chave: mapa de vegetação, mata atlântica, composição floristica, fito-fisionomia Abstract (Physiognomic-floristic characteristics and vegetation map ofthe Poço das Antas Biological Reserve, Silva Jardim, Rio de Janeiro, Brazil) Six vegetation types are described for Poço das Antas Biological Reserve, Rio de Janeiro State, Brazil (22°30’ e 22°33’S; 42°15’ e 42°19’W). Two forest formations (alluvial forest and submontane forest) and four non-forest formations (fluvial pioneer, alluvial scrub, submontane scrub and manmadc grasslands) wcre identified. Relevant floristic and physiognomic characteristics of each unit are described and compared to analogous Atlantic Rain Forest formations. The vegetation was mapped using analog photo interpretation on a scale of 1 :20,000. An estimated 2,608 ha of forest remnants in various States of preservation wcre detected (alluvial forest - 17.9%; submontane forest- 34.3%), plus a significant representation of non-forest formations with fluvial influcnce (20.0%) and manmade interference (27.9%). Key words: vegetation map, Atlantic Forest, floristic composition, physiognomy. Introdução No estado do Rio de Janeiro a planície costeira é caracterizada por uma grande heterogeneidade da paisagem, possivelmente em muito influenciada por fatores físicos como variações na topografia - morros, colinas e planícies bem como no regime de inundação do solo. Estes ambientes distintos, capacitados a abrigarem populações de diferentes espécies, através do seu componente vegetal, responderiam por esta heterogeneidade, resultando, por sua vez, num mosaico vegetacional com alta diversidade e heterogeneidade floristica (Guedes-Bruni 1998). Embora muito pouco se conheça sobre a cobertura vegetal original da bacia do Rio São João, pode-se admitir que a região ostentava exuberante floresta (IBDF/FBCN 1981). Um antigo relato do início do século XIX menciona que as ribanceiras estavam “bastante cobertas de arvoredo” (Luccock 1 95 1 ). E provável que esta vegetação original tenha permanecido Artigo recebido em 1 1/2005. Aceito para publicação em 05/2006. 'Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Rua Pacheco Leão 915, 22460-030, Rio de Janeiro, RJ, Brasil. hlima@jbij.gov.br 2Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis. SciELO/JBRJ 2 13 14 15 16 17 18 370 Lima. H. C. et al. pouco alterada até cerca da metade do século XX (Lamego 1946), quando tem início a destruição de amplos trechos de floresta nos morros e nas planícies. Atualmente são raros os trechos com vegetação natural, que em contraste com grandes áreas alteradas, são testemunhos da drástica destruição pelas atividades antrópicas. A Reserva Biológica de Poço das Antas apresenta hoje um aspecto fitofísionômico bastante empobrecido quanto a sua cobertura vegetal primitiva. A ação antrópica, principalmente pela exploração seletiva de essências florestais e pelo fogo, além da drenagem artificial e retificação dos rios, contribuiu para o desaparecimento de amplos trechos de formações florestais, sobretudo, nas planícies de inundação. No mapeamento da vegetação e análise dos aspectos florísticos realizados no final da década de 70 (Carauta et al. 1978), a cobertura vegetal da área foi reconhecida como, em geral, secundária e os remanescentes classificados como floresta pluvial. Posteriormente, na diagnose elaborada para subsidiar o plano de manejo (IBDF/ FBCN 1981) foram reconhecidos e descritos quatro tipos de vegetação (florestal, campestre, brejal e aquático) existentes nesta unidade de conservação. Entretanto, face às mudanças ocorridas na área, particularmente em decorrência dos freqüentes incêndios ocorridos nos últimos anos, há necessidade de uma urgente reavaliação. Em decorrência desta situação, toma-se imperativa a atualização de dados sobre a vegetação desta unidade de conservação, prioritariamente no que concerne a sua natureza e extensão. Estas informações são imprescindíveis ao adequado manejo e implementação de ações de restauração ecológica das áreas degradadas. São ainda urgentes para apoiar estratégias para estabelecimento de medidas efetivas de proteção das áreas naturais remanescentes. Vale ressaltar que estudos desta natureza têm se mostrado ferramentas fundamentais para integrar diferentes disciplinas relacionadas à análise ambiental, principalmente para subsidiar o manejo em unidades de conservação (Noffs & Baptista-Noffs 1982;01iveira& Porto 1999; Cardoso-Leite et al. 2005). Tendo em vista tratar-se de um dos últimos remanescentes de formação florestal de planície costeira no estado do Rio de Janeiro, embora já bastante fragmentada, foram implementados estudos no sentido de levantar dados para a caracterização fisionômico-florística das áreas ocupadas pelos diversos tipos de cobertura vegetal, incluindo as áreas degradadas. Neste contexto, considerando ainda a necessidade urgente de um documento norteador das ações de proteção e manejo, priorizou-se a geração de um mapa temático que pudesse auxiliar: (1) na definição de áreas prioritárias para estudo; (2) na implantação de modelos para expansão de áreas florestadas ou mesmo de seu enriquecimento; (3) no monitoramento de processos que decorram em futuras, e nem sempre improváveis, modificações de sua paisagem, sobretudo em decorrência do fogo. Material e Métodos r Area de estudo - Reserva Biológica de Poço das Antas (Rebio) A Rebio encontra-se localizada politicamente na região das baixadas litorâneas do estado do Rio de Janeiro, no município de Silva Jardim, e geograficamente em extensa planície na região central do estado, outrora designada baixada de Araruama (22°30’ e 22°33 S; 42° 1 5’ e 42° 1 9’ W), sob influência direta da bacia hidrográfica do rio São João e com área aproximada de 5.000 hectares (Fig. 1). Criada pelo Decreto n° 73.791 de 11.03.1974 (IBDF/ FBCN 1981) a área da Rebio foi, no passado, como as demais áreas da bacia do rio São João, explorada pela retirada de madeira, implantação de atividades agrícolas, bem como pecuária (Cunha 1995, Primo & Volcker 2003). As manchas de floresta remanescentes são resultantes dos processos sucessionais que ali se deram, em diferentes épocas e distintos usos do solo, por ocasião da expansão agrícola que ocorreu ao norte do Rio de Janeiro. Não só Rodriguêsia 57 (3): 369-389. 2006 SciELO/ JBRJ 2 13 14 Rebio de Poço das Antas: Fisionomia, florística e mapeamento da vegetação 371 a construção da ferrovia Estrada de Ferro Leopoldina, ligando o norte do estado à cidade do Rio de Janeiro, interferiu na paisagem local como o aumento da exploração de madeira, para abastecimento das fornalhas das locomotivas, acentuaram a supressão da floresta. A construção da represa de Jutumaíba, por sua vez, ainda que situada em área limítrofe, na sua porção sudeste, promoveu forte impacto sobre a cobertura vegetal da Rebio. A obra foi iniciada no final da década de 70 e concluída em 1984. As mudanças na altura do lençol freático, bem como as sucessivas retificações do canal do rio São João foram as que mais interferiram sobre o ambiente biofísico (Cunha 1995). A cobertura vegetal atual da Rebio, embora nitidamente fragmentada, representa um significativo remanescente florestal de baixada do estado do Rio de Janeiro, não só pelos elementos típicos à esta fisionomia vegetal, como também por abrigar populações do mico-leâo- dourado (Leonthopithecus rosalia rosalia L.), espécie ameaçada de extinção (Guedes-Bruni 1998). As populações desta espécie presentes na Rebio dependem intimamente da ampliação de áreas de floresta, seja por processos naturais, seja por ações orientadas de restauração ecológica, como as implementadas pelo Programa Mata Atlântica do Jardim Botânico do Rio de Janeiro desde 1993. A topografia é predominantemente de planície, com a presença de morros e morrotes de perfis arredondados, também chamados de meias-laranjas ou mamelonares, com alturas que variam de 19 a 200 metros, e que são separados por várzeas de fundo achatado e alagadiças (Figs. 2 e 3) (IBDF/FBCN 1981). Takizawa (1995) reconheceu sete compartimentos geomorfológicos na Rebio: Brasil vr 2l t 0 6 10 I I 1 Quilómetro* Mapa «labora do a partir d« !>«»•* cartogrtflca* da ANEEL, IBAMA « EMBRAPA por' Leonardo GnaBall d« M#lln Campot - Cenlro d« liitonnaçAea ■ Swvtço* da Mala Atlântlea - CISMA InaMulo de Peaquiaae Jardim Botânico do Rio d» Janeiro Figura I - LocalizaçSo geográfica da Reserva Biológica de Poço das Antas, Silva Jardim, Rio de Janeiro. Rodriguésia 57 (3): 369-389. 2006 SciELO/JBRJ 2 13 14 15 16 17 18 cm 372 faixa meândrica, várzea interna, várzea externa, alvéolos, morrotes baixos, morrotes altos e morros. O rio São João é o principal curso d’água da Rebio e seus afluentes (Aldeia Velha, Preto e Iguapé) percorrem grande parte da Reserva, inundando as áreas de várzea. Os limites da Rebio encontram-se em pleno domínio das planícies terciárias e quaternárias, ocorrendo rochas datadas do Lima, H. C. et al. Pré-Cambriano, bem como rochas típicas do Complexo do Litoral Fluminense (IBDF/ FBCN 1981). As classes de solos (EMBRAPA 1999) estão distribuídas basicamente entre os solos de elevações, que são os Argissolos e os Cambissolos; e os solos de várzea, que são os Gleissolos, os Neossolos Flúvicos e os Organossolos. Ocorre um predomínio de solos álicos e, à exceção dos Neossolos Flúvicos e Figur* 2 - Vista geral de trecho com morros e morrotes de perfis arredondados na Reserva Biológica de Poço das Antas Silva Jardim, Rio de Janeiro. T ’ Rodriguésia 57 (3): 369-389. 2006 SciELO/JBRJ 2 13 14 15 16 17 18 Rebio de Poço das Antas: Fisionomia, florística e mapeamento da vegetação 373 dos Organossolos, os demais possuem textura argilosa (Takizawa 1995). O clima regional é do tipo megatérmico úmido (B2A’) na classificação de Thomthwaite & Mather, correspondendo à designação de tropical chuvoso com estação seca no inverno (As) de Kõeppen (Bernardes 1952). O diagrama ombrotérmico referente ao período de janeiro de 1 993 a dezembro de 2002 (Fig. 4) assinala os meses de junho a agosto como representantes do período menos chuvoso e de temperaturas menos elevadas, correspondendo os meses de novembro a março ao período mais chuvoso e de maiores temperaturas. Os demais meses representam situações intermediárias entre os dois períodos (Pessoa 2003). Neste intervalo de dez anos, a temperatura média anual foi de 25,5°C, sendo registrada no mês de julho a temperatura média mais baixa de 21,8°C e a maior temperatura média durante os meses de janeiro e fevereiro (29°C). Em relação à precipitação, foi observado no período um valor médio anual de 1994,9 mm, correspondendo ao mês de dezembro o maior índice (320 mm) e o menor valor (38,9 mm) ao mês de julho. Caracterização fisionômico-florística Unidades fisionômicas Para os estudos sobre a vegetação foi adotado o sistema de classificação fisionómico-ecológico proposto por Veloso & Goes-Filho ( 1 982), que também foi usado como referência para o Mapa de Vegetação do Brasil (IBGE 1992). De acordo com o sistema e o mapa acima citados, a cobertura vegetal da Rebio representa um trecho de Floresta Ombrófila Densa. Este tipo de vegetação foi subdividido em seis formações obedecendo a uma hierarquia topográfica e fisionômica: floresta aluvial, floresta submontana, formação pioneira com influência fluvial, capoeira aluvial, capoeira submontana e campo antrópico. Com base nesta conceituação das formações, foram realizados os estudos para reconhecimento, delimitação, mapeamento e descrição das unidades fisionômicas da cobertura vegetal da I I Precipitação —♦—Temperatura mm °C Figu ra 4 - Distribuição dos totais mensais de precipitação e das temperaturas médias mensais, na série temporal de 1 993 a 2002 para a Reserva Biológica de Poço das Antas, Silva Jardim, Rio de Janeiro. Rebio. Em acréscimo ao sistema adotado, foi considerado ainda uma terminologia própria para o reconhecimento das áreas de vegetação secundária em fases iniciais de regeneração. Levantamento florístico Para análise da composição florística das diferentes fisionomias foram realizados estudos de campo no período de 1993-1999, efetuando-se o levantamento e a coleta de material botânico das espécies mais representativas de cada unidade fisionômica. Foram também colhidas informações com antigos moradores locais sobre os impactos antrópicos na área e documentadas, por meio de fotografia, as diferentes fisionomias naturais e alteradas e as espécies mais representativas. Dados complementares sobre a composição florística foram obtidos nos resultados dos estudos de campo dos vários projetos desenvolvidos pelo Programa Mata Atlântica (PMA) na Rebio. Os estudos sobre estrutura e composição de trechos de floresta aluvial e submontana utilizaram unidades amostrais de 1 hectare, subdivididas em parcelas de 25 x 50 m, onde foram inventariados os indivíduos com diâmetro a altura do peito (DAP) igual ou maior que 5 cm. Em trechos de Rodriguésia 57 (3): 369-389. 2006 SciELO/JBRJ 2 13 14 15 374 Lima, H. C. et al. vegetação arbustivo-herbácea, os estudos utilizaram o método de pontos (Mantovani 1987). Estes dados estão armazenados no Banco de Dados do PMA e atualmente gerenciados pela equipe da Assessoria de Informática e Geoprocessamento do Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Mapeamento A metodologia do mapeamento da cobertura vegetal teve por base a fotointerpretação. Após o levantamento dos recobrimentos aerofotogramétricos disponíveis e a seleção dos mais adequados, optou-se pela cobertura realizada em 1988 pela PROSPEC S.A, com fotografias aéreas em escala aproximada de 1 :20.000. A delimitação da área da unidade de conservação foi realizada sobre o foto-índice para identificação das fotografias aéreas relevantes ao estudo. O trabalho teve início com a delimitação das áreas úteis de cada foto e a identificação dos diferentes padrões de cobertura e uso do solo em papel poliéster transparente, o que resultou em um mapa preliminar na escala de 1:20.000. Posteriormente, o mosaico aerofotogramétrico e o mapa base de cobertura e uso do solo foram ampliados para escala 1:10.000 para realizar a análise da cobertura vegetal e uso do solo. As características da paisagem analisadas para o reconhecimento dos padrões de cobertura e uso do solo foram: fisionomia, altimetria, regime hídrico e grau de interferência antrópica. Dados complementares referentes à geomorfologia, geologia, declividade e solos foram obtidos no Plano de Manejo (IBDF/ Tabela 1 - Área e percentual de cobertura FBCN 1981) e no Levantamento Pedológico e Zoneamento Ambiental (Takizawa 1 995) da Rebio. As bases cartográficas complementares utilizadas foram as folhas topográficas do IBGE na escala de 1 :50.000 (SF-23-Z-B-VI- 1 - Silva Jardim; SF-23-Z-B-VI-2 - Morro de São João; SF-23-Z-B-III-3 - Quartéis). Após a definição das diferentes unidades fisionômicas, foram realizados estudos para correlação de campo, revisão dos limites das unidades de cobertura vegetal, confecção do mapa final (Anexo 1) e quantificação das áreas mapeadas segundo as unidades de legenda (Tab. 1). Resultados e Discussão A paisagem atual na Rebio está representada por áreas de cobertura vegetal natural ou antrópica, cujas fisionomias de modo geral refletem, algumas mais outras menos, os processos antrópicos decorrentes de épocas pretéritas. De modo geral, esta situação é muito semelhante àquela já descrita por Carauta et al. (1978) e IBDF/FBCN (1981), principalmente em relação as mudanças promovidas pelos impactos da construção da Represa de Jutumaiba, Embora situada na região fitoecológica da Floresta Ombrófíla Densa (Veloso & Goes- Filho 1982; IBGE 1992), a cobertura vegetal desta unidade de conservação, juntamente com grande parte da bacia do Rio São João e arredores, foi reconhecida como um trecho de vegetação secundária e de atividades agrárias no mapeamento da vegetação na escala 1:250.000 do Projeto RADAMBRASIL (Ururahy et al. 1983). A escala utilizada por Reserva Biológica de Poço das Antas, Silva JarcUm^Riode Janeiro m'CaS da Unidades fisionômicas Floresta aluvial Floresta submontana Capoeira aluvial Capoeira submontana Formação pioneira com influência fluvial Campo antrópico Area (ha) 894.5 1714 565 213 997.5 616 Percentual de cobertura (%) 17,9 343 113 43 20,0 123 Rodriguésia 57 (3): 369-389. 2006 SciELO/JBRJ _2 13 14 15 16 17 Rebio de Poço das Antas: Fisionomia, florística e mapeamento da vegetação estes autores não permitiu a identificação das áreas remanescentes da cobertura vegetal nesta região. O estudo mais detalhado, com base no levantamento aerofotogramétrico em escala de 1:20.000, evidenciou a presença de fragmentos de vegetação natural sobre as planícies de inundação e nos morros e morrotes dentro dos limites da Rebio. Com a aplicação do sistema de classificação de vegetação de Veloso & Goes-Filho (1982), atualizado posteriormente em Veloso et al. (1991), foi possível reconhecer e descrever as características fisionômicas e florísticas destes fragmentos naturais, bem como dos trechos recobertos por vegetação antrópica. Na caracterização e mapeamento da cobertura vegetal da Rebio foram identificadas, delimitadas e descritas seis unidades fisionômicas: floresta submontana, floresta aluvial, formação pioneira com influência fluvial, capoeira submontana, capoeira aluvial e campo antrópico (Anexo 1 ). Os percentuais observados para as diferentes unidades fisionômicas encontram-se apresentados na Tabela 1. Tais percentuais permitem aferir, como cobertura florestal remanescente circunscrita à Rebio, uma área de 2.608,5 hectares, ou seja, 52 % de sua área total. Outra porção muito representativa da área é composta por extensos trechos com cobertura não florestal natural ou resultantes da ação antrópica, expressas por formações pioneiras, capoeiras e campos antrópicos. Na caracterização florística de cada unidade fisionômica foram indicados os táxons mais representativos ou aqueles que se destacam pelo porte, sempre que possível na categoria de espécies (Tab. 2). É importante destacar que os percentuais atuais das diferentes fisionomias foram, e ainda continuam sendo, influenciados pelos impactos da construção da Represa de Juturnaiba. As mudanças impactaram, ou até mesmo extinguiram, grandes faixas de florestas aluviais nativas. Alguns trechos foram então inundados, em decorrência do represamento, 375 e, ainda hoje, se mantêm permanentemente alagados. Nestes locais, as árvores mortas, que mantidas ainda eretas e áfilas, sem qualquer presença de vegetação de sub-bosque ao seu redor, podem ser observados como testemunhos das alterações ocorridas. Em vários trechos a jusante da barragem, áreas de florestas e brejos ressequidas sofreram gradativo desaparecimento de sua cobertura original, e vêm ao longo das últimas décadas sendo substituídas por capoeiras e campos antrópicos. Outros trechos com fisionomias campestres são ainda o resultado dos impactos dos ffeqüentes incêndios - facilitados em grande parte pela natureza do solo turfoso - que interferem periodicamente na paisagem e nos processos naturais de recuperação da área. Floresta Aluvial Unidade fisionômica típica das planícies aluviais sujeitas à influência fluvial, em geral ocupando as áreas de várzeas (Fig. 5) e faixas meândricas do rio São João (Fig. 6). Esta formação abrange uma área de 894,5 hectares, representando 1 7,9% da Rebio (Tab. 1 ). Os ambientes de floresta aluvial apresentam tipos de solo e condições de inundação bastantes variáveis. Em geral são ambientes muito heterogêneos, formando mosaicos de locais com diferentes níveis de inundação, onde conforme a quantidade e o tempo de permanência da água, a fisionomia pode variar quanto ao porte, ao adensamento dos indivíduos e às espécies características. Figura 5 - Floresta aluvial em área de várzea na Reserva Biológica de Poço das Antas, Silva Jardim, Rio de Janeiro. Rodriguésia 57 (3): 369-389. 2006 SciELO/JBRJ 12 13 14 15 16 17 cm .. Lima, H. C. et al. Tabela 2 - Lista das espécies mais representativas ou que se destacam na composição florística de cada unidade fisionômica da vegetação da Reserva Biológica de Poço das Antas, Rio de Janeiro. Floresta Aluvial (FA); Floresta Submontana (FS), Capoeira Aluvial (CA), Capoeira Submontana (CS), Formação Pioneira com Influência Fluvial (FP) e Campo Antrópico (CP). Espécie Acacia laceram Benth. Actinostemon verticillatus (Klotzsch.) Baill. Aeschynomene sensitiva Sw. Alchornea triplinervia (Spreng.) M. Arg. Anaxagorea dolichocarpa Sprague & Sandwith And ir a anthelmia (Vell.) Macbr. Andropogon bicornis L. Annona cacans Warm. Apuleia leiocarpa (Vog.) J.F. Macbr. Astrocaryum aculeatissimum (Schott) Burret Attalea humilis Mart. Baccharis dracunculifolia DC. Bactris setosa Mart. Blechnum serrulatum Rich. Cabomba aqnatica Aubl. Calophyllum brasiliense Cambess. Cariniana estrellensis (Raddi) Kuntze Cariniana legalis (Mart.) Kuntze Casearia sylvestris Sw. Cecropia glazioui Snethlage Cecropia lyratiloba Miq. Chondodendron platiphylla (A. St.-Hil.) Miers Cladium jamaicense Crantz Clethra scabra Pers. Clidemia biserrata DC. Costns spiralis (Jacq.) Roscoe Cyperus ligularis L. Dalbergiafrutescens (Vell.) Britton Diplotropis incexis Rizz. & Mattos F. Eichhornia crassipes (Mart.) Solms. Eriotheca pentaphylla (Vell.) A. Robyns Euterpe edulis Mart. Genipa americana L. Gochnatia polimorpha (Less.) Cabrera Guarea guidonia (L.) Sleumer Guarea macrophylla Vahl Hedychium coronarium Koem. Henriettea saldanhaei Cogn. Hyparrhenia rufa (Nees) Stapf Imperata brasiliensis Trin. Inga edulis Mart. Nome vulgar Unidade fisionômica Arranha-gato FS,CS FS Corticeira CA,FP,CP Tapiá FA,FS FS Angelim FA,CA,CP Capim-rabo-de-burro CP Araticum FS Garapa FS Irf FS FS,CS CA,CP FA,FP,CA CA,CP FP FA FS FS FS CA,CS,FP,FS CACP FS FP FS CP CA FP FS,CS,CP FS FP FA,FS FS FA CS FS.CS.CP FS CA.FP FA.FS CP CA,CS,CP FA.FS Pindoba Alecrim Tucum Samambaia Cabomba Guanandí Jequitibá Jequitibá-rosa Café-do-mato Embaúba Embaúba; embaubinha Abuta; cipó-bala Capim-navalha Came-de-vaca Pixirica Cana-do-brejo Tiririca-do-brejo Cipó-de-estribo Sucupira Aguapé Imbiruçu Palmito Genipapo Cambará Carrapeta Carrapeta Lirio-do-brejo Pixiricão Capim-jaraguá Sapé Ingá-cipó Rodriguésia 57 (3): 369-389. 2006 SciELO/JBRJ 2 13 14 15 16 17 cm Rebio de Poço das Antas: Fisionomia, floris tica e mapeamento da vegetação 377 Espécie Nome vulgar Unidade fisionômica Inga laurina (Sw.) Willd. Ingá-mirim FA,CA Inga thibaudiana DC. Ingá FA,FS Inga vera Willd. Ingá-do-brejo FA Lantana cantara L. Camará CP Lonchocarpus cultratus (Vell.) Az.-Tozzi & H.C. Lima Embira-de-sapo FA,FS,CA,CP Ludwigia quadrangularis (Mich.) H. Hara Cruz-de-malta CA Lygodium volubile Sw. Abre-caminho CP Mabea fistulifera Mart. Canudeiro FS Margaritaria nobilis L.f Figueirinha FA Martiodendron mediterraneum (Mart. ex Benth.) Kõppen FS Melinis minutijlora P. Beauv. Capim-gordura CS, CP Miconia albicans (Sw.) Triana Pixirica CS, CP Miconia cinnamomifolia (DC.) Naudin Jacatiráo FS Miconia staminca (Desr.) DC. Pixirica CP Moldenhawera polysperma (Vell.) Stellfeld Caingá FS Monstera adansonii Schott Imbé FS Myrcia anceps (Spreng.)O. Berg Cambuí FA.FS Nectandra oppositifolia Nees Canela-louro CS Nidularium procerum Lindm. Gravatá FA Panicum maximum Jacq. Capim-coloniüo CA,CP,FP Pera glabrata (Schott) Baill. Tabocuva FA,FS Piptadenia adiantoides (Spreng.) J.F. Macbr. Arranha-gato FS Platymenia foliolosa Benth. Vinhático FS Platymiscium Jloribundum Vog. Sacambu FA Polygonum acurninatum Kunth. Erva-de-bicho CA, CP Pourouma guianensis Aubl. Uvaia FA,FS Pseudopiptadenia contorta( DC.) G.P. Lcwis & M.P. Lima Angico FS Psidium guineense Sw. Araçá CS,CP,FS Pteridium aquilinum (L.) Kuhn Samambaia CS,CP,FP Rauvolfia grandiflora Mart. ex A.DC. Pau-leite CA Sabicea aspera var. glabrescens (Benth.) Schum. CP Salvinia auriculata Aubl. Lentilha d’água FP Schinus terebinthifolius Raddi Aroeirinha CA,CP,FS Senefeldera verticillata (Vell.) Croizat Sucanga FS Siparuna guianensis Aubl. Ncga-mina CS Siparuna reginae (Tul.) A. DC. Ncga-mina FA,FS Sparattosperma leucanthum (Vell.) K. Schum. Cinco-chagas CS,FS Syntphonia globulifera L.f. Guanandi FA,CA Tabebuia cassinoides DC. I pê-tamanco FA,CA Tibouchina granulosa (Desv.) Cogn. Quaresmeira CS Tovomitopsis paniculata (Spreng.) Planch. & Triana Guanadirana FA,CA,FS Trema micrantha (L.) Blume Crindiuva CA,CS,FP,FS Typha dominguensis Pers. Taboa FP Vataireopsis araroba (Aguiar) Duckc Angelim-araroba FS Xylopia sericea A. St-Hil. Imbiu-pimenta FS Rodriguésia 57 (3): 369-389. 2006 SciELO/JBRJ 12 13 14 15 16 17 378 Lima, H. C. et ai. Figura 6 - Floresta aluvial em faixa meandrica do rio São João na Reserva Biológica de Poço das Antas, Silva Jardim, Rio de Janeiro. Associados a esta fisionomia foram observados Gleissolos, Neossolos Flúvicos, Planossolos e, em menor escala, Organossolos (classes modificadas a partir de Takizawa 1995). Esses quatro tipos de solo são associados a situações na paisagem onde a drenagem ao longo do perfil é imperfeita. Na maior parte desses solos há um maior acúmulo de matéria orgânica nas camadas superficiais, que se decompõe mais lentamente em condições de hidromorfismo. É um tipo de vegetação que apresenta fisionomia arbórea dominante, formando um dossel fechado e relativamente uniforme, com raros exemplares emergentes. As árvores do dossel atingem de um modo geral alturas entre 15-18 metros, enquanto as emergentes alcançam nos trechos mais preservados em média 20-27 metros. Nas áreas de várzeas há um predomínio de ipê-tamanco ( Tabebuia cassinoides), guanandí ( Symphonia globulifera) e guanandirana ( Tovomitopsis paniculata), embora outras espécies arbóreas também sejam comuns no dossel. Entre elas destacam-se Alchornea triplinervia, Platymiscium floribundum, Genipa americana, Eriotheca pentaphylla, Myrcia anceps, Calophyllum brasiliense e Pera glabrata. Nas faixas meândricas as espécies arbóreas dominantes são Margaritaria nobilis, Andira anthelmia e várias espécies de Inga (/. edu lis, / laurina, I. thibandiana e I. vera). No sub-bosque é freqüente o domínio de indivíduos jovens de ipê-tamanco, guanandí e guanandirana. São ainda comuns nas áreas pouco perturbadas espécies de Myrtaceae Melastomataceae, Palmae, Rubiaceae, Leguminosae, Meliaceae, Moraceae, Euphorbiaceae, entre outras. Arbustos e arvoretas típicas deste estrato ocorrem juntamente com indivíduos jovens de espécies arbóreas do dossel, em processo de recrutamento. No estudo das espécies de Melastomataceae da Rebio (Baumgratz et al. 2006), foi apontado que a família é mais diversificada no sub-bosque, onde está representada por elementos dos gêneros Clidemia, Leandra, Ossaea, Miconia e Tibouchina e pela espécie Henriettea saldanhaei. Este autores destacam ainda que muitas espécies são comuns tanto em morrotes quanto em áreas alagadas. Em trechos permanentemente inundados ocorrem populações adensadas de tucum (Bactris setosa), enquanto o solo encharcado é coberto por extensas formações de gravatás, sobretudo da espécie Nidularium procerum. Ervas de folhas largas, principalmente espécies de Marantaceae, Heliconiaceae e Costaceae são também muito comuns no estrato herbáceo. A riqueza de epífitas é outra característica notável desta unidade fisionômica, representada principalmente por espécies de Bromeliaceae ( Aechmea spp., Bilbergia spp., Vriesea spp. e Tillandsia spp.), Orchidaceae, Araceae (Monstera adansonii) e Cactaceae ( Rhipsalis spp.). No estudo fitossociológico realizado em um trecho de 1 ha desta unidade fisionômica (Guedes-Bruni etal. 2006a) foram amostradas 97 especies, subordinadas a 31 famílias, cujo índice de diversidade de Shannon (H') foi de 3,98 nats/ind, enquanto a eqílabilidade (J) foi de 0,87. Estes valores de riqueza e diversidade são bastante expressivos, embora mais baixos quando comparados com aqueles observados no estudo realizado em um trecho de floresta submontana da Rebio (Guedes- Bruni et al. 2006b). Rodriguèsia 57 (3): 369-389. 2006 SciELO/JBRJ 2 13 14 15 16 17 18 Rebio de Poço das Antas: Fisionomia, florística e mapeamento da vegetação 379 Em decorrência da construção da Represa de Jutumaíba, a situação atual da floresta aluvial na Rebio reflete as diferentes mudanças ocorridas na altura do lençol freático. Em vários trechos observa-se alterações na composição florística, particularmente no predomínio ou na elevada mortalidade de certas espécies. Como demonstrado por Scarano et al. (1997), essas variações locais na composição e na estrutura deste tipo de floresta podem estar associadas com as diferentes estratégias no estabelecimento das espécies, principalmente em relação a tolerância à duração da inundação. Floresta Submontana Esta unidade fisionômica reveste as áreas elevadas não sujeitas a influência fluvial das encostas dos morros e morrotes mamelonares. Na compartimentação da paisagem da Rebio sobressai uma elevação central formada por uma série de morros e morrotes, cuja altitude varia entre 100 e 200 metros. Morrotes isolados estão distribuídos no entorno dessa elevação, principalmente na porção sudeste onde se expande a planície aluvial. Esta formação abrange uma área de 1714 hectares, representando 34,3% da Rebio (Tab. 1). Associados a esta fisionomia foram observados principalmente Argissolos (associação que cobre aproximadamente 30% da área total da Reserva de Poço das Antas), álicos a moderados, com textura variando de argilosa a muito argilosa. Cambissolo ocorre apenas no Morro da Portuense, o ponto mais alto da Rebio (Takizawa 1 995), e há ainda uma associação dessa fisionomia (somente 2% da área total da Reserva) com gleissolos, na unidade geomorfológica denominada de alvéolo (Takizawa 1995), localizada entre as encostas dos morrotes e as várzeas internas. A ocorrência desses gleissolos explica-se pela drenagem imperfeita da água nesse compartimento, que por sua vez recebe toda argila carreada dos pontos mais altos da paisagem: gleissolos são solos acinzentados pelas condições de hidromorfismo e com alto teor de argila nas camadas superficiais (Embrapa 1 999). Rodriguésia 57 (3): 369-389. 2006 Figura 7 - Floresta submontana bem preservada na Rebio de Poço das Antas, Silva Jardim, Rio de Janeiro. Figura 8 - Floresta submontana degradada na Rebio de Poço das Antas, Silva Jardim, Rio de Janeiro. Nos locais em bom estado de preservação apresenta fisionomia arbórea dominante, formando um dossel fechado e pouco uniforme e ocorrência de árvores emergentes (Fig. 7). As árvores do dossel atingem alturas entre 17 e 23 metros, enquanto as emergentes alcançam até cerca de 30 metros. Entre as espécies que mais se destacam pelo porte muito elevado estão: jequitibá ( Cariniana legalis e Cariniana estrellensis), garápa ( Apuleia leiocarpa), figueira (espécies de Ficus), caingá {Moldenhawera polysperma) e vinhático ( Platymenia foliolosa). Destacam-se ainda pelo grande número de indivíduos Senefeldera verticillata, Siparuna reginae, Mabea piriri, Casearia sylvestris, Clethra scabra e Pseudopiptadenia contorta. Em alguns trechos, principalmente em grotas úmidas, são ocasionais os adensamentos de SciELO/JBRJ 12 13 14 15 16 17 cm .. 380 palmito ( Euterpe ednlis). Em áreas com histórico de perturbação (Fig. 8), principalmente em florestas secundárias em estados médio a avançado de regeneração, o dossel em geral atinge 10-12 m e, entre as espécies que predominam, sobressaem carrapeta ( Guarea macrophylla), jacatirão ( Miconia cinnamomifolia), uvaia ( Pourouma guianensis) e imbiú-pimenta ( Xylopia sericea). O sub-bosque geralmente é ralo, onde dominam espécies de Myrtaceae, Rubiaceae, Rutaceae, Euphorbiaceae e Melastomataceae, exceto nos locais com histórico de degradação onde aparecem populações adensadas de pindoba ( Attalea humilis ) e iri ( Astrocarynm aculeatissimum). Entre os arbustos e arvoretas mais freqüentes destacam-se as espécies dos gêneros Psychotria, Geonoma, Leandra, Miconia, Actinostemon e Piper. As lianas são abundantes, podendo formar emaranhados nos bordos de mata e clareiras, sendo representadas principalmente por Chondodendron platiphyllum (Menispermaceae) e espécies de Sapindaceae (principalmente de Serjania) e Leguminosae ( Acacia lacerans, Piptadenia adiantoides e espécies de Machaerium). O estrato herbáceo é pouco denso, ocorrendo esparsamente espécies de Marantaceae, Heliconiaceae, Graminea e Cyperaceae, além de Pteridófitas. As epífitas são ocasionais e bem menos representadas nesta unidade vegetacional do que na floresta aluvial. Guedes-Bruni et al (2006b) em estudo fitossociológico realizado em um trecho de 1 hectare desta unidade fisionômica encontraram 174 espécies, subordinadas a 45 famílias, obtendo valores de 4,549 nats/ind para o índice de diversidade de Shannon (H'), enquanto a eqüabil idade (J) foi de 0,88. Estes valores são bastante elevados quando comparados com os dados de riqueza e diversidade obtidos no estudo de um trecho de floresta aluvial na Rebio. Segundo os autores estes valores também são muito expressivos quando comparados aos obtidos por estudos em outros trechos de Mata Atlântica (Guedes-Bruni et al 2006a). Lima, H. C. et al. A floresta submontana sobre os morrotes de baixa altitude e isolados na extensa planície aluvial mostra um aspecto mais seco, apresentando maior grau de deciduidade no período de junho a agosto. Na composição florística destacam-se as espécies arbóreas Senefeldera verticillata, Actinostemon verticillatus, Anaxagorea dolichocarpa e Annona cacans (Pessoa 2003). Algumas espécies, tais como Martiodendron mediterraneum, Vataireopsis araroba e Diplotropis incexis, até o momento só foram encontradas nestas áreas de morrotes isolados. Estas espécies têm preferência por florestas estacionais (Lima 2000), mostrando que futuros estudos poderão indicar diferenças na composição florística de florestas sobre morrotes isolados. Embora algumas espécies tenham sido encontradas apenas em florestas de morros mais baixos e isolados, variações na composição florística e na estrutura no gradiente altitudinal da Rebio não são expressivas. Estudos realizados em toposequência na região da Bacia do Rio São João (Borém & Ramos 2001; Borém & Oliveira-Filho 2002), mostraram pouca diferenciação ao longo da toposequência e confirmam essa observação. Em decorrência da forte ação antrópica em passado recente, os ambientes com esta fisionomia mostram-se atualmente como um mosaico de áreas em diversos estádios sucessionais. As áreas mais preservadas estão em geral localizadas nas encostas de alguns morros e morrotes com maior dificuldade de acesso. Porém, devido ao histórico de exploração de madeira da área, particularmente a extração de lenha e carvão (IBDF/FBCN 1981), é provável que mesmo estes trechos em melhor estado de preservação tenham sofrido perturbações antrópicas. Neves (1999) analisou dois trechos de diferentes idades (20 e 40 anos) em floresta submontana da Rebio. Apesar das diferenças na composição e estrutura da comunidade arbóreo-arbustiva, foi evidenciada a alta Roitrifzuésia 57 (3): 369-389. 2006 SciELO/JBRJ 2 13 14 15 16 17 18 Rebio de Poço das Antas: Fisionomia, florística e mapeamento da vegetação 381 capacidade de regeneração nas duas áreas. A autora sugeriu ainda que trechos de florestas secundárias precisam no mínimo 40 anos para obter as características florísticas mais próximas de florestas preservadas. Considerando estes resultados, embora reconhecendo que as áreas nos limites da Rebio ainda sofram impactos antrópicos, pode-se admitir que boa parte das florestas secundárias sobre morros e morrotes estão avançando no processo de sucessão natural. É provável que para isto estejam contribuindo os fragmentos florestais em bom estado de preservação. Capoeira Aluvial Unidade fisionômica resultante de processos naturais de sucessão, após a supressão total ou parcial, por ações antrópicas, da cobertura arbórea em áreas de floresta aluvial, podendo ocorrer árvores remanescentes da vegetação primária. A fisionomia varia conforme o estádio sucessional, sendo ainda fortemente influenciada pela intensidade nas mudanças ocorridas nas condições locais, principalmente pelas alterações no regime hídrico. Aos ambientes de capoeira aluvial, de modo semelhante à floresta aluvial, estão associados os Gleissolos, Planossolos, Neossolos Flúvicos e Organossolos (Takizawa 1995). Portanto, as diferenças florísticas e estruturais dessa fisionomia com a floresta aluvial resultam de ações antrópicas pretéritas e, de modo geral, não devem ser associadas aos tipos de solos. Esta formação abrange uma área de 565 ha, representando 1 1 ,3% da Rebio (Tab. 1 ). Os elementos arbóreos variam entre 3 e 5 metros de altura, observando-se variados padrões fisionômicos de acordo com as espécies dominantes (Figs. 9 e 10). Adensamentos de indivíduos jovens de ipc- tamanco ( Tabebuia cassinoides), ou guanandí ( Symphonia globulifera), ou tucum ( Bactris setosa), ou embaubinha ( Cecropia lyratiloba) são os padrões mais Rodriguésia 57 (3): 369-389. 2006 Figura 9 - Capoeira aluvial com adensamento de ipê- tamanco (Tabebuia cassinoides) na Rebio de Poço das Antas, Silva Jardim, Rio de Janeiro. Figura 10 -Capoeira aluvial com embaubinha (Cecropia lyratiloba) na Rebio de Poço das Antas, Silva Jardim, Rio de Janeiro. comuns. Além dessas espécies arbóreas, com certa freqüência são observados exemplares de Inga laurina, Andira anthelmia e Rauvolfia grandijlora. Em planícies aluviais com grande extensão de áreas degradadas, que foram submetidas a drásticas mudanças no regime hídrico, estes adensamentos homogêneos de espécies acima citadas distribuem-se cm mosaicos. Nos locais mais impactados podem ser percebidas manchas diferenciadas, onde predominam Schinus terebinthifolius, Trema micrantha e Cecropia glazioui. Entre as plantas arbustivas mais comuns destacam-se espécies de Rubiaceae (Psychotria spp.), Melastomataceae (Leandra spp., Clidemia biserrata, Miconia SciELO/JBRJ _2 13 14 15 16 17 cm .. 382 spp. e Tibouchina spp.), Piperaceae (Piper spp.), Compositae ( Baccharis dracunculifolia) e Leguminosae ( Aeschynomene sensitiva). O estrato herbáceo em geral é dominado por espécies ruderais, entre as quais predominam Polygonum acuminatum, Blechnum serrulatum, Imperata brasiliensis e Panicum maximum. Em locais geralmente sujeitos a inundação permanente observa-se a ocorrência de Hedychium coronarium, Costus spiralis e Ludwigia quadrangularis. As condições de inundação, como já referido para floresta aluvial, estão entre os principais fatores limitantes ao estabelecimento das espécies nesta unidade fisionômica. É interessante ressaltar que algumas espécies utilizam a reprodução vegetativa para recolonizar trechos degradados sujeitos a inundação. Esta estratégia foi observada por Scarano et al. (1997) em Tabebuia cassinoides e Tovomitopsis paniculata. Capoeira Submontana Unidade fisionômica resultante de processos naturais de sucessão, após a supressão total ou parcial, por ações antrópicas, da cobertura arbórea em áreas de floresta submontana, podendo ocorrer árvores remanes-centes da vegetação primária. Apresenta grande variação fisionômica, que é influenciada principalmente pelo estado sucessional e pela forma de vida das espécies dominantes. Associados a esta fisionomia foram observados principalmente Argissolos, álicos a moderados, com textura variando de argilosa a muito argilosa (Takizawa 1995). É importante ressaltar que, no caso de áreas que sofreram impactos antrópicos, como as capoeiras submontanas, o alto teor de alumínio pode prejudicar o processo de regeneração, interferindo no processo de decomposição da matéria orgânica do solo e dificultando o estabelecimento de um número maior de espécies arbóreas. Esta formação abrange uma área de 213 ha, representando 4,3% da Rebio (Tab. 1). Lima. H. C. et al. Os elementos arbóreos variam entre 3 e 7 metros de altura, observando-se variados padrões fisionômicos de acordo com as espécies dominantes. Adensamentos das espécies pixirica ( Miconia albicans ) e pindoba ( Attalea humilis ) são os padrões mais comuns em trechos degradados em encostas de morros e morrotes. Locais com histórico de pertubação mais recente em geral são ocupados por fisionomia arbustiva monodominante de pixirica {Miconia albicans) (Fig. 11). Ainda não se tem conhecimento se a alta incidência dessa espécie pode estar associada a um fator alelopático que dificulta o estabelecimento de outras espécies. Entre as espécies que ocorrem ocasionalmente nesta formação foram observadas Psidium guineense, Clidemia biserrata e Baccharis dracunculifolia. Raros exemplares de cambará {Gochnatia polimorpha) foram observados nos bordos de capoeiras com adensamento de pixirica, porém não existem estudos sobre o processo sucessional. Areas com adensamento de cambará {Gochnatia polimorpha) apresentam fisionomias que variam desde arbustiva até arbórea (Fig. 12). Em geral ocorrem formações monodominantes, porém em muitos trechos são observados exemplares arbustivos ou arborescentes dispersos associados com capim gordura {Melinis minutiflora). Esta situação parece ser a fase inicial do processo sucessional destas capoeiras. Neves ( 1 999) mencionou que esta espécie é muito eficiente na colonização de ambientes alterados, viabilizando o estabelecimento de outras espécies. Em fases sucessionais mais avançadas, outras espécies, tais como Nectandra oppositifolia Tibouchina granulosa , Sparattosperma leucanthum e Siparuna guianensis, são tão comuns quanto o cambará. A presença de capoeiras com adensamento de pindoba {Attalea humilis) geralmente é observada em áreas abertas no topo de elevações, em geral próximo a bordos Rodriguésia 57 (3): 369-389. 2006 SciELO/JBRJ 2 13 14 15 16 17 18 Rebio de Poço das A ntas: Fisionomia, floristica e mapeamento da vegetação 383 de fragmentos florestais. Esta ocorrência possivelmente é influenciada pela alta incidência de incêndios que proporcionam as condições ideais para o desenvolvimento desta espécie, ou seja, ambientes abertos com abundância de luz. Na Rebio a palmeira Attalea humilis pode ser encontrada tanto em ambiente de clareira de floresta como em locais perturbados (Souza & Martins 2004). Esta também é a preferência da embaúba ( Cecropia glazioui), outra espécie muito comum nas capoeiras submontanas da Rebio. Formação pioneira com influência fluvial Vegetação herbácea ou arbustiva de planícies fluviais e depressões aluviais como pântanos e lagoas, sujeitas a inundações periódicas e/ou permanentes. Esta formação abrange uma área de 997,5 ha, representando 20,0% da Rebio (Tab. 1). Associados a esta fisionomia foram observados principalmente Organossolos e Gleissolos, que ocorrem em áreas alagadiças em várzeas extensas e ao longo de córregos e dos rios São João e Aldeia (Takizawa 1 995). Ambos os solos dificultam a colonização por um número maior de espécies lenhosas, seja pela acidez acentuada do solo (Takizawa 1995), seja pela condição de alagamento mais duradouro. Os baixos valores de pH dos Organossolos da Rebio têm origem tiomórfica, devido à drenagem artificial em muitos trechos da região. É um complexo vegetacional com grande variação na fisionomia conforme a altura da lâmina da água e tempo de permanência desta. As comunidades de plantas aquáticas natantes ou submersas são constituídas principalmente por aguapé ( Eichhornia crassipes), cabomba ( Cabontba aquatica) e lentilha-d’água ( Salvinia auriculata). Estas plantas ocorrem nas várzeas permanentemente alagadas e em alguns trechos, em geral meandros muito pronunciados, do rio São João (Fig. 13). Algumas áreas alagadas, em geral no entorno da barragem, foram invadidas por gramíneas aquáticas, principalmente algumas espécies do gênero Brachiaria. Rodriguésia 57 (3): 369-389. 2006 Figura 1 1 - Capoeira submontana com adensamento de pixirica (Miconia albicans) na Rebio de Poço das Antas, Silva Jardim, Rio de Janeiro. Figura 12- Capoeira submontana com adensamento de cambará (Gochnatia polimorpba) na Rebio de Poço das Antas, Silva Jardim, Rio de Janeiro. Em comunidades de plantas aquáticas graminóides, geralmente fixadas no substrato, predominam a tabôa (7 \pha dominguensis) e várias espécies de Cyperaceae, entre as quais predominam Cladium jamaicense e Cyperus ligularis (Fig. 14). Associadas a este complexo de vegetação de áreas alagadiças, ocorrem trechos de turfciras formadas principalmentc por Sphagnum sp. Comunidades de plantas arbustivas lenhosas ocorrem, geralmcnte, na periferia de locais inundados, onde domina o tucum ( Bactris se tos a). Na região sudeste da Rebio, abaixo da Represa de Juturnaíba, encontra-se uma grande planície de inundação, onde este tipo de formação apresenta sua maior extensão, circundando pequenos morrotes c alguns trechos de capoeiras aluviais. Alguns trechos SciELO/ JBRJ 12 13 14 15 16 17 cm .. 384 Figura 13 - Formação pioneira com influência fluvial com plantas aquáticas natantes na Rebio de Poço das Antas, Silva Jardim, Rio de Janeiro. Figura 14 - Formação pioneira com influência fluvial com plantas aquáticas graminoides na Rebio de Poço das Antas, Silva Jardim, Rio de Janeiro. desta região foram alterados por impactos antrópicos, particularmente onde dominam várias espécies de gramíneas, principalmente Panicum maximum e Imperata brasiliensis, bem como densos agrupamentos da samambaia Pteridium aquilinum. As espécies arbóreas Cecropia glazioui e Trema micrantha podem ocorrer dispersas ou formando pequenos aglomerados, normalmente caracterizados unicamente pela presença de apenas uma destas ou de ambas as espécies (Silva-Matos et al. no prelo). Em geral distribuída nas áreas limítrofes da Rebio, esta fisionomia encontra-se bastante sujeita a incêndios, particularmente nos períodos mais secos, e sua cobertura vegetal Lima. H. C. et al. fortemente influenciada por sua ação. Silva- Matos et al. (no prelo) apontam a fragilidade dos elementos arbóreos deste ambiente. Embora apresentando diferentes estratégias em resposta à ação do fogo, seja através da emissão de grande quantidade de plântulas ( Trema micrantha) ou da emissão de rebrotos ( Cecropia glazioui), ambas se mostram incapazes de competir com a rápida e eficiente regeneração das gramíneas e samambaias. Vale ressaltar a baixa resistência de T micrantha a condições extremas de alagamento que, via de regra, ocasionam a morte dos indivíduos. Campo antrópico Unidade fisionômica resultante da ação antrópica, prioritariamente, pelo uso da terra para atividades agropecuárias, abrangendo grandes extensões de solos empobrecidos, ao mesmo tempo que bastante vulneráveis à ação do fogo ( F igs. 1 5 e 1 6). Estes ambientes campestres estão associados majoritanamente com Argissolos, nas áreas de morrote, e com associações entre Neossolos Flúvicos, Planossolos e Gleissolos (Takizawa 1995), nas unidades geomorfológicas de deposição aluvional, como as várzeas. Esta formação abrange uma área de 616 hectares, representando 12,3% da Rebio (Tab. 1). Nestas áreas predominam, principalmente, plantas invasoras como sapé (Imperata brasiliensis), capim-gordura (Melinis minutiflora), capim-colonião ( Panicum maximum) e samambaia (Pteridium aquilinum). Algumas espécies arbustivas, mais tolerantes à luz e à seca, ocorrem consorciadas às gramíneas: alecrim (Baccharis spp), araçá (Psidium guineense), pixirica (Miconia albicans e Clidemia biserrata), camará (Lantana camara), embaúba (Cecropia lyratiloba) e aroeirinha (Schinus terebinthifolius). Vieira & Pessoa (2001) estudando esta fisionomia em área de várzea, apontam a distribuição espacial de algumas espécies sobre forte influência das condições edáficas. A espécie Hedychium coronarium, por exemplo, RoJriguésia 57 (3): 369-389. 2006 SciELO/JBRJ 2 13 14 15 16 17 lí Rebio de Poço das Antas: Fisionomia, floristica e mapeamento da vegetação forma agrupamentos densos onde o solo apresenta maiores teores de umidade podendo permanecer, muitas vezes, alagado em determinados períodos do ano. Andropogon bicornis, Imperata brasiliensis, Hyparrhenia rufa e Panicum maximum predominam em áreas mais secas enquanto outras espécies, a exemplo de Polygomtm acuminatum e Aeschynomene sensitiva, são típicas de áreas mais úmidas, porém não encharcadas. As autoras destacam também, o predomínio de espécies de gramíneas, Imperata brasiliensis, Hyparrhenia rufa, Panicum maximum e de ervas perenes, a exemplo de Sabicea aspera var. glabrescente, Clidemia biserrata e Scleria sp. e de algumas samambaias como Lygodium volubile e Blechnum serndatum. Estes grupos (gramíneas, ervas perenes e samambaias) apresentam características que atuam fortemente no processo sucessional da comunidade, e Figura 15 - Campo antrópico com domínio dc sapé (Imperata brasiliensis ), capim-coloniao ( Panicum maximum) e alecrim (Bacharís dracuncidifolia) na Rebio de Poço das Antas, Silva Jardim, Rio de Janeiro. Figura 16 - Campo antrópico com domínio de capim- gordura (Melinis minutiflora) na Rebio de Poço das Antas, Silva Jardim, Rio de Janeiro. representam obstáculos à ocorrência de mudanças que propiciem a formação de uma cobertura florestada na paisagem. Um outro aspecto observado por Vieira & Pessoa (2001) refere-se à estratégia de restauração da cobertura vegetal destes ambientes. Indivíduos lenhosos uma vez conseguindo ultrapassar a camada de gramíneas, e se estabelecendo no terreno, como exemplares de Miconia staminea, Andira anthelmia, Dalbergia frutescens, Lonchocarpus cultratus e Guarea guidonia acabam por constituírem, pequenos aglomerados de uma ou mais espécies dando início a formação de moitas. Estas, à medida em que ocorre seu crescimento em tamanho, acabam por favorecer o estabelecimento destas e de outras espécies arbustivas e arbóreas. Conclusões O mapeamento da vegetação da Rebio, realizado por meio de fotointerpretação e usando fotografias aéreas na escala 1 :20.000, mostrou-se muito eficiente para uma análise detalhada das diferentes fito-fisionomias. Foram delimitados, respectivamente, 2.608 hectares de áreas com florestas em variados estádios sucessionais, 997,5 hectares de formação pioneira com influência fluvial e 1.232 hectares com cobertura não florestal resultantes da ação antrópica, expressas por capoeiras e campos antrópicos. Este resultado é uma primeira aproximação da situação atual da vegetação desta unidade de conservação, que poderá ser utilizado como marco para futuras avaliações e monitoramento. A despeito do histórico de uso e dos impactos ocorridos em anos recentes, particularmente a alta freqüência de incêndios, ainda é significativo o montante de 52% de cobertura florestal remanescente. O que por um lado torna relevante este percentual, por outro ressalta a fragilidade em que os mesmos se encontram, face a presença de áreas antropizadas no entorno Rodriguésia 57 (3): 369-389. 2006 SciELO/JBRJ 2 13 14 15 16 17 lí cm .. 386 desta unidade de conservação. Os resultados do mapeamento, em especial a delimitação das áreas com vegetação natural, subsidiam a execução de ações emergenciais que minimizem situações de risco. O reconhecimento das áreas em melhor estado de preservação se constituirá em ferramenta fundamental para os projetos de pesquisa em realização, ou a serem implementados. Por outro lado, a delimitação das áreas degradadas será de grande utilidade para dimensionar o esforço necessário em estratégias de recuperação dessas áreas. Considerando ainda que a Rebio possui um representativo remanescente de formações florestais da Bacia do Rio São João, revela-se o alto potencial da área para o estabelecimento de matrizes arbóreas para acompanhamento fenológico, coleta de sementes e produção de mudas de espécies nativas. Por último destaca-se a necessidade de continuidade de monitoramento da cobertura vegetal, fazendo os ajustes necessários e adequando os resultados para o uso de técnicas de sensoriamento remoto. Isto permitirá o acompanhamento de mudanças com metodologia de maior precisão e ampliará a capacidade de previsibilidade de futuros cenários no processo de regeneração das áreas degradas da Rebio. Agradecimentos Ao Jardim Botânico do Rio de Janeiro pelo apoio ao Programa Mata Atlântica; a The John D. and Catherine T. MacArthur Foundation e à Petrobras, cuja alocação de recursos financeiros de longo prazo propiciam a execução dos objetivos do Programa Mata Atlântica do JBRJ; aos colegas do Programa Mata Atlântica que, valendo-se de um objetivo comum, através de suas diferentes linhas de pesquisas, auxiliaram no processo de obtenção de dados no campo e interpretação de alguns resultados obtidos; aos especialistas que revisaram as identificações do material botânico procedente dos vários projetos desenvolvidos na Rebio; à Dorothy S. D. Lima, H. C. et al. Araújo pela revisão do abstracf, aos funcionários do IBAMA, em especial a Dionisio M. Pessamiglio, Whitson José da Costa Jr. e Rafael Puglia Neto pelo apoio às atividades de campo e disponibilização de vários documentos sobre a Rebio. Baumgratz, J. F. A.; Souza, M. L. R.; Carraça, D. C. & Abbas, B. A. 2006. Melastomataceae na Reserva Biológica de Poço das Antas: aspectos florísticos e taxonômicos. Rodriguésia 57(3): 591-646. Bemardes, L. N. C. 1952. Tipos de clima do estado do Rio de Janeiro. Revista Brasileira de Geografia 14(1): 57-80. Borém, R. A. T. & Ramos, D. P. 2001. Estrutura fitossociológica da comunidade arbórea de uma toposseqüência alterada de uma área de floresta atlântica, no município de Silva Jardim-RJ. Revista Árvore 25(1): 131-140. & Oliveira-Filho, A. T. 2002. Fitossociologia do estrato arbóreo em uma toposseqüência alterada de mata atlântica, no município de Silva Jardim-RJ, Brasil. Revista Árvore 26(6): 727-742. Carauta, J. P. P.; Vianna, M. C.; Araújo, D. S. D. & Oliveira, R. F. 1978. A vegetação de “Poço das Antas”. Bradea 2(46): 299- 305. 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Pessoa 2 & Rogério R. de Oliveira 3 Resumo (Análise estrutural da vegetação arbórea em três fragmentos florestais na Reserva Biológica de Poço das Antas, Rio de Janeiro, Brasil) Investigou-se aspectos do efeito da fragmentação e isolamento de habitats sobre a estrutura dos elementos arbóreos encontrados em três fragmentos florestais de diferentes tamanhos e formas, situados na Reserva Biológica de Poço das Antas, Silva Jardim, RJ. Foram demarcados transectos de 10 m de largura e comprimento variado de acordo com a extensão do fragmento, com orientações norte-sul e leste-oeste, subdivididos em parcelas contíguas de 10 x 25 m, sendo todos os indivíduos arbóreos com DAP $ 5 cm marcados e coletados dados de altura e diâmetro. Registraram-se 1 .771 indivíduos, distribuídos em 43 famílias, 107 gêneros e 207 espécies. As áreas apresentam alta diversidade, onde as famílias Euphorbiaceae, Sapotaceae, Annonaceae, Moraceae e Nyctaginaceae configuram-se como as de maior valor de importância. A proporção elevada de espécies (70%) em baixa densidade representa risco potencial de extinção para muitas populações locais, por outro lado a presença de espécies comuns em diferentes estágios de desenvolvimento, aliado ao arranjo espacial e a distância entre as áreas, permitindo a ação de polinizadores e dispersores atuam no sentido de minimizar este efeito. Palavras-chave: estrutura da comunidade. Mata Atlântica, remanescente florestal, fragmentação. Abstract (Structural analysis of woody vegetation in three forest fragments in Poço das Antas Biological Reserve, Rio de Janeiro, Brazil) Aspects of the effect of ffagmentation and isolation of habitats were investigated considering the structure of tree components, foundcd in three forest fragments of different size and shape located at Poço das Antas Biological Reserve, Silva Jardim, RJ. Transects of 10 m wide and as long as the distance bctween the edges, toward north-south and east-west and subdivided in contiguous plots of 10 x 25 m, were set and all tree individuais with 5 cm DBH or more were tagged and data of height and diameter collected. Were recorded 1 .77 1 individuais, bcing distributed within 43 families, 1 07 gcnera and 297 species. The areas have high diversity and the families Euphorbiaceae, Sapotaceae, Annonaceae, Moraceae and Nyctaginaceae presenting the higher important index valucs. The high proportion of species (70%) in low density rcpresents potential risk of extinction to many local populations and the fact that common species occurs at various stages ofdevclopment just with the distance and spatial arrangcmcnt bctween the areas that permit the action of pollinators and dispersers, act toward to minimize this effect. Key words: Atlantic Forest, community structure, forest rcmnants, fragmentation. Introdução A floresta tropical úmida localizada na costa atlântica brasileira, denominada Mata Atlântica vem sofrendo desde a época do descobrimento do Brasil intenso processo de desmatamento e fragmentação. Atualmente, no estado do Rio de Janeiro, os maiores fragmentos florestais podem ser observados apenas nas vertentes das cadeias montanhosas da Serra do Mar localizadas, em sua maioria, acima de 500 m de altitude (Tanizaki-Fonseca & Moulton 2000). Restrita, no estado, apenas a 19% de sua área original é constituída em sua maioria por remanescentes de florestas secundárias cm diferentes estágios de regeneração (Fundação S.O.S. Mata Atlântica 2002). Artigo recebido cm 02/2005. Aceito para publicação em 1 1/2005. 'Parte da Dissertação de Mestrado do primeiro autor no curso de Ciências Ambientais e Florestais, UFRRJ. -'Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro, Rua Pacheco Leão 915, 22460-030, Rio de Janeiro, RJ, Brasil. spcssoa@jbrj.gov.br 'Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, Dcpt“ de Geografia, Rua Marques de S. Vicente 225, 22453-900, Rio de Janeiro, RJ, Brasil, rro@geo.puc-rio.br SciELO/JBRJ 2 13 14 15 16 17 18 cm .. Pessoa , S. V. A. & Oliveira, K. R. Na região da planície litorânea do estado do Rio de Janeiro, o processo de fragmentação data desde os primórdios da colonização quando se intensificaram as intervenções antrópicas nesta paisagem, em especial aquelas relacionadas à implantação de atividades agrícolas, extrativistas e pastoris. Atualmente, a paisagem desta região está representada por remanescentes florestais de tamanhos variados, isolados e, em sua maioria, altamente perturbados e inseridos em amplas extensões de áreas campestres. À semelhança das florestas estacionais semideciduais do interior do estado de São Paulo constituem exemplo do processo de fragmentação (Nascimento et al. 1999), imersos que estão como ilhas de vegetação em meio a uma paisagem desestruturada. Nas últimas duas décadas diversos estudos destes remanescentes foram efetuados, (Guedes 1988; Silva & Nascimento 2001; Borém & Oliveira-Filho 2002; Rodrigues 2004), com um significativo volume de trabalhos conduzidos na Reserva Biológica de Poço das Antas (Scarano et al. 1997; Guedes-Bruni 1998; Silva Matos et al. 1998a, 1998b; Neves 1999; Vieira & Pessoa 2001; Pereira & Mantovani 2001; Souza & Martins 2002; Moraes et al. 2002), formada por um conjunto de remanescentes das florestas de morros e pequenos morrotes e terras baixas que originalmente recobriam a planície costeira. Nesta Reserva, o local de realização deste estudo, a fragmentação e subseqüentes transformações na paisagem ocorreram em decorrência da derrubada de áreas florestais para uso como pastagem ou pequena agricultura à época das fazendas e ao alagamento e drenagem de áreas como resultado da construção da Represa de Jutumaíba. Com a fragmentação de habitats duas mudanças fundamentais são introduzidas: em contraste com a vegetação original, os fragmentos são descontínuos e geralmente de área muito reduzida e os organismos que persistem no fragmento são expostos às condições de um ecossistema vizinho diferente. O que tem sido chamado efeito de borda (Murcia 1995). Uma série de alterações bióticas e abióticas surge nestes remanescentes, normalmente resultando em mudanças na estrutura e composição da vegetação, que podem levar a um aumento das taxas de recrutamento e de mortalidade dos indivíduos arbóreos (Williams-Linera 1990, Laurence et al. 1998) e a variações na densidade e na área basal de indivíduos localizados, principalmente, nas áreas de borda em relação às áreas do interior do fragmento (Williams-Linera 1990; Murcia 1995) . Alterações na distribuição de espécies de plantas e animais e nas interações entre elas, a exemplo de predação, competição, herbivoria, polinização biótica e dispersão de sementes também são verificadas (Lovejoy et al. 1986; Saunders et al. 1991; Aizen & Feinsinger 1994; Murcia 1995). Além disso, a fragmentação florestal pode ocasionar altas taxas de extinção (Bawa 1990; Aizen & Feinsinger 1994) e quando a fragmentação resulta no isolamento genético total do habitat isolado, cada fragmento isolado torna-se demograficamente independente, podendo ocorrer extinção local (Templeton et al. 1990; Turner & Collet 1996) provocando, portanto, significativa redução da diversidade biológica. Diversos estudos apontam a influência da área total do fragmento, da idade, do histórico de perturbação, do grau de isolamento e da qualidade da matriz influenciando a intensidade e amplitude das variações provocadas pela fragmentação (Saunders et al. 1991; Turner 1996, Laurence et al. 1998, Mesquita et al. 1999). Fragmentos menores apresentando diferenças de composição e estrutura em relação a fragmentos maiores, via de regra, menos expostos a fatores de perturbação (Laurence 1997). Neste trabalho pretende-se contribuir para um melhor conhecimento e entendimento dos efeitos da fragmentação e isolamento de habitats sobre a estrutura e diversidade dos Roitriguésia 57 (3): 391-411. 2006 SciELO/JBRJ 2 13 14 15 Estrutura da vegetação arbórea em três fragmentos florestais 393 elementos arbóreos de fragmentos de mata. Para tanto são investigadas as variações na estrutura e diversidade de três fragmentos de tamanho e forma diferentes. Material e Métodos Os três fragmentos florestais estudados encontram-se na Reserva Biológica de Poço das Antas próximos à área de influência da Represa de Juturnaíba, situado no limite sudeste da Reserva. A Reserva, localizada na porção central da planície costeira do estado do Rio de Janeiro, na região conhecida como baixada de Araruama, encontra-se entre as latitudes 22°30’ e 22°35’S e as longitudes 42°14’e 42°19’W (Fig. 1). Os fragmentos estudados fazem parte de um conjunto de oito remanescentes de florestas sobre pequenas elevações, situados em extensa planície e relativamente isolados, sem corredores de vegetação interligando- os, distando entre si cerca de 60 m (área I e III), 280 m (área I e II) e 400 m (área II e III) (Fig. 2). A construção da represa de Juturnaíba, iniciada em 1984, implicou em modificações drásticas na paisagem, alterando o sistema de águas da região, facilitando a propagação de incêndios, provocando o desaparecimento das florestas sobre a planície de inundação, que cederam lugar a campos aluviais tornando completamente aberto o ambiente vizinho às florestas sobre os morrotes (Pessoa 2003). Segundo a administração da Reserva, o Figura 1 - Localização da Reserva Biológica dc Poço das Antas, Rio de Janeiro (Fonte: Programa Mata Atlântica/JBRJ). Rodriguésia 57 (3): 391-411. 2006 SciELO/JBRJ cm l SciELO/ JBRJ. 2 13 14 15 16 17 18 394 primeiro incêndio que afetou a região das áreas estudadas ocorreu em dezembro de 1984, seguindo-se outros em 1986, 1991, 1993, 1997, 2000 e 2002, todos coincidindo com a estação seca. Os três últimos afetaram as áreas em estudo em suas bordas e com graus diferenciados de penetração e danos para o interior. Segundo a classificação de Veloso et al. (1991), esta planície é ocupada pela Floresta Ombrófila Densa, com a formação Submontana ocorrendo nos dissecamentos do Pessoa , S. V. A. & Oliveira. R. R. relevo montanhoso. Sua topografia é predominantemente de planície, apresentando pequenos morros e morrotes arredondados que podem atingir até 200 m de altitude, separados, muitas vezes, por áreas baixas aluviais periodicamente alagadas na estação das chuvas (Takisawa 1995). Em cada um dos fragmentos foram implantados dois transectos de 1 0 m de largura e comprimento variado, de acordo com a extensão do fragmento, com orientações norte- sul e leste-oeste, subdivididos em parcelas Figura 2 - localização dos três fragmentos estudados na Reserva Biológica de Poço das Antas, RJ. (Miranda & Coutinho, 2004) Rodriguésia 57 (3): 391-411. 2006 Estrutura da vegetação arbórea em três fragmentos florestais 395 contíguas de 10 x 25 m. O método de transecto foi escolhido de forma a incluir na amostragem a maior quantidade possível da heterogeneidade florístico-estrutural existente em cada um dos fragmentos. No fragmento I (1,35 ha), os transectos mediram 125 m na direção leste-oeste e 100 m na direção norte- sul, totalizando 9 parcelas (2.250 m2) no fragmento II (6,65 ha), 400 m na direção leste- oeste e 175 m na direção norte-sul, perfazendo 23 parcelas (5.750 m2) e no fragmento III (9,34 ha), 325 m em ambas as direções, em um total de 26 parcelas (6.500 m2). Todos os indivíduos com diâmetro a altura do peito (1,30 m) ci 5 cm foram marcados, coletados e mensurados dados referentes à altura e diâmetro. A presença de árvores mortas ainda em pé foi incluída na amostragem. Para identificação do material botânico, segundo o sistema de classificação de Cronquist (1988), utilizou-se consulta à especialistas, a literatura e à coleção do herbário do Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro (RB), onde encontra-se depositado o material testemunho. Os materiais cuja identificação ao nível de espécie ainda não foi possível foram categorizados como morfocspécics. Na análise fitossociológica foram empregadas as fórmulas apresentadas por Mueller-Dombois & Ellenberg (1974) para densidade, freqüência e dominância e valor de importância (VI). A estimativa da diversidade foi obtida utilizando-se o índice de diversidade de Shannon (Magurran 1988) e no cálculo da equabilidade (J) utilizou-se a fórmula de Piclou (1975, apud Magurran 1988). Os parâmetros fitossociológicos foram calculados com o programa FITOPAC (Shepherd 1994). Na elaboração dos histogramas de freqüência de distribuição dos indivíduos por classe de diâmetro e por classe de altura, o intervalo de classe (IC), em cada uma das situações e para cada uma das espécies consideradas, foi calculado segundo Spiegel (1970, apud Felfili & Silva-Junior 1988). Rodriguésia 57 (3): 391-411. 2006 Resultados e DiscussAo Nas três áreas foram amostrados 1.771 indivíduos, relacionados a 207 espécies, 43 famílias c 107 gêneros. Os fragmentos I, II c III apresentaram respectivamente 64 espécies, 239 indivíduos vivos e 69 indivíduos mortos ainda cm pé; 1 07 espécies, 468 indivíduos vivos e 81 mortos e 151 espécies, 1.064 indivíduos vivos e 71 mortos. Os valores de densidade foram de 1 .062, 8 1 3 e 1 .636 ind./ha, enquanto os valores de área basal foram de 5,38, 13,24 e 20,07 m2/ha para as áreas I, II e III, respectivamente. No que tange à densidade, seria esperado encontrar valores próximos para as áreas II c III, tendo em vista a semelhança cm termos de área levantada. Meffe et al. (1997) afirmam que áreas maiores suportam populações maiores em relação a áreas menores, por estas proporcionarem condições bióticas e abióticas diferenciadas. Os valores encontrados para a área III corroboram esta afirmativa. O menor valor encontrado na comunidade II pode ser a expressão de perturbações mais intensas provocadas pelos incêndios passados c recentes, portanto em resposta à intensidade da perturbação e ao tempo decorrido entre os incêndios e desde o último. Dificuldades ou mesmo impedimento à regeneração de algumas espécies podem estar ocorrendo, como resultado de alterações drásticas em fatores bióticos e abióticos destas comunidades. Silva Matos et al. (1998) utilizando critério de inclusão diferente (DAP t 10 cm) relacionaram as variações encontradas entre as densidades às diferenças microclimáticas (velocidade do vento, umidade do ar, temperatura) observadas nestes fragmentos, sendo a ação do vento mais determinante para o fragmento II. Da mesma forma, a intensidade e o tempo decorrido, podem ter influenciado no valor obtido para o menor fragmento (área I). Os valores encontrados parecem indicar que as relações entre densidade c perturbação podem ser algo mais complexas do que o sugerido por Laurence et al. (1998) e Williams-Lincra SciELO/JBRJ1 2 13 14 15 16 17 18 cm .. 396 (1990), que encontraram um aumento na densidade em fragmentos pequenos. Possivelmente perturbações menos intensas possam significar aumento da densidade. Silva & Nascimento (200 1 ) sugerem que baixos valores de área basal possam ser reflexo do grau de perturbação da área. À exceção da área I, o menor fragmento, os valores de área basal foram semelhantes aos obtidos em estudos de outras matas de planície com histórico de perturbação (13,8 e 24,4 mVha - Neves, 1999; 15 m2/ha - Silva & Nascimento, 2001; 18 m2/ha - M. T. Nascimento (dados não publicados, apud Silva & Nascimento, 2001); 26,1 mVha - Borém & Ramos, 2001; 23,1 m2/ha - Borém & Oliveira-Filho, 2002. E são muito inferiores ao encontrado por Sztutmam & Rodrigues (2002) (39,3 mVha) para floresta de morrote em Pariquera-Açu, São Paulo, uma das maiores áreas de floresta contínua em bom estado de conservação para esta formação. Desta forma, os valores encontrados sugerem que estes podem estar relacionados tanto às perturbações decorrentes da fragmentação (Mesquita et al. 1999; Laurence et al. 2002), normalmente ocasionando a morte dos indivíduos de maiores diâmetros, quanto aos incêndios pretéritos. O valor alcançado para a área II possivelmente reflete a influência do diâmetro atingido por um de seus elementos (109 cm). A ocorrência de indivíduos mortos em pé foi proporcionalmente maior nas áreas I e II, com 29% e 17,3% respectivamente, sendo ainda visíveis, em muitos indivíduos de ambas as áreas, os sinais dos danos causados pelo incêndio ocorrido pouco antes do início dos trabalhos. Na área III foram encontrados 71 indivíduos mortos ou 6,7% do total de indivíduos amostrados. Os dados levantados, exceto os observados na área III, mostram- se superiores aos alcançados para outros trechos da Reserva (10,3% e 11% - Neves 1999) e para outras áreas de mata de planície (4,08% - Guedes, 1988; 9,7% - Silva & Nascimento 2001), todas sujeitas a alguma Pessoa , S. V. A. & Oliveira, R. R. forma de perturbação. Embora estudos apontem que a fragmentação e o efeito de borda aumentam a mortalidade dos elementos arbóreos (Williams-Linera 1990; Tabanez et al. 1997; Laurence et al. 2002), os altos valores observados nas áreas I e II devem ser creditados, em grande parte, à ação do fogo, evidenciado pelo fato da maioria dos indivíduos mortos apresentarem troncos completamente ou parcialmente queimados. No que se refere à ocorrência de caules múltiplos ou ramificações abaixo de 1,30 m a altura do peito, foram encontrados na área I 7 indivíduos (2,9%), distribuídos em 6 espécies, na área II, 53 indivíduos ( 1 1 ,3%), distribuídos em 25 espécies e na área III 22 indivíduos (2%), distribuídos em 15 espécies. No total, 38 espécies apresentaram mecanismo de rebrota como uma estratégia para se manter na comunidade, auxiliando desta forma a cicatrização de trechos abertos na floresta, seja pela via antrópica (fogo) ou pela via natural (vento, senescência, etc). A relevância da regeneração por rebrota em espécies arbóreas da floresta tropical é apontada por Ewel (1977), salientando Grime (1979, apud Castellani 1 986), que o crescimento por rebrota mostra-se mais vantajoso sobre o desenvolvimento a partir de sementes, tendo em vista que o primeiro não necessita alocar recursos para a formação de raízes. Embora, para as unidades em estudo, a ocorrência de caules múltiplos pareça estar relacionada tanto a eventos antrópicos como naturais, este fato também pode ser uma característica ligada à espécie ou à própria floresta (Dunphy et al. apud Sá 2002). Os dados obtidos para abundância de famílias, considerando aquelas que perfazem 75% dos indivíduos amostrados, indicam que são os elementos das famílias Euphorbiaceae, Annonaceae e Sapotaceae, e em menor escala os das famílias Moraceae e Nyctaginaceae os que exercem um papel mais preponderante na caracterização da fisionomia das três unidades estudadas (Fig. 3). Na área I observa- se o predomínio da família Euphorbiaceae. RoJriguésia 57 (3): 391-411. 2006 SciELO/JBRJ 2 13 14 15 16 17 Estrutura da vegetação arbórea em três fragmentos florestais cujos 1 10 indivíduos perfazem 46% do total de indivíduos amostrados, fato ocasionado pela grande incidência da espécie Senefeldera verticillata. Para a área II, as famílias Euphorbiaceae (75 indivíduos), Ulmaceae (49), Nyctaginaceae (44), Annonaceae (36), Moraceae (30), Bignoniaceae (22) e Arecaceae (22) se sobressaem perante as demais. Nesta área, as espécies S. verticillata , Trema micrantha, Guapira areolata e G. opposita, Annona cacans, Helicostyles tomentosa, Sparattosperma leucanthum e Astrocaryum aculeatissimum contribuem para a dominância de suas respectivas famílias. A área III apresenta um quadro semelhante à área I, com apenas duas famílias, Euphorbiaceae e Annonaceae, contribuindo com 49% do total de indivíduos amostrados, destacando-se que os 405 indivíduos de Euphorbiaceae representam 38% deste total. Ressalta-se a contribuição das espécies S. verticillata e Anaxagorea üolichocarpa, respectivamente para a abundância destas famílias. Rubiaceae (97 indivíduos), Moraceae (63), Sapotaceae (55), Leguminosae (46) e Myrtaceae (38) formam as demais famílias que contribuem com quantitativos menores de elementos e perfazem 28% dos indivíduos amostrados. A presença destacada da família Ulmaceae na área II, sinaliza uma maior ocorrência de fatores de perturbação nesta área, pois a espécie que a representa é considerada característica de estádios iniciais do processo sucessional (Gandolfi etal. 1995). Considerando o valor de importância das diferentes famílias presentes nas três áreas amostradas e referenciando somente aquelas famílias que totalizam cerca de 75% do valor total de importância, verifica-se que as famílias Euphorbiaceae, Sapotaceae, Leguminosae, Annonaceae, Lauraceae, Moraceae, Nyctaginaceae, Myrtaceae, Apocynaccae, Ulmaceae, Bignoniaceae, Arecaceae, Sapindaceae, Asteraceae, Flacourtiaceae, Boraginaceae, Meliaceae e Rubiaceae figuram entre as mais importantes. Uma comparação com outros estudos realizados nas florestas desta região indica que a maioria das famílias Rodrlguésia 57 (3): 391-411. 2006 397 importantes para as áreas estudadas estão entre as mais importantes nestes estudos, embora exista uma variação de posição destas famílias no ranking de valor de importância (Guedes 1988; Guedes-Bruni 1998; Borém & Oliveira- Filho 2002; Rodrigues 2004). Os dados apresentados na Figura 4 demonstram que Euphorbiaceae, Sapotaceae, Annonaceae, Moraceae e Nyctaginaceae Figura 3 - Distribuição do percentual de indivíduos com DAP maior ou igual a 5 cm por família botânica cm três fragmentos florestais amostrados na Reserva Biológica de Poço das Antas, RJ. Fragmento 1-1,35 ha; Fragmento II - 6,65 ha e Fragmento III - 9,34 ha. SciELO/ JBRJ 2 13 14 15 16 17 18 cm .. Pessoa , S. V. A. & Oliveira, R. R. apresentam-se em destaque nas três áreas, resultado já obtido para o parâmetro abundância por família. Estes resultados demonstram que embora determinadas famílias possam caracterizar estas florestas, variações locais nas condições edáficas, topográficas, climáticas e fatores de perturbação podem contribuir para a presença destacada de determinadas famílias, fato que corrobora a proposição de Rodrigues (2004) de que a estrutura da vegetação seja uma responda a fatores abióticos locais. Figura 4 - Distribuição percentual dos valores de importância (VI) por família botânica em três fragmentos florestais amostrados na Reserva Biológica de Poço das Antas, RJ. Fragmento 1 — 1,35 ha; Fragmento 11-6,65 ha e Fragmento III -9,34 ha. Da análise das espécies no que tange ao seu valor de importância (Tabs. 1, 2 e 3), observa-se uma variação entre os dez elementos florísticos de maior expressão para cada uma das unidades levantadas, como resultado ora da densidade destes componentes, fato mais freqüente, ora da dominância. Na área I destacam-se S. verticillata, Pogonophora schomburgkiana, Pera glabrata, Copaifera trapezifolia, A. dolichocarpa, Ecclinusa ramiflora, G. opposita, Balizia pedicellaris, Tetraplandra leandri. e T. micrantha. Diferentemente das demais, P . glabrata e C. trapezifolia estão bem posicionadas devido a seus valores de dominância relativa (8,76% e 6,76%, respectivamente). Para a área II sobressaem- se S. verticillata, T. micrantha, Andradaea floribunda, A. cacans, A. aculeatissimum, G. opposita, S. leucanthum, H. tomentosa, G. areolata e Cordia sellowiana e à exceção de S. verticillata, T. micrantha e A. floribunda, as demais não apresentam grandes variações entre os valores de densidade e dominância. Na área III, as espécies que individualmente mais contribuem são S. verticillata, A. dolichocarpa, Actinostemon verticillatus, Mabea piriri, Faramea truncata, H. tomentosa, E. ramiflora, Pterocarpus rohrii, G. opposita e A. aculeatissimum. Para as espécies M. piriri, H. tomentosa, E. ramiflora e G. opposita, seus valores de densidade e dominância influenciam igualmente no valor de importância total obtido. Ao compararmos estes resultados com outros trabalhos para florestas desta região (Guedes 1988; Guedes-Bruni 1998; Neves 1 999; Borém & Oliveira-Filho 2002; Rodrigues, 2004) observamos que somente S. verticillata. A. aculeatissimum, S. leucanthum, E. ramiflora, //. tomentosa e G. opposita são citadas. Isto sugere que à exceção das espécies acima mencionadas, as áreas estudadas devem ser consideradas importantes para a manutenção das demais espécies, como também apresentam condições mais propícias à sua ocorrência. Rodriguésia 57 (3): 391-411. 3006 SciELO/JBRJ 2 13 14 15 16 17 18 cm Estrutura da vegetação arbórea em três fragmentos florestais 399 Tabela 1 - Parâmetros fitossociológicos das espécies amostradas no Fragmento I na Reserva Biológica de Poço das Antas, RJ, ordenadas segundo o valor de importância (VI), sendo N= número de indivíduos; DA= densidade absoluta (N/ha); FA= freqüência absoluta (%); DoA= dominância absoluta (mVha); DR= densidade relativa (%); FR= freqüência relativa (%); DoR= dominância relativa (%). Espécies N DA FA DOA DR FR DoR VI Senefeldera verticillala (Vell.) Croizat 93 413,3 88,89 4,7220 38,91 6,67 19,73 65,31 Pogonophora schomburgkiana Miers ex Benth. 10 44,4 55,56 0,8591 4,18 4,17 3,59 1 1,94 Pera glabrata (Schott) Baill. 1 4,4 11,11 2,0966 0,42 0,83 8,76 10,01 Copaifera trapezifolia Hayne 2 8,9 22,22 1,6170 0,84 1,67 6,76 9,26 Anaxagnrea doiichocarpa Sprague & Sandwith 10 44,4 44,44 0,2625 4,18 3,33 1,1 8,61 Ecclinusa ramiflora Mart. 5 22,2 44,44 0,7137 2,09 3,33 2,98 8,41 Cuapira opposita (Vcll.) Reitz 6 26,7 55,56 0,3427 2,51 4,17 1.43 8,1 1 Balizia pedicellaris (DC.) Bamcby & J. W. Grimes 3 13,3 33,33 1,0245 1,26 2,5 4,28 8,04 Tctraplandra leandri Baill. 5 22,2 44,44 0,5756 2,09 3,33 2,4 7,83 Trema micranlha (L.) Blume 10 44,4 33,33 0,1745 4,18 2,5 0,73 7,41 Manilkara aff. bella Monach. 2 8,9 22,22 0,9910 0,84 1,67 4,14 6,64 Tapirira guianensis Aubl. 1 4.4 11,11 1,1581 0,42 0,83 4,84 6,09 Duguetia puhliana Mart. 4 17,8 44,44 0,2364 1,67 3,33 0,99 5,99 Pouteria reticulata (Eng.) Eyma 2 8,9 22,22 0,8006 0,84 1,67 3,35 5,85 Aspidosperma spruceanum Benth. ex Mtlll. Arg. 3 13,3 33,33 0,3906 1,26 2,5 1,63 5,39 Lecythis lurida (Miers) S. A. Mori 3 13,3 33,33 0,3433 1,26 2.5 1,43 5,19 Mieropholis guyanensis (A.DC.) Picrre 2 8,9 22,22 0,5662 0,84 1,67 2,37 4,87 Cordia trichoclada DC. 4 17,8 33,33 0,0885 1,67 2,5 0,37 4,54 Aniba firmula (Nccs & Mart. ex Ness) Mcz 3 13,3 33,33 0,0938 1,26 2,5 0,39 4,15 Garcinia gardneriana Miers ex Planch. & Triana 4 17,8 22,22 0,1843 1,67 1,67 0,77 4,11 Esenbeckia grandiflora Mart. 5 22,2 11,11 0,2741 2,09 0,83 1.15 4,07 Eriotheca pentaphylla (Vell.) K. Schum. 2 8,9 22,22 0,3542 0,84 1,67 1,48 3,98 Annomi cacaus Warm. 3 13,3 22,22 0,2527 1,26 1,67 1,06 3,98 Urola gardneri (A.DC.) Warb 2 8.9 11,11 0,5185 0,84 0,83 2,17 3,84 Tovomila glaztoviana Engl. 2 8,9 22,22 0,2995 0,84 1,67 1,25 3,75 Brosimum sp. 1 4,4 11,11 0,5529 0,42 0,83 2,31 3,56 Cuapira areolata (Heirmcrt) Lumlcll 2 8,9 22,22 0,2511 0,84 1,67 1,05 3,55 llelicostylis lamentosa (Pocpp. & Endl.) Rusby 2 8,9 22,22 0,1268 0,84 1,67 0,53 3,03 Lauraccac sp.l 2 8,9 22,22 0,0886 0,84 1,67 0,37 2,87 Sorncea guilleminiana Gaudich. 2 8,9 22,22 0,0850 0,84 1,67 0,36 2,86 Aspidosperma discolor A.DC. 2 8.9 22,22 0,0749 0,84 1,67 0,31 2,82 Inga capitata Dcsv. 2 8,9 22,22 0,0643 0,84 1,67 0,27 2.77 Aslrocaryum aculeatissimum (Schott) Burrct 2 8,9 22,22 0,0547 0,84 1,67 0,23 2,73 Albizia polycephala (Benth.) Killip ex Rccord 1 4,4 11,11 0,3442 0,42 0,83 1,44 2,69 Swartzia apelala var. apetala R.S. Cowan 2 8,9 22,22 0,0383 0,84 1,67 0,16 2,66 Ocotea divaricata (Necs) Mcz 2 8,9 22,22 0,0331 0,84 1,67 0,14 2,64 Ocotea alT. nntata (Nees & Mart. Ness) Mcz 1 4,4 11,11 0,3311 0,42 0,83 1,38 2,64 Sapotaccac sp.3 1 4,4 11,11 0,3247 0,42 0,83 1,36 2,61 Brosimum guianense (Aubl.) Ilubcr 2 8.9 11,11 0,2231 0,84 0,83 0,93 2.6 Eugenia dichroma Bcrg 1 4,4 1 1,11 0,3058 0,42 0,83 1,28 2,53 Hirtella hebeclada Moric. ex DC. 1 4,4 11,11 0,2737 0,42 0,83 1.14 2,4 Erylhroxylum cincinnatum Mart. 2 8,9 11,11 0,1484 0,84 0,83 0,62 2,29 Casearia arbórea (Rich.) Urb. 2 8,9 11,11 0,1318 0,84 0,83 0,55 2,22 llyeronima oblonga (Tul.) MUll. Arg. 1 4.4 II. II 0,2217 0,42 0,83 0,93 2,18 Cathedra rubricaulis Miers 1 4,4 1 1,1 1 0,1767 0,42 0,83 0,74 1,99 Myrtaceac sp.l 1 4,4 11,11 0,1399 0,42 0,83 0,58 1,84 Licania alT. kuntluana Hook. f. 1 4.4 11,11 0,1300 0,42 0,83 0,54 1.79 Ouralea oUvaeformis Engl. 2 8.9 11,11 0,0287 0,84 0,83 0,12 1.79 Myrtaccae sp.7 1 4,4 11,1 1 0,1 195 0,42 0,83 0,5 1,75 Simaba floribunda A. St.-Hil. 1 4.4 1 1,11 0.1 1 18 0,42 0,83 0,47 1.72 Parinari excelsa Sabinc 1 4.4 11,11 0,0974 0,42 0,83 0,41 1,66 Rodriguésia 57 (3): 391-411. 2006 SciELO/JBRJ L2 13 14 15 16 17 cm .. 400 Pessoa . S. V. A. & Oliveira, R. R. Espécies N Copai/era langsdorfii Dcsf. Vrbanodendron verrucosum (Nccs) Mez Erythroxylum cuspidifolium Mart. Licania oclandra (Hoflmanns ex Roem. & SchulL) Kuntzc Sapotaccae sp.2 Prolium heplaphyllum (Aubl.) Marchand Myrtaceac sp.3 Ocotea elegans Mez Vrbanodendron aff. bahiense (Meisn.) Rohwer Sapotaccae sp.l Faramea multijlora A. Rich. ex DC. Marlierea dimorpha Berg Swcirlzia apetala var. glabra (Vogei) R.S. Cowan DA FA DOA DR 1 4,4 11,11 1 4.4 11,11 1 4.4 11,11 1 4,4 11,11 1 4.4 11,11 1 4.4 11,11 1 4,4 11,11 1 4,4 11.11 1 4.4 11,11 1 4.4 11,11 1 4,4 11,11 1 4,4 11.11 1 4,4 11,11 FR DoR VI 0,0962 0,0808 0,0785 0,0430 0,0422 0,0378 0,0308 0.0291 0,0218 0,0181 0,0161 0,0122 0,0094 0,42 0,42 0,42 0,42 0,42 0.42 0,42 0,42 0,42 0,42 0,42 0,42 0,42 0,83 0,83 0,83 0,83 0,83 0,83 0,83 0,83 0.83 0,83 0,83 0,83 0,83 0.4 0,34 0,33 0,18 0,18 0,16 0,13 0,12 0,09 0,08 0,07 0,05 0,04 1,65 1,59 1,58 1.43 1.43 1.41 1,38 1.37 1.34 1.33 1.32 1.3 1.29 ' 2 ' Pr.mCr t?SS°CI0,0glC0S ^ csPécies amostradas no Fragmento II na Reserva Biológica DA^ftbd h i °! ^ SegUnd° ° Va'0r d£ Ímportância (VI)’ sendo N= número de indivíduos; A densidade absoluta (N/ha); FA= freqüência absoluta (%); DoA= dominância absoluta (mVhaV DR= densidade relativa í%v fr= ,0/x. ... . . . . ... l * Espécies Senefeldera verticillata (Vell.) Croizat Trema micrantha (L.) Blume Andradea jloribunda Allcmâo Annona cacans Warm. Astrocaryum aculeatissimum (Schott) Burret Guapira opposita (Vell.) Reitz Sparaltosperma leucanlhum (Vell.) K. Schum. Helicostylts lomenlosa (Poepp. & Endl.) Rusby Guapira areolala (Hcimerl) Lundcll Cordia sellowiana Cham. Cabralea canjerana (Vell.) Mart. Ficus gamelleira Kunth. & Bouché Aclinostemon verlicillalus (Klotzsch) Baill. Cupania racemosa (Vell.) Radlk. Firola gardneri (A.DC.) Warb. Eriotheca pentaphylla (Vell.) K. Schum. Siparuna reginae (Tul.) A.DC. Telrasiylidium grandifolium (Baill.) Slcumcr Micropholis crassipedicellala (Mart. & Eichlcr ex Miq.) Picrrc Casearia alT. sylveslris Sw. Pouteria guianensis Aubl. Sorocea guilleminiana Gaudich. Didymopanax morototoni (Aubl.) Decnc. & Planch. Pouteria reticulata (Engl.) Eyma Aspidosperma discolor A.DC. Guatteria latifolia (Mart.) R.E. Fries Lecythis lurida (Miers) S.A. Mori Casearia sylveslris Sw. Garcinia gardneriana Miers ex Planch. & Triana Cupania sp.l Chrysophyllum gonocarpum (Mart. & Eichlcr) Engl. Martiodendron mediterraneum (Mart. ex Bcnth.) Koeppen Phylloslemonodaphne geminiflor (Nccs) Kostcrm. Matayba a IT. juglandifolia Radlk. Myrtaceae sp. 14 Casearia arbórea (Rich.) Urb. N 53 DA 92,20 FA 52.17 DoA 1,6466 DR 11,32 Fr 4,00 DoR 7.15 49 85,20 39,13 0.2897 10,47 3,00 1,26 9 15.70 30,43 2.2705 1.92 2.33 9.85 24 41.70 47.83 0.7911 5.13 3,67 3.43 22 38,30 60,87 0.4648 4,70 4.67 2,02 17 29,60 52,17 0,7485 3.63 4,00 3.25 16 27,80 34,78 0,8759 3.42 2.67 3.80 16 27,80 43,48 0,6794 3.42 3,33 2,95 18 31,30 43,48 0,5750 3,85 3,33 2,50 9 15,70 34,78 0,9749 1.92 2,67 4.23 6 10,40 21,74 1,1032 1,28 1,67 4,79 i 16 1,70 4,35 1,6288 0,21 0.33 7,07 27,80 34,78 0,2556 3,42 2,67 1.11 7 12,20 26.09 0,7389 1,50 2,00 3,21 8 13,90 17,39 0,5076 1.71 1.33 2,20 3 5,20 13,04 0,8148 0,64 1,00 3,54 8 13,90 30.43 0,2330 1.71 2.33 1.01 3 5,20 13,04 0,6275 0,64 1,00 2.72 2 3,50 8,70 0,7107 0,43 0,67 3,08 7 12,20 21,74 0,2190 1,50 1,67 0,95 5 8,70 21,74 0,2203 1,07 1,67 0,96 7 12,20 21,74 0,1096 1,50 1,67 0,48 4 7,00 17,39 0,2660 0.85 1.33 1.15 4 7,00 17,39 0.2439 0,85 1.33 1,06 5 8,70 21,74 0,1123 1,07 1,67 0.49 5 8,70 17,39 0.1166 1,07 1,33 0.51 4 7,00 17,39 0.1418 0,85 1.33 0,62 4 7,00 17,39 0,1363 0,85 1.33 0,59 5 8,70 17,39 0,0772 1,07 1.33 0,34 5 8,70 17,39 0,0575 1.07 1.33 0.25 3 5,20 13,04 0,2197 0.64 1,00 0.95 1 1,70 4,35 0,4283 0.21 0.33 1.86 3 5,20 13,04 0.1610 0,64 1,00 0.70 4 7,00 17,39 0,0247 0.85 1,33 0,1 1 4 7,00 13,04 0,0862 0,85 1,00 0,37 3 5,20 13.04 0.1353 0,64 1,00 0,59 VI 22,47 14,73 14.11 12.23 11,38 10,88 9,89 9.70 9.67 8,82 7.74 7,62 7.19 6.70 5.25 5.18 5,05 4,36 4.18 4.11 3,69 3.64 3.34 3.25 3.22 2.91 2,80 2,78 2.74 2.65 2.59 2.41 2.34 2.30 2.23 2.23 Rodriguésia 57 (3): 391-411. 2006 SciELO/JBRJ 2 13 14 15 16 17 cm Estrutura da vegetação arbórea em três fragmentos florestais 40 1 Espécies N DA FA DoA DR Fr DoR VI Ecctinusa ramiflora Mart. 3 5,20 13,04 0,1327 0,64 1,00 0,58 2,22 Lauraceae sp.l 3 5,20 13,04 0,1262 0,64 1,00 0,55 2,19 Casearia sp. 2 3,50 4,35 0,3252 0,43 0,33 1,41 2,17 Ocotea schottii (Mcisn.) Mez 2 3,50 8,70 0,2413 0,43 0,67 1,05 2,14 Vernonia aff .peduncuiata DC. 3 5,20 8,70 0,1870 0,64 0,67 0,81 2,12 Protium heptaphyllum (Aubl.) Marchand 2 3,50 8,70 0,2266 0,43 0,67 0,98 2,08 Inga thibaudiana DC. 3 5,20 13,04 0,0418 0,64 1,00 0,18 1,82 Simaba floribunda A.St.-Hil. 2 3,50 8,70 0,1666 0,43 0,67 0,72 1,82 Jacaranda aff. obovata Cham. 3 5,20 13,04 0,0399 0,64 1,00 0,17 1,81 Vernonia discolor Less. 6 10,40 4,35 0,0446 1,28 0,33 0,19 1,81 Copaifera trapezifolia Dcsf. 1 1,70 4,35 0,2865 0,21 0,33 1.24 1.79 Guarea guidonia (L.) Sleumer 3 5,20 8,70 0,1044 0,64 0,67 0,45 1,76 Brosimum guianense (Aubl.) Huber 3 5,20 8,70 0,0881 0,64 0,67 0,38 1,69 Bocagea aff viridis A.St.-Hil. 2 3,50 8,70 0,1363 0,43 0,67 0,59 1,69 Manilkara aff. bella Monach. 1 1,70 4,35 0,2537 0,21 0,33 1,10 1,65 Pogonophora schomburgkiana Micrs ex Benth. 2 3,50 4,35 0,2044 0,43 0,33 0,89 1,65 Jacaranda puberula Cham. 2 3,50 8,70 0,1114 0,43 0,67 0,48 1,58 Inga edulis Mart. 2 3,50 8,70 0,0546 0,43 0,67 0,24 1,33 Apocynaceac sp. 2 3,50 8,70 0,0518 0,43 0,67 0,22 1.32 Guarea macrophylla Vahl 2 3,50 8,70 0,0360 0,43 0,67 0,16 1,25 Duguetia pohiiana Mart. 2 3,50 8,70 0,0303 0,43 0,67 0,13 1,23 Aniba firmuta (Nccs & Mart. ex Nes) Mez 2 3,50 8,70 0,0250 0,43 0,67 0,11 1,20 Cordia trichoclada DC. 2 3,50 8,70 0,0129 0,43 0,67 0,06 1,15 Inga capitata Dcsv. 2 3,50 8,70 0,0107 0,43 0,67 0,05 1.14 Chamaecrista ensiformis (Vell.) ll.S. Irwin & Bamaby 2 3,50 8,70 0,0107 0,43 0,67 0,05 1.14 Parinari excelsa Sabinc 1 1,70 4,35 0,1313 0,21 0,33 0,57 1.12 Molllnedia argvrogyna Pcrkins 1 1,70 4,35 0,1313 0,21 0,33 0,57 1.12 Tovomita glazioviana Engl. 3 5,20 4,35 0,0196 0,64 0,33 0,08 1,06 Myrtaccae sp. 1 2 1 1,70 4,35 0,1 109 0,21 0,33 0,48 1,03 Indeterminada sp.3 1 1,70 4,35 0,1033 0,21 0,33 0,45 1,00 Licaria sp. 1 1,70 4,35 0,1011 0,21 0,33 0,44 0,99 Pera heteranthera (Schrank) I.M. Jonhst. 1 1,70 4,35 0,1003 0,21 0,33 0,44 0,98 Tovomitopsis panicuiata Planch. & Triana 1 1,70 4,35 0,0691 0,21 0,33 0,30 0,85 Mollinedia aff. glabra (Sprcng.) Pcrkins 1 1,70 4,35 0,0679 0,21 0,33 0,29 0,84 Cecropia glazioui Snethl. 2 3,50 4.35 0,0179 0,43 0,33 0,08 0,84 Myrtaccae sp.4 1 1,70 4,35 0,0631 0,21 0,33 0,27 0,82 Agonandra aff. fluminensis Rizzini & Ochioni 1 1,70 4,35 0,0493 0,21 0,33 0,21 0,76 Guatleria aff. mexiae R. E. Frics 1 1,70 4,35 0,0467 0,21 0,33 0,20 0,75 Hirtella aff. hispiduia Miq. 1 1,70 4.35 0,0350 0,21 0,33 0,15 0,70 Eugenia jurujubensis Kiacrsk. 1 1,70 4,35 0,0242 0,21 0,33 0,10 0,65 Hyeronima alchorneoldes Allemâo 1 1,70 4,35 0,0231 0,21 0,33 0,10 0,65 Brosimum aff. glaziovii Taub. 1 1,70 4.35 0,0197 0,21 0,33 0,09 0,63 Myrcia tingens 0. Berg 1 1,70 4,35 0,0181 0,21 0,33 0,08 0,63 Pera glabrata (Schott) Baill. 1 1,70 4,35 0,0168 0,21 0,33 0,07 0,62 Myrtaccae sp.l 3 1 1,70 4,35 0,0165 0,21 0,33 0,07 0,62 Anaxagorea dolichocarpa Spraguc & Sandwith 1 1,70 4,35 0,0162 0,21 0,33 0,07 0,62 Indeterminada sp.6 1 1,70 4,35 0,0148 0,21 0,33 0,06 0,61 Myrtaccae sp.10 1 1,70 4,35 0,0142 0,21 0,33 0,06 0,61 Chionanthus mandioccanus (Eichlcr) Lozano & Fuentcs 1 1,70 4,35 0,0139 0,21 0,33 0,06 0,61 Macrotorus utricuiatus Pcrkins 1 1,70 4,35 0,0137 0,21 0,33 0,06 0,61 Balhvsa mendoncaei K. Schum. 1 1,70 4,35 0,0134 0,21 0,33 0,06 0,61 Indeterminada sp.l 1 1,70 4,35 0,0121 0,21 0,33 0,05 0,60 Alchornea triplinervia (Spreng.) MU1I. Arg. 1 1,70 4,35 0,01 18 0,21 0,33 0,05 0,60 Eugenia oblongata O. Berg 1 1,70 4,35 0,0111 0,21 0,33 0,05 0,60 Ocotea dispersa (Nees) Mez 1 1,70 4,35 0,0103 0,21 0,33 0,04 0,59 Cupania aff. revoluta Radlk. 1 1,70 4,35 0,0099 0,21 0,33 0,04 0,59 Ocotea odorífera (Vell.) Rohwcr 1 1,70 4.35 0,0094 0,21 0,33 0,04 0,59 Rodriguésia 57 (3): 391-411. 2006 SciELO/JBRJ 12 13 14 15 16 17 cm .. 402 Pessoa . S. V. A. & Oliveira. R. R. Espécies Myrtaccac sp. 15 Swartzia apetala var. glabra (Vogei) R.S. Cowan Rubiaccac Xylopia sericeaa A.St.-Hil. Endlicheria glomerata Mez Guarea a(T. kunthiana A. Juss. Ocolea laxa (Necs) Mez Adenocalyma subsessilifoUum DC. Myrtaceae sp.9 Miconia cahescens Schrank & Mart. ex DC. Triehilia sp.2 Lauraccae sp.2 Indeterminada sp.5 Myrtaceae sp.16 DA FA DoA DR Fr DoR VI 1.70 1.70 1,70 1,70 1,70 1,70 1,70 1,70 1,70 1,70 1,70 1,70 1,70 1,70 4,35 4,35 4,35 4,35 4.35 4.35 4.35 4.35 4.35 4.35 4.35 4.35 4.35 4.35 0.0094 0,0087 0,0083 0,0077 0,0075 0.0058 0.0058 0,0054 0.0054 0,0051 0,0048 0.0037 0,0036 0,0034 0,21 0,21 0,21 0,21 0,21 0,21 0,21 0,21 0,21 0,21 0,21 0,21 0,21 0.21 0,33 0.33 0,33 0.33 0,33 0,33 0.33 0,33 0,33 0.33 0.33 0,33 0.33 0,33 0,04 0,04 0,04 0,03 0,03 0,03 0,03 0,02 0.02 0,02 0.02 0,02 0,02 0,01 0,59 0,58 0,58 0,58 0,58 0,57 0,57 0,57 0,57 0,57 0,57 0,56 0.56 0,56 Tabe|a 3 - Parâmetros fitossociológicos das espécies amostradas no Fragmento III na Reserva Biolócica DR densidade relaliva (%); FR= lreqüència relativa (%); DoR= domintad!i™aüva pO* ^ ~ ' EidícIm " Senefeidera verticillala (Vcll.) Croizat Anaxagorea doliehocarpa Sprague & Sandwicth Actinostemon verticillatus (Klotzch) Baill. Mabea pirirí Aubl. Faramea truncata DC. Ilelicostylis lamentosa (Pocpp. & Endl.) Rusby Ecclinusa ramiflora Mart. Pterocarpus rohrii Vahl Guapira opposila (Vcll.) Reitz Astrocaryum aculeatissimum (Schott) Burret Cabralea canjerana (Vell.) Mart. Pseudopiptadenia contaria (DC.) GP.Lewis & M.P.Lima Virola gardneri (A.DC.) Warb. Martiodendron mediterraneum (Mart. ex Benth.) Koeppcn Bathysa mendoncaei K. Schum. Eriotheca pentaphylla (Vell.) K. Schum. Rinorea guianensis Aubl. Vernonia discolor Less. Brosimum guianense (Aubl.) Huber Lecythis lurida (Micrs) S. A. Mori Simaroiiha amara A.St.-Hil. Aparlsthmium cordatum (A. Juss.) Baill. Annona cacans Harm. Chrysophyllum gonocarpum (Mart. & Eichler) Engl. Andradea Jloribunda Allemao Micropholis crassipedicellata (Mart. & Eichler ex Miq. Picrre Swartzia apetala var. glabra (Vogei) R. S. Cowan Guapira areolata (Heimerl) Lundcll Tapirira guianensis Aubl. Pouteria guianensis Aubl. Tetraplandra leandri Baill. Pouteria bangii (Rusby) T. D. Penn. Tetrastylidium grandifolium (Baill.) Sleumer Faramea multi/lora A. Rich. ex DC. 242 372.30 96,15 5,3081 22,74 4.77 17,19 97 149,20 92,31 0,9426 9,12 4,58 3,05 78 120,00 76,92 0,9019 7,33 3,82 2,92 48 73,80 53.85 1,5429 4,51 2,67 5,00 57 87,70 73,08 0,5824 5.36 3,63 1,89 33 50,80 73,08 0,8765 3,10 3,63 2,84 25 38,50 53,85 0,5646 2,35 2,67 1,83 6 9,20 19,23 1,5606 0,56 0,95 5,05 1 9 29,20 57,69 0,5447 1,79 2,86 1,76 22 33,80 50,00 0,2396 2,07 2,48 0,78 8 12,30 26,92 0,9577 0,75 1,34 3,10 8 12,30 19,23 0,9367 0.75 0,95 3,03 12 18,50 30,77 0,4668 1.13 1,53 1.51 7 10,80 23,08 0.6245 0,66 1.15 2,02 1 8 27,70 30,77 0,1814 1,69 1,53 0,59 8 12,30 23,08 0,5863 0,75 1.15 1.90 1 2 18,50 38,46 0,2323 1,13 1,91 0,75 8 12,30 15,38 0.7013 0,75 0,76 2,27 1 2 18,50 46,15 0,1005 1.13 2,29 0,33 6 5 9,20 7,70 23,08 19,23 0,6231 0,6659 0,56 0.47 1.15 0,95 2.02 2,16 21 32,30 15,38 0,1588 1,97 0.76 0.51 4 6,20 15,38 0.6496 0.38 0,76 2,10 9 13,80 26,92 0.2952 0,85 1.34 0.96 2 3,10 7,69 0,7842 0,19 0.38 2,54 3 4,60 11,54 0,6509 0,28 0,57 2,1 1 1 0 15,40 34,62 0,0832 0,94 1,72 0,27 9 13,80 30,77 0,1675 0,85 1.53 0,54 3 4,60 11,54 0,5617 0,28 0.57 1.82 3 4,60 11,54 0,5408 0.28 0,57 1.75 9 13,80 19,23 0.1942 0,85 0.95 0.63 7 10,80 15,38 0,3048 0,66 0,76 0,99 5 7,70 15,38 0,3517 0,47 0.76 1.14 9 13,80 26,92 0.051 1 0.85 1,34 0,17 VI 44,70 16,75 14,07 12,18 10,87 9.57 6,85 6.57 6.41 5,32 5,19 4.74 4.17 3,82 3,81 3,80 3.79 3.79 3.74 3,73 3.58 3.25 3.24 3,14 3.11 2,96 2.93 2.91 2,67 2.61 2.43 2.41 2.37 2.35 Rodriguésia 57 (3): 391-411. 2006 SciELO/JBRJ 12 13 14 15 16 17 cm Estrutura da vegetação arbórea em três fragmentos florestais Espécies N DA FA DoA DR Fr DoK VI Pogonophora schomburgkiana Miers ex Benth. 7 10,80 15,38 0,2521 0,66 0,76 0,82 2,24 Siparuna reginae (Tul) A.DC. 6 9,20 23,08 0,1401 0,56 1,15 0,45 2,1 6 Ocotea schottii (Meisn.) Mez 5 7,70 19,23 0,2046 0,47 0,95 0,66 2,09 Brosimum sp. 8 12,30 19,23 0,1115 0,75 0,95 0,36 2,07 Tovomita glazioviana Engl. 7 10,80 23,08 0,0806 0,66 1,15 0,26 2,06 Rubiaceae sp. 7 10,80 23,08 0,0578 0,66 1,15 0,19 1,99 Garcinia gardneriana Miers ex Planch. & Triana 6 9,20 23,08 0,0772 0,56 1,15 0,25 1 ,96 Cordia seilowiana Cham. 3 4,60 1 1,54 0,2955 0,28 0,57 0,96 1,81 Simaba florihunda A.St.-Hil. 4 6,20 11,54 0,2193 0,38 0,57 0,71 1,66 Sorocea guilleminiana Gaudich. 6 9,20 15,38 0,0827 0,56 0,76 0,27 1 ,60 Myrtaccae sp.9 4 6,20 15,38 0,1 191 0,38 0,76 0,39 1,53 Balizia pedicellaris (DC.) Barnaby & J. W. Gritnes 1 1,50 3,85 0,3722 0,09 0,19 1,21 1,49 Erythroxylum cuspidifolium Mart. 5 7,70 15,38 0,0629 0,47 0,76 0,20 1,44 Eugenia ohlongata 0. Berg 4 6,20 15,38 0,0817 0,38 0,76 0,26 1,40 Coussarea sp. 4 6,20 15,38 0,0481 0,38 0,76 0, 1 6 1,30 Cuatteria latifolia (Mart.) R. E. Frics 4 6,20 15,38 0,0446 0,38 0,76 0,14 1,28 Lauraceac sp.l 5 7,70 11,54 0,0589 0,47 0,57 0,19 1,23 Roupala aff. sculpta Sleumer 4 6,20 11,54 0,0803 0,38 0,57 0,26 1,21 Cupania furfuracea Radlk. 3 4,60 11,54 0,0995 0,28 0,57 0,32 1,18 Myrtaccae sp.l 2 3 4,60 11,54 0,0958 0,28 0,57 0,3 1 1,16 Copaifera trapezifolia Ilayiic 2 3,10 7,69 0,1662 0,19 0,38 0,54 mi Calyptranthes grandifolia O. Berg 4 6,20 1 1,54 0,0478 0,38 0,57 0,15 1,10 Bocagea alT. viridis A.St.-Hil. 2 3,10 7,69 0,1630 0,19 0,38 0,53 1,10 Jacaranda puberula Cham. 2 3,10 7,69 0,1620 0,19 0,38 0,52 1,09 Ficus gomelleira Kunth. & Bouché 2 3,10 7,69 0,1607 0,19 0,38 0,52 1,09 Myrtaccae sp.l 1 4 6,20 11,54 0,0360 0,38 0,57 0,12 1,07 Licaria sp. 2 3,10 7,69 0,1497 0,19 0,38 0,48 1,05 Ocotea dispersa (Nees) Mez 2 3,10 7,69 0,1486 0,19 0,38 0,48 1 ,05 Micropholis gardneriana (A.DC.) Pierrc 3 4,60 1 1,54 0,0471 0,28 0,57 0,15 1,01 Aspidosperma discoior A.DC. 3 4,60 1 1,54 0,0458 0,28 0,57 0,15 1,00 Ocotea aff. sllvestris Vattimo 3 4,60 7,69 0,1004 0,28 0,38 0,33 0,99 Protium spruceanum (Benth.) Engl. 1 1,50 3,85 0,2121 0,09 0,19 0,69 0,97 Matavba afT. jugiandifoiia Radkl. 3 4,60 11,54 0,0282 0,28 0,57 0,09 0,95 Guarea macrophylla Vahl 3 4,60 11,54 0,0253 0,28 0,57 0,08 0,94 Micropholis guvanensis (A.DC.) Picrre 2 3,10 7,69 0,1063 0,19 0,38 0,34 0,91 Copai/era langsdorfll Desf. 2 3,10 7,69 0,1062 0,19 0,38 0,34 0,91 Marlierea dimorpha Berg 3 4,60 1 1,54 0,0119 0,28 0,57 0,04 0,89 Guatteria aff. ferrugínea A.St.-llil. 3 4,60 7,69 0,0705 0,28 0,38 0,23 0,89 Astronium graveolens Jacq. 2 3,10 7,69 0,0874 0,19 0,38 0,28 0,85 Ilirlella angustifoiia Schott ex Spreng. 2 3,10 7,69 0,0863 0,19 0,38 0,28 0,85 Mollinedia aff. heteranthera Perkins 1 1,50 3,85 0,1690 0,09 0,19 0,55 0,83 Ocotea odorífera (Vell.) Rohwer 2 3,10 7,69 0,0790 0,19 0,38 0,26 0,83 Cuuepía venosa Prance 2 3,10 3,85 0,1360 0,19 0,19 0,44 0,82 Guatteria xylopioides R.E. Fr. 2 3,10 7,69 0,0528 0,19 0,38 0,17 0,74 Chamaecrista ensiformis (Vell.) H.S. Irvvin & Barnaby 2 3,10 7,69 0,0449 0,19 0,38 0, 1 5 0,72 Licania arianeae Prance 2 3,10 7,69 0,0428 0,19 0,38 0,14 0,71 Heisteria perianlhomega (Vell.) Sleumer 2 3,10 7,69 0,031 1 0,19 0,38 0,10 0,67 Eugenia sp. Peritassa afT. campestris (Cambcss.) A.C.Sm. 2 2 3,10 3,10 7,69 7,69 0,0251 0,0246 0,19 0,19 0,38 0,38 0,08 0,08 0,65 0,65 Casearia alT. sylvestris Sw. 2 3,10 7,69 0,0225 0,19 0,38 0,07 0,64 Exostvles venusta Schott ex Spreng. 2 3,10 7,69 0,0197 0,19 0,38 0,06 0,63 Eugenia microcarpa O. Berg 2 3,10 7,69 0,0151 0,19 0,38 0,05 0 04 0,62 0 61 Myrtaccae sp.8 Casearia arbórea (Rich.) Urb. 2 2 3,10 3,10 7,69 0,0090 0,19 0,38 0,03 0,60 Chionanthus mandioccanus (Eichler) Lozano & Fuentcs i 1,50 3,85 0.0887 0,09 0,19 0,29 0,57 Himalanthus alt lanclfolius (MUll. Arg.) Woodson 2 3,10 3,85 0,0494 0,19 0.19 0,16 0,54 Rodriguêsia 57 (3): 391-411. 2006 SciELO/JBRJ 2 13 14 15 16 17 lí cm .. 404 Espécies Slrychnos sp. Vernonia aff. pedunculata DC. Mollinedia sp. Psychotria carlhaginensis Jacq. Manilkara aff. bella Monach. Cupania sp.2 Sclerolobium beaurepairei Harms Trichilia silvatica DC. Mollinedia argyrogyna Perkins Mollinedia oligantha Perkins Xylopia sericea A.St.-Hil. Guarea guidonia (L.) Sleumer Moldenhawera polysperma (Vell.) Stellfeld Buchenavia kleinii Exell Cupania racemosa (Vell.) Radlk. Toulicia laevigata Radlk. Sapotaceae sp.l Naucleopsis mello-barretoi (Standl) C.C. Berg Psychotria sp. Indeterminada sp.2 Casearia sylvestris Sw. Myrtaceae sp.l 7 Cybianthus aff. brasiliensis (Mez) G. Agostini Aniba firmula (Nees & C. Mart.) Mez Parinari excelsa Sabine Casearia commersoniana Cambess. Peschiera aff. fuchsiaefolia (A.DC.) Miers Albizia polycephala (Benth.) Killip ex Record Inga leptantha Benth. Duguetia pohliana Mart. Cecropia glazioui Snethl. Myrtaceae sp.2 Esenbeckia grandiflora Mart. Myrtaceae sp.10 Pouteria reticulata (Engl.) Eyma Myrtaceae sp.l 3 Indeterminada sp.7 Inga thibaudiana DC. Solanum swartzianum Roem. & Schult. Tapirira aff. obtusa (Benth.) D. J. Mitch. Miconia cinnamomifolia (DC.) Naudin Maytenus communis Reissek Calyptranthes brasiliensis Spreng. Macrotorus utriculatus Perkins Ocotea divaricata (Nees) Mez Indeterminada sp.4 Ocotea laxa (Nees) Mez Eugenia excelsa O. Berg Indeterminada sp.8 Swartzia apetala var. apetala R. S. Cowan Astronium sp. Myrtaceae sp.5 Trichilia aff. luciae Barreiros Erythroxylum citrifolium A.St.-Hil. Trichilia sp.l Myrcia aff. fallax (Rich.) DC. Pessoa , S. V. A. & Oliveira, R. R. PA FA DoA DR Fr DoR VI 1,50 3,85 0,0767 3,10 3,85 0,0470 1,50 3,85 0,0755 1,50 3,85 0,0725 1,50 3,85 0,0725 1,50 3,85 0,0708 1,50 3,85 0.0634 1,50 3,85 0,0606 1,50 3,85 0,0564 1,50 3,85 0,0518 1,50 3,85 0,0503 3,10 3,85 0,0178 1,50 3,85 0,0445 1,50 3,85 0,0418 1,50 3,85 0,0374 1,50 3,85 0,0345 1,50 3,85 0,0321 1,50 3,85 0,0309 1,50 3,85 0,0305 1,50 3,85 0,0305 1,50 3,85 0,0302 1,50 3,85 0,0298 1,50 3,85 0,0294 1,50 3,85 0,0279 1,50 3,85 0,0272 1,50 3,85 0,0268 1,50 3,85 0,0258 1,50 3,85 0,0237 1,50 3,85 0,0233 1,50 3,85 0,0227 1,50 3,85 0,0214 1,50 3,85 0,0207 1,50 3,85 0,0189 1,50 3,85 0,0180 1,50 3,85 0,0177 1,50 3,85 0,0168 1,50 3,85 0,0152 1,50 3,85 0,0144 1,50 3,85 0,0136 1,50 3,85 0,0133 1,50 3,85 0,0121 1,50 3,85 0,0114 1,50 3,85 0,01 14 1,50 3,85 0,0114 1,50 3,85 0,0107 1,50 3,85 0,0102 1,50 3,85 0,0087 1,50 3,85 0,0079 1,50 3,85 0,0075 1,50 3,85 0,0074 1,50 3,85 0,0068 1,50 3,85 0,0059 1,50 3,85 0,0058 1,50 3,85 0,0051 1,50 3,85 0.0048 1,50 3,85 0,0046 0,09 0,19 0,25 0,53 0,19 0,19 0,15 0,53 0,09 0,19 0,24 0,53 0,09 0,19 0,23 0,52 0,09 0,19 0,23 0,52 0,09 0,19 0,23 0,51 0,09 0,19 0,21 0,49 0,09 0,19 0,20 0,48 0,09 0,19 0,18 0,47 0,09 0,19 0,17 0,45 0,09 0,19 0,16 0,45 0,19 0,19 0,06 0,44 0,09 0,19 0,14 0,43 0,09 0,19 0,14 0,42 0,09 0,19 0,12 0,41 0,09 0,19 0,11 0,40 0,09 0,19 0,10 0,39 0,09 0,19 0,10 0,38 0,09 0,19 0,10 0,38 0,09 0,19 0,10 0,38 0,09 0,19 0,10 0,38 0,09 0,19 0,10 0,38 0,09 0,19 0,10 0,38 0,09 0,19 0,09 0,38 0,09 0,19 0,09 0,37 0,09 0,19 0,09 0,37 0,09 0,19 0,08 0,37 0,09 0,19 0,08 0,36 0,09 0,19 0,08 0,36 0,09 0,19 0,07 0,36 0,09 0,19 0,07 0,35 0,09 0,19 0,07 0,35 0,09 0,19 0,06 0,35 0,09 0,19 0,06 0,34 0,09 0,19 0,06 0,34 0,09 0,19 0,05 0,34 0,09 0,19 0,05 0,33 0,09 0,19 0,05 0,33 0,09 0,19 0,04 0,33 0,09 0,19 0,04 0,33 0,09 0,19 0,04 0,32 0,09 0,19 0,04 0,32 0,09 0,19 0,04 0,32 0,09 0,19 0,04 0,32 0,09 0,19 0,03 0,32 0,09 0,19 0,03 0,32 0,09 0,19 0,03 0,31 0,09 0,19 0.03 0,31 0,09 0,19 0,02 0,31 0,09 0,19 0,02 0,31 0,09 0,19 0,02 0,31 0,09 0,19 0,02 0,30 0,09 0,19 0,02 0,30 0,09 0,19 0.02 0,30 0,09 0,19 0,02 0,30 0.09 0,19 0,02 0,30 Rodriguêsia 57 (3): 391-411. 2006 SciELO/JBRJ .2 13 14 15 16 17 cm Estrutura da vegetação arbórea em três fragmentos florestais Espécies N DA FA DoA DR Fr DoR VI Chrysobalanaceae sp. 1 1,50 3,85 0,0045 0,09 0,19 0,01 0,30 Duguetia sessilis (Vell.) Maas 1 1,50 3,85 0,0041 0,09 0,19 0,01 0,30 Myrtaceae sp.14 1 1,50 3,85 0,0037 0,09 0,19 0,01 0,30 Myrtaceae sp.6 1 1,50 3,85 0,0031 0,09 0,19 0,01 0,30 Maytenus aff. lancifolius (Thonn.) Loes. 1 1,50 3,85 0,003 0,09 0,19 0,01 0,29 A ocorrência de S. verticillata de forma bem destacada nos trechos estudados e de forma bem menos expressiva ou rara em outras áreas da Reserva (Guedes-Bruni 1998; Neves 1999), na mata da Rebio União (Rodrigues 2004), na mata de Paraíso (Kurtz 2000), na mata do Carvão (Silva & Nascimento 2001) e na mata de Linhares (Peixoto & Gentry, 1990) ou mesmo ausente na floresta de morrote de Pariquera-Açu (Sztutman & Rodrigues 2002), de Magé (Guedes 1988) e na mata da Fazenda Biovert (Borém & Oliveira-Filho 2002) sugere que as comunidades avaliadas neste estudo apresentam as condições mais adequadas para o bom desenvolvimento e regeneração desta espécie. Trata-se de espécie lactescente, o que poderia lhe conferir uma proteção relativa contra herbívoros (Cabral 200 1 ), podendo estar mais habilitada a ocupar tanto os ambientes de borda, mais sujeitos à herbivoria, como as regiões mais internas dos fragmentos (Cadenasso & Pickct 2000). No entanto, sugere-se que a abundância desta espécie tenha fortes relações com as condições do ambiente, como sugerido por Brown (1984). Estes locais por apresentarem os ambientes preferenciais desta espécie, poderiam ocasionar sua ocorrência em grande abundância. A análise do tamanho das populações indica altos percentuais de espécies com baixa densidade para as três áreas (82,8%, 72,8% e 68,2% para as áreas I, II e III respectivamente), sendo aqui consideradas como espécies com baixa densidade aquelas que se apresentam com três ou menos indivíduos. Embora a presença de espécies em baixa densidade seja uma característica das comunidades florestais tropicais (Hubbcll & Foster 1986) ocorre, porém, que as espécies que naturalmente assim se apresentam, são mais propensas à extinção local, devido às Rodriguésla 57 (3): 391-411. 2006 variações ambientais e demográficas, problemas genéticos e eventos naturais (Shafer 1981 apitd Nascimento et al. 1999; Gilpin & Soulé 1986). Kageyama(1987 apitd Tabanez et al. 1997) considera o número de 50 indivíduos e Kageyama & Gandara (1998) estabelecem o número de 500 indivíduos como a população mínima viável para a manutenção a curto e a longo prazo de uma população em um dado local. Para as comunidades levantadas estima-se, respectivamente, uma densidade total de 6, 13 e 15 indivíduos por hectare para aquelas espécies que apareceram no limite da raridade (um indivíduo) nas unidades amostrais estudadas (Martins 1991). Somente as espécies que alcançaram no trecho levantado quantitativos maiores que 8 (área I) e 4 (área II e III) indivíduos e que 75 (área I), 38 (área II) e 33 (área III) indivíduos teriam uma população local total estimada maior ou igual a 50 e a 500 indivíduos tendo então, probabilidades mais altas de se manterem a curto e a longo prazo na comunidade. Isto significa que 6,2% e 1,5% das espécies da comunidade I, 27,1% e 1,8% das espécies da área II e 31,7% e 3,9% das espécies da comunidade III satisfazem os critérios acima mencionados, sugerindo um alto grau de risco de extinção local para essas espécies (Tab. 4). Os autores desconhecem, até o momento, a existência de trabalhos sobre tamanho mínimo de população para qualquer uma das espécies presentes nas três comunidades estudadas. Vale ressaltar que apenas parte dos indivíduos de uma população constitui a população apta a reprodução, sendo este valor bastante pequeno em relação ao tamanho total da população local (Forman 1999). Operando no sentido de minimizar o efeito dos baixos valores encontrados, poderiam estar à disposição espacial do grupo SciELO/JBRJ 2 13 14 15 16 17 18 cm .. Pessoa , S. V. A. & Oliveira, R. R. Tabela 4 - Número e percentual de espécies por tamanho estimado da população a partir de 5 cm de DAP, para três fragmentos florestais amostrados na Reserva Biológica de Poço das Antas, RJ. Fragmento número de espécies percentual de espécies <50 ind. ^ 50 ind. ^500 ind. <50 ind. k 50 ind. ^500 ind. I 60 4 1 II 78 29 2 III 103 48 6 93.7 6,2 1,5 72.8 27,1 1,8 68,2 31,7 3.9 de oito fragmentos, a distância entre estes, bem como o tamanho e composição de cada uma destas unidades. A disposição espacial garante a existência de pequenas distâncias entre o grupo de fragmentos e estas, por suas extensões possibilitam, para várias de suas espécies, o intercâmbio de pólen e sementes, atenuando, assim, a probabilidade de risco de extinção local das espécies. O fato destas unidades serem compostas de fragmentos de diferentes tamanhos, sugere que estes possam apresentar diferentes condições ambientais, proporcionando assim ambientes preferenciais para uma gama diversificada de espécies (Brown, 1984). Isto permite que as espécies apresentem diferentes padrões de abundância e possam ocorrer em diferentes estágios de desenvolvimento, em cada uma das unidades. A distribuição das classes de diâmetro de todos os indivíduos amostrados aponta uma provável ausência de dificuldades para a regeneração dos elementos das três comunidades, pela forte entrada de elementos jovens nestas áreas. Uma análise da estrutura populacional de espécies abundantes e importantes para cada uma das comunidades (Fig. 5) indica que estas possuem padrões de distribuição bem distintos, apresentando a maioria, sérios problemas para sua continuidade na comunidade, desde que não haja regeneração. Isto é bem evidenciado para as espécies do fragmento I e II e em menor grau para o fragmento III. Possivelmente, estes resultados possam estar associados à ocorrência e intensidade dos fatores de perturbação que incidiram sobre cada uma das áreas estudadas. Não desconsiderando que na análise de distribuição de indivíduos por classe de diâmetro, o comportamento reprodutivo da espécie e a tolerância ecológica de seus indivíduos jovens influenciam amplamente os resultados (Richards 1981). É importante assinalar que muitas das espécies que são comuns a mais de uma área podem apresentar indivíduos em diferentes fases de desenvolvimento, a exemplo de M. crassipedicellata que ocorre somente com indivíduos nas maiores classes de diâmetro na área II e indivíduos nas classes intermediária e de maior diâmetro na área III. Desta forma isto possibilitaria a continuidade da espécie na região e possivelmente em ambas as áreas, considerando que a distância de aproximadamente 400 m que as separa não representaria um obstáculo aos possíveis agentes de polinização e dispersão. Não descarta-se, no entanto, a necessidade de conhecimentos sobre a biologia destas espécies e as influências dos efeitos da fragmentação sobre as espécies e as comunidades, na análise mais detalhada dos resultados. Para o índice de diversidade (H’) foram obtidos os valores de 3,02 nats/ind. (área I), 3,90 nats/ind. (área II) e 3,65 nats/ind. (área III) e para equabilidade (J) 0,73, 0,83 e 0 73 respectivamente. Estes valores são próximos ou hgeiramente menores aos encontrados em outros trechos da Reserva por Neves (1999) em trecho com 20 anos (H’= 3,24 nats/ind. è J- 0,79 ) e com 40 anos de regeneração (H’ = 3,78 nats/ind. e J= 0,81) e por Guedes-Bruni (1998) em floresta de baixada (H’= 3,98 nats/ ind. e J= 0,87) e em floresta de morrote (H - 4,55 nats/ind. e J= 0,89), onde apenas o índice de diversidade encontrado para as florestas de morrote se distancia dos demais. Os resultados Rodrigucsia 57 (3): 391-411. 2006 SciELO/JBRJ L2 13 14 15 16 17 cm Estrutura da vegetação arbórea em três fragmentos florestais 407 apontam tratar-se de três áreas de elevada diversidade, considerando o critério de inclusão adotado (DAP > 5 cm), bem como a área das unidades amostrais inferior a 1 ha. Nestes ambientes, perturbações naturais como queda de árvores e conseqüente surgimento de clareiras e, perturbações antrópicas, aqui configuradas por incêndios, têm promovido heterogeneidade ambiental, o que poderia permitir a coexistência de espécies com diferentes demandas por luz, nutrientes, temperatura e umidade (Denslow 1 980). Porém, embora detenham níveis altos de diversidade de espécies, esta por si só, não garante a « Senefeldera verticillata O 3 Cranmontn I Classes de diâmetro (cm) Classes de diâmetro (cm) Classes de diâmetro (cm) Classes de diâmetro (cm) Classes de diâmetro (cm) Figura 5 - Distribuição de freqüência das classes de diâmetro dos indivíduos de espécies abundantes e importantes ern três fragmentos florestais amostrados na Reserva Biológica de Poço das Antas, RJ. Rodriguésia 57 (3): 391-411. 2006 SciELO/JBRJ 2 13 14 15 16 17 18 cm .. Pessoa . S. V. A. & Oliveira, R. R. resiliência, a longo prazo, destes remanescentes e para isto é importante que todas as populações tenham um tamanho adequado que lhes permita resistir a eventos estocásticos (doenças, tempestades etc). Esses dados sugerem que, apesar dos danos causados nas duas últimas décadas por incêndios e da pequena extensão destes fragmentos, estas áreas parecem estar conseguindo resistir a estas perturbações. Possivelmente, para isto muito tem contribuído a proximidade entre estas comunidades e demais unidades que compõem o conjunto de oito fragmentos, propiciando o intercâmbio de propágulos entre as áreas e, desta forma, a diversidade de espécies que em graus diferenciados contribuem na composição estrutural. Tal fato sugere também que o banco de sementes do solo tem, até o momento, reagido bem à intensidade e duração destes incêndios. No entanto, como bem apontado por Wilcove et al. (1986), nenhuma área protegida está imune aos efeitos ecológicos provenientes de áreas fora de seus limites. Atividades agrícolas, pequenos núcleos urbanos etc em regiões limítrofes a areas protegidas podem representar um aumento na população de algumas espécies. E estas podem se mostrar muito mais agressivas e competitivas do que as espécies presentes na unidade resguardada. Portanto, conclui-se que o conjunto de variações estruturais analisados, parece estar associado mais à ocorrência, amplitude e intensidade diferentes das perturbações a que estes fragmentos estão expostos, do que às diferenças em tamanho dos fragmentos. As variações observadas nos padrões de abundância e importância das espécies nas diferentes áreas reforçam a relevância deste conjunto de fragmentos para a permanência de determinadas espécies na região. Agradecimentos Os autores agradecem à equipe da Reserva Biológica de Poço das Antas pela utilização da infra-estrutura da Reserva. Aos colegas Haroldo C. de Lima, Sebastião S. Neto, José Fernando A. Baumgratz, Alexandre Quinet, Ronaldo Marquete, Cyl Famey C. de Sá, Nilda M. F. da Silva, Ângela S. da F. Vaz, Genise V. Freire, Ariane L. Peixoto, Marli P. Morim e à Dra. Graziela M. Barroso (in memorian ) pelo auxílio na identificação do material botânico. A Petrobras pelo suporte financeiro ao Programa Mata Atlântica/JBRJ. Referências Bibliográficas Aizen, M. A. & Feinsinger, P. 1994. Forest fragmentation, pollination, and plant reproduction in a chaco dry forest. Argentina. Ecology 75(2): 330-35 1 . Bawa, K. S. 1990. Plant-pollinator interactions in tropical forest. Annals Review in Ecology and Systematics 21 : 399-422. Borém, R. A. T. & Ramos, D. P. 2001. Estrutura fitossociológica da comunidade arbórea de uma toposseqüência alterada de uma área de floresta atlântica, no município de Silva Jardim-RJ. Revista Árvore 25(1): 131-140. & Oliveira-Filho, A. T. 2002. 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Morim 2 & Waldir Mantovani 4 Resumo (Composição florística e estrutura de trecho de Floresta Ombrófila Densa Atlântica aluvial na Reserva Biológica de Poço das Antas, Silva Jardim, Rio de Janeiro, Brasil) Os remanescentes de Floresta Ombrófila Densa submontana aluvial Atlântica, fortemente submetidos à fragmentação no RJ, carecem de estudos florísticos e estruturais. Inventariou-se 1 ha de floresta aluvial empregando parcelas, adotando como critério de inclusão DAP £5 eme, através de relações alométricas, estabeleceu-se como dossel os limites de DAPs e alturas superiores a 10 cm e 1 0 m, respectivamente. Foram amostrados 486 indivíduos, de 97 espécies e 3 1 famílias. O índice de diversidade de Shannon (H') foi de 3,98 nats/ind e o de eqüabilidade (J) de 0,87, valores inferiores aqueles encontrados para trechos conservados de Floresta Ombrófila Densa submontana ou montana no estado. Dentre as famílias com maiores riquezas, reunindo 73% das espécies, destacam-se: Fabaceae, Euphorbiaceae, Lauraceac, Moraceae, Myrtaceae, Annonaceae, Bignoniaceae, Mclastomataceae, Clusiaceae, Meliaceae e Sapotaceae. Destacam-se como espécies com maiores Vis: Eriotheca pentaphylla, Symphonia globulifera, Tabebuia umbellata , Xylopia brasiliensis, Calophyllum brasil iense, Euterpe edulis, Tabebuia cassinoides, Platymiscium Jloribundum e Guarea kunthiana. Caracterizam-se como espécies indicadoras para o trecho analisado de Floresta Ombrófila Densa submontana aluvial: Eriotheca pentaphylla, Calophyllum brasiliense e Eugenia expansa. Apesar do grau de interferência antrópica, os resultados indicam elevadas riqueza e diversidade para a Floresta Ombrófila Densa submontana aluvial, de várzea ou paludosa, decorrentes da distribuição espacial heterogênea, resultante dos diferentes tipos de habitais estabelecidos, numa área de transição ecológica temporal. Palavras-chave: Mata Atlântica, florística, estrutura de comunidade, dossel, floresta de baixada, mata aluvial. Abstract (Floristics and strueture of the canopy of an alluvial forest in Rio de Janeiro) Remnants ofthe highly fragmented Atlantic Coastal Forest on the alluvial plains of Rio de Janeiro State, Brazil, have been little studied. Sample plots, totaling one hectare, wcre inventoried using a DBH £ 5 cm exclusion criterion. Allometric rclationships were used to define the canopy as having a DBH £ 10 cm and height £ 10 m. A total of486 individuais were sampled, comprising 97 species belonging to 3 1 families. The Shannon diversity index (H') was 3.98 nats/ind, and the equitability (J) was 0.87. These were considered significam values foran area of Atlantic Coastal Forest in that State. Among the families with the highcst species richncss (73% of the total number of species) wcre: Fabaceae, Euphorbiaceae, Lauraceae, Moraceae, Myrtaceae, Annonaceae, Bignoniaceae, Melastomataceae, Clusiaceae, Meliaceae, and Sapotaceae. Among the species with the highcst Vis were: Eriotheca pentaphylla, Symphonia globulifera, Tabebuia umbellata, Xylopia brasiliensis, Calophyllum brasiliense, Euterpe edulis, Tabebuia cassinoides, Platymiscium Jloribundum, and Guarea kunthiana. The indicator species for alluvial lowland ombrophilous forests were: Eriotheca pentaphylla, Calophyllum brasiliense, and Eugenia expansa. The results of this survey pointed out high richncss and diversity to the Atlantic Ombrophilous Dense Forest submontane alluvial, in spite the high human intcrfcrence in the landscape, during a long scale the time, where, on the other hand, it’s expected a greater number of species, in difTerent kinds of habitats resulted, will provide a heterogeneity spatial distribution in arca ofecological temporal transition. Key words: Atlantic Coastal Forest, floristics, community strueture, canopy, lowland forest, alluvial forest. Artigo recebido em 09/2005. Aceito para publicaçSo cm 06/2006. 'Parte da tese de doutorado da primeira autora, apresentada ao Dcpto. Ecologia - USP. ■'Programa Mata Atlântica, Jardim Botânico do Rio de Janeiro. 'Fundação Botânica Margarct Mee/ Programa Mata Atlântica. Jardim Botânico do Rio de Janeiro. 'Depto. Ecologia, Instituto de Biociências, Universidade de Sâo Paulo - USP/ bolsista CNPq. Apoio financeiro: Pctrobras/ Jardim Botânico do Rio de Janeiro/MMA. Autor para correspondência: Rejan R.Guedes-Bruni. Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Programa Mata Atlântica. Rua Pacheco Leüo 915, 22460-020, Rio de Janeiro, RJ. rbruni@jbrj.gov.br SciELO/JBRJ 12 13 14 15 16 17 cm .. 414 Introdução A análise do estado de conservação das florestas no domínio Atlântico, senso lato (Consórcio Mata Atlântica 1992), especialmente no Rio de Janeiro, é indissociável da análise dos processos de desmatamento que foram estabelecidos pelos ciclos econômicos que propiciaram, em larga escala, as alterações das suas paisagens e que resultaram em elevado grau de fragmentação florestal. Reduzida hoje a aproximadamente 6% de sua cobertura original ao longo da costa atlântica brasileira, as florestas no Rio de Janeiro em 2000 cobriam 734.629 ha, o que representa 1 6,73% do território do estado, dos quais 29,8%, ou seja, 219.062 ha., encontram-se circunscritos a Unidades de Conservação (Fundação SOS Mata Atlântica/INPE 2002) e constituem as únicas fontes de testemunho para que as lacunas de conhecimento sejam minimizadas. As florestas sobre planícies aluviais, situadas ao longo da costa atlântica brasileira, têm sido extremamente alteradas desde a ocupação indígena, com a prática da agricultura de corte e queima e, posteriormente, pela cultura da cana-de-açúcar, amplamente praticada em suas terras, seguida da extração de lenha para abastecimento das olarias em seus arredores e fornos de padarias dos grandes centros urbanos e madeiras nobres e, mais recentemente, pela ocupação urbana acelerada que se dá nas regiões de sua ocorrência, havendo poucos estudos acerca de sua flora e vegetação. A descrição da região das baixadas litorâneas neste estado, conhecida no passado como baixada de Araruama - onde se localiza a Reserva Biológica de Poço das Antas — foi realizada, em parte, por naturalistas que se dirigiam para outros estados mais ao norte do Rio de Janeiro. Dentre os naturalistas citados por Urban ( 1 906), destacam-se: Martius ( 1 8 1 7), Auguste Saint-Hilaire (1818), Pohl (1818), Beyrich (1822 a 1823) e Riedel (1822 a 1824). A reputação de contumazes guerreiros com Guedes-Bruni, R. R. et al. hábitos canibalescos, atribuída às comunidades indígenas locais, podejustificar, parcialmente, a pouca expressividade das coleções botânicas da região, quando comparadas àquelas coligidas nas serranias nos arredores da cidade do Rio de Janeiro. Estudos das décadas de 40 e 50 sobre a flora e a vegetação de florestas do Rio de Janeiro são, ainda hoje, referenciais (Davis 1945; Veloso 1945; Rizzini 1953/54; Brade 1956) para os ainda poucos trabalhos desenvolvidos a partir da década de 80 (Guedes 1988; Oliveira et al. 1995; Peixoto et al. 1995; Rodrigues 1996; Guedes-Bruni et al. 1 997; Pessoa et al. 1 997; Guedes-Bruni 1998; Oliveira 1999; Neves 1999; Kurt & Araújo 2000; Santana 2001; Spolidoro 2001; Souza 2002; Borém & Oliveira-Filho 2002; Pessoa 2003; Peixoto 2004). Pela característica topográfica destas áreas de baixada, pequenas alterações no relevo condicionam a existência, em manchas muito próximas, de Florestas Ombrófilas Densas, de várzeas ou paludosas, que formam um gradiente, crescente de diversidade resultante de estresses relacionados ao grau e intensidade de encharcamento do solo. Assim sendo, compõem um mosaico extremamente fino, de manchas de diferentes biomas, amplificando a diversidade beta destas paisagens (Mantovani 2003). Os processos de fragmentação das paisagens naturais, sobretudo nas regiões de baixada, têm propiciado o aparecimento de desafios diferenciados para: sobrevivência de espécies, manutenção da variabilidade genética de espécies arbóreas, identificação de fatores condicionantes ao estabelecimento e manutenção de populações em suas áreas de ocorrência e modelos para restauração da paisagem. Objetiva-se neste estudo caracterizar um dos últimos remanescentes de floresta aluvial no Rio de Janeiro, designada popularmente como mata de baixada ou, mais popularmente como brejos, e permitir subsidiar trabalhos que exijam conhecimento da sua composição em espécies e estrutura. Rodriguêsia 57 (3): 413-428. 2006 SciELO/JBRJ .2 13 14 15 16 17 415 Floristica e estrutura de dossel em floresta aluvial no Rio de Janeiro Material e Métodos Caracterização da área de estudo A área que constitui a Reserva Biológica de Poço das Antas (Rebio) foi, como em grande parte a baixada litorânea do Rio de Janeiro, explorada como área de lavoura e pastagem no passado, e as manchas de floresta que resistiram à expansão agrícola, no norte do Rio de Janeiro, são resultantes de manejos distintos de solos, estão em processos sucessionais variados, iniciados em diferentes épocas. A região de ocorrência das matas de baixada no Rio de Janeiro foi intensivamente explorada e é uma tarefa de difícil execução identificar trechos bem conservados. A ferrovia construída em 1881, ligando o norte do estado à cidade do Rio de Janeiro, interferiu na paisagem local, e a condução de produtos da indústria petroquímica por esta via representa uma fonte de acidentes ambientais (ecológicos). A Represa de Jutumaíba, em área limítrofe à Reserva, teve igualmente impacto sobre as florestas aluviais, já que alguns trechos foram inundados e mantêm-se, hoje, alagados permanentemente, resultando na morte de árvores, que mantidas ainda de pé, á filas e sem a vegetação de sub- mata ao seu redor, testemunham uma das alterações ocorridas na paisagem da Rebio. A Reserva, no que tange a sua área, caracterização de solo, clima e vegetação, encontra-se descrita cm Lima et al. (2006). Na área de baixada ocorrem Florestas Ombrófilas Densas submontanas aluviais, incluindo as de várzeas e as paludosas, em diversos graus de conservação. Ao longo do texto serão chamadas, resumidamente, por florestas aluviais ou florestas de baixada. Coleta de dados Foram alocadas, sistematicamente, 40 unidades amostrais de 1 0 x 25m, totalizando 1 ha de área sobre depressão de fundo chato e pantanoso, como definido por IBGE (1977), sujeita a inundações periódicas decorrentes das cheias dos córregos que banham a Reserva, ocasionadas pelas chuvas. Estabeleceu-se 20 metros como Rodriguésia 57 (3): 413-428. 2006 distanciamento mínimo das trilhas ou córregos para a implantação do ponto inicial da parcela, minimizando com isto o efeito de borda. O critério de inclusão adotado na amostragem foi o de indivíduos arbóreos e arborescentes (palmeiras e fetos arborescentes) com diâmetro do caule a 1,3 m do solo (DAP) > 5 cm. Quando os indivíduos apresentavam ramificações, além do caule principal, eram tomadas as medidas de todas elas, para posterior cálculo da área basal. O material testemunho encontra-se depositado no herbário do Jardim Botânico do Rio de Janeiro (RB). Na definição de dossel foram estabelecidas relações alométricas entre diâmetro e altura (fig. 1), transformados pelo respectivo logaritmo decimal (Sncath & Sokal 1973), para todos os indivíduos coletados nas diferentes áreas, identificando o dossel a partir da linha indentada surgida no diagrama de correlação. Com isto, foram fixados como elementos de dossel todos os indivíduos que apresentassem diâmetros iguais ou superiores a 10 cm e alturas iguais ou superiores a 10 m, a partir da verificação da primeira dcscontinuidade entre os pontos. O sistema fitogeográfico adotado na classificação da vegetação foi o de Velloso Elliura 1 - Relaçüo alométrica entre diíimctro c alturu, dos indivíduos com DAP £ 5, amostrados na floresta aluvial, para definição dos limites do dossel. SciELO/JBRJ _2 13 14 15 16 17 cm 416 et al. (1991). O sistema de classificação taxonômica adotado segue Cronquist (1988), excetuando-se Fabaceae, que foi considerada como família única, de acordo com Polhill et al. (1981). Processamento e análise dos dados O processamento dos dados da amostragem foi executado pelo programa FITOPAC (Shepherd 1 994), para o qual foram calculados: densidade relativa (Dr), freqüência relativa (Fr), dominância relativa (Dor), a partir da área basal, o volume, calculado pela altura máxima da árvore, e valor de importância (VI). Para análise da diversidade florística adotou- se o índice de Diversidade de Shannon (PT) e eqüabilidade (J’) de acordo com Magurran (1988) e Pielou (1975), respectivamente, com a base logarítmica natural. Resultados e Discussão Na amostragem geral (DAP > 5 cm) foram analisadas 1.668 árvores, sendo que para o dossel foram estudadas 486 árvores, totalizando 23,77 m2 de área basal e 422,3 m3 de volume/ha. Foram amostradas 97 espécies de 31 famílias (tab. 1), o índice de diversidade de Shannon (H ) foi de 3,98 nats/ind., enquanto a eqüabilidade (J) foi de 0,87, valores inferiores aos encontrados, para trechos conservados de Floresta Ombrófila Densa submontana e montana, por Guedes-Bruni ( 1 998). A fisionomia perturbada da paisagem da Rebio sugere, à primeira vista, uma flora pobre e, conseqüentemente, pouco diversa, contudo a influência exercida pela chegada e saída, assim como o estabelecimento das espécies, em fragmentos: de diferentes tamanhos, causas de interferência, idades e, conseqüentemente, processos sucessionais em curso, apesar dos limites causados pela freqüência, duração e intensidade do encharcamento do substrato, justificam os valores de riqueza e de diversidade encontrados. Objetivando investigar o efeito da fragmentação e do isolamento de habitats Guedes-Bruni, R. R. et al. sobre a estrutura e a diversidade de plantas arbóreas. Pessoa (2003) inventariou três fragmentos de diferentes formas e dimensões na Rebio, tendo como critério de inclusão DAP — 5 cm. F oram referenciados 1.771 indivíduos, representando 207 espécies, sendo Senefeldera multiflora a mais abundante nos três fragmentos analisados. Os índices de diversidade (H’) obtidos foram 3,02 nats/ind. (fragmento I com 1,35 ha), 3,90 nats/ind. (fragmento II com 6,65 ha) e 3,65 nats/ind. (fragmento III com 9,34 ha) enquanto os valores de eqüabilidade (J) correspondem a 0,73, 0,83 e 0,73, respectivamente. As famílias que reúnem 76% dos indivíduos presentes no dossel (fig. 2) do trecho analisado são: Bignoniaceae (13,9%), Fabaceae (11,5%), Clusiaceae (9,2%), Myrtaceae (9%), Euphorbiaceae (8,8%), Bombacaceae (6,3%), Annonaceae (6,3%), Arecaceae (5,7%) e Lauraceae (5,3%). Estes valores resultam das densidades populacionais de: Symphonia globulifera, Tabebuia umbellata, Euterpe edulis, Tabebuia cassinoides, Eriotheca pentaphylla, Platymiscium floribundum, Myrcia anceps, Calophyllum brasiliense, Pera glabrata, Pseudobombax grandiflorum , Eugenia macahensis, Nectandra rígida , Jacaranda puberula, Pseudopiptadenia contorta e Alchornea glandulosa var. iricurana. Quando comparados os valores de densidade de dossel aos de sub-mata, Euterpe edulis apresenta a mais elevada densidade (125 inds./ha), representado por plantas de Figura 2 - Distribuição percentual de abundância por famílias, na área de floresta aluvial. Rodhguésia 57 (3): 413-428. 2006 SciELO/JBRJ 12 13 14 15 16 17 Floristica e estrutura de dossel em floresta aluvial no Rio de Janeiro 4 1 7 Tabela 1 - Relação das espécies registradas na amostragem da Floresta Ombrófila Densa submontana aluvial na Reserva Biológica de Poço das Antas, em ordem alfabética de famílias. Família / Espécie ANACARD1ACEAE Tapirira guianensis Aubl. ANNONACEAE Duguetia sp.l Guatteria sp.l Guatteria sp.2 Rollinia dolabripetala (Raddi) R.E. Fr. Xylopia brasiliensis Spreng. Xylopia sericea A.St.-Hil. APOCYNACEAE Apocynaceae sp.l ARECACEAE Euterpe edulis Mart. ASTERACEAE Vernonia discolor (Spreng.) Less. BIGNONIACEAE Bignoniaceae sp.9 Jacaranda pitberula Cham. Tabebuia cassinoides (Lam.) DC. Tabebuia chrysotricha (Mart. ex A. DC.) Standl. Tabebuia umbellata (Sond.) Sandwith BOMBACACEAE Eriotheca pentaphylla (Vell.) A. Robyns Pseudobombax grandiJJonim (Cav.) A. Robyns CECROPIACEAE Cecropia glaziovi Snethlage Cecropia lyratiloba var. nana Andrade & Carauta Cottssapoa microcarpa (Schott) Rizzini Pourouma guianensis Aubl. CHRYSOBALANACEAE Hirtella hebeclada Moric. ex DC. Parinarí excelsa Sabine Família / Espécie ERYTHROXYLACEAE Erythroxylum citrifolium A.St.-Hil. Erythroxylum cuspidifolium Mart. EUPHORBIACEAE Alchornea glandulosa subsp. iricurana (Casar.) Secco Alchornea triplinervia (Spreng.) Müll. Arg. Aparisthimium cordatum (Juss.) Baill. Hyeronima alchorneoides Allemão Hyeronima oblonga (Tul.) Müll. Arg. Mabea piriri Aubl. Margaritaria nobilis L. f. Pera glabrata (Schott) Poepp. ex Baill. Sapium glandulatum (Vell.) Pax Tetraplandra ríedelii Müll. Arg. FABACEAE CAESALPINIOIDEAE Apuleia leiocarpa (Vogei) J. F. Macbr. Chamaecrista ensiformis (Vell.) H. S. Irwin & Bameby Copaifera langsdorffii Desf. Copaifera trapezifolia Hayne MIMOSOIDEAE Inga edulis Mart. Inga thibaudiana DC. Balizia pedicellaris (DC.) Barneby & J. W. Grimcs Pseudopiptadenia contorta (DC.) G. P. Lewis & M. P. Lima PAPILIONOIDEAE Andira ormosioides Benth. Lonchocarpus cullratus (Vell.) A. Tozzi & H. C. Lima Machaerium uncinatum (Vell.) Benth. Ormosla arbórea (Vell.) Harms Platymiscium floribundum Vogei Pterocarpus rohrii Vahl FLACOURTIACEAE Lacistema pubescens Mart. CLUSIACEAE Calophyllum brasiliense Cambess. Clusiaceae sp.l Symphonia globulifera L. f. INDETERMINADA Indet. sp.l Rodriguèsia 57 (3): 413-428. 2006 SciELO/ JBRJ _2 13 14 15 16 17 418 Guedes-Bruni. R. R. et al. Família / Espécie LAURACEAE Lauracae sp.2 Lauraceae sp.4 Anibafirmula (Nees & Mart.) Mez Nectandra leucantha Nees & Mart. Nectandra opposiíifolia Nees & Mart. Nectandra rigida (Kunth) Nees Ocotea spectabilis (Meisn.) Mez Ocotea teleiandra (Meisn.) Mez LECYTHIDACEAE Lecythis cf. pisonis Cambess. MAGNOLIACEAE Talauma ovata A.St.-Hil. MELASTOMATACEAE Henriettea succosa (Aubl.) DC. Miconia cinnamomifolia (DC.) Naudin Tibouchina estrellensis (Raddi) Cogn. Tibouchina granulosa (Desr.) Cogn. MELIACEAE Guarea guidonia (L.) Sleumer Guarea kunthiana A. Juss. Trichilia casaretti C. DC. MORACEAE Ficus clusiaefolia (Miq.) Schott ex Spreng. Ficus gomelleira Kunth & C. D. Bouché Ficus insípida Willd. Ficus pulchella Schott ex Spreng. MYRSINACEAE Rapanea sp. Myrsinaceae sp.l várias classes de tamanho, juntamente com indivíduos jovens de Tabebuia umbellata, Myrcia anceps, Andira fraxinifolia, Tovomitopsis paniculata, Eriotheca pentaphylla, Symphonia globulifera e Tabebuia cassinoides, aos quais incorporam- se elementos típicos de sub-mata da baixada: Lacistema pubescens (63 inds./ha), Geonoma pohliana (35 inds./ha) e Astrocaryum aculeatissimum (33 inds./ha). Guapira opposita, Alchornea triplinervia e Euterpe edulis, amostrados Família / Espécie MYRTACEAE Eugenia expansa Spring ex Mart. Eugenia macahensis O. Berg Eugenia moraviana O. Berg Eugenia supraaxilaris Spring. Gomidesia sp. Myrcia anceps (Spring) O. Berg Myrcia racemosa (O. Berg) Kiaersk. Myrtaceae sp.l NYCTAGINACEAE Guapira nitida (Schmidt) Lundell. Guapira opposita (Vell.) Reitz OLACACEAE Heis teria perianthomega (Vell.) Sleumer RUBIACEAE Psychotria sp.l SAPINDACEAE Cupania racemosa (Vell.) Radlk. Matayba guianensis Aubl. SAPOTACEAE Chrysophyllum flexuosum Mart. Ecclinusa ramiflora Mart. Pouteria torta (Mart.) Radlk. SIMAROUBACEAE Simarouba amara Aubl. VERBENACEAE Citharexylum myrianthum Cham. Vitex polygama Cham. neste inventário com baixas densidades, são constantemente referenciadas em inventários no Rio de Janeiro e, de acordo com Siqueira (1994), encontram-se entre as 10 espécies presentes em cerca de 50% dos levantamentos realizados em áreas de Mata Atlântica em todo o território brasileiro. A análise de riqueza (fig. 3) demonstra que dez famílias concentram 73% das espécies ocorrentes no dossel, entre elas: Fabaceae (14,4%), Euphorbiaceae (10,3%), Lauraceae (8,2%), Moraceae (8,2%), Myrtaceae (8,2%), Rodriguésia 57 (3): 413-428. 2006 SciELO/JBRJ _2 13 14 15 16 17 cm Floristica e estrutura de dossel em floresta aluvial no Rio de Janeiro (%) Figura 3 - Distribuição percentual da riqueza de espécies por famílias, na área de floresta aluvial. Annonaceae (6,1%), Bignoniaceae (5,1%), Melastomataceac (4,1%), Clusiaceae (3%), Meliaceae (3%) e Sapotaceae (3%). Quando observamos este parâmetro na sub-mata, somando ca. 60% das espécies, destacam-se Fabaceae, Myrtaceae, Moraceac, Sapindaceae, Lauraceae, Euphorbiaceac, Rubiaceae, Sapotaceae, Annonaceae, Bignoniaceae e Clusiaceae, com muitos dos táxons recrutantes do dossel. Na sub-mata, o índice de diversidade de Shannon (II’) foi de 4,27 nat/inds, enquanto a eqüabilidade (J) é de 0,83, valores igualmcntc superiores a outras áreas de baixada com critério de inclusão de DAP > 5 cm, justificado pela maior riqueza floristica amostrada. Ao inventariar uma área, igualmcntc de baixada, porém, com trechos de alagamento permanente mais restritos, cm relação ao total da área de amostragem, e do critério de inclusão adotado privilegiar a coleta de elementos de sub-mata, Guedes (1988) referencia: Myrtaceae, Euphorbiaceae, Fabaceae, Rubiaceae, Melastomataceae, Meliaceae, Moraceae c Chrysobalanaceae como as famílias mais ricas, reunindo 63,5% das espécies, destacando que o fragmento estudado era bem mais reduzido e, sobretudo, mais alterado que a área de estudo ora analisada na Rebio. Numa floresta aluvial perturbada, na baixada de Magé, Guedes (1988) destacou Myrtaceae, Euphorbiaceae, Fabaceae, Rubiaceae, Melastomataceae, Meliaceae, Moraceae e Chrysobalanaceae, ainda que trabalhando com amostragem que valorizou plantas na sub-mata (DAP > 2,5). Em trecho da planície costeira junto à Serra da Juréia, São Paulo, Melo et al. (1998) citam: Myrtaceae, Fabaceae, Lauraceae, Rubiaceae, Euphorbiaceae, Melastomataceae e Moraceae como as famílias mais representativas. As famílias Fabaceae, Myrtaceae c Euphorbiaceae foram destacadas por Silva & Nascimento (2001) dentre aquelas com maiores números de espécies nas matas de tabuleiros, ao Norte do Rio de Janeiro, da planície costeira. Ainda que ressaltando as diferenças quantitativas de riqueza entre os três fragmentos de floresta estudados. Pessoa (2003) relacionou Myrtaceae, Lauraceae, Fabaceae, Sapotaceae, Euphorbiaceac, Moraceae e Annonaceae. Ao considerarmos o valor de importância dos táxons ocorrentes na mata aluvial (tab. 2), destacam-se: Eriotheca pentaphylla, Symphonia globulifera, Tabebuia umbellata, Xylopia brasiliensis, Calophyllum brasiliense, Euterpe edulis, Tabebuia cassinoides, Platymiscium floribundum e Guarea kunthiana. Enquanto Symphonia globulifera e Tabebuia umbellata apresentaram maiores valores de densidade (28 inds/ha), Eriotheca pentaphylla destaca- se mais pela área basal total de seus representantes (2,53 mVha) do que por sua densidade (19 inds/ha). Xylopia brasiliensis destaca-se, igualmentc, por sua área basal (2,74 m2/ha) c não por sua densidade (4 inds./ ha). Embora Euterpe edulis tenha apresentado densidade semelhante à das espécies de maiores densidades, isto é, Symphonia globulifera e Tabebuia umbellata, sua área basal foi de 0,26 mVha, denotando a estrutura de sua população. Euterpe edulis é considerada por Mantovani (1993) como típica do sub-mata das Florestas Ombrófilas Densas paulistas, e sua extração apontada como responsável pela Rodriguésia 57 (3): 413-428. 2006 SciELO/JBRJ 12 13 14 15 16 17 420 Guedes-Bruni. R. R. et al. Tabela 2. Relação das espécies registradas na amostragem da Floresta Ombrófila Densa submontana aluvial na Reserva Biológica de Poço das Antas e seus respectivos parâmetros fitossociológicos. N = número de indivíduos, Dr = densidade relativa (%), Fr = freqüência relativa (%), Dor = dominância relativa e VI = índice de valor de importância Espécies N Dr Dor Fr VI 1. Eriotheca pentaphylla 19 3.91 10.64 4.09 18.65 2. Symphonia globulifera 28 5.76 5.73 4.68 16.17 3. Tabebuia umbellata 28 5.76 3.98 4.09 13.83 4. Xylopia brasiliensis 4 0.82 11.53 0.88 1323 5. Calophyllum brasiliense 15 3.09 5.17 331 11.77 6. Eulerpe edulis 28 5.76 1.13 4.09 10.98 7. Tabebuia cassinoides 26 535 3.55 2.05 10.94 8. Platymiscium floribundum 19 3.91 2.49 2.92 932 9. Guarea kunthiana 8 1.65 4.99 2.05 8.69 1 0. Pseudobombax grandiflorum 12 2.47 325 234 805 11. Lacistema pubescens 18 3.70 136 2.92 7.99 12. Myrcia anceps 18 3.70 132 2.92 7.95 13. Pera gl abra ta 13 2.67 129 322 718 14. Nectandra rigida 11 226 1.93 2.63 683 15. Eugenia macahensis 12 2.47 1.87 1.75 609 16. Jacaranda puberula 11 226 1.72 1.75 574 17. Alchornea glandulosa subsp. iricurana 9 1.85 1.80 2.05 57 1 8. Tapirira guianensis 8 1.65 229 1 75 *5 69 19. Pseudopiptadenia contorta 10 2.06 1.13 234 552 20. Xylopia sericea 11 226 1.16 2.05 547 21. Miconia cinnamomifolia 9 1.85 1.79 1 46 < 1 22. Guatteria sp.l 9 1.85 0.87 2.34 1 506 23. Trichilia casaretti 4 0.82 2.89 1 17 4 88 24. Alchornea triplinervia 7 1.44 124 1.75 444 25. Hirtella hebeclada 26. Balizia pedicellaris 27. Eugenia expansa 9 5 6 1.85 1.03 123 0.73 1.71 0.97 1.75 1.17 146 434 3.91 3 67 28. Aniba firmula 29. Pterocarpus rohrii 30. Guapira hoehnei 31. Lonchocarpus cultratus 5 5 4 4 1.03 1.03 0.82 0.82 0.43 0.72 0.74 056 1.46 1.17 1.17 1 17 2.92 2.92 2.74 32. Rollinia dolabripetala 33. Cupania racemosa 34. Tibouchina granulosa 35. Pourouma guianensis 36. Ficus pulchella 5 4 3 3 2 1.03 0.82 0.62 0.62 0.41 0.62 0.47 124 0.87 131 0.88 1.17 0.58 0.88 058 235 2.52 2.46 2.44 237 7 3 37. Hyeronima oblonga 3 0.62 0.81 088 X.J 38. Lauracae sp.2 39. Parinari excelsa 40. Guapira opposita 3 3 3 0.62 0.62 0.62 0.54 0.35 033 0.88 0.88 088 *-.J 2.04 1.85 1 Cl 41. Nectandra oppositifolia 2 0.41 0.72 0.58 l.OJ 1.72 Rodriguésia 57 (3): 413-428. 2006 SciELO/JBRJ 12 13 14 15 16 17 cm Floristica e estrutura de dossel em floresta aluvial no Rio de Janeiro 4 2 1 Espécies N Dr Dor Fr VI 42. Talauma ovala 2 0.41 0.67 0.58 1.66 43. Simarouba amara 2 0.41 0.65 0.58 1.64 44. Sapium glandulatum 2 0.41 0.63 0.58 1.63 45. Chamaecrista ensiformis 3 0.62 0.39 0.58 1.59 46. Ficus gomelleira 1 021 0.96 0.29 1.46 47. Hyeronima alchorneoides 2 0.41 0.38 0.58 1.38 48. Apocynaceae sp.l 2 0.41 0.38 0.58 1.38 49. Mabea piriri 3 0.62 0.17 0.58 1.37 50. Erythroxylum cuspidifolium 2 0.41 0.30 0.58 1.3 51. Ficus clusiaefolia 1 021 0.79 029 129 52. Inga edulis 2 0.41 026 0.58 126 53. Margaritaria nobilis 2 0.41 0.25 0.58 124 54. Inga thibaudiana 2 0.41 0.23 0.58 122 55. Copaifera langsdorffii 2 0.41 022 0.58 121 56. Andira ormosioides 2 0.41 0.2 0.58 12 57. Eugenia supraaxilaris 2 0.41 02 0.58 1.19 58. Citharexylum myrianthum 2 0.41 0.47 0.29 1.18 59. Bignoniaceae sp.9 2 0.41 0.42 029 1.13 60. Eugenia moraviana 2 0.41 0.11 0.58 1.1 61. Gomidesia sp. 2 0.41 0.09 0.58 1.09 62. Chrysophyllum flexuosum 2 0.41 0.09 0.58 1.09 63. Cecropia lyratiloba 2 0.41 0.09 0.58 1.08 64. Myrtaceae sp. 1 1 021 0.47 029 0.97 65. Clusiaceae sp.l 2 0.41 0.18 0.29 0.88 66. Ocotea spectabilis 2 0.41 0.15 029 0.86 67. Ficus insípida 1 021 0.36 0.29 0.86 68. Tabebuia chrysotricha 1 021 0.21 0.29 0.71 69. Aparistlmium cordatum 1 0.21 0.20 0.29 0.70 70. Coussapoa microcarpa 1 0.21 0.19 0.29 0.69 71. Tibouchina estrellensis 1 021 0.18 0.29 0.68 72. Ocotea teleiandra 1 0.21 0.16 0.29 0.66 73. Vitex polygama 1 0.21 0.13 0.29 0.63 74. Guarea guidonia 1 0.21 0.12 0.29 0.61 75. Lecythis cf. pisoni 1 021 0.11 0.29 0.61 76. Duguetia sp.l 1 0.21 0.11 0.29 0.61 77. Guatteria sp.2 1 0.21 0.11 029 0.61 78. Lauraceae sp.4 1 021 0.11 0.29 0.6 79. Matayba guianensis 1 0.21 0.09 0.29 0.58 80. Ecclinusa ramiflora 1 0.21 0.08 0.29 0.58 81. He is teria perianthomega 1 0.21 0.08 029 0.58 82. Henriettea succosa 1 0.21 0.07 0.29 0.57 83. Machaerium uncinatum 1 0.21 0.07 0.29 0.56 84. Rapanea sp. 1 0.21 0.06 0.29 0.56 85. Nectandra leucantha 1 0.21 0.06 0.29 0.56 86. Psychotria sp.l 1 0.21 0.06 0.29 0.55 Rodriguésia 57 (3): 413-428. 2006 .SciELO/ JBRJ 12 13 14 15 16 17 422 Guedes-Bruni. R. R. et al. Espécies n 87. Ormosia arbórea 1 88. Cecropia glaziovi 1 89. Vernonia discolor 1 90. Myrcia raeemosa \ 91. Tetraplandra riedelii 1 92. Erythroxylum citrifolium 1 93. Myrsinaceae sp.l 1 94. Indet.sp 1 95. Pouteria torta 1 96. Copaifera trapezifolia 1 97. Apuleia leiocarpa 1 ausência de indivíduos em todas as classes de idade. No trecho de floresta aluvial, ora analisado, sua altura máxima não ultrapassa 16 m; sua densidade no dossel é de 28 inds./ ha enquanto na sub-mata é de 125 inds./ha. Guedes-Bruni (1998), ao considerar como limites de dossel, alturas entre 1 0- 1 8 m, para os trechos serranos do Rio de Janeiro, registrou para a espécie alturas máximas de 30 e 28 m em Itatiaia e Macaé de Cima - Conservada, respectivamente. Borém & Oliveira-Filho (2002) registram que o táxon apresenta maiores Vis nos terços superior e médio das toposseqüências analisadas e encontra-se ausente no inferior (mais degradado). Estes dados reunidos levam à conclusão de que, pelo menos para as florestas do Rio de Janeiro, o táxon é típico do dossel, com alturas médias em tomo de 13 m, sendo que o nível de perturbação florestal - juntamente com o concurso da extração seletiva - pode sugerir uma interpretação influenciada pela temporalidade, sem refletir a real biologia do táxon. Neste contexto, quando analisamos as espécies com maiores Vis para a sub-mata (5 cm < DAPs < 9,99 cm), entre 170 espécies, destacam-se: Euterpe edulis (com 125 inds.), Lacistema pubescens, Myrcia anceps , Tabebuia utnbellata , Astrocaryum aculeatissimum, Geonoma pohliana, Andira fraxinifolia, Eriotheca pentaphylla, Tovomitopsis paniculata e Symphonia globulifera. No que concerne às palmeiras Dr Dor Fr VI 021 0.05 029 0.55 021 0.05 029 0.55 021 0.05 029 0.55 021 0.05 029 054 021 0.05 029 054 021 0.04 029 054 021 0.04 029 054 021 0.04 029 0.54 021 0.04 029 0.54 021 0.04 029 0.54 021 0.04 029 053 na sub-mata, Souza & Martins (2002) estudaram os padrões de distribuição espacial de Attalea humilis na Rebio e concluíram que variações de larga escala na estrutura da vegetação, relacionadas à abertura de clareiras e, conseqüentemente, ao maior ou menor estado de conservação da floresta, são mais determinantes que variações de micro-escala. Estes resultados, ainda que restritos a uma espécie, vêm corroborar a observação visual, porquanto limitada aos aspectos fisionômicos, quando se tomam freqüentes os adensamentos de espécies como Astrocaryntm aculeatissimum e Geonoma pohliana em fragmentos com dossel mais adensado, enquanto em áreas mais abertas, no interior da floresta, elas ocorrem em baixa densidade. Considerando o conjunto de espécies com maiores valores de importância referenciados por Pessoa (2003), nos três fragmentos que inventariou, destacam-se: Senefeldera multiflora, Pogonophora schomburgkiana, Actinostemon concolor, Copaifera trapezifolia, Anaxagorea dolichocarpa, Eclinusa ramiflora, Guapira opposita, Balizia pedicellaris, Algernonia sp.. Trema micrantha , Andradaea floribunda, Annona cacans, Astrocaryum aculeatissimum, Sparattosperma leucanthum, Helicostyles tomentosa, Guapira areolata, Cordia sellowiana, Actinostemon verticillatus, Mabea piriri, Faramea truncata e Pterocarpus rohrii. Dentre estas espécies, são comuns ao dossel da floresta aluvial em análise: Rodriguésia 57 (3): 413-428. 2006 SciELO/JBRJ 12 13 14 15 16 17 cm Floristica e estrutura de dossel em floresta aluvial no Rio de Janeiro 423 Copaifera trapezifolia , Guapira opposita, Mabea piriri e Pterocarpus rohrii, presentes na amostragem com poucos indivíduos. Astrocaryum aculeatissimum, por sua vez, ocorre com grande importância nesta sub- mata, com 33 inds./ha, valor de importância de 10,06, um terço do valor encontrado para Euterpe edulis. Quando considerada a estrutura de abundância da vegetação, verificamos que tanto a densidade como a área basal têm valores pouco superiores a trechos inventariados sobre pequenas elevações (Guedes-Bruni 1998), típicas das baixadas do Rio de Janeiro: onde a densidade foi de 486 ind./ha e a área basal de 23.773 m2/ ha. Borém & Oliveira-Filho (2002) destacam nos terços inferior, médio e superior densidades e áreas basais de 147 ind./ha e 15,13 m2/ha, 1 77 ind./ha e 20,8 1 m2/ha e 255 ind./ha e 33,34 m2/ha, respectivamente. Estes mesmos autores indicam ainda um aumento nos números de espécies e nos subseqüentes valores de H’ das toposeqüências da inferior para a superior, retratando um gradiente de perturbação nas mesmas. A estrutura de tamanho apresentou 76% dos indivíduos concentrados entre diâmetros à altura do peito entre 10 e 21 cm (fig. 4), com diâmetro médio de 21 cm, onde exemplares com maiores taxas de crescimento secundário ocorriam acima do dossel, como emergentes, como árvores de Xylopia brasiliensis, cujo diâmetro de 1 ,85 m foi o maior encontrado na amostragem, Eriotheca pentaphylla com 1,12 m, Guarea kunthiana com 0,77 m e Trichilia casaretti com 0,72 m. A altura média da floresta foi de 14,5 m, concentrando quase que a metade dos indivíduos na faixa entre 10 e 16 m de altura (fig. 5). Ao considerarmos as alturas atingidas pelas árvores emergentes, Trichilia casaretti e Alchornea triplinervia, p. ex., apresentaram as maiores alturas registradas para o trecho inventariado: 27 m, destacando-se, ainda: Eriotheca pentaphylla (26 m), Miconia cinnamomifolia (26 m), Platymiscium floribunditm (25 m), Eugenia macahensis (25 m) e Xylopia sericea (25 m). Das espécies amostradas, são comumente encontradas em áreas alagáveis: Symphonia globulifera, Tabebuia umbellata, Tabebuia cassinoides, Calophyllum brasiliensis, Guarea kunthiana, Tapirira guianensis, Inga edulis, Inga thibaudiana e Talauma ovata. Figura 4 - Distribuição de indivíduos, segundo as classes de diâmetro, na área de floresta aluvial (cm). Rodriguésia 57 (3): 413-428. 2006 SciELO/JBRJ L2 13 14 15 16 17 cm .. 424 Figura 5 - Distribuição de indivíduos, segundo classes de altura, na área de Floresta aluvial (m). Conclusões O componente dominante na Rebio Poço das Antas, quando comparado aos demais trabalhos desenvolvidos em áreas de vegetação arbórea na UC ou nos seus arredores, expressa a ampla diversidade de respostas da flora e da vegetação nos fragmentos florestais dispersos na região, não só aos processos de alteração da paisagem natural (fogo, extração seletiva, rocio, tipo de lavoura implantada etc.), como também ao tempo decorrido, ao longo do processo sucessional, desde a intervenção. São componentes, desta variação, igualmente importantes: a natureza do solo - aluvial álico nas áreas de planície e latossolo, podzólico e hidromórfico nos mamelões; e a influência das cheias dos córregos e rios que cortam a planície, tornando-a, em alguns trechos, periodicamente ou permanentemente inundada. Scarano (2006) sumariza, com dados coletados na Rebio, a importância que a periodicidade das cheias dos cursos d’água desempenham no estabelecimento das espécies. Tais inundações, ainda que ocorrendo com periodicidades semelhantes, se dão de forma distinta numa mesma área, seja em razão de um aclive pouco expressivo no terreno, para o nível da observação fisionômica, mas não da ecológica, ou ainda pela natureza do solo. Neste ponto devemos considerar a ocorrência mais freqüente de manchas de argila em áreas próximas aos cursos d’água ou a presença de bromélias terrestres recobrindo extensamente o terreno, para exemplificar fatores interativos na permanência, por maior ou menor tempo, do encharcamento do solo decorrente das cheias. Cuedes-Bnmi, R. R. et al. Ainda que mais intensamente estudada na última década, os fatores interferentes no recrutamento e no estabelecimento de espécies; na densidade das populações e nos padrões de distribuição espacial merecem um desenho experimental mais adequado aos inúmeros questionamentos que se avolumam, à medida que estudamos uma mesma área de estudo, com o concurso de diferentes especialistas, como se dá de forma excepcional numa Unidade de Conservação federal brasileira como é o caso da Reserva Biológica de Poço das Antas. Ao considerar-se, ainda, a heterogenei- dade florística, intrínseca às florestas tropicais, no caso da Rebio, a presença de mosaicos de vegetação em estádios sucessionais diferenciados bem como os ffeqüentes eventos de intervenção na paisagem pelo fogo, resultante das grandes extensões de solo turfoso, geram expressivos valores de diversidade registrados pelos diferentes autores que nela desenvolveram estudos diversificados. Este elemento, por si só, constitui uma fonte de pesquisas de longa duração para a Floresta Ombrófila Densa Atlântica, uma vez que, ainda de forte impacto nos seus remanescentes, a prioridade de estudos nesta linha de pesquisa tem se voltado, além do cerrado, historicamente mais bem estudado, para a Floresta Ombrófila Densa Amazônica. Cabe destacar, sobretudo no âmbito das florestas de baixada do Rio de Janeiro, o trabalho de Silva Matos et al. (Dados não publicados), desenvolvido em três fragmentos florestais da Rebio, avaliando as alterações no microclima e na produção de serrapilheira, o qual demonstra o sinergismo gerado entre a fragmentação e a incidência do fogo sobre variáveis microclimáticas e vegetação, atuando, por conseguinte, como agentes transformadores da paisagem, diversidade e estrutura das comunidades. As espécies amostradas são comumente descritas para as Florestas Ombrófilas Densas submontanas e aluviais, bem como as famílias mais ricas são aquelas amplamente citadas em trabalhos efetuados na Floresta Ombrófila Densa Atlântica. Rodriguèsia 57 (3): 413-428. 2006 SciELO/JBRJ 12 13 14 15 16 17 425 Floristica e estrutura de dossel em floresta aluvial no Rio de Janeiro Ricklefs & Schluter (1993) destacam que a riqueza de espécies expressa enormes variações geográficas em diferentes escalas e muitos são os processos que, potencialmente, podem interferir no grau de riqueza de espécies, tais como: fatores físicos (clima e suprimento de energia, p.ex.), fatores históricos (taxas de especiação e dispersão) e interações bióticas (predação e competição). Comell & Karlson (1997), por sua vez, lembram que existem limites para a riqueza de espécies, não só em função da restrição de recursos disponíveis, como também pelos fatores físicos. Ao avaliarem os efeitos da competição na estruturação de comunidades locais, identificam como um campo estimulante, a observação da relação entre riquezas locais e regionais. Valendo-se de métodos de ordenação, Guedes-Bruni (1998) observa que, a floresta aluvial representada por esta amostragem, tem como espécies indicadoras: Eriotheca pentaphylla, Calophyllum brasiliense e Eugenia expansa . Apesar das alterações pretéritas na vegetação analisada e considerando-se os limites físicos estabelecidos pelo encharcamento do solo, os valores de riqueza e de diversidade são próximos aos obtidos em áreas conservadas ou cm estádio avançado de sucessão da Floresta Ombrófila Densa aluvial de várzea ou paludosa. Agradecimentos Ao Jardim Botânico do Rio de Janeiro pelo irrestrito apoio à execução deste plano de tese de doutorado; ao CNPq pela bolsa de doutorado, concedida durante parte do período do curso, à primeira autora; à The John D. and Cathcrine T. MacArthur Foundation e à Cia. Petrobrás, cuja alocação de recursos financeiros de longo prazo propiciam a execução dos objetivos do Programa Mata Atlântica do JBRJ; à Universidade de São Paulo — USP, assim como também à Universidade Estadual de Campinas - UN1CAMP, cuja convivência Rodriguésia 57 (3): 413-428. 2006 com os colegas de pós-graduação e com seus docentes, em virtude da experiência profissional destes últimos, enriqueceram o desenvolvimento da proposta de estudo; aos colegas do Programa Mata Atlântica que, valendo-se de um objetivo comum, através de suas diferentes linhas de pesquisas, auxiliaram no processo de obtenção de dados no campo e interpretação de alguns resultados obtidos, especialmente: Gustavo Martinelli, Solange de V. A. Pessoa, Tânia S. Pereira, Lana da S. Sylvestre, Claudia F. Barros, Catia Callado e ao auxiliar de campo Jorge Caruso Gomes, por seu inesgotável devotamento nas atividades de campo; c finalmente, aos taxonomistas que participaram com seu fundamental conhecimento à compreensão da diversidade floristica brasileira: Alexandre Quinet, Angela S.da Fonseca Vaz, Arline de Souza, Ary Gomes da Silva, Claudia M. Vieira, Genise V. Somner, Jorge Pedro Carauta, José Fernando A. Baumgratz e, especialmcnte, Haroldo C. de Lima e Dra. Graziela M. Barroso, esta última in memoriam. Referências Bibliográficas Bernardes, L. N. C. 1952. Tipos de clima do estado do Rio de Janeiro. Revista Brasileira de Geografia 14(1): 57-80. Borém, R. A. T. & Oliveira-Filho, A. T. 2002. Fitossociologia do estrato arbóreo cm uma toposseqüência alterada de mata Atlântica, no município de Silva Jardim - RJ. Revista Árvore 26 (6): 727-742. Brade, A. C. 1 956. A Flora do Parque Nacional de Itatiaia. Boletim do Parque Nacional do Itatiaia 5: 7-85. Consórcio Mata Atlântica. 1992. 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(SciELO/ JBRJ 12 13 14 15 16 17 cm .. 428 Silva, G. C. & Nascimento, M. T. 2001, Fitossociologia de um remanescente de mata sobre tabuleiros no norte do estado do Rio de Janeiro (Mata do Carvão). Revista Brasileira de Botânica 24(1): 51-62. Siqueira, M. F. 1994. Análise florística e ordenação de espécies arbóreas da Mata Atlântica através de dados binários. Dissertação de Mestrado. Universidade Estadual de Campinas, Campinas. Sneath, P. H. A. & Sokal, R. R. 1973. Numerical Taxonomy. W.H. Freeman & Co., San Francisco. Souza, A. F. & Martins, F. R. 2002. Spatial distribution of an underground palm in fragments of the Brazilian Atlantic Forest. PlantEcology 164: 141-155. Souza, G. R. 2002. Florística do estrato arbustivo-arbóreo em um trecho de Floresta Atlântica, no médio Paraíba do Sul, município de Volta Redonda, Rio de Guedes-Bruni, R. R. et al. Janeiro. Dissertação de Mestrado. Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, Seropédica. Spolidoro, M. L. C. V. 2001. 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Morim 2 & Waldir MantovanR Resumo (Florística e estrutura de dossel em floresta sobre morrote mamelonar no Rio de Janeiro, Brasil) Os remanescentes de Floresta Ombrófila Densa submontana Atlântica, ocorrentes nos mamelões da baixada do Rio de Janeiro, carecem de estudos florísticos e estruturais. Inventariou-se 1 ha, empregando parcelas, adotando como critério de inclusão DAP à 5 cm e, através de relações alométricas, estabeleceu-se como árvores de dossel aquelas com limites de DAPs e alturas superiores a 1 0 cm e 1 0 m, respectivamente. Foram amostrados 580 indivíduos, de 1 74 espécies e 45 famílias. O índice de diversidade de Shannon (FT) foi de 4,57 nats/ind e a eqüabilidade (J) de 0,88, valores próximos aos encontrados para a Floresta Ombrófila Densa submontana Atlântica no estado. Dentre as famílias com maiores riquezas, reunindo ca. 74% das espécies destacam-se: Euphorbiaceae, Fabaceae, Moraceae, Lauraceae, Melastomataceae, Myrtaceae, Monimiaceae, Clethraceae, Flacourtiaccae, Annonaceae, Rubiaceae, Meliaceae, Sapindaceae e Myristicaceae. Destacam-se como espécies com maiores Vis: Senefeldera verticillata , Siparuna reginae, Mabea piriri. Casearia sylvestris, Clethra scabra, Tibouchina scrobiculata, Pseudopiptadenia inaequalis, Guapira opposita, Apuleia leiocarpa e Brosimum guianense. Caracterizam-se como espécies indicadoras de morrote: Apuleia leiocarpa. Eugenia macahensis, Simarouba amara e Pseudopiptadenia contorta. Palavras-chave: Mata Atlântica, florística, estrutura de comunidade, dossel, floresta de baixada, mamelões. Abstract (Floristics and strueture of the forest canopy on hillocks in the lowlands, Rio de Janeiro, Brazil) The remnant areas of Atlantic coastal Forest on hillocks in the Coastal lowlands of Rio de Janeiro State, Brazil, have been poorly studied in terms of both their strueture and floristics. Sample plots, totaling one hectare, were inventoried using a DBH 2 5 cm inclusion criterion. Allomctric rclationships were used to define a canopy tree as having a DBH 2: 1 Ocm and height £ 1 0 m. A total of 580 individuais were samplcd, comprising 1 74 species belonging to 45 families. The Shannon diversity índex (H') was 4.57 nats/ind, and the equitability (J) was 0.88. These were considcred representative values for an area of Atlantic Coastal Forest in that State. Among the families with the highest species richness (74% of the total number of species) were: Euphorbiaceae, Fabaceae, Moraceae, Lauraceae, Melastomataceae, Myrtaceae, Monimiaceae, Clethraceae, Flacourtiaceae, Annonaceae, Rubiaceae, Meliaceae, Sapindaceae, and Myristicaceae. Among the species with the highest VI were: Senefeldera verticillata , Siparuna reginae. Mabea piriri. Casearia sylvestris, Clethra scabra. Tibouchina scrobiculata. Pseudopiptadenia inaequalis, Guapira opposita, Apuleia leiocarpa, and Brosimum guianense. The indicator species for hillock forests were: Apuleia leiocarpa, Eugenia macahensis, Simarouba amara, and Pseudopiptadenia contorta. Key words: Atlantic Coastal Forest, floristics, community strueture. canopy, lowland forest, hillocks. Introdução A análise do estado de conservação da Floresta Ombrófila Densa Atlântica, especialmente no Rio de Janeiro, reduzida hoje a aproximadamente 16,73% do território do estado, limita-se a pequenas áreas particulares ou a unidades de conservação. Apenas 29,8%, do total dc remanescentes no Rio de Janeiro, encontram-se circunscritos a Unidades de Conservação (Fundação SOS Mata Atlântica/ Artigo recebido em 09/2005. Aceito para publicação cm 10/2006. 'Parte da tese de doutorado da primeira autora, apresentada ao Deplo. Ecologia - USP. 3Programa Mata Atlântica, Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Tundaçâo Botânica Margarct Mee/ Programa Mata Atlântica, Jardim Botânico do Rio de Janeiro. 'Depto. Ecologia, Instituto dc Biociências, Universidade de Sâo Paulo - USP/ bolsista CNPq. Apoio financeiro: Pctrobras/ Jardim Botânico do Rio de Janeiro/MMA. Autor para correspondência: Rejan R.Guedcs-Bruni. Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Programa Mata Atlântica. Rua Pacheco Leâo 915, 22460-020, Rio de Janeiro, RJ. rbruni@jbrj.gov.br SciELO/JBRJ 12 13 14 15 16 17 cm .. 430 INPE 2002). A relevância de estudos nestes remanescentes, sob mesmo domínio fitogeográfico, porém muito distintos entre si - resultantes do processo, de décadas, de fragmentação florestal, a partir de usos diferenciados do solo — já foi destacada por Guedes-Bruni et al. (2006), ao tratar de trecho de mata aluvial na Reserva Biológica de Poço das Antas. Um dos componentes mais típicos da paisagem da Baixada Fluminense, observado de forma patente a partir do alto das serranias, são os chamados morros mamelonares ou mamelões, que não ultrapassam 300 m de altitude, sustentados por rochas do cristalino, afogados nos depósitos flúvio marinhos litorâneos e designados por “mar de morros”. As florestas aluviais que os circundam - devido à ocorrência sobre terrenos planos, ainda que brejosos, facilitaram o estabelecimento de residências e atividades agrícolas — foram impactadas em períodos anteriores, desde a implantação da agro- manufatura do açúcar, a partir do séc. XVI, até mais recentemente no séc. XX, a partir da década de 30 com a expansão das áreas rurais (Lamego 1940, 1946 e 1948 ; Golfari & Moosmayer 1980; Azevedo 1996) e cujas matas que revestem estes morrotes, são, em sua maioria, remanescentes alterados da vegetação nativa da região, anterior aos processos de antropizaçâo das áreas de baixada do estado do Rio de Janeiro. Nestes mamelões, ora totalmente desnudos, ora cobertos por florestas - designadas popularmente como matas de baixada - com diferentes dimensões e em diversos estádios sucessionais, é a pecuária a ação antrópica mais evidente e, em decorrência dela, o fogo o precursor da sua alteração e um dos determinantes principais no estabelecimento das espécies. Inúmeros estudos mais recentes sobre florestas submontanas, alguns desenvolvidos em regiões próximas à Reserva Biológica de Poço das Antas, posteriores aos anos 80 do século passado, podem ser encontrados em Guedes-Bruni et al. (2006). Guedes-Bruni, R. R. et al. Objetiva-se neste estudo caracterizar florística e estruturalmente o dossel de um dos últimos remanescentesde floresta ombrófila densa submontana sobre morrotes no Rio de Janeiro, em avançado estado de conservação, salvaguardado em Unidade de Conservação (UC) - o que possibilitará, a partir de monitoramento, reavaliar o estado da floresta fúturamente, à luz do reconhecimento ora feito e avaliar, com maior propriedade, os processos sucessionais que venham a ocorrer. Material e Métodos Caracterização da área de estudo A despeito dos processos de erosão antrópica, as condições úmidas dominantes aparecem como responsáveis pelo modelamento de formas colinosas. A presença da formação Barreiras no litoral centro-norte do estado do Rio de Janeiro, cujos tabuleiros restringem-se à área de contato entre a baixada flúvio-marinha e a encosta, acaba por originar a baixada dos Goitacazes ou Baixada Fluminense, constituída por matéria argilosa e areno-argilosa, profundamente edafisadas e com concreções ferruginosas na superfície. As camadas de argila negra e turfas são indicativas dos avanços e recuos do mar (IBGE 1977). Os trabalhos de Lamego (1940 e 1946) — que ao longo de sua obra conseguiu unir espaço, tempo e homem para compreensão sinérgica do ambiente — mostram as formações físicas das baixadas costeiras em direção ao interior do território, bem como os processos de formação sócioeconômica e as barreiras naturais (grandes extensões de areia, pântanos e brejos) — com o concurso da resistência indígena à ocupação do solo pelos europeus — como fatores determinantes no arranjo paisagístico da região e na organização físiográfíca, não só desta área de interesse, como do estado do Rio de Janeiro. A análise minuciosa da obra deste engenheiro de formação, porém estudioso dedicado à geografia, revela não só sua extrema sensibilidade, como, sua surpreendente contemporaneidade. Rodriguésia 57 (3): 429-442. 2006 SciELO/JBRJ _2 13 14 15 16 17 cm Floristica e estrutura de dossel em floresta sobre morrote mamelonar no Rio de Janeiro 431 A área que constitui a Reserva Biológica de Poço das Antas (Rebio) foi, no passado, como em grande parte a baixada litorânea do Rio de Janeiro, explorada como área de lavoura e pastagem, e as manchas de floresta que sobreviveram à expansão agrícola ao norte do Rio de Janeiro são resultantes de processos sucessionais de diferentes épocas e distintos manejos de solos. A caracterização da Reserva, no que tange às características de área, solo, clima e vegetação encontra-se em Lima et al. (2006) Sobre os morros mamelonares, sem a influência das cheias, estabelece-se a Floresta Ombrófda Densa submontana Atlântica, com estrutura heterogênea devido ao desenvol- vimento dos solos e ao grau de conservação das áreas florestadas. Ao longo do texto serão tratadas, resumidamente, por mata de morrote ou floresta sobre morrote. Coleta de dados Foi selecionado um pequeno fragmento florestal na Rebio, com aproximadamente 4 ha de área, aí incluída uma lage exposta com ca. 25 m\ Foram alocadas, sistematicamente, alternadamente ao longo do eixo de aclive, 40 unidades amostrais de 10 x 25 m, dispostas em faixas com quatro unidades cada uma, totalizando 1 ha de área, num mesmo fragmento, sobre morrote mamelonar, a sudeste dos limites da área da Rebio, com altitude de 250 m.sm. e distanciadas em pelo menos 20 metros das trilhas ou lages, para a implantação do ponto inicial da parcela, buscando-se evitar, com isto, o efeito de borda. A amostragem incluiu todos os indivíduos arbóreos e arborescentes (palmeiras e fetos arborescentes) com diâmetro do caule a 1,3 m do solo (DAP) igual ou superiora 5 cm. Quando os indivíduos apresentavam caule ramificado, eram tomadas as medidas de todas as ramifi- cações para posterior cálculo da área basal c DAP equivalente para aplicar o critério de inclusão. O material testemunho encontra-se depositado no herbário do Jardim Botânico do Rio de Janeiro (RB). Nas listas de espécies as morfo-espécies são relacionadas e, em várias ocasiões, em seqüência que gera estranhamento ao leitor, visto que não é seqüencial. Explica- se: o material faz parte da coleção do Programa Mata Atlântica (PMA), onde muitas pesquisas são conduzidas simultâncamente. Objetivando a acurácia da informação taxonômica, todos os pesquisadores, adotam a identificação padronizada pelo PMA, de modo que até mesmo as morfo-espécies, sigam a mesma nomenclatura, razão pela qual são encontradas morfoespécies com números não seqüenciais (p.ex.: Guatteria sp.4), visto que em outras pesquisas do PMA foram identificadas as antecedentes (as quais não foram amostradas no presente estudo), que por sua vez se distinguem do exemplar coligido neste trabalho. Na definição de dossel foram estabelecidas relações alométricas entre diâmetro e altura (fig.l) , transformados pelo respectivo logaritmo decimal (Sneath & Sokal 1973), para todos os indivíduos coletados nas diferentes áreas, identificando o dossel a partir da linha indentada evidenciada no diagrama de correlação. Com isto, foram fixados como elementos de dossel todos os indivíduos que apresentassem diâmetros iguais ou superiores a 10 cm e alturas iguais ou superiores a 10 m, a partir da verificação da primeira dcscontinuidade entre os pontos. 1.8 1.6 1.4 ~ 12 ¥ "jí 1.0 â », 0.8 0.4 0.2 0.0 0.6 0.8 1.0 1.2 1.4 1.6 1.8 2.0 log [dap(cm)] Figura t - Rclaçflo alométrica enlre diâmetro e altura, dos indivíduos com DAP i 5, amostrados na floresta sobre morrote, para definição dos limites do dossel. - •« « I 1 1 1 1 1 1 - 0 - é mm % t • aaytüw wiiuna «j o jp inT °l“ 1 ■u «!■■*>" aro n • mm 0 MMM» »* m m> m <*»«*■ _ é « m 1 — i — i — i — * a : i 5” lLi Rodriguésia 57 (3): 429-442. 2006 SciELO/JBRJ 12 13 14 15 16 17 cm .. 432 O sistema fitogeográfico adotado na classificação da vegetação foi o de Veloso et al. (1991). O sistema de classificação taxonômica adotado segue Cronquist (1988), excetuando- se Fabaceae, que foi considerada como família única, de acordo com Polhill et al. (1981). Processamento e análise dos dados O processamento dos dados da amostragem foi executado pelo programa FITOPAC (Shepherd 1995) para o qual foram calculados parâmetros tais como: densidade relativa (Dr), freqüência relativa (Fr), dominância relativa (Dor) a partir da área basal, o volume cilíndrico obtido pela multiplicação da área basal pela altura total, e o valor de importância (VI). Para análise da diversidade florística adotou-se o índice de Diversidade de Shannon (FF) e de eqüabilidade (J’) de acordo com Magurran (1988) e Pielou (1984) respectivamente, com a base logarítmica natural. Guedes-Bruni, R. R. et al. Resultados e Discussão Na amostragem do dossel (DAP > 1 0 cm) foram coligidos 580 indivíduos, totalizando 26,85 m2/ha de área basal e 571,36 m3 de volume/ ha. Identificaram-se 174 espécies (tab. 1), de 45 famílias; o índice de diversidade de Shannon (FT) foi de 4,57 nats/ind., enquanto a eqüabili- dade (J) foi de 0,88, valores comumente encontrados em estudos na Floresta Ombrófila Densa submontana e montana no Rio de Janeiro, conforme estudo de Guedes-Bruni (1998). As alterações ocorridas nas paisagens da Rebio, à primeira vista, induzem uma percepção de baixa riqueza e diversidade em suas florestas, no entanto, os processos sucessionais diferenciados que ocorrem simultaneamente, em escalas temporais, como respostas à interferência nos remanescentes, além da heterogeneidade de ambientes, principalmente no substrato, relacionado à formação mamelonar, acabam por gerar elevadas riqueza e diversidade de espécies. Tabela 1 - Relação das espécies registradas na amostragem da Floresta Ombrófila Densa submontana sobre morrote na Reserva Biológica de Poço das Antas. Família /Espécie ANACARDIACEAE Astronium graveolens Jacq. ANNONACEAE Annonaceae sp.l Annonaceae sp.2 Annonaceae sp.3 Annonaceae sp.4 Guat teria ferruginea A.St.-Hil. Guatteria xylopioides R.E.Fr. Guatteria sp.4 Rollinia laurífolia Schltdl. Xylopia sericea A.St.-Hil. APOCYNACEAE Tabernaemontana australis (Müll. Arg.) Miers. ARECACEAE Astrocaryum aculeatissimum (Schott) Burret Euterpe edulis Mart. ASTERACEAE Vernonia discolor (Spreng.) Less. Família / Espécie BIGNON1ACEAE Bignoniaceae sp.l Bignoniaceae sp.2 Bignoniaceae sp.6 Bignoniaceae sp.7 Bignoniaceae sp.8 Sparattosperma leucanthum (Vell.) K. Schum. Tabebuia cassinoides (Lam.) DC. Tabebuia heptaphylla (Vell.) Toledo BOMBACACEAE Eriotheca macrophylla (K. Schum.) A. Robyns Eriotheca pentaphylla (Vell.) A. Robyns Pseudobombax grandijlorum (Cav.) A. Robyns BORAGINACEAE Cordia trichoclada DC. BURSERACEAE Protium spmceanum (Benth.) Engl. Protium blanchetii Engl. Protium heptaphyllum (Aubl.) Marchand Rodriguésia 57 (3): 429-442. 2006 SciELO/JBRJ L2 13 14 15 16 17 Floristica e estrutura de dossel em floresta sobre morrote mamelonar no Rio de Janeiro 433 Família / Espécie CECROPIACEAE Cecropia glaziovi Snethlage Cecropia pachyslachya Trécul CHRYSOBALANACEAE Licania octandra (Hoffmanns. ex Roem. & Schult.) Kuntze CLETHRACEAE Clethra scabra Pers. CLUSIACEAE Clusiaceae sp.l Calophyllum brasiliense Cambess. ELAEOCARPACEAE Sloanea guianensis (Aubl.) Benth. Sloanea monosperma Vell. Sloanea sp. ERYTHROXYLACEAE Erythroxylum sp. EUPHORBIACEAE Actinostemon concolor (Spreng.) MUll. Arg. Actinostemon verlicillalus (Klotzsch) Baill. Alchornea glandulosa subsp. iricurana (Casar) Secco Alchornea triplinervia (Spreng.) Müll.Arg. Aparisthmium cordatum (Juss.) Baill. Euphorbiaceae sp.3 Hyeronima alchorneoides Allemao Mabea fistulifera Mart. Pera sp. 1 Senefeldera verticillata (Vell.)Croizat Tetraplandra riedelii Mtlll. Arg. Tetrorchidium rubrivenium Poepp. FABACEAE Fabaceae sp.l Fabaceae sp.2 CAESALPINIOIDEAE Apuleia leiocarpa (Vogei) J. F. Macbr. Apuleia molaris Spruce ex Benth. Batihinia forficata Link Chamaecrista ensiformis (Vell.) H. S. Irwin & Bameby Martiodendron meditenaneum (Mart. ex Benth.) R. Koeppen Melanoxylon brauna Schott Família / Espécie MIMOSOIDEAE Albizia polycephala (Benth.) Killip ex Record Balizia pedicellaris (DC.) Bameby & J. W. Grimes Inga afftnis DC. Inga capitata Desv. Inga thibaudiana DC. Pithecellobium pedicellare (DC.) Benth. Plathymenia foliolosa Benth. Pseudopiptadenia contorta (DC.) G. P.Lewis & M. P. Lima Pseudopiptadenia inaequalis (Benth.) Rauschert PAPILIONOIDEAE Dalbergia frutescens (Vell.) Britton Machaerium incorruptibile Allemão Ormosia arbórea (Vell.) Harms Ormosia fastigiata Tul. Peltogyne sp.l Phyllocarpus riedelii Tul. Platycyanus regnellii Benth. Pterocarpus rohrii Vahl Swartzia aff. apetala Raddi Swartzia flaemingii Raddi var. fl aemingii Swartzia simplex (Sw.) Spreng. FLACOURTIACEAE Banara serrata (Vell.) Warb. Casearia arbórea (Rich.) Urb. Casearia sylvestris Sw. Flacourtiaceae sp. Lacistema pubescens Mart. HIPPOCRATEACEAE Cheiloclinium cognatum (Miers) A. C. Sm. LAURACEAE Aniba firmula (Nees & C. Mart.) Mez Aniba intermedia (Meisn.) Mez Beilschmiedia taubertiana (Schwacke & Mez) Kosterm. Cryptocaria micrantha Meisn. Cryptocaria moschata Mart. Cryptocarya sp.l Lauraceae sp. Lauraceac sp.7 Licaria armenica (Nees) Kosterm. Nectandra membranacea (Sw.) Griseb. Nectandra oppositifolia Nees Ocotea aff. lindbergii Mez Ocotea divaricata (Nees) Mez Ocotea laxa (Nees) Mez Rodriguésia 57 (3): 429-442. 2006 SciELO/JBRJ 12 13 14 15 16 17 cm .. 434 Família /Espécie Ocolea martiana Mez Ocotea spectabilis (Meisn.) Mez Urbanodendron bahiense (Meisn.) J. G Rohwer LECYTHIDACEAE Cariniana estrellensis (Raddi) Kuntze Cariniam legalis (Mart.) Kuntze Lecythidaceae sp. 1 Lecythis lanceolata Poir. MELASTOMATACEAE Miconia cinnamomifolia (DC.) Naudin Miconia lepidola Schrank & Mart. ex DC. Tibouchina estrellensis (Raddi) Cogn. Tibouchina scrobiculata Cogn. MELIACEAE Cabralea canjerana (Vell.) Mart. subsp. canjerana Guarea guidonia (L.) Sleumer Meliaceae sp. Trichilia casaretti C. DC. Trichilia lepidota subsp. schumanniana (Harms)T. D. Penn. Trichilia pallida Sw. MONIMIACEAE Mollinedia cf. salicifolia Perkins Monimiaceae sp.2 Siparuna guianensis Aubl. Siparuna reginae (Tul.) A.DC. MORACEAE Brosimum guianense (Aubl.) Huber Ficus gomelleira Kunth & C. D. Bouché Helicostylis tomentosa (Poepp. & Endl.) Rusby Moraceae sp.l Naucleopsis oblongifolia (Kuhlm.) Carauta Pseudolmedia cf. laevis (Ruiz & Pav.) J.F. Macbr. Pseudolmedia hirtula Kuhlm. Sorocea guilleminiana Gaudich. MYRIST1CACEAE Virola gardneri (A. DC.) Warb. Virola oleifera (Schott) A. C. Sm. MYRSINACEAE Ardis ia afT. martiana Miq. Guedes-Bruni, R. R. et al. Família / Espécie Eugenia supraaxillaris Spring Myrcia cf. hirtiflora DC. Myrciafallax (Rich.) DC. Myrcia racemosa (O. Berg) Kiaersk. Myrcia rostrata DC. Myrtaceae sp. NY CTAGINACEAE Guapira nitida (Mart. ex J.A.Schmidt) Lundell Guapira opposita (Vell.) Reitz Guapira sp. 1 QUIINACEAE Quiina glazovii Engl. ROSACEAE Prunus brasiliensis (Cham. & Schltdl.) Dietrich RUBIACEAE Amaioua intermedia Mart. Bathysa mendoncaei K.Schum. Bathysa stipulata (Vell.) C. Presl. Faramea multijlora A. Rich. ex DC. Psychotridi sp.l Randia armata (Sw.) DC. Simira viridijlora (Allemâo & Saldanha) Steyerm. RUTACEAE Hortia arbórea Engl. SAPINDACEAE Cupania furfuracea Radlk. Cupania oblongifolia Mart. Cupania racemosa (Vell.) Radlk. Cupania sp.l Matayba guianensis Aubl. Matayba sp.l SAPOTACEAE Chrysophyllum flexuosum Mart. Ecclinusa ramiflora Mart. Micropholis crassipedicellata (Mart. & Eichler ex Miq.) Pierre Pouteria cf. reticulata (Engl.) Eyma Pouteria guianensis Aubl. Pradosia kuhlmannii Toledo SIMAROUBACEAE Simarouba amara Aubl. MYRTACEAE Eugenia sp. STERCULIACEAE Sterculia chicha A.St.-Hil. er Turpin Rodriguésia 57 (3): 429-442. 2006 SciELO/JBRJ 12 13 14 15 16 17 Flori.stica e estrutura de dossel em floresta sobre morrote mamelonar no Rio de Janeiro 435 Família/ Espécie VIOLACEAE Rinorea guianensis Aubl. Família/ Espécie SYMPLOCACEAE Symplocos variabilis Mart. VERBENACEAE Cytharexylum myrianthum Cham. A literatura sobre florestas de baixada, sejam elas aluviais ou sobre morrotes, é insuficiente para o conhecimento de sua flora e estrutura, e as UCs representam importantes fontes de estudo para a compreensão destas florestas, tanto no âmbito das comunidades como no de populações, sobretudo para espécies de distribuição restrita, tanto em amplitude geográfica como em especificidade ambiental. Pessoa (2003), objetivando investigar o efeito da fragmentação e do isolamento de habitats sobre a estrutura e diversidade dos elementos arbóreos, inventariou três fragmentos de diferentes formas e dimensões na Rebio, dos oito ocorrentes sobre pequenos morrotes, tendo como critério de inclusão DAP ^5 cm. Foram referenciados 1.771 indivíduos de 207 espécies, onde Senefeldera verticillata corresponde à espécie com maior VI nos três fragmentos analisados, decorrente dos elevados valores de densidade da espécie nas diferentes áreas amostrais. Os índices de diversidade (H’) obtidos correspondem a 3,02 nats/ind. (fragmento com 1,35 ha), 3,90 nats/ ind. (fragmento com 6,65 ha) e 3,65 nats/ind. (fragmento com 9,34 ha) enquanto os valores de equabilidade (J) correspondem a 0,73, 0,83 e 0,73, respectivamente. Interessante destacar que os valores encontrados pela autora podem ser explicados, inicialmente, pelo critério distinto de inclusão, que, por sua vez, aumenta a coleta de indivíduos recrutantes, o que acaba por elevar os valores de densidade de determinadas espécies, sem contudo, aumentar a riqueza de táxons nas amostras (o que pode ser corroborado pelos valores encontrados para equabilidade). Outro fator de influência, a ser ponderado, refere-se à localização dos sítios tratados: mais a noroeste da Rebio, mais próximos à área da Represa Rodrlguésia 57 (3): 429-442. 2006 VOCHYSIACEAE Vochysia sp.l dc Juturnaíba e, possivelmente, mais sujeitos à interferência na composição e caracterização dos solos, visto que, a porção norte de toda a Rebio é margeada por solos turfosos. O tamanho do fragmento, para efeito de comparação, poderia ser igualmente considerado, porém, os dados disponíveis, impossibilitam uma adequada inferência sobre a influência da forma e tamanho entre os fragmentos estudados por Pessoa (2003) e este estudo. Analisando o estrato arbóreo de uma toposseqüência alterada, de Floresta Ombrófila Densa submontana, próxima à Rebio, com critério de inclusão de DAP £3,18, Borém & Oliveira-Filho (2002) encontraram 1 29 espécies e o valor do índice de diversidade (H’) igual a 4,137 nats/ind. Os resultados obtidos pelos autores, ao inventariarem cotas altitudinais que denominaram terços: inferior, médio e superior, expressam que o critério de inclusão influi fortemente na caracterização da vegetação, quando comparados aos resultados neste estudo obtidos, pois como afirmam: “Em todos os ambientes estudados observa-se que dentre as espécies mais importantes (maior VI) muitas apresentam como estratégia de ocupação do ambiente muitos indivíduos de porte relativamente reduzido, enquanto a minoria apresenta poucos indivíduos que podem alcançar grandes dimensões. " Ou seja, as espécies amostradas são, em sua maioria, espécies pioneiras ou secundárias iniciais, cujos diâmetros, nas diferentes toposseqüências analisadas, distribuem-se semelhantemente c concentram a maior densidade de seus indivíduos entre as classes 7,5 e 12,5 cm, especialmentc no terço superior, onde as árvores de pequeno diâmetro são mais freqüentcs. Conseqüentementc, diferem dos SciELO/JBRJ L2 13 14 15 16 17 cm .. 436 resultados obtidos quando avaliadas as espécies de dossel, uma vez que os autores coletaram com maior freqüência elementos mais típicos à sub-mata do que propriamente recrutantes de espécies de dossel. As famílias que reúnem 73,9% dos indivíduos presentes no dossel (fig. 2) do trecho analisado são: Euphorbiaceae (12,4%), Fabaceae (6,7%), Moraceae (6,2%), Lauraceae (5,7%), Melastomataceae (5,7%), Myrtaceae (5,7%), Monimiaceae (5,3%), Clethraceae (4,6%), Flacourtiaceae (4,5%), Annonaceae (4,5%), Rubiaceae (3,4%), Meliaceae (3,1%), Sapindaceae (3,1%) e Myristicaceae (3,0%). Estes resultados refletem mais uma conjunção entre a riqueza de táxons para cada família e seus respectivos indivíduos, do que, propria- mente, elevadas densidades populacionais para determinados táxons, como podem exemplificar Euphorbiaceae (32 inds:12 spp.), Fabaceae (62:25) e Lauraceae (33: 1 9). As espécies com maiores densidades na área são: Siparuna reginae, Clethra scabra, Senefeldera verticillata, Mabea piriri, Tibouchina estrellensis e Casearia arbórea, algumas caracteristicamente espécies pioneiras em Florestas Ombrófilas Densas Atlânticas. Ao serem comparados os valores de densidade de dossel aos de sub-mata, verifica- se que grande número de indivíduos, constituem elementos de dossel em recrutamento como: Clethra scabra. (%) Figura 2 - Distribuição percentual de abundância por famílias, na área de floresta sobre morrote. Guedes-Bruni, R. R. et al. Senefeldera verticillata, Lacistema pubescens, Siparuna reginae. Guapira opposita, Alchornea triplinervia e Euterpe edulis, presentes no dossel com densidades entre 2 e 1 indivíduos por hectare, são freqüentemente registradas em inventários no Rio de Janeiro, sobretudo em áreas de baixada e sopé de serra, conforme Siqueira (1994), quando as destaca entre as 10 espécies presentes em cerca de 50% dos levantamentos realizados em áreas de Floresta Ombrófila Densa Atlântica em todo o território brasileiro. Ao trabalhar em área de Floresta Ombrófila Densa Atlântica em Ubatuba, São Paulo, em cotas altitudinais que variaram entre 20 e 190 ms.m, e adotando como critério de inclusão árvores com DAPs > 1 0 cm. Silva ( 1 980) relaciona, igualmente, Euphorbiaceae, Arecaceae, Lauraceae e Fabaceae entre as famílias mais ricas, com Rubiaceae formando o grupo mais numeroso e Myrtaceae a menos numerosa, dentre as seis famílias mais ricas. Os resultados de Ubatuba são, ainda hoje, dos estudos realizados no estado de São Paulo, os que mais se aproximam dos resultados encontrados para áreas de baixada no Rio de Janeiro. Em seu estudo realizado em área de Floresta Ombrófila submontana Atlântica na Juréia, São Paulo, Mantovani (1 993) destacou entre as famílias com maiores números de indivíduos no dossel, ou componente dominante (DAPs > 9,55cm): Myrtaceae, Arecaceae, Sapotaceae, Bombacaceae, Lauraceae e Euphorbiaceae. Contudo, ao serem somadas as três subfamílias de Fabaceae, tratadas pelo autor como três famílias independentes, este táxon passa a apresentar grande relevância neste parâmetro. Embora as famílias relacionadas sejam assemelhadas às encontradas na Rebio, contudo diferem em aguns aspectos. Inicialmente cabe ressaltar que a área de estudo da Juréia é melhor conservada do que a da Rebio, o que por si só já agrega elementos tais como as densidades elevadas de espécies das famílias Myrtaceae, Arecaceae (esta, em grande parte, pela presença de Euterpe edulis, espécie mais rara Rodriguèsia 57 (3): 429-442. 2006 SciELO/JBRJ1 2 13 14 15 16 17 18 Floristica e estrutura de dossel em floresta sobre morrote mamelonar no Rio de Janeiro 437 nas amostragens da Rebio) e Sapotaceac mais próximas à condição de secundárias tardias. Na Rebio, as três famílias, a título de exemplificação, com maior número de indivíduos: Euphorbiaceae ( Senefeldera verticillata e Mabea piriri ), Fabaceae {Pseudopiptadenia inaequalis, Apuleia leiocarpa entre outras) e Moraceae ( Brosimum guianense, Sorocea guilleminiana entre outras) são mais expressivas pelas densidades das espécies a elas subordinadas, como também, mais características a condições de vegetação alterada, as quais se expressam no ambiente como pioneiras ou secundárias iniciais. Quanto à riqueza (fig. 3), 14 famílias concentram 75% das espécies ocorrentes no dossel, entre elas: Fabaceae (14,4%), Lauraceae (11,0%), Euphorbiaceae (7,0%), Moraceae (6,0%), Myrtaceae (5,2%), Annonaceae (5,2%), Bignoniaceae (4,6%), Sapotaceae (3,4%), Meliaceae (3,4%), Rubiaceae (3,4%), Flacourtiaceae (2,8%), Melastomataceae (2,3%), Monimiaceae (2,3%), Lecythidaceae (2,3%) c Nyctaginaceae (1,7%). Este parâmetro pouco difere dos demais relacionados por diferentes autores para áreas de baixada como Guedes (1998), Borém & Oliveira- Filho (2002), Pessoa (2003) c Gucdcs-Bruni (2006). O que ocorre são pequenas diferenças relativas à ocorrência de espécies, mais competitivas para estabelecimento, sob uma ou outra condição, característica a cada uma das áreas de estudo e que acabam por interferir, na maior ou menor riqueza dos grupos taxonômicos. Assim, ao considerarmos os valores de importância dos táxons ocorrentes na floresta de morrote (tab.2), são destacáveis: Senefeldera verticillata , Siparuna reginae , Mabea piriri , Casearia sylvestris , Cletbra scabra, Tibouchina scrobiculata, Pseudopiptadenia inaequalis, Guapira opposita, Apuleia leiocarpa e Brosimum guianense, várias delas características de etapas iniciais da sucessão florestal. Rodriguèsia 57 (3): 429-442. 2006 (V.) Figura 3 - Distribuição percentual da riqueza de espécies por famílias, na área de floresta sobre morrote. Quando considerada a estrutura de abundância da vegetação, tanto para a densidade como para a área basal, foram obtidos valores pouco superiores aos de trechos inventariados sobre pequenas elevações, típicas das baixadas do Rio de Janeiro, como em Guedes-Bruni ( 1 998), onde foi adotada a mesma metodologia, destacadamente, o mesmo critério de inclusão. Nesta área de estudo, a densidade foi de 580 ind./ha com área basal de 26,85 nr /ha. enquanto para área de floresta aluvial, nesta mesma Rebio, Gucdcs-Bruni et al. (2006), referenciam 486 ind./ha e área basal de 23,77 mVha. As diferenças aqui observadas podem refletir, primeiramente, a variação de solos, que se dá desde as porções mais baixas até às mais elevadas do morrote. Além disto, também há penetração de luz no interior das florestas nas áreas declivosas, que permitiria o maior desenvolvimento na sub-mata c o conscqüente acréscimo de biomassa, além do alagamento, permanente ou temporário, de porções dos terrenos aluviais, decorrentes das cheias dos rios. Em estudo realizado em uma toposscqüência, Borém & Oliveira-Filho (2002) destacam nos terço inferior, médio e superior densidades e áreas basais de 147 ind./ha e 15,13 mVha, 177 ind./ha c 20,81 m2/ha c 255 ind./ha e 33,34 mVha, respectivamente. Estes mesmos autores indicam ainda um aumento nos números de espécies c nos subscqücntcs SciELO/JBRJ 12 13 14 15 16 17 438 Guedes-Bruni. R. R. et al. valores de H’ das toposseqüências, da inferior para a superior, que acabam por retratar um gradiente de perturbação nas mesmas. No trecho analisado na Rebio, observa-se a ocorrência de um número superior de indivíduos de maior porte nas porções basais e medianas do morrote, enquanto que na cumeeira, talvez em decorrência dos morrotes serem tênuemente aplainados, observa-se um maior número de indivíduos, mais característicamente arvoretas do que árvores. Muitas destas arvoretas são espécies secundárias tardias que sombreiam a sub-mata densamente ocupada por elementos de Astrocaryum aculeatissimum. A semelhança do observado por Borém & Oliveira Filho (2002), no que concerne à distribuição diamétrica, ao longo do gradiente das toposseqüências, possivelmente, o histórico recente da região da bacia do rio São João, possa explicar, parcialmente este cenário de dados. Se a vegetação dos arredores, que circundam estes morrotes, são áreas de solo seco, muito provavelmente, foi utilizada: primeiramente para extração de madeira nobre, há 30 anos, conforme relato dos moradores locais (Christo et al 2006), num segundo momento para extração de lenha’ destinada ao abastecimento de fomos de olarias e panificadoras (Guedes 1988) e numa última etapa de uso, para implantação de pequenas lavouras ou pastagem. Se, contudo, as áreas circundantes aos morrotes são inundáveis, muitas das espécies que ocorrem nas áreas aluviais se dispersam até as cotas medianas dos morrotes e por esta razão não só a natureza do solo impõe dificuldade de seu uso, como também, propicia às populações vegetais manterem seu curso natural de crescimento e estabelecimento na área. A ocorrência, por sua vez, de espécies (mais encontradiças nos limites entre as florestas submontanas e montanas) reconhecidas culturalmente como apropriadas à construção, ao uso medicinal e demais benefícios, nas partes superiores dos morrotes, propicia a exploração seletiva, por parte das comunidades rurais, o que justifica a abertura de clareiras. Dentre elas podem ser citadas: Apuleia leiocarpa (garapa), Virola gardnerii (bicuíba - verdadeira), V oleifera (bicuíba), Brosimum guianense (muirapinima ou muirapinima-preta), Sorocea guilleminiana (espinheira-santa) e Sparattosperma leacanthum (cinco-folhas ou cinco-chagas). Neste processo de exploração, com abertura de pequenas a médias clareiras, nas cotas superiores dos morrotes, decorre a ocupação dos espaços abertos por espécies heliófilas, característicamente pioneiras ou secundárias iniciais, em forma de arvoretas e cujo elevado número de indivíduos, muitas das vezes estiolados, com pequenos diâmetros, podem justificar os resultados encontrados em ambos os estudos. Na estrutura de tamanho, 74% dos indivíduos encontram-se distribuídos com diâmetros entre 10 e 31 cm (fig. 4), com diâmetro médio equivalente a 21,4 cm, onde exemplares com maiores taxas de crescimento Rodriguésia 57 (3): 429-442. 2006 SciELO/JBRJ 12 13 14 15 16 17 Floristica e estrutura de dossel em floresta sobre morrote mamelonar no Rio de Janeiro 439 secundário ocorriam acima do dossel, como emergentes, exemplificados por: Pouteria cf. reticulata, cujo diâmetro de 0,89 m foi o maior obtido na amostragem, além de Vernonia discolor (0,74 m), Cariniana legalis (0,73 m), Cariniana estrellensis (0,65 m) e Guarea guidonia (0,64 m). A altura média da floresta foi de 16 m, concentrando 77 % dos indivíduos na faixa entre 10 e 25 m de altura (fig. 5). Ao considerarmos as alturas atingidas pelos indivíduos emergentes, cuja altura máxima registrada foi de 32 m, por um indíviduo de Guarea guidonia, assinalamos: Pouteria cf. reticulata (30 m), Apuleia leiocarpa (30 m) e Cariniana legalis (30 m), cujas alturas são superiores às verificadas na mata aluvial por Guedes-Bruni et al. (2006). Neste levantamento, ressaltam-se as espécies: Tabernamontana australis, Cecropia glazioui, Cecropia pachystachya, Clethra scabra, Mabea piriri. Pera sp., Dalbergia frutescens. Casearia sylvestris, Miconia cinnamomifolia, Miconia lepidota, Tibouchina estrellensis, Ardisia aff. martiana, Myrcia fallax, Myrcia rostrata, Prunus brasiliensis, Simarouba amara e Cytharexylum myrianthum, como indicadoras de estádios iniciais da sucessão florestal na Floresta Ombrófila Densa Atlântica. Ainda que mais intensamente estudada na última década, como destacado por Guedes-Bruni et al. (2006), abordagens que contemplem os diferentes fatores atuantes no recrutamento e no estabelecimento de espécies; identificação de espécie ou de espécies-chave para recuperação de áreas, estratégias reprodutivas e de propagação constituem acentuados vazios científicos. Tais abordagens, por sua vez, não podem prescindir do concurso de especialidades distintas que possam, de forma integradora, confluir para a efetivação de proposições à conservação de espécies, sobretudo, as endêmicas e com populações reduzidas. A riqueza de espécies expressa enormes variações geográficas em diferentes escalas Rodriguèsia 57 (3): 429-442. 2006 Classat da altura (m) Figura 5 - Distribuição de indivíduos, segundo classes de altura, na área de floresta sobre morrote (m). e muitos são os processos que, potencialmente, podem interferir no grau de riqueza de espécies (Ricklefs & Schluter 1993), tais como: fatores físicos (clima e suprimento de energia, p.ex.), fatores históricos (taxas de especiação e dispersão) e interações bióticas (predação e competição). Comell & Karlson (1997), por sua vez, lembram que existem limites para a riqueza de espécies, não só em função da restrição de recursos disponíveis, como também por fatores físicos. Ao avaliarem os efeitos da competição na estruturação de comunidades locais, identificam como um campo estimulante a observação da relação entre riquezas locais e regionais. Guedes-Bruni (1998), valendo-se de métodos de ordenação, observa que a Floresta Ombrófila sobre morrotes, representada por esta amostragem, tem como espécies indicadoras: Lacistema pubescens, Xylopia sericea, Miconnia cinnamomifolia e Guapira opposita, menos por suas peculiaridades biológicas (que poderiam gerar a falsa idéia de tipicidade ou caracterização destas florestas sobre mamelões cm estádio de maturidade) e muito mais por seus amplos padrões de distribuição geográfica ao longo da faixa Oriental brasileira, com o concurso de suas características de ocupação e propagação em áreas alteradas. Assim sendo, tais espécies indicadoras reforçam a característica de elevado grau de alteração dos fragmentos da região, ainda que o fragmento selecionado represente um dos mais compatíveis com as características de um fragmento bem conservado. SciELO/JBRJ1 2 13 14 15 16 17 18 cm .. 440 Conclusões O componente dominante da floresta sobre morrote na Rebio Poço das Antas, quando comparado ao dos demais trabalhos desenvolvidos em áreas de vegetação arbórea na UC, ou nos seus arredores, expressa um diversificado elenco de respostas, que relacionam os resultados aqui obtidos não só à natureza do processo de interferência no ambiente (fogo, extração seletiva, rocio, tipo de lavoura implantada etc.), como também o tempo decorrido da perturbação até às diferentes fases de alteração e reconstituição da estrutura e da composição florística. A vegetação ocorrente sobre morrote encontra-se, do ponto de vista da observação fisionômica, sob influência de poucos fatores de estresses, pelo menos no que tange à influência hídrica e subseqüentes processos de decomposição de matéria orgânica, excluídos os efeitos decorrentes de fortes ventos ocorrentes com a chegada de massas frias oceânicas, que podem acabar por gerar quedas de árvores e, subseqüentes, formações de clareiras de diferentes tamanhos e formas. No caso da floresta sobre morrotes, o fator de transformação mais relevante é o corte da lenha para posterior estabelecimento da pecuária. O fogo é um fator acessório, porém mais afeto à manutenção da condição de pastoreio do que, propriamente, à derrubada da floresta. A riqueza de espécies, na área de estudo, reflete a ação antrópica como deflagradora de interferência em fatores a ela relacionados: como elevadas temperaturas decorrentes dos incêndios freqüentes e ampliação de territórios abertos (pastos), que por sua vez intereferem nos processos: de sucessão de espécies, maior ou menor facilidade de resiliência, maior ou menor facilidade de dispersão de propágulos e intereferência nas interações planta-animal, essenciais aos ciclos biológicos, de cada grupo, imprimindo-lhes, maior ou menor capacidade de competição, estabelecimento e reprodução. A riqueza de espécies das famílias: Fabaceae (com grande variedade de gêneros), Euphorbiaceae (várias espécies típicas das Guedes-Bruni, R. R. et al. baixadas fluminenses e de áreas impactadas), Lauraceae, Moraceae (destacadamente Ficus) e Myrtaceae (sobretudo. Eugenia e Myrcia) têm sido referenciadas por vários autores para o componente dominante da Floresta Ombrófila Densa Atlântica. Na flora inventariada, várias espécies são indicadoras de estádios iniciais da sucessão florestal, somando muitos indivíduos, e co- existindo ao lado de espécies de etapas tardias da sucessão, acaba por ressaltar o caráter alterado da área estudada. Os resultados aqui expressos reiteram a importância que os fragmentos florestais têm para a conservação da diversidade florística da região centro-norte do Rio de Janeiro e para a qual a Reserva Biológica de Poço das Antas constitui uma importante UC para a realização de estudos sobre processos de regeneração natural, experimentos para a restauração ecológica dos reduzidos remanescentes dispersos pela região, de modo a contribuir efetivamente, para a reconstituição da paisagem, desta grande porção territorial do Rio de Janeiro. Região esta caracterizada: por sua circunscrição a uma importante bacia hidro-gráflca; por atividade agro-pecuária decadente e por, mais ao norte, em Campos dos Goytacases, a indústria canavieira, desaquecida, vir promovendo a migração de agricultores sem terra para os arredores da Rebio, aumentando, por conseguinte, a pressão sobre os poucos remanescentes florestais. Agradecimentos Ao Jardim Botânico do Rio de Janeiro pelo apoio ao projeto de doutorado; ao CNPq pela bolsa concedida, durante parte do período do curso, à primeira autora; ao Depto. de Ecologia da Universidade de São Paulo - USP, à The John D. and Catherine T. MacArthur Foundation e à Cia. Petrobrás financiadoras do Programa Mata Atlântica (PMA) e aos colegas que nos auxiliaram na obtenção de dados de campo, especialmente: Gustavo Martinelli, Solange de V. A. Pessoa, Tânia S. Pereira, Lana da S. Sylvestre, Claudia F. Barros, Catia Callado e ao auxiliar de campo Rodriguèsia 57 (3): 429-442. 2006 SciELO/JBRJ L2 13 14 15 16 17 Florística e estrutura de dossel em floresta sobre morrote mamelonar no Rio de Janeiro 441 Jorge Caruso Gomes; e, finalmente, aos taxonomistas que conferiram acurácia às identificações: Alexandre Quinet, Angela S.da Fonseca Vaz, Ariane L. Peixoto, Arline de Souza, Ary Gomes da Silva, Claudia M. Vieira, Elsie F. Guimarães, Genise V. Somner, Jorge Pedro Carauta, José Fernando A. Baumgratz, Nilda Marquete F. da Silva e, especialmente, Haroldo C. de Lima e Dra. Graziela M. Barroso, esta última in memoriam. Referências Bibliográficas Azevedo, F. 1996. A Cultura Brasileira. Rio de Janeiro: Ed.UFRJ, Brasília: UnB. Pp. 83-124. Borém, R. A. T. & Oliveira-Filho, A. T. 2002. Fitossociologia do estrato arbóreo em uma toposseqüência alterada de mala Atlântica, no município de Silva Jardim - RJ. Revista Árvore 26(6): 727-742. Comell, H. V. & Karlson, R. 1997. 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A alta incidência de características anatômicas comuns - camadas de crescimento distintas, porosidade difusa, placas de perfuração simples, fibras de paredes delgadas a espessas, raios com freqüência de 4 a 12/mm’, com 1-3 células de largura, - foi corroborada pelas análises estatísticas, o que sugere a ocorrência de um padrão anatômico. Os resultados descritos se enquadram nas tendências ecológicas para espécies de planícies tropicais, que se caracterizam por uma menor freqüência de elementos de vaso mais largos c com placas de perfuração simples. Tais caracteres propiciam o transporte de grandes volumes de água por unidade de tempo e área transversal da madeira. Palavras-chave: Floresta Atlântica, anatomia ecológica, anatomia da madeira. Abstract (Ecological trends in wood anatomy of tree species at Reserva Biológica de Poço das Antas, Rio de Janeiro, Brazil) Wood anatomy features were used to interpretate the strueture of the tree community at the Reserva Biológica de Poço das Antas, RJ, Brazil (22°30' e 22“33’S e42°15' e 42°19’W). 26 species from 14 families and 72 specimens were analysed. The high incidencc of anatomical features observed in most of species, as growth rings, difuse porosity, simplc perfuration plates, thick-to-thin fibres, 1-3 rays wide and 4 to 12/mm’, statistically suggestcd there was an anatomical pattern. Results were in accordance with ecological trends for tropical lowland species, characterized by simplc perforarion plates, low frequcncy and widening of vesscls. Thcse features allow the conduction of large volumes of water per unit time and transectional area of wood. Kcy words: Atlantic rain forest, ecological anatomy. wood anatomy. Introdução Os padrões dc diversidade c suas variações nos diferentes habitats constituem os principais temas focalizados em estudos de comunidades biológicas (Magurran 1988; Nuncs-Freitas 2004). Em comunidades vegetais tal diversidade é geralmente expressa pela contagem geral do número de espécies, pela abundância relativa e composição das espécies ou pela variação Artigo recebido em 02/2005. Aceito para publicação cm 05/2006. 'Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio dc Janeiro, Programa Mala Allantiea, Laboratório de Botânica Estrutural. Rua Pacheco Leão, 915, 22460-030, Rio de Janeiro, RJ, Brasil, cbarros@jbij.gov.br 'Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Departamento dc Biologia Vegetal, Laboratório dc Anatomia Vegetal. 'Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, Instituto dc Biologia, Departamento dc Botânica. ‘Universidade Estadual do Norte Fluminense, Centro de Biociências c Biotecnologia, Laboratório de Biologia Celular c Tecidual, Setor de Citologia Vegetal. 'Bolsista Fundação Botânica Margarct Mee. "Bolsista PROCIÊNCIA - UERJ/FAPERJ. 'Bolsista Produtividade CNPq. Apoio Financeiro: Petrobras, CNPq, FENORfE/TECNORI E. SciELO/JBRJ L2 13 14 15 16 17 cm .. Barros. C. F. et al. dessa composição ao longo de um gradiente ambiental (Guedes-Bruni 1998; Lima 2000; Nunes-Freitas 2004). Esses parâmetros são obtidos por meio de inventários florísticos e fitossociológicos, que fornecem informações básicas subsidiando os estudos botânicos subseqüentes (Guedes-Bruni et al. 2002; Vuono 2002). A estrutura anatômica das madeiras também pode refletir tal diversidade e a variação entre diferentes habitats. Carlquist (2001) sugere duas abordagens diferentes no que diz respeito aos métodos utilizados para expressar a correlação ecologia-anatomia. Uma é fundamentada em grupos taxonômicos, e visa a análise comparativa de espécies de um mesmo gênero em um gradiente ecológico. A outra envolve a comparação de pequenas áreas ou flórulas, visando o reconhecimento de caracteres anatômicos comuns a uma dada formação vegetal, independente dos grupos taxonômicos analisados (p.ex. Carlquist 1977; Barajas-Morales 1985; Noshiro et al. 1 995). Tais características são consideradas importantes para o desempenho das funções do xilema em condições ambientais diversas e expressam as tendências ecológicas em gradientes latitudinais e altitudinais em diferentes macro e mesoclimas (p. ex. Baas et al. 1983; Dickison 1989; Woodcock et al. 2000). Wheeler & Baas (1991) utilizando o modelo proposto por Dickison (1989) e a literatura disponível, relacionaram as tendências ecológicas gerais para hábitats xéricos, montanos e tropicais. Os resultados dessas investigações têm grande relevância para a inferência de climas de eras passadas, sendo utilizados também em estudos filogéneticos (Wheeler & Baas 1991; Wiemann et al. 1998). Trabalhos focalizando as características anatômicas em uma abordagem de flórula em biomas brasileiros são ainda escassos, destacando-se Callado et al. (1997) que estudaram 14 espécies de um remanescente de Floresta Atlântica de Macaé de Cima, Nova Fribrurgo, Rio Janeiro. O presente trabalho visa colaborar para o melhor conhecimento de um remanescente de Floresta Ombrófila Densa das terras baixas no estado do Rio de Janeiro, a partir de uma abordagem de flórula aplicada à anatomia. Propõe-se utilizar as características anatômicas do lenho na interpretação da estrutura da comunidade arbórea, visando responder às seguintes questões: - Existe um padrão anatômico característico para as espécies analisadas? - As características anatômicas analisadas expressam tendências ecológicas típicas de regiões tropicais de planície, de acordo com o proposto por Dickison ( 1 989) e modificado por Wheeler & Baas (1991)? Material e Métodos As coletas foram efetuadas na Reserva Biológica de Poço das Antas (22°30' e 22°33 S e 42° 15' e 42°19’W), município de Silva Jardim, um remanescente de Floresta Atlântica no estado do Rio de Janeiro, caracterizado por vegetação do tipo Floresta Ombrófila Densa de terras baixas (Velloso et al 1992; Guedes-Bruni 1998). A topografia do local é predominantemente de planície, com morros e morrotes de perfis arredondados, cuja altura varia entre 30 a 200 msm, separados por várzeas alagadiças, de fundo achatado. O clima é do tipo úmido e megatérmico, com pluviosidade média anual de 2.260 mm e temperatura média de 24,5 C. O solo é pouco espesso, arenoso- argiloso e fortemente ácido, tanto nas várzeas alagadiças como nas áreas livres de inundação (Guedes-Bruni 1998). Foram estudadas 26 espécies pertencentes a 14 famílias botânicas, totalizando 72 espécimes inventariados (Tab. 1). As espécies foram selecionadas com base em estudos prévios de cunho florístico e fitossociológico (Guedes-Bruni 1998) e englobam os táxons de maior representatividade numérica, espécies raras e aquelas indicadas para revegetação de áreas degradadas na região (Guedes-Bruni Rodrigues ia 57 (3): 443-460. 2006 SciELO/JBRJ L2 13 14 15 16 17 Tendências ecológicas na anatomia da madeira 1998). As coletas foram efetuadas em sítios da Reserva, incluindo fragmentos periódica ou permanentemente alagáveis ao nível do mar. Para a coleta do lenho foram selecionados espécimes de tronco cilíndrico, reto e sem bifurcação ou defeito aparente, com diâmetro à altura do peito (DAP) igual ou superior a 1 2 cm. As amostras foram retiradas a 1,30 m do solo por método não destrutivo (Barros et al. 1997,2001). O material foi processado no Laboratório de Botânica Estrutural do Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro, conforme as Normas de Procedimento em Estudos de Anatomia da Madeira (Coradin & Mufiiz 1991). As seções foram coradas por safranina hidroalcoólica a 50 % (Sass 1958) ou pela mistura azul de astra e safranina (Bukatsch 1972) e montadas em Permount. As contagens e mensurações dos elementos celulares obedeceram às normas do IAWA Committee ( 1 989) e Coradin & Mufiiz ( 1 99 1 ). A aferição 445 do agrupamento de vasos foi obtida segundo Carlquist (1984). Esses procedimentos (mensurações, contagens e aferições) foram realizados com auxílio da ocular micrométrica, acoplada ao microscópio Olympus ou por meio de uma câmara de vídeo Sony acoplada ao mesmo microscópio e ao computador, utilizando o software Image Pro Plus versão 4.0 para Windows. As análises estatísticas foram efetuadas com a ajuda do software Statistic 6.0. O teste de Shapiro-Wilk W foi utilizado para testar a normalidade das amostras (Zar 1996). Para verificar a formação de grupos distintos foi realizada uma análise de agrupamento, baseada numa matriz de distância de Manhattan (Sneath & Sokal 1973) para dados binários, usando os caracteres qualitativos relacionados na Tabela 1. A análise dos componentes principais foi utilizada para ordenar as espécies e os caracteres anatômicos quantitativos e qualitativos, evidenciando os fatores de maior variância (Ludwig & Reynolds 1988). Rodriguêsia 57 (3): 443-460. 2006 cm 1 ,SciELO/JBRJ 12 13 14 15 16 17 446 cm ± Barros. C. F. et al. Tabela 1 - Listagem das famílias e espécies coletadas, números de registro na Xiloteca do Jardim Família sa c o s .o B O sa O 55 2 o JE u ct .2 « í/5 S = a U Espécie 3 < .«3 §> I J- $ E C3 -C u .2 1 *c 2 I o .3 •2 2 •o *c £ T3 a 0 C/3 -2 ~ •c *o 1 g |M *c ■c £ RBw 7524, 7336, 7328, 7329, 7526, 7338, 7335, 7333, 7527 7355 7363, 7477, 7449 7478 Camadas de crescimento + Porosidade difusa + Vasos exclusivamente solitários < 5 vasos/mm2 5-20 vasos/mm2 + 40-100 vasos/mm2 Comprimento do vaso < 350 pm Comprimento do vaso + entre 350 a 800 pm Comprimento do vaso > 800 pm Diâmetro tangencial do vaso < 50 pm Diâmetro tangencial do vaso 50 a 100 pm Diâmetro tangencial do vaso + 100 a 200 pm Diâmetro tangencial do vaso > 200 pm Placa de perfuração simples + Placa de perfuração + escalarifome < 10 barras Placa de perfuração escalarifome > 10 barras Placa de perfuração radiada Placa de perfuração foraminado-reticulada Pontoaçôes intervasculares opostas Pontoações intervasculares alternas + Pontoaçôes intervasculares diminutas (<4 pm) Pontoações intervasculares pequenas (4 a 7 pm) + + + + + + + + + + + + + + u t«s I i |-5 g “ & x | 7475, 7476 7455, 7461, 7462 + + C f | 2 o Sb oi I < -c . . J * ?«■ C3 X 1 U <3 s: 3 .sS 1 a ■c o c .o I E 5- ta Xu -5 a 2 -C .2 2 o •c r 7331, 7340, 7473, 7474 7326, 7366, 7356 7368 7341, 7342, 7360 + + + + + + + Rodriguèsia 57 (3): 443-460. 2006 SciELO/JBRJ 12 13 14 15 16 17 cm Tendências ecológicas na anatomia da madeira Botânico do Rio de Janeiro (RBw) e sumário das características anatômicas. 447 3 4> (J CJ a o> 0 ca J c ! •3 § CQ d % | & l I I •a 1 ■S 1 st kl tf cn I •3 i 7343 7507 7533, 7441, 7440 7330, 7459, 7357 7525, 7327, 7548, 7509, 7454, 7536, 7354’ 7551* 7570 7450 7361, 7463, 7358, 7532 7334, 7549 7510 7457 7544 7364’ 7552’ 7365 7464 7362 7359 + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + 7432, 7508, 7433, 7514, 7434, 7518, 7435, 7519 7439 + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + Rodriguésia 57 (3): 443-460. 2006 SciELO/JBRJ 12 13 14 15 16 17 448 Barros. C. F. et al. Família 44 rz 04 44 .2 ■5 u w 44 08 44 O 08 C o 08 4* 44 .2 c 4» 08 44 O 08 44 08 44 08 44 44 08 C 44 08 44 44 m c s c c E 08 lm 3 < < ea ã O ca Ü Espécie 3 3 < •S2 3 § R s < § S C8 -C u 2 ■c s W í !ü T3 C O C/3 Q -2 ~ £ . Vi 3 ^ ;> -o w O -2 * §■ Ê s i ÇS, M f l g O Sóoc é C3 -C u <3 e .2 4» 3 •2 1 " ■à s uS J 2 3 «C .2 1 C 4> 1 $ 1 5 8 i° •2 4> •C £ § g a •o -C £ § ü a ^ * 1 li 1 i 1^ § í § -2 «0 0 5 i £-u §• a -2 Co •2 3 0 1 Pontoações intervasculares médias (7 a 10 pm) Pontoações intervasculares + 4 4 + + 4 grandes (>10 pm) Pontoações intervasculares 4 ornamentadas Pontoações raio-vasculares com aréolas distintas Pontoações raio-vasculares com 4 + + 4 4 + 4 4 4 aréola reduzida a simples Vasos com espessamento espiralado Traqueídes + + Fibrotraqueídes Fibras septadas Fibras muito curtas (< 900 pm) + + + 4 Fibras curtas (900 a 1600 pm) + + + + Fibras longas (>1600 pm) Fibras com paredes finas 4 + + 4 4- 4 4 Fibras com paredes de + 4 delgadas a espessas Fibras com paredes espessas Parênquima raro Parênquima apotraqueal difuso Parênquima apotraqueal + 4 4 + 4 difuso em agregados 4 + Parênquima paratraqueal escasso Parênquima paratraqueal + 4 4 vasicêntrico Parênquima paratraqueal aliforme 4 4 4 Parênquima paratraqueal confluente 4 4 Parênquima paratraqueal unilateral Parênquima em faixa > 3 células + 4 4 4 de largura Parênquima em faixa com + + 4 4 4 1 a 3 células de largura Parênquima reticulado Parênquima marginal + 4 a 12 raios/mm + + + > 12 raios/mm 4 4 4 4 4 Raios exclusivamente unisseriados 4 Rodriguésia 57 (3): 443-460. 2006 SciELO/JBRJ 12 13 14 15 16 17 Alchomea glandulosa Müll. Arg. I Euphorbiaceae Tendências ecológicas na anatomia da madeira 449 I •3 ca 3 S 2 £ t «o s a. a. 8 Oh l *§ i I a> cs a» ti 2 I 8. i 0> CS CS V) ^ .S n B .2 61 '5. o a J eu ca £ 1 •5 I 1 % * ^ sC1 8.| •s I ^ ca <§ V W) £ | f •3 I S OI + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + Rodriguésia 57 (3): 443-460. 2006 SciELO/ JBRJ 12 13 14 15 16 17 450 Barros, C. F. et al. Família .2 '■5 i- 53 fj n o 03 B O O m « j 5 o 03 O o 03 u 03 £ E o CQ tt 03 O CQ o .2 (/! 3 ü 33 S g =3 < ■3 Espécie •I Sd a £ C/D < § .Cj J- $ _C u .3 fi *c a cv, 1 2 2 ■2 B 3 I 0 •S 1 •2 -o «c £ T3 C O C/D s . CS) ü £ *> X) w O 3 * li 5 2 ?Ü g !■§ B 03 JB U 3 3 3 •2 I cô "*s £ §■ B SÓQÍ •2 -S £ -C T3 1 « | 1/2 § J= S o «•*? J ^ c __ 1 ? .o fc-3 ^ i -,u 3 *C & Uí -5 -§ 9 53 lô .3 1 -3 J- ■c £ •S § 1 1 § <£ a a j 2 & 3 •5 ■2 &0 •2 2 o -3 I: Raios de 1 a 3 células de largura + + 4- 4- 4- + Raios > 4 células de largura + + Raios > 1 mm de altura Raios agregados + + Raios apenas com células + + 4- 4- procumbentes Raios apenas com células quadradas e/ou eretas Raios com procumbentes no + + + + + corpo e 1 fileira de ereta e/ou quadradas nas margens 4- 4- Raios com procumbentes no + 4- corpo e 2 a 4 fileiras de ereta e/ou quadradas nas margens Raios com procumbentes, quadradas e eretas misturadas Parenquima axial e/ou vasos estrafificados + Raios e/ou elementos axiais irregularmente estratificado Cristais + 4- 4- índice de grupamento dos vasos 1,65 1,70 1,50 1,70 1,20 2,30 2,30 1,50 1,00 1,68 Espessura da parede dos vasos 3,35 3,82 3,72 4,00 4,49 4,82 5.24 4,35 3,85 4,01 Vasos/mm2 10 8 15 5 19 3 3 6 7 5 Comprimento dos elementos de vaso 733,15 595,15 433,98 435,43 202,29 551,07 450.19 290,16 663.07 622,07 Diâmetro tangencial dos 104,69 105,46 22,69 84,63 79,02 36,22 213.74 elementos de vaso 135,17 179.93 181.39 Comprimento de fibra 1139,04 1174,19 1028.36 1054,00 1188,46 2005.00 2322,37 1030.83 1119,11 1701,00 Espessura da parede das fibras 5.41 4,09 2.11 4.00 4.00 7.55 3,99 3.66 4,3 8,79 Rodriguèsia 57 (3): 443-460. 2006 SciELO/ JBRJ 12 13 14 15 16 17 Alchomea glandiilosa Miill. Arg. I Euphorbiaceaej Tendências ecológicas na anatomia da madeira 451 ■I 3 S £ I 5 I •a 03 a. a 2 1 I s 2 I 8. í) •a « j z 1 I i a> « Cl c/j a» o -a M .5 « 8 -1 *5 ■ff ~ — sr~ A « es ^ M 2 II li 0£ CL a» es -J Qn §3 ff“i 8 2 J* 11 g ^ 5 3 c I ! O, O» es o* o es C >» s> es o* o .2 12 o» es o* (j es C 04 > £ 03 d % | 8> s I Ê? â ■a I 1 •3 I j? I I 4- + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + 4- + + + 4- 4- + + 4- + + 4- + 4- + 4- + 4- 4- + -1- + 4- + + 4- 4- + + + 4- + 4- + + 2,36 1,80 2,10 2,10 1,38 1,40 1,50 1,90 1,30 1,30 1,00 1.00 1,00 1,60 1,56 1,20 5,58 3,19 5,88 3,20 3,40 3,70 4,09 4,96 9,55 4,00 4,00 1 1,86 3,64 2,71 5,00 3,23 6 3 7 42 19 12 13 5,47 3 4 5 5 7 53 7 8 773,08 743,09 1129,33 1476,69 714,30 726,31 338,10 312,17 376 369 677 920 727 929 423 300 169,15 149,16 133,23 87,86 100,50 136,62 80,38 164,81 108 132 99 142 134 60 133 113 1306,63 1252,98 1593,93 2158,73 1094,00 1233.08 987,70 1235,18 944,61 883,00 1284,00 1671,19 1420,23 2144,11 1005,78 1068,62 5,74 4.12 7,12 7,37 3,40 4,57 3,64 6,87 3,16 4,00 7,00 7,24 8,07 8,13 3,59 4,01 Rodriguésia 57 (3): 443-460. 2006 452 Barros, C. F. et al. Resultados A análise anatômica do material selecionado revelou elevada ocorrência de camadas de crescimento distintas, porosidade difusa, placas de perfuração simples, fibras com paredes delgadas a espessas, maior frequência de parênquima do tipo paratraqueal em diferentes arranjos e raios com freqüência de 4 a 12/mm’, com 1-3 células de largura (Tabs. 1 e 2; Figs. 1-10). A análise de agrupamento (Fig. 11) demonstra que embora as espécies possam ser segregadas por seus caracteres anatômicos, a maioria não se agrupa por família, com exceção da família Lauraceae cujas espécies mantiveram-se próximas. As demais famílias apresentaram um comportamento diverso, exemplificado pelas espécies de Euphorbiaceae: enquanto Alchornea glandulosa e A. sidifolia mantiveram-se agrupadas. Pera glabrala ficou bastante separada das demais. O dendrograma (Fig. 1 1 ) permite verificar ainda, que o representante da família Flacourtiaceae, Lacistema pubescens, destacou-se das demais por ser a única espécie que apresenta elementos de vaso com placas de perfuração escalariforme com mais de 10 barras, e pontoações intervasculares opostas. A análise do componente principal (PCA) evidenciou que as características anatômicas variam dentro de fatores que, juntos, explicam 66% da variância total (Fig. 12). O eixo 1 responde por 45% da variância total e é influenciado fortemente pela ocorrência de placas de perfuração simples e placas de perfuração escalariforme com mais de 10 barras e pela freqüência dos elementos de vaso. O eixo 2 responde por 2 1 % da variação total e é influenciado pela presença de placas de perfuração escalariforme com menos de 10 barras. Existe uma forte correlação positiva entre a ocorrência de placas de perfuração escalariforme com mais de 10 barras e pontoações intervasculares opostas que, por sua vez, estão negativamente correlacionadas com a presença de placas de perfuração simples. O eixo 1 separa Lacistema pubescens (Flacourtiaceae) pela alta freqüência de vasos associada à ocorrência de placas de perfuração escalariforme com mais de 10 barras, confirmando os resultados da análise de agrupamento. Simira viridiflora (Rubiaceae) se destaca pela combinação de placas de perfuração simples e elevada freqüência de vasos. O eixo 2 separa as espécies Nectandra leucantha, Nectandra rigida (Lauraceae) e Tapirira guianenesis (Anacardiaceae) por apresentarem placas de perfuração escalariforme com menos de 10 barras. As demais espécies mantiveram-se agrupadas, evidenciando um conjunto de características comuns como apresentado nas Tabelas 1 e 2. A combinação dos resultados anatômicos sumarizados nas Tabelas 1 e 2 com a análise estatística sugere que as características ecológicas se sobrepõem às taxonômicas, e se justifica pela priorização, no presente trabalho, dos caracteres quantitativos. Rodriguésia 57 (3): 443-460. 2006 rSciELO/ JBRJ 12 13 14 15 16 17 cm 1 ,SciELO/JBRJ Tendências ecológicas na anatomia da madeira 453 Figuras 1-10 - I . Nectandra leucantha, seçüo transversal, evidenciando camada de crescimento distinta (seta). 2. Pseudopiptadenia contorta , seçüo transversal, evidenciando porosidade di fusa c parênquima axial paratraqueal vasieêntrico (asterisco) e confluente (seta). 3. Andira fraxinifolia, seçüo transversal, nota-se parênquima axial paratraqueal aliforme (seta) e confluente (asterisco) . 4. Aegiphillasellowtana, seçüo transversal evidenciando parênquima paratraqueal unilateral (seta). 5. Eriotheca pentaphylla, seçüo transversal, evidenciando parênquima axial em faixas (setas). 6. Calyptranthes langsdorfit, seçüo transversal, evidenciando parênquima apotraqucal difuso em agregados tendendo a formar linhas (setas). 7. Simira viridijlora, seçilo longitudinal radial evidenciando placa de perfuração simples. 8. Citharexylum mvrianthum, scçüo transversal, observa-se placa de perfuraçüo radiada. 9. Aegiphilla sellowiana seçüo longitudinal tangencial, observam-se os raios com 3 células de largura. 1 0. Eriotheca pentaphylla, seçüo longitudinal tangencial. Rodriguêsia 57 (3): 443-460. 2006 cm 454 Barros, C. F. et al. A. sellowiana P floribundum S. globulifera C. sellowiana T. umbellata X. serícea P. glabrata B. pedicellaris P. contorta A. fraxinifolia C. myrianthum P. grandiflorum J. puberula T. cassinoides S viridiflora N. leucantha N. rígida T guianensis C. brasiliense E. macahensis C. langsdorffíi M. anceps A. glandulosa A. sidifolia E. pentaphylla L. pubescens Figura 11 - Análise de agrupamento. O retângulo destaca as esnéHpc h» i . , . enquanto as setas indicam as espécies de Euphorbiaceae. Lauraceae que se mant.veram próximas. Figura 12 - Análise dos componentes principais. 1. Aegiphilla sellowinnn -> ai u , , , sidifolia, 4. Andira fraxinifolia, 5. Calyptranthes lanesdorfüi 6 r / u’n' Al[hornea Slandulosa, 3. Alchomea 8. Cytharexylum myrianthum, 9. Eriolheca pentaphylla fo Eugenia mar T y un' braslhense, 7- Cordia sellowiana, pubescens, 13. A fyrciaanceps 14. Nectandra leucantha, 1 5 - Nectandra rígida' \b XpJac°r(fndaP^berula> 12. Lacistema \S. Platymiscium floribundum, 1 9. Pseudobombax grandiflorum 20 PsLdoDinfd™8^™0’ ' Balizia Pedicellaris' 22. Symphonia globulifera, 23. Tabebuia cassinofdes, 2f Si 2 1 ■ ^ serícea. a. placas de perfuração simples, b. placas de perfuração escalariformes ifnh ^'^ Su,anensis' 26 ■ X>loPia perfuração escalariformes > 1 0 barras, e. pontoações intervasculares oposto C' Vas0sW’ d' Placas de Rodriguêsia 57 (3): 443-460. 2006 SciELO/JBRJ 12 13 14 15 16 17 Tendências ecológicas na anatomia da madeira 455 Tabela 2 - Freqüência relativa das características anatômicas das espécies estudadas. Os diferentes tipos de placas de perfuração e parênquima axial podem ocorrer associados em uma mesma especie, portanto a soma dos porcentuais ultrapassa 100%. Características Porcentagem Presença de anéis de crescimento 96% Porosidade difusa 96% Vasos exclusivamente solitários 15% ■ < 5 vasos/mm2 19% 5-20 vasos/mm2 73% 40-100 vasos/mm2 8% Diâmetro tangencial do elemento de vaso <50 pm 8% Diâmetro tangencial do elemento de vaso entre 50 e 100 pm 23% Diâmetro tangencial do elemento de vaso entre 100 e 200 pm 65% Diâmetro tangencial do elemento de vaso > 200 pm 4% Comprimento do elemento de vaso < 350 pm 19% Comprimento do elemento de vaso entre 350 e 800 pm 65% Comprimento do elemento de vaso > 800 pm 15% índice de agrupamento de vasos < 2 81% Placas de perfuração simples 96% Placas de perfuração cscalariforme < 10 barras 12% Placas de perfuração escalariforme > 10 barras 4% Placas de perfuração radiadas 4% Placas de perfuração foraminado-reticuladas 4% Pontoações intervasculares opostas 4% Pontoações intervasculares alternas 81% Pontoações intervasculares diminutas (< 4 pm) 12% Pontoações intervasculares pequenas (4 a 7 pm) 27% Pontoações intervasculares médias (7 a 10 pm) 31% Pontoações intervasculares grandes (>10 pm) 15% Pontoações intervasculares ornamentadas 15% Pontoações raio-vasculares com aréolas distintas 73% Pontoações raio-vasculares com aréolas reduzidas a simples 27% Vasos com espessamento espiralado 4% Traqueídes presentes 19% Fibrotraqueídes 31% Presença de fibras septadas 27% Fibras com paredes delgadas 12% Fibras com paredes delgadas a espessas 81% Fibras com paredes espessas 8% Fibras muito curtas (< 900 pm) 4% Fibras curtas (900 a 1600 pm) 73% Fibras longas (> 1 600 pm) 23% Parênquima axial raro 4% Parênquima axial apotraqucal difuso 15% Parênquima axial apotraqucal difuso em agregados 23% Parênquima axial paratraqueal escasso 19% Parênquima axial paratraqueal vasicêntrico 46% Rodriguésia 57 (3): 443-460. 2006 cm l SciELO/ JBRJ, 456 Barros, C. F. et al. Características Parênquima axial paratraqueal aliforme Parênquima axial paratraqueal confluente Parênquima axial paratraqueal unilateral Parênquima axial em faixas > 3 células de largura Parênquima axial em faixas de 1 a 3 células de largura Parênquima axial reticulado Parênquima axial marginal Raios exclusivamente unisseriados Raios de 1 -3 células de largura Raios > 4 células de largura Raio > lmm de altura Presença de raios agregados Raios apenas com células procumbentes Raios apenas com células quadradas e/ou eretas Raios com células procumbentes no corpo e 1 fileira de ereta e/ou quadradas nas margens Raios com células procumbentes no corpo e 2 a 4 fileiras de ereta e/ou quadradas nas margens Raios com células procumbentes, quadradas e eretas misturadas 4 a 12 raios/mm’ > 12 raios/mm ’ Parênquima axial e/ou vasos estratificados Raios e/ou elementos axiais irregularmente estratificados Presença de cristais Porcentagem 19% 38% 12% 27% 12% 4% 4% 12% 85% 35% 8% 31% 31% 12% 62% 31% 15% 85% 15% 8% 4% 50% Discussão A estrutura anatômica do lenho das espécies analisadas neste trabalho foi descrita detalhadamente em Barros et al. (1997, 2001). Na presente abordagem, os seguintes caracteres apresentam incidência acima de 80%: camadas de crescimento distintas, porosidade difusa, placas de perfuração simples, pontoações intervasculares alternas, índice de grupamento de vasos < 2, fibras dè paredes delgadas a espessas, freqüência de raios entre 4 e 12/mm’e raios com 1-3 células de largura. A alta incidência de características comuns foi corroborada pelas análises estatísticas, que mantiveram a maioria das espécies em um grupo único, o que sugere a existência de um padrão anatômico para a comunidade arbórea estudada. Este padrão se enquadra nas tendências ecológicas para espécies de terras baixas dos trópicos (Dickison 1989; Wheeler & Bass 1991), que tendem a apresentar menor freqüência de elementos de vaso mais largos e maior ocorrência de placas de perfuração simples. Entre as espécies estudadas, 69% apresentam o diâmetro dos elementos de vaso maior que 100 pm; em 92% observam-se até 20 vasos/mm2; 96% possuem placas de perfuração simples. Carlquist (2001) comparou os dados da flora da Califórnia (Carlquist & Hoekman 1985) com os de Metcalfe & Chalk (1950) sobre a flora mundial e sugeriu que em regiões maiLSecas’ características como maior freqüência de vasos e elementos de vaso finos e curtos são mais freqüentes. Estas adaptações proporcionam maior segurança ao transporte de água em plantas sujeitas a estresse. As mesmas características foram observadas por Carlquist (1977) em plantas Rodriguésia 57 (3): 443-460. 2006 SciELO/JBRJ. 12 13 14 15 16 17 Tendências ecológicas na anatomia da madeira do Ártico e de diferentes regiões da Austrália. Carlquist (2001) refere ainda que as espécies das florestas tropicais apresentam moderada seleção de características voltadas para a segurança na condução, priorizando adaptações que permitam o transporte de grandes volumes de água por unidade de tempo e por área transversal da madeira. Desta forma, as espécies de florestas tropicais devem apresentar características como menor freqüência de vasos e elementos de vaso mais largos e mais longos (Metcalfe & Chalk 1950; Carlquist 1977, 2001). Os resultados do presente trabalho estão em conformidade com os dados da literatura que apontam a ocorrência freqüente dessas características nas flórulas tropicais, como verificado por Callado et al (1997) em um remanescente de Floresta Atlântica do estado do Rio de Janeiro e Baraja-Morales (1985) em dois remanescentes de floresta tropical do México. A alta incidência de camadas de crescimento em espécies da Reserva Biológica de Poço das Antas, referida por Callado et al. (2001) é confirmada cm 91% das espécies aqui analisadas. Alves & Angyalossy-Alfonso (2000) também observaram essa tendência cm 48% das espécies brasileiras por elas estudadas. A despeito da alta freqüência de camadas de crescimento no lenho de espécies brasileiras, estudos sobre a periodicidade de formação dessas camadas são ainda escassos e mostram-se essenciais para o conhecimento das estratégias de sobrevivência dessas espécies, seu papel na fixação de C02 e para estudos de dendrocronologia. Dentre as espécies estudadas, 94% apresentaram placas de perfuração simples, porcentual bastante semelhante ao observado por Alves & Angyalossy-Alfonso (2000). Estes resultados estão em consonância com Baas (1976, 1986), Baas & Schweingruber (1987) e Carlquist & Hoekman (1985), que mencionam alta incidência de placas de perfuração simples Rodriguèsía 57 (3): 443-460. 2006 457 em espécies de florestas tropicais de terras baixas. Carlquist (2001) considera que a mais importante alteração encontrada na anatomia da madeira de espécies de florestas tropicais úmidas é a elevada ocorrência de placas de perfuração simples, fator que reduz a fricção no transporte de água. As análises estatísticas realizadas não indicaram correlação significativa entre as espécies analisadas e o tipo de parênquima axial. Porém, a Tabela 2 demonstra que apenas 3% dessas espécies possuem parênquima escasso e aponta ainda uma grande diversidade de tipos de parênquima axial, com predominância do tipo paratraqueal. Alves & Angyalossy-Alfonso (2002) observaram que em espécies brasileiras o parênquima axial é mais abundante em latitudes menores (até 23°), sendo o parênquima paratraqueal associado a climas mais quentes e o apotraqueal, a latitudes maiores e, consequentemente, a climas mais frios. Baas & Zhang (1986), Baas et al. ( 1 988) e Wheeler & Baas (1991) referem que o parênquima axial é mais abundante nas regiões tropicais. Carlquist (2001), por sua vez, pondera que se o sistema condutor de água de espécies tropicais desenvolve características para transportar grandes volumes de água, os raios e o parênquima axial devem exibir mudanças similares. As análises estatísticas realizadas e a Tabela 2 permitem concluir que as espécies analisadas apresentam características anatômicas próprias de regiões tropicais de terras baixas, que independem do grupo taxonômico a que as mesmas pertencem. Outro ponto de destaque é a seleção de caracteres em famílias de ampla distribuição, aqui exemplificado com a família Lauraccac. Segundo Metcalfe & Chalk (1950) c Richter (1987) alguns gêneros da famíla como Actinodaplme, Aiouea , Cinnamomum , Endlicheria , Laurus, Lindera , Persea, Phoebe, Plerothyrlum c Sassafrás apresentam placas de perfuração SciELO/JBRJ 12 13 14 15 16 17 cm .. 458 simples e escalariforme associadas. O gênero Nectandra, segundo esses autores, apresenta apenas placas de perfuração escalariforme. Trabalhos recentes em regiões tropicais brasileiras (Barros et al. 1997, 2001; Oliveira et al. 2001; Oliveira 2005) têm demonstrado que é comum a ocorrência da associação de placas de perfuração simples e escalariforme, de poucas barras, em Nectandra, como observado no presente trabalho. Esta seleção de caracteres, que são próprios das famílias, mas que se enquadram nas tendências ecológicas postuladas por Dickson (1989) e Wheeler & Baas (1991), provavelmente contribuem para os resultados encontrados e certamente auxiliam a compreensão da distribuição geográfica das espécies sob o ponto de vista da seleção de características importantes para a colonização de um dado bioma. Agradecimentos Os autores agradecem ao pesquisador Sebastião José da Silva Neto pelo auxilio na coleta dos indivíduos, além da valiosa colaboração no manuscrito, à técnica de laboratório Inês Cosme Neves Grillo, pela confecção das lâminas; ao CNPq, pela concessão de auxilio e bolsas de produtividade; à Petrobras, pelo patrocínio; à Fundação Botânica Margaret Mee, pela concessão de bolsa de apoio técnico e de nível superior, à UERJ/FAPERJ, pela concessão de bolsa PROCIÊNCIA e à FENORTE/ TECNORTE, pela concessão de auxílio. Referências Bibliográficas Alves, E. S. & Angyalossy-Alfonso, V. 2000. Ecological trends in the wood anatomy of some Brazilian species. 1. Growth rings and vessels. IAWA Journal 21(1): 3-30. . 2002. Ecological trends in the wood anatomy o! some Brazilian species. 2. Axial parcnchyma, rays and fibres. IAWA Journal 23(4): 391-418. Barros, C. F. et al. Baas, P. 1976. Some functional and adaptive aspects of vessel member morphology. 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Rodriguésia 57 (3): 443-460. 2006 .SciELO/ JBRJ 12 13 14 15 16 17 cm Aporte de Serrapilheira ao Solo em Estágios Sucessionais Florestais na Reserva Biológica de Poço das Antas, Rio de Janeiro, Brasil Jose Henrique Cerqueira Barbosa' & Sérgio Miana de Faria 2 Resumo (Aporte de serrapilheira ao solo em estágios sucessionais florestais na Reserva Biológica de Poço das Antas, Rio de Janeiro,Brasil) Foram definidos mosaicos de fitofisionomias temporais em sistemas tropicais de baixada localizados na REBIO de Poço das Antas, RJ - Brasil. A serrapilheira foi quantificada com coletas quinzenais e determinada sua concentração de nutrientes via fração foliar em intervalos bimestrais. A floresta avançada apresentou o maior aporte de 6,9 ± 1 , 1 ton ha"1 ano"1 total, o estágio intermediário com 5,5 ± 0,5 ton ha"1 ano"1 total e para o plantio 3 ± 0,7 ton ha"1 ano"1 total. As concentrações via serrapilheira (fração foliar) dos nutrientes N, P, K e Ca foram maiores com o uso de Mimosa bimucronala (DC.) O. Kuntze nos reflorestamentos, demostrando ser esta uma espécie de potencial elevado quanto ao conteúdo nutricional à recomposição de ecossistemas. Sua estratégia de renovação foliar ocorre sob o ritmo perenifólio, com maior contribuição na estação chuvosa e sincronizado a fase reprodutiva. A magnitude de transferência dos nutrientes na fração foliar para os estágios estudados segue a ordem de concentração: P < K < Mg < Ca < N < C. Não foram encontradas diferenças significativas quanto as concentrações de entrada dos nutrientes entre as estações nos estágios estudados. Palavras-chave: Serrapilheira, floresta tropical, Mata Atlântica, nutrientes e Mimosa bimucronala. Abstract (Litter-fall input on succssional forest gaps of temporal fitofisionoms on Biological Reserve of Poço das Antas, Rio de Janeiro, Brazil) Gaps of temporal fitofisionoms were defined on lowland tropical systems localized in the Biologic Reserve of Poço das Antas RJ - Brazil. The litter-fall was quantificated by each fifleen days and was detcrminatcd the nutrient concentration of foliar fraction each two months. The oldest forest had the major litter-fall, 6.9 1 1.1 ton ha"1 year1 total as the othcr fractions, when compared with the inlermcdiate age forest with 5.5 1 0.5 ton ha"1 year1 total. The plantation had the lowest values, 3.0 1 0.7 ton ha"1 year1 total. The foliar litter-fall concentration of N, P, K, Ca nutrients were bigger for Mimosa bimucronata (DC.) O. Kuntze crop, showing thcn the great ecosystems nutritional recomposition potential of this specie with foliar renovation strategy occurs under perenifolial rhythm, mostly in the rain season synchronized to the reproduction phase. The transfcrence rate of the nutrients in the studied foliar fraction follows this concentration order: P < K< Mg < Ca < N < C. Key words: Litter-fall, tropical forest, Atlantic Forest, nutrients. and Mimosa bimucronala. Introdução Compreender os processos dinâmicos que envolvem a matéria orgânica do solo entre diferentes estágios sucessionais florestais, representa de forma valiosa, investigar o complexo e necessário rumo a obtenção de medidas mitigadoras que atendam a relação custo x beneficio para os sistemas explorados e impactados sob diferentes graus de perturbação pelo “Homem Moderno” (Franco & Campello 1997). A utilização de técnicas de plantio é uma medida mitigatória e que devidamente estudada, pode atender a opção de baixo custo e ser ecologicamente funcional, visando a recuperação de áreas impactadas. A serrapilheira constitui-se de matéria orgânica de origem vegetal e animal que é depositada sobre o solo, sob diferentes estágios de decomposição, representando assim, uma forma de entrada e posterior incremento da matéria orgânica do solo. Artigo recebido em 02/2005. Aceito para publicaç3o em 01/2006. HjFRRJ - Instituto de Agronomia - Depto. Solos, km 47 da antiga rodovia Rio-Sflo Paulo, Itagual, RJ, 23851-970; josc- henrique.barbosa@mma.gov.br 2EMBRAPA/Agrobiologia, Cx. postal 74.505, km 47 da antiga rodovia Rio-S3o Paulo, Itagual, RJ, 23851-970, sdefaria@cnpab. SciELO/ JBRJ 12 13 14 15 16 17 cm .. 462 A matéria orgânica controla muitas das propriedades físicas, químicas e biológicas do solo, caracterizando-se como um fator-chave à manutenção de sistemas florestais e controle de processos erosivos, como o fornecimento de substâncias agregantes ao solo, determinando uma estrutura mais estável à ação das chuvas (Facelli & Pickett 1991). A acumulação de serrapilheira intercepta luz, sombreando sementes e plântulas e reduzindo a amplitude térmica do solo. Ao reduzir a tempertatura do solo e ao criar uma barreira à difusão do vapor d’água, a serrapilheira reduz a evaporação do solo. Ao contrário, pode também reduzir a disponiblidade de água, retendo uma considerável proporção de água da chuva que chegaria ao solo. Pode ainda impedir a chegada de algumas sementes e dificultar o crescimento de plântulas (Facelli & Pickett 1991). Florestas tropicais conseguem crescer em substratos pobres em nutrientes somente a partir da manutenção dos mesmos sob altos níveis de biomassa, através de mecanismos de conservação, produzindo um ciclo de nutrientes relativamente otimizador ou fechado com pequenas quantidades (Herrera et al. 1978). Florestas as quais crescem em substratos mais férteis, exibem ciclos de nutrientes mais dinâmicos (Baillie 1989). Plantios florestais ou recentes florestas secundárias, geralmente representam ecossistemas em crescimento na formação da taxa de entrada de nutrientes via decomposição da serrapilheira, suplementada pela deposição seca e úmida; necessárias para a manutenção do bioma (Bruijnzeel 1989 apKí/Bruijnzeel 1991). Os nutrientes entram no sistema através da chuva (deposição úmida), deposição de poeira, aerossóis e serrapilheira (deposição seca), pela fixação do nitrogênio por meio de microrganismos e exceto ao mesmo, pelo intemperismo de rochas. E a exportação, através da lixiviação (escorrimento superficial), volátil ização via combustão da Barbosa, J. H. C. & Faria. S. M. biomassa e tantas outras formas de erosão (Vitousek & Sanford 1986). O maior reservatório de nutrientes sobre o solo é a biomassa epígea (Andrade 1 997; Myers et al. 1994; Proctor 1987; Rosén 1990 e Schlittler 1990). Porém para biomas como o cerrado a maior biomassa se encontra como hipógea. Quando a entrada de nutrientes via serrapilheira localizados na fração foliar sob florestas que se apresentem a partir do estágio médio de recomposição vegetal, demonstra ser de menor conteúdo nutricional ao mesmo tempo que o solo apresenta menores estoques. E esperado que a vegetação realize uma economia de nutrientes como medida compensatória. Ou, exporte uma serrapilheira com características de maior velocidade de decomposição sobre o solo, a fim de tomá-los prontamente disponíveis, quanto mais avançado e complexo for o sistema. Numa outra visão, pode ser esperado que o material de menor velocidade de decomposição represente uma estratégia contra os processos lixiviadores dos nutrientes. Será que podemos até o momento analisar a superioridade ou a independência de um fator sobre o outro? A necessidade de associarmos e entendermos os efeitos sinergéticos demonstrados pela complexidade dos diferentes eventos dinâmicos que atuam na ciclagem biogeoquímica da matéria orgânica do solo, em especial à serrapilheira; pode ser compreendida como base na recuperação e manutenção de ecossistemas florestais, utilizada como diferentes estratégias mitigadoras implantadas em projetos conservacionistas e/ou de recuperação; a fim de permitir uma resposta mais rápida frente aos problemas potenciais de degradação, que rapidamente estão destruindo os ecossistemas do bioma Mata Atlântica sem um conhecimento prévio de parâmetros indispensáveis a seu adequado manejo. As formações vegetacionais de baixada na REBIO de Poço das Antas, representam um valioso centro de estudos para a Floresta Atlântica. Nesta área conservada e protegida, Rodriguésia 57 (3): 461-476. 2006 SciELO/JBRJ _2 13 14 15 16 17 cm Dinâmica da serrapilheira em fragmentos sucessionais de mala atlântica 463 a escolha dos fragmentos florestais se deu através dos pré-requisitos: a) atender de forma prática e segura a tomada dos resultados, b) representar estágios sucessionais florestais bastante característicos dos ecossistemas ameaçados do bioma mata atlântica e, c) ser protegida por legislação ambiental específica; representando assim sítios de estudos prioritários. Para averiguar a entrada de serrapilheira e seu conteúdo nutricional, foram determinados os objetivos: ( 1 ) Investigar a produção de serrapilheira total e de suas frações isoladas, como folhas, galhos, material reprodutivo e refugo e (2) Análise dos macronutrientes: C, N, P, K, Ca e Mg c relação C/ N na fração foliar da serrapilheira aportada. Material e Métodos Área cie estudo A área de estudo encontra-se na Reserva Biológica de Poço das Antas (REBIO), localizada no município de Silva Jardim (22°30' e 22°33'S, 42° 15' e 42°19’W), estado do Rio de Janeiro, com área de 5.267 ha (IBDF 1981), situada cm extensa planície. Os diferentes estágios florestais estudados perfazem juntos aproximadamente um terço da Reserva. Os fragmentos representam formações florestais secundárias de 40 anos c outra de 20 sob solo Hidromórfico cinzento álico textura argilosa - Glei I lúmico. E ainda como estágio inicial um campo antrópico com plantio misto de três anos sob solo aluvial álico textura argilosa, onde foi acompanhado o aporte específico de Maricá, Mimosa bimucronata (DC.) O. Kuntze Leguminosae Mimosoideac. Clima De acordo com a classificação de Thomthwaite ( 1 948), o clima é do tipo A’ B2, mcgatérmico, úmido, sem déficit hídrico; com índice de evapotranspiração potencial superior a 1 . 140 mm A’, umidade efetiva de 5 1 ,5 (B2) e o índice de aridez de 0,072 (r). A comunidade vegetal passa de janeiro até junho por excedente hídrico de 460 mm e 250 mm a partir de meados de agosto até dezembro. Nos meses de menor precipitação de junho a agosto, apesar da evapotranspiração real ser praticamente idêntica a evapotranspiração potencial, há retirada d’água de 23 mm no solo, havendo uma deficiência no mês de agosto, em que a prccipitação-evapotranspiração resultou cm um valor de (-17), alterando em 1 mm de evapotranspiração real. Estes Meses Figura I - Diagrama climático entre janeiro de 1987 a dezembro de 1997 (1 1 anos) da REBIO de Poço das Antas. Rodriguésia 57 (3): 461-476. 2006 SciELO/JBRJ 12 13 14 15 16 17 464 Barbosa, J. H. C. & Faria, S. M cm resultados sugerem um pequeno déficit hídrico nesse mês, sem estação seca definida, havendo uma reposição de 23 mm neste mesmo mês. O valor final da evapotranspiração potencial é de 1.378 mm e evapotranspiração real de 1.377 mm. Denotando-se um decréscimo na curva de precipitação no período de junho a agosto, o que não chega a ser considerado um período seco. mm Figura 2 - Balanço hídrico entre janeiro de 1987 a dezembro de 1997 (11 anos) da REBIO de Poço das Antas. Coletas de Serrapilheira Cinco coletores de serrapilheira com dimensões de 50 cm * 50 cm foram alocados aleatoriamente em três parcelas (25 m x 50 m), totalizando 15 para cada área. Após a coleta quinzenal o material foi seco em estufa a 70 °C durante 24 horas. Depois triado em galhos, folhas, material reprodutivo composto por: frutos, sementes e flores e por último o refugo (material < 2 mm de diâmetro de difícil identificação). Em seguida o material triado foi pesado e triturado em moinho tipo Wiley com malha < 2 mm de diâmetro. Análises Químicas A análise química através de digestão nitro-perclórica dos nutrientes presentes na fração foliar da serrapilheira, seguiu os métodos: P por espectrofotômetro de cor visível (Bataglia et al. 1983); K por fotometria de chama (Tedesco et al. 1985 apud Hungria et al. 1 994); Ca e Mg através de espectrofotômetro de absorção atômica (Bataglia et al. 1983); C, método de Combustão Seca, utilizado pelo Ministério da Agricultura (EMBRAPA - SNLCS 1979) e N, método semimicro de Kjeldahl (Jones 1991; Bataglia et al. 1983 & Bremmer 1965). As análises estatísticas foram realizadas com o auxilio do Programa SAEG 50 da Fundação Arthur Bernardes - UFV. Rodriguésia 57 (3): 461-476. 2006 SciELO/ JBRJ 12 13 14 15 16 17 Dinâmica da senapilheira em fragmentos sucessionais de mata atlântica Resusltados e Discussão Dados climáticos Abril de 1996 a março de 1997 - O mês de julho demonstrou a menor temperatura média, com 20,2°C e a menor pluviosidade de 33,9 mm foi registrada no mês de junho. Enquanto a maior média foi encontrada para o mês de fevereiro, 30,8°C e o maior índice pluviométrico de 476,6 mm em janeiro. A temperatura média de 25,4°C e o índice pluviométrico anual de 2.23 1 mm identificados no ano de estudo, não apresentaram diferença significativa quando comparado aos demais anos da série temporal de 10 anos entre abril de 1987 a março de 1 997, ao serem analisados pelo teste Tukey a 5% de significância, com a média pluviométrica de 2. 1 3 1 mm e temperatura média de 24,6°C. Demonstrando ser o ano estudado, um ano típico (Tabelas la e lb). Tabela la - Valores médios entre abril de 1996 a março de 1997 para temperatura mínima, média e máxima, bem como precipitação total. Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez Jan Fev Mar Anual média cv % °C minima 19.3 17.0 14.7 15.1 16.4 18.9 19.3 20.5 21.2 21.6 20.0 18,2+- 1,6 14,1 °C média 27.1 23.6 22.2 20.2 21.4 22.8 25.6 26.2 28.8 28.8 30.8 27.5 25,4 +-2,1 13,2 “C máxima 34.8 26.3 25.9 25.1 26.5 27.0 28.7 29.9 30.1 36.3 39.9 35.0 30,5 +-3,1 16 Total anual ppt 143.9 132.5 33.9 51.2 59.6 215.2 114.9 372.7 321 476.6 71.2 238.5 2.231,2 76,3 Valores médios anuais a partir de 12 repetições, erro-padrão (t- Studcnt) com p ^ 0,05 e cv % entre as temperaturas e precipitações mensais. Os valores assinalados indicam a mínima e a máxima encontradas. Valores médios anuais a partir de 1 0 repetições, erro-padrão (t- Student) com p <, 0,05 e cv % entre as temperaturas e precipitações anuais. Os valores assinalados indicam a mínima e a máxima encontradas. Tabela lb - Valores médios entre a série temporal de abril de 1987 a março de 1997 (10 anos) para temperatura mínima, média c máxima, bem como precipitação total média. Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez Jan Fev Mar Anual média cv % °C minima 20.1 17.0 14.7 14.5 15.1 16.4 18.9 19.3 20.5 21.8 22.2 21.3 18,5 +- 0,6 16,5 °C média 26.1 22.6 20.4 21.0 21.2 22.7 24.6 25.8 26.6 28.3 28.6 27.3 24,6 +- 0,7 13 °C máxima 30.9 26.3 25.9 25.1 26.5 27.0 28.7 29.9 30.1 34.5 35.5 32.6 29,4+- 1,4 13,9 Total anual média ppt 211.4 137.1 73.2 61.9 46.1 155.7 151.6 210.3 269.4 265.5 240.7 308.1 2.131,1+- 206 66,5 Aporte A quantificação da serrapilheira aportada ao solo foi verificada quanto aos valores separados por frações e estágios florestais, e os mesmos são apresentados na Tabela 2. Rodriguésia 57 (3): 461-476. 2006 Estimativa da média a partir de 15 amostras, seu erro-padrão (t - Studcnt) com p < 0,05 e teste Tukey a 5% de significância entre os estágios. Letras diferentes indicam diferença significativa e cv % entre os estágios para cada fração através da Anova. SciELO/JBRJ 12 13 14 15 16 17 cm .. Barbosa, J. H. C. & Faria. S. M. Tabela 2 - Aporte de serrapilheira em kg ha'1 ano'1 para os diferentes estágios sucessionais durante abril de 1996 a março de 1997, na REBIO de Poço das Antas. BIOMASSA - SERRAPILHEIRA Área Idade Folhas Galhos Material Reprodutivo (flores, frutos e sementes) Refugo Aporte Total Anos Kg ha ' ano'1 FLORESTA 40 4.980,0 ± 649,5 a 1.255,8 ± 399,1a 328,2± 119,2 b 310,2 ± 94,5 a 6.874,3 ± 1.070,8 a FLORESTA 20 3.645,0 ± 368,8 b 987,2 ± 320,2 a 634 J ± 200,2 a 212,7 ± 36,4 b 5.479,2 ± 520,5 b PLANTIO 3 2.192,4 ± 507,4 c 504,4 ± 114,6b 81,7 ± 25,7c 247,0 ± 167,4 a 3.025,5 ± 738,4 c CV% 25,5 18,9 44,1 22,5 29,1 Pela Tabela 2 verifica-se que as contribuições para as diferentes frações retomadas ao solo via serrapilheira em % e biomassa para a floresta avançada foram: 72.4 /o (4.980,0 kg ha'1 ano'1) para a fração foliar, 18,3% (1.255,8 kg ha1 ano ') galhos. 4,8% (328,2 kg ha-1 ano1) material reprodutivo e 4,5% (310,2 kg ha'1 ano1) refugo. O aporte total foi de 6.874,3 kg ha'1 ano1, com maior aporte foliar sincronizado à fração reprodutiva e estação chuvosa, conforme é demonstrado na figura 3. o c (0 CU -c D) g Total | Folhas li! Galhos 0 Material Reprodutivo □ Refugo dePoço am^ço de ba'Xada (4° anos) na REBI° Rodriguésia 57 (3): 461-476. 2006 SciELO/JBRJ 12 13 14 15 16 17 cm Dinâmica da serrapilheira em fragmentos sucessionais de mata atlântica 467 As contribuições em % e biomassa para as diferentes frações do folhedo na floresta intermediária foram: 66,5% (3.645,0 kg ha'1 ano1) para a fração foliar, 18% (987,2 kg ha'1 ano1) galhos, 1 1,6% (634,3 kg ha^ano'1) material reprodutivo, 3,9% ( 2 1 2,7 kg ha'1 ano1) refugo e com o aportado total de 5.479,2 kg ha‘ 1 ano1. A maior contribuição foliar antecedeu a maior contribuição da fração reprodutiva e após o período de seca (Fig. 4). o c m O) JC 800 750 700 650 600 550 500 450 400 350 300 250 200 150 100 50 0 § Total ■ Folhas M Galhos A M J J A S O N D Meses J / F / M/ 97 97 97 Figura 4 - Aporte de serrapilheira em kg ha-1 mês-1 entre as diferentes frações cm Floresta de Baixada (20 anos) na REBIO de Poço das Antas durante abril de 19% a março de 1997. As contribuições em % e biomassa em reflorestamento de Mimosa bimucronata às frações obtiveram: 72,5% (2. 1 92,4 kg ha'1 ano1) para a fração foliar, 16,7% (504,4 kg ha'1 ano1) galhos, 2,7% (81,7 kg ha'1 ano1) material reprodutivo e 8,2% (247,0 kg ha'1 ano1) para folhas de outras espécies associadas ao plantio de Mimosa bimucronata ; o total aportado foi de 3.025,5 kg ha'1 ano1, com fenologia do aporte similar à floresta avançada, onde o maior aporte está sincronizado à estação reprodutiva e chuvosa (Fig. 5). A produtividade em diferentes regiões do globo foi até o presente, vastamente estudada e enfocada por diversos autores, Rodriguésia 57 (3): 461-476. 2006 mas muito pouco levando-se em conta os diferentes estágios sucessionais em uma mesma fitofisionomia. Em todos os estágios estudados a contribuição da fração foliar encontrada na serrapilheira anual, demonstrou proporções próximas a 70% do total aportado. O mesmo foi encontrado em outras florestas tropicais por (Andrade 1997; Brina et ai. 1998; Dias 1997; Klinge & Rodrigues 1968; Linera & Tolome 1996; Mello & Porto 1994; Morellato 1987; 0’Neill & De Angelis 1980; Prazeres et ai. 1998; Sanchcz & Sada 1993; Vcneklaas 1991, entre muitos outros). !scíelo/jbrj 12 13 14 15 16 17 cm 468 Quando analisadas correlações de precipitação e temperatura com o valor aportado sobre o solo às diferentes frações, bem como o total de serrapilheira; os resultados demonstram que os sistemas Barbosa, J. H. C. & Faria. S. M. em expansão respondem mais a precipitação quando comparados ao sistema avançado, enquanto este último, é mais influenciado pela temperatura (Tabela 3). Tabe,a 3 - Correlações de precipitação e temperatura média às diferentes frações e total de serrapilheira aportada ao solo. Correlações para a Floresta Avançada (40anos) Precipitação mensal Aporte mensal Correlação Total 0,17 Folhas 0,09 Galhos 0,33 Material Reprodutivo Refugo °.07 o,33 Temperatura média Correlação 0,22 0,21 0,2 0,27 0,08 Correlações para a Floresta Intermediária (20anos) Precipitação mensal Aporte mensal Correlação Coef. Det. % Regressão y = Total Folhas 0,48 61 234,35+ 1,07 x Galhos 0.59 o,78 35 62 189.08 + 0.51 x 29 - ^vaaviHyvss liam U V.HIIIIHI AfirrAninn Dl Al _ Folhas Material Reprodutivo Refugo 0.55 0,56 A partir da interpretação concomitante dos dados climáticos e da produtividade de serrapilheira em áreas de baixada na REBIO de Poço das Antas, é proposto o conceito de que a maior queda das folhas ocorre regulada pela menor oferta de água para a vegetação. Ou seja, como é na estação inverno (entre os meses de maio a agosto) que o índice pluviométrico é o menor quando comparado as demais estações do ano, a vegetação uma vez exposta a períodos secos prolongados, por necessitar de um recurso que se toma escasso, acaba por permitir a abcisão foliar, representando assim uma estratégia para minimizar a menor disponibilidade de água, já que com menos folhas a necessidade de água para a vegetação acaba por ser menor. Sanchez & Sada (1993) estudando a Floresta Tropical localizada em áreas de baixada no México encontraram a maior queda das folhas sincronizada ao período de menor pluviosidade para a estação outono. Já na Rodriguésia 57 (3): 461-476. 2006 SciELO/JBRJ 12 13 14 15 16 17 cm Dinâmica da serrapilheira em fragmentos sucessionais de mata atlântica 469 Floresta da Tijuca, RJ - Brasil, (Oliveira et. al. 1993) ao estudarem a queda de folhas, identificaram dois picos de produção de serrapilheira como sendo os meses de junho e julho na estação inverno e dezembro e fevereiro na estação verão, ambos como o período sincronizado a menor taxa pluviométrica. Dias (1997), encontrou na Floresta Estacionai Semidecídua Montana localizada em Lavras, MG - Brasil, a maior produtividade de serrapilheira à estação primavera, enquanto Leitão-Filho (1993), ao estudar a Mata Atlântica de Cubatão, SP - Brasil, determinou como período, o verão; períodos estes também sincronizados aos meses de menor pluviosidade nas regiões estudadas. § Total ■ Folhas 111 Galhos H Material Reprodutivo □ Outras spp o c m N £ O) JC Figura 5 - Aporte de serrapilheira em kg ha'1 mês1 entre as diferentes frações em Campo Antrópico (3 anos), na REBIO de Poço das Antas durante abril de 1996 a março de 1997. Teor dc nutrientes da serrapilheira Foram detectadas para o plantio maiores concentrações médias anuais em g kg'1 de N (14,95 ± 0,95), P (0,9 ± 0,1), K (5,5 ± 0,5) e Ca (21,0 ± 6,7), e maiores na estação chuvosa. Já o Mg apresentou maiores concentrações em valores absolutos à floresta avançada na estação seca (2,5 ± 0,2). A magnitude da transferência dos nutrientes encontrados na fração foliar aos estágios florestais, seguiu a relação de concentração: P < K < Mg < Ca < N < C, (Tabela 4). As concentrações de C, N, P, K c Mg não demonstraram diferenças significativas a todos os estágios entre as estações. Sendo o Ca diferente apenas no plantio (maior na chuvosa), devido a elevada variação dos valores encontrados nas repetições. O P apresentou a menor concentração entre todos os nutrientes averiguados. Rodriguésia 57 (3): 461-476. 2006 SciELO/JBRJ 12 13 14 15 16 17 cm 470 Barbosa, J. H. C. & Faria, S. Aí Tabela 4 - Comparações dos nutrientes estudados e dentro às diferentes estações. na serrapilheira (fração foliar) entre os estágios CONCENTRAÇÃO FOLIAR em g. kg '* SISTEMA IDADE ANOS Média Anual ± Erro Padrão CV % ESTAÇÕES SECA CHUVOSA Carbono Floresta Avançada 40 497,62 ±5,53 a 22 Floresta Intermediária 20 497,92 ± 4,75 a | 9 Rcflorestamcnto 3 501,13 ±7,99 a 3>2 490.5 ± 9,0 499,8 ± 3,4 512.6 ±6,2 NS NS NS 504.7 ± 3,6 496,1 ±29,5 489.7 ±20,9 Nitro gênio Floresta Avançada 40 1030 ±0,39 b 7 8 Floresta Intermediária 20 10,67 ±0,72 b 135 Rcflorestamcnto 3 14,95 ±0,95 a 12,7 10,1 ± 0,6 10,7 ±2,1 14,1 ± 2,8 NS NS NS 10,0 ±1.7 10.7 ±0,4 15.8 ±3.9 a N Floresta Avançada 40 50,00 ±2,00 a 80 Floresu Intermediária 20 47,00 ± 3,00 a 135 Reflorestamento 3 34, 00 ± 2,00 b 13’4 49.0 ± 3,0 47.0 ± 9,0 37.0 ± 7,0 NS NS NS 51.0 ±8.0 46.0 ±4,0 31.0 ±7,0 > Floresta Avançada 40 030 ± 0 b i00 Floresta Intermediária 20 0, 40 ± 0,10 b 40’0 Reflorestamento 3 0.90 ±0,10 a 2SJ 0,5 ± 0 03 ±0.1 0,8 ± 0,4 NS NS NS 03 ±0,2 03 ±0,4 1,0 ±0,6 1 ( Floresta Avançada 40 2,42 ± 0,32 b 26 3 Floresu Intermediária 20 1,89 ± 0,36 b 38 6 Reflorestamento 3 5,46 ± 0.51 a 18 8 2,7 ± 1,1 23 ± 1,8 23 ±1,7 NS NS NS 23 ±0.4 1.6 ±0.4 5.7 ±1,7 C a Floresu Avançada 40 8,30 ± 1,20 b 29 1 Floresu Intermediária 20 6>6i ± 0,84 b 25 4 Reflorestamento 3 21,03 ±6,66 a 28 2 83 ± 1,2 6,6 ± 2,0 20,4 ± 4,6 NS NS S 83 ±U 6,7 ±13 21,6± 243 M 8 Floresu Avançada 40 230 ±0,20 a n>8 Floresu Intermediária 20 2 30 ± 0,10 a 84 Reflorestamento 3 2,20 ± 0,10 a 6J 2.7 ± 0,3 23 ± 0.5 23 ± 0,4 NS NS NS 2,4 ±0,6 2,4 ±0.5 23 ±0,1 Estimativa da média ± seu erro padrão (t - Student com n < n nsi „ o / „ . tCSte ■ 5 % * -^5. = J 0S esilSSe" rir S„Va8 ‘ Rodriguêsia 57 (3): 461-476. 2006 SciELO/JBRJ 12 13 14 15 16 17 cm Dinâmica da serrapilheira em fragmentos sucessionais de mata atlântica Concentrações anuais dos nutrientes retornados ao solo As concentrações anuais encontradas para o N em ambos os estágios florestais, foram maiores que a encontrada no plantio com (32,9 ± 7,6 kg ha'1 ano1), sendo o N, com exceção do C, o nutriente de maior aporte ao solo via fração foliar quando comparado aos demais nutrientes, seguido logo após pelo Ca. O plantio apresentou maiores aportes anuais em P, K e Ca quando comparado a floresta intermediária. Os totais aportados de C, N e Mg são maiores nos estágios florestais quando comparados ao plantio. Menor deposição de K na floresta intermediária entre todos os estágios, e maiores na floresta avançada para N, P, Ca e Mg, (Tabela 5). Anualmente, são depositados via serrapilheira na floresta de baixada avançada, cerca de 49,8 kg ha'1 de N, 41,3 kg ha'1 de Ca, 12,0 kg ha'1 de K, 12,5 kg ha'1 de Mg e 2,4 kg ha'1 de P. Para a floresta em estágio intermediário foram encontrados 39,0 kg ha'1 de N, 24,1 kg ha'1 de Ca, 6,9 kg ha'1 de K, 8,4 kg ha'1 de Mg e 1,4 kg ha' 1 de P. Já para o plantio de Mimosa bimucronata, 32,9 kg ha'1 de N, 38,1 kg ha'1 de Ca, 12,1 kg ha'1 de K, 4,8 kg ha'1 de Mg e 1,9 kg ha'1 de P. Tabela 5: Aporte ao solo via serrapilheira (fração foliar) em kg ha'1 ano-1 em diferentes estágios sucessionais encontrados na REBIO de Poço das Antas. APORTE AO SOLO VIA FRAÇÃO FOLIAR EM kg ha^ano'1 ÁREA C N P K Ca Mg (N + P+K + Ca + Mg) FLORESTA (40 anos) 2.478,0+- 308,3 49,8+- 6,2 2,4 +- 0,3 12,0+- 1,5 41,3 +-5,1 12,5+- 1,5 118 FLORESTA (20 anos) 1.814,8+- 183,6 39,0 +-3,9 1,4 +- 0,1 6,9 +- 0,7 24,1 +- 2,4 8,4 +- 0,8 80 PLANTIO (3 anos) 1.098,6+- 254,3 32,9+- 7,6 1,9 +- 0,4 12,1 +-2,8 38,1 +- 8,8 4,8 +- 1,1 90 Médias a partir de 18 repetições e erro-padrão (t - Student) com p < 0,05. Quando comparadas as porcentagens entre os diferentes nutrientes averiguados na deposição foliar da serrapilheira para cada um dos estágios estudados, conforme apresentado nas Figura 6, verificou-se que: o N apresenta maior retorno na floresta intermediária com 48%. O P com 2% em todos os estágios, demonstrando ser o nutriente mais limitante. K e Ca, 13 e 43 % respectivamente, ambos maiores no plantio, enquanto o Mg com 1 1% Rodriguésia 57 (3): 461-476. 2006 cm ambos os estágios florestais. Acredita-se a partir destes resultados que o plantio apresenta a menor eficiência quanto a absorção foliar dos nutrientes, caracterizando- se como o sistema mais “aberto” quanto a ciclagcm de nutrientes quando comparado aos demais estágios. E que entre os estágios florestais, a floresta intermediária é a mais eficiente, demonstrando ser este o sistema mais “fechado”. SciELO/JBRJ 12 13 14 15 16 17 cm .. 472 Floresta Avançada 10% 2% 42% Floresta Intermediária 48% Campo Antrópico - Plantio K P 13% 2% Figuras 6 - Porcentagens de retomo ao solo para os nutrientes averiguados na fração foliar para as florestas avançada, intermediária e campo antrópico. Barbosa, J. H. C. & Faria, S. M. Eficiência na utilização dos nutrientes Neste estudo somente a concentração de Mg não foi verificada maior em Mimosa bimucronata quando comparada a encontrada nos estágios florestais. A concentração deste nutriente está relacionada aos pigmentos clorofilados, conotando uma maior produtividade primária em sistemas iniciais. Entretanto isto não foi verificado, o que pode estar relacionado a uma maior concentração deste elemento nas folhas dos estágios florestais, uma vez que a análise química se reportou a mistura de folhas de diferentes espécies, aumentando seu conteúdo nutricional quando comparado especificamente ao encontrado em Mimosa bimucronata, em valores absolutos; já quando comparada a concentração média entre os diferentes estágios, não foi verificada diferença significativa. É de se esperar que estágios florestais secundários apresentam menores fluxos quanto às concentrações de entrada de nutrientes; a partir de uma maior eficiência econômica. Uma vez que através de uma maior biomassa epígea conseguem retranslocar e armazenar maiores concentrações entre os diferentes nutrientes antes da abscissão foliar (Vitousek 1984). Os índices de eficiênica no retomo de nutrientes ao solo são apresentados como a relação entre a quantidade de serrapilheira produzida e a quantidade de nutrientes nela contida, (Moraes 1993). Quando o índice apresenta-se menor, indica uma menor eficiência econômica na utilização desses nutrientes pela comunidade vegetal. O maior índice de eficiência para o N (100), foi encontrado na floresta avançada, seguido pela floresta intermediária com 93 e por último o plantio com 67, enquanto ao analisarmos N + P + K + Ca + Mg, o melhor índice é apresentado pela floresta intermediária com 46, seguido pela floresta avançada com 42 e o plantio com 24. Na estação chuvosa, o estágio intermediário encontra-se encharcado, o que acaba por contribuir para o aumento da Rodriguésia 57 (3): 461-476. 2006 SciELO/JBRJ 12 13 14 15 16 17 Dinâmica da serrapilheira em fragmentos sucessionais de mata atlântica 473 dissolução e da concentração de nutrientes em seu solo de caráter oligotrófico. E a partir de um maior esforço reprodutivo, determina assim uma estratégia em alocar nutrientes na própria biomassa vegetal quando se prepara para um aumento de sua biomassa favorecido também pelo baixo potencial de exportação de nutrientes. Desta forma é explicado seu maior índice de eficiência nutricional, conforme é demonstrado na tabela 6. Tabela 6 - índice de eficiência na serrapilheira (fração foliar) entre os estágios florestais para os nutrientes averiguados. índice de Eficiência na Serrapilheira - Fração Foliar (ton. ha'1 ano'1 de Serrapilheira / kg ha1 ano'1 de Nutrientes) Área C N P K Ca Mg Exceto C Floresta Avançada 2 100 2075 415 121 398 42 Floresta Intermediária 2 93 2604 528 151 434 46 Plantio 2 67 1154 181 58 457 24 Conclusões De acordo com os resultados observados conclui-se que: A estratégia da renovação foliar ocorre sob o ritmo pcrcnifólio, seu aporte ao solo se dá de forma ininterrupta aos estágios de baixada estudados, sendo maiores na estação chuvosa e sincronizado a fase reprodutiva para a espécie Mimosa bimucronata. Quando o fenômeno da falta d’ água expõe a vegetação a um possível estresse hídrico, caracteriza-se o evento mais responsável e influenciador da queda de folhas nas florestas tropicais. A floresta avançada apresentou o maior aporte total, 6,9 ± 1,1 ton ha •' ano ', quando comparada ao estágio intermediário com 5,5 ± 0,5 ton ha •' ano '' e 3,0 ± 0,7 ton ha •' ano ' 1 para o plantio. A fração folhas obteve um maior aporte, seguida das frações galhos, material reprodutivo e refugo respcctivamcntc em kg ha •' ano ■' em todos os estágios. Não foi encontrada diferença significativa à composição nutricional na fração foliar da serrapilheira entre as estações a todos os estágios. As concentrações totais anuais médias de entrada dos nutrientes C, N e Mg em florestas avançada c intermediária são ambas maiores que as encontradas no plantio, enquanto para P, K. e Ca (em kg ha'1 ano1) foram encontradas menores na floresta intermediária. A magnitude de transferência aos estágios intermediário e avançado segue a ordem de concentração: P < K. < Mg < Ca < N < C, enquanto para o plantio, K > Mg. As concentrações de entrada dos nutrientes: C, N, P, K c Ca em g kg '' de serrapilheira (fração foliar) no estágio inicial com o uso de Mimosa bimucronata demonstraram-se elevadas, e esta planta como uma espécie favorável a recomposição de áreas degradadas, caracterizando-se como de potencial elevado às taxas utilizadas na expansão de sistemas. Em virtude de sua relação C/ N, seu conteúdo nutricional, através da decomposição é liberado de forma mais lenta. Rodriguèsia 57 (3): 461-476. 2006 .SciELO/ JBRJ 12 13 14 15 16 17 cm .. 474 Comparações do aporte total e foliar demonstraram a floresta avançada com o maior índice de eficiência de nutrientes para o nitrogênio. Enquanto que a floresta intermediária provavelmente através de sua estratégia reprodutiva, aloca os nutrientes na biomassa e minimiza “as perdas” através de seu alto índice de eficiência na exportação dos demais nutrientes via serrapilheira. Agradecimentos Agradecemos a CAPES pela concessão da bolsa de mestrado; a EMBRAPA por disponibilizar suas dependências para moagem e análises químicas do material, ao Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro em especial à pesquisadora Tânia Sampaio por disponibilizar o Laboratório de Sementes para triagem, secagem e pesagem do material, ao IBAMA por autorizar as coletas na REBIO de Poço das Antas - RJ e aos senhores Fortunato F. Barbosa, Joaquina de S. C. Barbosa e Fabiano C. Barbosa pelo incentivo na condução deste trabalho. Referências bibliográficas Andrade, A. G. 1997. Ciclagem de nutrientes e arquitetura radicular de leguminosas arbóreas de interesse para revegetaçâo de solos degradados e estabilização de encostas. Tese de Doutorado. Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, Seropédica, 165p. Baillie, I. C. 1989. Soil characteristics and mineral nutrition of tropical wooded ecosystems. In: Proctor, J. (ed). 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Rodriguésia 57 (3): 461-476. 2006 cm l SciELO/JBRJ 12 13 14 15 16 17 cm Plantio de espécies arbóreas nativas para a restauração ECOLÓGICA NA RESERVA BlOLÓGICA DE POÇO DAS ANTAS, Rio de Janeiro, Brasil Luiz Fernando Duarte de Moraes', José Maria Assumpção1, Cíntia Luchiari & Tânia Sampaio Pereira 3 Resumo (Plantio de espécies arbóreas nativas para a restauração ecológica na Reserva Biológica de Poço das Antas, Rio de Janeiro, Brasil) O plantio de espécies arbóreas nativas tem por objetivo acelerar a regeneração natural durante o processo de restauração de áreas degradadas. Este estudo apresenta a avaliação de 26 espécies plantadas nas áreas de baixada da Reserva Biológica de Poço das Antas, no município de Silva Jardim, RJ. Foram avaliados três plantios, com áreas variando de 0,64 a 1,17 ha. O modelo sucessional utilizado se baseou na separação das espécies em três grupos funcionais: pioneiras e secundárias iniciais, como sombreadoras, e secundárias tardias, como sombreadas. Para avaliar o desempenho das espécies, foi feito o monitoramento da adaptabilidade (taxa de sobrevivência) e do desenvolvimento (altura e diâmetro à altura do solo - DAS) das mudas plantadas. Todas as espécies de estágios iniciais utilizadas mostraram bom desempenho quanto à taxa de sobrevivência e desenvolvimento, com destaque para os valores de altura média apresentados por Citharexylum myrianthus, Schinus terebinthifolius e Trema micrantha. Após o estabelecimento das espécies sombreadoras, as tardias foram claramente favorecidas, como observado em Calophyllum brasiliense, Copaifera langsdorffii e Guarea guidonia. As espécies tardias Jacaratia spinosa e Plathymenia foliolosa apresentaram, desde o início, crescimento similar ao proporcionado pelas espécies de estágios iniciais, e podem ser classificadas como espécies pioneiras antrópicas. O modelo de plantio utilizando espécies autóctones arbóreas testado neste trabalho teve um excelente desempenho, e têm grande potencial para restabelecer processos ecológicos nas áreas degradadas da Reserva Biológica de Poço das Antas e em áreas vizinhas com características semelhantes. Palavras chave: Restauração ecológica, floresta atlântica, regeneração natural, sucessão secundária. Abstract (Native tree spccies planting for restoration at Poço das Antas Biological Reserve, Rio de Janeiro, Brazil) Mixed plantations of indigenous tree species aims to catalyze forest regeneration in the ecological restoration of degraded arcas. This work analyzes the performance of 26 tree species planted in the lowland areas at the Reserva Biológica de Poço das Antas, in Silva Jardim municipality, Rio de Janeiro State, Brazil. Three experimental plantings, with áreas ranging from 0.64 to 1.17 ha were evaluated. A successional planting model divided spccies into four functional groups: pioneers and early secondaries (shading spccies), and late secondaries and climax (shaded species). In order to evaluate the performance of the species, we evaluated survival rate and development (growth rate and diameter at the plant base - DAS) of the secdlings planted. All the early species used had a good performance, both for the survival and growth rates, espccially Citharexylum myrianthus, Schinus terebinthifolius and Trema micrantha. After early species shaded the degraded site, late spccies grew faster, as could be observed for Calophyllum brasiliense, Copaifera langsdorffii and Guarea guidonia, suggesting the successional model is cfTcctivc in accelerating Forest regeneration. Jacaratia spinosa and Plathymenia foliolosa are late species which showed fast growth, as early spccies do, and may be classified as anthropogenic pioneer species. The model using indigenous tree spccies showed an exccllent performance, both for survival and growth rates, and have a great potcntial to restablish ecological processes in degraded arcas at the Reserva Biológica de Poço das Antas and in similar arcas surrounding. Key words: Restoration ecology, atlantic rain forest, natural regeneration, secondary succcssion. Artigo recebido em 03/2005. Aceito para publicação cm 1 1/2005. 'IBAMA - Instituto Brasileiro de Meio Ambiente c Recursos Naturais Renováveis, Rod. BR 465, km 3,5, Scropédica, RJ, 23890-000. luiz.moraes@ibama.gov.br :lnstituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Horto Florestal. Rua Pacheco Leão, 2.040, Rio de Janeiro, RJ, 22460-030.jmaria@jbij.gov.br 'Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Rua Pacheco Leão, 915, Rio de Janeiro, RJ. 22230-030. tpcreira@jbrj.gov.br SciELO/JBRJ 12 13 14 15 16 17 cm i 478 Introdução O bioma Mata Atlântica, com sua alta biodiversidade, encontra-se entre os mais ameaçados do mundo (Mittermeicr et a 1 1 999), tem a sua degradação diretamente relacionada com o processo de ocupação adotado pelos colonizadores europeus (Dean 1996). A ação antrópica mais devastadora para a floresta atlântica se caracterizou pelo processo de fragmentação, onde extensas áreas florestais foram convertidas em áreas urbanas, industriais e agrícolas. Seguindo um padrão observado para os trópicos, atualmente, extensas áreas são cobertas por pastagens, em sua maioria manejadas inadequadamente, ou mesmo abandonadas, significando uma drástica redução na fertilidade do solo (Aide et al. 1996). Em muitos casos, só a intervenção humana consegue converter essas pastagens novamente cm florestas (Florentine & Westbrooke 2004). O restabelecimento de florestas nativas nessas áreas requer, portanto, a aplicação simultânea de princípios ecológicos e práticas silviculturais sustentáveis (Knowles & Parrotta 1995). Para o estado do Rio de Janeiro há o registro de cerca de 17% de remanescentes do bioma mata atlântica, localizados nas regiões sul (a partir de Paraty, passando por Angra dos Reis, Mangaratiba até Rio Claro) e serrana, em áreas protegidas, tais como a Reserva Biológica de Tinguá, o Parque Estadual do Desengano e o Parque Nacional da Serra dos Órgãos (Fundação SOS Mata Atlântica & INPE 2001). As Florestas Ombrófilas Densas Submontanas, ou Matas de Baixada, dispostas ao longo da costa fluminense, foram igualmente submetidas a um severo processo de fragmentação, sendo que os poucos remanescentes desse ecossistema são verdadeiras ilhas de floresta circundadas por extensas pastagens, o que dificulta c mesmo impede sua expansão. Trabalhos de fotointerpretação indicam que quase metade da área do estado é coberta por pastagens (Fundação CIDE 2001). Moraes. L. F. D. et al. A Reserva Biológica de Poço das Antas (RBPA) é um dos exemplos mais ilustrativos dessa situação. Criada em 1974 para proteger populações selvagens de mico-leão-dourado ( Leontopithecus rosalia L.); a RBPA tem cerca de 40% de sua área cobertos por vegetação graminóide (Lima et al. 2006), em sua maioria originada de pastagens abandonadas, formadas em grande parte por gramíneas exóticas, competidoras eficientes e agressivas em relação às espécies nativas. Estas características facilitam a ocorrência de incêndios e dificultam a regeneração da floresta (D’Antonio & Vitousek 1992). Os remanescentes de Floresta Ombróflla, em diversos estágios sucessionais, não têm sido suficientes, por sua vez, para garantir a regeneração nas áreas cobertas por gramíneas e o aumento da área florestada da RBPA. As principais barreiras para a regeneração natural são um banco de sementes no solo pobre, fontes de propágulos distantes ou de baixa diversidade vegetal, ausência de dispersores, infestação por plantas invasoras e um sitio com reduzida fertilidade de solo, ou mesmo a interação entre alguns desses fatores (Cordeiro & Howe 2001, Guariguata & Ostertag 2001, Florentine & Westbrooke 2004). A existência do ciclo ‘gramínea-fogo”, entretanto, parece ser a principal barreira para a regeneração natural das áreas degradadas da RBPA. Esse cenário estimulou pesquisadores a investigarem vários aspectos relacionados à dinâmica do processo de sucessão secundária na RBPA, a fim de subsidiar propostas para a conservação desses remanescentes (Guedes-Bruni 1998, Vieira & Pessoa 2001, Lima et al. 2006). A principal ação conservacionista subsidiada por esses estudos foi a instalação de plantios experimentais de espécies arbóreas nativas, em modelos consorciados, cujos resultados já foram parcialmente apresentados (Moraes et al. 2002; Moraes & Pereira 2003). Os plantios de espécies arbóreas nativas na restauração de áreas degradadas foram Rodriguèsia 57 (3): 477-489. 2006 SciELO/JBRJ 12 13 14 15 16 17 Plantio na Rebio de Poço das Antas 479 adotados para aumentar a probabilidade de ocorrer a sucessão secundária, ou mesmo para acelerar o processo (Parrotta et al. 1997). Os plantios constituem ferramenta eficiente de regeneração artificial para a recuperação da forma e da estrutura do ecossistema (Kageyama et al. 1992a), mas antes deve-se entender quais são as barreiras para que a regeneração natural ocorra e como ela se instalaria sem intervenções antrópicas (Sayer et al. 2004). O estabelecimento de espécies nativas lenhosas pode facilitar a restauração, seja pela dispersão de propágulos (Holl et al. 2000, Silva 2003b) ou pelo sombreamento das gramíncas invasoras (Parrotta et al. 1997, Holl et al. 2000). A restauração ecológica busca reencontrar a estabilidade e integridade biológica para um ecossistema degradado (Engel & Parrotta 2003), não definindo previamente um ecossistema "produto , até porque os rumos da sucessão secundária são imprevisíveis. Os plantios de espécies arbóreas nativas são hoje uma importante ferramenta para a restauração de áreas degradadas, e devem servir como catalisadores da sucessão ecológica (Parrotta et al. 1997), exercendo, por exemplo, a função de atrair a fauna dispersora através do uso de espécies com dispersão zoocórica (Holl et al. 2000, Reis & Kageyama 2003, Silva 2003b). A elaboração de modelos para a distribuição de mudas no campo se deu através da evolução no conhecimento sobre a dinâmica das florestas tropicais, em especial o processo de sucessão secundária (Budowski 1965, Gómez-Pompa 1971). As respostas ccollsiológicas das espécies arbóreas durante a cicatrização das clareiras abertas naturalmcnte permitiu a sua separação em grupos ecológicos (Budowski 1965, Dcnslow 1980, Martinez-Ramos 1985). Os modelos de plantio que separam as espécies cm grupos funcionais, chamados de modelos sucessionais, tém otimizado o potencial das espécies plantadas na restauração das áreas degradadas (Kageyama et al. 1992b). Rodriguésia 57 (3): 477-489. 2006 O processo de regeneração pode ser acelerado pelo plantio de árvores isoladas ou em consórcio, encurtando o tempo para o aumento da diversidade vegetal local, ao atrair fauna dispersora tanto pela oferta de frutos quanto para empoleiramento (Toh et al. 1 999, Petcrson & Haines 2000, Silva 2003b). A relação planta-animal deve ser utilizada como ferramenta para aumentar naturalmente a diversidade vegetal com a chegada de sementes de outras espécies trazidas por dispersores (Wunderlce 1997, Silva 2003b). Além do uso do conhecimento acumulado sobre a dinâmica das florestas tropicais, é preciso, antes de definir pela ação restauradora, identificar o grau de degradação do ecossistema, o histórico de uso do solo e o que efetivamente está impedindo que o sítio degradado regenere naturalmente (Engel & Parrotta 2003). Para a restauração em larga escala é fundamental, portanto, envolver os produtores c proprietários de terras. Plantios mistos de espécies nativas podem, além de estimular e reter a restauração da biodiversidade, funcionar como fonte de renda para pequenos proprietários rurais, (Bawa & Seidler 1998; Lcopold etal. 2001). O presente trabalho tem por objetivo avaliar a eficiência do plantio de espécies arbóreas autóctones na restauração de áreas degradadas na Reserva Biológica de Poço das Antas, através do monitoramento da adaptabilidade (taxa de sobrevivência) e do desenvolvimento (altura e diâmetro à altura do solo - DAS) de mudas plantadas em modelos sucessionais. Material e métodos Área de estudo A Reserva Biológica de Poço das Antas (5.160 ha) está localizada na região costeira central do estado do Rio de Janeiro, em área de ocorrência de uma formação florestal denominada Mata Atlântica de Baixada. As duas principais unidades geomorfológicas da Reserva são as várzeas (temporária ou permanentemente inundadas), SciELO/JBRJ 12 13 14 15 16 17 cm .. Moraes, L. F. D. et al. onde predominam Neossolos flúvicos, e os morrotes, com altitudes de até 200 m e predominância de Argissolos. O clima local é quente e úmido (Aw, de acordo com a classificação de Kõppen), com uma precipitação anual média de aproximadamente 1.900 mm1, bem distribuídas ao longo do ano, com uma leve estação seca entre os meses de maio e agosto. Plantios experimentais Todos os plantios foram feitos com espaçamento 2 x 2 m, em áreas de baixada, implicando em uma densidade de 2.500 mudas/ ha, divididas em grupos ecológicas (Tab. 1) e distribuídas no campo conforme esquema apresentado na Figura 1. O preparo da área incluiu a eliminação mecanizada (uma aração e uma gradagem) da vegetação invasora - associação entre Panicum maximum Jacq. (capim-colonião) e Brachiaria mutica (Forssk.) Stapf (capim-angola), com predominância da primeira, sendo que a segunda esteve restrita a manchas de alagamento potencial. As covas eram abertas pouco antes do plantio e nenhum tipo de fertilização foi utilizado. A seleção das espécies para restauração teve como ponto de partida os levantamentos florísticos realizados na Reserva para as áreas de várzea e morrote. As espécies foram selecionadas com base em três características principais: rápido crescimento; atratividade da fauna dispersora e disponibilidade de frutos e sementes para produção de mudas. A separação das espécies em grupos ecológicos foi baseada na observação do comportamento das espécies no campo (tipo de ambiente de ocorrência, posição no estrato arbóreo) e em dados de literatura. As mudas das espécies selecionadas foram separadas por grupos ecológicos e distribuídas no campo de acordo com um modelo sucessional (Fig. 1). Uma vez que uma das principais metas foi a de inibir o desenvolvimento das gramíneas pelo seu sombreamento, o modelo prevê que pelo menos 50% das mudas sejam espécies de rápido crescimento (pioneiras e secundárias iniciais), que promoveriam condições para o desenvolvimento das espécies de estágios sucessionais tardios. Assim, em termos funcionais, dois grandes grupos foram adotados, o das sombreadoras e o das sombreadas. 4 m I C I T I p p p p p I C I T I P P P P P Figura 1 - Esquema do modelo sucessional de distribuição de mudas de espécies arbórea, h grupos ecológicos. Os polígonos tracejados sugerem o sombreamento de es^í^oo^ ^ ” P - pioneiras; 1 - secundária, iniciais; T - secundária, , a, dias; C - iZ ^ ^ ^«Piloere^unenio; 1 Dados coletados pelo Programa Mata Atlântica/IPJBRJ Rodriguésia 57 (3): 477-489. 2006 SciELO/ JBRJ 12 13 14 15 16 17 Plantio na Rebio de Poço das Antas 481 Tabela 1 - Espécies utilizadas em plantios experimentais na Reserva Biológica de Poço das Antas, município de Silva Jardim, Rio de Janeiro, Brasil, com respectivos tipos de dispersão de frutos c grupos ecológicos a que pertencem. Legenda: GE = Grupo Ecológico; P = pioneiras; 1 = secundárias iniciais; T = secundárias tardias; C = clímaxes; s.i. = sem informação. Espécie Família Dispersão GE Área l(0,84ha) Época de plantio: Maio/ 1 996 Citharexylum myrianthum Cham. Verbenaceae Zoocórica/barocórica P Margaritaria nobilis L.f. Euphorbiaceae Zoocórica/barocórica P Mimosa bimucronata (DC.) 0. Kuntze Mimosaceae Anemocórica/barocórica P Inga ajfinis DC. Mimosaceae Zoocórica/hidrocórica I Inga laurina (Sw.) Willd. Mimosaceae Zoocórica/hidrocórica I Pseudobombax grandiflontm (Cav.) Bombacaceae Anemocórica I A.Robyns Guarea guidonea (L.) Sleumer Meliaceae Zoocórica T Jaracatia spinosa (Aubl.) A.DC. Caricaceae Zoocórica T Calophyllum brasiliense Camb. Clusiaceae Zoocórica/hidrocórica C Copaifera langsdorfii Desf. Caesalpineaceae Zoocórica C Área2(l,17ha) Época de plantio: Outubro/ 1997 Alchomea triplinervia (Spreng.) Müll.Arg. Euphorbiaceae Zoocórica P Citharexylum myrianthum Cham. Verbenaceae Zoocórica/barocórica P Schinus terebenthifolius Raddi Anacardiaceae Zoocórica P Trema micrantha (L.) Blume ? Ulmaceae Zoocórica P Inga affinis DC. Mimosaceae Zoocórica/hidrocórica I Pseudobombax grandijlorum (Cav.) Bombacaceae Anemocórica I A.Robyns Sparattosperma leucanthum (Vell.) Bignoniaceae Anemocórica I K.Schum. ? Tapirira guianensis Aubl. Meliaceae Zoocórica I Nectandra oppositifolia Nees Lauraceae Barocórica T Euterpe edulis Mart. Arecaccae Zoocórica/h idrocórica C Posoqueria acutifolia Mart. Rubiaccae Zoocórica C Área 3 (0,64ha) Época de plantio: Agosto/ 1999 Citharexylum myrianthum Cham. Verbenaceae Zoocórica/barocórica P Schinus terebenthifolius Raddi Anacardiaceae Zoocórica P Trema micrantha (L.) Blume 7 Ulmaceae Zoocórica P Inga affinis DC Mimosaceae Zoocórica I Sparattosperma leucanthum (Vell.) Bignoniaceae Anemocórica 1 K.Schum. ? Centrolobium tomentosum Guiilemin Mimosaceae Anemocórica/barocórica T ex Benth. Guapira opposita Vell. Nyctagenaceae s.i. T Jaracatia spinosa (Aubl.) A. DC. Caricaceae Zoocórica T Pithecellobium pedicellare DC. Benth. Mimosaceae Anemocórica/barocórica T Simira viridiflora (Allemao & Saldanha) Rubiaceac s.i. T Steyerm. Dalbergia nigra (Vell.) Alemão ex Benth. Papillionaceae Barocórica C Plathymenia foliolosa Benth. Mimosaceae Anemocórica/barocórica C Tabebuia crysotricha (Mart. ex DC.) Standl. Bignoniaceae Anemocórica C Rodriguésia 57 (3): 477-489. 2006 SciELO/JBRJ 12 13 14 15 16 17 cm 482 Moraes, L. F. D. el al. Tabela 2 - Taxa de sobrevivência (%), altura média (m) e DAS médio (cm) para espécies arbóreas nativas plantadas na Reserva Biológica de Poço das Antas. TS = Taxa de sobrevivência para as mudas plantadas; DAS = diâmetro médio à altura do solo. N° = número indivíduos plantados/monitorados. Espécies Área 1 N° indivíduos TS(%) Anol Ano 2 Ano 3 Ano 4 Altura DAS Altura DAS Altura DAS Altura DAS (m) "“d*s ™ »«síreio na Rese™ Biológica de Poç. 1 0 cm vs. 3.5 cm respectively) differed, the permanently flooded site is markedly less diverse than the periodically flooded site. As discussed before, this was due to the marked dominance of Tabebuia cassino ides that accounted for ca. 63% (1110 out of 1744) of the trees. Indeed, Domeles & Waechter (2004) reviewed a number of papers RoJhguésia 57 (3): 491-502. 2006 cm l ISciELO/JBRJ 12 13 14 15 16 17 497 Community dynamics in a swampfore.it about Brazilian swamps of different parts of the country and claimed that they often have low diversity due to the dominance of only a few species. The longer periods of flooding that plants are exposed to in this site may account for this reduced diversity in the permanently flooded site. The species richncss on this site is however high as compared to other Brazilian swamps (see Dorneles & Waechter 2004 and references therein) which, on the other hand, may be due to ecological plasticity of habitat generalists (most of the locally rare species; Table 1) and to the creation of flood-free germination sites by bromeliad rosettes. The other important structural component is the understorey, which, as we have seen, is densely covcred by bromeliads. This dense cover is particularly evidcnt in the permanently flooded zone that, in addition to having a monodominant ovcrstorey (T. cassinoides), has also a monodominant understorey (N. procerum). In the periodically flooded zone the understorey is Icss dense and in addition to N. innocentii other bromeliads are íound in separate colonics, such as Quesnelia quesneliana (Brong.) L.B.Smith. Bromeliads, particularly in the permanently flooded site, play a key ecological role creating safe germination sites, as seen above. Then, wc wcre interested in determining which were limiting factors for the life of the bromeliads. Scarano et c//. (1999) showed that both Nidularium species are intolerant to full sunlight. We even classified N. procerum as a shadc-adaptcd CAM plant. Thus, if the creation of safe germination sites is a key ecological role, the generation ofshade, needed by these “li ve germination sites”, is also relcvant. The Low Resilience Hypotiiesis Scarano et ai. (1998) compared the number of tree species spontaneously re- cstablished at three diíTerent Brazilian vegetation types 1 0 years afler anthropogenic perturbation: an igttpó forest in the Amazon, a low montanc Atlantic rain forest in the Brazilian south-east, and the swamp forests of this Reserve. We found out that while the former two reachcd Rmtriguésia 57 (3): 491-502. 2006 species richness values similar to those presented prior to perturbation, the latter showed no recovery at all. Wc then forwarded a hypothcsis to cxplain the low resilience of these swamps, bascd solely on some of the rcsults described above for the permanently flooded site. We proposed that two functional groups of plants played vital ccosystem functions regarding the maintenance of diversity: a) germination site- providers (a role played by bromeliad species, and particularly N. procerum ); and b) shade- providers (a role played by evergreen trees, which were mostly found among the groups with intermediate or rare abundance shown in Table 1 . It is important to note that they create a semi- shade regime, and not a deep shade one, as described previously). A third functional group would be formed by the monodominant T. cassinoides, which can establish and grow irrespective of safe germination site or shade, given its pronounced resistance to flooding, full sun-Iight and asexual reproduetion. Moreover, this is a deciduous tree that remains leafless for 3-4 months per year (Callado et ai 200 1 b). Thus, it does not fit in b), the group of shade-providers. Wc hypothesized that removal of the shade- providing, locally rare trees would result in the disappcarance of bromeliads and vice-versa, whereas T. cassinoides population would remain unaffected. The low resilience of this swamp vegetation, and its consequent inability to recover afler impact, is possibly due to the permanent changc in the soil water regime caused by past damming of rivers, which for several arcas implicated on either drainage or deeper and longer flooding than usual. This may have resulted in removal of the tree covcr, which in turn might have exposed bromeliads to direct sunlight and death in the medium-term. Thus, tree removal could mcan bromeliad death and, as a consequence, no seed regeneration. If this tree-herb mutualism is truc, this complex intcraction could provide the basis upon which this ccosystem dcvclops. It is worth mentioning that tree regeneration could still be possible through asexual reproduetion commonly seen in these sites, but then diversity would be even .SciELO/ JBRJ 12 13 14 15 16 17 498 Scarano. F. R. lower lhan in undisturbed forests. Furthermore, swamp degradation gave way locally to treeless turf, which is highly flammable; fire events are all too common on these locations, and consist of additional impedimcnt to natural recovery. If this hypothesis is at all confirmed in the future, it would appear that low resilience, and thus low stability, could be associated to rcduced species diversity as that found in the pennanently flooded swamp forest. There has been much controversy around the relationship between diversity and stability (see reviews in Scarano et al. 1998; Scarano & Dias 2004), which is mostly due to the difficulties in measuring important components such as those related to interactions between species and complexity. The functional group approach, as seen above, reduces complexity and helps formulate testable hypotheses about the role of given species in the ecosystem and, in this respect, detect ecological redundancies and singularities of these species (Díaz et al. 2003; Smith et al. 1997; Wilson 1999). Current advances in mathematical tools to investigate such ecological groupings, particularly in Brazil (filiar 1999; Pillar & Sosinski 2003), can promote a fast progress of this research line. Lessons in Tiieory and Application The distinction between theoretical and applied ecology is often misleading, and it may not actually exist at the frontiers between Ecology - Conservation - Restoration. The stability concept and the need to measure it as an ecological parameter (see Tilman et al. 2001 ) is as relevant to “pure research” - as some authors would like to classify it - as it is to achieve more applied goals regarding conservation and ecological restoration. Similarly, answers to questions such as “what is the ecosystem effect of the loss of one species?”, or “how does species diversity relate to stability?” are as relevant to a theoretical ecologist as they are to a decision- maker (see Barbosa et al. 2004). Thus, a formal test of the pertinence of the functional groups proposed in the “low resilience hypothesis”, as discussed above, could generate important by- products to conservation and restoration. This first decade of studies in the swamp forests of Poço das Antas is clearly only the beginning of a long-term research programme. However, even at an early stage, this case study has potential to provide fuel for a number of theoretical debates. For instance, the data produced in these studies address at least two hot theoretical topics in Ecology: a) the need to integrate facilitation (e.g., Bruno et al. 2003; Callaway et al. 2002) and competition (e.g. Fargione & Tilman 2002; Grime 2001 ) models to improve niche theories (i.e., those that examine the role of interactions between species in ecosystem properties such as stability and productivity - see also Chase & Leibold 2003); and b) the need to integrate these niche theories with the so-called neutral theories (i.e., those that examine the relationships of species richness and/or diversity with ecosystem properties - they are called neutral for assuming the premise that interactions do not explain large scale ecosystem processes, such as in Hubbell 2001; MacArthur & Wilson 1967). Scarano & Dias (2004) have recently argued that such dualisms exist due to the fact that these distinct types of theories were produced in very different ecosystems: while niche models and theories have often been produced in habitats with low species diversity and low resource availability, neutral theories have frequently emerged from habitats with higher species richness and resource availability. The swamp forests of Poço das Antas have an unusual combination of high species richness and low resource (i.e., soil oxygen) availability. Future studies and expcriments on resilience and stability and their relationship with species interactions (niche perspective) and dispersai processes within a biogeographical framework (neutral perspective) may prove fruitful and challenging to ongoing theoretical thought in Ecology. Locally, our studies seem to indicate that restoration of lands previously occupied by swamp forests will require much human effort and intervention. A forest cover in the lowland areas, now occupied by treeless turf, would be essential to create corridors linking forest fragments and increasing the habitat range of a Rodriguésia 57 (3): 491-502. 2006 SciELO/JBRJ 12 13 14 15 16 17 cm Community dynamics in a swanip fores I numberof animal species, such as the thrcatencd golden-lion-tamarin. Frcquent fires on the turí seem to impair natural recolonisation by trce species and, moreover, changes in the soil hydrology of such sites may not allow the reconstitution of swamps. Thus, fire control allied to the development ofrestoration techniques on a turf substrate are recommendations that emerge from our studies. The successful experience with forest restoration ot non- flooded soils, described by Moraes & Pereira (2003), is strong evidencc that reforestation of the turf cover and the enhancement of connectivity between forest fragments (see also Metzger 2003) may soon be triggered. On the other hand, can we apply the modcl proposed here to describe strueture and function of other Brazilian swamps or the pattems and processes described are strietly local? This question cannot be answered at present, since this vegetation type has not been thoroughly surveycd in the country. Furthermore, the wealth of regional tcrminologies attributed to forests subjccted to phreatic flooding suggests both that a large variety of forest types should be cxpected, and also that more comparativo and integrative work is required to compare such íorests as regards to floristics, ecology and biogeography. Acknowledgements Tânia S. Pereira, G Martinelli, H. C. Lima and C. F. Barros kindly hosted me as a post- doctoral rescarchcr in the Botanical Gardens of Rio de Janeiro from 1992 to 1993, whcn lhey introduced me to the bcautiful swamp forests of Poço das Antas, and taught me a great deal about them. I also thank my other co-workers and students involved in the studies revised here. E. F. Amado, S. M. B. Barreto, D. D. Biesboer, C. H. Callado, C. G Costa, U. M. Duarte, A. C. Franco, C. A. Freitas, 11. R. P* Lima, U. Lüttge, A. Mantovani, E. A. de Mattos, L. F. D. de Moraes, K. T. Ribeiro, G. Rôças, S. J. Silva Neto and T. Wendt. Finally, I thank the stall at the Biological Reserve ol Poço das Antas for support and the Brazilian Research Council (CNPq) for a produetivity grant. Rodriguésla 57 (3): 491-502. 2006 499 References Abrahamson, W. G. 1980. Dcmography and vegetative reproduetion. In: Solbrig, O. T. (ed.). Demography and evolution in plant populations. Blackwell, Oxford. Pp. 89-106. Barbosa, F. A. R.; Scarano, F. R.; Sabará, M. G. & Esteves, F. A. 2004. Brazilian LTER: Ecosystem and biodiversity infonnalion in support ofdecision-making. Environmcntal Monitoring and Assessment 90: 121-133. Bruno, J. F.; Stachowicz, J. J. & Bertness, M. D. 2003. Inclusion of facilitation into ecological thcory. Trends in Ecology and Evolution 18: 1 19-125. Callado, C. 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Seis parcelas de 30 m x 20 m foram alocadas em cada fragmento. Todas as árvores (DAPS 10 cm) foram amostradas. Os dois fragmentos, denominados ARI e CM, apresentaram estrutura muito similar. Ao todo foram amostradas 628 árvores pertencentes a 3 1 espécies e 1 6 famílias, com forte dominância de espécies heliófilas tolerantes à inundação, como Calophyllum brasUiense. Symphonia globulifera (Clusiaceae) e Tabebuia cassinoidcs (Bignoniaceae). Estas três espécies foram responsáveis por 73% do valor de cobertura em ARI e 67% em CM. Os índices de diversidade de espécies (H’ = 1,75 e 1,99, para ARI e CM respectivamente) foram próximos aos de outras florestas inundáveis do sudeste brasileiro. Os fragmentos apresentaram elevada similaridade florística devido à dominância destas espécies heliófilas. Entretanto, a similaridade de espécies foi baixa em relação às florestas bem drenadas adjacentes. Aparentemente, o alagamento do solo é o maior fator regulador da composição florística desta vegetação. Palavras-chave: Floresta alagada, fragmentação, floresta atlântica de baixada, fitossociologia. Abstract (Tree community strueture of a lowland seasonally Ilooded Atlantic Forest at Poço das Antas Biological Reserve, Rio de Janeiro, Brazil) This sludy aimed to describe the tree strueture and floristic composition of two seasonally flooded forests at Poço das Antas Biological Reserve and to compare these forests to other Atlantic Forest types in the region. Six plots of 30 m x 20 m were set up in each fragment. All trees (DBH > 10 cm) were sampled. The fragments (ARI and CM) were stmcturally very similar. A total ol'628 trees were sampled being distributed within 16 families and 3 1 species. with strong dominancc of flooding tolcrant heliophilous trees, such as Calophyllum brasUiense . Symphonia globulifera (Clusiaceae) and Tabebuia cassinoides (Bignoniaceae). This three species together accountcd for 73% of cover value in ARI and 67% in CM. The species diversity (FT = 1 ,75 and 1 ,99, respectively lo ARI and CM) can be considered to be within the values found for swamp forests in Southcastem Brazil. Both fragments showed high floristic similarity due to dominancc of heliophilous trees. However. species similarity was low in comparison to adjacent well-drained Atlantic Forest. Soil flooding apparcntly was the major rcgulator faclor of the floristic composition in this vegetation. Kcy words; Swamp forest, fragmentation, lowland Atlantic Forest, phytosociology. maiores áreas dc terras alagadas do mundo (Asclmann & Crutzen 1989), e no território brasileiro, essas terras cobrem cerca dc 2% da área (World Conscrvation Monitoring Centre 1 992). No Brasil, as áreas alagadas são bastante extensas, sendo que as continentais recebem diversas designações, como banhado. Artigo recebido em 10/2005. Aceito para publicação em 08/2006. ■Laboratório dc Ciências Ambientais (LCA). Universidade Estadual do Norte Fluminense (UENF), Av. Alberto Lurnego, 2000, Pq. Califórnia. 28015-620, Campos dos Goytacazcs, RJ. mtn@uenf.br •'Programa de Pós-graduação em Ecologia, Instituto de Ciências Biológicas, Universidade dc Brasília (UnH). Caixa Postal 04457, 709 1 0-900, Brasília, DF. fabricioalvlm@yahoo.com.br 'Instituto dc Pesquisas Jardim Botânico do Rio dc Janeiro (JBRJ ). Rua Pacheco Leão 9 1 5. 22460-030, Rio de Janeiro. RJ. Apoio financeiro: MMA/PRONABIO/PROBIO/CNPq. jmabraga@jbrj.gov.br, pablo@jblj.gov.br Introdução As terras úmidas, onde estão incluídos os brejos, pântanos, planícies de inundação c áreas similares, cobrem uma área estimada de 6% da superfície terrestre e estão entre os ecossistemas mais ameaçados do mundo (Maltby 1991). A America do Sul possui as SciELO/JBRJ 12 13 14 15 16 17 504 Carvalho. F. A. et al. brejo, pântano, pantanal, igapó, várzea, campo úmido, lameiros e pampas (Esteves 1998). As maiores extensões de áreas alagadas encontram-se nas planícies de inundação de grandes rios, como a planície do rio Amazonas e seus afluentes, a do rio Paraguai (Pantanal) e a do rio Paraná, onde em geral o alagamento ocorre em ciclos anuais (Esteves 1998, Medri et al. 2002). As áreas alagadas associadas a rios de menores tamanhos são extensas e muito importantes ecologicamente, pois os períodos de inundação são mais curtos e os alagamentos podem não ocorrer anualmente (Medri et al. 2002). Estes ecossistemas são fundamentais para a manutenção dos recursos hídricos, da flora e da fauna local, sendo áreas de suprimento hídrico e alimentar para várias espécies da fauna (Maltby 1991, Naiman & Décamps 1997) que em geral ocorrem como fragmentos naturais na Região Sudeste do Brasil (Constantino et al. 2005). O alagamento interfere numa série de processos físico-químicos e biológicos, influenciando profundamente na qualidade do solo. Dentre as modificações destacam-se: diminuição de trocas gasosas entre o solo e o ar, lenta difusão do oxigênio; redução na biodisponibilidade de nutrientes; acúmulo de gases como N2, C02 e H2 e aumento da produção de toxinas no solo (Medri et al. 2002). Uma vez que a limitação do oxigênio afeta o desenvolvimento e a sobrevivência das plantas superiores de forma diferenciada entre as espécies, a variação na sua disponibilidade consiste num forte determinante ecológico (Medri et al. 2002). Desta forma, o alagamento toma-se o maior condicionante da vegetação das comunidades arbóreas naturalmente inundáveis e sua influência é determinada pela freqüência, intensidade e duração das inundações, e relacionada localmente ao regime pluviométrico, relevo e tipo de solo (Joly 1991). Os trechos de floresta atlântica inundável no sudeste brasileiro encontram-se, em geral, sobre solos hidromórficos e sujeitos à presença de água superficial em caráter temporário ou permanente, onde a saturação hídrica do solo é conseqüência do afloramento da água do lençol freático (Leitão-Filho 1 982, Ivanauskas et al. 1 997, Toniato et al. 1 998). No estado do Rio de Janeiro, esse tipo vegetacional encontra-se restrito a poucas áreas, restando cerca de 2% de sua área original (Câmara 1991). Estes fragmentos de florestas naturalmente ocorrem em manchas e apresentam grande relevância ecológica e conservacionista (Constantino et al. 2005), sendo consideradas áreas de preservação permanente pelo Código Florestal Brasileiro de 1965(Milaré 1991). Dentre os remanescentes de floresta atlântica de baixada do estado do Rio de Janeiro, destacam-se os da Reserva Biológica de Poço das Antas (IBDF 1 98 1 ). No cenário de profunda fragmentação e degradação da floresta atlântica no Rio de Janeiro (Fundação SOS Mata Atlântica 2002) os remanescentes florestais desta Unidade de Conservação assumem importância fundamental como local de estudos e banco de germoplasma para futuros projetos de restauração ecológica (e.g. Programa Mata Atlântica 2004). Mesmo considerando as recentes descrições florísticas (Scarano et al. 1997, 998, Araújo et al. 1 998), as florestas inundáveis o estado do Rio de Janeiro vêm recebendo pouca atenção da comunidade científica, ao contrário de outras vegetações inundáveis brasileiras, como as florestas de galeria do Brasil Central (Joly & Crawford 1982, ?QQVB‘fa'FÍlh° 1989’ FelfiIi 1993’ Rattere/flA li’ ° Pantana' mato-grossense (Prance & Schaller 1982, Nascimento & Cunha 1989, Loureiro et al. 1994, Ratter et al. 1998), as varzeas e igapós amazônicos (Prance 1979, Worbes 1985, Junk 1989, Kubitzky 1989, Schluter et al. 1993, Scarano et al. 1994), as i o^St,aS,hlgrÓfllas de Sã0 Paul° (Leitão-Filho «2, Joly 1 99 1 . Torres et al. 1 994, Ivanauskas et a . 997, Toniato et al. 1998) e as florestas ciliares do Paraná (Medri et al. 2002), cujos pa rôes florísticos e estruturais são bem con ecidos. Esta escassez de informações aliada a acelerada destruição deste habitat ressalta a importância de estudos sobre a es rutura e composição de suas comunidades, comorme proposto neste estudo. Roilriguêsia 57 (3): 503-518. 2006 cm 1 SciELO/JBRJ 12 13 14 15 16 17 Estrutura de fragmentos naturais de floresta atlântica periodicamente inundada Material e Métodos Área de estudo A Reserva Biológica de Poço das Antas (Rebio) localiza-se na bacia hidrográfica do rio São João, município de Silva Jardim, RJ, Brasil (22°33’S e 42°15’W) (Fig. 1). Segundo a classificação de Veloso et al. (1991), esta região está inserida no domínio da Floresta Ombrófila Densa de Terras Baixas. A região pertence à Unidade Geomorfológica Colinas e Maciços Costeiros, uma área de relevo deprimido, com reduzidos valores altimétricos, situada em uma extensa planície de domínio quaternário (RADAMBRASIL 1983). Seu relevo é predominantemente de planície costeira, apresentando pequenos morros e morrotes (mamclonares) arredondados que chegam a atingir 200 m de altitude, imersos em áreas de baixadas aluviais sujeitas ao alagamento permanente ou periódico do solo, em função do regime pluvial (1BDF 1981,Takizawa 1995). A Rebio possui uma área de aproximadamente 5.500 ha, dentre os quais cerca de 1.500 encontram-se em estado de inundação periódica, constituindo uma amostra do que restou desse tipo de habitat que foi drenado por vários canais projetados pelo Departamento Nacional de Obras e Saneamento (DNOS) para retificação dos rios e para o escoamento mais rápido das águas 505 da região (Castro & Fcrnandez 2002). Sua hidrologia compreende a bacia hidrográfica do rio São João, que abrange cerca de 2.080 km2. O rio São João é o principal curso de água diretamente relacionado com a Rebio, constituindo seu limite a sudoeste e sendo receptor de todas as águas que passam ou se originam na região. Na estação chuvosa o volume de águas do rio aumenta consideravelmente, inundando as terras baixas de seu vale (Moraes 2000). O clima regional é do tipo megatérmico úmido (B2A’) na classificação dcThomthwaite & Mather, correspondendo à designação de tropical chuvoso com estação seca no inverno (As) de Kõeppen (Bernardes 1952). O diagrama ombrotérmico referente ao período de janeiro de 1 993 a dezembro de 2002 (Fig. 4) assinala os meses de junho a agosto como representantes do período menos chuvoso e de temperaturas menos elevadas, correspondendo os meses de novembro a março ao período mais chuvoso e de maiores temperaturas. Os demais meses representam situações intermediárias entre os dois períodos. Neste intervalo de dez anos, a temperatura média anual foi de 25,5°C, sendo registrada no mês de julho a temperatura média mais baixa de 21,8°C e a maior temperatura média durante os meses de janeiro e fevereiro (29°C). Em relação à precipitação, Fim,™ 1 - Localização dos dois fragmentos de floresta de baixada periodicamente inundada, "brejo do Aristides" (ARI) e "brejo Casa dos Morcegos" (CM) na Reserva Biológica de Poço das Antas, Rio de Janeiro. Rodriguésia 57 (3): 503-518. 2006 !scíelo/jbrj 12 13 14 15 16 17 506 Carvalho, F. A. et al. foi observado no período um valor médio anual de 1994,9 mm, correspondendo ao mês de dezembro o maior índice (320 mm) e o menor valor (38,9 mm) ao mês de julho (Lima et al. 2006). Os solos encontrados nessas áreas são classificados como Gleissolos, aluviais e orgânicos (Takizawa 1995). Em estudo fisionômico-florístico e de mapeamento da vegetação da Rebio, Lima et al. (2006) identificaram seis unidades fisionômicas, sendo duas florestais (floresta aluvial e floresta submontana) e quatro não florestais (formação pioneira com influência fluvial, capoeira aluvial, capoeira submontana e campo antrópico) e estimaram que dos 2.608 ha de remanescentes florestais ca. 18% (895 ha) eram de floresta aluvial. Dentro da Rebio foram selecionados dois fragmentos naturais de floresta de baixada periodicamente alagada, circundados por florestas secundárias de morrote com até 50 m de altitude e distanciados um do outro cerca de 2 km (Fig. 1 ). Nestes enclaves encontram-se trechos com florestas de baixadas denominados “Brejo do Aristides” (ARI), com cerca de 9 ha, e “Brejo Casa dos Morcegos” (CM), com 17 ha. Ambas as áreas são baixadas aluviais de drenagem, cujos os solos ficam alagados no período chuvas, entre os meses de outubro e abril (1BDF 1 98 1 ). O solo apresenta micro-relevo irregular onde as plantas se distribuem sobre pequenos montes de até 50 cm de elevação, que constituem as partes emersas e mais altas do estrato inferior da floresta, formando pequenas “ilhas” de vegetação. O nível dc agua superficial normalmcnte não ultrapassa os 30 cm (Scarano et al. 1998), sendo comum a presença de canais de drenagem entre os “murundus”. A análise da variação anual da coluna d’água nos fragmentos, realizada por D.M. Villela & GM. Gonçalves (dados não publicados), indicou para o ano de 2002 uma pequena variação na altura da coluna de água de 0,3 cm a 23,0 cm no fragmento ARI, visivelmente mais seco, e de 12 cm a 44,0 cm no fragmento CM entre os meses de janeiro a abril, e que entre abril e outubro os solos se encontraram totalmente secos. Há cerca de 35 anos esses fragmentos foram submetidos à extração seletiva de madeira, principalmcntc de “pau-tamanco" ( Tabebuia cassinoides ), e mudanças no regime hídrico, devido a obras de drenagem e construção de canais e represas na bacia do rio São João (Scarano et al. 1 998, Castro & Femandez 2002). Não existem registros de perturbações antrópicas nesses fragmentos desde 1981, quando a área foi transformada em Reserva Biológica (IBDF 1981). Coleta e análise de dados Em cada fragmento foram estabelecidas duas áreas de 200 m x 100 m (2,0 ha), uma em sua parte mais marginal distando, pelo menos, 20 m da borda, e outra em seu interior. Dentro de cada área foram alocadas aleatoriamente três parcelas de 30 m * 20 m (600 m:) para obter uma maior heterogeneidade florística uma vez que análises qualitativas prévias indicaram a ocorrência de densas populações de Tabebuia cassinoides, Calophyllum brasiliense e Symphonia globuli/era. Ao todo foram alocadas seis parcelas por fragmento, totalizando uma área amostrai de 0,36 ha. Em cada parcela, todas as árvores vivas e mortas em pé com DAP (diâmetro à altura do peito, a 1 ,30 m do solo) £ 10 cm foram marcadas, coletadas e medidas quanto à altura e ao DAR Indivíduos perfilhados só foram marcados e medidos quando pelo menos um dos ramos possuía DAP>10 cm, e nesse caso, todos os ramos foram medidos e a área basal total do indivíduo foi calculada pelo somatório das áreas basais de cada ramo. Infor- mações tais como presença de resinas, látex, tipo de casca, cor e aroma do tronco e nome popular foram anotadas para o auxílio no trabalho de iden- tificação das espécies. As amostras coletadas foram identificadas por comparação com as coleções do herbário do Jardim Botânico do Rio de Janeiro (RB) e do Herbário do Centro de Biociências e Biotecnologia da Universidade Estadual do Norte Fluminense (UENF) onde foi depositado todo o material botânico coletado. O sistema de classificação de famílias utilizado foi o de Cronquist (1981 ), exceto para Leguminosae que seguiu Polhill & Raven (1981). Os parâmetros fitossociológicos foram calculados através do programa FITOPAC 1 (Shepherd 1994), a saber: área basal total e Rodriguèsia 57 (3): 503-518. 2006 cm 1 SciELO/JBRJ 12 13 14 15 16 17 Estrutura de fragmentos naturais de floresta atlântica periodicamente inundada individual (Abt e Abi), densidade relativa (DR), dominância relativa (DoR) e valor de cobertura (VC=DR+DoR) (Mueller-Dumbois & Ellcnberg 1 974). O índice de uniformidade (J), o índice de diversidade de Shannon (H’), calculado utilizando- se logaritmo natural, e o índice de similaridade de Morisita-Hom, para comparação florística entre os fragmentos estudados loram calculados segundo Brower & Zar (1984). O índice de similaridade de Sorensen (Brower & Zar 1984) foi utilizado para a comparação com outras áreas florestais brasileiras. A suficiência amostrai foi avaliada através do cálculo de curvas de rarefação, com 1000 iterações, utilizando os valores de riqueza e de diversidade de espécies (H ’ ) através do programa Ecosim (Gotelli & Entsminger 2001 ). As espécies levantadas foram classificadas segundo sua preferência por áreas alagadas, como proposto por Ivanauskas et al. (1997), em quatro grupos distintos: (1) Espécies peculiares exclusivas de formações brejosas — de ocorrência exclusiva a florestas sujeitas ao alagamento permanente ou quase permanente do solo, possuem área de ocorrência geográfica restrita, e seu destaque na estrutura da comunidade está diretamente ligado a um maior período de saturação hídrica do solo, (2) Espécies peculiares não exclusivas de formações brejosas - destacam-se cm florestas sujeitas ao alagamento periódico do solo, mas nunca em áreas com alagamento permanente ou quase permanente do solo ou em outras florestas com solos mais drenados, sendo comum sua ocorrência em florestas de galeria, ciliares e ripárias; (3) Espécies complementares de áreas secas — destacam-se cm florestas com alagamento periódico do solo (florestas de galeria e ripárias) ou cm florestas mais secas, mas nunca em florestas com alagamento permanente ou quase permanente do solo; e (4) Espécies complementares indiferentes - ocorrem em áreas alagadas, contudo sua abundância e densidade não têm relação direta com o alagamento. Para tal classificação, foram obtidas informações ecológicas sobre as espécies por meio de literatura especializada e consultas a levantamentos fiorísticos e fitossociológicos 507 realizados em diferentes trechos de floresta atlântica do sudeste brasileiro. Algumas espécies não puderam ser classificadas devido à falta de informações ecológicas sobre as mesmas. Resultados Os dois fragmentos analisados (ARI e CM) apresentaram composições llorísticas muito semelhantes, confirmada pelo alto valor encontrado para o índice de similaridade de Morisita-Hom (0,83). Dentre as espécies que caracterizam o dossel desta formação, destacaram-se como as mais abundantes Calophyllum brasiliense, Symphonia globulifera, Tabebuia cassinoides, Henriettea saldanhaei, Myrcia multiJJora, Platymiscium Jloribundum, Inga laurina e Tabebuia umbellata (Tab. 1 ). A altura média do dossel variou entre 12 m e 1 5 m, com alguns indivíduos emergentes de Calophyllum brasiliense , Platymiscium Jloribundum , Symphonia globulifera e Tapirira guianensis atingindo de 20 m a 25 m. Em relação à área basal por hectare, os valores encontrados foram também muito semelhantes entre os fragmentos (36,5 m2 em ARI e 37,0 nr em CM). No total foram amostrados 628 indivíduos (361 cm ARI e 267 em CM) distribuídos cm 16 famílias, 23 gêneros c 3 1 espécies, dentre as quais uma foi identificada apenas cm nível de família (Polygonaceac sp.) (Tab. 1). A suficiência amostrai foi confirmada pela assintota das curvas de rarefação calculadas, tanto para a riqueza quanto para a diversidade de espécies (1T), para cada um dos fragmentos estudados (Fig. 2). A maioria das famílias apresentou baixa riqueza dc espécies, com uma ou duas espécies apenas. As únicas famílias de destaque na riqueza foram Myrtaceae, com sete espécies, c Lcguminosae M imosoideae, com cinco. Clusiaceae foi a família com maior VC nos dois fragmentos estudados, devido a elevada densidade de Symphonia globulifera c principalmente Calophyllum brasiliense, espécie de maior VC em ambas as áreas. Bignoniaccae apareceu como a segunda família mais importante nos fragmentos, devido à elevada densidade de Tabebuia cassinoides. Estas três espécies foram as mais representativas Rodriguèsia 57 (3): 503-5 1 8. 2006 .SciELO/ JBRJ 12 13 14 15 16 17 508 Larva lho, h. A. ei ai. Tabela I - Listagem de famílias e espécies arbóreas, eom nome vulgar, número de indivíduos e peculiares exclusivas de iZ T ^ ’ **** complementares de Umas secas; cf- = Família Espécie Nome vulgar PA ANACARD1ACEAE N° indivíduos ARI CVI Tapirira guianensis Aubl. íruto-do-pombo ARECACEAE Euterpe edulis Mart. palmito, juçara BIGNONIACEAE Tabebuia cassinoides (Lam.) DC. Tabebuia umbellala (Sond.) Sandwith ipê-tamanco, caixeta ipê-do-brejo BOMBACACEAE Eriotheca pentaphylla (Vell. emend. K. Schum.) A. Robyns Pseudobombax grandijlorum (Cav.) A. Robyns imbiruçu-branco imbiruçu BORAGINACEAE Cordia sellowiana Cham. CLUSIACEAE Calophyllum brasiliense Cambess. Symphonia globulifera L. f. EUPHORBIACEAE Alchornea tríplinervia (Spreng) Müll. Arg. LEGUMINOSAE MIMOSOIDEAE. Inga edulis Mart. Inga laurina (Sw.) Willd. Inga striata Benth. Mimosa bimucronata (DC.) Kuntze Pseudopiptadenia contorta (DC.) G P.Lewis & M. P. Lima chá-de-bugre guanandi guanandi pau-tamanco, tapiá ingá-cipó ingá-mirim Ingá espinhenta, maricá angico a a Pe Pe a a a Pn Pe Pn a Pn Cs Cs Cs 9 - 2 40 52 3 16 3 1 3 1 4 5 181 83 54 40 1 1 16 1 2 1 LEGUMINOSAE PAPILIONOIDEAE. Platymiscium Jloribundum Vog. Andira anihelmia (Vell.) J. F. Macbr. MAGNOLIACEAE Talauma ovata A. St.-Hil. MELASTOMATACEAE Henriettea saldanhaei Cogn. Tibouchina granulosa (Desr.) Cogn. jacarandá, sacambu angelim, morcegueira pinheiro-do-brejo pixiricão-do-brejo quaresmeira Pn 10 1 Nc . i Pe 2 Pn 34 - Cs i Rodrigues ia 57 (3): 503-518. 2006 ,SciELO/ JBRJ 12 13 14 15 16 17 Estrutura de fragmentos naturais de floresta atlântica periodicamente inundada 509 Família Nome vulgar Espécie MYRSINACEAE Myrsine coriacea (Sw.) R. Br. ex Roem. & Schult. PA N° indivíduos ARI CM Cs 1 MYRTACEAE Calyptranthes brasiliensis Spreng. Gomidesia fenzliana O. Berg Marlierea silvatica Kiaersk. Myrcia multiflora (Lam.) DC. Myrcia hexasticha Kiaersk. Myrcia racemosa (O. Berg) Kiaersk. Syzygium jambos (L.) Alston NYCTAGINACEAE Guapira hoehnei (Standl.) Lundcll POLYGONACEAE Polygonaceae sp. 1 SAPOTACEAE Sarcaulus brasiliensis (A. DC.) Eyma - Cs - 1 _ Cs - 2 _ Nc 1 - . Cs - 37 - Nc - 1 - Pn - 2 jambo branco a 2 1 maria-mole Cs 3 _ - Nc 2 4 _ Pn 1 - em ambos os fragmentos (Tabs. 2 e 3), e em conjunto corresponderam a 7 1 ,6% do número de indivíduos amostrados e 70,5% do VC total. Dentre as espécies restantes, algumas se destacaram mais em um dos fragmentos, como Henriettea saldanhaei, Platymiscium floribundum e Tapirira guianensis, em ARI (Tab. 2) e Myrcia multijlora, Tabebuia umbellata e Inga laurina, em CM (Tab. 3). As comunidades de árvores analisadas, conforme esperado, foram compostas principalmente por espécies peculiares de áreas alagadas. Das 31 espccies amostradas, quatro (33,1% do total de indivíduos amostrados) foram peculiares exclusivas de áreas alagadas, sete (57,9%) peculiares não exclusivas de áreas alagadas, nove (2,3%) complementares de áreas secas e sete (5,1%) complementares indiferentes. Quatro espécies (1,6%) não foram classificadas: Andira anthelmia, Marlieria sylvatica, Myrcia hexasticha e Polygonaceae spl (Tab. 1). As curvas de rarefação (Fig. 2) calculadas para riqueza c diversidade de espécies indicaram que os fragmentos estudados não diferem entre Rodriguésia 57 (3): 503-518. 2006 si (21 espécies, H’ = 1,75 nats.ind/1 em ARI e 20 espécies, H’ = 1,99 nats.ind/1 em CM). Estes valores, entretanto, são baixos quando comparados com trechos de matas de solos mais drenados da região e que utilizaram mesmo critério mínimo de inclusão (DAP > 1 0 cm) (Tab. 4), conforme esperado. Os valores de diversidade de espécies nos dois fragmentos estão no limite inferior dos valores encontrados para outras matas sujeitas ao alagamento periódico no sudeste brasileiro que utilizaram critério mínimo de inclusão de 3,2 ou 5 cm de DAP (Tab. 4). Os dados de uniformidade (ARI= 0,57, CM= 0,66) indicam a ocorrência de dominância de espécies nestes fragmentos. Esta dominância está representada principalmcntc pela alta abundância de Symphonia globttlifera e Callophyllum brasiliense. A floresta periodicamente inundada da Rcbio apresentou maior similaridade ílorística, calculada pelo índice de Sorensen, com outras matas sujeitas ao alagamento periódico do solo, mesmo com aquelas geograficamente mais distantes, como as matas higrófilas do interior de São Paulo (Fig. 3). SciELO/JBRJ 12 13 14 15 16 17 cm Carvalho, F. A. et al. Figura 2 -Curvas de rarefação com valores medianos de riqueza (a) e diversidade (wm-ta ■ • . . confiança (95%) inferiores (LCI) e superiores (LCS) mra os HniJ fi„m , d “ (b) (H ) de esPec,es e seus 1'mites de atlântica periodicamente alagada na Reserva Biológiade Poço das AntasJU r,<,U“a ' d,ver,M,dl! |b>- * ll“res“ ,SciELO/ JBRJ Rodriguésia 57 (3): 503-518. 2006 12 13 14 15 16 17 cm Estrutura de fragmentos naturais de floresta atlântica periodicamente inundada Tabela 2 - Parâmetros fitossociologicos das cspecies arbóreas amostradas cm 0,36 ha no fragmento de floresta de baixada periodicamente inundada ARI, na Reserva Biológica de Poço das Antas - RJ, ordenadas pelo VC. Ni = numero de indivíduos, Ab— area basal (m ), DR — densidade relativa Espécie 1 Calophyllum brasiliense 2 Tabebuia cassinoides 3 Symphonia globulifera 4 Platymiscium floribundum 5 Henriettea saldanhaei 6 Tapirira guianensis 7 Polygonaceae sp. 8 Guapira hoenei 9 Cordia sellowiana 10 Pseudobombax grandiflorum 11 Talauma ovata 12 Tabebuia umbellata 13 Eriotheca pentaphyla 14 Euterpe edulis 15 Syzigium jambos 16 Tibouchina granulosa 17 Pseudopiptadenia contorta 18 Marlieria sylvatica 19 Sarcaulus brasiliensis 20 Alchornea triplinervia 21 Mvrsine coriacea Ni Ab DR DoR VC 181 4,87 50,3 37,1 87,4 40 252 11,0 195 305 54 1,90 14,9 14,5 29,4 10 1,48 2,76 115 14,0 35 0,95 9,7 75 16,9 9 0,29 2,5 25 4,7 2 0,19 05 1,4 2,0 3 0,15 0,8 1,1 2,0 4 0,09 1,1 0,7 1,8 3 0,10 0,8 0,8 1,6 2 0,13 05 1,0 15 3 0,08 0,8 0,7 15 3 0,07 0,8 0,6 1,4 2 0,06 0,6 0,4 1,0 2 0,04 0,6 05 0,9 1 0,07 05 05 0,8 2 0,02 05 05 0,7 2 0,02 05 05 0,7 1 0,04 05 05 0,6 1 0,01 05 0.1 0,4 1 0,01 05 0,1 0,4 Tabela 3 - Parâmetros fitossociologicos das espécies arbóreas amostradas em 0,36 ha no fragmento de floresta de baixada periodicamente inundada CM. na Reserva Biológica de Poço das Antas - RJ, ordenadas pelo VC. Ni = número de indivíduos; Ab= área basal (m2); DR = densidade relativa (%); DoR = dominância relativa (%); VC = valor de cobertura. Espécie 1 Calophyllum brasiliense 2 Tabebuia cassinoides 3 Myrcia multiflora 4 Symphonia globulifera 5 Inga laurina 6 Tabebuia umbellata 7 Polygonaceae sp. 8 Cordia sellowiana 9 Syzigium jambos 10 Gomidesia fenzliana 1 1 Inga striata 12 Myrcia racemosa 13 Eriotheca pentaphyla 14 Pseudobombax grandiflorum 15 Platymiscium floribundum 16 Mimosa bimucronata 17 Calyptrantes brasiliensis 18 Andira onthelmia 19 Myrcia hexasticha 20 Inga edulis Ni Ab DR DoR VC 83 5,48 315 41,1 72,4 52 1,75 19,4 13,1 32,5 37 2,14 13,8 16,1 29,9 40 1,78 14,9 135 285 16 0,85 6,0 6,4 12,4 17 0,69 65 55 115 4 0,18 15 15 2.8 5 0,06 1,9 05 2,4 1 0,10 0,4 0.8 15 2 0,03 0,8 05 1,0 1 0,06 0,4 05 0.9 1 0,06 0,4 0,5 0,9 1 0,03 0,4 05 0,6 1 0,02 0,4 05 0,6 1 0,02 0,4 05 0.6 1 0,02 0,4 0,1 0.5 1 0,01 0,4 0,1 0,5 1 0,01 05 0,1 0.4 1 0,01 05 0,1 0,4 1 0,01 05 0,1 0.4 Rodrigues ia 57 (3): 503-518. 2006 SciELO/JBRJ 12 13 14 15 16 17 512 cm Carvalho, F. A. et al. Tabela 4 Estrutura arbórea das duas florestas periodicamente inundadas da Reserva Biológica de Poço das Antas, RJ (ARI e CM) e comparação com outras florestas brasileiras. DAP = diâmetro a altura do peito da amostragem; Ni = número de indivíduos por hectare; S = número de espécies; H = índice de diversidade de Shannon (nats.ind.1); AB = área basal (m2 ha '). Local ARI (Poço das Antas - RJ) Tipo de noresta Autor DAP Área Ni S H* AB Baixada periodicamente Este trabalho > 10,0 0,36 1003 21 1 75 36 5 alagada ’ ’ CM (Poço Baixada periodicamente Este trabalho das Antas - RJ) alagada > 10,0 0,36 742 20 1,99 37,0 Poço das Antas - RJ Poço das Antas - RJ Campinas - SP Campinas - SP Itatinga - SP Poconc - MT Sâo Franc. do Itabapoana - RJ Poço das Antas - RJ União - RJ Imbé - RJ Paraíso - RJ Baixada aluvial Baixada permanentemente alagada Higrófila Higrófila Higrófila Cambarazal Tabuleiro Submontana Submontana Submontana Submontana Guedes-Bruni (1998) Scarano et a/. ( 1 998 ) Toniato et al. ( 1 998) Torres et al. (1994) I vanauskas et al. ( 1 997) Nascimento & Cunha (1989) Silva & Nascimento (2001) Guedes-Bruni (1998) Rodrigues (2004) Moreno et al. (2003) Kurtz & Araújo (2000) > 10,0 1,00 486 >3,5 0,50 - £3,2 0,20 4775 >5,0 0,87 1068 >5,0 1,00 1242 £3,2 0,15 420 £ 10,0 1,00 564 £ 10,0 1,00 564 £ 10,0 1,20 734 £ 10,0 >5,0 0,60 767 1370 97 3,90 24,0 59 1,30 - 55 2,80 32,5 33 2,45 - 39 2,75 - 23 1,56 - 83 3,21 15,0 169 4,50 25,0 250 4,90 32,0 125 138 4121 4,20 41,9 57,2 Figura 3 - Similaridade florística (índice de sorensen) entre a floresta periodicamente inundada da Reserva Biológica de Poço das Antas, RJ e alguns trechos de floresta atlântica com ou sem alagamento periódico, e florestas higrófilas de São Paulo, a partir do coeficiente de Sorensen. (a) floresta periodicamente alagada, Jurubatiba (Araújo et al. 1998); (b) floresta higrófila, Itatinga (I vanauskas et al. 1997); (c) floresta higrófila. Campinas (Toniato et al. 1998); (d) floresta submontana. Reserva Biológica de Poço das Antas, Silva Jardim (Guedes-Bruni 1998); (e) floresta submontana. Silva Jardim (Borém & Oliveira-Filho 2002); (0 floresta submontana. Reserva Biológica União, Rio das Ostras (Rodrigues 2004); (g) floresta submontana, Imbé, Campos dos Goytacazes (Moreno et al. 2003). Discussão Nos dois fragmentos estudados, Myrtaceae e Leguminosae apareceram como as famílias de maior riqueza, seguindo a tendência para floresta atlântica de Terras Baixas no Sudeste (Oliveira-Filho & Fontes 2000). Normalmente, estas famílias encontram-se listadas entre as mais ricas nos levantamentos realizados na floresta atlântica do estado do Rio de Janeiro (Guedes-Bruni 1998, Neves 1999, Lima 2000, Silva & Nascimento 200 1 , Kurtz & Araújo 2000, Borém & Ramos 200 1 , Borém & Oliveira-Filho 2002, Rodrigues 2004, Carvalho et al. 2006). A alta densidade de Calophyllum brastliense, Symplwnia globulifera e Tabebuia cassinoides nas florestas periodicamente alagadas estudadas e a ausência ou ocorrência em baixa densidade em florestas nao inundáveis da região (Guedes-Bruni 1998, Neves 1999, Silva & Nascimento 2001, Kurtz & Araújo 2000, Borém & Ramos 2001 , Borém & Oliveira-Filho 2002, Moreno et al. 2003, Rodrigues 2004, Carvalho et al. 2006), sugere a preferência destas espécies por habitat Rodriguésia 57 (3): 503-518. 2006 SciELO/JBRJ 12 13 14 15 16 17 Estrutura de fragmentos naturais de floresta atlântica periodicamente inundada alagado. Áreas com alagamento e conseqilcnte saturação hídrica do solo geram condições de estresse para a maior parte das espécies vegetais terrestres (ver Crawford 1989). Por outro lado, algumas plantas que provavelmente têm sua história evolutiva relacionada a tais habitats se tornam características nestas comunidades (Gentry 1992). Portanto, assim como neste estudo, no sudeste brasileiro Tabebuia umbellata, Tapirira guianensis e Calophyllum brasiliense, sempre ocorreram com destaque nos levantamentos realizados em florestas higrófilas (Torres et al. 1994, Ivanauskas et al. 1997, Toniato et al. 1998). Desse modo, conforme sugerido por Joly (1991), a saturação hídrica do solo aparentemente funciona como o principal fator de seleção natural das espécies na formação de tais florestas em escala local e regional. A ocorrência da grande maioria (ca. 90 /o) das espécies amostradas como peculiar, exclusiva ou não, de áreas alagadas, também foi observado para as florestas higrófilas do interior de São Paulo (Torres et al. 1994, Ivanauskas etal. 1997, Toniato etal. 1998). As espécies consideradas peculiares exclusivas desse tipo de formação florestal ioram Tabebuia cassinoides, Symphonia globulifera, Tabebuia umbellata e Talaunta ovala, sendo as duas últimas citadas na literatura como típicas de floresta de brejo (Ivanauskas et ai. 1997), e encontradas ocupando posições de destaque em outras florestas higrófilas no interior de São Paulo (Torres et al. 1994, Ivanauskas et al. 1997, Toniato et al. 1998). No estado do Rio de Janeiro, essas espécies aparentam ser exclusivas de florestas sujeitas ao alagamento do solo, aparecendo apenas cm levantamentos florísticos de florestas de baixada periodicamente ou permanentemente alagada (Scarano et al. 1997, Scarano et al. 1998, Araújo et al. 1998, Lima et al. 2006), sendo ausentes ou raras em florestas com solos mais drenados (Guedes-Bruni 1998, Neves 1999, Silva & Nascimento 200 1 , Kurtz & Araújo 2000, Borém & Ramos 2001 , Borém & Oliveira-Filho 2002, Moreno et al. 2003, Rodrigues 2004, Carvalho et al. 2006). Rodriguésia 57 (3): 503-518. 2006 As espécies peculiares não exclusivas e, portanto, que mais contribuíram na composição florística dos fragmentos, são Calophyllum brasiliense, Henriettea saldanhaei, Platymiscium Jloribundum, Inga taurina, Myrcia mui ti flor a, Alchornea triplinervia e Sarcaulus brasiliensis. Todas essas espécies já foram descritas em outras florestas inundáveis no estado do Rio de Janeiro (Scarano et al. 1997, Scarano et al. 1998, Araújo et al. 1998). Algumas dessas espécies, em especial Calophyllum brasiliense, foram registradas compondo o estrato arbóreo de florestas higrófilas no interior de São Paulo (Torres et al. 1994, Ivanauskas et al. 1997, Toniato et al. 1998), em florestas ciliares nos estados de Minas Gerais (Oliveira-Filho et al. 1994), São Paulo (Salis etal. 1994) e Paraná (Dias et al. 1998), c em florestas mais drenadas do Centro-Norte Fluminense (Neves 1999, Rodrigues 2004), neste último caso, entretanto, sem destaque nos parâmetros fitossociológicos. A presença de espécies normalmente relacionadas a florestas com solos bem drenados no Centro-Norte Fluminense (Neves 1999, Silva & Nascimento 2001, Borém & Ramos 2001, Borém & Oliveira-Filho 2002, Rodrigues 2004, Carvalho et al. 2006) tais como Inga striata. Mimosa bimucronata, Pseudopiptadenia contorta, Tibouchina granulosa, Myrsine coriacea, Myrcia racemosa c Guapira hoenei nos fragmentos estudados sugerem uma alta valência ecológica destas espécies complementares de áreas secas. Tibouchina granulosa, por exemplo, é uma espécie muito comum na Floresta Ombrófila Densa do estado do Rio de Janeiro, sendo observada principalmente em formações secundárias como capoeiras e capoeirões, c nas bordas de diversos fragmentos florestais, principalmcntc em solos bem drenados (Lorenzi 1992). Em outro exemplo, Pseudopiptadenia contorta aparece como uma das espécies de maior VI (valor de importância) numa floresta de baixada de solos bem drenados a menos de 20 km dos fragmentos estudados (Borém & Oliveira-Filho SciELO/JBRJ 12 13 14 15 16 17 514 Carvalho, F. A. e t al. 2002) e para uma Floresta Estacionai Scmidecidual no Norte Fluminense (Silva & Nascimento 2001). As espécies complementares indiferentes Tapirira guianensis , Pseudobombax grandiflorum, Eriotheca pentaphylla, Euterpe edulis, Cordia sellowiana, Inga edtdis e a exótica Syzygiutn jambos, que, apesar de estarem comumente descritas para florestas sob influência do alagamento periódico do solo (Torres et al. 1994, Oliveira-Filho et al. 1994, Ivanauskas et al. 1997, Toniato et al. 1 998, Van Dcn Berg & Oliveira-Filho 2000, Carvalho et al. 2000), também podem ser encontradas em diversos remanescentes de solos bem drenados no estado do Rio de Janeiro (Guedes-Bruni 1998, Neves 1999, Kurtz & Araújo 2000, Silva & Nascimento 2001, Moreno etal. 2003, Rodrigues 2004, Carvalho et al. 2006). De fato, Oliveira-Filho & Fontes (2000) citaram Eriotheca pentaphylla, Euterpe edulis e Inga edulis como espécies de ampla ocorrência nas florestas de terras baixas do sudeste brasileiro. Entretanto, Tapirira guianensis e Cordia sellowiana são citadas como supertramps, ou seja, espécies com ampla distribuição e ocorrência em grande parte do território nacional. Os valores de densidade e de área basal por hectare dos fragmentos estudados estão entre os mais altos quando comparados com outros trechos preservados de floresta atlântica no estado do Rio de Janeiro (Tab. 4) e em muitos casos esta diferença seria mais evidente se os critérios de inclusão amostrai fossem semelhantes (DAP > 10 cm). Aliado a estas características, observações de campo tais como o grande número de árvores de grande porte, a alta concentração e riqueza de epífitas nos diferentes estratos das florestas, além da ausência de vestígios de árvores cortadas indicam, segundo Clark (1996), que os fragmentos estudados são maduros. De maneira geral, florestas sujeitas ao alagamento tendem a apresentar menor diversidade de espécies em relação aquelas com solos mais drenados, pois são poucas as espécies que desenvolveram adaptações que possibilitem sua sobrevivência nesses ambientes ( Joly 1991). Os índices de Shannon (H’) para os fragmentos estudados foram considerados baixos em relação a outros levantamentos em trechos de solos mais drenados de floresta atlântica (H’ entre 3,21 e 4,93 nats.ind.1), e no limite inferior aos obtidos para outras florestas higró filas (brejo) ou com alagamento quase que permanente do solo (e.g. cambarazal e floresta de baixada permanentemente alagada) (Tab. 4). Scarano et al. (1998), ao levantarem um trecho de floresta de baixada permanentemente inundada dentro da Rebio, muito próximo aos fragmentos estudados e com dominância de Tabebuia cassinoides, encontraram um valor de diversidade de Shannon ainda menor, de 1,30 nats.ind."1. Isto indica que ambientes com estresse hídrico tendem a possuir baixa diversidade de espécies (Nascimento & Cunha 1989, Joly 1991, Ivanauskas et al. 1 997, Toniato et al. 1 998), sendo o alagamento do solo o fator restritivo, onde quanto maior o período de encharcamento do solo, menor a diversidade encontrada. A maior similaridade de espécies observada entre a floresta periodicamente alagada de Rebio com aquelas sujeitas ao alagamento do solo (Fig. 3), mesmo as mais distantes, indicam a preferência das espécies por áreas sujeitas ao alagamento do solo. Estes resultados confirmam que as florestas periodicamente inundadas amostradas têm a sua florística constituída em parte pelas formações florestais adjacentes, através da presença de espécies complementares de áreas secas, todavia com uma presença marcante de espécies adaptadas ao alagamento e peculiares a esses ambientes. Após as obras de drenagem, promovidas pelo Departamento Nacional de Obras e Saneamento, nas décadas de 50 a 70, as florestas de baixada inundáveis da região Centro-Norte Fluminense foram praticamente extintas, restando poucos remanescentes (Castro & Fernandez 2002). Apesar do histórico de perturbação relativamente recente (ca. 35 anos), os dois fragmentos estudados Rodriguésia 57 (3): 503-518. 2006 cm l SciELO/JBRJ 12 13 14 15 16 17 cm Estrutura de fragmentos naturais de floresta atlântica periodicamente inundada 5 1 5 encontram-se sem registros de perturbações antrópicas desde então, apresentando aspectos florísticos e estruturais de florestas bem conservadas. Por constituírem unidades fitogeográficas de características próprias e de extrema importância para a manutenção da fauna associada e dos recursos hídricos naturais, sugerimos que as florestas de baixada inundável sejam prioritárias em programas de conservação a serem desenvolvidos na região da bacia hidrográfica do rio São João. Agradecimentos Aos pesquisadores Carlos R. Ruiz- Miranda, Dora M. Villcla, Jorge Assumpção e Josival S. Souza pelas críticas ao manuscrito; a AM LD pelo apoio logístico. Ao 1B AM A, por permitir o acesso à área de estudo; ao técnico de campo Maurício Pacheco, e aos biólogos Guilherme R. Rabelo, Guilherme V. Faria, Glauce M. Gonçalves e Diogo O. Santos, pelo auxílio nas atividades de campo; ao PROBIO/ PRONABIO/BIRD/MMA pelo apoio financeiro e ao CNPq pela bolsa de l.C. (PIBIC) concedida ao primeiro autor no período de 1999 a 2001 . Referências BibliogrAficas Araújo, D. S. D.; Scarano, F. R.; Sa, C. F. C.; Kurtz, B. C.; Zaluar, H. L. T.; Montczuma, R. C. 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A categoria medicinal reúne o maior número de espécies utilizadas, as quais em sua maioria, são cultivadas (71,9%). O índice de Shannon (FF) obtido corresponde a 2,20, indicando que a comunidade detém um bom conhecimento sobre o uso de recursos vegetais. A extração seletiva, um dos fatores da redução das populações de espécies típicas às matas de baixada, como o ipê-tamanco (Tabebuia cassinoides) e o pau-pereira (Picramnia ciliatá), restringe-se ao passado. O reconhecimento que a comunidade tem da importância da conservação dos remanescentes florestais da região, aliado ao conhecimento tradicional lixado constituem importantes instrumentos na estratégia de ações para uso sustentado destes recursos genéticos salvaguardados nas Unidades de Conservação e valorização das comunidades circunvizinhas. Palavras chave- Floresta Atlântica, etnobotânica, plantas medicinais, comunidades rurais, unidades de conservação. Ak BS I RACT (The use ofplant rcsources in traditional communities close to the Reserva Biológica de Poço das Antas, Silva Jardim Rio de Janeiro: A case study in the Gleba Aldeia Velha) This paper describes the different uses of the plants found in the rural community. Gleba Aldeia Velha, located in the outskirts of the Poço das Antas Biological Reserve (Silva Jardim County. Rio de Janeiro). Selective mterv.ewmg was done with 1 9 different residents in order to obtain the data here prescnted. Ofthese intereviews, 549 different uses were citcd of lhe -?]() species which are subordinate to 74 families. Asteraceae, Leguminosae, Lamiaceae, Euphorbiaceae, Myrtaceae and Poaceae were prescnted with the most frequency and richness Medicinal plants ma, nly cultivated, uni.e the majority of the species utilized (7 1 .9%). The Shannon índex (H ) corresponds to 2.20 and indicates that the community is knowledgeable about the use ofplant hfe. Selective removal, which ts a factor in the reduction of native species in the lowland forests, such as ipé-tamanco (Tabebuia cassinoides) and pau-pereira (Picramnia ciliata ), no longer exist today. The knowledge that the community has ol the remammg forestcd arcas of the region, along with traditional knowledge, constitutc important Instruments in the makmg of strategies for the conservation and sustained use of the genetic rcsources protected by the conservat.on arcas and gives value to the communities nearby in the process Key words: Atlantic Forest, ethnobotanv. medicinal plants, rural commun.lies, conservat.on arcas. Introdução A Floresta Atlântica se caracteriza pela alta biodiversidade, elevadas taxas de endemistno e ao mesmo tempo por uma acentuada pressão antrópica, sendo considerada o quinto dentre os 25 “hotspots mais importantes do mundo (Myers et ai 2000). Estima-se que no passado esta formação vegetal cobria cerca de 97% do estado do Rio de Janeiro, restrita atualmente a 16,73% do território, dos quais 29,8% circunscritos às Unidades de Conservação (Fundação SOS Mata Atlântica 2002). A paisagem mais drasticamente afetada desde o século XVI pela expansão agrícola, instalação de núcleos urbanos e construção da malha rodoviária foi certamentc a floresta sobre baixada (Guedcs-Bruni 1998), \rlii2o recebido cm 02/2005. Accítõ para publicação em 06/2006. Bolsista do Proeramã MtaM * M» * ST,«o“SÔ Botânico do Rio de Janeiro. Programa Mata Atlântica. Rua Pacheco Leão 915. Rio de Janeiro, RJ. CLI 22460-030. ÍSSpSI ta*. Botflnico d„ Rio do tata» K- CEP «««»• SciELO/ JBRJ 12 13 14 cm .. Christo, A. G.; Guedes-Bruni. R. R. & Fonseca-Kruel . V. S. classificada pelo IBGE (1992) como Floresta Ombrófila Densa Submontana com áreas aluviais, periodicamente ou permanentemente alagadas, e morros mamelonares cujas manchas remanescentes no Rio de Janeiro recobrem a Reserva Biológica de Poço das Antas. Os remanescentes florestais contêm recursos genéticos de importância econômica, os quais, espccialmente na Floresta Atlântica, tendem a se perder em decorrência da erosão cultural pelas quais as comunidades rurais passam, levando à perda do conhecimento tradicional que estas comunidades possuem. Alguns dos principais fatores para esta perda podem estar relacionados com as migrações para os grandes centros urbanos, sinalizadas pelo censo 2000 do IBGE (2004); com a perda do conhecimento tradicional associado, devido ao envelhecimento e morte dos indivíduos detentores deste saber que geralmente é mantido de forma oral ou, ainda, pela falta de documentação pretérita sobre esse tipo de informação. Adotando Martin ( 1 995), que define como conhecimento tradicional o saber que o povo local detém sobre o ambiente natural, são identificadas comunidades que acumulam esse conhecimento sobre os recursos vegetais no entorno da Reserva, o qual constitui uma poderosa ferramenta para o planejamento e manutenção dessas áreas naturais como já destacado por Albuquerque & Andrade (2002). As informações históricas e culturais são igualmente reconhecidas por diferentes autores como instrumentos básicos para o entendimento nas relações estabelecidas entre o homem e a floresta (Amorozo & Gély 1 988; Rossato et al. 1999; Born 2000; Diegues & Viana 2000; Hanazaki et al. 2000; Pavan-Fruehauf 2000; Almeida & Albuquerque 2002; Diegues 2002- Fonseca-Kruel & Peixoto 2004 entre outros).’ Resgatar o conhecimento tradicional acerca dos recursos vegetais, transmitido de forma oral, de geração à geração, por parte das comunidades rurais que residem no interior ou às margens das Unidades de Conservação, deve constituir uma das ações prioritárias de estudo para a inserção dessas comunidades como importantes atores no processo de conservação da diversidade biológica e para a qual este trabalho objetiva contribuir. Assim sendo, o presente estudo etnobotânico tem como foco de análise a comunidade Gleba Aldeia Velha (GAV), estabelecida em área limítrofe à Reserva Biológica de Poço das Antas (Rebio), e busca identificar as plantas mais utilizadas, suas diferentes formas de uso, suas fontes de origem, além de avaliar o nível de conhecimento e eventual existência de pressão para extração de espécies nativas na região. Material e Métodos 1. Área de estudo A Rebio localiza-se na parte central costeira do estado do Rio de Janeiro (22°30' e 22°33’S e 42 15 e 42° 1 9’ W), no município de Silva Jardim (Fig. 1 ), a 1 30 km da capital do estado, com área de 5.000 ha, limítrofe ao município de Casimiro de Abreu (IBAMA 2003). Uma das últimas manchas de floresta na baixada fluminense, a Rebio abriga uma grande faixa de vegetação arbórea típica à Floresta Ombrófila Densa Submontana e aluvial em diferentes estados de maturidade. Capoeirões ao longo das encostas dos morros mamelonares e também nas planícies são freqüentes (Guedes-Bruni et al. 2006a e 2006b; Lima et al. 2006). Areas de capoeiras e capoei rinhas abundam por toda a Reserva, não sendo raro encontrar indivíduos de frutíferas, remanescentes de antigas roças. Limitada por extensas áreas de pastagem, a cobertura vegetal encontrada vive sujeita à ação o fogo, especialmente na estação seca, sendo esse o principal agente degenerador da floresta (JBRJ 2003). O rio São João, principal curso d’água na ocalidade, inunda parcialmente a Reserva, o que promove o aparecimento de espécies típicas como o pau-tamanco ( Tabebuia cassinoides) e o guanandí ( Calophyllum rasiliense e Symplwnia globulifera), especies arbóreas caracterizadas por uma historia de aproveitamento seletivo, essencialmente extrativista, que tem promovido acentuada diminuição de suas populações naturais (JBRJ 2003). Rociriguésia 57 (3): 519-542. 2006 SciELO/ JBRJ 12 13 14 15 16 17 Etnobotânica em uma área de Floresta Atlântica, Rio de Janeiro 521 22° 48'S 42° 24* W Finura 1 - Mapa dc localizado da Reserva Biológica de Poço das Antas e comunidades limítrofes. Fonte: Programa Mata Atlântica/JBRJ. 2. Aspectos sócio-econômicos A presença de moradores nos arredores das Unidades de Conservação (UC), sobretudo quando suas propriedades ou posses fazem limites ou sobrepõem-se às áreas oficiais de UCs, geram freqüentemente expectativas de conflito de interesses e, cm situações extremas, de litígio entre as partes. O senso comum, desde a década de 70, de que as UCs teriam suas áreas reduzidas pelas bordas e de que com o passar do tempo representariam, para di ferentes setores, áreas improdutivas e, por conseguinte, potenciais à produção agropecuária, agravada nos anos 90 pelas invasões do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), acabou por gerar uma relação de desconfiança ainda maior entre as populações circunvizinhas às UCs e o setor ambientalista. Para Diegues (2000) esse fato é conseqüência do modelo de criação de áreas protegidas implantado nos Estados Unidos da América, a partir de meados do século XIX, amplamente difundido pelas políticas conscrvacionistas nos países cm desenvolvi- mento, e baseado na visão do homem como necessariamente destruidor da natureza. As transposições desses espaços naturais, onde não se permitia a presença de moradores, geraram conflitos nos países tropicais, cujas florestas eram habitadas por populações indígenas c outros grupos tradicionais que desenvolveram formas de apropriação dos espaços e recursos naturais (Diegues 2000). As práticas tradicionais dos produtores agrícolas na utilização da queimada para preparação do solo; o hábito da caça; a extração de lenha, tanto para consumo próprio como para comercialização, especialmentc nessa região onde houve grande demanda para abastecimento dos fornos dc numerosas olarias e padarias, bem como a expansão dos limites de propriedade decorrentes, muitas vezes, da fragilidade do sistema de fiscalização, Rociriguésia 57 (3): 519-542. 2006 SciELO/ JBRJ 12 13 14 15 16 17 cm .. 522 resultaram numa expectativa negativa em relação às comunidades vizinhas às UCs. A realização da Convenção da Diversidade Biológica em 1 992 trouxe luz a essa temática, propiciando uma visão crítica e ao mesmo tempo integradora entre os diferentes setores, possibilitando ações concretas, voltadas tanto para a conservação biológica como para a geração de benefícios às comunidades tradicionais e rurais. Heywood (1995) destaca que os homens são vistos como a influência dominante na biodiversidade, cujas escalas de transformação, manejo e uso dos ecossistemas foram acentuadas, nos últimos dois ou três séculos. A publicação da obra Global Biodiversity Assessment (Heywood 1995) defende a idéia de que os homens não deveriam ser reduzidos à condição de fonte de problema, mas, sobretudo, como parte da solução, onde estratégias sócio-económicas para uso sustentável, conservação e repartição de benefícios deveriam ser oferecidas. Larrère et al. (2003) tratam da biodiversidade sob o ponto de vista interativo entre as ciências da vida e as ciências sociais e incentivam os leitores, à luz de diferentes pensadores, a desenvolverem reflexões que considerem questões como: a biodiversidade é resultante da interação entre processos naturais e atividades humanas ocorridas numa longa escala temporal; as atividades humanas não são, necessariamente, desfavoráveis à diversidade biológica; a conservação, por sua vez, não se restringe, unicamente, à natureza, mas também à cultura e, ainda, que a biodiversidade, assim como a diversidade cultural, são duas faces da mesma moeda. Assim, reconhecem que as ações implementadas, de forma aparteada entre os especialistas envolvidos na temática, acabaram por favorecer interpretações equivocadas. Um exemplo ilustrativo seria: o de que a proteção da natureza, ainda que sobrepujando a proteção da diversidade cultural, poderia ser feita contra as populações locais (e não com elas) mesmo que para seu cumprimento, fosse necessário, até mesmo, expulsá-las de seus territórios. Christo , A. G.; Guedes-Bruni, R. R. & Fonseca-Kruel , V- S. A relação entre o conhecimento tradicional sobre uso dos recursos biológicos e o impacto que este saber poderia gerar na extração de espécies ocorrentes em áreas de UCs passa a ganhar importância e destacar-se como ponto focal a ser então priorizado e tratado, sobretudo, por diferentes especialidades das ciências biológicas, da terra e sociais. No entorno da Reserva encontram-se dois assentamentos: um com cerca de 20 anos, denominado Gleba Aldeia Velha (G AV) e outro com aproximadamente 1 0 anos, denominado Cambucaes (CAM). Há cinco anos estabeleceu-se uma ocupação do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) que recebeu o nome de um de seus líderes. Sebastião Lan (SEB) (Fig. 1). As comunidades rurais têm origens distintas: em GAV e CAM residem antigos trabalhadores das fazendas locais, ou seus descendentes; em SEB, por sua vez, residem trabalhadores que migraram das áreas canavieiras, principalmente da região norte fluminense, para as proximidades da Reserva. Os seus habitantes subsistem da agricultura, cultivando banana ( Musa x paradisíaca), inhame ( Dioscorea sp.), milho (Zea mays), mandioca ( Manihot esculenta), entre outros, assim como da criação de animais como gado para corte e leite, e cujos produtos são vendidos em feiras livres da região. Os mais jovens procuram trabalhar no comércio e na prestação de serviços nos municípios vizinhos. As escolas públicas oferecem ensino somente até a 4a série do primeiro grau enquanto que postos de saúde inexistem. Essa situação resulta no fato de que os moradores se deslocam, com dificuldade, para as sedes dos municípios de Silva Jardim, Casimiro de Abreu ou Araruama à procura de estabelecimentos de ensino e saúde. A comunidade de GAV, que hoje é composta por 60 famílias, apresenta forte relação com a Reserva, visto que alguns moradores nela trabalham, em diferentes atividades e, também, por muitos deles residirem na região há mais tempo que os demais habitantes das outras comunidades. Rodriguèsia 57 (3): 519-542. 2006 SciELO/JBRJ 12 13 14 15 16 17 523 Etnobotánica em uma área de Horesta Atlântica, Rio de Janeiro detendo parcela significativa do conhecimento histórico da região tendo alguns, inclusive, acompanhado o processo de criação da Rebio. A localização da GAV, que tem a estrada BR 101 como limite de território, minimiza eventuais conflitos de interesse entre a população local e os propósitos da Rebio, o que, associado ao tempo de fixação na localidade, e conseqüente história de vida, tornam-na a comunidade rural mais adequada à implantação de uma proposta de pesquisa de médio prazo sobre o uso de recursos vegetais por comunidades rurais limítrofes a Unidades de Conservação, da qual este estudo faz parte. 3. Aspectos históricos A Rebio é oriunda da desapropriação de três propriedades rurais: Fazenda Poço D’Antas, Fazenda Bandeirantes e Fazenda Boi Branco. Na época de sua criação, cm 1974, existia ainda na área da Reserva 35 posseiros que praticavam agricultura de subsistência c criavam pequenos animais, os quais foram indenizados e se retiraram da Unidade. O nome da Rebio deve-se à estação ferroviária existente em seu interior e ao lugarejo de mesmo nome - Poço D’Antas (1BAMA 2003). O interior da Rebio é cortado pela estrada de ferro Leopoldina, construída em 1881, cujos remanescentes de floresta que foram poupados, até então, para a implantação de pastagens, passaram a servir de combustível para as locomotivas. Nesta época, muitas espécies medicinais sofreram excessiva extração. As plantas eram retiradas indiscriminadamente e levadas, por trem, para o município de Niterói e, dali, distribuídas para comercialização nas feiras livres da região metropolitana do Rio de Janeiro (Machado 1985). 4. Procedimentos metodológicos Foi utilizada a técnica da bola de neve (“snow bali”) que consiste em localizar um ou mais informantes-chave que indicam outros candidatos que poderão participar da pesquisa (Bernard 1986). Desta forma obteve-se a participação de 1 9 informantes detentores de conhecimento sobre o uso da Hora local, onze deles do gênero feminino c oito do masculino, com idades entre 27 e 76 anos. Diegues & Arruda (2001) relacionam como populações tradicionais não-indígenas as seguintes denominações: açorianos, babaçueiros, cablocos/ribeirinhos amazônicos, caiçaras, caipiras/sitiantes, campeiros (pastoreio), jangadeiros, pantaneiros, pescadores artesanais, praieiros, quilombolas, sertanejos/vaqueiros e vaijeiros (ribeirinhos não-amazônicos). Valendo- se desta categorização proposta pelos autores, identificou-se, como mais apropriada à comunidade a categoria: caipiras/sitiantes. Porém, em razão do termo caipira para citadinos urbanos, ter adquirido ao longo do tempo, um cunho pejorativo, optou-se por designar a comunidade estudada como: comunidade rural. O levantamento etnobotânico foi efetuado a partir de excursões mensais, realizadas no período de outubro/2002 a agosto/2003, contando com entrevistas abertas c semi-estruturadas (Alexiades & Sheldon 1996). Os informantes foram entrevistados individualmente utilizando- se técnicas de observação direta (Cotton 1998) c listagem livre (Weller & Romney 1988). Buscou-se identificar, através de caminhadas livres, os locais de vegetação utilizados pelos informantes (Alexiades & Sheldon 1996). Foi realizado em fevereiro de 2003 um encontro com a comunidade de GAV, na sede da Rebio, objetivando apresentar, não só os trabalhos que vêm sendo desenvolvidos no local pelo Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro (JBRJ), ao longo dos dez anos de sua atuação na área, como também, apresentar o projeto de etnobotánica a ser iniciado na comunidade, com o intuito de estabelecer uma relação institucional com seus habitantes. Procedeu-se à coleta de material botânico, nos locais onde as mesmas ocorrem, na presença e sob indicação do informante. O material foi, então, herborizado, identificado e depositado no Herbário do Jardim Botânico do Rio de Janeiro (RB). O sistema de classificação adotado segue Cronquist ( 1 988) e Lcguminosac foi considerada como família única, de acordo com Polhill cl aí. Rodriguésla 57 (3): 519-542. 2006 SciELO/JBRJ 12 13 14 15 16 17 524 Christo, A. G.; Guedes-Bruni, R. R. & Fonseca-Kruel , V. S. cm 1 (1981). A nomenclatura foi conferida através das bases de dados W3 Tropicos (Missouri Botanical Garden VAST -VAScular Tropicos) e INPI (The International Plants Names Index). Os dados obtidos foram tabulados numa matriz contendo os seguintes campos: família, nome científico, nome local, hábito, habitat, indicações de uso, coletor, forma de preparo e grupo de afecções tratadas. Foram padronizadas e adaptadas as categorias de uso, de acordo com o proposto por Rios (2002), totalizando nove tipos de uso: alimentar, combustível, construção, medicinal, ornamental, ritualística, tecnologia, tóxica e veterinária (Tab. 1). As doenças encontradas junto aos informantes foram padronizadas e adaptadas a partir da classificação da Organização Mundial de Saúde (OMS), de acordo com Almeida & Albuquerque (2002), as quais encontram-se agrupadas em 1 9 categorias, a saber: a) doenças infecciosas e parasitárias; b) neoplasias; c) doenças das glândulas endócrinas, da nutrição e do metabolismo; d) doenças do sangue e dos órgãos hematopoéticos; e) transtornos do sistema sensorial (ouvido); f) transtornos do sistema sensorial (olho); g) transtornos do sistema nervoso; h) transtornos do sistema circulatório; i) transtornos do sistema respiratório; j) transtornos do sistema digestivo; k) transtornos do sistema genito-urinário; 1) doenças da pele e do tecido celular sub-cutâneo; m) doenças do sistema osteomuscular e do tecido conjuntivo; n) afecções e dores não definidas; o) inapetência sexual; p) debilidade física e mental; q) mordida de bicho doente; r) viroses; s) acidente vascular cerebral. A forma de preparo das plantas medicinais, aqui empregadas, foi agrupada em dtz categorias, inseridas em dois grupos distintos: para uso interno (decocção, inftisão, pó, xarope, gargarejo e inalação) e para uso externo (banho, sumo, in natura e vapor). Objetivando avaliar a importância relativa de cada espécie medicinal citada pela comunidade, foi calculado o índice de importância relativa (IR) de Bennett & Prance (2000), onde o valor máximo alcançado por uma espécie corresponde a 2,00 e é obtido através da fórmula: IR = NSC + NP, onde: IR = índice de importância relativa; NSC ~ corresponde ao número de sistemas corporais tratados por uma determinada espécie ( NSCE) dividido pelo número total de sistemas corporais tratados pela espécie mais versátil ( NSCEV ); NP - corresponde ao número de propriedades atribuídas a uma determinada espécie ( NPE) dividido pelo número total de propriedades atribuídas à espécie mais versátil ( NPEV ). Tabela 1 - Conceituação das categorias de uso das espécies indicadas como úteis pela comunidade Gleba Aldeia Velha, Silva Jaidim, RJ. Categorias de uso / comentários Alimentação Plantas cultivadas ou adquiridas no comércio utilizadas na alimentação. Medicinal Destinadas ao preparo de medicamentos para tratamento de enfermidades. Construção Utilizadas como caibros e ripados na construção de telhados de residências, abrigos para animais Combustível Fornecem lenha para alimentação de fogões, fomos e tachos para beneficiamento de produtos agrícolas. Ornamental Utilizadas para ornamentar casas e quintas de residências. Ritualística Plantas com efeitos “mágicos”, utilizadas para afastar “mau- olhado” e “abrir-caminho”. Tecnologia Plantas utilizadas para o fabrico de utensílios domésticos e ferramentas. Tóxica Plantas que apresentam algum tipo de toxidez quando consumida por pessoa ou animal. Veterinária Utilizadas como alimento ou medicamento para tratamento de enfermidades em animais domésticos. Rodriguésia 57 (3): 519-542. 2006 !SciELO/JBRJ 12 13 14 15 16 17 Etnobotânica em uma área de Floresta Atlântica, Rio de Janeiro 525 cm Para identificar os sistemas corporais que apresentam maior nível de consenso da população, na indicação de uma mesma planta para o tratamento de uma categoria distinta de doença, foi utilizado o fator de consenso dos informantes (FCI) de Trotter & Logan ( 1 986), cujo valor máximo de consenso é 1 ,00. Este método serve para identificar as espécies que merecem um estudo mais aprofundado, como fitoquímico, por exemplo, e para tanto se utiliza a fórmula: FCI = NAELjJíIA , NAR- 1 onde: FCI= fator de consenso dos informantes; NAR = somatório de usos registrados por cada informante para uma categoria; NA = número de espécies indicadas na categoria. Aplicou-se a análise de agrupamento tomando como variáveis o número de plantas citadas por cada informante, categorizadas conforme o uso, objetivando averiguar a formação dc grupos dc informantes que partilhem conhecimentos similares sobre o uso dos recursos vegetais. O dendrograma obtido seguiu as técnicas propostas por llõft et al. (1999), utilizando a distância euclidiana simples e o método de ligação simples, empregando o programa SYSTAT 8.0. O coeficiente de correlação cofenética — rci (Sncath & Sokal 1973) foi calculado pelo módulo Cluster do pacote dc programas FITOPAC (Shepherd 1995). Buscou-se comparar os resultados obtidos neste estudo com outros similares desenvolvidos em áreas de mata atlântica. Para tanto utilizou-se o índice de diversidade de Shannon (Magurran 1988), adaptado por Begossi (1996), para quem seu emprego permite comparar o uso de plantas por populações diferentes cm ambientes distintos, o qual é assim obtido: s tf'— 5>0(iog/>0, nas bases 10 c e, /=! s = número de espécies; ni = número de citações por espécie; N - número total de citações. Desenvolveu-se ainda, em dezembro de 2004, um Diagnóstico Rural Participativo (DRP), reunindo cerca de 60 moradores, objetivando identificar as relações da comunidade entre si e com as instituições públicas, privadas e organizações diversas, seguindo as técnicas propostas por EMBRAPA (2004). Chambers (1982) define DRP como um termo empregado para designar um conjunto de métodos e abordagens que possibilitam às comunidades compartilhar e analisar sua percepção acerca dc suas condições de vida, planejar e agir. Assim, inicialmente, buscou-se levantar a história da comunidade com informantes-chave. Junto com a comunidade estabeleceu-se uma escala dc priorizaçâo dos problemas e identificação das soluções. Efetuou-se um calendário sazonal da distribuição do trabalho na agricultura e pecuária durante o ano. O uso do diagrama de “Verm" possibilitou identificar as instituições atuantes na área onde se verificou a importância de sua participação na comunidade. Os moradores realizaram croquis da área, onde a comunidade encontra-se estabelecida, identificando e classificando as formas dc uso da terra. O DRP objetivou ainda, através da rotina doméstica, avaliar as relações da comunidade com as plantas utilizadas. Em abril dc 2005 foi implementada a restituição do DRP para que a comunidade GAV avaliasse c consolidasse os resultados obtidos pela equipe do JBRJ. Resultados e DiscussAo Das entrevistas com os informantes obtcvc-sc 549 citações dc uso de plantas representadas por 210 espécies, das quais 36 cm morfo-espécie, subordinadas a 74 famílias (Tab. 2) das quais as de maior riqueza específica são: Asteraccac e Leguminosae (20 spp.), Lamiaceae (15 spp.), Euphorbiaceae (9 spp.), Myrtaceac c Poaceac (8 spp.). A família Asteraccac é também destacada como uma das maiores cm número dc espécies com algum Rodriguésia 57 (3): 519-542. 2006 SciELO/JBRJ 12 13 14 15 16 17 526 uso em autores como Amorozo (2002), Bennett & Prance (2000) e Williams et al. (2000). As plantas ao serem agrupadas em nove categorias, segundo a sua utilização, revelaram um elevado número de táxons indicados como de uso medicinal (96 spp.) seguido do uso alimentar (59 spp.) (Fig. 2). Isso sugere a grande importância que as plantas medicinais, assim como as alimentares, exercem no cotidiano da comunidade. As plantas medicinais são cada vez mais empregadas na medicina popular e podem ter como condicionantes dessa realidade as dificuldades impostas, sobretudo às comunidades rurais, no que tange: à disponibilidade de um médico ou até mesmo de um agente de saúde para seu atendimento; à existência de um espaço físico, minimamente equipado, para os procedimentos diagnósticos; à facilidade de acesso, seja pela qualidade das estradas vicinais, seja pela disponibilidade de transporte coletivo; ao preço praticado dos medicamentos industrializados e à fragilidade do sistema governamental de farmácias públicas, entre muitos outros fatores. O dendrograma produzido pela análise de agrupamento (Fig. 3) mostra um considerável ajuste à matriz de distâncias calculadas (r = 0,8624). Observou-se a formação de dois grupos distintos: (1) O primeiro formado exclusivamente por mulheres e nele inserido devido ao elevado conhecimento acumulado sobre plantas de uso medicinal. Na comunidade as mulheres geralmente se ocupam, sobretudo, dos serviços domésticos e do manejo dè pequenos animais. É delas, ainda, a preocupação com a saúde da família, para quem cultivam, colhem, preparam e ministram a planta medicinal aos seus membros; (2) O segundo grupo mostrou maior similaridade e é, caracteristicamente, misto, ou seja, é formado tanto por informantes homens quanto por mulheres, os quais citam um maior número de categorias de uso, porém um menor número de espécies. Neste grupo, em especial, encontram-se dois informantes do gênero masculino (H2 e H8) que se destacam dos demais no que tange ao conhecimento sobre plantas nativas da mata atlântica, sobretudo as Christo, A. G.; Guedes-Bnmi. R. R.& Fonseca-Kruel . V. S. de porte arbóreo inseridas nas categorias de uso relativas à construção, combustível e tecnologia. Para Laraia (2002) o homem é resultado do meio cultural em que foi socializado, o que explica em parte esse conhecimento, visto que estes dois informantes não só são os mais antigos residentes na comunidade como também os que tiveram maior proximidade com as atividades madeireiras ali estabelecidas nas décadas de 1970 e 1980. Figura 2 - Distribuição do número de espécies indicadas em cada categoria de uso. ama eiaoorado a partir do número de especies indicadas em cada categoria de uso por cada informante utilizando a distância euclidiana e o método de ligação simples. (M: mulher; H: homem). Rodriguésia 57 (3): 519-542. 2006 SciELO/JBRJ 12 13 14 15 16 17 cm Etnobotânica em uma área de Floresta Atlântica, Rio de Janeiro 527 As partes das plantas mais utilizadas foram: folha (48,5%), seguida por caule (24,5%), fruto (15,7%), flor (5,3%), semente (2,2%), planta inteira (1,9%), raiz (1,8%) e exsudado (0, 1 %). As formas de vida dominante são: herbácea e arbórea com 33% das espécies, cada uma, seguida por subarbustivo- arbustivo (30%) e trepadeira (4%) (Fig. 4). Dentre as plantas, com alguma propriedade de uso na comunidade, cerca de 52% são cultivadas no quintal ou organizadas em pequenas hortas familiares, 29% são provenientes de áreas remanescentes de floresta, 11% crescem espontaneamente e 8% são adquiridas no comércio. As plantas mais citadas pelos informantes foram: erva-cidreira ( Lippia alba) e boldo (Plectranthus barbatus). Obteve-se 1 1 5 indicações sobre o preparo das plantas de uso medicinal cujas formas mais citadas foram: por dccocção (47%), infusão (13%) e xarope (19%) (Fig. 5). Figura 4 - Distribuição das formas de vida das espécies indicadas como úteis pelos informantes. Figura 5 - Distribuiçüo das formas de preparo das espécies indicadas como medicinais. Tabela 2 - Relação de espécies referenciadas como úteis pela comunidade Gleba Aldeia Velha, Silva Jardim, RJ. Familia / espécie Nome local Hall Hat Uso Parte usada Núm col. ACANTHACEAE Barleria sp. Pachystachys lutea Nees ALISMATACEAE Echinodorus grandiflorus (Cham. & Schltdl.) Micheli AMARANTHACEAE Pfaffia sp. ANACARDIACEAE Anacardium occidentale L. Astronium graveolens Jacq. Mangifera indica L. Schinus terebinthifolius Raddi Spondias lutea L. Tapirira guianensis Aubl. ANNONACEAE Anonna muricata L. Xylopia sericea A. St.-Hil. APIACEAE Daucus carola L. violeta camarão arb arb cult cult chapéu-dc-couro herb cult novalgina herb cult cajú arb cult arocirão arv nat manga arv cult aroeira arb nat cajá arv cult canela-cedro arv nat graviola arv cult imbiú arv nat cenoura herb comp om fo.fl 257 om fl 263 med fo 238 med ca, fo 113 ali fr m mad ca 360 ali fr 128 med fo 179 ali fr - comb ca 365 ali, med cons fo.fr ca 136 319 ali ra Rodriguésia 57 (3): 519-542. 2006 SciELO/ JBRJ 12 13 14 15 16 17 528 Chrisio, A. G.; Guedes-Bruni, R. R. & Fonseca-Kruel , V S. cm Família / espécie Nome local Eryngium foetidum L. coentro Foeniculum vulgare Mill. erva-doce Petroselinum crispim (Mill.) salsa Nyman ex A.W. Hill APOCYNACEAE Calharanlhus roseus (L.) G Don boa-noite ARACEAE Xanthosoma sagittifolium (L.) taioba Schott & Endl. ARECACEAE At ta lua humilis Mart. pindoba Cocos mtcifera L. coco Hab Hat Uso Parte usada ' Núm coL herb cult ali fo 258 herb cult med ca,fo 309 herb comp ali ca, fo * herb cult om fl - herb cult ali, med fo arb nat cons ra 339 arv cult ali fo - ASTERACEAE Achiltea miUefolium L. Achyrocline satureioides (Lam.) DC. Ageratum conyzoides L. Arctium minus (Hill) Bemh. Artemísia absinthium L. Baccharis dracuncuhfolia DC. B. trimera (Less.) DC. Bidens pilosa L. B. sulphurea (Cav.) Sch. Bip. Cichorium intybus L. Coreopsis grandiflora Hogg ex Sweet Elephantopus mollis Kunth Lactuca saliva L. Mikania glomerata Spreng. Solidago chilensis Meyen Tagetes erecta L. Vernonia condensata Baker V. discolor (Spreng.) Less. V. polyanthes Less. V. scorpioides (Lam.) Pers. mil-folhas marcela-do-campo erva-de-São-João bardana losna alecrim-do-campo carqueja picão picão- grande almeirão camomila erva-grossa alface guaco arnica cravo-de-defunto boldo-do-chile camará assa-peixe erva-preá herb herb arb arb arb arb herb herb herb herb herb herb herb trep herb herb arb arv arb herb BEGON1ACEAE Begónia semperflorens Link & Otto begônia BIGNONIACEAE Jacaranda pubenda Cham. Sparattosperma leucanthum (Vell.) K. Schum. Tabebuia cassinoides (Lam.) DC. T. umbellata (Sond.) Sandwith carobinha cinco-folhas pau-tamanco ipê-amarelo herb arv arv arv arv B1XACEAE Bixa orei lana L. orucum arb BOMBACACEAE Bombacopsis glabra (Pasquale) Robyns castanheira arv cult med esp med cult med cult med cult med esp rit cult med esp med cult om cult ali cult med esp vet comp ali cult med cult med cult med cult med nat comb cult med esP med cult om nat rned nat comb nat tec nat om eult ali, med nat om ca, fo 229 ca, fo 163 fo 231 fo 73 fo 40 fo 341 fo 176 int 164 fl 255 fo 156 ca, fo 55 fo 149 fo - ca, fo 119 fo 246 fo,fl 84 fo 177 ca 316 fo 159 ca, fo 336 fo,fl 261 fo 180 ca - ca _ fl 331 fo, se 234 fl 355 BORAG1NACEAE Cordia sp. Symphytum officinale L. baleeira confrei arb esp herb cult med med fo 286 fo 118 Rodriguésia 57 (3): 519-542. 2006 SciELO/JBRJ 12 13 14 15 16 17 Elnobotánica em uma área de Floresta Atlântica, Rio de Janeiro 529 cm Família / espécie BRASSICACEAE Brassica nigra (L.) W.D.J. Koch B. oleracea L. Lepidium virginicum L. Nasturtium officinale R. Br. BR0MEL1ACEAE Ananas comosus (L.) Merr. CAPRIFOLIACEAE Sambucus nigra L. CARICACEAE Carica papaya L. Jacaratia spinosa (Aubl.) A. DC. CECROP1ACEAE Cecropia glaziovi Snethlage CELASTRACEAE Maytenus ilicifolia (Schrad.) Planch. CHENOPODIACEAE Chenopodium ambrosioides L. CHRYSOBALANACEAE Chrysobalanus icaco L. CLUSIACEAE Calophyllum brasiliense Cambess. COMBRETACEAE Terminalia catappa L. COMMELINACEAE Callisia sp. CONVOLVULACEAE Cuscuta sp. CRASSULACEAE Kalanchoe brasiliensis Cambess. CUCURBITACEAE Cucumis anguria L. Momordica charantia L. DAVALLIACEAE Davallia sp. DIOSCORIACEAE Dioscorea sp. EQU1SETACEAE Equisetum hyemale L. Nome local Hab Hat Uso Parte usada Núm col. mostarda herb comp ali fo m couve herb cult ali, med fo - mastruço herb esp med ca, fo 335 agrião herb comp ali fo abacaxi herb comp ali fr - sabugueiro arb cult med ca, fo 72 mamão arb cult ali, med fl.fr . mamão-jacatiá arv nat ali ca 354 embaúba-roxa arv nat med fo, fr 145 espinheira-santa- -da-horta arb comp med fo - erva-de- -Santa-Maria herb cult med ca, fo 62 bajurú arb cult ali, med fo, fr 68 guanandi arv nat cons ca 314 amendoeira arv cult med fo 139 trança-de-cigano herb cult om ca.fo 265 cipó-chumbo trep esp med ca, fo 347 saião herb cult med fo 247 maxixe trep comp ali fr . mclão-dc- -Süo-Caetano trep esp tox fr 182 samambaia herb cult om fo - inhame herb comp ali ra - cavalinha herb cult med fo 107 Rodriguésia 57 (3): 519-542. 2006 SciELO/ JBRJ 12 13 14 15 16 530 Christo , A. G.; Guedes-Bruni, R. R. & Fonseca-Kruel , V. S. cm Família / espécie EUPHORBIACEAE Acalypha comnwnis Müll. Arg. Alchornea triplinervia (Spreng.) Müll. Arg. Codiaeum variegatum (L.) A. Juss. Euplwrbia sp. Jalropha gossypiifolia L. Manihol esculenla Crantz Phyllanthus niruri L. Ricinus communis L. Senefeldera multiflora Mart. LAM1ACEAE Leonotis nepetifolia (L.) R. Br. Leonurus sibirícus L. Mentha pulegium L. Mentha sp. Ocimum basilicum L. O. gratissimum L. Ocimum sp. 1 Ocimum sp. 2. Origanum vulgare L. Plectranthus amboinicus (Lour.) Spreng. P barbatus Andrews P. grandis (Cramer) R. Willemse Rosmarinus officinalis L. Salvia splendem Ker Gawl. Lamiaceae sp. LAURACEAE Aniba firmula (Nees & C. Mart.) Mez Nectandra oppositifolia Nees & Mart. N. puberula (Schott) Nees Ocolea sp. Persea americana Mill. LECYTH1DACEAE Caríniana legalis (Mart.) Kuntze LEGUMINOSAE CAESALP1NOIDEAE Bauhinia radiata Vell. Chamaecrista ensiformis (Vell.) H.S. Irwin & Bameby Copaifera langsdorffii Desf. Hymenaea courbaril L. Senna alata (L.) Roxb. MIMOSOIDEAE Balizia pedicellaris (DC.) Bameby & J.W. Grimes Inga sp. 1 Inga sp. 2 Inga sp. 3 Mimosa pudica L. Pipladenia gonoacantha Nome local Hab Hat Uso Parte usada Núm col. parietália arb cult med fo 174 tapiá arv nat tec ca 361 brasileirinho arb cult om fo 260 quebra-pedra herb esp med int 251 pinhão-roxo arb cult med fo 58 mandioca arb cult ali, med ra, fo quebra-pedra herb esp med int 344 mamona arb esp med se 343 sucanga arv nat cons ca 268 cordão-de-frade arb cult me int 87 erva-macaé herb cult me fo 253 poejo herb cult me ca, fo 121 hortelã-preta herb cult me fo 150 manjericão arb cult ali, med fo 124 alfavaca arb cult med 122 alfavacão elichir arb arb cult cult med med ca, fo fo 153 123 orégano herb cult ali hortelã-pimenta arb cult ali, med fo 63 boi do alcachofra arb arb cult cult med med ca, fo 44 240 alecrim herb cult med ca, fo 79 Maria-sapeca arb cult om n 254 viclc herb cult med fo 245 canela-cheirosa canela canela canela abacate arv arv arv arv arv nat nat nat nat cult cons cons cons cons ali ca ca ca ca fr 277 363 318 269 134 jequitibá arv nat cons ca pata-de-vaca oiti trep arv cult nat med cons fo ca 42 271 copaíba jatobá tiririqui arv arv arb nat nat esp med cons ali ec ca se 366 345 cambuí-branco arv nat cons ca 328 ingá ingá ingá dormideira pau-jacaré arv arv arv herb arv nat nat nat esp nat ali ali ali med comb fr fi- A- ca, fo ca 351 353 356 337 364 Rodriguèsia 57 (3): 519-542. 2006 SciELO/ JBRJ 12 13 14 15 16 Etnobotánica em uma área de Floresta Atlântica, Rio de Janeiro 531 cm Família / espécie (Mart.) J.F. Macbr. P. paniculata Benth. Plathymenia foliolosa Benth. Pseudopiptadenia contorta (DC.) G.P. Lewis & M.P. Lima PAPILIONOIDEAE Cajanus cajan (L.) Millsp. Dalbergia nigra (Vell.) Allemao ex Benth. Desmodium sp. Machaerium nyctitans (Vell.) Benth. Phaseolus vulgaris L. Leguminosae sp. LILIACEAE Aloe vera (L.) Burm. f. Allium fistulosum L. A. sativum L. LYTHRACEAE Cuphea carthagenensis (Jacq.) J.F. Macbr. MALPIGHIACEAE Malpighia glabra L. MALVACEAE Gossypium hirsutum L. Hiblscus esculentus L. MELASTOMATACEAE Miconia cinnamomifolia (DC.) Naudin M. lepidota Schrank & Mart. ex DC. Ttbouchina cf. heteromalla Cogn. T. granulosa (Desr.) Cogn. MELIACEAE Cabralea canjerana (Vell.) Mart. Guarea guidonia (L.) Sleumer MONIMIACEAE Siparuna guianensis Aubl. MORACEAE Artocarpus heterophyllus Lam. Ficus carica L. Morus nigra L. Sorocea guilleminiana Gaudich. MUSACEAE Musa x paradsiaca L. MYRISTICACEAE Virola gardneri (A. DC.) Warb. V. oleifera (Schott) A.C. Sm. Rodriguésia 57 (3): 519-542. 2006 Nome local Hab Hat angicão arv nat vinhático arv nat angico-preto arv nat feijão-guandu arb cult jacarandá arv nat pico-de-amor herb esp guaxumbé arv nat feijão herb cult mal-casado arv nat babosa herb cult cebola-gigante herb cult alho herb comp sete-sangrias herb cult liso Parte usada Núm col. cons ca 329 cons ca 317 cons ca 266 ali se 170 cons ca 332 med ca, fo 338 comb ca 333 ati se - comb ca 312 med fo 300 ali fo 162 ali ca " med fo 91 acerola arb cult algodoeiro arb cult quiabo arb comp jacatirão arv nat mirindiba arv nat quaresma arb nat quaresmeira arv nat cedro-rosa arv nat carrapeta arv nat fedegoso arv nat jaca-manteiga arv cult figo arb cult amora arb cult espinheira-santa arv nat banana herb cult imbiú-preto arv nat bicuibuçú arv nat ali, med fr 132 med fo 46 ali fi- " cons ca 274 comb ca 278 om fl 183 om n 330 tcc ca 283 tox fr 349 comb ca 359 ali fr 137 ali, med fo, fr 148 ali, med fo, fr 249 med fo 280 ali fr - comb ca 273 comb ca 267 SciELO/JBRJ 12 13 14 15 16 cm .. 532 Chrislo, A. G.; Guedes-Bruni, R. R. & Fonseca-Kruel , V- ■ S. Família / espécie Nome local Hab MYRSINACEAE Rapanea ferruginea capororoca arv (Ruiz & Pav.) Mez MYRTACEAE Eucaliptus sp. eucalipto arv Eugenia uniflora L. pitanga arb Myrciaria cauliflora (Mart.) 0. Berg jabuticaba arb M floribunda goiabeira-do-mato arv (H. West ex Willd.) 0. Berg M glomerata O. Berg goaquica arb Psidium guajava L. goiabeira arv Syzygium aromaticum cravo-da-índia arv (L.) Merr. & L.M. Perry S. cumini (L.) Skeels jamelão arv OLEACEAE Jasminum sp. jamim arb OXALIDACEAE Averrhoa carambola L. carambola arv PAPAVERACEAE Argemone mexicana L. cardo-santo herb PASSIFLORACEAE Passiflora edulis Sims maracujá trep PHYTOLACCACEAE Petivería alliacea L. guiné-piu-piu herb PIPERACEAE Piper mollicomum Kunth jaborandí Pothomorphe umbellata (L.) Miq. capeba arb PLANTAGINACEAE Plantago major L. tanchagem herb POACEAE Coix lacryma-jobi L. lágrima-de-Nossa- herb -Senhora Cymbopogon citratus (DC.) Stapf capim-cidreira Eleusine indica (L.) Gaertn. capim-pé-de-ealinha hrrh Melinis minuliflora P. Beauv. capim-gordura Oryza saliva L. arroz Phalaris canariensis L. alpiste Saccharum officinarum L. cana-de-açúcar herb Zea mays L. milho herb POLYGONACEAE Polygomm hydropiperoides Michx. erva-de-bicho herb PUNICACEAE Púnica granalum L. romã arb ROSACEAE Rosa sp. rosa-branca arb Hab Hat Uso Parte usada Núm coL nat comb ca 357 cult med fo 67 cult ali, med fo, fr 151 cult ali, med fo, fr 135 nat comb ca 275 cult ali fr 340 cult ali fr 169 comp ali fl - cult ali, med fo, fr 288 cult om fl 262 cult ali, med fo, fl 178 cult med fo 228 comp ali fr - cult tit fo - esp med fo 152 cult med fo 306 cult med fo 175 cult med fo 307 cult med fo 36 esp med int 181 cult med ca, fo . comp ali se . comp vet se _ cult ali ca _ cult med a - cult med fo 237 cult med fr 129 cult om fl 256 Rodriguésia 57 (3): 519-542. 21 J 12 13 14 15 16 :SciELO/ JBRJ cm Etnobotânica em uma área de Floresta A tlântica, Rio de Janeiro Família / espécie Nome local Hab Hat Uso Parte usada Núm col. RUBIACEAE Coffea arabica L. Genipa americana L. café genipapo arb arv cult nat ali ali se fr 172 362 RUTACEAE Citrus aurantium L. C. limon (L.) Burm. f. C. medica var. limon L. C. reliculata Blanco Ruta graveolens L. laranja-pêra limão limão-galego mexirica arruda arv arb arv arb herb cult cult cult cult cult ali ali ali ali rit fr fr fr fr ca, fo 127 133 173 SAPINDACEAE Cupania oblongifolia Mart. camboatá arv nat comb ca 327 SAPOTACEAE Ecclinusa ramiflora Mart. Pouteria caimito (Ruiz & Pav.) Radlk. acá abiu arv arv nat cult comb ali ca fr 276 168 SAXIFRAGACEAE Hydrangea macrophylla (Thunb.) Ser. hortência arb cult om n 115 SCH1ZAEACEAE Lygodium volubile Sw. samambaia-do-mato trep nat med fo 184 SIMAROUBACEAE Picramnia ciliata Mart. pau-pereira arv nat med ca 272 SOLANACEAE Brunfelsia uniflora (Pohl) D. Don Capsicum baccatum L. Solanum cernuum Vell. S. paniculatum L. S. tuberosum L. manacá pimenta panacéia jurubeba batata arb arb arb arb arb nat cult cult esp comp om ali med med ali n fr fo fo ca 171 34 TURNERACEAE Turnera ulmifolia L. vassourinha arb esp orn fl 342 ULMACEAE Trema micranlha (L.) Blume crandiúba arv nat comb ca 313 URTICACEAE Urtica sp. urtiga-branca herb esp med fo 232 VERBENACEAE Alovsia gralissima (Gillies & Hook.) Trone. Clerodendron sp. Lantana camara L. Lippia alba (Mill.) N.E. Br. Stachytarpheta cayennensis (Rich.) Vahl alfazema coração-de-Jesus bem-me-quer erva-cidreira gervão-roxo arb trep herb arb herb cult cult esp cult cult me om med med med fo fl fo.fl ca, fo int 59 264 287 157 167 VOCHYSIACEAE Vochysia sp. tarumã arv nat comb ca 321 ZINGIBERACEAE Costus spiralis (Jacq.) Roscoe Zingiber officinale Roscoe cana-do-brejo gengibre herb herb cult cult med med fo ra 236 103 Rodriguésia 57 (3): 519-542. 2006 SciELO/JBRJ 12 13 14 15 16 534 Christo , A. G.; Guedes-Bruni, R. R. & Fonseca-Kruel . V. S. Família / espécie INDETERMINADAS sp. indet. 1 sp. indet. 2 sp. indet. 3 sp. indet. 4 sp. indet. 5 sp. indet. 6 sp. indet. 7 sp. indet. 8 sp. indet. 9 sp. indet. 10 sp. indet. 1 1 Nome local Hab Hat Uso Parte usada Núm col. arb esp med fo 334 arv nat cons ca 284 herb esp med fo 165 arv nat comb ca 279 arv nat cons ca 324 arv nat comb ca 350 arv nat cons ca 325 arb cult ali fr 166 arv nat comb ca 270 arv nat cons ca 282 herb esp med fo 241 anador araribá-rosa amica-do-campo bacubichá bico-de-papagaio canetna gameleira maria-nera milho-cozido mirindiba-ipê pronto-alivio Hab - hábito: arb - arbustivo; arv - arbóreo- herh - hprhrWr.- . , . comprada; nat - nativa; esp - espontânea. Uso: ali - alimentar comb comhu^' l ‘ ^ C°mP,‘ om - ornamental; rit - ritualística; tec - tecnológica- tox - tóxica^et' C“^ ;DCOns ' COnS,mç3ü; med ' mcd,cl"aI: folha- fl - flor fr - fruto- se sementP.»v , ’ . a, vet - veterinária. Parte usada: ra - raiz; ca -caule; fo- a, tlor, fruto, se - semente, ex - exsudado; mt - planta inteira. Núm. col. - número de coleta de A.G Christo. Tabela 3 - índice de importância relativa (IR) das esnériec í^a; a ,. . . comunidade Gleba Aldeia Velha, Silva Jardim, RJ COm° medlclna,s na IR Espécies 2,00 137 1,03 0,97 0,83 0,69 0,49 034 Aloe vera — Leomrus sibiricus Baccharis trimera. Eugenia unijlora. Stachytarpheta cavennensis Menlha pulegium Solanum paniculatum Averrhoa carambola, Bidens pilosa, Coreopsis grandiflora Cuscuia sn r a citratus, Echinodorus grandifíorus Jatmnhn „ ^ , \mÇuta SP- Cymbopogon nepetifolia, Menlha sp., A íorL nigra, Myrciarfa cZifíòra *a,mch°e b™die™is’ Leono,ÍS gratissimum, Ocimum sp 1 Pfafíio sn Pio , ^ cimum basilicum, Ocimum Symphymm officSe P- Kosmarinus officinalis. Achillea millefolium, Ageratum convzaide* Eucaliptos sp., Lamiaceae sp.. Laniana camara Leoidiu^ Ar'emÍSÍa absin,hium- Mikania glomerata, Piper mollicomum. Plectranthuf Z "r?tn,cu”’ May,enus Mcifolia, Zingiber officinale i cimbomicus, Vernonia polyanlhes, dcalypha communis, Achvrocline ai mexicana. Bauhinia radiata Bixa orellana Br fra"ss'l,m Arclium minui. Argemone glazioú. Cenopodium amlríZZfcZZ^t^r langsdorffii, Cordia sp., Costus soiralis r, i , C0, Coix lacryma-jobi, Copaifera indica, Equisetum hyemale. Euphorbia sp nZZrícaT^' 9eSm°?ÍUm Sp” Eleusim hirsutum. sp. indet. 1, sp. indet. 3, sp indet 1 1 / F°e™culum vulgare, Gossypium volubile, Malpighia glabra, Manihot esculentà °™randa pube™la- Lippia alba, Lygodium sp. 2. Phyllanthus niruri, Picramniá c lia a Plal "‘""t Mmasa pudÍCa’ Ocimum Polygonum Bydroplpcraidex. PoZmo^ ZZZ Z7 Sambucus nigra, Schinus terebinthifolius Solanum r f°natum, Ricinus commums. guilieminiana, Syzygium cumini. TageZ eZZZZ T' &'“®’ ***>*• Sorocea _çonden^ Vjanonia «ogfoj dcy s”~ li-~ Rodrigtiésia 57 (3): 519-542. 2006 ciELO/ JBRJ cm Etnobotãnica em uma área de Floresta Atlântica, Rio de Janeiro 535 A comercialização de plantas medicinais não é praticada entre os entrevistados, as quais são trocadas ou, simplesmente, coletadas na casa do vizinho. A compra de plantas no comércio da cidade mais próxima (Casimiro de Abreu) restringe-se, apenas, às de uso alimentar, que podem ser também, às vezes, cultivadas pela comunidade. O extrativismo seletivo de uma determinada espécie para a comercialização pode trazer prejuízos à sua população, como ocorreu com o jaborandí ( Pilocarpus microphyllus Stapf ex Wardleworth) no estado do Maranhão. Sua exploração comercial pela indústria farmacêutica não retomou como benefício à comunidade detentora do conhecimento tradicional sobre seu uso e, ainda, contribuiu para incluir este recurso vegetal na lista da flora brasileira em perigo de extinção (Pinheiro 2002). Atualmente, o extrativismo seletivo de plantas medicinais não é observado na comunidade estudada e restringe-se, tão-somente, a coletas eventuais, decorrentes de uma demanda especítica. Observou-se, com o uso do índice de importância relativa, que cinco espécies apresentam IR maior que 1 ,00 c foram indicadas para o tratamento de até cinco categorias de doença (Tab. 3). As plantas medicinais utilizadas na comunidade GAV apresentam IR semelhante ao obtido no estudo realizado na feira de Caruaru, estado de Pernambuco, por Almeida & Albuquerque (2002), que apresentou nove espécies com IR > 1,00 para o tratamento de até oito categorias de doença. As categorias de doença com maiores consensos entre os informantes da comunidade foram: doenças infecciosas e parasitárias (FCI = 0,66), seguido por transtornos do sistema nervoso e transtornos do sistema respiratório com FCI = 0,65 cada (Tab. 4). Os dados revelam que 7 1 ,9% das espécies, com alguma propriedade medicinal, são cultivadas e destinadas para consumo do núcleo familiar ou da vizinhança. O cultivo nos quintais e entorno das moradias é, notadamente, resultante da comodidade que ele representa, em razão das dificuldades de deslocamento dos moradores, tanto para áreas mais distanciadas de vegetação nativa - onde poderiam extrair, em diminuta escala, espécies nativas para Tabela 4 - Fator de consenso dos informantes (FCI) da comunidade Gleba Aldeia Velha, Silva Jardim, RJ. Categorias de doenças1 doenças infecciosas e parasitárias transtornos do sistema nervoso transtornos do sistema respiratório viroses doenças da pele e do tecido celular sub-cutaneo afecções e dores não definidas transtornos do sistema digestivo transtornos do sistema genito-urinário doenças das glândulas endócrinas, da nutrição e do meta o ismo transtornos do sistema circulatório doenças do sistema osteomuscular e do tecido conjuntivo doenças do sangue c dos órgãos hematopoéticos neoplasias transtornos do sistema sensorial (ouvido) transtornos do sistema sensorial (olho) mordida de bicho doente NAR NA 1(1 30 11 0,66 35 13 0,65 61 22 0,65 29 11 0,64 29 12 0,61 21 9 0,60 44 21 0,53 26 13 0,52 17 11 0,38 10 7 0,33 8 6 0,29 7 6 0,17 2 2 0,00 2 2 0,00 2 2 0,00 2 2 0,(X) sonut^o^ieusos registrados po, cada inlbmianle na categoria; NA: número dc csp&ics indicudus na cutcgona. Rodrigue.ua 57 (3): 519-542. 2006 .SciELO/ JBRJ 12 13 14 15 16 17 536 supressão de demandas eventuais — como para a própria cidade de Casimiro de Abreu, onde poderiam adquiri-las na horta medicinal comunitária mantida pela Prefeitura. Considerando que a comunidade situa-se em área de domínio de Floresta Atlântica, cuja diversidade de espécies e potencialidades de uso são elevadas, este resultado torna-se preocupante, à medida que a valorização dos recursos da flora nativa perde importância, em detrimento do uso de espécies cultivadas, muitas vezes já beneficiadas. Harris (1969 apud Laraia 2002) considera que uma mudança no ambiente resulta numa mudança no comportamento, sendo assim a degradação do ambiente, assim como a migração de populações rurais para os grandes centros urbanos, como se deu nessa região, pode ter contribuído para a perda do conhecimento tradicional sobre as espécies locais. O mesmo foi observado por Amorozo (2002) que justifica que esse fato se deve à diminuição das populações de espécies, seja pela destruição dos habitats (para a formação de pastagens ou uso urbano), seja pela inacessibilidade (em razão de apropriação e cercamento das terras onde ocorrem as espécies, por indivíduos estranhos à comunidade). Laraia (2002) destaca que existem dois tipos de mudanças culturais: uma que é interna - resultante da dinâmica do próprio sistema cultural - e a segunda que é o resultado do contato entre sistemas culturais distintos. No caso da comunidade de GAV, esta alteração pode ter sido motivada pela facilidade de acesso aos meios de comunicação - principalmente a televisão que, através de programas de cunho informativo, acabam por influenciar nos padrões culturais, ao divulgarem, p. ex. as propriedades farmacológicas de uma determinada planta, mesmo que de outro país - e pela chegada de moradores oriundos de outras áreas para a comunidade, como também verificado por Amorozo (2002), no estado do Mato Grosso. Este mesmo autor destaca que a alteração antrópica, ocasionada por mudanças nos padrões de uso local, dos ambientes naturais onde crescem muitas das Christo, A. G.; Guedes-Bruni, R. R. & Fonseca-Kruel , V. S. espécies medicinais, irá, em médio prazo, acarretar uma diminuição na disponibilidade e no uso de plantas nativas e espontâneas para estes fins. Isso reforça a necessidade de programas de educação ambiental e valorização do conhecimento acerca da flora nativa nas comunidades rurais, principalmente as que estão localizadas nas margens de Unidades de Conservação ajudando, assim, na conservação desses remanescentes florestais. As plantas cultivadas, de propriedade alimentar, representam uma fonte de renda e são comercializadas em feiras livres, como p. ex. no município de Casimiro de Abreu, RJ, com destaque para a produção de mandioca, vendida in natura ou na forma de farinha, polvilho ou beiju, beneficiados no próprio sítio, em pequenas casas de farinha. O cultivo da banana foi, no passado, também muito importante na economia local, e teve seu papel diminuído depois que a empresa que beneficiava a fruta suspendeu a compra do produto dos agricultores. Hoje, não tendo a quem vender a produção, os bananais foram praticamente abandonados pelos agricultores. Outras culturas anuais são também mantidas, porém em menor escala, como: inhame, quiabo ( Hibiscus esculentus), feijão (Phaseolus vulgaris) e milho. Duas espécies são indicadas pelos informantes como tóxicas: o melão-de-são- caetano {Momordica charantiá) e a carrapeta ( uarea guidonia), embora, ambas, sejam consideradas como medicinais (v. Lorenzi & Matos 2002). Os moradores de GAV dedicam parte do seu tempo à criação de pequenos animais, como frangos para produção de ovos e carne e, ainda, bovinos para leite e corte. Algumas patologias ocorrentes nessas criações são am era tratadas com plantas, como exemplificarn com o uso do sumo obtido das 0 as e frutos da carrapeta contra os piolhos que in estam o ninho de frangos, assim como am em, erva-macaé ( Leonurus sibiriciis) e erva-grossa ( Elephantopus mollis) para o tratamento de diarréias em bovinos e eqüinos. Rodriguêsia 57 (3): 519-542. 2006 cm l SciELO/JBRJ 12 13 14 15 16 17 Etnobotânica em uma área de Floresta Atlântica. Rio de Janeiro No cotidiano da comunidade, a ornamentação das casas e jardins é ocupação destinada às mulheres, sendo comum o cultivo de plantas ornamentais no quintal. A maioria das plantas é exótica, como p. ex: camarão {Pachystachys lutea), rosa-branca ( Rosa sp.), begônia ( Begônia semperflorens), excetuando-se dentre elas o manacá ( Bntnfelsia uniflora). A flora local é, também, aproveitada para a ornamentação dos quintais e sítios e dentre as mais comuns encontram-se a quaresmeira ( Tibouchina granulosa ) e o ipè-amarelo (Tabebuia umbellala), espécies típicas e abundantes na região. As plantas coletadas na Floresta Atlântica, cm geral, são aquelas apropriadas à utilização como madeira para construção de telhado de residências ou de abrigo para animais. Outras, no entanto, são utilizadas como lenha para os fogões: o típico jacatirâo ( Miconia cinnamomifolia), o cambotá ( Cupania oblongifolia) e a camará ( Vernonia discolor), muito abundantes na região, sobretudo na Rebio, em suas áreas antropizadas. As casas dos moradores das antigas fazendas, onde hoje se encontra a Rebio, eram chamadas de “pau-a-pique” ou “estuque . Para a confecção de suas paredes, era utilizado o bambu ( Bambusa sp.), em estruturas cntrecruzadas, revestidas com barro, enquanto para a construção do telhado usava-sc. o jacatirâo como esteio e a folha da pindoba (Attalea humilis ) como revestimento. As árvores, quando empregadas na construção, são cortadas somente na lua nova, o que, de acordo com os informantes, previne a entrada de insetos e, por conseguinte, aumenta a durabilidade do manufaturado. Outras espécies são utilizadas na confecção de cabos de ferramentas e utensílios domésticos como, por exemplo: o imbiú ( Xylopia sericea), a canela-cheirosa (Aniba firmula) c a canela-jacú (Nectandra oppositifolia). O pau-tamanco, no entanto, era utilizado para confeccionar pequenos artesanatos e brinquedos, mas o intenso extrativismo seletivo sobre esta espécie, no RodríguéSia 57 (3): 519-542. 2006 passado, reduziu bastante sua população. Nenhum indivíduo foi encontrado, durante os trabalhos de campo, na área estudada, porém algumas populações continuam conservadas in siltt nos limites da Rebio. Vale destacar que, além do pau-tamanco, o pau-pereira ( Picramnia ciliala) sofreu, igualmente, forte extrativismo, do qual utiliza-se a casca, tanto para a fabricação de bebida, misturando-a à cachaça, como para uso medicinal, na forma de infusão, no combate à febre. Há também uma espécie de árvore, que os moradores reconhecem como espinheira-santa (Somcea guilleminiana), diferente, porém, de Maytenus ilicifolia, também conhecida como espinheira-santa (de forma mais ampla), cujas propriedades farmacológicas já foram reconhecidas. O uso atribuído à primeira espécie é o mesmo: tratamento de afecções do sistema digestivo, embora tal propriedade de uso não tenha sido encontrada na literatura especializada, até o presente, consultada. A diversidade de espécies expressa através do índice de Shannon (H’), adaptado por Begossi (1996), tem sido utilizado em comparações de estudos etnobotânicos realizados no Brasil, alguns dos quais analisados neste trabalho, os quais encontram-se sumarizados na Tabela 5. No estado do Rio de Janeiro, cm um estudo realizado em Arraial do Cabo, Rio de Janeiro, Fonseca-Kruel & Peixoto (2004), obtiveram 68 espécies das 444 citações de uso de plantas. Figueiredo cl al. (1997), por sua vez, ao estudarem a diversidade de espécies indicadas como úteis por uma comunidade situada na Baía de Sepetiba, encontraram 75 espécies entrevistando 42 informantes enquanto que, em Gamboa, Ilha de Itacuruçá, Figueiredo cl al. ( 1 993) obtiveram 558 citações de uso de plantas correspondendo 90 espécies vegetais. Em estudo realizado em Ponta do Almada e Praia de Camburí (SP) por Hanazaki cl al. (2000), os autores obtiveram 1 52 e 1 62 espécies úteis utilizadas, respectivamente, pelas comunidades. Outro estudo, realizado com cinco comunidades caiçaras, todas cm São Paulo, por Rossato el al. (1999) que estudaram o uso de SciELO/JBRJ 12 13 14 15 16 17 538 cm plantas e utilizaram a teoria de biogeografia de ilhas para analisar os dados, o número de espécies apreendidas variou de 57 a 216. No Paraná, Lima et al. (2000) catalogaram uma diversidade de 445 plantas em entrevistas realizadas com 90 informantes na Área de Proteção Ambiental de Guaraqueçaba. O índice de Shannon (H’) obtido neste estudo foi de 2,20 (base 10) e 5,07 (base é) (Tab. 5), indicando que a comunidade GAV dctem um bom conhecimento sobre o uso de recursos vegetais. Quando estes índices são comparados aos demais das 1 1 comunidades anteriormente citadas, a comunidade GAV situa-se em segundo lugar, no que tange a este parâmetro. Baseando-se nos dados coligidos através do DRP e a partir das entrevistas realizadas, observa-se que na comunidade de GAV quando os filhos se casam constroem suas moradias no mesmo lote dos pais, passando a compartilhar da renda gerada pela agricultura e/ou pecuária proveniente do uso da terra. Os adultos jovens buscam trabalho fora da comunidade, geralmente no município de Casimiro de Abreu, no setor do comércio ou em serviços domésticos, este último especificamente para as mulheres. Os entrevistados, cuja principal ocupação é a atividade rural, possuem renda mensal não Chrislo, A. G.; Guedes~Bruni, R. R. &. Fonseca-Kruel . V. S. superior a dois salários mínimos, sendo a maioria contemplada com apenas um salário. O trabalho de conservação do mico-leão- dourado (Leonthopitecus rosalia Lesson) através de ONG, assim como o programa Prev-Fogo” do IBAMA, abrem possibilidades de financiamentos na área ambiental da região além de postos de trabalho para os residentes das comunidades do entorno. Segundo Silva (2002) a gestão das pequenas e médias propriedades agropecuárias está se individualizando, no sentido de que as atividades ficam sob responsabilidade apenas do pai e/ou de um dos filhos, enquanto os demais membros da família procuram outras formas de inserção produtiva, em geral fora da propriedade, ou seja, em muitos casos hoje quem dirige efetivamente a propriedade não é mais a família como um todo e sim alguns dos seus membros. Este mesmo autor acrescenta que esse fato não invalida o caráter familiar do empreendimento, ressaltando ainda que a família rural já não se identifica mais com as atividades agrícolas. A casa dos pais tomou-se uma espécie de base territorial, que acolhe os parentes próximos em ocasiões festivas e, mais do que isso, transformou-se em um ponto de refúgio para as épocas de crise, principalmente as associadas com o desemprego. no dominio^da^^Atlâni^e^Qj^^^^^!^^05 "Gizados =m comunidades siluadas Gamboa, RJ Chalhaus, RJ Arraial do Cabo, RJ Praia do Puruba, SP Sertão do Puruba, SP Picinguaba, SP Casa de Farinha, SP Ilha de Vitória, SP Ponta do Almada, SP Praia de Camburí.SP Guaraqueçaba, PR 45 1,99 4,59 Figueiredo et al. 1993 Figueiredo et al. 1997 Fonseca-Krue! & Peixoto 2004 Rossato et ai 1999 Rossato etal. 1999 Rossato etal. 1999 Rossato et al. 1 999 Rossato et al. 1999 Hanazaki etal. 2000 Hanazaki etal. 2000 Lima et al. 2000 Rodriguésia 57 (3): 519-542. 2006 .SciELO/ JBRJ 12 13 14 15 16 17 539 cm Etnobotánica em uma área de Floresta Atlântica, Rio de Janeii o Conclusões O conhecimento sobre os recursos vegetais na comunidade GAV é grande e representa um dos valores mais altos indicado pelo índice de diversidade de Shannon para estudos dessa natureza. A categoria medicinal é a que agrega o maior elenco de espécies (96 spp.) das 2 1 0 úteis identificadas, o que pode ser justificado, em parte, pelos locais priorizados pela metodologia adotada, os arredores das residências e, em parte, também, pela maior disponibilidade das mulheres em participar das etapas metodológicas. Os homens detêm o conhecimento sobre as plantas nativas, sobretudo as de uso na construção, como combustível e confecção de utensílios domésticos e ferramentas, enquanto as mulheres detêm, fundamentalmente, o conhecimento sobre as plantas medicinais. A disponibilidade de tempo dos informantes masculinos que propicie incursões a áreas remanescentes de floresta na região poderá ampl iar o número de citações de espécies nativas e, ainda, alterar o quadro geral de categorias de usos. Cinco espécies obtiveram índices de importância relativa maiores que 1,00 c foram indicadas no tratamento até o máximo de seis categorias distintas de doenças. As categorias de doenças com maior consenso entre os informantes da comunidade foram aquelas relacionadas: a doenças infecciosas e parasitárias, transtornos do sistema nervoso e transtornos do sistema respiratório, o que, por sua vez, coincide com as doenças mais ocorrentes na comunidade. A extração seletiva é apontada como prática pretérita c responsável pela redução de algumas espécies típicas das matas de baixada como. o ipê-tamanco ( Tabebuia cassinoides) e o pau- pereira (Picramnia ciliuta ). A comunidade GAV não possui esta prática e a retirada de espécies nativas de matas particulares, se dá de forma eventual. A comunidade, a despeito de ter tido parte de seus habitantes desalojada, no passado, das fazendas que compunham a área que hoje constitui a Reserva, reconhece a importância da conservação dos remanescentes florestais da região, bem como do conhecimento que possuem sobre o uso de plantas. Revelam assim potencialidades de estudos e cooperação entre diferentes setores da biologia da conservação que busquem priorizar a identificação de alternativas de recursos e a elaboração de programas de educação ambiental. A inclusão dos indivíduos detentores desse conhecimento, fixado por gerações, e que desempenham liderança natural por isso, deveria ser encarada como estratégica para as iniciativas oriundas de órgãos de governo e organizações não- governamentais que objetivem a conservação e uso sustentado desses recursos genéticos, salvaguardados nas Unidades de Conservação. Agradecimentos Ao Instituto de Pesquisas do Jardim Botânico do Rio de Janeiro, através do PIBIC/ CNPq e ao CNPq pelas facilidades concedidas à realização do presente estudo e pela bolsa concedida ao primeiro autor; aos moradores de GAV pela colaboração c amizade; à PETROBRAS pelo financiamento ao Programa Mata Atlântica do qual este estudo faz parte; à Reserva Biológica de Poço das Antas/IBAMA pelo apoio logístico; à Antônio Tavares de Oliveira e Adilson Pintor, do Programa Mata Atlântica, pelo auxílio nos trabalhos de campo; aos taxonomistas Alexandre Quinet, Ângela S. F. Vaz, Claudine M. Mysscn, Elsie Franklin Guimarães, Genise Vieira Somner, Haroldo C. de Lima, Inês Macline da Silva, José Fernando A. Baumgratz, José Marcelo A. Braga, Lana S. Sylvestre, Marcelo da Costa Souza, Maria Verónica P. Leite-Moura, Mássimo G. Bovini e Sebastião José da Silva Neto, pelo auxílio na identilicação/confirmação de parte do material botânico; ao médico Willian Salomão Rahy (UFRRJ) pelo auxílio na ordenação das doenças nas categorias propostas pela OMS; ao Prol. Dr. Jarbas M. Queiroz (UFRRJ) pelo auxílio nos métodos estatísticos; ao Prof. Dr. Cláudio Urbano Pinheiro (UFMA), Profa. Dra. Sonia Lagos (Jardín Botânico Nacional, Santo Domingo, República Dominicana) e ao Prof. Dr. Antônio Carlos Diegues (NUPAUB-USP) pelas valiosas críticas c sugestões c à Profa. Meggin Lindgren pelo auxílio na elaboração do abstract. Rodriguèsia 57 (3): 519-542. 2006 SciELO/JBRJ 12 13 14 15 16 17 540 Christo, A. G.; Guedes-Bruni. R. R. & Fonseca-Kruel , V. S. Referências Bibliográficas Albuquerque, U. P. & Andrade, L. H. C. 2002. Conhecimento botânico tradicional e conservação em uma área de caatinga no estado de Pernambuco, Nordeste do Brasil. Acta Botanica Brasílica 16(3): 273-285. Alexiades, M. N. & Sheldon, J. W. (eds.) 1996. 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SciELO/ JBRJ 12 Rodriguèsia 57 (3): 519-542. 2006 13 14 15 16 17 cm Lauraceae na Reserva Biológica de Poço das Antas, Silva Jardim, Rio de Janeiro, Brasil Alexandre Quinei' Resumo (Lauraceae na Reserva Biológica de Poço das Antas, Silva Jardim, Rio de Janeiro, Brasil) Este trabalho consta do estudo taxonômico das espécies de Lauraceae na Reserva Biológica de Poço das Antas, localizada no município de Silva Jardim, no estado do Rio de Janeiro, Brasil. A vegetação da Reserva é do tipo Floresta Pluvial Baixo - Montana com altitudes até 200 metros. Baseado nas coleções botânicas depositadas em vários herbários, especialmente nas do Instituto de Pesquisas do Jardim Botânico do Rio de Janeiro e em trabalho de campo, foram reconhecidas na Reserva 25 espécies subordinadas a nove gêneros. O tratamento da família compreende descrições morfológicas das espécies, comentários e ilustrações. Sâo fornecidos, também, dados sobre a distribuição geográfica, habitat, nome popular, além de uma chave para a identificação das espécies ocorrentes na área. Palavras-chave: Lauraceae, taxonomia, morfologia, mata atlântica. Rio de Janeiro. Abstract . (Lauraceae of the Biological Reserve of Poço das Antas, Silva Jardim, Rio de Janeiro, Brazil) This paper presents the taxonomic study of the Lauraceae species of the Reserva Biológica de Poço das Antas, m the municipality of Silva Jardim, Rio de Janeiro State, Brazil. The vegetation is charactenzed as Low - Montane Atlantic Rain Forest, with altitudes until 200 m a.s.l. Botanical material deposited in several herbana, particularly those of the Instituto de Pesquisas do Jardim Botânico do Rio de Janeiro, and field observat.ons were made. This investigation detected the occurrence of 25 species in Reserve, distributed into nine gene». The treatment of the family includcs morphologic description, comments and illustrations. It is also presented data on geographical distribution, habitat, common names. as well as an analytical key for species Identification in the area. . . Key words: Lauraceae, taxonomy, morphology, mata atlântica. Rio de Janeiro. Introdução Lauraceae é representada por árvores ou arbustos, geralmcnte providas de óleos essenciais e aroma característico. A família vem sendo apontada como uma das mais representativas nos inventários florísticos e fitossociológicos realizados em áreas de florestas bem preservadas da porçüo sudeste- sul do país, tanto em número de indivíduos quanto em riqueza de táxons (Guedes-Bruni 1997; Kurtz 2000). Este fato corrobora a hipótese de que esta região seja um dos principais centros de diversidade deste grupo (Vattimo - Gil 1959). A Reserva Biológica de Poço das Antas (REBIO) está localizada cm um dos últimos remanescentes de floresta de baixada no estado do Rio de Janeiro. A sua cobertura vegetal está hoje representada por manchas de florestas, brejos e extensas áreas de campos em diferentes estágios sucessionais. Um inventário florístico e fitossociológico intensivo, realizado na área desde 1990 pela equipe do Programa Mata Atlântica do Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro, disponibilizou um acervo valioso sobre a família, o que permitiu o desenvolvimento deste trabalho. O presente trabalho teve por objetivo estudar as espécies de Lauraceae ocorrentes na Reserva, disponibilizar uma chave de identificação e fornecer descrições e comentários sobre cada uma delas, de modo a contribuir para o conhecimento da diversidade de sua flora. Artigo recebido em 03/2005. Aceito para irQ Rua Pacheco Leflo 9,5. Jardim Botânico. Rio 'Pesquisador do Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Kio ac junuru. de Janeiro, RJ, 22460-030. aquinet@jbij.gov.br SciELO/JBRJ 12 13 14 15 16 17 cm i 544 Material e Métodos A Reserva Biológica de Poço das Antas (22°30’-22°33,S e 42°5,-42°19’W) está situada no município de Silva Jardim, estado do Rio de Janeiro. Sua área abrange 5.000 ha, sendo a paisagem dominante caracterizada por morros baixos mamelonares, cujas altitudes atingem até 200 m, e por baixadas permanentemente inundáveis ou apenas na época das chuvas. A vegetação predominante é a Floresta Ombrófila Densa Baixo-Montana (Velloso et al. 1991), em diferentes estágios sucessionais, comparti- mentada nas formações sub-montana e de terras baixas. A cobertura florestal da Reserva é atualmente constituída por áreas de formação pioneira com influência fluvial, capoeira aluvial, campos antrópicos, capoeiras submontanas, floresta aluvial, floresta submontana e floresta de baixada (Programa Mata Atlântica 1997). O material botânico utilizado neste estudo foi obtido de coletas assistemáticas em diversas áreas da Reserva e, em sua maior parte, de áreas representativas das diferentes fitofisionomias definidas para estudos fitossociológicos, cada uma com um hectare. As coleções botânicas encontram-se depositadas no herbário do Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Não foi citada a sinonímia para cada táxon, exceto quando se tratava de uma novidade nomenclatural ou de sinônimos recentes. Quando o material da área de estudo era insuficiente para as descrições, foram acrescentados espécimes provenientes de outras localidades, estando estes citados em material adicional. A terminologia utilizada para a descrição da maior parte dos órgãos foi baseada em revisões e trabalhos atuais sobre a família. A morfologia da folha seguiu Rizzini (1977), o padrão de nervação Hickey (1973) e a caracterização das domácias Santos & Oliveira (1989) e Santos & Almeida (1995). As formações vegetais citadas neste trabalho seguem o sistema de classificação de Velloso et al. ( 1 99 1 ). Os dados de distribuição geográfica foram obtidos de literatura e de etiquetas de espécimes herborizados, os nomes Quinei. A. populares através de informações locais ou de literatura especializada. Resultados e Discussão Lauraceae Juss., Gen. Pl. 89. 1789. Arvores ou arbustos, com exceção de Cassytha, trepadeira parasita. Em geral plantas aromáticas, monóicas, dióicas ou ginodióicas. Folhas alternas, raramente opostas a subopostas ( Beilschmiedia ), com pecíolo em geral canaliculado, lâmina de margem saliente, às vezes revoluta, nervação camptódroma, broquidódroma ou acródroma ( Cinnamomum ), presença de células oleaginosas e mucilaginosas no mesofilo, glabras ou indumento com tricomas simples e unicelulares. Inflorescência axilar ou terminal, em panícula, tirso, tirsóide, botrióide, espiga ou racemo. Flores monóclinas ou díclinas, tépalas em geral 6 ou 9, neste último caso as mais internas de origem estaminodial (Phyllostemonodaphne), iguais, ou as externas bem menores que as internas (Persea. Cassytha). Androceu com 3, 6 ou em geral 9 estames férteis, anteras bilocelares ou quadrilocelares, dispostas em 4 séries: P e 2J séries de estames com anteras - VM Ui WAUW»^V~1 3 série de estames com um par de glândulas na base dos filetes, anteras em geral extrorsas; raramente todos os estames das Ia, 2a e 3a séries com um par de glândulas na base dos filetes ( Urbanodendron ); 4a série mais interna estaminodial, filiforme, triangular, cordada, sagitada ou ausente. Flores diclinas em plantas dióicas, as estaminadas com pistilóide reduzido ou ausente e as pistiladas com estaminódios reduzidos e de morfologia semelhante aos estames das flores estaminadas. Gineceu com ovário semi-ínfero ou supero, unicarpelar, unilocular, estilete simples, terminal, óvulo único, anátropo. Fruto bacáceo, exocarpo fino, mesocarpo carnoso, pouco ou muito espesso, endocarpo representado apenas pela epiderme interna da parede do fruto; sobre ou parcialmente envolvido pelo hipanto modificado em cúpula, ou ausente ( Beilschmiedia ), com margem simples ou dupla, tépalas persistentes ou decíduas, ou fruto completamente envolvido pelo RoJriguésia 57 (3): 543-568. 2006 SciELO/JBRJ 12 13 14 15 16 17 Lauraceae na Rebio de Poço das Antas 545 perigônio acrescente formando uma núcula ( Cryptocarya ), pedicelo frutífero às vezes muito espessado. Semente sem endosperma, embrião desenvolvido, rostelo curto, cotilédones amplos, carnosos. As Lauraceae têm distribuição pantropical, possuindo cerca de 2.500 espécies subordinadas a 50 gêneros (Rohwer 1 993). No Brasil ocorrem 22 gêneros e cerca de 360 espécies que ocupam preferencialmente as florestas pluviais, como também, as restingas e os cerrados (Quinet 2002a). Na Reserva Biológica de Poço das Antas foram registradas 25 espécies subordinadas a nove gêneros. A família é conhecida por muitas das suas espécies apresentarem potencial econômico, seja madeireiro, seja alimentício, como o abacateiro ( Persea americana Mill.), muito comercializado em quase toda a América, cujo fruto é muito apreciado e donde também se extrai do mcsocarpo c da semente o óleo para a fabricação de cosméticos. No Brasil, se destacam especialmente as espécies de Ocotea, Nectandra e de Mezilaurus, conhecidas popularmente como canelas, loureiros ou embuias, que apresentam muitas das suas espécies com importante potencial madeireiro. Chave para identificação das espécies 1 . Flores monóclinas. 2. Todos os estames com um par de glândulas. , 3 Ramos ângulares; folhas estreitamente lanceoladas a elípticas, 12 19 3 6 cm, ‘ infiorescência bótrio, envolvida na base por escamas foi iáccas; estames com anteras 24. Urbanodendrom verrucosum 3’ Ramos cMncHcò*s"folto * 1 ,8-3,4 cm; infiorescência tirsóide, ' nío envolvida cm sua base por escamas foliáceas; estames com anteras quadnlocclares 25. Urbanodendrom bahiense 2’. Somente os estames da 3a série com um par de glandulas 4. Anteras bilocelares. . 4 , 5. Estames da Ia e 2a séries com filetes mais largos que anteras 2. Antbafirmula V Fstimes da Ia e 2“ séries com filetes mais delgados que as anteras. ' 6. Flores com tépalas em geral patentes; estames da 3- série férteis, estaminódios da 4a série cordato-sagitados ou sagitados; fruto núcula. 7 Folha coriácea, 14-21 * 6-10 cm, face abaxial papilosa, padrão de nervação ' , , 6. Cryptocarya moschata T FoUiTcartáce^ 5— Ío* * 2,4-3 ,5 cm, face abaxial sem papilosidade, padrão de , , :j . irrvr-nn 5. Cryptocarya micrantha 6’ Flores^omlépalas eretas; csianies da í série estaminodiais; estaminódios da 4- série ovado-tnangulares, iruto oacacco 4’ ^StótosTa1 4-Térie bem desenvolvidos, triangulares, cortados ou romboidais. 9 Folhas com base inequiláleras, dores 9- tóPi-'?» 5 "“*>“»■ , , . ' 1 0 Folhas com padrilo de nervaçao camptódromo-broqmdodromo; sen, domacas nas axilas e nervuras secundárias; estames da 3- série com par de glandulas globosas na base 4a série estaminodial romboidal 3. Ommomm nedchamm 10- Fo has com padrao de nervaçao aeródromo imperfetto; domacas em tufos de ' pêlos nas axilas das nervuras secundárias; estames da 3- ser.es com par de glânduias triangulares na base; 4- Rodriguésia 57 (3): 543-568. 2006 !scíelo/jbrj 12 13 14 15 16 17 cm ^46 Quinei. A. 8’. Estaminódios da 4 a série ausentes ou quando presentes reduzidos, em geral filiformes. 1 1 . Locelos dispostos em arco. 12; Folhas subopostas a opostas no ápice dos ramos ... 12. Nectandra oppositifolia 12 . Folhas alternas em todo o ramo. 13. Folha com nervação terciária perpendicular em relação à nervura principal. 14. Estames da Ia e 2a séries com anteras pentagonais ou arredondadas 13. Nectandra puberula 14’. Estames da Ia e 2a séries com anteras suborbiculares a transversal -elípticas 11. Nectandra membranacea 13 . Folha com nervação terciária oblíqua em relação à nervura principal. 15. Folhas lanceoladas ou ovadas; estames da 1 a série com anteras orbiculares, estames da 2 série com anteras pentagonais; fruto envolvido parcialmente t P°r cúPula em forma de taça 10. Nectandra leucantha 15’. Folhas obovadas a oblongo-lanceoladas; estames da Ia e 2 a séries com anteras transversal-elípticas; fruto parcialmente envolvido por cúpula cônica . , , r , Nectandra cissi flora 1 1 . Locelos superpostos. 16. Inflorescência axilar a subterminal, botrióide; folhas alternas em todo o ramo ; Ocotea daphnifolia 6 . Inflorescencia terminal, corimbiforme de botrióide ou tirsóide; folhas aparentemente verticiladas no ápice dos ramos floríferos e alternas em ramos vegetativos 17. Smflorescência corimbiforme de tirsóide; gemas apicais enegrecidas (em material seco), com até 1 cm de compr.; fruto envolvido por cúpula hemisférica, venuculosa ^ 7 . Smflorescência corimbiforme de botrióide; gemas apicais aureo-seríceas (em material seco) com ate 0,5 cm de compr.; fruto envolvido por cúpula obcônica, lisa. o as com ace abaxial pubescente, com domácias na axila de nervuras secundarias; estames da Ia e 2a séries com filetes visivelmente diferenciados das anteras anteras ovais... 18. Ocotea elegans j° ,aaS ?aa ,ras’ Sem domac*as na axila de nervuras secundárias; estames ale*, series com filetes subsésseis, anteras suborbiculares ou ovais 1’. Flores díclinas. 19‘ Ocotea indecora 19' es,aHminafas “"'anteras quadrilocelares; estaminódios das flores pistiladas com vestígios de anteras quadrilocelares. 20. Lamina com pontuado glandular enegrecido na face adaxial. ’ hXÍIT de "erVUraS secundárias; fn,t„ , e2 ser|es orbiculares a subquadrangulares; tato envolvido por cupula com tépalas decíduas 15. Occel diosmrifoUa ' ÍTZ™ HS,al áuren°-Pubesce"tei d""tácias em tufos de pêlos nas axilas Í* e 2 Séries nTH n?V rT a b0lriÓide ou "tetabotrióide; anteras das ........... “ P°r CÚpUla Com ,éPalas Persistentes 20'. Lâmina sem pontuado glandülãr en^ecid^ na Se adaiia] ' ‘ 22. Um, na sem domácias na axila de nervuras secundárias, tatos de margem dupla 22 •. Rodriguésia 57 (3): 543-568. 2006 SciELO/JBRJ 12 13 14 15 16 17 cm Lauraceae na Rehio de Poço das Antas 547 23. Lâmina com padrão de nervação eucamptódromo, filetes das 1“ e 2* scr.es subsésseis r 17. Ocolea divancata 23’. Lâmina com padrão de nervação broquidódromo, filetes das 1" e 2“ series evidentes^ 19’. Estames das flores estaminadas com anteras bilocelares; estaminódios das flores pistiladas face abaxial de„same„,e ^ 24’. Folhas ovada^ cm- ^ase cuneada, fece^l^xi^^ureo^v^utma, padrão de nervaçao eucamptodromo 1. Aiouea saligna Meisn., in A. de Candolle, Prodr. 15(1): 82. 1864. Fig. 1 al-a8 Árvores monóicas, 11 m alt., ramos subcilíndricos a angulosos, glabros. Folhas alternas em todo o ramo, cartáceas, elípticas, 4,5-15 x l,8-3,7cm, base atenuada, ápice cuspidado, glabérrimas, nervação broquidódroma, reticulado denso; sem domácias nas axilas de nervuras secundárias. Inllorescência tirsóide axilar. Flores monóclinas, tépalas iguais, eretas, glabras. Estames com anteras bilocelares, Ia e 2a séries com filetes evidentes, mais delgados que anteras, anteras ovado-triangulares; 3a série estaminodial liguliforme com par de glândulas globosas na base; 4a série estaminodial ovado-triangular, foliácea, glabra. Ovário subgloboso. Fruto bacáceo, elipsóide sobre cúpula obcônica de margem simples, tépalas decíduas. Habitat: ocorre na floresta ombrófila densa (Baitello 2003). Distribuição geográfica: No Brasil, nos estados da Bahia, Ceará, Maranhão, Mato Grosso, Minas Gerais, Pará, Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e São Paulo (Kubitzki & Renner 1 982). Material examinado: estrada Juturnaiba, esquerda, km 9, 26. V. 1 994, fr., C. Luchiari 376 (RB); fazenda da Kombi, próximo ao Pau do Guacho, 26.XI.2004, fl., //. C. Lima 4495 (RB). Caracteriza-se por suas tolhas verde- brilhantes na face adaxial, mesmo quando herborizadas, inflorescências multifloras, flores com tépalas eretas, estames lérteis apenas na Ia e 2a séries e 4a série estaminodial ovado-triangular. Na REBIO, ocupa áreas principalmente de floresta de encosta ou de floresta de baixada em áreas não periodicamente inundáveis. 2. Aniba firmula (Nees & Mart.) Mez, Jahrb. Konigl. Bot. Gart. Berlin 5:57. 1889. Fig. 1 bl-b4 Árvores monóicas, 6-9 m alt., ramos angulosos, tomentosos. Folhas alternas em todo o ramo, cartáceas, lanceoladas, 8,5—21 * 2—6 cm, base aguda, ápice acuminado; face abaxial glabra, papilosa; padrão de nervação broquidódromo, reticulado denso, sem domácias nas axilas de nervuras secundárias. Inflorescência panícula, axilar. Flores monóclinas, tépalas iguais, eretas, tomentosas. Estames com anteras bilocelares, Ia e 2a séries com filetes evidentes, mais largos que as anteras, anteras triangulares; estames da 3a série com par de glândulas globosas na base, anteras ovais; 4a série estaminodial ausente. Ovário globoso. Fruto bacáceo, elipsóide, parcialmente envolvido por cupula hemisféiica, lenhosa, de margem simples; tépalas decíduas. Nomes populares: canela-rosa, cancla- sassafrás. Habitat: ocorre na floresta ombrófila densa das terras baixas, submontana e montana, floresta estacionai semidecidual submontana c montana, restinga e formações secundárias. (Quinct 2002b). Distribuição geográfica: no Brasil, da Bahia ao Rio Grande do Sui (Quinct 2002b). Material examinado: estrada para Jutamaiba próximo ao portão da Reserva, 18.111. 1994, veg., D. S. Farias 194 (RB); trilha à direita Rodriguésia 57 (3): 543-568. 2006 SciELO/JBRJ 12 13 14 15 16 17 cm 548 após a casa do morcego, 16.VI.1994, fr., D. S. Farias et al. 262 (RB); trilha à direita após a casa do morcego, 19.XII.1994, fr., D. S. Farias et al. 345 (RB). Material adicional: BRASIL. MINAS GERAIS: Alfenas, fazenda Ilha, 29.X. 1 990, fl., T Cristina s.n. (RB 202710). RIO DE JANEIRO: Petrópolis, Quitandinha, 1948, fl., O. C. Góis & Octavio 133 (RB). Caracteriza-se pela presença de papilas na face abaxial das folhas, anteras bilocelares e filetes denso-vilosos tão largos quanto as anteras, pelos seus frutos bacáceos parcialmente inseridos em cúpula hemisférica de consistência lenhosa e com lenticelas bastante proeminentes. Apresenta ainda odor adocicado característico. Na REBIO, ocupa áreas de floresta de encosta em trechos florestais mais densos, predominantemente secundários, com árv ores que chegam a 30 metros de altura. 3. Cinnamomum riedelianum Kosterm., Reinwardtia 6: 23. 1961. Fig. 1 cl-c8 Árvores monóicas, ca. 13 m alt., ramos subangulosos, áureo-tomentosos. Folhas alternas em todo o ramo, cartáceas, lanceoladas, 4,7-10,5 * 1, 8-3,8 cm, base aguda, ápice agudo ou acuminado, face abaxial glabra; padrão de nervação camptódromo-broquidódromo, reticulado denso, sem domácias nas axilas e nervuras secundárias. Inflorescência tirsóide axilar. Flores monóclinas, tépalas iguais, áureo- tomentosas. Estames com anteras quadrilocelares, papilosas, Ia e 2a séries com filetes pouco evidentes, mais delgados que as anteras, estas quadrangulares; estames da 3 série com par de glândulas globosas na base, anteras retangulares; 4a série estaminodial bem desenvolvida, estaminódios romboidais. Ovário elipsóide. Fruto bacáceo, elipsóide, sobre cúpula cônica de margem simples, tépalas decíduas. Nome popular: canela-garuva. Habitat: ocorre na floresta ombrófila densa das terras baixas e montana (Quinet 2002b). Quinei. A. Distribuição geográfica: no Brasil, nos estados do Paraná, Rio de Janeiro e Santa Catarina (Quinet 2002b). Material examinado: 21. IX. 1994, veg., S. V A. Pessoa s.n. (RB 408027). Material adicional: BRASIL. RIO DE JANEIRO: Rio de Janeiro, Nova Friburgo, Reserva Ecológica de Macaé de Cima, nascente do rio das Flores, 16.XII. 1991, fl., fr., M. Nadruz et al. 723 (RB). SANTA CATARINA: Sabiá, Vidal Ramos, 8.III.1958, fr., R. Reitz & R. M. Klein 6600 (FLOR, RB). Caracteriza-se por apresentar filetes curtos, menores que as anteras, e estaminódios da 4a série romboidais. Na REBIO, ocorre exclusivamente em floresta de encosta onde foi registrada a ocorrência de apenas um indivíduo com cerca de 1 3 metros de altura. 4. Cinnamomum triplinerve (Ruiz & Pav.) Kosterm., Reinwardtia 6: 24. 1961. Fig. 1 dl-d7 Árvores monóicas, 7-10 m alt., ramos angulosos, pilosos. Folhas alternas em todo o ramo, cartáceas, lanceolado-ovadas a elípticas, 7,5—12 * 3—5,5 cm, base cuneada, ápice agudo ou acuminado; padrão de nervação aeródromo imperfeito, reticulado denso, domácias em tufos de pêlos nas axilas de nervuras secundárias. Inflorescência panícula axilar. Flores monóclinas, tépalas subiguais, pubescentes. Estames com anteras quadrilocelares, Ia e 2a séries com filetes evidentes, mais delgados que anteras, anteras triangulares; estames da 3a séries com par de glândulas triangulares na base, anteras triangulares; 4a série estaminodial bem desenvolvida triangular ou cordada. Ovário globoso. Fruto bacáceo, elipsóide, sobre cúpula pateliforme de margem simples, tépalas persistentes. Habitat: ocorre na floresta ombrófila densa, floresta estacionai semidecidual (Baitello 2003). Distribuição geográfica: no Brasil, nos estados do Ceará, Espírito Santo, Minas Gerais, Pará, Paraíba, Rio de Janeiro, Roraima, Santa RoJriguésia 57 (3): 543-568. 2006 SciELO/JBRJ 12 13 14 15 16 17 cm Lauraceae na Rebio de Poço das Antas 549 . ir. oi fínr nl oineceu: a4. cstanic da série 1* série de fronte n estaminódio Hrum 1 - Aiouca saligna Mcisn.-al. ramo florífero, l. ; ‘ - • jnódios 4“ série ; a8. fruto. Anibaflrmula (Nees da 3“ série; a5. estame da 2“ série; a6. estaminodios da st , • ‘ série. Cinnammum rledcllamim & Mart.) Mez - bl . folha; b2. estame da 1" séne; b3 esta™ da 2 sènc,^ ^ ^ ^ y ^ c? cs(aminódio Kosterm. -cl. folha; c2. flor; c3. tépala; c4 estame ^da . dl ram0 florífero; d2. flor; d3. tépala; d4. estame da 4" séne; c8. gineceu. Cinnamomum triplinerve(Ru . ‘ . (1.a7 Uma 4495 ■ a8 Luchiart 37(5; bl -b4 Cristina s.n.. da 1“ série; d5. estame da 2“ série; dó. estame da 3* série; d 7. gmeteu (ai RB 202710 ; cl-c8 Nadniz 723\ dl Correia 392, d2-d7 Klein Rodriguêsia 57 (3): 543-568. 2006 SciELO/JBRJ 12 13 14 15 16 17 cm .. 550 Catarina e São Paulo. Belize, Bolívia, Colômbia, Costa Rica, Cuba, Equador, Guatemala, Honduras, Jamaica, México, Panamá, Paraguai, Porto Rico, Peru, República Dominicana e Venezuela (Baitello 2003). Material examinado: trilha Rodolfo Norte, caminho para Pelônia, 19.X.1993, fr., C. M. B Correia 392 (RB); estrada para Jutamaíba, km 8, 19.XII.1994, fr., D. S. Farias etal. 143 (RB). Material adicional: BRASIL. RIO DE JANEIRO: Rio de Janeiro, Guadalupe, estrada do Camboatá, 26.IX.1985, fr., C. Famey et al. 933 (RB). SANTA CATARINA: Indaial, localidade de Ilse, 18.IX.1962, fl., R. Klein 3152 (RB). Caracteriza-se por apresentar ritidoma pardo-claro e casca de cor creme com lenticelas transversais, folhas com superfície abaxial papilosa, folhas trinérveas com domácias na axila de nervuras secundárias, flores com anteras quadrilocelares, estaminódios da 4a série triangulares ou cordados, e frutos bacáceos elipsóides sobre cúpula com tépalas persistentes. Na REBIO, ocupa áreas principalmente de floresta de encosta ou de floresta de baixada em áreas não periodicamente inundáveis. 5. Cryptocarya micrantha Meisn., in DC., 15(1): 75.1864. Fig. 2al-a8 Árvores monóicas, ca. 13 m alt., ramos angulosos, glabros. Folhas alternas em todo o ramo, cartáceas, lanceoladas a elípticas, 5-10 x 2,4— 3,5 cm, base aguda, ápice agudo a cuspidado; face abaxial glabrescente; padrão de nervação broquidódromo, reticulado denso; sem domácias nas axilas de nervuras secundárias. Inflorescência panícula, axilar a subtenninal. Flores monóclinas, tépalas subiguais, áureo-tomentosas. Estames com anteras bilocelares, Ia e 2a séries com filetes evidentes, mais delgados que as anteras, anteras ovado-triangulares; estames da 3a série com par de glândulas globosas na base, anteras triangulares; 4a série estaminodial cordado- sagitada. Ovário elipsóide. Fruto núcula, costulada, subglobosa a piriforme, totalmente inclusa no hipanto acrescente, tépalas persistentes no ápice ou decíduas. Nome popular: canela-batalha. Quinet, A. Habitat: ocorre na floresta ombrófila densa das terras baixas e montana, floresta estacionai semidecidual submontana e montana (Quinet 2002b). Distribuição geográfica: no Brasil, nos estados do Espírito Santo, Minas Gerais e Rio de Janeiro (Quinet 2002b). Material examinado: encosta-área da parcela 9A, 29. VI. 1 994, veg., S. J. Silva Neto s.n. (RB 406008); 29. VI. 1 994, veg., S. J. Silva Neto s.n. (RB 406009). Material adicional: BRASIL. MINAS GERAIS: Rio Novo, s.d., fl., G Schwacke 6680 (RB). RIO DE JANEIRO: Magé, Paraíso, Centro de Primatologia do Rio de Janeiro, próximo à represa, 23.XI.1985, fr., 11. C. Lima 2632 (RB). Caracteriza-se por folhas com padrão de nervação broquidódromo, estames da Ia e 2a séries pilosos e 4a serie estaminodial subséssil. Frutos subglobosos a piriformes marcadamente costulados com até 4 cm de diâmetro. Na REBIO, pode ser encontrada no interior da mata em áreas de encosta como em áreas de baixada. 6. Cryptocarya moschata Nees & Mart. ex Nees, Linnaea 8: 37. 1833. Fig. 2 bl-b6 Arvores monóicas, ca. 15 m alt., ramos angulosos, glabrescentes. Folhas alternas em todo o ramo, coriáceas, elípticas a lanceoladas, 21 x 6—10 cm, base aguda, ápice agudo a acuminado, face abaxial esparsamente áureo- tomentosa, padrão de nervação eucamptó- romo, reticulado denso; sem domácias nas axilas de nervuras secundárias. Inflorescência panícula axilar ou subterminal. Flores monóclinas, tepa as subiguais, áureo-tomentosas. Estames com anteras bilocelares, Ia, 2a e 3a séries com i etes evidentes, mais delgados que anteras, anteras ovado-triangulares; par de glândulas globosas, estipitadas, dispostas entre Ia, 2a e 3a sene de estames; 4a série estaminodial sagitada. Ovário elipsóide. Fruto núcula, obovóide a pin orme, costulado, totalmente incluso no ipanto acrescente, tépalas persistentes em R odriguêsia 57 (3): 543-568. 2006 SciELO/JBRJ 12 13 14 15 16 17 Lauraceae na Rebio de Poço das Antas 551 cm i r ni fínr n3 ténala* a4. csturtic da Ia série: o5. estame da 2 série, a6. FiRiira 2 - Cryptocarya micnmtha Meisn. - ai . fo ha, , . • • P Achata Nces et Mart. ex Necs - b 1 . ramo ílorlfcro; :stame da 3“ série; a7. estaminódio da 4 séne; a8. Rbn • C W _ ^ EMierla ghmerata Mc/, - c 1 . ramo flori fero; )2. flor; b3. tépala; b4. estame da 1 séne; b5_ estarm. I - b da 3. síric; c7. fruto. Endlicherla paniculata :2. flor; c3. tépala; c4. estame da 1“ séne; c5. y série; d5. estame da 3“ série; d6. pistilóide; Spreng.) J. F. Macbr. - dl . folha; d2. flor; d3. estame da I M • 17. fruto. . (al-a8 Schwacke 6680 ; bl-b5 Araújo 107 ; b6 Moraes 2452, cl co Rodriguésia 57 (3): 543-568. 2006 .SciELO/ JBRJ 12 13 14 15 16 17 cm 552 Nome popular: noz-moscada. Habitat: ocorre na floresta ombrófila densa das terras baixas e montana, floresta estacionai semidecidual submontana e montana (Quinet 2002b). Distribuição geográfica: no Brasil, nos estados de Minas Gerais, Paraná, Pernambuco Rio de Janeiro, Santa Catarina e São Paulo (Quinet 2002b). Material examinado: encosta, área da parcela 7B, 20.1.1994, veg., D. S. Farias et al. 80 (RB); Ibidem, 2 1 .VII. 1 994, fl„ S. J. Silva Neto s.n. (RB 405982). Material adicional: BRASIL. RIO DE JANEIRO: Magé, Piabetá, estrada do Matão, 10.11.2001, fr„ A. Quinet s.n. (RB 367328); Ibidem, Petrópolis, Serra da Estrela, 11. VI. 2001, fr., P. L. R. de Moraes 2452 (ESA, RB); Nova Friburgo, Macaé de Cima, Sítio Sophronites, 26.X. 1 989, fl., /. A . Araújo 107 (RB). Caracteriza-se por apresentar ritidoma levemente avermelhado que se destaca em placas, folhas de coloração castanho- esverdeada, face adaxial fosca com indumento áureo-tomentoso, flores com tépalas lanceoladas de tamanho semelhante ao hipanto comprimido e fruto obovóide a piriforme, costulado, totalmente incluso no hipanto acrescente, tépalas persistentes no ápice ou decíduas. Na REBIO, foram coletados indivíduos em áreas de encosta, onde ocupa o dossel, alcançando cerca de 15 metros de altura. 7. Endlicheria glomerata Mez, Jahrb. Kõnigl. Bot.Gart. Berlin5: 127. 1889. Fig. 2 cl-c7 Arvores dióicas, 4-7 m alt., ramos angulosos, densamente pubescentes. Folhas alternas em todo o ramo, cartáceas a coriáceas, estreitamente lanceoladas ou elíptico- lanceoladas, 15-32 x 4,5-9 cm, base aguda, ápice acuminado, face abaxial densamente pubescente, padrão de nervação broquidó- dromo, reticulado denso; sem domácias nas axilas de nervuras secundárias. Inflorescência panícula axilar. Flores díclinas, tépalas iguais, áureo-velutinas. Flores cstaminadas, estames Quinet, A. com anteras bilocelares, 1 a e 2a séries com filetes evidentes, mais delgados que as anteras, anteras ovadas; estames da 3a série com par de glândulas globosas na base, anteras ovadas; 4a serie estaminodial ausente. Pistilóide presente, clavado. Flores pistiladas com estaminódios com vestígios de anteras bilocelares, menores e da mesma forma que os estames das flores estaminadas. Ovário ovóide. Fruto bacáceo, elipsóide sobre cúpula hemisférica de margem simples, tépalas decíduas. Habitat: ocorre na floresta ombrófila densa das terras baixas, floresta estacionai semidecidual submontana e cerrado (Chanderbali 2004). Distribuição geográfica: no Brasil, nos estados de Goiás, Minas Gerais e Rio de Janeiro(Chanderbali 2004). Material examinado: Ilhas dos Barbados, 3 1 .VIII. 1 994, fr., D. S. Farias et al. 302 (RB); Ibidem, fragmento E, 27.V.1999, fr., S. V. A. Pessoa 978 (RB); Ibidem, 21. VIII. 2001, fr., 5. V A. Pessoa et al. 1045 (RB). Material adicional: BRASIL. RIO DE JANEIRO: Governador Portela, Monte Sinai, 1935, fl., G. Machado Nunes 318 (RB); Ibidem, segundo distrito de Rio das Flores, fazenda Santa Genoveva, 7.X.1971, fl., D. Sucre 7779 (RB). Caracteriza-se por apresentar ritidoma pardo-acinzentado, folhas lanceoladas ou elíptico-lanceoladas, buladas, com pilosidade densa, amarelo-avermelhado e padrão de nervação broquidódromo. Flores diclinas com anteras bilocelares. Na REBIO Endlicheria glomerata ocorre apenas em áreas de baixada não periodicamente inundada. 8. Endlicheria paniculata (Spreng.) J. F. Macbr., Field. Mus. Nat. Hist. 13(2): 850. 1938. Fig. 2 d 1 -d7 Arvores dióicas, 4-6 m alt., ramos angulosos, áureo-tomentosos. Folhas alternas em todo o ramo, cartáceas, ovadas a elípticas, 1 0 x 2,4 4.5 cm, base cuneada, ápice agudo a curto-acuminado, face abaxial áureo-velutina, padrão de nervação eucamptódromo, reticulado enso, sem domácias nas axilas de nervuras Rodriguésia 57 (3): 543-568. 2006 SciELO/JBRJ 12 13 14 15 16 17 Lauraceae na Rebio de Poço das Antas 553 secundárias. Inflorescência tirsóide axilar, áureo-velutina, feminina multillora reduzida e masculina pauciflora. Flores díclinas, tépalas iguais, áureo-velutinas. Flores estaminadas, estames com anteras bilocelares, 1“ e 2a séries com filetes muito curtos, mais delgados que as anteras, anteras ovais; estames da 3a série com par de glândulas globosas na base, anteras ovais; 4a serie estaminodial ausente; pistilóide presente. Flores pistiladas, estaminódios com vestígios de anteras bilocelares menores e da mesma forma que os estames das flores estaminadas. Ovário elíptico. Fruto bacáceo, elipsóide, verde sobre cúpula hemisférica, rubra, de margem simples, tépalas decíduas na maturidade dos frutos. Nomes populares: canela-do-brejo, canela- preta. Habitat: no Brasil ocorre na floresta ombrófila aberta, floresta ombrófila densa das terras baixas e montana, restinga, floresta estacionai semidecidual submontana e montana, floresta estacionai decidual e savana (Quinet 2002b). Distribuição geográfica: no Brasil, nos estados do Amapá, Bahia, Distrito Federal, Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Sâo Paulo (Quinet 2002b). Colômbia, Equador, Panamá, Paraguai e Peru (Chanderbali 2004). Material examinado: Margens do rio São João entre a BR- 101 e a ponte da linha férrea, 24.1.1994, fl., D. S. Farias el al. 122 (RB); Margem do rio Pau-Preto, 24.V.1994, fr., S. V. A. Pessoa et al. 704 (RB); Mata do rio Pau- Preto, 6.V1I.1995, fr., S. V. A. Pessoa et al. 786 (RB). Material adicional: BRASIL. RIO DE JANEIRO: Rio de Janeiro, Horto Florestal, trilha do arranha gato, acima da represa da CEDAE, 2.11.1996, il„ A. Quinet et al. 59 (RB); Nova Friburgo, Macaé de Cima, nascente do Rio das Flores, 8.XII.1989, fr., B. C. Kurtz 87 (RB). Caracteriza-se por apresentar lorte aroma cítrico, com lâmina foliar em geral pilosa, padrão de nervação eucamptódromo. Frutos elipsóides, imaturos verdes e maduros negros, parcialmente envolvidos por cúpula rubra com tépalas persistentes ou decíduas. Rodrígucsia 57 (3): 543-568. 2006 Na REBIO, pode ser encontrada no interior da mata, cm áreas de encosta como em áreas de baixada, próximo a córregos e riachos. 9. Nectandra cissijlora Nces, Syst. Laur: 296. 1836. Fig. 3 cl-c8 Árvore monóica, ca. 10 m alt., ramos cilíndricos, pubémlos. Folhas alternas em todo o ramo, coriáceas, obovadas a oblongo- lanceoladas, 12-26 * 6-10 cm, base cuneada, ápice curto-acuminado, face abaxial tomentosa a glabrescente; padrão de nervação camptó- dromo, nervação terciária oblíqua em relação à nervura principal, reticulado denso; sem domácias nas axilas de nervuras secundárias. Inflorescência tirsóide axilar. Flores monóclinas, tépalas iguais, pubérulas, papilosas. Estames com anteras papilosas, quadrilocelarcs, locelos dispostos em arco, Ia e 2a séries com filetes subsésseis, anteras transversal-elípticas; estames da 3“ série com par de glândulas globosas na base, anteras obtrapeziformes; 4a série estaminodial presente, clavada. Ovário obovado. Fruto bacáceo, elipsóide a globoso, parcialmcnte envolvido por cúpula cônica, lenhosa, de margem simples, tépalas decíduas. Nome popular: canela-fedida, canela, massaranduba. Habitat: no Brasil ocorre na floresta estacionai semidecidual submontana e montana e Cerrado (Baitello 2003) e na floresta ombrófila densa . Distribuição geográfica: no Brasil, nos estados do Acre, Amazonas, Bahia, Goiás, Mato Grosso, Minas Gerais, Para, I arana, Pernambuco, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e São Paulo. Bolívia, Costa Rica, Equador, Guatemala, Guiana, Guiana Francesa, México, Panamá, Perú e Suriname (Rohwer 1993). Material examinado: trilha do Morro do Calcário, 6.II.1993. vcg., L. Sylvestre s.n. (RB 408022); Área entre a BR- 101 e o rio Pau-Preto, 5.VII. 1995, veg., S. V. A. Pessoa s.n. (RB 405985). Material adicional: BRASIL. MATO GROSSO DO SUL: Bataiporã, Porto São João, 29.X. 1986, II, U. Pastore & R. M. Klein 165b (RB). SciELO/JBRJ 12 13 14 15 16 17 cm .. 554 Caracteriza-se por apresentar folhas obovadas a oblongo-lanceoladas com padrão de nervação camptódromo, nervação terciária oblíqua em relação à nervura principal e estames com anteras quadrilocelares, os da Ia e 2a séries transversal-elípticos e por frutos de elipsóides a globosos, parcialmente envolvidos por cúpula cônica. Na REBIO, ocorre exclusivamente em áreas de mata de baixada. 10. Nectandra leucantha Nees, Linnaea 8: 48.1833. Fig. 3al-a8 Arvores monóicas, 6-10 m alt., ramos subcilíndricos, glabrescentes. Folhas alternas em todo o ramo, cartáceas, lanceoladas ou ovadas, 11-24,5 x 4, 5-8, 5 cm, base cuneada, ápice agudo ou acuminado; face abaxial glabrescente a pubérula; padrão de nervação camptódromo- broquidódromo, nervação terciária oblíqua em relação à nervura principal, reticulado laxo; sem domácias nas axilas de nervuras secundárias. Inflorescência tirsóide axilar ou terminal. Flores monóclinas, tépalas iguais, ferrugíneo- tomentosas na face abaxial, papilosas na face adaxial. Estames com anteras papilosas, quadrilocelares, locelos dispostos em arco, Ia série com filetes subsésseis, anteras orbiculares; estames da 2a série com filetes subsésseis, anteras pentagonais; estames da 3a série com par de glândulas globosas na base, anteras parabólicas; 4a série estaminodial presente, estaminódios clavados. Ovário globoso ou esférico. Fruto bacáceo, elipsóide envolvido por cupula espessa em forma de taça, de margem simples, tépalas decíduas. Nomes populares: canela-branca, canela- seca. Habitat; ocorre na floresta ombrófila densa das terras baixas e montana (Quinet 2002b). Distribuição geográfica: no Brasil, nos estados de Minas Gerais, Paraná, Rio de Janeiro, Santa Catarina e São Paulo (Quinet 2002b). Material examinado: 4.IX.1981, fr„ E. F. Guimarães 1151 (RB); Ibidem, trilha Rodolfo Norte, caminho para Pelonha, 18.V1II.1995, fr., J. M. A. Braga et al. 2745 (RB). Quinet, A. Material adicional: BRASIL. RIO DE JANEIRO: Rio de Janeiro, Mesa do Imperador, Floresta daTijuca, 16.IV.1958, fl., E. Pereira et al. 3658 (RB). Caracterizada pelas folhas lanceoladas ou ovadas, nervação terciária oblíqua em relação à nerv ura principal, flores com tépalas ferrugínea- tomentosas na face abaxial e papilosas na face adaxial e pelos frutos elipsóides, envolvidos por cúpula em forma de taça. Na REBIO, foi registrada sua ocorrência apenas em área de baixada. 11. A ectandra ntembranacea (Sw.) Griseb., Fl. Brit. W. I. 282. 1860. Fig. 3 bl-b7 Arvores monóicas, ca. 10 m alt., ramos angulosos, alvo-puberulos a glabrescentes. Folhas alternas em todo o ramo, cartáceas, lanceoladas ou elípticas, 6-22 x 2-7 cm, base aguda, margem revoluta, ápice acuminado, face abaxial glabrescente; padrão de nervação camptódromo, nervação terciária perpendicular em relação à nervura principal, reticulado denso; domácias nas axilas de nervuras secundárias ou ausentes. Inflorescência tirsóide axilar, pubérulo. Flores monóclinas, tépalas iguais, alvo- tomentosas, sem papilosidade. Estames com anteras papilosas, quadrilocelares, locelos dispostos em arco, Ia e 2a séries com filetes evidentes, mais delgados que as anteras, anteras suborbiculares a transversal-elípticas; estames da 3 série com par de glândulas globosas na base, anteras retangulares a obtrapeziformes; 4 série estaminodial presente, estaminódios clavados. Ovário elipsóide, glabro. Fruto bacáceo, subgloboso, parcialmente env olvido por cúpula rasa, de margem simples, ou sobre ela, tépalas decíduas. Habitat: ocorre na floresta ombrófila densa, floresta estacionai semidecidual e formações secundárias (Baitello 2003). Distribuição geográfica: no Brasil, ocorre da Bahia, ao Rio Grande do Sul e Roraima. Ocorre também em vários países da América do Sul e Central (Rohwer 1993). Material examinado: próximo à BR-101, 24.11.1994, veg., 5. V A. Pessoa et al. s.n. (RB 408038); margem do rio Pau-Preto, Rodrigues ia 57 (3): 543-568. 2006 SciELO/ JBRJ 12 13 14 15 16 17 Lauraceae na Rebio de Poço das Antas 555 , _ ,, a4 estame da 1“ série; ai. estame da 2‘ série; a6. estame da JiRura 3 - Neetandra leueantha Nees - al . folha; a2. í . • _ b| rjmo frut(fero; b2. flor; b3. tépala; M. estame da 1“ 3 serie; a7. gineceu; a8. fruto. Neetandra membrameea (S ■> ' cissj/Jom Nccs . c | . ralm, florlfero; e2. Ilor; c3. tépala; série; b5. estame da 2“ série; b6. estame da 3“ serie; b7. gint • ^ cstaminódio da 4” série; c8. gineceu. Neetandra pubendet c4. estame da 1* série; c5. estame da 2 serie; c6. estame • ’ ' da 3* série; d5. cstaminódio da 4" série; (Schott) Nees -dl. folha; d2. estame da I sóne;d3- i Itfforvira 3658‘, a8 Guintariies //3/; b I Carauta 393; dó. fruto. Neetandra opposi/ifolia Nees - e. folha. c-. .fn . • ( l Jtf7JJ7; d6 //m<) 477y e|.e2 Pessoa 784) b7 Guimarães 38; el-cX Pastore â Riem Ib5, dl-d5 £_ Rociriguésia 57 (3): 543-568. 2006 SciELO/ JBRJ 12 13 14 15 16 17 cm 556 25.V.1994, veg., S. V. A. Pessoa et al. s.n. (RB 408041). Material adicional: BRASIL. RIO DE JANEIRO: Rio de Janeiro, estrada da Vista Chineza, 16.VIII.1967, fr., P. Carauta 393 (RB); Ibidem, Santo Antônio, 2. II. 1 976, fl., E. F. Guimarães 382 (RB). Caracteriza-se por apresentar flores com tépalas alvo-tomentosas na face ventral, glabras na face dorsal, estames da Ia e 2a séries com filetes curtos, anteras suborbiculares a transversal-elípticas e frutos subglobosos sobre ou parcialmente envolvidos por cúpulas rasas. Na REBIO, foi coletada em áreas de vegetação secundária de baixada e de encosta. 12. Nectandra oppositifolia Nees, Linnaea 8:47.1833. Fig. 3el-e2 Árvores monóicas, 8-15 m alt., ramos angulosos, ferrugíneo-tomentosos. Folhas subopostas a opostas no ápice dos ramos, cartáceas, lanceoladas ou elípticas, 4,5-1 6*2- 7 cm, base aguda, decurrente, margem revoluta, ápice agudo a acuminado, face abaxial denso ferrugínea-tomentosa; padrão de nervação camptódromo-broquidódromo, nervação terciária perpendicular em relação à nervura principal, reticulado denso; sem domácias nas axilas de nervuras secundárias. Inflorescência tirsóide, axilar, ferrugíneo-tomentosa. Flores monóclinas, tépalas iguais, ferrugíneo- tomentosas, papilosas. Estames com anteras papilosas, quadrilocelares, locelos dispostos em arco, 1 e 2a séries com filetes subsésseis, anteras pentagonais; estames da 3a série com par de glândulas globosas na base, anteras ovais; 4a série estaminodial ausente. Ovário elipsóide, glabro. Fruto bacáceo, elipsóide, envolvido por cúpula hemisférica, espessa, verruculosa, de margem simples, tépalas decíduas. Nomes populares: canela-garuva, canela- branca. Habitat: ocorre no Brasil na floresta ombrófila aberta, floresta ombrofila densa das terras baixas e montana, restinga, floresta ombrófila mista, lloresta estacionai semidccidual submontana e montana e formações secundárias (Quinet 2002b). Quinei, A. Distribuição geográfica: no Brasil, da Bahia ao Rio Grande do Sul (Quinet 2002b). Colombia, Bolívia, Equador e Panamá (Rohwer 1993). Material examinado: trilha do Morro do Calcáreo, 05.III. 1 993, fl., S. Aí. Barreto et al. 1 9 (RB); trilha para a Pelonha, entrada em frente à trilha do Morro Calcáreo, 5.I1I.1993, fl., S. V. A. Pessoa 663 (RB); aceiro da casa do Projeto Mico Leão Dourado, atrás da mata dos barbados, 7.V11.1993, fr., H. C. Lima et al. 4761 (RB); trilha do Pau-Preto, 27.VU.1993, fr., C. Aí. B. Correia 331 (RB); trilha do Pau-Preto, 18.VIII.1993, fr., C. Aí. Vieira et al. 364 (RB); estr. do Aristides, 25.IV. 1995, fr, I. N. C. Astor et al. 2 (RB); mata do rio Pau-Preto, 1 1 .V. 1 995, fr., S. V. A. Pessoa et al. 784 (RB); mata do rio Pau-Preto, 06.VII.1995, fr, C. M Vieira s.n. (RB 321338); área entre a BR-101 e rio Pau-Preto, 26.VI.1996, fr, Eraldo et al. 3 (RB 322754); trilha entre a sede do Projeto Mico Leão e a pe- dreira na Barragem de Jutumaiba, 22. VIII.2001 , fr, S. V. A. Pessoa et al. 1050 (RB). Caracteriza-se pelas folhas subopostas a opostas no ápice dos ramos, lanceoladas a elípticas, em geral densamente ferrugíneo- tomentosas na face abaxial e base decurrente. Na REBIO, ocupa áreas de floresta de encosta e áreas de baixada predominantemente secundárias, com árvores que chegam a 1 5 m de altura. 13. Nectandra puberula (Schott) Nees, Syst. Laur: 332. 1836. Fig. 3 d 1 -d6 Arvores monóicas, 9—23 m alt., ramos an- gulosos, tomentosos. Folhas alternas em todo o ramo, cartáceas, lanceoladas ou elípticas, 6-1 1 x 1 >4~3,5 cm, base aguda, decurrente, ápice agudo ou acuminado; face abaxial áureo-pubérula; padrão de nervação eucamptódromo, nervação terciária perpendicular em relação à nervura principal, reticulado laxo; domácias em tufos de pêlos na axila de nervuras secundárias. Inflorescência tirsóide, axilar, ferrugíneo- tomentosa. Flores monóclinas, tépalas iguais, tomentosas, papilosas. Estames com anteras papilosas, quadrilocelares, locelos dispostos em arco, 1 e 2a séries com filetes subsésseis, anteras Rodriguêsia 57 (3): 543-568. 2006 ;SciELO/ JBRJ 12 13 14 15 16 17 Lauraceae na Rebio de Poço das Antas 557 pentagonais ou arredondadas; estames da 3a série com par de glândulas globosas na base, anteras obtrapeziformes; 4a série estaminodial presente, estaminódios clavados. Ovário elipsóide, glabro. Fruto bacáceo, globoso, sobre cúpula discóide, delgada, de margem simples, tépalas decíduas. Nomes populares: canela-amarela, canela- preta, canela-babosa. Habitat: ocorre na floresta ombrófila densa das terras baixas e montana, floresta estacionai semidecidual submontana e montana, cerrado e restinga (Quinet 2002b). Distribuição geográfica: no Brasil, nos estados do Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso, Minas Gerais, Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande Sul, Santa Catarina e São Paulo (Quinet 2002b). Material examinado: trilha Rodolfo Norte, 8.V1I.1993, fr., H. C. Lima et al. 4775 (RB); Ibidem, 19.1.1994, veg., H. C. Lima etal. 4874 (RB); trilha Rodolfo Norte, 20.1.1994, veg., D. S. Farias et al. 73 (RB). Material adicional: BRASIL. RIO DE JANEIRO: Rio de Janeiro, Jacarepaguá, Santa Maria, caminho do rio Pequeno, 04.IV.2001, fl., A. Quinet s.n. (RB 367357); Magé, Piabetá, 28.XII.2001, tt.,A. Quinet s.n. (RB 366B383). Caracteriza-se por folhas com face abaxial áureo-pubérula, domácias em tufos de pêlos na axila de nervuras secundárias e frutos globosos sobre cúpula discóide. Na REBIO, ocorre em áreas de encosta e de baixada não periodicamente inundáveis. 14. Ocotea daphnifolia (Meisn.) Mcz, Jahrb. Kõnigl. Bot. Gart. Berlin 5: 404. 1889. Fig. 4 al-a7 Árvores monóicas, ca. 3,5 m alt., ramos cilíndricos, pubérulos. Folhas alternas cm todo o ramo, cartáceas, elípticas a Ianceoladas, 7,5- 1 6 cm x 3-5,5 cm, base aguda, ápice acuminado a cuspidado, face abaxial glabresccnte; padrão de nervação broquidódromo, reticulado denso, domácias marsupiformes nas axilas de nervuras secundárias. Inflorcscência botrióide axilar a subterminal. Flores monóclinas, tépalas iguais, pubérulas. Estames com anteras quadrilocelares, locelos superpostos, 1“ e 2 a séries com filetes evidentes, curtos, mais delgados que anteras, Rodriguésia 57 (3): 543-568. 2006 anteras sub-retangulares; estames da 3“ série com par de glândulas globosas na base, anteras sub-retangulares; 4a série estaminodial ausente. Ovário elipsóide, glabro. Fruto bacáceo, elipsóide sobre cúpula pateliforme de base obcônica avermelhada, margem simples, tépalas decíduas. Habitat: ocorre na floresta ombrófila densa das terras baixas e montana. Distribuição geográfica: no Brasil, nos estados do Espírito Santo, Rio de Janeiro, São Paulo (Baitello 2003). Material examinado: estrada do Pelonha, 19. VII. 1994, veg., M. L. Vilela s.n. (RB 406040); Ibidem, 16.VIII.1995, fr., P. R. Farag et al. 89 (RB). Material adicional: BRASIL. RIO DE JANEIRO: Rio de Janeiro, Sumaré, próximo à torre da rede Tupi, 16.VI.1959, fl., fr., A. P. Duarte 4834 (RB); Ibidem , matas da Vista Chinesa, 10.1.1942, fl., E. Pereira 43 (RB) Caracteriza-se por folhas coriáceas, com face abaxial enrugada c pelos frutos elipsóides sobre cúpula pateliforme de base obcônica avermelhada com lobos decíduos. Na REBIO, ocupa áreas principalmente cm floresta de baixada e áreas não periodicamente inundáveis. 15. Ocotea diospyrifolia (Meisn.) Mez, Jahrb. Kõnigl. Bot. Gart. Berlin 5: 374. 1889. Fig. 4bl-b4 Árvores dióicas, 8—10 m alt., ramos angulosos, estriados, glabrescentes. Folhas alternas cm todo o ramo, cartaccas, elípticas, 4— 1 1 x 1,8-2, 5 cm, base cuneada, ápice agudo a acuminado; face adaxial glabra, com pontoado glandular enegrecido, face abaxial glabra; padrão de nervação broquidódromo, reticulado denso; sem domácias nas axilas de nervuras secundárias. Inflorcscência tirsóide axilar. Flores díclinas, tépalas iguais, glabras. Flores estaminadas, estames com anteras quadrilocelares, locelos superpostos, Ia e 2‘ séries com filetes evidentes, mais delgados que as anteras, anteras orbicularcs a subquadrangulares; estames da 3a série com par de glândulas globosas na base, anteras retangulares; 4a série estaminodial ausente; pistilóide estipitiforme. Flores pistiladas. ,SciELO/JBRJ 12 13 14 15 16 17 cm .. 558 estaminódios com vestígios de anteras quadrilocelares, menores e da mesma forma que os estames das flores estaminadas. Ovário ovóide. Fruto bacáceo, globoso a elipsóide, envolvido por cúpula hemisférica, lenhosa, de margem simples, tépalas decíduas. Nome popular: canela-preta, canela-amarela. Habitat: ocorre na floresta ombrófila densa das terras baixas e montana, floresta estacionai semidecidual submontana e montana, floresta ombrófila mista montana e alto-montana e restinga (Quinet 2002b). Distribuição geográfica: no Brasil, nos estados do Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo. Argentina e Paraguai (Quinet 2002b). Material examinado: trilha do morro do Calcário, 26. X. 1 999, veg., S. V. A. Pessoa s.n. (RB 408013); margem do rio Pau-Preto, 27.V.1994, fl., C. M. Vieira 590 (RB). Material adicional: BRASIL. PARANÁ: Guarapuava, 16.III.1967, fr„ J. C. Lindeman et J. H. Haas 4921 (RB); Cerro Azul, cabeceira do ribeirão do Tigre, 7.X11. 1 983, fl„ R. Callejas 1882 et ai (RB). RIO DE JANEIRO: Rio de Janeiro, São Conrado, 1. III. 1961, fl., A. P. Duarte 5518 (RB); Petrópolis, Corrêas, X.1953, fl., O. C. Góes & D. Constantino 654 (RB); Nova Friburgo, Macaé de Cima, nascente do rio das Flores, próximo a fazenda Sophronites, 20.IV. 1 989, veg., H. C. Lima 3557 (RB, SPSF). SÂO PAULO: São Paulo, Jardim Botânico de São Paulo, 8.III.1946, fr.,J. G. Kuhlmann 3222 (RB, SP). Caracteriza-se por apresentar folhas elípticas, glabras em ambas as faces e frutos elipsóides parcialmente envolvidos por cúpula hemisférica avermelhada em material vivo. Na REBIO, ocupa áreas principalmente de floresta de encosta ou floresta de baixada em áreas não periodicamente inundáveis. 16. Ocotea dispersa (Nees) Mez, Jahrb. Kõnigl. Bot. Gart. Berlin 5: 357. 1889. Fig. 4cl-c7 Arvores dióicas, ca. 20 m alt., ramos subcilíndricos, pardo-tomentosos. Folhas Quinet, A. alternas em todo o ramo, cartáceas, lanceoladas a elípticas, 3-12 * 1, 6-4,5 cm, base aguda, ápice acuminado; face adaxial com pontoado glandular enegrecido, face abaxial áureo-pubescente; padrão de nervação broquidódromo, reticulado denso; domácias em tufos de pêlos nas axilas das nervuras secundárias. In florescência botrióide ou metabotrióide axilar, pardo-tomentosa. Flores díclinas, tépalas iguais, tomentosas. Flores estaminadas, estames com anteras quadrilocelares, locelos superpostos, Ia e 2a séries com filetes evidentes, mais delgados que as anteras, anteras ovóides, papilosas; estames da 3a série com par de glândulas globosas na base, anteras retangulares; 4a série estaminodial ausente; pistilóide ausente ou quando presente reduzido, estipitiforme. Flores pistiladas, estaminódios com vestígios de anteras quadrilocelares, menores e da mesma forma que os estames das flores estaminadas. Ovário elipsóide, glabro. Fruto bacáceo, ovóide, envolvido por cúpula obcônica, lenhosa, verruculosa, de margem simples, tépalas persistentes. Nome popular: canelinha. Habitat: ocorre na floresta ombrófila densa das terras baixas e montana, floresta estacionai semidecidual submontana e montana, floresta ombrófila mista Montana (Quinet 2002b). Distribuição geográfica: no Brasil, nos estados de Minas Gerais, Paraná, Rio Janeiro, Santa Catarina e São Paulo (Quinet 2002b). Material examinado: trilha para o morro Calcário, 8.11.1993, fl., S. Barreto et ai 12 (RB); Ibidem, 12.V.1994, veg., D. S. Farias et ai 238 (RB). Material adicional: BRASIL. PARANÁ: Paranaguá, rio Cambará, 24.X.1968, fr., G Hatschbach s.n. (RB 318798). Caracteriza-se pelas folhas de lanceoladas a elípticas, face abaxial áureo- pubescente, principalmente ao longo das nervuras principal e secundárias e frutos com cúpula obcônica, lenhosa e tépalas persistentes. Na REBIO, sua ocorrência foi registrada em áreas de baixada não periodicamente inundáveis e floresta de encosta. Rodriguésia 57 (3): 543-568. 2006 SciELO/JBRJ L2 13 14 15 16 17 Lauraceae na Rebio de Poço das An las 559 „ iv,..fr,.r,v flor a3. ténala: a4. estame da 1" série; a5. estame Fisura 4 - Ocolea daphnifolia (Meisn.) Mez - al. ramo ’ ’ (Me’isn ) Mcz - bl . folha; b2. estame da 1' serie; “• “ d" 2' ír““' C o? fruto. 0, 0,00 *«.*»,« (NCOS) Mc/ - cl I . Tolha; <12. c.l.mc da serie; c5. estame da 2" serie; c6. estame da 3 serie, c7' . , , , ,a r S(5rjc; c2. estame da 2“ série; c3. 1- série; d3. estame da 2» série; d4 fruto. Ocolea ^ \ima }557, b2.b3 Q* & Constanüno ,34; estame da 3* série; e4. gineceu, (al Duarte 4834, , a2 JOéí; el-c4 flre-.vo//n *74) b4 Kuhltnann 322 ; cl-c6 flarre/o /2; c7 Halschbach s.n., dl ai va. o, , Rodriguisia 57 (3): 543-568. 2006 SciELO/JBRJ 12 13 14 15 16 17 cm 562 geralmente com domácias em tufos de pêlos nas axilas de nervuras secundárias, anteras da 1“ e 2a séries ovais com filetes evidentes e fruto elipsóide, parcialmente envolvido por cúpula hemisférica e lisa. Na REBIO, sua ocorrência foi registrada apenas em áreas de baixada não periodica- mente inundáveis. 19. Ocotea indecora (Schott) Mez, Jahrb. Kõnigl. Bot. Gart. Berlin 5: 249. 1 889. Fig. 5bl-b5 Árvores monóicas, ca. 4,5 m alt.; ramos angulosos, estriados, glabros; gemas apicais áureo -seríceas (em material seco), com até 5 mm de compr.. Folhas verticiladas no ápice dos ramos floríferos e alternas em ramos vegetativos, cartáceas, lanceoladas ou obovado -lanceoladas, 4,6-1 2,9 x 2-5,2 cm, base aguda, ápice agudo ou acuminado; face abaxial glabra; padrão de nervação broquidódromo, reticulado denso; sem domácias nas axilas de nervuras secundárias. Sinflorcscência corimbiforme de botrióides terminal. Flores monóclinas, tépalas iguais, glabras. Estames com anteras quadrilocelares, locelos superpostos, Ia e 2a séries com filetes subsésseis, anteras suborbiculares ou ovais, papilosas; estames da 3a série com par de glândulas subglobosas na base, anteras ovais; 4a série estaminodial presente, estaminódios filiformes. Ovário elipsóide, glabro. Fruto bacáceo, elíptico, envolvido parcialmente por cúpula obcônica, lisa] de margem simples, tépalas decíduas. Nome popular: canela-preta. Habitat: ocorre na floresta ombrótíla densa das terras baixas e montana e floresta estacionai semidecidual submontana e montana (Quinet 2002b). Distribuição geográfica: no Brasil nos estados de Minas Gerais, Paraná e Rio de Janeiro (Quinet 2002b). Material examinado: 20.1.1994, veg., D. S. Farias et al. 74 (RB); estrada do Aristides, após a segunda porteira, 1. IX. 1994, fl., D. S. Farias et al. 308 (RB). Material adicional: BRASIL. MINAS GERAIS: São Pedro dos Ferrões, 10.XII.2000, Quinet. A. fl., A. Quinet s.n. (RB 366387). RIO DE JANEIRO: Nova Friburgo, Sítio Sophronites, 19. V1II.1987, fr„ S. V. A. Pessoa 267 (RB); Ibidem, nascente do rio das Flores, 26.X.1989, fl., I. A. Araújo 79 (CEPEC, RB, RBR); Ibidem, Lumiar, localidade de Santa Luzia, 1 9.VIII.2000, fl., A. Quinet 490 (RB). Caracterizada pelas folhas verticiladas no ápice dos ramos floríferos e alternas em ramos vegetativos, com lâminas foliares sem domácias nas axilas de nervuras secundárias, anteras da 1 a e 2a séries suborbiculares ou ovais subsésseis e fruto elíptico, envolvido parcialmente por cúpula obcônica, lisa. Na REBIO, foi coletada apenas em área de baixada não periodicamente inundada. 20. Ocotea laxa (Nees) Mez, Jahrb. Kõnigl. Bot. Gart. Berlin 5: 381. 1889. Fig.4el-e4 Árvores dióicas, 2,5-8 m alt., ramos subcilíndricos, alvo-tomentosos. Folhas alternas em todo o ramo, cartáceas, elípticas, 6-9 x 2,5- 3,8 cm, base cuneada, ápice acuminado; face adaxial sem pontoado glandular enegrecido, face abaxial esparso pubescente; padrão de nervação broquidódromo, reticulado laxo; domácias em tufos de pêlos na axila de nerv uras secundárias. Inflorescência tirsóide axilar. Flores díclinas, tépalas iguais, pilosas. Estames com anteras quadrilocelares, locelos superpostos, 1 e 2a séries com filetes evidentes, mais delgados que a antera, antera retangular- ovalada; estames da 3a série com par de glândulas globosas na base, anteras retangulares; 4a série estaminodial ausente ou estaminódios filiformes; pistilóide ausente. Flores pistiladas com estaminódios com vestígios de anteras quadrilocelares, menores e da mesma forma que os estames das flores estaminadas. Ovário globoso. Fruto bacáceo, globoso sobre cúpula cônica, subemisférica, de margem simples, tépalas persistentes. Nome popular: canela-preta, canela-fedida, canela-de-folha-miúda. Habitat: ocorre na floresta ombrófila densa das terras baixas e montana, floresta ombrófila mista, floresta estacionai semidecidual submontana e montana (Baitcllo 2003). Rodriguêsia 57 (3): 543-568. 2006 SciELO/JBRJ 12 13 14 15 16 17 cm Lauraceae na Rebio de Poço das An las Distribuição geográfica: no Brasil, nos estados de Minas Gerais, Paraná, Rio de Janeiro, Santa Catarina e São Paulo (Baitello 2003). Material examinado: encosta área da parcela 9B, 29. VI. 1994, veg., S. J. Silva Neto s.n. (RB 406013); encosta área da parcela 9B, 29.V1.1994, veg., S. J. Silva Neto s.n. (RB 4060 1 2); encosta área da parcela 8B, 1 6.11. 1 994, veg., J. M. A. Braga s.n. (RB 406017); encosta área da parcela 8B, 16.11.1994, veg., J. M. A. Braga s.n. (RB 406014). Material adicional: BRASIL. RIO DE JANEIRO: Parque Nacional da Serra dos Órgãos, 25.XI.1942, fl„ A. P. Duarte 1170 (RB). SANTA CATARINA: Bom Retiro, Paulo Lopes, 17.X. 1973, fi., A. Bresolin 874 (FLOR, RB). Caraeteriza-se por (olhas elípticas com face abaxial esparso-pubescentc, padrão de nervação broquidódromo, reticulado laxo, com domácias em tufos de pêlos na axila de nervuras secundárias e frutos globosos sob cúpula subemisférica, com tépalas persistentes. Na Reserva, sua ocorrência foi registrada apenas em floresta de encosta. 21. Ocotea odorífera ( Ve 11.) Rohwer, Mitt. Inst. Allg. Bot. Hamburg 20. 278: 111. 1986. Ocotea pretiosa Mez, Jahrb. Kõnigl. Bot. Gart. Berlin 5: 250. 1889. Fig. 5 dl-d5 Árvores monóicas, ca. 7 m alt., ramos angulosos, amarronzados, estriados, glabrescentes, gemas apicais enegrecidas (em material seco), com até 1 cm compr. Folhas verticiladas no ápice de ramos florí feros e alternas em ramos vegetativos; cartáceas, lanceoladas, 9-16 * ~,4 3,5 cm, base aguda, ápice agudo ou aeuminado; face abaxial glabra, sem pontoado enegrecido, padrão de nervação broquidódromo, reticulado denso; sem domácias nas axilas de nervuras secundárias. Sinfiorescência corimbiforme de tirsóides terminal. Flores monóclinas, tépalas iguais, glabras. Estames com anteras quadrilo- celarcs, locelos superpostos, 1 1 e 2 u séries com filetes evidentes, mais delgados que as anteras, antera suborbicularou ovóide, papilosa; estames da 3“ série com par de glândulas globosas na Rodriguésia 57 (3): 543-56H. 2006 563 base, antera retangular ou orbicular, papilosa; 4“ série estaminodial ausente, quando presente, estaminódios liguliformes. Ovário elipsoide. Fruto bacáceo, elíptico, envolvido parcialmentc por cúpula hemisférica, verruculosa, de margem simples, tépalas decíduas. Nomes populares: canela-sassaíras, sassafrás. Habitat: ocorre na floresta ombrófila densa das terras baixas e montana, floresta estacionai semidecidual submontana c montana (Quinet 2002b). Distribuição geográfica: no Brasil, da Bahia ao Rio Grande do Sul (Quinet 2002b). Material examinado: encosta, área da parcela 10C, 30.VI1I.1994, veg., S. J. Silva Neto s.n. (RB 406015). Material adicional: BRASIL. RIO DE JANEIRO: Serra dos Órgãos, campo das Bromélias, 25.X1.1942, fi., fr., E. Pereira 189 ( RB); Ibidem, Nova Friburgo, Sítio do Guacho, estrada do Rio, X.1964, fi., A. P Duarte 8449 (RB); Ibidem , Reserva Ecológica dc Macaé de Cima, 8.1V.2000, fr., A. Quinet 278 (RB). Caracteriza-se por gemas apicais enegrecidas (em material seco), com até lem de comprimento. Folhas verticiladas no apicc de ramos florí feros e alternas em ramos vegetativos e frutos elípticos, envolvidos parcialmente por cúpulas hemisféricas, verruculosas. Na REBIO, foi coletada apenas em área de encosta. 22. Ocotea schottii (Mcisn.) Mez, Jahrb. Künigl. Bot. Gart. Berlin 5: 324. 1889. Fig. 5 cl-c9 Arvores dióicas, 7—15 m alt., ramos cilíndricos, glabrescentes. Folhas alternas em todo o ramo, cartáceas, lanceoladas a elípticas, 4 5_] i x 2,2-4 cm, base aguda, ápice aeuminado; face adaxial sem pontoado glandular enegrecido, face abaxial glabrcscente; padrão de nervação broquidódromo, reticulado denso; sem domácias na axila das nervuras secundárias. In florescência panícula terminal, glabrcscente a tomentosa. Flores díclinas, tépalas iguais, tomentosas. Flores estaminadas, estames com SciELO/JBRJ L2 13 14 15 16 17 cm 564 anteras quadrilocelares, locelos superpostos, Ia e 2a séries com filetes evidentes, mais delgados que as anteras, anteras sub-retangulares; estames da 3a série com par de glândulas globosas na base, anteras subrctangulares; 4a série estaminodial filiforme, glabra. Pistilóide elíptico. Flores pistiladas com estaminódios com vestígios de anteras quadrilocelares, menores e da mesma forma que os estames das flores estaminadas. Ovário elipsóide, delgado. Fruto bacáceo, globoso sobre cúpula pateliforme, de margem dupla, quando imaturos com tépalas persistentes. Habitat: ocorre na floresta ombrófila densa das terras baixas e montana. Distribuição geográfica: no estado do Rio de Janeiro (Rohwer 1986). Material examinado: trilha do morro Calcário, 1 1 .V. 1 994, veg., D. S. Farias et al. 228 (RB); trilha do Cambuí Preto, 9.VI1I.1995, fr., C. Luchiari 686 (RB FP0686). Material adicional: BRASIL. RIO DE JANEIRO: Rio de Janeiro, mata do Horto Florestal, 7.III.1927, fl., Pessoal do Horto Florestal s.n. (RB 235284); Ibidem, fundos do Palácio das Laranjeiras, 7. III. 1 96 1 , fl., A. P. Duarte 5500 (RB); Ibidem, Horto Florestal, mata do Rumo, 8.IX.1969, fr., D. Sucre 6226 (RB). Caracteriza-se por folhas de lanceoladas a elípticas e frutos globosos sobre cúpulas pateliformes de margem dupla, quando imaturos com tépalas persistentes. Na REBIO, é muito bem distribuída na floresta de baixada e de encosta, onde ocupa o dossel. 23. Persea major (Nees) L. E. Koop., Mem. New York Bot. Gard. 14: 37. 1966. Fig. 6al-a9 Arvore monóica, ca. 5 m alt., ramos angulosos, glabrescentes. Folhas alternas em todo o ramo, cartáceas, obovadas a elípticas, 7,5-15 x 2,5-5,5 cm, base inequilátera, ápice agudo a obtuso; face abaxial glabrescente; padrão de nervação camptódromo, reticulado denso; sem domácias nas axilas de nervuras secundárias. Inflorescência panícula axilar. Quinei, A. glabrescente. Flores monóclinas, tépalas desiguais, seríceas, as externas menores que as internas. Estames com anteras quadrilocelares, locelos superpostos, Ia e 2a séries com filetes evidentes, mais delgados que as anteras, anteras ovais a oblongo-ovadas; estames da 3a série com par de glândulas globosas na base, anteras ovais; 4a série estaminodial bem desenvolvida, sagitada. Ovário elipsóide, glabro. Fruto bacáceo, globoso sobre ou parcialmente envolvido por cúpula de margem simples, tépalas persistentes. Nomes populares: abacate-do-mato, canela-rosa. Habitat: acorre na floresta ombrófila densa das terras baixas e montana, floresta estacionai semidecidual submontana e montana. Distribuição geográfica: no Brasil, nos estados de Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo. Material examinado: pasto na porteira da entrada da Reserva, 3.XII.1993, fl., C. Luchiari et al. 157 (RB). Material adicional: BRASIL. MINAS GERAIS: margens do rio Carandaí, 7.1.1965, fr., A. P. Duarte 8706 (RB). PARANÁ: Arapotí, fazenda do Tigre, 28.XI.1959, fl., G Hatschbach s.n. (RB 105558). RIO DE JANEIRO: Itatiaia, Parque Nacional do Itatiaia, margem do rio Campo Belo, 24.1.1942, fl., W. Duarte de Barros 563 (RB). Caracteriza-se por apresentar folhas com pecíolos longos, base inequilátera. flores com tépalas desiguais, as externas menores que as internas e frutos globosos com tépalas persistentes. Na REBIO, ocorre apenas na floresta de baixada, onde ocupa o dossel. 24. Urbanodendron verrucosum (Nees) Mez, in Jahrb. Kõnigl. Bot. Gart. Berlin 5: 80. 1889- Fig. 6bl-b7 Arvores monóicas, 3,5—6 m alt., ramos angulares, glabrescentes. Folhas alternas em todo o ramo, cartáceas a coriáceas, estreitamente lanceoladas a elípticas, com ápice agudo, base cuneada, 12-19 * 3-6 cm, base cuneada, ápice agudo, face abaxial RoJriguésia 57 (3): 543-568. 2006 SciELO/JBRJ 12 13 14 15 16 17 Lauraceae na Rebio de Poço das Antas 565 b3 (-T 1 1 mm , n , , iDa|a cxtcma; a4. tépala interna; a5. estame da 1“ série; Figura 6 - Persea major Koop - al. ramo - ° ’9 fmt0. Urbanodendron verrucosum (Nccs) Mez - bl. ramo a6. estame da 2‘ série; a7. estame da 3 serie, a . g ’ , ... . * cstaminódio da 4“ série: b6. gineceu; b7. fruto, frutífero; b2. flor; b3. estame da 1“ e 2“ série; b4. estame da ^ da SLlrjc; c4. estame da 2“ série; c5-c5’. Urbanodendron bahiense ( Meisn.) Rohwer - c . or’ c • fal Duarte 8706; a2-a8 Luchlarl 157', n9 Duarte estame da 3» série, vista frontal e lateral, respeetivamente; 8706 ; bl Farias 27J; b2-b6 Pessoa 902 ; b7 Farias 273; cl-c6 Duarte 4826) Rodriguésia 57 (3): 543-568. 2006 SciELO/JBRJ 12 13 14 15 16 17 cm 566 glabrescente; padrão de nervação broquidódromo, reticulado denso; sem domácias nas axilas de nervuras secundárias. Inflorescência bótrio terminal ou subterminal, envolvida na base por escamas foliáceas, glabras em disposição verticilada. Flores monóclinas, tépalas iguais, glabras. Todos os estames com par de glândulas na base, anteras bilocelares, 1“ e 2a séries com filetes evidentes, mais delgados que anteras, anteras triangulares; estames da 3a série com anteras ovais; 4a série estaminodial ausente ou formada em geral por apenas 1 estaminódio estipitiforme, piloso. Ovário ovóide, glabro. Fruto bacáceo, elipsóide, envolvido parcialmente por cúpula hemisférica, lisa, de margem dupla, tépalas decíduas. Habitat: ocorre na floresta estacionai scmidecidual submontana e montana (Assis 2005) e na floresta ombrófila densa das terras baixas c montana. Distribuição geográfica: no Brasil, nos estados do Espírito Santo, Minas Gerais e Rio de Janeiro (Rohwer 1998). Material examinado: trilha à direita após a casa do morcego, 1 7. VI. 1 994, fr„ D. S. Farias et ai 273 (RB); Pelonha, 16.VIII.1995, veg., P. R. Farag et ai 88 (RB); 28.V.1998, 11., S. V. A. Pessoa 902 (RB). Caracteriza-se por folhas de estreitamente lanceoladas a elípticas, ramos angulares, inflorescências envolvidas por escamas foliáceas de disposição verticilada na base, estames férteis com anteras bilocelares, todos com par de glândulas e por seus frutos elipsóides envolvidos por cúpula de margem dupla. Na REBIO, sua ocorrência foi registrada em floresta de baixada e de encosta, onde ocupa o dossel. 25. Urbanodendron bahiense (Meisn.) Rohwer, in Bot. Jahrb. Syst. 110. 1988. Fig. 6 cl-c5 Arvores monóicas, 10-22 m alt., ramos cilíndricos, estriados, seríceos a glabrescentes. Folhas alternas em todo o ramo, cartáceas. Quinei. A. lanceoladas a elípticas, 6-13 * 1,8-3 ,4 cm, base cuneada, ápice agudo, face abaxial glabrescente; padrão de nervação broquidódromo, reticulado denso; sem domácias nas axilas de nervuras secundárias. Inflorescência tirsóide axilar, serícea, não envolvida na base por escamas loliáceas. Flores monóclinas, tépalas iguais, seríceas. Todos os estames com par de glândulas na base, anteras quadrilocelares, estames da Ia e 2a séries com filetes evidentes, mais delgados que as anteras, anteras triangulares, quadrilocelares, papilosas; estames da 3a série com filetes tão largos quanto as anteras, anteras sub- retangulares, papilosas; 4a série estaminodial ausente ou somente um estaminódio presente lanciforme. Ovário elipsóide, glabro. Fruto bacáceo, elipsóide, envolvido parcialmente por cúpula taciforme, rasa, verruculosa de margem dupla, tépalas decíduas. Habitat: ocorre na floresta ombrófila densa montana (Baitello 2003) e das terras baixas. Distribuição geográfica: no Brasil nos estados da Bahia, Rio de Janeiro e São Paulo (Baitello 2003). Material examinado: trilha do morro Calcário, 1 2.V. 1 994, veg., D. S. Farias et ai 237 (RB); encosta da área da parcela 9C, 29.VI.1994, veg., S. J. Silva Neto s.n. (RB 406017); encosta da área da parcela D, 20.VII.1994, veg., S. J. Silva Neto s.n. (RB 40016), 14.XI. 1997, veg., S. V. A. Pessoa s.n. (RB 406019). Material adicional: BRASIL. RIO DE JANEIRO: Rio de Janeiro, Sumaré, descida para Lagoinha, 16.VI.1959, f|„ A. P Duarte 4826 (RB); Ibidem , estrada do Redentor, X.1961, fr„ A. P. Duarte 5790 (RB); Ibidem, Sacopan, Lagoa Rodrigo de Freitas, 1 6.V.2004. tt., A. P Duarte 5822 (RB). Caracteriza-se por apresentar todos os estames lérteis com par de glândulas na base e anteras quadrilocelares com papilosidade. Na REBIO, pode ser encontrada no interior da mata, em áreas de encosta como em áreas de baixada. Rodriguèsia 57 (3): 543-568. 2006 SciELO/JBRJ 12 13 14 15 16 17 Lauraceae na Rebio de Poço das Antas 567 Considerações Finais As 25 espécies subordinadas a nove gêneros aqui levantadas representam cerca de 19 e 50%, respectivamente, do total estimado para o Rio de Janeiro. A família Lauraceae está bem representada na REBIO tanto ao nível genérico como específico, como registrado por Guedes-Bruni (1997) que através de estudos fitossociológicos aponta - a como uma das cinco famílias com maior riqueza específica entre as fanerógamas arbóreas. Alguns exemplares permaneceram indeterminados na coleção atual, pela ausência de material florífero ou irutífero, possivelmente representando novas ocorrências para a REBIO. A análise da distribuição geográfica das vinte e cinco espécies coligidas na Reserva Biológica de Poço das Antas permitiu reconhecer um grupo cuja distribuição é limitada ao neotrópico, sendo o maior número de espécies circunscritas ao território brasileiro. As espécies de distribuição mais ampla estão circunscritas desde o Panamá, na América Central, até o Paraguai, na América do Sul, ocorrendo em vários habitais do continente americano. Com distribuição na América Central e América do Sul incluem- se cinco espécies (20%) c com distribuição limitada à América do Sul apenas uma espécie (4%). Com distribuição limitada ao Brasil incluem-se 19 espécies (76%) distribuídas cm duas, três, quatro ou nas cinco regiões, sendo o Amapá o limite mais ao norte e o Rio Grande do Sul o limite mais ao sul. O endemismo para o estado do Rio de Janeiro é representado apenas por Ocotea schottii, que habita a floresta ombrólila densa das terras baixas e submontana e restinga. Este trabalho fornece um panorama atualizado sobre a família Lauraceae na Reserva, contribuindo assim para o conhecimento da diversidade da flora local, e também, para o conhecimento taxonômico e morfológico das Lauraceae do estado do Rio de Janeiro. Rodriguésia 57 (3): 543-568. 2006 Agradecimentos Ao Programa Mata Atlântica do Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro pelo apoio e utilização da infra-estrutura e à PETROBRÁS pelo suporte financeiro. Referências Bibliográficas Baitello, J. P. 2003. Lauraceae. In: H. M. Longhi-Wagner; V. Bittrich; M. G. L. Wanderlcy & G. J. Shephcrd (eds.). Flora Fanerogâmica de São Paulo. São Paulo, Husitec v. 3, p. 149 -223. Chanderbali, A. S. 2004. Lauraceae: Endlicheria. Flora Neotropica, Monograph 91. New York Botanical Garden, New York, 141 p. Guedes-Bruni, R. R.; Pessoa, S. V. A. & Kurtz, B. 1997. Florística e estrutura do componente arbustivo-arbóreo de um trecho preservado de floresta montana na Reserva Ecológica de Macaé de Cima. In\ Lima, H. C. & Guedes-Bruni, R. R (eds.). 1997. Serra de Macaé de Cima: diversidade florística c conservação em mata atlântica. Jardim Botânico do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro. Pp. 127-145. Hickcy, L. J. 1973. Classification of thc architecture of dicotyledonous lcaves. American Journal of Botany 60( 1 ): 1 7-33. Kubitzki, K & Renner, S. 1982. Lauraceae I (Aniba and Alouea). Flora Neotropica 31. New York Botanical Garden, New York, 124p. Kurtz, B. C. 2000. Composição florística c estrutura do estrato arbóreo de um trecho de Mata Atlântica situado na Estação Ecológica Estadual de Paraíso, Município de Cachoeiras de Macacu, Rio de Janciio, Brasil. Rodriguésia 5 1(78-79): 69-1 12. Programa Mata Atlântica 1997. Relatório final. Rio de Janeiro, Jardim Botânico do Rio de Janeiro, IBAMA. Quinet, A. 2002a. Lauraceae. In: Barroso, G. M. et ai Sistemática de Angiospcrmas do !scíelo/jbrj 12 13 14 15 16 17 cm .. 568 Brasil, v.l. 2a ed. rev. Ed. Universidade Federal de Viçosa, Minas Gerais, 269p. . 2002b. Lauraceae Jussieu na Reserva Ecológica de Macaé de Cima, Município de Nova Friburgo, Rio de Janeiro, Brasil. Rodriguésia 53: 59-121. Rizzini, C. T. 1977. Sistematização terminológica da folha. Rodriguésia 42: 103-126. Rohwer, J. G. 1986. Prodromus einer Monographie der Gattung Ocotea Aubl. (Lauraceae), sensu lato. Mitteilungen aus dem Institut fur Allgemeine Botanik Hamburg 20, 278p. .1988. The genera Dicypellium, Phyllostemonodaphne, Systemonodaphne and Urbanodendron (Lauraceae). Bot. Jahrb. Syst. 1 1 0: 1 57- 1 7 1 . Quinet, A. ■ 1993. Lauraceae: Nectandra. Flora Neotropica, Monograph 60. New York Botanical Garden, New York, 332p. Santos, M. & Almeida, S. L. 1995. Contribuição ao estudo morfológico e anatômico das domácias em espécies de Ocotea Aubl. (Lauraceae) da região sul do Brasil. ínsula 24: 73-97. & Oliveira, P. L. 1989. Domácias no gênero Ocotea Aubl. (Lauraceae). ínsula 19: 13-26. Vattimo-Gil, I. 1959. Flora da cidade do Rio de Janeiro (Lauraceae). Rodriguésia 21/ 22(33-34): 157-176. Velloso, H. P.; Rangel Filho, A. L. R. & Lima, J. C. 1991. Classificação da Vegetação Brasileira adaptada a um sistema universal. IBGE, Rio de Janeiro, 124p. Rodriguésia 57 (3): 543-568. 2006 SciELO/JBRJ 12 13 14 15 16 17 cm PlPERACEAE NA RESERVA BIOLÓGICA DE POÇO DAS ANTAS, SlLVA JARDIM, Rio de Janeiro, Brasil Elsie Franklin Guimarães1 & Daniele Monteiro2 (Piperaceae na Reserva Biológica de Poço das Antas, Silva Jardim, Rio de Janeiro, Brasil) O estudo taxonômico das Piperaceae da Reserva Biológica de Poço das Antas foi realizado com base em material herborizado, observações de campo e compreende chave para identificação, descrições e distribuição geográfica dos táxons. Comentários sobre a importância medicinal, dados fitoquimicos e uso s3o atribuídos a algumas espécies. Foram assinalados para esta Reserva 27 táxons, alguns pouco coletados para o estado do Rio de Janeiro, como Piper translucens, somente conhecido até então pelo material tipo De um modo geral os táxons nesta área preferem locais úmidos e sombrios, podendo também ser encontrados em arcas degradadas em pleno sol. Palavras chave: Piperaceae, taxonomia, flora, Poço das Antas. Abstract (Piperaceae ofthe Biological Reserve of Poço das Antas, Silva Jardim, Rio de Janeiro, BrazilJT^etaxonomicol study of lhe Piperaceae occurring in lhe Biological Reserve of Poço das Antas was camcd oul bascd on herbanum material, fleld observations and idcntification keys. descrtpttons and gcetgrapbtcal d.stnbutton of thc taxa are presented. Commcnts abont the medicinal relcvance. phytochemica data and us« t are i Jtven lo some species For this reserve 27 taxa wete analyzcd. some ofthem are poorly col le-cled r UI e to eofRio de Janeiro, such as Piper translucens, wich was known so far by the type material. 'nSe's™. n lh“ area pmfcr hamid and shady places. being also found in devastatcd areas and eontpleted exposcd lo the sun. Kcy words: Piperaceae, taxonomy, flora, Poço das Antas. Introdução As Piperaceae englobam cerca de 2500 espécies, e são distribuídas em cinco gêneros de distribuição tropical e subtropical; no Brasil está constituída por quatro gêneros e cerca de 500 espécies (Yuncker, 1972, 1973 e 1974). De importância econômica e medicinal, algumas espécies fazem parte do mercado mundial, como a pimenta-do-reino (Piper nigrum L.) e outras são usadas de modo empírico pelas populações em diferentes doenças; outros como Piper betle L., P. methysticum G. Forst. são conhecidos mastigatórios. Muitas espécies de Peperomia são cultivadas como ornamentais, cuja beleza reside principalmente em sua folhagem. enquanto outras são utilizadas na alimentação. Com base nos estudos encetados por Yunckcr deu-se continuidade no Brasil às pesquisas na família Piperaceae. Neste trabalho ao seguir-se Yunckcr (1972, 1973, 1974) considerou-se o gênero Ottonia. Material e Métodos O material botânico utilizado neste estudo foi obtido de coletas realizadas pela primeira autora, entre os anos de 1981, 1983 e 1984 e, de coletas feitas pelo Programa Mata Atlântica em diversas áreas da Reserva. Quando as informações dos materiais se mostraram insuficientes, foram examinados materiais adicionais; os materiais quando Artigo recebido em 02/2005. Aceito para pubhcoçao cm 12/2005. - j d Rio janeiro. Programa Mata Bolsista do CNPq. / Pesquisadora do Atlantiea. Rua Pacheco Leão 915, Jardim Botânico, K Tmnic il ENBT/JBRJ - Programa Mata Atlântica. !Bolsista CAPES / Mestranda da Escola Nacional de Botânica Tropical. fcNU daniele@jbij.gov.br !scíelo/jbrj 12 13 14 15 16 17 cm .. 570 estéreis, adotou-se a abreviação “st”, na lista de material examinado. No estudo taxonômico, seguiu-se a conceituação de Yuncker(1972, 1973, 1974), sendo utilizados materiais dos herbários: R, RB, GUA e M (siglas de acordo com Holmgren et al. 1990). As formações vegetais citadas seguem o sistema de classificação de Veloso et al. (1991). Os desenhos em nanquim ilustram os detalhes considerados relevantes para melhor identificação dos táxons e foram realizados com o auxílio de microscópio estereoscópico Willd, equipado com câmara clara. As espécies são apresentadas em ordem alfabética e os comentários inseridos no texto foram extraídos de literatura, informações pessoais e das etiquetas das exsicatas consultadas. Resultados e Discussão Piperaceae C. Agardh, Aphor. bot. 14: 201. 1824. Ervas eretas epí fitas, terrestres, arbustos ou arvoretas. Folhas estipuladas, alternas, opostas ou verticiladas, inteiras, sésseis ou pecioladas. Guimarães. E. F. & Monteiro. D. de consistência e formatos os mais diversos, indumento muito variado, geralmente dotadas de glândulas translúcidas. Flores aclamídeas, mínimas, andróginas ou unissexuadas, protegidas por bractéolas pediceladas ou sésseis, sacado-galeadas, peitadas, esparsa ou densamente dispostas em racemos, umbelas ou espigas, axilares, terminais ou opostas às folhas; estames 2-6, livres ou adnatos às paredes do ovário; anteras rimosas bitecas ou unitecas; ovário súpero, séssil, geralmente imerso na raque, unilocular, uniovulado, estiloso ou não, com 1-4 estigmas, variáveis na forma; óvulo basal, ortótropo. Fruto drupa, séssil ou pedicelada. Endosperma escasso, apresentando perisperma; embrião mínimo. Na Reserva foram encontrados três gêneros, 25 espécies e 2 variedades. Nesta área foram observados táxons que ocorrem em locais úmidos, em áreas sombrias, como também, aqueles que se adaptam às clareiras ensolaradas. Ressalta-se ainda, que algumas espécies são consideradas de importância ecológica, servindo de alimento para os morcegos. Chave para identificação das espécies 1 . Arbustos ou arvoretas. 2. Inflorescências com flores pediceladas Ottonia 3. Folhas com tricomas superpostos na nervura mediana da face abaxial .. Ottonia anisam 3. Folhas glabras na nervura mediana da face abaxial. 4. Lâmina foliar 4 ou mais vezes longas do que largas Ottonia angustifolia 4 . Lâmina foliar 3 ou menos vezes longas do que largas. 5. Pedicelos mais curtos que os frutos Ottonia leptostachya 5'. Pedicelos mais longos que os frutos. 6. Lâmina foliar hirta na margem da face abaxial Ottonia albo-punctata 6\ Lâmina foliar glabra na margem da face abaxial Ottonia propinqua 2\ Inflorescências com flores sésseis Piper 7. Inflorescências com espigas dispostas em umbelas Piper umbellatum 7’. Inflorescências com espigas não dispostas em umbelas. 8. Fruto estiloso. 9. Lâmina foliar com tricomas pubescentes nas nervuras da face abaxial 9’. Lâmina foliar glabra nas nervuras da face abaxial. Piper pennucronatum 10. Lâmina foliar castanho-glandulosa; nervuras secundárias dispostas até o ápice da lâmina Piper caldense RoJriguésiii 57 (3): 567-587. 7006 SciELO/ JBRJ 12 13 14 15 16 17 Piperaceae da Rebio Poço das Antas, RJ ^ ' 10’. Lâmina foliar não castanho-glandulosa; nervuras dispostas até ou abaixo da porção mediana da lâmina Piper crassinervium 8’. Fruto não estiloso. 11. Fruto com 4 estigmas persistentes. 12. Raque glabra. 13. Folha peitada na base p'Per scutifollum 13’ Folha não peitada na base PiPer translucens 12’. Raque fimbriada ou pubérula Piper hoffmannsegglanum 1 1 ’. Fruto com 3 estigmas persistentes. 1 4. Nervuras secundárias atingindo o ápice da lâmina. 15. Bainha foliar percorrendo toda a extensão do pecíolo, formando uma ala; base da lâmina foliar profundo lobada, cordado-auriculada ou inequilátero- aguda. 16. Fruto denso-pubescentes no ápice Piper richardiifolium 16’. Fruto glabro no ápice PiPer arboreum 15’ Bainha foliar curto-basal ou alongada, constituindo um canal, não alada, às vezes sutilmente alado-caduca, até a porção mediana do pecíolo; base da lâmina foliar não profundo lobada. 1 7 Fruto obpiramidal, tri ou tetragonal. 18. Bractéola denso-franjada Piper divaricatum 18’ Bractéola não denso-franjada. 19. Lâmina glabra nas nervuras da face abaxial .. Piper rivinoides 19’ Lâmina com tricomas hirtos nas nervuras da face abaxial P. solmsianum var. hilarlanum 17’ Frutooblongoouobovóide Piper amplum 1 4’. Nervuras secundárias dispostas até, abaixo ou pouco acima da porção mcd.ana, não atingindo o ápice da lâmina. ...... . 20 Lâmina foliar com nervuras secundárias impressas na face adaxial, bractéola cuculado crescente, glabra ou glabresccnte Piper diospyrifolium 20’. Lâmina foliar com nervuras secundárias salientes na face adaxial, bractéola triangular ou subtriangular, peltado-franjada. 21. Lâmina foliar com tricomas híspidos ou hirsutos nas nervuras da face abaxial. ,, , 22. Pedúnculo cerca de 0,8-1, 2 cm Piper hlspidum 22’. Pedúnculo acima de 1,5 cm Piper malacophylium 21 ’ Lâmina foliar com tricomas vilosos, sedosos ao tato Piper ntolllcomum Peperomla 1’. Ervas terrestres ou epifitas ' . 23. Todas as partes da planta nitidamente “ " /rtowvb 24. Pianta Lroscopicamente hirtela 24\ piatita crespo-pú^ ovado-airedondada, ^ Rodrigues ia 57 (3): 569-589. 2006 SciELO/ JBRJ 12 13 14 15 16 17 cm .. 572 1. Ottonia albo-punctata Trel., Proc. Amer. Philos. Soc. 75:696. 1935. Arbusto 1-1,2 m alt. Caule 3-5 mm diâm., estriado. Folhas com pecíolo ca. 5 mm compr., estriado-canaliculado; bainha basal; lâmina 10-17 x 3, 2-4, 7 cm, lanceolada’ papirácea, ápice acuminado, revoluta, hirta na margem da face abaxial, base aguda, peninérvea. Racemo 4,5-8 cm; raque estriado-hirta; pedúnculo 4-5 mm compr., estriado; pedicelos mais longos que os frutos; bractéola pedicelada, hirta na margem. Fruto ca. 3 mm compr., oblongo, sulcado, tetragonal- apiculado no ápice. Habitat: floresta ombrófila densa baixo- montana, crescendo em local úmido. Distribuição geográfica: Brasil, nos estados de Rio de Janeiro e São Paulo. Material examinado: trilha do Pau Preto, margem do rio Pau Preto, 10-30 m alt.* 24.1.1995, fl. e fr., J. Rí. A. Braga et al 1796 (RB). Espécie pouco coletada, contendo apenas dois exemplares para o Brasil, um assinalado no século XIX e outro no XX; pela primeira vez é citada para o estado do Rio de Janeiro. Coletada florescendo e frutificando em janeiro. 2. Ottonia angustifolia Rizz., Dusenia 3(4)* 265. 1952. Arbusto 50-70 cm alt., glabro. Caule 2- 3 mm diâm., estriado. Folhas com pecíolo 2—5 (-8) mm compr. estriado; bainha basal; lâmina 9-20 x 1, 5-2,5 cm, discolor, membranácea, papirácea, translúcida, lanceolada, oblongo- lanceolada, ápice acuminado, base sub-igual, inequilátera com os lados diferindo de 1-2 mmi aguda ou obtusa, margem revoluta, glabra, peninérvia, presença de glândulas. Racemo 6- 8 x 0,3— 0,5 cm, alvo-amarelado; raque angulosa, glabra ou hirtela; pedúnculo 5-8 mm compr., glabro, subhirto, estriado; pedicelos glabros, subhirtos, duas vezes mais longos que os frutos, bractéola sacado-galeada, séssil ou curto pedicelada. Fruto jovem ca. 1,5 mm compr., ovado, sulcado, tetragonal, ápice agudo; estigmas curvos. Guimarães, E. F. & Monteiro, D. Habitat: floresta ombrófila densa baixo-montana; desenvolve-se no sub-bosque, fazendo parte do estrato arbustivo, em local úmido. Distribuição geográfica: Brasil, Rio de Janeiro. Material examinado: sub-bosque, VIII. 1 984, fl., E. F. Guimarães et al. 1459 (RB). Material adicional examinado: BRASIL. RIO DE JANEIRO: Nova Friburgo, Rio Bonito de Lumiar, pousada dos Cristais, 721 m alt., 22° 24 25’ S 42° 25 12' W, 1 .111.2004, fr., R. C. Forzza et al. 2760 (RB). Espécie considerada rara no estado do Rio de Janeiro, assinalada na Reserva Biológica de Poço das Antas como uma nova coleta além da localidade típica. 3. Ottonia anisurn Spreng., Neue Entd. 1: 255. 1820. Arbusto 1 ,5 m alt. Caule 2-3 mm diâm., estriado-pubescente. Folhas com pecíolo 2— 5 mm compr., estriado-hirto; lâmina 1 0-14 x cm, papirácea ou membranácea, assimétrico-lanceolada, ápice acuminado- falcado, base assimétrica, aguda ou obtusa, glabra na face adaxial, com t ri comas superpostos na nervura mediana abaxial. Racemo 2,5—8 cm; raque hirta; pedúnculo 3— 5 mm compr., estriado, hirto; pedicelos iguais ou pouco mais longos que os frutos; bractéola glabra ou hirta. Fruto 1,5-2 mm compr., ovado-tetragonal, ápice apiculado, estigmas eretos ou curvos. Nomes populares: jaborandi, jaborandi-do- mato ou jaborandi-da-mata-virgem. Habitat: este táxon é freqüentemente encontrado na floresta ombrófila densa baixo-montana; faz parte do estrato arbustivo, apresentando-se de forma esparsa ou constituindo às vezes, pequenas populações. Distribuição geográfica: Brasil, nos estados de Rio de Janeiro e São Paulo. Material examinado: 24.VIII.1989, tt.,L C. Giorclano et al. 789 (RB); fazenda Portuense, 9.IX.1981, fl., E. F. Guimarães et al. 1390 (RB), sub-mata, X. 1984, fl., E. F. Guimarães et al. 1440 (RB). Rodriguèsia 57 (3): 567-587. 2006 SciELO/ JBRJ .2 13 14 15 16 17 cm Piperaceae da Rebio Poço das Antas, RJ É considerada medicinal, tendo em vista que suas folhas são estimulantes, entretanto, a parte da planta mais utilizada é a raiz, cuja tintura é empregada internamente para o beribéri, sendo também útil para fricções nos membros inferiores, no tratamento de nefrites periféricas; quando em contato com a mucosa bucal, tem gosto picante seguido de anestesia, constituindo um poderoso odontálgico (Silva 1911). Esta planta é ainda muito utilizada em rituais religiosos, nos conhecidos “banhos de descarrego” e “defumadores de caboclo , tendo por finalidade afastar os maus espíritos e quebrantos (Guimarães 1 984). As raízes são sinalagogas, diuréticas e, se mastigadas aliviam as dores de cabeça (Mors et al. 2000). Coletada em flor em agosto, setembro e outubro. 4. Ottonia leptostachya Kunth, Linnaea 13: 586. 1839. Arbusto 0,6- 1,5 m alt., glabro. Caule 4- 6 mm diâm., estriado. Folhas com pecíolo 0,3— 1,6 cm compr., estriado; bainha basal; lâmina 13-15,5 x 4,9-6, 5 cm, discolor, papirácea, elíptica, lanceolado-elíptica, largo-lanceolada, ápice agudo-acuminado, margem abaxial hirta ou glabra, base obtusa, aguda-subigual, peninérvea, presença ou não de glândulas não translúcidas. Racemo 2-11 cm alvo- amarelado; raque subestriada; pedúnculo 5-7 mm compr., estriado; pedicelos subsésseis, mais curtos que as flores ou frutos; bractéola séssil ou curto-pedicelada. Fruto 2,5-2,6 mm compr., globoso-sulcado, tctragonal, apiculado, estigmas curvos. Habitat: arbusto ombrófilo da mata secundária, frcqüente no estrato arbustivo, ocorrendo na cm área de baixada na Reserva. Em outras localidades, como no Distrito Federal, pode ser observado em matas de galeria, em altitudes de 1000-1150 m.s.m; nesse trabalho a espécie é tratada como Piper ovatum Vahl. (Carvalho- Silva & Cavalcanti 2002). Distribuição geográfica: Brasil, nos estados da Paraíba, Bahia, Goiás, Distrito Federal, Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro. Rodriguésia 57 (3): 569-589. 2006 573 Material examinado: mata secundária, 9.IX.1981, fi., E. F Guimarães et a! 1332 (RB); mata secundária, XI-XI1.1983, fi., E. F. Guimarães et al. 1359 (RB); mata secundária, XI-XII.1983, fi .,E.F Guimarães et al. 1370 (RB); mata secundária, XI- XII.1983, fi., E. F. Guimarães et al. 1379 (RB); sub-bosque, VIII. 1984, fi., E. F. Guimarães et al. 1439 (RB); submata, VIII. 1984, fi., E. F. Guimarães et al. 1442 (RB); trilha da Pelonha, próximo da parcela, 17.V.1994, fi. e fr., J. M A. Braga et al. 1230 (RB). Coletada com flores em maio, agosto, setembro, novembro e dezembro, e frutificando em maio. 5. Ottonia propinqua Kunth, Linnaea 13: 583.1839. F'g-la Arbusto 0,5- 1,5 m alt. , glabro. Caule 3- 7 mm diâm., estriado. Folhas com pecíolo estriado, 4-8 mm compr., bainha basal; lâmina 1 1,5-16,5 x 5,5-8, 2 cm, discolor, papirácea, lanceolada, elíptico-lanceolada, oblongo- lanceolada, ápice agudo-acuminado, margem revoluta, glabra na face abaxial, base equilátera ou subcquilátero-obtuso-cordada. Racemo 4- 10 cm; raque glabra ou subhirto-cstriada; pedúnculo 5-7 mm compr., estriado, esparso- hirto; pedicelos mais longos que os frutos; bractéola pcdicelada. Fruto 1, 9-3,0 mm compr., oblongo-ovóide, tetragonal-sulcado, ápice agudo. Nomes populares: chá-bravo, lalso- jaborandi, jaborandi, jaborandi-do-mato, jaborandi-manso, nhaborandi ou zebrandi. Habitat: espécie ocorrente em formações primárias c secundarias, da fioresta ombrófila densa submontana, geralmente no interior das matas primárias densas c úmidas, das planícies e das encostas suaves, onde às vezes é muito abundante. Pode ainda ocorrer em capoeiras, à margem das estradas (Guimarães et al. 1978). Distribuição geográfica: Brasil, nos estados do Pará, Ceará, Paraíba, Pernambuco, Bahia, Minas Gerais, Espírito Santo, Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná e Santa Catarina. SciELO/JBRJ 12 13 14 15 cm .. 574 Material examinado: 25.X.1979, fl. e fr., J. P. P. Carauta & N. Crud-Maciel 3288 (RB); morro do Pau Preto, trilha do Pau Preto, 29.X. 1997, fl. e fr, J. A. Lira Neto et ai. 721 (RB); mata secundária, 6.IX.1981, fl., E. F. Guimarães et al. 1159 (RB); fazenda Portuense, XI-XI1.1983, fl., E. F. Guimarães et al. 1345 (RB); sub-bosque, VIII. 1984, fl., E. F Guimarães et al. 1441 (RB); sub- bosque, VIII. 1 984, fl., E. F Guimarães et al. 1443 (RB); sub-mata, VIII. 1984, fr., E. F Guimarães et al. 1444 (RB); sub-bosque, VIII. 1984, fl. e fr., E.F. Guimarães et al. 1445 (RB); sub-bosque, VIII. 1984, fl., E. F. Guimarães et al. 1446 (RB); sub-bosque, VIII. 1984, fl. e fr., E. F. Guimarães et al 1447 (RB). Os ramos folhas e raízes quando mastigados abrandam dores de cabeça. As espigas são carminativas e estomáquicas. Nesta espécie foram isoladas várias amidas, dentre elas a piperovatina que é responsável pela ação anestésica na língua e mucosa bucal (Mors et al. 2000). A raiz dispõe de casca amarelada, aroma ativo e sabor acre- picante, provocando anestesia e salivação. É utilizada pelos indígenas como antídoto na intoxicação por cogumelos venenosos e pela água da mandioca (Peckolt & Peckolt 1888). Encontrada florescendo de agosto a dezembro, com frutificação em agosto e outubro. 6. Peperontia corcovadensis Gard., J Bot 1:187.1842. Erva 5-10 cm alt., estolonífera, epífita ou rupícola, microscopicamente hirtela a glabrescente; ramos ascendentes da base cespitosa. Caule 1 mm diâm., estriado. Folhas alternas; pecíolo 2—5 mm compr.; lâmina 8— 13 x 5-7 mm, membranácea, glandulosa, ovada, ovado-lanceolada, ovado-elíptica, elíptico-subovada, lanceolada, ápice obtuso,' estreito-obtuso, obtuso-retuso, esparso- ciliada, base obtusa ou aguda, glabra em ambas as faces, 3-nervada. Espiga 15-35 * 5-1 mm, terminal; pedúnculo 1, 5-2,1 cm Guimarães, E. F. & Monteiro, D. compr., hirto; bractéola arredondado-peltada, glanduloso-pontuada, margens papiloso- verrucosa; raque verrucosa, foveolada. Fruto 0,3-0,4 mm compr., não estipitado, ovado- elíptico, submerso, subfoveolado, ápice agudo, estigma apical, pseudocúpula pouco abaixo ou até a porção mediana. Nomes populares: erva-de-vidro, jaboti- membeca (Guimarães et al. 1984). Na área estudada, não foi registrado ainda nome vulgar. Habitat: floresta ombróFila densa baixo- montana, em mata de baixada. Em Santa Catarina, é freqüente na floresta pluvial de araucária e floresta pluvial ripária, habitando tronco úmido, em local sombrio. Distribuição geográfica: no Brasil, nas Regiões Sudeste e Sul. Material examinado: Jutumaiba, trilha da Pelonha, 16.VIII.1995, fl., J. M. A. Braga et al. 2658 (RB). Material adicional examinado: BRASIL. RIO DE JANEIRO: Rio das Ostras, restinga da praia Virgem, 31.X.1999, fl. e fr., R. N. Dam as certo 1181 (RB). 7. Peperontia trinervis Ruiz & Pav„ Fl. Peruv. 1 : 32, tab. 50, fig. b. 1 798. Fig. 1 b-c Erva reptante, estolonífera, negro- glanduloso-pontuada. Caule 3 mm diâm., moderado a esparsamente viloso. Folhas alternas; pecíolo 0,5-1 cm compr., viloso; com fileira decurrente de tricomas; lâmina 1,2-3 x 0,5-1, 4 cm, membranácea, membranáceo-rígida, ovado-elíptica, elíptica, ovado-lanceolada, lanceolada, ápice agudo, agudo-falcado, acuminado, ciliado, base aguda, decurrente, glabrescente na face adaxial, esparsa a moderadamente vilosa na face abaxial, 3- 5 nervada. Espiga 1,5-8, 5 x o,l cm, terminal; pedúnculo 0,3-l,3 cm compr., g abro, bractéola arredondado-peltada; raque liso-sulcada, negro-pontuada. Fruto 0,5 0,9 mm compr., não estipitado, ovado, globoso, verrucoso-glanduloso, com ápice obliquo, estigma subapical, sem pseudocúpula. RoJriguêsia 57 (3): 567-587. 2006 SciELO/ JBRJ 12 13 14 15 16 17 Piperaceae da Rebio Poço das Antas, RJ 575 . ^ «Mv ramo com inflorescência. b-c: Peperomia trlnervis Ruiz & Pav.: •iRura I - a. Ottonia propinqua Kunth (Carauta 3- , Kunth (Draga 1830): d. ramo com inflorescência; c. ’• ~ - inflorescência; c. detalhe do peco o. «. ' ^ g> ramo com inflorescência; li. Iruto e ruto; f. bractéola. g-h: Piper arboreutn Aub . var. ar Nomes populares: na Reserva não foi encontrada qualquer referência à denominação vulgar. Habitat: espécie ocorrente no interior da floresta ombrófila densa submontana. Distribuição geográfica: Bolívia, Colômbia, Equador, México, Peru e Brasil, nos estados a Bahia, Minas Gerais, Espírito Santo, Rio e Janeiro e São Paulo. Material examinado: Juturnaiba, trilha a Pelonha, 16.VIII.1995, M. A. Braga et al. 2687 (RB). Planta difícil de ser encontrada, coletada florescendo em agosto. 8. Peperomia rotundifolia (L.) Kunth, Nov. Gen. Sp. 1: 65. 1815. Erva epífita, glabra ou crcspo-pubesccntc; ramos lisos. Caule 0,25-0,5 mm diâm., delicado. Folhas alternas; pecíolo 1 ,5-4 mm compr; lâmina 2-12 * 2-10 mm, carnosa, quando seca membranácca ou papirácca, ovado-arredondada ou oblonga, glandulosa, arredondada; ápice arredondado, as vezes rctuso ou cmarginado, base arredondada, com tricomas esparsos em ambas as faces, palmati-3-ncrvada. Espiga 0,5- 2,5 cm x 1-1 ,5 mm, terminal; pedúnculo ca. 0,5 mm compr., crcspo-pubcsccnte; bractéola Rodriguésia 57 (3): 569-589. 2006 SciELO/JBRJ L2 13 14 15 16 17 cm .. 576 arredondado-peltada. Fruto 0,4-0,6 mm compr., não estipitado, globoso, ovóide, ápice não mami forme, oblíquo, desprovido de escudo rostrado, estigma subapical, sem pseudocúpula. Nomes Populares: bejuco de alcanfor (Costa Rica), erva-de-jaboti, erva-de-vidro em Santa Catarina, jaboti-membeca, lentejuela (Cuba) ou salva-vidas; no Rio de Janeiro, não tem registro de nome vulgar. Habitat: habita geralmente tronco e ramos das árvores, com larga dispersão e freqüência na floresta ombrófila densa (Guimarães et al. 1985). Distribuição geográfica: Antilhas, Américas. No Brasil, nos estados do Amazonas, Pará, Pernambuco, Minas Gerais, Espírito Santo, Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Material examinado: trilha do Pau Preto, margem do rio Pau Preto, 1 0-30 m, 24.1. 1 995, st., J. M. A. Braga et al. 1787 (RB). Material adicional examinado: BRASIL. RIO DE JANEIRO: Nova Friburgo, Parque Estadual Fumas do Catite, 26.X.1986 fl A Vaz 427 (RB). E epífita de folhas muito reduzidas, geralmente cultivada em vasos ou placas como ornamental. É considerada planta medicinal, sendo usada como estomáquica (Corrêa 1909- Mors et al 2000). Os ramos desta planta quando esmagados exalam odor semelhante à cânfora e, quando mastigados, dão a sensação de frescor próprio desta substância. E considerada planta própria para a expectoração (Roig y Mesa 1945). 9, Piper amplum Kunth, Linnaea 13: 618. ^39- Fig. 1 d-f Arbusto 1-2,5 m alt.; ramos 5-10 mm diâm., cilíndrico-sulcados. Folhas com pecíolo I, 5— 2,5 cm compr., estriado, canaliculado, bainha canaliculada basal; lâmina 19-24 x 6,5- I I , 5 cm, membranácea, papirácea, glanduloso- translúcida, elíptica, oblongo-lanceolada, ovado-elíptica, ápice agudo, base profundo lobada, simétrica, obtusa, aguda, subcordada, Guimarães. E. F. & Monteiro, D. quando assimétrica um lado 2—3 mm mais curto em relação ao pecíolo, glabra na face adaxial, esparso-pi losa ou glabra nas nervuras da face abaxial; nervuras secundárias 10-12 (14), dispostas até o ápice, salientes na face adaxial. Espiga 5-9,5 x 0,2-0,4 cm, ereta; pedúnculo 0,7— 1,6 cm compr.; bractéola cuculado- crescente, glabra; estames 4; ovário com estilete curto ou séssil, estigmas 3, filiformes. Fruto 1-2 mm compr., obovóide, oblongo, subanguloso, glabro, depresso no ápice, estigmas persistentes. Nomes populares: caapeba, jaborandi, murta ou pariparoba. Habitat: espécie muito frequente e ocorrente em formações primárias e secundárias, da floresta ombrófila densa submontana; sua ocorrência em floresta secundária denota sua exigência de luz, e quando nas florestas primárias necessita de clareiras para seu desenvolvimento. Distribuição geográfica: Brasil, nos estados da Bahia, Minas Gerais, Espírito Santo, Rio de Janeiro e Santa Catarina. Material examinado: fazenda Portuense, XI. 1983, fl., E. F. Guimarães & L. Mautone 1375 (RB); 6.IX.1981, fl., E. F. Guimarães et al. 1170 (RB); fazenda Portuense, XII. 1983, fl-, E. F. Guimarães et al. 1382 (RB); Jutumaiba, estrada após a casa do Sr. Aristides em direção ao rio Aldeia, 10-30 m, 25.1.1995, fl-, J. M. A. Braga et al. 1830 (RB). Foram identificados monoterpenos, como os constituintes majoritários desta espécie (Santos et al. 2001), que é útil para aliviar a indisposição do fígado (Mors et al. 2000). Floresce de setembro a janeiro. - .y*-. ui i/u i cu m AUDI., Hist. Pl. 1;23|775. fig.lg-h Arbusto 1-4 m alt.; ramos 4-8 mm diâm., cilíndrico-sulcados. Folhas com pecíolo *■ 4 cm compr., estriado; bainha percorrendo toda extensão do pecíolo, canaliculado-alada; lâmina 16-27 x 6-10 cm, membranácea, papirácea, oblongo-elíptica, ovada, oblongo- lanceolada, ápice agudo-acuminado, base Rodriguésia 57 (3): 567-587. 2006 SciELO/JBRJ 12 13 14 15 16 17 cm Piperaceae da Rebio Poço das Antas, RJ inequilátero-aguda, profundo-cordado- auriculada ou com um dos lados agudo, 1 — 2,5 cm mais curto em relação ao pecíolo, glabra em ambas as faces; nervuras secundárias dispostas até o ápice. Espiga 7-12 x 0,3-0, 5 cm, ereta; pedúnculo 0,5-2 577 cm compr.; bractéola triangular-pcltado- franjada; estames 4; ovário com estilete curto ou séssil, estigmas 3, persistentes, filiformes. Fruto 0,8-1 mm compr., oblongo, glabro, lateralmcnte achatado, estigmas persistentes. Chave para as variedades de P. arboreum da Reserva Biológica de Poço das Antas 1. Folhas glabras em ambas as faces 1’. Folhas com tricomas na face abaxial, principalmente R arboreum var. arboreum ao longo das nervuras P arboreum var. hiríelum 10.1. Piper arboreum Aubl. var. arboreum Nomes populares: alecrim-de-angola, fruto-de-morcego, jaborandi, jaborandi-do- rio, jaborandi-falso, jaborandi-pimenta, nhamborandi, palim, pau-de-angola, pimenta- do-mato, pimenta-dos-índios, raiz-de-pahiu. Habitat: espécie muito frequente na floresta ombróFila densa, crescendo em formações secundárias em matas de encosta, não raro presente na margem de clareiras; comum em restinga, em mata alagadiça. Distribuição geográfica: ampla distribuição, ocorrendo desde a América Central até o Sul do Brasil, neste assinalada para o Amazonas, Amapá, Pernambuco Bahia, Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná e Santa Catarina. Material selecionado: trilha Rodolfo Sul, 6. XII. 1993, fl.e fr., C. Luchiari et ai 163 (RB); 14.IX.1977, fl., J. P. P Carauta et ai 2589 (RB, GUA); Pau do Gancho, prox. a fazenda da Kombi, 26.XI.1992, fl. e fr., H. C. Lima et ai 4480 (RB); mata do rio Pau Preto, 7.11.1995, fr., C. M. Vieira et ai 693 (RB, F); trilha atrás do prédio da Educação Ambiental, 20. X. 1 994 fl. e fr., li C. Lima et ai 4955 (RB); 24.X.1979, fl., D. Araújo 33 73 (GUA); 27. IX. 1981, fl., D. Araújo & M. F V dos Santos 4640 (GUA); VIII. 1984, fl. e fr., E. F. Guimarães et ai 1438 (RB); mata de baixada, capoeirão, VIII. 1984, fl. e fr., E. F. Guimarães et ai 1462 (RB); trilha do Pau Preto, margem do rio Pau Preto, 10- 30 m, 24.1.1995, fr., J. M. A. Braga et ai 1791 (RB). É empregada como sudorífera, afrodisíaca, para o trato de reumatismos, sendo também carminativas; as folhas em infusão são usadas em banhos (Mors et ai 2000); na Amazônia é utilizada sob a forma de chá contra resfriados, bronquites e gripes fortes (Van den Berg 1993). As folhas e ramos jovens são úteis para dores de dente; a raiz é empregada na preparação do curare. (Peckolt & Pcckolt 1888). É também considerada alimento de morcegos. Floresce e frutifica de agosto a abril. 10.2. Piper arboreum var. hiríelum Yunck., Ann. Missouri Bot. Gard. 37 (1): 64. 1950. Nomes populares: os mesmos da variedade típica. Habitat: variedade encontrada cm locais de relativa altitude. Distribuição geográfica: Brasil, nos estados do Amazonas, Bahia, Goiás, Distrito federal, Rio de Janeiro, São Paulo c Paraná. Material examinado: morro do Pau Preto, trilha do Pau Preto, 29.X.1997, fl.,.7. A. Lira Neto et ai 709 (RB). Material adicional examinado: BRASIL. RIO DE JANEIRO: Parati, Boa Vista, loteamento Frade, Pousada Paraty, 1 0.XI. 1 99 1 , fl. c fr., Y. L. G Klein et ai 1201 (RB). Coletada com flor cm outubro. Rodriguésla 57 (3): 569-589. 2006 SciELO/JBRJ L2 13 14 15 16 17 cm .. 578 11. Piper caldense C. I)C., Linnaea 37. 343 1872. Arbusto 0,5-3 m alt., glabro; ramos 4- 1 2 mm diâm., estriados. Folhas com pecíolo 0,5-1, 5 cm compr., canaliculado; bainha curta, basal; lâmina 12-17 x 3,5-5 cm, discolor, membranácea, castanho-glandulosa na face adaxial, translúcida, lanceolada, elíptica, às vezes obovada, ápice agudo- acuminado, mucronado, margem não indulada, base não peitada, simétrica ou assimétrica, agudo-cuneada, um lado 2-5 mm mais curto em relação ao pecíolo, glabra; nervuras secundárias 6-8, saindo acima da base, dispostas até o ápice. Espiga 3-5 x 0, 3-0,6 cm, esverdeado-alvacenta, ereta, sutilmente curva, reflexa na maturidade; pedúnculo 0,7-1, 5 cm compr.; bractéola triangular-peltada, franjada; estames 4; ovário com estilete longo, estigmas 3, filiformes. Fruto 2,5-3 mm compr., estiloso, globoso, às vezes anguloso, glabro, agudo no ápice, estigmas persistentes. Nomes populares: em Santa Catarina é conhecida como paguarandy; no estado do Rio de Janeiro, não foi assinalado nome vulgar para esta espécie. Habitat: floresta ombrófila densa submontana, às vezes nas margens de córregos onde possa penetrar luz difusa (Guimarães & Valente 2001). Ocorre também muito raramente em área de pasto. Distribuição geográfica: arbusto com distribuição das Regiões Nordeste a Sul do Brasil, nos estados de Pernambuco, Alagoas, Bahia, Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná e Santa Catarina. Material examinado: prox. à BR-101, 24.11.1994, fr., C. M. Vieira et ai. 545 (RB, F, NY); trilha para a Pelonha, entrada em frente a trilha Morro do Calcário, 6. III. 1993, fl., C. M. B. Correia et al. 326 (RB); VIII. 1984, fl., E. F. Guimarães á L. Mautone 1404 (RB). Coletada com flor em março e agosto; com frutos em fevereiro. Guimarães. E. F. & Monteiro. D. 12. Piper crassinervium Kunth, Nov. gen. sp. 1:48. 1815. Fig. 2a-b Arbusto 1-6 m alt., esciófilo; ramos 4- 9 mm diâm., glabros, cilíndrico-estriados. Folhas com pecíolo 1,3-2, 2 cm compr., glabro-estriado, bainha canaliculada, largo- basal, estreitando-se em direção à lâmina até a porção mediana do pecíolo; lâmina 12- 20 x 5-7,5 cm, papirácea, não castanho- glandulosa na face abaxial, translúcida, oblongo-ovada, elíptica, oblongo-lanceolada, ápice agudo-acuminado, base simétrica, aguda ou obtusa, quando assimétrica um lado 2—4 mm mais curto em relação ao pecíolo, glabra em ambas as faces ou esparso-pilosa nas nervuras da face abaxial; nervuras secundárias 4-6, saindo acima da base dispostas até ou abaixo da porção mediana. Espiga 3,5-7 x o, 3-0, 5 cm, ereta na frutificação; pedúnculo 0,5—1 cm compr., pubescente; bractéola triangular-subpeltado- franjada na margem; estames 4; ovário com estilete longo, estigmas 3, filiformes. Fruto 1,5-2, 2 mm compr., estiloso, arredondado- obovóide, glabro, estigmas persistentes. Nomes populares: pariparoba-jaguarandy, em Santa Catarina; na Reserva não foi assinalado nome vulgar. Habitat: arbusto muito freqüente, que habita florestas secundárias em altitudes de 80-900 m. Distribuição geográfica: América do Sul; no Brasil nos estados do Amazonas, Ceará, Goiás, Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná e Santa Catarina. Material examinado: 14.IX.1977, fl., J. p P. Carauta et al. 2601 (RB, GUA); fazenda Portuense VIII. 1984, fl. e fr, E. F Guimarães & L. Mautone 1421 (RB). Este arbusto constitui um importante alimento de morcegos (Guimarães & Valente 2001); além disso alcança até 6 metros de altura, dispõe de folhas verde-escuras, brilhantes, nervação proeminente, espigas eretas com estigmas persistentes e aparentes, podendo ser cultivado como ornamental. Coletada florescendo em agosto e setembro, com frutificação em agosto. RoJrigitêsia 57 (3): 567-587. 2006 SciELO/JBRJ L2 13 14 15 16 17 Piperaceae da Rebio Poço das Antas, RJ 579 |, . (Guimarães 1421 ): a. ramo com inflorescência; b. fruto, Figura 2 - a-b: Piper crassinervium Humb., Bonp . 1 cência- d. detalhe das nervuras impressas na lâmina c-e: Piper diospyrifolium Kunth (Correia 325). c. divaricatum G. Mey. (Guimarães 1456): f. aspecto foliar; e. detalhe da espiga mostrando frutos e brac eo i • • t- geral da folha; g. fruto. 13. Piper diospyrifolium (Kunth) Kunth ex C. DC., Prodr. 16(1): 300. 1869. Fig. 2 c-e Arbusto 0,7-3 m alt.; ramos 5-7 mm diâm., glabros, estriado-sulcado. Folhas com pecíolo 1-3,5 cm compr., estriado-glabro, bainha alongada, alado-caduca, constituindo um canal, estreitando-se em direção à lâmina, lâmina 16-24 * 5, 5-9, 5 cm, discolor, subcoriácea, cartácea, papirácea, glanduloso- translúcida, ovado-oblonga, oblongo- lanceolada, elíptica, ápice agudo-acuminado, base nâo profundo lobada, simétrica, aguda ou obtusa, quando assimétrica um lado 2-3 mm mais curto em relação ao pecíolo, glabra na face adaxial, com tricomas hirtos nas nervuras da face abaxial; nervuras 5-9, saindo acima da base, impressas na lace adaxial, salientes na abaxial, dispostas até ou pouco acima da porção mediana, não atingindo o ápice. Espiga fy 5_9 x 0,3-0, 7 cm, branca ou verde, ereta na frutificação; pedúnculo 8-15 mm compr., Rodrtguésia 57 (3): 569-589. 2006 SciELO/ JBRJ 12 13 14 15 16 17 cm 580 cilíndrico, glabro; bractéolas cuculado- crescentes, subpeltadas, glabra ou glabrescentes; estames 4; ovário com estilete curto ou séssil, estigmas 3, filiformes. Fruto 2—2,1 mm compr., não estiloso, oblongo, lateralmente achatado, glabro, depresso no ápice, estigmas persistentes. Nomes populares: conhecida na Reserva como joão-borandi. Habitat: esta espécie semi-heliófila que habita a floresta ombrófila densa baixo- montana, em local bastante úmido, é ainda pouco coletada nas regiões sudeste e sul, áreas de sua ocorrência. Na Reserva é assinalada na floresta alagadiça, fazendo parte do estrato arbustivo. É também encontrada em mata de baixada e capoeirão. Distribuição geográfica: no Brasil ocorre nos estados do Rio de Janeiro, São Paulo e Santa Catarina. Material examinado: trilha para a Pelonha, entrada em frente à trilha Morro do Calvário, 6. III. 1993, fl. e fr, C. M. B. Correia et at. 325 (RB); trilha Rodolfo Norte, primeira trilha a esquerda após a porteira, 1. XII. 1996, fl., S. J. Silva Neto et al. 761 (RB); fazenda Portuense, VIII. 1984, fl. e fr., E. F. Guimarães et al. 1422 (RB); mata alagadiça, 18.IV. 1977, fl. e fr, D. Araújo & R. F. Oliveira 1618 (GUA); VIII. 1984, fl., E.F. Guimarães et al. 1448 (RB); VIII. 1984, fl., E. F. Guimarães & L. Mautone 1453 (RB); fazenda Portuense, VIII. 1984, fl., E. F. Guimarães & L. Mautone 1455 (RB); mata de baixada, VIII. 1984, fl., E. F. Guimarães & L. Mautone 1461 (RB). Esta espécie é considerada rara, uma vez que existem poucas coletas (datando de 1878, 1888, 1929, 1945, 1981, 1993, 1995 e 1996). Estes intervalos de coleta mostram a pouca representatividade deste táxon nos acervos dos herbários. Sua utilidade é desconhecida até o momento. Floresce em março, abril, agosto, novembro e dezembro e frutifica em março, abril e agosto. Guimarães, E. F. & Monteiro, D. 14. Piper divaricatum G. Mey. Prim. Fl. Esseq. 1 5, fig. 86. 1 8 1 8. Fig. 2.f-g. Arbusto 2-7 m alt., glabro, mais ou menos dotado de glândulas; ramos estriado- sulcados quando secos, nodosos. Folhas com pecíolo 0,5-2 cm compr., sulcado em direção a lâmina, provido de bainha curta na base; lâmina 9-17 x 3,5-7 cm, discolor, papiráceo- membranécea a subcoriácea, brilhante em ambas as faces, oblongo-elíptica, lanceolada ou raramente ovada, ápice agudo, base não profundo lobada, assimétrica, decurrente, revoluta na margem; nervuras 7-9 em cada lado, dispostas até o ápice, ascendentes em relação a principal, padrão de nervação misto, camptódromo-broquidódromo. Espigas 3,5— 6 x 0,3-1 cm, eretas, pêndulas ou curvadas; pedúnculo 0,7-1 cm compr., glabro; bractéolas arredondado-triangular, peitadas, densamente franjada na margem, pedicelo piloso; estames 4; ovário com 3 estigmas sésseis. Fruto 1 ,5-2,5 mm compr., não estiloso, obpiramidal ou tetragonal, achatado na base, sub-arredondado, convexo ou sub-apiculado no ápice, comprimido lateralmente, glanduloso, estigmas persistentes. Nomes populares: betle ou betro. Habitat: arbusto semi-ombrófilo, freqüente nas restingas, na floresta alagadiça, fazendo parte do estrato arbustivo, crescendo entre espécies de Bombacaceae, Clusiaceae, Moraceae e Zingiberaceae (Guimarães et al. 1988), às vezes assinalado em capoeiras. Distribuição geográfica: Brasil, nos estados do Amazonas, Pernambuco, Bahia, Minas Gerais, Espírito Santo e Rio de Janeiro. Material examinado: área do plantio, BR 101, 250 m, 15.XI.1994, fl. e fr., C. Luchiari et al. 436 (RB); mata do Pau Preto, 7.II. 1 995, fr., C. M. Vieira et al. 695 (RB); margens do rio São João, entre a BR 101 e a ponte da linha férrea, 15.111.1994, fl. e fr., D. S. Farias et al. 170 (RB); 4. IX. 1981, fl., E. F. Guimarães et al. 1145 (RB); fazenda Portuense, VIII. 1984, fl. e fr, E. F. Guimarães & L. Mautone 1423 (RB); VIII. 1984, fl., E. F. Guimarães et al. 1425 (RB); mata da Rodriguésia 57 (3): 567-587. 2006 SciELO/JBRJ 12 13 14 15 16 17 cm Piperaceae da Rebio Poço das Antas, RJ pedreira, VIII. 1984, fl., E. F. Guimarães et al. 1451 (RB); idem, V1I1.1984, fl. e fr., E. F Guimarães & L. Mautone 1456 (RB), idem, VIII. 1984, fl. E. F Guimarães & L. Mautone 1458 (RB); capoeira, 8.XI.1979, fl.;fr., D. Araújo & M. dos Santos 3419 (GUA); próximo ao Rio São João, a beira da BR 101 em brejo, 16.III.1984, fr., A Araújo & M.C. Maciel 6140 (GUA); idem, trilha da Pelonha, próximo da parcela de fitossociologia (PMA) 3. II. 1995, fr., J. M. A. Braga et al. 1901 (RB). A raiz desta espécie é aromatica e tem sabor semelhante ao do gengibre. A população utiliza a planta sob forma de infusão, para combater cólicas e dores reumáticas. As raízes e folhas cozidas são usadas em banhos com finalidade antireumática (Peckolt & Peckolt 1888). Floresce em março, agosto, setembro, novembro e frutifica em fevereiro, março, agosto e novembro. 15. Piper hispidum Sw., Prodr.: 15. 1788. Arbusto 1-4 m alt., com tricomas híspido- escabros, não retrorsos; ramos 2-6 mm cilíndrico-sulcados. Folhas com pecíolo 0,3-1 cm compr., cilíndrico; bainha curto-basal, lâmina 8,5-16 * 3, 2-6,5 cm, membranácea, glanduloso-translúcida, oblongo-lanceolada, elíptica, ápice agudo-acuminado, base não profundo lobada, obliquamente arredondada ou aguda, um lado 2-6 mm mais curto cm relação ao pecíolo, lepidoto-escabra na face adaxial, tricomas híspidos, hirsutos nas nervuras da face abaxial, rugosa quando envelhecida, nervuras secundárias maiores 5-6, saindo acima da base, ascendentes, salientes na face adaxial, dispostas até ou abaixo da porção mediana. Espiga 5-7 x 0, 2-0,3 mm, ereta, às vezes apiculada; pedúnculo 0,8-1, 2 cm compr., bractéola triangular-subpeltada, franjada, estames 4; ovário com estilete curto ou séssil, estigmas 3, filiformes. Fruto 1,9-2 mm compr., não estiloso, oblongo, lateralmente achatado, papiloso-pubescente no ápice, estigmas persistentes. Nomes populares: aperta-joão, aperta-ruão, beque, higuillo oloroso na Costa Rica, matico Rodriguésia 57 (3): 569-589. 2006 581 matico-falso e plantanilo-de-cuba ou cordocillo-blanco na América Central. Habitat: floresta ombrófila densa, ocorrendo em local muito úmido, matas de galeria, em altitudes de 750-1000 m.s.m (Carvalho-Silva 2002), matas sombrias úmidas, sendo também freqüente em áreas ensolaradas, cm restingas. Distribuição geográfica: América Central, Antilhas, América de Sul. No Brasil, nos estados do Amazonas, Pará, Ceará, Pernambuco, Bahia, Rio de Janeiro, Parana, Santa Catarina, Goiás, Distrito Federal e Mato Grosso. Material examinado: fazenda Portuense, VIII. 1984, st., E. F. Guimarães & L. Mautone 1426 (RB); VIII. 1984, fl., E. F Guimarães & L. Mautone 1453 (RB), VIII. 1984. st., E. F. Guimarães et al. 1460 (RB); VIII. 1984, st., E. F. Guimarães et al. 1437 ( RB); 4.IX.1981, st., E. F Guimarães et al. 1083 (RB). Representa um táxon polimorfo, especialmente no que diz respeito às suas folhas, com dimensões e formas distintas, não raro havendo dificuldades para sua identificação que é, geralmcnte favorecida pelas espigas eretas c pedúnculos curtos. É utilizada como planta medicinal, suas raízes folhas c frutos são adstringentes, estimulantes, empregadas para combater a cistite, inflamação da bexiga e deter hemorragias traumáticas; (Roig y Mesa 1945, Silva 191 1). As folhas são ainda usadas frescas como emplastos, para hérnia de umbigo de crianças (Peckolt & Peckolt 1888). A planta é empregada também para o descongestionamento do fígado; as folhas usadas intemamente sob a ronna de infusão, são indicadas para desinterias, e externamente pela sua adstringência, em banhos, evitando nas mulheres a queda do útero (Peckolt 1941). O chá da decocção da folha é útil para o tratamento da malária (Milliken 1997). Coletada florescendo em agosto. 16. Piper lt tíffman nseggi anu m Roem. & Schult., Mant. 1: 242. 1822. Arbusto 1,4-2 m alt., glabro, clófilo. Folhas com pecíolo 5-7 mm compr., canaliculado, com bainha na base; lâmina 10- SciELO/JBRJ 12 13 14 15 16 17 582 Guimarães, E. F. & Monteiro, D. 17 x 3,5-5 cm, discolor, semi-cartácea, membranáceo-rígida, Ianceolada, oblongo- lanceolada, ápice acuininado, base aguda, não peitada, assimétrica, nervuras 8-1 2, dispostas até o ápice da lâmina, pálido-virentes quando secas. Espiga 5—1 1 x 0,2-0,5 cm, esverdeada, ereta, raramente curva; pedúnculo 1-1,2 cm compr.; raque fimbriada ou pubérula, flores laxas, bractéolas sacado-galeadas, glandulosas; estames 4, com anteras reniformes; ovário com 4 estigmas sésseis. Fruto ca. 1,5 mm compr., não estiloso, sub- orbicular, oblongo, tetragonal. lateralmente sulcado, estigmas persistentes. Nomes populares: jaborandi.joão-barandino, joão-barradin. Habitat: floresta ombrófila densa baixo- montana em estágio secundário, em ca. 250 m de altitude. Habita áreas de encosta úmidas e sombrias, podendo, entretanto, habitar clareiras ensolaradas. Distribuição geográfica: Brasil, nos estados do Pará, Minas Gerais, Bahia e Rio de Janeiro. Material examinado: área da parcela de morrete, entre as linhas 6 e 1 0, 9.VI1. 1 996, f]., S. J. Silva Neto et al. 892 (RB). Material adicional examinado: BRASIL. RIO DE JANEIRO: Paraty, estrada próxima ao Rio dos Meros, beira da mata, 10.V.1994, fr., R. Marquete 1747 (RB). Planta muito utilizada como paliativo para dor de dente, sendo também sudorífera. Coletada florescendo em julho. 17. Piper malacophyllum (C. Presl) C. DC„ in DC. Prodr. 16(1): 337. 1 869. Fig. 3 a-c Arbusto 2—2,5 m alt., com tricomas escabro-pubescente, não retrorsos; ramos 2- 6 mm diâm., sulcados. Folhas com pecíolo 4— 7 mm compr., canaliculado, pubescente; bainha curto- basal; lâmina 12-20 x 5-8 cm, membranácea, glanduloso-translúcida, elíptica, oblonga, oblongo-lanceolada, ápice agudo, acuminado, margem ciliada, base não profundo lobada, cordada, às vezes aguda, um lado 2-6 mm mais curto em relação ao pecíolo, escabra na face adaxial, hirsuta nas nervuras da face abaxial, nervuras 5-6 (-7), saindo acima da base, dispostas até a porção mediana, salientes na face adaxial. Espiga 6-14 x 0,2-O,3 cm. curva; pedúnculo 1,5-3, 5 cm compr., pubescente; bractéola triangular-peltada, franjada; estames 4; ovário com estilete curto ou séssil, estigmas 3, filiformes. Fruto 0,5-0, 9 mm compr., não estiloso, oblongo, lateralmente achatado, subdepresso, glabro ou pubescente no ápice, estigmas persistentes. Nomes populares: pariparoba ou pariparoba- murta. Na área da Reserva não foi assinalado ainda nome vulgar para esta espécie. Habitat: floresta ombrófila densa baixo- montana, característica de clareiras em ambientes florestais, no interior da mata ocupa locais sombrios em solo úmido, ou as margens de rios (Guimarães 1999), podendo ocupar também formações secundárias, em locais ensolarados. Distribuição geográfica: Brasil, nas Regiões Sudeste e Sul. Material examinado: VIII. 1984, fl„ E. F. Guimarães et al. 1457 (RB); Juturnaiba, estrada da posse do Sr. Aristides em direção ao rio Aldeia, 10-30 m, 26.1.1995, fl., J. M. A. Braga et al. 1867 (RB). 18. Piper nwllicomiim Kunth, Linnaea 13: 648. 1839. Arbusto 1 —4 m alt., com tricomas vilosos, não retrorsos; ramos 2—8 mm diâm., cilíndricos. Folhas com pecíolo 0,5-1, 2 cm compr., cilíndrico; bainha curto-basal; lâmina 1 0-1 9 x 5—8,5 cm, discolor, membranácea, glanduloso- translúcida, ovado-oblonga, oblongo- lanceolada, ápice agudo, acuminado-falcado, base não profundo lobada, assimétrica, obtuso- cordada, um lado 2-4 mm mais curto em relação ao pecíolo, tricomas vilosos em ambas as faces, sedosos ao tato, quando envelhecidas glabrescentes na face adaxial; nervuras secundárias 5—6, saindo acima da base, dispostas até ou abaixo da porção mediana. Espiga 6-10 x 0,2-0,5 cm, de amarela a verde, curva; pedúnculo 0,5-1 ,5 (-2) cm compr.; bractéolas subtriangular-peltado-franjada; Rodriguèsia 57 (3): 567-587. 2006 SciELO/JBRJ _2 13 14 15 16 17 Piperaceae da Rebio Poço das Antas, RJ 583 ... r. nr nr mnn 18fi7Va oarte do ramo com in florescência; b-c: laceabaxial Figura 3 - a-c: Piper malacophyllum (C. Prcsl) C. D C (B fc • ^ ^ 7|g). ramo mostrando 0 detalhe da base da lâmina foliar, mostrando tn comas, d: [ (Guimarães 1485): e parte do ramo com inflorescência; f. ohar. e-g: Piper solmsianun, var. hdanamm ^ # bractéo|a. detalhe dos tricomas na base das nervuras da lace abaxial, estames 4; ovário com estilete curto ou séssil, estigmas 3, filiformes. Fruto 1-1,1 mmeompr., não estiloso, oblongo, obovóide, lateralmente achatado, reticulado, truncado, glanduloso com tricomas pubescentes no ápice, estigmas persistentes. Nomes populares: jaborandi, jaborandi- manso, rabo-de-galo. Habitat: muito freqüente na floresta ombró fila densa baixo-montana, em altitudes entre 200- 600 m.s.m., tanto em locais ensolarados quanto sombreados; ocorre também cm restingas; muito comum em áreas antrópicas. E freqüente em trilhas próximas a córregos (Ruschel 2004). Distribuição geográfica: espécie ocorrendo desde o Nordeste até o Sul do Brasil; também assinalada para a Região Centro-Oeste, cm altitudes de 0-900 m.s.m. Material examinado: morro do Pau Preto, trilha do Pau Preto, 29.X.1997, 11., J. A. Lira Neto et al. 729 (RB); 14. IX. 1977, 11., J. P P Rodriguésia 57 (3): 569-589. 2006 SciELO/JBRJ 12 13 14 15 16 17 cm .. 584 Carauta et al. 2612 (RB); idem, 29.10.1997, fl., J. A. Lira Neto et al. 729 (RB); 16.III.1977, fr., D. Araújo et al.1547 (GUA); fazenda Poço d’Antas, 4.XI.1981, fl., E. F. Guimarães & L. Mautone 1140 (RB); Osmarina, 6. IX. 1 98 1 , fl. e fr., E. F. Guimarães & L. Mautone 1192 (RB); beira da estrada, VIII. 1984, fl., E. F Guimarães et al. 1424 (RB); fazenda Portuense, VIII. 1984, fl. e fr., E. F Guimarães et al. 1429 (RB); VIII. 1984, fl. e fr, E. F. Guimarães & L. Mautone 1430 (RB); VIII. 1984, fl., E. F. Guimarães & L. Mautone 1432 (RB). Os frutos de sabor acre e picante são excitantes estomacais, sialagogos e muito utilizados para doenças venéreas; suas raízes são empregadas como paliativo nas dores de dente (Peckolt & Peckolt 1888). As folhas são ricas em óleos essenciais a-pinene, b- pinene, limonene, a-humulene, b-selinene e benzil octanoate; estes compostos demonstraram uma ação bactericida (Guimarães & Valente 2001). Santos et al. (2001) encontraram nesta espécie ketona, 2- tri-decanona em significantes concentrações (4,29 %) no óleo essencial. Coletada florescendo em agosto a novembro, e frutificando em março, agosto e setembro. 19. Piper permucronatum Yunck., Boi. Inst. Bot. (São Paulo) 3:11, fig. 9. 1966. Arbusto 1—2 m alt; ramos 2-10 mm diâm., subsulcado com tricomas glanduloso-hirtos. Folhas com pecíolo 1-1,5 cm compr., glanduloso; bainha curto-basal; lâmina 10-17 x 4-7 cm, membranácea, castanho-glanduloso- translúcida, lanceolada, ápice agudo, acuminado-mucronado, margem membranácea, base não profundo lobada, inequilátero-aguda, um lado 3-5 mm mais curto em relação ao pecíolo, glabra na face adaxial, com tricomas pubescentes nas nervuras da face abaxial, nervuras secundárias 6-11, saindo acima da base dispostas até o ápice. Espiga 1,5-4 x 0,3-0,7 cm, ereta, quando em fruto; pedúnculo 1,5-3 cm compr., glabro ou subesparso-hirto; bractéola Guimarães. E. F. & Monteiro, D. triangular, peltado-franjada, glandulosa; estames 4; ovário com estilete longo, espesso, estigmas 3, filiformes. Fruto 2,5—3 mm compr., estiloso, obovóide, glanduloso-glabro, apiculado, estigmas persistentes. Habitat: floresta ombrófila densa baixo- montana. Distribuição geográfica: Brasil, nos estados do Rio de Janeiro e São Paulo. Material examinado: margem esquerda do rio São João, 24.XI.1976, fr., R. F. Oliveira 263 (GUA). A espécie é caracterizada pela folhagem verde escuro brilhante e nervuras da face abaxial providas de tricomas. Estudos químicos assinalam para esta espécie a presença de óleo essencial, consistindo principalmente de sesquiterpenos e pequena percentagem de monoterpenos. Os maiores componentes encontrados no óleo foram, “d- cardinene (12%), g muurolene (7,4 %), a- cadinol (6,9 %), b-caryophyllene (6,8%), T- muurolol (3,2 %), a-muurolene (2,9 %), e g- elemene (2,7 %)” (Torquilho et al. 1999). Encontrada frutificando em novembro. 20. Piper richardiifolium Kunth, Linnaea 13:668. 1839. Arbusto 1-3 m alt.; ramos 3-12 mm diâm., sulcados. Folhas com pecíolo 5-7,3 cm compr., glabro ou minuciosamente puberulento; bainha alada até próximo à base da folha, percorrendo toda a extensão do pecíolo; lâmina 21-37 x 7-13 crrij membranácea, rígido-membranácea, glanduloso-translúcida, oblongo-lanceolada, elíptico-ovada, ápice agudo-acuminado, base profundo lobada, assimétrica, cordado- auriculada, um lado 0,7—1 cm mais curto em relação ao outro, glabra em ambas as faces, ou com tricomas hirtos nas nervuras da face abaxial, nervuras secundárias maiores 6-8, saindo acima da base, ascendentes, dispostas até o ápice, descendentes nos lobos. Espiga x 0,4-0, 5 cm, ereta ou pêndula; pedúnculo 1,6—2 cm compr.; bractéola triangular-subpeltada; estames 4; ovário com Rodriguésia 57 (3): 567-587. 2006 SciELO/JBRJ 12 13 14 15 16 17 cm Piperaceae da Rebio Poço das Antas. RJ estilete curto ou séssil, estigmas 3, persistentes, filiformes. Fruto 1, 1-1,2 mm compr., não estiloso, obovóide, truncado, Iateralmente achatado, denso-pubescente no ápice, estigmas persistentes. Nomes populares: pau-de-junta-do-grado, pau-de-junta em Santa Catarina. No Rio de Janeiro não foi encontrada referência vulgar para o táxon. Habitat: espécie de ampla distribuição geográfica, encontrada na floresta ombrófila densa baixo-montana; tem seu registro associado a florestas primárias em locais úmidos e sombrios, ocorrendo ainda em locais de clareira de mata secundária. Distribuição geografia: Brasil, nos estados de Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná e Santa Catarina. Material examinado: mata secundária, 6.IX. 1981, st., £ F Guimarães et ai 1200 (RB). Material adicional examinado: BRASIL. RIO DE JANEIRO: Teresópolis, Parque Nacional da Serra dos Órgãos, 31.1.1978, fl-, A. H. Gentry & A. L Peixoto 941 (RB); 28.III.1994, fr., £ £ Guimarães et ai 1608 (RB). Este táxon de porte elegante, folhas vistosas, inflorescências pêndulas e longas, presta-se ao cultivo para fins paisagísticos. 21. Piper rivinoides (Kunth) Kunth ex C. DC.,Prodr. 16(1): 312. 1869. Arbusto ou arvoreta, 1,6-2 m alt., glabro; ramos 4-10 mm diâm., cilíndrico- estriado. Folhas com pecíolo 1 ,5—2 cm compr., estriado; bainha curto-basal ou canaliculada, não alada; lâmina 12-18x6-9 cm, papirácea, esparso-glânduloso, translúcida, ovada, ovado-elíptica, ápice agudo-falcado- acuminado, base não profundo lobada, agudo- cuneada, nervuras secundárias 3-4, saindo acima da base, glabras na face abaxial, dispostas até o ápice. Espiga 7-12 x 0,3-0,5 cm, ereta; pedúnculo 1,2—3 cm compr., bractéola triangular-peltada, às vezes cuculada, esparso franjada ou glabra, estames 3; ovário com estilete curto ou séssil, estigmas 3, filiformes, recurvos. Fruto 1,1~ Rodrigues ia 57 (3): 569-589. 2006 585 1,5 mm compr., não estiloso, obpiramidal- trigonal, glabro, estigmas persistentes. Nomes populares: conhecida na Reserva como ruão. Habitat: planta heliófila, que ocorre na floresta ombrófila densa submontana, sendo também freqüente em sub-bosque, não raro formando grandes populações. Distribuição geográfica: Brasil, nos estados de Pernambuco, Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo e Santa Catarina. Material examinado: estrada do Aristides, após a 2a porteira, 12. VII. 1994, fl. e fr., H. C. Lima et ai 4929 (RB); trilha para fazenda Portuense, prox. entrada do cajueiro, 4.V.1994, fr., D. S. Farias et ai 210 (RB); estrada, VIII. 1984, fl., £. F. Guimarães & L. Mautone 1439 (RB); fazenda Portuense, quadrat 10, VIII. 1984, fl., £. £ Guimarães & L. Mautone 1449 (RB). Os frutos desta espécie servem de alimento a fauna (em etiqueta de herbário: Faria et al. 210, RB). Coletada florescendo em julho e agosto e frutificando em maio e julho. 22 Piper scutifolium Yunck., Boi. Inst. Bot. (São Paulo) 3: 123, fig. 107.1966. Fig. 3 d Arbusto 1-2 m alt., ramos 4-6 mm diâm., ascendentes, estriados, glabros. Folhas com pecíolos 0,7-1, 2 cm compr., estriado; bainha curta basal; lâmina 1 6-23 x 4—12 cm, membranécea, papirácea, glanduloso- subtranslúcida, oblíqua, ovado-elíptica, elíptica, ovado-lanceolada, ápice agudo, acuminado, falcado, base arredondada, peitada glabra na face adaxial, híspida nas nervuras da face abaxial; nervuras secundárias ca. 12 saindo acima da base, dispostas até o ápice, impressas na lace adaxial, híspido-salientes na face abaxial. Espiga 6-9 x 0,2-0, 3 cm, sub-eretas, creta; pedúnculo 0,5-1 cm compr., glabro; flores congestas; bractéolas sacado-galcadas, nilosas; estames 4; ovário com estilete curto ou séssil, estigmas 4. Fruto 1-1,5 mm compr., não estiloso, ovado-tetragonal, glabro, papiloso, estigmas persistentes. .SciELO/ JBRJ 12 13 14 15 16 17 cm .. 586 Habitat: floresta ombrófila densa baixo- montana, preferindo locais úmidos e sombrios, raramente em áreas degradadas. Distribuição geográfica: Brasil, nos estados do Rio de Janeiro e São Paulo. Material examinado: morro do Pau Preto, trilha do Pau Preto, 29.X.1997, fl., J. A. Lira Neto et ai 718 (RB); Juturnaiba, trilha da Pelonha, 16.V1II.1995, fr., J. M. A. Braga et al. 2657 (RB). Espécie rara no Rio de Janeiro, pouco coletada, porém de fácil identificação, dada a peculiaridade da base peitada da folha. Esta planta que prefere locais pouco degradados, estava assinalada no Estado para os municípios de Teresópolis e Parati. Como expresso por Guimarães & Giordano (1997), a espécie também ocorrente na APA-Cairuçú foi atualmente acrescida da nova localidade na Reserva Biológica de Poço das Antas. Encontrada florescendo em outubro e frutificando em agosto. 23. Piper solmsianum var. hilarianum (Miq.) Yunck., Boi. Inst. Bot. São Paulo 3:124.1966. Fig. 3 e-g Arbusto 1 ,5-2,5 m alt.; ramos 3,5-1 0 mm diâm., sulcados. Folhas com pecíolo 2,5-6,5 cm compr., estriado, canaliculado; bainha não curto- basal, alongada, sutilmente alado-caduca, às vezes até a porção mediana do pecíolo; lâmina 1 3-2 1 ,5 x 1 l-l 8 cm, membranácea, papirácea, glandulosa na abaxial, ovada, ápice agudo, base assimétrica, truncado-arrcdondada, as vezes cordada, abruptamente decurrente em direção ao pecíolo, nervuras secundárias 6-8, geralmente saindo acima da base, dispostas até o ápice, as inferiores 3-4, muito salientes próximo à base, com tricomas hirtos na face abaxial. Espiga 5-14 x 0, 3-0,5 cm, ereta; pedúnculo 0,6-1, 5 cm compr.; bractéola arredondada, glabra na parte superior, depois subcrescente peitada, vilosa na inferior; estames 3; ovário com estilete curto ou séssil, estigmas 3, filiformes. Fruto ca. 2 mm compr., não estiloso, obpiramidal-trigonal, glabro no ápice, estigmas persistentes. Guimarães, E. F. & Monteiro, D. Nomes populares: caapeba ou pariparoba. Habitat: floresta pluvial baixo-montana, frequente em capoeirão, na mata de baixada. Distribuição geográfica: Brasil, nos estados de Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Material examinado: capoirâo, mata de baixada, VIII. 1984 (fl.), E. F. Guimarães & L. Mautone 1485 (RB). Esta variedade difere da típica por apresentar tricomas nas nervuras dorsais. Trata-se de um arbusto com folhas magnas, que aliado às espigas eretas e longas, formam um belo conjunto, podendo ser utilizado como planta ornamental. Encontrada florescendo em agosto. 24. Piper translucens Yunck., Boi. Inst. Bot. São Paulo 3: 130. 1966. Arbusto ca. 1 ,5 m alt., glabro; ramos 2- 3 mm diâm. Folhas com pecíolo 0,2-0,9 cm compr., estriado, bainha curta; lâmina 10-16 x 3, 5-5,0 cm, discolor, levemente assimétrica diferindo um lado em relação ao outro de 4 — 5 mm, semi-cartácea ou membranácea, translúcido-glandulosa, elíptico-lanceolada, ápice acuminado, base aguda, obtusa, nervuras secundárias 10-12, alternas, dispostas até o ápice. Espiga 4-5 x o, 1 5-0.4 cm esverdeada; pedúnculo 2—3 mm compr.; raque glabra, bractéola sacado-galeado. glabra, glandulosa com pedicelo ciliado; estames 4; ovário sulcado-glanduloso, tetragonal, estilete curto ou séssil, estigmas 4. Fruto ca. 1,5 mm compr., não estiloso, tetragonal, sulcado, glanduloso, estigmas persistentes. Habitat: floresta ombrófila densa submontana. Distribuição geográfica: Rio de Janeiro. Material examinado: área da parcela de morrote, entre linhas 6 e 10, 9. VII. 1996, fl. e fr., S. J. Silva Neto et al. 890 (RB). Esta espécie representa uma nova coleta para o Rio de Janeiro, sendo considerada rara dado que seu holótipo habitat in M. Corcovado, prope Sebastianopolin, provinciae Rio de Janeiro", Roilriguèsia 57 (3): 567-587. 2006 SciELO/JBRJ 12 13 14 15 16 17 cm Piperaceae da Rebio Poço das An las, RJ foi coletado no século XIX por Martius, depositado no herbário de Munchen (M) (Ichaso et al. 1977). Encontrada florescendo e frutificando em julho. 25. Piper umbellatum L., Sp. Pl. 1: 30. 1753. Arbusto 1-3 m alt.; caule 0,6-2,2 cm diâm., piloso. Folhas com pecíolo 8-20 cm compr.; bainha subalada; lâmina 1 8-20 * 20- 25 cm, membranácea, translúcido-glandulosa, arredondado-ovada, reniforme, ápice abruptamente acuminado, base cordada, híspida em ambas as faces, 12-16 pares de nervuras palmati formes, pilosas em ambas as faces. Espiga 5, 5-9,5 * 0,2-0,4 cm, dispostas em umbelas; pedúnculo comum 0,3-3 cm compr., glanduloso-pubescente; pedúnculo secundário 3-5 mm compr., glanduloso- pubescente; bractéola triangular-subpeltada, fimbriada na margem. Flores congestas, ovário com estilete curto ou séssil, estigmas 3. Fruto 0,2-0, 7 mm compr., não estiloso, obpiramidal, anguloso, glabro, glanduloso, estigmas persistentes. Nomes populares: espécie anteriormente conhecida como Pothomorphe umbellatum. (L.) Miq. (Guimarães et al. 1978), tem como nomes populares aguaxima; baquina cataje, mamjerioba em Cuba; capeba, caa-peuá, cipó-de-cobra, folha-de-santa-maria-kidua pelos índios Chami da Colômbia; lençol-de- santa-barbara, malvarisco, malvavisco, pariparoba, periparoba; santa-maria na Costa Rica; santilla de culebra no México e, nas Antilhas, pimienta de flores em ombela (Grosourdy 1864). Na Reserva não foi assinalado ainda nome vulgar. Habitat: espécie heliófila que ocorre na fioresta ombrófila densa submontana, geralmente na orla da mata em capoeiras e capoeirões, em locais sombrios ou ensolarados. Distribuição geográfica: com distribuição nas Américas Central e do Sul e Antilhas. No Brasil, ocorre em todas as Regiões. Material examinado: 9.IX.1981, estéril, E. F. Guimarães & L. Mautone 1342 (RB), Rodriguèsia 57 (3): 569-589. 2006 587 VIII. 1984, fi., E. F. Guimarães & L. Mautone 1463 (RB). Esta planta considerada medicinal é empregada nas doenças do baço, rim contra inchaços ou inflamações e como antimalárica. No fígado possui a propriedade de estimular a secreção biliar, além de fluidificá-la; é ativa ainda para aumentar o apetite e ativar a digestão, entretanto, quando utilizada acima da posologia normal, isto é, 10 gramas para 1 litro de água (Vieira 1992), provoca vômitos e cólicas (Peckolt 1941). Suas folhas, raízes aromáticas e cascas são empregadas gcralmente sob a forma de chá, emplastos ou sucos, nas doenças respiratórias e afecções da bexiga (Rocha 1919). É muito útil como cicatrizante (Fonseca 1940). Assinala-se a presença de óleo essencial tendo a assarona como componente principal. Esta espécie é considerada útil para a culinária (Zurlo & Brandão 1989, Guimarães & Giordano, 2004), e as folhas dos ramos jovens são antiescorbúticas (Grosourdy 1864). Encontrada florescendo cm agosto. Conclusões As espécies analisadas na Reserva Biológica de Poço das Antas propiciaram o conhecimento da grande necessidade de realização de coletas de Piperaceae no estado do Rio de Janeiro. Com base nestes estudos, verificou-se que alguns destes taxons foram citados pela primeira vez para a região, como observado cm Ottonia angustifolia, O. albo- punctata, Piper translucens, P. scutifolium, e nas três espécies de Peperomia. Agradecimentos Ao Conselho Nacional dc Desenvolvimento Científico e Tecnológico - CNPq e a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior - CAPES, pelas bolsas concedidas; aos curadores dos herbários pelo empréstimo dos materiais e à Petrobrás pelo convênio com o Programa Mata Atlântica: 610.4.025.02.3 JBRJ/Petrobrâs. SciELO/JBRJ 12 13 14 15 16 17 cm .. 588 Referências Bibliográficas Carvalho-Silva, M. & Cavalcanti, T. B. 2002. Piperaceae. In: Cavalcanti T. B. & Ramos A. E. (org.). Flora do Distrito Federal, Brasil, vol. 2. Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, Brasília. Pp. 91-124. Corrêa, M. P. 1909. Flora do Brazil: algumas plantas úteis, suas aplicações e distribuição geographica. Typographia da estatística. Rio de Janeiro, 154p. Fonseca, E. T. 1940. Plantas medicinales brasilenas. Rio de Janeiro, Brasil, 102p. Grosourdy, D. R. 1 864. El Médico Botânico Criolo. Tomo I parte primeira e Tomo II parte segunda. Libréria de Francisco Brachet, Paris. Pp. 511-512. 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Rodriguésia 57 (3): 567-587. 2006 SciELO/JBRJ L2 13 14 15 16 17 589 Piperaceae da Rebio Poço das Antas, RJ Ruschel, D. 2004. 0 Gênero Piper (Piperaceae) no Rio Grande do Sul. Revista Brasileira de Biociências 2 (2): 103-129. Santos, P. R. D.; Moreira, D. L.; Guimarães, E. F. & Kaplan, M.A.C. 2001. Essential oilof 10 Piperaceae species from the Brazilian Atlantic Forest, Phytochemistry 58: 547-55 1 . Silva, F. R. M. 1911. Contribuição para o Estudo da Flora Brazileira. Typ. do Journal do Commercio de Rodrigues, Rio de Janeiro, 158p. Torquilho, H. S.; Pinto, A. C.; Godoy, R. L. O. & Guimarães, E. F. 1999. Essential oil of Piper permucronatum Yunck. (Piperaceae) from Rio de Janeiro, Brazil. Journal Essential oil 1 1 : 429-430. Van Den Berg, M. E. 1993. Piperaceae In: Van Den Berg, M. E. Plantas Medicinais na Amazônia - contribuição ao seu conhecimento sistemático. PR/MCT/ CNPq, Belém, p.55-66. Veloso, H. P.; Rangel Filho, A. L. R.; Lima, J. C. A. 1991. 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Baumgratz', Maria Leonor D’ El Rei Souza \ Daniel le Carvas Carraça 3 & Bianca de Andrade Abbas} Resumo (Melastomataceae na Reserva Biológica de Poço das Antas, Silva Jardim Rio de Janeiro. ^aspectos floristicos e taxonômicos) Apresenta-se um estudo florístico para as Melastomi tfueuna Reserva B'° Kica de Poço das Amas. com enfoque na diversidade taxonônuca e esta nas diferentes que compõem a paisagem. Foram encontradas 34 espécies « ... variedade pertencentes . oitogeneros. Aciotis ( 1 sp ) Clidemia (5 spp.), Henrienea (I sp.), Leandm (2 spp.). Micomai 1 5 spp. e I var.), Ossaca (2 spp.), Rhynchanrhera ( I sp.) efibolichina (7 spp.). Esse trabalho representa 9 de 1 5 das espécies para a Reserva e para o município de Silva ar meo re^r Apresenta se uma chave para o estado do Rio de Janeiro, além de identificar uma nova espéeiede aderna. Ap analítica para a identificação das espécies, bem como descrições, ilustiações, dados de dislnbuiçilo fceog e comentários sobre particularidades morfológicas e nomenc aturais. Palavras-chave: Floresta atlântica, flora, taxonomia. Abstract . Silva Jardim, Rio de Janeiro, Brazil: floristic and (Melastomataceae in Reserva Btologica de Poço d • ^ ranli|y in p„çodasAnu,s Biological taxonomic aspects) It carnes out a flonsUc study a in thc diffcrent vegctation Reserve foorsing on the taxonomtc d, versar Jnd: Molls „ sp.), clidemia un.ts that forming the landscape. E.ght genus 34 p ^ > (2 spp>)> Rhynchan,hera (5 spp.), Henriettea ( 1 sp.), Leandro (2 spp_), A ( P ^P ^ munjcipaiity 0f Silva Jardim and (1 sp.) and Tibouchina (7 spp.). This is the first rc jdentjfy a new species of Clidemia. It also Cbdemia dentala to the Southeastem regio , as weU as descHptions, illustrations, geographical presents an analytical key tor the tdent.ficaüon of th P^ gnd some morphological and nomenclatural distribution and comments about the specimens m thc particularities. Key words: Atlantic rain forest, flora, taxonomy. Introdução Inventários ttorísticos e o conhecimento da diversidade biológica são notoriamente considerados prioritários nas regiões tropicais, principalmente em Unidades de Conservação (UCs) brasileiras, onde Horestas bem preservadas ainda podem ser encontradas. No estado do Rio de Janeiro, UCs têm sido objeto de atenção sob vários aspectos, tanto turístico-ecológicos quanto técnico-científico, no que tange ao conhecimento e à conservação da biodiversidade (Rizzini 1954; Brade 1956, Baumgratz 1997a, b; Carvalho-Brito 1997, Lima & Guedcs-Bruni 1997a, b; Lima et al. 2006). Apesar dos esforços empreendidos, pouco se conhece sobre a riqueza de táxons representativos nas formações vegctacionais encontradas nessas áreas legalmentc protegidas, algumas das quais loram divulgadas sob a forma de listagens de espécies (Rizzini 1954; Brade 1956), atualmente incompletas e desatualizadas, necessitando de novos estudos que possibilitem ampliar o conhecimento sobre a flora local. A Reserva Biológica de Poço das Antas representa uma importante UC na região central Artigo recebido em 06/2005. Aceito para publicação em 06/200 ’. . Tjtu]ar; Bo|sjsla de Produtividade em Pesquisa/ 'Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro, es CNPq.jbaumgra@jbrj.gov.br rrn Denartamento de Botânica, delrei@ccb.ufsc.br ‘Universidade Federal de Santa Catarina, CCB, Dtp* . . pin|r/CNPa 'Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Jane.ro; Bolsista PIBIC/CN. q SciELO/JBRJ 12 13 14 15 16 17 592 Baumgratz, J. F. A. et al. do estado do Rio de Janeiro e sua flora vem sendo objeto de estudos pelo Programa Mata Atlântica (PM A) e por especialistas do Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro (JBRJ). As coleções resultantes desses estudos e as observações feitas na natureza têm não só assinalado a importância das Melastomataceae na paisagem local, onde diferentes espécies compõem várias formações vegetacionais (unidades de paisagens), como destacado seu papel na alimentação da avifauna e do mico-leão- dourado ( Leonthopithecus rosalia). Desse modo, propôs-se realizar um estudo com enfoque na diversidade taxonômica e analisar esta diversidade no contexto das diferentes unidades naturais e antropizadas que compõem 3 paisagem, apresentando também uma chave analítica para a identificação dos táxons, bem como descrições diagnósticas, ilustrações, dados de distribuição geográfica e fenológicos e particularidades dos táxons no ambiente. A família Melastomataceae é pantropical, distribuída em regiões tropicais e subtropicais, com a maior parte das espécies ocorrendo no neotrópico, o que corresponde a 70% dos táxons descritos (Wurdack 1973). No Brasil, é a sexta maior família de Angiospermas, com 66 gêneros e ca. 1.500 espécies, sendo encontrada desde a região amazônica e do centro-oeste até o Rio Grande do Sul, ocupando praticamente todas as formações vegetacionais, não havendo registro documentando sua ocorrência na caatinga sensu stricto, embora tenha sido encontrada em enclaves florestais no domínio da caatinga (Lyra 1984; Brandão & Gavilanes 1994a, b; Sales et al. 1998; Baumgratz 2004; Oliveira-Filho, com. pes.)! Na flora do estado do Rio de Janeiro, essa família mostra-se também muito diversificada, onde as espécies medram tanto em áreas de restingas, quanto em formações de mata atlântica, incluindo florestas pluviais montanas, alto-montanas e campos de altitude, conforme observações feitas pelos próprios autores. Material e Métodos As características fisiográficas da Reserva Biológica de Poço das Antas citadas no texto baseiam-se nos trabalhos de Guedes- Bruni (1998) e Lima et al. (2006). As unidades de paisagem ou fisionômicas, na Reserva, foram tratadas com base nos critérios de Metzger (2001) e Lima et ai (2006). Utilizaram-se os parâmetros estabelecidos por Guedes-Bruni (1998) para distinguir os limites entre o sub-bosque e o dossel em matas aluviais e submontanas, em que a primeira formação contém arbustos, arvoretas e árvores menores que 1 0 m de altura e 1 0 cm de diâmetro à altura do peito e o dossel, árvores iguais ou maiores que 10 m e 10 cm. O levantamento das espécies foi feito com base nas coleções dos herbários FLOR, HB, R e RB. Realizaram-se expedições científicas para coletas de amostras dos táxons, além de obtenção de dados e fotografias dos ambientes, habitats e particularidades morfológicas e de fenologia. O material coletado foi herborizado segundo técnicas usuais. Para a descrição morfológica, de modo geral, utilizaram-se os conceitos de Radford et al. (1974) e na tipificação dos frutos e sementes, o de Baumgratz ( 1 985), exceto para Aciotis, em que se adotou a caracterização do fruto proposta por Freire-Fierro (2002). As descrições foram restritas aos táxons na Reserva e objetivas aos caracteres mais diagnósticos de cada um, embora para todos os táxons descreveu-se a morfologia dos ramos e folhas, possibilitando uma análise comparativa dos espécimes no contexto da paisagem. A relação do material examinado encontra-se na Lista de Coleções, constando nome do coletor, número de coleta e, entre parêntesis, o número da espécie correspondente tratada no texto. Todo o material examinado encontra-se no Herbário RB, porém, havendo duplicatas, assinala-se a sigla do herbário depositário. Para material sem número de coleta cita-se o número de registro do RB. Quando necessário, utilizou-se material Roitriguésia 57 (3): 591-646. 2006 SciELO/JBRJ cm Melas tomataceae na Rebio de Poço das Antas adicional. Material estéril, coletado nas parcelas do projeto florístico-fitossociológico do PMA na Reserva, cujos espécimes possuem placas numeradas conforme a metodologia utilizada no inventário e não foram incorporados ao acervo do Herbário RB, foi citado conforme o registro dos respectivos indivíduos na Base de Dados desse Programa. Táxons infra-específicos não foram aceitos, devido às inconsistências dos mesmos para as espécies estudadas, exceto para Miconia vauthieri var. saldanhaei. Quando da disponibilidade de estudos recentemente divulgados, mencionou-se a referência bibliográfica onde sinônimos estão relacionados. Dados a respeito da distribuição geográfica, usos e nomes populares foram obtidos em etiquetas de material de herbário, na literatura e na comunidade local. Resultados e discussão As Melastomataceae na Paisagem da Reserva As Melastomataceae constituem um importante grupo em floresta tropical atlântica pela expressiva densidade de indivíduos, conforme descrito nos inventários florísticos desenvolvidos por inúmeros autores a partir da década de 90 (Guedes-Bruni 1998, Oliveira-Filho & Fontes 2000) - como também pela riqueza de espécies, em particular no sub- bosque, onde predominam espécimes arbustivos e/ou arbóreos de vários gêneros, principalmente de Clidemia, Leandra, Meriania, Miconia , Ossaea e Tibouchina. Podem ser destacados ainda Behuria e Huberia, mais expressivos em formações florestais do sudeste do Brasil, Bertolonia, como um grupo herbáceo-subarbustivo e também mais significativo no sudeste brasileiro, e Bisglaziovia, por ser endêmico do estado do Rio de Janeiro e nesse tipo de formação vegetacional (Cogniaux 1883-88, 1891, Gleason 1939; Wurdack 1962; Baumgratz 1982, 1984, 1990, 2004; Souza 1988, 1998; Guimarães 1997; Lima & Guedes-Bruni Rodriguésia 57 (3): 591-646. 2006 593 1997a, b; Andreata et al. 1997; Goldenberg 2004; Baumgratz et al. 2004; Tavares 2005). A análise das Melastomataceae no contexto da heterogeneidade espacial da paisagem e em escala de percepção das espécies tem evidenciado estreitas relações entre estas e as diferentes unidades reconhecidas na Reserva, tanto naturais quanto de natureza antrópica. Assim, observa- se a ocupação das espécies em diferentes unidades, sejam florestas mais contínuas, submontanas, sobre morros e morrotes, ou aluviais, fragmentos remanescentes, capoeiras e campos antrópicos, brejosos ou não. Na Reserva, as Melastomataceae estão representadas por 33 espécies e uma variedade, sendo encontradas em todas as fitofísionomias que compõem essa região, sejam florestas mais maduras até áreas alteradas ou muito impactadas, resultantes de antigos pastos e estradas, originando locais mais abertos e ensolarados. Nas áreas planas, onde a fisionomia campestre predomina, alguns representantes da família constituem elementos formadores de capoeiras, de grande importância para o processo de restauração florestal, como exemplificam Vieira & Pessoa (2001) para C. biserrata, C. hirta , M. calvescens e M. prasina. Nas florestas mais conservadas, situadas sobre morros e morrotes e em áreas aluviais, as espécies ocupam tanto o sub-bosque quanto o dossel. O sub-bosque pode ser apontado como o mais diversificado em cspecics para a família, onde os indivíduos estão representados por subarbustos, arbustos ou árvores de pequeno a médio porte, com até 1 0 m de altura, como os dos gêneros Clidemia , Leandra, Miconia, Ossaea e Tibouchina c de Henriettea saldanhaei. Observa-se aí, que tanto vetores bióticos (aves e mamíleros), incluindo às vezes a própria planta (barocoria), conforme observado por Pereira & Mantovani (2001) para M. cinnamomifolia, quanto abióticos (vento e chuva) podem atuar na dispersão das sementes das Melastomataceae, respectivamente com frutos carnosos e secos. SciELO/JBRJ 12 13 14 15 16 17 594 Baumgratz, J. F. A. et ai. Nestes gêneros há uma nítida associação entre flores com determinada cor e tamanho aos tipos e coloração de frutos e aos tipos de sementes, distinguindo-se dois grupos de plantas nesse estrato. Um primeiro grupo está constituído por espécies de Clidemia, Leandra, Miconia e Ossaea, possuindo flores geralmente pequenas, com pétalas alvas ou alvo-rosadas, raro amarelas, estames alvos ou amarelos, frutos carnosos, roxo-nigrescentes ou nigrescentes, às vezes também verde-jade em Aí albicans, e sementes obtriangulares, obovadas a orbiculares. Esses frutos, geralmente com polpa sucosa, são muito atrativos para a avifauna local, além de algumas espécies de Miconia (Aí albicans, M. calvescens, M. cinnamornifolia, M. holosericea, M. ibaguensis, M. prasina, M. pusilliflora e M. staminea) serem assinaladas como fonte de alimento também para o mico-leão-dourado e, às vezes, até para espécies de tatu, como Aí albicans. As espécies de Clidemia e Ossaea ocorrem como subarbustos ou arbustos e podem ser reconhecidas pela posição de suas curtas inllorescências, geralmente nas axilas das folhas, ou também terminais em Clidemia, porém, neste caso, podendo se deslocar lateral mente e serem caracterizadas como pseudo-axilares. Etretanto, Clidemia sp. nov. destaca-se pelo hábito escandente e pelas inflorescências glomeriformes sempre terminais, além de, juntamente com C. capillijlora, serem raras e as únicas a ocorrerem apenas no interior da floresta, em áreas aluviais. As demais, além de frequentes, medram também em locais mais abertos, como clareiras, bordas da mata, alagadas ou não, trilhas e estradas, formando pequenas populações. As espécies de Leandra {L. nianga e L. reversa), com hábitos, semelhantes, têm inflorescências mais longas, vistosas, terminais e revestidas por um chamativo indumento de cor rosa a vinosa, ocorrendo no sub-bosque, em locais mais sombreados e úmidos, preferencialmente em clareiras naturais, e ao longo de trilhas e bordas da floresta, distribuindo-se de modo isolado ou agrupando-se em moitas. Por sua vez, as espécies de Miconia estão representadas por indivíduos arbóreos (exceto M. albicans), com fustes delgados e retilíneos, inflorescências frequentemente terminais e flores geralmente com leve odor adocicado, como em M. hypoleuca, M. ibaguensis, M. latecrenata. Aí lepidota, M. prasina e Aí pusilliflora, às vezes intenso, como em Aí cinnamornifolia. Miconia serrulata ocorre também em áreas brejosas dessas florestas. Em áreas perturbadas, geralmente clareiras, bordas da mata e ao longo de trilhas e margens de estradas, são comumente encontradas Aí calvescens. Aí cinnamornifolia. Aí hypoleuca, M. ibaguensis e Aí prasina, de modo ocasional. Aí. holosericea e Aí latecrenata, e mais raramente, Miconia sp. Destas, destacam- se. Aí holosericea e Aí. hypoleuca, por serem as únicas com folhas nitidamente discolores, tendo a primeira frutos maduros roxo-nigrecentes, e a segunda, frutos alaranjados, com poucas sementes não envoltas por polpa sucosa; Aí lepidota, pelas folhas com a face adaxial verde, brilhosa, e abaxial canescente a cinéreo-prateada e inflorescências com ramos escorpióides; e Aí calvescens , pelas folhas geralmente discolores quando jovens, com a face adaxial verde e a face abaxial de vinosa a púrpura e geralmente em indivíduos localizados em áreas mais sombreadas e úmidas. Já Aí vauthieri var. saldanhaei, outra espécie ocasional, é encontrada apenas no sub-bosque sombreado, em áreas submontanas. A única espécie de Henriettea, H. saldanhaei, ocorre preferencial mente em áreas aluviais, podendo ser encontrada também sobre morrotes. Os espécimes arbóreos possuem cascas ásperas, folhas verdes discolores, inflorescências axilares e fasciculadas ao longo de ramos áfilos, flores maiores que as de Miconia, com pétalas alvo- rosadas a alvo-lilases e anteras alvo-lilases, e frutos carnosos, vinosos a nigrescentes, que são muito procurados por pássaros e pelo mico- leão-dourado. Rodriguésia 57 (3): 591-646. 2006 SciELO/ JBRJ .2 13 14 15 16 17 595 Melastomataceae na Rebio de Poço das Amas O segundo grupo no sub-bosque é distinguido pelas flores grandes, com pétalas e estames de cor lilás, púrpura ou roxa, frutos capsulares e sementes cocleares, está representado apenas por T. arbórea e T. granulosa. Esta última espécie possui ramos alados, decorticantes na maturidade, com um aspecto de ornamentação ondulado e rugoso, o que auxilia a reconhecê-la entre os demais táxons arbóreos de Melastomataceae. Ambas ocorrem em florestas aluviais e sobre morros e morrotes, às vezes próximas às trilhas e na borda da mata. Merece ser destacado que algumas espécies restritas ao sub-bosque, avaliadas em um contexto tanto de uma amostragem sistemática quanto de uma abordagem mais geral, podem estar respondendo na verdade a um processo de estabelecimento em curso na vegetação. Entendendo desta forma, ou seja, a ocupação espacial como uma expressão temporal, não será surpresa que algumas destas mesmas espécies, identificadas como restritas ao sub-bosque, possam manifestar- se como elementos de dossel em outras áreas da Reserva ou até mesmo da região, as quais ou não foram visitadas ou os táxons não foram amostrados por ocasião do estudo (R. Guedes Bruni, com. pes.). No dossel, as Melastomataceae podem alcançar de 10 a 25 m de altura, possuindo fustes maiores não só em diâmetro como em comprimento, retilíneos, com casca áspera e gcralmente revestida de liquens. Nesse estrato, a família está representada por M. cinnamomifolia, M. lepidota, saldanhaei, T estrellensis e T granulosa , que são encontradas tanto sobre morros e morrotes quanto em formações aluviais. Neves (1999), estudando dois remanescentes florestais secundários na área, observa que cinnamomifolia contribui para a a ta incidência das Melastomataceae na comunidade e que é uma das principais espécies na composição do dossel, sen o pioneira na classificação sucessional. Miconia cinnamomifolia e A/, lepi ota podem ser identificadas pelas flores pequenas, pétalas e estames alvos e pela coloração os Rodriguésia 57 (3): 591-646. 2006 frutos maduros, oligospérmicos, sem polpa sucosa. Miconia lepidota c II. saldanhae i podem ser também reconhecidas pelas suas características mencionadas anteriormente, enquanto M. cinnamomifolia pelas folhas verdes concolores ou levemente discolores e inflorescências piramidais. Tanto H. saldanhaei quanto M. cinnamomifolia ocorrem em florestas aluviais, sendo esta última citada como emergente do dossel, com 25 m de altura, e encontrada também sobre morrotes (Guedes-Bruni 1998). Neste trabalho, a autora compara seis unidades fisionômicas de mata atlântica no Rio de Janeiro, reconhecendo M. cinnamomifolia como uma das espécies indicadoras não só da floresta otnbrófila das terras baixas, como dos morrotes mamelonares na Reserva, neste caso, ao comparar um trecho aluvial com outro de morrote. De acordo com Christo et al (2006), esta espécie distribui-se amplamente pelas áreas degradadas nos arredores da Reserva, sendo empiegada comumente como lenha, embora seus troncos e ramos tenham sido, no passado, utilizados na construção de telhados das casas de pau- a-pique ou estuque nas antigas fazendas, onde hoje se localiza a Reserva. No dossel, T estrellensis e T granulosa são as únicas Melastomataceae de flores grandes e coloridas, contrastando com a tonalidade verde das folhagens, o que proporciona um destaque dos indivíduos na paisagem da floresta, e frutos capsulares. A primeira pode ser classificada também como uma espécie emergente do estrato arbóreo, pois alcança até 25 m de altura. Tibouchina estrellensis também apresenta ramos alados e decorticantes na maturidade. Ainda no dossel, é interessante ressaltar o resultado obtido por Guedes-Bruni (1998) ao analisar as Melastomataceae em um estudo florístico-estrutural desse estrato. Ao abordar dois trechos de floresta, um aluvial e outro sobre morros (ca. 200 m.s.m.), observa que o grupo se destaca apenas neste último trecho quando considerado o número de SciELO/JBRJ 12 13 14 15 16 17 cm 596 indivíduos e, ao analisar também a riqueza de espécies, a família é encontrada em ambos os trechos, mas sem grande expressividade. De um modo geral, em bordas de mata submontana e aluvial, normalmente em locais sombreados durante maior período do dia, são freqüentes espécimes arbóreos de Miconia, principalmente de Aí. cinnamomifolia, Aí. hypoleuca, Aí. lepidota. AI. pusilliflora e Aí. serrulata, e de T. estrellensis e T. granulosa. De modo mais raro, pode-se encontrar também Al. cinerascens , Aí. holosericea, AI. saldanhaei e Aí. vauthieri var. saldanhaei. As espécies Aí. saldanhaei e Aí. serrulata têm também folhas nitidamente discolores, com a face adaxial verde e a abaxial pardacenta ou ferrugínea, enquanto as de Aí. cinnamomifolia e Aí. pusilliflora são verdes discolores, às vezes concolores. Dessas espécies. Aí. saldanhaei tem sido localizada apenas em formações aluviais. Ao longo das bordas e compondo o estrato arbustivo, ocorrem as espécies de Clidemia (exceto C. capilliflora), Leandra e Ossaea, além de Aíiconia ibaguensis, que podem formar pequenas moitas ou distribuírem-se de modo disperso. Em capoeiras aluviais, abertas e ensolaradas, algumas espécies mostram-se muito freqüentes e características desses ambientes, como C. biserrata. Aí. holosericea, Rhynchanthera dichotoma e T. trichopoda. Nesse tipo de ambiente, porém em locais mais sombreados, pode ocorrer também Aciotis paludosa. Aí. pusilliflora e M. staminea. Em bordas da floresta, principalmente em áreas mais impactadas, é comum o estabelecimento de Aí. holosericea, cujas folhas pendentes apresentam geralmente dimensões maiores do que aquelas de espécimes situados mais para o interior de mata. Nessas áreas perturbadas, vários indivíduos desta espécie podem distribuir-se de modo esparso, porém, próximos entre si o suficiente para se reconhecer uma pequena população. Pereira (1998) assinala que, na Reserva, indivíduos jovens de M. cinnamomifolia Baumgratz. J. F. A. et al. ocorrem, geralmente, em áreas mais degradadas, preferencialmente em capoeiras e bordas de florestas secundárias. Em formações florestais remanescentes, alteradas ou não, ou em processo de regeneração natural, ao longo de rios ou próximas a alagados, podem ser observados indivíduos de C. hirta, C. biserrata. Aí. calvescens. Aí. cinnamomifolia. Aí. holosericea. Aí. prasina. Aí. serrulata. Aí. staminea, T. estrellensis e T. granulosa, sendo que as espécies de Clidemia ocorrem geralmente nas áreas mais degradadas e ensolaradas. Já espécimes de A. paludosa, que representam as ervas perenes de Melastomataceae na área, são encontrados em locais abertos, porém mais sombreados e úmidos, às vezes alagados, e ao longo de trilhas em encostas ou planícies, e podem ser facilmente eliminados por atividades rotineiras de rocio ou pelo pisoteio decorrente de visitas a essas áreas. Nos campos antrópicos, com nítida forração graminosa, constituindo geralmente áreas de pastos e também com formações de capoeiras, encontram-se indivíduos principalmente de C. biserrata, C. hirta e Aí. albicans e, às vezes, de Aí. calvecens. Aí. prasina. Aí. staminea, T. estrellensis e T. granulosa. Dessas, as três primeiras são as mais freqüentes, mostrando-se bem adaptadas à conquista desse tipo de ambiente. Aíiconia albicans destaca-se, ainda, por ocorrer tanto em áreas planas, principalmente em margens de estradas, trilhas e pastos, quanto em encostas desnudas, com o solo muito lixiviado e praticamente todo exposto às intempéries, formando geralmente populações com numerosos indivíduos. De acordo com Vieira & Pessoa (2001), indivíduos dessas espécies compõem pequenas moitas em áreas outrora de pastagens, às quais indivíduos de diferentes famílias podem se agregar, favorecendo um processo natural de regeneração nesses locais extremamente impactados. Rodriguésia 57 (3): 591-646. 2006 SciELO/JBRJ 12 13 14 15 16 17 cm Melastomataceae na Rebio de Poço das Antas Dentre as espécies de Melastomataceae muito pouco freqüentes na Reserva, podem- se destacar C. capilliflora, Clidemia sp. nov., L. nianga, M. cinerascens, M. latecrenata, M. saldanhaei. M. vauthieri var. saldanhaei, Miconia sp., I gracilis e T. urceolaris. Enquanto C. capilliflora, Clidemia sp. nov. e as espécies de Miconia são encontradas em áreas sombreadas e úmidas no interior da mata submontana e/ou aluvial, as demais ocorrem ou em locais mais abertos e, em geral, parcialmente sombreados, nas bordas de mata, como L. nianga e T. urceolaris, ou em campos antrópicos com formação graminosa, como T. gracilis. Considerando-se atividades de rocio para manutenção de acesso vicinal, esta espécie subarbustiva, com ramos simples e prostrados, pode ser considerada ameaçada na Reserva, pois além de ocorrer em uma única localidade, está obscurecida pela densa e alta vegetação de gramíneas, principalmente quando apenas em estágio vegetativo, podendo ser facilmente ceifada ou pisoteada. A ocorrência de T. heteromalla como uma espécie nativa na área de estudo mostra-se duvidosa, pois somente um exemplar foi localizado na margem da estrada sobre morrote, aparentemente sendo cultivada em frente a uma construção para 597 abrigar a equipe da segurança da Reserva. Embora seja uma espécie utilizada em jardinagem residencial, ainda não se obteve confirmação de se tratar de uma espécie introduzida na área, razão pela qual foi tratada no presente estudo. Tratamento Taxonômico A família Melastomataceae encontra-se representada na Reserva por oito gêneros, 34 espécies e uma variedade: Aciotis (1 sp.), Clidemia (5 spp.), Henriettea (1 sp.), Leandra (2 spp.), Miconia (15 spp. e 1 var.), Ossaea (2 spp.), Rhynchanthera (1 sp.) e Tibouchina (7 spp.). Esse trabalho representa o primeiro registro de ocorrência, tanto na Reserva quanto no município de Silva Jardim, para C. capilliflora, C. dentata, Clidemia sp. nov., L. nianga, L. reversa, M. albicans, M. ibaguensis, M. latecrenata, M. lepidota , M. pusilliflora, M. saldanhaei, M. vauthieri var. saldanhaei, O. amygdaloides, O. conferí iflora e T. urceolaris . Alem disso, constitui um registro inédito de C. dentata para o estado do Rio de Janeiro. As demais espécies já foram assinaladas por Baumgratz (1996), Pereira (1998), Vieira & Pessoa (2001) e Abbas (2003). Chave para identificação das Melastomataceae na Reserva Biológica de Poço das Antas 1. Lacínias do câlice unilobadas; estames com eoneetivos providos de apêndices ventrais; fm.os secos- , . c. nndroceu com estames férteis alternados com 2. Folhas com 5-7 nervuras acrodrom , 2g Rhynchanthera dichotoma estaminódios; frutos do tipo capsuj® todos QS estames férteis, 2’. Folhas com 3-5(-7) nervuras acródromas, anaroct estaminódios ausentes; frutos dotipove ^!° ^ ,adnias do cálice persistentes; filetes 3. Subarbustos com caule simples, nao 31 Tibouchina gracilis 3\ Árvores ou arbustos com caule nítida^ filetes pilosos (às vezes glabros em T. urceolam). iriclmpoda); folhas com 4. Arbustos 1-2 m alt, às 1 ompr.; laelnias do câlice 2.5- nervuras acródromas sempre basais, hipanto 4 v mm c f 4,2 mm compr. Rodriguésia 57 (3): 591-646. 2006 SciELO/JBRJ 12 13 14 15 16 17 598 Baumgratz, J. F. A. et al. 5. Folhas com pecíolo 1,7-2, 8 cm compr., lâmina 8-13 cm compr.; anteras 4,5-6.5 ™ni comPr- 33. Tibouchina heteromalla 5 . Folhas com pecíolo 0,2-1, 3 cm compr., lâmina 2,9-5,6 cm compr.; anteras 9-15 mm compr. 6. Folhas com a face adaxial estrigulosa, face abaxial desprovida de tricomas dendnticos; inflorescências 3,5-6 cm compr. , 34. Tibouchina trichopoda 6. Folhas com a face adaxial seríceo-setulosa, face abaxial com tricomas dendríticos; tnftorescências 16-28 cm compr. 35. Tibouchina urceolaris 4 . Arvores 4 .5 m alt.; folhas com nervuras acródromas mais internas sunrabasais, se basais, hipanto igual ou maior do que 8 mm compr.; lacínias do cálice 6-1 0 mm compr. 7. Ramos nunca alados; folhas com nervuras acródromas basais; profilos cuculados; filetes pubescente-glandulosos, nunca vilosos n 7"j 29. Tibouchina arbórea 7 . Ramos alados ou subalados; folhas com nervuras acródromas suprabasais- profilos concavos; filetes viloso-glandulosos. 8. Folhas com a face adaxial bulada e tricomas estrigosos com espessamento pluri- rami ficados na base, face abaxial foveolada c ,V " 30. Tibouchina estrellensis 8 . Folhas com ambas as faces planas, nem bulada nem foveolada face adaxial com tricomas estrigosos e estrigulosos com espessame_nto 1-4-ramificado na Laeínias do cálice^erelmente bilobadas. às veixs unilobadas ou com conectivos provtdos de apêndices dorsais, às vezes projetando-se em lobos venlrais- frutos carnosos. 9. Ervas; folhas translúcidas quando secas; flores 4-meras; sementes cocleares 9 . Árvores, arbustos ou subarbustos; folhas não translúcidas quando secas- flores ^4-)5-X meras, se somente 4-meras, então indumento dos ramos, folhas e inflorèscências apenas furfiiraceo-glanduloso; sementes de outras formas, não cocleares- 10. Inflorèscências axilares, dispostas em nós folhosos e/ou áfilos, neste caso, ueralmente ao longo das porções inferiores dos ramos. 11. Árvores; inflorèscências fasciculadas, dispostas nas porções áfilas dos ramos .... . Arbustos ou subarbustos; inflorèscências nunca fasciculadas, dispostas nas axilas de ramos folhosos, as vezes também em nós afilos. 1 2. Indumento dos ramos, folhas e inflorèscências constituído de inconspícuos tricomas acródromas; bo,ões3flxde a .2-, indumento do, remos, lolh^m^^ Vtloso e fttrfttrecco-estrelado; folhas com 3-5(-7) nervuras acródromas; botões florais com apice agudo a acuminado; flores 5-meras. 13. Folhas com pecíolo 0,3-0, 5 cm compr., lâmina foliar 2-2,5 cm larg.; lacínias internas do cahce(l-) 1,5-2 mm compr. 26. Ossaea amygdaloides : ™haS PeC,0j° 2’5'4’5 cm comPr- >âmina foliar 3,4-6, 5 cm larg.; lacínias Ossaea confertiflora Rodriguèsia 57 (3): 591-646. 2006 SciELO/ JBRJ cm Melastomataceae na Rebio de Poço das Antas 10’ Inflorescências terminais e/ou pseudo-axilares, às vezes axilares apenas em nós folhosos nas extremidades dos ramos, neste caso, subentendendo inflorescências acessórias, nunca dispostas em nós afilos. 14. Botões florais e pétalas com ápice agudo a acuminado. 15. Indumento dos ramos, pecíolos e inflorescências hirsuto e furfuráceo-estrelado; folhas com a face abaxial setuloso-setosa, tricomas não adpressos, e furfuráceo- estrelada; inflorescências com ramos não escorpióidcs 8. Leandra nianga 15’ indumento dos ramos, pecíolos e inflorescências hirtelo-glanduloso; folhas com a face abaxial apenas setoso-adpressa; inflorescências com ramos cscorpióides... 9. Leandra reversa 14’. Botões florais de ápice obtuso a arredondado; pétalas de ápice obtuso, arredondado ou assimetricamente emarginado ou retuso. 1 6. Inflorescências terminais e/ou pseudo-axilares; lacínias externas do cal.ce ma.ores que as internas. , . , . 17 Arbustos escandentes; inflorescências glomenformes; ovar.o 3-locular 6. Clidemia sp. nov. 17’. Subarbustos e/ou arbustos, nunca escandentes; inflorescências não glomenformes; ovário 4-5-Iocular. _ 18 Indumento dos ramos, pecíolos, face abaxial da lam.na foliar e inflorescências constituído de tricomas estrelados, pedicelados ou não, e setoso-glanduloso; zona do disco não fimbriada; lacínias internas do cálice bem dcsenvolv.das, cilioladas 2. Clidemia biserrata 1 8’ Indumento dos ramos, pecíolos, face abaxial da lâmina foliar e inflorescências setoso setuloso e furfuráceo-estrelado, às vezes com esparsos tricomas setuloso-glandulosos; zona do disco fimbriada; lacínias internas do cálice reduzidas a um anel membranáceo, não cilioladas 1 9 Lâmina foliar com face adaxial plano-ret.culada, face abaxial ondulado- ‘reticulada e o par mais interno das nervuras acródromas (3-)4-l 1 mm suprabasais, usualmente alternas; florc^ 19’ Lâmina fo Üar coiri face adaxial bulada, ft.ee abaxial foveolada e o par mais interno das nervuras acródromas ca. 2 mm supmb^sms^opostas; 16- Inflorescências freqOcn, emente terminais, às vezes ax, lares apenas em nos folhosos e nas «idades dos ramost lacinias externas do cáltcc tneonspteuas, sempre “hasl"amen.ediseolorcs, faeeadaxial verde, face abaxial alvacenta. canescente cinéreo-prateada, pardacenta ou ferrugínea, não verde discolorcs, face abaxhàl com indumento persistente, revestindo a snperflcte eptdemttca densa e totalmente, às vezes moderada e parcialmente. 71 Inflorescências com ramos escorpióidcs. 22 Arbustos' indumento da face abaxial da lâmina foi, ar cons.tluído de tricomas rio tipo chicote; tirsos piramidais . 10 Mwoma a Ib cm* 22’ á“ ores- indumento da face abaxial da lâmina foliar eonsttluldo de ' tricomas es.relado-lepido.os; tirsos Rodriguésia 57 (3): 591-646. 2006 SciELO/JBRJ 2 13 14 15 16 17 600 Baumgratz, J. F. A. et al. 21’. Inflorescências com ramos não escorpióides. 23. Folhas com margem inteira a levemente ondulada, raro inconspícuo- crenulada, nervuras acródromas mais internas suprabasais 14. Miconia holosericea 23’. Folhas com margem crenulado, serrulada, dentada ou denticulada, nervuras acródromas mais internas basais ou suprabasais. 24. Indumento da face abaxial da lâmina foliar, hipanto e cálice com tricomas do tipo chicote; folhas com nervuras acródromas laterais confluentes às margens, na base; cálice persistente; frutos maduros alaranjados 15. Miconia hypoleuca 24 . Indumento da face abaxial da lâmina foliar, hipanto e cálice com tricomas estrelados e/ou dendríticos, às vezes também glanduloso- granulosos; folhas com nervuras acródromas laterais não confluentes às margens, na base; frutos maduros roxo-nigrescentes. 25. Folhas adultas com indumento revestindo parcialmente a face abaxial; conectivo nitidamente prolongado abaixo das tecas, inapendiculado 2 1 . Miconia saldanhaei 25 . Folhas adultas com indumento revestindo totalmente a face abaxial; conectivo não prolongado ou prolongamento obsoleto abaixo das tecas, com apêndice apenas dorsal ou também latero-ventral. 26. Inflorescências não em glomérulos; cálice persistente; pétalas com a face abaxial totalmente revestida de tricomas estrelados; anteras roxas; bacídios polispérmicos 22. Miconia sernilata 26 . Inflorescências em glomérulos; cálice caduco; pétalas glabras; anteras alvas; bacáceos oligospérmicos 12. Miconia cinerascens 20 . Folhas adultas verdes, concolores, subconcolores ou discolores, face abaxial glabra ou com indumento geralmente esparso, às vezes denso, revestindo parcialmente a superfície, tricomas persistentes ou caducos. 27. Pseudo-estipulas interpeciolares presentes, tardiamente caducas 5 13. Miconia cinnamomifoUa 27’. Pseudo-estipulas interpeciolares ausentes. 28. Inflorescências com ramos escorpióides f 24. Miconia vauthieri var. saldanhaei 28’. Inflorescências com ramos não escorpióides. 29. Indumento dos ramos, folhas, inflorescências e hipanto constituído de tricomas setoso-setulosos, persistentes, além de furfuráceo- estrelados e -dendríticos, parcialmente caducos Miconia ibagnensis 29 . Indumento dos ramos, folhas, inflorescências e hipanto constituído de tricomas estrelados e/ou dendríticos, geralmente caducos. 30. Folhas com base aguda, agudo-decorrente, cuneada, obtusa ou arredondado-cuneada. 31. Folhas com domácias marsupiformes na face abaxial, membranas evidentes 20. Miconia pusiUiflora Rodriguésia 57 (3): 591-646. 2006 cm l SciELO/JBRJ 2 13 14 15 16 17 cm Melastomalaceae na Rebio de Poço das Antas 31\ Folhas destituídas de domácias na face abaxial. 32. Folhas com base geralmente agudo-decorrente, às vezes arredondado-cuneada, nervuras acródromas suprabasais; brácteas, profilos e cálice persistentes 19. Miconia prasina 32’. Folhas com base aguda, obtusa ou arredondado-cuneada, nunca decorrente, nervuras acródromas basais; brácteas, profilos e cálice caducos. 33. Indumento dos ramos, pecíolos, inflorescências, brácteas e hipanto constituído de tricomas estrelados e dendríticos; anteras com poro terminal diminuto, não se assemelhando a rima; ovário 5-locular 25. Miconia sp. 33’. Indumento dos ramos, pecíolos, inflorescências, brácteas e hipanto constituído apenas de tricomas estrelados; anteras com poro ventral amplo, às vezes assemelhando-se a uma rima; ovário 3-locuiar 17. Miconia latecrenata 30’. Folhas com base arredondada ou subcordada, às vezes obtusa, nunca decorrente nem cuneada. 34 Folhas 17-32 * 9-16,5 cm; pétalas 2-3 mm compr.; anteras ' 11. Miconia calvescens 34^ Folhas 6-18,5 * 3, 2-8, 7 cm; pétalas 7-9 mm compr.; anteras , .. 23. Miconia staminea amarelas Descrição dos tãxons Aciotis D. Don, Mem. Wem. Nat. Hist. Soc. 4:283,300.1823. Ervas perenes. Folhas com lâmina membranácea, translúcida quando seca. Tirsóides terminais, ramos em cimeiras bíparas e/ou uníparas; brácteas e profilos persistentes. Flores 4-meras; hipanto membranáceo e translúcido quando seco; cálice persistente, lacínias unilobadas; pétalas lilases; estames isomórficos, desiguais em tamanho, anteras amarelas, oblongas, conectivo não prolongado abaixo das tecas, inapendiculado; ovário parcialmente infero. Bacáceos, polispérmicos, sementes cocleares, granulado-tuberculadas, nunca aladas. 1. Aciotis paludosa (DC.) Triana, Trans. Linn. Soc. Bot. 28: 51. 1871. FiS- 1 Ervas 10-15 cm alt.; indumento dos ramos e folhas esparsa a densamente setoso e/ou setuloso, das inflorescências, hipanto e cálice esparsamente setuloso-glanduloso. Folhas com pecíolo 0,6-2, 1 cm; lâmina 4,5 10,3 x 1,8-5 cm, ovada a elíptica, base obtuso- a arredondado-cuneada, ápice agudo a obtuso, margem bisserrado-ciliolada; 5 nervuras acródromas basais, as marginais tendendo ao padrão broquidródromo. Flores com lacínias do cálice ovadas; pétalas ovadas, apiculado-glandulosas; anteras com poro terminal; ovário 4-locular, glabro. Material selecionado: trilha do morro do Calcário, 14.11.1993, fl. e fr., H. C. Lima et al. 4631 (RB). Material adicional: Espírito Santo, Macuco, Reserva de Soorctama, VI 1.1 969, fr., D. Sucre 5644 (RB). Endêmica do Brasil, ocorrendo no Distrito Federal, Mato Grosso, Bahia, nos estados da Região Sudeste e no Paraná, entre 40-700 m de altitude, geralmente em habitats alagados, em formações primárias de mata atlântica e áreas no domínio do Cerrado, podendo alcançar a porção sul da bacia Amazônica (Freire-Fierro 2002). Na Rodriguésia 57 (3): 591-646. 2006 SciELO/JBRJ. 12 13 14 15 16 17 602 Baumgratz. J. F. A. et al. Figura 1 -Aciotis paludosa (Mart.) Triana: a. hábito; b. detalhe da margem foliar c flor d nétal*- P „ , . • , f. estame ante-pétalo; g. estilete; h. bacáceo; i. semente ( Lima 4631). P ’ 6513016 an,essePal°- Rodriguèsia 57 (3): 591-646. 2006 SciELO/JBRJ Melastomataceae na Rebio de Poço das Antas Reserva é encontrada entre 50—100 m.s.m., sendo a única espécie de Melastomataceae herbácea e facilmente reconhecida pelos tricomas longos e avermelhados no caule e pecíolos e folhas muito membranáceas e, como o hipanto, translúcidas quando secas. Coletada com flores em fevereiro e agosto, frutos em fevereiro. Clidemia D. Don, Mem. Wem. Nat. Hist. Soc. 4(2): 306.1823. Arbustos ou subarbustos, às vezes escandentes, nitidamente pilosos, incluindo diminutos e inconspícuos tricomas glandulares. Folhas no mesmo nó anisófilas ou subisófilas, não translúcidas quando secas. Tirsóides ou metabotrióides, axilares ou terminais e/ou pseudo-axilares, às vezes glomeriformes, nunca fasciculados; brácteas e profilos persistentes. Botões florais com ápice obtuso a arredondado. Flores 4-6-meras; zona do disco formando ou não um anel membranáceo, pilosa, glandulosa ou não, às vezes glabra; cálice persistente, lacínias eretas, patentes ou reflexas, bilobadas, as externas maiores que as internas; pétalas alvas, às vezes amarelas, obovadas, oblongas ou elípticas, glabras, ápice arredondado ou assimetricamente emarginado; estames alvos, às vezes amarelos, isomórficos, subiguais em tamanho, às vezes desiguais, concetivo prolongado ou não abaixo das tecas, dorsalmente apendiculado ou não; ovário parcialmente infero. Bacídios, roxo-nigrecentes a atro-purpúreos quando maduros, urceolado- subglobosos a globosos, polispérmicos; sementes obtriangulares a obovadas, testa papilosa ou granulada, nunca aladas. 2 - Clidemia biserrata DC., Prodr. 3: 158. 1828. F'S-2 Subarbustos a arbustos 1-2 m alt., indumento dos ramos, pecíolos, face abaxial da lâmina foliar, inflorescências e hipanto moderada a densamente constituído de tricomas estrelados, pedicelados ou não, com hastes longas e delicadas, e moderadamente Rodriguésia 57 (3): 591-646. 2006 603 setoso-glanduloso, cabeça glandular alaranjada a nigrescentc, caducas ou não. Folhas com pecíolo 0,3-4, 3 cm; lâmina 3,8 1 2,7 x 2-6,7 cm, papirácea a cartácea, ovada a elíptica, base subcordada a arredondada; ápice acuminado a agudo, margem bisserulado-ciliada; face adaxial diminuto- bulada, esparsamente setosa, setoso- glandulosa e com tricomas estrelados pedicelados ou não, face abaxial foveolada; 5(-7) nervuras acródromas basais. Inflorescências terminais e pseudo-axilares, nunca em nós áfilos; brácteas e profilos assemelhando-se na forma ao tricoma setoso. Flores 5-meras; zona do disco pubescente- glandulosa, às vezes com raros tricomas estrelados, não íimbriada; lacínias internas do cálice bem desenvolvidas, ovadas, cilioladas; ovário 4-5-locular, piloso. Material selecionado: estrada Juturnaíba, 23.V1II.2004, fl. e fr., D. C. Carraça et al. 3 (RB). Amostras estéreis, coletadas pelo PMA na Reserva, estão registradas na base de dados sob os números; Indivíduos P-62, PB-118. Distribui-se nas Guianas, Trinidad, Colômbia, Venezuela, Bolívia e Brasil, nos estados de Pernambuco, Bahia, Rio de Janeiro e São Paulo. Facilmente encontrada na Reserva, sendo denominada como “pixirica” ou “pixiriquinha” e seus frutos muito apreciados pela fauna local, particularmente pássaros e o mico-leão-dourado. Coletada com flores e frutos cm janeiro, fevereiro, junho a agosto, outubro e novembro; flores também em abril. 3 - Clidemia capilliflora (Naudin) Cogn. in Mart. & Eichler, Fl. bras. 14(4): 508. t. 107, fig. 1.1888. FiS-3 Arbustos ca. 1 m alt., aparentemente glabros; indumento dos ramos, folhas c inflorescências esparsa a moderadamente furfuráceo, tricomas glandulares inconspícuos, alvo-translúcidos, alongados e adpressos. Folhas com pecíolo 0,2-0, 7 cm; lâmina 5,5- SciELO/JBRJ 12 13 14 15 16 17 604 Baumgratz, J. F. A. et al. cm 1 Figura 2 - Clidemia biserrala DC.: a. ramo florífero; b-d, f . detalhe do indumento: ramo, faces adaxial e abaxial da lâmina foliar e frutescência, respectivamente; e. detalhe da margem foliar; g. flor; h. pétala; i. estame; j. secção longitudinal do ovário evidenciando adnação ao hipanto e prolongamento apical; k. secção transversal do ovário, evidenciando os lóculos; 1. estilete; m. bacídio jovem; n-o. sementes ( Pessoa 690). Rodriguésia 57 (3): 591-646. 2006 SciELO/ JBRJ 12 13 14 15 16 17 Melaslomalaceae na Rebio de Poço das Antas 605 cm ■r rv h-c detalhe da lâmina foliar: base, com domácias, e Figura 3 - Clidemia capilliflora (Naudin) Cogn.: a. ram” ?n ey°jenciand0 brácteas e profilos; e. flor; f. hipanto e cálice, margem, respectivamente; d. detalhe do ramo da in ores j mbranáce0> e da zona do disco; h. pétala; i. estame, j. g. detalhe de lacínias do cálice, as internas formando um do disc0 e ápice do ovário piloso; k. estilete; 1. secção longitudinal do ovário, evidenciando achtaçâo jotap-^j»8 bacídio jovem; m. semente (a-k, m Schawacke / , Rodrigues ia 57 (3): 591-646. 2006 SciELO/ JBRJ 12 13 14 15 16 17 cm 606 1 1 ,5 x 2, 6-4,5 cm, tenuamente membranáceas, elípticas a obovadas, base aguda, ápice atenuado ou acuminado, margem crenulado-ciliolada; 3 nervuras acródromas 2-6 mm suprabasais; domácias marsupiformes nas axilas das nervuras acródromas. In florescências nunca fasciculadas, axilares, em nós folhosos e/ou áfilos, ramos filiformes; brácteas e profilos diferenciados do indumento. Flores 4-meras; hipanto e cálice com esparsos tricomas setuloso- glandulosos; zona do disco glabra; lacínias do cálice bilobadas, as externas crassas e subuladas, as internas reduzidas a um anel membranáceo, sinuoso. Material examinado: trilha da Pelonia, 1 7.V. 1 994, fr., J. M. A. Braga et al. 1228 (RB). Material adicional: Espírito Santo: Cachoeiro do Itapimirim, 4.V.1949, fl. e fr., A. C. Brade 19743 (RB); Rio de Janeiro: Rio de Janeiro, 1 .11.1891, fl. e fr., Schwacke 17147 (RB). Endêmica do Brasil, ocorrendo na Bahia, Espírito Santo e Rio de Janeiro, em florestas pluviais e de baixada. Na Reserva tem distribuição muito restrita, sendo encontrada somente no interior da floresta submontana. Destaca-se das demais espécies do gênero, principalmente, pelas inflorescências com ramos muito delicados e delgados, com aspecto capilari forme. 4 - Clidemia dentata D. Don, Mem. Wem. Soc. 4(2): 308. 1823. Fig.4 Arbustos 2-3 m alt.; indumento dos ramos, folhas e inflorescências densa a moderadamente setoso e furfuráceo-estrelado, às vezes com esparsos tricomas setuloso- glandulosos. Folhas com pecíolo 0,5-3, 3 cm; lâmina 7-15,8 x 2, 5-7, 5 cm, membranácea, papirácea a subcartácea, elíptica a estreito- ovada, base obtusa, oblíqua ou não, ápice atenuado, margem crenulado-ciliada, face adaxial plano-reticulada e face abaxial ondulado-reticulada, com 5 nervuras acródromas, as mais internas (3— )4— 1 1 mm suprabasais e usualmente alternas. Inflorescências terminais, posteriormente pseudo-axilares; brácteas e profilos Baumgratz. J. F. A. et al. diferenciados do indumento. Flores 5— 6-meras, pediceladas; zona do disco com um anel membranáceo, irregularmente dentado- fimbriado; lacínias do cálice patentes, as externas triangulares, apiculadas e as internas reduzidas a um anel membranáceo, sinuoso, não ciliolado; ovário 5-locular, piloso. Material selecionado: trilha Rodolfo Sul, 9.X.2004, fl. e fr., D. C. Carraça et al. 29 (RB). Distribui-se desde o sul do México, América Central e Trinidad até as Guianas, Colômbia, Bolívia, Equador e Brasil, nos estados das regiões Norte e Nordeste e no Rio de Janeiro. Este é o primeiro registro para a Região Sudeste, pois só era conhecida ocorrer até o estado da Bahia. Na Reserva apresenta indumento alvo-rosado a vinoso e seus frutos carnosos provavelmente são utilizados como alimento de animais da fauna local, devido a grande semelhança com os frutos das demais espécies do uênero. Coletada com flores e frutos em agosto e outubro; frutos também em abril. 5 - Clidemia hirta (L.) D. Don, Mem. Wem. Soc. 4(2): 309. 1823. Fjg 5 Arbustos 0,5-2 m alt.; indumento dos ramos, folhas e inflorescências esparsamente setoso, setuloso e furfuráceo-estrelado e com esparsos tricomas setuloso-glandulosos, cabeça glandular geralmente caduca. Folhas com pecíolo 0,5-4,5 cm; lâmina 4,6-7,9 x 2,2- 5,9 cm, membranácea a cartácea, ovada a oblongo-ovada, base arredondada a subcordada, ápice agudo a acuminado, margem crenulado- a bisserrado-ciliada face adaxial largo-bulada, abaxial foveolado- reticulada; 5-7 nervuras acródromas, as mais internas ca. 2 mm suprabasais, opostas. Inflorescências terminais, às vezes posteriormente pseudo-axilares, não dispostas em nos afilos dos ramos; brácteas e profilos diferenciados do indumento. Flores 5-meras pediceladas; zona do disco com um anel membranáceo, irregularmente dentado- fimbriado; lacínias internas do cálice reduzidas a um anel membranáceo, sinuoso, ou Rodriguésia 57 (3): 591-646. 2006 SciELO/JBRJ 12 13 14 15 16 17 Melastomataceae na Rebio de Poço das Antas 607 ,r , , . ,h„ do indumento: ramo, faces adaxial e abaxial da lâmina foliar ;ura 4 -Clidemia dentata D.Don: a. ramo llon cro, e. ntemas e externas do cálice; h. pétala; i. estame; j. detalhe do ■utescência, respectivamente; f. flor, g. detal e aci ^ evidenciando suas adnaçõcs, zona do disco irregularmente ce do estilete e estigma; k. secção longitudma o ip sementes ( Braga 2691). ítado-fimbriada e prolongamento ap.cal do ovano, 1. bac.d.o jove Rodriguésia 57 (3): 591-646. 2006 SciELO/JBRJ 12 13 14 15 16 17 cm .. 608 levemente denticuladas, não cilioladas; ovário 5-locular, glabro. Material selecionado: mata do rio Pau Preto, 19.X. 1994, fl. e fr., S. V. A. Pessoa et al. s.n. (RB 411268). Amostras estéreis, coletadas pelo PMA na Reserva, estão registradas na base de dados sob os números: Indivíduos P-36, P-44, P-86, P-94, P-95. É de ampla distribuição, desde a América Central até a Argentina. No Brasil é encontrada praticamente em todos os estados, sendo freqüente em áreas abertas, ensolaradas e muito antropizadas. Na Reserva tem sido coletada com flores em agosto e de outubro a fevereiro; frutos em janeiro, fevereiro, abril, julho, agosto e de outubro a dezembro. Na Malásia está naturalizada como uma erva daninha (Gleason 1939, Wurdack 1962) e segundo Wurdack (1980), tem sido considerada como uma erva daninha nociva em muitas regiões tropicais do Velho Mundo. Sinônimos em Cogniaux (1891). Baumgratz. J. F. A. et al. 6 - Clidemia sp. nov. Arbustos escandentes, ca. 2 m alt.; raízes adventícias presentes. Indumento dos ramos, folhas, inflorescências, brácteas, profilos, hipanto e cálice moderada a densamente setoso, tricomas adpressos nas folhas, e esparsamente pubérulo-glanduloso; hipanto e cálice também moderadamente setoso- glanduloso, cabeça glandular caduca ou não. Ramos adultos áfilos, nodosos, glabrescentes. Folhas com pecíolo 0, 8-4,5 cm; lâmina 5,2- 10,5 x 3—6 cm, membranácea, estreita a largamente elíptica, às vezes oblonga ou ovada, base obtusa a arredondada, ápice curto- acuminado, às vezes arredondado-curto- acuminado, margem crenulada a denticulada, ciliolada; 5 nervuras acródromas 4-5 mm suprabasais. Cimas glomeriformes, terminais, nunca em nós áfilos; brácteas e profilos foliáceos. Flores 5-meras; zona do disco crassa, glabra; lacínias internas do cálice 1 ,9- 2,1 x 0,7-0, 8 mm, oblongas a ovadas, denticulado-cilioladas; pétalas de ápice obtuso, Figura 5 - Clidemia hirta (L.) D.Don: a. ramo florífero; b-e. detalhe do indumento- ramos e aa,vi i u • , j lâmina foliar, respectivamente; f. detalhe do tricoma setuloso da face adaxial da lâmina foliar g botão floral- h demlh Í zona do disco; i. pétala; j. estame (Pessoa 1052). 8' llora1' h' delaIhe da Rodriguésia 57 (3): 591-646. 2006 SciELO/JBRJ L2 13 14 15 16 17 Melastomataceae na Rebio de Poço das Antas glandulosos-apiculado; ovário 3-locular, glandular-setuloso, cabeça glandular caduca. Material examinado: estrada para Jutumaiba, 25.X.2005, fl., H. C. Lima et al. 6375 (RB, FLOR); 12.XII.1994, fr., C. Luchiarí et al. 601 (RB). Espécie rara na Reserva, restrita à floresta aluvial, em local sombreado próximo a um córrego. Facilmente distinta das demais Clidemia ocorrentes na área de estudo principalmente pelo hábito escandente, inflorescências glomeriformes, com numerosas brácteas e profilos involucrais, pétalas amarelas, eretas, com ápice obtuse e glanduloso-apiculado, estames amarelos e ovário 3-Iocular. São raras as espécies desse gênero que apresentam esse tipo de hábito e de inflorescência, além de brácteas e profilos involucrais. Clidemia conglomerata DC. e C. involucrata DC. são as espécies mais próximas, mas diferem pelo hábito não escandente e combinação de várias características, como maior número e posição basal das nervuras acródromas, pilosidade da zona do disco, cor e forma do ápice das pétalas, menores comprimentos do hipanto, lacínias do cálice e anteras, e maior número de lóculos do ovário. Henriettea DC., Prodr. 3: 178. 1828. Árvores, pilosas. Folhas não translúcidas quando secas, nervuras acródromas suprabasais. Cimóides fasciculados, axilares, nas porções áfilas, e geralmente inferiores, ao longo dos ramos; brácteas e profilos persistentes. Botões florais de ápice obtuso a arredondado. Flores 5-meras, longo pediceladas; hipanto ventricoso na base; zona do disco glabra, cálice persistente, lacínias infletidas pós- antese, bilobadas; pétalas alvo-rosadas a - lilases, indumento creme na face abaxial, assimétricas, ápice arredondado- emarginado, apiculado dorsalmente; anteras alvo-lilases, curvas ou não, atenuadas, conectivo não prolongado, apêndice dorsal, às vezes projetando-se ventralmente em 2 lobos; ovário infero, 5-locular, glabro. Rodriguésia 57 (3): 591-646. 2006 609 Bacídios urceolados, vinosos a nigrescentes, polispérmicos; sementes ovadas a oblongas, granuladas, nunca aladas. 7 - Henriettea saldanhaei Cogn. in Mart. & Eichler, Fl. bras. 14(4): 531, t. 113. 1888. Fig.6 Árvores 3-12 m alt. Indumento dos ramos, pecíolos e inflorescências densamente estriguloso-adpresso. Folhas com pecíolo 1-2,3 cm; lâmina 10-25,2 * 5- 1 1,3 cm, verde discolor, cartácea, elíptica a obovada, base aguda a arredondada, ápice arredondado- a obtuso-acuminado, margem setoso-adpressa, revoluta, face adaxial com esparsos tricomas estrigulosos, adpressos, híspido-adpressa nas nervuras acródromas, face abaxial densamente lepidoto-estrelada, tricomas com eixo central dendrítico e glanduloso, cabeça caduca ou não, e estriguloso-adpressa nas nervuras acródromas; 5 nervuras acródromas, as mais internas 3-10 mm suprabasais; domácias marsupiformes, membrana ausente. Flores com hipanto e cálice estriguloso-adpressos, tricomas ramificados na base, e diminuto-glandulosos; zona do disco glabra; lacínias externas do cálice denticulado-apiculadas, as internas oblatas; pétalas com base bilobado-unguiculada, margem unilateralmente irregular-denteada, densamente pubescente e diminuto- glandulosas em ambas as faces, mas esparsamente na face adaxial, tricomas retrorsos, ciliadas; estames lilases; estilete glabro, levemente espessado para o ápice. Material selecionado: trilha Rodolfo Norte, 24.VIII.2004, fl. e fr., D. C. Carraça et al. 8 (RB). Amostras estéreis, coletadas pelo PMA na Reserva, estão registradas na base de dados sob o número Indivíduo PR-66. Endêmica do Brasil, restrita ao Espírito Santo e Rio de Janeiro, ocorrendo em florestas pluviais. A coleta, na Reserva, representa uma nova ocorrência no estado fluminense, sendo denominada de “pixiricão” (D. S. Farias et al. 282), provavelmente pelas grandes cm 1 .SciELO/ JBRJ 12 13 14 15 16 17 610 Baumgratz, J. F. A. et al. 2E£ secção transversal do ovário, evidenciando os lóculos- i estilete- f bacVT ° °' ^1° ? ldenclando adnaÇ3o ao hipanto; h. hipanto, no fruto jovem (, Carraça 35). ’ J' bac,dlo->ovem: k- detalhe do indumento estn guloso do Rodhguésia 57 (3): 591-646. 2006 SciELO/JBRJ cm Melastomataceae na Rebio de Poço das Antas dimensões das folhas. Coletada com flores de abril a junho e de agosto a outubro; com frutos em abril, maio, julho e de agosto a novembro. Leandra Raddi, Mem. Mat. Fis. Soc. Itai. Sei. Modena, Pt. Mem. Fis. 18: 385. 1820. Arbustos a subarbustos, pilosos, inclusive diminutos e inconspícuos tricomas glandulares. Folhas espessas, não translúcidas quando secas. Inflorescências terminais, nunca dispostas em nós áfilos dos ramos; brácteas e profilos persistentes. Botões florais agudos a acuminados. Flores 5-meras; zona do disco glabra ou pilosa; cálice persistente, lacínias reflexas, bilobadas, as externas conspícuas, as internas geralmente reduzidas; pétalas alvas ou alvo-rosadas, reflexas ou eretas, ápice agudo a acuminado; estames isomórficos, subiguais em tamanhos, anteras amarelas, retilíneas ou extrorsamente curvas, oblongas a lanceoladas, poro diminuto, conectivo curtamente prolongado ou não abaixo das tecas, apêndice dorsal inconspícuo ou ausente, ovário parcialmente infero. Bacídios roxo- nigrescentes, polispérmicos; sementes obtriangulares, oblongo-obovadas ou ovadas, nunca aladas. 8 - Leandra nianga (DC.) Cogn. in Mart. & Eichler, Fl. bras. 14(4): 96-97. 1886. Fig. 7 a-f Arbustos a subarbustos 1,2-3 m alt. Indumento dos ramos, pecíolos e inflorescências esparsa a densamente hirsuto e furfuráceo-estrelado. Folhas com pecíolo 2,2-6,5 cmcompr.; lâmina (10,5-) 15,5- 19,5 * (4,5-)5,5-8 cm, membranácea, ovada, às vezes elíptica ou estreito-ovada, base arrredondada a cordada, ápice atenuado-acuminado, às vezes cuspidado, margem crenulado-ciliolada, face adaxial esparsa a moderadamente setoso-adpressa, raros tricomas estrelados, face abaxial esparsamente setuloso-setosa e furfuráceo-estrelada; 5( — 7) nervuras acródromas, as mais internas 2-5 mm suprabasais. Tirsóides não de cimeiras escorpióides. Flores com zona do disco Rodrigtiésia 57 (3): 591-646. 2006 611 setulosa; pétalas rellexas; anteras amarelas, poro terminal-dorsal, conectivo não prolongado, inapendiculado; ovário 3-locular. Material selecionado: estrada Juturnaíba, 1 7.XI. 1 994, fi. e fr„ C. Luchiari et ai 548 (RB). Endêmica do Brasil, distribui-se pelos estados de Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo, geralmente em formações vegetacionais de altitude. É ocasional na Reserva, sendo denominada de “pixirica”, e facilmente reconhecida pelo seu indumento geralmente vermelho a vinoso, às vezes rosado. Coletada com flores em janeiro, agosto, outubro e novembro; com frutos cm janeiro e novembro. 9 - Leandra reversa (DC.) Cogn. in Mart. & Eichler, Fl. bras. 14(4): 198-199. 1886. Fig. 7 g-1 Arbustos a subarbustos 0,5-3 in alt. Indumento dos ramos, pecíolos e inflorescências apenas moderada a densamente hirtelo-glanduloso, cabeça glandular muito cedo caduca. Folhas com pecíolo (1,7— )5— 6, 5 cmcompr.; lâmina (8-) 15- 20 x (4— )8,5— 1 1,5 cm, membranácea, elíptica ou ovada, base arredondada, às vezes subcordada, margem denticulado-ciliolada, ápice agudo-acuminado, apenas moderadamente setoso-adpressa, raros tricomas setoso-glandulares; (5— )7 nervuras acródromas, as mais internas 2—5 mm suprabasais. Inflorescências em tirsóides de cimeiras escorpióides. Flores com zona do disco glabra; pétalas eretas; estames com anteras amarelas, poro terminal-ventral, conectivo prolongado, apêndice dorsal; ovário 4-5-locular, piloso. Material selecionado: estrada Juturnaíba, 22 VIII. 2001, fl., S. V. A. Pessoa & B. A. Abbas 1054 (RB); 5.IV.2001, fr., 5. 1 Silva Neto et al. 1433 (RB). Distribui-se no Brasil pelos estados de Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná e Santa Catarina, entre 100-300 m de altitude, e, segundo Wurdack (1962), duvidosamente na Bolívia, Peru c no estado do Piauí. SciELO/ JBRJ 12 13 14 15 16 17 612 Baumgratz. J. F. A. et al. Figura 7 - Leandra nianga (DC.) Cogn.: a. ramo florifero; b. flor; c. detalhe das lacíniac intcmsc , ... . estame; e. bacídio; f. semente (Luchiari 548). Leandra reversa (DC.) Cogn.- g ramo florifero- h flor i deta^ mlemas , Ce™, do «Uice; j. «™« k. bocldio; I. «meme (g-j, 1 JW / 7;”T' “““ Rodriguèsia 57 (3): 591-646. 2006 SciELO/JBRJ cm Melastomataceae na Rebio de Poço das Antas É facilmente reconhecida pelo indumento hirtelo-glanduloso, vermelho a vinoso, e pelas inflorescências em tirsóides de cimeiras escorpióides. Coletada com flores em agosto, novembro e dezembro; com frutos em fevereiro e abril. Miconia Ruiz & Pav., Fl. Peruv. Prodr., p. 60. 1794, nom. cons. Árvores ou arbustos. Folhas não translúcidas quando secas. Inflorescências terminais, às vezes axilares apenas em nós folhosos, nas extremidades dos ramos e, neste caso subentendendo inflorescências acessórias; brácteas e profilos persistentes ou caducas. Botões florais de ápice obtuso a arredondado. Flores (4-)5-meras; zona do disco glabra ou pilosa; cálice persistente ou circuncisamente caduco, lacínias bilobadas, as externas inconspícuas e as internas evidentes; pétalas alvas, ápice arredondado, retuso ou assimetricamente emarginado; estames isomórficos ou subisomórficos, anteras alvas ou cremes, com poro diminuto ou prolongado à semelhança de uma rima, conectivo prolongado ou não abaixo das tecas, inapendiculado ou com apêndice dorsal, às vezes com lobos projetando-se ventralmente, ovário infero ou parcialmente infero. Bacídios, polispérmicos, ou bacáceos, oligospérmicos ou polispérmicos; sementes obtriangulares, obovadas a ovadas, às vezes suborbiculares a orbiculares, nunca aladas. 10 - Miconia albicans (Sw.) Triana, Trans. Linn. Soc. Bot. 28: 116. 1871. Fig 8 a-b Arbustos 1-4 m alt.; indumento dos ramos, pecíolos, inflorescências e face abaxial da lâmina foliar densamente lanoso, tricomas do tipo chicote. Folhas com pecíolo 0,5-1 cm compr.; lâmina 6-13,5 * 3-6 cm, adulta nitidamente discolor, não verde discolor, face adaxial verde, brilhosa quando adulta, face abaxial alvacenta a ferrugínea, coriácea a subcoriácea, elíptico-oblonga, às vezes obovada, arredondada a cordada, crenulada, ápice acuminado, às vezes agudo a obtuso, raro arredondado, face adaxial tomentosa, Rodriguésia 57 (3): 591-646. 2006 613 cedo glabrescente, face abaxial com indumento persistente, revestindo totalmente a superfície epidérmica; (3— )5 nervuras acródromas basais, as mais internas até ca. I mm suprabasais. Tirsos de cimeiras escorpióides, 7,5-1 1 ,5 cm compr., terminais, piramidais; brácteas e profilos persistentes. Flores 5-meras; hipanto tomentoso; cálice persistente; estames subisomórficos, conectivo inconspicuamente prolongado, apêndice trilobado, sendo um lobo dorsal e dois laterais, que se projetam ventralmente; ovário 3-locular, estilete dilatado no ápice. Bacídios verdes-jade a roxo-nigrescentes, polispérmicos; sementes obtriangulares. Material selecionado: estrada da Torre 2, 12.VII.1994, fl. e fr., H. C. Lima et al. 4905 (RB). Espécie de ampla distribuição, ocorrendo desde o sul do México e Antilhas até o Paraguai. No Brasil é encontrada em Roraima, Amazonas, Pará, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Distrito Federal, Maranhão, Piauí, Ceará, Pernambuco, Alagoas, Bahia e nos estados da Região Sudeste e no Paraná. Na Reserva é conhecida como “pixirica”, tendo sido coletada com flores em julho, agosto e outubro; com frutos em abril, julho e outubro. As folhas adultas discolores, com a face adaxial verde e brilhosa e a abaxal alvacenta a ferrugínea e as inflorescências escorpióides são bons caracteres diagnósticos. No processo de maturação, os frutos passam de pardacentos a verde-claros, rosados, roxos e roxo-nigrescentes ou verdes-jade. Esta cor também tem sido assinlada para frutos maduros dessa espécie (Goldenberg 2004), sendo ingeridos por animais. II - Miconia calvescens DC., Prodr. 3: 185.1828. Fig. 8 c-d Árvores 1,5-5 m alt.; indumento dos ramos, folhas, inflorescências, brácteas e hipanto quando adultos esparsamente furfuráceo-estrelado, tricomas gcralmcnte caducos; pseudo-estípulas interpeciolares ,SciELO/JBRJ 12 13 14 15 16 17 cm .. 614 ausentes. Folhas com pecíolo 2-7 cm compr.; lâmina 17-32 x 9-16,5 cm, adulta verde discolor, papirácea a cartácea, elíptica a ovada, base arredondada ou subcordada, às vezes obtusa, nunca decorrente nem cuneada, ápice agudo ou acuminado, margem crenulada a denticulada, não ciliolada, indumento em ambas as faces concentrado principalmente sobre as nervuras acródromas; 5 nervuras acródromas basais até 15 mm suprabasais. Tirsóides de glomérulos 11-36 cm compr., terminais, piramidais, ramos não escorpióides; brácteas e profilos caducos. Flores 5-meras; cálice persistente; pétalas 2-3 mm compr., com tricomas esparsos para o ápice; estames 4,6-7 mm compr., subiguais, anteras alvas, oblongas, retas, poro terminal ou terminal- ventral, conectivo curto-prolongado, apêndice com dois lobos latero-ventrais ou trilobado, com os lobos unidos à semelhança de uma bainha, ou se distinguindo um calcar dorsal e dois lobos latero-ventrais, às vezes com inconspícuos tricomas glandulares; ovário 3-locular, esparso- glanduloso, estilete glabro. Bacídios vinosos a roxo-nigrescentes, polispérmicos; sementes obtriangulares. Material selecionado: entre a BR-101 e o rio Pau Preto, 16.VI.1994, fl. e fr„ S. V. A. Pessoa et. al 719 (RB). Amostras estéreis, coletadas pelo PMA na Reserva, estão registradas na base de dados sob os números: Indivíduos FE- 193, PB- 5, PB-101, PB-19, PC-75, PM-16, PM-36, PM-94, PR-19, MO-43, MO-369, MO-231. Endêmica do Brasil, ocorrendo no Amazonas, Bahia e nos estados da Região Sudeste. Na Reserva é conhecida como “jacatirão”. As flores emitem um suave odor adocicado e os frutos passam gradativamente de verdes para rosados, a vinosos até roxo- nigrescentes. Coletada com flores em fevereiro, abril e junho; com frutos em fevereiro, junho e julho. 12 - Miconia cinerascens Miquel, Linnaea 22:543.1849. Fjg. 8 e-f Arbustos ca. 3-3,6 m alt.; indumento dos ramos, pecíolos, face abaxial da lâmina foliar Baumgrai J. F. A. et al. e inflorescências densamente furfuráceo- estrelado e — dendrítico e glanduloso- granuloso. Folhas com pecíolo 3-5 cm compr.; lâmina 14—20 x 6—9 cm, adulta nitidamente discolor, não verde discolor, face adaxial verde, face abaxial alvacenta, ferrugínea nas nervuras acródromas, totalmente revestida pelo indumento persistente, não se visualizando a superfície epidérmica, cartácea, elíptica a ovada, base arredondada, ápice agudo a acuminado, margem dentada; 5 nervuras acródromas basais, as laterais não confluentes às margens, na base. Tirsóides de glomérulos, 17-21 cm compr., terminais, ramos não escorpióides; brácteas e profilos caducos. Flores 5-meras; hipanto e cálice densamente furfuráceo-estrelado e glanduloso-granuloso; hipanto 1,8— 2,5 mm compr.; cálice caduco; pétalas glabras, raro ápice na face abaxial glanduloso; estames isomórficos, subiguais em tamanho, filetes geralmente esparso- glandulosos, raro glabros, anteras alvas. 2.3- 3,5 mm compr., poro terminal-ventral amplo, conectivo não prolongado ou prolongamento obsoleto, apêndices dorsal calcarado, latero- % entrais lobulados; ovário 3-locular. esparso- glanduloso; estilete esparso-glanduloso, às vezes glabro. Bacáceos roxo-nigrescentes, oligospérmicos; sementes obovadas a ovadas. Material selecionado: casa dos Morcegos (casa da Cíntia), 28.XI.1994, fl., C. Luchiari et al. 572 (RB). Material adicional: Santa Catarina: Lajes. 14.1.1963, fr„ R. Reitz & R. Klein 14887 (FLOR, HBR); Rancho Queimando. 27.111.1981, fr., J. M. Campos & P.F. Leite 14 (FLOR); Três Barras, 12.IV. 1992, fr., D. Falkenberg et al. 5764 (FLOR). Distribui-se no Brasil pelos estados de Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo e os da Região Sul até o Paraguai e norte da Argentina. Na Reserva é ocasional, tendo sido coletada com flores em novembro. As folhas discolores, com margem dentada, e os frutos bacáceos, oligospérmicos, representam bons caracteres diagnósticos. As flores exalam um forte odor enjoativo e os frutos, quando jovens. Rodriguésia 57 (3): 591-646. 2006 SciELO/JBRJ L2 13 14 15 16 17 cm Figura 8 - Miconia albicans (Sw.) Triana: a. ramo florífero; b. pétala ( Silva Neto 1429) Miconia calvescensDC.: c folha: face abaxial; d. flor ( Vieira 922). Miconia cinerascens Miquel: e. ramo florifero, f.estlete {Luchiari 572). Miconia cinnamomifolia (DC.) Naudin: g. detalhe do ramo; h. detalhe do nó do ramo, evidenciando a pseudo-estfpula mtcrpec.olar; i. flor;j, bacáceo (Luchiari 119). Rodrigues ia 57 (3): 591-646. 2006 SciELO/ JBRJ 12 13 14 15 16 17 cm 616 são inicialmente amarelos, passando a alaranjados, vermelhos, roxos e, no final da maturação, a roxo-nigrescentes. Wurdack (1962) descreve M. cinerascens var. robusta baseando-se em caracteres inconsistentes (indumento ferrugíneo na face abaxial da folha adulta, comprimento do hipanto e anteras e filetes e estilete glandulosos), pois assinala que vários graus de características intermediárias podem existir e que um mesmo espécime pode apresentar particularidades de ambas as variedades ( Maguire et al. 44 5 87 A, do Rio de Janeiro; Reitz & Klein 4149, 9384, de Santa Catarina). Nos espécimes da Reserva há variação e sobreposição dessas características, impossibilitando distinguir táxons infra-específicos. Essa distinção em variedades também não é possível utilizando- se a circunscrição de Goldenberg (2004), que aceita M. cinerascens var. robusta, porém, diferindo-a da típica pelos estames amarelos, com filetes esparso-glandulosos. Embora a cor amarela das anteras tenha sido descrita por Cogniaux (1883-88) para M. cinerascens, ao examinar exemplares coletados principalmente em Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo, nunca foi mencionada por Wurdack (1962) como caráter distintivo para a variedade robusta. Miquel (1849), ao propor M. cinerascens, nada descreve sobre os estames. Nos exemplares da Reserva, as anteras são alvas, porém os estames e estilete possuem ou não tricomas glandulares. A presença ou não de pilosidade nestas estruturas florais, independente da cor das anteras, também foi observada em espécimes ocorrentes em outras áreas, como A.C. Brade 15013 (RB), D. Sucre 1498 (RB) e R.P. Andreata et al. 414, 493, 933 (RB), do Rio de Janeiro, J.C. Lindeman & J.H. Haas 2766 (RB), do Paraná, e R. Klein 3430, 9575 (FLOR), de Santa Catarina. Com relação à cor do indumento na face abaxial das folhas, semelhante variação, alva a pardacenta, é observada também em indivíduos de M. Baumgratz, J. F. A. et al. albicans e varia de acordo com o grau de luminosidade na área. Desse modo, depreende-se que a variedade robusta deverá ser sinonimizada. 13 - Miconia cinnamomifolia (DC.) Naudin, Ann. Sei. Nat., sér. 3, Bot. 16(2): 168. 1850. Fig. 8 g-j Arvores 4-25 m alt. ; indumento esparsamente furfuráceo-estrelado, tricomas cedo caducos; nós com pseudo-estípulas interpeciolares, semelhantes a protuberâncias lamelares, planas ou revolutas, tardiamente caducas. Folhas com pecíolo 0,6-1, 5 cm compr.; lâmina 5,5-15,5 * 2-5 cm, adulta concolor a verde discolor, face adaxial verde- escura, brilhante, cartácea, elíptica a ovada, raro obovada, base aguda ou agudo-cuneada, ápice caudado, às vezes acuminado, margem inteira a ondulada; 3 nervuras acródromas 2- 7 mm suprabasais, raro basais. Tirsóides 7- 12 cm compr., terminais, piramidais; brácteas e profilos caducos. Flores 5-meras; hipanto esparsamente furfuráceo-estrelado, glabrescente; cálice caduco; pétalas alvas; estames alvos, ante-sépalos com apêndice do conectivo dorsalmente uni ou bilobado, antepétalos com apêndice dorsalmente calcarado e latero-ventralmente biauriculado; ovário 3-locular, glabro, estilete dilatado no ápice. Bacáceos roxo-nigrescentes, oligospérmicos; sementes obovadas a ovadas. Material selecionado: estrada Jutumaíba, 10.XI. 1 993, fl. e ff., C. Luchiari et al. 119 (RB). Amostras estéreis, coletadas pelo PMA na Reserva, estão registradas na base de dados sob os números: Indivíduos P2A-158, P2C-258, P2C-269, P4B-546, P5B-6, P5B- 706, PR-2, PR-6, PR-20, PR-22, PR-32, PR- 54, PR-75. Endêmica do Brasil, distribuindo-se desde a Bahia até Santa Catarina. Na Reserva é conhecida como “jacatirão”, sendo muito frequente e coletada com flores em fevereiro, maio e novembro e com frutos de maio a julho e novembro a fevereiro. Nesta espécie, o fuste pode alcançar até 1 3 m de comprimento, e as Rodriguèsia 57 (3): 591-646. 2006 SciELO/JBRJ .2 13 14 15 16 17 Melastomataceae na Rebio de Poço das Antas flores exalam um intenso odor adocicado. De acordo com Pereira & Mantovani (2001), apesar dos frutos serem consumidos por 14 espécies de aves na Reserva, assim como por formigas cortadeiras ( Atta sp.), a síndrome de dispersão mais freqüente é a barocoria (autocoria) ou em associação com a zoocoria. 14 -Miconia holosericea (L.) DC., Prodr. 3: 181.1828. Fig. 9 a-f Árvores (l,5-)3-7m alt.; indumento dos ramos, pecíolos e inflorescências densamente furfuráceo-estrelado e - dendrítico. Folhas com pecíolo 2,5-3, 7 cm compr.; lâmina 12-33 * 8,5-1 8,5 cm, adulta nitidamente discolor, não verde discolor, face adaxial verde, abaxial pardacenta a ferrugínea, indumento persistente, cartácea a subcoriácea, largamente elíptica a ovada, às vezes obovada, base obtuso-cuneada a arredondada, ápice acuminado a agudo, margem inteira a levemente ondulada, raro inconspícuo-crenulada, face adaxial furfuráceo-estrelada, cedo glabrescente, face abaxial total e densamente lanosa, tricomas do tipo chicote; 5 nervuras acródromas, as mais internas 0,7—3 cm suprabasais. Tirsóides ou cimóides 5,5—9 cm compr., terminais, às vezes axilares, neste caso apenas em nós folhosos nas extremidades dos ramos, ate o 3 nó proximal, e subtendendo inflorescências acessórias, ramos não escorpióides, às vezes sinflorescências frondo-bracteosas, com nítidas brácteas foliáceas; brácteas e profilos caducos. Flores (5-)6-meras, hipanto densamente furfuráceo-estrelado e -dendrítico; zona do disco pubescente- glandulosa; cálice caduco, lacínias, aparentemente livres entre si, as externas espessas, oblongo-triangulares, as internas membranáceas, triangular-apiculadas, estames com anteras roxas, tecas lobadas na base, poro ventral nos antepétalos, terminal ou terminal-dorsal nos ante-sépalos, conectivo não prolongado, apêndice trilobado, um calcar dorsal, dois lóbulos latero-ventrais; ovário 4-5-locular, piloso- Rodriguêsia 57 (3): 591-646. 2006 617 glanduloso; estilete esparso pubcscente- glanduloso na base. Bacídios amarelos a alaranjados quando jovens, roxo- nigrescentes nos adultos; sementes oblongas ou obovadas, lenticiformes. Material selecionado: estrada Juturnaíba, 9.X.2004, fl. e fr., D.C. Carraça etal. 36 (RB). Amostras estéreis, coletadas pelo PMA na Reserva, estão registradas na base de dados sob o número Indivíduo P9-1318. Ocorre no México, América Central, Venezuela, Trinidad, Guianas, Peru, Bolívia e no Brasil, desde a Região Norte até a Sudeste. Na Reserva foi coletada com flores de outubro a dezembro; com frutos de abril a novembro. Destacam-se como caracteres diagnósticos, o indumento lanoso na face abaxial da lâmina foliar constituído de tricomas do tipo chicote, com raios muito longos e entremeados entre si. Além disso, distingue- se pelas inflorescências também axilares, apenas em nós folhosos nas extremidades dos ramos, até o terceiro nó proximal, subentendendo inflorescências acessórias, pelas dimensões menores e mais delgadas do sistema de ramificação. Conhecida como “pixiriquinha”, “pixiricão” ou “tapicirica”, têm flores com suave odor adocicado e seus frutos são muito procurados por pássaros, como o guache (Cacicus haemorrhous), o jacu ( Penelope obscura), o sabiá ( Turdus rufiventris) e a saíra ( Tangara sp.), e pelo mico-leâo-dourado. 15 - Miconia hypoleuca (Benth.) Triana, Trans. Linn. Soc. Bot. London28: 119. 1871. Fig. 9 g-j Árvores ( 1 ,5-)5-8 m alt.; indumento dos ramos, pecíolos, face abaxial da lâmina foliar e inflorescências densamente lanoso, persistente, tricoma do tipo chicote, com raios muito longos, entremeados entre si. Folhas com pecíolo 1,5-2, 3 cm compr., bordos involutos na face adaxial; lâmina 15,5-29 x 6,7-13,5 cm, adulta nitidamente discolor, não verde discolor, face adaxial verde, abaxial pardacenta a ferrugínea, com indumento revestindo totalmente a superfície epidérmica entre as SciELO/JBRJ .2 13 14 15 16 17 cm 618 nervuras acródromas, papirácea a cartácea, largo-elíptica, raro obovada, base obtusa ou aguda, ápice acuminado, margem dentada a denticulada, às vezes revoluta; 5(-7) nervuras acródromas basais, as laterais confluentes às margens na base, as secundárias transversais próximas entre si, nervuras terciárias e ordem superior de nervação formando nítido e diminuto retículo. Tirsóides 8,5-13 cm compr., terminais, às vezes axilares, neste caso subentendendo inflorescências acessórias, piramidais, ramos decussados, não escorpióides; brácteas e profilos persistentes. Flores 5-meras; hipanto e cálice lanosos, tricomas do tipo chicote; cálice persistente; pétalas alvas, glabras; estames alvos, dimórficos, de dois tamanhos, anteras com deiscência prolongando-se para a base à semelhança de uma rima, conectivo prolongado, nos antepétalos apêndice dorsal calcarado, nos ante-sépalos apêndice trilobado, um calcar dorsal e dois lóbulos latero-ventrais; ovário 3-locular, glabro, inconspícuo-papiloso; estilete glabro. Bacáceos alaranjados, polispérmicos; sementes obtriangulares. Material selecionado: estrada Jutumaíba, 5.IV.2001, fl., S. J. Silva Neto et al. 1431 (RB); trilha Rodolfo Norte, 14.11.2003, fr., B. A. Abbas et al. 84 (RB). Ocorre na Venezuela, Trinidad, Guianas e Brasil, nos estados de Roraima, Amazonas, Pará, Ceará, Pernambuco, Alagoas, Bahia, Espírito Santo e Rio de Janeiro. Não é muito ffeqüente na Reserva, sendo reconhecida pelo indumento lanoso na face abaxial da lâmina foliar, hipanto e cálice, constituído de tricomas do tipo chicote, com raios muito longos e entremeados entre si e os frutos maduros alaranjados. Coletada com flores em abril; frutos em fevereiro, agosto e novembro. Ilustrações também em Wurdack (1973). 16 - Miconia ibaguensis (Bonpl.) Triana, Trans. Linn. Soc. Bot. 28: 110. 1871. Fig. 9 k-n Arbustos a arvoretas 1, 5-2,5 m alt.; indumento dos ramos, folhas, inflorescências Baumgratz. J. F. A. el al. e hipanto esparso a densamente setoso- setuloso, tricomas persistentes, e furfuráceo- estrelado e -dendrítico, tricomas estrelados sésseis e pedicelados, parcialmente caducos; pseudo-estípulas interpeciolares ausentes. Folhas com pecíolo 0,3-1 ,2 cm compr.; lâmina 7.5—1 7 x 2,8-7 cm, verde discolor, papirácea, ovada a elíptica ou lanceolada, base arredondado-cuneada a —decorrente, ápice agudo-atenuado a acuminado, margem denticulada a serrulada, ciliolada, face abaxial parcialmente revestida entre as nervuras pelo indumento, margem serrulado-ciliolada, face adaxial levemente bulada; 5 nervuras acródromas 7—12 mm suprabasais. Tirsóides de glomérulos, 9-16,5 cm compr., terminais, ramos não escorpióides; brácteas e profilos persistentes. Flores 5-meras; cálice persistente, com lacínias externas evidentes, não reduzidas a dentículos; estames subisomórficos, anteras alvas, retas ou levemente curvas, poro terminal-ventral, conectivo com dorso giboso evidente, levemente prolongado, apêndices bilobados, lobos latero-ventrais, ou também trilobados, pela presença de um calcar dorsal; ovário 3- locular, esparsamente piloso-glanduloso, às vezes glabro; estilete dilatado no ápice, glabro. Bacídios roxo-nigrescentes, polispérmicos; sementes obtriangulares. Material selecionado: estrada Jutumaíba, 8.X.2004, fl. e fr., D. C. Carraça et al. 27 (RB). Distribui-se desde o sul do México até o Paraguai e Brasil, no Distrito Federal e nos estados de Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo e Paraná. Na Reserva é pouco freqüente, sendo conhecida como “pixirica”. Coletada com flores em agosto, outubro e novembro; com frutos em julho, agosto e de outubro a janeiro. As folhas jovens apresentam, geralmente, a face abaxial de coloração arroxeada. Para a obtenção das medidas do quanto suprabasal são as nervuras acródromas nas folhas, considerou-se o prolongamento decorrente da lâmina ao longo do pecíolo. Destacam-se como características diagnósticas, a densidade e o Rodriguésia 57 (3): 591-646. 2006 SciELO/JBRJ L2 13 14 15 16 17 Melastomataceae na Rebio de Poço das Antas 619 P. „ ... . ,nnc.a folha- face abaxial; b. hipanto; c-d. cálice: faces abaxial e adax.al, rcspect.vamcnte; F,gura 9 - Mtconta holosencea (L.) DC.. a. fotta.taa - hypoleuca (Bcnth.) Triana: g. folha: face abaxial; e. estame antessépalo; f. bac'dl0^eL'maJ^Ta com deiscência prolongada à semelhança de uma rima; j. bacáceo (g-i h. hipanto e cálice; i. estame, evidenc.ando a antera P J , dctalhe do indumento da lâmina Luchiari 552; j Abbas 84). Miconia ibaguensis (Bonpl.) Triana. k. ramo foliar: faces adaxial e abaxial, respectivamente, n. flor (/ tssoa Rodriguésia 57 (3): 591-646. 2006 SciELO/JBRJ 12 13 14 15 16 17 cm .. 620 tipo de indumento, o cálice persistente, com lobos externos evidentes, os estames com apêndices bi ou trilobados, o estilete dilatado no ápice e os frutos do tipo bacídio, polispérmicos, com tricomas alvos. Wurdack (1980) também assinala como características nessa espécie, o cálice persistente no fruto maduro e o estilete glabro. Entretanto, Goldenberg (2004) descreveu, para os espécimes do Paraná, o cálice como caduco e o estilete com esparsos tricomas na base. 17 - Miconia latecrenata (DC.) Naudin, Ann. Sei. Nat, sér. 3, Bot. 16(2): 239. 1850. Fig. 10 Arvoreta ca. 2 m alt.; indumento dos ramos, folhas, inflorescências, brácteas e hipanto esparsamente estrelado-furfuráceo, tricomas geralmente caducos; pseudo-estípulas Baumgratz, J. F. A. et ai. interpeciolares ausentes. Folhas com pecíolo 0, 7-1,5 cm compr.; lâmina 12-17,5 x 3,9-6 cm, verde discolor, membranácea, elíptica, base obtusa a aguda, nunca decorrente, ápice atenuado a acuminado, margem ondulada a denticulada; 5 nervuras acródromas basais, as marginais tênues e às vezes confluentes às margens; domácias ausentes. Tirsóides 9-12 cm compr., terminais, às vezes também axilares, acessórios, ramos não escorpióides; brácteas e profilos caducos. Flores 5-meras; cálice caduco; estames isomorfos, alvos, anteras obovado-cuneadas, poro ventral muito amplo, inclinado, às vezes assemelhando-se a uma rima, conectivo acentuadamente prolongado, apêndice trilobado, um calcar dorsal e dois lobos latero-ventrais, ou apenas com dois lobos latero-ventrais; ovário 3-locular, esparso-pubérulo; estilete glabro. Bacáceos Figura 10 - Miconia latecrenata (DC.) Naudin: a. ramo florifero; b-c. lâmina foliar- detalhes da h-„, respectivamente; d. botão floral; e. flor; f. hipanto e cálice; g. bacáceo ( Pereira 380). e margem. Rodriguésia 57 (3): 591-646. 2006 SciELO/ JBRJ 2 13 14 15 16 17 lí cm Melas tomataceae na Rebio de Poço das Antas roxo-nigrescentes, oligospérmicos; sementes obovadas a ovadas. Material examinado: estrada para Jutumaíba, 22.11.1994, fr., L. S. Sylvestre et al. 996 (RB). Material adicional: Rio de Janeiro: Parati, 16.V.1995, fr., C. B. Moreira et al. 2 (RB); Teresópolis, 2 1 .IV. 1 944, fl., E. Pereira 380 (RB). Endêmica do Brasil, ocorrendo desde o Piauí até o Rio Grande do Sul. É ocasional na Reserva, tendo como características diagnósticas as folhas com nervuras acródromas basais e as anteras obovado- cuneadas, com poro ventral muito amplo, oblíqüo, às vezes assemelhando-se a uma rima, e conectivo acentuadamente prolongado, com apêndice trilobado. 18 - Miconia lepidota DC., Prodr. 3: 180. 1828. Fig. lla-b Árvores 4-16 m alt.; indumento dos ramos, pecíolos, inflorescências e face abaxial da lâmina foliar lepidoto-estrelado. Folhas com pecíolo 1 ,5-2,4 cm compr.; lâmina foliar 1 0,5- 21 x 4,5-10,5 cm, adulta discolor, não verde discolor, face adaxial verde, brilhosa, face abaxial canescente- a cinéreo-prateada, tricomas revestindo densamente a superfície epidérmica entre as nervuras acródromas, total, às vezes parcialmente, cartácea, elíptica a obovada, base aguda a obtuso-cuneada, às vezes decorrente, ápice acuminado ou agudo, margem inteira a levemente ondulada; 3 nervuras acródromas basais. Tirsos de cimeiras escorpióides, 18,5-19,5 cm compr., terminais, oblongos; brácteas e profilos caducos. Flores 5-meras; hipanto lepidoto- estrelado; cálice persistente, lacínias bilobadas, as externas reduzidas a dentículos, pétalas alvas; estames alvos, subisomórficos, com conectivo nitidamente espessado no dorso, prolongado 0,3-0, 4 mm, apêndice ventral biauriculado, dorsal calcarado (ante-pétalo) ou ausente (antessépalo); ovário 4-locular, estilete nitidamente dilatado no ápice. Bacáceos roxo- nigrescentes, oligospérmicos; sementes obovadas a ovadas. Rodriguésia 57 (3): 591-646. 2006 621 Material selecionado: estrada Jutumaíba, 7.V.1996, fl., C. Luchiari et al. 722 (RB); trilha Rodolfo Norte, 3. V. 1994, fr., D. S. Farias et al. 197 (RB). Amostras estéreis, coletadas pelo PMA na Reserva, estão registradas na base de dados sob os números: Indivíduos P2D-290, PE-1 15. É de ampla distribuição, ocorrendo na Colômbia, Venezuela, Guianas, Bolívia e Brasil, na bacia Amazônica e nos estados da Região Sudeste. Na Reserva é pouco freqüente, sendo conhecida como “pixirica” e apesar do indumento revestir totalmente a superfície epidérmica na face abaxial da folha, tricomas podem cair com a maturação da estrutura, deixando a superfície parcialmente à mostra. Os estames são subisomórficos pela presença ou não de apêndice dorsal. Coletada com flores e frutos em maio. Sinônimos podem ser encontrados em Berry (2001). 19 - Miconia prasina (Sw.) DC., Prodr. 3: 188. 1828. Fig. 11 c-f Árvores 2-4 m alt.; indumento dos ramos, folhas, inflorescências e hipanto furfuráceo- estrelado, glabrescente; pseudo-estípulas interpeciolares ausentes. Folhas com pccíolo 0,7-3 cm compr.; lâmina 12,5-25 x 4,7-12 cm, adulta verde discolor, membranácea, elíptica, oblonga ou obovada, base geralmente agudo- decorrente, às vezes arredondado-cuneada, ápice atenuado ou agudo, às vezes acuminado ou obtuso, margem crenulada, ciliolada ou não; 5 nervuras acródromas, as mais internas 15- 25 mm suprabasais; domácias ausentes. Tirsóides 7,5-25 cm compr., terminais, ramos não escorpióides; brácteas e profilos persistentes. Flores 5-meras; cálice persistente; estames subisomórficos, anteras alvas, poro diminuto, conectivo levcmentc prolongado, apêndice bilobado, lobos latero- ventrais, ou também trilobado, pela presença de um calcar dorsal; ovário 3-locular, pubérulo; estilete glabro. Bacídios esverdeados a alvo-lilases quandos jovens, roxo-nigescentes nos adultos, polispcrmicos, sementes estreitamente obtriangulares. Material selecionado: trilha próxima a SciELO/ JBRJ 12 13 14 15 16 17 cm .. 622 represa Jutumaíba, 9.X.2004, fl. e fr., D. C. Carraça et al. 32 (RB). Amostras estéreis, coletadas pelo PMA na Reserva, estão registradas na base de dados sob os números: Indivíduos MO-2, MO- 30, MO-53, MO-97, MO-144, MO-240, P1A- 9, P 1 C-64, P 1 C-84, P 1 C- 1 08, P2 A- 1 42, P2A- 144, P2A-152, P10A-26, P10C-90, PB- 106, PB- 108, PB- 109, PM-37. É de ampla distribuição, ocorrendo na América Central, Caribe, Venezuela, Guianas, Brasil e Paraguai. No território brasileiro é encontrada em Roraima, Amazonas, Pará, Pernambuco, Bahia, nos estados da Região Sudeste e no Paraná. Na Reserva é freqüente, sendo conhecida como “pixirica” ou “jacatirão”. Coletada com flores em janeiro, fevereiro, agosto, outubro e novembro; com frutos de outubro a fevereiro e junho a agosto. É muito polimórfica, principalmente quanto às dimensões e forma da lâmina foliar e densidade do indumento no hipanto, tomando muito frágil à distinção de táxons infraespecíficos que foram circunscritos com base nessas características (Cogniaux 1891). A forma da base foliar tem ampla variação e pode ser caracterizada como agudo- decorrente, com a lâmina formando alas ao longo do pecíolo, ou arredondado-cuneada, neste caso, com uma curta extensão. Entretanto, num mesmo indivíduo, podem ocorrer variações intermediárias e um desses extremos morfológicos. Em folhas de rebrotos observa-se indumento moderadamente setuloso na face adaxial, o que não é comum na folhagem dessa espécie. Os frutos são muito apreciados pelas aves, como o guache, o sabiá e o tiê-sangue ( Ramphocelus bresilius), além do mico-leão-dourado. 20 - Miconia pusilliflora (DC.) Naudin, Ann. Sei. Nat., sér. 3, Bot. 16(2): 171-172. 1850. Fig. 1 1 g-j Arvores 4-5 m alt.; indumento dos ramos, folhas, inflorescências e hipanto furfuráceo-estrelado, tricomas cedo caducos; pseudo-estípulas interpeciolares ausentes. Baumgratz. J. F. A. et al. Folhas com pecíolo 0,7-2, 2 cm compr.; lâmina 7,5-18 * 2-6,2 cm, adulta verde- discolor, membranácea a subcartácea, elíptica a estreito-ovada, base aguda a curto- cuneada, às vezes obtusa, ápice acuminado a caudado, às vezes falcado, margem inteira a crenulada, não ciliolada; 5 nervuras acródromas 3—10 mm suprabasais, sendo as marginais muito tênues; face abaxial com domácias marsupiformes, axilar-primárias, com membranas evidentes. Tirsóides 8-13,5 cm compr., terminais, ramos não escorpióides, ramos acessórios presentes; brácteas e profilos caducos. Flores 4-5- meras; cálice caduco; estames isomórfícos, anteras com poro ventral muito amplo, prolongando-se para base à semelhança de uma rima, conectivo levemente prolongado, inapendiculado; ovário 3-locular, glabrescente; estilete dilatado no ápice, glabro. Bacáceos roxo-nigrescentes, oligospérmicos; sementes ovadas a suborbiculares, às vezes largamente obtriangulares, angulosas ou lentici formes. Material selecionado: trilha Rodolfo Norte, I7.VI.1994, fl., S. V. A. Pessoa et al. 728 (RB); trilha da Pelonia, 9.X.2004, fr., D. C. Carraça et al. 28 (RB). Endêmica do Brasil, ocorrendo nos estados das Regiões Sudeste e Sul. Na Reserva é pouco freqüente e destacam-se como características diagnósticas as folhas com ápice acuminado a caudado, às vezes falcado, e face abaxial provida de domácias marsupiformes, axilar-primárias, com membranas evidentes, além das anteras com poro ventral muito amplo, prolongando-se para base à semelhança de uma rima, e o conectivo inapendiculado. Coletada com flores em março e junho; com frutos em julho, agosto e outubro. 21 - Miconia saldanhaei Cogn. in Mart. & Eichler, Fl. bras. 14(4): 372-373, t. 74. 1 887. Fig. llk-m Arbustos 1, 5-2,5 m alt.; indumento dos ramos, pecíolos, face abaxial da lâmina foliar e inflorescências constituído moderadamente de tricomas estrelados e dendríticos, alguns Rodrigues ia 57 (3): 591-646. 2006 SciELO/JBRJ L2 13 14 15 16 17 cm Melastomataceae na Rebio de Poço das Antas 623 taldanhaei Cogn, k. ramo florífero; I. detalhe do indumento na face abax.al da lâmma fol.ar, m. estame (Lucfuan 570). Rodriguésia 57 (3): 591-646. 2006 SciELO/JBRJ 12 13 14 15 16 17 cm .. 624 possuindo a ramificação central longa, destacando-se das demais. Folhas com pecíolo 0,7-2 cm compr.; lâmina 1 6,5-25,5 * 7,5-1 1 cm, adulta nitidamente discolor, não verde discolor, face adaxial verde, face abaxial pardacenta, ferrugínea sobre as nervuras, papirácea a cartácea, elíptica a estreitamente ovada, base aguda a obtusa, ápice acuminado a obtuso-acuminado, margem crenulado-denticulada a -serrulada, face abaxial parcialmente recoberta pelo indumento, podendo-se visualizar a superfície epidérmica, tricomas persistentes; 5 nervuras acródromas, as mais internas 4-7 mm suprabasais, as laterais bem próximas às margens, mas não confluentes. Tirsóides de glomérulos, 16-24,5 cm compr., terminais, ramos não escorpióides; brácteas e profilos persistentes. Flores (4-)5-meras; hipanto e cálice revestidos por tricomas estrelados e dendríticos; cálice persistente, lacínias do cálice menores que o hipanto, lobos externos menores que os internos; pétalas glabras; estames isomórficos, anteras com poro diminuto, nunca semelhante à rima, conectivo nitidamente prolongado, inapendiculado; ovário 3-locular, piloso; estilete glabro. Bacáceos roxo-nigrescentes, oligospérmicos; sementes ovadas a suborbiculares, angulosas ou lenticiformes. Material selecionado: estrada Jutumaíba, 17.XI.1994, fl., C. Luchiari et al. 570 (RB); 25.1.2006, fr., J. F. A. Baumgratz et al. 872 (RB). Material adicional: Rio de Janeiro: Guapimirim (Magé), 6.V.1982, fr., R. Guedes & L. P. Gonzaga s.n. (RB 252337); idem, 28.VIII.1982, fr., R. Guedes &L.P. Gonzaga s.n. (RB 252338). Restrita ao Sudeste do Brasil, ocorrendo no Rio de Janeiro e São Paulo. Na Reserva é muito ocasional, tendo sido coletada com flores em novembro, quando exalam forte odor adocicado, e frutos em janeiro. É muito próxima de M. fasciculata Gardner e com base em Cogniaux ( 1 883-88) esta se distingue, principalmente, pelas nervuras acródromas basais e flores tetrâmeras. Também tem Baumgratz. J. F. A. et al. afinidade com M. divaricata Gardner, que se diferencia pelas folhas com 3 nervuras acródromas suprabasais. Analisando-se a coleção Schwacke 4336 (RB), também estudada por Cogniaux (1883-88) para esta espécie, observam-se 5 nervuras acródromas suprabasais, estando as duas laterais bem próximas às margens e 0,7—1 mm acima da base. Possivelmente, foi a proximidade dessas nervuras laterais às margens e à base que levou este autor a considerar apenas as três nervuras acródromas centrais na caracterização do padrão de nervação foliar, descrevendo as folhas como triplinérvias, pois estas nervuras são bem mais evidentes do que as laterais. Ainda nesse exemplar, notou-se que as lacínias externas do cálice são mais curtas do que as internas. Provavelmente, essas três espécies correspondem a um único táxon. 22 - Miconia serrulata (DC.) Naudin, Ann. Sei. Nat., sér. 3, Bot. 1 6(2): 118-119.1850. Fig. 12 a-e Arvores, arvoretas ou arbustos 2-6 m alt.; indumento dos ramos, pecíolos, face abaxial da lâmina foliar e inflorescências constituído densamente de tricomas estrelados. Folhas com pecíolo 1-4 cm compr.; lâmina 10-30 * 4— 1 5 cm, adulta nitidamente discolor, não verde discolor, face adaxial verde-clara a -escura, fosca, face abaxial alvo-pardacenta a pardacenta, papirácea a cartácea, elíptica ou oblonga, base arredondada a cordada, ápice acuminado, agudo ou atenuado, margem denticulado-serrulada, face adaxial glabrescente, face abaxial totalmente revestida pelo indumento persistente, não se visualizando a superfície epidérmica; 5—7 nervuras acródromas basais ou as mais internas até 0,5 mm suprabasais, as laterais não confluentes às margens, na base. Tirsóides 9,5-18 cm compr., terminais, não de glomérulos, nem ramos escorpióides; brácteas e profilos caducos. Flores 5-6-meras; hipanto e cálice densamente revestidos de tricomas estrelados; cálice persistente; pétalas alvas, face abaxial totalmente revestida de tricomas estrelados; Rodriguésia 57 (3): 591-646. 2006 SciELO/JBRJ 2 13 14 15 16 17 18 cm Melastomataceae na Rebio de Poço das Antas estames com filetes pilosos na base, anteras roxas, tecas lobadas na base, poro diminuto, conectivo não prolongado, apêndice dorsal calcarado; ovário 3— 5-locular, piloso; estilete densamente piloso-estrelado para a base. Bacídios alvo-esverdeados a amarelo- alaranjados quando jovens e roxos a roxo- nigrescentes quando adultos, subgloboso- urceolados, polispérmicos; sementes obtriangulares a obovadas. Material selecionado: trilha da Pelonia, 9.X.2004, fl. e fr., D. C. Carraça et al. 31 (RB). Amostra estéril, coletada pelo PMA na Reserva, está registrada na base de dados sob os números: Indivíduos MO- 13, MO-296, PB5-107. Distribui-se desde o sul do México, América Central, Venezuela, Colômbia, Guianas, Equador, Peru, Bolívia e Brasil, nos estados de Roraima, Acre, Amazonas, Amapá, Bahia, Rio de Janeiro e São Paulo. É freqüente na Reserva e conhecida como “pixirica e “pixiricão”, sendo os frutos maduros muito procurados pela fauna local. Coletada com flores em janeiro, fevereiro, abril e outubro, com frutos de janeiro a abril, julho, agosto e outubro. Sinônimos e ilustrações em Baumgratz (1982) e, segundo este autor, também é conhecida popularmente como “mundururu , dourada c “pixirica-da-grande”. 23 - Miconia staminea (Desr.) DC., Prodr. 3:. 1828. Fig. 1 2 f-g Arbustos 1,3-3 m alt.; indumento dos ramos, folhas, inflorescências e hipanto furfuráceo-estrelado, tricomas cedo caducos, pseudo-estípulas interpeciolares ausentes. Folhas com pecíolo 1 ,3-3,4 cm compr.; lâmina 6-18,5 x 3, 2-8,7 cm, verde discolor, cartácea a subcoriácea, elíptica a ovada, base arredondada a subcordada, às vezes obtusa, ápice acuminado a obtuso, margem ondulada a crenulada para o ápice; 5 nervuras acródromas, as mais internas 1-10 mm suprabasais; domácias marsupi formes, sem membranas. Tirsóides 7,5-20 cm compr., terminais, ramos não escorpióides; brácteas e Rodriguésia 57 (3): 591-646. 2006 625 profilos côncavos a naviculares, caducos. Flores 5-meras; cálice caduco; pétalas 7-9 mm compr., nitidamente com papilas longas; estames 8-10 mm compr., subisomórficos, subiguais a desiguais em tamanho, anteras amarelas, linear-subuladas, curvas, poro terminal e terminal-ventral, conectivo não prolongado, apêndice constituído por um calcar dorsal e dois lobos latero-ventrais, unidos entre si formando uma bainha, lobos com tricomas glandulares; ovário 3-locular, glabro. Bacáceos vinosos a nigrescentes, polispérmicos; sementes obovadas a obtriangulares. Material selecionado: mata do rio Pau Preto, 27.XI.1995, fl. e fr., C. M. Vieira et al. 751 (RB). Amostras estéreis, coletadas pelo PMA na Reserva, estão registradas na base de dados sob os números: Indivíduos MO- 127, MO- 128, MO-226, MO-248, MO-303, MO- 362, MO-393, MO-484, MO-494, MO-535, P- 75, P-57, P-88. Ocorre no Paraguai e Brasil, nos estados de Mato Grosso, Bahia, da Região Sudeste e Santa Catarina. Na Reserva é conhecida como “pixirica”, tendo flores que exalam um suave odor adocicado. Coletada com flores em janeiro, fevereiro e agosto a novembro; com frutos em janeiro, fevereiro, julho e novembro. Espécie muito semelhante a M. jucunda (DC.) Triana, que foi distinta por Cogniaux (1883-88), principalmente, pelas folhas lanceolado-oblongas, com 3-5 nervuras acródromas, pétalas oblongo-lanceoladas, ápice um tanto agudo e anteras menores desprovidas de calcar dorsal. Wurdack ( 1 962) ressalta que esta espécie, com estames levemente dimórficos, é quase indistinta de M. staminea e que não examinou o único espécime estudado por Cogniaux (1883-88), coletado em Santa Catarina por Moricand. Miconia jucunda, incluindo suas variedades, pode ter lâmina foliar com margem inteira a ondulado-denticulada ou repanda (Cogniaux 1883-88, Wurdack 1962, Goldcnberg 2004), enquanto em M. staminea pode variar de inteira (Cogniaux 1883-88) ou ondulada a SciELO/JBRJ 12 13 14 15 16 17 cm .. 626 crenulada, como observado nos exemplares da Reserva. Quanto ao apêndice do conectivo, Wurdack (1962) descreve as anteras menores de M. jucunda var. olfersiana (Cham.) Cogn. com um lobo dorsal e dois ventrais, contrapondo-se ao descrito por Cogniaux (1883-88) para este táxon, pois não registrou a presença de calcar na antera. Comparando-se o comprimento das pétalas das duas espécies, com base também nas informações desses três autores, há nítida sobreposição de valores, que variam de 7 a 15 mm. Em relação ao indumento, analisando-se coleções do Herbário RB de M. jucunda, provenientes dos estados de Minas Gerais ( E . P Heringer 616, 1655), São Paulo (A. Frazão 10790, 10791; C. Porto 352; Luederwaldt 77) e Paraná (G Hatschbah 18150), e de M. staminea, para o Paraguai ( E . Zardini et V. Velázquez 18049; E. Zardini et I Tilleria 33404), não se observam diferenças quali- quantitativas que distinguem essas espécies entre si, além de ser muito semelhante ao indumento observado nos espécimes da Reserva. Desse modo, não se concorda com a afirmação de Goldenberg (2004) de que o indumento de espécimes coletados no Rio de Janeiro diferem em relação ao dos exemplares por ele analisados. Provavelmente, essas duas espécies e suas variedades devam ser sinonimizadas. 24 - Miconia vauthieri Naudin var. saldanhaei Cogn., Fl. bras. 14(4): 362. 1887, citado como “ valtherir . Fig. 12 h-j Arvores ca. 6 m alt. ; indumento moderado a esparsamente pubescente, tricomas inconspícuos, adpressos, subclavados, encobertos pelos tricomas estrelados, e estrelado-furfiiráceo, esparso na face adaxial da lâmina foliar, denso nos ramos, pecíolos, inflorescências e nas nervuras acródromas da face abaxial da lâmina foliar, tricomas sésseis e pedicelados, caducos ou persistentes; pseudo-estípulas interpeciolares ausentes. Folhas com pecíolo 1 ,3-1,8 cm compr.; lâmina Baumgratz. J. F. A. et al. 1 0,5— 1 2,5 x 4,8—7 cm, verde discolor, às vezes até concolores, indumento revestindo parcialmente a superfície epidérmica entre as nervuras, elíptica a estreito-ovada, base aguda a obtusa, ápice agudo ou acuminado, margem inteira a ondulada; 3 nervuras acródromas basais. Tirsos 10—15 cm compr., terminais, oblongos, ramos curto-escorpióides; brácteas e profílos caducos, às vezes tardiamente. Flores 5-meras; cálice persistente, lacínia externa ausente; estames subisomórflcos, com anteras levemente curvas, poro terminal- ventral, conectivo nitidamente prolongado, apêndices bilobados, lobos latero-ventrais, ou também trilobados pela presença de um calcar dorsal; ovário 3-locular, glabro, estilete glabro, dilatado no ápice. Bacídios nigrescentes, polispérmicos; sementes obtriangulares. Material examinado: estrada Juturnaíba, 12.1.1993, fl., A. Piratininga et al. 6 (RB). Material adicional: Rio de Janeiro: Petrópolis, s.d., fl., J. Saldanha 5113 (RB, isótipo de M. vauthieri var. saldanhaei); Idem, 1946, fl. e fr„ O. C. Goes 100 (RB). Endêmica do Brasil, ocorrendo em Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo, Paraná e Santa Catarina. Na Reserva é uma espécie muito ocasional. O epíteto valtherii foi criado de modo equivocado por Naudin (1850), baseando-se em material coletado por Vauthier. Kuntze (1891), ao propor várias alterações nomenclaturais, trata o gênero Miconia como sinônimo de Acinodendron Kuntze (= Acinodendrum L.), fazendo a correção do nome desta espécie para A. vauthieri. Desse modo, aceita-se essa correção, porém sob o gênero Miconia, como M. vauthieri. Distingue-se, principalmente, pelas folhas pubescentes e estrelado-furfuráceas, cujos tricomas caem muito cedo, tomando- as praticamente glabras, exceto pelas nervuras acródromas na face abaxial. Em folhas de espécimes jovens, os tricomas simples são bem evidentes na lâmina e destacam-se mais do que os estrelados. Essas características são observadas também no Rodriguésia 57 (3): 591-646. 2006 SciELO/JBRJ .2 13 14 15 16 17 Melaslomataceae na Rebio de Poço das Antas 627 CT,mS;t HÜL ri ISÜcogn, h. ramo ílonfao; i. detalho do indamen.o n, to .talai d. lâmina foliar, j. estame ( Piratininga 6). Rodriguésia 57 (3): 591-646. 2006 cm .. 628 isótipo dessa variedade ( J . Saldanha 5113) e em O. C. Goes 100 (RB) e mostram-se bem discrepantes da variedade típica. Esta possui as nervuras acródromas glabras ou quase glabras nas folhas adultas e tricomas estrelados nitidamente pedicelados ou, segundo Martins et al. ( 1 996) e Goldenberg (2004), do tipo estrelado-dendrítico. As dimensões das folhas e a densidade do indumento nas bractéolas, conforme assinalado por Cogniaux (1883-88), mostram-se inconsistentes para distinguir a variedade saldanhaei da típica. A análise de outros exemplares-tipo será necessária para se avaliar uma melhor circunscrição desses táxons, inclusive a possibilidade da variedade saldanhaei corresponder a uma espécie distinta. 25 - Miconia sp. Arvoreta ca. 4 m alt.; indumento dos ramos, pecíolos, inflorescências, brácteas e hipanto densa a esparsamente tomentoso- dendrítico e furfuráceo-estrelado, tricomas caducos ou persistentes; ramos apicais nodosos; pseudo-estípulas interpeciolares ausentes. Folhas com pecíolo 1-3 cm compr.; lâmina 9,5-15 x 3,5-5 cm, verde subconcolor, subcartácea, ovada, às vezes elíptica, base obtusa a arredondado-cuneada, nunca decorrente, ápice agudo-atenuado ou obtuso, margem inteira a ondulada, ambas as faces esparsamente furfuráceo-estreladas, glabrescentes; 5 nervuras acródromas basais, as marginais confluentes à margem na base; domácias ausentes. Tirsóides 6,5-11 cm compr., terminais, ramos não escorpióides; brácteas e profilos caducos. Flores 5-meras; cálice circuncisamente caduco; estames dimórfícos, subiguais em tamanho, anteras linear-oblongas, poro terminal, diminuto, não se assemelhando a rima; conectivo prolongado, antepétalos com apêndice trilobado, um dentículo dorsal e dois lobos latero-ventrais, ante-sépalos com apêndice bilobado, lobos latero-ventrais; ovário 5-locular, pubérulo- glanduloso, estilete glabro. Bacáceo, polispérmico; sementes obtriangulares. Baumgratz, J. F. A. et al. Material examinado: trilha atrás do prédio da Educação Ambiental, 17.10.1994, fl. e fr., D. S. Farias et al. 317 (RB). E rara na Reserva, ocorrendo em mata alterada, com flores com corola alva e cálice verde. Frutos pequenos, semi-cilíndricos, rajados longitudinalmente de verde-claro e verde-escuro. O aspecto das folhas faz lembrar M. prasina e M. staminea. Ossaea DC., Prodr. 3: 168. 1828. Arbustos ou subarbustos, pilosos, inclusive diminutos tricomas glandulares. Folhas do mesmo nó isófílas e.ou anisófilas, não translúcidas quando secas. Inflorescências geralmente reduzidas a metabotrióides, botrióides, dicásios ou díades, nunca fasciculadas, axilares, em nós folhosos e áfilos; brácteas e profilos persistentes. Botões florais agudos a acuminados. Flores 5-meras; zona do disco setulosa; cálice persistente, lacínias bilobadas; pétalas alvas, ápice agudo a acuminado; estames isomórficos ou subisomórficos, filetes alvos, anteras amarelas, oblongas a lanceoladas, poro diminuto, terminal-dorsal, conectivo não prologado abaixo das tecas, inapendiculado ou apêndices dorsais inconspícuos; ovário parcialmente infero, 3-locular, setuloso. Bacídios polispérmicos; sementes geralmente, obtriangualres, nunca aladas. 26 - Ossaea amygdaloides (DC.) Triana, Trans. Linn. Soc. Bot. 28(1): 147. 1871. Fig. 13 a-g Subarbustos a arbustos 0,7—1 m de altura, pouco ramificados. Indumento dos ramos, pecíolos e inflorescências moderada a densamente setuloso e furfuráceo-estrelado. Folhas às vezes pêndulas; pecíolo 0, 3-0,5 cm; lâmina 7—12,5 * 2—2,5 cm, membranácea, estreito-elíptica a estrito-lanceolada, base arredondada a obtusa, ápice atenuado- acuminado, margem inconspícuo-crenulada, ciliolada, face adaxial esparsamente pubescente-setulosa, face abaxial moderadamente setoso-setulosa e furfuráceo- Rodriguésia 57 (3): 591-646. 2006 SciELO/JBRJ 2 13 14 15 16 17 18 Melastomataceae na Rebio de Poço das Antas estrelada; 3-5 nervuras acródromas, as mais internas 1-2 mm suprabasais. Flores com lacínias internas do cálice ( 1 -) 1 ,5-2 mm compr. Material selecionado: estrada Jutumaíba, 8.X.2004, fl., D. C. Carraça et al. 26 (RB). Material adicional: Rio de Janeiro: Teresópolis, 2.II.1948, fr.,N. L. Cmzs.n. (RB 62440). Endêmica do Brasil, ocorrendo nos estados das Regiões Sudeste e Sul (Souza 2002). Na Reserva é facilmente reconhecida pelas folhas estreitamente elípticas a lanceoladas, seu padrão morfológico mais comum (Souza 1998) e pelo indumento geralmente avermelhado a vinoso nos pecíolos e inflorescências. Em alguns espécimes, pode- se observar a presença de raízes adventícias, um indício de estratégia de propagação vegetativa. Coletada com flores em outubro. Sinônimos em Souza (2002) e ilustrações em Souza (1998). 27 - Ossaea confertiflora (DC.) Triana, Trans. Linn. Soc. Bot. 28(1): 147. 1871. Fig. 13 h-n Subarbustos a arbustos 0,8-1, 5 m alt. Indumento dos ramos, pecíolos e inflorescências moderada a densamente setuloso e furfuráceo-estrelado. Folhas com pecíolo 2,5— 4,5 cm; lâmina 9—16,5 x 3, 4-6, 5 cm, papirácea, ovada, base arredondada a obtusa, ápice acuminado, margem nitidamente crenulado-ciliolada, face adaxial moderadamente adpresso- setulosa, face abaxial setoso-vilosa e furfuráceo-estrelado; 5 ( 7) nervuras acródromas, as mais internas 5-10 mm suprabasais. Flores com lacínias internas do cálice 0,5-1 mm compr. Material selecionado: estrada Jutumaíba, 17.XI.1994, fl. e fr„ C Luchiari et al. 553 (RB). Ocorre nos estados do Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná e Santa Catarina, desde o nível do mar até ca. 1.150 m de altitude (Souza 1998). Na Reserva mostra-se mais freqüente que O. amygdaloides, com os indivíduos mais expostos ao sol apresentando Rodriguésia 57 (3): 591-646. 2006 629 coloração vinosa do indumento mais acentuada do que os de locais sombreados. Em alguns espécimes também se observam raízes adventícias em porções basais de ramos subprostrados, indicando uma adaptação à propagação vegetativa. Diferencia-se da espécie anterior, principalmente, pelas lâminas foliares mais largas (3, 4-6,5 cm), ovadas a largamente ovadas, com margem nitidamente crenulada, e lacínias internas do cálice menores em comprimento (0,5-1 mm). Coletada com flores em outubro e novembro; frutos em novembro. Sinônimos em Souza (2002) e ilustrações em Souza (1998). Rhynchanthera DC., Prodr. 3: 106. 1828, nom. cons. Arbustos a subarbustos. Ramos tetragonais. Tirsóides ou cimas bíparas, terminais, frondobracteosos. Flores 5-meras; cálice persistente, lacínias unilobadas; pétalas lilases a purpúreas, obovadas, ciliolado-glandulosas; estames férteis, filetes lilases a purpúreos, ante-sépalos, alternados com estaminódios antepétalos, alvos; anteras amarelas, rostradas, tecas lisas, poro ventral, conectivo lilás, prolongado abaixo das tecas, apêndice ventral; ovário parcialmente livre no interior do hipanto. Cápsulas loculicidas, polispérmicas; sementes ovado-oblongas, aladas, foveolado-reticuladas. 28 - Rhynchanthera dichotoma (Dcsr.) DC., Prodr. 3: 107. 1828. Fig. 14 Arbustos a subarbustos 0,5-1, 2 m alt.; indumento dos ramos, folhas e inflorescências moderada a densamente setuloso e esparsamente diminuto-glanduloso e setuloso-glanduloso. Folhas com pccíolo 1-3 cm; lâmina 4,5-8 * 3-4,5 cm, papirácea, ovada, base cordada, apice acuminado, margem serrado-ciliolada; 5—7 nervuras acródromas basais. Brácteas foliáceas e profilos persistentes. Flores com 5 estames férteis, isomórfícos, de dois tamanhos; 5 estaminódios; ovário 5-locular, glabro. SciELO/JBRJ1 2 13 14 15 16 17 lí cm .. Baumgratz. J. F. A. et al. n Figura 13 - Ossaea amygdaloides (DC.) Triana: a. ramo florífero; b. detalhes do ramo: indumento e gema floral axilar- c margem foliar: detalhe do indumento na face adaxial; d. botão floral em antese; e. detalhe das lacínias interna e externa do cálice; f. pétala; g. bacídio (Carraça 26). Ossaea confertiflora (DC.) Triana: h. ramo florífero- i detalhes do ramo' indumento e gemas florais axilares; j. margem foliar: detalhe do indumento na face adaxial; k. botão floral- 1 detalhe das lacínias interna e externa do cálice; m. pétala; n. bacídio (Luchiari 55 3). ’ ' Rodriguêsia 57 (3): 591-646. 2006 SciELO/ JBRJ .2 13 14 15 16 17 cm Melastomataceae na Rebio de Poço das Antas F,s„„ ,4-^c^W^DC,, am adaxial e abaxial. respectivamente; d. flor; e. pétala; f- Qyân*0 evidenciando os lóeulos; j. adnação parcial ao hipanto, prolongamento apical e estilete, i. secção transversal u cápsula loculicida; k. semente ( Braga 2717). Rodriguésia 57 (3): 591-646. 2006 SciELO/ JBRJ .2 13 14 15 16 17 632 Baumgratz. J. F. A. et ai. cm 1 Material selecionado: estrada Juturnaíba, 24.VIII.2004, fl. e fr., D. C. Carraça et al. 17A-B (RB). Material adicional: Rio de Janeiro: Itaipu, 13.VIII.1971, fl. e fr., D. Sucre 7796 (RB). Espécie de ampla distribuição, ocorrendo na Venezuela, Guiana Francesa, Guyana, Peru e Brasil, nos estados do Acre, Amazonas, Goiás, Bahia, da Região Sudeste e Santa Catarina. Na Reserva é pouco freqüente e encontrada somente em áreas periódica ou permanentemente alagadas, em locais abertos e ensolarados e, às vezes, junto a comunidade de Tabebuia cassinoides DC. (Bignoniaceae). Coletada com flores e frutos em agosto. A ocorrência dessa espécie em ambientes degradados e alagados também foi observada por Martins (1991) no estado de São Paulo. Suas flores exalam um suave perfume adocicado. Tibouchina Aubl.,Pl. Guia. 1:445. 1775. Arvores, arbustos ou subarbustos; ramos subcilíndricos a tetragonais, às vezes alados ou subalados. Inflorescências terminais; brácteas e profilos caducos ou persistentes. Flores 5-meras; lacínias do cálice unilobadas, caducas ou persistentes; pétalas obovadas, cilioladas; pétalas lilases a purpúreas ou roxas; estames dimórficos ou subisomórficos, purpúreos ou roxos, todos férteis, 5 maiores ante-sépalos, 5 menores antepétalos, falciformes, conectivo prolongado abaixo das tecas, apêndice ventral, glabro ou piloso; estaminódios ausentes; ovário parcialmente adnato ao hipanto por meio de septos, livre para o ápice, 5-locular. Velatídios ou ruptídios, polispérmicos; sementes cocleares, não aladas, granuladas. Todas as espécies na Reserva são conhecidas popularmente como “quaresmeiras”. 29 - Tibouchina arbórea (Gardner) Cogn. in Mart. & Eichler, Fl. bras. 14(3): 299, t. 67. 1885. Fig. 15 Árvores ca. 7 m alt.; indumento dos ramos, folhas e inflorescências esparsa a moderadamente estriguloso-dendrítico, tricomas adpressos; ramos subcilíndricos, nunca alados. Folhas com pecíolo 1—2 cm compr.; lâmina 6,5-11,5 x 2, 5-4,9 cm, membranácea a papirácea, elíptica, às vezes ovada, base obtusa, às vezes arredondada, ápice acuminado, margem inconspícuo- ondulada, ciliolado-estrigulosa, tricomas adpressos, 5 nervuras acródromas basais. Tríades, cimóides ou tirsóides de tríades, 2,5- 8 cm compr.; brácteas e profilos 14-15x8-9 mm, cuculados. Flores com hipanto 8-10 mm compr., densamente estriguloso-dentrítico; lacínias do cálice 9—10 mm compr., caducas; estames dimórficos, de 2 tamanhos, filetes pubescente-glandulosos, apêndices bituberculados, pubescente-glandulosos, nos ante-sépalos anteras 12—13 mm compr., conectivo ca. 0,8 mm prolongado, nos antepétalos anteras ca. 1 1 mm compr., conectivo ca. 0,5 mm prolongado; ovário moderadamente setoso; estilete 22-27 mm compr., densamente setoso-farpado quase até o ápice. Velatídios. Material selecionado: estrada Juturnaíba, 1 7 X1. 1 994, fl. e fr., C. Luchiari et al. 554 (RB). Material adicional: Rio de Janeiro: Petrópolis, XI.1928, fr., A. C. Brade s.n. (RB 21545). Endêmica do Brasil, ocorrendo em Minas Gerais, Espírito Santo e Rio de Janeiro. Espécie freqüente na Reserva, tendo sido coletada com flores em outubro e novembro; frutos em novembro e dezembro. A face adaxial da lâmina foliar possui tricomas estriguloso-dendríticos geralmente curtos, com a porção basal espessada e adpressa à superfície epidérmica e a porção apical mais ascendente e apiculada. Nesses tricomas, as ramificações são muito delicadas e facilmente danificadas, conforme observado também em material diafanizado (Abbas 2003). As brácteas são muito cedo caducas e morfologicamente muito semelhantes aos profilos e como estes persistem por mais tempo no botão floral, sugerem que as inflorescências são destituídas de brácteas. As flores exalam um suave perfume. Rodriguèsia 57 (3): 591-646. 2006 SciELO/JBRJ 12 13 14 15 16 17 Melastomataceae na Rebio de Poço das Antas 633 cm "™ 15 - Tibouchina arbbna (Gariner) CoSn ^ Ln’," ípS !o"'h doorfró,' evidenciando i. estilete; j. velatídio jovem (Luchiari 554). Rodriguésia 57 (3): 591-646. 2006 SciELO/JBRJ 12 13 14 15 16 17 cm .. 634 30 - Tibouchina estrellensis (Raddi) Cogn. in Mart. & Eichler, Fl. bras. 14(3): 342, t. 81. 1885. Fig. 16a-g Árvores 15-25 m alt.; indumento dos ramos, pecíolos e inflorcscências esparsa a densamente furfuráceo, estrigoso a estriguloso e hispídulo, tricomas dendríticos; ramos tetragonais, subalados a alados, decorticantes na maturidade. Folhas com pecíolo 0,9-2, 4 cm compr.; lâmina (6,5-)8- 16,5 x 1, 6-6,5 cm, papirácea a cartácea, ovada ou elíptica, base obtusa a arredondado- cuneada, ápice agudo, às vezes obtuso, margem obscuro-ondulada, ciliado-adpressa, às vezes revoluta, face adaxial bulada, moderadamente estrigosa, tricomas com espessamento na base, pluriramificado, adnato à epiderme, face abaxial foveolada, densamente setuloso-dendrítica e sobre as nervuras acródromas hispídulo-dendrítica, tricomas adpressos; 5 nervuras acródromas, as mais internas 2-4 mm suprabasais, as marginais divergindo suprabasalmente das mais internas. Tirsóides 1 6-20,7 cm compr., frondobracteosos; brácteas não-foliáceas 8- 15 mm compr., côncavas, cedo caducas; profilos 5-10 mm compr., côncavos, caducos. Flores com hipanto 7-9 mm compr., densamente estriguloso-dendrítico; lacínias do cálice 5-14 mm compr., caducas; estames dimórficos, de 2 tamanhos, filetes 1/2— 2/3- superior viloso-glandulosos, cabeça glandular caduca, anteras antessépalas 12-13 mm compr., ante-pétalas 11,5-12 mm compr., conectivo 1-1, 5mm prolongado nos ante- sépalos, ca. 1 mm nos antepétalos, apêndice bilobado, glabro; ovário seríceo; estilete ca. 20 mm compr., setoso. Velatídios. Material selecionado: estrada Juturnaíba, 5.IV.2001, fl. e fr., S. J. Silva Neto et al 1428 (RB). Amostras estéreis, coletadas pelo PMA na Reserva, estão registradas na base de dados sob os números: Indivíduos FA-130, FA- 140, FA-141, FA-154, FA-158, FA-161, FA- 165, FA-170, FA-177, P1A-4, P1B-52, P1C- 85, P1C-106, P1C-109, P1D-123, P1D-125, Baumgratz, J. F. A. et al. P 1 D-l 36, P2A- 1 57, P2A-1 63, P2A-1 65, P2 A- 175, P2A-186, P2A-188. Endêmica do Brasil, ocorrendo nos estados da Região Sudeste. Na Reserva foi coletada com flores e frutos em fevereiro, abril e maio. Na face abaxial da lâmina foliar podem ocorrer, raramente, domácias marsupi formes, com ou sem membrana. Em relação aos tricomas das folhas, conforme observado também em material diafanizado (Abbas 2003), nota-se que na face adaxial os estrigosos possuem um nítido espessamento pluriramificado na base conado à superfície epidérmica, constituído de longas ramificações. Na face abaxial, os tricomas setuloso- dendríticos têm delicadas ramificações ao longo de seu comprimento, porém mais adensadas para a base, com a extremidade do eixo principal destacando-se como um longo apículo. Ainda nesta face, sobre as nervuras acródromas, ocorrem tricomas hispídulo-dendríticos, geralmente bifurcados na base, com hastes horizontais opostas e desiguais em tamanho (tricomas bi-armados, segundo a classificação de Metacalfe & Chalk 1965), e diminutas ramificações. Guimarães (1997) propõe a sinonimização de T scrobiculata Cogn. a T. estrellensis , uma vez que a presença ou não de ramos alados assinalada por Cogniaux (1883-88) para distingui-las entre si mostra-se inconsistente, pois os ramos variam de subalados a alados. 31 - Tibouchina gracilis (Bonpl.) Cogn. in Mart. & Eichler, Fl. bras. 14(3): 386. 1885. Fig. 17 Subarbustos 0,4-0,7 m alt. ; caule simples, não ramificado; indumento dos ramos, e pecíolos hirto, tricomas patentes a adpressos, e das inflorescências hirtelo-adpresso. Folhas com pecíolo 0,2-0,7 cm compr.; lâmina (3- x 2,1 cm, cartácea, lanceolada a oblonga, base arredondada, às vezes aguda, ápice obtuso a agudo, margem crenulado- ciliada, face adaxial moderadamente setuloso- serícea, tricomas com espessamento na base, Rodriguésia 57 (3): 591-646. 2006 SciELO/JBRJ L2 13 14 15 16 17 Melastomataceae na Rebio de Poço das Antas 635 Tâ^Tnl faces adaxial e abaxial vamentc; m. estame ante-pétalo; n. estame antessépalo; o. estilete; p. rupt.d.o; q. semente (Sdva Neto 1438). Rodriguésia 57 (3): 591-646. 2006 SciELO/JBRJ 12 13 14 15 16 17 cm .. 636 longo, único ou bifurcado, adnato à epiderme, face abaxial moderadamente setoso-serícea e, nas nervuras acródromas, hirta, tricomas patentes; 5 nervuras acródromas basais ou até 4 mm suprabasais. Tirsóides de dicásios ou díades, 16-36 cm compr., frondobracteosos, apenas com ramificações primárias. Flores com hipanto 4-6 mm compr., densamente seríceo-adpresso; lacínias do cálice 4-6 mm compr., persistentes; estames isomórficos, de 2 tamanhos, filetes glabros, apêndices dos conectivos bilobados, glabros, nos ante-sépalos anteras 4,5-5 mm compr., conectivo 0,3-0, 4 mm prolongado, nos antepétalos anteras 3,5- 4 mm compr., conectivo 0,1-0, 2 mm prolongado; ovário seríceo, estilete 12-17 mm compr., glabro. Velatídios. Material selecionado: estrada do Pau Preto, 24.VIII.2004, fl. e fr., D. C. Carraça et al. 18A-H (RB). Espécie de ampla distribuição, ocorrendo na Venezuela, Guiana, Colombia, Peru, Bolívia, Brasil, Paraguai, Uruguai e Argentina. No território brasileiro é encontrada em Goiás, Maranhão, Mato Grosso, Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo e nos estados da Região Sul. Na Reserva é uma espécie de rara ocorrência e, até o momento, localizada apenas em área campestre degradada, próxima ao rio Pau Preto, tendo sido coletada com flores em janeiro e agosto e com frutos em agosto. Com base nos comentários de Wurdack (1962) e Souza (1988), essa espécie é morfologicamente muito plástica, tomando as numerosas variedades descritas por Cogniaux (1883-88) inconsistentes. Sinônimos e ilustrações em Souza (1988). 32 - Tibouchina granulosa (Desr.) Cogn. in Mart. & Eichler, Fl. bras. 14(3): 340. 1885. Fig. 18 Arvores 4-9 m alt.; indumento dos ramos, pecíolos e inflorescências esparsa a densamente fürfuráceo, estrigoso a estriguloso e hispídulo, tricomas dendríticos; ramos tetragonais, alados, decorticantes na maturidade. Folhas com pecíolo 0,4-2,3 cm Baumgratz. J. F. A. et al. compr.; lâmina (6,5-)8-19 * 2, 5-4,6 cm, cartácea, elíptica a ovada, base aguda a arredondado-cuneada, ápice agudo, às vezes obtuso, margem obscuro-ondulada, ciliado- adpressa, às vezes revoluta, face adaxial plana, estrigulosa a estrigosa, tricomas adpressos, freqüentemente com espessamento na base, 1—4 ramificado, adnato à epiderme, face abaxial plana, densamente setuloso-dendrítica, sobre as nervuras acródromas hispídulo-dendrítica, tricomas adpressos; 5 nervuras acródromas, as mais internas 4—10 mm suprabasais, as marginais divergindo suprabasalmente das mais internas. Tirsóides 13—25,2 cm compr., frondo-bracteosos; brácteas não-foliáceas 9- 15 x 4-8 mm, côncavas, profilos ca. 6 mm compr., côncavos. Flores com hipanto 8-1 1 mm compr., indumento do hipanto densamente estriguloso-dendrítico; lacínias do cálice 6-10 mm compr., caducas; pétalas 28- 30 mm compr.; estames dimórficos, de 2 tamanhos, filetes 1/2— 2/3-superior viloso- glandulosos, cabeça glandular caduca, anteras antessépalas 13—14 mm compr., ante- pétalas 9-11 mm compr., conectivo ca. 1 mm prolongado nos ante-sépalos, ca. 0,7 mm nos antepétalos, apêndice bilobado, glabro; ovário densamente seríceo; estilete 23-25 mm, 1/ 2-inferior setoso. Velatídios. Material selecionado: estrada para Jutumaíba, 5.IV.2001, fl. e fr., 5. J. Silva Neto et al. 1437 (RB). Endêmica do Brasil. Segundo Guimarães (1997), ocorre quase que exclusivamente no estado do Rio de Janeiro, com apenas uma única coleta em São Paulo, próxima a divisa entre esses dois estados, e que a única coleta de Claussen, numa localidade em Minas Gerais, é duvidosa. Espécie freqüente na Reserva, tendo sido coletada com flores em fevereiro e abril e com frutos em fevereiro, abril, outubro e novembro. É muito afim de T estrellensis, que se disntingue, principalmente, pela superfície bulada na face adaxial e foveolada na abaxial. Em relação aos tricomas da lâmina foliar, conforme observado também em material diafanizado (Abbas 2003), estes Rodriguésia 57 (3): 591-646. 2006 SciELO/JBRJ L2 13 14 15 16 17 cm Melastomataceae na Rebio de Poço das Antas 637 Figura 17- Tibouchina gracilis (Bonpl.)Cogn.: a. ramo flori fero; e abaxial, respectivamente; d. flor; e. par de profilos, hipanto e estilete; i. velatídio; j. semente ( Carraça 18A-H). b-c. detalhe do indumento da lâmina foliar: faces adaxial cálice; f. estame antessépalo; g. estame ante-pétalo; h. Rodriguésia 57 (3): 591-646. 2006 SciELO/JBRJ 12 13 14 15 16 17 638 Baumgratz, J. F. A. et a!. Figura 18 - Tibouchina granulosa (Desr.) Cogn.: a. ramo florífero; b-c. brácteas; d pétala- e estame ante ' 1 f estame ante-pétalo, g. secção longitudinal do ovário evidenciando adnação parcial ao hipanto e o prolongamento aS h secção transversal do ovário, evidenciando adnação ao hipanto por meio de septos, formando cavidades (cl m.e o ápice das anteras na prefloração, e os lóculos (1); i. estilete; j. velatídio; k. semente (Sylvestre 999) 4 J Rodriguésia 57 (3): 591-646. 2i 006 SciELO/JBRJ 12 13 14 15 16 17 Melas tomalaceae na Rebio de Poço das Antas são morfologicamente semelhantes aos encontrados em T estrellensis, porém, na face adaxial, os tricomas estrigulosos ou estrigosos diferem nitidamente por apresentarem espessamento 1— ■ 4-ramificado na base e conado à superfície epidérmica. Já na face abaxial, os tricomas setuloso-dendríticos e hispídulo-dendríticos são semelhantes ao desta espécie, sem qualquer característica morfológica distintiva. 33 - Tibouchina heteromalla (D.Don) Cogn. in Mart. & Eichler, Fl. bras. 14(3): 336. 1885. Fig. 16h-q Arbustos ca. 1 ,5 m alt.; caule nitidamente ramificado; indumento dos ramos, pecíolos e inflorescências hispídulo-seríceo; ramos tetragonais. Folhas com pecíolo 1, 7-2,8 cm compr.; lâmina 8-13 * 3-5,4 cm, cartácea, ovada a elíptica, base arredondada a cordada, às vezes obtusa, ápice agudo a arredondado, margem crenulado-ciliolada, face adaxial bulada, densamente seríceo-setulosa, tricomas adpressos, face abaxial foveolado-reticulada, densamente viloso-serícea, nervuras acródromas hispídulo-seríceas e esparso vilosas; 5 nervuras acródromas basais. Tirsóides 25-27 cm compr.; brácteas 3-4 mm compr., levemente côncavas, cedo caducas; profilos 3,8-4, 2 mm compr., cuculados, cedo caducos. Fores com hipanto 4—5,5 mm compr., seríceo-adpresso; lacínias do cálice 4—4,2 mm compr., caducas; pétalas 16—19,5 mm compr, estames dimórficos, de 2 tamanhos, filetes pubescentes-glandulosos, concetivo com prolongamento glanduloso, apêndice inconspícuo-bilobulado, nos ante-sépalos anteras 6—6,5 mm, conectivo prolongado 1 1 ,2 mm, apêndice glanduloso, nos antepétalos anteras 4,5-5 mm, conectivo 0,7-1 mm prolongado, apêndice glabro; ovário serícco, estilete 7-8 mm, setuloso. Ruptídios. Material examinado: estrada Juturnaíba, 5.1 V.200 1 , fl., S. J. Silva Neto et al. 1 438 (RB). Material adicional: Rio de Janeiro: Rio de Janeiro, IX. 1946, fr., L. G Laboriau et al. 281 (RB). Rodriguésia 57 (3): 591-646. 2006 639 Endêmica do Brasil, ocorrendo em Goiás, Ceará, Paraíba, Pernambuco, Alagoas, Sergipe, Bahia e nos estados da Região Sudeste. Sua documentação como espécie nativa na área mostra-se duvidosa. Distingue- se, principalmente, pelo aspecto sedoso e brilhante da lâmina foliar e pelos frutos do tipo ruptídio, em que o hipanto rompe-se com a maturação, para a liberação das sementes (Baumgratz 1985, 2004; Abbas 2003). De acordo com Guimarães (1997), em virtude da acentuada plasticidade fenotípica nessa espécie, principalmente em relação à forma e dimensões da lâmina foliar, vários táxons similares foram descritos como Tibouchina granel if alia Cogn. e T multijlora Cogn., mas que deverão ser sinonimizados. 34 - Tibouchina trichopoda (DC.) Baill., Adansonia 12: 75. 1879. Fig. 19 Arbustos 1-1,5 m alt. ou arvoretas até ca. 3 m alt.; caule nitidamente ramificado; indumento dos ramos, pecíolos e inflorescências esparsa ou moderadamente hirto-adpresso; ramos tetragonais, costados, não alados. Folhas com pecíolo 0,2-0, 6 cm compr.; lâmina 2, 9-5, 6 x 1,2-4 cm, papirácea a cartácea, elíptica, às vezes oblonga, base obtusa a arredondada, ápice agudo, margem levemente crenulada, ciliada, face adaxial moderadamente estrigulosa, tricomas adpressos, com espessamento na base, curto, único ou bifurcado, adnato à epiderme, abaxial moderadamente serícca, nervuras acródromas moderadamente hirto-adpressas, tricomas nunca dcndríticos; 3-5 nervuras acródromas basais. Tríades ou metabotrióides corimbi formes, 3,5-6 cm compr.; brácteas 12- 1 4 mm compr., profilos 5-9 mm compr., ambos involucrais, côncavos, caducos. Flores com hipanto 4-5 mm compr., densamente estriguloso; lacínias do cálice 2,5— 3,5 mm compr., caducas; pétalas 20-25 mm compr., estames dimórficos, 2 tamanhos, filetes esparsamente pubescente-glandulosos para a base, conectivos com prolongamento glabro, apêndices bilobulados, glabros, nos ante- SciELO/JBRJ 12 13 14 15 16 17 640 Baumgratz. J. F. A. et al. sépalos anteras ca. 13 mm compr., conectivo ca. 3,5 mm prolongado, nos antepétalos anteras ca. 9 mm compr., conectivo ca. 0,8 mm prolongado; ovário densamente seríceo; estilete ca. 10 mm compr., glabro. Velatídios. Material selecionado: estrada Juturnaíba, 14.11.2003, fl. e fr., B. A. Abbas et al. 85 (RB). Endêmica do Brasil, ocorrendo na Bahia, Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo e nos estados da Região Sul. Na Reserva foi coletada com flores em fevereiro e abril e com frutos em fevereiro, abril, outubro e novembro. Na face adaxial da lâmina foliar, observa- se que os tricomas estrigulosos possuem um espessamento na porção basal, conado à epiderme, do qual partem ramificações em direção ao tecido subepidérmico, as quais só podem ser observadas em material diafanizado (Abbas 2003). Na face abaxial, nota-se que os tricomas seríceos também se ramificam na camada subepidérmica, com as ramificações constituídas de células muito espessadas, sugerindo corresponderem à esclereídes. Essas características anatômicas sugerem que essas estruturas sejam emergências, porém estudos ontogenéticos devem ser desenvolvidos a fim de confirmar suas origens. A afinidade entre I trichopoda e T multiceps (Naud.) Cogn. foi comentada por Wurdack (1962) e Souza (1988), principalmente pela similaridade morfológica de estruturas florais e vegetativas, sendo que T. multiceps diferiria pela presença de tricomas glandulares nas inflorescências, brácteas, hipanto e cálice e ápice do ovário. Os espécimes ocorrentes na Reserva não possuem tricomas glandulares nestas estruturas e tanto Cogniaux (1883-88), para T. trichopoda e T. trichopoda var. tibouchinoides (DC.) Cogn., quanto Wurdack (1962), para esta variedade, descrevem esses táxons como desprovido destes tricomas. Entretanto, este último assinala que, pelo menos, esta variedade tem filetes esparsamente setuloso-glandulosos na base, conforme descrito por Candolle (1828) para o basiônimo (Lasiandra tibouchinoides DC.). Souza (1988) reconhece uma variação na quantidade de tricomas glandulares nesse complexo taxonômico e sinonimiza T multiceps a T. trichopoda. 35 - Tibouchina urceolaris (DC.) Cogn. in Mart. & Eichler, Fl. bras. 14(3): 355. 1885. Fig. 20 Arbusto 1—2 m alt.; caule nitidamente ramificado; indumento dos ramos e inflorescências moderada a densamente setul oso-dendrí tico, dos pecíolos e face abaxial da lâmina foliar seríceo-dentrítico; ramos costado-subalados. Folhas com pecíolo 0,4- 1,3 cm; lâmina 4—5 x 1 ,3—2,5 cm, cartácea, ovada a oblonga, base cordada a subcordada, ápice agudo, margem crcnulado-ciliolada, face adaxial densamente seríceo-setulosa; 5( — 7) nervuras acródromas basais, as marginais divergindo suprabasalmente das mais internas. Tirsóides 16—28 cm compr., ramos helicoidais; brácteas 4-5 mm compr. Flores com hipanto 7-9 mm compr., seríceo-adpresso; lacínias do cálice 2,5— 3 mm compr., caducas; estames subisomórficos, de 2 tamanhos, filetes glabros e/ou pubescente- glandulosos para a base, conectivo com prolongamento glabro, apêndice bilobado, glabro, nos ante-sépalos anteras 12-14 mm compr., conectivo ca. 1,5 mm prolongado, nos antepétalos anteras 11 — 12 mm compr., conectivo ca. 1 mm prolongado; ovário seríceo, ás vezes também com tricomas glandulares; estilete 24—25 mm compr., pubescente- glanduloso na extremidade basal. Ruptídio. Material examinado: estrada Juturnaíba, 1 1-1*1 996< fl- e fr., C. Luchiari et al. 709 (RB). Material adicional: Rio de Janeiro: Rio de Janeiro, 16.V1.1969, fl. e fr., D. Sucre et al 5339 (RB). Endêmica do Brasil, ocorrendo desde a Bahia até o Rio de Janeiro, particularmente pela faixa litorânea (Guimarães 1997). Na Reserva é um arbusto de rara ocorrência, tendo sido encontrado apenas em um só local, na margem da principal estrada na área. Rodriguésia 57 (3): 591-646. 2006 cm l !SciELO/JBRJ 12 13 14 15 16 17 Melastomataceae na Rebio de Poço das Antas 641 Figura 19 - Tibouchina trichopoda (DC.) Baill.: a. ramo florífero; b-c. detalhes da lamina foliar. face i adma^ e abax.a respectivamente; d. bráctea; e. pétala; f. estame antessépalo; g. estame ante-petalo; h. vista parcial do hipanto e ca ce, secção longitudinal do ovário evidenciando adnaçâo parcial ao hipanto e estilete; .. secção evidenciando adnaçâo ao hipanto por meio de septos, formando cavidades (c) que alojam o ápice das anteras na prefl ç . e os lóculos (1); j. velatídio (Abbas 85). Rodriguésia 57 (3): 591-646. 2006 SciELO/ JBRJ 12 13 14 15 16 17 642 Baumgratz. J. F. A. et al. Figura 20 - Tibouchina urceolaris (DC.) Cogn.: a. ramo florífero; b-c. detalhes da lâmina foliar: faces adaxial e abaxial respectivamente; d. bráctea; e. profilo, hipanto e cálice; f. estame antessépalo; g. estame ante-pétalo; h. cápsula rompente evidenciando o rompimento lateral do hipanto (Luchiari 709). Lista de Coleções O número entre parêntesis corresponde ao número sequencial de cada táxon tratado no texto. Abbas, B.A.: 78 ( 1 1 ), 79 (2), 80 ( 1 9), 8 1 (22), 82 (32), 83 (30), 84 (15), 85 (34); Albuquerque, S.Z.: 1 (22); Barreto, S.: 1, 10 (13), 25 (20); Baumgratz, J.F.A.: 870 (23), 872(21), 873 (9), 874 (21), 876 (1); Brade, A.C.: 19743 (3), RB 21545 (29); Braga, J.M.A.: 1228 (3), 1870 (8), 2691 (4), 2717 (28); Campos, J.M.: 14(12, FLOR); Carauta, J.P.P.: 2312 (23), 2650 (14); Carraça, D.C.; 1 (7), 2 (15), 3 (2), 4 (4), 5 (2), 6 (5); 7 (22), 8 (7), 9 (7), 1 0 (7), 1 1 (7), 1 2 (7), 1 3 (8), 1 4 (22), 15 (2), 16 (14), 17A-B (28), 18A-H (31), 19 (1); 20 (23), 21 (2), 22 (2), 23 (2), 24 (34), 25 (26), 26 (27), 27 (16), 28 (20), 29 (4), 30 (27), 31 (22), 32 (19), 33 (16), 34 (27), 35 (7), 36 ( 1 4); Correia, C.M.B.; 333 (19), 336 ( 1 3), 343 (11), 351 (19), 353 (7), 360 (16), 361 (19), 364 ( 1 4), 375 ( 1 3), 38 1 (2), 394 (8), 395 ( 1 0), 400 ( 1 9); Cruz, N.L.; RB 62440 (26); Farias, D.S.: 103(13), 138(19), 197 (18), 219 (7), 275 (14), 282 (7), 298 ( 1 3), 3 1 7 (25), 3 1 8 (22), 3 1 9 (23), 357 (14); Góes, O.C.: 100 (24); Falkenberg! D.: 5764 (12, FLOR); Farag, P.R.; 97 (20); Goldenberg, R.: 1 10(21, UEC), 1 1 2 (2 1 , UEC); Guedes. R.: RB 252337 (2 1 ), RB 252338 (21)! Laboriau, L.G: 281 (33); Lima, M.P.M.: 252 (13); Lima, H.C.: 4415 (13), 4416 (19), 4452 ( 1 9), 4453 (2), 4454 ( 1 4), 4460 ( 1 9), 4490 (13), 4493 (8), 4509 (32), 45 1 4 (7), 46 1 9 ( 1 3). 4620 ( 1 3), 4627 (32); 463 1 ( 1 ), 4653 (11), 4654 ( 1 9), 4658 (7), 4665 (7); 467 1(13), 4767 (22), 4773 ( 1 8), 4776 ( 1 0), 487 1 (2), 4876 ( 1 8), 4905 (10), 4906 (14), 4908 (19), 4910 (16), 4912 (19), 49 1 3 (2), 49 1 4 ( 1 1 ), 49 1 5 (22), 4936 (2), 4984 Rodriguésia 57 (3): 591-646. 2006 SciELO/JBRJ L2 13 14 15 16 17 cm Melastomataceae na Rebio de Poço das Antas (23), 5035 (14), 6375 (6); Lira Neto, J.A.: 711 (2), 716 (23); Luchiari, C.: 38 (29), 52 (32), 55 (14), 59 (10), 106 (13), 114 (13), 119 (13), 159 (9), 165 (19), 171 (29), 206 (13), 276 (32), 303 (30), 318 (11), 382 (7), 386 (7), 412 (30), 438 (2), 461 (22), 463 ( 1 1 ), 546 (9), 548 (8), 549 ( 1 9), 55 1 ( 1 8), 552 ( 1 5), 553 (27), 554 (29), 556 (13), 557 (2), 558 (16), 559 (5), 560 (2), 561 (16), 562 (2), 563 (2); 564 (14), 565 (14), 566 (14), 567 (7), 570 (21), 571 (14), 572 (12), 573 (23), 601 (6), 610 (16), 611 (23), 665 (20), 689 (22), 707 (16), 709 (35), 715 (9), 722 (18); Martinelli, G.: 2893 (7), 8437 (7), 8441 (14), 8841 (23), 8842 (12); Moreira, C.B.: 2(17); Peres, C.: 50 (7); Pereira, E.: 380 (17); Peron, M.: 973 (23); Pessoa, S.V.A.: 684 (22) , 688 (23), 689 (5), 690 (2), 719 (11), 720 (23), 728 (20), 754 (22), 759 (32), 817 (23) , 1 052 (5), 1 053 ( 1 9), 1 054 (9), 1 055 ( 1 6), 1057 (7), 1058 (22), 1059 (19), RB 410774 (2), RB 410775 (2), RB 410776 (2), RB 4 1 0777 (2), RB 4 1 0778 (2), RB 410779 (32), RB 410780 (32), RB 410781 (30), RB 410789 (30), RB 411092 (19), RB 411110 (22), RB 41 1 1 1 1 (22), RB 41 1 1 12 (22), RB 411113 (22), RB 4 1 1 1 33 (23), RB 4 1 1 1 62 (2), RB 411163 (2), RB 411168 (2), RB 41 1268 (5), RB 411269 (5), RB 411270 (5), RB 411271 (5), RB 41 1272 (5), RB 41 1273 (5), RB 411274 (2), RB 411275 (5), RB 411276 (19), RB 411441 (11), 411760 (11); Pmder, L.: RB 272841 (14); Piratininga, A.: 6 (24), 17 (1), 27 (13), 28 (13), 35 (23), 67 (30), 68 (13), RB 333910 (13), RB 411105 (13), RB 411106 (13), RB 411107 (13), RB 411108 (13), RB 41 1 109(13), RB 41 1442 (30); Reitz, R.: 14887 (12, FLOR, HBR); Saldanha, J.: 5113 (24); Schwacke, C.H.W.: 17147 (3); Silva Neto, J.S.: 1428(30), 1429(10), 1430 (5), 1431 (15), 1432(4), 1433(9), 1434(2), 1435 (14), 1436 (22), 1437 (32), 1438 (33), 1 439 (32); Sucre, D.: 5339 (35), 5644 ( 1 ), 7796 (28); Sylvestre, L.S.: 994 (19), 996 (17), 999 (32), RB 333911 (30); Vieira, C.M.: 497 (31), 500 (5), 5 1 0 (23), 537 (23), 540 ( 1 9), 54 1 (30), 544 ( 1 9), 75 1 (23 ), 92 1 (22), 922 ( 1 1 ). 643 Agradecimentos Aos curadores dos herbários citados, pelos empréstimos concedidos e envio de fotografias. Aos Drs. Daniel de Barcellos Falkenberg (UFSC/CCB) e Rejan R. Guedes-Bruni (JBRJ) e à Profa. Ms. Solange de Vasconcelos A. Pessoa (JBRJ), pelas sugestões e fornecimento de dados sobre algumas espécies. Ao Dr. Jefferson Prado (IBT/SP), pelos esclarecimentos na interpretação de dados nomenclaturais. As Dras. Aldaléa Sprada Tavares (UFSC/CCB) e Maria das Graças Gonçalves Vieira (INPA), pelo auxílio na obtenção de bibliografia. Ao IBAMA e ao Responsável pela Reserva Biológica de Poço das Antas, pela licença de coleta concedida e apoio às atividades de campo. Ao Programa Mata Atlântica (PMA/ JBRJ), pelo apoio e auxílios técnico c financeiro durante o desenvolvimento desse estudo. Às ilustradoras Cristina S. Ferreira, Maria Alice Rezende e Parecis Morato, pela elaboração dos desenhos e pranchas. Ao CNPq, pelas bolsas concedidas ao primeiro, terceiro e quarto autores. Referências bibliográficas Abbas, B. A. 2003. As tribos Microlicieae Naudin e Tibouchineae Baill. 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(Smilacaceae in the Biological Reserve of Poço das Antas, Rio de Janeiro, Brazil) The taxonomic study of the Smilacaceae occurring in the Biological Reserve of Poço das Antas was developed based on herbar.um material of Research Institute Rio de Janeiro Botanical Garden and comprises identification key, descriptions, eeographic distribution of the taxa and comments. For this Reserve nine taxa were analysed, some with fe w collections from the State of Rio de Janeiro such as Smilax japicanga Griseb. and 5. stenophylla A.DC. In general the taxa occur in this area are found in low-hill forest or lowland forest. Key words: Smilax, taxonomy, flora. Introdução Smilacaceae está constituída, segundo alguns autores, por dois ou três gêneros com distribuição predominante em regiões tropicais, mais raramente nas temperadas. Ripogonum e Heterosmilax contém cerca de seis e onze espécies respectivamente, o primeiro centrado na Austrália, Nova Zelândia e Nova Guiné e o segundo no sudeste da Ásia. Smilax é o maior gênero com aproximadamente 300 espécies e o único gênero representado no Brasil, sendo de amplo uso na medicina popular desde a mais remota antiguidade. Para o Brasil estão assinaladas trinta e uma espécies que habitam todas as formações vegetais, principalmente, as florestais (Andreata 1997). O presente estudo tem por objetivo apresentar um tratamento taxonomico para Smilacaceae na Reserva, fornecer uma chave para identificação das espécies e comentários sobre cada uma delas. Material e Métodos O material utilizado neste estudo foi obtido de coletas em diversas áreas da Reserva, realizadas pela equipe do Projeto Mata Atlântica. As coleções botânicas encontram-se depositadas no herbário do Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro (RB). A chave para identificação das espécies foi construída, principalmente, com base em caracteres vegetativos visto ser a maioria da coleção analisada representada por exemplares neste estado. Além do material examinado foi incluído material adicional de outras localidades quando flores e trutos estavam ausentes na amostragem da Reserva Biológica de Poço das Antas (REBIO). Os dados de habitat e distribuição geográfica foram obtidos de literatura especializada c de informações contidas nas etiquetas de espécimes examinados. Artigo recebido em 04/2005. Aceito para publicação em 01A.006. Amhientais Laboratório dc Angiospermas/ nDçc„,e * Universidade San,, ür* Lf“ í Bolsista do CNPq. Rua Fernando Faram, 75, Botafogo, , SciELO/ JBRJ, L2 13 14 15 16 17 cm 648 Resultados e Discussão Smilacaceae Ventenat, Tab. Reg. Veg. 2:146.1799. Liana, raramente subarbusto ou arbusto, em plantas dióicas, com sistema subterrâneo do tipo rizóforo; caule e ramos aculeados às vezes inermes. Folhas simples, alternas, coriáceas a membranáceas; bainha bilabiada; pecíolo articulado, com um par de gavinhas ou estas ausentes; lâmina com nervuras principais 3-7, venação menor reticulada. Inflorescência axilar em cimas umbeliformes. Flores diclinas, actinomorfas; tépalas 6, em dois verticilos, semelhantes ou diferentes entre si, livres. Flor masculina com 6 estames livres, anteras bitecas, rimosas, basifixas, apiculadas ou não. Flor feminina com ovário supero, 3-carpelar, 3-locular, óvulos 1-2 por lóculo, estiletes 3, Andreata, R. H. P. estigmas 3, estaminódios 3—6. Fruto baga; sementes 1—6, embrião reto, lineares, pequenos, endosperma presente. Smilax é o maior gênero sendo considerado o mais importante da família, distribui-se, principalmente, nas regiões tropicais de ambos os hemisférios, englobando quase toda a faixa de ocorrência da família. É o único gênero representado no Brasil com 3 1 espécies sendo, algumas ainda pouco representadas nas coleções como S. japecanga Griseb., S. stenophylla A.DC. e S. remotinervis Hand.-Mazz. A Reserva Biológica de Poço das Antas conta com nove espécies a saber: S. elastica, S. fluminensis, S. japicanga, S. quinquenervia, S. remotinervis, S. rufescens, S. spicata, S. stamina e S. stenophylla. Chave para identificação das espécies 1. Caule e ramos alados 7. 5. spicata 1’. Caule e ramos não alados. 2. Ramos com catafilos incluídos no profilo. 3. Lâminas adultas ovado-lanceoladas, lanceoladas raro elípticas; Io par de nervura lateral quase da mesma espessura que a mediana; tépalas eretas; fruto piriforme 4. S. quinquenervia 3’. Lâminas adultas cordadas; Io par de nervura lateral mais delgado que a mediana; tépalas reflexas; fruto globoso 2. 5. fluminensis 2\ Ramos sem catafílos incluídos no profilo. 4. Caule profusamente muricado 3 £ japjcanga 4’. Caule áspero ou liso. 5. Lâminas elástico-coriáceas j $ elastica 5’. Lâminas membranáceas, papiráceas, cartáceas, rígidas ou coriáceas 6. Lâminas concolores, verde-acinzentadas quando secas, margem involuta 5. S. remotinervis 6’. Lâminas discolores, esverdeadas ou ferrugíneas quando secas, margem plana. 7. Caule e ramos ásperos ao tato; lâminas com ápice agudo ou acuminado. 8. Caule delicado, anguloso; lâminas membranáceas, esverdeadas quando secas, com a nervura mediana alva 9. g stenophylla 8’. Caule robusto, cilíndrico; lâminas coriáceas, ferrugíneas quando secas, com a nervura mediana castanha 5 g rufescens 7. Caule e ramos lisos; lâminas com ápice acuminado 8. S. staminea SciELO/JBRJ 12 Rodriguésia SI (3): 647-657. 2006 13 14 15 16 17 Smilacaceae da Rebio Poço das Antas. RJ 649 1. Stttilax elastica Griseb. in Mart. & Eichler, Fl. bras. 3(1): 22. 1842. Fig. la Liana; caule cilíndrico, liso, estriado, não alado, acúleos raros nos entrenós; ramos cilíndricos, lisos, não alados, sem catafilos incluídos no profilo. Folhas com bainha e pecíolo sem ou com raros aculeos; lâmina em geral elástico-coriácea, de coloração parda quando seca, opaca, 4-13 x 1-7 cm elíptica, oblonga raro ovada, ápice agudo ou obtuso, com curto apículo, base aguda, arredondada ou subcordada, margem plana, raro com acúleos; nervuras 5, 3 principais conspícuas, a mediana mais espessa que as laterais e 2 inconspícuas, venação inconspícua na face adaxial e proeminente na abaxial. Flores esverdeadas; botões florais elípticos ou ovóides; tépalas dos 2 verticilos diferentes entre si, reflexas; as externas na flor masculina obovais ou elípticas, na flor feminina ovadas, cuculadas no ápice; as internas lineares ou elípticas, levemente papilosas no ápice. Flor masculina com anteras oblongas, apiculadas, menores que os filetes. Flor feminina com 6 estaminódios, filiformes, de tamanhos semelhantes, não atingindo a metade do comprimento do ovário. Baga globosa, verde, passando de arroxeada a preta; sementes avermelhadas. Habitat e distribuição geográfica: distribui- se desde o nordeste e centro-oeste até as Regiões Sudeste e Sul, exceto o Rio Grande do Sul. Ocorre em formações florestais como a floresta atlântica, floresta mesófila, matas de restinga e de galeria ou em formações abertas no cerrado, campo rupestre, campo de altitude e áreas perturbadas (Andreata 1997). Material examinado: crescendo a margem da estrada Areal (brejo), 7.VIII.1981, fl., E. Guimarães et al. 1251 (RB); mata de alagado próxima à Represa Jutumaíba, 5.X1.1982, fl., G Martinelli & H. C. Lima 8828 (RB); mata do Rio Preto, 6.VII.1995, veg., S. V. A. Pessoa et al. 789 (RB); área entre a BR-101 e rio Pau Preto, área próxima a parcela 2 da área em frente a mata remanescente, 15.VI.1994, veg., S. V. A. Pessoa et al. 716 (RB); área Rodriguésia 57 (3): 647-657. 2006 entre a BR-101 e rio Pau Preto, 14.VI.1994, fl. , S. V. A. Pessoa et al. 710 (RB); área entre a BR-101 e rio Pau Preto, 12.1.1994, fl., C. M. Vieira et al. 507 (RB). Material adicional: RIO DE JANEIRO: Nova Friburgo, Morro da Cruz, atrás do Colégio Anchieta, 31. VII. 1986, fl. fem. e fr., V. L. G. Klein et al. 284 (RB). A espécie ocorre na REBIO na floresta de baixada sendo bem representada na área, com variação morfológica especialmente no comprimento da folha. Foi coletada apenas com flores masculinas, sendo as femininas e frutos descritos do material adicional depositado na coleção do RB. O exemplar S.V.A. Pessoa et al. 716 é o único que apresenta as folhas com acúleos na bainha, pecíolo e na margem da lâmina. 2. Smilax fluntinensis Steud., Nomencl. bot. 2:598.1841. Fig. 3c-d Liana; caule robusto, cilíndrico, liso, estriado, não alado, aculeos 2 a 5 localizados nos nós, robustos, eretos ou curvos; ramos cilíndricos, não alados, 1-3 catafilos incluídos no profilo. Folhas com bainha e pecíolo sem acúleos; lâmina coriácea, de coloração esverdeada quando seca, 11,5-16 x 7-9 cm, quando jovem ovada ou elíptica, quando adulta cordada, ápice acuminado, base cordada ou arredondada, margem plana; nervuras 5-7, 5 principais conspícuas e 2 inconspícuas, Io par de nervura lateral mais delgado que a mediana, venação proeminente nas duas faces, quando seca. Flores alvo-esverdeadas ou esverdeadas; botões florais elípticos ou ovóides; tépalas dos dois verticilos diferentes entre si, reflexas; as externas oblongas ou ovais, papilosas no ápice ou logo abaixo, as internas, na flor masculina lanceoladas, na flor feminina oblongas ou lineares, papilosas no ápice. Flor masculina com anteras lineares, de mesmo comprimento ou maiores que os filetes. Flor feminina com 6 estaminódios, filiformes, de tamanhos semelhantes, ultrapassando a metade do comprimento do ovário, papilosos nos ápices e nas margens. Baga globosa, verde cm l ISciELO/ JBRJ 12 13 14 15 16 17 cm 650 passando de alaranjada a preta; sementes alaranjadas. Habitat e distribuição geográfica: distribui- se nas Regiões Norte, Nordeste, Centro-oeste e Sudeste, na floresta amazônica, floresta atlântica, floresta mesófila, mata ciliar, cerrado, campo rupestre, pantanal e áreas perturbadas. Além do Brasil há registro da espécie para a Bolívia, Paraguai e Argentina (Andreata 1997). Material examinado: estrada para Jutumaíba, próximo a entrada para parcela 1, 11.1.1994, veg., M. P. M. Lima et al. 257 (RB); sem localização específica, 9.VII.1994, veg., T. S. Pereira s.n. (RB). Material adicional: RIO DE JANEIRO: Rio de Janeiro, Jardim Botânico do Rio de Janeiro, 23.IX.1925, fl. masc., J. G. Kuhlmann s.n. (RB 19216); ibidem, 1.X1I.2004, fr„ M.G. Bovini 2461 (RB); SÃO PAULO: Limeira, orla da mata da Sociedade das Quintas da Flora Brasílica, 10.X.1946, fl. fem., M. Kuhlmann 3493 (SP). A espécie ocorre na REBIO na floresta de baixada, coletada somente em estado vegetativo, sendo suas flores e frutos descritos de material adicional. 3. Smilax japicanga Griseb. in Mart. & Eichler, Fl. bras. 3 (1): 6. 1842. Fig. 3a-b. Liana; caules cilíndrico, profusamente muricado na base, não alado, acúleos na base maiores, ca. 10 mm, intercalados com outros menores, 1-3 mm, os quais diminuem em direção ao ápice; ramos cilíndricos, não alados, lisos, catafilos não incluídos no profilo. Folhas com bainha e pecíolo sem acúleos; lâmina papirácea, de coloração esverdeada quando seca, 8,5-17,5 x 1,5-6 cm, ovada, ápice acuminado, com longo apículo, base arredondada, aguda ou obtusa, margem plana; nervuras 5, 3 principais conspícuas até o terço médio, depois atenuando-se em direção ao ápice, sendo a mediana alva e 2 inconspícuas, venação proeminente na face abaxial. Flores castanho-claras; botões florais masculinos oblongos; tépalas dos 2 verticilos diferentes entre si, as externas, elípticas, cuculadas no Andreata, R. H. P. ápice, as internas lineares. Flor masculina com anteras elípticas, maiores que os filetes. Botões florais e flores femininas não observados. Baga imatura verde. Habitat e distribuição geográfica: distribui- se em Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo. Habita a floresta atlântica na mata de baixada e de encosta, entre 50 até 1 .280 m de altitude e na floresta mesófila (Andreata 1 997). Material examinado: estrada para Jutumaíba, trilha a 1 km do portão da REBIO à direita, 25.11.1994, veg., A. Piratininga et al. 51 (RB); Jutumaíba, trilha “Rodolpho Norte”, caminho para a Pelonha, 18.VII1.1995, fr„ J. M. A. Braga et al. 2744 (RB, RUSU); trilha para a Pelonha, entrada em frente a trilha Morro Calcário, 30. VIII. 1 994, veg., S. J. Silva Neto et al. s.n. (RB 307591); picada para Pelonha, trilha à esquerda da Io área da fitossociologia, 7.VIII.1994, veg., S. J. Silva Neto s.n. (RB). Material adicional: SÃO PAULO: Bom Sucesso de Itararé, VIII. 1995, fl. masc., V C. Souza et al. 8888 (ESA, SP); RIO DE JANEIRO: Santa Maria Madalena, Pedra Dubois, 25.VI.1987, est., R. Andreata et al 812 (RB). A espécie ocorre na REBIO na floresta de baixada e mais, ocasionalmente, na floresta de morrote sendo representada nas coleções da área por poucos exemplares. Suas flores masculinas são conhecidas pelo material coletado por V.C. Souza et al. 8888 o qual foi o primeiro registro para São Paulo (Andreata, 2002) e, as flores femininas e os frutos maduros são ainda desconhecidos. Deve-se destacar que o caule é sempre muricado, porém, os ramos são inteiramente lisos. O exemplar da Reserva coletado por J.M.A. Braga et al. 2744, com frutos imaturos, foi designado de epítipo em Andreata ( 1 997). 4. Smilax quinquenervia Vell., Fl. Flumin. 10: pl. 108. 1831; in Archos. Mus. Nac. Rio de Janeiro 5: 423. 1881. Fig. lb-c Liana; caule cilíndrico, liso, estriado, não alado, acúleos robustos, localizados nos nós; ramos cilíndricos, lisos, não alados, catafilos Rodriguêsia 57 (3): 647-657. 2006 SciELO/JBRJ, L2 13 14 15 16 17 Smilacaceae da Rebio Poço das Antas.RJ 651 incluídos no prof.lo; Smilax remotinervis Hand-Mzz. - d. ramo tlonfero. (a Klein d Araújo 6646) Rodriguésia 57 (3): 647-657. 2006 12 13 14 15 16 17 652 Andreata, R. H. P. incluídos no profilo. Folhas com bainha sem acúleos, pecíolo canaliculado, sem acúleos; lâmina de coloração escurecida quando seca, coriácea, 7-20 * 1,5-8 cm, ovado-lanceolada, lanceolada, raro elíptica, ápice agudo ou atenuado, com apículo, base arredondada ou aguda, margem plana; nervuras 5, 3 principais conspícuas e 2 inconspícuas, Io par de nervura lateral quase da mesma espessura que a mediana até o ápice, venação proeminente em ambas as faces, quando seca. Flores esverdeadas passando a pretas depois de secas; botões florais masculinos elípticos, femininos ovóides. Flor masculina com tépalas diferentes entre si, eretas, as externas oblongas ou ovais, cuculadas, as internas lanceoladas, levemente cuculadas; com anteras lineares, de mesmo comprimento dos filetes. Flor feminina com tépalas semelhantes entre si, eretas, oblongas, as externas densamente papilosas no ápice, as internas moderadamente papilosas; 6 estaminódios, oblongos ou ovais, raro filiformes, de tamanhos semelhantes, não atingindo a metade do comprimento do ovário. Baga piri forme, verde passando a amarelada; sementes avermelhadas. Habitat e distribuição geográfica: distribui- se na Bahia, Mato Grosso e nos estados das Região Sudeste e Sul. Além do Brasil há registro para o Perú. Habita preferencialmente as florestas atlântica, de tabuleiro, de restinga, de galeria, sendo ocasional no pantanal. Ocorre em altitudes que variam de 50 a 1700 m s.m. (Andreata 1997). Material examinado: ilha dos Barbados, 11. IV. 1995, fr., H. C. Lima et al. 5025 (RB); trilha para a fazenda Portuense, próximo a entrada do cajueiro, 29.XI.1992, veg., H. C. Lima 4572 (RB); área entre a BR-101 e rio Pau-Preto, 14.VI.1994, fl., S. V. A. Pessoa et al. 713 (RB); ibidem, 14.VI.1994, veg., 5. V A. Pessoa et al. 712 (RB); trilha do Morro do Calcário, 04.III.1993, veg., S. VA. Pessoa etal. 656 (RB); margens do rio São João, entre BR- 101 e a ponte da linha férrea, 30.XI.1992, fr., M. Perón et al. 9999 (RB); ibidem, estrada para Jutumaíba, entre o portão e a trilha Morro do Calcário, 12.1.1993, fl. masc., H. C. Lima et al. 4592 (RB); estrada para Jutumaíba, antes do entroncamento para o Aristides, 27.XI. 1 992, ve8-í H. C. Lima et al. 4524 (RB); estrada do areal, à margem do brejo, 7.VIII.1981, fr, E. Guimarães et al. 1288 (RB); parcela 7B, 6-VIII. 1 985, ff, L. Pinder s.n. (RB 250933); parcela 7A, 23.IX.1985, veg., L. Pinder s.n. (RB 250935), parcela 7B, 25.VII.1985, veg., L. Pinder s.n. (RB 250934). Material adicional: RIO DE JANEIRO: Rio de Janeiro, Jardim Botânico do Rio de Janeiro (cult.), 16.1.1952, fl. fem., J. G Kuhlmann s.n. (RB 78323). A espécie na REBIO ocorre na floresta de baixada e de morrotes sendo a mais bem representada na área, embora as flores femininas não tenham sido coletadas e por isso descritas de material adicional. É caracteri- zada, principalmente, pelos catafilos incluídos no profilo e pela nervação. 5. Smilax remotinervis Hand.-Mazz., Akad. Wiss. Wien, Math.- Naturwiss. Kl., Denkschr 79(1 ):22. 1908. Fig . ld Liana, caule cilíndrico, liso, não alado, estriado, às vezes com acúleos esparsos, localizados nos entrenós sobre as estrias; ramos cilíndricos, lisos às vezes verrucosos, não alados, sem catafilos incluídos no profilo. Folhas com bainha sem acúleos; pecíolo escurecido quando seco, sem acúleos; lâmina rígida, de coloração verde-acinzentada e concolor quando seca, foscas na face adaxial e na abaxial, 9,5-1 8 * 1 ,5-3,5 cm, lanceolada, ápice agudo, apiculado, base cuneada ou truncada, margem, mvoluta; nervuras 5, 3 principais conspícuas e 2 inconspícuas, Io par de nerv ura lateral mais delgado que a mediana até o ápice, venação proeminente em ambas as faces. Flores vinosas ou esverdeado-vinosas; botões florais masculinos oblongos, femininos ovóides Flor masculina com tépalas diferentes entre si, reflexas, as externas ovadas ou oblongas, cuculadas no ápice, as internas lanceoladas ou meares, papilosas no ápice, com anteras meares, de mesmo comprimento ou menores Rodriguésia 57 (3): 647-657. 2006 SciELO/JBRJ, 13 14 Smilacaceae da Rebio Poço das Antas. RJ 653 Figura 2 - Smilax rufescens Griseb. - a. ramo flonfero; Smilax staminea Griseb. - b. ramo floriTero; Snulax stenophylla A.DC. - c. ramo flonfero. (a Araújo 547; b Duarte 4111; c Konno s.n.. RUSU 5554) Rodriguésia 57 (3): 647-657. 2006 SciELO/JBRJ 12 13 14 15 16 17 cm .. 654 do que os filetes. Flor feminina com tépalas semelhantes entre si, reflexas, oblongas ou lanceoladas, papilosas no ápice, 3 estaminódios, filiformes, de tamanhos semelhantes, não atingindo a metade do comprimento do ovário. Baga coletada somente imatura. Habitat e distribuição geográfica: distribui- se na Bahia, Minas Gerais, Espírito Santo, Rio de Janeiro e São Paulo nas florestas atlântica, mesófila, ripária e de restinga. A repre- sentatividade da espécie para o Brasil ainda carece de uma coleção mais significativa (Andreata 1997). Material examinado: trilha do Cambuí Preto, 7.VII.1994, fl. masc., C. Luchiari et al. 456 (RB); mata a beira da estrada da barragem, s.d., veg., E. Guimarães et al. 1057 (RB). Material adicional: RIO DE JANEIRO: Cabo Frio, 9 km ao N do rio Una, 14.11.1 985, fl. fem., D. Araújo et al. 6646 (RB); ibidem, loteamento Nova Califórnia e Frecheiras, 10 m s.m., 23. VIII. 1972, fr., D. Sucre et al. 5534 (RB). A espécie na REBIO ocorre na floresta de morrotes. As flores femininas e frutos foram descritos do material adicional e ainda não se conhece os fruto maduros. 6. Smilax rufescens Griseb. in Mart. & Eicher., Fl. bras. 3(1): 9. 1842. Fig. 2a Liana; caule robusto, cilíndrico, áspero ao tato, não alado, estriado, acúleos esparsos nos entrenós; ramos angulosos, não alados, ásperos ao tato, sem catafilos incluídos no profilo. Folhas com bainha e pecíolo sem acúleos; lâmina coriácea, de coloração ferrugínea quando seca, 6-13 x 2,5-8 cm, elíptica, ápice agudo, com apículo, base levemente cordada, emarginada ou truncada, margem plana; nervuras 3-5, 3 principais conspícuas e 2 inconspícuas, nervura mediana de coloração castanha, venação proeminente em ambas as face. Flores esverdeadas; botões masculinos elípticos, femininos ovóides. Flor masculina com tépalas semelhantes entre si, reflexas, oblongas, levemente cuculadas no ápice. Andreata, R. H. P. estames com anteras oblongas às vezes apiculadas, de mesmo comprimento dos filetes. Flor feminina com tépalas diferentes entre si, reflexas, as externas ovais, cuculadas no ápice, as internas oblongas, levemente papilosas no ápice, 6 estaminódios, filiformes, de tamanhos semelhantes, não atingindo a metade do comprimento do ovário. Baga globosa, verde passando a arroxeada e preta; sementes avermelhadas. Habitat e distribuição geográfica: distribui- se nas Regiões Norte, Nordeste e Sudeste, nesta última no Espírito Santo, Rio de Janeiro e São Paulo e na Região Sul até Santa Catarina. Habita, principalmente, as formações de restinga sendo pouco freqüente na floresta atlântica e de tabuleiro, no cerradão e em áreas perturbadas (Andreata 1997). Material examinado: aceiro da casa do Projeto Mico-Leão-Dourado, atrás da mata dos Barbados, 7.V1I.1993, fr., H. C. Lima et al. 4764 (RB). Material adicional: RIO DE JANEIRO: Rio de Janeiro, Restinga de Grumari, 20.XI.1973, fl. masc., D. Araújo et al. 547 (RB); SÃO PAULO: Cananéia, Ilha do Cardoso, 16.VII1.1982, fl. fem., M. M. Fiuzza de Melo 423 (SP). A espécie na REBIO ocorre na floresta de baixada e está representada por apenas um exemplar coletado na área. As flores e frutos foram descritos de material adicional. 7. Smilax spicata Vell., Fl. Flumin. 1 0: pl. 1 1 1 . 1831; A.DC. in A.DC. & C.DC., Monoar. phan. 1:155. 1878. Fia 3e-f Liana; caule quadrangular, alado, cujos ângulos se projetam em dentes triangulares agudos, pungentes; ramos quadrangulares, levemente alados, sem acúleos e catafilos incluídos no profilo. Folhas com bainha e pecíolo sem acúleos; lâmina papirácea. de coloração esverdeada quando seca, fosca, 14- 40 x 4-23 cm, ovada ou lanceolada, ápice acuminado, base obtusa, arredondada ou levemente emarginada, margem plana; nervuras 5, 3 principais conspícuas e 2 inconspícuas, Rodriguésia 57 (3): 647-657. 2006 SciELO/ JBRJ .2 13 14 15 16 17 Smilacaceae da Rebio Poço das Antas. RJ 655 Figura 3 - SM*. lapicanga Griseb. - a. ramo .egenuico; b. detalhe do colo muricadoe Steud. ■ c. ramo floríero: d, detalhe dos catalilos incluídos no proflta ;f~'“ V'"' ’ ' ““ C “ do caule alado, (a-b Andnata 812 ; c-d Kuhhnann s.n.. RB 19216. e-f Maninelh ■ 1 Rodriguésia 57 (3): 647-657. 2006 SciELO/JBRJ 12 13 14 15 16 17 cm .. 656 venação proeminente em ambas as faces. Flores vinosas; botões florais masculinos elípticos, femininos ovóides; tépalas dos dois verticilos diferentes entre si, reflexas; as externas oblongas, cuculadas no ápice, as internas lanceoladas, papilosas no ápice. Flor masculina com anteras oblongas, de mesmo comprimento dos filetes. Flor feminina com 6 estaminódios, filiformes, de tamanhos semelhantes, não atingindo a metade do comprimento do ovário. Baga globosa, verde passando a vinosa e preta; sementes avermelhadas. Habitat e distribuição geográfica: odorre nos estados do Espírito Santo, Rio de Janeiro e São Paulo na floresta atlântica, em altitudes entre 200-900 m s.m. (Andreata 1997). Material examinado: sem localização específica, s.d., veg., E. Guimarães et al. 1169 (RB). Material adicional: RIO DE JANEIRO: Teresópolis, Parque Nacional da Serra dos Órgãos, subsede, margem do rio Sorbebo, 3.II.1983, fl. fem., G. Martinelli et al. 9087 (RB); Rio de Janeiro, Pedra da Gávea, 6- 7.II.1971, fl. masc., D. Sucre 7455 (RB); Parati, APA Cairuçu, trilha para o Cruzeiro, 10.VIII.1994, fr., C. Duarte 22 (RB). Na REBIO o único exemplar coletado não fornece informação sobre sua localização, sendo vegetativo e por isso as flores e frutos foram descritos com base em material adicional. Trata-se de uma espécie caracte- rística pelos caules alados e até o momento sua distribuição está restrita a floresta atlântica do sudeste brasileiro. Foi enquadrada como vulnerável para o município do Rio de Janeiro (Andreata 2000) 8. Smilax staminea Griseb. in Mart. & Eichler., Fl. bras. 3(1): 11. 1842. Fig.2b Liana; caule cilíndrico, liso, estriado, não alado, inerme; ramos cilíndricos, lisos, com acúleos nos entrenós, sem catafilos incluídos no profilo. Folhas com bainha e pecíolo sem acúleos; lâmina rígida ou cartácea, de coloração esverdeada ediscolor quando seca, 6-11 x 1,5- 6 cm, elíptica ou ovada, ápice acuminado, base Andreata, R. H. P. obtusa ou atenuada, margem plana, sem acúleos; nervuras 5, 3 principais conspícuas e 2 inconspícuas, venação proeminente em ambas as faces. Flores alvo-esverdeadas; botões florais masculinos oblongos; femininos ovóides ou elípticos. Flor masculina com tépalas diferentes entre si, reflexas, as externas ovais ou lineares, cuculadas no ápice, as internas lineares, papilosas no ápice, estames com anteras oblongas, menores do que os filetes. Flor feminina com tépalas semelhantes entre si, reflexas, oblongas, as internas um pouco mais estreitas, 6 estaminódios, filiformes, de tamanhos semelhantes, atingindo a metade do comprimento do ovário. Baga globosa, verde passando de avermelhada a preta; sementes avermelhadas. Habitat e distribuição geográfica: distribui- se na Bahia, passando pela Região Centro- Oeste até o Sudeste, em Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo, e atingindo até a Região Sul, Paraná e Santa Catarina, nas florestas atlântica, ripária e de restinga. Citada também para a Bolívia (Andreata 1997). Material examinado: estrada para Jutumaíba, próximo a entrada para a parcela 1 (baixada), 1 1 .1.1994, veg., M. P. M. Lima et al. 256 (RB). Material adicional: RIO DE JANEIRO: Nova Friburgo, Lumiar, caminho para a Pedra Riscada, 5.V.1988, fl. fem. e fr., J.F.A Baumgratz et al. 421b (RB); Ri0 de Janeiro. Morro Queimado, 10.III.1952, fl. masc., A. R Duarte 4111 (RB). A espécie na REBIO ocorre na floresta de baixada e apenas um exemplar em estado vegetativo, foi coletado, portanto, as flores e frutos foram descritos com base em material adicional. 9. Smilax stenophylla A.DC. in A.DC. & C. DC., Monogr. phan. 1: 130. 1878. Fig. 2c Liana; caule delicado, cilíndrico, liso, estriado, não alado, acúleos esparsos nos entrenós; ramos angulosos, ásperos ao tato, não alados, sem catafilo incluído no profilo. Folhas com bainha e pecíolo sem acúleos; lâmina membranácea, de coloração esverdeada e Rodriguésia 57 (3): 647-657. 2006 SciELO/JBRJ 12 13 14 15 16 17 Smilacaceae da Rebio Poço das Antas. RJ 657 discolor quando seca 7-14,5 x 1 ,5-4,5 cm, elíptica ou ovado-lanceolada, ápice agudo, com acúmem, base aguda ou arredondada, margem plana, sem acúleo; nervuras 5, 3 principais conspícuas e 2 inconspícuas, nervura mediana mais espessa e alva que as laterais na face abaxial, venação proeminente em ambas as faces. Flores masculinas alvo-esverdeadas; femininas vinosas; botões masculinos elípticos, femininos oblongos ou ovóides; tépalas diferentes entre si, reflexas, as externas na flor masculina ovais, na flor feminina oblongas, cuculadas no ápice, as internas oblongas ou lineares, levemente cuculadas no ápice. Flor masculina com anteras oblongas, do mesmo comprimento ou maiores que os filetes. Flor feminina com 6 estaminódios, 3 maiores e 3 menores, filiformes, não atingindo a metade do comprimento do ovário. Baga globosa, verde passando a vinosa; sementes vinosas. Habitat e distribuição geográfica: distribui- se nos estados de Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo e Paraná nas florestas atlântica e mesófila. Trata-se de uma espécie até o momento com parca representatividade nas coleções brasileiras (Andreata 1997). Material examinado: trilha do Morro do Calcário, 14.III.1995, fl., H. C. Lima et ai 5007 (RB); estrada para Jutumaíba, próximo a entrada para parcela 1, 11.1.1994, veg., M. P. M. Lima et al. 255 (RB). Material adicional: RIO DE JANEIRO: Rio de Janeiro, Serra da Carioca, Botafogo, Morro Mundo Novo, s.d., fl. fem. e fr., T Konno s.n. (RUSU 5554); ibicJem, maciço daTijuca, Serra da Carioca, 22. V. 1992, fl. masc., J. M. A. Braga 68 (RUSU). A espécie na REBIO ocorre na floresta de baixada e de morrote. Agradecimentos A autora agradece a bolsa de produtividade de pesquisa concedida pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Aos curadores dos herbários consultados. À Maria Helena Pinheiro pelas ilustrações. Referências Bibliográficas Andreata, R. H. P. 1997. Revisão das espécies brasileiras do gênero Smilax Linnaeus (Smilacaceae). Pesquisas, Botânica 47: 7-244. . 2000. Smilacaceae. In: Di Maio, F. R. & Silva, M. B. R. (coord.). Espécies ameaçadas de extinção no município do Rio de Janeiro: Flora e Fauna. Secretaria Municipal de Meio Ambiente, Rio de Janeiro, 68p. il. . 2002. Smilacaceae. In: Wanderley, M. G. L.; Shepherd, G. J. & Giulietti, A. M. (coord.). Flora Fanerogâmica do Estado de São Paulo. Vol. 2. FAPESP: HUCITEC, São Paulo, 39 lp. Candolle, A. L. P. P. De. 1878. Smilaceae. In: A. L. P. P. De Candolle & C. P. De Candolle (eds.). Monographiae phanerogamarum. Paris, G. Masson 1: 1-217. Grisebach, A. H. R. 1842. Smilacaceae. In. C. F. P. Martius & A. G. Eichler (eds.). Flora brasiliensis. Monachii Lipsiae, Frid. Fleicher 3(1): 1-24, tab. 1-5. Rodriguésia 57 (3): 647-657. 2006 SciELO/ JBRJ 12 13 14 15 16 17 cm VoCHY'SIACEAE NA RESERVA BlOLÓGICA DE POÇO DAS ANTAS, Silva Jardim, Rio de Janeiro, Brasil Maria Célia Vianna' Resumo * (Vochysiaceae na Reserva Biológica de Poço das Antas. Silva Jardim. Rio de Janeiro. Brasil) E apresentado o estudo da família Vochysiaceae na Reserva Biológica de Poço dos Antas. Sil™ Jardim. Rio de Janeiro. Mo encontradas na área trés espécies: Qualeajundiahy Warm Vochysw b,faka,a Warm. « Sáo apresentados chave de identificação, descrições, tlustrações das espcctes, dados de distribuição geográfica, floração e frutificação. _ . Palavras-chave: Qualea, Vochysia, taxonomia, flora, floresta atlantica. (Vochysiaceae in Biological Reserve of Poço das Antas, Silva Jardim, Rio de Janc.ro, Brazil) A study of the family Vochysiaceae in Biological Reserve of Poço das Antas, Silva Jardim, Rio de Jane.ro, is presen^d. Thre/species are found in the area: Qualea jundiahy Warm., Vochysia bifalcala Warm. and V. gummifera Warm. A key to the taxa and descriptions are provided, as well as informations about their phenology and geographical distribution. The taxa are illustrated as to habit. Key words: Qualea, Vochysia, taxonomy, flora, Atlantic forest. Introdução A família Vochysiaceae abrange seis gêneros e cerca de 200 espécies, neotropicais, com poucos representantes em regiões subtropicais. O único gênero não americano c Erismadelphus , que ocorre na África tropical ocidental. Os cinco gêneros americanos estão bem representados na flora brasileira, tendo seus centros de diversidade situados nas regiões Guiano- Amazônica, Planalto Central brasileiro e na floresta atlântica. A representação da família Vochysiaceae é significativa nos diferentes ecossistemas brasileiros e os seus exemplares tendem a se distribuir em grupos gregários. Material e Métodos As descrições e ilustrações das espécies foram elaboradas com base no material coletado na Reserva e em material adicional de outras localidades depositado nos herbários B, BHMH, BR, CVRD, GUA, HB, HBR, NY, R, RB, RBR, RUSU, UENF, VIC e VIES (acrônimos segundo Holmgren et al. (1990)). Resultados As Vochysiaceae da Reserva Biológica de Poço das Antas estão representadas por árvores, de córtex frequentemente suberoso, rimoso ou verruculoso, ramos opostos, tricomas simples, unicelulares, folhas simples, opostas {Q. jundiahy Warm.) ou verticiladas ( V. bifalcata Warm. e V gummifera Warm.), peninérveas, margens inteiras, com estipulas muito pequenas; as flores estão reunidas em inflorescências tirsóides (compostas por cíncinos), terminais ou axilares, são monóclinas e tctracíclicas; possuem cálice gamossépalo, pcntalaciniado, lacínios desiguais entre si, geralmentc um maior e calcarado, que envolve os ciclos florais internos; a corola de Vochysia possui três pétalas, desiguais entre si, amarelas. Qualea apresenta flores com uma única pétala, inicialmentc alva ou róseo-pálida, passando a amarelada, ornamentada com pontos e linhas escuros ou purpúreos; o androceu das Vochysiaceae é sempre constituído por um único estame fértil, antera bitcca, deiscência rimosa; a presença de estaminódios pequenos c petalóides é comum; o gineceu dos gêneros Qualea e Vochysia é formado por um ovário súpero, trilocular, óvulos anátropos; o fruto é uma cápsula. o recebido em 02/2005. Aceito para publicação em 0 9/-006. PEEMA. Estr. Vista Chinesa. 1999 lário Alberto Castellanos (GUA). Serviço de Ecologia Aplicada - DIV^^EPFEEMA 41 ). Alto da Boa Vista. 20531-110. Rio do Jahoiro, RJ, Btasll. mcjriannidSíteimcom.br SciELO/JBRJ L2 13 14 15 16 17 cm i 660 rimosa em Vochysia e não rimosa em Qualea (Barroso et al. 1 999); as sementes são aladas, no mínimo três por fruto, sem endosperma, testa pilosa; o embrião é reto, homótropo; 2 cotilédones foliáceos. Vianna. M. C. A madeira das espécies de Vochysiaceae de mata atlântica é utilizada de uma maneira geral na confecção de caixas, caixotes, papel, construção civil e naval, carvão e obras internas (Corrêa 1984). Chave para identificação das espécies 1. Folhas opostas. Flor com uma pétala, alva ou rósea-pálida, prefloração convoluta. Ovário t multiovulado por lóculo. Cíncino sub-séssil Qualea jundiahy 1 ’. Folhas verticiladas. Flor com três pétalas desiguais, amarelas, prefloração imbricada. Ovário 2- ovulado por lóculo. Cíncino pedunculado. 2. Ramos adultos e folhas glabrescentes; folhas 3-verticiladas; calcar falcado-curvo 2\ 7“"V Vochysia bifalcata Ramos adultos e face abaxial das folhas jovens pilosos; folhas 4-5-verticiladas; calcar subcurvo Vochysia gummifera 1. Qualea jundiahy Warm., Symb. flor. Bras. Centr. cogn. I. Vidensk Meddel. Dansk Naturhist. Foren. Kjobenh. 1: 31-33, 45 fíg. 5. mi. Fig A Arvore ca. 30 m, tronco cilíndrico, DAP ca. 50 cm, córtex escuro, nos exemplares jovens amarelado, glabro, ritidoma pardo- acinzentado com protuberâncias distribuídas aleatoriamente; lenho palidamente ocráceo- escuro ou esbranquiçado. Râmulos tetragonais. Folhas opostas, geralmente inseridas desordenadamente; pecíolo 4-9 mm compr., escuro, achatado; estipulas ca. 1 mm compr., acuminadas, intrapeciolares, glândulas ca. 1 mm diâm., inseridas extemamente na base do pecíolo; lâmina 7-12 x 2,5^1 cm, oblonga, ápice agudo, base arredondada, margem sub-revoluta, face adaxial nítida a opaca, glabra, face abaxial geralmente com nervuras amarelado-pubescentes; nervação broquidódroma, nervuras secundárias geralmente 13-15 pares, formando ângulos de ca. 70° com a nervura mediana, nervura marginal a 1-1,5 mm da margem. Inflorescência densiflora, piramidal ou cilíndrica, 10-15 cm, ca. 3 cm diâmetro; cíncino sub-séssil, 2-4 flores, zigomorfas, aromáticas; brácteas e bractéolas 0,8— 1,2 cm compr., caducas, oblongas, pubescentes, verdes; pedicelo 0,8- 1,2 (1,5) cm compr., geralmente densamente pubescente; botão floral ca. 1 cm compr.; lacínios do cálice extemamente verdes, intemamente com mancha escura, dois laterais amplo-ovais, subtruncados, 5—8 mm compr., pubescentes; anteriores obovais, ápice arredondado ou truncado e repando; posterior até 1 cm compr.; cálcar ca. 7 mm compr.; pétala única, amplo-obcordada, margem ondulado- crispa, glabra, membranácea, 3-4 x 3^ ctI1) alva ou róseo-pálida, com pontos e linhas purpúreos, passando a amarelada, com pontos escuros, estame 7—8 mm, raro ca. 1 cm compr., glabro, ovário ovóide-globoso, coberto por indumento hirsuto, subseríceo, tricomas cinzento-escuros; estilete 7-9 mm compr. Cápsula ca. 4 x 2 cm, exocarpo bruno- esverdeado, superfície minuciosamente verruculosa, pedúnculo frutífero 0,5-1 cm compr.; semente 3,5 x 1 Cm. Nomes vulgares: jundiaí (RJ), louro-tinga, pau-terra-do-mato (MG), pequi-liso (ES). Distribuição geográfica: Brasil: Espírito Santo, Minas Gerais e Rio de Janeiro. Fenologia: floresce no período de novembro a abril; frutifica de agosto a outubro. Material examinado: margens do rio São João, entre a BR- 1 0 1 e a ponte da linha férrea, 24.1.1994, bt., D. S. Farias et al. 127 (RB). Material adicional examinado: BRASIL. ESPIRITO SANTO: Linhares, Reserva Rodriguésia 57 (3): 659-666. 2006 SciELO/JBRJ 2 13 14 15 16 17 18 Vochysiaceae na Rebio de Poço das Antas 661 (el) e dorsal (e2); f. ovário - corte transversal. Rodriguésia 57 (3): 659-666. 2006 SciELO/JBRJ. 12 13 14 15 16 17 cm .. 662 Florestal, 7.VIII. 1982, fr., I. A. Silva 333 (CVRD, GUA); idem 10.XI.1972, fl,,/. Spada 42 (CVRD, GUA, RB, RBR); Conceição da Barra, Área 135, 15.X.1992, fr., O. J. Pereira et ai 3945 (GUA, VIES); MINAS GERAIS: Poços de Caldas, margem rio das Antas, fazenda Cachoeira, 21. XI. 1940, bt„ fl., H. L. Mello Barreto 10905 (BHMH, GUA). RIO DE JANEIRO: Rio das Ostras, Reserva Biológica União, 3.VIII.2000, fr., J. M. A. Braga et al. 6080 (GUA); Nova Friburgo, Cachoeira, 13.III.1870, bt., A. F M. Glaziou 3956 (GUA, R). Qualea jundiahy ocorre geralmente nas florestas semidecíduas em altitudes superiores a 400 m. Sua ocorrência também é comum nas matas de tabuleiro nos estados do Espírito Santo e do Rio de Janeiro. Na Reserva Biológica de Poço das Antas habita as áreas de baixada, na transição com a mata alagada. Q. jundiahy é facilmente reconhecida por seu porte elegante (ca. 30 m alt.) e pelas vistosas flores zigomorfas, com corola alva ou róseo-pálida, ornamentada por pontos e linhas purpúreos, aromáticas. 2. Vochysia bifalcata Warm. in Mart., Fl. bras. 13 (2): 84. 1875. Fig.2 Árvore 1 5-30 m (-40 m) de altura; tronco reto, DAP ca. 50 cm; córtex espesso, fendido e avermelhado ou liso e pardacento, às vezes escamoso, acinzentado; copa globosa, bem conformada, densa; tronco ereto e cilíndrico. Ramos terminais ca. 3 mm diâm., delgados, roliços. Estipulas rudimentares ou ausentes. Folhas geralmente 3-verticiladas; pecíolo 1-1 ,7 cm compr.; lâmina 8-13 (-15) x 2, 5-3,5 (-4) cm, elíptico-lanceolada a oblongo-lanceolada, cartácea, glabrescente, nítida na face adaxial, base atenuada, ápice agudo ou acuminado, às vezes plicado, margem revoluta; venação foliar broquidódroma, nervuras secundárias ca. 35 pares, formando ângulos de ca. 70° com a nervura mediana, nervura marginal presente, localizada ca. 2 mm da margem foliar. Inflorescência ca. 15 x 6-7 cm, terminal, piramidal ou cilíndrica, raque 12-24 cm compr.. Viarma. M C. quase inteiramente amarela; cíncino 2-3 flores, levemente aromáticas; pedúnculos e pedicelos ca. 1,5 cm compr.; botão floral 1,5-2 x 0,2-0, 3 cm, 2— falcado a falcado— curvo, ápice acuminado; cálcar ca. 1 x 0,1 cm, também falcado-curvo, geralmente reflexo; lacínios do cálice, os 4 menores ca. 5 mm compr., ovais, desiguais entre si; o maior ca. 2 x 0,6-0,8 cm, oblongo; pétalas 3, ca. 1 x 0,5 cm compr., quase iguais entre si, obovadas a oblongas, glabras; estame fértil ca. 1 ,5 cm compr., clavado, ápice obtuso, glabro ou com alguns cílios marginais na antera; filete ca. 3 mm compr.; parte fértil da antera ca. 7 mm compr., parte estéril tão longa quanto o filete (ca. 3 mm compr.); estaminódios ca. 0,5 mm, triangulares, delicados; ovário glabro, ca. 2 mm diâm.; estilete ca. 1,2 cm compr.; estigma 0,5 mm diâm., subcapitado. Cápsula 3,5-4 x 1?5 cm, superfície quase lisa; pedúnculo frutífero ca. 2 cm compr. Nome vulgar: canela-santa, guaricica (PR), murici-vermelho (RJ), pau-amarelo, pau-de- vinho, pau-tucano, vinheiro (SP). Distribuição geográfica: Brasil: Paraná, Rio de Janeiro e São Paulo. Fenologia: floresce de dezembro a março; frutifica a partir de março, com amadurecimento total dos frutos a partir de agosto. Material examinado: trilha Rodolfo Norte, próx. ao portão da REBIO, 21. VI. 1993, fl., fr., H. C. Lima et al. 4678 (GUA, RB); estrada para Jutumaíba, próx. ao portão da Reserva, 18.1.1994, bt., fl., H. C. Lima et al. 4863 (RB); 13.VII.1994, fr., H. C. Lima et al. 4934 (RB); estrada Jutumaíba, esquerda, km 0, 10.11.1994, bt., fl., C. Luchiari et al. 293 (GUA, RB); 10.11.1994, fl., fr., C. Luchiari et al. 295 (GUA, RB); 10.11.1994, fl., fr., C. Luchiari et al. 296 (GUA, RB); trilha do Pau Preto, margem do rio Pau Preto, 24.1.1995, fl., J. M. A. Braga et al. 1778 (RB, RUSU). Material adicional examinado: BRASIL. PARANÁ: Paranaguá, Alexandra, 3.1.1960, fl., G. Hatschbach 6627 (HB). RIO DE JANEIRO: Parati, Parati-Mirim, 8.VIII.1994, fr., R. Marquete 1955 (GUA, RB). Rodrigues ia 57 (3): 659-666. 2006 SciELO/JBRJ Vochysiaceae na Rebio de Poço das Antas 663 Figura 2 - VocHysia bifa, ca, a Warm. - a. parte do ramo do cálice; el-e3. pétalas; f. androceu; gl, g2. estammod.os; h. g.neceu estilete estigm j. cápsula, (a-i Hatschbach 6627; j Marquete 1955) Rodriguésia 57 (3): 659-666. 2006 SciELO/ JBRJ 12 664 Vianna, M. C. Vochysia bifalcata é um megafanerófito, geralmente em grupos gregários nas comunidades florestais da encosta atlântica, ocorrendo desde o nível do mar até ca. 400 m de altitude. Na Reserva Biológica de Poço das Antas ocorre preferencialmente em áreas de baixada, sob influência do lençol freático. V. bifalcata é facilmente reconhecida por suas folhas geralmente 3-verticiladas, inflorescências quase inteiramente áureas, dispostas na parte superior da copa, botões florais falcados e cálcar na maioria das vezes reflexo. 3. Vochysia gummifera Mart. ex Warm. in Mart., Fl. bras. 13 (2): 82. 1875. Fig. 3 Árvore ca. 30 m alt.; tronco reto, DAP ca. 50 cm; córtex gríseo. Ramos jovens sulcados, angulosos, ângulos correspondendo às bases das folhas. Estipulas ca. 1 mm compr., deltoides. Folhas 4-5-verticiladas; pecíolo 1,5-2 x 0,1 cm, base espessada; lâmina 12-16 x 3-5 cm, oblongo-lanceolada, coriácea, discolor, face adaxial da folha adulta glabra, brilhante e face abaxial, nas folhas jovens, densamente ferrugíneo- pubescente, pubescente nas folhas adultas, base agudo-atenuada, ápice acuminado ou agudo, venação foliar broquidódroma, nervuras secundárias ca. 35, formando ângulos de ca. 80° com a nervura mediana, nervura marginal localizada ca. 2 mm da margem foliar. Inflorescência ca. 15 cm compr., terminal, cilíndrica; cíncino 1-3 flores; pedúnculos 4-5 x 0,5-0, 8 mm; pedicelos 1-1,5 cm x 0,5-0, 8 mm; botão floral ca. 1,5 x 0,2 cm, curvo, cilíndrico, ápice obtuso ou subagudo; cálcar ca. 8 x 1,5 mm, reflexo, cilíndrico, subcurvo, ápice muito levemente espessado; lacínios menores do cálice ca. 2 mm compr., desiguais entre si, ciliados, dorsalmente pilosos; lacínio maior do cálice ca. 1,5 x 0,7 cm, obovado, ciliado, com tricomas curtos, castanhos, mais numerosos na base do lacínio; pétalas subiguais entre si, 5-8 mm compr., obovadas; estame fértil ca. 1 cm compr., subclavado; Filete ca. 2,5 mm; antera 7,5 mm compr., ápice obtuso, margem ciliada e parte basal estéril igual ao filete, ca. 2,5 mm; estaminódios desiguais, ligulados; ovário glabro, ca. 3 mm compr.; estilete ca. 8 mm compr., subclavado; estigma ca. 1 mm diâm., capitado. Fruto não observado. Nomes vulgares: árvore-da-goma-arábica, árvore-do-vinho, cabeluda-roxa (RJ), gomeira, gomeira-de-minas, pau-d’água, pau-de-vinho, pelado, vinheiro-do-campo. (Corrêa 1984). Distribuição geográfica: Brasil: Minas Gerais e Rio de Janeiro. Fenologia: floresce a partir de dezembro, provavelmente até março. Material examinado: trilha para Pelonha, estrada em frente à trilha do morro do calcário, 21. XII. 1994, bt., D. S. Farias et al. 362 (RB); trilha do morro do calcário, 1 1 .V. 1 994, vg„ D. S. Farias et al. 230 (RB). Material adicional examinado: BRASIL. MINAS GERAIS: Carangola, District Carangola, about 5 km North of fazenda da Grama North of Matto Virgem, on West-facing, 4.II.1930, fl., Y. Mexia 4317 { NY, VIC). RIO DE JANEIRO: Cantagallo, s.d., bt., T Peckolt 345 (BR); Rio das Ostras, Reserva Biológica União, 23. XI. 2000, bt., J. M. A. Braga 6502 (GUA, UENF). Como Vochysia bifalcata, Vochysia gummifera é um megafanerófito, que cresce geralmente em grupos gregários nas comunidades florestais da encosta atlântica, desde o nível do mar até ca. 400 m de altitude; na Reserva Biológica de Poço das Antas ocorre às vezes também na transição com a mata alagada de baixada. V. gummifera pertence à V. subsect. Discolores Stafleu, que se caracteriza por espécies dotadas de folhas com face abaxial pubescente. Agradecimentos Aos Curadores dos herbários citados no texto, pela disponibilização do material para estudo. A todos aqueles que colaboraram com suas valiosas sugestões. Rodriguésia 57 (3): 659-666. 2006 SciELO/ JBRJ 2 13 14 15 16 17 18 cm Figura 3 - Vochvsia gummifera Warm. - a, b. parte do ramo ílorido: a. folhas, b. inflorescência; cl. botão lloral com calcar; c2. lacínio maior do cálice; dl -d5. lacínios do cálice; el-e3. pétalas; f. androceu; g. gineceu- estilete e estigma; hl. ovário inteiro; h2. rudimentos seminíferos. (a Peckoll 345\ b-h Mexia 4317) Rodriguésia 57 (3): 659-666. 2006 SciELO/JBRJ L2 13 14 15 16 17 666 Vianna, M. C. Referências Bibliográficas Barroso, G. M.; Morim, M. P.; Peixoto, A. L. & Ichaso, C. L. F. 1999. Frutos e sementes. Morfologia aplicada à sistemática de dicotiledôneas. Universidade Federal de Viçosa, 443p. Corrêa, M. P. 1984. Dicionário das plantas úteis do Brasil e das exóticas cultivadas. Rio de Janeiro, Ministério Agricultura, Instituto Brasileiro de Desenvolvimento Florestal - IBDF, 2a ed., 6 v. Holmgren, P. K.; Keuken, W. & Schofield, E. K. 1990. Index Herbariorum, Part I: The Herbaria of the World. 8* ed., New York Botanical Garden, New York, 693p. Warming, E. 1867. Symbolae ad floram Brasiliae centralis cognoscendam. I. Videnskabelige meddelelser fra dansk naturhistorik forening i Kjobenhavn 1 : 1^45. Warming, E. 1 875. Vochysiaceae. In: Martius, C. F. P. von; Eichler, A. W. & Urban, 1. Flora brasiliensis. München, Wien, Leipzig 13(2): 17-116. Rodriguésia 57 (3): 659-666. 2006 SciELO/JBRJ .2 13 14 15 16 17 cm INSTRUÇÕES AOS AUTORES Escopo A Rodriguésia é uma publicação quadrimestral do Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro, que publica artigos e notas científicas, em Português, Espanhol ou Inglês em todas as áreas da Biologia Vegetal, bem como em História da Botânica e atividades ligadas a Jardins Botânicos. Encaminhamento dos manuscritos Os manuscritos devem ser enviados em 3 vias impressas à: Revista Rodriguésia Rua Pacheco Leão 9 1 5 Rio de Janeiro - RJ CEP: 22460-030 Brasil Fone: (0xx2 1 ) 3204-25 1 9 / 3204-2 1 30 Os artigos devem ter no máximo 30 páginas digitadas, aqueles que ultrapassem este limite poderão ser publicados após avaliação do Corpo Editorial. O aceite dos trabalhos depende da decisão do Corpo Editorial. Todos os artigos serão submetidos a 2 consultores ad hoc. Aos autores será solicitado, quando necessário, modificações de forma a adequar o trabalho às sugestões dos revisores e editores. Artigos que não estiverem nas normas descritas serão devolvidos. Serão enviadas aos autores as provas de página, que deverão ser devolvidas ao Corpo Editorial em no máximo 5 dias úteis a partir da data do recebimento. Os trabalhos, após a publicação, ficarão disponíveis em formato digital (PDF, AdobeAcrobat) no site do Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro (hltRi// Formato dos manuscritos Os autores devem utilizar o editor do texto Microsoft Word , versão 6.0 ou superior, fonte Times New Roman, corpo 12, em espaço duplo. O manuscrito deve ser formatado em tamanho A4, com margens de 2,5 cm e alinhamento justificado, exceto nos casos indicados abaixo, e impresso em apenas um lado do papel. Todas as páginas, exceto a do título, devem ser numeradas, consecutivamente, no canto superior direito. Letras maiusculas devem ser utilizadas apenas se as palavras exigem iniciais maiusculas, de acordo com a respectiva língua do manuscrito. Não serão considerados manuscritos escritos inteiramente em maiusculas. Palavras em latim devem estarem itálico, bem como os nomes científicos genéricos e infragenéricos. Utilizar nomes científicos com-pletos (gênero, espécie e autor) na primeira men-çâo, abreviando o nome genérico subseqüente-mente, exceto onde referência a outros gêneros cause confusão. Os nomes dos autores de táxons devem ser citados segundo Brummitt & Powell (1992), na obra “Authors of Plant Names”. Primeira página - deve incluir o título, autores, instituições, apoio financeiro, autor e endereço para correspondência e título abreviado. O título deverá ser conciso e objetivo, expressando a idéia geral do conteúdo do trabalho. Deve ser escrito em negrito com letras maiusculas utilizadas apenas onde as letras e as palavras devam ser publicadas em maiusculas. Segunda página - deve conter Resumo (incluindo título em português ou espanhol), Abstract (incluindo título em inglês) e palavras-chave (até 5, em português ou espanhol e inglês). Resumos e abstracts devem conter até 200 palavras cada. O Corpo Editorial pode redigir o Resumo a partir da tradução do Abstract em trabalhos de autores não fluentes em português. Texto - Iniciar em nova página de acordo com sequência apresentada a seguir: Introdução, Material e Métodos, Resultados, Discussão, Agradecimentos e Referências Bibliográficas. Estes itens podem ser omitidos em trabalhos sobre a descrição de novos táxons, mudanças nomcncluturais ou similares. O item Resultados pode ser agrupado com Discussão quando mais adequado. Os títulos (Introdução, Material e Métodos etc.) e subtítulos deverão serem negrito. Enumere as figuras e tabelas em arábico de acordo com a seqüência em que as mesmas aparecem no texto. As citações de referências no texto devem seguir os seguintes exemplos: Miller( 1 993), Miller& Maier ( 1 994), Baker et al. (1996) para três ou mais autores ou (Miller 1993), (Miller & Maier 1994), ( Baker et al. 1996). Referência a dados ainda não publicados ou trabalhos submetidos deve ser citada conforme o exemplo: (R.C. Vieira, dados não publicados). Cite resumos de trabalhos apresentados em Congressos, Encontros e Simpósios se estritamente necessário. SciELO/ JBRJ 12 13 14 15 16 17 cm .. O material examinado nos trabalhos taxonômicos deve ser citado obedecendo a seguinte ordem: local e data de coleta, fl., ff., bot. (para as fases fenológicas), nome e número do coletor (utilizando et al. quando houver mais de dois) e sigla(s) do(s) herbário(s) entre parêntesis, segundo o Index Herbariorum. Quando não houver número de coletor, o número de registro do espécime, juntamente com a sigla do herbário,deverá ser citado. Os nomes dos países e dos estados/províncias deverão ser citados por extenso, em letras maiúsculas e em ordem alfabética, seguidos dos respectivos materiais estudados. Exemplo: BRASIL. BAHIA: Ilhéus, Reserva da CEPEC, 1 5.XII. 1 996, fl. e fr., R, C. Vieiraetal. 10987) MBM, RB, SP). Para números decimais, use vírgula nos artigos em Português e Espanhol (exemplo: 1 0,5 m) e ponto em artigos em Inglês (exemplo: 10.5 m). Separe as unidades dos valores por um espaço (exceto em porcentagens, graus, minutos e segundos). Use abreviações para unidades métricas do Systeme Internacional d Unités (SI) e símbolos químicos amplamente aceitos. Demais abreviações podem ser utilizadas, devendo ser precedidas de seu significado por extenso na primeira menção. Referências Bibliográficas — Todas as referências citadas no texto devem estar listadas neste item. As referências bibliográficas devem ser relacionadas em ordem alfabética, pelo sobrenome do primeiro autor, com apenas a primeira letra em caixa alta, seguido de todos os demais autores. Quando houver repetição do(s) mesmo(s) autor(es), o nome do mesmo deverá ser substituído por um travessão; quando o mesmo autor publicar vários trabalhos num mesmo ano, deverão ser acrescentadas letras alfabéticas após a data. Os títulos de periódicos não devem ser abreviados. Exemplos: Tolbert, R. J. & Johnson, M. A. 1966. A survey of the vegetative shoot ápices in the family Mal vaceae. American Journal of Botany 53( 1 0)- 961-970. Engler, H. G A. 1 878. Araceae. In: Martius, C. F. P. von; Eichler, A. W. & Urban, I. Flora brasiliensis. Munchen, Wien, Leipzig, 3(2): 26-223. • 1 930. Liliaceae. In: Engler, H. G A. & Plantl, K. A. E. Die Naturlichen Pflanzenfamilien. 2. Aufl. Leipzig (Wilhelm Engelmann). 1 5: 227-386. Sass, J. E. 1951 . Botanical microtechnique. 2ed. Iowa State College Press, Iowa, 228p. Cite teses e dissertações se estritamente necessário, isto é, quando as informações requeridas para o bom entendimento do texto ainda não foram publicadas em artigos científicos. Tabelas - devem ser apresentadas em preto e branco, no formato Word for Windows. No texto as tabelas devem ser sempre citadas de acordo com os exemplos abaixo: Apenas algumas espécies apresentam indumento (Tab. 1)...” Os resultados das análises fitoquímicas são apresentados na Tabela 2...” Figuras - não devem ser inseridas no arquivo de texto. Submeter originais em preto e branco e três cópias de alta resolução para fotos e ilustrações, que também podem ser enviadas em formato eletrônico, com alta resolução, desde que estejam em formato TIF ou compatível com CorelDra\\\ versão 10 ou superior. Ilustrações de baixa qualidade resultarão na devolução do manuscrito. No caso do envio das cópias impressas a numeração das figuras, bem como textos nelas inseridos, devem ser assinalados com Letraset ou similar em papel transparente (tipo manteiga), colado na parte superior da prancha, de maneira a sobrepor o papel transparente à prancha, permitindo que os detalhes apareçam nos locais desejados pelo autor. Os gráficos devem ser em preto e branco, possuir bom contraste e estar gravados em arquivos separados em disquete (formato TIF ou outro compatível com CorelDraw 10). As pranchas devem possuir no máximo 15 cm larg. x 22 cm comp. (também serão aceitas figuras que caibam em uma coluna, ou seja. 12 cm Iarg.x 22 cm comp.). As figuras que excederem mais de duas vezes estas medidas serão recusadas. As imagens digitalizadas devem ter pelo menos 600 dpi de resolução. No texto as figuras devem ser sempre citadas de acordo com os exemplos abaixo: “Evidencia-se pela análise das Figuras 25 e 26....” “Lindman (Fig. 3) destacou as seguintes características para as espécies...” Após feitas as correções sugeridas pelos assessores e aceito para a publicação, o autor deve enviar a versão final do manuscrito em duas vias impressas e em uma eletrônica. SciELO/JBRJ 2 13 14 15 16 17 18 cm INSTRUCCIONES A LOS AUTORES Generalidades Rodriguésia es una publicación quadrimestral dei Instituto de Investigaciones dei Jardín Botânico de Rio de Janeiro, la cual publica artículos y notas científicas, en Português, Espafiol y Inglês en todas las áreas de Biologia Vegetal, asi como en Historia de la Botânica y actividades ligadas a Jardines Botânicos. Preparación dei manuscrito Los manuscritos deben ser enviados en tres copias impresas a la: Revista Rodriguésia Rua Pacheco Leão 9 1 5 Rio de Janeiro - RJ CEP: 22460-030 - Brasil Fone: (0xx2 1 ) 3204-25 1 9 / 3204-2 1 30 Los artículos pueden tener una extensión máxima de 30 páginas (sin contar cuadros y figuras), los que se extiendan más de 30 páginas podrán ser publicados después de ser evaluados por el Consejo Editorial. La aceptación de los trabajos depende de la decisión dei Comité Científico. Todos los artículos serán examinados por dos consultores ad hoc. A los autores será solicitado, cuando sea necesario, modificaciones para adecuar el manuscrito para adecuarlo a Ias sugerencias de los revisores y editores. Artículos que no sigan las normas descritas serán devueltos. Serán enviados a los autores las pruebas de página, las cuales deberán ser dcvueltas al Consejo Editorial en un plazo máximo de cinco dias a partir de la fecha de recibimiento. Después de publicados los artículos estarán disponibles en formato digital ( PDF, AdobeAcrobat) en el site dei Instituto de Investigaciones dei Jardín Botânico de Rio de Janeiro Preparación de los manuscritos Los autores deben utilizar el editor de texto Microsoft Word 6.0 o superior, letra Times New Roman 12 puntos y doble espacio. El manuscrito debe estar formateado en hojas tamaflo A4, impresas por un solo lado, con márgenes 2,5 cm en todos los lados de la página y el texto alineado a Ia izquierda y a la dcrecha, excepto en los casos indicados abajo. Todas las páginas, excepto el título, deben ser numeradas, consecutivamente, en la esquina superior derecha. Las letras mayúsculas deben ser utilizadas apenas en palabras que exijan iniciales mayúsculas, de acuerdo con el respectivo idioma usado en el manuscrito. No serán considerados manuscritos escritos completamente con letras mayúsculas. Palabras en latín, nombrcs científicos genéricos e infra-genéricos deben estar escritas en letra itálica. Utilizar nombres científicos completos (género, especie y autor) solo la primera vez que sean mencionados, abreviando el nombre genérico en las próximas veces, excepto cuando los otros nombres genéricos sean iguales. Los nombres de autores de los taxones deben ser citados siguiendo Brummitt & Powell ( 1 992) en la obra “Authors of Plant Names”. Primera página - debe incluir el título, autores, afiliación profesional, financiamiento, autor y dirección para correspondência, así como título abreviado. El título deberá ser conciso y objetivo, expresando la idea general dei contenido dei artículo; además, debe ser escrito en negrita con letras mayúsculas utilizadas apenas donde las letras y las palabras deban ser publicadas en mayúsculas. Segunda página - debe tener un Resumen (incluyendo título en português o espafiol), Abstract (incluyendo título en inglês) y palabras clave (hasta cinco, en português o espaflol e inglês). Resúmenes y “abstracts” llevan hasta 200 palabras cada uno. El Consejo Editorial puede traducir el “abstract”, para hacer el Resumen en trabajos de autores que no tienen fluência en português. Texto - iniciar en una nueva página de acuerdo con secuencia presentada a seguir: Introducción, Materiales y Métodos, Resultados, Discusion, Agradecimientos y Referencias Bibliográficas. Estas secciones pueden ser omitidas en trabajos relacionados con la descripeión de nuevos taxones, câmbios nomcnclaturales o similares. La sección Resultados puede ser agrupada con Discusión cuando se considere pertinente. Las secciones (Introducción, Material y Métodos, etc.) y subtítulos deberán ser escritas en negritas. Las figuras y las tablas se deben numerar en arábigo de acuerdo con la secuencia en que las mismas aparezean en el texto. Las citaciones de referencias en el texto deben seguir los ejemplos: Miller (1993), Miller & Maier ( 1 994), Baker et al. ( 1 996) para tres o mas autores o (Miller, 1993), (Miller & Maier, 1 994), (Baker et al. , 1 996). Las referencias a datos todavia no publicados o trabajos sometidos a publicación deben ser citados conforme al ejemplo: (R.C. Vieira, com. pers. o R.C. Vieira obs. pers.). Cite resúmenes de trabajos presentados en Congresos, Encuentros y Simposios cuando sea estrictamente necesario. SciELO/JBRJ 2 13 14 15 16 17 18 cm El material examinado en los trabajos taxonómicos debe ser citado obedeciendo el siguiente orden: lugar y fecha de colección, fl., fr., bot. (para las fases fenológicas), nombre y número dei colector (utilizando et al. cuando existan más de dos) y sigla(s) de lo(s) herbario(s) entre parêntesis, siguiendo el Index Herbariorum. Cuando no exista número de colector, el número de registro dei espécimen, juntamente con la sigla dei herbário, deberá ser citado. Los nombres de los países y de los estados o províncias deberán ser citados por extenso, en letras mayúsculas y en orden alfabética, seguidos de los respectivos materiales estudiados. Ejemplo: BRASIL. BAHIA: Ilhéus, Reserva da CEPEC, 1 5.XII. 1 996, fl. y ff., 7?. C. Vieiraetal. 10987( MBM, RB, SP). Para números decimales, use coma en los artículos en Português y Espanol (ejemplo: 1 0,5 m) y punto en artículos en Inglês (ejemplo: 10.5 m). Separe las unidades de los valores por un espacio (excepto en porcentajes, grados, minutos y segundos). Use abreviaciones para unidades métricas dei Systeme Internacional d’Unités (SI) y símbolos químicos ampliamente aceptados. Las otras abreviaciones pueden ser utilizadas, debiendo ser precedidas de su significado por extenso en la primera mención. Referencias Bibliográficas - Todas las referencias citadas en el texto deben ser listadas en esta sección. Las referencias bibliográficas deben ser ordenadas en orden alfabético por apellido dei primer autor, solo la primera letra debe estar en caja alta, seguido de todos los demás autores. Cuando exista repetición del(los) mismo(s) autor(es), el nombre dei mismo deberá ser substituído por una raya; cuando el mismo autor tenga vários trabajos en un mismo ano, deberán ser colocadas letras alfabéticas después de la fecha. Los títulos de revistas no deben ser abreviados. Ejemplos: Tolbert, R. J. & Johnson, M. A. 1 966. A survey of the vegetative shoot ápices in the family Malvaceae. American Journal of Botany 53(10): 961 -970. Engler, H. G A. 1 878. Araceae. In: Martius, C. F. P. von; Eichler, A. W. & Urban, I. Flora brasiliensis. Munchen, Wien, Leipzig, 3(2): 26-223. • 1 930. Liliaceae. In: Engler, H. G A. & Plantl, K. A. E. Die Naturlichen Pflanzenfamilien. 2. Aufl. Leipzig (WilhelmEngelmann). 15:227-386. Sass, J. E. 1 95 1 . Botanical microtechnique. 2ed. Iowa State College Press, Iowa, 228p. Cite tesis y disertaciones si es estrictamente necesario, o cuando las informaciones requeridas para un mejor entendimiento dei texto todavia no fueron publicadas en artículos científicos. Tablas - deben ser presentadas en blanco y negro, en el formato Word para Windows. En el texto las tablas deben estar siempre citadas de acuerdo con los ejemplos abajo: “Apenas algunas especies presentan indumento (Tab. 1)...” “Los resultados de los análisis fitoquímicos son presentados en la Tabla 2...” Figuras - no deben ser inseridas en el archivo de texto. Someter originales en blanco y negro tres copias de alta resolución para fotos y ilustraciones, que también puedan ser enviadas en formato electrónico, con alta resolución, desde que sean en formato JPG o compatible con CorelDraw versión 9 o superior. Ilustraciones de baja calidad causaran la devolución dei manuscrito. En el caso de envio de las copias impresas la numeración de las figuras, así como, textos en ellas inseridos, deben ser marcados con Letraset o similar en papel transparente (tipo mantequilla), pegado en la parte superior de la figura, de manera que al colocar el papel transparente sobre la figura permitiran que los detalles aparezcan en los lugares deseados por el autor. Los gráficos deben ser en blanco y negro, con excelente contraste y gravados en archivos separados en disquete (formato JPG o otro compatible con CorelDraw 10.). Las figuras se publican con un de máximo 1 5 cm de ancho x 22 cm de largo, también serán aceptas figuras dei ancho de una columna - 7,2 cm. Las figuras que excedan más de dos veces estas medidas serán devueltas. Es necesario que las figuras digitalizadas tengan al menos 600 dpi de resolución. En el texto las figuras deben ser siempre citadas de acuerdo con los ejemplos de abajo: Evidencia para el análisis de las Figuras “*5 v 26....” Lindman (Fig. 3) destaco las siguientes características para las especies...” Después de hacer las correcciones sugeridas por los asesores y siendo aceptado el articulo para publicación, el autor debe enviar la versión final dei manuscrito en dos copias impresas y en una copia electrónica. Identifique el disquete con nombre y número dei manuscrito. SciELO/JBRJ 2 13 14 INSTRUCTIONS TO AUTHORS Scope Rodriguésia, issued three times a year by the Botanical Garden of Rio de Janeiro Research Institute (Instituto de Pesquisa Jardim Botânico do Rio de Janeiro), publishes scientific articles and short notes in all areas of Plant Biology, as well as History of Botany and activities linked to Botanic Gardens. Articles are published in Portuguese, Spanish or English. Submission of manuscripts Manuscripts are to be submitted with 3 printed copies (we will request the text on diskette or as an e-mail attachment after the review stage) to: Revista Rodriguésia Rua Pacheco Leào 9 1 5 Rio de Janeiro - RJ CEP: 22460-030 Brazil Fone: (0xx2 1 ) 3201-25 1 9 / 3204-2 1 30 The maximum recommended length of the articles is 30 pages, but larger submissions may be published after evaluation by the Editorial Board. The articles are considered by the Editorial Board of the periodical, and sent to 2 referees ad hoc. The authors may be asked, when deemed necessary, to modify or adapt the submission according to the suggestions of the referees and the editors. Once the article is accepted, it will be type-set and the authors will rcceive proofs to review and send back in 5 working days from receipt. Following their publication, the articles will be available digitally (PDF, AdobeAcrobat) at the site of the Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro ( httpi/Avww jbrj.goY.br). Guidelines Manuscripts must be presented in Microsoft Word software (vs 6.0 ou more recent), with Times New Roman font size 12, double spaced. Page format must be size A4, margins 2,5 cm, justified (except in the cases explained below), printed on one side only. All pages, except the title page, must be numbered in the top right comer. Capital letters to be used only for initials, according to the language. Latin words must be in italics (incl. genera and all other categories below generic levei), and the scientific names have to be complete (genus, species and author) when they first appear in the text, and afterwards the genus can be abbreviated and the authority of the name suppressed, unless for some reason it may be cause for confusion. Names of authors to be cited according to Bmmmitt & Powell ( 1 992), “Authors of Plant Names”. First page - must include title, authors, addresses, financial support, main author and contact address and abbreviated title. The title must be short and objective, expressing the general idea of the contents of the article. It must appear in bold with capital letters where relevant. Second page - must contain a Portuguese summary (including title in Portuguese or Spanish), Abstract (including title in English) and key-words (up to 5, in Portuguese or Spanish and in English). Summaries and abstracts must contain up to 200 words each. The Editorail Board may translate the Abstract into a Portuguese summary if the authors are not Portuguese speakers. Text - starting on a new page, according to the following sequence: Introduction, Material and Methods, Results, Discussion, Acknowledgements and References. Some ofthese items may be omitted in articles describing new taxa or presenting nomenclatural changes, etc. In some cases, the Results and Discussion can be merged. Titles (Introduction, Material and Methods, etc.) and subtitles must be in bold type. Number figures and tables in 1-10 etc., according with the sequence these occupy within the text. References within the text should be in the following forms: Millcr (1993), Miller& Maier( 1994), Baker et al. (1996) for three or more authors or (Miller 1993), (Miller & Maier 1 994), (Baker et al. 1996). Unpublisheddata should appear as: (R. C. Vieira, unpublishcd). Conference, Symposia and Mectings abstracts should only be cited if strictly necessary. ForTaxonomic Botany articles, the examined material ought to be cited following this order: locality and date of collection, phcnology (II., fr., bud), name and number of collector (using et al. when more than two coilectors were present) and acronym of the herbaria between brackets, according to Index Herbariorum. When the collector 's number is not available, the herbarium record number should be cited prcceded by the Herbariutrfs acronym. Names of countries and states/provinces should be cited in full, in capital SciELO/JBRJ 12 13 14 15 16 17 cm .. letters and in alphabetic order, followed by the material studied, for instance: BRASIL. BAHIA: Ilhéus, Reserva da CEPEC, 15.XII.1996, fl. eff.,R. C. Vieira et al. 109871 MBM, RB, SP). Decimal numbers should be separated by comma in articles in Portuguese and Spanish (e.g.: 10,5 m), full stop in English (e.g.: 10.5 m). Numbers should be separated by space from the unit abbreviation, except in percentages, degrees, minutes and seconds. Metric units should be abbreviated according to the Système Internacional d'Unités (SI), and Chemical symbols are allowed. Otherabbreviations can be used as long as they are explained in full when they appear for the first time References - All references cited in the text must be listed within this section in alphabetic order by the sumame of the first author, only the first letter of sumames in upper case, and all other authors must be cited. When there are several works by the same author, the sumame is substituted by a long dash; when the same author publishes more than one work in the same year, these should be differentiated by lower case letters suffixing the year of publication. Titles of papers and joumals should be in full and not abbreviated. Examples: Tolbert, R. J. & Johnson, M. A. 1966. A survey of the vegetative shoot ápices in the family Malvaceae. American Journal of Botany 53( 1 0): 961-970. Engler, H. G A. 1 878. Araceae. In: Martius, C. F. P. von; Eichler, A. W. & Urban, I. Flora brasiliensis. Munchen, Wien, Leipzig, 3(2): 26-223. . 1930. Liliaceae. In: Engler, H. G A. & Plantl, K. A. E. Die Naturlichen Pflanzenfamilien. 2. Aufl. Leipzig (Wilhelm Engelmann). 15: 227-386. Sass,J. E. 1951.Botanicalmicrotechnique. 2ed. Iowa State College Press, Iowa, 228p. MSc and PhD thesis should be cited only when strictly necessary, if the information is as yet unpublished in the form of scientific articles. Tables — should be presented in black and white, in the same software cited above. In the text, tables should be cited following in the examples below: “Only a few species present hairs (Tab. 1 )...” Results to the phytochemical analysis are presented in Table 2...” Figures (must not be included in the file with text) - submit originais in black and white high good quality copies for photos and illustrations, or in electronic form with high resolution in format TIF 600 dpi, or compatible with CorelDraw (vs. 1 0 or more recent). Scripts submitted with low resolution or poor quality illustrations will be retumed to the authors. In case of printed copies, the numbering and text of the figures should be made on an overlapping sheet of transparent paper stuck to the top edge of the plates, and not on the original drawing itself. Graphs should also be black and white, with good contrast, and in separate files on disk (format TIF 600 dpi, or compatible with CorelDraw 1 0). Plates should be a maximum of 1 5 cm wide x 22 cm long for a full page, or column size, with 7,2 cm wide and 22 cm long. The resolution for grayscale images should be 600 dpi. In the text, figures should be cited according to the following examples: “It is made obvious by the analysis of Figures 25 and 26....” “Lindman (Fig. 3) outlined the following characters for the species...” After adding modifications and corrections suggested by the two reviewers, the author should submit the final version of the manuscript electronically plus two printed copies. SciELO/JBRJ 2 13 14 15 16 17 18 Consultores ad hoc da Rodriguésia em 200 6, volume 57 (1 , 2, 3) Alessandro Rapini Ana Luiza Du Bocage André Amorim Andréa Ferreira da Costa Andréia Silva Flores Angela Lúcia Sartori Cássia Mônica Sakuragui Celso Luis Salgueiro Lage Danielle Freire Domingues Denise Pinheiro Costa Denise Trombert de Oliveira Dora Maria Villela José Doroth Sue Dunn de Araújo Douglas Antônio de Carvalho Edenise Segala Alves Eduardo van den Berg Eliana Forni Martins Elsie Franklin Guimarães Fátima Regina Salimena Fernanda Reinert Thomé Macrae Flávia Cristina Pinto Garcia Francisco Araújo Franklin Galvão Frederico Augusto Guimarães Guilherme Gardene Maria de Sousa Herly Carlos Teixeira Dias Inês Cordeiro Ivan Schiavini Jefferson Prado João André Jarenkow João Renato Stehmann José Aldo Alves Pereira José Márcio Rocha Faria José Roberto Rodrigues Pinto Júlio Lombardi Karen Lucia De Toni Katia Torres Ribeiro Leonor Patrícia Cerdeira Morellato Luci de Senna-Valle Lúcia Garcez Lohmann Lúcia Helena Soares Silva Marcelo Tabarelli Marcelo Trindade Nascimento Marco Aurélio Leite Fontes Marcos Sobral Maria Cecília de Chiara Moço Maria das Graças Lapa Wanderley Maria de Fátima Agra Maria Teresa Zugliani Toniato Marli Pires Morim Maryland Sanchez Maura da Cunha Milton Groppo Júnior Paul Berry Paul Maas Paulo Henrique Labiak Evangelista Regina Helena Potsch Andreatta Renato de Mello-Silva Renato Goldenberg Ricardo Ribeiro Rodrigues Ricardo Tadeu de Faria Rosana Romero Rosângela Alves Tristão Borém Sebastião Venâncio Martins Silvia Teresinha Sfoggia Miotto Vinícius Castro Souza Yule Roberta Ferreira Nunes ;SciEL0/ JBRJ 12 13 14 15 16 17 Impressão e Acabamento Imprínta Express Gráfica e Editora Ltda. 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